Tempo: corresponde a um estado momentâneo da atmosfera numa determinada área da superfície da
Terra, com relação à combinação de fenômenos – temperatura, umidade, etc – e pode mudar em poucas
horas ou instantes. É o conjunto de características do estado da atmosfera em um determinado momento.
Clima: é o comportamento do tempo em uma determinada área durante um período longo, de pelo menos
30 anos. É o padrão de sucessão dos diferentes tipos de tempo que resultam do movimento constante da
atmosfera.
Insolação: é o recebimento de energia solar pela terra, e é causa de diversos movimentos da atmosfera.
Movimentos e fatos: o movimento de rotação da terra se faz de oeste para leste. A hora zero do mundo é
representada por Greenwich.
Equador: as regiões mais próximas ao Equador recebem os raios solares quase verticalmente durante todo o
ano. A maior quantidade de energia recebida (insolação) faz com que essa região seja mais quente. O
contrário ocorre quando nos aproximamos dos polos. Ou seja, quanto maior a latitude (quanto mais nos
afastamos do Equador em direção aos polos), menores são as temperaturas médias anuais, pois a terra é
esférica e os raios solares a atingem com inclinações distintas. Dessa forma, a variação latitudinal é o
principal fator de diferenciação das zonas climáticas. A grande extensão latitudinal do território brasileiro é
um importante fator de diferenciação climática.
Convecção: é o movimento vertical do ar. Esse fenômeno acontece porque as camadas de ar fria são mais
densas, com pressão maior, e por isso descem, forçando o ar quente, com menor densidade e pressão,
subirem. Estabelece-se assim uma corrente convectiva.
Efeito Colioris: é o desvio que sofre o ar quando este se movimenta por longas distâncias. Esse fenômeno é
devido à rotação da terra e afeta as correntes marítimas. No hemisfério norte, ele ocorre no sentido horário
(para direita); no hemisfério sul, no sentido anti-horário (para esquerda).
Ventos alísios: são correntes de ar que sopram constantemente das proximidades dos trópicos (região de
alta pressão) para o Equador (baixa pressão).
Ventos contra-alísios: fazem o sentido contrário dos alísios, ou seja, sopram do Equador para os trópicos.
São ventos secos que têm incidência em altitude mais elevadas.
Massa de ar: é uma grande porção da atmosfera que se desloca sobre a superfície terrestre, transportando
as características da área em que se formou para outras áreas e adquirindo novas característica nas áreas de
destino. O encontro de uma massa de ar frio com uma de ar quente forma a frente fria.
Chuva frontal: resulta do encontro de duas massas de ar, uma quente e outra fria. O resfriamento
provocado pela massa/ou frente junto àquela carregada com vapor de água provoca a precipitação. São
chuvas de longa duração e afetam áreas extensas.
Chuvas convectivas: são as chamadas “chuvas de verão ou aguaceiros”, provocadas pela evaporação e
ascensão do ar úmido e o resfriamento desse ar.
Chuva orográfica (de relevo): ocorrem quando nuvens encontram obstáculos (serras, montanhas, etc) e se
elevam. À medida que as nuvens sobem, a temperatura cai, condensam-se e precipitam-se. É comum em
áreas litorâneas e, também, na Serra da Mantiqueira e na Serra do Mar.
Umidade: é a quantidade de vapor de água presente na atmosfera num determinado momento.
Fatores que influem no clima
Latitude: quanto mais afastamento da linha do equador, menores são as temperaturas (e vice-versa). Na
medida que a latitude aumenta, a temperatura diminui.
Altitude: quanto maior a altitude, menor a temperatura. No alto de uma montanha a temperatura é menor
do que a registrada no nível do mar no mesmo instante e na mesma latitude.
Presença de cidades ou de vegetação: as temperaturas de áreas urbanas podem ser 10° maiores que as das
áreas próximas arborizadas. Isso ocorre devido à presença de asfalto e prédios, haja vista que o concreto
substituiu as áreas verdes, possibilitando maior irradiação de calor e menor circulação de ar.
