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Jurisprudência do STJ sobre Responsabilidade Civil

O documento aborda a responsabilidade civil e a jurisprudência do STJ, destacando julgados relevantes para concursos públicos. São discutidos casos como a responsabilidade do condomínio por danos causados por seus empregados, a compensação por danos morais em casos de transporte aéreo e a aquisição de alimentos com corpo estranho. O texto enfatiza a importância de acompanhar a jurisprudência atualizada e as implicações legais da responsabilidade civil no Brasil.

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Jurisprudência do STJ sobre Responsabilidade Civil

O documento aborda a responsabilidade civil e a jurisprudência do STJ, destacando julgados relevantes para concursos públicos. São discutidos casos como a responsabilidade do condomínio por danos causados por seus empregados, a compensação por danos morais em casos de transporte aéreo e a aquisição de alimentos com corpo estranho. O texto enfatiza a importância de acompanhar a jurisprudência atualizada e as implicações legais da responsabilidade civil no Brasil.

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DIREITO CIVIL PARA CARREIRAS JURÍDICAS – MÓDULO III

Tema 10 – Responsabilidade Civil e a Jurisprudência do STJ I


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TEMA 10 – RESPONSABILIDADE CIVIL E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ:


IMPORTANTES RECORTES PARA CONCURSOS PÚBLICOS

A proposta é passar em revista julgados do Superior Tribunal de Justiça envolvendo


o Tribunal de Justiça e o tema da responsabilidade civil voltado para o concurso público.
Muitos concursos não cobram apenas a doutrina e a letra da lei, cobrando o entendimento
da jurisprudência.
Esse tema é atualizado constantemente, sendo necessário acompanhar a jurisprudência.
1) O condomínio edilício responde pelos danos causados por seus empregados mesmo
que fora do horário de expediente, desde que em razão do seu trabalho:
RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RESPONSABILIDADE
DE CONDOMÍNIO EDILÍCIO. DANO CAUSADO EM AUTOMÓVEL DE CONDÔMINO POR
EMPREGADO DO CONDOMÍNIO FORA DO HORÁRIO DE TRABALHO.
1. Demanda indenizatória movida por um condômino contra o condomínio edilício para
a reparação dos danos causados em seu veículo indevidamente conduzido por funcionário
incumbido da faxina do prédio, que estava fora do seu horário normal de trabalho.
2. Controvérsia em torno da responsabilidade do condomínio edilício pelos danos causa-
dos por um de seus empregados fora do horário de trabalho.
(...)
4. A doutrina e a jurisprudência oscilam entre as teorias da causalidade adequada e do
dano direto e imediato (interrupção do nexo causal) para explicar a relação de causalidade
na responsabilidade civil no Direito brasileiro.
5m
5. O importante é que somente se estabelece o nexo causal entre o evento danoso e o
fato imputado ao agente demandado, quando este surgir como causa adequada ou determi-
nante para a ocorrência dos prejuízos sofridos pela vítima demandante.

 Obs.: Há uma tendência em se considerar como teoria predominante no nexo causal a


teoria da causalidade adequada.

6. A conduta do empregado do condomínio demandado que, mesmo fora do seu horário


de expediente, mas em razão do seu trabalho, resolve dirigir o veículo de um dos condômi-
nos, causando o evento danoso, constitui causa adequada ou determinante para a ocorrên-
cia dos prejuízos sofridos pela vítima demandante.
ANOTAÇÕES

[Link] 1
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7. O empregador é responsável pelos atos ilícitos praticados por seus empregados ou


prepostos no exercício do trabalho ou em razão dele, conforme o disposto no art. 932, inciso
III, do Código Civil.
8. No Código Civil de 2002, em face do disposto no art. 933 do Código, não se cogita mais
das figuras da culpa in vigilando ou da culpa in eligendo, na responsabilidade do empregador,
por ser esta objetiva (independente de culpa) pelos atos ilícitos praticados por seus empre-
gados ou prepostos no exercício do trabalho ou em razão dele.
9. Procedência da demanda indenizatória, restabelecendo-se os comandos da sentença
de primeiro grau.

10. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESTA EXTENSÃO,


PROVIDO.

