Direito das Obrigações no Civil
Direito das Obrigações no Civil
CAPÍTULO 03
SOBRE ESTE CAPÍTULO
A apostila de número 03 do nosso curso de Direito Civil tratou sobre o Direito das Obrigações,
matéria que é altamente cobrada no Exame de ordem! De acordo com a nossa equipe de
inteligência, esse assunto esteve presente 12 VEZES nos últimos 3 anos! Não precisamos falar
que o estudo desse conteúdo é primordial, não é?
Aqui, a banca costuma seguir o seu padrão: Apresentar um caso hipotético, pelo qual a resposta
é respaldada na legislação vigente. Por isso, recomendamos a leitura atenta da letra seca da lei,
dos enunciados, e sempre em companhia de alguma doutrina à sua escolha.
1
SUMÁRIO
DIREITO CIVIL 6
Capítulo 3 6
8.1 Conceito 6
2
8.7 Adimplemento das Obrigações 34
8.8.2 Arras.... 51
9.1 Da representação 54
9.1.1 Conceito 54
9.1.2 Espécies 54
9.2.1 Conceito 57
QUADRO SINÓTICO 64
QUESTÕES COMENTADAS 70
GABARITO 70
3
QUESTÃO DESAFIO 81
LEGISLAÇÃO COMPILADA 84
JURISPRUDÊNCIA 86
MAPA MENTAL 89
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 92
4
DIREITO CIVIL
Capítulo 3
Quanto ao tema, o alemão Alois Brinz desenvolveu a teoria dualista do vínculo dos
elementos que compõem a obrigação. De acordo com a teoria, a essência da obrigação está na
responsabilidade, de maneira que o devedor deve ser responsável, com o seu patrimônio, pela
realização da prestação obrigacional. Para o autor, os elementos que compõem a obrigação são:
● Haftung: responsabilidade;
● Shuld: débito, dever.
Regra geral, a responsabilidade e o dever (haftung e shuld) estão ligados ao devedor,
o patrimônio do devedor responderá pelas dívidas que eventualmente contrair.
8.1 Conceito
5
devida pelo primeiro ao segundo, garantindo-lhe o adimplemento (cumprimento) através de seu
patrimônio.
Ou seja, obrigação nada mais é que o direito do credor contra o devedor; confere-se ao
credor (sujeito ativo) o direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de
determinada prestação, sendo que no caso de descumprimento poderá o credor satisfazer-se no
patrimônio do devedor (art. 391, CC).
Se liga, OABeiro! Em cada um desses polos (ativo ou passivo) pode haver mais de um credor
ou devedor. Além disso, estas posições nem sempre são estáticas. Ex.: em uma compra e venda
ambos são credores e devedores simultaneamente: o comprador é credor da coisa, mas é
devedor do dinheiro; já o vendedor é credor do dinheiro, mas devedor da coisa.
6
8.2.2 Elemento Objetivo (ou material)
Ainda, há o objeto mediato, que é o bem, propriamente dito. Ex.: “A” deve entregar um
quadro a “B”. O objeto imediato, que é a prestação, é a obrigação de dar. Já o quadro é o bem
sobre o qual recai o direito, sendo considerado como o objeto mediato.
O objeto (prestação), para ser válido, deve ser lícito, possível (física e juridicamente),
determinado ou determinável e economicamente apreciável.
É admissível a obrigação que tenha por objeto um bem não econômico, desde que seja digno
de tutela o interesse das partes.
Trata-se do vínculo que liga os sujeitos ao objeto da obrigação; é o elo que sujeita o
devedor a determinada prestação (positiva ou negativa) em favor do credor (Ex: um acidente de
trânsito gera um ato ilícito; um acordo de vontades produz o contrato).
7
● Negócio Jurídico Bilateral: duas pessoas criam obrigações entre si. Ex: os
contratos de uma forma geral (compra e venda; locação, etc.). É a principal e maior
fonte de obrigação.
● Negócio Jurídico Unilateral: nestes casos só há uma vontade, ou seja, apenas uma
pessoa se obriga. Ex: promessa de recompensa.
● Atos Ilícitos: quem comete um ato ilícito (art. 186, CC) fica obrigado a reparar o
dano (art. 927, CC) dele decorrente.
A doutrina ainda acrescenta a lei como fonte de obrigação, uma vez que em nosso direito ela é
a fonte primária ou imediata de qualquer obrigação (“Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de
fazer senão em virtude de lei”).
● Específica: Obrigação de dar coisa certa (ex: uma joia, um carro, um livro, etc.);
● Genérica: Obrigação de dar coisa incerta (ex: a obrigação de dar um boi, dentre uma
boiada).
8
[Link] Obrigação de Dar Coisa Certa
O devedor deve conservar adequadamente a coisa que irá entregar ao credor, bem como
defendê-la contra terceiros, como se fosse sua. Mas mesmo assim a coisa pode se perder. Até a
entrega da coisa, essa ainda pertence ao devedor.
Por ser prestação específica, de conteúdo certo, o credor não se obriga a aceitar
prestação diversa da que lhe é devida (Princípio da identidade física da prestação), ainda
que de maior valor, sendo sua faculdade decidir se a aceita ou não.
● SEM CULPA DO DEVEDOR: não sendo culpado o devedor, poderá o credor resolver
1
a obrigação, ou aceitar a coisa, abatida do seu preço o valor que se perdeu.
1
Vi de questão 09
9
● COM CULPA DO DEVEDOR: se a coisa se perdeu por culpa do devedor, poderá o
credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito
de reclamar, indenização por perdas e danos.
Sempre que houver o descumprimento de uma obrigação por culpa do devedor, poderá ser
exigida indenização por perdas e danos. LEMBREM-SE: CULPA → PERDAS E DANOS
OBRIGAÇÃO DE DAR
SEM CULPA COM CULPA
RESOLVE A VALOR EQUIVALENTE
PERDA
OBRIGAÇÃO +
PARA AS PARTES PERDAS E DANOS
RESOLVE A
OBRIGAÇÃO VALOR EQUIVALENTE
DETERIORAÇÃO OU +
ACEITA A COISA PERDAS E DANOS
COM
10
ABATIMENTO DO (Em qualquer dos casos)
PREÇO
OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR
SEM CULPA COM CULPA
RESOLVE A VALOR EQUIVALENTE
PERDA
OBRIGAÇÃO +
PARA AS PARTES PERDAS E DANOS
VALOR EQUIVALENTE
CREDOR RECEBE OU
A COISA NO ACEITAR A COISA COM O ABATIMENTO
DETERIORAÇÃO
ESTADO EM QUE DO PREÇO
SE ENCONTRAR +
PERDAS E DANOS (em qualquer dos casos)
● Res perit domino: o dono é o único a sofrer as perdas oriundas de caso fortuito,
pois neste caso não se constata a existência de culpa.
● Reparação integral: constatada a culpa ou dolo, deverá a parte causadora reparar
todo e qualquer prejuízo decorrente de sua atividade.
Coisa incerta indica que a coisa não é única, singular e exclusiva, como na obrigação de
dar coisa certa. O objeto é indicado apenas de forma genérica no início da obrigação. No
entanto, o objeto deve ser determinável pelo gênero e quantidade, faltando determinar a
qualidade. Ex: entregar dez bois. A princípio parece ser uma obrigação de dar coisa certa. No
entanto se eu tenho uma boiada de mil bois e devo entregar dez, quais os dez bois que eu irei
entregar se eles ainda não foram individualizados? Por isso chamados de obrigação de dar a
coisa incerta (ou genérica).
11
Assim, coisa incerta não quer dizer “qualquer coisa”, mas sim coisa sujeita a
determinação futura. Observem que já há determinação quanto ao gênero (bois). E também
quanto à quantidade (dez). Falta individualizar quais os bois que serão entregues. A coisa está
indeterminada, porém será suscetível de determinação futura. O estado de indeterminação é
só transitório.
A individualização se faz pela escolha da coisa devida, pela média qualidade. Trata-se de
um ato jurídico unilateral, também chamado de concentração, que se exterioriza pela pesagem,
medição, contagem, etc. A escolha cabe, em regra ao devedor, salvo se for estabelecido de
modo diverso no contrato (neste caso, por exceção, a escolha caberá ao credor ou a uma terceira
pessoa estranha ao negócio).
Neste caso, vigora a teoria da concentração, pois, na escolha, deverá ser observada a
coisa média, ou seja, não deverá ser escolhida a melhor e nem a de pior qualidade. Realizada a
escolha acaba a incerteza. A obrigação genérica, inicialmente de dar a coisa incerta, se
transforma em obrigação de dar a coisa certa, havendo a individualização da prestação,
aplicando-se todas as regras do art. 245, CC.
Segundo o art. 246, CC, antes da escolha não pode o devedor alegar perda ou
deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito (genus nunquam perit - o
gênero nunca perece). Ex.: Se “A” deve cem laranjas a “B” não pode deixar de cumprir a
obrigação alegando que as laranjas se estragaram, pois cem laranjas são cem laranjas, e se a
plantação de “A” se perdeu ele pode comprar as frutas em outra fazenda. No entanto, após a
escolha, caso as laranjas se percam (ex: incêndio no armazém) a obrigação se extingue, voltando
as partes ao estado anterior, devolvendo-se eventual preço pago, sem se exigir perdas e danos.
12
Na falta de disposição contratual, estabelece a lei que o devedor não poderá dar a coisa pior,
nem ser obrigado a prestar melhor (art. 244, CC).
