EXAMES
RADIOLÓGICOS
Professor(a) Esp. Núbia Paula Barela Rodrigues
REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença
DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto
DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá
COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco
COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling
Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
Caroline da Silva Marques
Eduardo Alves de Oliveira
Jéssica Eugênio Azevedo
Marcelino Fernando Rodrigues Santos
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
Hugo Batalhoti Morangueira
Vitor Amaral Poltronieri
ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz
DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira
Carlos Henrique Moraes dos Anjos
Kauê Berto
Pedro Vinícius de Lima Machado
Thassiane da Silva Jacinto
FICHA CATALOGRÁFICA
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
R696e Rodrigues, Núbia Paula Barela
Exames radiológicos / Núbia Paula Barela Rodrigues
Paranavaí: EduFatecie, 2024.
75 p.: il. Color.
1. Radiografia médica. 2. Radiografia – Qualidade da imagem.
I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a
Distância. III. Título..
CDD: 23. ed. 616.0757
Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático
são oriundas do banco de imagens
Shutterstock .
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de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
AUTOR
Professor(a) Esp. Núbia Paula Barela Rodrigues
Olá acadêmicos, eu sou a Professora Núbia Paula Barela, graduada em
Enfermagem pela Universidade Estadual do Paraná - UNESPAR (2017) com especialização
em Enfermagem do Trabalho pela UNINTER (2020) e especialização em Gestão Hospitalar
pela UniFatecie (2023).
Atuei na área da saúde da mulher como Enfermeira Obstetra, instrumentadora
cirúrgica durante 4 anos (2018 - 2021);
Atuei na área de saúde oftalmológica durante 2 anos (2021 -2023), como Gerente
de Enfermagem do Hospital de Olhos de Paranavaí, onde também era responsável técnica
do hospital, realizando exames de ponta como Tomografia de Coerência Óptica - OCT,
Retinografia, Angiofluoresceinografia, entre outros procedimentos de enfermagem;
Atualmente sou Professora de ensino a distância aqui no Centro Universitário
UniFatecie, onde produzimos disciplinas especialmente pensada para o ensino do aluno
da educação a distância.
CURRÍCULO LATTES: [Link]
3
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Olá, acadêmicos! Sejam bem-vindos à nossa jornada de aprendizado em Exames
Radiológicos. Nesta apostila, dividimos o conteúdo em quatro unidades fundamentais,
cada uma abordando aspectos essenciais para compreender e aplicar os princípios da
Radiologia. Vamos conhecer brevemente o conteúdo de cada unidade:
Na nossa primeira unidade veremos sobre a descoberta dos Raio-X por Wilhelm
Conrad Roentgen, o início da área da radiologia através da crianças dos exames de
radiografia, bem como a chegada deste avanço no Brasil, disseminado por grandes nomes
na área médica radiológica como o Dr Manoel de Abreu. Nesta unidade, adentrarmos
na Física das Radiações e Segurança Radiológica, veremos os prejuízos causados pela
exposição em excesso as radiações ionizantes trouxe a comunidade médica radiológica,
e os meios de amenizar os danos que foram propostos através da segurança radiológica.
Em nossa segunda unidade veremos sobre a evolução dos exames radiológicos
através do desenvolvimento de equipamentos radiológicos como a Tomografia
computadorizada e a Ressonância Magnética, ainda nesta unidade será dado o pontapé
inicial para o conhecimento sobre técnicas de posicionamento e imagem;
Chegamos a metade final de nossa apostila abordando em nossa terceira unidade a
anatomia radiológica e interpretação de imagens, onde veremos as diferenças e similaridades
da anatomia humana comum e a anatomia humana radiológica onde aprenderemos como as
estruturas do corpo humano são visualizadas nos exames radiográficos. Veremos também
sobre a interpretação de imagens radiológicas onde vamos iniciar o desenvolvimento
da capacidade de interpretar as imagens radiológicas, habilidade crucial para realizar
diagnósticos precisos.
Chegamos ao final de nossa apostila, em nossa última unidade, conheceremos os
procedimentos específicos e avançados na Radiologia, como a TC, RM, veremos sobre
as tecnologias avançadas em radiologia como a Ultrassonografia 3D e 4D, que apesar de
ser de responsabilidade médica, é imprescindível que o Tecnólogo em Radiologia tenha
conhecimento.
Vamos juntos embarcar nessa jornada de conhecimento! Fiquem à vontade para
explorar cada unidade, participar das atividades propostas e, claro, tirar dúvidas. Vamos
construir conhecimento juntos! Boa jornada!
4
SUMÁRIO
UNIDADE 1
Fundamentos dos Exames Radiológicos
UNIDADE 2
Equipamentos e Técnicas de Imagem
Radiológica
UNIDADE 3
Anatomia Radiológica e Interpretação de
Imagens
UNIDADE 4
Procedimentos Específicos e Avançados
em Radiologia
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1
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UNIDADE
FUNDAMENTOS
DOS EXAMES
RADIOLÓGICOS
Professor(a) Esp. Núbia Paula Barela Rodrigues
Plano de Estudos
• Introdução à Radiologia;
• Física das Radiações e Segurança Radiológica.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar sobre a história da Radiologia no mundo e
no Brasil.
• Compreender o contexto histórico em que a radiologia teve origem,
incluindo a descoberta dos raios-X por Wilhelm Conrad Roentgen em
1895 e os desenvolvimentos científicos que a precederam.
• Identificar os principais eventos e marcos históricos que
impulsionaram a evolução da radiologia, como a introdução de
técnicas de imagem mais avançadas e o uso médico das radiações
ionizantes
• Estabelecer a importância das radiações ionizantes, incluindo raios-X e
radiações gama, suas propriedades e interações com a matéria.
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a),
Seja bem-vindo a uma jornada de descoberta que nos levará aos bastidores
das imagens médicas, no qual a ciência, a tecnologia e a segurança se unem em um
campo fascinante. A partir de agora mergulharemos na Introdução à Radiologia, Física das
Radiações e Segurança Radiológica, explorando um universo que vai além das aparências
e nos permite enxergar profundamente no corpo humano.
A radiologia é a arte de revelar o invisível. Desde a descoberta fortuita dos raios-X
por Wilhelm Conrad Roentgen em 1895, a humanidade ganhou uma ferramenta poderosa
para visualizar estruturas internas sem a necessidade de incisões. Através de uma variedade
de técnicas, como radiografias, tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas,
somos capazes de capturar imagens detalhadas que nos auxiliam a diagnosticar doenças,
avaliar tratamentos e monitorar a saúde de maneira não invasiva.
Mas o que está por trás dessas imagens que nos fascinam? É aí que entra a Física
das Radiações. Imagine uma dança minuciosa entre partículas subatômicas e a matéria do
nosso corpo. Nesse cenário, as radiações ionizantes, como os raios X, desempenham um
papel crucial. Através do entendimento das interações entre essas radiações e a matéria
biológica, abriremos as portas para o segredo das imagens radiológicas, desde os princípios
básicos até as técnicas mais avançadas.
Porém, nossa jornada não se limita apenas à imagem. A Segurança Radiológica é
um compromisso essencial para garantir a saúde de pacientes e profissionais. À medida
que nos aventuramos no mundo da radiação ionizante, também exploraremos as medidas
e diretrizes que visam minimizar riscos, otimizar doses e garantir a proteção de todos os
envolvidos.
Ao final dessa disciplina, você não apenas entenderá a importância da Radiologia,
Física das Radiações e Segurança Radiológica, mas também terá uma nova perspectiva
sobre como a ciência, a tecnologia e a responsabilidade se entrelaçam na busca pela saúde
e bem-estar.
Preparados para desvendar o extraordinário? Vamos juntos explorar a Introdução à
Radiologia, Física das Radiações e Segurança Radiológica.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 7
1
TÓPICO
INTRODUÇÃO À
RADIOLOGIA
A história da Radiologia é marcada pela descoberta científica que revolucionou a
medicina e a ciência como um todo: a identificação dos raios X. Em 1895, o físico alemão
Wilhelm Conrad Roentgen realizou experimentos com tubos de raios catódicos quando
observou algo inédito. Uma placa revestida com material fluorescente começou a brilhar,
mesmo quando estava a uma certa distância do tubo. Roentgen percebeu que uma forma
de radiação desconhecida estava sendo emitida pelos tubos, capaz de atravessar materiais
opacos, através dessa experiência colocou sua mão e percebeu que era possível gerar
imagens inclusive de tecidos humanos e projetar imagens em placas fotossensíveis
(FRANCISCO, 2005).
FIGURA 1 - WILHELM CONRAD ROENTGEN
Fonte: [Link]
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 8
Essa descoberta, inicialmente denominada de “raios X” por Roentgen, provocou
um impacto imenso na área da física pela descoberta de uma radiação que seria o primeiro
passo da radiologia na área médica.
Pela primeira vez, os médicos poderiam visualizar o interior do corpo humano sem a
necessidade de procedimentos invasivos, pois até então quando se suspeitava clinicamente
de alguma intercorrência interna do indivíduo, o meio para checar se havia alguma alteração
era através de procedimentos cirúrgicos muitas vezes, sendo considerado procedimentos
invasivos que em diversos casos não eram necessários, mas como ainda não existia o
método dos “raios X” de Roentgen, era a conduta tomada pelos médicos da época.
A aplicação médica dos raios X desencadeou uma revolução na medicina diagnóstica,
permitindo a identificação de doenças, lesões e anomalias de maneira rápida e precisa.
Ainda, segundo Francisco, após a descoberta das imagens que surgiram através
dos tubos de raios catódicos, era necessário realizar mais teste e experimentos, segundo
a história, no dia 22 de dezembro de 1895, Wilhelm Conrad Roentgen realizou a primeira
radiografia, na qual executou tal procedimento na mão esquerda de sua esposa, Anna
Bertha Roentgen, que foi posicionada sobre um chassi contendo filme fotográfico.
A radiação emanada de um tubo de raios catódicos incidiu sobre a mão por um
período estimado de aproximadamente 15 minutos. Após a exposição à radiação iniciou
o processo de revelação do filme fotográfico, como já esperado, surgiu a representação
da imagem, que confirmou as observações prévias do pesquisador. O resultado capturou
a figura da mão de sua esposa, evidenciando a manifestação dos ossos subjacentes em
contraste com as estruturas de densidade tecidual menos pronunciada.
FIGURA 2 - PRIMEIRA RADIOGRAFIA REALIZADA NO MUNDO EM ANNA BERTHA
Fonte: Educa (s/d).
Nos anos seguintes, após a descoberta dos raios-X por Wilhelm Conrad Roentgen
em 1895, uma onda de entusiasmo científico e da sociedade médica varreu as comunidades
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 9
acadêmicas. A divulgação rápida da descoberta por Roentgen e a subsequente disseminação
de informações sobre a nova forma de radiação geraram um ambiente de exploração intensiva
e experimentação em diversos campus. Médicos e cientistas, intrigados com a capacidade
de penetrar a matéria opaca e capturar imagens internas do ser humano, empenharam-se
em experimentos para compreender melhor os raios-X e suas potenciais aplicações.
À medida que a Radiologia avançava, novas tecnologias e técnicas foram
sendo desenvolvidas, ampliando suas possibilidades e impactos. Na década de 1920, a
fluoroscopia foi introduzida, permitindo a visualização em tempo real do movimento interno
do corpo. Na década de 1970, a tomografia computadorizada (TC) revolucionou ainda mais
a área, proporcionando imagens tridimensionais detalhadas do corpo humano. A TC permitiu
diagnósticos mais precisos e uma compreensão mais profunda das estruturas internas.
A ressonância magnética (RM) foi outra inovação significativa na história da
Radiologia. Introduzida na década de 1980, a RM utiliza campos magnéticos e ondas de
rádio para criar imagens detalhadas dos tecidos moles e órgãos internos, sem a exposição
a radiações ionizantes. Essa tecnologia trouxe avanços notáveis no diagnóstico de doenças
neurológicas e ortopédicas.
Além disso, a Radiologia também se expandiu para outras áreas, como a radiologia
intervencionista, que permite procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem,
e a radiologia nuclear, que utiliza substâncias radioativas para obter informações sobre a
função dos órgãos. A aplicação da Radiologia na odontologia, na pesquisa científica e até
mesmo na análise de objetos culturais e arqueológicos também se tornou uma realidade.
