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Anatomia: Posições e Classificação Óssea

O documento aborda os conceitos fundamentais da anatomia, incluindo a definição de normalidade, variação anatômica, anomalias e malformações. Descreve a posição anatômica de referência, os planos anatômicos e a terminologia médica relacionada ao sistema músculo-esquelético, que é dividido em esqueleto axial e apendicular. Além disso, detalha a classificação dos ossos, a ossificação e os centros de ossificação, explicando os processos envolvidos na formação e crescimento dos ossos.

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Beatriz Nunes
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Anatomia: Posições e Classificação Óssea

O documento aborda os conceitos fundamentais da anatomia, incluindo a definição de normalidade, variação anatômica, anomalias e malformações. Descreve a posição anatômica de referência, os planos anatômicos e a terminologia médica relacionada ao sistema músculo-esquelético, que é dividido em esqueleto axial e apendicular. Além disso, detalha a classificação dos ossos, a ossificação e os centros de ossificação, explicando os processos envolvidos na formação e crescimento dos ossos.

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Introdução ao Estudo da Anatomia

Normal: tudo o que é considerado estatisticamente mais comum para o anatomista, ou


seja, o que é encontrado na maioria dos casos.

Variação anatómica: alteração do padrão normal sem prejuízo da função.

Anomalia: quando ocorre um prejuízo funcional.

Malformação: anomalia muito acentuada, deformando profundamente a estrutura


normal do corpo humano.

Posição anatómica de referência

Esta posição pressupõe que o indivíduo esteja


na posição ereta (em pé, posição ortostática ou
bípede), de frente para o observador, olhar
dirigido para o horizonte, calcanhares unidos,
membros superiores pendentes ao longo do
corpo, com a palma da mão virada para a frente
e os dedos estendidos e unidos e o polegar para
fora.

Planos anatómicos

Plano sagital

Passa pelo meio da coluna vertebral, dividindo o corpo em duas porções: lateral direita
e lateral esquerda.

Este plano faculta ainda as noções de medial e lateral.


Pode ser dividido em: sagital mediano (divide o corpo em metades idênticas) e sagital
paramediano (divide o corpo em metades de tamanhos diferentes).

As ações articulares ocorrem em torno de um eixo horizontal ou transversal e incluem


os movimentos de flexão e extensão.

Plano coronal ou frontal

Consiste num plano vertical e que passa ao nível do promontório, isto é, o ângulo
formado entre a 5ª vertebra lombar e o sacro.

Este plano condiciona a noção de anterior ou ventral, isto é, tudo o que se situa
anteriormente ao plano, e posterior ou dorsal, o que se situa posteriormente ao plano.

As ações articulares ocorrem em torno de um eixo ântero-posterior (AP) e incluem


a abdução e a adução.
Plano axial ou horizontal

Consiste num plano transversal, que divide o corpo em partes superior (cranial)
e inferior (caudal) aproximadamente iguais, passando ao nível da base do sacro.

As ações articulares ocorrem em torno de um eixo longitudinal ou vertical e incluem


a rotação medial – lateral e pronação – supinação.

Terminologia médica

Rostral: Em direção ao rosto; Flexor: Músculo com função de fletir;

Apical: Longe da base; Extensor: Músculo com função de


estender;
Axial: Em torno do eixo central;
Voltar: Palma/planta da mão ou pé;
Basal/basilar: Na base;
Longitudinal: Ao longo do eixo maior;
Interior: Olha para dentro;
Transversal: Ao longo do eixo menor;
Exterior: Olha para fora;
Ipsilateral: Do mesmo lado;
Luminal: No interior da cavidade/órgão;
Colateral: Lados opostos.
Osteologia
O sistema músculo-esquelético tem como funções:

• Sustentação;
• Proteção e Suporte;
• Flexibilidade do corpo;
• Armazenamento de energia e minerais;
• Local de produção de células sanguíneas.

O esqueleto pode ser dividido em:

• Axial: conjunto crânio-vertebral (cabeça + tronco);


• Apendicular: membros superiores e inferiores.

Classificação dos ossos

Ossos longos

São aqueles em que o comprimento predomina sobre outras dimensões, como


por exemplo o fémur, a tíbia, a fíbula, o rádio ou a ulna.

Nos ossos longos, há a considerar o corpo ou diáfise e as duas extremidades


ou epífises.

Epífise: Extremidade do osso constituída por osso esponjoso;


• Cartilagem epifisária: Região de crescimento do osso;
• Lâmina epifisária: Região que separa a epífise da diáfise, sendo responsável pelo
crescimento do osso;
• Linha epifisária: Lâmina epifisária ossificada.

Diáfise: Colo do osso constituído por osso compacto;

Metáfise: Transição entre a epífise e a diáfise.

Ossos alongados

Constituem uma variedade de ossos longos, mas com menor comprimento, como a
clavícula, os metacarpais, os metatarsais ou as falanges.

Não apresentam canal medular.

Ossos arqueados

São aqueles que são mais ou menos encurvados, como a mandíbula ou o osso hióide.

Ossos radiários

São aqueles que são constituídos por um corpo mais ou menos volumoso, de onde
partem prolongamentos geralmente simétricos, como as vértebras ou o esfenóide.

Ossos largos, planos ou achatados

São aqueles em que o comprimento e a largura predominam sobre a espessura, como o


frontal, occipital, os parietais, a escápula, os coxais, os nasais ou o vómer.

Ossos curtos

São aqueles em que o comprimento, largura e espessura são sensivelmente iguais, como
o tálus, o calcâneo, o escafóide, o semilunar, o piramidal, o trapézio ou o trapezóide.
Ossos pneumáticos

São alguns dos ossos do crânio ou da face, que apresentam cavidades, como o maxilar,
o frontal, o temporal ou o esfenóide.

Ossos sesamoides

Consistem em pequenos nódulos inseridos nos tendões que fornecem


apoio extra e reduzem a pressão sobre os restantes tecidos, por exemplo no
pé.

Macroscopicamente, os ossos podem ser classificados como:

• Compactos: sem cavidades visíveis e encontrados na diáfise;


• Esponjosos: com cavidades visíveis e encontradas nas epífises.

Os ossos são revestidos internamente pelo periósteo e internamente pelo endósteo. O


tecido ósseo compacto que reveste a cavidade medular recebe o nome de substância
cortical.

Na cavidade medular dos ossos é possível existir dois tipos de medula óssea:
• Vermelha: rica em tecido hematopoiético, produzindo as células sanguíneas,
sendo comum no desenvolvimento embrionário;
• Amarela: rica em tecido adiposo, sendo comum em estadios adultos.

