EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
AULA 3
Profª Tatiana Dantas Marchette
CONVERSA INICIAL
Nesta aula, veremos alguns conceitos e práticas de educação patrimonial
aplicados em lugares não formais de aprendizagem, como os arquivos. O uso
educativo do patrimônio documental custodiado em arquivos surgiu nos anos de
1950 em países como França, Itália e Alemanha com o objetivo de aproximar
essas instituições do ensino de História.
Antes de tudo, no entanto, devemos compreender o que é patrimônio
documental, segundo sua natureza e delimitação legislativa. Com isso, são
criadas as condições para uma melhor atuação do profissional de História tanto
nos espaços formais de aprendizagem quanto em lugares de memória, nesse
caso, os arquivos, públicos e privados, levando-se em consideração a
perspectiva dos bens culturais de um país, estado, cidade ou comunidade/bairro.
Hoje, os historiadores estão cada vez mais presentes em entidades como os
arquivos, fato reforçado pela recente aprovação, no Senado Federal, do projeto
de lei que regulamenta essa profissão, garantindo o profissional de História em
órgãos públicos, por exemplo, ao lado de museólogos, arquivistas etc.
TEMA 1 – O QUE É PATRIMÔNIO DOCUMENTAL?
O universo do patrimônio documental é dominado pela noção de arquivo,
de acervo arquivístico formado pela reunião de unidades documentais de
variados tipos. Portanto, antes de avançar no tema é importante observar a
conceituação tanto de documento quanto de arquivo.
1.1 Documento e arquivo
Para o Arquivo Nacional, documento é: “Unidade de registro de
informações, qualquer que seja o suporte ou formato.” Esse mesmo órgão
federal define arquivo em sua dupla natureza: “1. Conjunto de documentos
produzidos e acumulados por uma entidade coletiva, pública ou privada, pessoa
ou família, no desempenho de suas atividades, independentemente da natureza
do suporte. 2. Instituição ou serviço que tem por finalidade a custódia, o
processamento técnico, a conservação e o acesso a documentos [...].” (Brasil,
2005, p. 73; 27).
No entanto, não há uma definição precisa a respeito do que seja
patrimônio documental, uma vez que este pode ser subdividido em patrimônio
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arquivístico, patrimônio bibliográfico, patrimônio cartográfico etc. Entretanto, a
Constituição Federal de 1988 define como sendo patrimônio cultural brasileiro os
bens de natureza material e imaterial, incluindo as criações científicas, artísticas
e tecnológicas. Assim, se entendermos os documentos, os livros e os mapas,
por exemplo, como objetos de criação científica, eles são passíveis de proteção
e preservação patrimoniais.
A existência, no Brasil, tanto da Biblioteca Nacional quanto do Arquivo
Nacional, ambas instituições surgidas no século XIX, acabam por colaborar para
uma definição que diferencia o patrimônio documental bibliográfico do
arquivístico, dado que cada uma dessas entidades tem uma finalidade específica
de acordo com o gênero documental sob seus respectivos cuidados.
A função do Arquivo Nacional do Brasil é a de
implementar a política nacional de arquivos [...] por meio da gestão, do
recolhimento, do tratamento técnico, da preservação e da divulgação
do patrimônio documental do governo federal, garantindo pleno acesso
à informação, visando apoiar as decisões governamentais de caráter
político-administrativo, o cidadão na defesa de seus direitos e
incentivar a produção de conhecimento científico e cultural. (Brasil,
2020, p. 3)
1.2 Lei Nacional de Arquivo
No início da década de 1990, ou seja, poucos anos após a promulgação
da Constituição em vigência, surgiu a Lei Nacional de Arquivo (n. 8.159/1991),
cuja definição funcional para a instituição arquivística é esta acima transcrita e
recolhida da página do Arquivo Nacional na internet.
Um dos efeitos mais importantes da aplicação dessa lei nacional é a
consolidação do direito de acesso à informação produzida pelo governo, em
todas as suas esferas (federal, estadual e municipal). Aliado ao direito
constitucional de exercício e usufruto do patrimônio cultural brasileiro (art. 215),
a passagem dos anos de 1980 para os anos de 1990 configurou um contexto
histórico que somou o direito à informação ao direito de visita às fontes de
cultura. Com isso, a atuação do profissional de História em arquivos e instituições
culturais deve se assentar, sempre, no exercício democrático e na construção
de uma sociedade mais justa e representada em sua diversidade, refletida nos
documentos oficiais e nas práticas culturais. Para tanto, a Educação Patrimonial
nos arquivos é um dos instrumentos efetivos.
