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Dislexia: Identificação e Intervenção Escolar

A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem que afeta a leitura e a escrita, com prevalência de cerca de 15% da população mundial. O diagnóstico precoce e a intervenção adequada são cruciais para o sucesso educacional de crianças disléxicas, que frequentemente enfrentam mal-entendidos e rotulações negativas em ambientes escolares. A formação de professores e a colaboração entre profissionais da saúde e educação são essenciais para apoiar esses alunos e promover um ambiente de aprendizado inclusivo.

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Amanda Cabral
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Dislexia: Identificação e Intervenção Escolar

A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem que afeta a leitura e a escrita, com prevalência de cerca de 15% da população mundial. O diagnóstico precoce e a intervenção adequada são cruciais para o sucesso educacional de crianças disléxicas, que frequentemente enfrentam mal-entendidos e rotulações negativas em ambientes escolares. A formação de professores e a colaboração entre profissionais da saúde e educação são essenciais para apoiar esses alunos e promover um ambiente de aprendizado inclusivo.

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Como a dislexia se manifesta? Como ela aparece na vida do sujeito?

Quando a dislexia costuma ser evidenciada?

Como detectar?

Qual o tratamento adequado?

Como a escola tem conduzido a questão do disléxico no processo educativo?

Desenvolvimento

1. Conceito de dislexia

2. A dislexia no Brasil e no mundo

2. A características dos alunos disléxicos

4. O diagnóstico precoce e o diagnóstico especializado para o tratamento

5. A criança disléxica no processo educativo do Ensino Fundamental I

6. Práticas dos profissionais docentes para auxiliar o processo de ensino-aprendizagem aos


alunos disléxicos.

7. Os procedimentos metodológicos.

Quadro teórico e os procedimentos metodológicos são dentro do desenvolvimento

Deixar o resumo, os resultados e as considerações finais

INTRODUÇÃO

A dislexia é um distúrbio de aprendizagem na área da leitura e da escrita, considerada


um transtorno específico de aprendizagem (TEA) pela Associação Brasileira de Dislexia (2016),
que atinge aproximadamente 15% da população mundial, de acordo com os dados levantados
por Massi (2007). Há várias especulações e estudos para compreender sobre as causas da
dislexia, contudo, com o avanço da tecnologia pode-se concluir que as dificuldades na leitura e
escrita são de origem neurológica e hereditária que afeta as áreas fonológica e lexical,
influenciando o processo de fonema-grafema. (Muszkat e Rizzuti, 2012)

Compreende-se que ler e escrever são processos complexos, mas de extrema


importância para a sociedade, inclusive para o meio escolar. ABD (2016) afirma que a criança
com dislexia é mais evidente na escola, pois neste ambiente ela sente mais dificuldade em
adquirir habilidades de leitura e escrita, apresentando um desempenho abaixo do esperado.
Contudo, as crianças que apresentam dificuldade nestes processos muitas vezes são
mal interpretadas pela escola, sendo rotuladas como “desatentas”, “burras” e “preguiçosas”
(SILVA; SILVA, 2016). Frank, portador de dislexia, relata “ Alguns dos meus professores
acreditavam que eu não ia bem na escola porque era “burro” ou “preguiçoso” “ (2003, p.129),
ou seja, quando o professor percebe que determinado aluno não prossegue com seus colegas,
ele apenas enxerga suas dificuldades, não compreendendo o motivo da defasagem desta
criança, e não conseguindo valorizar as competências que podem ser desenvolvidas, podendo
até deixá-la de lado.

Isto ocorre porque, de acordo com Silva e Silva (2016), em geral, profissionais da
educação e até os próprios pais se encontram despreparados para lidar com crianças com
dislexia e ainda reconhece que o estudo sobre a dislexia é pouco conhecido e propagado na
formação dos professores. Ianhez e Nico (2002, p. 72) afirmam “Seria muito importante que
todos os professores soubessem o que é dislexia”. Ainda Alves, Siqueira, Lodi e Araújo,
defendem “O ideal é que toda a sociedade e os profissionais envolvidos em saúde e educação
sejam informados e atualizados sobre a importância do letramento e da leitura e sejam
capazes de identificar grupos de risco para seu transtorno” (2011, p. 33).