Elementos descritivos dos ossos

Na superfície dos ossos encontramos acidentes anatómicos, que podem ser descritos
como:

Ápice: extremidade pontiaguda

Arco: estrutura com uma configuração em curva

Bordo: limite entre duas faces ou superfícies

Canal: passagem tubular arredondada

Capítulo: projeção articular pequena e redonda

Cavidade: depressão

Colo: parte retraída do osso

Côndilo: projeção articular saliente e arredondada

Crista: saliência linear, elevação, projeção estreita, linha óssea aguçada

Eminência: protuberância, saliência regular, saliência arredondada

Impressão: marca de pressão

Espinha: projeção afilada, processo agudo e fino, saliência fina e pontiaguda, elevação
longa e pontiaguda

Epicôndilo: projeção não articular, processo não articular, saliência não articular
(superior a um côndilo)

Face: superfície
Faceta: superfície articular plana e lisa

Fissura: abertura em forma de fenda, abertura, fenda, fenda estreita

Forâmen: orifício circular, abertura arredondada

Fossa: depressão, cavidade, superfície côncava deprimida

Fosseta: pequena fossa

Fóvea: superfície articular, concava, convexa ou plana

Hiato: abertura estreita

Incisura: depressão entalhada, depressão em U, reentrância, corte

Lamina: estrutura plana e fina

Linha: pequena crista linear, pequena elevação linear

Maléolo: processo arredondado

Margem: limite entre duas faces ou superfícies

Meato: estrutura tubular, canal

Poro: abertura de um meato

Processo: projeção óssea, proeminência acentuada , saliência acentuada, elevação


acentuada, expansão acentuada

Protuberância: saliência regularmente arredondada

Seio: cavidade, espaço oco, cavidade arejada

Sulco: goteira, depressão linear alongada, ranhura alongada

Trocânter: grande elevação arredondada, grande processo arredondado

Tróclea: projeção articular semelhante a uma roda, que atua como uma roldana
Tubérculo: pequena proeminência arredondada, pequeno processo arredondado,
pequena elevação arredondada

Tuberosidade: média proeminência arredondada, médio processo arredondado, média


elevação arredondada

Túber: média proeminência arredondada e rugosa, médio processo

Ossificação

Centros de ossificação

Os centros de ossificação são zonas do osso irrigadas por capilares, a partir do qual
acontece o crescimento ósseo. Os centros de ossificação podem ser:

• Primário: o tecido ósseo formado substitui a maior parte da cartilagem no corpo


principal do modelo ósseo. Surge a partir dos capilares sanguíneos e origina a
diáfise, que cresce enquanto o osso se desenvolve.

• Secundário: surgem em outras partes do osso em desenvolvimento após o


nascimento, originando as epífises.

Ossificação intramembranosa

Consiste na formação de modelos mesenquimais dos ossos durante o período


embrionário, e a ossificação direta do mesênquima começa no período fetal.
Este tipo de ossificação dá origem aos ossos frontal, parietal e de parte do occipital, do
temporal, do maxilar e da mandíbula, contribuindo também para o crescimento dos
ossos curtos e para o crescimento em espessura dos ossos longos.

As células mesenquimatosas diferenciam-se em osteoblastos que vão começar a formar


o centro de ossificação primário, isto é, o blastema ósseo (conjuntos de células que
retraem os prolongamentos, de modo a que fiquem mais curtos e que se vão dividindo
para começarem a produzir matriz óssea). Esta vai originar trabéculas de osso com os
osteócitos no seu interior e osteoblastos à periferia.

Os vários centros de ossificação crescem radialmente acabando por substituir a


membrana conjuntiva pré-existente, daí a palpação do crânio dos recém-nascidos
revelarem áreas moles, ou fontículos ou fontanelas, onde as membranas conjuntivas
ainda não estão ossificadas.

Nos ossos achatados da abóbada craniana as duas lâminas de tecido compacto tomam
o nome de tábuas: tábua interna ou endocraniana e tábua externa ou exocraniana. O
tecido esponjoso entre as duas tábuas designa-se por díploe.
Ossificação endocondral

Este tipo de ossificação tem início sobre uma peça de cartilagem hialina de forma
semelhante à do osso que se vai formar, porém de tamanho menor. Este tipo de
ossificação é o principal responsável pela formação dos ossos curtos e longos e faz-se
em duas fases:

1. A cartilagem hialina sofre algumas modificações:


• Diferenciação de condroblastos em condrócitos
• Calcificação da matriz
• Hipertrofia dos condrócitos, sofrendo posteriormente apoptose
• Transformação do pericôndrio em periósteo
• Deposição de uma fina camada de tecido ósseo por baixo do periósteo

2. As cavidades da cartilagem calcificada resultantes da morte dos condrócitos são


invadidas por capilares sanguíneos e células mesenquimatosas indiferenciadas
vindas do tecido conjuntivo adjacente.
• Diferenciação de células mesenquimatosas em osteoblastos
• Deposição dos osteoblastos em matriz óssea, sobre os restos da
cartilagem calcificada (tecido cartilagíneo → tecido ósseo)

Ponte de apoio à ossificação

O centro de ossificação primário aparece na parte média da diáfise. O seu rápido


crescimento no sentido longitudinal acaba por ocupar toda a diáfise que fica assim
formada por tecido ósseo. A expansão do centro primário é acompanhada pelo
crescimento do cilindro ósseo que se formou no pericôndrio e que cresce também na
direção das epífises.

Desde o início da formação do centro primário que surgem osteoclastos e ocorre


absorção do tecido ósseo formado no centro da cartilagem, aparecendo assim o canal
medular, o qual também cresce longitudinalmente à medida que a ossificação progride.
Muito mais tarde formam-se os centros de ossificação secundária, um em cada epífise,
porém não simultaneamente. Esses centros são idênticos ao centro primário da diáfise,
mas o seu crescimento é radial em vez de longitudinal. Além disso, nas superfícies
articulares não existe pericôndrio, de modo que não se forma o anel ósseo.

No nascimento os corpos diafisários já se encontram bastante ossificados, mas a maior


parte das epífises ainda é cartilagínea. A maioria dos centros secundários de ossificação
aparece nas epífises durante os primeiros anos após o nascimento, aparecendo contudo
os da extremidade distal do fémur e da extremidade proximal da tíbia, entre as 34-38
semanas de gestação.

Quando o tecido ósseo formado nos centros secundários ocupa a epífise, o tecido
cartilagíneo fica reduzido a dois locais:

1. Cartilagem articular, que persistirá por toda a vida do indivíduo e não contribui para
a formação do tecido ósseo;

2. Lâmina epifisial, que é constituída por um disco cartilagíneo que não foi penetrado
pelo osso em expansão e que será responsável, a partir daqui pelo crescimento
longitudinal do osso. A lamina epifisial fica entre o tecido ósseo das epífises e da diáfise
(metáfise); o seu desaparecimento por ossificação determina o fim do crescimento
longitudinal dos ossos.