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As atividades na área de educação patrimonial auxiliariam na
preservação do arquivo e, consequentemente, modificariam a
concepção predominante que se tem dele e de seus documentos,
admitindo-se que a grande maioria da população tem uma visão
equivocada sobre arquivo, conhecido quase sempre como “arquivo
morto”, sinônimo de um lugar muitas vezes “escabroso”, em que se
guardam “papéis velhos” e sem utilidade, além de outras mitificações
a respeito. Essas atividades contribuiriam diretamente para a formação
de cidadãos conscientes da importância e da representatividade de um
arquivo para um indivíduo e para uma sociedade, em termos políticos,
jurídicos, históricos, culturais etc. (Fratini, 2009)
TEMA 2 – FRANÇA: UMA INSPIRAÇÃO
A França traz exemplos de atividades de Educação Patrimonial nos
arquivos nacionais desde pelo menos a década de 1950. Importante observar,
antes de tudo, que naquele país ocorreu de modo simultâneo tanto o
tombamento quanto o inventário dos bens culturais materiais. Vamos analisar o
significado disso para a noção ocidental mais ampla e democrática de patrimônio
cultural.
2.1 Inventário: da beleza à simbologia
A realização de inventários na França vem desde a Revolução Francesa,
mas somente se institucionalizou em 1964, com a criação do serviço de
Inventário Geral. Ao longo dos anos, decorreu uma importante transformação no
próprio conceito de patrimônio, o qual se alargou:
O trabalho de inventário se distanciou da estética e da história das
artes, domínios fundadores do serviço dos monumentos históricos,
para se aproximar das ciências humanas: não é mais a beleza que
deve guiar o observador, mas a função dos objetos, a pesquisa de
“explicação” dos fenômenos observados [...].
Essa mudança conceitual é um dos fatores contribuintes, entretanto, de
uma visão também diferente da própria forma de se fazer História. E nisso, a
França também nos serve de inspiração. A perspectiva antropológica de cultura
impressa na renovação da historiografia francesa em meados do século passado
chegou na produção historiográfica brasileira, com força, na década de 1980.
Pesquisas sobre as classes sociais “excluídas” tiveram grande impacto nessa
produção nacional, pelas quais se destacaram as experiências e os modos de
viver de grupos cujos registros documentais são mediados pela produção oficial
originada das posições ocupadas pelas classes altas.
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Se a beleza e a excepcionalidade foram substituídas, no campo da
preservação patrimonial, pela simbologia dos objetos cotidianos banais, a visão
da História de cima ganhou outra perspectiva, a vista de baixo. Isso tudo passou
a influenciar as políticas públicas de cultura, sendo a inserção do valor da
imaterialidade uma das consequências mais importantes na ampliação dessas
políticas, o que possibilitou novas frentes de seleção de bens culturais ligadas
organicamente a grupos minoritários.
Tanto no Brasil quanto na França, a patrimonialização de bens imateriais
é algo que aconteceu somente no século XXI. Contudo, a França iniciou, antes
disso, as estratégias educativas nos arquivos por meio do patrimônio
documental, mesmo porque acumulou experiências de inventários, abarcando
uma diversidade patrimonial. A seguir, vamos estudar sobre essa relação
específica entre arquivo/documento/sociedade.
Figura 1 – O acesso à informação é uma das chaves para o fortalecimento dos
direitos políticos e culturais
Crédito: BigNazik/Shutterstock.
TEMA 3 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E ARQUIVOS
A Lei Nacional de Arquivo trouxe a valorização do documento enquanto
instrumento de gestão dos governos, mas também na condição de instrumento
de pesquisa para a História. Por meio da normatização dos arquivos públicos e
privados pela Lei 8.159, instituiu-se o Sistema Nacional de Arquivos (Sinar),
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cujos fins são: implementação da política nacional de arquivo; gestão,
preservação e acesso aos documentos arquivísticos. A gestão documental
estipula três idades documentais processuais: corrente, intermediária e
permanente. As ações educativas nos arquivos incidem sobre essa última fase.