Ávila (2011) assegura que a partir do conhecimento científico sobre a dislexia é


possível identificar essas crianças assim como intervir de forma precoce para ajudá-las na sala
de aula e para essas dificuldades não se agravarem. Em vista disso, é necessário que o professor
conheça sobre a dislexia, entendendo suas características, para conseguir mediar a situação e,
por conseguinte “...podem evitar o surgimento de reações emocionais negativas em relação à
escola e de baixa autoestima. “ (ÁVILA, 2011, p.46) .

Contudo, Muszkat e Rizzuti dizem que

Identificar a dislexia é também promover as escolas condições ideias para a


adaptação curricular, recursos de reforço pedagógico para crianças com
dificuldade de leitura e escrita, mobilizando a sociedade como um todo para
facilitar a aprovação de leis que auxiliem nossas crianças a enfrentarem seus
desafios pedagógicos e humanos com maior dignidade e autoestima.
(MUSZKAT; RIZZUTI, p.83)

Isto é, não basta que a criança seja avaliada e diagnosticada com dislexia, é papel da
escola e de toda instituição escolar apanhar iniciativas de estratégias pedagógicas que auxiliem
a criança disléxica no processo de ensino-aprendizagem superando suas dificuldades (SILVA;
SILVA, 2016), pois de acordo com Topczewski (2010, p.31). “...desconhecimento e a falta de
preparo por parte dos profissionais é o maior obstáculo para a criança disléxica”.
Desta forma, entende-se a necessidade de compreender sobre a dificuldade de
aprendizagem denominada dislexia que afeta algumas crianças e consequentemente seu
desempenho no processo de ensino-aprendizagem, para que não exista uma dicotomia entre
pais, professores e as próprias crianças disléxicas, dificultando mais ainda o aprendizado pois
este descrédito que a criança com dislexia carrega diante da sociedade gera maus
pressupostos, que devem ser combatidos pois as crianças com dislexias são crianças
inteligentes e criativas que merecem a socialização através da cultura e da educação.
(MUSZKAT; RIZZUTI, 2012).

Frank (2003, p. 13) afirma “Á medida que vamos descobrindo mais coisas sobre a
dislexia, nossos métodos para aprender a lidar com ela vão continuar melhorando” (Frank,
2013, p.13), em vista disso, este artigo busca compreender o que é dislexia, e refletir sobre
suas as características, afim de conhecer e compreender mais as necessidades de uma criança
com a dificuldade de aprendizagem, e desta maneira promover um diagnóstico precoce para
encaminhá-las a uma equipe multidisciplinar e gerar um diagnóstico exato, mas
principalmente como educador desta criança disléxica, auxiliá-las em seu processo de ensino
aprendizagem, e não colocando –a à margem do sistema.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Davis (2004) acredita que o disléxico começa a desenvolver a dislexia desde os três
meses de idade, contudo Frank (2003) afirma que é na escola onde a dislexia será mais
evidenciada e impactante, através de momentos como ler, escrever, terminar tarefas e até
interagir com colegas e professores. Navas (2011, p.45) em concordância diz que “toda criança
com dislexia tem seu quadro inicialmente identificado como uma dificuldade escolar ” .
Ainda, Frank (2003) ressalta que a identificação inicial da dislexia ocorre, geralmente, pelo
professor, pois é ele quem, a maioria das vezes percebe os primeiros sinais da dislexia.

Sendo assim, o professor deve possuir informações a fim de ser conhecedor do


assunto para conseguir identificar as dificuldades da criança através das características dela no
processo de leitura e escrita na sala de aula, visando um diagnóstico precoce para promover
uma ajuda voltada as suas necessidades, além de estar preparado para não gerar problemas
emocionais no aluno, pois como Bossa (2007) reconhece, a grande maioria das crianças com
dificuldade de aprendizagem possuem medo da escola e até do professor (relação professor-
aluno).