1.1 História da Radiologia no Brasil
Com o surgimento dos raios X, e sua rápida expansão, no ano seguinte à sua
descoberta, o Brasil tinha acesso a tal novidade histórica para a área da medicina. A
comunidade médica polvorosa com tamanha magnitude de melhorias que essa descoberta
poderia gerar, logo iniciaram suas pesquisas, até que em 1897 o primeiro aparelho de raios
x chegava ao Brasil, apenas 2 anos após a sua descoberta.(FRANCISCO,2006)
Segundo Francisco, esse equipamento foi adquirido pelo médico José Carlos
Ferreira Pires e instalado na localidade de Formiga, no estado de Minas Gerais. Dado que
a cidade não possuía acesso à energia elétrica naquela época, inicialmente foram feitas
tentativas de operar o equipamento usando baterias e pilhas com potência de 0,75 HP. No
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 10
entanto, diante dos resultados insatisfatórios, o Dr. Ferreira Pires optou por adquirir um
gerador de eletricidade movido a um motor a gasolina.
No ano de 1898, o Dr. Ferreira Pires realizou a primeira radiografia no Brasil com o
propósito de demonstrar a presença de um corpo estranho na mão do então ministro Lauro
Müller. Naquela época, o tempo necessário para a realização de uma radiografia do tórax
era aproximadamente de 30 minutos, enquanto para a região craniana levava em torno de
45 minutos. O aparelho utilizado nesse contexto está atualmente exposto no International
Museum of Surgical Science, localizado em Chicago, nos Estados Unidos.
FIGURA - 3 PRIMEIRO APARELHO DE RAIO-X NO BRASIL
Fonte: Fenelon (2008).
A primeira década do século XX testemunhou a disseminação da radiologia por todo
o território brasileiro. Em 1905, o médico Francisco de Castro instalou o primeiro aparelho
de raios-X no Hospital São Francisco de Assis, no Rio de Janeiro. Nos anos seguintes,
outras instituições médicas aderiram à radiologia, expandindo seu uso no diagnóstico de
lesões e fraturas (CARVALHO, 2001).
Com o aparelho em mãos, médicos e cientistas realizaram experimentos e estudos,
muitas vezes usando eles mesmos como objetos de teste, o que resultou em exposições
excessivas à radiação e acarretou diversos problemas de saúde.
Os pesquisadores e médicos não acreditavam na seriedade que a exposição em
excesso às radiações poderiam causar, por isso se expunham de tal maneira, o entusiasmo
pela descoberta não os permitia enxergar com clareza os riscos que poderiam estar correndo.
A partir de 1904, 10 anos após a descoberta do “raios X”, não era incomum ler em jornais
comunicado do falecimento de diversos pesquisadores pioneiros da radiografia, além de
médicos e auxiliares desses procedimentos acumularem uma sequência de queimaduras,
amputação, dermatites, alopecia, entre outros diversos problemas que a alta exposição
ocasionava (FRANCISCO, 2005).
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 11
FIGURA 4 - AMPUTAÇÕES POR NECROSE SECUNDÁRIAS A EXPOSIÇÕES DIÁRIAS AOS RAIOS X
Fonte: Francisco et al. (2005).
Apesar das consequências que o raios X podiam causar, as pesquisas nunca
pararam e em 15 de julho de 1916 aconteceu o primeiro curso de radiologia no Brasil,
sob a liderança do professor Roberto Duque Estrada, era composto por 30 aulas que
combinavam teoria e prática, enriquecidas com materiais indicados do arquivo da Santa
Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro (CARVALHO, 2002).
A década de 1920 marcou um período de reconhecimento e consolidação da
radiologia como disciplina acadêmica e prática médica. Em 1920, o Instituto de Radium
da Universidade de São Paulo foi fundado, sendo um marco para o ensino e a pesquisa
radiológica no país. A atuação dos pioneiros radiologistas, como Pereira Filho e Álvaro
Osório de Almeida, contribuiu para a expansão da radiologia (CARVALHO, 2002)
A partir da década de 30, o curso ministrado pelo professor Duque Estrada contava
com a colaboração de um jovem radiologista da época, Nicola Caminha. Simultaneamente,
outras duas instituições de ensino de radiologia estavam surgindo, lideradas por destacados
mestres: Manoel de Abreu, na Faculdade de Ciências Médicas, e José Guilherme Dias
Fernandes, na Faculdade de Medicina do Instituto Hahnemaniano (atual Hospital Gaffrée
Guinle) (FRANCISCO, 2006).
O Dr. Manoel Dias de Abreu introduziu um exame denominado Roentgenfotografia,
que ele apresentou à Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro em julho de
1935. Esse exame fundamentava-se na fotografia da “tela” ou do écran fluorescente. O
processo envolvia a captura da imagem em filme de 35 mm ou 70 mm. Abreu, embora
recomendando o filme de 35 mm devido ao menor custo, observou a necessidade de lentes
de aumento especiais para interpretação precisa do exame. Contudo, em 1939, durante o
I Congresso Nacional de Tuberculose, no Rio de Janeiro, a nomenclatura “abreugrafia” foi
unanimemente aceita.(SANTOS,1965)
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 12
FIGURA 5 - DR. MANOEL DIAS DE ABREU
Fonte: Souza (2018).
Esse exame foi amplamente aplicado na triagem de tuberculose e doenças
pulmonares ocupacionais, espalhando-se rapidamente pelo mundo devido à sua
operacionalidade econômica e alta eficiência técnica. Unidades móveis foram produzidas
e escolhidas globalmente. Tamanha foi a aprovação e entusiasmo com esse método que,
somente na Alemanha até 1938, o professor Holfelder já havia realizado mais de 500 mil
exames. A relevância de sua contribuição levou à formação da Sociedade Brasileira de
Abreugrafia em 1957 e à publicação da Revista Brasileira de Abreugrafia.
Com a descoberta que era possível reproduzir imagens internas dos seres humanos,
bem como da matéria opaca, incentivou o desenvolvimento de pesquisa e desenvolvimento
de novos equipamentos para realizar exames radiológicos, avançando cada vez mais ao
longo do tempo e se tornando uma área da medicina de especialidade de exames de
imagens, na qual atualmente existem novas tecnologias, bem como medidas de proteção
para evitar possíveis lesões causadas pela radiação.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 13
2
TÓPICO
FÍSICA DAS RADIAÇÕES E
SEGURANÇA RADIOLÓGICA
A Física das Radiações e a Segurança Radiológica desempenham um papel crucial
na compreensão dos princípios fundamentais por trás das tecnologias de imagem médica
e na proteção de pacientes, profissionais de saúde e público em geral contra os riscos da
exposição à radiação ionizante. Neste tópico iremos explorar os conceitos essenciais da
Física das Radiações e sua aplicação na prática radiológica, bem como os protocolos de
segurança que garantem o uso seguro e eficaz das técnicas de imagem.
Para compreender a física das radiações é preciso saber a diferença entre os
tipos de radiações utilizadas pelos equipamentos, sendo elas radiações ionizantes e não
ionizantes.
As radiações ionizantes são caracterizadas por sua capacidade de remover elétrons
de átomos ou moléculas através de colisões, resultando na formação de íons carregados
eletricamente. Esse processo de ionização pode induzir alterações químicas e biológicas
nas substâncias com as quais a radiação interage. Dentre as fontes notáveis de radiações
ionizantes estão os raios-X, raios gama, partículas alfa e partículas beta. O efeito das
radiações ionizantes está diretamente relacionado à energia da radiação, sendo capazes
de causar danos biológicos substanciais a níveis elevados de exposição. A interação das
radiações ionizantes com a matéria é regida por processos como o efeito fotoelétrico, o
espalhamento Compton e a produção de pares (BIASOLI, 2015).
Para contextualizar de maneira simplificada e de maneira didática, podemos definir
os raios X como radiações eletromagnéticas de alta energia frequentemente utilizadas
em exames diagnósticos e terapêuticos na área médica. A nível nacional, os raios-X são
amplamente empregados em hospitais e clínicas para produzir imagens detalhadas de
tecidos internos do corpo humano, auxiliando no diagnóstico de diversas condições de
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 14
saúde. A regulação e a segurança da utilização dos raios-X são supervisionadas pela
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e pela Comissão Nacional de Energia
Nuclear (CNEN) no Brasil.
Se tratando da radiação ionizante, denominada de raios gama, consistem em radiações
eletromagnéticas de alta energia emitidas por núcleos atômicos em estados de excitação.
No contexto brasileiro, as aplicações de raios gama incluem a indústria, onde são usados
para esterilização de produtos e materiais, e a medicina nuclear, que utiliza radiofármacos
em procedimentos de diagnóstico e terapia. A CNEN é responsável por regulamentar e
supervisionar a utilização segura de fontes de raios gama no país (CNEN, 2018).
Outro modelo conhecido de radiação ionizante são as partículas alfa constituídas
por núcleos de hélio, compostos por dois prótons e dois nêutrons. No contexto brasileiro,
embora apresentem baixa capacidade de penetração, as partículas alfa têm sido utilizadas
em pesquisas e aplicações industriais, como análises de espessura de materiais. A CNEN
estabelece regulamentações para a manipulação segura de fontes alfa no Brasil.
Outro método de radiação ionizante são as partículas beta que consistem em
elétrons (beta negativo) ou pósitrons (beta positivo) emitidos por átomos instáveis durante
processos de decaimento radioativo. No Brasil, as partículas beta são aplicadas em
pesquisas científicas, produção de radioisótopos e monitoramento ambiental. A CNEN
também regulamenta a utilização segura de fontes beta no país.
FIGURA - 6 TIPOS DE RADIAÇÕES IONIZANTES
Fonte: Shutterstock l ID:2313420693
Em contrapartida, as radiações não ionizantes precisam da energia suficiente
para promover a ionização da matéria. Exemplos dessas radiações incluem ondas
eletromagnéticas de frequências mais baixas, como micro-ondas, radiofrequência e radiação
ultravioleta (UV). A exposição a radiações não ionizantes tipicamente resulta em excitação
eletrônica ou térmica dos átomos e moléculas, mas não conduz à formação de íons.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 15
Embora radiações não ionizantes, como a radiação UV, possam causar danos biológicos,
sua capacidade de penetrar e afetar profundamente tecidos biológicos é consideravelmente
menor em comparação com as radiações ionizantes.
As radiações ionizantes, como raios X, raios gama, partículas alfa e partículas
beta, desempenham um papel fundamental em diversas aplicações na área da saúde e
da pesquisa científica. Suas propriedades únicas de interação com a matéria permitem
avanços significativos em diagnóstico por imagens e tratamento como a radioterapia, que
após anos de pesquisas provou ser também uma alternativa para tratamento para lesões
neoplásicas (BIASOLI, 2015).
Dessa maneira, a radioterapia envolve o uso controlado de radiações ionizantes
para tratar doenças, especialmente o câncer. Feixes de radiação são direcionados para
as células tumorais, danificando seu DNA e inibindo sua capacidade de se reproduzir.
Isso é essencial para a destruição das células cancerosas. Técnicas avançadas, como
radioterapia conformacional e radiocirurgia estereotáxica, permitem a entrega precisa da
dose de radiação ao tumor, minimizando os danos aos tecidos saudáveis circundantes.
Ao que se refere ao diagnóstico por imagens, as radiações ionizantes são amplamente
utilizadas em procedimentos de diagnóstico médico. Os raios X são essenciais para a obtenção
de imagens detalhadas de estruturas internas do corpo humano, auxiliando na identificação de
fraturas, tumores e outras anomalias. A tomografia computadorizada (TC) combina imagens
de raios X de diferentes ângulos para produzir cortes transversais do corpo, permitindo
diagnósticos mais precisos. Bem como a mamografia, um exame de rastreamento para o
câncer de mama, também emprega raios X de baixa dose (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011).
