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Direitos e Proteção de Crianças e Adolescentes

Direitos autorais
© All Rights Reserved
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Fundamento Constitucional- Artigo 227 da Constituição Federal.

Doutrina da proteção integral (prioridade absoluta).


As crianças e os adolescentes são titulares de direitos humanos como todas as pessoas (sistema
homogêneo de proteção), e por serem pessoas em desenvolvimento, ou seja, mais frágeis, ou até
mesmo hipossuficientes, merecem maior atenção do legislador (sistema heterogêneo de proteção).

Conceito Brasileiro de criança e adolescente:


Criança - criança é a pessoa até doze anos de idade incompletos;
Adolescente - é a pessoa entre doze e dezoito anos de idade. (Eca, art 2.)

Artigos 3o e 5o:
Direitos que as crianças e adolescentes gozam;
Obrigações que a sociedade e o poder público tem para protegê-los (primazia de atendimento
público, primazia na formulação de políticas públicas e destinação de recursos);
Nenhuma criança ou adolescentes será objeto de qualquer forma de negligência, exploração,
violência , crueldade etc...

Lei Menino Bernardo - O menino Bernardo Boldrini foi assassinado em abril de 2014, quando tinha
somente 11 anos de idade. De forma cruel, uma mistura de sedativos aplicada culminou em
overdose por superdosagem de um medicamento.

Crianças e adolescentes não devem sofrer nenhuma forma de punição que seja degradante, que
implique em correção por castigo físico ou humilhação, acarretando em sofrimento físico ou lesão.

Artigo 13: suspeita de Maus tratos ( comunicação obrigatória ao Conselho tutelar)


Artigos 18-A e 18-B

Medidas de Proteção: Artigo 98


As medidas de proteção previstas no Art. 101 do ECA/90 são destinadas tanto à criança quanto ao
adolescente que dela necessite,

- Em razão de ação ou omissão da sociedade ou do Estado ;


- Por falta , omissão ou abuso dos pais ou responsáveis;
- Ou em razão de sua própria conduta.

Ato Infracional: Artigos 103, 104,105


Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal.
São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às medidas previstas no
Estatuto da Criança e do Adolescente.

Para os efeitos da Lei, deve ser considerada a idade do adolescente à data do [Link] o STJ, o
indivíduo completa 18 anos à meia noite do dia de seu aniversário!
OBSERVAÇÃO: Ao ato infracional praticado por criança corresponderão as medidas previstas no
Art. 101 (medidas de proteção)

Artigo 112, ECA: dispõe que a medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade
de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração, ou seja, deve se apresentar exequível,
possibilitando ao adolescente a reavaliação de sua conduta, preparando-o para a liberdade e
reinserção na sociedade.

Advertência;
Reparação do dano;
Prestação de serviço;
Liberdade Assistida;
Semi-liberdade;
Internação (Máximo de 3 anos)

Artigo 108: 45 dias

A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximo de quarenta e cinco dias.
Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamentada e basear-se em indícios suficientes de autoria
e materialidade, demonstrada a necessidade imperiosa da medida.
Artigo 126: Remissão

Artigo 190-A:

Antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato infracional, o representante do


Ministério Público poderá conceder a remissão, como forma de exclusão do processo, atendendo às
circunstâncias e conseqüências do fato, ao contexto social, bem como à personalidade do
adolescente e sua maior ou menor participação no ato infracional.
Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da remissão pela autoridade judiciária
importará na suspensão ou extinção do processo.

Infiltração virtual de agente na internet, para investigar crimes contra a dignidade sexual de criança e
de adolescente, prazo de 90 dias, sendo permitidas renovações. Não poderá exceder 720 dias.

Art. 225. Este Capítulo dispõe sobre crimes praticados contra a criança e o adolescente, por ação ou
omissão, sem prejuízo do disposto na legislação penal.

Art. 227. Os crimes definidos nesta Lei são de ação pública incondicionada.

