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Relatório de Estágio em Psicologia Clínica

O relatório final de estágio apresenta o trabalho realizado por Herman Joaquim Domingos durante o estágio curricular em Psicologia Clínica na Universidade Agostinho Neto, no Hospital Geral de Luanda, entre 2024 e 2025. O objetivo principal foi aplicar e aprofundar conhecimentos teóricos em um contexto prático, abordando problemáticas como ansiedade e depressão, além de descrever dois casos clínicos com base na terapia cognitivo-comportamental. O documento também reflete sobre a importância do estágio na formação do psicólogo clínico, destacando a integração entre teoria e prática.
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Relatório de Estágio em Psicologia Clínica

O relatório final de estágio apresenta o trabalho realizado por Herman Joaquim Domingos durante o estágio curricular em Psicologia Clínica na Universidade Agostinho Neto, no Hospital Geral de Luanda, entre 2024 e 2025. O objetivo principal foi aplicar e aprofundar conhecimentos teóricos em um contexto prático, abordando problemáticas como ansiedade e depressão, além de descrever dois casos clínicos com base na terapia cognitivo-comportamental. O documento também reflete sobre a importância do estágio na formação do psicólogo clínico, destacando a integração entre teoria e prática.
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UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO

INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA

Relatório Final de Estágio Curriculr do Curso de Psicologia Clínica

Por:

Herman Joaquim Domingos

Luanda, 2024/2025
UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO

INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA

O presente relatório curricular do curso de Psicologia Clínica,


cumpre-se com o propósito de ser apresentado dentro do
programa de Licenciatura do Instituto de Ciências da Saúde
da Universidade Agostinho Neto, para obtenção de notas na
disciplina de Estágio Curricular do ano 2024.

Sob a supervisão da Professora Drª Madalena Francisco

Orientadora: Drª Adriana Gomes

Orientadora: Drª Adriana Gomes

Assinatura:_______________________________

Luanda, 2024/2025
DEDICATÓRIA
Dedico este magno trabalho a Deus, pois creio que todas as coisas lhe pertencem. Aos
profissionais de Psicologia do Hospital Geral de Luanda (HGL) e para Dra. Madalena Francisco:
pelos ensinamentos que nos serão valiosos para a nossa futura prática psicológica.

A minha família, o melhor presente que Deus me concedeu depois da salvação.


AGRADECIMENTO
Em primeira instância, gostaria de endereçar minha gratidão ao Soberano e Eterno Senhor Deus
da minha vida, pelo favor imerecido que tem proporcionado a mim.

A Dra. Adriana Gomes chefe do Departamento de Psicologia do ICISA e coordenadora do


estágio curricular.

Aos meus pais, irmãos e sobrinhos. Tenho a plena certeza, que se não tivesse o vosso apoio
incondicional não seria possível. Sem esquecer alguém especial: Dra. Madalena Francisco
supervisora do estágio curricular. Pelo seu amor, dedicação e disposição em ensinar, estamos
consciente que seus ensinos serão imprescíndivel para nossa futura carreira como profissionais
de Psicológia Clínica. Mais que uma professora, tem sido uma mãe para nós.

A todos que de uma forma ou de outra me apoiram, agradeço de coração.


PENSAMENTO
O estudante que faz estágio em Psicologia clínica ou o
psicólogo clínico (já formado), em qualquer abordagem
teórica, tem necessariamente, que passar por supervisão.

Filgueira (2010, p.27).


ÍNDICE
INTRODUÇÃO ............................................................................................... ............3
OBJECTIVOS DO ESTUDO ..................................................................................... 5
Objectivo geral .......................................................................................................... 5
Objectivos específicos ............................................................................................... 5
I. CONTEXTUALIZAÇÃO DO LOCAL DO ESTÁGIO ....................................... 6
1.1. Localização geográfica....................................................................................6
1.2. Estrutura Física................................................................................................6
1.3. Serviços oferecidos..........................................................................................6
1.4. Estrutura orgânica e recursos humanos...........................................................7
1.5. Descrição do serviço de psicologia clínica......................................................7
II. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..........................................................................8
2.1. Perturbações mais recorrentes no local de estágio...........................................8
2.2. Perturbação Depressiva....................................................................................8
2.2.1. Aspectos gerais e epidemiologia..........................................................8
2.2.2. Classificação e diagnóstico..................................................................9
2.2.3. Tratamento.........................................................................................10
2.3. Ansiedade.......................................................................................................11
2.3.1. Aspetos gerais e epidemiologia.........................................................11
2.3.2. Classificação e diagnóstico................................................................13
2.3.3. Tratamento.........................................................................................14
III. METODOLOGIA DO ESTUDO.........................................................................15
3.1. Tipo de estudo.................................................................................................15
3.2. Grupo alvo.......................................................................................................15
3.3. Materiais, técnicas e instrumentos utilizados..................................................16
3.4. Dificuldades enfrentadas durante o estágio.....................................................16
IV. APRESENTAÇÃO DO CASO CLÍNICO...........................................................17
4.1. Primeiro caso clínico da PS.............................................................................17
4.2. Segundo caso clínico do PJK...........................................................................21
CONCLUSÃO..............................................................................................................,26
SUGESTÕES.................................................................................................................27
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................28
RESUMO
O presente relatório de estágio corresponde ao trabalho final exigido para a obtenção do título
de licenciatura em Psicologia Clínica, ministrado pela Universidade Agostinho Neto na
Unidade Orgânica denominada “ICISA” (Instituto de Ciências da Saúde), entre os anos lectivos
de 2024/2025. O estágio decorreu no Hospital Geral de Luanda (HGL), cujo principal objectivo
é possibilitar a aplicação e aprofundamento das competências e dos conhecimentos teóricos
decorrentes da formação acadêmica. Tratando-se de um período de aprendizagem e
desenvolvimento profissional, o estágio curricular realizado no Hospital Geral de Luanda
(HGL), possibilitou a ligação entre a teoria adquirida durante o curso e a prática em contexto
profissional. De facto, possuindo um carácter essencialmente prático, no qual foi possível
trabalhar e reflecir sobre diferentes problemáticas, procedimentos e contextos de intervenção,
o estágio curricular proporcionou a possibilidade de aplicar conhecimentos prévios e de adquirir
novas competências técnicas e relacionais essenciais para o exercício da função enquanto futuro
psicólogo. Assim, pretende-se com este relatório, descrever todo o trabalho desenvolvido no
Hospital Geral de Luanda (HGL) durante o decurso do estágio, no âmbito da psicologia clínica,
bem como realizar um enquadramento teórico das problemáticas mais recorrentes da população
alvo, das quais se destacam a ansiedade e a depressão. Este trabalho, procede ainda à
apresentação e análise de dois casos clínicos, utilizando como referência, a terapia cognitivo-
comportamental. Para ambos os casos, será apresentada uma síntese de 5 sessões de
acompanhamento psicológico, um planeamento terapêutico, com os respectivos instrumentos e
resultados, bem como uma avaliação dos progressos e resultados alcançados no planeamento
terapêutico e uma reflexão pessoal sobre os mesmos.

Palavra-Chave: Estágio, Psicologia Clínica, Terapia cognitivo-comportamental.