(REsp 17877026/RJ, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado
em 26/10/2021, DJe 05/11/2021).

 Obs.: O condomínio responde pelo dano causado por seu empregado, mesmo fora do
horário de expediente. O empregador responde pelo ato do empregado no exercício
do trabalho do empregado e em razão dele.

2) É cabível dano moral pelo defeito na prestação de serviço de transporte aéreo com a
entrega de passageiro menor desacompanhado, após horas de atraso, em cidade diversa da
previamente contratada.
RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL, CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. RES-
PONSABILIDADE CIVIL PELO FATO DO SERVIÇO. ATRASO DE VOO. PASSAGEIRO
MENOR (15 ANOS). JULGAMENTO ESTENDIDO.
(...)
2. CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE CIVIL PELO FATO DO SERVIÇO. DEFEITO
NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE AEREO. ATRASO DE VOO. SUBMIS-
SÃO DE MENOR DESACOMPANHADO A AGUARDAR POR NOVE HORAS EM CIDADE
DESCONHECIDA PELO EMBARQUE. ATERRISAGEM EM CIDADE DIVERSA DA ORIGI-
NALMENTE CONTRATADA (100 KM DISTANTE). ANGUSTIA A QUE OS PAIS E O MENOR
FORAM SUBMETIDOS A CONFIGURAR O DANO MORAL.
ANOTAÇÕES

[Link] 2
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2.1. Grave defeito na prestação de serviço de transporte aéreo com a entrega de passa-
geiro menor (15 anos) não na cidade de destino previamente contratada (Cacoal/RO), mas
em uma cidade desconhecida situada a 100 km do local de destino, onde seu pai estaria em
horário por deveras avançado: 23:15h (Ji-Paraná/RO).
2.2. Incomensurável a situação de angústia e aflição imposto aos pais do passageiro
menor por esse grave e flagrante defeito na prestação do serviço de transporte aéreo.
2.3. Sequer o fato de se ter alegadamente ofertado transporte ao menor entre as cidades
de Ji-Paraná/RO para Cacoal/RO, sobreleva, pois é claro que o pai não confiaria mais na
empresa que tanto já havia demonstrado descumprir com as suas obrigações, deixando o
seu filho a espera de transporte por quase metade de um dia e, no último trecho, submeten-
do-o, durante a madrugada, a transporte por uma van para levá-lo para a cidade de destino,
com um motorista desconhecido, não se sabe se com outros passageiros ou não, nas nada
seguras rodovias brasileiras.
2.4. Não se tem dúvidas que o direito brasileiro experimentou um período de banalização
da reparação dos danos morais, reconhecendo-se o direito a toda sorte de situações, muitas
delas em que efetivamente não se estava a lidar com violações a interesses ligados à esfera
da dignidade humana e/ou dos direitos de personalidade.
2.5. Não se pode descurar, no entanto, que presentes os elementos a evidenciar mais
do que mero aborrecimento em ficar em um hotel, alimentado, no aguardo de um voo, mas a
angústia de um menor e dos seus pais a espera de um voo por mais de nove horas, e a sua
submissão a se deslocar para cidade a 100km da cidade de destino para buscar o seu filho,
é devida a indenização pelos danos morais e materiais.
10m
3. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. (REsp 1733136/RO, Rel. Ministro Paulo de Tarso
Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 21/09/2021, DJe 24/09/2021)

 Obs.: Esta é uma situação gravíssima, que justificaria uma compensação não apenas com
viés compensatório, mas também punitivo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a indenização observa o viés dos punitive demages.
A função indenizatória pedagógica e punitiva tem que ser levada em conta em casos graves.
Esse julgado dialoga muito bem com a doutrina ou com a teoria do desertino.
ANOTAÇÕES

