DIREITO CIVIL PARA CARREIRAS JURÍDICAS – MÓDULO III
Tema 10 – Responsabilidade Civil e a Jurisprudência do STJ III
Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@[Link]
RESPONSABILIDADE CIVIL E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ:
IMPORTANTES RECORTES PARA CONCURSOS PÚBLICOS III
O próximo julgado infelizmente ilustra uma situação muito comum no Brasil e que é um
desafio para a responsabilidade civil atrelada aos acidentes de trânsito (responsabilidade
subjetiva baseada na culpa):
Tema 10 – Responsabilidade Civil e a Jurisprudência do STJ: importantes recortes
para concurso público
9) Em ação destinada a apurar a responsabilidade civil decorrente de acidente de
trânsito, presume-se culpado o condutor de veículo automotor que se encontra em
estado de embriaguez, cabendo-lhe o ônus de comprovar a ocorrência de alguma
excludente do nexo de causalidade.
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO EM RAZÃO DE ACIDENTE DE TRÂN-
SITO. CONDUÇÃO DE MOTOCICLETA SOB ESTADO DE EMBRIAGUEZ.
ATROPELAMENTO EM LOCAL COM BAIXA LUMINOSIDADE. INSTRUÇÃO PROBA-
TÓRIA INCONCLUSIVA SE A VÍTIMA ENCONTRAVA–SE NA CALÇADA OU À MARGEM DA
CALÇADA, AO BORDO DA PISTA DE ROLAMENTO. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO.
(...)
3.2 No caso dos autos, afigura-se, pois, inarredável a conclusão de que a conduta do
demandado de conduzir sua motocicleta em estado de embriaguez, contrária às normas jurí-
dicas de trânsito, revela-se absolutamente idônea à produção do evento danoso em exame,
consistente no atropelamento da vítima que se encontrava ou na calçada ou à margem, ao
bordo da pista de rolamento, em local e horário de baixa luminosidade, após a realização de
acentuada curva.
Obs.: No tópico 3.2, o ministro apresenta o nexo causal.
Em tal circunstância, o condutor tem, contra si, a presunção relativa de culpa, a ensejar
a inversão do ônus probatório. Caberia, assim, ao transgressor da norma jurídica comprovar
a sua tese de culpa exclusiva da vítima, incumbência em relação à qual não obteve êxito.
4. Recurso especial improvido.
(REsp 1749954/RO, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em
26/02/2019, DJe 15/03/2019)
ANOTAÇÕES
[Link] 1
DIREITO CIVIL PARA CARREIRAS JURÍDICAS – MÓDULO III
Tema 10 – Responsabilidade Civil e a Jurisprudência do STJ III
Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@[Link]
Obs.: Em resumo, aquele que conduz um veículo embriagado tem contra sim uma presun-
ção de culpa. A embriaguez ao volante é algo de alta periculosidade em âmbito social
e para além do dano individual. Na perspectiva do professor, esse tipo de situação
nos convida a uma reflexão sob a perspectiva do dano social (aquele que rebaixa a
qualidade devida da sociedade como um todo).
10) O companheiro que com seu comportamento assume o risco de transmissão
do vírus HIV à parceira responde civilmente pelo dano.
RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AIDS. RELAÇÃO DE FAMÍLIA.
TRANSMISSÃO DO VÍRUS HIV. COMPANHEIRO QUE INFECTOU A PARCEIRA NA CONS-
TÂNCIA DA UNIÃO ESTÁVEL. CARACTERIZAÇÃO DA CULPA. OCORRÊNCIA. INDENIZA-
ÇÃO POR DANOS MATERIAIS E DANOS MORAIS. CABIMENTO.
1. A família deve cumprir papel funcionalizado, servindo como ambiente propício para
a promoção da dignidade e a realização da personalidade de seus membros, integrando
sentimentos, esperanças e valores, servindo como alicerce fundamental para o alcance da
felicidade. No entanto, muitas vezes este mesmo núcleo vem sendo justamente o espaço
para surgimento de intensas angústias e tristezas dos entes que o compõem, cabendo ao
aplicador do direito a tarefa de reconhecer a ocorrência de eventual ilícito e o correspondente
dever de indenizar. (...)
