Revista Perquirere • 15(3):190-199, set./dez.
2018
© Centro Universitário de Patos de Minas. [Link]
Casuística do serviço de cirurgia em pequenos
animais do Centro Clínico Veterinário do Centro
Universitário de Patos de Minas (UNIPAM)
Casuistry of surgery service in small animals of Veterinary Clinical Center
of Patos de Minas University Center (UNIPAM)
Júnior Artur dos Reis
Graduado em Medicina Veterinária pelo UNIPAM. Pós-graduando em Clínica Cirúrgica de peque-
nos animais pelo instituto Equalis de São Paulo. e-mail: [Link]@[Link]
Marcelo Coelho Lopes
Graduado em Medicina Veterinária pelo UNIPAM. Residente em Patologia Animal no Hospital Ve-
terinário de Uberaba. e-mail: marcelocoelhovet@[Link]
Thaisa Reis dos Santos
Professora do curso de Medicina Veterinária do UNIPAM. Doutora em Ciência Animal pela Uni-
versidade federal de Uberlândia. e-mail: thaisars@[Link]
________________________________________________________________________
RESUMO: Objetivou-se descrever e analisar a frequência de cirurgias, separadas por cada
tipo de sistema, em cães e gatos atendidos no Centro Clínico Veterinário do Centro Uni-
versitário de Patos de Minas. Foram avaliados 257 prontuários cirúrgicos dos anos de 2015
e 2016, somando um total de 337 procedimentos. Raça, sexo e idade e o tipo de intervenção
cirúrgica foram analisados. Observou-se que 93% dos pacientes eram caninos e 7%, felinos.
Pacientes fêmeas foram as mais atendidas, 69%, machos 31%. Os animais entre 1 e 8 anos
representaram 31%, seguidos daqueles com idade entre 8 e 12 anos, 25%. Animais sem raça
definida representaram 92% entre os felinos e 65% dos caninos. A maioria das cirurgias
realizadas foi obstétrica, representando 48% do total de casos, seguida por afecções do apa-
relho geniturinário, com 16%. Conclui-se que as fêmeas foram mais submetidas a cirurgias
neste estudo, sendo a ovariohisterectomia a principal técnica realizada.
PALAVRAS-CHAVE: Afecções cirúrgicas. Clínica cirúrgica. Obstetrícia.
ABSTRACT: The objective of this study was to describe and analyze the frequency of sur-
geries, separated by each type of system, in dogs and cats treated at the Veterinary Clinical
Center of Patos de Minas University Center. A total of 257 surgical charts from the years
2015 and 2016 were evaluated, with a total of 337 procedures. Race, sex and age and the
type of surgical intervention were analyzed. It was observed that 93% of the patients were
canine and 7% feline. Female patients were the most attended, 69%, males 31%. Animals
aged between 1 and 8 years represented 31%, followed by those aged 8 to 12 years, 25%.
190
CASUÍSTICA DO SERVIÇO DE CIRURGIA EM PEQUENOS ANIMAIS DO CENTRO CLÍNICO VETERINÁRIO
Non-breed animals accounted for 92% of felines and 65% of canines. Most of the surgeries
performed were obstetric, representing 48% of the total cases, followed by affections of the
genitourinary apparatus with 16%. It was concluded that females were more submitted to
surgeries in this study, and ovariohysterectomy was the main technique performed.
KEYWORDS: Surgical conditions. Surgical clinic. Obstetrics
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1. INTRODUÇÃO
N
os últimos anos, a medicina veterinária desenvolveu-se sobremaneira, fa-
zendo surgir especialidades que permitiram um melhor diagnóstico e tra-
tamento das doenças dos animais. Cada vez mais a cirurgia veterinária se
destaca como forma de resolução no tratamento de determinadas afecções. Isto
porque se observa uma melhoria na qualificação dos profissionais bem como nos
métodos de diagnóstico, como aparelhos de raio-x, ultrassonografia, tomografia,
entre outros, que corroboram na detecção precoce de afecções e auxiliam o médico
veterinário cirurgião no desenvolvimento e aplicação da técnica cirúrgica ( GADE-
LHA et al., 2007).