Art. 226. Aplicam-se aos crimes definidos nesta Lei as normas da Parte Geral do Código Penal e,
quanto ao processo, as pertinentes ao Código de Processo Penal.

§ 1o Aos crimes cometidos contra a criança e o adolescente, independentemente da pena prevista,


não se aplica a Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995. ( *Divergência)
Aspecto polêmico da Lei 14.344/22, envolve a previsão do seu artigo 29, que acrescenta ao artigo
226, do ECA, o §1o, com o seguinte teor: Aos crimes cometidos contra a criança e o adolescente,
independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei 9.099, de 26 de setembro de 1995. Tendo
em vista que o caput do artigo 226 se refere aos crimes previstos no ECA, questiona-se:
Esta regra se aplica aos crimes praticados no âmbito doméstico e familiar previstos no Código
Penal?

Em resposta, vislumbramos duas correntes. Uma primeira corrente, se valendo de uma interpretação
sistemática do artigo 226, do ECA, defenderá que a regra só se aplica aos crimes previstos neste
Estatuto. A segunda corrente entende que o artigo declara a sua finalidade de prevenir e enfrentar a
violência doméstica contra menores, cabendo ao operador do Direito interpretar suas normas da
forma que melhor tutele os interesses jurídicos em jogo. Nesse sentido, aliás, dispõe o artigo 4o , da
Lei Maria da Penha, com aplicação subsidiária expressamente indicada na Lei em estudo.

Crimes em espécie: (Artigos 228 até 244-B)

Art. 228. Deixar o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de


gestante de manter registro das atividades desenvolvidas, na forma e prazo referidos no art. 10
desta Lei, bem como de fornecer à parturiente ou a seu responsável, por ocasião da alta médica,
declaração de nascimento, onde constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do
neonato.

Art. 229. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de


gestante de identificar corretamente o neonato e a parturiente, por ocasião do parto, bem como
deixar de proceder aos exames referidos no art. 10 desta Lei.

Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar
em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente.
Art. 231. Deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou adolescente
de fazer imediata comunicação à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à
pessoa por ele indicada.

Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a
constrangimento.

Art. 234. Deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata liberação de
criança ou adolescente, tão logo tenha conhecimento da ilegalidade da apreensão.

Art. 235. Descumprir, injustificadamente, prazo fixado nesta Lei em benefício de adolescente privado
de liberdade.

Art. 236. Impedir ou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou
representante do Ministério Público no exercício de função prevista nesta Lei.

Art. 237. Subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei
ou ordem judicial, com o fim de colocação em lar substituto.

Por força do princípio da especialidade, o art. 237 do ECA não se confunde com o delito de
subtração de incapazes previsto no art. 249 do Código Penal.

Art. 238. Prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante


paga ou recompensa.

Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo
explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente. Art. 241. Vender ou expor à venda
fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo
criança ou adolescente.

Art. 241-A. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer
meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro
que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.

Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou
outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou
adolescente.

Art. 241-C. Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou


pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer
outra forma de representação visual.
Cabe ressaltar que aquele que dá circulação, divulgação, publicidade ou armazenamento de
material simulado irá também incorrer no art. 241-C, através da conduta equiparada prevista em seu
parágrafo único.

Art. 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança,
com o fim de com ela praticar ato libidinoso.

É importante notar que o legislador se omitiu quanto ao ADOLESCENTE. Portanto, por força do
princípio da legalidade, este tipo penal só se aplica à conduta praticada em face de vítima criança.

Art. 242. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou
adolescente arma, munição ou explosivo.
OBS: Arma branca ( se arma de fogo, munição ) - aplica-se o Estatuto do desarmamento)

Art. 243. Vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, de qualquer forma,
a criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa causa, outros produtos cujos
componentes possam causar dependência física ou psíquica. Art. 244. Vender, fornecer ainda que
gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente fogos de estampido ou de
artifício, exceto aqueles que, pelo seu reduzido potencial, sejam incapazes de provocar qualquer
dano físico em caso de utilização indevida.

Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando
infração penal ou induzindo-o a praticá-la. A forma equiparada do delito criminaliza a conduta
daquele que pratica a corrupção de menores até mesmo por meios eletrônicos, tais como salas de
bate- papo na internet.

“Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável -


Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém
menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone: Pena - reclusão,
de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.”

A Lei 14.811/2024, inclui os crimes de bullying e cyberbullying no Código Penal e transforma crimes
previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em hediondos, como o sequestro e a
indução à automutilação.

O Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar acrescido do


seguinte art. 146-A:

“Intimidação sistemática (bullying)”

Art. 146-A. Intimidar sistematicamente, individualmente ou em grupo, mediante violência física ou


psicológica, uma ou mais pessoas, de modo intencional e repetitivo, sem motivação evidente, por
meio de atos de intimidação, de humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais,
sexuais, sociais, psicológicas, físicas, materiais ou virtuais: Pena - multa, se a conduta não constituir
crime mais grave.
Intimidação sistemática virtual (cyberbullying)

Parágrafo único. Se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede social, de
aplicativos, de jogos on-line ou por qualquer outro meio ou ambiente digital, ou transmitida em tempo
real: Pena - reclusão, de 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa, se a conduta não constituir crime
mais grave.”

O art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990 (Lei dos Crimes Hediondos), passa a vigorar com
a seguinte redação:

“Art. 1o X - induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação realizados por meio da


rede de computadores, de rede social ou transmitidos em tempo real (art. 122, caput e § 4o);
XI - sequestro e cárcere privado cometido contra menor de 18 (dezoito) anos (art. 148, § 1o, inciso
IV);
XII - tráfico de pessoas cometido contra criança ou adolescente (art. 149-A, caput, incisos I a V, e §
1o, inciso II).

Parágrafo único.
VII - os crimes previstos no § 1o do art. 240 e no art. 241-B da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990
(Estatuto da Criança e do Adolescente).” (NR)

Os arts. 240 e 247 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança


e do Adolescente), passam a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 240 .................................................................................


§ 1o Incorre nas mesmas penas quem:
I - agencia, facilita, recruta, coage ou de qualquer modo intermedeia a participação de criança ou
adolescente nas cenas referidas no caput deste artigo, ou ainda quem com esses contracena;
II - exibe, transmite, auxilia ou facilita a exibição ou transmissão, em tempo real, pela internet, por
aplicativos, por meio de dispositivo informático ou qualquer meio ou ambiente digital, de cena de
sexo explícito ou pornográfica com a participação de criança ou adolescente.”

“Art. 247 .................................................................................


§ 1o Incorre na mesma pena quem exibe ou transmite imagem, vídeo ou corrente de vídeo de
criança ou adolescente envolvido em ato infracional ou em outro ato ilícito que lhe seja atribuído, de
forma a permitir sua identificação.”

A Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), passa a vigorar


acrescida dos seguintes arts. 59-A e 244-C:
“Art. 59-A. As instituições sociais públicas ou privadas que desenvolvam atividades com crianças e
adolescentes e que recebam recursos públicos deverão exigir e manter certidões de antecedentes
criminais de todos os seus colaboradores, as quais deverão ser atualizadas a cada 6 (seis) meses.

Parágrafo único. Os estabelecimentos educacionais e similares, públicos ou privados, que


desenvolvem atividades com crianças e adolescentes, independentemente de recebimento de
recursos públicos, deverão manter fichas cadastrais e certidões de antecedentes criminais
atualizadas de todos os seus colaboradores.”

“Art. 244-C. Deixar o pai, a mãe ou o responsável legal, de forma dolosa, de comunicar à autoridade
pública o desaparecimento de criança ou adolescente: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro)
anos, e multa.”

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