3.1 Arquivos permanentes e ações educativas
Se os documentos correntes fazem parte do dia a dia da administração e
possuem valores comprobatórios legais e fiscais, os intermediários tem seu uso
diminuído e aguardam um destino final, se eliminação ou guarda permanente.
Assim, os documentos permanentes devem ser preservados com o objetivo de
servirem para fonte de pesquisa e informação e seu acesso deve ser público.
[...] o destino dos arquivos é passar por uma evolução que os afasta
cada vez mais de seu objetivo primitivo. Com o passar do tempo,
embora diminua o seu valor administrativo, aumenta sua importância
como documentação histórica. Não se pode dividir o arquivo em dois
compartimentos: velho (ou histórico) e administrativo. Na realidade,
são pura e simplesmente arquivos em incessante processo de
transformação. (Paes, 2004, p. 121)
Nesse processo de transformação pelo qual passam os documentos
arquivísticos, a fase permanente está plenamente inserida naquela configuração
que comentamos anteriormente do duplo direito de acesso: à informação e à
cultura. Os arquivos, cuja finalidade principal é a de custodiar acervos históricos,
ou permanentes, tem a potencialidade, portanto, de serem entidades
estratégicas para o desenvolvimento de ações educativas que se utilizam de
bens patrimoniais.
TEMA 4 – ARQUIVO NACIONAL DO BRASIL
O Arquivo Nacional do Brasil, criado em 1838, tem entre seus serviços o
de Educação, com o objetivo de “[...] identificar e propor ações educativas que
promovam a aproximação com as práticas arquivísticas em diferentes setores
da sociedade contribuindo para a percepção do documento de arquivo como
parte integrante do nosso patrimônio documental.” (Brasil, 2017).
A ação mais recente, nesse sentido, é o programa “Arquivo faz escola”.
Organizado pela Coordenação de Pesquisa, Educação e Difusão, recebe,
mensalmente, escolas para a exibição de filmes de produção nacional, seguida
de uma palestra. Os filmes pertencem ao acervo do Arquivo Nacional e, com
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isso, as funções dessa instituição são mais conhecidas. Mas será que isso
basta? Essa questão é pertinente, uma vez que os museus têm a liderança
nesse quesito de educação patrimonial.
4.1 Usos e recusas
Se os arquivos públicos brasileiros ainda são iniciantes em atividades
educacionais em relação aos museus do país, é fato que havia opções nessa
área desde meados do século passado por meio da experiência de outras
instituições arquivísticas.
As referências internacionais para esse tipo de trabalho existem há
muito tempo e não eram desconhecidas nos arquivos brasileiros.
Desde 1950, os arquivos franceses deram início aos serviços
educativos, concentrando-se nas visitas pedagógicas, na realização de
concursos temáticos e na oferta de oficinas para professores e alunos.
(Bellotto, 2000, p. 162-163)
Uma mistura de falta de mão de obra especializada, com uma pitada de
falta de informação a respeito da função de um arquivo, acrescentando nessa
receita uma dose extra da pouca produção do conhecimento sobre o tema, faz
com que a educação patrimonial não se desenvolva com maior potência no país.
Quando analisamos anteriormente os marcos da educação patrimonial
produzidos no Brasil sob os auspícios do Iphan, vimos que o primeiro deles, o
Guia Básico de Educação Patrimonial, editado em 1999, divulgou e consagrou o
termo. No entanto, lembremos que houveram críticas, desde então, a respeito
dessa consagração, pois “[...] qualifica a expressão como uma determinada
metodologia, aquela que é proposta na publicação, limitando, assim, as
possibilidades de compreendê-la como aquilo que designa um campo de
atuação e que pode, portanto, contemplar variadas e inúmeras metodologias [...]”
(Scifoni, 2017, p. 6).
A recusa de muitos profissionais em aceitar como única a metodologia
proposta no Guia, todavia, gerou uma série de outras possibilidades de
tratamento metodológico que ficaram dispersas, sem efeitos mais amplos. Além
disso, a pesquisadora Simone Scifoni identifica o uso retrógrado de bandeiras,
como a estratégia daquela publicação ainda vigente, a de “conhecer para
preservar”, como sendo um reforço ao esvaziamento do debate e não ao seu
potencial desenvolvimento coletivo.
