1.
Epoché
A fenomenologia compreende a subjetividade como fonte originária da vida humana, em
sua relação com o Lebenswelt (visão de mundo).
Fenomenologia se faz de modo a:
➔ compreender o processo de conhecimento que se dá pelo sujeito em sua relação
com aquilo que é conhecido, com o mundo-da-vida.
As operações de atos perceptivos, volitivos, imaginativos, revelam o movimento de uma
consciência, em sua intencionalidade. • A fenomenologia convida a conhecer o mundo que
nos constitui, como fonte 2 originária dos sentidos, do qual nascem todas as ciência
1. Atos Perceptivos, Volitivos e Imaginativos: Esses termos se referem a diferentes
formas de interação da consciência com o mundo. Os atos perceptivos envolvem a
percepção sensorial, os atos volitivos dizem respeito à vontade e às decisões, e os
atos imaginativos envolvem a capacidade de criar imagens mentais e cenários.
Juntos, esses atos mostram como a consciência se movimenta e se engaja com a
realidade.
2. Intencionalidade: Este conceito, central na fenomenologia, sugere que a
consciência é sempre direcionada a algo; ou seja, toda experiência consciente tem
um objeto ou um foco. A intencionalidade implica que a consciência não é um estado
passivo, mas um processo ativo de se relacionar com o mundo.
3. Conhecer o Mundo que nos Constitui: A fenomenologia propõe que, ao explorar
essas operações da consciência, podemos entender melhor como somos moldados
por nossas experiências e pelo mundo ao nosso redor. Essa compreensão é vista
como uma fonte originária dos sentidos, ou seja, é a base a partir da qual todas as
ciências e conhecimentos emergem. A fenomenologia busca, portanto, um
entendimento profundo da experiência humana, que é fundamental para o
desenvolvimento de diversas disciplinas, incluindo a psicologia.
Em resumo, a frase destaca a importância da experiência consciente e da intencionalidade
na formação do conhecimento e na compreensão do mundo, enfatizando que a
fenomenologia é uma abordagem que busca explorar essas dimensões da vida humana.
Husserl toma emprestado o conceito cético de epoché e desenvolve aquilo que acredita ser
o caminho seguro para alcançar o rigor cientifico que almejava.
➔ Ao encetar a critica do conhecimento, importa, pois, adjudicar o índice da
questionabilidade a todo o mundo, a natureza física e psíquica e, por fim, também,
ao próprio eu humano, juntamente com todas as ciências que se referem a estas
objetalidades. A sua existência, a sua validade ficam por decidir (O texto significa
que, ao investigar o conhecimento, é necessário questionar tudo: o mundo externo,
a mente, o "eu" e as ciências)
➔ A clínica de princípios fenomenológicos extrapola conceitos puramente
normativos e “naturais” da consciência, provocando um pensar da essência do
sentido: Epoché.
➔ A consciência intencional permite perceber a correlação sujeito-objeto,
humano-mundo, como elementos indissociáveis: Intencionalidade (estado de
consciência/ organismo indissociável, não tem como separar)
A intencionalidade revela como a consciência é sempre uma ponte entre o humano (sujeito)
e o mundo (objeto).
➔ Parte de uma investigação a partir do vivido pela pessoa em seus modos de agir, de
ser e de estar no mundo
➔ Compreendendo a partir do que é dito, manifestado.
➔ É direcionar-se à possibilidade de captar a evidência de um fenômeno por ele
mesmo
➔ Conhecer a intencionalidade do sujeito, capacita o profissional a perceber como se
dão a constituição dos atos da experiência.
➔ A epoché coopera com a clínica quando atenta a fomentar, junto às pessoas, um
olhar de retorno às suas manifestações particulares (o profissional identifica os
elementos da experiência em seus mais diversos significados, afetivos, cognitivos,
corpóreos).
➔ Interessa-nos o sentido dos fatos, não os fatos em si
➔ Realidade é realidade percebida. A verdade está nos sentidos dados aos fatos,
não necessariamente nos fatos.