ABSTRACT
This internship report corresponds to the final work required to obtain the degree in Clinical
Psychology, taught by the Agostinho Neto University in the Organic Unit called “ICISA”
(Institute of Health Sciences), between the academic years of 2024/2025. The internship took
place at the General Hospital of Luanda (HGL), whose main objective is to enable the
application and deepening of the skills and theoretical knowledge resulting from academic
training. Being a period of learning and professional development, the curricular internship
carried out at the General Hospital of Luanda (HGL) made it possible to link the theory acquired
during the course with practice in a professional context. In fact, having an essentially practical
nature, in which it was possible to work and reflect on different problems, procedures and
contexts of intervention, the curricular internship provided the possibility of applying previous
knowledge and acquiring new technical and relational skills essential for the exercise of the
function as a future psychologist. The aim of this report is to describe all the work carried out
at the Hospital Geral de Luanda (HGL) during the internship, within the scope of clinical
psychology, as well as to provide a theoretical framework for the most recurrent problems of
the target population, of which anxiety and depression stand out. This work also presents and
analyses two clinical cases, using cognitive behavioural therapy as a reference. For both cases,
a summary of 5 psychological monitoring sessions will be presented, as well as a therapeutic
plan, with the respective instruments and results, as well as an assessment of the progress and
results achieved in the therapeutic plan and a personal reflection on them.

Keywords: Internship, Clinical Psychology, Cognitive-behavioural therapy.


INTRODUÇÃO
O relatório que se segue, insere-se no âmbito do estágio curricular académico, com vista
à obtenção do grau de Licenciatura em Psicologia Clínica, conferido pelo Instituto de Ciências
da Saúde, e tem por objectivo apresentar todo o trabalho e actividades desenvolvidas durante o
mesmo.

Durante a formação académica atravessamos por diferentes momentos de


aprendizagem, um deles diz respeito ao estágio curricular. O estágio curricular é uma etapa
fundamental no percurso académico, uma vez que constitui um momento de ensino-
aprendizagem privilegiado para a construção da identidade e do perfil profissional.

Dessa forma, permite articular a componente teórica com a componente prática,


promovendo o desenvolvimento de competências de avaliação e intervenção na prática clínica.

A estrutura curricular do curso de Licenciatura em Psicologia Clínica pelo Instituto de


Ciências da Saúde (ICISA) propõe a realização de um estágio curricular supervisionado que
oferece ao estudante a oportunidade de contato com o mundo laboral, no quarto e último ano
do curso.

O estágio permite ao estudante uma maior capacitação teórico-prática. Teórica porque


as tarefas profissionais requerem uma constante atualização teórica e, prática porque os desafios
que surgem no desempenho das tarefas de estágio exigem uma ação técnica, humanizada,
responsável, criativa, dinâmica e ética.

A Psicologia Clínica, sendo uma área de actuação socialmente reconhecida, o futuro


profissional necessita de estar munido de ferramentas que lhe vão auxiliar no exercício desta
mesma profissão e em nosso entender, essa jornada começa com uma preparação técnica
científica, e com um profissional altamente qualificado e com experiências de modo que possa
passar ao futuro psicólogo.

De forma genérica, podemos referir que o papel do Psicólogo Clínico é bastante


abrangente e o seu modo de actuação deve, sobretudo, adequar-se à instituição onde exerce
actividade e às principais necessidades prevalentes nesse contexto.

Neste sentido, ao Psicólogo Clínico e da Saúde compete-lhe a “promoção e manutenção


da saúde física e mental do indivíduo e a prevenção, avaliação e tratamento de todas as formas
de perturbação mental e física” (Ribeiro & Leal, 2010).

3
O estágio iniciou-se em Novembro de 2023 e finalizou-se em Janeiro de 2024, sendo
realizado no Hospital Geral de Luanda. Um Hospital Geral é um estabelecimento de saúde que
oferece serviços diferenciados para diversas patologias.

O Hospital Geral é destinado à prestação de atendimento nas especialidades médicas.


Pode dispor de serviços de Urgência/Emergência. Deve dispor também de Serviço de Apoio
Diagnóstico Terapêutico (SADT) de média complexidade, podendo ter ou não Sistema
Integrado de Patrimônio, Administração e Contratos (Sipac).

Assim sendo, o estágio curricular realizado no Hospital Geral de Luanda (HGL)


constituiu-se como uma experiência imprescindível de aprendizagem, ao permitir a interligação
entre a teoria e a prática clínica em contexto profissional.

De facto, possuindo um carácter essencialmente prático, no qual foi possível trabalhar


e reflecir sobre diferentes problemáticas, procedimentos e contextos de intervenção, o estágio
curricular proporcionou a possibilidade de aplicar conhecimentos prévios e de adquirir novas
competências técnicas e relacionais essenciais para o exercício da função enquanto futuro
psicólogo.

Este período foi também fundamental para observar diferentes condutas e práticas
profissionais bem como para tomar consciência de questões éticas e deontológicas ligadas à
profissão de psicólogo.

Desta forma, o presente relatório final de estágio pretende encerrar um ciclo contínuo,
salientando-se que o trabalho a ser dinamizado não seria possível de se concretizar sem a
presença dos elementares conhecimentos e competências adquiridas ao longo de todo o
processo académico.

Com o objectivo de descrever as actividades desenvolvidas ao longo do período do


estágio, o actual relatório apresenta, numa perspectiva pessoal quatro (4) partes fundamentais:

A primeira parte refere-se à contextualização do local de estágio, a segunda parte, diz


respeito à fundamentação teórica sobre as problemáticas mais recorrentes no hospital e
abordadas durante o estágio profissional.

A terceira parte do relatório, destina-se à caraterização da metodologia do estudo, a


quarta e última parte, descreve as actividades desenvolvidas ao longo do estágio. Esta parte do
relatório é ainda dedicada à reflexão e fundamentação teórica de dois casos clínicos estudados.

4
OBJECTIVOS DO ESTUDO
Este trabalho será orientado para o caminho a seguir para alcançar as metas da pesquisa.
Levando em conta esses elementos, os objectivos gerais e específicos foram declarados.

Nas palavras de Marconi e Lakatos (2015), objectivo geral será a síntese do que se
pretende alcançar, e os objectivos específicos explicitarão os detalhes e serão desdobramentos
do objectivo geral.

Sendo assim, os objectivos constituem as metas que o pesquisador pretende alcançar


com a sua pesquisa, deste jeito, traçaram-se os seguintes objectivos:

 Objectivo geral
O estágio académico é um requisito indispensável da formação profissional do
psicólogo. Ao permitir o contacto direto com o contexto real de trabalho, a realização do
presente estágio académico teve por objectivo geral, possibilitar a aplicação e aprofundamento
das competências e dos conhecimentos teóricos decorrentes da formação académica.