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Transposta para a realidade atual, tal noção apresenta-se como
ingênua e despolitizadora do debate em educação patrimonial. Não
somente porque cada vez mais o patrimônio está presente nos meios
de comunicação e nos programas educativos, como é o caso dos
Parâmetros Curriculares Nacionais, que desde os anos 1990, o
adotaram como tema transversal, mas também porque ele tem se
tornado, contemporaneamente, objeto de reinvindicação social.
(Scifoni, 2017, p. 7)
Para defender seu ponto de vista, a autora citada anteriormente relata
uma série de exemplos práticos que avançaram em outras direções mais
atualizadas e decorrentes da organização ativa de grupos sociais em busca da
defesa daquilo que os representa nos espaços/territórios urbanos, como o caso
Ocupa Estelita, na cidade de Recife.
Mas, nos arquivos especificamente, quais matrizes essas experiências de
valorização e reconhecimento do patrimônio documental como bem cultural
devem seguir?
TEMA 5 – DIRETRIZES E METAS
A instituição da Portaria 137, de 28 de abril de 2016, trouxe princípios para
a aplicação da educação patrimonial com foco nas referências culturais, e não
somente os bens materiais tombados, estimulando a participação social.
Transportando esses princípios para os espaços dos arquivos, notadamente os
de natureza pública, ou os privados com interesse público, como deveria se dar
as atividades de EP, considerando a conceituação em vigência dessa prática
educativa? Para relembrar:
Art. 2.º [...] entende-se por Educação Patrimonial os processos
educativos formais e não formais, construídos de forma coletiva e
dialógica, que têm como foco o patrimônio cultural socialmente
apropriado como recurso para a compreensão sócio-histórica das
referências culturais, a fim de colaborar para seu reconhecimento,
valorização e preservação.
Parágrafo único. Os processos educativos deverão primar pelo diálogo
permanente entre os agentes sociais e pela participação efetiva das
comunidades. (Iphan, 2016)
5.1 Plano Nacional de Cultura
Em 2010, a Lei n. 12.343 fundou o Plano Nacional de Cultura (PNC), com
o objetivo de estabelecer um “[...] planejamento e implementação de políticas
públicas de longo prazo [...] voltadas à proteção e promoção da diversidade
cultural brasileira”. (Brasil, 2014). O PNC é composto por 53 metas, as quais, na
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medida em que são implementadas e atualizadas, promovem o funcionamento
mais efetivo do Sistema Nacional de Cultura (SNC).
A meta 31 diz: “Até 2022, pelo menos 50% das instituições arquivísticas
públicas deverão ter programas de educação patrimonial, cartilhas educativas
ou atividades lúdicas e teatrais, com especial ênfase no público escolar” (PNC,
Meta 31).
Apesar de o objetivo da Meta 31 estar se aproximando do ano de 2022,
segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), do IBGE, para
o ano de 2018, houve uma queda no número de arquivos públicos mantidos
pelos poderes municipais no intervalo de 2014 e esse ano do levantamento do
Munic. Consequentemente, essa queda é acompanhada pela ausência de
atividades educativas nesses espaços que são os arquivos em cidades nas quais
não há outro estabelecimento dessa natureza, uma vez que os arquivos
estaduais tem suas sedes nas suas respectivas capitais. As últimas informações
constantes na página do PNC na internet param no ano de 2018, com defasagem
de dois anos, portanto.
O desmantelamento do Ministério da Cultura, em 2019, traduz-se, ainda,
por uma quebra estrutural no diálogo entre educação e cultura, campo no qual
se pratica a educação patrimonial.
Assim, se uma das questões levantadas pelos pesquisadores do tema EP
era a dispersão de práticas pelo motivo de algumas delas se afastarem dos
paradigmas propostos pelo “Guia básico de Educação Patrimonial”, de 1999,
pode-se arriscar que, atualmente, um dos maiores problemas enfrentados pela
consolidação dessa ferramenta educativa, no país, além da drástica diminuição
do orçamento para as áreas da cultura e da educação, é a dispersão das práticas
em um momento quando as diretrizes da educação patrimonial estavam
adquirindo mais consistência.
5.1 Educação integral e espaços culturais
Um dos exemplos dessa desestruturação, a qual afeta o bom
desempenho do SNC (que depende da aliança entre os entes federativos
(municípios, estados e União para funcionar), é a extinção do Programa Mais
Educação. Em vigência entre 2007 e 2016, ao buscar ofertar a educação integral
aos jovens e adolescentes, as instituições escolares receberam apoio para
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realizar atividades culturais extramuros, como as visitas aos espaços culturais,
por exemplo.
