ASMA:
3. Crescimento das glândulas submucosas;
- Essas mudanças são parte do remodelamento das
vias aéreas, que pode levar à obstrução irreversível
CONCEITO:
em alguns pacientes.
• Doença inflamatória crônica, caracterizada por
hiperresponsividade das vias aéreas inferiores e por
QUADRO CLÍNICO
limitação variável ao fluxo aéreo, reversível
1. Dispneia;
espontaneamente ou com tratamento,
2. Tosse crônica;
manifestando-se clinicamente por episódios
3. Sibilância;
recorrentes de sibilância, dispnéia, aperto no peito e
4. Cansaço aos esforços;
tosse, particularmente à noite e pela manhã ao
5. Aperto no peito ou desconforto
despertar;
torácico, particularmente à noite ou
nas primeiras horas da manhã;
FATORES DESENCADEANTES:
- As manifestações que sugerem fortemente o
1. Alérgenos (pelos de animais, mofo, umidade, pólen,
diagnóstico de asma são:
fungo, etc);
1. Variação da intensidade dos sintomas ao longo
2. Infecções virais das vias aéreas superiores
do tempo;
(rinovírus, VSR, coronavírus);
2. Desencadeamento de sintomas por irritantes
3. Exercício e hiperventilação principalmente em clima
inespecíficos (como fumaças, odores fortes e
frio e seco;
exercício) ou por aeroalérgenos (como ácaros
4. Dióxido de enxofre e gases irritantes;
e fungos);
5. Fármacos (B-bloqueadores, ácido acetilsalicílico);
3. Piora dos sintomas à noite e a melhora
6. Ocupação;
espontânea ou após o uso de medicações
7. DRGE;
específicas para asma;
8. Estresse;
9. Irritantes (aerossóis de uso doméstico, vapores de
CLASSIFICAÇÃO DA ASMA:
tintas).
- Com base nos parâmetros de controle de asma, ela
Observação: O aparecimento da asma na idade adulta
pode ser classificada em três grupos distintos:
pode ocorrer como asma de início tardio ou estar
1. Asma controlada: Step 1 e 2;
relacionado com a exposição ocupacional;
2. Asma parcialmente controlada: Step 3 e 4;
3. Asma não controlada: Step 5;
FISIOPATOLOGIA:
STEPS:
- A asma é caracterizada pela inflamação das vias
➔ Step 1: Sintomas menos de 2x/mês e sem
aéreas, resultado de interações entre várias células
fatores de risco para exacerbações;
inflamatórias e mediadores. A inflamação alérgica
➔ Step 2: Sintomas 2x/mês ou mais, mas menos
começa quando alérgenos ativam linfócitos Th2, que
de 4-5 dia/semana;
produzem citocinas que mantêm essa inflamação. A
➔ Step 3: Sintomas na maioria dos dias ou
interleucina 4 (IL-4) é crucial para aumentar a
acordar com asma 1x/semana;
produção de anticorpos IgE específicos.
➔ Step 4: Sintomas diários ou acordar com asma
- Os mastócitos e outras células liberam mediadores
1x/semana ou mais e baixa função pulmonar;
inflamatórios como histamina e citocinas, que causam:
➔ Step 5: Paciente no Step 4 que mesmo após
1. Lesões no epitélio;
um mês de tratamento adequado, segue sem
2. Alterações no controle neural e no tônus das
controle dos sintomas;
vias aéreas;
GRAVIDADE DA ASMA:
3. Aumento da permeabilidade vascular;
1. Intermitente: Quando os sintomas são
4. Hipersecreção de muco;
esporádicos;
5. Maior vascularização;
2. Persistente: Quando os sintomas são
6. Diminuição da função muco-ciliar;
contínuos.
7. Aumento da reatividade do músculo liso;
DIAGNÓSTICO:
- Esses mediadores também danificam o epitélio,
1. Anamnese:
levando à proliferação de células e depósito de
- História familiar, componente alérgico e, quando nas
colágeno, resultando em espessamento da membrana
crises, o quadro apresenta-se caracteristicamente com
basal. Outras alterações incluem:
dispneia, sibilância, sensação de asfixia, opressão no
1. Hipertrofia do músculo liso;
tórax e tosse intensa.