[Link] 3
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O julgado a seguir está em um momento de importância, porque houve uma divergência


entre turmas do STJ no que se refere à produto alimentício com corpo estranho. Depois de
muito debate, finalmente o STJ pacificou o entendimento:
3) A aquisição de produto alimentício contendo corpo estranho, ainda que não ocorra a
ingestão do seu conteúdo, confere direito à compensação por danos morais.
RECURSO ESPECIAL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO DE
DANOS MATERIAIS E COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. AQUISIÇÃO DE ALIMENTO
(PACOTE DE ARROZ) COM CIRPO ESTRANHO (CONGLOMERADO DE FUNGOS, INSE-
TOS E ÁCAROS) EM SEU INTERIOR. EXPOSIÇÃO DO CONSUMIDOR A RISCO CON-
CRETO DE LESÃO À SUA SAÚDE E INCOLUMIDADE FÍSICA E PSIQUÍCA. FATO DO
PRODUTO. INSEGURANÇA ALIMENTAR. EXISTÊNCIA DE DANO MORAL MESMO QUE
NÃO INGERIDO O PRODUTO.
1. Ação ajuizada em 11/05/2017. Recurso especial interposto em 24/07/2020 e concluso
ao gabinete em 13/11/2020.
2. O propósito recursal consiste em determinar se, na hipótese dos autos, caracterizou-se
dano moral indenizável em razão da presença de corpo estranho em alimento industrializado,
que, embora adquirido, não chegou a ser ingerido pelo consumidor.
3. A Emenda Constitucional n. 64/2010 positivou, no ordenamento jurídico pátrio, o direito
humano à alimentação adequada (DHAA), que foi correlacionado, pela Lei 11.346/2006, à
ideia de segurança alimentar e nutricional.
(...)
10. É irrelevante, para fins de caracterização do dano moral, a efetiva ingestão do corpo
estranho pelo consumidor, haja vista que, invariavelmente, estará presente a potencialidade
lesiva decorrente da aquisição do produto contaminado.
11. Essa distinção entre as hipóteses de ingestão ou não do alimento insalubre pelo
consumidor, bem como da deglutição do próprio corpo estranho, para além da hipótese de
efetivo comprometimento de sua saúde, é de inegável relevância no momento da quantifica-
ção da indenização, não surtindo efeitos, todavia, no que tange à caracterização, a priori, do
dano moral.
12. Recurso especial conhecido e provido.
(REsp 1899304/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 25/08/2021,
DJe 04/10/2021)
ANOTAÇÕES

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 Obs.: O fato de o sujeito haver comido o produto alimentício com o corpo estranho tem
importância para a quantificação do dano, mas não para a sua caracterização.

Comprar o produto com o corpo estranho já dá a tese para a possibilidade de se pleitear


o dano moral pela potencialidade lesiva e pelo constrangimento. Mas, se além de comprar e
se deparar com o corpo estranho há o consumo, o valor da indenização é maior.
15m
O entendimento do STJ é de que não é necessário mastigar ou deglutir para a caracteri-
zação do dano, mas a ingestão altera para mais a quantificação do dano moral.
O julgado seguinte dialoga com o postulado da proporcionalidade e com a teoria da pon-
deração de interesses — de um lado, a liberdade de expressão e de imprensa; do outro lado,
o direito à honra da pessoa.
4) Não caracteriza hipótese de responsabilidade civil a publicação de matéria jornalística
que narre fatos verídicos ou verossímeis, embora eivados de opiniões severas, irônicas ou
impiedosas, sobretudo quando se trate de figuras públicas que exerçam atividades tipica-
mente estatais, gerindo interesses da coletividade, e a notícia e crítica referirem-se a fatos de
interesse geral relacionados à atividade pública desenvolvida pela pessoa noticiada.
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. LIBERDADE
DE IMPRENSA. CONTROVÉRSIA ENTRE JORNALISTAS. ARTIGOS CRÍTICOS À ATU-
AÇÃO PROFISSIONAL. COMPROMISSO ÉTICO COM A INFORMAÇÃO VEROSSÍMIL
(“VERDADE SUBJETIVA”). RELEVÂNCIA SOCIAL (INTERESSE PÚBLICO). NÃO CARAC-
TERIZAÇÃO DE ANIMUS INJURIANDI VEL DIFFAMANDI NO CASO CONCRETO.
(...)
2. A liberdade de imprensa, nesse cenário, constitui modalidade qualificada das liber-
dades de informação e de expressão; por meio dela, assegura-se a transmissão das infor-
mações e dos juízos de valor pelos jornalistas ou profissionais integrantes dos veículos de
comunicação social de massa, notadamente emissoras de rádio e de televisão, editoras de
jornais e provedores de notícias na internet.
3. Conquanto seja livre a divulgação de informações, conhecimento ou ideias — mormente
quando se está a tratar de imprensa —, tal direito não é absoluto nem ilimitado, revelando-
-se cabida a responsabilização pelo abuso constatado quando, a pretexto de se expressar
o pensamento, invadem-se os direitos da personalidade, com lesão à dignidade de outrem.
Assim, configurada a desconformidade, o ordenamento jurídico prevê a responsabilização
cível e criminal pelo conteúdo difundido, além do direito de resposta.
ANOTAÇÕES

