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A Questão do Ser em Heidegger

A 'questão fundamental da metafísica' em Martin Heidegger centra-se na indagação sobre a razão da existência dos entes em vez do nada, desafiando a tradição metafísica ocidental que negligenciou o sentido do Ser. Heidegger introduz o conceito de *Dasein* para explorar a relação do ser humano com o Ser, propondo uma ontologia hermenêutica que vai além das categorias tradicionais. A obra convida a uma reavaliação da experiência do Ser, enfatizando a importância da linguagem e da poesia como formas de desvelamento da realidade.

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A Questão do Ser em Heidegger

A 'questão fundamental da metafísica' em Martin Heidegger centra-se na indagação sobre a razão da existência dos entes em vez do nada, desafiando a tradição metafísica ocidental que negligenciou o sentido do Ser. Heidegger introduz o conceito de *Dasein* para explorar a relação do ser humano com o Ser, propondo uma ontologia hermenêutica que vai além das categorias tradicionais. A obra convida a uma reavaliação da experiência do Ser, enfatizando a importância da linguagem e da poesia como formas de desvelamento da realidade.

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A "questão fundamental da metafísica" em Martin Heidegger é central em sua obra,

especialmente em "Ser e Tempo" (1927) e em textos subsequentes. Heidegger busca reavaliar


a tradição metafísica ocidental, argumentando que ela perdeu de vista a pergunta mais
essencial: a questão do Ser (Seinsfrage). Para ele, a metafísica tradicional, desde Platão e
Aristóteles, tratou o Ser como algo óbvio ou autoexplicativo, focando-se em entes (os seres
concretos) e suas propriedades, sem questionar o que realmente significa "ser".

### 1. **A pergunta pelo Ser**


Heidegger afirma que a questão fundamental da metafísica é: "Por que há entes e não antes o
nada?" Essa pergunta não busca uma explicação causal ou científica, mas sim uma
compreensão do sentido do Ser. Ele critica a tradição filosófica por ter "esquecido o Ser"
(Seinsvergessenheit), reduzindo-o a uma noção abstrata ou a um mero conceito. Para
Heidegger, o Ser não é um ente, mas aquilo que permite que os entes sejam compreendidos
como tais.

### 2. **Dasein e a abertura ao Ser**


Heidegger introduz o conceito de *Dasein* (ser-aí) para designar o ser humano como aquele
ente que tem a capacidade de questionar e compreender o Ser. O *Dasein* não é apenas um
sujeito ou uma consciência, mas um ser-no-mundo, sempre já envolvido em relações práticas
e interpretativas. A existência humana é marcada pela temporalidade e pela finitude, aspectos
que revelam a abertura do *Dasein* ao Ser.

### 3. **A crítica à metafísica tradicional**


Heidegger critica a metafísica tradicional por ter se tornado "ontoteológica", ou seja, por ter
reduzido o Ser a um ente supremo (Deus, a Ideia, a Substância) ou a uma estrutura estática.
Ele argumenta que essa abordagem obscurece a dinâmica e a historicidade do Ser. Em vez de
buscar fundamentos últimos ou essências eternas, Heidegger propõe uma ontologia
hermenêutica, que explora o sentido do Ser a partir da experiência concreta do *Dasein*.

### 4. **A diferença ontológica**


Um dos conceitos-chave de Heidegger é a "diferença ontológica", a distinção entre o Ser e os
entes. Enquanto os entes são coisas particulares que existem, o Ser é o horizonte que
possibilita sua compreensão. A metafísica tradicional, segundo Heidegger, confunde essa
diferença, tratando o Ser como se fosse um ente entre outros.

### 5. **A superação da metafísica**


Heidegger não busca simplesmente rejeitar a metafísica, mas superá-la (Überwindung der
Metaphysik), indo além de suas limitações e recuperando a pergunta pelo Ser. Ele vê a
metafísica como uma etapa necessária, mas insuficiente, no caminho para uma compreensão
mais originária do Ser. Essa superação envolve um retorno às origens do pensamento
ocidental, antes da cristalização conceitual da metafísica tradicional.