Albedo: é o índice de reflexão de uma superfície, e pode aumentar ou diminuir a temperatura. O albedo
varia de acordo com a cor da superfície. A neve, por exemplo, reflete até 90% dos raios solares, enquanto a
floresta Amazônica, por ser verde escura, reflete cerca de 15%. Quanto menor o albedo, maior a absorção de
raios solares, maior o aquecimento e, consequentemente, a irradiação do calor.
Massas de ar: são grandes porções da atmosfera que possuem características comuns de temperatura,
umidade e pressão e podem se estender por milhares de quilômetros.
Correntes marítimas: são porções de água que se movem por grandes extensões dos oceanos. A rotação da
Terra e os ventos desviam as correntes marítimas. Além de serem importantes para a navegação, podem
interferir no clima, principalmente porque alteram a temperatura atmosférica, e são importantes para a
atividade pesqueira: em áreas de encontro de correntes quentes e frias, aumenta a disponibilidade de
plâncton, que atrai cardumes.
Continentalidade e maritimidade: em áreas que sofrem influência da continentalidade (localização no
interior do continente, distante do litoral), a amplitude térmica diária é maior do que em áreas que sofrem
influência da maritimidade (proximidade dos oceanos e mares). Isso acontece porque a água retém calor
por mais tempo, demora mais para irradiar a energia absorvida. Os continentes, por sua vez, esfriam com
maior rapidez quando a incidência de luz solar diminui ou cessa. Em consequência, os oceanos demoram
mais para se aquecer e para se resfriar do que os continentes.
Vegetação e relevo: o relevo é um fator climático, pois pode dificultar ou facilitar a circulação das massas de
ar.
El niño: é o aquecimento anormal das águas do pacífico, que produz massas de ar aquecido. Assim, as áreas
secas passam a sofrer inundações, as úmidas são privadas das chuvas e passam por períodos de seca.
La niña: é o resfriamento anormal das águas do pacífico.
Características climáticas do Brasil
Por possuir 92% do território na Zona intertropical do planeta, grande extensão no sentido norte-sul e litoral
com forte influência das massas de ar oceânicas, o Brasil apresenta predominância de climas quentes e
úmidos. No sul do Brasil, ocorre o clima subtropical (com maior variação térmica e estações do ano bem
mais definidas).
No clima subtropical, ocorrem verões quentes e invernos frios, com chuvas bem distribuídas, e as massas de
ar que lá atuam são quentes no verão (MTA), frias no inverno (MPA) e ambas são úmidas.
Quando a MTA e a MPA se encontram, forma-se uma frente fria e há a ocorrência de chuvas.
Em grande parte da Amazônia, o clima é quente e úmido o ano todo porque lá atuam somente massas de ar
quentes e úmidas (MEC e MEA). A umidade relativa do ar permanece elevada mesmo nos períodos em que
chove menos, ainda que o índice de chuvas apresente grande variação entre os meses do ano.
No Brasil, prevalece a presença de climas tropicais, devido às áreas de baixa latitude e à inexistência de
cadeias de montanhas.
Os climas quentes caracterizam a maior parte do território brasileiro. A linha do equador passa sobre
Macapá (AP). O trópico de capricórnio atravessa a porção meridional do país: Ubatuba (SP), Maringá (PR) e
pelo extremo sul do MS. Isto é, apenas a região Sul localiza-se quase totalmente fora da zona intertropical.
Nos climas úmidos, as rochas tendem a assumir formas arredondadas, com poucas arestas, e os solos são
geralmente profundos. Nos climas secos, o predomínio do intemperismo físico gera arestas e formas
pontiagudas, típicas dos inselbergs nordestinos. No sertão, a fraca pluviosidade e a elevada evaporação
reduzem a profundidade de infiltração da água: como regra, os solos apresentam pequena espessura.
Atuação das massas de Ar
MTA – Massa Tropical Atlântica
- Atua no litoral, desde o Nordeste até o Sul do país.
- Quente e úmida.