[Link] 5
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4. Nessa linha de raciocínio, não se pode olvidar que, além do requisito da “verdade
subjetiva” — consubstanciado no dever de diligência na apuração dos fatos narrados (ou
seja, o compromisso ético com a informação verossímil) —, a existência de interesse público
também constitui limite genérico ao exercício da liberdade de imprensa (corolária dos direitos
de informação e de expressão).
5. Ademais, sempre que identificada, no caso concreto, a agressão injusta à dignidade
da pessoa — vale dizer: conduta causadora de angústia, dor, humilhação ou sofrimento que
extrapolem a normalidade da vida cotidiana, interferindo intensamente no equilíbrio psicoló-
gico do indivíduo —, o exercício do direito à informação ou à expressão deverá ser consi-
derado abusivo, sendo permitida a intervenção do Estado-Juiz a fim de estabelecer medida
reparatória da lesão a direito personalíssimo.
6. Na espécie, não se constata o alegado animus injuriandi vel diffamandi dos réus, mas
sim animus narandi e animus criticandi, tendo em vista o caráter informativo e opinativo dos
artigos, que, malgrado extremamente ácidos e irônicos, não desbordaram os limites do exer-
cício regular da liberdade de expressão — em sentido lato — compreendida na informação,
na opinião e na crítica jornalística.
(...)
8. Aliás, é de sabença que pessoas públicas estão submetidas à exposição de sua vida
e de sua personalidade e, por conseguinte, são obrigadas a tolerar críticas que, para o cida-
dão comum, poderiam significar uma séria lesão à honra. Tal idoneidade não se configura,
decerto, em situações nas quais é imputada, injustamente e sem a necessária diligência, a
prática de atos concretos que resvalem na criminalidade, o que não ocorreu na hipótese.
20m
9. Controvérsia que se revela um chamado, um grito, uma imagem no espelho de dupla
face, para que a atividade jornalística seja levada a sério, elaborada com ética e com cui-
dado, de modo a não se desacreditar diante do excesso, conquanto não se constate, no
caso, a prática de atos ensejadores de dano moral.
10. recurso especial provido a fim de julgar improcedente a pretensão indenizatória dedu-
zida na inicial. (REsp 172950/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado
em 11/05/2021, DJe 04/06/2021).

 Obs.: Tem-se uma situação que dialoga com os limites entre a liberdade de imprensa e os
direitos da personalidade do ente criticado.
ANOTAÇÕES