2.1 Riscos Associados à Exposição às Radiações Ionizantes: Efeitos
Determinísticos e Estocásticos
A exposição às radiações ionizantes pode acarretar riscos significativos para a
saúde humana, manifestados por meio de efeitos determinísticos e estocásticos. Esses
efeitos resultam da interação das radiações com os tecidos do corpo, podendo causar
danos biológicos, a principal distinção entre esses dois tipos reside no fato de que os efeitos
estocásticos desencadeiam mudanças celulares, enquanto os efeitos determinísticos
levam à morte celular. Os efeitos estocásticos promovem alterações não previsíveis no
DNA de uma única célula que, no entanto, mantém sua capacidade de reprodução. Isso
eventualmente pode levar à transformação celular (SANTOS, 2022).
Ainda, segundo Santos, os efeitos determinísticos, também conhecidos como
efeitos não estocásticos, ocorrem quando a gravidade das lesões é diretamente proporcional
à dose absorvida. Isso significa que, à medida que a dose aumenta, a probabilidade de
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 16
ocorrência e a severidade dos efeitos também aumentam. Exemplos incluem a síndrome
aguda da radiação, que ocorre em doses elevadas e pode causar sintomas imediatos
como náuseas, vômitos e alterações hematológicas. Os tecidos afetados e a gravidade dos
sintomas dependem da dose recebida e do tipo de radiação.
Os efeitos estocásticos, também chamados de efeitos aleatórios, são aqueles
nos quais a probabilidade de ocorrência aumenta com a dose, mas a gravidade não está
relacionada à dose. Esses efeitos não têm um limiar claro, o que significa que mesmo
exposições a doses muito baixas podem aumentar o risco de ocorrência. Exemplos de efeitos
estocásticos incluem o câncer induzido por radiação e mutações genéticas. As evidências
para esses efeitos são frequentemente discutidas a partir de estudos epidemiológicos em
populações expostas a radiações ionizantes.
A utilização das radiações ionizantes em diversas aplicações, tais como
diagnóstico médico, radioterapia e pesquisa científica, demanda uma abordagem rigorosa
e regulamentada com o objetivo primordial de minimizar os riscos associados à exposição.
O controle e a regulação das atividades envolvendo radiações ionizantes são fundamentais
para garantir a segurança de profissionais da saúde, pacientes e do público em geral, ao
mesmo tempo, em que se mitigam potenciais efeitos adversos à saúde.
Com base nos efeitos causados pela exposição a radiações ionizantes, principalmente
pelo histórico de malefícios causado pela grande exposição a esse tipo de radiação, foi
necessário criar uma regulamentação que desempenha um papel crucial na definição de
diretrizes claras quanto aos limites de dose admissíveis, condições de trabalho, práticas
de proteção radiológica e sistemas de monitoramento. Órgãos reguladores nacionais,
como a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) no Brasil, estabelecem normas e
regulamentos específicos para aquisição, transporte, manipulação e disposição segura de
fontes de radiação ionizante. Tais regulamentações incluem a certificação de equipamentos,
capacitação dos profissionais envolvidos e avaliações periódicas das práticas implementadas.
As estratégias de proteção radiológica, abarcando a utilização de dispositivos de
medição, aventais plumbíferos e barreiras de contenção, são implementadas para reduzir a
exposição às radiações ionizantes. Além disso, a otimização das práticas, como a seleção
da técnica de imagem mais adequada em radiodiagnóstico ou a individualização das doses
em radioterapia, contribui para minimizar exposições desnecessárias e maximizar os
benefícios clínico (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011).
O uso responsável das radiações ionizantes também exige a conscientização dos
profissionais envolvidos e a educação do público sobre os riscos e os benefícios associados.
A disseminação de informações corretas promove uma compreensão sólida da natureza
das radiações ionizantes, auxiliando na tomada de decisões informadas a respeito das
práticas radiológicas.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 17
Baseado no que vimos da história da radiologia, dos malefícios e benefícios causados por esse artifício,
evidenciado de maneira contundente que a segurança para manipular equipamentos que emitem radiação
é mais do que necessária, se torna fundamental para garantir a segurança tanto do profissional quanto do
cliente.
Para isso, o conhecimento sobre os dispositivos de proteção, bem como as normas regulamentadoras
acerca desse assunto, se torna o diferencial de um profissional bem capacitado e de excelência.
Como recomendação, deixo aqui uma indicação de livro sobre este tema:
Proteção Radiológica e Dosimetria – Físico, escrito por Sergio Tomaz Natele pela Editora Érica, disponível
em modelo de livro digital ou físico.
[Link]
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A descoberta da radiologia iluminou não apenas o mundo invisível dentro de nós, mas também o caminho
para diagnósticos mais precisos, tratamentos eficazes e a busca incessante por compreender os segredos
da matéria e da vida.
Fonte: a autora (2023).
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 18
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao final da nossa unidade I, da disciplina de Exames Radiológicos, o
conhecimento adquirido em Introdução à Radiologia fornece uma visão abrangente sobre
a história, princípios e aplicações da radiologia, sendo alicerce para explorar as técnicas
avançadas e as tecnologias emergentes no campo. O entendimento do surgimento e
história da criação dos Raios X de Roentgen, nos permitem entendimento da evolução da
Radiologia em rápida expansão.
A Física das Radiações e a Segurança Radiológica estão entrelaçadas em um
tecido inseparável. O embasamento na Física permite a compreensão das propriedades das
radiações, sua interação com a matéria e os princípios dos equipamentos radiológicos. Essa
compreensão é crucial para otimizar os procedimentos, assegurar a qualidade das imagens
e minimizar a dose de radiação recebida por pacientes e profissionais de saúde. A adoção
das melhores práticas de Segurança Radiológica, conforme estabelecido pelas normas e
diretrizes, garante um ambiente controlado e seguro em que as radiações são utilizadas.
A responsabilidade ética e moral dos profissionais envolvidos na radiologia é
ressaltada pelo compromisso com a minimização dos riscos. A deliberação cuidadosa sobre
a justificativa de procedimentos radiológicos, a implementação de medidas de proteção
radiológica e a conscientização do público sobre os benefícios e riscos associados são
passos cruciais para uma prática responsável.
Portanto, o estudo de Introdução à Radiologia, Física das Radiações e Segurança
Radiológica tem a função de um alicerce para o progresso e a excelência na utilização das
radiações ionizantes. Para que agora nas nossas 3 unidades restantes possamos adentrar
ao progresso que essa descoberta desenvolveu.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 19
LEITURA COMPLEMENTAR
SANTOS, L. L. et al. Efeitos biológicos da radiação ionizante nas células. Rev. Atenas
Higeia, vol. 4 n.º 1. 2022. Disponível em: [Link]
article/view/128/328 Acesso em: 18 ago. 2023.
BIASOLI JR, A. Técnicas radiográficas: princípios físicos, anatomia básica,
posicionamento, radiologia digital, tomografia computadorizada. Editora Rubio, 2015.
FLÔR, R. D. C.; KIRCHHOF, A. L. C. Uma prática educativa de sensibilização quanto
à exposição a radiação ionizante com profissionais de saúde. Revista Brasileira de
Enfermagem, 59, 274-278. 2006.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 20
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Radiologia básica: aspectos fundamentais
• Autor: William Herring
• Editora: GEN GUANABARA KOOGAN
• Sinopse: Radiologia Básica chega à quarta edição, revisado e
aprimorado, mantendo seu objetivo primordial de oferecer conteúdo
seguro por meio de abordagem concisa e descomplicada. Seu
texto, claro e objetivo, fornece introdução abrangente e atualizada à
radiologia, indispensável para estudantes de medicina, residentes,
profissionais de áreas afins e todos os que precisam interpretar
imagens radiológicas.
• Principais características: Três novos capítulos: Ultrassonografia
Vascular, Pediátrica e de Emergência (Point of Care); Como Usar
Intervenções Guiadas por Imagem no Diagnóstico e no Tratamento:
Radiologia Intervencionista; e Como Reconhecer os Achados de
Exames de Imagem da Mama. Atualização significativa em todos os
capítulos da obra Pequenos casos clínicos, que convidam o leitor
a examinar como as intervenções guiadas por imagem podem ser
úteis na resolução de problemas Imagens de excelente qualidade,
entre fotografias e ilustrações Recursos pedagógicos [...]
FILME/VÍDEO
• Título: Radioactive
• Ano: 2020
• Sinopse: Movida por uma mente brilhante e uma grande paixão,
Marie Curie embarca em uma jornada científica com o marido, Pierre,
para explicar elementos radioativos até então desconhecidos. Logo
se torna evidente que seu trabalho pode levar salvar milhares de vidas
se aplicado na medicina - ou destruir bilhões se for usado na guerra.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS EXAMES RADIOLÓGICOS 21
2
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UNIDADE
EQUIPAMENTOS
E TÉCNICAS
DE IMAGEM
RADIOLÓGICA
Professor(a) Esp. Núbia Paula Barela Rodrigues
Plano de Estudos
• Equipamentos Radiológicos;
• Técnicas de Posicionamento e Imagem.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar sobre as partes-chave dos sistemas
radiológicos e sua funcionalidade;
• Identificar os diferentes tipos de equipamentos radiológicos,
incluindo raios-x, TC e RM;
• Compreender os princípios básicos das diferentes formas de
radiação ionizante e seus efeitos;
• Estabelecer a importância sobre regulamentações e diretrizes de
segurança radiológica..
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a),
É com grande prazer que damos início à nossa unidade II, “Equipamentos e Técnicas
de Imagem Radiológica”. Durante nossos estudos, estaremos explorando os fundamentos
essenciais por trás das tecnologias que revolucionaram a medicina diagnóstica. Em um
mundo no qual as imagens têm o poder de revelar detalhes internos do corpo humano, é
fundamental compreender a ciência e a prática que sustentam essa capacidade.
Nesta unidade encontraremos o funcionamento dos equipamentos radiológicos,
desde os tradicionais raios-x até as tecnologias de ponta, como a ressonância magnética
e a tomografia computadorizada. Entenderemos os princípios físicos subjacentes a essas
máquinas e como cada componente contribui para a geração de imagens diagnósticas de
alta qualidade. Nosso objetivo não é apenas conhecer essas tecnologias, mas também
dominar sua operação, garantindo a precisão e a segurança no uso clínico.
Por fim, abordaremos a importância das técnicas de posicionamento, um aspecto
frequentemente subestimado, porém, vital, no processo de aquisição de imagens
radiológicas. Nossa unidade II incluirá o estudo de posições específicas para diferentes
exames, considerando a variação individual e a anatomia envolvida.
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 23
1
TÓPICO
EQUIPAMENTOS
RADIOLÓGICOS
A área da medicina diagnóstica experimentou avanços notáveis devido à constante
evolução tecnológica. Entre os pilares fundamentais desses avanços estão os equipamentos
radiológicos, que desempenham um papel crucial na obtenção de informações anatômicas
e funcionais do corpo humano. Esses dispositivos utilizam radiações ionizantes e não
ionizantes para produzir imagens médicas detalhadas, permitindo aos profissionais de
saúde uma visão profunda do interior do corpo.
A diversidade de equipamentos radiológicos, desde os sistemas de raios-x
convencionais até as sofisticadas ressonâncias magnéticas e tomografias computadorizadas,
reflete a complexidade e o refinamento das soluções tecnológicas que moldam os avanços
tão importantes para essa área.
Com esses avanços, surgiram diversos exames de diagnósticos radiológicos, os
equipamentos radiológicos existentes abrangem diversas tecnologias empregadas na
obtenção de imagens médicas com finalidades diagnósticas e terapêuticas.
Para adentrarmos em cada equipamento de forma aprofundada, é importante
contextualizar quais equipamentos veremos de maneira resumida para facilitar a
compreensão e diferenciação de indicação para cada equipamento.
Desta forma, podemos apresentar os aparelhos de raio-x convencionais como
equipamentos que emitem radiação ionizante para criar imagens de estruturas internas
do corpo. Sendo utilizado frequentemente para diagnósticos de condições como fraturas
ósseas, infecções pulmonares e doenças cardíacas.
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 24
A segunda tecnologia de equipamentos radiológicos refere-se à Tomografia
Computadorizada (TC), a qual utiliza raios X para criar imagens detalhadas em cortes
transversais do corpo. Ela fornece informações detalhadas sobre a anatomia interna e é
essencial para avaliações de tumores, lesões internas e vasos sanguíneos.