Objectivos Específicos

Os objectivos específicos do estágio prenderam-se com o desenvolvimento de


competências fundamentais e imprescindíveis para a execução da profissão enquanto psicólogo
clínico, nomeadamente:

 Articular teoria e prática, com vista ao desenvolvimento de conhecimentos e


competências especificas na área da psicologia clínica;
 Adquirir competências específicas de observação e de acompanhamento psicológico;
 Aprofundar conhecimentos de avaliação (através da seleção, aplicação, cotação,
interpretação de resultados de vários métodos de avaliação e elaboração de relatórios de
avaliação) e de diagnóstico;
 Realizar intervenções psicológicas que respondam às necessidades do individuo, grupo
ou família;
 Desenvolver uma postura ética, crítica e reflexiva a partir do exercício da profissão.

5
I. CONTEXTUALIZAÇÃO DO LOCAL DO ESTÁGIO
O Hospital Geral de Luanda (HGL) é uma Instituição do nível secundário, dependente
do Governo Provincial de Luanda. A Instituição visa prestar assistência médica e
medicamentosa a população, desta circunscrição e não só, é um hospital de referência.

1.1. Localização geográfica


Situa-se no Município de Kilamba Kiaxi, estrada direita da Camama, bairro Soba Kapassa,
distrito urbano Nova Vida.

1.2. Estrutura Física


O hospital está dotado de salas de: Internamentos; Consultas externas; Especialidades;
Morgue; Lavabos; Cozinha. O edifício contempla também áreas reservadas à Administração,
refeitório, uma área materna infantil, maternidade, dois blocos operatórios, Raio X, laboratório,
parque de estacionamento de viaturas e uma lavandaria.

Por problemas estruturais teve que ser encerrado, a Instituição foi encerrada em Junho
de 2010, em Julho do mesmo ano, a assistência foi transferida para um hospital de Campanha
montado nos arredores, onde permaneceu durante 18 meses.

Em Dezembro de 2011, abandonou-se o hospital de Campanha e a assistência médica-


medicamentosa passou a ser efectuada numa área provisória, criada no quintal das novas
instalações. Fevereiro de 2012, após a conclusão das obras, algumas áreas foram reabertas,
passando a funcionar parcialmente.

1.3. Serviços oferecidos


Actualmente o Hospital Geral de Luanda (HGL) oferece os seguintes serviços: Pediatria;
Medicina; Ginecologia e Obstetrícia; Planeamento familiar; Consulta Pré-Natal e familiar;
Cirurgia; Ortopedia; Cardiologia; Neurocirurgia; Oftalmologia; Odontologia; Optometria;
Otorrinolaringologia; Dermatologia; Puericultura; Fisioterapia; Hemoterapia; Defectologia;
Psicologia; Psiquiatria; Medicina G. familiar; Medicina de trabalho; Gastroenterologia;
Programa de HIV; Cardiopneumonologia; Consulta de TB: Infecciologia; Conservatória de
Registo Civil.

6
1.4. Estrutura orgânica e recursos humanos
Organicamente o hospital esta constituído da seguinte forma:

 Direcção geral do hospital;

 Direcção administrativa do hospital;

 Direcção clínica;

 Direcção pedagógica;

 Direcção de formação permanente;

 Direcção de enfermagem.

822 Funcionários subdivididos da seguinte forma: 178 médicos “133 nacionais e 45


expatriados Cubanos”; 355 enfermeiros; 184 técnicos de diagnóstico e terapêutica; 63 apoio
hospitalar; 42 administrativo regime geral.

1.5. Descrição do serviço de psicologia clínica


A área de Psicologia localizada no primeiro andar, ao lado do bloco de Cirurgia
Ambulatória. O atendimento tem sido tanto no contexto hospitalar (internamentos e bancos de
urgências) bem como no ambulatório (consulta externa).

O atendimento tem-se realizado nos bancos de urgências, nas enfermarias das diferentes
áreas que compõe o hospital bem como em consultas externas, um total em média de 800 à
1000 paciente por mês.

O Serviço de Psicologia dispõe de 9 Psicólogos efetivos que fazem cobertura em todo


hospital. Além disso, são realizadas interconsultas com as demais especialidades da instituição,
com destaque para o vínculo com as áreas de Assistência Social, Psiquiatria e Defectologia.

7
II. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Perturbações mais recorrentes no local de estágio
A realização deste estágio curricular permitiu o contacto com diferentes perturbações e
problemáticas. Dada a sua diversidade, optou-se por abordar apenas as problemáticas mais
recorrentes no local de estágio, as quais são também as patologias presentes nos dois casos
acompanhados durante o mesmo, nomeadamente, a depressão e a ansiedade.

Para uma melhor compreensão dos casos clínicos a apresentar, fazemos em seguida uma
contextualização teórica de ambas problemáticas.

2.2. Perturbação Depressiva


2.2.1. Aspectos gerais e epidemiologia
A Depressão é um transtorno de saúde mental caracterizado, normalmente, pelo humor
deprimido persistente e perda de interesse em atividades cotidianas que provocam prejuízo
significativo na vida de alguém.

A Organização Mundial de Saúde (WHO, 2018), estima que mais de 300 milhões de
pessoas sejam afetadas pela depressão, em todo o mundo, tornando-a assim a principal causa
de incapacidade a nível mundial.

A depressão é um dos transtornos mentais que afetam a população angolana, juntamente


com o estresse, a ansiedade e a esquizofrenia. Em Angola, a Rede Integrada de Serviços de
Saúde Mental registou cerca de 60.000 casos em acompanhamento nos últimos quatro anos.
Mais de 90% desses casos afetam a juventude, que é especialmente susceptível ao abuso de
drogas (Jornal de Angola, 2022).

Em 2022, Angola registou mais 730 casos de suicídio, a capaital Luanda, foi a província
com mais notificações, com 158 ocorrências (Jornal de Angola, 2022).

Diversos estudos sociodemográficos referem ainda que se trata de uma patologia que
afeta todas as classes sociais e atinge todas as faixas etárias, desde a infância até à 3a idade, no
entanto, a maior ocorrência verifica-se em idades intermédias, tendendo a aumentar na
adolescência e princípio de vida adulta.

A prevalência desta perturbação é duas vezes maior em mulheres do que em homens,


não difere entre raças e é mais comum em áreas rurais do que urbanas (Anunciação et al., 2019).

8
Apesar de qualquer pessoa estar susceptível a desenvolver depressão, existem alguns
factores de risco que potenciam o seu aparecimento, tais como, desemprego, situação
económica desfavorável, acontecimentos de vida (morte de um ente querido, rutura de um
relacionamento, solidão) ou até a ocorrência de doenças físicas.

Para Bastos et al. (2014), a depressão é uma doença grave, com elevada prevalência na
população geral e que condiciona incapacidade e prejuízo no funcionamento global do
indivíduo, nomeadamente nos domínios: afetivo/emocional; cognitivo; somático, motor e
comportamental.

Clinicamente, as perturbações depressivas caracterizam-se por tristeza, perda de


interesse ou prazer, sentimentos de culpa ou de baixa autoestima, perturbações do sono ou do
apetite, sensação de cansaço e baixo nível de concentração.

A depressão pode ser de longa duração ou recorrente, prejudicando substancialmente a


capacidade de uma pessoa funcionar no trabalho ou na escola ou lidar com a vida diária. Na sua
forma mais grave, a depressão pode levar ao suicídio (Carvalho, 2017).