Muszkat e Rizzutti (2012) afirmam a necessidade de compreender os erros


encontrados, e as razões deles, para que desta maneira sejam desenvolvidas habilidades que
facilitem e tornem a leitura e escrita mais eficientes, e assim, estas crianças poderão ser
ajudadas devidamente. Sendo que “quanto maior a idade da criança e, portanto, quanto mais
tempo se passa com a dificuldade de leitura e escrita, tanto menores são os efeitos da
intervenção” (MUSZKAT; RIZZUTTI, 2012, p.72), ou seja, para que os efeitos da intervenção nas
crianças disléxicas sejam mais eficientes, é necessário a identificação precoce deste distúrbio,
atentando-se para suas características, sendo que este diagnóstico precoce é, geralmente,
levantado pelo professor visto a manifestação da dislexia em ambiente escolar.

De acordo com Muszkat e Rizzutti (2012, p. 81):

É importante ressaltar que o bom e o mau prognóstico da dislexia não


depende apenas de fatores biológicos e neurobiológicos, mas do diagnóstico
precoce, e consequentemente, da instituição precoce da reabilitação. Isso
irá permitir maior integração da criança com a escola, facilitando a aceitação
e a inserção social da criança com dificuldade de leitura e escrita.

Contudo, Frank (2003) diz que avaliar cedo demais pode gerar um diagnóstico incorreto
por razões de desenvolvimento e não da dislexia, de fato, desta forma recomenda-se não
diagnosticar a criança com dislexia antes dos sete anos de idade, pois ainda não adquiriram as
noções de leitura. Muszkat e Rizzutti (2012) ressaltam essa questão, pois deve haver o cuidado
para não rotular as crianças com dislexia quando, na verdade, o problema é que ainda não
possuem a maturidade necessária para o desenvolvimento das funções linguísticas, na maioria
das vezes devido aos métodos de alfabetização precoce e cobranças inadequadas.

Coll, Marchesi e Palacios (2002) atentam-se para a necessidade de reunir várias


condições para poder falar sobre dificuldade de aprendizagem da leitura, sendo elas:
capacidade intelectual normal; atraso de pelo menos dois anos entre a capacidade geral; que a
criança tenha tido a oportunidade de aprender através de um ensino convencional, com
frequência regular e forma adequada; e ainda que não haja uma causa que possa explicar a
dificuldade, como problemas emocionais.

Porém, o professor apenas poderá identificar a dislexia, ele apenas promove um


diagnóstico precoce. O diagnóstico exato para a criança deverá ser realizado por uma equipe
multidisciplinar de profissionais composta por médico (pediatra, neurologista ou psiquiatra),
psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional, que devem ser discutidas
em conjunto de forma integrada (ALVES; SIQUEIRA; LODI; ARAÚJO, 2011), sendo que:

Cada profissional contribui para o diagnóstico e o tratamento das


necessidades individuais de cada criança. O médico tem o papel de
descartar causas orgânicas, diagnosticas e tratar comorbidades (TDA/H,
ansiedade, depressão, entre outras). O psicólogo por meio da avaliação
neuropsicológica, quantifica e qualifica o nível de inteligência e demais
habilidades necessárias à aprendizagem. O fonoaudiólogo avalia as
habilidades auditivas, o nível de desenvolvimento da linguagem oral, da
leitura e da escrita. O psicopedagogo avalia o desempenho acadêmico. O
terapeuta ocupacional avalia de forma integrada habilidades motoras e
sensoriais (ALVES; SIQUEIRA; LODI; ARAÚJO, 2011, p.34).

“Será examinado em uma variedade de habilidades como leitura, escrita à mão,


ortografia, continuidade de histórias, números”, aponta Frank (2003, p.81) além das questões
auditivas, visuais, fonológicas, de memória, lateralidade, linguagem oral e velocidade de
processamento.

