DIREITO CIVIL – MÓDULO III
Tema 9 – Responsabilidade por Fato da Coisa e do Animal III
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TEMA 9 – RESPONSABILIDADE POR FATO DA COISA E DO ANIMAL III
Responsabilidade pela Ruína de Prédio
O professor Pablo relembra um fato ocorrido na cidade de Salvador-BA, em que um idoso
que estava em uma parada de ônibus foi vitimado por uma placa de concreto que se soltou
de um prédio situado atrás da parada de ônibus onde estava, o atingindo e levando à sua
morte instantânea.
Esse é um caso típico de ruína, que remete à ideia de destruição, desmoronamento,
podendo ser tanto total, quanto parcial. Observe que não se trata de objetos lançados ou
caídos, mas de uma parte da estrutura que cai, isso é a ruína.
Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se
esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta.
Perceba que a lei se refere apenas ao dono e não ao possuidor. Consagrou-se, aqui, a
responsabilidade objetiva. Nada impede que, posteriormente, o dono do edifício ajuíze uma
ação de regresso contra a construtora.
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No exemplo exposto acima o edifício pertencia a um banco, mas é preciso deixar claro
que não se aplica o CDC ao caso e sim o Código Civil.
A temática da responsabilidade pela ruína de prédio também fora amplamente repercu-
tida à época do desabamento do edifício Palace II, ocorrido na cidade do Rio de Janeiro,
tema que merece ser pesquisado.
Posição na obra Novo Curso de Direito Civil, Volume 3: Responsabilidade Civil
“Se quisesse admitir a responsabilidade fundada na culpa não consignaria o preceito de forma tão
categórica.
Ademais, utilizando um critério de interpretação sistemática, a tese de que a norma exigiria prova
de culpa seria, no sistema inaugurado pelo novo diploma, completamente anacrônica, uma vez
que todas as regras até então estudadas, inseridas no mesmo capítulo, consagraram a responsa-
bilidade sem culpa.
Admitida, portanto, a responsabilidade civil objetiva, o proprietário somente se eximirá se provar a
quebra do nexo causal por uma das excludentes de responsabilidade, como, por exemplo, evento
fortuito ou de força maior ou, ainda, culpa exclusiva da vítima”.
(Novo Curso de Direito Civil, Volume 3: Responsabilidade Civil / Pablo Stolze Gagliano, Rodolfo
Pamplona Filho. São Paulo: Saraiva Educação)
ANOTAÇÕES
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Vale ressaltar que o dono não pode utilizar em sua defesa o fato de que havia realizado
os reparos necessários se valendo da última parte do art. 936 do CC, uma vez que se houve
o desmoronamento total ou parcial é exatamente porque não houve a realização do reparo
necessário. A responsabilidade nesse caso é objetiva.
Utilizando o mesmo exemplo inicial, supondo que a placa tenha se desprendido do prédio
e matado o idoso pela ocorrência de um abalo sísmico na cidade, um terremoto, hipótese de
força maior em que seria possível a defesa por parte do proprietário do edifício, por força da
excludente.
Enunciado n. 556 da VI Jornada de Direito Civil: a responsabilidade civil do dono do prédio ou
construção por sua ruína, tratada pelo art. 937 do CC, é objetiva.
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Responsabilidade por Objetos Caídos ou Lançados de um Prédio
Perceba que no caso da ruína há um desmoronamento, uma destruição total ou parcial.
Considerando que em um edifício, parte do mármore ou da argamassa do prédio se des-
prende e cai, é a hipótese do art. 937 do CC e não deve ser confundido com a hipótese pre-
sente no art. 938 do CC que trata dos objetos lançados ou caídos de um prédio. Por exem-
plo, no caso em que um transeunte vem a ser atingido por um controle de ar-condicionado
que fora lançado ou que alguém tenha deixado cair. Nesse caso, a lei brasileira dispõe que
a responsabilidade é daquele que habita a unidade de que partiu o projétil, ou seja, pode ser
o proprietário, inquilino, comodatário. Assim, a responsabilidade não é necessariamente de
quem arremessa o objeto, mas de quem habita a unidade, e é objetiva.
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Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que
dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido.
Note a expressão: “aquele que habitar” (pode ser o proprietário, o locatário, o comoda-
tário etc.). Trata-se de responsabilidade civil por “defenestramento” que significa lançar algo
por janela abaixo. Tal responsabilização visa proteger a vítima que dispõe de chamada “actio
de effusis et dejectis”, esse é nome clássico, doutrinário, da ação judicial que será proposta
pela vítima, com prazo prescricional de 03 (três) anos para pleitear a reparação civil.
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Caso não seja possível identificar de qual unidade partiu a coisa lançada ou caída:
ANOTAÇÕES
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Enunciado n. 557 da VI Jornada de Direito Civil: nos termos do art. 938 do CC, se a coisa cair ou
for lançada de condomínio edilício, não sendo possível identificar de qual unidade, responderá o
condomínio, assegurado o direito de regresso.
Assim, se a vítima não souber ou não puder identificar de onde partiu o objeto, a demanda
será ajuizada contra o condomínio, fundamentado pela Teoria da Causalidade Alternativa, apli-
cada quando não for possível a identificação, em uma coletividade, de onde partiu o ato ilícito,
uma vez que qualquer dos membros daquela coletividade poderia ter dado causa ao evento
danoso. Na hipótese de, posteriormente, ser descoberto o morador responsável por lançar o
objeto ou o deixar cair, haverá uma ação regressiva em face dele por parte do condomínio.
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Interessante notar que se o dano é imputado ao condomínio, não se podendo identificar
a unidade habitacional de onde partiu a coisa, a jurisprudência tem adotado o critério de res-
ponsabilizar apenas o bloco de apartamentos de onde se poderia, segundo a lógica dos fatos,
partir o objeto. Dessa maneira, os moradores do bloco ou face do prédio oposto ao local do
dano não seriam admitidos como parte legítima para responderem à demanda indenizatória.
Na jurisprudência paranaense:
“Para que se exija do condomínio a assunção da responsabilidade pelo lançamento de coisas
sobre o prédio vizinho, necessário se torna que se tenha como presumível a participação no fato
de todos os condôminos. Não se verificando essa probabilidade, à ação devem ser chamados so-
mente os condôminos ou moradores dos conjuntos que têm vizinhança e condição para, de cima,
lançar coisas sobre o prédio vizinho.” (TAPR, 1ª C., Ap., Rel. Des. Schiavon Puppi, RT, 530/213).
(GAGLIANO, Pablo Stolze e PAMPLONA FILHO, Rodolfo, vol. III, citado).
Resumidamente, a regra geral é tentar identificar a unidade de onde partiu o objeto, não
sendo possível, a demanda deverá ser proposta contra o condomínio, excluindo-se os blocos
ou conjuntos, de onde seria fisicamente impossível ter ocorrido o lançamento.
Nessa hipótese, o prazo prescricional aplicável é o do Código Civil e também será de 03
(três) anos.
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�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
preparada e ministrada pelo professor Pablo Stolze.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.
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