Nos ossos longos, a lamina epifisial mais ativa é denominada de cartilagem fértil. Nos
membros, a cartilagem fértil situa-se “próximo do joelho e longe do cotovelo”.
A transformação completa da lamina epifisária ocorre por volta dos 20 anos e pode ser
visível nas radiografias como uma linha epifisial.

Na lamina epifisária, começando do lado da epífise, distinguem-se as seguintes zonas


ou camadas:
Zona de repouso: cartilagem hialina sem qualquer
alteração morfológica.

Zona de cartilagem seriada/multiplicação: divisão


rápida de condrócitos, formando fileiras ou
colunas paralelas de células achatadas e
empilhadas no sentido longitudinal do osso.

Zona de cartilagem hipertrófica: condrócitos


muito volumosos, devido à acumulação de
glicogénio no citoplasma. Matriz reduzida a
tabiques delgados, entre as células hipertróficas.

Zona de cartilagem calcificada: morte dos


condrócitos; os tabiques da matriz, que ficam
entre as lacunas aumentadas, calcificam-se por
deposição de hidroxiapatite.

Zona de ossificação: contém tecido ósseo,


capilares sanguíneos e células indiferenciadas
originadas por divisão mitótica das células vindas
do periósteo. As células indiferenciadas originam
osteoblastos, que formam uma camada continua
sobre os restos da matriz calcificada. Sobre os
tabiques desta, os osteoblastos depositam matriz
óssea. A matriz calcifica e aprisiona alguns
osteoblastos, que se transformam em osteócitos,
formando as espículas ósseas.

Parte central de cartilagem calcificada e parte superficial de tecido ósseo primário

Os discos epifisários estão ativos no crescimento e terminam a sua atividade entre os


18-20 anos. Se houver uma puberdade precoce, há aumento precoce das hormonas
sexuais, fazendo com que os discos epifisários encerrem precocemente, originando o
nanismo.

Osteóide ou pré-osso

Corresponde à matriz óssea recém-formada adjacente


aos osteoblastos ativos que ainda não está calcificada.

Engloba osteoblastos, osteócitos e matriz orgânica


não calcificada.

O subsequente depósito de cristais de fosfato tricálcico,


mineraliza o osteóide e transforma-o em osso. No
fundo é o osso inicial não mineralizado, que contém
matriz orgânica, em que as fibras de colagénio se
dispõem irregularmente.

Em ambos os processos o primeiro tecido ósseo


formado é do tipo primário, sendo pouco a pouco
removido e substituído por tecido secundário ou
lamelar. Logo após o início da ossificação começa a
haver reabsorção, daí que durante o crescimento dos
ossos podem ver-se lado a lado áreas de tecido ósseo
primário, áreas de reabsorção e áreas de tecido ósseo
secundário.

Uma combinação de formação e remoção de tecido ósseo persiste durante o


crescimento do osso, acontecendo também no adulto embora em ritmo muito mais
lento.
Tecido ósseo reticular

O tecido ósseo reticular/primário é o que aparece


primeiro, tanto no desenvolvimento embrionário como
na reparação das fraturas, sendo temporário e
substituído por tecido secundário/lamelar.

É pouco frequente no adulto, persistindo apenas junto


às suturas dos ossos do crânio, alvéolos dentários e
nalguns pontos de inserção de tendões.

Apresenta fibras de colagénio dispostas irregularmente


e sem organização definida, com menor quantidade de
minerais (dando-lhe maior permeabilidade ao RX) e
maior percentagem de osteócitos do que o tecido ósseo
secundário.

Na figura ao lado, está presente um corte histológico de tecido ósseo reticular. É notória
a presença de fibras de colagénio tipo I sem qualquer tipo de orientação definida.

Tecido ósseo lamelar

O tecido ósseo secundário/lamelar encontra-se geralmente no adulto. Possui fibras de


colagénio organizadas em lamelas de 3 a 7 μm de espessura que se dispõem em camadas
concêntricas em volta de canais com vasos, formando os sistemas de Havers.

As lacunas com osteócitos estão em geral situadas entre as lamelas ósseas, podendo por
vezes situar-se dentro delas. Em cada lamela as fibras de colagénio são paralelas umas
às outras, ocorrendo frequentemente um acumular de glicoproteínas entre as lamelas
que se designa por substância cimentante.

Na diáfise dos ossos longos as lamelas ósseas organizam-se num arranjo típico
constituindo os sistemas de Havers. Cada sistema de Havers é constituído por um cilindro
longo, oco, paralelo à diáfise e formado por 4 a 20 lamelas ósseas concêntricas. No
centro desse cilindro situa-se o canal de Havers que contém vasos, nervos e tecido
conjuntivo laxo. Estes canais comunicam entre si com a cavidade medular e com a
superfície externa do osso, por meio de canais transversais ou oblíquos – os canais de
Volkmann.

Fisiologia muscular

As células musculares podem ser excitadas quimicamente, eletricamente e


mecanicamente para produzir um potencial de ação que é transmitido ao longo das suas
membranas celulares.

É a capacidade de contraírem devido ao potencial de ação que as distingue


funcionalmente dos neurónios. A contração muscular deve-se à ação de proteínas de
actina e miosina.

O músculo é dividido em 3 tipos: esquelético ou estriado (1), liso (2) e cardíaco (3).

Músculo esquelético ou estriado

Compõe a grande massa da musculatura somática (associada ao sistema nervoso


somático).
Possui estrias cruzadas bem desenvolvidas, normalmente não se contrai na ausência de
estimulação nervosa, carecendo de conexões anatómicas e funcionais entre as fibras
musculares individuais. Geralmente é contraído voluntariamente.

Músculo liso

Não possui estrias cruzadas. É encontrado maioritariamente nas vísceras ocas e contém
“pacemakers” que descarregam irregularmente.

Este tipo de contração é geralmente involuntária.

Músculo cardíaco

Possui estrias cruzadas, contrai ritmicamente devido a presença no miocárdio de células


“pacemaker” que descarregam espontaneamente, exercendo um potencial de ação
transmitido ao longo do músculo.

Este tipo de músculo é involuntário, sendo controlado pelo sistema nervoso autónomo.
Organização do músculo esquelético

As fibras musculares estão organizadas em grupos de feixes envolvidos por camadas de


tecido conjuntivo, o epimísio, também designado por fáscia epimisial.

Do epimísio partem septos muito finos de tecido conjuntivo que se dirigem para o
interior do músculo envolvendo e separando todos os feixes, o perimísio. Cada fibra
muscular é por sua vez envolvida por uma camada muito fina, o endomísio.

Os músculos são completamente circundados por um tecido conjuntivo resistente,


denso e forte, denominado fáscia ou aponevrose.