2.2.2. Classificação e diagnóstico


Para efeitos deste relatório, iremos abordar apenas os critérios de diagnóstico da
Perturbação Depressiva, de acordo com o DSM-V. Assim, na categoria das perturbações
depressivas podemos incluir:

Perturbação de desregulação do humor disruptivo; Perturbação depressiva major;


Perturbação depressiva persistente (distimia); Perturbação disfórica pré-menstrual; Perturbação
depressiva induzida por substância/medicamento; Perturbação depressiva devida a outra
condição médica; Perturbação depressiva com outra especificação; Perturbação depressiva não
especificada.

De acordo com o DSM-V, uma perturbação depressiva pode ainda variar, mediante o
número de sintomas, a sua intensidade e o impacto destes ao nível do funcionamento da pessoa,
consoante três graus de gravidade:

Ligeiro: presença de poucos sintomas, ou nenhum, para além do mínimo requerido


para a realização do diagnóstico. A pessoa com perturbação depressiva de grau ligeiro consegue
gerir minimamente o seu mal-estar, sendo os défices no funcionamento social ou ocupacional
considerados como menores.

9
Moderado: o número de sintomas presentes, a sua intensidade e o défice provocado
no funcionamento social ou ocupacional estão entre os especificados para o grau de ligeiro e o
grau de grave.

Grave: a quantidade de sintomas excede substancialmente o número mínimo


requerido para se efetuar o diagnóstico. A pessoa que sofre com uma perturbação depressiva de
grau grave não consegue gerir o mal-estar elevado que sente e os sintomas que vivencia
interferem com o seu funcionamento social e ocupacional.

Para se chegar ao diagnóstico da depressão é necessário portanto, realizar


basicamente uma anamnese com o paciente e seus familiares, já que o depressivo perde
frequentemente o sentido do tempo. Sendo assim, a ajuda dos familiares e pessoas próximas
vai auxiliar muito na obtenção da informação necessária para se fazer um diagnóstico correcto
e preciso.

2.2.3. Tratamento
Tratamento médico: Os medicamentos antidepressivos constituem a principal
forma de tratamento médico das perturbações depressivas. As principais indicações dos
medicamentos antidepressivos são o alívio dos sintomas, o encurtamento da duração de um
episódio de depressão e o tratamento de manutenção contra a recaída (Wilkinson et al., 2005).

Os antidepressivos são especialmente indicados quando o diagnóstico é de


depressão moderada a grave (Pestana et al, 2014).

A seleção do antidepressivo mais adequado requer a consideração de vários fatores


como eficácia, tipo de depressão, segurança e tolerabilidade, características clínicas do doente
com as suas comorbilidades, interação com outros fármacos, potenciais efeitos secundários e
custo da terapêutica (Pereira & Saraiva, 2014).

Tratamento Psicológico: As recomendações da APA (2002) e do «National


Institute for Health and Clinical Excellence» (NICE) para as intervenções psicológicas
compreendem essencialmente, a Terapia Cognitivo-Comportamental (na sua versão presencial
e informatizada, individual ou em grupo) e a Terapia Interpessoal.

Para Cuijpers (2015), as psicoterapias constituem instrumentos fundamentais no


tratamento desta doença, não só pela sua eficácia, mas também pela sua contribuição para a
redução dos encargos com a mesma, dado que as evidências científicas demonstraram que a
psicoterapia continua a ser eficaz mesmo depois do seu término, pelo menos durante um ano.
10
2.3. Ansiedade
2.3.1. Aspetos gerais e epidemiologia
A ansiedade é uma emoção normal que pode ser definida como uma sensação de medo
ou preocupação diante de uma ameaça ou de algo que se teme possa acontecer. É uma reação
natural ao perigo ou estresse do dia-a-dia, que pode desempenhar um papel importante na
sobrevivência.

No entanto, quando a ansiedade é exagerada ou prolongada, pode tornar-se um


problema de saúde mental. A OMS (2007) define os transtornos de ansiedade como um medo
e uma preocupação excessivos.

Segundo a WHO (2018), em 2015, o número total estimado de pessoas afetadas por
perturbações de ansiedade era cerca de 264 milhões. Este total torna-se ainda mais relevante se
considerarmos que representa um aumento de 14.9% face ao ano de 2005.

A este respeito, Baumeister e Härter (2007), salientam que entre as perturbações


psiquiátricas, as perturbações de ansiedade são as mais prevalentes na população geral, com
taxas de prevalência entre 5.6% e 18.1%.

Angola enfrenta um cenário preocupante em relação à saúde mental, com a ansiedade


um dos transtornos mentais presentes na população. Em termos epidemiológicos, muitas das
perturbações de ansiedade desenvolvem-se na infância ou adolescência e tendem a persistir se
não forem tratadas (APA, 2014).

Em termos de taxas de prevalência, as mesmas não variam substancialmente entre


grupos etários, embora se observe uma tendência para uma menor prevalência entre os grupos
etários mais velhos (WHO, 2018).

Tal como acontece com a depressão, as perturbações de ansiedade são mais comuns
entre as mulheres do que entre os homens (na proporção aproximada de 2:1) (APA, 2014).

Relativamente à associação com o grau de escolaridade, as pessoas com menores


níveis evidenciaram um risco menor de ocorrência de patologia, estatisticamente significativo
nas perturbações de ansiedade (Almeida & Xavier, 2013). Porém, apesar de ser um fenómeno
universal, vivenciado por todo o ser humano, inúmeras vezes ao longo de sua vida, a ansiedade,
ainda não possui uma definição exata (Gama et al. 2008).

11
Segundo Ayala (2012), todos os indivíduos experienciam a ansiedade como normal
em algum momento da sua vida em situações de incerteza; o problema surge quando esta
ansiedade normal e adaptativa aparece perante um perigo que não é real, ou quando a sua
intensidade e duração são muito maiores do que a causa que lhe deu origem.

Para Cabrera e Sponholz (2002), a ansiedade patológica pode ser distinguida da


ansiedade normal de acordo com os seguintes critérios:

 Autonomia: quando a ansiedade ocorre sem causa aparente ou, se existe um estímulo,
a reação é desproporcional.
 Intensidade: Quando elevada, está relacionada com um alto nível de sofrimento ou com
baixa capacidade de tolerá-lo.
 Duração: persistente ou recorrente.

Para Zamignani e Banaco (2005), a ansiedade define-se como fenómeno clínico quando:
provoca um comprometimento ocupacional do indivíduo, impedindo a realização das suas
actividades profissionais, sociais e académicas; quando envolve um grau de sofrimento
considerado pelo indivíduo como significativo e quando as respostas de evitamento e
eliminação ocupam um tempo considerável do dia.

Esses casos são tratados pela literatura médica e psicológica como perturbações de
ansiedade.

As perturbações de ansiedade, caracterizam-se assim por um conjunto de sinais e


sintomas somáticos e psicológicos que interferem no funcionamento cognitivo e
comportamental do individuo (Oliveira, 2011) e diferem do medo ou ansiedade do
desenvolvimento normal por serem excessivas ou persistirem para lá dos períodos do
desenvolvimento adequados (tipicamente duram 6 meses ou mais) (APA, 2014).