Segundo o art. 315, CC, o pagamento em dinheiro será feito em moeda corrente. Deve
ser realizado no lugar do cumprimento da obrigação e pelo seu valor nominal, ou seja, em
real (que é nossa unidade monetária atual). São nulas as convenções de pagamento em ouro ou
em moeda estrangeira, salvo os contratos e títulos referentes à importação e exportação (art.
318, CC).
Outras formas de pagamento (ex: cheque, cartão de crédito ou débito, etc.) são
facultativas, podendo o comerciante (fornecedor) optar em não os receber.
13
Imagine a seguinte situação: Se eu quero comprar um quadro e encomendo a um artista, a
obrigação será de fazer ou de dar? Se o quadro já estiver pronto a obrigação será de dar, porém
se ele ainda for ser confeccionado a obrigação será de fazer.
Fungível quer dizer que a prestação do ato pode ser realizada pelo devedor ou por
terceira pessoa, sem prejuízo para o credor (ex: obrigação de pintar um muro – em tese
qualquer pessoa pode pintar um muro, por isso é uma obrigação fungível).
A prestação só pode ser executada pelo próprio devedor ante a sua natureza (aptidões
ou qualidades especiais do devedor) ou disposição contratual; não há a possibilidade de
substituição da pessoa que irá cumprir a obrigação, pois esta pessoa, contratualmente falando,
14
é insubstituível. Ex: contrato um artista famoso para pintar um quadro; ou um cirurgião
especialista para realizar uma operação, etc.
Obrigação de não fazer é aquela pela qual o devedor se compromete a não praticar
certo ato que até poderia livremente praticar se não houvesse se obrigado. Seu conteúdo é
uma omissão ou abstenção, um ato negativo. Ex: proprietário se obriga a não construir um muro
acima de certa altura para não obstruir a visão do vizinho; inquilino se obriga a não trazer animais
domésticos para o cômodo alugado, etc. Estas obrigações podem ser bem variadas, mas é
evidente que as imorais e antissociais, ou que sacrifiquem a liberdade das pessoas são proibidas.
Além disso, pode haver um limite temporal para a obrigação. Se a pessoa praticar o ato
que se obrigou a não praticar, tornar-se-á inadimplente e o credor poderá exigir o desfazimento
do que foi realizado.
15
● Obrigações Compostas (Complexas ou Plurais): são as que apresentam uma
pluralidade de objetos (obrigações cumulativas ou alternativas) ou uma pluralidade
de sujeitos (obrigações solidárias – ativa ou passiva).
⮚ Obrigações Cumulativas (ou Conjuntivas): São as compostas pela
multiplicidade de prestações; o devedor deve entregar dois ou mais objetos,
decorrentes da mesma causa ou do mesmo título (ex: obrigação de dar um carro
e um apartamento). O inadimplemento de uma prestação envolve o
descumprimento total da obrigação; o devedor só se desonera dela cumprindo
todas as prestações.
⮚ Obrigações Alternativas (ou Disjuntivas): Também são compostas pela
multiplicidade de prestações, porém estas estão ligadas pela disjuntiva “ou”.
Assim, embora a obrigação tenha duas ou mais prestações, apenas uma delas
será cumprida como pagamento. O devedor se desonera com o cumprimento
de qualquer uma delas. Ex: obrigo me a entregar um touro ou dois cavalos; vendo
a casa por cem mil ou troco por dois terrenos na praia.
⮚ Obrigações Facultativas: São variantes das obrigações alternativas, aceitas
pela doutrina, mas não previstas em lei. A obrigação inicialmente é simples (há
apenas uma prestação), mas há a possibilidade para o devedor em substituir o
objeto. Exemplo: agência de viagens que oferece determinado brinde, mas se
reserva no direito de substituí-lo por outro.
16
⮚ Obrigações Solidárias: Ocorrem quando há pluralidade de credores ou
devedores (ou de ambos), sendo que eles têm direitos e/ou obrigações pelo
total da dívida.
Havendo vários devedores cada um responde pela dívida inteira, como se fosse um
único devedor. O credor pode escolher qualquer um e exigir a dívida toda. Mas, se houver vários
credores, qualquer um deles pode exigir a prestação integral, como se fosse único credor (art.
264, CC). Nota-se, portanto, três espécies de obrigações solidárias:
Nas obrigações solidárias ativa, cada um dos credores solidários tem o direito de exigir
do devedor comum o cumprimento da prestação por inteiro, assim, enquanto alguns dos
credores solidários não demandarem o devedor comum, o devedor poderá pagar a qualquer um
dos credores (artigos 267 e 268, do Código Civil).
Porém, importante destacar que tal regra aplica-se apenas antes de haver uma demanda
judicial, podendo, assim, o devedor pagar para quem quiser e como quiser. Contudo, após o
ingresso de demanda judicial por qualquer dos credores, o pagamento deve ser feito àquele que
demandou, afim de prevenir judicialmente a dívida.
Segundo o art. 269, do Código Civil, o pagamento feito a um dos credores solidários
extingue a dívida até o montante do que foi pago. Porém, mesmo quem recebeu parcialmente,
pode cobrar o restante da dívida, já que a relação externa entre credores e devedor é una.
Ainda, conforme dispõe o art. 272, do Código Civil, é possível que o credor que tiver
remita, ou seja, perdoe a dívida do devedor, e sendo assim, ou recebendo o pagamento, este
17
credor responderá perante os outros pelas quotas correspondentes. Isso ocorre porque a
relação interna entre os credores é fracionável (presunção de divisão igualitária).
Pelo que dispõe o art. 270 do Código Civil, se um dos credores solidários falecer
deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que
corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível. Assim, em caso
de falecimento, haverá o desaparecimento da solidariedade em relação àquele que faleceu
(refração do crédito), permanecendo, porém, entre os credores sobreviventes.
Não há transmissão da solidariedade por herança nas obrigações divisíveis, uma vez
que, nesse caso, os credores/devedores que falecerem deixando herdeiros, cada um deles só
poderá exigir e receber/pagar a quota do crédito correspondente ao seu quinhão
hereditário.
Essa regra, porém, não se aplica quando se tratar de obrigação indivisível, pois, em se
tratando de obrigação indivisível, lembre-se que não há como fracionar a prestação e, portanto,
deve-se cumpri-la de maneira integral. Ex.: a obrigação é de entregar um animal. Nesse caso,
não pode ser dividida em relação às quotas da herança, devendo qualquer um deles cumprir a
prestação na integralidade (entregar o animal).
Outra característica importante da solidariedade ativa, é que, conforme previsto no art. 271
do Código Civil, convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos,
a solidariedade, se diferenciando, assim, da indivisibilidade.
18
Nas obrigações solidárias ativas, não há oponibilidade das exceções pessoais, ou seja,
não é possível arguir defesas personalíssimas. Ademais, o julgamento contrário a um dos
credores solidários não atinge os demais, contudo o julgamento favorável aproveita-lhes, sem
prejuízo da exceção pessoal que o devedor tenha direito de invocar em relação a qualquer
deles (credores).
Ocorre quando há pluralidade de devedores. Ex.: art. 585, CC: “Se duas ou mais
pessoas forem simultaneamente comodatárias de uma coisa, ficarão solidariamente responsáveis
para com o comodante”.
Aqui, na mesma proporção que na solidariedade ativa, se o pagamento tiver sido parcial,
todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. Ademais, não há
renúncia da solidariedade no caso de propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos
devedores, visto que o mesmo tem a possibilidade de exigir de qualquer um dos credores.
Portanto, mesmo aquele devedor que paga uma parte da dívida pode ser cobrado pelo
restante, pois, na solidariedade passiva, a relação externa é una, conforme dispõe o art. 275,
caput e parágrafo único, do Código Civil.
19
Enunciado 348, da IV Jornada de Direito Civil do STJ: O pagamento parcial não
implica, por si só, renúncia à solidariedade, a qual deve derivar dos termos expressos da
quitação ou, inequivocamente, das circunstâncias do recebimento da prestação pelo credor.
Não confundir renúncia à solidariedade com remissão (perdão), porque, neste último
caso, o beneficiado com fica totalmente liberado do vínculo obrigacional, conforme dispõe o art.
388, do Código Civil:
20
corresponder ao seu quinhão hereditário, neste caso, extingue-se a solidariedade, até os
limites da herança, conforme dispõe art. 1.792, do Código Civil.
Exceção (art. 276, CC): se a obrigação for indivisível, poderá ser exigida por inteiro; e os
herdeiros reunidos serão considerados um só devedor solidário em relação aos demais
devedores.
Por fim, o devedor que satisfaz a dívida por inteiro pode exigir dos outros codevedores
as suas quotas, já que há a presunção relativa de divisão igualitária. Assim, na solidariedade
passiva, a relação interna entre devedores é fracionável. Em sentido contrário, caso a dívida
solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, ele responderá por toda a dívida para a
quem pagar.
2
Vide questão 08
21
Regra básica: “A solidariedade não se presume, resultando da lei (solidariedade legal)
ou da vontade das partes (solidariedade convencional)” (art. 265, CC). Ex.: o fiador em
relação ao devedor principal quando convencionar a solidariedade com o afiançado, já que, em
regra o fiador é devedor subsidiário (benefício de ordem previsto no art. 827, do Código Civil c/c
art. 828, do Código Civil).
CARACTERÍTICAS
Qualquer um dos credores pode exigir a dívida por inteiro a
RESPONDEM COMO SE qualquer um dos devedores, que têm o dever de pagar a
FOSSEM UM SÓ SUJEITO dívida toda, a qualquer um dos credores, havendo solidariedade
em ambos os polos da relação.