As fáscias separam os músculos uns dos outros e permitem o deslizamento dos músculos
sem atrito, funcionando como uma bainha elástica de contenção e continua-se nalguns
casos o tendão, através do qual o músculo se conecta ao osso.

A fibra muscular estriada é a unidade estrutural e funcional do músculo esquelético. As


fibras musculares estriadas têm um diâmetro que varia de 10 a 100 mm, e o seu
comprimento pode variar desde 1mm (músculo do estribo) até mais ou menos 30 cm
(músculo sartório).

As fibras musculares estriadas são células cilíndricas, multinucleadas, que contêm


grandes quantidades de filamentos citoplasmáticos.
Os principais componentes da fibra muscular estriada são o sarcolema, o sarcoplasma,
o retículo sarcoplasmático, as miofibrilas e os tubos T.

O citoplasma da fibra muscular apresenta-se preenchido por miofibrilas, estruturas


cilíndricas de 1 a 2 mm de diâmetro, dispostas longitudinalmente em relação à fibra
muscular e preenchendo o sarcoplasma.

Ao microscópio ótico, as miofibrilas apresentam-se com um aspeto estriado transversal,


devido à alternância entre faixas claras e escuras.

Faixa clara Anisotrópica (birrefringente) Banda A

Faixa escura Isotrópica (difração simples) Banda I


Banda M: linha estreita no centro da banda H/banda A
Banda A

Banda H: zona mais clara no centro da banda A

Banda I: tem uma linha transversal escura, denominada linha Z.

O aspeto estriado da miofibrila é devido à repetição de unidades iguais, os sarcómeros.


Cada sarcómero é formado pela parte da miofibrila que fica entre duas linhas Z
sucessivas e contém uma banda A que separa duas semibandas I.

O sarcómero é a unidade estrutural e funcional da miofibrila. Um sarcómero tem em


repouso cerca de 2,5 mm comprimento, dos quais 1,5 mm correspondem à banda A e 1
mm à soma das duas metades da banda I.

Durante a contração o comprimento do sarcómero diminui até aproximadamente 1,6


mm, com o comprimento da banda A a manter-se constante e o da banda I a encurtar-
se.
As miofibrilas do músculo estriado esquelético contêm quatro proteínas principais:
miosina, actina, tropomiosina e troponina. Os filamentos grossos são formados só por
miosina e os filamentos finos são formados pelas outras três proteínas (actina,
troponina e tropomiosina).

A actina é formada por 2 cadeias de monómeros globulares (actina F) enroladas em


dupla hélice, constituídos por monómeros de actina G.

• Cada monómero de actina G interage com a miosina.

A tropomiosina é uma molécula comprida e fina composta por duas cadeias


polipeptídicas enroladas uma na outra. As moléculas de tropomiosina formam
filamentos que se situam ao longo do sulco existente entre os dois filamentos de actina
F.
A troponina é formada por um complexo de três
subunidades (I,T e C).

• Troponina T (TnT): liga-se fortemente à


tropomiosina;
• Troponina C (TnC): tem grande afinidade para
o ião cálcio;
• Troponina I (TnI): cobre o sítio ativo da actina,
onde ocorre a interação entre a actina e a
miosina.

Cada molécula de tropomiosina tem um local específico onde se liga o complexo das três
subunidades da troponina.

A molécula de miosina é formada por seis cadeias polipeptídicas: duas cadeias pesadas
e quatro cadeias leves. As duas cadeias pesadas estão enroladas uma na outra e formam
uma espiral dupla (cauda). Numa das extremidades das cadeias pesadas a miosina
apresenta uma saliência globular ou cabeça. Existem portanto duas cabeças livres que
se encontram situadas uma de cada lado numa das extremidades da hélice dupla da
molécula da miosina. As quatro cadeias leves também fazem parte da cabeça da miosina
e estão situadas duas de cada lado. A forma descrita de miosina com duas cabeças
denomina-se miosina II. A cabeça de miosina possui locais específicos para a
combinação com o trifosfato de adenosina (ATP) e possui atividade
adenosinotrifosfatásica. É nesta parte da molécula que tem lugar a hidrólise do ATP
(ADP + Pi), com consequente libertação da energia necessária à contração muscular,
bem como o local de combinação com a actina.
NOTA AT: A porção lisa corresponde às caudas de miosina-2,
correspondendo à linha M, ao centro do sarcómero. A linha
M corresponde ao local onde há reversão de polaridade
funcional.

Proteínas que ajudam na organização dos filamentos miofibrilares

• Desmina: liga as miofibrilas umas às outras;


• Distrofina: une o conjunto das miofibrilas a proteínas integrais da membrana
plasmática;
• Titina: conecta as linhas Z às linhas M e fornece as estruturas de suporte do
sarcómero, mantendo os filamentos de miosina no lugar. Cada molécula tem um
comprimento equivalente a metade do sarcómero;
• Nebulina: estende-se da linha Z à extremidade livre do filamento fino, e tem
como função controlar o número de ligações entre a troponina e a tropomiosina;
• Actinina: liga a actina às linhas Z.
Complexo distrofina-glicoproteínas

A distrofina forma uma espécie de “haste”, que conecta os finos filamentos de actina à
proteína transmembranar β-distroglicano no sarcolema. O β-distroglicano é conectado
à laminina na matriz extracelular pelo α-distroglicano.

Os distroglicanos, por sua vez, estão associados a um complexo de quatro glicoproteínas


transmembranares: α, β, γ, δ (sarcoglicanos).

Esse complexo de distrofina-glicoproteína acrescenta força ao músculo, fornecendo um


“andaime” para as fibrilas e conectando-as ao ambiente extracelular.

Distrofia muscular: grupo de doenças musculares hereditárias progressivas,


relacionadas com anomalias moleculares da distrofina.

Mecanismo da contração muscular

Na contração muscular há um deslizamento dos filamentos finos sobre os grossos


(mantendo ambos o seu comprimento em repouso). A largura das bandas A é constante,
há uma aproximação das linhas Z, encurtamento das bandas I e desaparecimento das
bandas H.

A distância entre as linhas Z passa de 2,5μm para 1,6μm. O deslizamento dos filamentos
de actina entre os filamentos de miosina implica a formação e dissolução repetida de
pontes cruzadas entre os mesmos.

Quanto maior for o número de pontes cruzadas formadas, maior será a força de
contração. Por não participarem no mecanismo das pontes cruzadas, a tropomiosina e
a troponina são conhecidas como proteínas reguladoras do processo contráctil.
Sequência de eventos na contração do músculo esquelético

Descarga do neurónio motor

a. Placa motora: dilatação do nervo sem


a bainha de mielina, colocada no interior
de uma depressão na superfície da fibra
muscular;

b. Unidade motora: Conjunto formado


pela fibra nervosa e fibras musculares por
ela inervadas. Uma fibra nervosa pode
inervar uma única fibra muscular ou
ramificar-se e inervar até 160 ou mais
fibras musculares.