A terceira tecnologia de equipamentos radiológicos trata-se da Ressonância
Magnética (RM), que utiliza campos magnéticos e radiofrequência para gerar imagens do
corpo em diferentes planos. É especialmente útil para a visualização de tecidos moles,
como o cérebro, músculos e órgãos abdominais.
Ambientados dos equipamentos que iremos conhecer, a partir de agora iremos
aprofundar nosso conhecimento sobre cada equipamento e suas indicações, posteriormente
iremos ver o posicionamento anatômico que cada exame exige para sua realização de
maneira eficiente e de alta performance.
1.1 Raio-x convencional e digital
O equipamento de Raio-x Convencional é um dispositivo essencial na prática médica
para a obtenção de imagens internas do corpo humano. Utilizando radiações ionizantes,
esse equipamento permite a visualização de estruturas anatômicas, como ossos e órgãos,
atualmente de forma menos invasiva. O sistema de raio-x convencional compreende um
tubo de raios X que emite uma fonte controlada de radiação direcionada para a área de
interesse do paciente. A radiação penetra os tecidos do corpo, sendo absorvida de maneira
diferenciada, dependendo da opacidade das estruturas, gerando uma imagem radiográfica
em um filme especializado.(BASIOLI,2015).
Ainda segundo Basioli, o processo de aquisição em raio-x convencional ocorre com
o paciente posicionado entre o tubo de raios X e a placa com o detector de filme radiográfico.
A radiação é projetada através do corpo e a quantidade de radiação transmitida é registrada
no filme. Esse filme, quando revelado, apresenta a imagem radiográfica, para que possa
ser avaliada a hipótese diagnóstica que levou à realização do exame, podendo confirmar
ou não diversas condições médicas.
O exame de raios-x convencional oferece uma abordagem tradicional e amplamente
utilizada para a obtenção de imagens médicas. No entanto, essa técnica apresenta
algumas limitações, como a necessidade de processamento manual do filme radiográfico e
a exposição à radiação para o paciente e profissionais de saúde.
Em contrapartida, o exame de raio-x digital também utiliza radiações ionizantes
para gerar as imagens, porém, imagens digitais permitindo uma aquisição mais rápida, uma
visualização imediata e um processo de análise mais dinâmico (BONTRAGER, 2015).
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 25
O sistema de raio-x Digital consiste em um tubo de raios-X que emite radiações
ionizantes direcionadas para o paciente, juntamente com um detector eletrônico sensível à
radiação. Ao contrário dos sistemas convencionais, nos quais as imagens são capturadas
em filmes radiográficos, o equipamento de raio-x Digital converte a radiação em sinais
elétricos, que são posteriormente convertidos em informações digitais para formar a imagem
radiográfica (BONTRAGER, 2015).
Esse processo digital oferece diversas vantagens em comparação com a
abordagem convencional. A aquisição de imagens é praticamente instantânea, eliminando
a necessidade de revelação de filmes. As imagens digitais podem ser visualizadas
imediatamente, ajustadas para otimização diagnóstica e facilmente compartilhadas entre
profissionais de saúde. Além disso, a manipulação das imagens digitais permite realces de
contraste e detalhes para uma análise mais aprofundada.
Em síntese, o exame de raio-x digital representa um avanço significativo na radiologia
diagnóstica, proporcionando uma aquisição mais eficiente e processamento de imagens que
contribuem para diagnósticos precisos e tratamentos adequados de forma ágil e segura.
FIGURA 1 - EXAME DE RAIO-X
Fonte: Shutterstock l ID: 2287604441
1.2 Tomografia Computadorizada (TC)
A tomografia computadorizada (TC) é um método aprimorado, no que se refere
à medicina de imagem, que utiliza raios X para criar imagens detalhadas e transversais
do corpo humano. Esse equipamento desempenha um papel fundamental no diagnóstico,
monitoramento e planejamento de tratamentos médicos, proporcionando informações
anatômicas precisas e valiosas.
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 26
A operação da TC envolve a rotação em 360º graus, de maneira controlada, do
tubo de raios-X em torno do paciente. Enquanto o tubo emite feixes de radiação, detectores
localizados em posições opostas registram os raios-X que atravessam o corpo. Com base
nesses dados, um computador processa as informações e gera imagens transversais,
também chamadas de “cortes”, que representam fatias finas do corpo (ARAÚJO, 2011).
O resultado é um conjunto de imagens detalhadas que podem ser visualizadas em
diferentes planos, permitindo aos médicos analisar as estruturas internas do corpo com
precisão. A TC oferece vantagens significativas, como alta resolução espacial, capacidade
de diferenciar diversos tipos de tecidos e rápida aquisição de imagens, o que é especialmente
importante em situações de emergência.
As inovações na tecnologia da TC têm levado ao desenvolvimento de equipamentos
mais avançados, incluindo a TC helicoidal, que permite a aquisição contínua de imagens
em espiral, resultando em tempos de exame mais curtos e menor exposição à radiação
para o paciente. Além disso, a TC multicorte possibilita a obtenção de múltiplos cortes em
uma única rotação, melhorando a eficiência diagnóstica.
A aplicação clínica da TC é ampla e diversificada. Ela é usada para diagnósticos
de doenças cardiovasculares, câncer, lesões traumáticas, distúrbios neurológicos, doenças
pulmonares e muito mais. A capacidade de visualizar estruturas internas em detalhes
contribui para diagnósticos precisos e tratamentos eficazes.
FIGURA 2 - EQUIPAMENTO DE TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA (TC)
Fonte: Shutterstock l ID: 1819134215
1.3 Ressonância Magnética (RM)
A Ressonância Magnética (RM) é um equipamento avançado de imagem médica
que utiliza princípios físicos do magnetismo e da radiofrequência para produzir imagens
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 27
detalhadas do interior do corpo humano. Esse equipamento é amplamente empregado na
medicina diagnóstica devido à sua capacidade de fornecer informações detalhadas sobre
os tecidos moles, estruturas anatômicas e processos fisiológicos.
O equipamento de Ressonância Magnética consiste em um potente ímã
supercondutor, que gera um campo magnético intenso e uniforme em torno da área do
corpo a ser examinada. Durante o procedimento, o paciente é posicionado dentro da
câmara magnética, onde núcleos de hidrogênio presentes nos tecidos emitem sinais de
radiofrequência quando estimulados por pulsos de energia. Esses sinais são captados
por antenas de radiofrequência e, por meio de um complexo processo de aquisição e
processamento de dados, são transformados em imagens transversais em diversos planos
anatômicos (AMARO; YAMASHITA, 2001).
A Ressonância Magnética oferece contrastes diferenciados entre os tecidos,
permitindo a visualização de detalhes sutis que podem não ser identificáveis por outros
métodos de imagem, como a tomografia computadorizada. Além disso, a técnica não
envolve radiação ionizante, tornando-a segura para pacientes e minimizando riscos de
exposição (NACIF, 2011).
O uso da Ressonância Magnética abrange várias especialidades médicas, incluindo
a neurologia, ortopedia, cardiologia, oncologia e radiologia geral. Ela desempenha um
papel fundamental na identificação de patologias, no planejamento de tratamentos e no
acompanhamento de respostas terapêuticas.
Embora a Ressonância Magnética seja um recurso valioso, ela também possui
limitações, como a necessidade de o paciente permanecer imóvel durante o exame devido
a tempos de aquisição prolongados e restrições para pacientes com dispositivos médicos
implantados ou objetos metálicos.
FIGURA 3 - EQUIPAMENTO DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA (RM)
Fonte: Shutterstock l ID: 583285942
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 28
2
TÓPICO
TÉCNICAS DE
POSICIONAMENTO
E IMAGEM
As Técnicas de Posicionamento e Imagem em exames radiológicos desempenham
um papel fundamental na obtenção de imagens médicas de alta qualidade e precisão. Essas
técnicas envolvem a preparação adequada do paciente, o posicionamento correto do corpo e
a seleção de parâmetros de aquisição ideais para produzir imagens radiográficas ou de outros
tipos de exames diagnósticos. A eficácia dessas técnicas impacta diretamente na qualidade
das imagens obtidas, influenciando a precisão dos diagnósticos e os resultados clínicos.
O processo de técnicas de posicionamento e imagem inicia-se com a avaliação
cuidadosa do médico ou do técnico radiologista, que determina a necessidade do exame
e os melhores métodos de obtenção de imagens para visualizar determinadas estruturas
anatômicas ou condições patológicas. Uma vez que o paciente é preparado e colocado na
posição apropriada, o equipamento de imagem, como os sistemas de raio-x, tomografia
computadorizada e ressonância magnética é ajustado para capturar as imagens necessárias.
As técnicas de posicionamento envolvem a colocação do paciente de maneira que
as estruturas de interesse estejam adequadamente alinhadas com o feixe de radiação ou
o campo de imagem. Além disso, a imobilização e o uso de dispositivos específicos podem
ser empregados para garantir a estabilidade e o alinhamento preciso.
As técnicas de imagem abrangem a seleção de parâmetros de aquisição, como
exposição à radiação, tempo de aquisição, resolução e contraste. A otimização desses
parâmetros visa minimizar a exposição à radiação do paciente enquanto mantém a qualidade
da imagem diagnóstica. Nos exames de tomografia computadorizada e ressonância
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 29
magnética, a escolha de protocolos apropriados de aquisição e sequências específicas
também é crucial para obter imagens de alta resolução e contraste (MOURÃO, 2018).
Em síntese, as Técnicas de Posicionamento e Imagem em exames radiológicos são um
componente crítico na obtenção de diagnósticos precisos. A habilidade técnica dos profissionais
envolvidos, aliada à escolha adequada de equipamentos e parâmetros de aquisição, assegura
a obtenção de imagens de qualidade, permitindo aos médicos uma análise detalhada das
estruturas anatômicas e um diagnóstico confiável das condições médicas.
Daremos início a noções dos termos relacionados à radiologia, principalmente
sobre “posicionamento” e “incidência” no qual se referem a duas dimensões essenciais ao
realizar exames radiográficos. Embora estejam relacionados, eles se referem a aspectos
diferentes do processo de obtenção de imagens médicas.
De acordo com da Silva (2017), o posicionamento refere-se à maneira como o
paciente é colocado, alinhado e posicionado em relação ao equipamento de imagem.
Envolve a posição do corpo do paciente, dos membros e de outras partes anatômicas
para que a área de interesse esteja adequadamente posicionada para obter uma imagem
diagnóstica de alta qualidade. Um bom posicionamento é fundamental para garantir que
as estruturas anatômicas de interesse estejam bem alinhadas com o feixe de radiação,
minimizando distorções e artefatos na imagem final. A qualidade do posicionamento afeta
diretamente a qualidade da imagem e a precisão do diagnóstico.
A incidência, por outro lado, refere-se à direção e ao ângulo do feixe de radiação
em relação ao paciente. Ela determina como o feixe de radiação é projetado através do
corpo do paciente para atingir a área de interesse. A incidência pode variar dependendo
da parte do corpo que está sendo examinada e do tipo específico de exame radiográfico
sendo realizado. A escolha da incidência correta é crucial para visualizar as estruturas de
interesse de forma otimizada e obter informações diagnósticas precisas.
Portanto, podemos afirmar que o posicionamento envolve a colocação correta do
paciente e de suas partes anatômicas, enquanto a incidência se refere à direção e ao
ângulo do feixe de radiação. Ambos são elementos essenciais para a obtenção de imagens
radiográficas de alta qualidade e precisão, que são fundamentais para um diagnóstico
clínico confiável.
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 30
Embasado no que estudamos nesta unidade, e a fim de fornecer mais informações sobre este tema, indico
a leitura do artigo sobre “Inovações como impacto na Radiologia”.
ALMEIDA, R. Inovações como impacto na Radiologia. ROENTGEN-Revista Científica das Técnicas Radiológicas,
v. 4, n. 2, p. 85-90, 2023. Disponível em: [Link]
Na arte da radiografia, o posicionamento preciso é a chave que revela não apenas imagens, mas histórias
escondidas nos detalhes, onde a luz dos raios X evidenciam a beleza da anatomia oculta.
Fonte: A autora (2023).