Ademais, os pais e responsáveis também são essenciais neste processo, pois são
capazes de fazer a diferença na vida destas crianças disléxicas ajudando e os apoiando a
enfrentar este problema. Além disso, eles também fazem parte do diagnóstico, através de
relatos do histórico médico, familiar e observações da criança. (FRANK, 2003)

Assim sendo, entende-se a necessidade desses profissionais trabalharem juntos:


médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, professores, as escolas e os pais. Todavia, Bossa (2007)
afirma que esta parceria tem sido muito difícil tradicionalmente, visto que a própria ciência
coopera para recorte do ser humano em suas várias áreas de conhecimento.

Alves, Siqueira, Lodi e Araújo (2011) afirmam que a dislexia não tem cura do ponto de
vista neurológico, contudo há estratégias em várias áreas, incluindo a educacional, para ajudar
no desenvolvimento e aquisição da leitura. Teles (2004) proclama que a dislexia não passa
com o tempo, ela se mante ao longo da vida, e por isso necessita de uma intervenção precoce
e especializada, ou seja, compreende-se que o tratamento é duradouro envolvendo o
diagnóstico, tanto precoce, como, posteriormente com a equipe multidisciplinar especializada
e as intervenções dela, incluindo as práticas do professor. Frank (2003, p. 121) proclama “É
claro que a equipe central de uma criança vai constituir de seus pais, professores, professores
particulares, treinadores, amigos e parentes” e posteriormente completa que a escola será
parte essencial desta equipe. Sendo que, o papel do professor é de extrema importância, pois,
além dele encaminhar o aluno para esta equipe multidisciplinar através da identificação
precoce, ele auxilia o tratamento da criança com dislexia com estratégias elaboradas e o
acompanha durante sua evolução (PADULA, SANTOS, LOURENCETI, 2011).

Contudo, diante destas considerações, Smythe (2011) atenta-se para reflexão do


motivo desta avaliação na criança. Se a avaliação for apenas para um rótulo, quando
confirmada a dislexia, as necessidades deste indivíduo continuarão em segundo plano, assim
como seus pontos fortes e fracos, logo, é necessário que haja uma reflexão das necessidades
desta criança. Portanto a avaliação e o diagnóstico da dislexia, devem servir para mudar a
atitude do adulto perante essa criança, com atitudes que vislumbrem suas carências. Desta
maneira, ao considerarmos o papel do professor perante essas necessidades, é preciso que ele
reavalie e adapte suas práticas pedagógicas com o aluno portador de dislexia a fim de auxiliá-
lo no processo de ensino-aprendizagem. Teles afirma “Avaliar sem intervir não faz sentido,
porque não permite ultrapassar as dificuldades. (2004, p. 12).

Na opinião de Navas (2011, p. 45)

Em geral, se esta dificuldade inicial for atendida pelo professor, com o apoio
de recursos pedagógicos e a estimulação das habilidades de linguagem e
processamento fonológico, ela poderia ser sanada na grande maioria dos
casos.

Segundo Muszkat e Rizzutti (2012, p. 55)


A análise quantitativa e qualitativa dos erros produzidos por crianças com
problemas de aprendizagem, entre eles as disléxicas, pode orientar de modo
efetivo o projeto de intervenção a ser realizado no sentido de levar a criança
a melhorar sua escrita.

Apesar das necessidades especiais perante as dificuldades de aprendizagem, a ABD


(2016) resguarda que, não é necessária uma classe especial para a criança com dislexia, as
interações com os colegas podem ajudá-los mutualmente, pois os disléxicos possuem várias
habilidades e pontos fortes. Contudo, é necessário um preparo diferenciado do docente em
relação suas práticas pedagógicas. Ianhez e Nico (2002, p.77) sustentam “As crianças disléxicas
aprendem de maneira diferente, mas podem acompanhar o ensino convencional se tiverem
apoio necessário para contornar suas dificuldades específicas”.