Apesar do seu enorme custo em termos humanos, sociais e económicos, a grande


maioria das perturbações de ansiedade permanecem subdiagnosticadas, subavaliadas e, com
frequência, inadequadamente tratadas, mesmo nos países economicamente mais evoluídos.

Os sentimentos de apreensão, tensão, nervosismo e/ou pavor, juntamente com a


excitação fisiológica que estimula os sistemas cardiovascular, digestivo, sensório, endócrino e
músculo-esquelético, conferem à ansiedade o seu carácter único.

12
2.3.2. Classificação e diagnóstico
Sendo as perturbações de ansiedade, as mais frequentes de entre as perturbações
psiquiátricas, a sua classificação e respetivo diagnóstico assumem particular importância, dado
que, não tratadas, estas patologias não só evoluem para a cronicidade como se vêm a complicar
com comorbilidades como a depressão e, por vezes, o suicídio.

De acordo com o DSM-V (APA, 2014) existem 11 categorias de Perturbações de


Ansiedade, sendo estas: Perturbação de Ansiedade de Separação; Mutismo Seletivo; Fobia
Especifica; Perturbação de Ansiedade Social - Fobia Social; Perturbação de Pânico; Agorafobia;
Perturbação de Ansiedade Generalizada; Perturbação de Ansiedade Induzida por
Substância/Medicamento; Perturbação de Ansiedade Devido a outra Condição Médica;
Perturbação de Ansiedade com Outra Especificação e Perturbação de Ansiedade Não
Especificada.

A este respeito, DeSousa et al., (2013), destacam que as perturbações de ansiedade


interferem significativamente na vida do indivíduo diagnosticado e daqueles com quem ele
convive, comprometendo as suas actividades quotidianas, os seus relacionamentos sociais e
outras esferas da vida. Além disso, apresentam baixos índices de remissão espontânea, tendendo
a tornar-se crónicas ou mesmo a evoluir para outras perturbações psiquiátricas quando não
tratadas.

Como tal, quanto mais cedo diagnosticadas, avaliadas e devidamente tratadas,


melhores os prognósticos e menores os prejuízos para o indivíduo com perturbação de
ansiedade. Um diagnóstico adequado, tanto em função da sua gravidade, quanto das
comorbidade presentes, melhora o prognóstico dos pacientes ao fornecer mais informações
sobre o curso, prevalência, possibilidades de tratamento, entre outros factores.

Dada a sua diversidade e complexidade, Aires-Gonçalves e Coelho (2005), referem


que são vários os factores que podem dificultar o diagnóstico das perturbações de ansiedade,
tais como, conhecimento insuficiente por parte dos médicos, pressão do tempo, multiplicidade
de queixas apresentadas e de pedidos por parte dos doentes, o estigma da doença mental; o tipo
de descrição feita pelo doente; a idade variável de apresentação de sintomas; um curso remitente;
a comorbilidade com outras perturbações de ansiedade e doenças depressivas, e a diversidade
de critérios de diagnóstico.

13
2.3.3. Tratamento
Segundo, Pereira e Manarte (2014), o tratamento das perturbações de ansiedade deve
assentar num diagnóstico semiológico rigoroso, numa avaliação completa que tenha em
consideração a gravidade e a cronicidade do quadro clínico, a presença de comorbilidades
psiquiátricas e não psiquiátricas, a existência do uso de substâncias, a história de resposta a
tratamentos anteriores, o uso de medicação e as preferências do paciente.

Adicionalmente, Durão (2020) refere que se considerarmos que a ansiedade se pode


apresentar de diferentes formas e que a sua etiologia pode ser multifatorial, não existe um único
caminho no que diz respeito ao tratamento da ansiedade, mas sim vários, consoante a
especificidade de cada caso.

Do seu ponto de vista, às vezes, simples modificações nas rotinas do dia a dia permitem
lidar melhor com a ansiedade e podem minimizar ou conduzir ao desaparecimento do problema.
Porém noutros casos, poderá ser necessário recorrer a intervenções mais especializadas,
nomeadamente: ao acompanhamento psicológico ou à psicoterapia para promover uma melhor
compreensão da perturbação.

No que diz respeito ao tratamento psicoterapêutico, diversas são as abordagens que


actuam no tratamento das perturbações de ansiedade, nomeadamente, a terapia cognitivo-
comportamental, a terapia psicodinâmica, a terapia interpessoal, mindfulness, entre outras
(Durão, 2020).

A terapia cognitivo-comportamental (TCC), é um tratamento psicológico organizado


e sistemático que consiste em ajudar o paciente a identificar e questionar pensamentos
automáticos negativos, irracionais e crenças disfuncionais que contribuem significativamente
para o surgimento de estados emocionais negativos, como a ansiedade.

Esta conscientização do paciente irá permitir-lhe alterar esses padrões de pensamento


de forma mais realista e adaptativa, por forma a obterem uma melhoria do seu estado emocional.
A ideia básica na terapia cognitiva-comportamental é que o modo como pensamos influencia o
modo como nos sentimos e comportamos; logo, mudar o nosso modo de pensar pode mudar
como nos sentimos e comportamos (Idem, 2020).

Na terapia cognitivo-comportamental (TCC), o papel do psicólogo é auxiliar o


paciente a reconhecer os seus pensamentos e a modificá-los, examinando a veracidade das suas
afirmações e observando as evidências que as contradizem (Idem, 2020).

14
III. METODOLOGIA DO ESTUDO
Para que uma pesquisa possa ser considerada científica, torna-se necessário identificar
as operações mentais e técnicas que possibilitam a sua verificação, ou em outras palavras,
determinar o método e a técnica que possibilitou chegar a esse conhecimento.

3.1. Tipo de estudo


No que tange às considerações metodológicas do presente relatório, optou-se pelo estudo
de Pesquisa-acção, pois esta pesquisa, além de compreender, visa intervir na situação com vista
modificá-la.

Segundo Pakisi (2020), o conhecimento que se procura nesta pesquisa articula-se com
uma finalidade intencional de alteração da situação pesquisada. Neste sentido, ao mesmo tempo
que se realiza um diagnóstico e a análise de uma determinada situação, a pesquisa-acção propõe
ao conjunto de sujeitos envolvidos mudanças que levem a um aprimoramento das práticas
analisadas.

Quanto ao paradigma da pesquisa, escolheu-se a abordagem qualitativa de estudo de


caso. A pesquisa qualitativa é direccionado a determinado tipo de trabalho que abrange
especificamente um grupo alvo, ou as entrevistas em profundidade.

Por sua vez, o estudo de caso se concentra no estudo de um caso particular, considerado
representativo para um conjunto de casos semelhantes. Neste tipo de pesquisa, a colecta de
dados e a sua respectiva análise dá-se da mesma maneira que nas pesquisas de campo, em que
o investigador deve deslocar-se para o local, ver a situação e tirar as devidas conclusões.

3.2. Grupo alvo


Durante o estágio currricular que decorreu no período pouco de quatro meses, que teve
início em Novembro de 2023 e culminou em Janeiro de 2024, atendeu-se um total de 31
pacientes com diversas patologias, sendo que 14 deles foram atendidos no mês de Novembro,
9 pacientes foram atendidos no mês de Dezembro e no último mês do estágio, em Janeiro foram
atendidos um total de 8 pacientes.