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 31
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a),
Chegamos ao final da nossa unidade II com o tema “Equipamentos e Técnicas
de Imagem Radiológica”, gostaria de relembrar um pouco do que foi visto durante esse
período, tivemos a oportunidade de conhecer os equipamentos radiológicos, que logo farão
parte da sua rotina, enquanto futuro Tecnólogo em Radiologia, adquirindo conhecimentos
importantes que certamente moldarão nossa abordagem à radiologia.
Ao explorar os equipamentos radiológicos, compreendemos a importância
fundamental dos princípios físicos subjacentes a cada modalidade de imagem. Desde os
raios-x até as ressonâncias magnéticas, examinamos como a interação entre radiação e
matéria nos permite visualizar estruturas internas com detalhes impressionantes. Através
desse conhecimento, estamos preparados para operar esses equipamentos com destreza
e segurança, garantindo resultados de imagem precisos e confiáveis.
As técnicas de posicionamento também se revelaram uma peça crucial do quebra-
cabeça radiológico. Bem como o entendimento entre a diferenciação de termos que são
comumente confundidos, como posicionamento e incidências, termos esses que agora
esclarecidos preparam você, aluno(a), para iniciar nossa próxima unidade.
Atenciosamente,
Prof.ª Esp. Núbia P. Barela
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 32
LEITURA COMPLEMENTAR
BIASOLI JR, Antônio. Técnicas radiográficas: princípios físicos, anatomia básica,
posicionamento, radiologia digital, tomografia computadorizada. Editora Rubio, 2015.
BONTRAGER, K. L. LAMPIGNANO, J. P. Tratado de posicionamento radiográfico e
anatomia associada. Elsevier Brasil, 2015.
DO VAL, F. L. Manual de técnica radiográfica. Editora Manole Ltda, 2006.
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 33
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Radiologia Básica - Aspectos Fundamentais
• Autor: William William Herring
• Editora: GEN Guanabara Koogan; 3ª edição
• Sinopse: Um livro indispensável para quem precisa ler e
interpretar imagens radiológicas, Radiologia Básica – Aspectos
Fundamentais é prático, didático e ricamente ilustrado. De forma
magistral, Dr. William Herring aborda exatamente o que você
precisa saber sobre imagens médicas de todas as modalidades.
Conheça mais sobre as novidades em ultrassonografia, ressonância
magnética, tomografia computadorizada, segurança do paciente,
redução da dose e proteção contra as radiações em um formato
de fácil leitura com resumos, texto com marcações e imagens de
alta qualidade. Identifique uma ampla gama de condições comuns
e incomuns com base em seus achados de imagem. Chegue a
diagnósticos, seguindo uma abordagem de reconhecimento de
padrões e supere desafios de diagnósticos difíceis com a ajuda
de esquemas de decisão. Mantenha-se atualizado em relação
aos mais recentes avanços e desenvolvimento, com atualizações
meticulosas por todo o livro, incluindo um novo capítulo sobre
radiologia pediátrica e mais de 60 fotos novas e atualizadas, muitas
destacando as modalidades de imagem mais recentes. Capte
rapidamente os fundamentos que você precisa saber através de
mais de 700 imagens e de um formato fácil de usar e didático,
incluindo trechos em negrito e ícones que designam conteúdo
especial, diagnóstico de armadilhas e pontos-chave. Aplique as
mais recentes recomendações sobre a segurança dos pacientes
com relação à redução da dose e proteção contra radiações.
FILME/VÍDEO
• Título: Termos técnicos - Posicionamentos e incidências
radiológicas
• Ano: 2019
• Sinopse: Nesta aula será abordado alguns termos que são de
extrema importância para entender os métodos e posicionamentos
radiológicos. Além disso, explicará, de forma técnica, os
posicionamentos e incidências radiológicas.
• Link do vídeo: [Link]
UNIDADE 2 EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS DE IMAGEM RADIOLÓGICA 34
Professor(a) Esp. Núbia Paula Barela Rodrigues
• Compreender os tipos de incidências radiográficas na radiologia;
INTERPRETAÇÃO
• Conceituar e contextualizar sobre a anatomia radiológica nas
RADIOLÓGICA E
• Estabelecer a importância da interpretação de imagens
DE IMAGENS
ANATOMIA
• Interpretação de Imagens Radiológicas.
Objetivos da Aprendizagem
UNIDADE
incidências radiográficas;
• Anatomia Radiológica;
Plano de Estudos
3
radiológicas.
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INTRODUÇÃO
Olá, caro(a) aluno(a)
Bem-vindo (a) a nossa unidade III, nesta unidade iremos aprender sobre a Anatomia
Radiológica e Interpretação de Imagens, que desempenhará um papel fundamental em sua
formação, tendo em vista que são esses conceitos que você, enquanto futuro profissional
radiologista, deverá conhecer com precisão.
Na Anatomia Radiológica, estudaremos a fundo sobre as bases - como as imagens
são criadas, como identificamos ossos, órgãos e tecidos, e como a anatomia se traduz em
sombras e contrastes nas imagens. Vamos aprender a “ler” essas imagens como histórias
clínicas, identificando padrões e sinais de patologias.
A Interpretação de Imagens é a nossa lente de aumento para a medicina. Aqui,
traduziremos a linguagem visual das imagens em diagnósticos precisos. Dessa forma, é
possível ter pleno conhecimento se a imagem gerada foi realizada de maneira correta.
Vamos juntos conhecer e explorar esta unidade sobre o mundo da Anatomia
Radiológica e da Interpretação de Imagens e, ao fazê-lo, você estará pronto para se tornar
parte vital da equipe de saúde, contribuindo para o diagnóstico e tratamento de pacientes
com excelência.
Atenciosamente,
Prof.ª Esp. Núbia P. Barela
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 36
1
TÓPICO
ANATOMIA
RADIOLÓGICA
A anatomia radiológica compreende um ramo da radiologia que se dedica à
visualização e ao estudo das estruturas anatômicas do corpo humano por meio de
técnicas de imagem médica, como radiografias, tomografias computadorizadas
(TC), ressonâncias magnéticas (RM) e ultrassonografias. Ela desempenha um papel
fundamental na área da medicina diagnóstica, permitindo a análise precisa sem
necessitar realizar procedimentos invasivos para visualizar as estruturas internas do
corpo.
É importante termos em mente que a anatomia radiológica trata-se de uma
derivação da anatomia humana convencional, sendo assim, segue os mesmos planos
anatômicos existentes, sendo eles:
• Sagital: no qual divide o corpo humano de maneira simétrica entre lado direito
e esquerdo.
• Coronal ou frontal: divide o corpo humano em partes anterior (frente) e posterior
(atrás).
• Transversal ou axial: divide o corpo humano ao meio de maneira horizontal,
dividindo em parte superior e inferior (SOBOTTA, 2000).
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 37
FIGURA 1 - PLANOS ANATÔMICOS
Fonte: Shutterstock l ID: 1645354666
Portanto, a anatomia radiológica apresenta sua distinção da convencional ao que se
refere ao contraste radiográfico, na qual o contraste observado nas imagens está relacionado
ao nível de absorção de radiação das diferentes estruturas do corpo. Por exemplo, os ossos
absorvem mais radiação e aparecem como áreas brancas nas radiografias, enquanto os
tecidos moles absorvem menos radiação e aparecem mais escuros (NETTER, 2018).
A anatomia radiológica desempenha um papel vital na prática clínica, fornecendo
informações essenciais para o diagnóstico e tratamento de uma ampla gama de condições
médicas, também considera as variações anatômicas que podem ocorrer entre indivíduos,
compreender essas variações é essencial para evitar diagnósticos equivocados.
Um aspecto crítico da anatomia radiológica é o correto posicionamento do paciente e do
equipamento de imagem. Posicionamentos adequados garantem que as estruturas anatômicas
sejam visualizadas de forma ideal, evitando distorções nas imagens (MOORE, 2014).
Nesse contexto, a resolução espacial refere-se à capacidade das imagens
radiológicas de mostrar detalhes finos e pequenas estruturas com clareza. As técnicas de
imagem utilizadas na anatomia radiológica são projetadas para alcançar alta resolução
espacial, permitindo a visualização de ossos, órgãos e vasos sanguíneos detalhadamente.
Através dos planos anatômicos surge na radiologia as incidências radiológicas,
fator determinante para realização dos exames, bem como determinar o posicionamento
correto para realização dos exames radiológicos. A partir de agora iremos aplicar a anatomia
radiológica na prática dos exames através das incidências.
1.1 Incidências padrões na Radiologia
Para realizar qualquer exame radiológico, é coerente afirmar que a qualidade
das imagens finais dos exames depende maioritariamente do devido posicionamento e
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 38
conhecimento da anatomia radiológica do profissional executante sobre as incidências
solicitadas nos exames. Baseado nesse contexto, conheceremos as principais incidências
para cada estrutura do corpo humano e sua indicação de realização (BONTRAGER, 2013).
Seguindo a linha de evolução da radiologia, conheceremos as incidências padrões
do exame de raio-x. Seguiremos pela estrutura anatômica de maneira céfalo-caudal,
veremos incidências de crânio, tórax, coluna, membros superiores e membros inferiores.
Desta forma, a primeira incidência que veremos será do crânio, constituído por
duas incidências principais da radiologia, PA (póstero-anterior) e perfil (lateral).
FIGURA 2 - IMAGEM RADIOGRÁFICA DE CRÂNIO PA E PERFIL
Fonte: Shutterstock l ID: 648291226
Existem variações nas incidências quando se trata de exame de radiografia de
face ou seios da face, a posição em PA é mantida alterando a flexão da coluna cervical
no método WATERS, o paciente irá permanecer na posição mento-frontal, de forma que o
mento (queixo) encoste no Bucky.
FIGURA 3 - MÉTODO DE WATERS
Fonte: [Link]
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 39
Neste exame também é realizado o posicionamento no método de CALDWELL,
mantendo a posição PA, realizando a adução da coluna cervical de maneira que o paciente
encoste a ponta do nariz no Bucky.
FIGURA 4 - MÉTODO DE CALDWELL
Fonte: [Link]
Seguindo nossa linha, veremos agora as incidências para Raios-x de tórax, que
mantém as incidências padrões PA e Perfil, porém, também apresentam variações devido
a condições do paciente que possa realizar o exame.
Devemos sempre frisar que ao realizar o exame de tórax na incidência Perfil, o
paciente será posicionado lateralizado de modo que o lado esquerdo fique mais próximo
ao Bucky, fazendo com que os raios permeiam o tórax através do lado direito, dessa forma,
o coração não se torna magnificado, tornando o exame preciso e correto. Vale ressaltar
que essa posição pode ser alterada de acordo com as hipóteses diagnósticas, na qual
uma suspeita de lesão no lado direito do tórax permite a realização da forma contrária
ao padrão. Em caso de bebês, crianças pequenas e pacientes fragilizados ou acamados,
realizamos a incidência AP (antero posterior), na qual recebe a radiação de forma anterior
e não posterior, como recebe na incidência tradicional PA.
FIGURA 5 - POSICIONAMENTO PARA RADIOGRAFIA DE TÓRAX EM PERFIL
Fonte: [Link]
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 40
FIGURA 6 - POSICIONAMENTO PARA RADIOGRAFIA DE TÓRAX EM PA
Fonte: [Link]
FIGURA 7 - POSICIONAMENTO PARA RADIOGRAFIA DE TÓRAX EM AP
Fonte:[Link]
Dando continuidade, ao que se refere à radiografia de coluna vertebral, ela mantém
os padrões de incidências tradicionais, PA, Perfil e também a variação AP, os quais se
assemelham ao posicionamento para as radiografias de tórax.
No que se refere a raio-x de membros superiores é dividido em quatro partes, a
saber: cintura escapular, braço, antebraço; a mão é subdividida em três partes: região do
carpo, metacarpo e falanges.
FIGURA 8 - DIVISÃO MMSS
Fonte: Shutterstock l ID: 35665132
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 41
As incidências comumente solicitadas para o 1º segmento, cintura escapular,
são AP raio perpendicular e AP axial de clavícula, e AP e perfil de escápula conforme
exemplificadas nas figuras abaixo:
FIGURA 9 - INCIDÊNCIA AP CLAVÍCULA
Fonte: [Link]
FIGURA 10 - INCIDÊNCIA AP AXIAL CLAVÍCULA
Fonte: [Link]
FIGURA 11 - INCIDÊNCIA AP DE ESCÁPULA
Fonte: BONTRAGER, 2015.
