1. Quais são os objetivos do crédito rural?
• estimular os investimentos rurais feitos pelos produtores ou por suas associações (cooperativas,
condomínios, parcerias, etc);
• favorecer o oportuno e adequado custeio da produção e a comercialização de produtos agropecuários;
• fortalecer o setor rural;
• incentivar a introdução de métodos racionais no sistema de produção, visando ao aumento de
produtividade, à melhoria do padrão de vida das populações rurais e à adequada utilização dos recursos
naturais.
2. Que atividades podem ser financiadas pelo crédito rural?
• custeio das despesas normais de cada ciclo produtivo;
• investimento em bens ou serviços cujo aproveitamento se estenda por vários ciclos produtivos;
• comercialização da produção.
3. Como se classifica o custeio?
Classifica-se em:
• custeio agrícola;
• custeio pecuário;
• custeio de beneficiamento ou industrialização.
4. A que pode se destinar o crédito de custeio?
À despesas normais tais como:
• do ciclo produtivo de lavouras periódicas, de entressafra de lavouras permanentes ou da extração de
produtos vegetais espontâneos, incluindo o beneficiamento primário da produção obtida e seu
armazenamento no imóvel rural ou em cooperativa;
• de exploração pecuária;
• de beneficiamento ou industrialização de produtos agropecuários.
5. Quem pode se utilizar do crédito rural?
• produtor rural (pessoa física ou jurídica) e suas associações (cooperativas, condomínios, parcerias,
etc);
• cooperativa de produtores rurais; e
• pessoa física ou jurídica que, mesmo não sendo produtor rural, se dedique a uma das seguintes
atividades:
a) pesquisa ou produção de mudas ou sementes fiscalizadas ou certificadas;
b) pesquisa ou produção de sêmen para inseminação artificial;
c) prestação de serviços mecanizados de natureza agropecuária, em imóveis rurais, inclusive para a
proteção do solo;
d) prestação de serviços de inseminação artificial, em imóveis rurais;
e) exploração de pesca, com fins comerciais.
6. A contratação de assistência técnica é obrigatória?
Cabe ao produtor decidir a necessidade de assistência técnica para elaboração de projeto e orientação,
salvo quando considerados indispensáveis pelo financiador ou quando exigidos em operações com
recursos oficiais.
7. Quais são as exigências essenciais para concessão de crédito rural?
• idoneidade do tomador;
• apresentação de orçamento, plano ou projeto, exceto em operações de desconto de Nota Promissória
Rural ou de Duplicata Rural;
• oportunidade, suficiência e adequação de recursos;
• observância de cronograma de utilização e de reembolso;
• fiscalização pelo financiador.
8. O que é Nota Promissória Rural?
Título de crédito, utilizado nas vendas a prazo de bens de natureza agrícola, extrativa ou pastoril,
quando efetuadas diretamente por produtores rurais ou por suas cooperativas; nos recebimentos, pelas
cooperativas, de produtos da mesma natureza entregues pelos seus cooperados, e nas entregas de bens
de produção ou de consumo, feitas pelas cooperativas aos seus associados. O devedor é, geralmente,
pessoa física.
9. O que é Duplicata Rural?
Nas vendas a prazo de quaisquer bens de natureza agrícola, extrativa ou pastoril, quando efetuadas
diretamente por produtores rurais ou por suas cooperativas, poderá ser utilizada também, como título
do crédito, a duplicata rural. Emitida a duplicata rural pelo vendedor, este ficará obrigado a entregá-la
ou a remetê-la ao comprador, que a devolverá depois de assiná-la. O devedor é, geralmente, pessoa
jurídica.
10. É necessário a apresentação de garantias para obtenção de financiamento rural? Como é feita
a escolha dessas garantias?
Sim. As garantias são livremente acertadas entre o financiado e o financiador, que devem ajustá-las de
acordo com a natureza e o prazo do crédito e podem se constituir de:
• penhor agrícola, pecuário, mercantil ou cedular;
• alienação fiduciária;
• hipoteca comum ou cedular;
• aval ou fiança;
• outros bens que o Conselho Monetário Nacional admitir.
11. A que tipo despesas está sujeito o crédito rural?
• remuneração financeira;
• imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a Títulos e Valores
Mobiliários;
• custo de prestação de serviços;
• adicional do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro);
• sanções pecuniárias;
• prêmio de seguro rural.
Nenhuma outra despesa pode ser exigida do mutuário, salvo o exato valor de gastos efetuados à sua
conta pela instituição financeira ou decorrentes de expressas disposições legais.