Figura 2 – Atividades culturais extramuros
Crédito: Etorres/Shutterstock.
O objetivo maior do Programa Mais Educação, assim, era o de ampliar o
conhecimento, abarcando ações educativas em “lugares de memória”. Divididas
em macro campos, as atividades, de caráter optativo, iam desde
acompanhamento pedagógico até o exercício do direito à cultura.
O Iphan editou um guia para inserir a educação patrimonial no Programa
Mais Educação e, pro meio daquela conceituação do termo – a qual
relembramos anteriormente, na abertura deste tema – justifica essas atividades
no ambiente escolar para
[...] a partir da participação ativa dos professores, monitores,
coordenadores e estudantes, pode oferecer oportunidades de reflexão
e aprofundamento do conhecimento partindo do contexto sociocultural
e ambiental de seu entorno. Ali estão nossas raízes – nossas
referências culturais mais próximas. É a partir delas que podemos
propor reflexões sobre o que esse patrimônio representa ou pode vir a
representar. (Iphan, 2013, p. 8)
Considerado pelo PNC como um espaço cultural, os arquivos públicos e
os privados de interesse público cabem bem nesse escopo do então Programa
Mais Educação de tornar as referências culturais instrumentos de
representatividade da diversidade que marca a sociedade brasileira. Os arquivos
custodiam um patrimônio documental que, apesar de refletir as ações
decorrentes das atividades governamentais (documentos oficiais), permite por
meio de seu acesso pensarmos sobre até que ponto vai nosso sentimento de
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pertencimento a uma comunidade, considerando-se desde a nação até as
menores unidades sociais.
NA PRÁTICA
Por meio da leitura atenta do art. 215 da Constituição Federal brasileira,
descreva uma situação concreta de acesso a algum bem cultural, incluindo o
direito de acessar informações governamentais em acervos arquivísticos. Você
pode partir de uma experiência própria ou ocorrida com terceiros. “Art. 215: O
Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às
fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das
manifestações culturais” (Brasil, 1988).
FINALIZANDO
Uma vez que, conforme observamos ao longo desta aula, o patrimônio
documental brasileiro está inserido na convergência entre o direito à informação
e o direito à cultura, se há um enfraquecimento na preservação desse bem
patrimonial, proporcionalmente há um enfraquecimento dos direitos
democráticos.
A incipiência das atividades de educação patrimonial nos arquivos
públicos e nos privados de interesse público está acompanhada, no entanto, por
importantes marcos legais e normativos para que tais atividades avancem de
modo mais efetivo, amplo e inclusivo. Portanto, é imprescindível que o
profissional de História tenha conhecimento a respeito desses marcos, a fim de
ter a habilidade competente para desenvolver atividades que entrecruzam a
educação e a cultura.
Para tanto, passamos por informações sobre o patrimônio documental
fazer parte do patrimônio cultural do país, bem como as funções das instituições
custodiadoras desse acervo de documentos que são os arquivos; e que tais
entidades devem ser consideradas, também, como espaços culturais em que
possam ser aplicadas metodologias que garantam a rica relação entre educação
e cultura mediada pelos bens patrimoniais.
Observamos, enfim, a necessidade de adquirir tais saberes em um
contexto de aprovação do projeto lei que regulamenta a profissão de
historiador(a), o que acarretará em oportunidades para que o profissional dessa
área possa ocupar vagas específicas em órgãos públicos de ensino formal e não
formal, como os arquivos.
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REFERÊNCIAS
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Ciências & Letras – Revista da Faculdade Porto-Alegrense de Educação,
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_____. Lei n. 12.343, de 2 de dezembro de 2010. Diário Oficial da União,
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FRATINI, R. Educação patrimonial em arquivos. Histórica – Revista Eletrônica do
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SCIFONI, S. Desafios para uma nova educação patrimonial. Revista Teias, v. 18,
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IPHAN – INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL.
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_____. Portaria 137, de 28 de abril de 2016. Estabelece diretrizes de Educação
Patrimonial no âmbito do Iphan e das Casas do Patrimônio. Diário Oficial da
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MINC lança publicação “Como fazer um Plano de Cultura” para ajudar gestores
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PAES, M. L. Arquivo: teoria e prática. 3. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2004.
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