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Responsabilidade Médica e STJ: Aspectos Legais

O documento aborda a responsabilidade médica e a jurisprudência do STJ, destacando a complexidade da responsabilização dos médicos e hospitais em casos de erro médico e infecções hospitalares. A responsabilidade do hospital é considerada objetiva em relação a infecções adquiridas durante a internação, enquanto a do médico é subjetiva, baseada na culpa. O texto também menciona a solidariedade entre hospitais e planos de saúde em casos de negativa de atendimento, visando proteger o consumidor.

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Responsabilidade Médica e STJ: Aspectos Legais

O documento aborda a responsabilidade médica e a jurisprudência do STJ, destacando a complexidade da responsabilização dos médicos e hospitais em casos de erro médico e infecções hospitalares. A responsabilidade do hospital é considerada objetiva em relação a infecções adquiridas durante a internação, enquanto a do médico é subjetiva, baseada na culpa. O texto também menciona a solidariedade entre hospitais e planos de saúde em casos de negativa de atendimento, visando proteger o consumidor.

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DIREITO CIVIL PARA CARREIRAS JURÍDICAS – MÓDULO III

Responsabilidade Médica (Noções Gerais) e a Jurisprudência do STJ


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RESPONSABILIDADE MÉDICA (NOÇÕES GERAIS) E A


JURISPRUDÊNCIA DO STJ

O enfoque desta aula será a jurisprudência do STJ dialogando com a responsabilidade


médica. Esse é um tema que ganhou grande importância nos últimos anos e extrema-
mente sensível.
Existe um conceito conhecido como “álea terapêutica”, utilizado não somente no Brasil,
mas também em outros países como a França. A ideia é que a atividade médica seria mar-
cada por um grau de indeterminação. Costuma-se depositar uma fé no profissional da saúde
como se a sua atividade fosse cartesiana, o que não é verdade, sendo comum opiniões diver-
sas em meio a atuação médica.
Ao se falar da responsabilidade civil, pressupõe-se a existência de um ato ilícito e, por-
tanto, só há responsabilidade civil como regra se alguém causa dano a outrem com culpa,
sendo essa a grande dificuldade de responsabilização dos médicos, visto que a prova do erro
médico é considerada bastante dificultosa e sensível. Ainda, a responsabilidade do hospital
(ente hospitalar pessoa jurídica) é trabalhada como uma responsabilidade objetiva (serviços
prestados pelo hospital) e apesar disso, a responsabilidade do médico é subjetiva e baseada
na culpa profissional (conforme Código de Defesa do Consumidor). Dessa forma, a grande
dificuldade em se constatar o erro médico é que o seu apontamento está diretamente atre-
lado a culpa, sendo tal observação bastante dificultosa para o paciente, que se encontra em
situação de vulnerabilidade e não possui o conhecimento técnico de um especialista ou do
próprio profissional.
Tema 11 - Responsabilidade Médica e a Jurisprudência do STJ
5m

Obs.: Se por um lado há um avanço farmacêutico muito grande com os antibióticos, o uso
desregrado de tais remédios foi um dos fatores para que surgissem no Brasil as
chamadas superbactérias, as quais não podem ser combatidas com o uso de me-
dicamentos comuns. Não há nenhum hospital que tenha uma assepsia integral de
suas dependências, sendo necessário tomar medidas para evitar o dano (infecções
hospitalares). Ainda assim, quando a situação ocorre, como ficaria a responsabilida-
de do hospital pela infecção hospitalar?
ANOTAÇÕES

[Link] 1
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Infecção Hospitalar e Responsabilidade Objetiva (Fato diretamente ligado ao


ambiente hospitalar)