Quanto a apresentação do caso clínico foram acompanhados 2 casos que iremos


aprofundar no capítulo seguinte.

15
3.3. Materiais, técnicas e instrumentos utilizados
O início das actividades envolveu a pesquisa bibliográfica, fase em que se realizou
uma busca por outros trabalhos que abordassem as perturbações mais recorrentes no local de
estágio, e aprofundou-se em leituras que deram suporte para a realização do presente relatório.

Escala de Depressão de Hamilton; Inventário de ansiedade de Beck (BAI);


Observação Clínica; Entrevista semiestruturada ( Anamnese ).

3.4. Dificuldades enfrentadas durante o estágio


Contudo, surgiu dificuldades na medida em que fui intervindo diretamente com os
pacientes, nomeadamente quanto ao manuseamento de alguns instrumentos de avaliação que à
partida deveríamos estar aptos a aplicar.

Confenço que algumas vezes senti uma enorme insegurança, devido à pressão a que
estamos sujeitos nesta fase como estudantes, na medida em que exigiu de mim uma maior
dedicação e paixão pela actividade profissional. Em poucas palavras, as dificuldades foram
sentidas, mas ultrapassadas. As angústias foram algumas, mas todas superadas. A ansiedade e
a tensão constante, associadas à vontade de vencer foram permanentes, mas vencidas.

16
IV. APRESENTAÇÃO DO CASO CLÍNICO
Após a fase de observação tive a oportunidade de iniciar o acompanhamento de casos
clínicos que me foram atribuídos pela minha orientadora de estágio.

4.1. Primeiro caso clínico da PS


Identificação: “PS”, jovem de 19 anos de idade, natural de Luanda, reside em Cacuaco
com a mãe, os irmãos e os primos, terceira filha entre os irmãos, pai falecido. Aluna do ensino
médio “no curso de Análises Clinicas, 11ª classe”, frequenta a Igreja Católica.

Queixa principal: “Decidi fazer a consulta por conta própria, entendo que não estou
bem, estou com falta de apetite, falta de sono, tristezas constantes, tenho preferido ficar sozinha
no meu quarto. Para terminar com sono, às vezes tenho tomado Zolpidem”.

História da doença actual (HDA): “PS”, aos 16 anos, foi diagnosticada com o primeiro
episódio de depressão devido à separação o falecimento do pai, recebendo posteriormente
acompanhamento psiquiátrico do qual resultaram melhoras significativas. Actualmente, com
19 anos, vivencia momentos muito complicados e recorrentes desde o final do ano de 2023.

Após ter conhecido o actual namorado e, posteriormente, ter assumido uma relação
amorosa, optou por apresentar ele à sua família. Um ano depois, a mãe da “PS” descobre que o
actual namorado da mesma, já é casado e vive maritalmente e tem seus filhos. A mãe da “PS”
pediu a mesma que terminasse o relacionamento com o actual namorado, sendo que ele já tinha
a sua própria esposa.

Desde essa altura ocorreu um agravamento significativo de sintomas e, “PS”, menciona


ter problemas de sono e perda de peso, viver em pleno isolamento e desânimo, revelando por
último que não tem qualquer motivação para viver, porém, sublinha não existir ideação suicida.

Possui dificuldades em lidar com novas pessoas, como resultado da desvalorização pessoal que
apresenta.

História Patológica Pessoal (HPP): Paciente apresenta alergias frequentes a poeira e


alguns tipos de alimentos.

História Pessoal: No que se refere à história pessoal, “PS” expressa uma infância e
uma adolescência pautadas por exposição a um vínculo afectivo muito ligado pelo pai, razão
pela qual sofreu muito emocionalmente com a perda do mesmo.

17
Em termos de orientação vocacional sempre desejou ser modelo, deslocando-se a
vários pontos de Luanda para realizar castings em busca desse sonho.

Começou a namorar com 15 anos e acabou por ser vítima de violência durante essa
relação. Ao nível do percurso escolar, é uma estudante excelente do curso de Análises Clinicas,
da 11ª classe. “PS” Diz ter uma boa relação com todos da família, mas não tem um
relacionamento 100% com sua mãe por ela não ter controlo de suas palavras quando está no
estado de nervosismo.

A mesma tem amigas e tem um bom relacionamento com elas, mas infelizmente não
estão constantemente juntas.

 Diagnóstico Clínico

No presente caso, seria pertinente recorrer à administração de alguns instrumentos de


avaliação com o intuito de obter mais informação que permitisse compreender o estado actual
da paciente, assim como tornar viável e fundamentar a intervenção para a problemática
apresentada.

• Entrevista de Anamnese: com o propósito de recolher informações relativas ao


presente caso clínico, uma vez que todos os aspectos/contextos da vida da paciente são de
extrema importância para a compressão do seu funcionamento. A “PS” forneceu-nos algumas
informações que foram indispensável para a confirmação da nossa hipótese diagnóstica.

• Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton (HAM-D): é uma ferramenta


utilizada para avaliar a depressão em pacientes que já foram diagnosticados com transtorno
depressivo. A partir dos escores obtidos a paciente teve a seguinte pontuação: 18 a 24,
classificada como depressão moderada.

• DSM-V: segundo DSM-V, um episódio depressivo moderado é caracterizado por


pelos penos quatro (4) sintomas, entre os quais: Rebaixamento do humor, redução da energia,
mudança da capacidade de ter prazer (CID F32.1).

• Observação clínica: Durante as entrevistas a paciente apresentou-se calma,


colaborativa. Apresentou face deprimida, movimentos constantes das mãos, tem cuida com
higiene, se encotrava apoida na cadeira com os pés esticados e cruzado entre si.

Elaboração e comprovação da hipótese: A avaliação realizada e, consequente, o


diagnóstico levam-nos a inferir uma análise desses resultados. A paciente manifesta Transtorno
depressivo moderado devido ao término do relacionamento com o namorado.
18
 Planejamento terapêutico

No âmbito do estágio, a opção pelo referencial teórico deveu-se à singularidade de cada


um dos casos. Deste modo, as intervenções incidiram sobre o modelo cognitivo-
comportamental.

O planejamento terapêutico envolveu a análise detalhada do caso da paciente,


considerando suas necessidades, objectivos e contextos específicos, na qual trabalhei junto com
a paciente para estabelecer metas claras e alcancáveis que durou no máximo 5 sessões.

 Descrição da Primeira Sessão

Objectivo: Explorar o motivo da consulta

Na primeira sessão, PS revelou estar um pouco tensa e nervosa, sentia-se pouco segura
para se abrir, o que é comum na primeira sessão, mas tudo mudou quando ela se apercebeu que
estava diante de um estagiário. Na primeira sessão de terapia fiz uma avaliação psicológica
onde elaborei algumas questões para entender melhor as suas queixas e os objectivos que deseja
atingir.

 Descrição da segunda e terceira sessão

Objectivo: Recolher informação pertinente para posterior avaliação e intervenção.