NÃO PRESUNÇÃO DA A solidariedade só pode resultar da LEI (solidariedade legal) ou
SOLIDARIEDADE da AUTONOMIA DA VONTADE (solidariedade convencional).
Se for realizado por qualquer um dos credores, extingue-se até
PAGAMENTO INTEGRAL o valor que foi pago. Assim, caso haja o pagamento parcial, o
EXTINGUE A DÍVIDA credor poderá cobrar o restante da dívida a qualquer um dos
devedores, inclusive do devedor já pagante.
NÃO TRANSMISSÃO DA Nesse caso, os credores/devedores que falecerem deixando
SOLIDARIEDADE POR herdeiros, cada um deles só poderá exigir e receber/pagar a
HERANÇA NAS quota do crédito correspondente ao seu quinhão hereditário.
OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS
CONVERSÃO EM PERDAS E Permanece a solidariedade para todos os efeitos, ao
DANOS contrário das obrigações indivisíveis, que perderão tal
característica, tornando-se divisíveis.
Aquele credor que perdoou ficará responsável em pagar, aos
demais credores, o valor de suas quotas correspondentes e
REMISSÃO DA DÍVIDA aquele que obteve o perdão não extingue aos demais, que
22
deverão pagar o valor restante, caso o pagamento tenha sido
parcial.
As defesas de mérito existentes contra determinado sujeito
NÃO OPONIBILIDADE DAS apenas vinculam a este, ou seja, são personalíssimas, não
EXCEÇÕES PESSOAIS podendo abranger os demais. Nesse sentido, as exceções que
podem abranger os demais são aquelas comuns a todos, a
exemplo da prescrição da dívida.
PRINCÍPIO DA Impossibilidade de agravar a posição dos credores/devedores
RELATIVIDADE DOS sem o consentimento dos demais, gerando efeitos apenas inter
EFEITOS CONTRATUAIS partes
CULPA NA Subsiste para todos os devedores solidários o encargo de
IMPOSSIBILIDADE DE pagar o equivalente, mas apenas o DEVEDOR CULPADO será
CUMPRIMENTO DA obrigado a pagar as perdas e danos.
OBRIGAÇÃO
A solidariedade pode ser renunciada de maneira parcial, em
RENÚNCIA À favor de apenas um devedor, por exemplo, subsistindo em
SOLIDARIEDADE relação às demais, ou total, de modo a exonera-los da
solidariedade.
23
⮚ Obrigações de Meio (ou de diligência): quando o devedor só é obrigado a
empenhar-se para conseguir o resultado, mesmo que este não seja
alcançado. Ex: o advogado em relação ao cliente; ele não se obriga a vencer a
causa, mas trabalhar com empenho para ganhá-la. Se o resultado visado não for
alcançado só poderá ser considerado o inadimplemento do devedor se se provar
a sua falta de diligência (ou seja, a sua culpa – responsabilidade subjetiva).
O mesmo ocorre com um médico para salvar a vida de um paciente.
⮚ Obrigações de Garantia: seu objetivo é uma estipulação em um contrato de
uma garantia pessoal (ex: fiança).
SOLIDARIEDADE INDIVISIBILIDADE
25
Convertendo-se a obrigação em perdas e
danos, subsiste para todos os efeitos a
solidariedade.
● Quanto à Independência
⮚ Obrigações Principais: são as que independem de qualquer outra para ter
validade (ex: compra e venda, locação, etc.).
⮚ Obrigações Acessórias: são as que têm sua existência subordinada a outra
relação jurídica (ex: a fiança é uma obrigação acessória em relação ao contrato
de locação; da mesma forma a multa contratual é acessória em relação a uma
obrigação qualquer, etc).
26
da gravitação jurídica). O inverso, porém, não é verdadeiro, pois se houver algum vício na
obrigação acessória, em nada afetará a principal.
● Quanto à Liquidez
⮚ Obrigações Líquidas: são aquelas certas quanto à existência e determinadas
quanto ao objeto. Ex: entregar uma casa; entregar R$1.000,00, etc. Nelas se
acham especificadas, de modo expresso, a quantidade, a qualidade e a natureza
do objeto devido. O inadimplemento de obrigação positiva e líquida constitui o
devedor em mora.
⮚ Obrigações Ilíquidas: são aquelas incertas quanto à sua quantidade;
dependem de uma apuração prévia, posto que o montante da prestação ainda é
indeterminado.
27
8.5 Espécies de Obrigações segundo a Doutrina
São obrigações híbridas, ou seja, parte direito real, parte direito pessoal. Elas recaem
sobre uma pessoa (daí ser um direito pessoal), mas por força de um direito real (como por
exemplo, a propriedade). Ex: obrigação de um proprietário de não prejudicar a segurança,
sossego e saúde dos vizinhos; a do condômino de contribuir para a conservação da coisa comum
ou de não alterar a fachada externa do edifício; adquirente de imóvel hipotecado de pagar o
débito que o onera, etc.
No entanto, tais obrigações podem gerar efeitos, pois, se o devedor capaz pagar a dívida,
o pagamento é considerado válido e irretratável, não podendo pedir de volta o que foi pago. Ex.:
dívida prescrita; dívidas resultantes de jogo e apostas não permitidas legalmente (arts. 814 e 815,
CC: não é obrigatório o seu pagamento; mas se o devedor pagar é considerado válido).
28
“A cobrança de dívida de jogo contraída por brasileiro em cassino que funciona legalmente no
exterior é juridicamente possível e não ofende a ordem pública, os bons costumes e a
soberania nacional”, segundo entendimento do STJ (REsp 1.628.974-SP, Info 610), por força da
aplicação do art. 9º da LINDB (aplica-se à obrigação constituída no exterior a legislação do pais
em que aquela se constituiu), em homenagem ao princípio da boa-fé e da vedação ao
enriquecimento ilícito.
O credor poderá ceder seu crédito a outro, se isso não opuser à natureza da obrigação, à
lei ou à convenção com o devedor, podendo configurar tanto alienação onerosa quanto alienação
gratuita.
Por se tratar de transferência de crédito, não se sujeita à anuência do devedor para se
consumar, mas este deverá ser comunicado, sob pena de adimplemento, pelo pagamento
putativo. O devedor poderá ser comunicado por escrito, público ou particular.
São sujeitos na cessão de crédito:
● Cessionário/Terceiro: a quem o credor transfere sua posição na relação
obrigacional, independentemente da anuência do devedor, é estranho ao negócio
original;
● Cedente: credor que transfere seus direitos;
● Devedor/Cedido: não participa necessariamente da cessão, que pode ser
realizada sem a sua anuência. Deve ser, no entanto, comunicado da cessão para
que possa solver a obrigação ao legítimo detentor do crédito. Só para esse fim se
lhe comunica a cessão, uma vez que sua anuência ou intervenção é dispensável.
O contrato de cessão é simplesmente consensual, pois torna-se perfeito e acabado com
o acordo de vontades entre cedente e cessionário, não exigindo a tradição do documento para se
aperfeiçoar.
29
● Quanto à origem:
⮚ Convencional: a cessão de crédito resulta, em regra, da declaração de vontade
entre cedente e cessionário.
o Título oneroso: hipótese em que o cedente garante a existência e
titularidade do crédito no momento da transferência;
o Título gratuito, em que o cedente só é responsável se houver procedido de
má-fé (CC, art. 295)11;
o Total, abrangendo a totalidade do crédito; e
o Parcial, em que o cedente retém parte do crédito, permanecendo na relação
obrigacional, salvo se ceder também a parte remanescente a outrem. Caso
o crédito seja cedido a mais de um cessionário, dividir-se-á em dois,
independentes um do outro.
⮚ Legal: opera-se por força de lei, como no caso do devedor de obrigação solidária
que satisfez a dívida por inteiro, sub-rogando-se no crédito (CC, art. 283), ou do
fiador que pagou integralmente a dívida, ficando sub-rogado nos direitos do
3
credor (CC, art. 831).
⮚ Judicial: a transmissão do crédito é determinada pelo juiz, como sucede na
adjudicação, aos credores de um acervo, de sua dívida ativa e na prolação de
sentença destinada a suprir declaração de cessão por parte de quem era
obrigado a fazê-la. Ex.: art. 298 do Código Civil.
● Quanto à responsabilidade do cedente em relação ao cedido, a cessão de crédito
pode ser:
⮚ Pro soluto: o cedente apenas garante a existência do crédito, sem responder,
todavia, pela solvência do devedor;
⮚ Pro solvendo: o cedente obriga-se a pagar se o devedor cedido for insolvente.
Assim, o cedente assume o risco da insolvência do devedor.
Desta forma, o cedente será responsável pela existência e legalidade do crédito, mas não
será responsável pela solvência do devedor (cessão pro soluto), salvo estipulação em
contrário (cessão pro solvendo). Caso decidam pela responsabilidade do cedente, na hipótese
3
Vide questão 05
30
de insolvência do devedor, a responsabilidade será auferida apenas pelo quantum recebido no
momento da cessão, acrescidos das despesas que o cessionário houver feito com a cobrança.
A lei autoriza que terceiro assuma a obrigação do devedor, desde que haja
consentimento expresso do credor. Neste caso, o devedor primitivo será extinto da obrigação,
salvo se era insolvente à época da assunção e o credor ignorava.
Trata-se, conforme dispõe a doutrina, de um negócio jurídico bilateral, por meio do qual o
devedor, com anuência expressa do credor, transfere a um terceiro, que o substitui, os encargos
obrigacionais, de modo que este assume sua posição na relação obrigacional,
responsabilizando-se pela dívida, que subsiste com os seus acessórios.