- Forma os ventos alísios de sudeste. Atua quase todo o ano e pode provocar chuvas.
- Provoca considerável precipitação no litoral brasileiro durante o verão.
MEA – Massa Equatorial Atlântica
- Atua no litoral Norte e Nordeste do país (principalmente na primavera e no verão). Quando chega ao interior, já
está seca.
- Quente e úmida.
- Forma os ventos alísios de nordeste.
- Origina-se no oceano Atlântico, em Açores (Atlântico Norte).
MPA – Massa Polar Atlântica
- Exerce influência em todas as regiões brasileiras.
- Origina-se em altas latitudes, no sul do Atlântico (Patagônia argentina).
- Fria e úmida.
- Com forte atuação no inverno, provoca as chuvas frontais (frentes frias) em todo o litoral, até o Nordeste.
- Responsável pela queda acentuada das temperaturas, podendo ocasionar a geada no Sudeste, neve no Sul e o
fenômeno da friagem no Norte e Planície do Pantanal.
- Friagem: queda brusca da temperatura ocasionada pela atuação de massa de ar de origem polar.
- Fria e densa, penetra na América do Sul e provoca a ascensão do ar quente.
MTC – Massa Tropical Continental
- Atua no interior do Sudeste e Sul e no Centro-Oeste.
- Origina-se na Planície do Chaco.
- Quente e seca.
- Ocasiona períodos quentes e secos (suas principais características).
MEC – Massa Equatorial Continental
- Influencia todo o território, deslocando calor e umidade e provocando instabilidade.
- Origina-se no Oeste da Amazônia. Lá, provoca chuvas diárias no verão e outono. Além disso, pode atingir outras
regiões brasileiras e trazer chuvas no verão.
- Origina-se em uma região de intensa evapotranspiração, que é a Floresta Amazônica, além da exuberante
presença hídrica da bacia amazônica, justificando sua elevada umidade.
Zona de Convergência Intertropical
- É a faixa em que ocorre o encontro dos ventos úmidos (alísios) oriundos do hemisfério norte com os do sul.
- Localiza-se nas imediações da linha do equador. É uma linha móvel, ora pouco mais ao norte, ora ao sul, de
acordo com as estações climáticas do ano, que acompanham o movimento aparente do sol.
- Características: é uma zona extremamente úmida e com nebulosidade constante, formando uma espécie de
“cinturão úmido” do planeta junto à zona equatorial. A ZCIT é bastante perceptível nas imagens de satélite devido
à grande presença de largas nuvens. Essa região do planeta costuma apresentar céu encoberto pela nebulosidade.
Equatorial úmido
- Abrange a maior parte da Amazônia, que é dominada pela atuação da MEC e da MEA, além da ZCIT (Zona de
Convergência Intertropical).
- Apresenta temperaturas elevadas e chuvas abundantes e bem distribuídas durante o ano.
- Médias térmicas variam de 24°C a 28°C.
- A principal massa de ar atuante é a MEC.
- Ocasionalmente, ocorre o fenômeno da friagem, provocada pela MPA.
Tropical
- Predomina na maior parte do país, em grande parte das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.
- Caracterizado por temperaturas altas.
- Alguns autores dividem a tropicalidade brasileira em tropical continental, tropical oceânico, litorâneo úmido e
tropical alternadamente úmido e seco.
- Tem uma estação seca no inverno e chuvosa no verão.
- As massas de ar que provocam chuva no verão são a MEC e a MTA.
Tropical semiárido
- Predomina em grande parte do Nordeste Brasileiro, no Sertão e no Norte de MG.
- Há pouca quantidade de chuvas (média inferior a 1000mm); temperaturas altas.
- A distribuição de chuvas é extremamente irregular, com longas estiagens e, ocasionalmente, chuvas torrenciais.
- A inexistência de massas de ar úmidas atuando no Sertão ajuda a explicar a baixa pluviosidade e os períodos de
seca. (Em geral, as massas de ar quando chegam ao Sertão já estão secas, haja vista a grande distância que já
percorreram até chegar ali.).
