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ÓLEO COMBUSTÍVEL
1 - DEFINIÇÃO E COMPOSIÇÃO
O óleo combustível é um produto utilizado para geração de
energia térmica, composto basicamente por uma mistura
complexa de correntes oriundas do processamento de petróleo
e cuja base é o resíduo de destilação a vácuo (RV).
Ao RV são adicionados diluentes da faixa de ebulição do óleo
diesel ou mais pesados de acordo com a especificação
demandada. O teor de enxofre da mistura pode ser afetado
pelo diluente.
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2 - PRINCIPAIS APLICAÇÕES
O óleo combustível é utilizado para geração de energia térmica
em fornos e caldeiras.
É conveniente que o óleo seja mantido aquecido no tanque para
favorecer o seu escoamento.
Dependendo do uso ao qual se destina, deve passar por um
sistema de filtração para a remoção de sedimentos orgânicos e
inorgânicos.
A seguir, ele é novamente aquecido para reduzir sua viscosidade
ao valor requerido pelo queimador, favorecendo a nebulização.
A nebulização é a ruptura mecânica do líquido gerando pequenas
gotículas de diâmetro da ordem de 0,5 μm, quanto menor o
tamanho da gotícula, maior a facilidade de vaporização do
produto o que é necessário para uma boa queima.
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2.1. SISTEMAS DE COMBUSTÃO DE ÓLEO COMBUSTÍVEL
Dependendo do tipo de indústria, existem diversos sistemas
para a queima do óleo combustível, diferenciando-se entre si,
principalmente, pelo tipo de queimador.
Uma etapa importante para a combustão do óleo é a sua
nebulização, da qual podem ser destacados dois tipos:
•Nebulização mecânica, cita-se a nebulização sob pressão, na
qual o óleo a pressões de 2 a 3 MPa, é forçado em
movimentos rotativos, através de um pequeno orifício;
•Nebulização por fluido auxiliar, cita-se o vapor d’água e o ar a
baixa, média ou alta pressão. No caso de se usar o vapor d’
água, este, além de ceder energia mecânica, transfere calor ao
combustível, reduzindo sua viscosidade.
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3 - TIPOS DE ÓLEOS COMBUSTÍVEIS
Os óleos combustíveis industriais são agrupados pela viscosidade,
teor de enxofre e ponto de fluidez:
• Viscosidade: definida pelos requerimentos dos queimadores e da
temperatura do óleo possível de se obter no instante da utilização,
classificados em números em ordem crescente de viscosidade a 60
o
C. No Brasil, são especificados os óleos combustíveis dos tipos
A1/A2 e B1/B2 conforme definido no site da Agência Nacional de
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
É permitida a comercialização de óleos combustíveis com
viscosidades acima do limite especificado mediante acordo entre
comprador e vendedor. Neste caso o produto deverá ser
classificado com a nomenclatura OC3, atendendo as demais
características.
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• Teor de enxofre: divididos como A, alto teor de enxofre (ATE),
inferior a 2,0%; e B, baixo teor de enxofre (BTE), menor que
1,0%.
Sua utilização varia de acordo com a aplicação desejada.
É permitida a comercialização de óleos combustíveis com
teores de enxofre acima do limite especificado, respeitando-se
um teor máximo de 3,0% em massa, mediante acordo entre
comprador e vendedor e que produza emissões de poluentes
que atendam aos limites estabelecidos pelo órgão ambiental da
jurisdição. Neste caso o produto deverá ser classificado com a
nomenclatura OC3, atendendo as demais características.
• Ponto de fluidez: agrupados como baixo ponto de fluidez
(BPF) e alto ponto de fluidez (APF), atendendo aos valores
especificados por região e por sazonalidade, de acordo com a
tabela da ANP.
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Para a geração de energia elétrica, existem especificações
próprias, definidas pela ANP ou em contratos específicos
entre as partes envolvidas.
Esses óleos também se originam de frações residuais das
unidades de destilação e de outros processos dentre os quais
a desasfaltação.
Diluentes são misturados ao resíduo para enquadrar a
viscosidade dos diferentes tipos de óleos.
Qualidade de ignição e teor de metais também são
controlados.
Os óleos combustíveis marítimos são tratados
separadamente.
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4 - REQUISITOS DE QUALIDADE E ESPECIFICAÇÃO
As exigências de qualidade do Óleo Combustível para uso
industrial ou de geração de energia são as seguintes:
• Combustão adequada, minimizando a formação de resíduos
e emissão de poluentes;
• Escoamento adequado nas temperaturas de operação;
• Minimizar o desgaste de refratários e de tubos dos fornos;
• Oferecer segurança no manuseio e estocagem.
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4.1. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DE QUALIDADE DO
ÓLEO COMBUSTÍVEL
4.1.1. Combustão
Para avaliar a combustão do produto, são consideradas as
seguintes características:
• Facilidade de nebulização para queima adequada,
proporcionando melhor mistura com o ar, para que a
combustão seja a mais completa possível. Quanto menos
viscoso for o produto mais facilmente ele será nebulizado. A
viscosidade é uma propriedade que varia inversamente com
a temperatura. Assim, quanto mais viscoso for o óleo, maior
será a temperatura em que ele deve ser aquecido a fim de
atingir o valor de viscosidade necessário à sua nebulização,
que varia de acordo com o tipo de equipamento utilizado;
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• Os gases de combustão não devem ser tóxicos nem
corrosivos aos equipamentos utilizados, sendo o teor de
enxofre do óleo um indicativo dessa característica, uma vez
que os compostos desse elemento são transformados na
combustão em SO2 e SO3, os quais são corrosivos em
presença de água.