Por se tratar de débito, o silêncio do credor, caso não se manifeste no prazo designado,
não importará aceitação. O silêncio é interpretado como recusa.
Há uma hipótese excepcional de consentimento tácito previsto no art. 303 do Código Civil, em
que se admite a aceitação tácita do credor: “O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu
cargo o pagamento do crédito garantido; se o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a
transferência do débito, entender-se-á dado o assentimento.”
Com relação às garantias concedidas pelo devedor originário, após a assunção de dívida,
estas se consideram extintas, exceto no caso de acordo distinto com o credor.
31
O novo devedor não poderá opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao
devedor primitivo.
Enunciado 352 das Jornadas de Direito Civil: "352 – Art. 300: Salvo expressa concordância
dos terceiros, as garantias por eles prestadas se extinguem com a assunção da dívida; já as
garantias prestadas pelo devedor primitivo somente serão mantidas se este concordar com a
assunção."
33
● Lugar do pagamento: Regra é no domicílio do devedor. Exceção é no domicílio
do credor.
● Tempo: Vencimento fixado pelas partes.
Assim, qualquer interessado na extinção da dívida poderá pagá-la. Ao terceiro não
interessado também é garantida a faculdade de realizar o pagamento, contudo, se realizado,
não se sub-rogará nos direitos do credor.
O pagamento feito a credor putativo é válido, mesmo que comprovado que depois que o
sujeito que recebeu não era credor.
Teoria da imprevisão (artigo 317): se, por motivo imprevisível, sobrevier desproporção
manifesta entre o valor da prestação e do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a
pedido da parte, assegurando, na medida do possível, o valor real da prestação.
34
A teoria da imprevisão prevista no Código Civil difere-se da autorização prevista no Código
de Defesa do Consumidor sobre a revisão das cláusulas contratuais. O CDC, pois, adotou a
teoria da base objetiva do negócio jurídico. Assim, não exige que o fato seja imprevisível para que
haja a modificação do contrato.
O pagamento será feito no domicílio do devedor, salvo se outro local foi estabelecido
pelas partes ou se o contrário resultar da lei ou da natureza da obrigação. Sobre o tema, é
importante destacar que, quando o pagamento é realizado reiteradamente em determinado lugar,
diferente do estabelecido pelas partes, presume-se a renúncia do credor relativamente ao
local estabelecido no contrato.
Neste caso, configuram-se dois institutos que são muito cobrados em prova:
35
podendo mais ser exercitado. Nessa linha, à luz do princípio da boa-fé objetiva, o
comportamento de um dos sujeitos geraria no outro a convicção de que o direito não
seria mais exigido.
● Surrectio: é o outro lado da moeda da supressio. O instituto da surrectio se configura
no surgimento de um direito exigível, como decorrência lógica do
comportamento e uma das partes.
● Tu quoque: a aplicação do tu quoque se constata em situações em que se verifica um
comportamento que, rompendo com o valor da confiança, surpreende uma das
partes da relação negocial, colocando-a em situação de injusta desvantagem. Um
bom exemplo é a previsão do art. 180 do CC/2002, que estabelece que o “menor, entre
dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua
idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de
obrigar-se, declarou-se maior”.
● Se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar
quitação na devida forma;
● Se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição
devidos;
36
● Se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir
em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
● Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;
● Se pender litígio sobre o objeto do pagamento (única causa objetiva para a
consignação)
Há possibilidade de levantamento do depósito pelo devedor, a depender do momento em
que ele pretender realizar tal ato, em busca de retornar ao status quo ante. Assim:
Substituição na obrigação de uma pessoa por outra, com os mesmos ônus e atributos
(avalista que paga a dívida). A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações,
privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e fiadores.
4
Vide questão 01
37
⮚ Do adquirente do imóvel hipotecado que paga a dívida; bem como do terceiro que
paga a dívida para não perder o imóvel (afastar a evicção).
⮚ Do pagamento por terceiro interessado na dívida. Ex.: fiador.
● Sub-rogação convencional (pagamento indireto) terceiro desinteressado
⮚ Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere
os seus direitos: aplicam-se as regras de cessão de crédito (art. 348, CC). O
devedor não precisa concordar, apenas ser notificado (eficácia).
⮚ Quando terceira pessoa empresta dinheiro ao devedor para ele pagar a dívida
ficando convencionada a sub-rogação. Ex.: mútuo.
Pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, líquidos e vencidos, a
um só credor, tem o direito de escolher qual deles está pagando.
A indicação é realizada pelo devedor, pelo credor ou pela lei, sucessivamente nessa
ordem (favor in debitoris), sendo a ordem de imputação legal a seguinte:
38
8.7.3 Pagamento Indireto
Assim, e a entrega de uma coisa por outra, e não a substituição de uma obrigação por
outra. Em certas situações especiais, a dação é vedada pelo ordenamento, por se travestir em
cláusula comissória (art. 1428 do CC).
Trata-se, ainda, de datio pro solvendo, desta forma, não há que se confundir a dação em
pagamento com a dação pro solvendo, cujo fim precípuo não é solver imediatamente a obrigação,
mas sim facilitar o seu cumprimento.
[Link] Novação
Trata-se de modo extintivo não satisfatório, tendo natureza jurídica negocial, não a
podendo ser imposta por lei.
39
⮚ Obrigação nova (novadora): totalmente nova;
⮚ Animus novandi: expresso ou tácito, mas sempre inequívoco (art. 361, CC).
São modalidades da novação:
40
Súmula 214 do STJ: “o fiador na locação não responde por obrigações resultantes de
aditamento ao qual não anuiu”
41
A novação é nova obrigação! Assim, extingue os acessórios e garantias da dívida
primitiva, salvo estipulação em sentido contrário. O mesmo ocorrerá com a fiança, na hipótese de
o fiador não ter concordado com a nova obrigação.
[Link] Compensação
Duas ou mais pessoas são ao mesmo tempo credoras e devedoras umas das outras;
somente se compensam coisas fungíveis entre si. O art. 373, CC afirma que as dívidas podem
ter causas diferentes, o que não impede a compensação, exceto se:
O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever; mas o fiador pode
compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado.
Modalidades de compensação:
● Quanto à extensão:
⮚ Total: as duas dívidas são extintas.
⮚ Parcial: uma dívida é extinta e a outra compensada.
● Quanto à origem:
⮚ Legal: decorre da norma jurídica e ocorre ainda que uma das partes não queira
a extinção das dívidas. Ainda, não comporta compensação a obrigação natural,
retroage à data em que a situação de fato se configurou (eficácia ex tunc).
Assim, deve haver (art. 369 e 370, CC):
o Reciprocidade;
42
o Dívidas líquidas;
o Dívidas vencidas;
o Coisas fungíveis;
o Mesma qualidade).
⮚ Convencional: decorre do acordo entre as partes, ou seja, não deve seguir os
[Link] Confusão
Incidência em uma mesma pessoa das qualidades de credor e devedor. De acordo com
art. 383, a confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação
até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na dívida, subsistindo quanto ao demais a
solidariedade. Assim, a lei afirma que ocorre confusão parcial na solidariedade ativa ou passiva.
Ainda, cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos os seus acessórios, a
obrigação anterior.
[Link] Remissão
A remissão é forma de pagamento indireto efetivada pelo perdão do credor, que deve ser
aceito pelo devedor (ato bilateral). Pode ser total ou parcial. Além disso, pode ser expressa ou
tácita.
43
São características da remissão:
O devedor será considerado em mora quando não efetuar o pagamento. Por outro lado,
se o credor se recusar a recebê-lo no tempo e forma estabelecidos no contrato, constituir-se-á
este em mora. Se depois de constituída a mora, a prestação se tornar inútil ao credor, este
poderá exigir a satisfação por perdas e danos.
5
● Mora do devedor (Solvendi, Debitoris)
5
Vide questão 04
44
⮚ Ex re: é também denominada de mora automática, depende de um fato previsto
em lei ou no contrato. Trata-se, assim, de uma obrigação positiva e líquida
com data determinada, de modo que não precisa ser notificado para se
constituir em mora. Ex: dia do vencimento do aluguel.
⮚ Ex persona: é também denominada de mora pendente, depende de uma
providência do credor. Assim, exige a notificação do devedor, judicial ou
extrajudicial, para constituição da mora, pois não há data/termo certo para o
cumprimento da obrigação. Está prevista no parágrafo único, do art. 397, CC.
Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou
extrajudicial. Ex: comodato sem prazo – notificação com prazo de 30 dias.
● Mora do credor (Accipiendi, Creditoris): Recusa (do credor) em aceitar o
cumprimento da obrigação.
Os juros de mora são contados desde a citação inicial, devendo observar, quanto às
obrigações extracontratuais, a súmula 54 do STJ, que dispõe que “Os juros moratórios fluem a
partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual. ”
As perdas e danos serão apuradas pelo valor que compreendem além o que já era de
direito da parte, os que efetivamente deixou de ganhar.
45
do ato ilícito, com a sua conduta, faz com que a vítima perca a oportunidade de obter uma
6
situação futura melhor.”
De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, a teoria da perda de uma chance, para
ser reconhecida, deve fazer com que o sujeito perca um direito que tinha chances atuais, sérias
e reais de êxito na situação futura esperada. Logo, a mera expectativa não possibilita o seu
reconhecimento.