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 42
FIGURA 12 - INCIDÊNCIA PERFIL DE ESCÁPULA
Fonte: BONTRAGER, 2015.
Ainda na região da cintura escapular, temos as incidências para raios-x de ombro,
no qual também temos a AP rotação interna, AP rotação externa e AP neutro, o movimento
de rotação do membro superior é o que define o posicionamento conforme mostra as
imagens abaixo:
FIGURA 13 - POSICIONAMENTO PARA AP NEUTRO
Fonte: BONTRAGER, 2015.
FIGURA 14 - POSICIONAMENTO PARA AP ROTAÇÃO EXTERNA
Fonte: BONTRAGER, 2015.
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 43
FIGURA 15 - POSICIONAMENTO PARA AP ROTAÇÃO INTERNA
Fonte: BONTRAGER, 2015.
No segundo segmento, o braço, teremos as mesmas incidências realizadas na
rotina de ombro, AP rotação interna e AP de rotação externa, sendo exemplificado o
posicionamento pelas figuras 14 e 15.
No processo de transição para o terceiro segmento, encontramos ainda a região do
cotovelo, de rotina temos duas incidências: AP de cotovelo e perfil de cotovelo; lembrando
que, ao realizar o perfil, a região medial do braço onde fica localizado o osso da ulna deverá
permanecer encostada no chassi.
FIGURA 16 - AP DE COTOVELO.
Fonte: BONTRAGER, 2015.
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 44
FIGURA 17 - PERFIL DE COTOVELO.
Fonte: BONTRAGER, 2015.
No terceiro segmento, o antebraço segue o mesmo posicionamento para as
incidências de cotovelo exemplificados nas figuras 16 e 17, lembrando sempre que o membro
deve se manter em movimento supinado para que o rádio e a ulna sejam observados
de maneira desassociada. Assim, segue o mesmo procedimento para o punho ou carpo,
a diferença é que solicitamos ao paciente para flexionar as falanges para aproximar as
estruturas ósseas do carpo.
No último seguimento, a mão, a rotina para esse exame é PA, seguindo a
diferenciação de PA oblíquo da mão, o ângulo a 45º evidência as falanges.
FIGURA 18 - POSICIONAMENTO PARA PA DE MÃO.
Fonte: BONTRAGER, 2015.
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 45
FIGURA 19 - POSICIONAMENTO PA OBLÍQUO
Fonte: BONTRAGER, 2015.
Ainda nesse segmento, ao que se refere a falanges, o primeiro quirodáctilo,
popularmente conhecido como polegar, é realizado as incidências de AP e Perfil, já os demais
dedos do 2º ao 5º quirodáctilos são PA e Perfil, são realizados de maneira individualizada.
FIGURA 20 - POSICIONAMENTO AP E PERFIL 1º QUIRODÁCTILO.
Fonte: BONTRAGER, 2015.
FIGURA 21 - POSICIONAMENTO AP E PERFIL DO 2º AO 5º QUIRODÁCTILO.
Fonte: BONTRAGER, 2015.
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 46
Adentrando no último plano de incidências radiológicas, iremos aprender sobre as
incidências padronizadas pela anatomia radiológica para os MMII (membros inferiores),
seguindo o modelo proximal distal, veremos sobre as incidências de rotina dos segmentos
do fêmur, perna, joelho, tornozelo, pé e calcâneo.
No seguimento do fêmur, observamos a rotina de incidências AP e Perfil, na AP
o joelho fica estendido e em rotação interna, em Perfil o joelho em semi flexão/extensão,
conforme as figuras abaixo:
FIGURA 22 - AP DE FÊMUR
Fonte: BONTRAGER, 2015.
FIGURA 23 - PERFIL DE FÊMUR
Fonte: BONTRAGER, 2015.
As incidências preconizadas para o joelho como rotina são AP de joelho e Perfil
de joelho, a AP apresenta o joelho em extensão e discreta rotação interna. Já em Perfil, o
joelho se mantém em semiflexão.
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 47
FIGURA 24 - AP DE JOELHO E PERFIL DE JOELHO.
Fonte: BONTRAGER, 2015.
Continuando nosso seguimento, as incidências de rotina para perna são AP de
perna e Perfil, em AP a perna permanece em extensão, pé em dorsiflexão de ângulo
de 90º e discreta rotação interna do joelho. Em Perfil, a perna se mantém em extensão/
semiflexão com o tornozelo em dorsiflexão.
FIGURA 25 - AP E PERFIL DE PERNA.
Fonte: BONTRAGER, 2015.
Além disso, as incidências de rotina para tornozelo referem-se a AP de tornozelo e Perfil
de tornozelo, a incidência de AP se mantém a mesma da AP de perna. Em Perfil de tornozelo, a
perna se mantém em extensão/semiflexão, tornozelo em dorsiflexão no ângulo de 90º.
FIGURA 26 - PERFIL DE TORNOZELO.
Fonte: BONTRAGER, 2015.
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 48
As incidências voltadas para o pé, são AP e perfil. O perfil mantém a posição do
tornozelo em perfil, e em AP se posiciona o paciente sentado ou em decúbito dorsal, o
joelho em flexão.
FIGURA 27 - AP DE PÉ.
Fonte: BONTRAGER, 2015.
Por fim, mas não menos importante, temos as incidências de rotina para o calcâneo,
são calcâneo/axial e Perfil de calcâneo, na incidência axial a perna fica em extensão, pé em
dorsiflexão máxima, e em perfil a perna fica em extensão e o pé em dorsiflexão lateralizado.
FIGURA 28 - AXIAL DE CALCÂNEO E PERFIL DE CALCÂNEO
Fonte: BONTRAGER, 2015.
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 49
2
TÓPICO
INTERPRETAÇÃO
DE IMAGENS
RADIOLÓGICAS
A interpretação de imagens radiológicas é uma habilidade essencial no campo
da medicina e diagnóstico por imagem. Trata-se de um processo complexo e altamente
especializado que envolve a análise detalhada de imagens obtidas por meio de técnicas
radiológicas, como radiografia, tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética
(RM) e ultrassonografia. Essas imagens desempenham um papel fundamental no
diagnóstico, tratamento e monitoramento de uma ampla gama de condições médicas.
Para realizar uma interpretação precisa de imagens radiológicas, os profissionais de
saúde, geralmente técnicos radiologistas ou médicos especializados em imagens diagnósticas,
devem possuir um profundo conhecimento anatômico e patológico, bem como uma compreensão
sólida das técnicas de imagem utilizadas. Eles também devem levar em consideração as
informações clínicas do paciente, como histórico médico, sintomas e exames laboratoriais,
para auxiliar na interpretação das imagens (Colégio Americano de Radiologia, 2020).
A interpretação de imagens radiológicas abrange diversas áreas da medicina, incluindo
radiologia musculoesquelética, neurorradiologia, radiologia torácica, radiologia abdominal,
entre outras. Cada uma dessas especialidades exige um conjunto específico de conhecimentos
e habilidades para identificar anormalidades e tomar decisões clínicas informadas.
A interpretação de imagens radiológicas não se limita apenas à identificação de
patologias. Também inclui a avaliação da resposta ao tratamento e o acompanhamento dos
pacientes ao longo do tempo. Além disso, a evolução constante da tecnologia de imagem
exige que os profissionais dessa área estejam atualizados sobre as mais recentes inovações
e técnicas de aquisição de imagem (METTLER, 2017).
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 50
É importante destacar que a interpretação de imagens radiológicas é uma atividade
altamente responsável, pois os resultados podem ter um impacto direto na vida dos
pacientes. Erros na interpretação levam a diagnósticos incorretos ou atrasados, o que pode
afetar adversamente o tratamento e o prognóstico. Portanto, é crucial que os profissionais
de saúde que realizam essa tarefa estejam bem treinados, certificados e sigam protocolos
rigorosos de qualidade e segurança (Fundação Educacional Sílvio Bastos Soares, 2019).
Para realizar uma interpretação de imagem corretamente, é importante que os
marcadores radiográficos sejam posicionados de acordo com o exame realizado, uma
vez que estes indicam a forma como o exame foi realizado, bem como o lado direito ou
esquerdo da estrutura a ser realizado o exame, tendo em vista que as imagens tratam-se
de um documento, necessitando assim da identificação correta.
Esses marcadores podem ser feitos de chumbo, ferro ou outros materiais metálicos,
ao serem posicionados indicam se trata de um exame realizado no qual os raios-x irão
atingir a estrutura de maneira anteroposterior (AP) ou posterior anterior (PA). Tem função
ainda de indicar a posição que o exame foi realizado, em pé ou ortostase será posicionado
no terço superior do chassi, quando realizado sem semidecúbito ou sentado, esse marcador
será aplicado no terço médio do chassi e, por fim, quando realizado em decúbito, ou seja,
deitado, será aplicado no terço inferior.
A aplicação dos marcadores surgiu no intuito de ajudar a definir a posição anatômica
correta e o membro correto, uma vez que ao analisar uma imagem radiográfica sempre
devemos ter em mente que o lado direito do paciente sempre estará do seu lado esquerdo,
é como se estivéssemos olhando o paciente de frete. Para exemplificar, observem o
marcador D no lado esquerdo da imagem de um Raios-x de PA de tórax, o mesmo indica o
lado direito da estrutura.
FIGURA 29 - RADIOGRAFIA PA DE TÓRAX COM USO DO MARCADOR PARA IDENTIFICAR O LADO.
Fonte: [Link]
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 51
Outro exemplo de como os marcadores são importantes, mas ainda mais o
conhecimento da anatomia radiológica, é um raios-x de AP de perna no qual, na radiografia
da perna direita, a fíbula sempre estará do lado da identificação direita (à sua esquerda), e
na perna esquerda, a tíbia estará voltada para o lado da identificação direita. Conforme a
imagem abaixo:
FIGURA 30 - RADIOGRAFIA AP DE PERNA DIREITA E ESQUERDA
Fonte: [Link]
Dessa forma, é possível afirmar que o domínio da anatomia radiológica, em conjunto
com a correta aplicação das técnicas de posicionamento nas incidências radiográficas
e o uso adequado de marcadores radiográficos, contribui para a obtenção de imagens
radiográficas confiáveis e de qualidade. Essas imagens são cruciais para definições de
tratamento do paciente ou para avaliar seu estado de saúde, bem como a evolução de uma
possível doença.
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 52
Tendo o conhecimento sobre a importância da anatomia radiológica, deixo aqui a sugestão de um livro que
ajudará no conhecimento mais aprofundado sobre esse tema tão importante que acabamos de estudar, é
sempre importante irmos além do que já foi visto, buscar informações adicionais é o que traz o diferencial
de um profissional atualizado.
Bontrager, K. L., & Lampignano, J. P. Tratado de posicionamento radiográfico e anatomia associada. Editora
Elsevier, 2015.
A anatomia radiológica é a luz, através do corpo humano, que revela detalhes ocultos não visualizados a
olho nú, é imprescindível dizer o quão valiosa e fundamental ela se faz para resultados de qualidade.
Fonte: a autora (2023).
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 53
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a),
Nesta unidade exploramos com profundidade os princípios fundamentais da
anatomia radiológica e a habilidade crítica de interpretação de imagens radiológicas.
Compreendemos a importância de um conhecimento sólido da anatomia para a obtenção
de imagens de qualidade e sua relevância no diagnóstico e tratamento médico. Ficou claro
que a interpretação de imagens radiológicas é uma tarefa de grande responsabilidade, que
exige precisão e atualização constantes.
Ao longo desta unidade adquirimos uma apreciação mais profunda do papel vital
que a anatomia radiológica afeta na medicina e como ela auxilia na melhoria da qualidade do
cuidado ao paciente. Como profissionais em formação, devemos manter nosso compromisso
com a excelência nesta área, continuando a aprender e aprimorando nossas habilidades.
É importante lembrar que a anatomia radiológica e a interpretação de imagens são
áreas dinâmicas, em constante evolução, com avanços tecnológicos constantes. Portanto,
a busca pelo conhecimento e o desenvolvimento de competências devem ser contínuos ao
longo de nossas carreiras.