(...)
4. O acórdão vergastado assentou que a infecção teria sido contraída no hospital, cabendo
à SANTA CASA evidenciar que o quadro infeccioso teria se dado por outros fatores, diversos
do alegado pela autora e confirmado pela perícia. Alterar as conclusões do acórdão impug-
nado exigiria incursão fático-probatória, em afronta à Súmula n. 7 do STJ.
5. A responsabilidade do hospital é objetiva, não se perquirindo da comprovação de culpa,
notadamente em casos de infecção contraída no ambiente hospitalar. Precedentes.
6. A quantia fixada para compensar os danos morais apenas pode ser minorada nas
hipóteses em que se afigure manifestamente exagerada. Considerando as peculiaridades
do caso concreto, em que a paciente perdeu a calota craniana em decorrência de infecção
hospitalar, não se mostra exorbitante o valor da indenização mantido pelo Tribunal paulista
em R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).
10m
7. Agravo interno não provido.
(AgInt nos EDcl no AREsp 1544082/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA
TURMA, julgado em 23/11/2020, DJe 27/11/2020)
3. É obrigação dos hospitais adotar o conjunto de ações desenvolvidas deliberada e
sistematicamente com vistas à redução máxima possível da incidência e da gravidade das
infecções hospitalares, sobressaindo sua responsabilidade objetiva quando a infecção for
adquirida em razão da hospitalização do paciente (Lei 9.431/19 97).
(AgInt no AREsp 1459357/SP, Rel. Ministro MANOEL ERHARDT (DESEMBARGADOR
CONVOCADO DO TRF5), PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/09/2021, DJe 29/09/2021)

Obs.: Ocorrendo a infecção hospital, a responsabilidade do hospital é objetiva, uma vez


que STJ entende se tratar de um problema relacionado a um serviço diretamente
prestado por uma pessoa jurídica (hospital). Para fins de entendimento, o hospital
pode ser entendido enquanto um arranjo completo semelhante a um “shopping da
saúde”, ofertando diversos serviços para seus clientes (os pacientes). Se para as
lojas comuns de consumo há a responsabilidade objetiva perante o consumidor, é
natural que o mesmo entendimento fosse aplicado aos hospitais. Ainda, também se
ANOTAÇÕES

[Link] 2
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aplica eventual responsabilidade objetiva na relação empregado (médico) e empre-


gador (hospital), que responderá pelos atos do contratado.

Responsabilidade objetiva do hospital em face do ato (culposo) praticado pelo


médico que integra o seu corpo clínico
15m
(...)
2. Consoante a jurisprudência dominante do STJ, é objetiva a responsabilidade do Hos-
pital quanto a atividade de seu profissional (CDC, art. 14), de modo que dispensada demons-
tração da culpa do hospital relativamente a atos lesivos decorrentes de culpa de médico inte-
grante de seu corpo clínico no atendimento. Precedentes.

Obs.: Supondo que um médico integre o quadro de um hospital, nesse caso, o hospital
responde por atos desse profissional objetivamente. Ainda assim, nada impede que
ele alegue em defesa que o seu médico não tenha tido culpa no fato.

(...)
4. É firme a orientação jurisprudencial deste Superior Tribunal de Justiça de que os valo-
res fixados a título de danos morais, porque arbitrados com fundamento no arcabouço fático-
-probatório carreado aos autos, só podem ser alterados em hipóteses excepcionais, quando
constatada nítida ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, mostrando-
-se irrisória ou exorbitante. No caso, os valores fixado pelo Tribunal do Rio de Janeiro para
a indenização por danos morais, não se mostram excessivos a justificar a excepcional inter-
venção desta Corte no presente feito.
20m
5. Agravo interno não provido.
(AgInt no REsp 1793515/RJ, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, jul-
gado em 20/04/2020, DJe 23/04/2020)
Abrangência da responsabilidade do hospital (serviços relacionados ao “estabele-
cimento”) e dano decorrente de profissional sem vínculo com a instituição (ausência,
nesse último caso, de responsabilidade do hospital)
1. A instância ordinária afastou a responsabilidade civil do hospital, assinalando a ausên-
cia de vínculo com o médico responsável pelo procedimento cirúrgico, a não configuração
da cadeia de fornecimento de serviço, bem como a inexistência de ato ilícito e de nexo de
causalidade. Com base no acervo fático-probatório, afirmou não ter ocorrido infecção hospi-
ANOTAÇÕES