Estima-se que 44,3% dos domicílios do Brasil possuem pelo menos um cão,
o equivalente a 28,9 milhões de unidades domiciliares. Em relação aos felinos,
17,7% dos domicílios possuem pelo menos um, o equivalente a 11,5 milhões. A
população de gatos em domicílios brasileiros foi estimada em 22,1 milhões, o que
representa aproximadamente 1,9 gato por domicílio (IBGE, 2015).
Estudos referentes à análise da casuística e da epidemiologia das afecções
clínicas e cirúrgicas são importantes para determinar o perfil dos pacientes, bem
como auxiliar na prevenção e tratamento de doenças (CRUZ-PINTO, 2009). A epide-
miologia é uma ferramenta valiosa quando se trata de estudo de casuísticas. Sua
importância está em reconhecer a existência de um problema, definir sua casuali-
dade, determinar sua natureza e, portanto, ajudar a estabelecer um tratamento e
corroborar no desenvolvimento de medidas de prevenção (OLIVEIRA et al., 2010).
Estudos relacionados à determinação de casuística clínica e cirúrgica são
escassos na literatura, e no cenário atual, são extremamente necessários, principal-
mente para corroborar no conhecimento epidemiológico das afecções que mais
acometem cães e gatos em uma determinada região. Além disso, auxiliam o mé-
dico veterinário na determinação de medidas eficazes de tratamento e prevenção.
Assim, o presente estudo teve como objetivo estabelecer a casuística do ser-
viço de cirurgia em pequenos animais do Centro Clínico Veterinário do Centro
Universitário de Patos de Minas (CCV–UNIPAM) e o perfil do paciente cirúrgico.
2. METODOLOGIA
O presente trabalho foi submetido à Comissão de Ética no uso de Animal
(CEUA) do Centro Universitário de Patos de Minas, aprovado para execução sob o
número de protocolo 15/16.
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JÚNIOR ARTUR DOS REIS, MARCELO COELHO LOPES & THAISA REIS DOS SANTOS
Foi proposta a realização de um estudo retrospectivo, observacional, em
que foram analisados os prontuários cirúrgicos dos pacientes atendidos pelo Ser-
viço de Cirurgia do Centro Clínico Veterinário do Centro Universitário de Patos
de Minas (CCV-UNIPAM) no período de março de 2015 a junho de 2016. Foram ob-
tidos os dados referentes a espécie, sexo, raça, idade e cirurgias realizadas em cada
paciente.
As informações referentes às afecções cirúrgicas dos pacientes foram agru-
padas com o sistema acometido, de acordo com a Tabela 1. Os dados obtidos foram
tabelados e submetidos à análise estatística descritiva e demonstrados através da
frequência absoluta (n) e relativa (%).
TABELA 1. Afecções cirúrgicas dos animais submetidos à intervenção cirúrgica no CCV
UNIPAM de acordo com os sistemas acometidos e respectivos órgãos.
Patos de Minas, 2016
Afecções cirúrgicas
Afecções do coração, seios nasais e paranasais, laringe,
Cardiorrespiratório
traqueia, brônquios, bronquíolos, pulmões e diafragma.
Afecções de cavidade oral, língua, faringe, esôfago,
Digestório
estômago, intestino, fígado e pâncreas.
Afecções de rins, ureteres, vesícula urinária, uretra e reprodu-
Genito-Urinário
tor masculino (pênis, testículo e glândulas anexas).
Hematopoiético Afecções de baço (abscessos, torções, ruptura e neoplasia).
Afecções de ossos em geral, músculos, tendões, ligamentos e
Locomotor
articulações (disco intravertebral não incluso).
Evisceração, neoplasias e afecções de pele e suas glândulas
Pele e anexos
(glândula mamária não inclusa), cistos, feridas.
Paratopias Eventração, hérnias inguinal, perineal, inguino-escrotral.
Afecções de vulva, vagina, útero, ovários
Obstetrícia
e glândulas mamárias.
Oftalmologia Afecções de olho e anexos.
CRUZ-PINTO, 2009. Adaptado.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A clínica de pequenos animais do CCV-UNIPAM atendeu 565 pacientes entre
março de 2015 e junho de 2016. Destes, 45% (257/565) foram encaminhados para o
serviço de cirurgia. Visto que alguns animais passaram por mais de um procedi-
mento cirúrgico neste intervalo de tempo, o total de intervenções cirúrgicas cor-
respondeu a 337 casos.