Epoché: Este conceito, emprestado da filosofia cética, refere-se à suspensão do juízo sobre
a existência do mundo e das suas objetividades. Na prática clínica, isso implica que o
terapeuta deve adotar uma atitude de abertura e neutralidade, suspendendo preconceitos e
crenças prévias para se conectar genuinamente com a experiência do cliente. Essa
suspensão permite uma investigação mais pura e direta da experiência vivida.
➔ Na atitude natural o mundo está ai, e é, por excelência.
➔ Deve-se perder o mundo pela epoché, para reconquista-lo depois, em uma
autoconsciência (significa que o terapeuta deve, inicialmente, suspender seus
julgamentos e crenças sobre o mundo e o paciente (epoché), para poder
enxergá-los de forma neutra e livre de preconceitos. Depois, ele "reconquista" o
mundo, compreendendo-o de maneira mais autêntica e consciente, a partir de uma
visão mais clara e profunda da experiência do outro)
2. EU-TU EU-ISSO
➔ Formas de responder à realidade:
EU-TU (fugaz)- Processo de diferenciar-se, na alteridade. Encontro Genuíno. Deixa-se ser
afetado pelo outro. Abertura para a vivência relacional da alteridade.
EU-ISSO- Relação de uso. Coisificação do outro. Leva à experiência de forma objetiva.
Objetal. Transforma o diferente em habitual.
EU-ISSO, na Psicologia- Procura de sintomas para se encaixar em um diagnóstico
(DSM-V). Deixa-se de lado as complexidades humanas da pessoa, singular. A busca da
“técnica”. Acessar o outro como uma “representação”.
Não olhar apenas para o ato psíquico que se mostra, mas buscar apreender a pessoa na
sua dinâmica existencial…
EU-TU acolher a pessoa nas suas dimensões biopsicossocial e espiritual
A Psicoterapia Dialógica em Buber: 3 condições
➔ A primeira condição para um diálogo genuíno é a autenticidade dos participantes,
ou seja, a possibilidade de as pessoas se guiarem pelo que são no momento, sem
querer parecer algo ou produzir uma imagem de si;
➔ A segunda condição é perceber o outro enquanto alteridade, na sua singularidade,
totalidade e concretude. É ter uma atitude de contemplação, e não de mera
observação;
➔ A terceira condição é que nenhum dos parceiros queira se impor ao outro, respeito
mútuo. Há uma confirmação da pessoa, o que pode ser definido como sua
legitimação enquanto interlocutor do mesmo nível. Confirmar alguém é acreditar nele
enquanto pessoa, sem ter que, necessariamente, concordar com ele;
3. PSICOTERAPIA E RELAÇÕES HUMANAS (qualidades do psi)
Capacidade empática
Autenticidade
Concepção positiva e liberal homem
Grau elevado de maturidade emocional e de compreensão de si
Capacidade Empática:
● Ponto Principal: A empatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro,
compreendendo suas emoções e experiências de forma profunda.
● Justificativa: Essa capacidade é fundamental para estabelecer uma conexão
genuína entre terapeuta e cliente, permitindo que o cliente se sinta ouvido e
validado, o que é crucial para o processo terapêutico , .
Autenticidade:
● Ponto Principal: A autenticidade do terapeuta, ou seja, ser verdadeiro e
transparente em suas interações, é essencial.
● Justificativa: Quando o terapeuta é autêntico, isso promove um ambiente de
confiança, onde o cliente se sente seguro para explorar suas emoções e
experiências sem medo de julgamento.
Concepção Positiva do Ser Humano:
● Ponto Principal: A visão positiva do ser humano e das relações humanas é central
na abordagem terapêutica.
● Justificativa: Essa perspectiva ajuda a criar um espaço onde o cliente pode se
desenvolver e crescer, reconhecendo seu potencial e capacidade de mudança.
Compreensão de Si Mesmo:
● Ponto Principal: A compreensão de si mesmo é um aspecto vital tanto para o
terapeuta quanto para o cliente.