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talar, ressaltando que o quadro infeccioso decorreu da ruptura da prótese de silicone, que foi
adquirida diretamente do médico demandado.
2. Segundo orientação jurisprudencial desta Corte, “a responsabilidade objetiva para o
prestador de serviço, prevista no art. 14 do CDC, na hipótese de tratar-se de hospital, limita-
-se aos serviços relacionados ao estabelecimento empresarial, tais como estadia do paciente
(internação e alimentação), instalações, equipamentos e serviços auxiliares (enfermagem,
exames, radiologia)”; “se o dano decorre de falha técnica restrita ao profissional médico,
que não possui qualquer vínculo com o hospital - seja de emprego ou de mera preposição -
não cabe atribuir ao nosocômio a obrigação de indenizar a vítima” (REsp 1.769.520/SP, Rel.
Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, DJe de 24.5.2019).
25m
(AgInt no AREsp 1643326/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em
28/09/2020, DJe 20/10/2020)
De forma semelhante: AgInt no REsp 1824326/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze,
Terceira Turma, julgado em 17/02/2020, DJe 19/02/2020.

ATENÇÃO

Responsabilidade civil do hospital:


a) Por ato do estabelecimento: problemas nos serviços do hospital. Responsabilida-
de objetiva;
b) Por ato técnico profissional: é a responsabilidade do hospital por um fato do médico
que eventualmente tenha comedido imperícias que configuram o erro médico propriamente
dito. Nesse caso, a responsabilidade do hospital será objetiva, mas precedida da dis-
cussão de culpa se o médico for preposto.
30m

Responsabilização solidária entre hospital e administradora de plano de saúde,


com fundamento no princípio da solidariedade entre os fornecedores de uma mesma
cadeia de fornecimento de produto ou serviço perante o consumidor, ressalvada a
ação de regresso.
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILI-
DADE CIVIL. DANOS MORAIS. ATENDIMENTO MÉDICO. RECUSA INDEVIDA DO PLANO
DE SAÚDE. SOLIDARIEDADE DO HOSPITAL. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.
DECISÃO MANTIDA.
35m
ANOTAÇÕES

[Link] 4
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1. A decisão que condena solidariamente o hospital e o plano de saúde, com base na res-
ponsabilidade objetiva do CDC, pela negativa indevida de atendimento, reservando o direito
de regresso, não é estranha à jurisprudência desta Corte, de modo que deve ser mantida.
Precedentes.
2. Agravo interno a que se nega provimento.
(AgInt no REsp 1639724/DF, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA
TURMA, julgado em 24/08/2020, DJe 31/08/2020)

Obs.: O STJ vai além e entende que o plano de saúde responde solidariamente pelos atos
de sua cadeia de credenciamento, e, portanto, todos os médicos e hospitais creden-
ciados ao plano de saúde terão o plano enquanto o seu “fiador” ou “fornecedor”. É por
isso que o STJ condena sumariamente o plano de saúde por atos dos profissionais
e hospitais de sua rede credenciada. Essa solidariedade é estabelecida no intuito de
se proteger o consumidor e ainda assim, há uma corrente contrária a ela utilizando o
argumento de que tal ocorrência teria grande repercussão econômica, promovendo
aumentos nos planos de saúde.
40m

Contornos estabelecidos pelo STJ acerca da responsabilidade do hospital, do


médico com vínculo empregatício e do médico sem vínculo empregatício com a insti-
tuição – extraído do voto do Min. Raul Araújo no AgInt no AREsp 1486716/DF, Quarta
Turma, julgado em 29/06/2020, DJe 05/08/2020.
45m
No tocante à responsabilidade civil de entidades hospitalares e clínicas, esta Corte de
Justiça firmou orientação de que:
(i) as obrigações assumidas diretamente pelo complexo hospitalar limitam-se ao forne-
cimento de recursos materiais e humanos auxiliares adequados à prestação dos serviços
médicos e à supervisão do paciente, hipótese em que a responsabilidade objetiva da institui-
ção (por ato próprio) exsurge somente em decorrência de defeito no serviço prestado (artigo
14, caput, do CDC);

Obs.: Mediante falha em serviços diretamente prestados pelo hospital (hotelaria, hospeda-
gem, raio X, etc.) a responsabilidade será sempre objetiva.
ANOTAÇÕES

[Link] 5
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(ii) os atos técnicos praticados pelos médicos, sem vínculo de emprego ou subordinação
com o hospital, são imputados ao profissional pessoalmente, eximindo-se a entidade hospi-
talar de qualquer responsabilidade (artigo 14, § 4º, do CDC); e

Obs.: Se o fato corresponde a um médico que não integra o quadro clínico do hospital, o
estabelecimento não responderá por eventual erro médico, que será de inteira res-
ponsabilidade do profissional.