Tem direito a ser indenizada, com base na teoria da perda de uma chance, a criança que,
em razão da ausência do preposto da empresa contratada por seus pais para coletar o material
7
no momento do parto, não teve recolhidas as células-tronco embrionárias.
9
8.8.1 Cláusula penal
6
[Link]
7
Resp. 1.291.247-RJ. 2014
8
Resp. 1.190.180 - RS
9
Vide Questão 10
46
[Link] Cláusula penal moratória
Neste caso, a cláusula não poderá ser exigida com a cumulação de indenização
suplementar decorrente da mora, pois esta já é a sua natureza, sendo enriquecimento ilícito a
“dupla cobrança”.
10
[Link] (STJ. 3ª Turma. REsp 1.335.617-SP, Rel. Min.
Sidnei Beneti, julgado em 27/3/2014.)
47
A cláusula penal também pode ser chamada de multa convencional, multa contratual ou
pena convencional.
SIM. A cláusula penal moratória não é estipulada para compensar o inadimplemento nem
para substituir o adimplemento.
Assim, a cominação contratual de uma multa para o caso de mora não interfere na
responsabilidade civil correlata que já deflui naturalmente do próprio sistema. Logo, não há
óbice a que se exija a cláusula penal moratória juntamente ao valor referente aos danos
emergentes e lucros cessantes (perdas e danos).
48
● O cumprimento da obrigação;
● A multa contratualmente estipulada; e ainda
● Indenização correspondente às perdas e danos decorrentes da mora.
Exemplo: o promitente comprador, no caso de atraso na entrega do imóvel adquirido, tem direito
a exigir, além do cumprimento da obrigação e do pagamento do valor da cláusula penal moratória
prevista no contrato, a indenização correspondente aos lucros cessantes pela não fruição do
11
imóvel durante o período da mora .
Em um contrato no qual foi estipulada uma cláusula penal COMPENSATÓRIA, caso haja o
inadimplemento, é possível que o credor exija o valor desta cláusula penal e mais as
perdas e danos?
NÃO. Não se pode cumular multa compensatória prevista em cláusula penal com
indenização por perdas e danos decorrentes do inadimplemento da obrigação. Enquanto a
cláusula penal moratória manifesta, com mais evidência, a característica de reforço do vínculo
obrigacional, a cláusula penal compensatória prevê indenização que serve não apenas como
punição pelo inadimplemento, mas também como prefixação de perdas e danos.
11
Foi o que decidiu a 3ª Turma do STJ no REsp 1.355.554-RJ, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 6/12/2012 (Info 513).
49
Assim, importante lembrar:
MORATÓRIA COMPENSATÓRIA
(compulsória) (compensar o inadimplemento)
Estipulada para desestimular o devedor a
incorrer em mora ou para evitar que deixe de
Estipulada para servir como indenização no
cumprir determinada cláusula especial da
caso de total inadimplemento da obrigação
obrigação principal. É a cominação contratual
principal (adimplemento absoluto).
de uma multa para o caso de mora. (multa
contratual)
Funciona como punição pelo retardamento no
Funciona como uma prefixação das perdas e
cumprimento da obrigação ou pelo
danos.
inadimplemento de determinada cláusula.
Ex1: em uma promessa de compra e venda
de um apartamento, é estipulada multa para o Ex: em um contrato para que um cantor faça
caso de atraso na entrega. Ex2: multa para o um show no réveillon, é estipulada uma multa
caso de o produtor de soja fornecer uma de 100 mil reais caso ele não se apresente.
safra de qualidade inferior ao tipo “X”.
50
Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal
para o caso de mora, ou em segurança Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal
especial de outra cláusula determinada, terá para o caso de total inadimplemento da
o credor o arbítrio de exigir a satisfação da obrigação, esta converter-se-á em alternativa
pena cominada, juntamente com o a benefício do credor.
12
desempenho da obrigação principal.
8.8.2 Arras
É o sinal que se dá por ocasião da celebração do contrato, quando uma das partes
oferecer, à título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, com a finalidade de garantir o
13
cumprimento do contrato.
12
Vide questão 06
13
Vide questão 02
51
o contrato por parte de quem ofereceu as arras, a parte prejudicada poderá retê-la em seu
benefício.
O STJ entende que se a proporção entre a quantia paga inicialmente e o preço total
ajustado evidenciar que o pagamento inicial englobava mais do que o sinal, não se pode declarar
a perda integral daquela quantia inicial como se arras confirmatórias fosse, sendo legítima a
14
redução equitativa do valor a ser retido.
Aliás, este Superior Tribunal, à luz dos princípios da função social e da boa-fé objetiva, tem
aplicado a teoria (REsp 1051270-RS). Acontece quando o descumprimento é ínfimo ou de menor
monta, não cabendo a extinção contratual. Em outras palavras, a mora do devedor, sendo de
escassa importância, não autoriza a resolução do contrato, por atentar contra o princípio da
17
boa-fé objetiva .
14
Resp. 1.1513.259 - MS
15
Vide enunciado 361 da IV Jornada de Direito Civil e o Noticiário STJ 09.09.2012
16
Vide questão 03
17
Info 500, STJ
52
18
● Requisitos para a aplicação da teoria do adimplemento substancial
⮚ Existência de expectativas legítimas geradas pelo comportamento das partes;
⮚ O pagamento faltante há de ser ínfimo em se considerando o total do negócio;
⮚ Deve ser possível a conservação da eficácia do negócio sem prejuízo ao
direito do credor de pleitear a quantia devida pelos meios ordinários.
● Enunciado 361 da IV Jornada de Direito Civil: Arts. 421, 422 e 475. O adimplemento
substancial decorre dos princípios gerais contratuais, de modo a fazer preponderar a
função social do contrato e o princípio da boa-fé objetiva, balizando a aplicação do art.
475.
Não se aplica a teoria do adimplemento substancial aos contratos de alienação
19
fiduciária em garantia regidos pelo Decreto-Lei 911/69. STJ. 2ª Seção. REsp 1.622.555-MG,
Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. para acórdão Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 22/2/2017.
18
STJ. 4ª Turma. REsp 1581505/SC, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 18/08/2016
19
Info 599 do STJ
53
9. Da Representação e Atos Unilaterais
9.1 Da representação
9.1.1 Conceito
Trata-se de uma relação jurídica pela qual certa pessoa se obriga diretamente perante
terceiro, por meio de ato praticado em seu nome por um representante. Este instituto está
diretamente ligado com o direito das obrigações, já que uma pessoa passa poderes para um
terceiro perante uma relação obrigacional, e, também, com a teoria dos negócios jurídicos, já
que a pessoa em nome de quem ele atua e que fica vinculada ao negócio é o representado
9.1.2 Espécies
De acordo com o art. 115 do CC, existem duas formas de representação, a legal, de modo
que os seus requisitos e os efeitos da são os estabelecidos nas normas respectivas, e a
convencional/voluntária, regido pelas regras previstas na Parte Especial Código Civil.
54
mediante a outorga de procuração (mandato). Pode ser revogada a qualquer tempo
pelo representado.
● Legal: é o que decorre da lei, ou seja, aquele a quem a lei confere poderes para
administrar bens e interesses alheios. Ex.: como pais, em relação aos filhos menores,
tutores, no que concerne aos tutelados, e curadores, quanto aos curatelados;
● Judicial: é o nomeado pelo juiz para exercer poderes de representação no processo.
Ex.: inventariante, o administrador da empresa penhorada e o da massa falida;
● Convencional: é o que recebe mandato outorgado pelo credor, expresso ou tácito,
verbal ou escrito, com poderes expressos, gerais ou especiais. Ex.: alienar, receber,
dar quitação etc. (art. 661).
De acordo com o art. 116 do CC, a manifestação de vontade pelo representante produz
efeitos em relação ao representado, nos limites de seus poderes. Ou seja, significa dizer que
o representante atua em nome do representado, devendo agir, portanto, na conformidade dos
poderes recebidos pelo representado. Se por acaso o representante ultrapassar tais poderes,
haverá excesso de poder, podendo ser responsabilizado, conforme dispõe o art. 118. Ademais,
enquanto o representado não ratificar os referidos atos, será considerado mero gestor de
negócios.
Art. 118. O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome do
representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o fazendo,
responder pelos atos que a estes excederem.
Assim, conforme dispõe o art. 119, é anulável o negócio concluído pelo representante em
conflito de interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de
quem com aquele tratou, de modo que tal anulação deve ser arguida no prazo decadencial de
cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade.
55
Não se admite, assim, que, estando de boa-fé, seja ele prejudicado por ato danoso do
representante. Resta ao representado, portanto, valer-se do disposto no art. 118 para se ressarcir
dos danos eventualmente sofridos.
De acordo com o art. 117 do Código Civil, é anulável o negócio jurídico que o
representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo, exceto se
previsto de forma diferente por lei ou o representado por meio de convenção. Para esse efeito,
tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os
poderes houverem sido subestabelecidos.
Assim, trata-se de representação que o representante atua em nome de apenas uma das
partes do negócio jurídico no qual intervém. Ocorre de diversas formas:
20
Carlos Roberto Gonçalves, p. 517
56
Quando o próprio representante atua sozinho declarando duas vontades, mas por meio de
terceira pessoa, subestabelecendo-a (ato pelo qual o representante transfere a outrem os
poderes concedidos pelo representado a terceira pessoa) para futuramente celebrar
negócio com o antigo representante. Ocorrendo esse fenômeno, tem-se como celebrado
pelo representante o negócio realizado por aquele em que os poderes houverem sido
subestabelecidos.