Assim, é mais aconselhável que o ensino para a criança disléxica seja em sala de aula
regular, junto com os colegas e o professor que entenda a dislexia e estruture suas aulas
pesando neste aluno (IANHEZ; NICO, 2002).

A LDB protege os direitos para as crianças com dificuldades de aprendizagem na Lei nº


9.394 de 20 de dezembro de 1996, no Artigo 12 inciso V: “Prover meios para a recuperação
para alunos de menor rendimento” (BRASIL, 1996), e no Artigo 13, inciso IV que os docentes
deverão incumbir se de “IV - Estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor
rendimento. ” (BRASIL, 1996) abrangendo os alunos com dislexia nestas situações visto suas
dificuldades e insucesso escolar para que não fiquem a margem do sistema educacional, mas
sejam incluídos efetivamente para seu processo de aprendizagem.
Contudo, mesmo diante destas considerações é importante indagarmos: Como a
escola e o professor tem conduzido a questão do disléxico no processo educativo? Visto que
Fonseca, desde 1995 (p.37), afirma “Cada vez mais a escola se encontra confrontada com
crianças com DA (Dificuldade de Aprendizagem)” .

De acordo com a ABD (2019, p.1)

Entretanto, escola que conhecemos certamente não foi feita para o


disléxico. Objetivos, conteúdos, metodologias, organização, funcionamento
e avaliação nada têm a ver com ele. Não é por acaso que muitos portadores
de dislexia não sobrevivem à escola e são por ela preteridos

Fonseca ainda (1995, p.343) defende que

A escola com os seus métodos é uma estrutura que está ao serviço dos
processos de seleção social, supervalorizando o “aluno perfeito”, o “gênio”,
etc e segregando o “aluno com dificuldades”, o aluno com “problemas de
aprendizagem.

Carvalho (2000, p. 60) afirma

Examinar a prática pedagógica objetivando identificar as barreiras para a


aprendizagem é um desafio a todos nós educadores que, até então, as
temos examinado sob a ótica das características do aprendiz. Suas condições
orgânicas e psicossociais têm sido consideradas como os únicos obstáculos
responsáveis pelo seu insucesso na escola

Smith e Strick (2012, p. 16) mostram que “Os pais acrescentam que comumente se
descobrem na posição de “educar os educadores” sobre dificuldades de aprendizagem e sobre
os muitos modos como as crianças podem ser afetadas por elas. “

Fonseca (1995) declara que há necessidade de métodos educacionais diferentes do


ensino de massa, quando se encontram um sistema de leitura disfuncional. Desta forma,
alguns autores direcionam práticas que podem ser usadas na sala de aula para auxiliar o
trabalho com crianças disléxicas

Muszkat e Rizzutti afirmam que o professor deve

Verificar se a criança não recorda os detalhes do texto ou faz confusão de


letras com diferentes orientações espacial (b/d); se troca fonemas surdos
por sonoros, se tem dificuldade com rimas; se substitui palavras com
estruturas semelhantes; se fragmenta incorretamente frases e tem
dificuldade para compreender o texto lido, além de apresentar leitura lenta
e silabada pode facilitar a seleção de melhores estratégias para cada caso.
(2012, p.73)

Smith e Strick (2012) afirmam que para progredirem, estes estudantes precisam ser
encorajados a trabalhar da sua própria maneira. “Se forem colocados com um professor
inflexível em relação a tarefas e testes, ou que use matérias e métodos inapropriados às suas
necessidades eles serão reprovados” (SMITH; STRICK, 2012 p.33) assim como se forem
envergonhados ou penalizados pelos seus fracassos irão gerar perda de interesse pela
educação e falta de confiança.

Frank (2003) aborda que no processo de ensino aprendizagem não deve haver
competições, por isso é preciso que o professor encoraje o aluno em relação aos seus pontos
fortes, não dando ênfase e invejando o outro, cultivando esses pontos e incentivando –os.