(iii) quanto aos atos técnicos praticados de forma defeituosa pelos profissionais da saúde vincula-
dos de alguma forma ao hospital, respondem solidariamente a instituição hospitalar e o profissional
responsável, apurada a sua culpa profissional. Nesse caso, o hospital é responsabilizado indireta-
mente por ato de terceiro, cuja culpa deve ser comprovada pela vítima de modo a fazer emergir o
dever de indenizar da instituição, de natureza absoluta (artigos 932 e 933 do Código Civil), sendo
cabível ao juiz, demonstrada a hipossuficiência do paciente, determinar a inversão do ônus da
prova (artigo 6º, inciso VIII, do CDC)
50m

No mesmo sentido: AgInt no AREsp 1595158/MG, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta
Turma, julgado em 18/05/2020, DJe 01/06/2020 e AgInt no AREsp 1532855/SP, Rel. Ministro
Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 21/11/2019, DJe 19/12/2019.

ATENÇÃO
Em qualquer uma dessas hipóteses, o plano de saúde responde solidariamente junto ao
hospital ou médico se esses forem credenciados em sua rede.

Responsabilidade civil entre o ente público e hospital privado conveniado ao SUS

1. In casu, o acórdão vergastado está em conformidade com a orientação do Superior


Tribunal de Justiça de que o município possui legitimidade passiva nas ações de indenização
por falha em atendimento médico ocorrida em hospital privado credenciado ao SUS, sendo a
responsabilidade, nesses casos, solidária.
55m
3. Agravos conhecidos para não se conhecer dos Recursos Especiais.
(AREsp 1594099/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em
10/03/2020, DJe 20/08/2020)
ANOTAÇÕES

[Link] 6
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PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM


RECURSO ESPECIAL. ERRO MÉDICO. RESPONSABILIDADE CIVIL. ESQUECIMENTO
DE RESTOS PLACENTÁRIOS NA CAVIDADE UTERINA. NEGLIGÊNCIA MÉDICA DE CAU-
TELA DE PROFILAXIA NO ARREMATE DE PARTO NORMAL. RESPONSABILIDADE SOLI-
DÁRIA MUNICIPAL. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO DO MUNICÍPIO DE SERTÃOZI-
NHO DESPROVIDO.
1. Conforme orientação jurisprudencial deste STJ, o município possui legitimidade pas-
siva ad causam nas ações de indenização por falha em atendimento médico ocorrida em
hospital privado credenciado ao SUS, sendo a responsabilidade, nesses casos, solidária.
60m
2. Agravo Interno do município desprovido.
(AgInt no AREsp 1540873/SP, Rel. Ministro MANOEL ERHARDT (DESEMBARGADOR
CONVOCADO DO TRF5), PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/08/2021, DJe 19/08/2021)
A responsabilidade subjetiva do médico (CDC, art. 14, §4º) não exclui a possibili-
dade de inversão do ônus da prova, se presentes os requisitos do art. 6º, VIII, do CDC,
devendo o profissional demonstrar ter agido com respeito às orientações técnicas
aplicáveis
(...)
2. É uma prestação de serviços especial a relação existente entre médico e paciente,
cujo objeto engloba deveres anexos, de suma relevância, para além da intervenção técnica
dirigida ao tratamento da enfermidade, entre os quais está o dever de informação.
3. O dever de informação é a obrigação que possui o médico de esclarecer o paciente
sobre os riscos do tratamento, suas vantagens e desvantagens, as possíveis técnicas a
serem empregadas, bem como a revelação quanto aos prognósticos e aos quadros clínico
e cirúrgico, salvo quando tal informação possa afetá-lo psicologicamente, ocasião em que a
comunicação será feita a seu representante legal.
4. O princípio da autonomia da vontade, ou autodeterminação, com base constitucional
e previsão em diversos documentos internacionais, é fonte do dever de informação e do cor-
relato direito ao consentimento livre e informado do paciente e preconiza a valorização do
sujeito de direito por trás do paciente, enfatizando a sua capacidade de se autogovernar, de
fazer opções e de agir segundo suas próprias deliberações.
ANOTAÇÕES