### 6. **A relação com a linguagem e a poesia**


Heidegger também enfatiza o papel da linguagem na revelação do Ser. Ele vê a linguagem
não como um instrumento, mas como a "casa do Ser". A poesia, em particular, é vista como
um modo privilegiado de desvelamento do Ser, pois permite uma experiência mais autêntica e
originária da realidade.
### Conclusão
A questão fundamental da metafísica em Heidegger é, portanto, uma convocação para
repensar o Ser além das categorias tradicionais. Ele desafia a filosofia a abandonar a busca por
fundamentos absolutos e a se abrir para a experiência concreta e histórica do Ser. Essa
abordagem não apenas redefine a metafísica, mas também coloca em questão o próprio
sentido da existência humana e sua relação com o mundo. Heidegger nos convida a uma
atitude de escuta e abertura, em que o Ser pode se revelar em sua plenitude e mistério.

A questão fundamental da metafísica, conforme formulada por Martin Heidegger, é expressa


de maneira emblemática na indagação: "Por que há, em geral, o ente e não antes o nada?"
(Warum ist überhaupt Seiendes und nicht vielmehr Nichts?). Tal interrogação não se reduz a
uma mera curiosidade abstrata, mas antes inaugura um caminho de pensamento que
transcende as determinações tradicionais da metafísica ocidental, recolocando o problema do
ser de maneira radical. Trata-se, em última instância, de um esforço de reapropriação do
questionamento originário que, segundo Heidegger, foi esquecido ao longo da história da
filosofia, particularmente a partir de sua sedimentação na metafísica da presença inaugurada
por Platão e consolidada no pensamento moderno.

O ponto de partida para compreendermos essa questão fundamental encontra-se na crítica


heideggeriana à tradição metafísica que, desde Aristóteles, tendeu a identificar o ser com a
substância e, posteriormente, com a representação cartesiana da realidade como res extensa.
Heidegger diagnostica um progressivo obscurecimento da diferença ontológica, isto é, a
distinção essencial entre o ser e o ente. A metafísica tradicional preocupou-se primariamente
com o ente em sua multiplicidade e variedade, buscando suas causas, fundamentos e
essências, mas, nesse processo, negligenciou a questão do próprio ser enquanto tal. O que
significa ser? O que possibilita que o ente apareça como ente?

Ao formular sua questão fundamental, Heidegger nos convoca a um repensar originário que
não se limita à investigação sobre o que há, mas questiona a própria razão pela qual há algo
em vez de nada. Essa interrogação não busca uma resposta causal, como se pudéssemos
determinar um princípio primeiro ou uma causa eficiente última que explicasse a existência
do ente. Pelo contrário, a questão visa provocar um espanto ontológico diante do próprio
mistério do ser. O simples fato de que algo "é" já se revela como algo digno de ser pensado, e
essa admiração não pode ser resolvida por meio de um princípio explicativo que neutralize o
assombro filosófico que essa questão desperta.

A metafísica, desde seus primórdios, tentou responder à questão do ser, mas o fez partindo de
um pressuposto implícito: que o ente já se encontra dado e que o problema consiste em
explicá-lo dentro de uma estrutura racional. Heidegger, em contraste, busca recuperar a
dimensão pré-teórica da experiência do ser, aquela que se manifesta originariamente no
Dasein, ou seja, no modo de ser próprio do humano. O Dasein, ao existir, é o único ente que
se coloca a questão do ser e, por isso mesmo, é nele que reside a possibilidade de uma
reapropriação dessa questão esquecida.

A pergunta "Por que há, em geral, o ente e não antes o nada?" implica também um confronto
com a própria possibilidade do nada. Diferente das concepções metafísicas tradicionais, que
concebiam o nada como mera privação do ser, Heidegger sugere que o nada possui um caráter
fenomenológico próprio, revelando-se de maneira privilegiada na angústia existencial. Na
angústia, o ente em sua totalidade se retrai e nos deixa diante do nada, e é precisamente nesse
confronto que se revela, de maneira mais originária, a questão do ser.

Assim, a questão fundamental da metafísica não se limita a uma interrogação teórica, mas
tem implicações existenciais profundas. Ela desestabiliza a segurança do pensamento
metafísico tradicional, confrontando-nos com a estranheza da existência e com a necessidade
de repensar o ser a partir de sua experiência originária. Heidegger nos convida, portanto, a
uma nova forma de pensar, que não se reduz a um sistema conceitual fechado, mas se
mantém sempre aberto à interrogação e ao desvelamento do ser em sua verdade.

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