9.2.1 Conceito
57
Imagine-se, para ilustrar, um caso em que alguém perdeu um animal de estimação, um
cachorro. Para recuperar o animal, o dono coloca uma faixa em uma avenida de grande
circulação, oferecendo uma recompensa. Alguém que conhece o cão e o seu dono, mas que no
momento desconhece a promessa, encontra o animal e o leva à casa do seu proprietário. Essa
pessoa terá direito à recompensa, pois agiu conforme os ditames da boa-fé. Também terá direito
aos valores gastos com o cumprimento da tarefa, como, por exemplo, as despesas feitas para a
alimentação do animal, cuidados veterinários e transporte.
58
Por fim, nos concursos públicos, as obras premiadas só ficarão pertencendo ao
promitente se assim for estipulado na publicação da promessa (ex. Em regra, nos concursos
de monografias jurídicas os trabalhos pertencem aos seus autores. Porém, é possível
convencionar que os direitos patrimoniais de exploração da obra premiada passarão a pertencer
àquele que idealizou o concurso).
Na gestão de negócios há uma atuação sem poderes, uma hipótese em que a parte atua
sem ter recebido expressamente a incumbência. Dessa forma, o gestor, que age sem
mandato, fica diretamente responsável perante o dono do negócio e terceiros com quem
contratou. A gestão, pela ausência de orientação dada pelo dono, não tem natureza contratual,
pois está ausente o prévio acordo de vontades. Dessa forma, poderá a gestão ser provada de
qualquer modo, eis que se trata de negócio jurídico informal.
A posição do gestor é delicada, pois, além de não ter direito a qualquer remuneração
pela atuação (negócio jurídico benévolo), deve agir conforme a vontade presumível do dono
do negócio, sob pena de responsabilização civil.
Deve-se lembrar que se a gestão for iniciada contra a vontade manifesta ou presumível do
dono, responderá o gestor por caso fortuito (evento totalmente imprevisível) e força maior (evento
previsível, mas inevitável), conforme a regra constante do art. 862 do CC. Se os prejuízos da
gestão excederem o seu proveito, poderá o dono do negócio exigir que o gestor restitua as coisas
ao estado anterior, ou que indenize o valor correspondente à diferença (art. 863 do CC).
Diante do princípio da boa-fé objetiva, que valoriza o dever anexo de informação, deverá o
gestor de negócio, assim que lhe for possível, comunicar ao dono a sua atuação,
aguardando a resposta se dessa espera não resultar perigo. Falecendo o dono do negócio, as
instruções devem ser prestadas aos seus herdeiros, devendo o gestor, mesmo assim, agir com a
máxima diligência, de acordo com as circunstâncias fáticas do caso concreto.
59
9.2.4 Do pagamento indevido
De acordo com o art. 876 do CC: “Art. 876. Todo aquele que recebeu o que não lhe era
devido fica obrigado a restituir; obrigação que incumbe àquele que recebe dívida condicional
antes de cumprida a condição”.
De acordo com o art. 879 do CC, se aquele que indevidamente recebeu um imóvel o tiver
alienado em boa-fé, por título oneroso, responde somente pela quantia recebida. Agindo de
má-fé, a culpa passa a ser induzida, respondendo a pessoa pelo valor da coisa e por perdas e
danos.
60
Em complemento, se o imóvel for alienado a título gratuito, em qualquer caso, ou a
título oneroso, agindo de má-fé o terceiro adquirente, caberá ao que pagou por erro o
direito de reivindicação por meio de ação petitória.
Várias são as ações que têm como objetivo evitar o locupletamento sem razão, sendo a
principal a de repetição de indébito no caso de pagamento indevido, que é espécie de
enriquecimento sem causa. Consigne-se que toda situação em que alguém recebe algo
indevido visa ao enriquecimento sem causa. Mas, em algumas hipóteses, poderá haver
61
conduta visando ao enriquecimento sem causa, sem que tenha havido pagamento indevido (ex: A
invasão de um imóvel com finalidade de adquirir a sua propriedade).
São pressupostos da ação que visa afastar o enriquecimento sem causa, pela doutrina
clássica:
Determina o art. 885 do CC que a restituição é cabível não só quando não existir
causa para o pagamento, mas também quando esta deixar de existir (ex: a lei revoga a
possibilidade de cobrança de uma taxa. A partir do momento desta revogação, o valor não pode
mais ser cobrado, pois, caso contrário, haverá conduta visando ao enriquecimento sem causa,
tornando possível a restituição).
62
63
QUADRO SINÓTICO
64
Trata-se da prestação de uma atividade (prestação de um serviço ou execução de
uma tarefa) positiva (material ou imaterial) e lícita do devedor.
OBRIGAÇÃO DE Pode ser realizada pelo devedor ou por terceira pessoa, sem
FAZER FUNGÍVEL prejuízo para o credor
OBRIGAÇÃO DE
FAZER A prestação só pode ser executada pelo próprio devedor ante
INFUNGÍVEL a sua natureza (aptidões ou qualidades especiais do devedor)
(PERSONALÍSSIM ou disposição contratual
A OU INTUITU
PERSONAE)
OBRIGAÇÃO DE O devedor se compromete a não praticar certo ato que até
NÃO FAZER poderia livremente praticar se não houvesse se obrigado
OBRIGAÇÕES QUANTO A SEUS ELEMENTOS
OBRIGAÇÕES
SIMPLES (OU Um sujeito ativo, um sujeito passivo e um único objeto
SINGULARES)
OBRIGAÇÕES
COMPOSTAS Pluralidade de objetos, pluralidade de sujeitos
(COMPLEXAS OU
PLURAIS)
OBRIGAÇÕES
CUMULATIVAS Multiplicidade de prestações
(OU
CONJUNTIVAS)
CLASSIFICAÇÃO OBRIGAÇÕES
ALTERNATIVAS Apenas uma delas será cumprida como pagamento.
(OU
DISJUNTIVAS)
OBRIGAÇÕES A obrigação inicialmente é simples, mas há a possibilidade
FACULTATIVAS para o devedor em substituir o objeto.
Pluralidade de credores e devedores, há direitos e/ou
obrigações pelo total da dívida.
SOLIDARIEDADE Ocorre quando há pluralidade de
ATIVA credores.
OBRIGAÇÕES SOLIDARIEDADE Ocorre quando há pluralidade de
SOLIDÁRIAS PASSIVA devedores
65
SOLIDARIEDADE Uma pluralidade de devedores e de
MISTA (OU credores
RECÍPROCA)
OUTRAS MODALIDADES DE OBRIGAÇÃO
OBRIGAÇÕES QUANTO AO CONTEÚDO
66
OBRIGAÇÕES São aquelas certas quanto à existência e determinadas quanto
LÍQUIDAS ao objeto
OBRIGAÇÕES São aquelas incertas quanto à sua quantidade;
ILÍQUIDAS
QUANTO AO MOMENTO PARA O CUMPRIMENTO
OBRIGAÇÕES São as que são cumpridas no momento em que o negócio é
INSTANTÂNEAS celebrado
OBRIGAÇÕES DE
TRATO
SUCESSIVO (OU São as que se resolvem em intervalos de tempo
PERIÓDICAS OU
EXECUÇÃO
CONTINUADA)
OBRIGAÇÕES São obrigações híbridas, ou seja, parte direito real, parte direito
PROPTER REM pessoal
ESPÉCIES
OBRIGAÇÕES Também chamadas de imperfeitas ou incompletas, são
(DOUTRINA)
NATURAIS aquelas em que o credor não possui instrumento judicial para
exigir a prestação do devedor.
O credor poderá ceder seu crédito a outro, se isso não opuser
CESSÃO DE à natureza da obrigação, à lei ou à convenção com o devedor,
CRÉDITO podendo configurar tanto alienação onerosa quanto alienação
gratuita.
TRANSMISSÃO
A lei autoriza que terceiro assuma a obrigação do devedor,
desde que haja consentimento expresso do credor. Neste
ASSUNÇÃO DE caso, o devedor primitivo será extinto da obrigação, salvo se era
DÍVIDA insolvente à época da assunção e o credor ignorava.
Por se tratar de débito, o silêncio do credor, caso não se
manifeste no prazo designado, não importará aceitação. O
silêncio é interpretado como recusa.
PAGAMENTO DIRETO
ADIMPLEMENTO
67
● Pessoas envolvidas: Solvens (é a pessoa que deve pagar) e accipiens (é a
pessoa que recebe).
● Objeto e Prova do pagamento: Quitação
● Lugar do pagamento: Regra é no domicílio do devedor. Exceção é no
domicílio do credor.
● Tempo: Vencimento fixado pelas partes.
FORMAS ESPECIAIS DE PAGAMENTO
Devedor deposita a coisa devida, liberando-se de obrigação
PAGAMENTO EM líquida e certa. Se a dívida for em dinheiro o depósito pode ser
CONSIGNAÇÃO extrajudicial (estabelecimento bancário oficial – art. 890, §1º,
CPC).
PAGAMENTO Substituição na obrigação de uma pessoa por outra, com os
COM mesmos ônus e atributos (avalista que paga a dívida).
SUB-ROGAÇÃO
IMPUTAÇÃO DO Pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma
PAGAMENTO natureza, líquidos e vencidos, a um só credor, tem o direito de
escolher qual deles está pagando.
PAGAMENTO INDIRETO
Acordo de vontades entre credor e devedor, com o objetivo
DAÇÃO EM de extinguir a obrigação, no qual o credor consente em
PAGAMENTO receber coisa (móvel ou imóvel) diversa da originalmente
devida.