Atualmente, embora o risco cirúrgico deva sempre ser considerado, várias
afecções têm na cirurgia o tratamento definitivo, e além disso, várias das técnicas
192
CASUÍSTICA DO SERVIÇO DE CIRURGIA EM PEQUENOS ANIMAIS DO CENTRO CLÍNICO VETERINÁRIO
cirúrgicas em pequenos animais são consideradas como rotineiras e seguras, ob-
tendo-se sucesso total com a melhora e reabilitação dos pacientes ( BRAGA 2008).
Analisados de acordo com o sistema acometido, a maior casuística foi associada a
cirurgias obstétricas, representando 48% (161/337) do total de casos, seguida do
aparelho geniturinário, com 16% (53/337), e locomotor, com 12% (40/337), como
representado no Gráfico 1.
GRÁFICO 1. Frequência percentual do Serviço de Cirurgia de Pequenos Aninais
do Centro Clínico Veterinário do Centro Universitário de Patos de Minas.
A) Classificação das afecções cirúrgicas de acordo com o sistema acometido;
B) Atendimentos clínicos e cirúrgicos; C) Divisão dos pacientes cirúrgicos por
sexo; e D) divisão por espécie
A AFECÇÕES CIRÚRGICAS
1% 6%
Cardiorrespiratório
3% 16%
Digestório
Geniturinário
1%
Hematopoiético
48% 12% Locomotor
Pele e anexos
Paratopias
10%
3% Obstetrícia
Oftalmologia
n=337
B ATENDIMENTOS C SEXO D ESPÉCIE
7%
Casos
45% clínicos 31% FÊMEA CANINA
55% Casos 69%
MACHO 93% FELINA
cirúrgicos
n=565 n=337 n=337
Neste estudo, os caninos foram mais submetidos às intervenções cirúrgicas,
representando 93% (313/337) dos casos, seguidos por 7% (24/337) de felinos. Es-
tudo semelhante a este realizado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootec-
nia da Universidade de São Paulo mostrou os cães como a principal espécie aco-
metida por afecção que necessitasse de cirurgias, representando 83,25% do total de
193
JÚNIOR ARTUR DOS REIS, MARCELO COELHO LOPES & THAISA REIS DOS SANTOS
procedimentos (CRUZ-PINTO, 2009). A proteção incondicional que os cães manifes-
tam por seus proprietários (FUCK et al., 2006) e o comportamento característico e
frequente em dar afeto e contato corporal, quando comparados aos gatos, podem
ser aspectos que justificam a preferência por cães, uma vez que os gatos são inde-
pendentes e não se incomodam de ficar sozinhos (PEREIRA; PEREIRA, 2013).
Em relação à idade dos pacientes avaliados, a média de idade entre os ca-
ninos foi de 7,4 anos (desvio padrão: 4,3 anos), e a média de idade entre os felinos
de 3,3 anos (desvio padrão: 4,5). Com o incremento na expectativa de vida de cães
e gatos nos últimos tempos, existe uma maior probabilidade de, em algum mo-
mento de suas vidas, serem submetidos a algum tipo de intervenção cirúrgica e
anestésica (CARARETO et al., 2005). Neste estudo, os pacientes com idade entre um
e oito anos mostraram-se dominantes, com 31% (104/337) dos casos, seguidos da-
queles com idade entre oito e 12 anos, com 25% (83/337), e pelos animais mais jo-
vens, com idade menor que um ano, representando 8% (27/337) dos pacientes. Os
animais idosos, com mais de 12 anos de vida, obtiveram a menor incidência, 5%
(18/337) do total de pacientes de ambos os sexos e espécies. Contudo, 31% (105/337)
dos prontuários avaliados não constavam a idade do paciente, o que demonstra
preenchimento incompleto da ficha clínica devido à falta de informação por parte
dos tutores. Essa informação não deve ser negligenciada, pois em estudos epide-
miológicos, a idade é um fator importante para se conhecer o perfil de uma popu-
lação a ser estudada.