● Justificativa: O terapeuta deve estar ciente de seus próprios sentimentos e valores
para evitar que suas experiências pessoais interfiram no processo terapêutico,
garantindo uma abordagem mais objetiva e centrada no cliente.
Importância da Relação Terapêutica:
● Ponto Principal: A relação entre terapeuta e cliente é um dos fatores mais
importantes para o sucesso da terapia.
● Justificativa: Uma relação terapêutica forte e positiva pode facilitar a abertura do
cliente e a disposição para trabalhar em suas questões, promovendo um ambiente
propício à cura e ao crescimento pessoa
4. CRIANÇAS E ADOLESCENTES. ABORDAGENS EXISTENCIAIS E
FENOMENOLÓGICAS.
➔ A queixa. Vem de quem?
➔ Psicodiagnosticar representa um processo de conhecer, compreender, identificar,
des-cobrir, explicitar o modo de existência da criança na sua interação com o mundo
(escola, vizinhança, família) e o outro
➔ Devemos ir além da identificação dos sintomas, mas compreender os sistemas e
suas relações (Diálogos com as Teorias Sistêmicas; Cibernética, Teoria Geral dos
Sistemas, Teoria da comunicação)
➔ Devemos visar o sentido da patologia e a descrição das vivências subjetivas do
sofrimento emocional pessoal, compreendendo sua situação no sistema
➔ O trabalho visa desenvolver a capacidade da criança de investir emocionalmente em
si mesma, de forma a reconhecer o valor de sua existência. A fim de fazê-la
aceitar-se e ser capaz de cuidar de si mesma.
➔ Recorrer ao desenho, à pintura para incentivar a descarga de tensão. Utilizar
fantoches para dramatizar pessoas com emoções reprimidas (raiva, medo), que
vivenciaram situação de perda e, principalmente, encenar crianças que exercitam o
poder nas relações pessoais.
➔ Reencontrar o movimento de fluidez do Self.
5. SONHOS
➔ O sonho é uma mensagem existencial
➔ Todas as partes do sonho representam o sonhador. É produto (projeção) dele.
➔ O sonhar expõe a estrutura existencial daquele que sonha, num determinado
momento.
➔ O sonho integra passado, presente e futuro, no aqui-agora
➔ O sonho pode ser indicio de uma postura, ou uma inclinação geral perante a vida.
Ou perante uma situação atual.
➔ Não há simbologias e significações universais. A “interpretação”, só pode ser
feita pelo paciente. O terapeuta, pode ajudar a compreender. Mas precisa conhecer
muito da realidade do sonhador.
➔ O trabalho com os sonhos consiste em perceber, com todos os sentidos em seu
corpo, as emoções e, principalmente, o impacto subjetivo das imagens
eventualmente encenadas, permitindo experienciar o sonho no aqui e agora.
Gestalt-Terapia
➔ Os elementos de todo o sonho devem ser entendidos como fazendo parte do
indivíduo. Uma projeção dele.
➔ Sonhos repetitivos e Gestalts Inacabadas (abertas)
Não se interpreta, se integra.
Uma vez definida a problemática, pede‐se ao cliente que conte novamente a situação
vivida, mas, desta vez, narrando no presente do indicativo, como se estivesse acontecendo
no momento presente.
O experimento básico em GT concentra‐se nas sensações, emoções, tensões musculares,
impulsos, pensamentos, fantasias, lembranças…
Imaginar um fim para a situação; Tampar os buracos faltantes; Contar na perspectiva
de alguma figura do sonho, no aqui-agora.
“O que o sonho está de dizendo?”
A representação do sonho como possibilidade de compreensão e aumento da
awareness.
Dasein
Primeiro considerar exatamente para que fenômenos a existência do sonhador está aberta
a ponto de terem penetrado no sonho e se manifestado à luz da sua compreensão
Segundo passo, precisamos como o sonhador se conduz em relação ao que lhe é revelado
no seu mundo onírico, particularmente a afinação que determina essa forma de se
comportar. Se estas duas coisas puderem ser acuradamente descritas, chegaremos a uma
compreensão total da existência do sonhador durante o período de sonho