Uma determinada fibra ou não se contrai ou contrai-se com toda a intensidade (lei do
tudo ou nada). A força de contração de um músculo está relacionada com o número de
fibras que se contraem num determinado momento.

A excitação de uma única célula nervosa provoca uma contração, cuja força é
diretamente proporcional ao número de fibras musculares inervadas pela unidade
motora. Deste modo, o número de unidades motoras ativadas e o tamanho de cada
unidade motora controlam a intensidade da contração do músculo.

O tamanho das unidades motoras de um músculo estão diretamente relacionadas com


a especificidade do movimento que esse músculo tem de executar. Por exemplo, como
os músculos oculares têm de executar movimentos muito precisos, cada fibra nervosa
só inerva uma única fibra muscular.

Libertação do neurotransmissor (acetilcolina) para a fenda sináptica

A porção terminal do axónio contém numerosas vesículas sinápticas que contêm


acetilcolina. Quando um impulso nervoso chega ao terminal, este liberta acetilcolina,
que se difunde pela fenda sináptica.

Ligação de acetilcolina a recetores

A acetilcolina liga-se a recetores localizados no


sarcolema, provocando a abertura dos canais de sódio
e consequente despolarização do sarcolema.

A despolarização iniciada na placa motora propaga-se


ao longo da membrana da fibra muscular e penetra na
profundidade da fibra através do sistema T.

Este sistema é constituído por uma rede de invaginações tubulares da membrana da


fibra muscular, cujas ramificações vão envolver as uniões das bandas A e I de cada
sarcómero.

Ao lado de cada tubo T existe uma expansão ou cisterna


terminal do retículo sarcoplasmático. O complexo formado
por um tubo T e pelas duas expansões do retículo
sarcoplasmático designa-se por tríade (existem duas
tríades por sarcómero).

Em cada tríade o sinal despolarizador passa para o retículo


sarcoplasmático, o que provoca a libertação de cálcio
daquela organela, através de canais de cálcio sensíveis à voltagem, o qual por sua vez
vai iniciar o ciclo contráctil.

Quando a despolarização termina, o cálcio é transportado ativamente, através de


bombas de cálcio, para o retículo sarcoplasmático e o músculo relaxa.

Fisiologia da contração muscular

A contração inicia-se na banda A onde os filamentos finos e grossos se sobrepõem. No


músculo em repouso a miosina não se pode ligar à actina, devido à ação repressiva
exercida pelo complexo troponina-tropomiosina sobre o local de união da actina F.

Quando aumenta a concentração do cálcio livre no citosol, os iões cálcio ligam-se à


subunidade TnC da troponina.

A ligação Ca2+-TnC vai provocar uma alteração na configuração espacial das três
subunidades da troponina e empurrar a molécula da tropomiosina mais para dentro do
sulco da hélice da actina, fazendo com que os locais de ligação dos componentes
globulares da actina fiquem expostos e preparados para interagir com a cabeça das
moléculas de miosina.

A combinação dos iões cálcio com a subunidade TnC corresponde à fase em que o
complexo miosina-ATP é ativado. Como resultado da ponte entre a cabeça da miosina
e a subunidade de actina G do filamento fino, o ATP é convertido em ADP e Pi, o que
provoca a deformação da cabeça e de parte do bastão da miosina, aumentando a
curvatura da cabeça (passa de 90º para 45º).

Como a actina está ligada à miosina, o movimento da cabeça da miosina empurra o


filamento da actina, provocando o seu deslizamento sobre o filamento de miosina.
Embora o filamento grosso possua um elevado número de cabeças de miosina, em cada
movimento de contração, apenas um pequeno número de cabeças se encontram ligadas
à actina.

À medida que as cabeças de miosina movimentam a actina, vão aparecendo novos locais
para a formação de pontes de actina-miosina. As pontes de actina-miosina só se
desfazem depois da miosina se ligar a nova molécula de ATP, o que provoca também o
regresso da cabeça de miosina à sua posição inicial.

Uma única contração muscular é o resultado de milhares de ciclos de formação e


destruição de pontes de actina-miosina; podem realizar-se até 5 ciclos por segundo. A
atividade contráctil continua até que os iões cálcio sejam rearmazenados no retículo
sarcoplasmático e o complexo troponina-tropomiosina cubra novamente o local de
ligação da miosina.

A contração muscular é um processo regulado pelo cálcio, dependendo sobretudo dos


depósitos de cálcio do retículo sarcoplasmático.

É a hidrólise do ATP que fornece a energia necessária para a contração muscular. Embora
a concentração de ATP no sarcómero se mantenha constante, inclusive durante a
atividade muscular, a concentração de ATP na fibra muscular em repouso, só é suficiente
para manter a contração muscular máxima durante 1 a 2 segundos.

É necessário então refosforilar o ADP para formar novamente ATP. Existem várias fontes
de energia para esta refosforilação.:

1. Ação de enzimas creatina fosfoquinase e adenilquinase:


• Fosfocreatina + ADP → ATP + creatina (catalisada pela creatina
fosfoquinase)
• 2 ADP → ATP + AMP (catalisada pela adenilquinase)

A energia proveniente da ação das enzimas creatina fosfoquinase e adenilquinase só é


capaz de manter a contração muscular máxima durante 6 a 15 segundos. Portanto,
durante um exercício muscular prolongado, o músculo tem necessidade de conseguir a
energia necessária para a atividade contráctil através de outras vias metabólicas.

2. Via glicolítica ou de Embden-Meyerhof:


• Glicose armazenada nas células musculares sob a forma de glicogénio
→ ácido lático + 4 ATP
Esta via representa uma via de emergência de produção de energia, capaz de produzir
ATP a partir da glicose, na ausência de oxigénio molecular. Esta capacidade da via
glicolítica para produzir ATP na ausência de oxigénio (glicólise anaeróbia), é de uma
enorme importância biológica, porque permite ao músculo esquelético desenvolver
trabalho intenso, mesmo quando a oxidação aeróbia é insuficiente, como quando o
músculo se contrai intensamente e/ou durante um período de tempo prolongado, e o
débito de oxigénio é insuficiente, não podendo a via aeróbia funcionar tão rapidamente
como seria necessário.

A via anaeróbia produz ATP a uma velocidade 2 a 3 vezes mais rápida que a via aeróbia,
mas em quantidades muito menores. O aumento do ácido láctico no músculo diminui o
pH e inibe a atividade enzimática.

• Metabolismo oxidativo (95% da energia utilizada pelos músculos)

Quando os níveis de oxigénio regressam ao normal, o ácido láctico converte-se em ácido


pirúvico, que é oxidado pela via aeróbia até CO 2 e H2O.