No decorrer da segunda e terceira sessão PS demostrou estar triste e em sofrimento,


chorando frequentemente enquanto falava sobre a história da sua vida e episódios vivídos, mas
muito “aberta” sincera e colaborativa, manifestando um real interesse em obter o maior proveito
das sessões.

Nessas primeiras 3 sessões realizadas foram utilizadas para desenvolver uma


conceptualização cognitiva inicial da PS., processo que compreende a formulação de uma
hipótese de trabalho e plano de tratamento apoiados em uma avaliação minuciosa.

Na escolha das intervenções terapêuticas, procurou obter-se o máximo de informação


possível sobre a história de vida da paciente através da realização de uma anamnese detalhada
(ex.: dados pessoais; história familiar, social, educacional, vocacional, médica e psiquiátrica;
principais queixas e problemas actuais, história da doença actual e eventos desencadeantes
principais).

19
Considerando que a PS. colocava o foco nos problemas que enfrentava, procurou-se
também indagar sobre os seus pontos fortes, qualidades, experiências positivas e estratégias de
coping, com o intuito de a conduzir à mudança.

 Descrição da quarta sessão

Objectivo: Aplicação da Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton.

Na quarta sessão, foi aplicado Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton (HAM-D),


com o objectivo de realizar uma avaliação da personalidade e da psicopatologia. Nessa mesma
sessão, foram disponibilizados a PS. os resultados da avaliação e efetuada a respetiva
interpretação dos mesmos, por forma a elucidá-la sobre a sua problemática.

Durante esta sessão foi solicitado a PS. que elaborasse como exercício de casa uma lista
de problemas que gostaria de ultrapassar e as mudanças positivas que gostaria de implementar
na sua vida, de modo a que se pudesse em colaboração com a paciente definir as metas para a
terapia e a prioridade de cada uma delas.

 Descrição da quinta sessão

Objectivo: Fazer um balanço do processo terapêutico..

Plano de tratamento/intervenção: Tendo por base as informações acima recolhidas, na


quinta e última sessão foi elaborado um plano de intervenção que incidiu sobretudo na redução
e/ou eliminação dos aspectos que interferiam com o nível de bem-estar da paciente, utilizando
o modelo cognitivo-comportamental.

Um dos objectivos do modelo cognitivo-comportamental consiste em corrigir ou


modificar as distorções cognitivas que afectam o indivíduo de modo a que este desenvolva
estratégias para defrontar o problema.

Por conseguinte, o trabalho terapêutico com base na intervenção cognitivo-


comportamental com a paciente PS consistiu em desenvolver nela estratégias eficazes para lidar
com as situações mais difíceis e formas de adaptação saudáveis.

Dentro da vasta panóplia de técnicas e estratégias que o modelo disponibiliza destacamos


a mais utilizadas, nomeadamente, o treino de relaxamento, o treino de habilidades sociais, o
treino de resolução de problemas, o reforço e a psicoeducação.

20
 Análise do progresso da terapia

No momento actual, a paciente manifestava melhorias significativas. Este aspecto


notou-se através da percepção positiva que a PS. tinha de si própria, com uma auto-estima mais
elevada, mais confiante no relacionamento saudável com os outros, de um modo geral, a PS
refere que o processo terapêutico “ajudou-me a sentir-me melhor”.

 Avaliação do progresso e resultados alcançados no planeamento terapêutico

O processo de acompanhamento psicológico iniciou-se com o estabelecimento de uma


relação terapêutica empática e colaborativa, objectivo que foi conseguido com relativa
facilidade, pois PS., mostrou-se sempre disponível para colaborar com o psicólogo estagiário.

Enquanto estagiário, o caso da PS. permitiu não são só obter uma melhor compreensão
de como se manifesta a perturbação depressiva e das dificuldades que a mesma impõe, como
também possibilitou desenvolver competências e encontrar ferramentas úteis para actuar em
contexto de depressão.

4.2. Segundo caso clínico do PJK


Identificação: M. tem 20 anos de idade, é do sexo masculino e possui uma estatura
mediana. O paciente vive com os seus pais e irmãos no Bairro Golf II, primogénito e frequenta
a 10º classe. Diz ter uma boa relação com a família e amigos.

Queixa principal: “Os principais motivos que me levaram a fazer consulta é que, sinto
uma sensação constante de ansiedade e a preocupação intensa em voltar a ter ataques de
pânico, os quais tiveram início seis meses antes da consulta”.

História da doença actual (HDA): PKJ revela que desde a sua infância se debateu com
a ansiedade. As suas primeiras lembranças de ansiedade surgem relacionadas com o período
em o seu pai espancava a mãe frente aos filhos. Actualmente PKJ considera que a sua ansiedade
se manifesta em várias alturas do seu dia, principalmente quando se encontra na escola. PKJ
revelou que a sua crise de ansiedade se acelerou em função do Bullyng que este tem vivido no
ambiente escolar.

PKJ, expõe ainda que as “noites são outro problema, parece que não consegue desligar”.
Referindo que tem muita dificuldade em adormecer porque fica a pensar sobre como se livrar
dos colegas de escola que o atormentam.

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História Patológica Pessoal (HPP): Paciente apresenta alergias frequentes a alguns
tipos de alimentos, principalmente o peixe.

História Pessoal: PKJ descreve a sua relação com os pais como sendo afetiva e de
apoio. Admite que tem uma relação mais próxima com a mãe e justifica esta afirmação, expondo
que por motivos de trabalho, o pai por vezes estava ausente durante semanas. Refere ainda que
o seu pai sempre foi mais agressivo e que a mãe era mais permissiva. Segundo PKJ o pai por
ser polícia por vezes é tão agressivo até com as suas irmãs mais pequenas.

Em termos de orientação vocacional sempre desejou ser engenheiro informático.

PKJ alegou que nunca teve namorada. Ao nível do percurso escolar, é um estudante
excelente do curso de Informática, da 10ª classe. O mesmo afirmou que tem uma vida social
normal, sai com os amigos aos finais de semana e ama jogar futebol.

 Diagnóstico Clínico

Para realizar a formulação do caso de PKJ., à luz do modelo cognitivo-comportamental,


utilizou-se como referencial o modelo dos 5 P´s proposto por Macneill et al., (2012) e Johnstone
e Dallos (2014).

Durante o acompanhamento psicológico, PKJ expôs que experienciava há mais de 8


meses, ansiedade e preocupação excessivas acerca de um vasto número de acontecimentos ou
actividades, referindo-se à ansiedade como sendo algo “constante” na sua vida.

Segundo o paciente, são muitas as circunstâncias da sua vida que lhe causam ansiedade
e interferem no seu funcionamento no dia-a-dia, nomeadamente; ambiente escolar (ex.: medo
dos colegas por este sofrer bullyng quase sempre; medo de não atingir objectivos na escola; má
relação com os colegas da escola, porque ninguém quer ser seu amigo).

A ansiedade e preocupação excessivas de PKJ, são acompanhadas em mais de metade


dos dias pelos seguintes sintomas: nervosismo e tensão interior; dificuldades de concentração;
irritabilidade; tensão muscular; perturbação do sono.