É muito visível, a baixa auto-estima que o disléxico tem devido ao cenário que se
encontra na escola, onde não conseguem acompanhar seus colegas, e pelos rótulos
pejorativos que os dão. Visando isso, o professor deve trabalhar práticas que ajudem levantar
a auto-estima da criança, para que ela consiga enxergar seus dons e desenvolvê-los, além de
estimulá-lo a aprendizagem. Frank diz que

As crianças geralmente exibem sinais de baixa auto-estima fazendo


comentários negativos a respeito de si mesmas. Elas podem pedir ajuda
quando realmente não precisam ou quando se recusam a tentar coisas
novas. Uma criança com baixa auto-estima pode ser facilmente influenciada
por colegas ou reagir exageradamente a críticas ou pequenas falhas (FRANK,
2003, p. 123).

Por isso, é importante a intervenção precoce com palavras que encorajam e


transmitam confiança. “Com um sólido sentimento de auto-estima, ela vai se sentir confiante
para tentar coisas novas, relacionar-se com outras pessoas e ter mais chance de ir bem na
escola”. (FRANK, 2003, p. 129), porém as crianças são intuitivas e podem perceber quando o
adulto não está sendo verdadeiro, portanto é preciso ter cuidado com os elogios vagos. De
acordo com Ianhez e Nico (2002, p. 112) “Um professor pode elevar a autoestima de um aluno
ao interessar-se por ele como pessoa. Isso significa proporcionar um ambiente acolhedor na
classe, aceitando realmente a criança como ela é, e enfatizando cada sucesso que ela consiga”.
Ainda, Fonseca (1995, p. 342) declara

Está em causa não só respeitar o perfil das necessidades educativas


especiais, bem como valorizar o potencial neurológico e maturacional da
arte, da música, da micromotricidade e da psicomotricidade que garantem
uma total autoestima à criança para superar suas dificuldades.

Além disto, a criança necessita vivenciar suas próprias conquistas, por isso, Frank
(2003, p. 107) reitera “ Não ofereça ajuda nas áreas em que ele vai bem sozinho”, quando ela
enxerga que mesmo com suas dificuldades há potencial nelas, isso ajuda em muitas áreas no
processo escolar e até na própria vida. Criar novas amizades também pode ajudar na
autoestima, pois seus amigos podem dar apoio e auxiliar a criança, portanto o professor pode
ajudar envolver o disléxico em novas amizades, assim como os próprios pais (FRANK, 2003).

É imprescindível a preparação e organização do professor diante suas aulas e práticas


pedagógicas, Frank (2003, p. 31) profere que “prova – surpresa, mudança de planos ou de
direção e projetos de última hora podem ser catastróficos para a criança”, por isto o professor
precisa preparar suas aulas, de modo que pense na criança disléxica em sua sala, e as formas
que suas práticas irão lhe afetar.

É fundamental que o professor estabeleça e definas metas com seu aluno disléxico.
Essas devem ser especificadas para as crianças, assim como explicadas para que elas as
compreenda, a criança precisa estar envolvida nesse processo, pois a escolha e o controle gera
motivação que ajudam elas terem sucesso. Quando isso não acontece, as metas são ignoradas
e não atingidas, que podem agravar a baixo autoestima da criança, além de dificultar o
processo de ensino-aprendizagem. (FRANK, 2003)

O professor também deve respeitar a individualidade da criança, e compreender que,


para a criança disléxica, escrever, ler, e seguir direções exige mais tempo e paciência. Frank
(2003) ainda ordena modos de expressar criatividade da criança com dislexia para despertar e
satisfazer as suas curiosidades. Esta ideia também é partilhada por Davis (2004) afirmando que
os disléxicos amam desenvolver sua criatividade, e ainda considera que a aprendizagem e a
criatividade são processos inseparáveis, por conseguinte, se a aprendizagem for prazerosa,
interessante e agradável, estimulando a criatividade, o aprendizado será realizado com mais
facilidade.