- O ângulo de incidência solar contribui para essa alta evaporação, por causa da baixa latitude e das altas
temperaturas. Outro fator que contribui para a escassez hídrica são os solos extremamente rasos.
- Possui pouca influência da MEC. As chuvas, no Semiárido, concentram-se no verão e início do outono, quando
podem ser torrenciais e provocar inundações.
Litorâneo úmido
- Estende-se pela faixa litorânea do Nordeste ao Sudeste, com grande influência da MTA. O encontro desta massa
de ar com o relevo acidentado (Serra do Mar, Serra da Mantiqueira, Planalto da Borborema, etc) provoca as
chamadas chuvas de relevo (orográficas). No outono e no inverno, o encontro da MTA com a MPA provoca as
chuvas frontais.
- Apresenta elevadas médias térmicas e alta pluviosidade.
Tropical de altitude
- Abrange as terras altas do Sudeste, nas regiões serranas do RJ, SP, ES e MG.
- Ocorre essencialmente nos planaltos e as Serras do Sudeste, em que a altitude acima de 1000m proporcionam a
amenização da tropicalidade (maior altimetria significa menor temperatura).
- Caracteriza-se por invernos mais rigorosos sob a influência da MPA (quanto maior a altitude, menor será a
temperatura em comparação com outras regiões). Apresenta verões brandos.
Subtropical úmido
- Ocorre em toda a região Sul e na porção meridional (Sul) de SP e MS.
- Predomina nas áreas de latitudes mais altas – os relevos têm influência decisiva no comportamento das
temperaturas - ao sul do Trópico de Capricórnio, por isso suas estações são mais definidas (verões quentes e
invernos frios). As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano.
- Apresenta regimes de chuva concentradas no verão.
- Ainda que seja sujeito à atuação da MTA, a MPA faz com que os invernos sejam muito mais rigorosos dos que o
do restante do país e, por vezes, pode nevar nas regiões mais altas (Serra Geral, principalmente em São Joaquim –
SC – lugar mais frio do Brasil).
- Nos relevos de serras e morros submetidos a chuvas torrenciais, são comuns os movimentos de massas
(escorregamento de terra e rochas) – a infiltração da água no solo e nas fendas das rochas e a atividade erosiva
prolongada geram situações de desequilíbrio local. Posteriormente, sob o efeito do aguaceiro, acontecem súbitos
deslizamentos de materiais.
- A região sul do país tem significativas amplitudes térmicas anuais (em torno de 10°C)
- Do ponto de vista das chuvas, o clima subtropical varia entre o úmido e o superúmido. Como regra geral, a
pluviosidade distribui-se ao longo de todo o ano, sem ocorrência de estação seca.
- As chuvas da região sul são frontais, principalmente.
Regiões brasileiras El Niño – aquecimento anormal das La Niña – resfriamento anormal das
águas do Pacífico águas do Pacífico.
Norte Redução das chuvas no leste e norte da Aumentos na intensidade da estação
Amazônia, aumentando a probabilidade chuvosa na Amazônia, ocasionando
de incêndios florestais. cheias expressivas de alguns rios da
região.
Nordeste Secas de diversas intensidades nas Chuvas acima da média na região,
áreas centrais e norte da região, as justificando enchentes no litoral
porções sul e oeste não são nordestino.
significativamente afetados.
Sudeste - Fortes secas e estiagens no Sudeste, Não há padrão característico de
em função das massas de ar úmido mudança das chuvas e nem na
perderem força. temperatura.
- Pequena elevação nas temperaturas.
Centro-Oeste - Aumento relativo das chuvas, embora Não há efeitos pronunciados nas chuvas
esse aumento seja mais perceptível em e na temperatura nessa região,mas há
anos de El Niño mais intenso. tendências de estiagem.
Sul - As precipitações são mais abundantes, Estiagem em toda região,
além de um aumento na temperatura principalmente no inverno.
do ar. SC passa a sofrer com chuvas
torrenciais.