Pacientes fêmeas corresponderam a 69% (234/337), enquanto que 31% dos
pacientes eram machos (103/337). Dentre as fêmeas, as cirurgias obstétricas foram
as que mais ocorreram, sendo 47% (111/234) ovariohisterectomia (OH) e 19%
(44/234) mastectomia. Todavia a OH é amplamente difundida por todo o planeta
para controle populacional de cadelas e gatas (DE TORA; MCCARTHY, 2011). Além
disso, é recomendada a realização da OH concomitantemente à mastectomia nos
casos de neoplasias mamárias, embora seja controversa a influência desta técnica
sobre o aumento da sobrevida do animal (WHITE, 2007). A esterilização de fêmeas
caninas pela técnica de OH proporciona excelentes resultados sobre o controle po-
pulacional dessas espécies, mostrando-se mais eficaz e eficiente que a esterilização
de machos, devido à importância direta das fêmeas na geração de novos indiví-
duos (BRAGA; FERREIRA, 2013).
A mastectomia se destacou entre as fêmeas, representando 14% (45/234)
dos procedimentos cirúrgicos realizados neste grupo de pacientes, sendo as neo-
plasias de glândula mamária a principal afecção nestas pacientes. As técnicas ci-
rúrgicas para o tratamento da neoplasia mamária variam de lumpectomia até a
mastectomia radical (FELICIANO et al., 2012). A neoplasia mamária canina repre-
senta uma das maiores casuísticas na oncologia veterinária (SAKAMOTO-LIMA,
2013), e a escolha da técnica cirúrgica depende do tamanho, bem como da locali-
zação da massa tumoral (CASSALI et al., 2014).
Neste estudo, 28% (65/234) das fêmeas que sofreram intervenções cirúrgi-
cas estavam na faixa etária entre oito e 12 anos. Trata-se da faixa etária em que as
neoplasias mamárias ocorrem com maior frequência (TORÍBIO, et al., 2012; WITH-
194
CASUÍSTICA DO SERVIÇO DE CIRURGIA EM PEQUENOS ANIMAIS DO CENTRO CLÍNICO VETERINÁRIO
ROW; VAIL, 2013; CASSALI et al., 2014). Ressalta-se que a neoplasia mamária é a neo-
plasia mais comumente diagnosticada em fêmeas caninas, das quais mais de 50%
são malignas, tendo importante impacto na medicina veterinária (CASSALI et al.,
2014).
Em relação aos machos, 31% (103/337) dos pacientes foram submetidos a
procedimentos que envolviam o sistema geniturinário (48%; 50/103) e locomotor
(19%; 20/103). Técnicas de orquiectomia e procedimentos voltados à redução de
fratura foram as mais realizadas, 47% (48/103) e 19% (20/103), respectivamente. Em
um estudo realizado por Vidane et al. (2014), 84,7% dos pacientes que sofreram
algum tipo de fratura pertenciam à espécie canina, e destes, 8,3% eram do sexo
masculino. Esses achados já foram descritos anteriormente por outros autores (KU-
MAR et al., 2007; FERRIGNO et al., 2007; SHIJU et al., 2010). Esta maior incidência em
machos se deve ao fato de estes abandonarem suas residências em busca de acasa-
lamentos, desta forma estando mais expostos aos riscos (BENTUBO et al., 2007; FIDE-
LIS et al., 2012).
A clínica cirúrgica do CCV–UNIPAM realizou, durante os 15 meses referentes
a esta pesquisa, 119 cirurgias de esterilização de cães e gatos, sem raça definida, de
ambos os sexos, o que representa 35% (119/337) do total de procedimentos cirúrgi-
cos neste período. Essa casuística se dá devido aos projetos de castração realizados
em parceria com o Centro de Controle de Zoonoses de Patos de Minas e parcerias
com ONGs do município. A maior ocorrência de orquiectomia e OH nos pacientes
pode ser justificada por se tratar de um hospital-escola, onde projetos de extensão
de castração de pequenos animais são oferecidos à comunidade como uma estra-
tégia de controle populacional. A esterilização cirúrgica de machos atende à legis-
lação atual, além de propiciar bem-estar aos animais, impedindo o nascimento de
filhotes indesejáveis, sem condição de sobrevivência adequada (LUI et al. 2011).