[Link] 7
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5. Haverá efetivo cumprimento do dever de informação quando os esclarecimentos se


relacionarem especificamente ao caso do paciente, não se mostrando suficiente a informação
genérica. Da mesma forma, para validar a informação prestada, não pode o consentimento
do paciente ser genérico (blanket consent), necessitando ser claramente individualizado.
6. O dever de informar é dever de conduta decorrente da boa-fé objetiva e sua simples
inobservância caracteriza inadimplemento contratual, fonte de responsabilidade civil per se.
A indenização, nesses casos, é devida pela privação sofrida pelo paciente em sua autode-
terminação, por lhe ter sido retirada a oportunidade de ponderar os riscos e vantagens de
determinado tratamento, que, ao final, lhe causou danos, que poderiam não ter sido causa-
dos, caso não fosse realizado o procedimento, por opção do paciente.
65m
7. O ônus da prova quanto ao cumprimento do dever de informar e obter o consentimento
informado do paciente é do médico ou do hospital, orientado pelo princípio da colaboração
processual, em que cada parte deve contribuir com os elementos probatórios que mais facil-
mente lhe possam ser exigidos.
8. A responsabilidade subjetiva do médico (CDC, art. 14, §4º) não exclui a possibilidade de
inversão do ônus da prova, se presentes os requisitos do art. 6º, VIII, do CDC, devendo o pro-
fissional demonstrar ter agido com respeito às orientações técnicas aplicáveis. Precedentes.
9. Inexistente legislação específica para regulamentar o dever de informação, é o Código
de Defesa do Consumidor o diploma que desempenha essa função, tornando bastante rigo-
rosos os deveres de informar com clareza, lealdade e exatidão (art. 6º, III, art. 8º, art. 9º).
10. Recurso especial provido, para reconhecer o dano extrapatrimonial causado pelo ina-
dimplemento do dever de informação.
70m
(REsp 1540580/DF, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVO-
CADO DO TRF 5ª REGIÃO), Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA
TURMA, julgado em 02/08/2018, DJe 04/09/2018)

Caso Emblemático

AgInt no AREsp 1097590/MG


A troca de bebês ocorrida em sua maternidade é defeito na prestação de serviço e
enseja a responsabilidade civil objetiva do hospital
(...)
ANOTAÇÕES

[Link] 8
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3. No caso em exame, está configurada a responsabilidade objetiva do hospital recor-


rente pelos danos causados aos autores da demanda (pais e filho), em virtude da troca de
bebês ocorrida em sua maternidade, pois trata-se de defeito na prestação de serviço direta-
mente vinculado à atividade exercida pela entidade hospitalar, nos termos do caput do art. 14
do Código de Defesa do Consumidor.
75m
4. Considerando as peculiaridades do caso concreto, entende-se que não está configu-
rada a alegada exorbitância do valor arbitrado pelas instâncias ordinárias a título de danos
morais, em R$ 70.000,00 (setenta mil reais), para cada um dos autores, sobretudo em razão
da gravidade do resultado advindo do, no mínimo, descuido do hospital de permitir a troca de
recém-nascidos em seu estabelecimento. Tal fato somente veio a ser descoberto pelos pais
e filhos treze anos depois do ocorrido, o que ensejou maior consolidação da situação equi-
vocada ao longo do tempo, aumentando sobremaneira o sofrimento psicológico dos autores
ao tomarem conhecimento do evento danoso. A omissão do hospital ensejou graves conse-
quências na vida das duas famílias envolvidas, de modo que a indenização a título de danos
morais somente terá o condão de amenizar o estrago causado, além de penalizar a ora agra-
vante por sua conduta negligente.

Obs.: Ocorrência retratada no julgado que enseja a responsabilidade objetiva do hospital,


que prestou um serviço o qual resultou na troca de bebês, erro que só foi constatado
após 13 anos e que gerou grande sofrimento para dois núcleos familiares. O profes-
sor recomenda que o aluno considere o julgado e reflita a luz da teoria da paternida-
80m
de ou maternidade socioafetiva.

Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
preparada e ministrada pelo professor Pablo Stolze.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição em vídeo pela leitura exclusiva deste
material.
ANOTAÇÕES

[Link] 9

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