Na presença de oxigénio, a glicose converte-se em ácido pirúvico (glicólise aeróbica),


que na cadeia respiratória mitocondrial (ciclo de Krebs) se converte em CO2, H2O e
grandes quantidades de ATP (38 moléculas de ATP). Além dos hidratos de carbono,
também podem ser degradadas por esta via gorduras e proteínas.

Quando a atividade muscular é muito duradoura, da ordem de várias horas, a maior


percentagem de energia provém das gorduras (lipólise).

Tipos de fibras musculares

A. Fibras do tipo I, lentas e vermelhas


• Ricas em mioglobina (confere coloração vermelha escura);
• Mais pequenas que fibras tipo I;
• Inervadas por fibras nervosas motoras;
• Ricas em vascularização;
• Fonte energética: Fosforilação oxidativa de ácidos gordos;
• Importante na manutenção da postura corporal;
• Predominante nos maratonistas;
• Fibras adaptadas para execução de contrações prolongadas no tempo.
B. Fibras do tipo II, rápidas e brancas
• Pobres em mioglobina
• Inervadas por axónios motores de grande diâmetro, proporcionando maior força
de contração
• Reticulo sarcoplasmático muito desenvolvido → libertação rápida de Ca2+
• Fonte energética: Glicogénio (via anaeróbia)
• Grandes esforços durante breves períodos de tempo
C. Fibras intermédias
• Misto de características das fibras lentas e rápidas. Exemplo: musculo sóleo.

Tipos de contração muscular

A contração do músculo esquelético manifesta-se por um aumento da tensão do


músculo, pelo seu encurtamento, ou por ambos os fenómenos ao mesmo tempo.

Quando um grupo de músculos aumenta a sua


tensão, mas mantém constante o seu
comprimento, estamos perante uma contração
isométrica. Pelo contrário, se o músculo se
encurta quando se contrai, enquanto a tensão se
mantém constante, estamos perante uma
contração isotónica.

Nas contrações isotónicas, os miofilamentos finos deslocam-se, enquanto que nas


contrações isométricas as pontes cruzadas geram força, mas não são capazes de mover
os filamentos finos.

Da física Trabalho (W) = Forca x Δx (deslocamento), as contrações isotónicas exercem


trabalho, ao contrário das isométricas.
A resposta elétrica de uma fibra muscular a estímulos repetidos é como a do nervo.

Como as células musculares esqueléticas não têm período refratário, não é necessário
o relaxamento da fibra muscular antes de um segundo potencial de ação poder estimular
uma segunda contração. À medida que aumenta a frequência de potenciais de ação
numa fibra muscular esquelética, aumenta também a frequência das contrações: a
contração produzida soma-se à anterior (somação).

A somação atribui-se a um aumento do cálcio livre no sarcoplasma, pois ao cálcio


libertado na segunda contração juntou-se o cálcio libertado durante a primeira
contração e que ainda não tinha sido transportado para o retículo sarcoplasmático.

Se aumentarmos a frequência de estimulação, o retículo sarcoplasmático não tem


tempo de recaptar o cálcio que libertou, o músculo não se relaxa por completo após
cada contração, as contrações individuais somam-se e fundem-se até que se alcança
uma resposta contráctil máxima mantida.

Esta resposta de contração máxima é chamada de tétano (contração tetânica).

• Tétano completo: quando não ocorre relaxamento entre os estímulos;


• Tétano incompleto: quando ocorrem períodos de relaxamento incompleto
entre os estímulos somados.

No “treppe” ou “fenómeno em escada” o músculo vai


aumentando de forma gradual a intensidade das
contrações. Quando um músculo está em repouso e é
estimulado por um estímulo máximo a uma frequência que
permite o relaxamento completo entre os estímulos, a
segunda contração produz uma tensão ligeiramente
superior à primeira, e a terceira produz uma tensão ainda
maior que a segunda.
O “fenómeno em escada” resulta do aumento dos níveis de iões Ca2+ à volta das
miofibrilas. Ao aumentar o número de iões Ca2+ disponíveis para se ligarem à troponina,
as contrações tornam-se mais eficientes. O “fenómeno em escada” dá-se durante o
exercício de aquecimento dos atletas.

A força da contração muscular depende:

• Quantidade de carga;
• Estado metabólico (fadiga, “treppe”);
• Número de fibras estimuladas;
• Comprimento inicial das fibras musculares: relação comprimento/tensão.

Fadiga muscular: deve-se a uma repetida estimulação de um musculo, resultando na


depleção de ATP, e reduzindo a excitabilidade e contractilidade do mesmo.

Sem ATP, nao há pontes cruzadas suficientes --> incapacidade de produzir a força
necessária para novas contrações musculares.

A causa mais frequente de fadiga muscular é a falta de glicogénio e elevadas


concentrações de acido láctico.

Histologia do tecido ósseo e cartilaginoso

A cartilagem tem inúmeras características importantes, de entre as quais:

• Primeiro esqueleto humano;


• Origem mesenquimal;
• Crescimento de ossos;
• Permite o movimento das articulações;
• Avascular;
• Abastecida nutricionalmente por difusão;
• Matriz extracelular abundante (95%)- colagénio do tipo II;
• Poucas células- condrócitos e condroblastos.
Tipos de cartilagem

Cartilagem hialina

É o tipo de cartilagem mais comum. Os condrócitos estão localizados nas lacunas


(espaços brancos); rica em água, colagénio do tipo II, GAG, proteoglicanos e
glicoproteínas multiadesivas.

Ao redor encontra-se o pericôndrio (tecido conjuntivo denso), exceto nas cartilagens


articulares e discos epifisários. (ex: articulações sinoviais, nariz, traqueia, brônquios,
laringe).

Legenda:

TCD: tecido
conjuntivo denso

P: pericôndrio

CC: cartilagem em
crescimento

MT: cápsula/matriz
territorial

MI: matriz
interterritorial

Cartilagem elástica

Matriz menos abundante, predominando fibras de colagénio e fibras elásticas/elastina.


A matriz tem uma cor opaca, sendo visualizada em tons de amarelo. Densidade elevada
de células.

A cartilagem elástica é encontrada na orelha externa, nas paredes do meato acústico


externo, na tuba auditiva (de Eustáquio) e na epiglote da laringe.

Em todas essas localizações, a cartilagem é circundada por um pericôndrio semelhante


ao encontrado ao redor da maior parte das cartilagens hialinas. Diferentemente da
cartilagem hialina, que sofre calcificação com o processo do envelhecimento, a matriz
de cartilagem elástica não se calcifica durante o envelhecimento.

Explicação da imagem:

Esta imagem foi corada com orceína e revela a


presença de fibras elásticas, coradas de
castanho, dentro da matriz cartilaginosa.