Criação de obrigação nova e extinguindo a anterior,
modificando o objeto (objetiva ou real) ou substituindo uma
NOVAÇÃO das partes (subjetiva = ativa – substituição do credor; passiva –
substituição do devedor). Não podem ser objeto de novação as
dívidas extintas ou nulas.
Duas ou mais pessoas são ao mesmo tempo credoras e
COMPENSAÇÃO devedoras umas das outras; somente se compensam coisas
fungíveis entre si.
INADIMPLEMENT Não cumprida a obrigação, responderá o devedor pelas perdas e danos decorrentes
do inadimplemento, cumulado com juros e honorários advocatícios. O devedor será
O
68
considerado em mora quando não efetuar o pagamento. Por outro lado, se o credor se
recusar a recebê-lo no tempo e forma estabelecidos no contrato.
MORA DO DEVEDOR (SOLVENDI, DEBITORIS)
EX RE Também denominada de mora automática, depende de um fato
previsto em lei ou no contrato.
EX PERSONA Também denominada de mora pendente, depende de uma
providência do credor. Assim, exige a notificação do devedor,
judicial ou extrajudicial
MORA DO
CREDOR Recusa (do credor) em aceitar o cumprimento da obrigação.
(ACCIPIENDI,
CREDITORIS)
CLÁUSULA PENAL
Trata-se de obrigação acessória que as partes poderão estipular pena ou multa
destinada a evitar o inadimplemento da obrigação principal ou o retardamento.
CLÁUSULA É estipulada para sancionar o devedor quando houver mora
PENAL no cumprimento da obrigação.
MORATÓRIA
As partes acordam que, no caso de inadimplemento total da
CLÁUSULA obrigação, a parte devedora será responsabilizada pelo
PENAL pagamento da cláusula penal compensatória, que tem o
COMPENSATÓRIA intuito exatamente de compensar o inadimplemento ou
substituir
ARRAS
É o sinal que se dá por ocasião da celebração do contrato, quando uma das partes
oferecer, à título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, com a finalidade de garantir o
cumprimento do contrato. Não haverá direito a indenização suplementar
69
QUESTÕES COMENTADAS
Questão 1
XXXI EXAME DE ORDEM – FGV – 2020: Jacira mora em um apartamento alugado, sendo a
locação garantida por fiança prestada por seu pai, José. Certa vez, Jacira conversava com sua
irmã Laura acerca de suas dificuldades financeiras, e declarou que temia não ser capaz de pagar
o próximo aluguel do imóvel. Compadecida da situação da irmã, Laura procurou o locador do
imóvel e, na data de vencimento do aluguel, pagou, em nome próprio, o valor devido por Jacira,
sem oposição desta.
Nesse cenário, em relação ao débito do aluguel daquele mês, assinale a afirmativa correta.
a) Laura, como terceira interessada, sub-rogou-se em todos os direitos que o locador tinha em
face de Jacira, inclusive a garantia fidejussória.
b) Laura, como terceira não interessada, tem apenas direito de regresso em face de Jacira.
c) Laura, como devedora solidária, sub-rogou-se nos direitos que o locador tinha em face de
Jacira, mas não quanto à garantia fidejussória.
d) Laura, tendo realizado mera liberalidade, não tem qualquer direito em face de Jacira.
Comentário:
Laura tem direito a reaver o que pagou, mas não se sub-roga nos direitos do credor, eis que
é terceira não interessada, conforme o art. 305: “O terceiro não interessado, que paga a
dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se
sub-roga nos direitos do credor”
Questão 2
70
XXX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Lucas, interessado na aquisição de um carro seminovo,
procurou Leonardo, que revende veículos usados.
Ao final das tratativas, e para garantir que o negócio seria fechado, Lucas pagou a Leonardo um
percentual do valor do veículo, a título de sinal. Após a celebração do contrato, porém, Leonardo
informou a Lucas que, infelizmente, o carro que haviam negociado já havia sido prometido
informalmente para um outro comprador, velho amigo de Leonardo, motivo pelo qual Leonardo
não honraria a avença.
Frustrado, diante do inadimplemento de Leonardo, Lucas procurou você, como advogado(a), para
orientá-lo.
a) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, com atualização monetária,
juros e honorários de advogado, mas não o seu equivalente.
b) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, mais o seu equivalente, com
atualização monetária, juros e honorários de advogado.
c)Leonardo terá de restituir a Lucas apenas metade do valor pago a título de sinal, pois informou,
tão logo quanto possível, que não cumpriria o contrato.
d) Leonardo não terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, pois este é computado
como início de pagamento, o qual se perde em caso de inadimplemento.
Comentário:
Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito,
retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o
contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária
71
segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado. É o
que dispõe o art. 418 do CC.
Questão 3
XXVII EXAME DE ORDEM – FGV - 2018: Renata financiou a aquisição de seu veículo em 36
parcelas e vinha pagando pontualmente todas as prestações. Entretanto, a recente perda de seu
emprego fez com que não conseguisse manter em dia a dívida, tendo deixado de pagar,
justamente, as duas últimas prestações (35ª e 36ª).
O banco que financiou a aquisição, diante do inadimplemento, optou pela resolução do contrato
Tendo em vista o pagamento das 34 parcelas anteriores, pode-se afirmar que a conduta da
instituição financeira viola o princípio da boa-fé, em razão do(a)
c) adimplemento substancial.
d) dever de informar.
Comentário:
72
Questão 4
XXVI EXAME DE ORDEM – FGV - 2018: Lúcio, comodante, celebrou contrato de comodato com
Pedro, comodatário, no dia 1º de outubro de 2016, pelo prazo de dois meses. O objeto era um
carro da marca Y no valor de R$ 30.000,00. A devolução do bem deveria ser feita na cidade Alfa,
domicílio do comodante, em 1º de dezembro de 2016. Pedro, no entanto, não devolveu o bem na
data marcada e resolveu viajar com amigos para o litoral até a virada do ano. Em 1º de janeiro de
2017, desabou um violento temporal sobre a cidade Alfa, e Pedro, ao voltar da viagem, encontra
o carro destruído.
Com base nos fatos narrados, sobre a posição de Lúcio, assinale a afirmativa correta.
A) Fará jus a perdas e danos, visto que Pedro não devolveu o carro na data prevista.
B) Nada receberá, pois o perecimento se deu em razão de fato fortuito ou de força maior.
C) Não terá direito a perdas e danos, pois cedeu o uso do bem a Pedro.
D) Receberá 50% do valor do bem, pois, por fato inimputável a Pedro, o bem não foi devolvido.
Comentário:
A mora é uma alternativa criada pela lei para evitar o imediato inadimplemento, quando do
atraso do cumprimento da obrigação. Sobre a mora incidem juros legais ou convencionais
de atraso (que não se confundem com os juros de inadimplemento). Os juros legais buscam
compensar o credor pelo atraso e os inconvenientes daí percebidos, possibilitando a
purgação da mora.
De acordo com o art. 399 do CC, o devedor em mora responde pela impossibilidade da
prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes
ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria
ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada.
73
Questão 5
XXVI EXAME DE ORDEM – FGV - 2018: Paula é credora de uma dívida de R$ 900.000,00
assumida solidariamente por Marcos, Vera, Teresa, Mirna, Júlio, Simone, Úrsula, Nestor e Pedro,
em razão de mútuo que a todos aproveita. Antes do vencimento da dívida, Paula exonera Vera e
Mirna da solidariedade, por serem amigas de longa data. Dois meses antes da data de
vencimento, Júlio, em razão da perda de seu emprego, de onde provinha todo o sustento de sua
família, cai em insolvência. Ultrapassada a data de vencimento, Paula decide cobrar a dívida.
A) Vera e Mirna não podem ser exoneradas da solidariedade, eis que o nosso ordenamento
jurídico não permite renunciar a solidariedade de somente alguns dos devedores.
B) Se Marcos for cobrado por Paula, deverá efetuar o pagamento integral da dívida e,
posteriomente, poderá cobrar dos demais as suas quotas-partes. A parte de Júlio será rateada
entre todos os devedores solidários, inclusive Vera e Mirna.
C) Se Simone for cobrada por Paula deverá efetuar o pagamento integral da dívida e,
posteriomente, poderá cobrar dos demais as suas quotas-partes, inclusive Júlio.
D) Se Mirna for cobrada por Paula, deverá efetuar o pagamento integral da dívida e,
posteriomente, poderá cobrar as quotas-partes dos demais. A parte de Júlio será rateada entre
todos os devedores solidários, com exceção de Vera.
Comentário:
O art. 283 do CC informa que o devedor que satisfez a dívida por inteiro (Marcos) tem
direito a exigir de cada um dos codevedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do
insolvente (Júlio), se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os
codevedores. Art. 284, CC: No caso de rateio entre os codevedores, contribuirão também os
74
exonerados da solidariedade pelo credor (Vera e Mirna), pela parte que na obrigação incumbia ao
insolvente (Júlio).
Questão 6
XXV EXAME DE ORDEM – FGV - 2018: Em 05 de dezembro de 2016, Sérgio, mediante contrato
de compra e venda, adquiriu de Fernando um computador seminovo (ano 2014) da marca Massa
pelo valor de R$ 5.000,00. O pagamento foi integralizado à vista, no mesmo dia, e foi previsto no
contrato que o bem seria entregue em até um mês, devendo Fernando contatar Sérgio, por
telefone, para que este buscasse o computador em sua casa. No contrato, também foi prevista
multa de R$ 500,00 caso o bem não fosse entregue no prazo combinado.