Esta unidade proporcionou uma base para nossa compreensão da anatomia
radiológica e da interpretação de imagens, capacitando-nos a desempenhar um papel
valioso no campo da medicina diagnóstica. Devemos sempre buscar o aprimoramento e a
excelência, melhorando o bem-estar dos pacientes e o avanço da medicina.
Atenciosamente,
Prof.ª Esp. Núbia P. Barela
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 54
LEITURA COMPLEMENTAR
Técnicas de realização de exames em Tomografia computadorizada (TC) : [Link]
[Link]/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-centro-oeste/hc-ufg/governanca/pops-e-
protocolos/gerencia-de-atencao-a-saude/divisao-de-apoio-diagnostico-e-terapeutico/POP.
[Link]
Técnicas de realização de exames em Ressonância Magnética (RM : [Link]
br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-centro-oeste/hc-ufg/governanca/pops-e-
protocolos/gerencia-de-atencao-a-saude/divisao-de-apoio-diagnostico-e-terapeutico/POP.
[Link]
MOURÃO, Arnaldo Prata. Tomografia computadorizada: tecnologias e aplicações.
Difusão Editora, 2018.
NOBRE, L. F.; VON WANGENHEIM, A.; MARQUES, P. M. de A. Monitores radiológicos:
necessidade ou luxo?. Radiologia Brasileira, v. 45, p. V-VI, 2012.
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 55
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Técnicas radiográficas: princípios físicos, anatomia básica,
posicionamento, radiologia digital, tomografia computadorizada.
• Autor: Antônio Biasoli Junior.
• Editora: Rubio.
• Sinopse: revisada e adequada à nova ortografia, a 2ª edição
do Atlas de Anatomia Radiográfica possibilita a estudantes e
profissionais da área de saúde o acesso a um amplo material
sobre a obtenção de imagens. Em oito capítulos, o livro do Dr.
Antônio Biasoli Jr, experiente médico radiologista, oferece diversos
tipos de projeções. Assim, há uma imagem radiográfica normal,
complementada ao lado com a mesma fotografia acrescida
de indicações, legendas e achados anatômicos. Além disso, a
inclusão de novos dísticos proporciona melhores informações para
o diagnóstico. Todo o conteúdo tem como parâmetro International
Anatomical Terminology, do Federative Committee on Anatomical
Terminology. Certamente, trata-se de uma obra indispensável no
dia a dia médico.
FILME/VÍDEO
• Título: MARCADOR RADIOGRÁFICO *VOCÊ SABE UTILIZAR?*
• Ano: 2019
• Sinopse: Este vídeo expõe orientações sobre os marcadores
radiográficos, como utilizar e as posições adequadas para cada
tipo de exame radiográfico a ser realizado.
• Link do vídeo: [Link]
UNIDADE 3 ANATOMIA RADIOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS 56
4
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UNIDADE
PROCEDIMENTOS
ESPECÍFICOS E
AVANÇADOS EM
RADIOLOGIA
Professor(a) Esp. Núbia Paula Barela Rodrigues
Plano de Estudos
• Procedimentos Radiográficos Específicos;
• Tecnologias Avançadas em Radiologia.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar procedimentos radiográficos
específicos;
• Compreender os tipos de vias de administração e contrastes
utilizados em exames contrastados específicos;
• Estabelecer a importância da técnica correta na realização dos
exames específicos.
INTRODUÇÃO
Olá, caro aluno(a),
A partir de agora damos início a nossa última unidade da apostila, nossa unidade
IV com o tema “Procedimentos Específicos e Avançados em Radiologia”. Nesta unidade
iremos explorar um conjunto de técnicas e práticas que elevam o campo da radiologia a um
novo patamar de excelência.
Ao longo dela conheceremos procedimentos que exigem um domínio aprofundado
dos princípios radiográficos, bem como o uso de equipamentos de ponta. A nossa
jornada incluirá tópicos que vão desde a tomografia computadorizada de alta resolução
até a ressonância magnética avançada, passando por tipos de exames contrastados e
diferenciação dos exames de contraste.
Essa unidade encerrará a nossa disciplina de exames radiológicos, nela iremos
constatar a evolução da radiologia e seus avanços médicos, discutiremos sobre a
diferenciação dos tipos de contraste, via de administração e indicação, bem como as contra
indicações.
Atenciosamente,
Prof.ª Esp. Núbia Paula Barela.
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 58
1
TÓPICO
PROCEDIMENTOS
RADIOGRÁFICOS
ESPECÍFICOS
Os procedimentos radiográficos específicos referem-se a técnicas de imagem
médica que utilizam a radiografia para avaliar áreas anatômicas ou condições médicas
específicas. Esses procedimentos são conduzidos com o objetivo de obter imagens
detalhadas e específicas que auxiliem no diagnóstico e no tratamento de doenças e lesões,
utilizando meios externos que influenciam na imagem gerada pelo exame, principalmente
quando o meio convencional do exame pode ocultar alguma alteração, lesão ou até mesmo
anomalias cancerosas.
Com o progresso da civilização e o desenvolvimento das práticas de saúde,
a radiografia tradicional foi aprimorada ao longo do tempo. Embora essa técnica tenha
ajudado a identificar várias condições médicas, à medida que a compreensão da saúde
humana evoluiu tornou-se evidente que algumas lesões eram difíceis de serem detectadas
por meio dos métodos radiológicos convencionais.
Com o avanço da tecnologia, novos dispositivos foram criados para oferecer uma
visão mais detalhada dos tecidos corporais, superando as limitações das técnicas anteriores.
Dentre esses dispositivos, podemos citar os equipamentos de ressonância magnética (RM)
e tomografia computadorizada (TC) que atualmente são considerados exames de maior
complexidade.
Para fornecer um entendimento mais detalhado, vamos explorar em profundidade
esses dois tipos de exames radiológicos, examinando suas técnicas de execução, os
cenários em que o uso de agentes de contraste é indicado e as diferenças nos cortes de
imagem que cada um desses exames produz.
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 59
1.1 Ressonância Magnética (RM)
A técnica da ressonância magnética baseia-se em três etapas fundamentais:
alinhamento, excitação e detecção de radiofrequência. No processo de alinhamento, os núcleos
de alguns átomos, como o próton do hidrogênio, têm propriedades magnéticas que os fazem
se orientar paralelamente a um campo magnético, semelhante ao funcionamento de uma
bússola em relação ao campo magnético da Terra. Para alcançar essa orientação específica
dos átomos, é necessário um campo magnético intenso, geralmente com cerca de 1,5 Teslas,
o que é aproximadamente 30 mil vezes mais intenso do que o campo magnético da Terra.
Na ressonância magnética, após o alinhamento, os átomos são excitados por pulsos
de radiofrequência, o que os fazem temporariamente sair de sua orientação magnética.
Quando esses átomos retornam ao seu estado de equilíbrio inicial, liberam sinais detectáveis
de radiofrequência, os quais são traduzidos em imagens detalhadas dos tecidos corporais.
O termo “ressonância” refere-se a esse fenômeno específico, onde os átomos respondem
à frequência das ondas de radiofrequência e emitem sinais detectáveis, formando assim as
imagens utilizadas pelos médicos para diagnóstico (HAGE; IWASAKI, 2009).
Em um exame de ressonância magnética (RM), os cortes referem-se às imagens
fatiadas ou seções do corpo que são capturadas durante o procedimento. Esses cortes são
essenciais para proporcionar uma visão tridimensional detalhada das estruturas internas
(MARQUES et al., 2011).
As referências comuns para esses cortes incluem:
Sagital: as imagens são capturadas de cima para baixo, da esquerda para a direita
do corpo. Esses cortes são úteis para visualizar estruturas médias do corpo, como a medula
espinhal.
FIGURA 1 - CORTE SAGITAL RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DE CRÂNIO
Fonte: Brasil (2021).
Coronal: as imagens são capturadas de um lado para o outro, da frente para trás do
corpo. São valiosas para examinar estruturas como órgãos torácicos e abdominais.
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 60
FIGURA 2 - CORTE CORONAL RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DE CRÂNIO
Fonte: Brasil (2021).
Axial ou Transversal: as imagens são capturadas horizontalmente, paralelas ao solo,
fornecendo uma visão das estruturas de cima para baixo. Esses cortes são frequentemente
utilizados para a maioria das áreas do corpo e são essenciais para a maioria dos diagnósticos.
FIGURA 3 - CORTE AXIAL RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DE CRÂNIO
Fonte: Brasil (2021).
Oblíquos: são cortes feitos em um ângulo específico, geralmente quando estruturas
específicas precisam ser avaliadas em detalhes e não podem ser completamente
visualizadas nos cortes padrão.
1.2 Tomografia computadorizada (TC)
A tomografia computadorizada (TC) é uma técnica de imagem médica que utiliza
raios X para criar imagens detalhadas do interior do corpo humano. Veremos agora
informações básicas de como as imagens e os cortes são formados em uma tomografia
computadorizada.
Para a formação das imagens da Tomografia computadorizada (TC), o procedimento
começa com a emissão controlada de raios X através do corpo do paciente. Os diferentes
tecidos do corpo absorvem raios X em taxas variadas, existem casos que necessitam
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 61
da administração de contraste para evidenciar um tipo de tecido ou lesão (AMARO;
YAMASHITA, 2001).
Os detectores do exame ficam do lado oposto ao emissor de raios X, há detectores
que captam os raios que atravessam o corpo. A quantidade de raios que atingem cada
detector varia devido à absorção pelos tecidos.
Logo após a emissão dos raios X serem identificadas pelos detectores e
atravessarem os tecidos, ocorre o processamento eletrônico, os sinais dos detectores são
convertidos em sinais elétricos e, em seguida, processados por um computador para então
realizar a reconstrução computadorizada: o computador utiliza algoritmos complexos para
reconstruir imagens transversais (ou cortes) do corpo, representando diferentes densidades
de tecidos. Essas imagens são chamadas de “fatias” ou “slices”.
Parte importante do exame de TC é a capacidade do exame em realizar cortes
que podem ser ajustados a sua espessura. A espessura do corte (ou slice thickness) é
uma propriedade fundamental da TC. Representa a espessura da fatia que está sendo
visualizada. Pode variar de milímetros a alguns milímetros, dependendo da precisão
necessária para o diagnóstico.
Além da espessura do corte, o intervalo entre cortes adjacentes também é
importante. Esse intervalo pode ser igual ou diferente da espessura do corte e afeta a
sobreposição de estruturas em diferentes fatias.
Os cortes podem ser orientados em diferentes planos, como axial (horizontal),
sagital (vertical, de frente para trás) ou coronal (vertical, de lado para lado). A orientação
é crucial para avaliar diferentes estruturas anatômicas, sendo os mesmos utilizados na
Ressonância Magnética (RM), demonstrados acima.
A grande vantagem da tomografia computadorizada está relacionada com base nos
dados das fatias individuais, os computadores podem reconstruir imagens em diferentes
planos (multiplanar reconstructions - MPR) para uma visualização mais detalhada. Além
disso, as técnicas de reconstrução tridimensional (3D) podem ser aplicadas para criar
representações tridimensionais do órgão ou estrutura em questão.
Esses cortes e imagens são essenciais para diagnósticos precisos em várias condições
médicas, pois fornecem uma visão detalhada das estruturas internas do corpo que não são
capazes de serem identificadas através de exames radiológicos considerados mais simples.
1.3 Tipos de contraste e via de administração para exames de diagnóstico por
imagem
A utilização de contraste em exames de diagnóstico por imagem desempenha
um papel fundamental no diagnóstico precoce, tratamento e monitoramento de diversas
condições médicas. Para otimizar a precisão e a eficácia desses exames é crucial
compreender os diferentes tipos de contraste e as vias de administração envolvidas. O
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 62
contraste é uma substância radiopaca ou radiolúcida que aumenta a visibilidade das estruturas
anatômicas em exames de imagem, como radiografias, tomografias computadorizadas
(TC), ressonâncias magnéticas (RM) e angiografias. A escolha do tipo de contraste e da via
de administração apropriados desempenha um papel vital na obtenção de imagens de alta
qualidade e na interpretação precisa dos resultados (BRASIL, 2013).