As fibras elásticas são de vários tamanhos e


constituem uma parte significativa da cartilagem.

Os núcleos dos condrócitos são evidentes em


muitas das lacunas.

O pericôndrio é visível na parte superior da


fotografia.

Fibrocartilagem
É um tipo de cartilagem com fibroblastos. Contém fibras de colágenio do tipo I e II. As
fibras são paralelas e as células estão alinhadas.

Rica em proteoglicanos – agrecam e versicano (ex: meniscos, discos intervertebrais).

Explicação da imagem:

As fibras de colagénio estão coradas a verde.

O tecido apresenta um aspeto fibroso e contém um


número relativamente pequeno de fibroblastos com
núcleos alongados (setas), bem como condrócitos
mais numerosos com núcleos esféricos e escuros.

Os condrócitos organizam-se em grupos celulares


próximos dispostos em fileiras entre as fibras
colagenosas ou em grupos isógenos.
Nota: Ao redor das lacunas podem-se formas as cápsulas, que são zonas onde existe
uma maior densidade de fibras --> ao microscópio observam-se com uma cor mais
intensa.

Condrogénese
A cartilagem apresenta dois tipos de crescimento: aposicional e intersticial.

Crescimento aposicional: processo que forma nova cartilagem na superfície de uma


cartilagem existente (divisão de células do pericôndrio e diferenciação em
condroblastos);

Crescimento intersticial: processo que forma nova cartilagem dentro de uma massa de
cartilagem existente (divisão mitótica dos condrócitos pré-existentes).

Tecido ósseo

O tecido ósseo é um tipo especializado de tecido conjuntivo. Possui uma matriz


mineralizada. A matriz é composta pela parte orgânica- rica em colágenio do tipo I – e
inorgânica (75%) – fosfato de cálcio).
É constituído por:

• Células osteoprogenitoras;
• Osteoblastos: formação do tecido ósseo;
• Osteócitos: manutenção do tecido ósseo;
• Osteoclastos: degradação do tecido ósseo devido a um pH elevado, formando as
lacunas de Howship.

Nota: A envolver o tecido ósseo existe uma membrana de tecido conjunto denso,
vascularizada e fibrosa denominada de periósteo. O periósteo e unido ao tecido ósseo
pelas fibras de Sharpey.

O tecido ósseo e nutrido, mineralizado e enervado através dos canais de Havers, por
onde passam os vasos sanguíneo e as células nervosas.

A unir os canais de Havers existem os canais de Volkmann, que aumentam a área


abrangida pelos vasos e nervos.
Legenda da imagem:

CH: Canal de Havers

CV: Canal de Volkmann

Lac: Lacuna

LI: Lamelas intermediárias

LC: Lamelas circunferenciais

o: Osteón

Setas: Limite lamelar

Articulações
As articulações são o meio de relação entre duas ou mais superfícies ósseas, que se
mantêm em contacto devido à existência de meios de união.

São descritas três classes de articulações, de acordo com a forma ou o tipo de material
pelo qual os ossos são unidos.

Articulações fibrosas
Os ossos são unidos por tecido fibroso. Na maioria dos casos, o grau de movimento numa
articulação fibrosa depende do comprimento das fibras que unem os ossos (suturas do
crânio):
Sindesmose: um tipo de articulação fibrosa, une os ossos com uma lâmina de tecido
fibroso, que pode ser um ligamento ou uma membrana fibrosa. Consequentemente,
esse tipo de articulação tem mobilidade parcial. (união radio e ulna);

Sindesmose dentoalveolar (gonfose): articulação fibrosa na qual um processo


semelhante a um pino se encaixa numa cavidade entre a raiz do dente e o processo
alveolar da maxila. A mobilidade da articulação indica distúrbios dos tecidos de
sustentação do dente.

Articulações cartilagíneas
As estruturas são unidas por cartilagem hialina ou fibrocartilagem.

Sincondroses : nas sincondroses ou articulações cartilagíneas primárias, os ossos são


unidos por cartilagem hialina. Geralmente são uniões temporárias, como as existentes
durante o desenvolvimento de um osso longo, nas quais a epífise e a diáfise se
encontram unidas pela lamina epifisial, a qual, apos o crescimento completo se converte
em osso e as epífises fundem-se com a diáfise.

Sínfises: as sínfises ou articulações cartilagíneas secundarias são articulações fortes,

ligeiramente moveis, unidas por fibrocartilagem (discos intervertebrais ou sínfise

púbica).
Articulações sinoviais
As articulações sinoviais são articulações móveis
classificadas quanto à forma das superfícies
articulares em planas, cilíndricas (trocóideas e
gínglimos), selares, elipsóideas e esferóideas ou
enartroses.

Os ossos são unidos por uma cápsula articular


(formada por uma camada fibrosa externa revestida
por uma membrana sinovial serosa) que transpõe e
reveste a cavidade articular.

A cavidade articular de uma articulação sinovial,


como o joelho, e um espaço potencial que contém
um pequeno volume de líquido sinovial lubrificante,
secretado pela membrana sinovial.

No interior da cápsula, a cartilagem articular cobre as faces articulares dos ossos; todas
as outras faces internas são revestidas por membrana sinovial.

O periósteo que reveste os ossos na parte externa a articulação funde-se com a camada
fibrosa da cápsula articular.
As articulações sinoviais, o tipo mais comum de articulação, permitem livre movimento
entre os ossos que unem; são articulações de locomoção, típicas de quase todas as
articulações dos membros.

As articulações sinoviais geralmente são reforçadas por ligamentos acessórios separados


(extrínsecos) ou são um espessamento de parte da cápsula articular (intrínsecos).

Algumas articulações sinoviais tem características diferentes, como discos articulares


fibrocartilagíneos ou meniscos, encontrados quando as faces articulares dos ossos são
desiguais.

Nas articulações trocóideas, as superfícies articulares são dois segmentos de cilindro,


um convexo e outro côncavo. Estas articulações permitem movimentos de rotação em
volta de um único eixo (uniaxial), como as articulações radioulnares superior e inferior.
Nas esferóideas ou enartroses, as superfícies articulares são segmentos de esferas que
se encaixam dentro de uma cavidade com a sua forma. Este tipo de articulação permite
movimentos em torno de três eixos (triaxial), como a articulação do ombro.

Nos gínglimos, a superfície articular é constituída por um segmento ósseo em forma de


tróclea, que apresenta uma depressão no centro. Estas articulações permitem
movimentos de extensão e flexão à volta de um único eixo (uniaxial), como a articulação
úmero-ulnar.