Para Muszkat e Rizzutti (2012, p.73) “todas as atividades de estimulação da linguagem


escrita devem ser realizadas de forma lúdica, principalmente por meio de jogos e brincadeiras,
para que a criança sinta prazer em ler e escrever”. Em relação a leitura, ela deve ser
estimulada e não obrigada, quando há motivação o processo de aprendizagem ocorre com
mais facilidade. Deste modo, eles ratificam

A estimulação por meio de canto, conversa, brincadeiras e leitura propicia a


aquisição de habilidades que favorecem o desenvolvimento da motivação
para tais atividades, o que se chama de intenção comunicativa (pela fala
serão conseguidos objetos de interesse da criança) (MUSZKAT; RIZZUTTI,
2012, p. 76).

Na opinião de Ávila (2011), para que a criança seja estimulada em relação a leitura,
não deve apenas oferecer o texto e pedir para que ela reconte o que leu, deve ser feito
perguntas a cada proposição lida, assim como reflexões e incentivo a elas.

Massi (2007) certifica que as tarefas mecânicas podem afastar o aluno da realidade
linguística, ela diz “Chama-nos a atenção o fato de os aprendizes sentirem-se
consideravelmente, mais efetivos em atividades linguísticas nas quais fica garantida a
possibilidade de eles resgatarem seu papel na situação discursiva”. (MASSI, 2007, p.137).
Portanto, quando a escrita é significativa, possuindo funcionalidade para as crianças, elas
conseguem obter melhores resultados, como exemplo, na construção de um texto, pois o faz
por meio de uma atividade reflexiva, afeiçoando-se do sistema de escrita, distintamente
daquela artificial, desprovida de relevância social a elas (MASSI, 2007). O ditado é uma prática
docente que se torna frustrante para a criança com dislexia, e exercícios de cópias são perda
de tempo, de acordo com Ianhez e Nico (2002), que também certificam que trabalhos escritos
devem haver um objetivo.

Um grande confronto da criança disléxica com a escola é devido as formas de avaliação


que são empregadas, que frequentemente prejudicam estas crianças e as frustram pela
expectativa da escola, dos pais, professores e da própria criança. A avaliação é uma prática
pedagógica que, de acordo com Frank (2003), deve ser repensada, pois é uma questão crítica
para os alunos com dislexia. Ele diz que

Geralmente, assume-se que dar mais tempo à criança vai resolver a questão,
mas esse não é sempre o caso. Uma criança com dislexia pode precisar que
a prova seja lida em voz alta, exigir uma calculadora ou dicionário ou ainda
necessitar de ajuda para completar as respostas. (FRANK, 2003, p.147)
Ianhez e Nico (2002) também defendem o uso de calculadora e dicionários, assim
como rascunhos, o uso de tabuada, um tempo maior para as provas escritas e que o professor
leia em voz alta a avaliação para o aluno, além de permitir que ele questione em relação a
grafia das palavras durante a prova. Promover um auxílio durante a avaliação colabora para
que outras habilidades sejam enxergadas e ressaltadas no aluno disléxico, contribuindo para
todo o processo de ensino aprendizagem assim como a própria autoestima da criança, visto
que a dificuldade na leitura e escrita pode afetar em outras áreas por apresentar
características que as influenciam, como ler um texto na prova de ciências, mas não devem
excluir outros conhecimentos.

E ainda, Ianhez e Nico corroboram (2002, p. 75) “A nota da criança disléxica deveria ser
dada de acordo com seu conhecimento, e não de acordo com suas dificuldades e seus erros de
ortografia”, além disto, elas alegam que quando o professor aceita que a criança erre ela se
sente mais aberta e motivada a corrigir suas falhas (IANHEZ; NICO, 2002), desta forma, seus
erros não devem condená-la ou julgá-la, mas de forma sábia ajudar a criança no seu processo
de desenvolvimento de aprendizagem.