12. Como se classificam os recursos do crédito rural ?
Controlados
Os recursos obrigatórios (decorrentes da exigibilidade de depósito à vista), os oriundos do Tesouro
Nacional e os subvencionados pela União sob a forma de equalização de encargos (diferença de
encargos financeiros entre os custos de captação da instituição financeira e os praticados nas operações
de financiamento rural, pagos pelo Tesouro Nacional).
Não - controlados
Todos os demais
13. Quais são os limites de financiamento?
Recursos não-controlados
São livremente pactuados entre as partes
Recursos controlados
O montante de crédito de custeio ou EGF (Empréstimo do Governo Federal) para cada tomador, não-
acumulativo, em cada safra e em todo Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR), está sujeito aos
seguintes limites:
a) R$ 500 mil - para algodão;
b) R$ 400 mil - para lavouras irrigadas de arroz, feijão, mandioca, milho, sorgo ou trigo (somente para
crédito de custeio);
c) R$ 400 mil - para milho;
d) R$ 200 mil - quando destinado à soja nas regiões Centro-Oeste e Norte, no sul do Maranhão, no sul
do Piauí e na Bahia-Sul;
e) R$ 200 mil - quando destinado ao cultivo de amendoim, arroz, feijão, mandioca, sorgo, trigo, soja
(nas demais regiões) e frutíferas;
f) R$ 140 mil - quando destinados a café (somente para crédito de custeio);
g) R$ 200 mil – quando destinado ao cultivo de amendoim, arroz, feijão, mandioca, sorgo e frutíferas;
h) R$ 90 mil – custeio pecuária de leite;
i) R$ 60 mil – investimentos, demais custeios e comercialização;
j) para operações de EGF o limite é sempre o de sequeiro, mesmo quando se tratar de produtos
oriundos de cultivos irrigados.
14. Quais são as taxas de juros segundo a origem dos recursos aplicados?
• recursos controlados: 8,75% a. a., exceto para o Programa Nacional de Financiamento Agrícola
Familiar - Pronaf (ver módulo específico);
• recursos não controlados: livremente pactuadas entre as partes; e
• recursos das Operações Oficiais de Crédito destinados a investimentos: a serem fixadas por ocasião
da divulgação da respectiva linha de crédito.
15. Existem outras linhas de crédito?
Sim. São recursos controlados, equalizados pelo Tesouro Nacional, utilizados nos seguintes programas:
- Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e
Colheitadeiras - (Moderfrota)
Finalidade : facilitar a aquisição de tratores agrícolas e implementos associados, colheitadeiras e
equipamentos para preparo, secagem e beneficiamento de café, financiada isoladamente ou não.
Limite :
a) beneficiários com renda agropecuária bruta anual inferior a R$ 150 mil: 100% do valor dos bens
adquiridos;
b) beneficiários com renda agropecuária bruta anual igual ou superior a R$ 150 mil: 80% do valor dos
bens adquiridos.
Taxa de juros : 9,75% a.a. (renda agropecuária bruta anual inferior a R$ 150 mil) ou 12,75% a.a.
(renda agropecuária bruta anual igual ou superior a R$ 150 mil)
- Programa de Desenvolvimento do Agronegócio - (Prodeagro)
Finalidade : investimentos fixos e semi-fixos relacionados com floricultura, ovinocultura, aqüicultura,
apicultura,suinocultura, avicultura e sericicultura e pecuária de leite.
Limite : R$ 150 mil por produtor
Taxa de juros : 8,75% a.a.
- Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais – (Moderagro)
Finalidade : correção de solos, adubação verde, conservação de solos, recuperação de pastagens
degradadas sistematização de várzeas.
Limite : R$ 200 mil por produtor
Taxa de juros : 8,75% a.a.
- Programa de Apoio à Fruticultura - (Profruta)
Finalidade : investimentos fixos e semi-fixos relacionados com implantação ou melhoramento de
espécies frutíferas.
Limite : R$ 200 mil por produtor
Taxa de juros : 8,75% a.a .
- Programa de Incentivo à Irrigação e à Armazenagem (Moderinfra)
Finalidade: investimentos fixos e semi-fixos direcionados à agricultura irrigada e à instalação e
modernização de armazém nas propriedades rurais.
Limite :
a) R$ 600 mil por beneficiário para empreendimento individual
b) R$ 1.800 mil para empreendimento coletivo, respeitado o limite individual por participante.
Taxa de juros :
a) - para financiamentos de empreendimento individual de até R$ 400.000,00 ( quatrocentos mil reais):
taxa efetiva de juros de 8,75% a.a ;
b) - para financiamentos de empreendimento individual superior a R$ 400.000,00 (quatrocentos mil
reais): taxa efetiva de juros de 10,75% a.a;
c) - para financiamentos de empreendimento coletivo: a mesma regra de que tratam as alíneas a) e b),
de acordo com o valor atribuído a cada participante.
- Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária
(Prodecoop).
Finalidade : incrementar a competitividade do complexo agroindustrial das cooperativas brasileiras,
por meio da modernização dos sistemas produtivos e de comercialização.
Limite: até R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais) por cooperativa para empreendimentos em uma
única unidade da federação, e observados os seguintes tetos, tomados com base no faturamento bruto
anual verificado no último exercício fiscal:
I - até 70% (setenta por cento) do valor do projeto, quando se tratar de cooperativa com faturamento
superior a R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais);
II - até 80% (oitenta por cento) do valor do projeto, quando se tratar de cooperativa com faturamento
acima de R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais) e até R$ 100.000.000,00 (cem milhões de
reais);
III - até 90% (noventa por cento) do valor do projeto, quando se tratar de cooperativa com faturamento
de até R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais);
Taxa de juros : 10,75% a. a .
- Programa de Plantio Comercial e recuperação de Florestas (Propflora )
Finalidade : investimentos fixos semi-fixos destinados ao plantio produção comercial de florestas e
recomposição de reserva legal.
Limit e: R$ 150 mil por beneficiário
Taxa de juros : 8,75% a. a.
16. Como pode-se obter financiamentos ao amparo desses Programas?
Por meio dos agentes financeiros credenciados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES).
17. Como pode ser liberado o crédito rural?
De uma só vez ou em parcelas, em dinheiro ou em conta de depósitos, de acordo com as necessidades
do empreendimento, devendo as utilizações obedecer a cronograma de aquisições e serviços.
18. Como deve ser pago o crédito rural?
De uma vez só ou em parcelas, segundo os ciclos das explorações financiadas. O prazo e o cronograma
de reembolso são estabelecidos em função da sua capacidade de pagamento, de maneira que os
vencimentos coincidam com as épocas normais de obtenção dos rendimentos da atividade assistida.
19. O banco é obrigado a fiscalizar a aplicação da quantia financiada?
Sim. A instituição financeira deve obrigatoriamente fiscalizar, sendo-lhe facultada a realização de
fiscalização por amostragem em créditos de até R$ 60 mil. Essa amostragem consiste na
obrigatoriedade de fiscalizar diretamente até 10% desses créditos.
20. Como deve ser a fiscalização do crédito rural?
Deve ser efetuada da seguinte forma:
• crédito de custeio agrícola: pelo menos uma vez no curso da operação antes da época prevista para
liberação da última parcela ou até 60 (sessenta) dias após a utilização do crédito, no caso de liberação
em parcela única;
• Empréstimo do Governo Federal (EGF), conforme previsto no Manual de Operações de Preços
Mínimos;
• demais financiamentos: até 60 (sessenta) dias após cada utilização, para comprovar a realização das
obras, serviços ou aquisições. Cabe ao fiscal verificar a correta aplicação dos recursos orçamentários, o
desenvolvimento das atividades financiadas e a situação das garantias, se houver.
21. Quais são os instrumentos utilizados para a formalização do crédito rural?
De acordo com o Decreto-lei 167, de 14.02.67, a formalização do crédito rural pode ser realizado por
meio dos seguintes títulos:
• Cédula Rural Pignoratícia (CRP);
• Cédula Rural Hipotecária (CRH);
• Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária (CRPH);
• Nota de Crédito Rural.
Obs.: Faculta-se a formalização do crédito rural por meio de contrato, no caso de peculiaridades
insuscetíveis de adequação aos títulos acima mencionados.
22. O que são esses títulos de crédito?
São promessas de pagamento sem ou com garantia real cedularmente constituída, isto é, no próprio
título, dispensando documento à parte. A garantia pode ser ofertada pelo próprio financiado, ou por um
terceiro. Embora seja considerada um título civil, é evidente sua comerciabilidade, por sujeitar-se à
disciplina do direito cambiário.
23. Segundo a natureza das garantias como devem ser utilizados os títulos de crédito rural?
Com garantia real:
• penhor: Cédula Rural Pignoratícia;
• hipoteca: Cédula Rural Hipotecária;
• penhor e hipoteca: Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária.
Sem garantia real:
• Nota de Crédito Rural.
24. Quando o título de crédito rural adquire eficácia contra terceiros?
A cédula rural vale entre as partes desde a emissão, mas só adquire eficácia contra terceiros depois de
registrada no Cartório de Registro de Imóveis competente.