5m
Obs.: No item 1, o ministro insere algumas informações muito importantes sobre o direito
de família as quais serão devidamente apresentadas no módulo do curso de direito
de família. Nesse item, o ministro não começa falando da responsabilidade civil da
infecção pelo vírus HIV, construindo antes um contexto sobre a família. Para ele, a
família deve cumprir uma função social e representa um ambiente em que as pesso-
as devem buscar a realização e a felicidade (característica eudemonista da família).
2. O parceiro que suspeita de sua condição soropositiva, por ter adotado comportamento
sabidamente temerário (vida promíscua, utilização de drogas injetáveis, entre outros), deve
assumir os riscos de sua conduta, respondendo civilmente pelos danos causados.
3. A negligência, incúria e imprudência ressoam evidentes quando o cônjuge/compa-
nheiro, ciente de sua possível contaminação, não realiza o exame de HIV (o Sistema Único
de Saúde - SUS disponibiliza testes rápidos para a detecção do vírus nas unidades de saúde
ANOTAÇÕES
[Link] 2
DIREITO CIVIL PARA CARREIRAS JURÍDICAS – MÓDULO III
Tema 10 – Responsabilidade Civil e a Jurisprudência do STJ III
Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@[Link]
do país), não informa o parceiro sobre a probabilidade de estar infectado nem utiliza métodos
de prevenção, notadamente numa relação conjugal, em que se espera das pessoas, intima-
mente ligadas por laços de afeto, um forte vínculo de confiança de uma com a outra.
4. Assim, considera-se comportamento de risco a pluralidade de parceiros sexuais e a
utilização, em grupo, de drogas psicotrópicas injetáveis, e encontram-se em situação de
risco as pessoas que receberam transfusão de sangue ou doações de leite, órgãos e tecidos
humanos. Essas pessoas integram os denominados “grupos de risco” em razão de seu com-
portamento facilitar a sua contaminação.
5. Na hipótese dos autos, há responsabilidade civil do requerido, seja por ter ele confir-
mado ser o transmissor (já tinha ciência de sua condição), seja por ter assumido o risco com
o seu comportamento, estando patente a violação a direito da personalidade da autora (lesão
de sua honra, de sua intimidade e, sobretudo, de sua integridade moral e física), a ensejar
reparação pelos danos morais sofridos.
Obs.: Quer o sujeito saiba de fato de sua contaminação ou apenas desconfie, há uma
responsabilidade civil com a contaminação da parceira (dolo eventual), vítima que
confiava nele e nutria uma relação de afeto, o que torna a situação muito mais grave.
10m
(...)
8. Em relação aos danos morais, o acórdão recorrido utilizou o critério bifásico - inclusive
se valendo de precedentes do STJ a respaldar o quantum indenizatório -, além de ter pon-
derado as peculiaridades do caso com o interesse jurídico lesado. Dessarte, somente com
a demonstração de que a quantia arbitrada se revelou ínfima ou irrisória ante valores comu-
mente estabelecidos em situações análogas por este STJ é que se poderia ensejar nova
análise por esta Corte, o que não ocorreu na espécie.
Obs.: No julgado há a citação ao critério bifásico, tópico de grande importância para con-
cursos públicos. O ministro entendeu que não haveria necessidade de se alterar o
quantum indenizatório, havendo responsabilidade que pode sim decorrer da conta-
minação do parceiro pelo vírus HIV.
9. Recursos especiais não providos. (REsp 1760943/MG, Rel. Ministro Luis Felipe Salo-
mão, Quarta Turma, julgado em 19/03/2019, DJe 06/05/2019)
Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
ANOTAÇÕES
preparada e ministrada pelo professor Pablo Stolze.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição em vídeo pela leitura exclusiva deste
material.
[Link] 3