4.1.2. Fluidez
Os óleos combustíveis devem escoar adequadamente a
baixas temperaturas sem cristalizar. Isso é obtido através do
controle do ponto de fluidez, apenas para os óleos de baixo
ponto de fluidez (BPF). Apenas esse tipo de óleo pode ser
transportado por tubulações e ser estocado em tanques sem
aquecimento.
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4.1.3. Metais
Os elementos metálicos existentes nos óleos combustíveis,
principalmente o vanádio, podem formar óxidos que, em combinação
com óxidos de sódio, outro metal que pode estar presente, dependendo
da proporção, geram sais com ponto de fusão inferior a temperatura
dos gases de combustão. Como principal consequência da queima do
óleo combustível em caldeiras, podem ocorrer danos aos tijolos
refratários nos fornos industriais e corrosão das tubulações.
No caso do uso do combustível em motores esses óxidos se depositam
sobre as paredes dos tubos provocando superaquecimento que pode
levar à fragilização das partes do motor Diesel.
Os compostos de alumino-silicatos, quando em elevadas quantidades
têm ação abrasiva em bombas e motores, podendo causar erosão em
válvulas injetoras e bicos injetores. Por este motivo, o produto deve ser
tratado em centrífugas antes de ser utilizado.
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4.1.4. Água e sedimentos
Os sedimentos devem ser controlados a fim de evitar a
formação de depósitos nos bicos dos injetores, que possam
obstruir a passagem do óleo e causar erosão.
O teor de água é controlado de modo a minimizar a
possibilidade de problemas de corrosão, especialmente nos
casos em que o teor de enxofre é elevado, assim como evitar
influencias sobre o poder calorífico do óleo combustível.
A água aumenta a possibilidade de formação de emulsões o
que pode trazer problemas na nebulização do produto.
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4.1.5. Segurança
O manuseio dos óleos combustíveis, em geral, deve oferecer
condições corretas de segurança, o que é controlado através
da medida do ponto de fulgor.
Um baixo ponto de fulgor pode indicar presença de
contaminação do produto com substâncias mais leves.
4.2. ESPECIFICAÇÃO ANP DE ÓLEOS COMBUSTÍVEIS
A Portaria ANP nº 3, de 27 de janeiro de 2016 estabelece a
especificação dos óleos combustíveis a serem
comercializados no País.
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Observações:
(1) A ANP poderá acrescentar nesta especificação outras características, com seus respectivos
limites, para o óleo combustível obtido de processos diversos dos utilizados no refino de petróleo
e nas centrais de matérias primas petroquímicas ou nos termos a que se refere o § 1º do art. 1º
desta Resolução.
(2) Pode-se alternativamente determinar: i. A viscosidade Saybolt Furol a 60ºC de acordo com as
normas ABNT NBR 14950 ou ASTM D88, seguida da conversão para a viscosidade cinemática
conforme a norma ASTM D2161. ii. A viscosidade absoluta a 60ºC de acordo com as normas
ABNT NBR 5847 ou ASTM D2171 e, dispondo da massa específica a 60ºC, calcular a
viscosidade cinemática.
(3) Será permitida a comercialização de óleos combustíveis com viscosidades acima do limite
especificado mediante acordo entre comprador e vendedor. Neste caso o produto deverá ser
classificado com a nomenclatura OC3, mantendo as características de acordo com a Tabela I.
(4) Será permitida a comercialização de óleos combustíveis com teores de enxofre acima do limite
especificado, respeitando-se um teor máximo de 3,0% em massa, mediante acordo entre
comprador e vendedor e que produza emissões de poluentes que atendam aos limites
estabelecidos pelo órgão ambiental da jurisdição. Neste caso o produto deverá ser classificado
com a nomenclatura OC3, mantendo as demais características de acordo com a Tabela I.
(5) É reportado como a soma dos resultados dos ensaios de água por destilação e sedimentos
por extração. Uma dedução no volume fornecido deverá ser feita para toda a água e sedimentos
que exceder a 1,0 % vol.
(6) Limites conforme a Tabela III.
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5 – PRODUÇÃO
A base para a produção dos óleos combustíveis é o RV, ao
qual podem ser adicionadas outras correntes, para acerto de
viscosidade e teor de enxofre, em função do tipo de óleo
desejado.
A figura 2 apresenta um exemplo esquemático da produção
de óleo combustível.
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6 - CUIDADOS PARA MANUTENÇÃO DA QUALIDADE
Para se manter a qualidade final deve-se garantir a limpeza e
a ausência de água nos tanques de transporte e
armazenamento.
A água e materiais sólidos podem alterar a qualidade do óleo
combustível e todo cuidado deve ser tomado para se evitar
que contaminem o produto.
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7 - ASPECTOS DE SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE E
SAÚDE
Todas as recomendações de armazenamento, manuseio e
utilização segura do Óleo Combustível estão contidas na
correspondente Ficha de Informação de Segurança do
Produto Químico (FISPQ).
Para efeito de transporte, o Óleo Combustível está
enquadrado na classe de risco 9 (líquido inflamável) e tem o
número de identificação 3082 (substância que apresenta
risco para o meio ambiente, líquida, n.e.), conforme
classificação da ONU, adotada pelo Ministério dos
Transportes. Sendo considerado como carga perigosa, as
pessoas envolvidas com seu transporte devem estar
devidamente capacitadas.