Em 06 de janeiro de 2017, Sérgio, muito ansioso, ligou para Fernando perguntando pelo
computador, mas teve como resposta que o atraso na entrega se deu porque a irmã de Fernando,
Ana, que iria trazer um computador novo para ele do exterior, tinha perdido o voo e só chegaria
após uma semana. Por tal razão, Fernando ainda dependia do computador antigo para trabalhar
e não poderia entregá-lo de imediato a Sérgio.
D) Sérgio somente poderá exigir de Fernando a cláusula penal de R$ 500,00, não a execução
específica da obrigação (entrega do bem), que depende de terceiro (Ana).
75
Comentário:
Questão 7
XXV EXAME DE ORDEM – FGV - 2018: Arlindo, proprietário da vaca Malhada, vendeu-a a seu
vizinho, Lauro. Celebraram, em 10 de janeiro de 2018, um contrato de compra e venda, pelo qual
Arlindo deveria receber do comprador a quantia de R$ 2.500,00, no momento da entrega do
animal, agendada para um mês após a celebração do contrato. Nesse interregno, contudo, para
surpresa de Arlindo, Malhada pariu dois bezerros.
Comentário:
De acordo com o art. 237 do CC, Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus
melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir,
poderá o devedor resolver a obrigação
76
Questão 8
XXIV EXAME DE ORDEM – FGV - 2017: André, Mariana e Renata pegaram um automóvel
emprestado com Flávio, comprometendo-se solidariamente a devolvê-lo em quinze dias. Ocorre
que Renata, dirigindo acima do limite de velocidade, causou um acidente que levou à destruição
total do veículo.
Assinale a opção que apresenta os direitos que Flávio tem diante dos três.
A) Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente pecuniário do carro, mais perdas e danos.
B) Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente pecuniário do carro, mas só pode exigir perdas
e danos de Renata.
C) Pode exigir, de cada um dos três, um terço do equivalente pecuniário do carro e das perdas e
danos.
D) Pode exigir, de cada um dos três, um terço do equivalente pecuniário do carro, mas só pode
exigir perdas e danos de Renata.
Comentário:
Questão 9
XXII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017: Antônio, vendedor, celebrou contrato de compra e venda
com Joaquim, comprador, no dia 1º de setembro de 2016, cujo objeto era um carro da marca X no
valor de R$ 20.000,00, sendo o pagamento efetuado à vista na data de assinatura do contrato.
Ficou estabelecido ainda que a entrega do bem seria feita 30 dias depois, em 1º de outubro de
77
2016, na cidade do Rio de Janeiro, domicílio do vendedor. Contudo, no dia 25 de setembro, uma
chuva torrencial inundou diversos bairros da cidade e o carro foi destruído pela enchente, com
perda total. Considerando a descrição dos fatos, Joaquim
B) terá direito à devolução de 50% do valor, tendo em vista que Antônio, vendedor, não teve
culpa.
C) terá direito à devolução de 50% do valor, tendo em vista que Antônio, vendedor, teve culpa.
D) terá direito à devolução de 100% do valor, pois ainda não havia ocorrido a tradição no
momento do perecimento do bem.
Comentário:
De acordo com o art. 232 do CC , se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder,
sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a
obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo
equivalente e mais perdas e danos.
Questão 10
XXII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017: Festas Ltda., compradora, celebrou, após negociações
paritárias, contrato de compra e venda com Chocolates S/A, vendedora. O objeto do contrato
eram 100 caixas de chocolate, pelo preço total de R$ 1.000,00, a serem entregues no dia 1º de
novembro de 2016, data em que se comemorou o aniversário de 50 anos de existência da
sociedade. No contrato, estava prevista uma multa de R$ 1.000,00 caso houvesse atraso na
entrega. Chocolates S/A, devido ao excesso de encomendas, não conseguiu entregar as caixas
na data combinada, mas somente dois dias depois. Festas Ltda., dizendo que a comemoração já
havia acontecido, recusou-se a receber e ainda cobrou a multa. Por sua vez, Chocolates S/A não
aceitou pagar a multa, afirmando que o atraso de dois dias não justificava sua cobrança e que o
produto vendido era o melhor do mercado. Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
78
A) Festas Ltda. tem razão, pois houve o inadimplemento absoluto por perda da utilidade da
prestação e a multa é uma cláusula penal compensatória.
B) Chocolates S/A não deve pagar a multa, pois a cláusula penal, quantificada em valor idêntico
ao valor da prestação principal, é abusiva.
C) Chocolates S/A adimpliu sua prestação, ainda que dois dias depois, razão pela qual nada deve
a título de multa.
D) Festas Ltda. só pode exigir 2% de multa (R$ 20,00), teto da cláusula penal, segundo o Código
de Defesa do Consumidor.
Comentário:
Código Civil:
Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior,
pode referir-se à inexecução completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou
simplesmente à mora.
Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da
obrigação, esta converter-se-á em alternativa a benefício do credor.
Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação
principal.
O valor previsto na cláusula penal equivale ao valor da obrigação principal. Diante do atraso
de dois dias no cumprimento da obrigação, e já tendo passado a comemoração, houve um
inadimplemento absoluto por perda da utilidade da prestação, sendo a multa uma cláusula penal
compensatória, tendo razão a Festas Ltda. em não receber as caixas e cobrar a multa.
79
GABARITO
Questão 1 – ALTERNATIVA B
Questão 2 – ALTERNATIVA B
Questão 3 – ALTERNATIVA C
Questão 4 – ALTERNATIVA A
Questão 5 – ALTERNATIVA B
Questão 6 – ALTERNATIVA B
Questão 7 – ALTERNATIVA A
Questão 8 – ALTERNATIVA B
Questão 9 – ALTERNATIVA D
Questão 10 – ALTERNATIVA A
80
QUESTÃO DESAFIO
Máximo de 5 linhas
81
GABARITO QUESTÃO DESAFIO
O argumento não merece prosperar, uma vez que cláusula penal moratória não é
estipulada para compensar o inadimplemento nem para substituir o adimplemento. Nessa
toada, o STJ já afirmou quanto à possibilidade de cumulação de pedidos dessa natureza.
82
INADIMPLEMENTO PARCIAL. ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL. MORA. CLÁUSULA
PENAL. PERDAS E DANOS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1.- A obrigação de indenizar é
corolário natural daquele que pratica ato lesivo ao interesse ou direito de outrem. Se a cláusula
penal compensatória funciona como pre-fixação das perdas e danos, o mesmo não ocorre com a
cláusula penal moratória, que não compensa nem substitui o inadimplemento, apenas pune a
mora. 2.- Assim, a cominação contratual de uma multa para o caso de mora não interfere na
responsabilidade civil decorrente do retardo no cumprimento da obrigação que já deflui
naturalmente do próprio sistema. 3.- O promitente comprador, em caso de atraso na entrega do
imóvel adquirido pode pleitear, por isso, além da multa moratória expressamente estabelecida no
contrato, também o cumprimento, mesmo que tardio da obrigação e ainda a indenização
correspondente aos lucros cessantes pela não fruição do imóvel durante o período da mora da
promitente vendedora. 4.- Recurso Especial a que se nega provimento. (REsp 1355554/RJ, Rel.
Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/12/2012, DJe 04/02/2013).
83
LEGISLAÇÃO COMPILADA
Representação
Atos Unilaterais
⮚ Súmula Vinculante 7
A norma do § 3º do artigo 192 da Constituição, revogada pela Emenda Constitucional 40/2003, que limitava a taxa de
juros reais a 12% ao ano, tinha sua aplicação condicionada à edição de lei complementar.
84
A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor.
A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade
A cobrança de comissão de permanência – cujo valor não pode ultrapassar a soma dos encargos remuneratórios e
moratórios previstos no contrato – exclui a exigibilidade dos juros remuneratórios, moratórios e da multa contratual.
É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior à anual em contratos celebrados com instituições
integrantes do Sistema Financeiro Nacional a partir de 31/3/2000 (MP n. 1.963-17/2000, reeditada como MP n.
2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada.
A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a
cobrança dataxa efetiva anual contratada.
85
JURISPRUDÊNCIA
⮚ STJ. 3ª Turma. REsp 1.406.487-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 4/8/2015
(Info 566).
A dívida de jogo contraída em casa de bingo é inexigível, ainda que seu funcionamento tenha sido autorizado pelo
Poder Judiciário.
A lei exige mais do que uma aparência de licitude, exige autorização legal, o que não se verifica na hipótese em tela.
Ademais, as decisões liminares, como se sabe, têm caráter precário, correndo por conta e risco do requerente os
danos decorrentes da reversibilidade da medida, não havendo falar, portanto, em direito adquirido.
86
Pedido para analisar se existe mesmo o débito não pode ser considerado ato que interrompe a prescrição (art. 202,
VI, do CC) O pedido de concessão de prazo para analisar documentos com o fim de verificar a existência de débito
não tem o condão de interromper a prescrição. STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.895-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
em 06/02/2018
87
inadmissível a presunção nesse sentido. O mero interesse econômico em resguardar o patrimônio investido em
determinado negócio jurídico não configura premente necessidade para o fim do art. 157 do Código Civil.
88
MAPA MENTAL
89
90
91
92
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAVALCANTE, Márcio André Lopes – VADE MECUM DE JURISPRUDÊNCIA DIZER O DIREITO. Juspodvim. 2017.
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Teoria Geral do Direito. V. 1. 2018. Saraiva: São Paulo.
TARTUCE, Flávio. Manual de direito civil: volume único – 8. ed. rev, atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São
Paulo: MÉTODO, 2018.
93