2. Aumento das células caliciformes;
2. Exame físico:
Indivíduos com asma apresentam, frequentemente, - Reduzem a inflamação e a hiper-responsividade
exame físico normal no período entre as crises. A brônquica, ajudando a controlar sintomas, melhorar a
anormalidade observada com maior frequência é a: função pulmonar e diminuir o risco de crises futuras;
- Presença de sibilos expiratórios à ausculta pulmonar; - O uso de inaladores com espaçador e a higiene oral
- Chiado no peito; após a inalação ajudam a reduzir esses efeitos;
- Tempo expiratório prolongado;
- Tiragem intercostal; CI ASSOCIADO A LABA:
- Podem ocorrer sinais de rinite alérgica, com - É o tratamento de controle preferencial nas etapas III
hipertrofia de cornetos e sinais de dermatite atópica; a V da asma, ou seja, quando o tratamento com CI
- Taquicardia, taquipneia e dispneia; isolado não é suficiente para atingir e manter o
Observação: Fora das crises, o paciente costuma ser controle da doença;
assintomático e o exame físico é normal, podendo - A associação CI + LABA resulta em um efeito
haver evidências de sibilos à ausculta pulmonar sinérgico dessas drogas, o que possibilita uma maior
apenas durante expiração forçada. eficácia antiinflamatória com uma menor dose de CI e,
3. Provas de Função Pulmonar: consequentemente, com menos efeitos adversos.
- Espirometria: Mede o VEF1 e a Capacidade OBS: LABA = (agonista beta de longa ação)
Vital Forçada (CVF). O diagnóstico de
obstrução é feito se a relação VEF1/CVF OUTROS MEDICAMENTOS:
estiver reduzida. Um aumento no VEF1 de pelo Em caso de asma de difícil controle são adicionados
menos 200 mL e 12% após broncodilatador os seguintes medicamentos:
sugere asma. Em adultos, VEF1/CVF 1. LAMA: Antagonista muscarínicos de longa
geralmente é > 0,75-0,80 e em crianças > 0,90. ação;
- Testes de Broncoprovocação: Avalia a 2. LTRA: Antagonista do receptor de leucotrieno;
hiper-responsividade brônquica com 3. Imunobiológicos;
substâncias como metacolina. Uma queda no
VEF1 de ≥ 20% após a inalação indica ETAPAS DE TRATAMENTO:
hiper-responsividade. O tratamento varia de acordo com a faixa etária e o
- Medidas de PFE: O Pico de Fluxo Expiratório Step.
(PFE) avalia a variabilidade da obstrução e CRIANÇAS </= 5 ANOS:
ajuda na monitorização. Uma mudança de pelo ➔ Step 1:
menos 10% no PFE é indicativa de asma. - Crise: SABA;
4. Avaliação da Alergia: Confirma a sensibilização - Manutenção: Considerar CI, se virose;
alérgica por testes cutâneos ou medindo IgE ➔ Step 2:
específica no sangue. - Crise: SABA;
5. Outros Exames: - Manutenção: CI de dose baixa regular -
- Radiografia: Usada para diagnóstico diferencial Budesonida (NBZ 500 mcg/dia) ou
e identificar complicações (como pneumonia). beclometasona (100 mcg/dia);
- Hemograma: Ajuda a excluir anemia e ➔ Step 3:
identificar eosinofilia ou anormalidades na - Crise: SABA;
contagem de glóbulos brancos. - Manutenção: CI de dose baixa dobrada ou CI
dose baixa + leucotrieno. Considerar
TRATAMENTO: especialista;
Os medicamentos para o tratamento da asma podem ➔ Step 4:
ser divididos em: - Crise: SABA;
1. Medicamentos controladores: Base do - Manutenção: Mantém tratamento com
tratamento da asma persistente e possuem especialista;
atividade antiinflamatória. Ex.: CI CRIANÇAS 6 ANOS E 11 ANOS:
(beclometasona e a budesonida), corticoides ➔ Step 1:
orais (CO), LABA (formoterol e o salmeterol) e - Crise: SABA ou CI (Budesonida) + LABA
o imunobiológico anti-IgE; (Formoterol);
2. Medicamentos de alívio ou resgate: Atuam - Manutenção: CI em dose baixa quando usar
rapidamente no alívio dos sintomas e na SABA;
reversão da broncoconstrição. Ex: SABA ➔ Step 2:
(salbutamol e fenoterol); - Crise: SABA ou CI (Budesonida) + LABA
(Formoterol);
CORTICOIDES INALATÓRIOS:
- Manutenção: CI de dose baixa regular - 3. Sonolência ou Confusão mental;
Budesonida (100-200 mcg/dia);
➔ Step 3: 2ª ETAPA: CLASSIFICAR A GRAVIDADE DO
- Crise: SABA ou CI (Budesonida) + LABA DOENTE:
(Formoterol); - Deve-se triar a gravidade da crise asmática de
- Manutenção: CI de dose média > 2 0 0 - 4 0 0 acordo com os sinais e sintomas;
m c g / d i a o u C I (Budesonida) em dose 3ª ETAPA: MEDICAMENTOS PARA TRATAMENTO
baixa + LABA (Formoterol); DA CRISE DE ASMA:
➔ Step 4: ➔ Oxigenioterapia:
- Crise: SABA ou CI (Budesonida) + LABA - Use cânula nasal ou máscara de Venturi para
(Formoterol); manter oxigênio entre 93-95% em adultos e
- Manutenção: Cl dose média + LABA; 94-98% em crianças de 6 a 11 anos.
considerar especialista; Opção: tiotrópio. - Em casos graves, use máscara não-reinalante
➔ Step 5: e prepare material para intubação.