[Link] 6
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Segundo o ministro, um agente público tem uma esfera de privacidade menor do que
aquele que não é um agente público. Isso não quer dizer que o agente público não tenha
os direitos da personalidade, mas diante da função que ele exerce, ele está mais sujeito
a críticas.
O fato de uma matéria jornalística traduzir uma crítica ácida, impiedosa, dura e irônica,
por si só, não caracteriza, segundo o julgado, lesão ao direito da personalidade. O animus
criticandi não gera reparação pelo dano moral.
Esse tema sempre terá polêmica pelo grau de subjetividade. De um lado, a liberdade de
imprensa, que é um pilar da democracia; do outro, o direito da personalidade de um sujeito.
O animus de informar e de criticar, por mais ácida, dura e impiedosa que seja a matéria
jornalística, segundo esse julgado, não traduz dano moral indenizável, salvo se houver, de
fato, um abuso caracterizado por uma lesão ao direito à personalidade da pessoa criticada.
5) Por caracterizar fortuito externo e afastar o nexo de causalidade, a concessionária de
transporte ferroviária não responde por assédio sexual ou ato libidinoso praticado por usuário
contra passageira.
CIVIL E CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE CIVIL DO TRANSPORTADOR.
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ATO LIBIDINOSO
PRATICADO POR USUÁRIO CONTRA PASSAGEIRA NO INTERIOR DE ESTAÇÃO DE
TREM METROPOLITANO. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR.
FATO EXCLUSIVO DE TERCEIRO E ESTRANHO AO CONTRATO DE TRANSPORTE.
FORTUITO EXTERNO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.
1. A responsabilidade decorrente do contrato de transporte de pessoas é objetiva (CC,
arts. 734 e 735), sendo obrigação do transportador a reparação do dano causado ao pas-
sageiro quando demonstrado o nexo causal entre a lesão e a prestação do serviço, pois o
contrato de transporte acarreta para ao transportador a assunção de obrigação de resultado,
impondo ao concessionário ou permissionário do serviço público o ônus de levar o passa-
geiro incólume ao seu destino. É a chamada cláusula de incolumidade, que garante que o
transportador irá empregar todos os expedientes que são próprios da atividade para preser-
var a integridade física do passageiro contra os riscos inerentes ao negócio, durante todo
o trajeto, até o destino final da viagem. Essa responsabilidade, entretanto, não é por risco
integral.
25m
ANOTAÇÕES

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2. A teor da Súmula 187 do Supremo Tribunal Federal: “a responsabilidade contratual do


transportador, pelo acidente com o passageiro, não é elidida por culpa de terceiro, contra o
qual tem ação regressiva”. Compreende-se na responsabilidade objetiva do transportador
“pelo acidente com o passageiro”, qualquer acontecimento casual, fortuito, inesperado ine-
rente à prestação do serviço de transporte de pessoas, ou seja, acidente que tenha nexo
causal com o serviço prestado, ainda que causado por terceiro, desde que caracteriza o
denominado fortuito interno. A expressão “acidente com o passageiro” não atrai a responsa-
bilidade do transportador quanto a eventos, causados por terceiro, sem que tenham mínima
relação direta com os serviços de transporte, isto é, por ocorrências estranhas ao serviço de
transporte, provocadas por terceiro, as quais fujam completamente ao alcance preventivo do
transportador, pois caracterizam o chamado fortuito externo.
3. O Código de Defesa do Consumidor, por sua vez, estatui: “o fornecedor de serviços
responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados
aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços”, não sendo responsa-
bilizado quando provar “a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro” (art. 14, caput e
parágrafo 3º).
4. Portanto, o ato, doloso ou culposo, estranho à prestação do serviço de transporte,
causado por terceiro, não guarda nexo de causalidade com o serviço prestado e, por isso,
exonera a responsabilidade objetiva do transportador, caracterizando fortuito externo. Noutro
giro, o ato, doloso ou culposo de terceiro, conexo com a atividade do transportador e rela-
cionado com os riscos próprios da atividade econômica explorada, caracteriza o chamado
fortuito interno, atraindo a responsabilidade do transportador.
5. Assim, nos contratos onerosos de transporte de pessoas, desempenhados no âmbito
de uma relação de consumo, o fornecedor de serviços não será responsabilizado por assédio
sexual ou ato libidinoso praticado por usuário do serviço de transporte contra passageira, por
caracterizar fortuito externo, afastando o nexo de causalidade.
6. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 1833722/Sp, Rel. Ministro Raul
Araújo, Segunda Seção, julgado em 03/12/2020, DJe 15/03/2021).

 Obs.: Em caso de acidente com o passageiro, o transportador responde e terá ação regres-
siva contra o verdadeiro culpado.
ANOTAÇÕES

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Mas, em caso de assalto em coletivo, para o STJ, o transportador não responde, porque
se tem um fortuito externo. Nessa mesma linha, para o STJ, se o passageiro é vítima de
assédio sexual, o transportador também não responde, porque o assédio sexual praticado
contra passageiro no interior do transporte é fortuito externo, rompendo o nexo causal. A
vítima terá que demandar o culpado.
30m

Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
preparada e ministrada pelo professor Pablo Stolze.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição em vídeo pela leitura exclusiva deste
material.
ANOTAÇÕES

[Link] 9

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