Nas articulações elipsóideas, as superfícies articulares são em forma de côndilo


(superfícies ovoides, como a articulação úmero-radial). Estas articulações permitem
movimentos a volta de dois eixos (biaxiais), como as articulações metacarpofalângicas.
Nas articulações selares, a superfície articular tem a forma de uma sela, apresentando
concavidade num sentido e convexidade no outro, e encaixa-se numa segunda peca
onde a convexidade e a concavidade se apresentam no sentido inverso da primeira, e
realizam movimentos a volta de dois eixos (biaxiais), como a articulação trapézio e o
primeiro metacarpal.

Nas articulações planas, as superfícies articulares são planas ou


ligeiramente curvas, permitindo o deslizamento de uma superfície
sobre a outra em qualquer direção, como entre os ossos do carpo.
Elementos de uma articulação sinovial

As articulações têm como finalidade permitir o


movimento, sendo este desencadeado pela ação
dos músculos que se dispõem à volta da
articulação.

São elementos da articulação, as superfícies


articulares, a cartilagem articular, a membrana
sinovial e o líquido sinovial.

São meios de união, a cápsula articular, os


ligamentos e os músculos periarticulares.

Para que as superfícies ósseas que jogam na articulação possam deslizar sem atrito e
desgaste entre si, encontram-se revestidas por uma cartilagem hialina, a cartilagem
articular. A cartilagem articular não possui vasos sanguíneos nem inervação. A sua
nutrição faz-se por imbibição através do líquido sinovial.

A cartilagem articular com 1 a 5 mm de espessura, é constituída por células, os


condrócitos, situados em lacunas, que se encontram no seio de uma substância amorfa.
Esta substância amorfa é constituída por água (75 a 80%) e por um mucopolissacárido
rico em condroitino-sulfato, formando um gel no qual se encontram as fibras de
colagénio e de elastina.
A membrana sinovial é uma membrana fina e transparente que reveste a face interna
da cápsula articular em toda a sua extensão. Insere-se sobre as superfícies ósseas, à volta
do revestimento cartilagíneo das superfícies articulares, cobrindo toda a cavidade
articular, com exceção das superfícies articulares.

A membrana sinovial é uma membrana ricamente vascularizada e inervada, constituída


por células designadas de sinoviócitos.

Os sinoviócitos têm duas funções: fagocitose (de partículas estranhas) e de síntese


(produzem o líquido sinovial, que preenche a cavidade articular).

O líquido sinovial é um líquido amarelo claro e viscoso. O líquido sinovial tem como
funções a lubrificação da articulação, facilitando o deslizamento entre as superfícies em
jogo e a nutrição da cartilagem, visto que é através dele que são veiculados os
metabolitos necessários e eliminados os catabolitos resultantes.

A cápsula articular é uma estrutura fibrosa com muitas terminações nervosas, que
envolve a articulação, cuja camada interna se encontra coberta pela membrana sinovial.

Os ligamentos são estruturas fortes de tecido conjuntivo, que têm uma função de
suporte da articulação e de limitação dos seus movimentos.

Os músculos periarticulares têm por função estabilizar dinamicamente as articulações.


Estruturas de adaptação articular

Algumas articulações possuem estruturas de adaptação das superfícies articulares,


como os meniscos, os discos, os debruns e as bolsas serosas.

As bursas ou bolsas sinoviais são elementos periarticulares cuja função é facilitar o


deslizamento entre um músculo ou ligamento e uma superfície óssea, ou entre dois
planos musculares.

Os meniscos e discos são elementos que estão presentes nas


articulações discordantes. São fibrocartilagens, que se interpõem entre
duas superfícies articulares e que se destinam a adaptar melhor ou a
tornar concordante a sua forma.

O menisco adere pelos seus bordos à face interna da cápsula. O disco


adere fortemente pelas suas faces às superfícies articulares.

Os labruns ou lábios articulares são formações fibrocartilaginosas


que se inserem no contorno de algumas superfícies articulares e
que têm por função aumentar a extensão dessas superfícies.
Movimentos articulares

A flexão e a extensão são movimentos angulares em torno do eixo


transversal, ou seja, neles ocorre uma diminuição ou um aumento do
ângulo existente entre o segmento que se desloca e aquele que
permanece fixo.

Quando ocorre a diminuição do ângulo diz-se que há flexão; quando


ocorre aumento, realizou-se uma extensão, exceto para o pé. Neste
caso, não se usa a expressão extensão do pé, sendo os movimentos
designados por flexão dorsal e por flexão plantar do pé.

A adução e a abdução são movimentos nos quais o segmento é deslocado,


respetivamente em direção ao plano mediano ou em direção oposta, isto
é, afastando-se dele.

Nos dedos, o movimento de abdução faz-se na mão afastando os dedos


do eixo da mão que passa pelo III dedo e no pé afastando os dedos do eixo
do pé que passa pelo II dedo.

A rotação é o movimento em que o segmento gira em torno de um


eixo vertical.

Nos membros pode-se observar uma rotação medial quando a face


anterior do membro gira em direção ao plano mediano do corpo e
uma rotação lateral no movimento oposto.

O deslizamento é um movimento que consiste no deslocamento de superfícies


articulares, sem que estas percam o contacto entre si.

A lateralidade ou didução existe na articulação temperomandibular e leva a região


mentual alternadamente para a esquerda e para a direita.
A propulsão e a retropulsão são movimentos da articulação
temperomandibular, correspondentes à projeção anterior e posterior da
mandíbula.

A nutação e a contranutação são movimentos do sacro.

São movimentos involuntários que não dependem da ação muscular. Na nutação a base
do sacro dirige-se anteroinferiormente (para baixo e para diante) e o seu ápice
superoposteriormente (para trás e para cima). A contranutação é o movimento inverso.
A nutação faz a saída pélvica (estreito inferior) maior enquanto a contranutação
aumenta a entrada pélvica (estreito superior).

Estes movimentos permitem o aumento dos diâmetros da pelve, favorecendo a expulsão


do feto durante o trabalho de parto.

A oposição é um movimento que coloca a face anterior do polegar em contacto com a


face anterior do dedo mínimo.

A reposição é o movimento contrário ao anterior (o polegar volta à posição inicial).

A pronação e a supinação são movimentos da mão no plano transverso. A pronação


corresponde a uma rotação medial do antebraço, ficando a palma da mão para baixo. A
supinação é o movimento inverso da pronação.

A eversão e a inversão são movimentos do pé no plano frontal. A eversão corresponde


a uma rotação da planta do pé para fora ou lateralmente. A inversão corresponde a uma
rotação da planta do pé para dentro ou medialmente.

A circundução é o resultado do movimento combinatório que inclui a adução, extensão,


abdução, flexão e rotação. Neste tipo de movimento, a extremidade distal do segmento
descreve um círculo e o corpo do segmento, um cone, cujo vértice é representado pela
articulação que se movimenta.

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