Nesse contexto, é fundamental compreender os diferentes tipos de contrastes
disponíveis no mercado brasileiro, bem como as práticas seguras de administração, neste
tópico iremos estudar os tipos de contrastes utilizados em exames de diagnóstico por
imagem no Brasil, incluindo aqueles à base de iodo para radiografias e tomografias, e o
gadolínio para ressonâncias magnéticas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Radiologia (SBR), os contrastes iodados são
amplamente utilizados em exames de tomografia computadorizada (TC) e angiografias, os
contrastes iodados são eficazes na visualização de estruturas vasculares e órgãos abdominais.
Eles podem ser administrados por via intravenosa ou intra-arterial, dependendo do procedimento.
Quanto ao exame de ressonância magnética utilizamos os contrastes de gadolínio
que oferecem alta resolução para imagens do sistema nervoso central e articulações, sendo
administrados por via intravenosa.
Abordado os tipos de contrastes utilizados na radiologia brasileira, veremos a seguir
os tipos de administração de contraste para exames de diagnóstico por imagem e a sua
recomendação.
Segundo o Ministério da Saúde, as vias utilizadas frequentemente tratam-se de:
Via Intravenosa: a administração intravenosa é a via mais comum para a introdução
de contrastes no corpo, permitindo sua rápida dispersão na corrente sanguínea, sendo o
acesso e administração é de responsabilidade do profissional da área da enfermagem.
Via Oral: Contrastes orais são frequentemente utilizados em exames de radiologia
contrastada do trato gastrointestinal, auxiliando na visualização do esôfago, estômago e
intestinos. A administração de forma oral pode ser realizada pelo Técnico em Radiologia.
Ao que se refere aos exames nas áreas da medicina vascular e cardiovascular, a
Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE)
recomenda a administração de contraste via Intra-articular e Intra-artéria, onde utilizados em
exames específicos para visualização de articulações e vasos sanguíneos, respectivamente,
esses contrastes são administrados diretamente na área de interesse para elucidação da
hipótese diagnóstica.
Ao compreender os diferentes tipos de contrastes e as vias de administração
apropriadas, os profissionais da área da Radiologia podem garantir a segurança e eficácia
dos exames de diagnóstico por imagem, contribuindo para diagnósticos precisos e
tratamentos adequados.
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 63
2
TÓPICO
TECNOLOGIAS
AVANÇADAS EM
RADIOLOGIA
Os procedimentos radiológicos têm continuado a evoluir ao longo do tempo,
considerando a descoberta por acaso do primeiro exame radiológico durante outro
procedimento físico. Após essa descoberta, diversos equipamentos radiológicos foram
estudados e desenvolvidos ao longo da história. No primeiro segmento desta unidade,
exploramos os fundamentos dos avanços na radiologia, destacando a Tomografia
Computadorizada (TC) e a Ressonância Magnética (RM).
A seguir, detalharemos outro exame avançado em radiologia: a ultrassonografia
3D e 4D. Embora seja de responsabilidade médica, é imprescindível que o Técnico em
Radiografia tenha profundo conhecimento sobre esse procedimento.
Segundo a Sociedade Brasileira de Ultrassonografia, a ultrassonografia 3D
(tridimensional) e 4D (quatro dimensões) representam avanços significativos na tecnologia
de ultrassonografia, proporcionando imagens detalhadas e em tempo real dos órgãos
e estruturas internas do corpo humano. Ambas as técnicas são baseadas no mesmo
princípio básico da ultrassonografia,o ultrassom 2D, também conhecido como ultrassom
bidimensional, produz imagens planas em preto e branco que representam as estruturas
internas do corpo em tempo real.
2.1 Ultrassonografia 3D:
A ultrassonografia 3D cria imagens tridimensionais dos tecidos e órgãos. Em vez de
produzir uma série de imagens bidimensionais, como na ultrassonografia convencional, ela
captura dados em múltiplos planos, formando uma imagem tridimensional.
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 64
Detalhes e Profundidade: as imagens 3D proporcionam uma visão mais detalhada
e nítida das estruturas internas, permitindo aos médicos visualizar órgãos e tecidos a partir
de diferentes ângulos.
FIGURA 4 - ULTRASSOM OBSTÉTRICA 2D
Fonte: Shutterstock l ID: 2018749262
FIGURA 5 - ULTRASSOM OBSTÉTRICA 3D
Fonte: Shutterstock l ID: 2127066827
2.2 Ultrassonografia 4D:
A ultrassonografia 4D, também conhecida como ultrassonografia em tempo real,
adiciona uma dimensão de tempo às imagens 3D. Isso significa que é possível visualizar
em tempo real os movimentos e as atividades do feto ou de outras estruturas em estudo.
Na obstetrícia, a ultrassonografia 4D é frequentemente utilizada para criar imagens
em movimento do feto no útero materno. Os pais podem assistir em tempo real aos
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 65
movimentos e expressões faciais do bebê, proporcionando uma experiência visual única
durante a gestação.
Além de oferecer uma visão tridimensional do feto, a ultrassonografia 4D permite que
os médicos vejam o bebê se movendo, sugando o polegar, piscando os olhos e realizando
outras atividades em tempo real.
FIGURA 6 - ULTRASSOM OBSTÉTRICA 3D
Fonte: Shutterstock l ID: 93958390
Esse tipo de exame é utilizado em várias áreas médicas, frequentemente utilizada
pela Obstetrícia e Ginecologia para monitorar o desenvolvimento fetal, avaliar a placenta,
detectar anomalias e acompanhar a saúde do feto durante a gravidez. Mas também é
usado em outras áreas, como:
Cardiologia: para visualizar as câmaras e válvulas do coração em 3D, auxiliando no
diagnóstico de malformações cardíacas e doenças cardíacas.
Cirurgia: em algumas cirurgias, especialmente as guiadas por imagem, os médicos
utilizam a ultrassonografia 3D para orientar procedimentos e visualizar estruturas internas.
Além de especialidades como ortopedia, urologia, neurologia e medicina
vascular para diagnóstico e acompanhamento de diversas condições. Por conseguinte,
a ultrassonografia 3D e 4D marcam avanços notáveis na área da visualização médica.
Essas técnicas oferecem aos profissionais de saúde e aos pais uma visão mais minuciosa
e dinâmica das estruturas e do desenvolvimento fetal, consolidando-se como ferramentas
inestimáveis em diversas especialidades médicas.
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 66
É um prazer compartilhar com vocês um emocionante mundo de inovação e descobertas no campo dos
exames radiológicos, especialmente na área da ressonância magnética. A ressonância magnética, ou
RM, é uma das tecnologias mais fascinantes e revolucionárias no diagnóstico por imagem. Imagine uma
ferramenta capaz de criar imagens detalhadas do interior do corpo humano sem a necessidade de raios-X
ou procedimentos invasivos. Isso é exatamente o que a ressonância magnética oferece!
Fonte: a autora (2023).
Ao enxergar além das imagens radiográficas, será que estamos preparados para entender as reações e
implicações que o uso de contrastes pode trazer ao corpo e à mente?
Fonte: a autora (2023).
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 67
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao final da nossa última unidade, na qual exploramos os procedimentos
radiográficos específicos, buscando não apenas conceituá-los, mas também contextualizá-
los no amplo campo da radiologia. Compreendemos os diferentes tipos de vias de
administração e contrastes utilizados em exames contrastados específicos, analisando
suas aplicações e importâncias clínicas.
Além disso, destacamos a relevância da técnica correta na realização desses
exames específicos, enfatizando o papel fundamental que os profissionais desempenham
para garantir resultados precisos e seguros.
Essa unidade fecha a nossa apostila da disciplina de Exames Radiológicos, o
conteúdo programático disponibilizado propõe a aprendizagem sobre os tipos de exames de
diagnóstico por imagem de Ressonância Magnética (RM) e Tomografia Computadorizada
(TC), bem como o avanço do exame de Ultrassonografia.
Finalizamos aqui nossa disciplina, mas espero que não finalize o interesse e busca
por mais conhecimento sobre os temas apresentados ao longo da nossa apostila, todo
conteúdo abordado será a base para disciplinas inerentes da sua futura profissão.
Atenciosamente,
Prof. Esp. Núbia Paula Barela.
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 68
LEITURA COMPLEMENTAR
CAMARGO, RENATO. Administração de meios de contrastes: Rotinas e Técnicas para
a Realização de Exames. Saraiva Educação SA, 2015.
POZZOBON, Adriane; TRINDADE, Fernanda R. da. Avaliação das reações adversas ao
uso de contrastes em exames de diagnóstico por imagem. Cinergis, Santa Cruz do Sul,
v. 18, n. 4, p. 327-334, 2017.
SANTOS, P. Alexandra; et al. Produtos de contraste iodados. Acta Med Port. 2009;
22(3):261-274.
UNIDADE 4 PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS E AVANÇADOS EM RADIOLOGIA 69
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Manual de Técnicas em Ressonância Magnética
• Autor: Marcelo Souto Nacif; Fernanda Meireles Ferreira
• Editora: Rubio
• Sinopse: O Manual de Técnicas em Ressonância Magnética
apresenta, além dos conhecimentos teóricos e práticos, outros
importantes tópicos como treinamento, qualidade e segurança
dos procedimentos, dos profissionais e dos pacientes, bem como
manuseio adequado dos equipamentos e controle de qualidade são
desenvolvidos neste livro de maneira clara e didática. Destinado a
técnicos e tecnólogos, a estudantes de radiologia e, certamente,
de grande interesse para médicos-radiologistas e físicos
especializados na área médica, este manual traz os fundamentos
e as técnicas básicas, as tecnologias e os conhecimentos mais
recentes na área.
FILME/VÍDEO
• Título: O Físico
• Ano: 2013
• Sinopse: Inglaterra, século XI. Ainda criança, Rob vê sua mãe
morrer em decorrência da “doença do lado”. O garoto cresce
sob os cuidados de Bader (Stellan Sarsgard), o barbeiro local,
que vende bebidas que prometem curar doenças. Ao crescer,
Rob (Tom Payne) aprende tudo o que Bader sabe sobre cuidar
de pessoas doentes, mas ele sonha em saber mais. Após Bader
passar por uma operação nos olhos, Rob descobre que na Pérsia
há um médico famoso, Ibn Sina (Ben Kingsley), que coordena um
hospital, algo impensável na Inglaterra. Para aprender com ele,
Rob aceita não apenas fazer uma longa viagem rumo à Ásia, mas
também esconde o fato de ser cristão, já que apenas judeus e
árabes podem entrar na Pérsia.
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CONCLUSÃO GERAL
Caros acadêmicos, chegamos ao final desta jornada de aprendizado em Exames
Radiológicos. Ao longo desta apostila, mergulhamos em quatro unidades fundamentais,
explorando desde os primórdios da descoberta dos Raios-X por Wilhelm Conrad Roentgen
até os avanços tecnológicos contemporâneos.
Na primeira unidade, ressaltamos os marcos históricos da radiologia, desde
a introdução dos exames de radiografia até a disseminação desse avanço no Brasil,
impulsionada por figuras destacadas como o Dr. Manoel de Abreu. A Física das Radiações
e Segurança Radiológica foram temas cruciais, destacando os prejuízos da exposição
excessiva às radiações ionizantes e as estratégias para mitigar tais danos.
Na segunda unidade, exploramos a evolução dos exames radiológicos com
o surgimento de equipamentos inovadores, como a Tomografia Computadorizada e a
Ressonância Magnética. Introduzimos também conceitos fundamentais de técnicas de
posicionamento e imagem.
Na terceira unidade, mergulhamos na anatomia radiológica e interpretação de
imagens, desvendando as particularidades da visualização radiográfica do corpo humano.
A capacidade de interpretar imagens radiológicas foi destacada como habilidade essencial
para diagnósticos precisos.
Chegamos, por fim, à última unidade, explorando procedimentos específicos
e avançados na Radiologia, como a TC, RM, e tecnologias avançadas, incluindo a
Ultrassonografia 3D e 4D. Esses conhecimentos, embora de responsabilidade médica, são
fundamentais para o Tecnólogo em Radiologia.
Agradeço por ter chegado até aqui, espero que este conhecimento tenha lhe
agregado de forma enriquecedora, pois ele lhe acompanhará durante os seus dias como
profissional.
Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada!
71
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