Em relação às afecções do sistema locomotor (12%; 40/337), a principal téc-
nica cirúrgica realizada foi a redução de fratura. Em pequenos animais, na grande
maioria das vezes, essas fraturas são decorrentes de traumatismos resultantes de
acidentes automobilísticos, projéteis balísticos, brigas e quedas (FOSSUM et al., 2014;
KUMAR et al., 2007). A intervenção do médico veterinário se faz necessária para
avaliação da integridade óssea, bem como para a avaliação de possíveis injúrias e
complicações posteriores ao trauma. Em termos ortopédicos, a fratura é caracteri-
zada pela perda parcial ou total da continuidade óssea e são denominadas de
acordo com linhas de fratura, que podem ser redutíveis ou não. Estas são sempre
acompanhadas por vários graus de lesão nos tecidos moles adjacentes (HULSE; HY-
MAN, 2007).
Em relação aos machos avaliados neste estudo, a faixa etária com maior
representação, 32% (33/103), foi daqueles com intervalo de idade entre um a oito
anos. Segundo Johnson (2008), animais jovens e em idade reprodutiva são mais
susceptíveis a sofrer traumatismos, decorrente de sua tendência a perambular. O
grupo etário dos pacientes com idade menor que um ano representou 16%
(16/103), aqueles com idade entre oito e 12 representaram 17% (18/103), enquanto
pacientes acima de 12 anos representaram 5% (5/103).
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JÚNIOR ARTUR DOS REIS, MARCELO COELHO LOPES & THAISA REIS DOS SANTOS
Dentre os animais avaliados, aqueles sem raça definida ( SRD) representa-
ram 92% (22/24) entre os felinos e 65% (205/313) entre os caninos. Dentre os cani-
nos, as principias raças observadas foram Pinscher (12%; 38/313), Poodle (7%;
21/313), Shih Tzu (3%; 9/313), Dachshund e Pitbull (2%; 5/313). Entre os felinos, a
raça Angorá foi a única definida, correspondendo a 8% (2/24) dos pacientes. A
maior casuística de pacientes sem raça definida pode ser justificada por se tratar
de um hospital-escola, onde vários tutores que frequentam o hospital são trabalha-
dores voluntários de organizações não governamentais da cidade de Patos de Mi-
nas, que desenvolvem trabalho de proteção animal. Em outros estudos de casuís-
ticas, os mestiços também são a principal raça observada, como descrito no estudo
realizado por Fernandes et al. (2015), em que os animais sem raça definida repre-
sentaram 25,41% do total de animais analisados. O maior número de cães sem raça
definida pode estar associado às características da população atendida em hospi-
tais escola (GOMES et al., 2010).
As cirurgias com menor representação foram cardiorrespiratórias e oftal-
mológicas, representando 1% (3/337) e 3% (11/337) dos casos avaliados, respecti-
vamente. As recentes pesquisas e o desenvolvimento de instrumentos para o diag-
nóstico e o tratamento dos problemas oculares têm estimulado profissionais vete-
rinários a se especializarem em Oftalmologia, contribuindo para a reabilitação vi-
sual dos animais portadores das doenças do bulbo ocular e de seus anexos (SAM-
PAIO et al., 2010), priorizando conhecer os parâmetros oculares de cada espécie para
facilitar e melhorar a qualidade dos procedimentos clínicos e cirúrgicos (MERLINI,
2015).
Assim, este estudo demonstrou o perfil dos pacientes submetidos ao aten-
dimento cirúrgico no CCV-UNIPAM, oferecendo informações epidemiológicas que
poderão ser comparadas e utilizadas em pesquisas futuras. Ressalta-se que estudo
epidemiológico e a análise detalhada da frequência das principais afecções cirúr-
gicas que acometem os pequenos animais são de suma importância para o médico
veterinário, pois tais estudos permitem traçar o perfil do paciente, bem como
buscar novas técnicas e aprimorar tecnologias já existentes na clínica cirúrgica.
4. CONCLUSÃO
De acordo com os dados apresentados, conclui-se que no Serviço de
Cirurgia do CCV-UNIPAM, os cães foram a espécie mais acometida por afecções
cirúrgicas (93%), sendo os animais sem raça definida os mais frequentes (67%). Os
animais com afecções cirúrgicas possuem, em sua maioria, idade entre um e oito
anos. As fêmeas foram mais submetidas a intervenções cirúrgicas, sendo as prin-
cipais técnicas realizadas a OH (47%) e a mastectomia (19%).
196
CASUÍSTICA DO SERVIÇO DE CIRURGIA EM PEQUENOS ANIMAIS DO CENTRO CLÍNICO VETERINÁRIO
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