Elaboração e comprovação da hipótese: No que concerne, ao problema apresentado,


considerou-se que a sintomatologia apresentada por PKJ preenchia de acordo com o DSM-V
(2014), os critérios de uma perturbação de ansiedade generalizada, com ataques de pânico. Esta
hipótese de diagnóstico teve por base as informações recolhidas durante a entrevista, os
resultados da avaliação psicológica e a sintomatologia apresentada pelo paciente.

22
 Planejamento terapêutico

O planejamento terapêutico envolveu a análise detalhada do caso do paciente PKJ,


considerando suas necessidades, objectivos e contextos específicos, na qual trabalhei junto com
o paciente para estabelecer metas claras e alcancáveis que durou no máximo 5 sessões, na qual
as intervenções incidiram sobre o modelo cognitivo-comportamental.

 Descrição da Primeira Sessão

Objectivo: Explorar o motivo da consulta

Na primeira sessão, foi proposto ao paciente que elaborasse uma lista que incluísse cinco
factos ou situações que desencadeassem a sua ansiedade.

 Descrição da segunda e terceira sessão

Objectivo: Recolher informação pertinente para posterior avaliação e intervenção.

A segunda e terceira sessão, foram utilizadas para recolher informações sobre a história
de vida do paciente, as quais serviram para compreender melhor a natureza da ansiedade de
PKJ e desenvolver uma conceitualização cognitiva inicial e respectivo plano de tratamento.

 Descrição da quarta sessão

Objectivo: Aplicação do Inventário de ansiedade de Beck (BAI)

Na quarta sessão, procedeu-se à aplicação do Inventário de ansiedade de Beck (BAI), com


o objectivo de avaliar a severidade dos sintomas de ansiedade apresentados pelo paciente. Nessa
mesma sessão, foram devolvidos os resultados da avaliação efetuada e realizada a respetiva
interpretação dos mesmos, por forma a elucidar o paciente sobre a sua patologia.

 Descrição da quinta sessão

Objectivo: Fazer a intervenção psicológica .

Como já foi mencionado no princípio, a ansiedade e preocupação excessivas de PKJ são


acompanhadas em mais de metade dos dias pelos seguintes sintomas: nervosismo e tensão
interior; dificuldades de concentração; irritabilidade; tensão muscular; perturbação do sono.

Esta ansiedade e preocupação persistente causam ao paciente PKJ mal-estar clinicamente


significativo.

23
Para agravar o quadro clínico do paciente, nos últimos cinco meses, PKJ teve três a quatro
ataques de pânico, o que fez levantar a hipótese de o paciente apresentar um quadro de
perturbação de ansiedade generalizada, com ataques de pânico

Para fundamentar a hipótese de perturbação de ansiedade generalizada, com ataques de


pânico, considerou-se a sintomatologia apresentada pelo paciente a qual se enquadrava nos
critérios definidos pelo DSM-V, designadamente:

1. Palpitações, batimentos cardíacos ou ritmo cardíaco acelerado;

2. Suores; 3. Estremecimentos ou tremores;

4. Sensações de falta de ar e dificuldade em respirar;

5. Sensação de asfixia;

6. Dor no peito;

8. Sensação de tontura ou de desmaio;

9. Sensação de frio ou de calor;

13. Medo de morrer.

Com base nas teorias e conceitos cognitivo-comportamentais, autores como Clark (2003)
defendem que os ataques de pânico acontecem a partir de interpretações distorcidas e
catastróficas dos sintomas corporais. Tonturas e palpitações cardíacas podem ser
compreendidas, como sendo um ataque cardíaco ou enfarte iminentes.

Assim sendo, nesta sessão, foram igualmente transmitidas ao paciente, técnicas e


estratégias para lidar com a ansiedade, nomeadamente, o relaxamento muscular e a respiração
abdominal.

A respiração diafragmática é uma técnica que utiliza os músculos abdominais para o


controle respiratório. O relaxamento muscular progressivo é um exercício que envolve a prática
da tensão e do relaxamento dos principais grupos musculares.

 Análise do progresso da terapia

A respeito do progresso da terapia, pode-se aferir que o paciente de nome PKJ


manifestou melhorias significativas. Em contexto familiar, segundo a irmã mais velha do
paciente, o PKJ melhorou desde o início da intervenção até ao presente momento,
principalmente, em relação à autonomia.

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 Avaliação do progresso e resultados alcançados no planeamento terapêutico

Embora o processo terapêutico do PKJ., se tenha limitado a apenas em cinco sessões, foi
possível estabelecer com o paciente uma aliança terapêutica de qualidade, tendo a PKJ
assumido uma postura empática, empenhada e colaborante ao longo de todas as sessões.

Face ao exposto, é possível auferir que através da avaliação realizada no início de cada
sessão, com o intuito de avaliar o humor, os sintomas e as experiências do paciente durante a
semana, é possível depreender que PKJ denotou um decréscimo do sofrimento psicológico
provocado pelo Transtorno de ansiedade.

25
CONCLUSÃO
Concluído o estágio curricular em Psicologia Clínica no Hospital Geral de Luanda, sob
a coordenação da PhD. Professora Adriana Gomes, vice-coordenação do PhD. Professor
Amílcar Evaristo e pela supervisão da Dra. Madalena Francisco é chegado o momento de
encerrar este relatório, torna-se pertinente reflectir de uma forma geral sobre as experiências
vividas ao longo deste percurso, realçando os pontos fortes e algumas limitações que senti ao
longo do mesmo.

Começo por ressaltar a mais-valia deste estágio em contexto hospitalar, as vivências


neste espaço de sofrimento, algumas só observadas, permitem descobrir e aprender lições que
podemos transferir para a vida do dia-a-dia.

Trabalhar neste espaço permitiu contactar com uma diversidade de problemáticas, do


âmbito da Psicologia, e do âmbito da medicina, e crianças e adolescentes até adultos com
padrões de resposta muito diferentes.

A experiência vivenciado neste estágio foi positivo e de muita aprendizagem, não


somente teórica, mas também prática, aprendeu-se a construir, apresentar e discutir casos
clinicos; praicar a entrevista psicológica; criar e apresentar palestras.

Em suma, considero que o estágio foi um período de grande desenvolvimento, marcado


por novas aprendizagens e experiências únicas e impactantes, as quais irão servir de preparação
para o desafio que se segue, a actuação como psicólogo reconhecido pela Ordem dos Psicólogos
de Angola (OPA).

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SUGESTÕES

Com base na minha experiência de estágio no Hospital Geral de Luanda, deixo as


seguintes recomendações à esta instituição hospitalar:

Maior atenção e consideração aos estagiários, sobretudo os de psicologia clínica, pois


são estes o futuro da saúde mental no nosso país;
Formação constante dos seus profissionais e espírito de auto superação intelectual, para
que possam atender seus pacientes de forma clara e eficiente;
Inserção de mais psicólogos clínicos na equipe de saúde, para que se possa melhorar a
qualidade no tratamento dos pacientes;
Maior atenção a alimentação dos pacientes internados, que haja alimento suficiente para
que se possa evitar outros males;
Elaboração de conjunto de testes psicológicos para utilização dos estagiário durante os
períodos de estágio.

27
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APÊNDICES

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