A criança com dislexia possui dificuldade na leitura e escrita, contudo é importante


ressaltar que ela pode se desenvolver em outras áreas, como artes, músicas etc. (IAHNEZ;
NICO, 2002) como Fonseca (1995) também afirma. Ainda, Davis (2004, p. 134) defende “De
fato, quando a aprendizagem é apresentada através de experiência prática, os disléxicos
conseguem dominar muitas coisas mais rapidamente do que a pessoa comum levaria para
compreendê-la”, desta forma compreendemos que mesmo a criança com dificuldade de
aprendizagem ela possui dons que precisam ser notados, desenvolvidos e valorizados, assim é
preciso que o professor o auxilie afetivamente, permitindo e incentivando para que ele se
descubra e progrida.

Mediante a estas considerações, conclui-se que a dislexia é referente a uma


dificuldade no processo de leitura e escrita que afeta o cotidiano e a vida escolar de muitas
crianças, todavia suas causas ainda são investigadas por diversas áreas profissionais,
acreditando –se em fatores neurológicos e hereditários.

Apesar de estudos diferentes, entende-se a necessidade que a criança com dislexia


possui, principalmente na escola, e consequentemente a importância do professor nesta
relação. Para isso, é preciso que o profissional docente compreenda a dislexia para saber
intervir e ajudar estas crianças, visto que as características são mais aparentes na sala de aula,
os encaminhando para uma equipe multidisciplinar, que juntos darão um diagnóstico e
contribuirão para seu processo de aprendizagem, sendo que quanto antes essa criança ser
diagnosticada melhor os resultados da intervenção.

Ianhez e Nico (2002, p. 113) admitem “Se uma criança não pode aprender da maneira
como é ensinada, é melhor ensiná-la da maneira que ela pode aprender. “ Desta forma, é
preciso analisar, refletir e repensar sobre os conhecimentos e práticas do educador perante as
crianças com dislexia e compreender a importância desses alunos e suas necessidades no
processo de ensino aprendizagem para que estes se desenvolvam no ensino regular e não
sejam rotulados pejorativamente e marginalizados no sistema escolar.

METODOLOGIA

Este artigo é uma pesquisa de caráter exploratório que possui abordagem qualitativa.
De acordo com Denzin e Lincoln (2006) a pesquisa qualitativa é um campo de investigação
comprometida com a interpretação da experiência humana afim de compreender a realidade
que o envolve, assim, para essa compreensão primeiramente ocorrerá a coleta de dados
utilizando o questionário estruturado com perguntas mistas, abertas e fechadas, a fim de
atingir os professores do Ensino Fundamental I da rede pública municipal de três escolas de
uma cidade do Noroeste Paulista, sendo elas de centro, bairro e periferia, para levantar dados
quantitativos com o objetivo de investigar se estes sujeitos de pesquisa já tiveram alunos com
dislexia, a quantidade de alunos com dislexia e como eles lidavam com isso, caso tiveram.

A partir deste recenseamento nós iremos detectar 25% destes professores que tiveram
alunos com dislexia e lidaram com eles em sala de aula, para investigar melhor o trabalho
pedagógico com estas crianças por meio de uma entrevista semiestruturada, que de acordo
com Costa e Costa (2015) utiliza-se perguntas estruturadas e abertas, ou seja, as perguntas são
previamente estruturadas mas pode haver outras perguntas à medida que a entrevista vai
transcorrendo.

Além disso, o estudo desta pesquisa dispõe de uma revisão bibliográfica, com
principais obras de Muszkat e Rizzuti (2012), Frank (2003), Davis (2004), Ianhez e Nico (2003),
Massi (2007), Coll (2002), Fonseca (1995), Smith e Strick (2012) entre outros artigos e
documentos a fim de discutir o conceito de dislexia, suas características, seu diagnóstico e de
que forma ela atinge a vida da criança principalmente no ambiente escolar, além de propor
práticas para o professor conduzir esses alunos perante suas necessidades no ensino regular.

REFERÊNCIAS

NAVAS, Ana Luiza – Capítulo 2 – Por que prevenir é melhor que remediar quando se trata de
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