- Crise: SABA ou CI (Budesonida) + LABA ➔ B2-Agonista de Curta Ação:
(Formoterol); - Administre um B2-agonista inalatado (como
- Manutenção: Cl dose alta > 400 mcg/dia + Fenoterol ou Salbutamol) com espaçador, a
LABA ou terapia adicional, por exemplo, cada 20 minutos na primeira hora.
anti-lgE, anti-IL4; - Para crianças sem resposta, considere
CRIANÇAS >/12 ANOS: nebulização contínua.
➔ Step 1 e 2: ➔ Corticóides Sistêmicos:
- Crise: CI (budesonida 200-400 mcg/dia) + - Devem ser administrados na primeira hora em
LABA (formoterol 6 mcg); opção: CI + SABA; casos graves ou se não houver resposta ao
- Manutenção: CI (budesonida 200-400 mcg por tratamento inicial.
dia) + LABA (formoterol 6 mcg). - Manter por 3-5 dias em crianças e 5-7 dias;
➔ Step 3: - Via Oral: Prednisona (40-60 mg em adultos; 1-2
- Crise: CI (budesonida 200-400 mcg/dia) + mg/kg em crianças).
LABA (formoterol 6 mcg); opção: CI + SABA; - Via Intravenosa: Metilprednisolona (60-125
- Manutenção: CI (budesonida) + LABA mg/dose) ou Hidrocortisona (100-500 mg/dose)
(formoterol) regular em dose baixa; para pacientes muito dispneicos.
➔ Step 4: ➔ Brometo de Ipratrópio:
- Crise: CI (budesonida 200-400 mcg/dia) + - Administre 40 gotas a cada 20 minutos via
LABA (formoterol 6 mcg); opção: CI + SABA; nebulização, junto com o B2-agonista.
- Manutenção: CI (budesonida) + LABA - Indicado em crises asmáticas graves para
(formoterol) regular ou Budesonida dose média melhorar a função respiratória e reduzir
> 400-800 mcg/dia; hospitalizações.
➔ Step 5: ➔ Sulfato de Magnésio:
- Crise: CI (budesonida 200-400 mcg/dia) + - Administre 2 g por via intravenosa em 20
LABA (formoterol 6 mcg); opção: CI + SABA; minutos em casos graves que não respondem
- Manutenção: CI (budesonida) + LABA ao tratamento inicial.
(formoterol) regular ou Budesonida dose alta > - A resposta ocorre em 1 a 2 horas.
800 mcg/ dia; Especialista + Tiotrópio e avaliar 4ª ETAPA: EXAMES COMPLEMENTARES:
anti-IgE/IL5; 1. Gasometria arterial: Indicada se saturação de
oxigênio < 93% ou sinais de insuficiência
MANEJO DA ASMA AGUDA NO SERVIÇO DE respiratória;
EMERGÊNCIA: 2. Radiografia de tórax: Na crise de asma, pode
1ª ETAPA: ABCD + MOV: evidenciar sinais de hiperinsuflação pulmonar,
- No atendimento inicial na emergência, retificação de cúpulas diafragmáticas, aumento
devemos seguir o ABC e MOVer o paciente dos espaços intercostais e do diâmetro
(todo paciente na emergência deve ser ântero-posterior do tórax;
monitorizado, colocado oximetria de pulso e 3. Hemograma: Costuma ser normal na crise de
garantido acesso venoso). asma, a menos que seja desencadeada por
Existem 3 sinais importantes nesse momento: pneumonia;
1. Obstrução de via aérea (levanta outros 5ª ETAPA: REAVALIAÇÃO:
diagnósticos); - A avaliação da resposta terapêutica deve ser
2. Murmúrios vesiculares INAUDÍVEIS; realizada 30-60 minutos após o tratamento
inicial, com reclassificação da gravidade do
paciente;
- Após a alta iniciar ou subir um Step com
terapia crônica;
- Retorno entre 2 - 7 dias;
CRITÉRIOS PARA ALTA:
1. Melhoria dos sintomas;
2. PEF >60-80% do previsto;
3. Saturação de O2 > 94% do ar ambiente;
4. Recursos adequados em casa.
ALGORITMO DE MANEJO DA CRISE ASMÁTICA:
➔ ADOLESCENTES E CRIANÇAS ENTRE 6-11 ANOS:
➔ CRIANÇA MENOR QUE 6 ANOS: