Darkness
Darkness
'� realmente arrepiante o quanto ele se parece com James' pensou Lily. Mesmo com um
ano de idade, Harry seu filho, tinha muitas semelhan�as com seu pai.
'Seu cabelo � desgrenhado exatamente como o de James' Lily pensou com um sorriso
astuto. Ela sempre disse ao seu marido para fazer alguma coisa em rela��o ao seu
cabelo, mas ele rapidamente dava um sorriso deslumbrante e passava suas m�os por
eles fazendo ali uma bagun�a.
'Ao menos ele tem os meus olhos' Lily pensou agradecida olhando para a crian�a
brincalhona em seu colo. O verde esmeralda dos olhos de Harry fazia seu olhar ainda
mais ador�vel. A crian�a de cabelos negros estava el�trica sentada no colo de sua
m�e, mastigando feliz seus brinquedos e mesmo assim olhando em volta esperando
encontrar algu�m.
"Quem voc� est� procurando querido?" Sussurrou Lily segurando Harry pr�ximo a ela.
Ela sabia perfeitamente bem quem Harry estava procurando. Era o mesmo todas as
tardes por volta das 7 p.m. Harry impacientemente esperava a volta de seu pai do
trabalho. Claro que um simples beb� de um ano de idade n�o seria capaz de
determinar o tempo, mas Harry n�o era um simples beb�. Na realidade, tampouco eram
seus pais. Harry e seus pais eram uma fam�lia bruxa. James era um sangue puro
enquanto Lily vinha de uma fam�lia trouxa. Mesmo assim, ela era umas das mais
talentosas bruxas de sua gera��o.
Nesse momento James chegou parecendo um pouco desanimado, mas ao olhar Harry e Lily
seus olhos avel� iluminaram-se e um pequeno sorriso apareceu em sua face.
"Hey, como est� meu homenzinho?" Perguntou James enquanto encaminhava-se at� Lily e
pegava Harry, quem ria freneticamente para conseguir a aten��o de seu pai.
"James! Quantas vezes eu tenho que lembrar voc�? Ele � um garoto n�o um Homem."
Lily repreendeu-o. James deu de ombro e replicou:
"Menino... eu n�o sei. Isso soa estranho, como se eu estivesse brigando com ele.
Ele � meu homenzinho."
Lily sorriu para seu marido. Em sua opini�o James n�o queria soar t�o paternal j�
que tina apenas 23 anos.
Lily estava prestes a servir o jantar quando uma batida na porta os interrompeu.
James ficou instantaneamente em alerta. Ele silenciosamente entregou Harry para
Lily e pegou sua varinha. Chegou perto da porta e mandou Lily para o quarto junto
com Harry. Lily fez uma careta, mas foi para o quarto rapidamente. Normalmente ela
n�o acatava ordens de ningu�m, nem mesmo de James, mas desde quando aquela maldita
profecia foi feita as coisas mudaram dramaticamente. Eles tiveram que se mudar para
Godric�s Hollow e apenas algumas poucas pessoas sabiam onde esta ficava. Ela
esperou agustiadamente, com sua varinha em uma m�e e ainda carregando Harry. Ela
poderia azarar qualquer um que tivesse a sombra perto de seu filho.
Ela ouviu James murmurar um feiti�o que mostrava quem estava do outro lado da
porta. Inesperadamente a porta foi aberta e Lily pode ouvir uma risada e uma voz
que ela conhecia muito bem. Ela soltou a respira��o que ela nem percebeu que estava
segurando. Saiu de seu quarto e desceu as escadas. Tendo a certeza de que eram seu
marido e seus velhos amigos, Sirius e Peter. Sirius perturbou Lily sensivelmente
nos seus anos de Hogwarts, sempre andando com James e colocando-o em todos os tipos
de problemas. Claro que James n�o era exatamente inocente, mas desde quando Lily
virou sua mulher, ela preferia culpar Sirius. Peter era sempre t�o quieto que Lily
�s vezes pensava o que o fazia ser um maroto. Remus era o �nico que Lily podia ter
uma conversa inteligente. Infelizmente, ele n�o estava ali esta noite, j� que
estava tendo seu probleminha "peludo" como Sirius t�o sensivelmente havia nomeado
sua condi��o.
"Voc� poderia nos avisar que viria almofadinhas." Lily observou enquanto colocava
Harry perto de seu padrinho, quem entusiasmente alcan�ou-o e abra�ou-o colocando-o
o mais perto que podia.
"Onde est� a divers�o nisso?" Ele inquiriu enquanto dava a Harry uma das suas
risadas que mais pareciam latidos.
Harry estava agitando seus bra�os em volta e ria de Sirius e suas palha�adas. Lily
olhou amorosamente para seu filho, ele realmente gostava de seu padrinho. Peter
estava olhando e Lily n�o tinha certeza se estava imaginando, mas achava que aquela
demonstra��o de afeto estava incomodando Rabicho. Uma quase express�o de dor estava
evidente em seus olhos.
"Rabicho, voc� est� bem?" Ela perguntou colocando uma m�o em seu ombro.
"Yeah hum... Eu s�... hum, tive um longo dia, � s� isso..." ele parecia doente.
"N�o fale comigo sobre ter longos dias," James juntou-se "eu tive O dia cansativo"
"Oh, o que aconteceu?" Sirius rapidamente perguntou enquanto deixava Harry puxar
at� seus ombros suas negras mechas de cabelo.
"Bom, com todos esses ataques vindos por todos os lados, eu n�o sei mais o que n�s
podemos fazer antes que algo aconte�a." James tinha um olhar cansado em seus usuais
olhos brilhantes. James amava ser um auror mesmo que j� tivesse admitido ter se
tornado um a partir do momento em que Sirius escolheu s�-lo, mas ele rapidamente
tornou-se um adepto de toda essa coisa de estar do lado da luz.
De qualquer modo, depois que a profecia sobre Harry foi feita, James tornou-se mais
e mais paran�ico. Ele n�o gostava da id�ia de que seu filho tivesse t�o grande
responsabilidade, salvando o mundo. Esse era o seu trabalho, n�o o de Harry. Ent�o,
James sendo James, estava trabalhando dia e noite para eliminar Voldemort. Contudo,
isso estava tornando-se mais e mais estressante. Voldemort sempre parecia estar um
passo a frente dos aurores.
Sirius olhou um pouco preocupado para a face abatida de seu melhor amigo. Sirius,
Remus e James eram aurores, assim como Peter, mas James era o �nico que via nessa
guerra uma raz�o para viver. Ele queria terminar isso logo para que assim Harry
pudesse ter uma vida normal.
"Voc� pode pensar que isso � divertido agora Harry, mas confie em mim, quando voc�
for mais velho voc� n�o achar� uma solu��o para esse seu cabelo rebelde." Lily
falou para o pequeno garoto de cabelos pretos, enquanto ele ria e tentava agarrar
os dedos de sua m�e no momento em que ela acariciava seus cabelos ternamente. Lily
virou-se e deixou o garotinho brincando feliz em seu ber�o.
Ela estava justamente descendo as escadas quando de repente percebeu que algo
estava errado. N�o era por causa de algo que tinha ouvido e sim a falta de sons que
havia no lugar. Os tr�s homens que estavam na sala encontravam-se muito quietos.
Isso por si pr�prio j� era estranho j� que Sirius estava presente. Lily rapidamente
pegou sua varinha e respirou fundo. O que ela viu assim que entrou na sala iria
assombra-la pro resto de seus dias. No ch�o estava o corpo de James com uma po�a de
sangue perto de sua cabe�a. Uma garrafa de firewhiskey estava ca�da n�o t�o longe.
Sirius estava ca�do de costas totalmente inconsciente.
Lily correu at� James, esquecendo-se completamente da terceira pessoa que havia na
sala. Se Lily tivesse visto-o parado exatamente atr�s da porta ela estaria apta
para parar a trag�dia que estava por vir. Enquanto ia em dire��o a James, Peter que
estava apontando sua varinha para Lily veio por tr�s e atacou-a antes que ela
alcan�asse seu marido.
Lily sentiu que estava sendo tragada pela escurid�o mesmo antes de cair no ch�o.
Peter olhou seus amigos, todos eles ca�dos no ch�o de sua pr�pria casa, machucados
e tra�dos pelo seu pr�prio amigo. Ele respirou fundo e tentou acalmar as batidas de
seu cora��o. Ele tinha certeza de que se n�o tivesse lan�ado o feiti�o de sil�ncio
na porta do quarto, ent�o Lily teria ouvido seu cora��o batendo mais alto do que a
garrafa quebrando ou o ataque que James e Sirius haviam sofrido t�o
inesperadamente.
Ele deu uma outra olhada em seus amigos e ent�o deixou a sala desajeitadamente e
foi em sentido ao quarto de Harry; Todo o tempo repetindo enquanto respirava
"Perdoe-me Harry... perdoe-me James... Sirius mil desculpas." Ele n�o pensou que
chegaria t�o longe, ele tinha a esperan�a que James ou Sirius ou at� Lily o
impedissem de fazer tal coisa, mas eles n�o estavam esperando tal trai��o,
deixaram-no atacar e seq�estrar Harry. Ele realmente n�o queria fazer isso, mas n�o
havia outro jeito. O lorde das trevas foi bem claro em suas instru��es. Harry iria
encontrar seu destino nas m�os do pr�prio Voldemort.
Ele correu at� a orla do quarteir�o que ficava perto de uma pequena casa e aparatou
at� o covil de seu lorde. Com as m�os tremendo ele colocou Harry no ch�o de pedra
pr�ximo aos p�s de lorde Voldemort. Harry ainda estava surpreendentemente dormindo
e nem mesmo se mexeu. Peter rapidamente ajoelhou-se em frente ao lorde e beijou a
barra de suas vestes enquanto dizia baixinho:
Voldemort olhou para a crian�a com seus olhos vermelhos e deu um sorriso
satisfeito. Ele era um homem atrativo, com longos cabelos negros e com fei��es de
quem foi muito bonito em sua juventude. A �nica coisa que mostrava realmente o
mostro que ele era, eram seus olhos vermelhos que pareciam queimar a quem o olhava.
Ele tirou seus olhos de Harry e olhou para a forma covarde de seu comensal espi�o.
"Levante-se Rabicho, voc� fez um bom trabalho. Pela primeira vez voc� n�o estragou
tudo e conseguiu completar uma tarefa."
"Basta!"
Voldemort pegou todos os detalhes da crian�a. Ele detestava crian�as em geral. Ele
n�o havia esquecido como as crian�as haviam provocado-o e ridicularizado-o no
passado quando ele ainda morava naquele horr�vel orfanato. De qualquer modo, essa
crian�a tinha uma aura m�gica t�o grande a sua volta. Ele era poderoso, mas n�o
havia d�vidas que se ele deixasse esse pirralho solto por a�, este poderia muito
bem causar sua derrota. "Quanto desperd�cio de poder" pensou Voldemort. Ele
levantou sua varinha e escutou quando os comensais presentes seguraram a
respira��o. Ele sorriu para si mesmo, isso seria agrad�vel e ele iria aproveitar
cada momento.
Ele apontou sua varinha para a cabe�a de Harry e justamente nesse momento os olhos
esmeraldas olharam inocentemente para Voldemort. Houve um sussurro e de repente uma
brilhante luz verde preencheu todos os lados. Peter fechou seus olhos mesmo antes
que o feiti�o fosse pronunciado, mas p�de sentir a luz penetrar em suas p�lpebras.
"Perdoe-me Harry" Foi a �ltima coisa que ele p�de pensar antes que a luz se
extinguisse e todos fossem arremessados na escurid�o novamente.
Cap�tulo Dois: Pr�ncipe Negro
Lily suspirou e abaixou os pap�is que ela desesperadamente tentava corrigir. Po��es
era uma mat�ria muito mais dif�cil do que as pessoas imaginavam. Ela inclinou-se
para tr�s em sua cadeira e massageou seu pesco�o, que j� estava cansado por causa
de todo o esfor�o que ela estava fazendo para corrigir tudo antes de ir dormir.
Ela olhou a sua volta, seu quarto pessoal em Hogwarts era realmente acolhedor
apesar de ser localizado nas masmorras. Ela sem d�vidas tinha dado ao lugar um
toque feminino e tinha decorado as paredes o melhor que p�de. Em volta de sua mesa
tinha fotos daqueles que amava, Lily sempre se sentia mais confort�vel para fazer
seu trabalho quando olhava o rosto de cada um. Ela dificilmente tinha a chance de
ver James. Com ela ensinando po��es, ele com os deveres de auror e ambos
participando da Ordem da F�nix, n�o sobrava tempo. Feriados eram os �nicos dias que
ela tinha tempo para passar com a sua fam�lia.
Ela trabalharia para a Ordem em tempo integral se n�o fosse por seu filho, Damien.
H� dois anos Damien entrou em Hogwarts e ela aceitou o posto de professora de
po��es que lhe ofereceram. Ela sabia que Damien iria reclamar, por que assim ele
n�o poderia fazer nada, mas isso dificilmente seria uma raz�o para que ela n�o
aceitasse o trabalho. Lily suspirou novamente e segurou a foto dele, fazia um ano
que Damien havia terminado seu primeiro ano em Hogwarts.
Diferente do seu irm�o mais velho, Damien n�o era igual a James. Ele tamb�m tinha
os cabelos negros, mas esses n�o eram rebeldes como os do pai. Ele tinha os
profundos olhos avel� de James, os quais sempre usava para sair dos problemas.
Entretanto suas fei��es eram iguais as de Lily. Ele tinha o nariz, a boca e o
sorriso de sua m�e. Damien herdou o temperamento dela tamb�m. Era exatamente a
mistura dos dois. Sirius tinha feito de tudo para transformar Damien em um rival
para James na arte de criar problemas. Claro que o menino era muito impaciente para
aprender algo de um maroto.
Lily olhou fixamente para a foto de James e sentiu seu cora��o queimar de saudades.
Ela n�o o via h� duas semanas, mas aquela dor n�o era nada em compara��o com a que
sentiu ao olhar para a foto ao lado da dele. A foto havia sido tirada tr�s dias
antes que ele fosse...Levado. Lily voltou seus olhos esmeraldas para a foto do seu
filho mais velho. Ele estava rindo e apontando para ela. Seu cora��o apertou t�o
dolorosamente quando ela olhou para o seu beb�. Ela tirou os olhos da foto e viu o
calend�rio em sua mesa que datava 31/Maio. Ela sentiu o ar sair com dificuldade.
'Dois meses' ela pensou ' dois exatos meses e ele estaria fazendo dezesseis anos e
estaria em seu sexto ano em Hogwarts'.
Ela sempre pensou em Harry desse jeito. Era dif�cil para James falar com ela toda
vez que Lily tocava no assunto 'Harry' e o que ele estaria fazendo se ainda
estivesse vivo. James havia tido um golpe emocional por ter perdido um filho t�o
drasticamente. Depois de tudo havia sido seu amigo que roubou Harry debaixo de seu
pr�prio teto e o levado diretamente para um monstro. James prometeu vingar-se de
Peter e Voldemort por terem matado Harry. James por sorte n�o morreu naquela noite.
Ele havia perdido muito sangue e a pancada que sofreu na cabe�a o deixou mal
durante uma quinzena. Ele sempre se culpou pelo fato de n�o ter protegido seu
pr�prio filho. Levou semanas para que ele finalmente pronunciasse outra coisa que
n�o fosse 'Perdoe-me Harry... Perdoe-me por n�o ter te protegido'.
Tr�s anos depois a chegada de Damien deu-lhe uma Segunda vida. Somente com Damien
em sua vida, James voltou a ser o mesmo. Ele era muito protetor com o seu segundo
filho, mais at� que Lily, de todo modo ele deixava Damien se divertir e sair, mesmo
Lily teve que admitir que n�o havia a menor probabilidade que algo acontecesse com
o garoto. Damien era um bom menino e nunca extrapolava.
Lily parou de olhar Harry. Ela levantou-se e foi em dire��o a sua cama. Ela estava
se acomodando quando um barulhinho na janela a alertou. Ela olhou diretamente para
a sua janela oval e viu uma coruja marrom olhando-a. Lily sorriu e correu em
dire��o a janela para deixar a criaturinha entrar. A coruja entrou alegremente e
imediatamente esticou suas patas e mostrando um pequeno pergaminho. Lily pegou-o
agradecida e nem percebeu que a coruja levantou v�o imediatamente. Lily conhecia a
letra, era de James, ele sempre mandava cartas pelas corujas do minist�rio. Ela
rapidamente abriu o envelope e come�ou a ler.
Querida Lily
Como vai voc�? Espero que esteja mantendo-se fora de problemas. O que me lembra,
como vai nosso pequeno pestinha?
Espero que voc� n�o esteja colocando-o em muitas deten��es. Diga a Damy que eu
tenho os ingressos para a copa mundial e que n�s definitivamente vamos assistir.
Bulg�ria e Irlanda! Eu mal posso esperar! Mas... Como voc� est� indo querida?
Eu, se tiver sorte, irei v�-la este final de semana; Talvez n�s pud�ssemos ir a
Hogsmeade.
'Isso ser� interessante' pensou Lily antes de cair na cama e puxar as cobertas. Ela
estava t�o cansada que instantaneamente caiu no sono. Seu �ltimo pensamento foi 'Eu
adoraria saber por quem Harry torceria...'
Ele sabia que o que ele estava fazendo era perigoso, muito perigoso. De fato, ele
estava certo de que os outros achavam que ele estava louco. Enganar o Lorde das
Trevas n�o era algo saud�vel. Por�m, ele sabia que se fosse bem sucedido em sua
miss�o, ele teria muito poder. Se conseguisse fazer o que planejava, iria
participar do grupo particular de Voldemort e poderia muito bem ser o Comensal mais
poderoso. O risco era v�lido.
As m�os de Jason Ripley tremeram ao pensar no risco. Ele trouxe o copo ao seus
l�bios e bebeu o resto do l�quido esperando que ele diminu�sse o frio de seu peito.
Assim que o copo vazio tocou a mesa, as luzes tremeram antes de apagarem
completamente. O Comensal congelou em sua cadeira quando foi deixado no escuro. Ele
apertou sua varinha e seus dedos ficaram brancos por causa da for�a empregada.
Devagar ele se levantou, seus olhos vasculhando a sala.
"Lumos" Ele sussurrou e sua varinha acendeu, mas aquela luz era pouco para deix�-lo
confort�vel.
Apertando sua varinha acesa, Jason Riley andou pela sala indo at� a porta. Ele
sabia que ele iria vir. Certeza.
Jason abriu a porta e saiu, sua mente lhe dizia para que ele n�o ficasse com medo.
Parando na porta, o homem esperou para ver se conseguia enxergar algu�m. Ele
segurou sua varinha acima de sua cabe�a e n�o viu ningu�m.
Na hora em que ele sa�a da sala, sentiu o ar mudar. Ele conseguia sentir a magia
que o rondava e parou. Lutando contra o medo, ele falou virando-se para encarar seu
visitante.
Jason virou-se devagar. Ele estava tentando enxergar no escuro o melhor que podia.
A �nica coisa que via era a forma do visitante.
"Se voc� me der outra chance, se voc� me deixar me desculpar. Eu n�o queria...
AVADA KEDAVRA!" Jason fez seu movimento e lan�ou a maldi��o.
A garoto saiu do caminho, desviando-se do jato de luz verde. Jason tentou mat�-lo
novamente.
Antes que as palavras sa�ssem de sua boca, sua varinha foi bruscamente arrancada de
sua m�o. A for�a do feiti�o n�o-verbal foi t�o forte que fez a varinha voar longe.
A sala caiu na escurid�o mais uma vez quando a varinha acertou o ch�o.
Ele chegou nas escadas e quis ir at� a lareira, queria sair por floo. Ele conseguiu
chegar no primeiro degrau quando uma varinha foi pressionada em seu pesco�o.
Ele era alguns cent�metros mais alto que o Pr�ncipe Negro, mas isso n�o o confortou
nem um pouco.
As luzes tremeram de nvo e ele encontrou-se encarando um par de olhos verdes, que
n�o possuiam o m�nimo de pena.
Antes que Jason pudesse fazer algo um jato de luz verde o acertou. O Comensal caiu
no ch�o, morto.
O Pr�ncipe Negro apenas olhou para o corpo antes de virar-se e ir embora. Sua
miss�o estava completa.
Lily n�o estava se divertindo. Ela estava h� duas semanas querendo ver James e logo
quando ele vinha, ambos n�o tinham nem tido tempo para dar um simples 'oi', pois
Dumbledore havia convocado uma reuni�o da Ordem urgentemente. James nem mesmo havia
dado um 'al�' para Damien. Ela sentou de bra�os cruzados e tentou com todas as
for�as n�o demonstrar seu mau-humor. Honestamente, ela queria apenas um pouco de
tempo com seu marido! Ser� que isso era pedir demais?
Seus pensamentos foram cortados quando a sala ficou quieta. James sentou-se ao lado
de Lily e gentilmente pegou a m�o da esposa. Ela olhou para ele e deu-lhe um meio
sorriso. Olhando em volta ela viu a todos os seus conhecido, eles pareciam cansados
e um pouco desalinhados. Havia o sempre paran�ico Olho-tonto Moody que estava
sentado ao lado de Kingsley Shacklebolt. Tonks estava em destaque com os seus
cabelos rosa chiclete. Sirius e Remus estavam sentados pr�ximos a James. McGonagall
e Snape estavam ao lado de Dumbledore e o olhavam curiosamente. Pr�ximo a eles
havia dois lugares vazios que Lily estava tentando ignorar. Ela n�o achava que
poderia pensar neles novamente. Ela olhou mais um pouco e percebeu que havia outros
membros, cujos ela n�o conhecia muito bem, que provavelmente eram do minist�rio da
magia.
Sua aten��o foi voltada para Dumbledore que agora estava em p� ante todos os
membros. Albus Dumbledore parecia bem cansado assim como os outros. Ele limpou sua
garganta e automaticamente a sala ficou quieta. Ele viu que todos tinham express�es
cansadas, haviam alguns que pareciam entediados e ainda outros que pareciam estar
se preparando para not�cias bem tr�gicas. Dumbledore decidiu compartilhar a raz�o
pela qual havia convocado aquela reuni�o.
"Senhoras, senhores. Muito obrigado por terem vindo a esta reuni�o. Eu estou certo
de que muitos de voc�s tiveram que cancelar compromissos, portanto eu n�o irei
demorar muito tempo." Neste momento ele lan�ou um olhar a Lily que corou e passou a
olhar fixamente para suas m�os.
"O ataque mais recente foi na noite passada. Um Comensal chamado Jason Riley foi
morto em sua casa. O Ministro diz n�o ser respons�vel e n�s sabemos que a Ordem n�o
fez isso. Portanto, temos que saber quem � o assassino." Dumbledore finalizou
soando bem preocupado.
"O que importa? Seja quem for esse assassino, ele est� nos ajudando. Por que n�s
dev�amos nos preocupar?" Moody preguntou.
"� uma situa��o para que n�s nos preocupemos, j� que n�o sabemos quem � e o porque
de tudo isso." Dumbledore respondeu.
"Talvez haja outro grupo formado, como a Ordem. Talvez seja algu�m que queira lutar
contra Voc�-Sabe-Quem e esteja mirando nos Comensais." Tonks disse.
"Essa � uma possibilidade." Dumbledore enclinou sua cabe�a na dire��o dela. "De
qualquer modo, acho melhor encontrarmos a verdade o mais r�pido poss�vel."
Lily percebeu que havia algo que Dumbledore n�o estava dizendo. Ela gastou um bom
tempo com ele, primeiro como estudante, depois como membro da Ordem e por �ltimo
como professora de Hogwarts. Ela tinha certeza de que ele escondia algo.
Dumbledore olhou para Lily e seus olhos azuis a encararam. Com um suspiro ele
come�ou.
"Como eu disse � apenas uma suspeita. O que eu sei � que se os homens de Voldemort
fossem atacados e mortos desse jeito ele n�o iria ficar parado deixando que isso
continuasse. E pelos relat�rios que eu li Voldemort n�o est� fazendo nada para que
essas mortes parem. Ele, na verdade, parece estar at� feliz. Isso me faz pensar que
esses Comensair devem ter errado de algum modo fazendo Voldemort atac�-los."
Dumbledore finalizou.
"Mas por que ele iria matar seus pr�prios seguidores? Isso n�o faz sentido." Remus
disse.
"Eu n�o sei. Essa � a raz�o pela qual eu quero descobrir tudo o que puder."
Dumbledore virou-se para Snape.
"Severus, eu tenho que pedir para que voc� descubra o m�ximo de informa��o que
puder. Eu tenho a lista de todos os Comensais atacados. Veja se voc� descobre o que
eles estavam fazendo antes de morrer. Veja se eles, de algum jeito, deixaram
Voldemort com raiva."
Dumbledore entregou um pergaminho para Snape que pegou-o, mas n�o olhou. Seus olhos
estavam fixo em Dumbledore.
"� tudo por hoje. Eu agrade�o a paci�ncia de voc�s." Dumbledore terminou de modo
educado e cumprimentou todos com um aceno de cabe�a.
James levantou de sua cadeira assim como os outros. Sua cabe�a estava girando
devido �s novidades.
"O que voc� acha?" Sirius perguntou. "Voc� acha que � uma sociedade nova ou acha
que Voc�-Sabe-Quem resolveu que precisa de novos seguidores?"
"Eu estou com Moody. Eu n�o acho que n�s n�o devemos ligar para esse assassino
enquanto ele continue apenas matando Comensais. N�s dever�amos estar gratos."
Sirius continuou andando com seu amigo at� a lareira. Ele n�o tinha nenhum lugar
para ir, j� que o Quartel General era sua casa.
James n�o disse nada. Ele silenciosamente concordava com Dumbledore. Se Voldemort
estivesse preocupado com a morte desses homens, ele estaria fazendo algo contra
isso. O fato de que Voldemort n�o estava preocupado era uma prova de que ele mesmo
estava por tr�s dessas mortes.
xXx
Cap�tulo Quatro: O mundo do Pr�ncipe
"Deixe-me Bella, eu n�o estou com humor para as suas tiradas insanas hoje." Ele
respondeu enquanto amassava sua testa com os dedos.
"Harry, voc� est� bem? � sua cicatriz de novo? Desculpe-me Harry, eu n�o percebi."
Ela estava se desculpando enquanto colocava as m�os na testa do garoto tentando ver
com quanta dor este se encontrava. Harry tentou bloque�-la o melhor que p�de. Ele
odiava isso. Ele estava doente por estar sentindo o mau-humor de seu pai. Quando
ele era mais novo, Malfoy e os comensais do c�rculo interno usavam Harry para
perguntar o qu�o bravo estava o Lorde das Trevas antes que eles entrassem para v�-
lo. Se a cicatriz n�o estava doendo antes, iria com certeza doer depois.
Harry cerrou seus dentes e tentou afastar-se de Bella. Ele poderia resolver isso
sem ela.
"Bella, eu estou bem. Deixe-me sozinho por enquanto. N�s podemos continuar o
treinamento quando meu pai se acalmar."
Bella o deixou sozinho e foi para seu quarto. Ela espiou Harry pela fresta da porta
e viu que ele ainda apertava a sua cicatriz. 'Ele � muito orgulhoso' Ela pensou.
"Harry, eu volto logo. Vou trazer um pouco de po��o para dor e eu n�o quero ouvi-lo
dizer que n�o precisa!"
Harry sorriu fracamente para ela e balan�ou sua cabe�a suavemente. Ele n�o iria
rejeitar uma po��o para dor justo agora. Ele realmente gostava de Bella; isto �:
somente quando ela n�o era muito maternal e acabava deixando-o desconfort�vel.
Ela o treinou o m�ximo que p�de juntamente com o seu pai. Era uma boa professora e
ele podia ver que Bella preocupava-se com ele. Harry n�o sabia se aquilo era
prudente, j� que seu pai falou que esses sentimentos faziam com que a pessoas
ficasse com poderes fracos. Ele nunca entendeu isso, pois tamb�m se preocupava com
Bella. Ela o criou apesar de tudo.
Ele estava ocupado pensando e nem mesmo ouviu quando Bella voltou.
Harry pegou-a agradecido e tomou sua po��o em um �nico gole. O efeito era
instant�neo, mas a dor de Harry s� diminuiu um pouco. S� iria embora completamente
quando a raiva de seu pai, que era o que estava fazendo com que sua cicatriz doesse
tanto, passasse.
"Por que ele sempre decide ficar nervoso quando eu estou por perto?" Perguntou
Harry.
"Bem, desculpe-me por n�o estar gostando que minha cabe�a seja dividida em duas!"
"Ele n�o faz de prop�sito, Harry. Ele nunca faria voc� sofrer."
Harry iria responder se n�o fosse a pela intensa dor que perpassou sua cabe�a.
Bella foi imediatamente para o lado dele perguntando-se o que estava fazendo o
Lorde ficar t�o nervoso.
"Mas ele est� fazendo isso! Eu vou ver o que est� acontecendo!" Com aquilo dito,
Harry levantou-se, colocou sua m�scara prateada e saiu da sala.
Ele chegou no escrit�rio de seu pai em apenas alguns minutos. Harry tinha dez anos
quando aprendeu todas as passagens secretas da Mans�o Riddle. Ele arrumou sua
m�scara e bateu na porta. Sem esperar resposta, Harry entrou na sala particular de
seu pai. O Lorde das Trevas estava surpreso por ver seu herdeiro l�, mas logo
percebeu o porqu�. Imediatamente Voldemort come�ou a acalmar a raiva que fervilhava
dentro dele. Ele at� suspendeu o crucio que estava dando em Crabbe. O pat�tico
comensal afastou-se devagar, seus joelhos tremiam violentamente.
"Sil�ncio!"
Voldemort sibilou e moveu Crabbe para longe dele. Agradecido pela entrada do
Pr�ncipe Negro, o comensal rapidamente saiu da sala.
No momento em que o comensal saiu, Harry retirou sua m�scara e olhou diretamente
para seu pai.
Lorde Voldemort acalmou-se somente por olhar Harry. Ele sorriu e pediu a seu filho
que chegasse mais perto. Harry deu alguns passos em dire��o a ele e parou. O garoto
era o �nico que n�o se ajoelhava aos p�s de Voldemort.
"Eu vim apenas perguntar o que teria deixado meu pai t�o irado, antes que minha
cabe�a abrisse!"
O Lorde das Trevas teria imediatamente matado qualquer um que falasse com ele em
tal tom. De qualquer maneira, com Harry era diferente. Apesar de tudo ele era o
�nico filho de Voldemort.
"Harry, eu n�o sei o que dizer. Aquele imbecil do Crabbe trouxe-me algumas not�cias
desagrad�veis. Parece que Riley tinha um c�mplice."
"Qual � a sua ordem pai?" Ele perguntou. Sua face n�o demonstrava nenhuma emo��o.
Lorde Voldemort andou at� seu filho que h� poucos dias voltara de uma miss�o. Ele
colocou as m�os nos ombros de Harry e olhou em seus olhos.
"Acabe com o maldito!" Ele disse e os olhos de Harry tornaram-se frios e livraram-
se de qualquer sentimento.
Harry viu na mente de seu pai tudo o que seria necess�rio para completar sua
miss�o. Ele sabia o nome, o endere�o e o rosto. Isso era tudo o que precisava.
Harry j� estava de sa�da quando seu pai o segurou. Voldemort levantou o queixo de
seu filho para poder olhar aqueles olhos esmeraldas.
"Eu estou chateado. Voc� ficou mal por minha causa. Voc� sabe o quanto eu odeio
transferir minhas emo��es para voc�."
Harry sorriu.
"Eu sei pai, � que doeu um pouco mais dessa vez, por isso vim aqui ver o que estava
acontecendo de errado."
Voldemort assistiu Harry sair de seu escrit�rio. Ele n�o imaginava a propor��o da
liga��o que se formou com seu herdeiro, quando ele deu-lhe aquela cicatriz. �s
vezes ele at� sentia pena da pobre crian�a. Harry sofria se ele ficava muito triste
ou muito feliz. Qualquer emo��o intensa, deixava Harry com uma dor muito forte.
Voldemort prometeu-se que iria manter-se calmo quando Harry estivesse por perto.
Claro que quando Harry estava longe ele poderia ficar triste ou feliz o quanto
quisesse e n�o o machucaria. Aparentemente, Harry s� sofria quando ficava muito
perto do Lorde. Se Harry estivesse longe ele ainda sentiria um inc�modo, mas nada
que o deixasse mal.
Lorde Voldemort sentou-se em seu trono e pensou silenciosamente sobre Hunt. Ele
deveria t�-lo percebido. Aquele maldito iria pagar! Harry encarregaria-se disso.
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Cap�tulo cinco: Uma revela��o
James olhou em volta. Por que algu�m viveria em um lugar como esse? Ele moveu-se e
sinalizou para que os dois aurores checassem os fundos pr�dio.
James veio com uma equipe de quatro aurores. Seu melhor amigo, Sirius e um
companheiro da Ordem, Kingsley Shacklebolt. Os outros dois n�o eram da Ordem, mas
James os conhecia muito bem.
James, de repente, viu um loiro baixinho sentado contra a parede. Seu rosto estava
entre suas m�os e ele parecia estar tremendo. O auror n�o sabia se era de medo ou
de frio.
Os aurores viram um garoto vestido de preto, exceto por sua m�scara prateada. Ele
moveu-se, mas n�o fez nenhum barulho. Era quase como um feiti�o silenciador. Se
James n�o o tivesse visto, nunca saberia que ele estava ali.
O Comensal olhou para cima e seus olhos azuis viram o garoto de preto. Ele soltou
um gemido.
James foi pego de surpresa, havia algo na voz do garoto que o perturbava, a voz era
joven, mas ele empurrou isso para o fundo de sua mente, ele tinha que se
concentrar. Sinalizou para Sirius e Kingsley. Os dois aurores entenderam.
"Eu n�o fiz nada! Foi Riley! Ele que queria trair o Lorde das Trevas! Eu nunca
sonharia com algo assim! Eu juro, eu n�o faria!" O homem come�ou a solu�ar.
"Se voc� n�o fez nada de errado, ent�o por que voc� fugiu, Hunt? Por que voc� n�o
voltou?" O garoto perguntou.
"Por favor Pr�ncipe Negro! Tenha piedade!" O homem, Hunt, disse olhando para o
garoto.
James olhou Sirius, 'Pr�ncipe Negro?' esse era um nome bem estranho. James olhou
para o garoto que n�o estava dando a m�nima para as s�plicas de Hunt.
James n�o entendia por que o homem estava com tanto medo de um simples garoto. Ele
nem mesmo tinha uma varinha. Ele estava l� parado com as m�os vazias.
"Ent�o, voc� vai me matar sem ao menos me deixar contar o meu lado da hist�ria?"
Perguntou Hunt com medo.
"Voc� n�o tem nenhuma hist�ria pra contar e eu j� desperdicei tempo demais falando
com voc�."
O garoto disse isso e simultaneamente tirou a varinha das vestes. Sua voz n�o tinha
nenhuma emo��o, mas James sentiu a ira nas palavras dele. O Pr�ncipe com certeza
odiava Hunt.
"Por que voc� vai me matar? O que eu fiz pra machucar voc�?"
"Voc� traiu meu pai, portanto me traiu tamb�m. Ele n�o esquece e eu n�o perd�o."
O garoto disse isso e apontou sua varinha bem para o meio dos olhos de Hunt. James
preparou-se para atacar o garoto. Ele n�o iria deixar Hunt morrer. Ele estava l�
para prend�-lo, n�o para deix�-lo morrer. Ele odiava Voldemort e seus Comensais,
mas sabia que se esse Comensal estava fugindo dele, ele poderia ser bem �til. O
homem provavelmente daria boas informa��es sobre Voldemort.
"Sim, bem, eu nunca pensei que o Lorde Voldemort e seu filho fossem do tipo que
perdoavam e esqueciam!"
James congelou. O que ele disse? Esse garoto era filho de Voldemort?
James olhou em volta chocado. Ele, Sirius e Kingsley estavam p�lidos. Voldemort
tinha um filho? Essa revela��o fez o sangue deles gelar.
James virou-se e viu o garoto parado, de repente, ele pareceu ser mais perigoso.
"Se voc� vai ficar falando coisas sem no��o Hunt, ent�o respire pela �ltima vez!" O
garoto disse cruelmente.
James pensou que aquela era uma boa hora para que eles resgatassem Hunt.
James e os outros dois lan�aram-se contra o garoto ao mesmo tempo. Tr�s jatos de
luz vermelha bateram nele quando os tr�s aurores gritaram 'Estupefa�a', mas ele j�
havia erguido um escudo e nem mesmo pareceu surpreso.
Antes que James e Sirius pudessem alcan�ar o garoto, ele deu um super chute direto
no peito de Kingsley. James engasgou-se ao ver seu companheiro sendo jogado para o
outro lado. O auror rapidamente se recuperou e come�ou a lan�ar feiti�os.
"ESTUPEFA�A" Ele vociferou, mas o garoto somente desviou-se como se fosse a coisa
mais simples do mundo. James estava chocado, o garoto era um fen�meno. Ele estava
lutando facilmente contra tr�s aurores formados e ainda n�o tinha nenhum arranh�o.
"Sirius!" Ele gritou, mas o auror j� havia jogado �gua em sua capa.
Os outros dois aurores que vieram com James fizeram seu movimento. Eles correram
at� o garoto lan�ando maldi��es. O Pr�ncipe Negro as bloqueou com facilidade e
moveu-se para encarar Sirius enquanto James aproximava-se de Hunt que estava
confuso.
Agora era apenas Sirius e Kingsley lutando contra o adolescente enquanto James
movia-se rapidamente at� Hunt. James segurou o Comensal que estava morrendo de
medo.
"Se voc� quer viver, eu sugiro que venha comigo!" James disse para ele.
Os olhos de Hunt moveram-se percebendo a luta que acontecia entre o Pr�ncipe Negro
e os aurores. Ele virou-se para James.
"N�s queremos prender voc�. Ele quer matar voc�. Escolha!" James disse g�lidamente.
James o seguoru pelo colarinho e correu at� a sa�da. Ele sabia que haviam feiti�os
Anti-Aparata��o, havia testado entes de entrar. Provavelmente Hunt estrava tentando
proteger-se.
Ele estava quase chegando na porta de sa�da quando escutou um feiti�o desconhecido
que veio seguido por um grito de dor. Ele virou-se e viu Kingsley ca�do no ch�o,
parecia que ele havia quebrado os bra�os e as pernas. Sirius estava lutando
fisicamente com o garoto agora. O auror era um pouco maior que o garoto e no
momento estava sendo at� f�cil segura-lo.
Ele pegou o garoto de um jeito que o bra�o que segurava a varinha ficasse na
dire��o de suas costas e o outro atr�s de seu pesco�o. Sirius virou-se de modo que
o garoto ficasse em frente a ele como um escudo. O auror colocou seus bra�os em
volta do pesco�o do Pr�ncipe para sufoca-lo. O garoto n�o estava nem reagindo. Foi
quando James o viu tomar impulso e socar o rosto de Sirius com sua cabe�a. A parte
de tr�s da cabe�a do Pr�ncipe foi com tanta for�a no rosto de Sirius que o auror
foi obrigado a solt�-lo. O garoto virou-se e desceu seu punho direto na cabe�a de
seu advers�rio. O auror cambaleou, mas ainda assim tentou continuar lutando. Ele
enviou um feiti�o para cima do Pr�ncipe, mas o garoto conjurou um escudo t�o r�pido
que Sirius foi lan�ado para tr�s. O Pr�ncipe atirou um feiti�o tamb�m e Sirius
apenas desviou-se.
James havia visto o suficiente. Ele tinha que tirar Hunt dali. Se ele n�o fizesse
isso Hunt iria morrer.
James segurou o comensal que estava tremendo e correu para fora o mais r�pido que
p�de. Ele apenas deu alguns passos na velha f�brica quando ouviu a porta voando
atr�s dele. Eram apenas alguns passos at� que ele chegasse aos port�es e pudesse
aparatar de l� com Hunt s�o e salvo. James odiava Hunt, mas n�o podia deixar que
nada de mal acontecesse com ele, o homem poderia dar muitas informa��es quando
chagassem ao Minist�rio.
De qualquer modo ele estava quase saindo quando ouviu um 'zoom' passando por ele e
acertando as costas de Hunt. O auror congelou e virou-se para checar o comensal.
Ele ainda respirava. James viu o garoto se aproximando calmamente e
instantaneamente ele colocou Hunt para tr�s de modo a protege-lo. O Pr�ncipe parou
a poucos metros de James, o auror podia ver que algo estava errado. Ele estava
tenso. O garoto segurou sua varinha e deu a James um olhar g�lido.
Novamente James sentiu um desconforto perpassando por ele. Ele parou desafiante,
protegendo Hunt, com sua varinha apontada diretamente para o cora��o do garoto.
"Eu acho que ficou sendo a partir do momento em que voc� derrotou minha equipe
inteira!"
Antes que o auror pudesse conjurar um escudo, o Pr�ncipe Negro o mandou voando para
longe. James caiu dolorosamente no ch�o de pedra e momentaneamente n�o p�de mover-
se. O auror virou-se e conseguiu ver o garoto aproximando-se de Hunt com varinha em
punhos enquanto o comensal implorava pela sua vida.
"N�o... N�o... Por favor... Meu Lorde... Tenha piedade!" Ele gaguejava enquanto
ainda tentava se arrastar.
"Avada Kedavra"
James engoliu em seco quando viu a luz verde sair da varinha do garoto e acertar o
peito de Hunt. O comensal tremeu no ch�o e mesmo daquela dist�ncia dava-se para
perceber que ele realmente estava morto. A raiva tomou conta de James assim que ele
viu o garoto afastando-se do corpo como se n�o houvesse acontecido nada. Em
segundos, James estava bloqueando a passagem do Pr�ncipe e apontava a varinha para
ele.
James parou perto do garoto. Era dif�cil reconhecer qualquer coisa nele, sua
m�scara cobria tudo. A �nica coisa que ele via eram seus olhos. Mas mesmo assim era
dif�cil v�-los direito, eles estavam t�o escuros e James estava meio tonto por
causa da pancada na cabe�a.
"Saia do meu caminho Potter, eu realmente n�o quero perder tempo com voc� hoje."
"S�rio? Bom, n�s vamos marcar um hor�rio, n�o vamos? Que tal sexta � tarde?" James
zombou sentindo sua raiva aumentar.
Esse garoto realmente era uma figura. Sozinho ele havia combatido cinco aurores e
matado uma pessoa e sem ao menos sofrer um arranh�o. James ainda n�o conseguia
acreditar na for�a com que foi atirado atrav�s da plataforma. Foi como se um
martelo tivesse sido usado para joga-lo.
"Saia Potter!"
Os olhos do garoto brilharam. Ele guardou sua varinha e deu alguns passos para
tr�s. James estava completamente confuso. 'Por que ele guardou a varinha, de que
ele quer brincar'. Foi nesse momento de confus�o que o garoto aproveitou sua
chance.
"Como desejar."
Quando ele disse isso seus olhos esmeraldas tornaram-se avel�. James foi
violentamente atirado longe e sentiu uma intensa dor em suas costas. Ele ignorou
isso e levantou-se indo atr�s do garoto que j� estava conseguindo ultrapassar os
port�es. James apontou sua varinha para o garoto, ele simplesmente n�o poderia
deixa-lo ir.
"SORUPTO" Ele murmurou e um jato de luz amarela saiu de sua varinha e cortou o
bra�o do garoto. James viu quando o Pr�ncipe engoliu em seco por causa do corte que
o feiti�o havia feito. O auror apontou sua varinha para o peito do garoto.
Antes que James pudesse mandar outra maldi��o ele sentiu as palavras paradas em sua
garganta. James deixou sua varinha cair e segurou seu pesco�o, ele sentiu uma dor
que fez sua vis�o ficar borrada por um momento..
James sentiu seu sangue caindo por suas vestes. O lado esquerdo de seu pesaco�o
do�a. Sua respira��o estava mais lenta.
Ele caiu de joelhos, suas m�os seguravam seu pesco�o em um esfor�o para fazer o
sangue estancar. Tudo estava girando. Ele for�ou-se a ficar em p� e chamar por
ajuda, queria chamar Sirius, mas n�o conseguiu. Seus olhos viram um pequeno objeto
met�lico na grama. Era uma coisa que ele nunca havia visto antes.
Era pequeno, de metal e cheio de pontas. Parecia uma l�mina e estava cheia de
sangue. Seu sangue.
James percebeu que fora aquilo que o Pr�ncipe Negro usou para atac�-lo. Seus bra�os
e seu pesco�o estavam cheios deles. Ele nem mesmo vira o garoto atir�-los. A �ltima
coisa que viu foi o garoto mexer nos bolsos, o resto virou um borr�o.
James conseguia escutar gritos distantes, mas n�o sabia o que estava sendo dito.
Seu mundo foi engolfado pela escurid�o e ele n�o soube de mais nada.
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Cap�tulo seis: Hogwarts
"Isso � t�o injusto!" Choramingou Damien. Ele estava sentado no Sal�o principal
tendo seu caf� da manh� e estava de mau-humor. Ron Weasley e seus companheiros
grifin�rios estavam todos sentados na mesa.
"Eu sei que � uma droga, cara. Mas o que voc� pode fazer?" Ron falou enquanto
enfiava v�rias panquecas com mel na boca de uma vez s�.
"Esse era pra ser o melhor jogo de todos os tempos! Eu estou esperando semanas para
ir e agora ele decide n�o ir. Nem mesmo me mandou uma coruja para avisar!"
"Ainda choramingando Damien? Digo, honestamente, � apenas um jogo, seu pai deve ter
outras coisas mais importantes para fazer."
Hermione Granger sentou-se na mesa juntamente com Ginny Weasley e estava sendo
fulminada pelo olhar de Damien Potter.
"O que voc� sabe sobre quadribol, Hermione? Al�m do que, isso n�o � algo que voc�
possa aprender em um livro!" Damien a cutucou. Ele normalmente n�o era rude com
ningu�m, mas Hermione estava sempre o atormentando sobre alguma coisa ou outra,
somente porque ela era a nova monitora do quinto ano.
"Oras Damy, eu tenho certeza que seu pai deve ter tido outras coisas mais
importantes para fazer, al�m do mais, esse era um jogo at� que importante." Falou
Ginny.
Esse argumento realmente fez Damien parar para pensar. Por que seu pai perderia o
jogo? Ele era o maior f� de quadribol e al�m do que foi o melhor apanhador de
Hogwarts na sua �poca. Seu trof�u ainda estava na sala de trof�us do terceiro
andar.
"Ele poderia ter mandado uma coruja." Resmungou Damien, que j� estava come�ando a
ficar preocupado com seu pai. Ele deixava de fazer algo apenas quando tinha deveres
de auror. Damien esperava que ele apenas estivesse esquecido...
"Ent�o, o que voc� v�o fazer hoje?" Ele perguntou. Era s�bado e os estudantes
poderiam fazer o que quisessem.
Ron e Damien eram amigos desde os tr�s anos. Ron tinha cinco irm�os mais velhos e
sempre quis um irm�o mais novo. Mesmo tendo Ginny ele ainda queria um irm�o. Damien
era exatamente esse irm�o que Ron sempre quis. Os Weasleys o tratavam como se fosse
da fam�lia.
"Parece legal, acho que vou me juntar a voc�." Respondeu Damien. Se ele n�o ia no
jogo hoje, pelo menos iria jogar.
"Vamos Ginny?" Ele perguntou para a ruiva no momento em que ela sussurrava algo
para Hermione.
"O que? Eu... Oh... N�o... N�o obrigada Damy. Eu tenho coisas a fazer na
biblioteca." Ela respondeu enquanto corava um pouco. Damien compartilhou um olhar
com Ron e ambos rolaram os olhos.
"Ginny garota! Esque�a, voc� nunca vai encontra-lo." Ron tentou dizer para a
garota.
Ron meneou com a cabe�a e virou-se para Damien. Os dois garotos divertiram-se
zombando e importunando a garota por dois meses, mas agora eles estavam come�ando a
ficar com pena.
H� exatamente dois meses atr�s, Ginny quase morreu. Foi num dia de passeio a
Hogsmead. A fam�lia da garota estava por l� almo�ando, de repente, enquanto todos
estavam no tr�s vassouras, come�ou uma balburdia. Haviam v�rios Comensais da Morte
atacando e aterrorizando as pessoas do povoado. Mandaram Ginny voltar para Hogwarts
junto com todos os outros estudantes. Seus dois irm�os mais velhos junto com seu
pai foram combater os comensais.
Ginny estava voltando quando cinco comensais come�aram a atacar a regi�o por onde
ela passava. Ela fez a coisa mais inteligente que p�de, saiu correndo junto com
Hermione, voltou para o bar e saiu pelos fundos. Elas correram lado a lado, sem
saber ao menos se estavam longe o suficiente dos comensais. Infelizmente elas
correram diretamente at� os asseclas de Voldemort. Os comensais as viram e
decidiram que eram duas garotas perfeitas para se divertirem.
Charlie foi agarrado por um comensal quando tentava salvar Ginny. Ela despencou de
vinte andares. A garota gritou e fechou os olhos, n�o queria ver a morte lhe
encontrando. Mas antes que atingisse o ch�o, a menina foi pega por um par de m�os
fortes. Ela sentiu sua cabe�a ser encostada contra um t�rax definido e sem
raciocinar agarrou-se a essa pessoa. Ginny sentia o ar passando por ela e p�de
perceber que estava voando. Ela for�ou-se a abrir os olhos e olhar a pessoa que a
salvou de uma morte horrenda. Olhos esmeraldas encontraram-se com os dela e ela
afundou-se neles. A garota limpou as l�grimas dos olhos, n�o sabendo se foi o medo
de ir ao encontro da morte ou se era o vento forte que passava por eles que as
causou. O her�i misterioso dela tinha o rosto coberto por uma m�scara prateada.
Ginny percebeu que estava voando em uma vassoura e que a velocidade em que estavam
era fenomenal. Ela nem ao menos conseguia abrir a boca para falar. Havia muito
vento batendo nela. Ela moveu sua cabe�a contra o vento e acabou por se aconchegar
ainda mais no peito do garoto misterioso. A garota sentiu-se muito confort�vel nos
bra�os dele. Ele tinha um bra�o ao redor dela e o outro pilotava a vassoura.
Ginny s� parou de ficar com medo quando percebeu que j� estava em terra firme, o
garoto gentilmente a colocou sentada. Ela olhou e percebeu que estava em frente aos
port�es de Hogwarts. A garota p�de ver alguns professores correndo em dire��o a
ela. Ela olhou para seu her�i novamente. Ele j� estava montando em sua vassoura de
novo para partir, mas antes queria saber se ela estava bem. Ginny come�ou a tremer
e silenciosamente agradeceu por estar sentada, caso contr�rio ela teria ca�do.
Ginny engasgou-se; a voz era t�o jovem! Ela havia pensado que ele fosse bem mais
velho, ele at� voava como um jogador profissional de quadribol. Sua voz era gentil
e grave ao mesmo tempo. 'Ele deve ser um ou dois anos mais velho que eu' Ginny
pensou. Antes que a garota pudesse dizer algo, ele viu os professores correndo em
dire��o a eles. Sem dizer qualquer outra palavra o garoto deu impulso e saiu voando
em sua vassoura.
"Espere!" Gritou Ginny, mas j� era tarde. O garoto dos olhos esmeraldas j� tinha
ido. Ginny nem ao menos notou quando a professora McGonagall e a professora June a
acharam e levaram-na para o castelo.
Desde aquele dia, Ginny havia tornado-se obsessiva com seu salvador, ela passava
horas apenas conversando com Hermione sobre o assunto, j� que mais ningu�m queria
falar sobre isso. A garota comentava sobre seus olhos, seus bra�os, seu t�rax e
todo o resto da anatomia do garoto. Hermione sentia pena dela. Ela via o qu�o
ilus�rio eram os pensamentos de Ginny, mas por que ela n�o ficaria assim? Afinal o
cara salvou a vida dela e n�o tinha dito nem ao menos o nome.
Ginny estava convencida que o garoto tinha que ir para Hogwarts em algum momento,
afinal eles tinham quase a mesma idade. A garota tamb�m tinha certeza de que j�
havia visto aqueles olhos esmeraldas, talvez ele fosse um dos garotos mais velhos,
talvez de outra casa, talvez algum dos amigos de Charlie ou Bill. Ela ficava cada
vez mais e mais desesperada para encontra-lo e decidiu passar seu tempo na
biblioteca pensando em como faze-lo. Hermione havia lhe dito que como ela n�o
conhecia o seu rosto, n�o conseguiria distinguir uma foto, mas a menina discordava,
'aqueles olhos verdes esmeralda eram inesquec�veis'.
Ron n�o havia ido a Hogsmead aquele dia, ele havia levado um bala�o na cabe�a no
dia anterior e teve que ficar na enfermaria. Por causa disso n�o havia presenciado
a situa��o angustiante de Ginny e n�o conseguia entender aquela persegui��o pelo
garoto misterioso, por isso ficava importunando sua irm�.
'Talvez ele fosse muito feio, portanto usava a m�scara' Ele ousou dizer para Ginny
fazendo com que a menina quisesse o enfeiti�ar por um s�culo. De qualquer modo
agora, dois meses depois, a menina ainda estava confiante em encontra-lo e Ron
estava come�ando a ter pena de sua irm�.
"Vamos Gin, olhe para o dia l� fora, est� perfeito para um jogo, voc� pode
continuar sua pesquisar depois." Ele disse, pensando que esse seria o melhor jeito
para convence-la.
"Oh... Desculpem-me garotas!" Ela murmurou enquanto continuava a correr at� seu
filho.
"Damien!... Eu preciso falar com voc�... Venha comigo!" Ela disse r�pido, ignorando
completamente as outras pessoas que estavam na mesa. O resto dos grifin�rios
ficaram olhando-na surpreendidos.
"Bom dia pra voc� m�e." Damien respondeu brincalh�o, mas parou quando percebeu o
olhar e a express�o de preocupa��o que sua m�e tinha.
"Professora Potter, est� tudo bem?" Perguntou Ron que se levantou e olhou para seus
amigos com uma express�o confusa.
Lily nem sequer os ouviu e ignorou a todos.
"Damien, venha comigo agora!" Ela pegou o filho pelo bra�o e saiu do sal�o. Quando
estavam longe de todos, ela parou e tirou de dentro das vestes uma pequena bola
colorida.
"Portus" Ela sussurrou e disse a Damien para segura-la. O garoto tocou a bola e sem
levar mais que tr�s segundos, sentiu um solavanco familiar. Sua m�e havia feito uma
chave de portal para tira-los de Hogwarts.
Damien sentiu-se caindo no ch�o e momentaneamente perdeu seu equil�brio. Ele colou-
se de p� e olhou em volta. Com uma virada no est�mago, percebeu onde estavam. M�e e
filho encontravam-se agora no Hospital St. Mungus.
"O que voc� acha que foi isso?" Perguntou um confuso Ron.
"Eu n�o sei, mas eu nunca vi a professora Potter desse jeito antes." Hermione
respondeu enquanto olhava a porta do sal�o sendo fechada.
"Voc� n�o acha que era algo relacionado com... com o Sr. Potter, acha?" Perguntou
Ginny quase sussurrando.
Todos na mesa olharam-se com medo de saber a resposta. A guerra estava avan�ando
cada vez mais e o lado da luz perdia, cada dia mais, pessoas.
"Isso � um saco." Falou Ron com uma voz fraquinha. Todos n�o podiam fazer nada a
n�o ser concordar.
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Cap�tulo sete: O louvor de um assassino
"M�e, o que est� acontecendo? Por que estamos no St. Mungus? M�e!" Damien estava
tentando n�o entrar em p�nico, mas as l�grimas que come�aram a aparecer na face de
sua m�e estavam deixando-o assustado.
"Damien... So-somente venha comigo." Lily disse e pegou a m�o de seu filho,
gentilmente dessa vez. Ambos foram at� o outro lado do Hall.
Damien sentiu como se seu mundo estivesse quebrando ao meio. Seu pai j� havia sido
machucado antes nas suas miss�es como auror, mas nunca terminou na ala de 'Feridas
s�rias causadas por maldi��es ilegais'. Ele nunca havia visto sua m�e t�o chateada
com algum machucado que seu pai teve.
"O que aconteceu?" Ele perguntou enquanto encaminhavam-se ao s�timo andar. Eles
estavam sozinhos no elevador.
"Ele estava numa miss�o ontem � noite e foi ferido em um duelo!" Lily estava
tentando ao m�ximo deixar sua voz calma. Era injusto deixar Damien mais triste do
que ele j� estava.
"Qual miss�o?" Damien perguntou sabendo que sua m�e entenderia as entrelinhas,
Auror ou Ordem.
"A Primeira op��o" Ela disse. Eles nunca falavam na Ordem da F�nix quando estavam
em lugares p�blicos. Lily sabia que seu filho referia-se a Ordem como o segundo
trabalho de James.
As portas abriram, Lily e Damien correram para fora do elevador direto para o
quarto n�mero cinco. Eles n�o ficaram surpresos por ver um Sirius totalmente
cansado e desgrenhado ao lado de James. Damien soltou o ar que estava prendendo ao
ver seu pai sentado na cama conversando animadamente com o amigo. Ele parecia bem
p�lido e haviam bandagens em seu bra�o e em seu pesco�o. James parecia bem cansado,
mas estava bem.
O auror olhou para as duas pessoas que tinham acabado de chegar e deu um longo
sorriso. Sirius virou-se tamb�m, seu olhar era de quem tinha acabado de voltar do
inferno, mas quando viu Damien seu filhote ele sorriu abertamente.
"Hey pessoal, cheguem mais perto." James chamou e esticou sua m�o para alcan�ar
Lily quando esta se aproximou. Damien ainda sentia seu cora��o batendo apressado
por causa do estado de seu pai e de seu padrinho.
"Hey filhote, vem aqui tamb�m" Sirius o chamou e lan�ou-lhe um sorrisinho. Damien
andou devagar e sentou-se pr�ximo ao seu pai.
"Oh, vamos l� pessoal, parem com isso. Eu estou bem." James tentou fazer sua esposa
parar de olha-lo como se ele estivesse morto e ela estivesse em seu funeral.
"Bem! Voc� chama isso de bem! Meu Deus James, voc� poderia ter morrido, voc�..."
Lily parou de repente e olhou em volta vendo Damien sentado na cama. Nesse momento
ela percebeu o que havia feito.
"Voc� fez a coisa certa m�e. Eu nunca teria te perdoado se voc� n�o me trouxesse
aqui. S� n�o grite com o papai, ele parece ter sa�do do inferno."
"Obrigada filho, eu irei lembrar disso!" James disse sorrindo para ele. Damien
sorriu de volta.
"Ent�o... Voc� ir� nos dizer o que aconteceu com voc�s dois?" Ele perguntou j�
sabendo a resposta.
"N�o podemos filhote, isso � secreto. Tenho certeza que voc� entender�." Sirius
falou com uma voz cansada, a mesma voz que ele sempre usava quando referia-se �
Ordem perto do afilhado.
"Honestamente filho, foi uma coisa realmente chata e que n�o tem nada de
interessante."
Damien sentou-se abra�ando a si mesmo. Alguns minutos depois, sua m�e pediu-lhe que
buscasse alguma coisa para beber e para comer no d�cimo nono andar. Damien
levantou-se e saiu da sala agradecido, estava chato l� dentro.
"Certo, agora fala! O que aconteceu ontem � noite? Como isso saiu de controle?"
"O que voc� quer dizer com subestimou, haviam muitos comensais da morte? Quantos
deles haviam l�?" Lily perguntou imaginando os cinco aurores lutando com quinze
comensais ou mais. Isso iria com certeza explicar os machucados.
"Ok! Eu acho que n�o entendi... Como UM comensal p�de lutar com cinco aurores e
ainda por cima colocar dois deles no hospital?"
"Espere um minuto. Kingsley Shackebolt, o cara enorme que nem tr�s comensais
conseguem derrubar est� ferido tamb�m?" Lily estava come�ando a se descontrolar.
"Aquela maldita crian�a aconteceu." Explodiu Sirius, obviamente n�o notando sua
falha ao dizer tal coisa.
"Uma crian�a, que crian�a?" Lily j� estava ficando cheia dessa conversa.
James e Sirius come�aram a explicar o que aconteceu. Eles contaram sobre como
pegaram Hunt conversando com o 'Pr�ncipe Negro' que era nada mais que o filho de
Lorde Voldemort.
Lily estava olhando de um para o outro. Eles eram famosos por suas traquinagens.
Talvez essa fosse apenas uma de suas brincadeiras. Bem, funcionou.
"Por favor, expliquem isso direito antes que eu entre em choque." Lily disse com a
esperan�a de que aquilo n�o fosse mais que uma simples piada.
"Eu n�o sei o que dizer. Eu esperava que n�o fosse verdade, mas depois de ter visto
do que o garoto � capaz, acho que tem uma boa chance dele ser filho 'dele'. O
garoto era apenas um borr�o, �s vezes. Ele se movia t�o r�pido que seus atos n�o
podiam ser previstos." James respondeu.
"E ele n�o estava apenas duelando, ele estava lutando como um trouxa. S�rio Lily
aquilo era a coisa mais estranha, o filho do Lorde das Trevas lutando como um
trouxa." Sirius informou deixando Lily de boca aberta.
"E ele n�o estava nem um pouco intimidado por ter que lutar contra cinco aurores
formados. Ele apenas limpou o ch�o com a gente!" James falou corando.
"O que... O que aconteceu com Hunt? O que aconteceu com ele?" Lily estava temendo a
resposta.
"O que voc� quer dizer com isso?" Lily perguntou enquanto desviava o olhar do
marido. Mesmo Sirius estava chegando mais perto para escutar isso.
"Bem, ele apenas... Eu n�o sei, ele apenas me fez ficar um pouco perturbado, como
quando ele estava lutando e n�o usou nenhuma imperdo�vel, somente usou feiti�os
como Stupefy e Incendio. Ele n�o matou ningu�m a n�o ser Hunt. Isso n�o faz o menor
sentido. Comensais s� ligam para o n�mero de pessoas mortas, quanto mais melhor.
Mas esse garoto, ele apenas se livrou de n�s e pegou Hunt. Ele n�o quis causar mais
nada."
"Ele podia ter causado." Sirius interviu. "Voc� teve sorte, j� que aquela...
aquela... l�mina de estrela que ele jogou n�o cortou t�o profundamente, se fosse de
outro modo..." Sirius n�o conseguiu terminar. Ele desviou o olhar e tentou n�o
lembrar em como seu amigo ficou em volta daquela po�a de sangue.
"Como voc� sabe?" Lily perguntou. Ela ficou surpresa por ele saber sobre armas
trouxas, como as estrelas ninjas.
"O curandeiro Thomas me falou. Ele � nascido trouxa e conheceu pela minha
descri��o." James disse antes de virar-se para Sirius. "Eu sei que ele tentou me
matar, mas veja por esse lado, ele realmente n�o queria me machucar. Ele me disse
pra sair do caminho tr�s vezes, foi apenas quando eu o ataquei que ele atacou de
volta. Digo... Eu realmente fiz um belo corte nele..."
"Por qu� raz�o absurda voc� est� tentando desculpa-lo?" Exclamou Lily.
"Ele tentou te matar e voc� age como se ele fosse obrigado a isso!" Adicionou um
Sirius irritado.
James fechou sua boca e curvou sua cabe�a, por que ele estava dando desculpas? Ele
havia visto a ira do garoto em seus olhos. Ele sabia que o garoto havia atacado-lhe
com a vontade de mata-lo, mas algo dentro dele recusava-se a acreditar em tal
coisa. Havia o fato de que o garoto parecia-lhe bem familiar. James n�o queria
admitir, mas a voz do Pr�ncipe lembrou-lhe muito a de Damien. De qualquer modo ele
n�o diria isso nem para Sirius quanto mais para Lily. Ele n�o queria parecer t�o
louco quanto j� estava parecendo. James suspirou.
"Creio, que eu apenas n�o quero acreditar que uma crian�a pode ser t�o malvada." O
auror disse a eles.
Lily confortou seu marido e Sirius olhou para baixo pensando. Ele entendia o que
James queria dizer. Era muito perturbador e quebrava o cora��o ver uma pessoa t�o
nova lutando daquele jeito sem nem ao menos ter miseric�rdia.
Antes que eles pudessem dizer mais alguma coisa Damien voltou para o quarto,
segurando v�rios refrescos. Ele lan�ou um olhar para onde estava sua m�e, os bra�os
dela estavam em volta de seu pai o qual estava olhando seu padrinho que parecia
muito chateado.
"Est� tudo bem?" Ele perguntou enquanto colocava as coisas em cima da cama de seu
pai.
"Agora que voc� trouxe sapos de chocolate e del�cias gasosas est� tudo bem." Falou
seu pai pegando seu doce favorito e olhando para Damien como se ele fosse o Papai
Noel.
Damien suspirou e viu seu pai abrir uma embalagem de sapo de chocolate, o sapo
pulou na cama. Honestamente, ele n�o achava que seu pai algum dia iria crescer.
xxxx
Harry andou at� seu quarto. Sua mente e seu corpo estavam exaustos devido aos
treinos com Lucius Malfoy. Ao menos ele conseguiu, finalmente, fazer a maldi��o
dilacerante. Era um feiti�o bem dif�cil, mas ele conseguiu.
Harry abriu a porta de seu domit�rio. Era um c�modo enorme e tinha tudo que o
garoto quisesse para treinar, relaxar e qualquer outra coisa. Ele parou na frente
de seu arm�rio, abriu-o e pegou um par de vestes azuis para substituir pelas verdes
que usava. Harry olhou-se no espelho, ele nunca fazia nada para melhorar sua
apar�ncia, o garoto tinha 'um algo' que lhe dava uma beleza natural. Ele passou as
m�os pelos cabelos e retirou algumas mechas de sua testa, ao fazer isso pode ver
sua cicatriz, ele tra�ou os dedos por toda a extens�o dela, era a �nica coisa em
sua apar�ncia que ele gostava. Seus cabelos negros, seus olhos verdes e o resto de
suas fei��es pertenciam a pessoas que ele desprezava com todas as suas for�as. Seu
pai nunca permitiu que ele mudasse fisicamente, por mais que ele implorasse.
Harry balan�ou a cabe�a e sorriu ao tirar suas vestes verdes. Mesmo ainda com seus
dezesseis anos, ele j� tinha um corpo digno de um guerreiro. Seus bra�os e seu
peitoral eram bem tonificados e ele trabalhava �rduamente para mant�-los assim.
Horas e horas de treino resultaram em um corpo e uma mente bem estruturados. Harry
n�o conseguia impedir-se de ficar orgulhoso. Ele n�o era nem muito alto, nem muito
baixo. Para a sua idade, ele era perfeito. Se o garoto estivesse na escola, como
todos os meninos normais de sua idade, ele iria ser bem popular com as garotas.
Harry tinha acabado de se vestir quando ouviu uma batida na porta. O garoto abriu-a
com um feiti�o sem varinha e viu Lucius Malfoy parado no batente.
Harry n�o ficou surpreso por v�-lo. Haviam apenas dois Comensais que podiam entrar
em sua ala sem precisar de senha e um deles era Lucius Malfoy.
"Sim?" Harry perguntou, ele queria saber o que aconteceu, j� que havia passado as
�ltimas quatro horas com o loiro.
"Eu apenas queria dar-lhe os parab�ns novamente. � bem inusitado algu�m conseguir
fazer a maldi��o dilacerante em apenas uma aula." Lucius disse sorrindo.
"Eu fa�o muitas coisas inusitadas." Harry respondeu com um sorriso de lado.
Lucius n�o conseguiu impedir-se de ter orgulho de Harry. Ele conhecia o garoto
desde sempre e conforme os anos foi desenvolvendo um carinho pelo moreno. Havia
sido ele quem nomeou Harry de 'Pr�ncipe Negro'.
Lucius estava muito orgulhoso, pois seu filho era o melhor amigo do herdeiro do
Lorde das Trevas e isso significava que o sucesso de Draco no mundo m�gico n�o
estava nas m�os de Voldemort. Ele sabia que Draco j� tinha sido muitas vezes salvo
da ira de Voldemort por Harry, j� que sua arrogancia e sua tend�ncia para n�o
seguir as regras causaram muita vergonha. Felizmente a amizade dos dois garotos fez
a vida dos Malfoys bem mais f�cil e, se isso fosse poss�vel, eles eram, agora,
ainda mais arrogantes e centrados neles mesmos.
"Eu queria estar l� para ver voc� lan�ar a maldi��o." Lucius disse com cuidado.
Harry olhou para ele antes de responder. O garoto j� tinha falado isso tantas
vezes.
"Eu j� disse a voc�. Eu trabalho sozinho." Harry disse enquanto fechava seu guarda-
roupa.
"Eu sei e respeito sua decis�o. � s� que, eu queria v�-lo em um duelo. Isso seria
algo muito bom para relembrar." Lucius disse.
"Bem, voc� n�o pode. Acustume-se com isso." Harry respondeu cortando a conversa.
Lucius n�o disse mais nada. Ele sabia muito bem o que era discutir com Harry.
Antes que ele pudesse dizer algo, a porta abriu novamente. Pensando que
provavelmente era Bella, j� que ela era a �nica pessoa que podia vir at� o quarto
de Harry, Lucius virou-se com um sorriso de lado.
"Eu disse a voc� que Harry iria aprender em uma aula, Bella."
Seu sorriso morreu ao ver que na porta estava parado Lorde Voldemort. Sem mais
nenhuma palavras, Malfoy ajoelhou-se e abaixou sua cabe�a ante seu Lorde.
Harry olhou isso com desgosto. Ele nunca foi muito f� de toda essa situa��o de 'me
obede�a como se eu fosse Deus'. O mero pensamento de que logo as pessoas fariam
isso com ele, o deixava um tanto nauseado.
Lucius Malfoy levantou-se e saiu do quarto. Harry esperou Malfoy sair para depois
falar com seu pai. Ele estava surpreso ao v�-lo em seu quarto. Usualmente seu pai o
chamava.
"Est� tudo bem pai?" Harry perguntou, havia um tom preocupado em sua voz.
Voldemort ficou olhando o adolescente parado a sua frente. O som da voz de Harry
era o suficiente para acalm�-lo.
"Est� tudo bem." Ele respondeu antes de entrar por completo no quarto.
Harry olhou seu pai. Ele sabia que algo o estava incomodando, n�o era t�o dif�cil
descobrir isso, mas o garoto n�o disse nada. Ele sabia que seu pai iria dizer o
motivo da vista mais cedo ou mais tarde.
Voldemort colocou a m�o no bolso e retirou uma caixinha, ele segurou-a por um
momento e depois ofereceu-a � Harry.
Sem dizer nada, Harry abriu e ficou espantado com o que havia a sua frente. Dentro
da caixinha havia uma corrente com um pingente prata. O pingente tinha a forma de
uma serpente de duas cabe�as, uma cabe�a no come�o e outra na ponta. Os olhos dela
eram verdes e brilhavam de um jeito hipnotizante. Harry olhou seu pai com um olhar
questionador.
"Isso pertenceu ao nosso ancestral Salazar Slytherin. Eu quero que voc� fique com
isso." Voldemort respondeu, lendo seus pensamentos.
Harry estava agora olhando o pingente com uma express�o surpresa. Voldemort amava
quando ele fazia essas express�es, as mesmas de sua inf�ncia.
"Mas esse pingente tem outra coisa especial. Ele carrega uma parte da minha alma,
portanto quero que isso fique com voc� o tempo inteiro."
"Por que voc� est� me dando isso?" Harry perguntou com uma voz controlada.
"Eu quero que voc� sempre se lembre de quem voc� �." Foi a resposta.
Harry sentiu seu cora��o bater, ele sabia o que havia trazido esse assunto at� a
mente de seu pai. O garoto pegou o colar e colocou em seu pesco�o, deixando-o
pr�ximo ao seu cora��o.
"Eu sempre serei seu filho. Eu n�o preciso me lembrar de quem eu sou. Eu sei o que
voc� est� pensando, mas isso n�o � verdade. S� porque eu n�o o matei, n�o quer
dizer nada. Eu sou seu filho e apenas seu. Eu n�o sou um Potter, nunca fui." Harry
finalizou, sua voz parecendo nada al�m do que um sussurro.
Voldemort sentiu suas preocupa��es irem embora. Ele trabalhou muito duro para
transformar Harry. Era amedrontante pensar que depois de tudo, o garoto ainda tinha
alguma compaix�o pelos Potters.
Voldemort andou at� Harry e colocou suas m�os nos ombros dele.
"Voc� sempre ser� meu filho, eu sei disso. Ningu�m nunca ir� tirar voc� de mim."
Ele disse cuidadosamente.
Harry olhou-o mais relaxado e ent�o olhou seu pingente, uma express�o de p�nico
perpassou pelo seu rosto.
Voldemort sorriu novamente ao ver a preocupa��o que havia nos olhos esmeraldas de
Harry ir embora e com ela longe, os olhos brilharam novamente como duas j�ias
mostrando o sentimento de Harry por estar carregando algo t�o importante.
"Obrigado pai." Harry disse antes de colocar o colar por baixo de suas vestes.
"Apenas n�o conte a Bella que voc� me deu isso. Eu n�o acho que ela se
recuperaria." Harry disse sorrindo de lado.
Voldemort riu, algo que apenas Harry conseguia fazer aparecer em sua face. Ambos
encaminharam-se at� a porta. Era hora do jantar.
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Cap�tulo oito: Plano de Captura
Harry andava silenciosamente pelo terreno do castelo. Ele estava voltando ap�s
algumas horas de treinamento. O garoto sabia que todos os Comensais estavam l�
dentro, mas mesmo assim, estava com sua m�scara em m�os, apenas caso precisasse.
Harry estava muito cansado ap�s ficar treinando durante cinco horas seguidas. Ele
nunca ficava todo esse tempo, mas ultimamente treinar era tudo o que ele queria
fazer. O garoto sabia que isso servia para gastar toda a sua frutra��o por n�o
poder sair e treinar era o �nico jeito de estar l� fora. Bem, isso e suas miss�es.
Harry continuou andando pela �rea arborizada que separava seu local de treinamento
do resto da Mans�o. Bem no momento que ele estava entrando mais e mais no meio das
�rvores, houve um som atr�s dele. O garoto n�o parou de andar, mas insitintivamente
ficou alerta para perceber de onde o som vinha.
Sua varinha estava bem segura. Harry continuou andando, fazendo parecer que ele n�o
sabia que havia algu�m o seguindo. O garoto, agora, conseguia ouvir melhor os
passos.
Com uma m�o Harry colocou sua m�scara e com a mesma ele pegou sua varinha. O garoto
virou-se e agarrou a pessoa que o seguia, ele apertou o pesco�co dela antes de
perceber quem era. Harry jogou a pessoa contra a �rvore mais pr�xima e colocou sua
varinha em sua garganta.
Harry ficou muito surpreso ao ver o garoto loiro gemendo de dor por ter sido jogado
contra um �rvore.
Harry sorriu de lado por baixo de sua m�scara e soltou-o. O garoto retirou sua
m�scara prateada antes de colocar sua varinha no bolso.
"Draco, por que voc� estava deslizando atr�s de mim?" Harry perguntou para seu
amigo de inf�ncia.
Draco Malfoy estava massageando sua nuca e lan�ou a Harry um olhar 'raivoso'.
"Eu n�o estava deslizando! Eu estava apenas sendo silencioso." Ele disse.
N�o era segredo para ningu�m que Lorde Voldemort odiava Draco Malfoy. Ele culpava o
loiro por distrair Harry de seus treinos e de suas li��es.
"Viu, por isso que voc� deveria ir l� em casa." Draco disse a ele.
Harry riu. Ambos foram em dire��o a mans�o. Draco estava mais relaxado agora, j�
que estava com Harry, tudo estava bem, mesmo se ele encontrasse Voldemort e o
desafiasse, tudo ficaria bem, Harry estava ao seu lado. Por�m, se ele estivesse
sozinho, havia uma grande chance de ele n�o voltar mais para casa.
"Ent�o... quando voc� voltou?" Harry perguntou enquanto os dois sobiam a colina.
"Voltei h� s�culos atr�s, mas meu pai achou melhor eu ficar longe por um tempo. Ele
disse que voc� estava ocupado com algumas coisas, portanto eu tive que ficar parado
e entediado por algumas semanas." Draco respondeu.
"Voc� duelando! Eu gostaria de ver isso!" Harry disse adorando o olhar incr�dulo
que apareceu na face de seu amigo.
"O que? Por que n�o? Eu sou um bom duelista!" Ele respondeu indignado.
"Voc� ia acabar perguntando para o seu oponente se seu cabelo est� no lugar." Riu
Harry ao ver Draco lan�ando um olhar de reprova��o.
"N�o � crime ficar bonito, mas com certeza voc� n�o iria saber nada disso! Quando
foi a �ltima vez que voc� tentou pentear esse ninho que voc� chama de cabelo?"
Draco perguntou.
Harry observou seu melhor amigo procuar um belo insulto para dizer. Ele ficou meio
vermelho.
Draco virou-se e viu Lorde Voldemort parado atr�s dele. Seus olhos vermelhos e sem
miseric�rdia estavam fixos nele. Draco ajoelhou-se imediatamente do jeito como foi
ensinado.
"Voc� n�o estava prestes a insultar meu filho, estava?" Voldemort perguntou
rudemente.
Draco parou e sem nem mesmo olhar Harry, saiu. Lorde Voldemort parou Draco e o
olhou com uma express�o de desgosto.
"Joven Malfoy. Eu entendo que voc� tenha vindo para os feriados, mas gostaria de te
lembrar que aqui n�o � a sua casa, portanto eu n�o quero ver voc� aqui!" Ele parou
um momento para olhar Harry que estava com uma express�o curiosa. "Voc� pode vir
somente quando Harry querer, de outra forma, fique longe. Entendeu?"
"S-sim M-mestre." Draco conseguiu gaguejaer antes de sair correndo, sem nem olhar
para tr�s.
Assim que Draco desapareceu de vista, Voldemort virou-se para encarar seu filho e
encontrou-o olhando gelidamente para ele. Harry nunca desrespeitava seu pai em
frente aos outros; ele sempre esperou para estarem sozinhos.
"O que?" Perguntou Lorde Voldemort ao ver que Harry continuava o olhando friamente.
"Isso � porque eu n�o tenho amigos, eu n�o preciso deles, nem voc�. Especialmente
se forem covardes como o joven Malfoy."
Harry cruzou seus bra�os em volta de seu t�rax e olhou seu pai.
"Eu n�o preciso do Malfoy, mas � legal conversar com algu�m que n�o � d�cadas mais
velho do que eu!"
"Por que voc� tem problemas com Draco?" Perguntou Harry com um tom rouco.
"Eu n�o tenho nenhum problema com ele. Eu apenas acho que ele n�o merece ser t�o
pr�ximo � voc�. Eu n�o gosto do jeito como ele fala com voc�."
Lorde Voldemort j� havia escutado v�rias vezes o modo como Draco Malfoy falava com
Harry. Como ele brincava com seu filho e �s vezes o ridicularizava. Voldemort teve
que se concentrar muito e ter a interven��o de Harry para que o loiro ainda tivesse
tudo intacto.
"Bem, isso � entre eu e Draco." Harry suspirou, ele estava ficando cansado de
discutir isso com seu pai."De qualquer modo, o que voc� est� fazendo aqui? A
reuni�o acabou?" Harry perguntou.
"Sim, acabou. Eu estava esperando que voc� j� tivesse voltado. Queria saber aonde
voc� estava. Agora, eu vi por que a demora." Voldemort disse olhando para o lado
por onde Draco saiu.
Voldemort n�o comentou, apenas andou de volta com Harry para a Mans�o Riddle.
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J� era de tardezinha e a maioria dos membros Ordem queriam ir para casa. Lily
sentou-se novamente ao lado de James e Sirius. James havia sido liberado h�
aproximadamente uma semana atr�s e j� tinha voltado para as suas fun��es de auror e
gra�as aos Deuses ele estava bem. Felizmente n�o ficou nenhuma cicatriz, James
podeia ter tido uma feia na nuca, aonde a l�mina o acertou. Lily foi retirada de
seus pensamentos por Dumbledore.
"Obrigado por virem." Ele come�ou e olhou para todos antes de encar James, Sirius e
Kingsley. "� verdade." Ele disse simplesmente. "Voldemort tem um herdeiro."
"Como isso � poss�vel? Como ningu�m ficou sabendo da exist�ncia dele at� agora?"
McGonagall perguntou.
"Eu n�o sei Minerva, mas Severus confirmou que o garoto que matou Larry Hunt era,
de fato, filho de Voldemort. Seu nome verdadeiro n�o � mencionado, todos o chamam
de Pr�ncipe Negro." Dumbledore respondeu.
"Eu n�o posso acreditar que Voldemort o manteve em segredo. Isso � inacredit�vel."
Tonks comentou chocada.
"Acredito que Voldemort o manteve em segredo at� de seus Comensais. Ele foi apenas
apresentado h� dois anos atr�s. Mesmo agora, ningu�m viu sua face e nem sabe seu
verdadeiro nome. Apenas os Comensais pr�ximos a Voldemort conhecem seu filho."
Dumbledore disse.
"Porque Potter, eu n�o fui chamado para a reuni�o aonde ele foi apresentado!" Snape
respondeu friamente.
"Existem muitos rumores naquele lugar. Eu n�o ia dizer nada at� ver com os meus
pr�prios olhos." Snape respondeu.
"Ent�o � ele que est� matando os Comensais? Voc� estava certo? O Pr�ncipe Negro
matou sob as ordens de Voldemort?" Artur Wealsey perguntou.
"Parece que os Comensais encontrados mortos tiveram 'brigas' com Voldemort. Parece
que Voldemort manda seu filho para dar conta do que ele chama de suas 'miss�es' e
para dar um jeito naqueles que o desafiaram de algum jeito."
Lily sentiu um arrepio perpassar por sua coluna. Olha o jeito que essa crian�a foi
criada.
"Voc� sabe quantos anos ele tem? Se ele j� � maior de idade?" Molly perguntou.
"N�s n�o temos certeza, mas acho que ele ainda est� abaixo de dezesete anos. Isso �
baseado na informa��o que eu consegui pegar." Dumbledore disse e acenou para Snape.
"Ele trabalha sozinho. O garoto nunca foi visto em ataques. Ele n�o fica junto aos
Comensais da Morte. Houve apenas um ataque aonde ele estava junto dos Comensais."
Dumbledore parou um pouco, estava dif�cil encontar palavras.
"Foi revelado que o Pr�ncipe Negro estava com os Comensais quando eles atacaram os
Longbottoms."
Lily deu um gritinho e olhou para os dois assentos vazios a sua frente. Todo mundo
da sala estava olhando para l� tamb�m.
"O Pr�ncipe Negro foi a pessoa que torturou e matou os Longbottoms. Ele entrou na
casa deles e ateou um fogo m�gico que consumiu a casa e os matou lentamente,
fazendo-os serem queimados... vivos." Dumbledore parou como se n�o conseguisse
continuar.
Lily lutou contra o choro e agarrou a m�o de James, Frank foi um grande amigo dele.
Quando Harry desapareceu h� quinze anos atr�s, Frank e Alice estiveram l� para
ambos. Eles eram boas pessoas e n�o mereceram tal destino. O fogo levou 48 horas
para extinguir e nada restou a n�o ser cinzas.
"Eu sei que essas s�o not�cias ruins, mas n�s temos que nos focar no que aconteceu.
Essa � uma chance. Se n�s conseguirmos prender o Pr�ncipe Negro, n�s poderemos
eliminar uma boa parte da confiana�a de Voldemort. Com o Pr�ncipe Negro preso, n�s
podemos facilmente chegar at� Voldemort." Dumbledore explicou.
"Me desculpe falar isso, mas n�s n�o fomos nem capazes de machuc�-lo, quanto mais
captur�-lo. O garoto � imprevis�vel. Ele usa feiti�os que eu nunca ouvi falar. Eu
n�o acho que n�s podemos planejar a sua captura."
"Nossa �nica op��o � estudar o garoto. N�s podemos aprender muito com o jeito dele
de duelar." Moody disse sando uma solu��o para o problema.
"Olha s�, eu acho que esse � o problema. N�s n�o temos tempo."
"O que voc� quer dizer com 'n�s n�o temos tempo' Potter?" Vociferou Snape.
Sirius grunhiu, mas Lily o fez ficar quieto ao colocar suas m�o nos ombros dele.
"O que eu quero dizer � simples, n�s n�o temos tempo para estud�-lo, esse garoto
limpou o ch�o com a gente e n�o tem nem mesmo dezessete ainda. Ele s� tem um ter�o
de seus poderes. Se n�s n�o o capturarmos agora, ent�o... bem, voc�s podem imaginar
como ele ser� aos dezessete anos e com seus poderes ao m�ximo?"
"N�s precisamos saber mais coisas sobre ele. N�s temos que saber qual � a sua
fraqueza, todo mundo tem uma." Dumbledore disse, seus olhos estavam concentrados em
seu espi�o, Severus Snape.
Snape olhou para o diretor e resoveu que j� era hora de contar suas descobertas.
Ele levantou-se e todos olharam para ele.
"Bem, eu acho que todo mundo j� sabe o �bvio, uma delas � o Lorde das Trevas." Ele
parou e ouvir todos prendendo a respira��o. Snape continuou. "Eu descobri que o
Lorde das Trevas e o Pr�ncipe Negro tem um relacionamento bem pr�ximo. Eu nunca vi
o Lorde das trevas reagir a algu�m do mesmo modo que ele reage a seu filho. Mesmo o
Pr�ncipe Negro parece ser bem ligado ao seu pai. O garoto se sacrificaria por ele,
se isso fosse pedido."
"De qualquer modo" Snape continou ap�s lan�ar um olhar frio a Sirius. "Eu descobri
que ele � bem pr�ximo a outra pessoa. Bellatrix Lestrange." O espi�o olhou
diretamente para Sirius ao dizer o nome da prima dele.
Os olhos de Sirius escureceram e um leve rubor tomou sua face. Ele e Bella foram
bem pr�ximos quando crian�as, mas ao se tornarem adultos, Bella tomou o caminho
tradicional da fam�lia e aceitou a Marca Negra. Sirius teve que literalmente fugir
de casa para escapar de tal destino. James olhou seu melhor amigo, notou seus
punhos fechados, seus dentes rangendo e encarou Snape. 'Ele podia ter dito de modo
diferente.' Pensou. 'Seboso!'
"Parece que Bellatrix o criou e carrega um grande carinho sobre ele. Mesmo que o
garoto tenha certa resist�ncia, ele secretamente se preocupa com ela. Eu tive que
gastar um tempo consider�vel como uma pessoa do c�rculo interno para conseguir a
informa��o."
Snape ficou levemente p�lido ao lembrar do tempo sendo Lucius Malfoy. Ele usou todo
seu estoque de po��o Polissuco para conseguir isso.
"Ent�o voc� est� dizendo que n�s temos que pegar ou Voc�-Sabe-Quem ou Bellatrix
Lestrange para conseguirmos capturar o garoto?" Perguntou Kingsley sarc�sticamente.
Snape apenas lan�ou olhares g�lidos e sentou. Albus Dumbledore olhou a todos de
modo cansado.
"Como voc� nunca viu o rosto do garoto? Digo, ele n�o pode andar por a� usando
sempre aquela m�scara horrenda!"
"Eu n�o cheguei perto dele. Ele com certeza perceberia o que estava acontecendo, j�
que � muito pr�ximo a Malfoy!" Snape respondeu.
"Obrigado Severus. Eu sei o qu�o dif�cil deve ter sido para voc� conseguir essa
informa��o. Agora n�s temos que arquitetar um plano." Disse Dumbledore
Harry n�o estava tendo um bom dia. Ele acordou com uma dor de cabe�a infernal,
gra�as a algum Comensal que devia ter trazido uma not�cia ruim. Ele passou a manh�
inteira atr�s de Bella para acabar sabendo que ela tinha ido num ataque.
Estava ficando frio agora, agosto se aproximava. Harry puxou as mangas de suas
vestes para poder proteger suas m�o enquanto sentava-se em frente aos port�es. Sua
m�scara prateada estava guardada dentro de sua capa. A maioria dos Comensais haviam
ido no ataque.
Harry andou em volta dos terrenos de treinamento. Ele sentia-se um pouco agressivo
depois de ter tido uma manh� inc�moda e queria treinar para extravasar sua ira. De
qualquer modo ele nem come�ou a praticar quando um som o alertou. Era o alerta de
que algu�m o estava seguindo. As folhas que estavam no ch�o faziam um barulhinho
seco se algu�m estivesse atr�s dele. Harry sabia quem era, virou-se calmamente e
encarou a enorme cobra que o seguia.
Harry andou at� a cobra e gentilmente acariciou sua cabe�a. Ele realmente gostava
dela, at� mais que Voldemort. Seu pai o havia prometido que quando completasse
dezessete anos, ganharia uma cobra parecida. 'Apenas mais um ano.' Pensou Harry
enquanto continuava a acariciar Nagini. Ele tinha acabado de completar dezesseis
anos, mas como sempre, n�o foi celebrado. O �nico anivers�rio dele que seria
comemorado seria o de dezessete anos, sua maioridade.
"O que voc� est� fazendo aqui? Normalmente voc� n�o vai a nenhum lugar antes de
anoitecer."
Harry sorriu, ele sabia o que era um 'lanchinho' para Nagini. Normalmente seria
algo maior que os padr�es. A cobra era respons�vel pela maioria dos
desaparecimentos dos animais de grande porte da regi�o como: Cavalos, vacas e at�
algumas ovelhas. �s vezes ela at� pegava algum humano, mas Harry n�o queria pensar
nisso.
Antes que ele pudesse falar mais alguma coisa com Nagini, sentiu uma dor cruciante
em sua cicatriz. Suas m�os apertavam a testa com for�a, ele ficou momentaneamente
cego por causa da dor que se alastrava. O garoto piscou para afastas as manchas que
apareciam em sua frente. Ele virou-se para olhar a mans�o.
Voltou-se para Nagini, sibilou um adeus e correu de volta para o castelo. A dor
passou de repente, mas ainda estava latejando, isso mostrava que Voldemort estava
de p�ssimo humor. Harry n�o parou at� encontrar-se em frente a porta do escrit�rio
particular de seu pai. Ele bateu e entrou silenciosamente.
Lorde Voldemort olhou a pessoa que acabara de entrar em seu escrit�rio. Ele viu
Harry e sinalizou para que ele chegasse mais perto. Quando o garoto se aproximou,
Voldemort saiu de perto da janela e virou-se para encarar seu filho.
"Harry, aconteceu uma coisa... Mandaram-me o sinal de resgate. Parece que o ataque
de hoje de manh� n�o acabou muito bem."
Harry assentiu com a cabe�a sem nem mesmo desviar os seus olhos esmeraldas dos
rubis de seu pai.
Harry sentiu como se o ar a sua volta desaparecesse. Ele n�o conseguia respirar.
Olhou seu pai esperando ordens para poder ir ajuda-la, mas a ordem n�o veio.
O Lorde das Trevas apenas olhou Harry e virou-se, obviamente estava lutando contra
a raiva que estava fervilhando dentro dele.
"Harry, � claro que eu quero meu c�rculo interno de volta, especialmente Bella, mas
eu n�o vou te arriscar numa miss�o." Voldemort disse estando ainda de costas para
seu filho.
"Pai, n�s n�o podemos perde-los, iria demorar muito para arranjar outros e Bella...
N�s n�o podemos perde-la."
Harry disse a �ltima parte baixinho. O mero fato de pensar em perder Bella era
muito doloroso para ele. Lorde Voldemort virou-se para seu filho. O Lorde das
Trevas perecia estar em d�vida entre salvar Bella, sua mais louca comensal e manter
Harry a salvo. O Lorde n�o se importava com seus Comensais, nem mesmo Bella, mas
Harry estava certo. Se perdesse seu c�rculo interno, ele estaria desfalcado na
guerra. Ele assentiu devagar e mostrou mentalmente para seu filho o lugar do
ataque.
xxxx
Com sua m�scara no lugar, Harry entrou no pr�dio. Ele andou cautelosamente, mesmo
achando que n�o havia ningu�m. Vozes vinham de longe. O garoto ficou nas sombras e
subiu as escadas. S� quando chegou l� em cima viu que a batalha ainda continuava.
Haviam corpos ca�dos e espalhados pelo ch�o. A maioria deles estavam com m�scaras
de comensais. Harry prendeu a respira��o. Ele rapidamente atravessou a sala e parou
perto da outra parede. Seus olhos esmeraldas procuravam por Bella. Ele percebeu que
tinham luzes vermelhas, douradas e verdes cruzando o ar, mas n�o conseguia ver
ningu�m.
'Eles devem estar embaixo das ru�nas.' Harry pensou enquanto passava por pedras e
destro�os. Com cautela, Harry saiu de sua �rea de seguran�a. Instantaneamente viu
Bella. Ela estava ca�da no canto, suas vestes estavam sujas e cheias de sangue. O
garoto sentiu raiva, muita raiva. Ele tremia por causa de sua ira. Silenciosamente,
aproximou-se do corpo.
Ele abaixou-se em frente a ela. Parou para sentir os batimentos card�acos. 'Por
favor, n�o esteja morta." Ele pensou consigo. Sentiu que os batimentos estavam em
n�veis normais e soltou o ar.
"Hey lindo!"
Harry afastou-se do corpo. O rosto era de Bella, mas a voz era de um homem. Uma voz
que o garoto j� havia escutado muitas vezes. A "falsa" Bella levantou-se e sorriu
por causa do olhar de choque que havia em Harry. Ele levantou-se, mas antes que
pudesse fazer qualquer coisa encontrou-se rodeado por um monte de gente. Todos
aqueles corpos ca�dos agora estavam em p� ao redor dele.
xxxx
Lorde Voldemort estava sentado em seu trono. Nagini estava ao seu lado, mas ele
estava ignorando-a. O mago estava massageando suas t�mporas de olhos fechados e
tentava se acalmar. Sua concentra��o foi quebrada quando um som na porta foi
ouvido, haviam vozes do lado de fora.
Com um manejo de suas m�os, ele abriu a porta e ficou chocado ao ver seu c�rculo
interno entrar. Todos eles tinham um olhar triunfal e estavam sorrindo para o
Lorde. Ningu�m estava machucado. O olhar dele caiu sobre o comensal que estava mais
pr�ximo a ele.
"Mestre, o ataque foi um sucesso. N�s temos agora o..." Ela parou ao ver seu mestre
olha-la diferente.
"Meu Lorde!" Ela disse quando Voldemort apareceu e segurou-a em sua frente em
quest�o de segundos. Ele continuou olhando-a como se fosse uma miragem.
O Lorde das Trevas percebeu que realmente era Bella. A mulher n�o havia mandado
nenhum sinal. N�o houve nenhuma falha. Ele havia mandado Harry para uma armadilha.
"N�o...N�o! Harry..." Murmurou o Lorde. Ele deu uns passos para frente, pegou Bella
pelos ombros e chacoalhou-a como se fosse uma boneca.
"Traga-o de volta! Traga meu Harry de volta!" Ele gritou.
Bella conseguiu apenas menear a cabe�a. Ela estava com medo. A mulher viu as
imagens que seu Lorde lhe passava sobre a conversa dele com Harry e o plano para
salva-la.
Ela virou-se e todo o c�rculo interno a seguiu. Bella e Lucius foram os primeiros a
aparatar.
xxxx
Harry olhou em volta e viu mais ou menos dez aurores com as varinhas apontadas para
ele. A maioria j� havia tirado a m�scara de comensal. A 'falsa' Bella estava
gargalhando. Harry estava com muita raiva. O corpo da comensal estava mudando e
transformando-se em Sirius Black.
Harry olhou-o com �dio. Os olhos do famoso auror encontraram-se com os do garoto.
"Bem Pr�ncipe, bom ver que voc� veio. Eu pensei que iria ficar como minha 'querida'
prima pro resto do dia."
Harry ignorou-o e viu que estava sendo observado por muitos aurores.
"Bem, onze contra um. Nunca pensei que houvesse tantos." Ele disse para Sirius,
zombando. Viu com prazer muitas faces desviarem o olhar.
Harry sorriu para si mesmo. Ele vagarosamente estava pegando sua segunda varinha.
Iria precisar.
"Eu gostaria de saber como voc� fez isso?" Harry perguntou para Sirius, com o
intuito de distrai-lo enquanto murmurava um 'Accio' para pegar a varinha.
"Oh aquilo, foi bem f�cil na verdade. Eu tinha isso!" Ele segurou um anel pequeno.
Harry olhou para o anel de perto e percebeu que ele era id�ntico ao de Bella. Harry
ficou confuso por um tempo, mas ent�o examinando o anel percebeu o que havia
acontecido.
O anel tinha o bras�o da fam�lia Black. Obviamente foi dado pela fam�lia dela.
Harry sabia que um alerta de resgate n�o precisava de muitos detalhes, ent�o a
pessoa que mandasse precisava apenas deixar algo para ser reconhecido. Normalmente
usava-se um feiti�o para que a varinha fosse reconhecida e assim chegar at� o dono
ou ent�o um carimbo com o bras�o da fam�lia. Como a varinha de Bella n�o era
registrada, como todas as varinhas dos Comensais, o anel era utilizado como
assinatura. Seu pai n�o poderia imaginar que Sirius tivesse o anel e pudesse
utiliza-lo dessa maneira, ent�o ele presumiu que o alerta fosse de Bella.
"Ent�o voc� roubou o anel dela. Voc� n�o pode se rebaixar mais Black?" Harry
perguntou, percebendo que o outro corava.
"Na verdade, eu n�o roubei nada! Esse anel me pertence. Sendo primo dela eu tamb�m
tenho um, s� nunca havia achado uma utilidade para ele." Sirius terminou sorrindo.
"Eu tinha um resto comigo. Fico contente que tenha funcionado." Sirius come�ou a se
aproximar de Harry.
"Agora que suas perguntas foram respondidas, eu acho que eu j� posso te prender,
n�o posso?"
"Venha garoto, n�o tente nada est�pido. Voc� sabe que n�o pode com todos n�s."
Disse Olho-Tonto Moody.
Harry virou-se para olha-lo e fechou sua m�o em torno de sua varinha. Ele sorriu
novamente por tr�s da m�scara.
"N�o posso?" Ele ca�oou enquanto segurava tamb�m sua segunda varinha.
Antes que algu�m pudesse reagir, Harry apontou as duas varinhas para o ch�o e
gritou:
"MOMENTUM EXPUR!"
Harry jogou-se nos escombros e come�ou a pegar suas adagas. Ele guardou sua varinha
e come�ou a atira-las. Atirou a primeira e moveu-se para conseguir ver os aurores,
por�m teve que abaixar-se por causa da chuva de luzes vermelhas que vinham em sua
dire��o. Isso durou um segundo, mas mesmo assim ele conseguiu ver a localiza��o de
dois. Respirou fundo, arranjou um local seguro e atirou duas adagas na dire��o
deles. As adagas acertaram o bra�o dos dois e ambos ca�ram na hora. Harry
rapidamente escondeu-se enquanto outra chuva de feiti�os era lan�ada.
"N�o fa�am isso! Precisamos dele vivo, apenas estuporem-no, entenderam? N�o o
matem!"
Harry reconheceu a voz de James Potter. Lembrou-se da promessa que fez a si mesmo.
'Eu definitivamente vou acabar com ele agora!' Pensou enquanto pegava outra adaga.
Ouviu passos se aproximando e soube que n�o poderia ficar ali por muito mais tempo.
O garoto come�ou a procurar um lugar novo que pudesse ajuda-lo.A porta que ficava a
direita abriu-se. Essa porta tinha muitos cacos de vidro sobressalentes. Harry
sorriu de lado.
"Venha agora, chega desses joguinhos infantis. Venha quietinho e prometemos n�o
machuca-lo." Kingsley Shacklebolt tentou negociar com o adolescente.
"Voc�s s�o os �nicos que est�o jogando. Eu estou mostrando-lhes como ganhar."
Com isso dito virou-se e correu atirando feiti�os em cima dos tr�s aurores que
estavam mais perto. James e Sirius assistiram o garoto lan�ar-los e acertar os
aurores. Os tr�s ca�ram no ch�o e ficaram cobertos por p�stulas. Harry continuou
correndo, podia escutar os passos atr�s dele. Moveu-se bem na hora que um feiti�o
estuporador veio em sua dire��o. Mandou outra maldi��o em cima de outro auror.
Harry estava aproximando-se da porta.
Ele atirou-se no ch�o quando o vidro veio voando. Os cacos passaram pelo garoto e
acertaram os tr�s aurores atr�s dele.
Harry ouviu os gritos. O garoto saiu e atirou-se novamente no ch�o bem a tempo de
desviar-se de outro feiti�o. Ele nem sabia onde estava, viu as escadas e come�ou a
subir. Ainda haviam aurores saud�veis, ele tinha que sair dali o mais r�pido
poss�vel.
Ele estava novamente no andar onde Sirius fingiu ser Bella. Viu uma escada ao lado
e come�ou a subir, quando estava chegando no topo sentiu algu�m segura-lo pelas
pernas, fazendo-o cair. Harry bateu a cabe�a e viu o auror negro Kingsley
Shackebolt puxando-o. O moreno girou seu corpo sob a escada de modo a conseguir
colocar seu outro p� como sustenta��o. Viu o auror apontar a varinha pra ele e usou
seu p� livre para chutar o rosto do homem. O garoto continuou chutando at� que o
auror o largasse. Kingsley caiu sangrando por causa de seu nariz quebrado. Harry
chegou no topo e correu at� uma porta que havia por l�. Ouviu mais passos atr�s
dele.
Harry correu at� outra porta e viu que estava nos fundos do pr�dio. Parecia que h�
algum tempo havia um projeto de reconstru��o desse pr�dio, pois tinha madeira e
concreto largado. Ainda estava ouvindo passos atr�s dele. O garoto sabia que sua
�nica sa�da era descer at� o primeiro andar e ultrapassar as barreiras anti-
aparata��o.
Harry viu por uma janela dez pessoas mascaradas entrando no pr�dio e lutando com os
aurores. Ele respirou aliviado, os Comensais da Morte estavam l�. Ele tinha apenas
que achar um lugar seguro. Sentiu outro feiti�o sendo lan�ado contra ele. Virou-se
e viu Sirius Black apontando a varinha em sua dire��o.
"N�o h� mais nenhum lugar para se esconder garoto, largue sua varinha." Ele mandou.
Harry aproximou-se de Sirius. Antes que o auror pudesse perceber, o garoto chutou-o
direto no abd�men. Sirius sentiu como se um martelo o tivesse acertado. Ele acabou
caindo do outro lado. O homem ficou um pouco atordoado.
Sirius levantou-se quando Harry chegou mais perto. O garoto pegou o auror com
guarda baixa e socou o rosto dele com seus punhos, logo depois chutou o peito do
homem, por�m Sirius segurou a perna dele e girou fazendo com que Harry ca�sse no
ch�o. O auror chutou as costelas do garoto fazendo-o gemer. Sirius sentiu uma dor
no cora��o. Era estranho, mas bater nele causava-lhe culpa. Ele for�ou-se a
acreditar que era porque o garoto tinha apenas dezesseis anos. O Pr�ncipe Negro
ainda era uma crian�a. Nesse momento de distra��o, Harry levantou-se.
"Voc� vai pagar por isso Black." Ele vociferou. Com uma velocidade fant�stica, o
moreno correu e jogou Sirius no ch�o novamente.
Harry apontou sua varinha para a testa de Sirius. Antes de conseguir dizer algo,
ele sentiu uma dor lancinante em suas costelas. Afastou-se do auror e passou as
m�os nas costas vendo que estava sangrando. Tinham acertado-lhe um feiti�o. Harry
piscou e procurou o autor de tal feito.
Achou James parado na entrada. Ele apontava-lhe sua varinha. Harry suspirou de
novo.
"Voc� nunca aprende Potter. Fique fora das coisas que n�o lhe dizem respeito."
"Alguns h�bitos n�o morrem." James respondeu sem tirar os olhos do garoto.
"Aparentemente eu tamb�m acho." Harry disse e num r�pido flash atirou uma adaga em
cima de James. O auror saiu do caminho para n�o ser acertado, mas a adaga acertou-
lhe o bra�o. O garoto viu o liquido vermelho manchar as vestes do homem. Antes que
Harry pudesse fazer algo, tr�s jatos de luzes vieram contra ele.
"RICTUSEMPRA." Algu�m gritou e Harry encontrou-se sendo jogado at� o outro lado da
sala. O garoto viu tr�s aurores parados na porta.
Sirius, Moody e Kingsley apontaram suas varinhas para Harry. James juntou-se a
eles. Harry virou-se para olhar o grupo.
"Certo, fa�am o seu melhor!" Ele disse com uma voz perigosa. Harry estava
preparando-se para erguer seu escudo.
Ele refletiu as luzes amarelas facilmente e riu quando observou as faces incr�dulas
dos quatro. O escudo conjurado envolvia Harry por inteiro. Ele estava envolto por
uma bolha azul. N�o havia nenhum feiti�o que poderia ultrapassa-la. Harry quebrou o
escudo momentaneamente para poder lan�ar dois 'incendios' em cima dos aurores.
Ningu�m estava preparado para o que aconteceu depois.
Sirius e Moody refletiram o feiti�o. Os quatro aurores ao verem o garoto sem escudo
mandaram juntos um 'RICTUSEMPRA'. Harry tentou defender, mas o impacto foi muito
forte e acabou sendo machucado. O garoto bateu as costas contra a parede. O impacto
foi demais at� para o pr�dio, assim que o garoto caiu, o ch�o cedeu e ele caiu at�
o primeiro andar.
Os quatro aurores ficaram parados em completo horror. James foi o primeiro a correr
para baixo. Ele come�ou a remover os destro�os para achar o garoto. Logo ele
come�ou a ser ajudado pelos seus companheiros.
'Por favor n�o esteja morto, por favor n�o esteja morto...' Ele pensava horrorizado
por achar que poderia ter matado um adolescente. Achou o garoto ca�do em uma parte
dos escombros que estava mais pesada.
"Ele est� vivo!" Informou para os outros e viu que eles respiravam em alivio. De
repente escutaram um barulho e viram tr�s Comensais correndo em dire��o a eles.
"O que voc�s fizeram?" Um deles gritou. James viu os cabelos loiros e percebeu que
era Lucius Malfoy debaixo da m�scara.
"Pegue o Pr�ncipe e saia!" Gritou Malfoy para outro Comensal. James e Kingsley
come�aram a bloquear a passagem para pegar o garoto.
"Sirius! Pegue o garoto e leve-o at� o Quartel General da Ordem! Agora!" James
gritou para o seu melhor amigo. Sirius assentiu e pegou o garoto. Ele gemeu
inconscientemente e causou no auror um aperto no cora��o. O homem odiava a culpa
que estava sentindo.
xxxx
Cap�tulo dez: Harry?
Sirius apareceu no meio de Grimmauld Place, n�mero 12. Ele olhou em volta. N�o
havia ningu�m por l�, ele rapidamente subiu as escadas indo em dire��o a um dos
quartos.
Entrando no quarto, ele colocou o garoto no ch�o e correu para a lareira. Pegou um
pouco de P� de Floo e gritou.
"Albus, n�s o pegamos! N�s capturamos o Pr�ncipe Negro." Sirius percebeu o qu�o
excitada sua voz soou.
"Ele est� no Quartel General, eu preciso que voc� venha r�pido junto com a
enfermeira se for poss�vel." Sirius pediu olhando nos olhos azuis de Dumbledore.
"Como ele est�, muito machucado?" Dumbledore perguntou sem nem mesmo desviar o
olhar.
"Hum... Eu... Eu n�o sei. Ele precisa de aten��o m�dica, isso � tudo o que eu sei!"
Sirius disse sentindo-se realmente culpado agora.
"Estarei a� com Madame Pomfrey assim que puder."
Sirius tirou a cabe�a da lareira e esperou at� que sua tontura passasse. Olhou para
o garoto e ficou surpreso ao ver Moody e Kingsley no quarto tamb�m.
"Hey caras. Eu nem ouvi voc�s entrarem. Onde est� James e o resto?"
"No minist�rio, eles tiveram que acompanhar alguns Comensais capturados." Moddy
disse, mas n�o tirava os olhos do garoto.
"Dumbledore estar� aqui logo." Sirius disse quando Moody aproximou-se do Pr�ncipe
para checar seu pulso.
"Ele est� fraco, mas continua respirando." Informou para a sala. Ele moveu-se para
tr�s do garoto e o pegou colocando os bra�os dele nos ombros e amarrando-o com uma
corda conjurada. O garoto gemeu de dor. Sirius levantou-se assustado.
"Espere! Alastor o que voc� est� fazendo?" Perguntou Sirius vendo que Moody
continuava amarrando o garoto, fazendo-o gemer ainda mais alto.
"Tendo certeza de que o maldito n�o vai fugir ou nos atacar." Moddy agora estava
vasculhando as vestes do garoto e tirando as armas escondidas. Sirius viu surpreso
as v�rias adagas e armas que estavam em posse do garoto.
Sirius percebeu que o garoto havia acordado e observava suas armas serem retiradas
dele. Ele instintivamente tentou impedir Moody, mas percebeu que n�o podia se
mover. Tentou mais uma vez, mas seus ossos fizeram um barulho e ele novamente gemeu
de dor. Sirius viu o garoto entrar em p�nico, seus olhos verdes estavam assustados
e ele tentava reconhecer o lugar onde estava. Os olhos do garoto direcionaram-se
para Sirius e o auror sentiu seu cora��o apertara quando viu dor refletida neles.
Moody n�o estava demonstrando nenhuma compaix�o. O auror recolheu todas as armas
retiradas e chutou o Pr�ncipe quando este j� estava ca�do no ch�o. O garoto tentou
segurar os gritos e curvou-se tentando amenizar a dor que sentia nas suas costelas
quebradas.
"N�o h� necessidade! Esse... Esse pequeno idiota � o culpado por Alice e Frank n�o
estarem mais aqui... Esse � o monstro que os queimou vivos! Ele � a raz�o de
in�meros ataques... Eu vou mata-lo!"
Moddy estava se debatendo contra Sirius. O auror soltou-se e chegou perto do garoto
e pegou-o pelos cabelos. Sirius viu os olhos dele arregalarem por causa da dor
intensa. Moody chegou bem perto do rosto do Pr�ncipe.
"Eu vou faze-lo pagar garoto, nem que seja a �ltima coisa que eu fa�a."
Sirius olhou para Kingsley para ver se o auror estava gostando da tortura que Moddy
estava proporcionando ao garoto. Kisngsley estava com uma face inexpressiva. O
sangue que havia sa�do de seu nariz estava espalhado pelo rosto e nas vestes dele,
j� estava seco.
Sirius rezou silenciosamente para que Dumbledore chegasse r�pido. Ele era o �nico
que conseguia controlar Moody.
"Moody, realmente! Voc� acha que isso � certo? Digo, n�s j� o pegamos. Ele ir�
pagar por todos os seus crimes. Voc� n�o precisa fazer isso." Sirius tentou acalmar
Moody quando percebeu que gritar n�o dava certo. O auror soltou o cabelo do
Pr�ncipe fazendo com que ele batesse a cabe�a no ch�o.
"Certo? Nada disso � certo! Foi certo os Longbottoms morrerem dentro da pr�pria
casa? � certo Neville Longbottom ser deixado �rf�o t�o pequeno? Foi certo James
quase ter pedido a vida? Hein... Responda-me!"
Com a men��o de James, Sirius sentiu a ira ferver dentro dele. Lembrou-se do que
sentiu ao ver o copo de seu melhor amigo ca�do. Lembrou-se do horror que sentiu ao
ver a adaga cravada no peito de James. Ele podia ter morrido! Sirius caminhou at� o
garoto que estava sendo ajudado por Kingsley, j� que n�o podia levantar-se por si
mesmo. O auror pegou os cabelos do garoto e puxou sua cabe�a para tr�s, ignorando
os gemidos de dor que ele dava.
"Eu acho que j� � tempo de vermos sua carinha, voc� n�o acha?" Disse com um tom
baixo.
Sirius sorriu e soltou-o. O Pr�ncipe tentou afastar-se dele, mas Kingsley colocou-o
de frente para o companheiro.
Sirius colocou as m�os na m�scara prateada e puxou-a. A rea��o que se seguiu nunca
mais seria esquecida.
Sirius olhou aquele rosto que lembrava algu�m que lhe era mais pr�ximo que um
irm�o. Olhou para os olhos esmeraldas e conseguiu perceber que sem aquela m�scara
prateada, eram iguais aos de Lily. Ele olhava para o garoto que ainda mantinha um
olhar profundo. Era exatamente a c�pia de James com exce��o dos olhos de Lily.
Sirius n�o precisava de nenhuma prova para saber quem era. O garoto era filho de
seu melhor amigo e seu afilhado.
Harry n�o respondeu. Ele continuava olhando Sirius enquanto tentava ignorar a dor
que sentia.
"Harry? Voc�... Voc� �... Harry Potter!" Sirius disse para seu afilhado.
Ao ouvir sei nome sendo dito, Harry levantou a cabe�a e disse num tom baixo.
Sirius sentiu como se o c�u ca�sse sobre ele. Ele rapidamente aproximou-se do
garoto e pegou-o pelos ombros. Harry retraiu-se de dor, mas n�o deixou nenhum
suspiro sair de sua boca.
"N�o! Voc� � Harry Potter! Filho de James e Lily. Harry Potter." Sirius falava para
ele, tentando mostrar que essa era a verdade.
Sirius voltou-se para Harry e ficou chocado ao perceber quanto �dio direcionado a
Dumbledore ele emanava. Harry estava respirando fundo e Sirius sabia que se n�o
fosse por Kingsley ele n�o estaria em p�. Mesmo assim, o garoto ainda olhava o
diretor com repugn�ncia.
Dumbledore por sua vez olhava-o incr�dulo. Sirius podia ver que ele estava sem
palavras.
O auror n�o sabia o que fazer. Harry ainda olhava o diretor com �dio. Moody come�ou
a falar.
"Albus, eu n�o acho que isso seja poss�vel. Deve ser uma armadilha." Olhava Harry
como se ele fosse pular no pesco�o de algu�m. Sirius n�o desviava o olhara de
Dumbledore e Moody.
"Ele � Harry Potter, meus instintos me dizem isso e n�o est�o errados." Sirius
disse.
"O que?" Moody estava confuso. Levou um momento para perceber que Dumbledore falava
sobre as cordas.
Harry instantaneamente colocou seu bra�o apoiado em seu peito, ao fazer isso ele
gemeu de dor. Ao ouvir o gemido, Kingsley soltou Harry e ele caiu no ch�o incapaz
de manter-se em p�. O garoto tentou afastar-se o m�ximo que p�de. Dumbledore olhou
para o menino que ele acreditava ser o 'escolhido'. Ele ainda n�o podia acreditar
nisso. Harry Potter estava vivo! Isso era um milagre.
Harry estava respirando muito r�pido. Estava com v�rios ossos e costelas quebradas.
Sentia-se tonto. Sua cabe�a pesava e do�a. Estava tentando lutar contra o sono que
o engolfava. Sirius e Dumbledore ainda estavam tentando convence-lo de quem ele era
e que s� queriam ajudar.
"Eu sinto muito Harry, eu n�o sabia... Por favor, deixe-me ajuda-lo." Sirius tentou
mais uma vez. O garoto afastava-se cada vez mais.
Sirius e Dumbledore afastaram-se de Harry para n�o lhe causarem mais dor. Sirius
olhou para Kingsley que estava observando o garoto.
"Kingsley volte para o escrit�rio e impe�a James de vir pra c�. Fale qualquer coisa
para que ele n�o venha aqui!" Sirius disse ao companheiro que pareceu ficar
contente por se afastar de tal situa��o.
"Alastor, fa�a com que o ministro fique longe daqui. Precisamos de tempo antes de
falar com ele." Dumbledore disse a Moody que tentava pensar em como fazer isso.
Ningu�m percebeu quando Madame Pomfrey que estava bem p�lida aproximou-se do garoto
e ajudou-o gentilmente a deitar na cama. Ela sorriu para ele.
"Vai ficar tudo bem Harry. Eu vou cuidar de voc�." Ela murmurou quando Harry
finalmente deixou com que o sono o levasse.
Madame Pomfrey mandou Dumbledore e Moody sa�rem do quarto e disse para Sirius
bloquear a lareira para que ningu�m entrasse. O auror o fez e rapidamente saiu
junto com Dumbledore e Moody.
Sirius viu o diretor repetir suas ordens a Moody e observou o companheiro sair.
"O que eu quero dizer? Eu perguntei o que n�s vamos fazer agora? N�s n�o podemos
entregar Harry para o minist�rio. Eles ir�o manda-lo direto para os Dementadores
sem nem mesmo ter um julgamento! N�s n�o podemos esconde-lo pra sempre! Ele nem vai
querer ficar conosco, ele vai querer voltar para aquele monstro, Voldemort!"
Dumbledore deu a Sirius um olhar incr�dulo, era a primeira vez que ele falava
Voldemort sem tremer.
"Sirius meu garoto. Acalme-se. N�s precisamos falar com o Harry. O pobre garoto foi
enganado por Voldemort. Quando ele souber a verdade, nos ajudar� a arrumar essa
bagun�a toda."
Se Dumbledore pensava que isso iria acalmar Sirius ent�o ele estava completamente
enganado. O auror levantou-se de sua cadeira quase soltando fogo.
"Ajudar-nos! Harry ajudando a gente! Merlin, Albus. Voc� viu o jeito que ele
reagiu? Especialmente em rela��o a voc�? Ele n�o foi enganado por Voldemort, ele
sabe quem �, ele sabe que James � o seu verdadeiro pai, mas ele atacou-o. Ele
atacou James com o intuito de mata-lo! Albus, Harry n�o vai nos ajudar de nenhum
jeito. Ele nos odeia e vai tentar com todas as for�as voltar para Voldemort!"
Sirius estava respirando com dificuldade, suas m�os tremiam. Por que Dumbledore n�o
podia entender que eles estavam assustados? Isso significa que James e Lily iriam
perder o filho outra vez. Sirius n�o conseguiu mais conter as l�grimas de
frustra��o. Caiu no ch�o e cobriu seu rosto com as m�os. Dumbledore apertou os
ombros dele para conforta-lo.
"Meu bom garoto, eu entendo seu dilema. James e Lily v�o ter que lidar com essa
situa��o, mas eu prometo que n�o vou deixa-los perderem Harry novamente.
"Voc� provavelmente n�o percebeu, mas quando Poppy ajudou Harry a se deitar e tirou
o cabelo de sua testa, eu vi algo que ir� salva-lo."
"Ele... Ele... Ele marcou Harry com a... Marca Negra?" Perguntou segurando a
respira��o.
"N�o. Ele o marcou de outro jeito." Dumbledore olhou direto para os olhos de Sirius
e disse uma parte da profecia.
"O Lorde das Trevas ir� marca-lo como a um igual." Disse devagar. Sirius olhou o
diretor com uma express�o confusa.
"Voc� v� Sirius, Harry � o escolhido, n�o Neville Longbottom. Foi por isso que ele
foi tirado de voc�s h� quinze anos. Voldemort n�o o matou como pens�vamos. Ele foi
mais esperto que isso, decidiu usar o escolhido. Transformou Harry em seu filho e o
fez ama-lo como um pai. Harry n�o percebe que o amor que o Lorde das Trevas lhe
mostrou � uma t�cnica de sobreviv�ncia, ele nunca poderia machucar o pr�prio pai.
Voldemort corrompeu a inoc�ncia que Harry tinha, fez com que ele fosse um assassino
cruel para que n�s n�o d�ssemos a ele chance de reden��o. Voc� v�, o Lorde tinha um
bom plano, Harry � um bruxo poderoso e Voldemort utilizava o seu poder para acabar
com os inimigos dele. Ele fez com que se algo acontecesse, a Ordem mataria o �nico
que pode derrota-lo. Diga-me Sirius, se esse garoto fosse outra pessoa, qual
destino ele teria agora? N�s n�o ir�amos dar a ele uma segunda chance e ir�amos
entrega-lo aos Dementadores? � apenas o fato dele ser o filho do seu melhor amigo e
seu afilhado que o mant�m vivo at� agora?"
Sirius parecia um pouco p�lido, mas pediu para que Dumbledore continuasse.
"Sirius, eu acredito que foi o destino que nos trouxe Harry. Ele podia ter sido
capturado por outro auror e n�s n�o seriamos capazes de salva-lo. Se Harry veio
para n�s � para que n�s possamos ajuda-lo. Eu sei que isso n�o vai ser f�cil, ele
vai ser uma pessoa dif�cil de se aproximar, mas eu realmente acredito que pode ser
feito."
"E quanto ao Ministro, Fudge n�o acredita na profecia, ele nunca acreditou."
"Deixe Fudge comigo. Eu tenho certeza que o Ministro ir� concordar com algumas
coisas."
Sirius olhou meio ressabiado. Ele sabia que Fudge iria querer usar o Pr�ncipe para
ganhar popularidade. Antes que pudesse dizer mais alguma coisa um barulho de porta
fechando foi ouvido e Madame Pomfrey desceu parecendo bem cansada.
"Bom, ele vai sobreviver. Ele tem algumas feridas bem profundas. Seu bra�o direito
e seu punho estavam quebrados assim como seu tornozelo esquerdo. Suas costas est�o
bem machucadas. Foi sorte n�o ter quebrado a espinha dorsal. Quebrou duas costelas
e uma est� fora do lugar. Por isso que estava com falta de ar. Consegui consertar
todos os ossos quebrados e estou ministrando algumas po��es para dor."
Sirius ficou horrorizado. O que teria acontecido se Harry n�o sobrevivesse �quela
queda? Ele tentou n�o pensar em ter que tirar aquela m�scara prateada de um garoto
morto.
"Honestamente, o que voc�s estavam pensando quando atacaram-no daquele jeito? Ele
caiu de dois andares! Voc�s tiveram sorte por ele n�o ter morrido!" Ela disse
olhando para Sirius. Poppy olhava-o mais brava do que McGonagall quando ele
aprontava no col�gio.
"Ele me disse."
"O que! Ele te disse? Por que ele faria isso? Por que ele falou com voc� e mais
ningu�m?"
"Bom Professor Dumbledore, voc� se lembra que aproximadamente h� seis meses houve
um ataque na minha casa? Meu marido Paul e eu est�vamos no jardim olhando nossa
casa pegando fogo e assistindo nossos dois filhos morrerem. Os Comensais da Morte
nos amarraram e deixaram-nos olhando a casa pegar fogo, gritando que eu merecia por
ajudar crian�as nascidas trouxas em Hogwarts. Quando os Comensais foram embora, n�o
havia ningu�m para nos ajudar. At� os nossos vizinhos n�o queriam ir contra as
ordens deles. Ent�o sa�do de sei l� aonde, esse garoto chegou e entrou na casa. Ele
salvou Jenna e David de queimarem at� a morte. Ele me perguntou o que havia
acontecido e eu contei tudo. Eu ainda lembro da raiva que apareceu em seus olhos.
Esse garoto me disse para n�o me preocupar que os Comensais nunca mais fariam isso.
Antes que ele fosse eu perguntei o nome dele, ele sorriu e me disse que era Harry.
Eu nunca mais o vi at� hoje." Ela terminou chorando.
Sirius estava sem palavras. Harry salvou duas crian�as. Mas por que? Harry salvou-
as de seus pr�prios companheiros. Arriscou sua vida de quinze anos por duas
crian�as do lado inimigo.
"Poppy, voc� viu o rosto dele, digo, era definitivamente Harry, ele n�o estava
usando sua m�scara?" Sirius perguntou cautelosamente.
"N�o. Ele n�o usava m�scara alguma. Usava vestes de bruxo e nenhuma m�scara. Seu
rosto estava exposto."
"Ent�o porque voc� n�o contou a ningu�m que ele era exatamente como James?" Sirius
gritou.
"Porque Sr. Black, eu nunca vi o Sr. Potter, ent�o esta n�o era uma liga��o a qual
eu poderia fazer."
Sirius olhou para ela envergonhado. Claro que ela nunca conheceu James. Poppy era
uma enfermeira escolar e quando ela estava come�ando em Hogwarts eles j� estavam na
Ordem. James n�o ia tanto em Hogwarts para poder ter-la conhecido. Sirius sentiu-se
um completo idiota e murmurou desculpas a ela. Ela disse que estava tudo bem.
"Parece que nosso Harry tem uma pequena mania de salvar as pessoas."
Cap�tulo doze: Segunda Chance
Damien foi mandado para a Toca com a inten��o de passar o resto do ver�o por l�.
Normalmente ele ficaria muito feliz e el�trico por estar indo pra l�, mas n�o
ficou, pois sabia que algo estava errado. O garoto tentou perguntar para seu pai o
que estava acontecendo, mas s� lhe disseram que os Weasleys esperavam por ele
naquela noite, portanto teria que ir imediatamente.
Lily estava aliviada por James ter mandado Damien para a Toca. Ela n�o ia conseguir
lidar com as perguntas dele. A mulher estava lutando para que a not�cia sobre Harry
estar vivo, n�o a sobrecarregasse, mas isso era imposs�vel. Harry estava vivo! Seu
filho, o qual havia pensado em todo momento estava na verdade vivo, ela poderia v�-
lo, toca-lo e ouvir sua voz mais uma vez.
Lily sentiu como se suas ora��es fossem finalmente ouvidas e estava agradecida a
Merlin por conseguiu isso. Ela nem mesmo estava ligando para o fato de seu filho
ser quem era. Ele era o Pr�ncipe Negro!
A mulher estava sentada com as m�os na cabe�a e parecia exausta, James que estava a
seu lado, havia acabado de contar a hist�ria e tinha l�grimas nos olhos.
"Lily, ele n�o estar� acordado agora e ele... N�o vai querer falar conosco." James
disse a �ltima parte com o cora��o realmente partido.
"Como voc� sabe disso? Talvez ela j� tenha se acalmado! Eu n�o me importo James, eu
quero ver o meu filho!" Lily estava chorando. Sua voz estava mais r�gida e suas
bochechas estavam come�ando a ficarem vermelhas.
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Madame Pomfrey estava exausta. Ela havia finalmente encontrado uma posi��o
confort�vel para o adolescente. Estava prestes a deitar no sof� para descansar
quando ouviu uns barulhos no andar debaixo.
"Honestamente, Eles poderiam ter considera��o com esse pobre garoto. Ele est�
dormindo!" Ela murmurou para si mesma.
A enfermeira andou rapidamente at� a porta para fecha-la o mais silenciosamente
poss�vel. Ela tinha dado apenas alguns passos quando viu Lily Potter, seguida por
James Potter. Poppy era muito amiga de Lily, j� que as duas trabalhavam em
Hogwarts.
Pomfrey olhou-a com compaix�o. Ela n�o imaginava o qu�o mal a mulher deveria estar
se sentindo agora por ter o filho de volta depois de quinze anos e em tais
circunst�ncias. Lily nem precisou dizer nada, ao aproximar-se Poppy colocou a m�o
em seus ombros e deixou-a passar.
Ela viu o adolescente deitado na cama, sua respira��o ficou r�pida. Lily tentou
diversas vezes chegar mais perto de seu filho, ela sempre imaginou como Harry iria
ser se n�o fosse por aquela noite tr�gica e sempre chegou � conclus�o que ele seria
parecido com James. Quando crian�a ele tinha os cabelos revoltos, o nariz e a boca
do pai. Nunca imaginou que o garoto seria exatamente como James.
James entrou no quarto, mas ficou parado na porta, olhava sua mulher chorar por
finalmente ter encontrado seu filho, Lily sempre sonhou com esse momento. Ele s�
queria que as circunst�ncias fossem diferentes e assim pudessem levar seu filho
para casa. James ainda n�o havia falado com Dumbledore, o diretor estava falando
com o Ministro e pela demora, n�o era coisa boa.
Lily observava tudo em seu filho, at� o ritmo da respira��o dele. Olhava sua face,
suas fei��es, seu cabelo bagun�ado, o jeito que seu peito subia e descia. Ele
parecia em paz e em sono profundo e ela detestaria acorda-lo, mesmo que quisesse
muito. A mulher caiu no ch�o ainda mantendo seus olhos verdes vidrados em seu
filho.
"Harry, oh meu... Harry." Ela silenciosamente dizia. Imagens de Harry beb� passavam
em sua mente como um flash, Lily n�o conseguiu segurar o choro. Harry quando
acabara de nascer, Harry com tr�s meses, Harry quando chorou pela primeira vez,
Harry com nove meses quando disse 'papa' e 'mama', Harry em seu primeiro
anivers�rio, Harry com quinze meses quando foi tirado de sua fam�lia t�o
cruelmente.
James andou at� sua esposa e ajudou-a a levantar, sussurrando palavras de conforto.
Os dois pais pararam no meio do quarto chorando e observando o filho, chorando pela
felicidade de t�-lo novamente, mas tamb�m chorando por causa do que o futuro os
reservava. Os dois sentaram-se pr�ximos a cama, estavam inseguros sobre o futuro,
mas estavam determinados a n�o desperdi�ar o presente. James e Lily passaram a
noite inteira assistindo seu filho dormir.
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Harry acordou de repente e levou alguns momentos para descobrir o que o havia
despertado. Ouviu barulho de lou�as e o cheiro de caf� da manh� sendo preparado.
Vinha do andar debaixo. O garoto olhou em volta procurando por Poppy.
Harry fechou os olhos e respirou fundo. Sentia-se um pouco melhor do que na noite
passada. Abriu os olhos devagar e tentou sair da cama. Seus p�s tocaram o ch�o e
ele cuidadosamente levantou, seus tornozelos ainda do�am, mas ele sabia que isso s�
iria passar depois de alguns dias bebendo 'po��o reparadora de m�sculos' junto com
outras po��es reparadoras de ossos. Essa n�o era a primeira vez que ele quebrava
alguma coisa. Suas costas doeram ao ficarem eretas, mas ele ignorou. Ele sabia que
a maioria dos integrantes da Ordem estariam tomando caf�, portanto esse era o
melhor momento para escapar.
'Isso foi muito f�cil.' Pensou quando chegou em frente � porta. 'Por que n�o tinha
ningu�m o observando e por que n�o haviam guardas na porta?'
'Talvez eles n�o esperem que eu saia pela porta da frente'. Ele pensou consigo.
Harry estava bem em frente � porta, parou para ver se escutava passos. Ao n�o
escutar nada, ele respirou fundo.
De qualquer jeito, suas m�os foram at� a fechadura da porta, ao encostar uma for�a
invis�vel o jogou para tr�s e o adolescente caiu dolorosamente de costas. Harry
deixou um gemido escapar por seus l�bios. Ficou deitado ali por um momento,
respirando rapidamente para n�o agravar a dor em suas costelas. Antes que ele
tivesse a chance de levantar-se, ouviu uma voz.
Harry olhou para cima e viu Dumbledore e v�rios aurores parados atr�s dele. O
garoto grunhiu, Dumbledore era a �ltima pessoa que ele queria ver agora,
especialmente em seu atual estado. O adolescente cerrou os l�bios para n�o gemer
nem chorar por causa da dor intensa que estava sentindo.
Dumbledore observou o garoto olha-lo com raiva. Viu Harry tentar levantar, o bruxo
mais velho queria ajuda-lo, mas sabia que o garoto n�o aceitaria. Ficou em silencio
esperando-o ficar em p� e recompor-se. Somente quando Harry conseguiu, ele falou
novamente.
"Essa casa inteira tem muitos escudos poderosos Harry, somente um membro da Ordem
pode ir e vir, de resto, todos s�o escoltados." Ele terminou e percebeu que o olhar
que o garoto lan�ava-lhe estava mais profundo, Dumbledore podia at� sentir doer.
"Venha Harry, vamos sentar, tenho certeza que voc� vai recuperar-se de ontem."
Dumbledore disse com uma voz culpada. Ele n�o aprovava o plano de Sirius e com
certeza n�o fazia id�ia dos feiti�os utilizados contra o garoto.
"Eu n�o vou a nenhum lugar com voc�!" Harry disse. Sua voz raspava na garganta.
Dumbledore olhou tristemente para o adolescente, do�a ter tanto �dio voltado a ele.
O diretor abriu a boca para tentar acalmar o garoto, mas antes que pudesse dizer
algo Harry subiu as escadas pulando com o p� que n�o estava machucado.
"Harry voc� n�o acha que devemos conversar sobre as circunst�ncias atuais?" O
diretor perguntou.
"Eu n�o tenho nada para falar com voc� e tamb�m n�o quero ouvir nada que venha de
voc�!"
Tr�s aurores apontaram suas varinhas para Harry. O garoto olhou-os por alguns
instantes. O olhar de f�ria que havia em Moody, Kingsley e Arthur era enorme, eles
nunca tinham visto ningu�m falar com Albus daquela maneira. O diretor pediu para
que eles abaixassem suas varinhas, ele esperava por isso. O adolescente virou-se
novamente para as escadas e subiu sem falar mais nada, foi direto para o quarto.
Dumbledore voltou para a sala de jantar, seguido pelos tr�s aurores. Sua cabe�a
do�a um pouco, ele havia sentido um pouco da raiva do garoto.
Harry n�o tinha nenhuma escolha a n�o ser voltar para a cama. Respirou
profundamente, ele estava com problemas agora. A qualquer momento o Minist�rio iria
at� l� para prende-lo, ele provavelmente estaria em Azkaban at� o escurecer! Ele
tinha que sair dali, mas como? O garoto n�o estava em condi��es de destruir os
escudos, nem mesmo achava que seria capaz de levantar-se novamente sem sentir dor.
Seus pensamentos foram interrompidos por uma batida na porta. Harry mandou entrar e
viu Poppy que parecia um pouco cansada. Deu um sorriso ao v�-la correr at� ele
preocupada.
"Harry! O que em nome de Merlin voc� est� fazendo? Deite-se nesse instante!"
Ela empurrou-o at� a cama, checou-o e depois que terminou de ver se todas as
feridas estavam melhorando sentou-se numa cadeira. Poppy aparentava estar exausta.
"Poppy, voc� n�o entende. Eu n�o posso ficar aqui. N�o � seguro. Se eu n�o sair
agora, eu irei para Azkaban." Harry parou para que suas palavras tivessem efeito.
Poppy ficou realmente desconfort�vel, ela estava apertando as m�os e ainda parecia
preocupada com ele, levantou-se e aproximou-se do garoto.
"Harry, se eu pudesse te ajudaria. Mas eu n�o posso, eu n�o sou membro da Ordem,
n�o tenho passagem livre."
Ela olhou para o rosto do garoto com o cora��o partido. Sabia que Dumbledore n�o
queria que Harry fosse ferido, mas ser� que ele tinha autoridade suficiente para
n�o deixar o garoto ir para Azkaban? Ela n�o queria pensar nisso. A enfermeira
empurrou as mechas que caiam na testa dele e sorriu tristemente.
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Dumbledore estava sentado com os Membros da Ordem. A maioria estava esperando sobre
as noticias do destino de Harry. Tudo o que ele disse � que o Ministro iria rever o
caso. Tonks e Molly estavam lavando a lou�a enquanto Arthur conversava com James,
Sirius e Remus. Lily ainda estava chocada. Moody e Kingsley estavam num canto
perdidos em seus pr�prios pensamentos.
Lily olhou em volta quando Dumbledore come�ou a conversar com Molly. Ela pensava
seriamente sobre o que o diretor havia lhe contado. Ele estava tentando ajudar
Harry. Queria que o garoto soubesse a verdade sobre quem ele � e quem Voldemort �,
para que ele viesse para o lado da luz. Lily n�o se importava com isso agora, sua
mente estava l� em cima. Ela foi praticamente arrastada pra fora do quarto por
James para poder descansar. Vagarosamente ela come�ou a fazer um prato de caf� da
manh�. James a viu e aproximou-se.
"N�o James. Por favor, n�o." Lily estava com uma voz chorosa.
James parou de falar instantaneamente e abra�ou Lily pela cintura. Deu a ela um
olhar de compreens�o e colocou um pouco de suco de ab�bora num copo para Harry.
Ambos sa�ram da sala e todos ficaram sem saber como reagir. Moody grunhiu um pouco,
mas voltou para seu lugar silenciosamente. Todos decidiram ignorar o 'Caf� na cama'
e voltaram aos seus afazeres.
"O que tem nesse?" Harry estava perguntando enquanto segurava um vidrinho contendo
uma po��o escura.
"Apenas curiosidade."
Harry deu a Poppy um sorriso e engoliu a po��o em um s� gole. Ele deu uma
estremecida.
"Eugh, Espero que voc� saiba o qu�o horr�vel isso �." Disse olhando a enfermeira.
Lily e James sorriram. Essa era a primeira vez que escutavam a voz de seu filho,
ela era semelhante a de Damien. James j� havia escutado, mas sempre foi quando
estavam lutando, agora era a primeira vez que escutava a voz de seu filho em um tom
normal.
Pomfrey e Harry viraram-se para v�-los. A enfermeira deu aos dois um enorme
sorriso, mas Harry fechou a cara e fuzilou ambos com o olhar.
Poppy percebeu a rea��o de Harry e rapidamente saiu dizendo que tinha coisas a
fazer no andar debaixo. O garoto nem mesmo viu quando ela saiu do quarto. James e
Lily sentiam-se extremamente inc�modos. O adolescente abaixou a cabe�a e come�ou a
encarar suas m�os. Lily deu um passo e vagarosamente sentou na ponta da cama, James
a seguiu relutante.
Lily colocou o prato ao na mesinha ao lado da cama e olhou para seu filho. O moreno
nem mesmo olhou-a de relance. A mulher finalmente conseguiu ver os olhos do filho e
sentiu seu cora��o inundar-se de felicidade. 'Ele definitivamente tem os meus
olhos!' Pensou consigo. James juntou-se a esposa e colocou o copo de suco ao lado
do prato.
Lily n�o conseguiu esperar mais, ela aproximou-se de Harry e tocou seu rosto. O
garoto afastou-se e deu-lhe um olhar g�lido que a fez se afastar.
"Harry! Qual � o..." Lily foi interrompida ao ver seu filho levantar-se da cama. O
adolescente encarava os dois adultos.
"Harry, por favor, deite-se voc� ainda n�o est� completamente curado. Voc� vai se
machucar." Disse James.
"Um pouco desapontados, n�o?" Harry disse e Lily conseguiu perceber o veneno em sua
voz.
"Voc�s n�o esperavam que eu sobrevivesse, esperavam?" Harry exclamou e dessa vez
tinha um brilho diferente em seus olhos esmeraldas. Parecia uma mistura de m�goa e
raiva.
"Harry, como voc� pode dizer isso? Voc� sabe que o que aconteceu foi um acidente,
eu nunca atacaria voc� se soubesse que na verdade voc� era meu..."
James parou, ele ainda n�o conseguia se conformar que na verdade o Pr�ncipe Negro,
aquele que matou e torturou tantos, era seu filho. O garoto estava olhando-os com
tanta repulsa que Lily teve que desviar o olhar.
"Voc� n�o entende Potter? Eu n�o sou seu filho. Seu filho morreu h� anos atr�s. Eu
sou o filho de Lorde Voldemort."
Lily e James ficaram sem fala. Eles tinham se preparado para lidar com Harry, mas
n�o esperavam escutar tais palavras. Os dois tentaram amenizar a f�ria do garoto.
"Harry, por favor, escute-nos. Eu sei que voc� deve estar com muita raiva e muito
confuso, n�s entendemos. N�s somos seus pais. V-Voldemort n�o � seu pai." Ela disse
desesperadamente.
Harry voltou seu olhar g�lido para Lily e disse diretamente a ela.
"Voc� pode achar que n�o, mas na ess�ncia ele � meu verdadeiro pai. Ele foi o �nico
que me criou. Somente trazer algu�m ao mundo, n�o te transforma em pai."
Harry sorriu quando percebeu l�grimas nos olhos de Lily e James. Ele sentia-se bem
por ter colocado-os em seus devidos lugares. Sem dizer mais nenhuma palavra, Harry
entrou no banheiro, fechou a porta e escorregou para o ch�o. O garoto n�o precisava
usa-lo, ele apenas queria sair de perto dos Potters.
Lily e James sa�ram do c�modo tristemente, foram direto para o quarto deles e
tentaram confortar-se um ao outro, estavam com o cora��o partido.
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Moody viu Dumbledore engatar uma conversa com Arthur e Kingsley. Seu olho m�gico
observou quando os Potters sa�ram de um quarto para entrar em outro, ele pareciam
p�ssimos. Sabia que Harry estava sozinho, pois Madame Pomfrey estava com Remus e
Sirius dando-lhes instru��es sobre as po��es que o garoto estava tomando. Moody
levantou-se e deixou a sala discretamente.
Ele chegou no quarto de Harry em quest�o de segundos. O auror sabia o que tinha que
fazer e estava preparado para conseguir. Abriu a porta e trancou-a ap�s entrar.
Harry levantou a cabe�a e viu Moody entrar. Por um momento ele pensou que fossem os
Potters novamente. O garoto deu ao auror um olhar col�rico e foi em dire��o �
janela e depois voltou pra cama. Estava ignorando Moody, mas percebeu quando ele
aproximou-se.
Moody n�o respondeu. Ele continuou olhando o garoto. Sem nem falar com Harry, o
auror colocou a m�o em suas pr�prias vestes e tirou de l� dois itens. Um era sua
varinha e o outro um vidrinho. O adolescente olhou da varinha para o vidrinho e
depois olhou Moody.
"Voc� realmente acha que eu vou beber isso por livre e espont�nea vontade?" Harry
zombou Moody mesmo sabendo que n�o deveria deixar o auror com raiva.
"Voc� pode beber por livre e espont�nea vontade ou eu posso for�a-lo!" Disse Moody,
tentando segurar sua ira.
Harry sentiu a raiva ferver dentro dele. Mais uma vez ele levantou-se da cama e
ficou cara a cara com Moody.
"Voc� acha que � um auror poderoso porque pode exercer for�a sobre um adolescente
ferido. Voc� teve que me fazer cair para depois tentar me ferir, ent�o me desculpe
por n�o estar com medo ou me acovardando."
Harry manteve sua voz baixa, mesmo querendo gritar por causa do abuso desse auror.
Moody estava tremendo de raiva, ele inclinou-se para poder ficar bem pr�ximo ao
garoto.
"� melhor ter cuidado com o que fala garoto. Eu n�o sou como Dumbledore. Eu n�o vou
deixa-lo falar comigo nesse tom. Voc� pode ser filho de James, mas isso n�o tem a
m�nima diferen�a. Voc� � um maldito assassino. Eu vou acabar com voc�!"
Assim que Moody disse isso, ele automaticamente segurou Harry pelo pesco�o. O
garoto engoliu em seco e tentou se soltar, virou-se e acertou o Auror no est�mago.
Moody respirou fundo quando sentiu o ar sumir, ele ficou bravo ao ver o garoto
livre do seu aperto. Harry voltou sua aten��o para Moody. O auror ainda procurava
por ar quando viu o adolescente fazer um gesto com as m�os, foi como se uma for�a
invis�vel o empurrasse, sentiu suas costas baterem no outro lado do quarto.
Moody estava agora totalmente fora de si. Ele levantou-se e apontou sua varinha em
dire��o ao garoto.
"REDUCTO." Um jato de luz saiu da varinha de Moody e atingiu Harry direto no peito.
Harry foi jogado at� o outro lado da sala, caindo dolorosamente em cima da mesinha
de canto. Antes que ele pudesse perceber alguma coisa, Moody pegou-o pela garganta
e jogou-o violentamente na cama. O garoto sentiu que seus pulsos e tornozelos
estavam amarrados, ele olhou o auror com �dio, agora n�o podia mais se defender.
Viu Moody aproximar-se j� abrindo o vidrinho.
Harry nem precisava adivinhar o que seria for�ado por sua garganta. Veritaserum, a
po��o da verdade. O garoto come�ou a suar frio, ele sabia quais seriam as
perguntas. A localiza��o de seu pai e os membros de seu c�rculo interno. O
adolescente tentou livrar-se das cordas, mas n�o conseguiu.
Moody pegou o queixo de Harry, pronto para despejar o conte�do da po��o em sua
boca. O garoto apertou sua mand�bula, esse auror n�o teria nenhuma chance de jogar
algo em sua boca.
"Voc� vai beber isso garoto e vai dizer todos os segredos de Voldemort!" Moody
sibilou para Harry.
Moody tentou abrir a boca do garoto, mas achou dif�cil faze-lo com apenas uma m�o
livre. Frustrado ele bateu no adolescente e tentou novamente.
Harry sentiu as l�grimas ca�rem por causa do tapa, sua mand�bula do�a muito,
parecia que estava em brasa. Seu rosto ficou vermelho. De qualquer modo ele ainda
recusava-se a abrir a boca, tentava afastar-se de Moody o melhor que podia. Antes
que sua mand�bula relaxasse a porta do quarto foi aberta com um estrondo e Sirius
entrou por ela. Ele olhou de Harry para Moody e instantaneamente afastou o
companheiro de seu afilhado. A po��o ainda estava segura na m�o do auror. O garoto
conseguiu finalmente respirar aliviado, viu Sirius afastar Moody e come�ar a
gritar.
"Como voc� se atreve Moody? O que em nome de Merlin voc� estava fazendo? Saia daqui
imediatamente! Saia!"
Harry viu Moody lutar para se soltar at� ver James e Dumbledore. O diretor deu uma
olhada no quarto e com um meneio de varinha libertou o adolescente. O garoto
rapidamente sentou-se na cama e tentou acalmar as batidas de seu cora��o.
Dumbledore sinalizou para que Moody, Sirius e James o seguissem. Ao ver que todos
haviam sa�do, James chegou mais perto do garoto e o olhou com uma preocupa��o
verdadeira.
Harry percebeu que estava tremendo, rapidamente colocou os bra�os em volta de seus
ombros e come�ou a se acalmar, ele nem mesmo olhou o auror. James olhou seu filho
com compaix�o e saiu pela porta fechando-a em seguida.
Harry enfiou a cara no travesseiro. Ele nunca sentiu tanta raiva em sua vida
inteira. Ningu�m nunca havia tocado-o daquele jeito. Seu pai nunca havia deixado
ningu�m machuca-lo. Harry virou-se e deitou de barriga pra cima, ele ainda estava
tentando se acalmar. A verdade era que ele nunca havia sentido tanto medo, n�o medo
de ser ferido, dores f�sicas sempre foram uma constante em sua vida. Foi o medo de
pensar no que aconteceria se ele bebesse a po��o da verdade. Todos os segredos de
seu pai, todos os planos, a sua localiza��o... Tudo seria exposto.
'N�o, eu n�o posso deixar que isso aconte�a. Meu pai n�o deve ser colocado em
risco.' Pensou consigo.
Sua cabe�a estava doendo muito e a dor que sentia em suas costelas e em seus
tornozelos o estava deixando doente. Ele virou-se para o lado e deixou que sua
mente entrasse em sono profundo. Seu �ltimo pensamento coerente foi: 'Eu n�o vou
deixa-los me obrigarem a beber Veritaserum.'
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"Que saco Moody! Por que voc� o tratou daquele jeito?" Ele gritou para o auror.
Dumbledore estava olhando Moody com raiva. O auror nem mesmo percebeu isso.
"Eu o tratei com ele merece ser tratado! Ele fez atrocidades e desculpe-me James se
voc� quer que ele seja perdoado por ser seu filho perdido, mas algum de n�s tem que
fazer a coisa certa!"
Nesse momento a sala ficou em silencio. James estava dando a Moody um olhar
assassino e atr�s dele Sirius e Remus estavam chocados. Lily desviou o olhar
tentando esconder as l�grimas.
"Moody, eu nunca disse que ele deve ser perdoado, voc� n�o pode me acusar disso. Eu
era amigo de Frank tamb�m! Eu lamentei a sua morte tamb�m, mas isso n�o quer dizer
que voc� possa perder o controle."
"Eu n�o sou o �nico que perdeu o controle. Voc�s s�o as pessoas que est�o deixando
um assassino ficar no Quartel General da Ordem como se fosse sua casa!" Com isso
dito, Moody saiu pela porta da frente.
James e Lily estavam boquiabertos. Um assassino, Harry era um assassino. Essa era a
verdade sobre filho deles. O garoto n�o tinha a m�nima esperan�a nesse mundo. Ele
iria para Azkaban. Lily percebeu que ela estava completamente dispersa quando
sentiu Molly e Remus tentando conforta-la. James ainda estava parado no mesmo
lugar, ele tinha um olhar de fracasso. Sirius e Dumbledore o fizeram sentar em uma
cadeira.
"James, Lily, por favor, n�o percam as esperan�as. Eu sei que s�o tempos
extremamente dif�ceis, mas voc�s precisam ser fortes, pelo bem de Harry."
Sirius olhou para o diretor. Isso n�o estava certo. Ele n�o devia lhes dar uma
falsa esperan�a. Estava claro o que ia acontecer. O Ministro viria buscar Harry e
mesmo Dumbledore n�o seria capaz de protege-lo.
"Dumbledore, que tipo de esperan�a n�s podemos ter? O Ministro n�o deixar� Harry em
paz, voc� sabe t�o bem quanto n�s." Sirius disse com uma voz frustrada.
"Meu querido Sirius, sempre h� esperan�a, sem esperan�a n�o existe nada. Eu sei que
voc�s podem achar bobagem, mas eu acredito que Harry vai se salvar do Minist�rio."
"Dumbledore, o que aconteceu no seu encontro com Fudge? Por que ele ainda n�o veio
buscar Harry?"
"Dumbledore, voc� tem alguma id�ia de como Harry pode fazer tudo isso com t�o pouca
idade?"
Sirius estava se referindo � for�a que Harry tinha ao dar um simples chute. Muitos
aurores formados n�o conseguiam tal proeza. O auror passou a m�o pelas suas
costelas machucadas.
"Bem, eu tenho uma teoria. Veja, Harry � descendente direto de Godric Gryffindor.
Isso j� o faria bem poderoso. De qualquer modo, Voldemort..." A sala resfolegou ao
ouvir o nome, "... marcou-o como seu descendente fazendo-o assim tamb�m descendente
de Salazar Slytherin."
"Harry � agora descendente de duas linhas ancestrais. Tendo dezesseis anos, sua
for�a com certeza � maior. Ele ter� poderes que o far�o ser uma lenda quando
completar a maioridade. Como ele os usar�, vai depender se Harry aceitar� ou n�o a
verdade."
"Pra voc�s verem como o Ministro ser� idiota se colocar Harry em Azkaban. Fudge
quer ganhar essa guerra. Ele j� sofreu demais nas m�os de Voldemort. Ele quer
derrota-lo e se Harry puder ajudar � uma grande oportunidade." Dumbledore terminou
e viu as faces cansadas de todos.
"Quando voc� vai saber a decis�o final?" James perguntou com uma voz estremecida.
"Logo James, at� l� tentem descansar. Tentem fazer Harry falar. Ele tem que
perceber que n�s n�o somos seu inimigo."
"Humph! Moody deu-nos uma grande ajuda nisso!" Sirius sussurrou quando Dumbledore
saiu do c�modo.
Cap�tulo treze: Revela��es
James virou-se para ver quem havia entrado na sala de jantar. Viu Lily aparecer
segurando um prato com a comida intocada.
"Ainda sem sorte?" Ele perguntou com uma voz fracassada. Lily apenas balan�ou a
cabe�a e colocou o prato em cima da mesa.
J� haviam passado dias desde que Harry tinha sido trazido para o Quartel General e
desde ent�o n�o havia comido ou bebido nada. Lily e James levavam comida para ele
todos os dias, mas sempre voltavam com ela intocada. O garoto n�o falava com
ningu�m desde o incidente com Moody, ele trancou-se no quarto e recusava-se a falar
com qualquer um.
"James, isso n�o pode continuar assim. Faz tr�s dias e ele nem ao menos bebeu uma
simples gota de �gua! Ele vai ficar doente e n�o est� nem bem o suficiente para
isso." Lily estava hist�rica. Ela havia gastado os �ltimos 45 minutos tentando
fazer Harry comer e beber alguma coisa.
No come�o Harry respondia coisas como 'Deixe-me em paz' ou ' Saia daqui!', mas
agora ele ignorava qualquer pessoa e ficava sentado no ch�o. Lily percebeu os
c�rculos roxos que tinham em volta dos olhos de seu filho, ele aparentava estar
exausto, mas mesmo assim ela n�o conseguiu convence-lo a deitar na cama e
descansar.
"O que voc� quer que eu fa�a Lily? Voc� quer que eu suba e force-o a comer? Voc�
acha que � isso que eu devo fazer?" James n�o queria gritar com Lily, mas essa
situa��o o estava deixando fora de controle.
Quando Harry rejeitou comida pela primeira vez, James lidou com a situa��o dizendo
'Ele vai comer quando tiver fome'. De qualquer modo os dias se passaram e o garoto
n�o mostrava nenhum sinal de rendi��o e James estava ficando extremamente
preocupado.
"N�o grite comigo James! Isso n�o � hora pra brigar. N�s temos que resolver esse
problema juntos!" A mulher disse brava.
James deu um suspiro e levantou-se da cadeira. Ele andou at� Lily e envolveu-a com
seus bra�os.
"Padfoot, o que houve?" James olhou instantaneamente para o rosto de seu amigo.
Sirius aproximou-se e sentou-se parecendo bem chateado.
"Nada Prongs, estou cansado... Eu acho." Sirius disse olhando para o ch�o. James
estava desconfiado, seu melhor amigo nunca havia admitido que estava cansado.
"Ok, mas prometa que voc�s dois n�o v�o pirar e fazer com que a situa��o fique
pior." Ele olhou para James e Lily seriamente. Os dois assentiram com a cabe�a.
"Certo, eu fui ver Harry quando Lily saiu. Eu s� queria ver se podia colocar um
pouco de sensatez na cabe�a dele. De qualquer modo, eu percebi que ele parece estar
bem, bem doente, digo, ele n�o consegue nem manter os olhos abertos e ele n�o
responde nada, nem mesmo um 'saia daqui'. Ent�o, eu utilizei o feiti�o 'Gondume',
apenas para ver se ele estava saud�vel." Ele pausou para ter certeza se devia
continuar.
"Ele n�o est� tomando nenhuma po��o que lhe damos. N�o h� nenhum sinal de po��o pra
dor, nem de po��o para os m�sculos em seu organismo... parece que ele tamb�m n�o
est� dormindo, parece que ele n�o dorme desde o primeiro dia em que foi trazido
aqui." Terminou Sirius.
James sentou-se e fechou os punhos, aparentava estar com muita raiva, Sirius logo
arrependeu-se de ter falado alguma coisa. Lily colocou as m�os na boca, ela
suspeitava que Harry n�o estava tomando po��o pra dormir, mas nunca imaginou que
ele estava se autoprivando de ter uma noite de sono nos �ltimos tr�s dias.
Sem nem avisar James levantou-se do sof� e foi at� um armarinho, ele tirou v�rias
garrafas de l� de dentro e depois achou o que estava procurando. Sirius e Lily
levantaram-se e come�aram a bloquear a sa�da.
"James! Onde voc� vai? O que voc� vai fazer?" Lily perguntou bloqueando a passagem.
"Algo que eu j� devia ter feito h� um bom tempo atr�s." James sibilou. Ele tentou
sair, mas encontrou Sirius no seu caminho.
"Saia do caminho Padfoot, eu j� tive demais por hoje! Quem ele pensa que �
torturando a si mesmo daquele jeito? Eu vou colocar um ponto final nisso agora!"
James disse isso e subiu as escadas, correu at� o quarto de Harry e escancarou a
porta.
Harry balan�ou a cabe�a e tentou olhar para a imagem borrada de James. Ele estava
tentando n�o deixar que o sono o levasse, mas seus olhos estavam come�ando a
reclamar seus esfor�os. Ele estava sentado no ch�o, de costas para a parede, mas
n�o estava tocando em nada. Todos os dias ele sentava no ch�o em uma posi��o
desconfort�vel e tentava desesperadamente n�o dormir.
Harry estava convencido que assim que dormisse, Moody iria faze-lo tomar
Veritaserum. Ele sabia que a po��o da verdade funcionaria mesmo com ele
inconsciente, portanto n�o comia nem bebia nada que lhe davam, nem mesmo as po��es,
ele tinha medo que houvesse Veritaserum misturado. Estava determinado a n�o dizer
nada sobre seu pai, custe o que custasse.
Harry observou quando James foi at� ele e pegou-o pelo bra�o. O garoto engoliu em
seco, ele sentiu-se ser levantado e em seguida ser jogado na cama. James pegou uma
po��o roxa que o garoto reconheceu como sendo po��o para dormir.
Harry negou com a cabe�a e James perdeu o resto de sua paci�ncia. Ele for�ou o
garoto a deitar na cama mesmo com o adolescente esperneando. O auror estava quase
conseguindo despejar a po��o na boca de seu filho quando o garoto bateu na garrafa
e ela caiu derramando todo o seu conte�do. James viu liquido espirrar na cama, Lily
e Sirius entraram nessa hora e viram o desenrolar da cena.
James colocou Harry sentado segurando-o pelo colarinho e gritou com o garoto em
frustra��o.
"Qual � o problema com voc�? Voc� quer morrer? Por que est� t�o determinado em se
machucar?" Gritou.
James soltou Harry e levantou a m�o para bagun�ar seus cabelos como sempre fazia ao
ficar nervoso ou com raiva. O garoto fechou os olhos e ficou tenso, com certeza ele
achou que o outro iria bater nele.
James parou na metade do ato e viu Harry afastar-se. 'Ele acha que eu vou bater
nele!' Pensou em horror. O auror ficou at� enjoado por pensar em tal coisa, at�
Lily e Sirius quando viram a rea��o de Harry sentiram-se enjoados. James abaixou a
m�o e toda a raiva que estava sentido desapareceu.
Os olhos de Harry estavam com c�rculos negros em baixo. Seus l�bios estavam secos e
rachados j� que ele n�o tinha bebido nada h� algum tempo, ele estava bem p�lido e
parecia que ia desmaiar. Sua respira��o estava saindo com dificuldade e suas m�os
estavam pressionando suas costelas.
James olhou o estado de seu filho e tentou falar calmamente, determinado a mostrar
para Harry que ele n�o queria feri-lo.
"Harry, por favor, voc� precisa entender. Se voc� n�o comer ou beber, especialmente
essas po��es voc� ficar� muito doente." O adolescente apenas o ignorou.
"Se voc� acha isso nos far� deixa-lo ir embora, ent�o voc� est� bem enganado. Voc�
pode se matar de fome. Eu n�o vou manda-lo de volta para aquele monstro!"
Ao ouvir seu pai ser chamado de monstro, Harry deu a James um olhar g�lido. O
garoto disse com uma voz seca.
"Chantagear voc�, eu sei que voc� n�o se importa comigo." Harry disse baixinho.
James abriu a boca para retrucar, mas foi impedido quando Lily correu at� eles.
"Harry, isso n�o � verdade! N�s nos preocupamos com voc�, todos n�s!" Ela disse
enquanto sentava ao lado de James.
"Se voc� n�o est� nos chantageando, ent�o o que voc� est� fazendo? Por que est� se
machucando?" James tentou uma outra aproxima��o.
A voz de Moody ecoou no quarto e James sentiu Harry ficar tenso. Os olhos do garoto
pararam na porta e seus punhos se fecharam, ele parecia estar tremendo e n�o tirava
os olhos da porta de jeito nenhum. James ficou confuso com a rea��o, ele sabia que
o adolescente n�o tinha medo de Moody, mas aquilo era estranho.
De repente tudo fez sentido. O �ltimo encontro com de Harry com Moody, Moody
tentando for�ar Veritaserum em Harry, Harry n�o comendo nem bebendo nada, nem mesmo
as po��es de cura. Sua recusa para dormir, a tens�o com a voz de Moody. Harry
estava com medo de ser drogado enquanto dormia! Ele tinha medo de beber alguma
coisa, especialmente as po��es que poderiam estar misturadas com Veritaserum.
'Oh Merlin, o que Moody fez com voc�?' James pensou consigo sentindo a raiva ferver
por causa do comportamento de Moody com Harry. O auror respirou com calma para
conseguir falar direito.
"Harry voc� est� com medo de que algu�m ponha algo na sua comida ou na sua bebida?"
James viu o garoto olhar direto para ele e finalmente viu a verdade estampada nos
olhos esmeraldas de seu filho.
"Harry, por que voc� acha que n�s deixar�amos algu�m colocar qualquer coisa em sua
comida? Voc� deve confiar em n�s, n�s somos seus pais. N�s n�o vamos deixar ningu�m
te machucar."
Harry lan�ou outro olhar de desconfian�a a James e Lily. O auror decidiu ent�o que
daria uma prova sobre o que estava prometendo, mesmo que fosse pequena. Ele tirou a
varinha das vestes apontou-a para a porta e disse numa voz clara.
"REDUCTO"
"Pronto Harry, agora n�o tem mais nenhuma gota sequer de Veritaserum nessa casa.
Voc� pode dormir tranq�ilo. N�o haver� mais nenhum perigo com a po��o da verdade em
sua comida, bebida ou nas po��es. Se voc� quiser, eu posso checar tudo o que voc�
for ingerir com o feiti�o 'Ingreto'. Desse jeito voc� j� pode ficar em paz." James
olhou para o filho e quase sorriu ao ver a express�o de surpresa no belo rosto do
rapaz.
"Durma Harry, voc� nunca vai se curar se n�o dormir. Eu trarei outra po��o pra
dormir para ajuda-lo."
James observou Harry se arrumar na cama. O auror apontou sua varinha para a porta.
"ACCIO PO��O PARA DORMIR." A po��o roxa apareceu rapidamente. James virou-se para
d�-la ao garoto, mas viu que Harry j� estava dormindo.
xxxxx
As coisas melhoraram no dia seguinte. Harry estava ficando bem agora que tomava as
po��es e se alimentava, ele ainda n�o comia o suficiente para Lily e James ficarem
felizes, mas estava comendo, mesmo assim o garoto ainda n�o estava falando com as
pessoas. De qualquer modo Sirius mostrou a biblioteca e Harry por sua vez correu
at� l�.
O garoto havia decidido que se ele ia ficar por l�, pelo menos manteria em dia seus
estudos. James e Lily estavam bem mais contentes com o comportamento de Harry,
mesmo notando que ele n�o tinha mudado para com eles.
Haviam passado exatamente sete dias desde que Harry havia chegado no Quartel
General da Ordem. Dumbledore finalmente tinha a resposta da decis�o de Fudge e ia
dizer naquela noite na reuni�o da Ordem.
James e Lily estavam extremamente preocupados, O que iria acontecer? Qual seria o
destino de Harry? Haveria alguma esperan�a pra ele?
Ainda por cima eles estavam sentindo-se muito culpados por estarem ignorando
Damien. Eles haviam ligado pra Toca por lareira para verem se o menino estava bem.
Ele estava aproveitando bem o ver�o com os Weasleys, mas ainda estava desconfiado
sobre o longo tempo de f�rias por l�. O menino havia tentado conversar com o Sr e a
Sra Weasley sobre isso, mas eles n�o ajudaram em nada.
James estava andando de um lado para o outro enquanto Sirius e Remus olhavam
inc�modos.
"Prongs, voc� vai ficar tonto, senta logo." Sirius brincou enquanto James lan�ava-
lhe um olhar zangado. Lupin riu, mas lan�ou um olhar de compreens�o para o amigo.
"Eles v�o chegar logo Prongs, tenha paci�ncia. Eu tenho certeza que se fossem
not�cias ruins, Dumbledore n�o falaria na frente de todo mundo antes de ter falado
primeiramente a voc� e a Lily."
"Eu acho que voc� est� certo. Mas por que ele n�o veio nos contar primeiro antes da
reuni�o? N�s somos os pais de Harry. Voc� n�o acha que merecemos saber o destino de
nosso filho antes que qualquer outro?" James estava passado as m�os por seus
cabelos novamente.
Lily apareceu na sala, lan�ou um sorrisinho aos tr�s marotos e andou at� o marido.
"Voc� disse a Harry para ficar em seu quarto essa noite no hor�rio da reuni�o?" Ela
perguntou.
"James, voc� disse que iria, faltam apenas dez minutos para a reuni�o. Por favor,
v� falar com ele."
"Lils, amor, voc� realmente acha que isso � necess�rio. N�s podemos apenas trancar
a porta e n�o dizer nada a Harry, ele pode nem perceber..." James parou ao ver a
ira queimando nos olhos da esposa, ele disse algo sobre ir avisar o filho naquele
exato momento antes de sair da sala.
James bateu na porta do quarto de Harry e abriu. Encontrou o garoto sentado na cama
e lendo um livro sobre artes das trevas. 'Perfeito' pensou o auror com raiva. Ele
ia ter uma palavrinha com Sirius sobre o conte�do de sua biblioteca.
"Hey Harry, eu s� queria que voc� soubesse que vai ter uma pequena reuni�o hoje l�
em baixo."
"Ser�o apenas algumas pessoas da Ordem e eu n�o quero que eles saibam onde voc�
est�."
"Eu acho que vou ter que trancar voc� aqui dentro."
"Certo."
"Somente at� a reuni�o acabar, depois que ele forem embora eu destranco."
"Tanto faz."
"Certo."
"Fa�a isso."
James podia dizer que pelo tom de voz de Harry ele estava muito bravo por ter que
ficar trancado e que a verdade seja dita, ele tamb�m ficaria assim se estivesse na
mesma situa��o. James fechou a porta e com a varinha deu um toque, murmurou algo e
com isso trancou-a.
James estava odiando deixar Harry trancado, a maioria da Ordem sabia que ele estava
l� e quem ele era na verdade, mas isso n�o queria dizer que todos estavam felizes
com isso. A maioria concordava com Moody. Eles achavam que o garoto n�o devia
receber nenhum tratamento diferente porque era um Potter. James desceu as escadas
devagar, estava perdido em pensamentos. Era melhor deixar Harry trancado, at� mesmo
para a seguran�a do garoto.
Quando James entrou na sala, que seria usada pra reuni�o da Ordem, ele percebeu que
todos os integrantes haviam chegado, exceto a fam�lia Weasley. Ele sorriu para Lily
e assentiu com a cabe�a mostrando que Harry estava seguro l� em cima. Ela sorriu de
volta. Nesse momento a lareira adquiriu um tom verde e os Weasleys sa�ram de l�.
Damien andou at� seus pais que estavam surpresos e deu-lhes um r�pido abra�o.
"O que est� errado, voc�s n�o est�o felizes por me verem? � a primeira vez em uma
semana." Damien estava olhando a express�o de surpresa de seus pais. Lily
recuperou-se r�pido.
"Claro que estamos felizes por lhe ver. N�s apenas n�o est�vamos esperando."
Ela rapidamente abra�ou-o e deu-lhe um beijo na testa. Damien corou disse algo como
'n�o em p�blico' Lily sorriu. Ela havia sentido muita falta de seu filho mais novo
e estava muito feliz por v�-lo, mas ao mesmo tempo sentia-se muito nervosa j� que
Harry estava apenas a alguns metros de seu irm�o e nem sabia da exist�ncia dele. A
mulher olhou preocupada para James que parecia ocupado em uma discuss�o com o Sr.
Weasley.
"Ent�o, o que voc�s acham que aconteceu dessa vez?" Ginny perguntou enquanto ela e
Hermione subiam em uma das camas que tinha naquele enorme quarto.
"Deve ser algo grande, nunca vi tanta gente em uma reuni�o antes." Fred dizia
enquanto sentava em uma das cadeiras e colocava o p� numa mesinha em frente.
"Yeah, bem n�o houve reuni�es por um tempo. Talvez eles estejam apenas falando
sobre os ataques recentes." Hermione sugeriu.
"Nah, essa reuni�o � algo grande." George disse com um sorrisinho sarc�sticos.
"O que te faz dizer isso?" Perguntou Damien que estava sentado na outra cama com
Ron.
"Ouvi mam�e e papai conversando essa manh�, ela estava dizendo que essa reuni�o
iria 'determinar o futuro' e que 'Dumbledore deve saber que est� jogando um jogo
bem perigoso'."
Todo mundo estava olhando George que por brincadeira fez uma rever�ncia.
"Como voc� ouviu isso?" Perguntou Ron olhando seu irm�o com uma express�o curiosa.
"Com isso!" George segurou uma coisa que parecia um peda�o de carne. Era bem longo
e ningu�m havia visto aquilo antes.
"Orelhas extensiveis." Ele disse orgulhoso. Fred sorriu e piscou pra ele.
"Eu escorreguei-as por baixo da porta do quarto deles e ouvi toda a conversa, bem
ouvi at� essa parte, o Percy Perfeito apareceu e disse pra eu ir embora, est�pido!"
George ficou com uma express�o bem feia nessa hora.
"Mas de qualquer jeito voc� sabe que n�o devia estar xeretando..." Disse Hermione,
mas foi cortada pelos olhares de Damien e Ron.
"Hmm, 'decidir o futuro', 'jogo perigoso' sobre o que eles poderiam estar falando?"
Ginny perguntou com uma express�o curiosa.
"Bem, por que n�s n�o vamos descobrir?" Fred levantou-se e pegou cinco pares de
orelhas extens�veis e deu um para cada.
"A casa n�o ficou infestada de duendes bem na hora da reuni�o da Ordem." Fred e
George estavam segurando a risada.
"Voc�s... voc�s fizeram aquilo!" Ginny n�o sabia se brigava com eles ou os
aplaudia.
"N�o se preocupe s�o tempor�rios, assim que as enzimas acabarem eles v�o
desaparecer." Fred fez uma rever�ncia quando Ginny e Damien come�aram a aplaudir.
"Voc�s... voc�s o fizeram. Wow isso � realmente m�gica avan�ada, como voc�s..."
Hermione parou de falar quando ouviram gritos vindo do andar de baixo.
Harry estava zangado. Assim que James saiu do quarto ele foi at� a porta e ouviu o
'click' quando a porta foi trancada. Harry esperou alguns minutos. Ouviu o barulho
de umas sete pessoas subindo as escadas. Quando ele teve certeza que ningu�m estava
por l�, deu um passo para tr�s e colocou a m�o na porta, fechou os olhos e focou
sua mente em fazer a porta abrir. Ele estava estudando m�gica sem varinha desde os
quatorze anos e j� havia utilizado esse recurso in�meras vezes. O garoto deixou o
poder fluir pelos seus dedos e neutralizou a magia em volta da porta. Em um minuto
ela abriu com um 'click'.
Harry sorriu, ele iria pra casa. Ele sabia que com tantas pessoas vindo para a
reuni�o os escudos estariam baixos, sabia que muitos vinham para a reuni�o com a
fam�lia, n�o que todos participassem. Ele havia conseguido essa informa��o no ano
passado quando estudava a Ordem. N�o era poss�vel que com tanta gente os escudos
estivessem ativos, ent�o eles o desativavam. Essa era a chance pela qual Harry
estava esperando.
Ele parou fora do quarto, n�o havia ningu�m em volta, rapidamente ele desceu as
escadas, ao perceber que realmente n�o havia ningu�m ele soltou o ar que estava
segurando. Harry foi em dire��o a porta, sabia que estava se arriscando muito, pois
n�o tinha uma varinha para se defender e n�o estava totalmente curado. Parou e
percebeu que a sala da reuni�o estava ao lado dele e que provavelmente tinha um
feiti�o de sil�ncio para que ningu�m xeretasse. Harry parou em frente a porta da
frente e respirou fundo, esticou a m�o e abriu-a. O garoto podia chorar de
felicidade quando sentiu o ar fresco bater em seu rosto, ele estava preso a sete
dias e aquele ar o fazia sentir-se meio tonto.
Harry colocou o p� pra fora e logo depois sentiu uma m�o em seu ombro. Ele foi
violentamente colocado para dentro antes mesmo de saber quem era a pessoa que o
havia pego. A porta foi fechada com um meneio de varinha e o garoto foi colocado
face-a-face com um muito furioso James Potter. Harry piscou surpreendido, ele nem
havia escutado algu�m se aproximar, como Potter conseguiu peg�-lo? O garoto ficou
com muita raiva. Potter havia arruinado seus planos para escapar, ele havia o
impedido de sair daquele lugar e voltar pra casa.
"Suba! Agora!"
Harry tentou soltar-se, mas James estava apontando a varinha pra ele. Isso s� fez o
garoto ficar com mais raiva.
"Suba!" James pegou Harry pelo bra�o e subiu as escadas com ele. .
James parou em frente ao quarto de Harry e empurrou-o para dentro. O auror entrou e
fechou a porta.
xxxx
Damien e seus cinco amigos abriram a porta e pararam no corredor. Eles podiam ouvir
os gritos do andar debaixo. Conseguiram ver James levando um garoto em dire��o a um
quarto. Damien viu quando seu pai jogou o garoto dentro do c�modo antes de entrar e
fechar a porta. Os seis adolescentes s� conseguiram ver as costas do garoto e por
causa da baixa ilumina��o n�o puderam ver nem as fei��es dele. Todos olharam-se
antes de entrar e fechar a porta.
"O que foi aquilo?" Perguntou Ron olhando para Fred e George como se eles tivessem
planejado isso.
"Yeah e por que seu pai estava sendo t�o rude com ele? Parecia que ele o estava
machucando." Hermione perguntou para Damien.
"Eu n�o sei, meu pai nunca machucaria algu�m de prop�sito, eu n�o entendo." Damien
disse baixinho.
"Bem, h� apenas um jeito de descobrir, Damien voc� trouxe o mapa?" Fred perguntou.
Damien pegou o peda�o de pergaminho em branco. Ele colocou sua varinha em cima e
sussurrou:
"Eu juro solenemente que n�o vou fazer nada de bom na Mans�o Black."
Todos olharam para Damien. O menino de treze anos estava com a boca aberta e os
olhos avel�s fixos no nome. Ele sempre quis saber mais sobre sua fam�lia, sendo o
�nico adolescente ele desesperadamente queria ter um primo, mesmo que distante,
para lhe fazer companhia. Seus pais lhe disseram que seu �nico primo era o filho de
sua tia Pet�nia Dudley Dursley, que era bem antip�tico, assim como o resto da
fam�lia, tirando Damien, James e Lily. Seus tios eram trouxas que odiavam m�gica e
todo aquilo relacionado com ela. Mesmo que sua tia fosse a �nica irm� de sua m�e,
as duas nunca haviam se dado bem. James havia dito que ele n�o tinha nenhum irm�o
ou primo e que fora ele n�o existia mais nenhum Potter vivo.
Damien estava encarando o nome novamente. Quem era esse? E se ele era um Potter,
ent�o por que seu pai estava sendo t�o hostil com ele? O menino finalmente
conseguiu desviar os olhos do mapa e encarar seus amigos.
"Shh, pelos c�us, abaixem a voz! N�s precisamos de duas pessoas aqui em baixo para
avisar se tem algu�m subindo. N�s vamos dizer-lhes tudo, prometemos." Fred disse e
subiu a tempo de ver Damien e Ron deslizando as orelhas por baixo da porta.
"Perfeito."
"... fugindo no meio da noite! Honestamente Harry, voc� tem desejo de morrer?" A
voz raivosa de James faziam as orelhas tremerem.
"O �nico desejo que eu tenho � sair desse lugar dos infernos e voltar pra casa!"
Damien sentiu seu cora��o bater apressado. Aquela voz era muito parecida com a sua.
Ele sentiu os cabelos de sua nuca arrepiarem. "Isso � t�o estranho" ele pensou.
"Casa! Harry quando voc� vai aceitar que esta � a sua casa, sua verdadeira casa!" A
voz de James estava exausta, como se ele j� tivesse dito isso muitas vezes antes.
"Nunca! N�o importa quanto tempo voc�s me forcem a ficar aqui, eu nunca chamarei
esse lugar de casa. Portanto voc� pode parar com isso Potter!"
Damien engasgou-se. Por que esse garoto chamava seu pai desse jeito? Ele olhou para
os Weasleys que pareciam meio confusos.
"Estou avisando Harry, nunca mais fale comigo desse jeito, voc� me ouviu?"
Damien conseguiu escutar que os dentes de seu pai estavam cerrando. 'Isso nunca foi
um bom sinal.' Pensou.
"Desse jeito como? Eu n�o disse nada de errado, apenas constatei fatos!" O garoto
chamado Harry parecia estar com muita raiva.
"Voc� sabe muito bem o que eu quero dizer, se voc� n�o consegue me chamar de mais
nada, ao menos n�o me chame de 'Potter', apesar de tudo voc� tamb�m � um 'Potter'!"
Antes que Damien pudesse ouvir a resposta um grito veio l� debaixo. Os quatro
garotos rapidamente guardaram as orelhas extens�veis e sa�ram correndo direto para
o quarto. Eles foram para diversos cantos e fingiram estar fazendo alguma coisa ou
outra. A porta abriu, Hermione e Ginny, que pareciam estar bem embara�adas,
entraram acompanhadas pela Sra Weasley.
"Garotos! O que voc�s estavam pensando, enviando as garotas desse jeito, voc�s nem
sequer pensaram nas conseq��ncias?" A Sra Weasley estava muito nervosa.
Eles em resposta encararam as duas garotas que olharam envergonhadas por causa da
Sra Weasley. Antes que algu�m falasse algo, a mulher continuou.
"Hermione esteve aqui apenas uma vez! Como voc�s puderam pedir para que ela fosse
buscar comida? Honestamente! Eu disse que o jantar seria servido depois da reuni�o,
voc�s nunca me ouvem!"
Os quatro trocaram um olhar, viraram para as garotas que estavam coradas e depois
encararam a Sra Weasley.
A Sra Weasley saiu da sala prometendo que o jantar seria servido em meia hora. A
partir do momento em que ela deixou o quarto os garotos viraram-se para olhar as
meninas.
"Bem, voc� disse para que n�s d�ssemos uma desculpa, ent�o n�s falamos a primeira
coisa que nos veio em mente." Hermione respondeu enquanto corava ainda mais.
"E essa foi a melhor coisa que voc�s puderam pensar?" Disse Fred com uma voz
sarc�stica.
"Oh, o que importa? Ela n�o descobriu, descobriu? Agora conte-nos, o que voc�s
ouviram? Quem � o garoto?" Ginny parecia estar bem excitada.
Levou uns cinco minutos para que eles contassem tudo para as garotas. As duas
sentaram-se em sil�ncio e ouviram atenciosamente a conversa entre 'Harry Potter' e
James Potter. Hermione foi a primeira a falar.
"Ent�o esse tal Harry Potter disse que estava sendo for�ado a ficar aqui?" Ela
perguntou para Ron.
"Isso n�o faz o menor sentido... e o jeito que ele falava com o Sr Potter. Ele
parecia estar bem enfezado com ele."
"Yeah e o que foi todo aquele 'desejo de morte'? Por que tem algu�m tentando
machucar seu primo?" Fred perguntou a Damien.
"Bem, ele deve ser seu primo. Quem mais poderia ser?" Respondeu Fred.
Damien pensou sobre isso, fazia sentido. Seria poss�vel que talvez ele fosse um
parente distante que s� apareceu agora? Provavelmente por isso que ele nunca ouviu
falar sobre esse garoto, apesar de tudo eles nunca mantinham nada escondido dele,
certo?
xxxxx
"Harry, por que voc� n�o pode entender que eu n�o quero te machucar?" James disse
com uma voz chorosa.
"Por que?"
"Por que voc� se preocupa com o que acontece comigo? Eu nem ao menos sou mais seu
filho, por que..." Harry foi interrompido por uma batida na porta. Ele e James
olharam para a porta e viram Lily entrando.
"O que aconteceu?" Ela perguntou vendo o olhar de m�goa nos olhos do marido e a
express�o de inc�modo de seu filho. James olhou Harry e respondeu.
Harry encarou James, pensava na raz�o pela qual o auror havia mentido. O garoto
desviou seu olhar para a janela, ele queria que os Potters fossem embora, odiava
quando eles contavam-lhe as mentiras do quanto haviam preocupado-se com ele, de
como sentiram sua falta. Isso o fazia ficar doente de raiva. Harry fechou os olhos
e tentou acalmar-se.
"A reuni�o est� terminada. Dumbledore quer que voc� e Harry des�am para que ele
possa contar-lhes tudo."
Lily estava olhando os dois com curiosidade. Ela sabia que algo havia acontecido.
James n�o teria perdido a reuni�o por nada, ent�o por que ele estava discutindo com
Harry na escada? Ela balan�ou a cabe�a. 'Irei falar com James mais tarde' pensou
enquanto seguia o marido e o filho em dire��o ao andar debaixo.
"Eu estou certo de que voc� deve estar bem ansioso sobre o que aconteceu na minha
reuni�o com o Ministro." Disse voltado a Harry.
James assentiu enquanto Harry meramente olhou para as m�os como se as visse pela
primeira vez. Dumbledore continuou.
"Eu tenho o prazer de informar que o Ministro concordou com a minha sugest�o." Ele
pausou novamente para ver a rea��o do adolescente. O moreno continuava olhando suas
m�os e analisando suas unhas.
"Existem algumas condi��es a seguir e eu n�o concordo com algumas, mas certamente
as circunst�ncias n�o s�o um impedimento para elas." Continuou.
"Voc� vai nos dizer seu 'grande plano' ou n�s temos que ficar aqui a noite toda
escutando essa bobagem?" Harry perguntou enquanto seus olhos esmeraldas cruzavam
com os azuis do diretor.
Um engasgo coletivo foi ouvido por toda a mesa por causa da insol�ncia de Harry. A
Sra Weasley parecia querer pegar o garoto pela orelha por tal rudez.
"Minhas desculpas Harry. Eu realmente deveria ter falado a minha sugest�o desde o
come�o. Muito bem, eu irei explicar agora." Ele estava feliz por poder olhar Harry
diretamente.
"Veja bem Harry, eu encontrei o Ministro no dia em que voc� chegou aqui. Eu
expliquei a sua identidade ao Ministro Fudge e perguntei se ele podia reconsiderar
a decis�o de manda-lo aos Dementadores sem um julgamento. Eu expliquei a situa��o
de como voc� foi enganado todos esses anos e..." O diretor foi interrompido pelo
grito de Harry.
"EU N�O FUI! EU SABIA PERFEITAMENTE O QUE ESTAVA FAZENDO! COMO VOC� SE ATREVE A
DIZER QUE EU FUI ENGANADO PELO MEU PR�PRIO PAI!"
"Sr Potter, por favor, controle-se ou n�s iremos fazer isso por voc�." Arthur disse
ao garoto.
Harry parou de lutar e lan�ou ao Sr Weasley um olhar gelado. Ele n�o estava
gostando de ser for�ado a se sentar, por�m sentou-se e tentou soltar seu bra�o do
aperto de James, mas n�o conseguiu.
Dumbledore sentou-se, ele nem mesmo recuou quando o garoto tentou atacar-lhe. O
diretor esperava esse tipo de rea��o, mas ele n�o iria ignorar as palavras de Harry
e iria contar-lhe toda a verdade sobre o seu 'chamado' pai.
"Harry, eu entendo como voc� deve estar se sentindo agora. Voc� pode pensar que n�s
estamos tentando enganar voc� e afasta-lo do seu 'pai'. Eu asseguro-lhe que n�s n�o
estamos tentando engana-lo. N�s estamos tentando contar-lhe a verdade. Voc�, meu
garoto, tem sido iludido durante sua vida inteira..."
Dumbledore parou quando viu Harry libertar-se de James e tentar ataca-lo novamente.
'Isso n�o est� funcionando' o diretor pensou consigo. Ele olhou para Harry vendo o
garoto lutando para se soltar e dessa vez inclinou-se para ficar mais perto dele. O
adolescente parou de se debater e franziu o cenho, desafiando-o a se aproximar.
"Ok, Harry, n�s n�o vamos falar sobre isso agora. Por favor, deixe-me terminar de
dizer o que vai acontecer com voc�."
Harry abriu a boca para dizer que n�o dava a m�nima import�ncia para o que
Dumbledore tinha que falar. De qualquer modo o aperto no seu bra�o aumentou e ele
foi for�ado a se calar. O garoto fechou sua boca novamente, n�o antes de lan�ar um
olhar gelado a James.
"Foi decidido que voc� n�o ir� mais estar sob a cust�dia do minist�rio. N�o haver�
nenhum julgamento e voc� n�o ser� preso."
James soltou Harry e sentou-se de boca aberta. Harry n�o iria para Azkaban! Ele n�o
seria chamado de assassino! Isso provavelmente era a melhor not�cia que poderia ter
recebido. O auror estava pedindo para que um milagre acontecesse e ele pudesse
ficar com seu filho e mant�-lo longe do minist�rio. Mas de qualquer modo, ele sabia
que essa n�o era a hist�ria inteira. 'Deve haver algo a mais' pensou.
"Entretanto Harry, isso n�o significa que voc� est� livre para voltar pra casa.
Voc� est� sob minha cust�dia at� completar dezessete anos." Dumbledore observou as
express�es de choque de Harry e James.
"Veja, essa foi a minha sugest�o para o Ministro. Eu pedi para que ele deixasse
voc� sob minha cust�dia. Eu serei respons�vel por voc�."
"Perd�o diretor, mas como voc� p�de fazer isso, Lily e eu somos os respons�veis de
Harry. N�s somos os pais dele! N�s temos que cuidar e ficar com ele." James estava
olhando Dumbledore como se ele fosse um traidor e estivesse tentando separa-los de
seu filho.
"James, meu garoto. Isso � exatamente o que o Ministro n�o quer. Harry ficando com
seus pais onde ele pode facilmente voltar para Voldemort."
"Eu ainda vou voltar para casa, estando onde estiver, com voc� ou com eles." Harry
sibilou para o diretor.
"Se eu n�o puder voltar pra casa, ent�o meu pai vir� atr�s de mim."
Dumbledore sorriu para ele e disse com uma voz bem baixinha.
Harry sentou-se em choque. O que esse velho idiota estava pensando? Ele n�o podia
ir para Hogwarts. O garoto sabia que era imposs�vel escapar do col�gio e l� era o
�nico lugar onde seu pai n�o poderia regata-lo. De qualquer jeito, Dumbledore n�o
percebia o risco que ele iria oferecer?
"Dumbledore, como isso � poss�vel?" James estava soando t�o chocado quanto Harry.
"Bem, � poss�vel e o Ministro deu permiss�o para que Harry freq�ente nosso sexto
ano em Hogwarts." Dumbledore sorriu ao ver o choque nos olhos dos outros.
"Voc�s devem estar pensando na raz�o do Ministro ter dado essa permiss�o, ent�o
deixem-me explicar. N�o � t�o simples como parece. Existem condi��es. Harry estar�
sob minha cust�dia at� seus dezessete anos. Se durante esse tempo Harry n�o mostrar
nenhuma inten��o de voltar para Voldemort e agir como o Pr�ncipe Negro, ele ser�
perdoado e ser� livre de todos os seus crimes. Isso ser� trancado na se��o de CII
(Crimes Induzidos por Imperio). Se ele retornar para Voldemort ou mostrar alguma
resist�ncia em morar no mundo m�gico como um bruxo seguidor das leis ele
provavelmente ir� ser condenado por todos os seus crimes e ser� trancafiado em
Azkaban. Provavelmente ele ganhar� o beijo se for realmente condenado por todas as
acusa��es." Dumbledore parou nessa parte para observar as express�es de Lily e
James. Eles estavam de cora��o partido.
"Minha inten��o � mostrar a voc�, Harry, que o seu julgamento sobre o mundo m�gico
est� errado. Eu sei que voc� deve ter ouvido falar muito sobre mim e sobre as
minhas cren�as. Eu estou dando-lhe a chance de ver as coisas por si pr�prio." Ele
olhava direto para Harry enquanto falava.
"Por que voc� est� tentando mostrar-me suas cren�as, o que te faz pensar que eu
sequer irei ouvi-lo?" Harry perguntou a ele.
"Porque Harry, voc� n�o � o que n�s vemos. Eu consigo ver atrav�s a m�scara que
voc� usa. Eu posso ver a verdade atrav�s do Pr�ncipe Negro. Voc� n�o � t�o mau,
mesmo querendo demonstrar isso."
"Quando eu disse que sou mau?" Ele olhou para as express�es confusas de todos.
"N�o existe bom e mau Dumbledore, existe apenas o poder. Poder � o que mostra quem
n�s somos. No final n�s vemos quem � o melhor para t�-lo. Voc� pode achar que o que
eu fiz foi uma maldade. Bem, eu posso dizer o mesmo sobre voc�. Voc�, sua Ordem e o
Ministro iriam prender um homem sem nem pensar nas conseq��ncias. Voc�s n�o ir�o
pensar duas vezes antes de chutar algu�m quando estiverem por baixo. Voc�s s�o t�o
rudes quanto qualquer Comensal da Morte."
Ele terminou e olhou direto para Sirius que estava corando furiosamente. Ele sabia
que o auror estava lembrando o primeiro dia de sua captura. Como ele e Moody haviam
o atormentado. Como Moody tinha lhe chutado direto nas costelas. Harry sorriu para
si mesmo. 'Trabalha para ele, certo?" Pensou enquanto olhava o homem de cabelos
negros mexer-se inquieto em seu lugar.
"Harry, as palavras que voc� disse n�o s�o suas. Eu quero mostrar-lhe a verdade
para que voc� possa tomar suas pr�prias decis�es." Dumbledore estava incr�dulo por
estar escutando as mesmas palavras que ouviu h� anos atr�s por um certo jovem de
olhos vermelhos.
"Minha pr�pria decis�o, hmm deixe-me ver, Azkaban ou pris�o domiciliar, yeah eu
posso escolher o vencedor!" Harry zombou.
"Harry, eu sabia que voc� se sentiria desse jeito, mas eu pe�o perd�o por ter que
dizer que n�o h� mais nada a discutir sobre isso. Voc� estar� indo para Hogwarts
dia 1� de setembro, assim como todas as outras crian�as do mundo m�gico. Voc� ir�
aprender a verdade sobre essa guerra." Dumbledore come�ava a soar cansado.
"�timo! Mas como voc� ir� impedir que as outras crian�as protestem sobre eu estar
na mesma escola que eles! E sobre os pais dele? Com certeza nenhum pai em s�
consci�ncia ir� permitir que seus filho aproximem-se do Pr�ncipe Negro." Harry
tinha certeza que iria encurralar Dumbledore, mas o homem apenas riu.
"Bem, isso n�o ser� nenhum problema j� que voc� nos fez o favor de estar sempre
escondido atr�s daquela m�scara. Ningu�m nunca viu seu rosto, portanto eles n�o
sabem sua identidade. Alguns alunos que foram informados sobre o seu passado j�
est�o instru�dos para n�o contarem nada, de outro modo ser�o expulsos."
Harry olhou para o diretor incr�dulo. Ele estava prestes a expulsar qualquer
crian�a que dissesse algo sobre ele. O garoto estava imaginando a cara do seu
melhor amigo. Draco iria provavelmente sair cantando pela escola inteira 'Harry � o
Pr�ncipe Negro' e 'Ele � o herdeiro do Lorde das Trevas' e 'Meu melhor amigo'. Ele
balan�ou a cabe�a para afastar tais pensamentos.
"E se eu contasse a algu�m a minha verdadeira identidade?" O garoto perguntou.
Provavelmente ele n�o sofreria o mesmo destino que as outras crian�as.
"Oh, eu tenho certeza que voc� manter� esse segredo. Sei que voc� sente a mesma
coisa que qualquer um sente em rela��o ao beijo do Dementador. Eu n�o quero que
esse seja seu destino Harry, mas se voc� n�o me der nenhuma alternativa eu serei
for�ado a entregar voc� ao minist�rio que certamente ir� envia-lo ao beijo sem nem
mesmo hesitar."
"Bem, se for s� isso, � melhor eu ir. Logo eu mandarei sua lista de material e
livros e outros documentos para que voc� esteja preparado para seu ano escolar."
Dumbledore levantou-se e dirigiu-se para a lareira.
Antes que Harry pudesse dizer alguma coisa James levantou-se e chamou o diretor.
"N�s poderemos levar Harry pra casa? Mesmo que seja um dia ou dois, voc� sabe para
o Natal e essas coisas?" Ele perguntou baixinho.
Ele n�o conseguia pensar em ficar tanto tempo longe de Harry. Ele tinha acabado de
recuperar seu filho e n�o queria que ele fosse embora novamente.
"Claro que Harry pode ir pra casa no Natal, se for o que ele quer. Eu tenho certeza
que voc�s poder�o discutir toda essa quest�o familiar em Hogwarts." O diretor
respondeu com um brilho no olhar.
"Eu n�o mencionei isso James? Voc� vir� a Hogwarts tamb�m." Dumbledore respondeu.
xxxxx
Lorde Voldemort n�o estava feliz. Dias haviam se passado desde que seu filho tinha
sido levado pela Ordem e nenhuma chance de resgate havia sido dada.
Voldemort foi informado que Harry estava sendo mantido no Quartel General da Ordem.
Isso estava preocupando o Lorde. Seria f�cil resgatar Harry se ele estivesse no
minist�rio ou at� em Azkaban, mas se seu filho estava no Quartel General, ent�o era
imposs�vel encontra-lo.
Voldemort pensou sobre Albus Dumbledore e sentiu a raiva ferver dentro dele. Ele
tratou de afastar tais pensamentos, n�o queria que seus sentimentos chegassem at�
Harry. Ele precisava do seu filho de volta com ele.
Lorde Voldemort nunca havia percebido o quanto dependia de Harry. N�o apenas para
as miss�es, mas para companhia tamb�m. Quando o garoto era apenas uma crian�a ele
vivia atormentando o Lorde com seus modos infantis de chamar a aten��o. Mas
pensando agora, Harry havia entrando t�o profundamente no cora��o de Voldemort que
ele j� fazia parte do Lorde das Trevas. O garoto tornou-se algu�m muito importante
na vida do Lorde. Se ele perdesse seu filho, com certeza iria at� o inferno para
fazer quem quer que fosse pagar.
Voldemort foi retirado de seus pensamentos quando ouviu uma batida na porta. Com um
meneio de m�o a porta abriu e revelou um Comensal da Morte com o cabelo bem oleoso.
O homem ajoelhou-se em frente ao Lorde e esperou o comando para que pudesse se
levantar. O Lorde das Trevas cumprimentou o seu Comensal 'espi�o'.
"Severus, eu espero que voc� tenha trazido-me alguma noticia �til sobre meu filho."
Snape levantou-se e tentou reunir coragem para contar a seu mestre essas not�cias.
"Eu tenho novidades sobre o Pr�ncipe Negro, Meu Lorde." Snape come�ou.
"Meu Lorde, o Pr�ncipe Negro est� prestes a ser mandado para outro lugar."
Snape fechou os olhos e chorou de dor por causa da maldi��o Cruciatus. Ele j� havia
sentido-a v�rias vezes pelas m�os de seu mestre, mas nunca havia sido t�o intensa
como dessa vez.
'Merlin, eu espero que Dumbledore saiba o que est� fazendo' foi o �ltimo pensamento
que passou por Snape antes que ele ca�sse inconsciente.
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Cap�tulo quinze: Irm�os se encontrando pela primeira vez
A Sra Weasley subiu at� o segundo andara para avisar que o jantar estava pronto. Os
seis adolescentes ainda estavam em uma profunda discuss�o. Eles desceram as escadas
rapidamente, todos pararam pr�ximo ao quarto do garoto estranho, imaginando se o
misterioso 'Potter' ainda estava l� dentro ou n�o.
Damien estava esperando que n�o. Ele realmente queria que o novo integrante da sua
fam�lia fosse apresentado no jantar, pensava que como tinha acontecido uma reuni�o
da Ordem, foi imposs�vel para que seus pais o apresentassem antes. Provavelmente
esse Harry estaria no jantar. O menino ficou desapontado ao entrar na sala, n�o
havia mais ningu�m a n�o ser seus pais, Sirius, Remus e o Sr e a Sra Weasley.
Damien trocou um olhar com Ron, os dois meninos decidiram perguntar aos pais sobre
o garoto escondido no andar de cima.
Damien sentou-se em frente ao seu pai. Ele deu uma bela olhada nele, seu pai
parecia estar bem cansado e parecia ter envelhecido um pouco. James estava
conversando com Sirius e o menino podia jurar que ouviu 'Hogwarts' sendo mencionado
v�rias vezes.
James e Lily trocaram um olhar nervoso. Os dois estavam preocupados com Harry.
James iria a Hogwarts como escolta de seu filho. Ele tinha que ficar de olho no
garoto o tempo inteiro, como rea��o seu filho ficou completamente agressivo, Harry
s� parou de espernear por causa de sua s�bita dor de cabe�a, ele havia colocado as
m�os na testa e chorado de dor. Antes que qualquer um pudesse ajudar o garoto
levantou-se e foi direto para o seu quarto.
Damien desviou o olhar de seus pais. Ele observou os Weasleys e Hermione comerem
entusiasmados, mas ele mesmo n�o tinha o m�nimo de fome. O menino decidiu que
queria falar com seus pais em particular, mas n�o iria esperar o momento que todos
sa�ssem.
"Pai"
"Sim Damy."
A mesa ficou completamente em sil�ncio. Isso era esquisito, havia muita gente
sentada. Todos pararam de comer para olhar Damien e James.
James ficou pasmo com a pergunta de seu filho. Ele finalmente recuperou-se e
perguntou:
"O que?"
Damien n�o entendia por que os adultos estavam o olhando t�o solenes.
Damien estava ficando muito agitado. Ele perguntou uma coisa simples e queria uma
resposta simples, ent�o por que seu pai estava agindo como se ele tivesse falado
uma palavra proibida. O menino olhava seu pai enquanto procurava algo dentro de
suas vestes, ele tirou de dentro delas um pergaminho velho que era o mapa da Mans�o
Black.
"Eu o vi num pontilhado pr�ximo a um outro que tinha o seu nome escrito." Ele
respondeu com um toque de sarcasmo.
Damien viu seu pai e sua m�e encararem Sirius, que estava dando um sorrisinho.
Sirius evitou os olhares olhando seu prato. Ele sabia que dar o mapa a Damien iria
trazer-lhe problemas algum dia.
"Eu quero saber quem ele �. Por que ele est� l� em cima e por que voc�s nunca o
mencionaram?" Damien perguntou novamente.
"Damien, n�s quer�amos falar sobre isso com voc� quando tiv�ssemos um pouco mais de
tempo, infelizmente muita coisa estava acontecendo e n�s n�o conseguimos uma chance
de contar a voc�..." Lily parou.
Isso n�o estava certo. Ele tinha esperado que seus pais lhe contassem que Harry
fosse um parente distante que os estava visitando por alguns dias. Ele n�o esperava
que todo mundo agisse como se o c�u estivesse caindo sobre suas cabe�as. Viu sua
m�e lan�ar um olhar desconfort�vel para a fam�lia Weasley.
A Sra Weasley levantou-se e come�ou a tirar todo mundo da sala de jantar para que
os Potters pudessem conversar com privacidade. Todos levantaram e sa�ram, haviam
compreendido o que estava acontecendo.
Na hora em que n�o havia mais ningu�m na sala com exce��o de James, Lily e Damien,
a verdade sobre Harry foi revelada.
Damien ficou em sil�ncio enquanto seus pais lhe explicavam tudo. Como Harry era seu
irm�o mais velho, como Harry havia sido seq�estrado com apenas quinze meses, como
eles pensavam que seu irm�o estava morto. Eles tentaram explicar as circunst�ncias
de como seu irm�o havia sido trazido at� l�. Explicaram que haviam feito uma
lavagem cerebral nele e que assim ele tornou-se o Pr�ncipe Negro e cometeu diversos
crimes.
Eles sabiam que Damien iria ficar muito mal. O sonho dele era ter um irm�o e agora
que esse desejo foi realizado, havia a possibilidade de tudo dar errado. Eles
tamb�m contaram ao garoto sobre o epis�dio que aconteceu entre Harry e Madame
Pomfrey e o acordo que Dumbledore fez com o Ministro. James e Lily queriam dar a
Damien a esperan�a de que tudo desse certo e eles virassem uma grande fam�lia
feliz, apesar do auror n�o acreditar muito nisso por causa do comportamento do
filho mais velho.
Eles terminaram contando sobre o plano de Harry estar indo para Hogwarts junto com
James na incumb�ncia de ser sua escolta. O auror observou a rea��o de Damien.
O garoto de treze anos estava olhando para as suas m�os. Ele tinha um olhar chocado
e n�o interrompeu nem por um segundo. Lily olhou para James preocupada.
"Damy, eu sei que tudo isso deve ter sido um choque para voc� e que n�s dever�amos
ter dito tudo isso antes, mas n�s realmente n�o quer�amos dizer nada a voc� antes
de saber qual seria o futuro de Harry. N�s ficamos sabendo de todos os planos sobre
seu pai, Hogwarts e Harry na reuni�o de hoje." Lily olhou Damien que balan�ou a
cabe�a e encarou sua m�e.
Sem nem mesmo uma palavra ele levantou-se e foi em dire��o a porta.
"L� pra cima ver o Harry." Damien respondeu sem nem mesmo olhar pra tr�s.
James e Lily correram para bloquear a passagem do filho antes que o adolescente
sa�sse da sala.
"Damien, ele... ele n�o � seguro... n�o ainda." Lily estava achando dif�cil segurar
as l�grimas.
Damien tentou explicar j� que seus pais enlouqueceram por pensarem uma coisa como
essa.
"Damy! Voc� ouviu alguma coisa do que eu disse? Harry n�o sente como se fosse parte
da nossa fam�lia. Ele n�o vai considera-lo como um irm�o." James seu cora��o
apertar quando viu a express�o de seu filho.
James e Lily sabiam exatamente o qu�o malvado Harry podia ser. Eles estavam lidando
com o garoto por quase uma semana. Eles sabiam como Harry os tratava mal e
provavelmente trataria seu irm�o pior ainda. Damien afastou a dor que sentiu ao
ouvir as palavras de seu pai.
"Bem, talvez se voc�s o tratassem como parte da fam�lia ent�o ele poderia nos
aceitar." Ele disse encarando James.
"Bem, pra come�ar, n�o o tranquem no quarto! Segundo, que tal contar a ele sobre a
sua fam�lia. Eu aposto que se voc�s n�o me contaram nada, n�o contaram pra ele
tamb�m!"
James e Lily olharam-se humilhados. Eles n�o mencionaram Damien para Harry e agora
que o filho mais novo havia falado isso, parecia bem cruel trancar o filho mais
velho no quarto.
"Damien, n�s geralmente n�o o trancamos, n�s tivemos que fazer isso por causa da
reuni�o, uma grande maioria dos membros da Ordem s�o bem agressivos em rela��o ao
Harry e ele n�o faz nada pra ajudar!" James estava pensando particularmente em
Moody.
"M�e, pai, voc�s acabaram de me contar que eu tenho um irm�o mais velho e que ele
est� h� apenas alguns metros de mim e eu n�o posso conhece-lo! Voc�s n�o podem
fazer isso comigo! � cruel. Por favor, deixem-me v�-lo." Damien pediu.
James e Lily olharam para o filho mais novo e sentiu seu cora��o partir por causa
da express�o de desespero que ele tinha. Mas eles eram pai, eles sabiam o que era
melhor. Harry estava com muita raiva e assim sendo estava sendo obrigado a ir para
Hogwarts e ficar sob a escolta de James. Agora n�o era o momento para conhecer
ningu�m. Lily respirou fundo e encarou Damien.
"N�o Damien e essa � minha �ltima palavra. Eu n�o quero ouvir mais nada sobre isso.
Termine seu jantar e depois volte para os Weasleys. Voc� pode conhecer Harry
depois."
Damien nunca sentira tanta raiva de seus pais. Ele olhou de um para outro tentando
pensar em algum argumento. Ele n�o conseguiu encontrar nenhum.
"Quando eu poderei conhece-lo? Em Hogwarts! Voc�s realmente acham isso justo, que
eu veja meu irm�o no primeiro dia de aula. Voc�s devem estar brincando." Ele
terminou.
"N�s n�o estamos brincando e o dia 1� de setembro j� est� chegando, � semana que
vem. Agora termine seu jantar e v� para a Toca!" Lily estava ficando da mesma cor
que seu cabelo e isso n�o era um bom sinal.
De qualquer modo Damien havia herdado seu temperamento e n�o ficou quieto.
"�TIMO! Fa�am como quiser! Isso j� � estranho o suficiente e voc�s ainda fazem
ficar pior. Eu irei conhecer Harry junto com toda a maldita escola. Brilhante!
Muito obrigado!"
Dito isso o mais novo dos Potters desviou de seus pais e saiu indo direto para a
sala onde aconteceu a reuni�o da Ordem. Ele escancarou a porta e nem mesmo parou
quando viu a express�o chocada de Hermione e dos Weasleys que estavam falando sobre
a verdadeira identidade de Harry Potter. Damien foi at� a lareira e pegou um pote
com p� de floo. Ele pegou um punhado e sem dizer nada atirou nas chamas, entrou e
disse:
"A Toca!" Antes que algu�m pudesse impedir ele j� tinha ido embora.
xxxx
Os pr�ximos dias passaram-se sem nenhum imprevisto. Damien ainda estava mal-
humorado e recusava-se a falar com seus pais. James e Lily foram atr�s dele junto
com Hermione e a fam�lia Weasley. O menino os ignorou.
"Brilhante, agora s�o os dois!" James disse para Lily quando eles voltaram para o
Quartel General.
A fam�lia Weasley n�o sabia ao certo o que dizer nem o que fazer. Todos ficaram bem
chocados com a identidade de Harry, mas diferente de Damien eles n�o queriam
conhece-lo. Os garotos Weasleys estavam revoltados, pois o garoto que matou e
torturou tantos estava indo para Hogwarts e n�o seria punido e ainda por cima o
Professor Dumbledore havia ido na Toca para falar com os adolescentes sobre Harry,
para que eles fossem amig�veis com o garoto e o fizessem se sentir bem vindo.
Damien estava tentando ao m�ximo n�o perder a paci�ncia. Tudo por causa de Percy
Weasley. Ele estava cansado de escutar rodas as coisas ruins que o 'Pr�ncipe Negro'
fez. Percy estava trabalhando para o Ministro e tinha muito orgulho de contar todos
os crimes de Harry. Damien finalmente havia explodido e gritado com ele.
"Quer saber Percy? Isso mostra que o Harry fez um belo favor ao Ministro
exterminando os Comensais da Morte, j� que o seu precioso minist�rio n�o consegue
dar conta!"
Aquilo deve ter feito Percy cair na real. De qualquer modo, Damien n�o conseguiu
achar nenhuma desculpa para defender seu irm�o quando o assunto foi a morte dos
Longbottoms. O menino era muito amigo de Neville e ficou completamente devastado ao
saber sobre os pais dele, mesmo assim, ele estava com muita vontade de conhecer o
irm�o e tentar com que as coisas entre eles dessem certo. Toda vez que Percy
mencionava o Pr�ncipe Negro, Damien repetia para si mesmo 'Fizeram lavagem cerebral
nele... Talvez um Imperio... Fizeram lavagem cerebral nele.'.
De volta para o Quartel General da Ordem as coisas n�o estavam melhores. Depois da
reuni�o com Dumbledore, Harry voltou para o seu quarto. Ele dificilmente conversava
com algu�m e lan�ava a James olhares g�lidos. Uma noite o auror foi deitar
pensativo.
"Eu n�o sei como eu posso ficar ao lado de Harry com ele sendo t�o frio comigo. Eu
n�o acho que escolta-lo � uma boa id�ia."
"Isso n�o tem sentido James, Harry ir� se abrir conosco quando estivermos em
Hogwarts. Voc� sabe como �. Aquele lugar traz a tona o melhor de cada pessoa.
Espere e ver�!" Lily tentou conforta-lo.
xxxxx
"Ok, voc� se lembra o que tem que falar se a Sra Weasley te perguntar alguma
coisa?'" Damien perguntou lan�ando um olhar bem nervoso ao Ron.
"Certo, Hermione, voc� e Ginny tem que manter a Sra Weasley ocupada com alguma
coisa ou outra. Eu irei voltar logo." Damien assistiu as garotas trocarem um olhar
de preocupa��o com Ron. Ele sabia a pergunta que iriam fazer.
"Damy, voc� tem certeza de que quer fazer isso?" Ginny perguntou.
"Pela cent�sima vez, SIM! Eu quero fazer isso. Voc�s n�o entendem? Eu tenho que
fazer isso. Sem chance de eu conhecer meu irm�o no primeiro dia de Hogwarts."
Damien terminou olhando seus amigos com raiva.
Damien sabia que n�o era culpa de seus amigos, mas ele n�o conseguiu e gritou com
eles em frustra��o.
Damien estava certo de que o comportamento silencioso de seus pais queria dizer que
ele iria poder conhecer seu irm�o. De qualquer modo, James e Lily apenas o deixaram
quieto e n�o lhe deram nenhuma satisfa��o. Portanto um dia ates de come�ar o
col�gio, Damien estava completamente desesperado para ver Harry.
Damien repassou o plano na sua cabe�a. Ele iria por floo para sua casa e ia
'furtar' a capa de invisibilidade de seu pai e a usaria para chegar no Quartel
General da Ordem. Ele iria esperar seu tio Sirius ir na Toca e ent�o iria escondido
com ele para o Quartel General.
Damien sabia que era imposs�vel entrar na Ordem sem um integrante dela ir junto,
portanto escondido por baixo da capa ele entraria l� por floo junto com Sirius.
Ent�o quando entrasse ele iria finalmente conhecer seu irm�o.
Damien sentiu a ansiedade tomar conta dele. Ele nem queria pensar no que
aconteceria se fosse pego. Seus pais ficariam t�o bravos com ele que ele tinha
certeza de que ficaria de castigo pra vida inteira! Por outro lado se ele n�o fosse
pego, conheceria seu irm�o e falaria com ele antes de ir pra Hogwarts. Seus amigos
estavam t�o nervosos quanto ele. Eles ficavam apontando todas as falhas do plano.
Hermione apontou o fato de que Sirius era um homem inteligente e que provavelmente
iria perceber que havia algu�m com ele na lareira.
Ron havia dito que entrar no Quartel General estava tudo bem, mas como ele iria
sair?
Ginny continuava dizendo que o plano nunca ia funcionar, pois o Quartel deveria
estar sendo protegido por dentro, ainda mais com Harry por l�.
Damien ignorou todos eles e disse que se o pior acontecesse ele sofreria as
conseq��ncias.
Damien preparou-se e pegou um pouco de floo para ir pra casa. Ele esperou uns dez
minutos e ent�o ouviu o sinal.
"O QUE EM NOME DE MERLIN... FRED! GEORGE! O QUE VOC�S FIZERAM?" Uma voz hist�rica
veio l� debaixo.
Damien n�o perdeu mais tempo, ele atirou p� de floo na lareira e entrou dentro das
chamas verdes.
Ron, Hermione, Ginny ficaram parados pr�ximo ao lugar que Damien estava h� algum
tempo atr�s. Eles rezavam para que o plano funcionasse.
Os tr�s adolescentes desceram as escadas para ver a confus�o que os g�meos estavam
aprontando. A Sra Weasley estava gritando com eles quando os tr�s entraram. Ron,
Hermione e Ginny apenas seguraram a risada quando viram o que estava acontecendo.
Todas as lou�as estavam com perninhas e corriam por todos os lados, as colheres
estavam batalhando com os garfos e a chaleira estava despejando ch� nas plantas que
estavam fugindo do liquido quente. Fred e George estavam parados no meio de toda a
confus�o assistindo a Sra Weasley correr de um lado para o outro com a sua varinha
tentando parar com tudo aquilo. Os cinco adolescentes se olharam e confirmaram a
sa�da de Damien para a mans�o Potter. Ele esperavam que toda aquela confus�o
deixasse a Sra Weasley ocupada para n�o reparar em nada.
Meia hora depois, Damien entrou na cozinha e encontrou a sra Weasley gritando com
os g�meos que diziam apenas ter enfeiti�ado a lou�a e a chaleira para que ela
tivesse um pouco de ajuda. O menino piscou para os dois e sentou-se na mesa. A capa
estava escondida dentro do bolso de suas vestes. Tudo o que ele tinha que fazer
agora era esperar Sirius vir entregar as passagens do expresso de Hogwarts.
Foi por volta das sete horas da noite que Sirius apareceu. Damien viu seu padrinho
rindo e conversando com os garotos Weasleys, ele estava com um pouco de ci�mes. O
menino estava tratando-o friamente igual tratava seus pais, ele achava que sua
rela��o com Sirius era muito boa, ent�o para ele foi mancada que seu padrinho n�o
tivesse contado nada sobre Harry. O auror tentou falar com o afilhado, mas n�o
obteve sucesso. Ent�o quando ele chegou na Toca naquele dia, apenas lan�ou um
sorriso para Damien, mas nem aproximou-se para conversar. Ele achava que seria
melhor esperar que o afilhado viesse falar com ele, o menino faria isso assim que o
perdoasse.
Sirius parou de falar e olhou seu afilhado. Damien impediu-se de rir ao olhar a
express�o de seu padrinho. O auror passou as batatas, bem entusiasmado, deixando
cair algumas na mesa.
Sirius estava parecendo bem feliz com o fato de que seu afilhado dirigiu-lhe a
palavra.
Depois do jantar eles sa�ram um pouco para um breve jogo de Quadribol. Sirius e
Damien sentaram-se na soleira da porta e assistiram os tr�s garotos e as duas
garotas voarem pelo c�u e pedindo uns aos outros para que jogassem justamente.
"Voc� sabe Damy que eu e seu pai nos tornamos amigos no campo de Quadribol de
Hogwarts?" Perguntou Sirius.
"Yeah, eu sei. Voc� e papai j� me contaram isso uma por��o de vezes." Respondeu
Damien sorrindo.
"Tio Siri, voc�s j� contaram tudo para Harry?" Damien perguntou encarando o rosto
de seu padrinho.
"Chegar perto de que? Contar a Harry a hist�ria ou apenas falar com ele no geral?"
Damien n�o queria ficar bravo com seu padrinho, mas estava achando isso muito
dif�cil.
"Damy n�o � como voc� pensa. N�s j� tentamos falar com Harry, mas ele n�o quer
falar conosco. Ele nos ignora na maioria do tempo e quando fala suas palavras s�o
geralmente, 'Saia daqui' ou 'Deixe-me', portanto n�o acho que ele iria apreciar
saber de alguma hist�ria." Sirius disse com uma voz cansada e Damien sentiu como se
sua raiva desaparecesse.
"Desculpe-me." Ele murmurou e sentiu seu padrinho lhe abra�ar pelos ombros. O
menino deixou sua cabe�a repousar no peito de Sirius e fechou os olhos.
Damien estava sentindo-se p�ssimo em rela��o a esse plano. Ele n�o podia enganar
Sirius e ir para o Quartel General. Se ele fosse pego, colocaria seu padrinho em
problemas tamb�m. Ele rapidamente desviou estes pensamentos e abriu os olhos. Ele
tinha que fazer isso. Se ele fosse pego, culparia seus pais, pois a culpa era toda
deles por ele estarem fazendo isso. O menino murmurou uma boa noite para Sirius e
entrou na Toca.
Damien colocou a capa de seu pai e entrou na lareira da sala de jantar. Ele sabia
que essa era a �nica que Sirius usava. Estava grato � Merlin por ela ser bem
grande, duas pessoas cabiam com facilidade l� dentro. Ele parou pr�ximo � parede e
espremeu-se, assim seu padrinho n�o o sentiria ao entrar. Damien teve que esperar
dez minutos para que Sirius desse tchau a todos, ele segurou a respira��o. '� isso'
pensou consigo. Ele espremeu-se mais contra a parede quando seu padrinho entrou. O
menino rezou para que o auror n�o percebesse nada. Sirius ainda estava ocupado
conversando com a Sra Weasley, Damien come�ou a suar. Suas pernas come�aram a
bambear, mas ele segurou firme. Depois de um tempo Sirius despediu-se de todos,
jogou um pouco de p� de floo e gritou:
Damien sentiu o tranco familiar e segurou sua capa para que ela n�o voasse. Ele
segurou-se para n�o cair contra Sirius quando chegaram. O menino ficou dentro da
lareira por alguns segundos. Seu padrinho limpou as vestes e saiu rapidamente.
Damien soltou o ar que estava segurando.
'Eu n�o acredito. Eu consegui! Eu entrei no Quartel General sem ser pego.' Damien
pensou consigo.
'Eu deveria avisar papai sobre isso depois, se um menino de treze anos pode entrar
aqui com apenas uma capa da invisibilidade, algu�m com mais prote��o pode entrar
bem melhor.' Damien pensou consigo quando saiu da lareira.
Damien esperou por uns minutos mais ou menos para ir pro andar de cima. Seu cora��o
estava apressado e ele n�o conseguia segurar-se de tanto excitamento enquanto subia
as escadas. Ele rezou para que Harry estivesse em seu quarto e que este n�o
estivesse trancado. Se Harry estivesse em outro quarto ent�o Damien n�o seria capaz
de encontra-lo, pois sua m�e retirou-lhe o mapa da mans�o.
Damien parou em frente a porta do quarto de Harry. Seu cora��o estava quase saindo
de seu peito. O menino respirou fundo. Ele colocou uma das m�os na ma�aneta da
porta e girou-a. A porta abriu e Damien quase chorou de felicidade.
'� isso. Eu finalmente vou conhecer meu irm�o.' Damien pensou consigo. Ele colocou
sua cabe�a pra dentro do quarto, ainda em baixo da capa de invisibilidade. O quarto
estava vazio.
Damien entrou na sala e fechou a porta atr�s dele. Ele deu uma olhada em volta. N�o
havia ningu�m. O menino tirou a capa e deixou-a no ch�o.
Damien pegou um livro que estava por l� e leu o t�tulo. 'Artes das trevas e
maldi��es imperdo�veis'. Isso n�o parecia um livro de Defesa Avan�ada Contra as
Artes das Trevas. O menino estava pensando em quem teria dado tal a Harry. Continha
informa��es sobre muitos feiti�os dif�ceis e meneios de varinha. Damien come�ou a
ler as primeiras linhas por curiosidade quando sentiu uma m�o segurando seu ombro e
o virando.
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Cap�tulo dezesseis: Uma esp�cie de fam�lia
Damien parou e ficou olhando Harry. 'Merlin ele se parece muito com papai' pensou
consigo. Por�m ele apenas viu seu pai com uma express�o t�o raivosa quanto a que
ele estava vendo em Harry agora, pouqu�ssimas vezes. Ele abriu a boca para
responder:
Damien corou. Claro que se seus pais haviam esperado treze anos para contar a ele
sobre seu irm�o, eles n�o iriam contar para Harry sobre Damien em uma semana.
"Desculpe, eu acho que n�o existe outro jeito para contar isso ent�o... Hum... Eu
sou Damien Potter seu... Seu irm�o." Damien terminou.
Damien queria ter o que falar. Ele havia planejado exatamente como chegar ao
Quartel General, mas havia se esquecido do que iria falar para seu irm�o.
Damien observou Harry ficar com uma express�o de choque ao receber a not�cia. Foi
por apenas um momento, logo depois essa express�o foi substitu�da por raiva.
Damien ficou sem palavras. Ele foi avisado por seus pais e pelo seu padrinho que
Harry n�o se considerava um membro da fam�lia Potter, mas o menino achava que eles
estavam exagerando. De qualquer modo, agora Damien percebeu o quanto seu irm�o
estava confuso e que aparentemente a rela��o deles precisaria ser trabalhada. O
menino respirou fundo e respondeu.
"S� porque voc� se sente desse jeito, n�o quer dizer que � verdade."
Harry olhou para Damien. Ele n�o conseguia acreditar no atrevimento desse menino. O
garoto continuou encarando Damien antes de virar-se e come�ar a pegar seus livros e
suas penas, achava que ignorar o menino era o melhor, com sorte ele iria embora.
Harry percebeu que Damien estava o acompanhando pelo quarto, ele n�o estava com o
m�nimo humor para escutar mais discursos sobre os Potters.
Damien observou Harry pegar seus pertences e andar at� a cama. O menino viu um
pequeno mal�o nos p�s do m�vel. 'Como eu n�o vi isso antes' pensou consigo enquanto
acompanhava os passos do irm�o.
Harry rangeu os dentes. Ele odiava quando as pessoas lhe diziam o que fazer e
virou-se para o menino.
"N�o, eu n�o acho que dev�amos conversar. N�s n�o temos nada o que falar, agora
seja um bom menino e cai fora."
Longe de ter sido insultado, Damien deu um sorriso sarc�stico. Harry ficou
surpreso.
"Ser um 'bom menino', oh cara, esse com certeza n�o sou eu. Se voc� acha isso,
ent�o ter� uma grande surpresa." Damien deu um sorrisinho.
Harry estava atingindo uma colora��o rosada por causa de toda a sua raiva contida.
"Escute pirralho! Eu n�o estou de bom humor hoje, portanto preserve sua vida e d� o
fora!" A voz de Harry estava extremamente raivosa.
Damien apenas riu fazendo Harry segurar-se para n�o voar no pesco�o dele.
"Merlin Harry, eu sou apenas tr�s anos mais novo que voc� e voc� continua me
chamando de 'pirralho'. Que tal me chamar apenas de 'Damy' como todo mundo?"
Harry j� tinha ouvido o bastante. Ele andou at� o outro, pegando-o pelo bra�o
levou-o at� a sa�da. Harry abriu a porta e jogou o outro pra fora antes de bate-la
com for�a. O garoto tinha acabado de afastar-se quando viu Damien entrando
novamente com um sorriso enorme na face.
"Talvez voc� n�o tenha entendido o meu pequeno gesto, portanto deixe-me explicar-
lhe, SAIA DO MEU QUARTO!" Harry gritou.
Damien olhou o irm�o e se poss�vel seu sorriso aumentou. Harry estava convencido de
que alguma coisa estava errada com esse menino.
"N�o, � s� que... Bem, isso foi uma coisa bem de irm�os." Damien ainda estava
sorrindo estupidamente.
Por causa do olhar confuso de Harry, Damien explicou.
"Voc� sabe... Aquela coisa toda de 'Saia do meu quarto' e 'Cai fora', esse tipo de
coisa. � o tipo de coisa que um irm�o mais velho falaria."
"Voc� est� louco!" Harry falou para o menino de treze anos. Damien deu de ombros e
respondeu.
"Voc� n�o percebeu Potter, eu quero que voc� saia." Harry falou sem nem mesmo olhar
para o adolescente.
Damien somente ignorou Harry e apontou para a montanha de livros e penas que
estavam em cima da cama.
"N�o te interessa o que eu estou fazendo. Agora, voc� vai sair ou eu vou ter que te
tirar daqui de novo?"
Damien n�o estava levando Harry a s�rio e isso estava perturbando o mais velho. O
menino balan�ou a cabe�a e olhou o irm�o.
"Bem, com todas as hist�rias que eu ouvi sobre o Pr�ncipe Negro, eu esperava que
voc� fosse mais, sei l�, agressivo." Damien terminou encarando o irm�o.
"O que? Mais agressivo? Voc� acha que eu estou sendo legal. O que tem de errado com
voc�?" Harry estava encarando o menino seriamente.
"N�o, voc� n�o foi legal, mas tamb�m n�o foi completamente horr�vel. Digo, tudo o
que voc� fez foi gritar e me tirar do quarto. Voc� podia ter feito algo pior, como
me machucar fisicamente." Damien sorriu quando viu que Harry percebeu o que ele
estava fazendo.
Damien estava perturbando Harry de prop�sito, pois sabia que o t�o chamado Pr�ncipe
Negro n�o iria machuca-lo. Harry estava sendo testado e sabia que tinha sido pego.
"Foi o que eu ouvi." Damien respondeu, ele estava obviamente referindo-se sobre o
salvamento dos filhos de Madame Pomfrey.
Antes que Harry pudesse responder houve uma batida na porta. Damien pulou e pegou a
capa que estava ca�da no ch�o. Harry ficou aparvalhado ao ver o menino desaparecer.
'Capa legal' Harry pensou. A porta abriu-se, James e Lily entraram no quarto. O
adolescente deu as costas, os ignorou e continuou guardando suas coisas. Ele ouviu
James aproximar-se e virou-se para encara-lo.
"Ent�o, voc� guardou tudo?" James perguntou e Harry tentou esquecer o falso
entusiasmo em sua voz.
Por baixo da capa Damien observou nervosamente Harry entrar no c�modo ao lado. 'Oh,
ent�o era l� que ele estava quando eu cheguei' Pensou.
O menino observou sua m�e e seu pai aproximarem-se de Harry e observou tamb�m seu
pai colocar a m�o nos ombros do irm�o para que ele parasse de arrumar suas coisas.
Harry parou e virou-se com um olhar bem aborrecido.
"Harry, n�s precisamos falar com voc�!" Lily disse baixinho. Harry apenas ignorou e
continuou a guardar seus pertences.
"Harry, por favor, d�-nos apenas alguns minutos e ent�o n�s ajudamos voc� a guardar
o resto das coisas." James disse. Harry virou-se com um olhar gelado.
"Eu j� disse que n�o preciso da ajuda de voc�s. Eu n�o quero nada de voc�s. Eu
posso me cuidar e eu posso fazer minha mala sozinho." Harry disse arrogantemente.
Damien estava at�nito com o tom de voz que Harry estava usando para falar com seus
pais. Seu irm�o certamente n�o usou o mesmo tom de voz quando falou com ele. Harry
estava falando coisas rudes para ele, mas nunca com esse tom t�o �spero.
James e Lily recuperaram a fala, parecia que os dois j� estavam acostumados com
aquele tom de voz vindo de Harry.
"Harry eu nunca disse que voc� precisa de alguma coisa da gente. Eu apenas estava
tentando ajudar. Se voc� pode se virar sozinho, �timo! N�s apenas queremos falar
com voc� sobre uma coisa antes da sua ida para Hogwarts." James explicou.
James e Lily conjuraram duas cadeiras em frente a Harry. Damien foi se aproximando
da porta devagar. Essa era a chance de sair do quarto e tentar escapar. Ele sabia
que o Sr Weasley iria passar l� no Quartel general, ent�o ele poderia sair assim
como entrou, por floo. Ele estava quase saindo quando ouviu seu nome sendo dito
pelo seu pai. Damien parou e virou-se para escutar a conversa entre seus pais e seu
irm�o.
"N�s quer�amos contar a voc� antes, mas com tudo o que estava acontecendo, n�s n�o
tivemos a chance. Harry n�s queremos lhe contar sobre Damien. Voc� tem um irm�o."
James parou nessa parte para ver a rea��o do filho.
Harry n�o reagiu. Sua face estava completamente desprovida de sentimento e ele n�o
disse nenhuma palavra. James e Lily olharam-se desconfortavelmente. Eles acharam
que Harry iria reagir. Lily continuou meio hesitante.
"Damien tem treze anos e vai freq�entar o terceiro ano em Hogwarts. Voc� vai
conhece-lo amanh�. Ele queria conhece-lo antes, mas n�s achamos que era melhor que
fosse em Hogwarts." Lily terminou.
Harry olhou direto nos olhos verdes de Lily. Agora tudo fazia sentido. 'Por isso
que o menino est� em baixo da capa. Ele veio escondido'.
Harry ficou quieto enquanto escutava todas as coisas que Lily e James falavam sobre
Damien. Ele sabia que o menino devia estar escutando tudo e resolveu que essa era
uma oportunidade que ele n�o podia perder.
"Parece que ele � um pequeno bagunceiro enxerido." Harry disse quando James e Lily
terminaram o discurso.
Damien torceu o nariz e encarou Harry por baixo da capa de invisibilidade. Ele
sabia que seu irm�o estava fazendo isso porque ele n�o podia se defender.
James e Lily ficaram sem palavras ao ouvir Harry descrever Damien daquele jeito. O
que eles falaram do filho mais novo que o fez chegar a essa conclus�o?
"Bem, ele pode ser um pouco bagunceiro, mas Damien � um bom menino." Lily disse
tentando n�o contradizer Harry. Afinal o garoto finalmente estava reagindo.
Damien encarou seus pais. 'Eu n�o sou bagunceiro!" Pensou silenciosamente.
"Hum, um 'bom menino', estava pensando se ele iria concordar com isso." Harry disse
e dessa vez tinha um pequeno sorriso nos l�bios. James e Lily olharam-se confusos.
'Do que Harry estava falando?'
"Bem, yeah... Hum... N�s apenas quer�amos lhe avisar sobre Damien. Ele
provavelmente vai querer conversar com voc�. Ele est� meio animado por ter um irm�o
mais velho." Lily disse sorrindo.
"Voc� n�o contaram a ele sobre mim?" Harry perguntou olhando diretamente para
James.
"N�s contamos, mas ele surpreendentemente recebeu a not�cia muito bem." James
contou a Harry.
James estava amando o fato de Harry estar falando com ele e Lily hoje. 'Queria
saber por que...' Pensou, mas logo desviou de pensamento. J� era o bastante Harry
estar falando, n�o importava a raz�o.
"Eu pensei que voc�s fossem manda-lo ficar longe de mim, depois de tudo, n�o �
seguro." Harry disse com um sorrisinho. Seus olhos estavam cintilantes. Ele olhou
diretamente para os olhos de James.
"Harry, ele � apenas uma crian�a. Ele n�o entende sobre perigo. N�s vamos dizer
para que ele n�o o perturbe, mas n�o iremos tolerar qualquer tipo de viol�ncia
contra dele." James tentou n�o soar t�o amea�ador, mas era dif�cil.
Harry ergueu uma sobrancelha e deitou na cama. Ele sorriu para James antes de
falar.
"Nossa Potter, Isso foi uma amea�a? Eu pensei que voc� j� tivesse entendido como eu
me sinto em rela��o a amea�as... E desde quando voc� n�o tolera viol�ncia?"
James estava confuso. Sobre o que Harry estava falando? S� porque ele era um auror,
n�o significava que ele gostava de viol�ncia. Antes que James pudesse abrir a boca
para falar alguma coisa, um barulhinho fez com que ele e Lily olhassem para tr�s.
Pr�ximo � janela, tinha um grande vaso que algu�m deixou cair fazendo-o quebrar
espetacularmente. James instintivamente aproximou-se dele. Levou apenas uns
momentos para que o auror percebesse o que estava acontecendo. Ele parou pegou sua
varinha e gritou.
A capa apareceu bem em frente � porta e voou at� a m�o estendida de James. James e
Lily viram o filho mais novo parado em frente a eles.
"Hum... Oi todo mundo." Damien disse com um olhar de quem sabia que n�o estaria
vivo no dia seguinte.
Harry rolou os olhos e desviou o olhar do menino que estava parado na porta.
"Amador." Ele murmurou silenciosamente quando James e Lily come�aram a gritar com a
pobre crian�a.
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Uma hora depois os gritos continuavam e Harry j� estava ficando com dor de cabe�a.
Todos estavam no quarto dele e Damien foi obrigado a sentar-se em frente aos seus
furiosos pais. Harry tinha achado isso bem interessante no come�o, mas agora estava
bem inc�modo. 'Deus, ele n�o tinha feito nada de errado' pensou consigo ao ver
James gritar com o menino. Harry estava achando dif�cil n�o prestar aten��o nas
vozes.
"... Nunca esperei que voc� fizesse algo t�o est�pido!... Os Weasleys est�o t�o
surpresos com o seu comportamento... Voc� vai se arrepender tanto!" A voz de James
ecoou no quarto.
Foi a �ltima frase de James que alertou Harry. Ele olhou para a face vermelha de
raiva do auror que continuava pensando em um castigo para o menino. Harry sentiu a
raiva fervilhar 'realmente isso j� � o suficiente' pensou. O garoto nem sabia
porque estava com raiva. James n�o o castigou, mesmo com ele o tratando t�o mal.
Por alguma raz�o desconhecida ele levantou e se aproximou do sof� onde estavam
Lily, James e Damien.
"Eu acho que escutar voc� gritando durante uma hora j� deve ser castigo o
suficiente." Harry disse para James.
James, Lily e Damien olharam confusos para Harry. James foi o primeiro a responder.
"Harry, voc� realmente n�o tem que se meter, por favor, fique fora disso."
James j� estava achando dif�cil brigar com Damien sem Harry fazendo-o sentir-se
culpado. Ele odiava castigar o filho mais novo, mas por causa do ato de hoje o
menino precisava ser disciplinado.
James olhou Damien. O menino de treze anos estava em choque pelo fato de que seu
irm�o o havia defendido.
"Damien, eu realmente estou desapontado com voc�. Voc� correu um s�rio risco vindo
at� aqui. De qualquer modo j� que amanh� voc� estar� indo para Hogwarts seu castigo
ser� resolvido depois."
"Pai, eu n�o acho que voc� est� sendo justo. Eu n�o corri nenhum risco vindo at�
aqui e se isso aconteceu a culpa � de voc�s."
"Se voc�s deixassem eu ver meu irm�o, ent�o eu n�o seria for�ado a fazer isso."
Damien ficou quieto e deixou seu pai gritar com ele, mas agora quando o assunto foi
castigo, ele iria mostrar que a culpa era deles.
James e Lily olharam ultrajados. Eles encararam Damien minutos antes de recome�arem
a gritar. O menino suspirou resignado e resolveu aceitar qualquer castigo que
viesse.
Harry estava encarando Damien. Ele n�o conseguia acreditar em tudo o que o menino
havia feito para conhece-lo. Quando o viu no quarto pensou que ele tinha sido
mandado at� l�. Depois de ter descoberto que ele era seu irm�o biol�gico achou que
os Potters o haviam mandado ate l� j� que n�o conseguiam se aproximar. Agora que
ele sabia que Damien tinha feito tudo isso para conhece-lo, bem, isso o confundiu.
Harry observou quando James deu a m�o para Lily e os dois se levantaram.
"Eu n�o quero mais ouvir nada Damien! Seu castigo ser� decidido amanh�, agora
des�a." James estava saindo da sala quando foi aparado por Harry.
"E como exatamente voc� vai castiga-lo? O que voc� vai fazer? Atira-lo de uma
altura de dois andares tamb�m!"
James parou sem palavras. Lily e Damien olharam para Harry e depois para James,
esperando uma resposta da parte do auror. Esta nunca veio.
"Harry, eu j� te disse. Aquilo foi um acidente. Eu nunca faria algo como aquilo
intencionalmente." James tentou explicar. Harry apenas rolou os olhos. De qualquer
modo, Damien rapidamente levantou-se e encarou o pai.
"O que! Voc� atirou Harry de uma altura de dois andares! Por que? Como voc� p�de
fazer algo assim?"
Harry estava surpreso pelo comportamento de Damien. Ele n�o esperava que o menino
reagisse desse jeito com o pai. De qualquer modo, a raiva de Damien n�o podia ser
comparada com a da mulher ruiva que aproximou-se do filho mais novo e colocou as
m�os na cintura encarando James. Harry teve que conter o sorriso quando viu a face
do auror.
"Voc� nunca mencionou isso pra mim James. Voc� disse que Harry foi ferido em
batalha. Nunca por quem ele foi ferido." Lily disse com uma voz mortalmente baixa.
James olhou petrificado. Ele tinha uma express�o de culpa, fazendo com que Harry
escondesse ainda mais a risada.
"Bem, ele, ele foi ferido em batalha, mas, hum... Foi um acidente. Oh... Vamos l�
Lils, voc� sabe que eu nunca machucaria algu�m intencionalmente." James suplicou �
esposa.
Lily olhou para o marido por alguns momentos e depois apoiou as m�os no peito dele.
"Conte-me o que aconteceu." Ela ordenou enquanto sentava no sof� novamente.
"Sim, agora!"
Lily olhou para James por alguns minutos antes de levantar-se pegar a m�o do marido
e encaminhar-se para a porta. Ela parou e virou-se para falar com Damien.
"Damy, eu espero voc� em dois minutos l� em baixo para que voc� volte para os
Weasleys."
"Obrigado por isso Harry." Ele disse com um grande sorriso na face.
Harry olhou para o menino confuso. Ele achava que aquelas horas ao lado de Damien
foram as mais confusas de sua vida inteira.
"Por estar a� pra mim e por distra�-los." Damien sorriu para Harry antes de
perguntar murmurando.
Harry percebeu que o 'ele' referia-se a 'James' e o 'isso' referia-se a 'ser jogado
de uma altura de dois andares'.
Damien olhou chocado e afastou os pensamentos de seu pai ter ferido seu irm�o de
tal maneira. Ele e Harry viraram-se quando escutaram o grito de Lily.
"VOC� FEZ O QUE?... QUATRO! HAVIA QUATRO AURORES?... ELE PODIA TER MORRIDO!"
Harry sorriu com o pensamento de James estar sofrendo aquilo. Damien virou-se e
olhou curiosamente seu irm�o.
"Ou�a menino, eu n�o estou a� para ningu�m. A �nica raz�o para eu ter dito alguma
coisa era para perturbar os Potters e causar a briga que est� acontecendo agora,
portanto n�o fique com id�ias na cabe�a." Harry disse rudemente.
O sorriso de Damien diminuiu um pouco, mas antes de sair ele piscou para o irm�o e
disse.
Dito aquilo Damien saiu e deixou pra tr�s um Harry irado arrumando seu material de
Hogwarts.
Cap�tulo Dezessete: Bem-vindo � Hogwarts.
Harry saiu da lareira e deu de cara com o Professor Dumbledore. As chamas atr�s
dele tornaram-se verde novamente e James apareceu. O garoto n�o virou para v�-lo,
ele estava bravo por n�o ter sido permitido vir de trem. N�o que ele quisesse ver
como era a viagem, n�o, ele estava bravo porque aquela era sua �ltima chance para
escapar. Somente nesta manh� ele foi avisado de que n�o viajaria de trem. Ele iria
por floo direto para o escrit�rio do diretor.
Harry limpou a poeira de sua capa e entrou no escrit�rio. Ele estava tentando ao
m�ximo n�o parecer interessado na decora��o, mas isso estava sendo muito dif�cil,
j� que ele nunca tinha visto algo como aquilo antes. O garoto observava os v�rios
quadros dos antigos diretores, a maioria deles estava fingindo dormir, mesmo sendo
apenas sete da noite. Harry observou tamb�m os in�meros artefatos estranhos
espalhados pela mesa do diretor junto com alguns doces. 'Ele deve ter por volta de
uns cento e cinq�enta anos e ainda come doce.' Pensou consigo.
"Na verdade Harry, eu tenho apenas cento e quarenta e sete anos." Disse uma voz
atr�s dele.
Harry virou e viu Albus Dumbledore com vestes azuis e chap�u pontudo. Ele estava na
porta sorrindo serenamente para o garoto. Harry ficou sem palavras. ' Como ele...
Ele deve saber legilim�ncia' instantaneamente ele armou escudos em sua mente. Harry
n�o era muito bom em oclum�ncia, mas tentou o m�ximo que pode. O fato de Dumbledore
ser capaz de ler seus pensamentos o enervava.
O diretor sorriu para o garoto e andou calmamente at� sua mesa. Ele sentou-se e
moveu suas m�os para que James e Harry se sentassem. O garoto o fez relutantemente
e desviou o olhar do diretor. Dumbledore ofereceu algumas balinhas de lim�o ao
moreno, o olhar de desgosto do adolescente o fez quase dar risada.
"Ent�o Harry, eu espero que voc� n�o esteja t�o desapontado por n�o ter vindo �
Hogwarts de trem. Tenho certeza de que ano que vem voc� vir� com o expresso. Esse �
um prazer de que todo bruxo e bruxa t�m que experimentar."
Harry o ignorou completamente e olhou para a janela. Ele podia ver os jardins do
enorme castelo, o magn�fico lago e a escurid�o da floresta proibida. Draco tinha
contado v�rias hist�rias sobre a floresta, incluindo quando foi atacado por um
hipogrifo.
Harry sorriu para si mesmo. Ele estava muito bravo por estar na escola e estar
sendo mantido como prisioneiro. Mesmo assim uma pequena parte dele estava muito
feliz em estar em Hogwarts. Ap�s anos escutando as hist�rias do col�gio, ele sempre
imaginou como seria estar ali, al�m do mais, seu pr�prio pai Lorde Voldemort
estudou l�. O garoto odiava a si mesmo por estar pensando nisso. Ele n�o deveria
estar feliz e prometeu a si mesmo n�o deixar Hogwarts o cativar.
Dumbledore viu o sorriso de Harry e sentiu uma esp�cie de orgulho surgir dentro
dele. Hogwarts realmente trazia a tona o melhor das pessoas, por�m o garoto
rapidamente disfar�ou seus sentimentos e encarou o diretor.
"Harry, eu estou certo que voc� entendeu as condi��es para que seja mantido aqui,
voc� ir� obedecer e seguir as regras da escola. Voc� n�o ir� contar nada sobre seu
passado e se causar algum tipo de problema com os professores ser� devidamente
punido."
"Punido? Eu acho que n�o! Eu irei fazer exatamente o que eu quiser, eu irei
perturbar quem eu quiser e como eu quiser e n�o h� nada que voc� possa fazer!"
Harry sibilou nervosamente para Dumbledore.
O diretor n�o se afetou pelas palavras de Harry e continuou falando como se n�o
houvesse nenhuma interrup��o.
"Voc� ir� participar de todas as aulas e ir� compartilhar o dormit�rio com seus
companheiros de casa."
"Compartilhar? Acho que n�o. Eu n�o compartilho nada, Dumbledore." Harry ficou
muito surpreso ao perceber que James o apoiava.
"Dumbledore, eu n�o acho que essa seja uma boa id�ia. Harry poderia ficar em algum
lugar sozinho." James sentiu-se desconfort�vel falando isso.
James n�o queria que Harry dividisse o quarto por causa do perigo que ele
representava aos seus companheiros. O auror n�o entendia a raz�o para Dumbledore
estar correndo esse risco. De qualquer modo o diretor apenas sorriu para os dois.
"James, eu asseguro que tudo ir� ficar bem, agora eu acho que � hora de irmos para
a festa de come�o de ano, portanto vamos para o Sal�o Principal."
James levantou-se junto com Dumbledore. O auror ainda estava receoso em rela��o a
Harry dividir quarto com outras pessoas, mas ele n�o podia fazer nada. De qualquer
modo o garoto estava olhando fixamente para as figuras que adornavam o castelo, sem
reagir.
"Harry, por favor, venha conosco." Dumbledore disse devagar para o adolescente.
"Eu n�o estou com fome, ent�o se voc�s puderem mostrar minha cela eu gostaria de ir
pra l�."
James olhou para o filho e sentiu sua raiva ferver. 'Por que ele faz tudo ficar
dif�cil?' Pensou consigo.
"Harry voc� n�o comeu nada decente o dia inteiro, eu acho que voc� deveria jantar
antes de ir dormir." James tentou falar com o adolescente teimoso.
"Eu realmente n�o dou a m�nima para o que voc� acha Potter, apenas me mostre o
maldito quarto!"
Antes que James pudesse pensar direito, gritou.
"�TIMO! Se � assim que voc� vai se comportar, como uma crian�a mimada, ent�o �
exatamente assim que eu vou te tratar."
Harry parou abruptamente. Ele tinha certeza de que seria sorteado por aquele chap�u
maluco que Draco descreveu. O garoto tinha certeza de que seria sorteado para ficar
em Slytherin. Especialmente porque ele era Herdeiro de Slytherin, portanto faria
sentido.
"O que? Voc� vai me colocar em Gryffindor! Voc� sabe assim como eu que n�o � l� que
eu perten�o." Harry gritou para Dumbledore.
"N�o Harry, Gryffindor � a sua verdadeira linha ancestral, � l� que voc� realmente
pertence." Dumbledore respondeu calmamente.
"Eu sou o Herdeiro de Slytherin, eu devo ficar em Slytherin." Harry estava achando
dif�cil falar devido a enorme raiva que sentia.
"Voc� � tamb�m Herdeiro de Gryffindor e perdoe-me por soar um pouco infantil, mas
voc� era primeiramente Herdeiro de Gryffindor antes de virar Slytherin." Dumbledore
estava realmente perturbando Harry agora.
Harry ignorou os dois homens e andou at� a porta. Quando estava quase saindo ele
virou-se para o diretor e deu um �ltimo aviso.
"Coloque-me onde voc� quiser Dumbledore, eu ainda serei um Slytherin querendo voc�
ou n�o."
Harry torceu o nariz ao olhar o retrato. 'Merlin olhe para isso, � horroroso.
Slytherin deve ser muito melhor.'
James deu a senha 'wimmblemodia' e entrou pelo buraco que apareceu atr�s do
retrato. Harry entrou numa sala onde as cores vermelho e dourado predominavam. Ele
olhou em volta e percebeu que o lugar era confort�vel, com uma lareira enorme e
cadeiras e sof�s macios. O garoto n�o queria gostar de nada que viesse de
Gryffindor, por isso ao olhar James ele fez a melhor cara de repulsa que tinha.
James estava olhando a sala comunal com uma express�o de alegria.
"Deus, como eu senti falta desse lugar." Ele murmurou. James n�o queria que Harry
ouvisse, por�m o adolescente ouviu. 'Agora eu tenho outra raz�o para odiar
Gryfindor' Harry pensou enquanto subia as escadas em espiral. Se Potter ficou em
Gryffindor ent�o essa era a casa a qual ele queria estar longe. Ele entrou no
quarto dos meninos e parou na porta.
Harry viu que era um quarto grande com cinco camas de coluna e cinco arm�rios. O
mal�o dele j� havia sido trazido para o c�modo e estava no p� da cama pr�xima �
janela. O garoto virou-se para James.
"Aqui! Eu tenho que ficar aqui. Esse quarto � pequeno e eu tenho que dividir com
nada menos que quatro garotos! O que voc�s est�o tentando fazer comigo?"
James n�o conseguiu segurar a risada. Harry corou um pouco e olhou James
perigosamente.
"Desculpe Harry, mas n�o posso te ajudar nisso. Olha, o quarto n�o � pequeno e voc�
s� vai dormir aqui. A maioria do tempo voc� ficar� nas aulas e nos tempos livres
ficar� na sala comunal."
"Harry voc� tem certeza de que n�o quer jantar? Voc� realmente deveria comer."
James estava tentando convencer Harry. O adolescente pareceu positivamente fofo ao
reagir daquele jeito. Ele queria tirar aqueles cabelos rebeldes de cima os olhos de
Harry e olhar dentro daqueles orbes esmeraldas. O auror queria abra�ar o garoto do
mesmo jeito que fazia quando este era um beb�.
James sabia que Harry iria apenas ficar bravo se ele fizesse algo como aquilo,
ent�o ele decidiu colocar uma m�o nos ombros do garoto de modo a conforta-lo. O
adolescente imediatamente desviou-se das m�os de James e se afastou.
James suspirou e encaminhou-se para a porta. Ele virou-se por um �ltimo instante e
viu Harry abrir seu mal�o e come�ar a desarruma-lo. O auror murmurou um 'boa noite'
e deixou o garoto no quarto.
Harry ouviu o 'boa noite', mas ignorou. Ele suspirou alto e colocou o pijama que
lhe foi dado pelos Potters. No momento ele n�o estava em condi��o de negar nada do
que aquela fam�lia lhe dava, Lily tinha ido �s compras quando foi no Beco Diagonal
comprar seu material escolar. O garoto olhou seu pijama azul listrado e fez uma
express�o de desgosto. 'Bem Harry, voc� n�o tem outra alternativa, ent�o supere.'
Pensou. O garoto rapidamente deitou na cama de colunas se cobriu e tentou dormir.
Ele estava tentando n�o se sentir miser�vel por estar sendo for�ado ficar em
Gryffindor. Ele tinha esperado ser sorteado para Slytherin. Pelo menos l� ele teria
Draco.
Harry estava muito apreensivo por conhecer centenas de adolescentes. Essa era uma
das raz�es por ele ter fugido da festa de come�o de ano. O quanto mais ele pudesse
desviar-se disso melhor. O garoto estava com muita raiva de ter ido para
Gryffindor. Seu pai sempre zombava dizendo 'Harry voc� est� lutando como um
Gryffindor' ou 'Essa � uma coisa bem Gryffindor de se fazer' se Harry tivesse feito
algo est�pido. Ele sabia de sua heran�a Gryffindor por parte dos Potters, mas
queria esquece-la. O garoto queria ser um Slytherin puro e seu pai sempre o
irritava lembrando-lhe de sua outra heran�a.
Harry sentiu seu est�mago reclamar de fome. Ele virou para o outro lado tentando
ficar confort�vel para dormir. Sabia por experi�ncia pr�pria que dormir de est�mago
vazio demorava. De qualquer modo seu orgulho era grande o suficiente para n�o pedir
comida. 'Maldito orgulho Gryffindor' Pensou miseravelmente antes de finalmente
dormir.
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Ron, Neville, Dean e Seamus encaminharam-se para o dormit�rio. Ron era o que estava
mais acordado dos quatro garotos que subiam as escadas. Ele tinha sido avisado pelo
Professor Dumbledore sobre o quinto companheiro de quarto antes da festa. O direto
pediu-lhe para que ele fosse legal e que ajudasse para que ningu�m soubesse sobre o
passado de Harry. O garoto sorriu e concordou, mas achava que s� por um milagre
ningu�m ficaria sabendo. Ele havia falado com Hermione depois. 'Ele � maluco, isso
sim!' Ron tinha murmurado para a garota de cabelos cheios quando eles estavam
levando os primeiros anos aos seus devidos dormit�rios. Hermione o mandou ficar
calado e disse que o Professor Dumbledore tinha f� em Harry e que ele deveria
confiar mais no maior bruxo vivo. Ron ficou quieto para n�o brigar com a garota, j�
que Hermione era a �nica que poderia ajuda-lo com suas notas em transfigura��o.
'N�o ele vai acordar e provavelmente ficar bravo conosco por estarmos espiando.'
'Oh... Vamos l�, s� uma olhadinha. Eu quero ver como ele �.'
Ron escutou em sil�ncio a conversa dos garotos. Ele estava curioso para saber como
Harry era. Quando Damien voltou na noite anterior ele tentou explicar um pouco. O
menino tinha dito que Harry era a c�pia exata do pai. Ron sentiu a curiosidade
ferver dentro dele. Ignorando o perigo, o ruivo saiu da cama e uniu-se aos outros
tr�s garotos. Bem devagar ele afastou as cortinas da cama do garoto adormecido. O
quarto estava escuro, mas a luz da lua brilhava l� fora e um pouco dela entrava no
c�modo. Ron e os outros n�o conseguiram ver o rosto do garoto, pois ele estava
virado para o lado contr�rio. Antes que eles pudessem se afastar uma voz rouca f�-
los pularem de susto.
Demorou um minuto ou dois para que eles percebessem que havia sido Harry quem
falou. O adolescente n�o virou para encara-los, apenas disse aquilo de costas. Ron
murmurou um 'sinto muito' e fechou as cortinas novamente. Ele e os outros garotos
compartilharam um olhar nervoso antes de irem para as suas respectivas camas.
Harry ouviu um dos garotos sussurrar para o outro, 'Merlin, ele parece um pouco
agressivo'. O garoto sorriu. 'Voc� n�o faz nem id�ia.' Pensou consigo antes de
dormir novamente.
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Harry acordou na manh� seguinte ouvindo uma pequena confus�o em volta. Demorou uns
segundos para lembrar onde estava. Ele havia tido uma boa noite de sono. Uma coisa
que ele n�o havia sido capaz de ter desde de sua captura. Harry abriu suas cortinas
e viu que os garotos j� estavam acordados e colocavam o uniforme vagarosamente. Ele
ficou com �nsia s� de pensar em dividir o quarto com eles. Rapidamente se levantou,
ningu�m o tinha notado ainda. Harry tirou seu uniforme do mal�o e decidiu se trocar
no banheiro. Quando estava entrando encontrou o garoto ruivo, ele nem precisou
perguntar quem era. Havia escutado muito sobre os Weasleys por Draco. Ele percebeu
que esse deveria ser o mais novo, Ronald, pois o garoto teria a mesma idade que
ele.
Harry sorriu ao ver a express�o de desconforto do ruivo. Ron n�o conseguia nem
olhar nos olhos do moreno. Harry percebeu que Ron deveria ter sido uns dos
estudantes que foram avisados por Dumbledore sobre seu passado. O ruivo tentava
achar sua voz ao olhar para o outro. Ele estendeu a m�o e ficou silenciosamente
rezando para que ela parasse de tremer.
"Ronald Weasley" ele se apresentou com uma voz firme. Harry ignorou a m�o estendida
do garoto e continuou o encarando. Ron recolheu a m�o sentindo-se um pouco
embara�ado e bravo. Ele estava apenas querendo ser amig�vel com o moreno por causa
de Damien. Al�m do mais, Harry iria ficar no mesmo dormit�rio que ele, no final das
contas ele deveria ser simp�tico com o filho adotivo de Voc�-Sabe-Quem.
Ron estava tentando ignorar a forte semelhan�a que Harry tinha com James Potter.
Ele estava esperando alguns tra�os, mas o que ele viu foi um choque. Se n�o fosse
pelos olhares g�lidos que Harry lan�ava-lhe, o ruivo estaria pensando que James
Potter com dezesseis anos era quem estava parado na sua frente. Isso poderia ser
facilmente uma verdade, James e Sirius praticavam muitas travessuras e uma delas
podia muito bem ser algo que envolvesse uma po��o de idade que inconscientemente
foi consumida. De qualquer jeito os brilhantes olhos verdes fixos nos seus olhos
castanhos mandando-lhe arrepios n�o era algo que James conseguiria fazer nem com
todo seu empenho.
Harry sorriu de novo quando olhou a express�o envergonhada de Ron. 'Draco estava
certo, o idiota n�o consegue disfar�ar as emo��es' Pensou. Os outros garotos
perceberam que o ruivo estava falando com o novo colega de quarto, mas estavam com
muito sono para se apresentarem.
Harry aproximou-se de Ron e sussurrou baixinho para que s� o ruivo lhe escutasse.
Harry observou o garoto sair quase correndo pela porta sem nem mesmo olhar para
tr�s. Ele sorriu para si mesmo 'Isso foi muito f�cil, se eles morrem de medo de
coisas como essas, como eles ir�o lidar com as outras coisas que eu estou
planejando?'. Harry passou a noite anterior pensando em como fazer um inferno na
vida dos alunos de Hogwarts, Exceto, talvez, com os Slytherins.
Harry come�ou a ir pro banheiro novamente, mas foi parado por outro garoto. Ele
tamb�m estendeu a m�o para se apresentar. De qualquer modo Harry s� conseguiu
sentir seu cora��o bater r�pido quando viu a face redonda e os grandes olhos do
garoto. Ele sentiu o ar desaparecer e ficou encarando Neville Longbottom enquanto
amaldi�oava Dumbledore. Aquele velho manipulador o colocou no mesmo quarto que
Neville j� sabendo o que ele havia feito com os pais do garoto. Longbottom sorriu e
apresentou-se novamente.
Harry n�o conseguiu ag�entar mais, ele desviou-se de Neville e rapidamente saiu
pela porta antes que algu�m pudesse det�-lo. Neville ficou olhando para a porta,
pensando no por que de Harry ter corrido. 'Garoto estranho.' Murmurou.
Se Harry quisesse sobreviver naquele lugar, ele teria que manter suas emo��es muito
bem escondidas. O garoto tirou seus pijamas, colocou as vestes escolares e ent�o se
olhou no espelho.
"Eu pare�o um idiota!" Ele disse alto e tentou em v�o arrumar seu cabelo rebelde.
"Por uma �nica vez voc� pode me obedecer?" Ele perguntou para o seu cabelo. Em
resposta o fio de cabelo que Harry tinha abaixado levantou-se novamente.
"Brilhante!" Harry sibilou. J� seria ruim o bastante ser olhado como o 'novo
garoto' sem estar parecendo um besta.
Harry sentia falta de suas vestes negras, suas botas de couro de drag�o e mais que
tudo sentia falta de sua m�scara prateada. Ele estava com raiva, pois Potter nunca
mais lhe devolveria sua m�scara. O auror havia a queimado dizendo que Harry n�o
precisava mais se esconder. O garoto sentiu como se uma parte dele fosse destru�da.
Ele tinha a usado na frente dos estranhos durante anos e se tivesse um momento mais
prop�cio para usa-la seria agora. Vagarosamente ele aproximou-se da porta e p�de
escutar in�meras vozes gritando para que ele deixasse-as entrar. Harry abriu a
porta e deu de cara com James, v�rios alunos entraram dentro do banheiro. O auror
olhou Harry com suas vestes escolares e n�o conseguiu conter o sorriso devido a
imagem do adolescente. Harry saiu e come�ou a andar ao lado de James, o bruxo mais
velho n�o disse nada durante o trajeto, at� a hora em que se aproximaram da sala
comunal.
Harry continuou andando e nem mesmo olhou James. O auror tentou novamente.
"Voc� fica bem com as vestes escolares, quer dizer, voc� quase parece um
adolescente normal."
Harry parou e encarou James, a raiva estava evidente nos orbes esmeralda. O garoto
cruzou os bra�os e disse numa voz mortal.
"N�o tente ser engra�ado comigo Potter! Eu n�o posso dizer muito sobre seu senso de
humor, mas ele ir� causar muito desconforto a voc� se voc� n�o controla-lo."
James apenas sorriu. Ele havia percebido que o melhor jeito de lidar com Harry era
o tratando como um adolescente normal. Sabia que ficar chateado com o garoto n�o
iria funcionar.
"Vamos l� Harry, eu estava falando s�rio. Voc� realmente fica bem, considerando que
� seu primeiro dia de aula..." James segurou-se para n�o rir da vergonha de Harry e
continuou encarando o garoto.
"Digo, eu lembro do meu primeiro dia, eu estava bem pior que voc�. Pra come�ar eu
estava com os piores �culos que voc� possa imaginar. Eles eram enormes!" James
parou de falar para olhar Harry de perto.
"Eu n�o lembro de ter te perguntado isso antes, ent�o... Hum... Voc� n�o usa
�culos?"
"Nossa sua observa��o me deixou est�tico, digo, voc� � sempre t�o brilhante para
perceber as coisas obvias?" Harry perguntou, o sarcasmo sendo empregado em cada
palavra.
James corou.
"Voc� realmente � inacredit�vel, sabia?" Harry sibilou para James antes de passar
pelo buraco do retrato. James o alcan�ou.
"Voc� quer saber Potter, �timo, deixe-me contar-lhe. Meu pai consertou minha
p�ssima vis�o. Agora eu n�o preciso de mais nada para me ajudar a ver. Meu pai �
perfeito para mim!" Harry estava com respira��o pesada devido a toda a raiva que
James havia trazido a ele.
James estava confuso. Por que Harry reagira daquela maneira? Ele tentou n�o ficar
chateado por ao ouvir o garoto chamar Voldemort de 'pai'. De qualquer modo a dor
deve ter aparecido na express�o dele, pois Harry deu um sorrisinho e saiu da sala
comunal antes que ele se recuperasse da informa��o.
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Ginny estava atrasada para o caf� da manh�. Por que ela n�o esperou para ir �
biblioteca depois estava al�m da sua compreens�o. 'Talvez eles estejam certos, eu
estou obcecada por ele.' Pensou enquanto corria para o Sal�o Principal. Se ficasse
muito atrasada teria que explicar sua aus�ncia para a Professora McGonagall. Ginny
tinha acordado cedo e n�o tinha outra coisa para pensar a n�o ser procurar pelo seu
her�i. Ela estava perdendo as esperan�as de encontra-lo nos arquivos da biblioteca
da escola. A menina estava t�o perdida em pensamentos que nem mesmo viu um garoto
moreno correndo pelas escadas. Os dois adolescentes colidiram e ca�ram no ch�o.
Ginny sentou-se e abriu a boca para brigar com quem era t�o cego para n�o t�-la
visto. De qualquer maneira suas palavras ficaram presas na garganta quando viu
aqueles olhos esmeraldas brilhantes. Ginny conseguiu apenas ficar sentada no ch�o
olhando para o garoto de cabelos rebeldes a sua frente. Seus maravilhosos olhos
verdes estavam brilhando exatamente como o do seu misterioso her�i.
Harry olhou para a ruiva que estava na sua frente. Ele a reconheceu
instantaneamente, mas continuou com sua express�o neutra. O garoto n�o queria que
ela o reconhecesse, o que era imposs�vel, pois naquela noite ele estava com a
m�scara. 'Provavelmente nem se lembra daquele incidente' Pensou consigo. Ele sempre
achou as pessoas um tanto ego�stas.
Harry levantou-se e percebeu que a menina estava o olhando. Ginny saiu de seu
estupor ao ver o garoto se levantar. Ela tentou faze-lo tamb�m, mas gemeu de dor
quando seu tornozelo rejeitou o movimento. As palavras sa�ram da boca de Harry
antes mesmo que esse notasse.
Ginny congelou ao ouvir a voz dele. Ela passou um bom tempo pensando nessa voz
dizendo essas mesmas palavras. A ruiva sentiu seu cora��o bater rapidamente '�
isso, � ele! Tem que ser, os olhos, a voz tem que ser ele!" Ginny sentiu o
excitamento tomar conta dela. A menina rapidamente levantou-se ignorando a dor na
perna.
"Hum... Yeah, eu... Eu estou bem." Ginny queria que sua voz parasse de tremer.
"Desculpe-me por isso, eu n�o estava olhando para onde estava indo." Ginny
continuou. '�timo, agora ele vai pensar que eu sou uma idiota que nem mesmo olha
por onde anda.'
"N�o, tudo bem, eu tamb�m n�o estava olhando para onde ia. Voc� est� bem mesmo?"
Harry perguntou ao ouvir a ruiva gemer quando se levantou.
Ginny tinha certeza de que sua pesquisa havia acabado. Esses brilhantes olhos
verdes! Eram os mesmos olhos que ela viu quando caiu do telhado. Ginny estava quase
ficando hist�rica, ela tinha achado ele, mas por que ele n�o a reconhecia?
Ginny virou-se para ver James Potter descendo as escadas e tentando n�o atropelar
os alunos. A menina virou-se novamente e viu o moreno lan�ar um olhar g�lido a
James, suas belas fei��es estavam retorcidas em f�ria.
Levou uns minutos para que Ginny juntasse uma pe�a na outra, James Potter tinha
acabado de chamar o garoto de 'Harry' e esse era o nome do Pr�ncipe Negro, n�o era?
A ruiva olhou para o garoto e percebeu que ele era muito semelhante ao Sr. Potter
ou como Damien havia dito 'A c�pia exata de seu pai!'. Ela sentiu seu sangue gelar.
Ele era Harry Potter! O Pr�ncipe Negro, o respons�vel por v�rias mortes e
destrui��es. Ginny sentiu-se perdida novamente quando percebeu que estava enganada.
Seu her�i misterioso n�o podia ser Harry Potter. Seu her�i era um dos homens de
Harry.
"Por que voc� saiu correndo daquele jeito?" James perguntou. Harry o encarou
friamente e virou-se para Ginny novamente.
Harry ficou surpreso ao ver a mudan�a repentina da menina. Em um minuto ela estava
o olhando maravilhada e no outro com um olhar gelado. 'O que aconteceu?' Pensou.
"Ent�o voc� � Harry Potter?" Ginny perguntou friamente, enquanto lutava contra sua
imagina��o. Como ela n�o conseguiu ver que ele era igual a James Potter?
"Na verdade � apenas Harry." O moreno respondeu olhando a ruiva com interesse.
James apenas percebeu Ginny quando ela falou com Harry. Ele virou-se para ela e deu
um sorrisinho.
James olhou para eles e percebeu que os dois estavam no meio de uma conversa antes
que ele chegasse.
"Voc�s... Voc�s se conhecem?" James perguntou sabendo que essa n�o era uma
possibilidade.
Ginny pegou sua mochila que ainda estava abandonada no ch�o. Ela se levantou e
lan�ou um olhar gelado para Harry.
"N�o, eu apenas pensei que ele era uma pessoa, mas eu estava obviamente errada."
Ginny disse baixinho ainda encarando o respons�vel de causar tanta dor em outras
pessoas.
Harry estava surpreso com a rea��o da menina. Ele examinou o rosto dela antes de
responder.
"Yeah, eu acho que voc� estava enganada, eu n�o poderia conhecer algu�m como voc�."
Harry lan�ou para a ruiva um sorriso de lado.
Ginny segurou-se e n�o respondeu, ela apenas passou e foi para o Sal�o Principal
amaldi�oando o Pr�ncipe Negro. Ela estava agora muito atrasada para o caf�.
Harry observou a garota sair e sentiu uma pontada de inc�modo. 'Por que ela estava
sendo legal e depois ficou me lan�ando olhares frios?' Pensou consigo.
"Harry o que aconteceu na sala comunal? Por que voc� ficou bravo comigo por aquela
pergunta t�o simples?"
"Harry..."
"Potter, eu estou com fome e eu quero um pouco de comida antes da tortura que voc�s
v�o me fazer passar hoje, Ok?"
"Ok Harry, mas diga-me, como voc� planeja conseguir algo de comer se nem mesmo sabe
onde � o lugar onde servem o caf�?"
Harry virou-se para olhar o auror com uma express�o cansada. Ele apontou os alunos
que iam para o Sal�o principal tomar caf�.
"Eu ia seguir os estudantes. Voc� n�o � um auror, n�o �? Um com certeza poderia
pensar em algo t�o banal quanto isso" Harry sentiu-se bem ao ver James corar.
James apenas assentiu e encaminhou-se para o Sal�o Principal com Harry.
'Hoje vai ser um longo dia.' James pensou enquanto abria as portas do Sal�o
Principal.
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Cap�tulo dezoito: Irm�o e amigos
Harry parou na entrada do Sal�o Principal. Seu cora��o come�ou a bater como um
louco quando ele viu os v�rios adolescentes sentados e conversando, eles estavam
felizes tomando seu caf� e cumprimentando-se ap�s as f�rias de ver�o. O garoto
nunca havia visto tantos adolescentes na sua vida. Ele imediatamente sentiu-se pior
com seus cabelos rebeldes e suas vestes escolares desconfort�veis.
James aproximou-se e parou ao lado do seu filho, ele estava tentando entender a
rea��o de Harry. O garoto nem ao menos percebeu a presen�a do auror.
"Venha Harry, a mesa de Gryffindor � por aqui." James apontou para a mesa que
estava no canto direito.
Harry come�ou a andar. Ele sentia os olhares sobre ele, rapidamente sentou-se em um
lugar longe de todos. James deixou o garoto em seu lugar e foi em dire��o � mesa
principal, para juntar-se a uma ansiosa Lily.
Harry ficou com o olhar fixado no prato vazio a sua frente. Ele podia sentir os
olhares dos outros sobre ele e desejava que isso parasse. Harry piscou, pegou uma
torrada e come�ou a comer devagar. Sua garganta parecia fechada por alguma raz�o. O
garoto nunca iria admitir, mas estava nervoso por estar entre tantos adolescentes.
Ele n�o ficava nervoso facilmente. Ele j� havia duelado e at� matado muitos
Comensais da Morte, sem mencionar seus encontros com os aurores do minist�rio e com
a Ordem, nunca havia se sentido nervoso com nada disso. Quando o garoto aceitou
suas miss�es ele j� sabia o que era esperado dele, o que ele precisaria fazer, como
agir. De qualquer modo, agora ele estava em uma situa��o inusitada.
Harry suspirou e tentou clarear sua mente. Primeiro de tudo ele tinha que achar
Draco e mandar uma mensagem para seu pai. O garoto lan�ou um olhar para as mesas.
Ele esperava ver o Slytherin loiro sentado na mesa mais afastada. Estava claro que
a rivalidade entre as duas casas era tanta que as mesas tinham que ficar o mais
separado poss�vel. Harry assistiu Draco conversar com um grupo de garotos e com uma
garota. O loiro nem ao menos olhou, ele estava muito ocupado falando. O moreno
sorriu. 'O que ser� que Draco ir� falar quando me ver aqui?' Pensou consigo.
Harry tinha acabado de virar-se novamente para seu caf� quando um s�bito movimento
f�-lo olhar pra cima. Damien acabara de sentar ao seu lado.
"Ent�o, o que voc� achou de Hogwarts? � bem legal, voc� n�o acha? Espere at� ver
tudo, bem tecnicamente isso � imposs�vel, considerando o tamanho, mas as partes que
voc� vai ver s�o incr�veis! E h� tamb�m os jardins..." Damien parou ao ver Harry
colocar os dedos nas t�mporas e massage�-las.
"Harry voc� � novo aqui. Algu�m tem que lhe contar tudo sobre Hogwarts. Por que n�o
eu?" Damien perguntou e lan�ou um sorriso ao irm�o.
Harry suspirou e deixou Damien falar sobre Hogwarts. Ele sabia que ignora-lo n�o
iria adiantar, mas n�o havia nada que o garoto podia fazer. Ele olhou para a sua
torrada meio comida, tinha at� perdido o apetite. Harry olhou para a mesa principal
e viu James e Lily observando-os atenciosamente. O garoto sorriu para si mesmo.
'Est� na hora de uma pequena distra��o.' Pensou.
Harry chegou mais perto de Damien e pediu para que o menino fizesse o mesmo. O mais
novo o fez, curioso para saber o que o irm�o tinha para dizer.
"Por que n�o, algu�m tem que fazer isso, por que n�o voc�?" Harry respondeu com as
mesmas palavras do menino.
"Certo ent�o! Oh, mas n�s n�o podemos ir agora, McGonnagall vai entregar os hor�rio
daqui a pouco." Damien disse parecendo um pouco desapontado.
"Bem, por que voc� n�o me mostra apenas a dire��o para o banheiro masculino? Eu
preciso passa l� antes das aulas mesmo."
James levantou e tentou correr atr�s de Harry e Damien. Ele e Lily assistiram os
dois conversando e o auror estava ficando um pouco nervoso com isso. Ele lembrou-se
o que Harry havia dito quando ficou sabendo sobre Damien. O garoto tinha um
estranho brilho nos olhos que alertou James. Al�m do mais o auror sabia das coisas
que Harry podia fazer at� mesmo sem uma varinha. Ele n�o queria que Damien ou
qualquer outra crian�a ficasse sozinha com o filho mais velho. De qualquer maneira,
James estava achando dif�cil segui-los devido a quantidade de alunos do s�timo ano
que estavam saindo do Sal�o Principal naquele momento. O auror viu Harry e Damien
pr�ximos a porta, eles conseguiram de algum jeito passar pelos alunos. Ele viu
Harry olha-lo enquanto saia com o irm�o. O garoto sorriu e piscou para o auror
antes de sumir de vista.
James sentiu seu sangue gelar. 'O que foi aquilo? O que Harry planejava fazer com
Damien? Com certeza ele n�o se atreveria a machuca-lo sob os narizes dele e de
Lily, certo?"
Quando James conseguiu sair do amontoado de alunos, Harry e Damien j� n�o estavam
mais por l�. O auror come�ou a entrar em p�nico. Por que ele demorou tanto para
sair da mesa principal? Por que ele n�o se aproximou da mesa assim que Damien
sentou-se ao lado do irm�o?
"Me oriente."
Sua varinha girou e come�ou a apontar para v�rias dire��es, esquerda, direita,
esquerda de novo, pra frente, direita. James blasfemou. Parecia que o feiti�o 'me
oriente' n�o funcionava em Hogwarts por obvias raz�es. Ele olhou desesperadamente
para a esquerda e para a direita. Eles tinham que estar em algum lugar, onde eles
poderiam ter ido? Como Damien podia ser t�o est�pido? James pretendia ter uma
conversa com o filho mais novo, assim que o achasse. O auror come�ou a correr para
a direita com toda a velocidade que conseguiu. Ele estava entrando em p�nico. Harry
ia fazer algo horr�vel a Damien, ele sentia isso.
Somente quando James estava virando o corredor que ele ouviu uma voz familiar.
"... e tem banheiros masculinos em cada andar, mas os banheiros femininos existem
apenas em quarto andares, o que eu acho meio injusto, mas � assim que �."
James virou-se e viu Damien e Harry saindo do banheiro masculino e voltando para o
Sal�o Principal.
"Por que eu iria querer saber quantos banheiros femininos existem aqui?" Harry
perguntou um pouco resignado.
James sentiu como se ele fosse cair a qualquer momento. 'O banheiro! Claro, Damien
estava apenas mostrando o banheiro masculino para Harry'. O auror sentiu-se um
pouco embara�ado por causa do seu ataque. Harry n�o iria machucar o irm�o dentro de
Hogwarts, ele n�o era irracional, bem, James esperava estar certo.
"Pai? O que voc� est� fazendo aqui?" Damien perguntou quando viu James vindo em sua
dire��o.
James ficou ao lado de seus filhos sem saber o que dizer. E afinal o que ele iria
dizer, 'eu pensei que Harry iria matar voc�?'. Ele ficou muito envergonhado. Harry
olhou para a palidez do homem e sorriu em triunfo. Damien percebeu a cara de
preocupa��o do pai.
"Pai, o que voc� tem? Voc� n�o parece estar muito bem." Damien perguntou.
"Nada Damien, eu estou bem... Hum... Onde voc�s foram?" James esperou que sua voz
sa�sse casual.
"Apenas mostrando o lugar para Harry, sabe... Antes que as aulas come�assem."
Damien disse ainda olhando seu pai preocupadamente.
"Yeah Potter, o que voc� achou que eu estava fazendo?" Harry perguntou casualmente,
mas James viu a ironia do coment�rio. Harry estava tentando assusta-lo. Ele brincou
com James e o auror caiu direitinho.
James desejou ter ficado na mesa principal. Ele lan�ou um olhar de aviso a Harry e
escoltou os dois de volta para o Sal�o.
Somente quando os garotos estavam de volta em seus lugares, James sentou em seu
lugar novamente. Lily ficou aliviada ao ver seus dois filhos sentados na mesa.
Harry viu duas garotas dando risadinhas e o olhando. Ele as olhou e percebeu que
toda a mesa de Gryffindor estava o observando de modo suspeito. Damien rapidamente
come�ou a apresentar o irm�o a todos. O garoto ficou quieto e nem ao menos
respondeu aos 'Ol�s' que as pessoas lhe davam. Ele percebeu que Damien estava o
apresentando como 'Harry Potter' quando perguntavam. V�rias pessoas queriam saber
onde ele estava durante todos esses anos. Por que ele estava escondido? Harry
percebeu que Damien estava respondendo todas as perguntas, mesmo que elas fossem
direcionadas para ele. Um sextanista perguntou: "Ele n�o � mudo, �?"
Harry moveu-se com o intuito de socar a boca do Gryffindor, mas Damien lan�ou um
olhar de suplica ao irm�o e por alguma raz�o o garoto voltou atr�s. Talvez porque
mesmo sem saber o menino o estava ajudando a assustar James. Harry encarou o
Gryffindor enquanto Damien dizia: "Cale a boca David, Harry est� com dor de
garganta, � s� isso".
'Merlin, ser� que eles podem ser mais tapados?' Pensou Harry.
"Eu n�o quis." Ele respondeu ainda n�o olhando para elas, esperando que as duas
desaparecessem.
Harry olhou novamente para as duas garotas que agora estavam rindo bem mais. Ele
percebeu que quase todas as garotas o estavam olhando estranhamente. 'Garotas
est�pidas.' Pensou consigo.
Harry levantou e automaticamente sentiu James apertar seu ombro. O garoto desviou-
se dele e encaminhou-se para a sa�da. Ele percebeu que Damien olhava o pai enquanto
tentava juntar-se a eles. James balan�ou a cabe�a e disse ao filho para que ele
fosse para as aulas e que no almo�o eles conversavam. O menino assentiu, mas
parecia bem desapontado. Damien sorriu para Harry e gritou 'Boa Sorte' enquanto
acompanhava os terceiranistas. Harry revirou os olhos ante a mensagem. Se ele
precisava de sorte para as aulas ent�o... Que aulas ele teria? O garoto pegou seu
hor�rio e viu que tinha dois tempos de Hist�ria da Magia.
'Brilhante.' Harry pensou. 'Que perda de tempo' James estava andando ao seu lado e
o guiando para a sala.
Antes que Harry pudesse se juntar ao grupo de Gryffindors e Ravenclaws que estavam
parados do lado de fora da sala, James lhe entregou sua mochila.
"Voc� ir� t�-la logo, mas hoje n�o vai precisar dela. Suas aulas de hoje n�o
requerem uma varinha."
Harry abriu a boca para discordar, mas pensou melhor. Quando estava entrando, James
agarrou seu bra�o.
"Harry eu n�o quero que voc� fa�a nenhuma travessura nas aulas. Eu n�o sei o que
voc� estava tentando provar hoje de manh� no caf�, mas eu n�o quero voc�
desaparecendo mais daquele jeito. Voc� entendeu?" James n�o conseguiu reprimir a
raiva que havia em sua voz.
"Vamos Potter, n�o esconda o que voc� quer dizer de verdade. Voc� n�o quer que eu
desapare�a de novo ou n�o quer que eu desapare�a com Damien de novo?" Harry sorriu
quando James empalideceu com a men��o de seu filho mais novo. O garoto continuou.
"Voc� n�o v� Potter, Damien � seu ponto fraco, voc� n�o pode me impedir de usar
isso a meu favor, pode?"
"Harry, voc� n�o vai machucar Damien! Voc� n�o vai machuca-lo de nenhum jeito,
entendeu?"
"Tanto faz, eu decido se vou machucar ou n�o machucar Damien. Como demonstrei mais
cedo, eu posso fazer voc� entrar em p�nico mesmo sem tocar um fio de cabelo dele.
Por agora � suficiente voc� acreditar que eu posso machuca-lo, depois... bem, a
gente v�." Harry disse olhando o olhar de des�nimo de James.
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"N�o Dumbledore, isso n�o vai funcionar! Isso vai ser um desastre! Ele me amea�ou
abertamente. Ele � muito perigoso! N�s n�o dev�amos ter trazido ele pra c�." James
estava andando de um lado para o outro no escrit�rio do diretor, incapaz de se
acalmar.
Dumbledore estava sentado quieto. James estava soltando toda sua raiva e frustra��o
em cima dele. O direto sabia que o auror tinha que se acalmar antes que ele pudesse
explicar alguma coisa.
Finalmente depois de 25 minutos gritando, o exausto homem caiu sobre uma cadeira em
frente ao diretor. O Professor Dumbledore viu a tristeza nos olhos de James.
"James, isso n�o vai ser f�cil, eu disse isso antes. Harry vai ser bem dif�cil, �
natural que ele nos teste e nos ameace. N�s n�o devemos desistir facilmente."
"Dumbledore, eu n�o estou desistindo facilmente. Voc� tem no��o do quanto isso �
dif�cil para mim e para Lily e para Damien. N�s queremos mais do que qualquer coisa
nosso Harry de volta, mas n�o estamos preparados para ferir inocentes nesse
processo." James observou confuso o diretor sorrir serenamente.
"Exatamente James, exatamente. Nenhum inocente ser� ferido por ningu�m, muito menos
por Harry."
"Eu pedi para que o Professor Snape pegasse mais informa��es sobre o Pr�ncipe Negro
e voc� ficar� bem surpreso com o que ele descobriu. Parece que o garoto n�o � t�o
um guerreiro t�o malvado assim. Ele segue algumas regras e uma delas � que nenhum
inocente ser� maltratado em suas m�os. Inocente para Harry significa crian�a."
James n�o conseguiu acreditar no que estava ouvindo. Como isso era poss�vel? Com
certeza Voldemort n�o criaria Harry com alguma esp�cie de moral. O que estava
acontecendo?
"Os filhos de Madame Pomfrey! Foi por isso que ele os salvou. Harry pensa que todas
as crian�as s�o inocentes, portanto ele arriscou sua vida por eles."
James sentiu como se algo enorme fosse retirado de seus ombros. Harry n�o iria
machucar ningu�m que fosse menor de dezessete anos, portanto os alunos de Hogwarts
estavam salvos. James suspirou em alivio. O garoto estava blefando quando disse que
iria ferir Damien. Ele estava apenas o assustando. 'Bem, funcionou' Pensou consigo.
James sentiu um pouco de respeito para com Harry. Ele podia ser o bruxo mais
malvado do mundo, mas ainda tinha princ�pios. De qualquer modo alguma coisa n�o se
encaixava. Por que Harry tinha esses princ�pios? Ele tinha apenas quinze meses
quando foi levado de casa, James queria muito acreditar que no fundo o garoto n�o
era t�o mau, mas nessa idade ningu�m sabe o que � certo ou errado. Al�m do mais por
que Voldemort n�o disse nada em rela��o a isso? Essa regra poderia trazer problemas
para ele no futuro. James olhou para Dumbledore novamente antes de expor suas
id�ias.
"Alguma coisa n�o se encaixa Dumbledore, n�o era para Harry ter crescido com alguma
moral. Por que ele n�o quer machucar crian�as? Por mais que isso seja triste, eu
acho que Voc�-Sabe-Quem faria Harry ferir qualquer coisa viva a partir do momento
em que ele pudesse segurar uma varinha. Mesmo deixando que Harry tenha seus
pr�prios pensamentos, eu ainda n�o acho que ele deixaria que seu 'filho' tivesse
algum tipo de compaix�o por algu�m. E falando de inocentes, n�o s�o eles quem os
Comensais atacam? Isso n�o faz sentido." James terminou.
"Eu presumo que Harry n�o nos v� como inocentes. Ele apenas pensa que crian�as s�o
inocentes, mas voc� tem raz�o James, isso n�o faz sentido, por isso que Severus foi
instru�do a descobrir tudo o que puder, mas at� l�, n�s podemos ficar descansados,
pois Harry n�o vai atacar nenhuma crian�a de Hogwarts."
James assentiu. Pessoalmente ele n�o confiava em Snape para descobrir alguma coisa
sobre Harry, o professor n�o estava interessado nisso. James decidiu que ele iria a
fundo nessa hist�ria. Ele iria descobrir o m�ximo de informa��o que pudesse sobre o
passado de seu filho. Por que Harry n�o machucava crian�as? Al�m do que, n�o eram
as crian�as os alvos favoritos dos Comensais? Se James pudesse provar que Harry
como Pr�ncipe Negro estava salvando crian�as, ent�o o garoto poderia receber o
perd�o do minist�rio.
"Dumbledore, quando exatamente voc� ficou sabendo disso?" Ele perguntou ao diretor.
"Ent�o era por isso que voc� n�o estava preocupado com Harry vindo para Hogwarts,
voc� sabia que ele n�o iria ferir nenhum aluno. Presumo que os dormit�rios foram
escolhidos assim tamb�m."
Dumbledore apenas sorriu e inclinou sua cabe�a.
James sorriu e saiu do escrit�rio, ele iria pegar Harry para leva-lo para a pr�xima
aula. O auror n�o conseguiu parar de sorrir. Talvez houvesse esperan�a para Harry.
xxxxxxx
O resto do dia foi normal. Harry foi at� o Sal�o principal junto com James e
sentou-se na mesa de Gryffindor para jantar. O garoto j� havia acabado de ter suas
primeiras aulas. Em casa ele costumava aprender com Bella, Lucius ou seu pai. Ele
sentiu uma pontada de saudades. Desejava realmente conseguir falar com Draco, mas
Potter n�o sa�a do seu lado. Todas as suas aulas do dia foram com Hufflepuff ou com
Ravenclaw, portanto ele n�o viu o melhor amigo. Harry observou a mesa de Slytherin,
mas Draco n�o estava em nenhum lugar. O garoto olhou para a comida que estava na
sua frente, ele estava com fome, mas n�o conseguia comer no momento. Com um suspiro
Harry come�ou a tentar comer.
Ele viu Damien entrando no Sal�o com os Weasleys, uma garota de cabelos castanhos e
cheios e a menina que saiu correndo mais cedo nas escadas. Agora Harry conseguia
ver claramente que aquela menina era irm� dos Weasleys. Ron e a garota de cabelos
castanhos que ele achava ser a 'Granger Sangue-Ruim' de quem Draco sempre falava,
estavam nas suas aulas. Estava claro que a maioria dos professores n�o concordava
com Dumbledore em traze-lo para Hogwarts. A maioria deles estava ignorando o
garoto. Isso n�o o incomodou, afinal ele estava muito ocupado pensando em algum
jeito de escapar para ter tempo de prestar aten��o nas aulas.
Harry desviou seu olhar com a esperan�a de que nem Damien nem nenhum de seus amigos
sentassem ao seu lado. Ele n�o queria lidar com ele agora. De qualquer modo, a
sorte do garoto n�o o estava acompanhando j� que Damien sentou ao lado dele e
trouxe os cinco adolescentes com ele. Harry percebeu o olhar de desconforto que
cinco tinham na face. O garoto fez o seu melhor para continuar prestando aten��o em
sua comida. De qualquer maneira, Damien resolveu ignorar seu comportamento e
come�ou a conversar com ele.
"Hey Harry, como foram as aulas? Provavelmente um pouco chatas, como sempre, n�?"
Harry nem mesmo abriu a boca pra responder e Damien j� estava lhe apresentando
todos os seus amigos.
"Oh, esse s�o meus amigos, Ron e Hermione voc� j� conhece..." Harry sorriu de
lado,"... Esse � Fred e seu irm�o g�meo George e essa � Ginny." Damien terminou com
uma express�o de orgulho.
Harry continuou quieto, os adolescentes olhavam para ele e depois para Damien. O
garoto trocou um olhar com Ginny. A ruiva olhou-o friamente e encarou o prato. O
moreno voltou sua aten��o a Damien.
"Agora? Voc� n�o vai terminar de jantar primeiro?" Damien perguntou olhando o prato
cheio de comida do irm�o.
"N�o, eu n�o estou com fome. Deixe, eu vou sozinho!" Harry come�ou a se levantar.
Damien pulou.
"Damien, voc� n�o quer terminar de comer antes?" Ron perguntou baixinho. Harry viu
o olhar de ira sendo lan�ado em sua dire��o.
Damien rapidamente encaminhou-se para a porta junto com Harry. Os dois olharam para
a mesa principal antes de sair. Damien sinalizou para sua m�e e para seu pai que
estava saindo com o irm�o. Para a surpresa do mais velho, James devolveu um sorriso
e sinalizou um 'tudo bem'. O garoto estava pensando no por que do auror n�o estar
tentando p�ra-los. Ele deu de ombros e percebeu que isso era uma boa coisa, agora
ele n�o precisava se preocupar em se castigado por suas a��es. Harry tinha tempo.
Harry disse a Damien que queria ver Hogwarts por fora primeiro, ent�o o menino o
levou para os jardins. Logo que Harry saiu avistou a pessoa que queria encontrar,
Draco Malfoy estava correndo em dire��o a porta junto com um grupo de Slytherins,
eles estavam obviamente voltando da aula de herbologia j� que todos olhavam
enojados para as m�os. Seu melhor amigo era o pior, ele tinha a express�o retorcida
em desgosto e reclamava coisas como 'Malditas criaturas' e 'por que elas precisam
comer?'.
Harry sentiu-se excitado por finalmente poder falar com Draco. Ele voltou-se para
Damien.
Harry deixou Damien para tr�s muito chateado. Draco estava t�o ocupado reclamando
que nem mesmo viu o moreno se aproximando. Harry conseguiu ficar logo atr�s do
loiro enquanto este continuava resmungando.
"Eu juro que isso � uma perda de tempo! Meu pai sempre disse que as mat�rias
ensinadas em Hogwarts s�o in�teis. Digo, quem liga para essas plantas e suas
propriedades m�gicas. Quando n�s iremos precisar dessas informa��es?" Draco estava
tentando limpar as m�os vigorosamente com um feiti�o 'limpante'.
"Eu n�o sei Malfoy, mas algumas plantas podem salvar sua vida." Harry disse. O
loiro virou-se e o encarou.
Harry sorriu para o seu melhor amigo, aproveitando o olhar de choque em sua face
p�lida. Draco congelou, ele n�o conseguia acreditar no que via.
"N�o seu obtuso! Se Hogwarts estivesse sob ataque voc� acha que eu estaria aqui
falando com voc� calmamente?" Harry sacudiu a cabe�a. 'Honestamente, por que ser�
que ele era amigo desse idiota?'
Draco corou e resmungou em desafio.
"Hey! Quem voc� est� chamando de obtuso? Eu apenas perguntei o que eu achei que
seria a �nica raz�o para voc� estar em Hogwarts!"
"Yeah, isso era o que eu pensava tamb�m." Harry disse numa mistura de emo��es.
Draco conseguiu captar um pouco de raiva. O loiro ordenou para que seus dois
capangas, Crabbe e Goyle fossem embora, deixando-os sozinhos.
Harry encarou Draco. Ele estudou a face de seu amigo antes de responder.
"Sobre o que voc� est� falando? O que aconteceu?" Draco estava extremamente
confuso.
"Como voc� pode n�o saber? Seu pai n�o mencionou nada?" Harry perguntou tentando
imaginar a raz�o pela qual o pai dele n�o disse nada.
"Hum... N�o, mas provavelmente foi porque eu n�o estava por perto. Mam�e e eu fomos
� Espanha por duas semanas. Havia... coisas a resolver." Draco terminou meio
hesitante.
"Eu te mandei v�rias corujas, dizendo o que estava acontecendo, mas obviamente voc�
estava..." Draco parou sem saber como falar que Harry tinha ido parar nas m�os da
ordem.
Harry sorriu novamente, mas n�o disse nada. Ele viu algumas pessoas aproximando-se
de Damien e finalmente lembrou-se da raz�o de querer falar com Draco.
"Draco escute, eu preciso que voc� mande uma mensagem para mim. Diga ao meu pai que
eu estou seguro e que aconte�a o que acontecer, ele n�o tente me resgatar numa
miss�o. Isso � exatamente o que Dumbledore quer. Diga a ele que a �nica escapat�ria
seria abaixar os escudos da escola, mesmo que por apenas alguns minutos, isso �
tudo o que eu preciso para sair daqui."
"Harry, voc� pirou? N�o existe nenhum jeito para que os escudos sejam quebrados.
Hogwarts � um dos lugares mais seguros. Levar� meses para que isso aconte�a."
"Draco isso pode ser feito, os escudos n�o s�o t�o fortes como voc� pensa. Eles
podem enfraquecer. A queda dos escudos de Hogwarts j� estava sendo planejado, esse
� um dos projetos do meu pai. Mais cedo ou mais tarde eles ser�o enfraquecidos. Os
escudos de Hogwarts s�o imposs�veis de quebrar, mas os dos jardins podem ser
enfraquecidos. Tudo o que eu preciso � de alguns minutos para sair e depois os
Comensais podem me levar pra casa. Se demorar meses, ent�o que demore. Eu prefiro
ficar aqui durante meses a arriscar meu pai ser capturado."
Harry come�ou a ir embora, mas Draco o parou para perguntar o por qu� da Ordem n�o
t�-lo mandado para Azkaban. O moreno deu de ombros e disse que explicaria depois,
quando tivesse mais tempo. O garoto foi em dire��o a Damien e seus amigos.
Damien olhou Harry curiosamente. O irm�o havia gastado cinco minutos conversando
com Malfoy. Harry e Draco obviamente se conheciam, mas sobre o que eles estavam
conversando? O menino teve que se segurara para n�o ir descobrir. Ele ficou
surpreso ao ver Ron, Hermione e Ginny aproximando-se.
'O que voc�s est�o fazendo aqui?" Damien perguntou, surpreso por seus amigos terem
jantado t�o r�pido.
"N�s n�o est�vamos com tanta fome." Ron disse procurando algum sinal de Harry.
Damien bufou.
"O que dem�nios ele est� fazendo conversando com Malfoy?" Ron perguntou raivoso.
Ele viu Harry afastar-se de Draco e encaminhar-se at� ele. O menino assistiu o
loiro entrar em Hogwarts e correr. Quando o irm�o chegou, ele perguntou:
"O que voc� estava fazendo com Malfoy, voc� n�o � amigo dele, �?"
"E se eu for? Se voc� pode ser amigo de algu�m como ela, ent�o eu n�o vejo porque
eu n�o posso ser amigo do Malfoy." Harry sinalizou para Hermione quando falou com
Damien.
"O que voc� quer dizer com isso? Hermione vale dez vezes mais que voc� e Malfoy
juntos! Voc� � t�o rid�culo, voc� n�o tem o direito de falar como se n�s fossemos
inferiores a voc�." Ron estava vermelho e instintivamente aproximou-se do moreno.
"Ronald, n�o. N�o vale a pena. Ele n�o vale a pena!" Ela adicionou olhando Harry
raivosamente.
"N�o valho a pena! Agora eu vou ter que aprender meu valor de uma maldita sangue-
ruim como voc�?" Harry sibilou.
O efeito foi instant�neo. Ron pegou sua varinha e apontou para Harry enquanto as
duas meninas se engasgavam. Damien gritou.
"RON N�O! Ele n�o tem uma varinha! Ron n�o!..." Mas Ron j� estava muito nervoso e
jogou um feiti�o em Harry.
"INCARTO" Ron gritou e uma luz amarela saiu da ponta de sua varinha.
Harry saiu do caminho t�o r�pido que pareceu que ele apenas tinha aparatado e
desaparatado. Com uma m�o o moreno pegou a varinha do ruivo e com a outra acertou
um soco na cara de Ron. O ruivo gritou de dor e segurou seu nariz quebrado. Ele
tentou desviar a m�o da varinha enquanto com a outra tentava segurar o sangue. Com
apenas um movimento Harry quebrou o pulso do outro. O 'crack' alto fez com que
Damien, Ginny e Hermione gritassem em horror. Ron chorou em agonia. Harry pegou o
ruivo pelo colarinho e deixou-o apenas h� alguns cent�metros de seu rosto.
"N�o pense nunca mais em me atacar Weasley! Eu posso quebrar seu pesco�o
facilmente." Harry sibilou perigosamente antes de deixa-lo ir.
Ginny e Hermione foram at� Ron para ajudarem-no a subir as escadas e passar pelas
portas. As duas garotas encararam Harry antes de irem. O garoto sentiu-se contente
ao ver o medo em seus olhos. 'Isso vai ensina-los a ficar fora do meu caminho.'
Pensou quando os tr�s sa�ram de sua vista. Damien ainda estava l� olhando o irm�o
com uma express�o chocada.
Sem dizer nenhuma palavra para Harry, Damien seguiu seus amigos e deixou o irm�o
parado na porta sozinho.
xxxxxxx
Cap�tulo dezenove: Aulas
No dia seguinte Harry estava esperando um longo serm�o de James por causa do que
ele havia feito com Ron. Surpreendentemente James nem mesmo mencionou o assunto
quando escoltou o garoto para o Sal�o Principal.
Assim que entrou Harry avistou Draco sentado na mesa de Slytherin. O loiro
imediatamente viu o moreno e sinalizou para mostrar que a mensagem j� tinha sido
enviada. Harry assentiu e lan�ou um sorrisinho. Quando sentou a mesa, o garoto viu
que Ron, Hermione, Damien e Ginny estavam sentados juntos e assim que o viram, os
quatro viraram a cabe�a, ato que foi o bastante para fazer Harry sorrir pelo resto
do dia.
Harry sentou-se o mais longe poss�vel do resto dos Gryffindors. Ele nem havia
tocado na comida quando percebeu que algu�m sentava a sua frente. O garoto olhou e
viu Damien.
"Eu preciso falar com voc�." Damien disse com um olhar muito s�rio.
"Quando voc� n�o precisa falar comigo?" Harry disse servindo-se de panquecas.
"Harry, o que aconteceu ontem... Voc� n�o pode sair por a� tratando as pessoas
daquele jeito! Voc� n�o pode chamar os outros dessa maneira horrorosa e voc� n�o
pode machucar os outros como machucou Ron!" Damien disse o mais baixo que pode.
Harry piscou.
"E voc� acha que s� porque voc� est� me dizendo isso eu vou escutar?" Harry estava
rangendo os dentes.
"S� porque voc� � um pivete mimado que consegue o que quer dos seus �timos pais,
n�o quer dizer que pode me dizer o que eu posso ou n�o fazer!" Harry sibilou.
Damien ficou chocado com essas palavras. Ele respirou fundo para se acalmar antes
de falar com seu irm�o mais velho.
"Harry, primeiro de tudo, eu n�o sou uma crian�a mimada que consegue tudo o que
quer, segundo, se voc� falar assim dos meus pais de novo eu vou lhe mostrar o que
posso fazer."
"Voc� pensa antes de falar? Voc� realmente acha que pode me amea�ar? Escute
pirralho, eu feri muito mais pessoas do que voc� na sua vida inteira. Eu n�o sei o
que disseram de mim para voc�, mas com certeza n�o foi a verdade, j� que voc� n�o
percebe o tanto de dor que eu posso causar. Se existe algum sentimento que voc�
pode sentir por mim � medo." Harry terminou.
"Bem, eu n�o temo voc�, nem de longe. E sei que deveria, especialmente depois de
ontem, mas eu n�o tenho medo. Harry fa�a o que voc� fizer, eu nunca irei te odiar,
voc� � meu irm�o, eu n�o posso odiar meu pr�prio sangue."
"Ali�s, n�s n�o mencionamos nada de ontem a ningu�m e voc� tamb�m n�o deveria
mencionar."
"Bem, isso s� iria causar problemas. N�o s� para voc�, mas para Ron tamb�m porque
ele te atacou sem voc� nem mesmo ter uma varinha para se defender."
Damien levantou e se juntou aos amigos deixando um Harry bem confuso para tr�s.
xxxxx
Lorde Voldemort parou em frente aos seus mais leais Comensais da Morte. Lucius
havia acabado de ler a carta que seu filho, Draco, enviou-lhe dizendo sobre a
mensagem Harry. Bella parou pr�ximo a ele e apertava as duas m�os, aguardando os
comandos de seu Mestre.
Bella estava furiosa. 'O que ele acha que est� fazendo? Instruindo-nos para n�o ir
tira-lo de l� numa miss�o, Ha! Ele realmente acha que o deixaremos em Hogwarts?
Especialmente na presen�a daquele traidor do sangue, Albus Dumbledore. Apenas
espere pelo comando Bella e voc� poder� traz�-lo de volta, sim, de volta para Lorde
Voldemort, onde Harry pertence.' Pensou consigo.
"Meu Lorde, n�s fomos capazes de identificar dois ter�os deles, mas ainda estamos
trabalhando em como enfraquece-los."
Os olhos vermelhos de Voldemort queimaram em ira antes que ele falasse com o loiro
de novo.
"Meu Lorde, se eu tiver que estimar, diria que por volta de dois ou tr�s meses."
Lucius n�o estava preparado para a dor da maldi��o Cruciatus que o acertou direto
no peito. O Comensal fechou os olhos e rangeu os dentes para se impedir de gritar.
Depois de alguns minutos e umas duas Cruciatus, Voldemort sibilou.
"Lucius, Bella eu quero que voc�s se preparem, n�s estaremos indo a Hogwarts essa
noite para pegar Harry. Eu n�o estou preparado para esperar mais tr�s meses para
ver meu filho novamente. H� muitas coisas perigosas que podem acontecer nesse
espa�o de tempo."
Bella engasgou-se com a men��o de perigo. Draco tinha dito na carta que Harry n�o
estava ferido, mas tamb�m disse que o garoto parecia um pouco doente. Ela sabia
como Harry era, provavelmente ele n�o estava se cuidando direito. 'Credo Bella,
Harry tem raz�o, voc� soa como se fosse m�e dele.'.
"Meu Lorde, eu sei que o tempo est� contra n�s, mas n�o podemos ir at� Hogwarts
agora..."
As palavras de Lucius foram cortadas com outra dose de Cruciatus. Quando Lorde
Voldemort suspendeu a maldi��o, ele murmurou perigosamente para o Comensal.
"Nunca me diga o que fazer ou o que n�o fazer Lucius, isso pode ser fatal da
pr�xima vez."
"M-me desculpe Meu Lorde, eu s� quis dizer que Dumbledore n�o vai hesitar em
colocar mais for�a nos escudos se n�s aparecermos para resgatar Harry. Meu Lorde, o
Pr�ncipe Negro est� certo. Provavelmente Dumbledore quer que fa�amos isso para que
ele possa te capturar. Ele est� usando Harry para chegar at� voc�. Harry n�o quer
ser a raz�o de sua captura, por favor, Meu Lorde, Harry est� certo, o �nico jeito
de resgata-lo ser� quando os escudos estiverem enfraquecidos."
Lucius esperava n�o ser amaldi�oado novamente. Suas pernas estavam tremendo e ele
n�o conseguia respirar direito. O Comensal assistiu Voldemort pensar em suas
palavras.
"Muito bem, mas eu quero que voc�, Bella, Avery e os outros membros do circulo
interno fiquem posicionados em Hogsmead. Eu quero Hogwarts sendo vigiada sempre. Eu
n�o quero saber como, mas eu quero ao menos dez Comensais disfar�ados em Hogsmead
sempre. Se houver alguma oportunidade de trazer Harry de volta, eu n�o quero que
ela seja desperdi�ada. Entenderam?"
"Sim Meu Lorde." Lucius respondeu, aliviado pelo final da reuni�o. De qualquer modo
seu al�vio foi interrompido por Bella.
"Meu Lorde! N�o! N�s n�o podemos deixar Harry naquele lugar horr�vel. N�s n�o
sabemos o que podem estar fazendo com ele! Eles podem estar o ferindo e n�s n�o
podemos ajuda-lo. N�s temos que resgatar Harry! N�s temos que juntar as for�as!
Eles n�o podem nos derrotar. Por favor, Meu Lorde, vamos tirar Harry de l�."
Bella somente parou quando sentiu Lucius agarrando seus ombros e a sacudindo para
que ela voltasse a realidade. Ela imediatamente ajoelhou-se e se desculpou.
De qualquer forma, Lorde Voldemort n�o lan�ou a maldi��o cruciatus nela. Lucius
sempre soube que Bella era a favorita do Lorde e que ele raramente a punia. A
mulher levantou-se assim que recebeu a ordem. Silenciosamente ela seguiu Lucius e
eles come�aram a planejar a viagem para Hogsmead.
xxxxxx
Harry teve sua primeira aula de po��es naquela manh�. Quando ele entrou nas
masmorras encontrou Lily sentada em sua mesa sorrindo. Aquilo o perturbou. O garoto
n�o havia falado com ela desde sua chegada a Hogwarts. Harry foi at� o fundo da
sala e se sentou, voltando sua aten��o para a mesa.
Quando a aula come�ou Harry percebeu que Draco sentou-se longe e para a surpresa do
garoto Ron, Hermione e Neville sentaram perto. O garoto ainda estava evitando
Neville. Ele n�o sabia se conseguiria olhar o menino e n�o se lembrar da noite do
ataque aos Longbottoms. Harry balan�ou a cabe�a. 'Esque�a isso' Pensou. O garoto
girou, inconscientemente, o anel preto e prata que tinha no dedo. Ele foi retirado
de seus pensamentos pela voz de Lily.
"Certo, bom dia classe, decidi que n�s iremos come�ar com uma breve revis�o. Eu sei
o quanto os ver�es nos fazem esquecer as no��es b�sicas de po��es, portanto decidi
rever a mat�ria de N.O.M's para depois avan�armos com a mat�ria de N.I.E.M's.
Lily deixou seus olhos repousarem em Harry por um momento. O garoto abaixou a
cabe�a para que ela n�o conseguisse ver sua express�o. Ele sabia que a revis�o
aconteceria por sua causa e sorriu ao pensar no choque que a mulher receberia,
quando descobrisse o qu�o avan�ado ele j� estava na mat�ria. Seu pai come�ou a lhe
ensinar po��es aos nove anos. Harry viu as m�os erguidas para responder as mais
simples perguntas.
O garoto n�o se ofereceu para responder nenhuma pergunta e viu a m�o de Hermione
levantar todas as vezes. Ela respondia todas as quest�es como se fosse um livro
texto.
'Merlin, ao menos responda com suas pr�prias palavras.' Pensou consigo enquanto
escutava Hermione recitar os 'dez usos da l�ngua de Drag�o'.
Harry foi retirado de seus pensamentos ao ouvir seu nome sendo chamado. Ele olhou e
percebeu que todos o estavam encarando. Lily estava olhando para o garoto esperando
ele responder a pergunta feita. Harry n�o havia escutado uma �nica palavra e a
observava neutro. Ele ouviu uma risadinha pr�xima e viu Ron e Hermione tentando
parar de rir. Lily repetiu a quest�o.
"Hervincore � utilizada em po��es para controlar a mente e s� pode ser usada se for
completamente dissolvida na po��o, enquanto Harnicord � utilizada para controlar
algumas emo��es como, raiva, depress�o ou at� viol�ncia. Essa erva pode ser
utilizada depois que a po��o � feita. A diferen�a entre elas � a habilidade de
utilidade e seu prop�sito de controlar a mente ou as emo��es. Quando a po��o �
tomada, ambas ervas conseguem fazer com que ela n�o seja detectada na corrente
sangu�nea."
Harry terminou e viu o olhar de choque no rosto dos alunos. Hermione ainda estava
com a m�o no ar, pois esquecera-se de abaixa-la. Ron e Neville estavam de boca
aberta e sem palavras. At� Draco tinha um olhar surpreso. Lily ficou orgulhosa. Nem
mesmo ela poderia ter respondido t�o bem.
Harry grunhiu. Se ele soubesse que a resposta certa iria lhe render pontos, teria
mentido ou talvez nem teria respondido.
A aula continuou com mais revis�o e logo todos estavam se preparando para a
pr�xima. Quando Draco passou por Harry, deixou cair um papel. O moreno pegou e
colocou no bolso das vestes discretamente. Antes que ele pudesse sair, Lily o
chamou.
"Harry, eu fiquei realmente impressionada com a sua resposta na aula de hoje, voc�
deve ter um profundo conhecimento em po��es." Lily estava sorrindo para o garoto,
mas ele apenas a encarou friamente.
Lily tentou n�o deixar o comet�rio a afetar. Ela respirou fundo e colocou uma m�o
no ombro dele.
"Harry, seu sei que as coisas est�o bem dif�ceis e que voc? est� muito zangado
conosco por ser colocado no meio disso, mas � tudo para o seu pr�prio bem." Lily
queria dizer palavras de conforto, mas as que ela falou tiveram um efeito
completamente contr�rio.
Harry tirou a m�o dela de seu ombro e saiu tempestivamente da sala. Lily suspirou e
tentou n�o se chatear com Harry. Essa resist�ncia era esperada, mas ela tornava-se
cada vez mais dolorosa. Lily retirou esses pensamentos da cabe�a e preparou-se para
a pr�xima aula com os terceiros anos. Ela viu Damien e percebeu que ele havia se
sentado no lugar onde seu irm�o estava instantes antes. A Professora sorriu e
come�ou sua aula.
xxxxx
'Biblioteca �s oito.'
Harry suspirou e olhou seu prato, havia perdido completamente o apetite desde o
momento em que estava l�. Ele raramente comia alguma coisa e sentia-se meio tonto,
mas de jeito nenhum a comida descia. Sem nem perceber o garoto come�ou a brincar
com a Horcrux que estava em seu pesco�o, desejando estar com seu pai naquele
momento. Harry rapidamente for�ou um pouco de batatas em sua boca e esperou James
vir busca-lo.
James chegou quinze minutos depois. Quando ambos estavam na escada, Harry virou-se
para o auror.
"O que voc� acha? Voc� est� me fazendo assistir aulas de N.I.E.M's, eu tenho que
fazer todas as li��es e pegar refer�ncias em livros." Harry assistiu James observar
sua face.
"Por que voc� n�o vai amanh� de manh�, voc� n�o vai conseguir nada hoje a noite."
"Se voc� vai come�ar a dizer quando eu irei fazer minhas li��es, ent�o voc� pode
faze-las, pois eu n�o vou..." Harry foi cortado por James.
"Okay, okay, Merlin foi apenas uma sugest�o. Se voc� quer ir � biblioteca agora,
ent�o est� bem, mas vamos r�pido o lugar fecha �s nove."
Dito aquilo ambos encaminharam-se para a biblioteca. James deixou Harry ir procurar
o livro que queria e parou para conversar com os Professores que estavam por l�.
Harry avistou a cabe�a loira entre os livros e r�pidamente moveu-se para l�. Parou
ao lado de Draco e fingiu estar vendo livros. O loiro disse-lhe que Voldemort havia
mandado uma mensagem. Harry devia ficar em Hogwarts e n�o devia se envolver em
nenhum problema enquanto o processo para enfraquecer os escudos acontecia. Se
houvesse algum modo de escapar, muitos Comensais da Morte estavam disfar�ados em
Hogsmead.
De acordo com o pai de Draco, Lorde Voldemort e Bella n�o queriam esperar que os
escudos fossem enfraquecidos e queriam desesperadamente ir busca-lo. Lucius
conseguiu acalma-los e mostrou que ele estava bem. N�o havia nenhum outro jeito. Os
escudos do castelo n�o podiam ser destru�dos, mas os do jardim podiam, j� que
nenhum Comensal entraria em Hogwarts, eles poderiam ficar l� fora duelando com os
aurores enquanto Harry escapava.
O garoto sentiu seu cora��o apertar com a men��o de Bella e de seu pai. Harry disse
tudo a Draco, como ele foi capturado e a tortura que era ser escoltado por James.
"O que eu n�o entendo � por que voc� est� concordando com isso tudo? Por que voc�
n�o d� a Potter o que ele merece? Digo, voc� sabe que pode derrota-lo facilmente."
"Draco, eu pensei que voc� fosse Slytherin, mas est� parecendo um Gryffindor bobo."
"Use sua cabe�a Malfoy! O que eu ganharia derrotando Potter? Eu n�o conseguiria
escapar do mesmo jeito! Mesmo se eu puder derrotar Potter sem minha varinha agora,
como eu irei derrotar os trinta aurores que estar�o automaticamente l� fora?"
"Ao menos s�o trinta e voc� est� esquecendo Dumbledore. Mesmo sendo o Pr�ncipe
Negro, eu nunca conseguiria passar por todos os aurores mais Dumbledore sem minha
varinha, mas n�o se preocupe, eu n�o irei ficar quieto."
"Eu decidi isso quando cheguei em Hogwarts. Tudo o que eu tenho que fazer �
brincar. Tenho que brincar de leve, deixa-los pensar que eu n�o tenho chance a n�o
ser seguir as ordens. Assim que eles abaixarem a guarda eu me divirto. Irei separa-
los e destrui-los. Claro que at� l� meu pai j� ter� conseguido abaixar as for�as
dos escudos e ent�o poderei voltar pra ele."
Os olhos de Harry estavam queimando de um jeito que Draco nunca havia visto antes.
"Voc� acha que pode controlar seu temperamento, afinal voc� pode ser pego se
repetir o feito da noite passada?"
Harry sabia sobre o que Draco estava se referindo, o incidente com Ron. N�o tinha
nenhum jeito dele ter sabido disso, ningu�m ficou sabendo. Com o olhar de
interroga��o de Harry, Draco explicou.
"Zabini estava na enferm�ria quando Weasley foi trazido. Zabini ouviu toda a
conversa entre os tr�s idiotas."
"Draco relaxa, voc� sabe minhas regras, mas Dumbledore n�o. Isso vai ser muito
divertido." Harry viu james procurando por ele. A conversa tinha que acabar.
"Draco apenas deixe meu pai saber que eu estou bem e pe�a a ele para controlar seu
temperamento. Isso j� � dif�cil sem as dores de cabe�a."
Draco empalideceu.
"Eu n�o irei mada-lo fazer nada, ele ir� querer minha cabe�a se eu disser algo."
Harry riu por causa da express�o de medo de seu amigo e andou em dire��o a James.
Depois de checar alguns livros, o garoto retornou para o sal�o comunal. Harry
evitou todo mundo e entrou no quarto.
Muitos Gryffindors, a maioria garotas, tentaram falar com ele, mas o moreno
conseguiu escapar e estava agora deitado confort�velmente em sua cama, pensando no
caos que iria causar. Com esses doces pensamentos Harry pegou no sono.
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Os outros dias passaram-se normalmente. Harry ficou surpreso ao ver que Damien
voltou a ser o menino perturbante que o vivia enchendo sobre coisas da escola. Os
amigos de Damien mantinham dist�ncias para o al�vio de Harry. De qualque maneira
muitos alunos estavam ficando interessados no garoto. Parecia que toda a popula��o
feminina queria falar sobre o lindo e misterioso garoto de cabelos rebeldes e olhos
verdes. Harry as ignorava o mais que podia. Muitas delas n�o falavam com ele,
apenas ficavam observando e dando risadinhas. 'Est�pidas' murmurou consigo.
Harry foi escoltado para o caf� por James. O garoto observou quando o auror pegou
uma varinha e lhe deu. O adolescente ficou apreensivo quando a tocou. A varinha n�o
era sua, isso era �bvio, mas havia algo muito errado com ela. Harry deu um olhar
questionador a James.
"Essa varinha � apenas para feiti�os simples. Foi especificamente preparada para
voc�. Ir� fazer o necess�rio nas aulas e voc� n�o conseguir� fazer nada mais al�m."
James observou Harry ficar vermelho de raiva, seus dedos tornaram-se brancos quando
ele apertou a varinha.
"Sim, falsificamos. Era o �nico jeito que n�s t�nhamos para que voc� n�o nos
passasse a perna. Quando voc� provar que � confi�vel para ter uma varinha pr�pria,
voc� ter�, at� l� ficar� com essa." James estava rezando para que o garoto n�o
sa�sse dando "varinhadas" em todo mundo.
Harry estava bem pr�ximo de fazer isso. Ele achou um ultraje ter ganhado uma
varinha infantil, uma com que podia fazer m�gica, mas de modo controlado. O garoto
ainda estava rangendo os dentes quando falou com James novamente.
"Quando eu sair dessa bagun�a Potter, lembre-me de dar a todos voc�s uma morte
horr�vel."
James sorriu para a amea�a de Harry. Ele recebia do garoto uma por dia.
"Eu com certeza irei." Disse casualmente fazendo o garoto ficar mais vermelho.
Harry entrou tempestivamente no Sal�o e sentou na barulhenta mesa de Gryffindor.
Depois do caf� Harry foi levado para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas.
Essa era a aula que ele realmente queria ver. Ele entrou na sala e sentou no meio
esperando pelo professor de DCAT. Quando Severus Snape entrou com suas vestes
flutuando atr�s dele, Harry sentiu um sorriso se formando em sua face.
Snape n�o sabia como tratar o garoto. Certamente ele n�o iria ignora-lo como os
outros, tampouco iria trata-lo como um aluno normal.
Harry iria adorar ver Snape sofrer e como ele estava de mau-humor hoje, precisava
de algo para entrete-lo.
Snape parou na frente de todos. Sua aten��o foi voltada para Harry
instantaneamente. Ele que sempre foi um homem de grande compostura sentiu seu
cora��o bater r�pido. Se ser um espi�o na frente de Voldemort n�o era o suficiente,
agora ele teria que bancar o Comensal da Morte leal para o Herdeiro assasssino
maluco do Lorde. Snape ficou feliz por ter bebido po��o calmante antes de ir dar
aula, isso com certeza o ajudaria a lidar com Harry.
"Eu tenho uma pergunta. Por que voc� est� ensinado azara��es t�o fracas quando
existem tantos outros feiti�os mais importantes para aprender?"
A face do professor Snape ficou vermelha. Sua batalha interna para controlar seu
temperamento n�o estava funcionando. Ele caminhou at� Harry e n�o segurou o
sentimento de �dio ao ver aquele rosto t�o parecido com o de James Potter.
"Sr. Potter, voc� � novo, portanto eu irei dar a voc� o que eu nunca dei a nenhum
estudante aqui, uma segunda chance. Se voc� tiver alguma d�vida sobre como lan�ar o
feiti�o ent�o pergunte, mas se voc� vai criticar meu curriculum ent�o eu irei pedir
para que o senhor mantenha suas opini�es para si mesmo."
O rosto de Snape estava retorcido de um modo perigoso que faria qualquer aluno
tremer de medo. De qualquer maneira para Harry aquela express�o n�o era nada. O
garoto somente sorriu e perguntou mais polidamente.
"Bem, perdoe-me por chatear voc� Professor, mas eu pensei que seria melhor gastar o
tempo aprendendo Defesa Contra as Artes das Trevas de verdade do que feiti�os sem
import�ncia, sem dizer in�teis se usados em combate. Digo, no meio da guerra, como
uma azara��o de confundir ir� te ajudar contra as maldi��es imperdo�veis?"
Harry escutou os alunos segurarem o ar. A verdade seja dita, ele n�o se importava
que os alunos aprendessem coisas banais, isso at� ajudaria na guerra e benefici�ria
o seu lado, j� que a nova gera��o de bruxos e bruxas n�o teriam poder o suficiente
para lutar e se defender. O garoto s� estava dizendo aquilo para perturbar Snape o
que era extremamente divertido para o moreno.
Harry manteve os seus olhos verdes encarando os negros do Professor. Snape parecia
ter dificuldade para falar. O garoto sabia que se o Comensal mais velho soltasse
toda sua raiva ele iria queimar. Harry fez cara de inocente enquanto esperava uma
resposta. A sala inteira estava focada em Snape. Qual seria a puni��o de Harry?
Para a surpresa de todos o Professor pareceu se acalmar e sorriu para Harry. A sala
concluiu que um sorriso no rosto do professor era mais assustador do que a cara de
bravo.
"Certo Sr. Potter, talvez voc� queira ficar at� mais tarde hoje e me dar uma lista
de todos os feiti�os que valem a pena serem ensinados."
Snape estava irado com o comportamento do garoto, ele colocou as m�os em cima da
mesa dele e aproximou-se para que sua face ficasse a centimetros da de Harry.
"O que voc� quer dizer com 'n�o' Sr. Potter?" Snape sibilou.
"Eu disse n�o, eu n�o vou cumprir essa deten��o, eu n�o fiz nada para merece-la.
Tudo o que eu fiz foi expressar minha opini�o sobre os feiti�os que voc� est�
ensinado. Eu apenas fiz uma sugest�o e voc� n�o pode me punir por causa disso," e
ent�o Harry acrescentou num sussurro para que apenas Snape pudesse escutar "e eu
quero ver voc� tentar."
Snape etava sem palavras, qualquer outro aluno j� estaria de deten��o por um ano.
De qualquer modo ele n�o podia fazer isso com Harry e para o desespero do
professor, o garoto sabia disso. Harry observou Severus sair de perto e virar-se
para a sala. Os alunos ficaram temerosos ao verem o Professor amea�ar de morte,
gritar e resmungar sobre o estudante que ousou insulta-lo.
Snape continuou de mau-humor at� o final da aula gritando sobre como fazer a
azara��o e dando muito mais li��o do que pretendia. Harry saiu da sala sentindo-se
bem melhor. Ele podia perturbar Snape e sair ileso, claro que ele podia fazer isso
com todos, mas com Snape era mais divertido. De todos os Comensais de seu pai,
Harry nunca confiou em Severus. Seu pai sempre disse que ele era um bom espi�o,
por�m o garoto tinha s�rias d�vidas sobre a lealdade do bruxo.
"Bem, ao menos uma boa coisa aconteceu em Hogwarts. Eu serei capaz de ver de qual
lado Snape est�." Harry pensou consigo quando saiu da sala.
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Cap�tulo vinte: Clube de Duelos
James e Lily continuaram se esfor�ando para fazer Harry se abrir. De qualquer modo,
ao contr�rio de Damien, os esfor�os deles n�o funcionaram. Eles eram sempre
cortados brutalmente. Harry n�o conversava com ningu�m dos que trabalhavam em
Hogwarts al�m de Poppy e Snape. Poppy sempre checava a sa�de do garoto.
Primeiramente por causa de seus machucados, depois passou a ser um costume, a
enfermeira passar alguns minutos por dia conversando com Harry sobre coisas
normais. Quanto a Snape, seus encontros com o garoto eram uma tortura. Ele o
ridicularizava e discordava das sua t�cnicas de ensino. O que impressionava a todos
era a rea��o do Professor. As deten��es faziam Harry rir e n�o havia mais nada que
o Professor de DCAT podia fazer. Se ele tirava pontos de Gryffindor, Harry ficava
feliz. O maior medo de Snape agora era perder sua posi��o intimidante.
"Eu n�o ag�ento mais! Ele riu de mim quando eu estava ensinando a azara��o
refletora. Ele riu Dumbledore! E eu n�o posso fazer nada para assusta-lo. Voc� sabe
que na �ltima reuni�o dos Comensais, o Lorde das Trevas perguntou como Harry estava
indo e quando eu disse a ele sobre suas maneiras, o Lorde me avisou que se o seu
filho fosse punido por qualquer Professor, ele iria querer minha cabe�a! Eu n�o
ag�ento mais." Snape caiu sentado na cadeira contr�ria a Dumbledore enquanto o
diretor o observava silenciosamente.
"Severus, eu sei que isso � muito frustrante para voc�, mas n�o h� nada que eu
possa fazer. Se eu decidir puni-lo, voc� ter� problemas com Voldemort. Acho que o
melhor � ignorar o garoto como voc� j� est� fazendo."
"Bem, � �bvio que isso n�o est� funcionando, est�? Logo ningu�m ter� mais medo de
mim." Snape olhou rapidamente para o diretor que parecia desgostoso.
"Bem, voc� sabe o que eu quero dizer, eu tenho um certo... respeito e... e isso s�
pode funcionar apenas se... se eu tiver alunos que me respeitem o bastante para n�o
perguntar e para n�o me perturbarem com coisas chatas."
Snape pensou sobre isso e percebeu que de fato era verdade. Desde que ele n�o podia
fazer nada em rela��o a Harry, come�ou a assustar ainda mais os outros estudantes.
O Professor pareceu ficar extremamente contente com isso.
Snape sabia que Harry apenas o torturava, pois o garoto sabia que o medo de
Voldemort o faria ficar quieto. Como todos os Professores de Hogwarts, ele s� iria
falar com o garoto quando necess�rio.
"Alguma informa��o sobre o que Voldemort planejou para poder resgatar Harry?" Ele
perguntou.
"N�o, temo que n�o. Definitivamente existe um plano de resgate ao Pr�ncipe Negro,
por�m ningu�m sabe qual � ainda. Eu sinto que a confian�a do Lorde em mim est�
falhando, eu omiti coisas demais."
"Parece, Severus, que eles andam tendo d�vidas de onde est� sua lealdade. Eu iria
com mais calma meu garoto, n�o quero perder voc�."�
Snape apenas sorriu fracamente. Se seu disfarce fosse descoberto, ent�o ele com
certeza iria ser enterrado a sete palmos.� O Professor se levantou para sair, ele
ainda tinha que planejar uma aula e tinha que lidar com Harry dali a duas horas.
"Por que eu sempre transformo um c�lice perfeito em um rato grande e feio?" Ron
perguntou quando tentava fazer os movimentos certos do feiti�o. Hermione suspirou
enquanto tentava decorar lendo em cinco livros diferentes tudo o que aprendera na
aula de hoje com McGonagall sobre aquele feiti�o. Hermione tinha que admitir,
aquilo era dif�cil.
Ela olhou Damien entrando no sal�o comunal. Eles iriam almo�ar em breve e
provavelmente o menino sentaria-se com Harry, portanto Ron e Hermione resolveram
passar alguns minutos com ele naquele momento.
"Hey Damy, aonde voc� estava?" Ron perguntou enquanto parava de fazer sua reda��o.
"Apenas terminando a aula de adivinha��o, cara aquilo � um saco. Como algu�m pode
entender alguma coisa daquilo?" Damien respondeu enquanto caia em uma cadeira
pr�ximo a lareira.
Os dois sextanistas riram por causa das palavras do menino. Adivinha��o realmente
era chato e tanto Ron quanto Hermione eram gratos por n�o terem mais que fazer
essas aulas.
"O que voc�s dois est�o fazendo?" Damien perguntou enquanto observava os livros
espalhados em volta de Hermione.
"Tentando em v�o fazer essa reda��o est�pida de transfigura��o." Ron respondeu
enquanto batia sua pena no pergaminho.
"Sem ofensas companheiro, mas eu n�o acho que voc� saiba a resposta." Ron disse
enquanto Hermione o encarava.
"Ron, se Damien quer saber ent�o voc� deveria dizer a ele. � muito raro Damien se
interessar por alguma coisa relacionada a estudos."
Ron suspirou e leu o t�tulo de sua reda��o. Damien sorriu e come�ou a rir consigo.
"O que? Por que voc� est� rindo? O que � t�o engra�ado sobre a reda��o?" Ron
perguntou enquanto Hermione encarava o menino risonho que estava pr�ximo a ela.
"Nada, n�o h� nada engra�ado sobre isso, eu estava apenas rindo do que voc� ir�o
dizer ao saberem que eu posso ajuda-los."
Damien sorriu de lado por causa dos olhares incr�dulos de seus amigos. Hermione
recuperou-se primeiro.
"Damy, isso � n�vel de transfigura��o de N.I.E.M. Como voc� poderia ser capaz de
ajudar?" Ela perguntou calmamente de modo a n�o desrespeitar o menino. Ele estava
apenas tentando ajudar.
"Eu n�o disse que responderia a resposta Mione, eu disse que sou capaz de ajuda-los
a completar a reda��o." Damien replicou.
"Bem, como voc� vai fazer isso?" Ron perguntou batendo ansiosamente em seu
pergaminho.
"Eu conhe�o algu�m que completou essa reda��o h� duas noites atr�s."
"Harry"
"Voc� est� louco? Voc� quer que a gente pe�a ajuda para o Harry? N�o obrigado, acho
que prefiro pedir a um 'Troll'." Ron disse teatralmente.
"Ron, quem disse que voc� precisa pedir a Harry para ajuda-lo? Escuta, eu estava l�
quando ele completou a reda��o. Eu sei onde ele a colocou. Eu posso ir pega-la para
voc�s. Tenho certeza de que Harry n�o vai se importar." Damien disse.
"N�o! N�s n�o queremos que voc� fa�a isso! O que voc� acha que ele far� conosco
quando descobrir que copiamos sua reda��o? Eu n�o sei quanto a voc�, mas eu quero
ter meus punhos unidos com as minhas m�o." Ron disse um pouco vermelho.
"Ron, honestamente, ele n�o ir� dizer nada e se voc� est� com medo eu posso pedir
antes."
"Quem disse que ele fez a reda��o certo? Digo, sem ofensas, mas se nem Hermione
conseguiu achar a resposta eu n�o sei se mais algu�m possa." Ron continuou sem
perceber a garota corando.
"Vamos l� Ron, voc� sabe como Harry � bom nos estudos. Toda a li��o que ele faz
ganha um �timo��."
"Como voc� sabe disso?" Hermione perguntou suspeita. Ela e Ron sabiam que Harry
estava recebendo 'excelente' em toda aula, mas como Damien saberia? Certamente
Harry havia contado.
"Todos os professore contaram ao meu pai como Harry est� se saindo. Mam�e disse que
ela estava surpresa por Harry ter feito as li��es sem nem mesmo prestar aten��o nas
aulas e sem demonstrar o m�nimo interesse por elas. Papai disse que acha que Harry
s� faz as li��es para mostrar que a educa��o que ele teve � bem melhor do que a
ensinada em Hogwarts." Damien terminou sem jeito. Eles sabiam quem eram os antigos
professores de Harry isso enervava o tr�s adolescentes.
"Damien, obrigada pela sugest�o, mas acho que eu e Ronald iremos terminar essa
reda��o por n�s mesmos." Hermione disse baixinho.
Ron e Hermione gastaram mais dez minutos tentando completar a reda��o. Quando
Damien desceu as escadas novamente os dois sextanistas juntaram-se a ele para ir
jantar. Ningu�m mencionou a reda��o novamente.
"Certo, vejo voc�s depois... ao menos... que queiram vir comigo?" Damien perguntou
esperando que talvez hoje seus amigos o acompanhariam.
"Antes que voc�s digam n�o novamente, apenas me escutem. O que aconteceu foi
errado, mas faz um m�s e eu acho que devemos enterrar isso no passado. Digo, por
quanto tempo voc�s ir�o ficar ressentidos?"
"Damien! Ele quebrou os punhos de Ron." Hermione sussurrou baixinho para o menino
para que os outros alunos n�o escutasse.
"Eu sei, mas... vamos l� Ron, voc� sabe que n�o deveria t�-lo atacado. Ele nem
mesmo podia se proteger. O que ele fez foi em auto defesa." Damien tentou suplicar
ao ruivo.
Ron olhou Damien e abriu sua boca para responder, queria dizer que ele apenas fez o
que fez porque Harry havia chamado Hermione daquele nome horr�vel, mas o olhar de
desola��o que havia na face de Damien o fez mudar de id�ia. "O qu�o ruim isso
poderia ser? Se Harry e Ron sentassem na mesma mesa e n�o se falassem um com o
outro, qual seria o perigo?"
"Certo Damy, mas eu e Mione n�o iremos falar com ele, Ok?"
"Ok!" Damien respondeu excitado.
Ele praticamente correu at� o lugar onde Harry estava sentado. Ron e Hermione
seguriam-o silenciosamente. A garota mandava olhares gelados a Ron.
Harry olhou pra cima e viu Damien correndo at� ele. 'Esse pirralho n�o cansa de
ficar atr�s de mim?' Pensou consigo.
"Legal, escuta, Ron e Hermione ir�o sentar com a gente, ok? Mas por favor, n�o diga
ou fa�a nada que possa resultar em briga. Por favor, eu imploro, ok? Apenas seja
civilizado."
Harry abriu a boca para discordar, mas antes que pudesse dizer algo viu os dois
Gryffindors aproximarem-se da mesa e depois de o encararem, ambos sentaram perto de
Damien. Harry os ignorou e continuou comendo. Depois de um ou dois minutos
desconfort�veis Damien, Ron e Hermione come�aram a comer e a falar. O garoto apenas
ficou quieto e comeu, ele normalmente fazia isso com Damien tamb�m. Depois que
comeram as sobremesas, Ginny aproximou-se deles. Ela parecia realmente irritada por
seu irm�o e por seus amigos estarem sentados perto de Harry. A menina lan�ou um
olhar furioso para o moreno de olhos verdes antes de come�ar a falar com Hermione.
"Eu me sinto p�ssima. Eu tinha dito que ajudaria a acha-lo e agora eu desisto."
"Mione, n�o se preocupe com isso. Ginny tem que admitir que ela nunca vai encontra-
lo. Digo, ela nem mesmo viu o rosto dele! Como em nome de Merlin ela espera
reconhece-lo?"
Harry estava tentando n�o prestar aten��o nos tr�s adolescentes sentados a sua
frente, mas com a men��o de Ginny procurando por algu�m o qual o rosto n�o foi
mostrado o chamou a aten��o. Harry se perguntava se a menina j� havia descoberto
que havia sido ele quem a salvara. O garoto pensou que ela devia ter refletido
nisso por uns dias e depois esquecido. Fazia aproximadamente uns cinco meses que o
incidente havia acontecido. Certamente Ginny n�o estava mais pensando nele, n�o,
isso era imposs�vel. A menina provavelmente estava procurando por outra pessoa.
Mesmo se estivessem falando sobre ele, que diferen�a isso faria? Harry n�o iria
contar a ningu�m sobre aquilo. Isso s� iria fazer Dumbledore e Potter terem id�ias
sobre traz�-lo para o lado da luz.
Harry virou-se para acabar de jantar e poder subir para seu dormit�rio. Ele estava
bem cansado.
"Ron, voc� quer voltar para completar a reda��o?" Hermione perguntou quando come�ou
a se levantar.
Damien choramingou.
"Ron, voc� disse que viria ao clube dos Duelos comigo hoje. � o primeiro dia e n�s
o estamos esperando a s�culos."
Ron olhou Hermione com um olhar suplicante. A garota o estava encarando e negava
com cabe�a.
"Ron, voc� sabe que n�s temos que terminar essa reda��o. A Professora McGonagall
ir� pedir nossa cabe�a se n�o entregarmos uma li��o de novo."
"Mione, eu prometi a Damy no ano passado que quando ele entrasse no terceiro ano e
pudesse ir ao clube eu iria com ele. Eu n�o posso quebrar minha promessa, posso?"
Hermone apenas resmungou e enquanto sa�a do Sal�o, concordou em deixa-lo copiar sua
reda��o depois.
Ron e Damien olharam-se por um minuto e logo depois come�aram a rir como idiotas.
"Cara, eu n�o posso esperar! Eu vou duelar com algu�m, isso � t�o legal."
Harry estava quase indo dormir, mas a men��o do clube dos Duelos o chamou a aten��o
novamente para os dois Gryffindors. O garoto n�o sabia que havia um clube dos
Duelos em Hogwarts, Draco nunca mencionou isso.
Damien virou-se para pegar sua mochila e percebeu que Harry estava l�. 'Saco, quase
esqueci dele.' Pensou consigo meio envergonhado.
"Hey Harry, voc� quer vir tamb�m?" Damien perguntou antes que Ron pudesse dizer
algo.
Harry olhou Damien tentando saber se isso era s�rio ou n�o. Antes que ele pudesse
responder Ron falou.
"Voc�... voc� quer que ele venha conosco?" Ele perguntou olhando o menino como se
ele estivesse louco.
"Porque... bem, voc� sabe... ele... ele, ele n�o precisa aprender a duelar e ele
provavelmente... voc� sabe... ele vai..."
.
"Eu provavelmente vou acabar com todo mundo facilmente, certo?" Harry terminou por
ele.
"Voc� realmente quer que eu v�?" Harry perguntou. Ele estava inseguro se Damien o
havia convidado ou apenas perguntou por educa��o. O garoto sabia que provavelmente
iria ao clube com ou sem o pedido de Damien, mas por alguma raz�o desconhecida ele
queria saber se o menino realmente queria que ele fosse.
Harry n�o sabia como responder, portanto ele deu de ombros e pegou sua mochila.
Damien deu um grande sorriso e virou para a mesa principal e sinalizou para seus
pais que estava saindo com Harry. Depois de receber uma resposta de Lily, os tr�s
garotos foram para o clube.
Harry entrou no enorme sal�o, n�o era t�o grande quanto o seu local de treinamento
particular, mas dava pro gasto. Havia uma plataforma no meio e em frente a ela
havia quatro ta�as. Pareciam trof�us, as quatro eram feitas de prata e tinham uns
s�mbolos estranhos. Quando o garoto come�ou a analisa-las, percebeu que eram os
s�mbolos que representavam as casas, Gryffindor, Ravenclaw, Hufflepuff e Slytherin.
Harry olhou as ta�as e ficou pensando pra que elas eram usadas. Ele olhou em volta
e examinou o sal�o. O lugar estava abarrotado de alunos. A maioria deles eram
sextanistas e setimanistas. Damien rapidamente aproximou-se de Harry, ele parecia
bem excitado.
"Bem Harry, o que voc� achou? Bem legal n�. Eu mal posso esperar para que comece."
Harry virou para seu irm�o e viu sua rea��o a ter um duelo amig�vel. O garoto n�o
conseguia lembrar em ter ficado excitado com alguma coisa desse tipo. Ele pensou em
qu�o diferentes foram as suas vidas. Harry balan�ou a cabe�a e tentou afastar esses
pensamentos.
O garoto viu um loiro entrar acompanhado por seus capangas usuais, Crabbe e Goyle.
Harry sorriu. 'Isso vai ser divertido'.
Harry foi em dire��o aos tr�s Slytherins. Draco levou um susto ao v�-lo.
"Harry! Como voc�... O que voc� est� fazendo aqui?" Ele perguntou.
"Draco, eu disse que ficar o tempo inteiro na frente do espelho iria danificar seu
pequeno c�rebro."
"Calma a� � sarc�stico. Eu quis dizer o que voc� est� fazendo no clube dos Duelos?
Eu n�o sabia que Potter o deixaria vir."
Draco sorriu de lado e estava preste a fazer outra pergunta quando as portas do
sal�o foram abertas e a Professora June entrou.
A Professora era uma bruxa de meia idade com um cabelo curto roxo e incr�veis olhos
azuis como safiras. Ela andou em volta com uma graciosidade que Harry nunca havia
visto.
"Eu sou a Professora June, para aqueles que est�o vindo no clube pela primeira vez,
bem vindos, para aqueles que j� vieram, bem vindos de volta. Deixe-me dizer as
regras antes de come�armos."
"Haver� apenas duelos em duplas. Todos que desejarem participar dever�o colocar o
nome dentro de sua ta�a correspondente. As ta�as das casas ir�o escolher os
oponentes. Se voc� deseja duelar com algu�m de sua pr�pria casa, dever� pedir minha
permiss�o. Eu n�o irei tolerar nenhum comportamento idiota e irei banir do clube
qualquer estudante que lan�ar um feiti�o n�o permitido em Hogwarts."
Isso foi dito diretamente para Harry. O moreno apenas sorriu de lado. Mesmo se
Harry quisesse lan�ar qualquer maldi��o, n�o seria capaz, sua varinha n�o estava
apta para esse tipo de feiti�o. Ele olhou Damien e viu que o menino n�o estava
prestando aten��o na Professora, ele estava muito ocupado lan�ando olhares g�lidos
com outro terceiranista Slytherin. Harry sorriu ao pensar em Damien duelando. 'Ele
provavelmente ainda nem mesmo sabe bloquear alguma coisa.' Pensou. O moreno estava
observando os alunos de Hogwarts se desafiando, mesmo se fosse apenas para um duelo
amig�vel. 'S� de ver o n�vel de educa��o deles, eu n�o ficaria surpreso se eles
conseguirem apenas usar feiti�os para desarmar.' Pensou novamente.
Harry estava adorando. Mesmo os setimanistas, aqueles que logo se formariam, n�o
sabiam duelar propriamente. Eles n�o tinham a m�nima chance contra seu pai. A
maioria deles seria facilmente destru�da pelo lado das trevas.
O moreno colocou seu nome na ta�a de Gryffindor e parou ao lado de Draco que
colocou seu nome na ta�a de Slytherin. Ambos ficaram esperando para saber quem
seria o seu oponente.
"Eu mal posso esperar para ver o pobre idiota que ir� ser seu oponente." Draco
disse com um sorriso de lado.
"Eu sei, eu n�o tenho socado ningu�m por seis semanas. Irei gostar imensamente
disso." Harry disse estralando os dedos.
Draco apenas deu um sorrisinho, ansioso por ver Harry em combate. Ele apenas tinha
visto o moreno em treinamento uma ou duas vezes, mas ver o Pr�ncipe Negro duelando
era extremamente raro.
Draco quase teve um colapso quando viu 'Draco Malfoy' pr�ximo a 'Harry Potter'.
Ele olhou o moreno que estava ao seu lado. Harry tinha um olhar estranho na face.
O sal�o bateu palmas para os dois sextanistas por educa��o. Draco olhou em volta
nervosamente. O que ele faria agora? Ele n�o podia voltar atr�s no duelo a partir
do momento em que a ta�a cuspiu seu nome pra fora. Muito menos podia ganhar um
duelo com Harry, isso n�o era poss�vel e se ele perdesse, sua derrota seria em
frente a todos os Slytherins. Ele olhou para Harry que deu ao loiro um sorriso
sarc�stico antes de andar at� a plataforma. Draco o seguiu rapidamente e tentou
pensar em alguma coisa para fazer. Antes que os dois garotos subissem na
plataforma, Draco sussurrou rapidamente.
"Lembre-se Harry, eu sou seu amigo, seu �nico amigo. Ok? Lembre-se disso."
Dito aquilo os dois garotos subiram na plataforma. Damien e Ron assistiram a cena
inteira sem tirar os olhos deles. O menino murmurou para Ron.
"Eu diria isso." Ron estava indeciso sobre quem deveria se dar mal. Ele odiava
Draco Malfoy com toda a for�a de seu ser, mas ele tamb�m queria ver Harry levando a
pior. Eles assistiram Draco e Harry se cumprimentarem.
Harry permitiu que Draco desse o primeiro passo. O loiro estava concentrado nas
palavras do amigo e lan�ou um 'Stupefy' em cima dele. 'Ele n�o � um amigo, � apenas
um oponente, n�o � nem mesmo o Pr�ncipe Negro, � apenas um oponente'.
Harry esperou at� a luz chegar bem perto para refleti-la direto para Malfoy, o
feiti�o zuniu para a outra dire��o e acertou Draco bem no peito, fazendo o garoto
ser suspendido no ar e cair de costas. O loiro segurou as costas e grunhiu. Harry
ouviu vivas de muitos Gryffindors que estavam assistindo.
"JABASCO" A azara��o que ele mandou, faria Harry vomitar pequenas lesmas. O moreno
esperou o feiti�o chegar perto e no �ltimo momento apenas saiu do caminho. Isso o
fez ter outro round de vivas e aplausos. Os alunos de Hogwarts nunca haviam visto
ningu�m com reflexos t�o bons.
Draco estava come�ando a perder o controle. Ele n�o podia pensar em perder, afinal
de contas era um Slytherin, ele n�o perdia nada. O loiro resolveu brincar mais
s�rio.
"SORUPTO" Sibilou. De qualquer modo, Harry levantou seu escudo e assim que o
feiti�o o tocou, esvaneceu. Os alunos se engasgaram ao ver o qu�o forte era o
escudo do garoto. Os deles n�o eram capazes de protege-los direito nem mesmo de
simples feiti�os como 'expelliarmus'.
A Professora June estava observando o escudo tamb�m. Claro que ela sabia tudo sobre
Harry e estava esperando esse grau de duelo por parte do garoto, mas ao ver o qu�o
brilhante era seu escudo, a mulher at� perdeu o f�lego.
"CARNESTO" Uma luz branca bateu no peito de Draco. O loiro foi jogado e caiu com um
baque na parede escorregando para o ch�o. A Professora June ficou preocupada e
correu at� o garoto e ajudou-o a se levantar. A face p�lida de Draco estava
vermelha. Damien e Ron estavam batendo palmas com os outros alunos exceto pelo
Slytherins que estavam encarando Harry de um modo bem amea�ador. Vagarosamente
Malfoy aproximou-se do moreno e novamente apontou sua varinha.
"RAGNAS�IMPENDO" Draco lan�ou duas maldi��es, uma depois da outra, uma luz amarela
e uma azul sa�ram em disparada contra Harry. Uma foi direto para a cabe�a do moreno
e a outra para seu est�mago. O garoto sabia que seu escudo n�o conseguiria bloquear
as duas, portanto deixou seu instinto tomar conta. Harry levantou seu escudo de
corpo inteiro e os dois feiti�os bateram nele e esvaneceram. Os alunos engasgaram-
se assim como Draco. Ele n�o sabia que o amigo podia fazer aquilo. A Professora
June assisitu o feito de boca aberta. O garoto estava parado dentro de uma bolha
azul, ele tirou sua prote��o e sorriu de lado por causa das express�es incr�dulas,
logo depois, ele viu a cara aterrorizada de Draco. O moreno apontou sua varinha e
lan�ou o pr�ximo feiti�o.
"IMPEDIMENTA"
Harry obedeceu enquanto pensava se seria banido do clube por causa de Draco. Ele
n�o usou nenhuma maldi��o das trevas e o que acontecera no final foi apenas para
dar risada. O garoto n�o se importava se seria banido, n�o era t�o divertido se
voc� n�o podia usar maldi��es reais.
"STUPEFY"
Mais uma vez Harry conjurou seu escudo que bloqueou o feiti�o instantaneamente.
"Isso � um perfeito exemplo de como eu queria que voc�s conjurassem um escudo. Como
podem ver o Sr. Potter pode levantar um, r�pido e facilmente. Depois de alguns
treinamentos, eu gostaria que todos ficassem h�beis desse jeito."
Harry continuou quieto. 'Esses idiotas n�o tem a m�nima chance de conseguir' Pensou
enquanto escutava o discurso da Professora.
"Sr. Potter, espero que voc� continue vindo aqui, suas habilidades de duelo s�o
boas, os alunos podem aprender alguma coisa com o Sr."
Harry encarou a Professora. Ele n�o queria ajudar os alunos, apesar de tudo ele os
queria o mais fracos poss�veis. Isso s� faria sua vida e a vida de seu pai serem
mais f�ceis. O garoto limpou a garganta e disse para a mulher.
"Sem ofensas Professora, mas eu n�o quero perder meu tempo. N�o h� muita esperan�a
para esses alunos e eu n�o vejo nenhum benef�cio em ajuda-los. Afinal, esse � o seu
trabalho, certo?"
A face da Professora June ficou vermelha e ela tentou manter seu temperamento
controlado. Harry sorriu de lado. Ele amava tirar uma com a cara�� dos professores
de Hogwarts.
"Sr. Potter, eu n�o pretendo que voc� ensine nada. Eu estava apenas dizendo que
voc� pode mostrar suas habilidades. Eu estava apenas querendo ajudar meus alunos."
"Eu tenho certeza que voc� sabe que ajudar as pessoas n�o � o que eu fa�o de
melhor."
Harry sorriu de lado novamente saindo do sal�o, deixando para tr�s uma Professora
extasiada e muitos alunos confusos.
Assim que saiu de l�, deu de cara com um James Potter completamente l�vido.
Cap�tulo Vinte e Um: Voc� pode voar?
"O que em nome dos c�us voc� pensou que estava fazendo?" Gritou James.
"Apenas um duelo! Apenas um duelo! Merlin Damien, voc� n�o pensou no risco que
estava correndo? Eu n�o posso acreditar que voc� fez algo t�o est�pido!"
James estava vermelho de tanto gritar e momentaneamente esqueceu que Harry estava
no local. Os tr�s Potters estavam no quarto de James. Damien estava fervendo de
raiva. Ele havia sido retirado do sal�o pelo seu pai e estava levando uma bronca
apenas porque Malfoy havia apanhado. Ele n�o entendia como isso era uma coisa ruim.
"Pai, por favor pare com todo esse discurso de risco, nada ruim aconteceu. Malfoy
apenas teve um infort�nio e de qualquer jeito ele foi o �nico que atirou duas
maldi��es pra cima de Harry. Se Harry n�o tivesse levantado aquele magn�fico
escudo, ele ficaria bem ferido."
James parou de falar e olhou para Harry, o percebendo apenas naquele momento.
"Voc� conjurou aquele seu escudo de corpo inteiro novamente?" Ele perguntou
baixinho.
"O que aconteceu? Algu�m disse alguma coisa?" James pensou que j� teria que
explicar a v�rios alunos curiosos como um garoto de dezesseis anos podia fazer uma
coisa que muitos adultos n�o conseguiam.
"A Professora June ficou el�trica, eu n�o acho que a tenha visto algum dia mais
feliz. Ela pediu para Harry voltar ao clube para que ele nos ensinasse como
conjur�-lo."
Damien rapidamente disse a James antes que Harry pudesse responder. O moreno
grunhiu.
James estava chocado. A Professora June sabia da verdade sobre Harry e mesmo assim
havia pedido para que ele voltasse. Ela era louca?
"Damien! Eu n�o estou perguntando para voc�. Harry pode falar por si mesmo." James
disse cortando o filho.
Damien fez uma careta, mas n�o interrompeu. James virou-se para Harry.
"Ent�o?" Perguntou.
"O que voc� quer dizer com 'talvez' voc� possa ensinar os alunos? Como voc� vai
explicar a magia negra avan�ada que voc� sabe?" James perguntou.
"Eu irei dizer a verdade, que Lorde Voldemort me ensinou, n�o � como se eles fossem
acreditar em mim mesmo..." James e Damien perderam o f�lego com a men��o do nome do
Lorde das Trevas.
Harry estava amando aquilo. Ele n�o tinha inten��o nenhuma de ensinar nada a
ningu�m, mas assistir James entrando em p�nico s� de pensar nos alunos de Hogwarts
aprendendo magia negra era uma oportunidade �nica. Damien percebeu a jogada e
resolveu continua-la pela vergonha que seu pai o fez passar, retirando-o daquele
jeito do sal�o.
"Yeah, Harry � bom. Todo mundo estava falando sobre o duelo e como eles querem ser
ensinados por ele. A Professora June disse que o deixaria ensinar duelo em duplas
para certas pessoas, em particular."
Harry e Damien impediram-se de rir ao verem como James reagiu a essas palavras. Ele
arregalou seus olhos avel�s e abriu sua boca em choque.
"Yeah e depois que Harry disse que iria pensar, a Professora June disse que n�o
aceitaria um n�o como resposta e que faria de tudo para que Harry comparecesse a
cada aula de Duelo."
Harry estava assistindo Damien com respeito. 'O pirralho realmente est� indo fundo
nisso' Pensou consigo.
James n�o disse mais nenhuma palavra e correu at� a porta, trope�ando nos pr�prios
p�s ao sair. Ele estava indo ver a Professora June. Assim que saiu, Damien e Harry
explodiram em risos. Definitivamente era a primeira vez que o moreno ria desde
quando foi capturado pela Ordem. Damien riu junto com o irm�o e percebeu que essa
era a primeira vez que o via rindo. Os dois garotos se acalmaram e olharam-se sem
nem mesmo saber o que dizer.
"Yeah, bem ele mereceu isso. Voc� consegue imaginar o que ele vai dizer para a
Professora June? E quando ele finalmente descobrir a verdade... Nossa, ele vai
ficar t�o envergonhado." Damien disse.
"Voc� n�o tem medo dele?" Ele perguntou estudando o menino em busca de algum sinal
de mentira.
"Medo? Do papai? Por que eu teria medo dele? Papai � provavelmente o pai mais sem
no��o� que eu j� vi. Eu sei que nos �ltimos meses ele tem sido um pouco rude, mas
ele realmente n�o � assim. Ele � um pai bem legal." Damien respondeu olhando
confusamente para Harry. Damien estava pensando no que fez seu irm�o achar que ele
podia ter um pai assustador.
Harry parecia perdido, ele olhou Damien mais uma vez e o menino sentiu um arrepio
subir pelo seu corpo. Era a primeira vez que seu irm�o o olhava daquele jeito.
Havia uma emo��o em seus olhos que Damien nunca havia visto antes. Era quase como,
inveja? 'N�o, isso n�o pode estar certo.' Pensou. Por que Harry o olharia daquele
jeito? O menino estava come�ando a ficar nervoso ao ver Harry ficar perdido
novamente.
Damien estava quase dizendo 'S�rio?', mas desistiu. Ele perguntou ao irm�o se este
queria jogar snap explosivo, mas Harry disse que estava cansado e iria para o seu
quarto. Os dois encaminharam-se para o sal�o comunal querendo ir direto para os
seus respectivos dormit�rios. O caminho inteiro, Damien pensou sobre o olhar
estranho que Harry lhe lan�ou.
Eles deram de cara com James assim que entraram no sal�o. James apenas obsevou os
dois garotos e ambos riram por causa do qu�o vermelho estava o auror.
"Isso n�o foi engra�ado, Damien Jack Potter!" James ralhou, mas sua express�o
estava mais relaxada, obviamente aliviado, pois Harry n�o iria ensinar magia negra
para os alunos.
Assim que Damien foi pra cama, ele percebeu que apesar de j� estar h� um m�s com
Harry, n�o fazia a m�nima id�ia de como era a vida do irm�o. Como sua inf�ncia deve
ter sido? Todas as coisas que ele fez, devem ter sido bem diferentes em rela��o com
as de Harry. Assim que o menino pegou no sono ele prometeu a si mesmo que iria
ajudar o irm�o a aproveitar as coisas boas da vida que ele deveria ter perdido. O
que eram essas coisas ele n�o conseguiu pensar, pois sua mente foi nublada pelo
sono.
xxxxxxx
O fim de semana chegou e com ele o primeiro treino de Quadribol. Damien e Ron
correram para o caf� da manh� ocupados discutindo sobre novas estrat�gias e como
coloca-las em pr�tica. Ron era o goleiro do time de Gryffindor e Damien virou um
artilheiro no ano passado. A capit� deles era a sextanista, Agelina Johnson e os
batedores eram ningu�m menos que os irm�o de Ron, Fred e George. Para completar o
time, Ginny era a apanhadora. Os quatro Weasleys trabalhavam juntos e j� haviam
ajudado a ganhar v�rios jogos. De qualque modo a vit�ria da copa de Quadribol nos
�ltimos anos era dos Slytherins e toda vez o time de Gryffindor treinava arduamente
para virar esse placar. Esse ano n�o era uma exce��o.
Ron sentou-se junto a Damien e come�ou a comer um pouco de cereal enquanto o outro
pegava uma torrada e come�ava a passar g�leia. Somente nesse momento eles viram
Angelina correndo at� eles parecendo bem inc�moda.
"Eu sei, � terr�vel. Os pais dela vieram at� o col�gio para poder tira-la de
Hogwarts at� o final da semana que vem. Aparentemente eles v�o se mudar e ela ir�
para outra escola de magia. Isso � terr�vel!"
Damien e Ron n�o sabia o que era pior, os pais de Kelly se mudando, Kelly tendo que
se mudar para outras escola ou o fato de que eles estivessem perdendo uma
artilheira. Conhecendo Angelina, provavelmente o pior era perder a artilheira.
"N�s vamos ter que cancelar os treinos e ao inv�s disso hoje �s cinco da tarde
vamos selecionar jogadores. Eu quero todos voc�s l�, � essencial que todo o time
concorde." Angelina terminou tristemente olhando seus dois colegas de time.
"Err, Angie, voc� n�o acha que o tempo � curto demais, digo, voc� nem mesmo esperou
um dia. Quantas pessoas voc� acha que l�em as not�cias da manh�?" Ron disse meio
hesitante, j� que o temperamento de Angelina era algo com o qual n�o se podia
brincar.
"Ron! N�s n�o temos tempo. Kelly recebeu a coruja ontem e apenas me disse essa
manh�. Temos apenas tr�s semanas antes do nosso primeiro jogo! Isso pede medidas
desesperadas."
Angelina estava vermalha quando terminou de gritar com Ron, ele estava com uma
express�o de terror na face. Damien segurou a risada enquanto Angelina sa�a
correndo para contar as novidades para o resto do time.
Damien e Ron se olharam e assentiram silenciosamente. Eles sabiam que Angelina iria
ficar bem pior antes de melhorar.
Depois do caf� da manh� Damien decidiu passar o tempo com Harry, j� que Ron estava
com Hermione terminando alguma li��o. O menino viu o irm�o parado no corredor
falando com o Professor Snape. Ele podia ver que o Professor parecia estar bem
nervoso com Harry. O garoto estava falando calmamente. 'Deus, eu preciso aprender a
fazer aquilo' Pensou Damien ao ver harry sorrir de lado para Snape. O terceiranista
aproximou-se para ver se escutava alguma coisa.
"... Eu n�o irei tolerar esse tipo de comportamento Sr. Potter, voc� deveria saber
que eu n�o sou algu�m que se assusta facilmente." Snape estava dizendo meio
frustrado.
"Claro que n�o, por que eu iria querer assustar o Professor de DCAT. Digo, se eu
sair um pouquinho da linha, voc� poderia confundir minha mente por n�o estar
prestando aten��o ao seus disrcursos interenssant�ssimos. Diga se esse n�o � um
castigo ruim?" Harry respondeu com uma voz de falsa inoc�ncia. Damien segurou uma
risada.
"Sr. Potter, eu estou lhe avisando, segure sua l�ngua!" Snape estava tremendo de
raiva apontando o dedo para Harry.
"Me avisando? O que voc� vai fazer Severus? Colocar-me em deten��o, tirar pontos da
minha casa? Acho que n�s j� concordamos que isso n�o me afeta em nada e agora, se
voc� quer manter esse dedo, eu sugiro que voc� o tire da minha cara." Harry disse
com tanto veneno que fez at� Damien temer.
Snape olhou para Harry perigosamente e ent�o sem mais nenhuma palavra, virou-se e
foi embora. Harry virou e viu Damien parado a uma pequena dist�ncia.
"Merlin Harry, como voc� n�o se assusta quando ele o olha daquele jeito?"
Damien odiava admitir, mas Snape o assustava um pouco. At� mesmo com seu pai j�
tendo dito como aquele 'Seboso' do Snape era, Damien ainda mantinha-se fora do
caminho do Professor de DCAT.
"� a �nica coisa em que ele � bom, ficar fazendo caretas para todo mundo. Ele nem
mesmo faz alguma coisa, portanto por que tem�-lo?" Harry deu de ombros e saiu
andando junto com damien.
Harry grunhiu.
" Nada, na verdade eu estava pensando se voc� quer dar uma volta, talvez brincar de
alguma coisa, qualquer coisa que voc� quiser." Damien estava esperando que Harry
estivesse de bom humor e ficasse com ele.
"Damien, eu tenho dezesseis, eu n�o quero brincar de nada, especialmente com voc�,
ent�o cai fora."
"Eu n�o quis dizer brincar no sentido infantil, quis dizer como jogar... sei l�,
alguma coisa, talvez... Quadribol." Damien decidiu que mesmo n�o tendo treino, hoje
era um �timo dia para voar um pouco.
"Sai fora Damien, pare de me inc�modar." Harry encarou o mais novo tentando
intimida-lo para que ele fosse embora, mas isso n�o parecia funcionar com o menino.
"Olhe, somente meia hora e depois voc� pode fazer o que quiser, prometo! Eu apenas
queria jogar alguma coisa com voc�." Damien implorou para Harry.
"Damien!" Harry tentou ir embora, mas o mais novo estava indo atr�s dele como um
cachorrinho.
"Damien voc� n�o vai goistar de jogar comigo." Harry disse resignado.
"Claro que vou!" Damien replicou, feliz por ter come�ado a falar para Harry jogar
Quadribol com ele.
"N�o Damien, voc� n�o entende. Eu nunca joguei Quadribol na vida." Harry disse sem
nenhuma emo��o.
Damien parou e encarou seu irm�o. Harry nunca havia jogado Quadribol antes! Ele n�o
sabia jogar! Como isso era poss�vel? Todo mundo sabia jogar Quadribol. Era algo que
todos cresciam sabendo. Era uma coisa natural. Nem todo mundo era bom, mas ainda
era normal que todos conhecessem o jogo como o melhor do mundo bruxo. Isso acertou
Damien em cheio. Harry n�o teve uma cria��o normal. Ele n�o foi uma crina�a normal
que jogava Quadribol no quintal do fundo com os amigos. 'Merlin, ele nem mesmo deve
saber como dirigir uma vassoura.' Damien pensou e seu cora��o quebrou. Damien
jogava Quadribol desde bem pequeno. Seu pai era t�o fan�tico pelo esporte que
sempre o encorajou a joga-lo.
Damien olhou Harry e sentiu seu cora��o pular at� sua garganta.
"Voc�, voc� nunca jogou Quadribol antes?" Damien perguntou esperando ter se
enganado.
"N�o, mas n�o � como se eu me importasse. � apenas um jogo est�pido com v�rias
pessoas voando em volta. Eu tenho coisas melhores a fazer com o meu tempo." Harry
respondeu.
A pr�xima coisa que Harry notou � que estava sendo levado direto para os jardins de
Hogwarts. O garoto ficou em sil�ncio enquanto Damien o pegava pela m�o e o
arrastava at� as portas principais. Ningu�m nunca o havia segurado daquele jeito. O
gesto o chocou e assim ele seguiu Damien sem reclamar. Antes que Harry soubesse o
que estava acontecendo Damien o deixou parado, entrou em um pequeno �rmario e
instantaneamente reapareceu segurandos duas vassouras.
Ele deu uma a Harry e o garoto leu as palavras 'Nimbus 3000' gravadas no cabo. Ele
tinha uma em sua mans�o e seu est�mago rugiu de saudades de casa. O garoto olhou
para a vassoura de Damien e reparou que era uma bem mais velha, comparada com a
Nimbus 3000. Haviam cerdas saindo para todos os lados e �ngulos e ela parecia ser
usada por muita gente. A Nimbus em sua m�o parecia ser relativamente nova. Nenhuma
cerda estava fora do lugar e ela brilhava na luz do sol. Harry olhou Damien
confuso.
"Damien o que..."
"Voc� usa minha Nimbus 3000. � o �ltimo modelo. Papai comprou pra mim."
"N�o se preocupe, eu vou usar uma das vassouras da escola hoje. � uma cleansweep
500, antiga, mas ainda faz o seu trabalho."
Damien estava olhando para Harry com uma express�o estranha e foi a� que Harry
entendeu tudo. O menino havia entendido errado sua resposta sobre Quadribol. Ele
havia dito que nunca jogara o esporte, n�o que nunca havia voado.
"Harry n�o diga nada. Apenas me escute e voc� vai conseguir voar melhor que todo
mundo." Damien disse com uma voz estranhamente mais madura.
Harry teve que usar todo o seu poder para n�o rir quando Damien come�ou a explicar
as t�cnicas b�sicas de v�o. O garoto ficou parado escutando o mais novo dizer o
modo correto de como montar em uma vassoura e voltar para o ch�o.
"Ok Harry, voc� pegou isso? Bom. Agora n�s vamos come�ar devagar. Isso pode ser
meio estranho, mas lembre-se segure-se firme e tudo dar� certo. Ok."
Harry j� tinha escutado o suficiente, ele montou na vassoura e esperou Damien parar
de falar.
"Bom Harry, agora como eu disse voc� precisa juntar seus joelhos e dar um impulso,
n�o muito forte."
"Assim?" Harry disse antes de sair voando a uma velocidade incr�vel que deixou
Damien embasbacado.
Harry sentiu a imensa felicidade que voar lhe dava. Ele nunca havia jogado
Quadribol, mas voava desde seus seis anos de idade. Suas habilidades de v�o haviam
salvado sua vida quando ele tinha apenas sete anos. Harry sentiu o vento em seu
rosto e aumentou a velocidade. Ele deu alguns loopins no ar antes de sair em
disparada at� os gols do campo de Quadribol, l� ele deu mais uns loopins em volta
das balizas, em uma velocidade enorme. Antes que percebesse o que estava
acontecendo, sentiu uma zoom ao seu lado e virou-se para se deparar com Damien
sorrindo e se aproximando.
"Seu palha�o! Voc� disse que nunca havia voado antes." Damien gritou, mas tinha um
grande sorriso no rosto.
"N�o, n�o disse! Tudo o que eu disse � que nunca havia jogado Quadribol, n�o disse
nada sobre voar. Voc� pensou nisso por si pr�rpio." Harry riu.
Damien se aproximou de Harry para ataca-lo, mas o mais velho gruinou sua vassoura e
se afastou. Os dois brincaram de pega-pega e ficaram rindo incontrolavelmente. Eles
nem perceberam o tanto de gente que se aproximou para ver o v�o impressionante de
Harry Potter. Tamb�m n�o perceberam James parado a uma pequena dist�ncia assistindo
seus dois filhos voarem e rirem. James sentiu as l�grimas caindo ao ver como
imaginou que seria a sua vida com seus filhos se Wormtail n�o o tivesse tra�do
naquela noite.
Harry foi o primeiro a perceber o grupo que os assistia. Ele sinalizou para Damien
parar de voar e ambos voltaram para o ch�o o mais r�pido que puderam. Harry foi
cercado de aplausos assim que pousou , muitos estavam lhe perguntando onde ele
aprendera a voar daquele jeito e o por que dele n�o estar no time da escola.
Somente naquele momento a Professora de Quadribol, Madame Hooch, encaminhou-se at�
Harry e Damien. Ela estava olhando para o sextanista como se ele fosse feito de
ouro.
"Sr. Potter esse foi um v�o excepcional. Devo sugerir que voc� venha para o teste
de Quadribol nesta tarde."
"Tanto faz, eu n�o acho que seria o adequado para o time, como voc� pode ver eu n�o
trabalho bem com outras pessoas. Eu sou do tipo individual." Harry sorriu de lado e
come�ou a se afastar, mas Madame Hooch n�o ia desitir t�o f�cil.
"Mas Madame Hooch, n�s j� temos uma apanhadora, Ginny Weasley. N�s precisamos de um
artilheiro."
"Sr. Potter, a Srta. Weasley pediu a posi��o de artilheira j� que sua primeira
posi��o foi essa. Os testes ser�o para apanhadores e acho que o Sr. Potter seria
uma �tima escolha."
Damien olhou para Harry em admira��o, a Professora Hooch nunca havia sugerido
ningu�m para nenhum time. Ela n�o tinha uma casa favorita, mas agora estava
claramente sugerindo Harry para apanhador de Gryffindor. Realmente esse era o maior
elogio que se poderia tirar dela. A Professora olhou Harry mais uma vez antes de ir
embora.
"Pense nisso Sr. Potter, seria uma perda de talento se voc� decidir n�o entrar, mas
a decis�o � sua."
Harry ficou para tr�s pensando em como ele entrara nessa bagun�a e o mais
importante, como ele iria sair disso?
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"Por favor Harry, venha no teste, voc� realmente deveria tentar ser apanhador, voc�
� perfeito!" Damien estava implorando enquanto voltavam para o sal�o comunal.
"N�o! � por sua causa que eu entrei nessa bagun�a em primeiro lugar. 'Um jogo
Harry, apenas um...' agora olhe o que voc� fez." Ralhou Harry.
"Madame Hooch estava certa, voc� estar� disperdi�ando seu talento se n�o entrar.
Depois de tudo qual � a gra�a de saber voar perfeitamente e n�o jogar Quadribol?"
Damien implorou ao irm�o novamente.
Harry colocou as m�os no rosto. Ele realmente n�o queria jogar para Gryffindor,
quanto mais ele queria dist�ncia dessa csa, mais a casa o trazia para perto. Seus
pensamentos foram interrompidos por Damien.
"Gryffindor n�o ganha uma copa h� anos Harry, com voc� no time, n�s temos uma
chance de ganhar."
Harry sorriu para si mesmo. Talvez houvesse uma coisa boa em tornar-se o apanhador
de Gryffindor.
"Certo Damien, eu irei fazer o teste." Harry disse com uma falsa derrota."
Damien deu pulinhos de alegria e correu at� o dormit�rio masculino dizendo que iria
se trocar para irem no teste.
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Isso causou um acesso de riso nos quatro ruivos e Damien sentiu-se corando.
"N�o enche, voc�s n�o tem a m�nima id�ia." Damien disse e saiu para dar uma
palavrinha com Angelina.
Assim que Harry foi chamado, Damien confiou sua Nimbus 3000 a Harry novamente. O
garoto viu os olhos de Ron aumentarem em choque. Assim que ele saiu do ch�o o ruivo
murmurou para Ginny.
Ela apertou as m�os dele o declarando o novo apanhador de Gryffindor. Nem mesmo os
Weasleys podia discordar. N�o havia nada de errado com as t�cnicas de Harry. Ginny
estava se sentindo mal. O v�o de Harry parecia familiar e quando o viu pegar o pomo
em tal velocidade sentiu uma familiaridade em torno dele. Ela balan�ou a cabe�a
para clarear seus pensamentos 'Isso n�o � poss�vel, nem um pouco poss�vel' Pensou
consigo ao ver o moreno apertar a m�o de Angelina.
Harry voltou para o castelo com Damien, o menino falava sobre estrat�gias para a
copa. O mais velho n�o estava nem escutando. Ele era o apanhador de Gryffindor e
estava perdido em pensamentos.
'Os idiotas ainda n�o perceberam que acabaram de selar o destino deles. Se eles
apenas soubessem que fizeram a pior decis�o me escolhendo para jogar... Deixe o
pesadelo dos Gryffindors come�ar.'
Cap�tulo vinte e dois: Explica��es
O primeiro treino de Quadribol que Harry teve foi inesquec�vel. James veio v�-lo
treinar.
O sextanista sabia que jogar no time de Gryffindor n�o seria f�cil. Quando Damien e
Harry entraram no vesti�rio, os tr�s Weasleys o encaravam e os g�meos seguravam os
bast�es na m�o amea�adoramente. O garoto apenas sorriu de lado e foi se trocar.
Eles n�o o assustaram, Harry j� havia lidado com coisas bem mais assustadoras na
vida.
Bem no momento em que Harry estava retirando suas vestes para colocar as de
Quadribol, que Lily saiu correndo para comprar em Hogsmead, a porta abriu e a
capit� do time junto com Ginny Weasley, a �nica outra jogadora mulher, entraram.
As duas garotas estavam se vestindo em outro lugar e agora estavam querendo ter uma
conversa animada antes do jogo.
A princ�pio Harry n�o entendeu o que as duas garotas estavam encarando. Foi ent�o
que percebeu que estava parado sem camisa e com as sua vestes de Quadribol nas
m�os. Angelina e Ginny ficaram envergonhadas e olharam abobadamente para o peitoral
musculoso e tonificado de Harry. O garoto sorriu e colocou as vestes. As duas
garotas sairam do transe assim que Harry se vestiu, ambas coraram. Por alguns
minutos nenhuma delas conseguiu olhar o companheiro de time sem corar.
Ap�s a conversa, Angelina levou o time at� o campo de Quadribol. Harry saiu voando,
ele estava usando a vassoura de Damien, havia tentado de v�rias maneiras fazer o
menino ficar com a Nimbus 3000. O garoto n�o gostava da sensa��o de apropriar-se de
algo do irm�o. O terceiranista insistiu para que ele ficasse com a Nimbus, j� que
Harry tinha que possuir uma boa vassoura para pegar o pomo. Harry voou o mais alto
que p�de, assim conseguia ver o campo inteiro. O garoto n�o conseguia ver a bolinha
dourada em nenhum lugar. Ele assistiu o time come�ar a jogar a goles e Ron tentar
bloquear o melhor que podia os tr�s aros do campo, viu tamb�m Damien voar na
Cleansweep 500. Mesmo a vassoura n�o sendo t�o boa, Damien voava bem. Harry o
assistiu voar e sentiu um estranho sentimento no peito. Era uma coisa que ele nunca
tinha sentido antes. Seria orgulho? O garoto sacudiu a cabe�a. Ele odiava quando o
menino o fazia sentir tais emo��es. Harry come�ou a ir em busca da bolinha.
Pelo canto dos olhos Harry viu algo zonindo a sua frente. O garoto apenas saiu do
caminho bem a tempo de ver um bala�o vindo em sua dire��o. Ele encarou nervosamente
para a pessoa que fez aquilo e viu Fred Weasley sorrindo de lado. Harry soltou um
palavr�o, ele sabia que o ruivo seria est�pido o suficiente para ataca-lo no meio
do campo. O qu�o est�pido ele poderia ser? Angelina se aproximou e come�ou a brigar
com Fred, mesmo vendo seu irm�o g�meo sendo repreendido, George mandou outro bala�o
na dire��o de Harry. O garoto estava preparado dessa vez. Ele girou sua vassoura
fazendo com que a traseira dela batesse na bola e esta voltasse direto pra cima de
George, que apenas saiu do caminho. O moreno lan�ou um de seus sorrisos malvados e
viu o ruivo ficar vermelho por falhar em machuca-lo.
Harry viu Damien se aproximar de George tentando argumentar. Ron e Ginny estavam
distra�dos, parecia que o jogo havia parado. Angelina virou-se e viu Damien
gritando com George por este ter atacado seu irm�o. J� era o suficiente. Angelina
assoprou o apito que estava em volta de seu pesco�o e mandou todo mundo voltar para
o ch�o. O treino iria ser parado at� ela descobrir porque havia tanta animosidade
em rela��o ao novo apanhador. Antes que algu�m pudesse impedir, Fred mandou outro
bala�o para cima de Harry. Ele realmente n�o queria mandar em dire��o ao garoto,
mas estava t�o bravo por ter levado bronca que simplesmente rebateu a bola. O
garoto saiu do caminho extrememente bravo. De qualquer modo ningu�m percebeu que
naquele exato momento Ginny estava voando de volta para o ch�o. Quando Harry
desviou do bala�o, a bola acertou a vassoura da menina fazendo com que esta ca�sse.
A ruiva gritou ao ser atirada da vassoura t�o violentamente. Ela estava caindo de
t�o alto que iria com certeza quebrar o pesco�o.
Harry reagiu sem nem mesmo pensar. Assim que ouviu Ginny gritando, ele voou at�
ela. Um sentimento de D�j� vu perpassou por ele quando come�ou a voar at� da ruiva.
O garoto colocou-se entre ela e o ch�o, sabendo que se n�o a pegasse a tempo e se
n�o conseguisse completar perfeitamente esse mergulho, iria ter um acidente bem
doloroso junto com ela. Harry pegou-a pela cintura e ao mesmo tempo completou seu
mergulho, bem na hora.
Foi neste momento que todos perceberam que o moreno tinha ido embora. Damien e
James olharem em volta, impressionados em como Harry havia passado por eles. Os
tr�s Weasleys pareciam bem envegonhados. A �nica pessoa que eles haviam perturbado,
acabou salvando sua irm�.
"Eu n�o sei. Ele desapareceu." Damien estava olhando para todos os lados a procura
de seu irm�o.
"Era... era ele." Ginny gaguejou com uma voz quase sussurrante.
"Quem?" Ron perguntou esfregando a m�o nos ombros dela, Ginny tremia da cabe�a aos
p�s.
"Ele... Ron, foi Harry. Ele me salvou." Ginny n�o conseguia fazer seus dentes
pararem de tremer.
"Eu sei Ginny, n�s vimos. Ele saiu como um raio atr�s de voc�. Eu nunca vi ningu�m
voar t�o r�pido daquele jeito." Ron disse maravilhado.
James tentou puxar Damien de lado para deixar os irm�os conversarem a s�s. Eles
estavam todos sentados na grama, antes de manda-los de volta para o castelo, James
achou que deveria deixa-los l� mesmo por alguns minutos para se recuperarem do
choque.
"N�o Ron... eu... eu n�o estou falando sobre hoje. Foi Harry que me salvou no
telhado, em Hogsmead, foi ele Ron. Era Harry!" Ginny estava hist�rica.
Os tr�s Weasleys olharam-se incr�dulos. N�o era poss�vel. James e Damien trocaram
um olhar de descren�a. Ginny provavelmente estava em choque.
"Gin, voc� provavelmente teve um sentido de D�j� vu. Digo, voc� j� esteve no mesmo
tipo de situa��o, portanto � natural pensar que seja a mesma coisa, est� tudo bem
Ginny." Damien tentou conforta-la.
"Eu estou dizendo! Era ele! Eu disse que iria reconhece-lo. Eu pensei que era ele
desde quando o conheci, mas depois de saber quem ele era realmente, pensei que n�o
era poss�vel. Mas agora, o jeito que ele me olhou quando me segurou... eu n�o tenho
mais d�vidas! Era ele! Harry foi o cara que me salvou."
James decidiu j� estava na hora de todos entrarem. Essa n�o era uma conversa para
se ter l� fora. Ele disse para todos irem pro castelo que l� dentro terminariam de
discutir.
Depois de escutar a vers�o inteira dos eventos, James acreditou que havia a
possibilidade de Harry ser aquele que a salvou cinco meses atr�s em Hogsmead.
"Voc� tem certeza que o garoto estava com uma m�scara prateada?" James perguntou a
Ginny.
Ginny assentiu.
"Sendo assim, provavelmente era Harry. Ele sempre usava uma m�scara prateada quando
sa�a." James contou para os adolescentes.
"Bem, eu acho que era porque Voc�-Sabe-Quem n�o queria que ningu�m reconhecesse
Harry, especialmente como meu filho." James respondeu e os cinco jovens notaram o
tom doloroso de sua voz.
"Isso � p�ssimo, Harry tinha que usar uma m�scara toda vez que sa�a. Isso � cruel."
Ron disse.
Damien olhou curiosamente para seu amigo, ele sabia quanto ressentimento Ron tinha
em rela��o a Harry. O menino percebeu que o ruivo provavelmente estava se culpando
por odiar Harry, j� que aparentemente sua irm� lhe devia a vida.
"Eu sei, mas isso est� no passado agora. � bem interessante Harry ter salvado sua
vida Ginny e pensando sobre isso, faz sentido." James replicou.
"Bem, Harry salvou os filhos de Madame Pomfrey dos Comensais da Morte, portanto eu
acho que n�o � dif�cil acreditar que ele tenha salvo Ginny tamb�m."
James decidiu que iria falar com Dumbledore sobre isso. As coisas estavam ficando
melhores para o lado de Harry.
xxxxx
Ginny encontrou Hermione no sal�o comunal em volta de seus dez livros usuais, todos
eles abertos e espalhados. A ruiva correu para contar a sua amiga sobre o que
aconteceu com ela e com Harry no campo de Quadribol. Hermione ficou chocada, seu
cabelo usualmente armado pareceu arrepiar-se mais ao escutar a hist�ria. A
princ�pio ela n�o acreditou, mas depois de escutar Damien e Ron repetirem a mesma
hist�ria de Madame Pomfrey, Hermione finalmente aceitou os fatos. Ela n�o parecia
muito feliz ao constatar que o "her�i" era Harry. Ningu�m podia culpa-la.
"Harry"
"Por que voc� n�o disse nada?" Ginny sussurrou, incapaz de manter sua voz longe das
emo��es.
"Srta. Weasley, de acordo com voc�, eu n�o poderia ser algu�m conhecido, ent�o por
que eu deveria me preocupoar em corrigi-la? Qual � a diferen�a que isso faria para
voc�?"
"Diferen�a? Isso faria toda a diferen�a do mundo. Merlin Harry, voc� salvou minha
vida! Eu queria lhe agradecer." Ginny n�o conseguia acreditar que Harry apontaria
esse fato.
"Voc� pode fingir o quanto quiser Harry, mas eu sei que voc� se afetou. Voc�
arriscou sua vida e me salvou, voc� n�o pode me fazer acreditar que aquilo foi
normal." Ginny sorriu ao ver a express�o de raiva na face do garoto.
"N�o fique com id�ias bobas Weasleys, apenas porque eu a salvei n�o significa que
n�o ficarei contente em destru�-la mais pra frente."
Harry sorriu ao ver o choque na express�o da ruiva. Ela parecia levar as palavras
dele como uma amea�a.
"Voc� pode me tratar como quiser Harry, mas n�o se salva algu�m duas vezes, apenas
porque quer destru�-la depois. N�o faz sentido."
"Quem disse que voc� � importante pra mim?" Harry sorriu de lado.
Ginny decidiu que conversar com o moreno quando ele estava de mau humor era
infund�vel. Ela levantou-se e saiu sem dizer uma �nica palavra. A ruiva foi
substitu�da por Ron e Damien. Harry respirou fundo, ele estava come�ando a ter uma
dor de cabe�a.
"Eu s� queria dizer que... que eu devo um obrigado a voc�, por ter salvado a vida
da minha irm� e..." Ron pausou e lan�ou a Damien um olhar engra�ado. Depois de
ganhar um aceno do mais novo, continuou.
"... e queria dizer que eu sinto muito... sobre aquela coisa toda de ter te
atacado. Eu n�o deveria ter atacado voc�. Me desculpa."
Estava evidente que essas pelavras causaram muita dor para serem ditas. Harry
lan�ou a Damien um olhar calculista, ele sabia o que o mais novo estava fazendo,
mas ele n�o facilitaria a vida dos dois.
"Eu estou dizendo que n�o dou a min�ma pra ele, nem para a irm� dele, nem para essa
desculpa rid�cula! Apenas porque eu n�o quero v�-la estatelada no ch�o no meio de
uma po�a de sangue, n�o quer dizer que eu tenho algum tipo de compaix�o por ela ou
por algum de voc�s."
xxxxxx
Os pr�ximos dias se passaram. Harry n�o foi perturbado por nenhum membro da fam�lia
Weasley. Apenas quando estava treinando Quadribol ele viu Ginny. Ela tentou
cumprimenta-lo, mas como sempre foi ignorada. Ele percebeu que apesar de suas
palavras rudes, os Weasleys estavam sendo legais. Damien estava o perturbando como
sempre. Harry n�o sabia que tinha tanta paci�ncia, j� que ele ainda n�o tinha
avan�ado no pirralho.
A primeira vez que Harry encontrou Draco depois de ter sido escolhido como o
apanhador de Gryffindor, era uma coisa que ele nunca esqueceria. Ambos encontraram-
se na biblioteca antes do jantar. O moreno sempre pensou que se voc� que conversar
com algu�m sem parecer suspeito, ent�o v� a um lugar com muita gente, as pessoas
estar�o t�o ocupadas em suas pr�prias conversas que n�o ir�o prestar aten��o na
sua. Mesmo com a bibliotec�ria, Madame Pince, o lugar sempre estava cheio de
sussurros das pessoas l� presentes.
"O que aconteceu Draco? Por que voc� est� t�o depressivo? Esqueceu de passar o
feiti�o fixador de cabelo?" Harry brincou.
"Cala boca, Harry! Como voc� pode ter feito isso comigo? Primeiro o duelo e agora
isso!" Draco estava furioso ao falar.
"Como voc� pode ter virado apanhador de Gryffindor? Eu n�o posso acreditar em voc�!
Primeiro voc� acaba comigo em um duelo, mesmo eu sendo seu melhor amigo. Agora voc�
vira um maldito apanhador. Voc� sabe o que eu acho? Eu acho que voc� est� gostando
muito de Hogwarts e acho que voc� est� gostando muito de ser um Gryffindor e que
est� orgulhoso disso."
Draco instanataneamente percebeu o qu�o longe ele foi. O loiro olhou receoso para
Harry e toda a ira que estava refletida nos olhos verdes desapareceu.
Harry estava apertando os dentes e tinha suas m�os fechadas. Draco conseguiu ver o
qu�o forte o moreno estava apertando as m�os, j� que seus dedos estavam brancos.
"Primeiro de tudo Draco, voc� deveria agradecer a todos os seus Deuses por ser meu
melhor amigo, de outro modo voc� j� estaria sofrendo uma morte prematura horr�vel!
Segundo, no duelo que voc� tanto fala, voc� foi o �nico a mandar dois feiti�os de
uma s� vez e o �nico a ficar me atacando, eu apenas me defendi. Terceiro, n�o sa�a
por a� tirando conclus�es precipitadas. Achei que voc� me conhecia, se eu me tornei
o apanhador de Gryffindor pode apostar que existe uma boa raz�o pra isso
acontecer."
"N�o Harry, por favor. Voc� tem que me contar. Eu sou o apanhador de Slytherin e
n�o tem jeito de eu competir com voc� de novo!" Draco suplicou.
Harry n�o pode deixar de rir ao reparar no olhar de desamparo na face de seu amigo.
"N�o se preocupe Draco, apenas prepare-se para o jogo, tenha certeza de que estar�
em forma, deixe o resto comigo."
xxxxx
Restavam apenas dois dias para o grande jogo entre Gryffindor e Slytherin e tudo o
que Harry fazia era treinar. Haviam treinos que duravam at� a noite e o moreno j�
estava come�ando a admirar a capit� por sua dedica��o. Angelina Johnson podia ser
bem intimidante as vezes. Harry estava feliz por James n�o continuar indo assistir
is treinos, ele n�o conseguia ficar tanto tempo perto do auror.
Os tr�s garotos estavam se aproximando do das escadas que levavam at� a entrada do
sal�o comunal de Gryffindor. Harry conseguia ver o quadro da mulher gorda a
dist�ncia, mas de repente sentiu a sua familiar dor de cabe�a se intensificar.
Damien somente percebeu que algo estava acontecendo quando o irm�o murmurou algo
para si mesmo. Algo que soava como 'N�o, agora n�o'. O menino virou bem na hora que
o irm�o mais velho pressionou a testa e caiu de joelhos.
"Harry!" Damien gritou e correu at� o moreno. Ron pulou ao ouvir o amigo gritar e
correu at� os irm�os.
Harry estava de joelhos e sufocava em dor. Ele podia ouvir Damien gritando e lhe
perguntando o que estava errado, mas ele n�o conseguia responder por causa da dor
intensa. Ele nunca havia sentido nada t�o doloroso em sua vida, sua cicatriz estava
pegando fogo, sua cabe�a latejava e ele j� estava achando que ela iria explodir.
Sua cicatriz nunca doera tanto antes.
Damien segurou o bra�o do irm�o e tentou saber o que estava errado. Ele apenas
conseguia ver que os olhos de Harry fechavam-se apertadamente e ele tentava
desesperadamente n�o gritar em agonia. Damien sentiu-se em p�nico. 'O que est�
errado? O que aconteceu?'
Harry n�o conseguiu mais aguentar e deixou que seu grito agonizante sa�sse ao senir
a dor em sua cicatriz intensificar mais. Damien estava ajoelhado e encarava Harry
quando viu pingos de sangue sairem do nariz dele, isso foi o bastante para fazer o
cora��o do menino subir at� a boca, ele virou o rosto para Ron que estava agachado
ao lado deles.
Damien viu seu pai correndo at� eles e susupirou em al�vio. Seu pai estava l�, ele
seria capaz de ajudar Harry. Assim que o auror aproximou-se de seus filhos viu
Harry ca�do e sangrando pelo nariz. Seu filho mais velho estava gemendo por cauda
da terr�vel dor e parecia estar morrendo.
"Merlin! O que aconteceu... Harry! Harry voc� est� bem? O que aconteceu?" James
estava chegando mais perto tentando ver o que estava errado.
"Eu n�o sei! Ele estava bem a um minuto atr�s e depois de repente agarrou sua testa
e caiu! Seu nariz come�ou a sangrar! Eu n�o sei!" Damien disse rapidamente.
James entrou em p�nico, ele j� havia visto isso antes. A primeira vez que viu
Harry, depois de sua captura foi em Grimmauld Place, ele estava com muita dor, mas
n�o teve sangramento nasal.
James n�o conseguia ver o filho com dor, ele rapidamente o pegou nos bra�os e
correu para a infermaria. O auror em uma situa��o normaln�o seria capaz de pegar o
filho assim t�o facilmente, mas v�-lo em tal estado fez seu n�vel de Adrenalina
aumentar.
"Sr. Potter, o que... oh, n�o! Harry! O que aconteceu?" Poppy rapidamente correu e
ajudou James a colocar Harry em cima da cama mais pr�xima.
"� a cicatriz Poppy!" James contou a ela enquanto a enfermeira apontava a varinha
para o garoto.
"O que voc� quer dizer com 'antes'? Voc� quer dizer l� no Quartel General?" James
teve um pressentimento quando Poppy referiu-se a outra ocasi�o.
Poppy desviou o olhar e come�ou a tirar pequenos vidrinhos de sua mala, sem d�vidas
para Harry.
"N�o, eu mencionei sobre as duas �ltimas vezes que ele veio me ver."
James parou. Harry havia sofrido mais ataques como esse. Onde ele estava todas
essas vezes? Como ele n�o percebeu que seu filho estava sofrendo?
"A �ltima vez foi h� uma semana atr�s. Ele veio me ver durante a noite, por volta
das 23 horas. Eu fiquei supresa por ele n�o ser pego, estava com muita dor. Harry
veio at� mim para que eu lhe desse alguma po��o para alivia-la."
James n�o conseguia acreditar. Harry estava sofrendo e ele nem sabia de nada. 'Que
�timo pai que eu sou.' Pensou.
Ele percebeu que Damien e Ron estavam perto da porta, incertos se entravam ou n�o.
James rapidamente foi at� seu filho mais novo para que ele chamasse sua m�e. Damien
e Ron sa�ram da enfermaria, deixando para tr�s James, Harry e Madame Pomfrey.
Harry ainda n�o estava consciente e James estava ficando mais e mais preocupado.
"Poppy o que aconteceu? Por que ele n�o est� acordado ainda?"
"Sr. Potter, creio que � melhor que o Professor Dumbledore explique tudo, ele
entende isso melhor do que eu."
"O Professor Dumbledore? Como ele pode saber o que existe de errado com Harry? Eu
n�o entendo."
Nesse momento, Dumbledore chegou juntamente com Lily. James estava feliz por
perceber que Ron e Damien n�o vieram com eles.
"James! O que aconteceu? Damien disse que Harry desmaiou! O que est� acontecendo?"
Lily perguntou enquanto corria at� James e Harry.
"Creio que seja melhor irmos para o escrit�rio. Poppy voc� quer unir-se a n�s?"
"O que est� acontecendo Dumbledore? Harry est� doente? Pomfrey disse que ele j�
tinha vindo aqui duas vezes, qual � o problema?"
Dumbledore lan�ou a James e Lily um olhar longo, tentando saber se eles estavam
preparados para saber a verdade.
"James, Lily, eu realmente queria dizer isso quando tivesse mais informa��es, mas
devido �s circunst�ncias, voc�s devem saber disso agora. Eu queria ter not�cias
melhores."
Nesse momento ambos puderam sentir seus cora��es baterem fortemente no peito. O
medo penetrava neles.
"Dumbledore, por favor, diga-nos o que est� acontecendo?" Lily disse com uma voz
tr�mula.
Dumbledore encarou os olhos verdes esmeralda de Lily com os seus azuis meia-noite e
respirou fundo.
James quase grunhiu ante a pergunta, claro que ele se lembrava da profecia. Aquela
maldita profecia que arruinou sua vida, que levou seu filho embora e que foi
respons�vel por tudo o que ele passava com Harry todos os dias.
"Lembre-se que nela dizia 'nenhum deles pode viver enquanto o outro sobreviver'.
Bem, eu temo que a condi��o de Harry tem haver com ela. A dor de Harry prov�m de
sua cicatriz, a mesma cicatriz que lhe foi concedida por Voldemort. Como eu achava,
a cicatriz o marca como um igual. Dando aquela cicatriz para Harry, Voldemort
marcou o garoto como seu �nico Herdeiro, mas tamb�m como o �nico que pode destru�-
lo. 'O Lorde das Trevas ir� marca-lo como seu igual'. Mas eu acho que o mais
importante � o local onde a verdadeira cicatriz est� instalada."
Dumbledore fez uma pausa, tentando pensar em como dizer a pr�xiam parte.
"A cicatriz est� em sua testa, mas n�o s� marcada l�, ela tamb�m est� marcada em
sua alma, em outras palavras a cicatriz est� diretamente ligada com o cora��o de
Harry."
Dumbledore pausou novamente para deixar james e Lily digerirem a informa��o.
"Agora, a dor que Harry sente � quando Voldemort est� muito bravo ou muito feliz.
Ao menos foi isso que Harry disse a Poppy. Harry tamb�m disse que a dor aumenta
quando ele est� fisicamente pr�ximo a Voldemort. Se ele fica longe de Voldemort,
n�o importa o humor de seu 'pai', ele n�o sente nada. De qualquer modo como a
profecia diz, Harry e Voldemort n�o podem existir ao mesmo tempo, ent�o eu presumo
que a dor aumente por causa disso, o garoto � mais fraco, pois ainda n�o atingiu a
maioridade, sendo assim Voldemort � dominante, por isso Harry sofre. De qualquer
jeito esses ataques j� aconteceram antes, mas eu n�o acho que Harry j� tenha
perdido a consci�ncia, presumo que esses ataques v�o se tornando cada vez mais
fortes e dolorosos."
"Ent�o, o que isso significa? Como podemos consertar isso?" James perguntou
enquanto tentava parar a n�usea que sentia.
"N�o h� nada que possamos fazer, desculpe James, Lily. N�o h� nada que possa
reverter o feiti�o de Voldemort. Como eu disse, a cicatriz n�o est� apenas no corpo
de Harry, mas impressa em sua mente e em sua alma. A cicatriz tem liga��o com o
cora��o dele. � irrevers�vel."
James explodiu.
"O que voc� quer dizer com � irrevers�vel? Nada � irrevers�vel quando � feito com
m�gica. Voc� n�o pode dar uma po��o ou usar um feiti�o?" James sabia que mesmo
gritando n�o tinha jeito. Se houvesse uma cura, Dumbledore j� teria descoberto.
"Eu realmente sinto muito James." Dumbledore disse dando ao auror um olhar de
compaix�o.
"A �nica coisa que pode livrar Harry de seu tormento � a destrui��o de Voldemort."
Dumbledore explicou.
"Se... se Harry n�o matar Voc�-Sabe-Quem ent�o o que vai acontecer com ele?" Lily
perguntou temendo a resposta.
"Temo que se Harry n�o cumprir a profecia, ent�o a dor que ele sente s� ir� piorar.
Se a dor continuar e intensificar, logo o cora��o e o corpo dele n�o ser�o mais
capazes de suportar. Temo que se Harry n�o matar Voldemort, a agonia causada pela
sua cicatriz, provavelmente ir� mata-lo." Dumbeldore terminou tristemente.
James levantou incapaz de ficar sentado por mais tempo. Ele parou em frente ao
diretor passando seus dedos pro seus cabelos rebeldes, tentando desesperadamente
impedir as l�grimas. 'Como isso pode estar acontecendo?'
"Voc� acha que Voc�-Sabe-Quem tem no��o disso?" Ele preguntou de repente. Por
alguma raz�o ele queria saber.
"Eu n�o acredito que ele saiba. Ele n�o deve saber que a cicatriz pode matar Harry.
Pelo que o garoto disse a Poppy, Voldemort tenta n�o se aborrecer quando Harry est�
por perto. A raz�o dele estar sofrendo aqui em Hogwarts � porque Voldemort n�o
percebe que a dor aumentou tanto que n�o h� mais necessidade de uma aproxima��o
f�sica para acontecer."
James assentiu. Era estranho pensar que o bruxo mais malvado de todos os tempos
estava realmente preocupando-se com o bem estar de Harry. 'Ele o est� matando.' A
mente de James gritou para ele.
Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, o diretor ouviu a voz de Harry na
sala ao lado. Nesse momento os tr�s adultos correram para a enfermaria.
"Pelo amor de Deus, Poppy. Eu j� disse que estou bem. Eu n�o irei passar a noite
aqui! Eu estou bem, deixe-me ir embora." Harry estava dizendo cansadamente enquanto
tentava tirara as m�os de Madame Pomfrey de seu bra�o.
"Harry! Voc� desmaiou! Voc� estava sangrando. Deixe-me checar para ver se h� mais
danos."
James e Lily sentiram as l�grimas ca�rem. Claro que haviam danos e iriam haver mais
se Harry n�o mudasse sua opini�o sobre Voldemort.
Harry parou por um segundo e assim que Poppy o soltou para checa-lo, ele pulou da
cama.
"Eu estou bem, Merlin voc� � pior que Bella." Harry disse sem pensar.
"Desculpe," murmurou Harry "mas voc� �, ambas me tratam como se eu fosse feito de
vidro, � insultante."
Poppy n�o disse nada e virou-se para pegar alguns vidrinhos, foi quando percebeu os
tr�s adultos parados na porta. Harry olhou tamb�m e instantaneamente franziu a
testa.
"N�o diga nada sobre o que discutimos. N�s temos que ser cuidadosos. Eu irei
conversar com ele dassa vez, Ok.?"
Era final de outubro. Foi numa fria manh� que Harry levantou-se da cama para tomar
um banho. Hoje era o grande jogo entre Gryffindor e Slytherin. Harry terminou de
tomar seu banho e encaminhou-se para o quarto a fim de se trocar. Neville estava se
vestindo, como usualmente fazia tentou falar com ele. O garoto o ignorou e
continuou prestando aten��o em suas roupas.
"Boa sorte no jogo de hoje Harry." Neville disse antes de sair do quarto.
Harry tentou n�o se inc�modar, ele n�o precisava de sorte, j� sabia exatamente o
que ia fazer.
O moreno ficou surpreso quando Damien veio correndo at� ele mostrando sua nova
Nimbus 3000.
"Harry olha! Olha o que o papai comprou pra mim! N�o � legal? Agora n�s dois temos
uma Nimbus, Uau Harry, definitivamente agora a gente ganha!"
Harry tentou devolver a Nimbus 3000 para Damien, mas o menino n�o a quis, insistia
que ele tinha que ter uma vassoura boa e veloz. James obviamente viu que o filho
mais novo precisava de uma nova vassoura e comprou uma. Harry tentou n�o prestar
aten��o em quanto Damien era mimado ao v�-lo gritar sobre sua Nimbus. Vagarosamente
os dois foram para o campo.
Harry nunca havia visto tantos torcedores na sua vida. 'De onde todas essas pessoas
sa�ram?' Pensou consigo, enquanto sa�a do vesti�rio junto com os outros
companheiros de time. O garoto sentiu seu cora��o acelerar-se ao avistar tantos
alunos e tantos professores.
Harry ficou ao lado dos outros jogadores de Gryffindor, ele assistiu Angelina
mover-se para o centro do campo enquanto o capit�o Slytherin fazia o mesmo. O
garoto observou os jogadores do outro time, todos eram homens e todos eram
grand�es. Draco era o menor deles, ele tentou manter uma cara neutra ao focar os
seus olhos nos olhos do loiro. O Slytherin estava tentando, em v�o, manter um
sorriso zombeteiro na face. Harry desviou o olhar e focou-se no que iria fazer.
Madame Hooch soou o apito. Houve uma salva de palmas, gritos e vivas quando os
catorze jogadores sairam voando. Os primeiros a dispararem na frente foram Harry e
Damien, o terceiranista lan�ou um sorriso de lado ao irm�o e saiu zigzagueando
atr�s de Ginny para pegar a Goles. Os dois olharam-se por um instante antes de
partirem em dire��es opostas. Harry assistiu a Goles ser retirada de Ginny por um
Slytherin e foi com alegria que viu o jogador abrir o placar com apenas um minuto
de jogo. A torcida verde e prata, atr�s de Harry, foi ao del�rio. O garoto viu
Damien pegar a Goles e sair em disparada com o intuito de marcar pontos, ele ficou
maravilhado com a velocidade em que o menino voava. Em segundos Damien desviou-se
de dois Slytherins, um bala�o e fez um bel�ssimo gol. Harry conseguiu ouvir a voz
de Lee Jordan, um setimanista Gryffindor que narrava a partida, anunciando o placar
de 60 a 60. A massa de pessoas vestidas de vermelho e dourado aplaudiram
fervorosamente o terceiranista.
Harry sentiu orgulho passar desde seu est�mago at� seu peito assim que assistiu a
performance do irm�o sob os jogadores quatro anos mais velhos. O garoto sacudiu a
cabe�a. 'Porque estou sentindo orgulho de Damien?' Pensou consigo.
Harry decidiu que j� era hora de acabar com os Gryffindors, ele visualizou os
jogadores a sua volta e localizou Angelina, ela era a jogadora mais r�pida,
portanto, seria a primeira. Sem avisar, o garoto voou para a dire��o oposta a
companheira, como esperado, Draco o seguiu imediatamente. Harry mergulhou para a
direita e o loiro o acompanhou, o garoto esperava que Draco tivesse levado suas
palavras a s�rio. Na noite anterior ao jogo o moreno mandou o loiro falar para os
batedores Slytherins marcarem-no, ningu�m al�m de Draco sabia sua verdadeira
identidade na casa das serpentes, portanto tudo o que o loiro deveria fazer era
ficar fora do caminho e deixar seus companheiros de time jogarem sujo com ele.
Harry virou-se assim que ouviu Lee dizer para a torcida que ele deveria ter visto o
pomo, j� que estava correndo atrav�s do campo. Ele sorriu para si mesmo. O garoto
sobrevoava agora Angelina que estava destra�da, pelo canto de seus olhos pode
detectar Crabbe jogando um bala�o em sua dire��o, 'perfeito' pensou. Ele aumentou a
sua velocidade bem no �ltimo momento, fazendo com que o bala�o atingisse a ponta de
sua vassoura, Harry fez um profundo mergulho. Tudo aconteceu exatamente como ele
planejou.
Harry nem mesmo procurou pelo pomo e Draco estava muito ocupado seguindo o moreno
para prestar muita aten��o. A pontua��o estava ficando cada vez melhor para
Slytherin, 480-360.
"Harry, pegue o pomo e termine esse desastre antes que isso piore!" Ela disse com
uma voz seca.
Foi quando Harry a viu, a bolinha dourada, flutuando pr�xima aos aros. O garoto
saiu em disparada, Draco estava a apenas alguns metros para tr�s. Nesse momento,
todo mundo tinha os olhos voltados para os dois apanhadores, Harry voando atr�s do
pomo, seguido bem de perto por Draco, ambos em uma velocidade espantosa e
disputando o pomo. O pomo de ouro pareceu perceber que estava quase sendo dividido
em dois, j� que estava voando para longe dos jogadores com a maior velocidade j�
vista.
Harry e Draco viraram para a direita, nunca deixando a bolinha sair de vista. Ambos
estavam agora come�ando um profundo mergulho em uma tentativa de agarrar o pomo
para si. Os dois garotos se impulsionaram para frente, o moreno estava quase
encostando na bolinha, seus dedos raspando nas asas finas... foi quando... ele fez
sua decis�o. Olhou para Draco encontrando seus olhos acinzentados mergulhados em
preocupa��o. O moreno sorriu de lado e levantou-se de seu mergulho fazendo com que
Malfoy agarrasse o pomo. Draco ficou surpreso ao sentir a textura da bola. Harry
pairou no ar por um momento e ouviu a torcida e os seis jogadores a sua volta se
engasgarem. O garoto chegou ao ch�o e desmontou de sua vassoura. O time de
Slytherin e sua torcida estavam dando vivas e aplausos. Os Gryffindors, Hufflepuff
e Ravenclaws n�o conseguiam acreditar naquilo. Muitos haviam visto Harry treinar e
sabiam que ele era magn�fico voando. O que aconteceu? Ele estava t�o perto do pomo!
O que o fez perder no �ltimo momento?
Harry foi recebido pelos olhares devastados de seus companheiros de time. Angelina
veio atordoada at� ele acompanhada por Fred, George e Ron.
"Malfoy n�o � mais r�pido! Voc� o deixou pegar o pomo!" Ron continuou.
"Vamos l� Angie, voc� n�o pode dizer que n�o viu. Ele se recuperou do mergulho bem
na hora em que Malfoy pegou o pomo! Harry deixou os Slytherins ganharem."
Angelina parecia chocada. Ela virou em dire��o a Harry para ver se confirmava o que
Ron estava dizendo. O moreno ficou quieto aproveitando a ang�stia dos Gryffindors.
"Vamos l� Angie, voc� n�o acha meio estranho que o �nico artilheiro que n�o foi
atacado seja o irm�o dele?" George continuou.
Os olhos de Harry brilharam furiosamente na dire��o dos g�meos. Foi nesse momento
que o moreno percebeu que Damien n�o estava com eles, ele olhou para tr�s e
localizou o irm�o junto com Ginny no outro lado do campo. Ginny estava preste a
chorar ao ver o time de Slytherin comemorando, ela segurava seus ombros e parecia
estar com dor, mas foi a express�o de Damien que fez seu cora��o bater. O
terceiranista o encarava com uma fei��o de quem havia sido tra�do. Seu irm�o
segurava a vassoura em uma m�o e o olhava sem nem mesmo piscar.
Harry assistiu com uma dor no cora��o Damien desviar o olhar e sair do campo de
Quadribol. O garoto soltou improp�rios. Ele n�o pensou na rea��o do irm�o, isso n�o
parecia importante para Harry, ent�o por que ele estava t�o chateado?
xxxxxx
A atmosfera no sal�o comunal de Gryffindor estava t�o intensa que parecia que eles
n�o haviam perdido uma partida de Quadribol, mas sim uma guerra. De certo modo isso
n�o era uma mentira, desde sempre Slytherin e Gryffindor nunca se deram bem, suas
rivalidades j� causaram in�meros problemas em Hogwarts, perder a partida de
Quadribol, era como perder uma guerra para os Slytherins. Ainda por cima, foi uma
perda de 630-360, isso significava que Gryffindor estava fora da corrida pela ta�a
das casas e em �ltimo lugar. Os Gryffindors afundaram-se nesses pensamentos
depressivos. Como eles iriam encarar a casa das serpentes agora?
Harry n�o podia acreditar na depress�o que o rondava, ele tinha certeza que os
Gryffindors iriam se lastimar, mas isso era inacredit�vel. Os estudantes estavam
afundando em sua perda, alguns idiotas tinham at� l�grimas nos olhos! O garoto
queria ficar feliz com a tristeza alheia, mas n�o conseguia, tudo por causa daquele
pirralho mimado chamado Damien.
Harry n�o o achava em lugar nenhum, nem mesmo sabia o que iria dizer a ele. O
garoto n�o sabia ao certo porque queria falar com o irm�o, mas sabia que tinha o
dever de dizer alguma coisa para Potter. Diferente dos irm�os Weasleys, todos os
outros Gryffindors pensavam que Harry jogou com toda a sua destreza e que dessa vez
Draco Malfoy teve sorte. O moreno silenciosamente estava rindo da estupidez deles,
ele sabotou a chance da casa do le�o ganhar o torneio das casas bem em frente a
eles, mas ainda assim, eles n�o viam a verdade.
Harry observou v�rias emo��es passarem pela face do menino. Ele nunca havia visto
ningu�m t�o chateado. 'Merlin, � apenas um jogo, como eles ir�o parecer ao perderem
a guerra para o meu pai?' Pensou. O garoto se levantou e andou at� Damien.
O moreno olhou para o gesto do irm�o e parou de falar. Harry n�o estava certo do
motivo que o fez obedece-lo, talvez foi o olhar de raiva e dor que havia na
express�o do menino.
"N�o! Eu n�o quero escutar nada do que voc� tem a dizer!" Damien gritou.
Harry ficou chocado ao ver l�grimas molhando a face do irm�o, ele n�o entendia
porque Damien estava desse jeito.
"Merlin Damien, por que voc� est� t�o chateado? Foi apenas um jogo!" Disse Harry.
"Eu n�o dou a m�nima para essa porcaria de jogo! Eu n�o me importo de ter perdido!"
"Porque voc� me traiu! Voc� teve uma escolha hoje. Voc� poderia ter ajudado seus
amigos ou ter ficado ao lado de seu irm�o e voc� escolhou estar contra mim. � por
isso que eu estou t�o bravo."
Harry parou sem a��o e escutou Damien. Ele finalmente entendeu o porqu� de Damien
estar assim. O menino viu o seu ato como uma tra���o de confian�a.
"Quer saber Harry, desde quando eu descobri que tinha um irm�o mais velho, tudo o
que eu quis foi estar perto dele, assim como Ron � de seus irm�os, mas eu sabia que
por causa de tudo o que aconteceu voc� seria uma pessoa dif�cil, que levaria um
tempo para voc� se abrir. Foi por isso que eu aguentei todos os jeitos com os quais
voc� me tratou. Foi por isso que eu arranjei desculpas por voc�, para convencer os
outros de que voc� n�o era t�o mau assim."
Harry continuava parado, incapaz de falar enquanto Damien extravasava suas emo��es.
"Na primeira vez que te vi, voc� me tratou como se eu fosse um nada! Mas eu
relevei, pensando que provavelmente voc� estava em choque por saber que tinha um
irm�o. No seu primeiro dia em Hogwarts, voc� insultou meus amigos, amigos que s�o
uma fam�lia para mim. Voc� chamou Hermione daquele nome horroroso e atacou Ron
somente porque ele a defendeu. Eu relevei novamente, convenci meus amigos de n�o
reportar o incidente. Eu ainda era ing�nuo o suficiente para arranjar desculpas por
voc�, disse que voc� n�o tinha uma varinha, que n�o podia se defender, que voc� n�o
sabia como nomear Hermione."
Harry estava quase retrucando, mas Damien ainda n�o tinha terminado.
"E voc� sempre chamou mam�e e papai naquele tom pejorativo horr�vel e eu ainda
ignorei. Voc� sabe por que? Porque eu pensei que era isso o que os irm�os faziam.
Eles se perdoam, eles ficam um do lado do outro. Eu pensei que assim que voc�
superasse tudo, assim que voc� visse o lugar o qual voc� pertence, voc� mudaria. Eu
queria ajudar voc�, Harry."
"N�o, voc� nunca pediu, mas eu pensei que irm�os n�o precisassem pedir ajuda. Eles
deviam estar ali para o der e vier, mas eu devia ter percebido que voc� � incapaz
de sentir tais sentimentos! Eu devia ter percebido que voc� iria me apunhalar pelas
costas. Quer saber Harry, eu estou cheio disso! Acabou, eu n�o posso mais aguentar
tudo isso! Voc� n�o quer ser meu irm�o, tudo bem, porque eu tamb�m n�o quero mais
ser da sua fam�lia! Voc� est� por sua conta e risco agora!"
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Harry pensou que Damien iria ficar bravo durante um dia ou dois e depois
continuaria sendo o 'chatinho' de sempre, mas ele percebeu que o menino realmente
tinha falado s�rio. Fazia uma semana desde a desastrosa perda de Gryffindor no jogo
de Quadribol e Damien ainda o estava ignorando. No come�o Harry pensou que fosse
uma ben��o n�o ter ningu�m para perturba-lo, ningu�m para lhe encher com perguntas
in�teis, mas ele logo percebeu que n�o tinha mais ningu�m para conversar e mais
ningu�m para acompanha-lo durante as refei��es, que n�o tinha mais ningu�m para
fofocar sobre os estudantes de Hogwarts.
Harry n�o queria admitir, mas sentia-se sozinho sem Damien. Ele nunca havia
percebido o quanto a companhia do irm�o significava para ele, de qualquer modo,
Harry era muito teimoso para aproximar-se do menino novamente. Por que ele deveria?
Damien que achou que o irm�o iria mudar, Harry nunca lhe deu esperan�as sobre isso,
portanto n�o era culpa dele. O garoto ignorou o sentimento de solid�o, n�o era a
primeira vez que ele tinha essa experi�ncia. Ao inv�s disso, Harry focou-se em como
sair de Hogwarts.
Junto com a perda do jogo, foi-se tamb�m as chances de Gryffindor ganhar a copa de
Quadribol, todos eles estavam bem mau-humorados. Os Slytherins por outro lado, n�o
paravam de se gabar pela vit�ria. Qualquer respeito que Draco poderia ter perdido
no duelo, foi restaurado imediatamente depois da partida. O loiro n�o parava de se
elogiar ao ver algum Gryffindor por perto.
A pr�xima partida era Ravenclaw contra Hufflepuff e quem ganhasse iria competir com
Slytherin, portanto n�o haviam mais treinos para Harry, coisa a qual o garoto
estava agradecido. Ele n�o queria ser inc�modado por Damien e pelos Weasleys.
James parecia estar tentando se aproximar de Harry durante esses dias, j� que
Damien n�o estava mais ao seu lado. Isso era algo que importunava muito o garoto. O
auror observou que Harry tentava sem resultados o ignorar, mas a cada dia que
passava ele tinha cada vez mais certeza de que o garoto n�o lhe suportava.
Finalmente, numa tarde, James confrontou Harry.
"Harry, por que voc� est� chateado comigo? Digo, eu consigo entender que no come�o
voc� poderia ter ficado bravo por causa da captura e tudo mais, mas agora j�
passaram tr�s meses! Por que voc� tem toda essa rejei��o em rela��o a mim?"
James percebeu que Harry tamb�m n�o era legal com Lily, mas pelo menos ele
respondia as perguntas dela monossilabicamente e n�o a encarava tanto. Algumas
vezes ele at� notou um pequeno olhar de m�goa dirigido a ela. Aparentemente a maior
parte da raiva de Harry era direcionada a ele, mas James n�o entendia o por qu�. O
que ele fez?
Harry desviou o olhar do livro que estava em seu colo e apenas lan�ou um ollhar
g�lido a James.
"Harry, eu lhe fiz uma pergunta. No m�nimo voc� pode me responder." James
continuou.
Foi quando James percebeu algo estranho em Harry. O moreno estava sentado em sua
cama e ele estava na cama de Ron. O garoto ficou o tempo inteiro lendo e nem mesmo
o olhou uma �nica vez, mas com a �ltima frase dele, Harry ficou tenso. James
conseguiu ver a ponta dos dedos dele ficarem brancos quando ele apertou o livro,
seus olhos verde esmeralda ficaram mais escuros e o auror pode v�-lo ranger os
dentes. James estava certo de que Harry iria lhe responder agora que tinha ficado
bravo. O moreno soltou seu livro e virou-se para encarar o auror.
"Rejeitar voc�? Eu n�o rejeito voc� Potter, eu odeio voc�! Somente ver voc� sentado
a� como se nada tivesse acontecido, faz meu sangue ferver. Se eu tivesse dado um
jeito, voc� nunca estaria sentado a�, portanto n�o teste minha paci�ncia!"
James estava sem palavras. Harry o odiava! Mas por que? O que Harry quis dizer com
'como se nada tivesse acontecido'? Ser� que ele ainda estava bravo por ter sido
capturado? Claro que n�o. Ent�o sobre o que ele est� se referindo.
"Harry, desculpe-me, mas voc� est� me confundindo. O que voc� quer dizer? Voc�
ainda est� bravo por ter sido capturado pela Ordem? Eu j� me desculpei em rela��o a
isso. O que mais voc� quer de mim?" James foi pego com a guarda baixa quando Harry
levantou da cama e foi em dire��o a porta.
James rapidamente se levantou e saiu atr�s dele para faz�-lo parar. O auror agarrou
o bra�o de Harry e o garoto se soltou imediatamente. James parou em frente a porta,
bloqueando a sa�da. Isso seria resolvido hoje.
"Harry n�s iremos falar sobre isso! Eu preciso saber porque voc� tem todo esse �dio
em rela��o a mim."
Harry estava l�vido. James nunca havia visto o garoto t�o bravo assim.
"Voc� � t�o pat�tico Potter! Voc� realmente quer que eu diga porque eu odeio voc�?
Voc� � doente!" Harry disse e tentou sair. James o impediu, agora, muito mais
surpreso.
"Harry! Sobre o que voc� est� falando? Por favor, diga porque voc� est� t�o bravo?"
James implorou.
Harry olhou para James e o cora��o do auror bateu forte ao ver as l�grimas
brilhando naqueles olhos esmeralda.
"Pense Potter, voc� n�o consegue pensar em nada que me fa�a te odiar? Tente pensar
e lembre." Harry disse silenciosamente. James sentiu uma coisa horr�vel, aquela
sensa��o de quando voc� pisa no degrau errado de uma escada.
"Harry, por favor, voc� est� me assustando. Lembrar o que? Por favor, me diga. Eu
n�o lembro ter feito nada que fizesse voc� me odiar."
James tinha que ser sincero, ele n�o conseguia pensar em nada que faria Harry ter
esse tipo de rea��o. Para o horror do auror, as l�grimas apareceram nos olhos de
Harry, mas n�o ca�ram.
"Sorte sua." Harry murmurou enquanto olhava James com uma mistura de raiva e m�goa.
Harry saiu de perto de James e foi em dire��o a sua cama, sentou, pegou seu livro e
continuou lendo como se aquela conversa nunca tivesse acontecido.
"Harry? Voc� quer explicar o que foi isso?" James perguntou baixinho ao sentar na
cama.
"Explicar o que? De acordo com voc�, nada nunca aconteceu, portanto n�o h� nada
para explicar."
James tentou perguntar a Harry sobre o que ele estava falando, mas n�o conseguiu
nenhuma resposta. Ap�s finalmente admitir a perda, o auror saiu vagarosamente do
quarto, ainda tentando descobrir o que acontecera.
Assim que James saiu, Harry colocou o livro em cima da cama. De princ�pio, o garoto
decidiu que seria melhor lidar com Potter somente quando estivesse de novo com seu
pai em seguran�a, ele n�o queria arriscar ser pego. Por muito que odiasse Potter,
Harry n�o queria ser preso e nunca mais voltar para Lorde Voldemort, mas depois de
hoje, ele tomou uma decis�o. Iria acabar com Potter antes de voltar para casa.
James Potter iria pagar e seria Harry quem se encarregaria dessa miss�o.
xxxxxx
Bella olhou em dire��o a Hogwarts. Ela tinha a carta ,que Draco enviara apenas h�
alguns minutos atr�s, amassada em suas m�os e encarava o enorme castelo pensando em
como Harry estaria e onde ele estaria. A mulher odiava estar t�o perto e n�o poder
pegar o garoto. 'Logo' Pensou consigo. 'Logo n�s iremos ter nossa chance. Eu n�o
irei esperar esses malditos escudos serem enfraquecidos. Harry estar� voltando
logo, logo.'.
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Cap�tulo Vinte e Quatro: Uma visita a Hogsmead
Time - Pontos
Ravenclaw -1080
Slytherin - 750
Gryffindor - 360
Hufflepuff - 120
Ela explicou que do jeito que as coisas est�o, Gryffindor tem que pegar o pomo com
ao menos 420 pontos a frente de Hufflepuff. Sete gols a mais que da outra vez. Se
eles fizessem isso colocariam Gryffindor em segundo lugar! Hufflepuff apenas
conseguiu fazer 120 pontos em cima de Ravenclaw, portanto Angelina estava
confiante. Gryffindor estava no momento em terceiro lugar, depois estava Slytherin
em segundo e por �ltimo Ravenclaw em primeiro lugar por ter ganhado duas partidas.
Se a casa dos le�es ganhasse da casa do texugo, eles empalherariam com Slytherin,
sendo assim, teriam a chance de ganhar a copa, j� que a casa da serpente n�o havia
conseguido muitos pontos em seu �ltimo jogo. A pr�xima partida seria entre
Gryffindor e Ravenclaw, se eles conseguissem jogar bem, poderiam conseguir a ta�a
das casas pela primeira vez em anos.
Angelina continuava encorajando Harry dizendo que ele era o melhor apanhador que
ela conhecia e que ele n�o iria deixa-los para baixo. O garoto teve que se
controlar para n�o estrangul�-la, ela era t�o chata! Ele continuava indo aos
treinos e estava feliz por n�o ter que prestar muita aten��o aos outros jogadores,
j� que as �nicas que falavam com ele eram Ginny e Angelina.
"Eu n�o tenho o h�bito de fazer piadas, Sr. Potter. O que voc� tem em m�os � uma
permiss�o. Ela est� assinada por seus pais para que voc� v� a Hogsmead nesse final
de semana." Dito isso a Professora de transfigura��o virou-se e foi embora deixando
um Harry confuso para tr�s.
Harry encontrou James no topo da escada encaminhando-se para o sal�o comunal. Harry
correu at� ele e colocou o papel em suas m�os, James deu alguns passos para tr�s,
ele examinouo papel, piscou e encarou o garoto.
"� uma permiss�o para ir a Hogsmead nesse final de semana." James respondeu.
"Claro, isso eu percebi sozinho. O que eu quero saber � porque eu recebi essa
permiss�o?"
Foi a vez de Harry ficar incerto. Ele encarou o auror antes de falar.
"Com algumas regras e condi��es, sim eu deixarei." James repondeu com um pequeno
sorriso.
Harry estava sem palavras. Eles realmente iriam deixa-lo ir a Hogsmead? Mas por
que? Eles n�o est�o com medo de que ele escapasse? Harry decidiu que essa
oportunidade n�o seria desperdi�ada.
"Que tipo de regras e condi��es?" Harry perguntou sabendo que tinha alguma coisa
por tr�s disso.
"Bem, na verdade, ser� outro auror que ir� decidir isso, mas se voc� se comportar,
tenho certeza de que n�o h� nada para se preocupar."
xxxxxxx
Se Harry n�o estivesse t�o desesperado para sair daquela pris�o, a qual era
Hogwarts, ele nunca deixaria Moody chegar perto dele novamente. De qualquer modo,
ir para Hogsmead era ter uma chance para escapar, ele sabia que muitos Comensais
estavam por l� e que se conseguisse chegar at� algum deles, conseguiria voltar para
casa.
James explicou que Dumbledore permitiu a ida de Harry a Hogsmead, mas o Ministro de
algum jeito conseguiu ficar sabendo e exigiu medidas de seguran�a, ele deveria ter
um auror, que n�o fosse um familiar, o acompanhando. Era por isso que nem James nem
Sirius podiam escoltar Harry. Moody se voluntariou e o Ministro logo aceitou.
Ningu�m sabia quais eram as condi��es que seriam impostas sobre Harry, apenas Moody
tinha esse conhecimento e s� iria revelar no dia da visita ao vilarejo.
Harry percebeu que estava extremamente ansioso pelo final de semana, ele n�o
conseguia acreditar que depois de tr�s meses capturado, estaria indo para casa.
Quando a manh� t�o esperada chegou, o garoto foi chamado no escrit�rio do diretor.
Ele foi escoltado por James Potter que estava muito nervoso. A �nica coisa que
inc�modava Harry estar indo para casa mais cedo era que ele ainda n�o tinha dado um
jeito em James. O garoto afastou esses pensamentos, assim que estivesse novamente
ao lado de seu pai, teria sua vingan�a.
Harry o encarou e sentou ao lado da lareira, ele n�o queria ficar perto de ningu�m.
Moody estava encarando o garoto e rangendo os dentes por causa da rudeza deste. Era
�bvio para o auror que ter passado uns dois meses em Hogwarts n�o fez a m�nima
diferen�a para Harry. Dumbledore continuou falando.
"Agora, sobre a visita a Hogsmead, creio que voc� entende as preocupa��es que todos
n�s temos em rela��o a voc� ir sozinho com seus colegas. De qualquer modo, eu quero
que voc� experimente a sensa��o de ir at� o povoado, o que � uma experi�ncia �nica
especialmente quando acompanhado por amigos. Moody estar� com voc� o tempo inteiro
Harry, ele n�o vai ficar andando com voc� j� que isso atrairia muita aten��o, mas
ele ficar� te seguindo, entendeu?" Dumbledore perguntou. Olhos azuis encarando
olhos verdes.
Harry olhou Dumbledore. Eles realmente o deixariam ir a Hogsmead com apenas Moody o
seguindo. Essa era uma �tima oportunidade.
Harry percebeu o tom que foi empregado ao dizer o termo 'condi��es', ele olhou em
volta e viu James e Sirius com uma express�o desgostosa e sentiu uma raiva
inexplicav�l borbulhar.
Moody agiu t�o r�pido que ele nem percebeu o que aconteceu. O auror vasculhou seus
bolsos, pegou sua varinha e mais alguma coisa. Antes que Harry pudesse olhar tudo
propriamente, Alastor j� havia prendido algo em seu punho esquerdo. O garoto olhou
para suas m�os e viu uma argola vermelha, parecia um bracelete, ele ficou confuso.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Moody sorriu e explicou.
"Isso � chamado de Bracelete Barta, realmente muito engenhoso. Esse artigo faz com
que a pessoa que o use fique com certos limites. Eu registrei esse Bracelete para
limitar-se aos arredores de Hogwarts e Hogsmead, isso quer dizer que voc� n�o
poder� utrapassar essas fronteiras. Se voc� tentar ir al�m delas..." Moody pausou e
apontou sua varinha para o Bracelete.
Harry deu alguns passos tentando se preparar para o que viria a seguir. De qualquer
modo, nada o preparou para a s�bita e intensa dor que ele sentiu ao escutar Moody
dizer o feiti�o. O garoto sentiu uma dor enorme atravessar desde seu bra�o at� seu
peito, sentiu como se seu tor�x estivesse sendo comprimido por dentro, bem aonde
seu cora��o estava localizado. Harry engasgou-se e apertou o peito, era como se
fosse eletricidade perpassando por ele. O moreno n�o conseguia acreditar que Moody
havia feito isso, ele olhou James e viu que este lan�ava olhares mort�feros para o
auror. James virou-se para Harry com uma express�o de desculpas, aparentemente, ele
n�o podia fazer nada.
"... como voc� v� garoto, � melhor n�o tentar escapar, caso contr�rio vai doer
muito. Se por algum milagre voc� ultrpassar as barreiras, a dor provavelmente ir�
mat�-lo como se fosse uma parada card�aca. N�o � muito prazeroso, mas eu tive que
avisa-lo." Moody terminou parecendo bem contente consigo.
Harry nunca havia sentido tanta raiva. Ele estava tremendo e olhava Moody com toda
a ira que possuia. O garoto aproximou-se do auror e sibilou.
"Se voc� acha que eu irei usar isso, ent�o est� extremamente enganado. Se essa � a
sua condi��o rid�cula para que eu v� a Hogsmead, ent�o eu n�o vou. Tire isso de
mim!"
Harry nunca havia se sentido t�o humilhado. Esse Bracelete Barta o estava
restringindo como se ele fosse um animal que n�o podia ser livre. Ele n�o iria
ficar com isso. N�o valeria de nada ir a Hogsmead agora, j� que ele estava
limitado.
"Eu n�o irei retirar. O Bracelete vai ficar durante um dia inteiro, voc� indo a
Hogsmead ou n�o. Eu n�o irei arriscar a possibilidade de voc� sair enquanto todo
mundo est� fora. Voc� pode vir conosco para Hogsmead ou ficar aqui em Hogwarts, de
qualquer jeito o Bracelete fica." Isso foi dito num sussurro.
"E se fosse por mim garoto, voc� nunca mais tiraria isso. Voc� merece ser mantido
assim."
Aquilo foi o suficiente para Harry, ele estava at� agora se segurando para n�o
atacar moody, mas com a �ltima senten�a, os esfor�os dele foram todos embora.
Harry desceu seus punhos em cima do nariz deformado de Moody e ouviu o barulho
satisfat�rio de osso sendo quebrado. Ele bateu no auror novamente, dessa vez no
abd�mem, fazendo com que o mais velho ajoelhasse no ch�o enquanto buscava ar. Harry
pegou-o pelo colarinho e j� estava desferindo outro golpe quando sentiu aquela dor
incr�vel novamente comprimindo seu cora��o fazendo com que ele soltasse o auror e
pressionasse seu peito. Quando a dor reduziu, ele viu Moody apontando sua varinha
em sua dire��o. O auror o havia atacado novamente. Harry conseguiu levantar-se e
viu os olhares preocupados de James, Sirius e Dumbledore.
"Tente isso outra vez e voc� nunca mais ser� libertado do Bracelete Barta!" Gritou
Moody enquanto tentava estancar o sangue que sa�a de seu nariz.
Harry n�o disse nada, ao inv�s disso saiu tempestivamente do escrit�rio. Ele estava
se sentindo doente e conseguiu correr at� o banheiro masculino bem a tempo de
vomitar tudo o que estava em seu est�mago. O garoto segurou sua testa e sentou no
ch�o tentando acalmar as batidas de seu cora��o. Maldita maldi��o! Ele olhou o
Bracelete Barta e tentou tira-lo, de qualquer modo, tudo o que ele conseguiu foi
outra onda de dor atac�-lo. Parecia que o artigo s� podia ser retirado por que o
havia posto.
Harry blasfemou, ele estava ferrado agora! Ele tinha que usar essa coisa est�pida
pelo resto do dia mesmo se n�o fosse para Hogsmead. O garoto decidiu que iria at� o
vilarejo, pelo menos ele poderia dar um jeito de enviar uma mensagem para seu pai.
xxxxxx
James estava l�vido, ele foi avisado sobre o Bracelete apenas h� alguns minutos
antes de ir pegar Harry. Ele, Sirius e at� mesmo Dumbledore discordavam da id�ia,
mas Moody era a autoridade do Minist�rio por ali, portanto n�o havia muito o que
fazer. James e Sirius disseram que aquilo era degradar a imagem de uma pessoa e
para usar aquilo teria que realmente existir uma boa raz�o. James sabia que Harry
iria lutar contra a condi��o e ele nem mesmo o culpava por ter batido em Moody.
Aparentemente ningu�m era contra, j� que nenhum deles moveu um dedo.
James estava se sentindo como se estivesse traindo Harry, o modo como ele o olhou
quando moody estava explicando sobre o bracelete foi de cortar o cora��o. Harry n�o
acreditava em James e o auror sabia disso, mas qualquer esperan�a de algum dia o
garoto sentir-se protegido em volta dele foi embora com esse epis�dio. James sentia
que s� por causa de alguma horas em Hogsmead n�o valia a pena usar o Bracelete, mas
Harry teria que usa-lo indo ou n�o para a vila.
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Hogsmead era um vilarejo o qual ningu�m podia n�o gostar. Havia tudo para todos os
gostos. Lojas de traquinagens, lojas de doces, lojas de Quadribol, livrarias e tudo
o que voc� pode imaginar. Harry andava pelas ruas prestando aten��o a sua volta,
ele s� tinha ido a Hogsmead duas vezes e em nenhuma delas ele p�de parar para fazer
compras. O garoto sempre pensou em como seria fazer compras por l�, aproveitar o
dia e quem sabe talvez ir at� o famoso Tr�s Vassouras tomar alguma coisa.
De qualquer modo para Harry, hoje era o dia de experimentar coisas novas. Ele sabia
que Moody estava o observando pelos cantos. O Bracelete Barta estava balan�ando em
seu punho, mesmo parecendo apenas uma luz vermelha. Harry estava odiando usar
aquilo e mal podia esperar para que o dia terminasse. James e Lily juntamente com
Sirius estavam indo para a loja de traquinagens. Ele observava os alunos desde o
terceiro at� o s�timo anos espalharem-se pelas lojas. O garoto logo viu um vulto
loiro correndo em sua dire��o. Harry n�o conseguia sentir mais piedade de si mesmo
do que agora, ele estava t�o certo de que iria escapar e apenas agora percebeu que
isso n�o seria poss�vel. Ele estava achando muito dif�cil n�o se lastimar.
Draco viu Harry e congelou. O moreno sorriu de lado ao ver o loiro abrir a boca
para falar.
"Se voc� perguntar 'O que voc� est� fazendo aqui?' Draco, eu juro que n�o
responderei por mim mesmo." Harry disse.
"Olha s� quem est� de mau humor hoje. Olhe em volta Harry, voc� est� em Hogsmead.
D� vivas, afinal, existem muitos rostos familiares em volta."
Harry sorriu.
"Harry rapidamente come�ou a andar com Draco enquanto Crabbe e Goyle os escoltavam,
ambos faziam express�es idiotas.
'Bem, eu tenho que assumir que nunca esperei que aquele velho idiota do diretor
deixasse voc� vir at� Hogsmead t�o facilmente. Digo, eles esqueceram quem voc�
realemente �? Ou eles est�o convencidos de que voc� foi 'domado'."
"Se apenas..." Ele murmurou mais para si mesmo do que para Draco. Harry mostrou o
Bracelete para o loiro e explicou como ele funcionava e o que aconteceria se ele
tentasse escapar.
A pouca cor que havia na face de Draco Malfoy se foi e deu lugar a um tom mais
vermelho.
"Aqueles... aqueles bastardos! Como eles puderem... isso � t�o... oh! Espera s�
Harry... deixe a tia Bella colocar a m�o neles... eles v�o ter desejado nunca ter
encostado em voc�!"
Harry sorriu por causa das palavras de seu amigo. Bella provavelmente iria comer
Dumbledore e a Ordem vivos se soubesse sobre o Bracelete. O garoto nem mesmo queria
pensar no que seu pai faria, 'Merlin!' Pensou. 'Eu provavelmente terei uma
hemorragia nasal quando ele descobrir. Eu tenho que dar uma po��o calmante para ele
antes de contar.'.
Harry sentiu seu cora��o apertar quando pensou em Bella e em seu pai, ele realmente
queria v�-los novamente, ele queria ir pra casa, soando isso infantil ou n�o, Harry
apenas queria sair desse pesadelo e voltar para a sua casa.
Harry e Draco conversaram sobre outras coisas enquanto encaminhavam-se para o Tr�s
Vassouras. O moreno logo entrou e saiu procurando lugar, o local estava cheio,
haviam muitos estudantes, mas a maioria dos clientes eram adultos, alguns ele
reconheceu serem aurores do Minist�rio. O garoto percebeu que em uma mesa haviam
quatro ruivos, uma cabeleira castanha e um moreno e sentiu a culpa invadi-lo ao ver
Damien sentado e rindo junto com os Weasleys e com a Granger 'sangue-ruim'. Ele nem
mesmo sabia o que era que o incom�dava j� que Damien era chato. Harry virou-se e
foi at� uma mesa junto com Draco e seus dois 'guarda-costas', eles sentaram e
rapidamente fizeram seus pedidos. Draco falava sobre como o bar era mal frequentado
e como suas instala��es eram ruins. O moreno estava escutando parcialmente, ele
estava distra�do observando seu irm�o rir com Ron e os g�meos.
Harry nunca pensou em como Damien havia sacrificado sua amizade com os Weasleys
para poder ficar com ele, mas vendo o irm�o aproveitar a vida sem ele o perturbava.
"O que h� de errado com voc�?" Uma voz chamou sua aten��o. Harry virou a cabe�a e
viu Draco o encarando com uma garrafa de Fire Whiskey em frente a ele, obviamente
tentando oferecer um pouco.
Harry pegou a garrafa e murmurou um 'nada' para o loiro. 'O que h� de errado
comigo? Por que ver Damien com os Weasleys me incom�da? Por que eu me preocupo? Ele
n�o � nada para mim, � apenas um Potter, ele n�o significa nada.' Harry tentou
explicar para si mesmo. O garoto fechou os olhos, estava come�ando a ficar com dor
de cabe�a. Ele levantou-se e foi at� o banheiro, estava come�ando a se sentir
doente de novo.
Assim que Harry entrou no banheiro percebeu que o local estava deserto, isso era
estranho j� que l� fora estava cheio. O garoto balan�ou a cabe�a e foi jogar um
pouco de �gua no rosto, ele precisava passar por tudo isso, sendo o que fosse, ele
tinha que parar de se sentir culpado por n�o estar falando com Damien.
Harry olhou-se no espelho, ele definitivamente perdeu peso desde sua captura, seus
olhos aparentavam um ar cansado e ele estava mais p�lido, a cor verde esmeralda de
seus olhos estavam mais ressaltada devido a sua palidez. Ele tentou arrumar seu
cabelo, mas suas mechas rebeldes n�o concordavam com ele. O garoto suspirou
observando sua apar�ncia. Harry virou-se para sair e quase pulou ao ver que uma
pessoa bloqueava sua passagem, ele apontou sua varinha para o ser encapuzado,
haviam algo estranhamente familiar nele, mas a mente do moreno estava muito
distra�da para notar.
"Seja o que for que voc� queira, esque�a! Sa�a do meu caminho antes que eu o force
a isso!" Harry vociferou para o estranho.
Bella sorriu para Harry e observou a figura do 'seu garoto' usando roupas trouxas.
Cal�as jeans azuis e uma blusa de capuz negra.
Ela aproximou-se mais e envolveu Harry em um abra�o. O moreno odiava abra�os, ela
lembrou.
"Har-Pr�ncipe Negro, � bom v�-lo novamente." Bella disse com uma voz controlada.
Ela n�o iria mostrar sua emo��es... n�o muito.
Bella fez um barulhinho, j� fazia tanto tempo desde que ela havia escutado seu nome
sendo pronunciado por Harry. O Pr�ncipe Negro com certeza tinha mudado, ela
conseguiu ver os olhos cansados e a palidez, sabia que o garoto n�o devia estar
comendo nem dormindo direito. A mulher guardou a informa��o para ela e ao inv�s
disso falou com uma voz sem emo��o.
Harry nunca se sentiu t�o desesperan�ado, ele sentiu seu cora��o apertar com o
pensamento de ir para casa. O garoto olhou Bella e respirou fundo. Isso iria ser
dif�cil.
"Bella... eu... eu n�o posso." Harry come�ou. O olhar de surpresa na face dela
durou um segundo e depois passou para confus�o.
"O que voc� quer dizer com 'eu n�o posso'? Voc� tem que vir comigo agora! Eu
enfeiticei essa porta para que nungu�m possa entrar. Toda pessoa que se aproxima
acaba lembrando de uma coisa realmente importante e se distraem. Voc� era o �nico
que poderia entrar, mas o feiti�o n�o vai demorar muito. Por favor Harry, voc� tem
que vir agora."
Bella pode ver a dor refletida nos olhos de Harry, ela nunca o viu t�o vulner�vel.
O feiti�o acertou o Bracelete e Harry tentou n�o gritar quando a dor agonizando o
perpassou novamente. Ele apertou o tor�x tentando normalizar sua respira��o assim
que a dor foi embora. Ele olhou Bella com l�grima nos olhos, a dor havia sido t�o
intensa dessa vez que as l�grimas escorreram. A mulher paralisou ao perceber que
tinha machucado Harry, ela recolheu a varinha e percebeu como Harry estava
respirando e como ele estava tremendo, provavelmente por causa da enorme quantidade
de dor f�sica que havia sofrido hoje.
Ela imediatamente caiu de joelhos e cobriu a face com as m�os, o que iria fazer
agora? Ela pensava que assim que Harry estivesse a sua frente, n�o iria embora
enquanto ele n�o fosse junto. N�o havia jeito do Bracelete ser removido por outro a
n�o ser Moody, e agora? Como ela iria for�a-lo a fazer isso? O auror era muito
experiente para ser enganado por uma maldi��o Imperious e ela n�o se atrevia a
atac�-lo com tantos outros aurores pelas redondezas.
Bella olhou tristemente ao ver Harry ajoelhado, ela nunca viu o garoto olh�-la com
tanta emo��o. A mulher sabia que o moreno se preocupava com ela, mesmo que nunca
tivesse demonstrado. Harry tentou confort�-la.
"Est� tudo bem Bella, eu s� irei usar isso por um dia, depois ser� retirado, eu
ficarei bem. De qualquer jeito, os escudos n�o devem estar longe de serem
enfraquecidos. No dia em que eles ca�rem eu voltarei para casa. Prometo!" Harry n�o
estava apenas comfortando Bella, mas tamb�m a si mesmo.
"Mas Harry... como eu vou encarar o Lorde das Trevas? Como eu vou dizer que falhei
em trazer seu filho de volta? O Lorde das Trevas vai ficar desapontado comigo! Eu
sou a n�mero um e falhei em levar voc� de volta."
"N�o, n�o falhou. Como eu disse os escudos ser�o enfraquecidos e eu irei para casa.
Meu pai n�o quer que eu me machuque. Voc� estar� l� para me levar para casa. � s�
esperar algumas semanas." Harry reassegurou ambos. Ele se levantou e arrumou suas
vestes.
"Oh e Bella, mais uma coisa. Eu sou o n�mero um do meu pai, voc� j� deveria ter
admitido isso."
Bella riu ao relembrar do t�pico que j� havia causado tantas discuss�es entre ela e
Harry.
"Harry, o que em nome do Lorde das Trevas voc� est� vestindo?" Bella perguntou
enxugando as l�grimas.
Harry riu e Bella sentiu seu cora��o pular uma batida, ela amava escutra-lo rir.
"Acredite Bella, me for�ar a usar roupas trouxas n�o � a pior coisa que eles
fizeram comigo."
"Nada que pudesse ferir, eles n�o sabem o que fazer, bando de idiotas!"
Bella estava quase dizendo alguma coisa quando congelou, ela olhou para a sua
varinha e viu umas luzes verde e amarela� saindo dela. O feiti�o do banheiro havia
acabado, ela rapidamente colocou o capuz e olhou Harry.
Bella come�ou a lavar as m�os quando alguns estudantes de Hogwarts entraram, eles
pareciam ser quartanistas. Os garotos entraram nos boxes e Harry murmurou.
"Diga ao meu pai que logo eu estarei em casa, diga a ele que eu tenho uma pequena
coisa a fazer antes."
Bella olhou Harry e ficou confusa por um momento antes que percebesse o que era.
Ela reconheceu o olhar de f�ria no garoto.
"Harry, voc� n�o acha que deveria se focar em voltar para casa? Voc� pode lidar com
ele depois. Eu n�o quero que voc� seja pego." A preocupa��o era percept�vel na voz
de Bella enquanto ela tentava fazer o adolescente reconsiderar seus planos.
"Eu esperei doze anos por isso, Bella! Eu estava preparado para esperar at� voltar
para casa, por medo de ser pego, mas eu tenho tudo planejado agora. Eu irei lidar
com isso antes de voltar. Diga ao meu pai que eu sinto muito, mas tenho que
resolver isso de uma vez por todas."
Bella n�o argumentou, haviam mais pessoas entrando no banheiro. Ela tinha que sair
agora. A mulher se despediu e saiu, ela virou mais uma vez para ver Harry antes de
sair de deix�-lo sozinho.
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Harry voltou para a mesa e ignorou os olhares que Draco lhe lan�ava, ele olhou em
volta e viu Damien junto com seu grupinho. O garoto sentiu-se relaxado, pegou seu
Fire Whiskey e bebeu um gole, ele precisava disso depois daquela conversa com
Bella. Harry estava depressivo s� por estar por l�, ele percebeu que ter falado com
a Comensal o fez ficar mais 'alegrinho'. Agora seu pai saberia que ele estava bem e
que n�o estava apenas perdendo tempo em Hogwarts, saberia que ele iria resolver
alguns problemas antes de voltar.'Isso realemte vai me fazer ficar mais feliz.'
Pensou Harry.
De qualque modo os pensamentos de Harry foram cortados por uma grande como��o que
vinha l� de fora. Ele colocou sua cabe�a na janela para observar e viu que as
pessoas estavam em p�nico. Ele n�o conseguia ver o por qu� de tudo aquilo. 'N�o
podem ser Comensais, podem?' Pensou consigo. O garoto trocou olhares com Draco.
'Talvez Lucius n�o queira voltar sem mim, ele pode estar com medo do meu pai.'
Harry pensou, mesmo assim, ele sabia que Lucius tinha mais c�rebro do que isso. Se
Bella contou sobre o Bracelete Barta ent�o ele n�o iria fazer tal coisa.
A raz�o de todo o caos l� de fora logo foi revelado. Harry e todas as pessoas que
olhavam pela janela viram o pequeno ex�rcito de homens aparecer. O moreno
instant�neamente soube quem eram.
Harry viu as pessoas a sua volta entrarem em p�nico. Eles estavam obviamente sem
no��o de quem esses homens eram. O moreno olhou Draco e viu os labios do loiro
formarem a palavra 'Daywalkers', ele assentiu. Os olhos de Draco arregalaram-se de
medo, ele s� havia ouvido falar deles por seu pai e por Harry, nunca tinha visto
um. O moreno os havia estudado antes de encontrar um e n�o queria encontrar nenhum
outro.
Os Daywalkers eram basicamente vampiros que podiam andar de dia. Eles eram imunes a
luz do sol e podiam andar sob ele sem virar p�. Eram mais poderosos que qualquer
outra ra�a de vampiro o que tornava a luta com eles muito mais dif�cil.
Harry viu os aurores correrem na dire��o dos Daywalkers atirando feiti�os neles.
Ele queria que esses est�pidos aurores utilizassem o c�rebro de vez em quando. Eles
n�o tinha id�ia de que feiti�os usar, de repente houve um som bem alto que assustou
todos que estavam no bar, todos pararam para procurar a fonte e viram o auror
Kingsley Shacklebolt parado no meio do bar com sua varinha apontada para o teto.
"Por favor, vamos todos manter a calma. Voc�s est�o a salvos aqui dentro. Eles s�o
vampiros, n�o podem entrar sem a permiss�o do dono." Kingsley Shacklebolt informou
a todos. Harry observou muitos ainda tremendo de medo. Um bruxo vestido de branco
come�ou a falar.
"Se eles s�o vampiros, ent�o como eles podem andar de dia? Deve haver algo a mais."
Todo mundo come�ou a concordar. Kingsley falou alto para que todos ouvissem.
"Eles s�o uma nova ra�a de vampiros, podem sair de dia, mas ainda tem as outras
fraquezas de qualquer vampiro, ent�o por favor, n�o entrem em p�nico."
Harry sabia que Kingsley estava certo, mas os Daywalkers n�o eram est�pidos. Se
eles n�o conseguiam entrar, ent�o te tirariam de dentro do local.
Rapidamente houve uma barulho e a porta do Tr�s Vassouras foi arrancada e uma
figura ficou parada na entrada. Suas vestes negras estavam esvoa�ando e ele lan�ou
um sorriso para as pessoas do bar. Seus caninos brilhando em amea�a, o moreno
desviou o olhar.
"Qual � o problema Rosmerta? N�o quer me convidar para um... Drink?" Ele zombou
enquanto todo mundo tremia e olhava para Madame Rosmerta que estava tremendo
tamb�m.
Ela olhou para o Daywalker, obviamente confusa sobre como ele poderia saber seu
nome. Harry queria gritar que o nome dela estava l� fora na placa do bar.
"Coloquem essas coisas in�teis longe de mim, sua m�gica n�o pode nos ferir."
Harry observou o homem colocar a m�o dentro de suas vestes e pegar um pequeno
objeto triangular. Ele segurou para que os aurores vissem bem o artigo.
"Minha m�gica pode." Disse o Daywalker antes de jogar o objeto para dentro do bar.
Harry demorou dois segundos para perceber o que era.
O objeto tri�ngular bateu, com o grito de Harry todo mundo se abaixou, foi ent�o
que a parede explodiu.
Harry saiu, junto com Draco, do bar destru�do, ele estava quase lutando contra os
Daywalkers, mas percebeu que os aurores j� haviam come�ado a fazer isso. A maioria
das pessoas que estavam no bar sa�ram, o moreno viu dois aurores carregando um
homem que estava cheio de queimaduras. Harry fechou os olhos, ele n�o conseguia ver
pele com queimaduras, e tentou se acalmar. O som da multid�o e dos in�meros gritos
for�ou o garoto a abrir os olhos e olhar em volta, ele viu nada menos que oito
Daywalkers aproximando-se deles. Harry j� estava em posi��o de duelo, seu corpo de
escudo para Draco, afinal, o loiro era seu melhor amigo, mas antes que ele fizesse
qualquer coisa, um enorme grupo de pessoas colocaram-se na frente. O moreno viu
James e Sirius parados na frente dele e de Draco. Haviam outros oito aurores
protegendo Hogwarts e seus estudantes. Harry observou os aurores come�arem a duelar
com os Daywalkers.
Harry foi distra�do por Draco, ele virou-se e viu o loiro apontando para alguma
dire��o. O moreno n�o entendeu direito, mas viu que a uma certa dist�ncia havia um
grupo de pessoas lutando com os Daywalkers, foi quando viu o cabelo loiro de Lucius
Malfoy e percebeu que muitos Comensais da Morte estavam lutando contra os
Daywalkers tamb�m. Harry n�o conseguiu impedir e sorriu, pela primeira vez, o
Minist�rio, a Ordem e os Comensais estava lutando pelo mesmo lado.
"Bem, isso n�o � algo que se v� todos os dias." Harry brincou. Draco deu um pequeno
sorriso e olhou nervosamente a sua volta. O moreno percebeu que ele estava tremendo
e n�o parecia estar muito bem.
Draco apenas assentiu e continuou olhando a luta. Harry entendeu, o loiro nunca
havia estado em uma situa��o t�o perigosa antes. Ele sempre falou em se tornar um
Comensal, mas Draco nunca presenciou uma situa��o de risco antes. Ele estava em
p�nico.
"Venha Draco, essa � a sua grande chance. Voc� sempre disse que queria vir comigo
em uma de minhas miss�es, apenas pense que esse acontecimento � uma delas. Lute!"
"Eu sempre disse que voc� n�o foi feito para atuar nesse tipo de coisa." Harry
zombou.
"N�o... n�o � isso... � que... eu estou sem minha varinha!" Draco respondeu.
"O que! Voc� est� louco Malfoy? N�s estamos no meio de uma guerra e voc� sa� do
col�gio sem sua varinha? Voc� perdeu o ju�zo?" Harry vociferou.
"Hey! Cuidado. Eu n�o deixei nada pra tr�s. Nenhum dos estudantes � permitido
trazer suas varinhas, come�ou a acontecer muitos duelos aqui em Hogsmead entre os
alunos, portanto os professores proibiram. Aquele squib pat�tico do Filch revista
todo mundo para que ningu�m saia do castelo com varinha." Draco contou a Harry com
um toque arrogante dos Malfoys.
Harry encarava Draco, incapaz de compreender essas regras est�pidas. 'O que? Eles
viviam em baixo de uma pedra? Acho que n�o! Ser� que eles n�o percebem o qu�o
perigoso � sair do castelo sem uma varinha?' O garoto estava chocado por causa da
ingenuidade deles. Harry lembrou-se ent�o de que n�o foi revistado, j� que estava
companhado de Moody, ou seja, ele estava com sua varinha. 'Pelo menos uma coisa
boa.' Pensou consigo.
Harry viu os Professores Snape e McGonagall correndo em dire��o aos alunos. Antes
que ele percebesse o que estava acontecendo, foi sendo levado junto com a multid�o
de alunos para o castelo. A Professora McGonagall afastou os estudantes da luta e
estava os escoltando de volta para a escola. Todos conseguiram passar pelos
port�es. Depois de perguntar se todos estavam bem, ela come�ou a checar todo mundo
com sua varinha, logicamente procurando alguma ferida ou machucado. Houveram apenas
quatro alunos que ficaram realmente machucados e tiveram que ser transferidos para
St. Mungos.O nome deles foi passado para McGonagall e ela anotou em um pergaminho
que estava em sua m�o, depois de checar todo mundo, ela conferiu os nomes que
estavam no papel. A mulher arregalou os olhos e voltou sua aten��o para Harry, ele
sentiu que algo estava errado. Harry j� sabia antes mesmo dela falar que entre os
estudantes desaparecidos estavam Hermione Granger, Ronald Weasley, Ginny Weasley e
Damien Potter.
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Cap�tulo vinte e cinco: Complexo de Her�i
A multid�o de alunos estava sendo empurrada para dentro do castelo. Harry estava
mais para o final junto com Draco, havia uma batalha intensa sendo travada dentro
de sua mente. Ele n�o queria involver-se com Damien e com o resto dos Gryffindors,
ent�o por que ele deveria se preocupar com o sumi�o deles? Eles eram grandes o
suficientes e tinham treinado exatamente para isso, eles podiam se proteger. Por�m
o moreno lembrou-se do que Draco havia falado sobre alunos n�o serem permitidos a
sa�rem do castelo com suas varinhas, ele sabia que mesmo que Damien tivesse sua
varinha com ele, o menino n�o seria capaz de fazer nada contra os Daywalkers.
"Droga!" Harry blasfemou enquanto mudava de id�ia. Ele n�o podia deixar que nada
ferisse Damien, por alguma raz�o s� de pensar no menino lutando contra os
Daywalkers o fazia passar mal.
Ele virou-se para voltar a Hogsmead quando sentiu algu�m agarrando-o pelo ombro,
Harry assistiu Draco o encarar com raiva e preocupa��o.
"Harry! Onde voc� pensa que vai?" Draco gritou com ele.
"Harry! N�o seja est�pido! Voc� n�o pode lutar contra eles e voc� sabe disso. Deixe
para que os aurores os salvem, proteja seu pr�prio pesco�o."
Harry sorriu e desviou-se das m�os de Draco.
"Nem eu me entendo Draco, mas isso � uma coisa que eu tenho que fazer."
'Eu sabia que esse complexo de her�i iria mata-lo algum dia.' O loiro pensou
consigo. Draco virou-se e correu at� Snape, ele sabia que o Professor ajudaria
Harry.
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Foi bem f�cil para Harry sair e voltar a Hogsmead. Ainda havia uma batalha intensa
acontencendo e aparentemente os Daywalkers estavam ganhando, pois haviam muitos
aurores mortos espalhados pelo caminho. O moreno ficou nas sombras e voltou ao Tr�s
Vassouras, ele parou na frente do bar e viu que o lugar estava todo destru�do e
queimava, olhou para a fuma�a que sa�a da janela e engolia os pr�dios que ficavam
pr�ximos, muitos deles queimavam tamb�m. Pelo fato do fogo ser m�gico ainda
demoraria algumas horas para que ele se extinguisse.
Harry pegou sua varinha e rezou para conseguir efetuar o feiti�o que queria, ele a
segurou firme e murmurou "Me oriente" tendo em mente a imagem de Damien. Sua
varinha come�ou a rodar e apontou para a dire��o norte, o garoto n�o perdeu tempo e
saiu correndo, tentando manter-se longe da batalha.
Assim que passou pelo meio de todas aquelas pessoas, Harry notou dois rostos
familiares. Eram Moody e Sirius, ambos estavam duelando com os Daywalkers e ainda
n�o haviam descoberto que feiti�o usar contra eles. Harry suspirou, 'Honestamente,
se eles n�o tem a m�nima no��o de como lutar contra esses idiotas, como acham que
poder�o desafiar meu pai!'.
Harry come�ou a correr, a desviar dos feiti�os que o sobrevoavam e um tempo depois
pode ver o pr�dio que sua varinha apontava.
"Deve ser brincadeira!" Harry murmurou assim que avistou o pr�dio em ru�nas. Ele
estava parado na frente da Casa dos Gritos.
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Hermione sabia que ir at� l� com Ron e Damien era uma m� id�ia. E se os rumores
sobre a Casa dos Gritos fossem verdadeiras? Haviam v�rios fantasmas e espectros em
Hogwarts, se os garotos quisessem ver algum, ent�o porque eles tinham que vir at�
aqui? Hermione e Ginny n�o queriam ficar andando pelo povoado sozinhas, portanto
decidiram vir com os meninos. Damien havia trazido o mapa do maroto, nele tinha uma
passagem que ligava a Casa dos Gritos para o castelo, eles iriam chegar ao col�gio
em quest�o de minutos.
Fred e George haviam separado-se deles assim que sa�ram do Tr�s Vassouras. Ningu�m
sabia onde os quatro estavam e isso estava inc�modando apenas Hermione.
"Podemos voltar agora?" Ela implorou assim que eles chegaram mais perto de seu
destino.
"Hermione! Se voc� disser isso mais uma vez, eu vou te deixar para tr�s." Ron
disse, mas apenas de brincadeira.
"Voc� n�o escutou nada?" Hermione perguntou aos outros, quando todos eles negaram
ela decidiu que talvez fosse sua imagina��o.
"Ainda est� sangrando?" Damien perguntou a Ron enquanto examinava sua m�o pela
sexta vez.
"Bem Ron, quando algo avisar N�O TOQUE, voc� realmente n�o deve tocar." Ginny
brigou.
"Cala a boca, isso n�o � nem mesmo um machucado grande, s� est� sangrando um
pouquinho." Ron disse e suas orelhas ficaram rosadas.
Essa era outra raz�o pela qual Hermione queria voltar, a m�o de Ron estava
sangrando devido a um pequeno acidente na loja de traquinagens. O Gryffindor, no
entanto, resolveu mostrar toda sua coragem e disse que n�o iria pra enfermaria
apenas por causa de um pequeno corte.
"Sim, eu posso cheira-lo, ele � novo. Encontre-o rapidamente." Outra voz respondeu
e os passos aumentaram.
Damien e as duas garotas olharam Ron. Ser� que era poss�vel que estivessem falando
dele? Eles podiam sentir o cheiro de algu�m. E se fosse cheiro de sangue? Isso
significava que eles eram... 'Oh Merlin." Pensou Hermione. Ela moveu os l�bios
dizendo a palavra 'vampiro' para os outros. Todos eles ficaram aterrorizados.
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Harry avistou a antiga casa. 'Por que Damien decidiu vir pra c�?' pensou. Ele
resolve que depois daria uma bronca no menino e ent�o talvez ele podia usar o
c�rebro por pelo menos uma �nica vez. O moreno correu at� a contru��o ainda
segurando sua varinha, a casa era bem velha e grande. O garoto escutara rumores
sobre ela, mas n�o estava inc�modado sobre o fato dela talvez ser mal assombrada,
afinal quando ele ficava bravo podia ser mais aterrorizante que qualquer outra
coisa. Harry subiu uma das escadas e come�ou a andar por l�, ele esperava que n�o
fosse tarde demais. Se Damien estivesse morto, n�o havia nada a fazer.
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"Quem s�o voc�s?" Perguntou, idiotamente, Ron. Ele obviamente n�o achava que eram
vampiros j� que estavam no meio do dia.
O ruivo estava em uma situa��o onde sentia-se respons�vel pela seguran�a de todos,
ele era o mais velho e Hermione era uma garota, bem capaz de defender-se quando
tinha uma varinha. Ron sabia que era respons�vel por traz�-los at� o local, ele
queria ir at� a Casa dos Gritos, j� que todos seus irm�os em sua vida escolar foram
at� l�. Ron foi quem os havia convencido e agora eles estavam no meio de um pr�dio
abandonado rodeados por homens bem mal encarados.
O homem que estava parado na frente deles olhou Ron. Seus olhos azuis passearam
sobre a m�o sangrenta dele e sua l�ngua horrorosa lambeu seus l�bios. Esse gesto
fez com que o ruivo tremesse.
"Ele � a pessoa que estav�mos seguindo e olhem existem mais deles. Que... �timo."
"Eu quero dizer que o cheiro do seu sangue nos trouxe aqui e voc� foi inocente o
bastante para trazer mais sangue novo e refrescante para n�s."
"Sim, eu sou um vampiro. N�s viemos hoje para Hogsmead em busca de sangue joven que
� muito melhor do que sangue adulto, especialmente sangue de jovens bruxos, mas n�s
n�o fomos capazes de pegar ningu�m, j� que esses covardes fugiram em dire��o �
escolinha de voc�s que � protegida por escudos. Foi ent�o que eu senti o cheiro do
seu sangue vindo direto dessa casa e vim at� aqui. Voc�s humanos s�o sua pr�pria
destru���o." Os vampiros bloquearam completamente a porta.
Damien trocou um olhar com Ginny, a garota apontou discretamente para a parede
destru�da atr�s deles e o menino entendeu na hora e perfeitamente.
Foi no momento em que o vampiro avan�ou em Ron -o ruivo desviou-se com sucesso- que
Damien pegou Ginny e Hermione e os adolescentes pularam sobre a parede em ru�nas. O
impacto dos quatro contra a parede f�-la cair totalmente, n�o houve nem tempo para
ver se estavam feridos, os garotos levantaram-se e sairam correndo. Os quatro
Daywalkers ficaram surpresos e correram atr�s deles, sabendo que os adolescentes
n�o tinham escapat�ria.
Damien rapidamente mostrou a Ron e Hermione o mapa e eles correram at� a passagem
com todo seu empenho. Se o terceiranista tivesse olhado mais al�m no mapa veria um
pequeno ponto nomeado Harry Potter aproximando-se deles.
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Os quatro conseguiram chegar ao terceiro andar onde havia um quadro com uma �rvore
frondosa com seus galhos e folhas balan�ando para todos os lados. Esse era o portal
que guardava a passagem para Hogwarts.
O problema era que Damien n�o sabia a senha para abri-lo. Ele n�o havia pensado
nisso. Assim que os adolescentes pararam em frente ao quadro, olharam-se
aterrorizados. O que eles iriam fazer? Foi quando escutaram passos.
"Ron cala a boca! Voc� j� viu algo como 'Abra' ser uma senha?" Ginny gritou.
"Bem, � esse o ponto, n�o �? Talvez como ningu�m nunca pensou em uma senha como
'abra' valeria a pena tentar!"
Damien n�o tinha energia nem paci�ncia para gritar com Ron. Foi nesse momento que
os Daywalkers resolveram aproximar-se mais ainda dos adolescentes.
Os quatro estavam sem alternativas. Eles podiam correr para baixo, mas estava cheio
de vampiros, eles podiam abrir o portal, mas n�o sabiam a senha, portanto a �nica
chance que restava era correr para o telhado. Os garoto, particularmente, achavam
isso idiotisse, mas era o que restou. Assim que eles fossem para o telhado,
acabariam de vez suas chances de escapat�ria, mas como nenhum deles nunca havia
lidado com nada desse tipo, s� conseguiam pensar nessa possibilidade. Mesmo que
Hermione e Ginny j� tivessem cometido esse erro, elas n�o conseguiam pensar em mais
nada.
"Talvez n�s devessemos pular. Digo, n�o � t�o alto assim!" Ron disse ao olhar para
baixo.
"Oh! Claro, � isso que dever�amos fazer! N�s n�o iremos morrer, provavelmente
quebraremos apenas o pesco�o! Ou melhor ainda, quebraremos a perna e esperaremos
para que os vampiros venham beber nosso sangue!" Hermione vociferou.
"Traga o mais novo primeiro, n�s vamos aproveit�-lo mais." Disse o l�der dos
Daywalkers.
Damien empalideceu e tentou n�o vomitar. Ron, Hermione e at� mesmo Ginny colocaram-
se na frente dele fazendo com que os vampiros rissem.
De repente tr�s Daywalkers aproximaram-se do grupo. Um deles agarrou Ron e o
colocou longe de Damien, o outro agarrou Hermione e Ginny e colocou-as longe do
menino tamb�m. Todos eles gritaram atemorizados e debateram-se para ajudar o
terceiranista. Damien chutou com toda a sua for�a o vampiro que o levava ao l�der,
mas n�o adinatou nada.
O Daywalker jogou Damien aos p�s de seu l�der, o menino levantou-se e deu alguns
passos para tr�s. Suas pernas tremiam de medo e exaust�o.
O l�der sorriu de lado, assim que notou o nervoso do menino parado a sua frente.
"Tenho certeza de que irei gostar disso." Ele sussurrou mais para si mesmo do que
para os outros. Ron, Hermione e Ginny continuavam debatendo-se contra o aperto que
sofriam, mas n�o puderam fazer nada quando o vampiro aproximou-se de Damien.
Damien gritou e cobriu seu rosto com suas m�os quando viu o vampiro avan�ando em
cima dele, mas antes que acontecesse alguma coisa, uma sombra afastou-o dele.
Damien, seus amigos e os Daywalkers olharam para o l�der e viram que ele estava em
posi��o de ataque. Foi quando todos viram o que impediu o vampiro de atacar o
terceiranista.
Harry rugiu para o Daywalker. Damien n�o conseguia acreditar em seus olhos, sua
respira��o parou por um momento ao ver seu irm�o em posi��o de ataque. O sextanista
havia o salvado do vampiro, ele estava l� para proteg�-lo. O terceiranista
continuou parado, congelado de choque e al�vio.
Harry estava furioso, seus olhos esmeralda brilhavam com ira. Ele parou pronto para
interceptar qualquer movimento que o Daywalker fizesse. O garoto j� tinha visto que
os outros Gryffindors estavam sendo segurados, mas n�o estava nem a� para eles.
Tudo o que ele conseguia pensar era em salvar Damien. Por ele se sentia desse
jeito?
"Ora, ora, o que n�s temos aqui? Isso melhora cada vez mais." O l�der disse
analisando Harry. Para ele, o garoto nada mais era que uma refei��o extra.
Harry encarava o vampiro sem nem piscar. Ele sabia o qu�o r�pido esses animais eram
e por causa disso n�o iria desviar o olhar. O garoto sabia tamb�m que os outrso
tr�s n�o fariam nada a n�o ser que o l�der mandasse. Essa era a diferen�a entre
Daywalkers e vampiros normais.
"Creio que voc� quer morrer, por isso quer que eu te mate antes do menino, certo?"
Harry riu, fazendo com que Damien e os outros Gryffindor achassem que ele estava
louco. 'Qual � a gra�a?' Pensou o terceiranista.
"Os �nicos aqui que querem morrer s�o voc�s quatro!" Harry respondeu e Damien
tremeu ao escutar o tom de voz dele. Ele nunca ouvira o irm�o falar daquele jeito
antes. 'Essa deve ser sua voz de guerreiro' Pensou Damien. Seu pai havia lhe dito
que algumas pessoas tem uma personalidade diferente quando lutam, esse era um jeito
de diferenciar a luta do resto do mundo. Essa podia ser chamada de 'Personalidade
Guerreira'.
Harry viu suas palavras fazerem efeito e o l�der lan�ar-lhe um olhar gelado.
"� assim que vai ser? Bem, ent�o temos que colocar isso a prova."
Dito isso o l�der dos Daywalkers atacou Harry, suas m�os p�lidas indo em dire��o a
garganta do garoto, mas o moreno j� estava preparado e com um movimento flu�do
desviou-se e deu um soco no abd�men de seu oponente, fazendo o vampiro dobrar-se em
agonia. Mesmo os vampiros sendo seres mortos, eles ainda conseguem sentir dor. Um
ataque f�sico n�o faria muito dano, mas ainda sim faria com que eles sentissem dor,
por isso o ataque os desacelerava. Ao ver seu l�der agonizando, os tr�s Daywalkers
soltaram os adolescentes e encaminharam-se em dire��o a Harry. Ron, Hermione e
Ginny correram at� Damiene tiraram-no do meio do telhado. Eles ficaram abra�ados em
um canto.
"N�o! Afastem-se. Ele � meu!" Ele parou com sua for�a j� restaurada e sinalizou
para que Harry se aproximasse. Os outros tr�s param, mas come�aram a observar Harry
bem de perto.
"Voc� me quer, venha me pegar!" Harry disse fazendo a raiva do Daywalker aumentar.
O l�der avan�ou e tentou soca-lo no est�mago, Harry pegou as m�os de seu oponente
colocando-as para tr�s e socou-o no rosto. O garoto puxou a m�o do Daywalker e
bateu sua cabe�a contra a dele antes de dar um chute em seu est�mago.
De repente o l�der dos Daywalkers deu o sinal para que os outros atacassem tamb�m.
Harry estava pronto. Com uma velocidade e uma meticulosidade incr�vel ele lutou. O
garoto pegou com apenas uma m�o o punho que veio em sua dire��o e o virou com toda
a sua for�a enquanto dava um chute em outro vampiro que se aproximava. Ele ent�o
colocou o Daywalker que estava segurando, na sua frente, logo quando o terceiro
deles tentou soca-lo. O Daywalker foi nocauteado e caiu no ch�o. Harry abaixou-se
rapidamente quando o terceiro Daywalker tentou soca-lo e usou suas pernas para
derruba-lo antes de chutar o est�mago do vampiro ca�do. O moreno levantou-se e
preparou outro soco antes de bater no nariz do quarto Daywalker.
Ron e Damien estavam quase aplaudindo enquanto viam Harry nocautear os poderosos
Daywalkers.
"Eu n�o acho que ele precisa de ajuda." Ron respondeu ao ver Harry dar outro chute
fant�stico.
Mas assim que voltaram a assistir a luta viram que os vampiros estavam em p�
novamente e atacavam Harry. De qualquer modo, mesmo sendo um �timo lutador, Harry
n�o iria conseguir aguentar isso por muito mais tempo. Damien pegou o mapa e tentou
descobrir o que fazer. Eles podiam correr at� Hogsmead, mas demoraria s�culos para
chegarem em Hogwarts e havia a possibilidade de aparecerem mais vampiros. Damien
sabia que a melhor chance que eles tinham era tentar abrir a passagem do terceiro
andar.
Assim que Damien guardou o mapa dentro de seu bolso, seu olhar encontrou o de
Harry.
"O que diabos voc�s est�o fazendo? Sumam daqui!" Harry gritou com os adolescentes.
De qualquer maneira, Damien e os outros n�o conseguiam deixar a luta que acontecia
bem na sua frente.
Harry teve o bastante, ele j� tinha duelado muito com esses Daywalkers e isso j�
estava mais do que satisfat�rio. O garoto decidiu que era hora de voltar para
Hogwarts, ele desviou-se quando outro vampiro fez uma tentativa de atac�-lo. O
moreno pegou sua varinha, os quatro Daywalkers riram.
"Garoto est�pido, sua m�gica n�o pode nos ferir, n�s somos mais poderosos do que
isso." Um deles gritou.
Damien assistiu isso com o cora��o apertado, ele sabia assim como seus amigos que a
varinha de Harry n�o era capaz de fazer muita coisa. O que seu irm�o estava
pensando?
"Voc� se chama de poderoso? Voc� n�o � nada al�m do que um mesti�o que experimentou
poder. Voc� n�o pode igualar-se a um bruxo, n�o importa o quanto voc� tente."
Antes que os Daywalker pudessem atacar, Harry passou suas m�os pela varinha e a
madeira negra transformou-se em uma longa e brilhante espada prateada.
Harry sorriu de lado devido as rea��es temerosas e segurou sua espada deixando com
que a luz do sol refletisse nela. Os quatro adolescentes viram Harry pegar a espada
e atacar o Daywalker mais pr�ximo, ele s� arranhou o pesco�o do vampiro, mas isso
foi o suficiente para conseguir uma rea��o. Os Daywalkers correram para cima de
Harry e pegaram suas pr�prias armas, o moreno viu um deles pegar um chicote e os
outros pegarem armas como adagas e facas. O l�der parou na frente de Harry e pegou
uma espada tamb�m, ele olhou para os olhos verdes do garoto mostrando todo o �dio
que existia em seus olhos azuis.
"Voc� vai ter que pagar por esse insulto." Ele vociferou para Harry.
"Eu n�o te insultei ainda, mas a verdade pode doer. N�o se preocupe, meus atos
podem machucar mais que minhas palavras." Dito isso ambos come�aram a lutar.
As duas espadas bateram uma na outra e Damien fechou os olhos ao ver a espada do
Daywalker encostar em Harry. O garoto deu uns passos para tr�s, viu o pequeno corte
em seu capuz e sorriu. Seu oponente s� havia cortado suas roupas. A l�mina nem
mesmo tocou sua pele.
"Obrigado, eu odeio esse capuz mesmo." Harry zombou enquanto movimentava sua espada
e fazia um corte no bra�o do Daywalker. O vampiro grunhiu de dor e soltou sua
espada.
"Oh Merlin! O que est� acontecendo com ele?" Ron perguntou aterrorizado.
"Eu n�o sei!" Damien respondeu igualmente aterrorizado.
Eles viram Harry defender-se com a espada quando outro Daywalker tentou ataca-lo
com uma faca. O garoto tirou o chicote de seus punhos e levantou-se, mesmo a
dist�ncia, Damien pode dizer que o irm�o resp�rava com dificuldade e parecia estar
com muita dor.
Harry amaldi�oou Moody, o chicote pegou bem em cima do Bracelete Barta e ele quase
gritou em agonia. O adolescente levantou-se depois de se soltar do chicote e tentou
normalizar sua respira��o.
Harry olhou para o Daywalker que estava segurando uma faca, assim que o vampiro o
atacou, o garoto desarmou seu oponente e movimentou sua espada em dire��o a cabe�a
do outro. Ginny e Hermione gritaram ao ver a cabe�a do vampiro cair para longe de
seu corpo. Por alguns instantes o corpo ficou parado antes de virar cinzas. A
cabe�a que estava no ch�o teve o mesmo destino.
Harry n�o teve tempo para ver o por que das garotas terem gritado, ele estava muito
ocupado lidando com outro ataque. O Daywalker que tinha o chicote veio pra cima e
dessa vez acertou-o no pesco�o, o garoto tentou se soltar e o vampiro apenas o
puxou fazendo-o ficar ca�do a seus p�s. Harry sentiu o chicote sendo retirado de
seu pesco�o e sentiu quando ele bateu em suas costas, o adolescente sibilou em dor
e levantou suas m�os para se proteger. Sua espada havia ca�do no ch�o quando ele
caiu. O moreno sentiu o chicote acerta-lo novamente, mas dessa vez em seus ombros.
Na hora da terceira chicotada, Harry interceptou e puxou o chicote fazendo com que
o Daywalker viesse em sua dire��o, ele bateu sua cabe�a no rosto do vampiro fazendo
com que seu oponente lhe soltasse. O garoto levantou-se, a exaust�o j� o estava
envolvendo.
Harry passou o chicote em volta do pesco�o do Daywalker, fazendo com que a arma
mantesse certa press�o. Com um movimento calculado, ele puxou o chicote, cortando o
pesco�o do vampiro. A cabe�a caiu e tornou-se cinzas antes mesmo de chegar ao ch�o.
Antes que Harry pudesse se recuperar sentiu uma dor em sua cabe�a e caiu de
joelhos. Um dos Daywalkers atirou uma adaga pelas costas do garoto e acertou sua
nuca. A vis�o do adolescente borrou e ele tentou desesperadamente levantar-se. De
qualquer modo algo segurou seu bra�o e o for�ou a ficar deitado com as costas no
ch�o. O moreno piscou ao ver os dois Daywalkers restantes parados na sua frente.
Antes que Harry pudesse levantar-se, um dos Daywalkers segurou-o com seu p�. O
moreno tentou libertar-se, mas a for�a que o p� fazia sobre seu peito deixou-o sem
esperan�as. O garoto tentou tira-lo de cima com um feiti�o sem varinha, mas parecia
que isso n�o funcionava contra eles. Harry percebeu que os Daywalkers deviam ter
desenvolvido algum tipo de imunidade sobre os feiti�os comuns. O l�der pegou-o
pelos cabelos, o moreno ofegou, mas n�o deixou nenhum som escapar, ele n�o iria
demonstrar nenhum tipo de fraqueza para essas criaturas.
"Game over garoto." Sibilou o Daywalker no ouvido de Harry antes de mostrar seus
caninos e enfinc�-los no ombro dele.
Harry deixou escapar um grito agonizante ao sentir os caninos perfurarem seu ombro.
O garoto tentou libertar-se, mas n�o conseguia mover-se com o outro o segurando. O
vampiro ria.
Harry nunca ouviu o grito que acompanhou o seu, seu irm�o mais novo correu para
ajuda-lo. Damien s� percebeu o que estava para acontecer quando j� era tarde, ele
viu o vampiro parado na frente de Harry e tentou sair do aperto de Ron e Hermione,
mostrando que seu irm�o precisava de ajuda. A press�o exercida sobre ele afrouxou
um pouco quando Harry gritou. Ginny e Damien moveram-se para ajudar o moreno
seguidos pelos dois outros Gryffindors. Nenhum deles sabia o que fazer, mas sabiam
que n�o podiam deixar o sextanista morrer.
Ron e Hermione agarraram o Daywalker que estava segurando Harry no ch�o e Damien
avan�ou para cima do que estava mordendo seu irm�o. Os dois sextanistas conseguiram
de algum modo retirar o vampiro de cima de Harry, os outros dois -Damien e Ginny-
estavam chutando as costas e a cabe�a do l�der para que ele soltasse o moreno.
Ginny pegou uma pedra que estava ao seu lado e bateu com ela na cabe�a do vampiro.
O Daywalker soltou Harry e grunhiu de dor, ele pegou a menina e jogou-a para o
outro lado do telhado, ela bateu contra a parede e caiu inconsciente.
Quando Harry conseguiu ver a sua volta novamente, observou Ginny ca�da do outro
lado do telhado. O garoto viu tamb�m que um Daywalker agarrou o pesco�o de Damien e
suspendeu-o. O terceiranista tentou libertar-se, mas ficou incapacitado por estar
apenas respirando fundo para pegar o oxig�nio que lhe estava sendo cortado.
"Voc� realmente � especial, n�o �? Qualquer outro n�o seria capaz de levantar-se
depois de um ataque como esse. Creio que irei reconsiderar minha decis�o de matar
voc�. Voc� ser� uma boa adi��o para a minha... fam�lia." Ele sorriu de lado ao ver
o moreno apertar sua espada.
"Desculpe, mas eu j� tenho duas fam�lias lutando por mim. S�rio, eu n�o preciso de
uma terceira."
"Vamos l�, eu pensei que voc� fosse melhor que isso! Enfincar uma espada em meu
cora��o n�o vai me matar." O Daywalker informou a Harry.
Harry virou-se para o �ltimo Daywalker, ele estava parado pr�ximo ao final do
telhado com as m�os em volta do pesco�o de Ron, por�m assistiu a luta entre seu
l�der e o moreno e foi nesse momento que percebeu que era o �ltimo que restou.
Harry elevou uma sobrancelha e o Daywalker imediatamente soltou Ron e olhou o
garotocom medo.
"N�s dever�amos ir." Ele disse e j� foi saindo sem nem mesmo esperar resposta.
Antes que Harry alcan�asse a porta, Damien jogou-se para cima dele. O garoto de
olhos esmeralda olhou chocado pela rea��o do terceiranista e tentou libertar-se do
aperto.
"Oh Merlin, Harry! Eu sinto muito por ter brigado com voc�. Eu n�o deveria ter dito
aquelas coisas horr�veis e devia ter falado com voc� quando Ginny mandou, mas eu
estava t�o bravo. Harry, eu estou t�o arrependido! Por favor Harry, n�o fique bravo
comigo! Por favor." Damien estava quase chorando e disse tudo isso contra o peito
do irm�o.
Harry finalmente conseguiu afastar Damien e viu pequenas l�grimas nos olhos avel�
dele.
Damien olhou Harry e viu que ele estava dizendo a verdade. O garoto n�o sabia o que
dizer para o irm�o mais novo, seria engra�ado dizer que estava bravo com ele e que
nunca iria perdoa-lo, mas Harry percebeu que queria ser verdadeiro com o menino,
afinal, ele o ajudou quando aquela criatura horrorosa o mordeu.
"Harry, espere. Sua varinha." Damien disse enquanto pegava a varinha e devolvia a
Harry. O moreno recebeu e lan�ou um olhar estranho.
"Nunca pensei que essa coisa seria t�o �til." Ele murmurou fazendo Damien sorrir.
"Harry! Voc� est� ferido. N�s temos que ir rapidamente para o castelo." Damien
disse ao examinar a extens�o das feridas do sextanista.
"S�rio? Voc� acha?" Harry disse, ele estava querendo ir para o castelo fazia cinco
minutos e Damien o estava segurando. O terceiranista ficou meio abobalhado e
come�ou a andar at� a porta.
Damien tinha o sangue de Harry em cima dele. 'Como isso aconteceu?' Pensou consigo.
Ent�o ele lembrou, quando o Daywalker o soltou ele caiu em uma po�a de sangue que
vinha do ferimento da mordida. Os outros adolescentes ainda estavam parados na
ponta do telhado, eles queriam dar privacidade para os dois irm�os.
De repente a porta abriu e Moody entrou seguido por quatro aurores. O auror viu a
varinha na m�o de Harry, o sangue nas vestes de Damien e os outros adolescentes
severamente machucados parados na ponto do telhado e fez a conclus�o errada.
Moody atacou sem nem mesmo pensar e lan�ando um 'expelliarmus' em Harry, fazendo a
varinha do garoto voar de sua m�o e no processo derrubando-o no ch�o. O garoto
sibilou em dor quando suas costas, feridas pelo chicote, bateram no concreto.
Antes que Damien pudesse fazer algo ele foi jogado para o outro lado do telhado por
um dos aurores. Tr�s aurores correram at� os adolescentes confusos e colcaram-os
junto com Damien que estava sendo bloqueado por outro auror. Os quatro adolescentes
estavam confusos. Eles n�o conseguiam ver que Harry estava terrivelmente machucado?
Por que eles o estavam machucando? Antes que qualquer um deles pudessem perguntar
alguma coisa Moody aproximou-se do moreno de olhos verdes.
Harry tentou levantar-se, mas foi violentamente chutado nas costelas e for�ado a
continuar no ch�o. Damien gritou e come�ou a empurrar o auror que o segurava e que
estava examinando-o tentando ver aonde estava o ferimento que o fazia perder tanto
sangue.
Damien viu moody apontar sua varinha para Harry e murmurar um feiti�o. O garoto
come�ou a gritar de dor e apertar seu peito exatamente quando o chicote bateu em
seu punho. O terceiranista n�o entendia o por que de Harry estar agindo daquele
jeito. O que Moody estava fazendo que deixava seu irm�o com tanta dor? Damien
tentou morder a m�o do auror que o estava segurando, mas o bruxo mais velho apenas
desviou e segurou-o mais forte.
A verdade era que os aurores que acompanhavam Moody tiveram a mesma conclus�o sobre
Harry. Eles estavam frustados por que o garoto havia machucado v�rias pessoas e n�o
fora punido. Os aurores achavam que os adolescentes deviam estar com medo de Harry
e n�o queriam arranjar mais problemas, por isso ficavam gritando por sua inoc�ncia
e que foram os vampiros que os atacaram. Como se eles pudessem sobreviver a um
ataque de vampiros! Ningu�m al�m de Harry tinha uma varinha e a id�ia do Pr�ncipe
Negro salvando algu�m inocente era muito divertida. Portanto todos eles deixaram
Moody dar uma li��o ao garoto e ignoraram as s�plicas dos quatro.
"Voc� acha que pode sair por a� machucando os estudantes de Hogwarts, n�? Eu irei
te mostrar uma coisa."
Moody fez men��o de chutar Harry novamente, mas o garoto fez um movimento com a m�o
e o auror foi jogado longe, bateu na parede e caiu no ch�o.
Harry tentou levantar-se, mas a dor em seu peito, cabe�a e ombro o fazia entrar em
uma semi-inconsci�ncia. O garoto deitou no ch�o duro e tentou lutra contra a
inconsci�ncia que o engolfava. De repente o moreno foi virado com o est�mago para
baixo e suas m�os foram puxadas para tr�s, ele silvou de dor por causa da for�a
brutal usada para amarra-lo. Harry foi levantado pelo seu bra�o ferido e n�o
conseguiu mais segurar seus gritos de dor.
"Deixe-o! Voc� o est� machucando! Deixe Harry ir, pare!" Mas suas palavras n�o
tiveram nenhum efeito.
"Voc� vai vir comigo garoto!" Moody gritou enquanto puxava Harry em dire��o �s
escadas.
Os quatro aurores seguiram Moody, levando os adolescentes com eles. Quando chagaram
no topo das escadas, Harry come�ou a ganhar consci�ncia e a tentar se soltar do
aperto do auror. De qualquer modo, um simples movimento do garoto pegou Moody de
surpresa, ambos perderam o equil�brio e o auror segurou o corrim�o para n�o cair,
j� Harry que estava com as m�os amarradas caiu da escada e bateu no concreto. O
moreno sentiu seu bra�o quebrar quando bateu nas escadas, ele n�o conseguia se
mover, ficou ca�do no ch�o respirando desesperado para conseguir encher seus
pulm�es com ar. O garoto conseguia sentir seu sangue molhar seu rosto e abriu os
olhos tentando ver o que acontecia. Ele escutava palavras sendo ditas, mas n�o
sabia o sentido delas.
Ginny e Damien conseguiram sair de seu bloqueio e correram pelas escadas gritando o
nome de Harry. Damien ajoelhou-se na frente do irm�o, l�grimas ca�am pelos seus
olhos ao ver o garoto semi-consciente.
"Harry! Harry! Voc� est� bem? Oh Meu Deus! Voc� est� bem?" Damien gritava e tirava
as mechas de cabelo da face do irm�o. Quando ele tirou suas m�os do rosto de Harry
viu que a face inteira dele sangrava. O menino virou para Moody, que estava parado
na escada olhando o corpo ca�do de Harry, com raiva.
"Olhe o que voc� fez! Seu filho da puta! Eu vou matar voc�." Damien estava quase o
atacando quando Ginny o segurou.
"Damy! N�o, n�s temos que ajudar o Harry!" Ginny estava chorando ao ver a
respira��o de Harry enfraquecer.
Moody saiu de seu atordoamente e desceu as escadas. Ele ia retirar Damien para ver
o qu�o machucado Harry estava quando algo o acertou, jogando-o para longe.
Damien virou-se e viu seu pai, James, segurando Moody pelo colarinho e jogando-o em
dira��o a parede. A f�ria nos olhos de seu pai era t�o grande que o terceiranista
estava certo de que ele iria cometer um homic�dio. James socou o abd�men de Moody e
a face dele repetidamente.
"Se voc� encostar em meu filho novamente Alastor Moody, eu juro que voc� nem mesmo
ir� viver para se arrepender!" James socou Moody na face mais uma vez e o auror
caiu no ch�o segurando seu nariz que sagrava muito.
"Deixe-os ir." James vociferou para os outros aurores que seguravam Ron e Hermione.
Os dois bruxos obedeceram e soltaram os adolescentes que rapidamente desceram as
escadas.
Damien percebeu que Harry estava sendo segurado por algu�m, virou-se e viu Sirius
com Harry em seus bra�os. O terceiranista viu que o rosto de seu tio Siri estava
demonstrando dor e m�goa ao olhar o garoto que estava inconsciente. Os bra�os de
seu irm�o estavam desamarrados e foi nessa hora que Damien viu que havia uma luz em
seus punhos, ele entendeu que era aquilo o respons�vel pela dor que seu irm�o
sentiu. James correu at� eles e pegou o corpo de seu filho nos bra�os, lan�ou um
olhar para Damien, ao ver que o filho mais novo n�o estava ferido, ele foi at� o
terceiro andar e saiu pela passagem secreta indo para a enfermaria o mais r�pido
que podia. Os outros o seguiram em sil�ncio, sem saber o que dizer.
Cap�tulo vinte e seis: N�o t�o mau?
James sentou-se ao lado de Harry ,que estava dormindo, e assisitiu o peito do filho
subir e descer conforme sua respira��o. Ele n�o conseguia acreditar na gravidade
das feridas de seu filho. Madame Pomfrey tinha quase arrancado sua cabe�a ao v�-lo
trazendo Harry para a enfermaria. O garoto estava com o bra�o quebrado, punho
luxado, uma grande ferida atr�s de sua cabe�a e uma mordida bem feia no ombro, sem
mencionar os profundos arranh�es que haviam em suas costas.
Damien, Ron, Hermione e Ginny correram para explicar o que havia acontecido. Como
eles haviam ido � Casa dos Gritos, como eles foram atacados por vampiros, como
Harry os achou e os salvou, como Harry matou tr�s vampiros e o qurto fugiu... James
escutou sobre a batalha de seu filho contra os vampiros com os olhos arregalados.
Harry matou tr�s vampiros! Hermione contou a ele que o garoto transfigurou sua
varinha em uma espada e como ele a usou para matar os Daywalkers. O auror estava
pasmo. Harry era realmente muito talentoso.
James sentiu uma m�o em seu ombro, olhou para cima e viu Lily. Ela lhe trouxera uma
x�cara de caf�, que ele aceitou muito grato. Lily sentou-se ao seu lado, pegou a
m�o de Harry e getilmente come�ou a massagea-la com o seu ded�o. Ela n�o conseguia
acreditar que seu filho havia sido ferido estando sob os cuidados de seus pais. Que
tipo de pais eles eram? 'Harry e Damien podiam ter morrido ontem!' A mulher
balan�ou a cabe�a e lutou contra as l�grimas. Tudo estava bem, ela disse para si.
Poppy disse que Harry iria ficar bem. Eles estavam agora, entrando nas primeiras
horas da manh� de domingo, mas os dois pais n�o sa�ram do lado do garoto a noite
inteira.
Houve uma batida na porta, James e Lily viraram-se para ver quem estava na
enfermaria t�o cedo. A porta abriu e Dumbledore entrou. Os pais de Harry sorriram
cansadamente para o diretor. De qualquer modo seus sorrisos desapareceram quando
viram uma segunda pessoa entrando, Alastor Moody parou ao lado do Professor. Os
olhos avel� de James brilharam perigosamente.
James chegou na Casa dos Gritos e estava quase subindo as escadas quando viu Moody
arrastando Harry, que estava bem machucado. Antes que ele conseguisse chegar at�
eles, Alastor e Harry perderam o equil�brio e o moreno de olhos avel� viu seu filho
caindo pelas escadas. Como se isso n�o fosse o bastante para deixa-lo irado, ele
ainda viu as m�os de seu filho mais velho atadas atr�s de suas costas. Nessa hora,
James perdeu sua habilidade de manter-se calmo e avan�ou para cima de Moody, tudo o
que ele queria era ferir o outro o m�ximo que pudesse.
James ainda estava sentindo essa sensa��o e teve que olhar para o outro lado ao ver
os dois homens entrando no local, j� que a vontade de voar na garganta de Moody era
enorme.
"James, Alastor quer dizer uma coisa." Dumbledore parecia um Professor de jardim de
inf�ncia que estava tentando fazer duas crian�as desculparem-se uma com a outra
ap�s uma briga.
James fez uma perfeita imita��o de seu filho e ignorou Dumbledore. Moody deu um
passo para frente e come�ou a falar.
"Olha Potter, eu... eu realmente sinto muito. Foi um mal entendido. Eu apareci e vi
a varinha na m�o dele e o sangue em seu filho mais novo e as outras crian�as
encolhidas no outro lado do telhado e... e eu apenas fiz a conclus�o errada. Foi a
conclus�o errada e eu realmente sinto muito."
James ainda n�o tinha virado, ele sabia que Moody pedindo desculpas era uma coisa
muito rara, mas o moreno de olhos avel� n�o estava nem a�, pelo menos naquele
momento. Damien contou que ele e seus amigos ficaram gritando e implorando para que
o auror soltasse Harry e que Moody e seus companheiros n�o acreditavam que seu
irm�o era inocente, contou tamb�m como Alastor continuou ferindo Harry, mesmo que
todos eles gritassem o contr�rio. James ficou t�o descontrolado que se n�o fosse
por Lily e Sirius, ele com certeza teria matado Moody.
Lily olhou para Moody enojada e logo depois virou seus olhos esmeralda pra a figura
deitada de Harry. Quando ficou claro que ningu�m iria falar, Dumbledore tentou unir
os aurores.
"James..." Foi tudo o que Dumbledore conseguiu dizer antes de ser interrompido.
"Dumbledore, por favor, diga a Moody para sair, eu n�o acho que serei capaz de
controlar o impulso de mata-lo por mais tempo."
James disse isso baixinho, mas a amea�a n�o deixou de ser escutada por Dumbledore.
O diretor olhou tristemente para Moody e disse que talvez seria melhor que ele
sa�sse. Alastor olhou James e j� estava saindo quando uma voz o parou.
"... Ceio que voc� deva tirar essa coisa horrorasa do punho de meu filho." Os olhos
de Lily brilhando em ira e seus punhos estavam fechados.
xxxxxx
Harry abriu os olhos e levou alguns momentos para enxergar alguma coisa, ele olhou
em volta e percebeu onde estava, mais uma vez, viu a enfermaria de Hogwarts. O
garoto sentia como se seu corpo fosse feito de chumbo, ele n�o conseguia se mover.
Harry esticou a m�o e a primeira coisa que viu foi a aus�ncia do Bracelete Barta,
ele soltou um suspiro aliviado. Finalmente aquela coisa terr�vel foi retirada dele.
Mas quem o retirou e por que? Harry colocou-se em uma posi��o sentada. Ele olhou em
volta e encontrou a enfermaria vazia. O moreno n�o conseguia falar, sua garganta
estava �spera. 'Provavelmente por causa de todas as po��es que Poppy me for�ou
enquanto eu estava inconsciente.' Pensou Harry. Ele tentou ver onde a enfermeira
estava, mas n�o enxergou ningu�m.
Assim que Harry colocou suas pernas para fora da cama, a porta da enfermaria abriu
e James e Lily entraram carregando um pequeno prato de caf� da manh�. Ao verem
Harry acordado e tentando sair da cama, os dois pais correrem para o seu lado.
"Harry! Oh gra�as a Merlin voc� acordou! N�o Harry, n�o se levante! Deite de novo,
voc� n�o est� completamente curado ainda." Lily disse tentando gentilmente coloca-
lo na cama.
"Voc� deveria ficar na cama. Poppy disse que suas feridas iriam levar um tempo para
curar-se. Voc� n�o quer agrava-las. Deite-se."
De qualquer modo, Harry tirou as m�os de Lily de cima de seu ombro e continuou
levantando da cama. Os dois pais compartilharam olharares preocupados. O garoto
tentou n�o gemer de dor quando ficou em p�. Ele afastou-se de Lily e James e olhou
em volta procuarndo suas roupas, j� que estava apenas com as vestes hospitalares.
Harry viu seu uniforme num canto do c�modo, ele se aproximou delas e recolheu-as. O
garoto estava come�ando a sentir-se um pouco tonto. 'Deve ser a perda de sangue'
Harry disse a si mesmo. Assim que ele se virou novamente para ir ao banheiro se
trocar, James e Lily bloquearam seu caminho. Harry suspirou, ele realmente n�o
estava com paci�ncia para lidar com isso agora.
"Harry, voc� precisa deitar. Voc� n�o deveria estar se movimentando, voc� pode
ficar mais machucado." James disse e o adolescente o olhou descrente.
"O que? De repente voc� come�a a ficar preocupado com a minha sa�de? Voc� � t�o
pat�tico!"
"O que voc� quer dizer? Claro que eu me preocupo com a sua sa�de. Por que n�o
deveria? Talvez voc� devesse pensar no que fala Harry, eu sou seu pai, meu trabalho
� cuidar de voc�."
A express�o de Harry era aterrorizante. Ele estava olhando para James como se fosse
atacar sua garganta e destro�a-la. Seus olhos esmeralda estavam sem nenhum calor,
ao inv�s disso, estavam frios e furiosos. O garoto aproximou-se de James.
"Primeiro de tudo, voc� n�o � meu pai. Quantas vezes eu tenho que dizer isso?
Segundo, voc� � o �nico que deveria pensar no que fala e para quem. 'Meu trabalho �
cuidar?' Voc� n�o tem o direito de dizer isso, especialmente para mim!" Os olhos de
Harry brilharam e James viu o flash de m�goa antes que o garoto desviasse o olhar.
"Sobre o que voc� est� falando, Harry? Voc� n�o est� fazendo sentido! Por que eu
n�o posso me preocupar com voc�?" James estava embasbacado e n�o queria deixar o
tema morrer como da �ltima vez. Ele iria descobrir a causa do comportamento de
Harry.
Harry lan�ou a James um olhar de esc�rnio antes de desviar e continuar indo para o
banheiro. Antes que James ou Lily pudessem dizer algo, o garoto virou-se para eles
com uma express�o muito mais calma e falou com o auror em uma voz bem controlada.
"Que tal isso, Potter. Todo o tempo em que eu vivi com o meu pai, ele n�o deixou
que um �nico arranh�o aparecesse em mim. Eu estou com voc� a menos de tr�s meses e
j� estive sendo curado por Poppy mais vezes do que me lembro. Talvez isso � algo
que voc� deva pensar sobre."
xxxxxx
James e Lily ficaram chocados ao verem a mudan�a de humor em Harry. Ele olhou Poppy
e abriu um sorriso maroto, muito similar ao de Damien quando sabia que estava com
problemas. Lily n�o conseguia acreditar nas semelhan�as entre os dois filhos.
"Harry! Explique-se!" Poppy disse enquanto colocava as m�os na cintura com uma
express�o bem maternal.
Lily sentiu uma pontada de ci�mes ao ver Harry reagir. O sorriso dele aumentou e
fingiu uma voz de falsete.
"N�o � culpa minha! Honestamente. Eu tentei me afastar dos problemas, mas eles
sempre me acham!"
"N�o � sobre isso que eu estou falando. Agora coloque suas roupas hospitalares e
volte para a cama." Ela ordenou.
"Harry, por favor, voc� tem que descansar para ficar curado. Eu n�o posso deixa-lo
sair antes que suas feridas se curem completamente." Poppy estava falando com Harry
como se nem James, nem Lily estivessem l�.
"Eu me curo r�pido, voc� sabe disso, eu vou ficar bem." Harry tentou sair, mas
Poppy bloqueou o caminho.
"Harry aquela mordida terr�vel ainda nem mesmo fechou! � muito perigoso deixar voc�
sair agora, Ao menos fique at� que ela se feche."
"N�o vai fechar, digo, n�o t�o r�pido. � uma mordida de Daywalker. Leva semanas
para fechar e isso, se for cuidado com m�gica."
James, Lily e Poppy ficaram abobalhados. Semanas para fechar! Como isso era
poss�vel? Com m�gica, as feridas levavam no m�ximo tr�s ou quatro dias para curar.
Nunca levou mais de uma semana para curar. E como Harry sabia disso?
James observou como Harry olhou Lily, a carranca reapareceu em sua face, mas ele
respondeu. Se fosse James a perguntar, ele nem mesmo teria dado aten��o.
"Os caninos de um Daywalker tem um veneno �nico, Haketen, ele impede a ferida de
fechar. Se o tratamento � n�o-m�gico, a v�tima morre em dois ou tr�s dias. Com
tratamente m�gico, os efeitos do Haketen s�o reduzidos, mas demora muito mais para
curar." Harry respondeu.
Lily estava quase chorando. Harry havia sido envenenado. Ele iria ficar com dor
durante semanas. Era muito para aguentar.
"Voc� sabia disso e estava indo embora sem nem mesmo me informar!" Ela gritou com
ele.
"Eu n�o sabia que voc� n�o sabia nada sobre o Haketen. Eu apenas presumi que voc�
saberia disso."
"Como voc� sabe disso?" James perguntou e rezou para que Harry respondesse. O
garoto escutou, mas o olhou g�lidamente e voltou sua aten��o para Poppy. A
enfermeira esperou a resposta, mas percebeu que ele n�o iria responder j� que ela
foi feita por James. Ela ent�o, perguntou.
"Harry?"
"Eu os estudei durante um ano mais ou menos. Eles s�o uma esp�cie nova de vampiros
e ainda est�o em preocesso de investiga��o, mas o que eu sei � que eles s�o muito
mais poderosos que a maioria dos vampiros. Eles podem andar de dia, tem Haketen em
seus caninos e s�o imunes � maioria dos feiti�os."
James engasgou-se. Por isso foi t�o dif�cil lutar contra eles ontem em Hogsmead. Os
aurores conseguiram apenas os afastar.
Antes que algu�m pudesse dizer alguma coisa, a porta da enfermaria abriu e Moody
entrou parecendo bem embara�ado.
Todo mundo parou para encara-lo, o auror estava apreensivo. Moody olhou diretamente
para Harry, o moreno teve que se conter para n�o mata-lo com suas pr�prias m�os.
"Potter, eu apenas quero dizer..." Moody nunca conseguiu finalizar suas desculpas
para Harry.
"Se voc� ferir Harry ou qualquer um dos meus estudantes de novo, Alastor Moody,
ent�o, eu juro por Merlin que voc� n�o ter� a chance de ir para um hospital."
Poppy virou-se e foi at� Harry. Ela pegou o garoto e colocou na cama fechando as
cortinas em volta dele.
Moody lan�ou um �ltimo olhar para os Potters antes de sair da enfermaria. Moody fez
uma nota mental para evitar Madame Pomfrey por alguns dias.
Quando ela finalmente abriu as cortinas, Harry estava parado atr�s dela. Poppy
lan�ou outro olhar suplicante, mas o moreno balan�ou a cabe�a e saiu andando. O
adolescente nem mesmo lan�ou um olhar para os pais ao sair da enfermaria.
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Damien n�o queria falar com ningu�m. Ele estava muito preocupado com Harry. Seus
pais disseram para ele descansar e n�o se preocupar com o irm�o, mas o
terceiranista queria apenas estar l� para quando Harry acordasse. Damien j� havia
tentado entrar na enfermaria, mas foi pego pelo seu pai e mandado direto para o
quarto. Ele precisava ver Harry e saber se o irm�o estava bem, ele tinha perdido
tanto sangue! O menino nunca havia visto algu�m t�o machucado.
Damien sentou quieto quando um grupo de quartanistas ficavam de boca aberta com o
conto de Ron. Ele queria que eles fosse embora.
"O Harry est� bem?" Perguntou uma das garotas que escutavam Ron.
Isso era o que todo mundo perguntava quando Ron terminava a hist�ria e com ela os
quatro ficavam visivelmente preocupados. Eles continuavam falando que n�o sabiam,
j� que Harry estava na enfermaria sofrendo as dores da mordida. Essa era outra
coisa que inc�modava Damien. O que aconteceria com Harry agora? Ele iria se tornar
um vampiro? Ele n�o perguntou a Hermione, sabia que ela saberia a resposta, mas ele
realmente n�o queria saber. Tinha muito medo da resposta.
Damien olhou em volta e viu que o sal�o comunal estava vazio exceto por eles. Todo
mundo j� tinha ido tomar caf� da manh� e pelos olhares os outros tr�s tamb�m
estavam indo.
"Damy, n�o se preocupe. Eu tenho certeza de que Harry ficar� bem. N�s podemos
visita-lo mais tarde. Voc� realmente deveria comer alguma coisa. Voc� n�o jantou
ontem, por favor, venha tomar caf�." Hermione tentou convencer o adolescente
depressivo.
"Eu realmente n�o estou com fome, s�rio. Voc�s v�o. Eu vou ficar mais um pouco por
aqui. Vejo voc�s depois, ok?"
Depois de tentar convencer o adolescente teimoso, os outros tr�s foram tomar caf�.
Damien ficou sentado na poltrona pr�xima a lareira. O menino estava perdido em
pensamentos quando a porta abriu e Harry entrou. O sextanista n�o viu ningu�m e
presumiu que todos estivessem no caf� da manh� ou l� fora, j� que era domingo. Ele
n�o esperava ver ningu�m, muito menos Damien.
Harry parou na entrada e encarou o menino. Damien estava com as m�os na cabe�a. O
moreno de olhos verdes andou at� o terceiranista e parou na frente dele, mas Damien
continuou sem olhar. O menino de treze anos estava t�o perdido em pensamentos que
nem notou algu�m na sua frente. Estava �bvio para Harry que seu irm�o estava
chateado e tentava controlar suas emo��es.
Damien olhou Harry e demorou alguns momentos para reagir. O terceiranista levantou-
se e encarou-o como se ele fosse um milagre. O moreno de olhos verdes riu por causa
do olhar abobalhado de seu irm�o, mas o menino pareceu n�o perceber, ele continuou
o encarando antes de perceber que n�o tinha dito nada.
"Harry! Oh Merlin, voc� est� bem?" Damien perguntou. Ver Harry parado parecendo bem
era um milagre para ele.
Harry olhou em volta e viu que Damien estava sozinho no sal�o comunal. Isso era
estranho considerando que ele tinha muitos amigos.
"Por que voc� est� aqui sentado sozinho?" Harry perguntou antes que pudesse
impedir.
"Todo mundo foi tomar caf� e eu... bem, eu n�o estava com fome." Damien disse.
"Acho que estou muito preocupado... voc� sabe... com voc�." Damien pareceu ficar
meio embara�ado.
"Bem, voc� n�o precisa ficar. Eu estou bem e n�o preciso da preocupa��o de ningu�m.
Seria melhor se voc� se preocupasse consigo mesmo e ficasse longe dos problemas."
Harry ainda estava bravo por Damien ter ido � Casa dos Gritos.
Damien estudou a face de Harry por um momento, ele ainda estava muito p�lido e a
exaust�o era evidente em seus olhos verdes. O terceiranista sabia que seu irm�o
queria explica��es sobre o dia anterior, mas Damien queria esquecer tudo e
trabalhar em seu relacionamento com Harry. O incidente de ontem mostrou ao menino o
qu�o trivial algumas coisas eram, como Quadribol e competi��es bobas. O incidente
mostrou tamb�m o quanto Harry se importava com ele. Damien acreditava que ainda
estava bravo com o irm�o devido aquela partida de Quadribol, mas depois de ontem,
ele n�o precisava de mais nenhuma prova que lhe mostrasse o quanto Harry se
importava com ele.
"Todos eles sabem o que aconteceu ontem. Acho que para eles voc� � um her�i."
Harry sentiu-se corar quando as palmas aumentaram. Ele olhou para Draco Malfoy e
viu descrente o loiro lan�ar-lhe um sorriso discreto. A mesa de Slytherin era a
�nica que n�o aplaudia. Harry queria ir embora, ele sentiu seu cora��o bater ao
ouvir um pouco do que eles estavam falando. Ele e Damien encaminharam-se para a
mesa de Gryffindor e sentaram-se. O moreno foi imediatamente bombardeado com
palavras como 'Parab�ns' e 'Isso a�'. Algumas garotas ficavam olhando e rindo,
parecia que elas o admiravam ainda mais.
'�timo' Pensou Harry. 'Isso a� Harry, agora eles n�o v�o te deixar em paz nunca
mais' Pensou com raiva.
"Sr. Potter, o Diretor gostaria de v�-lo ap�s o caf�. Por favor, v� para o
escrit�rio dele."
Harry apenas assentiu e observou-a ir embora. Ele olhou para a mesa principal e viu
o Professor Dumbledore levantando-se de sua cadeira. Harry voltou a comer sua
torrada pensando no que o Diretor queria com ele. Era a primeira vez que Dumbledore
queria conversar desde quando ele chegou em Hogwarts.
Harry tentou ignorar Ron, Hermione e Ginny quando eles tentaram falar. Os tr�s
tentaram perguntar como ele estava se sentindo, mas o moreno os ignorou. Ele sabia
que teria que explicar a eles, teria que dizer que n�o teve a m�nima inten��o de
salv�-los, que fez isso apenas por Damien. Harry decidiu que faria isso depos, sua
mente estava muito ocupada com Dumbledore no momento.
Depois do caf� da manh�, Harry encaminhou-se para o escrit�rio do Diretor. Ele foi
at� a entrada e viu a g�rgola que imediatamente pulou para o lado, permitindo sua
passagem. Harry nem mesmo bateu na porta, ao inv�s disso a porta abriu sozinha. O
moreno come�ou a sentir pontadas de dor em seu ombro e desejou ter ficado na
enfermaria ou em seu quarto.
O Professor Dumbledore estava sentado em sua cadeira atr�s de sua mesa. Ele
cumprimentou Harry educadamente e sinalizou para que o garoto se sentasse. Harry
continuou em p�.
"Voc� arriscou sua pr�rpia vida para salvar a vida de quatro alunos. Por isso eu
devo agradece-lo do fundo do meu cora��o. Serei grato a voc� pelo o resto da minha
vida. Me d�i muito saber que tudo terminou com um comportamento t�o repulsivo da
parte de Moody. Devido � isso eu devo pedir desculpas. Espero que voc� as aceite."
Harry ficou t�o chocado pelas palavras de Dumbledore que momentaneamente esqueceu
de discutir com ele. Ele ficou parado olhando o Diretor.
"Por�m eu devo dizer que voc� tomou um grande risco indo atr�s desses vampiros, ou
Daywalkers, como eles chamam a si mesmos. Eu gostaria de lhe dizer para por favor,
n�o tomar esse risco novamente. Se n�o fosse pelo Professor Snape, James e Sirius
n�o os teriam achado t�o r�pido."
"Professor Snape? O que voc� quer dizer? O que ele tem haver com tudo isso?" Harry
perguntou quando sua curiosidade aumentou.
"Bem, parece que seu amigo, Sr. Malfoy, informou o Professor Snape do seu
desaparecimento. O Professor conseguiu ir at� Hogsmead e achar seu pai e seu
padrinho em tempo de dizer-lhes que voc� saiu procurando por alguns estudantes.
Como eles conseguiram te localizar, eu n�o tenho id�ia."
Harry estava um pouco bravo com Draco. 'Por que ele n�o consegue manter a boca
fechada?' Harry pensou. De repente o garoto sentiu um pux�o familiar em sua mente.
Ele rapidamente desviou o olhar de Dumbledore e levantou seus escudos. O moreno
desejou ter prestado mais aten��o em oclum�ncia agora. Ele ouviu Dumbledore bufar
baixinho e ficou irado.
"Harry, por quanto tempo voc� acha que vai aguentar isso? Voc� vai ficar cansado.
Eu estou apenas tentando ajuda-lo! Por favor, se abra para mim, deixe-me ajuda-lo."
Harry afastou-se de Dumbledore e apenas quando assegurou que seus escudos estavam
fortes e no lugar olhou-o novamente. Olhos esmeralda conectados com olhos azuis. O
garoto teve que dizer mentalmente para ficar calmo, j� que raiva deixava seus
escudos fracos.
"Me ajudar! Voc� quer me ajudar? Por isso deixou Moody colocar aquele Bracelete em
mim? Por isso deixou que ele fizesse o que quisesse comigo? Voc� me manteve aqui,
contra a minha vontade, me humilhou entregando-me uma varinha ruim, me for�ou a
ficar com Potter todos os dias e depois quis usar minhas mem�rias contra mim! Isso
n�o soa como ajuda, Diretor." Harry terminou sarc�sticamentre.
"E s� para que voc� n�o saia por a� com id�ias malucas, eu quero que voc� saiba que
eu n�o quis ajudar ningu�m. Eu apenas quis me divertir um pouco com aqueles
Daywalkers. Ficar aqui sendo vigiado estava me deixando louco, portanto eu sa� por
a� atr�s de um pouco de perigo. Aqueles Gryffindors idiotas que apareceram no meu
caminho."
Dumbledore sorriu por causa daquela mentira �bvia. Ele n�o precisava ler a mente de
Harry para ver a mentira que fazia parte de uma atua��o do Pr�ncipe Negro.
"Harry, voc� n�o precisa mentir para mim. Eu sei porque voc� foi at� l�. N�o � algo
para ficar embara�ado. Voc� fez uma boa a��o e deveria ficar orgulhoso de seu ato."
Dumbledore tentou fazer Harry aceitar o que havia feito, mas para o garoto o
Diretor o estava tratando com superioridade.
"N�o se atreva a dizer o que eu devo ou n�o ter orgulho! Qual � o direito que voc�
tem de falar comigo desse jeito? Eu n�o sou mais um de seus alunos." Harry virou-se
para sair. Ele n�o conseguia mais se controlar e seus escudos estavam
enfraquecidos. Ele conseguia escuta-los quebrando. Assim que o moreno chegou na
porta, virou-se para encarar Dumbledore.
"Eu estou grato de n�o ser um de seus alunos. Afinal, olhe o que voc� est� fazendo
com Longbottom. Quando ele souber que voc� fez ele divir o quarto com o assassino
de seus pais, voc� ir�, se tudo der certo, aprender que manipular a vida de outras
pessoas, pode ser destrutivo."
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Lorde Voldemort parou na frente de sua janela, olhando para a chuva que ca�a,
atrav�s de seus olhos vermelhos. Ele estava escutando Lucius Malfoy e bebendo cada
palavra do que ele dizia sobre Harry. Lucius o havia visto em Hogsmead. Disse que
Severus Snape avisou Bella sobre o passeio e disse para que ela arranjasse um jeito
de regata-lo. De qualquer modo, o Bracelete Barta arruinou os planos e Harry foi
for�ado a voltar para Hogwarts. O loiro n�o sabia como manter em segredo a parte em
que Harry sentiu a dor cruciante quando Bella tentou retirar o Bracelete, portanto
disse apenas que o garoto sentiu-se desconfort�vel quando o Bracelete foi for�ado a
abrir. Ao ouvir essas palavras, o Lorde das Trevas virou-se para encara seus leais
Comesais da Morte. Bella abaixou sua came�a com vergonha.
"Meu Lorde, o Pr�ncipe Negro disse que o Bracelete foi colocado para que ele fosse
a Hogsmead e que se o objeto fosse for�ado a abrir, aquilo iria... aquilo iria...
Meu Lorde..." Lucius colocou as m�os na cabe�a e tentou reunir coragem para dizer a
seu Mestre que Bella deixou seu filho para tr�s sabendo que o estavam machucando
fisicamente.
Lorde Voldemort assistiu Lucius procurar as palavras para saber como explicar a
situa��o. Voldemort o amaldi�oou. Ap�s segurar a maldi��o crucio por apenas dois
segundos, Voldemort perguntou.
"Si-sim Me-mestre." Lucius gaguejou e tentou olhar seu Lorde antes de continuar com
a sua explica��o.
"Mestre, o Bracelete Barta causa ao Pr�ncipe Negro... dores f�sicas se ele tenta
ultrapassar as barreiras impostas."
Lorde Voldemort parou com sua varinha firmemente segura em suas m�os. Ele andou
devagar at� o loiro que tremia de medo. Voldemort colocou sua varinha na dire��o do
cora��o dele.
"Voc� deixou Harry com essas pessoas que o est�o machucando?" Voldemort perguntou.
"Meu Lo-lorde, se houvesse algo que pudessemos ter feito, far�amos. Bella tentou
tirar o Bracelete, mas... n�o foi poss�vel."
Com essas palavras, Lorde Voldemort virou-se para Bella. Ele aproximou-se dela e
encarou-a com seus olhos vermelhos . A mulher estava parada com sua cabe�a baixa,
murmurando desculpas para seu Mestre.
"Meu Lorde! Me desculpe... me desculpe, eu falhei com voc�. Eu tentei tudo o que
pude, Meu Lorde. Me d� outra chance. Assim que os escudos estiverem baixos, Meu
Lorde, eu irei trazer Harry de volta! Prometo Meu Lorde!"
Lorde Voldemort mandou a mulher chorosa se levantar. Assim que Bella ficou em p�,
Voldemort agarrou o rosto dela e encarou seus olhos castanhos. O Lorde das Trevas
invadiu a mente dela e trouxe a tona seu encontro com Harry em Hogsmead.
Assim que o Lorde Voldemort viu as mem�rias, sentiu uma pancada de emo��es ao olhar
seu filho. O garoto que Voldemort criou estava vestindo uma maldita roupa trouxa,
parecia exausto e faminto. O Lorde das Trevas teve que se controlar muito para
manter seu temperamento calmo, ele estava bloqueando todos os seus sentimentos para
que seu filho n�o sentisse dor. De qualquer modo, quando ele chegou na lembran�a do
que tinha acontecido com Harry no momento em que Bella tentou tirar a argola
vermelha, seus sentimentos sa�ram de controle. Assim que viu Harry apertar o peito
e fechar os olhos com dor, o Lorde das Trevas gritou de raiva, ele queria parar e
n�o terminar de ver aquilo, mas por algum motivo ele foi at� o final. Durante todo
o tempo, a raiva o consumia.
H� muitas milhas dali, um garoto de cabelos pretos gritava com uma voz agonizante
enquanto segurava sua testa que do�a horrores.
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Harry voltou para o seu quarto quando a dor em seu ombro come�ou a aumentar. Ele j�
estava no quarto quando sua testa come�ou a doer intensamente, o garoto segurou a
cicatriz e gritou. O moreno sempre soube que era poss�vel que sua cicatriz doesse
cada vez mais, mas dessa vez, a dor foi incompar�vel. Parecia que sua cabe�a iria
quebrar no meio. A dor cresceu a tal ponto que Harry sentiu-se fisicamente doente,
ele sem ver nada conseguiu chegar at� sua cama e enfiar-se em baixo das cobertas. O
garoto mantia seus olhos fechados e tentava n�o gritar. Ele n�o queria que nenhum
aluno o escutasse. N�o que isso fosse uma situa��o embara�osa, mas era dif�cil de
explicar.
"Por favor, passa logo, por favor." Harry dizia para si. Ele sentiu-se terr�vel
quando ficou inconsciente da outra vez. O garoto tinha que lidar com isso, ele n�o
podia desmaiar de novo.
Assim que Harry conseguiu subir em sua cama, a porta do quarto abriu e Damien
entrou.
"Harry, voc� est� a�? Eu queria..." Damien parou de falar ao ver Harry em sua cama
apertando sua testa e gemendo em agonia.
"Harry! Harry, o que h� de errado? Oh! � a sua cicatriz de novo, n�o �? Eu vou
buscar ajuda!"
Assim que Damien fez um movimento para sair, Harry o segurou pelo bra�o.
"N�o! Damien, n�o... apenas... n�o conte para... ningu�m." Harry disse quando a dor
aumentou. Ele n�o queria que ningu�m soubesse, especialmente Poppy. Ela o seguraria
na enfermaria para sempre.
Damien ficou horrorizado ao ver Harry mordendo seus l�bios para impedir os gritos.
O terceiranista percebeu por que o outro estava fazendo isso, ele pegou sua varinha
e colocou um feiti�o silenciador e trancou a porta.
Harry deixou que seus gritos sa�ssem. Damien queria saber mais alguma coisa que
pudesse fazer pelo irm�o, mas n�o conseguia pensar em nada.
Depois de alguns minutos, mas que pareceram horas, a dor come�ou a diminuir. Harry
abriu seus olhos verdes e olhou em volta. Ele estava feliz que tudo acabara, j� que
se n�o tivesse acabado, Damien teria chamado Poppy e ele escutaria um longo serm�o
sobre como cuidar de sua sa�de.
Harry sentou e segurou sua cabe�a, parecia que ela iria cair a qualquer momento.
"Como voc� est�?" Damien perguntou enquanto passava um copo de �gua para Harry.
Harry pegou o copo agradecido, sua garganta estava seca de tanto gritar. Ele pensou
que mostrar dor em frente a Damien seria embara�oso, mas o garoto percebeu que n�o
se importava com a presen�a do outro. Na verdade, era bem legal saber que o menino
o estava ajudando.
"Ent�o me fa�a entender, Harry." Damien disse, seu tom era calmo demais. Quando
Harry come�ou a olhar para suas m�o, o menino pressionou.
"Por que voc� tem que ser assim? Eu sei que todo mundo acha estranho que voc�
considere Voc�-Sabe-Quem seu pai, mas eu n�o..."
"N�o, o que � esquisito nisso? Ele � aquele que te criou, � natural que voc� o
considere seu pai. O que eu acho estranho � como voc� justificar toda essa dor que
ele causa em voc�?"
Harry desviou o olhar, ele sabia que falar com o terceiranista n�o resultaria em
nada. O menino n�o iria entender, ningu�m entendia.
"N�o tem a inten��o de que?" Damien perguntou esperando que Harry se abrisse um
pouco.
"A dor, ele n�o quer me machucar. Isso meio que acontece."
Damien ficou quieto e deixou que Harry explicasse como e por que a dor acontecia. O
terceiranista observou a express�o do irm�o mudar quando ele falou sobre Voc�-Sabe-
Quem.
"Sim, me importo e sei o que todo mundo acha, mas eles est�o errados. Meu pai se
importa comigo." Harry disse.
"Isso � bom, � legal que voc� tenha uma boa rela��o com ele. De princ�pio eu achei
bem ruim voc� ter crescido sem o papai, mas parece que voc� teve um pai, no fim das
contas."
Damien n�o podia acreditar que estava dizendo isso para Harry. A id�ia do bruxo
mais malvado agindo como um pai amoroso era estranho pra caramba, mas Damien
coseguiu fazer o irm�o se abrir e n�o queria deixa-lo bravo agora por come�ar a
discutir essas coisas. Al�m do que, o terceiranista percebeu que o moreno de olhos
verdes n�o tinha motivos para mentir. Se Harry disse que Voc�-Sabe-Quem tinha um
bom relacionamento com ele, ent�o o menino acreditaria.
Damien percebeu como a express�o de Harry escureceu assim que James foi mencionado.
"Por que voc� o odeia tanto? Papai ama voc�. Ele realmente se importa com voc�."
Damien sentiu que era importante fazer Harry entender isso. O moreno lan�ou-lhe um
olhar divertido.
"� s�rio! Quando papai viu o que Moody fez com voc�, ele perdeu a cabe�a. Ele pegou
Alastor e deu-lhe uma bela li��o! Papai disse que se ele o tocasse novamente, n�o
seria capaz de viver para se desculpar, ou alguma coisa parecida"
"N�o, ele n�o disse." Harry disse baixo. Damien viu o olhar de m�goa na face dele,
antes que sua m�scara usual fosse colocada.
"O que voc� quer dizer? Eu estava l�, eu escutei!" Damien exclamou.
"Eu tamb�m." Harry disse e dessa vez olhando nos olhos do irm�o ao falar.
"Ele disse a Moody que se ele tocasse em seu filho novamente, ent�o ele n�o iria
viver para se arrepender. Ele n�o disse nada sobre Moody me machucar."
Damien ficou perdido por um momento. Harry n�o estava fazendo sentido.
"Harry, o que voc� est� falando? Moody estava avan�ando em voc�. Ele estava
tentando me tirar de cima de voc� para acerta-lo de novo, quando papai o segurou,
ele..." Damien parou. O menino havia finalmente entendido o que aconteceu.
'Harry devia estar consciente o suficiente para ouvir papai gritando com Moody.
Quando papai disse para que ele n�o tocasse em seu filho novamente, Harry deve ter
entendido que papai estava se referindo a mim, j� que Moody estava me segurando
quando papai chegou.'
"N�o Harry! Voc� n�o entendeu. Papai n�o estava falando sobre mim, ele estava
falando sobre voc�! Voc� tem que acreditar em mim, Harry. Mam�e e papai te amam!
Voc� tem que acreditar em mim."
Harry balan�ou a cabe�a e desviou o olhar de Damien. O menino de treze anos tentou
convence-lo. O garoto se fechou novamente. O terceiranista estava t�o perto de
fazer o imr�o se abrir, mas o assunto James e Lily Potter o fez se distanciar de
novo.
"Damien, eu estou muito cansado. Tive uma semana de c�o. Eu vou dormir."
Damien disse para Harry descansar e saiu do quarto. O terceiranista tinha que fazer
o irm�o acreditar nele. Ele conseguia ver toda a afei��o que Harry nutria por Voc�-
Sabe-Quem. Damien decidiu que iria fazer o sextanista se sentir como se fosse uma
parte da fam�lia Potter, antes que fosse muito tarde para todos eles.
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Cap�tulo Vinte e Sete: Relacionamentos
Ap�s seu duelo com os Daywalker, Harry percebeu o qu�o popular ficou. O garoto
tentou ficar afastado dos outros alunos, mas viu que isso era muito dif�cil. Ele
estava constantemente sendo abordado por alunos que o elogiavam ou que o
perturbavam com perguntas sobre como ele conseguira lutar com os vampiros. As
garotas eram as piores. Elas lhe lan�avam olhares amorosos e de admira��o. Harry
queria apenas que elas desaparecessem.
Damien estava amando a aten��o que Harry estava obtendo e ficava constantemente ao
lado do irm�o. Os �nicos alunos que n�o estavam felizes com essa aten��o eram os
Slytherins. Draco tinha que manter as apar�ncias, se algu�m percebesse que ele e
Harry eram amigos, causaria uma enorme confus�o. Gryffindors e Slytherins eram
inimigos desde os prim�rdios, n�o seria nada bom se algu�m descobrisse a verdade
sobre Draco e Harry. Os �nicos que sabiam sobre essa bizarra amizade eram Damien,
Ron, Hermione e Ginny. Eles sabiam muito bem que n�o deveriam contar a ningu�m,
portanto o segredo estava a salvo.
Em uma noite, ap�s o jantar, Harry estava indo para seu dormit�rio acompanhado por
Damien, Ron, Hermion e Ginny. Ele estava t�o ocupado falando com o irm�o que n�o
reparou no grupo de Slytherins que descia as escadas, assim que o garoto come�ou a
subir, um dos integrantes da casa da serpente esbarrou nele de prop�sito. O ombro
ossudo do Slytherin bateu bem no ombro machucado de Harry, ele grunhiu ao sentir a
dor perpass�-lo. O moreno instantaneamente segurou seu ombro com uma das m�os
enquanto a outra agarrou a garganta do menino Slytherin. Damien, Ron, Hermione e
Ginny pegaram suas varinhas e apontaram para o grupo da outra casa, que fizeram o
mesmo gesto.
Os olhos de Harry brilharam antes que ele reconhecesse o menino. Seu sobrenome era
Nott. O moreno conhecia o pai dele, o homem participava do c�rculo interno de
Voldemort. Essa informa��o n�o serviu para acalm�-lo, o Comensal com o qual ele
tinha mais problemas era Nott. O menino Slytherin n�o teve tempo para pegar sua
varinha e estava morrendo de medo por causa da situa��o. Harry lan�ou um olhar
g�lido para Nott antes de empurra-lo. Ele n�o ia arranjar confus�o, n�o valia a
pena.
"Seus malditos! Voc�s n�o podem nem mesmo andar por a� sem causar problemas?"
"Desapare�am antes que eu retire pontos de voc�s por perturbarem a paz!" Ron
adicionou.
"Merda!" Ele murmurou ao perceber a mancha negra sujando suas vestes. Eles tentou
afastar-se dos outros rapidamente, antes que os quatro percebessem. Ginny j� havia
visto o sangue e correu at� ele.
"Merlin! Harry, voc� est� bem?" Ela parecia estar sem palavras enquanto olhava o
sangue escorrendo.
"Eu estou bem." Harry respondeu e virou-se para ir em dire��o ao dormit�rio. Ele
mesmo iria curar a ferida. De qualquer modo, Damien o segurou firme para ver o
estrago que foi feito.
"Harry! Voc� precisa ver Madame Pomfrey. Venha!" Damien tentou puxar Harry na
dire��o da enfermaria, mas o sextanista o parou.
"Eu estou bem! Damien, me deixe. Eu ficarei bem assim que conseguir ir para o meu
quarto." Harry desviou-se de Damien e gemeu de dor.
Bem nesse momento James chegou e ficou confuso ao ver a express�o preocupada de
todos.
"Hey caras, qual � o problema?" Ele olhou Damien e logo depois seus olhos viajaram
at� Harry e suas vestes sujas de sangue.
"Nada."
"Isso n�o parece 'nada', venha comigo. N�s vamos at� a enfermaria."
James tentou pegar o bra�o de Harry e leva-lo at� a enfermaria, mas o garoto
desviou-se.
"Deixe-me em paz Potter, eu n�o preciso da sua ajuda!" Harry saiu andando antes que
mais algu�m o parasse.
Harry estava em seu dormit�rio, ele havia retirado suas vestes escolares e estava
sentado em sua cama rodeado por suprimentos para limpar e fechar sua ferida. Ele
havia sido mordido faziam apenas quatro dias e Harry amaldi�oava o Slytherin por
t�-lo atacado. O moreno tinha apenas tirado suas vestes, quando a porta abriu e
Ron, Damien, Ginny e Hermione entraram.
Harry viu Hermione e Ginny corarem quando perceberam que ele estava sem camisa. Ron
e Damien tamb�m o olhavam, mas encaravam a ferida em seu ombro.
"Voc� trancou, mas foi com isso." Damien respondeu e apontou para a varinha de
Harry.
Harry desviou seu olhar de Damien e percebeu que as duas garotas ainda o
observavam. O garoto sorriu de lado por causa dos olhares. Elas n�o conseguiam
desviar o olhar do peitoral dele. Somente quando Ron percebeu e gentilmente
levantou a sobrancelha para Hermione e lan�ou um olhar fraternal para Ginny, as
meninas desviaram o olhar.
"O que voc�s querem?" Harry perguntou e continuou limpando sua ferida.
"Eu n�o preciso de ajuda." Harry disse retirando o peda�o de algod�o que estava
impedindo a ferida de sangrar. N�o importava quantas vezes ele olhasse, seu
machucado continuava sangrando. O garoto estava come�ando a ficar um pouco
preocupado. O ant�doto que Lily fez para o Haketen iria para o fluxo de sangue, mas
por alguma raz�o a ferida sangrava como se ainda estivesse fresca.
Harry colocou outro algod�o na ferida tentando parar o sangramento. Aquilo tinha
que diminuir um pouco antes que ele se vestisse. O garoto nem mesmo percebeu os
olhares de preocupa��o que recebia dos quatro adolescentes.
Harry retirou o algod�o e o viu cheio de sangue. 'Isso n�o � bom.' Pensou consigo.
"Hum Harry, voc� n�o acha que deveria ir para a enfermaria? Isso realmente n�o
deveria estar assim." Ginny disse olhando os algod�es cheio de sangue.
Harry a ignorou e colocou um terceiro algod�o em seu ombro, gemendo ao colocar mais
press�o no aperto para ajudar a estancar o sangue.
Hermione respirou fundo e aproximou-se dele. Ela pegou sua varinha e apontou para a
ferida, Harry ficou tenso.
"O que voc� est� fazendo?" Ele perguntou a Hermione enquanto encarava sua varinha.
"Se voc� n�o tentou, como sabe que n�o vai dar certo?" Hermione perguntou apontando
a varinha para a mordida.
"Harry, voc� nos ajudou, deixe-nos ajud�-lo tamb�m." Ron disse enquanto Hermione
continuava apontando sua varinha para o moreno.
"Eu n�o ajudei voc�s! Eu nem mesmo me importaria se voc�s fossem machucados pelos
Daywalkers." Harry queria dizer isso desde o ataque, mas nunca teve a chance.
Os quatro Gryffindors olharam-se, eles n�o sabiam como lidar com essa revela��o.
Hermione foi a primeira a falar.
"Querendo ou n�o, voc� nos salvou. N�o interessa se foi direta ou indiretamente."
Hermione disse. Ela apontou novamente sua varinha e falou baixinho.
"Episkey"
A ferida parou de sangrar e uma sensa��o engra�ada espalhou-se pelo ombro de Harry.
O garoto olhou a mordida e viu que o sangue estava coagulando, logo depois olhou
Hermione com uma express�o surpresa. Ele n�o achava que um feiti�o simples pudesse
lhe ajudar.
"Eu n�o sabia que isso poderia funcionar." Ele disse baixinho.
"�s vezes s�o as coisas simples que podem ajudar. Voc� apenas tem que estar pronto
para aceit�-las." Hermione respondeu suavemente.
Harry desviou o olhar dela, ele queria ficar sozinho. Tudo era mais f�cil quando
n�o tinha ningu�m sendo legal perto dele. Com toda a aten��o que ele estava
recebendo, ficava dif�cil manter uma dist�ncia deles. Damien era diferente, Harry
constatou, j� que o menino era o �nico que n�o o julgava. Damien era o �nico que
n�o tentava mud�-lo e o aceitava como o Pr�ncipe Negro e nunca pedia para que ele
explicasse seus atos. Por�m, Harry n�o entendia por que os outros, que sabiam sua
verdadeira identidade, eram legais ao seu redor. O garoto n�o conseguia lidar com
aquilo. Especialmente com Hermione, por quem logo no primeiro dia, ele estabeleceu
um certo preconceito. O moreno sabia que a garota era inteligente, mas nunca
admitiria isso em voz alta.
Harry nem mesmo foi contra os outros Gryffindors o ajudarem. Ron fechou a ferida,
logo ap�s Ginny ter limpado. Damien disse que Ron queria ser um medi-bruxo� e pelo
que Harry pode ver, o ruivo seria bom na profiss�o. Depois que o moreno estava
vestido com uma camisa, ele sentou e assistiu os outros conversarem sobre as coisas
que estavam acontecendo em Hogwarts.
Harry nunca havia prestado aten��o em Ron e Hermione, mas estando l� sentado os
observando, f�-lo ver o qu�o pr�ximos os dois eram.
Harry girou seu anel preto e prata sem nem mesmo perceber. Damien observou esse
gesto in�meras vezes. O menino mais novo achou o anel bem interessante, ele
parecia... vivo.
Harry olhou para Damien surpreso e ent�o olhou seu anel, um olhar bizarro de
afei��o apareceu em sua iris esmeralda.
"Yeah, ele � legal. Me mant�m s�o �s vezes." Harry disse mais para si mesmo. O
garoto olhou para Damien e lan�ou-lhe um sorriso triste. O terceiranista fez uma
nota mental para perguntar a Harry sobre o anel.
"Hum Harry, eu queria ter te perguntado isso antes..." Damien olhou seus outros
tr�s amigos desconfort�velmnete, mas continuou falando. "...hum... a partir do
momento em que voc� foi mordido... hum... isso significa que voc�... que voc� vai
virar um deles?" Damien perguntou.
Harry apenas olhou por um segundo antes dele, Ron e Hermione ca�rem na gargalhada.
Ginny e Damien olharam-se confusos. Por que eles estavam rindo tanto por causa
dessa pergunta?
"Oh Damy! Eu n�o acredito que voc� estava pensando nisso." Riu Hermione enquanto
Ron tentava respirar. Harry conseguiu parar de rir e virou-se para os outros dois
que haviam rido tamb�m.
"N�o Damien, eu n�o vou virar um Daywalker, ou um vampiro." Harry adicionou ao ver
o menino mais novo abrir a boca para perguntar outra coisa.
Damien fechou sua boca novamente e n�o conseguiu segurar o sorriso aliviado. Harry
percebeu e perguntou.
"Seu eu virasse, que diferen�a isso faria para voc�?" Harry apenas quis mostrar que
ele n�o vive com o menino, portanto qual seria a diferen�a de ele virar um vampiro
ou n�o. O sextanista n�o esperava receber uma resposta.
Harry n�o sabia como responder, portanto lan�ou ao irm�o um olhar divertido. Ele
sabia que Damien estava mentindo, como isso n�o iria afetar em nada? O pai de Harry
sempre lhe disse que ser uma ra�a misturada era pior que ser um sangue-ruim.
Aqueles de ra�a misturada era utilizados apenas na frente de uma batalha e depois
eram descartados. O moreno mentalmente tremeu s� de pensar que poderia ter virado
isso.
Harry percebeu os olhares de Ginny v�rias vezes, mas tentou ignora-la o m�ximo
poss�vel. As duas garotas e Damien sa�ram de l� e foram para seus respectivos
dormit�rios, deixando Ron sozinho com Harry.
"Me fala se voc� precisar de ajuda para se trocar." Ron disse e deitou em sua cama.
Assim que o sono chegou, o moreno pensou no que diabos havia se metido.
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O Primeiro dia de Dezembro chegou e com ele a not�cia sobre o Baile de Natal. Harry
nem prestou aten��o nisso. Ele esperava que os escudos enfraquecessem r�pido e
ent�o voltaria para casa. O Baile seria dia 20 de dezembro, um dia antes que
Hogwarts entrasse no feriado de Natal.
Harry estava tomando caf� em uma manh�, rodeado pelos Gryffindors usuais, Damien,
Ron, Hermione, Ginny e para o seu desconforto Neville, quando o mar de corujas
chegaram trazendo not�cias para o Sal�o. O moreno nem mesmo se preocupou em olhar,
quem iria escrever para ele? Portanto quando a coruja marrom parou a sua frente, o
garoto achou que era um engano. Harry a ignorou achando que o bichinho acharia seu
verdadeiro remetente. Outra coruja chegou e lan�ou-se contra seu copo de suco de
ab�bora. O moreno olhou para elas e logo depois � sua volta e viu uma coruja
similar na frente de Damien. O terceiranista o olhava estranhamente, mas todo mundo
estava muito ocupado com o seu correio para notar alguma coisa.
Harry pegou o pequeno pergaminho enrrolado na perna da coruja. O garoto viu seu
nome escrito em uma caligrafia bem pequena e pr�ximo a ele estava a ins�gnia de
Hogwarts, ele ficou confuso, a carta parecia vir de Hogwarts para Hogwarts. O que
era tudo isso? Antes que ele pudesse ter chance de abrir a outra carta, uma
enxurrada de corujas pousaram a sua volta deixando-o mais confuso ainda. Damien
olhou seu irm�o e aquele monte de corujas, logo depois o resto dos Gryffindors
notaram a situa��o e come�aram a cochichar e rir. Pouco tempo depois outras seis
corujas chegaram. O garoto de olhos esmeralda estava totalmente confuso. Todas as
corujas eram marrons e pelo que ele pode notar a ins�gnia de Hogwarts estava ao
lado de seu nome em todas as cartas. Harry olhou Damien e viu o menino com l�grimas
nos olhos, causadas pelo riso. O terceiranista e Ron estvam rindo por causa da
confus�o de Harry.
"Bem Harry, voc� � popular." Damien disse antes que ele e Ron ca�ssem na risada
novamente. Hermione e Ginny estavam lutando contra a risada tamb�m. Com tudo isso,
todos os Gryffindors j� estavam observando as corujas em volta de Harry.
"O que � isso?" Harry perguntou enquanto tirava os pergaminhos das corujas para que
elas pudessem ir embora sem causar mais vergonha a ele.
"Para o Baile de Natal! O que mais seria? Olhe, � assim que as coisas s�o feitas em
Hogwarts. Se voc� quer convidar algu�m para o Baile de Natal, mas n�o quer
perguntar pessoalmente, voc� manda um convite de Hogwarts. Por isso que tem a
ins�gnia do col�gio em cada uma delas. Viu?"
Damien apontou para v�rios outros alunos que estavam com corujas na frente. Harry
olhou e percebeu que a maioria tinha uma ou duas, alguns tinham tr�s, mas ele no
m�nimo tinha umas doze. O garoto olhou para a variedade de pergaminhos em cima da
mesa e pegou um para abrir. Dentro dele havia um convite para o Baile de Natal
mandado por algu�m com o nome de Veronica Hann.
Harry rapidamente levantou e saiu do Sal�o, ele viu muitas garotas com faces
coradas lan�ando-lhe olhares envergonhados. O garoto sabia que elas eram
possivelmente as culpadas pelos convites. Damien logo juntou-se ao irm�o, ele havia
pego todos os convites deixados no Sal�o e colocava-os em sua mochila.
"O que voc� est� fazendo? Jogue-os fora!" Harry gritou com Damien.
"De jeito nenhum! Isso vai ser divertido. Se voc� n�o quer saber quem s�o suas
admiradoras, tudo bem, mas eu quero ver quem s�o as su�cidas que est�o te
convidando para sair."
Harry apenas olhou o irm�o gelidamente, mas deixou-o colocar os convites dentro da
mochila. O garoto sabia que era popular entre as meninas, mas nunca esperou algo
como isso. Nada disso importava de qualquer jeito. Ele n�o ia para o Baile de Natal
e esperava sair de Hogwarts dali a tr�s semanas.
Foi bem na hora em que um monte de meninas estavam saindo do Sal�o Principal que
Harry trombou em Neville. O Salvador do Mundo M�gico estava sentado no lago,
aparentemente esperando por Seamus. Harry foi t�o taxativo para fugir das meninas
que nem mesmo o viu sentado l�.
Harry trope�ou nele e quase caiu em cima do garoto, mas conseguiu se segurar.
"Voc� est� bem?" Neville perguntou a Harry quando este conseguiu se equilibrar.
"Yeah, desculpe, eu n�o te vi a�." Harry falou antes de perceber com quem.
"Harry, voc� est� bem? Voc� parece um pouco... preocupado." Neville n�o percebeu
que ele era a raz�o da 'estranheza' de Harry.
Harry achou uma boa coisa ter conseguido se desviar do garoto salvador. Afinal, o
garoto era a c�pia de sua m�e. O mesmo rosto redondo e os mesmos olhos brilhnates.
Ele queria desesperadamente ir embora e esquecer-se disso. De qualquer modo,
Neville conseguiu encurral�-lo.
"Eu n�o sei, voc� parece ser meio frio comigo. Eu sei que voc� � reservado e tudo
isso, mas eu n�o sei... Tenho um pressentimento de que voc� n�o se sente
confort�vel comigo."
'Merlin.' Pensou Harry. 'Ser� que ele realmente precisa de que todo mundo seja seu
amigo?'
"Por que eu ficaria desconfot�vel perto de voc�? Eu nem mesmo te conhe�o. Eu n�o
falo com voc� porque a gente n�o tem nada em comum." Harry respondeu.
"Eu acho que voc� e eu temos muito em comum." Neville disse baixinho e Harry sentiu
algo ao escutar a frieza na voz dele.
"O que?" Harry perguntou sem conseguir manter a curiosidade fora de sua voz.
Harry sentiu como se seu corpo fosse congelado. Seu cora��o pulou loucamente dentro
de seu peito. Ent�o Neville descobriu! Bom, era apenas uma quest�o de tempo, mas
ele realmente queria que o menino ainda n�o tivesse descoberto.
"O que voc� quer dizer?" Harry perguntou o mais baixo que pode.
"N�s dois perdemos nossos pais por causa de uma �nica pessoa. Digo, voc� n�o os
perdeu na verdade, mas passou uma boa parte de sua vida longe deles." Neville
respondeu.
"Nossas vidas foram afetadas por Voldemort. Ele � o respons�vel por voc� ter ficado
afastado de seus pais e de sua fam�lia e ele � o respons�vel por eu ter perdido
meus pais." Neville parou de falar por um momento, envergonhado de seus palavras.
Harry sentiu seu sangue ferver com essas palavras. O que Neville diria se ele
contasse que Lorde Voldemort n�o foi o respons�vel pelas mortes dos seus pais? Que
foi ele o culpado de tir�-lo do convivio dos pais e que o for�ou a viver com sua
av�?
Harry viu Seamus aproximar-se e mentalmente agradeceu pela aten��o de Neville ser
guiada para outro lado. O garoto rapidamante saiu de l�, amaldi�oando Dumbledore
por sua manipula��o.
xxx
Angelina fez o time de Gryffindor treinar para o grande jogo contra Hufflepuff.
Harry estava achando dif�cil se concentrar, j� que ele n�o queria jogar. O garoto
disse a Damien que sabotou o primeiro jogo para que ele o mandasse sair do time. De
qualquer modo o terceiranista respondeu que j� sabia que ele deixou Slytherin
ganhar, j� que Draco nunca pegaria o pomo jogando contra ele. Damien disse a Harry
que todas as disputas entre Gryffindor e Slytherin eram esquecidas e que ele
deveria se concentrar no jogo que estava por vir.
Harry decidiu que iria jogar de verdade dessa vez. Ele queria que Slytherin
ganhasse a partida contra Gryffindor, mas agora que a partida era contra
Hufflepuff, ele queria ganhar. Portanto Harry prestou aten��o em Angelina, n�o que
ele precisasse. Tudo o que ele tinha que fazer era eperar at� que Gryffindor
estivesse 7 gols na frente para capturar o pomo.
Chegou o dia da partida e mesmo o frio congelante de Dezembro n�o ajudou a diminuir
a temperatura do time de Gryffindor. Todo mundo estava t�o preocupado que ficavam
gritando e discutindo uns com os outros. Os g�meos Weasleys ficavam ame�ando
qualquer um que ousasse discutir com eles com seus bast�es de batedores. No final
das contas Harry teve que bater na cabe�a deles para faz�-los calarem a boca. Mesmo
os g�meos eram espertos o suficiente para n�o ir contra Harry.
Depois que todo mundo havia se acalmado, Angelina, saiu com o time para o campo
congelado de Quadribol. Harry tentou n�o prestar aten��o na torcida que gritava seu
nome, ao inv�s disso, focou-se nos times que se cumprimentavam. O apanhador de
Hufflepuff era um sextanista chamado Paul Pedersen. Ele era um pouco maior e
definitivamente mais musculoso. Normalmente apanhadores eram melhores se fossem
menores e menos musculosos, j� que essas caracter�sticas ajudavam na velocidade e
na hora das curvas fechadas. De qualquer modo, com esse clima Paul tinha uma
vantagem grande, ele seria dificilmente desviado pelo vento forte.
O apito foi soado e Harry saiu voando pelo c�u. O jogo come�ou bem ruim para o lado
dos Gryffindors. Hufflepuff havia feito dois gols na primeira meia hora, fazendo a
pontua��o de 20-0. Harry j� tinha visto o pomo umas duas vezes, mas ele lembrou que
Gryffindor precisava estar com sete gols na frente, para poder pegar a bolinha
dourada. A pior parte era manter Paul longe do pomo. O moreno ficava voando pelo
campo e de vez em quando disparava para o lado contr�rio da bolinha, fazendo o
outro apanhador ficar distra�do. Felizmente Gryffindor come�ou a jogar e em uma
hora o placar j� estava 50-20 a favor deles. Harry come�ou a prestar aten��o no
jogo, esperando os sete gols de vantagem, para que pudesse pegar o pomo. Seus olhos
ficavam seguindo a bolinha dourada discretamente.
Harry voou atr�s do pomo. Eles j� estavam jogando por aproximadamente duas horas
naquele clima horroroso, o moreno queria que isso acabasse agora. Ele foi at� a
bolinha dourada, Paul o seguindo bem de perto. Harry n�o estava preocupado com o
outro apanhador, n�o tinha chance de Paul competir com ele.
Harry estava quase pegando o pomo quando sua cicatriz come�ou a doer. Ele quase
caiu da vassoura, mas conseguiu se equilibrar. Uma de suas m�os estava segurando a
vassoura enquanto a outra apertava a sua testa.
'Agora n�o, por favor, agora n�o.' Harry implorou enquanto tentava mandar a dor
embora.
O resto dos Gryffindors perceberam que Harry estava com problemas, mas apenas dois
deles reconheceram o que era. Damien e Ron olharam-se em p�nico. O que ia acontecer
agora? Damien tentou chegar at� Angelina para pedir um tempo, ele sabia que o irm�o
provavelmente iria cair da vassoura se n�o fosse ajudado logo. Por�m Angelina tinha
acabado de pegar a goles e estava indo fazer outro gol. Damien sabia que n�o
deveria sair do campo no meio do jogo, mas ele n�o tinha escolha.
O terceiranista voou at� a ju�za, Madame Hooch, que estava no ch�o assisitindo o
jogo. Damien voou rapidamente at� ela.
"Sr. Potter! O que voc� acha...?" Madame Hooch come�ou, mas foi cortada.
"Madame Hooch! Madame Hooch, voc�... voc� tem que parar o jogo! Harry! Harry n�o
pode jogar agora." Damien sabia que n�o estava fazendo sentido, mas ele n�o tinha
tempo para explicar o que havia de errado com o irm�o, ele apenas queria que o jogo
parasse. Madame Hooch olhou-o confusa e ent�o observou Harry, o garoto estava
obviamente com dor, j� que apertava sua testa com uma m�o e se equilibrava com a
outra.
Antes que Madame Hooch conseguisse pedir tempo ela viu, inesperadamente, Harry voar
r�pido de novo, parecia que o garoto conseguira livrar-se do que quer que estivesse
lhe impedindo de jogar. A ju�za tinha o apito em uma m�o e estava pronta para us�-
lo, se o garoto tivesse qualquer tipo de desconforto.
Harry sentia como se sua cabe�a fosse se dividir. A dor era t�o intensa que seus
olhos estavam quase se fechando como reflexo para que a dor fosse embora. Por um
momento ele abriu bem os olhos e viu Paul voando atr�s do pomo. Harry voou mais
r�pido, ele n�o iria perder, n�o agora quando j� estava t�o pr�ximo de ganhar.
Harry nem escutou direito a torcida dar vivas. Ele sentiu a bolinha em sua m�o
lutando para se soltar, antes de ser encoberto pela escurid�o.
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Harry abriu os olhos e viu o teto branco. Quantas vezes mais ele iria acordar na
enfermaria? O garoto sentou-se na cama e percebeu que acordou sozinho, de novo. N�o
que isso o incomodasse, ele esteve sozinho durante quase toda sua vida. Harry
suspirou e levantou-se, gemendo por causa de sua dor de cabe�a. Ele odiava essas
est�pidas dores de cabe�a.
Assim que ele se levantou, a porta abriu e Damien entrou. O menino ainda estava com
suas vestes de Quadribol e parecia extremamente p�lido. Harry sorriu por causa da
express�o de surpresa do terceiranista.
"Harry? O que voc� est� fazendo? Voc� n�o deveria se levantar, voc� caiu de uma
altura consider�vel. Volte para a cama antes que Madame Pomfrey te veja."
Harry riu por causa da express�o de horror na face de Damien ao citar o nome de
Poppy.
"Bem, voc� meio que desmaiou." Damien disse olhando um pouco preocupado para Harry.
"S�rio, eu meio que j� sabia disso. Eu quis dizer o que aconteceu depois disso. N�s
ganhamos a partida?" Harry perguntou, esperando n�o ter sofrido em v�o.
"� n�s ganhamos." Damien disse e um sorriso insano apareceu em sua face.
Harry sorriu por causa da afoba��o de Damien. Ele esperava sinceramente que seu
irm�o ganhasse a copa de Quadribol esse ano, mas ao mesmo tempo rezava para n�o
estar mais em Hogwarts para ver a partida final.
Harry e Damien conversaram sobre o jogo at� que Poppy entrasse. Depois de um check-
up e por causa do pedido dos garotos, ela deixou Harry voltar para a torre de
Gryffindor. Assim que o moreno de olhos verdes entrou no sal�o comunal, todo mundo
deu vivas e muitos bateram em suas costas em sinal de 'muito bem'. O garoto olhou
em volta e n�o soube como agir. Ele n�o gostava das pessoas o tocando e lutou
contra todos para chegar at� as escadas que iam ao seu dormit�rio, quando Ron pegou
no seu ombro. Harry virou-se e o olhou.
"Voc� tem uma visita." Ron sussurrou para Harry. O garoto franziu a testa e olhou
em volta.
"N�o aqui dentro, ele est� l� fora esperando por voc�." Ron disse e virou-se para
ir embora.
Harry moveu-se entre a multid�o em dire��o � sa�da. Viu Damien o olhando e fez um
gesto mostrando que j� voltava, ele n�o queria que o menino o seguisse. Assim que
ele saiu, respirou aliviado. Aquele barulh�o que as pessoas estavam fazendo fez com
que sua dor de cabe�a piorasse.
"Qual � o problema? N�o est� aproveitando a celebra��o?" Uma voz fria falou.
Harry olhou em volta e viu o Slytherin loiro parado no corredor. Ele rapidamente
checou se havia algu�m por l� e andou at� Draco com uma careta na face.
"Eu pensei que tinha sido claro Malfoy, voc� n�o deveria vir at� mim desse jeito!"
Harry sibilou.
Draco apenas sorriu e voltou para as sombras. Harry aproximou-se, j� que desse
jeito se algu�m aparecesse, somente veriam o moreno e mais ningu�m.
"Voc� vai querer ouvir isso Harry, acredite em mim." Draco disse baixinho, mas com
uma voz bem afobada.
"O que �?" Harry disse. Ele n�o queria ser pego com Malfoy. Isso arruinaria tudo.
"Est� feito, eles conseguiram. Agora � s� uma quest�o de tr�s, talvez quatro dias,
para enfraquecer-los. Voc� estar� de volta em uma semana."
Harry parou. Os escudos! Eles finalmente conseguiram. Agora tudo o que Harry tinha
que fazer era esperar que os escudos estivessem bem fracos para que os Comensais
entrassem pelos port�es de Hogwarts. Depois de tudo o que ele passou, finalmente
poderia voltar para casa. Harry sentiu seu cora��o bater como um louco. Depois de
quase quatro meses, ele iria ver seu pai novamente. O moreno aproximou-se da figura
escondida.
"Voc� tem certeza disso?" Harry perguntou murmurando. Ele n�o podia cometer nenhum
engano.
"Sim! Eu recebi essa mensagem do meu pai. Foi entregue direto no sal�o comunal. Ele
ir� dizer o dia e a hora exata para que voc� possa estar preparado." Draco
respondeu em um sussurro afobado.
Harry entendeu a dor em sua cicatriz. 'Deve ter sido quando meu pai descobriu sobre
os escudos. Ele devia estar feliz quando eu comecei a sentir a dor e depois deve
ter sido a raiva por ter que esperar alguns dias para o meu resgate.'
Draco pareceu entrar em choque. Harry nunca havia lhe agradecido por algo.
Harry virou-se para voltar ao sal�o. Tr�s ou quatro dias! Isso era o restava para
ele ir embora de Hogwarts. 'Esse tamb�m � o tempo que eu tenho para lidar com James
Potter.' Pensou consigo. Bem no momento em que estava voltando para o sal�o, Harry
ouviu o portal da Mulher Gorda abrindo e som de passos pesados. O garoto viu a
pessoa que havia entrado em Hogwarts e sorriu.
"Perfeito." Harry murmurou para si ao ver Sirius Black entrando no quarto dos
Potters.
'Mato dois coelhos com uma cajadada s�' Harry pensou j� entrando no sal�o comunal.
Cap�tulo Vinte e Oito: A raz�o pela qual eu os odeio
Harry j� havia pensado em tudo. Ele apenas precisava de dois itens para p�r seu
plano em pr�tica e um deles era a capa de Damien.
"Damien, eu tenho que te pedir uma coisa." Harry disse para o terceiranista quando
sentou-se na mesa para tomar caf� da manh�.
"Eu preciso da sua capa e do seu mapa emprestados." Harry disse baixinho.
Damien tentou n�o demonstrar o choque que levou ao escutar isso. Ele faria tudo o
que Harry lhe pedisse, mas dar a ele o mapa de Hogwarts e sua capa de
invisibilidade era chamar os problemas.
"Oh Harry, n�o sei..." Damien come�ou a dizer e lan�ou um olhar preocupado para a
Mesa Principal. Seus pais lhe matariam se descobrissem que ele havia emprestado
essas coisas para Harry.
Damien ficou surpreso ao escutar Harry lhe chamar pelo apelido. Era a primeira vez
que seu irm�o o chamava de 'Damy'.
"Certo, mas com uma condi��o." Damien disse. Ao ver a curiosidade de Harry,
continuou.
De maneira nenhuma ele iria levar Damien com ele. O menino iria definitivamente
contar para algu�m e arruinar tudo. O terceiranista cruzou os bra�os e olhou o
irm�o de modo calculista. Harry for�ou-se a aceitar que o menino realmente parecia
consigo.
"Certo! Ent�o eu n�o irei te emprestar nada. Se voc� quiser a capa e o mapa ter�
que me levar junto, aonde quer que voc� v�!" Damien era t�o teimoso quanto Harry e
n�o ia voltar atr�s na sua condi��o.
Harry observou Damien por um momento. Se ele levasse o menino junto, que mal iria
fazer? O terceiranista provavelmente nem saberia o que estava acontecendo e quando
descobrisse j� seria tarde demais.
"Certo, mas voc� tem que jurar n�o vai dizer nada � ningu�m. Ok?" Harry perguntou.
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Mais tarde, � noite, Harry ainda n�o conseguia acreditar que estava levando Damien
junto com ele para as masmorras. Ambos conseguiram ficar em baixo da capa de
invisibilidade que Damien conseguir 'roubar' de seu pai novamente. O mapa estava na
frente deles, enquanto penetravam cada vez mais na escurid�o daquele lugar. Damien
n�o fazia a m�nima id�ia de qual era a po��o que seu irm�o queria.
Harry disse para Damien ficar na porta com o mapa, para caso algu�m se aproximasse.
O terceiranista observou o irm�o aproximar-se do estoque de po��es, ele n�o estava
pegando ingredientes, mas sim procurando por uma po��o quase terminada. Damien
estava imaginando o que Harry iria fazer. Finalmente, o moreno de olhos verdes
pegou uma pequena garrafa, ela estava cheia de um l�quido roxo. O garoto colocou-a
dentro do bolso e fechou a porta do arm�rio. Ele andou at� o irm�o e jogou a capa
em cima de ambos. Damien esperou at� que chegassem no sal�o comunal antes de
perguntar alguma coisa.
"Isso n�o te diz respeito." Harry disse e sem falar mais nada virou-se e subiu as
escadas. Antes de chegar ao dormit�rio ele olhou Damien novamente.
"Voc� n�o vai dizer nada sobre isso, certo?" Harry perguntou ao moreno de olhos
avel�.
Damien negou com a cabe�a e Harry sorriu antes de desaparecer pela porta de seu
dormit�rio.
No dia seguinte Damien teve aula de po��es e n�o podia esperar para que sua m�e
terminasse logo de dar as instru��es e ele pudesse ir at� o arm�rio tentar
descobrir que po��o Harry tirou ontem � noite. Assim que o menino foi pegar seus
ingrediente, deixou seus olhos vasculharem a se��o de po��es quase terminadas. Ele
percebeu que aquela se��o era trancada e imposs�vel para se abrir sem uma varinha.
Harry havia usado sua varinha para conseguir a po��o roxa.
Bem na hora em que Damien j� estava indo embora, ele viu outra po��o roxa pr�xima a
uma grade. O menino engoliu em seco ao ler a indica��o que havia l�. 'O que Harry
pretende fazer com uma po��o Polissuco?' Pensou.
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"Bem, voc� j� recebeu as boas not�cias?" Harry perguntou ao loiro enquanto fingia
arrumar os livros da biblioteca. Draco estava ao seu lado, mas olhava para o outro
lado.
"O que voc� acha? Claro, que que tenho boas not�cias. Est� feito! Eles vir�o amanh�
� noite. Voc� tem que estar nos jardins por volta das 8 da noite, ok?"
Harry n�o conseguiu segurar e sorriu. Ele iria para casa amanh� e assim, poderia
finalmente sair de Hogwarts e voltar para o lado de Lorde Voldemort. Harry afastou-
se de Draco depois de confirmar que estaria no local certo �s oito da noite de
amanh�. Assim que o moreno deitou-se na cama, n�o conseguiu deixar de pensar que
essa era sua �ltima noite em Hogwarts e que se tudo desse certo, seria o mesmo para
James Potter.
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Damien queria falar com Harry sobre a Po��o Polissuco, mas n�o conseguiu ach�-lo em
lugar nenhum. Ele decidiu que falaria com o irm�o no caf� da manh�.
De qualquer modo, ao sentar na mesa de Gryffindor ele n�o conseguiu ver Harry em
nenhum lugar.
"Yeah, ele ainda estava dormindo quando o vi." Ron respondeu e colocou mais cereal
em sua boca.
"Oh!" Damien ficou mais calmo. O que havia de errado com ele hoje? Ele n�o
conseguia afastar o sentimendo de que algo realmente ruim aconteceria.
Damien n�o conseguiu ter a chance de falar com Harry, suas aulas diurnas j� estavam
come�ando. Antes de ir para sua aula de feiti�os, ele correu para ver o irm�o. O
menino esbarrou em Hermione. A garota disse que Harry n�o fora nas aulas hoje.
Portanto, agora ele estava indo at� o dormit�rio masculino ver se o irm�o ainda
estava l�.
Assim que Damien abriu a porta do dormit�rio, uma cena peculiar o alertou. Harry
estava deitado em sua cama, ele tinha uma apar�ncia p�lida. Parecia que ele estava
dormindo, mas isso que era o estranho da coisa. Mais estranho ainda era que Sirius
estava sentado ao lado dele, segurando seu anel preto e prata em suas m�os. Sirius
parecia estudar o objeto. Por alguma raz�o isso alertou Damien. Ele sabia que Harry
era bem possessivo em rela��o a esse anel e ele n�o gostou de ver seu tio Siri
mexendo nas coisas de seu irm�o.
Sirius olhou para Damien e por um momento ficou receoso, como se tivesse sido pego
no meio de uma briga. Quando viu que era apenas Damien que estava l�, ele relaxou e
o cumprimentou.
"Hey filhote! O que voc� est� fazendo aqui? Voc� n�o tem aula?"
Damien olhou surpreso para seu tio. Sirius nunca disse a ele para ir �s aulas, na
verdade ele at� incentivava o contr�rio. Seu tio sempre disse que era uma coisa sem
no��o ficar indo a tantas aulas, sendo que haviam outras tantas coisas melhores
para se fazer com esse tempo.
"Eu tenho. Eu estava indo para a minha aula de feiti�os, mas queria ver se Harry
estava bem. Eu n�o o vi o dia inteiro." Damien respondeu e olhou o irm�o.
"Ele teve febre. Eu vim ver como ele estava e quando cheguei ele estava doente.
Poppy acabou de sair. Ela deu a ele um pouco de Po��o para Dormir, assim ele poder�
descansar." Sirius disse baixo.
Damien assentiu e depois olhou para o anel, que ainda estava nas m�os de Sirius.
"Bem, pare! Isso pertence � Harry, acho que voc� tem que deixar o anel em paz."
Damien n�o conseguia entender sua frustra��o ao ver algu�m mexendo nas coisas de
Harry sem permiss�o.
"T� bom, acalme-se. Eu estava apenas olhando." Sirius colocou o anel em cima da
mesinha de cabeceira de Harry e olhou para o outro menino de modo divertido. "Voc�
est� bem filhote." Perguntou.
"Sim, desculpe! � s� que... Harry � bem possessivo com suas coisas. Eu n�o acho que
ele iria gostar que algu�m tocasse em seus pertences."
Sirius lan�ou um sorriso c�lido para Damien e abra�ou-o pelos ombros, enquanto sa�a
do dormit�rio e deixava para tr�s um Harry adormecido.
"Vamos � Hogsmead. Eu ainda n�o tive muitas chances para passar um tempo com James
devido aos eventos recentes. Eu quero apenas passar um tempo com o meu melhor
amigo."
Damien sorriu. Seu tio e seu pai sempre arranjariam um tempo para passarem juntos.
Por�m Sirius estava certo, desde que Harry havia vindo para Hogwarts, eles n�o
sa�ram mais.
Damien entrou na sala, prometendo a si mesmo que depois da aula iria checar se
Harry estava bem.
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James estava surpreso por ver Sirius entrando em seu quarto junto com Kingsley
Shacklebolt. Ele ficou ainda mais surpreso ao escutar Sirius lhe dizendo que eles
iriam at� Hogsmead enquanto Kingsley ficava de olho em Harry.
Depois de muita persuas�o, James finalmente aceitou sair com Sirius. Ele n�o queria
mesmo ir, especialmente ao saber que Harry n�o estava bem, nem mesmo para ir �s
aulas, mas Sirius de algum modo fez com que ele sa�sse de Hogwarts e os dois
marotos foram at� o vilarejo.
Hogsmead ainda estava sendo reconstru�da ap�s aquele horrendo ataque de Daywalkers,
mas Sirius disse a James que havia um �timo pub perto das fronteiras do vilarejo.
J� que James n�o sabia o caminho, ele deixou seu amigo gui�-lo. O moreno de olhos
avel� era o �nico que falava, Sirius apenas escutava. Depois de muito andar, James
percebeu que eles estavam em uma parte bem exclu�da da vila, onde havia apenas
precip�cios e depress�es. N�o havia o menor sinal de vida em lugar nenhum. James
tentou pensar no que Sirius tinha em mente.
"N�s estamos pegando um atalho, fica um pouco mais pra frente." Sirius respondeu e
continuou andando.
"Mas n�o parece existir nenhum tipo de vida por aqui! Voc� tem certeza de que sabe
para onde est� indo?" James perguntou. Essa n�o seria a primeira vez que Sirius
ficava perdido.
James continuou andando com Sirius por mais vinte minutos e tudo o que ele podia
sentir era mais e mais ansiedade. Eles pareciam estar indo direto para o final do
precip�co, onde n�o havia nenhum sinal de vida, nem bruxo, nem de nada.
"Sirius, eu acho que � seguro dizer que n�s estamos perdidos! N�o h� nada mais al�m
de depress�es por pelo menos uns 300 metros! Portanto, acho que � melhor admitir
que estamos perdidos." James disse bravo. Ele n�o se importava com o fato de que
estavam perdidos, ou que Sirius havia se enganado, mas o que lhe incomodava era que
seu amigo n�o estava falando nada. "Sirius! Voc� est� me ouvindo? N�s estamos
perdidos, acho que devemos voltar!" James gritou.
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Damien n�o conseguia afastar esse sentimento estranho. Ele n�o sabia o que havia de
errado. Na hora do almo�o, o menino pulou a refei��o para visitar o dormit�rio de
Harry. Seu irm�o pareceu estar t�o p�lido e doente que ele queria saber se o garoto
estava realmente bem.
Quando Damien entrou no dormit�rio, ele ficou desapontado ao ver que seu irm�o
ainda dormia. Ele esperava encontar Harry acordado. O menino sentou-se ao lado do
sextanista, passou sua m�o sobre a testa dele e ficou aliviado ao ver que a pele
estava normal. A febre parecia ter abaixado, mas ele suava e sua pele estava �mida.
Damien afastou as coberta do irm�o um pouco e congelou. Havia um pequeno aparelho
conectado a m�o dele. Era um pequeno tubo, aquilo parecia ser bem doloroso. O
terceiranista analisou melhor e viu duas garrafinhas do outro lado tamb�m
conectadas ao tubo. Obviamente a po��o das garrafinhas estava sendo aplicada direto
na corrente sangu�nea de Harry.
Damien olhou-o em confus�o. Talvez isso era algo que Madame Pomfrey criou para
ajudar seu irm�o. O terceiranista olhou melhor para uma das po��es e reconheceu-a
instanataneamente. Era Po��o para Dormir. Bem, Sirius disse que Madame Pomfrey deu
a Harry um pouco da po��o, por�m toda essa aparelhagem n�o parecia certa.
Damien estudou a outra e n�o conseguiu descobrir o que era, ele viu que ela tamb�m
corria na corrente sangu�nea de Harry. Era por isso que ele ainda dormia, mas isso
n�o parecia certo. Por que seu irm�o estava t�o severamente sedado? Damien decidiu
retirar as po��es e deixar que elas parassem de circular.
Harry ainda sim n�o acodava, ent�o, Damien pegou sua varinha e apontou para a
cabe�a dele. O sextanista provavelmente o mataria por lan�ar um enervate, mas
Damien queria tanto falar com ele. O terceiranista n�o sabia como, mas ele podia
sentir que Harry estava sedado contra sua vontade.
Os olhos esmeralda de Harry abriram-se e por um momento ele pareceu ficar confuso,
foi ent�o que olhou Damien e novamente o terceiranista sentiu algo que lhe dizia
que aquilo n�o era certo.
"Filhote?"
Damien sentiu seu cora��o parar ao escutar essas palavras saindo da boca de Harry.
"Do que voc� me chamou?" Damien perguntou. Sua voz estava mais baixa do que um
sussurro.
Harry n�o respondeu, ao inv�s disso sentou-se e olhou em volta, como se visse tudo
pela primeira vez.
"O que... Onde eu estou?" Harry disse e Damien percebeu que a pessoa a sua frente
parecia Harry, mas n�o soava como ele. Na verdade, soava muito como...
"Tio Siri?"
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James olhou para seu melhor amigo e n�o conseguiu descobrir o que havia de errado.
Sirius estava o olhando com ira. James deu um passo para tr�s e perguntou com uma
voz grave.
"Sirius, o que voc� est� pensando? Por que voc� quis vir at� aqui?"
"� realmente bonito aqui, n�o �? T�o exclu�do. Digo, qualquer coisa pode acontecer
aqui que as pessoas nem ao menos ir�o notar." Sirius virou-se e James viu sua
varinha em punhos.
James conseguiu pegar sua varinha, mas Sirius j� havia lan�ado um feiti�o que f�-la
sair voando de suas m�os. O moreno de olhos avel�s segurou sua m�o machucada e
sibilou de dor. Ele escutou Sirius murmurar 'Accio' e soube que o outro estava em
posse de sua varinha.
James olhou Sirius e o viu sorrindo. Obviamente seu 'amigo' estava adorando sua
cara assustada.
"Quem � voc�?" James perguntou, mentalmente brigando consigo mesmo por n�o ter
percebido antes que Sirius era um impostor.
"Oh vamos l�, voc� j� deve ter descoberto! N�o, ok. Talvez eu possa ajud�-lo."
O falso Sirius segurou sua varinha, apontou-a para sua face e murmurou 'Finite
Incantatem'.
O longo cabelo negro de Sirius come�ou a encolher e sua face come�ou a afinar. Seu
longo nariz estava diminuindo e seus olhos tamb�m. James parou horrorizado ao olhar
os cabelos dele virarem mais rebeldes e seus olhor tornarem-se verdes.
"Harry?" James disse ao ver seu filho mais velho em frente a ele.
"Surpreso?" Harry perguntou e James percebeu que mesmo o garoto tendo voltado a ser
como era, ainda soava como Sirius. O sextanista percebeu isso, sorriu de lado,
apontou a varinha para sua garganta e murmurou 'Finite Incantatem' novamente.
"Bem melhor." Harry disse com sua pr�pria voz. "Agora, n�s devemos come�ar, temos
muito o que resolver." Harry disse antes de acertar James com um feiti�o de corte.
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Damien ficou observando seu tio, que ainda estava no corpo de Harry.
"Bem, eu vim ver como Harry estava. A �ltima vez que eu o vi, ele ainda estava se
recuperando do ataque dos Daywalkers. Eu vim e Harry me atacou. Ele me nocauteou
e... bem, eu n�o sei o que mais aconteceu depois disso. Eu acabei de acordar."
Damien olhou para a pessoa sentada a sua frente. Era estranho ver Sirius parecendo
Harry.
"N�o h� nada que voc� possa fazer para voltar a ser voc� mesmo antes que a po��o
termine?" Damien perguntou.
"Sim, Finite Incantatem resolveria isso." Sirius respondeu e tentou pegar sua
varinha. Ele percebeu que estava com as vestes de Harry e que sua varinha n�o
estava l�.
'Harry est� com papai, Merlin sabe onde e com a varinha do tio Siri! Isso n�o �
bom.' Pensou o menino.
Damien pegou sua pr�rpia varinha e apontou-a para o animago. Assim que o menino
disse o feiti�o, Sirius pegou o anel deixado sob a mesinha. O artigo era estranho,
preto e prata, mas ele parecia... vivo.
Damien disse o feiti�o e quando a apar�ncia de Sirius voltou ao normal ele viu um
enorme arranh�o em seu rosto, provavelmente feito por Harry. O menino viu tamb�m
que havia mais alguma coisa estranha.
Sirius estava sentado na frente de Damien segurando algo em suas m�os. O menino
percebeu que ao inv�s do anel de Harry, agora havia uma penseira com uma subst�ncia
bem espessa dentro.
Damien entendeu o porqu� da possessividade de Harry para com seu anel. Ele era na
verdade uma penseira que continha todas as mem�rias que seu irm�o queria esconder.
"O que pode haver nessa penseira que Harry estava protegendo t�o desesperadamente?"
Damien pensou alto.
"Bem, n�s teremos que descobrir isso depos. Agora, temos que ir buscar seu pai."
Sirius respondeu e ambos sa�ram correndo do dormit�rio.
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James sentiu suas costas baterem no ch�o. Harry ficou assistindo o auror tentar
levantar-se. Sem sua varinha James n�o tinha como se defender, ele n�o era muito
bom em combate f�sico e, mesmo que fosse, ele j� havia visto Harry lutando. N�o
havia chances de ganhar dele.
"Por que... por que voc� est� fazendo isso Harry?" James disse ao se levantar. Ele
estava com uma m�o nas costas, com certeza havia quebrado algumas costelas.
Harry apontou sua varinha novamente e James sentiu uma dor intensa em seu peito.
Ele se ajoelhou e tentou respirar.
O auror virou-se e viu Harry o encarando. O garoto tinha tanto �dio naqueles orbes
verde.
"Isso � o que eu quero saber Potter! Por que?" A voz de Harry estava tremida e
James percebeu que ele estava preste a se abrir.
"Harry?" Foi tudo o que James conseguiu dizer antes que o garoto o jogasse para o
outro canto apenas com um meneio de m�os.
James caiu no ch�o e dessa vez gritou alto ao sentir sua perna deslocar. Ele olhou
Harry e viu que o adolescente irado se aproximava.
"Eu perguntei a voc� tantas vezes, mas voc� nunca me respondeu! Eu pensei que
talvez voc� era apenas capaz de machucar os outro, que voc� n�o sabia mais o que
fazer! Mesmo quando eu me desculpava! Por�m, eu te vi com Damien e vi o qu�o
diferente voc� era com ele. Por tanto, eu pergunto de novo Potter! Por que? Por que
eu?"
James estava tentando levantar. Ele conseguia sentir o gosto de sangue em sua boca.
"Harry! Por favor, eu n�o sei sobre o que voc� est� falando. Por favor, me fala!"
James implorou esperando receber alguma resposta. Essa, entretanto, foi uma p�ssima
coisa para se dizer, j� que os olhos de Harry brilharam ainda mais em f�ria.
"Claro que voc� n�o lembra! Por que deveria? Tudo bem, Potter, porque depois de
hoje, eu irei finalmente esquecer tamb�m." Harry respondeu apontando sua varinha
para a cabe�a do auror.
"Voc� nunca vai se livrar disso, Harry. Voc� vai ser pego!" James disse. O
desespero era evidente em sua voz. Ele n�o queria morrer, especialmente pelas m�os
de seu pr�prio filho. Por�m, ele tamb�m n�o queria que Harry fosse para Azkaban.
"Oh, mas eu vou. Veja Potter, n�o sou eu que matei voc�. Todo mundo o viu saindo de
Hogwarts com Black. Os aurores que est�o em Hogsmead te viram vindo pra c� com
Black. Foi Black quem te trouxe aqui e que sem miseric�rdia matou voc�. Foi a
varinha de Black que atirou tantas maldi��es em voc� at� deix�-lo sem defesa."
Com essas palavras Harry mostrou para James que realmente era a varinha de Sirius
sendo urtilizada contra ele.
"Creio que ser� o final perfeito da amizade de voc�s, n�o acha?" Harry perguntou.
James sentiu-se ferver. Harry n�o estava apenas planejando em mat�-lo, mas tamb�m
em culpar Sirius.
"Ningu�m vai acreditar nisso! Sirius nunca me machucaria e todo mundo sabe disso!"
James disse com raiva.
"Inveja � uma coisa que pode levar algu�m a cometer crimes bizarros. Voc� tem uma
fam�lia, Black n�o. Voc� tem filhos, Black n�o. Voc� tem um lar, Black tem apenas
uma casa em ru�nas que agora virou o Quartel General da sua pat�tica Ordem. Voc� v�
Potter, Black n�o tem nada e voc� tem tudo. Voc� tem at� em uma posi��o de auror
melhor do que a dele. Creio que isso � motivo o bastante para deixar um homem louco
de inveja e matar." Harry disse friamente.
"Lily e Damien! Eles nunca ir�o acreditar nisso. Eles ir�o saber que Sirius n�o fez
isso, que ele nunca me atacaria!" James estava desesperadamente tentando mostar a
Harry que seu plano n�o iria funcionar. Essa era a �nica esperan�a que ele tinha
para que o garoto n�o o matasse.
Harry olhou James por um momento e o auror percebeu que o garoto amoleceu com a
men��o de Damien.
"Damien pode n�o acreditar, mas ele ter� que aceitar. Voc� deveria fazer suas
�ltimas preces Potter. Eu n�o estou fazendo o mesmo com a sua mulher, por causa de
Damien, de outro modo ela tamb�m estaria tendo o mesmo fim. Eu percebi que Damien
merece ter pelo menos um parente vivo."
Com a men��o de Lily, James perdeu a paci�ncia e tentou jogar-se contra Harry para
pegar sua varinha, sem medir as consequ�ncias . O garoto deu um passo para tr�s,
mas logo ap�s isso, James estava no ch�o novamente. Harry lan�ou nele o feiti�o
quebra ossos. O auror ficou coberto de sangue e n�o conseguia respirar direito
devido �s suas costelas fraturadas.
"Acho que j� � hora de acabar com isso, Potter" Harry disse friamente.
Harry apontou a varinha para James j� preparado para dizer a maldi��o e foi nesse
momento que os olhos avel� do auror conectaram-se com os seus olhos verdes.
"Antes que voc� me mate, voc� n�o acha que eu tenho o direito de saber o por qu�?
Por que eu estou sendo torturado e morto pelo meu pr�prio filho?"
James sabia que iria morrer, mas ele n�o queria morrer sem nem mesmo saber o por
qu�.
"Voc� quer fingir ignor�ncia at� o final? Muito bem, mas eu n�o vou mais gastar meu
tempo com voc�, Potter. Eu quero que voc� saiba que eu podia ter te matado bem
antes. Eu passei quatro meses em sua companhia e tive mais que uma chance para
acabar com a sua vida pat�tica! Eu podia ter cortado sua garganta enquanto voc�
dormia, eu podia ter te matado com as minhas pr�prias m�os em Hogwarts, mas eu n�o
queria sofrer depois de matar voc�. Eu quero que voc� saiba que o respons�vel de
tudo isso � voc� mesmo. Por todas as vezes que voc� fingiu estar preocupado, por
dizer que sentia minha falta, por fingir que se importava! Eu quero matar voc� aqui
e agora. Voc� sabe por qu�? Porque eu quero que voc� sofra. Doze anos esperando que
esse dia chegasse, e agora, agora eu finalmente terei minha vingan�a!"
"N�o! N�o implore por miseric�rdia, eu n�o vou lhe dar nenhuma! Afinal, voc� nunca
me deu nenhuma." Harry disse baixinho.
Harry lan�ou um jato de luz amarela em James e o auror sentiu a for�a do feiti�o,
ele caiu de um precip�cio de 300 metros que tinha rochas na parte de baixo.
Harry fechou os olhos e tentou fazer seu cora��o se acalmar. Ele conseguira! Ele
finalmente havia matado James Potter.
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Harry encaminhou-se para Hogwarts, ele estava feliz por ter trazido a capa de
invisibilidade com ele. O garoto iria fazer de tudo para retorn�-la junto aos
pertences de Damien.
Harry entrou no sal�o comunal e olhou em volta. Quando teve certeza de que n�o
havia ningu�m por l� retirou a capa. O garoto foi at� seu dormit�rio para guard�-la
e checar Sirius, mas ao abrir a porta deu de cara com um muito preocupado Damien
Potter. O menino correu at� ele.
"Harry! Por onde voc� esteve? Eu estou te procurando como um louco." Damien o
olhava de modo preocupado.
"Por favor Harry, diz que voc� n�o fez isso!" Damien disse quase implorando.
"Sobre o que voc� est� falando?" Harry perguntou sentindo algo em seu peito.
Antes que Damien pudesse responder, o portal do sal�o comunal abriu e todos os
estudantes entraram. Harry olhou no rel�gio e viu que eram 5 da tarde. Os alunos
tinham acabado de sair das aulas. O garoto de olhos verdes olhou para o irm�o que
sem palavras decidiu ir para um lugar mais privado.
Harry e Damien tinham acabado de sair do sal�o comunal e procuravam uma sala vazia
quando encontraram McGonagall.
"Sr. Potter, bem o aluno que eu procurava. O Professor Dumbledore quer ter uma
palavrinha." A mulher disse a Harry.
Harry olhou Damien e resolveu que n�o iria doer se ele fosse ao escrit�rio de
Dumbledore uma �ltima vez. Afinal, Harry iria para casa dali algumas horas.
"Damien, voc� pode esperar um pouco para eu ver o que Dumbledore quer?" Harry
perguntou.
Damien assentiu e encaminhou-se para o Sal�o Principal. Ele n�o estava com fome,
mas n�o tinha mais nada para fazer nesse meio tempo. O menino estava desesperado
para perguntar a Harry por que ele se disfar�ou de Sirius. Era �bvio que ele n�o
fez isso com o intuito de escapar, j� que ele estava em Hogwarts. Mas, ent�o porque
ele tomou a po��o polissuco? E onde estava seu pai?
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Harry subiu as escadas e entrou no escrit�rio do diretor, sem nem mesmo bater. Ele
estava esperando que Dumbledore estivesse sentado em sua mesa, como o usual. Ao
inv�s disso, o garoto o encontrou parado a sua frente e apontando uma varinha na
sua dire��o. O diretor n�o estava sozinho, junto a ele estava uma muito p�lida e
assustada Lily, um extremamente l�vido Sirius e um intensamente ferido James e
todos apontavam suas varinhas.
Harry sentiu seu cora��o parar. Isso n�o era poss�vel! Ele havia matado James. Ele
jogou o auror de mais de 300 metros. Como ele conseguiu sobreviver? O garoto n�o
teve nem a chance de dizer algo, todas as maldi��es foram instant�neas. Harry
sentiu seu corpo ficar r�gido e logo depois identificou a maldi��o 'Estupefa�a'.
Assim que o garoto sentiu a maldi��o, seu mundo ficou negro.
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Harry acordou e encontrou-se em outro lugar. Ele tentou olhar em volta, mas
percebeu que seus movimentos estavam restritos e entrou em p�nico. O garoto tentava
se soltar, mas n�o conseguia. O feiti�o que o segurava era muito forte para ser
quebrado. Ele tentou olhar em volta novamente e percebeu que estava no dormit�rio
de James e Lily. O moreno viu a escrivanha da mulher e foi com desgosto que notou
aquele monte de fotografias em cima.
Foi quando a porta abriu e James, Lily, seguidos por Sirius entraram. O garoto
sentiu seu sangue ferver de raiva. James havia sobrevivido! Depois de tudo o que
ele planejou, o auror ainda conseguira sobreviver e ainda por cima ele estava preso
e precisava escapar. Harry n�o fazia a m�nima id�ia de que horas eram, mas
certamente ele n�o conseguiria sair �s oito.
Harry desviou o olhar. James ainda usava as vestes sujas de sangue e sua m�o estava
com uma bandagem. O garoto chegou a conclus�o de que Poppy devia ter consertado
seus osso, j� que ele estava andando perfeitamente bem. James aproximou-se e trouxe
uma cadeira junto.
"Creio que voc� me deve uma explica��o." James disse baixinho para Harry.
Harry recusou-se a olhar para ele. Acima de tudo, ele estava com vergonha. Vergonha
de ter falhado em sua vingan�a. Harry queria tanto machuca-lo e quando essa chance
chegou... ele falhou com tudo.
Harry sentiu que seu queixo estava sendo for�ado na dire��o de James.
"Eu quero saber por que voc� me atacou. O que voc� quis dizer com todas aquelas
acusa��es? Quando foi que eu te machuquei, Harry? Me responde!"
James estava segurando seu temperamento. Ele queria muito gritar com Harry. Ele era
carne da sua carne e sangue do seu sangue e havia tentado mat�-lo. Se n�o fosse por
Sirius ele estaria bem morto agora.
"Sirius chegou bem na hora. Quando voc� me jogou do precip�cio, ele j� estava
parado do outro lado. Sirius levou a varinha de Damien e usou-a para que eu n�o
ca�sse contra as rochas." Harry olhou irado para Sirius. "Agora que eu j� respondi
sua pergunta, voc� vai responder a minha. Por que voc� me atacou?" James perguntou
novamente.
Harry olhou James e o auror viu em choque as l�grimas de �dio brilhando nos olhos
dele.
"Se voc� n�o vai responder a pergunta, ent�o responda essa: Por que voc� voltou
para Hogwarts? Com certeza voc� podia escapar, ent�o por que voltar?" Sirius
perguntou esperando que Harry respondesse.
"Eu queria ver voc� sendo preso." Harry repondeu olhando Sirius. "Eu tinha que
voltar para livrar voc� da po��o polissuco e e tamb�m para ver a rea��o dela por
saber que seu marido tinha sido assassinado." Harry sinalizou com a cabe�a na
dire��o de Lily quando falou isso.
Para James j� era sufuciente. Ele parou e falou com Harry em uma voz cansada.
"Voc� n�o nos est� deixando nenhuma escolha. Se voc� se recusar a falar conosco e
agir desse jeito, temo que n�o terei outra chance a n�o ser te levar para o
Minist�rio."
Harry n�o reagiu a essas palavras, mas Lily engasgou-se e Sirius olhou seu amigo
surpreso. Quando o garoto mostrou que n�o iria responder, James saiu do quarto.
Lily e Sirius o seguiram, deixando Harry sozinho.
"Eu deveria saber que voc� estaria aqui." Harry disse sem nem mesmo olhar Damien.
"Como voc� pode Harry? Como voc� pode tentar machucar o papai? O que ele fez pra
voc�?" Ele gritou.
Harry n�o respondeu, ele ficou sentado e se recusou olhar para Damien.
"Voc� nos trapaceou. Todos n�s! Voc� me trapaceou passando-se pelo tio Siri essa
manh�. Voc� at� mesmo me chamou pelo meu apelido, o apelido que apenas Sirius usa!
Voc� fez tudo isso sabendo que ia tentar matar nosso pr�prio pai! Por que Harry?"
Harry ainda n�o tinha respondido, mas virou-se para encarar Damien.
"Voc� deveria prestar aten��o nos detalhes que voc� deixa escapar quando fala
Damien. Voc� me disse tudo o que eu tinha que saber para fazer todo mundo pensar
que eu era Sirius Black."
Damien percebeu que Harry estava dizendo a verdade. Todas as vezes que ele seguia
Harry e ficava falando, ele dava todas as informa��es necess�rias.
"Harry, por que voc� atacou o papai? Por que voc� o odeia tanto? Ele realmente ama
voc�. Voc� n�o tem id�ia do quanto significa pra ele! Mam�e me disse que quando
voc� foi levado, voc� era apenas um beb� e papai ficou depressivo. Levou meses para
ele falar de novo e voc� ainda por cima vai e o machuca, ele te ama tanto!"
Damien parou de falar quando viu Harry levantar sua cabe�a ao ouvir essas palavras.
"O que? Sobre o que voc� est� falando Damien? Eu n�o fui levado quando era um beb�.
Eu fugi de casa quando tinha quatro anos!"
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"N�s podemos olhar as mem�rias depois, Dumbledore. Agora, eu acho que devemos
pensar no que iremos fazer sobre Harry." James disse.
"Voc�... voc� n�o vai entregar Harry para o Ministro?" Lily perguntou, sua voz
tremia de emo��o.
"N�o, eu n�o vou fazer nada desse tipo. Eu apenas queria assustar Harry para que
ele falasse."
"Yeah, eu percebi!" James vociferou. Ele estava pensando e pensando e sabia que
deveria descansar, mas como ele faria isso sabendo que tinha um adolescente
homicida na fam�lia.
"Seu eu puder fazer uma sugest�o." Dumbledore disse baixinho. "Talvez voc�s
devessem ver o conte�do dessa penseira. Pode ser que responda muitas perguntas."
Essa foi a primeira vez que ele percebeu o qu�o p�lido e preocupado Dumbledore
estava. Ele chegou no escrit�rio segurando a penseira e agora estava sugerindo que
eles deveriam ver as mem�rias de Harry. James percebeu que o diretor j� devia ter
visto o que continha l� dentro.
"Voc� j� viu, n�o viu?" James perguntou. Ele queria afastar aquele tom acusat�rio,
mas falhou.
"Sim, eu vi. Desculpe, meu garoto, mas eu precisava saber se minhas suspeitas
estavam corretas. Harry guardou essas mem�rias, mem�rias que ele n�o quer que
ningu�m veja. Eu sei porqu�." Dumbledore tinha um olhar assustado, como se aquelas
mem�rias o assombrassem.
"O que voc� viu?" James perguntou, come�ando a temer as mem�rias tamb�m.
"Creio que voc� deva ver por si pr�prio. Lily voc� tamb�m deveria ir, assim como
Sirius."
James, Lily e Sirius sentiram-se sendo puxados para dentro da penseira. Os tr�s
adultos sentiram seus p�s tocando o ch�o. 'O que est� acontecendo?' James pensou
consigo. Ele olhou em volta e se viu parado na sua pr�pria sala em Godric�s Hollow.
A sala estava exatamente como costumava ser a cerca de uns quinze anos atr�s. Lily
engasgou-se ao ver ela mesma. 'Primeiras mem�rias de inf�ncia' James pensou
consigo. 'Foi isso que Dumbledore disse, n�o foi? Mas Harry tinha quinze meses
quando foi levado de casa. Que mem�rias ele podia ter com essa idade?'
James sentiu Sirius aproximar-se dele. Eles estavam olhando em volta. Se isso era
uma mem�ria de Harry, ent�o ele devia estar em algum lugar.
Como que respondendo isso, a porta abriu e um pequeno garotinho moreno de cabelos
rebeldes entrou na sala. James teve que acalmar seu cora��o ao v�-lo. A crian�a
definitivamente era Harry. Seus cabelos eram negros e rebeldes e seus olhos verdes
estavam atr�s de grandes �culos pretos. Harry n�o parecia ter mais que dois ou tr�s
anos. Lily estava observando o Harry 'crian�a' como se quisesse guardar todos os
seus detalhes. Os dois pais haviam sentido tanta falta da inf�ncia de Harry, eles
nunca souberam como foi o crescimento de seu filho.
James viu o garotinho entrando e fechando a porta. Harry estava usando roupas
enormes. 'O que est� acontecendo?' James pensou.
"Harry! Harry! Onde voc� est�? Venha at� aqui agora!" Uma voz masculina soou. Os
tr�s adultos pularam, assim como Harry.
Harry rapidamente correu e abriu a porta que havia no final da sala, os adultos
reconheceram como sendo a porta da cozinha. O garotinho abriu-a e encontrou "James
e Lily" sentados na mesa.
"Quantas vezes eu tenho que dizer seu merdinha? Eu n�o quero ver sua mis�ra cara
quando n�s estivermos com visitas. Voc� vai nos envergonhar!"
Os tr�s adultos estavam horrorizados e assistiram a "falsa Lily" ordenar que Harry
se levantasse e fosse direto para o quarto, j� que n�o iria ter nenhum jantar
naquela noite. A crian�a saiu correndo do c�modo com l�grimas nos olhos. James,
Lily e Sirius queriam poder causar dor f�sica naqueles malditos pais falsos.
A sala come�ou a rodar e logo mostrava outro lugar. Era um quarto sem janelas.
Havia uma pequenas cama no canto e em cima dela uma pequena crian�a estava deitada.
Harry estava tentando consertar algo. James olhou direito e viu que eram seus
�culos, ele os tentava consertar do jeito trouxa, mas uma de suas m�os estava
enfaixada, o que dificultava seu trabalho. James ajoelhou-se na frente dele e
desejou poder enxugar todas aquelas l�grimas. Harry colocou um peda�o de fita
isolante em volta de seus �culos.
Foi quando um som alto foi escutado e a crian�a encolheu-se de medo. James n�o
percebeu o que estava acontecendo. A porta atr�s dele abriu e o " falso James"
estava parado ao lado dela.
"Voc� fez aquilo de novo, n�o fez?" O "falso James" disse e entrou no quarto. James
viu Harry tremer de medo enquanto aquele homem falava.
James sentiu seu cora��o quebrar. Harry havia o chamado de 'pai'. Ele o chamava de
pai em suas mem�rias.
O "falso James" pegou o pequeno garoto pelo cabelo e tirou-o da cama. James gritou
ao ver seu "falso eu" jogar Harry no ch�o e chut�-lo nas costelas. O garotinho
gritou e tentou se proteger encolhendo-se como se fosse uma pequena bola.
"Como se n�o fosse o suficiente voc� ter destru�do nossas vidas completamente, voc�
est� tentando destruir as vidas dos outros tamb�m! Como voc� se atreve a se meter
em uma briga com o filho de nosso vizinho? Eles s�o trouxas! Voc� usou m�gica para
machuc�-los, n�o usou?" O "falso James" continuou gritando e chutando a crian�a de
tr�s anos.
Harry gritou alto e apenas quando o "falso James" parou para respirar, ele tentou
falar.
"E-eu n�o usei. Eles... eles me machucaram. Eles me puxaram e quebraram meus
�culos." Harry disse e tentou sentar.
O "falso James" apenas riu sarc�sticamente e chutou-o novamente enquanto pegava seu
cinto.
"N�o, n�o, n�o, oh por favor Deus, n�o!" James gritou ao ver o cinto na m�o do
"falso James".
James, Lily e Sirius gritaram quando viram o "falso James" segurar o cinto em uma
m�o enquando segurava o garotinho com seu p�.
"Voc� foi mal criado Harry, portanto � hora do castigo. Voc� vai sentir muito!"
James sentiu seu mundo quebrar ao ver o "falso James" lan�ar o cinto contra Harry.
O garotinho gritou e tentou virar para proteger seu peito e seu abd�men.
O auror caiu no ch�o quando viu Harry sendo surrado sem miseric�rdioa por um
monstro que tinha a sua apar�ncia. James estava chorando e tudo o que ele ouvia
eram os gritos de seu filho implorando para que seu "pai" parasse e que ele seria
um menino comportado e nunca usaria sua m�gica de novo.
James viu o garoto de tr�s anos gritar toda a vez que a fivela de metal acertava
suas pequenas costas. Em segundos, as costas de Harry sangravam profusamente e
continham in�meras feridas. Lily e Sirius estavam chorando e gritando para que a
mem�ria parasse. De repente a mem�ria parou e a familiar n�voa os envolveu.
Quando a n�voa dissipou James encontrou-se parado na cozinha. Ele olhou para Lily e
Sirius e tirou as l�grimas de seus olhos. O auror n�o conseguia acreditar.
Voldemort n�o havia mentido sobre ele e Lily. Ao inv�s disso ele implantou mem�rias
para que o garoto os odiasse com todas as fibras de seu ser.
James viu a "falsa Lily" entrando na cozinha. Ela estava arrumada, como se fosse
sair. Assim que ela virou, James, Lily e Sirius viram Harry parado na porta. Ele
parecia ser um pouco mais velho do que na �ltima mem�ria. Ainda usava as roupas
enormes e estava bem magro, como se n�o fosse alimentado regularmente. Seus olhos
esmeralda estavam vazios e sem o costumeiro brilho, seus �culos ainda estavam
quebrados.
"Agora escute. A comida est� no forno, n�o queime! Voc� sabe como seu pai fica." A
"falsa Lily" estava dando instru��es a Harry. O garotinho olhou-a e assentiu.
Ele observou sua "m�e" colocar os brincos. Quando ela estava saindo ele segurou em
seu vestido.
"Mam�e, por favor, posso ir junto? Eu n�o quero ficar aqui sozinho com eles." Harry
murmurou com medo.
Lily teve que colocar a m�o na boca para abafar o choro. James e Sirius olharam-se
pensando a mesma coisa, 'Quem eram 'eles' a quem Harry se referiu?'.
A "falsa Lily" negou com a cabe�a, afastou-se de Harry e alisou o vestido como se
estivesse tirando a sujeira invis�vel que o garotinho podia ter deixado.
"N�o! Voc� n�o pode vir. Quantas vezes mais voc� vai perguntar? Honestamente Harry,
voc� pode ser t�o problem�tico �s vezes!"
Harry afastou-se de sua m�e e desviou o olhar. Um olhar cansado espalhou-se em suas
fei��es. Foi quando a campanhia soou e os tr�s adultos viram o garotinho ficar
tenso. Assim que a "falsa Lily" abriu a porta, eles viram Harry se afastando. A
crian�a estava tentando se encolher na parede como que querendo desaparecer.
"Ah, Harry, como voc� est�?" Sirius disse e passou a m�o pelos cabelos dele. Harry
ficou tenso, mas n�o se moveu.
Assim que pode, Harry come�ou a checar o frango que estava no forno. A "falsa Lily"
saiu e "James" e "Sirius" sentaram na sala de jantar, deixando o garotinho sozinho
na cozinha. Harry come�ou a se movimentar e gemia cada vez que tinha que se
abaixar. Os tr�s adultos perceberam que ele devia estar com algumas costelas
quebradas pelo modo como segurava suas costas.
"Sei l� Padfoot, eu nunca pensei que meu filho seria desse jeito. Ele parece ser um
aborto, acredita que ele ainda n�o faz nem mesmo os feiti�os mais simples. A �nica
coisa que ele pode fazer s�o alguns truques est�pidos nos filhos dos nossos
vizinhos." O "falso James" dizia.
"Eu sei que � um saco, digo, imagine ter um afilhado t�o pat�tico. Quantos anos o
merdinha tem mesmo?" O "falso Sirius" perguntou.
"Quatro. Quando eu tinha quatro anos, eu fazia m�gica o tempo inteiro. Eu sei que
eu sou melhor que os outros, mas olhe o qu�o fraco ele �. Sua vis�o � pior que a
minha! Juro, quando ele for adolescente, estar� completamente cego!" "James" disse
com uma voz de quem n�o ligava a m�nima sobre o fato de Harry poder ficar cego.
"Bem, talvez voc� deva parar de bater na cabe�a dele o tempo inteiro. Voc� sabe o
que dizem por a�, muitas feridas na cabe�a podem causam qualquer tipo de
deforma��o." "Sirius" disse com um sorrinhos e logo depois ambos explodiram em
risadas.
Harry enxugou as l�grimas que ca�am de seus olhos e continuou arrumando a cozinha.
Havia apenas dois lugares na mesa, apenas para os dois homens da casa.
James, Lily e Sirius estavam enojados por ver aquilo. Eles n�o conseguiam creditar
nas horr�veis mentiras implantadas na mente de Harry. Ningu�m culpava o garoto por
odi�-los.
Quando o garotinho estava olhando o frango, algo chamou sua aten��o e ele virou-se
a tempo de ver "Sirius" parado na porta.
"Hey Harry, o que voc� est� fazendo?" "Sirius" perguntou enquanto aproximava-se do
menino.
"Nada tio."
O "falso Sirius" avan�ou em Harry e violentamente bateu nele com as costas de sua
m�o, o garoto cambaleou, mas conseguiu mater-se em p�.
"Eu n�o sou seu tio, seu miser�vel! Voc� vai se dirigir a mim como Mestre Black,
entendeu?"
"S-sim Mestre Black." Harry respondeu enquanto limpava o sangue que escorria de sua
boca com a manga de sua camisa.
"O que voc� est� fazendo Harry?" "Sirius" perguntou enquanto andava at� o forno.
James, Lily e Srius tinham l�grimas de frustra��o nos olhos enquanto observavam
Harry encolher-se diante do seu "falso padrinho".
"Hmm, parece um pouco cru para mim. Eu gosto da minha carne bem passada." Dito isso
o "falso Sirius" apontou sua varinha para o forno e come�ou a rir quando o frango
ficou preto e a fuma�a come�ou a espalhar-se pela cozinha.
Harry engasgou-se e correu at� o forno. Suas pequenas m�os tentavam abrir a porta
do forno para que ele conseguisse salvar pelo menos um pouco da refei��o. O "falso
Sirius" continuava rindo enquanto o garotinho tentava abrir a porta, ele tentou
afastar a m�o de seu "padrinho" para que a varinha ficasse longe da comida.
"Por favor, n�o! Meu pai vai meu matar! Por favor, Mestre Black, por favor, n�o!"
Harry implorou enquanto tentava afastar a varinha do frango queimado.
Ao menos o "falso Sirius" afastou sua varinha e Harry correu at� o forno e tirou um
frango completamente destru�do de l� de dentro.
"Oh James! Prongs! � melhor voc� vir ver o que Harry fez!" O "falso Sirius" gritou.
Harry olhou seu "padrinho", seus olhos brilhavam de medo.
"N�o! Por favor, n�o!" Harry implorou, mas "Sirius" riu quando "James" entrou na
cozinha.
"O que aconteceu?" James perguntou. Ele viu o frango destru�do e Harry em frente a
ele, chorando.
"Por que voc� fez isso? Voc� fez de prop�sito! Voc� vai se arrepender!" O "falso
James" segurou o garoto e bateu em sua face jogando-o no ch�o e come�ando a chut�-
lo sem miseric�rdia. Harry nem mesmo gritava, as l�grimas apenas deslizavam pelo
seu rosto e ele mantinha os olhos fechados.
Os tr�s adultos ficaram horrorizados, estava claro pelo modo como Harry agia que
esse tipo de castigo j� havia sido utilizado outras vezes.
De repente, o "falso James" virou-se e viu o forno ainda aceso. Ele sorriu de lado
e colocou o garotinho em p�.
"Voc� queimou minha comida, ent�o eu queimo voc�." Ele sibilou para Harry;
James gritou e correu at� o seu "falso eu", mas ele n�o podia fazer nada para
impedir o que j� tinha acontecido e assistiu horrorizado o "falso ele" segurar a
crian�a que tentava desesperadamente fugir.
"N�o pai! Por favor, n�o! Por favor, pai. Desculpa, desculpa por tudo! Por favor,
n�o!" Harry implorou enquanto tentava fugir, mas o "falso james" carregou o
garotinho de quatro anos at� o forno e abriu a porta.
Lily, Sirius e James estavam gritando horrorizados ao verem o "falso James" segurar
a m�o do garoto e coloc�-la dentro do forno.
O "falso James" e "Sirius" mandaram Harry limpar a bagun�a e ir para a cama sem
comer nada. Os dois monstros sa�ram deixando a crian�a ca�da segurando sua m�o
queimada e cheia de sangue contra seu peito.
James, Lily e Sirius sentiram-se sendo puxados para fora das mem�rias e de volta
para o escrit�rio de Dumbledore. Antes que James pudesse dizer algo o diretor
correu at� eles.
"N�s temos que nos apressar, pegar Harry e ir embora!" Dumbledore disse trazendo
James e Lily em dire��o a porta.
"Dumbledore! O que aconteceu?" James perguntou e ficou surpresos ao escutar que sua
voz tremia.
Antes que James pudesse reagir ouve um terr�vel grito no lado de fora.
James, Lily, Dumbledore e Sirius correram at� a janela e o que viram f�-los ficarem
sem ar.
N�o havia menos que trinta Comensair duelando violentamente com os aurores. O grito
veio de Tonks quando ela foi atingida pela maldi��o Cruciatus.
Por�m uma coisa chamou a aten��o de James, Bella estava abra�ando algu�m. Assim que
ela afrouxou um pouco o abra�o ele reconheceu Harry. O garoto olhou para a janela
do escrit�rio de Dumbledore.
Os olhos esmeralda conectaram-se com os avel� e James viu tanto �dio neles que seu
cora��o quebrou. Agora ele entendia de onde vinha tanta ira. De acordo com as
mem�rias de Harry, ele havia abusado tanto de seu filho que garoto fugiu de casa
com quatro anos.
Antes que James ou qualquer outro pudesse fazer algo, Harry desviou os olhos da
janela e segurou a m�o estendida de Bella. O auror e Lily assistiram com um peso no
cora��o seu filho desaparecer com Bellatrix, voltando para Voldemort.
Cap�tulo Vinte e Nove: Lar
James assistiu seu filho ser levado por Bella. Ele estava voltando para aquele
monstro, um monstro que o encheu com mem�rias falsas e absurdas sobre seus pais.
Sem nem mesmo pensar, James pegou sua varinha e saiu pela porta, ele queria matar
quantos Comensais conseguisse.
Sirius, Lily e Dumbledore sa�ram correndo atr�s de James. Logo os quatro estavam
parados nos jardins. Eles chegaram bem na hora de ver os Comensais restantes
aparatando. Eles j� tinham cumprido a miss�o deles, conseguiram levar Harry de
volta. James soltou um grito de frustra��o e caiu na grama, ele nem ligava se a
escola inteira estivesse vendo. Lily e Sirius o ajudaram a voltar para dentro do
castelo, enquanto o Professor Snape, Dumbledore e outros mais ajudavam os aurores
feridos. Muitos aurores foram mortos, mas felizmente, por terem ficado dentro do
castelo, nenhum aluno foi atacado.
James foi levado de volta para o escrit�rio de Dumbledore. Ele estava de cora��o
partido e n�o conseguia parar as suas l�grimas. O auror sentiu os bra�os de Lily o
envolvendo e ambos pais abra�aram-se chorando. Eles sentiam como se tivessem
perdido seu filho novamente. De repente James afastou-se de Lily.
Com toda aquela confus�o, James e Lily, esqueceram-se completamente de seu filho
mais novo. Ambos sa�ram do escrit�rio e voaram at� o sal�o comunal de Gryffindor.
"Damien! Damien! Ron, onde est� Damien, voc� o viu?" James perguntou para o monitor
ruivo.
"N�o, eu n�o sei onde ele est�." Ron respondeu. Ele e Hermione estavam tentando
acalmar os alunos hist�ricos, j� que todos eles haviam visto o ataque dos
comensais.
"Por favor, por favor, n�o deixe nada acontecer com ele!" James rezou enquando
corria pelo Sal�o Principal ainda procurando por seu filho.
Bem na hora em que James, Lily e Sirius viraram o corredor que levava �s masmorras,
eles viram Damien aproximando-se devagar. Ele estava com a cabe�a baixa e andava
bem devagar, como se andar fosse uma coisa dolorosa. James e Lily correram at� ele
e o abra�aram bem apertado.
Quando eles o soltaram, viram que o rosto do menino estava coberto por l�grimas.
"Eu tive que... voc�s... voc�s entendem, certo? Ele... ele n�o ia escutar nada do
que eu falasse. Ele... ele n�o acreditou em mim." Damien estava falando em um tom
meio rouco e seus olhos estavam sem foco, como se ele falasse, mas n�o soubesse o
assunto.
James rapidamente levou o filho at� seu dormit�rio. L� chegando, James virou-se
para Damien novamente.
James pode ver a cadeira onde Harry estava sentado h� apenas alguns minutos. O
auror parou para pensar no modo como eles o trataram e como tudo s� serviu para
alimentar ainda mais seus pesadelos. James balan�ou a cabe�a, ele n�o podia pensar
nisso agora, ele tinha que lidar com Damien agora.
"Eu o deixei ir." Damien disse baixinho sem olhar para ningu�m.
"Voc� o deixou ir, por que? No que voc� estava pensando?" James gritou para seu
filho. O auror sabia que ele estava chateado, mas n�o conseguia controlar sua
raiva.
Damien teve que deixar Harry voltar para o Lorde Voldemort. O dano causado foi
catastr�fico! James ajoelhou-se em frente ao filho e for�ou-o a olhar para ele,
assim o auror podia olhar dentro dos olhos de Damien.
"Porque voc�s iam mand�-lo para Azkaban. Eu n�o queria que Harry fosse para
Azkaban, mentiram para ele, ele pensa que fugiu de casa quando tinha quatro anos.
Ele n�o sabe a verdade e n�o importa o que eu dissesse ele n�o acreditaria em mim."
Damien disse olhando para seus pais.
"Damien como voc� sabe de tudo isso?" Lily perguntou. Ela estava se referindo ao
fato de que James amea�ou Harry falando sobre e Azkaban e sobre as mentiras com as
quais seu filho cresceu.
"Eu ouvi papai falando que iria mandar Harry para Azkaban. Eu estava no quarto,
embaixo da capa de invisibilidade. Depois que voc�s sairam, eu perguntei a Harry
porque ele atacou o papai. Harry n�o quis me dizer, mas depois que eu mencionei o
quanto papai sentiu a falta dele, quando ele foi levado embora, Harry me disse. Ele
disse que... que ele..." Damien n�o conseguia continuar. Ele colocou sua cabe�a
entre as m�os, suas l�grimas ca�am fluentemente.
James pegou a mem�ria e colocou-a na penseira de Lily. Logo Sirius, James e Lily
estavam parados dentro das lembran�as de Damien. Eles o viram ajoelhado em frente a
Harry, que ainda estava amarrado na cadeira parecendo completamente derrotado.
"Voc� nos trapaceou. Todos n�s! Voc� me trapaceou passando-se pelo tio Siri essa
manh�. Voc� at� mesmo me chamou pelo meu apelido, o apelido que apenas Sirius usa!
Voc� fez tudo isso sabendo que ia tentar matar nosso pr�prio pai! Por que Harry?"
"Voc� deveria prestar aten��o nos detalhes que voc� deixa escapar quando fala
Damien. Voc� me disse tudo o que eu tinha que saber para fazer todo mundo pensar
que eu era Sirius Black."
James olhou para a rea��o de Damien. Seu filho mais novo tinha uma express�o
completamente chocada. Era �bvio que ele n�o tinha percebido o quanto Harry estava
dando import�ncia para essa conversa.
"Harry, por que voc� atacou o papai? Por que voc� o odeia tanto? Ele realmente ama
voc�. Voc� n�o tem id�ia do quanto significa pra ele! Mam�e me disse que quando
voc� foi levado, voc� era apenas um beb� e papai ficou depressivo. Levou meses para
ele falar de novo e voc� ainda por cima vai e o machuca, ele te ama tanto!"
James sentiu uma onda de orgulho ao ouvir as palavras de Damien, o menino sabia o
quanto ele amava Harry. Infelizmente iria levar um tempo para que seu filho mais
velho acreditasse nisso.
"O que? Sobre o que voc� est� falando Damien? Eu n�o fui levado quando era um beb�.
Eu fugi de casa quando tinha quatro anos!"
"N�o!N�o Harry. Isso n�o � verdade! Mam�e e papai n�o iriam mentir para mim. Eles
disseram que voc� foi levado por um Comensal. Voc� tinha apenas quinze meses! Devem
ter mentido para voc� tamb�m..." Damien parou ao ver seu irm�o lan�ar-lhe um olhar
g�lido.
"Mentiram para voc� Damien, apenas para voc�! Ningu�m me disse nada! Eu lembro
perfeitamente bem do que aconteceu na noite em que eu fugi de casa. Se � que eu
posso chamar aquele lugar de 'casa'. Me diga Damien, se seus pais nunca mentiram
para voc�, ent�o porque eles n�o contaram sobre mim? Por que eles me manteram em
segredo? Huh? Talvez porque eles n�o esperavam que eu sobrevivesse! Como pode uma
crian�a de quatro anos sobreviver por si mesma? Eles devem ter pensado que foi
melhor assim. Se eu n�o tivesse sido pego pela Ordem e for�ado a ficar com os
Potters, voc� nunca saberia que eu existo!"
James lutou contra as emo��es que estavam o acertando. Parte do que Harry estava
dizendo era verdade. Ele e Lily nunca falaram sobre Harry para Damien. Eles sempre
agiram como se seu filho mais velho n�o existisse na frente de Damien. Eles n�o
queriam deixar seu filho mais novo com medo, o menino podia pensar que n�o estava
em seguran�a. Se seu irm�o mais velho foi levado por um homem de Voldemort embaixo
do teto de seus pais, ent�o que chance ele teria de estar seguro?
Ainda por cima, James achava que eles tinham desistido de Harry muito cedo. Eles
nunca procuraram por ele. Todo mundo apenas deduziu que Voldemort matou Harry, por
causa da profecia. Ningu�m nunca considerou a possibilidade de que ele estivesse
vivo. Talvez se eles o tivessem encontrado mais cedo, nada disso teria acontecido.
Harry n�o teria tido uma inf�ncia t�o ruim. Mesmo sabendo que aquelas mem�rias eram
falsas, eles ainda estavam de cora��o partido por saber que seu filho mais velho
cresceu acreditando nelas.
"Mas Harry, eu n�o consigo ver por qu� mam�e e papai mentiriam. O que eles
ganhariam com isso?" Damien parou de falar, seus olhos avel� arregalaram-se.
"Harry, por que voc� fugiu de casa? Voc� disse que fugiu, por que voc� fugiria dos
nossos pais?"
Harry n�o respondeu e desviou o olhar de Damien. Ele parecia estar fazendo um
esfor�o para 'segurar sua l�ngua'.
"Harry? Por favor, me fala, por que voc� fugiu de casa?" Damien perguntou
novamente.
"Acredite em mim Damien, voc�, entre todas as pessoas, n�o vai querer saber o que
aconteceu."
Harry voltou a olhar Damien e os adultos viram o brilho de dor e tra���o naqueles
orbes verdes.
"Harry, voc� n�o pode... por favor, Harry me fala, por que voc� acha que mam�e e
papai te machucariam. Eles n�o machucariam ningu�m..." Damien foi cortado por
Harry.
"Eu n�o acho que eles iriam me machucar, eu seu que eles me machucaram! Eu lembro
de tudo! Eles acham que eu era apenas uma crian�a, uma crian�a de quatro anos
pat�tica e est�pida! Do que ser� que eu posso me lembrar? Mas eu lembro de tudo
Damien. Eu vivi aquele pesadelo v�rias vezes, at� o ponto de eu ter que retirar
essas mem�rias! Eu as retirei de minha mente para que eu pudesse dormir. Foi isso o
que eles fizeram comigo! N�o s� sua m�e, mas seu pai tamb�m me torturou quando eu
era uma crian�a e eles continuaram me machucando quando eu estava longe. Me
machucaram tanto que eu tive que retirar essas lembran�as! Pronto Damien! Era isso
o que voc� queria escutar?"
Harry estava respirando pesado e tinha l�grimas brilhando em seus olhos. Damien
estava quase chorando tamb�m. O menino tentou convencer seu irm�o mais velho de que
ele estava enganado.
"Eu n�o vou discutir com voc�. Se voc� diz que lembra de tudo isso, ent�o eu
acredito. Mas eu quero perguntar uma coisa. Voc�s diz que lembra de tudo o que
aconteceu, que voc� fugiu de casa com quatro anos, certo?"
"Bem Harry, se isso � verdade, ent�o como voc� n�o lembra de mim?"
Harry olhou seu irm�o com uma express�o confusa, como se n�o entendesse a pergunta.
"Eu sou apenas tr�s anos mais novo que voc�. Ent�o se voc� fugiu com quatro anos,
isso me faria ter um ano de idade quando isso aconteceu. Se voc� lembra de tudo,
ent�o com certeza se lembra de mim. Por�m, quando voc� me viu pela primeira vez, em
Grimmauld Place, voc� realmente ficou chocado ao descobrir que tinha um irm�o mais
novo."
James, Lily e Sirius olharam-se. Eles sentiram um imenso al�vio e uma imensa
alegria ao saberem que Damien n�o acreditou nas mentiras que foram colocadas na
mente de Harry. Damien levantou uma boa quest�o, com certeza isso faria Harry
pensar mais sobre suas mem�rias.
"Eu n�o sei porque eu n�o me lembro de voc� Damien. Eu apenas lembro das coisas
horr�veis que eles fizeram comigo. Talvez voc�..."
As palavras de Harry foram cortadas por um barulho do lado de fora. O garoto olhou
Damien e perguntou.
"O que?"
"Comensais da Morte! Aqui em Hogwarts? N�o pode ser! Hogwarts � muito bem
protegida!"
"Eles est�o aqui por voc�, n�o �?" Damien perguntou j� sabendo a resposta.
James, Lily e sirius olharam Harry em choque. Ent�o era por isso que quando o
garoto atacou James, ele voltou. Harry j� sabia que os Comensais viriam resgat�-lo
e assim poderia fugir antes que algu�m descobrisse.
Damien olhou para Harry e viu a tristeza em seus olhos. De repente, o terceiranista
pegou sua varinha e apontou-a para os punhos do irm�o.
"Damien o que...?"
"Apenas v� Harry! Se voc� n�o for agora vai acabar sendo enviado para Azkaban."
Damien estava falando com Harry, mas nem mesmo o olhava nos olhos. Harry o estava
encarando, incapaz de compreender o que estava acontecendo.
"Voc� percebe o que est� fazendo, certo? Eu tentei matar James Potter e tentarei
novamente at� conseguir." Harry disse e assistiu a rea��o de Damien.
Damien tremeu ao escutar a palavra matar, mas n�o tentou parar Harry.
"Eu estou ajudando voc� a escapar, porque n�o quero que voc� acabe em azkaban. Voc�
� meu irm�o e sempre ser�, mas se voc� machucar mam�e e papai novamente Harry, voc�
vai ter que me matar primeiro. Eu n�o vou deixar nada acontecer com eles." Damien
n�o usou nenhum tipo de tom amea�ante. Ele estava apenas constatando fatos.
Harry sorriu para Damien, mas n�o com seu usual sorriso de lado. O sorriso que
Lily, James e Sirius viram era genu�no.
Harry foi at� a porta. Antes de sair, o garoto virou-se e falou com Damien,
provavelmente, pela �ltima vez.
Dito isso Harry saiu e Damien caiu no ch�o, l�grimas ca�am de seus olhos enquanto o
menino via o irm�o indo embora, de novo.
James, Lily e Sirius sa�ram da mem�ria e voltaram para a mesma sala aonde estavam
dentro da penseira, mas com a diferen�a de que, agora, Damien parecia extremente
exausto.
xxx
James e Lily queriam nada mais do que deitarem na cama e dormirem at� que esse
pesadelo acabasse. Uma parte de James desejava que tudo isso fosse apenas um
pesadelo. Um daqueles em que ele acordaria e encontaria Harry ainda em Hogwarts com
ele.
"Como n�s pudemos n�o ter visto isso? Como n�s conseguimos ser t�o cegos em rela��o
ao modo como Harry nos tratava?" Lily disse baixinho. "Ele nunca escondeu o fato de
nos odiar, mas n�s sempre colocamos isso de lado. N�o quer�amos lidar com isso,
esperando que Harry esquecesse. Como n�s pudemos n�o t�-lo questinado sobre isso?"
Lily continuou.
"Oh Meu Deus James! Lembra quando n�s falamos com Harry pela primeira vez l� no
Quartel General? Lembra do que ele nos disse? Ele perguntou se n�s est�vamos
desapontados por ele ter sobrevivido, ele disse que n�s 'n�o esper�vamos que ele
sobrevivesse', lembra? Naquela hora n�s pensamos que ele estava se referindo ao
ataque, porque estava muito ferido, mas n�o era sobre isso. Ele se referiu sobre
ter fugido de casa h� doze anos atr�s! Ele se referiu ao fato de que n�s dev�amos
estar desapontados de que ele sobreviveu em sua inf�ncia e quando ele falou com
Damien disse a mesma coisa 'Talvez eles n�o esperavam que eu sobrevivesse! Como uma
crian�a de quatro anos pode sobreviver por si mesma?' Estava tudo ali, todas as
evid�ncias das mentiras contadas, n�s que nunca prestamos aten��o."
James percebeu que Lily estava certa. Harry deu v�rias indiretas, mas ambos nunca
perceberam. Tudo fazia sentido agora. O jeito como Harry os encarava, a meneira
como ele tratava James de modo at� violento e como ele entrou em p�nico quando
James pegou Damien no Quartel General da Ordem. James tremeu ao lembrar das coisas
que disse ao seu filho mais novo em frente a Harry.
'Os Weasleys est�o t�o surpresos com o seu comportamento... Voc� vai se arrepender
tanto... Seu castigo ser� decidido amanh�...'
Essas palavras devem ter trazido a Harry as mais horr�veis mem�rias de sua
inf�ncia, por isso ele intercedeu por Damien. Ele deve ter pensado que seu irm�o
tinha o mesmo tratamento.
'Mas com certeza Harry deve ter percebido que Damien � bem tratado?' James pensou
consigo. Nesse ponto o auror lembrou-se de outra coisa. As palavras que Harry lhe
disse naquela tarde.
'...Por�m, eu te vi com Damien e vi o qu�o diferente voc� era com ele. Por tanto,
eu pergunto de novo Potter! Por que? Por que eu?'
James podia ter batido em si mesmo agora. Como ele pode ter sido t�o est�pido? Como
ele pode n�o perceber o que Harry estava sugerindo? Era �bvio que ele n�o podia
falar nada sobre o que aconteceu. Como ele poderia virar e dizer, 'lembra quando
voc� me torturava e me atormentava tanto h� doze anos atr�s, que eu acabei fugindo,
bem, acho que dever�amos sentar e discutir isso, agora que eu cresci.'
James lembrou-se da conversa que teve com Harry em seu quarto, h� um m�s atr�s. Ele
lembrou que estava tentando fazer seu filho se abrir. As palavras dele voltaram a
sua mente.
'Somente ver voc� sentado a� como se nada tivesse acontecido, faz meu sangue
ferver... Pense Potter, voc� n�o consegue pensar em nada que me fa�a te odiar?
Tente pensar e lembre.'
James lembrou como, naquele dia, Harry quase falou. As l�grimas que brilharam nos
olhos de seu filho deviam t�-lo alertado.
James colocou sua cabe�a entre as m�os, ele n�o queria pensar no quanto falhou com
Harry. De repente, outra mem�ria veio e o auror fechou os olhos. O dia em que Harry
n�o tomou as po��es que supostamente o curariam. James lemboru como seu filho
tremeu ao ver sua m�o levantada. Por que ele n�o percebera que algo estava errado?
O fato de seu filho ter se desviado dele, por medo, deveria t�-lo alertado. Por�m
James n�o ficou pensando nessas coisas. Ele continou empurrando isso para o fundo
de sua mente esperando n�o ter que lidar com nada disso. Ele estava muito surpreso
por estar em Hogwarts com sua mulher e seu filho e muito envolvido em tra�ar meios
de trazer Harry de volta para pensar no passado.
Lily lembrou-se de outro incidente que deveria ter mostrado que algo estava errado.
Bem ap�s o ataque dos Daywalkers, quando Harry estava se recuperando. O jeito como
seu filho falou James.
'De repente voc� come�a a ficar preocupado com a minha sa�de... Voc� � o �nico que
deveria pensar no que fala e para quem fala... 'Meu trabalho � cuidar?' Voc� n�o
tem o direito de dizer isso, especialmente para mim!'
Lily fechou os olhos com for�a. Ela passou a maior parte dos �ltimos quinze anos
pensando em como seria viver com seu filho mais velho. Agora que o destino havia
lhe dado uma chance, ela arruinou tudo. Harry ficou com eles durante quatro meses e
nesse tempo deu todas as indiretas poss�veis, que ambos pais ignoraram. Esse foi o
resultado.
"Dumbledore quer nos ver." Sirius disse simplesmente. James estava esperando que
Dumbledore os deixasse em paz, mas isso n�o foi poss�vel.
James, Lily e Sirius encaminharam-se para o escrit�rio do Diretor. Eles tinham que
conversar sobre as mem�rias falsas de Harry e tinham que resolver algumas coisas.
Assim que James entrou no escrit�rio de Dumbledore, viu que o diretor estava parado
na janela olhando os terrenos de Hogwarts. Os jardins estavam cobertos de sangue
pertencente tantos aos Comensais quanto aos Aurores. Os terrenos de Hogwarts nunca
enfrentaram uma coisa como essas, sinal de que coisas ruins estavam para acontecer.
"Dumbledore, o qu�o ruim � isso? Quantos dos nossos homens foram derrotados hoje?"
Sirius perguntou.
"Creio que tivemos doze casualidades� e quatro que est�o severamente feridos. Eles
foram levados para St. Mungo�s."
James olhou Dumbledore. Ele sentia uma imensa culpa, isso aconteceu por causa de
seu filho. Os Comensais vieram at� Hogwarts com o prop�sito de matar qualquer um
que ultrapassasse o caminho deles para chegar at� Harry. Os corpos podiam muito bem
serem de estudantes e durante tudo isso James e Sirius n�o ajudaram na batalha.
"James, por favor, n�o se sinta respons�vel. Voc� e Sirius estavam lutando outro
tipo de batalha naquela hora, uma que eu n�o desejaria que ningu�m enfrentasse."
Dumbledore tentou confortar James.
"Ramifica��es? Harry odeia todos n�s por causa dessas mem�rias falsas! Que outras
ramifica��es podem haver Dumbledore?" James perguntou, sua raiva borbulhava, como
Dumbledore pode ser t�o insens�vel?
"James, eu n�o quis soar de modo insens�vel. Eu apenas quis dizer que o dano
causado por essas mem�rias � muito pior do que voc� pensa." Dumbledore repondeu.
"Como pode ser pior? Harry cresceu com essas mem�rias falsas, nada pode ser pior
que isso!" Lily respondeu.
Com essas palavras Dumbledore, se poss�vel, pareceu ficar ainda mais solene.
"Temo que as coisas s�o muito, muito piores Lily. Veja, essas mem�rias n�o s�o
falsas."
"O que? O que voc� quer dizer com elas n�o s�o falsas! Claro que s�o falsas! Como
voc� pode sugerir que n�s fizemos algo como aquilo? Voc� estava l�! Voc� sabe que
Harry foi levado h� quinze anos atr�s!" Lily gritou.
"Lily, acalme-se. Voc� n�o entendeu o que eu quis dizer. Eu nuca acusaria nenhum de
voc�s de cometer taid atrocidades. O que eu quis dizer � que as mem�rias na
penseira n�o s�o falsas. S�o lembran�as reais, experi�ncias vividas pelo joven
Harry."
James sentiu como se algu�m o tivesse atingido com um martelo. Sua respira��o
parou. Elas eram reais! As mem�rias n�o eram falsas, eram reais! Harry sofreu um
abuso f�sico e emocional de verdade. Seu filho ficou a merc� de Voldemort e isso
foi o que aquele monstro fez com ele. Antes a �nica coisa que estava sustentando
James era o pensamento de que aquelas lembran�as n�o eram reais, que elas nunca
aconteceram, que Harry nunca foi realmente surrado, mas as palavras de Dumbledore o
fizeram perder as for�as. Harry sofreu. Enquanto James, Lily e Damien estavam
aproveitando suas vidas, seu filho estava sofrendo nas m�os de Voldemort.
"Eu olhei bem as mem�rias da penseira. Depois que Harry sai de casa, ele �
encontrado por Nagini que o leva para Voldemort. Aparentemente Harry �
ofidioglota."
Lily n�o conseguiu segurar o engasgo que escapou de sua garganta. James e Sirius
estavam parecendo que iriam gritar de t�o chocados que estavam.
"Eu estou supondo que isso � algo que Voldemort passou para Harry no dia em que ele
lhe deu aquela cicatriz. Claro, que Harry acha que isso � algo que ele possui desde
que nasceu. Nagini o levou at� Voldemort, que ajudou a curar todas as feridas dele.
Foi ent�o que Voldemort perguntou ao garoto se ele queria ficar por l�, j� que ele
demostrava ter um grande poder. Harry era apenas uma crian�a assustada e aceitou.
Portanto, como voc�s podem ver, Voldemort o quebrou para depois poder conserta-lo.
Harry acredita que 'seu pai' � o respons�vel pela quantidade de poder e pelas
habilidade que ele possui. O garoto � grato apenas a ele. Desse modo, Voldemort,
assegurou de que Harry nunca o machucaria. Acredito que Harry foi severamente mal
tratado no come�o de sua inf�ncia, mas depois Voldemort come�ou a se preocupar com
o garoto isso parou. Eu tenho que investigar mais um pouco, mas acredito que Harry
nunca mais sofreu nenhum tipo de mal trato quando come�ou a ser 'criado' por
Voldemort. Evid�ncias demonstram que no come�o Voldemort fingia que se preocupava
com Harry, mas depois esse sentimento tornou-se verdadeiro. Eu n�o acredito que ele
machucaria Harry agora. Portanto, isso nos d� a seguran�a de que o garoto est� a
'salvo' com Voldemort no momento."
James n�o acreditava em Dumbledore. Qualquer pessoa que pudesse fazer tal coisa com
uma crian�a n�o podia gostar da mesma depois. Era de Voldemort que eles estavam
falando! Ele era um monstro sem cora��o, incapaz de sentir qualquer coisa, ainda
mais amor.
James sentiu sua raiva borbulhar. Voldemort fez Harry acreditar que cresceu com
pais cru�is e depois apresentou-se como o grande her�i, o bruxo que 'salvou' Harry.
"Como n�s vamos fazer o Harry acreditar na verdade?" Sirius perguntou, j� que James
n�o era capaz de abrir a boca devido � sua raiva.
"Eu n�o sei se � poss�vel mostrar a Harry que essas mem�rias n�o s�o o que
aparentam. J� que elas n�o s�o modificadas, � dif�cil provar que s�o falsas."
Dumbledore respondeu.
"Ent�o voc� est� dizendo que n�s perdemos a esperan�a?" James perguntou, incapaz de
ficar quieto por mais tempo. "Porque se voc� est� dizendo isso, tudo bem! Voc� pode
desistir de Harry, mas eu n�o vou. Ele � meu filho e eu vou fazer com que ele saiba
da verdade, que ele descubra que foi tra�do! Eu n�o vou conseguir viver sabendo que
Harry acha que eu fiz tudo aquilo quando ele era crian�a. Eu posso n�o ser um bom
pai, j� que falhei em ajud�-lo, mas n�o sou o monstro que meu filho acredita que eu
sou! Portanto, eu n�o vou descansar enquanto ele n�o souber da verdade!"
"Bem, a penseira de Harry estava transfigurada em um anel. Isso n�o � algo que ele
criou apenas ao vir para Hogwarts. Harry j� tinha o anel antes disso. As mem�rias
ali n�o s�o todas sobre sua inf�ncia com os denominados Potters. Eu senti que
existem muitas lembran�as que ele mant�m escondidas. Mas de quem ele as esconde?
Por que remov�-las de sua mente? Meu palpite � que ele as esconde de Voldemort."
A verdade era que ningu�m sabia ao certo como era a rela��o de Harry com o Lorde
das Trevas. Nimgu�m nunca perguntou ao garoto e claro que ele n�o responderia.
Dumbledore explicou que dentro da penseira deveria haver umas cem mem�rias
guardadas, mas apenas umas trinta estavam dispon�veis. Isso significava que Harry
colocou alguns feiti�os poderosos de prote��o. De quem ele queria esconde-las? E
por que? Isso era o que Dumbledore estava tentando descobrir.
Eles tinham perdido Harry. Todos os Aurores iriam procur�-lo e agora eles sabiam
exatamente como Harry era. A m�scara prateada n�o iria ajudar. Voldemort n�o seria
capaz de manter Harry seguro para sempre. Se James n�o chegasse at� seu filho
primeiro, ele seria mandado para Azkaban e colocado sob o poder dos Dementadores.
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Harry sentiu seus p�s atingirem o ch�o e soube na mesma hora que estava em casa. A
esc�ncia do ar era t�o familiar. Ele sentiu Bella parada perto de si. Eles tinham
acabado de aparatar nos port�es da Mans�o Riddle. Harry olhou para sua casa, cuja
sentiu muita falta. Mesmo no escuro o castelo parecia t�o convidativo. O garoto
ouviu v�rios 'pops' a sua volta e soube que os Comensais da Morte tinham voltado.
Ele estava feliz por eles n�o terem ficado por muito mais tempo. Os Comensais o
ajudaram a escapar e isso era uma miss�o completa.
Harry encaminhou-se para a sala de seu pai. Antes que ele pudesse chegar perto o
suficiente para bater, as portas de carvalho abriram-se e Harry viu Voldemort
parado bem no meio do c�modo. O cora��o do garoto bateu como se estivesse saindo de
uma gaiola. Seu cora��o deu outro pulo quando ele olhou direto para aqueles olhos
vermelhos. Harry continuou andando at� seu pai. Os Comensais seguiram o moreno.
Eles estavam quietos.
Harry parou h� alguns metros de seu pai e olhou para o ch�o. Os Comensais que o
seguiram ajoelharam-se e abaixaram suas cabe�as esperando pelo comando de seu
Mestre para levantar.
Lorde Voldemort andou at� Harry. Ele observou todos os detalhes do garoto cansado a
sua frente. Voldemort parou em frente a Harry, o garoto parecia estar tendo
dificuldade de manter um contato visual com ele. Voldemort colocou suas m�o no
ombro de seu filho fazendo com que ele o olhasse. Seus olhos encontraram-se e Harry
deixou que todas suas emo��es pudessem entrar em contato com a mente de seu pai.
Lorde Voldemort deu um passo para tr�s ao receber todo aquele fluxo de sentimentos.
Ele podia ver que seu filho estava emocionalmente drenado. O garoto havia passado
por muita coisa.
Voldemor queria falar com Harry e descobrir o que Dumbledore disse a ele, como eles
tentaram converte-lo para o lado da luz, mas podia ver claramente o qu�o cansado o
garoto estava. O maior sentimento que Voldemort pode captar de seu filho foi a
lealdade que o garoto tinha por ele. Lorde Voldemort sentiu como se um grande peso
fosse tirado de cima dele. Ele esperava que Harry fosse forte e n�o deixasse
Dumbledore manipul�-lo. Felizmente, Harry n�o deixou isso acontecer.
Lorde Voldemort olhou para os olhos esmeralda de Harry e sorriu para ele.
Harry parecia estar esperando por isso, j� que em sua face abriu-se um sorriso e
ele olhou grato para seu pai. Lorde Voldemort ordenou que todos os Comensais
sa�ssem, inclusive Bella e Lucius.
"Harry, eu sei que voc� est� muito cansado, mas n�s temos muito o que discutir. Eu
irei apenas perguntar uma coisa e depois voc� pode se retirar para dormir, certo?"
Harry parecia estar lutando para ficar em p�, mas respondeu de imediato.
"Sim, Pai."
Essa era a coisa mais importante, j� que Voldemort sabia que as habilidades de
oclum�ncia de Harry n�o eram t�o poderosas como deveriam ser, especialmente quando
se lida com um mestre em legilim�ncia como Dumbledore. Se Dumbledore conseguiu
entrar na mente de Harry, Lorde Voldemort iria sofrer muito. Sua localiza��o, seu
planos de guerra, suas armas, tudo estaria exposto.
"Ele tentou, mas n�o conseguiu. Creio que ele n�o estava sendo muito persistente,
j� que estava sob a impress�o de que eu iria trair voc� e contar todas as
inform��es."
Voldemort sentiu um al�vio perpassar por ele. O Lorde das Trevas sentiu orgulho ao
ouvir Harry falar. A voz de seu filho bastava para o manter calmo.
"Ele � um idiota por pensar que meu filho ficaria contra mim." Voldemort disse e
gentilmente pressionou os ombros de Harry para assegurar que acredita em sua
lealdade.
Harry abaxou o olhar e lutou para manter sua voz normal quando falou.
"Eu... eu n�o consegui matar Potter. Eu tive a chance e perdi. Eu n�o sei o que
dizer."
Harry queria ter apenas lan�ado a maldi��o da morte em James Potter, mas sua
relut�ncia em utilizas as imperdo�veis o fez falhar novamente.
Lorde Voldemort suspirou de al�vio. N�o importava se Harry n�o tinha matado Potter.
Todos eles iriam morrer logo, logo.
"N�o importa. Talvez foi melhor voc� n�o t�-lo matado. Eu quero estar l� para
assistir vingan�a do meu filho. Voc� ter� sua vingan�a, Harry. Eu prometo."
Harry olhou seu pai aliviado. Ele estava com tanto medo de desapont�-lo, mas com
essas palavras todas as suas inseguran�as foram embora.
Voldemort ordenou que Harry fosse para seu quarto dormir. O garoto obedeceu e saiu
do c�modo imediatamente. Lorde Voldemort sorriu para si mesmo. Tudo estava dando
certo. Ele tinha Harry de volta e aquele idiota do Dumbledore fez o garoto ficar
com ainda mais raiva do lado da luz. As medidas tomadas anos atr�s foram �teis.
Harry nunca iria deixar seu lado. Ele nunca escolheria os Potters.
Voldemort encaminhou-se para seu quarto, ele planejava falar com Harry pela manh�.
O Lorde das trevas sentiu a dor sofrida pelo seu filho e todas as suas emo��es.
Voldemort iria fazer todos aqueles que machucaram Harry pagarem caro. Ningu�m
ficava impune ap�s machucar o �nico filho do Lorde das Trevas.
�: mortes.
Cap�tulo Trinta: Pai e filho
Dumbledore estava com problemas s�rios. N�o s� estava come�ando a ficar com raiva
daquelas cartas dos pais preocupados, que queriam saber como Comensais entraram em
Hogwarts, como ele estava com problemas envolvendo o Ministro.
Logo que James, Lily e Sirius sairam do escrit�rio de Dumbledore, naquela mesma
noite da fuga de Harry, o Ministro da Magia chegou por floo. Cornelius Fudge n�o
era algu�m que intimidava muita gente e certamente n�o intimidava Albus Dumbledore.
De qualquer modo, Fudge via que devido �s circunst�ncias, Dumbledore seria for�ado
a fazer o que o Minist�rio quisesse. O Ministro disse ao diretor que ele havia
falhado em sua miss�o relacionada � Harry e que agora o Minist�rio se encarregaria
de tudo.
James e Sirius descobriram que n�o podiam fazer nada sem serem monitorados por
outros Aurores. N�o somente isso insultava a posi��o deles, como tamb�m os fazia
sentirem-se criminosos. N�o havia d�vidas, por�m, que se James e Sirius chegassem
at� Harry, eles nunca o entregariam para o Minist�rio. James voltou a trabalhar
como Auror, j� que n�o tinha mais nenhum motivo para continuar em Hogwarts.
Mesmo com Dumbledore explicando tudo o que Harry passou, poucas pessoas concordaram
com ele. A maioria dos membros da Ordem tinham filhos, e alguns deles, frequentavam
Hogwarts. O pensamento de que algum deles podia ter sido atacado por algum Comensal
era aterrorizante. Com exce��o da Professora McGonagall, do Professor Snape e dos
tr�s Marotos, ningu�m queria ter nada haver com a sirua��o de Harry. Muitos n�o
acreditavam na declara��o de Dumbledore de que Harry era o escolhido. Todos eles
achavam que tinham dado uma chance para o garoto e ele voltou por livre e
espont�nea vontade para Voldemort. Agora o Ministro podia lidar com ele como
quisesse.
Havia uma pessoa que reagiu a essa not�cia da pior maneira poss�vel. Neville
Longbottom, marchou at� o escrit�rio do Diretor para ordenar que ele lhe contasse a
verdade. Naquele momento Damien e Lily estavam conversando com Dumbledore.
"Sr. Longbottom? O que eu posso fazer por voc�?" Dumbledore perguntou educadamente.
"Neville, eu estou t�o arrependido. Eu deveria ter conversado com voc� sobre isso
antes, mas esperava conseguir chegar at� Harry primeiro..."
"Chegar at� ele! Por que? Por que voc� gostaria disso? Por que ele estava aqui!
Desde quando � um costume abrigar assassinos em Hogwarts?"
Neville n�o percebeu o arrepio em Lily e Damien quando falou 'assassino'. Neville
sabia que o Pr�ncipe Negro era o respons�vel pela morte de seus pais. Ele entendia
que a morte deles foi sob as ordens de Voldemort, mas foi o Pr�ncipe Negro que os
assassinou brutalmente.
"Ele matou meus pais! Ele � leal a Voldemort, voc� sabia disso! Voc� sabia e voc�
ainda por cima me fez compartilhar um quarto com ele! Como voc� pode Professor?"
Neville tinha l�grimas brilhando em seus olhos.
"E voc�..." Neville gritou com Damien. "Voc� sabia tamb�m e voc� falou para o
tratarmos como um adolescente normal! Voc� fez n�s andarmos com ele! Sermos legais
com ele. Eu pensei que voc� fosse meu amigo, mas voc� s� fez o pior poss�vel!"
Damien n�o disse nada, ele apenas escutou tudo. Apesar de tudo, Neville tinha todo
o direito de ficar chateado. Ele perdeu seus pais, sua vida inteira foi modificada
por causa do que Harry fez.
"Neville, por favor, n�o coloque a culpa em Damien Potter por tentar mudar Harry.
Foi por causa de ordens minha que ele estava passando um tempo com Harry. Eu
esperava que talvez o garoto mudasse e se unisse � nossa causa."
"O �nico local o qual ele pertence � Azkaban!" Neville disse com os dentes
cerrados.
"Neville, por favor, sente-se. Existe muita coisa que eu gostaria de explicar �
voc�." Dumbledore sinalizou para que o menino sentasse.
"Eu n�o preciso escutar nada do que voc� tem a dizer! Eu estou de saco cheio de
tudo isso. Eu informei tudo para minha av�, ela estar� chegando logo. Eu estou
saindo de Hogwarts Professor! Depois de tudo o que voc� fez comigo, eu n�o posso
mais ficar aqui!" Neville saiu do escrit�rio e recusou-se a falar com mais algu�m.
Neville saiu naquela tarde, jurando nunca mais voltar. A partida do garoto mexeu
com Dumbledore e n�o importava o que as pessoas dissessem, ele n�o parava de se
culpar.
A atmosfera estava tensa. Damien pediu para ir para casa mais cedo deividos ao
ferido do natal. Vendo que muitos estavam contra o garoto Dumbledore concordou.
Lily e Damien foram embora faltando quatro dias para o feriado.
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Harry estava feliz por ter voltado para casa. Na primeira noite ele dormiu pesado,
como h� meses n�o fazia. Ele, de qualquer modo, ficou adiando a conversa que sabia
que tinha que ter com Lorde Voldemort. Harry sabia que assim que a conversa
acontecesse ele teria uma grande dor de cabe�a ao explicar como sempre era seguido
por James Potter e como foi tratado por Moody.
Resultou que Harry apenas conseguiu contar at� a parte em que chegou em Grimmauld
place e foi for�ado a tomar Veritasserum, para Voldemort perder a cabe�a. Depois
que o garoto recuperou-se da forte dor de cabe�a, ele continuou. Quando Harry
explicou sobre o Bracelete Barta, ficou surpreso ao constatar que seu pai manteve a
calma e percebeu que Bella j� devia ter contado sobre isso.
Harry ficou aliviado por ter contado sobre todas as coisas que aconteceram em
Hogwarts, mas o garoto havia aprendido uma coisa bem cedo. Nunca minta para Lorde
Voldemort, mas se voc� 'convenientemente esquecer' de mencionar algo, ent�o aquilo
n�o pode ser usado contra voc�. Bem, n�o contra Harry. Portanto, ele
'convenientemente esqueceu' de mencionar que duelou contra os Daywalkers, por que
estava protegendo Damien e como o joven Gryffindor passou um bom tempo ao seu lado.
Harry contou a Voldemort tudo o que passou nas m�os de Moody. Ele estava realmente
embarassado pelo fato do auror ter conseguido machuc�-lo. O garoto foi treinado em
duelos pelo pr�prio Voldemort e tinha muito orgulho por poder duelar com v�rias
pessoas ao mesmo tempo. Lorde Voldemort, de qualquer modo, n�o culpava Harry de
jeito nenhum. O Lorde das Trevas teve que ter um �timo controle para mater seu
humor est�vel. Quando o garoto terminou de contar suas experi�ncias, ele pode
sentir uma pequena queima��o em sua cicatriz, era desconfort�vel, mas dava para
aguentar. Lorde Voldemort levantou-se e chamou seus Comensais. Ele deu apenas uma
ordem.
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Harry tinha acabado de sair de seu banheiro particular quando viu que algu�m estava
a sua espera em seu quarto.
"Bella?" Harry perguntou ao v�-la parada perto da janela. Bella virou-se para
encar�-lo.
As mechas negras de Harry estavam caindo sob sua face por causa do banho rec�m
tomado. Ele parecia bem melhor do que na noite em que chegou. Seus olhos esmeralda
estavam come�ando a brilhar novamente e sua palidez passou para a cor saud�vel de
um garoto de dezessete anos.
"Ent�o? Como foi a conversa com o Lorde das Trevas?" Bella perguntou. A mulher
encaminhou-se para a cama de Harry e sentou.
Harry sorriu e sentou na frente dela. Bella nunca conseguia controlar sua
curiosidade. Ela odiava quando ele e Voldemort conversavam em particular.
"O que voc� acha?" Harry perguntou enquanto entrava embaixo das cobertas.
"Bem, depende. Quantas vezes voc� desmaiou?" Bella perguntou e lan�ou a Harry um
sorrisinho. Ela sabia que o garoto teve uma temporada bem dif�cil em Hogwarts e
podia apenas imaginar o qu�o irado Lorde Voldemort deve ter ficado ao saber de
tudo.
"Na verdade, meu pai conseguiu manter seu temperamento est�vel. Se ele pelo menos
fizesse isso quando eu estava em Hogwarts... Eu desmaiei mais vezes do que me
lembro." Harry respondeu e passou um dedo sob sua cicatriz ao relembrar o quanto
ela doeu nos �ltimos quatro meses.
"Sua cicatriz doeu quando voc� estava em Hogwarts?" Ele perguntou aterrorizada.
"Mas Harry, como isso � poss�vel? Sua cicatriz apenas d�i quando voc� est�
fisicamente perto do Lorde das Trevas. N�o importava o quanto Lorde Voldemort
ficasse irado, isso n�o deveria te afetar tento." Bella estava chocada com essa
revela��o.
"Eu n�o sei o que aconteceu, ficarei feliz se n�o acontecer novamente." Bella
estava olhando Harry com preocupa��o. O garoto rolou os olhos ao ver a express�o.
"Pare com isso! Eu estou bem, se voc� come�ar a me olhar assim, eu vou jogar voc�
pra fora do meu quarto."
"Que bem isso iria fazer? Eu irei apenas voltar." Bella disse com um grande sorriso
na face.
Harry sentiu uma dor no cora��o ao escutar essas palavras. Bella sem querer o fez
lembrar de Damien. Na primeira vez quando os dois se encontaram no Quartel General
da Ordem, Harry ficou muito nervoso ao ver o garoto entrar em seu quarto e mais
nervoso ainda quando ele o retirou de seu quarto e o menino voltou sorrindo como um
idiota. Harry n�o sabia por que, mas sentia falta de Damien. O menino tornou-se uma
pessoa constante em sua vida. Ele passou tanto tempo ao lado do irm�o, que agora,
sentia-se sozinho sem o menino. Harry mentalmente afastou esses pensamentos. Ele
n�o podia pensar desse jeito.
"Eu estou bem agora, n�o h� raz�o para preocupar-se agora. Meu pai controlou suas
emo��es hoje, eu fiquei bem. Ele provavelmente n�o bloqueou nenhum sentimento
quando eu estava fora e � por isso que eu sofri. Mas tudo est� bem agora."
Harry realmente n�o queria come�ar a investigar porque sua cicatriz do�a tanto. Com
tanto que ele n�o sofresse como antes, o garoto estava fezliz em ignorar tudo.
Bella olhou para Harry de novo e dessa vez seus olhos pararam no pingente que ele
usava. A Horcrux! Claro que essa era a raz�o dele estar sentindo tanta dor.
"Harry, talvez voc� esteja sofrendo por causa da Horcrux que est� em volta de seu
pesco�o."
As m�os de Harry foram automaticamente para cima do pingente prata que ficava em
seu peito. O garoto era cuidadoso ao esconder a Horcrux por baixo de sua roupa
quando estava em Hogwarts. O �nico momento em que ela ficou vis�vel, foi quando os
quatro Gryffindors vieram ajud�-lo com a mordida do Daywalker. Harry estava sem
camisa no momento, por tanto os quatro deviam ter visto a corrente. Ningu�m fez
nenhum coment�rio sobre o item, eles estavam muito ocupados encarando a ferida.
Agora que Harry pensou nisso, fazia sentido. O pingente prata era parte da alma de
Voldemort. Portanto, se seu pai perdesse o controle de sua emo��es, ele sentiria os
efeitos como se estivesse fisicamente perto dele, por que de algum modo ele estava
perto. Ele usava a Horcrux contendo um peda�o da alma de seu pai em volta de seu
pesco�o e j� que Voldemort n�o sabia que Harry estava sendo t�o afetado, ele n�o
segurou sua emo��es. De qualquer modo, agora que o garoto voltou, Lorde Voldemort
iria segur�-las, sendo assim, Harry estava mais confort�vel.
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O Natal chegou e com ele mais uma dor para os Potters. Eles tinham assumido que
Harry iria para Godric�s Hollow. A fam�lia havia se preparado para receber o garoto
de volta em casa, mas agora os tr�s Potters voltavam para uma casa vazia, sem
Harry. Damien voltou mais cedo para casa e com certeza n�o tinha nenhum humor para
celebrar o Natal.
A manh� de Natal chegou e com exce��o de Sirius, Remus e os Weasleys, ningu�m falou
com os Potters. Damien ficou em seu quarto e n�o saiu at� a hora do jantar. Ron e
Ginny entraram no quarto do menino para lhe fazerem companhia. Foi o pior Natal dos
Potters.
Alguns dias depois do Natal, os Potters foram visitados por Dumbledore. Essa era
uma estranha ocorr�ncia, j� que o diretor n�o visitava ningu�m. James e Lily
ficaram ainda mais surpresos quando o bruxo mais velho tirou a penseira de Harry do
bolso.
"Dumbledore, se isso � sobre mais mem�rias horr�veis, ent�o eu n�o quero ver."
James disse assim que seus olhos bateram na subst�ncia prateada que rodeava a
penseira negra.
"Na verdade James, o que eu quero mostrar � algo que pode ser perturbador, mas
prova muitas das minhas suspeitas." Dumbledore respondeu. Lily e James
posicionaram-se em frente a penseira. Eles estavam muito felizes por Sirius ter
ocupado Damien com um jogo de Quadribol.
Parecia que eles estavam em um tipo de castelo. O lugar era enorme, com paredes
negras e m�veis excessivos. Os dois estavam dentro de uma sala, que continha uma
cama grande o suficiente para quatro pessoas e no canto havia um arm�rio de oito
portas. Era tudo mobiliado com coisas caras e parecia ter uma su�te maior que a
sala de estar dos Potters. James e Lily olharam-se maravilhados. Eles nunca viram
algo t�o luxuoso quanto aquilo.
Bem no momento em que eles j� estavam pensando em onde Harry estava, a porta, j�
aberta, que levava em dire��o � su�te, abriu-se mais ainda e um garotinho de
cabelos negros e rebeldes entrou. James e Lily o olharam maravilhados. O cabelo de
Harry continuava uma bagun�a como sempre, mas seus olhos esmeralda j� n�o ficavam
atr�s daqueles �culos de aros redondos. James lembrou-se da conversa que teve com o
garoto no primeiro dia dele em Hogwarts. O auror perguntou porque Harry n�o usava
�culos e o garoto perdeu conpletamente o controle.
'Voc� quer saber Potter, �timo, eu te conto. Meu pai consertou minha vis�o
miser�vel. Agora eu n�o preciso de nada para enxergar. Meu pai � perfeito para
mim!'
Naquele momento, James n�o entendeu o descontrole de Harry, mas depois de ter
descoberto como seu filho cresceu acreditando nas mentiras contadas por Voldemort,
ele entendeu a agress�o.
James e Lily observaram o garotinho andar at� seu arm�rio de oito portas e abri-lo
procurando algum sapato para usar. Harry parecia ter seis ou sete anos. James n�o
sabia ao certo. Ele parecia bem mais saud�vel do que na �ltima mem�ria. Sua face
estava mais 'cheia' e sua pele brilhava de modo saud�vel. Harry colocou seus
sapatos pegou sua capa negra e saiu do c�modo. James e Lily correram atr�s dele. O
garotinhos andou por longos corredores e desceu v�rias escadas com muita
facilidade. Aparentemente, Harry estava acostumado com o local. Ele andava
silenciosamente, sem fazer muito barulho. Sua joven face estava com uma express�o
pensativa enquanto ele andava pelos corredores escuros.
Bem na hora em que Harry ia virar no corredor para sair por enormes portas de
carvalho, um grito alto foi ouvido na dire��o oposta. O garotinho parou e escutou.
James e Lily sentiram seus cora��es pararem ao ouvirem o grito. Parecia uma
crian�a. Assim que Harry ouviu melhor o som, ele encaminhou-se at� um quadro onde
havia uma enorme serpente. O garotinho sibilou algo e uma passagem foi aberta.
James e Lily sentiram um arrepio percorrer por sua coluna ao ouvirem seu filho
falar ofidioglossia. Era muito estranho escutar algu�m sibilando daquele jeito, mas
muito perturbador se essa pessoa era uma crian�a.
Os dois pais preocupados seguiram Harry pela passagem e logo chegaram em uma sala
pequena. O local era realmente pequeno e tinha v�rias tochas fornecendo a
ilumina��o. Harry rapidamente escondeu-se atr�s de uma pilha de caixas que pareciam
estar jogadas por l�. James e Lily observaram v�rias pessoas paradas no centro do
c�modo. Todos usavam vestes negras e tinham suas varinha apontadas para algo no
ch�o. James percebeu o que aquilo era. A passagem secreta de Harry havia os trazido
at� as celas de pris�o do castelo.
"Esperem at� seus pais encontrarem seus corpos sangrentos e ent�o vamos ver se eles
ainda ir�o ficar contra nosso Lorde!" Um dos Comensais disse.
Ele estava segurando algo nas m�os. Foi apenas quando ele avan�ou na crian�a com a
arma que James viu o que era. O auror ouviu o engasgo de incredulidade de Harry
quando o chicote entrou em contato com as costas das crian�as. As coitadas gritaram
mais uma vez e James sentiu-se fisicamente doente. Lily estava tremendo e esticou o
bra�o para agarrar-se em seu marido ao sentir que poderia desmaiar a qualquer hora.
Como eles podiam fazer aquilo com jovens indefesos, crian�as inocentes?
De qualquer modo a rea��o de James e Lily n�o foi nada comparada com a rea��o do
garotinho de sete anos. Ele estava tremendo e parecia pular toda vez que o chicote
estalava. Harry estava mordendo o l�bio inferior enquanto escutava os gritos. James
percebeu que seu filho devia estar lembrando das horr�veis mem�rias de seu pr�prio
abuso ao ver os dois estranhos sendo punidos.
"Nott! O que � isso? O que aconteceu Nott?" Outro Comensal perguntou tentando ver o
que atacou seu companheiro.
Nott estava com muita dor. James viu Harry apontar sua varinha para outro comensal.
Havia quatro deles e todos estavam em volta do chamado Nott. Um jato de luz
vermelha saiu da varinha do garotinho e acertou o Comensal mais pr�ximo das
crian�as. Ele caiu no ch�o instantaneamente. O auror sabia que Harry estava
lan�ando o feiti�o 'Estupefa�a' e o primeiro que ele utilizou foi um feiti�o de
ferroada. Uma crian�a de sete anos ser capaz de lan�ar esses feiti�os era algo
fant�stico.
Os dois Comensais restantes come�aram a lan�ar feiti�os sem um alvo certo. Harry
encolheu-se atr�s das caixas para se proteger. Assim que n�o havia mais nenhum
ataque sendo feito, o garotinho levantou e fez outro Comensal cair no ch�o
estuporado.
Faltava apenas um Comensal e Nott ainda estava de p�. Harry lan�ou um feiti�o de
'pernas moles' no Comensal remanescente. O homem loiro come�ou a fazer uma esp�cie
de dan�a antes de cair em cima de Nott. O garotinho estava rindo da situa��o e nem
James e Lily conseguiram evitar a risada por causa das coisas que ele fez.
"Voc�s est�o bem?" Lily e James sentiram um orgulho enorme. Mesmo tendo uma
inf�ncia t�o horr�vel e mesmo morando com Voldemort, ele ainda tinha compaix�o
pelos outros.
Harry ajudou as duas crian�as sa�rem rapidamente da cela. James e Lily seguiram o
garotinho enquanto ele corria at� o final de um corredor, aonde havia uma porta de
madeira do tamanho certo para um elfo dom�stico. Os adultos n�o tiveram tempo de
analisar o local, j� que Harry entrou no c�modo e correu at� uma pequena lareira.
James e Lily viram a lareira e perceberam que era pr�pria para um elfo dom�stico.
Normalmento os elfos n�o sa�am de casa, mas quando tinham que fazer isso por algum
motivo, eles usavam o floo pr�prio para eles, j� que poderiam ficar perdidos no
sistema de floo dos bruxos. Essa lareira com certeza era de elfos dom�sticos, um
adulto nunca conseguiria entrar ali, mas para uma pessoa pequena, ou para uma
crian�a, era poss�vel. As duas crian�as usando as �ltimas for�as estavam apoiadas
uma na outra. Ambos eram meninos e estavam olhando com medo para a porta, para caso
os Comensais estivessem a sua procura. Harry sem falar nada puxou os dois e pegou
um pouco de p� de floo, o garotinho jogou uma pequena por��o no fogo.
O garoto parado dentro das chamas verdes olhou Harry com preocupa��o.
"N�o se preocupe, essa lareira � especial, vai levar voc� aonde quer que voc�
queira ir. Agora diga o nome da sua casa, r�pido!" Harry disse de novo.
"Obrigado!"
Harry pareceu ficar chocado com o 'obrigado' e sinalizou para que o garoto se
apressasse. Em um instante, a outra crian�a desapareceu pelas chamas verdes.
Harry olhou para as chamas e soltou o ar que segurava. James e Lily queriam poder
abra�ar seu filho, por aquele incr�vel ato de coragem. Eles entenderam que Harry
salvou os garotos por causa da tortura que estavam sofrendo.
Bem na hora que Harry estava saindo do c�modo, ele foi atacado por uma luz branca.
O garotinho de sete anos foi lan�ado para tr�s. James viu a face irada de Nott, o
comensals apontava sua varinha direto para Harry.
Harry levantou-se e a cor de sua face foi toda embora. 'O que est� acontecendo?'
James pensou consigo. Com certeza os Comensais da Morte n�o machucariam o garotinho
de prop�sito. Eles n�o estavam com medo do que Voldemort poderia fazer? De repente,
James lembrou-se da informa��o que obteve na reuni�o da Ordem. Os Comensais s�
haviam descoberto sobre Harry recentemente. Ele devia ter aproximadamente uns
quinze anos quando foi apresentado. Apenas alguns membros do c�rculo interno de
Voldemort sabiam da exist�ncia de Harry desde o come�o.
James sentiu seu cora��o pular. O auror sentiu que Lily deu um gritinho quando
percebeu a mesma coisa que ele. Ningu�m sabia que Harry era adotado por Lorde
Voldemort, nem mesmo esses Comensais. O garotinho estava com s�rios problemas.
"Quem � voc�?" Disse uma voz rouca, Nott estava olhando Harry com puro �dio.
"Eu sou... eu..." Harry parecia estar segurando a resposta. Seus olhos verdes
observaram a porta. Ele, obviamente, estava tentando fazer uma decis�o, ficar e
falar ou sair correndo em dire��o � porta e fugir.
"Como voc� entrou aqui?" Nott continuou perguntando. "N�o importa, voc� n�o vai
sair!" Nott levantou sua varinha e apontou-a para a cabe�a de Harry.
O garotinho rolou para o lado, bem na hora em que um jato de luz vermelha foi em
sua dire��o. Harry pegou sua pr�pria varinha, mas era muito devagar para o
Comnensal.
"Voc� vai pagar pelo dano que causou pirralinho!" Vociferou Nott enquanto olhava
para sua m�o ferida.
"Voc� n�o deveria estar machucando aquelas crian�as." Harry disse, seu tom era
tr�mulo, mas demonstrava autoridade.
James e Lily o olharam admirados. Harry estava em uma posi��o aterrorizante, mas
n�o estava com medo de impor o que pensava. Obviamente o dano causado pelos
'falsos' Potters j� tinha ido embora com a ajuda de Voldemort. Harry n�o era mais
um garoto temeroso, ele era confiante e n�o tinha medo de mostrar isso.
"Humph! Voc� acha isso, n�o acha? Bem, ningu�m se importa com a sua opini�o! Voc�
ir� aprender sua li��o, logo, logo." Nott mandou uma maldi��o 'ferroada' para cima
de Harry.
A maldi��o acertou o bra�o de Harry que instantaneamente caiu no ch�o. Ele sibilou
de dor, mas n�o gritou. James e Lily assistiram sem poder fazer nada, Nott lan�ar
outro feiti�o. Dessa vez o garotinho estava pronto e desviou. De repente, ele foi
atacado pelo Comensal. O homem jogou a varinha de lado e pegou Harry pela garganta.
O garotinho tentou livrar-se do apert�o. James viu seu filho puxando o ar, ele
estava sufocando. Nott riu e jogou Harry para o outro lado do c�modo.
O garotinho estava desesperado, ele tentava a todo custo puxar ar para seus
pulm�es. Nott j� estava parado a sua frente. O comensal estava prestes a lan�ar a
maldi��o cruciatus quando Harry atacou.
Ele levantou sua perna e acertou o queixo de Nott em um chute. O comensal gritou e
deu um passo para tr�s. Harry n�o perdeu essa oportunidade e levantou-se
cambaleando para sair do c�modo. O garotinho correu pelo corredor, James e Lily bem
atr�s dele. Bem na hora que ele virou no corredor, Harry viu que estava sem sa�da.
Ele virou-se e gritou quando um punho acertou sua face. O garotinho caiu contra a
parede. Levou alguns segundos para Harry perceber o que aconteceu. Nott estava
parado bloqueando sua passagem, a express�o do Comensal era de pura raiva.
"Voc� n�o vai � lugar nenhum!" Nott gritou para Harry e levantou sua varinha.
"Cruc..." Novamente Nott foi cortado por Harry quando o garotinho come�ou a sibilar
algo em ofidioglossia, com isso uma esp�cie de gatilho apareceu e abriu uma porta
escondida na parede, que bateu direto contra o Comensal.
Harry entrou na passagem e correu para dentro da sala que apareceu. Assim que James
e Lily seguiram seu filho, eles viram que o local parecia ser uma esp�cie de
subsolo que dava para fora do castelo. Harry correu pela passagem do subsolo e deu
de encontro com uma porta emorme, que, James assumiu, s� podia ser aberta com
m�gica.
Harry agora estava quase chorando. Ele parecia estar desesperado e percebeu que
haviam alguns itens no canto da passagem, pareciam ser coisas quebradas. O
garotinho correu at� elas e pegou uma vareta marron. Era bem fina e parecia que
iria se despeda�ar. James percebeu que era uma vassoura quebrada.
Harry passou a perna pela vassoura. James compartilhou um olhar com Lily. Com
certeza o garotinho n�o iria conseguir pilotar uma vassoura quebrada, mas o auror
ficou de boca aberta quando Harry deu um impulso e saiu zunindo em dire��o a porta
pela qual ele entrou. James seguiu seu filho e ficou maravilhado com as habilidades
de v�o dele.
'Merlin, ele tem apenas sete anos! Provavelmente, nunca aprendeu a voar
propriamente, ele � um natural!' James pensou enquanto ele e Lily corriam atr�s de
Harry.
Nott estava mais uma vez no ch�o. Ele levantou-se e rapidamente correu atr�s do
garotinho enquanto lan�ava feiti�os. James observou Harry desviar-se de todos as
maldi��es enquanto voava, ele passou pelas portas abertas e voava rapidamente
dentre os corredores. Os corredores estreitos eram bem dif�ceis de se passar,
principalmente voando t�o veloz, mas Harry conseguia se virar. Ele estava tentando
ficar o mais distante poss�vel dos Comensais da Morte. Harry estava prestes a voar
por outra porta, que dava para o lado de fora do castelo, quando ela subtamente foi
fechada.
Harry gritou quando deu de encontro com a porta e caiu no ch�o. Ele gemeu e tentou
levantar-se, pelo jeito que segurava seu bra�o, devia ter quebrado alguns ossos.
Lily tinha l�grimas nos olhos e correu at� ele. N�o havia nada que ela pudesse
fazer a n�o ser assistir seu filho sendo levitado por Nott. O Comensal estava
usando um 'Wingardium Leviosa' para levitar Harry e jog�-lo no ch�o novamente. O
garotinho gritou de novo e come�ou a tossir por causa da dor.
James cerrou os dentes com raiva ao ver o Comensal parar perto de Harry.
"J� teve o suficiente?" Ele perguntou com um sorriso doente nos l�bios.
"Eu vou interpretar isso como um sim!" Nott disse e apontou sua varinha para a
cabe�a de Harry.
"AVADA KEDA�"
Antes que Nott pudesse terminar de dizer a maldi��o da morte, Harry fez sua �ltima
tentativa de fuga. O garotinho pegou a vassoura quebrada e deslizou por baixo da
pernas do Comensal, fazendo com que ele ca�sse.
Harry trope�ou e apertou os dentes por causa da dor que o perpassou. O garotinhho
abriu uma porta, o suficiente para poder passar e saiu correndo em dire��o � outra
porta que havia na outra ponta.
James e Lily correram atr�s de Harry rezando para que algu�m aparecesse para ajudar
a crian�a que estava quase desamiando. O garotinho come�ou a correr em dire��o a
uma porta dupla de carvalho, ele abriu e desmaiou quando entrou. James e Lily
congelaram ao ver quem estava l� dentro.
Lorde Voldemort estava sentado em uma cadeira confort�vel com v�rios pap�is em
volta. Bellatrix Lestrange estava sentada no ch�o pr�xima a ele. Eles pareciam
estar no meio de um plano de ataque.
Ambos viraram para ver quem abriu a porta daquele jeito. Bella pegou sua varinha e
apontou em dire��o ao que quer que os tinha perturbado. James e Lily observaram os
olhos vermelhos de Voldemort quando viu a figura machucada de Harry entrando na
sala. Lorde Voldemort saiu imediatamente de sua cadeira e junto com Bella correu em
dire��o a Harry. O Lorde das Trevas chegou rapidamente ao garotinho e o pegou no
colo. James sentiu muitas coisas ao ver seu filho nos bra�os de seu pior inimigo,
ele sentiu raiva e ira junto com a surpresa e o choque de ver Voldemort tendo um
ato t�o paternal. N�o era uma coisa normal ver o maior bruxo das trevas segurando
uma crian�a com uma preocupa��o genu�na.
Bella estava passando sua varinha sobre Harry e sua express�o demonstrava surpresa
e raiva.
"Meu Lorde, n�s temos que cur�-lo imediatamente! Ele est� com muita dor e tem
muitos ossos quebrados."
Lily viu o olhar genu�no de preocupa��o em Bella e tremeu por causa de sua
inutilidade no momento.
Lorde Voldemort conjurou uma maca e deitou Harry nela. James percebeu que seu filho
deveria estar consciente, j� que essa era sua mem�ria. Nesse momento os olhos
esmeralda de Harry focaram-se em Voldemort.
"P-pai!"
James sentiu seu cora��o sendo cortado ao escutar essa palavra saindo da boca de
Harry.
"Eu tinha que fazer, voc�, voc� entende, certo? Eles estavam os machucando, voc�
n�o vai ficar bravo, certo?" Harry perguntou enquanto Bella limpava o sangue de seu
bra�o atingido pela maldi��o ferroada.
"O que quer que voc� tenha feito Harry, n�o interessa agora. Diga-me quem � o
respons�vel pela sua condi��o."
Voldemort pareceu n�o notar, mas j� estava indo em dire��o � porta. Seus olhos
vermelhos pareciam quentes, como se realmente estivessem queimando por dentro.
Antes de sair ele se virou e sibilou para Bella.
"Conserte-o! � melhor que ele n�o fique com nenhuma marca! Eu n�o vou tolerar
isso!"
Bella pareceu encolher diante de seu Mestre e rapidamente tentou assegurar que iria
cuidar de Harry.
Assim que Lorde Voldemort saiu do c�modo, James e Lily viram tudo rodar e
encontraram-se na mesma sala, mas Harry j� n�o estava mais em uma maca. Ele estava
parado pr�ximo � mesa de Voldemort e parecia estar perfeitamente saud�vel.
Aparentemente, Bella cumpriu o que prometeu e cuidou de Harry, o deixando sem
nenhuma cicatriz. James pensou que esse coment�rio era bem hip�crita vindo de
Voldemort, j� que o pr�prio Lorde torturou a crian�a noite e dia e iria mat�-lo
algum dia desses.
O Lorde das Trevas estava sentado em sua cadeira e ambos pareciam estar no meio de
uma conversa.
"Voc� n�o deveria ter agido de modo t�o tolo, existem muitas maneiras de lidar com
tal situa��o!" Voldemort dizia.
"N�o havia tempo, eles iam mat�-los." Harry disse baixinho. N�o haviam nenhum tom
que demonstrasse confronto na voz do garotinho, mas, de qualquer modo, o tom
acus�torio apareceu.
Voldemort suspirou e olhou intensamente para Harry.
"Harry eu disse � voc�. As crian�as foram trazidas at� aqui sem minha permiss�o. Eu
nunca ordenei para que elas fossem capturadas e torturadas daquele jeito."
'Claro, voc� provavelmente queria que elas fossem mortas imediatamente!' James
pensou consigo.
"Eu sei Pai, � apenas dif�cil lidar com algo como aquilo." A voz de Harry caiu de
tom e parecia que James e Lily iriam chorar. As 'falsas' mem�rias do abuso de Harry
pareceram realmente t�-lo quebrado. A crian�a estava parada na frente de Voldemort,
sua cabe�a estava abaixada e uma express�o de dor adornava sua face.
"Eu entendo o que voc� fez e o por qu�, mas voc� deveria ter vindo me falar. Eu
iria resolver tudo, Eu nunca quis que aquilo acontecesse. Por que voc� n�o disse ao
imbecil quem voc� era?" Voldemort perguntou.
"Porque voc� me disse para n�o contar. Voc� disse para nunca, em nenhuma
circunst�ncia, dizer minha verdadeira identidade para algu�m sem a sua permiss�o."
O garotinho recitou as palavras como se tivesse passado um bom tempo as decorando.
James sentiu as l�grimas descendo pelos cantos de seus olhos. Harry tinha apenas
sete anos e era apenas uma crian�a, essas palavras provavam isso. Ele era t�o
inocente que n�o ia contra as palavras de seu 'pai' s� para n�o desapont�-lo.
"Bem, da pr�xima vez que for uma situa��o de vida ou morte, eu quero que voc� diga
sua identidade para salvar sua vida, Ok?"
"De qualquer modo, eu quero que voc� fa�a o m�ximo que puder para manter-se longe
dos probelmas. Espero que voc� entenda a necessidade de ficar escondido?"
"Por que voc� n�o pode contar a todo mundo sobre mim?" Harry perguntou tristemente.
"Quantas vezes eu tenho que explicar isso? Voc� n�o pode ser descoberto at� ser
maduro o suficiente para se proteger. Existem muitas pessoas que ir�o querer te
fazer mal, apenas por ser meu filho. Meus Comensais da Morte s�o tolos o bastante
para deixar essa informa��o sair daqui. Voc� sabe que eu n�o confio completamente
neles. Os �nicos nos quais eu confio, j� sabem sobre voc�."
Voldemort encarou Harry, ele estava pensando seriamente se iria falar ou n�o.
"Isso n�o � da sua conta, eu lidei com a situa��o." Ele respondeu olhando o
pergaminho em cima de sua mesa.
"Vamos l� Pai, por favor, me conta. Minha cicatriz ficou doendo por d�cadas depois
que voc� saiu. O que voc� fez? Eu acho que tenho direito de saber, j� que ele
tentou me matar e tudo mais." Harry estava suplicando como uma crian�a faz quando
quer doces.
Lorde Voldemort olhou seu filho e deu um sorrisinho. James e Lily n�o pensavam que
aquele monstro podia sorrir!
"Vamos dizer que Nott � um sortudo por j� ter um filho, j� que n�o ter� mais
nenhum."
James e Lily engasgaram-se. Harry pareceu n�o entender e olhou Voldemort confuso.
"Voc� vai entender quando ficar mais velho." Lorde Voldemort disse em um tom muito
paternal para o gosto de James.
De repente a sala come�ou a girar e logo dissolveu deixando James e Lily parados em
sua pr�pria sala de estar. O Diretor estava aguardando pacientemente.
Logo que James e Lily sentaram-se e tiveram um tempo para recuperar-se das
mem�rias, Dumbledore disse.
"Eu acho que voc�s v�o concordar que Voldemort demonstra preocupa��o e carinho em
rela��o � Harry. A raz�o pela qual eu quis mostrar-lhes isso, foi para que voc�s
vissem o tipo de rela��o entre Lorde Voldemort e Harry. � vital que quando n�s
conseguirmos o garoto de volta, possamos explicar o que Voldemort fez e por que. Se
dissermos que ele queria mat�-lo, ent�o Harry n�o vai acreditar, j� que o Lorde das
Trevas o salvou como vimos nessa mem�ria. Entretanto, n�s temos que examinar essas
lembran�as para que possamos cuidadosamente juntar a inf�ncia do garoto. Sabemos
que ele aprendeu m�gica de Voldemort e Bella, isso explica suas habilidades
avan�adas, mas eu quero ver as lembran�as de suas miss�es. Estou assumindo que s�o
essas que Harry protege. Ir� levar um tempo, mas tenho certeza de que conseguirei
acess�-las."
Dumbledore e os Potter discutiram seus planos para chegar at� Harry e apenas
pararam quando Damien e Sirius voltaram do jogo de Quadribol.
Naquela noite James n�o conseguiu dormir. Ele continuava vendo Harry conversar com
Voldemort o chamando de Pai e olhando para ele com afei��o. O auror sabia que
Dumbledore estava certo. Eles tinham que aprender sobre o passado de Harry, mas ele
n�o sabia se conseguiria passar por todas elas se existisse mais relacionamento
Pai-filho que James queria desesperadamente ter tido com o garoto.
James n�o sabia como ele conseguiu sobreviver. O auror passou um bom tempo dentro
da penseira de Harry vendo todas as lembran�as. A maioria delas era sobre o garoto
e Voldemort, em cada uma James podia ver como a rela��o deles crescia a cada dia.
Tudo isso fez James ficar doente de tristeza. Como eles podiam trazer Harry de
volta e convencer de que ele � o �nico que pode destruir Voldemort? Harry nunca o
atacaria!
James realmente n�o se importava com a profecia, mas ele se importava com o
sofrimento de Harry. A dor em sua cicatriz s� iria piorar conforme ele ficasse mais
velho. Se Harry n�o destru�sse Voldemort, ent�o sua cicatriz o destruiria. James e
Lily passaram in�meras noites conversando sobre as mem�rias que eles presenciaram.
Ambos observaram Harry crescer, treinar e aprender todos os tipos de m�gica. Eles
assistiram o garoto aprender pelo pr�prio Voldemort como duelar. Bella o ensinou
in�meros feiti�os, a maioria deles era magia negra e Malfoy o ensinou v�rias outras
coisas. Eles ficaram um pouco chocados ao descobrirem que Harry era um grande amigo
do joven Malfoy.
Haviam algumas boas mem�rias dos dois garotos fazendo bagun�a. Harry parecia morar
naquele enorme castelo, mas raramente James e Lily o viam nos terrenos de fora.
Possivelmente, todas essas mem�rias eram no castelo, mas mesmo assim, James tinha
certeza de que Voldemort n�o deixava o garoto sair de l�. Se era para sua seguran�a
ou para que Harry n�o descobrisse todo um mundo m�gico, ele n�o sabia.
Houve uma mem�ria em particular que James achou muito interessante. Uma aonde Harry
estava com catorze anos.
Harry suspirou em al�vio e come�ou a tirar suas vestes. Ele nem mesmo parecia estar
preocupado com o fato de Lucius t�-lo visto esgueirando-se furtivamente no meio da
noite. 'Porque Harry estava usando uma janela?' James pensou.
Lucius aproximou-se de Harry com um olhar perturbado e, por mais bizarro que seja,
de preocupa��o em sua face.
James podia dizer, apenas olhando para a escurid�o do lado de fora, que era quase
de manh�. Lucius olhou para Harry, a piada do garoto com certeza o fez ficar
perdido.
"O que? O que aconteceu dessa vez?" Harry perguntou com um suspiro.
"O que aconteceu? Voc� esteve fora da mans�o a noite inteira! Agora s�o 4 da manh�.
Bella e eu estivemos procurando por todos os lugares por voc�. Onde voc� foi?"
Lucius perguntou com uma clara preocupa��o.
"Claro, saiu! Bem, eu estou imaginando por que n�o procurei por l�!" Bella disse ao
entrar no quarto onde Harry e Lucius estavam parados.
James e Lily assistiram curiosos quando Harry rolou os olhos para Bella.
"O que h� com voc�s hoje?" Harry perguntou com um tom aborrecido em sua voz.
"Harry, s� por que o Lorde das Trevas est� fora da mans�o, n�o significa que voc�
pode ficar fora a noite inteira!" Bella disse e aproximou-se do garoto.
"Eu posso fazer o que quiser." Harry respondeu ao desviar-se. Ele tinha a inten��o
de sair.
"Pr�ncipe, voc� tem que entender. O Lorde das Trevas deixou-nos encarregados do seu
bem-estar e se algo lhe acontecer..." Lucius n�o conseguiu terminar a senten�a, sua
mente estava vendo a horr�vel morte que ele sofreria nas m�os de Lorde Voldemort.
"Voc� est� encarregado dos Comensais da Morte, n�o de mim. Eu respondo apenas ao
meu pai. Portanto se meu pai perguntar aonde eu estava, eu direi, por�m eu n�o
tenho que lhe dizer nada. Onde eu vou, o que eu fa�o � problema meu!"
James e Lily nunca esperaram que Harry falasse com dois Comensais do c�rculo
interno daquele jeito. Aparentemente, quanto mais mem�rias eles viam, Harry n�o
respondia para ningu�m, al�m de Voldemort.
Onde Harry esteve naquela noite n�o foi revelado. Muitas mem�rias dele o mostravam
voltando tarde da noite, mas ningu�m, nem mesmo Voldemort, o questionava. Parecia
que o garoto havia conseguido mais independ�ncia do James havia esperado.
Damien passou um bom tempo com Remus e Sirius. Remus havia acabado de voltar de uma
miss�o que Dumbledore o mandou. A Ordem estava tentando fazer Lobisomens unirem-se
ao lado da luz, mas mesmo que alguns tenham aceitado, o resto foi seduzido por
Voldemort.
Remus ficou chocado com o que acontecera em sua aus�ncia. Ele ficou em sil�ncio,
enquanto Sirius lhe contava tudo.
"Ent�o voc�s fizeram Harry ir para Hogwarts, ser for�ado a ficar em Gryffindor,
ficar no mesmo dormit�rio que Neville Longbottom, ser for�ado a frenqu�ntar as
aulas com uma varinha restrita, deixaram Moody colocar aquele Bracelete nele, antes
deixaram que Moody o machucasse fisicamente e depois de tudo o amea�aram com
Azkaban! E voc�s ainda est�o surpresos com a fuga dele?"
Remus sabia que a situa��o de Harry era sens�vel, mas ele ficou t�o atemorizado com
o tratamento dado ao garoto, que se surpreendeu ao saber que ele ficou por l�
durante quatro meses.
"Eu estou surpreso de que Harry n�o tenha atcado antes. Digo, ele teve muitas
chances. Ele poderia ter matado voc�s dois enquanto dormiam." Remus pensou alto.
James lembrou-se de que Harry disse algo similar antes de jog�-lo do precip�cio. O
Auror explicou que o garoto queria vingan�a, ele queria mat�-lo e culpar Sirius
pelo crime. Mas iria deixar Lily viver por causa do irm�o.
James odiava tudo o que estava acontecendo com Damien. O menino estava t�o
depressivo que n�o importava o que os outros falassem ou fizessem, ele recusava-se
a ficar mais alegre. James e Lily guadaram, como um segredo, o fato de que foi ele
quem soltou Harry. Se algu�m descobrisse e informasse ao Ministro, Damien teria
muitos problemas. O Ministro j� estava tr�s de um de seus filhos, James e Lily n�o
queriam que ele ficasse atr�s do outro tamb�m.
J� era hora de voltar para Hogwarts. James deixou Lily e Damien na esta��o de trem,
ele tinha que ir trabalhar, j� que Sirius e Moody, junto com mais alguns aurores,
deveriam proteger o trem e os alunos de volta para a escola. Essa era uma prote��o
comum, j� que o medo de Lorde Voldemort era t�o grande que constantemente os
Aurores ficavam � servi�o da comunidade m�gica.
Damien entrou no trem e rapidamente foi abra�ado por Hermione. O menino foi solto e
olhou direto para a Gryffindor de dezesseis anos.
"Oh Damy, eu fiquei t�o preocupada. Voc� n�o respondeu minhas cartas. Voc� est�
bem?" Hermione perguntou.
"Eu estou bem Mione." Damien disse sem emo��o ao entrar no compartimento. Ron e
Ginny j� estavam sentados e pareciam conversar h� tempos.
Lily uniu-se aos adultos do trem, ela estava tentando se preparar para o que lhe
estava esperando. A mulher estava preocupada com essa viagem de trem, pois
demoraria algumas horas. Nessa viagem ela estaria conversando e sendo questionada
sobre Harry, tanto pelos adultos, quanto pelos alunos, o que a fazia sentir-se mal.
Seria melhor se Lily estivesse se preparado melhor para a pior experi�ncia de sua
vida, que aconteceria h� alguns minutos, enquanto ainda estava em Hogwarts.
Harry estava muito afobado. Lorde Voldemort havia chamado seus Comensais da Morte.
O garoto ficou ao lado direito de seu pai, silenciosamente, assistindo os homens
ajoelharem-se em frente � ele.
Harry mesmo estava parado em frente aos Comensais sem sua m�scara prateada. Essa
era a primeira vez que todos eles o viam propriamente. Lorde Voldemort explicou que
agora n�o havia mais necessidade para a m�scara, j� que a Ordem e o Minist�rio
conheciam seu rosto. Foi para a prote��o do adolescente que Voldemort dizia para
seu filho us�-la, assim ele n�o seria reconhecido. De qualquer modo, Dumbledore fez
com que todos os Aurores vissem o rosto de Harry, sendo ele da Ordem ou do
Minist�rio. Agora n�o fazia a m�nima diferen�a se o garoto usasse sua m�scara ou
n�o.
Harry observou quando um homem levantou-se e encarou seu pai. Haviam apenas alguns
Comensais que j� sabiam sobre Harry. Eles eram os �nicos que Lorde Voldemort
confiou para contar sobre ele. Os outros o olhavam com uma mistura de medo,
surpresa e inveja.
Harry conversou com seu pai em particular naquela manh�. Ele pediu para que Moody
n�o fosse trazido at� eles. O Auror era muito bem treinado e daria muito trabalho
para captur�-lo. O garoto pediu para, ao inv�s disso, eles mesmos irem atr�s de
Moody.
Lorde Voldemort virou-se para seus seguidores e deu apenas uma ordem.
O Expresso de Hogwarts nunca havia sido atacado antes. A id�ia de tal coisa nunca
foi relevada, j� que Voldemort sempre demonstrou em ter como alvo os adultos. Al�m
disso, haviam muitos bruxos e bruxas puro-sangue a bordo, pessoas que Voldemort
precisava como pr�ximas gera��es de Comensais da Morte. Portanto, a pequena
quantidade de Aurores no trem era apenas para assegurar os pais, de que seus filhos
iriam ser transportados para Hogwarts em seguran�a.
O trem estava indo devagar e ningu�m tinha id�ia de quem os estava levando,
especialmente os quatro adolescentes da �ltima cabine. Ron, Hermione, Ginny e
Damien estavam discutindo em como seria Hogwarts agora que todos sabiam a verdade
sobre Harry e como seria com a aus�ncia de Neville. Damien sentia-se mais miser�vel
do que nunca, mas de algum modo, n�o conseguia falar com ningu�m.
De repente o trem deu um tranco e parou, muitas pessoas foram jogadas para frente
violentamente e ca�ram no ch�o. Parecia que o trem havia feito uma parada. Ron
ajudou Hermione a levantar-se, assim como Damien ajudou Ginny. Damien encaminhou-se
para a porta e abriu. Havia uma grande como��o l� fora. Muitos estudantes estavam
correndo e gritando com os Aurores exigindo querer saber o que estava acontecendo.
Os Aurores pareciam chocados e estavam mandando que todos voltassem para sua
cabine. Damien viu sua m�e no meio da multid�o, a mulher gritou para que ele
entrasse na cabine e ficasse l�. O menino entrou novamente e os quatro adolescentes
ficaram parados no meio de toda a confus�o.
"Bem, isso deve ser bem f�cil de consertar. Tudo o que eles precisam � levitar e
tirar aquilo do caminho." Ron disse.
"Ronald, voc� n�o pode nem levitar sua vassoura, quanto mais uma �rvore enorme!"
Ginny disse dando-lhe um leve chute na perna.
Ron lan�ou um olhar gelado para sua irm� ao v�-la rir de sua vergonha.
"Cala boca! Eu n�o estava dizendo que poderia levitar aquilo. Eu quis dizer que os
Aurores iriam levitar e tirar aquilo dos trilhos." Ron replicou lan�ando olhares de
vergonha para Hermione.
"Bem, provavelmente � isso o que eles v�o fazer." Hermione disse sem tirar os olhos
do Profeta Di�rio.
"Eles provavelmente n�o querem sair do trem, j� que todos os Aurores v�o ter que
sair para tentar levitar a �rvore. � o �nico jeito que o feiti�o daria certo, j�
que ela � t�o grande." Ginny disse ao olhar pela janela.
"Por que os Aurores n�o iriam querer sair do trem?" Ron perguntou confuso.
"Porque Ronald, eles n�o querem deixar o trem em caso de n�s... voc� sabe, sermos
atacados por alguma coisa." As palavras de Ginny morreram assim que ela percebeu o
que estava sugerindo.
Damien desviou o olhar n�o qurendo nem concordar, nem descordar da menina.
"Caramba! Isso respondeu sua pergunta Ron?" Hermione perguntou ao ver aqueles
homens todos vestidos de preto e usando m�scaras.
Devia haver em volta de quarenta ou cinquenta deles. Haviam apenas dez, talvez
doze, Aurores no trem. Eles estavam com uma terr�vel minoria. O cora��o de Damien
come�ou a bater como um louco ao ver os homens aproximando-se do trem. Os Aurores
nunca seriam capazes de lidar com tantos Comensais da Morte.
Damien sentiu seu cora��o parar ao ver quem os estava liderando. Harry estava
andando em volta deles, liderando aqueles Comensais mascarados em dire��o aos
estudantes aterrorizados do trem.
Sirius sabia que algo n�o estava certo. Quando o trem parou abruptamente, ele soube
que n�o era coincid�ncia a �rvore ter ca�do nos trilhos. Sirius era o �nico dos
Aurores que n�o teria sa�do do trem naquela hora. Moody concordava com ele, mas os
outros estavam argumentando contra. Foi apenas quando escutaram os gritos dos
alunos, os quais estavam olhando pela janela, que eles perceberam que estavam
rodeados por Comensais da Morte.
Sirius n�o perdeu tempo e rapidamente mandou que os estudantes se afastassem das
janelas, os outros Aurores estavam trancando as portas. Lily estava ajudando os
Aurores como podia, ela n�o conseguia acreditar em quem estava liderando esses
homens em dire��o ao trem. Harry andava na frente e era o �nico que n�o usava
m�scara.
Lily e Sirius olharam-se em p�nico. O que iria acontecer agora? Sirius n�o seria
capaz de proteger os alunos de Hogwarts e Harry. Os outros Aurores tentariam pegar
o garoto primeiro. Lily lan�ou a ele um olhar suplicante, j� que sua garganta
estava apertada por causa das emo��es. Sirius assentiu devagar, dando um sinal de
que iria proteger Harry o quanto pudesse.
Harry parou em frente ao Expresso. Seus homens estavam em volta do trem escarlate e
com suas varinhas em punho, prontos para o ataque. Eles tinham olhares famintos. O
garoto virou para eles e falou com os Comensais que estavam mais pr�ximos.
"Lembrem-se das minhas ordens, ningu�m entra no trem. Se algum aluno sair, voc�s
ir�o apenas estupor�-lo, entenderam? Se algum de voc�s matarem um aluno, eu vou
matar a pessoa de volta. N�s estamos aqui pelos Aurores, especialmente Moody. A
mensagem que estamos mandando para o Mundo M�gico � de que os Aurores n�o podem
protege-los. A prote��o necess�ria est� apenas com meu Pai. Entenderam?"
Harry pegou sua varinha nova e apertou-a. Sua antiga ainda estava com James Potter.
O garoto iria usar a que que seu pai lhe deu, at� que pudesse recuperar a antiga.
Ele apontou a varinha para sua garganta e murmurou 'Sonorus'.
"Aurores! N�o h� motivo para ficar se escondendo de n�s. Saiam do trem, ou n�s
entraremos!"
Harry n�o tinha nenhuma inten��o de entrar no trem. Como ele j� havia explicado
para os Comensais da Morte, as crian�as n�o eram alvos. Os Aurores eram os �nicos
que deveriam ser atacados. Desse modo, o mundo m�gico iria ver que os Aurore n�o
podem se proteger, quanto mais protege-los. Muitas pessoas iriam unir-se ao lado de
seu pai, assim que percebessem que a prote��o de Lorde Voldemort era muito melhor
que a do Minist�rio. Por�m, Harry tinha que amea��-los, ou os covardes nunca
sa�riam do trem.
A porta do Expresso abriu e doze Aurores sa�ram de l�. Os olhos esmeralda de Harry
brilharam ao ver Moody e Sirius. Eles sabiam por fontes seguras que Moody estaria
l�, mas o fato de Sirius estar presente, fez o cora��o do garoto saltar. Ele seria
capaz de lidar com os dois.
Bella, que estava mais pr�xima de Harry, repassou a mensagem para o resto. Os
Aurores n�o tinham nenhuma chance de sobreviver a esse ataque. Para cada Auror
haviam quatro Comensais. Lily estava dentro do trem e tentava desesperadamente
enviar uma mensagem para James. Ela sempre carregava o espelho de duas faces com
ela que antigamente pertencia ao seu marido e Sirius. Quando eles tinham problemas
em Hogwarts, usavam o espelho para entrar em contato, enquanto serviam diferentes
deten��es. Quando James virou um Auror, ele ficava longe dela em suas miss�es,
portanto, Sirius lhe deu o espelho para que ela pudesse ver falar com seu marido.
Lily estava procurando em sua bagagem, tinha que estar l�, ela nunca tiraria o
espelho de sua mala.
Damien sentia-se doente, como Harry pode fazer algo assim! Harry era o Pr�ncipe
Negro, sim, mas ele disse que n�o machucava crian�as. O menino lembrou-se da
primeira vez que viu o irm�o, Harry disse essas exatas palavras, 'Eu n�o machuco
crian�as'. Ent�o, por que ele estava aqui agora?
Damien estava surpreso com as a��es de Harry, mas ele ainda assim n�o queria que
seu irm�o se machucasse. Aquela situa��o era uma tortura para ele. Se Harry
ganhasse o duelo, o trem seria atacado e Merlin sabe quanto alunos seriam mortos.
Era poss�vel que at� ele ficasse ferido nesse ataque. Por outro lado, se por algum
milagre, os Aurores ganhassem, ent�o Harry com certeza seria morto ou capturado.
Sua captura seria pior, j� que o Ministro ordenaria a administra��o do beijo do
Dementador. Damien escutou as portas de sua cabine abrindo e ficou mais que supreso
ao ver Draco Malfoy parado l� dentro. O loiro olhou diretamente para ele. Ron foi o
primeiro a falar.
Damien percebeu que enquanto todo mundo que estava no trem entrou em p�nico e
parecia estar passando mal, Draco Malfoy n�o parecia se importar nem um pouco com o
ataque. Ele estava l� parado confort�velmente, sua face p�lida n�o tinha nada que
indicasse preocupa��o ou perturba��o.
Ron ainda estava gritando com Draco, quando Damien aproximou-se do garoto
Slytherin. O ruivo e as duas garotas olharam para o amigo como se ele fosse louco.
Os dois garotos foram em dire��o ao banheiro masculino. Damien olhou para Draco de
modo engra�ado e o Slytherin apenas fez uma meneio de m�o, mostrando que era para o
Gryffindor ficar quieto. O loiro abriu a porta e viu dois segundanistas no ch�o
tremendo de medo. Draco sorriu de lado.
"Voc�s sabem... quando o trem � atacado o primeiro lugar que eles checam s�o os
banheiros."
Os dois meninos gritaram e sa�ram correndo. Damien olhou Draco incr�dulo. O loiro
deu de ombros e apontou para suas vestes Slytherins, como se dissesse 'O que mais
voc� esperava de mim?'. Damien balan�ou a cabe�a e entrou no banheiro. Draco o
seguiu e trancou a porta.
"Ent�o Draco, por que voc� quer falar comigo e ainda por cima em um banheiro?"
Damien arregalou os olhos. Ele sabia de quem era a mensagem, mas perguntou mesmo
assim.
"De quem?"
"Do Harry. Ele disse que � para voc� ficar no trem. O que quer que aconte�a, n�o
saia do trem."
"Ficar dentro do trem! Isso � o que Harry disse, ficar dentro do trem. Voc� acha
que eu sou idiota Malfoy?"
"Por que Harry diria isso? O trem vai ser atacado logo. Voc� viu os Aurores, eles
n�o v�o durar muito! Se ele disse algo, Harry teria dito para eu correr o mais
r�pido poss�vel para fora do trem."
Damien estava fervendo de raiva. Draco estava mentindo para ele. O loiro estava
tentando deix�-lo em perigo falando para que ele ficasse no trem. Draco sorriu de
lado e respondeu calmamente.
"Harry nunca falaria para ningu�n fugir. Ele � o tipo de ficar e lutar, n�o muito
Slytherin, mas � assim."
Damien estava prestes a argumentar sobre alguma coisa quando Draco o cortou.
"Escute Potter! Eu n�o tenho o dia inteiro para ficar aqui falando com voc�. Eu lhe
dei a mensagem do Harry, agora, voc� que sabe se vai obedecer ou n�o. Por�m, se
Harry disse para ficar a bordo, voc� deveria ficar!"
Draco estava quase abrindo a porta para ir embora quando Damien falou. Com uma voz
silenciosa o menino perguntou.
"Por que? Por que ficar no trem, Harry e os Comensais da Morte v�o entrar mais cedo
ou mais tarde."
Draco virou-se e lan�ou a Damien um olhar de pena.
"Acredite em mim Potter, se Harry quisesse entrar no trem, ele j� estaria aqui."
Dito aquilo o Slytherin abriu a porta e saiu, deixando Damien parado sozinho no
banheiro.
Harry estava olhando para os Aurores com uma express�o faminta. Fazia um bom tempo
que o moreno n�o duelava com eles. Seus olhos emeralda encararam os azuis de Sirius
e Harry viu medo neles. O garoto sorriu. Sirius devia ter medo. Depos de toda a
tortura que ele o fez passar quando era mais novo, Sirius Black devia experimentar
o gosto do medo tamb�m. Harry apertou sua varinha e esperou que os Aurores fizessem
o primeiro movimento. Logo Moody deu um passo � frente e deu o sinal, imediatamente
muitos jatos de luz foram lan�ados. Os Comensais da Morte aproximaram-se e
come�aram a duelar.
Harry estava pronto para os dois jatos de luz que vieram em sua dire��o. Ele
conjurou seu escudo de corpo inteiro. A brilhante bola azul estava absorvendo todos
os feiti�os Estupefa�a. Harry desceu seu escudo e sorriu para o Auror que o atacou.
"Minha vez." Harry sibilou e lan�ou uma luz laranja em dire��o ao Auror. O homem de
cabelos castanhos recebeu o feiti�o direto no peito e foi lan�ado longe. O corpo
dele bateu no trem e caiu no ch�o.
Lily ainda procuarava por seu espelho de duas faces. Finalmente ela achou e o
pegou.
"Lily? O que h� de errado?" James perguntou alarmado ao ver a face coberta por
l�grimas de sua esposa.
"N�s estamos sob ataque, o Expresso de Hogwarts est� sob ataque!" Lily gritou,
incapaz de parar de tremer.
"James, os Aurore j� est�o l� fora, eles est�o duelando contra os Comensais. Tem
uns quarenta, cinquenta deles aqui!" Lily gritou.
Damien tinha cabado de entrar em sua cabine quando ouviu o primeiro feiti�o sendo
lan�ado. Todo mundo do trem jogou-se no ch�o quando v�rias maldi��es acertaram o
Expresso. Damien conseguiu aproximar-se de Ron.
"Todo mundo tem que ficar dentro do trem! Os Comensais s� est�o aqui pelos
Aurores." Damien falou alto entre os gritos ca�ticos.
"Eu estava certo sobre voc�! Albus nunca devia ter tentado te salvar. Voc� pertence
� Azkaban." Moody vociferou.
Harry sorriu para o Auror irado e apontou sua varinha para o cora��o de Moody.
"Existem muitas coisas que Albus n�o deveria ter feito. Uma delas foi deixar voc�
chegar perto de mim."
Antes que Moody pudesse reagir, Harry lan�ou um feiti�o ferroada. O Auror recebeu-o
direto no peito e deu alguns passos para tr�s, pressionando seu tor�x por causa da
dor. Moody levantou sua varinha, mas Harry lan�ou um Expelliarmus fazendo-a vir
parar em suas m�os. O garoto pegou a varinha de Moody e o olhou divertido.
"Qual � o problemas Auror Moody? Voc� n�o pode lutar comigo sem uma varinha. Voc�
s� � capaz de lidar com um adolescente de dezesseis anos quando ele est�
inofensivo? Pronto, eu vou fazer as coisas ficarem mais f�ceis para voc�."
Harry jogou as duas varinhas para o lado. Moody olhou-o, a confus�o nublando seus
olhos diferentes. O garoto o chamou e Moody ficou em posi��o. O Auror estava
parecendo bem incerto com a perspectiva de ter uma luta corporal com o adolescente,
mas n�o ia desistir de lutar com ele.
Moody correu e tentou dar um soco em Harry, o garoto deu um passo para o lado e riu
quando o Auror tentou virar para atac�-lo. Devido � sua perna defeituosa, era
dif�cil para ele se mover mais r�pido do que Harry.
Moody grunhiu de dor e tentou se equilibrar com uma m�o enquanto com a outra
tentava dar um soco em Harry. O garoto pegou a m�o do Auror e com um movimento
flu�do quebrou seu punho, do mesmo jeito que havia feito com Ron. Moody segurou sua
m�o e gritou de dor. Harry soltou-a e chutou o Auror novamente fazendo com que ele
ca�sse no c�o.
De repente Moody convocou sua varinha e ainda estando esparamado no ch�o apontou-a
para Harry. O garoto pegou sua outra varinha e jogou a de Moody longe. O Auror
gritou quando a m�o que segurava sua varinha come�ou a ser coberta por bolhas.
Harry lan�ou um feiti�o que dez Moody gritar em agonia. De pr�ncipio aparentaria
ser a maldi��o Cruciarus, mas esse n�o era o caso. V�rias queimaduras come�aram a
aparecer nos bra�os, pernas e no tronco do Auror, que continuou gritando. Harry
retirou a maldi��o e o Auror engasgou-se procurando por ar.
Harry apontou sua varinha para a cabe�a de Moody.
"Eu queria ter mais tempo para acertar as contas, mas j� que estou sem ele, isso
vai dar um jeito." Moody n�o estava nem mesmo olhando Harry, ele parecia estar
ficando inconsciente.
"AVADA KEDAV�" Harry foi cortado quando algo o acertou por tr�s, fazendo-o cair no
ch�o.
Harry virou-se e viu Sirius ca�do pr�ximo a ele. O garoto ficou furioso e encarou o
homem com todo o �dio que tinha.
"Voc� realmente deveria para de salvar as pessoas que eu quero matar Black!" Harry
vociferou assim que se levantou.
Sirius realmente queria pegar Harry e sair de l� com uma chave de portal. O garoto
estava fora de seu alcance e o Auror queria captur�-lo novamente antes que alguma
outra pessoa o fizesse. Harry tinha que sair dali.
"Creio que eu cometi um erro, deveria ter acabado com voc� primeiro!" Harry disse e
instantaneamente estava lan�ando Sirius para longe dele.
Damien viu quando Harry atacou seu tio Siri. Ele queria que ouvesse um jeito de
arrumar tudo, antes que a batalha entre seu irm�o e seu tio terminasse resultando a
morte de um deles. Qualquer uma das mortes seria terrivelmente devastadora para o
menino.
Sirius levantou-se apenas para ver Harry o acertar novamente. No terceiro golpe,
ele consegiu finalmente levantar um escudo. A for�a do feiti�o do garoto foi t�o
forte que quebrou o escudo do Auror.
Sirius realmente n�o queria machucar Harry, mas n�o tinha jeito de sair dessa
situa��o sem que isso acontecesse.
"Harry, por favor, me escute, eu sei o que que aconteceu na sua inf�ncia. Por
favor, deixe-me explicar aquilo..." Sirius nunca teve a chance de terminar, j� que
o punho de Harry acertou sua face.
"E eu que achei que voc� n�o poderia ser mais baixo, Black. Como se aquele seu
teatrinho, onde voc� pretendeu ser Bella n�o fosse o suficiente, voc� ainda tem a
coragem de tentar explicar porque ajudou na minha tortura quando eu era uma
crian�a!"
Antes que Sirius pudesse dizer algo ele sentiu uma dor na perna. O Auror gritou e
caiu no ch�o. O homem percebeu que Harry lan�ou a maldi��o quebra ossos. Sirius
caiu no ch�o e sentiu o feiti�o ser lan�ado novamente, mas dessa vez em dire��o ao
bra�o que segurava sua varinha. O Auror gritou quando seu bra�o quebrou em dois
lugares.
Entre as l�grimas que enxarcavam seus olhos, Sirius olhou para a face furiosa de
Harry.
"Harry! Por favor, n�o... apenas me escute." Sirius tentou novamente, mas parou
quando Harry lan�ou a maldi��o Cruciatus nele.
Uma dor incr�vel acertou Siriu e ele n�o conseguiu segurar o grito que saiu de sua
boca. Seu corpo inteiro estava sob uma dor inacredit�vel. Sirius sentiu a maldi��o
indo embora e ficou t�o ocupado tentando respirar que nem percebeu porque a
maldi��o foi retirada t�o r�pido. Ele abriu os olhos e sentiu o ar para em sua
garganta. Harry ainda segurava sua varinha, mas estava olhando para o ch�o. Sirius
tentou levantar-se, mas a dor de seu corpo o fez ficar l�, deitado.
"Damy, volte para o trem." Harry sibilou para Damien. O garoto havia parado a
maldi��o, porque seu irm�o entrou na frente de Sirius.
Damien ficou l� parado de modo desafiante, ele nem mesmo havia pego sua varinha. De
qualquer modo, ele n�o conseguiria machucar Harry. Ele viu o irm�o lan�ar a
maldi��o Cruciatus em Sirius e perdeu completamente a cabe�a. O menino correu para
fora do trem, antes que Ron ou algu�m o pudesse impedir.
"Harry, por favor, n�o fa�a isso! Tio Siri n�o fez nada. Por favor, pare com isso."
Damien suplicou. Ele sabia que Harry estava meramente segurando sua raiva. O menino
podia ver os dedos do irm�o ficarem brancos devido ao aperto que ele exercia em sua
varinha.
"Damien, saia." Sirius disse fraquinho, ele n�o sabia o quanto mais Harry
aguentaria. Ele n�o podia arriscar Damien.
"Eu disse apenas Estupefa�a!" Harry vociferou ao lan�ar o Comensal pelos ares. O
garoto correu at� a forma ca�da de Damien.
"Damien!"
Harry pegou o menino e colocou-o de p�. Damien parecia um pouco tonto, mas n�o
demonstrava estar machucado. Ele n�o podia acreditar que seu irm�o colocou-se nessa
situa��o de risco.
"Eu disse para voc� ficar dentro do trem! Caramba, Damien, voc� nunca escuta nada?"
Harry estava gritando com o irm�o. Se ele n�o tivesse visto a luz verde zunindo, a
maldi��o da morte com certeza acertaria Damien.
Harry pegou o menino em choque e levou-o em dire��o ao trem. Ele abriu a porta do
Expresso violentamente, causando com que os alunos gritassem de medo. Harry colocou
o menino de treze anos dentro do trem e ignorou suas suplicas. O moreno de olhos
verdes fechou a porta magicamente e trancou-a. Damien foi instantaneamente abra�ado
por seus amigos. O menino soltou-se deles e foi at� a janela. Ele assistiu seu
irm�o ir em dire��o ao Comensal que o atacou. Sem nem mesmo dar ao homem uma chance
de explica��o, Harry levantou sua varinha e Damien engasgou-se ao ver o jato de luz
verde acertar o Comensal direto no peito. O corpo do homem foi ao ch�o para nunca
mais levantar.
Dos doze Aurores que estavam no ataque, apenas cinco sobreviveram. Desses cinco,
dois estavam seriamente feridos. Moody estava em um tipo de coma e Sirius estava
recuperando seus ossos quebrados e outras feridas. Apenas tr�s Aurores sairam
ilesos do ataque.
O ataque ao Expresso de Hogwarts n�o foi um sucesso. Lorde Voldemort n�o estava, de
maneira alguma, feliz. Ele esperava que Harry matasse todos os Aurores. O Ministro
perdeu sete homens, ele dois. O fato de um de seus Comensais ter sido morto por
Harry, era perturbador.
Lorde Voldemort esperou at� o dia seguinte para questionar Harry. Quando o garoto
estava sentado confort�velmente na c�mara do Lorde das Trevas, Voldemort perguntou
por que ele matara o Comensal chamado Harrison.
"Que oredem foi essa Harry?" Lorde Voldemort perguntou. O incdente inteiro foi
contado por Malfoy, mas Voldemort queria ouvi-lo vindo da boca de Harry.
Harry aparentava n�o estar preocupado com as perguntas, mas Lorde Voldemort
percebeu a mudan�a em seu humor. Ele estava relaxado no come�o da discuss�o e agora
estava ficando desconfort�vel.
"E isso importa? Harrison desobedeceu uma ordem direta. Eu avisei que qualquer
Comensal que matasse uma crian�a iria ser morto. Harrison n�o me escutou e pagou as
consequ�ncias."
Harry olhou para seu pai ao escutar a estranha pergunta. Por que Lorde Voldemort se
importaria se um estudante morreu ou n�o?
"N�o, ele n�o morreu." Harry disse silenciosamente tentando controlar as batidas de
seu cora��o.
"Ent�o por que voc� matou Harrison? Se nenhum estudante morreu, ent�o por que voc�
matou o Comensal? A n�o ser que voc� tenha desejado matar Harrison por ele ter
tentado matar o aluno."
Lorde Voldemort observou Harry de perto. Ele n�o gostava nem um pouco do olhar
acusat�rio que Harry lhe estava lan�ando.
"Harry, voc� vai comandar esses homens no futuro. Se voc� est� infeliz com eles, ou
sinta vontade de pun�-los, ent�o fa�a isso. Eu n�o me importo com Harrison, se ele
te desrespeitou, ent�o voc� tinha todo o direito de pun�-lo. O que eu quero deixar
claro, de qualquer maneira, � que eu n�o tolerarei que voc� proteja algu�m do lado
da luz, mesmo se for uma crian�a."
Voldemort deixou suas palavras penetrarem. Harry parecia que iria retrucar, mas
pensou melhor.
"Pai, desculpe-me se voc� pensou que eu estava protegendo algu�m do lado da luz. Eu
nunca protgeria ningu�m se isso lhe causasse algum mal. A �nica raz�o pela qual eu
ajudei Da... aquele menino, foi porque ele me ajudou a escapar de Hogwarts. Eu
estava apenas pagando um d�bito."
Harry esperava que seu pai acreditasse nisso. Lorde Voldemort parecia o estar
observando. Depois de um tempo, que pareceram horas, Voldemort finalmente falou.
"Agora que o d�bito est� pago, eu quero que voc� fique longe dele. A identidade o
menino n�o foi passada em branco por mim! Eu sei que ele � um Potter e eu estou
apenas lhe dando o benef�cio da d�vida. Dessa vez, eu vou acreditar que voc� apenas
o salvou porque ele � um inocente e n�o porque ele � um Potter!"
Harry olhou para seu pai com raiva. Sua cicatriz estava pinicando, mas ele ignorou.
"Eu sempre respeitei sua decis�o de n�o machucar crian�as, Harry. Eu mesmo n�o
desejo machucar crian�as se n�o for necess�rio, mas isso � guerra. N�s n�o podemos
escolher mais. Se as crian�as entrarem em nosso caminho, n�s n�o temos nenhuma
chance a n�o ser lidar com elas."
Harry tremeu e olhou desconfort�velmente para Lorde Voldemort.
"Voc� sabe que eu n�o posso..." Harry come�ou, mas foi cortado por Voldemort
novamente.
"Eu sei e eu entendo isso Harry, mas voc� tem que se desvincular da sua inf�ncia.
Voc� n�o � mais uma criancinha. Eu fiz voc� ficar forte. Voc� tem que come�ar a
pensar como um guerreiro e n�o como uma crian�a ferida."
Harry assentiu e depois de alguns instantes saiu da c�mara de seu pai dizendo que
estava cansado e que iria descansar. Lorde Voldemort parou na janela e come�ou a
pensar sobre Harry e sua 'mania de salvar crian�as'.
Se Voldemort soubesse que seu plano em rela��o � inf�ncia de Harry fosse resultar
nisso, ele nunca teria levado a diante os abusos contra o garotinho. O Lorde das
Trevas apenas fez o que fez para assegurar que Harry nunca voltasse para os
Potters. Al�m disso, Lorde Voldemort queria que o garoto se sentisse em d�bito com
ele. Se Harry acreditasse que sem o seu apoio ele n�o teria sobrevivido, ent�o o
garoto nunca sairia de seu lado. Acima de tudo, o garoto seria leal.
Lorde Voldemort mostrou-se ser algu�m bem diferente dos Potters 'malvados'. Ele
disse � Harry que tamb�m n�o machucava crian�as e que queria deix�-las fora de
perigo o m�ximo poss�vel. Agora que Harry estava apenas h� um ano de completar sua
maioridade, estava ficando cada vez mais dif�cil continuar permitindo as vontades
do garoto. Seu filho teria que mudar, era a �nica chance dele realmente virar o
pr�ximo Lorde das Trevas.
Harry estava sentado em seu quarto em uma profunda reflex�o. Isso n�o era bom.
Voldemort nunca mostrou tanta decep��o com ele antes. O garoto sabia que proteger
Damien na frente de todo mundo n�o era um movimento esperto, mas ele n�o teve outra
chance. Agora que seu pai havia dado uma ordem direta para ficar longe de Damien,
ele n�o podia fazer nada a n�o ser acatar, mesmo se o menino estivesse com
problemas.
Harry esfregou sua cicatriz distra�do. N�o estava doendo, mas estava pinicando,
indicando que seu pai estava um pouco chateado com ele. O garoto suspirou e
levantou-se. Ele iria treinar um pouco. Era o �nico modo de esquecer um pouco do
desastre que estava sendo sua vida. Harry aproximou-se de seu arm�rio e pegou seus
objetos de treino. Ele tirou suas atuais vestes e jogou-as no ch�o, antes que ele
colcasse outras vestes, algo chamou-lhe a aten��o. O garoto estava parado em frente
ao espelho e a luz que brilhava no quarto refletiu a horcrux prateada em volta de
seu pesco�o. Harry olhou para o pingente, seus olhos o estudavam de perto. Um plano
formou-se na mente do moreno de olhos verdes e o adolescente sorriu. Era perfeito.
Se seu plano desse certo, ele poderia proteger Damien sem ser pego por ningu�m.
Harry colocou suas vestes e saiu, deixando seus objetos de treino para tr�s. Ele
tinha que colocar seu plano em a��o.
Damien foi levado de volta para casa. Todo mundo estava assustado com o ataque ao
Expresso de Hogwarts. Seus amigos lhe enviaram muitas cartas, perguntando quando
ele voltaria para o col�gio. O menino respondeu que voltaria logo. James e Lily n�o
pararam de irrit�-lo, mesmo sabendo que ele n�o estava ferido.
Nesse momento Sirius estava no andar debaixo com James e Lily. O Auror tinha
acabado de receber alta de St. Mungus e iria passar alguns dias com os Potters para
se recuperar. Damien ficou extremamente envergonhado com o comportamento de Harry.
Ele tentou desculpar-se com seu tio, mas Sirius apenas o abar�ou apertado e o fez
jurar nunca se arriscar novamente.
Teria sido uma �tima reuni�o para Damien, com seus pais, seu tio Sirius e seu tio
Remus, se n�o fosse pela coruja que arruinou a noite, trazendo a pr�via do Profeta
Di�rio que seria liberado no dia seguinte. O Professor Dumbledore mandou a carta
dizendo que conseguiu essa c�pia com o Ministro Fudge.
Lily entregou o pergaminho para eles e os tr�s homens aproximaram-se para ver o que
seria publicado. Damien veio ver tamb�m. Seus olhos avel� abriram-se em choque. No
pergaminho havia uma grande foto de Harry e abaixo tinha uma nota dizendo que se
algu�m soubesse por onde ele andava, ou qualquer outra informa��o que pudesse
resultar na captura do garoto, ent�o, o Ministro iria pagar � pessoa cinco mil
gale�es.
Damien n�o podia acreditar nisso. O mundo m�gico inteiro iria ca�ar Harry agora. Os
quatro adultos correram at� a sala de estar para discutir o assunto.
"Eles n�o podem fazer isso, ele tem apenas dezesseis, eles n�o podem fazer isso!"
Dizia Lily hist�ricamente.
James estava fazendo o poss�vel para acalm�-la. A verdade era que eles podiam fazer
isso. Harry era uma enorme amea�a para o Ministro. Eles tinham que remov�-lo do
mundo m�gico de um jeito ou de outro. James come�ou a contatar os membros da Ordem,
enquanto Sirius tentava contatar os membros do Minist�rio para saber o que estava
acontecendo. Remus ficou com a tarefa de acalmar Lily. Damien estava por si s�,
perdido em seus pr�prios pensamentos. Isso iria acontecer algum dia, Harry apenas
acelerou o processo. Algum dia desses o Profeta anunciaria a captura de Harry e a
sua senten�a ao beijo do Dementador. Damien apenas saiu de seus pensamento quando
sua m�e o abra�ou. O adolescente tentou ao m�ximo n�o fraquejar na frente de todos,
mas suas emo��es estavam em frangalhos. O menino pediu licen�a e correu para seu
quarto.
Damien estava sentado em sua cama perdido em pensamentos perturbadores. Cinco mil
gale�es era muito dinheiro. Muitos bruxos e bruxas ficariam felizes em ir atr�s de
Harry para p�r as m�os no dinheiro. O menino ainda estava com a pr�via do jornal em
m�os, ele tinha pego sem perceber. Damien jogou-a na cama e colocou as m�os na
cabe�a.
Do lado de fora de Godric�s Hollow, uma figura negra estava parada tomando coragem
para entrar na casa que deixara h� tantos anos atr�s. Harry respirou fundo ao pisar
novamente nos gramados de Godric�s Hollow. O garoto sabia que a casa teria escudos
de prote��o, mas como a maioria, eles n�o recusavam pessoas do mesmo sangue. Harry
era um Potter por sangue, portanto, os alarmes n�o soariam se ele entrasse. O
moreno de olhos verdes nunca pensou que colocaria seus p�s novamente naquele lugar.
'O que diabos voc� fez comigo, Damien?' ele pensou ao entrar nos terrenos. O local
era exatamente como Harry lembrava. A cor das paredes do lado de fora, o gramado
bem cuidado com suas flores perfeitas e at� o caminho que levava para a porta
vermelha era o mesmo. Os Potters n�o mudaram nada em sua casa.
Harry tremeu levemente ao lembrar-se de sua �ltima noite naquele maldito lugar. O
garoto rapidamente montou sua vassoura e vagarosamente voou. Retirando de sua
mem�ria, ele sabia que os quartos ficavam no andar superior. Achar o quarto de
Damien seria o problema. Ele vagarosamente, e o mais discreto poss�vel, passou
pelos dois primeiros quartos. Ele reconheceu o quarto principal e o de visitas. O
terceiro dormit�rio provavelmente era o de Damien. Harry voou em dire��o � janela
aberta. Imediatamente, o moreno de olhos verdes viu seu irm�o sentado na cama com
as m�os na cabe�a.
Harry estava considerando em atacar o menino, j� que ele era est�pido o suficiente,
ao ponto de n�o saber o perigo em que estava. Ao inv�s disso, o moreno de olhos
verdes parou em frente a ele.
"Voc� realmente deveria trancar sua janela de agora em diante." Harry disse e o
adolescente pulou ao escutar sua voz.
Harry sorriu para Damien. O adolescente levantou-se meio cambaleante e atirou seus
bra�os em volta do irm�o. O moreno de olhos verdes afastou o menino.
"Harry! O que... o que voc� est� fazendo aqui?" Damien estava esperando que seu
irm�o viesse para casa, mas sabia que se esse fosse o caso ele n�o estaria entrando
pela janela.
"Eu queria ter certeza de que voc� estava bem." Harry disse e Damien ficou chocado
com sinceridade na voz dele. O menino sabia que seu irm�o se importava com ele
desde o incidente com os Daywalkers, mas Harry nunca expressou isso em palavras.
"Eu estou bem , mas voc� est� com grandes problemas, Harry!" Damien disse e
afastou-se dele para pegar o pergaminho com a pr�via.
"� isso, cinco mil gale�es. Eu pensei que valia mais que isso!" Harry disse dando
risada.
"Como voc� pode brincar com uma coisa dessas?" Damien vociferou.
"Harry! Voc� n�o entende o qu�o ruim � isso? Todos os bruxos e bruxas v�o estar
atr�s de voc�, mais cedo ou mais tarde voc� vai ser pego e a�..." Damien n�o
conseguia falar na puni��o que esperava por Harry
"Eu j� disse Damy, n�o se preocupe comigo. Eu sou muito bom em me esconder. Ningu�m
me encontra se eu n�o quiser."
Damien abriu a boca para perguntar o que Harry quis dizer com aquilo, mas seu irm�o
levantou a m�o para par�-lo.
"Damy, eu n�o tenho muito tempo. Eu vim ver se voc� estava bem. Eu queria dizer que
o ataque no Expresso de Hogwarts, n�o era contra os alunos. N�s estav�mos apenas
atr�s dos Aurores. Eu preciso que voc� saiba disso."
Damien assentiu em resposta. Ele j� sabia disso. Malfoy jogou a indireta quando
disse aquilo sobre Harry n�o entrar no trem.
"Eu tamb�m quero te dar uma coisa." Harry parecia um pouco desconfort�vel quando
tirou a caixa do bolso. Damien olhou-a com uma express�o inquisitiva. O moreno de
olhos verdes entregou a caixa para o irm�o.
"O que � isso?" Damien perguntou ao peg�-la. Harry olhou para o menino mais novo
com uma express�o divertida.
"Voc� tem que perguntar coisas sem necessidade? Se eu fosse dizer o que era, n�o
estaria dentro da caixa."
Damien sorriu por causa da bronca de Harry. O menino abriu-a e encarou o item que
havia dentro. Era de tirar o f�lego. Damien pegou a corrente, era prata e tinha um
pingente oval com uma pedra negra no centro. Estava rodeado por v�rias pedrinhas
brancas. O menino sentiu uma onda de poder assim que passou seus dedos por cima da
pedra negra.
"� chamada de Lahyoo Jisteen. � uma pedra rara, a pessoa que a possui e fica
pr�xima � ela � beneficiada de todos as maneiras poss�veis." Harry explicou
adorando a express�o surpresa de Damien.
"O que isso faz?" Damien perguntou ao passar seus dedos sobre a pedra novamente,
era incr�vel a sua beleza.
"Protege voc� de tudo que existe para ser protegido contra." Harry respondeu
simplesmente.
"Mas por que voc� est� me dando isso, se algu�m precisa disso mais do que nunca, �
voc�." Damien disse. Para o menino soou como se a pedra tivesse algum tipo de
feiti�o da sorte.
"Eu juro que nunca vou tirar a corrente." Damien assegurou. Ele olhou para o
pingente de modo carinhoso. Era o primeiro presente que ele ganhava de seu irm�o.
De repente, Damien pensou em algo e olhou para Harry um pouco envergonhado.
"Eu n�o comprei nada para voc� de Natal." Damien disse silenciosamente.
"Eu n�o preciso de um kit polidor de vassouras, voc� n�o precisa me comprar nada.
Eu tenho algo em mente que voc� pode considerar meu presente de Natal." Harry
disse.
"Voc� quer dizer aquele anel preto e prata que eu disse para voc� soltar, quando
voc� pretendia ser o tio Siri?" Damien perguntou com uma sobrancelha levantada.
"N�o est� no sal�o comunal. N�s sabemos que seu anel � na verdade sua penseira
particular."
A cor que apareceu nas bochechas de Harry desapareceram e o garoto parecia que ia
desmaiar.
"O que!...Voc�s...voc�s acharam a penseira! Quem sabe sobre isso? O que voc�s
viram? Por que voc� entrgou a eles o anel?" Harry perguntou com raiva. Damien
afastou-se dele.
"Harry, eu n�o vi suas mem�rias. Eu n�o dei o anel para ningu�m. Tio Siri foi quem
descobriu sua penseira. Apenas mam�e, papai, tio Siri e Dumbledore sabem sobre
ela."
Harry olhou Damien com uma express�o mortificada em sua bela face.
'Dumbledore, Black e os dois Potters sabem sobre minhas mem�rias secretas.' Harry
pensou estressado.
"Hum... sim, na verdade tio Remus sabe tamb�m, mas ele n�o viu nada." Damien
adicionou quando o olhar do irm�o come�ou a lhe dar medo.
Harry afastou-se de Damien e come�ou a andar de um lado para o outro. O menino mais
novo impediu-se de dizer o quanto seu irm�o estava parecendo com o pai deles no
momento. Harry estava certo de que seu cora��o ia explodir de medo. Eles viram suas
mem�rias. Seus mais negros e profundos segredos estavam naquela penseira. Coisas
que nem mesmo Voldemort sabia e que n�o podia, de jeito nenhum, ficar sabendo.
Harry n�o conseguia nem pensar nas consequ�ncias. Ainda bem que ele havia trancado
todas as sua lembran�as com feiti�os complicados que iriam levar um bom tempo para
serem quebrados. Harry virou-se para encarar Damien.
"Damien, voc� tem que pegar o anel de volta! Dumbledore n�o pode de jeito nenhum
ver todo o conte�do da penseira. Diga-me tudo que voc� sabe sobre o que est� l�
dentro."
"Voc� n�o entende! Ningu�m sabe o que existe nas minhas mem�rias, nem mesmo meu pai
e se ele descobrir... Damy, eu vou ficar com tantos problemas! Meu Pai nunca me
perdoaria. Isso arruinaria tudo."
Damien estava perdido, por que Harry entrou em p�nico? O que ele podia ter feito
para ter que guardar um segredo de Lorde Voldemort? Damien decidiu que iria
perguntar depois, primeiro ele tinha que acalmar seu irm�o.
"Harry, acalme-se. Eu posso pegar seu anel ou penseira, sei l�. Est� l� em baixo. O
Professor Dumbledore deixou-a com papai ontem, dizendo alguima coisa sobre o
Ministro querer checar seu escrit�rio, alguma coisa desse tipo. Espere aqui que eu
vou pegar."
Harry parecia que ia desmaiar de al�vio. Ele sentou na cama de Damien e o menino
saiu do quarto, fechando a porta devagar. Damy sabia que n�o deveria devolver o
anel. Al�m do mais, as mem�rias estavam ajudando Dumbledore e seus pais entenderem
Harry melhor, mas depois de ver seu irm�o entrando em p�nico daquele jeito, o
menino decidiu que iria devolver. Ali�s, n�o era justo invadir a privacidade de
algu�m daquele jeito.
Ele sabia que seu pai colocou a penseira em seu quarto. Damien entrou no quarto de
seus pais e encontrou a penseira dentro do arm�rio. O menino sabia que seu pai
nunca colocaria alarmes em algo que estivesse dentro de sua pr�pria casa, portanto,
ele a pegou e saiu.
Harry tentou acalmar-se respirando fundo. Ele n�o tinha contado com a possibilidade
de algu�m descobrir sobre sua penseira. O garoto pensou que seu anel seria
esquecido dentro do dormit�rio masculino em Gryffindor. Harry se arrependeu de n�o
ter levado seu anel. Ele planejou em voltar para o dormit�rio e peg�-lo, mas por
James Potter ter sobrevivido, ele apenas teve tempo para escapar. O moreno de olhos
verdes levantou-se e come�ou a analisar o c�modo onde estava. Era um quarto
relativamente grande em rela��o � casa. Comparado com o seu quarto na Mans�o
Riddle, esse c�modo parecia uma cela. Mesmo seu banheiro era maior. Para uma casa
normal, no entanto, o quarto de Damien era bom o bastante. Harry estava observando
os posters de Quadribol do irm�o, quando o menino voltou com a sua penseira em
m�os. Harry soltou o ar em al�vio e aproximou-se de Damien.
"Obrigado Damien." Harry disse ao pegar a penseira. O garoto passou as m�os sobre
ela e transformou-a no anel preto e prata. O moreno colocou seu anel e olhou para
Damien com uma express�o bem mais calma.
"Harry. Que lembran�as voc� tem a� que fez voc� entrar em p�nico daquele jeito?"
Damien perguntou.
"Eu n�o posso explicar Damy, � muito complicado." Harry virou-se para sair.
"Damy, voc�... voc� sabe que mem�rias Dumbledore e os outros viram?" Harry
perguntou com medo.
"Eles viram as que eram sobre sua inf�ncia e algumas outras. Eu ouvi o Professor
Dumbledore dizendo que estava tentando quebrar os feiti�os que existiam nas outras,
mas pelo o que eu saiba, ele n�o conseguiu."
"Ok, tudo bem. Olhe Damien, eu tenho que ir agora. Eu quero que voc� saiba que eu
n�o posso ficar vindo aqui ver voc� desse jeito. � muito arriscado. Apenas me
prometa que voc� n�o vai tirar a corrente. Mesmo se for para mostrar para algu�m.
Ok?"
"Harry! Espere, eu esqueci de te dizer uma coisa..." Antes que Damien pudesse dizer
algo, ele ouviu a voz de seu pai o chamando no andar debaixo.
Damien virou-se para ver Harry e viu que o garoto j� tinha ido. O menino correu at�
a janela e viu o irm�o indo embora em sua vassoura. Damien ficou frustrado, ele
queria contar para seu irm�o que as mem�rias de sua inf�ncia eram falsas e que
Wormtail era um traidor. Harry saberia a verdade se pudesse encontrar o animago.
Afinal, ele era a pessoa que levou Harry para Voldemort, quem sabe seu irm�o
acreditasse em Wormtail.
Harry estava extremamente grato por Damien ter aceito a corrente. O garoto tinha
tirado a id�ia da horcrux que estava em seu pesco�o. Do mesmo jeito que a horcrux
s� podia ser retirado por Harry ou Voldemort, a Lahyoo Jisteen s� podia ser
retirada por Harry ou Damien. Enquanto o menino utilizasse a corrente, nada poderia
machuc�-lo. Desse modo ele estava a salvo e se por alguma raz�o seus caminhos
cruzassem novamente, Harry n�o precisaria se arriscar.
Ele tamb�m estava muito grato por Damien ter pego seu anel de volta. O pensamento
de ter seus segredos revelados era aterrorizante. Sua mem�rias de inf�ncia n�o eram
preocupantes para ele. Afinal, foram os Potters mesmo que o atormentaram tanto. Era
uma boa coisa que eles lembrassem o que fizeram para ele. Eram as mem�rias
escondidas que o garoto temia, elas estavam daquele jeito por uma raz�o. Lorde
Voldemort nunca o perdoaria se descobrisse o que Harry fez. Seu pai nunca
entenderia a raz�o por tr�s de seus atos. Aquelas lembra�as tinham que ficar
trancadas para sempre.
obs: A palavra "c�mara" que foi utilizada, refere-se a um conjunto de c�modos como
quarto, escrit�rio, banheiro... como se fosse um mini flat.
O dia depois da visita de Harry, provavelmente, foi o pior da vida de Damien. Esse
dia come�ou terr�vel. Seus pais e seu tio Sirius ainda estavam em uma profunda
discuss�o sobre a recompensa em cima da cabe�a de seu irm�o. Damien sentou-se na
mesa, ele sabia que deveria ter alertado seus pais sobre a visita de Harry na noite
anterior, mas estava com medo pela seguran�a do irm�o. Seus pais n�o seriam capazes
de proteger Harry do Ministro. Ao menos, seu irm�o estava relativamente protegido.
O dia piorou quando James percebeu que a penseira de Harry havia sumido. Damien
sentou silenciosamente enquanto Lily, James e Sirius procuravam-na e tentavam
convoc�-la de todos os jeitos poss�veis. O menino odiava a culpa que sentia, por
ser a pessoa que roubou a penseira, mas ele apenas queria devolv�-la para seu dono.
"Espero que esses feiti�os protetores me ajudem com mam�e a papai tamb�m."
Damien escutou seu nome ser chamado e entrou. Seu tio Remus estava esperando por
ele.
"Hey tio Remy, quando voc� chegou?" Damien perguntou ao lhe dar um abra�o.
"Agora. As coisas por aqui parecem estar meio ca�ticas." Seu tio comentou ao ouvir
a discuss�o que ocorria naquele momento.
Damien e Remus foram at� o Calder�o Furado de Noitebus Andante. O menino amou
aquele �nibus estranho e ficou imaginando se Harry j� tinha andado naquilo.
'Provavelmnete n�o' foi a resposta para sua pergunta. Remus planejou um passeio ao
Beco Diagonal. Aquele lugar tinha tudo para manter a mente de Damien ocupada. Eles
passaram umas boas tr�s horas no Beco, comprando in�meras coisas e aproveitando a
comida dos pubs. Bem na hora que o menino estava come�ando a relaxar, v�rios gritos
foram ouvidos.
Sentindo que seu corpo era de chumbo, Damien for�ou-se a olhar para a janela. Como
previsto, haviam v�rios homens com m�scaras brancas e de capa preta atacando as
pessoas que estavam no Beco Diagonal. O menino sentiu seu bra�o sendo puxado e
olhou para Remus. Seu tio estava mais p�lido do que nunca e seus olhos encaravam os
homens do lado de fora.
"Damien! R�pido, venha comigo."
Damien foi levantado pelo seu tio e ambos sa�ram correndo at� a porta. Assim que
sa�ram do lugar, houve uma grande explos�o. O pub onde eles estavam sentados h�
alguns minutos atr�s, estava consumido por chamas. Remus e Damien foram jogados no
ch�o por causa do impacto. O menino foi pego pelo sei tio e levantado do ch�o.
"N�s temos que chegar at� o ponto de aparata��o! Venha, por aqui!" Remus gritou
entre todo aquele caos.
Damien apenas assentiu e acompanhou seu tio. O menino percebeu que o ataque ao Beco
Diagonal era diferente ao ataque feito contra o Expresso de Hogwarts. Os Comensais
pareciam estar menos organizado e estavam atirando feiti�os para todos os lados.
N�o havia nenhum prop�sito ali, a n�o ser causar p�nico. Damien percebeu
rapidamente que Harry n�o estava l�, ele n�o estava entre os Comensais da Morte.
"Ora, ora, veja se n�o � o lobisomem e seu filhotinho!" O homem mascarado zombou.
Damien estava com sua varinha em m�os, mas n�o sabia que feiti�o usar. Ele n�o era
r�pido com feiti�os e seus movimentos de m�o eram bem devagar para um duelo. Remus
apontava sua varinha para os dois Comensais.
Damien sentiu a for�a das maldi��es quando elas acertaram o escudo. Ele sabia que
Remus era capaz de lidar com os Comesais, esse n�o era o problema, mas mant�-lo
seguro ao mesmo tempo, que seria dif�cil. Nesse momento de p�nico, o menino
esqueceu completamente da Layhoo Jisteen em volta de seu pesco�o.
Os dois Comensais da Morte riram e lan�aram a maldi��o Cruciatus contra ele. Com
nada para se proteger, Damien desviou da maldi��o. Assim que se moveu, outra
maldi��o foi lan�ada em seu caminho. O menino n�o era r�pido o suficiente para
desviar-se novamente e pereparou-se para sentir uma imensa dor. A luz vermelha veio
zunindo em sua dire��o e antes de acert�-lo bateu contra uma esp�cie de barreira e
desapareceu.
Damien estava ca�do no ch�o, chocado com o que havia acontecido. As maldi��es
Imperdo�veis eram as �nicas que n�o podiam ser bloqueadas. Mesmo assim, a Cruciatus
foi parada. O outro Comensal saiu de seu estopor e correu at� ele. Ele estava a
ponto de pegar o menino insolente e perguntar como ele conseguiu parar uma maldi��o
Imperdo�vel, mas quando esticou a m�o para peg�-lo, uma for�a invis�vel o jogou
para tr�s. Damien estava completamente surpreso em como ele n�o podia ser ferido.
Assim que o adolescente se levantou, ele sentiu o pingente que estava por baixo de
suas vestes encostar em seu peito. Damien percebeu imediatamente, 'Claro, a Layhoo
Jisteen est� me protegendo!'.
Damien sentiu uma imensa gratid�o em rela��o � Harry. Era isso que significava
'Protege voc� de tudo que existe para ser protegido contra'. Foi nessa hora que o
adolescente sentiu algu�m colocar a m�o em seu ombro. Ele virou-se para dar de cara
com Remus. Ele tinha sangue descendo pela face, mas parecia estar se concentrando
em Damien.
"Eu... eu n�o sei." Damien respondeu, n�o querendo contar sobre o presente de
Harry.
"Venha, n�s precisamos sair daqui." Remus disse enquanto olhava Damien de modo
suspeito. Ele iria question�-lo sobre suas habilidade em duelo quando chegassem em
casa.
Damien estava sentado em frente aos seus pais e ao Diretor. Seus dois tios estavam
ao seu lado. O menino n�o podia evitar, ele estava sentindo que seria interrogado
sobre os eventos no Beco Diagonal. Logo, Remus come�ou a contar sobre o ataque dos
Comensais sobre eles e todos os tipo de perguntas come�aram a serem feitas. Damien
ficou sentado em sil�ncio, mas sua mente estava viajando. O que supostamente era
para ele dizer? Remus disse � todos que ele nem mesmo pronunciou nenhuma palavra ou
feiti�o! Como ele iria explicar isso sem mencionar Harry e a Layhoo Jisteen?
"Damy, voc� est� nos escutando?" A voz de sua m�e interrompeu seus pensamentos.
"Bem, voc� vai nos dizer como conseguiu lutar contra dois Comensais da Morte?"
James perguntou. Ao contr�rio de Lily, ele n�o estava preocupado sobre como seu
filho conseguiu duelar com dois Comensais. Ele estava orgulhoso! E agora, queria
saber os detalhes.
"� muito dif�cil levantar um escudo sem varinha, de fato, apenas algumas pessoas
conseguem. Tente pensar sobre o que aconteceu com cuidado." Dumbledore disse �
Damien com um pouco de descren�a em sua voz. O Diretor esteve ao lado de crian�as
quase que sua vida inteira e n�o tinha que usar Legimens para saber se alguma delas
tentava segurar alguma informa��o.
"Creio que ele j� teve drama o suficiente por um dia, voc�s n�o acham?" Sirius
disse. Damien o olhou grato.
"Talvez n�s devessemos conversar sobre isso depois, ele est� bem p�lido." Sirius
continuou.
"Damy se voc� puder tirar a mem�ria, n�s podemos ver..." James come�ou, mas foi
cortado por Damien.
James e Lily olharam seu filho e imediatamente souberam que algo n�o estava certo.
Damien estava todo feliz pela manh�. Depois que o menino saiu do c�modo, os adultos
ficaram tentando descobrir o que aconteceu.
"Por que voc�s n�o olham a minha mem�ria do ataque, talvez haja algo que possa ter
passado despercebido."
Todos eles assistiram o ataque ao Beco Diagonal. Eles viram Remus ser jogado longe
de Damien pelos dois Comensais. O lobisomem conseguiu olhar para o menino quando a
maldi��o Cruciatus foi lan�ada. A maldi��o veio zunindo e todos viram como Damien
levantou as m�os para se proteger. Ningu�m com a exce��o de Dumbledore viu a luz
que envolveu o menino. A luz o envolveu e a maldi��o foi absorvida. Essa luz
brilhante foi o que o protegeu. Quando o segundo Comensal aproximou-se de Damien e
tentou peg�-lo, ele foi lan�ado longe. Dessa vez n�o houve nenhuma luz, e de
repente, Dumbledore sabia exatamente o que aconteceu.
Assim que eles sa�ram da mem�ria de Remus, Dumbledore pediu � Lily e � James para
que eles trouxessem Damien at� a sala novamente. Os pais foram buscar o menino,
enquanto Sirius e Remus perguntavam o que estava acontecendo. Dumbledore permaneceu
em sil�ncio e parou com suas m�os nos bolso.
Assim que Damien entrou na sala o Diretor lan�ou uma maldi��o contra ele. Ningu�m
teve a chance de protege-lo. O menino gritou de surpresa e todos viram que a
maldi��o desapareceu quando estava se aproximando dele. Todo mundo parou para
encarar Dumbledore.
"Que diabos Dumbledore! O que voc� pensa que est� fazendo?" Disse James com raiva.
"Creio que voc� tem que explicar no que estava pensando ao atacar Damien!" Lily
disse rudemente.
"Minha querida Lily, eu acho que o joven Senhor Damien Potter deveria explicar as
coisas."
Damien aceitou a derrota, por quanto tempo mais ele iria conseguir esconder a
verdade? Isso ia ser descoberto, mais cedo ou mais tarde, melhor agora. O menino
sentou-se e tentou n�o olhar para seus pais.
"Voc� n�o pode simplesmente sair por a� atacando meu filho, Dumbledore!" James
continuou.
"Eu... hum... eu preciso contar uma coisa." Damien come�ou. Ele estava falando com
todos, afinal, seus tios tamb�m tinham o direito de saber. Os adultos o olharam com
express�es confusas.
"Eu deveria ter contado ontem � noitem, mas hum... ontem � noite, hum... H-Harry
veio me ver." Damien tentou manter seus olhos no seu colo, ele n�o queria ver o
choque das pessoas. Mesmo Dumbledore n�o esperava a visita de Harry. O menino
come�ou a contar a noite passada.
"Ele entrou pela minha janela, eu fiquei realmente surpreso ao v�-lo e tudo mais.
Ele... ele disse que veio para ver se eu estava bem." Damien segurou suas emo��es
ao falar isso. Felizmente, todos, incluindo seus pais, estavam em sil�ncio.
"Ele disse que queria que eu soubesse que o ataque ao Expresso de Hogwarts n�o foi
contra os alunos, eles s� queriam ferir os Aurores. Ele disse que queria que eu
soubesse que ele nunca machucaria os alunos. Ent�o, ele me deu uma coisa." Damien
puxou a corrente que estava em baixo de sua vestes, sua m�o tremia.
"Harry me disse que isso �... � uma pedra Layhoo Jisteen e que ela trazia uma
esp�cie de sorte. Eu disse para ele sobre a recompensa e sugeri que ele ficasse com
ela, j� que ele precisa de seguran�a, mas Harry apenas riu e disse que a corrente
era meu presente de Natal." Damien parou e viu que todos estavam chocados.
"Ele disse para eu nunca tir�-lo e que isso iria me proteger de tudo que existe
para ser protegido contra."
Todos entenderam. Ent�o foi isso o que protegeu Damien dos Comensais e era isso que
Dumbledore queria provar. James estava tentando lutar contra a raiva que sentia de
seu filho. Harry havia voltado para casa, ele esteve dentro de Grodric's Hollow e
Damien n�o os informou. Ele deixou o irm�o ir embora, sabendo os perigos que o
aguardavam.
James levantou-se e andou at� seu filho. Ele sentiu Lily tentando segur�-lo, mas a
afastou. O Auror olhou Damien, segurarando sua raiva e ent�o falou.
"Por que voc� n�o disse � ningu�m que Harry veio para casa?" Ele perguntou
baixinho.
"Harry veio para casa e voc� o deixou ir embora? Voc� n�o pensou que seria
importante informar isso aos seus pais? Isso n�o passou pela sua mente? Damien!
Responda!"
Damien olhou para seu pai com raiva e afastou-se dele. Sirius e Remus aproximaram-
se para acalm�-lo.
"Prongs n�o, ele � apenas uma crian�a. � injusto esperar que ele saiba o que fazer
nessas circunst�ncias." Remus disse ao colocar suas m�os nos ombros do amigo.
Sirius estava tentando acalmar Damien.
"Est� tudo bem filhote, voc� n�o sabia o que fazer. Est� tudo bem." Ele tentou
deixar o adolescente relaxado.
"N�o est� tudo bem, Damien n�o devia ter feito algo assim! Harry esteve embaixo do
mesmo teto que n�s ontem � noite, Merlin saber por quanto tempo, e Damien decidiu
guardar essa informa��o."
James continuou gritando. Lily estava encarando seu marido e seu filho, sem saber
se deveria gritar com Damien tamb�m ou se deveria tentar confot�-lo.
"Voc� devia ter nos dito! N�s poder�amos ter explicado tudo para Harry! N�s
mostrar�amos a verdade de como ele foi tra�do e manipulado por Voc�-Sabe-Quem! N�s
poder�amos ter contado a verdade! N�s poder�amos fazer com que Harry visse o lado
bom das coisas, mas n�o, voc� n�o pensou Damien! Voc� apenas seguiu alguma id�ia
louca e deixou Harry sair daqui!"
Damien finalmente levantou-se, sua face j� n�o demonstrava medo. Ao inv�s, disso
mostrava raiva.
"E como exatamente voc� faria Harry escutar alguma coisa? Como voc� faria Harry ver
a verdade? Amarrando-o em uma cadeira novamente, ou talvez trancando-o em um c�modo
com outro Auror maluco que o machucaria at� que ele desistisse de lutar! Por que
Harry deveria escutar voc� pai? O que voc� fez para que ele acreditasse em voc�?"
Damien estava respirando r�pido e tinha l�grimas de raiva no rosto. Ele sabia que
n�o devia falar com seu pai daquele jeito, mas estava pouco se importando.
"Damien, eu faria tudo que pudesse para proteger Harry, faria de tudo para que
ele..." James foi cortado pela risada de Damien. O Auror olhou para seu filho de
treze anos que ria sarc�sticamente das suas palavras.
"Proteger? Voc� quer proteger Harry! Diga-me pai, como voc� planeja proteg�-lo
quando existem in�meras pessoas atr�s do sangue dele? 'Cinco mil gale�es para quem
capturar Harry Potter', n�o era isso que a not�cia dizia? Como voc� pode dizer que
vai proteg�-lo quando deixou Moody fer�-lo v�rias vezes?"
James estava sem palavras. Damien nunca havia falado com ele naquele tom de voz
antes. Ele n�o ia admitir, mas seu filho estava certo. Ele deixou Harry ser
maltratado quando o garoto estava sob seu cuidado.
"Ao menos, aonde Harry est� � seguro. Voc�-Sabe-Quem n�o vai deixar que ningu�m o
machuque." Damien disse sem perceber o efeito de suas palavras.
"Como voc� se atreve a dizer algo assim? Como Harry pode estar a salvo com um
mostro como Voc�-Sabe-Quem? Ele � o �nico que levou Harry de n�s. Ele n�o se
importa com Harry, ele apenas se importa com seu soldado. Damy, o lugar de Harry �
aqui. Ele � um membro da nossa fam�lia!"
Damien olhou para os olhos esmeralda de sua m�e e viu dor neles.
"Como Harry pode ser um membro da nossa fam�lia m�e? Ele nem mesmo teve a chance de
voltar. Voc� quer saber porque eu n�o evitei que Harry fosse embora? Porque eu
sabia que se ele ficasse aqui, ele iria ser capturado pelo Ministro. Algu�m da
Ordem, como Moody, o levaria para Fudge. Harry n�o estaria seguro aqui. Eu n�o me
importo com quem ele vive. Eu n�o me importo se ele n�o se considera um Potter. A
�nica coisa pela qual eu me importo � a sobreviv�ncia dele. Eu quero que Harry viva
m�e, mesmo se n�o for conosco."
De repente, James percebeu que se Harry esteve em casa ontem, ent�o o fato de que a
penseira tenha sumido, n�o era uma coincid�ncia. O Auror sentiu a raiva borbulhar
dentro dele.
Damien olhou para seu pai, a resposta estava em seus olhos desafiantes.
A sala ficou em sil�ncio. Damien estava esperando a rea��o de seus pais. James
conseguia escutar o sangue rugindo em suas orelhas. Ele n�o confiava em si mesmo
para aproximar-se de seu filho mais novo. James n�o conseguia nem falar devido �
sua raiva.
"Damy?" Foi Lily quem falou. Ela tamb�m havia soltado o ombro de Damien e se
afastado dele, como se ela n�o acreditasse que aquele menino era mesmo seu filho.
"Eu sei que todos voc�s est�o bravos comigo e eu sinto muito, mas a situa��o era
injusta com Harry. Voc�s deveriam ter visto o p�nico que ele sentiu quando
descobriu que n�s sab�amos sobre a penseira. Ele entrou completamente em p�nico e
implorou para que eu a pegasse. Harry disse que se Voc�-Sabe-Quem descobrisse sobre
suas mem�rias secretas, ele ficaria realmente bravo. Harry parecia realmente
assustado! Eu n�o pude evitar. Eu me senti bem mal, ent�o entrei no quarto de voc�s
e devolvi o que era de direito dele."
"Damien, o que mais Harry disse sobre suas lembran�as?" Dumbledore disse
imediatamente.
"Nada mais, apenas que ele ficaria em problemas se seu pai descobrisse sobre elas."
Damien respondeu.
Dumbledore consegiu acalmar os pais e pediu para que Sirius levasse Damien para
outro c�modo por um momento. Quando os dois sairam, o Diretor tentou fazer James e
Lily relaxarem, afinal, os dois tinha que ficar racionais novamente. Damien e
Sirius voltaram para a sala e apesar de Lily e James estarem bem mais calmos, ambos
decidiram n�o falar.
"Eu entendo que voc�s est�o com raiva, mas n�o fiquem frustrados com Damien. Ele �
apenas uma crian�a, cujo �nico prop�sito � salvar o irm�o. Harry mostrou uma emo��o
que eu esperava que ele possu�sse. Ele arriscou tudo para vir ver o irm�o mais novo
e para dar � Damien essa prote��o. Harry realmente se preocupa com seu sangue, seu
irm�o. Foi isso o que eu quis que acontecesse quando eu o mandei � Hogwarts."
Dumbledore parou ao ver a express�o confusa das pessoas.
"Algum de voc�s sabem algo sobre a pedra chamada Layhoo Jisteen?" Dumbledore
perguntou.
Quando os quatro adultos responderam 'n�o', Dumbledore continuou explicando.
"A Layhoo Jisteen � uma pedra rara. Exitem apenas tr�s delas no mundo. Duas est�o
muito bem protegidas no Minist�rio. A terceira estava perdida por muitos anos e
bem, creio que a achamos esta noite. A pedra � conhecida por poder segurar uma
grande quantidade de poder. Pode ser utilizada para v�rias coisas, mas nunca foi
usada para prote��o. Muitos feiti�os podem ser colocados nela, assim o us�ario
estar� protegido de certos perigos. Havia uma pequena luz brilhante em volta de
Damien, apenas por um momento, quando ele foi atacado. Foi assim que eu reconheci a
influ�ncia da pedra. Quando usada pela primeira vez, a pedra forma um v�nculo com o
seu usu�rio. Enquanto Damien us�-la, nada de ruim acontecer� com ele. Se ele
retirar a corrente, ent�o Damien ficar� exposto novamente. Se ele tirar o pingente
e entregar para algu�m, essa pessoa n�o ser� protegida. O pingente proteger� Damien
e mais ningu�m."
Damien estava escutando silenciosamente, seus olhos estavam presos ao ch�o, ele n�o
queria olhar seus pais, estava com medo de que eles ficassem nervosos novamente. Os
quatro adultos continuaram a discutir sobre a pedra e ficou claro que ela nunca
havia sido utilizada para prote��o antes. Basicamente era uma pedra que ningu�m
conhecia, mas que absorvia muita magia. Foi por isso que os Comensais n�o fizeram
mal � Damien. O Professor Dumbledore explicou que ele acha que Harry enfeiti�ou a
pedra para que qualquer um que possu�sse a marca Negra n�o pudesse se aproximar do
irm�o, por isso que o Comensal foi jogado para longe de Damien. Exatamente como
Harry conseguiu fazer feiti�os t�o poderosos, Dumbledore n�o sabia.
"Eu quero compartilhar algo com voc�s." O Professor Dumbledore continuou. Damien
levantou a cabe�a para encar�-lo.
"Eu sinto muito por n�s n�o termos mais livre acesso � inf�ncia de Harry, mas eu
n�o culpo voc� Damien. Voc� estava apenas fazendo o que era melhor para seu irm�o.
De qualquer modo, antes que eu entregasse a penseira � voc� James, eu consegui
salvar algumas mem�rias. Eu tirei essas mem�rias, porque elas foram as �nicas que
eu consegui desbloquear da parte secreta. Eu as removi, j� que queria observ�-las
depois, mas n�o fui capaz por causa da visita do Ministro. Eu ainda as tenho comigo
e creio que seria bom que n�s olhassemos as mem�rias. Ainda existem muitas mem�rias
na penseira que est�o bloqueadas. A �nica coisa pela qual eu sinto muito � que n�s
n�o saberemos quais s�o elas."
Damien sentiu sua face queimar de vergonha. Ele n�o sabia que as coisas ficariam
t�o ruins assim. O menino desviou o olhar, ele estava envergonhado, mas sabia que
faria a mesma coisa se voltasse no tempo. Ele iria sempre ajudar Harry, seus pais
concordando ou n�o.
"Dumbledore, eu n�o acho que Damien deveria ver algo que Harry fez..." Lily come�ou
a falar, mas foi cortada pelo Diretor.
"Lily, creio que dever�amos deixar Damien ver as mem�rias de Harry. Talvez se ele
tivesse visto, n�o teria agido como agiu."
Lily e james n�o pareciam felizes com a id�ia de Damien ver as mem�rias secretas de
Harry. Francamente, s� de pensar que essas lembran�as eram secretas os deixavam
nervosos. O que Harry fez a ponto de ter que escond�-las? Por�m, eles entendiam que
Dumbledore estava certo. Se eles tivessem envolvido Damien, talvez, ele podia ter
pensado que ningu�m estava invadindo a privacidade de Harry. Todos estavam tentando
entender o garoto.
O Diretor, James, Lily, Sirius e Remus aproximaram-se da penseira. Dumbledore
sinalizou para que Damien chegasse mais perto. O menino moveu-se vagarosamente em
dire��o ao grupo. Ele se sentia mal por estar invadindo as mem�rias do irm�o, mas
ao mesmo tempo, sua curiosidade o consumia. O Diretor pegou um vidrinho que
continha uma fuma�a prateada. Ele colocou o conte�do dentro de sua penseira e
sinalizou para que James e Lily entrassem primeiro. Com um �ltimo olhar em dire��o
� Damien, os Potters seniors entraram. Sirius e Remus foram os pr�ximos, seguido
por Dumbledore e com Damien por �ltimo. Assim que o menino entrou, ele viu uma
terr�vel cena � sua frente. Uma casa estava pegando fogo. As chamas estavam
consumindo os cantos da linda casa branca e a fuma�a escura estava tomando conta de
tudo. Damien virou-se e viu Harry em p� com duas crian�as presas � ele. Foi quando
o menino viu Madame Pomfrey parada perto de um homem loiro, provavelmente seu
marido. Harry tossia e respirava fundo procurando por ar. Suas vestes estavam
cobertas de fuligem e as crian�as que o apertavam tamb�m estavam sujas.
Madame Pomfrey e seu marido pegaram as duas crian�as de Harry e come�aram a beij�-
las. O garoto tirou um pouco da fuligem que o cobria e levantou-se. Ele ficou
assistindo a cena que desenvolvia em sua frente. Ambos pais beijavam seus filhos
freneticamente. Pomfrey agradeceu � Harry muitas vezes. O garoto pareceu sair de
seus pensamentos e sorriu para ela.
Os olhos de Harry queimaram de raiva quando olhou para as duas crian�as. Um olhar
de pura f�ria brilhou em seus olhos.
"N�o se preocupe, eles nunca mais ir�o perturb�-la novamente." Harry disse para a
enfermeira chorosa.
"Eles ficavam dizendo que eu merecia isso... apenas porque eu ajudava as crian�as
em Hogwarts!" Poppy estava dizendo, enquanto procurava por ferimentos em seus
filhos.
Harry olhou para ela novamente e parecia estar controlando sua raiva. Ele virou-se
para o outro lado e pegou sua vassoura. Antes que pudesse mont�-la, Poppy o chamou.
"Lincen�a! Eu nem ao menos agradeci direito. Voc� salvou a vida dos meus filhos, eu
irei estar para sempre em d�bito com voc�."
"N�o h� necessidade."
"Qual � o seu nome?" Poppy perguntou quando seu marido parou ao seu lado.
Harry sorriu.
"Apenas Harry." Ele respondeu ao quicar o p� no ch�o e sair zunindo pelo ar.
Damien sentiu tudo girar. Quando tudo parou, ele viu-se parado em uma sala escura.
Parecia ser um por�o. Estava realmente escuro e as �nicas luzes vistas eram as
chmas de algumas tochas. O menino trocou um olhar com Sirius quando os seis
perceberam que estavam na dentro da casa de Lorde Voldemort.
Harry estava parado h� alguns metros de Damien. Suas vestes flutuavam atr�s dele
quando ele andava. Haviam alguns Comensais da Morte parados em um canto em volta de
uma mesa. Eles pareciam estar bebendo e estavam rindo e falando sobre algo em voz
alta. Os olhos verdes de Harry brilharam por um instante. Com um meneio de m�os, o
garoto virou a mesa fazendo com que as garrafas de Wiskey de fogo quebrassem no
ch�o. Os Comensais ficaram surpresos e alguns apontaram suas varinhas, mas quando
viram quem fez a bagun�a, congelaram.
Harry grunhiu para um Comensal em particular, que James e Lily reconheceram como
Nott. Os tr�s Comensais, provavelmente do circulo interno, n�o usavam m�scaras.
Harry lan�ou dois Comensais pelos ares, apenas movendo uma m�o. O �nico que restou
foi Nott. O garoto o pegou e o colocou contra a parede. Harry devia ter uns quinze
anos e j� conseguia com sucesso colocar um homem maduro contra a parede. Nott
parecia aterrorizado ao olhar para ele.
"Quantas vezes mais voc� vai estragar tudo, Nott? Eu pensei que tinha sido muito
claro. VOC� N�O ATACAR� CRIAN�AS!" Bradou Harry.
Nott n�o conseguia nem assentir. Sua face expressava uma careta, parecia que ele
nem mesmo conseguia respirar. O Comensal respondeu fazendo um barulho estrangulado.
Harry bateu o Comensal contra a parede de novo.
"Se voc� n�o consegue ficar sem machucar crian�as, Nott, ent�o voc� pode pagar por
isso!" Harry pegou sua varinha e apontou para ele.
"Talvez a perda de alguns membros ir� for��-lo a reconsiderar seus atos!" Nott
engasgou-se e come�ou a se debater.
Damien queria poder desviar o olhar da cena. Ele realmente n�o queria ver ningu�m
perdendo seus membros, mesmo se fosse esse homem nojento e in�til que gostava de
ferir crian�as indefesas.
Nesse momento, Lucius Malfoy entrou e afastou Harry de Nott, que estava azul pela
falta de ar.
Tudo come�ou a girar novamente e Damien fechou os olhos quando sentiu um pouco de
nausea.
Quando Damien abriu os olhos uma cena bizarra estava acontecendo. O menino de treze
anos estava parado no meio de muitas pessoas. Eles pareciam estar torcendo para
algu�m. Haviam tanatas pessoas! Damien olhou para o lado e viu seus pais e Remus
igualmente surpresos. Pareciam que eles estavam em um clube ou alguma coisa do
tipo. De qualquer modo, n�o era esse o bizarro da situa��o. As pessoas em si eram
estranhas. Primeiramente, eles n�o usavam vestes bruxas, usavam roupas trouxas. As
maioria delas seguravam estranhas latas e pareciam estar bebendo algo nelas. Damien
nunca na vida havia visto algo como aquilo. O cheiro da multid�o o estava fazendo
sentir-se mal. Era uma mistura de sangue e suor. O barulho de gritos, urros e
xingamentos faziam sua cabe�a latejar. Onde diabos eles estavam? E por que n�o
existia ningu�m familiar naquele lugar? Era como se eles n�o estivessem no mundo
m�gico. Foi quando o menino entendeu tudo. Eles n�o estavam no mundo m�gico! Eles
estavam no mundo dos trouxas! Essas pessoas eram trouxas!
Damien virou-se e viu Dumbledore olhando para ele. O bruxo mais velho tamb�m
entendeu aonde eles estavam. O Diretor lan�ou um sorriso para o menino. Damien
come�ou a procurar por Harry. Essas eram as mem�rias dele, ele deveria estar em
algum lugar. Por que seu irm�o iria � um lugar como esse? Estava cheio de trouxas.
'Oh, por favor, diga que ele n�o vai atac�-los!' Damien pediu baixinho.
"Vai Jason! Vai Jason!" Alguns gritavam, mas a maioria estava gritando outro nome.
Damien olhou em volta procurando por Harry. Ele tinha que estar em algum lugar. Por
que Damien n�o conseguia v�-lo?
Foi nesse momento que o menino viu dois garotos entrando na jaula. Damien sentiu
seu cora��o parar quando viu quem um deles era. Ali, no meio da plataforma, vestido
em roupas trouxas e parecendo que estava tendo o melhor dia de sua vida, estava seu
irm�o.
Harry parecia bem mais velho, seu cabelo estava bagun�ado como o usual, mas ele
parecia bem mais alto e sua face estava bem mais velha. Ele parecia em volta dos
vinte. Obviamente, era uma po��o ou algum tipo de feiti�o glamour que o fazia
parecer daquele jeito. Harry sorriu de lado para o outro garoto que era bem mais
alto e forte do que ele. O loiro estava sorrindo de lado para seu irm�o tamb�m.
"Voc� primeiro Jason, voc� precisa dar pelo menos um golpe." Harry disse.
Damien viu o olhar chocado no rosto de seus pais e de seus tios. Os trouxas
gritavam o nome de Harry como loucos. Apenas, que aqui ele era conhecido como Alex.
O menino assistiu com um aperto no cora��o quando seu irm�o deixou o garoto, Jason,
lan�ar um soco em sua face. Harry saiu do caminho e a multid�o come�ou a
enlouquecer e gritar todo os tipos de coisas para ele.
"Por que voc� iria � um lugar como aquele? Voc� enlouqueceu?" Draco perguntou.
"Primeiramente, o que voc� estava pensando ao mexer nas minhas coisas, Malfoy?"
Harry gritou.
"Eu n�o sabia que ia encontrar algo como aquilo l� dentro!" Draco disse apontando
para a penseira negra que estava em cima da enorme escrivaninha de mogno.
"� l� que voc� tem estado todas essas noites, n�o �?" Draco perguntou encarando os
olhos verdes de Harry.
Harry desviou o olhar e aproximou-se de sua penseira.
"Voc� tem que para de fu�ar nas minhas coisas, Draco. Voc� nunca sabe, algum dia
desses, voc� pode ir longe demais." A voz de Harry estava extremamente venenosa.
"Voc� n�o respondeu minha pergunta! Voc� est� indo encontar eses trouxas! Por que?"
Draco perguntou com um pouco de raiva.
"Porque eu quero e porque eu posso, ok?" Harry respondeu baixinho, mas mortalmente.
"Harry, voc� j� pensou no que o Lorde das Trevas vai fazer com voc�, quando ele
descobrir que voc� est� encontrando, escondido, trouxas imundos? Voc� quer ter uma
morte lenta e dolorosa? Por que � isso que vai acontecer!" Draco realmente parecia
estar preocupado com o amigo, o que era esquisito para os ouvidos de Damien.
"Draco, eu tenho uma boa raz�o para estar fazendo isso. Ao contr�rio de voc�, eu
tenho um prop�sito para meus atos."
"S�rio! Bem, por que voc� n�o me ilumina Harry! Qual � o poss�vel prop�sito para
que voc� se vista como trouxa e duele com eles?" Draco perguntou com um tom de
descr�dito.
"Certo, voc� quer saber por que eu vou � clubes de luta trouxas. Voc� lembra do
incidente com Nott?" Harry perguntou observando o loiro.
"�, bem, desde aquele incidente, eu comecei a pensar sobre isso. Eu estava
completamente indefeso aos ataques de Nott! Sem minha varinha eu n�o sou nada, meu
poder existe apenas quando eu estou com ela, sem ela eu n�o posso me defender,
mesmo depois de ter aprendido magia sem varinha, ainda existem in�mero feiti�os que
requerem uma. Ent�o, eu comecei a pensar. Se eu pudesse aprender luta corporal, eu
seria poderoso sem minha varinha. E tamb�m, j� que nenhum bruxo aprendeu combate
corpo a corpo, eu teria uma vantagem sobre eles!" Harry dizia isso baixinho, mas o
excitamento estava l�.
"A �nica raz�o pela qual eu n�o disse nada para meu pai, � porque eu sei que ele
iria ser contra e iria temer pela minha seguran�a. Voc� sabe o que os trouxas
fizeram com ele naquele orfanato, n�o sabe?"
Draco e Harry tremeram ao lembrar das hist�rias que Voldemort devia ter-lhes
contado sobre as torturas que os trouxas lhe infligiram.
"Mas, quando eu aprender tudo sobre combate fisico, eu planejo mostar ao meu pai
minhas novas habilidade. Eu irei confessar tudo! Ele vai ficar bravo no come�o, mas
depois, eu acho que ele vai ver o qu�o poderoso eu vou estar."
"Harry, voc� � t�o obssecado com poder quanto meu pai." Draco brincou. O coment�rio
fez a express�o de Harry escurecer.
"Poder � tudo, Draco. Sem poder, eu era um nada. Eu era tratado pior que um animal,
porque n�o demonstrava nenhum sinal de poder. Meu pai me deu poder e eu quero que
isso cres�a. Eu nunca vou ser indefeso novamente!"
Damien viu que as palavras de Harry trouxe l�grimas � seus pais. O garoto estava,
obviamente, referindo-se ao abuso que sofreu na m�os de seus 'falsos' pais. O
menino de treze anos nunca perguntou que tipo de abuso era e ele realmente n�o
queria saber.
"Mas Harry... t� certo... mas... eu n�o sei, trouxas!" Draco disse enojado.
"Eu sei, � horr�vel, mas eles tem umas t�cnicas de luta bem legais. Eles s�o
criaturas imundas, mas n�o s�o t�o sujos quanto sangue-ruins. Pessoalmente, eu acho
que ou voc� � um bruxo puro-sangue, ou um trouxa puro-sangue. Essa situa��o de
sangue misturado que � enojante!" Harry disse com uma careta.
Damien ouviu sua m�e engasgar. Seus pais n�o sabiam do preconceito de Harry contra
trouxas. O menino nunca contou a eles sobre o incidente com Hermione e Ron. Ele
achou que isso iria machucar sua m�e profundamente.
"De qualquer modo, agora que eu disse tudo isso, voc� tem que me prometer uma
coisa." Harry disse ao virar-se em dire��o � mesa e dar as costas para Draco.
"Eu sei, eu sei, para eu n�o contar � ningu�m, certo?" Draco murmurou.
"Na verdade, eu ia dizer para voc� n�o tentar lembrar." Com essas palavras Harry
virou-se e lan�ou uma maldi��o obliviate em Draco.
O loiro n�o teve nem chance de reagir. A maldi��o o acertou direto no peito. Draco
parecia surpreso por um momento e depois piscou algumas vezes.
Harry sorriu e andou at� seu melhor amigo, todo o tempo mexendo em seu anel preto e
prata.
"Voc� estava me contando sobre seu jogo de Quadribol que aconteceu antes do feriado
de Natal." Harry disse ao levar seu amigo para o sof�.
"Ah sim! Nossa, foi brilhante, Harry. N�s limpamos o ch�o com..." A voz
entusiasmada de Draco foi silenciada quando a sala come�ou a girar de novo e Damien
encontrou-se parado em sua sala de estar de volta em Godric�s Hollow.
Os seis sentaram e come�aram a discutir as mem�rias. Uma coisa era clara. Harry
aprendeu sua habilidade de combate corporal com os trouxas. Ele devia estar indo
para esses clubes trouxas desde seus catorze anos. O garoto, obviamente, contou
sobre isso para Voldemort, j� que era imposs�vel manter essa habilidade em segredo.
Especialmente com as suas miss�es, ent�o, por que as lembran�as estavam bloqueadas.
Dumbledore sugeriu que, talvez, Harry n�o confessou tudo para Voldemort e contou
que seus treinos em clubes trouxas n�o eram t�o frequentes. Ele provavelmnete disse
que ia � esses clubes de vez em quando. Essa parecia ser a melhor explica��o.
Damien sentiu-se horr�vel por ter devolvido a penseira. Seja qual fosse a mem�ria
que deixou Harry em p�nico, ele estava certo de que n�o era nenhuma dessas. Essas
n�o iria causar tal rea��o. Seu irm�o devia ter feito algo a mais, algo horr�vel,
algo que Lorde Voldemort jamais perdoaria.
"Bem, creio que n�s temos um bom lugar para come�ar a procurar por Harry." Remus
disse sorrindo de lado. Damien o olhou confuso.
Damien voltou para Hogwarts alguns dias depois. Ele estava feliz por ter voltado,
j� que a tens�o em casa estava sendo insuport�vel. James e Lily ainda estavam
irritados com seu filho, por ele ter devolvido a penseira. O menino contou tudo
para seus amigos assim que colocou os p�s no col�gio. Os tr�s Gryffindors ficaram
chocados por Damien ter feito tal coisa, mas entenderam suas raz�es. Ginny e
Hermione n�o puderam impedir e ficaram examinando a Layhoo Jisteen. Hermione
perguntou se podia peg�-la, apenas para olhar a pedra mais de perto.
"Desculpe Mione, mas Harry disse para eu n�o tirar, nem mesmo por um segundo. O
Professor Dumbledore disse a mesma coisa."
Hermione fez uma careta, mas n�o pressionou. Como esperado, a escola n�o estava
apoiando Damien. Muitos estudantes viram o menino com uma escolta ao chegar em
Hogwarts e presumiram que era apenas por causa de seu la�o familiar com Harry.
Ningu�m estava convencido de que o trem n�o iria ser atacado se os Aurores n�o
tivessem chegado. Damien tentou n�o deixar as palavras dos outros o afetarem, mas
algumas delas o machucavam profundamente.
"Espero que algu�m capture aquele monstro antes que ele ataque novamente." Uma
quartanista Hufflepuff estava dizendo alto para Damien escutar. O menino ignorou e
tentou sair da biblioteca.
"� isso a�! Com essa recompensa, ele n�o vai ser capaz de se esconder por muito
tempo." Veio a respota de outra Hufflepuff.
"Espero que os Aurores fa�am com que ele sofra, bem do jeitinho que ele fez os
outros sofrerem! O Assassino Bastar..." A garota n�o teve a chance de terminar,
Damien aproximou-se e socou a mesa. As duas garotas soltaram gritinhos e encararam
o menino.
"Voc�s duas s�o t�o pat�ticas! Desejar o mal � outra pessoa � pior que fazer o mal.
Apenas porque voc�s leram algo no jornal, n�o quer dizer que � verdade! Harry ficou
aqui durante quatro meses, por acaso ele fez mal � algu�m? Por acaso ele quis fazer
mal � algu�m? N�o, ele n�o fez e n�o quis. Ele arriscou seu pesco�o para salvar
nossas vidas de alguns vampiros. Voc�s duas eram as �nicas que ficaram atr�s dele e
eu lembro do convite de voc�s para ir ao baile com ele, lembro disso muito bem.
Portanto, se eu fosse voc�s eu calaria a boca, antes de dizer algo, sobre o qual eu
n�o fa�o a m�nima id�ia!"
Dito aquilo, Damien saiu da biblioteca. Madame Pince ficou chocada pelo barulho em
seu local de trabalho, mas ao ouvir as palavras do menino decidiu ficar quieta.
Ginny estava achando dif�cil controlar sua raiva tamb�m. Ela tentou ignorar os
coment�rios sobre Harry, mas todas as vezes perdia a batalha. A menina tentou n�o
ficar chateada quando Harry foi embora. Ela n�o conseguiu nenhum tipo de rea��o
positiva dele, mesmo sabendo muito bem que o moreno sabia de seus sentimentos.
Mesmo assim, ela sabia que l� no fundo Harry gostava dela. Ele havia salvado sua
vida duas vezes e �s vezes ele ficava a olhando. O moreno sempre era r�pido para
desviar o olhar, mas Ginny sabia que ele gostava dela. Suas palavras rudes n�o a
fizeram parar de gostar dele, mas a fizeram ficar mais determinada para quebrar
aquela barreira.
Ginny era uma boa amiga e, portanto, guardou seus tristes sentimentos. Damien havia
perdido o irm�o, ele precisava de compaix�o agora. Muitas noites eram passadas por
Hermione e Ginny, no dormit�rio feminino, conversando sobre Harry. A ruiva j� tinha
chorado muito por causa da ida do garoto, mas n�o mencionava nada sobre ele na
frente de Ron ou Damien, seria muito estranho.
Lily n�o estava tendo um tempo f�cil. Muitos de seus sextos e s�timos anos
perguntaram como ela se sentia por ter um filho assassino. A mulher tentou ignorar
essas perguntas, mas mesmo amea�ando a dar denten��es, os estudantes n�o paravam.
Por�m, Lily estava mais preocupada com Damien, ela queria que os alunos o deixassem
em paz, mas mesmo quando ela estava presente, as pessoas tinham coragem de provocar
seu filho. A mulher estava sem saber o que fazer com toda essa atitude hostil. Lily
esperava que tudo se acalmasse, mas as coisas s� pioravam.
"Temo que n�o h� muito o que fazer. O Ministro j� deu sua palavra." Dumbledore
continuou.
"Mas Albus, eles n�o podem fazer isso! E sobre o futuro das crian�as, a educa��o
delas!" A Professora McGonagall disse em voz alta.
"Com o crescimento do medo que as pessoas sentem de Voldemort, foi decidido que
Hogwarts n�o � adequada para comportar os alunos. De acordo com o Ministro, a
escola n�o � mais segura. Depois de inspecionada, encontraram muitas passagem em
Hogwarts que poderiam ser utilizadas por Comensais da Morte. O incidente que
ocorreu h� um tempo atr�s, aonde v�rios Comensais invadiram os terrenos da escola
n�o foi esquecido por Fudge. Ele disse que se os escudos dos terrenos de Hogwarts
podem ser manipulados, ent�o o resto tamb�m pode. Creio que ele est� certo. Al�m do
mais, muitos pais pediram para que seus filhos fossem retirados do col�gio, j� que
l� n�o � mais seguro." Dumbledore explicou com um peso no cora��o.
James e Lily trocaram um olhar. Eles sabiam que Harry era a raz�o pela qual
Hogwarts estava sendo fechada. O ataque ao Expresso realmente foi definitivo.
Muitos pais tiraram seus filhos do col�gio, temendo pela seguran�a deles.
"De acordo com o Ministro, esse fechamento � apenas tempor�rio. S� at� que
Voldemort abaixe sua guarda. Ele ainda est� sobre a pretens�o de que tem tudo sobre
controle e de que Voldemort ser� capturado em breve." Dumbledore explicou.
"Creio que dever�amos nos concentrar em encontrar Harry, n�s j� esperamos muito."
Sirius disse quando os quatro se levantaram.
"Eu andei fazendo algumas pesquisas e acho que consegui achar alguns clubes que se
assemelham com o que procuramos. N�s dever�amos ir checar." Remus disse.
"Acho que � para voc� companheiro." James disse e Sirius aproximou-se, ele estava
confuso, n�o esperava nada naquela noite. O homem pegou o pacote e a coruja piou,
saindo novamente pela janela.
Sirius viu um envelope preto preso ao pacote e abriu a carta cuidadosamente para se
certificar de que n�o havia nenhuma armadilha. Quando ele decidiu que era seguro,
tirou o pergaminho de dentro do envelope. Sirius ainda n�o havia mexido no pacote.
Dumbledore pegou a carta e leu rapidamente. Assim que ele terminou, sua espress�o
escureceu. O bruxo olhou para James, Sirius e Remus com uma espress�o preocupada e
silenciosamente estendeu a carta � eles. James a pegou e come�ou a ler, junto com
seus amigos.
Voc� deve estar pensando no por qu� de eu ter escrito � voc�. Temo que n�o tenho
outra op��o. Se voc� est� recebendo esta carta, ent�o � seguro presumir que eu n�o
estou mais vivo. Acredito que voc� j� deve saber disso, j� que disse ao meu colega
para encontr�-lo caso eu n�o conseguisse.
Essa carta foi escrita, caso meu colega tamb�m n�o sobrevivesse. Eu mandei que essa
carta fosse entregue na resid�ncia do Sr. Sirius Black, exatamente seis meses a
partir de agora. Mandei para o Sr. Black, pois n�o podia arriscar mandando para
Hogwarts.
Voc� me conhece como Jason Riley. Eu sou um dos Comensais do c�rculo interno de
Lorde Voldemort. Eu entendo se a partir daqui voc� n�o queira mais ler, por�m pe�o
que continue, j� que tenho uma informa��o muito importante.
Eu sei quais s�o duas delas. E acho que consegui pensar em quais s�o as outras.
Voc� pode pensar no por qu� de eu estar passando essa informa��o � voc�, j� que
nessa guerra eu estou do lado oposto ao seu. Considere isso minha chance de vingar
aquele que, provavelmente, causou minha morte. Voc� � o �nico que pode ir contra o
Lorde das Trevas.
Jason Riley
James olhou para Dumbledore, ele n�o conseguia acreditar! Voldemort criou sete
Horcruxes. Essas eram not�cias terr�veis. A destru���o de Lorde Voldemort seria
ainda mais dif�cil. Eles teriam que descobrir quais eram as Horcruxes. Uma era
Voldemort e Riley j� havia identificado duas, mas ainda sobravam quatro!
James caiu na cadeira pr�xima � Dumbledore. Sirius e Remus tamb�m se sentaram, eles
estavam bem p�lidos e n�o conseguiam falar nada. Que tipo de conforto eles podiam
oferecer?
"Creio que � verdade mesmo. Se eu me lembro corretamente, Sr. Riley foi encontrado
morto em sua casa. Esse foi exatamente o dia em que n�s conhecemos..."
Professor Dumbledore parou de falar. A mem�ria ainda estava fresca em sua mente.
Larry Hunt procurou sua prote��o quando o Pr�ncipe Negro matou seu colega, Jason
Riley. Harry foi a pessoa que matou esses homens. James sentiu-se doente. Voldemort
fez seu filho matar os homens que tinham a informa��o para destru�-lo. O Auror
podia ver como isso era divertido para o Lorde das Trevas. O garoto destinado �
mat�-lo, estava assassindando pelas ordens dele, as �nicas pessoas que podiam
ajudar a acabar com ele.
Sem dizer nada, James pegou o pacote que estava em frente � eles. Dentro havia um
di�rio que, obviamente, era de Riley. Ele documentou todas as poss�veis Horcruxes.
"Creio que isso � o que Riley considera ser as verdadeiras Horcruxes" Dumbledore
disse segurando os pergaminhos.
Uma delas era um simples livro, n�o havia nada de especial sobre ele, sendo assim,
seria dif�cil de reconhecer. Haviam milhares de livros como aquele, com nada para
diferenci�-lo, a Ordem teria que destruir todos os livros de capa preta que
existissem no mundo m�gico, para poder ter uma chance de conseguir destruir a
Horcrux. O outro desenho era muito melhor, era um pingente prata. O pingente tinha
a forma de uma serpente de duas cabe�as, uma cabe�a no come�o e a outra na ponta.
Os olhos da serpente tinham a cor de um verde brilhante. James sentiu como se j�
tivesse visto aquilo antes.
James apanhou o pergaminho e o analisou de perto. Ele j� havia visto aquela cor
verde, mas aonde?
De repente, o Auror sentiu seu sangue congelar. Ele se lembrou aonde tinha visto o
pingente. James viu aquilo no dia em que Harry foi atacado por Moody. Enquanto o
garoto estava inconsciente na ala hospitalar, Madame Pomfrey tirou a camisa dele
para enfaixar o seu ombro ferido. James lembrou que percebeu o estranho pingente,
mas ignorou, afinal, seu filho havia voltado. A Horcrux de Voldemort era o pingente
que Harry usava em volta de seu pesco�o.
James n�o conseguia acreditar que Harry estava usando a Horcrux esse tempo todo. O
garoto tinha uma parte da alma de Voldemort com ele e ela estava bem embaixo do
nariz de Dumbledore e do Ministro. O Auror aplaudiu a coragem de seu filho, ele
realmente n�o tinha medo de ningu�m.
Dumbledore disse que mesmo que eles fossem avisado sobre a Horcrux mais cedo, n�o
faria nenhuma diferen�a. Com certeza Voldemort colocou algum tipo de feiti�o, para
que o pingente n�o pudesse ser tirado a for�a de Harry.
Damien voltou para casa e para seus pais, ele estava feliz por ter sa�do daquele
ambiente hostil. Hermione prometeu � ele e Ron que iria fazer um acordo com seus
pais, assim ela poderia ir at� a Toca e at� Godric�s Hollow regularmente. Desse
modo os quatro amigos poderiam estar em contato e o mais importante, poderiam
continuar estudando. Ron e Damien concordaram para deixar Hermione feliz.
Dumbledore decidiu que a primeira coisa que todos deveriam fazer, era achar Harry.
Voldemort e suas Horcruxes poderiam ser deixadas para depois. O Diretor fez com que
as informa��es sobre as Horcruxes fossem mantidas em segredo. Apenas James, Sirius
e Remus sabiam sobre elas. O plano era achar Harry, convenc�-lo da verdade e tentar
mant�-lo longe do Ministro. As Horcruxes seriam muito mais f�ceis de achar se o
garoto estivesse com eles. Dumbledore ainda estava incerto de como iria manter
Harry a salvo, mas estava determinado a n�o perd�-lo novamente.
Sendo assim, a procura por Alex nos clubes de luta come�ou. Na primeira noite
James, Sirius, Remus e Dumbledore deixaram o mundo m�gico e foram at� o mundo
trouxa, mas n�o conseguiram nada. Encontrar esses clubes de luta era uma coisa bem
dif�cil, j� que estavam contra uma lei trouxa. De qualquer modo, Remus conseguiu
encontrar algum deles. Foi na quinta noite que eles conseguiram achar uma pista. Os
quatro bruxos foram cautelosos e alteraram suas apar�ncias, assim n�o criariam
suspeitas. James, Sirius e Remus mudaram pouco, mas Dumbledore teve que deixar sua
barba mais curta, assim como seu cabelo, que tamb�m mudou para vermelho.
Sirius entrou no clube e imediatamente foi falar com uma linda mulher de cabelos
pretos, que estava atr�s do balc�o servindo drinks. Ele andou at� ela e come�ou a
fazer perguntas. O Auror perguntou se ela conhecia um 'Alex' que vinha ao clube
lutar.
"Alex? Cabelos pretos, olhos verdes, gostoso para caramba?" A mulher perguntou e
sorriu de lado.
Sirius teve que se seguarar para n�o franzir a testa. Harry era seu afilhado e ele
n�o conseguia escutar uma mulher o chamando de gostoso. Essa mulher deveria ter uns
vinte e Harry tinha apenas dezesseis! Ok, tudo bem que seu afilhado tinha colocado
um pouco de glamour em si, mas mesmo assim, ele ainda era uma crian�a.
"Certo, ele costumava vir aqui, mas n�o vem j� faz um tempo. Ele normalmente est�
com o pequeno John em seu clube. A �ltima coisa que eu ouvi � que agora ele s� vai
no clube do pequeno John." A mulher disse.
"Pequeno John? Quem � esse? Onde eu posso encontr�-lo?" Sirius perguntou, seu
cora��o batia de felicidade, eles tinham achado uma pista.
"Desculpe, eu n�o sei aonde ele est�. O pequeno John est� sempre em um lugar
diferente. Sempre foi desse jeito. John senior costumava fazer isso tamb�m. Ele
morreu h� alguns meses. Portanto, seu filho, o pequeno John, e sua nora que
gerenciam o clube. Alex � o favorito por l�. Ele � bem pr�ximo � John e sua
fam�lia."
Sirius ficou perdido. Por que Harry seria amigo dessa fam�lia trouxa? O mist�rio
sobre seu afilhado s� ficava mais e mais complicado. Harry n�o era o que
aparentava!
Sirius agradeceu � mulher e saiu do clube. Ele rapidamente contou aos outros sobre
o pequeno John.
"Bem, j� � um come�o. Tudo o que n�s temos que fazer � achar o clube do pequeno
John. Alguma coisa ou algu�m vai nos guiar at� Harry." Remus disse sorrindo.
James condordou, afinal, depois de cinco viagens exaustivas eles encontaram uma
pista sobre Harry. Na noite seguinte, apenas James, Remus e Sirius foram at� o
mundo trouxa procurar pelo clube de John. Eles tentaram mais alguns clubes, mas n�o
conseguiram nada. Todo mundo dizia a mesma coisa, que o clube sempre mudava de
lugar. Aparentemente, esse tal de John era uma pessoa bem popular no mundo das
lutas e constantemente recebia pedidos para exibir um show. James estava imaginando
quantas lutas Harry j� havia feito para John. Aparentemente, Alex, tamb�m era uma
lenda. Todos pensavam que ele tinha vinte um, vinte dois anos, mas j� era um
fen�meno. Ele nunca havia perdido uma luta e n�o ia at� o clube frequentemente, mas
quando ia, John faturava muito.
James achou isso um tanto quanto perturbador. Por que Harry faria aquilo? Ele
queria aprender duelo trouxa, ent�o aprendeu. Por que ent�o continuar indo � esses
clubes trouxas? E por que ele era t�o pr�ximo � esse John? James estava sentindo um
pouco de ci�mes, j� que Harry tinha uma rela��o melhor com um trouxa estranho do
que com ele.
James foi levado at� o Calder�o Furado por Sirius e Remus. Os tr�s homens
resolveram beber um pouco antes de voltar para casa. Assim que o Auror entrou no
pub, o dono o chamou.
"Ah, Sr. Potter! Voltou t�o cedo! Maravilhoso, maravilhoso! O que eu posso servir �
voc�? A mesma coisa que na �ltima vez?"
"Tom! Voc� bebeu muito whiskey de fogo? A �ltima vez que eu vim aqui foi h� quatro
meses atr�s!" James riu. Eles foram at� l� por noitebus andante, planejavam beber e
depois voltar do mesmo modo.
"Sr. Potter, voc� tem andado stressado ultimamente? Parece que voc� est� ficando
maluco. Eu acabei de serv�-lo, n�o faz nem vinte minutos." Tom disse e olhou James
de perto.
"Bem, n�o era eu." James disse cansado. Tom era o �nico que deveria estar
stressado, ele deveria ter imaginado tudo isso.
"Bem, se n�o era voc�, ent�o era algu�m muito parecido!" Tom comentou.
Foi quando os tr�s homens entenderam. Harry! Tom deve ter servido Harry. Era �bvio
que o garoto n�o podia andar pelo mundo m�gico sem usar uma m�scara. Ele deve ter
mudado a apar�ncia para se parecer com James. Isso era f�cil. Tudo o que ele tinha
que fazer era tomar uma po��o de envelhecimento ou um feiti�o glamour e mudar a cor
dos olhos.
James saiu do pub e correu at� a parede que escondia o Beco Diagonal. Ele
rapidamente bateu nos blocos, fazendo com que o portal abrisse mais r�pido. Assim
que o Auror entrou no Beco, ele viu Harry. O garoto ainda estava sob o feiti�o e
parecia exatamente como James. Ele estava correndo para a Travessa do Tranco.
James, Sirius e Remus correram at� ele. Assim que viraram para entrar, deram de
cara com uma rua cheia de gente. James viu seu filho entrando em outro pub. Os tr�s
homens correram at� o lugar, mas por causa das pessoas eles demoraram alguns
minutos para chegar.
Chegando l�, James xingou alto. O pub estava cheio, era imposs�vel encontrar algu�m
por l�. O Auror procurou pelo seu filho e o viu parado em frente � outro bruxo.
Harry havia retirado o feiti�o e agora parecia ele mesmo. James percebeu que o
garoto n�o precisava se esconder nesse lugar, j� que a maioria das pessoas l�
dentro, temiam o que Voldemort podia fazer se elas entregassem Harry ao Ministro.
Essas pessoas apoiavam Lorde Voldemort e n�o iria fazer nada contra o Pr�ncipe
Negro. O Auror tentou aproximar-se do garoto. Ele sabia que no momento estava
cercado de escudos anti-aparata��o, portanto tinha que atrair Harry para fora antes
de lev�-lo com eles.
James viu Harry trocar algumas palavras com o bruxo e depois de alguns minutos
colocar seu capuz novamente, afastando-se do homem. O Auror estava observando o
garoto atentamente, sem tirar os olhos dele. Se ele perdesse Harry na multid�o,
seria imposs�vel encontr�-lo de novo. Foi como se o garoto soubesse que algu�m o
estava viagiando, ele virou e seus olhos verdes encararam os avel� de James. Harry
saiu do pub mais r�pido do que um flash, passando pela multid�o. O Auror o seguiu,
fazendo com que seus olhos n�o se desviassem dele. Sirius e Remus estavam bem
atr�s.
Assim que Harry saiu do pub, ele rapidamente puxou sua varinha, ele n�o iria ser
pego por esses Aurores novamente. James, Sirius e Remus sa�ram correndo atr�s dele.
Os tr�s pegaram suas varinhas, mas esperavam que pudessem sair dessa situa��o
apenas estuporando o garoto. James saiu do pub e olhou em volta sentindo o ar
gelado. Ele n�o conseguia ver ningu�m. O Auror xingou e levantou sua varinha.
"Me oriente." Ele sussurrou. A varinha de James come�ou a girar e apontou para
frente.
James correu na dire��o que sua varinha apontava e viu Harry correndo at� o ponto
aonde os escudos anti-aparata��o terminavam.
"ESTUPEFA�A." James gritou ao apontar a varinha para Harry. O Auror odiava o fato
de ter que agir assim, mas sabia que o garoto n�o viria e n�o se aproximaria de boa
vontade.
James tremeu ao escutar a voz raivosa de seu filho. Pela primeira vez ele entendia
de onde vinha todo aquele �dio. O Auror tentou bloquear as imagens do abuso que
Harry sofreu.
"Harry! Eu sei como voc� est� se sentindo agora! Por favor, me d� um minuto para
explicar." James tentou. Ele precisava apenas que Harry abaixasse sua guarda por um
minuto, depois disso ele faria com que o garoto acreditasse na verdade.
"Explicar? O que voc� quer explicar Potter? Nada que voc� diga vai mudar seu
fututo. Sua morte � certa e ser� pelas minhas m�os." Harry disse � ele e lan�ou um
feit�o de �cido. James apenas consegiu bloquear o feiti�o, porque Remus e Sirius
uniram-se � ele.
Harry encarou os outros homens. Antes que ele pudesse lan�ar outro feiti�o, o
garoto escutou o esvoa�ar de capas e o barulho de passos. Eles tinham companhia.
"Ele est� bem aqui! Ele saiu do pub e veio para essa dire��o!" Uma voz foi ouvida.
Harry olhou para tr�s, ele estava apenas h� alguns passos do t�rmino dos escudos
anti-aparata��o. Se ele conseguisse chegar at� l�, conseguiria aparatar para casa.
O garoto observou os tr�s homens � sua frente. Ele tinha que se livrar deles
primeiro, esse era o �nico jeito de escapar.
Harry pensou que havia escutado errado, ele n�o conseguia acreditar que Potter o
mandou escapar! Por�m, seus pensamentos ficaram claros quando Remus e Sirius
viraram-se ao escutarem os Aurores chegando.
"Prongs! Tire-o daqui! N�s vamos atras�-los." Sirius gritou e os dois homens
come�aram a lan�ar feiti�os que estavam fazendo com que as paredes ca�ssem,
bloqueando o caminho at� Harry.
O garoto estava confuso. Esses homens estavam o ajudando. 'N�o' Harry pensou. '�
uma armadilha, eu n�o vou cair.'. O moreno de olhos verdes afastou-se e James
aproximou-se. O Auror parou e olhou profundamente para seu filho.
"Harry, por favor..." James disse, mas foi cortado pelos gritos dos Aurores
tentando destruir a barreira criada. Ele sabia que seja qual fosse as
consequ�ncias, Harry tinha que sair dali agora.
"Harry, corra! Vai! Se eles te pegarem, voc� vai ser beijado! V� agora, corra!"
"O que voc� est� aprontando agora Potter? Que armadilha voc� montou?" Harry
perguntou, movendo-se cada vez mais perto da �rea de aparata��o.
"Eu n�o fiz nada! Eu nunca machucaria voc�!" De repente James teve uma id�ia. Ele
n�o tinha certeza se iria funcionar, mas era alguma coisa.
"Volte para o lugar que voc� chama de lar, volte para ele! Mas, voc� tem que fazer
uma coisa Harry. Pergunte ao seu 'Pai' sobre Wormtail. Pergunte � ele sobre o seu
leal Comensal da Morte chamado Peter Pettigrew." James cuspiu a palavra 'Pai'. Ele
queria chocar Harry dizendo aquilo.
"Eu conhe�o todos os Comensais de meu Pai. N�o existem nenhum chamado Wormtail ou
Peter Pettigrew! Nunca houve!" Harry gritou de volta e come�ou a se afastar dos
escudos.
James sentiu seu cora��o parar com aquelas palavras. Ser� que isso significava que
Wormtail havia sido morto por Voldemort? O Auror continuou gritando com o garoto.
"Foi isso o que disseram para voc�? Eu pesquisaria tudo isso Harry. Voc� pode
encontrar a verdade embaixo da mentira."
Harry lan�ou um feiti�o que deixou James com ondas de dor pelo corpo. O Auror
soltou um grunhido e segurou seu bra�o. Nesse momento o garoto chegou na �rea de
aparata��o e com um �ltimo olhar para os tr�s homens aparatou de volta para a
mans�o Riddle.
Sirius e Remus n�o perderam tempo. Os Aurores j� estavam quase ultrapassando o
bloqueio, os dois homens agarraram James e correram at� a �rea de aparata��o
tamb�m. Antes que os Aurores conseguissem passar, os tr�s Marotos desaparataram de
l�.
Harry estava sentando em seu quarto perdido em pensamentos. Por que Potter n�o o
prendeu? O Auror n�o teria conseguido, j� que ele poderia lidar muito bem com
aqueles tr�s sem nem mesmo suar, mas o fato era que Potter nem ao menos tentou. Ele
o mandou escapar.
Harry pensou muito sobre as palavras de Potter. 'Volte para o lugar que voc� chama
de lar, volte para ele! Mas, voc� tem que fazer uma coisa Harry. Pergunte ao seu
'Pai' sobre Wormtail. Pergunte � ele sobre o seu leal Comensal da Morte chamado
Peter Pettigrew.'.
O que Potter quis dizer com aquilo? N�o havia nenhum Comensal da Morte chamado
Wormtail. A mente de Harry voltou at� Hogwarts, ele lembrou claramente das palavras
de Damien.
'Harry, se isso � verdade, ent�o como voc� n�o lembra de mim?... Eu sou apenas tr�s
anos mais novo que voc�. Ent�o se voc� fugiu com quatro anos, isso me faria ter um
ano de idade quando isso aconteceu. Se voc� lembra de tudo, ent�o com certeza se
lembra de mim. Por�m, quando voc� me viu pela primeira vez, em Grimmauld Place,
voc� realmente ficou chocado ao descobrir que tinha um irm�o mais novo.'
Damien estava certo, por que Harry n�o se lembrava dele? Ele n�o teve a chance de
pensar nesses palavras, estava muito ocupado pensando em voltar para casa. Agora
que ele pensava sobre isso, as coisas n�o faziam sentido.
Harry fechou seus olhos e esfregou sua testa. Ele conseguia sentir uma exaqueca
come�ando. 'Eu vou ir at� o final dessa hist�ria de Wormtail' O garoto pensou
consigo ao tomar um pouco de po��o contra dor, enquanto ia dormir.
Cap�tulo Trinta e Cinco: A mem�ria secreta de Harry
Fazendo juz a sua palavra, Hermione visitou Damien e levou Ron e Ginny tamb�m. N�o
houve muito estudo, j� que eles ficaram conversando sobre Harry.
"Por quanto tempo voc� acha que ele vai conseguir se esconder?" Hermione perguntou.
"Todo mundo est� procurando por ele. Mais cedo ou mais tarde, Harry vai ser pego."
Ela continuou dizendo.
"N�o, Harry n�o vai ser pego. Ele disse que ningu�m o encontrar� se ele n�o
quiser." Damien disse baixinho.
Ningu�m quis corrigir Damien. Seria p�ssimo deix�-lo chateado. Por�m, os outros
tr�s Gryffindors sabiam que o moreno de olhos verdes n�o podia se esconder para
sempre.
Harry ficou pensando nas palavras de Potter. Ele queria esquec�-las, mas de algum
modo, elas continuavam l�. Por que Potter o deixou ir embora? Por que ele n�o
conseguia se lembrar de Damien? O que Potter quis dizer sobre o Comensal mais leal
de seu pai?
'Eu pesquisaria isso Harry. Voc� pode encontrar a verdade embaixo das mentiras.'
Harry tentou clarear sua mente. Seu pai n�o mentiria para ele, o garoto tinha
certeza disso. Lorde Voldemort n�o tinha raz�o nenhuma para mentir. Afinal, foi ele
quem pegou Harry quando o garoto tinha quatro anos. Voldemort o fez ficar forte
fazendo-o o herdeiro de Slytherin. O Lorde das Trevas que o fez ficar desse jeito:
Um guerreiro. Harry era um bruxo muito poderoso sem d�vida alguma. De qualquer
modo, o garoto ainda estava refletindo sobre as palavras de Potter. Sobre qual
poss�vel verdade ele estava falando?
Harry decidiu que iria achar o Comensal chamdo Wormtail, ou Peter Pettigrew. Ao
menos para tirar essas d�vidas que Potter implantou em sua cabe�a.
Fazia agora um m�s desde quando James viu Harry no Beco Diagonal. O Auror continuou
procurando o clube do pequeno John. Ele sabia que se encontrasse o clube,
encontraria Harry. O que James n�o esperava era encontrar muito mais do que seu
filho.
James correu para o local indicado, junto com os outros tr�s bruxos. O plano era
esperar Harry aparecer. Eles pensaram em conversar com John sobre 'Alex' e sobre
como ele apareceu no clube. De qualquer modo, Dumbledore decidiu contra isso, j�
que n�o queria que Harry soubesse que estavam perguntando sobre ele. Isso poderia
resultar no garoto sumindo pelo mundo trouxa.
James foi o primeiro a ver a rua onde estava o clube. O local parecia que ia cair a
qualquer momento e o Auror pensou em como eles conseguiam comportar tal evento ali.
A porta foi aberta e os quatro bruxos escutaram as regras sendo gritadas. James
percebeu um estranho ve�culo h� alguns passos de dist�ncia do lado de fora. Era
maior que a maioria dos carros trouxas. Ele sabia, por causa de Lily, que aquilo
era um trailer. Era bem grande e parecia ser bem espa�oso por dentro.
Os quatro bruxos decidiram entrar no clube e perguntar que horas come�ava a luta.
Eles planejaram em se comportar como turistas que escutaram sobre esse fant�stico
clube por amigos. Isso explicaria o comportamento deles. Bem no momento em que
Dumbledore entrou, eles escutaram um grito vindo do trailer.
Dumbledore estava olhando atentamente para a crian�a. Seus olhos azuis estavam
focados no garotinho, eles nem mesmo piscavam.
"Dumledore! Qual � o problema?" James perguntou ao olhar para bruxo mais velho.
"Essa crian�a me parece familiar... voc�s n�o acham que ele se parece com...
Neville Longbottom?"
James virou-se para ver o garotinho novamente. Ele tinha cabelos e grandes olhos
castanhos. Fora aquilo, o Auror n�o conseguia ver semelhan�a alguma. Todas as
crian�as eram daquele jeito.
"N�o... eu n�o consigo ver nenhuma semelhan�a." James disse e Remus o cortou.
"N�o, James, Dumbledore est� certo. Essa crian�a parece exatamente com Neville
quando ele tinha essa idade."
"Creio que dever�amos olhar mais de perto." Dumbledore disse e andou at� o trailer.
James estava quase o chamando de volta, quando Sirius sinalizou para que ele fosse
junto. O Auror estava ficando irritado. Grande coisa que aquela crian�a parecia
Neville, eles estavam l� para achar Harry. James n�o conseguiu argumentar e ficou
surpreso ao ver Dumbledore apontar sua varinha para Sirius e murmurar algo, que o
fez ficar transparente. Ele n�o ficou invis�vel, mas sim, transparente. O Diretor
repetiu o mesmo feiti�o em Remus e em James, antes de lan�ar em si mesmo.
"Cara, essa crian�a � el�trica." Sirius sussurrou para James. O homem de olhos
avel� riu, a crian�a o lembrava de Harry. Quando o garoto tinha essa idade, ele era
bem ativo e el�trico.
De repente, a crian�a come�ou a correr at� que parou. Ele olhou para a direita,
aonde haviam algumas �rvores e arbustos, estava bem escuro ali. O garotinho parou
naquela regi�o por alguns minutos e de repente, deu um gritinho e saiu correndo por
entre as �rvores.
James n�o conseguia enxergar o que a crian�a viu, mas seja o que fosse, o deixou
muito afobado.
"O que acontece com essa crian�a? Ser� que todas as crian�as trouxas s�o assim?"
Sirius perguntou.
"Certo! Por que n�s estamos aqui observando uma crian�a? N�s temos que procurar
Harry, ent�o vamos e..." As palavras de James foram cortadas uma forma apareceu
entre as �rvores.
A forma saiu da escurid�o e a crian�a lan�ou-se para cima das pernas da pessoa,
James percebeu que todos pararam de respirar e ele sussurrou algo para Sirius.
Todos haviam reconhecido quem era.
Harry parou por um momento para pegar o garotinho do ch�o. A crian�a lan�ou seus
bra�os em volta do moreno.
"Hey, o que voc� est� fazendo aqui fora homenzinho? Voc� deveria estar l� dentro.
Veja como est� escuro." Harry disse, levando a crian�a de volta para o trailer.
James observou a cena em choque. Era por isso que a crian�a estava gritando 'Lex',
ele queria dizer 'Alex'.
"Nigel! Nigel, v� para dentro de casa, est� muito escuro... oh, ol� Alex. Que
surpresa boa."
Uma mulher saiu do trailer e parou perto da porta. Ela estava de costas para os
quatro bruxos, sendo assim, eles n�o conseguia ver sua face.
"Passei para ver John novamente. Como vai voc� Fiona?" Harry perguntou e devolveu o
garotinho para os bra�os da m�e.
"Oh, voc� sabe, ocupada como sempre. John est� l� dentro." A mulher apontou para o
pr�dio.
"� sobre isso que eu preciso conversar com ele." Harry disse sorrindo.
James percebeu que essa era a mulher de John e o garotinho era seu filho. Ele se
lembrou de que disseram � ele que Harry era pr�ximo � essa fam�lia, mas ficou
surpreso ao ver o qu�o solto o garoto era com eles. De qualquer modo, o Auror n�o
estava preparado para o choque que veio a seguir, ele quase urrou de incredulidade
ao ver a face da mulher que Harry chamou de 'Fiona'. Assim que ela se virou para
colocar seu filho no ch�o, James, Sirius, Remus e Dumbledore viram seu rosto
claramente.
Ela se parecia exatamente como na �ltima vez. A mulher ainda tinha longos cabelos e
grandes olhos castanhos. Tinha uma face arredondada e ainda conservava um brilho
gentil no olhar. James estava olhando para Alice Longbottom.
"Isso... isso n�o pode... oh Merlin! Isso n�o pode ser verdade." James ouviu Sirius
murmurar. O moreno de olhos avel� podia ver a express�o dos outros. Dumbledore
ainda estava em sil�ncio.
"Entre Alex, est� congelando aqui fora." Alice disse sinalizando para que o moreno
entrasse.
"N�o, eu n�o posso. Estou meio sem tempo hoje, talvez mais tarde." Harry disse se
afastando do trailer.
"Alex, n�s n�o te vimos durante quatro meses e agora voc� aparece quase toda
semana, mas voc� ainda n�o passa um tempinho conosco. Veja o qu�o afobado Nigel
ficou em v�-lo." Alice sinalizou para a crian�a, que estava puxando a m�o dela
querendo brincar de esconde-esconde.
"Eu n�o acho que seja apenas eu que o deixo afobado." Harry brincou.
Bem nesse momento um som foi ouvido vindo do pr�dio. Algu�m acabara de sair. James
virou-se para ver quem chamou Harry.
"Alex! Veja s� como n�s estamos aben�oados. Tr�s visitas em uma semana!"
James teve que colocar a m�o na boca para n�o gritar de surpresa.
"Eu tenho que cobrir os quatro meses." Harry disse ao apertar a m�o de Frank.
"Voc� nunca disse para onde foi. O que voc� estava fazendo?" Frank perguntou ao
pegar o garotinho do ch�o.
Harry olhou para Nigel que brincava com os bra�os de seu pai e sorriu.
"Eu estava meio ocupado, n�o conseguia me livrar, mas no final tudo deu certo."
Harry riu.
"Escuta John, eu preciso discutir uma coisa com voc�. Se importa se n�s tivermos
uma conversinha?" Harry perguntou e Frank entregou seu filho imediatamente para
Alice. Ambos encaminharam-se para o pr�dio. Alice pegou Nigel, entrou no trailer e
fechou a porta.
O feiti�o foi retirado, desse modo eles poderiam se ver novamente. James olhou para
a face dos outros. Suas express�es eram parecidas com a dele. Confus�o, choque e
surpresa. Mesmo Dumbledore, parecia que ia desmaiar. Os quatro rapidamente foram
para entre as �rvores e colocaram um feiti�o silenciador para que ningu�m os
escutasse.
Quando escondidos nas sombras, os bruxos tentaram encontrar algum sentido no que
acabara de acontecer.
"Bem, parece que Frank e Alice n�o est�o mortos, mas sim muito vivos e tem agora
uma vida no mundo trouxa como John e Fiona!" Sirius respondeu.
"N�s temos que descobrir o que est� acontecendo. Se de fato eles s�o Frank e Alice
e o por que deles n�o terem contactado ningu�m da Ordem para ajud�-los. Faz dois
anos que eles foram declarados mortos." Remus adicionou.
"Acho que a primeira coisa que devemos fazer � confrontar Frank ou Alice. �
necess�rio descobrir a verdadeira identidade dessas pessoas. Apenas quando
comprovarmos que esses s�o os verdadeiros Longbottoms, � que podemos fazer alguma
coisa." James disse baixinho.
Sirius estava parado na frente da porta do trailer, o homem amaldi�oou sua grande
boca antes de bater na porta. Alice abriu e ele sentiu como se n�o conseguisse
falar. Sirius era um grande amigo da mulher, os Longbottoms eram muito amigos da
fam�lia Potter e sendo assim, muito amigos dele e de Remus. O homem n�o viu nenhum
sinal de reconhecimento nos olhos da mulher.
Sirius saiu de seu estopor e perguntou � Alice se havia algum telefone p�blico por
ali, j� que seu carro havia quebrado e ele precisava de ajuda. O homem tentou
lembrar dos termos trouxas que James e Remus lhe explicaram.
"Muito obrigado! Oh, esse � seu filho?" Sirius disse quando o garotinho hiperativo
apareceu na porta.
"Sim." Alice respondeu. Ela n�o parecia se importar em estar falando com um
completo estranho. Essa era a mesma Alice de antes, que amava fazer amigos e
conversar com todo mundo.
"Voc� s� tem um filho?" Sirius perguntou. Ele queria saber a respota, j� que n�o
acreditava que Frank e Alice abandonariam seu filho mais velho, Neville, no meio da
guerra do mundo m�gico.
"Sim, apenas um. Acredite, um � o suficiente." Ela brincou e Sirius sentiu seu
cora��o apertar. O que estava acontecendo? Essa n�o podia ser Alice Longbottom. Ela
nunca negaria a exist�ncia de Neville. E por que ela n�o o reconheceu?
Sirius andou at� Dumbledore e seus dois amigos e contou sobre a conversa com Alice.
"Essa � Alice Longbottom. Eu posso sentir sua magia, ela era uma bruxa brilhante,
eu mesmo a ensinei, sendo assim, posso sentir sua aura m�gica. Por que ela est�
agindo como trouxa, eu n�o sei, mas tenho certexa de que nenhuma m�e deixaria seu
filho no meio de uma guerra. Se Alice n�o est� com Neville, ent�o tenho certeza de
que a raz�o � porque ela n�o se lembra dele. Meu palpite � que Alice e Frank est�o
sob um poderoso feiti�o de mem�ria. Possivelmente, ambos foram 'obliviados', isso
explicaria o modo como eles pensam ser John e Fiona, como eles n�o tem nenhuma
mem�ria sobre Sirius e como eles ve�m Harry como Alex, j� que os dois com certeza
reconheceriam o garoto como filho de James em um segundo." Dumbledore explicou.
"Ent�o o que aconteceu naquela noite na resid�ncia dos Longbottoms? A casa deles
foi realmente queimada? E sobre aqueles..." Remus parou.
Ele estava quase mencionando os corpos de Frank e Alice, quando lembrou-se de que
n�o havia nenhum corpo. Tudo o que eles acharam foram cinzas. Eles pensaram que o
Pr�ncipe Negro colocou fogo na casa e ateou fogo contra os Longbottoms, com eles
ainda vivos. As pessoas que estavam por l� disseram que ouviram os gritos de
ang�stia que vinham da casa, gritos que, eles acreditavam, eram dos Longbottoms.
James sentiu sua cabe�a rodar. Ent�o Harry n�o matou os Longbottoms, ele os salvou!
Mas por que? O garoto n�o tinha nenhuma raz�o para fazer isso. Ainda por cima, ele
apagou a mem�ria deles e colocou outra no lugar, deixando-os como John e Fiona.
Nada disso fazia sentido.
"Creio que a mem�ria que Harry quer esconder, � o que aconteceu verdadeiramente com
os Longbottoms."
James ficou surpreso. Claro! Fazia sentido agora. Damien contou que Harry disse que
se Voldemort descobrisse sobre essas mem�rias, ele o mataria. O menino contou
tamb�m que seu irm�o entrou em p�nico e implorou para que ele devolvesse a
penseira. Tudo fazia sentido.
Harry matou e usou as maldi��es Imperdo�veis, mas era apenas a morte dos
Longbottoms que fazia os Aurores o perseguirem. Isso poderia assegurar a
sobreviv�ncia do garoto em rela��o ao Minist�rio.
"N�s temos que trazer Frank e Alice de volta para o mundo m�gico." James come�ou.
Isso iria mudar muito a senten�a de Harry.
"Temo que n�o possamos fazer isso, James." Dumbledore disse o olhando tristemente.
"O que? Por que n�o? N�s n�o podemos deixar os Longbottoms aqui! Eles tem que
voltar para casa." James argumentou. Ele n�o conseguia entender Dumbledore.
"James, eles tem vivido por uns dois anos aqui, portanto est�o seguros. N�o acho
que seja seguro lev�-los de volta agora, Harry ainda est� com Voldemort. A not�cia
da sobreviv�ncia dos Longbottoms chegar� at� ele mais cedo ou mais tarde. At� l�, �
melhor que eles fiquem aonde est�o. Ningu�m mencionar� isso, voc� n�o pode nem
mesmo contar isso para Lily, James. N�s n�o podemos arriscar que a informa��o se
espalhe. Existem muitos espi�es no Minist�rio, n�s sabemos disso. Se o Minitro
descobrir sobre os Longbottoms, Voldemort tamb�m ir�." Dumbledore disse.
Qualquer que fosse a raz�o para Harry ter salvo Frank e Alice, ele manteve em
segredo. Se Lorde Voldemort descobrisse, o garoto seria punido severamente.
"Vamos, n�s temos que entrar naquele pr�dio antes que Harry v� embora." Remus disse
baixinho.
"Assim Frank n�o vai ligar sua apar�ncia com 'Alex' e ficar desconfiado." Ele
explicou.
James suspirou e abra�ou a si mesmo. Assim que eles entraram no clube, viram Frank
falando para dois homens tomarem seus lugares. James sentiu suas emo��es ficarem
turbulenteas, Frank era um bom amigo. Ele nunca pensou que o veria novamente, que
falaria com ele novamente.
"Desculpa gente, mas o clube n�o vai abrir pelas pr�ximas duas horas. Voc�s s�o
bem-vindos para voltar depois." Frank disse ao aproximar-se dos homens.
James encontrou-se encapaz de dizer alguma coisa. Dumbledore respondeu por ele.
"Desculpe, n�s n�o sab�amos os hor�rios. N�s estav�mos nos perguntando se Alex vai
fazer parte da luta dessa noite."
"Oh... Bem, Alex n�o vai fazer parte da luta de hoje a noite. Ele est� ocupado com
algumas coisas, portanto n�o vir� aqui por um bom tempo."
James notou que Harry n�o estava em nenhum lugar ali perto.
"N�o, � ele quem vem me ver. Eu n�o o procuro. Voc� acabou de perd�-lo. Ele saiu
daqui faz uns dez minutos." Frank respondeu.
James xingou. Com toda aquela discuss�o sobre Alice e Frank, os quatro bruxos n�o
perceberam a ida de Harry.
"Posso te perguntar uma coisa, senhor? Voc� est� comprando esse lugar para reform�-
lo e tranformar no seu clube?" Remus perguntou de repente.
"Esse lugar? N�o, eu estou apenas alugando por um tempo. Eu gosto de me mover, ir
para locais difrentes. Londres � t�o grande que voc� deveria ver tudo."
"Oh... voc� sempre levou seus neg�cios desse jeito?" Remus perguntou.
"Sim, bem as coisas sempre foram assim, mesmo com o dono antigo. Eu apenas fa�o a
mesma coisa."
"Sim, sim. Tudo isso pertenceu � John Allen. Ele era um homem muito gentil, me
tratava como um filho. Mas estava ficando velho para ficar mudando de lugar o tempo
inteiro, ent�o eu comecei a fazer isso por ele. Ele meio que deixou tudo para mim
quando morreu. John n�o tinha fam�lia, por isso que as pessoas me conhecem como
pequeno John. Eles pensam que eu sou filho dele, eu deixo as pessoas pensarem o que
quiserem, isso n�o me incomoda."
Dumbledore agradeceu � Frank e saiu do local com os outros. Eles tinham muito que
discutir ao chegarem em casa. James sabia que o Diretor estava certo, ningu�m al�m
deles podia descobrir sobre os Longbottoms. N�o at� que Harry estivesse longe de
Voldemort. James n�o conseguia entender porque o garoto foi contra as ordens de
Voldemort e salvou Alice e Frank. 'Creio que apenas Harry pode responder isso.'
James pensou silenciosamente consigo ao voltar para Godric�s Hollow.
Harry estava sentado em seu quarto, feliz por ter falado com Frank, assim ele podia
ficar longe por um tempo. O garoto adorava ir ver os Longbottoms, mas toda vez que
ele ia at� l�, lembrava-se daquela terrivel noite. Harry retirou seu anel e o
transfigurou em sua penseira, ele a havia checado para ver se todas suas mem�rias
estavam l�. Tudo parecia estar normal, nenhum dos feiti�os em volta de sua
lembran�a secreta foram destru�dos. O garoto checou-a mais de dez vezes e estava
feliz ao constatar que nada foi revelado.
Ele estava grato por n�o ter matado Frank, nem Alice e se tudo acontecesse
novamente, ele n�o mudaria nada. Mas uma grande parte dele ainda estava
envergonhada por ter falhado em cumprir as ordens de seu Pai. Harry assistiu quando
a n�voa dentro de sua penseira girou, por alguma raz�o ele queria ver sua mem�ria
de novo, assim sendo, entrou de cabe�a na lembran�a.
Harryobservou a mem�ria. Ele estava na sala de estar dos Longbottoms, haviam cinco
Comensais da Morte diante das formas ca�das de Frank e Alice. Eles estavam lan�ando
maldi��es Cruciatus em ambos. O garoto lembrava de cada um deles. Malfoy, Riley,
Bella e Bergeon. O moreno assistiu quando ele mesmo apareceu na porta, ele havia
sido instru�do a ficar l� fora por um tempo. Harry se arrepiou com o som de Frank e
Alice gritando e assistiu quando ele entrou na sala, sua face estava coberta pela
m�scara prateada.
"Voc� tem uma �ltima chance Longbottom. Una-se � n�s e n�s pouparemos voc� e sua
fam�lia." Ele disse.
Frank olhou para o garoto a sua frente e dolorosamente virou sua cabe�a para olhar
sua esposa. Ao ver a rea��o de Alice, ele voltou a encarar Harry.
Essas foram as instru��es que Lorde Voldemort deu a ele. Harry lembrava exatamente
de tudo. Voldemort pediu para que ele acompanhasse os Comensais at� a resid�ncia
dos Longbottoms e ent�o, dar a chance para que o Auror e sua esposa se unissem �
eles. Se eles recusassem, seriam mortos por Harry. O Lorde das Trevas falou com seu
filho em particular.
"Harry, antes que voc� os mate, eu quero que voc� remova sua m�scara e deixe o
casal ver seu rosto."
Harry ficou surpreso com a ordem. Primeiramente ele n�o sabia porque estava sendo
mandado para matar os Longbottoms, ele estava com catorze anos na �poca, tinha
acabado de come�ar com as suas miss�es. O garoto j� estava lidando com os Comensais
que davam problemas e ele nunca tinha reclamado. Ele era o soldado de seu Pai.
Qualquer coisa que seu Pai pedisse e qualquer coisa que ele instru�sse, Harry
obedecia sem questionar.
O moreno assentiu e disse � seu pai que tiraria a m�scara quando fosse matar os
Longbottoms.
"Mas Pai, e os Comensais da Morte? Voc� disse para manter a m�scara na frente
deles." Harry perguntou.
A n�o ser os Comensais do circulo interno, ningu�m sabia que Harry existia. Lorde
Voldemort prometeu que o apresentaria logo. O fato de que a maioria dos Comensais
n�o sabiam sobre o Pr�ncipe Negro, apenas aumentava o medo em rela��o ao misterioso
assassino que matava qualquer um que ousasse desafiar o Lorde das Trevas.
"N�o se preocupe, � s� voc� mand�-los sair, mesmo Malfoy. Ningu�m ir� contradizer
suas ordens." Voldemort respondeu.
Sem dizer mais nada, Harry retirou sua m�scara prateada. No primeiro momento, Frank
e Alice n�o reagiram, mas ent�o, vagarosamente, ambos focaram-se no moreno a sua
frente.
"Oh! Meu Deus, Alice! �... �... o Harry! Alice, olhe � o Harry!" Frank come�ou a
falar.
Alice olhou para os olhos de Harry. Ela estava incapaz de dizer alguma coisa.
Vagarosamente, Frank levantou-se e ajudou sua esposa na mesma tarefa.
"Harry! O que voc�... Eu n�o entendo, como isso � poss�vel?" Frank disse tentando
sustentar seu peso para ajudar sua esposa.
"Eu fiz o que meu Pai me pediu. Agora, voc� tem uma �ltima chance! Una-se � n�s, ou
morra." Harry disse com uma voz controlada.
"N�s nunca n�s unir�amos a um monstro que sequestra o filho de algu�m e o corrompe,
como ele fez com voc�." Frank disse claramente, apesar de suas feridas.
Harry olhou para a coragem dela e pensou o qu�o tola ela era. O garoto levantou sua
varinha, apontou-a para Frank e come�ou a formar as palavras da maldi��o da morte.
"N�o! Se voc� vai matar algu�m, me mate primeiro! Eu n�o vou assistir meu marido
morrer!" Gritou Alice histericamente.
"N�o!... Alice... saia do caminho!" Frank gritou e tentou tir�-la do caminho. Por�m
a mulher teimosa continuou aonde estava.
"Que diferen�a isso vai fazer? Voc�s dois v�o morrer de qualquer jeito." Harry
disse.
"Me mate primeiro!" Alice disse com l�grimas rolando em seu rosto. Frank tentou
empurr�-la, mas ela n�o se movia. Toda hora ele a empurrava, mas ela sempre voltava
para proteg�-lo.
Harry riu, ele estava achando pat�tico as tentativas que cada um fazia para salvar
o outro.
Os olhos verdes de Harry abriram-se em choque. Ele apontou sua varinha novamente
para Alice, mas parecia incapaz de dizer alguma coisa. Sua m�o come�ou a tremer e
por mais que ele tentasse a maldi��o n�o sa�a. Era como se Harry tivesse perdido a
capacidade de falar.
O garoto de repente soltou um urro de raiva e lan�ou um jato de luz branca em uma
das janelas, fazendo com que ela se estilha�asse. Harry deu um passo para frente e
apontou sua varinha para Frank, ele estava quase lan�ando o jato de luz verde
quando Alice lan�ou-se para cima de seu marido. O moreno parou e olhou furioso para
ela.
"Saia do caminho mulher." Harry gritou, mas ela, chorando, n�o soltou seu martido e
recusava-se a se afastar.
"Pr�ncipe! Pr�ncipe est� tudo bem?" A voz de Malfoy soou pela janela quebrada.
Harry estava entrando em p�nico, ele levantou sua varinha em dire��o � mulher
teimosa, mas novamente foi incapaz de dizer a maldi��o da morte.
"Eu estou lidando com eles!" Harry urrou. Mesmo ap�s ter dito essas palavras, o
garoto escutou Malfoy tentando entrar. O moreno agiu por instinto. Ele lan�ou um
feiti�o para trancar a porta e rapidamente segurou a mulher. Harry apontou para
parede que estava a sua frente e gritou.
"TRANSFERO PORTALINE"
Um portal enorme abriu e os itens do c�modo come�aram a voar para dentro dele.
Harry levitou Frank e o jogou para dentro do portal, ele tentou jogar Alice tamb�m,
mas ela segurou suas vestes.
"O que voc� est� fazendo? Para onde est� nos mandando?" Ela gritou.
"Se voc� n�o quer morrer hoje, sugiro que fique quieta e fa�a o que eu mando!"
Harry comandou e tentou fazer com que ela o soltasse.
"Por que eu devo acreditar em voc�? H� um minuto atr�s voc� estava pronto para nos
matar e agora est� salvando minha vida?" Alice perguntou.
Dito aquilo Harry a empurrou para dentro do portal. Assim que ela desapareceu e
tudo voltou ao normal, Malfoy entrou.
"O que est� acontecendo? Aonde est�o os Longbottoms!" Ele perguntou, seus olhos
cinzas estavam procurando pelos corpos que deveriam estar l�.
Harry olhou friamente para Malfoy.
"Pr�ncipe, aonde est�o os Longbottoms? O que voc� fez? Voc� completou a miss�o?"
Malfoy perguntou com uma voz temerosa.
"Essa miss�o n�o pode ser completa. Meu Pai n�o iria querer tr�s vidas perdidas, j�
que ele me mandou destruir apenas duas." Harry respondeu.
"Pr�ncipe! O Lorde das Trevas deu uma ordem. N�s temos que complet�-la ou as
consequ�ncias ser�o pesadas!" Malfoy gritou.
Harry sabia que o loiro estava certo. Ele deveria ao menos ter sido capaz de matar
Frank Longbottom, se n�o pudesse matar Alice.
O garoto sabia que tinha estragado tudo. Ele falhou com seu Pai, mas sabia que de
qualquer modo, ele n�o conseguiria ferir a mulher devido � sua condi��o.
"Eu sei que falhei. Meu Pai vai entender, a mulher, Alice Longbottom, estava em uma
condi��o t�o delicada que mesmo meu Pai n�o iria machuc�-la." Harry disse j�
pr�ximo da porta.
"Sim, eu sabia e o Lorde das Trevas tamb�m. Ele o mandou para essa miss�o, mesmo
ciente desse fato." O loiro disse nervoso.
Harry sentiu como se estivesse caindo. Seu Pai sabia! Ele sabia que a mulher estava
carregando uma crian�a e ainda assim ordenou para que a torturassem e a matassem. O
garoto n�o podia acreditar.
"Voc� est� mentindo! Meu Pai nunca iria ordenar tal coisa. Ele n�o quer destruir
vidas inocentes!" Harry disse.
"Inocente? Pr�ncipe, ningu�m � inocente. Isso � a guerra Harry, voc� tem que
perceber isso se for servir o Lorde das Trevas!" Malfoy vociferou.
Harry teve o suficiente, ele apontou sua varinha para o loiro e gritou.
"OBLIVATE!"
Assim que o feiti�o acertou o Malfoy, ele ficou com um olhar distante. O garoto
disse para o loiro esper�-lo l� fora. O Comensal ainda no seu estado distante, saiu
da casa e esperou l� fora obediente.
Harry encheu a casa com gritos de ag�stia e transformou duas mesas em dois corpos
desfigurados. O garoto andou at� a porta, pegou sua m�scara prateada, colocou-a e
retirou um objeto triangular de seu bolso. O moreno segurou-o nas m�os e o jogou
contra a parede, imediatamente formou-se uma bola de fogo e a casa foi consumida
pelas chamas. Harry saiu de l� e sinalizou para que os Comensais da Morte o
seguissem. O garoto voltou para casa.
Harry sentiu quando seus p�s bateram no ch�o, ele estava fora da penseira e de
volta em seu quarto. O garoto tremia e tentava recuperar-se da mem�ria, ele se
lembrou que aquele dia mudou sua vida. N�o apenas ele desobedeceu uma ordem de seu
Pai, mas aprendeu uma verdade sobre Lorde Voldemort. Seu Pai n�o se preocupava com
vidas inocente, como Harry. Depois daquilo, o garoto resolveu que iria discutir as
t�ticas de guerra novamente com ele. O garoto nunca poderia ir contra uma ordem de
Voldemort novamente. Se seu Pai n�o se preocupava com vidas inocente, n�o havia
nada que Harry pudesse fazer.
O moreno nunca sonhou em confrontar seu Pai sobre esse fato, Lorde Voldemort o
criou e deu-lhe poderes para deix�-lo ficar mais forte que qualquer outro bruxo.
Harry sempre ficaria ao seu lado, mas ele n�o poderia tirar a vida de uma crian�a.
Ele era incapaz de tal ato.
Harry abriu o portal aonde estavam Frank e Alice na mesma noite. Ele lan�ou
poderosos feiti�os de mem�ria em ambos, dando a eles uma falsa vida no mundo trouxa
e um trabalho. O garoto conhecia John Allen por causa de seu treino no clube de
luta e apresentou a ele os dois Longbottoms, dizendo que eles eram vitmas de um
acidente que resultou na perda de suas mem�rias. O fato de Alice estar gr�vida
ajudou Frank a conseguir o trabalho no clube.
Harry nunca pensou que manteria contato com os Longbottoms, mas a chegada de Nigel
o manteve por perto. Nigel era a raz�o de Frank e Alice estarem vivos. O garoto
sentiu a for�a do beb�, quando ele estava dentro de sua m�e ao apontar sua varinha
para ela. Por isso ele n�o pode mat�-la. Harry n�o sabia como descobriu que Alice
estava gr�vida, ela tinha apenas alguns dias na �poca e o moreno suspeitava que
ningu�m al�m dos pais sabia sobre a gravidez. O garoto tinha certeza, j� que isso
seria reportado na �poca da 'morte' da mulher.
Harry aprendeu a prestar aten��o em todas as ordens de seu Pai e com isso conseguiu
salvar muitas vidas, como os filhos de Poppy, Ginny Weasley e muitas outras. O
garoto ouviu todas as ordens de ataque. Ele sabia que estava mexendo com fogo. Seu
Pai nunca o perdoaria se descobrisse sobre os Lonbottoms. Harry achava que tinha
cumprido sua miss�o, Voldemort queria Frank e Alice mortos, bem, eles estavam
mortos, o mundo bruxo os considerava em tal situa��o, portanto o casal j� n�o
estava mais no caminho do Lorde das Trevas. Os pais de Nigel eram John e Fiona e
eles viviam felizes no mundo trouxa e continuariam vivendo se ningu�m descobrisse
sua mem�ria secreta. Tudo continuaria normal, ou assim Harry pensava.
Cap�tulo Trinta e Seis: E a verdade te libertar�
Harry sabia que seria dif�cil perguntar para seu pai sobre algu�m com o nome de
Wormtail. Simplesmente por causa do fato de que Voldemort, iria querer saber quem
foi a pessoa que comentou isso com ele e o garoto n�o queria chate�-lo dizendo que
foi James Potter. O Lorde das Trevas ficaria imensamente chateado, se Harry
escolhesse acreditar que ele escondia coisas s� por causa de Potter.
O moreno sabia que perguntar � Bella seria provavelmente pior que perguntar ao seu
pai, portanto sobrava apenas uma pessoa, Lucius Malfoy. Isso seria extremamente
f�cil. Ele estava vendo Draco muitas vezes ultimamente, j� que Hogwarts estava
fechada. Harry ficou muito contente por constatar que Dumbledore estava com medo de
continuar dirigindo a escola. O garoto sabia que boa parte disso era por causa do
ataque ao Expresso de Hogwarts. 'Bom para aquele velho idiota, manipulador, filho
da p...' Os pensamentos de Harry foram interrompidos pelas palavras de Draco.
Harry olhou para o loiro e percebeu que ele estava falando sobre o jogo de xadrez
bruxo.
"Como voc� ficou t�o bom no xadrez assim de repente?" Draco perguntou suspeito.
"Eu sempre fui bom, mas nunca tive tempo para praticar." Harry respondeu.
"Ainda n�o teve sorte com uma pr�xima miss�o?" Draco perguntou.
"Ent�o, voc� est� treinando direitinho?" Draco zombou ao olhar para o seu amigo
deitado confort�velmente na cadeira.
"Malfoy, eu treinei direto por seis horas hoje, portanto pare com as gracinhas."
Harry e Draco continuaram a jogar xadrez. Quando estavam na metade, uma batida na
porta foi ouvida e Lucius entrou.
"Ainda n�o pai." Draco respondeu, enquanto se concentrava em seu pr�ximo movimento.
Harry sentou-se ao ver Lucius. 'Essa � uma boa chance!' o garoto pensou consigo.
"Por que voc� n�o espera aqui Lucius? Voc� pode achar divertido assistir seu filho
perder espetacularmente para mim." O moreno disse olhando para Draco de modo
zombeteiro.
"Certo! N�s vamos ver sobre isso." Draco disse e ordenou um movimento, destruindo
uma das pe�as de Harry.
Lucius sentou-se e observou os garotos por um tempo. Como esperado, Harry ganhou o
jogo, deixando um Draco muito frustrado e irritado.
"Eu n�o entendo! Voc� n�o era bom no xadrez. Eu era definitivamente melhor que
voc�. Por que diabos voc� teve que ficar t�o bom nisso tamb�m?" Draco perguntou.
"Draco! Olhe o que fala! Parece que voc� esquece com quem est� falando as vezes.
Harry � o Pr�ncipe Negro. Voc� deveria segurar sua l�ngua, ou o Lorde das Trevas
vai tomar atitudes para remov�-la!" Lucius disse com veneno para seu filho.
Draco engoliu em seco e desviou o olhar. Harry achou que essa era a oportunidade
que ele estava esperando.
"Lucius, voc� deveria relaxar um pouco. Meu pai n�o vai voltar para a Mans�o at�
amanh�, portanto ningu�m vai dizer nada sobre Draco e pare de me chamar de Pr�ncipe
o tempo todo! Isso j� est� ficando irritante." Harry conseguiu o que queria. Lucius
olhou para Harry, mas antes de dizer alguma coisa, Draco falou.
"O que h� de errado em ser chamado de Pr�ncipe? � muito melhor que qualquer outro
apelido est�pido."
"�, acho que sim. Mas ainda � irritante." Harry repondeu.
"� melhor que ser chamado de 'P�s tortos','P�ozinho doce', ou ' Wormtail'..."
Harry viu a rea��o de Lucius, quando ele disse 'Wormtail', pelo canto dos olhos. O
loiro estava sorrindo sobre os apelidos ele estava dizendo, assim que ele disse
'Wormtail', o sorriso desapareceu e o Comensal pareceu ficar alerta. Lucius
rapidamente se recomp�s com a sua face sem express�o, mas gotas de suor eram vistas
escorrendo por sua testa.
Harry tentou agir normalmente, mas sentiu o p�nico que vinha de Lucius. O garoto
estava esperando que o loiro n�o reconhecesse esse nome em particular, mas julgando
pela sua rea��o, Wormtail era definitivamente algu�m conhecido.
Lucius foi embora com Draco rapidamente e deixou Harry com muitas coisas para
pensar. O adolescente j� havia colocado um pequeno rastreador na capa do Comensal,
assim ele saberia aonde o loiro estava o tempo inteiro. Como Harry esperava, Malfoy
voltou para a Mans�o tarde da noite e foi direto para o quarto de Bella.
O moreno de olhos verdes esperou alguns minutos antes de ir para o quarto de Bella
tamb�m, ele estava grato por Draco ter lhe ajudado sem saber. Seu amigo mostrou
dois fios cor de carne.
"O que diabos � isso?" Harry perguntou olhando para aquela coisa estranha.
"No escrit�rio do Filch. J� que que a escola estava para fechar, um monte de alunos
afanaram coisas do escrit�rio dele no �ltimo dia de aula. Ele tinha um monte de
coisas. N�s conseguimos pegar v�rios itens legais. Essas orelhas extens�veis
estavam l�, portanto eu as peguei, junto com v�rias outras coisas."
Draco esvasiou sua mala na mesa de Harry para mostrar ao seu amigo tudo o que tinha
pego no escrit�rio de Filch. Por�m o moreno estava ocupado com as orelhas
extens�veis. Elas seriam boas para serem usadas como parte de seu plano.
Harry pegou o barbante cor de carne de dentro de seu bolso e colocou-as por baixo
da porta do quarto de Bella. O garoto deslizou-as para dentro de seus ouvidos e
esperou que ningu�m o encontrasse xeretando, literalmente.
"Deve ter sido coincid�ncia. Eu n�o consigo ver como Harry pode ter descoberto
sobre ele." A voz de Bella soou. Harry sentiu como se seu est�mago estivesse
revirado. Isso confirmava que eles estavam tentando esconder algu�m com o nome de
Wormtail.
"N�o! Isso n�o pode ser uma coincid�ncia. Foi o jeito como Harry disse o nome, ele
sabe de alguma coisa. Eu n�o acho que ele sabe a verdade, se n�o ele n�o estaria
t�o calmo. Harry provavelmente iria querer nos queimar e queimar tudo a sua volta!"
O moreno sentiu seu cora��o bater r�pido. 'Sobre o que Malfoy estava falando? Que
verdade? Por que ele agiria t�o violentamente?'
"N�s temos que informar ao Lorde das Trevas. Eu sempre achei que manter aquele ser
in�til vivo era perigoso. Eu n�o acho que n�s dever�amos correr o risco. O Lorde
das Trevas com certeza concordar�. � hora de n�s acabarmos com a vida daquele
roedor. Peter deveria ser morto imediatamente!"
Harry escutou o resto da conversa. Bella sugeriu que eles fossem at� Lorde
Voldemort, assim que ele chegasse no dia seguinte. Malfoy concordou relutantemente.
Harry voltou para seu quarto, ele se sentia exausto. As coisas n�o ocorreram como
ele esperou. O garoto estava certo de que Wormtail ou Peter Pettigrew n�o existiam.
Ele tinha certeza de Malfoy iria provar que nunca existiu nenhum Comensal com
nenhum desses nomes. Ao inv�s disso, o garoto viu o loiro entrar em p�nico ao ouvir
a men��o dos nomes.
O moreno deitou em sua cama e tentou planejar seu pr�ximo passo. Ele iria seguir
Malfoy bem cedo, pelo seu rastreador. Harry tinha certeza de que o loiro o levaria
at� Wormtail, ele queria saber qual era a verdade que esse homem detinha, que o
faria querer 'quemar tudo a sua volta'. O garoto caiu no sono, sem saber que sua
vida mudaria para sempre depois dessa noite.
Harry acordou com uma dor em sua cicatriz. 'Oh! Droga, n�o de novo!' o moreno
pensou consigo ao apertar sua testa. A dor foi embora rapidamente e o garoto
percebeu que Malfoy j� deveria ter contado para seu pai sobre quando ele mencionou
Wormtail. Harry xingou, agora seu pai ia querer saber aonde ele escutou esse nome.
O garoto decidiu que iria fingir que o nome surgiu em sua mente. O moreno ficou
surpreso quando ningu�m o avisou de que Voldemort queria falar com ele. Harry
levantou-se de sua cama e rapidamente se lavou, ele se vestiu e fez um feiti�o para
saber aonde Malfoy estava naquele momento. O garoto viu o loiro sair da Mans�o e
encaminhar-se para o ponto de aparata��o, ele rapidamente o seguiu e conseguiu
chegar bem na hora para v�-lo aparatando. O moreno de olhos verdes esperou alguns
minutos antes de rastre�-lo novamente, ele viu a localiza��o exata do loiro e
focou-se na sua aparata��o.
Harry sentiu seus p�s baterem no ch�o e rapidamente olhou em volta procurando por
Malfoy. O garoto percebeu que estava em um local que parecia ficar h� kil�metros de
dist�ncia de qualquer humano. Haviam �rvores em todos os lugares, ele viu o loiro
andando cada vez mais entre a floresta e rapidamente saiu correndo atr�s do
Comensal. O sil�ncio era completo, n�o havia nem barulho de p�ssaros, os �nicos
sons eram os passos feitos por eles. O moreno continuou seguindo Malfoy, Lucius
parou na frente de uma caverna e murmurou um tipo de maldi��o. Uma luz vermelha
envolveu a entrada da caverna e ent�o desapareceu. Harry percebeu que o lugar
estava protegido por um feiti�o, assim ningu�m poderia entrar. Malfoy tinha acabado
de retirar as prote��es.
Harry seguiu Malfoy, cuidadosamente mantendo alguns metros de dist�ncia entre eles.
O garoto n�o podia acreditar o qu�o f�cil era seguir um Comensal do c�rculo interno
e parou dentro da caverna. O moreno conseguiu ver Lucius muito bem, j� que ele
havia feito o feiti�o lumos. A caverna era bem escura e tinha cheiro de carne
podre. Harry teve que se segurar para n�o vomitar a pequena quantidade de comida
que havia ingerido. Ele mateve seus olhos atentos na pequena luz que brilhava mais
a frente.
O garoto n�o viu a pilha de trapos que havia no canto da cela. Quando o feiti�o
lumos foi feito novamente, ele conseguiu perceber que aquilo na verdade era uma
pessoa. Essa pessoa afastou-se da luz e curvou-se em uma pequena bola. Harry ouviu
Malfoy rir friamente.
"O que! N�o vai me receber calorosamente? � por isso que voc� n�o tem visitas."
A pessoa n�o respondeu, mas parecia estar murmurando algo. As palavras de Malfoy
confirmaram as suas suspeitas de que aquela pessoa era definitivamente Wormtail,
Harry sentiu seu sangue gelar ao pensar no jeito que um dos leais Comensais da
Morte de seu Pai, era tratado. 'O que ele poderia ter feito para merecer essa
puni��o?' O garoto pensou consigo.
"Bem Peter, suas preces foram atendidas. Sua vida pat�tica vai encontrar seu fim."
Malfoy levantou sua varinha e apontou para o peito do homem.
Antes que Malfoy pudesse formar as palavras da maldi��o da morte, Harry o nocauteou
com um feiti�o Estupefa�a, o loiro caiu no ch�o e ficou parado. O moreno precisava
saber quem era esse tal de Wormtail e porque ele estava sendo mantido desse jeito.
Ele n�o podia deixar Lucius mat�-lo, n�o ainda. Harry sabia que precisava reviver o
Comensal antes de ir embora, desse modo, seu Pai n�o iria pun�-lo por ter falhado
em cumprir uma ordem.
Harry aproximou-se da figura que tremia no ch�o, assim que chegou bem perto,
pecebeu que Wormtail estava sussurrando coisas para si mesmo. Ele nem mesmo havia
percebido que Malfoy estava prestes a mat�-lo, pois estava preso em seus pr�prios
devaneios. O garoto viu que o homem estava quase careca, v�rios punhados de cabelo
estavam faltando e aparentemente ele n�o via nem luz do sol, nem �gua h� muitos
anos. Wormtail estava muito magro, ele parecia bem fr�gil e seus sussurros eram
r�spidos, como se ele n�o usasse sua voz h� um bom tempo.
Harry n�o conseguia abrir a boca, por causa do cheiro a sua volta. O garoto
pronunciou um feiti�o de ilumina��o, assim n�o estaria apontando a luz direto para
o homem. Assim que a cela acendeu, Wormtail choramingou e tentou proteger seus
olhos. Harry sentiu pena do homem, mas ao mesmo tempo, ele sabia que Wormtail
deveria ter feito algo muito grave para que seu pai o deixasse desse jeito. Lorde
Voldemort n�o era algu�m que perdoava e esquecia, e geralmente seus castigos eram
bem severos. Mesmo assim, o moreno nunca tinha visto algo como aquilo.
Antes que Harry tivesse a chance de falar, Wormtail levantou a cabe�a e observou o
garoto. O moreno n�o estava esperando que o estranho o reconhecesse, afinal, eles
nunca haviam se conhecido, mas o homem arregalou os olhos ao olhar para sua face.
"J-J-James! James, �... voc�?" Ele perguntou fraquinho. Harry foi pego de surpresa,
ele ficou l� parado enquanto o homem arrastava seu corpo fraco em dire��o � ele.
"James! Oh... James � voc�! Eu sabia que voc� viria. Eu sabia. Desculpe-me! Eu
estou t�o arrependido!" Wormtail come�ou a solu�ar e suas palavras come�aram a se
enrrolar.
"Eu... eu... eu n�o queria fazer aquilo! Eu n�o queria t-trair voc�, mas o... o
Lorde das Trevas... ele n�o ia me deixar em paz. Ele... ele disse que ia matar voc�
e Lily. Ele queria H-Harry, ele disse que eu-eu tinha uma c-chance. Eu podia
entregar Harry � ele e ent�o, ele pouparia voc�s. Eu n�o sou como voc� e Sirius. Eu
n�o sou forte como Remus. Eu n�o podia ir contra ele. O Lorde das Trevas disse que
ia... que ia me dar poder. Ele disse que ia me fazer ficar forte. Eu sinto muito
James! Eu peguei Harry, eu o peguei para Lorde Voldemort!"
Harry ficou l�, escutando todas as palavras que saiam da boca de Wormtail. Ele
sentiu seu cora��o bater t�o forte, que seu peito estava come�ando a doer. Isso n�o
era verdade! Isso n�o podia ser verdade. Essa pessoa estava, provavelmente, insana.
Ele estava trancado nesse lugar por Merlin sabe quanto tempo, isso com certeza
afetou seu c�rebro. E ele achava que estava falando com James! O garoto percebeu
que havia sido um erro ter ido at� l�. Potter provavelmente sabia sobre a
insanidade de Wormtail e o mandou at� l� para que ele ficasse confuso. Harry
decidiu que ia embora, Malfoy podia lidar com esse homem. O moreno virou-se para ir
embora e sem dizer nada andou at� a forma ca�da de Lucius, com a inten��o de
reviv�-lo.
"Ele prometeu que mataria Harry!" Wormtail sussurrou. O garoto parou e virou-se
para o homem que estava ajoelhado.
"O Lorde das Trevas disse que Harry era o eleito, que ele era o profetisado para
mat�-lo. Ele disse que quando Harry morresse, ele seria invenc�vel. Eu pensei que
Harry fosse ser morto. Eu sabia que era errado, mas eu o peguei mesmo assim. Eu
percebi que ele era uma crian�a, apenas quinze meses! N�o ia doer tanto como se ele
fosse mais velho! Eu pensei que o Lorde das Trevas ia matar ele na primeira noite,
mas eu estava errado! James... James ele n�o matou Harry, ele n�o o matou. Ele fez
uma coisa pior, muito, muito, pior. James, por favor, me perdoe!"
Wormtail come�ou a solu�ar mais alto e nem mesmo percebeu que Harry estava longe
dele. O garoto n�o conseguia impedir o medo que crescia dentro dele. Ele sabia que
o homem era louco, ele sabia que o que o homem dizia n�o podia ser verdade, mas ele
ainda assim aproximou-se dele, lutando contra seus pensamentos para ir embora.
"Ele... ele o fez virar um assassino. Ele vai fazer Harry matar por ele. Ele est�
destruindo a alma de Harry!" Wormtail respondeu, ele estava se balan�ando para
frente e para tr�s, agarrando suas pr�prias pernas com suas m�os.
"Ele fez Harry matar pela primeira vez hoje. Ele o fez matar! Eu sabia que isso ia
acontcer, mas eu n�o podia fazer nada para isso parar. Ele tem apenas dez anos. Ele
� apenas uma crian�a, mas Lorde Voldemort o fez matar!" Wormtail continuou
murmurando a palavras 'matar' baixinho. Harry finalmente saiu do transe que estava,
ao ouvir as palavras do homem.
"Voc� est� mentindo! Voc� n�o sabe sobre o que est� falando! Eu n�o comecei minhas
miss�es at� meus catorze anos! N�o dez! Voc� est� mentindo!" Harry gritou. O homem
nem mesmo percebeu as palavras do moreno e continuou repetindo as palavras,
'crian�a' e 'matar' seguidamente.
"Voc� est� louco! Eu nem deveria estar aqui escutando essas mentiras."
"Mentiras... mentiras... sim, � isso o que ele diz a Harry! Mantiras, ele machuca
Harry, machuca ele... machuca ele tanto, mas ent�o ele faz Harry acreditar que �
voc� que o machuca. Mas n�o se preocupe James, n�o se preocupe. Eu disse tudo �
Harry! Harry sabe da verdade agora. Eu decidi fazer certo o que eu fiz de errado.
Eu disse � Harry tudo, eu o vi matando aquele homem. Kenny! Kenny era o nome dele.
Ele era um Comensal da Morte e estava pensado em virar um espi�o para a Ordem.
Lorde Voldemort fez Harry assistir a torutura e depois mandou que ele o matasse,
foi a primeira morte de Harry. Ningu�m estava l�, a n�o ser, Bella e Lorde
Voldemort. Harry estava com medo, mas ele o matou. Harry o matou! Ele � apenas uma
crian�a. Eu vi porque me transformei em um rato e espiei para ver o que estava
acontecendo. Eu vi tudo!"
"Voc� est� mentindo, isso nunca aconteceu. Eu iria me lembrar disso! Seu mentiroso
miser�vel."
"Eu espiei para ver Harry. O Lorde das Trevas nunca me deixa ver Harry. Ele disse
para eu ficar com os piores Comensais e me proibiu at� de tentar ver ou falar com
Harry, mas eu desobedeci ele. Eu decidi que ia levar Harry pra casa! Eu nunca quis
que Harry fosse um assassino, nunca! Eu disse tudo � Harry. Ele n�o quis acreditar
de primeiro, mas ent�o eu mostrei as mem�rias verdadeiras. Harry... Harry come�ou a
chorar. Ele n�o queria mais ficar com Lorde Voldemort. Ele queria ir pra casa! Eu
ia levar ele pra casa, mas... mas... eu..."
De repente Wormtail olhou para cima e viu Harry o observando. Sem avisar, o homem
deu um impulso para frente e agarrou a m�o do garoto. Uma explos�o de mem�rias
passou pela mente de Harry e ele foi jogado em um mar de lembran�as.
Harry viu a si mesmo quando beb�, sentado no colo de Sirius, puxando seu longo
cabelo preto. O animagus estava rindo e fazendo caretas para ele. Em outro flash de
mem�ria, o garoto viu as faces sorridentes de James e Lily olhando para ele mesmo
com um ano, deixando pequenos beijos em sua face e em sua testa. Em outra mem�ria,
Harry viu Wormtail o segurando, enquanto ele estava embrulhado em uma manta. Peter
estava irreconhec�vel, ele tinha a cabe�a cheia de cabelos cor de areia e era
rechonchudo. O homem o segurou bem forte e saiu pela porta da frente.
O moreno tentou sair dessas mem�rias, mas encontrou-se preso nelas. Ele sentiu
outro flash e viu Lorde Voldemort sentado em frente a Bella, que estava segurando
um pequeno montinho em seus bra�os. 'Avada Kedavra'. As palavras sa�ram da boca de
Voldemort e o garoto viu a luz verde sair em dire��o ao montinho. De repente a luz
verde desviou-se e caiu no ch�o, fazendo a �rea ficar com uma luz verde e voltar ao
normal novamente. O Lorde das Trevas aproximou-se de Bella e tirou uma crian�a de
dentro de uma manta. Harry viu a si mesmo com um ano tremer ao sentir o ar gelado.
"Eu mudei de id�ia. Ele viver�. Ele ser� criado para obedecer todos os meus
comandos. A crian�a que est� destinada a me destruir, me obedecer�. Ele ir� ser a
chave da minha imortalidade!" Lorde Voldemort disse as palavras claramente e jogou
a crian�a para Bella, que felizmente o pegou. Harry viu outras mem�rias zunindo,
mas elas era muito r�pidas. Em uma ele tinha dez e estava correndo com Wormtail, em
outra ele reconheceu as paredes da Mans�o Riddle e na �ltima ele viu Wormtail no
ch�o gritando e se revirando de dor, enquanto era segurado por Malfoy. Lorde
Voldemort aproximou-se e percorreu o dedo em sua bochecha, quase amorosamente.
"N�o se preocupe filho, voc� n�o vai lembrar de nada disso. Tudo vai voltar a ser
como era antes."
O garotinho de dez anos desviou seu rosto de Voldemort e fuzilou-o com o olhar
quando as l�grimas come�aram a descer.
"Voc� pode tirar minhas mem�rias, mas voc� vai ser pego. Eu vou saber da verdade de
novo algum dia e nesse dia voc� n�o vai ser capaz de me impedir de deix�-lo." Harry
vociferou para Voldemort. O Lorde das Trevas sorriu e apontou sua varinha para ele.
"OBLIVIATE"
Harry saiu das mem�rias de Wormtail e caiu no ch�o. O garoto ficou l�, no ch�o
imundo, respirando pesado, enquanto tentava entender o que tinha acabado de ver.
"Isso n�o pode ser verdade... isso n�o pode ser verdade. Essas mem�rias, elas...
elas n�o fazem sentido!" Harry pegou Wormtail pelos seus trapos. O homem estava
novamente em seu transe e ficava murmurando 'muito tarde... n�o pude ajudar
Harry... muito tarde.'
"Voc� est� mentindo! Voc� est� mentindo, voc� � louco, essas... essas mem�rias,
elas n�o s�o nada mais do que fragmentos da sua imagina��o perturbada! S�o
mentiras! S�o mentiras!" Harry estava sacudindo o homem a cada palavra. Wormtail
nem parecia perceber, ele ficava encarando o ch�o e nem lutou para se livrar do
aperto.
"Por favor, por favor... me diga que � tudo mentira! Por favor, por favor. Ele n�o
pode ter feito algo como aquilo! Ele n�o mentiria para mim. Ele nunca me
machucaria! Por favor... por favor, diga que voc� est� mentindo!" Harry nem mesmo
percebeu as l�grimas caindo de seus olhos. Ele tentou fazer o homem falar de novo,
mas n�o conseguia, o bruxo parecia estar exausto. O garoto o soltou e se levantou.
Harry n�o ia acreditar nele. Era �bvio que esse Comensal j� estava trancado h�
muito tempo. Ele estava doido, sem no��o nenhuma das coisas e as mem�rias que ele
lhe mostrou poderiam ser reais em sua mente, mas falsas na realidade. O garoto
virou-se para sair da cela e nem mesmo parou para reviver Malfoy.
Harry n�o sabia como chegara ali, mas encontrou-se na frente da Mans�o Potter, de
novo. O garoto precisava encontrar a verdade, aquelas mem�rias n�o podiam ser
verdade. Ele nem mesmo sabia o que estava procurando, talvez alguma prova de que os
Potters n�o se preocupavam com ele. Harry aproximou-se da casa, um r�pido feiti�o
localizador mostrou que ningu�m estava l�. O moreno abriu a porta da frente com um
Alohomora e entrou.
Harry foi direto para os dormit�rios do segundo andar. Ele lembrou onde costumava
dormir, era no pequeno sot�o, o lugar era t�o frio que o gartoinho de quatro anos
nem memos conseguia dormir. Antes que o moreno fosse para o sot�o, ele entrou no
dormit�rio principal. O garoto tinha sentido uma quantidade grande de magia vindo
de l�, ele parou e ficou encarando a porta do quarto. Por que havia tanta m�gica
vindo desse lugar? Talvez era algo com ele. Harry lembrou de quando Damien disse
que seus pais o manteram em segredo. Talvez, esse era o lugar onde eles esconderam
tudo sobre ele. Eles com certeza n�o manteram o sot�o como era, o c�modo deveria
estar limpo. Talvez era algo que havia no quarto. Harry podia dizer que a aura
m�gica era de feiti�os para esconder coisas.
Harry usou outro feiti�o. Esse era muito mais forte que 'finite incantatum'.
"FINITE TRESPASSTRAIN"
A parede cor creme come�ou a dissolver e Harru viu um enorme espa�o atr�s dela.
Haviam mais ou menos umas vinte a trinta caixas empilhadas, o garoto rapidamente
pegou a primeira que estava ao seu alcance. A caixa estava cheia de coisas de Lily
e James quando ambos frequentavam Hogwarts, haviam distintivos, certificados e de
tudo um pouco. O garoto sentiu uma dor de cabe�a se aproximando e rapidamente
trocou de caixa, essa tamb�m estava cheia de bugingangas. Foi s� quando ele pegou
uma das caixas que ficava mais para baixo que o moreno viu algo haver com a sua
vida.
Harry abriu a caixa que estava cheia de roupinhas de beb�. O garoto observou-as e
pensou que eram de Damien. Elas pareciam ser bem caras e pouco usadas. Foi quando o
moreno viu as letras 'HP' bordadas nelas. Ele sentou e as analizou. Por que os
Potters guardariam suas roupas de beb�? Eles o odiavam!
O garoto pegou outra caixa e o que ele viu fez seu cora��o apertar. Dentro dela
haviam v�rios presentes. Harry pegou um deles e viu um cart�o pendurado, ele leu.
O moreno sentiu como se o vento o tivesse nocauteado. Ele rapidamente tirou todos
os presentes e come�ou a ler os cart�es. Todos tinham mensagens do estilo 'Feliz
Anivers�rio, Harry... Feliz Natal, Harry.', o garoto segurou um grande presente com
um pergaminho aonde estava escrito 'Feliz Anivers�rio de 2 anos, Harry, n�s
sentimos muito a sua falta', ele derrubou o presente, que caiu com um estrondo no
ch�o. Harry n�o conseguia acreditar. Todas essas caixas n�o tinham nada al�m de
presentes para ele. Eles eram de Anivers�rio e Natal, haviam quinze de cada. O
moreno percebeu que os Potters compraram um presente para ele no �ltimo Natal
tamb�m, mesmo depois do ele fez com James. Harry percebeu com um choque que haviam
presentes para ele, desde seus dois anos, foi ent�o que ele comprovou o sequestro.
Ele foi retirado dos Potters quando tinha quinze meses. As mem�rias dos abusos e
sua fuga aos quatro anos, era mentira!
A �ltima caixa que Harry abriu, provou que sua vida inteira foi uma mentira. Haviam
v�rios albuns de fotos. O garoto abriu um que tinha uma cor marrom e viu p�ginas e
p�ginas de fotos com um pequeno beb� de cabelos bagun�ados e olhos verdes, sendo
abra�ado e beijado por seus pais. Harry observou as fotos com l�grimas nos olhos.
L�grimas que ele nem percebeu que estavam descendo.
Uma foto em particular fez o garoto parar para observar. Era uma foto de James
jogando o beb� Harry para o ar e o pegando novamente. O beb� ria com vontade e
quando ca�a James o beijava no nariz. O cora��o do moreno apertou de modo doloroso
ao assistir a cena. Em outra foto o beb� Harry estava deitado em seu ber�o e James
e Lily estava debru�ados sobre ele e sussurravam palavras amorosas. O garoto leu os
l�bios da mulher e viu que de fato ela estava sussurrando um feiti�o protetor,
assim ningu�m podia lhe fazer mal. Era um feit�o comum e f�cil de ser reconhecido.
Outra foto mostrava Sirius o segurando e brincando com ele, Remus tamb�m estava l�
e o beb� parecia responder bem � ambos. Harry ainda n�o tinha trocado nem duas
palavras com Remus. O garoto viu outra foto na �ltima p�gina, nela James e Lily o
seguravam quando beb� e acenavam para a c�mera. Sem nem saber porque, Harry
empurrou, violentamente, as caixas para dentro do local atr�s da parede e executou
o feit�o de esconder novamente, assim ningu�m poderia saber que ele esteve ali.
O moreno levantou-se silenciosamente e saiu de Godric�s Hollow. Ele precisava de
respostas e precisava agora!
Harry entrou como uma tempestade na Mans�o Riddle, ele foi direto para a c�mara de
seu pai. O garoto sabia que n�o era uma boa id�ia confrontar Lorde Voldemort em uma
hora dessas, ainda mais quando n�o estava conseguindo nem se controlar, mas ele j�
tinha perdido o medo das consequ�ncias. Harry precisava saber da verdade. Assim que
abriu a porta e entrou no c�modo, percebeu que Voldemort n�o estava l�. O moreno
lembrou que o Lorde das Trevas estava em alguma reuni�o hoje e n�o iria voltar at�
de noite.
Harry saiu violentamente com o intuito de achar Bella. O garoto entrou no quarto da
mulher e a encontrou sentada em sua mesa. Ele n�o sabia como iria arrancar a
verdade, mas mesmo assim parou na frente dela, seus olhos esmeralda brilhavam em
f�ria, seus punhos estavam fechados. Bella levantou-se imediatamente e correu at�
ele.
"Harry! O que aconteceu? Por que voc� est� t�o chateado? O que aconteceu?" Bella
perguntou ao se aproximar.
Harry continou encarando a mulher, incapaz de falar algo devido � sua raiva.
"Por quanto tempo voc�s esperavam que eu acreditasse em suas mentiras!" Harry
perguntou. Bella se afastou.
"Voc� sabe exatamente sobre o que eu estou falando! Voc� estava l�! Eu vi voc� com
ele. Voc�s dois mentiram para mim!"
Harry lembrou exatamente quando Voldemort o jogou para Bella. Mesmo que a mulher o
tenha pego, ela ainda assim aparentava n�o estar nem a� para o bem estar da
crian�a. Bella o segurou quando o Lorde das Trevas lan�ou a maldi��o da morte
contra ele. Ela estava l� quando Voldemort fez o garoto de dez anos matar um
Comensal, mesmo com ele n�o querendo fazer tal coisa.
Bella parou na frente de Harry, sua mente lembrando das palavras do garoto. 'Ele
n�o pode ter descoberto, n�o � poss�vel' ela pensou desesperadamente.
"Quem foi?" Harry perguntou baixinho, mas com uma voz mortal.
"As pessoas que me machucaram. As pessoas que fingiram ser os Potters! Eu sei que
as mem�rias s�o reais, eu posso senti-las. Elas n�o s�o falsas! Portanto, me diga
quem s�o?" Harry perguntou de novo.
A mulher estava incapaz de responder, j� que tentava lutar contra ela mesma.
O garoto nunca quis que isso acontecesse, mas com a sua raiva subindo cada vez mais
e o comando sendo dado diretamente para Bella, causou com que as mem�rias do abuso
dele fossem reveladas. Harry sentiu sua mente ser novamente preenchida com
lembran�as de outra pessoa, ele viu alguns flashs r�pidos da verdade. O moreno viu
a si mesmo com tr�s anos correndo pela cozinha de Godric�s Hollow, mas ao inv�s de
James e Lily, ele viu Lorde Voldemort e Bella sentados na mesa. Foi Voldemort quem
bateu nele aos tr�s anos. Foi Voldemort quem bateu nele sem miseric�rdia com o
cinto quando ele tinha quatro anos. Harry viu Lucius aparecer na porta da cozinha
fingindo ser Sirius. O garoto afastou as mem�rias de sua mente, mas n�o antes de
ver Lorde Voldemort segurando sua m�o dentro do forno.
Harry olhou para Bella, ela parecia surpresa por n�o ter conseguido reter suas
mem�rias. O moreno levantou-se e ficou em sil�ncio por um momento, incapaz de se
mover. Sua vida inteira era uma mentira. As lembran�as de Bella mostraram a verdade
por tr�s de seu abuso. Eles o abusaram e fizeram parecer que foram James, Lily e
Sirius. Harry ou qualquer outra pessoa n�o poderiam saber que a mem�ria foi
alterada, j� que tudo foi feito quando o garoto era muito novo e sua pr�pria mente
as fizeram reais. Ningu�m que olhasse para elas, saberia das altera��es ou dos
sinais de modifica��o. Bella de qualquer modo, lembrava de tudo como as coisas
realmente eram.
Harry segurou sua varinha e tentou fazer sua mente entrar no lugar. Ele n�o sabia o
que fazer! O garoto se virou e saiu do quarto.
"Harry! Harry. N�o, espere. Eu posso explicar." Bella chamou. Ela correu at� a
porta e pegou sua pr�pria varinha. A mulher sabia que precisava impedir Harry de ir
embora.
Harry sentiu o feiti�o zunindo em sua dire��o e levantou seu escudo bem h� tempo. A
bolha azul o envolvey e absorveu o feiti�o Obliviate. O garoto se virou e lan�ou um
Expelliarmus em Bella, conseguindo acert�-la com sucesso. A mulher ficou l� parada
e indefesa, ela estava certa de que Harry ia mat�-la, mas o moreno tornou a virar
de costas e saiu andando. Ele estava quase saindo da Mans�o.
"PARE ELE!" Bella gritou para os Comensais que estavam pr�ximos � porta.
Os Comensais olharam para ela e ent�o para Harry e pensaram que era algum tipo de
piada. Quando Bella gritou novamente, eles perceberam que algo estava errado,
quando tentaram parar o garoto, ele apenas sinalizou com as m�os e os tr�s
Comensais sa�ram voando para a dire��o oposta.
O moreno saiu correndo de volta para a caverna onde estava Wormtail, ele j� n�o
sentia nenhuma lealdade em rela��o �quele homem horroroso. Era por causa daquele
homem que sua vida foi destru�da, ele o retirou dos bra�os de seus pais, ele o
levou at� Voldemort. Aquele homem era respons�vel por ele n�o ter tido nenhuma
inf�ncia. Wormtail foi quem ficou assistindo o filho de seu melhor amigo ser
transformado em um assassino. Harry esfregou os olhos com raiva ao pensar no falso
amor que Voldemort e Bella mostraram � ele quando crian�a. O tempo inteiro eles o
usaram, eles nunca o amaram. Ambos o machucaram quando crian�a, eles o fizeram
passar fome, bateram nele e o fizeram se sentir um in�til. Os dois fizeram isso
para que ele virasse um assassino.
Harry aproximou-se da entrada da caverna e viu que os feiti�os protetores n�o foram
recolocados. Ele sentiu medo novamente, tinha deixado Malfoy com Wormtail! O garoto
correu at� a cela que guardava o homem, mas assim que entrou viu que era tarde
demais. Peter estava morto e Malfoy tinha ido embora. O moreno parou na frente do
corpo de Wormtail, ele odiava o homem com todas as for�as de seu ser e vendo sua
puni��o, o modo como ele viveu, o fez sentir que era muito bem merecido. Esse homem
traiu seus pais, ele arriscou uma vida inocente e em retorno recebeu uma pris�o no
pior lugar do mundo. Harry percebeu que Peter ficou ali por seis anos, j� que, como
ele mesmo disse, foi capturado quando tentou lev�-lo para casa. Lorde Voldemort
deve ter pensado que isso era pior que a morte, ent�o o prendeu ali. Como esse
homem sobreviveu seis anos desse jeito era um mist�rio para Harry.
O moreno andou para fora da caverna e vagarosamente entrou na floresta pr�xima. Ele
estava perdido e n�o tinha lugar nenhum para ir. O garoto n�o podia voltar para
seus pais, por mais que quisesse ir e fazer as pazes com os Potters, ele sabia que
n�o teria a menor chance. O Minist�rio n�o o deixaria se explicar e mesmo se
deixasse, o que ele diria? E por que eles acreditariam nele? Ele havia tra�do a
todos quando escapou de Hogwarts. O ataque ao Expresso era outra coisa que deixou
tudo pior. O Ministro estava tr�s do garoto por muitas coisas, mas acima de tudo,
ele queria faz�-lo pagar pelas mortes dos Longbottoms. Harry poderia trazer Frank e
Alice de volta facilmente. As mem�rias deles poderiam ser trazidas de volta, j� que
o moreno n�o os obliviou, ele apenas trancou as mem�rias com feit�os poderosos.
Por�m, ele n�o podia fazer isso. O garoto n�o arriscaria a vida do casal novamente.
Voldemort mandaria algu�m e descobriria que a miss�o n�o foi completa. E sobre
Nigel? Harry n�o podia deixar ningu�m machucar a crian�a. N�o, tudo ficaria como
est�. Os Longbottoms gostavam da vida como John e Fiona. Eles seriam mantidos fora
dessa bagun�a.
Harry nunca mais voltaria para Voldemort, ele preferiria ser pego pelo Minist�rio
do que voltar para ele. O garoto sabia o que acontceria com ele. Assim como antes,
Lorde Voldemort apagaria de sua mente as lembran�as que ele n�o quisesse mais l�.
Harry n�o se deixaria ser manipulado novamente, ele nem mesmo percebeu que havia
anoitecido e continuou andando sem rumo. O moreno n�o sabia o que fazer, mesmo ir
at� Dumbledore n�o era mais uma op��o. Ele n�o queria deix�-lo com problemas no
Minist�rio tamb�m. Fudge ficaria feliz em jogar v�rias pessoas em Azkaban, por
terem lhe ajudado.
Harry n�o percebeu que havia sa�do da floresta e agora andava em um caminho escuro.
Ele apenas percebeu algo quando sentiu um feiti�o sendo sussurrado.
Instintivamente, o garoto levantou seu escudo, que apareceu bem h� tempo de
bloquear o obliviate. O feiti�o bateu na capsula azul e desapareceu. Harry ficou l�
parado, enquanto via v�rias pessoas, todos estavam com vestes pretas e ficaram a
sua volta. O moreno olhou para os homens m�scarados e sentiu seu sangue ferver.
Harry viu apenas duas figuras que n�o usavam m�scaras. Ele olhou Bella e Malfoy de
modo gelado. A mulher o observava quase que arrependida, Malfoy entretanto, o
olhava com raiva.
"Venha Pr�ncipe! Voc� tem que voltar para casa conosco!" Malfoy disse com uma voz
imponente. Harry viu que todos os Comensais tinham suas varinhas apontadas para
ele. O garoto j� estava com seu escudo levantado, caso outro obliviate fosse
lan�ado.
"Casa? Eu n�o tenho casa, n�o tenho um lar, Malfoy. Gra�as � voc�!" Harry
vociferou.
"Harry, voc� n�o pode acreditar no que aquele rato do Wormtail disse � voc�. Ele
estava louco. Ele tentou machuc�-lo quando crian�a, por isso ele foi preso..."
Malfoy parou de falar quando o garoto come�ou a gritar.
"N�s n�o estamos mentindo! Pare com essa infantilidade e volte para casa. O Lorde
das Trevas vai voltar e ent�o vai querer falar com voc�." Malfoy continuou
rispidamente.
"Eu nunca vou voltar para ele!" Harry disse com veneno.
"Harry! Por favor, o que voc� acha que vai acontecer se voc� agir assim? Ser
teimoso n�o vai fazer voc� ir � lugar nenhum. Voc� realmente acha que o Lorde das
Trevas vai deix�-lo ir embora? Por favor, volte para casa. Tudo vai voltar ao
normal! Voc� vai ver" Bella disse com urg�ncia.
"Voltar ao normal? O que � normal Bella? Quantas vezes voc�s v�o limpar minha mente
para preenche-la de novo com mentiras?"
"Pare com isso! Voc� est� agindo como uma crian�a! N�s n�o cuidamos de voc�? N�s
n�o nos preocupamos com voc�, durante todos esses anos? O Lorde das Trevas deixou
voc� viver, ele o fez ficar forte. Voc� n�o pode agradecer desse jeito, fugindo
dele e o deixando no meio de uma guerra!" Bella disse com raiva.
"Cuidar de mim? Se preocupar comigo? Oh! Claro que voc�s fizeram isso, mas por pura
gan�ncia. Voc� cuidaram de mim, para que eu permanecesse leal. Voc�s me manteram
vivo, pois assim eu mataria por voc�s. Ele me fez forte, pois assim eu
enfraqueceria os inimigos dele. Voldemort n�o fez nada por mim, ele apenas me usou
para o seu prop�sito!" Harry disse.
"O que eu supostamente devo dizer � ele? Como eu vou explicar sua aus�ncia?" Bella
perguntou com raiva.
Dito isso o garoto pegou e arrancou a corrente com o pingente prata, que estava em
volta de seu pesco�o. Ele segurou a Horcrux por um momento antes de jog�-la no ar.
Os Comensais observaram a cena chocados. Os olhos esmeralda de Harry ficaram negros
por um momento e ele se concentrou no pingente. De repente a Horcrux explodiu em
chamas. Bella e Malfoy gritaram em horror. O fogo consumiu o pingente inteiro e ele
virou cinzas.
Bella e Lucius viraram furiosos na dire��o do moreno, mas viram que ele havia
desaparecido.
Cap�tulo Trinta e Sete: Para onde de agora em diante?
Era o dia que Lorde Voldemort esperou que nunca chegasse. Ele sempre temeu que a
verdade fosse revelada para Harry. O Lorde das Trevas sempre acalmou seus medos,
sabendo que se o garoto descobrisse a verdade, ele o obliviaria e come�aria tudo de
novo. Voldemort sabia que se muito tempo passasse, as lembran�as seriam dif�ceis de
se apagar, mas feiti�os de mem�rias poderiam ser usados para fazer Harry esquecer.
O que Voldemort n�o levou em considera��o eram as emo��es que iriam ench�-lo sobre
o fato de Harry abandon�-lo. Quando Lucius e Bella reportaram os acontecimentos do
dia, Lorde Voldemort ficou extremamente chateado. Por�m, o momento foi quebrado ao
ver a cena aonde o garoto destruiu a sua Horcrux. Vendo uma de suas sete Horcrux
sendo destru�da, por ningu�m mais que seu pr�prio Harry, era algo que o Lorde das
Trevas sempre lembraria.
No momento, Lorde Voldemort estava em p� diante de seus asseclas. Sua m�o que
segurava a varinha estava tremendo e o homem teve que controlar sua raiva, assim
poderia dar suas ordens. Era por culpa de seus Comensais, que Harry descobriu a
verdade. Como Malfoy n�o pode notar que estava sendo seguido? Por que eles n�o
conseguiram obliviar o garoto e traz�-lo para casa?
Harry destruiu a Horcrux que Voldemort lhe deu com tanta confian�a. Ele pagaria por
sua insol�ncia.
"Sim mestre."
Com essas palavras, os Comensais da Morte olharam-se confusos. Alguns achavam que
voldemort queria matar o traidor com suas pr�prias m�os. Eles sa�ram do local.
Apenas dois Comensais ficaram para tr�s. Quando estavam sozinhos, um deles disse.
A voz de Bella soou preocupada e pesada. Ela estava com o cora��o quebrado por
causa da trai��o de Harry, mas ela pertencia � Lorde voldemort. Ela nunca
desobedeceria um comando direto. Bella esperava por algum milagre, um milagre aonde
Voldemort pouparia a vida do garoto. Talvez se ela trouxesse Harry de volta, o
Lorde das Trevas ficaria contente em apenas limpar a mente dele. Desse modo ela
continuaria leal ao seu Lorde e teria o garoto ao seu lado novamente.
"Sim, Bella. Eu o quero de volta vivo. Eu gastei muito tempo o criando, o fazendo
ficar forte. Eu n�o vou jogar tudo isso fora facilmente. Harry vai voltar para mim.
Ele vai ter sua mem�ria modificada, assim tudo poder� ser normal de novo."
Com essa revela��o, Lucius clareou sua garganta para falar, ela estava doendo de
tanto que ele gritou na noite anterior. O Lorde das Trevas o puniu por n�o ter
percebido que Harry o seguia e por falhar em traz�-lo de volta. Foi quando ele
estava no ch�o agonizando que a lembran�a do garoto destruindo a Horcrux apareceu.
N�o precisa nem dizer que a dor aumentou consideravelmente, aquilo foi o suficente
para deix�-lo inconsciente. O loiro voltou � consci�ncia com a ajuda de Bella, que
tamb�m foi punida por Voldemort, pela primeira vez na sua frente.
"Milh�es de desculpas meu Lorde, mas, e sobre a impertin�ncia de Harry por ter
destru�do algo de sua posse?"
Malfoy tremeu diante ao olhar perigoso que Voldemort lhe lan�ou. Ele mentalmente
xingou-se por ter pensado alto. De qualquer modo, o Lorde das Trevas n�o lan�ou
nenhuma maldi��o.
"Harry vai ser punido de acordo. Depois que ele servir seu castigo, ter� sua
mem�ria apagada e modificada. Eu preciso dele nessa guerra. Eu n�o tolerarei que
Dumbledore coloque suas m�os nele. Traga-me Harry! E traga-o logo ou prepare-se
para uma dolorosa despedida desse mundo!"
Harry aparatou mais para frente dentro da floresta, ele n�o sabia como conseguiu
destruir a Horcrux sem sua varinha. Ele sentiu uma grande quantidade de m�gica
ench�-lo, junto com a sua raiva. O garoto jogou o pingente em dire��o aos Comensais
e conseguiu transformar aquilo em poeira. Ele queria aquela Horcrux destru�da.
Harry percebeu que de algum jeito, seus poderes fizeram a pe�a pegar fogo e
explodir em cinzas.
O moreno andou sem rumo entre as �rvores, ele n�o tinha a menor id�ia de onde
estava. Ele viu uma pequena caverna, encaminhou-se at� ela e sentou na entrada. O
ar estava frio e o garoto tinha acabado de perceber que tremia dos p�s a cabe�a.
Sua mente ainda estava viajando devido � todos os acontecimentos do dia.
Sua vida inteira foi uma enorme mentira. Lorde Voldemort queria mat�-lo, quando ele
tinha apenas quinze meses. Bella e Lucius estavam involvidos tamb�m. Eles nunca se
preocuparam com ele, eles o colocaram em in�meros treinamentos, o ensinaram magia
negra e o fizeram matar aos dez anos. Harry colocou sua cabe�a nas m�os e segurou
as emo��es que o perpassaram. 'Como pude ser t�o est�pido?' Pensou amargurado. 'O
bruxo mais temido do mundo, que tira a vida de outros facilmente. O bruxo cujo nome
n�o pode nem ser pronunciado, por causa do medo das pessoas! Eu pensei que ele era
um pai amoroso! Que ele era algu�m que me protegeria.' Harry pensou consigo. O
garoto sabia que tudo isso n�o era sua culpa. Ele cresceu no meio de mentiras, n�o
podia esperar que pudesse ver entre o jogo de Voldemort, mas o moreno estava em um
ponto aonde sua mente estava pronta para explodir, ele tinha que culpar algu�m, por
que n�o ele?
Harry pensou sobre os Potters novamente, ele se lembrou das fotos e dos presentes.
O garoto tirou uma foto de dentro do bolso de suas vestes, nela havia as faces
risonhas dos Potters. James e Lily Potter. Seus pais! O moreno olhou para o rosto
das duas pessoas que ele cresceu odiando, os inocentes que foram feitos de
monstros. Eles o amavam, mesmo depois de Hogwarts, mesmo depois que ele tentou
matar James! Ambos continuaram o amando. Harry tremeu ao pensar sobre o que teria
acontecido, se Sirius n�o tivesse salvado o amigo naquele no precip�cio. Ele teria
matado James Potter, seu pr�prio pai, sem nenhuma raz�o. O garoto colocou a foto
dentro de seu bolso novamente. Ele tinha que descobrir o que fazer. Para onde ele
poderia ir?
Harry sabia que n�o podia ir para Godric�s Hollow, mesmo sabendo que seus pais o
receberiam de volta, ele n�o sabia se conseguiria olh�-los nos olhos depois de tudo
o que fez. Foi muita coisa. A outra raz�o era porque o moreno sabia que James e
Lily tentariam proteg�-lo do Minist�rio. Ele sabia que se o pessoal do Minist�rio
descobrisse aonde ele est�, eles o levariam embora. Harry n�o queria ir para
Azkaban, n�o ainda. Seus pais ficariam com mais problemas se tentassem ajud�-lo.
N�o, essa n�o era uma op��o. Ele n�o queria que os Potters enfrentassem ainda mais
dificuldades, do que j� estavam enfrentando por sua causa.
O garoto n�o ia para Dumbledore, nem para a Ordem. Mesmo com os olhos abertos, ele
ainda odiava a Ordem e o Minist�rio. Ambos desistiram dele h� quinze anos atr�s,
quando ele foi pego por Wormtail. Por que agora o moreno devia fazer alguma coisa
por eles?
De repente a dor aumentou, tanto que Harry soltou um grito estrangulado e caiu no
ch�o em agonia. Sua cabe�a ia explodir de dor e ele sabia que isso era porque Lorde
Voldemort deveria ter descoberto sobre sua Horcrux. Mesmo com a dor intensa e com
seus gritos, o garoto n�o se arrependia de nada. 'Eu faria tudo novamente sem
pensar' Harry pensou antes de ficar inconsciente.
James e Lily sa�ram da lareira do Quartel General da Ordem. Eles tiraram as cinzas
de suas vestes e olharam em volta. Dumbledore havia chamado uma reuni�o de
emerg�ncia �s 9 da noite. 'O que aconteceu agora!' Pensou Lily preocupada, enquanto
ia para a sala de estar. Damien j� tinha sido enviado para a Toca naquela manh�,
ele ficaria com os Wealeys por alguns dias. Hermione Granger tamb�m estava por l� e
planejara em fazer os meninos estudarem severamente para suas tarefas. James e Lily
passaram o dia inteiro com os Weasleys tamb�m. De fato, ambos tinham acabado de
chegar em casa, quando receberam a mensagem da reuni�o de emerg�ncia.
Lily rezou para que nada de ruim tivesse acontecido, mas ela sabia que Dumbledore
nunca chamaria uma reuni�o a esse hor�rio, se n�o fosse importante. De qualquer
modo, ela n�o tinha id�ia do qu�o importante era a situa��o, que ocorreu mais cedo
naquele dia.
Lily viu que muitos membros da Ordem ainda n�o tinham chegado. As �nicas pessoas na
sala de estar eram, Dumbledore, Snape, Remus e Sirius. Ela e James sentram-se
pr�ximos ao Diretor.
"Eu pedi para que voc�s viessem mais cedo do que o resto. Creio que voc�s devam
saber de tudo antes." O Diretor continuou.
Lily sentiu seu cora��o apertar ao ouvir essas palavras. Isso deveria ser algo
sobre Harry, tinha que ser. Ela e James seguraram suas respira��es e encararam
Dumbledore, o apressando com o olhar para contar o que acontceu.
"Est� tarde, mas a informa��o que tenho deve ser compartilhada imediatamente."
James ouviu as palavras, mas n�o acreditou nelas. Ele sentiu Lily agarrar sua m�o e
estava consciente das rea��es de Sirius e Remus tamb�m, mas ele mesmo n�o conseguia
acreditar que aquilo era verdade.
"Eu apenas recebi as not�cias h� uma hora atr�s. Severus veio me ver e contou que
Harry esteve fora da Mans�o o dia inteiro. Quando ele voltou, foi ver Bella e
depois do que pareceu uma grande discuss�o, o garoto deixou a Mans�o fulminando.
Severus disse que alguns Comensais foram atacados pelo garoto. Aparentemente, Bella
tentou parar Harry, mas ele n�o a escutou. Um tempo depois, Severus e outros
Comensais da Morte, foram instru�dos por Bella para seguir Lucius e ela. Eles
tinham que deixar o garoto sem sa�da, mas sem machuc�-lo."
Dumbledore parou para observar Snape. O homem de cabelos sebosos estava sentado em
sil�ncio. Ele parecia estar assistindo a rea��o de Potter.
"Quando eles encontraram Harry, ele recusou a voltar com Bella e Lucius. Pela
conversa deles, parece que o garoto encontrou algu�m que contou sobre a verdade de
sua inf�ncia, de quando ele foi levado de Godric�s Hollow. Harry escapou e os
Comensais tiveram que voltar para Voldemort de m�os abanando." O Diretor terminou.
James sentiu como se seu cora��o fosse explodir, ele sentia muitas emo��es no
momento. A felicidade por Harry ter deixado aquele monstro, era maior que a
felicidade por saber que seu filho descobriu sobre sua inf�ncia. Isso n�o era o que
os pais queriam para seus filhos, mas ao mesmo tempo, o Auror sentiu uma grande
quantidade de ansiedade para saber aonde estava Harry. Para onde Harry ia? Claro
que ele iria voltar para Godric�s Hollow. Ele sabia da verdade, ent�o por que n�o
voltar para casa? James sentiu medo pelo seu filho. O Minist�rio daria uma chance
de explica��o? Eles dariam uma segunda chance para uma vida que j� devia existir?
"Harry est� agora em uma posi��o muito mais vulner�vel do que antes. N�o s� o
Minist�rio e a Ordem est�o atr�s dele, mas Voldemort e seus Comensais da Morte
tamb�m. � extremamente necess�rio agora, que n�s o achemos para mant�-lo a salvo.
Assim que ele estiver conosco, n�s podemos fazer um acordo com o Ministro. Por�m,
temo que agora, Fudge n�o ir� escutar uma �nica palavra do que eu disser."
Dumbledore disse baixinho.
"Eu sei que isso � dif�cil para voc�s dois, para todos voc�s. Mas, por favor, n�o
vejam isso como uma retrospectiva. Isso � uma coisa maravilhosa, Harry descobriu a
verdade, ele n�o vai mais ser usado por Voldemort. Assim que ele estiver de volta
conosco, n�s poderemos arrumar tudo. N�s precisamos apenas peg�-lo, antes que outra
pessoa o fa�a." Dumbledore disse direto para James e Lily. Remus e Sirius estavam
l� sentados em sil�ncio, tentando digerir a informa��o.
"Quem... Quem foi? A pessoa que contou � Harry da verdade. Voc� sabe quem foi?"
James perguntou baixinho.
"Sim Sirius, foi Peter quem contou � Harry sobre a verdade. Onde e como ele fez
para convenc�-lo, eu n�o sei. Por�m, de acordo com um coment�rio feito por Lucius,
Wormtail falou com Harry." Dumbledore respondeu.
Snape ficou sentado em sil�ncio, enquanto os outros discutiam Harry, ele n�o sabia
nem por qu� estava sentado nessa mesa. Dumbledore estava fazendo um �timo trabalho
contando sobre suas descobertas. Por�m, Snape sabia que assim que a reuni�o
realmente come�asse, suas mem�rias seriam usadas para mostrar tudo para a Ordem.
"Vamos l� Albus, voc� n�o pode ver entre essa charada? Harry est� convencido de que
h� um espi�o entre os Comensais de Voldemort, ele n�o confia em Snape! Isso � bem
�bvio desde quando o garoto esteve em Hogwarts. Voc� n�o acha, que talvez tenham
colocado uma armadilha para que Snape contasse tudo � voc�, a� voc� d� as ordens
para n�o machucar o garoto, mas captur�-lo sem nenhum arranh�o. Isso significa que
os Aurores o estariam capturando e n�o o matando. Isso faria Harry nos enganar de
novo, assim como fez em Hogwarts." Moody disse alto.
"Alastor, eu acho que voc� est� analisando isso demais. Harry n�o tem nenhuma raz�o
para temer os Comensais, Voldemort deu uma senten�a similar para ele. 'O beijo em
sua captura', ainda assim, Voldemort n�o se importa em se esconder ou parar seu
reino do terror. O garoto n�o teme sua senten�a. Seja o que for verdade na mem�ria
de Snape." Dumbledore tentou convencer Moody.
No final, muitos membros da Ordem concordaram com Moody. Outros estavam incertos,
se aquilo era mesmo um truque em cima dos Aurores para evitar o 'beijo', ou se era
genu�no. James e Sirius, literalmente, lutaram com Moody fora do Quartel General
por causa de suas palavras.
A �nica coisa que estava na mente dos tr�s marotos era achar Harry, antes que
algu�m o fizesse.
J� fazia tr�s dias desde a revolta de Harry contra Voldemort e ainda n�o havia o
menor sinal do garoto. Snape disse que os Comensais da Morte n�o tiveram sorte em
captur�-lo tamb�m. N�o havia nenhum sinal dele. Era como se Harry tivesse
desaparecido do mundo.
James e Lily estavam ficando mais e mais agitados com todo mundo em volta deles.
Eles n�o podiam entender para onde Harry tinha ido. Por que ele n�o voltou? Eles
decidiram contar tudo � Damien. Desde o epis�dio da penseira, James e Lily
explicavam tudo ao menino.
"Ele n�o entrou em contato com voc�?" James perguntava todo dia ao seu filho mais
novo.
"N�o, pai! Se ele entrar em contato, eu prometo que irei te contar, ok?" Damien
respondeu em um tom agitado.
Era em volta de umas seis da tarde depois de uma reuni�o da Ordem e todos os tr�s
Potters estavam em Godric�s Hollow. Damien estava sentado, com todas as li��es que
Hermione lhe deu no dia anterior, Lily estava ocupada preparando o jantar e James
estava conversando com Sirius sobre o pr�ximo passo para achar Harry.
"Merlin! Lily, por que voc� insiste em ter uma m�quina, que causa um ataque do
cora��o, nessa casa?" Sirius perguntou ao massagar seu peito no local aonde seu
cora��o estava.
"James, por favor, atenda para mim." Lily gritou, enquanto continuava preparando a
comida.
"Para qu�? Voc� sabe que a �nica pessoa que liga � sua irm�. Ela provavelmente vai
dar um piti se eu atender." James respondeu.
Era verdade. A �nica raz�o para os Potters terem um telefone trouxa em casa, era
por causa da irm� de Lily, Petunia. Ela tinha jurado que nunca entraria em contato
de modo m�gico. Se Lily quisesse conversar com Petunia, ou se quisesse que sua irm�
entrasse em contato com ela, a mulher teria que comprar um telefone. Lily concordou
com a id�ia, apenas para manter tudo na paz. Petunia era sua �nica irm�. Depois que
seus pais morreram, a mulher ruiva prometeu que cuidaria dela. Ela pensava que ao
menos tendo um telefone, podia ver como Petunia estava.
Era estranho Petunia estar ligando nessa �poca do ano. A �nica data aonde a mulher
telefonava, era no Natal ou no anivers�rio de Dudley. J� que mar�o n�o era tempo de
nenhum dos dois, Lily ficou surpresa.
"Se for Hermione, diga � ela que eu estou quase terminando!" Damien gritou para seu
pai.
N�o houve resposta. James esperou escutar uma resposta, mas ningu�m disse nada.
Estava claro que havia algu�m, j� que o homem escutava sons de movimento do outro
lado da linha.
"Al�? Al�?" James repetiu olhando confuso para o telefone. Ele sabia que estava
usando a coisa do jeito certo, como foi demonstrado por Lily e honestamente, nem
era t�o dif�cil assim.
"Al�, tem algu�m a�?" James perguntou de novo, um pouco irritado agora.
James estava quase desligando o telefone, quando ouviu uma voz respondendo. Era o
som que nunca pensou em ouvir, n�o assim.
"Pai."
James sentiu seu cora��o parar ao ouvir a palavra sendo dita. Foi num tom baixinho
e o homem pode ouvir magoa na voz. Ele segurou o telefone contra o peito, seu
cora��o batia acelerado.
James sentiu seu joelhos enfraquecerem, ao ouvir a voz de seu filho. Harry soava
t�o cansado e t�o exausto, o Auror queria dizer muitas coisas. O homem queria
perguntar se seu filho estava bem, como ele estava, mas tudo o que James conseguiu
foi fazer uma pegunta baixinho.
O garoto levou uns momentos para responder, parecia que ele estava sem saber o que
falar.
"Eu... eu estou bem. Eu apenas quero dizer que... que eu... eu sinto muito!"
James ficou alerta. Senti muito! Senti muito por qu�? Por que Harry estava se
desculpando? Ele n�o fez nada errado. N�o era culpa dele ter sido levado por
Wormtail anos atr�s. Foi culpa dele mesmo por ter deixado Peter entrar em sua casa
e levar seu filho embora. Antes que James pudesse perguntar por qu� Harry estava se
desculpando, o garoto falou novamente.
"Eu deveria ter te dado uma chance. Eu... eu deveria ter escutado voc�. Desculpe
por nunca ter te dado uma chance. Desculpe por tudo! Por tudo o que disse e fiz
para voc�."
James entendeu o que Harry estava falando. Seu filho estava se sentindo culpado por
causa do acidente no precip�cio. Ele tentou mat�-lo. Se Sirius n�o tivesse salvado
James, o homem teria morrido naquele dia. 'Provavelmente � por isso que Harry n�o
voltou para casa, ele deve estar com vergonha!' O Auror ponsou consigo.
Honestamente, James tinha esquecido sobre o incidente. Depois de descobrir o
conte�do da penseira de seu filho, com a busca por 'Alex' e com a descoberta dos
Longbottoms, o homem esqueceu completamente sobre o que aconteceu entre ele e seu
filho naquele dia.
"Harry, escute. Voc� n�o precisa se desculpar. Eu n�o culpo voc�. Voc� n�o sabia da
verdade." James tentou comfortar o garoto.
Harry n�o respondeu, mas pelo som de sua respira��o, James podia dizer que o moreno
de olhos verdes estava desfalecendo.
"Harry, onde est� voc�? Me diga onde voc� est� e eu irei busc�-lo." O Auror disse
urgente. Nesse ponto Sirius, Lily e Damien j� estavam a sua volta. Eles escutaram o
nome 'Harry' e correram para escutar a conversa.
"Harry, por favor, voc� n�o entende. Voc� est� em perigo! Deixe-me ajud�-lo." O
homem disse desesperado.
"Voc� n�o pode me ajudar." Harry respondeu, sua voz estava mais grave agora, mas
James ainda conseguia ouvir a magoa.
Eu n�o quero que voc�s tenham mais problemas. Eu n�o posso voltar para casa e
esperara que todos me deixem em paz. Isso n�o vai acontecer! Se eu voltar para
casa, o Minist�rio vai querer me capturar e voc�s ter�o que me entregar." Harry
disse baixo.
"Voc� n�o vai ter chance nenhuma. Se n�o me entregar, eles v�o jog�-lo em Azkaban
tamb�m. Voc� n�o pode se envolver. Damien precisa de voc�. M-mam�e precisa de
voc�!"
James sentiu seu cora��o doer ao ouvir seu filho chamar Lily de 'mam�e'.
"Harry! N�o! Voc� est� enganado. Voc� ter� outra chance! Harry, por favor, diga-me
onde voc� est�. Voc� precisa ficar a salvo, todo mundo est� atr�s de voc�. Voc� n�o
pode ir contra os Comensais e os Aurores!" James tentou convenc�-lo
desesperadamente a aceitar sua ajuda.
"N�o se preocupe, pai. Eu sou muito bom em me esconder." Harry disse e James
imaginou um pequeno sorriso maroto no rosto de seu filho.
"Harry, n�o! N�o..." James parou de falar ao ouvir a linha sendo desconectada.
"James! O que aconteceu? O que Harry disse? Onde est� ele? Como ele est�? James! Me
responda!" Lily gritou ao tentar tirar respostas de seu marido.
O homem olhou para as tr�s faces p�lidas que o encaravam. Levou vinte minutos para
que contasse a conversa que teve com o filho. No final, todo mundo estava chorando.
"Ele n�o pode se esconder! Onde ele vai ficar? Onde ele vai dormir? Como ele vai
sobreviver sem comida? N�o! Harry n�o pode sobreviver desse jeito! Voc� tem que
ach�-lo, James. N�s temos que ach�-lo." Gritou Lily histericamente.
"Bem, ao menos ningu�m sabe de uma coisa." Sirius disse pensando. Os tr�s Potters o
olharam.
"Harry n�o est� no mundo m�gico. Ele est� no mundo trouxa. Por isso que ele usou um
telefone, o garoto sabe que os sistemas m�gicos podem ser monitorados. Ele n�o quis
arriscar, portanto deve estar no mundo trouxa." Sirius terminou sua explica��o.
"Boa quest�o! Eu acho que � hora de procurarmos por 'Alex' novamente." Sirius disse
baixinho.
"Eu acho que voc� est� louco!" Gritou Draco ao olhar seu amigo intensamente.
"Sim, existe! Fa�a o que eu estou dizendo. Saia daqui!" Draco disse de novo.
Harry suspirou e sentou. Os dois garotos estavam em um pequeno pr�dio, que sempre
foi o lugar secreto favorito deles para brincar. Ficava a uma boa dist�ncia da
Mans�o Riddle e da Mans�o Malfoy, Harry tinha certeza de que ningu�m sabia aonde
era. O moreno apenas ficou ali por algumas noites, ele j� tinha arranjado um outro
lugar para ficar. Era muito perigoso estar no mundo m�gico, ao menos no mundo
trouxa, poucas pessoas o reconheceriam.
Harry ficou chocado ao ver Draco aparecer ali naquela tarde. O garoto pensou que
nem o loiro seria capaz de descobrir aonde ele estava.
"Escute Harry! Voc� n�o pode ficar aqui." Draco tentou novamente.
"Eu sei, estarei saindo daqui hoje." Harry respondeu e sem perceber esfregou sua
cicatriz dolorosa.
"N�o, eu n�o quis dizer isso. Digo, voc� n�o pode ficar aqui, nesse lugar! Voc� tem
que deixar o pa�s, ir embora. Ir para qualquer lugar que seja bem longe daqui."
"O que eu ganharia com isso? Voldemort me encontraria em qualquer lugar, Draco.
Deixar o pa�s n�o � uma op��o!" O moreno disse nervoso. Eles estavam discutindo
isso por, ao menos, uma hora.
"Ent�o, o que voc� vai fazer? Se esconder para o resto de sua vida? Tentar ficar h�
um passo a frente do Lorde das Trevas? Por quanto tempo voc� acha que consegue
antes que algu�m te capture? Se n�o um Comensal da Morte, ent�o um Auror vai pegar
voc�. Harry, companheiro, voc� tem que abrir seus olhos. Voc� est� morto se ficar
aqui. Meu pai disse que o Lorde das Trevas vai executar uns planos bem cru�is em
voc�, quando conseguir te pegar." O loiro disse temeroso.
"Bem, ele vai ter que me pegar primeiro!" Harry disse amargurado.
"Harry, o que voc� est� planejando em fazer para o resto de sua vida? Fugir dele e
do Minist�rio?" Draco perguntou para o moreno.
Harry olhou para seu amigo, seus olhos esmeralda fixos nos cinzas.
"Vida? Minha vida foi tirada de mim, quando me separaram da minha fam�lia, Draco.
Voldemort tirou tudo de mim, minha inf�ncia, meus pais, minha fam�lia, meu futuro,
minha vida! Eu vou tirar tudo dele. Voldemort tirou o que me era mais importante,
agora, eu vou tirar o que � mais importante para ele!"
"O que?" Draco perguntou baixinho ao ver os orbes esmeralda queimando com vingan�a.
"Sua imortalidade."
Cap�tulo Trinta e Oito: � procura por Alex
A procura por Alex estava de volta. James, Sirius e Remus procuraram Harry
intensivamente por todo o mundo trouxa. O lobisomem decidiu que falaria com os
Longbottoms, ele estava certo de que o casal havia ouvido falar do garoto. Assim
que Remus encaminhou-se para o trailer, ele sentiu seu cora��o bater apressado. O
homem bateu na porta e esperou pacientemente por alguma resposta. Frank a abriu e o
olhou sonolento.
"Sim, o que posso fazer por voc�?" Frank perguntou, enquanto esfregava os olhos
para afastar o sono.
"Oh, Ol�. Desculpe por ter atrapalhado voc� nessa manh�, mas estava pensando se
voc� pode me ajudar. Eu procuro por um homem chamado Alex."
"Alex? Por que voc� est� procurando por ele?" Frank perguntou agressivo.
"Eu ouvi muito sobre o talento dele no clube de luta. Estava pensando se poderia
conversar com ele sobre uma poss�vel oportunidade de trabalho." Remus dsse.
"J� que, aparentemente, seu clube � o �nico que ele frequenta, eu estava pensando
se voc� tem algum meio de contato com Alex." Remus terminou educadamente.
"Desculpe, mas n�o! Alex n�o est� interessado em fazer isso para viver. Ele apenas
vem aqui as vezes para queimar as energias. Eu n�o posso te dar nenhuma infroma��o
sobre ele. Isso � completamente confidencial. Agora, se voc� n�o se importa." Frank
sinalizou para o homem ir embora, antes de bater a porta.
Remus andou em dire��o � Sirius e James.
"E a�, alguma sorte?" James perguntou assim que ele chegou.
"Frank sabe aonde Harry est�. Ele apenas n�o est� falando." Remus respondeu.
"Voc� acha que Harry est� l� dentro com os Longbottoms?" Sirius perguntou e olhou
para o trailer.
"N�o, n�o acho. Mas ele definitivamente sabe aonde Harry est�. Eu pude ver que
Frank ficou nervoso, quando perguntei sobre 'Alex'." O lobisomem respondeu.
Os tr�s marotos foram embora, mas asseguraram que iriam checar os Longbottoms de
novo. Se 'Alex' estava mantendo contato com eles, ent�o era importante estar l�
para que ningu�m fosse pego.
John voltou para sua cama, ele teve uma longa noite. A luta do dia anterior foi um
sucesso, que at� mesmo o deixou acordado para limpar tudo depois. Alex foi legal o
suficiente para ajud�-lo. O homem deitou em sua cama, ao lado de Fiona e come�ou a
pensar sobre quando Alex apareceu por l�, h� alguns dias atr�s.
Flashback
"Alex? Oi, o que h� de errado?" Fiona perguntou e extendeu sua m�o para coloc�-lo
dentro da casa.
John estava sentado com Nigel naquele momento, ele ajudava a crian�a a pegar no
sono. O homem olhou melhor e viu Alex, exausto, entrar dentro de sua casa.
"Alex? Voc� est� bem?" John perguntou ao deixar Nigel e aproximar-se do moreno.
Alex estava tremendo e encharcado dos p�s a cabe�a. Aparentemente, ele foi pego
pela chuva l� fora.
"�, eu estou bem. Eu apenas tenho que conversar com voc� um pouco. Desculpe por vir
sem avisar." Alex disse parecendo culpado, ao ver a po�a de �gua que se formava a
sua volta.
"N�o seja bobo, voc� sabe que � bem vindo aqui a qualquer momento." Fiona disse e
pegou uma toalha para o garoto. Alex pegou-a com as m�os tremendo e tentou secar
seu cabelo.
"O que voc� estava fazendo l� fora com o tempo desse jeito?" John perguntou olhando
suspeito para Alex.
John sempre ficou surpreso em como Alex parecia ser calmo e relaxado, mesmo quando
o garoto estava lutando, ele nunca parecia estar nervoso ou inseguro se iria ganhar
ou perder. Alex era a pessoa mais confiante em si que John conhecia, e ainda por
cima, o moreno tinha apenas dezenove anos. Ele parecia muito confiante para sua
idade.
Por�m hoje, John percebeu que Alex estava meio diferente. Aparentemente, o garoto
perdeu um pouco de sua confian�a, seus olhos esmeralda estavam nublados de m�goa e
preocupa��o. Suas m�os tremiam, o que indicava que Alex estava stressado com alguma
coisa. Mesmo sua voz soava diferente.
"Hum... eu apenas fui pego pela chuva." Alex respondeu baixinho ao continuar
secando seu cabelo.
"Voc� realmente deveria tirar essas roupas. Voc� vai morrer se continuar assim!"
Fiona disse e correu para pegar algo para o garoto usar.
Um sorriso triste apareceu na face de Alex e isso n�o passou despercebido por John.
Alguma coisa estava definitivamente errada.
"Est� tudo bem. Eu apenas passei para dizer que irei comparecer ao clube amanh�."
"Mas eu pensei que voc� estaria realmente ocupado por uns tempos e que n�o poderia
lutar." O homem respondeu.
"�, mas houveram mudan�as nos meus planos. Tudo bem assim?"
"Hum... tem mais uma coisa..." Alex desviou o olhar e pareceu lutar contra suas
pr�ximas palavras.
"O... pr�mio. Eu quero saber... se posso... ficar com ele dessa vez. Eu preciso do
dinheiro para uma coisa..." O garoto deixou a frase em aberto e parecia estar com
vergonha.
"Alex, eu j� disse isso antes, o pr�mio � seu. Voc� ganha, voc� fica com ele.
Espere aqui." John instruiu.
"� seu. Eu venho guardando seu dinheiro, eu sei que voc� sempre disse que n�o
precisava dele e que eu devia ficar com tudo, mas sabia que algum dia ele seria
necess�rio, portanto abri uma conta para voc�. Esse dinheiro � seu. Voc� pode fazer
o que quiser com ele, voc� pode ter tamb�m a metade do dinheiro das lutas que fez.
Eu sempre disse que voc� deveria guard�-lo para um dia chuvoso. Esse dia chegou."
John disse e apontou para as roupas do garoto.
Alex sorriu da piada horr�vel do homem. Ele segurou o livro e observou os n�meros
que ali estavam, era dinheiro suficiente para uns tempos. Alex olhou para John
agradecido.
Fiona entrou no c�modo trazendo roupas secas. Havia uma cal�a jeans e uma camisa
branca.
"Pronto, troque logo essas roupas. Aqui tem um cinto tamb�m, voc� nunca conseguiria
colocar os jeans de John de outro modo." Ela deu um sorrisinho para seu marido e
levou Alex at� um outro c�modo mais privado, para que ele se vestisse.
O garoto deixou o casal um tempo depois, ele foi for�ado a jantar por Fiona. Assim
que a chuva passou, o garoto foi embora.
Fim do Flashback
John deitou em sua cama pensando na luta em que Alex participou naquela noite. Foi
uma grande noite. Ele conseguiu mais dinheiro do que usualmente conseguiria em uma
semana. Foi o milagre de Alex. O garoto era fen�menal. Mesmo que Alex parecesse
bem, quando John conversou com ele, o homem conseguia ver que o garoto estava mal.
Parecia algum tipo de trauma, ele n�o estava normal, mas n�o importava o quanto
Fiona pressionasse, Alex apenas dizia que estava bem.
A vinda daquele homem procurando por Alex, o fez ficar preocupado. O garoto se
meteu com o tipo errado de pessoa, talvez seja por isso que ele ande t�o stressado.
Talvez, foi por isso que ele pediu o dinheiro das lutas, ele precisava do dinheiro.
Alex tinha aparecido na luta do dia anterior tamb�m, ele parecia cada dia mais
exausto. John percebeu que o garoto vivia pressionando sua testa, ele perguntou se
era dor de cabe�a, mas o moreno apenas deu de ombros. Alguma coisa estava muito,
muito errada. Alex precisava de ajuda e John n�o sabia o que fazer.
Damien n�o estava de bom humor, ele j� estava sentado ao lado de Hermione, Ron e
Ginny por pelo menos quatro horas, tentando colocar em dia seus estudos. Hoje todos
estavam na casa de Hermione. O menino teve que convencer seus pais de que l� era
seguro, j� que era no mundo trouxa e tudo mais. Por�m, mesmo assim, eles mandaram
Charlie Weasley junto com os tr�s. Charlie era um bom amigo da Sra. Granger e
estava no andar de cima discutindo pol�tica, tanto trouxa, quanto bruxa.
"Hermione, isso � uma coisa sem prop�sito. Por que n�s dever�amos aprender os 150
usos dos Kuylines! Quais s�o os benef�cios disso para as pessoas?" Dramien
perguntou bufando.
"Damy, por favor, n�o de novo." Hermione disse, n�o deixando o olhar desviar do seu
trabalho de Runas Antigas que fazia com Ron.
"N�o, mas � verdade. Se n�s devemos aprender alguma coisa, deveria ser Defesa. � a
�nica coisa que vai nos ajudar. Isso e talvez m�todos de cura, j� que � �til
tamb�m." Damien continuou.
"Damy, n�s sabemos que voc� quer ajudar na Ordem, todos n�s queremos! Mas voc� tem
que cair na real. Dumbledore e seus pais nunca v�o nos deixar ajudar na guerra.
Eles n�o v�o deixar nem eu, nem Hermione ajudar e n�s j� estamos quase maiores de
idade! N�o h� nenhum jeito de faz�-los deixarem a gente lutar contra Voc�-Sabe-
Quem." Ron replicou.
"Eu n�o sei por que n�s estamos nos preocupando com isso." Damien disse carrancudo.
Os quatro adolescentes imploraram para que seus pais os deixassem ajudar a achar
Harry, ou em algum outro trabalho para a Ordem. A �nica coisa que os pais falaram
para eles foi para ficarem longe disso e se concentrarem nos estudos.
"Quer saber? Eu acho que n�s precisamos de um intervalo. Vamos dar uma volta."
Ginny disse ao soltar sua pena e se levantar.
Todo mundo concordou em tomar um pouco de ar, sendo assim, os quatro sa�ram para
dar uma volta. Charlie estava os acompanhando, claro. Ele conversava com Hermione e
Ron, enquanto Damien e Ginny andavam mais a frente.
"Eu estava querendo te perguntar. Hum... voc� tem ouvido sobre ele?" Ginny
perguntou baixinho.
"N�o, desculpe Ginny. Sem ser aquele telefonema para papai, Harry n�o entrou mais
em contato." O menino respondeu suavemente.
Damien correu os dedos por cima da pedra negra do seu pingente, que estava em volta
de seu pesco�o. Ele cumpriu sua palavra e n�o tirou a Layoo Jisteen, sentir a
textura da pedra o relaxava.
"Meu pai e o resto est�o procurando por ele. Eles procuram, praticamente, toda
noite, mas n�o tiveram sucesso ainda." Damien continuou.
Ginny ficou triste, era dif�cil para ela esconder suas emo��es de Damien. A menina
sabia que seu amigo tinha consci�ncia do que ela sentia por Harry, mas era muito
insens�vel da parte dela, querer reclamar sobre essa situa��o, quando o �nico
parente sang�inio de Harry, entre os dois, era Damien.
"Tudo bem Damy, n�s vamos ach�-lo logo. Professor Dumbledore n�o vai deixar que
nada aconte�a com ele. Sua m�e e seu pai v�o mant�-lo a salvo. Tenho certeza
disso." Ginny disse.
Damien deu de ombros ao ouvir as palavras, ele sabia que Harry n�o ia voltar para
casa, ele sabia o suficiente sobre seu irm�o, para saber que o garoto n�o voltaria
por medo dos outros se machucarem por sua causa, fosse pelos Comensais ou pelo
Minist�rio. Damien andou com Ginny, nem mesmo prestando aten��o no que ela falava,
ele queria ajudar seu irm�o de algum jeito, mas a Ordem, o Minist�rio e os
Comensais n�o estavam tendo sorte em achar Harry, sendo assim, que chance ele
tinha?
Damien e Ginny olharam em volta e viram a amiga apontando para uma loja de comida.
Os dois encaminharam-se at� l�.
"N�s vamos comprar alguns salgadinhos, para quando estivermos estudando." Hermione
explicou e entrou na loja.
"Concordo com isso." Ron disse feliz, enquanto corria atr�s de Hermione.
Charlie riu por causa do olhar na face de seu irm�o. Ron adorava sua comida, mas
amava os doces trouxas e a simplicidade deles. N�o haviam doces que mudavam de cor,
n�o haviam chocolates que pulavam como sapos e n�o haviam aqueles que mudavam de
sabor. Haviam apenas gostos e texturas simples, que definitivamente fascinavam Ron.
Damien entrou na loja tamb�m, mas foi para outra dire��o, longe de seus amigos. Ele
estava de mau humor e n�o queria ficar irritado, enquanto Ron babava em cima dos
doces e salgadinhos trouxas. Ele escutou, de longe, Ginny impedindo Charlie de
segu�-lo, dizendo ao irm�o para dar � ele um pouco de espa�o. O menino fez uma nota
mental para agradec�-la depois. Ginny era legal, ela sempre o ajudava. Damien sabia
o qu�o dolorosa era a perda de Harry para ela tamb�m. A menina ficou completamente
boba em rela��o ao garoto que salvou sua vida, foi dif�cil aceitar que era o mesmo
garoto que a maioria dos adultos tinha medo e a pessoa que cresceu com o bruxo mais
temido de todos os tempos. Por�m, agora Harry estava longe e Ginny nem mesmo
consegiu conhec�-lo direito. A menina gostava de seu irm�o, bastante, mas ela
conseguia esconder isso muito bem. Damien balan�ou a cabe�a para clarear os
pensamentos.
Ele chegou na se��o de comida pronta. O est�mago de Damien grunhiu de fome, ele
tinha comido um pouco de caf� da manh�, mas n�o almo�ou na casa de Hermione. O
menino n�o estava com muita fome naquela hora. O almo�o foi servido � 1 hora da
tarde e agora j� era 5 horas, logo seria hora do jantar e ent�o Damien voltaria
para casa. Ele come�ou a ver a variedade de comida que estava a venda, parecia bem
gostoso. O menino andou um pouco por ali, assim que decidiu que j� era hora de
procurar pelos outros, viu uma coisa que o fez parar no lugar.
Damien viu a sombra de algu�m saindo da se��o de comida pronta. A pessoa estava de
costas, mas o menino a reconheceu instantaneamente. O cabelo bagun�ado era uma
�tima pista.
Damien correu at� seu irm�o, bem na hora que Harry saiu da loja e o segurou pelo
bra�o. O moreno de olhos verdes virou e viu o menino. Ele estava pronto para gritar
com a pessoa que o segurou, mas ao ver a face joven de seu irm�o, Harry parou.
Ambos observaram-se por um momento.
"Harry? O que voc�..." Bem nessa hora, o menino escutou a voz de Charlie o
chamando.
Ele se virou para ver se algu�m estava vindo lhe buscar, Damien viu Charlie lhe
procurando e sem nem mesmo pensar, puxou Harry para fora da loja. Os dois garotos
correram at� um beco no final da rua, assim ficariam fora de vista.
"Esque�a de mim, o que voc� est� fazendo aqui? Voc� n�o deveria estar andando por
a�! Algu�m pode ver voc� e falar para o Minist�rio." Damien disse irritado.
"Esse � o mundo trouxa, Damy! Poucas pessoas me reconhecem aqui." Harry replicou.
"Mesmo assim Harry! � perigoso. Existem muitas pessoas, como nascidos trouxas e
bruxos que poderiam reconhecer voc�!" Damien n�o conseguia acreditar no risco que
seu irm�o estava se expondo.
Harry estava quase respondendo quando eles escutaram algu�m chamando Damien. O
menino come�ou a entrar em p�nico quando o som come�ou a se aproximar, ele percebeu
que eram Charlie e Ron.
"Harry, voc� tem que ir antes que algu�m o veja!" Damien disse urgentemente. O
moreno de olhos verdes virou para ir embora, mas seu irm�o o segurou.
"Harry, n�s n�o temos tempo para isso, ou voc� me fala como entrar em contato com
voc�, ou eu conto para o papai que te achei aqui por perto. Ele n�o vai encontrar
nenhum probelma para te achar e te trar� para casa!" Damien n�o queria amea�ar seu
irm�o, mas era necess�rio faz�-lo para n�o deixar Harry desaparecer de novo.
O moreno de olhos verdes encarou Damien antes de olhar para tr�s, as vozes estavam
chegando perto.
"�timo! Me encontre aqui, nesse exato lugar, amanh� ao meio dia. N�o chegue tarde e
venha sozinho, ok?" Harry disse r�pido.
"Damien! Onde voc� estava? Por que voc� saiu da loja sem dizer para ningu�m?"
Charlie perguntou.
"Eu estava passando mal l� dentro. Eu apenas sa� para pegar um pouco de ar fresco.
Eu n�o queria assustar voc�s, desculpe." Damien respondeu calmamente, ele nem mesmo
conseguia escutar sua pr�rpia voz, devido �s batidas de seu cora��o.
"Certo, apenas avise aonde vai da pr�xima vez." Charlie disse mais calmo.
Os cinco voltaram para a casa de Hermione. O jantar foi um hor�rio silencioso para
Damien, sua fome parecia ter sumido. O menino n�o conseguia esperara para anoitecer
e assim sendo que o dia seguinte chegasse. Ele finalmente conseguiria encontrar seu
irm�o novamente, o menino ficou quieto at� chegar em casa. Charlie fez uma chave de
portal para Godric�s Hollow, assim que o adolescente chegou em casa, ele correu
direto para seu quarto. Damien sabia eu n�o conseguiria encarar seus pais e
esconder o fato de que tinha visto Harry. O desejo de conversar novamente com seu
irm�o, era o que o mantinha sem contar para seus pais sobre o encontro. O menino
sabia que se seu pai descobrisse, ele insistiria em segu�-lo amanh� e assim
tentaria convencer Harry a voltar para casa. Damien queria que seu irm�o voltasse,
mas n�o queria que fosse a for�a. Harry foi manipulado para fazer coisas que ele
n�o queria a vida inteira, j� era tempo de isso terminar.
Damien caiu em um sono desconfort�vel, esperando que Harry mudasse de id�ia no dia
seguinte.
Damien ficou exatamente no mesmo local em que Harry mandou e checou seu rel�gio
novamente. Faltavam alguns minutos para o meio dia. O menino disse � seus pais que
estaria visitando Hermione de novo, sua m�e ficou um pouco suspeita, mas ele logo
disse � ela que n�o havia terminado uma de suas tarefas e sua amiga iria lhe
ajudar. Damien consegiu convec�-la de que Ron e Charlie iriam tamb�m. Felizmente,
uma mensagem de Remus chegou para sua m�e, assim sendo ela o deixou ir e saiu
correndo para encontrar o amigo. O menino usou a chave de portal do dia seguinte
para chegar at� a casa de Hermione.
Damien nunca chegou a entrar na casa dos Granges, ele foi direto para a loja de
comida, mas tinha palnejado ir para a casa da amiga depois. O menino j� estava
parado no beco h� uns dez minutos.
De repente, Damien sentiu algu�m se aproximando atr�s dele. Ele se virou e viu
Harry parado, antes que pudesse dizer qualquer coisa, seu irm�o sinalizou para que
ele ficasse quieto e o mandou segu�-lo. Harry parecia estar irritado e Damien
lembrou-se de nunca mais amea�ar ou chantagear seu irm�o novamente. Eles andaram
por um bom tempo, Harry estava h� alguns passos para frente. Ele nem mesmo olhou
para tr�s para checar se seu irm�o mais novo o estava seguindo.
O moreno de olhos verdes parou em frente a um pr�dio pequeno. Damien observou uma
placa acima da porta. Estava escrito: Estalagem do Barnsley.
O menino decidiu ficar quieto at� que ambos estivessem l� dentro. Harry entrou
primeiro e subiu as escadas, ele pegou uma chave e abriu uma porta � sua direita.
Damien seguiu em sil�ncio e ouviu seu irm�o fechando a porta. Foi a� que finalmente
Harry olhou para ele.
"Ok, primeiramente, se voc� fizer aquele show de novo, eu juro Damien, eu vou socar
voc� pelos pr�ximos s�culos." Harry disse. Damien ficou quieto, enquanto seu irm�o
o amea�ava.
"Eu n�o sei por que voc� achou que podia me amea�ar daquele jeito, mas eu lhe
asseguro, que n�o vou deix�-lo fazer de novo. Espero que voc� perceba que se nosso
pai estivesse vindo para c�, eu j� estaria bem longe, portanto, a �nica raz�o de
voc� estar aqui � para que eu possa explicar algumas coisas." O moreno de olhos
verdes parou de falar quando viu seu irm�o sorrindo abertamente. Por�m, nesse
sorriso, havia um pouco de tristeza.
Harry ficou parado ao perceber que Damien estava certo, ele chamou James de 'pai'
sem nem mesmo perceber. O garoto suspirou e andou at� seu irm�o mais novo. Ambos
sentaram na cama e se olharam estranhamente.
"Damy, me desculpe, eu n�o queria gritar com voc�, mas voc� n�o deveria ter me
for�ado a fazer isso. Eu quero que voc� fique a salvo e isso significa longe de
mim." Harry disse baixinho.
"� isso o que voc� acha. Me diga Harry, se voc� voltasse para casa, como as coisas
ficariam mais dif�ceis? N�s ainda estamos na mira dos Comensais da Morte! N�s
estamos em uma guerra. Se alguma coisa vai acontecer se voc� voltar para casa, vai
ser nos deixar mais fortes." Damien tentou mostrar ao seu irm�o algum sentido para
voltar para casa.
"E o Minist�rio? E o resto do mundo m�gico? Todos eles querem justi�a. Eles querem
que o pr�ncipe negro pague por tudo o que fez quando estava sob o comando de
Voldemort." Harry disse silenciosamente.
Damien ficou quieto, ele entendeu o que Harry queria dizer. Junto com o Minist�rio,
haviam muitas pessoas, como Neville, que queriam seu irm�o punido por seus crimes.
Mesmo que se por algum milagre, o Professor Dumbledore conseguisse livrar Harry do
Minist�rio, como ele faria o resto do mundo m�gico perdoar o garoto?
"Talvez, talvez n�s pud�ssemos explicar que voc� � uma pessoa diferente agora."
Damien come�ou, mas Harry o cortou.
"Quantas pessoas voc� vai tentar convencer? Isso n�o � poss�vel Damien."
O menino mais novo parou de tentar convencer seu irm�o a voltar para casa. Ambos
sentaram e conversaram sobre muitas coisas, o fechamento de Hogwarts, a Ordem e
suas tentativas de capturar Harry, os artigos do Profeta Di�rio e sobre o
Minist�rio dizendo o qu�o perto estava de capturar Lorde Voldemort.
"O Minist�rio n�o tem chance nenhuma." Harry disse quando seu irm�o terminou de
contar sobre o �ltimo discurso dado pelo Ministro.
"Fudge nem mesmo sabe por onde come�ar a procur�-lo." Harry continuou.
Damien olhou o irm�o de perto.
"Harry e se voc� ajudasse o Mnist�rio, digo, voc� sabe tudo sobre Voc�-Sabe-Quem.
Talvez voc� pudesse dizer aonde encontrar..." Damien foi novamente cortado por seu
irm�o, apenas que dessa vez, o menino parou ao olhar a express�o de Harry.
Harry parecia estar se segurando para n�o colocar Damien para fora, seus punhos se
fecharam, seus dedos ficaram brancos por causa da for�a e sua face ficou rosada. O
garoto fechou os olhos e tentou se acalmar.
"Eu nunca vou ficar do lado do Minist�rio, nem ajud�-los." Harry continuou
sibilando.
"Mas Harry, tudo o que eu disse foi para que voc� e o Minist�rio unissem for�as
para acabar com Voc�-Sabe-Quem." Damien tentou explicar. Harry se levantou e se
afastou do irm�o, obviamente para se acalmar.
"Damien, eu n�o quero acabar com Voldemort! Eu apenas... eu n�o posso explicar..."
O moreno de olhos verdes sentou o no sof� que estava em frente � cama e colocou as
m�os na cabe�a.
Damien n�o sabia o que dizer nem o que fazer, ele se levantou e se aproximou de seu
irm�o.
"Harry, eu n�o entendo. Se voc� n�o est� contra Voldemort, ent�o por que o deixou?"
Harry olhou para o menino mais novo devagar. Seus olhos esmeralda estavam fixos
nele, depois de alguns minutos o garoto falou.
"Eu o deixei, porque ele mentiu para mim. Voc� n�o entenderia." Harry disse e
desviou o olhar.
"Quando eu descobri o que Voldemort fez, todas as mentiras que ele contou, todas as
vezes que ele demonstrou se preocupar comigo, era tudo mentira. Eu... eu perdi. Eu
agi antes de pensar nas coisas. Eu o deixei porque n�o queria que minha mente fosse
obliviada de novo. Eu n�o queria ser manipulado. Eu n�o o deixei porque queria me
juntar � Dumbledore ou ao Minist�rio, ou alguma coisa assim! Eu o deixei porque n�o
queria ser usado. Viu Damien, eu n�o posso voltar para casa, se eu voltar, o
Minist�rio me captura e me joga em Azkaban, ou eu vou ser obrigado a lutar contra
Voldemort. Eu serei usado por Dumbledore como uma arma para matar Lorde Voldemort.
Eu n�o posso fazer isso, eu n�o posso mat�-lo! N�o importa o que ele fez, eu n�o
serei capaz de mat�-lo!"
"Ent�o, o que voc� planeja fazer? Voc� vai apenas ir embora e esperar que Voc�-
Sabe-Quem venha e te pegue? Vamos l� Harry, depois de tudo o que ele fez, voc� vai
deix�-lo sair de tudo ileso?" Damien perguntou.
"Eu nunca disse isso. Eu disse que n�o serei capaz de mat�-lo. Eu nunca disse que o
deixaria sair ileso, depois dele ter arruinnado minha vida! Eu o farei pagar,
Damien. N�o duvide disso. Voldemort vai desejar ter me matado quando eu ainda era
um beb�." Harry disse num tom gelado.
"O que voc� vai fazer?" Damien perguntou, verdadeiramente curioso.
"Isso � para eu saber. Voc� n�o n�o precisa se envolver nisso. Olha, a raz�o pela
qual eu concordei em voc� vir aqui, foi para explicar as coisas. Voc� n�o pode
contar para ningu�m que me viu, ou que falou comigo. Voc� nunca mais vai vir aqui
de novo. As chances s�o de que eu v� para outro lugar, eu vou ficar mudando direto.
Eu apenas queria dizer que sinto muito pelo modo o qual te tratei e pelo modo com
que tratei os outros a sua volta. Por favor, Damien, volte para a sua vida. N�o
tente me procurar. Apenas n�o se involva nessa bagun�a, ok?"
"Voc� realmente espera que eu v� embora e nunca mais o veja? Voc� realmente acha
que eu vou sair daqui e n�o vou ajud�-lo? Quando voc� vai entender que n�s somos
irm�os? N�s temos que nos ajudar e cuidar um do outro! Se eu sair daqui e deixar
voc� sozinho em uma hora como essa, ent�o eu sou o pior irm�o do mundo!" Damien
terminou.
"Me ajudar? Como? Como voc� vai me ajudar? O que voc� pode fazer para ajudar?"
Harry perguntou.
"Eu n�o sei! Qualquer coisa. Qualquer coisa que voc� precise. Encare isso Harry,
seja o que for que voc� vai fazer contra Voldemort, voc� n�o pode fazer sozinho. Eu
vou ajudar." Damien replicou.
"�timo! Ok. Voc� pode ajudar! Voc� pode ser minha conex�o com o mundo bruxo, mas
entenda isso Damien, se voc� respirar uma palavra disso para algu�m..."
"Oh, vamos l� Harry, voc� realmente acha que eu vou contar isso para algu�m! Me d�
algum cr�dito." Damien exclamou.
Harry analisou seu irm�o por um momento, antes de assentir com a cabe�a.
"� melhor voc� ir, creio que j� foi o suficiente por hoje." Harry disse baixinho.
"�, eu tenho que voltar para Hermione antes que algu�m perceba que eu estou
desaparecido. Harry, como eu posso contatar voc�?" O menino mais novo perguntou ao
se levantar.
Harry pensou por um momento antes de tirar um celular do bolso de sua cal�a jeans.
"Apenas considere como m�gica trouxa." O moreno de olhos verdes sorriu ao ver a
express�o do irm�o.
"O que voc� quer dizer?"
"Olhe, quando eu precisar falar com voc� te enviarei uma mensagem de texto."
"Uma mensagem de texto. Veja essa pequena janelinha aqui, as palavras aparecer�o
a�. Eu mandarei uma mensagem dizendo para nos encontrarmos, onde e quando. Agora me
escute Damien, em nenhuma circunst�ncia � para voc� me ligar ou vir at� aqui sem
minha permiss�o, ok?"
"Ok." Damien respondeu. Ele ainda estava olhando para o estranho telefone m�vel.
Damien assentiu com a cabe�a de novo e depois que seu irm�o o ensinou como usar o
telefone m�vel, ele ficou muito feliz com o seu novo 'brinquedo m�gico trouxa'.
"Como voc� sabe tanto sobre trouxas, Harry?" Damien perguntou ao colocar o celular
no bolso.
"Apenas algumas coisas que eu aprendi quando era... voc� sabe, um personagem."
Harry sorriu e piscou para o irm�o.
Damien sabia que com 'um personagem', Harry queria dizer quando estava se passando
por Alex no mundo trouxa. Ele n�o queria dizer que sabia sobre Alex, n�o queria
deixar seu irm�o nervoso novamente.
O menino de treze anos foi embora. Harry andou com ele at� o beco perto da loja,
onde se encontraram naquela tarde e prometeu que mandaria uma mensagem logo.
Damien foi at� a casa de Hermione e estava em um humor muito melhor do que ontem.
Mesmo surpresa por ver o amigo, a garota n�o questionou o evento estranho. O menino
passou algumas horas com ela e depois pegou uma chave de portal para casa.
As coisas estavam funcionando muito melhor do que Damien pensava. Agora ele teria
um contato regular com Harry e ajudaria o irm�o � lutar contra a pessoa que o
afastou da fam�lia.
Damien estava estudando na Toca, quando recebeu sua primeira mensagem de Harry. O
menino n�o escutou o irm�o e brincou com os controles do telefone, ele estava muito
curioso em rela��o ao objeto e queria ver os diferentes menus. Brincou at� o ponto
em que mudou a configura��o para 'alto', ele nem mesmo percebeu isso at� a hora em
que escutou o barulho estranho.
Damien, Ron, Ginny e Hermione estavam todos sentados na mesa, no meio de uma
discuss�o sobre herbologia, quando de repente uma barulho engra�ado come�ou a
tocar. De primeiro o menino de treze anos n�o percebeu o que acontecera, mas
rapidamente percebeu que o som vinha de seu bolso. Ele tentou abaixar o som o mais
discreto poss�vel, mas os tr�s adolescentes a sua volta, tamb�m perceberam de onde
vinha o barulho.
"Nada, n�o � nada." Damien tentou em v�o esconder o objeto, mas ele continuava
fazendo barulho.
"O que � isso? � isso que est� fazendo esse barulho, aonde voc� conseguiu?" Ginny
falou.
Hermione foi a �nica que assistiu tudo em sil�ncio, ela sabia o que era, sendo uma
nascida trouxa, estava acostumada a ver coisas daquele tipo o tempo todo. Damien
tinha um celular! Mas por que? E aonde ele conseguiu? Claro que sua m�e deveria ter
lhe dado. N�o tinha sentido um bruxo utilizar tal objeto. Quem ligaria?
Hermione ficou quieta e deixou o amigo esconder o telefone, dizendo que n�o era
nada e que n�o queria discutir sobre esse assunto. A garota esperou at� Damien ir
ao banheiro, antes de sussurrar, para ron e Ginny, o que era um celular. Todos os
tr�s juraram ficar de olho no amigo para descobrir sobre o que era tudo isso.
Damien voltou depois de alguns minutos, ele j� tinha lido a mensagem que Harry lhe
mandou. L� dizia para o menino o encontrar naquela tarde, �s 5 horas. Damien disse
aos seus amigos que n�o estava se sentindo bem e que iria para casa.
Os outros tr�s n�o o impediram, mas Hermione, com toda sua esperteza, colocou um
feiti�o de rastremento no amigo. Assim durante as pr�ximas 12 horas, ela seria
capaz de ver aonde Damien estaria.
N�o demorou muito para eles perceberem que o amigo saiu da Toca, mas ao inv�s de ir
para Godric�s Hollow, local o qual a chave de portal o levaria, o adolescente
chamou o noitebus andante e foi para o mundo trouxa.
Ron, Ginny e Hermione n�o pararam nem para ver o nome do local, eles apenas
seguiram Damien de perto, os tr�s estavam com medo que se desviassem o olhar,
perderiam o amigo de vista. Eles viram o menino parar em frente � uma porta e se
esconderam em um canto. Nenhum deles tinha a min�ma id�ia do que Damien poderia
estar fazendo no mundo trouxa. Por que ele mentiu e veio para c�? Eles n�o
esperavam ver a raz�o t�o depressa.
A porta abriu e os tr�s viram Harry parado ali, o moreno de olhos verdes abriu a
porta totalmente e deixou o irm�o entrar. Assim que Damien entrou, a porta foi
fechada. Os adolescentes ficaram l� parados e chocados. Eles viram Harry e o garoto
estava vivendo no mundo trouxa. Damien sabia disso e estava nesse exato momento
junto ao irm�o.
"O que n�s vamos fazer agora?" Ron perguntou para as garotas.
Cap�tulo Trinta e Nove: Os ajudantes de Harry
A garota levantou sua sobrancelha para olhar Ron e Ginny. Ambos estavam preocupados
e confusos.
"Vamos l�." Hermione disse e andou at� a porta. Ron e Ginny seguiram um tanto
quanto hesitantes.
A garota parou na frente da porta e come�ou a criar coragem, ela bateu suavemente e
a abriu. Hermione ficou surpresa ao ver que a porta n�o estava fechada, os tr�s
adolescenete pararam ali e viram Harry e Damien sentados na cama no meio de uma
conversa.
Harry ficou em p� imediatamente e Ginny pensou ter visto algo prateado nas m�os
dele, mas o garoto logo colocou a 'arma' no bolso. O olhar furioso dele estava
fazendo os tr�s adolescentes quererem sair correndo. De qualquer modo, eles
continuaram l� em p�, firmemente.
Damien foi quem correu at� os tr�s adolescentes e os colocou para dentro. O menino
rapidamente fechou e trancou a porta.
"N�s podemos perguntar a mesma coisa! O que voc� est� fazendo aqui?"
Damien olhou Ron e estava quase gritando com o amigo, quando mudou de id�ia.
"Como voc�s descobriram aonde eu estava?" O menino perguntou, olhando temeroso para
o irm�o.
"N�s seguimos voc�." Hermione disse sem pensar. Ela percebeu que tinha colocado o
amigo em s�rio problemas com Harry e olhou para o moreno de olhos verdes. O garoto
observava o irm�o com um olhar assassino.
Damien estava confuso e com medo. Seus olhos desviaram-se de Harry para Hermione.
"Isso n�o interessa agora, o bom da coisa � que n�s achamos voc�. Como voc� pode
n�o nos contar que achou Harry? Por que voc� manteve isso em segredo? N�s quer�amos
ajudar, voc� sabia disso!" Ginny disse sem olhar para Harry.
"Eu n�o preciso da ajuda de ningu�m." O moreno de olhos verdes disse baixo, mas os
quatro adolescentes pularam ao ouvirem sua voz.
"N�o Damien. Se voc� n�o pode saber se est�o te seguindo, e por tr�s pessoas ainda
por cima, ent�o voc� n�o ser� capaz de me ajudar!" Harry n�o estava gritando, mas o
desapontamento estava claro em sua voz.
Damien ficou magoado com seus amigos, eles tinham acabado de arruinar as chances de
ajudar seu irm�o.
Antes que algu�m se movesse, Hermione tomou um corajoso passo a frente. Ela agora
estava bem pr�xima � Harry.
Ron parecia ser atingido por um raio e olhou para Harry esperando por sua rea��o. O
garoto estava parado e parecia tentar descobrir o que estava errado com Hermione.
"N�s n�o vamos ir embora. N�o foi culpa de Damien, n�s colocamos um feiti�o
rastreador nele. Ele n�o seria capaz de saber que estava sendo seguido. Como Ginny
disse, foi uma boa coisa n�s o termos seguido. N�s... n�s realmente quer�amos achar
voc�, Harry." A garota disse.
Os tr�s adolescentes olharam para Harry com uma magoa profunda. Ginny deu um passo
a frente, incapaz de conseguir controlar seu temperamento Weasley.
"Como voc� se atreve? Como voc� ousa pensar em algo assim? N�s n�o ir�amos ligar se
tivesse dez mil gale�es pela sua cabe�a! N�s nunca o entregar�amos." Ginny
praticamente gritou com ele.
Harry se virou para olh�-la, seu olhar a perpassou, fazendo a menina se arrepiar.
"Harry, voc� pode achar que todo mundo est� louco para te entregar ao Minist�rio
por dinheiro, mas n�s n�o somos assim. Se voc� n�o acredita, considere isso uma
retribu���o por ter salvado nossas vidas. Assim sendo, n�s vamos manter tudo em
segredo para salvar sua vida."
"Certo! Voc� disse o que queria, agora saia!" O garoto disse � eles.
Ron, Ginny e Damien olharam para ela. Ningu�m esperava que essas palavras sa�ssem
de sua boca.
"Voc� quer me ajudar?" Harry perguntou com outro olhar incr�dulo na face.
"Sim."
"Ok, que tipo de ajuda, voc� acha que pode me dar? O que te faz pensar, que voc�
tem ao menos a capacidade de me ajudar? Merlin! Voc�, todos voc�s, acham que isso �
um tipo de jogo, um est�pido projeto escolar! Essa � a vida real! Voc�s n�o tem a
m�nima chance contra o mais est�pido dos Comensais, como diabos voc�s esperam me
ajudar a lutar contra Voldemort!" Harry gritou.
"Voc�s n�o podem me ajudar! N�o h� nada que voc�s possam fazer para me ajudar. Na
verdade, esses constantes encontros comigo, s� v�o me colocar em problemas se
algu�m os seguir." O garoto continuou.
"Voc� est� errado, Harry. Eu posso ajud�-lo. Eu disse isso antes, s�o as coisas
mais simples que podem ajudar, voc� tem apenas que aceitar."
Harry olhou para Hermione, ele se lembrava muito bem dessas palavras.
"Voc� est� certo, nenhum de n�s � bom em duelo. N�s n�o ter�amos a m�nima chance
contra os Comensais da Morte, muito menos contra V-Voldemort." O moreno escutou os
sons de surpresa dos outros ao escutarem Hermione dizendo o nome do Lorde das
Trevas pela primeira vez.
"Mas existem outras coisas as quais voc� possa precisar de ajuda. Eu n�o posso
falar por ningu�m, mas vou te ajudar de todos os jeitos poss�veis. Voc� vai
precisar de algum tipo de contato, um link com o mundo m�gico. Eu posso fazer isso.
N�s todos podemos ajudar desse jeito. O que quer que seja que voc� fa�a, tenho
certeza de que poderei ajudar assim. N�o estou dizendo que estarei ao seu lado no
campo de batalha, estou apenas dizendo que posso ajudar com coisas simples, mesmo
que seja apenas para estar aqui ao seu lado."
"Por que voc� faria isso? N�o � como se n�s fossemos amigos, caramba, eu fui
horr�vel com voc�. Por que voc� est� me oferecendo ajuda? Voc� n�o deveria sentir
nenhum tipo de lealdade em rela��o � mim!" Harry disse, ele estava verdadeiramente
confuso em rela��o �s inten��es da garota.
"Me diga, Harry. Se Voldemort ganhar, o que vai acontecer com o mundo m�gico? O que
vai acontecer com pessoas como eu? Como meus pais? N�s vamos ser os primeiros a se
dar mal. Trouxas e nascidos trouxas v�o ser os primeiros alvos, depois ser�o as
fam�lias como a de Ron. Fam�lias rotuladas como 'Traidores do Sangue'. N�s vamos
ser rastredos e mortos, todos n�s. Esse � o prop�sito dele, n�o �? 'Que a m�gica
seja apenas usada por Sangue Puros'. Por causa disso que eu estou fazendo isso,
Harry. Eu n�o quero sentar e deixar meu destino e o destino de minha fam�lia nas
m�os de outra pessoa. Eu n�o quero ficar de lado e observar o nosso lado perder e
n�o ser capaz de fazer nada. Eu quero participar para assegurar meu futuro. O
Minist�rio e a Ordem n�o v�o deixar que n�s ajudemos. Se eu puder ajudar a derrotar
Voldemort, ajudar de qualquer jeito, ent�o eu estou pronta para tudo, isso inclu�
ajudar voc�. Voc� est� certo, eu n�o sou leal � voc�, mas estou pronta para te dar
uma segunda chance, se voc� me der uma tamb�m."
Hermione terminou e olhou para Harry. O moreno ficou parado ouvindo as palavras da
garota, ela conseguia sentir que o garoto estava pensando em aceitar sua ajuda.
Suas palavras penetraram na mente dele e Harry estava tentando em algo que a
desconsertasse.
"Voc� j� parou para pensar no que vai acontecer se voc� for pega? Voc� vai cumprir
uma pena em Azkaban, como qualquer criminosa. Voc� vai ser punida por n�o ter me
entregue." Harry disse, ele falava direto para Hermione. Os outros adolescentes
estavam em sil�ncio, os assistindo, pensando em quem admitiria que perdeu a
discuss�o.
Hermione ficou um pouco p�lida ao escutar sobre Azkaban, mas ela limpou a garganta
e continuou.
"N�s iremos apenas correr esse risco se e quando fizermos isso. Se eu puder
assegurar o destino de meus pais e de outros nascidos trouxas, ent�o � um risco que
eu estou disposta a correr."
Harry podia dizer que a garota estava tentando ser corajosa, ao escutar sua voz
tremendo, por�m ela estava falhando espetacurlamente. Ele n�o a culpava, pensar em
Azkaban o assustava tamb�m.
"Sim."
Harry olhou para os tr�s, seu olhar desviou para Damien. Os quatro adolescentes n�o
pareciam ter percebido em qu� se meteram. Mesmo assim, o moreno n�o conseguia
encontrar uma desculpa para imped�-los. Ele podia usar essa ajuda e como Hermione
disse, Harry precisava de um contato com o mundo m�gico.
O olhar de felicidade no rosto dos tr�s, fez Harry sorrir um pouco, sorriso que ele
rapidamente desfar�ou franzindo a testa.
"Mas voc�s tem que fazer tudo o que eu falar e ter�o que seguir todas as minhas
ordens. Combinado?"
'No que eu me meti?' Harry pensou consigo, ao ouvir os sussurros afobados entre
Hermione, Ron, Ginny e Damien.
Hermione resoveu tudo. Eles iriam encontrar Harry tr�s vezes na semana e nessas
tr�s vezes iriam mentir sobre o local aonde estavam. Ela ia dizer que estava na
Toca, Damien diria que estaria na casa dela e Ron e Ginny diriam que estariam nos
Potters. Hermione estava grata pelas reuni�es da Ordem, assim ningu�m iria
surpervis�-los.
Harry mudou sua localiza��o. Ele estava agora em outra estalagem que era longe da
casa de Hermione e para chegar l� os quatro amigos tomavam um taxi. Hermione estava
muito feliz por seus pais ainda estarem lhe dando dinheiro, se fosse de outro modo,
eles nunca poderiam chegar at� a estalagem. Harry ainda se comunicava por celular,
o qual a garota tinha mudado para o modo silencioso.
Era o primeiro encontro e todo mundo estava meio nervoso por estar perto de Harry.
"Quarto legal." Ron comentou ao entrar no c�modo, que tinha uma cama, uma c�moda e
um pequeno arm�rio. Havia uma porta do outro lado, que provavelmente era um
banheiro.
"�, bem legal. Eu posso andar de um lado para o outro em tr�s segundos! Maravilha!"
O moreno disse sarc�stico. Ron pareceu ficar mortificado, pois que de algum modo
ele insultou Harry. O ruivo olhou Damien com uma express�o confusa.
"Voc� n�o viu o quarto que ele tinha quando estava com 'ELE'." Damien explicou em
um sussurro. Ron assentiu com a cabe�a ao entender.
Damien se lembrou do quarto enorme que ele viu na mem�ria de seu irm�o, quando o
garoto falava com Draco. O quarto era quatro vezes maior que o sal�o comunal e a
cama de Harry era grande o suficiente para quatro pessoas dormirem. Para o garoto,
esse quarto deveria ser uma pris�o claustrof�bica.
Harry viu Ron pegar sua varinha e rapidamente pegou-a dele. O ruivo ficou surpreso
ao ver sua varinha sendo retirada.
"Voc�s n�o precisam anotar nada! Eu vou lembr�-los de tudo. Tudo o que voc�s tem
que lembrar � de nunca usar m�gica quando estiverem comigo." O moreno de olhos
verdes disse com uma voz perigosa.
"Todas as suas varinhas s�o registradas pelo Minist�rio. Todas as varinhas s�o
registradas l�. Desse modo eles podem rastrear o tipo de m�gica utilizado e aonde
ela foi feita. Se o Minist�rio ver que existe m�gica sendo feita em uma ar�a
trouxa, sem premiss�o, eles v�o rastrear voc�s. Alguma coisa vai alert�-los da
minha presen�a e eles saber�o que eu estou usando locais trouxas para me esconder."
Harry explicou.
"Isso vai ser dif�cil, eu n�o posso lidar com as autoridades trouxas atr�s de mim e
o minist�rio faria isso imadiatamente." Ele continuou.
"Isso foi m�gica sem varinha, n�o pode ser rastreada. M�gica sem varinha � a �nica
coisa que se pode fazer nessas situa��es, mas j� que existem apenas algumas coisas
que podem ser feitas sem varinha, eu estou restrito."
"Voc� quer dizer que n�o pode fazer m�gica com uma varinha?" Perguntou Ginny.
"A minha n�o � registrada pelo Minist�rio, mas Voldemort tem seus meios de
rastrear. Portanto, basicamente eu posso apenas usar minha varinha em situa��es
extremas e em locais nos quais eu possa sair rapidamente, a maior parte desses
lugares � no mundo m�gico. Eu n�o quero que ningu�m saiba aonde eu estou agora."
Harry disse amargo.
Damien sentiu pena de Harry. Viver sem m�gica para um bruxo ou bruxa � algo
horr�vel e para seu irm�o deveria ser pior ainda.
"Isso me faz lembrar de uma coisa, Damy, preciso falar com voc� em particular. Eu
vou falar com voc� depois, ok?" Harry disse.
"Ok." Damien respondeu, parecendo um pouco surpreso pelo fato de seu irm�o quere
falar com ele sozinho.
"Certo, vamos ao princ�pio. Eu quero explicar que, embora, muitos de voc�s achem
que eu quero destruir Voldemort, esse n�o � o caso."
Como esperado Hermione e Ron ficaram surpresos. Damien, que j� sabia disso n�o teve
rea��o, j� Ginny ficou preocupada com Harry.
"Eu n�o sou soldado de ningu�m, nem de Voldemort e com certeza, muito menos de
Dumbledore. Eu n�o me importo com o mundo m�gico, eu n�o me importo com essa
guerra. De qualquer modo, eu planejo em fazer isso contra Voldemort, por pura
vingan�a. Ele tirou minha vida, quando me roubou da minha fam�lia, portanto vou
tirar a vida dele, literalmente." O garoto parou para aproveitar os efeitos de suas
palavras.
Hermione estava pensando furiosamente, tentando saber o que Harry queria dizer. Ron
estava parecendo confuso, como sempre. Damien e Ginny olharam-se antes de dar de
ombros.
"Ele fez Horcruxes. Existem objetos que cont�m uma parte da alma dele. Desse modo,
se algu�m tentar atac�-lo, enquanto essas Horcruxes estiverem a salvo, Voldemort
n�o pode ser morto. O que eu planejo em fazer �, encontrar e destruir essas
Horcruxes, fazendo com que ele fique mortal de novo. Esses objetos s�o a sua vida,
eu planejo em destru�-los, assim como ele destruiu a minha vida. Voc�s podem chamar
de justi�a po�tica se quiserem." O garoto n�o pode deixar de sorrir ao ver a
express�o na face dos outros.
"Mas quero deixar uma coisa bem clara. Eu n�o planejo e nem irei planejar em matar
Voldemort. Ele pode ter feito coisas inperdo�veis comigo, mas mesmo assim ele me
criou. Ele mostou que se importava. Mesmo tudo sendo falso e por uma raz�o
diferente, ele cuidou de mim. Eu n�o vou ser capaz de levantar minha varinha contra
ele. Eu quero que voc�s entendam isso." Harry tentou deixar a m�goa fora de sua
voz, mas ela ainda aparecia.
"Agora... Eu n�o sei muito sobre as Horcruxes, exceto que ele fez sete delas. Uma
parte est� dentro dele, assim n�s podemos esquec�-la. A segunda parte estava dentro
de um pingente prata, que pertencia � Salazar Slytherin. Essa tamb�m pode sair da
lista."
"Por que, o que aconteceu?" Ron perguntou.
"Qual a import�ncia disso?" Harry disse r�spido, o garoto percebeu seu erro e se
acalmou.
"Desculpa, � que... essa n�o � uma das minhas mem�rias favoritas." O moreno
explicou.
"Ent�o, isso nos deixa com cinco Horcruxes. O que elas s�o e aonde est�o, eu n�o
tenho a m�nima id�ia." O garoto terminou.
"Isso � tudo? Voc� n�o sabe o que s�o e aonde est�o essas Horcruxes? Como voc�
planeja em encontr�-las?" Ela perguntou com um tom desapontado.
"Bem, eu n�o tive a chance de procurar por elas. Sabe... com o mundo m�gico inteiro
atr�s do meu sangue!" Harry resplicou.
"Meio imposs�vel. Hogwarts nunca ensinaria nada sobre Horcruxes. � a magia negra
mais forte. Para se fazer uma delas, voc� tem que tirar a vida de algu�m. Tem que
ser feito a sangue frio e sua alma n�o pode ser divida muitas vezes, existe limite.
Voldemort vez isso ao m� vezes. Sete � o n�mero mais poderoso, o maior n�mero
m�gico. Voc� n�o pode fazer mais que sete Horcruxes." Harry explicou.
Hermione continuou pensativa, seus olhos ficaram estreitos e sua sobrancelha ficou
arqueada, ela tentou puxar uma mem�ria para saber aonde tinha escutado sobre
Horcruxes. De repente, a garota soltou um pequeno 'oh' e olhou afobada para Ron.
"Ron! Lembra da vez que n�s est�vamos estudando na Toca e o Fred e o George
disseram que estavam tentando usar as orelhas extens�veis na reuni�o da Ordem na
noite anterior. Eles mencionaram as Horcruxes! Lembra que eles pensaram que era uma
palavra engra�ada. Os dois come�aram a rir quando ouviram a palavra, a ouviu e
confiscou as orelhas e as jogou fora, antes que eles pudessem ouvir mais sobre o
que essas Horcruxes eram. Voc� n�o lembra?" Hermione perguntou.
"�, eu lembro. Eles pensaram que Horcruxes eram pequenos animais de caninos afiados
e que a Ordem estava planejando em atacar os Comensais com esses bichos..." Ron
parou de falar e olhou Harry embara�ado.
O moreno de olhos verdes olhou para Ron com uma express�o irritada.
"Certo, hum... ent�o isso significa que a Ordem sabe alguma coisa sobre essas
Horcruxes. Eles provavelmente est�o tentando encontr�-las tamb�m." Hermione
terminou.
"Bem, eles n�o v�o consegu�-las. Essas Horcruxes v�o ser destru�das por mim e por
mim somente." Harry disse confiante.
"Certo, eu tenho a primeira miss�o de voc�s." O moreno moveu-se assim poderia estar
mais perto dos outros. Os outros se aproximaram tamb�m.
Ron, Hermione e Ginny estavam no quarto de Damien, junto com ele, tentando
descobrir como eles iriam conseguir a informa��o sobre as Horcruxes para Harry.
Eles aceitaram encontrar Harry dali a cinco dias. O moreno lhes mandaria outra
mensagem de texto para ver se eles conseguiram a informa��o sobre as Horcruxes.
Damien estava perdido em pensamentos, ele tinha uma miss�o adicional. Harry pediu
ao irm�o para achar sua varinha original, que James ainda tinha, escondida em algum
lugar. Ele disse que a varinha era um �tem muito importante, que mesmo Voldemort
n�o seria capaz de rastre�-la e que o objeto lhe deixava mais comfort�vel. Era a
varinha que Harry usou sua vida inteira. Damien contou � ele que faria de tudo para
ach�-la e devolv�-la. Como o menino faria isso, ele n�o tinha a m�nima id�ia.
"N�s temos que descobrir alguma coisa, logo." Ginny disse para quebrar o sil�ncio.
"Primeiramente, n�s temos que entrar em uma reuni�o da Ordem, depois n�s podemos
separar as informa��o que vamos contar para Harry. Mas, como n�s vamos conseguir
isso?" Hermione disse, pensando alto.
"N�s n�o podemos entrar, sem chance. O Professor Dumbledore vai ver qualquer
disfarce que a gente fa�a e nossos pais ir�o provavelmente nos queimar vivos, se
tentarmos penetrar em uma das reuni�es." Ron alertou.
"Ok, e sobre a capa de seu pai Damien? N�s n�o podemos us�-la?" Ginny perguntou,
tentando ao m�ximo pensar em uma poss�vel solu��o.
"N�o d�. Moody pode ver por baixo de capas de invisibilidade. Seu olho louco pode
ver qualquer coisa." Damien disse triste.
"E fora ele, tenho certeza que o Professor Dumbledore pode sentir a capa. Todas as
vezes que a usei em Hogwarts, eu sabia que o Diretor podia sentir." O menino
adicionou.
"N�s n�o podemos usar as orelhas extens�veis para escutar a reuni�o?" Ginny tentou
de novo.
"N�o seja est�pida! Depois que mam�e pegou Fred e George, ela vai, com certeza,
colocar algum feiti�o na porta, assim n�s n�o vamos poder pass�-las por baixo."
Disse Ron.
"Eu estou apenas sugerindo id�ias Ronald! Por que voc� n�o tenta sugerir algo
tamb�m?" A ruiva vociferou.
"Na verdade Ronald, voc� levantou uma boa quest�o! Fred e George tentaram v�rias
vezes ouvir a reuni�o da Ordem. Talvez n�s precisamos juntar for�as." Hermione
disse com um estranho brilho nos olhos.
"N�s definitivamente somos uma m� influ�ncia para ela." Ron disse baixinho para
Damien.
Depois de alguns dias, a pr�xima reuni�o da Ordem foi marcada. Hermione planejou
tudo e mesmo que fosse um plano de risco, todo mundo concordou. O �nico problemas
foi convencer os g�meos que sem saber de nada concordaram.
Hermione fez sua parte muito bem, tudo o que ela tinha que fazer era desfiar o ego
deles e tudo daria certo. Ela estava extremamente nervosa para fazer tal coisa, mas
todo mundo concordou que esse era o �nico jeito de conseguir o que eles queriam.
Portanto, no dia da reuni�o, os seis adolescentes encontraram-se parados no Quartel
General da Ordem. Eles foram mandados para o quarto e receberam ordens para n�o
ficarem andando por l�. Assim que a saiu, o plano foi posto em a��o.
"Ginny, o que voc� planeja em fazer quando ficar maior de idade?" Hermione
perguntou normalmente.
"Bem, eu estava pensando em me unir � Fred e George, sabe com a id�ia deles de
fazer uma loja de logros. Seria muito divertido." Ginny disse em um tom tranquilo.
As duas garotas estavam deixando a voz normal e falavam alto o suficiente para os
g�meos ouvirem a conversa. Os dois viraram quando escutaram seus nomes e o plano de
Ginny para seu futuro.
"Oh, vamos l� Ginny! Por que voc� iria querer perder seu tempo com uma coisa
dessas? Voc� tem tanto potencial. Voc� deveria fazer alguma coisa mais
significante." Hermione disse baixinho para a amiga.
"O que voc� quer dizer com perda de tempo!" Fred exclamou.
"Claro que ela pode, eu apenas disse que ela poderia fazer algo mais... construtivo
com a magia dela. Foi s� isso!" Hermione replicou.
"Como o que? O que voc� vai fazer Hermione? Deixar as pessoas entediadas com
informa��es sem inport�ncia e sem utilidade o tempo todo? Ou alguma coisa criativa
com a sua magia?" Fred gritou.
"�, n�o gritem com ela. Hermione apenas deu uma opini�o." Damien acrescentou.
"Ent�o voc�s concordam com ela. Voc�s acham que podem comandar uma loja de logros?
�timo! N�s vamos mostrar para voc�s." George disse com raiva.
Bingo! Isso foi exatamente a rea��o que os quatro adolescentes estavam esperando
conseguir dos g�meos. Ginny rapidamente se levantou e uniu-se ao seus irm�os.
"Vamos, n�s dever�amos discutir nosso futuro." A menina disse, enquanto tirava os
g�meos do c�modo.
Ron, Hermione e Damien suspiraram em al�vio. A primeira parte foi de acordo com o
plano. Agora, tudo dependia de Ginny, se ela seria capaz de completar se segunda
parte.
Levou quinze minutos para a ruiva fazer a brincadeira. Ron, Hermione e Damien
ouviram os gritos dos g�meos e o horr�vel grito de Ginny vindo do piso t�rreo.
Hermione e os dois garotos sa�ram correndo para l�. O que eles viram, os assustaram
muito. Mesmo isso sendo planejado, ainda era difi�cil de se ver.
Ginny estava deitada no ch�o, sangrando furiosamente pela boca, nariz e orelhas.
Fred e George estavam tentando parar o fluxo de sangue, mas n�o conseguiam fazer
nada. Ron correu at� eles e come�ou a gritar incontrol�velmente.
"Eu n�o sei o que aconteceu. N�s apenas �amos fazer uma pequena bricadeira, mas o
feiti�o deu errado! Isso n�o p�ra!" Fred e George estavam quase chorando, enquanto
tentavam ajudar sua irm� � parar de sangrar at� a morte.
Hermione se sentiu nervosa, ela sabia que Ginny estava bem, j� que ela mesma tinha
implantado frascos reduzidos de sangue falso na boca, nariz e orelhas da menina.
Tudo o que a ruiva tinha que fazer era morder o frasco que estava em sua boca,
todos os outros que estavam nela ficariam recolocando sangue falso o tempo inteiro,
at� que o contra feiti�o fosse feito. Ginny n�o estava perdendo seu sangue. Ron foi
instru�do para usar o contra feiti�o no momento certo, mas mesmo assim, a imagem da
menina no ch�o, sangrando livremente pelo seu nariz, boca e orelhas era bem
perturbador.
Hermione tirou essa id�ia dos kits mata aula dos g�meos, eles usavam pastilhas para
sangrar, mas a garota deu um passo a frente e usou frascos com a mesma f�rmula. O
sangue falso n�o era problema, j� que Hermione o retirou de kits de brincadeiras
trouxa. Tudo o que ela fez foi um simples feiti�o de repeti��o e o sangue continuou
reenchendo-se nos frascos.
", G-Ginny! Ginny, alguma coisa est� errada!" Hermione gaguejou e andou para tr�s,
a passou por ela e correu at� o local de onde vinha os gritos.
Damien e Hermione se afastaram quando a Ordem inteira saiu correndo at� o local de
onde vinha o barulho. Os gritos fren�ticos da chamou a aten��o de todos.
Assim que a �ltima pessoa saiu do c�modo, os dois amigos aproveitaram a chance e
entraram. Eles se sentiram muito mal pelo que iria acontecer com Fred e George, mas
decidiram que as brincadeiras dos g�meos estavam indo longe demais, isso os
acalmaria um pouco.
Hermione pegou um pequeno globo de grava��o e o encolheu, ela estava feliz por ter
ido ao Beco Diagonal. Esse era o melhor objeto de grava��o do mundo bruxo inteiro.
A garota planejou que Ginny distra�sse a Ordem, assim ela poderia entrar no c�modo
e implantar o globo. Esse era o �nico jeito de fazer com que a reuni�o fosse
gravada e depois mostar tudo � Harry.
Hermione come�ou a fazer tudo com a ajuda de Damien, eles diminu�ram o globo e
colocaram-o atr�s das cortinas. Desse modo, ele ficaria fora do caminho e ent�o,
ningu�m conseguiria v�-lo acidentalmente. A garota rezava para que Moody ou o
Professor Dumbledore n�o fossem capazes de detectar o objeto, mas isso estava nas
m�os do destino agora. Assim que Hermione colocou o globo no local certo e se virou
para sair com Damien, seua olhos castanhos viram o pergaminho em cima da mesa. A
garota o pegou e viu a ilustra��o de um pingente prateado com uma cobra de duas
cabe�as, uma cabe�a no come�o e outra na ponta com olhos verdes e brilhantes.
Hermione reconheceu a j�ia, ela tinha visto em Harry, naquele dia no sal�o comunal
de Gryffindor, quando ajudou a curar a mordida que estava nele. Ela se lembrou de
ver o pingente estranho, quando foi inspecionar o ferimento, lembrou tamb�m das
palavras de Harry no �ltimo encontro: 'A segunda parte estava dentro de um pingente
prata. Pertencia � Salazar Slytherin. Essa tamb�m pode sair da lista'.
Os olhos da garota arregalaram-se quando ela percebeu que essa ilustra��o era a
Hocrux que pertenceu � Slytherin, aquela que Harry destruiu. Hermione percebeu que
se era do Slytherin, o seu formato devia ser uma serpente, tudo se encaixava.
"Damien, aquele papel... Acho que s�o as Horcruxes!" Hermione sussurrou para o
amigo.
Damien estava ocupado, concentrado em escutar se algu�m estava vindo, assim n�o
escutou a garota.
"O que?" Ele perguntou imediatamente, mas Hermione j� estava indo em dire��o �
mesa.
Ele viu a amiga pegar sua varinha e murmurar um feiti�o bem baixinho.
Uma engra�ada luz azul cobriu os pap�is que estavam em cima da mesa. Antes que
Damien pudesse perguntar � Hermione o que ela estava fazendo, houve um flash azul e
uma c�pia ind�ntica de todos os pergaminhos caiu sobre a mesa, fazendo um barulho.
O menino ficou encarando as c�pias que sua amiga fez, mas antes que falasse alguma
coisa, um grito foi ouvido.
"Moody! Por favor, fa�a alguma coisa! Voc� n�o pode deix�-la morrer! Por favor,
fa�a alguma coisa." A garota gritou e come�ou a falsificar um choro.
O Auror parecia preocupado e tentou acalmar a garota, mas como n�o tinha
experi�ncia nessa �rea, acabou falhando miservavelmente.
"Pronto, pronto, tudo vai ficar bem." Ele disse bem desconfort�vel.
"COMO! COMO TUDO VAI FICAR BEM? VOC� TEM QUE FAZER ALGUMA COISA!" Hermione gritou.
Todos os membrots da Ordem come�aram a olh�-la e alguns correram para ajudar Moddy
a acalmar a garota.
Isso foi o que estava previsto, Ron aproveitou a oportunidade e murmurou um contra
feiti�o, j� que a maioria das pessoas estavam olhando Moody. O ruivo estava perto o
suficiente para conseguir acertar a irm� com o feiti�o. Hermione sabia que era
importante segurar a aten��o do Auror, para Ron poder ajudar sua irm�. O olho
m�gico de Moody era a �nica coisa que podia ver o garoto curando Ginny. Com o
pequeno ataque de p�nico de Hermione, o homem ficou muito ocupado para perceber
qualquer outra coisa. Assim que Ron acertou o feit�o, o sangue parou de sair e
Ginny se sentou, fingindo estar fraca e dolorida.
"Ginny! Oh Ginny! Voc� est� bem? Oh, meu pobre beb�. O que aconteceu? Quem fez isso
com voc�? Me fala!" A estava abra�ando a ruiva coberta de sangue e beijando seu
cabelo.
A ruiva fingiu desmaiar e foi imediatamente levada para seu quarto. Hermione e
Damien seguiram junto com os g�meos, que estavam bem p�lidos, e Ron.
Ginny acordou fazendo uma �tima performance no estilo: 'Eu n�o sei o que aconteceu'
e 'Eu apenas quero dormir'. Ningu�m falou sobre o estado dela. Os G�meos estavam
mortificados, Ron e Hermione olharam ambos como se falassem 'N�o digam nada, n�s
vamos lidar com isso depois'. A foi embora, junto com Ginny, Ron, Fred e George,
enquanto Damien e Hermione foram mandados de volta para o quarto. O menino n�o
conseguia olhar ningu�m nos olhos, por medo de ser pego. Seus pais n�o perceberam,
mas Damien pegou Dumbledore olhando ele e Hermione de modo peculiar. O menino n�o
disse nada.
"Como voc� fez aquilo, Hermione? Onde voc� aprendeu aquele feiti�o?" Damien
perguntou, enquanto olhava os pap�is, que continham in�meras anota��es sobre o que
as Hrocruxes poderiam ser.
"Ah vai, Damien! Voc� pode imaginar o que Ron diria se eu contasse sobre um feiti�o
que copiaria qualquer documento? Ele nunca mais iria levantar um dedo para fazer o
dever de casa. Ele iria apenas copiar o meu!" A garota explicou.
Damien segurou sua risada e observou os pap�is em suas m�os. Ele estava orgulhoso e
virou-se para falar com a amiga. Seu tom de voz estava afobado.
"Mal posso esperar pelo pr�ximo encontro. Harry vai ficar t�o impressionado!"
Cap�tulo Quarenta: Hufflepuff
Se ele fosse honesto consigo mesmo, Harry n�o tinha esperado que os Gryffindors
completasem a miss�o. Ele esperava que os quatro ficassem mal por terem falhado e o
deixassem em paz. O garoto olhou para o rosto radiante deles, enquanto os quatro
recontavam a hist�ria.
Harry concentrou-se no di�rio, que estava cheio de teorias sobre o que as Horcruxes
poderiam ser. N�o havia nada definitivo. Os �nicos dois itens que eram
definitivamente Horcruxes, era o pingente de Slytherin e um di�rio negro. O garoto
olhou para os quatro adolescentes a sua frente.
"Bem, como eu disse antes, o colar pode sair da lista. E o di�rio negro, eu
suspeito o que possa ser."
Ron, Hermione, Damien e Ginny n�o pressionaram sobre o assunto do di�rio negro, mas
escutaram Harry cuidadosamente.
"Aparentemente, n�o � nada mais que algumas teorias do que as Horcruxes s�o. N�o h�
nada concreto nisso." O garoto disse jogando o objeto na mesa.
"N�s ainda assim dever�amos analis�-lo. Talvez hajam pistas verdadeiras nele."
Damien disse ao pegar o di�rio.
"Esse tal de Riley tem um monte de teorias." Ron comentou, ao observar as pagin�s
do di�rio.
"Ali�s, quem � esse Riley e como ele descobriu sobre as Horcruxes?" O ruivo
perguntou.
"Ele era um Comensal da Morte." Harry respondeu sem deixar de olhar os pap�is.
"Era um Comensal da Morte? Assim como, ele n�o � mais um Comensal?" Damien
perguntou, se sentindo mal.
"�, ele n�o � mais." Harry respondeu simplesmente.
Os quatro adolescentes n�o sabiam como responder aquilo. Eles entenderam o 'n�o �
mais' perfeitamente e n�o queriam saber como Harry tinha consci�ncia dessa
informa��o, portanto ao inv�s disso, concentraram-se nos pap�is.
Depois do que pareceram horas, os cinco finalmente chegaram em uma parte, que
mostrava como identificar as Horcruxes.
'Mesmo que ningu�m saiba ao certo o que s�o as Horcruxes, uma coisa � certa. Quatro
delas s�o itens que perteceram � quatro bruxos muito poderosos. O mais bizarro � o
fato de quem s�o esses bruxos. Ningu�m mais, ningu�m menos que os fundadores da
Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Mesmo assim, os itens usados por Lorde
Voldemort, ainda n�o foram identificados. Exceto pelo pingente de Slytherin, os
outros tr�s podem ser qualquer coisa.'
"Como eu disse antes, a procura pelas Horcruxes de Voldemort tem que come�ar. N�s
estamos ocupados com muitas coisas ultimamente, mas nossa prioridade tem que ser
achar e destruir essas Horcruxes..."
Dumbledore continuou falando e dando ordens para certas pessoas. Ron e Hermione
perceberam que conseguiram gravar todos os nomes dos membros da Ordem. Se isso
ca�sse em m�os erradas, seria um completo caos. Os cinco escutaram os comandos de
Dumbledore atentamente, mas nada que desse alguma pista. Harry olhou para o
pergaminho, que com certeza, continha a letra de Dumbledore. O papel estava cheio
de anota��es do bruxo. O Diretor tinha escrito oito letras no final da folha.
SSGGHHRR
"GG � para Godric Gryffindor. SS, Salazar Slytherin. HH, Helga Hufflepuff e RR �
Rowena Ravenclaw" Harry disse para si mesmo.
"Por que ent�o... digo, por que os fundadores de Hogwarts." Damien perguntou.
"Eles n�o eram apenas os fundadores de Hogwarts, mas eram tamb�m pessoas muito
poderosas. O poder m�gico deles, era algo que muitos bruxos n�o podem competir
contra, mesmo nos dias de hoje. Voldemort deve ter usado algo que pertenceu � cada
um deles. Faz sentido. Ele ia querer objetos que representassem poder." Harry
disse.
"Eu tenho que descobrir aonde as Horcruxes est�o, antes que a Ordem o fa�a." Ele
disse baixo.
"Como vamos saber o que elas s�o? Deve haver mais de 100 itens dos fundadores em
Hogwarts. Como n�s vamos conseguir ao menos come�ar a ach�-los?" Ginny perguntou.
"Olha, � de Voldemort que estamos falando. Se ele vai colocar pe�as de sua alma em
um objeto, voc� pode apostar que o �tem tem uma grande hist�ria relacionada ao
poder. Existem v�rios objetos que as pessoas dizem pertencer aos fundadores, mas
eles s�o falsos. Eu posso rapidamente resolver isso. Tudo o que eu preciso �
separar os falsos dos verdadeiros. Assim os objetos em si ser�o n�o ia aceitar nada
menos do que isso."
"Os fundadores de Hogwarts! Eu ainda n�o posso acreditar. Por que Hogwarts?" Ron
disse surpreso.
"Como eu j� disse, ele n�o eram apenas os fundadores de Hogwarts! Eles eram bruxos
extremamente poderosos. Faz sentido que os objetos sejam deles. Al�m disso,
Voldemort sempre se sentiu pr�ximo � Hogwarts. Ele sempre sentiu que pertencesse
ali. Mesmo agora, ele nunca quis tomar Hogwarts para destru�-la, mas sim para faz�-
la dele. Meu pai era muito pr�ximo de Hogwarts. De fato, ele at� tentou arranjar
trabalho l�." Harry disse, lembrando-se da vez em que Voldemort contou para ele
aquela hist�ria.
O garoto parou de falar ao notar a express�o de Damien. Ele percebeu que tinha
chamado Voldemort de 'pai' sem querer. Harry estava realmente tentando chamar o
Lorde das Trevas pelo nome, mas dessa vez escapou.
"Que m�teria ele queria ensinar?" Perguntou Ron, completamente obl�vio � tens�o a
sua volta.
"Defesa Contra as Artes das Trevas." Ginny disse, Ron ainda parecia perdido.
O sil�ncio no quarto estava tenso. Damien limpou sua garganta para falar.
"Ent�o, quais objetos voc� acha que ele usou para fazer a Horcrux?"
"Bem, acho que � nisso que a gente entra de novo." Hermione disse, meio feliz.
"N�s podemos procurar objetos verdadeiros que pertenceram aos fundadores e aonde
eles est�o. E ent�o, n�s podemos ver o que pode ter sido feito de Horcrux." A
garora continuou.
"Eu n�o sei como n�s vamos selecionar isso, � muita coisa!" Ela disse para todo
mundo no �ltimo encontro.
"Tudo o que n�s temos que fazer � tirar da lista aqueles que definitivamente n�o
s�o Horcruxes. Sabe, aquele que n�o s�o t�o excepcionais assim. A�, n�s podemos nos
concentrar naqueles que s�o os mais prov�veis." Damien sugeriu.
Assim sendo, eles come�aram a fazer uma lista. Hermione fez o trabalho muito bem,
ela conseguiu ir na biblioteca bruxa do Beco Diagonal. A garota e Ron conseguiram
pegar v�rios livros sobre a hist�ria dos fundadores, junto com a informa��o sobre
os objetos deles que tinha uma import�ncia m�gica.
Depois de umas boas tr�s horas, eles finalmente tiveram alguma sorte.
"Tem que ser uma delas. N�o h� mais nada que perten�a � Hufflepuff, que poderia ser
usado como Horcrux. As �nicas coisas que eram dela, s�o do tempo em que ela ainda
estava em Hogwarts." A ruiva disse diretamente para Harry.
O garoto pegou o livro dela e olhou o trecho por si mesmo. Ginny estava certa, esse
objeto se encaixava na descri��o perfeitamente. Hermione rapidamente correu para
olhar outro livro.
"Porque ela � mantida dentro do Minist�rio da Magia. Sempre esteve l�." Ela disse e
levantou o livro que mostrava esse trecho. Ali listava os mais importantes itens
guardados pelo Minist�rio.
Os quatro desanimaram um pouco. Eles chegaram t�o perto de achar uma delas, para
apenas levar um balde de �gua fria. Harry, entretanto, estava analisando o artigo e
de repente, come�ou a rir. Hermione, Ron, Ginny e Damien olharam para o garoto
preocupados.
"� perfeito! Voc� n�o v�, Damy? A ta�a est� no ligar mais seguro. No Minist�rio
mesmo. Ningu�m, nem mesmo Dumbledore pensaria em checar o Minist�rio por alguma
Horcrux. Existem muitos espi�es l� dentro, Voldemort poderia muito bem ter
escolhido algu�m para pegar a ta�a e depois poderia muito bem coloc�-la no lugar.
Essa ta�a, definitivamente � uma Horcrux." Harry disse para os outro.
"Ok, mas como em nome de Merlin, n�s vamos conseguir entrar no Minist�rio e
destruir a ta�a." Ginny perguntou.
"Voc�s n�o v�o em nenhum lugar. Sua ajuda � restrita em conseguir informa��o. Eu
n�o vou deixar que ningu�m me acompanhe, quando eu for destruir alguma Horcrux."
Harry disse imediatamente.
Ningu�m disse nada. Eles sabiam muito bem para n�o pressionar a sorte.
"Ok, ent�o como voc� vai entrar no Minist�rio?" Damien perguntou zombeteiro.
James estava mais que surpreso quando Damien veio falar com ele na noite anterior.
O menino tinha conseguido ganhar dois ingressos para a partida de Quadribol que
aconteceria no dia seguinte.
"O que voc� diz pai? Ron tamb�m vai. Voc� e eu, no jogo amanh�. O que voc� acha?"
Damien perguntou � ele.
"Damy, eu n�o acho que posso me concentrar no jogo de amanh�. Eu tenho muito no que
pensar agora. Com o trabalho e a Ordem, eu estou sem tempo at� para pensar em
Harry. N�o, n�o Damy, desculpe. Eu n�o estou com humor." James replicou.
"Oh, vamos l� pai! Voc� me deve um jogo. Lembra do jogo da Bulgaria contra a
Irlanda? Por favor, pai. Voc� precisa relaxar um pouco. � apenas um jogo." Depois
de umas duas horas implorando emocionalmente e chantegeando, Damien conseguiu
convencer seu pai.
Hermione tinha acabado de terminar seu plano, ela e Ginny estavam com o trabalho de
fazer uma po��o envelhecedora. J� que Harry n�o podia usar sua varinha e n�o podia
fazer a mudan�a sem uma, ele foi for�ado a beber a po��o para se parecer com James
Potter. Ficou claro que a �nica raz�o pela qual o garoto estava andando por a� como
ele mesmo, era porque n�o podia mudar sua apar�ncia.
Damien e Ron estavam acompanhando James no jogo de Quadribol. O trabalho deles era
manter o Auror longe do Minist�rio o m�ximo que pudessem. Isso era, provavelmente,
a parte mais dif�cil, j� que James ir ao Minist�rio seria a pior coisa, sendo que
haveria outro dele por l�.
Harry estava segurando o frasco de po��o envelhecedora. Pela primeira vez em sua
vida, ele estava grato por se parecer com seu pai. O garoto bebeu a po��o em apenas
um gole e imediatamente come�ou a mudar. Ele ficou alguns cent�metros mais alto e
sua face ficou igualzinha a de seu pai, James Potter. Hermione e Ginny observaram o
garoto em frente � elas, ele parecia muito com o . A �nica diferen�a eram os olhos,
que ainda estavam verde esmeralda. Hermione deu ao moreno um par de �culos, iguais
ao do pai dele. Harry pegou-os e olhou para a garota.
"Eu enfeiticei as lentes, assim seus olhos ficam castanhos." Hermione explicou.
"Certo, eu falo com voc�s depois. V�o para casa e lembrem-se, voc�s n�o sabem de
nada." Ele disse ao sair pela porta. Hermione e Ginny suspiraram, elas rezavam para
que a busca pela primeira Horcrux fosse um sucesso.
Cap�tulo Quarenta e Um: O Plano
Lorde Voldemort n�o pensava ser poss�vel ficar mais ocupado do que ele estava no
momento. J� fazia um m�s, desde que aqueles incompetentes Comensais da Morte
perderam Harry e ainda assim, eles n�o tinham a min�ma no��o de onde o garoto
estava. Voldemort n�o podia perder mais tempo. Sem Harry, ele ia perder a guerra e
se as coisas continuassem assim, o outro lado ia conseguir capturar o garoto antes
dele.
De qualquer modo, Voldemort ainda n�o admitia que ele queria Harry de volta por
outras raz�es sem ser a guerra. Ele sentia falta do garoto, mas o que o moreno fez
com sua Horcrux, o consumia. Nunca em sua vida, ele esperava que Harry fizesse algo
como aquilo. Por�m, Voldemort sabia que o garoto n�o tinha a m�nima id�ia do que
eram as outras Horcruxes, sendo assim, ele n�o deu import�ncia. Harry seria punido
severamente, antes de ter sua mem�ria modificada.
Essa era outra coisa que estava fazendo o Lorde das Trevas ficar bravo. J� havia se
passado muito tempo para poder obliviar o Harry. Mais de um m�s! Isso significava
que o garoto teria que ser capturado e entregue � ele. Lorde Voldemort teria que
fazer um feiti�o de mem�ria muito poderoso, j� que n�o podia arriscar que algu�m
brincasse com a mente de Harry. Ele sabia quais informa��es deixar e quais apagar.
O Lorde das Trevas deu suas instru��es. Ele iria dar para a pessoa que lhe truxesse
Harry, um grande aumento de poder. Eles ganhariam um aumento de m�gica pura que
poderia ser usada para quase tudo. Isso deixou os Comensais extremamente afobados.
Agora havia uma recompensa pela cabe�a de Harry, uma recompensa melhor que os cinco
mil gale�es do Minst�rio. Isso daria aos Comensais da Morte um incentivo a mais
para capturar o garoto. Voldemort ficou observando seus Comensais saindo do c�modo.
'Logo' ele pensou. 'Harry vai voltar para mim, logo'.
Harry aproximou-se do pr�dio do Minist�rio da Magia. Ron lhe contou tudo o que ele
precisava saber sobre o local. O ruivo e seus irm�os visitaram o pr�dio tantas
vezes, que j� o tinham memorizado.
No momento em que o garoto entrou na cabine telef�nica, ele teclou o c�digo que Ron
lhe deu. O ruivo memorizou o c�digo depois de ter visto seu pai e Percy o terem
usado v�rias vezes.
2-4-8-9-3-4-0
'Bem vindo, por favor, diga seu nome e o prop�sito de sua visita.'
Ele nem mesmo soava como James, mas sabia que a partir do momento em que entrasse
no Minist�rio, n�o falaria muito. Desse modo, o garoto apenas tinha que fazer sua
melhor imita��o do homem.
A cabine tocou o ch�o e a porta se abriu. Harry saiu e se deparou com um Hall
magn�fico. O local era grande com v�rias lareiras, uma ao lado da outra, que
cobriam as paredes. Havia uma mesa no meio e outra no canto. Ron lhe contou que a
do meio era para os visitantes deixarem suas varinhas e a do canto para as pessoas
que trabalhavam ali. Sendo James um Auror, ele podia ficar com sua varinha, j� que
precisaria dela em caso de emerg�ncia.
O garoto andou at� a mesa do canto, tentando parecer o mais normal poss�vel. Ele
n�o queria mostrar que n�o sabia para onde estava indo.
Ron lhe disse que a pessoa na mesa era Benjamim Hugh, mas todo mundo o chamava de
Benjie. Ele era um cara legal, mas ficava chateado quando seus colegas n�o
perguntavam sobre sua fam�lia. O homem tinha uma mulher e tr�s filhos, Damien
contou � Harry que o pai deles sempre perguntava pelos filhos de Benjie.
Harry andou at� o homem de meia idade. Benji sorriu para ele.
"Bem. Como vai voc� Benjie? Como est�o sua mulher e seus filhos?
"Oh, eles est�o bem. V�o sair de feriado, logo." Benjie respondeu.
"Bom, bom. Eu apenas vou pegar uma coisa. At� mais tarde." Harry disse e
rapidamente entrou por uma porta de carvalho dupla.
De acordo com o livro que Hermione tinha, a ta�a de Hufflepuff estava na �rea de
seguran�a do pr�dio. Essa foi uma parte, a qual nem Ron, nem Damien puderam ajudar,
eles n�o sabiam aonde essa se��o ficava.
Harry apertou o bot�o para ir ao 23� andar, ele esperava que seu plano desse certo.
O moreno n�o queria atrair nenhuma aten��o. A porta abriu e o garoto se viu parado
no 15� andar. Um homem alto de cabelo castanho e olhos cinzas entrou. Harry manteve
sua face abaixada, ele n�o sabia quantas pessoas conheciam James e n�o queria ser
pego.
Harry olhou para cima e viu que o homem falava com ele.
"O que?" O moreno replicou. Ele podia dizer, apenas olhando para o jeito que o
homem falava com ele, que James n�o era seu amigo.
Harry sentiu como se algu�m tivesse lhe jogado um balde de gelo. Ele n�o conseguia
acreditar no que esse homem tinha dito. Os punhos do garoto se fecharam e ele deu
um passo em dire��o ao outro.
"O que? Voc� vai me socar como fez com Keith? Eu tenho que te lembrar Potter, n�s
n�o estamos falando nada de errado. Seu filho � um assassino. Voc� deveria se
acostumar com as pessoas falando isso."
Harry ficou surpreso, seu pai estava passando por esses problemas por sua causa. As
pessoas o estavam insultando. Esse tal de Keith j� tinha apanhado e agora esse cara
estava tentando causar problemas tamb�m.
"Talvez voc� deva calar a boca, ou algu�m pode fazer isso por voc�,
permanentemente." Harry sibilou.
"� melhor prestar aten��o, Potter. Nem todo mundo quer o melhor para voc�."
Harry rolou os olhos. Esse homem est�pido n�o conseguia nem amea�ar algu�m direito.
"Escute, obviamente isso � sobre voc�. Voc� est� com ci�mes, porque eu sou um dos
Aurores mais tops e mesmo com toda a confus�o na minha vida pessoal, eu vou
continuar sendo top. Se voc� n�o pode aguentar isso meu amigo, voc� deveria se
demitir." Harry disse sorrindo de lado.
Assim que o sorriso se desfez, o moreno movimentou suas m�os e o homem foi jogado
contra o fundo do elevador. Ele estava tremendo, mas ainda estava consciente.
"Que diabos... O que voc� pensa que est� fazendo?" O homem exclamou ao tentar se
levantar.
Harry sorriu de lado e deu um passo � frente. O garoto abaixou os �culos e seus
olhos esmeralda brilharam como j�ias. O homem abriu a boca horrorizado.
"Voc� deveria prestar aten��o no que fala. Da pr�xima vez, um assassino pode calar
sua boca, seu in�til!" Harry disse venenosamente.
O moreno deu uma rasteira no homem e fez com que ele ca�sse de costas. O Auror
tentou pegar sua varinha, mas Harry bateu na m�e dele e a pegou. O homem ficou no
ch�o, enquanto o garoto apontava a varinha para sua face.
"Hmm, vamos ver agora. O que eu deveria fazer com um bruxo t�o p�tetico quanto
voc�? Vamos ver." Harry zombou.
"Perfeito." Harry sorriu ao ver o homem trasfigurado sair correndo com medo de ser
amassado.
"Agora, voc� � livre para agir como antes. Voc� fica melhor assim." Harry riu.
Logo o besouro saiu por baixo da porta do elevador. Isso o faria pagar pelo jeito
como ele falou de James. Foi apenas um feiti�o de transfigura��o e iria passar dali
h� algumas horas. Havia um feiti�o de prote��o tamb�m, assim a pessoa transfigurada
em animal, ou nesse caso, em inseto, n�o seria ferida gravemente. Portanto, mesmo
que algu�m pisasse no besouro, ele n�o seria morto, apenas se machucaria.
"Ao menos ele vai ficar longe dos Potters." O garoto murmurou.
Harry chegou ao 23�andar e saiu de dentro do elevador assim que as portas se
abriram. O garoto ficou feliz em ver que o corredor estava vazio, ele respirou
fundo e jogou a capa de invisibilidade por cima de si mesmo. O moreno viu a porta
que levava � sala aonde tudo estava. Harry viu quatro Aurores na frente da porta e
realmente desejou que tudo desse certo. Se algum desses homens pudessem detectar a
capa de invisibilidade, ele teria que passar para o plano B e isso inclu�a v�rios
Aurores mortos. O garoto n�o queria fazer isso em uma situa��o t�o delicada.
Harry apontou sua varinha para um canto oposto e fez uma janela se estilha�ar. Dois
dos Aurores ficaram imediatamente em posi��o de duelo e correram at� a janela, com
suas varinha em punho, prontos para ver o que tinha acontecido. Os outros dois
ficaram em frente a porta, para prote��o. O moreno andou vagarosamente em dire��o �
eles, aparentemente ningu�m podia v�-lo. Ele andou mais um pouco e parou em frente
aos dois Aurores. Tentando ser o mais silencioso poss�vel, Harry retirou um pequeno
frasco de dentro de suas vestes. Sem desviar os olhos dos dois homens, o garoto
abriu o frasco e imediatamente um grito horroroso encheu o corredor. Os Aurores
pularam em choque. O moreno deslizou entre eles e abriu a porta. O frasco
'gritador' foi jogado no ch�o em frente aos homens que n�o conseguiam v�-lo.O
garoto entrou na sala e ainda com a capa, saiu correndo. Harry parou, mas continuou
andando em frente at� ver a ta�a, quando estava passando pela terceira fileira. O
objeto estava dentro de uma c�pula de vidro e parecia majestoso.
Harry quase ficou triste por ter que destru�-la. O garoto retirou a capa e moveu
sua m�o at� a c�pula, sentindo os feiti�os de prote��o que ali estavam. Isso tinha
que ser feito sem varinha, de outro modo, o uso de uma iria disparar o alerta.
Fazer isso era como destrancar uma porta, voc� precisa saber quais macetes usar.
Harry fechou os olhos e concentrou-se na magia a sua volta, ele a sentiu
rapidamente. Demorou tr�s minutos de pura concentra��o, mas finalmente o moreno
conseguiu neutralizar a magia. Ele ouviu um 'click' que mostrou a desativa��o do
feiti�o.
Harry levantou a c�pula de vidro e tirou a ta�a prateada. Assim que os dedos do
garoto fecharam-se em torno dela, sua cicatriz queimou de dor. Ele mordeu os l�bios
para que nenhum som escapasse, sua cicatriz ficava pinicando desde quando ele
destruiu o pingente de Slytherin. O moreno percebeu que com ele longe, Voldemort
deveria estar mais nervoso do que o usual.
Ele colocou a ta�a dentro de sua vestes, colcou a capa de invisibilidade e moveu-se
discretamente em dire��o � porta. O garoto chegou bem a tempo de ver tr�s Aurores
entrando na sala.
'Droga' o garoto pensou e saiu do caminho. Os Aurores estavam lan�ando jatos de luz
azul que iluminavam diferentes objetos. Obviamente era um feiti�o localizador, para
ver se algu�m estava l� dentro. O problema era que eles n�o sabiam quem o intruso
era, portanto o feiti�o estava sendo lan�ado para qualquer lado. Harry apertou a
capa e moveu-se rapidamente, desviando dos jatos de luz. Se um deles o scertasse,
ele seria iluminado e todos o veriam.
O garoto desceu correndo e passou por alguns andares, antes de sair e entrar no
elevador para descer at� o t�rreo. A ta�a estava segura em seu bolso. Harry n�o
conseguia acreditar que tinha pego o objeto sem nenhum problema.
N/T: Sam em ingl�s � um nome, n�o apelido, t�picamente masculino. Para quem viu
Senhor dos An�is, lembra do Sam? Amigo do Frodo...
Damien e Ron n�o conseguiam acreditar na sua sorte. O jogo tinha demorado 40
minutos. Aquele apanhador est�pido pegou o pomo em tempo recorde e o jogo terminou
sem nem ter come�ado direto. Eles estavam indo para casa e os dois garotos estavam
rezando para que Harry j� tivesse conseguido fazer as coisas e tivesse sa�do do
Minist�rio, ou para que James n�o fosse trabalhar.
"Pai, voc� n�o acha que n�s dever�amos sair para jantar hoje a noite?" Damien
perguntou, enquanto seu pai dirigia de volta para casa.
"Sim, se voc� quiser. Acho que vai ser bom para a sua m�e. Ela anda meio estressada
ultimamente." James disse calmamente.
"�timo. Acho que voc� deveria ir para casa e contar para ela pessoalmente. Ela
sempre fica feliz quando voc� chega em casa e a surpreende." Damien disse
rapidamente.
Damien e Ron encostaram no banco do carro, felizes porque James estava indo direto
para Godric�s Hollow.
Quando os garotos estavam conversando profundamente, Ron desviou seu olhar do amigo
e se engasgou.
Damien se virou e viu que para seu horor eles estavam chegando no Minist�rio da
Magia. O carro estava indo em dire��o � cabine telef�nica, que era usada para
entrar no pr�dio.
"Pai! O que voc� est� fazendo? Eu pensei que voc� n�o ia trabalhar hoje." O garoto
perguntou, falsificando uma voz calma.
"Eu n�o estou indo trabalhar. Eu apenas tenho que passar l� por um segundo, eu
tenho que pegar uma coisa." James respondeu, enquanto estacionava o carro.
Ron e Damien trocaram um olhar de p�nico. O que eles iam fazer agora? O trabalho
deles era deixar James longe do trabalho. Eles n�o podia deix�-lo ir agora, Harry
provavelmente ainda estava l� dentro.
"Oh, ok." Damien disse para seu pai e virou para Ron murmurando 'Merda'. O ruivo
tamb�m estava em p�nico.
", tudo bem se n�s conversarmos com voc� sobre uma coisa antes que voc� v�?"
"Claro."
Ron olhou para Damien, obviamente sugerindo que o amigo tinha alguma coisa para
dizer. James encartou seu filho mais novo.
"Alguma errada Damien?" James perguntou.
O menino lan�ou um olhar g�lido para Ron e virou-se para encarar seu pai.
"Hum... �. Na verdade, eu n�o sei como dizer isso, mas hum..." Damien estava
tentando fazer sua mente pensar em algo que fosse uma boa distra��o.
"Damy, isso � muito importante, ou pode esperar at� que n�s estejamos em casa?"
James perguntou, pronto para abrir a porta do carro.
"N�O! Quero dizer, eu tenho que falar sobre isso. Se mam�e descobrir, eu n�o acho
que ela vai entender." O menino disse. Isso prendeu a aten��o de James. Ele se
virou e encarou seu filho.
Damien abaixou a cabe�a. Ele estava fazendo seu pai ficar chateado e sem raz�o.
"Hum, olha... � assim. Hum, eu meio que gosto dessa pessoa. Eu sei que voc� disse
que eu n�o posso sair com ningu�m, at� que eu fique mais velho, ent�o eu nem fui
falar com essa pessoa. Mas, agora n�s sa�mos de Hogwarts e eu n�o sei se vou poder
algum dia chamar essa pessoa para sair." O menino decidiu dizer uma meia verdade.
"Bem, � Sam. Eu realmente gosto de Sam e acho que..." Damien foi cortado pela tosse
de seu pai.
"�." O menino disse r�pido, sem saber o porqu� de seu pai ter ficado p�lido.
"Oh, hum. Acho que n�s dever�amos conversar sobre isso em outro lugar. N�o desse
jeito." James disse isso com um tom rosado na face.
"Pai, eu quero falar disso agora. Sam mora do outro lado de nossa rua. E se voc�
achar que est� tudo bem, eu gostaria de ir v�-la." Damien disse amuado.
"Ela! Sam � uma ela. Sam � uma garota!" O homem disse aliviado.
"�, Sam. Sabe apelido de Samantha. Ela foi na nossa casa em Julho. Lembra?" Ele
perguntou, enquanto segurava sua risada.
"Oh, claro, claro. Uma garota �tima, �tima. Eu gosto dela. Mas Damy, voc� ainda �
um pouco novo. Acho que voc� deveria ter no m�nimo uns quinze anos, antes de sair
com algu�m. Ok?" James disse, parecendo embara�ado. Ele n�o lembrava de nenhuma
Samantha, mas estava querendo concordar com seu filho.
"Certo! Mas n�o conte para mam�e. Ela vai apenas zoar comigo. Sam � a melhor aluna
dela, sabe..." Damien explicou.
O sorriso do menino tremeu um pouco, quando ele viu Harry, que estava com a mesma
apar�ncia de seu pai, saindo da cabine telef�nica. Seu irm�o rapidamente entrou na
multid�o que havia na rua e desapareceu.
James saiu do carro e disse para os dois garotos se comportarem, enquanto ele ia ao
Minist�rio. Damien e Ron come�aram a rir assim que o homem saiu.
"Caramba Damy. Pensei que voc� ia fazer ele ter um ataque card�aco!" Ron exclamou.
"Foi a �nica coisa que eu consegui pensar. E eu n�o estava mentindo. Sam � bem
gostosa." Damien disse envergonhado.
"E... Eu n�o posso gostar dela, s� porque ela � tr�s anos mais velha?" O menino
disse.
"Certo, certo. Voc� pode gostar de quem quiser. Ent�o, o Harry saiu..." Ron disse
olhando pela janela.
"�, vamos rezar para que tudo tenha ido de acordo com o plano." Damien disse
baixinho.
"Hey Benjie, como voc� est�? Como est�o sua mulher e seus filhos?" Ele perguntou
para o recepcionista.
"Eu estou bem . Mas acho que voc� est� meio esquecido. Voc� j� perguntou como eu
estava."
"Sobre o que voc� est� falando? Essa � a primeira vez que eu entro aqui." James
disse rindo.
"N�o, essa � a segunda vez que voc� vem aqui. Na verdade, voc� acabou de sair h�
uns dois minutos atr�s. Eu mesmo te dei tchau." Benjie disse um pouco irritado.
James saiu correndo sem dizer mais nada, ele se trancou na cabine telef�nica e
desejou que a m�quina fosse mais r�pido. Harry veio at� o Minist�rio. O garoto
fingiu que era ele para ter acesso ao Minist�rio. Benjie disse que ele saiu h�
alguns minutos atr�s. Talvez James ainda pudesse alcan��-lo.
O homem correu para fora e foi at� o beco que dava para rua, seus olhos procuravam
Harry em todos os lados, mas n�o havia nenhum sinal do moreno de olhos verde.
Damien e Ron observaram o Auror correndo com o cora��o a mil, obviamente ele
procurava por algu�m.
"Negue tudo." Ron sussurrou para Damien quando James estava voltando.
Damien e Ron estavam sentados em uma das salas do Minist�rio. James n�o suspeitava
nem um pouco deles, ele correu para dentro do carro e pediu para que ambos
entrassem no Minist�rio, dizendo que havia uma situa��o que ele tinha que resolver,
antes de ir para casa.
Dizer que a situa��o estava tensa, seria pouco. O Minist�rio inteiro ficou de
cabe�a para baixo ao saber que algu�m tinha entrado l� e o fato de que era o
Pr�ncipe Negro, a pessoa que fez isso, era ainda mais estressante. James tentou
fazer as coisas ficarem sob controle, mas Benjie soou o alarme quando o Auror
voltou para o Minist�rio.
"Um garoto entra no Minist�rio! Entra normalmente, faz o que quiser fazer e sai sem
ningu�m notar! Explique para mim como isso � poss�vel?" Fudge urrou.
James estremeceu, n�o porque que o Ministro estava gritando, mas porque tinha cuspe
voando para todos os lados.
'Que idiota contou para ele?' O Auror pensou nervoso. Ele apenas queria saber
porque Harry viria para o Minist�rio. Que prop�sito ele teria para fazer uma coisa
t�o perigosa? Logo ficou claro a raz�o. Depois que o alarme foi disparado, houve
uma ordem para que todos os departamentos checassem se algo estranho tinha
acontecido. Foi nesse momento que os Aurores da guarda do 23� andar, apareceram e
explicaram os acontecimentos daquela tarde. Depois de uma busca, foi informado que
a inest�mavel ta�a de Hufflepuff estava desaparecida.
Ron e Damien estavam dentro da sala, totalmente sem saber o que acontecia do lado
de fora. Eles estavam apenas felizes de que ningu�m suspeitava deles. Eles estavam
salvos. De repente, um grito alto foi ouvido e os dois garotos pularam e correram
para a porta. Damien viu seu pai e seu tio Sirius gritando junto com um homem alto
com cabelo castanho. O homem era um Auror, que ambos reconheceram sendo Charles
Blake. Ele era um homem arrogante e metido que adorava brigar com as pessoas. Ele
odiava James e Sirius, desde os tempos da escola. Sirius disse � Damien que ele
tinha certeza de que Blake tinha virado um Auror para copiar James.
"Eu estou dizendo, ele estava aqui. Eu o vi!" Blake gritou frustrado.
"Quem? Quem estava aqui? Tente fazer sentido!" James gritou de volta.
"Seu filho! Ele estava aqui. Ele me atacou!" Blake gritou de novo. Sua face estava
ficando roxa de raiva.
"Sobre o que voc� est� falando? Se voc� o viu, porque o deixou ir?" Kingsley
Shacklebolt interrompeu.
"Eu o prenderia! Mas ele... ele... eu..." Blake parecia n�o ter palavras.
O que quer que fosse, que Harry tivesse feito, manteve Blake quieto e o estava
afetando muito. A verdade era que o homem estava embarassado por ter sido
transformado em um besouro de estrume. Se a verdade aparecesse, ele nunca se
recuperaria. Portanto, o Auror decidiu em apenas virar e ir embora. Ele lan�ou �
James um olhar malvado antes de ir, jurando que ia faz�-lo pagar nem que fosse a
�ltima coisa que fizesse na vida.
Harry abriu a porta de seu quarto e entrou. Ele trancou tudo, foi para a cama,
pegou a ta�a e segurou-a na m�o. Aparentemente Voldemort tinha se acalmado, j� que
a cicatriz do garoto n�o doeu dessa vez. O moreno examinou o objeto, ele era
verdadeiramente bonito. Harry percebeu que estava encantado com a ta�a, assim como
ficou com o pingente. O garoto desviou os olhos do artefato e colocou-o na cama ao
lado dele.
Harry passou suas m�os em seu cabelo, ele tinha pego a ta�a, mas n�o tinha certeza
se seria capaz de destru�-la. Com o pingente foi instintivo, ele o destruiu em um
momento de raiva. Mas essa situa��o era diferente. Ele n�o sabia que feiti�o usar.
O garoto pensou na raiva que sentiu quando desintegrou o pingente, pensou no que
causou aquela raiva.
O garoto segurou a ta�a e se focou. Ele pensou em todas as vezes que Voldemort
disse palavras gentis, todas as vezes que o homem disse que ele era poderoso e que
seus 'pais' n�o o amavam por causa de seu poder. O moreno lembrou das palavras de
Voldemort.
"Voc� sempre teve uma certa escurid�o dentro de voc�, Harry. Uma escurid�o que te
d� um poder puro. Isso � o que seus pais odiavam em voc�. Eles n�o entendiam. Sua
escurid�o ser� respons�vel pela sua vit�ria."
Os olhos de Harry ficaram negros por um instante e a ta�a em sua m�o pegou fogo,
antes de explodir em uma nuvem de poeira. Os olhos do garoto voltaram para a sua
cor esmeralda instantaneamente. Ele olhou para o monte de cinzas que havia em sua
m�o e fechou os olhos, enquanto segurava o p�.
"Voc� estava errado Voldemort, a escurid�o que h� em mim n�o ser� a respons�vel
pela nossa vit�ria, mas sim pela sua derrota."
Cap�tulo Quarenta e Dois: Evento alegre?
N�o haviam muitas coisas que deixavam Albus Dumbledore sem palavras, mas depois de
escutar James e Sirius, o bruxo encontrou-se incapaz de articular uma �nica
palavras. Ele nunca teria imaginado que Harry entraria no Minist�rio com tanta
facilidade. O garoto ainda era um mist�rio para ele. Toda vez que Dumbledore
pensava que desvendou o enigma, o moreno fazia algo que causava impacto � todos.
A parte que Dumbledore achou mais interessante, foi o �tem que ele pegou. A ta�a de
Helga Hufflepuff. Por que a ta�a? O que havia nela que fez Harry se arriscar tanto?
O Diretor sabia que n�o podia simplesmente ser o valor do artefato. Haviam v�rias
outras coisas na sala que deixariam Harry cheio de dinheiro. N�o, tinha que ser
outra coisa.
Dumbledore encostou em sua cadeira e fechou os olhos. Podia ser? Ser� que a ta�a de
Hufflepuff era uma Horcrux? Faria sentido. Harry pegou a ta�a, porque era uma
Horcrux. Mas como Voldemort conseguiu o objeto? Sendo que jeito fosse, o homem
conseguiu us�-la para fazer uma Horcrux. Por isso o garoto roubou a ta�a! Tinha que
ser. Dumbledore n�o conseguia pensar em mais nada que pudesse justificar as
atitudes de Harry. O Diretor abriu os olhos e suspirou.
"Eu acho que sei porque Harry foi ao Minist�rio." Dumbledore disse cansado.
"Harry foi at� o Minist�rio para pegar a ta�a de Hufflepuff. Isso � tudo o que eu
sei, mas acho que a real pergunta �, por que ele pegou a ta�a?" Dumbledore pausou
por um momento.
Os barulhos que se seguiram podiam ser hil�rios se a situa��o n�o fosse t�o tensa.
"Como... como voc� sabe disso? Como voc� pode ter certeza?" Lily perguntou.
"Eu n�o tenho certeza. De qualquer modo, essa � a �nica possibilidade que faz
sentido. Voldemort tem muitos espi�es no mundo m�gico. Eu sempre soube que ele os
tinha dentro do Minist�rio tamb�m. � poss�vel que ele tenha pedido � um deles que
roubasse a ta�a, o que foi bem esperto de sua parte. Uma Horcrux de Voldemort
dentro do Minist�rio. Os mesmos Aurores que o ca�am, mantendo uma parte dele
segura."
"Ent�o voc� acredita que Harry pegou a ta�a, porque ele descobriu que o artefato �
uma Horcrux?" James perguntou.
"Desde quando Harry fugiu de Voldemort, eu comecei a pensar no que ele planejava em
fazer. O garoto sente que n�o pode ir para casa, para a sua verdadeira casa, por
causa de seu passado. Ele n�o pode recome�ar sua vida no mundo m�gico, porque todo
mundo o reconheceria como o Pr�ncipe Negro e o entregaria ao Minist�rio. Harry n�o
vai fugir e viver como um trouxa. Sendo assim, ele n�o pode fazer muita coisa. O
garoto quer vingan�a. Ele vai atr�s das Horcruxes para se vingar de Voldemort." O
Diretor explicou.
James e Lily podiam sentir seus cora��es batendo rapidamente. Harry estava indo
contra Voldemort t�o seriamente, que estava at� destruindo suas Horcruxes. Ao inv�s
de sentirem-se orgulhosos ou felizes pelo garoto finalmente estar contra Voldemort,
ambos sentiram medo. Se Harry fosse pego pelos Comensais da Morte, o que o Lorde
das Trevas faria com ele? Snape disse que Voldemort queria o moreno de volta para
poder mudar suas mem�rias e t�-lo novamente como o Pr�ncipe Negro. O homem podia
ter criado Harry como um filho e Dumbledore sugeriu que o garoto era um ponto fraco
em Voldemort, mas o que o Lorde das Trevas faria com aquele que destruiu suas
amadas Horcruxes? James n�o queria nem pensar.
"N�s temos que pegar Harry! Antes que Voldemort o fa�a!" O Auror disse com uma voz
controlada. Dumbledore, Sirius, Remus e Lily n�o podiam concordar com mais nada.
"O que h� de t�o complicado nisso? Voc� me encontra em Godric�s Hollow e n�s dois
procuramos sua varinha, enquanto todos est�o no casamento." Damien repetiu seu
plano novamente.
"Eu falei para voc� sobre o casamento na semana passada, lembra? Bill Weasley, o
irm�o do Ron!" O menino continuou.
Harry segurou outro bocejo e olhou cansadamente para seu irm�o mais novo.
"�, mas as pessoas n�o v�o ficar suspeitas por causa de sua aus�ncia?" Ele
perguntou.
"N�o. Ron e Hermione v�o ficar encarregados dessa parte." Damien disse e sinalizou
para o casal que sussurrava. O moreno de olhos verdes apenas assentiu e esfregou os
olhos.
"Voc� est� bem? Parece que faz dias que voc� n�o dorme." O menino disse para seu
irm�o mais velho ao ver os olhos e a face cansada dele.
Damien decidiu n�o pressionar. Ao inv�s disso, ele perguntou uma coisa que estava
passando por sua cabe�a, j� fazia alguns dias.
"Harry, por que voc� quer essa varinha em particular? Voc� pode conseguir outra.
Por que voc� est� t�o teimoso em conseguir sua varinha antiga?"
O garoto parou de esfregar os olhos e olhou para o irm�o. Ron, Hermione e Ginny
pararam para ver a rea��o dele.
"Essa varinha foi especialmente preparada para mim. Ningu�m pode us�-la. Ela apenas
vai responder comigo. Mesmo Voldemort n�o pode rastre�-la, eu a alterei para poder
fazer certos feiti�os sem ser pego." O garoto respondeu.
"Apenas coisas simples, nada como as maldi��es Imperdo�veis. Apenas coisas como,
feiti�os convocat�rios, feiti�os de transfigura��o, coisas assim." Harry respondeu.
O moreno nem mesmo olhou para a garota. Nas �ltimas semanas, Harry andou passando
um bom tempo com os quatro adolescentes e isso resultou com que eles ficassem mais
� vontade com ele. Ningu�m tinha relaxado tanto quanto Ginny Weasley. No come�o ela
raramente falava, mas agora a menina estava bem confort�vel para falar e perguntar
coisas � ele, o tempo todo. Uma coisa que o garoto estava come�ando a se
arrepender.
"�, feiti�os de transfigura��o. Por qu�?" Harry disse sem nem mesmo olhar para a
ruiva.
"Bem, � que voc� n�o precisa de varinha para isso. Voc� pode transfigurar
praticamente qualquer coisa." Ela disse.
"Eu n�o posso me transfigurar. Objetos eu posso controlar e manipular, mas para
poder mudar minha apar�ncia, eu preciso de minha varinha."
Os quatro finalmente entenderam. Claro! Por isso que Harry estava andando por a�
parecendo ele mesmo. Ele n�o era capaz de mudar sua apar�ncia. O garoto n�o podia
fazer um feiti�o glamour sem varinha. Se Harry conseguisse sua varinha de volta,
ele ficaria muito mais seguro, j� que estaria mudando sua apar�ncia e poderia se
esconder com mais facilidade.
"Certo. A gente se encontra depois de amanh� em Godric�s Hollow." Harry disse para
Damien.
O garoto mal podia esperar para pegar sua varinha. Muito tempo j� tinha se passado
para Harry ficar sem sua magia.
Damien n�o conseguia acreditar na facilidade com que ele saiu no meio do casamento
de Bill e Fleur. Todos os adultos estavam t�o ocupados com os acontecimentos, que
ningu�m percebeu sua fuga usando a rede de Floo para ir � Godric�s Hollow.
O menino tirou as cinzas de suas vestes ao entrar na sala de estar. Ele rapidamente
foi at� a porta dos fundos. Como o planejado, Harry estava esperando por ele. Os
dois entraram na casa e come�aram a procuarar pela varinha.
Damien sentiu o familiar pux�o de culpa. Essa era a segunda vez que Harry vinha
para Godric�s Hollow e nas duas vezes, o menino ficou sabendo, enquanto seus pais
n�o. Mas Damien tamb�m sabia que n�o podia for�ar Harry � vir para casa. N�o havia
prop�sito em for��-lo � ficar em um local que ele n�o estava confort�vel.
Eles procuraram por toda a casa at� que Harry finalmente conseguiu achar a varinha,
que estava escondida em uma gaveta falsa que ficava atr�s das verdadeiras. O local
n�o seria achado se o garoto n�o tivesse trope�ado nele.
"E agora?" Damien perguntou quando o irm�o colocou sua varinha no bolso.
"Agora voc� volta para os Weasleys, eu tenho algumas coisas para fazer." Harry
respondeu, enquanto ambos iam em dire��o � porta.
Damien percebeu como Harry n�o estava dando aten��o � sua volta. Essa era sua casa
e mesmo assim, ele parecia n�o estar interessado.
"Harry, posso te perguntar uma coisa?" Damien perguntou, decidindo que iria dividir
essa d�vida com o irm�o.
"Hmm..." O garoto respondeu, enquanto olhava pela janela para ter certeza de que
n�o havia ningu�m l� fora, antes de sair.
"Voc�... quer dizer... se voc� tivesse chance... voc�... voc� viria para casa?"
Damien perguntou.
"� s� que... eu pensei que voc� ficaria afetado estando em Godric�s Hollow. Sabe,
j� que aqui � sua casa e tudo mais, mas voc� parece n�o ligar." Damien disse um
pouco triste.
"S� porque eu n�o digo nada, n�o quer dizer que eu n�o sinto nada. Eu viria para
casa se pudesse. Isso apenas n�o � poss�vel, portanto eu n�o perco meu tempo
pensando nessas coisas. Isso n�o vai ajudar." Harry disse um pouco irritado por
causa da infantilidade de seu irm�o.
Harry checou novamente o movimento do lado de fora, antes de dizer para o irm�o
voltar para os Weaslesy por floo. O garoto silenciosamente saiu de Godric�s Hollow
e foi direto para o quarto que ele tinha na 'Estalagem de Harley'.
Assim que Damien apareceu na Toca, ele sabia que algo estava errado. Ao inv�s do
som dos risos e das conversas animadas, haviam gritos. Fleur estava parada e
assistia os membros da Ordem conversarem entre eles.
No come�o Damien n�o conseguia entender o que os adultos estavam gritando, mas
algumas palavras o atingiram e o menino ficou chocado.
"Atacados... temos que ajudar... Dumbledore acabou de sair... n�o podemos alcan��-
lo... por volta de cinquenta Comensais da Morte... temos que fazer alguma coisa!"
"O que aconteceu?" Ele perguntou assim que se aproximou dos tr�s adolescentes.
"Gra�as � Deus que voc� est� de volta! Eu n�o posso acreditar que isso est�
acontecendo!" Ginny suspirou com uma voz preocupada.
Damien sentiu sua boca secar ao ouvir as not�cias. Duzentas mortes! Nada tinha sido
t�o s�rio desse jeito at� agora. Ele viu seu pai abra�ar sua m�e, antes de sair
pelos port�es com Arthur, Sirius, Remus, Kingsley e outros membros da Ordem. Damien
outra pessoa sair, mas um grito o interrompeu. O menino percebeu que Bill tamb�m
estava seguindo os Aurores.
"Bill! Voc� n�o pode! Voc� n�o pode sair hoje, � seu casamento! Voc� nem mesmo � um
Auror!" A Sra. Weasley estava gritando com seu filho.
"M�e, eu n�o posso ficar para tr�s. Eu posso n�o ser um Auror, mas sou um bruxo que
� mais do que capaz de ajudar. Eu estou indo." Bill respondeu.
Antes que a pudesse discutir mais, Fleur se colocou na frente de seu marido. Sua
bela face estava totalmente marcada com medo e temor, enquanto ela desesperadamente
olhava nos olhos de Bill.
"Eu tenho que ir Fleur, voc� tem que entender. � meu dever. Por favor, deixe-me ir.
Eu prometo voltar." Bill suplicou. Fleur abaixou a cabe�a e saiu do caminho. Seu
olhar era claro.
'Voc� tem que voltar.'
James agiu imediatamente. Ele come�ou a duelar com tr�s Comensais e conseguiu com
sucesso derrubar dois deles. Pela primeira vez em muito tempo, o homem sentiu um
fluxo de raiva correr pelo seu corpo ao lan�ar a maldi��o da morte nos Comensais.
Ele n�o se importava em prend�-los e mand�-los para um julgamento. Eles mereciam
morrer, todos eles.
James n�o sabia aonde estavam os outros Aurores, ou o que eles estavam fazendo.
Tudo o que ele conseguia pensar era nos corpos das pessoas inocentes, que estavam
em todos os lugares. Haviam jovens garotos no meio dos corpos, mulheres e at� mesmo
crian�as! Foi isso o que fez com que ele agisse t�o irracional. O homem lan�ou
maldi��es da morte em cima de cada Comensal que atravessava seu caminho e conseguiu
bloquear com sucesso as maldi��es que eram mandadas em sua dire��o.
Damien sentou com Hermione, Ginny e Ron em uma das mesas. A atmosfera estava
carregada com preocupa��o e desola��o. 'Que �timo casamento', o menino pensou
tristemente ao olhar para a noiva em l�grimas. Fleur estava sendo confortada por
sua fam�lia, enquanto os convidados tentavam acalmar a . Arthur, Charlie e Bill
tinham ido ajudar na luta contra os Comensais da Morte. Os g�meos queriam ir, mas
ficaram para tr�s, j� que n�o tinham muita experi�ncia em duelos de vida ou morte.
"Voc�s...voc�s acham que n�s dever�amos contar para ele?" Ginny sussurrou baixinho.
"N�s temos o telefone. N�s pod�amos escrever uma mensagem. Talvez ele possa
ajudar." O ruivo continuou.
"Por que n�o?" Damien perguntou, ele sabia que Harry ficaria furioso se eles n�o o
informassem sobre o ataque. Talvez Harry pudesse ajudar na luta contra os
Comensais.
"Pensem! Se ele descobrir, ele vai querer ajudar. Isso significa que ele vai ficar
com uma boa chance de seu capturado pelos Comensais da Morte, ou pelo Minist�rio.
Mesmo se ele usar um glamour, o risco de captura � muito grande. N�s vamos coloc�-
lo em risco. A Ordem vai conseguir dar um jeito nisso. N�o haver� necessidade dele
se envolver." Hermione terminou.
Damien ficou em sil�ncio, analisando as palavras da amiga. Ela estava certa, era
muito arriscado. E se Harry fosse pego acidentalmente? Haviam muitos feiti�os que
poderiam indiretamente remover glamour. Harry estaria se arriscando muito! N�o, era
mais seguro que ele ficasse fora disso. Al�m do mais, Dumbledore seria informado
mais cedo ou mais tarde. Tudo daria certo no final. Assim Damien esperava.
James estava tendo sucesso ao duelar com os Comensais. Sua raiva lhe deu uma nova
for�a. De repente, o homem sentiu uma maldi��o bater no seu escudo que causou-lhe
arrepios. Seu escudo conseguiu ficar no lugar por pouco. James se virou para olhar
a pessoa que o atacou. O Auror sabia que apenas alguns bruxos podiam mandar uma
maldi��o t�o poderosa, um deles era Dumbledore e o outro era... James virou e viu
aqueles olhos vermelhos que brilhavam com mal�cia. Voldemort!
O Auror perdeu toda a raiva que estava dentro dele. Ao inv�s disso ele sentiu ira
pura o dominar. O �dio que ele tinha por esse homem era t�o intenso, que James
sentiu o ch�o tremer aos seus p�s. Voldemort viu a ira nos olhos dele e sorriu de
lado. O homem sentiu um fluxo de f�ria perpass�-lo ao ver Voldemort fazer o gesto,
isso o fazia lembrar muito de Harry.
"Eu n�o desperto um efeito desses em todo mundo. Voc� deve ter sentimentos bem
fortes em rela��o � mim." Voldemort disse calmamente, referindo-se ao pequeno
terremoto.
James nem conseguiu falar direito, devido � raiva que estava borbulhando dentro
dele.
"Nem todo mundo sofreu nas suas m�os como eu." O homem vociferou.
"S�rio? Eu n�o me lembro de ter colocado minhas m�os em voc�. Fique tranquilo que
se eu tivesse, voc� n�o estaria aqui hoje." Voldemort continuou calmamente.
James cerrou os dentes com raiva, enquanto se aproximava do Lorde das Trevas. Esse
homem era a raz�o de sua fam�lia estar incompleta. Ele era a raz�o de Harry n�o ter
tido inf�ncia. Ele era a raz�o de Harry ter passado por aquele abuso terr�vel, seu
filho era um bruxo procurado, sem nenhum futuro por causa desse homem. O Auror
apertou sua varinha com for�a.
"Abuso f�sico n�o � nada comparado com as feridas que voc� me deu!" James disse
pronto para desviar das maldi��es que Voldemort poderia lan�ar em sua dire��o, mas
o Lorde das Trevas parecia estar gostando da conversa e n�o parecia querer lan�ar
nenhuma maldi��o.
"Voc� tirou meu filho de mim! Voc� o transformou em um assassino. Voc� roubou a
inf�ncia dele e destruiu seu futuro! Essas s�o as piores feridas que algu�m pode
provocar em um pai."
"E da� Potter? Voc� tem uma vingan�a planejada?" Voldemort zombou ao ver o Auror
apertar sua varinha.
"Eu tive que sofrer, mas agora voc� est� sofrendo do mesmo jeito. Voc� pode ter
pego Harry com outro prop�sito, mas voc� cometeu um erro ao ficar perto dele. Voc�
realmente come�ou a gostar dele. Harry se transformou no seu filho. E agora ele te
deixou e nunca mais vai voltar! Voc� perdeu um filho, assim como eu."
James nem mesmo viu a varinha ser apontada para ele. O homem apenas percebeu isso
quando a dor da Cruciatus o atingiu. O Auror caiu no ch�o, mas se recusou a gritar
de dor. Voldemort suspendeu a maldi��o e o encarou.
"Como voc� se atreve! Como voc� se atreve a me insultar! Voc� n�o sabe nada sobre
mim e n�o sabe nada sobre Harry tamb�m. Ele vai voltar para mim. Assim que ele se
acalmar, ele vai voltar." Voldemort declarou com um estranho brilho em seus olhos.
O Lorde das Trevas lan�ou a Cruciatus novamente em James, mas dessa vez o Auror
estava pronto e lan�ou outra maldi��o para cima de Voldemort. Isso apenas o deixou
mais furiosos e ele consegiu deixar James novamente no ch�o, se revirando de dor.
James sentou quando a maldi��o foi suspendida. Seus m�sculos estavam doloridos e
ele n�o conseguiu segurar o pequeno gemido de dor que escapou pelos seus l�bios ao
tentar se mover. O Auror olhou novamente para Voldemort e riu, enquanto levantava-
se lentamente. Sangue saia de sua boca.
"Voc� que n�o conhece Harry. Harry � meu sangue, ele ser� sempre reconhecido como
meu filho. .Potter! Essa � a identidade dele. Voc� tirou isso de mim, mas n�o
conseguiu fazer com que ele parasse de crescer igual � mim. Voc� tirou a inoc�ncia
dele, mas n�o conseguiu tirar a sua compaix�o. Voc� tentou ensin�-lo as coisas
erradas, mas Harry ainda assim conseguiu aprender as coisas certas. Harry nunca
ser� seu, pois ele sempre ser� um Potter!"
James sentiu uma dor intensa em sua perna, quando Voldemort quebrou seus ossos com
uma maldi��o. O Auror caiu no ch�o e grunhiu de dor. Ele sabia que nunca seria
capaz de lutar contra o Lorde das Trevas. Isso n�o era poss�vel, mas James queria
dizer essas coisas para ele, mesmo que isso significasse uma morte horrorosa. Ao
menos ele mostrou � Voldemort, quem era o verdadeiro pai de Harry.
Voldemort ficou parado diante do corpo de James. Seus olhos vermelhos tinham um
brilho man�aco. O homem levantou sua varinha e apontou para o peito do Auror. Ele
murmurou uma maldi��o que fez a mente de James explodir em dor, sua pele estava
sendo queimada, seu sangue saia por sua boca e por seu nariz, o fazendo se engasgar
e se asfixiar naquela po�a. Voldemort suspendeu a maldi��o e olhou para a forma
sangrenta de James Potter.
"Que pena que voc� n�o vai dar adeus para o seu pirralho." Ele disse em uma voz
extremamente cruel.
"AVADA KEDAVRA!"
As portas do elevador abriram e Harry saiu correndo. Ele correu por um corredor que
levava � in�meros quartos, ocupados por bruxos que estavam extremamente feridos. O
garoto n�o conseguia escutra nada, a n�o ser seu pr�prio sangue rugindo em suas
orelhas. Ele sabia que algo horr�vel tinha acontecido assim que sua cicatriz
come�ou a doer. Harry tinha acabado de se recuperar da agonizante dor e tentava se
acalmar. Sua cicatriz come�ar a doer nunca foi um bom sinal.
As suspeitas de Harry foram confirmdas, quando ele recebeu uma mensagem de texto de
Damien. O cora��o do garoto parou quando ele leu a mensagem.
'PAPAI EST� SERIAMENTE FERIDO, VENHA PARA ST. MUNGO'S O MAIS R�PIDO POSS�VEL'
Harry procurou freneticamente por algum sinal de Damien, ou at� mesmo de sua m�e.
Ele n�o conseguia ver ningu�m. O garoto entrou em um corredor e viu seu irm�o mais
novo sentado com as m�os na cabe�a. Ele estava sozinho. Harry rapidamente
aproximou-se dele, Damien olhou para cima ao ouvir os passos. O moreno de olhos
verdes sabia que seu irm�o mais novo n�o o reconheceria, j� que ele estava com
glamour. Harry nunca seria capaz de entrar no hospital sem esse feiti�o.
O garoto pegou sua varinha e tirou o glamour, assim Damien o reconheceria. Harry
correu pelo corredor ao ver seu irm�o levantar. Ambos se abra�aram. O mais velho
conseguia ver como Damien estava mal, ao observar as l�grimas secas em suas
bochechas. O Gryffindor ficou solu�ando nos ombros de Harry. O garoto se afastou
gentilmente e lutou contra as emo��es que estavam o dominando. 'Se Damien estava
chorando, isso quer dizer que James tinha...'
"Eu... eu n�o sei! Os curandeiros est�o l� dentro com papai... mam�e, tio Siri e
Moony est�o l� dentro tamb�m. Eles entraram uns minutos antes de voc� chegar. Eu
n�o sei Harry! Papai perdeu muito sangue! Ele... ele n�o parecia... ele n�o parecia
vivo!" Damien come�ou a chorar novamente.
Harry ficou parado escutando seu irm�o. Ele conseguia sentir seu cora��o batendo
contra seu peito.
"Damy, voc� sabe o que aconteceu com ele? Como ele ficou ferido?" Harry perguntou.
Damien contou para o irm�o tudo o que aconteceu desde quando ele voltou para a
Toca. Harry escutou em sil�ncio, sentindo seu est�mago se revirar ao ouvir os
detalhes do ataque dos Comensais.
"Tio Siri disse que ele estava duelando com... com... ele. Ele fez isso! Ele estava
quase matando papai, mas o Professor Dumbledore chegou a tempo. A maldi��o da morte
estava quase acertando papai, mas o Professor Dumbledore o salvou. Tio Siri disse
que o Diretor convocou papai e o retirou da mira da maldi��o. Se ele n�o fizesse
isso a tempo, papai teria sido morto!" Damien disse rouco.
Harry sabia quem 'ele' era. Damien referiu-se � Voldemort. James foi atacado e
quase foi morto por Voldemort! O garoto sentiu uma estranha emo��o borbulhar dentro
dele. Ele odiava Dumbledore. Ele odiava o Direto por tentar us�-lo, assim como
Voldemort tentou. Harry n�o via nenhuma diferen�a entre os dois bruxos. Ambos
queriam poder e ambos estavam dispostos � sacrific�-lo no processo. Mas agora esse
bruxo tinha salvo a vida de seu pai.
"Por que voc� est� sozinho? Aonde est�o seus amigos?" Harry perguntou, bravo por
seu irm�o ter sido deixado sozinho nesse momento t�o estressante.
"Eles est�o no piso superior. Bill, o irm�o de Ron, ele tamb�m est� bem ferido. Ele
est� na cirurgia agora." Damien respondeu triste.
"Bill! Ele � quem..." Harry come�ou, mas percebeu que n�o conseguia terminar a
frase.
"�, ele � quem se casou hoje. Ele prometeu � Fleur, sua esposa, que voltaria. Ele
voltou, mas o seu rosto... Ele est� desfigurado, Harry. Bill foi muito machucado.
Eles ainda est�o tentando tirar todo o vidro de seu corpo."
Antes que Harry pudesse dizer alguma coisa, sons de passos come�aram a se
aproximar. O garoto rapidamente colocou o glamour de volta e mudou sua roupas para
um modelo do uniforme de . Ele rapidamente afastou-se de Damien e fingiu que estava
olhando os documentos que estavam fora dos quartos.
"N�s n�o sabemos ainda Damy, o Curandeiro Davis ainda o est� atendendo." Sirius
disse, enquanto tirava Lily, que estava solu�ando, de cima do adolescente.
Harry assistiu tudo h� alguns metros de dist�ncia. Ele sentiu seu cora��o doer ao
ver sua m�e chorando. Ele queria estar ali com ela, mas o garoto sabia que mesmo se
isso fosse poss�vel, ele nem mesmo saberia como confot�-la.
"Curandeiro Davis! Como ele est�? Ele vai ficar bem?" Lily perguntou imediatamente.
Harry deu uma espiada no corredor e viu o Curandeiro de meia idade olhar para Lily
tristemente.
"Eu realmente sinto muito Sra. Potter, mas seu marido n�o est� mostrando nenhum
sinal de recupera��o. Acertaram-no com uma maldi��o bem negra, a maldi��o
Markiline. Ela tira a m�gica da v�tima. Deixa a pessoa sem nenhuma reserva de
magia. Como voc�s j� sabem, para curar algu�m, o paciente tem que ter m�gica para
restaurar o corpo e a mente. Infelizmente, o Sr. Potter tem pouca magia restante,
portanto ele n�o est� respondendo � nenhum dos feiti�os de cura. Seu corpo n�o �
capaz de se sustentar at� que sua m�gica se reestabilize. Eu realmente sinto muito,
o Sr. Potter n�o vai passar dessa noite."
Harry sentiu seus joelhos enfraquecerem, ao ouvir as �ltimas palavras que sa�ram da
boca do Curandeiro. James ia morrer! Ele n�o ia conseguir!
Harry assistiu a rea��o dos outros como se fosse em c�mera lenta. Lily arregalou os
olhos e seus orbes esmeralda encheram-se de l�grimas. Ela come�ou a sacudir a
cabe�a e murmurar alguma coisa. O garoto conseguiu ouvir as palavras. 'N�o, n�o,
n�o, isso n�o � verdade! N�o pode ser! Ele n�o vai me deixar, ele n�o pode me
deixar'.
Sirius e Remus agarraram o Curandeiro pelas suas vestes e come�aram a gritar com
ele.
"O que voc� quer dizer com 'n�o vai passar dessa noite'! Claro que ele vai!" Sirius
gritou.
"Voc� tem que fazer alguma coisa Curandeiro Davis, James tem fam�lia! Ele tem
mulher e dois filhos. Voc� n�o pode desistir dele." Remus choramingou.
"Eu realmente sinto muito, mas como eu disse, n�o h� esperan�as. N�o h� nada que eu
possa fazer. Sinto muito." O Curandeiro Davis tirou gentilmente as m�os de Sirius
de seu colarinho.
"E se algu�m doar um pouco de magia para James? Ele ficaria bem, certo? Ele poderia
sobreviver." Lily disse imediatamente.
"Isso n�o seria poss�vel. Primeiro o doador teria que sobreviver. Dar sua m�gica
para algu�m � uma coisa muito dolorosa e arriscada. Nossa magia � ligada � nossa
alma. Al�m do mais, o tanto de magia que o precisa � muito grande, n�o tem como
algu�m doar aquela quantidade. E por �ltimo o doador tem que ser do mesmo sangue.
Apenas um familiar do mesmo sangue poderia doar a magia, j� que os dois n�cleos tem
que ser bem parecidos para que tudo d� certo."
"Desculpe filho, mas voc� � muito jovem. Voc� nem mesmo atingiu sua maturidade
m�gica ainda. A transfer�ncia iria te matar e n�o seria o suficiente para salvar
seu pai." O Curadeiro disse com compaix�o.
Harry podia ver as l�grimas descendo dos olhos avel� de Damien, quando o menino
assentiu. O Curandeiro saiu, dizendo que estava com mais ou menos uns quatrocentos
feridos devido ao ataque. Ele tinha que atend�-los. Assim que o Curandeiro foi
embora, Lily virou e abra�ou seu filho mais novo, antes de come�ar a chorar. Ambos
ca�ram no ch�o. Sirius e Remus engoliram suas l�grimas, antes de tentar confortar
m�e e filho.
Harry sentiu seu cora��o doer ao observar sua m�e e seu irm�o chorarem por causa da
morte certa de seu pai. O garoto queria se aproximar e confot�-los. Ele queria,
desesperadamente, estar com os dois naquele momento. Harry assistiu Sirius levantar
Damien e Remus abra�ar Lily.
"Olha o que aconteceu, Moony. James vai me deixar! Ele prometeu que nunca me
deixaria. Ele jurou que n�s viver�amos juntos para sempre! Ele n�o pode me deixar,
n�o pode!" Lily chorava, enquanto Remus tentava acalm�-la. O homem n�o conseguia
achar palavras para confortar sua amiga. O que ele podia dizer? 'Tudo vai ficar
bem?' Como ele podia dizer aquilo? Nada ficaria bem, se James os deixasse.
Sirius estava chorando enquanto abra�ava seu afilhado. Damien olhou para Harry
furtivamente. Os olhar dos dois se encontrou e ambos conseguiram confortar um ao
outro. Os tr�s adultos foram para o quarto, aonde estava James. Eles queriam ficar
com o Auror. Harry se virou e caiu no ch�o. Ele sentou e encostou suas costas na
parede. O garoto n�o sabia o que estava sentindo. Ele sentia uma dor enorme s� de
pensar em perder James, mesmo sabendo que nem ao menos o conheceu direito. O pesar
que sentia por Damien e Lily o confundia. Ele conseguia sentir a dor dos dois.
Mesmo a tristeza de Sirius e Remus o afetava. Mas Harry tamb�m sentia uma raiva e
uma ira tremenda direcionada ao respons�vel de tudo isso. Voldemort! Ele era o
respons�vel. Ele fez isso com James.
Harry passou as costas da m�o nos olhos. Ele sabia o que tinha que fazer. Era
arriscado e muito perigoso, mas na mente dele, n�o havia mais nenhuma alternativa.
Ele n�o ia perder James.
Harry checou se seu glamour ainda estava no lugar. Ele tinha que ter certeza de que
estava irreconhec�vel. O garoto apontou a varinha para sua garganta e mudou sua
voz. Harry andou em dire��o ao quarto, respirou fundo e bateu na porta antes de
entrar.
A primeira coisa que ele viu foi um pequeno grupo em volta da cama. O garoto teve
que segurar sua surpresa ao ver James deitado nela. O homem estava p�lido como a
morte e conectado � v�rias m�quinas. Harry limpou a garganta e olhou direto para
Sirius.
"Licen�a, eu realmente sinto muito, mas tenho que pedir que voc�s saiam por um
momento. Eu tenho que trocar as m�quinas do Sr. Potter." Harry segurou uma pequena
m�quina em sua m�o para que os outros vissem.
Sirius o olhou surpreso. Damien o olhou assustado, o menino sabia que era Harry
disfar�ado. Ele pegou a m�o de sua m�e e gentilmente a fez se levantar.
Antes que eles pudessem sair, Sirius disse.
"Eu apenas apenas tenho que fazer o trabalho que me mandaram fazer. Se voc�s n�o se
importam... Ser� apenas alguns minutos." Harry disse um pouco alto.
Remus segurou os bra�os de Sirius e o puxou para fora do quarto, ambos foram
seguidos por Lily e Damien. Harry trocou olhares com irm�o, antes que o menino
sa�sse. O moreno de olhos verdes esperava que Damien entendesse tudo e ficasse o
mais longe poss�vel.
Harry olhou para a figura que estava im�vel. Uma das m�quinas mostrava como estavam
os n�veis m�gicos de James. O garoto conseguia ver que o Curandeiro Davis estava
certo, James tinha pouqu�ssima m�gica dentro dele. Harry sabia qual era o feiti�o
que Voldemort lan�ou nele, era uma maldi��o terr�vel e provavelmente uma das mais
negras.
Harry olhou para a face de James e sentiu sua garganta se fechar ao olhar para o
homem, cujo ele cresceu odiando. O garoto sabia que todas aquelas mem�rias dos
Potters eram mentiras, mas n�o conseguia impedir as emo��es que vinham com elas.
Harry lembrava ter ficado acordado de noite, quando era um garotinho, pensando em
todas as coisas que ele poderia fazer para que seu pai o amasse. Ele costumava
prometer que ia se comportar para que seu pai o amasse e nunca mais o machucasse. A
dor que o garoto sentiu ao perceber que seu pai sempre o amou e nunca o machucou,
era uma das coisas que o fazia odiar Voldemort. Harry respirou fundo e falou com
James.
"Eu n�o sei se � verdade que se pode escutar os outros quando se est� em coma. Eu
realmente n�o sei se voc� pode me escutar e me entender, mas eu n�o tenho outra
escolha agora. Eu nem mesmo sei o que dizer." Harry falou quase sussurrando.
"Eu cresci te odiando. Eu sempre quis v�-lo destru�do e quase consegui sucesso
nisso. Mesmo assim, quando eu te vejo hoje, eu sinto como se uma parte de mim
esteja morrendo tamb�m. Eu... eu nem mesmo te conhe�o. Eu n�o sei qual � sua comida
favorita, ou sua cor favorita. Eu n�o sei o que voc� gosta de fazer nos finais de
semana, ou quais s�o seus hobbies. Exceto por um, Quadribol! Isso � tudo o que eu
sei sobre voc�, que voc� ama Quadribol." Harry respirou fundo para controlar as
emo��es.
"Eu sei que eu ferrei com tudo. Eu tinha uma chance de voltar e estraguei. Eu
realmente sinto muito, Deus, eu sinto muito. Se eu pudesse voltar no tempo, eu
faria tudo certo, mas eu n�o posso. Mesmo com toda a minha m�gica, eu n�o posso
voltar tanto. Pai, por favor, me d� uma chance de conhecer voc�. Eu sei que h� a
possibilidade, uma boa possibilidade, de eu n�o poder conhecer voc�. Eu n�o vou
sobreviver por tanto tempo, mas eu n�o posso viver sabendo que nunca poderei
conhec�-lo por causa que voc� n�o est� mais aqui. Eu preciso dessa pequena
esperan�a para sobreviver."
Harry apertou sua varinha, quando disse as �ltimas palavras para James. Ele
transfigurou a madeira em uma faca e ficou em sil�ncio por um tempo. Ele podia
fazer isso. Esse era o �nico jeito de salvar seu pai. Harry ficou um pouco
inquieto, sabendo o que aconteceria se tudo desse certo. Com tanto que ele voltasse
para seu quarto na estalagem, ele ficaria bem.
O garoto segurou a m�o de seu pai e fez com que a palma ficasse virada para cima.
"Do meu sangue para o seu, da minha ess�ncia para a sua. Eu te dou meu n�cleo
m�gico, assim o seu pode ser restaurado."
Harry passou a adaga afiada na palma de sua m�o e fez um corte significante. Ele
fez o mesmo com James e viu as gotas de sangue sa�rem. Assim que as palavras
terminaram de sair de sua boca, o garoto pressionou sua m�o contra a de seu pai. Os
dois ferimentos se uniram e Harry sentiu uma dor imensa o consumindo. Ele mal
conseguia conter seus gritos, enquanto a magia passava de uma pessoa para outra. O
garoto fechou os olhos e apertou a ponta da cama, para n�o cair. Ele tinha que
manter a conex�o para que James conseguisse a quantidade certa de magia. Harry
estava lutando para ficar consciente, ele nunca esteve sobre tanta dor antes. Era
insuport�vel. O moreno de olhos verdes n�o conseguiu mais segurar sua agonia e
soltou um grito ensurdecedor.
Ele estava feliz, porque o feiti�o 'Silencio' impediu que todos o ouvissem. Harry
for�ou para que seus olhos abrissem e olhou para James. Havia uma estranha luz o
envolvendo e a palidez de sua pele estava mudando quase que imediatamente. O garoto
olhou para o monitor que mostrava os n�veis m�gicos de James, ele conseguia ver uma
r�pida recupera��o. Havia apenas um pouco para estabilizar tudo e ent�o, James
conseguiria o suficiente para melhorar.
Harry apertou a cama, ele realmente n�o aguentava mais. O garoto sentia como se seu
cora��o fosse explodir de dor e soltou outro grito agonizante.
Ele estava lutando contra si mesmo. Uma parte dele queria parar, mas a outra parte
se recusava a soltar. Harry sentiu seus joelhos enfraquecerem e sabia que ia cair
se n�o soltasse. O garoto olhou para o monitor e viu que o n�vel m�gico estava
estabilizado. Ele soltou a m�o de seu pai e caiu no ch�o. A conex�o foi quebrada
imediatamente e ele se sentiu fraco. Harry estava suando dos p�s a cabe�a. Com o
corpo tremia, ele se sentou e olhou para James. O corte na m�o do Auror come�ou a
se curar imediatamente. O garoto olhou para sua pr�pria m�o e viu que o corte ainda
estava aberto e sangrava muito. Ele viu que algumas gotas estavam caindo no ch�o.
Harry rapidamente cortou um peda�o do len�ol da cama e enrrolou em sua m�o. Ele
transformou sua varinha de volta e se levantou. O moreno de olhos verdes mal
conseguia ficar em p�, seus joelhos tremiam e seu corpo inteiro estava dolorido.
Ele conseguia ver que James respirava normalmente. Harry rapidamente foi em dire��o
� sa�da. Ele colocou seu glamour de volta, conseguindo com sucesso mudar sua
apar�ncia. O garoto destrancou a porta e saiu, cuidadosamente colocando sua m�o no
bolso. Ele n�o queria encost�-la em nada.
"Est� tudo feito, obrigado." Harry disse rapidamente, indo em dire��o ao elevador,
o mais r�pido que ele sa�sse de l�, melhor.
O garoto nem mesmo ficou para ver a rea��o de Lily, Sirius, Remus e Damien quando
eles entrassem no quarto e vissem o que aconteceu com James. Ele escutou os gritos
de 'Curandeiro Davis' vindo de Remus e Lily quando as portas do elevador se
fecharam.
James sentiu sua mente clarear, ele tentou abrir os olhos, mas os fechou
rapidamente, quando a luz os acertou, eles estavam sens�veis. O homem sentiu como
se algu�m estivesse aumentando o volume do quarto. No come�o parecia o som do seu
cora��o, depois o som virou murm�rios, mas ele n�o conseguia entender o que era
dito. Ent�o as vozes ficaram mais altas e tudo ficou mais claro.
James conseguia ouvir Lily gritando seu nome e conseguia escutar a voz de Damien ao
fundo. Ele queria dizer que estava bem, mas n�o conseguia, havia algo em sua boca.
James fez for�a para abrir os olhos e a primeira coisa que enxergou foi um homem de
meia idade. Ele percebeu que n�o estava com seus �culos e que n�o podia abrir a
boca pedi-los de volta.
"Voc� est� no hospital St Mungo's. Eu sou o Curandeiro Davis. Voc� pode me ouvir?"
James apenas conseguiu assentir com a cabe�a e mesmo ao fazer isso, uma dor
horr�vel perpassou seu corpo. O homem tentou levantar a m�o para retirar o que
estava em sua boca, assim ele poderia falar. James ficou chocado ao perceber que
n�o havia nada ali. Sua mente tentou lhe alertar que sua boca apenas estava inchada
e muito delicada, por isso a dificuldade de abr�-la. Ele tentou falar de novo, mas
apenas saiu um murm�rio. Assim que sua vis�o clareou, ele viu duas figuras se
aproximando, Lily e Damien.
James sentiu seu cora��o contrair ao ver as faces cheia de l�grimas deles. Ele
honestamente pensou que nunca os veria de novo. O Auror lembrou da luz que foi em
sua dire��o, ele sabia que Voldemort ia lhe matar e que ele nunca veria sua fam�lia
novamente e nunca traria Harry de volta para casa. James lembrou vagamente de ser
acertado por um feiti�o, mas que n�o foi a maldi��o da morte. Seu corpo sentiu um
impulso violento e ele sentiu o ar passando como se estivesse voando na dire��o
oposta. A �ltima coisa que ele lembrou foi a face de Dumbledore o olhando
preocupadamente, antes de ficar inconsciente.
James percebeu que Dumbledore chegou no �ltimo momento e o salvou. Ele tentou falar
de novo.
"Sra Potter, por favor, eu tenho que terminar o exame no Sr Potter ." O Curandeiro
Davis interrompeu.
"Pra qu�? James est� bem, n�o gra�as � voc�. Voc� tinha desistido dele! Como voc�
explica isso?"
James n�o ficou surpreso ao ouvir que o Curandeiro desistiu dele. Ele mesmo j�
tinha desistido de sobreviver.
"Sr Black, por favor, controle-se. Eu preciso descobrir o que aconteceu. N�o �
poss�vel que os n�veis m�gicos dele que estavam perigosamente baixos, tenham sido
restaurados quase toltalmente!"
James tentou sentar para ver Sirius. Damien imediatamente colocou suas m�os no
peito de seu pai para imped�-lo de se mover e sem dizer nada colocou gentilmente os
�culos no pai. James o olhou agradecido.
"Bem, como voc� explica isso?" Remus perguntou gentilmente, mas com um tom
irritado. Obviamente o homem estava bravo com o Curandeiro por ele dizer que o
Auror n�o ia sobreviver, quando claramente seu amigo foi capaz de se recuperar.
"Eu n�o sei, como eu disse antes, o estava com os n�veis m�gicos quase vazios. Como
eles voltaram ao normal, est� al�m de mim. Tinha algu�m aqui dentro com voc�s que
possa ter sa�do agora a pouco?" O Curandeiro perguntou.
"Sra Potter, eu sei que isso � complicado, mas voc� sentiu a presen�a de algu�m
quando estava em coma?" O Curandeiro perguntou.
James estava tentando acalmar seu cora��o. Ele estava certo de que tinha sido
apenas um bizarro sonho, induzido pelo coma, que ele presenciou. N�o era poss�vel.
Harry n�o podia ter vindo aqui, podia? Ele n�o sabia como foi o sonho, mas sentiu a
forte presen�a de Harry, bem antes de acordar. James balan�ou a cabe�a, ele n�o
queria mencionar seu filho mais velho para um completo estranho. O Curandeiro
pareceu um pouco desapontado.
"Bem, creio que vamos descobrir isso. Eu tenho que terminar de te examinar." Ele
disse e dessa vez estava com um sorriso na face.
Assim que o Curandeiro se aproximou da cama, ele viu algumas gotas de um l�quido
vermelho nas cobertas. Seu sorisso foi trocado por um franzir de testa.
Como Harry conseguiu chegar na estalagem, ele n�o sabia, mas de algum modo o garoto
conseguiu entrar no seu quarto e trancar a porta antes de cair no ch�o. Ele tremia
dos p�s a cabe�a e conseguia sentir a febre chegando. Harry estava fazendo m�ximo
que podia para chegar na cama, mas n�o conseguia.
O garoto nunca ficou doente antes. Ele lembrava de ter ficado realmente mal em uma
de suas lembra�as 'Potter'. Ele tinha sido largado sozinho para se recuperar e
passou dias inteiros deitado em sua pequena cama em seu quarto. Harry se arrepiava
e tremia s� de pensar em todo o tempo que ele ficou sem receber nenhum rem�dio.
Ele se lembrava daquele tempo e que tinha jurado sempre cuidar de si mesmo e nunca
ficar doente de novo. O garoto sabia que ningu�m o ajudaria a passar por aquilo e
ficar t�o vulner�vel o deixava enojado.
Harry tentou novamente ir para a cama, mas ele apenas conseguiu andar um pouco
antes de cair. O garoto sabia que sua m�gica levaria uns dez dias para se
restaurar. A febre estava vindo por causa do feiti�o que ele fez. Sua m�o estava
dolorida e ainda sangrava muito. Ele n�o conseguria curar o ferimento direito e
nenhuma po��o faria efeito at� que sua magia voltasse ao normal. Harry esperava que
at� l� ele conseguisse sobreviver, antes de ficar inconsciente.
James ficou paralisado com o que o Curandeiro disse. O sangue de Harry estava em
sua cama! O que aconteceu? Onde estava Harry agora? Por que ele veio e se colocou
em perigo?
"O que voc� disse? Isso n�o pode ser poss�vel!" Lily disse para o Curandeiro.
"De acordo com o sangue que n�s encontramos aqui, ele pertence � Harry James
Potter. Eu entendo que ele seja seu filho mais velho." Davis disse, sabendo muito
bem quem Harry Potter era. Todos no mundo m�gico sabiam quem Harry Potter era.
"Sim, mas ele n�o podia ter vindo aqui, n�s o ter�amos visto, n�s ter�mos..." De
repente Lily se virou e olhou para Sirius. Ambos entenderam na hora.
"Aquele, aquele homem! Aquele que veio trocar a m�quina! Era ele, tinha que ser!"
Lily exclamou.
Lily e Sirius explicaram como um homem, que era da equipe do hospital pediu � eles
que sa�ssem do quarto. Ele ficou sozinho com James por no m�nimo uns quinze
minutos.
"Bem, isso resolve o mist�rio. Seu filho mais velho � o respons�vel pela
recupera��o do seu marido, Sra Potter. Voc� se lembra de quando eu te contei sobre
a transfer�ncia de magia? Bem, aparentemente seu filho escutou tamb�m e decidiu
seguir em frente com a id�ia. Por isso o sangue foi encontrado aqui."
"Mas voc� disse que a transfer�ncia era muito perigosa e o doador morreria se
tranferisse sua magia!"
"O que... o que poderia acontecer com ele... digo, em que condi��o Harry poderia
estar?" Lily perguntou com medo da resposta.
"Temo que ele estaria com muita dor, Sra Potter. Sinto muito, mas eu tenho que ser
brutalmente honesto com voc�. Ele realmente precisaria de uma aten��o m�dica. At�
que sua magia volte ao n�vel normal, ele vai precisar de ajuda. Veja bem, quando
sua magia � transferida para outro corpo, voc� se torna fraco. Como eu disse, a
m�gica de uma pessoa � conectada � sua ess�ncia vital, portanto se a magia for
doada para outra pessoa seu corpo entra em choque. Pode haver n�usea, febre, dor,
contra��es musculares e em alguns casos, doen�as s�rias. No caso do seu filho,
Harry... ele precisa de ajuda. Ele n�o vai ser capaz de se cuidar sozinho."
Todos prestaram aten��o nas palavras do Curandeiro. Isso significava que Harry n�o
seria capaz de duelar contra um Comensal da Morte, nem contra um Auror em seu
estado atual.
James sentou com seus punhos fechados. Harry fez isso por ele. O garoto sacrificou
sua magia para salv�-lo! O risco foi imenso. Primeiro em vir aqui e depois em fazer
esse feiti�o super perigoso. E se algo desse errado? James segurou suas l�grimas de
raiva. Ele era o pai de Harry! Ele tinha que proteger seu filho. Ao inv�s disso, o
garoto de dezesseis anos enfrentou um enorme perigo para salvar seu pai.
Damien escutou palavra por palavra do Curandeiro. Ele tinha um grande respeito por
Harry. O garoto de dezesseis anos era seu irm�o e Damien sabia que n�o conseguiria
passar por tudo que ele passou. Mas o fato de que Harry fez algo como aquilo pelo
pai deles, o fez respeit�-lo ainda mais.
Damien esqueceu de todos. O menino ia atr�s de seu irm�o, afinal de contas, ele era
o �nico que sabia exatamente aonde Harry estava.
Cap�tulo Quarenta e Quatro: Sorte Estranha
Harry acordou no meio da noite. Ele ainda estava deitado no ch�o frio de seu
quarto. O garoto abriu os olhos e tentou levantar a cabe�a para ver aonde estava.
Sua vis�o ficou borrada, quando tentou olhar em volta. O moreno cuidadosamente
levantou e gemeu por causa da dor que sentia. Ele mal conseguia abrir os olhos,
devido � sua febre.
Harry finalmente chegou at� sua cama e caiu. Ele nem mesmo se preocupou em trocar
de roupa e ao inv�s disso deitou com elas ainda no corpo. Sua boca estava seca e
sua l�ngua r�spida. O garoto sabia que para pegar �gua teria que levantar, j� que
sua magia sem varinha n�o ajudaria at� que suas reservas estivessem normalizadas.
Mesmo estando com sede Harry n�o conseguia levantar e ao inv�s de tentar, se curvou
na cama e dormiu um sono induzido pela febre.
Damien estava extremamente preocupado. Seu pai ainda estava no hospital, j� que o
Curandeiro Davis o queria em observa��o, apenas para assegurar que seus machucados
melhoraram. O Curandeiro foi for�ado, por lei, � reportar que Harry esteve em �s.
Como o previsto, a m�dia inteira foi para l� em um instante. Eles j� estavam
presentes no hospital, fazendo reportagens sobre o ataque. Damien foi rapidamente
escoltado de volta para casa, para evitar perguntas da imprensa. Ele era um alvo
f�cil, sendo o irm�o do Pr�ncipe Negro e tudo mais. Lily n�o o deixava sair de fora
do alcance de sua vista.
At� o ponto em que Damien sabia, a fam�lia Weasley ainda estava no hospital com
Bill. Ele n�o podia pedir ajuda para eles. N�o era certo fazer isso, quando todos
estavam com uma crise interna.
S� restava Hermione. Damien tentou telefonar para ela v�rias vezez, mas seus pais
disseram que a garota ainda estava no hospital. O menino n�o sabia o que fazer. Seu
irm�o provavelmente estava em um estado terr�vel e precisava de algu�m, mas ele n�o
tinha permiss�o para sair de casa. Seus amigos n�o podiam ajudar tamb�m.
Damien pediu licen�a para sua m�e e encaminhou-se para o andar de cima. Ele
precisava sair de l�, mas n�o sabia como. Harry ainda estava com a capa de
invisibilidade, assim sendo, n�o poderia us�-la.
Damien sentou em sua cama, tetando pensar em uma solu��o. Ele pegou seu celular e
mandou uma mensagem de texto para Harry. O menino queria saber se o irm�o estava
bem. Talvez o Curandeiro exagerou no que disse, talvez Harry estivesse apenas se
sentindo um pouco doente, mas estivesse bem mesmo assim. Depois de mandar a
mensagem e esperar mais de uma hora, Damien come�ou a entrar em p�nico. N�o houve
resposta. Harry devia estar com problemas, ele poderia estar realmente mal. O
menino decidiu que ia fazer o que parecia ser certo. Ele levantou colocou sua capa
e estava quase saindo pela janela, quando a lareira de seu quarto flamejou. Ele
correu at� l�. As �nicas pessoas que usavam sua lareira eram seus amigos. E para
comprovar isso, a cabe�a de Ginny Weasley apereceu. Ela parecia estar bem exausta,
como se tivesse chorado muito naquele dia.
"Ainda na mesma. Ele est� em coma. O curandeiro disse que ele deve se recuperar,
mas..." A menina parecia estar perdendo a voz.
"Ginny, eu sinto muito. Como est� a ?" Damien perguntou triste por causa das
not�cias sobre Bill.
"Ela est� no hospital com Fleur, as duas v�o ficar l� durante a noite. O resto de
n�s est� em casa. Hermione est� aqui tamb�m. Os pais dela disseram que voc� a
procurou."
"�, hum... voc� escutou sobre o que aconteceu no hospital?" O menino perguntou
hesitante.
"Sobre a ida dele at� l�? Sim, n�s todos ouvimos. Ele salvou seu pai! Foi muito
corajoso da parte dele." Ginny disse baixinho.
"Bem... foi, mas ele est� com problemas. O Curandeiro disse que ao transferir
m�gica para o meu pai, Harry ficou bem doente e fraco. Ele precisa de ajuda. Eu
estava prestes a sair para ajud�-lo, quando voc� apareceu." Damien disse
rapidamente.
"Damien voc� n�o pode ir sozinho. N�o � seguro. E se sua m�e perceber que voc�
sumiu?" A ruiva perguntou imediatamente.
"Isso n�o importa! Eu posso lidar com isso depois. Eu preciso ir ajudar Harry. Ele
est� muito doente!" O menino disse preocupado.
Damien ficou olhando para o espa�o aonde a cabe�a dela estava h� momentos atr�s. De
repente o fogo apagou e ele escutou o som do vento passando. O menino caiu, bem no
momento em que Ginny saiu da lareira.
Ela levantou e limpou suas vestes. Damien ainda estava l� ca�do e olhava de boca
aberta para a menina.
"Voc� podia ter avisado que estava vindo." Ele disse um pouco irritado.
"Eu estou indo com voc�. Hermione vai me cobrir l� na Toca. Eu vou fazer um feiti�o
para cobrir voc� aqui." Ela se apressou e lan�ou um feiti�o que fez um 'montinho'
aparecer na cama. A menina ent�o, colocou a coberta de Damien por cima.
A ruiva correu at� o amigo e apontou sua varinha para o rosto dele.
"Isso vai dar." Ginny respondeu e apontou sua varinha para o 'montinho'. O menino
viu aquilo tomar a forma do seu corpo. Suas fei��es ficaram um pouco tenebrosas.
"Agora se sua m�e vir te chamar, isso vai responder com a sua voz. Apenas algumas
palavras como 'estou com sono' ou 'conversaremos amanh�'. George me ensinou isso. O
feiti�o � bem simples. N�o pode responder coisas complicadas ou particulares.
Apenas coisas simples."
"E se minha m�e tentar me tirar da cama e ver que n�o sou eu?" Damien perguntou.
Ambos pularam da janela e desceram pelo cano d��gua. Eles rapidamente sa�ram e
chamaram o noitebus andante. Quando os dois estavam dentro do ve�culo esperando
chegar na cidade trouxa, Damien fez, para Ginny, a pergunta que martelava em sua
mente.
"Gin, voc� n�o veio por causa de mim, n�? Quero dizer, eu sei que sua fam�lia
acabou de passar por uma trag�dia. Eu entenderia se voc� quisesse ficar com eles
essa noite."
A ruiva parecia estar quase chorando, mas ela n�o deixou uma �nica l�grima cair.
"Se eu ficasse na Toca, eu teria chorado at� ficar doente. Eu precisava sair daqui.
Bill... Bill n�o iria querer que ningu�m chorasse sobre ele. Ele vai sobreviver a
isso, eu sei! Ele sempe foi corajoso, sabe? E de qualquer modo, depois que voc� me
contou sobre Harry, eu descobri que seria mais �til o ajudando, do que se eu
ficasse chorando a noite inteira!"
Damien colocou seu bra�o em volta dela e sussurrou agradecimentos em seu ouvido.
Logo eles j� estavam indo para a estalagem. Os dois tiveram que fugir do gerente,
j� que menores n�o tinham permiss�o para entrar. Eles correram para o quarto de
Harry e bateram na porta. N�o houve resposta. Ginny tentou bater na porta
novamente, mas ainda assim n�o houve resposta.
"Como n�s vamos chegar at� ele?" O menino perguntou ao colocar sua varinha de volta
no bolso.
Ginny pensou muito. De repente ela come�ou a mexer no cabelo e tirou um grampo.
"O que voc� vai fazer com isso?" Damien perguntou perplexo.
"Finalmente! Merlin, porque trouxas tem que fazer tudo ser dif�cil? Eles precisam
de alguma coisa melhor que sirva para abrir as fechaduras!" Damien disse quando
Ginny se levantou.
"�, porque assaltantes acham muito dif�cil entrar na casa deles. Eles deveriam
fazer com que tudo ficasse mais f�cil." A menina disse sarcasticamente.
O moreno de olhos verdes estava encolhido na cama e suava profusamente. Seu cabelo
estava grudando na testa e sua pele estava extremamente p�lida. Ginny e Damien
gentilmente o viraram de barriga para cima. O menino colocou a m�o na testa do
irm�o e ficou com uma express�o preocupada.
"Ele est� queimando, n�s temos que abaixar essa febre." Damien disse imediatamente.
"Ok, temos que desp�-lo primeiro. Ele vai ficar assando dentro dessas roupas. Vou
tentar pegar um pouco de �gua gelada."
Ginny correu at� a geladeirnha que tinha no canto do quarto. Com exce��o da pequena
garrafinha de �gua, n�o havia mais nada l� dentro. 'Merlin, o que ele come?' A
menina se perguntou ao fechar a porta da geladeira e abrir a do frizer. Ela achou o
que procurava. Gelo, muito gelo.
A ruiva procurou por um pote, aonde ela poderia colocar a �gua. Ginny achou um
pl�stico, que aparentemente tinha arroz antes. Ela rapidamente foi at� o banheiro e
o lavou, depois, o encheu de �gua com gelo.
Ginny voltou para a cama e viu que Damien tinha conseguido com sucesso tirar a
camisa e a capa de Harry. O moreno estava apenas com cal�as. A ruiva rasgou a ponta
do len�ol e a mergulhou na �gua gelada, antes de colocar sobre a testa de Harry. O
garoto gemeu em seu sono e a menina sentiu seu cora��o parar. Ele parecia estar
sobre uma grande dor. Ginny desejou que ele ficasse melhor logo, era horr�vel v�-lo
desse jeito.
Damien cortou outro peda�o do len�ol e pegou uma garrafa de �gua da geladeira. Ele
jogou um pouco do l�quido no pano e gentilmente come�ou a apert�-lo sobre a boca de
seu irm�o. As gotas cairam dentro da boca de Harry e o garoto, aparentemente,
relaxou. Sua respira��o, que estava apressada, come�ou a acalmar, mesmo que apenas
um pouco.
Ginny percebeu que havia sangue nas m�os de Harry. Damien tirou o pano que cobria o
machucado e o analisou. N�o parecia muito profundo, mas ainda sangrava.
"O que n�s vamos fazer agora? N�o temos nada para enfaixar a m�o dele. Acho que
Harry precisa de algum anti-s�ptico primeiro." Damien sussurrou preocupado.
Ginny mordeu o l�bio ansiosa. Ela n�o sabia nada sobre cuidar de feridas.
"Ron saberia o que fazer. Hermione saberia como usar tratamento trouxa, j� que
m�gica n�o vai ajud�-lo ainda." Ginny disse enquanto tentava pensar no que fazer.
"Damien, apenas tente limpar o ferimento o m�ximo que possa, depois rasgue mais
algumas tiras len�ol, n�s j� o arruinamos mesmo, melhor terminar o que come�amos."
Damien fez o que ela mandou. Ele rasgou o len�ol em tiras, para serem usadas como
faixas na m�o de Harry. O menino limpou o ferimento como p�de, com �gua e depois
amarrou, bem apertado, uma tira de len�ol em volta do machucado. Ele estava feliz
por Harry estar inconsciente, de outro modo, a dor seria enorme.
Damien podia ver o suor escorrendo pela face do irm�o, mas mesmo assim o garoto
tremia. Sua pele estava p�lida e brilhante e de vez em quando ele gemia em sono
induzido. A noite passava e Ginny continuou colocando panos molhados na testa de
Harry, o tempo inteiro rezando pela recupera��o do amigo. Damien ficou trocando as
bandagens da m�o do irm�o e cada vez mais ficava preocupado.
"J� deveria ter parado de sangrar! Ele est� perdendo muito sangue!" Damien disse
cansado, enquanto trocava novamente a bandagem de Harry. Era a oitava vez naquela
noite.
Eles continuavam colocando gelo no pl�stico com �gua, enquanto checavam a febre de
Harry. As primeiras horas da manh� surgiram e nada do garoto acordar. Damien
come�ou a entrar em p�nico.
"Por que ele n�o acorda? Alguma coisa est� errada! Talvez o feiti�o n�o funcionou
direito. N�s dever�amos lev�-lo para um hospital!"
"Damy, n�o podemos levar Harry para um hospital. Voc� sabe t�o bem quanto eu que
eles n�o cuidam de Comensais da Morte e Harry � o maior Comensal. Ele vai ficar
bem. Sua febre est� bem alta, por isso ele n�o acorda. Acalme-se." Ginny tentou
fazer o adolescente relaxar.
Logo o sol apareceu e Damien sabia que teria que voltar para casa, se n�o sua m�e
descobriria tudo. Com a promessa de voltar depois de algumas horas com os
medicamentos certos, o menino foi embora. Ginny continuou tentando abaixar a febre
de Harry. Ela estava exausta, porque ficou acordada na noite passada tamb�m, j� que
estava ajudando nas prepara��es do casamento de seu irm�o. Os acontecimentos
tr�gicos do dia anterior tamb�m a deixaram cansada e al�m disso a menina passou a
noite inteira ao lado de Harry. Ginny segurou as l�grimas de tristeza ao pensar em
seu irm�o. Bill e Fleur iam para sua lua-de-mel hoje, ao inv�s disso, o homem
estava no hospital lutando por sua vida, enquanto ela ficava ao seu lado, chorando
e rezando para que o destino os deixassem ficar juntos.
"N�o � justo." A ruiva disse para si mesma. Bill era uma boa pessoa, ele n�o
merecia nada disso.
Os olhos castanhos de Ginny observaram Harry. Ele parecia estar mais calmo. Ela
tirou o pano da testa dele e gentilmente afastou sua franja.
'Olhe para ele. Ele n�o merece nada disso tamb�m. Ele � uma boa pessoa. Olhe o que
ele fez por seu pai. Harry tem que fugir de todo mundo. Por qu�? N�o era culpa
dele! Ningu�m estava disposto a lhe dar uma chance. N�o � justo!' Ginny pensou
tristemente consigo.
A menina pensou que seus sentimentos por Harry iriam mudar com o tempo. Ela estava
certa. Seus sentimentos se intensificaram nos �ltimos meses. No come�o Ginny pensou
que o amava, porque ele tinha salvo sua vida. Harry era seu her�i. Era o garoto que
ela sempre pensava sobre. Mas quando a realidade surgiu, a menina recuou, pois n�o
estava disposta a lutar por ele. Era muito dif�cil, assim sendo ela desistiu. Ginny
brigou consigo mesma por causa disso.
A ruiva lembrou da primeira vez que o encontrou, foi nos corredores de Hogwarts.
Quando ele esbarrou nela, o garoto foi relativamente legal, mas ela o xingou. Ginny
percebeu que Harry n�o a perdoou por isso.
Ela sorriu ao lembrar de Harry com o uniforme de Hogwarts, ele ficava bem bonitinho
com a roupa, n�o era de se espantar que as garotas ficassem babando por ele. E
aquela constante express�o entediada que deixava todas loucas por ele...
Ginny olhou para o moreno deitado na cama e percebeu que todos os meses que ela
passou ao seu lado, fortaleceram seus sentimentos. Ela sabia que Harry nunca a
amaria, ele tinha muita coisa em sua vida, mas mesmo assim a menina n�o conseguiu
deixar de se apaixonar.
Ela colocou o pano novamente na testa dele e fechou os olhos. Ginny estava muito
cansada. Ela realmente n�o esperou que aquilo acontecesse, mas acabou deitando bem
perto de Harry e caindo no sono.
Harry acordou e gemeu novamente quando a luz atingiu seus olhos. Levou um minuto ou
dois para que ele se lembrasse por qu� estava se sentindo t�o doente. Foi nessa
hora que a mem�ria da transfer�ncia de seu sangue para James Potter invadiu sua
mente. O garoto passou a m�o machucada na face e viu que ela estava enrolada em um
peda�o de tecido. Um peda�o, definitivamente diferente daquele que ele mesmo
colocou. Harry estava sentando, quando sentiu um pano escorregar de sua testa. O
garoto olhou aquilo com um express�o confusa. 'Que diabos...' Ele pensou, enquanto
olhava em volta. Foi nesse momento que o moreno percebeu os cabelos ruivos ao seu
lado. Se ele n�o estivesse t�o doente, teria pulado da cama surpreso.
Harry olhou para a pessoa ao seu lado bem de perto, ela estava dormindo
profundamente. Ele cuidadosamente tirou o cabelo da face do estranho, para ver quem
era, mesmo j� sabendo a resposta. Ginny Weasley estava ali dormindo com ele. O
garoto olhou para a ruiva que dormia e balan�ou a cabe�a. 'Damien tem alguma coisa
a ver com isso. Eu sei' Pensou consigo. Ele virou para ver se o irm�o estava por
ali, mas n�o havia mais ningu�m.
Harry tentou sentar de novo, mas seu corpo protestou. Ele fechou os olhos e tentou
respirar devagar. Ginny se remexeu ao sentir movimentos na cama. Ela abriu os olhos
e percebeu que Harry estava acordado. A menina rapidamente se sentou e o olhou
envergonhada. Ela tinha dormido ao lado dele! Nada poderia ser mais humilhante.
Ginny rapidamente desceu da cama e correu para o lado do garoto.
"Harry! Gra�as a Merlin, voc� est� acordado. Como voc� est�?" Ela perguntou
rapidamente, rezando para que ele tivesse acabado de acordar e n�o perebesse que
ela dormiu ao seu lado.
O moreno olhou breve para a garota envergonhada e tentou sentar novamente. Ginny
esticou sua m�o, imediatamente, para ajud�-lo. Ele parecia irritado com a ajuda,
mas n�o disse nada.
"Sua febre ainda recusa a ir embora. Damien estar� aqui logo. Ele apenas saiu para
pegar medicamentos. Ron e Hermione devem chegar a qualquer momento." Ginny disse,
tantando mostrar ao garoto que eles o queriam saud�vel.
"Eu n�o preciso de ajuda nenhuma! Eu posso cuidar de mim mesmo!" Harry disse
r�spido. Ele n�o queria que ningu�m o visse nesse estado t�o vulner�vel.
Ginny ficou sem rea��o. Ela passou a noite inteira ao lado dele e isso foi tudo que
o garoto lhe disse! A menina n�o quis acreditar. Ela nem mesmo queria um 'muito
obrigado', mas tamb�m n�o queria escutar de Harry que ele n�o precisava de ajuda.
Isso do�a.
"Oh, desculpe Harry. Eu esqueci que voc� nunca precisa da ajuda de ningu�m. Voc� �
apenas um super-humano. N�o �? Voc� n�o se machuca, n�o sangra e n�o � afetado como
os outros. Estou certa? Voc� estava bem antes que eu e Damien chegassemos na noite
passada. Voc� n�o estava com uma febre alt�ssima, sua m�o n�o estava sangrando
descontrolavelmente e voc� n�o estava, literalmente, � beira da morte. Creio que
n�s apenas perdemos nosso tempo." A Menina disse, sem conseguir segurar o famoso
temperamento Weasley.
Harry apenas a ignorou e ainda tentava fazer sua dor de cabe�a ir embora.
"Por que voc� n�o deixa ningu�m te ajudar, Harry? Eu pensei que j� tinha ficado
claro, que todos n�s nos preocupamos com voc�. N�s verdadeiramente nos preocupamos.
Ao inv�s de repelir as pessoas o tempo inteiro, talvez voc� tenha que deixar que
elas se aproximem de voc�. Voc� vai perceber que n�o � t�o ruim quanto pensa."
Ginny disse tentando se controlar.
Harry apenas lan�ou � Ginny um olhar cansado, empurrou suas cobertas, virou suas
pernas para fora da cama e tentou se levantar. Imediatamente a ruiva esticou o
bra�o para ajud�-lo, mas o garoto, bravo, empurrou sua m�o.
Ginny deu um passo para tr�s, quando olhou para os olhos esmeralda do moreno. Ele
desviou o olhar, se levantou, mancou at� o banheiro e fechou a porta com for�a. O
garoto caiu no ch�o e fechou os olhos por um minuto, ele sabia que a menina s�
queria lhe ajudar, mas n�o queria que ningu�m o visse daquele jeito. Harry n�o era
fraco, ele podia cuidar de si mesmo.
O moreno saiu do banheiro se sentindo pior do que antes. Sua cabe�a estava rodando,
ele sentia enj�o e percebeu que estava sozinho novamente. Ginny tinha ido embora,
enquanto ele estava no banheiro. Ao inv�s de ficar feliz, Harry sentiu-se magoado.
Ele n�o conseguia entender por qu�. Devia estar feliz, pois agora poderia descansar
em paz. Por�m, o garoto se sentiu triste ao ficar sozinho, enquanto estava doente.
Harry balan�ou a cabe�a para pensar melhor. 'Deve ser a febre' pensou. De alguma
maneira aquela febre estava fazendo com que ele quisesse companhia para se sentir
melhor. O garoto sabia que n�o precisava de ningu�m quando estava doente. N�o
queria ningu�m a sua volta sentindo pena, incluindo ele mesmo.
Harry voltou para a cama e deitou nela novamente. Foi apenas naquele momento que
percebeu estar sem camisa. Antes que pudesse pensar o que tinha acontecido, o
garoto dormiu. Um sono induzido pela febre.
O moreno acordou ao escutar uma como��o em sua porta. Ele imediatamente se sentou e
piscou furiosamente para afastar o sono. Viu a forma de Ginny parada na porta
segurando algumas sacolas pl�sticas nas m�os.
O garoto relaxou e soltou um suspiro. Ele estava se assustando � toa por alguma
raz�o. Harry observou Ginny fechar a porta e andar at� ele. Ela n�o olhou em sua
dire��o e come�ou a esvaziar suas sacolas.
"Aonde voc� foi?" Harry disse. Ele n�o quis que sua voz sa�sse como um suspiro, mas
sua garganta estava muito dolorida, fazendo sua voz sair raspando.
"Voc� precisa de comida. Comida decente." Ela disse e pegou uma x�cara com sopa
dentro. A ruiva aproximou-se dele e lhe entregou o utens�lio.
Harry estava quase dizendo que n�o tinha fome, mas o aroma da sopa o fez mudar de
id�ia. Ele podia engolir seu orgulho dessa vez e silenciosamente pegou a x�cara,
sem nem mesmo olhar para a menina. O garoto bebeu o conte�do em sil�ncio. Era um
manjar dos Deuses. Ele nem mesmo sabia do que era, mas funcionava, seu est�mago
ficou melhor. O moreno colocou a x�cara vazia ao seu lado.
Harry percebeu, ao soltar a x�cara, que sua m�o estava cheia de sangue novamente.
Ela do�a e ele sabia que n�o podia continuar desse jeito. O corte nem mesmo era
profundo.
"Ron vai chegar logo. Tenho certeza de que ele vai checar isso para voc�." Ginny
disse do outro lado do c�modo. Ela tinha terminado um pequeno sandu�che. O moreno
ficou pensando: Aonde ela conseguiu dinheiro trouxa para comprar comida? O garoto
afastou aquele pensamento. Como se ele se preocupasse...
Bateram na porta e Ginny correu para abr�-la. Ron, Hermione e Damien entraram e
imediatamente correram at� Harry.
"Harry! Gra�as a Merlin voc� est� acordado! Voc� nos assustou muito noite passada.
Como voc� est� agora? Melhor?" Damien perguntou.
O moreno de olhos verdes estava muito irritado pelo irm�o ter trazido os outros
tr�s. Ele n�o queria que ningu�m o visse doente, mas ao ouvir o tom de verdadeira
preocupa��o em sua voz, decidiu n�o dizer nada. N�o ainda.
"Eu estou bem." Harry disse, sua voz soava melhor. A sopa realmente ajudou.
Harry viu a palidez na face do ruivo e percebeu que ele ainda estava chateado por
causa de Bill. O garoto ficou pensando se o homem tinha sobrevivido, ou n�o. Ginny
perguntou exatamente isso.
"Ainda na mesma. Ontem a noite eles... eles quase o perderam. Ainda bem que o
Curandeiro Davis conseguiu traz�-lo de volta. Ele est� est�vel agora."
Harry realmente n�o sabia porque os dois Weasleys estavam insistindo em passar um
tempo com ele, quando deveriam estar com seu irm�o e fam�lia.
O ruivo tirou a bandagem ensag�entada da m�o de Harry, que n�o dava sinais de
recupera��o. Ron abriu uma pequena caixa que Hermione trouxe consigo. O moreno
reconheceu como um kit de primeiro socorros. A garota entregou alguns �tens para
Ron, que come�ou a limpar e enfaixar direito, o ferimento.
Hermione entregou � Damien os medicamentos que trouxera. Todos eles sabiam que
po��es n�o funcionariam, at� que a m�gica de Harry voltasse ao normal. Ela trouxe
tudo, desde xaropes para tosse at� comprimidos para febre. A garota disse para o
moreno quantas medica��es tomar por dia, mas ele n�o a escutou. Sua mente estava
come�ando a nublar, j� que a febre voltava. O garoto fechou os olhos e deitou a
cabe�a no travesseiro, querendo dormir de novo. Ele vagamente escutava Hermione
chamando seu nome, mas acabou cedendo � inconsci�ncia antes que pudesse responder.
Hermione juntou-se aos seus amigos no canto do quarto. Harry tinha acabado de ficar
inconsciente por causa de sua febre.
"Pessoal, n�s estamos de m�os atadas aqui. N�o podemos ajudar o Harry, ele precisa
de ajuda m�dica. N�s n�o dev�amos fingir que podemos cuidar dele, se nem mesmo
sabemos o que estamos fazendo. Eu nem mesmo sei se medicamentos trouxas v�o ajud�-
lo ou n�o." Ela disse preocupada.
"O que n�s podemos fazer? N�o podemos lev�-lo para e eu n�o sei o que mais fazer."
Ginny disse, claramente chateada, j� que Ron e Hermione n�o podiam ajudar Harry.
"Talvez... talvez eu devesse contar aos meus pais. Talvez eles possam ser os �nicos
que v�o ajud�-lo. Eles n�o deixariam ningu�m machuc�-lo." Damien disse resignado.
Ele realmente n�o queria abusar da confian�a de Harry daquele jeito, mas n�o sabia
mais o que fazer. Seu irm�o precisava de ajuda. O garoto j� tinha desmaiado por
causa da febre umas quatro vezes. N�o importava o que eles fizessem, a febre n�o
abaixava.
Os outros adolescentes se olharam. Ningu�m sabia se Damien devia contar para seus
pais. Harry ficaria furioso se algu�m contasse sua localiza��o. Dumbledore
provavelmente descobriria tamb�n e faria com que o garoto n�o fosse embora, antes
de estar completamente recuperado. Essa n�o era uma op��o. Ele escaparia e os tr�s
nunca mais conseguiriam ajud�-lo.
"N�o, n�s n�o devemos dizer nada para os adultos. N�s podemos lidar com isso. Temos
apenas que resolver um problema de cada vez." Ron disse.
Todos viraram para observar Ron. Essa era a primeira vez que o ruivo falava alguma
coisa com autoridade. Ningu�m discutiu, estava claro que o ataque � Bill, tinha
mexido com o garoto.
"O maior problema aqui � a febre. N�s dever�amos esperar e ver se os rem�dios
trouxas v�o ajudar. Ginny continue com a compressa gelada. Eu vou ficar de olho na
m�o dele, que j� deveria ter melhorado." O ruivo continuou.
Ginny come�ou, imediatamente, a cuidar de Harry. Damien ficava em seu lugar durante
algumas pausas para dormir.
O tempo passou e no quarto dia, a febre de Harry abaixou dr�sticamente. Ele ainda
estava fraco e n�o conseguia ficar acordado, mas n�o reclamava. Depois de falar com
Ginny no primeiro dia, ele ficou quieto e deixou que os outros cuidassem de seu bem
estar. O garoto sabia que precisava de ajuda, mas nunca iria admitir em voz alta.
Harry estava muito grato pelo modo como os outros n�o ficavam dizendo como ele
estava doente. Eles n�o falavam mais que o necess�rio. Os quatro o deixavam sozinho
durante a noite e passavam os dias ao seu lado.
Harry acordou com uma forte batida em sua porta. Ele levantou cansado e foi at�
ela, pensando que desmaiaria a qualquer momento. Os medicamentos trouxas estavam
funcionando, mas bem devagar. O garoto chegou at� a porta e abriu-a sem pensar. Ele
pensou que fosse os outros e que eles tivessem chegado mais cedo. Mas ao inv�s
disso, l� estavam tr�s homens vestidos de preto.
Harry dificilmente conseguiu reagir antes de sentir o feiti�o batendo em seu peito.
Ele caiu violentamente no ch�o, olhou para cima e viu os Comensais entrando no
quarto e fechando a porta.
"Ol� Pr�ncipe, faz tempo que n�o nos vemos." Nott disse ao apontar sua varinha para
o peito do garoto.
Harry olhou para os tr�s homens com os olhos arregalados. Ele sabia que
dificilmente conseguiria ficar em p� agora, como ele poderia duelar? Sua m�gica n�o
estava forte o suficientemente e seus feiti�os seriam pateticamente fracos.
Harry levantou devagar, tentando n�o se contorcer ao sentir a dor em seu peito. Os
tr�s Comensais apontaram suas varinhas para ele. O garoto os reconheceu
automaticamente.
Nott, Kerr e Reid. Harry levantou o m�ximo que p�de. Ele podia estar fisicamente
fraco, mas isso n�o significava que tinha medo.
"Ainda tendo aquele h�bito irritante de atacar as pessoas quando elas est�o de
guarda baixa, Nott?" O garoto perguntou com uma voz alta e forte.
Nott o olhou zombeteiro. Ele podia ver que o moreno estava doente, sua palidez e
tremedeira diziam tudo.
Harry fechou os punhos e lan�ou um olhar g�lido � Nott. Esse era o Comensal que o
garoto mais odiava, a �nica raz�o por ele ainda estar vivo foi por causa das ordens
de Voldemort.
"Ent�o, como voc� me achou? Levou muito tempo." Harry disse, ele tinha que
continuar falando. Assim descobriria como sair dessa bagun�a.
"Foi f�cil, tudo o que n�s fizemos foi seguir aquele seu irm�o pat�tico. N�s o
observamos por alguns dias e vimos que ele vinha aqui regularmente durante uns tr�s
dias. N�o foi dif�cil." Nott respondeu ir�nico.
Harry contou at� cinco em sua mente, ele n�o podia ficar bravo com Damien... ainda.
Primeiro tinha que sobreviver aos Comensais da Morte e ent�o, depois, mataria seu
irm�o! O garoto olhou em volta, a �nica rota de fuga era pela porta atr�s dos
homens. Ele estava lutando para ficar em p�, portanto n�o conseguiria lutar contra
os Comensais para poder escapar. Harry olhou desesperado procurando uma outra rota.
Sua varinha estava longe de seu alcance.
"Vamos l� Harry, voc� n�o acha que pode duelar conosco, acha? Confian�a � uma
coisa, mas isso seria estupidez." Disse Kerr com um sorriso doentio.
Harry conseguiu a chance que esperava. Assim que Reid se moveu, ele saiu do caminho
e chutou sua perna. O Comensal rugiu de dor e o moreno conseguiu pegar a varinha
dele, antes que o homem ca�sse no ch�o.
Imediatamente, Harry virou para enfrentar os outros dois. Ele sabia que era in�til
com ou sem varinha, mas os Comensais n�o tinham essa no��o. Eles apenas ouviram de
sua fraqueza f�sica, n�o sobre a transfer�ncia m�gica. Pelo menos ele esperava que
n�o. Mas como nesses dias a sorte ria dele... Nott come�ou a rir, quando o garoto
foi em dire��o a porta.
"Vamos l� Harry. N�s sabemos que voc� passou sua m�gica para o Potter, voc� n�o
pode fazer nada. Venha quieto e ningu�m vai te machucar... n�o muito." O Comensal
disse com um sorriso louco.
"Esque�a, eu n�o vou � nenhum lugar com voc�." O garoto estava deseperadamente
tentando puxar um pouco de sua magia de dentro de suas reservas. J� fazia cinco
dias desde a transfer�ncia, sua m�gica estava se resconstruindo, mas n�o tinha um
n�vel est�vel ainda. Se ele conjurasse sua magia agora, teria uma chance para
escapar, mas seria apenas isso, uma chance.
Harry respirou n�o conseguiria fazer a maldi��o da morte. O garoto sabia que n�o
tinha magia o suficiente para isso. Ele olhou para Nott e lan�ou um feiti�o em
dire��o ao ch�o.
"MOMENTUM EXPUR" Harry gritou com o tom de voz mais forte que p�de.
Ele sentiu feiti�os sendo lan�ados em sua dire��o, enquanto descia as escadas. O
moreno corria cegamente em dire��o a porta da frente. O fato de estar doente, tinha
feito com que ele n�o mudasse de estalagem. Harry nunca ficava em um lugar por mais
de tr�s dias. Ele correu pela rua e olhou desesperadamente para a esquerda e para a
direita. Para onde ele deveria ir? O garoto sabia que tinha que fugir para o mais
longe poss�vel dos trouxas, os Comensais matariam contentemente, v�rias pessoas
como desculpas para ach�-lo.
Harry correu para a direita e passou pelo meio do tr�nsito, conseguindo, por um
triz, escapar de ser atingido por um carro ao passar para o outro lado da rua. O
garoto nem mesmo olhou para tr�s para ver se era perseguido, ele conseguia dizer,
apenas pelo som dos passos, que estava sendo seguido. Sua respira��o ficou presa,
quando tentou se apressar. O moreno viu um jato de luz vermelha atingir a janela de
uma das lojas pela qual passou. Eles ainda estavam lan�ando feit�os nele!
Harry come�ou a diminuir a velocidade, seu corpo n�o aguentava mais. O garoto
estava puxando os musculos da sua perna o m�ximo poss�vel. Seu peito do�a e ele j�
estava sentindo que desmaiaria. Harry continuou mais um pouco, pensando que n�o
podia desmaiar naquele momento. Ele n�o podia voltar para Voldemort. Ele n�o seria
mais um cachorrinho adestrado.
Harry viu os port�es de um parque e rapidamente correu at� l�. Ele sabia que aquele
parque era grande e tinha uma grande �rea arborizada. Talvez ele pudesse se
esconder. O garoto correu para dentro do lugar, ele tinha que se esconder!
Apenas quando teve certeza de que estava cuidadosamente escondido entre algumas
�rvores, Harry parou de correr. Ele segurou em uma das plantas e tentou recuperar o
f�lego. O garoto sentiu seus joelhos enfraquecerem e caiu, silenciosamente, no
ch�o, limpou o suor da testa e fechou os olhos. Tudo o que ele escutava era o som
de seu cora��o batendo. Ainda era bem cedo, ningu�m estava no parque, j� que os
adultos estavam trabalhando e as crian�as estavam na escola. Harry sabia que nenhum
trouxa estaria por ali, assim os Comensais n�o seriam capazes de descontar sua
frustra��o em algu�m.
Ele nem mesmo escutou os homens se aproximando por tr�s. Sua mente estava lutando
contra a febre que o dominava novamente. Harry abriu seus olhos lacrimejantes e
tentou se levantar. Assim que conseguiu, algu�m o agarrou. Um bra�o ficou em volta
de seu pesco�o e sua m�o, que ainda segurava a varinha de Reid, foi presa tamb�m.
Ele agiu por instinto e deu uma cotovelada no est�mago do homem, tentando se
soltar. Infelizmente a for�a de Harry falhou e o homem ignorou o ataque e chutou a
parte de tr�s de seus joelhos. O garoto caiu no ch�o, foi chutado nas costelas e
colocado de costas. Apenas nessa hora viu que foi Reid quem o atacou.
Harry estava sem for�as, sendo assim, n�o conseguiu sair do caminho, quando Nott e
Kerr o atacaram com a cruciatus. O moreno nunca esteve sob essa maldi��o antes e
tentou n�o gritar, mas suas tentativas foram in�teis. Um grito ensurdecedor saiu de
sua boca, enquanto tinha uma convuls�o por causa da agonia que sentiu. O corte em
sua m�o e a ferida de seu peito, abriram e come�aram a sangrar. Finalmente a
maldi��o foi retirada e Harry tentou recuperar o f�lego. Sua cabe�a parecia que ia
explodir. Ele piscou para afastar os pontinhos vermelhos que estavam na sua frente.
O garoto cuspiu o sangue que estava em sua boca e tentou respirar fundo para parar
de tremer.
"J� chega agora, vamos lev�-lo de volta antes que ele fuja novamente." Kerr disse
para Nott.
"Relaxa, ele n�o vai a lugar algum. Olhe para ele, o garoto n�o consegue nem mesmo
ficar em p�, quanto mais fugir." Nott disse ao se aproximar de Harry.
"Eu esperei muito para conseguir minha vingan�a e n�o vou deix�-la escapar entre
meus dedos." Disse amea�ador.
Nott apontou sua varinha para Harry e imediatamente o garoto sentiu algo passando
por seu pesco�o. Ele soltou um barulho pela garganta e tentou levantar as m�os para
se libertar, mas naquele momento elas foram for�adas a ficarem presas nas suas
costas por cordas m�gicas. Harry olhou para o Comensal com incredulidade nos olhos.
Harry revirou-se inutilmente, tentando se soltar. Ele n�o conseguia respirar, seu
ar estava completamente cortado. Sua vis�o come�ou a escurecer e ele sabia que
estava quase desmaiando. Tudo o que o garoto podia escutar era o som distante dos
tr�s Comensais rindo.
De repente ele caiu no ch�o e rapidamente respirou fundo. Harry respirou a maior
quantidade de ar que conseguiu, sua vis�o ainda estava manchada, mas ele escutou os
homens a sua volta ca�rem. Algu�m tinha os atacado. 'Sabendo da minha sorte,
provavelmente s�o os Aurores, j� que eles devem ter detectado magia em uma �rea
trouxa' Harry pensou consigo.
Ele sentiu um par de m�os vir�-lo e conseguiu enxergar a imagem manchada de Damien.
O menino o olhava preocupado. Sua mente mandou que ele relaxasse, bem no momento em
que desmaiou.
Ron e Hermione rapidamente checaram Harry, procurando sua varinha. O garoto ainda
respirava, mas seu estado era horr�vel. Seus ferimentos sangravam, sua febre estava
alt�ssima de novo e sua respira��o estava complicada.
Ginny agradeceu sua sorte por ter percebido os tr�s homens entrando no parque. Eles
estavam todos de preto e eram facilmente reconhecidos como Comensais da Morte. Os
quatro adolescentes foram atr�s deles para espiar, mas nunca esperaram encontrar
Harry sangrando e sendo torturado.
"O que fazemos agora? N�o podemos ficar no mundo trouxa! Voldemort sabe disso. O
que faremos?" Hermione perguntou preocupada.
Damien estava pensando a mesma coisa. Seu irm�o precisava de ajuda, n�o s� para se
recuperar, mas tamb�m para se manter escondido.
"N�s n�o temos outra escolha. Acho que devemos lev�-lo para casa." Ron disse depois
de alguns momentos de sil�ncio.
"Mas e o Dumbledore? Harry n�o vai ficar feliz por n�s o levarmos aos adultos."
Ginny disse ao limpar o sangue da boca do moreno.
"Eu nunca disse nada sobre os adultos. Harry n�o vai para Godric's Hollow. O que eu
quis dizer com ele ir para casa, � que ele vai para a Toca." Ron disse e os outros
ficaram chocados.
Cap�tulo Quarenta e Cinco: Caminhos separados
Os tr�s adolescentes ficaram olhando Ron, tentando entender o que ele disse.
"Hum... desculpe, mas... o que diabos voc� est� falando?" Damien disse.
"A Toca � o lugar mais seguro. Harry vai ficar l� at� se recuperar. N�o vai demorar
mais que duas semanas. N�s podemos ajeitar tudo." Ron disse calmamente.
"Ronald, por favor, explique r�pido. Precisamos tirar o Harry daqui antes que eles
acordem." Hermione disse apontando para os tr�s Comensais inconscientes.
Ele rapidamente pegou Harry e preparou-se para aparatar. O ruivo n�o tinha nem
mesmo passado no teste, mas j� tinha aparatado v�rias vezes. Damien segurou em Ron
para os tr�s irem juntos, enquanto Hermione e Ginny foram juntas. Os cinco
apareceram na Toca.
Ao inv�s de correr para dentro, Ron pegou Harry e foi em dire��o � garagem.
"Ronald! O que voc� est� fazendo?" Ginny sibilou para o irm�o, que a ignorou.
Ron colocou Harry em umas das cama e virou-se em dire��o aos outros tr�s.
"Bem, como voc�s disseram, as op��es de Harry s�o limitadas agora. Ele n�o pode
mais viver no mundo trouxa, n�o antes de se recuperar, e o mundo bruxo ainda �
perigoso. A �nica op��o era ficar aqui ou em Godric�s Hollow. Se ele..." O ruivo
foi cortado por Hermione.
"Aqui! Voc� realmente acha que Harry deveria ficar aqui! Harry est� muito doente,
ele precisa de um lugar decente, n�o um barraco congelante no seu quintal!"
Hermione gritou.
"Ron, voc� n�o acha que � ariscado? E se Fred e George aparecem, ou se algu�m
aparece?" Damien perguntou infeliz por causa das condi��es do barrac�o.
"Ningu�m vai vir aqui. Mam�e e Fleur est�o literalmente ficando ao lado de Bill no
hospital. Mesmo que ele venha para casa, as duas v�o ficar atr�s. Papai est� sempre
trabalhando, Chalie j� voltou a trabalhar com os drag�es. Todos voc�s sabem que
Percy est� sempre ocupado com o trabalho e Fred e George est�o na loja de logros.
Eles t�m um apartamento na parte de cima da loja e estar�o se mudando logo. Os
g�meos estavam guardando as not�cias como surpresa para depois do casamento, sabem,
n�o queriam roubar a cena de Fleur. Eles contaram para mam�e ontem, j� que estar�o
na loja amanh�. Isso deixa apenas n�s. Al�m do que, podemos colocar feiti�os na
porta, assim ningu�m, sem ser a gente, poder� entrar." Ron disse.
"� que parece meio cruel deix�-lo aqui." Ginny disse ao olhar em volta. O quarto
era assustador e frio.
"N�o Ginny, seria cruel deix�-lo nas m�os dos adultos. O Sr. e Sra. Potter n�o
ser�o capazes de mant�-lo em segredo. Como Harry temia, Dumbledore o colocaria como
prisioneiro de sua pr�pria casa. Ele n�o vai deix�-lo ir embora. Sem esquecer Moody
e o resto da Ordem. Muitos gostariam de entregar Harry para o Minist�rio. Essa � a
melhor coisa que podemos fazer por ele. Acredite em mim." Ron disse para acalmar.
Ginny assentiu e olhou para Damien. O menino estava bem desconfort�vel, isso n�o
era bom. Qual seria a rea��o de Harry quando ele acordasse? O que ele diria ao
saber que viveria no quintal dos Weasleys? 'Definitivamente n�o vai ser uma boa
coisa' pensou consigo, enquanto ouvia os comandos de Ron para que todos fizessem
algo que ajudasse seu irm�o.
Nott, Reid e Kerr ficaram quietos diante de Voldemort. N�o importava o quanto eles
tentassem parar de tremer, nada ajudava. O medo que fluia estava afetando todos os
outros Comensais. Todos observavam o Lorde das Trevas com medo. Os tr�s tinham
acabado de explicar como perderam Harry de novo. Os idiotas disseram que o garoto
foi salvo por um grupo de adolescentes.
'Idiotas', Malfoy pensou consigo. Se fosse ele, nunca teria dito tal coisa para o
Lorde das Trevas com tanto detalhe.
Voldemort escutou os tr�s e logo depois apontou sua varinha para Kerr, lan�ando um
jato de luz verde contra o homem. Ele havia sido o mais quieto de todos e ficou em
p�, tremendo, o tempo inteiro. O corpo sem vida de Kerr caiu e automaticamente os
outros dois ajoelharam-se e come�aram a implorar por suas vidas.
Lorde Voldemort olhou para eles com seus olhos vermelhos e sem nenhuma d�. Ele
for�ou Nott a se levantar e perguntou com uma voz g�lida:
O Comensal engoliu em seco. Ele olhou para aqueles olhos vermelhos, que brilhavam
de raiva. Obviamente o homem tinha deixado de lado a parte em que torturara Harry.
A verdade foi que ele e seus comapnheiros estavam t�o atentos tortuarando o menino
que n�o perceberam a chegada dos adolescentes. Nott come�ou a suar. O que seu Lorde
faria se soubesse do tempo perdido, enquanto ele podia simplesmente ter aparatado
direto para a Mans�o Riddle? O Comensal tremeu involuntariamente.
O Lorde das Trevas podia dizer que o homem estava segurando alguma informa��o. Nott
n�o estava em seu c�rculo interno � toa. Ele era um Comensal eficiente, com muita
habilidade e discri��o. Portanto, para que tenha sido pego de guarda baixa por
meras crian�as... Era algo suspeito. Voldemort sabia que houve uma �nica vez em que
seu Comensal foi surpreendido por uma crian�a, e esse havia sido Harry, o que
tornava as coisas bem diferentes. Harry era poderoso, mesmo com sete anos. Esse
caso era mais complexo.
Os olhos vermelhos de Lorde Voldemort encararam Nott e sem nem mesmo dar chance
para que o homem se recuperasse de sua tremedeira, entrou na mente de seu Comensal.
N�o foi dif�cil encontrar a mem�ria, j� que o homem estava desesperado para
escond�-la. Voldemort sentiu seu cora��o apertar ao ver Nott atacando Harry, que
estava com uma apar�ncia extremamente doentia. O Lorde das Tervas sentiu algo bater
fundo ao ver seu filho doente. Por que ele estava assim? Ele nunca ficou doente!
Harry tinha muito poder para ficar nesse estado. Foi nesse momento que o Lorde das
Trevas percebeu que o garoto estava sofrendo por causa da transfer�ncia m�gica
feita para aquele pat�tico James Potter! Voldemort teve que segurar ao m�ximo sua
ira.
De qualquer modo sua paci�ncia esgotou ao ver Reid atacar Harry por tr�s, jog�-lo
no ch�o, violentamente, e depois chut�-lo. Nott disse algo sobre se vingar antes de
conjurar uma corda e prend�-la em volta do pesco�o do garoto. Voldemort nem mesmo
quis assistir mais, ele tinha uma boa id�ia do que aconteceria a seguir, mas tamb�m
queria saber como as crian�as atacaram seus Comensais.
O Lorde das Trevas sentiu sua f�ria borbulhar ao ver Harry sendo levitado no ar e
preso por aquela maldita corda. O garoto se revirou e tentou se soltar, mas suas
tentativas foram in�teis. Voldemort escutou os risos man�acos de seus Comensais,
que zumbiram em seu ouvido, quando os olhos de Harry rolaram e o moreno caiu no
ch�o.
Nott virou para ver quem tinha cancelado o feiti�os de levita��o e deu de cara com
os quatro adolescentes o encarando e com varinhas em punho. Um garoto ruivo lan�ou
um 'Estupefa�a' em dire��o � um surpreso Kerr, que caiu no ch�o imediatamente,
enquanto ao mesmo tempo, uma garota de cabelos castanhos armados dava uma pancada
em Reid com um tronco de �rvore levitado. Os dois Comensais ca�ram
instantaneamente. Nott lan�ou uma maldi��o em dire��o ao garoto moreno do grupo. O
feiti�o parou antes de ating�-lo e pareceu desaparecer no ar. O menino nem mesmo se
arrepiou ao ver o feiti�o sendo lan�ado. Ele mandou um 'Estupe�afa' para Nott e
conseguiu derrub�-lo.
Lorde Voldemort saiu da mem�ria e avan�ou em cima de Nott, que estava paralisado.
Por causa da estupidez de seus Comensais, Harry n�o foi capturado e trazido de
volta. Nott tinha se atrevido a ferir o garoto, sendo que ele deixou ordenado,
espec�ficamente, para apenas captur�-lo e n�o machuc�-lo.
"N�o! N�o! Meu Lorde, por favor, n�o me mate! Por favor, me perdoe. Eu n�o vou
fazer nada para chate�-lo novamente. Eu juro! Por favor, Meu Lorde, tenha piedade."
"Voc� deveria ter pensado em minha f�ria antes de levantar sua varinha para Harry.
Voc�, acima de todos, deveria saber que n�o tolero ningu�m o ferindo."
O jato de luz verde saiu da varinha de Voldemort e acertou Nott no peito. Os olhos
do Comensal escureceram e a luz vital os deixou para sempre. Todo mundo encarou o
corpo do homem.
O Lorde das Trevas olhou para o terceiro Comensal da Morte. Reid ajoelhou-se
imediatamente e come�ou a se desculpar. Quase n�o se entendia suas palavras, devido
� quantidade de solu�os entre elas.
Lorde Voldemort nem mesmo parecia o escutar. Ele derrubou o homem no ch�o, com um
giro de varinha e o matou tamb�m. Os corpos dos tr�s Comensais foram rapidamente
retirados de l�.
Voldemort n�o queria falar com ningu�m, ele passou por Bella, sem nem mesmo
perceb�-la. Sua mente estava nublada de preocupa��o, n�o por Harry, mas
estranhamente pelo outro 'garoto Potter'. Ele sentou em seu escrit�rio, pensando no
feiti�o que nem mesmo chegou a atingir o menino. O moreno de olhos avel� parecia
ser o mais novo do grupo, nem mesmo parecia ser poderoso. 'Bem, ele � o irm�o
sang�ineo de Harry...' pensou consigo. Voldemort balan�ou a cabe�a, clareando-a.
Harry apenas era poderoso por sua causa, porque ele o fez ser descendente de
Slytherin, sendo assim o garoto possuia duas linhas ancestrais poderosas. Essa era
a raz�o de seu poder. N�o tinha nada haver com ser um Potter. N�o! O menino tinha
que ter algo o protegendo. Mas o que poderia ser? E como poderia ser t�o poderoso?
O menino sabia que n�o podia ser atingido, pois nem mesmo se arrepiou ou reagiu.
Lorde Voldemort suspirou e massageou suas t�mporas, ele estava ficando com dor de
cabe�a e prometeu a si mesmo que chegaria ao fim desse mist�rio. Voldemort sabia
que Harry estava envolvido. Ele sabia.
Harry acordou com uma grande dor de cabe�a e ao abrir os olhos, olhou em volta de
si. Novamente acordou sozinho. Dessa vez, por�m, ele n�o reconheceu aonde estava. O
garoto entrou em p�nico e tentou pular da cama. Seu corpo cansado protestou, por
causa do movimento r�pido e Harry acabou deitando de novo. Os olhos esmeralda dele
arregalaram-se e tentaram observar tudo o que acontecia no quarto.
Ele olhou para a cama em que estava deitado. Havia uma similar ao seu lado. Harry
n�o estava sentindo frio, mas um arrepio perpassava por ele. Ser� que os Comensais
o trouxeram pra c�? N�o, eles definitivamente foram atacados. Harry lembrava ter
sentido o ch�o tremer e de ter visto corpos caindo. Ele lembrava do rosto
preocupado de Damien, que viu antes de desmaiar.
De repente, a pessoa em que pensaba abriu a porta e entrou no c�modo. Harry o olhou
e viu que seu irm�o parecia cansado e muito procupado. Viu que os olhos avel� do
menino se arregalaram de surpresa e al�vio. Damien correu at� ele.
Ele chegou perto para sentir a temperatura da testa de Harry, com o intuito de
verificar sua febre, mas o garoto se afastou. Damien ficou chocado com a rea��o,
mas antes que pudesse perguntar algo, Harry falou primeiro.
"Onde estou?" Perguntou com uma voz baixa, mas o tom de raiva ficou claro. Damien
decidiu ignorar a rea��o, por agora.
"N�s n�o sab�amos para onde levar voc�. N�s n�o pod�amos ficar no mundo trouxa,
portanto trouxemos voc� pra c�. �... � a Toca. Voc� est� nos Weasleys." Damien
disse, esperando que seu irm�o n�o entrasse em p�nico.
"Na... na Toca." Damien repetiu, querendo que algu�m estivesse com ele.
Harry sentiu suas pernas tremerem um pouco quando ficou em p� sem apoiar na cama.
Ele deu um passo em dire��o � Damien, mas parou ao v�-lo andar para tr�s com medo.
O moreno mais velho fechou os olhos e tentou se acalmar.
"Harry, o que h� de errado? Por que voc� est� t�o bravo?" Damien perguntou.
Damien ficou parado quieto, deixando que seu irm�o gritasse. O quarto estava
envolvido por um feiti�o 'Silencio', portanto ningu�m ouviria. Harry respirou fundo
para se acalmar.
"Damien, me conte a verdade. Voc� quer que eu seja pego?" O garoto perguntou o mais
calmo que podia.
"N�o!" Damien respondeu, chocado por seu irm�o dizer algo como aquilo.
"Harry, eu... eu n�o tive escolha. N�s n�o sab�amos o que fazer, os Comensais da
Morte sabem sobre voc� no Mundo Trouxa! N�s n�o..." Damien foi cortado pelo irm�o.
"Por que voc� n�o tentou adivinhar como eles me acharam? Vamos l�, Damien, tente
descobrir. Vamos, tente!" Harry vociferou.
O moreno sabia que n�o era culpa de Damien, mas estava com uma grande dor de
cabe�a. Uma que dava pontadas. Sua garganta estava dolorida por causa daquele
est�pido do Nott e ainda por cima, estava no quintal dos Weasleys!
"Por que voc� est� me culpando? Eu n�o contei � ningu�m sobre voc�." Damien disse
com uma voz chorosa.
"Voc� n�o tinha que dizer nada. Eles te seguiram! Eles te seguiram por tr�s dias
sem voc� nem perceber. Uma coisa � n�o perceber seus tr�s amigos te seguindo, mas
n�o perceber tr�s homens vestidos de preto te seguindo por tr�s dias? Como voc� n�o
percebe um neg�cio desses?"
Harry come�ou a sentir seu peito doer, sua vis�o manchar e ele instintivamente se
apoiou na cama. Sentou-se e respirou fundo.
"Eu... eu n�o sei o que dizer. Desculpe. Eu nem sei como eles conseguiram me
seguir. Eu fui t�o cuidadoso, eu... eu, Harry, por favor, me perdoe. Eu realmente
sinto muito." Damien disse ao se ajoelhar e encarar o irm�o.
"Desculpas n�o significam nada. O que voc� acha que teria acontecido se eu fosse
levado embora? Eu teria minha mem�ria removida e voltaria a ser um cachorrinho
adestrado! E a primeira coisa que Voldemort faria, era me mandar para mat�-lo!"
Harry observou os olhos cheios de l�grimas de seu irm�o e percebeu que tinha que
desviar o olhar de novo.
"Esque�a, Damien. A culpa � minha. Eu achei que voc� seria discreto, mas estava
pedindo muito. Apenas saia!"
Damien tentou falar com o irm�o, mas ele se recusava a responder. Logo o
adolescente, em l�grimas, desisitiu e foi embora. Harry teria ido tamb�m, se pudese
ficar em p�.
Damien correu de volta para a Toca e contou aos outros o que seu irm�o tinha dito.
"Isso foi um desprop�sito dele! N�o foi sua culpa. Como voc� iria saber que algu�m
o seguia? Eu vou falar com ele." Ginny disse depois de escutar sobre a conversa.
"N�o, Gin. Deixe de lado. Harry tem raz�o. Eu estraguei tudo. Ele poderia ter sido
capturado e levado de volta e a culpa � toda minha." Damien disse triste.
"Apenas me fa�a um favor. Leve isso para ele." O moreno de olhos avel� disse e
entregou � ela a varinha de Harry. Damien tinha voltado � Taverna e fechado a conta
de seu irm�o. Ele tamb�m pegou os pertences do moreno.
Ginny pegou a varinha e olhou para o amigo com compaix�o. Hermione se aproximou e
abra�ou, apertado, o menino.
"Ele est� apenas bravo agora. D� tempo � ele, Damy. Harry vai pensar melhor e
perceber que voc� n�o quis que isso acontecesse."
Ginny e Hermione foram levar comida para Harry e assim que entraram no quarto,
viram que ele dormia profundamente. A ruiva colocou o prato de comida pr�ximo �
cama e fez um feit�o para manter a temperatura. Hermione ficou na porta esperando
pela amiga.
Ginny estava chateada por Damien, mas ao mesmo tempo n�o conseguia ficar zangada
com Harry. O garoto tinha acabado de passar por 'maus bocados' nas m�os daqueles
Comensais. Ela viu o hematoma enorme no pesco�o do moreno e instintivamente esticou
a m�o para tocar. Uma onda de raiva pepassou-a, quando lembrou sobre os atos dos
Comensais.
Ginny e Hermione n�o foram checar Harry at� a manh� seguinte. Mesmo com os quatro
adolescentes tentando se desculpar, o garoto n�o respondia. Ap�s sua conversa com
Damien, ele n�o queria falar com mais ningu�m.
Os dias passaram e Harry estava se recuperando devagar. Ele comia qualquer coisa
que lhe traziam e tomava todos os rem�dios que Hermione lhe dava. A �nica pessoa
para quem ele respondia alguma coisa era Ginny e mesmo assim, sempre monossil�bico.
Ron estava certo. Ningu�m veio investigar o quartinho da garagem. Molly e Fleur
ainda estavam com Bill, que se recuperava. Fred e George vinham de vez em quando,
mas sempre corriam de volta para a loja no Beco Diagonal. Percy e Arthur estavam
sempre exaustos quando chegavam em casa, ent�o nunca percebiam o tempo que os
adolescentes passavam no barrac�o.
Depois de dez dias, Harry estava totalmente recuperado. Suas reservas m�gicas
estavam cheias e, mesmo que n�o admitisse em voz alta, os quatro adolescentes
tinham tomado conta dele muito bem. Seu quartinho era bem confort�vel, mas, mesmo
assim, o garoto estava feliz com o final de tudo aquilo.
"Pra onde voc� vai agora? Voc� deveria esperar alguns dias antes de ir. Voc� n�o
parece estar totalmente curado." Hermione disse preocupada.
"Vamos l�, Harry companheiro! N�s todos dissemos que sentimos muito, o que mais
voc� quer de n�s?" Ron disse com um toque de irrita��o na voz.
"Eu n�o quero nada de voc�s. Eu nunca quis. Voc�s que insistiram em me ajudar. Eu
disse que isso poderia me comprometer... com todos os nossos encontros. Agora
aconteceu. Eu n�o vou arriscar de novo. Est� acabado! Voc�s n�o v�o mais me
ajudar." Harry disse com um tom de voz final.
As duas garotas ficaram sem palavras. Elas sabiam que o moreno estava bravo, mas
n�o achavam que ele os deixaria de canto desse jeito. Especialmete depois de
arriscarem tanto. Sem mencionar as duas �ltimas semanas, aonde eles o ajudaram a
voltar a ficar saud�vel. Antes que algu�m dissesse algo, Ron falou com Harry:
"Ent�o � assim! Voc� diz que acabou e de repente acabou! Voc� acha que depois de
nos envolvermos tanto, todos n�s vamos ficar de lado s� porque voc� mandou? Voc�
pode fazer o que quiser, Harry. Voc� pode falar o que quiser! N�s come�amos isso e
n�o vamos ficar de lado at� que a �ltima Horcrux seja destru�da!"
Suas palavras ecoaram pelas paredes do pequeno quarto. Por um momento ningu�m falou
nada. Damien estava segurando sua respira��o, esperando Harry reagir. O moreno de
olhos esmeralda passou por Ron e silenciosamente dirigiu-se � porta.
"Fa�a o que quiser, apenas n�o fique em meu caminho." Harry disse para o ruivo,
antes de abrir a porta e se afastar dos adolescentes que o ajudaram mais do que
qualquer outra pessoa.
Aonde Harry tinha ido e como ele conseguiu ficar escondido dos Comensais da Morte,
ningu�m sabia. Ron, Hermione, Ginny e Damien ocuparam suas mentes em procurar por
poss�veis Horcruxes. O moreno de olhos avel� passava o m�ximo de tempo, que podia
na Toca. Quanto mais eles pesquisavam, menos tempo ele tinha para sentir falta de
seu irm�o. Damien sabia que Harry faria contato novamente. Ele se acalmaria e
eventualmente o perdoaria.
Foi s� na quarta semana, desde que Harry saiu da Toca, que os adolescentes
finalmente conseguiram uma pista sobre a pr�xima Horcrux. Havia um recorte de
jornal do Profeta Di�rio que avisava sobre a abertura de uma exibi��o na Galeria de
Artefatos M�gicos e Famosas Obras Primas.
O objeto que provavelmente era o mais caro na Galeria inteira, sem d�vidas, era uma
Horcrux. Uma Pena Dourada, que tinha cinco vezes mais o tamanho de uma normal.
Pertenceu � Rowena Ravenclaw.
"Mas, eu n�o entendo. Isso n�o � perigoso? Digo, para V-Voldemort. Qualquer um
poderia roubar o objeto. Eu n�o entendo porqu� ele n�o o est� protegendo." Ginny
disse, pensando alto.
"� como a Ta�a. Ele coloca suas Horcrux em lugares bem protegidos de prop�sito. E
se algu�m consegue roubar, provavelmente n�o ir� querer destruir, j� que � um
Artefato precioso. Essa Pena n�o vai ficar ali parada, pronta para algu�m pegar. A
Galeria tem seus pr�prios feiti�os de prote��o, assim como os feiti�os de prote��o
de Voldemort." Hermione explicou.
"Ent�o, o que vamos fazer? Falamos para a Ordem, ou vamos fazer isso por n�s
mesmos?" Damien perguntou.
Os adolescentes se olharam e decidiram sem palavras que iriam resolver isso eles
mesmos. Se falhassem, poderiam colocar um sinal que evidenciasse, para a Ordem, o
Artefato como uma poss�vel Horcrux.
"Combinado."
A Galeria de Artefatos M�gicos e Famosas Obras Primas estava lotada com bruxas e
bruxos de todas as idades. Havia crian�as pequenas, loucas para provar os joguinhos
m�gicos no terceiro andar, enquanto algumas crian�as mais velhas estavam ocupadas
observando as v�rias armas usadas atrav�s dos anos. Os adultos tinham v�rios
objetos para se manterem ocupados tamb�m. Geralmente a Galeria tinha coisas que
agradava todas as idades.
Ron, Hermione, Ginny e Damien entraram felizmente e passaram alguns minutos olhando
em volta espantados. Era um pr�dio magn�fico. Com vidro rodeando o local e alguns
pilares. Ron estava olhando as j�ias que ficavam intrincadas na parede, decorando-
as como se fossem uma borda.
Logo, eles come�aram a prestar aten��o na tarefa que tinham a fazer. A Pena
Dourada, n�o foi dif�cil de achar. S�rio. J� que estava no meio da Galeria, no
primeiro andar. Era, provavelmente, o objeto mais bonito que os adolescentes j�
tinham visto antes. Era feita de ouro puro e rumores diziam, que sua tinta tamb�m
era de ouro. Estava dentro de uma redoma de vidro.
Os guardas fizeram sua �ltima ronda antes de trancar a Galeria. Era sempre o mesmo
procedimento. Pessoalmente, os guardas nem mesmo entendiam como algu�m se
arriscaria a roubar algo de dentro da Galeria. Era imposs�vel escapar, devido �
quantidade de feiti�os. Finalmente, a �ltima prote��o foi colocada e os guardas
trancaram os port�es para irem para casa.
Damien pegou uma vers�o, encolhida, de sua vassoura Nimbus e em momentos a fez
ficar com seu tamanho normal. Ele montou na vassoura e lan�ou um sorriso maroto
para os outros, quando saiu 'zoonindo' pelo ar. O menino foi at� o teto e
cuidadosamente foi at� a parte de vidro. A multid�o de luzes vermelhas e verdes,
saiam de dentro de uma caixa de controle que ficava em uma pequena plataforma.
Damien foi bem cuidadoso para n�o deixar que as luzes o tocassem, de outro modo, os
alarmes iriam disparar e eles ficariam com muitos problemas.
Damien finalmente chegou pr�ximo da caixa de controle. Ele viu que havia um pequeno
buraco para mudar o status on/off. O menino sabia que havia apenas uma varinha que
serviria ali, sendo assim, ele tinha que descobrir outro modo para desligar o
sensor. Damien respirou fundo, abriu a caixa e cuidadosamente colocou um tubo
pl�stico no buraco. O pl�stico come�ou a mexer e logo acomodou-se no buraco. Ele,
ent�o, colocou sua varinha ali e virou-a para a direita. As luzes desligaram
instantaneamente. O menino sorriu consigo e fechou a caixa.
O tubo pl�stico nada mais era que um novo produto inventado por Fred e George. Era
chamado, simplesmente, de 'a chave'. Era um produto revolucion�rio que garantia a
abertura de qualquer porta. O objeto entrava em qualquer fechadura mudando o
formato, assim qualquer chave, ou nesse caso, varinha, pudia ser usada. O �nico
problema era que o pl�stico era t�o �cido que provavelmente danificaria a fechadura
depois da primeira utiliza��o. 'Alguma coisa que ainda estamos aperfei�oando',
disse Fred, quando Damien perguntou. O menino tinha pego o tubo, caso precisassem.
Ele rapidamente removeu o res�duo do material derretido de dentro do buraco, assim
os g�meos n�o seriam culpados por algo que n�o fizeram. Se os Aurores checassem a
caixa de controle, por alguma trapa�a, eles n�o achariam nenhuma pista.
Damien desceu para se juntar ao resto. Os quatro rapidamente foram at� a Pena
Dourada. O mais r�pido que sa�ssem de l�, melhor.
Harry sentiu seus p�s baterem no ch�o, quando caiu em cima do telhado. Ele ficou
com as costas retas e escutou atento, para qualquer som que o alertasse sobre os
guardas e n�o ouviu nada, a n�o ser sua respira��o. O garoto rapidamente correu at�
a porta que ficava no final do telhado. A parte de vidro estava no meio, assim ele
teve que desviar pelas pontas. O moreno teve que pular de sua vassoura para cair na
ponta do telhado. Harry correu at� a porta para abr�-la e desligar os alarmes.
O garoto ouviu o click da porta abrindo e desceu correndo �s escadas. Ele j� tinha
visitado a Galeria esta tarde, sob um disfarce e tinha visto a localiza��o da Pena.
Tudo o que tinha que saber agora era como desativar os feiti�os e pegar o Artefato
rapidamente, antes que os guardas viessem fazer sua ronda. Havia muitos e muitos
feiti�os que Harry desativou para chegar no primeiro andar.
Assim que o garoto chegou no andar desejado, ele soube que n�o estava sozinho. O
moreno conseguia escutar os adolescebres sussurrando e instruindo uns aos outros.
Harry chegou ao local, bem no momento em que Damien voltou ao ch�o. Ele tentou
ficar irritado por causa da estupidez dos quatro. Por que eles n�o tinham largado
tudo de m�o? Os adolescentes foram resolutos na hora de se envolverem.
O garoto viu os amigos de Damien darem tapinhas em suas costas como sinal de
'parab�ns'. Harry rolou os olhos. Seu irm�o tinha desativado um dos feiti�os
protetores, ainda existiam muitos outros. Ele rapidamente foi at� a redoma de vidro
que continha a Pena.
Harry foi cuidadoso para n�o encostar em algum alarme escondido na parede. As j�ias
que geralmente as pessoas admiravam, eram na verdade alarmes sens�veis. Se algu�m
tocasse as paredes, quando a Galeria estava supostamente fechada, ent�o, os alarmes
disparariam direto para os Aurores. Harry esperava que ningu�m tivesse tocado nas
paredes, ou at� mesmo encostado.
O garoto parou h� alguns passos atr�s dos adolescentes. Eles estavam olhando a
redoma de vidro e tentavam descobirir como remov�-la.
"N�o, isso provavelmente dispararia o alarme. Creio que seria melhor cortar o vidro
de algum jeito." Hermione opinou.
"Como podemos fazer isso? Creio que a id�ia de Ron � melhor." Damien replicou.
"Por que voc�s n�o quebram? Isso faria o trabalho!" Disse uma voz sarc�stica.
Os quatro viraram quando ouviram a voz. Eles n�o esperavam ver Harry parado ali.
"Apenas pensei em dar uma voltinha noturna na Galeria. O que diabos voc� acha que
eu estou fazendo aqui?" Harry vociferou.
"A pergunta deveria ser... O que diabos voc�s est�o fazendo aqui?" Harry disse �
Ron.
"� �bvio que descobrimos sobre a Horcrux. Sendo assim, viemos destru�-la." O ruivo
disse confiante.
Harry levantou uma sobrancelha.
"Hey, n�s chegamos at� aqui. N�s vamos descobrir um jeito de destruir isso."
Hermione disse.
"Olha s�... Voc�s n�o t�m id�ia de onde est�o entrando. A Pena n�o ficaria a�
parada, pronta para qualquer um pegar! Est� protegida por meios que voc�s n�o
poder�o lidar. Portanto, seria melhor que voc�s fossem embora, antes que saiam
machucados."
"Isso � uma amea�a?" Ron perguntou, sem realmente saber o que faria se fosse uma
amea�a.
"Soa como uma?" Harry vociferou. Honestamente, por que eles eram t�o tapados?
"Olha, eu n�o acho que � certo que voc� venha aqui e nos mande ir embora. N�s
viemos at� aqui, tenho certeza que poderemos fazer o resto." Ginny adicionou.
Damien ficou quieto. Ele n�o queria discutir com seu irm�o. J� fazia muito tempo
desde a �ltima vez em que se viram.
"N�o podemos apenas fazernos isso juntos?" Damien disse com uma voz baixa. Todos
viraram para ele. Os olhos esmeralda de Harry encaram os avel�s e o garoto viu
m�goa ali.
"Eu j� te disse antes, isso n�o � um projeto escolar! Voc�s podem se machucar feio.
Agora, saiam do meu caminho, antes que eu os tire." Harry disse empunhando sua
varinha.
Harry realmente n�o queria levantar sua varinha contra os adolescentes. Eles o
tinham ajudado, quando ficara doente, mas ele tamb�m n�o podia arriscar que os
alarmes fossem disparados e assim, arriscar a perda de uma Horcrux.
Assim que o moreno pegou sua varinha, Ron reagiu do pior jeito poss�vel. O ruivo
apontou a sua para Harry, enquanto gritava.
"Isso � t�pico de voc�! Se n�o pode ser do seu jeito, voc� tenta � for�a. N�s todos
fizemos o trabalho pesado e seremos os �nicos a destruir a Horcrux! Voldemort
machucou outros tamb�m, n�o foi apenas voc�! Ele � o respons�vel por ferir meu
irm�o! Eu tenho todo o direito de destruir isso."
Antes que qualquer um pudesse parar Ron, o garoto virou e lan�ou um feiti�o no
vidro.
"N�O!" Gritou Harry, mas j� era tarde. Ron j� tinha destru�do o vidro e pego a Pena
Dourada.
Ron segurou a Pena em sua m�o e olhou triunfante para Harry e os outros.
"Viu Harry! N�o foi t�o dif�cil..." Ron n�o conseguiu terminar sua frase, j� que um
terr�vel som encheu o Hall.
Todos, exceto Harry, pularam quando ouviram o barulho. Eles olharam e viram v�rias
sombras os sobrevoando. Ginny gritou ao v�-los caindo no ch�o. Dentro de alguns
minutos o sal�o inteiro encheu de figuras estranhas. Eles estavam vestidos de preto
e tinham espadas nas m�os, ou era o que parecia. Os quatro adolescentes viram que
as espadas estavam ligdas aos seus punhos. Eles n�o tinham m�os! O corpo inteiro
era coberto por vestes negras. Mesmo suas faces estavam cobertas. Eles pareciam
humanos, mas o jeito em que andavam, assustava muito os adolescentes e mostrava que
de fato, eles n�o pertenciam � essa classifica��o. Os estranhos tinham um jeito
mec�nico de andar.
Os quatro come�aram a se afastar das criaturas. Sem nem mesmo perceber, esconderam-
se atr�s de Harry, que era o �nico a n�o estar surpreso.
"Que Diabos! O que s�o essas coisas?" Ron perguntou, enquanto apertava a Pena
contra si mesmo.
"S�o chamados de Korakilees. Eles est�o aqui � ordens de Voldemort, para proteger a
Horcrux. S�o criaturas criadas por ele." Harry disse calmamente.
"N�s n�o podemos. Se voc� quiser lutar contra, v� em frente." O moreno disse
acidamente.
"Harry! Voc� n�o vai nos deixar, vai?" Ginny perguntou, segurando em Damien em
busca de suporte.
"Voc�s conseguiram chegar at� aqui sem mim, ent�o porque n�o sair tamb�m. Eu vou
pegar a Pena assim que os Korakilees acabarem com voc�s." O garoto disse secamente.
"Pare, Harry. Voc� n�o vai nos deixar assim. Pare de fazer amea�as. Voc� pode lutar
contra essas coisas, n�o pode?" Damien perguntou imediatamente.
Harry olhou seu irm�o e sorriu maliciosamente. Ele n�o planejava em deix�-los lidar
com os Korakilees. A verdade era que mesmo o garoto n�o sabia se podia derrot�-los.
"Eu n�o posso lutar contra eles, Damy. Esses seres foram feitos por Voldemort. Eles
n�o podem ser mortos, j� que n�o est�o vivos." O moreno de olhos verdes disse
sincero.
"Eles n�o v�o deix�-lo vivo se pegarem a Pena. Al�m do mais, n�o h� nada nesse
mundo que me fa�a devolver essa Horcrux. A Pena seria levada de volta para
Voldemort e ent�o ningu�m a conseguira recapturar." Harry disse.
"Quando eu disser agora, comecem a lan�ar 'Reductos'. Tentem acertar no elmo deles.
Levantem seus escudos." Harry sussurrou para os quatro.
Eles fizeram como mandado e levantaram suas varinhas, mesmo que suas m�os
tremessem, os adolescentes miraram os seres. O moreno de olhos esmeralda apontou
para o Korakilee mais pr�ximo. 'Isso tem que funcionar' pensou o garoto. Se tudo
desse certo, as criaturas diminu�riam o ritmo, o suficiente, para que eles
escapassem.
"Como eles podem nos ver?" A garota gritou ao lan�ar outro reducto no Korakilee.
"Eles n�o podem! Eles apenas sentem o objeto que supostamente tem que proteger."
Harry gritou, enquanto estava no meio de uma luta com tr�s Korakilees.
"Isso siginifica que eles apenas sentem a Pena? Eles n�o nos sentem?" Damien
perguntou ao lan�ar duas maldi��es, simult�neas, em dire��o � dois Korakilees,
enquanto protegia ele mesmo com um escudo.
"N�o! Eles podem sentir os seres vivos que est�o � sua volta." Harry gritou ao
chutar um Korakilee na cabe�a, enquanto lan�ava uma maldi��o em outro.
"Precisamos sair daqui! N�s n�o podemos continuar assim." Ginny gritou e agarrou
Damien para jog�-lo ao ch�o, evitando assim, que o amigo fosse atingido por uma das
criaturas.
"CORRAM!"
O moreno segurou Ginny e Damien e levantou seu escudo. A bolha azul os protegia dos
Korakilees. As espadas dos seres atacavam com ferocidade, mas o escudo os repelia.
"Aguentem firme!" Harry gritou para Ron e Hermione. Os dois correram em dire��o ao
escudo, o mais pr�ximo poss�vel. A prote��o n�o seria capaz de cobrir os cinco, mal
dava para os tr�s que j� estavam l� dentro.
Os tr�s guardas come�aram a lutar contra alguns Korakilees, mas estavam perdidos.
N�o sabiam o que fazer para derrot�-los. Assim que os cinco chegaram na porta, Ron
gritou para os homens.
Os guardas ficaram felizes em concordar com Ron e assim que os cinco sa�ram, os
tr�s jogaram-se para fora e fecharam as portas. Eles ficaram, um bom tempo,
respirando fundo. Os quatro n�o consegiuiam acreditar que tinham sobrevivido, n�o
tinham nem mesmo um arranh�o.
"O que diabos eram aquelas coisas? N�o eram nem humanos! O que voc�s faziam l�
dentro?" Um dos guardas perguntou, enquanto respirava fundo.
"Voc�! Voc� � ele! O- O Pr�ncipe Negro." Gaguejou o homem ao pegar sua varinha e
apontar para o garoto.
"Voc� entendeu errado! Harry mudou! Ele n�o est� mais com ele." Damien tentou
explicar, mas os guardas, que estavam espantados, apontavam suas varinhas mesmo
assim.
"Saiam do caminho crian�as est�pidas! Voc�s n�o sabem do que ele � capaz!" Um deles
gritou, enquanto tentava mirar o moreno de olhos esmeralda.
Os tr�s ainda apontavam suas varinhas, mas nenhum deles parecia que realmente
atacaria.
"Eu realmente queria que houvesse outro jeito, mas infelizmente n�o h�." Harry
disse.
Antes que algu�m pudesse reagir, o garoto desceu seus punhos contra a face do
guarda, jogando-o ao ch�o. Os outros lan�aram duas maldi��es, mas erraram, j� que
Harry saiu do caminho. Dentro de alguns minutos, o moreno derrubou os homens. Os
adolescentes ficaram calados ao seu lado, assistindo amedrontados, enquanto Harry
apontava sua varinha para os tr�s.
Todos j� tinham visto o moreno matar o Comensal quando o Expresso de Hogwarts foi
atacado. Eles sabiam que o garoto podia matar os guardas agora. Por�m esperavam que
isso n�o acontecesse. Esses homens n�o eram uma amea�a. Harry parecia estar
pensando sobre sua decis�o � respeito deles. Eles viram os quatro com ele e com
certeza falariam para os Aurores.
O garoto apontou sua varinha para o primeiro, sibilou 'Obliviate' e fez o mesmo com
os outros dois. Harry n�o quis olhar para ningu�m, ele apenas se virou e saiu
andando. Os tr�s homens ficaram no ch�o com uma express�o sonhadora e se afastaram
da Galeria. Aparentemente estavam indo para suas casas.
"Bem, poderia ter sido bem pior." Ron disse ao pegar a Pena e olh�-la com
admira��o. Todos eles sa�ram correndo atr�s de Harry.
"Voc� tinha que perguntar!" Harry disse � Ginny antes que todos sa�ssem correndo
para a estrada, o mais longe poss�vel das criaturas.
Eles correram at� que perceberam estar no Mundo Trouxa. A Galeria foi deixada para
tr�s, mas os Korakilees ainda os seguiam. N�o tinha jeito. As criaturas logo os
cercaram de novo, elas se moviam t�o r�pido! Parecia que tinham aparatado.
"Oh Deus! O que faremos agora?" Hermione gritou ao olhar em voltar e ver que estava
cercada.
Harry viu um carro trouxa estacionado ali perto e sabia que provavelmete aquilo era
a �nica chance de sobreviverem.
"R�pido, entrem no carro." O moreno gritou, enquanto corria at� l� e usava sua
varinha para abrir as portas, assim os cinco podiam se jogar l� dentro.
Harry jogou seu p� em cima do acelerador e o carro saiu deslizando. Ele observou os
Korakilees correrem para alcan�arem. Alguns conseguiram segurar no ve�culo e
tentavam entrar. Damien abaixou bem � tempo. A janela acabara de ser estilha�ada.
Uma das criaturas, a quebrou e tentava pegar Damien para acert�-lo com sua espada.
Hermione lan�ou um Reducto e conseguiu afastar o Korakilee de perto. A janela ao
lado de Harry foi quebrada tamb�m e o garoto sentiu o vidro caindo. Imediatamente o
moreno colocou sua m�o para fora e esmagou o elmo do ser. O Korakilee caiu do
carro. Harry foi at� o limite, que o ve�culo possu�a e tentou lutar contra as
criaturas, que subiam no carro, enquanto dirigia.
"Eu n�o aprendi." O garoto respondeu ao fazer uma curva que fez com que todos
ca�ssem.
"ABAIXEM-SE!" Harry gritou, bem na hora que o carro foi amassado e uma espada
apareceu, quase acertando a cabe�a de Ron. O moreno virou o carro violentamente,
tentando fazer a criatura cair.
A espada foi retirada brutalmete e enfiada de novo, mas dessa vez foi na parte de
tr�s do carro e Damien e as meninas tiveram que se encolher no ch�o para evitar o
golpe.
"Ron! Assuma o controle." Harry gritou, ao transformar sua varinha em uma espada e
come�ar a subir no teto do ve�culo em movimento.
Ron observou o moreno desaparecer pela janela, indo em dire��o ao teto do carro.
Ele pulou para o banco do motorista e continou com a mesma velocidade. O ruivo
tentou n�o fazer o ve�culo tremer muito, j� que n�o queria que Harry ca�sse. Na
velocidadde em que estavam, Ron nem mesmo queria pensar o que aconteceria.
O ruivo n�o disse nada, mas soltou um barulhinho ao ver a cena � sua frente. Havia
uma massa de figuras negras, bloqueando o caminho. Os Korakilees estavam se
juntando e formando uma barreira. N�o tinha jeito do carro passar por todos eles.
Havia no m�nimo uns cem deles!
"Harry�" Ron disse com medo. Hermione, Ginny e Damien estavam observando a cena �
sua frente. Ningu�m disse nada, provavelmente por causa do medo. O carro bateria
naquela massa de Korakilees e seria coberto pelas criaturas.
"Continue dirigindo." Harry disse com uma voz sem medo, mas com determina��o.
Harry pegou a Pena e se concentrou. O Artefato era a raz�o para essas coisas os
estarem seguindo, se ele n�o existisse, n�o haveria raz�o para atacar. Os
Korakilees n�o entendiam vingan�a ou medo, eles foram criados para proteger. Apenas
isso. Quando os objetos que precisavam de prote��o eram destr�dos, eles passavam �
n�o existir. Assim Harry esperava.
O moreno bloqueou todo mundo de sua mente. Ele olhou para o objeto e concentrou no
que ele verdadeiramente era. Aquilo era Voldemort. Uma parte dele. O mesmo
Voldemort que destruiu sua vida. A mesma pessoa que mentiu, trapaceou e o traiu.
Harry pensou em todas as coisas horr�veis que Voldemort fez � ele. Ele sentiu a
familiar temperatura da ira borbulhando dentro de si. O garoto pensou na imagem de
James o jogando para cima e o pegando, quando beb�. Pensou nos pequenos beijos que
lhe foram dados naquela idade. Aquela imagem mudou para uma de quando tinha tr�s
anos e James o jogava no ch�o, antes de bater nele com um cinto. Harry conseguia
quase sentir os machucados. 'Tudo Voldemort, foi tudo Voldemort' o moreno pensou
consigo.
Os olhos de Harry ficaram negros e imediatamente a Pena Dourada pegou fogo bem em
frente aos adolescentes. A Pena sumiu em um monte de poeira. Foi bem nesse momento
que o carro bateu no bloqueio feito pelos Korakilees. O ve�culo foi atingido por
diversas espadas, mas nessa hora, a Horcrux foi destru�da e as criaturas
desapareceram em uma n�vem negra. O carro passou pelos seres e os adolescentes
assistiram os Korakilees desaparecendo.
Ron suspirou aliviado. Ele tinha obedecido Harry sem realmente saber por qu�. Tinha
confiado nele e o resultado foi a salva��o de todos. O ruivo passou com o carro por
cima dos Korakilees sem saber por qu�. Harry os derrotaria. Ele olhou para o garoto
exausto ao seu lado e sabia que sem ele, todos n�o teriam a m�nima chance de
sobreviver.
'De agora em diante, apenas deixe Harry lidar com as Horcruxes' Ron pensou consigo.
Ele estava feliz em apenas ajud�-lo. Enquanto ele ajudasse, tudo estava perfeito.
O ruivo assentiu com a cabe�a e ficou dirigindo sem rumo. Seguindo apenas o caminho
da estrada.
Cap�tulo Quarenta e Sete: A Horcrux de Gryffindor
Era comum, na situa��o atual, que Lorde Voldemort recebesse m�s not�cias � cada
reuni�o. Toda vez que ele parava em frente a seus Comensais, eles o informavam
sobre algo de errado. A guerra estava saindo fora de suas m�os. Para qualquer lugar
que os Comensais da Morte fossem, acontecia caos e trag�dia. Os Aurores estavam
prontos para peg�-los, prontos para armar uma armadilha. A maioria de seus novos
recrutas, j� tinham sido capturados e mandados para Azkaban.
Voldemort sentou com seus olhos fechados, tentando tirar a �ltima reuni�o de sua
cabe�a. Dois de seus Comensais vieram correndo contar que a Galeria de Artefatos
M�gicos e Famosas Obras de Arte tinha sido roubada e o �nico �tem levado foi a Pena
Dourada. N�o havia necessidade de dizer que Lorde Voldemort matara os dois para
extravasar sua ira. Ele sabia que seus Korakilees n�o deixariam o respons�vel em
paz. Se a Pena n�o fosse recuperada, significaria apenas uma coisa. Sua Horcruz foi
destru�da!
O Lorde das Trevas sabia que a �nica pessoa que conseguiria lutar contra os
Korakilees e destruir sua Horcrux era seu pr�prio Harry. Voldemort n�o segurou sua
raiva dessa vez. Ele deixou o sentimento o invadir. Harry destruira outra de suas
Horcruxes. Agora eram duas. O Pingente de Slytherin e a Pena de Ravenclaw. Seria
esse os planos do garoto? Ele saiu de casa para destru�-las! De algum modo Lorde
Voldemort n�o queria acreditar nisso. Ele tinha certeza de que o garoto voltaria
para casa. Quando percebesse que n�o pertencia � mais ningu�m, ele n�o teria outra
chance a n�o ser voltar.
Mas agora, Voldemort era for�ado a aceitar que Harry havia declarado guerra contra
ele. O bruxo tinha mandado seus Comensais embora, com ordens de trazer o garoto de
volta. Se eles falhassem, o Lorde das Trevas lhes prometeu mortes horrendas.
Assim que ele sentou em sua c�mara, pensando profundamente em como lidar com o
moreno, uma batida leve o interrompeu. Olhando para cima, Voldemort abriu a porta
com um feiti�o sem sua varinha e viu uma fugura tremendo cair aos seus p�s.
Voldemort reconheceu o homem. Ele era um seguidor devotado e era respons�vel por
muitas coisas. Usualmente tinha que mant�r os seus tesouros � salvo. O Lorde das
Trevas possuia in�meros Artefatos e cada um deles tinha algum prop�sito.
"Levante-se, Corbett. Por que voc� est� aqui? Eu n�o te chamei." Voldemort disse
com um p� atr�s. Ele n�o estava com humor para ser perturbado.
"Minhas de-desculpas meu Lorde, mas tenho que lhe informar sobre um grande
infort�nio."
Lorde Voldemort grunhiu. O que poderia ter dado errado agora? Ele n�o achava que
seria capaz de enfrentar mais m�s not�cias.
"Meu Lorde, b-bem antes do... do Pr�ncipe Negro ter ido embora, ele veio at� mim.
Ele disse que queria retirar uma de suas posses. Ele disse que eram ordens suas. Eu
n�o queria entregar nada, mas voc� sabe como ele... como ele pode ser persuasivo."
Voldemort sorriu. Sim, Harry podia ser muito persuasivo. Afinal, o garoto aprendeu
essa arte com o melhor. Com ele.
"O que ele levou?" Voldemort perguntou. Ele sabia que �quela �poca Harry ainda era
leal. Seja o que fosse, n�o devia ser importante.
Lorde Voldemort sentiu uma pequena explos�o em seu est�mago. 'A Layhoo Jisteen,
Harry levou a Layhoo Jisteen!' O homem levantou-se e come�ou a avan�ar em Corbett.
"Por que voc� n�o me informou imediatamente?" Voldemort sibilou para o Comensal.
Corbett tremeu e se afastou do Lorde das Trevas antes de gaguejar uma resposta.
"Eu� eu pensei que o Pr�ncipe veio at� mim por causa de suas instru��es. Foi apenas
hoje, quando vi que o Pr�ncipe destruiu outra coisa sua, que comecei a pensar que
ele poderia ter mentido sobre a Layhoo Jisteen."
Lorde Voldemort ficou ali encarando o homem que se encolhia. Isso n�o era bom. A
layhoo Jisteen era uma pedra inestim�vel. Ela seria usada em seu �ltimo ataque
contra Dumbledore. Voldemort apontou sua varinha para Cobertt, que deixou escapar
um gritinho de terror e ficou jogado aos p�s dele.
"Por favor! Por favor, meu Lorde. Me perdoe! Eu n�o queria entregar a pedra, mas o
Pr�ncipe n�o aceitaria um n�o como resposta. Desculpe-me! Por favor, me perdoe."
Voldemort lan�ou "Legimens" e viu a mem�ria de Harry mandando que a pedra lhe fosse
entregue. Ele disse que eram por ordens do Lorde das Trevas. O bruxo saiu das
mem�rias, sentindo-se mais nervoso do que havia se sentindo em anos. N�o
simplesmente por causa do roubo da pedra, mas sim por causa que o garoto fez isso
enquanto ainda lhe era leal.
Voldemort ordenou que Corbett sa�sse, dizendo que o puniria depois. O bruxo sentou-
se em uma cadeira e ficou pensando no porqu� de Harry ter mentido para pegar a
pedra. Por que o garoto faria aquilo? O Pingente de Slytherin e a Pena de Ravenclaw
foram destru�dos por causa da raiva que o moreno sentiu ao descobrir que fora
enganado. Voldemorte entendia isso. Ele ainda estava bravo, mas sabia que as a��es
faziam sentido. Mas roubar a Layhoo Jisteen n�o fazia o m�nimo sentido. O que Harry
queria com a pedra?
O Lorde das Trevas pensou sobre a mem�ria que acabara de ver. Harry parecia estar
um pouco irritado e um pouco cansado tamb�m, como se estivesse nervoso por cometer
tal ato. Aquele olhar que o moreno tinha, n�o era algo que o bruxo havia visto
antes. De repente, Voldemort lembrou-se de algo. Foi no dia que ele o questionou
sobre salvar o 'menino Potter', no ataque ao Expresso de Hogwarts. Harry ficou
nervoso e irritado ao ser ordenado a cortar rela��es com o menino. Seria isso? Ser�
que o garoto roubara a pedra como uma forma de 'vingan�a' por causa da ordem? N�o,
isso n�o era uma atitude dele. Harry costumava obedecer todas as suas ordens,
gostando ou n�o.
Lorde Voldemort soltou um suspiro para aliviar a dor em seu peito. Harry mentiu
para ele. O garoto n�o era t�o leal quanto ele pensava. Harry roubara a pedra por
algum prop�sito. Para alguma coisa que ele n�o concordaria, j� que foi feito
trai�oeiramente. O que o moreno queria com o obejeto? Esse foi o pensamento que
perturbou Voldemort pelo resto da noite.
Sirius massageou suas t�mporas esperando que sua dor de cabe�a passasse. Ele n�o
tinha dormindo bem e agora pagava por isso. Dumbledore estava no meio de outra
reuni�o da Ordem e para todo lugar que ele olhava, as pessoas estavam com
express�es cansadas. James estava ao seu lado e parecia o �nico que prestava
aten��o em cada palavra. Normalmente isso seria um t�pico de piada, j� que Sirius
gozaria da cara do amigo sobre prestar aten��o em um professor, mas a siua��o
estava longe de ser engra�ada. O Minist�rio estava convencido de que a Pena de
Hufflepuff foi roubada por Harry. Enquanto isso poderia ser ver�dico, a raz�o dada
pelo Ministro estava longe da verdade. Para Cornelius Fudge, o moreno roubara os
objetos por ordem de Voldemort. Ele n�o acreditava que o garoto tinha deixado o
Lorde das Trevas e estava convencido de que o bruxo tentava recolher suas Horcruxes
para sua pr�pria seguran�a.
Dumbledore estava contando em como tentara convencer o Ministro que esse n�o era o
caso, mas Fudge n�o escutou nada. De acordo com ele, o Diretor tinha um ponto fraco
pelo garoto, j� que Harry era o chamado Escolhido. O Ministro, claro, n�o
acreditava nas besteiras ditas em profecias e ignorou tudo.
"Temo que agora Harry tenha duas acusa��es como ladr�o de dois preciosos
Artefatos." Dumbledore disse para todos.
Sirius viu James fechar os olhos e respirar devagar. Ele estava tentando se
acalmar. O sentimento de compaix�o cresceu dentro do animago ao ver seu amigo de
inf�ncia lutando para controlar suas emo��es. N�o era justo. James j� tinha passado
por tanta coisa. N�o apenas tinha que lidar com o trauma de perder seu filho
novamente, mas tamb�m tinha que lidar com o sentimento de preocupa��o contante, por
causa do medo de seu filho ser pego pelo Minist�rio ou por Voldemort.
A busca por 'Alex' n�o estava indo bem. Aparentemente, Harry n�o usava essa
identidade j� h� um bom tempo. A reuni�o terminou e Sirius imediatamente se
levantou, desesperadamente precisando ir para a cama, dormir e se livrar dessa dor
de cabe�a.
"Sirius! Espere um momento, eu preciso falar com voc�." A voz de Dumbledore surgiu,
parando o Maroto imediatamente. O bruxo virou-se mal-humorado e sentou-se
novamente.
Quando restaram apenas Dumbledore, James, Remus e Sirius na mesa, o mais velho
come�ou.
Sirius sentiu seu cora��o parar de bater por um instante. 'Mais m�s not�cias! Como
as coisas podem ficar piores!'
"Eu fui falar com 'John e Fiona' sobre Alex para ver se talvez algum deles o
tivessem visto. Mas aparentemente eles est�o desaparecidos."
"Desaparecidos? O que voc� quer dizer com desaparecidos? Como isso p�de acontecer?
Voc� disse que havia gente os vigiando todo o tempo. Como eles podem ter sumido
assim?" James perguntou, raiva saindo de cada palavra.
"Eu os tinha sob uma constate vigil�ncia. Como isso aconteceu, estou incerto.
Aparentemente 'John e Fiona' mudaram-se para outro lugar que n�o fica na
Inglaterra. Pela informa��o que consegui, eles foram para o exterior. Eles
receberam um contrato irrecus�vel e mudaram."
Sirius sentou-se enquanto absorvia as not�cias. Eles os haviam perdido. Eles tinham
tudo para ajudar Harry e talvez reduzir sua senten�a no Minist�rio e perderam.
Agora seria imposs�vel achar Frank e Alice. J� era dif�cil achar duas pessoas sem
nada para rastre�-las no mesmo pa�s onde se est�, mas achar em outro pa�s... Era
imposs�vel! Eles n�o podiam rastre�-los nem como trouxas, nem como bruxos.
"Ent�o� o que voc� est� tentando dizer? Eles foram embora! A �nica coisa que
poderia salvar meu filho, as �nicas pessoas que eram necess�rias para salv�-lo
foram embora. Eu n�o posso acreditar nisso!" James vociferou.
"PARE! Pare de me dar falsas esperan�as!N�o h� nada que voc� possa fazer. Eu nunca
deveria ter escutado voc� para come�o de conversa. O que voc� disse? 'Hogwarts � o
local mais seguro para Harry. Voldemort nunca se atreveria a ir at� l�' e olha o
que aconteceu! Voc� podia ter parado tudo. E agora perdeu Frank e Alice. Como
iremos provar que Harry n�o os matou? Que Harry na verdade salvou suas vidas para
mant�-los em bom estado!"
O sil�ncio pairou ap�s essas palavras. James estava em p� com punhos fechados e
respirava pesadamente, como se tivesse corrido muito.
"James, eu realmente n�o sei o que posso dizer para lhe confortar�" Dumbledore
come�ou, mas foi cortado pelo Auror.
"Conforto? Voc� est� realmente falado sobre me confortar! Como voc� supostamente
faria isso? Como algu�m pode confortar o pai de um garoto de dezesseis anos que
est� vendo nada al�m de morte destinada ao seu filho? Meu filho provavelmente n�o
chegar� nem ao seu anivers�rio de dezessete anos, Dumbledore! Explique como algu�m
pode me confortar?"
Com isso James saiu tempestivamente da sala, batendo a porta ao sair. Remus e
Sirius ficaram quietos sem saber o que dizer. Finalmente o lobisomem quebrou aquele
sil�ncio estranho.
"Dumbledore, n�o fique chateado. James, est� sob uma grande press�o. Ele n�o quis
realmente dizer tudo aquilo."
"Sim, ele quis, mas n�o o culpo. Eu errei com James e Harry. Por�m, planejo arrumar
tudo. Harry sobreviver� � tudo isso, ele sobreviver�. N�o apenas celebrar� seu
anivers�rio de dezessete anos, mas o anivers�rio de setenta tamb�m! E celebrar� em
casa, em volta de sua fam�lia. Eu prometo."
Harry grunhiu ao ouvir uma voz em seus ouvidos. Ele abriu seus olhos avermelhados e
virou-se para Hermione. A garota de cabelos armados o olhava atentamente.
"Voc� estava ouvindo por acaso? Dormiu de novo? Meu Deus Harry, voc� dormiu �
noite?" Ela perguntou.
O moreno a olhou antes de abaixar a cabe�a e coloc�-la contra a mesa gelada,
escondendo sua face com os bra�os. A mesa gelada relaxou sua cicatriz dolorida. Era
como se ela estivesse constantemente pegando fogo. Algumas vezes piorava de tal
jeito que o garoto ficava inconsciente e acordava horas depois com uma terr�vel dor
de cabe�a. Pensando nisso, ele n�o conseguia lembrar de um per�odo aonde sua
cicatriz n�o estivesse normal. Ficou pior depois da destru���o da Pena.
"Harry?"
"O que h� de errado, Harry? Voc� nem mesmo est� prestando aten��o no que estamos
falando. Voc� est� doente?"
"Voc� est�, n�o est�? Posso ver em seus olhos. O que h�? � sua cabe�a? Voc� est�
resfriado?" Hermione perguntou preocupada.
"N�o. N�o � resfriado. Eu estou bem. Apenas n�o dormi direito, s� isso." Harry
mentiu.
Ele sentou e viu os outros o olhando de relance. Ron e Ginny o encaravam e estavam
silenciosamente concordando sobre sua doen�a. Enquanto isso, Damien se aproximava
do irm�o para checar sua temperatura. Harry bateu na m�o dele, quando o menino
tentou coloc�-la sobre sua testa.
"Pare! Eu j� disse, estou bem. Parem com isso e voltem a fazer o que estavam
fazendo."
Damien o ignorou e colocou suas m�os sobre a testa dele. Harry sibilou de dor,
quando seu irm�o colcou os dedos sob sua cicatriz.
"A cabe�a parece normal, exceto pela cicatriz." Damien disse alto.
"Talvez, talvez voc� deva deitar um pouco. Dormir um pouco." Ginny disse baixo. Ela
tamb�m percebeu como os olhos de Harry estavam vermelhos. Eles estavam
completamente cor de sangue.
Harry os ignorou e pegou um livro. O garoto ficou folheando as p�ginas. Ele n�o lia
nada. A verdade era que o moreno nem mesmo conseguia enxergar nada, j� que sua
vis�o come�ava a borrar. Depois de alguns momentos, Harry finalmente admitiu
derrota e levantou-se.
"Cala boca!" Ele disse para Damien, quando o garoto lan�ou-lhe o olhar de 'Eu-te-
disse'.
No final das contas foi a capa de invisibilidade que ganhou o argumento. Damien e
Ginny conseguiam ficar embaixo dela facilmente, assim poderiam ir para l�
invis�veis. Ron e Hermione iriam disfar�ados. Ficou uma coisa bem embara�osa, j�
que Ron se transfigurava para parecer uma velhinha. Era o �nico tipo de
transfigura��o que ele sabia. Hermione se transformava em um menino jovem, com um
bigode e uma maleta bem cara. Ainda assim, Ron e Hermione mudavam de disfarce
regularmente. A garota fazia as transforma��es nele.
Harry estava feliz com essas precau��es, mas ainda mudava de local a cada tr�s
dias.
"N�o sei. Ele parece um pouco drenado. Como se estivesse lutando contantemente
contra algo." Hermione disse, suas sobrancelhas frazidas.
"Acho que dever�amos trazer algo para a sua cicatriz. Obviamente ela est� dolorida.
Acho que alguma coisa para dor e uma po��o para dormir deve funcionar." Ron disse
baixo.
As po��es funcionaram. Quando Harry tomou, percebeu que sua cicatriz n�o o
incomodava por algumas horas. Nessas poucas horas, o moreno conseguia fazer tudo o
que quisesse, antes que a dor ficasse lancinate. 'Eu tenho que encontrar uma
solu��o para isso' pensou, ao tomar a quinta po��o do dia. Ele sabia que aquele
tipo de medica��o poderia viciar e a �ltima coisa que Harry queria no momento era
um v�cio. Ele estava ficando sem dinheiro e agora nem mesmo se sentia bem para
lutar e ganhar mais.
O moreno andou at� a garota. Ela colocou um grande livro em suas m�os.
"Olhe Harry! A espada! A espada cravejada de rubis de Gryffindor! Tem que ser uma
Horcrux. Entra na descri��o perfeitamente." A menina disse excitada.
"Bem, poderia ser, mas e o Chap�u Seletor? Digo... pertenceu � Godric Gryffindor
tamb�m, n�o �?" Ron disse pensativo.
"�, mas eu n�o acho que ele faria uma Horcrux de algo que pode falar. Isso n�o
seria seguro, seria? Digo, ele poderia falar para todo mundo que possui uma alma 'a
mais'." Ginny acrescentou.
Harry olhou para a figura preto e branca da espada que se movia. Era algo
magn�fico, Hermione estava certa. Entrava na categ�ria das Horcruxes. Era bem
imponente, um objeto de grande poder m�gico e hist�rico e pertencia � um dos
fundadores de Hogwarts.
Sirius n�o sabia porqu� era era o �nico que ficou com a "bomba". Bem, nesse caso
ele sabia porqu�. Remus estava se recuperando de sua transforma��o, James ainda
estava bravo com Dumbledore e n�o faria nada pelo bruxo e Dumbledore mesmo estava
ocupado em outra reuni�o com Fudge.
'Por que ele n�o desiste? Fudge nunca ir� escut�-lo agora.' O homem pensava bravo,
enquanto subia as escadas.
Sirius n�o queria pensar na �ltima vez que havia estado em Hogwarts. Foi o dia que
Harry escapou de volta para Voldemort. Ele tirou seus cabelos dos olhos. O homem
estava t�o pensativo sobre como James, Lily e Damien lidavam com a tristeza que nem
mesmo parou para pensar sobre como isso o afetou. Sirius era o padrinho de Harry.
Antes que o garoto fosse levado por Peter, o moreno de olhos esmeralda era muito
afetuoso. Ele adorava brincar com os seus longos cabelos e gostava de agarrar os
fios com suas duas m�os e n�o soltava, enquanto Lily ou James viessem socorrer o
amigo.
Sirius sorriu ao lembrar disso. Ele nunca pensou que aquele pequeno menininho iria
crescer para ser o segundo maior bruxo temido. E mesmo assim, o homem sabia que
Harry tinha um bom cora��o. Veja o que ele havia feito por James. O garoto arriscou
sua vida, enquanto doava sua magia. E Damien! Harry arriscou ser capturado para lhe
dar aquela pedra de prote��o. Por causa daquela pedra, Damien estava relativamente
em seguran�a. Sirius estava perdido em pensamentos e logo viu que estava perto do
local que escondia a Sala Precisa.
O Auror ainda n�o acreditava no que Dumbledore disse naquela manh�. Que ele tinha
descoberto o que a Horcrux de Gryffindor era. N�o era como se Sirius duvidasse do
bruxo, era apenas o pensamento de Voldemort ter colocado uma Horcurx bem embaixo do
nariz de Dumbledore e todos esses anos ningu�m, nem mesmo o pr�prio Dumbledore,
sabia sobre isso.
A espada de Godric Gryffindor. Era demais. Como Dumbledore n�o pressentiu que algo
n�o estava totalmente certo? Como ele n�o sentiu a alma de Voldemort? Sirius
balan�ou a cabe�a. N�o era justo esperar tanto do velho Diretor. Mesmo um g�nio
como Dumbledore tinha que saber o que procurava antes de achar. E ele apenas tinha
descoberto sobre as Horcrux h� um m�s atr�s.
O Auror concentrou-se na espada e passou pelo corredor tr�s vezes, como tinha sido
instru�do. Imediatamente uma porta se materializou a sua frente. Ele a abriu e
entrou, agradecendo a Merlin, j� que tudo estava dando certo. De qualquer modo, ao
entrar, Sirius percebeu o qu�o errado estava.
O moreno j� sabia sobre a sala Precisa, j� que os irm�os de Ron tinham contado ao
ruivo. Harry estava apenas testando sua sorte quando foi pedir pela espada. De
acordo com Hermione, a sala lhe daria qualquer coisa que fosse pedida, contanto que
o �tem estivesse dentro de Hogwarts.
Sirius ficou encarando o moreno � sua frente com os olhos arregalados. Ele estava
muito diferente. Tinha perdido peso e parecia n�o dormir direito recentemente. Seus
olhos esmeralda estavam sem foco e sua face joven j� demonstrava sinais de stress.
"O que est� fazendo aqui? Como chegou aqui?" O Auror perguntou.
"N�o pude ficar longe desse lugar. Sabe� � verdade que quando se vem para Hogwarts,
fica imposs�vel ficar longe." O garoto disse sarcasticamente. Ele segurava a espada
de um jeito que Sirius pudesse v�-la.
"Vamos l� Black! Eu estou aqui pela mesma raz�o que voc�. A espada de Gryffindor!"
O adolescente disse.
"Harry, voc� n�o pode arriscar sua vida desse jeito. Se os Aurores te
encontrassem..." Sirius foi cortado pelo garoto.
"Aurores? Eu j� fui encontrado por um. Da �ltima vez que chequei, voc� era um Auror
oficial do Minist�rio." Ele disse calmo, sem tirar os olhos da face do outro.
"Harry, eu sou seu padrinho antes de tudo. Por favor, voc� tem que confiar em mim.
Venha comigo, antes que algu�m te pegue primeiro." Sirius esperava que o moreno de
olhos esmeralda n�o lutasse com ele. O garoto parecia exauto e realmente precisava
de ajuda.
"Voc� pode Harry! Voc� n�o precisa fazer isso por si pr�rio. Voc� n�o pode fazer
isso por si pr�prio. Olhe para voc�! Voc� est� exausto! Por favor, venha comigo."
Sirius se aproximou do afilhado, feliz pelo garoto n�o ter se afastado dessa vez.
"Voc� n�o pode me ajudar." Harry disse baixo e olhou para o padrinho. Encarando-o
pela primeira vez.
"Talvez eu n�o possa, mas James pode! Lily pode. Por favor, Harry. Volte para casa.
Eu prometo que o Minist�rio nunca saber� sobre voc�." O Auror deu mais um passo
para frente.
"E Dumbledore?" O garoto disse de repente. Sirius sentiu seu cora��o dar uma batida
mais apressada. Harry estava falando como se estivesse considerando voltar.
Harry ficou embasbacado com a resposta. Ele tinha esperado que Sirius dissesse que
Dumbledore precisava saber sobre sua volta para casa. Por um momento, o moreno
ficou paralisado com a espada em uma m�o e a varinha em outra. Sirius tentou se
aproximar dele um pouco mais e conseguiu ficar bem em frente ao afilhado.
O garoto olhou para o homem e pela primeira vez na vida, percebeu realmente o que
Damien estava falando. Sirius relamente tinha um jeito de confortar as pessoas, sem
parecer �bvio.
"Eu n�o tenho mais uma casa. Perdi isso h� quinze anos atr�s. Desculpe, mas n�o
posso ir com voc�. Preciso terminar o que comecei." Harry segurou a espada
firmemente ao falar.
Sirius olhou desesperado para o garoto teimoso. Por que ele tinha que fazer as
coisas t�o dif�ceis?
"Eu sei como voc� se sente. Eu quero vingan�a tamb�m, assim como James, Lily e at�
Dumbledore. Vamos l� Harry. N�s estamos do mesmo lado agora. Podemos lutar juntos."
"N�o." Harry disse e balan�ou a cabe�a, enquanto dava um passo para tr�s.
Aparentemente, ele lutava contra a vontade de ir com Sirius.
"Eu tenho que fazer isso sozinho. Tenho uma raz�o diferente de voc�s. Eu n�o vou me
juntar � voc�s. N�o � por isso que estou lutando contra ele." O garoto disse.
Sirius estava come�ando a perder a paci�ncia. Ele estava pensando em agarrar Harry
e sair dali com uma chave de portal. Por�m, havia um problema com aquele plano. Ele
n�o tinha uma chave de portal e Hogwarts ainda tinha feiti�os anti-aparata��o em
seus territ�rios. Sendo assim, tentou um acordo com Harry.
"Ok, voc� n�o precisa lutar ao nosso lado. Ao menos me deixe algum jeito de entrar
em contato com voc�. Ou apenas venha ver James e Lily uma �nica vez. Eles est�o
desesperado para ver se voc� est� bem. Especialmente depois da transfer�ncia."
"Claro que sabemos! O Curandeiro disse que deveria ser algum parente de sangue para
poder fazer a transfer�ncia e n�s achamos seu sangue por todo o lugar, sendo assim,
resolvemos o mist�rio." Sirius disse sarc�stico.
Harry pareceu um pouco desconfort�vel ao perceber que todo mundo sabia o que ele
havia feito por James. Supostamente, deveria ter sido uma coisa particular entre
ele e seu pai.
"Veja Harry, tudo o que eu pe�o � para que voc� v� um pouco para casa. Apenas venha
comigo ver James e Lily. Eles n�o o for�ar�o a ficar se voc� n�o quiser. Por favor,
venha comigo."
Pareceu funcionar. Harry olhou para a espada em suas m�os e logo depois para
Sirius. Estava claro que ele tentava descobrir se o Auror dizia a verdade ou n�o.
Finalmente o garoto assentiu brevemente e Sirius sentiu uma sensa��o como se seu
cora��o fosse explodir de alegria. Harry estava indo para casa. James e Lily o
conveceriam a ficar e o homem tinha certeza de que seu afilhado ficaria. Ele n�o
iria querer deixar seus pais novamente.
Sirius foi at� Harry instintivamente para ajud�-lo a se levantar. O garoto tinha um
grande rasgo em suas vestes, claramente mostrando que algu�m lan�ou-lhe um feiti�o
de corte. Ambos observaram e viram aproximadamente dez Aurores ali parados. Suas
varinha estavam empunhadas e todas miravam o garoto. Sirius estava ultrajado. Ele
os encarou g�lidamente, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, uma pessoa
apareceu, entre os outros, sorrindo. A f�ria de Sirius intensificou, quando o homem
viu quem era o idiota do Auror que apareceu. Era Blake e ele tinha uma express�o
feliz, como se o Natal tivesse chegado mais cedo.
"Bem, nunca pensei que isso daria certo, mas tenho que te dar os cr�ditos Black.
Seu plano funcionou perfeitamente!" Blake disse alegremente.
"Quando voc� nos disse para ficar aqui e que voc� iria buscar o jovem , pensei que
nunca iria funcionar. Mas voc� realmente � um g�nio. Conseguiu fazer com que ele
viesse silenciosamente. Diga-me, qual � o seu segredo?"
Sirius n�o conseguia acreditar no que ouvia. Blake estava mentindo descaradamente!
Ele nem sabia que Blake estava ali e nunca trabalharia com o homem, nem que sua
vida dependesse disso. Blake estava tentando fazer Harry pensar que ele o tinha
tra�do. Todo mundo sabia que ele era padrinho do garoto e j� que o homem estava
tentando fazer a sua vida e a de James um inferno, esse era um dos meios de quebrar
os la�os entre ele e Harry.
Sirius virou para ver seu afilhado o encarando com incredulidade e choque. Ele
sentiu sua boca secar ao ver o olhar magoado nos olhos esmeralda do garoto.
Por�m isso foi tudo o que ele disse. Harry deu um passo para tr�s e seu olhar
estava fazendo Sirius suar. Estava claro que qualquer confian�a que o moreno havia
colocado em seu padrinho, havia ido embora. Ele balan�ou sua cabe�a e o modo como
olhava Sirius, fazia o Auror querer cortar a garganta de Blake.
Sirius viu a m�o de Harry desaparecer em suas vestes, mas antes que pudesse gritar
ou fazer alguma coisa, ele j� tinha agido.
"Eu j� disse antes, se voc� n�o consegue suportar a temperatura deveria cair fora."
"N�o me interessa! Ele mereceu aquilo! O que diabos ele estava pensando? Eu vou
mat�-lo!"
"Black! Sente-se! Voc� tem que se controlar!" Kingsley gritou e jogou o homem, com
for�a, em uma cadeira.
Sirius se sentou, mas continuou encarando o Auror de cabelos castanhos, que estava
em um canto, onde um dos curandeiros do Minist�rio procurava, nele, alguma ferida.
"Agora expliquem o que realmente aconteceu." Kingsley disse com uma voz profunda.
"Por que voc� n�o pergunta pro idiota que est� ali no canto?" Vociferou Sirius. Ele
estava furioso com Blake. Por causa dele, Harry tinha fugido novamente. O garoto
estava t�o pr�ximo de vir para casa. Todo o tempo que pensava o qu�o perto seu
afilhado estava de voltar, uma ira severa surgia dentro de si.
"Para come�o de conversa, por que diabos voc� estava l�?" Sirius gritou para Blake,
que estava bem surpreso ao ver que o homem realmente o havia socado, tinha at� lhe
feito um olho roxo, l�bios cortados e um grande corte na testa.
"Eu estava ali por ordem do Ministro. Ele pediu para que n�s busc�ssemos aquela
espada. N�o sei por qu� ele precisava de ajuda pra isso, mas aparentemente a espada
� bem cara e importante. Devia ser levada para o Minist�rio imediatamente." Blake
gritou de volta.
Blake lan�ou um olhar g�lido ao homem e continuou segurando sua cabe�a, como se ela
fosse cair.
"Voc� n�o tinha nenhum direito de me bater!" Ele disse depois de alguns momentos e
imediatamente se arrpendeu ao ver que o homem passou por v�rios Aurores e se
aproximou. Sirius o segurou pelo colarinho e o sacudiu violentamente.
"Nenhum direito! Que direito voc� tinha para mentir pro Harry? O que voc� achou que
ia acontecer?"
"� melhor voc� esconder essa sua face miser�vel, Blake! Voc� n�o pode nem imaginar
o que James far� com voc� quando descobrir!" Sirius sussurrou para o Auror que
tremia, antes de se soltar do aperto de Kingsley e sair da sala.
Sirius levantou a cabe�a e viu James o observando com uma estranha express�o.
"Eu escutei falar que voc� colocou algum ju�zo em Blake!" Ele disse com um grande
sorriso. "O que o idiota fez dessa vez?"
Sirius com certeza estava pensando em contar tudo para James, mas n�o estava
preparado para isso naquele exato momento. Ele olhou para o amigo um pouco
apreensivo sobre contar o que aconteceu. James parecia estar com um humor melhor
que o normal.
"Prongs, talvez n�s dev�ssemos ir ao meu escrit�rio. Eu n�o quero falar sobre isso
no meio do corredor." Sirius disse, enquanto tentava n�o encarar o amigo.
"Uh, ok. Se voc� quer�" James disse, ele sabia que algo estava errado. Para seu
melhor amigo sair no bra�o com outro Auror, mesmo Blake, deveria ser algo grande.
Assim que Sirius e James estavam seguros dentro do escrit�rio, Padfoot contou tudo.
De como ele ficou pr�ximo de levar Harry para casa e como o garoto estava exausto a
ponto de ficar aliviado de ir. James sentou e escutou tudo com suas m�os fechadas
em punhos cerrados. Seus dentes estavam t�o apertados, que sua mand�bula do�a. O
homem escutou como Blake sabotou a tentativa de Sirius levar Harry para casa. Como
esperado, ele pulou de seu assento e saiu correndo atr�s do Auror, com a inten��o
de deix�-lo em pedacinhos.
Por�m, quando o homem chegou ao escrit�rio lhe disseram que Blake j� havia ido para
casa e n�o voltaria logo. Fulminando de raiva, James saiu tempestivamente de l�.
Ele n�o sabia como lidar com o que tinha acontecido. Tudo parecia estar dando
errado. James deixou o Minist�rio e n�o foi visto at� tarde da noite. Ele voltou
para Godric's Hollow e pela primeira vez na vida, recusou a falar com Lily. O Auror
se trancou no quarto e n�o saiu de l� at� o dia seguinte.
Lily, Sirius e Remus tentaram confort�-lo, mas James n�o escutou ningu�m. A �nica
coisa que havia quebrado seu cora��o n�o foi o fato de Harry n�o ter conseguido
voltar para casa. Mas sim o fato de que seu filho queria ter ido, mas n�o foi
capaz.
Harry percebeu que cada vez mais passava seu tempo com seus 'companheiros de
estudos'. Agora que as quatro Horcruxes tinham sido destru�das, os cinco ficavam
tentando pensar em qual seria a pr�xima. A espada havia sido destru�da por Harry,
assim que o garoto saiu de Hogwarts. O Moreno tentava pensar em qual seria a
pr�xima. Eles sabiam, por terem lido as anota��es de Riley, que o di�rio negro era
uma, mas a �ltima estava sendo muito dif�cil de encontrar.
"Isso � in�til! O que vamos fazer agora? N�o h� nenhum jeito de descobrirmos o que
ele pode ter usado." Ron disse ao bater sua m�o na mesa, fazendo os livros ca�rem
no ch�o.
"N�s temos que dar um jeito. N�o podemos fazer muita coisa." Ginny disse ao pegar
um livro que listava os objetos mais perigosos e proibidos, com um grande potencial
para magia negra.
"Acho que � hora de voltarmos para a Ordem. O Professor Dumbledore deve estar
tentando achar a �ltima Horcrux tamb�m. Talvez possamos achar algo por l�."
Hermione disse olhando discretamente para Harry.
Harry n�o achava que a Ordem seria de muita ajuda. Afinal, eles tinha as
informa��es sobre as outras horcruxes e mesmo assim n�o conseguiram alcan��-las
antes dele. O que perturbava Harry era o fato de que Voldemort provavelmente havia
escondido muito bem o resto delas, j� que as outras tinham sido destru�das. Ele
sabia, por causa da intensa dor em sua cicatriz, que o Lorde das Trevas j� tinha
conhecimento sobre a destrui��o dos objetos. Estava ficando cada vez mais dif�cil
lidar com a dor. As po��es j� n�o ajudavam mais e o garoto sabia que teria que
parar de tom�-las. Por�m, naquele momento, ele n�o tinha outra op��o. O moreno
descobriria o que fazer em rela��o � sua cicatriz depois que destru�sse as seis
Horcruxes.
Harry estava certo de que a Ordem n�o ajudaria em nada, mas, por falta de outra
op��o, ele concordou em usar qualquer informa��o que os outros providenciassem. O
garoto estava sentado em sua cama, tentando listar todos os lugares em que achava
que Voldemort pudesse esconder suas Horcruxes. Ele sabia que o di�rio era o mesmo
que pertenceu ao seu av�, Marvolo Gaunt.
Alguns poderiam achar que Voldemort usou o di�rio de seu av� por raz�es
sentimentais, mas Harry sabia que era al�m daquilo. O Lorde das Trevas n�o era do
tipo sentimental. Ele provavelmente usou o objeto, porque era o �nico que restou de
sua fam�lia e os Gaunts eram os �ltimos da linhagem de Slytherin. Voldemort mesmo
era descendente de Salazar Slytherin. Ele marcou Harry para que o moreno carregasse
a linhagem, mas o garoto n�o era um descendente direto.
Harry tocou sua cicatriz em dorma de raio, vagarosamente. Ela ainda estava dolorida
por causa do ataque recente. Menos de duas horas atr�s. Ele n�o tivera um ataque
daqueles por um bom tempo e provavelmente deveria ter sofrido um sangramento nasal.
Voldemort deveria ter recebido algumas m�s not�cias. 'Deve ter descoberto sobre
suas Horcruxes' pensou consigo mesmo.
Voldemort disse a Harry que sua cicatriz era um produto de uma grande descarga de
poder, que ele lhe abe�oou na noite de sua chegada na Mans�o Riddle. Harry percebeu
que a cicatriz n�o era uma ben��o e sim uma maldi��o. Ela o mantinha preso ao
homemt. Ela lhe fazia sofrer o tempo todo. O garoto balan�ou a cabe�a. Agora n�o
era hora de pensar nas mentiras que lhe foram ditas. Ele tinha que se concentrar e
tinha que achar as duas �ltimas Horcruxes.
O moreno levantou sua cabe�a ao ouvir uma batida na porta. Ele levantou, pegou sua
varinha de dentro de seu bolso e andou calmamente at� a porta, pronto para abr�-la.
Harry n�o estava esperando por ningu�m. Os quatro adolescentes n�o deveriam ir at�
l� sem avisar antes. O garoto apertou sua varinha e lembrou-se de como foi atacado
por Nott e seus amigos. Ele abriu a porta, viu um cabelo vermelho viv�do e
prontamente deixou que os adolescentes entrassem.
Harry fechou a porta violentamente e virou para encarar, com uma express�o l�vida,
os outros.
"De que diabos voc�s est�o brincando? Eu disse espec�ficamente para n�o virem sem
serem chamados! O que est�o fazendo?" Ele disse irritado.
Os quatro olharam-se um para o outro e foi nesse momento que Harry notou a
diferen�a. Eles estavam p�lidos e pareciam ansiosos.
"O que aconteceu? O que h� de errado?" Ele perguntou, seu tom consideravelmente
mais baixo.
"N�s sab�amos que vir aqui desse jeito n�o estava certo, mas concordamos que voc�
deveria saber o que aconteceu. � melhor que voc� saiba por n�s, do que pelos
jornais."
"Sobre o que voc�s est�o falando? Que not�cia?" Harry perguntou. Ele tinha um mau
pressentimento ao ver o jeito como os outros o olhavam. Como se ele fosse explodir
a qualquer momento.
Damien parou, como se estivesse em d�vida se deveria ou n�o continuar. Harry estava
sentindo algo estranho crescer dentro de si. Quem a Ordem capturara?
"Harry, por favor, n�o enlouque�a..." Damien come�ou, mas seu irm�o lhe cortou.
"Damy, por favor� apenas me diga, quem eles capturaram?" O moreno de olhos verdes
tinha uma p�ssima id�ia de quem seria. Ele esperava estar errado.
O garoto n�o disse nada. Ele ficou parado tentando absorver toda a informa��o. A
Ordem havia pego Bella! Eles a pegaram e provavelmente a entregariam aos
Dementadores. Bella teria a mesma puni��o que ele teria. Ela nem mesmo teria um
julgamento. Eles n�o deixariam algu�m como ela escapar do Beijo do Dementador. Essa
provavelmente era a raz�o pela qual Harry tinha sofrido o ataque na cicatriz.
Voldemort obviamente estava furioso por causa da captura de Bella. N�o apenas ela
era um importante membro do c�rculo interno, mas tamb�m era uma Comensal que tinha
um espa�o no cora��o do Lorde. Ela provavelmente era a �nica pessoa com a qual
Voldemort se importava.
"Eles a capturaram h� duas horas atr�s. Ela est� sendo mantida no Minist�rio."
Damien dizia, mas Harry nem mesmo escutava. Ele n�o conseguia escutar nada, por
causa do sangue correndo em seus ouvidos.
"Como� como eles a pegaram?" Harry perguntou, sem saber por qu� isso era
importante.
"Foi o Professor Dumbledore. Ele a capturou durante um ataque que acontecia na Vila
Kelso. Tem mais, o Professor Dumbledore a encontrou porque ela est� est� com uma
das Horcruxes." Damien disse devagar.
"Eu n�o sei como, mas Dumbledore descobriu que Bellatrix est� com uma das Horcrux.
Eu ainda n�o sei o que �. N�s tivemos que sair, mas ele mencionou que o Artefato
est� sob a prote��o do Minist�rio."
A mente de Harry ficou cheia de preocupa��es. Bella tinha uma Horcrux consigo. O
que estaria com ela em um ataque? Aquilo n�o fazia sentido.
De repente, o garoto percebeu o que era. Como ele n�o tinha pensado nisso antes?
Era rid�culo.
"O anel! O anel da fam�lia Black! � o �nico �tem de j�ia que ela sempre usa.
Pertence � fam�lia Black, que � Puro Sangue e a maioria � fiel a Voldemort." Harry
disse. Ele n�o estava realmente contando isso para todo mundo, mas fazia sentido
pensar alto.
"Deve ser isso! O anel da fam�la Black � uma Horcrux." O moreno disse e olhou para
Damien.
"Quando eles estar�o levando Bella para Azkaban? Dumbledore disse algo sobre isso?"
Harry perguntou.
"O que?" O moreno de olhos esmeralda perguntou, irritado com o jeito como os outros
agiam.
"Bem, ta� o problema. Eles n�o v�o lev�-la para Azkaban. Eles n�o querem arriscar
que ela escape. Eles... eles querem trazer Dementadores para o Minist�rio. E
estar�o ordenando o Beijo est� noite." Ron disse com cuidado para n�o olhar direto
para Harry.
O moreno de olhos esmeralda sentiu como se o ar tivesse ido embora. Esta noite!
Bella receberia o Beijo essa noite. Ele n�o sabia o que fazer, sua cabe�a girava.
O garoto sabia que Bella era igualmente respons�vel por mentir e tra�-lo, mas isso
n�o impedia que ele se preocupasse. Ele sabia que a mulher o entregaria para
Voldemort na primeira chance que tivesse e provavelmente lan�aria um feit�o de
mem�ria para que suas lembran�as fossem embora e ele voltasse a ser usado e
manipulado. Apesar disso, o moreno sabia que n�o conseguiria ficar quieto deixando
que ela fosse completamente destru�da.
Sem dizer mais nada, Harry virou e foi em dire��o � porta. Imediatamente os outros
correram ao seu encontro.
"Harry! Onde voc� est� indo?" Damien gritou ao tentar agarrar o bra�o do irm�o, mas
o garoto apenas se livrou dele e continuou indo para a porta.
"Harry! Onde voc� est� indo?" Damien repetiu ao segurar o bra�o do irm�o bem forte
e conseguir vir�-lo.
"Solte Damien." Harry disse, mas o menino o continuou segurando com as duas m�os.
"N�o Harry! Voc� n�o pode estar pensado em ir at� l�. Ela est� no Minist�rio! Voc�
n�o pode fazer nada para ajud�-la." O menino tentou explicar, mas seu irm�o se
soltou e o olhou com raiva.
"Harry, por favor, seja racional. O que voc� pode fazer? Voc� n�o vai conseguir
entrar no Minist�rio, peg�-la pela m�o e sair. Voc� apenas se colocar� em perigo!"
Ginny disse ao tentar segurar o bra�o de Harry e imped�-lo de sair em uma miss�o
su�cida.
"�, quero dizer� � a Bellatrix. Ela � t�o respons�vel por trair voc� quanto V-
Voldemort. Voc� n�o deveria ter nenhum tipo de lealdade por ela." Ron adicionou.
Ele ficou um pouco desconfort�vel por dizer Voldemort em voz alta. Harry virou e
olhou o ruivo com uma express�o magoada.
"Eu n�o espero que voc�s entendam, nem mesmo eu entendo. Tudo o que sei � que n�o
posso deix�-la receber o Beijo. Eu n�o serei capaz de viver se n�o ajud�-la...
apenas dessa vez."
Essas palavras acalmaram os outros. Hermione olhou o garoto e virou para encarar
Damien.
"Certo Harry, se voc� est� determinado, ent�o v� em frente, mas voc� n�o pode
simplesmente entrar no Minist�rio e jogar-se nessa miss�o sem um plano. Voc�
precisa pensar no que vai fazer." Ela disse calma.
"Mione! N�s n�o estamos ajudando Harry a ajudar um Comensal escapar!� Isso d�
pris�o perp�tua em Azkaban!" Ron exclamou.
"N�s n�o vamos ajud�-lo. Vamos apenas nos assegurar de que ele estar� a salvo." A
garota explicou.
"Certo, Hermione. Eu sei exatamente o que farei." Harry disse e virou para olhar
Damien. O menino mais novo engoliu em seco e soube exatamente o que o outro dizia.
Bella, sentada em sua cela, tremia de frio. Ela estava acorrentada contra a parede
e tentava, inutilmente, se soltar h� horas. Como ela havia sido pega a estava
incomodando. Um minuto a mulher lan�ava um Crucio em cima de um Auror est�pido e no
outro ela foi derrubada bem nos bra�os de Dumbledore. Ele a rendeu com o feiti�o do
corpo preso antes mesmo que ela piscasse!
Mas n�o era isso que estava incomodando. Bella iria com boa vontade enfrentar os
Dementadores, o tempo inteiro proclamando sua fidelidade ao Lorde das Trevas.
Afinal, esse era um risco que todo Comensal corria. N�o! O que a incomodava era o
fato do Minist�rio ter descoberto sobre o anel. Eles sabiam que era uma Horcrux.
Mas como? Isso era o que estava fazendo a mulher suar. Ela havia falhado com seu
Mestre. Ele lhe havia confiado algo importante e ela falhou em proteger o objeto.
Bella se contraiu ao virar a m�o que estava presa pela corrente. Aquele Auror
idiota havia quebrado seus dedos para conseguir pegar o anel. A mulher havia lutado
furiosamente, mas no final seus dedos foram quebrados e o anel retirado. Bella
ainda estava tentando acalmar sua mente em p�nico e n�o percebeu quando a porta de
sua cela fora aberta e algu�m entrara silenciosamente. Ela apenas olhou quando um
'Lumos' sussurrado lhe chamou a aten��o.
A mulher olhou para o rosto que menos queria ver, fez uma careta e cuspiu o nome da
pessoa como se fosse uma maldi��o.
Sirius abaixou sua varinha e olhou sua prima. Era de quebrar o cora��o ver algu�m,
que um dia ele amou, com dor e presa como Bella estava no momento. O homem sentou
no ch�o sujo para ficar na mesma altura que ela. Bellatrix apenas o encarou.
"Veio mostrar que ganhou? N�o vai dizer 'eu te disse'? Voc� � t�o pat�tico quanto
os outros." A mulher gritou incapaz de segurar suas emo��es.
Sirius n�o disse nada e ao inv�s disso apontou sua varinha para as m�os dela, que
estavm presas.
"O que voc� est� fazendo? Me deixe em paz, Black!" Bella sibilou para ele e tentou
se virar, mas as correntes n�o a deixavam se mover o suficiente.
O homem apontou sua varinha para a m�o machucada dela e sussurrou um feiti�o de
cura. Imediatamente Bella sentiu a dor em seus dedos da m�o indo embora e uma luz
aquecida a preenchendo. Ela fechou os olhos contra sua vontade e suspirou em
al�vio, sua m�o a estava matando por no m�nimo uma hora. Bella abriu os olhos e
olhou Sirius, ele a havia ajudado. Ela tinha pensado que o Auror havia vindo lhe
machucar, afinal, estavam de lado opostos na guerra. O que mais ela poderia
esperar?
"Bell, olhe para mim. Por favor, olhe para mim." Ele sussurrou. As palavras
chegaram at� ela e Bella encarou os olhos azuis de seu primo.
"Eu nunca quis que isso acontecesse, Bell. Voc� sabe disso. Eu pedi tantas vezes
para voc� o deixar, para voltar pra mim. Mas voc� sempre esteve com sua mente nele,
em seguir ele. N�o � tarde demais Bella. Deixe-o. Pe�a perd�o e ofere�a informa��es
ao Minist�rio. Eles prometeram que teriam miseric�rdia, voc� ser� libertada do
Beijo! Por favor, Bell, considere isso como sua �ltima chance de escapar!"
Sirius implorava para que ela aceitasse a chance que o Minist�rio lhe dava. Foi
tudo gra�as a ele e a Dumbledore. Eles pertubaram o Ministro para que ele desse
essa chance � Bella. Mas antes que as �ltimas palavras sa�ssem de sua boca, Sirius
j� sabia que Bella n�o aceitaria. Ela balan�ou sua cabe�a com um sorriso man�aco
nos l�bios.
"Eu nunca irei deix�-lo! Ele � e sempre ser� meu Mestre. Eu tenho d� de voc�,
Sirius. Voc� nunca o entendeu. Voc� estava muito envolvido com os Potters! Eles
encheram sua cabe�a com coisas sem sentido sobre Sangues Ruins e Trouxas. Voc� era
de uma fam�lia t�o nobre! A Fam�lia dos Blacks! E o que voc� fez? Voc� jogou tudo
pela janela para ser feliz e para poder ajudar aqueles que n�o sabem cuidar de si
mesmos. Eu n�o preciso da ajuda de ningu�m, Black! Eu serei destru�da em nome de
meu Mestre e ficarei feliz de poder mostrar toda a minha lealdade para ele, para
sempre."
Sirius n�o conseguiu fazer nada, al�m de encarar sua prima maluca. Ela j� estava
muito longe para ser trazida de volta e ele n�o podia fazer nada para ajud�-la.
Sirius se levantou. Ele sabia que Bella n�o poderia ser ajudada, j� que estava
claro que ela n�o queria nenhuma ajuda, mas ele n�o conseguia sentir como se
estivesse a abandonando em um tempo de dificuldade.
Lutando contra as l�grimas, Sirius levantou e deu uma �ltima olhada em sua prima.
Ele se afastou dela e deixou a cela, querendo sair correndo e nem mesmo ver os
Dementadores chegando.
Bella estava lutando para n�o chorar. N�o porque ela queria que Sirius a ajudasse,
mas porque ela estava querendo ser fiel a Voldemort. A mulher estava ficando
realmente chateada, ela n�o queria morrer. Bella n�o tinha d�vidas de que sua morte
estava perto e que Voldemort n�o a ajudaria, n�o enquanto ela estivesse no
Minist�rio. Bella n�o queria que seu Mestre se arriscasse, mas ao mesmo tempo
desejava que algu�m a salvasse do Beijo. Ter sua alma sugada n�o � algo para ser
tratado com calma.
Ela ouviu passos se aproximando de seu cela e a porta foi aberta mais uma vez.
Dessa vez pela pessoa que Bella esperava ver, n�o que fosse uma coisa boa.
"Hora de ir, Bellatrix." Fudge disse com sua varinha apontada para ela.
As correntes ca�ram e Bella levantou devagar. Ela n�o achava que seus p�s a
aguentariam, pois estavam tremendo, mas mesmo assim a mulher conseguiu ficar em p�
e andar at� a porta. Ela ficou surpresa em ver apenas o Ministro ali, sem nenum de
seus Aurores. Bella tamb�m ficou surpresa ao ver que n�o havia nenhum Dementador. O
que estava acontecendo?
"N�o tente fazer nada ou ir� se arrepender!" Fudge disse ao colocar algemas nos
punhos de Bella. Ele a arrastou para fora da cela e se encaminhou �s escadas.
A mulher estava muito confusa para poder dizer algo, portanto seguiu em sil�ncio,
ela estava tentando ficar forte para poder enfrentar os Dementadores e ficou
perdida em pensamentos, apenas se escutava os sons dos passos e das vozes no andar
superior, demonstrando que algo realmente n�o estava certo.
"Ela se foi!" Uma voz foi ouvida no andar de cima. Fudge parou aonde estava e
come�ou a escutar atentamente.
"O que voc� quer dizer com 'ela se foi'? Quem a deixou sair da cela?" Rugiu outra
voz, uma bem familiar, Bella pensou consigo.
Bella virou para olhar o Fudge que estava ao seu lado. Ele ainda estava focado nas
vozes.
"Sobre o que voc� est� falando? Eu n�o a vi desde que a trouxe at� aqui!" A voz do
Ministro explodiu.
"Mas� mas senhor, eu te vi. Voc� veio h� alguns minutos atr�s e a levou embora." A
primeira voz esgani�ou.
Os dois come�aram a correr pelo corredor e sairam pelas portas que havia no final.
Eles passaram por uma porta estreita e ficaram espremidos contra a parede,
respirando com dificuldade por causa dos nervos e da velocidade.
"Quem� quem � voc�?" Bellatrix perguntou ao Ministro falso, mas antes que ele
pudesse dizer algo, a resposta apareceu.
Bella ficou parada, sem ar, observando o falso Ministro retirar suas vestes,
deixando aparecer a roupa trouxa que havia por baixo. O garoto ao seu lado removeu
as algemas de suas m�os e jogou-as fora.
"H-Harry?" Ela perguntou sem acreditar muito que era ele. Bella n�o o via h� meses.
Ele a segurou pela m�o e os dois sairam correndo pela porta estreita e n�o pararam
at� chegar em uma passagem. Harry esperou um segundo antes de puxar a mulher e
virar a direita. Em frente aos dois havia um pequeno elevador. Era bem antigo e
tinha uma apar�ncia perigosa, por�m era o �nico jeito de escapar.
Bella tentou falar com Harry de novo, mas ele ainda a ignorava. O cora��o do moreno
batia rapidamente em seu peito. Ele estava quase escapando! Tudo o que tinha que
fazer era entrar na sala secreta e sair daquele lugar. O garoto esperava que o
tempo colaborasse.
Assim que o elevador parou, os dois sa�ram correndo para a porta com a inten��o de
sair do pr�dio. A sa�da os levaria para a parte dos fundos, assim tudo o que tinham
que fazer eram escapar pela sa�da de emerg�ncia.
Antes que pudessem chegar at� a porta, por�m, ela se abriu. Harry e Bella ficaram
parados. Em frente a eles, bloqueando a passagem e apontando sua varinha, estava
Sirius Black.
�: Algumas pessoas disseram que a fala deles deveria ser mais descontra�da. Menos
formal. Decidi tentar e... estou tentando gente.
Cap�tulo Quarenta e Nove: A Ira do Lorde das Trevas
Harry observou com dor no cora��o, Sirius entrar no c�modo e fechar a porta,
enquanto deixava sua varinha apontada diretamente para Bella. O garoto ficou na
frente da mulher, assim o alvo do Auror focou-se em seu peito. Alguma coisa passou
pelos olhos de Sirius ao ver seu afilhado bloqueando Bella.
"Voc� se arriscou muito vindo at� aqui, Harry." Sirius disse com cuidado para
manter sua voz baixa.
Harry olhou para o homem cuidadosamente, enquanto observava sua m�o. Bella estava
parada, observando a cena que acontecia � sua frente. N�o havia nada que ela
pudesse fazer, j� que n�o tinha sua varinha em m�os e nada em volta que pudesse ser
usado como arma.
"Eu n�o achei que voc� viria ao Minist�rio novamente. Apenas uma vez j� foi muito
perigoso." Sirius continuou.
O cora��o do Auror estava batento forte e dolorosamente em seu peito. Ele estava
enfrentando uma situa��o muito dif�cil. Seus sentimentos pessoais estavam
confrontando seus deveres de Auror. Se ele honrasse seu compromisso, estaria
entregando seu afilhado aos Dementadores. Por outro lado, se deixasse os dois irem,
estaria libertando uma Comensal da Morte e perderia Harry de novo.
"Eu sa� da outra vez. Por que n�o agora?" O garoto respondeu enquanto continuava
olhando fixamente para Sirius. Se ele fosse prend�-los, j� teria feito. Por outro
lado, deix�-los ir n�o era algo que o Auror faria, ou era?
"Harry, voc� percebe o que est� fazendo? Ajudando Bella escapar, voc� estar� apenas
fazendo as coisas piorarem para o seu lado. O Minist�rio nunca ir� perdo�-lo ou
esquecer suas a��es."
"Eu n�o acho que o Minist�rio planeja esquecer ou perdoar qualquer uma de minhas
a��es. O que � mais um crime na minha lista? O que quer que aconte�a, Black, eu
estarei levando Bella comigo esta noite. Eu n�o a deixarei receber o Beijo."
Sirius olhou desesperado para as duas pessoas que estavam � sua frente. Antes que
pudesse falar algo, um grito foi ouvido.
"Negativo. N�o h� nenhum sinal deles. Eles devem ter sa�do do pr�dio. Eu estou indo
para o Hall principal. Leve todos para l�."
Harry e Bella ficaram parados sem palavras. Sirius havia mentido para proteg�-los!
Ele estava se colocando em risco pelo bem deles.
"Eu j� te disse que sou seu padrinho antes de qualquer coisa. Espero que dessa vez
voc� acredite." Ele disse e abriu a porta que estava � suas costas.
As palavras de Harry ficaram presas na garganta. Ele realmente n�o sabia o que
dizer. O garoto suspeitou que Blake tinha mentido sobre Black, mas j� que n�o sabia
muito sobre o homem, n�o tinha certeza do que Sirius era capaz de fazer. De
qualquer maneira, agora ele sabia que o Auror dizia a verdade. O homem realmente se
importava.
"Apenas me prometa, Harry. Depois que tudo isso acabar, voc� voltar� para casa.
Mesmo que seja por apenas uma noite." Sirius pediu triste ao olhar seu afilhado.
A garganta de Harry se fechou e tudo o que ele p�de fazer foi assentir concordando.
Com isso, Sirius abriu a porta, lan�ou um �ltimo olhar � Bella e saiu. O garoto e a
Comensal ficaram parados, sem saber exatamente o que ocorrera. O Auror tinha ido
prend�-los, mas ao inv�s disso os ajudara. Ele deixou todos focados no Hall, que
ficava na frente do pr�dio, enquanto os dois estavam indo para os fundos do local.
Harry puxou a m�o de Bella e ela saiu do choque em que estava. Ambos sa�ram
correndo da sala, antes que algu�m aparecesse. O lugar estava deserto e levou
apenas alguns minutos para o moreno sair de l�. Eles entraram em um longo t�nel que
era bem elevado e os dois come�aram a subir sem nem mesmo pensar duas vezes. O
pr�dio do Minist�rio ficava no subsolo, sendo assim esse t�nel apenas os levaria
para cima.
Com as m�os e as faces sujas os dois sa�ram, exaustos, de dentro de uma janela.
Havia uma porta do outro lado da sala aonde estavam. Harry e Bella sa�ram correndo
e abriram a passagem. Imediatamente o ar g�lido bateu em suas faces e esvoa�ou seus
cabelos. Os dois correram juntos para fora, at� o ponto em que o pr�dio
desaparecera.
S� na hora em que o pr�dio ficou totalmente fora de vista, foi que os dois pararam.
Bella encostou-se na parede de pedra e come�ou a respirar profundamente. Ela n�o
conseguia acreditar que havia escapado do Minist�rio! Ela tinha certeza de que seu
fim estava certo e que estava preste a ficar de frente com os Dementadores, mas o
al�vio de n�o ter que encar�-los era muito grande. A mulher olhou para o garoto que
estava ao seu lado, apenas h� alguns passos, enquanto ele arfava.
Ela sempre soube que Harry se preocupava com seu bem-estar, mesmo que nunca
mostrasse. Bella era daquele jeito tamb�m, sempre recusando dizer em voz alta o
quanto ele significava em sua mente. Ela havia ca�do de amores por aquela crian�a
que apareceu em sua vida. A morena sabia que era a �nica Comensal mulher, portanto
era seu trabalho cuidar de Harry. Ela n�o sabia como, nem onde, mas de algum jeito,
o menino conseguiu despertar seus sentimentos maternais. Bella era t�o m�e dele,
quanto Lily era. A ruiva tinha apenas o colocado no mundo. Havia sido a morena que
criou e cuidou dele quando o garoto sentiu-se doente. A mulher lhe ensinou como era
o mundo. Harry era seu filho e Bella nunca tinha sentido tanto amor, quanto o que
sentia agora ao observar o moreno arrumando sua postura e checando se estava
sozinho e a salvo.
"Harry!"
Ele parou, mas se recusou a virar para olh�-la. Bella andou at� a frente dele, para
conseguir encar�-lo.
Novamente o garoto recusou a observ�-la. Ele ficou com seu olhos fixos no ch�o.
"Eu sabia que eventualmente voc� iria voltar ao normal. Voc� passou muito tempo
conosco para ir embora desse jeito! Eu disse ao Lorde das Trevas que voc� voltaria
algum dia, Harry. Venha pra casa." Bella puxou a m�o do garoto ao dizer isso. Ela
estava convencida de que ele havia vindo resgat�-la, porque queria voltar para
Voldemort. Esse era o jeito dele perdir perd�o por destruir as Horcruxes.
Harry levantou a cabe�a e olhou Bella. Imediatamente a mulher percebeu que estava
enganada. Os olhos esmeralda do moreno queimavam do mesmo jeito que da �ltima vez,
bem no momento em que ele destruira o pingente.
"Eu salvei sua vida, Bella. N�o porque eu quero me unir a voc� novamente. Eu te
salvei porque n�o queria te ver acabada."
Bella sentiu uma imensa raiva ao escutar essas palavras saindo da boca de Harry.
"Ent�o voc� estava me fazendo um favor! Por que voc� se arriscaria para me salvar?
Porque voc� se importa comigo? Se isso � verdade, Harry, ent�o voc� n�o irira me
ferir desse jeito. Voc� deveria vir e se desculpar com o Lorde por deix�-lo e por
tentar machuc�-lo. Ele ficar� furioso com voc�, mas te perdoar�. Ele sente muito
sua falta, Harry e esquecer� tudo. Voc� destruiu duas das Horcruxes dele e por isso
ser� punido. Voc� sabe disso. Mas depois, tudo voltar� ao normal. Voc� ficar�
conosco novamente." Bella disse isso bem r�pido, como se tentasse se convencer de
que tudo daria certo, mais do que a Harry.
"Voltar ao nomal! E o que � normal para voc�, Bella? Eu ter minhas mem�rias
apagadas de novo? Que eu volte a ser o cachorrinho de Voldemort mais uma vez? N�o,
n�o acho que posso ficar vivendo sob essa ditadura, esse controle!" Harry cuspiu as
palavras, sua f�ria o dominava.
Bella ficou irada com o garoto. Ela o encarou com os olhos arregalados. Ele n�o
apenas havia se atrevido a falar do Lorde das Trevas com tal insol�ncia, mas tamb�m
estava falando mal da vida que o Lorde lhe havia dado. Obedecer as ordens de
Voldemort era uma grande honra e Harry estava insultando isso. Ela queria estar com
sua varinha para poder for�ar o moreno a se desculpar por suas palavras e ent�o, o
levaria de volta para casa.
"Eu tinha que te tirar do Minist�rio e fiz isso! N�o espere mais nada de mim. Eu
ainda farei o que estava fazendo. E voc� est� enganada. Eu n�o destru� duas
Horcruxes, eu destru� quatro delas! E nunca irei voltar para ele, Bella. Voc� tem
que parar de esperar que isso aconte�a."
Essas foram as palavras que provavelmente quebraram o cora��o de Bella. Todo esse
tempo, a mulher estava convencida de que Harry voltaria. O fato do garoto ter
destru�do duas Horcruxes ainda n�o havia registrado em sua mente. Lorde Voldemort
disse que lidaria com os crimes de harry, mas que depois disso, o garoto teria um
novo recome�o. Por�m agora, Bella podia ver que o moreno nunca seria capaz de
voltar para seu Lorde. Ele havia destru�do quatro horcruxes! Voldemort nunca o
perdoaria.
Mesmo se ela o levasse de volta para a Mans�o Riddle, ele se rebelaria contra o
Lorde das Trevas e com isso sua vida provavelmente acabaria. Harry havia ido embora
e nunca mais voltaria.
A mulher olhou para a face dele tristemente. Ela estava supresa consigo mesma ao
n�o sentir raiva com o fato dele ter destru�do tantas partes de seu Mestre. Ao
inv�s disso, Bella estava com mais medo em rela��o ao que iria acontecer com Harry.
Ele n�o seria capaz de sobreviver a isso. Quando Lorde Voldemort o encontrasse, o
moreno sofreria uma morte terr�vel.
"Oh Harry! Por que? Por que voc� fez isso? Voc� arruinou tudo. Ele ia te perdoar!
Ele disse que ia, mas agora� agora ele n�o ser� capaz de te perdoar. Por que voc�
fez isso com as horcruxes? Como pode querer acabar com ele?" Bella disse, l�grimas
rolavam por sua face.
"Eu n�o quero acabar com ele! Se eu n�o consigo pensar em voc� desse jeito, ent�o
n�o poderia, de jeito nenhum, pensar em acabar com ele. Eu apenas quero vingan�a.
Ele me tirou a vida, meu futuro. Eu estou tirando o dele." O garoto respondeu.
A mulher o olhou com os olhos lacrimejantes. Harry se afastou dela, ele queria ir
embora, j� estava ficando doloroso demais aguentar tudo aquilo.
"V� embora, Bella! V� embora e fique quieta at� que o Minist�rio desista de te
procurar."
A mulher desviou o olhar, ela nem mesmo se importava com as l�grimas que escorriam
pelo seu rosto.
"Eu vou voltar! Voc� j� destruiu quatros das Horcruxes de meu Mestre! Eu n�o vou
deixar que mais nada aconte�a ao resto delas. Eu voltarei pela quinta Horcruxes!"
Antes que ela pudesse ir de volta para o pr�dio, Harry agarrou seu bra�o.
Harry quase sentiu pena dela, quando a mulher caiu de joelhos em horror e ficou
dizendo que n�o era poss�vel. Que o anel n�o podia ser destru�do desse jeito. O
garoto n�o queria deix�-la assim, mas o som dos Aurores se aproximando o for�ou a
levantar Bella e chaqualh�-la at� que ela sa�sse do choque.
Bella lan�ou um �ltimo olhar ao garoto antes de desaparatar. Harry jogou-se atr�s
de um caminh�o que estava estacionado no outro lado da rua. Ele observou os Aurores
passando e escondeu-se ainda mais ao ver seu pai e Sirius no meio deles. Os homens
rapidamente passaram por l� e o moreno saiu de tr�s do caminhou e encostou-se nele.
Essa havia sido um noite cansativa.
Harry colocou a m�o em seu bolso, retirou um anel pequeno de dentro e o segurou
sentindo o poder irradiar do objeto. Ele teve que mentir para Bella. Se n�o
tivesse, tinha certeza de que a mulher nunca teria ido sem o anel. O moreno tinha
certeza de que Voldemort a castigaria, mas depois seguiria em frente, Bella era
muito preciosa para receber algo mais do que um Crucio.
O moreno segurou o anel e o observou com aten��o. Foi bem f�cil peg�-lo enquanto se
fingia de Ministro. Harry havia entrado no Minist�rio disfar�ado, conseguira drogar
Fudge e pegar um pouco de seu cabelo para misturar na, j� pronta, po��o polissuco
que Damien havia conseguido pegar no estoque de sua m�e. Depois disso, ele apareceu
no local onde os Aurores guardavam o anel. Aparentemente, ningu�m conseguira
destru�-lo. Tudo falhou. Harry rolou os olhos ao ouvir os feiti�os utilizados. Ele
pegou o anel dos Aurores e seguiu adiante para resgatar Bella. O idiota do Ministro
nem mesmo percebeu que havia sido drogado. Fudge pensou que havia apenas bebido um
c�lice cheio de Whiskey de fogo mandando por um 'admirador devoto'.
Harry ignorou a maioria das perguntas e come�ou a andar mais para o fundo do beco.
Assim que estava no escuro, o garoto contou a todos que tudo ocorrera bem. Ele
assegurou que o anel j� n�o existia mais e que Bella estava a salvo do Minist�rio.
Harry deixou de lado a parte sobre Sirius e a sua promessa sobre voltar � Godric's
Hollow. Ele n�o achava que podia confiar em Damien com esse tipo de informa��o. O
menino provavelmente o for�aria a voltar para casa naquela noite!
"Ent�o, tudo deu certo. Que aliv�o!" Ron disse com uma voz relaxada.
"�." Disse Harry, pensando como Voldemort trataria Bella depois dela ser pega pelo
Minist�rio e ap�s ter perdido a Horcrux.
Bella ficou parada no c�modo escuro. Suas m�os tremiam de medo, afinal Lorde
Voldemort estava parado de costas para ela. A mulher havia acabado de contar para
seu Mestre como fora capturada, torturada e resgatada por Harry. Ela disse tudo
sobre a conversa com o garoto, por�m n�o conseguiu falar sobre as Horcruxes. Bella
sentia que fisicamente n�o conseguiria encontrar as palavras para falar sobre isso.
A mulher ficou ali morrendo de medo e finalmente Voldemort virou para encar�-la.
Bella queria poder n�o encarar aqueles olhos vermelhos irados. Voldemort nunca
havia ficado t�o nervoso em sua vida. Ele andou at� ela, enquanto o resto dos
Comensais seguravam suas respira��es e observavam a cena. Era de sabedoria comum
que a mulher raramente era punida pelo Lorde. Ele tinha uma esp�cie de ponto fraco
pela Comensal. De qualquer modo, mesmo os mais novos recrutas conseguiam ver que a
mulher seria castigada essa noite. Malfoy ficou bem na frente, apresentando uma
express�o sem sentimentos, enquanto assistia o Lorde das Trevas aproximar-se de sua
cunhada. O loiro havia trabalhado muitas vezes ao lado dela e n�o conseguia impedir
o p�nico que sentia, ele esperava que o que quer que acontecesse, fosse r�pido.
As palavras foram sussurradas, mas conseguiram ecoar pelo c�modo. Bella levantou a
cabe�a e fitou os olhos vermelhos.
"M-Mestre, eu n�o tive escolha. Estava sem varinha e n�o tinha nada comigo para
for��-lo a voltar."
Voldemort continuou a observando.
Aquelas palavras chocaram a mulher profundamente. Ela n�o conseguiu suportar olhar
para seu Mestre e abaixou a cabe�a. Bella nunca havia falhado antes e nem mesmo
conseguia encontrar as palavras para pedir perd�o.
"Voc� falhou muito mais que qualquer outro. Voc� perdeu duas coisas
important�ssimas hoje. Meu anel e meu filho." As palavras dele foram ditas com
tanto desapontamento que deixou Bella desejando que o ch�o abrisse e a engolisse.
"Eu lhe entreguei meu anel, considerando que voc� o protegeria com a sua vida. Ao
inv�s disso, voc� salvou sua pele e agora ousa ficar diante de mim!"
Malfoy tremeu de medo. Esse tipo de raiva nunca antes fora direcionado a ningu�m.
Ele esperava que Bella fosse forte o suficiente para encarar o pesadelo que estava
prestes a acontecer.
"Voc� est� certo, Meu Lorde. Eu falhei com voc�! Deveria ter morrido protegendo seu
anel. Por favor, Mestre, me castigue, pois n�o conseguirei viver sabendo como te
deixei na m�o."
A mulher tinha muira corajem para pedir por puni��o na frente de todos os
Comensais. Os outros teriam, provavelmente, se jogado aos p�s de Voldemort e
implorado por perd�o, mesmo que n�o conseguissem nada.
"Voc� ser� castigada, Bella." Voldemort disse baixinho, mas ao inv�s de pegar sua
varinha, o homem levantou a m�o e acariciou a bochecha dela. A mulher ficou
surpresa, mas rapidamente cedeu ao toque. Ela ficou grata ao ver que Voldemort
havia lhe perdoado. O homem riu cruelmente e olhou para a express�o surpresa dela.
Bella percebeu que Voldemort havia visto o que se passava em sua mente e ficou
parada, esperando a maldi��o ser lan�ada.
"Minha querida, Bellatrix. Eu n�o irei lan�ar um Crucio sobre voc�." Voldemort
disse, sua voz muito mais gentil do que o esperado.
"Eu n�o queria fazer isso, mas voc� errou muito. O que aconteceu n�o pode ser
arrumado, portanto, seu catigo ter� que ser de acordo."
A mulher sentiu um friozinho g�lido de terror. O que aquilo siginificava? Que tipo
de puni��o estava por vir?
"Sentirei sua falta, Bella." Ele disse com um sussurro baixo para que somente ela
escutasse.
Voldemort levantou sua varinha e apontou para a cabe�a da mulher. Bella preparou-se
para receber o Avada Kedavra. Deveria ser isso o castigo que n�o teria mais volta.
Novamente o homem leu sua mente e disse que n�o seria essa maldi��o tamb�m.
"M-Meu Lorde! N�o!" A mulher conseguiu dizer entre solu�os, enquanto tentava se
afastar da criatura. Entretanto, seus membros paralisados n�o permitiam muito
movimento.
Malfoy assistiu aquilo aterrorizado. Ele n�o podia ajud�-la e sabia disso. Ningu�m
podia. Sua mente ainda assimilava o fato de Voldemort ter dado tal puni��o para
Bella. A mulher raramente ficara sob a maldi��o Cruciatus.
"Um Comensal que falha n�o � �til para mim, Bella. Voc� perdeu uma parte de minha
alma e ter� que pagar com a sua." Dito isso, Voldemort se afastou do Dementador. O
homem saiu andando, deixando a criatura sobre a mulher.
Todos viram Bella se sacudir e gritar, enquanto revia suas piores mem�rias. Os
Comensais da Morte que estavam em volta, observaram a mulher, enquanto seus gritos
soavam no c�modo. Palavras como 'N�o, por favor, ajudem-me, n�o, por favor, n�o!'
ecoavam contra as paredes. Malfoy desviou o olhar de sua cunhada ao ver a criatura
segur�-la e abaixar seu capuz.
A maioria dos homens assistiram enojados, mesmo que alguns gostassem de observar as
pessoas sob a maldi��o Cruciatus, essa puni��o era simplesmente doentia. As
palavras de Bella pararam abruptamente quando o ser desceu sua boca sobre ela. O
som que aconteceu a seguir, foi uma das janelas se estilha�ando. Todos assistiram o
corpo da mulher convulsionar violentamente, ao sua alma ser sugada.
O loiro n�o se moveu, mas observou sem poder fazer nada os Comensais a sua volta
levantarem o corpo e carregarem-no para fora do c�modo. Ele n�o esperava que isso
acontecesse. Bella se fora. O homem saiu rapidamente de l�, sem a m�nima vontade de
continuar ali sozinho.
Harry correu pela rua sem prestar aten��o em nada. O garoto colocara seu robe
rapidamente e pegara sua varinha, antes de sair. Alguma coisa em seu cora��o lhe
dizia para ir a Hogsmead. Ele correu rapidamente para um beco escuro, assim poderia
aparatar. A manh� j� estava em suas primeiras horas e haviam v�rios trouxas por
ali, mas a mente do moreno n�o estava funcionando corretamente. O garoto havia
acabado de ver Bella receber o beijo de um Dementador fanatasma. Ele tinha que
chegar em Hogsmead!
Harry aparatou no meio da vila, que estava lotada, e imediatamente seu cora��o deu
um pulo de medo. Havia uma grande multid�o no meio da rua, gritando e apontando
para algo no ch�o.
Harry nem mesmo pensou no perigo que corria ao colocar sua presen�a em frente a
toda uma popula��o de bruxos. O garoto saiu correndo pela multid�o. Ele tentou
fazer as pessoas pararam de xingar a pessoa que estava no ch�o, mas todos estavam
muito atentos a ela. Eles nem mesmo o perceberam ali no meio. Harry n�o tinha outra
escolha, ele apontou sua varinha para baixo e disse em voz alta:
"MOMENTUM EXPUR!"
Imediatamente o ch�o tremeu e as pessoas gritaram ao ca�rem umas por cima das
outras. Harry apontou sua varinha para o corpo ensanquantado da pessoa ca�da e
ergueu uma bolha protetora. Os bruxos que perceberam tratar-se do Pr�ncipe Negro, o
garoto que lan�ava os feit�os, ergueram suas varinhas e apontaram para ele. Harry
nem pensou duas vezes ao jog�-los longe.
O moreno segurou o corpo, aparatou para longe dos bruxos que tentavam lhe segurar e
acabou parando em um local deserto. Ele rapidamente lan�ou alguns feiti�os que n�o
permitiram que ningu�m os atacasse e vagarosamente virou a pessoa que em nenhum
momento havia se movido.
Com m�os tr�mulas, Harry ajudou-a a se sentar. Ele afastou os cabelos negros, que
estavam cobertos de sague, de sua face. O garoto esperava que seu sonho havia sido
apenas isso, um sonho. Queria que Bella estivesse bem e que Voldemort n�o a tivesse
punido t�o severamente. Entretando, suas esperan�as quebraram ao ver os olhos sem
vida lhe fitarem. N�o havia nada naqueles orbes. Ele encarou sem poder fazer nada,
a face que cresceu vendo todos os dias. Bella sempre esteve ao seu lado. Ela havia
lhe criado, cuidado quando preciso, lhe ensinado todos os feiti�os e foi sempre uma
figura est�vel em sua vida.
Harry olhou para ela, procurando algum sinal de reconhecimento, algo que indicasse
alguma falha do Dementador, uma pequena evid�cia mostrando que Bella ainda estava
ali. Ele a segurou pelos ombros e for�ou-a a olh�-lo. Por�m suas tentativas foram
in�teis, a pessoa � sua frente estava completamente impercept�vel �s coisas ao seu
redor.
Nada. Ela n�o reagia. Harry tentou dizer o nome novamente, mas sua voz n�o
conseguia segurar mais as emo��es.
"Bella! Bella, n�o! Por favor, por favor, n�o deixe que seja verdade! Bella!" O
garoto gritava, mas n�o conseguia nenhuma rea��o.
Harry passou seus bra�os em volta do ser sem vida que era a sua m�e adotiva e
chorou, enquanto continuava repetindo o nome dela. O moreno a segurava firmemente
contra seu peito, deixando marcas de sangue por toda sua roupa, mas sem se importar
com isso. Sua vida inteira ao lado de Bella passou por sua mente. O jeito como ela
o fazia comer tudo o que havia em seu prato, o jeito como ela o ridicularizava ao
n�o conseguir performar um feiti�o do jeito certo, as noites em que ela passava ao
seu lado quando sua cicatriz do�a, o modo como ela o elogiava na frente dos outros
Comensais, do mesmo modo como uma m�e orgulhosa faria.
"Sinto muito, Bella. Sinto muito� tudo minha culpa... me desculpe. Eu falhei com
voc�, eu falhei com voc�." As palavras de Harry eram entrecortadas, por causa de
seus solu�os. O garoto se sentia respons�vel. Ele deveria saber que Voldemort faria
algo como aquilo e deveria ter entregado o anel � Bella, talvez isso tivesse
polpado a sua alma. A culpa do moreno o estava fazendo pensar que poderia ter feito
centenas de coisas diferentes que pudessem ter salvo a mulher.
Ele nunca havia chorado desse jeito antes, seu corpo inteiro tremia. Afinal, o
garoto nunca havia pedido algu�m como Bella. Ele estava t�o perdido em sua tristeza
que nem mesmo percebeu os feiti�os a sua volta sendo desativados. O moreno sentiu
uma m�o tocar seu ombro e soltou Bella para olhar quem era. A face de Sirius
apareceu � sua frente, quando o homem sentou ao seu lado. Ele tamb�m tinha l�girmas
nos olhos, sua bela face estava cheia de ressentimento ao olhar Bella.
O Auror abra�ou Harry com um bra�o e segurou sua prima com o outro. Ele segurou os
dois pr�ximo ao seu corpo e solu�os escaparam de sua garganta tamb�m. Ele nunca
quis perder Bella. Essa foi uma das raz�es pelas quais deixou seu afilhado lev�-la
na noite anterior. Ele quis salv�-la do Beijo.
Sirius ficou sabendo minutos atr�s por uma liga��o an�nima que Bella tinha recebido
o Beijo por um dos Dementadores de Voldemort e que havia sido jogada no meio de
Hogsmead. Ele correu para l� sozinho e n�o levou muito tempo para saber, por
intem�dio das pessoas, que Harry tinha ido resgatar a not�ria Comensal.
O homem olhou para sua prima e sentiu um calafrio. Os olhos dela n�o tinham nenhuma
vida. Ela parecia t�o... vazia. 'Bella j� n�o est� mais aqui. Isso � apenas um
corpo vazio' Sirius disse a si mesmo.
"Vamos, Harry, temos que sair daqui." Sirius disse ao soltar o garoto.
"Pra onde voc� vai lev�-la?" Ele perguntou com uma voz entrecortada.
"N�o para o Minist�rio. Eu vou lev�-la para algum lugar..." Sirius deixou em
aberto, sem saber como terminar a frase. O que ele deveria dizer? Algum lugar
seguro? Bella havia ido embora. Sua alma tinha sido sugada. Isso era apenas um
corpo. N�o significava nada. Poderia ficar em um cela de Azkaban e nem mesmo
saberia a diferen�a.
"Voc� n�o vai lev�-la para Azkaban, vai?" Harry perguntou, quase como que lendo a
mente do Auror.
Sirius balan�ou sua cabe�a. Ele n�o sabia o que fazer, mas n�o queria que seu
afilhado continuasse parado ali ao ar livre, aonde corria um risco muito grande. O
homem ajudou Harry a colocar Bella sentada, mas aparentemente ela estava incapaz de
ficar parada por si pr�pria. Sirius a segurou em seus bra�os, enquanto o garoto a
olhava angustiado.
"Harry?" Ele perguntou ao v�-lo dar um passo para tr�s. Sirius queria que o moreno
viesse com ele, n�o queria deix�-lo sozinho em uma hora dessas.
"Eu voltarei quando tiver terminado isso. Eu lembro da promessa que fiz na noite
passada. Eu voltarei para ver voc�, mesmo se for uma �nica vez. Prometo."
"Cuide dela." Ele disse baixinho. O moreno sabia que nada podia ser feito pela
mulher, mas ainda queria que seu corpo fosse bem cuidado. Sirius assentiu e a
segurou o mais firme que p�de, pronto para aparatar.
Os tr�s desapareceram do local ao mesmo tempo, deixando apenas os ecos de tristeza
pairando no ar.
Cap�tulo Cinquenta: Focando-se na Tarefa a ser Cumprida
Sirius conseguia pensar em apenas um local aonde poderia ir com Bella. Ele n�o
podia lev�-la para sua casa, j� que ali servia de Quartel General da Ordem. Mesmo
que a mulher n�o estivesse mais ali, Sirius tinha certeza de que a maioria dos
membros da Ordem iriam querer entregar o corpo dela ao Minist�rio para que pudesse
ser enviado a Azkaban. O homem n�o queria que isso acontecesse, portanto ficou com
apenas uma �nica op��o. Godric's Hollow. Ele sabia que James e Lily o ajudariam a
achar uma solu��o.
Sirius tinha acabado de aparatar na casa, quando a porta foi escancarada e James
saiu correndo para encontr�-lo. Ele obviamente o havia visto, da janela, segurando
um corpo nos bra�os.
"Sirius! O que aconteceu? Oh meu Deus! Essa � essa �..." James ficou encarando o
corpo vazio de Bella.
Sirius cambaleou um pouco, sua for�a o estava deixando e James rapidamente pegou o
corpo da mulher. Black estava tentando ser forte na frente de Harry, mas agora que
estava com seu amigo tinha come�ado a sentir suas emo��es.
"LILY! LILY!" James gritou ao ver seu amigo sentando pesadamente na cadeira.
"James! O que h� de errado? Por que voc� est� gritando�?" A mulher perguntou, mas
parou ao ver a cena que estava a sua frente.
Sirius sentado com suas m�os segurando a cabe�a, aparentemente bem chateado. Uma
olhada para o sof� lhe mostrou o porqu�. Lily conseguiu se segurar para n�o gritar,
de t�o surpresa que ficou ao ver Bella deitada ali, com seus grandes olhos negros,
estranhamente vazios, olhando o teto.
"Oh Merlin! Sirius! O que aconteceu?" Lily n�o conseguia pensar em mais nada para
dizer. Era muito estranho ter uma Comensal da Morte em sua casa, mas era muito mais
estranho t�-la ali daquele jeito, encarando o teto e ignorando tudo e todos ao seu
redor. Obviamente havia algo de muito errado com Bella.
Com muita dificuldade, Sirius contou o que acontecera. Ele teve que parar in�meras
vezes para se controlar emocionamente. O homem contou sobre o telefonema, sobre os
moradores de Hogsmead explicando a apari��o do Pr�ncipe Negro e sobre como o garoto
havia levado Bellatrix. Sirius teve uma crise ao narrar a cena de quando encontrara
Harry com a Comensal.
Nesse ponto, todos os tr�s j� tinham l�grimas nos olhos. James e Lily n�o sentiam
nenhuma compaix�o por Bella, afinal a mulher j� era um adulta e sabia muito bem o
que esperar quando uniu-se a Voldemort. Eles estavam mal por causa do que Sirius e
Harry deviam estar sentindo. O casal estava disposto a ajud�-los em qualquer coisa
que pudessem.
James e Lily ficaram surpresos ao saber que Harry havia encontrado Bella primeiro.
Como ele sabia o que acontecera e aonde ach�-la? Eles sentiram seus cora��es
quebrando ao escutarem como Harry havia ficado p�ssimo e como ocorrera sua conversa
com Sirius. James se sentiu extremamente impotente sabendo que seu filho estava mal
e que ele n�o podia reconfort�-lo. O homem ficou um pouco melhor ao lembrar que o
garoto teve Sirius a quem recorrer. Isso significava que seu filho j� n�o via o
padrinho como um inimigo, principalmente ap�s o incidente com Blake em Hogwarts.
"Pra onde Harry foi?" Lily perguntou quando o amigo terminara de contar sobre o
incidente.
"Eu n�o sei. Mas ele prometeu que assim que terminar suas coisas, vir� para casa.
Ele prometeu." Sirius disse aos pais angustiados.
James e Lily sabiam que aquele n�o era o momento pra discutir o assunto, portanto
apenas assentiram com a cabe�a e foram consol�-lo.
"Eu... eu n�o sei. Eu n�o posso lev�-la para casa comigo e n�o deixarei o
Minist�rio mand�-la para Azkaban!" Ele disse em um estado bem emotivo.
James e Lily secretamente concordaram que aquele corpo nem mesmo saberia a
diferen�a, mas ficaram calados para n�o magoar Sirius.
"Eu... eu acho que vou falar com Cissy, ela saber� o que fazer. Bella era sua
irm�." O homem disse baixinho.
James sabia que seu amigo odiava Narcissa, principalmente por ela ter se casado com
Lucius Malfoy e tamb�m por recusar-se a deixar Sirius chegar pr�ximo de sua
fam�lia. N�o que o Auror quisesse ser amigo de algum deles, mas mesmo assim, ele
ainda sentia-se parte da fam�lia e deveria ao menos poder falar com Narcissa e
Draco Malfoy. Damien normalmente ajudava dizendo o qu�o arrogante e ego�sta era
Draco e como ele era sortudo por n�o precisar se envolver com pessoas daquele
jeito.
"Se voc� acha que essa � a melhor coisa a fazer� mas ser� que ela j� n�o sabe?
Quero dizer, o marido dela deve ter dito algo." Lily disse com uma voz calma.
"Eu sei, o Beijo! E por causa de Voldemort ainda por cima. Quero dizer, ela
praticamente beijava o ch�o que o homem pisava e recebeu esse castigo... Eu n�o
posso nem imaginar a dor." Ron adicionou.
"Hum, nada. N�o podemos fazer nada por ela. Quando o Beijo � dado, nada pode
reverter o processo." Ron disse, enquanto olhava sua irm� como se ela tivesse
crescido outra cabe�a.
"Sobre Harry! O que devemos fazer sobre Harry?" Ela perguntou ainda com os dentes
cerrados.
"Uh, Eu n�o sei� O que podemos fazer? Quero dizer, ele n�o vai quere falar com a
gente estar muito mal." Damien disse tristemente.
Ele sabia o suficiente sobre seu irm�o para afirmar que Harry n�o iria querer
ningu�m por perto em uma hora dessas. Ao mesmo tempo, parecia muito cruel deix�-lo
sozinho.
"N�s dev�amos ir v�-lo. Quero dizer e se ele fizer alguma coisa... sabe... alguma
coisa est�pida! Ele pode estar bravo com Voldemort e tentar atac�-lo." Hermione
disse nervosa.
"Claro que ele n�o vai! Ele sabe que n�o pode matar Voldemort enquanto a �ltima
Horcrux ainda n�o for destru�da." Ron disse imediatamente.
"Harry sabe disso, mas ele n�o est� pensando claramente no momento, est�? Voc�s
ouviram o que Sirius disse, Harry est� com o cora��o partido. Acho que dever�amos
ir at� ele. Ele precisa de amigos agora." Ginny disse e se levantou.
"Acho que seria melhor ligar antes. Ver se ele quer nos ver." Damien falou, j�
pegando seu celular.
Todos concordaram que essa seria a melhor op��o. Harry n�o atendeu o telefone nas
duas primeiras vezes, mas na terceira, o moreno atendeu no segundo toque. Sua voz
soava estranhamente rouca. O est�mago de Damien revirou ao pensar em seu irm�o
chorando.
N�o houve resposta do outro lado da linha, sendo assim, Damien continuou falando.
"Eu sinto muito Harry. Voc� est� bem?" O menino perguntou, sem saber o que mais
dizer. Suas palavras soavam vazias, mas ele n�o sabia o que mais dizer. Harry ainda
n�o respondia, mas Damien sabia que ele estava escutando, j� que conseguiu ouvir a
respira��o.
"Eu queria saber se estava tudo bem. Harry? Voc� quer que n�s vamos a� conversar
com voc�?" Damien perguntou, come�ando a pensar em concordar com Ginny e ir ver seu
irm�o. Obviamente o garoto estava sofrendo e precisava de algu�m ao seu lado. De
qualquer modo, foi nessa hora que Harry falou.
Dito isso, Harry desligou o telefone, deixando o menino perdido. Ele realmente
queria ajudar seu irm�o, mas n�o poderia ir at� l�, j� que o outro n�o queria.
Damien sabia que n�o podia ir contra a vontade de Harry. Eles concordaram em dar um
pouco de espa�o ao garoto. Os quatro foram mandados para a Toca, por Lily, naquele
mesmo dia. Nenhum dos adultos sabia que os adolescentes haviam ouvido a conversa e
haviam observado Bella.
Damien n�o falou com Harry por uns dias ap�s o incidente. Toda vez que ele ligava
para o celular do irm�o, o aparelho era desligado automaticamente. Bella havia sido
removida de Godric's Hollow, mas o seu paradeiro n�o fora comentado. Damien n�o
podia perguntar, porque se fizesse tal coisa assumiria que estava espiando. Ele n�o
queria que seu tio Sirius soubesse que havia sido ouvido em uma hora t�o delicada.
Damien estava na casa de Hermione e ap�s uma estressante reuni�o de estudos os dois
resolveram dar uma volta para clarear as id�ias. A segunda semana de maio j�
come�ava e os dias estavam ficando cada vez mais claros e quentes. Os quatro
adolescentes estavam andando pela rua, conversando em voz baixa sobre o que fariam
para melhorar a pesquisa. Eles n�o pensavam exatamente sobre aonde estavam indo e
logo encontraram-se h� uma boa dist�ncia da casa de Hermione.
"Acho que dev�amos voltar. Seus pais devem chegar em casa logo." Ron disse ao
deslizar um de seus bra�os em volta de Hermione. Ele rapidamente se afastou,
parecendo um pouco vermelho. O menino percebeu que estava fazendo isso com muita
frequ�ncia nos �ltimo tempos. Ele diria algo para elogiar a garota e depois
encobriria ou ent�o tentaria segurar a m�o dela, ficaria nervoso e logo soltaria.
'Deus, ele precisa acordar e dizer o que sente.' Ginny pensou consigo ao ver Ron
tentando esconder sua vergonha.
Eles estavam quase atravessando a rua, quando Damien segurou os bra�os da ruiva,
fazendo com que todos parassem.
"Damy, o que�" Ginny disse, mas olhou para dire��o em que o menino apontava.
Por que Harry estava falando com Draco? O que o Slytherin poderia querer agora?
Damien tinha certeza de que quando seu irm�o havia se distanciado de Voldemort, sua
amizade com o loiro acabaria. Os dois nem mesmo pareciam conversar entre si, eles
apenas andavam lado a lado em dire��o ao caf�. Damien e os outros concordaram que
Draco n�o era "seguro" e que eles deveriam ter certeza de que o Slytherin n�o era
uma amea�a a Harry.
Harry e Draco desapareceram dentro do caf�. Os quatro sabiam que n�o poderiam
entrar no local, j� que o moreno de olhos esmeralda ficaria uma fera com eles,
portanto isso os deixava apenas com uma op��o. Hermione e Ron ficariam do lado de
fora, enquanto Ginny e Damien entrariam embaixo da capa de Invisibilidade. O menino
tinha mania de sempre estar com a capa quando sa�a.
Quando os dois estavam seguros sobre a capa, esperaram que algu�m abrisse a porta,
dando espa�o para que entrassem. Ambos entraram quando um casal estava saindo e
rapidamente encontraram Harry sentado com Draco. Eles andaram cuidadosamente,
desviando-se das pessoas at� ficarem perto da dupla. O suficiente para escutar a
conversa.
Damien e Ginny ficaram embaixo de uma mesa vaga e tiveram que fazer for�a para
escutar o que era dito entre os dois garotos.
"Acho que dever�amos ter sabido que isso aconteceria. Eles estavam se irritando
muito f�cil ultimamente. Brigavam constantemente, mas ainda assim � um choque.
Nunca pensei que ela iria deix�-lo, mas aconteceu. Mam�e finalmente se separou do
meu pai."
Os dois amigos embaixo da mesa ficaram surpresos com o que o loiro disse. Seus pais
estavam se separando! Mesmo que Damien odiasse Draco, ele n�o conseguiu impedir de
ter um pouco de pena. Ele n�o achava que era justo para ningu�m passar pelo o que o
garoto estava passando no momento.
Harry n�o disse nada, apenas tomou um pouco do que havia em sua caneca. Damien
observou seu irm�o de perto, ele definitivamente havia perdido um pouco de peso
recentemente. Seus olhos pareciam mais escuros e quando ele finalmente falou, sua
voz soou diferente, como se n�o tivesse dito nada h� dias.
"Voc� vai embora junto com a sua m�e?" Harry perguntou, sem olhar para Draco.
"N�o, eu ainda tenho que fazer algumas coisas. Mam�e estar� levando tia Bella com
ela. Acho que meu tio Marcus estar� vindo para lev�-las. Tio Marcus sempre disse a
mam�e para deixar meu pai e ir morar com ele na Espanha, mas mam�e sempre disse que
algum dia o casamento deles melhoraria. Por�m, vendo o que aconteceu com a tia
Bella... acho que foi a gota d'�gua para mam�e. Ela n�o conseguia acreditar que meu
pai n�o ajudou."
Havia uma nota de tristeza no tom de Draco. Isso era algo que nem Damien, nem Ginny
pensaram ser poss�vel no caso do loiro. Do jeito que ele costumava conversar com
sua m�e e com seu pai, todos achavam que a fam�lia dele era feliz e n�o tinha
nenhum problema. Damien e Ginny trocaram um olhar antes de observar Harry.
O garoto tamb�m parecia estar bem desconfort�vel. Ele se mecheu em sua cadeira e
desviou o olhar de Draco, antes de falar.
"Ser� ser� que existe alguma chance de Bella ser� sabe curada? N�o era um
Dementador de verdade, portanto talvez haja algo que possa ser feito..."
"Acho que n�o companheiro. O Dementador pode n�o ter sido real, mas os efeitos
foram. Ela se foi." Draco disse tristemente.
Harry fechou sua boca e assentiu. Damien conseguia sentir a tens�o entre os dois
amigos, finalmente o loiro come�ou a falar.
"N�o � culpa sua. Ningu�m te culpa, Harry. Pare de fazer isso consigo mesmo."
"Harry! Voc� est� agindo como um idiota! Voc� n�o fez nada pra ela. N�o foi voc�
que a amaldi�oou." O loiro disse bravo. Damien e Ginny ficaram chocados ao ver o
jeito com que ele falava com o moreno. Eles n�o achavam que Draco teria coragem de
falar daquela maneita com Harry.
O moreno de olhos esmeralda olhou para seu amigo, seus olhos cheio de culpa.
"Eu tinha o anel. Eu tinha o anel e n�o o devolvi a ela. Eu sabia que ela seria
punida por perd�-lo, mas nunca pensei que fosse algo daquele jeito. Sou respons�vel
pelo Beijo que ela recebeu."
Harry disse tudo isso bem baixinho, mas suas palavras ecoaram nos ouvidos de
Damien. 'Merlin! Ele pensa que � respons�vel. Deus, por que eu n�o o ignorei e fui
v�-lo? Ele obviamente precisava de ajuda' o menino pensou consigo.
Draco estava olhando Harry, aparentemente sem palavras. Depois de alguns minutos o
loiro limpou a garganta e come�ou a falar.
"Isso ainda n�o o faz respons�vel. Voc� n�o poderia devolver o anel. Eu sei disso.
Voc� nunca pensou que ele a puniria com o Beijo, ningu�m pensaria." Draco tentou
confortar o amigo, mas estava claro na express�o de Harry que o moreno n�o
acreditava nas palavras.
Harry n�o disse nada e apenas tomou mais um gole do que estava bebendo.
"De qualquer modo, eu apenas achei que voc� deveria saber que estamos indo embora
logo. Vou assim que acabar de resolver as coisas com a Mans�o, entre outras
pend�ncias. Apenas achei que se voc� quiser v�-la novamente, sabe que poder�, pela
�ltima vez, amanh�."
"N�o � perigoso para voc� ficar aqui sozinho? Talvez voc� devesse ir embora com sua
m�e." Harry disse, tentando mudar de assunto.
"Voc� sabe como as coisas s�o com o meu pai. Ele nunca prestou aten��o no que dizia
para mim. N�o creio que haja alguma coisa que ele possa fazer ou dizer que v� me
ferir. Ele nunca levantaria sua varinha contra mim, pelo menos eu n�o acho."
Damien sentiu pena de Draco, ele n�o sabia que as coisas eram t�o dif�ceis para o
loiro. 'Ele n�o deveria agir como um menininho mimado' sua mente lhe disse.
"Sabe, desde quando voc� o deixou, eu fiquei longe. N�s dois sabemos o quanto ele
gostava de mim. Eu n�o acho que encar�-lo seria muito inteligente da minha parte.
Foi nessa hora que eu comecei a pensar e de repente vi que apenas queria estar ali,
se voc� estivesse. Acho que me acostumei com voc� me salvando o tempo todo. Se voc�
n�o estivesse ali, eu sabia que seria morto na primeira oportunidade. Meu pai sabia
disso tamb�m e ordenou que ficasse longe."
Damien e Ginny trocaram outro olhar. Eles sabiam exatamente quem 'ele' era. Draco
falava sobre Lord Voldemort. Foi um choque para Damien saber que o loiro n�o queria
ser um Comensal da Morte se Harry n�o estivesse ali. Parecia t�o imaturo, n�o fazer
algo porque seu melhor amigo n�o faria. Mas o menino percebeu que pela fala de
Draco, Voldemort n�o gostava muito dele. Aparentemente o Slytherin era apenas
tolerado por causa de Harry. Com o moreno longe, o homem apenas feriria Draco.
"Eu preciso ir agora. Escute Harry, pense sobre o que eu disse. Voc� deveria
considerar." Draco falou e se levantou.
"Eu preciso terminar isso. Quando tudo estiver acabado eu posso aceitar sua
oferta." Harry disse ao pegar, de seu bolso, algumas notas de dinheiro trouxa e
coloc�-las sobre a mesa.
Damien sentiu seu cora��o sair pela boca. Que oferta era essa? Por que Draco faria
uma oferta a Harry? O que seu irm�o poderia querer?
Damien nem mesmo teve chance de pensar sobre o fato de que ele e Ginny tinham que
se mover para Draco e Harry irem embora. Ambos observaram os dois amigos saindo do
local. Vagarosamente e cuidadosamente, os outros dois sa�ram tamb�m. Eles
encontraram Ron e Hermione, que estavam muito preocupados. Os quatro voltaram para
a casa da garota, antes de dizerem sobre o que se tratava a conversa.
No fim das contas, os adolescentes ficaram sentindo pena de Draco e preocupados com
Harry. O que o loiro poderia oferecer ao amigo? Alguma coisa n�o estava certa.
Damien tinha um mal pressentimento sobre isso, alguma coisa definitivamente n�o
estava certa.
Foi apenas no dia seguinte que Harry ligou para Damien. Ele deixou uma mensagem no
celular, perguntando se os adolescentes poderiam encontr�-lo na estalagem. Os
quatro foram at� o local do mesmo jeito de sempre e assim que entraram no quarto de
Harry, sentiram uma tens�o descofort�vel no ar. Essa era a primeira vez em que se
encontravam, ap�s o incidente com Bella e os quatro estavam incertos de como
conversar com o moreno. Eles n�o sabiam se deveriam ignorar o acontecido ou se
deveriam mencionar a problem�tica toda. Harry facilitou as coisas, depois de alguns
momentos quando todos j� estavam dentro do c�modo.
"N�o comentem sobre nada do que aconteceu. Precisamos nos focar na �ltima Horcrux."
Os amigos assentiram e ficaram aliviados por n�o terem que falar sobre Bella. A
verdade � que nenhum deles queria dizer palavras de conforto para Harry, j� que
todos odiavam a mulher. A Comensal teria torturtado todos eles em nome de Voldemort
e ficaria feliz com isso. Mas pelo bem do garoto, eles teriam que dizer algo de
bom. Gra�as a Deus, ele lhes deu essa op��o de n�o falar sobre ela.
Harry contou a todos sobre a hist�ria por tr�s do objeto e a quem ele pertenceu. Os
outros ficaram supresos em saber que Voldemort escolheria tal artefato.
"Certo, vamos pensar sobre isso. Voldemort usou algo que era de seu av� e esse era
o �nico �tem que o conectava a ele, tirando o pingente de Slytherin. O Di�rio �
diferente de todas as outras Horcruxes. Pertencia ao seu av�, portanto � parte de
sua vida pessoal. N�o acho que estaria em um museu ou no Minist�rio. Provavelmente
est� em seu poder." Hermione leu suas anota��es enquanto todos discutiam.
"Harry, voc� n�o acha que ele usaria um local que fosse pessoal para ele? Quero
dizer, um local que esteja ligado a ele?" Ginny perguntou interessada.
"O que voc� quer dizer?" O garoto respondeu. Ele estava confuso, n�o entendia em
como isso seria �til.
"Bem, pense sobre isso. Toda Horcrux foi colocada em algum lugar que Voldemort se
sentia conectado. A Espada de Gryffindor estava em Hogwarts e voc� disse que ele se
sentia como se a escola fosse seu primeiro lar. A Ta�a de Hufflepuff estava no
Minst�rio, porque ele quer domin�-lo. Essa � sua meta, n�o? Dominar o mundo bruxo.
A Pena Dourada foi colocada no museu fundado por Salazar Slytherin. Eu li sobre
isso quando entramos no pr�dio, falava que o bruxo queria mostrar todos seus
artefatos m�gicos na �poca. O Pingente de Slytherin e o Anel dos Black foram
entregues � Bella, porque ela era pr�xima de voc�s dois."
Ginny terminou de falar e olhou para Harry, ela n�o queria trazer a tona o nome de
Bella, mas tinha que terminar de contar sobre sua te�ria das Horcruxes. O garoto
n�o disse nada, mas ficou pensando profundamente.
"Ent�o� ent�o eu acho que o Di�rio segue a mesma regra. Um lugar que Voldemort se
sinta pr�ximo, ou um lugar que tenha um grande poder..." Ginny parou quando a
cabe�a de Harry se levantou de repente. Ele olhava a garota de modo estranho.
"Hum� eu disse que Voldemort deve ter colocado o Di�rio em algum lugar que ele se
sinta pr�ximo ou que tenha um grande poder." Ela repetiu.
Harry pareceu pensar em algo e n�o disse nada por alguns minutos.
"Hum� Harry? Voc� est� bem?" Ron perguntou, achando que havia algo de errado com o
garoto.
De repente o moreno olhou para Ron e sorriu. 'Ok, essa imagem maluca n�o est�
ajudando' o ruivo pensou consigo.
"Eu acabei de descobrir aonde o Di�rio est�. Faz todo o sentido." Harry exclamou.
"� como Ginny disse, o Di�rio est� em um local em que Voldemort sente um grande
poder, um lugar que est� ligado a ele. E j� que essa Horcrux est� conectada ao
passado, creio que o local deve ser do passado tamb�m." O garoto explicou.
A raz�o de Harry parecer t�o no mundo da lua ficou clara e todos relaxaram. O
moreno continuou.
"Acho que a Horcrux vai estar em um local ligado em sua inf�ncia. Sendo assim,
posso dizer que n�o ser� no orfato que frequentava quando crian�a. Ele odeia aquele
lugar, n�o pode ser a casa dos Gaunt, j� que o lugar foi destru�do h� anos atr�s.
Portanto, isso apenas nos deixa com um lugar. A caverna."
Todo mundo olhou para Harry, esperando que ele explicasse melhor, mas o garoto
continuou falando apesar das rea��es.
"Voldemort me disse que a primeira vez em que percebeu os seus poderes foi quando
as crian�as do orfanato foram a um passeio. Ali ele achou uma caverna com cobras.
Na �poca ele ainda n�o sabia que podia falar com elas. Havia essas duas crian�as
que o perturbavam e Voldemort as levou para dentro da caverna e, bem, disse para as
cobras atacarem. Ele disse a elas para n�o morder, j� que n�o conseguiria explicar
os dois corpos, mas aquilo assustou muito os garotos. Ele disse com essas palavras
'a primeira vez em que me senti verdadeiramente poderoso foi quando comandei o
ataque de duas crian�as'. Se serve de alguma coisa, aquele Di�rio est� na caverna.
Tenho certeza."
"Eu tenho uma id�ia de onde fica. N�o estou totalmente certo, mas descobrirei."
Harry disse.
"N�o, Harry. N�s vamos descobrir." Ron disse, j� se levantando para encar�-lo.
"Voc� est�o loucos? Voc�s n�o podem vir comigo! Eu tenho que achar o local e tenho
apenas alguns dias para isso. Eu n�o posso ter voc�s tr�s de mim me atrapalhando,
preciso fazer isso r�pido."
"Exatamente Harry, n�s precisamos fazer isso r�pido. Voldemort provavelmten est�
mantendo a �ltima Horcrux segura, usando todo o seu poder. Voc� n�o deveria ir
sozinho e n�s n�o vamos te atrapalhar. Voc� pode precisar de nossa ajuda. Cinco
pares de m�os � melhor do que um par!" Hermione exclamou.
"E os seus pais? Eles com certeza ir�o perceber o sumisso de voc�s. O que voc�s
dir�o a eles?" O moreno perguntou.
"N�s iremos� n�s iremos dizer que vamos acampar." Damien disse depois de pensar por
um tempo.
"�, isso vai dar muito certo. 'Hey m�e, pai. Sabe, n�s estamos no meio de uma
guerra violenta, mas sabe... eu queria ir dormir ao ar livre por uns dois dias.
Vejo voc�s depois, se eu sobreviver'. Use sua cabe�a Damy!" Ginny explodiu.
Damien apenas a olhou feio e encarou Harry, que parecia estar se segurando para n�o
rir.
"Acho que dev�amos apenas dizer a eles que vamos ficar na casa um do outro por
alguns dias. Damien, Ron e Ginny podem dizer que v�o ficar l� em casa e eu digo a
mam�e e ao meu pai que estarei na casa de Damien. N�s diremos que temos planos, um
monte de coisa para estudar e que eu fiz provas para todos voc�s. Isso ser�
'acredit�vel'." Hermione disse depois de pensar por uns minutos.
"E se seus pais contatarem uns aos outros? Voc�s ser�o pegos rapidinho." Harry
disse novamente, tentando mostar como isso n�o daria certo.
"Meus pais n�o sabem como contatar fam�lias bruxas e seus pais e os de Ron s�o t�o
bom amigos que nem mesmo tentar�o se contatar. N�s estaremos bem." Hermione disse
levianamente.
O moreno de olhos esmeralda tentou arranjar outro problema, mas os quatro estavam o
olhando de perto, prontos para encontrarem outra solu��o.
"N�s vamos Harry. Apenas aceite isso." Ron disse e sorriu zombeteiramente para o
garoto.
Harry fez uma careta antes de assentir que todos poderiam ir.
"Apenas estejam prontos, n�s sa�mos amanh�." Ele disse e todos foram embora.
Cap�tulo Cinquenta e um: A �ltima Horcrux
Os adolescentes come�aram sua jornada juntos logo nas primeiras horas da manh�.
Quanto mais cedo chegassem ao seu destino, melhor para todos. Damien, Ron e Ginny
n�o tiveram nenhum problema ao convencer seus pais sobre para onde iam.
Aparentemente a Ordem estava cheia de problemas e eles ficaram mais do que
contentes em deixarem as crian�as irem. Os adultos tinham certeza de que os
Grangers cuidariam deles. Os pais de Hermione ficaram mais relutantes ao deixarem
sua filha passar uns dias na casa dos bruxos. Eles ultimamente liam o Profeta
Di�rio, que era entregue em sua casa e estavam ficando cada vez mais preocupados ao
verem Hermione longe do mundo trouxa.
"Ser� mais dif�cil viajar com todo mundo. Seria muito mais f�cil e r�pido se eu
fosse sozinho." Harry disse enquanto os adolescentes se preparavam para ir.
"N�s j� dissemos, Harry. Vamos junto. Se voc� n�o nos levar, iremos dar um jeito de
ir. E voc� se lembra o que aconteceu da �ltima vez em que nos separamos para
procurar uma Horcrux?" Ginny disse e todo mundo virou para encarar Ron.
A ruiva se referia a confus�o que seu irm�o fizera com a Pena Dourada. Por causa de
sua pressa, todos eles quase perderam suas vidas.
Harry olhou para Ron, lutou para n�o rir e ent�o olhou para Ginny, que sorria de
lado para o irm�o. Ele pensou em dizer que iria lan�ar um Obliviate sobre a mem�ria
deles, assim eles n�o lembrariam sobre as Horcruxes e ele os deixaria ali, mas o
moreno sabia que n�o conseguiria fazer tal coisa. Ao inv�s disso, deu de ombros e
os levou para a estalagem. Talvez eles seriam �teis na viagem. Pela primeira vez em
sua vida, Harry n�o estava incomodado com a presen�a dos outros adolescentes e
percebeu, assim que todos entraram no trem, que devido ao motivo de estar com os
quatro constantemente se sentia quase confort�vel com eles por perto. Um deles em
particular o deixava quase feliz em ter concordado em traz�-los. O garoto olhou
novamente para a ruiva ao lado de Hermione e finalmente deixou um sorriso aparecer,
antes de escond�-lo novamente.
A Ordem estava em caos. Era o terceiro dia desde que eles descobriram sobre as
cinco Horcruxes destru�das. Claro que a destru���o da primeira era de conhecimento
geral, j� que todos assistiram a mem�ria de Snape, que mostrava Harry a explodindo.
Mas as outras que ficavam disaparecendo ainda eram um mist�rio. O Ministro no
come�o n�o queria assumir que aqueles poderosos artefatos, aqueles objetos
insubstitu�veis, que eram roubados na verdade pertenciam � Voldemort.
Como sempre, o Ministro estava mais preocupado com sua reputa��o do que com os
problemas imediatos. Se o Mundo Bruxo descobrisse que Vodemort havia feito as
Horcruxes e que esses �tens tinham uma import�ncia m�gica t�o grande, Fudge
definitivamente seria expulso de seu cargo.
De qualquer modo, Albus Dumbledore sabia que esses �tens eram Hrocruxes e sabia
tamb�m quem as estava destruindo. Ele informou a Ordem sobre suas descobertas.
Dumbledore e uns poucos membros confi�veis, tentaram acabar com a Horcrux no anel
Black, que fora retirado da posse de Bella. N�o importava quais feiti�os ou
maldi��es usassem, eles n�o conseguiam nem mesmo arranhar a surf�cie do objeto.
Dumbledore sabia que Harry era a pessoa que ajudara Bella a escapar, ele tamb�m
sabia que provavelvente havia sido o garoto que pegou o anel. Albus sempre
acreditou que o moreno era o �nico, o �nico mesmo, que poderia destruir Voldemort e
isso apenas provou sua tese. Dumbledore e v�rios membros nem mesmo conseguiram
danificar o anel, enquanto Harry desintegrou o Horcrux de Slytherin apenas querendo
que tal coisa acontecesse.
O bruxo anci�o ficou pensando sobre como os olhos esmeralda de Harry ficavam
profundamente negros e concluiu que devia ser algo que o garoto tinha desde
pequeno. Ele se lembrou da mem�ria do moreno ajudando as duas crian�as, quando
tinha apenas sete anos. Bem antes de ajud�-los, Dumbledore lembrou que os olhos
dele escureceram. A raz�o por tr�s disso era algo que o homem iria procurar
entender depois. O problema era que o Ministro estava concordando, agora, que os
artefatos realmente eram Horcruxes, mas ainda se recusava a acreditar que Harry as
estava destruindo. Ele mantinha seus ideais de que o garoto nunca sa�ra do lado de
Vodemort e que estava reunindo as Hrocruxes para guard�-las a salvo, para o caso do
Minist�rio as achar.
A reuni�o que Dumbldore convocou era para convencer os membro da Ordem. A maioria
concordou em segu�-lo. Eles confiam muitos em Albus, mas como Harry j� havia
cruzado o caminho de alguns, a f� dos membros estava diminuindo. A maioria confiou
que Dumbledore manteria Harry em Hogwarts e o converteria para o lado deles, mas
quando o moreno escapou e depois atacou o expresso de Hogwarts, muitas pessoas
acharam dif�cil acreditar que o mesmo garoto estava tentando se livrar do mal, que
h� pouco tempo era a favor.
Os �nicos membros que discutiram abertamente com Dumbledore foram Moody e alguns
outros. James parou de ir �s reuni�es e depois conseguia um breve resumo. Isso
acontecia para que o homem controlasse sua vontade de matar Moody. Todas as vezes
que o Auror abria a boca era para falar mal de Harry.
James sentou em outro c�modo de Grimmauld Place, pensando em como seria deixar tudo
para tr�s. Ele sabia que Harry prometeu voltar para casa, Sirius disse isso. O
homem queria que seu filho voltasse logo. Da �ltima vez que havia ouvido a voz do
garoto foi no telefonema que recebeu ap�s o moreno ter deixado Voldemort. O
epis�dio ainda o fazia lacrimejar. Harry lhe chamara de 'pai'. James pensou que
nunca escutaria o garoto lhe chamando assim.
"Lily? Qual � o problema?" James perguntou ao ver sua esposa entrar e sentar ao seu
lado.
"Aquele� aquele� Auror! Juro que vou mat�-lo!" A ruiva gritou, enquanto sentava.
"Quem? Moody! O que aquele bastardo est�piudo disse agora?" James perguntou,
sentindo o sangue ferver.
"Ele� ele.. oh, n�o consigo nem mesmo repetir! Juro para voc� James, aquele homem
morrer� em minhas m�os!" Lily disse de novo. O homem percebeu que fa�cas sa�am da
varinha de sua esposa.
"Lils, o que voc� fez?" James perguntou, sabendo que ela havia usado a varinha.
"Ele mereceu! N�o vai mais ficar pensando em entregar Harry, j� que n�o ter� ossos
em seus bra�os!"
"Voc� fez os ossos do bra�o dele desaparecerem! Oh, Lily. Isso foi brilhante!" Ele
disse ao sorrir para a esposa. Por�m, o sorriso desapareceu ao ver que a ruiva
tinha o olho cheio de l�grimas.
"N�o � apenas ele, certo? Todo mundo quer destruir Harry. Quantos deles podemos
parar? N�o James, isso n�o � sobre n�s. Moody era um grande amigo e agora voc� nem
mesmo consegue ficar no mesmo c�modo que ele... e eu n�o consigo acreditar que
lancei aquele feiti�o nele! N�o sei se isso pode ser consertado. O que faremos? Por
que as pessoas n�o podem deixar nosso filho em paz? Ele j� est� passando por um
inferno com a quantidade de coisas a sua volta! Por que eles n�o podem nos ajudar
em ach�-lo e mant�-lo a salvo? Por que eles n�o acreditam em Dumbledore? Eles
costumavam a acreditar em todas as palavras dele! Eles nunca o desrespeitariam do
modo que Moody acabou de fazer!"
James colocou seus bra�os ao redor de sua mulher e tentou acalm�-la. Entretanto,
ele n�o tinha nenhuma palavra de conforto, simplesmente porque n�o sabia como
responder as perguntas. Ao inv�s disso, o homem apenas a segurou forte e a deixou
chorar.
"E-eu apenas queria que ele viesse para c-casa! Eu quero m-meu beb� de volta!" Lily
sussurrou, entre solu�os, contra o peito de James.
O homem ficou murmurando palavras de seguran�a para a esposa. Disse que Harry
eventualmente viria para casa, que ele faria isso se concretizar. Por�m l� no
fundo, James sabia que o garoto vir para casa n�o era uma solu��o para o problema.
A solu��o seria um modo de deix�-lo seguro. Ainda assim, o Auror rezava para que
seu filho voltasse. Ele faria tudo para mant�-lo a salvo. James fechou seus olhos e
deixou as l�girmas rolarem para fora de suas p�lpebras fechadas.
Damien andava inclinado, com dificuldade e tentava n�o ficar para tr�s. Eles
estavam rodeados por montes e colinas e para todos os lados em que olhavam, viam
enormes �rvores. Ele correu um pouco mais e conseguiu aproximar-se de Ginny. Harry
liderava o caminho e parecia andar entre as �rvores com muito mais facilidade. Eles
andavam por apenas duas horas e Damien j� come�ava a cansar.
Harry liderava-os e estava h� alguns bons passos na frente. Hermione e Ron andavam
juntos, mas n�o conversavam entre si. Estavam muito concentrados em n�o trope�ar e
em n�o perder Harry de vista. Ginny e Damien eram os �ltimos.
O grupo continuou andando entre as �rvores, cada vez mais profundamente, at� que os
sinais de civiliza��o desapareceram. Harry n�o tinha nenhum caminho definitivo a
seguir, afinal nunca havia ido at� o local e estava deixando seus bons instintos de
dire��o lhe guiarem. Ele sabia que a caverna era bem isolada e que estaria
magicalmente fechada. Tudo o que Harry tinha que fazer era chegar perto para
detect�-la. Ele estava ciente dos quatro adolescentes, atr�s de si, que tentavam
desesperadamente alcan��-lo, mas tamb�m sabia que n�o iria parar por eles.
Depois de mais algumas horas, Harry teve que parar para que os outros descansassem.
Ele abafou o riso ao ver as faces vermelhas e express�es exaustas dos outros. Ron
era o pior. Todos eles sentaram e Damien pegou as cinco garrafas de �gua que havia
trazido. Os cinco sentaram em baixo da sombra das �rvores e beberam a �gua fresca.
A temperatura estava ficando bem quente, afinal estavam no meio de junho. Harry
apenas tomou um gole de sua �gua, j� que olhava a sua volta. Ele n�o tinha a m�nima
id�ia de quanto mais iriam andar. Aparentemente a caverna estava bem escondida.
"Hum, bem, lembra quando voc� veio ao Clube dos Duelos? Voc� ergueu aquele escudo
super legal! Eu estava pensando... �... � muito dif�cil fazer aquilo?" O ruivo
perguntou meio hesitante.
Harry olhou para o menino por um momento antes de responder. Aparentemente Ron
queria perguntar sobre suas habilidade de duelo h� algum tempo, mas a situa��o
sempre fez com que a quest�o fosse imposs�vel de ser elaborada. Ele pensou por um
momento e ent�o respondeu casualmente.
"N�o, n�o � dif�cil. Qualquer um pode fazer se puder controlar aquele n�vel de
magia."
Os olhos de Ron brilharam e Harry soube na hora qual era a pr�xima pergunta.
"Eu sei, � que� bem, se algu�m nos atacar, ao menos poderemos nos proteger um pouco
mais." Ron disse com fervor.
Harry pensou sobre isso por uns minutos. O escudo n�o era dif�cil de conjurar e Ron
tinha um bom argumento sobre precisar da prote��o.
O moreno decidiu que iria mostrar, mais tarde, como conjur�-lo. Ele sabia que n�o
iria conseguir chegar � caverna hoje e que levaria um ou dois dias para isso.
Portanto, assim que a noite ca�sse, ele mostraria como os outros deveriam fazer.
Com aquela promessa, os quatro ficaram mais alegres e acompanharam Harry por dentro
da floresta sem nenhuma reclama��o.
Ron trouxera a barraca m�gica de seu pai, como n�o era usada com frequ�ncia,
ningu�m sentiria falta. Hermione e Ginny trouxeram muita comida, mas Harry insitiu
que n�o comessem muito, j� que n�o sabiam quanto tempo ficariam procurando pela
caverna.
Depois de um pequeno jantar, a barraca foi montada. As garotas montaram uma barraca
n�o m�gica, que pertencia aos pais de Hermione. Por�m como apenas as duas a
dividiriam , n�o ficou t�o ruim. Os garotos ficaram com um espa�o bem maior, com
banheiro e tudo mais. Os quatro sentaram, silenciosamente contentes com a noite
quente, sentindo as dores do dia que passara. Ningu�m, exceto Harry, havia
percebido o quanto essa viagem seria cansativa.
O moreno de olhos esmeralda lan�ou outro feiti�o em volta deles, assim seriam
avisados se algo perigoso se aproximasse durante a noite. Quando ele sentou ao lado
de Damien, percebeu que todos o olhavam ansiosos.
"Voc� disse que nos mostraria como conjurar o escudo hoje a noite." Damien disse
imediatamente.
"Ok, t� bom." Ele disse alto e se levantou. Todo mundo o imitou, animados por
aprenderem algo de Harry.
O garoto virou para encarar Ron, j� que fora ele a pessoa que pediu.
"Ok, a primeira coisa que devem fazer � juntar o m�ximo de energia que puderem de
seu n�cleo m�gico."
"Hum, meu n�cleo m�gico?" Ele perguntou como se nunca tivesse escutado a palavra.
Harry cerrou os dentes irritado. Ele n�o tinha muita paci�ncia, especialemente
quando estava cansado.
"� voc� sabe, seu n�cleo m�gico. Aquele que possue a sua energia m�gica."
"Eu sei o que � n�cleo m�gico. Apenas n�o sei o que voc� quer dizer com 'retirar
energia dele'."
O moreno correu as m�os pelo seu cabelo e suspirou. Damien teve que se impedir para
n�o dizer o quanto ele parecia com o pai deles.
"Ok! Vamos come�ar pelo come�o. Voc�s sabem aonde fica o n�celo m�gico de voc�s?"
Harry perguntou, pensando que n�o haveria jeito de uma pessoa de dezesseis anos n�o
saber a localiza��o de seu n�cleo m�gico.
Ron ficou com uma express�o confusa e olhou hesitante para Hermione, mas a morena
apenas o encarou. Ela obviamente sabia aonde ficava o n�cleo m�gico, mas ficou um
pouco desapontada ao ver que o ruivo n�o sabia. Ele levantou a m�o com uma
express�o estranha e a colocou sobre seu cora��o.
A express�o de Harry foi impag�vel, ele parecia morder sua l�ngua para n�o dizer
nada ao ruivo. Ao inv�s disso ele andou at� o menino e realmente tentou n�o fer�-lo
ao retirar sua m�o do peito e coloc�-la na cabe�a.
Damien e Ginny estavam se dobrando de tanto gargalhar e Hermione tentava n�o rir ao
olhar a express�o de Ron. O ruivo ficou mais vermelho do que seu cabelo e abaixou
sua m�o enquanto olhava abobalhadamente para Harry.
"Voc�s devem aprender a se concentrar em seu n�cleo. Isso � o que deveriam ter
aprendido desde o come�o. Todo mundo tem um n�cleo m�gico diferente, assim como as
varinhas que usamos, por isso que algumas funcionam melhores do que as outras. Voc�
n�o pode usar uma varinha que n�o � sua, porque elas se ligam ao nosso n�cleo e
retiram energia de l� para efetuar a magia. Se um trouxa levantar uma varinha, nada
acontecer�, j� que eles n�o possuem um n�cleo m�gico. Trouxas usam um outro tipo de
m�gica e a chamam de 'for�a da mente'. Eles pensam que a mente tem um certo jeito
de pensar." O garoto parou de falar e deixou que suas palavras penetrassem. A
aten��o intensa dos outros sobre ele o estava incomodando. Ele nunca havia ensinado
ningu�m antes.
"Ent�o para poder conjurar um escudo de corpo inteiro, voc�s devem aprender a
manipular o seu n�cleo m�gico. Devem deixar sua m�gica virar acima de tudo um
instinto. A for�a do escudo depende de qu�o forte � seu n�cleo. Voc�s n�o podem
faz�-lo ficar mais forte, isso � algo com que nascemos."
"Ent�o, se meu escudo n�o for forte, ele falhar� em bloquear as maldi��es?" Ele
perguntou, sentindo que isso seria uma perda de tempo, j� que n�o se considerava um
bruxo muito poderoso.
"Voc� n�o pode bloquear todas as maldi��es, mas se puder levantar um escudo de
corpo inteiro, poder� se salvar de umas bem cru�is. Se todos voc�s ficassem juntos
e conjurassem um escudo ao mesmo tempo, eles iriam se fundir e juntos seriam
impenetr�veis." Harry explicou.
"Ok, ent�o como fazemos para concentrar nossa energia?" Damien perguntou ao segurar
sua varinha.
"Voc� pode colocar isso de lado. N�o iremos usar as varinhas ainda. Tentarei
ensin�-los sem o uso delas. Se aprenderem esse m�todo, ent�o poder�o tentar isso
quando estiverem em casa ou se precisarmos por aqui." O moreno disse baixinho.
Harry explicou o melhor que p�de, tentando lembrar como era ensinado o feiti�o. Seu
cora��o pulou em seu peito ao se lembrar quem lhe ensinara o escudo de corpo
inteiro. Lorde Voldemort havia passado horas lhe ensinando. O garoto afastou a
mem�ria e continou se concentrando nos quatro a sua frente.
Eles praticaram por duas horas, nas quais nenhum deles achava que havia conseguido
algo do que Harry explicou. Cansados e um pouco desapontados consigo mesmo, os
adolescentes se prepararam para dormir. O moreno de olhos esmeralda assegurou que
com mais pr�tica, tudo daria certo. O garoto esperava que n�o precisassem desse
tipo de defesa, enquanto na floresta. Ele n�o queria pensar no qu�o ruim as coisas
poderiam ficar.
Foi apenas no terceiro dia que os adolescentes conseguiram chegar at� a caverna.
Ron praticava o escudo a cada oportunidade que tinha e apenas na noite anterior
conseguira fabricar um luzinha amarela a sua volta. O ruivo ficou praticando sem
varinha, portanto conseguir qualquer resultado j� era uma grande coisa. Harry disse
ao garoto que quando ele praticasse com uma varinha, provavelmente uma bolha
amarela se formaria a sua volta.
Isso inspirou o resto do grupo a continuar praticando seus escudos. Apenas Ron e
Hermione conseguiram uma rea��o. A garota conseguiu uma pequena luz rosa em volta
de si, antes que a mesma desaparecesse. Apenas Damien e Ginny n�o conseguiam fazer
o feiti�o funcionar.
"Eu n�o preciso mesmo. J� tenho toda a prote��o de que preciso." Damien ficou se
gabando ao apontar a Layhoo Jisteen que estava em volta de seu pesco�o.
Harry n�o disse nada, mas lan�ou um olhar na dire��o de seu irm�o. J� estavam na
metade da tarde, quando finalmente passaram entre galhos de �rvores e viram que
estavam em frente a uma caverna tenebrosa. Era como se o sol, de algum modo, n�o
chegasse at� o local. A caverna estava imersa na escurid�o e mesmo o ar ao seu
redor parecia resfri�-los at� os ossos.
"Oh meu� Merlin! � essa?" Ron perguntou ao olhar para a caverna. N�o parecia ser um
lugar aonde ele gostaria de entrar.
Harry olhou em volta e viu medo e relut�ncia em suas faces. Ele mesmo sentiu o frio
perpassando pelo seu corpo. Todos os cinco andaram at� a caverna, fechados em um
grupo. Assim que chegaram na entrada, perceberam que ela estava completamente
fechada. N�o havia jeito de entrar. Harry pegou sua varinha e mandou que os outros
tamb�m pegassem as deles, ele percebeu que a caverna estava t�o cheia de magia, que
n�o haveria jeito de algum deles serem rastreados ao lan�ar feiti�os.
Todos ficaram ali olhando para a entrada, eles haviam chegado at� ali e n�o podiam
fazer nada para entrar. Todos estavam completamente acabados.
"Vamos, n�s dever�amos ir. N�o vai adiantar." Ron levou Hermione e Ginny para longe
da caverna e com Damien um pouco mais atr�s, eles andaram alguns passos.
Harry ficou ali parado, olhando a entrada. Ele n�o iria desistir agora. Essa era a
�ltima das Horcruxes e ele n�o iria voltar agora. Devia haver um modo de entrar
ali. Tinha que ter! De repente uma id�ia apareceu em sua mente e o garoto andou
mais alguns passos em dire��o a caverna.
Os quatro adolescentes ficaram congelados e viraram para encarar Harry que falava
na l�ngua anci� das cobras. Nenhum deles sabia que o garoto era ofidioglota. Ron e
Hermione pareciam desconfort�veis. Era bem estranho escutar algu�m falar daquele
jeito. Damien, como sempre, estava abobalhado com as habilidades m�gicas de seu
irm�o. Isso n�o lhe incomodava nem um pouco. Ginny ficou completamente encantada ao
ouvir os estranhos sibilos preencherem o ar a sua volta.
Harry deu alguns passos para entrar e ent�o olhou para tr�s. Ele gesticulou para
que os outros o seguissem rapidamente. Imediatamente os quatro sa�ram de seu transe
e correram at� o moreno. Quando entraram na caverna, escutaram as rochas fecharem-
na. Ron tentou n�o entrar em p�nico e andou ao lado de Hermione, ambos segurando
suas varinhas em frente ao corpo. Ningu�m falou enquanto todos penetravam cada vez
mais no local. Surpreendentemente, n�o houve necessidade de lan�ar um 'lumos', j�
que o lugar parecia estar cheio de uma luz brilhante.
Harry parou de andar em frente a uns degraus que levavam ainda mais para o fundo da
caverna. Os quatro amigos pararam atr�s dele.
"Sim." O ruivo respondeu, pensando no que Harry queria dizer a esse ponto.
"N�o importa o que� N�o toque em nada!" O moreno disse sem olhar para o ruivo.
"Ok, mas por que�" As palavras dele morreram em sua garganta, quando Harry saiu do
caminho. A raz�o pela caverna brilhar ficou clara e o menino sentiu sua mand�bula
cair em espanto.
No final dos degraus, havia montanhas e montanhas de j�ias, todas juntas. Elas eram
a raz�o do brilho no local. Hermione, Ginny e Damien ficaram com express�es
similares a de Ron.
Eles ficaram parados, olhando estupidamente para o tesouro. V�rias j�ias de todas
as cores e tamanhos amontoadas em ouro e prata, preenchiam o ch�o da caverna.
Apenas uma das mais preciosas seria o suficiente para deixar Ron e sua fam�lia
vivendo cofort�vel at� o fim de suas vidas.
Eles seguiram Harry devagar pelos degraus, o tempo inteiro olhando para as j�ias
brilhantes.
"Hum� por que Ron n�o pode tocar em nada?" Damien perguntou, tentando afastar seu
olhar da montanha de ouro, que estava h� cent�metros deles.
"Porque tudo aqui � amaldi�oado. Isso � apenas uma armadilha para instrusos." O
garoto explicou ao continuar liderando o caminho.
Ron sentiu seu cora��o voltar para o local original em seu peito. N�o havia raz�o
para pegar algo amaldi�oado. Eles seguiram Harry silenciosamente, ignorando o
tesouro.
O cinco sa�ram do local com as j�ias e desceram por uma pequena passagem. Harry
parou um pouco para descobrir para onde deveriam ir. A passagem terminava t�o
estreita que eles tiveram que formar uma �nica fila para andar por ali.
"Harry, como voc� sabe para onde ir?" Ginny sussurrou enquanto tentava mater o
passo.
A ruiva podia jurar que o viu sorrindo brevemente em sua dire��o, mas balan�ou a
cabe�a e continuou andando com cuidado.
"Finalmente! Aquilo foi um belo apert�o!" Ron exclamou, quando chegou at� os
outros.
Ningu�m respondeu nada para ele e o ruivo olhou para frente para ver o que havia de
errado, mas o menino desejou n�o ter feito isso. Em frente a eles estava um mar de
lava derretida. O l�quido vermelho parecia formar uma onda gigante, que estava
rapidamente atingindo o teto da caverna.
Ron tentou voltar e percebeu que a �rea atr�s deles estava completamente fechada.
N�o havia jeito de voltar.
"N�s estamos cercados!" Ele gritou, entrando em p�nico ao pensar na terr�vel morte
que iriam sofrer.
"Ron! N�o se mova, todo mundo fique aonde est� ou isso s� vai piorar!" Harry tentou
explicar.
"Como isso poder� piorar?" Damien gritou, j� que tamb�m estava se encurralando
contra a parede.
"Seu medo far� isso real. Se voc�s n�o mostrarem que est�o com medo e ficarem aonde
est�o, isso n�o os machucar�!" Harry gritou.
Ron duvidava seriamente daquilo. Ele j� conseguia sentir o calor da lava e assistiu
aterrorizado uma grande onda de lava ir em dire��o a eles. Em alguns momentos
aquele monte de lava os cobririam inteiros.
"Confie em mim! Fique aonde est�o! N�o se movam. N�o tenham medo, n�o tem nada
disso aqui!" Harry gritou de novo.
Ningu�m realmente acreditava nele, era dif�cil acreditar que aquela onda de fogo
que chegava cada vez mais perto deles n�o estava ali, por�m os quatro obedeceram ao
moreno. Eles confiavam nele, por isso estavam ali arriscando suas vidas para ajud�-
lo.
Hermione agarrou Ron para se sustentar, quando seus joelhos come�aram a fraquejar.
O ruivo a segurou e ambos ficaram bem pr�ximos um ao outro. Damien estava com muito
medo de se mexer e ficou ali, contra a parede. Ginny instintivamente agarrou a m�o
de Harry e sentiu um al�vio imenso quando o garoto refor�ou o aperto, mostrando que
ela estava em seguran�a.
"Confie em mim." Ele sussurrou para ela.
Ginny apenas assentiu com a cabe�a e fechou os olhos. O calor j� os fazia ficar
tontos e o suor perpassava suas faces. Ainda assim, ningu�m se moveu. Todos ficaram
ali segurando uns aos outros. Harry segurou a ruiva e a sentiu colocar a cabe�a
contra seu peito.
Ginny, ainda encostada no peito de Harry, teve que ser afastada. Ela abriu seus
grandes olhos castanhos e olhou para o garoto antes de olhar em volta. A ruiva n�o
viu nenhum sinal de fogo ou lava ou algum tipo de amea�a e ent�o encarou Harry
novamente. Ela sentiu algo... como se pudesse beij�-lo naquele exato momento,
apenas se tivesse a coragem... O moreno a afastou, mas continuou sorrindo.
"Eu disse a voc�s que n�o era real." Ele riu e ajudou Damien a se levantar.
"Mas n�s pod�amos sentir o calor e o som daquilo vindo em nossa dire��o." Ron disse
imediatamente, tentando fazer suas pernas funcionarem.
"Est� tudo em sua mente. Seu medo far� real. Se voc�s tentassem correr, a onda
apenas os alcan�aria mais r�pido, mas se ficassem parados, ela n�o iria fer�-los,
j� que isso mostraria que n�o havia medo. Esse � um dos feiti�os favoritos de
Voldemort, convocar o medo das pessoas e us�-lo contra elas." Harry explicou
enquanto come�ava a andar.
"Ningu�m disse que n�o estava com medo. N�s apenas fizemos o que voc� disse, j� que
confiamos em voc�." Ron disse, ainda tremendo de medo.
Harry n�o respondeu, mas ficou um pouco corado. Ele continuou andando em frente,
aonde havia uma pequena abertura que os levava � uma sala circular. Era um c�modo
enorme, mas havia apenas um objeto bem no meio do ch�o.
Damien prendeu a respira��o ao ver o livro negro ca�do ali, parecendo abandonado,
no meio do ch�o. Harry gesticulou para que os amigos ficassem na entrada.
O moreno andou at� o Di�rio e se ajoelhou. Ele passou as m�os por cima do livro,
para ver que tipo de feiti�os havia ali e ficou surpreso ao constatar que n�o havia
nenhum. O Di�rio foi facilmente parar em suas m�os e Harry sentiu uma dorzinha em
sua cicatriz. O garoto o pegou e ficou parado por um momento. A falta de feiti�os
protetores o deixava inquieto. Houveram tantos outros durante o caminho, que com
certeza haveria algum agora.
O moreno de olhos esmeralda colocou o Di�rio dentro de suas vestes e todos voltaram
para a entrada da caverna. A volta foi muito mais f�cil. N�o havia nada que os
parasse agora. Ginny andou ao lado de Harry, observando sua express�o escurecer
quando estavam cada vez mais perto da sa�da. As rochas j� estavam se movendo,
revelando o caminho para sair.
"Provavelmente � porque ele nunca esperou que algu�m passasse por todos os outros
feiti�os." Ginny disse.
'Talvez.' O garoto pensou consigo. Entretanto, ele ainda n�o estava convencido.
Suas suspeitas foram horrivelmente confirmadas, quando eles sa�ram do local e viram
que estavam cercados por um pequeno ex�rcito de Comensais da Morte.
Cap�tulo Cinquenta e Dois: Qual � a pior coisa que pode acontecer?
Deveia haver uns quarenta, talvez cinquenta, Comensais da Morte ao redor deles.
Harry sentiu como se o ar a sua volta tivesse desaparecido. Ele respirava com
dificuldade, devido � dor que sentia. Seria quase imposs�vel lutar contra todos
esses homens sozinho, mas com a complicada adi��o dos outros quatro, o moreno n�o
sabia se iria sobreviver a isso e ajud�-los a conseguir o mesmo tamb�m.
Ele sentiu os outros ficarem mais pr�ximos, todos estavam com suas varinhas em
punho, mas Harry tinha certeza de que nenhum saberia como duelar contra um
Comensal. Os homens em frente a ele usavam m�scaras, por�m um deles se sobressaia.
O longo cabelo loiro sempre o denunciou. O garoto sentiu seu cora��o pular de raiva
ao ver Lucius Malfoy aproximar-se deles.
"Sorte n�o tem nada haver com isso. Eu apenas sou melhor do que voc�s." Harry
zombou. Ele sabia como os Comensais ficavam bravos ao serem chamados de fracos. O
coment�rio bastou para que eles perdessem a compostura.
Malfoy fez um gesto parta o resto e imediatamente o c�rculo em volta de Harry ficou
menor. Os Comensais estavam fechando a �rea e apontavam as varinhas em dire��o aos
cinco. Quanto mais se aproximavam, mas a escapat�ria tornava-se dif�cil.
'Aqui vai uma tentativa frustrada' O garoto pensou consigo ao se preparar para
duelar. Ele esperava que os quatro conseguissem acompanh�-lo. N�o havia outra
op��o.
Assim que os Comensais ficaram bem perto, Harry usou o feiti�o lan�a �cido, que os
fizeram soltar as varinhas e agarrarem o rosto, urrando de dor. O moreno ergueu um
escudo, usando o m�ximo de magia que tinha, quando uma enchurrada de maldi��es
foram lan�adas em cima dele e dos outros. Os cinquenta homens ficaram acertando o
escudo repetidamente, tentando perpass�-lo. Harry sentiu a prote��o tremer, j� que
nunca fora usada para lidar com tantas maldi��es. Ele sabia que o escudo n�o
aguentaria muito mais e come�ou a gritar instru��es, enquanto as maldi��es
continuavam.
"O escudo vai quebrar! Assim que isso acontecer lancem feit�os na dire��o deles.
N�o me importa quais. Apenas mirem na cabe�a, se puderem! Fiquem juntos e re�nam
energia! Precisamos daqueles escudos mais do que tudo!" Harry terminou de dizer,
bem na hora em que sua bolha azul come�ou a rachar e quebrar.
Assim que a bolha desapareceu, os quatro come�aram a agir. Ron e Hermione j� haviam
come�ado a reunir energia para montar o escudo, enquanto Damien e Ginny lan�avam os
'estupefa�as' mais fortes que podiam. As bolhas amarela e rosa apareceram para
proteger os adolescentes. Harry j� tinham come�ado a duelar. Todos eles moviam em
uma velocidade incr�vel indo em dire��o �s �rvores com o intuito de se esconder. O
moreno de olhos esmeralda n�o perdeu tempo e lan�ou as maldi��es mais negras que
conhecia. Ele acertou, rapidamente, tr�s Comensais com a maldi��o da Morte. Harry
nunca usava as Maldi��es Imperdo�veis a n�o ser quando Voldemort mandava. A
primeira vez em que as usou sem as ordens do Lorde das Trevas foi ao lan�ar a
Cruciatus em Sirius, no dia em que atacou o Expresso de Hogwarts.
Harry odiava usar as Imperdo�veis. Ao contr�rio dos Comensais da Morte, ele n�o
tinha nenhum prazer em us�-las para torturar ou matar. Aquilo costumava ser apenas
uma ordem. O garoto lan�aria qualquer feiti�o, ou maldi��o quando ordenados por
Voldemort. Entretanto, naquele dia ele estava lan�ando todas, n�o com o intuito de
matar, mas sim de sobreviver. Ele n�o sentia nada naquele momento a n�o ser a
votade de retirar seus amigos e a si pr�prio daquele lugar. Mais tarde, Harry
perceberia que aquela era a primeira vez que os registrava como amigos. Ele sempre
protegeria Damien, sobre isso n�o havia d�vidas, os outros sempre foram pessoas que
estavam no caminho. Por�m agora, Harry queria tirar todo mundo dali vivo e n�o
havia nenhuma outra raz�o a n�o ser porque n�o podia pensar em nenhum deles
machucado.
Harry se jogou ao ch�o quando outro feiti�o veio zoonindo em sua dire��o. Ele
estava sendo mirado apenas com 'estupefa�as' e feiti�os do corpo preso.
Aparentemente, as Maldi��es da Morte estava apenas sendo lan�adas contra os quatro
adolescentes, que miraculosamente conseguiam desviar de todas. Os escudos de Ron e
Hermione n�o conseguiram bloquear os feit�os e maldi��es. A prote��o rachou e
quebrou, assim como a de Harry. Portanto, n�o havia escolha a n�o ser enfrentar o
caminho de jatos verdes. O moreno de olhos esmeralda virou para lan�ar outra
maldi��o contra um Comensal e viu algo que fez seu cora��o pular para a boca.
Damien deu um passo em frente aos homens que lan�avam Crucios. Antes que Harry
pudesse agir, seu irm�o entrou no caminho. Bem diante aos olhos do garoto, os
feiti�os encaminharam-se em dire��o ao mais novo da turma e nem mesmo o atingiram.
Eles apenas dissolveram no ar. Imediatamente aqueles Comensais foram jogados no
ch�o por causa dos feiti�os de Ron, Hermione e Ginny. Harry percebeu que a Layhoo
Jisteen era a respons�vel por salvar Damien, mas duvidava que a pedra o protegeria
da Maldi��o da Morte. O garoto estava certo de que ela n�o bloquearia a pior das
maldi��es.
Harry deu uma observada na quantidade de corpos. Ele devia ter matado uns quinze
Comensais e esses estavam jogados ao ch�o. Os quatro amigos conseguiram derrubar
uns dez. O moreno sabia que aqueles estavam apenas estuporados, j� que nenhum dos
quatro conseguia lan�ar Maldi��es da Morte.
Harry correu atr�s dos adolescentes, quando entraram floresta correndo e mirando
feiti�os em dire��o aos Comensais que os persseguiam. Eles fizeram o que moreno
disse e tentavam acertar as cabe�as. Harry corria o mais profudamente e r�pido que
conseguia entre as �rvores.
Bem no momento em que o garoto conseguiu alcan�ar os outros, sentiu um feiti�o vir
em sua dire��o e explodir, fazendo tudo ao seu redor pegar fogo, deixando-o cercado
e longe do resto das �rvores. Os outros pararam imediatamente com o som e moveram-
se para ajud�-lo, varinhas em punho para apagar o fogo.
Os amigos ficaram horrorizados com a id�ia de deixar Harry sozinho, mas deram um
passo para tr�s e olharam em volta, tentando achar algu�m para ajudar. O moreno
gritou para que eles fossem embora e viu Ron e Hermione puxando Damien e Ginny, que
se debatiam, para longe do fogo e consequentemente dele tamb�m.
Harry virou e viu que estava sem sa�da. Havia no m�ximo vinte e cinco Comensais em
frente a ele, enquanto o fogo o cercava. Ele ficou ali parado, pronto para matar
quem viesse em sua dire��o. Os homens ficaram ali, nenhum deles se moveu para peg�-
lo. O garoto observou, com o cora��o batendo forte, o Comensal loiro andar entre os
outros e parar a sua frente. O homem retirou a m�scara, mas Harry j� sabia que era
Lucius Malfoy. Seus olhos cinzas queimavam de raiva, enquanto ficava ali aparado
com a varinha apontada em dire��o ao garoto.
Com surpresa, Harry percebeu outra emo��o escondida nos olhos de Malfoy. Era
arrependimento. Ele sabia que o loiro foi afetado com a sua partida e que
provavelmente foi castigado por, principalmente, o ter levado para ver Wormtail. O
moreno conseguiu faz�-los falhar em cada tentativa de captura e entendeu a raiva do
homem. O que ele n�o estava preparado para entender foi a compaix�o que Malfoy
sentia por ele. At� o ponto em que sabia, tudo o que sa�ra da boca de Voldemort era
uma mentira. Eram apenas truques para tra�-lo e us�-lo apenas como uma arma nessa
guerra. Harry apertou sua varinha ainda mais e sentiu uma ira fervente dentro dele.
"N�o h� mais lugar pra ir. Se voc� resistir, apenas estar� dificultando as coisas
pra si mesmo." Malfoy continuou dizendo e se aproximando.
O garoto deu um passo para tr�s e sentiu as chamas arderem mais intensamente.
"Voc� n�o pode me machucar mais do que j� mchucou." O garoto sussurrou de volta,
ouvindo o som do sangue batendo em suas orelhas.
"Que seja do seu jeito ent�o." Malfoy disse e sinalizou para os outros homens.
Harry arfou de dor e levantou imediatamente. Lan�ou uma maldi��o �cida, mas n�o
acertou nenhum Comensal da Morte. O garoto trope�ou de novo, quando seu escudo foi
mirado por diversos feiti�os. A prote��o azul falhou novamente e uma maldi��o
acertou o moreno, que sentiu uma dor lancinante, como se algu�m tivesse lan�ado um
Feiti�o Quebra-Ossos, mirando seu bra�o, mas acertando suas costelas. Com a m�o
pressionada sobre seu machucado, Harry tentou erguer outro escudo ao ouvir
'estupefa�as' sendo lan�ados em seu caminho. Ele teve que se jogar no ch�o, quando
a prote��o n�o apareceu inst�ntaneamente. O moreno levantou, mas sabia que nada
estava muito exausto e n�o conseguiria fazer muita magia. Os Comensais tentavam lhe
acertar para poderem captur�-lo e com o seu can�aso, mais cedo ou mais tarde um dos
feiti�os lhe acertaria.
Harry ficou parado encarando os homens que apontavam as varinha para ele. Alguns
deles miravam sua face, mas a maioria mirava seu cora��o. Ele ainda tinha seu
escudo levantado, mas os Comensais n�o lan�aram nada. Eles olharam para Malfoy,
quando o loiro se aproximou. O homem conseguia ver que o garoto perdia a batalha,
que j� n�o conseguiria continuar se protegendo por muito tempo.
"Foi o suficiente?" Ele perguntou ao apontar sua varinha para Harry, apesar do
escudo.
Em resposta, o moreno colocou as m�os em suas vestes e pegou o Di�rio Negro, f�ria
e raiva perpassando por seu corpo. Se ele iria ser capturado, ent�o teria certeza
de que sua vingan�a estava completa. O garoto n�o falharia, faltava apenas uma
Horcrux.
Harry olhou para Malfoy furiosamente, gostando de ver o brilho de medo, quando os
olhos cinzas observaram o Di�rio.
Tudo o que teve de fazer foi relembrar Bella e seus olhos vazios, enquanto Sirius a
segurava, para que uma onda de raiva borbulhasse dentro de si. O Di�rio Negro pegou
fogo e virou cinza em quest�o de segundos.
Foi como se Malfoy tivesse perdido uma parte de sua alma e n�o Voldemort. Seus
olhos cinzas se arregalaram com medo e choque. Ele soltou um urro e lan�ou uma
maldi��o contra Harry.
O moreno empurrou toda a sua energia para fortalecer o escudo. A bolha azul o
protegia, mas a tremenda enchurrada de maldi��es e feit�os o estava fazendo
desequ�librar. Ele conseguiu desviar das chamas.
Bem na hora em que a bolha estava rachando de novo, j� que a energia acabava, um
som encheu o ar a sua volta e o ch�o tremeu. Alguns Comensais tentaram sair do
caminho, quando algo caiu de l� do meio das �rvores. Por um momento, os homens
esqueceram sobre Harry. Eles ficaram vendo o que acontecia. Uma enorme �rvore ca�ra
ali em dire��o aos Comensais e bateu no ch�o, criando uma ponte sobre o fogo. O
moreno p�de ver Hermione e Ginny paradas do outro lado, varinhas em punho.
Harry n�o perdeu tempo, ele lan�ou outra maldi��o �cida, para que ningu�m o
seguisse e atravessou a ponte feita com a �rvore. O moreno correu o m�ximo que p�de
at� o outro lado, nem mesmo parando um segundo. Os quatro adolescentes se
aproximaram dele e imediatamente todos correram para longe dos Comensais. Eles
sentiam os feiti�os passarem, mas continuaram correndo.
Harry sabia que estavam se aprofundando cada vez mais entre as �rvores. Quanto mais
entravam na floresta, melhor as chances para se esconder, mas ele n�o queria levar
aqueles homens para nenhum lugar pr�ximo � vila trouxa.
O garoto gemeu mentalmente, quando ouviu a voz de Malfoy gritar instru��es. Ele
olhou para Ginny, que tentava n�o se arrepiar.
"Harry! Eu sei que voc� est� aqui, j� que colocamos feiti�os anti-aparata��o no
local antes de virmos. Voc� n�o pode escapar! Fa�a tudo ficar mais f�cil e venha
quietinho at� n�s!" A voz do loiro reverberou pela floresta e o cora��o de Harry
bateu mais forte em seu peito.
"Se voc� vier quieto, prometemos deixar seus seguidores terem chance de escapar.
Entregue-se agora!" Ele gritou e suas palavras ecoaram alto.
Harry deu uma espiadinha por tr�s da rocha e percebeu que Malfoy colocara sua
m�scara. Havia vinte homens procurando desesperadamete por ele. O moreno tentou
fazer sua mente exausta funcionar. Com os ecudos anti-aparata��o, nenhum deles
escaparia. Ele tinha certeza de que seriam capaz de derrubar os Comensais se
ficassem em pequenos grupos, tudo o que precisavam era de algum tempo.
"Ok, voc�s ficam aqui e eu vou acabar com isso." Harry disse, mas Damien o parou.
O moreno de olhos esmeralda nem mesmo sabia porque se importava com Damien, quando
essas coisas aconteciam.
"O que?" O garoto perguntou, sabendo que seu irm�o criaria a desculpa mais
est�pida.
"Seu escudo n�o pode ser usado contra todos eles. Voc� j� viu que n�o adianta. A
Layhoo Jisteen me protege e protege quem est� comigo. Pode ser seu escudo." Damien
disse imediatamente.
"Damy, se voc� acha que eu vou usar meu irm�o mais novo para servir de escudo
humano, ent�o voc� � mais ignorante do que eu pensava!" O garoto sibilou.
"N�o h� outra op��o. Nenhuma das maldi��es funcionar� em mim. Posso ajudar a
bloquear." Damien insistiu, apertando sua varinha.
"Voc� n�o sabe disso! A Maldi��o da Morte provavelmente vai ultrapassar a prote��o
da Layhoo Jisteen! Pare de fazer palnos est�pidos e fique aqui, fora de vista e
fora do caminho." O garoto mais velho disse so se preparar para sair do
esconderijo.
"Harry, n�s n�o vamos te deixar sozinho. Viemos aqui preparados para ajudar voc� a
lutar. Vamos junto." Ron disse e tamb�m apertou sua varinha.
"Estaremos ao seu lado, Harry. Mesmo que seja a �ltiam coisa que fa�amos!" Hermione
adicionou, evitando as l�grimas.
O moreno olhou para eles, sentindo seu cora��o apertar ao ver a lealdade de todos.
"Tudo o que voc�s tem que fazer � erguer o escudo e mat�-lo, ok?"
Os quatro assentiram. Ron e Hermione olharam um para o outro e sem dizer nada,
deram as m�os. Ginny e Damien ficaram ao lado deles, focando para conseguir fazer o
escudo. Harry estava no meio ao lado de Hermione e Ginny.
Harry come�ou a lan�ar maldi��es na dire��o dos Comensais e sentiu uma onda m�gica
quando os quatro escudos ergueram-se inst�ntaneamente. As bolhas amarela e rosa
apareceram, assim como a roxa de Ginny e a laranja de Damien. A bolha enorme criada
foi forte o suficiente para segurar o ataque dos Comensais.
Como Harry n�o precisava criar um escudo, ele ficou livre para artirar quantos
feiti�os e maldi��es que p�de. O garoto come�ou a lan��-las, mirando nos homens
mais pr�ximos.
Harry p�de dizer que nenhum deles usava a Maldi��o da Morte, com medo que lhe
atingisse. Voldemort com certeza gostaria de mat�-lo com suas pr�prias m�os,
afinal, ele tinha destru�do as Horcruxes. Os Comensais da Morte tentaram quebrar a
prote��o, mas n�o conseguiam nem mesmo enfraquec�-la.
"N�s estamos conseguindo! Oh, Deus, estamos bloqueando tudo!" Ginny gritou
excitada.
Os quatro amigos ficaram todos felizes por conseguirem conjurar alguma coisa t�o
poderosa. Harry estava feliz tamb�m, mas sabia que o escudo n�o ficaria ereto por
muito mais tempo. Estava drenando muita energia.
"Fiquem preparados, n�o vai aguentar por muito tempo." O moreno gritou, bem na hora
em que a bolha multicolorida come�ou a rachar.
Harry conseguir derrubar dez Comensais, deixando apenas quinze homens restantes. A
esse ponto, eles j� estavam loucos de raiva. Os cinco adolescentes se jogaram no
ch�o, quando uma luz verde voou em dire��o a eles. O garoto percebeu que os
seguidores de Voldemort j� n�o se importavam em acert�-lo. O exerc�to de cinquenta
homens, comandados por Lucius Malfoy, havia sido dezimado por um grupo de
adolescentes inexperientes, com exece��o de Harry.
Mais Maldi��es Imperdo�veis foram lan�adas. Os Comensais sabiam que o escudo n�o
protegeria todos contra a Avada Kedavra. Os adolescentes desistiram da prote��o e
pegaram duas varinhas para duelar ferozmente contra os homens, desvindo de cada
jato verde disparado. Harry tentou mirar suas pr�rpias Maldi��es da Morte contra
quantos Comensais poss�veis.
Por�m, n�o foram os Comensais da Morte que apareceram. Era d�f�cil enxergar entre a
fuma�a, que escurecia o local e sa�a das �rvores quemadas. Harry foi distra�do por
outro Comensal e nem mesmo viu quem se aproximava.
"Damy!'
O menino virou, j� apontando a varinha para a pessoa. Ele sentiu seus joelhos
enfraquecerem e seu cora��o pular para a boca em choque, quando viu quem era.
"Pai!"
James parou e observou a cena a sua frente. Seus filho mais novo, seu filho de
treze anos, que supostamente deveria estar com trouxas, s�o e salvo, estava no meio
de uma luta violenta com Comensais da Morte. Ele encarou o adolescente, com suas
roupas trouxas rasgadas e sujas, que tinha choque e medo claramente estampados na
face.
Antes que o Auror pudesse dizer algo, viu um Comensal mirar uma Maldi��o da Morte
em dire��o ao seu filho. James convocou Damien, o tirando do caminho. Ele lan�ou um
feiti�o em dire��o ao homem que atacara o menino, antes de se esconder atr�s de uma
pedra.
Ele ficou vendo seu pai correr e se unir � batalha. Um grito agudo o fez olhar para
o outro lado a tempo de observar Ron caindo.
"Oh, Deus! N�o!" O menino gritou ao ver o amigo no ch�o, esperneado de dor.
Imediatamente quatro Aurores correram at� ele, o protegendo dos Comensais que
lan�aram a Maldi��o Quebra-Ossos. Ron agarrou sua perna e urrou de dor. Os homens
que estavam lhe ajudando o pegaram e o trouxeram, junto com Ginny e Hermione, at�
Damien. Os quato ficaram juntos e encolhidos. O ruivo, que respirava
entrecortadamente e pausadamente, conseguira parar de gritar.
"Ron! Voc� est� bem? Oh, Deus!" Hermione disse alto e tentou confort�-lo.
"E-Estou bem." O ruivo disse, antes de fechar os olhos e respirar fundo para se
acalmar.
Harry viu Ron cair e estava quase indo ajud�-lo quando viu os Aurores. Sentindo
como se seu est�mago tivesse dado um n�, ele desviou dos feiti�os mandados em sua
direl��o pelos rec�m chegados e tentou se esconder atr�s de alguma coisa. Foi nessa
hora que viu seu pai, duelando com alguns Comensais. O moreno olhou em volta,
procurando Damien e os outroa. Ele entrou um pouco em p�nico ao pensar no que
aconteceria com eles. O local estava cheio de Aurores, que j� devia t�-los visto em
sua companhia. Harry j� n�o podia mais v�-los.
Damien viu seu pai correr at� ele. O homem parecia nem mesmo notar seus amigos. Sem
dizer nada, ele retirou um objeto oval de dentro do bolso das vestes e colocou-o
nas m�os do filho. O menino olhou aquilo e viu que tinha um James Potter escrito.
Olhando confuso para o pai, Damien estava quase falando, quando o Auror o cortou.
"Apenas segure firme!" Ele disse e instruiu os outros a segurarem tamb�m. Depois de
alguns segundos, os quatro sentiram um pux�o no umbigo e foram retirados da
floresta por uma chave de portal, indo parar no Minist�rio.
Harry viu os Aurores capturarem os Comensais restantes. Ele sabia que tinha que
sair dali, j� n�o consguia nem lutar. Suas costelas estavam em brasa e o garoto
for�ava seu corpo a segurar sua varinha, j� que sua m�o do�a horrores.
Ele viu Malfoy gesticular para seus homens restantes, seis ou sete, e os escudos
anti-aparata��o foram suspensos. Com uma s�rie de pops, os Comensais come�aram a
desaparecer. Harry n�o ficou por l�, depois de desviar de um feiti�o do corpo
preso, mandado por um Auror, ele tamb�m se preparou para aparatar. O garoto
conseguiu encarar seu pai, segundos antes de desaparecer.
James encarou o filho por apenas um segundo. Ele assistiu sem poder fazer nada, o
garoto desaparatar e nem mesmo teve a chance de checar se o moreno estava bem.
O Auror nem mesmo queria pensar no que aconteceria com Damien e os outros. Ele j�
tinha um filho para proteger. James aparatou dentro do Minist�rio, j� que tinha
entregado sua chave de portal especial para Aurores, ao retirar Damien e seus
amigos do perigo.
Assim que entrou no pr�dio, rapidamente correu at� o segundo andar. O homem sabia
que as crian�as estariam ali e assim que virou o corredor viu o Sr. Weasley, que
estava extremamente p�lido. Sirius tamb�m estava ali e ambos conversavam
seriamente.
"James! O que est� acontecendo? Aonde estavam as crian�as? Duelando com� com
Comensais da Morte?" Estava claro, pelo som de sua voz, que Sirius n�o acreditava
que os quatro lutaram com aqueles homens perigosos e sobreviveram para contar a
hist�ria.
James n�o disse nada, mas assentiu com a cabe�a. Ele virou para olhar Arthur.
"Eles est�o em salas separadas, sendo questionados sobre o que estavam fazendo
com... com ele." O ruivo disse com uma voz apertada.
O homem o olhou com compaix�o, mas sua ansiedade em rela��o a Damien o impedia de
dizer qualquer coisa que o confortasse.
"Melhor irmos l� pra dentro." Ele conseguiu falar e os tr�s homens entraram na sala
de observa��o para testemunhar os interrogat�rios que aconteciam nas quatro salas.
Cap�tulo Cinquenta e Tr�s: O Dilema de Damien
"Que parte?" Ele perguntou rude. J� tinha explicado a mesma coisa umas quatro
vezes.
"Os comensais estavam quase nos atacando, quando Harry apareceu e nos salvou. Mas
tinham muitos deles e Harry n�o podia lutar contra todos sozinho, ent�o fomos
for�ados a ajud�-lo. Fizemos o m�ximo que pod�amos at� a hora em que voc�s
chegaram."
Damien terminou e olhou para o Auror, que sentava quieto na cadeira. O homem o
olhava intensamente e o garoto se recusava a desviar o rosto. Ele sabia que "olhos
nos olhos" era uma coisa importante ali. Se ele desviasse o olhar, pareceria que
estava mentindo.
O menino rezava para que Ron, Hermione e Ginny mantivessem essa vers�o da hist�ria.
Eles tinham inventado tudo isso, enquanto escondidos atr�s da rocha e apenas
tiveram alguns minutos para combinar tudo. Damien olhou de novo para o Auror,
esperando que o homem tivesse acreditado.
"O que eu n�o entendo�" O Auror come�ou a dizer e o menino sentiu seu cora��o dar
um solavanco.
"� por que Comensais da Morte iriam querer levar voc�s para uma vila trouxa e matar
voc�s ali? Isso n�o � algo comum nos ataques deles. Se quisessem matar voc�s, por
que n�o na hora da captura? Voc� disse que estavam no mundo trouxa, eles j� podiam
ter matado voc�s ali. N�o faz sentido passar por toda a problem�tica de sequestrar,
se iriam assassinar do mesmo jeito."
"Olha, n�o sei porque eles fizeram isso. E-Eu n�o posso explicar o... o jeito deles
de pensar. Estou apenas feliz de n�o ter morrido. Se Harry n�o tivesse aparecido a
tempo� me arrepio s� de pensar no que teria acontecido!" Ao dizer isso, seus olhos
se encheram de l�grimas.
O Auror o encarou sem express�o, sem nenhuma rea��o, mesmo vendo o estouro
emocional de Damien. O moreno esfregou os olhos e fingiu estar envergonhado por
chorar.
"Desculpe, � que� estou muito balan�ado com tudo. Apenas queria ir para casa e
dormir."
O homem pareceu amolecer ao ouvir isso e levantou, conjurando um copo de �gua para
o menino.
Damien assentiu, pegou o copo com �gua e assistiu o Auror saindo. Ele escondeu sua
face entre os bra�os, n�o querendo que ningu�m o olhasse. Sabia que a sala estava
sendo observada. Sirius lhe havia dito que as salas de interroga��o eram todas
observadas. Seu cora��o martelou no peito s� de pensar em seu pai olhando. Ele
esperava que todo mundo acreditasse na hist�ria. Enquanto o Sr. e a Sra. Granger
n�o fossem envolvidos, tudo ficaria bem.
A porta abriu e Damien olhou para cima, com o intuito de encarar quem era e pulou
da cadeira ao ver seus tr�s amigos. Hermione jogou os bra�os em volta do menino e o
abra�ou bem apertado.
Damien assentiu com a cabe�a e esperava que os outros soubessem que estavam sendo
observados e ouvidos naquele momento. Esperava que nenhum deles comentasse nada
sobre o que verdadeiramente aconteceu, porque isso os entregaria na hora.
Aparentemente, ele percebeu, os outros eram mais espertos do que isso.
"N�o consigo acreditar o qu�o pr�ximo ficamos de morrer hoje. Se Harry n�o tivesse
aparecido e nos salvado n�o sei o que teria acontecido. Estar�amos mortos agora."
Hermione colocou a cabe�a nas m�os e come�ou a chorar fraquinho.
O moreno achou uma boa atua��o, tinha que dar os cr�ditos. A garota estava
colocando tudo o que podia em sua performance.
"Como nova." Ele sorriu, parecendo bem exauto. Damien abra�ou Ginny e os quatro
amigos sentaram na mesa.
Ningu�m falou, apenas sentaram ali, perdidos em pensamentos. Damien sabia que a
raz�o de estarem todos juntos era para dizerem algo que os entregaria. Ele se
sentiu muito bravo com o Minist�rio. 'Harry est� certo. Eles n�o s�o melhores do
que os Comensais da Morte, fazendo todos n�s sentarmos aqui desse jeito... Isso n�o
est� longe de ser tortura!' Pensou. O moreno abaixou a cabe�a na mesa e fechou os
olhos.
Damien imaginava se Harry estaria bem. Ele sabia que seu irm�o estava machucado,
mas n�o iria demonstrar suas dores. O menino tamb�m sabia que n�o poderia v�-lo por
um tempo. O pessoal do Minist�rio os observariam se desconfiassem de algo.
A porta abriu e dessa vez Damien sentiu seu cora��o pular para a boca. Sirius e
James entraram na sala, segudos pelo Sr. Weasley e os quatro Aurores que os
questionaram.
"Conversamos sobre algumas coisas e aparentemente n�o h� mais nada para perguntar.
Todos voc�s podem ir pra casa. Espero que percebam a sorte que tiveram, n�o existem
muitas crian�as que podem duelar com Comensais da Morte e sobreviver para contar a
hist�ria." O Auror disse olhando para os quatro. Damien n�o conseguiu impedir de
perceber o olhar de admira��o nos homens.
"N�o era a gente que lutava. Harry fez a maior parte. A gente apenas ficou fora so
caminho." Ginny disse baixinho.
Imediatamente os Aurores ficaram um pouco tensos e olharam para a ruiva. At� o Sr.
Weasley parecia desconfort�vel.
"Sobre isso� tenho uma �ltima pergunta." O Auror que esteve com Damien disse. O
moreno grunhiu.
"Como que ele apareceu para salv�-los? � estranho que tal coisa tenha acontecido
exatamente quando voc�s estavam com probelmas."
Damien percebeu que essa era a raz�o pela qual os Aurores os manteram aqui esse
tempo todo. Ele se recusavam em acrediatar que Harry tinha ajudado, mas teriam
acreditado em um segundo que seu irm�o tentara mat�-los. Por�m o fato do garoto t�-
los salvado era muito fantasioso para os homens.
Damien sentiu um �dio t�o grande por esses homens que teve que morder sua l�ngua
para n�o come�ar a brigar. Por que eles n�o podiam deixar Harry em paz?
"N�o sabemos como ele soube que est�vamos l�." O menino ouviu Ron dizer.
"N�s n�o tivemos a chance de perguntar pra ele. Vamos ser eternamente gratos ao que
ele fez." Ron terminou.
O Auror olhavar Ron como se n�o acreditasse em uma palavra. Hermione encarou os
homens com um estranho brilho em seus olhos e de repente falou para um deles.
"Na verdade, me lembro de algo bem estranho acontecendo entre Harry e os Comensais
da Morte." Ela disse parecendo pensativa. A garota chamou a aten��o de todos os
Aurores.
"Eu realmente n�o entendi, mas quando Harry apareceu e impdiu aquele homens de nos
machucarem, uma estranha conversa aconteceu. Um dos Comensais, acho que o l�der,
gritou com Harry sobre alguma coisa. Ele disse algo sobre Harry ser um traidor e
ser respons�vel por destruir alguma coisa... uma... uma Horcrux. Sim, era isso, uma
Horcrux."
Damien a encarou com os olhos arregalados, assim como Ron e Ginny. Devagar, a ruiva
continuou.
"Verdade, eu lembro disso tamb�m. O que diabos � uma Horcrux?" Ela adicionou.
"Eu n�o sei, mas eles estavam bem irritados com Harry. Continuavam dizendo que
Herry iria pagar por destruir, mas ele nem mesmo parecia com medo. Harry pegou um
di�rio negro dos bolso e disse que aquela era a �ltima Horcrux. Antes que algu�m
pudesse fazer alguma coisa, ele destruiu. Foi nessa hora que a briga realmente
come�ou!" Hermione terminou.
Damien encarava tudo completamente surpreso. A garota era um g�nio, ela tinha dado
evid�ncia o suficiente para que os Aurores soubesem que Hary destruira todas as
Horcruxes, sem nem mesmo dar na cara de que estavam envolvidos.
Damien encarou os Aurores, todos tinham suas bocas abertas e um olhar chocado na
face. Eles perguntaram a Hermione se ela estava certa do que ouvira e depois da
garota repetir a hist�ria novamente, eles se olharam chocados e excitados.
"Bem, voc� podem ir agora. Se lembrarem de mais alguma coisa, por favor, nos
informem imediatamente!" Os Aurores disseram e sa�ram correndo da sala.
A viagem de volta para Godric's Hollow foi a mais desconfort�vel que Damien j�
teve. Pai e filho sentaram no carro em completo sil�ncio. James ainda n�o dissera
nada e o menino ficou sentado, n�o querendo abrir a boca. Ele n�o sabia o que dizer
para amenizar a situa��o. Finalmente chegaram ao destino e Damien andou atr�s do
pai para entrar em casa
James nunca agira desse jeito antes, normalmente Lily que fazia essas coisas.
Quando ele era malcriado o homem geralmente ria. A �nica vez que lembrava de ter
visto seu pai bravo, foi ao descobrir que Harry tinha vindo entregar a Layhoo
Jisteen. O menino se arrepiou ao lembrar. Ele esperava nunca ver seu pai nervoso
outra vez.
James n�o tinha falado nada ainda, quando os dois entraram na sala de estar. Damien
seguiu o pai em estado miser�vel. Ao entrar viu sua m�e tirando a cabe�a da
lareira, ela provavelmente tentava falar com algu�m. Quando viu os dois, a mulher
imediatamente se levantou.
"Damien! Oh, gra�as a Merlin voc� est� bem!" Ela exclamou e abra�ou o filho bem
apertado.
O menino n�o disse nada, mas aceitou o c�lido abra�o. O fato do e de Sirius terem
confortado os outros e seu pr�prio pai n�o ter feito nada, al�m de ignor�-lo, o
estava chateando muito.
Ele olhou para sua m�e com um sorriso reconfortante e ela o escaneou para ver se
estava ferido.
"Estou tentando encontrar voc�s por mais ou menos meia hora. Estava falando com
Tonks, mas ela disse que voc�s j� tinham sa�do de l�." Lily explicou e abra�ou o
filho mais uma vez.
"O que aconteceu? Como voc� conseguiu parar no meio dos Comensais?" Ela perguntou
ao menino.
Damien n�o disse nada e olhou para seu pai. James estava de costas para eles e
removia seu casaco. Quando o adolescente n�o respondeu, Lily olhou para o marido.
"James, o que h� de errado? O que aconteceu? Voc� vai me contar o que aconteceu?"
Ela perguntou ao olhar para os dois.
Damien decidiu confrontar o pai. Ele tinha que explicar as coisas e n�o aguentava
mais o tratamento silencioso.
"N�o!" James disse baixo, mas as palavras pareceram encravar em seu filho. O
adolescente encarou o pai, chocado.
"N�o me chame assim! � �bvio que voc� n�o pensa em mim como seu pai. Se pensasse,
nunca teria me tratado assim." O homem virou para encar�-lo, seus olhos avel�
mostravam m�goa e o incomodaram muito mais do que as palavras.
O Auror virou para encarar a esposa. Ira estampada em seu belo rosto.
"Estou dizendo o que sinto. Nunca fui t�o magoado em toda minha vida! Nunca pensei
que meu filho mentiria para mim!"
Damien ficou parado, deixando as palavras lhe cortarem o cora��o. Ele nunca quis
deixar seu pai magoado, por nada.
"N�o foi nada al�m de sorte que o fez sair livre hoje, Lily. Ele podia ter pego
anos em Azkaban pelo showzinho que deu. Ele e o resto dos amigos!" James parou de
falar e pela primeira vez, desde o Minist�rio, encarou Damien.
"N�o sei o que voc� estava pensando, mas � muito sortudo pelo Minist�rio ter
acreditado na sua hist�ria. Sabe o que eles teriam feito com voc� se descobrissem
que estava realmente com Harry?" Ele perguntou com raiva.
"Pai, eu n�o estava�" De novo o menino foi cortado.
"Antes que voc� diga que n�o estava com Harry, explique uma coisa para mim.
Explique como foi poss�vel os Comensais te levarem a for�a, enquanto esse pingente
ainda est� em volta do seu pesco�o?"
Damien inst�ntaneamente colocou as m�os sobre a Layhoo Jisteen. Ele tinha esquecido
completamente dela. Claro, ningu�m do Minist�rio sabia sobre o pingente protetor.
Ningu�m, exceto seu pai. Foi assim que James soube, na hora, que ele estava
mentindo. O homem sabia que enquanto a pedra estivesse em volta de seu pesco�o,
nada de mau poderia acontecer com ele. Os Comensais, especialmente, seriam jogados
longe antes que conseguissem atac�-lo.
Damien n�o sabia o que dizer. Ele ficou ali sem jeito, em frente aos pais, sem
conseguir olh�-los. Lily apenas o encarava, de boca aberta, chocada.
"Estou grato de que o Minist�rio tenha acredita em voc�, caso contr�rio..." James
parou e respirou fundo, obviamente ainda se recuperando do choque. Damien esteve
bem perto de receber uma senten�a em Azkaban.
"Vou apenas perguntar isso uma �nica vez, Damien. Nem mesmo pense em mentir para
mim." James disse em frente ao filho.
Damien apenas assentiu miser�vel. Ele sabia o que o pai iria lhe perguntar.
"Voc� planejou em ir com Harry hoje, n�o foi? Voc� vem mantendo contato com ele
regularmente?"
O adolescente respirou, olhou o pai novamente e soube que seria in�til mentir.
"Sim." Ele respondeu baixo e nem mesmo se atreveu olhar para a m�e.
"H� quanto tempo isso vem acontecendo? Quando voc� come�ou a encontr�-lo?" James
perguntou. Sua voz tr�mula de tanto segurar a raiva.
O menino considerou mentir, mas mudou de id�ia. Se ele iria ter problemas, melhor
entrar sem nenhum remorso.
O homem n�o respondeu e ficou ali olhando o filho. Ele j� tinha percebido que
Damien estava em contato com Harry regularmente, mas nunca pensou que fosse por
tr�s meses e ainda por cima sem contar nada.
James ficou ali, com a mandibula cerrada e com as m�os fechadas em punhos. Todo
esse tempo ele passou procurando, desesperadamente, pelo filho mais velho no mundo
trouxa... procurando por 'Alex'. Preocupando-se com a seguran�a do garoto e rezando
para que estivesse bem. Todo o tormento pelo qual passou com Lily� E Damien esteve
se encontrando, secretamente, com Harry. James mal conseguia conter a ira no
momento.
"Pai?"
"Saia! Saia daqui, Damien, antes que eu fa�a algo de que me arrependa. Saia da
minha frente!" O homem gritou para o menino aterrorizado.
O Auror n�o disse nada, mas se afastou e saiu tempestivamente da casa, batendo a
porta da frente t�o forte que a fez se soltar de uma das dobradi�as.
Damien chorava, ele nunca havia sido tratado desse jeito pelo pai. Sempre soube que
n�o importasse o qu�o bravo o homem ficasse, ele nunca levantaria a m�o em sua
dire��o, mas a c�lera nos olhos dele o assustou.
Ele olhou para a m�e, a mulher tamb�m tremia. Se era de raiva ou de choque, Damien
n�o sabia.
Lily olhou para o filho. Ela queria abra��-lo, mas tamb�m estava incr�dula pelo
fato do menino ter escondido tal coisa deles.
Damien sentiu como se algu�m tivesse lhe dado um tapa bem forte e ficou ali
boquiaberto. Depois de alguns momentos acabou obedecendo e foi silenciosamente para
o quarto, apenas ali deixou as l�grimas correrem livremente.
N�o houve melhora naquele dia. James voltou tarde para casa e n�o estava com humor
para conversar com Damien. �quela noite foi a primeira vez que o menino ouviu seus
pais discutirem.
No dia seguinte, apenas Lily falou com ele. Mesmo estando furiosa com o menino, n�o
conseguia trat�-lo do mesmo modo que James. O homem se recusava at� mesmo a olhar
para o filho. Damien tentou conversar com o Auror, mas desistiu ao n�o haver
resposta. Ele estava quase dizendo ao pai o quanto ele se parecia com Harry, quando
este estava mal humorado, mas decidiu que n�o seria inteligente de sua parte fazer
isso. Seria como jogar sal dentro de uma ferida aberta.
Damien passou o resto do dia em seu quarto, recusando a sair e almo�ar. Ele queria
falar com Harry desesperadamente. Se conseguisse convencer o irm�o a voltar para
casa, tudo se resolveria. Seus pais at� o perdoariam. O adolescente esperava que o
irm�o aparecesse, j� que a miss�o estava completa. A imortalidade de Voldemort fora
destru�da, n�o havia mais Horcruxes restantes. De acordo com Sirius, Harry
prometera voltar quando tudo tivesse acabado. Sendo assim, seu irm�o poderia estar
a caminho de casa naquele momento.
Algu�m realmente veio � Godric's Hollow, mas n�o foi Harry. Remus e Sirius vieram
ver como estavam se saindo ap�s toda a situa��o com os Comensais da Morte e com o
Minist�rio. Depois de escutarem gritos irados, Remus passou a tarde tentando
acalmar James e ajudar Lily, j� Sirius silenciosamente subiu as escadas, atr�s de
seu afilhado mais novo.
"Eu s� queria ajud�-lo, tio Siri. Eu sabia que se contasse a papai aonde Harry
estava ele iria for��-lo a voltar. Harry n�o queria isso. Eu sabia que meu irm�o
fugiria novamente e ent�o n�s nunca conseguir�amos ajud�-lo! Eu s� tentei ajudar.
Por que meu pai n�o entende isso?" Damien perguntou, emocionalmente e foi
confortado por Sirius.
"Voc� n�o fez nada de errado, mas precisa entender como suas a��es pareceram na
vis�o de James. Voc� sabe o qu�o desesperado ele esteve procurando por Harry. Voc�
pode n�o perceber que seu pai n�o comeu, dormiu ou mesmo relaxou nesses meses.
Damy, seu pai est� sofrendo e no momento est� muito preocupado com Harry. Tudo o
que ele quer � o filho asalvo. James n�o deixar� ningu�m machuc�-lo. Voc� sabe
aonde Harry estava nos �ltimos tr�s meses e teve meios de se comunicar com ele, mas
manteve a informa��o para si mesmo. Todo esse tempo, seus pais lutavam contra tudo
e todos para encontrar seu irm�o. James se sentiu tra�do por voc�. Ele pensou que
voc� confiaria nele o suficiente para trazer Harry para casa e deix�-lo em
seguran�a."
Damien abriu a boca para retrucar, mas Sirius levantou a m�o para aquiet�-lo.
"Eu sei que voc� n�o quis isso, que voc� nunca magoaria James. Sei tamb�m que seu
pai sabe disso, mas est� chateado no momento. Ele vai se acalmar e ent�o voc�
poder� explicar tudo." O homem confortou o menino.
Damien tinha ficado feliz por ter vindo. Ele n�o podia ficar em casa sozinho,
portanto estava na casa de seus amigos. O menino ficou eternamente grato por seus
pais n�o terem envolvido os Weasleys e os Grangers nessa bagun�a. Os Weasleys ainda
achavam que os adolescentes foram abduzidos pelos Comensais e que Harry os salvou.
J� o Sr. e a Sra. Granger n�o tinham id�ia do perigo em que sua filha se meteu.
Damien percebeu que seus pais estavam com medo da rea��o dos outros se a verdade
viesse a tona. Tinham medo do Minist�rio se envolver novamente.
Os adolescentes ficaram muito mal, quando Damien terminou de contar a situa��o que
se passava.
"� e agora ele nem mesmo olha pra mim. Ele n�o falou comigo desde aquele dia. Eu
apenas queria que ele olhasse pra mim, at� que me encarasse bravo, isso j� seria
suficiente."
"Tenho certeza de que ele vai se acalmar e perdoar voc�. Ele n�o pode ficar bravo
pra sempre." Ela sussurrou para acalm�-lo.
"Tem uma coisa me incomodando, Harry ainda n�o entrou em contato. Eu sei que ele se
machucou na batalha, mas n�o foi t�o ruim assim. Agora estou apenas pensando no que
aconteceu com ele. Harry nem mesmo me mandou uma mensagem para perguntar se estamos
bem." O menino falou.
"Eu n�o mandei uma mensagem, nem nada pra ele tamb�m. N�o sei se ele est� se
escondendo ou o que aconteceu. N�o quero arriscar ningu�m o capturando por minha
causa." Damien adicionou.
Antes que algu�m pudesse responder, o menino deu um pulo assustado e colocou a m�o
no bolso de sua jeans.
"Damy, o que�?" Ginny come�ou, mas parou ao ver o amigo pegar seu celular,
entusiasmado. Ele tinha pulado por causa do alerta vibrat�rio.
"O que! O que est� escrito? Ele est� bem?" Hermione perguntou, enquanto Damien lia
a mensagem, em sil�ncio, v�rias vezes.
"�, � s� que... Eu n�o sei se isso est� certo?" Ele parecia confuso e ficava
olhando para fora da janela.
"O que? O que n�o est� certo?"Ginny perguntou e foi at� a janela.
Os quatro sa�ram do quarto, esperando n�o serem pegos por ningu�m. Eles abriram a
porta da frente e rapidamente foram para o lado de fora. De acordo com a mensagem,
Harry os esperava no quartinho em cima da garagem. O mesmo quarto em que ficou
quando se recuperava de sua transfer�ncia m�gica e do ataque dos Comensais da
Morte.
Todos eles seguraram as varinhas em frente ao corpo. Era estranho Harry vir � Toca.
Normalmente, ele os chamariam para encontr�-lo no mundo trouxa. Entretando, Damien
estava feliz. Ele n�o achava que conseguiria escapar e encontrar o irm�o devido ao
seu castigo.
"Pelo menos voc�s aprenderam alguma coisa." Ele disse ainda sorrindo e se levantou.
Damien foi o primeiro a correr at� o garoto. Ele jogou os bra�os em volta do irm�o
e o apertou como se o moreno de olhos esmeralda fosse sua raz�o de viver.
O menino n�o respondeu, mas ficou perto dele. Os outros entraram no c�modo e
trancaram a porta. Harry parecia estar curado de todos seus ferimentos. Seu rosto
estava um pouco magro, mas de resto, tudo certo.
Depois de perguntar a todos se tudo estava bem, ele e os outros sentaram nas duas
camas do quarto. Harry ouviu os adolescentes contarem sobre o Minist�rio e suspirou
ao ouvir que todos conseguiram sair s�os e salvos.
"Voc� n�o deveria ter vindo at� aqui desse jeito. Sabia que tem um reuni�o da ordem
acontecendo l� embaixo? Dumbledore e todo mundo est�o h� apenas alguns passo de
voc�." Ron disse preocupado.
"Eu sei."
"Bem, as Horcruxes est�o destru�das. N�s destruimos. Voldemort � mortal como todo
mundo." Havia um grande sorriso na face do ruivo ao dizer isso.
"N�s conseguimos! Quero dizer, voc� conseguiu! Voc� destruiu todas elas, mas n�s
ajudamos. Juntos conseguimos acabar com todas. O que faremos agora? Acabaremos com
os Comensais da Morte? Qualquer coisa que voc� esteja planejando, queremos fazer
parte." Ron disse excitado.
Harry sorriu, mesmo sem perceber. Ele estava feliz, pois todos sobreviveram ao
ataque, mativeram a palavra e n�o contaram nada.
"N�o pensei sobre o que o futuro nos reserva." Ele disse baixo.
"Eu te falo. Voc� tem que vir pra casa e me libertar do tomento que mam�e e papai
me colocaram."
Harry ficou um pouco chocado e sentou quieto, apenas escutando seu irm�o contar
sobre o que aconteceu desde a volta do Minist�rio. Ele ficou surpreso com as a��es
de James. N�o era culpa de Damien ele n�o ter voltado para casa.
"... ent�o, t� vendo, at� que voc� volte pra casa, mam�e e papai continuar�o
deixando minha vida desconfort�vel." O menino terminou de contar.
Harry n�o sabia o que dizer, mas virou e colocou uma m�o contra o ombro do irm�o
para confort�-lo.
"Tenho certeza de que com tempo eles te perdoar�o. N�o podem ficar bravos com voc�
pra sempre."
Damien sentiu como se um balde de �gua fria fosse derramado sobre sua cabe�a. O
menino sentou e analisou as palavrras do irm�o. 'Com tempo', o que aquilo queria
dizer?
"O que voc� quer dizer? Voc� vai vir pra casa, certo?" Damien perguntou
temerosamente.
Harry olhou para o irm�o com pesar e ent�o pareceu n�o querer encar�-lo.
"Damy, voc� sabe que as coisas s� ir�o piorar se eu voltar pra casa. N�o � t�o
simples assim, voltar pra casa e esperar que o Minist�rio ou a Ordem n�o percebam."
Harry falava, mas Damien n�o conseguia mais escut�-lo devido a quantidade de sangue
passando por seus ouvidos. Seu irm�o n�o estava voltando, ele nunca planejou em
voltar.
"Mas, voc� prometeu pro tio Siri que iria voltar pra casa. Voc� disse que quando
tudo terminasse voltava pra casa." Damien disse, lutando contra suas emo��es.
Harry olhou para o irm�o de modo sombrio.
"Voc� n�o pode fazer isso! Voc� n�o pode dar esperan�a a algu�m desse jeito e
depois destru�-las. Voc� n�o tem o direito de fazer isso!"
"Por que voc� veio ent�o? Por que se importou em nos encontrar? Foi pra..." Damien
parou ao perceber porqu� seu irm�o estava ali. Porqu� Harry tinha se arriscado
tanto vindo at� a Toca, enquanto a Ordem estava reunida.
"Voc� veio pra dizer Adeus." O menino sussurrou ao cair sua ficha.
O olhar na face de Harry confirmou sua afirma��o. Essa era a �ltima vez em que o
veriam.
"Voc� n�o pode ir desse jeito! N�o vou deixar. Eu n�o fiz tudo isso para que voc�
nos deixasse de novo!" Damien gritou. O mais velho ficou ali, enquanto seu olhar
calmo endurecia.
"O que voc� vai fazer? Diga! V� em frente, Damy, a Ordem inteira est� l� embaixo.
Por que voc� n�o vai e diz que estou aqui!"
Damien encarou o irm�o, querendo nada mais al�m do que bater nele.
"Talvez devia ter feito isso. Talvez eu devesse ir agora e contar a papai que voc�
est� aqui. E ent�o arrastar voc� pra casa pelo cabelo se precisar. N�o me importo!"
O menino respirava dificilmente e parecia quase chorar.
"Mas se fosse fazer isso, deveria ter feito h� s�culos atr�s. Eu prometi pra mim
que n�o deixaria ningu�m te machucar ou obrigar voc� a fazer algo que n�o queira.
Eu apenas nunca pensei que voc� n�o fosse querer voltar pra casa!" Ele gritou
amargo.
"Eu n�o sei mais o que fazer!" Harry gritou de volta. Todo mundo estava em sil�ncio
devido ao clima.
"Eu n�o sei como melhorar as coisas. S� sei que se for embora, todo mundo ficar�
melhor." O garoto continou mais gentil.
Damien olhou para ele, com m�goa nos olhos e se recusou a dizer qualquer coisa.
"Olhe, n�s fizemos o que quer�amos. As Horcruxes n�o existem mais. N�s acabamos com
elas! � o fim. N�s ganhamos." Harry tentou explicar que seu prop�sito terminara e
que tinha de ir agora.
"N�o, eu perdi. Como posso ter ganhado se perdi voc� no fim? Eu n�o te ajudei
porque queria derrotar Voldemort, ajudei porque queria voc� de volta na minha vida.
Na esperan�a de que talvez um dia, quando tudo acabasse, n�s poder�amos ser uma
fam�lia. Se voc� for agora, eu perdi e Voldemort ganhou."
Dito aquilo, o menino saiu pela porta sem responder os gritos do irm�o.
Os outros tr�s ficaram ali, tensos. Ningu�m sabia o que dizer. Harry parecia
extremamente mal devido � sa�da do irm�o. N�o era como ele queria dizer adeus.
"Olhe, eu s� queria dizer que... que nunca disse a voc�s como apreciei a ajuda.
Nunca teria terminado isso t�o r�pido se voc�s n�o estivessem comigo, ent�o... eu
s� queria dizer isso."
"Melhor a gente ir ver ele." Ron gesticulou para a casa. Harry apenas assentiu.
Ron e Hermione sairam em sil�ncio, dizendo adeus e boa sorte. Eles n�o pareciam
felizes com ida de Harry, mas n�o sentiam a necessidade de par�-lo.
Ginny ficou ali parada, ela queria sair tamb�m, mas suas pernas n�o obedeciam.
"Suponho que voc� queira dizer que eu n�o devo ir." Harry disse depois de alguns
momentos.
Harry apenas a olhou, sua resposta estampada claramente nos olhos esmeralda.
"� assim que voc� se sente?" Ele perguntou, sem saber porqu� queria saber.
"N�o importa como me sinto. N�o importa o que eu quero. Nunca pedi nada a voc�,
Harry... N�o pretendo pedir agora." Ela disse e suas l�grimas escaparam, descendo
por sua face. A menina n�o as limpou.
"Ginny, voc� sabe que meu futuro n�o � claro. Eu nem sei por quanto tempo estarei
aqui. Eu sei como voc� se sente e gostaria de dizer que voc� n�o deveria perder seu
tempo. Voc� tem um futuro, eu n�o. N�o o desperdice." Harry disse calmo, resistindo
a vontade de limpar as l�grimas do rosto dela.
A menina sorriu de novo e olhou para ele, perdendo-se nos olhos esmeralda.
"Nunca pedi para voc� retornar os sentimentos que tenho por voc�. Portanto, voc�
n�o pode me dizer para parar de am�-lo. N�o me importo com o meu futuro. O �nico
futuro ao qual me importo � com o seu."
Ginny encaminhou-se at� a porta e a abriu. Ela voltou para olh�-lo e um sorriso
brincou em seus l�bios.
"Sabe, Harry... se voc� tivesse dito que n�o me ama, ao inv�s de pedir para eu n�o
te amar, eu poderia ter ouvido voc�. Por�m, o fato de voc� dizer que n�o temos
futuro de modo t�o lament�vel, me deu a resposta que eu queria tanto saber."
Harry apenas a encarou. Ela conseguiu descobrir o que ele tanto escondeu. A ruiva o
observou pela �ltima vez e murmurou.
O garoto sorriu quando ela foi embora. Ele ficou parado no quarto vazio, tentando
impedir seu cora��o de quebrar."
Demorou quase uma hora para acalmar Damien. No come�o ele estava pronto para contar
tudo aos pais, mas os outros sabiam que o menino n�o queria realmente fazer aquilo.
Ele estava apenas bravo e s� tentava, desesperadamente, achar um modo de fazer o
irm�o ficar.
Quando Lily subiu, chamando Damien para voltar para casa, o menino saiu do quarto
com a cabe�a baixa. A mulher olhou com carinho para o filho, n�o entendo as emo��es
dele e achando que era tudo por causa de James.
"Ele vai se acalmar, Damy. Apenas d� um pouco de tempo." Ela disse e o abra�ou
pelos ombros.
Damien n�o respondeu, j� que estava confuso sobre o que fazer. Se ficasse quieto,
eles perderiam Harry, talvez, para sempre. O menino viu o pai pr�ximo a lareira
pronto para ir embora e, al�m deles, apenas a Sra. Weasley estava no c�modo, todos
j� tinham ido. Ele decidiu ignorar todo mundo e dizer tudo ao pai.
"Pai."
Antes que Damien pudesse dizer algo, as palavras de Ginny voltaram a sua mente.
'Harry viveu sua vida inteira como se estivesse em uma gaiola. Uma gaiola bem
elegante, mas ainda assim uma vida em confinamento. Voldemort nunca o deixou ter
vida pr�pria. Se voc� realmente am�-lo, Damy, vai deix�-lo ir. Ele n�o ficar� feliz
se for for�ado a qualquer coisa. Deixe-o ir. Pelo menos uma vez na vida, deixe-o
fazer o que quer.'
Damien recebeu uma nova onda de for�a ao se lembrar dessas palavras. Ele sabia que
Ginny tinha muitas raz�es para querer que Harry ficasse, mas se ela conseguia v�-lo
ir, ele teria que tentar o mesmo.
"Damy?" Lily perguntou, esperando que seu filho falasse alguma coisa.
Damien apenas balan�ou a cabe�a como quem n�o tinha nada para dizer.
James ficou em frente a lareira com o intuito de ir primeiro, depois iria seu
filho, seguido por sua mulher.
Harry ainda estava l� fora. O menino observou o irm�o sair das sombra, apenas um
pouco para que ele pudesse visualis�-lo. Damien se segurou para n�o correr l� para
fora e, discretamente, assentiu com a cabe�a, seus olhos brilhando com l�grimas. O
menino levantou a m�o e passou pelos cabelos, disfara�ando um adeus.
Damien foi for�ado a se mover, j� que n�o podia ficar parado pr�ximo � janela. Ele
viu Harry ir embora e come�ou a ir para a lareira. Seu irm�o desapareceu entre as
sombras e o menino desviou o olhar. Com a cabe�a baixa, Damien entrou nas chamas
verdes e nem mesmo conseguiu falar direito devido � sua garganta que estava tapada.
Ele observou sua m�e e percebeu que a mulher o olhava preocupada. Ela sabia que
algo o perturbava, al�m do comportamente de James. Lily decidiu que ela conversaria
com o filho depois.
Damien chegou em Godric's Hollow e correu para seu quarto, trancando a porta. Ele
sabia que teria uma crise emocional se algu�m fosse conversar com ele.
Damien estava de volta � Toca. J� fazia dois dias desde a vinda de Harry. O garoto
j� devia ter ido embora a essa altura. James e Lily precisavam conversar com Arthur
e Molly, portanto trouxeram o filho tamb�m. Hermione veio assim que Damien chegou.
Os quatro amigos sentaram no quarto de Ron, sem realmente saber o que dizer.
Damien passou dois dias pensando aonde estava o irm�o. Ele ficou t�o bravo com
Harry, que nem mesmo pensou em peguntar aonde o garoto ia. N�o que ele diria.
"N�o sei, mas aposto que tem algo haver com Draco Malfoy." Ginny respondeu.
"Bem, aquele dia em que os dois estavam juntos, Malfoy disse que Harry deveria
considerar sua 'proposta' e Harry disse que consideraria. Acho que Malfoy chamou
Harry para ir com ele. Aposto qualquer coisa de que foi isso mesmo." A ruiva
terminou.
Damien pensou nisso. Era uma possibilidade. Harry era melhor amigo do sonserino e
provavelmente foi com ele. O pensamento fez seu sangue borbulhar. Seu irm�o
acreditava naquele loiro idiota arrogante e detest�vel, mas n�o em sua pr�pria
fam�lia. 'Por�m ele o conhece por mais tempo. Por que n�o deveria confiar mais
nele?' uma voz disse em sua cabe�a. Damien afastou os pensamentos para clarear a
mente e focou-se na conversa que acontecia.
"Fred? George? O que voc�s fazem aqui? Quando chegaram?" Ginny come�ou a dizer, mas
foi cortada quando os g�meos desataram a falar coisas.
"Whoa! Espere um pouco, um de cada vez!" Ron gritou sobre o barulho dos irm�os.
"N�s acabamos de voltar da loja! Tinh�mos que contas as not�cias! Voc�s ainda n�o
ouviram, certo?" Fred perguntou curioso.
"Meu Deus! Aonde voc�s estavam? Est� em tudo quanto � lugar h� duas horas! Eles o
pegaram, o Minist�rio finalmente O capturou!" Fred continuou.
"O Pr�ncipe Negro! Harry! Eles pegaram Harry." George respondeu animado.
"Sei l�. N�s acabamos de ouvir a not�cia. O Mundo M�gico inteiro est� festejando.
Eles estavam atr�s dele h� uns sete meses, certo? Finalmente o pegaram, em menos de
duas horas ele vai ser Beijado." Fred contou.
Isso fez Damien sair de seu choque. Ele saiu do quarto, trope�ando nas escadas, mas
conseguindo n�o cair. 'Eles n�o podem fazer isso! Eles n�o podem Beij�-lo! Eles n�o
podem! Isso n�o pode estar acontecendo' pensava ao descer as escadas. Suas pernas
estavam fracas, mas o menino conseguiu se manter em p�.
Lily ainda estava parada pr�xima a porta, encarando o ponto aonde James esteve
segundos antes. Seus olhos percorreram o local. Ela estava em choque! Damien queria
ter energia para se aproximar e confort�-la, mas sabia que era ele quem precisava
de conforto no momento. O menino sentiu a presen�a de seus amigos, mas nenhum deles
disse algo. Todos ficaram observando a cena que se desenrolava.
"Acabou, n�? Eles v�o ficar mais calmos agora. Depois de destruirem meu beb�, todo
mundo vai se acalmar." Lily disse com uma voz estranhamente calma.
Molly a olhou com medo e compaix�o. Ela abra�ou a amiga, mas a outra se afastou.
"Lily, querida, n�o acabou. Dumbledore est� no Minist�rio agora. Voc� sabe que ele
n�o deixar� ningu�m machucar Harry. Ele vai descobrir um jeito dele sair dessa." A
tentou assegur�-la.
"Ele n�o � um Deus. Dumbledore n�o pode salvar todo mundo. Especialmente Harry. O
Minist�rio quer destru�-lo desde a primeira vez em que ele veio at� n�s. Eles n�o
v�o parar agora. Eu nunca mais vou v�-lo de novo. Eles nem mesmo me deixar�o v�-lo
pela �ltima vez!" Dito isso, Lily se desespereou e caiu no ch�o com Molly ao seu
lado e chorando junto. A Sra. Weasley era m�e tamb�m e conseguia apenas rezar para
que aquela situa��o nunca acontecesse em sua vida.
Damien caiu pr�ximo a porta tamb�m e sentiu Hermione lhe abra�ando, l�grimas
quentes escorriam por seu pesco�o. Sua m�e estava certa, agora que o Mnist�rio
tinha Harry, eles n�o o deixariam ir. Seu irm�o receberia o Beijo em menos de duas
horas. O menino sentiu seus olhos queimarem e come�ou a solu�ar. Sua mente fr�gil
come�ou a pensar em como poderia ajudar o im�o, mas ele sabia que n�o havia nada a
fazer. O destino de Harry estava selado.
O garoto se arrependeu de n�o ter dado um �ltimo adeus para os dois. Ele foi v�-los
uma noite e percebeu que o trailer fora deixado para algu�m. O homem velho que ali
estava, lhe entregou uma carta, enderessada a 'Alex'. John havia deixado,
explicando que estava mudando para os EUA por causa de um novo contrato que
recebera. Muito bom para ser recusado. Na carta, John dizia que n�o gostava de sair
daquele jeito, mas j� que ele n�o deixara nenhum modo de contato, foram obrigados a
ir sem se despedirem.
orasH
Harry ficou chateado, mas feliz ao mesmo tempo. Ele estava feliz de que a fam�lia
estaria a salvo. Nunca pensou em desenvolver tanta proximidade com os Ex Lombottoms
e sabia que era muito apegado a Nigel. O garoto sabia, tamb�m, que o pequeno menino
fora a raz�o de sua desobedi�ncia �s ordens de Voldemort. Ele nem mesmo saberia o
que faria se algo acontecesse com Nigel. Era melhor desse jeito. Eles viveriam
felizes longe dali.
Harry colocou as m�os no bolso e caminhou pela tarde ensolarada. Ele iria encontrar
Draco em uma hora e andando pela rua, pensava em um bom ponto de aparata��o. O
garoto estava perdido em seus pensamentos sobre Damien e Ginny. Tamb�m gostaria de
ter podido ver os pais uma �ltima vez, mas o moreno sabia que poderia ser pego e
coloc�-los em perigo. A �ltima coisa que ele queria era coloc�-los na cadeia por
ajud�-lo.
Hary estava t�o absorto em seus pensamentos que nem mesmo ouviu os passos atr�s de
si. Assim que o garoto virou em um corredor escuro, sentiu algo colidir com a sua
nuca. Ele colocou suas m�os no local atingido e caiu de joelhos. Sua vis�o ficou
borrada e o moreno quase desmaiou. Seja o que fosse que o acertara, quase abrira
seu cr�nio!
Harry sentiu seu bra�o ser agarrado e ficou com a varinha em punho, pronto para
us�-la, quando sentiu um pux�o no umbigo. Assim que foi colocado sob o rodopio da
chave de portal, o garoto desmaiou.
Ele foi trazido de volta � consci�ncia quando algu�m sibilou 'enervate'. Harry
abriu seus olhos, grogue, e gemeu ao sentir uma dor na cabe�a. Tentou colocar as
m�os na testa e t�mporas, mas percebeu que n�o podia mover os bra�os. O garoto
for�ou seus olhos a abrirem e viu que estava em um c�modo escuro, obviamente
amarrado a uma cadeira. Ele sentiu o p�nico em seus nervos. Havia sido capturado!
Seus primeiros pensamentos foram que os Comensais o tinham capturado, mas deixou
isso de lado, j� que sua cicatriz n�o do�a. Ele virou a cabe�a devagar, para que
n�o doesse e olhou para a escurid�o, tentando ver aonde estava.
"Qual � o problema? Voc� n�o reconhesse esse lugar?" Uma voz soou, fazendo o moreno
se contrair com o som.
Harry tentou sentar direito, mas viu que n�o conseguia se mexer direito. Ele estava
amarrado n�o s� pelas m�os, mas seu corpo inteiro envolvia-se em cordas.
De repente uma figura parou a sua frente. Uma varinha acendeu e o c�modo se
iluminou. Harry olhou duas vezes para seu lado, tentando distinguir a pessoa que
ali estava. De todas as que esperava, essa era a que nunca havia pensado.
"N-Neville?" Harry perguntou, esperando ter certeza de que era o grifin�rio mesmo.
Neville riu de forma maliciosa. Ele havia mudado muito desde a �ltima vez em que o
garoto o vira. Passaram-se apenas meses, mas mesmo assim, esse Neville era uma
pessoa bem diferente. O olhar gentil havia desaparecido, assim como a calma de sua
voz. O menino parecia fisicamente diferente tamb�m. Parecia ter perdido peso, mesmo
n�o sendo t�o gordinho para come�o de conversa. Seu t�rax estava maior e ele
parecia mais delgado e confiante. O grifin�rio ficou parado ante Harry, com sua
varinha apertada entre as m�os e os olhos cheios de f�ria.
"Neville! Voc� tem que me escutar�" O garoto tentou, mas foi cortado por um feiti�o
'sil�ncio'.
"N�o, Harry, hoje voc� vai escutar. Eu quero te mostrar aonde voc� est�."
Dito isso, Neville meneou sua varinha e Harry foi levitado, seus p�s nem mesmo
tocavam o ch�o.
"Aqui era minha casa. O local aonde cresci. Eu tinha uma vida perfeita, antes de
voc� vir e decidir que destruiria minha fam�lia. Voc� matou meus pais, aqui mesmo,
na casa deles. Voc� sabe como � horr�vel ser torturado e morto em sua pr�pria casa?
Em seu santu�rio?"
Neville disse isso de maneira g�lida. Harry desejava se soltar para poder explicar
tudo, n�o que o outro fosse acreditar. Ele nem podia lev�-lo aos pais, j� que os
dois estavam fora do pa�s.
Harry se contorceu, se ele conseguisse soltar as m�os, poderia mandar Neville para
longe e fugir. Ele sabia que mesmo com varinha, nunca machucaria o menino. N�o
faria isso com Frank e Fiona. Se Harry duelasse com Neville, acabaria o matando e
ent�o n�o conseguiria viver com a culpa.
"Voc� provavelmente nem pensou duas vezes antes de fazer o que fez!" Neville gritou
e meneou a varinha, fazendo o moreno de olhos esmeralda bater contra a parede. O
garoto caiu no ch�o com um estrondo.
Neville pareceu um pouco surpreso por suas a�o�es, ele n�o queria machucar Harry,
enquanto o mesmo estivesse amarrado e fechou os olhos para ajudar na respira��o. O
grifin�rio andou at� o outro e ficou o observando.
"N�o se preocupe, n�o sou um covarde pat�tico como voc�! N�o vou desarm�-lo antes
de atacar." Dito isso ele sussurrou um 'Finite Incantatem'.
Harry sentiu as cordas caindo e o feiti�o 'silencio' sendo retirado. Ele tentou n�o
gemer ao sentir a dor perpass�-lo. Suas costas bateram violentamente contra a
parede. O garoto viu uma varinha familiar ser lan�ada em sua dire��o. Sua varinha!
Ele n�o queria nada mais do que ir embora naquele momento. O garoto n�o seria o
respons�vel pela morte do grifin�rio.
Os olhos de Neville acenderam em ira. Ele apontou sua varinha em dire��o ao outro.
"Sim, voc� vai! Eu passei os �ltimos tr�s anos esperando para vingar meus pais!
Passei os �ltimos sete meses te ca�ando. Agora que te encontrei, voc� n�o vai
escapar f�cil!"
"Voc� n�o pode lutar comigo, Neville. Aurores treinados j� tentaram e nenhum
conseguiu. Como voc� vai conseguir tal fa�anha?" Harry esperava amedontrar o
menino.
"Eu sei quais s�o minhas chances de sobreviv�ncia. Ningu�m sobreviveu a um duelo
com voc�. Por�m, prefiro morrer lutando e vingando meus pais, do que sentar e
assistir voc� matando todos a minha volta!"
Harry nem mesmo teve tempo para negar a acusa��o, Neville lan�ou um 'Reducto' logo
em seguida. O moreno o bloqueou. A for�a por tr�s dos feit�os do grifin�rio era
maior do que o outro pensava. O Clube dos Duelos de Hogwarts com certeza o ajudou a
focar na magia.
Harry desviou de mais tr�s maldi��es e conseguiu sair do c�modo. Ele levantou e
tentou explodir a porta, que nem mesmo moveu. O garoto percebeu que Neville trancou
de tal modo a n�o abrir e ele n�o tinha tempo para descobrir como desfazer o
feiti�o. Harry bloqueou outra maldi��o, quando Neville entrou no mesmo local em que
ele estava.
O moreno de olhos esmeralda estava achando dif�cil n�o atacar. Para ele, se
defender era um insitnto. Algo que cresceu aprendendo. Ele tinha que fisicamente
parar a si mesmo para que n�o mandasse nenhuma maldi��o de volta.
Harry tentou bloquear as v�rias violentas maldi��es que lhe eram lan�adas. Ele
engasgou surpreso ao ver o menino segurar duas varinhas. O grifin�rio se espelhara
nele. Afinal, fora Harry que usara duas varinhas em um duelo.
Harry sentiu o feiti�o ferroada atravessar seu escudo e ating�-lo. Ele se engasgou
com a dor e perdeu o controle. Come�ou a lan�ar maldi��es sem verdadeiramente
pensar. Era a primeira vez que atacava Neville.
O grifin�rio foi atingido no ombro e caiu passos para tr�s, segurando o ferimento.
Os olhos de Harry se arregalaram em choque. Ele tinha que sair dali antes que
aquilo escalasse e resultasse na morte do outro.
Entretanto, Neville tinha um olhar triunfante nos olhos. Ele sorriu ao tirar sua
m�o do ombro e ver seu sangue manchando as vestes que usava.
Harry andou rapidamente pelas escadas com o intuito de escapar do menino suic�da.
Ele correu direto para o andar superior e entrou em um dos c�modos. Tentou abrir a
janela para sair, mas elas nem mesmo mexiam. Tentou um feiti�o 'Reducto' e mesmo
isso n�o funcionou.
"N�o vai funcionar, Harry. Coloquei todos os tipos de feiti�os nessa casa. As
portas e janelas s�o inquebr�veis. Voc� n�o pode sair." Neville disse.
"Neville, olha, eu sei como voc� se sente agora. Mas voc� nem mesmo sabe da
verdade! Eu n�o matei seus pais..."
Harry nem mesmo teve a chance de terminar o que dizia, j� que Neville o lan�ou
longe. O garoto bateu na janela e caiu no ch�o estrondosamente.
"Como se atreve! Pensei que voc� tivesse mais colh�es do que isso! Ao meno admita,
seu bastardo!" Neville lan�ou outra maldi��o, mas Harry desviou.
Esse foi o ponto sem volta para Harry. Ele n�o p�de mais controlar sua raiva e
levantou, j� lan�ando uma maldi��o em cima de Neville, por�m, dessa vez, o menino
bloqueou e retribuiu.
Harry desviou e lan�ou o feiti�o do corpo preso, esperando que acertasse o outro
para que ele pudesse fugir. Entretanto, Neville estava pronto e o bloqueou.
O moreno de olhos esmeralda n�o soube exatamente como aconteceu, mas de algum modo,
conseguiu chegar ao telhado da casa. Era um local plano e, como todo o resto do
local, estava deteriorando. Harry desviou de tudo que lhe era lan�ado e tentava
estuporar Neville. Por�m, o outro continuava se defendendo, o que o fazia perder a
paci�ncia. O garoto podia muito bem acabar com o grifin�rio em dois minutos, mas
sua mente continuava dizendo para n�o mat�-lo.
"Vamos l�, Harry! Voc� � o legend�rio Pr�ncipe Negro! Voc� pode fazer mais do que
um 'estupefa�a'. Duele comigo!" Neville gritou e lan�ou outra maldi��o.
Harry desejava atirar sua varinha de lado e acertar o outro com um belo soco.
Estava come�ando a perder, de vez, sua paci�ncia. Aparentemente, Neville tamb�m. O
menino jogou-se contra ele e ambos rolaram para fora do telhado. O moreno soltou
sua varinha, surpreso ao ver algu�m pular daquele jeito.
O grifin�rio ficou surpreso ao ver que Harry ainda o segurava, O moreno de olhos
esmeralda podia sentir o sangue quente de sua m�o cortada, descendo por seu bra�o e
sabia que podia apenar ficar ali por mais alguns segundos e ent�o, depois, os dois
ca�riam.
Ele juntou todas suas �ltimas energias e puxou Neville, assim p�de levant�-lo.
Finalmente, o menino conseguiu ficar em seguran�a tamb�m. Os dois ficaram em cima
do telhado, seguros e deitados, enquanto respiravam fundo.
Neville derrubara sua varinha tamb�m e nem mesmo fora atr�s para recuper�-la. Ele
ainda estava chocado por ver Harry salvar sua vida e o moreno de olhos verdes ainda
se sentia mal por estar em cima do telhado podre. A casa estivera sob um grande
n�mero de ataques e as maldi��es atingiram o teto in�meras vezes; O garoto viu as
rachaduras aparecerem, quando ambos sentaram e teve apenas um momento para reagir.
Sem pensar, o moreno levantou a m�o e lan�ou Neville para longe com uma for�a
m�gica. O menino foi pego de surpresa e bateu contra o outro lado do telhado.
Harry, por�m, n�o teve chance de se salvar. O teto n�o aguentou e o garoto caiu e
como nem mesmo tinha uma varinha, n�o conseguiu conjurar um escudo para se salvar.
Foi nesse momento que Harry ouviu algu�m se aproximando e sabia que a porta fora
explodida. Ele ouviu v�rios passos pela escada e tentou se mover, mas tudo causava-
lhe dor. O garoto viu homens de uniforme a sua frente e sua respira��o falhou ao
observar varinhas apontadas em sua dire��o. O homem mais pr�ximo sorriu de lado.
"Olha, o que temos aqui? Parece que o Natal chegou mais cedo, certo rapazes?"
Blake aproximou-se e segurou Harry pelos cabelos para conseguir encar�-lo melhor. O
garoto se contraiu, mas n�o deixou nenhum som escapar. Blake sorriu, mostrando
todos os dentes.
Ele soltou Harry e o virou de barriga para cima. O Auror torceu os bra�os do
garoto, violentamente, e amarrou-os. Gritos escaparam do moreno, quando seus punhos
quebrados foram for�ados a se virar, ele n�o podia fazer nada para se defender.
"Vamos l�, Potter! Temos alguns Dementadores desesperados para te encontrar." Blake
riu e o puxou.
Harry n�o conseguia andar por causa de suas pernas quebradas e foi for�ado a se
apoiar em Blake.
Neville entrou no local e os Aurores correram para ajud�-lo. Os homens viram sangue
em suas vestes, que ca�a da cabe�a. Viram, tamb�m, alguns hematomas, como um enorme
que aparecia no cr�nio, resultado de quando batera a cabe�a, bem no momento em que
Harry o salvou. Neville encarava o outro garoto e n�o conseguia desviar os olhos
dos ferimentos dele.
O menino deixou que o levasse, enquanto Harry sa�a junto com Blake, por meio de uma
chave de portal, direto para o Minist�rio.
Harry acordou em uma cela escura, com as m�os atadas. Ele tentou se mover, mas
percebeu que as algemas acorrentavam seus p�s tamb�m, for�ando suas pernas a
dobrarem. O garoto sibilou de dor quando seus musculos gritaram em agonia.
Ele levantou a cabe�a para ver o que acontecia ao seu redor e percebeu que estava
sozinho. Harry abaixou a cabe�a e respirou fundo v�rias vezes. Blake o largou ali
e, sabendo perfeitamente o quanto o garoto estava machucado, ainda assim, o chutou
nas costelas antes de avis�-lo que ganharia o Beijo do Dementador e que n�o havia
como escapar dessa vez.
Harry tossiu ainda mais, liberando sangue. Ele cuspiu e tentou fazer sua mente,
nublada pela dor, funcionar. Sabia que estava com s�rios problemas agora e que n�o
havia nada h� fazer para se salvar. N�o podia nem andar! Imagine escapar daquele
lugar.
Ele se resignou ao destino. O garoto sabia que um dia seria pego e que o Beijo
seria administrado. Harry tentou, novamente, se mover, mas foi for�ado a parar por
causa da dor agonizante. Ele viu a porta de sua cela abrir e observou Blake entrar,
sorrindo de orelha a orelha. Harry soltou xingamentos, quando foi pego e levantado
pelos cabelos.
"Eu tenho contas a acertar com voc�, Potter." Blake disse e segurou o garoto pelo
pesco�o.
Harry se debateu, mas n�o conseguiu se livrar. Ele n�o conseguia respirar, Blake
apertava cada vez mais seu pesco�o. A vis�o do moreno come�ou a turvar e ele se
debateu ainda mais. Harry sentiu uma maldi��o o atingir, mas n�o teve chance reagir
e foi colocado em estado de inconsci�ncia.
"Sinto muito, voc�s n�o tem acesso. Por favor, retornem mais tarde." A voz ecoou em
volta da cabine.
Arthur sugeriu que todos entrassem individualmente. Ele e Kingsley foram admitidos
automaticamente, por�m, Sirius e James n�o tiveram sua entrada permitida. Eles
tentaram usar a chave de portal de emerg�ncia, mas ainda assim, n�o puderam entrar.
"Que diabos est� acontecendo?" Gritou James, ao jogar a chave de portal no ch�o,
liberando sua ira.
'Preciso entrar l� e ajudar Harry. Merlin sabe pelo o que ele est� passando agora.'
O homem pensou desesperado.
James e Sirius tentaram de novo, mas falharam. Arthur voltou depois de um tempo com
olhar cabisbaixo na face.
O moreno de olhos avel� estava quase colapsando e agarrou Arthur pelos ombros.
"Voc�s n�o podem entrar at� que Harry receba o Beijo. O Ministro os baniu. Ele tem
medo de que voc�s ajudem Harry a escapar." O homem disse triste.
James e Sirius ficaram sem palavras. Eles n�o seriam capazes de ajudar Harry e nem
mesmo poderia v�-lo pela �ltima vez. Ambos homens correram at� a cabine telef�nica.
Eles iriam entrar no pr�dio de um jeito ou de outro.
Harry acordou novamente, sentindo sua cabe�a latejando dolorosamente. Ele sabia que
alguma coisa estava diferente no momento em que abriu os olhos. Ao inv�s do ch�o
gelado e duro, estava deitado em len��is macios e encontrava-se dentro de um quarto
quente e n�o em uma cela fria.
Harry levantou a cabe�a e percebeu que estava em uma grande e confort�vel cama.
Confuso com os eventos, ele se levantou e sentou. Ficou surpreso quando seus bra�os
e pernas n�o doeram. As algemas foram embora e aparentemente seus ossos quebrados
foram curados. Sua cabe�a do�a e ele teve que piscar algumas vezes para se livrar
dos pontos pretos que nublavam sua vis�o.
"�timo, voc� est� acordado." Uma voz �spera falou, fazendo Harry pular. Ele n�o
sabia que havia mais algu�m ali.
"Moody." Sussurrou.
"Estou contente de que sua mem�ria ainda est� intacta, garoto. Estava com medo que
tudo em voc� havia sido extirpado." O Auror resmungou e levantou, aproximando-se de
Harry.
O moreno se retraiu um pouco. Da �ltima vez em que vira o homem, ele o amaldi�oara
t�o forte que o deixara em coma durate semanas. Harry imaginava se Moody o curara
apenas para machuc�-lo de novo.
"Beba." Comandou.
"N�o me fa�a for�ar isso sua garganta abaixo, garoto. Voc� precisa de toda a
energia que tem." Moody sibilou de volta.
"Quando os efeitos da outra dose cessarem, voc� ir� querer tomar." Disse e voltou a
sentar na cadeira.
"Onde eu estou?" O garoto perguntou, ignorando a po��o.
"Voc� ainda est� no Minist�rio. Voc� est� no meu quarto." Moddy respondeu sem olh�-
lo.
"Voc� preferiria estar ainda com Blake? Eu posso conseguir isso se quiser." Moody
vociferou.
Harry abriu a boca para vociferar de volta, mas mudou de id�ia. Ele sentou na cama
e olhou em volta. J� estava ficando dolorido e queria dormir novamente, mas sabia
que nunca conseguiria com o outro no c�modo.
Moody olhou para o moreno, uma estranha emo��o perpassou sua face.
"Voc� foi entregue aos cuidados de Blake. Obviamente isso foi um erro. Eu entrei
quando ele estava naquela cela com voc�. Vi o que ele fazia. Ningu�m pode lan�ar
uma Cruciatus sem autoriza��o. Agora voc� est� sob meus cuidados e n�o pude deix�-
lo na cela, portanto te trouxe aqui." O Auror pareceu lutar com a resposta.
"Mas voc� me odeia. Por que me ajudaria? Eu pensei que voc� seria a pessoa que..."
Harry n�o foi capaz de terminar.
Moody se levantou e andou at� ele. O homem sentou na ponta da cama e desviou o
olhar.
Harry ficou surpreso com o tom de voz. Ele n�o sabia que o Auror podia falar
delicadamente.
"Eu virei um Auror com dezenove anos. N�o tinha me casado e nem tinha uma fam�lia,
por medo deles serem atacados. Tinha visto de tudo e achei que n�o seria justo
colocar a vida de algu�m em risco, apenas porque era minha fam�lia."
Harry pensou no porqu� de Moody estar lhe contando tudo aquilo, mas escutou quieto.
"Alice... Alice era como minha filha. Ela era muito pr�xima a mim. Eu at� a levei
ao altar em seu casamento. Ela era uma boa pessoa e sua morte me desmoronou. Senti
como se minha fam�lia tivesse sido arrancada, quando Frank e Alice morreram."
Harry sentiu-se suando frio. Ele n�o esperava Alice e Frank na conversa e for�ou
sua face a ficar sem express�o. Moody virou para olh�-lo.
"A raz�o pela qual fui t�o... violento no passado era porque n�o pude passar pelo
ressentimento do que voc� fez a minha filha. Eu n�o pude olhar al�m daquilo."
O moreno de olhos esmeralda sentiu uma coisa ruim.
"Por que est� sendo legal comigo agora?" Harry perguntou controlado.
Harry sentiu seu cora��o pular para a boca. For�ando as palavras a sairem. Ele
tentou lutar contra o p�nico.
"� apenas para a dor, voc� vai precisar." Ele disse e levantou da cama.
Harry pegou a garrafa, mas n�o bebeu. Seus cora��o continuou martelando. Moody n�o
podia ter descoberto a verdade. Ele n�o podia saber o que acontecera com Frank e
Alice, poderia? N�o, isso n�o era imposs�vel. Ningu�m sabia sobre eles.
O garoto pensou que j� que estaria recebendo o Beijo por todos seus crimes, Moody
decidira ser legal. Ele seria punido mesmo. O moreno examinou a po��o em suas m�os
e ao levant�-la, percebeu um bracelete vermelho em seu pulso.
Harry sorriu, mesmo naquela situa��o, outro Bracelete Bartra. 'Algumas coisas n�o
mudam' pensou ao beber a po��o em um s� gole e sent�-la agindo em seu organismo.
"Moody, por que ainda estou aqui. Quero dizer, pensei que iria receber o Beijo. O
que est� havendo?"
Harry perguntou temeroso. N�o era como se estivesse ancioso pelo Beijo ou algo do
tipo, ele apenas n�o conseguia mais esperar.
"O que! Como, quero dizer, como isso � poss�vel?" Ele perguntou com o est�mago
revirando.
"Me ouvir? O que eles esperam que eu diga?" Ele perguntou, pensando em como poderia
explicar seus crimes.
"Ele n�o espera que voc� diga alguma coisa. Ele falar� tudo. Em menos de uma hora,
Harry, voc� ter� um julgamento."
Cap�tulo Cinquenta e Cinco: O Julgamento
James n�o desistiria. Se ele e Sirius n�o podiam entrar pela frente, iriam
encontrar outro modo. Cavariam um buraco para dentro do Minist�rio se precisasse.
James n�o deixaria Harry em um momento como aquele.
Remus estava ali ao lado dos dois. Ele sa�ra da Toca ao mesmo tempo que os amigos,
mas foi instru�do, por Kingsley, a ir para o Quartel General da Ordem reunir os
membros. Quanto mais gente da Ordem tivesse, melhor a garantia de uma chance de
Harry n�o ser maltratado. Os membros seriam muito mais "legais" com o garoto do que
os Aurores do Minist�rio.
"James, voc� tem certeza?" Sirius perguntou ao pararem em frente a uma parede lisa
de pedra, onde uma porta, que levava ao interior do Minist�rio, estava escondida.
"� que ningu�m nunca ouviu falar de alguma entrada por aqui." Sirius disse e olhou
para a parede.
"Existe uma primeira vez para tudo." James respondeu e segurou sua varinha
apertado.
"Pronto?" Perguntou.
Remus respirou fundo e murmurou um feiti�o para revelar o esconderijo. Uma porta
negra apareceu e o licantropo deixou um suspiro escapar. Ele andou at� l� e bateu
contra a superf�cie, com sua varinha, seis vezes.
O cachorro de pelos bagun�ados entrou no local e esperou algo acontecer. Nada. Nada
ocorreu com a entrada deles que causasse algum tipo de perturba��o.
Remus ficou esperando ali perto, j� que n�o podia entrar. Observou a porta se
fechar e desaparecer contra a parede. O homem rapidamente correu para a frente do
pr�dio e, j� que tamb�m fora banido do Minist�rio, esperou pacientemente para
conseguir entrar.
Harry abriu a porta e saiu do banheiro. Ele se sentia vagamente melhor agora que
vomitara tudo o que existia em seu est�mago. O garoto voltou, cambaleante, para sua
cama e sentou na ponta, deixando sua cabe�a cair contra as m�os. Um Julgamento! Ele
receberia um julgamento. Que diabos Dumbledore estava planejando? Harry sabia que
um julgamente apenas faria as coisas ficarem, possivelmente, piores. Metade das
coisas que ele fizeram nunca, nem mesmo, tinham sido colocadas sob os holofotes.
Esse julgamento apenas o colocaria, ainda mais, em problemas.
Ele suspirou e passou as m�os por seus cabelos negros bagun�ados. O garoto estava
desesperado por um banho, mas tinha que se conformar com o feiti�o 'Scourgify', que
Moody utilizou para limpar as manchas de sangue de sua roupa.
Harry ainda usava suas roupas trouxas. Sua cal�a e sua camisa, ambas negras,
pareciam que n�o viam melhores condi��es h� muito tempo. O garoto se sentiu um
pouco preocupado ao pensar que aquela poderia ser a �ltima coisa que usaria e, logo
em seguida, balan�ou a cabe�a para afastar os pensamentos. 'N�o fique para baixo!
Voc� n�o ser� capaz de passar por isso se pensar assim!' Sua mente gritou. Mas
Harry n�o sabia em o que mais poderia pensar. Ele n�o poderia esperar sair de l�
sem ao menos uma senten�a � Azkaban. O melhor cen�rio era esse: o da pris�o e,
ainda por cima, com Dementadores para completar. Al�m disso, outra coisa o
incomodava. Se ele estivesse em Azkaban, estaria sem poderes para se defender de
Voldemort e, naquele local, seria um alvo f�cil para o homem. Harry sabia que os
Dementadores o entregariam a Voldemort mais cedo ou mais tarde.
Ele foi colocado, novamente, de volta a realidade, quando percebeu Moody parado a
sua frente. O garoto olhou o Auror e percebeu que este o olhava de modo f�nebre.
Harry sentiu seu cora��o martelar o Pomo de Ad�o e se levantou devagar. Os dois
andaram at� a porta e antes que Moody a abrisse, ele virou para o garoto e pegou
algo em suas vestes.
Harry olhou para as correntes na m�o de Moody e encarou o homem diretamente nos
olhos.
Sem esperar por uma resposta, Harry esticou os punhos enfaixados e esperou que
Moody colocasse as correntes. O Auror parecia fazer aquilo mecanicamente. O garoto
sentiu os feichos contra seus tornozelos. As correntes eram, surpreendentemente,
pesadas.
Ele tentou andar e percebeu que era bem dif�cil por causa do peso que o impedia.
Harry encarou Moody com uma express�o de poucos amigos e o Auror abriu a porta
totalmente.
Harry percebeu que o homem n�o tinha escolha. Esse era o jeito que criminosos eram
levados para a corte. O garoto tentou manter o passo no r�tmo do Auror, mas as
correntes eram muito pesadas e ele ficou trope�ando repetidamente. As algemas
apertavam seus tornozelos e se ele tentasse andar mais r�pido acabaria caindo. O
tamanho da corrente apenas permitia poucos passos por vez.
"Moody... voc� poderia... andar mais devagar?" Harry vociferou de leve e trope�ou
novamente, lan�ando choquinhos de dor contra suas costas machucadas.
Harry ficou contente por Moody t�-lo segurado, j� que n�o conseguia mover por si
pr�prio. Seu corpo inteiro do�a e ele conseguia sentir o esfor�o feito por suas
costas para vencer o peso das correntes.
Os Aurores observaram o garoto todo acorrentado e quase sorriram. Harry sentiu sua
face queimar com vergonha e raiva. Por que o estavam fazendo passar por tudo isso?
Os Aurores sa�ram do caminho, quando Moody passou pelo corredor segurando Harry. O
bra�o do garoto estava come�ando a adormecer devido ao aperto, mas ele n�o
reclamou. Seus olhos ficaram fixos no ch�o, sem olhar ningu�m.
Sua concentra��o foi perdida, quando algu�m esbarrou contra ele. Harry quase foi ao
ch�o. Um dos Aurores, um homem alto e loiro, propositalmente jogou-se contra o
moreno. O garoto segurou seu ombro machucado com as duas m�os.
Harry ficou surpreso ao sentir a dor no ombro e olhou gelidamente para o Auror,
querendo quebrar o pesco�o do bastardo.
O garoto continuou massageando o ombro, que latejava. Moody queria que seus
companheiros agissem como adultos e sabia que Harry devia estar com dor. O ombro
machucado era o mesmo que fora deslocado momentos antes. Entretanto, curar as
pessoas n�o era a melhor qualidade de Moody. Ele sabia como arrumar ossos
quebrados, todos os Aurores sabiam o b�sico sobre cura, mas a condi��o de Harry
precisava de algo muito mais complicado. A situa��o era tamanha, que o homem apenas
p�de fazer o que sabia. Ele tinha dado um jeito nos ossos quebrados, mas n�o
conseguiu fazer nada em rela��o aos machucados e hematomas. Ainda existiam feridas
internas e incha�os, a dor ainda estava ali e s� iria embora quando as po��es
certas fossem receitadas e aplicadas.
Harry focou-se em andar e n�o na dor em seu ombro. Sua raiva ainda borbulhava
furiosamente. Ele se sentiu melhor quando chegou at� o elevador. N�o havia ningu�m
ali, com exce��o dele e de Moody. O moreno de olhos esmeralda fechou os olhos e
encostou na parede, deixando suas costas relaxarem um pouco. O Auror o encarou
esperando que tudo acabasse logo, de um jeito ou de outro.
James correu at� o corredo onde ficavam as celas e olhou todas, desesperadamente em
busca de seu filho. Seu cora��o acelerava e quanto mais ele procurava, sua mente
ficava cada vez mais cheia de id�ias sobre o local em que Harry poderia estar.
Sirius tamb�m n�o estava calmo. Ele ficava correndo por ali, chamando baixo por
Harry. As celas escuras estavam vazias, exceto por alguns bruxos.
"Ele n�o est� aqui! Onde mais pode estar?" James perguntou em p�nico.
"Temos que achar algu�m da Ordem. Eles podem saber." Sirius sugeriu e os dois
sa�ram correndo.
"Hey, preste aten��o! James? Sirius? O que voc�s dois est�o fazendo aqui? Voc�s n�o
tem permiss�o!" A mulher disse r�pido e os puxou para um canto.
"Tonks! Voc� sabe aonde o Harry est�? Ele n�o estava em nenhuma das celas! Sabe pra
onde o levaram?" James perguntou, ignorando totalmente as interroga��es da mulher.
"Bem, sim, voc�s n�o precisam se preocupar. Deviam sair daqui. Se forem vistos
ganhar�o castigos de disciplina." Ela continuou dizendo preocupada.
"N�o dou a m�nima para medidas disciplinares! Quero saber aonde est� meu filho!" O
homem rugiu, fazendo a Auror se arrepiar.
"Harry est� bem. Bem, ele est� agora. Quero dizer ele est� bem o suficiente para
algu�m passando por esse tipo de situa��o." Tonks gaguejou com as palavras.
"O que voc� quer dizer? Ele est� bem agora! Como se ele n�o estivesse bem antes?
Apenas me diga onde ele est�. Preciso v�-lo!" James disse implorando.
"Bem, ele est�... est� sob os cuidados de Moody." Ela disse sem jeito.
"Ele est� com quem? Voc�s est�o loucos? Por que deixaram aquele man�aco chegar
perto de Harry? Voc� sabe como Moody �!" Ele gritou com a Auror de cabelos rosa.
"Bem, era Moody ou Blake! E acho que concordamos que Blake � mil vezes pior!" Tonks
gritou de volta, perdendo o controle sobre sua raiva.
"N�o acho que Blake faria mais dano do que Moody faria." Sirius disse com os dentes
cerrados. James estava sem palavras e rezava para que seu filho ainda estivesse
inteiro.
"Oh, eu n�o teria tanta certeza. Pelo o que eu ouvi, Moody fez um favor a Harry ao
tir�-lo dos cuidados de Blake. Aparentemente, Blake estava se empolgando um pouco e
Harry n�o teria sobrevivido at� agora se n�o fosse por essa interven��o!"
"Eu... eu n�o sei. Moody o levou embora e o ajudou. Eu sei porque estava l�. Ajudei
a curar Harry." Novamente Tonks se arrependeu. Ela acabou de dizer a James que
precisou dois Aurores para curar o garoto. A situa��o n�o ficou melhor.
Antes que algu�m pudesse dizer mais alguma coisa, uma sombra apareceu atr�s de
James. Os dois amigos viraram e viram Dumbledore, junto a Lily e Damien.
O corredor estava cheio de Aurores. Entretanto, todos eles abriram espa�o para o
moreno passar e mesmo ao o observarem com aquelas horr�veis correntes, nenhum riu,
nem o ridicularizou. Harry pensava no porqu� disso. Ele n�o sabia, mas a maioria
daqueles Aurores eram da Ordem da F�nix. O garoto manteve seus olhos fixos no ch�o.
Ele sentiu Moody parar de repente e pensou no que estava errado. Harry olhou para
cima e sentiu sua respira��o prender. Em frente aos dois estavam James Potter e
Sirius Black.
Harry ficou no mesmo lugar, chocado. Ele pensava sobre onde estavam seu pai e seu
padrinho durante todo esse tempo, mas n�o dissera nada. O moreno achou que os dois
n�o poderiam v�-lo, sendo assim n�o esperava encontrar com eles. Harry n�o
conseguia parar de encarar seu pai, ele tentava desviar o olhar, mas uma for�a
estranha o segurava. James olhava seu filho com as l�grimas quase escapando. O
garoto sentiu um rubor lhe subindo ao pensar em como deveria estar parecendo com
essas correntes.
"Potter..."
"Moody, por favor. Tudo o que eu quero s�o alguns momentos para falar com Harry.
Por favor!" James desviou o olhar do filho para encarar seu companheiro de
carreira.
"N�o podemos nos atrasar. Voc� sabe disso..." Moody come�ou, mas foi cortado por
Sirius.
"Alguns segundos n�o v�o causar nenhum mal! Vamos l�, Moody."
O Auror olhou para pai e filho, respirou fundo e assentiu. Ele soltou o garoto e
deu alguns passos para tr�s. Ainda estava pr�ximo de Harry, caso ele decidisse
tentar escapar.
James o olhou com gratid�o e depois encarou o filho. Ele se aproximou de Harry e
observou aqueles olhos verdes cheios de dor.
James observou as correntes e quis arrac�-las. Ele estudou a face de seu filho,
notou o hematoma roxo em sua bochecha e com a m�o tr�mula tocou no machucado. Harry
desviou o olhar, incapaz de manter contato visual.
"Harry..." James disse baixo. Sua garganta apertada com emo��o. Ele queria dizer
tantas coisas, mas sabia que tinha pouco tempo. E ent�o, lembrou das palavras que
Dumbledore lhe dissera momentos antes. Esquecendo seus sentimentos, James falou
rapidamente.
"Harry, olhe eu sei que voc� n�o v� muito uso nesse julgamento, mas... mas apenas
confie em mim, ok. Seja o que for que aconte�a l� dentro, seja o que Dumbledore
diga, apenas aceite o que ele falar. Ok? Por favor, Harry. N�o o corrija e n�o diga
nada. Apenas aceite o que ele disser."
"Mas�" Harry foi cortado pelo pai.
"Por favor, Harry! Apenas fa�a isso. Por mim, por Lily e por Damien! Apenas
concorde com Dumbledore. N�o interessa o quanto ele esteja errado, apenas concorde
com ele. N�o lute contra ele!" James implorou.
Harry sentiu que n�o tinha nenhuma outra chance e assentiu. O garoto sentia-se
estranho ao ouvir os conselhos bizarros que seu pai lhe dava.
Moody apareceu logo depois. Ele segurou no bra�o do garoto, um pouco mais gentil.
"Desculpe Potter, temos que ir agora." Ele levou Harry sem nem mesmo hesitar. O
garoto olhou para tr�s e viu seu pai e seu padrinho sendo mandados embora pelos
outros Aurores.
Sentindo-se pior do que nunca, Harry andou ao lado de Moody. Os dois pararam em
frente a uma porta negra e o garoto sentiu seu cora��o martelar contra o peito ao
ler a placa que estava pendurada.
'10� Corte'
Harry tentou respirar mais devagar. Era isso. Sua vida logo estaria acabada. Ele
olhou nervosamente para tr�s, o corredor esvaziara-se. Estavam apenas ele e Moody.
Sem dizer nada, o Auror abriu as portas e entrou, com Harry, na corte.
Harry tentou n�o olhar em volta. A masmorra enorme estava cheia de gente. Todos
sentavam em bancos espaldados, que estavam em volta do local. O garoto escutou os
sussurros percorrerem a sala ao entrar. O som de correntes chocando, enquanto ele
andava, parecia ecoar. O garoto viu uma cadeira presa ao ch�o, no meio da sala e se
sentiu enjoado ao ver as correntes que a rodeavam.
Moody andou com ele at� o meio da sala e meneou sua varinha, fazendo o garoto ficar
livre. O al�vio do moreno foi pequeno, j� que logo sentara na cadeira. Harry
prendeu a respira��o quando as correntes tomaram vida e o prenderam ali. Elas
come�aram pelos punhos e se enrrolaram at� os cotovelos. Nas pernas, come�aram pelo
calcanhar e terminaram nos joelhos.
As correntes apertaram sua pele, deixando seus machucados mais s�rios. Harry for�ou
a si mesmo para n�o demonstrar dor e cerrou os dentes, tentando ignorar o incomodo.
Ele n�o p�de ignorar aqueles que estavam a sua frente e teve que encar�-los.
Algumas pessoas eram familiares. Ele reconheceu Arthur Weasleys, o pai de Ron e
outro homem ruivo, que deveria ser um dos irm�os. Muitas pessoas eram da Ordem,
como Kingsley Shacklebolt e a Auror de cabelos rosa, Tonks.
Harry ficou surpreso ao ver Sirius e Remus sentados no meio dos Aurores. Ele n�o
pensava que os dois seriam permitidos no julgamento. O gaoroto viu seu pai ali
pr�ximo e, com l�grimas brilhando nos olhos, sua m�e. Harry parou de olhar para ela
rapidamente. Ele n�o conseguia lidar com isso, era muito para aguentar. Eles n�o
deveriam ter vindo. Seria p�ssimo para eles verem o Beijo do Dementador sendo
aplicado.
Harry olhou em volta discretamente e n�o conseguiu ver Dumbledore em lugar nenhum.
O moreno sentiu seu est�mago se revirar ao ver Neville sentado na primeira fila.
Ele o encarava sem nem mesmo piscar. Harry observou as pessoas da bancada.
"Agora que o acusado est� aqui, podemos come�ar." Ele encarou Harry rudemente,
antes de falar e o garoto sentiu um enorme desgosto surgir em suas entranhas.
"Harry James Potter, voc� foi trazido at� o Wizeamot no dia de hoje para ser
julgado por crimes que cometeu contra o Mundo M�gico. Entre esses crimes, est�
incluso o uso das Imperdo�veis. Voc� cometeu um total de dezessete assassinatos e
participou de in�meros ataques, resultando em mais mortes e destrui��es. Voc� nega
alguma dessas acusa��es?"
Harry olhou para Fudge ao responder. Sua voz saiu alta e clara, coisa pela qual o
garoto ficou extremamente satisfeito.
"N�o."
"Esse julgamento pode come�ar e agindo como Interrogadores temos: Cornelius Oswald
Fudge, Ministro da Magia; Amelia Susan Bones, Chefe do Departamente de Leis do
Minist�rio; e Julian Reid, Secret�rio Majorit�rio do Ministro. A testemunha de
defesa �: Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore."
Harry olhou para tr�s e viu Dumbledore. O bruxo apareceu do nada quando seu nome
foi pronunciado. O garoto pensou em como o homem aparecera ao seu lado, ele tinha
certeza de que ningu�m podia aparatar dentro do pr�dio.
"Creio que a primeira coisa que deveria ser explicada por aqui � esse julgamente. O
acusado concordou verbalmente com todas as acusa��es. Por que a insist�ncia em um
julgamento, Dumbledore?" Fudge perguntou de cara feia.
Dumbledore, por�m, n�o fazia careta, mas tampouco parecia se preocupar. Ele deu
alguns passos e se aproximou do local onde Harry estava sentado.
"Harry James Potter, voc� foi acusado a ter cometido dezessete assassinatos. O que
voc� alega em rela��o a isso?" Fudge perguntou.
Harry esperou por alguns segundos. Quando ficou claro que Dumbledore n�o
responderia, ele disse sem emo��o.
"Culpado."
N�o havia nada a dizer. Ele cometera de fato aqueles assassinatos e n�o poderia
mentir sobre isso, j� que n�o tinha prova. A multid�o come�ou a murmurar o que o
deixou ainda mais irritado com a situa��o.
"Certo, agora que passamos por essa vamos direto para a pr�xima. Os ataques..."
Fudge foi cortado, quando Dumbledore se moveu.
"N�o creio que tenhamos terminado com a primeira acusa��o." Ele disse calmo.
"Sim, n�s acabamos. O acusado se diz culpado por seus atos. O que mais voc�
gostaria de adicionar?" Ele perguntou com uma voz controlada.
"Ministro, voc� perguntou uma coisa muito simples e o r�u respondeu do mesmo jeito.
Por�m, esse caso � mais complicado..." Dumbledore foi cortado pelo Ministro.
"Complicado! N�o h� nada complicado nisso! Ele admitiu ter cometido esses
assassinatos! O que voc� est� tentando dizer? Que ele n�o cometeu nada?"
"Claro que n�o. O r�u est� extremamente correto ao responder que � culpado. Meu
ponto sobre isso � que esses assassinatos devem ser investigados um pouco mais a
fundo." O bruxo respondeu calmo.
Harry se sentiu enojado, sua cabe�a do�a cada vez mais e ele desejava que os dois
homens parassem de jogar. Ele tinha respondido a quest�o. Por que Dumbledore estava
discutindo?
"O Wizegamot n�o tem tempo de olhar a fundo os assassinatos que esse garoto
cometeu! Temos que seguir em frente."
"Demoraria apenas um momento para resolver. Se voc� puder me responder apenas uma
pergunta, Ministro?"
"Faz toda a diferen�a. Agora, Ministro, quantas dessas pessoas eram leais a
Voldemort?"
"Claro, com esse julgamento sendo t�o r�pido n�o foi poss�vel conseguir toda a
informa��o. Eu pe�o desculpas, entretanto tenho o arquivo aqui comigo." Dumbledore
levantou a m�o e uma pasta apareceu.
Abrindo-a, o bruxo come�ou a ler os documentos.
"De acordo com esse trecho, de dezessete assassinatos, quinze v�timas eram
Comensais da Morte."
Harry encarava Dumbledore, imaginando o que estaria por tr�s de tudo isso.
"Como isso muda as coisas? Eles eram humanos! Esse garoto n�o tinha direito de
mat�-los!" Fudge disse com raiva.
"Desculpe-me Ministro, mas de acordo com isso, voc� deu a ordem para que qualquer
um desses homens fossem mortos ao serem capturados." O Diretor disse e os
documentos desapareceram instantaneamente de suas ma�s, indo aparecer nas de Fudge.
Amelia Bones pegou o pergaminhou e o estudou de perto. Ali estava uma lista de
quinze Comensais e ao lado de cada um a ordem do Ministro para que fossem mortos ao
serem capturados.
"Como pode ver, esses Comensais foram condenados a morte pelo pr�prio Ministro.
Eles eram homens com crimes horr�veis associados ao seus nomes. Eles eram muito
temidos pela comunidade bruxa, por isso as ordens de morte. Voc� at� mesmo lan�ou
uma ordem de recompensa para quem os matasse.'
"Como� onde voc� conseguiu essa informa��o?" Ele perguntou em tom de ordem.
"Isso n�o � relevante. O fato � que desses homens, quinze foram condenados a morte
por voc� mesmo. O que eu gostaria de deixar claro � que voc� mesmo estaria contente
em ter esses homens mortos e at� mesmo ofereceu uma recompensa para os Aurores. Por
outro lado voc� est� querendo condenar aquele que matou a todos. Apenas queria um
justificativa para isso."
A express�o de Fudge era impag�vel. Harry viu que ele estava abrindo e fechando a
boca como se fosse um peixe fora d'�gua, j� que n�o conseguia encontrar palavras
para gritar. Amelia Bones resolveu intervir.
"� o trabalho de um Auror capturar e em alguns casos matar as pessoas que s�o um
perigo para o nosso mundo. O acusado n�o � um Auror, ele nem mesmo � maior de
idade. Portanto n�o pode ser tratado como um Oficial da Lei. Ele n�o matou esses
homens porque eram uma amea�a ao Mundo M�gico. Ele os matou porque quis." Ela
terminou.
"Voc� est� certa, Madame Bones, entretanto, o r�u pode n�o ter matado esses homens
por uma raz�o nobre, mas creio que seja indevido uma condena��o por causa desses
assassinatos. Esses homens nem mesmo eram de nossa sociedade. Eles estavam ferindo
as pessoas. Se o acusado nos livrou deles, seja qual for a raz�o, ele ainda assim
fez ao mundo um favor e n�o deveria ser condenado por isso."
Harry sentou ali com os punhos cerrados e tentou bloquear as �ltimas palavras de
Dumbledore. O que lhe dava o direito de decidir sobre o que ele deveria ser punido?
O garoto continuava repetindo as palavras de James. 'Mantenha sua boca fechada. N�o
discuta com Dumbledore.'
Amelia Bones anotou algo em seu pergaminho e trocou algumas palavras com Julian
Reid e Fudge.
"Eu nunca participei em nenhum ataque. O �nico em que estive foi no incidente
contra o Expresso de Hogwarts."
Com a men��o do Expresso de Hogwarts, v�rios gritos ecoaram. Harry sabia que muitos
dos presentes tinham filhos em Hogwarts, os quais, provavelmente, estavam no
Expresso.
"Essa foi a �nica vez em que voc� participou de um ataque?" Madame Bone perguntou.
Ela anotou alguma outra coisa e sussurrou algo para Julian. O Secret�rio escreveu
algo em seu pergaminho tamb�m. Harry n�o tinha certeza, mas Madame Bone parecia o
olhar com gentileza. A voz da mulher ecoou pela sala ao falar e seu corpo ficou
contra�do. Ela parecia bem intimidante, mas sempre que olhava para o garoto, seus
olhos suavizavam. Provavelmente ele estava imaginando coisas.
Harry tentou n�o olhar para a porta a sua direita. Ele pensava em quem apareceria.
O garoto quase gritou ao ver um menino entrar. Como eles o deixaram fazer aquilo?
Damien entrou e parecia bem nervoso. Seus olhos encararam o irm�o e ele quase saiu
correndo para abra��-lo. Ao inv�s disso, o menino andou at� o pequeno pulpito que
fora conjurado por Dumbledore e ficou ali parado, tentando parar de olhar para o
irm�o.
"Por favor, diga seu nome inteiro para o Wizegamot." Dumbledore disse calmo.
"Voc� pode nos contar sobre o ataque ao Expresso de Hogwarts que aconteceu esse
ano?"
Damien respirou fundo e come�ou a contar. Contou sobre como Harry lhe mandara uma
mensagem para que todos eles ficassem no trem, por�m se recusou a dizer como. O
menino disse para a corte que seu irm�o assegurou que ningu�m atacaria os
estudantes e que se todos ficassem dentro do trem, ningu�m se machucaria.
"Isso � rid�culo!" O Ministro disse, quando Damien terminou de contar.
"Esse... esse menino � o irm�o do acusado! Ele provavelmente vai tentar salv�-lo!
N�o podemos acreditar em suas palavras! Ele � menor de idade!"
Harry mal se controlava. Por que Dumbledore estava colocando Damien em uma situa��o
como essa? N�o era justo com o menino ter suas mem�rias expostas assim.
Fudge ainda insistia no argumento de que Damien era menor de idade e n�o poderia
dar provas de que Harry queria proteger os estudantes.
"Ele pode ser menor de idade, mas eu n�o sou!" Uma voz soou.
Harry viu Sirius se levantar. Ele andou at� o pulpito e parou ao lado de Damien.
Madame Bones novamente anotou algo em seus pergaminhos e enquanto Fudge estava
quase explodindo de raiva Harry encarava Sirius. O Auror esquecera de contar sobre
como fora ferido. Esquecera de contar que havia se machucado devido a uma Cruciatus
aplicada, ap�s um feiti�o quebra ossos, mirado na perna, que Harry lan�ara. O
garoto abaixou a cabe�a envergonhado. Por que todas essas pessoas tentavam ajud�-
lo, quando tudo o que ele fizera havia sido para causar-lhes dor?
"Enquanto as suas palavras foram muito satisfat�rias, temo que n�o possamos aceit�-
las. Voc� tem uma rela��o familiar com o acusado e de acordo com o Decreto
quatrocentos e dezessete, qualquer pessoa relacionada com o acusado n�o pode dar um
testemunho, j� que h� o perigo de uma poss�vel m� interpreta��o dos
acontecimentos."
Sirius abriu a boca para discutir, mas foi silenciado por Dumbledore.
"Se esse � o caso, ent�o devo apresentar minha segunda evid�ncia. Esperava n�o ter
que us�-la, mas aparentemente n�o tenho outra escolha."
Dumbledore pegou um vidrinho e dentro havia uma fuma�a densa. Harry observava
aquilo com suspeita. Que mem�ria seria mostrada?
"Por seguran�a a pessoa que cedeu essa mem�ria n�o pode ser indentificada, j� que a
colocaria em risco. Eu j� a testei para ver se n�o h� nenuma parte falsa. Aqui est�
o documento que prova sua veridicidade." Com isso Dumbledore enviu outro pergaminho
para a mesa. Madame Bones pegou, olhou o documento e ent�o assentiu para que o
Diretor prosseguisse.
Dumbledore colocou sua varinha dentro da fuma�a e mandou a mem�ria direto para a
parede de pedra. Imediatamente a coisa come�ou a colorir e mostrar nitidamente o
Expresso de Hogwarts rodeado por Comensais da Morte. Todos os homens estavam
protegidos pelas m�scaras, com exce��o de um, Harry. O garoto olhava para os
Comensais com seus olhos brilhando perigosamente.
"Lembrem-se das minhas ordens, ningu�m entra no trem. Se algum aluno sair, voc�s
ir�o apenas estupor�-lo, entenderam? Se algum de voc�s matarem um aluno, eu mato
quem cometer o ato."
A mem�ria desapareceu ap�s essas palavras. Harry estava tentando lembrar quem eram
os Comensais que estavam ao seu lado naquele dia. Provavelmente a mem�ria pertencia
a um deles. Ele nem mesmo teve a chance de pensar, j� que Dumbledore continuou com
o julgamento.
"Creio que isso possa acabar com as discuss�es. O acusado pode ter estado com os
outros Comensais naquele dia e pode ter duelado com os Aurores, mas fez com que
todas as crian�as estivessem a salvo. Ele mateve os Comensais longe dos alunos. Se
o r�u n�o estivesse l�, o trem teria sido atacado por dentro e as crian�as estariam
sem defesa. Novamente, o r�u agiu com suas pr�prias idealiza��es, mas ajudou o
Mundo M�gico de qualquer jeito."
Sirius e Damien sa�ram depois disso e Harry viu o irm�o sentar ao lado de seu
padrinho e de Remus. Dumbledore continuou dando evid�ncias de que o garoto, de
fato, ajudara o Mundo M�gico v�rias vezes. Ele trouxe Poppy Pomfrey como testemunha
e a deixou explicar como Harry salvou a ela e a seus filhos de morrerem no inc�ndio
que os Comensais come�aram.
Harry sentiu sua cabe�a girar, ele n�o conseguia pensar no que Dumbledore faria a
seguir. Ele sentiu seu cora��o dar um pulo, quando o Diretor apresentou a terceira
testemunha. A porta abriu e uma garota entrou. O moreno fechou os olhos e tentou
respirar direito. O que diabos Ginny estava fazendo ali? Ser� que eles n�o
percebiam o risco que ela corria. Se eles aplicassem Veritasserum para confirmar as
hist�rias, todos estariam em muitos problemas. A verdade sobre como Harry foi
ajudado na busca pelas Horcruxes poderia colocar os adolescentes em Azkaban.
"Mesmo com essa gentileza acidental que o acusado demonstrou, ele ainda assim usou
v�rias maldi��es imperdo�veis. Isso somente j� lhe vale uma senten�a em Azkaban.
Isso n�o pode ser esquecido!" Fudge disse com um olhar triunfal.
Harry olhou para Dumbledore e quis saber como o homem o livraria dessa acusa��o. O
garoto tinha certeza de que ningu�m o notava, devido a ferocidade em que a
discuss�o entre o Ministro e o Diretor se encontrava.
"O uso das Imperdo�veis � um assunto dif�cil, mas Ministro, essa regra teria que
funcionar para todo mundo. Se seus Aurores podem usar as maldi��es, portanto n�o
vejo justificativa para que outros sejam condenados por causa delas."
O Ministro tentava falar, mas nenhum som saia. Ele respirou fundo algumas vezes e
encarou Dumbledore.
"Como voc� se atreve acusar meus Aurore de cometerem tal ato? Eu nunca ouvi sobre
nenhuma situa��o em que algum deles utilizou uma maldi��o n�o autorizada!"
"Voc� poder� ver que nos arquivos do acusado, que ele nunca usou nenhuma
imperdo�vel nos Aurores, em nenhum dos duelos que aconteceram. A maldi��o da morte
foi usada, como eu j� expliquei, somente nos Comensais que ele assassinou."
Harry olhou direto para Sirius, ele usara a maldi��o da morte no Auror. Ou
Dumbledore estava mentindo para salv�-lo, ou seu padrinho n�o contara sobre o
incidente. Sirius olhava o garoto com um profundo sentimento no olhar. O Auror
tinha ficado quieto em rela��o ao que acontecera. Ele havia sido tratado no
hospital, por causa de sua perna quebrada e n�o falou nada mais sobre o assunto.
Sirius n�o havia dito para ningu�m que fora atingido com a Cruciatus, apenas Damien
sabia o ocorrido. Harry abaixou a cabe�a, envergonhado, mais uma vez.
"O que voc� est� tentando sugerir, Dumbledore?" Madame Bones perguntou.
"Que o acusado nunca foi um seguidor de Voc�-Sabe-Quem? Que ele estava, na verdade,
tentando ajudar os outros enquanto era o Pr�ncipe Negro?" Ela terminou com uma
express�o questionadora.
"Estou apenas tentando mostrar a verdade das a��es do jovem. Voc� pode interpretar
como quiser." Dumbledore respondeu, seus olhos brilhando novamente.
Harry teve que morder a l�ngua para n�o gritar com Dumbledore. Ele o estava
mostrando como um tipo de agente secreto, salvador do Mundo M�gico! O garoto apenas
ajudara essas pessoas porque elas eram inocentes e fim de conversa. Ele n�o queria
ser o super salvador do mundo!
Fudge olhou para seu pergaminho e depois para Dumbledore, um estranho sorriso
adornava seu rosto, fazendo Harry se encolher na cadeira.
"Ok, Dumbledore, voc� fez um bom show. Voc� tentou desvencilhar de tudo o que o
garoto fez at� hoje, deixando-o parecer uma boa pessoa. Por�m, nem voc� poder�
explicar esse crime. Quinze v�timas eram Comensais da Morte, admito que n�o podemos
punir o r�u por tal coisa, j� que quer�amos todos eles mortos. Deixarei que voc�
leve essa vit�ria, mas agora, explique as outras duas v�timas. A horr�vel tortura e
assassinato de Frank e Alice Longbottom!"
Harry sentiu seu est�mago se revirar. Ele sabia que isso viria, mas n�o estava
preparado.
"Frank e Alice n�o eram Comensais da Morte! Eles eram pessoas boas que foram
assassinadas, por esse garoto, em sua pr�pria casa! Se n�o pelo resto, creio que o
garoto deve ser sentenciado ao Beijo do Dementador somente por esse crime." O
Ministro terminou seu discursso. Houve uma grande como��o por parte dos Aurores ao
ouvirem essas palavras.
Harry n�o p�de se controlar e olhou para Neville, que o encarava com um �dio t�o
puro, que o moreno de olhos esmeralda quis at� desaparecer. A mente do garoto
estava em p�nico. Ele tinha duas chances, se falasse sobre Frank e Alice se
livraria do Beijo e provavelmente conseguiria pris�o perp�tua, mas ainda seria
melhor do que ser Beijado. A outra escolha era ficar quieto e n�o dizer nada.
Ele pensou sobre tudo e em como explicaria que n�o matou os Longbottoms. Como ele
provaria? Eles n�o acreditariam em suas mem�rias, iriam querer provas e Harry n�o
fazia a m�nima id�ia de onde estavam Alice e Frank. Os dois estavam na am�rica,
isso era certeza. Por outro lado, o garoto ainda sentia uma enorme vontade de
proteg�-los. Ele conseguia ver espi�es de Voldemort sentados ali e lhe observando
de perto. Aqueles homens correriam para contar a Voldemort e ent�o os Longbottoms
seriam persseguidos. Harry pensou em Nigel. O menininho ainda n�o tinha nem mesmo
dois anos! N�o, Harry n�o poderia fazer isso. Ele n�o seria respons�vel pela morte
de uma crian�a, especialmente Nigel. Ele manteria a boca calada, j� estava indo
para Azkaban mesmo. Talvez fosse melhor o Beijo, desse modo, Voldemort nunca mais
poderia lhe encontrar.
"Eu entendo a seriedade dessa acusa��o, mas queria apenas apontar que at� os dias
de hoje, o caso Longbottom � um mist�rio. Gostaria de interrogar a �nica pessoa que
pode testemunhar. Sr. Harry Potter." Dumbledore olhou para o garoto, que o
observava chocado.
"Acho que os detalhes s�o muito importantes. Frank e Alice faziam parte de nossa
comunidade, acho que � necess�rio saber como eles morreram." Dumbledore respondeu.
Relutantemente, Fudge meneou sua m�o, mostrando que Harry podia ser interrogado.
Dumbledore virou para encarar o garoto. Olhos azuis penetravam nos verdes
esmeralda. O moreno tentou fazer seu cora��o parar de bater t�o r�pido.
"Voc� pode dizer por livre e espont�nea vontade ou teremos que administrar
Veritasserum." Julian disse atr�s de Dumbledore.
Harry o ignorou, j� tinha aceitado seu destino. Iria para Azkaban. Ele seria
Beijado. Qual era a raz�o de tudo isso? O garoto decidiu que estava farto desse
jogo.
"Na noite em que voc� foi at� a resid�ncia dos Longbottoms, quais eram as suas
inten��es?" Dumbledore perguntou.
A pergunta o deixou boquiaberto. O garoto ficou incr�dulo, uma rea��o que ecoou por
todos os bruxos e bruxas. Que coisa para se perguntar, n�o?
"Eu realmente n�o acho que esse tipo de pergunta � apropriada. N�s temos um membro
da fam�lia aqui!" Fudge gritou e gesticulou em dire��o a Neville.
"Eu asseguro a voc�, Ministro, essa pergunta � bem apropriada. Sr. Potter, responda
a pergunta!" Dumbledore disse mais r�spido.
"Eu... eu� hum�" O garoto n�o sabia o que dizer. Sua mente pensava em quem
escolher.
"N�o � uma pergunta dif�cil. Quem voc� matou primeiro? Foi o Frank ou a Alice?"
Dumbledore perguntou levantando a voz.
Harry olhou para Dumbledore, tentando descobrir porque ele fazia essa pergunta.
Quando viu que o bruxo estava abrindo a boca para perguntar novamente, o garoto
gritou a primeira coisa que lhe veio a mente.
"ALICE! Eu� eu matei Alice primeiro." Harry disse, tentando fazer suas m�os pararem
de tremer. Ele sabia que se n�o tivesse detectado a presen�a de Nigel, Alice seria
a primeira a morrer.
"Alice Longbottom. Voc� matou Alice Longbottom e ent�o fez o que? Voc� matou Frank
Longbottom depois de ter matado a esposa dele? Voc� matou os dois com a Maldi��o da
Morte?" Dumbledore perguntou.
"Quando aparecemos na cena, uma paisagem horr�vel nos recebeu. Pod�amos ver a casa
dos Longbottoms em chamas, que n�o reagiam a nenhum feiti�o para serem extinguidas.
Sab�amos que Frank Longbottom e sua esposa, Alice, ainda estavam l� dentro e todos
n�s escut�vamos os gritos de ang�stia vindo de l�."
Dumbledore parou de ler e olhou para o garoto. Harry sentiu seu cora��o parar
diversas vezes e encarou o Diretor. 'Ele me enganou!' Pensou consigo. Seu corpo
inteiro ficou gelado ao perceber que o homem sabia a verdade. Sabia que ele n�o
tinha matado os Longbottoms.
"Voc� poderia explicar como duas pessoas atacadas com a maldi��o da morte
conseguiriam gritar horas depois?" Dumbledore perguntou e reclinou em dire��o ao
garoto.
Harry mordeu seu l�bio inferior, tentando se acalmar. Ele encarou Dumbledore com
seus olhos esmeralda. Aqueles olhos imploravam.
"Por favor, n�o fa�a isso." Harry sussurrou para o Diretor. Todas as tentativas de
manter os Longbottoms a salvo, seriam arruinadas se Dumbledore revelasse a verdade.
Dumbledore se endireitou e olhou para Harry, mas o moreno apenas balan�ou a cabe�a
em negativa e abaxou o olhar. Ele n�o diria nada.
"Gostaria de chamar minhas �ltimas testemunhas. Os �nicos que podem explicar tudo
isso." Dumbledore disse e chamou as �ltimas pessoas.
Harry vagarosamente olhou para a porta abrindo, rezando para n�o ser quem ele
temia. O garoto solu�ou ao ver Frank e Alice entrando na corte.
A sala inteira ficou em sil�ncio. Eles estavam encarando duas pessoas que todo
mundo pensava que estavam mortas. O casal olhava para todo mundo com express�es
curiosas.
"N�o... n�o pode ser!" Fudge exclamou de repente. Ele apontou para as duas pessoas
e come�ou a gritar instru��es para que os Aurores as prendessem.
"Oh, acalme-se Ministro! Somos n�s, n�o seja t�o paran�ico." Frank gritou, chocando
Fudge, que se sentou.
Mesmo James, Sirius e Remus estavam encarando os dois. Eles sabiam que o casal
estava vivo, mas n�o esperavam que eles entrassem no julgamento. Os dois deviam
estar fora do pa�s. Foi o que Dumbledore lhes contou.
Entretanto, a rea��o deles n�o foi nada comparada com a de Neville. O garoto ficou
sentado, chocado, olhando os pais. Seus olhos castanhos encararam o rosto da m�e e
depois o do pai. O casal olhou para o filho e sorriu tristemente.
Harry desviou o olhar dos dois. O garoto fechou os olhos e rezou para que fosse
apenas um sonho. Os Longbottoms colocaram a si e a sua fam�lia em risco. Eles
seriam ca�ados por Voldemort eternamente.
Frank e Alice contaram tudo sobre suas vidas como trouxas. Contaram como o estranho
garoto de nome 'Alex' os ajudara a ganhar dinheiro, ao lutar em clubes, e em como
ele aparecia regularmente at� o ponto de se tornarem amigos.
Harry entendeu que a carta de John e Fiona era falsa. Eles nunca foram para a
Am�rica. Eles foram levados por Dumbledore. O garoto continuou de cabe�a baixa e
apertou os punhos, ele n�o queria olhar ningu�m. Apenas queria que tudo acabasse.
Por�m, Dumbledore ainda n�o tinha acabado. Frank e Alice continuaram ali, enquanto
o bruxo dizia que Harry era a raz�o pela qual Voldemort agora poderia ser
derrotado. A verdade sobre as Horcruxes j� tinha chegado at� o Minist�rio, mas
ainda n�o estava entre o p�blico. O Minist�rio queria saber de toda a verdade antes
de soltar a informa��o.
Ele escutou as pessoas prendendo a respira��o ao verem os seus olhos ficarem negros
na imagem e o Pingente sendo estilha�ado em mil peda�os.
Dumbledore ficou parados ali no meio, vasculhando a sala com seus olhos azuis.
"Eu mostrei cada evid�ncia que tinha. Evic�ncias para mostrar a verdade sobre esse
garoto. Sim, ele cometeu assassinatos, sim, ele ficou com Voldemort pelos �ltimos
quinze anos, mas ao mesmo tempo, esse garoto salvou muitas vidas. Ele foi contra as
pessoas que o criaram para ajudar inocentes. Algumas pessoas n�o estariam aqui se
n�o fosse por ele." O bruxo olhou direto para Frank e Alice e depois para Ginny,
Damien e Poppy Pomfrey.
"Eu tentei mostrar tamb�m a quantidade de coisas pelas quais esse garoto passou.
Ele destruiu muitas das Horcruxes que fariam Voldemort ser indestrut�vel. O
Minist�rio apenas possuia uma Horcrux, que foi destru�da. Harry destruiu o resto."
Harry levantou a cabe�a. Que Horcrux o Minist�rio destruiu?
Com surpresa, o garoto percebeu que Dumbledore se referia ao anel dos Black, que
Bella tinha. O homem provavelmente n�o disse que ele desaparecera. Sirius n�o deve
ter mencionado a ningu�m que o afilhado ajudara Bella a escapar, por isso que essa
acusa��o n�o aparecera. Dumbledore deve ter percebido que Harry fora ao Minist�rio
pegar Bella e a Horcrux. Ele mentiu para o Ministro dizendo que destruiu o anel,
para salvar o garoto.
"Se hoje, Voldemort, pode ser derrotado � apenas devido ao Sr. Harry Potter. Essa
guerra n�o est� muito longe de terminar e a paz que o Mundo M�gico vai conseguir
ap�s a queda de nosso inimigo � gra�as a esse garoto."
Harry cerrou os dentes para n�o dizer nada. Ele n�o era o salvador do Mundo M�gico!
Ele n�o fez isso para salvar as pessoas. Ele fez para conseguir vingan�a sobre
Voldemort!
"Deixarei a decis�o com voc�s." Dumbledore terminou e foi sentar ao lado de Frank e
Alice.
Pelos primeiros minutos, tudo ficou em sil�ncio. As tr�s pessoas sentadas a frente
estavam em uma discuss�o profunda. Harry olhou para cima e aceitou prontamente a
puni��o de uma senten�a em Azkaban. Dumbledore o salvou de levar o Beijo, disso ele
j� sabia, mas ele ainda passaria o resto de sua vida em Azkaban.
Finalmente, os tr�s que discutiam olharam para o garoto. Fudge estava bem vermelho
e falou em uma voz alta.
"Todos aqueles que s�o a favor de sentenciar o acusado a uma vida em Azkaban."
Fudge levantou a m�o e olhou para a corte. Existiam muitas m�os no ar. Harry
percebeu a m�o de Blake se levantar imediatamente. Entretanto, Madame Bones e
Julian Reid n�o estavam entre elas. Eles ficaram em sil�ncio, enquanto o Ministro
contava os votos.
"Todos aqueles que s�o a favor de inocentar o r�u de todas as acusa��es." Madame
Bones disse. A m�o dela junto com a de Julian Reid se ergueram.
O cora��o de Harry pareceu parar. Seus pais, Damien, Ginny, seu padrinho e Remus,
obviamente levantaram as m�os, junto com a maioria dos Aurores. Harry percebeu que
Neville n�o levantara a m�o em nenhuma das ocasi�es.
Fudge olhou em volta horrorizado. Ele n�o disse nada enquanto os n�meros foram
contados. Madame Bones assumiu e se levantou.
"Sr. Potter, o veredito est� claro. Voc� foi inocentado de todas as acusa��es. Voc�
est� livre para ir." Ela disse sorrindo.
O moreno de olhos esmeralda abra�ou seu pai com for�a pela primeira vez em
dezesseis anos. Ele foi retirado, de repente, dos bra�os de James e sentiu-se
acolhido por Lily. Por alguma raz�o isso o quebrou completamente e soltou a
barreira emocional que ele tinha. O garoto chorou, sentindo o abra�o e os beijos de
sua m�e. Harry n�o conseguia falar, sua garganta estava fechada.
Ele finalmente foi solto do abra�o de sua m�e e sentiu algu�m o acertando direto no
peito. Harry grunhiu um pouco, j� que estava coberto por hematomas naquele local.
Damien estava muito ocupado com suas emo��es para perceber.
O moreno n�o percebeu quanto tempo ficou ali rodeado por seus pais e por seu irm�o.
Ele viu Sirius e Remus ao lado de seu pai, sorrindo em sua dire��o, com l�grimas
nos olhos tamb�m. Estava claro que ningu�m esperava esse veredito. Era o Beijo ou
uma senten�a em Azkaban. Por�m, Dumbledore conseguira. De algum jeito ele
conseguira salvar Harry.
O garoto olhou em volta e percebeu que a sala estava vazia, exceto por eles. At�
mesmo Frank e Alice tinham ido embora.
"Vamos Harry, vamos sair daqui." James disse calmo e passou um bra�o em volta dele.
Harry o olhou grato e todos encaminharam-se para a porta. Havia sido um longo
julgamento e agora todos precisavam se recuperar.
Cap�tulo Cinquenta e Seis: Recupera��o
"Quanto voc� acha que ainda vai demorar?" Ron perguntou baixo.
Os dois se sentiam horr�veis por n�o poderem ajudar Harry. Tinham confessado tudo
para o Professor Dumbledore, sobre como ajudaram Harry a destruir as Horcruxes. Em
troca souberam que n�o poderiam testemunhar, j� que tudo aquilo poderia piorar as
coisas.
Ron estava muito ansioso e continuou andando de um lado para o outro. Hermione se
segurou para n�o dizer nada e ent�o, finalmente, a garota viu um monte de gente
entrando no Sagu�o encaminhando-se � sa�da. Os dois adolescentes correram para
frente e procuraram algu�m que poderia lhes contar o que acontecera.
Eles viram muitas faces que n�o reconheceram e ficaram ali parados, tentando achar
Ginny ou Damien. De repente, Ron soltou um solu�o de exclama��o e agarrou a m�o de
Hermione, a garota virou para observar o local para onde era puxada e sentiu sua
boca cair em surpresa. Neville andava ao lado de dois adultos, ambos tinham seus
bra�os em volta do garoto. Ron e Hermione encararam o grupo. Definitivamente
aqueles eram Frank e Alice Longbottom. Eles ficaram observando a fam�lia indo
embora.
"Que diabos�" Ron come�ou a dizer, mas foi cortado ao ver Percy e Ginny.
O ruivo e a amiga sa�ram correndo em dire��o a eles. Hermione sentiu seu cora��o
perder uma batida ao encarar Ginny e ver o sorriso enorme que ela lhe oferecia.
A ruiva continuou sorrindo, mas n�o disse nada. Ela virou para tr�s para olhar
algu�m que se aproximava. Ron e Hermione seguiram o olhar dela e respiraram
aliviados.
Harry adava ao lado de um pequeno grupo. Os bra�os de sua m�e e de seu pai o
envolviam, igual ao que acontecera com Neville. Damien andava junto a eles com um
sorriso enorme estampado no rosto. Sirius e Remus estavam perto tamb�m. Todos
tinham a apar�ncia de quem foi ao inferno e voltou.
Sem esperar para que eles se aproximassem, Ron e Hermione correram at� os amigos.
Harry olhou para cima a tempo de reparar na menina de cabelos armado que se jogava
contra ele. O garoto nem mesmo teve tempo de se preparar e Hemione j� se atirava
contra seu corpo. Ele grunhiu baixo, seus m�sculos protestaram contra o s�bito
abra�o. A morena se afastou envergonhada, n�o tinha a inten��o de se jogar, mas v�-
lo andando livremente a fez agir sem pensar.
"Desculpe." Hermione sussurrou.
Harry apenas sorriu, n�o a culpava. Ela n�o sabia que seu corpo estava t�o exausto,
que ele tinha que lutar para se manter em p�. Ron apareceu ao lado de Hermione e
sorriu alegremente para o amigo. Harry conseguia ver que ele estava perto de o
abra�ar, mas ficou apenas sorrindo, sem saber o que dizer.
"Nossa, Harry! N�o posso acreditar que eles te libertaram! Isso � incr�vel." Disse
finalmente.
James colocou seus bra�os em volta do filho novamente, ele podia ver como Harry
estava se segurando. 'Deve estar exausto' pensou consigo, sem saber ao certo a
gravidade dos ferimentos do garoto. Ele sabia que seu filho fora machucado, mas de
acordo com Tonks, ela e Moody o curaram.
A mente de Harry ainda estava chocada com o fato de ter sido inocentado. Ele n�o
conseguia acreditar que teria uma chance de viver normalmente. O garoto n�o teria
que se esconder e ficar vivendo como um prisioneiro, teria a chance de ficar ao
lado de Damien.
Harry nem mesmo prestava aten��o para onde ia e apenas percebeu que chegara na
sa�da, quando sentiu uma dor terr�vel percorrer seu corpo. Seu bra�o deu um
solavanco ao sentir uma onda de eletricidade passando por ele e indo direto para o
peito. Harry gritou de dor e caiu de joelhos, suas pernas cederam devido aos
espasmos. Ele tentou sair da cabine telef�nica, quando a dor apertou seu cora��o.
James e Lily tentanvam ajud�-lo, mas o garoto se esquivou violentamente e jogou-se
para bem longe da sa�da. Apenas quando estava bem distante a dor come�ou a passar.
Harry respirou fundo v�rias vezes e tirou suas m�os tr�mulas do peito. Ele tentou
afastar as l�grimas que apareciam em seus olhos. James e Lily, junto com os outros,
ajoelharam-se ao seu lado e tinham express�es de puro terror na face.
"Harry, quem colocou isso em voc�?" Sirius perguntou, tentando controlar sua raiva.
O garoto olhou para seu padrinho, sentia-se completamente drenado. Ele apenas
desejava fechar os olhos e dormir. Com dificuldade, Harry abriu a boca para falar.
"Eu- eu n�o sei. Estava inconsciente." Respondeu. O garoto nem mesmo sabia o que
suas palavras fariam com as pessoas a sua volta.
"Vamos l�, Harry. Levante-se." Remus disse e ajudou o garoto e ficar em p�.
Harry cambaleou um pouco, mas conseguiu ficar parado. A po��o para dor j� estava
cessando seus efeitos e ele j� come�ava a se sentir mal.
"Aposto que foi Moody quem colocou isso nele!" Sirius disse raivoso.
Damien, Ginny, Ron e Hermione sentaram ao lado de Harry, enquanto os homens sa�ram
a procura de Moody. Lily ficou ao lado do filho. Ela estava quase indo ver como o
garoto estava, quando viu Tonks correndo em dire��o a eles.
"Gra�as a Merlin, eu achei voc�s! Estava procurando voc�s at� agora. Voc�s n�o
podem sair ainda. Harry est� usando o Bracelete Barta!" Ela explicou rapidamente.
"Voc� pensou em me contar isso s� agora! Onde diabos est� Moody? Traga-o aqui agora
para arrancar aquela porcaria!"
Tonks olhou para Harry, que estava sentado de olhos fechados. Ela percebeu que era
tarde demais. O garoto j� tinha tentado sair e sofreu um ataque.
"Oh Meu Deus, James, me desculpe! Eu queria te dar um pouco de espa�o ao lado de
Harry. Achei que os encontraria antes que voc�s sa�ssem para poder retirar o
Bracelete, mas devo t�-los perdido na sa�da da corte. Vou retir�-lo agora mesmo."
Tonks encaminhou-se at� Harry, mas Sirius a segurou. Ele a olhava irado.
"Voc�! Voc� colocou aquela coisa nele?" O homem perguntou sem querer acreditar.
"Voc� n�o entende! Eu tive que fazer isso! N�o havia outra chance." A Auror disse
rapidamente, ao perceber a express�o dos tr�s ficarem assassinas.
"Voc� n�o teve chance! O que diabos isso quer dizer?" James cuspiu as palavras.
"Quando Harry foi entregue a Moody, ele estava... bem... estava bem machucado. N�s
precis�vamos cur�-lo e tinh�mos ordens expressas para mant�-lo preso, ent�o n�s�"
"Ent�o voc�s decidiram colocar aquela coisa para cont�-lo!" Remus a cortou.
"Tivemos que remover as correntes, mas os outros oficiais n�o nos deixariam! Ent�o
colocamos o Bracelete Barta para for��-lo a ficar dentro do Minist�rio. As... as
pernas e os bra�os de Harry estavam quebrados. N�o poder�amos cur�-lo sem retirar
as correntes. O Bracelete foi a �nica coisa que pode deixar o garoto ficar longe
das correntes." Tonks terminou de explicar.
Os tr�s homens a olharam horrorificados. Eles viraram para Harry, que conversava
baixinho com os quatro adolescentes.
"Apenas tire aquilo dele." James disse para ela, sem saber se aguentaria mais
novidades desse tipo.
Tonks foi at� o garoto silenciosamente e removeu o Bracelete. Harry a encarou, mas
n�o disse nada. Ele levantou e a multid�o rapidamente saiu do Minist�rio, sem saber
o que dizer uns para os outros.
"Dumbledore deixou uma mensagem para voc�s. Ele quer que todos nos encontremos no
Quartel General. Ele disse que n�o vai demorar. Traga Harry." O ruivo adicionou ao
ver a face preocupada do Auror voltada para seu filho.
"Isso n�o pode esperar? Eu realmente preciso levar Harry para casa." James
perguntou.
"Dumbledore disse que n�o vai demorar." Disse Arthur ao compreender a situa��o. O
garoto parecia exausto e provavelmente tudo estava pesando em suas costas.
Com um suspiro, James virou para encarar Harry e os outros. Ele repetiu o pedido de
Dumbledore.
"Tudo bem?" Ele perguntou direto para o filho, achou que ele n�o aceitaria voltar
ao local, j� que fora l� que ficou prisioneiro.
Por�m, o moreno sorriu cansado para o pai e assentiu com a cabe�a. Ele n�o se
importava para onde iria. Se pudesse ter um lugar para descansar, tudo estaria bem.
Arthur entregou-lhes a Chave de Portal que os levariam direto para Grimmauld Place.
Harry tocou o objeto e sentiu o familiar pux�o no umbigo.
Seus p�s tocaram o ch�o, segundos ap�s o toque e o garoto quase perdeu o
equil�brio. James e Remus o salvaram de cair. O pai do moreno come�ava a ficar
preocupado. Harry mal conseguia manter seus olhos abertos e nem mesmo reagia quando
falavam com ele.
James decidiu ir � reuni�o e acabar com tudo de uma vez. Seu filho precisava
descansar e ele estava querendo lev�-lo para casa o mais r�pido poss�vel. O homem
disse aos outros adolescentes para que ficassem com Harry e saiu para falar com
Dumbledore.
O garoto sentou no sof� e sentiu suas costas relaxarem um pouco. Ele estava todo
dolorido, mesmo seu couro cabelo estava sens�vel. Harry fechou os olhos e pensou se
poderia dormir enquanto ficava naquela mesma posi��o. Os outros conversavam com
ele, mas o moreno n�o tinha for�as para responder. Ele conseguia sentir o come�o de
uma febre e apenas abriu os olhos ao sentir uma m�o pousando em sua testa. Esperava
ver Ginny ou Hermione, mas em vez disso acabou se deparando com Poppy, que parecia
muito preocupada.
Harry foi levado para outro c�modo e logo estava deitado. Poppy deu a ele algumas
po��es e o garoto as bebeu sem fazer nenhuma pergunta. Ele n�o desconfiaria de
Poppy. Imediatamente o moreno sentiu a dor passar e um sono confort�vel o envolveu.
Ele fechou os olhos e aceitou seu estado sonolento, enquanto Poppy o curava.
James e Lily sentaram ao lado dos membros da Ordem. N�o eram todas as pessoas que
estavam presentes. Na verdade, apenas a fam�lia Weasley, os Potters, Remus, Sirius,
Moody e Tonks estavam ali. Al�m deles, surpreendendo a todos, os Longbottoms
estavam ali tamb�m, mesmo que sem Neville. Aparentemente o menino ainda estava em
choque devido aos acontecimentos e se trancara em um quarto no andar de cima, sem
querer falar com ningu�m. James queria ir at� eles e cumpriment�-los direito, mas
ao ouvir o som da voz de Dumbledore, ficou quieto.
"Obrigado por virem � reuni�o de hoje. Sei que muitos de voc�s tiveram um dia
cansativo, portanto prometo n�o mant�-los aqui por muito tempo. A raz�o pela qual
os chamei aqui, foi para informar que depois do julgamento de hoje, todos n�s
teremos que ficar mais atentos. N�o apenas Voldemort e seus Comensais da Morte
estar�o atr�s de voc�s, mas muitas pessoas do Mundo M�gico estar�o esperando uma
oportunidade para mostrar o quanto n�o gostaram do veredito." O Diretor olhou
direto para James e Lily. Os dois pais j� sabiam disso, ningu�m ficaria feliz ao
saber do resultado do julgamento.
"A seguran�a de Harry � a coisa mais importante no momento, assim como a seguran�a
da fam�lia Longbottom. Portanto mandei uma equipe para a casa de voc�s com o
intuito de fortalecer os escudos protetores. Tamb�m pedi prote��o para a Toca, j�
que seus filhos s�o amigos de Harry e podem ser alvos. Tonks e Moody ser�o os
�nicos membros da Ordem, al�m de mim, que ter�o permiss�o de visit�-los. Claro que
Remus e Sirius est�o inclusos. N�o queria que nenhum de voc�s estivesse em casa
nesse momento, por isso chamei-os aqui. Em algumas horas os escudos estar�o no
lugar e ent�o voc�s estar�o livres para ir. Creio que voc�s j� sabem sobre o perigo
em que se encontram. Voldemort tentar� de tudo para pegar Harry, especialmente
agora que a verdade sobre Alice e Frank foi revelada. Eu aconselharia voc�s dois,
Lily e James, a manter Harry dentro de Godric's Hollow o tempo inteiro. Ele n�o
ficar� feliz com isso, mas a segura�a dele � mais importante." Dumbledore disse.
James pensou sobre a rea��o so filho ao saber que teria que ficar trancado em casa.
'�, isso vai iluminar o dia dele', pensou sarcasticamente. O homem concordou com
Dumbledore, mas n�o iria fazer seu filho ficar infeliz. Se ele quiser sair, ent�o
sair�. O garoto apenas teria que se contentar em ter seguran�as.
"Dumbledore, eu apenas queria dizer... n�o sei como agradecer. Harry nunca teria
sobrevivido �quele julgamento se n�o fosse por voc�. Obrigado!"
"Harry se ajudou. Se ele n�o tivesse salvado todas aquelas pessoas inocentes, n�o
haveria nada que eu pudesse fazer."
James sorriu e virou para olhar sua esposa, que abra�ava e falava com Alice. Frank
o encarou e se aproximou. De repente a porta foi aberta com um solavanco e Damien,
Ron, Hermione e Ginny entraram correndo, em p�nico.
"Pai! Pai! Harry est� tendo outro ataque! Voc� tem que ajudar!" O menino gritava,
l�grimas brilhando em seus olhos.
Jmes correu para a porta, com todo mundo atr�s. Assim que saiu do c�modo, ouviu os
gritos de dor do filho. Ele correu at� o som, seu cora��o batendo fren�ticamente.
Ele escancarou a porta do quarto e viu Harry agonizando na cama, ao seu lado Poppy
chorava e tentava ajud�-lo. Imediatamente o homem estava ao lado do filho, ele
sentiu Lily ao seu lado. Os dois pais tentaram segurar o garoto, enquato a
enfermeira tentava dar uma po��o para ele. O resto das pessoas ficaram paradas na
porta. Damien, Ginny e Hermione choravam. Ron n�o parecia muito bem. Moody, Tonks,
Frank, Alice, Molly e Arthur sa�ram rapidamente, n�o era justo que estranhos vissem
o garoto, enquanto ele sofria tanto. Remus e Sirius retiraram os adolescentes do
local, sem querer que algu�m ficasse vendo Harry com dor. Dumbledore ficou parado
na porta, um olhar de preocupa��o na face. O brilho de seus olhos azuis haviam
desaparecido totalmente.
Harry nem mesmo percebera que seus pais estavam por perto e tentavam acalm�-lo. Ele
n�o conseguia escut�-los, tudo o que sabia era que sua cabe�a parecia querer abrir.
A dor perpassava seu corpo como fogo. Ele vagamente imaginou se havia uma brase em
cima de sua testa. O garoto nem mesmo percebera que agonizava. Espasmos corriam por
seu corpo e suas costas se arqueavam toda vez que uma onda de dor o atingia.
O moreno tinha uma m�o sobre a testa e n�o deixava ningu�m retir�-la de l�. Ele
conseguia sentir m�os lhe segurando e gritou.
"N�o! Me deixem! Me deixem! Pare!" Gritava. James olhou para o filho entre suas
l�grimas. Se eles o soltassem, o moreno apenas se machucaria.
Poppy tentou dar mais po��o, mas o garoto se engasgou e n�o conseguiu engolir
devido aos gritos.
"N�o sei! Ele nunca reagiu desse jeito. Deve ser um dos ataques mais fortes que ele
j� sofreu!" Poppy gritou, tentando segur�-lo.
James observou horrorificado uma trilha de sangue descer pelos dedos de Harry. Ele
retirou a m�o do filho da testa e viu que a cicatriz estava aberta. Sangue corria
livremente pela face do moreno.
Imediatamente o Diretor apareceu ao seu lado e olhou para cicatriz. Pela primeira
vez, o homem pareceu perdido. Ele n�o sabia o que fazer para ajudar.
"N�o h� nada que possamos fazer, temos que esperar passar." Disse resignado.
Harry gritou novamente e sua cicatriz deu outra fisgada. Ele libertou sua m�o do
aperto de James e levou-a novamente para a testa. O garoto queria que aquilo
parasse e faria qualquer coisa para isso acontecer. N�o acreditava que podia
aguentar mais.
James soltou um grito agudo e solu�ado ao ver sangue vivo saindo do nariz de Harry.
"Algu�m, por favor, fa�a alguma coisa. Por favor, fa�a isso parar!" Lily gritou e
olhou para o filho que sangrava profusamente.
Foi como se algu�m ouvisse a voz angustiada da m�e. De repente os gritos de Harry
pararam e tornaram-se gemidos. Ele parou de se mexer e sua respira��o normalizou. O
ataque acabara. James soltou a outra m�o do filho. O garoto ainda tinha os olhos
fechado e deixou a m�o cair de sua testa. Lily pegou o filho nos bra�os e o
abra�ou, enquanto chorava. Ela beijou seu cabelo, sem se importar que o sangue de
Harry sujava suas vestes.
Poppy entregou uma toalha a ela e a ruiva come�ou a limpar o sangue do filho. James
assitiu a cena com o cora��o despeda�ado. Nenhuma m�e deveria ver seu filho com
tanta dor e coberto de sangue. Ele amaldi�oou Voldemort por ser o respons�vel e
sabia que aquele homem machucaria Harry v�rias vezes mais, at� que algu�m acabasse
com ele.
Dumbledore saiu do quarto, assim, apenas James, Lily e Poppy ficaram com o garoto
inconsciente.
"Dumbledore, o que... o que estava acontecendo com Harry?" Alice perguntou baixo.
"Harry foi amaldi�oado por Voldermort com uma cicatriz na testa. Possui o formato
de um raio e est� ligada a Voldemort. Quando Voldemort sente uma emo��o muito
forte, seja alegria ou extrema ira, Harry sente uma dor imensa. Creio que o ataque
que Harry sofreu agora foi devido � descoberta que Voldemort fez sobre voc� e
Frank. Ele provavelmente est� se sentindo tra�do, por isso a dor." Dumbledore
terminou.
Os quatro amigos ficaram quietos. Eles tinham certeza de que Harry levaria uma vida
normal agora, que estava livre. Era muito cruel lembrar, desse modo, que Voldemort
ainda estava por a�.
Depois de alguns minutos discutindo, Poppy desistiu. Ela realmente tinha que
terminar de curar Harry.
Ela olhou a James e Lily de modo repreendedor e virou Harry de bru�os. James ajudou
a mov�-lo. Assim que o garoto ficou na posi��o certa, Poppy lan�ou outro olhar aos
pais e removeu a camiseta de Harry magicamente.
James n�o conseguiu encarar a cena e sentiu como se algu�m tivesse lhe dado um
chute no est�mago. As costas de Harry estavam cheias de hematomas, era como se o
local todo fosse uma grande ferida. Haviam tamb�m alguns cortes, que deviam ter
sido feitos quando ele caiu do telhado ao duelar com Neville. Como o garoto
conseguira andar estava al�m dos pensamentos de James. O homem queria ter escutado
Poppy e sa�do do quarto. Ele nunca esqueceria essa imagem.
Lily rapidamente se aproximou e come�ou a ajudar Poppy a passar a pomada nas costas
de Harry. A enfermeira a olhou, mas n�o fez nenhum coment�rio. A ruiva for�ava-se a
n�o chorar. Ela j� havia derramado muitas l�grimas. Harry precisava de cuidados e
n�o de prantos.
As duas mulheres passaram bastante pomada nas costas de Harry, conseguindo uma
rea��o de relaxamento total do garoto. Lily sabia que ele tinha sorte por n�o ter
quebrado a espinha.
Lily sentiu suas pernas enfraquecerem. Ela sentou na cama ao lado do filho e for�ou
suas emo��es para dentro de si. Como algu�m poderia ter feito aquilo com Harry? O
pensamente de algu�m ter enforcado seu filho a fazia ficar doente de raiva. James
retirou seus dedos do local abruptamente e saiu correndo do c�modo. A mulher nem
mesmo o chamou, j� sabia que ele n�o pararia. O homem nunca antes ficara t�o
nervoso.
"Ele vai ficar bem." Assegurou-a. Lily assentiu e levantou para continuar curando
Harry. Sim, seu filho ficaria bem. Ningu�m, nunca mais, machucaria seu garoto.
Nunca mais!
James voltou para o Quartel General algumas horas depois. Ele ainda tremia de raiva
e estava com a m�o ferida. Aparentemente o Auror invadira o Minist�rio e nem mesmo
se preocupara em lan�ar feiti�os contra Blake. Ele apenas o socou, repetidamente,
em todas as partes em que alcan�ou.
Foram necess�rios tr�s Aurores para retir�-lo de cima do outro. James estava al�m
de irado e continuava escapando do aperto dos outros para continuar atacando Blake.
Ele gritava todos os tipos de coisas e nem mesmo percebia o que acontecia a sua
volta.
Quando finalmente se acalmou, ele disse aos seus companheiros de trabalho o que
aconteceu com Harry. Blake recebeu uma ordem de afastamente at� �ltima ordem e
deixou o Minist�rio ainda sangrando pelo nariz e segurando sua mand�bula deslocada.
James ainda n�o estava satisfeito com a puni��o, mas foi colocado para fora do
Minist�rio e recebeu ordens expressas para que ficasse longe de Blake. O Minist�rio
lidaria com as puni��es depois, a resposta do homem a isso foi uma pequena frase.
"Se eu o vir novamente perto dos meus filho, o mato!"
James voltou para o Quartel e encontrou seu filho dormindo profundamente com todos
os machucados j� tratados. Poppy disse a ele que o garoto provavelmente dormiria
por mais algumas horas. Ele e Lily sa�ram do quarto para deixar o filho descansar.
Assim que o Auror entrou na cozinha, avistou seu outro filho sentado com os amigos.
O homem sorriu calorosamente. No meio de todo aquele caos ele se esquecera
completamente de Damien.
Damien o observou hesitante antes de desviar o olhar. James ficou confuso por um
momento. Ele andou at� o filho e colocou seus bra�os em volta dele.
"Damy?"
"Acho que voc� j� est� falando comigo de novo, ent�o?" Ele perguntou baixo.
James percebeu com surpresa que Damien nunca o encarara daquele jeito antes. Ele
lembrou que dera ao filho um tratamento silencioso a semana inteira e o olhou
envergonhado. Havia sido injusto com o filho. Ficara nervoso, o que era
justific�vel, mas n�o deveria t�-lo tratado daquele jeito.
"Agora que Harry est� em casa quero que prometa para mim que n�o vai me esconder
nada quando for ligado � seguran�a de seu irm�o, promete?" O homem disse s�rio.
"Prometo." Damien respondeu sorrindo para o pai. Era bom escutar as palavras 'Harry
est� em casa'.
Os escudos estavam finalmente bem colocados. A fam�lia Longbottom fora para casa.
Neville ainda se recusava a falar com qualquer pessoa sen�o seus pais. Moody e
Tonks foram embora tamb�m, prometendo passar para dar uma olhada em todos. A
fam�lia Weasley tamb�m queria ir, mas Ron, Ginny e Hermione insistiram em ficar at�
que Harry acordasse. Eles se recusavam a ir embora at� que ele estivesse bem. O
garoto ainda n�o acordara desde seu ataque.
"Depois de todas as po��es que joguei pela garganta dele, Harry estar� dormindo at�
amanh�, sem d�vidas! Melhor assim. Esse garoto precisa de muitos cuidados. Quanto
mais sono, melhor."
De qualquer modo, isso n�o convenceu os adolescentes a irem embora. No fim das
contas todos concordaram que os amigos ficassem no Quartel General com a fam�lia
Potter. James insistiu que Harry entrasse pela porta da frente de Godric's Hollow
em vez de acordar l� dentro. Portanto, isso significava que teria que esperar o
garoto acordar.
Sendo assim, os quatro adolescentes passariam a noite ali. Molly acabou ficando,
assim como Remus.
"Bem, parece que teremos uma festa do pijama." Sirius riu e conjurou mais cobertas
e travesseiros para os convidados.
Harry abriu os olhos grogue e piscou algumas vezes para que seus olhos se
ajustassem � luz. Ele olhou em volta e tentou descobrir onde estava. Era de
madrugada, julgando pela escurid�o a sua volta. Ele ainda conseguia sentir sua
cicatriz pulsando e levantou a m�o para passar por cima dela. Ficou surpreso sentir
algo pastoso a cobrindo. 'Acho que ele sabe sobre os Longbottons', pensou
miseravelmente.
Harry sentou, sentia-se muito melhor. Ainda estava um pouco cansado, mas j� n�o
do�a mais para se mexer. Ele olhou para a pequena mesa ao seu lado. Realmente
queria algo para beber, j� fazia vinte quatro horas desde que n�o bebia �gua.
Ele tentou levantar da cama, quando percebeu que algo bloqueava seu caminho. Harry
ficou um pouco assustado ao ver as formas adormecidade de seu pai e sua m�e. Ele
n�o os esperava ali ao seu lado naquele momento. Sempre havia acordado sozinho, n�o
importasse o n�vel de seus ferimentos.
Harry percebeu que a imagem de seus pais dormindo, parte em cima da cama, parte em
cima da cadeira, era bem divertida. Ele se levantou pelo outro lado da cama e andou
devagar at� a mesinha. Assim que sua sede foi abatida, resolveu voltar a deitar.
O movimento que fez ao subir na cama novamente, acordou Lily de repente. Ela olhou
para cima e viu Harry colocando as cobertas em cima de si, ainda sentado.
Ela sentou imediatamente, todo o sono fora embora. Harry percebeu que a m�e
levantava e a olhou. Ambos se encararam sem saber o que dizer.
Harry sorriu.
"Muito melhor."
"Ficar comigo essa noite. Estou bem agora. Voc�s deveriam ir e deitar
confortavelmente." Ele disse, sem saber o porqu�. Ele n�o queria que seus pais
sa�ssem.
Lily estava aproveitando isso. Era �timo conversar com Harry e n�o v�-lo a
encarando com raiva. O garoto parecia estar pensando mais ou menos a mesma coisa.
Sua face ficou meio corada e ele desviou o olhar.
"Eu... eu queria apenas dizer... que n�o deveria t�-los tratado do jeito que
tratei. Eu estou... estou muito arrependido disso. Se voc�s soubessem..." Harry
parou de falar quando Lily saiu da cadeira e subiu na cama, surpreendendo-o ao
abra��-lo. O garoto n�o soube como reagir por alguns segundos.
"Ningu�m te culpa, Harry. Mentiram para voc� sua vida inteira. Voc� n�o sabia como
agir. Por favor, n�o pense por um segundo que algu�m ir� usar isso contra voc� ou
falar alguma coisa."
"Dever�amos apenas esquecer das coisas. Temos uma chance de come�ar tudo de novo.
Ok?" a mulher adicionou.
Harry assentiu, ainda sem se convencer que suas a��es anteriores iriam ser
esquecidas rapidamente.
James se espregui�ou, toda a conversa o estava acordando. Ele abriu seus olhos
avel� e viu Harry e Lily sentados na cama conversando em sil�ncio. O homem sentou e
massageou o pesco�o, havia dormido de mau jeito.
Lily e Harry viraram para observ�-lo. A mulher sorriu e saiu da cama para sentar
novamente na cadeira.
"Harry, voc� est� bem?" James conseguiu murmurar, amaldi�oando sua voz sonolenta.
"Sim, estou bem." O garoto respondeu, se divertindo com o jeito de James tentando
acordar.
O homem n�o se convenceu e esticou a m�o para coloc�-la sobre a testa do filho.
"Voc� ainda est� com febre. Vou pegar uma po��o." Ele fez o movimento para se
levantar, mas Harry o parou.
"Pai."
James ficou sentado, ele n�o conseguia descrever o que sentia ao escutar Harry o
chamando de pai. Ele tentou ficar s�rio, mas um sorriso for�ou-se contra sua face.
"Apenas fique aqui, n�o preciso de mais nenhuma po��o." Harry falou baixinho.
James e Lily ficaram surpresos em como o garoto estava diferente. Parte devido ao
fato de que ele n�o os estava encarando com �dio ou dizendo coisas maldosas. O
casal ficou falando, enquanto Harry deitou e passou a escut�-los. O moreno de olhos
verdes nem mesmo prestava aten��o ao que era falado, ele apenas queria ouvir a voz
dos pais.
"Harry, voc� quer comer alguma coisa?" Lily perguntou subtamente, percebendo que o
garoto n�o comera o dia inteiro.
"E da�? Voc� pode comer quando sentir fome, n�o interessa o hor�rio." James disse
sorrindo.
O casal resolveu n�o pressionar. Se havia algo que tinham aprendido era que seu
filho mais velho n�o gostava de ser pressionado a fazer nada.
James e Lily continuaram conversando sobre o que acontecera, mesmo quando o garoto
dormira. Contaram sobre os escudos que foram levantados, sobre o fato dos
adolescentes estarem ali na casa... Harry sentiu-se relaxando e antes que
percebesse j� havia dormido de novo. Seus pais ficaram ali a noite inteira,
observando-o dormir em paz. A primeira vez que tal coisa acontecia em meses.
Lorde Voldemort havia perdido. Ele n�o pensara que isso seria poss�vel, mas agora
tinha que admitir, perdera tudo. Harry o tra�ra. Isso ele j� sabia, devido ao fato
de suas Horcruxes serem ca�adas e destru�das. Mas n�o era isso! O que o destru�ra
completamente fora o fato do garoto t�-lo tra�do, enquanto ainda o chamava de
'pai'. O moreno ficara � sua frente, dizendo ser leal a ele durante todo aquele
tempo e, mesmo assim, ajudara os Longbottoms. Harry fora contra todas as suas
ordems e, n�o contente em deix�-los vivos, ainda por cima os ajudou a sobreviver. .
Voldemort observou os corpos de seus dois espi�es sendo arrastados para fora da
sala. Ele os matou em um acesso de raiva. Foram aqueles dois que lhe contaram sobre
o julgamento de Harry e sobre a chegada dos Longbottoms. Tamb�m confirmaram que
suas Horcruxes tinham sido destru�das.
Voldemort ainda n�o sabia que a Espada de Gryffindor e que a Ta�a de Hufflepuff
foram destru�das tamb�m. Ele fora for�ado a acreditar que perdera Harry para
sempre. A �nica coisa que quebrava seu cora��o era o fato do garoto t�-lo tra�do.
Era um fato muito complicado perceber que seu filho nunca lhe fora fiel. Ele o
desafiou desde o come�o, deixara os Longbottoms viverem, roubara a Layhoo Jisteen e
ent�o fora embora em uma jornada para destruir as Horcruxes.
O Lorde das Trevas disse a si mesmo que Harry morrera na noite em que os
Longbottoms foram salvos. Seu Harry j� n�o vivia mais. Seu filho leal e obediente
fora morto quando deixou os Longbottoms viverem.
Voldemort prometeu que faria Harry Potter pagar. O mundo m�gico inteiro
testemunharia a ira vingativa de um Lorde das Trevas.
Cap�tulo Cinquenta e Sete: Acordando
"Ele j� est� dormindo faz tempo! Vamos l�, acorda ele para a gente ir tomar caf� da
manh�."
"Lils, eu ainda sou uma criann�a. Pelo menos emocionalmente. Vamos l�! Dever�amos
acordar ele."
"Eu juro por Merlin, se voc� acord�-lo vou te queimar vivo!" Lily amea�ou.
Harry n�o p�de deixar de sorrir ao ouv�-la. Ele abriu os olhos e encarou os dois
adultos que discutiam.
"Ele precisa de comida. Como vai melhorar com a barriga vazia?" Sirius disse com um
olhar sincero na face.
"Harry, sinto muito por termos te acordado. Eu disse a Padfoot para manter sua voz
baixa!" A mulher disse encarando o amigo.
Sirius sorriu.
"N�s estamos tomando caf� da manh� l� embaixo. Sugiro que possamos ir at� l� e nos
servir." O homem disse e lan�ou um sorriso maroto para Lily.
"Eu realmente preciso tomar banho primeiro." O garoto disse imediatamente. Ele
ainda conseguia sentir o cheiro daquela cela maldita, onde Blake o jogara.
"Seu pai est� pegando roupas limpas para voc�. Por que n�o vai tomando seu banho,
enquanto vou peg�-las." A ruiva disse e sinalizou com as m�os para a porta � sua
direita.
Sabia que Voldemort n�o descansaria enquanto n�o pegasse todos eles. Julgando pela
dor que sentira, o Lorde das Trevas estava louco atr�s de seu sangue.
Harry empurrou todos os pensamentos sobre Voldemort para o fundo de sua mente. Ele
n�o queria pensar nisso agora. O garoto pegou um par de cal�as azuis e as vestiu.
Lily entrou no quarto, naquele momento, acompanhada por Poppy. Harry sorriu
c�lidamente e a enferemeira correu ao seu encontro para continuar cuidando de seus
machucados.
"�timo, a pomada est� fazendo efeito. Coloque mais um pouco antes de se vestir. Vou
colocar um pouco em suas costas. Voc� n�o sabe o qu�o sortudo �, Harry. Algu�m l�
em cima realmente gosta de voc�." Ela comentou, j� pegando a pomada.
Lily olhou para o filho e sorriu, mas dessa vez havia um toque de tristeza em sua
express�o. Harry percebeu que ela olhava para os hematomas de seu t�rax. O garoto
virou e pegou a pomada das m�os de Poppy.
"Tudo bem, eu me curo r�pido, voc� j� deveria ter percebido. N�o preciso passar
isso." O moreno jogou o recipiente fora e ignorou os protestos de Poppy. Ele
rapidamente colocou a camiseta branca, que estava em cima da cama.
"Bem, se voc� n�o gosta da pomada e das po��es, ent�o � melhor para de cair de
pr�dios!" A enfermeira gritou.
"N�o � como se eu fizesse essas coisas de prop�sito." Harry riu, fazendo o cora��o
de Lily dar pulinhos. Essa era a primeira vez que ouvia seu filho rir de verdade.
Ela decidiu que adorava aquele som.
"Pode ser que n�o, mas se voc� se machucar, ent�o deve usar as po��es..." Poppy foi
cortada, quando Harry a segurou pela m�o.
"Voc� n�o precisa se preocupar. Nunca poderei agradecer o suficiente por voc� me
ajudar, Poppy." Harry disse calmamente.
"Voc� sabe o que eu quero dizer." O garoto falou um pouco desconfort�vel. "Voc�
colocou a si e sua fam�lia em risco por dep�r diante do Wizegamot. N�o precisava
fazer aquilo." Harry continuou, agora olhando-a diretamente nos olhos.
"Se n�o fosse por voc�, Harry, eu nem mesmo teria fam�lia." A mulher sussurrou de
volta. Ela deu um beijo na testa do garoto de um modo bem maternal e deixou o
c�modo limpando os olhos discretamente.
"Vamos l�, Harry, todo mundo est� esperando." Ela disse. O moreno saiu, junto com a
sua m�e, sentido-se extremamente relaxado.
Harry parou um pouco antes de entrar na cozinha. Ele ouviu a voz de Damien, junto
com a de seu pai e de Ron. Ele escutou por um momento, sinalizando para que sua m�e
fizesse o mesmo.
"Ele n�o gosta quando as pessoas o encaram. Fica bastante incomodado com a
aten��o." Ron dizia.
"� e ele odeia que voc� fique perguntando o tempo inteiro se ele est� bem." Damien
adicionou.
"Bem, ele gosta quando as pessoas ficam calmas e tranquilas perto dele. Ele n�o
gosta de muita balburdia, especialmente se estiverem falando dele." Damien disse.
Harry prendeu o riso ao ver o t�pico da discuss�o. Ele sorriu para sua m�e e ambos
abriram a porta.
"Ele tamb�m n�o gosta quando as pessoas ficam falando sobre ele, pelas costas."
Harry adicionou ao entrar na cozinha.
James, Sirius, Damien e Ron viraram para olhar o garoto. Todos tinham um express�o
culpada na face.
"Harry, voc� acordou." Damien gritou excitado, quando seu choque passou.
"� e antes que algu�m pergunte, sim, estou me sentindo bem." Ele disse e sentou ao
lado de seu pai.
Ron corou um pouco. Aquela pergunta estava quase saindo de sua boca. James olhou
com carinho para o filho, quando este sentou-se ao seu lado.
"Eu apenas pensei que j� que Damien conhece voc� melhor, ele poderia dividir seu
conhecimento com o resto de n�s." James disse a Harry.
O garoto olhou para o irm�o e n�o conseguiu impedir seu sorriso ao observar a
imagem de seu pai e Damien sentados a mesa. Harry n�o comentou sobre o que James
falara, em vez disso ficou apenas olhando para a cena. Ele observou sua m�e com a ,
preparando o caf� da manh�. O cheiro de salsichas e bacon passaram por ele, fazendo
seu est�mago grunhir de fome. O moreno de olhos verdes n�o tivera uma boa refei��o
desde quando deixara Voldemort.
Ele olhou para Ron, que parecia conversar seriamente com Sirius.
"Eu pensei que voc� disse que Hermione e Ginny estariam aqui tamb�m." Harry disse
ao pai.
"Hey! Quando foi que voc� disse isso a ele?" Damien perguntou irritado.
"Por que voc� n�o nos disse que Harry estava acordado? A raz�o por termos ficado
aqui era para falar com Harry assim que ele acordasse!" Damien disse bravo.
"Damy, era quatro da manh�. Ali�s, eu voltei a dormir dez minutos depois." Harry o
reassegurou.
A porta abriu e Harry viu Hermione e Ginny entrando. Elas pareciam preocupadas, mas
assim que viram o garoto sentado a mesa, suas faces se iluminaram imediatamente.
"Harry! Oh, gra�as a Deus voc� est� acordado! Como voc� est�? Est� se sentindo
melhor?" As duas garotas come�aram a question�-lo.
Lily e Molly colocaram o caf� da manh� na mesa. A olhou para Harry, mas n�o disse
nada, por�m colocou o prato de salsicha e bacon bem � sua frente. Harry colcou
comida em seu prato e percebeu o qu�o confort�vel estava. Ele sabia que o tempo que
passara ao lado dos quatro adolescentes era o que o ajudava. O garoto ficou feliz
pelos amigos terem passado a noite ali.
O caf� da manh� terminou e as lou�as foram lavadas, mas o grupo continuou sentado a
mesa conversando sobre amenidades, nada que involvesse o julgamento ou coisas mais
s�rias.
Harry notou a porta abrindo novamente e viu dois garotos entrando. Ele n�o os
reconheceu, mas ambos o procuraram com o olhar. Ao ach�-lo os dois sorriram e foram
em sua dire��o.
Ambos pareciam ser mais velhos do que ele, talvez tivessem uns vinte e dois anos.
Tinham cabelos castanhos e penetrantes olhos azuis. Eram irm�os. Os dois eram altos
e n�o paravam de sorrir.
"Nossa, Harry! Quantas crian�as voc� salvou dos Comensais da Morte, jogando elas
pela lareira, para n�o conseguir nos reconhecer?" Um deles disse e gargalhou.
O c�modo ficou em sil�ncio e todos olharam fixamente para Harry. O garoto os olhou
cuidadosamente e reconheceu os dois meninos. Eram os mesmo que ele ajudara a
escapar da Mans�o Riddle h� dez anos atr�s. Naquela �poca ele n�o conseguira ver a
face dos dois, afinal estavam totalmente sujos. Ele lembrava de ter corrido pelos
corredores e de ter escapado pela sala dos Elfos Dom�sticos. Naquele dia, o garoto
os puxou para dentro da lareira e os mandou ir para casa.
"Ah, ent�o voc� se lembra." Os dois riram, enquanto Harry os olhava surpreso.
"�, eu lembro." Ele disse alto. "S� nunca pensei que os encontraria novamente." A
cabe�a do garoto rodava.
James e Lily olharam os dois meninos que conversavam com seu filho. Eles lembravam
deles tamb�m, tinham assistido a mem�ria de Harry.
"Oh, n�s n�o temos educa��o! Ainda nem mesmo nos apresentamos. Eu sou David Bones e
esse � meu irm�o mais novo, Darrell Bones." David disse e esticou a m�o para
apertar a de Harry.
"Voc�s s�o... n�o podem ter rela��o com..." Harry come�ou, mas foi cortado.
O garoto observou a porta da cozinha e viu Amelia Bones ali parada. Ela olhava
diretamente para o moreno e sorria.
Harry ouviu as pessoas da sala se surpreenderem e ent�o percebeu que, no fim das
contas, n�o imaginara os olhares que Amelia Bones lhe lan�ara no julgamento. Ela o
ajudara, j� que ele tinha salvado seus filhos.
A mulher andou calmamente pelo c�modo, nunca retirando os olhos de Harry. Ela parou
ao lado dos filhos e colocou a m�o no ombro de David.
"Sempre pensei em quem seria a estranha crian�a que salvou a vida dos meu filhos.
Pensei que fosse outro prisioneiro, que descobrira um jeito de fugir e que, por
sorte, achara meus filhos tamb�m. N�o sei como minha vida seria se voc� n�o os
tivesse encontrado."
Harry sentiu sua face corar. Ele nunca conseguira aceitar elogios.
"Ent�o foi por isso que voc� me ajudou e deu a Dumbledore uma chance para me
salvar." O garoto disse, um pouco perguntando, um pouco afirmando, com seus olhos
fixos nela.
", eu lhe dou a certeza de que se voc� tivesse agido como um Comensal da Morte, eu
teria te sentenciado para uma vida em Azkaban, n�o importasse o que tivesse feito
pelos meus filhos. Eu trabalho com muita seriedade e nunca teria tra�do o mundo
m�gico com esse tipo de amea�a. A �nica raz�o por voc� estar aqui, � porque
mereceu."
Harry desviou o olhar, ele sabia que ela mentia. O julgamento dela foi blindado
pelo fato de que o garoto sentado naquele tribunal salvara a vida de seus filhos.
"Fico feliz de ter ficado na banca. Aparentemente o Ministro j� tinha selado seu
destino. Ele n�o teria deixado Dumbledore te defender se o n�o interferisse."
O moreno de olhos verdes lembrou de algo que estava lhe incomodando. O arquivo que
Dumbledore apresentara com a evid�ncia de que o Ministro havia dado ordens para
matar certos Comensais.
Fudge aparentemente ficara espantado e nem mesmo perguntou ao Diretor de onde ele
retirara o arquivo. Fazia sentido agora. Amelia Bones deveria ter entregue os
pap�is a ele. Ela era a Chefe do Departamente de Leis M�gicas e provavelmente teria
acesso �s informa��es.
"Foi voc�, n�o foi? A pessoa que entregou, a Dumbledore, o arquivo sobre as ordens
do Ministro de matar os Comensais." Ele perguntou, j� sabendo a resposta.
Amelia sorriu.
"Como eu disse, o Ministro n�o estava querendo fazer um julgamento justo. Eu apenas
ajudei para que os fatos fossem evidenciados."
Dito isso, ela virou para falar com James e Lily. Harry ficou parado, perdido em
pensamentos. Ele sabia que o julgamento fora completamente influenciado por
Dumbledore e sua Ordem. O garoto apostava qualquer coisa para confirmar que a
maioria dos Aurores no julgamento eram da Ordem e que estavam ali apenas para lhe
ajudar. Por isso tantas pessoas votaram em sua liberdade.
David e Darrell sentaram ao lado dos outros e contaram que tinham visto a foto de
Harry no Profeta Di�rio e imediatamente disseram � m�e que aquele era o mesmo
menino que os ajudara a escapar. Harry apenas escutava metade do que era dito. Ele
ainda estava completamente imerso em seu julgamento para poder prestar aten��o no
resto.
Eventualmente a fam�lia Bones foi embora e junto com eles os Weasley e Hermione.
Harry ficou com a sua fam�lia, Sirius e Remus. Eles estavam quase indo embora
tamb�m.
"Harry, antes que eu esque�a, aqui est�o suas coisas." Sirius entregou ao garoto
sua varinha e uma pequena caixa contendo seu suprimento de po��es. Ele retirou as
coisas do Minist�rio para retorn�-las ao afilhado.
Harry sentiu uma mistura de emo��es ao pensar em retornar a Godric's Hollow. Ele
estava animado e um pouco feliz por finalmente voltar para casa. Por outro lado,
ainda n�o conseguira apagar as imagens que aquela casa lhe trazia. O garoto
conseguia lembrar do sot�o em que ficara todos aqueles anos tremendo e chorando,
tamb�m podia ver todos os c�modos claramente em sua cabe�a e em como fora espancado
e maltratado ali. Ele sabia que n�o tinham sido seus pais e que nem mesmo estava
dentro da casa naquelas vezes, mas ainda assim n�o conseguia controlar o arrepio
que passava em seu corpo ao saber que ficaria ali. O moreno queria vocalizar a
id�ia de que n�o queria ir para l�, mas sabia que seus pais n�o entenderiam.
Portanto apenas se preparou para ir para casa.
O garoto odiava Voldemort por ter feito isso com ele. Aquele homem destru�ra sua
vida inteira.
Logo antes que os Potter's fossem embora, um elfo dom�stico apareceu a sua frente.
Ele segurava as jeans e a camiseta de Harry.
"Mestre, queria permiss�o para jogar fora essas vestes." O elfo disse, fazendo uma
longa rever�ncia na frente de Sirius.
"Creio que Harry possa sobreviver sem isso. Ele ganhar� um guarda roupa novo, sem
d�vidas." Disse e piscou para o afilhado.
Todos olhavam para Harry, surpresos. Ele n�o poderia querer manter aquelas roupas
consigo.
"Harry, o que..." James parou de falar ao ver o filho pegar a jeans e come�ar a
mexer nos bolsos. O garoto retirou um peda�o de papel dali e rapidamente o colocou
dentro do bolso das cal�as que usava. O moreno devolveu a pe�a de roupa ao elfo e
permitiu que as roupas fossem destru�das.
Harry viu que estava parado na entrada de Godric's Hollow, rodeado por seus pais e
Damien. Seu cora��o batia forte e o garoto sentiu-se vagamente enjoado. Ele
percebeu que sua m�e segurara sua m�o e sorriu for�adamente para ela.
"Bem vindo ao lar, Harry." James disse calmamente e abriu a porta, fazendo com que
todos entrassem.
Sua primeira impress�o foi a de que a sala tinha uma apar�ncia vivaz. N�o era muito
arrumada, mas n�o era bagun�ada. Ele andou pelo c�modo calorosamente decorado e
percebeu que era diferente do de sua mem�ria. O garoto olhou em volta e sentiu seu
cora��o se acalmar um pouco. Harry ficou observando o seu redor, enquanto Lily e
James retiravam seus casacos. Damien o observava de perto, esperando a rea��o do
irm�o.
O moreno de olhos esmeralda observou as fotos que estavam sobre a lareira e viu,
com surpresa, uma foto sua quando beb�. Nela ele ria e tentava sair de seu ber�o. O
garoto sorriu ao ver algumas de Damien tamb�m. Em uma delas seu irm�o,
aparentemente em seu primeiro dia indo para Hogwarts, era beijado a abra�ado,
relutantemente, por uma chorosa Lily.
Harry passou alguns minutos, silenciosamente olhando o c�modo. Ele saiu de seus
pensamentos, quando Lily o chamou.
"Harry, voc� quer ver seu quarto?" Ela perguntou calmamente. Damien ficou na sala,
enquanto sua m�e levava seu irm�o para conhecer o quarto dele.
Lily acompanhou o filho ao subir as escadas e ao chegar no andar superior ele olhou
estranhamente para a pequena escada que levava ao sot�o. Enquanto andava para o seu
quarto, o moreno escutava baixinho os sons de seus gemidos quando crian�a. Ele
fechou os olhos e tentou afastar as mem�rias. 'N�o aconteceu aqui. Pare de fazer
isso' pensava consigo com raiva.
Lily o levou para o antigo quarto de h�spedes. N�o era um c�modo grande, mas tinha
uma dimens�o maior que o de Damien. Havia uma cama de dossel e um grande guarda
roupa, uma pequena mesa ficava de frente para a parede. Harry n�o comentou nada e
percebeu que Lily o observava cuidadosamente. Ele andou mais um pouco e ent�o
sentou na cama.
Harry realmente n�o sabia o que dizer. N�o havia sobre o que comentar.
A ruiva sabia que para o filho o c�modo era bem pequeno. Ela n�o havia esquecido o
quarto em que ele dormia quando ainda estava com Voldemort. Por�m n�o havia nada
que podia ser feito. Esse era o �nico quarto que podiam dar ao garoto.
"Quer descansar um pouco, antes do jantar?" Lily perguntou. Ela sabia que Harry
ainda estava se recuperando de seu horr�vel ataque.
Ele estava extremamente desconfort�vel ali. O moreno achara que morar em Godric's
Hollow seria dif�cil, mas aquilo era p�ssimo. Ele realmente queria tempo para
pensar.
Lily saiu do quarto e desceu para falar a James e Damien que deixassem Harry
descansar.
Harry deitou em sua cama e focou-se em respirar lentamente, assim poderia relaxar.
Ele sabia o que iria acontecer, sabia que iria entrar em p�nico ao entrar naquela
casa. O garoto ficava repetindo para si mesmo que as mem�rias n�o eram reais, que
ele n�o deveria culpar Godric's Hollow por nada. Por�m, quanto mais ele tentava,
mais percebia que n�o podia impedir as mem�rias de aparecerem. O moreno suspirou e
virou-se de lado. Suas costas come�avam a doer e ele sentiu o machucado em sua
cabe�a latejando dolorosamente. Antes que percebesse, caiu em um sono profundo e
exausto, com a mesma roupa que estava.
Ele acordou e encontrou Damien o observando. Harry ficou surpreso por um momento ao
perceber a face de seu irm�o sobre o seu rosto. O menino de olhos avel� sorriu,
enquanto seu irm�o se sentava na cama.
"Voc� acordou! J� era hora. Sabe, Harry, voc� dorme muito para uma pessoa de
dezesseis anos!" Ele disse, enquanto o observava.
O garoto apenas olhou o irm�o irritadamente. Estava claro que Damien n�o sabia a
extens�o de seus ferimentos.
"O que voc� est� fazendo aqui?" Harry perguntou ao voltar a deitar na cama,
esperando que sua dor de cabe�a diminuisse.
"Vim ver se voc� quer jantar." Damien replicou e sentou na ponta da cama do irm�o.
O moreno de olhos verdes n�o estava faminto, ainda sentia dores pelo corpo e apenas
queria dormir mais um pouco.
"Ok, mam�e disse que voc� ia dizer isso. Ela disse que voc� vai deixar um prato
feito para voc�, se voc� estiver com fome mais tarde." O menino disse.
Harry sentia seus olhos ficando pesados novamente e apenas assentiu. Damien o olhou
preocupado.
"O que foi que voc� respodeu para papai essa manh�?" Harry disse, enquanto tentava
encarar o irm�o.
"Ok, eu vou embora, mas antes disso, voc� n�o acha que deveria se trocar?" Damien
perguntou e olhou para as roupas do irm�o.
"Hum... eu n�o tenho outra roupa." O moreno disso ao olhar para o que vestia.
Damien levantou, andou at� o guarda roupa e o abriu. Harry p�de ver v�rias roupas
ali dentro e levantou-se da cama para olhar de perto. Ele lan�ou um olhar
questionador ao irm�o.
"Mam�e e papai compraram essas coisas, enquanto voc� ainda estava em Hogwarts. Eles
perceberam que assim que voc� voltasse para casa no natal e depois nas f�rias de
ver�o, precisaria de roupas." Damien explicou.
Harry sentiu seu cora��o apertar ao pensar na situa��o. Seus pais deviam ter ficado
devastados, quando ele fugiu com Voldemort. O garoto sentiu um arrepio ao lembrar o
que acontecera com James naquele dia em Hogsmead. Ele chagara t�o perto de matar o
pai e pela cent�sima vez, Harry agradeceu a Sirius por t�-lo salvado.
Damien saiu do quarto para dizer aos pais que o irm�o ia descansar mais um pouco. O
moreno de olhos verdes pegou um par de pijamas, aparentemente confort�veis e
trocou-se. Ele voltou para a cama e pensou no jeito em que tratara seus pais.
Tomado por vergonha e culpa, o garoto resolveu tentar n�o dar tanto problema. Com
esses pensamentos na cabe�a, Harry pegou no sono.
James e Lily abriram a porta e entraram no c�modo escuro. Harry dormira quase o dia
inteiro e n�o quis nem mesmo comer. Eles queriam ver se estava tudo bem. Ambos
queriam passar o m�ximo de tempo poss�vel com o filho, mas ao mesmo tempo n�o
queriam pression�-lo muito. Eles tinham visto o bastante da inf�ncia de Harry parar
ver que ele passara a maior parte do tempo sozinho. Os dois concordaram em dar ao
garoto tempo para que ele se acostumasse com a fam�lia.
James e Lily viram o filho dormindo pacificamente em sua cama. A mulher sorriu ao
ver Harry dormindo de bru�os. 'Ele costumava dormir assim quando beb�' pensou
consigo. Ela andou at� a cama, tentando n�o acord�-lo, e colocou suas m�os sobre a
testa do filho para verificar a temperatura.
"Bem, dever�amos ir. Poppy disse que ele precisa dormir muito, assim pode se
curar." Lily disse e puxou James para fora da cama, junto com ela.
O homem se aproximou e puxou as cobertas para cima de Harry. Ele virou para sair do
quarto e estava quase na porta, quando viu uma coisa jogada em cima da cadeira
pr�xima a mesa. James olhou de perto e observou os jeans de Harry, mas o que lhe
chamou a aten��o foi o papel que sa�a do bolso. Ele tinha imaginado o que seria
aquilo, desde quando o filho retirara o papel de dentro de suas roupas velhas. O
garoto parecia ser bem ligado �quilo, o jeito como correra para peg�-lo, antes que
o elfo destru�sse e o modo como enfiou rapidamente dentro do bolso mostrava a
liga��o. Ele olhou para Lily e depois de dar um enorme sorriso, encaminhou-se �
cadeira.
Ele estava quase pegando o papel, quando seguraram sua m�o. James olhou para cima e
viu Lily o observando com um olhar chocado em sua face.
"James! Voc� n�o pode. � particular. N�o deveria ficar xeretando em coisas
particulares." Ela sussurrou.
"Lily, n�o vou fazer nada. S� quero saber o que � isso. Tenho certeza de que Harry
n�o vai se importar." Ele sussurrou de volta.
A mulher abriu a boca para brigar, mas James colocou um dedo sobre seus l�bios e
gesticulou em dire��o ao filho.
"Bem, eu n�o farei parte disso. N�o quero que Harry fique bravo comigo." Ela disse
a ele, enquanto cruzava os bra�os.
James riu ao ver o olhar que ela lhe mandava e pegou o papel. Assim que o segurou
percebeu que n�o era um papel qualquer, mas algo muito mais grosso. Estava dobrado.
O homem abriu e soltou um solu�o surpreso ao ver o que era. Seus olhos avel�
ficaram fixos no que via. O homem ficou incapaz de falar. Ele olhou para Lily, sem
palavras e a mulher viu que seus olhos estavam cheios de l�grimas. A ruiva percebeu
a rea��o estranha de seu marido e a sua curiosidade ganhou. Ela moveu-se at� ele e
viu o que era o papel.
A mulher soltou um solu�o baixo e observou aquilo direito. Seja o que fosse que ela
estava esperando n�o era algo como o que via. James segurava a fotografia de um
Harry beb� ao lado de seus pais, sendo beijado e abra�ado. Eles davam tchauzinho
para a c�mera e beijavam-se logo depois. Lily reconheceu a fotografia
instantaneamente. Era uma das fotos que ela deixava no alb�m, escondido em seu
quarto. Ela olhou para James, que ainda encarava o papel e n�o conseguia dizer
nada.
Fora isso o que Harry salvara da destru���o. Estava no bolso da cal�a dele, o que
indicava que o garoto mantinha a foto consigo o tempo inteiro. 'Como ele consguira
essa foto?' Lily pensou. Ela percebeu que o garoto devia ter emo��es bem fortes por
eles e sentiu um aperto bem grande no cora��o ao pensar que Harry fizera uma coisa
como essa.
James dobrou a foto novamente e colocou no bolso das cal�as de Harry. Ele parecia
igualmente afetado por aquilo.
"Voc� estava certa. N�o dever�amos mexer nas coisas de Harry." Ele disse com uma
voz estranhamente controlada.
Os dois andaram at� Harry, que dormia e Lily percebeu que n�o conseguia se segurar
para abra��-lo. Ela se abaixou e o beijou gentilmente. Harry se mexeu um pouco, mas
estava em um sono profundo e n�o acordou. James e Lily sa�ram do quarto e
silenciosamente fizeram promessas de que iriam dar a Harry todo o amor que ele
perdera.
Harry acordou assustado. Ele n�o lembrava de seu sonho, mas sabia que n�o tinha
sido bom. O garoto ficou deitado na cama, apenas escutando os sons que vinham da
casa. Ele olhou para o rel�gio e percebeu que eram cinco da manh�. Dormira o dia
inteiro!
O moreno tentou apenas descansar em sua cama, mas percebeu que seu est�mago
reclamava de fome. Ele sentiu sede e deicidiu descer para beber �gua. Calmamente e
sentindo-se muito melhor, levantou-se. Suas costas estavam menos doloridas e sua
dor de cabe�a havia ido embora.
Harry desceu as escadas silenciosamente e com cuidado para n�o acordar ningu�m.
Ainda tentava retirar o sono dos olhos e nem mesmo pensava para onde estava indo,
j� sabia como andar naquela casa instintivamente. Ele acendeu a luz e encontrou-se
parado na cozinha, que estava exatamente como se lembrava. O garoto ficou congelado
ao observ�-la, era como se algu�m estivesse aumentando o volume de seus gritos, que
imploravam para que n�o o machucassem. Harry fechou os olhos de modo apertado e
tentou bloquear o som. N�o adiantou. Seu est�mago deu voltas e ele p�de ouvir
claramente a voz de seu pai: 'Voc� queimou minha comida, ent�o eu queimo voc�.'
Harry caiu para tr�s, tentando sair da cozinha o mais r�pido poss�vel, mas
aparentemente suas pernas n�o obedeciam. Ele sentiu-se mal ao ouvir uma voz em sua
mente.'N�o pai! Por favor, n�o! Por favor, pai. Desculpa, desculpa por tudo! Por
favor, n�o!'
Harry correu e suas m�os sentiram a ma�aneta da porta dos fundos. Ele tinha que
sair de l�, n�o conseguia mais ficar ali. O garoto abriu a porta e correu para o
lado de fora. O ar fresco do ver�o acertou sua face, quando saiu. O moreno deu mais
alguns passos, antes de cair no ch�o. Ele n�o estava preparado para aquilo. Sua
pior mem�ria apareceu no momento em que ele menos esperava.
'O que h� de errado comigo?' pensou nervoso consigo, depois de ter se acalmado. O
garoto sabia que esses incidentes n�o aconteceram ali, que seus pais n�o foram os
respons�veis por toda a dor que ele enfrentou. Voldemort era o respons�vel. O
moreno se levantou e voltou devagar para casa. Mesmo assim, n�o importava o quanto
ele andava o garoto ainda n�o conseguia entrar. Ele resolveu ficar sentado nos
degraus mesmo. Quanto tempo ficou sentado ali ele n�o sabia, j� que ficou perdido
em pensamentos. Ele sentiu uma m�o em seu ombro, olhou para cima e viu Lily o
encarando. A mulher sentou ao seu lado por alguns minutos, ambos em sil�ncio
absoluto. Eles assistiram o c�u ficar rosa, sinal de que o sol j� estava para
aparecer.
"Voc� n�o acordou." Ela respondeu calma. "Apenas desci para tomar alguma coisa,
porque n�o conseguia dormir."
Harry assentiu. Ele estava se sentindo um idiota por estar sentado ali fora t�o
cedo e nem mesmo olhara para sua m�e. Continuou com os olhos fixos no ch�o. Lily
n�o precisou perguntar por que ele estava l� fora, ela e James j� sabiam que isso
aconteceria. Harry provavelmente estava tendo uma experi�ncia horr�vel, voltando ao
local que ele lembrava como sendo o inferno. Ela abra�ou seu filho com um bra�o e o
sentiu ficar tenso, antes que relaxasse. O moreno n�o estava acostumado com esse
tipo de carinho. Era estranho.
"Voc� vai fazer suas pr�prias mem�rias aqui, Harry." Ela disse calmamente.
O garoto apenas assentiu novamente, mesmo sabendo que as suas mem�rias de Godric's
Hollow nunca iriam embora. Ele queria estar sozinho ou arranjar um jeito de lidar
com as coisas que lhe estavam sendo jogadas. Com muita for�a ele conseguiu olhar
para sua m�e e esperava ver compaix�o nos olhos dela, mas algo o fez ficar tenso.
Surpreendentemente a �nica coisa que conseguia ver no olhar dela era compreens�o e
amor. A mulher gentilmente pegou a m�o do filho e o ajudou a se levantar. Ela o
trouxe para a cozinha e depois o levou para a sala de estar.
"Quer comer alguma coisa?" Perguntou ao filho que estava sentado no sof�.
Harry sorriu ao ouvir a pergunta, aparentetemente isso era a �nica coisa com que
Lily se preocupava. O apetite dele.
"Que tal uma bebida quente?" Ela perguntou. Ainda estava muito frio para ficar
sentado do lado de fora t�o cedo, mesmo estando no m�s de julho.
Harry pegou a bebida e olhou para o l�quido escuro. Ele cheirou antes de olhar
questionador para a m�e.
"� uma bebida de verdade. Os trouxas bebem isso, mesmo que eles tenham muitos e
muitos outros sabores. N�o vai me dizer que nunca bebeu chocolate quente antes."
Ela disse.
Harry n�o respondeu, mas bebericou um pouco. Ele saboreou o gosto por um momento,
antes de tomar outro gole.
"Ent�o voc� aprova." Lily riu e Harry terminou de beber em alguns segundos.
Lily e Harry pegaram mais uma caneca de chocolate quante e o moreno percebeu que
conseguia relaxar ao escutar a voz calma de sua m�e.
Fazia quatro dias desde que Harry chegara em Godric's Hollow. Sirius e Remus eram
os �nicos que visitavam os Potter's. James disse ao filho que todo mundo recebeu a
ordem de deix�-los sozinho por um tempo, para que se conectassem como fam�lia.
Harry passou a maior parte de seu tempo com Damien. Ele passava o m�ximo de tempo
poss�vel fora da casa, aproveitando o ver�o no jardim. E se houve alguma mudan�a,
fora a de que a situa��o de Harry piorava cada vez mais. Ele come�ou a ter
pesadelos, ficava revivendo suas terr�veis mem�rias durante a noite e acordava
interamente coberto de suor. N�o importava o quanto ele tentasse, n�o conseguia se
livrar dos sonhos ruins. O moreno n�o sofria desse jeito desde seus oito anos de
idade. Ele colocava suas mem�rias na penseira, mas por alguma raz�o n�o funcionava
mais. Harry percebeu que estar de volta em Godric's Hollow trouxe todas as mem�rias
de volta.
O garoto n�o disse a ningu�m sobre sua tortura noturna e percebeu que n�o havia
nada que algu�m pudesse fazer, portanto n�o havia porque reclamar.
Lily esperava que seu filho se acostumasse, mas as coisas s� estavam piores. Ele
n�o tinha nenhum problema em ficar no quarto ou em ficar passando o tempo com
Damien, no quarto do irm�o, mas se recusava a entrar no sot�o ou na cozinha. Ele
conseguia passar um tempo na sala de estar se precisasse.
James e Lily come�aram a comer na sala, j� que o moreno de olhos verdes nem mesmo
entrava na cozinha para tomar caf�.
Os pais de Harry n�o sabiam nada sobre os pesadelos, mas viam como seu filho sofria
no dia a dia e perceberam o quanto ele estava exausto. E aquilo s� piorava.
James e Lily estavam sentados fora da casa, numa tarde, falando sobre o filho mais
velho.
"Ele n�o est� conseguindo lidar com isso, est�?" A ruiva disse triste e virou para
encarar o marido.
James suspirou profundamente, ele sabia que Harry acharia tudo muito estranho, mas
nunca pensou que seria t�o dif�cil.
"Lily, estive pensando sobre isso. Acho que existe apenas um jeito de consertar
isso."
Lily n�o reagiu, ela ficou sentada, tentando descobrir se James falava s�rio ou
n�o.
"�. Andei pensando sobre isso desde que Harry fugiu de Voldemort. No come�o eu nem
pensava tanto, j� que precisava pegar Harry primeiro, mas percebi que morar em
Godric's Hollow poderia ser dif�cil para ele. Por�m n�o tinha id�ia de que seria
tanto assim. Ele nem mesmo parece que est� dormindo direito, julgando pelos
c�rculos negros em volta de seus olhos. Ele n�o consegue lidar com as mem�rias e eu
n�o o culpo. Creio que o �nico modo de resolver isso � deixar Godric's Hollow."
James virou e observou a pequena casa. Era verdade. Ele havia herdado a casa de
seus pais e possuia uma forte conex�o com ela. Aquele lugar pertenceu � fam�lia
Potter por gera��es. Seus olhos passaram pela casa novamente e ele suspirou fundo.
"Amo, mas amo mais meu filho. Se ele n�o est� feliz, ent�o n�o quero continuar
morando aqui."
Lily passou os bra�os em volta dele o beijou gentilmente. Ela sabia que para James
pensar em mudar de l�, era uma grande decis�o. Eles discutiram em como conseguiriam
comprar outro lugar. James j� tinha tudo pronto. Ele sugeriu em usarem suas
economias para comprar uma casa maior. Decidiram manter essa informa��o entre eles,
n�o queriam contar nada a Harry e nem a Damien, enquanto n�o tivessem tudo
resolvido.
Cap�tulo Cinquenta e Nove: Estabelecendo-se
"Quanto tempo isso vai durar? Estou morrendo de fome." Damien disse e andou at� o
pai.
"Preciso apenas pegar algumas coisas do trabalho. Depois podemos ir jantar." James
disse e levou a fam�lia at� uma porta.
Harry achava que era muito estranho ir entrando assim na casa de uma pessoa, mas
n�o disse nada. Ele estava pensando na raz�o de seu pai ter trazido todos eles para
visitar esse algu�m, afinal estavam indo jantar em um restaurante.
Harry n�o estava muito seguro sobre sair em p�blico t�o cedo e propositalmente
estava evitando ler o Profeta Di�rio e todos os outros jornais, j� que tinha
certeza de que todos eles estavam noticiando o seu julgamento. Ele n�o queria ler
sobre a opini�o das pessoas, n�o se importava com o que elas diziam, mas se
preocupava em como os outros reagiriam e mais importante em como tratariam sua
fam�lia. Seriam eles permitidos em um restaurante?
Por outro lado, o garoto ficou preso em Godric's Hollow por duas semanas. Seu �nico
ref�gio era o jardim. Ele estava muito feliz em sair um pouco. Entretanto, quando
todos estavam dentro do carro, seu pai anunciara que parariam na casa de uma
pessoa, apenas por um minuto, para que ele pegasse algum arquivo.
Harry teria ficado contente dentro do carro, mas seus pais disseram que ele deveria
entrar para cumprimentar o dono da casa.
"Wow, esse lugar � um algo! Quem mora aqui, pai?" Damien perguntou, enquanto
observava os m�veis caros.
"N�s moramos."
Harry e Damien pararam de olhar em volta para encarar os pais. James sorriu
escancaradamente, assim como Lily.
"Eu sei que isso pode ser um choque, mas seu pai e eu decidimos que precisamos de
um lugar maior para morar. Pensamos que com as mudan�as, era necess�rio trocar
nosso estilo de vida tamb�m." A ruiva disse com um sorriso na face.
Damien estava parado de boca aberta. Harry por sua vez ficou tenso ao ouvir a
palavra 'mudan�a', ele sabia o que sua m�e estava tentando dizer. Devido ao fato de
que ele entrara na vida deles, os dois estavam mudando as coisas. Ele era o
respons�vel pela mudan�a de casa, o respons�vel por faz�-los deixar Godric's
Hollow. O garoto ficou em sil�ncio, deixando James explicar.
"N�s achamos que Godric's Hollow n�o era grande o suficiente para todos n�s. Sua
m�e sempre me encheu para ter um laborat�rio de po��es e aqui j� existe um
constru�do no subsolo. Existem cinco quartos, ao inv�s de apenas tr�s, o que quer
dizer que Padfoot e Moony podem ficar no Natal e em outras datas. Eu sempre quis um
lugar com campo de quadribol, portanto essa casa foi a vencedora." O homem disse
sorrindo.
"O QUE?" Damien gritou de felicidade. "Tem um campo de quadribol aqui! Oh meu
Deus!" Ele disse e saiu correndo at� a janela para v�-lo, fazendo James e Lily
rirem. Harry, por outro lado, ficou completamente im�vel.
James olhou para o filho mais velho e desanimou um pouco. O garoto o olhava de modo
estranho. Ele conseguia ver que o filho estava chocado, mas que parecia estar
chateado tamb�m. O homem sentiu seu cora��o bater forte contra o peito. Ele fizera
aquilo pelo filho, por que o moreno n�o estava t�o feliz quanto o irm�o?
"Eu sei que foi de repente, mas quer�amos surpreender voc�s. Nossas coisas v�o ser
trazidas essa noite. Voltaremos para pegar nossos pertences. Empacotamos a maioria
das coisas ontem." James parou de falar, quando Harry desviou o olhar.
"N�o consigo acreditar! N�s vamos realmente morar aqui! Isso � t�o legal. Quero
dizer, eu amo Godric's Hollow e tal, mas ter meu pr�prio campo de quadribol! Espere
at� eu contar pro Ron."
James sorriu com a rea��o do menino e queria ver Harry t�o feliz quanto. O homem
pensou que talvez o filho mais velho estava chocado ou que talvez a casa n�o lhe
agradasse tanto. N�o, n�o podia ser isso. Ele vira a express�o do garoto ao entrar
na casa e o olhar apenas se fechou quando descobriu que era deles.
"Bem, temos a su�te principal e uma outra su�te que servir� como quarto de
h�spedes. Depois existem mais tr�s quartos para voc�s escolherem. Apenas decidam-se
entre voc�s." Lily disse.
"Voc� pode escolher o quarto que quiser, Damy." O garoto disse ainda parado onde
estava.
"Harry, o que foi?" O menino perguntou ao perceber que o irm�o n�o estava contente.
Damien j� tinha passado muito tempo ao lado do garoto para saber quando ele estava
chateado. Harry parecia pensar seriamente em alguma coisa.
"Harry?" Ele falou novamente, enquanto o moreno de olhos verdes desviava o olhar.
"Estou bem, apenas v� escolher seu quarto. Preciso falar com o pai." Harry disse
enquanto olhava James gelidamente.
Damien soltou a m�o do irm�o e olhou para os pais. Lily aproveitou a chance para
sair. Ela levou o filho mais novo para o andar de cima com o intuito de verem os
quartos.
"Agora que Damien saiu, voc� pode me contar a verdadeira raz�o da mudan�a." Ele
disse ao pai.
Harry o olhou com raiva. James se surpeeendeu com a rea��o. Ele se aproximou do
filho e disse com uma voz suave.
"Harry, o que h� de errado? Pensei que voc� estaria feliz como todos n�s por estar
mudando para uma nova casa."
"Foi o que eu pensei." Harry disse baixo. Ele havia se prometido, na primeira noite
em Godric's Hollow, que n�o causaria mais problemas aos seus pais. Mesmo assim,
conseguira arranc�-los de sua casa, for�ando-os a viver em outro lugar. Era sua
culpa.
"Harry, eu n�o vou mentir para voc�. Eu fico triste por n�o estar morando mais em
Godric's Hollow, mas ao mesmo tempo estou realmente querendo morar aqui. Eu e sua
m�e decidimos vir para c�. Fizemos essa decis�o e estamos definitivamente felizes
com isso." James tentou convenc�-lo.
"N�o minta para mim, pai. Eu sei porqu� voc� fez essa decis�o. Voc� n�o queria
deixar Godric's Hollow. Voc� foi for�ado a sair de l� por minha causa."
"N�o, Harry. N�o fomos for�ados a nada. Sa�mos de l�, porque, como eu disse,
precisamos de mais espa�o. Al�m disso, essa casa ofereceu coisas que sempre
quisemos, sendo assim pensamos que era uma boa oportunidade." James respondeu com
mais firmeza.
"Ent�o me fale, pai. Se essa casa � tudo que voc� sempre quis, como � que voc�s
nunca mudaram para c� antes? Por que ficaram em Godric's Hollow por dezesseis anos,
quase dezessete? Voc�s n�o queriam se mudar antes? Como decidiram que se mudariam
duas semanas depois que eu voltei?" Harry perguntou nervoso. Ele estava tentando
acalmar sua ira, que agora saia em sua voz.
O homem estava come�ando a perder a paci�ncia. Ele fizera tudo aquilo por Harry e
agora tudo estava dando errado e sendo esfregado em sua cara.
"Eu n�o entendo porque isso � importante! Por que voc� est� chateado por nada?" Ele
perguntou, sua voz aumentando o tom.
"Porque � �bvio, pai, que voc� fez isso pelo fato de que eu sou muito fraco para
morar em Godric's Hollow! Voc� acha que eu n�o conseguiria morar l�, assim
sacrificou seu lar por minha causa!"
"Isso n�o � verdade! N�o acho que voc� � fraco. Eu sei que voc� est� tentando
colocar todo sofrimento para tr�s e n�o � sua culpa por n�o conseguir. Suas
mem�rias s�o muito terr�veis para serem esquecidas assim. Um homem adulto nunca
conseguiria lidar com um passado como esse. Como eu posso esperar que voc� lide com
isso? N�o culpo voc�, Harry. Eu nunca culpei e nunca vou culpar." James tentou
convenc�-lo. Ele entendia agora que o garoto sentia-se respons�vel pela mudan�a.
Harry respirava pesadamente e tentou dizer o que se passava por sua mente. Por�m,
percebeu que n�o controlava mais o que dizia.
"Quanto tempo mais voc� vai conseguir n�o me culpar? Voc� n�o pode negar que desde
quando voltei para sua vida ela foi completamente arruinada. Mais cedo ou mais
tarde, pai, voc� vai se arrepender por eu ter voltado." Suas palavras estavam
mergulhadas em m�goa.
James teve que juntar o restante de paci�ncia, que tinha, para n�o gritar com o
filho. Como ele podia pensar em algo como aquilo? Depois de todo o sofrimento que o
homem passara quando perdeu Harry, seu filho o acusava de tal coisa.
Ele andou at� o garoto o mais calmo que podia. Segurou o moreno e o for�ou a
encar�-lo.
"Nunca diga isso novamente. Voc� ter voltado para a minha vida foi a melhor coisa
que aconteceu comigo. Eu n�o quero que voc� pense nisso novamente. Voc� � meu
filho, meu primog�nito. Eu nunca me arrependeria de t�-lo na minha vida."
Harry desviou o olhar e abaixou a cabe�a para que James n�o o visse.
"Voc� quer saber porque continuei em Godric's Hollow durante todos esses anos? Foi
por sua causa, Harry. Te trouxemos para Godric's Hollow quando voc� tinha semanas.
Suas primeiras palavras foram l�. Seu primeiro passo foi l�. A primeira vez que
voc� se virou, a primeira vez que voc� sentou sozinho, a primeira vez que voc�
subiu em mim. Todas as mem�rias que tinh�mos de voc� estavam l�. Eu e sua m�e n�o
conseguimos deixar o local. Era tudo o que tinh�mos. As poucas mem�rias estavam l�
e eram elas que nos deixaram viver todo esse tempo longe de voc�. Por isso n�o
deixamos Godric's Hollow."
O garoto se recusava a olhar o pai. Seu cora��o do�a ao escutar essas palavras.
"Nunca esquecemos voc�, Harry. N�o se passou um dia sem que pens�ssemos em voc�."
James disse calmo, for�ando sua voz a sair potente.
"Mas agora n�o precisamos mais dessas mem�rias. Temos voc� conosco. Quero v�-lo
feliz e confort�vel em sua casa. Tamb�m quero te ver relaxado e aproveitando o
tempo que passa com a gente. Sei que por raz�es al�m do seu controle, isso n�o pode
ser conquistado em Godric's Hollow. Ent�o, se sua m�e e eu quisermos mudar para uma
casa onde tudo isso ser� poss�vel, o que h� de errado nisso? Queremos ver nosso
filho feliz e tranquilo."
Harry, finalmente, olhou para o pai, tentando acreditar nas palavras. Ele viu
sinceridade nos olhos avel� e sentiu seu cora��o se acalmar um pouco.
"Voc� sabe que eu... eu tentei, certo? Eu realmente quis fazer aquelas mem�rias
irem embora, mas..." O garoto foi cortado por James.
"Eu sei, Harry. Eu sei. Voc� n�o precisa explicar nada." O homem disse ao colocar
as duas m�os nos ombros do filho para reconfort�-lo.
Harry sentiu seu cora��o ficar leve ao ouvir o pai. Ele realmente n�o o culpava. O
garoto se afastou de James, sentindo-se muito est�pido e bobo por suas a��es. Ele
arruinara completamente o primeiro dia da fam�lia na casa nova.
"Acho que voc� deve se apressar e escolher seu quarto antes que seu irm�o decida
pegar todos." Disse sorrindo.
Foi surpreendente o qu�o f�cil todo mundo se acostumou a morar na nova Mans�o dos
Potter's. Lily sentia como se sempre tivesse morado ali. Mesmo que a casa fosse
muito maior que Godric's Hollow, ela se sentia muito melhor, j� que Harry e Damien
estavam muito bem e passavam o dia inteiro jogando quadribol. As prote��es em volta
da mans�o significavam que os garotos podiam voar por ali o quanto quisessem, sem
medo de serem atacados. A quantidade de espa�o na casa era perfeita para eles.
"Bem, Damy conseguiu o campo de quadribol, sua m�e o laborat�rio de po��es, ent�o
era justo que voc� conseguisse algo que te fizesse feliz." James respondeu
sorrindo. Ele vira o suficiente as mem�rias do filho para saber o quanto o garoto
gostava de sua rotina de treinamento. Aquilo dava a ele confian�a, aumentava o seu
potencial de duelo e era a �nica coisa que o alegrava.
"E voc�? Se todos n�s conseguimos aquilo que nos deixa feliz, o que voc� conseguiu
que o deixa feliz?" Perguntou, genu�namente curioso.
"Eu consegui o melhor de tudo. Consegui ver o sorriso na face de meus filhos."
Harry n�o tivera nenhum pesadelo desde o dia em que se mudou para Godric's Hollow.
Ele estava come�ando a se sentir confort�vel com sua nova vida e aproveitava a
companhia de sua fam�lia cada vez mais.
O garoto aprendia novas informa��es sobre sua fam�lia todos os dias. Descobriu que
sua m�e era uma �tima jardineira e a ajudou a plantar alguns canteiros no jardim da
frente. Aprendeu que seu pai adorava trein�-los em jogos de quadribol. O homem
passava horas apenas discutindo novas t�ticas e m�todos de vo� com Damien e Harry.
Damien, bem... era ele mesmo. Harry ficava admirado em como seu irm�o conseguia
escapar de qualquer problema com seus pais e em como ele ganhava qualquer
discuss�o. O menino era muito esperto.
Harry percebeu que podia ficar sentado vendo sua fam�lia interagir e de vez em
quando imaginava como seria ter crescido com eles. O garoto sempre afastava essas
m�goas e sentia-se sortudo por ter tido a chance de conhec�-los.
Harry ainda se sentia estranho em rela��o ao seu julgamento. Ele n�o vira
Dumbledore desde aquele dia e estava honestamente confuso devido � essa atitude do
bruxo. Ele tinha certeza de que o homem o havia salvo para us�-lo como uma arma
contra Voldemort. O garoto sabia que existia uma prefecia falando sobre a crian�a
que derrotaria o Lorde das Trevas, mas n�o conhecia a extens�o da previs�o. E nem
queria. Ele tinha certeza de que n�o era o escolhido, mas Dumbledore achava que
sim. Harry estava certo de que o homem estava apenas lhe dando alguns dias para
relaxar antes de abord�-lo. Ele resolveu que lidaria com o velho bruxo quando o
momento fosse prop�cio. No momento, ele estava aproveitando muito a sua vida e sua
fam�lia para se importar com alguma coisa.
N�o demorou muito at� que Damien, todo bagun�ado e com sono, entrasse na cozinha.
Ele sentou do lado oposto ao irm�o e deu um enorme bocejo antes de se apoiar nos
cotovelos.
"Bom dia, Damy." Disse Lily, colocando bacon no prato de seus dois filhos.
"Ele disse 'bom dia' para n�s." A mulher respondeu pelo filho, enquanto bagun�ava o
cabelo de Damien, que pela primeira vez estava igual aos fios rebeldes do irm�o.
"Damien n�o � uma pessoa disposta pela manh�." Ela sussurrou, enquanto terminava de
fazer os ovos.
Ele ficou feliz ao perceber que sempre estava disposto ao acordar. Sempre pulava da
cama assim que abria os olhos e silenciosamente pensou a quem Damien puxou. Sua
resposta foi respondida instantaneamente, quando James apareceu igualmente
bagun�ado e sonolento.
Harry n�o conseguiu se segurar e come�ou a rir ao ver a cena. James sentou ao lado
do filho mais novo. Os dois pareciam que a qualquer momento pegariam no sono
novamente.
"Bem, estou feliz de que Harry puxou a mim." Lily disse, enquanto colocava um prato
de caf� da manh� em frente a James.
Depois de comerem, o que felizmente acordou James e Damien, os dois irm�os foram
informados de que teriam uma festa mais tarde, naquele mesmo dia.
"Quem vem?" Ele perguntou. N�o gostou do jeito como sua m�e disse 'todo mundo'.
"Apenas alguns amigos. Alguns amigos? Credo, m�e. Se isso � um pouco, odeio te
dizer o qu�o grande � essa festa!" O moreno de olhos verdes disse.
"Bem, eu sabia que voc� ficaria todo agitado se soubesse quantas pessoas viriam!
N�o � t�o ruim. Esses s�o nossos amigos mais pr�ximos. Seria legal que voc� os
conhecesse e fizesse amizades." Ela disse com olhos de cachorrinho abandonado.
O garoto apenas rolou os olhos e n�o disse nada. Ele realmente n�o queria ser amigo
de nenhum deles. Aquelas pessoas tiveram a inten��o de mat�-lo h� apenas algumas
semanas atr�s. Eles n�o fizeram a menor quest�o de conhec�-lo, ent�o porque ele
precisava fazer tal coisa?
Entretanto, Harry n�o disse nada daquilo � m�e. Segurou sua l�ngua e pensou que se
conseguisse aguentar aquela noite, de algum jeito, tudo daria certo.
A fam�lia Weasley inteira apareceu e Harry sentiu seu cora��o dar pulinhos ao ver
Ginny. Ela estava maravilhosa no vestido branco que usava. Seus cabelos ruivos
estavam presos em um rabo de cavalo, fazendo seu visual ser casual e completamente
incr�vel.
O garoto falara bem breve com menina depois de ter sa�do de seu julgamento. Ambos
tinham se evitado, j� que a conversa deles na Toca ainda estava fresca em suas
mem�rias. Harry ainda estava incerto sobre o que fazer com Ginny. Ele gostava dela,
aquilo era certo, mas ser� que sua situa��o era boa o suficiente para namor�-la?
Ele n�o estava mais sendo ca�ado pela Order, nem pelos Aurores, mas Voldemort e
seus Comensais da Morte ainda estavam atr�s dele. E, desde a descoberta sobre a
sobreviv�ncia dos Longbottoms, o estavam perseguindo com mais ferocidade do que
antes. Harry ainda n�o estava convencido de que sua situa��o era boa. Ele ainda
tinha um futuro bem incerto e n�o queria que Ginny sofresse por sua causa. Por�m,
ao mesmo tempo, sentia-se cada vez mais atra�do por ela.
Molly se aproximou e ofereceu um olhar cheio de amor a Harry. Ela parecia que
queria abra��-lo, mas conseguiu se controlar.
"Como voc� est�, Harry? Sentindo-se melhor, espero." Ela disse carinhosamente.
"Err, sim. Estou bem." O garoto respondeu confuso. Ele nem conhecia direito a Sra.
Weasley. Por que ela se importaria com o seu bem-estar?
Hermione se aproximou tamb�m, assim como um monte de gente que Harry n�o
reconheceu. A Ordem inteira estava ali. O garoto viu Tonks, Moody e Kingsley vindo
em sua dire��o e rapidamente desapareceu de vista. Ele ainda n�o estava preparado
para falar com eles. Felizmente, escutou Damien dizendo que os dois deveriam
mostrar a casa para Ron e Hermione.
Harry percebeu que ainda segurava a m�o de Ginny, enquanto subiam as escadas. Ele a
soltou e se recusou a olhar para a menina. Rapidamente os amigos conseguiram ver
todos os quartos e Damien estava dando pulinhos de antecipa��o para mostar a todos
o campo de quadribol.
"A melhor parte da casa ainda est� por vir! Vamos, � por aqui." Damien disse, ao
lev�-los para o lado de fora.
"Nossa! Um campo de quadribol! Surreal. Voc� tem seu pr�prio campo de quadribol?"
Ron perguntou, sua voz oscilava a cada segundo.
"Tenho! Voc� consegue acreditar?" Damien respondeu, oscilando sua voz do mesmo
modo.
Hermione lan�ou um olhar de desist�ncia para Harry e Ginny. Seria imposs�vel manter
os dois longe de quadribol. Ela se aproximou dos garotos, enquanto os amigos
corriam para o fim do campo para procurar as vassouras que James comprara.
Harry e Ginny ficaram sozinhos por um momento, desejando saber o que dizer. O
garoto olhou para a ruiva e, depois de se repreender, falou com ela.
A menina virou-se para olhar direto para o moreno, seus olhos castanhos n�o
desviavam da face dele.
"De nada, Harry. Tudo o que eu fiz foi contar a verdade, n�o foi t�o dif�cil." Ela
disse com um brilho nos olhos. O garoto desviou o olhar, sabendo que a menina
tentava falar sobre como se sentia em rela��o a ele.
Antes que Harry pudesse dizer alguma coisa, os outros tr�s voltaram e os
adolescentes come�aram a voltar para dentro. O moreno de olhos esmeralda acabara de
entrar, quando viu algo que n�o esperava. O que por um lado fora muito imaturo de
sua parte. Com certeza, Dumbledore estaria l�. Se a ordem interia havia sido
convidada, ele tamb�m seria.
Ele olhou para o bruxo, que usava uma veste verde escuro, e percebeu que este
sorria, do outro lado do c�modo, para ele.
"Boa noite, . Espero que voc� esteja bem." Dumbledore disse educado.
"Estou bem. Acho que devemos conversar." Harry fez um gesto para que ambos fossem
at� outro c�modo, por�m Dumbledore o impediu de ir.
"Existem muitas coisas as quais dever�amos discutir. Por�m essa n�o � a noite. Seus
pais se esfor�aram muito nessa festa. Acho que seria melhor aproveitarmos a noite e
deixar a nossa conversa para um outro dia." Dito isso, Dumbledore saiu andando em
dire��o a James e Lily, deixando Harry parado onde estava.
O garoto balan�ou a cabe�a, confuso. Ningu�m podia entender aquele homem. Ele deu
apenas alguns passos, quando um grito surgiu atr�s de si.
Harry virou e viu uma crian�a de cabelos castanhos correndo da porta da frente em
dire��o a ele. O moreno sentiu seu cora��o pular de alegria, ao pegar a crian�a no
colo.
Ele n�o vira Nigel h� meses. Era incr�vel o quanto o garotinho crescera. Nigel
jogou os bra�os em volta de Harry e o abra�ou apertado.
"Lex, onde voc� estava? Mim estava procurando por voc�." O menininho disse ao
garoto.
"Eu estava bem aqui, Nigel." O moreno disse. Ele achava bonitinho o jeito como
Nigel ainda o chamava de 'Lex', quando j� podia dizer a palavra 'Alex'.
"Harry."
O garoto se virou, com Nigel ainda em seu colo, e viu as faces confusas de Damien,
Ron, Hermione e Ginny.
Ele percebeu que mesmo os quatro j� sabendo que Neville tinha um irm�o mais novo,
nenhum deles conhecia Nigel. Ao pensar em Neville, Harry virou para ver se o
enxergava, mas n�o o viu em nenhum lugar.
"Harry, voc� vai nos apresentar ou n�o?" A voz de Damien o retirou de sua busca por
Neville. Ele sorriu para Nigel e olhou o irm�o.
"Damien, Ron, Hermione, Ginny, gostaria de lhes apresentar Nigel. Nigel esse � meu
irm�o Damien e esses s�o meus amigos." Harry disse e o garotinho se escondeu do
grupo de estranhos.
"Lex, eu tenho um irm�o tamb�m." Nigel disse. Harry levantou uma sobrancelha.
Harry olhou para tr�s e viu Frank e Alice. O garoto sentiu seu est�mago revirar ao
v�-los. Ele sabia que teria que encarar os dois e a verdade sobre o que fizera, mas
n�o sabia como lidaria com esse fato.
Harry colocou Nigel no ch�o e se virou para olhar os Longbottoms. O casal n�o
parecia bravo, nem irritado. Tampouco sorriam. Sentindo-se como se estivesse
ficando com febre, o garoto se aproximou.
Nigel foi colocado no colo de Damien e levado para ver James e Lily, enquanto Harry
sa�a da sala de estar e encaminhava-se para um dos quartos de h�spedes.
O garoto fechou a porta do quarto e desejou que n�o tivesse que lidar com isso.
Vagarosamente ele virou e viu Frank e Alice parados, o encarando. Seus olhos nunca
o deixavam.
"Ok, quem quer 'atirar' primeiro?" Harry perguntou. Ele percebeu que era melhor
acabar com tudo de uma vez. O casal se olhou, sorrisos apareceram em seus rostos.
"N�o queremos 'atirar' em voc�. Apenas queremos colocar nossos sentimentos para
fora." Alice respondeu.
"Se voc�s tem algo pra dizer, ent�o digam." O garoto disse come�ando a se irritar.
"Acho que voc� nos deve uma explica��o." Frank disse baixo, com um olhar firme na
face.
"Uma explica��o? Acho que tudo o que aconteceu se explica sozinho. O que voc�s
querem que eu diga?"
"O que voc� acha de explicar o que fez voc� pensar que poderia decidir coisas sobre
a nossa vida?" Frank perguntou, ainda encarando o garoto.
Harry tentou n�o ficar chateado, ele sabia que o casal ficaria bravo com ele, mas
pensou que os dois entenderiam suas a��es.
"Eu n�o sabia o que fazer. Eu tinha apenas catorze anos e n�o fazia id�ia de como
lidar com a situa��o. Eu fiz o melhor que pude. N�o estou arrependido do que fiz.
Era o �nico modo de proteger voc�s e a mim mesmo. Se tivesse que fazer tudo de
novo, faria." Disse o moreno.
"Harry, ningu�m te culpa pelo o que voc� fez para nos salvar. Voc� est� certo. N�o
havia outra maneira de nos manter longe de Voc�-Sabe-Quem. Mas, por que voc� n�o
devolveu as nossas mem�rias quando o deixou? Voc� deveria ter feito isso."
O garoto n�o podia explicar porqu� tinha escondido a mem�ria deles. N�o conseguia
explicar que tinha feito para salv�-los, para manter Nigel a salvo. Ele n�o achava
que os dois acreditariam.
"Olha, isso n�o importa agora. Tem um monte de coisas que eu devia ter feito. N�o
h� mais uma raz�o para eu ficar explicando tudo." Harry disse irritado. Por que
eles o faziam se sentir est�pido? Ele tinha tido todo o trabalho de ajud�-los e de
mant�-los a salvo e os dois apenas come�aram a culp�-lo por n�o devolver a mem�ria
deles.
"Acho que voc�s deixaram seus sentimentos bem claros. Eu sei que voc�s s�o amigos
dos meus pais e entendo como se sentem em rela��o a mim. Portanto, eu ficarei longe
de voc�s, assim voc�s n�o se sentir�o desconfort�veis na minha presen�a."
Harry se virou para ir embora, mas foi parado quando uma m�o caiu sobre seu ombro.
Ele voltou a virar e olhou para Alice, que o observava com um pequeno sorriso.
"Sabe, Harry� quando Dumbledore devolveu as nossas mem�rias, n�s ficamos bravos com
voc�. Tinh�mos perdido tr�s anos de nossas vidas. Deixamos nosso filho sozinho no
meio de uma guerra terr�vel. N�o pod�amos t�-lo odiado mais."
O garoto virou o rosto, pensando em quando mais podia aguentar antes de explodir.
"Mas, olhamos para Nigel e percebemos que qualquer que fosse o m�todo que voc�
usou, ou o que quer que seja que tenha feito, voc� fez para salvar vida dele. N�o
conseguimos mais ficar zangados. Lembramos de um jovem rapaz chamado 'Alex' que nos
ajudou e vinha sempre nos ver para se assegurar de que est�vamos bem. Voc� n�o
precisava fazer isso. Voc� poderia ter devolvido as nossas mem�rias e nos deixado
ali, nas ruas trouxas, para nos virarmos. Mas voc� n�o fez isso. Voc� nos colocou
ao lado de John, nos deu um modo de contat�-lo e participava das lutas, apenas para
conseguir dinheiro para nos deixar viver confort�vel. Como poder�amos ficar bravos
depois disso?"
Alice tinha l�grimas brilhando em seus olhos. Ela segurou a m�o de Harry e a
apertou, fazendo-o olhar para cima.
"Eu quero que Harry tenha uma rela��o com Frank e Alice, assim como Alex tinha com
John e Fiona. Acha que pode fazer isso acontecer?"
Harry sentiu seu cora��o doer ao ouvir essas palavras. Ele sentira muita falta de
John e Fiona e n�o p�de fazer outra coisa a n�o ser assentir.
"�timo, agora acho que devemos voltar para a festa antes que seu pai saia
procurando por voc� como um louco." Frank riu e deu tapinhas nas costas do garoto.
Harry percebeu que o casal o fez pensar, de pr�posito, que estavam bravos com ele,
apenas para pun�-lo. O garoto estava muito cansado para discutir com os dois e
apenas jogou isso para o fundo de sua mente. Ele abriu a boca para perguntar por
Neville e sobre como se sentia, mas decidiu-se contra. O menino nem mesmo estava
ali, o que j� era o suficiente para sugerir que n�o queria nada em rela��o aos
Potters. Harry pouco se importava.
Os tr�s voltaram para a festa, Frank e Alice foram em dire��o a seus amigos, assim
como Harry.
Eles n�o podiam parar de se meter na vida dos outros? Depois de um tempo, aquilo j�
estava ficando insuport�vel. Harry precisou sair para tomar um ar e rapidamente
impediu que os outros viessem tamb�m, explicando que precisava de um tempo sozinho.
O garoto saiu da casa e sentou-se nos degraus de entrada. Havia sido uma noite
cansativa. Sua conversa com Frank e Alice o deixou exausto. Ele queria nada mais do
que desaparecer em sua cama.
Harry come�ou a massagear a cabe�a, querendo que a dor fosse embora. Era uma dor de
tens�o e ele sabia que apenas passaria ap�s uma boa noite de sono. O moreno se
levantou e tinha o intuito de fugir para o seu quarto. J� estava cheio daquele
festa.
Harry sabia quem era antes de virar e quando o fez, encarou a face Neville, que
estava parado h� alguns passos de dist�ncia.
"Neville." Disse como cumprimento. Ele realmente n�o queria ser incomodado naquela
noite.
"E a�, aproveitando sua nova vida, Potter?" Perguntou. Harry sentiu uma ponta de
irrita��o.
"O que voc� tem?" O moreno de olhos verdes perguntou, tentando se controlar.
"Eu apenas acho surpreendente como algu�m que destruiu tantas vidas pode viver a
dele sem nenhum remorso." Neville respondeu e deu mais um passo a frente.
"Eu n�o tenho tempo ou paci�ncia para lidar com voc�, Longbottom. V� embora." O
garoto disse e deu as costas para o outro.
"Tempo? N�o se atreva a falar sobre tempo comigo, Potter. Voc� tirou tr�s anos da
minha vida junto � minha fam�lia. O que tem a dizer sobre isso?" Neville cuspiu as
palavras.
"Nada. Eu n�o me importo como o que voc� perdeu. Voc� teria perdido muito mais se
n�o fosse por mim, ent�o cale a boca!" Harry gritou de volta. Ele n�o queria dizer
aquilo, odiava ter que mostar que tinha feito algum favor, mas Neville o estava
pressionando.
"Ent�o voc� acha que s� porque n�o os matou merece algum tipo de pr�mio? Voc� �
pat�tico! Voc� ainda assim os tirou de mim! Eu nem sabia que tinha um irm�o! Voc�
sabe o que � sentir isso? Perceber que os �ltimos tr�s anos da sua vida foram uma
mentira? Saber que voc� tinha um irm�o e nem mesmo ter estado l� quando ele foi
trazido ao mundo? Voc� n�o tem id�ia da dor que me causou."
Harry ficou parado com a m�o na porta. Seus olhos esmeralda brilhavam com m�goa.
Parecia que seu cora��o tinha sido arrancado.
"Voc� est� certo, Neville. Eu n�o sei como isso deve ser. Viver sua vida e depois
perceber que foi uma mentira. Saber que voc� tem um irm�o e que n�o cresceu com
ele. Saber que foi usado repetidamente e nem mesmo ter se dado conta. De ter sido
machucado como voc� foi. O que eu sei sobre perder a fam�lia?"
Harry parou de falar e viu a express�o confusa do outro. Ele percebeu que ningu�m
sabia como tinha sido sua vida antes. Ningu�m sabia que Voldemort mentira para ele
e que o criou para detestar James e Lily. Por�m, nesse momento, ele n�o se
importava. Neville n�o podia culp�-lo por algo como aquilo. Ele n�o era como
Voldemort e n�o tinha ferido ningu�m como o homem fizera. Harry se recusava a
acreditar naquilo.
"Ao menos voc� conseguiu se reecontrar com a sua fam�lia depois de tr�s anos. Tente
quinze! Ao menos voc� cresceu tendo o amor de seus pais. Voc� n�o era assombrado
por eles!" O garoto queria parar de falar, mas era como se algo dentro dele
quisesse se livrar de tudo o que estava preso.
"Humph! Se voc� tivesse feito do seu jeito eu nunca mais teria visto meus pais.
Voc� nem mesmo falou sobre eles quando estava enfrentando julgamento! Se eu os
consegui de volta, n�o foi gra�as a voc�!" Neville gritou furioso.
Para Harry j� era o suficiente. Se ele n�o fosse embora, acabaria quebrando o
pesco�o do menino. Por�m, antes que pudesse se mover, Neville se aproximou e parou
em frente a porta, bloqueando a passagem.
"N�o � sua culpa, �? Voc� foi criado para fazer essas coisas. Atrapalhar a vida dos
outros, torturar quantos puder. Voc� sente um prazer doentio ao fazer as outras
pessoas sofrerem, n�o �?" Neville estava t�o perdido em sua ira, que nem mesmo
percebia o que falava.
"Eu n�o deveria estar surpreso que voc� tentou esconder meus pais. Voc�
provavelmente ficava extremamente satisfeito sabendo que eles eram seus
prisioneiros, enquanto o mundo m�gico sofria com a morte deles."
"Cala a boca, Longbottom!" Harry gritou, tentando, ao m�ximo, n�o bater em Neville,
que continou falando.
"Eu n�o acredito por um segundo no que Dumbledore disse no julgamento. Voc� n�o �
um bruxo normal. Voc� n�o tentou destruir Voldemort! Voc� n�o � o garoto inocente
que estava preso por ele. Ningu�m � t�o est�pido para n�o ver que est� sendo usado.
Voc� queria ser usado por Voldemort. Por isso ficou ao lado dele por tanto tempo.
Se voc� odiava matar e torturar as pessoas, ent�o porque fez isso por tanto tempo?
Voc� apreciou matar os outros e gostou de torturar meus pais e teria ferido Nigel
tamb�m se..."
Neville parou de falar, quando a m�o de Harry o agarrou pelo pesco�o. Ele tentou
pegar sua varinha, mas seu bra�o tamb�m foi rendido, deixando-o sem defesa. O
menino ficou surpreso na for�a do aperto e buscava ar, enquanto o outro o puxava
para mais perto.
A ira brilhava nos olhos de Harry e Neville tinha certeza de que seria morto.
"Apenas porque eu poupei sua vida pat�tica uma vez, n�o quer dizer que eu sempre
vou me privar de quebrar seu pesco�o! Voc� n�o sabe porra nenhuma sobre mim! Cale a
sua boca e eu n�o vou ter que ter o problema de fazer isso por voc�!" Harry
sibilou.
Neville gemeu de dor, quando o aperto do outro acabou quebrando seu pulso. Ele
estava balbuciando e come�ara a ficar azul. Harry o soltou com tanta for�a, que o
menino fora parar no ch�o, respirando fundo atr�s de ar.
Harry se afastou e foi correndo para dentro de casa. Assim que entrou viu sua m�e e
Alice indo em dire��o � porta. Ela parou para olh�-lo.
"Harry." Lily come�ou, mas parou de falar quando Alice soltou um 'oh'. A mulher
vira Neville tentando se levantar com dificuldade e segurando seu pulso com
delicadeza.
O moreno de olhos verdes as ignorou e correu para seu quarto. Ele sabia que mais
alguns momentos com Neville e o teria matado. Sentindo raiva e ira pulsando por seu
corpo, o garoto tirou suas roupas de festa e colou suas vestes normais. Harry
precisava sair de l�, apenas por algumas horas, para se acalmar, antes que algu�m
fosse falar com ele.
Com esse pensamento na cabe�a, o moreno abriu a janela e pulou para o lado de fora.
Ele j� tinha ido embora, quando James correu at� o quarto para descorbrir o que
acontecera entre seu filho e Neville.
O homem ficou parado dentro do c�modo vazio. Seu cora��o batia acelerado ao pensar
em Harry desaparecendo novamente.
xXx
Cap�tulo Sessenta: O que o futuro reserva?
James saiu correndo em dire��o ao andar inferior, o tempo todo tentando ficar
calmo. Ele sabia que Harry era mais do que capaz de cuidar de si, mas isso n�o o
impedia de pensar nas coisas horr�veis que os Comensais da Morte poderiam fazer com
o garoto.
Ele correu at� a cozinha e encontrou Lily, Sirius e Remus. Os tr�s estavam em p�,
muito juntos e aparentemente bem chateados. Dumbledore, Arthur, Molly e Tonks
tamb�m estavam ali, h� alguns passos de dist�ncia.
"Ele n�o est� no quarto. N�o consigo ach�-lo em lugar nenhum. Ele saiu da Mans�o!"
James disse em p�nico.
"Certo, n�o vamos entrar em p�nico. O garoto consegue se virar sozinho. Sabemos
disso!" Moody disse com sua voz rouca. "Temos que nos separar e procurar por ele.
N�o deve ter ido muito longe. At� mesmo ele sabe que n�o � seguro."
James mordia seus l�bios preocupado. Seu filho n�o era uma pessoa que pensava de
modo racional, quando nervoso. Ele continuou se culpando por n�o ter dito ao garoto
que deveria ficar o tempo inteiro na Mans�o Potter. N�o que isso fosse impedir
Harry.
Damien rapidamente pegou seu celular e tentou ligar para o irm�o, mas o telefone
deste aperentemente estava desligado. Lily lan�ou um olhar questionador para o
aparelho, mas n�o disse nada. Ela n�o sabia se conseguiria aguentar mais estresse.
Eles procuraram Harry por toda a Mans�o e ligaram para ele repetidas vezes, mas
ningu�m respondia. Lily e Damien voltaram para dentro de casa e sentaram-se na sala
de estar. O menino continuou tentando achar o irm�o pelo celular, mas n�o estava
tendo sorte.
"Vamos l�, Harry! Atenda a porcaria do telefone." Damien disse frustratdo, enquanto
teclava o n�mero e segurava a respira��o devido � sua ansiosidade. Por�m, Harry n�o
atendia e a mesma mensagem era rodada todas as vezes, de que o telefone deveria
estar desligado e para que ele tentasse mais tarde.
M�e e filho recusavam-se a ir para cama. Estava exaustos por causa daquela noite
turbulenta, mas n�o conseguiam dormir sem saber o paradeiro de Harry. Ambos ficaram
sentados � mesa, perdidos em seus pensamentos.
Lily estava quase perguntando se tinham encontrado Harry. Por�m, era �bvio que n�o.
Os dois entraram na Mans�o sem o garoto e tinham linhas de preocupa��o na face.
"N�s olhamos em todos os lugares. O resto ainda est� procurando por Harry. Precisei
trazer James para casa, para descansar. N�o foi f�cil." Sirius disse olhando o
amigo.
James parecia perdido. Ele sentou com a cabe�a baixa, sem saber o que falar. Nem
mesmo conseguia olhar a esposa nos olhos e continuou pensando no que faria se
perdesse o filho. Como ele encararia Lily novamente? Como manteria Damien a salvo
se falhara em proteger Harry?
Sirius estava conversando com Lily e Damien, enquanto James ficava sentado em
sil�ncio. Ele nem mesmo prestava aten��o nas palavras que eram ditas e pensava, com
raiva, no que poderia ter acontecido entre Harry e Neville, resultando nessa rea��o
violenta do filho.
De qualquer forma, Harry deveria ter pensado mais antes de sair da Mans�o durtante
a noite, sem dizer a ningu�m. Era como se ele estivesse chamando a aten��o dos
problemas.
James foi o primeiro a escancarar a porta e sair trope�ando pelo corredor. Ele
sentiu um al�vio imenso ao ver Harry parado. O garoto parou de andar assim que viu
as pessoas saindo apressadas da sala. Ele os olhou curioso, pensando no que Damien
estava fazendo acordado �quela hora.
James sentiu seus joelhos dobrarem de tanto al�vio ao ver o filho ali, parado,
completamente intacto, mas com um estranho olhar na face.
O garoto parecia cansado, por�m, mesmo assim, havia um resqu�cio de raiva naqueles
orbes verdes. Imediatamente o Auror sentiu seu alivio se transformar em ira. Como
Harry p�de sair daquele jeito? Ele n�o percebera o quanto deixaria todo mundo
preocupado?
O garoto virou o rosto para todos e encaminhou-se para as escadas, com o intuito de
ir para o quarto. Ele n�o estava com humor para falar com eles.
"Saiu? Isso � tudo o que voc� tem para dizer? Voc� saiu? N�o achou que era
necess�rio falar para algu�m, antes de sair desse jeito?" O homem perguntou, quando
seu temperamento tomou controle.
"Prongs, n�o! Ele est� a salvo e em casa. Voc� deveria estar agradecido."
Sussurrou.
James n�o disse nada, mas balan�ou o bra�o para se livrar do amigo.
"Por que voc� n�o disse nada antes de sair?" O menino perguntou.
"Porque todo mundo estava distra�do com a festa, ent�o achei que ningu�m perceberia
que n�o estava aqui." Harry respondeu sem emo��o.
"Claro que perceber�amos! N�o fa�a parecer que est�vamos ignorando voc�, Harry,
porque voc� sabe que n�o � verdade." Lily disse, quando tamb�m se aproximou do
garoto.
Harry n�o respondeu e virou para subir. Ele estava muio cansado para lidar com
algu�m.
"N�o, n�o podemos. Voc� tem que explicar ao menos porque machucou Neville." A
mulher disse.
O moreno n�o disse nada, mas seus olhos verdes brilharam perigosamente. Ele desviou
o olhar e tentou se acalmar.
Para Harry aquilo j� era o suficiente. Ele estava com frio, cansado e cheio de tudo
o que acontecera.
"Talvez voc� deva perguntar a ele o que aconteceu! Eu tenho certeza de que ele vai
repetir toda aquele besteirol! Mas n�o grite comigo! N�o foi minha culpa que essa
noite virou um desastre!" O garoto gritou de volta.
James se aproximou e ficou entre o filho e a esposa. Ele conseguia ver que a
situa��o estava se descontrolando. Lily tinha o pior temperamento de todos ali e
Harry iria se arrepender de t�-la irritado.
"Harry, eu n�o me importo que voc� tenha machucado Neville. N�o h� nada que possa
ter acontecido, que justificaria esse tipo de comportamento. E para piorar as
coisas, voc� saiu correndo sem pensar nas consequ�ncias. Voc� sabe o que passou por
nossas mentes nessas �ltimas seis horas? Todos os pensamentos horrorosos que
passaram por elas? Voc� sabia que metade da Ordem ainda est� por a� procurando por
voc�?" James disse a ele.
"Eu posso cuidar de mim mesmo! N�o preciso que sua Ordem fa�a algo por mim! Al�m do
mais, voc�s nem mesmo me procuraram quando deveriam, por que se preocupar com isso
agora?" Harry cuspiu as palavras, seus olhos queimavam de raiva.
Estava aparente que o garoto responsabiliazava seus pais por n�o o terem procurado,
quando fora sequestrado por Voldemort. James tentou segurar a raiva e a m�goa que
sentiu ao ouvir o filho falando aquilo.
"N�o jogue isso na minha cara, Harry! N�s j� explicamos o que aconteceu quando voc�
foi levado h� anos atr�s. Ningu�m fazia id�ia de que voc� tinha sobrevivido.
Ter�amos colocado esse mundo ao ch�o procurando por voc� se soubessemos que voc�
ainda estava vivo!" James disse, enquanto tentava controlar o tremor de suas m�os.
Harry desviou o olhar e encarou, com raiva, o ch�o. Antes que James pudesse dizer
mais alguma coisa, Sirius se imp�s.
"Prongs, companheiro. Acho que todos n�s j� tivemos o suficiente. Harry est� em
casa agora e est� a salvo. Vou contar � Ordem que ele voltou Voc�s deveriam todos
dar um tempo." O Auror disse, enquanto se aproximava da porta.
Sirius ficou parado com a m�o na porta, encanrando o garoto de boca aberta. At�
mesmo James e Lily olhavam o filho em choque.
"Ent�o, todo esse tempo em que est�vamos loucos atr�s de voc�, voc� estava no seu
quital?" Ele perguntou.
"Oh, certo. Da pr�xima vez teremos um lugar para come�ar a te procurar." Sirius
disse e olhou para o amigo, que desviou o olhar. James soube naquele instante que
instalar os feiti�os de privacidade foram uma m� id�ia.
"Mas, Harry, eu e a m�e chamamos por voc�. Voc� n�o nos ouviu?" Damien perguntou,
enquanto se recuperava do choque de saber onde o irm�o estava.
"Ouvi. Mas n�o estava com humor para falar com algu�m." Disse.
"E ainda n�o estou com humor, ent�o se voc�s j� terminaram de girtar comigo, eu vou
dormir." Harry disse para os pais e os deixou parados na escada.
James e Lily decidiram n�o ir atr�s do filho. Ele resolveriam tudo pela manh�.
Ambos tamb�m foram se deitar, sentindo como se tivessem feito o maior erro ao terem
dado aquela festa. Harry, obviamente n�o estava pronto para encontrar os amigos da
fam�lia.
O casal sabia que o garoto crescera isolado. Voldemort apenas deixara dois de seus
comensais chegarem perto dele. Lucius e Bella. A �nica crian�a com quem Harry
conversava era Draco Malfoy. Por esse motivo, James e Lily quiseram dar a festa e
convidar uma grande quantidade de amigos. Queriam mostrar ao filho que ele n�o
seria restringido a conversar com as pessoas.
Entretanto, n�o perceberam que fariam o garoto ficar t�o assustado. Ambos decidiram
n�o perguntar sobre Neville. Obviamente alguma coisa, que o deixou chateado,
acontecera, portanto resolveram n�o pression�-lo a se explicar, enquanto n�o se
acalmasse.
A coisa com a qual James estava mais preocupado era o jeito que Harry reagiu ao
saber que a Ordem procurava por ele.
O homem sabia que seu filho os culpava por n�o o terem procurado, quando era um
beb�. Seus pais eram a raz�o pela qual ele crescera com Voldemort. At� mesmo James
se culpava por n�o ter ido atr�s do garoto e decidira ter uma conversa muito s�ria,
sobre isso, com ele pela manh�.
xXx
Depois, naquela mesma noite, Damien entrou escondido no quarto de Harry. O moreno
de olhos verdes estava acordado e se acalmou depois de conversar com o irm�o.
Ele contou a Damien tudo o que acontecera com Neville. O mais novo ficou sem
palavras, quando o irm�o terminou de falar.
"Aquele est�pido! N�o posso acreditar que ele falou isso para voc�. Vou chutar a
bunda dele quando o ver de novo!" Ele disse ao irm�o.
"�, isso vai ensin�-lo, Damy." O garoto disse, fazendo o menino soc�-lo em defesa.
"Quero que voc� saiba que eu tenho capacidade para dar um ou dois socos. N�o sou
t�o bom quanto voc�." Damien disse para Harry, que ria. Mas ficou em sil�ncio,
enquanto pensava em algo.
"Harry, queria te perguntar isso faz um tempo. Eu seu que voc� odeia ensinar os
outros e tudo mais, mas estava pensando... Voc� podia me ensinar como lutar?"
Perguntou esperan�oso.
"Voc� j� sabe lutar." Harry brincou, enquanto massageava o est�mago, onde Damien o
socara.
"Estou falando s�rio! Quero saber lutar como voc�. Sabe do jeito trouxa. Acho que �
super legal."
"N�o sei, Damy. Quero dizer, essa � a �nica coisa que me faz ser especial. Se eu
ensin�-la a voc�, voc� ficar� no mesmo n�vel que eu. N�o acho que quero isso."
Disse o garoto.
"�, voc� tem que ter alguma coisa especial. N�o vai conseguir chegar muito longe na
sua vida apenas com a beleza. Acho que voc� precisa desse estilo trouxa de lutar."
Damien riu, quando Harry lan�ou um livro em sua dire��o. O objeto acertou a cabe�a
do mais novo e os dois come�aram a rir sem parar.
"Vamos l�, Harry. S�rio, voc� me ensina? Voc� tem aquela fant�stica sala de
treinamento. Acho que � justo que voc� a divida comigo, j� que eu deixo voc� jogar
no meu campo de quadribol."
"Eu sei que � meu. N�o preciso que ningu�m me conte. Ent�o, o que voc� acha? Voc�
me ensina?" Damien perguntou de novo.
Harry n�o conseguia pensar em nenhuma raz�o para dizer n�o. Ent�o, disse ao irm�o
que o ensinaria, se ele o deixasse em paz para dormir. Damien aceitou e rapidamente
saiu do quarto.
Harry virou para o outro lado e tentou fazer seu corpo e sua mente relaxarem. Ele
conseguira esquecer de Neville e de suas palavras r�spidas e n�o p�de pensar em
como estaria perdido sem seu irm�o orgulhoso, inconveniente e mimado. O garoto
sorriu e se rendeu ao seu t�o necess�rio sono.
xXx
Harry ficou quieto no caf� da manh� seguinte. Ele conseguia sentir a tens�o que
pairava no ar, enquanto sentava com sua m�e e seu pai. Ele sabia que os dois ainda
estavam bravos com ele em rela��o a noite passada.
O garoto estava determinado a n�o trazer o assunto � tona. Seus pais conversavama
com ele, mas havia um estranhamento que deixava o adolescente extremamente
irritadi�o.
Finalmente, seu pai resolveu falar sobre o assunto, quando sa�ram da mesa.
"Quer�amos ter uma conversinha sobre ontem com voc�." Disse cansado.
Harry seguiu os pais at� a sala de estar. Damien os observou sem jeito, antes de
anunciar que estava indo para seu quarto at� que toda aquela 'loucura' tivesse fim.
E saiu rapidamente antes que algu�m o impedisse.
Ele sabia que os dois estariam bravos devido ao que acontecera com Neville. Devia
ter sido desconcertante explicar o ocorrido durante a festa. Por�m, por mais que
ele quisesse, n�o conseguia se importar. Eles deviam ter pensado nisso quando
organizaram o evento. N�o tinham nem mesmo discutido sobre isso com ele.
"...queria dizer que sinto muito por gritar com voc�. Fiquei t�o preocupada que n�o
estava emocionalmente est�vel. Mas Harry, voc� deveria entender o que estava
acontecendo tamb�m. Voc� n�o sabe sobre o que passamos quando descobrimos que voc�
tinha... desaparecido." Lily disse com um olhar assutado.
Imediatamente, o garoto sentiu-se culpado por t�-la chateado. Ele n�o queria que
ela lembrasse da noite, h� dezesseis anos atr�s, em que foi levado por Wormtail.
Harry olhou para as m�os tr�mulas de sua m�e e sentiu sua raiva dissipar.
"Eu n�o queria que voc� ficasse chateada. Apenas queria sair por um tempo. Eu sou
assim. Quando fico magoado ou nervoso, preciso ir para um lugar aberto. � o �nico
jeito de me acalmar." O garoto explicou.
"O que est� feito, est� feito. Eu n�o vou perguntar o que aconteceu entre voc� e
Neville, j� que sei que voc� n�o vai falar sobre isso. Apenas quero que voc�
entenda que seu comportamento n�o foi aceit�vel." James disse, odiando o qu�o
severo soava.
"Voc� n�o tem que falar comigo como se eu tivesse cinco anos! Sei exatamente como
meu comportamento deveria ser. Voc� n�o precisa me falar."
James parecia que iria retrucar, mas, ao iv�s disso, sentou no sof� e resignou-se.
"Eu sei que voc� n�o � uma crian�a. Mas tenho que dizer coisas como essa,
especialmente depois que voc� feriu um de nossos convidados. Mas n�o quero discutir
isso agora. O que estou mais preocupado � com a sua seguran�a." James observou o
filho, que tentava n�o fazer careta.
"Harry, eu tenho no��o que voc� pode se cuidar, mas saiba, como eu sei, que �
perigoso sair da Mans�o. Eu n�o preciso te dizer o que pode acontecer." O homem
disse, vendo que Harry ficava mais e mais emocional.
James suspirou profundamente. As coisas n�o estavam saindo como planejado. Seu
filho estava ficando agitado.
"Harry, eu n�o estou brigando com voc�. N�o quero que voc� fique chateado comigo.
Sei, assim como voc�, que se as coisas fossem do meu jeito n�o teria nenhuma
restri��o. Mas as coisas n�o est�o sob o meu controle."
"Eu sei." Replicou baixinho. "� que� parece um grande insulto a mim, quando eu
penso quem est� me ca�ando. Afinal, eu cresci entre eles. Parece realmente...
estranho, quase doloroso." Harry terminou sem jeito.
Lily olhou para James horrorizada. Eles n�o tinham pensando na situa��o daquele
jeito. N�o tinham entendido direito como Harry estava lidando com o fato de
Voldemort e seus Comensais estarem atr�s dele. Os dois estavam pensando muito em
seus pr�prios problemas.
"Eu sei que � dif�cil lidar com isso, mas com o tempo vai melhorar. At� que as
coisas se acalmem um pouco, acho melhor que voc� n�o saia sozinho." James disse
reconfortante.
Harry n�o reagiu imediatamente. Ele levantou a cabe�a devagar, para encarar o pai.
"Eu sei que voc� est� com medo e entendo isso. Mas eu n�o vou me esconder como um
rato medroso. Eu posso me cuidar e voc� sabe disso. Eu n�o vou ser feito de
prisioneiro dentro da minha pr�pria casa." Contestou o garoto.
James e Lily ficaram com olhares de derrota na face. Eles sabiam que Harry reagiria
assim.
"Se voc� quiser sair, tudo bem. N�o estou dizendo que voc� deve ficar aqui dentro o
tempo todo. Tudo o que digo � que voc� deveria levar algu�m junto. Assim n�o ficar�
sozinho. Isso � tudo o que eu estou dizendo." James respondeu, esperando que o
garoto concordasse.
"Voc� quer que eu saia com guarda-costas! Voc� tem certeza de que isso ajudaria se
eu fosse atacado? Merlin, seus guarda-costas provavelmente ficariam no meu caminho
e causariam mais problemas."
"Olha, eu n�o vou discutir isso com voc�s. N�o sou uma crian�a, por isso n�o me
tratem como uma. Eu estive arriscando minha vida desde os catorze anos de idade.
Todas as vezes que sa� em uma miss�o estava enfrentando perigo. Eu sei me cuidar.
Ent�o, esquece isso, ok?"
Depois de falar, Harry levantou e saiu do c�modo, deixando James e Lily ainda mais
preocupados com a sua seguran�a.
xXx
Harry n�o estava preparado para ouvir mais li��es de moral sobre sua seguran�a.
Sendo assim, James e Lily n�o tiveram outra op��o a n�o ser deix�-lo em paz.
O moreno de olhos esmeralda passou os dois dias seguintes com Damien, que estava
aprendendo a se defender. As coisas estavam ficando melhores gradualmente. Harry
aparentemente estava de bom humor, enquanto ensinava o irm�o. Por�m, isso mudou
quando foi chamado para falar com Dumbledore. O bruxo aparecera, por vontade
pr�pria, e pedira para ter uma pequena conversa com o garoto.
Harry tinha uma boa id�ia do que Dumbledore queria dizer. Ele fora deixado em paz
por algumas semanas e, provavelmente, o homem resolvera que agora era a melhor hora
para conversarem sobre a possibilidade de Harry ajud�-los a derrotar Voldemort.
Harry estava parado h� alguns passos de dist�ncia. Ele se recusara a sentar ao lado
do homem para deixar bem claro que n�o queria passar mais tempo que o necess�rio em
sua companhia. James e Lily estavam ao lado de Dumbledore e ficaram calados durante
toda a conversa.
"E por que voc� acha que eu iria querer oferecer minha ajuda?" Harry perguntou o
mais calmo que p�de.
"Eu quero que voc� entenda uma coisa, Dumbledore. Eu sei que nunca teria ficado
livre do Minist�rio se n�o fosse por voc�. E entendo que agora tenho um d�bito
vital com voc�. Voc� me salvou mesmo depois de tudo o que aconteceu em Hogwarts.
N�o pense que sou ingrato, porque n�o sou." O garoto viu um pequeno sorriso formar
nos l�bios do Diretor, ao ouvir as palavras.
"Mas isso n�o significa que eu vou fazer tudo o que voc� me pedir. N�o significa
que eu vou ajudar voc� ou a sua Ordem ou o Minist�rio a caprturar algu�m. N�o
funciona desse jeito." Harry se aproximou de Dumbledore, que estava sentado.
"Eu n�o serei usado como um pe�o, Dumbledore. Eu me recusei a ser usado por
Voldemort e n�o serei usado por voc� tamb�m. Acho que em rela��o a guerra, eu j�
fiz a minha parte. As Horcruxes est�o destru�das. Se voc� quer Voldemort, ent�o
voc� pode ir atr�s dele voc� mesmo. Me deixe fora disso!"
"Eu te deixarei fora disso, Harry, se � o que voc� realmente deseja. Mas n�o
acredito que Voldemort te deixar� fora da guerra. Como voc� vai lidar com isso?" O
bruxo n�o queria assustar o garoto, mas era importante que ele percebesse que j�
era parte da guerra, querendo ou n�o.
"N�o acho que isso � da sua conta. Vou lidar com a situa��o eu mesmo. Ficarei fora
do caminho dele." Harry disse sem dar aten��o.
"Meu garoto, se fosse f�cil desse jeito. Eu sei que voc� n�o acredita em mim, mas
tenho que te dizer mesmo assim. Voc� sabe sobe a profecia, certo?" Quando
Dumbledore disse isso, Harry percebeu que James e Lily ficaram p�lidos.
O moreno assentiu.
"Eu sei e tamb�m sei o que voc� pensa. Acha que eu sou o menino da profecia. Por�m,
acho que vou ficar do lado do Ministro nesse ponto. Provavelmente a �nica coisa em
que Fudge e eu concordaremos. A Profecia � besteira!" Harry disse antes que algu�m
pudesse interromper.
"Harry, eu sei que coisas como profecias s�o d�ficeis de acreditar e n�o h� nada
que eu possa fazer para te convencer. Tudo o que posso afirmar � que a Profecia diz
que se voc� n�o matar Voldemort, ele ir� mat�-lo. De um jeito ou de outro."
Dumbledore terminou triste.
James e Lily olharam para o filho, esperando uma rea��o. Eles sabiam que Dumbledore
estava dando indiretas. Se Voldemort n�o o matasse diretamente, a dor em sua
cicatriz o mataria.
Os dois estavam esperando que Harry explodisse e come�asse a gritar com o Diretor,
ou que apenas sa�sse andando indo em dire��o ao quarto. Por�m, ficaram chocados ao
ver um sorriso aparecer nos l�bios do garoto, enquanto ele olhava para o bruxo.
Os tr�s encararam Harry, chocados. Eles n�o sabiam que o garoto tinha consci�ncia
da possibilidade de sua cicatriz lev�-lo a morte. Os adultos n�o responderam e
apenas o encararam de olhos arregalados.
"Eu ouvi aquele dia na infermaria, quando voc� comentou com a minha m�e e com o meu
pai. Eu tenho uma �tima audi��o." O garoto zombou.
"Como� como voc� pode estar t�o calmo em rela��o a isso?" Lily perguntou com medo.
"Porque, m�e, eu n�o acredito. N�o acreditava antes e n�o vou acreditar agora.
'Nenhum pode viver, enquanto o outro sobreviver' � isso que foi dito, n�o �? Bem,
eu e Voldemort sobrevivemos juntos por quase dezessete anos! N�o vejo essa profecia
como nada mais do que tolices." Harry replicou.
"Ent�o como voc� explica Voldemort acreditar nela? Ele acreditava tanto que tentou
te matar quando beb�. Se acredita, ent�o voc� n�o acha que deve ter algo de
verdadeiro nisso tudo?" Dumbledore perguntou.
"N�o interessa se ele acredita. O ponto � que eu n�o." Dito isso, Harry virou para
sair do c�modo. Dumbldore o chamou para tentar fazer com que ele entendesse a
gravidade da situa��o.
"Nem se inc�mode em tentar me convencer. Isso nunca vai acontecer. Eu n�o sou seu
salvador, Dumbledore. N�o importa o que voc� diga ao Wizegamot, eu n�o sou a pessoa
que vai lutar e trazer o fim do Lorde das Trevas. N�o importa o que aconte�a, eu
nunca irei levantar minha varinha contra Voldemort."
xXx
James e Lily n�o falaram mais sobre o assunto da profecia. Eles sabiam que n�o
conseguiriam nada a n�o ser fazer com que Harry discutisse com eles.
Por dentro James estava feliz pelo filho ter recusado se unir a Dumbledore. Ele
sempre sentiu que o garoto deveria ficar o mais longe poss�vel da guerra e de
Voldemort. Se tivesse a chance de ter criado Harry, ele o teria deixado bem
afastado da Ordem. Igual ao jeito que criara Damien.
Para James, se algu�m merecia ficar longe de tudo isso era Harry.
O homem estava sentado com Remus, Sirius e Lily na sala de estar, afundado em uma
discuss�o sobre algo bem divertido: A aproxim��o do anivers�rio de dezessete anos
de Harry.
"Ok, ent�o qual vai ser o tema?" Sirius perguntou, enquanto todos discutiam
diferentes op��es.
"Podemos resolver isso depois, ainda temos que terminar a lista de convidados."
Lily disse com uma voz aturdida.
"Bem, vamos mant�-la m�nima. N�o queremos nenhuma casualidade novamente." Sirius
brincou.
"Acho que devemos decidir o local primeiro." Remus disse e segurou um pequeno livro
listando os melhores locais.
"Qualquer lugar vai ser bom se eles fizerem o buffet tamb�m. A comida � a coisa
mais importante." Sirius adicionou.
"Voc� consegue pensar em outra coisa que n�o seja comida?" Lily o repreendeu.
"Pessoal, temos uma situa��o! Hogsmead est� sob ataque." Disse r�pido.
"Acabamos de receber uma liga��o de socorro! Eu vim busc�-los. Temos que ir agora."
Os quatro Aurores sa�ram apressados, deixando Lily sozinha e rezando para que todos
ficassem bem.
Quando James e os outros chegaram at� o local, tudo estava um desastre. Havia fogo
por todos os lugares e as pessoas de Hogsmead corriam para seus lares seguros.
Lojas, restaurantes e v�rios pr�dios estavam acesos e os Comensais da Morte
torturavam e matavam pessoas inocentes, enquanto elas corriam para fora dos pr�dios
que queimavam.
O Auror estava ocupado duelando ferozmente e n�o percebeu para onde ia. Ele
derrotou dois Comensais e virou em uma esquina, com o intuito de duelar mais, mas
parou intant�neamente de andar.
A sua frente havia uma plataforma conjurada. Ela estava erguida e ao menos vinte
escadas o levavam para cima. No topo dessa platafroma havia um t�mulo feito de
m�more negro. Ele brilhava embaixo da lua e fazia seus ossos gelarem apenas ao
olh�-lo.
Por�m, aquela vis�o n�o foi o que fez James dar uma passo para tr�s com medo. O que
fez isso, foi a l�pide negra com uma escrita em prata que o homem conseguia ler a
dist�ncia. As palavras pareciam queimar em sua mente quando as viu. Harry James
Potter.
James se sentiu doente ao olhar o t�mulo. Ele ouviu arfadas e ao virar encarou
Moody, Sirius, Remus e Arthur. Eles tamb�m ficaram parados em horror, visualizando
aquilo.
Ningu�m conseguia falar alguma coisa. Era uma p�ssima vis�o. Finalmente, Remus deu
um passo a frente e colocou a m�o em cima do ombro do amigo.
"James, isso n�o � real. Harry est� a salvo. � apenas um t�mulo vazio e vai ficar
desse jeito." Ele tentou confort�-lo.
"Eu terei que discordar disso." Disse uma voz g�lida atr�s deles.
"O que voc� achou do meu pequeno presente, Potter? Pensei que seria adequado a ele,
n�o acha?" Voldemort disse em uma voz g�lida e aguda.
James tentou segurar sua varinha direito e mir�-la em Voldemort, mas estava
percebendo que suas m�os tr�mulas e seu cora��o acelerado n�o ajudavam.
"Eu montei tudo isso para que pudesse pessoalmente te mostar. Achei que voc�
gostaria de ver antes de todos." Ele continuou falando em uma voz doentemente
calma.
"Voc� pode continuar sonhando, voc� nunca vai chegar perto do Harry de novo!" James
gritou irado.
Uma maldi��o saiu de tr�s de James, mas n�o tocou Voldemort. O Lorde das Trevas
ergueu seu escudo de corpo e se defendeu. Novamente, o Auror sentiu-se doente ao
ver o qu�o parecido ele e Harry eram.
"N�o seja tonto. Tente isso de novo e meus Comensais v�o te explodir em
pedacinhos." Ele disse amea�ador.
"Eu poderia matar todos voc�s agora e acabar com tudo isso, mas quero ver suas
faces no exato momento de minha vingan�a. Quero ver a esperan�a abandonar seus
olhos, enquanto mato seu salvador!" Voldemort disse e sua voz elevou-se em um tom
irado.
"Voc� vai se arrepender do dia em que tirou ele de mim! Se voc� o tivesse deixado
em paz, ele teria vivido. Mas ao se intrometer voc� arruinou tudo. Voc� o tirou de
mim, lembre-se disso quando ficar de luto. Voc� ser� o respons�vel pela morte
dele!" Disse ao Auror.
Antes que James pudesse amaldi�o�-lo, um dos Comensais reagiu e lan�ou um feiti�o
ferroada para cima dele, fazendo com que sua m�o fosse cortada. James soltou sua
varinha e sibilou em agonia, quando come�ou a sangrar. Ele olhou para Voldemort,
querendo nada mais do que cort�-lo em peda�os.
"Eu trarei seu filho aqui e o enterrarei vivo!" O homem sibilou em uma voz
congelante, olhos queimando de raiva.
"Todo mundo vai ouvir os gritos dele definhando e n�o haver� nada que voc� poder�
fazer para ajudar. Voc� vai observ�-lo morrer sem poder fazer nada e a �nica coisa
que restar� � se culpar!" Voldemort disse.
Imediatamente muitos jatos de luz foram em dire��o ao Lorde das Trevas. Todo mundo,
inclusive James, lan�aram maldi��es em dire��o a ele.
O Auror pegou sua varinha do ch�o, segurando-a com a outra m�o, e lan�ou uma
maldi��o. Antes que qualquer um deles pudesse alcan�ar o bruxo das trevas, ele e
seus Comensais da Morte desapareceram. O som da risada g�lida de Voldemort ecoou no
ar antes de se esvair.
James e os outros, inclusive Dumbledore, tentaram chegar at� o t�mulo para destru�-
lo, mas aparentemente havia uma parede invis�vel em volta dele, que n�o deixava
ningu�m chegar perto. O nome, Harry James Potter, brilhava de modo provocante.
Eles tiveram que admitir a derrota e ir embora, porque os homens estavam feridos.
James tivera que ser arrastado por Sirius e Remus, j� que o Auror n�o conseguia
desviar os olhos do t�mulo de m�rmore negro.
"Isso n�o vai acontecer, Prongs. N�o vamos deixar que ningu�m chegue perto de
Harry. N�s vamos destruir Voldemort antes que consiga olhar para ele." Sirius disse
ao amigo. Remus falava coisas similares, enquanto eles voltavam para tr�s.
James n�o respondeu. Havia apenas uma coisa passando por seus ouvidos. As palavras
que fizeram seu sangue gelar.
J� era tarde da noite quando James retornou a casa dos Potter, tanto que Harry e
Damien j� tinham ido para cama. Lily ainda estava acordada, esperando ansiosamente
pelo retorno do marido. Ela havia dito aos seus filhos que o pai fora visitar os
Weasley ao inv�s de dizer que ele tinha ido resolver assuntos da Ordem. Sabia que
seus filhos, especialmente Harry, iriam pirar se soubessem que James tinha ido
lutar contra Comensais da Morte.
O homem contara a Lily sobre o t�mulo negro e a amea�a de Voldemort. Ela ficou em
choque e permaneceu sentada e quieta ouvindo James, cada vez mais temoroso. No fim
da conversa, ambos ficaram sentados e em sil�ncio total. Nesse momento, Lily
pigarreou.
" Isso�i-isso n�o va vai a-acontecer. E-ele n�o pode fazer nada contra Harry! N�s
n�o vamos deixar isso acontecer!" Ela disse num tom de voz que assegurava mais a si
do que James.
O Auror n�o respondeu. Ele n�o conseguia parar de pensar que havia real
possibilidade de Voldemort cumprir a amea�a. Primeiramente, Harry se recusava a
permanecer dentro da Mans�o Potter. Ele se recusava completamente em ter guarda-
costas consigo, quando sa�sse. Isso o colocava em um risco enorme e James n�o
queria nem pensar nos truques sujos que Voldemort poderia usar para coloc�-lo fora
da �rea de seguran�a.
James pressionou suas t�mporas ao sentir que uma dor de cabe�a terr�vel se
aproximava. Ele n�o queria nada mais do que se enterrar na cama e esquecer tudo o
que tinha acontecido. Mas n�o podia. Ele n�o conseguia esquecer a imagem do l�gubre
t�mulo negro, esperando aberto, com o nome de Harry na l�pide. O homem tirou os
�culos e pressionou seus olhos, desejando que ele pr�prio n�o desmaiasse.
Lily tentou confort�-lo. Era mais f�cil para ela, j� que n�o havia visto o t�mulo.
N�o havia visto o nome do filho cravado na l�pide. N�o tinha ouvido a amea�a que
Voldemort tinha feito contra Harry. N�o tinha visto o fogo queimando naqueles olhos
vermelhos enquanto ele jurava vingan�a. James, sim, vira tudo isso.
James viu que Harry estava dormindo profundamente. Seus p�s o guiaram at� a beira
da cama. Ele n�o queria acord�-lo, mas descobriu que n�o conseguia abandonar seu
filho adormecido. O homem observava a respira��o calma dele, parecia relaxado.
James finalmente desabou e em sil�ncio caiu no ch�o, pr�ximo � cama de Harry. Ele
queria levantar e sair, n�o queria acordar o filho. Mas todo seu corpo parecia ter
adormecido. Sentia-se completamente derrotado. Sabia que Voldemort queriao garoto
e, aparentemente, o t�mulo negro f�-lo entender em qu�o grande perigo seu filho
realmente estava.
O que poderia fazer James ter certeza de que Voldemorte ficaria longe de Harry?
Como ele seria capaz de dar uma vida normal ao jovem se o garoto nem ao menos
poderia sair de casa?
O homem estava perdido em suas pr�prias l�grimas e preocupa��es que n�o percebeu
que sua silenciosa lam�ria havia acordado seu filho. Harry ficou perturbado quando
percebeu que existia outra pessoa no quarto. A principio, pensou que era Damien
pregando uma pe�a nele. E ent�o, notou que essa pessoa estava chorando. Ele
conseguia ouvir o respirar pertubado em meio aos solu�os.
Com um aceno de m�o Harry acendeu todas as luzes do seu quarto e ficou sem palavras
quando viu seu pai no ch�o com a cabe�a coberta pelas suas m�os, seus ombros
tremendo, enquanto solu��es agonizantes escapavam de sua boca.
"Pai! Pai, o que houve? O que aconteceu?" Harry perguntou com o cora��o acelerado.
James n�o respondeu de prontid�o. Ele olhou para o rosto do filho, cheio de
preocupa��o, e sentiu urg�ncia em abra��-lo. Segur�-lo bem firme, pr�ximo ao seu
peito e nunca deix�-lo sair, por medo de perd�-lo. Era isso que o fazia perder o
controle. O pensamento de perder Harry novamente. O pensamento de que Harry seria
levado de novo e nunca mais voltaria. Esse sentimento o destru�a.
James conseguiu controlar as emo��es e olhar para Harry, que estava completamente
em p�nico.
"N�o, n�o tem nada errado, Harry. Desculpa�desculpa por ter te acordado." Ele
conseguiu dizer mesmo que as l�grimas continuassem a cair.
Harry segurou seu pai, tentando desesperadamente entender o que havia de errado.
Por qu� seu pai parecia t�o... destru�do?
"Pai, o que aconteceu? Sirius est� bem? Alguma coisa aconteceu?" Harry perguntou
novamente.
James balan�ou a cabe�a em resposta, desejando que ele n�o tivesse entrado no
quarto do filho. Ele n�o queria que Harry soubesse sobre o que vira. A imagem do
t�mulo negro apareceu, de novo, em sua mente.
"Harry�Harry, por favor�" James conseguiu dizer antes de respirar fundo para tentar
se acalmar.
"Voc�voc� tem que me prometer Harry, por favor, prometa-me que n�o vai sair de
casa." James disse.
Ele sabia que n�o estava fazendo sentido. Mas naquele momento, tudo o que importava
para James era fazer Harry prometer que n�o iria deixar a Mans�o Potter. Voldemort
n�o poderia peg�-lo dentro de casa. Se o garoto n�o se expusesse a nenhuma risco,
ele n�o cairia as armadilhas do Lorde das Trevas.
Harry estava estupefato. Ele tinha acordado as tr�s da manh� e encontrado seu pai
no ch�o, chorando como se algu�m tivesse morrido, e tudo que ele tinha que fazer
era dizer: 'eu n�o vou sair de casa'.
"Pai �" Harry come�ou a dizer, mas n�o conseguiu terminar a frase, pois James
agarrou suas m�os com for�a e disse.
"Apenas prometa, jure que voc� n�o vai sair de casa sozinho! Eu nunca mais te pe�o
nada, Harry. Por favor, s� fa�a o que eu estou pedindo!"
Harry podia ver o medo perpassando os olhos do pai. Ele podia at� mesmo sentir isso
no tremor das m�os de James segurando as suas. Ele n�o sabia o que tinha acontecido
mas, o que quer que fosse, com certeza assustara James.
Harry queria discutir, queria dizer ao seu pai que ele sabia tomar conta de si e
que n�o iria ficar se escondendo em casa. Mas o modo como o homem o olhava, como
estava quase implorando para que ele aceitasse fez com que Harry mordesse a l�ngua.
Ele sabia que teria que concordar, pelo menos por enquanto. N�o podia discutir com
seu pai quando este parecia t�o vulner�vel.
"Ok,pai. Eu prometo que n�o vou sair de casa sozinho. Eu juro, ok?"
James relaxou completamente e mesmo sentado, tentava se levantar. Suas m�os ainda
seguravam as de Harry e ele n�o queria solt�-las. Finalmente, o garoto conseguiu se
livrar e ajudou James a ficar em p�.
"O que aconteceu?" Harry perguntou novamente, mas James apenas balan�ou a cabe�a em
resposta.
Ele n�o seria capaz de dizer nada. Acima de tudo, ele sabia o qu�o magoado Harry
ficaria se soubesse da amea�a de Voldemort. O filho ainda se importava com ele e
James sabia disso.
O homem desculpou-se novamente por acordar Harry. Ele disse ao filho para voltar
para cama. O garoto tentou novamente perguntar o que o tinha deixado t�o
preocupado, mas o pai n�o respondeu. Ele olhava o moreno com tanta emo��o que Harry
sentia um tremor perpassar por seu corpo.
Silenciosamente James o deixou e rumou para seu quarto. Harry voltou para cama, mas
n�o dormiu. Ele continuava pensando sobre o que teria acontecido parar deixar o pai
naquele estado.
xXx
No dia seguinte, James fez com que nenhum Profeta Diario ficasse a vista para que
Harry n�o achasse, j� que o jornal estava repleto de imagens do t�mulo negro. A
imprensa havia noticiado o �ltimo ataque de Voldemort e tiveram um dia cheio para
retratar o t�mulo negro.
Remus e Sirius vieram pela manh� na tentativa de acalmar James e Lily. A mulher
ainda n�o tinha sido capaz de parar de chorar ao ver a amea�a que Voldemort
deixara. Era claro que haviam tentado demolir o t�mulo na tentativa de livrar-se
dele, mas todo esfor�o havia sido em v�o. Aparentemente ele permaneceria por l�.
Harry passou o resto do dia tentando entender o tinha acontecido para fazer seu pai
ficar t�o estranho. Mas todas essas quest�es foram deixadas de lado, quando o
garoto ficou extremamente frustrado e resolveu passar um tempo treinando sozinho.
Ningu�m, tampouco, havia dito algo sobre o t�mulo a Damien. Os dois garotos
gastaram grande parte dos pr�ximos dias, tentando descobrir o que havia causado
esse inusitado comportamento ultra-protecionista em James. Eles n�o chegaram nem
perto da verdade.
"N�o � n�o. Isso vai significar muito pra ele, j� que deveria ter ganhado isso!"
"Sim, mas ele n�o vai poder usar nada disso agora. Ele � grande demais pra todos
eles."
Nesse momento, Harry rapidamente abriu a porta e viu seu pai e sua m�e parados na
frente da mesma, ambos com uma imensa express�o de culpa no rosto. O garoto franziu
as sobrancelhas de modo indagativo.
"Hum, oi. N�s estamos tentando decidir um neg�cio." James disse lan�ando a Lily um
ultimo olhar suplicante, que foi prontamente ignorado por ela.
"Na frente da porta do meu quarto?" Harry perguntou com falsa inoc�ncia.
"N�s apenas quer�amos te dar uma coisa, mas n�o consegu�amos decidir quando seria a
melhor hora. Ent�o, como acho que n�o h� nenhum momento como o presente... aqui
est�." Lily disse enquanto ela e James adentravam o quarto de Harry. A mulher
segurava uma caixa enorme, que permanecera escondida atr�s de si e James,
relutantemente, segurava duas caixas id�nticas.
Na mesma hora Damien correu em dire��o �s tr�s caixas, perguntando o que era
aquilo, mas Harry permaneceu im�vel. Ele sabia o que havia dentro delas, porque
quando as encontrou, sua vida tomou um novo rumo. Vagarosamente andou em dire��o
aos pais.
Ele se ajoelhou e lentamente come�ou a abrir uma das caixas, certo de que ela
estaria repletas de diversas em embalagens coloridas. Sua mente estava polvorosa ao
ver os presentes novamente. Ele se lembrou do choque que tinha sentido quanto os
vira pela primeira vez.
"O que voc�s compraram pra ele? S�o todos dele? Eu tamb�m quero!" choramingou.
Lily calou-o com um olhar, James, por�m, abra�ou o filho mais novo enquanto
sussurrava em seu ouvido que aqueles eram presentes que Harry havia perdido. Damien
corou imediatamente, envergonhado de sua criancice e resolveu permanecer calado.
Harry tirou os presentes da caixa mas n�o abriu nenhum. Ent�o James disse:
"N�s sabemos que isso � meio rid�culo e que voc� � velho demais para quase todas
essas coisas, mas sua m�e insiste que voc� os receba. Eles foram comprados para
voc�, mesmo que ach�ssemos que nunca ter�amos chance de entreg�-los um dia." James
parou de falar ao ver o qu�o estranho soava aquilo que acabara de dizer.
Como Harry n�o demonstrou nenhuma rea��o e nem disse nada, James tomou isso como
sinal de que ele havia achado a id�ia dos presentes algo realmente rid�cula.
Rapidamente ele tentou fazer com que essa situa��o constrangedora melhorasse.
"Voc� pode d�-los se n�o os quiser. N�s n�o nos importamos! Voc� n�o vai usar nada
disso mesmo... foi s� uma id�ia..." Sua fala morreu ao ver Harry lentamente olhando
para ele.
Somente o olhar daqueles olhos esmeralda acalmou James. Eles estavam repletos de
gratid�o e amor.
O homem sentiu seu cora��o bater acelerado quando Harry pegou um dos pacotes e o
abriu com as m�os tr�mulas. Era um presente de Natal de quando ele tinha apenas
quatro anos de idade. Um hipogrifo azul caiu no colo do garoto. O brinquedo sentou
em cima do garoto, abriu as assas, pronto para voar, e logo levantou um v�o
ridiculamente baixo. Harry riu quando seu passeio pelo quarto foi interrompido por
uma colis�o no joelho de James.
James e Lily ficaram al�viados pelo filho n�o achar idiota a id�ia de guardar
presentes. Os dois perceberam que essa era a primeira vez que ele tinha recebido um
presente de Natal ou anivers�rio. Voldemort nunca havia celebrado os anivers�rios
de Harry e todos os presente que o garoto recebera foram armas para serem usadas
com o intuito de acabar com os inimigos do Lorde das Trevas.
Harry queria agradecer seus pais, mas n�o conseguia encontrar palavras. Como seria
poss�vel agradecer algo que era t�o inacreditavelmente maravilhoso? Ambos tinham
lembrado dele em todos os Natais e anivers�rios. O moreno de olhos verdes teve que
usar toda a sua energia para se controlar e n�o desabar.
O casal n�o precisava que ele dissesse nada. O modo com que seus olhos brilhavam
cada vez que ele abria um presente e soltava uma risada inocente em seus l�bios, a
cada momento em que ele se deparava com um presente particularmente incr�vel, era o
bastante. Eles sabiam que Harry ficara emocionamente tocado por esse gesto.
xXx
Conforme o prometido, o moreno n�o colocara os p�s para fora da Mans�o Potter. Ele
passou muitas horas em sua �rea de treinamento, com Damien, e estava secretamente
muito orgulhoso do irm�o mais novo. Ele era um lutador nato e, assim como Harry,
havia dominado os movimentos b�sicos extremamente r�pido.
Sempre que fechava os olhos s� conseguia pensar no terr�vel t�mulo - que ningu�m
conseguira destruir ainda - surgindo em sua frente e na risada fria de Voldemort
ecoando em seus ouvidos.
Lily fez o poss�vel para tentar que James descansasse um pouco, mas nada do que ela
dizia o fazia mudar de id�ia. Remus e Sirius ajudavam do �nico modo que podiam.
Juntando-se � miss�o de destruir Voldemort.
Aconteceu exatamente seis dias antes do anivers�rio de dezessete anos de Harry. Era
uma manh� ensolarada, com o c�u claro e um calor intenso. Lily e Damien estavam
terminando de trabalhar no jardim da frente. O menino tentara chamar Sirius e James
para juntarem-se a eles, mas ambos recusaram-se, pois estavam ocupados tentando
encontrar uma maneira de se livrarem no t�mulo. Aquilo causava muito burburinho na
imprensa e quanto mais tempo permanecesse em Hogsmeade, maior seria o medo que
tomava a comunidade bruxa.
Eles tinham acabado de analisar mais uma teoria, quando a porta do escrit�rio se
abriu e Harry entrou no c�modo. James, dificilmente, tinha tido a oportunidade de
falar com o filho nos �ltimos dias, j� que passava a maior parte do tempo lutando
pela sobreviv�ncia dele.
Vestido com seu jeans e camiseta azul-claro, o garoto n�o parecia algu�m que
pudesse duelar e matar um homem tr�s vezes a sua idade. Ele n�o parecia ser o
assassino que Voldemort havia criado. Parecia ser um adolescente normal.
Especialmente depois de abrir um largo sorriso como o que tinha em sua face no
momento.
"Hey, o que houve?" James perguntou para Harry, j� que o filho nunca o procurava,
especialmente quando estava no escrit�rio.
"Nada. Apenas imaginando o que voc�s dois est�o fazendo." Harry respondeu, enquanto
andava em dire��o a James e Sirius, que estavam sentados.
"Na verdade, eu queria ver o que � t�o interessante para deixar voc�s dois aqui
dentro, enquanto o resto do mundo est� curtindo o sol l� fora." Harry corrigiu.
James encarou os olhos verde do filho, que brilhavam intensamente em dire��o aos
seus acompanhados de um sorriso maroto.
"Trabalho de Auror! Voc� quer dizer que Aurores realmente trabalham. Poderiam ter
me enganado." Harry brincou enquando James e Sirius lan�avam olhares de falsa
reprova��o.
"Voc� devia estar l� fora, aproveitando o sol, n�o aqui ridicularizando a gente!"
Sirius respondeu.
"Voc�s tamb�m. Voc�s dois deveriam estar l� fora, e n�o enfurnados aqui dentro"
Harry respondeu.
"Por favor Harry, n�s temos muito trabalho a fazer. Assim que terminarmos vamos nos
juntar a voc�s." James disse com uma voz cansada. Ele n�o estava dormindo direito
ultimamente.
"Voc� n�o vai descobrir como destruir isso. Se Voldemort criou, ent�o ficar� l� at�
que ele destrua." Disse ao pai.
"O t�mulo. Acredito que voc�s estejam tentando descobrir como estru�-lo." Harry
respondeu casualmente.
James e Sirius olhavam para incr�dulos para ele. O moreno de olhos verdes
descobrira sobre o t�mulo. Contudo, n�o estava chateado ou irritado como esperaram
que ele iria ficar. Por qu� o garoto estava parado com uma apar�ncia t�o calma?
"Como�como voc� descobriu sobre� sobre isso?" James perguntou com uma calma
for�ada.
Harry sorriu novamente e mostrou uma c�pia do Profeta Di�rio. Era datado de dois
dias atr�s. A foto do t�mulo negro estava ocupando quase toda capa. James olhou
espantado.
James tinha feito com que todas as c�pias do Profeta Di�rio, que chegassem � Mans�o
Potter,fossem destru�das. Como � que essa c�pia tinha conseguido escapar e estava
diante de seus olhos?
Harry n�o disse mais nada e apenas deixou a c�pia do Pr�feta Di�rio sobre a
escrivaninha. Ele e James trocaram um longo olhar. Nenhum dos dois disse nada ou
fez nenhum movimento em dire��o ao jornal.
"Hum, eu acho que vou ver o que Damien est� fazendo." Sirius disse enquanto
levantava e sa�a da sala bem rapidamente. Ele sabia que pai e filho teriam uma
longa conversa.
"Voc� provavelmente deve estar bastante zangado comigo por ter escondido isso, n�o
est�?" Perguntou.
Harry olhou bem fundo nos olhos de seu pai antes de responder.
James sentiu-se um pouco mais aliviado depois disso. Embora ainda n�o soubesse como
conversar com Harry sobre isso. O que ele deveria dizer?
"Foi por isso que voc� me fez prometer ficar em casa, n�o �?" O garoto perguntou.
"Voc� ficou com medo disso e ent�o me proibiu de sair de casa? Voc� n�o acha que
isso � um pouco de exagero?" Perguntou em tom casual.
"Exagero? Voc� acha que a minha rea��o foi exagerada? Por Merlin, Harry! Voc� n�o
consegue enxergar o perigo em que voc� est�?" James n�o conseguia acreditar o qu�o
calmo Harry estava sobre isso.
O moreno sorriu da rea��o de seu pai, por�m dessa vez seu sorriso continha um 'Q'
de tristeza.
"E quando � que eu n�o estive em perigo? Aparentemente, Voldemort tem tentado me
matar bem antes de eu nascer. Ningu�m deveria estar surpreso com essa atitude. Fico
grato que ele tenha feito algo como isso. Pelo menos agora est� sendo sincero
quanto aos seus sentimentos por mim."
Harry abaixou a cabe�a ao dizer isso. James sentiu seu cora��o despeda�ar ao sentir
m�goa na voz dele. Isso devia estar sendo muito dif�cil para o garoto.
"Isso n�o muda nada. Voldemort fazendo isso, construindo esse t�mulo, isso n�o muda
nada. Ele j� estava atr�s de mim antes de constru�-lo e vai continuar depois disso
tamb�m."
"Isso muda o que voc� sente em rela��o a ele?" James perguntou. Ele tinha se
questionado sobre isso. Seria Harry capaz de querer machucar Voldemort depois dessa
amea�a?
"Como eu disse, isso n�o muda nada." Harry disse categoricamente. "Eu n�o consigo
querer machuc�-lo s� porque ele quer me machucar. N�o funciona assim. Eu sei que se
essa hora vier e eu tiver que enfrent�-lo... n�o vou ser capaz de... eu n�o
conseguirei fer�-lo" Concluiu, desejando desesperadamente que o pai entendesse
isso.
James entendia claramente. Voldemort o criara. Ele fizera o garoto acreditar que o
amava e que se importava com ele. Era demais para o filho se desapegar de todas
essas mentiras, a ponto de considerar matar o homem que havia chamado de 'pai'
pelos �ltimos quinze anos.
James p�s uma m�o no ombro de Harry reconfortantemente. Ele o apertou gentilmente e
balan�ou a cabe�a para reafirmar o filho que entendera os seus sentimentos.
Harry olhou para seu pai com al�vio. Ele sabia que o que sentia por Voldemort era
complicados e que nem todos consiguiriam entender o por qu� dele n�o conseguir
mat�-lo.
Por mais desprezo, falsidade, trapa�as e nenhuma compaix�o que Voldemort demonstrou
em rela��o a Harry, o garoto n�o conseguia sentir outra coisa coisa a n�o ser
compaix�o em retorno. Isso n�o era mentira. Harry realmente amara Voldemort como um
pai. Ele apenas destruira as Hocruxes como forma de vingan�a e n�o para destru�-lo.
Harry olhou para o homem exausto a sua frente. Seus olhos ganharam olheiras enormes
e sua pele estava um tanto p�lida. O moreno percebeu que seu pai preocupara-se
imensamente com o t�mulo negro e sentiu um amor enorme por ele.
"Vamos l�, pai. Pare de ficar tentando achar uma solu��o pra essa guerra. Isso n�o
� sua responsabilidade. Ficar preocupado com Voldemort n�o vai te fazer bem nenhum.
Vem pra fora aproveitar o dia com a gente." Harry disse no seu tom casual
novamente.
"Harry, eu realmente n�o posso, tenho muita coisa pra fazer." James disse ao olhar
para sua mesa coberta de pergaminhos.
"Se voc� vier comigo agora, eu prometo que vou jogar quadribol com voc�." Harry
disse, j� que geralmente Quadribol vencia qualquer argumento com James.
"Vamos l�, pai. Eu te deixo ganhar dessa vez." Harry disse com um sorriso maroto.
"Com licen�a, eu n�o preciso que voc� me deixe ganhar. Eu posso ganhar o jogo em
condi��es justas!" Ele disse enquanto rumava em dire��o a porta.
"Justas, claro." Harry disse enquanto fazia sinal de aspas com os dedos na palavra
'justas'.
James riu do gesto de Harry e ambos, pai e filho, sa�ram para curtir o resto do dia
em fam�lia.
xXx
Cap�tulo Sessenta e Dois: Quero voc� de volta!
"Harry! Damien! Venham j� pra dentro!" Lily gritou pela quarta vez. Quando o
assunto era Quadribol ela tinha que arrastar os dois para fora do campo. A mulher
voltou para a mesa, que estava pronta para o almo�o. Passado um momento, os dois
entraram na cozinha discutindo.
"Caramba, Damy. Voc� perdeu!" Harry disse ao irm�o enquanto equilibrava sua Nimbus
3000 ao lado da porta.
"Voc� n�o contou os �ltimos dois gols que eu fiz! Isso � trapa�a!" O irm�o mais
novo brigou, claramente irritado.
Harry lavou as m�os e o rosto e sentou-se a mesa com seu olhar sarc�stico usual.
"N�o � poss�vel que voc� chame aquelas duas coisas de gols. Aquilo foi p�ssimo."
"Damien Jack Potter! Eu n�o quero ver voc� usando esse tipo de linguagem contra o
seu irm�o." Ela o reprimiu.
Damien respondeu com uma careta e lan�ou um olhar fulminante a Harry, que
claramente se divertia.
"Ele n�o consegue evitar, m�e. � assim que pirralhos mimados reagem quando as
coisas n�o acontecem como eles querem." Harry respondeu com um largo sorriso
enquanto Damien corava.
Damien chutou, com for�a, o irm�o por baixo da mesa, que saltou. Nenhum barulho foi
liberado. O moreno de olhos verdes apenas olhou sorriu sarcasticamente.
"Viu, � por isso que eu n�o gosto de Quadribol. Isso s� faz todo mundo brigar o
tempo todo." Ela disse com um suspiro.
Damien n�o p�de evitar e sorriu internamente. Ele adorava brigar com Harry. Era
t�o� normal. Pelo menos eles eram capazes de se comportar como irm�os normais,
competirem um com outro e terem brigas pequenas sobre coisas idiotas. Ele n�o tinha
que se preocupar e se atormentar sobre a seguran�a e bem-estar do irm�o agora.
Damien deu a Harry um pequeno sorriso de cessar fogo e ent�o come�ou a colocar
comida dentro de sua boca, j� que estava faminto ap�s jogar durante tr�s horas.
James entrou na cozinha, pegou algo para comer e depois desapareceu no escrit�rio
novamente. Harry assistiu a isso com o cora��o pesado. Ele realmente havia tentado
fazer com que seu pai relaxasse, mas seus esfor�os eram todos fracassados. O homem
n�o conseguia parar de se atormentar com Voldemort e com aquele t�mulo idiota. O
garoto esperava que o pai desistisse logo. N�o havia nenhuma maneira daquele t�mulo
ser destru�do por algu�m que n�o fosse Voldemort, j� que sua magia n�o era algo que
podia ser facilmente derrotada.
Mais tarde, como Harry havia prometido, os dois garotos foram para a �rea de
treinamento. Harry havia come�ado a ensinar ao irm�o luta de rua avan�ada. Damien
tinha cr�dito, visto que estava suando muito para tentar acompanh�-lo.
"Vamos l�, Damy! Voc� n�o est� nem tentando. Se voc� chutar algu�m assim, vai
acabar quebrando sua pr�pria perna! Voc� est� usando o �ngulo errado." Harry disse
a ele.
"Eu acho que preciso de uma pausa!" Damien ofegou e caiu no ch�o.
"Esse � seu problema. Voc� precisa de muitas pausas. Voc� n�o tem resist�ncia
nenhuma!" Harry o reprimiu.
O menino ouviu Harry sentar-se junto a ele. Ap�s um momento de sil�ncio, Damien
sentou-se tamb�m.
"Voc� voc� vai ficar bem se�se Voc�-Sabe-Quem for destru�do?" Perguntou.
A express�o de Harry escureceu por um momento. Ele observou o irm�o mais novo, ntes
de responder.
"Eu s� estava�Eu s� estava pensando no outro dia em que todo mundo queria que voc�
ajudasse a destru�-lo. Eles achavam que voc� tinha destru�do as Hocruxes porque
voc� o odiava, mas voc� n�o o odeia, n�?"
Harry sentiu seu corpo ficar tenso com a quest�o. Ele n�o tinha mais certeza do que
sentia por Voldemort.
"Eu me lembro como voc� ficou quando� quando Bellatrix foi pega pelo Minist�rio.
Voc� foi l� para tentar salv�-la, mesmo correndo o risco de ser pego. Voc� me disse
uma vez que ela tinha te tra�do do mesmo modo que Voldemort tinha feito. Ainda
assim, voc� foi salv�-la sem pensar duas vezes. Eu pensei... eu s� tenho
curiosidade de saber se fosse faria a mesma coisa se Voc�-Sabe-Quem for pego."
Harry entendeu porque Damien havia feito essa pergunta. O menino estava com medo de
que ele fosse escolher Voldemort a sua pr�pria seguran�a. Sua express�o relaxou um
pouco e o irm�o pareceu visivelmente aliviado.
"� diferente. Voldemort escolheu me machucar. Foi ele quem teve essa decis�o.
Bella�Bella estava apenas cumprindo ordens." Harry sentiu uma dor intensa apunhalar
seu cora��o ao pensar em Bella.
"Ela fez muito por mim. Eu n�o sei se ela realmente queria ter feito isso, mas de
todas as mem�rias que eu tenho, as dela s�o boas." Ele completou.
"Eu n�o sei o que sinto por Voldemort." Harry disse honestamente.
"Eu acho que uma parte de mim realmente o odeia, mas eu n�o consigo suportar a
id�ia dele sendo morto. Eu n�o consigo machuc�-lo, n�o importa o quanto eu o odeie.
� complicado." Harry terminou incomodamente.
"Harry, voc� quase matou papai porque pensou que ele tinha machucado voc�. Mas
agora voc� sabe que n�o foi ele, que aquele na verdade era Voldemort. Por qu� voc�
se sente diferente em rela��o a ele?" Damien perguntou. Essa era a quest�o que ele
vinha querendo perguntar.
"Eu esperava que papai me amasse, que se importasse comigo. Eu esperava que ele
cuidasse de mim. Ele era meu pai e o trabalho dele era cuidar de mim. Quando eu me
lembrava do abuso que havia sofrido, eu odiava James Potter, porque eu n�o podia
entender a raz�o dele me machucar. Quando crian�a, muitas vezes eu imaginava o que
tinha feito de errado e o que eu podia ter feito para que ele me amasse. Por isso �
que eu o odiava tanto, Damy. Porqu� eu pensava que ele tinha me machucado quando
deveria ter me amado. Ele me machucava sem nenhuma raz�o aparente. J� com
Voldemort, a raz�o � completamente clara. Ele nunca me amou. Eu n�o sou seu filho,
n�o sou do sangue dele. Por qu� ele deveria me amar? Ele fez tudo o que fez para me
quebrar, ent�o eu seria mais forte e serviria a ele. Ele fez tudo isso por poder.
Isso � tudo que ele sabe fazer. Voldemort faria qualquer coisa por poder." Harry
desviou o olhar de Damien, pois foi muito dif�cil falar a �ltima parte.
"Eu n�o tinha boas mem�rias com papai. Tudo que eu me lembrava sobre ele era
abomin�vel. Era f�cil odi�-lo. Mas com Voldemort, eu tenho v�rias mem�rias de
ser... de ser tratado como um filho por ele. Eu n�o conseguiria me esquecer de tudo
isso nem que eu tentasse. Tudo isso faz com que odi�-lo seja mais dif�cil ainda."
Damien sentiu-se terr�vel por trazer esse assunto a tona. Ele tinha destru�do o bom
humor de Harry. Gentimente, ele tocou o ombro do irm�o, que o olhou.
"Vamos l�, melhor terminarmos essa pausa" Damien disse enquanto levantava do ch�o.
Harry levantou-se tamb�m, embora n�o aparentasse estar com nenhum �nimo para
terminar o treinamento.
Antes que Damien pudesse dizer qualquer coisa ele ouviu seu nome ser chamado por
algu�m. Harry virou-se ao ver seu nome ser chamado junto ao do irm�o. A voz
definitivamente n�o era a da m�e deles. O moreno de olhos verdes soube
instantaneamente a quem ela pertencia. Ambos sa�ram da �rea de treinamento e viram
a dona da voz correndo em dire��o a eles.
Hermione corria a toda velocidade, com o brilho da juventude no rosto. Seu cabelo
castanho volumoso voava atr�s dela enquanto ela se aproximava deles. Harry podia
ver que Ron e Ginny andavam calmamente atr�s dela, com express�es divertidas no
rosto.
"Harry! Damien! Voc�s ficaram sabendo? Oh, � maravilhoso! N�o �?" Hermione
perguntou cambaleando e em voz alta assim que se aproximou deles. Ela jogou seus
bra�os envolta de Damien e o abra�ou fortemente antes de se virar para Harry.
Ambos, Harry e Damien, estavam completamente perdidos sobre o que ela estava
falando.
Ron deu um risinho assim que se aproximou de Hermione. Ginny tamb�m parecia que n�o
conseguiria segurar o riso.
"Mione, por que � que voc� t� t�o entusiasmada? O qu� aconteceu?" Damien perguntou
enquanto Hermione esperava que eles entendessem o seu entusiasmo.
"Voc�s n�o ficaram sabendo? Como voc�s n�o ficaram sabendo? Sua m�e deveria ter
contado antes da gente. Ah, isso n�o importa" Ela disse ignorando seu pr�prio
coment�rio.
"� a melhor not�cia do mundo! Hogwarts vai ser re-aberta!" Ela exclamou
ardentemente.
"E voc� est� celebrando o fato que n�s vamos ter escola e exames para fazer? Espera
um minuto, o que � que eu t� dizendo? Claro que voc� est�! Voc� � Hermione
Granger." Damien disse, recebendo uma palmadinha no ombro da menina com cabelo
desgrenhado.
"Voc� pode dizer o que voc� quiser, mas eu sei que est� t�o excitado quanto eu.
Quero dizer, � Hogwarts!" Disse animada.
Harry sorriu ao ver a excita��o dela. Ele n�o tinha nenhum sentimento particular
por Hogwarts, j� que n�o havia tido um bom momento por l�. Sendo preso contra sua
vontade e tendo Aurores vigiando-o a cada momento n�o era muito divertido. Mas o
garoto estava feliz por eles. Por Hermione em particular, visto que a menina
parecia viver pelas tarefas e pelos estudos. Ele sabia que ela estava certa. Mesmo
que eles agissem como se n�o quisessem ir para a escola, Damien, Ron e Ginny
estavam todos excitados com a id�ia de voltar para Hogwarts.
"N�s devemos receber nossas cartas em breve. Mal posso esperar para voltar. Nem
posso imaginar quantas coisas vamos ter que fazer para recuperar o tempo perdido!"
Hermione ia dizendo, enquanto o grupo retornava � casa. Estava muito quente para
ficar l� fora.
"Espera a�, se voc� n�o recebeu a carta ainda, como sabe que Hogwarts vai re-
abrir?" Harry perguntou, enquanto eles sentavam em volta da mesa com alguns
refrescos.
"Professora McGonagall me contou. Ela estava na Toca hoje de manh�." Ela respondeu.
"De alguma maneira, eu acho que meu nome n�o estar� na lista de estudantes." Ele
respondeu.
O garoto tinha certeza de que n�o seria convidado a voltar para Hogwarts. N�o
importa o que tivesse acontecido no seu julgamento, a maioria das pessoas ainda o
acusariam do incidente no Expresso de Hogwarts e isso causaria v�rios tipos de
conflitos, n�o importava as justificativas dadas no julgamento. Harry tinha certeza
de que nunca veria Hogwars novamente.
xXx
Faltava apenas dois dias para o anivers�rio de Harry e mesmo que sua festa fosse
uma surpresa, o garoto sabia que estavam preparando alguma coisa. N�o era muito
dif�cil de perceber, j� que seus pais, Sirius e Remus ficavam sussurrando sobre
isso toda hora. Harry �s vezes pensava se eles achavam que ele era surdo, uma vez
que sussurravam sobre os planos para a festa quando ele estava no mesmo c�modo.
Mesmo que o moreno sempre fingisse estar ocupado com uma coisa ou outra, ele n�o
era idiota a ponto de n�o perceber que eles estavam planejando fazer uma festa
assim que o rel�gio batesse as doze baladas da meia noite.
Ele t�o pouco disse algo sobre isso, pois percebeu que os adultos estavam se
divertindo planejando a festa. Essa era a �nica coisa que fazia James sair do
escrit�rio e parecer genuinamente feliz.
"N�o, n�o, n�o! Isso n�o vai combinar com o tema! N�s temos que pensar em outra
coisa!" Ela sussurrou para o marido.
"Ah, Lils, deixa vai! Isso vai ser perfeito pra ele. Nem tudo precisa combinar com
'o tema'. Me deixa fazer isso." James implorou.
Harry n�o conseguiu controlar o sorriso. Seus pais estavam brigando feito crian�as
sobre quem iria planejar a festa. Damien olhou para sua express�o e franziu as
sobrancelhas em questionamento. O garoto sacudiu a cabe�a e voltou ao jogo.
Quando Harry estava prestes a fazer uma jogada, ele colocou a m�o sobre a cicatriz
e mordeu sua l�ngua para evitar o choro. Damien olhou alarmado para o irm�o e j�
tinha levantado do ch�o para chamar ajuda quando Harry balan�ou a cabe�a pedindo
para que ele n�o fizesse isso. A cicatriz sempre do�a. Ele pressumiu que agora
Voldemort n�o iria segurar nenhuma emo��o para o seu bem estar. Ele n�o tinha
sofrido nada pior do que no dia do seu julgamento. Normalmente era apenas uma
pontada aguda que depois acabava esvaindo-se.
Harry n�o disse nada para seus pais a respeito disso, ele sabia que os dois
ficariam muito preocupados com a teoria de Dumbledore, que dizia que a dor em sua
cicatriz iria continuar ficando pior e pior at� por fim mat�-lo. Harry tinha ido ao
labor�torio de sua m�e e feito alguns frascos de po��o contra dor, j� que esta era
a �nica coisa que o ajudava.
Harry virou-se de costas para seus pais e discretamente tirou do bolso um pequeno
frasco contendo a po��o. Ele cerrou os dentes para n�o fazer nenhum barulho. Damien
lan�ou ao irm�o um olhar s�rio antes de espiar seus pais. Eles ainda estavam
ocupados sussurrando e n�o haviam percebido nada.
Assim que p�de, Harry abriu o frasco e bebeu seu conte�do de uma vez s�.
Instantaneamente a dor diminuiu e logo desapareceu. O garoto soltou um longo
suspiro de al�vio. Ele deu um pequeno sorriso a Damien para dizer que tudo estava
bem. O mais novo cruzou os bra�os na altura do peito e lan�ou ao irm�o um olhar
contrariado. Ele odiava ver Harry sofrendo com esses ataques e odiava ainda mais
quando este recusava ajuda. O moreno de olhos verdes desviou o olhar do irm�o e
continuou jogando xadrez. Damien lan�ou um olhar consternado antes de voltar a
jogar tamb�m.
"Certo, estou indo preparar o almo�o. Eu n�o sei onde Padfoot e Moony est�o, mas
eles ter�o que comer comida fria. N�o vou esperar mais."
Ela estava prestes a colocar a cabe�a na cozinha, quando um som de estalo a impediu
de seguir seu caminho. Todos do c�modo se viraram alarmados para ver o que tinha
acontecido. No meio da sala uma enorme bola de fogo aparecera no ch�o, juntamente
com o barulho. O fogo logo cessou e uma �nica pena come�ou a cair. James
rapidamente atravessou a mesa e segurou a pena antes que ela ca�sse completamente.
Harry notou que aquela era uma pena de f�nix.
James ficou palido enquanto lia algo que estava escrito na pena. Lily logo estava
no seu lado.
"Oh Deus!" Ela sussurrou, enquanto pegava a pena das m�os dele.
"Harry, Damien. Voc�s dois fiquem aqui!" Lily disse num tom preocupado.
"M�e, o que houve? Onde voc�s est�o indo?" Damien perguntou, preocupado ao ver o
qu�o p�lidos seus pais haviam ficado.
Antes que James conseguisse impedir, Harry conseguiu pegar a pena de f�nix que
estava na m�o de seu pai. Os olhos verdes de Harry arregalaram-se em choque quando
leu uma �nica palavra na pena, 'Toca'.
Harry concluiu que aquela pena era um sinal de aviso vindo da Ordem. Aquilo
significava que a Toca havia sido atacada! Harry sentiu seu est�mago revirar quando
se deu conta que a dor que sentira em sua cicatriz h� alguns minutos atr�s,
provavelmente fora devido ao ataque. Harry olhou para seu pai com determina��o.
"Harry�" James come�ou a discutir, mas foi ignorado por Harry que pegou um punhado
de p� de flu e rumou em dire��o a lareira.
"Eu vou com voc�s" Repetiu assim que parou na frente da lareira, pronto para
partir.
"Eu tamb�m!" Damien rapidamente falou, com medo de ser deixado para tr�s. James e
Lily n�o tinham tempo para discutir, ent�o deixaram os dois irem com eles.
James foi o primeiro, seguido de perto pelo filho mais velho. Damien e Lily vieram
por �ltimo. Assim que Harry p�s os p�s na Toca, ele sentiu seu est�mago pular. Eles
estavam cercados por pessoas derrotadas, machucadas e amontoadas ao redor da
pequena mesa. Ele podia ouvir algu�m chorando e vozes acalentadoras, oferecendo
palavras reconfortantes.
James e Lily correram at� a mesa e Harry viu as faces familiares olhando aflitas
para eles. Ele viu que Remus e Sirius estavam em p� com um Arthur Weasley
ensang�entado. Ambos tinham marcas de sangue nas roupas tamb�m.
Molly Weasley era quem chorava e agachada a sua frente estava Tonks, que tentava
oferecer a ela um copo de �gua. Havia outro homem ruivo com cicatrizes cobrindo
toda sua face, que tentava fazer com que Molly parasse de chorar tamb�m. Harry
concluiu que ele era Bill Weasley.
O moreno de olhos verdes sentiu Damien puxar seu bra�o. Olhando ao redor ele viu
que o irm�o apontava para Ron e Hermione, sentados no ch�o, com as cabe�as bem
pr�ximas e com l�grimas silenciosas escorrendo pelo seus rostos. Uma bela garota
loira tentava fazer com que eles sentassem nas cadeiras, mas Ron e Hermione
pareciam n�o ouvi-la.
Harry viu Damien correr ao encontro deles, para tentar entender o que tinha
acontecido, mas o garoto j� estava enjoado s� em imaginar o que occorrera. Seu
cora��o quase saiu do peito quando percebeu que Ginny n�o estava na sala. Ele olhou
ao redor novamente, desesperado para ver a ruiva, mas ela parecia n�o estar em
lugar nenhum.
Ele olhou para mesa novamente e notou que Dumbledore estava encolhido no meio de
duas pessoas. Frank e Alice estavam sentados sem rea��o, com l�grimas escorrendo
atrav�s dos seus rostos, enquanto Dumbledore sussurava algumas palavras a eles.
Tonks olhou para ele e se levantou, ainda segurando o copo de �gua que Molly n�o
havia tomado.
"N�s fomos atacados. Eu n�o sei como, mas de alguma maneira, as defesas da Toca
foram quebradas! Havia tantos deles! Eu nunca vi Comensais da Morte atacarem desse
jeito. Eles estavam t�o preparados. Eles apenas vieram e lutaram por alguns
minutos! N�s n�o tivemos nem tempo de pedir ajuda." Tonks terminou tristemente.
"Voc� quer dizer que isso foi h� alguns minutos atr�s?" Lily perguntou, com um medo
evidente em sua voz.
Harry sentiu seu cora��o bater dolorosamente. Era isso. Tonks iria contra quem
havia morrido. Mas Tonks n�o respondeu a quest�o. Ela olhou para Frank e Alice com
o cora��o partido. Remus continuou em seu lugar.
Frank olhou para James com os olhos vermelhos. Ele disse em uma voz quebrada, cheia
de dor.
Harry ainda estava de p�, pr�ximo a lareira, mas ouviu as palavras sussurradas. Ele
sentiu o ch�o se abrir aos seus p�s. 'Nigel, os Comensais da Morte haviam levado
Nigel'.
"Eles vieram por causa dele. Eu n�o sei como sabiam que ele estaria aqui hoje, mas
de alguma forma sabiam. Nigel... Nigel estava l� fora com Ginny e Hermione. N�s
apenas vimos os homens aparatarem e corremos l� fora para lutar contra eles. Os
Comensais da Morte n�o paravam de tentar alcan�ar Nigel. Eles nos atacaram enquanto
n�s tent�vamos levar Nigel para longe daqui." Sirius tentava explicar, j� que o
resto parecia doente demais para falar qualquer coisa.
"Ginny era quem estava segurando ele. Ela recusou-se a deix�-los se aproximarem de
Nigel. Ela� ela fez tudo que podia, mas os quarto Comensais da Morte apenas a
atacaram sem piedade" Sirius continuou. Molly deixou escapar outro solu�o, fazendo
com que o cora��o de Harry batesse dolorosamente ao pensar no que podia ter
acontecido com ela.
"Ela, ela n�o deixou chegarem perto dele. Suas m�os estavam sangrando por causa das
maldi��es que aqueles bastardos estavam lan�ando contra ela, mas nem assim ela
deixou que eles levassem ele! Ela levantou um escudo para proteger os dois quando
os Comensais da Morte tentavam estupor�-la para peg�-lo, mas o escudo n�o durou
muito tempo. Um dos homens gritou dizendo que o tempo deles estava se esgotando. Os
Comensais da Morte sabiam que a ajuda logo chegaria, ent�o eles... eles levaram os
dois. Derrubaram o escudo dela e pegaram ela e Nigel e levaram os dois embora
atrav�s de uma chave de portal." Sirius terminou consternado.
"Oh Deus!" James percorreu seus cabelos com sua m�o tr�mula, enquanto pensava em
algo reconfortante para dizer.
Molly e Arthur debulharam-se em l�grimas novamente, tal qual fizeram Frank e Alice.
James e Lily pareciam estar t�o mal quanto eles. Ningu�m podia entender melhor o
que aqueles pais estavam sofrendo do que os dois. Lily abra�ou Alice tentando
confort�-la. Damien tentava fazer com que Ron e Hermione parassem de chorar tamb�m.
Harry estava parado no meio disso tudo, sentindo o seu pr�prio cora��o em peda�os.
Nigel e Ginny. Ambos agora estavam � merc� de Voldemort. Ele teve arrepios ao
pensar no que poderia acontecer a eles. Por essa raz�o � que Harry n�o havia dito
nada a ningu�m sobre seus sentimentos em rela��o a Ginny. Isso era exatamente o
motivo dele ter afastado-se dela quando voltou para seus pais. Ele sabia que ela
seria um alvo por causa dele. Tudo isso parecia in�til agora. Ela havia sido levada
por Voldemort e Nigel... Por Merlin, ele era apenas uma crian�a de dois anos de
idade! Harry sentiu suas pernas bambearem com o pensamento.
Ele saiu da frente da lareira, bem a tempo das chamas tornarem-se verdes e Fred e
George sa�rem correndo em dire��o aos pais. Eles os abra�aram rapidamente antes de
perguntarem o que havia acontecido. O irm�o deles Bill contou o ocorrido, momentos
antes de Percy chegar atr�ves do p� de flu, parecendo totalmente abalado. Harry foi
em dire��o a um canto da sala, desejando que pudesse desaparecer, assim poderia
pensar melhor sobre o que tinha acontecido.
Logo a Toca estava cheia de pessoas da Ordem que haviam chegado. A hist�ria de
Ginny e Nigel foi repetida diversas vezes. Harry continuava num canto da sala. Ele
estava vagamente ciente do que acontecia ao seu redor. Sua mente ficava nebulosa a
cada momento e quando pensava em Nigel seu cora��o pulsava dolorosamente. Ele n�o
sabia o que iria fazer se algo acontecesse ao menininho.
Neville ficou totalmente em choque. Seu irm�ozinho, seu irm�o mais novo havia sido
capturado pelo bruxo mais terr�vel de todos os tempos. Seus olhos varreram a sala e
pausaram sobre Harry novamente, mas logo desviaram-se. Ele se aproximou de
Dumbledore e deixou a voz firme e clara.
"O que n�s faremos agora?" Perguntou tenso. Harry podia dizer que Neville estava
tentando controlar suas emo��es.
"Traz�-los de volta! Como voc� acha que conseguiremos trazer eles de volta! Como
voc� pode ter certeza de que eles ainda est�o...?" Neville pareceu estar quase
perdendo a raz�o, quando parou e come�ou a balan�ar a cabe�a tentando controlar as
suas emo��es.
"N�o h� muito mais a fazer. N�s s� podemos concluir que Voldemort queria Nigel
vivo. Deve haver alguma raz�o. De outra forma, os Comensais da Morte o teriam
matado aqui mesmo." Dumbledore explicou.
"Pergunte a ele! Ele deve saber o porque daquele monstro querer Nigel! Vai,
pergunta pra ele!" Neville berrou.
Harry nem mesmo olhou para o outro. Ele n�o tinha for�as para lidar com Neville
numa hora dessas. Contudo, Damien havia levantado do lado de Ron e aproximou-se de
Neville amea�adoramente.
"Que diabos voc� quer dizer? Por qu� � que voc� est� culpado Harry? Ele n�o tem
nada a ver com isso!" Damien gritou em resposta.
"� claro que ele tem algo a ver com isso! Tudo o que Voldemort faz de alguma forma
est� relacionado a ele. Ele � o respons�vel por isso! Isso tudo aconteceu por causa
dele!" Neville gritou novamente.
"Neville!" Alice tentou fazer com que Neville parasse, mas ele parecia estar
nervoso demais para ouvir qualquer coisa que sua m�e tivesse a dizer.
"Pergunte a ele, vai Dumbledore. Voc� tem tanta confian�a nele! Pe�a para ele
trazer Nigel de volta. Ele � o �nico que sabe aonde Voldemort est�!" Neville
continuou.
"Neville, eu sei que voc� est� chateado. Todos n�s estamos. Todos n�s vamos fazer
tudo para trazer Ginny e Nigel de volta. Mas voc� n�o pode culpar Harry por nada
disso. Eu tenho certeza de que Harry vai ajudar a gente da maneira que for
poss�vel." Ao dizer isso, ele olhou para o filho para ter certeza de que ele
concordaria.
Harry n�o disse nada. Ele se moveu poucos passos em dire��o ao resto do pessoal.
Dumbledore tomou isso como um sinal de que ele iria ajudar.
"Harry, eu acho que eu j� sei a resposta para essa pergunta, mas em considera��o ao
bem de todos vou te fazer essa pergunta. Voc� pode n�s dizer onde est� Voldemort?"
Dumbledore perguntou.
Harry olhou para o quarto cheio de pessoas, que o observavam. Lentamente ele
balan�ou a cabe�a.
"N�o, a casa est� sob o feiti�o Fidelius e Voldemort � o �nico fiel do segredo"
Respondeu.
"Ent�o voc� n�o pode dizer, mas voc� pode n�s levar at� ele!" Neville berrou
novamente. Nessa hora Frank passou seus bra�os ao redor do filho, obrigando-o a se
sentar.
"Voc� n�o pode seguir ningu�m para dentro da casa dele. Existem v�rios feiti�os que
fazem com que voc� se perca se voc� estiver seguindo algu�m. Se voc� colocar um
rastreador em algu�m, ele vai ser detectado j� que todos tem que passar por umas
duas checagens feita por Comensais antes das portas se abrirem." Harry respondeu
numa voz sem emo��o. Esse era a �nica maneira que ele conseguiria responder com
tanta gente o encarando t�o pr�ximamente.
Ningu�m disse nada ap�s Harry terminar. Qualquer esperan�a tinha se esvaido ap�s o
garoto dizer o qu�o protegido era aquele lugar. Neville abaixou a cabe�a cobrindo-a
com suas m�os ao constatar que n�o havia nada que ele podia fazer.
Dumbledore ordenou aos Aurors para sairem e para que tentassem obter informa��es
que pudessem lev�-los at� Ginny e Nigel. Harry percebeu que Snape n�o havia
comparecido ao aviso da Ordem. Ele provavelmente era o �nico que poderia dizer a
eles em que estado Ginny e Nigel se encontravam.
"Eu n�o entendo como o escudo pode ter ca�do. Isso n�o faz nenhum sentido. E como �
que em nome de Merlin, eles sabiam que os Longbottom iriam estar l� hoje" Moody
perguntou no meio do grande c�modo.
Ningu�m disse nada por alguns minutos. Ent�o ouviram algu�m arfando. Harry virou-se
e viu Percy que estava sentado com seus olhos arregalados e suas m�os tampando sua
boca. Ele tinha ficado muito mais p�lido do que estava at� ent�o. Ele olhou para
seus pais totalmente arrasado.
"H� uns quize dias atr�s, o Ministro me pediu, pa-para eu escrever um relat�rio
detalhado dos fei-feiti�os de pro-prote��o que ficavam em volta de minha casa. Era
para isso ser usado como um novo protocolo de feiti�os para proteger as casas de
todo mundo. Eu-eu dei para ele alguns dos que n�s usamos l�. Eu-eu pensei que ele
iria fi-ficar muito impressionado com todos os feiti�os que n�s t�nhamos l� em
casa. Eu n�o pensei que isso pudesse causar algu�m dano." Percy terminou com um
olhar consternado no rosto.
"Voc� revelou a ele todas as defesas da nossa casa? Percy, como voc� pode?" Molly
disse furiosa.
"Eu n�o fiz isso por mal. O Ministro veio me pedir esse relat�rio pessoalmente. O
que eu deveria dizer? Ele � meu chefe e � o Ministro da Magia! Eu n�o podia dizer
n�o a ele!" Percy tentou se explicar.
"Seu tremendo idiota! Como voc� pode ser t�o ingenuo! Qualquer idiota pode se fazer
passar pelo Ministro. Nunca ouviu falar na po��o Polissuco?" Fred gritou enquanto
George avan�ava em dire��o ao seu irm�o mais velho, com inten��o de dar umas
bofetadas nele.
Bill segurou George e fez com que ele se sentasse novamente enquanto Moody tentava
impedir Fred de machucar Percy tamb�m. Percy estava sentado com a cabe�a abaixada.
Harry sentiu uma f�ria apoderar-se dele tamb�m, mas com esfor�o conseguiu manter-se
calado. Como � que algu�m dava os feiti�os de prote��o da sua casa para deixar seu
chefe feliz? Ele decidiu guardar seus coment�rios para s�, pois n�o havia nada que
pudesse ser feito em rela��o a Percy no momento.
"Eu acho que � seguro presumir que um dos espi�es de Voldemort se fez passar por
Fudge ent�o eles poderiam te enganar Percy. Mas n�o se culpe. Voc� foi trapaceado.
� uma coisa que Voldemort faz muito facilmente." Dumbledore tentou confort�-lo.
"Eles devem ter vigiado a Toca para ver quando teriam uma chance de pegar o Nigel."
Moody deduziu assim que o mist�rio come�ou a ser esclarecido. Todos permaneceram em
sil�ncio depois disso, sem querer realmente saber o que os outros teriam a dizer.
De repente um som estranho ecoou na casa. Todos olharam pela janela para ver de
onde ele estava vindo. James e Sirius j� tinham sacado as varinhas e estavam
prontos para atacar contra o que � que fosse aparecer no caminho. Eles pararam
quando viram a janela se abrir e um p�ssaro negro entrar atr�ves dela. Todos o
observaram voar em dire��o a Harry. O p�ssaro pousou na mesa em frente a ele. O
garoto olhou para o animal durante alguns momentos, sem demonstrar nenhuma emo��o.
O resto tentava n�o gritar devido � apar�ncia do bicho. Ele era horripilante. Era
uma �guia, mas suas penas eram cor de carv�o. Seus olhos eram vermelho sangue e
lan�ava a Harry um olhar de avers�o. Damien apoiou-se no encosto de sua poltrona ao
ver a criatura. N�o havia d�vida de quem era o dono daquela ave. Harry j� havia
visto o p�ssaro muitas vezes. Ele pertencia a Voldemort.
Lentamente, Harry retirou o envelope negro que estava amarrado na pata do p�ssaro.
A �guia levantou v�o imediatamente sem esperar por ningu�m. Harry segurou o
envelope nas suas m�os, encarando-o sem dizer nada. O sil�ncio no c�modo era
ensurdecedor. Todos tinham prendido a respira��o enquanto Harry virava e abria o
envelope. Na mesma hora o papel saiu de suas m�os pairando a sua frente, de um modo
bem similar a um berrador. Ele se abriu e transformou-se numa nuvem negra que logo
foi tomada por um cr�nio verde com uma serpente saindo de dentro da sua boca. A
Marca Negra!
"Eu acredito que nesse momento voc� j� esteja ciente da situa��o. N�o preciso dizer
o que vai acontecer com aquele pirralho e com a traidora do sangue caso voc� me
desobede�a. Voc� conhece muito bem os meus m�todos. Eu n�o tenho nenhum interesse
neIes, mesmo voc� sabe disso. Se voc� quiser que eles sobrevivam, fa�a o que eu
disser. Volte para mim. Se voc� n�o voltar at� o p�r do sol de hoje, voc� vai
receber os corpos da menina e da crian�a ao amanhecer. A escolha � sua. Lembre-se,
at� o p�r do sol de hoje! Voc� sabe como eu detesto atrasos."
As palavras ecoaram no quarto e assim que as �ltimas letras foram ditas, a nuvem
negra transformou-se em uma bola de fogo antes de desaparecer do c�modo. Harry
permaneceu sentado com aquelas palavras recoando em sua mente. Ningu�m sabia o que
dizer ou fazer. Ent�o era por isso que Nigel havia sido levado. Voldemort havia
pegado Nigel porque sabia que Harry seria for�ado a entregar-se para a seguran�a do
menino. Voldemort provavelmente viu que Nigel tinha sido o motivo de Harry voltar-
se contra ele em primeiro lugar. Quando o garoto recusou-se a matar Frank e Alice,
foi a primeira vez que desobedecera uma ordem direta do Lorde das Trevas.
Ent�o, Dumbledore falou.
"N�s sabemos que ambos est�o vivos. Isso � uma not�cia boa. Agora s� temos que
pensar em uma maneira de resgat�-los." Harry olhou para o bruxo antes de virar seus
olhos Esmeralda para a janela. Faltava apenas tr�s, talvez quatro horas para o p�r
do sol. O que eles poderiam fazer para salvar Ginny e Nigel? Aparentemente, Moody
estava chegando na mesma conclus�o.
"Dumbledore, eu n�o acho que n�s temos muito tempo. Voldemort deu um prazo de at� o
p�r do sol de hoje. N�s temos que pensar num modo que nos permita seguir Harry."
Moody disse de modo urgente.
"O qu�? O qu� voc� disse? Seguir Harry? N�o, Moody, eu n�o acho que ningu�m vai
seguir Harry a lugar nenhum, porque Harry n�o ir� a lugar nenhum!" James gritou em
resposta.
"N�o existe outra maneira. N�s n�o podemos descobrir onde � que Voldemort est� e
aonde est�o Ginny e Nigel. Ele quer Harry, n�s temos que entreg�-lo. � o �nico
jeito" Explicou.
"Opa, opa! Quem � que tem o direito de decidir isso? Harry n�o vai a lugar algum.
N�s n�o vamos entreg�-lo �quele monstro!" Sirius disse de uma vez, levantando-se em
f�ria.
Damien olhou o irm�o para ver como tudo isso o estava afetando. Harry continuava
sentado com as m�os juntas e a cabe�a baixa. Ele parecia absorto em seus
pensamentos, quase sem perceber a briga que acontecia a sua frente.
"Potter, Black, voc�s n�o est�o me entendendo. Eu n�o estou sugerindo que voc�s
d�em o Harry para ele. Tudo que estou pedindo � para n�s fazermos com que Voldemort
acredite que o possui. N�s temos que deix�-lo acreditar nisso se quisermos salvar
Ginny e Nigel!" Moody tentou se explicar.
"Voc� quer dizer usar o Harry como isca? Esque�a! N�s vamos ter que pensar num
outro plano." James disse de uma vez.
"Potter, � a vida de duas crian�as que est� em jogo, n�o podemos deix�-los morrer!"
Moody bradou perdendo a paci�ncia.
"Eu nunca disse isso!" James gritou de volta. Ele se virou para Arthur e Frank,
ambos ainda permaneciam em completo sil�ncio.
"Arthur, Frank. N�s vamos trazer Ginny e Nigel de volta! N�s vamos, eu prometo a
voc�s. Mas voc�s n�o podem me pedir para sacrificar o meu filho desse jeito. Eu n�o
posso colocar Harry em perigo. Voldemort vai mat�-lo no momento em que colocar os
olhos sobre ele e talvez ele nem ao menos poupe Ginny e Nigel. N�s temos que pensar
num outro plano. Por favor, n�o me pe�am para colocar Harry em perigo."
Arthur e Frank ambos olharam para James e deram um sinal com a cabe�a assentindo.
"N�s nunca te pedir�amos para colocar a vida do seu filho em risco, nem mesmo para
salvar a vida de um dos nossos filhos" Arthur disse com uma voz rouca
"Harry, eu sei que voc� provavelmente est� se sentindo culpado, mas n�o fa�a isso.
Isso n�o � culpa sua. Confia em mim, ok? Tudo vai terminar bem. N�s vamos trazer
Ginny e Nigel de volta. Eu prometo."
Harry olhou para seu pai como se o visse pela primeira vez. Seus olhos encararam o
rosto do pai, como se ele tivesse guardando cada detalhe cuidadosamente.
Harry desviou o olhar, que recaiu sobre Molly e Alice, ambas estavam com o rosto
coberto de l�grimas. Ele lentamente olhou para James novamente e assentiu com a
cabe�a.
"Apenas permane�a aqui dentro" James sussurrou enquanto Harry rumou em dire��o ao
seu quarto. O homem deu a Damien um olhar pedindo para que ele seguisse o irm�o e
tomasse conta dele. Rapidamente o menino levantou e saiu do c�modo. Ron e Hermione
levantaram-se tamb�m e seguiram o amigo, desejando sair de perto de todo aquele
choro.
Damien bateu na porta do quarto de Harry antes de entrar. Ele esperava encontrar o
irm�o sentado na cama, ou sentado em sua escrivaninha com as m�os sobre a cabe�a.
Ele n�o estava esperando ver Harry colocando sua capa preta sobre suas vestes
negras. Damien parou na porta enquanto o observava terminando de abotoar sua capa.
"O que � que voc� pensa que est� fazendo?" Hermione perguntou a ele num tom
zangado.
Harry desviou o olhar dela para pegar sua varinha. Ele n�o estava nem olhando para
os tr�s adolescentes no seu quarto.
"Harry, cara, voc� n�o pode estar pensando em ir l�." Ron disse numa voz baixa. Ele
parecia quebrado ao dizer as �ltimas duas palavras.
Harry disse ao olhar para ele, seus olhos amoleceram ao olhar para a ang�stia de
Ron.
"N�o h� outro jeito. Ningu�m pode ir comigo. Eles n�o podem me seguir e n�o podem
me ajudar. Eu tenho que fazer isso sozinho." Disse rapidamente.
"N�s n�o vamos te deixar fazer isso, Harry. Voc� n�o pode se sacrificar desse
jeito. N�o h� garantia que ele vai deixar Ginny e Nigel partirem depois que voc� se
entregar a ele." Hermione tentou explicar.
Damien rumou em dire��o a porta. Ele n�o ia deixar Harry sair desse jeito. Ele ia
l� embaixo contar isso para seus pais. Mesmo que eles tivessem que trancar Harry no
quarto para ele ficar em seguran�a. Depois Damien lidaria com as consequ�ncias, mas
perder Harry n�o era uma op��o. Ele sabia que se o irm�o sa�sse hoje, nunca mais
voltaria. Voldemort o mataria e Harry sabia muito bem disso.
Antes que Damien pudesse abrir a porta, ele ouviu um clique produzido por Harry que
a trancou sem usar a varinha. O menino virou-se vagarosamente para encarar o irm�o
mais velho, cujos olhos verdes j� demonstravam remorso quando mirou sua varinha em
dire��o a Ron.
"Sinto muito" Ele sussurrou ao lan�ar dois estupefa�as em dire��o a Ron e Hermione,
nocauteando os dois, que rapidamente ca�ram no ch�o.
Harry voltou sua varinha para Damien. O menino assistiu o irm�o juntar for�as para
lan�ar a maldi��o nele. O moreno de olhos verdes acabou abaixando a varinha.
"Voc� n�o pode me enfeiti�ar, Harry." Damien disse ao dar um passo em dire��o a
ele. Ele esperava que pudesse convenc�-lo a n�o fazer isso.
"Voc� n�o deve levar o que Neville e Moody dizem a s�rio. Eles n�o sabem o que
est�o falando. Voc� tem que deixar a Ordem cuidar disso. Harry, por favor, n�o v�."
Damien tinha lentamente aproximado-se do irm�o, ficando bem na frente dele.
"Harry, se voc� voltar pra ele, ele vai te matar. Por favor, Harry. Seja sensato."
Damien implorou ao chegar bem perto.
"Eu sei disso. Eu sei exatamente o que ele vai fazer, mas eu n�o posso ficar parado
e deixar Nigel morrer. Eu n�o posso sacrificar Ginny s� para me salvar. Voldemort
n�o vai parar por aqui. Se eu n�o for agora, ele vai trazer mais pessoas para
dentro disso. Isso vai terminar hoje, de um jeito ou de outro."
Damien teve uma sensa��o g�lida de p�nico. Ele n�o podia deixar Harry fazer isso.
"Voc� sabe que eu n�o vou ficar aqui parado vendo voc� marchar em dire��o a morte!"
Damien disse cheio de raiva.
Sem nenhum aviso o garoto deu um soco na cara de Damien. O menino foi nocauteado
instantaneamente. Harry segurou o irm�o antes que ele ca�sse e gentilmente o
colocou no ch�o. O moreno limpou o machucado de Damien para que pudesse olh�-lo
decentemente. Ele decorou todos os pequenos detalhes do rosto de seu irm�o.
Ele olhou para seu quarto uma �ltima vez antes de abrir a janela. Sem virar a
cabe�a, Harry deixou a Mans�o Pottere rumou para a Mans�o Riddle.
Harry sentiu seus p�s baterem firmes no ch�o assim que aparatou do lado de fora da
Mans�o Riddle. Ainda faltava meia hora para o p�r do sol. Lentamente Harry come�ou
a andar em dire��o ao lugar onde havia crescido e considerado seu lar. Era bizarro
como aquele lugar parecia irradiar medo. Harry nunca havia notado isso antes. Ele
se lembrou na �ltima vez que tinha visto o local. Fora no dia em que ele havia
aprendido a verdade sobre a sua inf�ncia.
Harry ignorou o coment�rio e andou o mais calmamente que podia em dire��o a c�mara
de Voldemort. Haviam quatro Comensais da Morte acompanhando-o. Eles n�o se atreviam
a toc�-lo, por�m o acompanhavam para garantir que ele n�o escapasse dessa vez.
Conforme Harry foi se aproximando da c�mara, sua cicatriz come�ou a queimar e arder
de dor. O garoto j� havia quase se esquecido o quanto sua cicatriz doia quando
estava perto de Voldemort. Ele cerrou os dentes fortemente e tentou ignorar a dor.
As portas da C�mara principal se abriram assim que Harry aproximou-se dela. Ele
tinha apenas dado poucos passos adentro quando viu Voldemort em p� pr�ximo ao seu
trono. Ele viu Ginny, que continuava segurando Nigel pr�ximo a ela, encolhida no
ch�o num canto do c�modo. A c�mara estava lotada de Comensais da Morte, mas Harry
n�o conseguia desviar o rosto daqueles olhos vermelhos, pertencentes ao bruxo que
ele crescera chamando de 'pai'.
Harry andou determinado em dire��o ao Lorde das Trevas e a todo momento sentia a
dor em sua cicatriz piorar. Apesar disso, ele se recusou a desviar o olhar. Harry
ficou em p� no meio da c�mara enquanto Voldemort o analisava. Ele virou a cabe�a em
dire��o a janela. Ainda faltavam alguns minutos para o p�r do sol.
O Lorde das Trevas andou em dire��o a Harry, um sorriso maldoso brincando em seus
l�bios, seus olhos vermelhos brilhavam feito dois rubis. Ele se aproximou do
garoto. Todos os Comensais da Morte assistiam ansiosamente a queda do Pr�ncipe
Negro. Para a surpresa de todos, ele abriu os bra�os e envolveu Harry num abra�o.
Ginny deixou escapar um gemido quando viu essa estranha cena. Ela podia ver que os
bra�os de Harry permaneciam ao seu lado. Ele n�o tinha retribu�do.
Antes que qualquer um pudesse imaginar o que aconteceria, eles viram Voldemort
perpassar seus dedos de cobra pelos cabelos de Harry. Sem nenhum aviso, ele
interrompeu o abra�o bruscamente, segurando Harry de modo que pudesse o encarar nos
olhos. O gaoto n�o deixou nenhum som escapar, ainda que sua cabe�a contorcia-se
dolorosamente.
"Eu deveria cortar sua garganta agora mesmo! Mas essa seria uma morte r�pida demais
para voc�. Traidores merecem sofrer antes de morrer." Voldemort sibilou para ele.
Harry olhou dentro dos olhos do homem e n�o respondeu. Ele queria perguntar quem
era o verdadeiro tra�dor, ele ou Voldemort.
"Eu sempre te disse que sua vontade desnecess�ria de proteger os outros seria a sua
destrui��o. Voc� deveria ter me ouvido." Ele apontou para um dos Comensais que
pegou Ginny e arrastou-a em dire��o a Voldemort.
Ginny deixou escapar um gemido de dor quando seu bra�o foi puxado fortemente para
arrast�-la. Nigel continuava preso em seus bra�os enquanto era arrastado tamb�m.
Harry assistia a tudo impotente. Se ele quisesse salvar Ginny e Nigel ele teria que
esperar o momento certo.
Ginny foi jogada aos p�s de Voldemort. Instantaneamente ela tentou se levantar, mas
apenas conseguiu se sentar. Harry podia ver o sangue dela cobrindo todas as suas
roupas. Seus cabelos vermelhos misturavam-se com sangue, e suas m�os, oh Deus, suas
m�os estavam completamente ensang�entadas. Ela ainda segurava Nigel, recusando-se a
deixar qualquer um se aproximar dele. Harry viu que o pequeno tamb�m agarrava-se a
ela. Ele parecia estar em estado de choque.
"Voc� disse que iria deix�-los partir." Ele disse num tom de voz quase controlado.
Voldemort ficou est�tico por um momento. Essa era a primeira vez que ouvia a voz de
Harry em seis meses. Ele sentiu aquela calma familiar tomar conta dele ao ouvir o
garoto falar. Sua voz tinha um poder de acalm�-lo. Voldemort ignorou essas emo��es.
Aquele n�o era o seu Harry. Ele n�o podia sentir isso. O moreno teria que ser
punido.
"Eu vou deix�-los partir assim que meus Comensais tiverem uma pequena divers�o.
Voc� vai ver, eu prometi que eles iriam se divertir assim que voc� chegasse. Eu
achei que voc� gostaria de ver do que � que meus Comensais da Morte s�o capazes de
fazer." Voldemort sentou-se no seu trono e fez um sinal de aprova��o para os seus
Comensais.
Na mesma hora, quatro Comensais da Morte agarraram Ginny. Eles tentavam separar
Nigel dela. Ginny gritava enquanto chutava-os e tentava morder as m�os dos que
tentavam arrancar Nigel dos seus bra�os. Ela olhava desesperada para Harry,
implorando por ajuda silenciosamente.
Tr�s dos Comensais da Morte tinham suas varinhas apontadas para Harry. Se ele se
movesse, todos iriam amaldi�o�-lo. O garoto aproveitou quando um deles aproximou-se
perto o bastante dele. Harry deu-lhe um chute no est�mago antes de tom�-lhe a
varinha e us�-lo como escudo humano. Os outros Comensais da Morte n�o conseguiram
reagir r�pido o bastante. Harry lan�ou a maldi��o da morte neles, antes de jogar o
Comensal que segurava em outros homens mascarados que se aproximavam. O moreno
tinha poucos segundos antes de ser atingido por alguma maldi��o, haviam muitos
Comensais da Morte para lutar sozinho. Voldemort assistia a tudo calmamente sentado
em seu trono. Ele sabia que Harry n�o tinha por onde escapar.
Harry silibou em lingua de cobra, abrindo uma passagem secreta que apenas Voldemort
usava. O Lorde das Trevas levantou-se do seu trono em choque. Ele n�o sabia que
Harry conhecia aquela passagem. O garoto correu em dire��o a porta, seu escudo
absorvia as maldi��es que eram lan�adas em sua dire��o. Ele agarrou Ginny que havia
conseguido desvencilhar-se dos Comensais. Todos tr�s correram em dire��o a passagem
secreta. Harry lan�ou um feiti�o de bolas de fogo atr�s dele para que os outros
homens n�o pudessem segui-lo. O moreno conhecia todas as passagens secretas dentro
da Mans�o Riddle. Ele pegou Nigel nos seus bra�os antes de segurar as m�os
ensang�entadas de Ginny e correr com ela atrav�s das passagens secretas. Ele podia
ouvir os Comensais da Morte lan�ando feiti�os para extinguir a chama. Sua cicatriz
estava explodindo de dor, mas Harry cegamente conseguiu andar pela passagem.
No final eles sa�ram do corredor negro. Harry podia ouvir os homens correndo atr�s
deles. Voldemort devia ter extinguido o fogo para que eles pudessem segu�-los.
Harry fechou a porta de sa�da, trancando os comensais na passagem. Eles fugiram por
outro corredor. Ginny olhou para tr�s por um momento e percebeu que tinha sido
guiada para as celas dos prisioneiros. Havia v�rias delas e correntes presas nas
paredes.
"Confia em mim" Harry sussurrou enquanto lutava para continuar correndo com a sua
cicatriz quase cegando-o de dor.
Rapidamente Ginny ajeitou-se dentro da lareira, que era absurdamente pequena. Ela
tinha que dobrar os joelhos, colocar seus cotovelos pr�ximos ao seu corpo para
conseguir entrar. Ela iria fazer uma viagem terrivelmente dolorosa. Harry entregou
Nigel a ela, que parecia incapaz de fazer qualquer coisa sen�o choramingar enquanto
Harry o colocava nos bra�os de Ginny.
O garoto estava prestes a jogar um punhado de p� de floo quando Ginny percebeu uma
coisa. A lareira era pequena, muito pequena. Apesar de Ginny ser menor, ela mal
cabia l� dentro. N�o havia nenhuma chance de Harry conseguir usar a lareira.
Harry jogou um punhado de p� de floo na lareira, fazendo com que as chamas verdes
se acendecem de uma s� vez.
"Harry, n�o! Eu n�o vou embora sem voc�!" Ginny fez men��o de sair da lareira, mas
Harry a impediu.
"N�o seja tola! Voc� tem que sair agora! Antes que eles venham. Por favor Ginny,
vai!" Harry colocou ela de volta nas chamas verdes, mas ela se recusava a voltar
sem ele.
"Eu n�o vou sair sem voc�! N�s temos que voltar juntos" Ela discutiu teimosamente.
"Ginny, pensa no Nigel. Voc� n�o pode arriscar a vida dele. Por favor, v� agora!"
Harry implorou. Ele podia ouvir os passos se aproximando da porta. A qualquer
momento os Comensais da Morte iriam arromb�-la.
Ginny olhou para o menino nos seus bra�os. Nigel estava chorando e gemendo no seu
colo. Ela olhou para Harry desesperada.
"Por favor, Harry, n�o me pe�a para fazer isso! Por favor. Eu n�o posso te deixar!
Tem que haver outra maneira. Eu n�o posso fazer isso." Ela disse com l�grimas
escorrendo no seu rosto.
Harry abaixou perto dela e gentilmente segurou sua face com as suas m�os.
"Voc� pode, Ginny. Fa�a isso por mim! Eu nunca te pedi nada. Por favor, fa�a isso
por mim" Ao dizer isso, Harry aproximou-se ainda mais de Ginny e roubou-lhe um
beijo.
Ginny n�o conseguiu sentir nada, sen�o os l�bios de Harry precionando os seus. O
moreno afastou-se e a olhou com tanto amor, que fez o cora��o dela se partir.
Harry parou na frente dela. Ginny olhou novamente para Nigel antes de levantar seus
olhos para encarar Harry. Com uma voz baixa ela murmurou'Mans�o Potter'.
As chamas verdes rodopiaram entre ela e Nigel. Ginny olhava fixamente para Harry
enquanto as chamas a engolfavam, levando-a para fora daquele lugar. A �ltima coisa
que ela viu foi a porta explodir e uma grande quantidade de feiti�os sendo lan�ados
na dire��o de Harry.
A menina sentiu que a lareira havia levado-a at� um tapete extremamente macio. Ela
tremia horrivelmente. Na mesma hora sentiu um par de m�os recair sobre ela e a face
de sua m�e invadiu sua vis�o. Ginny continuava segurando Nigel e com uma de suas
m�os ela abra�ou sua m�e, que chorava sem parar.
Molly chorava e beijava sua �nica filha sem pausas. Ginny sentiu que algo tentava
arrancar Nigel dos seus bra�os. Instintivamente ela agarrou-se a ele, recusando-se
a entreg�-lo.
"Ginny, querida. Voc� pode solt�-lo agora." Ela ouviu a voz de seu pai e soltou o
pequeno.
Ela viu Frank e Alice abra�arem o seu filho, chorando aliviados. Nigel parecia sair
do seu choque e come�ou a chorar nos bra�os de sua m�e
Ela estava sendo beijada e abra�ada por todos. Ela queria que eles parassem e
fossem ajudar o Harry. Ela queria dizer para eles que Harry havia salvado sua vida
e precisava de ajuda agora.
Ela viu James e Lily parados num canto da sala. Eles a olhavam de um modo que fez
com que ela chorasse mais ainda.
James e Lily notaram que Harry estava ausente h� uma hora atr�s. James fora
verific�-lo e encontrara os tr�s jovens inconscientes. Depois de reanim�-los, os
tr�s disseram que Harry tinha ido salvar Ginny e Nigel.
Eles haviam torcido e rezado para que Harry retornasse com os dois. James olhou
para Ginny que olhava diretamente para ele. Ela lentamente balan�ou a cabe�a e
dissolveu-se em mais l�grimas. Ele sentiu que algo esmagara o seu cora��o, j� que
entendera o olhar que a menina lhe lan�ara. James p�de ler claramente nos olhos
dela.
xXx
Cap�tulo Sessenta e Tr�s: As dores de um her�i
Poppy foi chamada para atender Ginny e Nigel. Ela disse que o menino estava em
choque, devido ao trauma pelo qual passara, mas que ficaria bem. Assim que
percebesse que estava a salvo, voltaria a ser como antes e n�o estaria em nenhum
tipo de perigo. Ele era muito novo para entender o que acontecera. Tudo o que sabia
era que fora retirado de seus pais e se assustara com os gritos e choros.
No momento, a enfermeira estava ocupada curando as m�os de Ginny. Ela mal conseguia
se concentrar. Sua mente ficava pensando no que Harry deveria estar passando.
Ginny ficara quieta assim que terminara de contar sobre como Harry a for�ara
escapar. Ela sentou, sem se mover, com os olhos cheios de l�grimas, enquanto Poppy
passava as bandagens por suas m�os, que estavam bem machucadas e demorariam dias
para se recuperar.
Em frente � ela estava Damien. A face do menino ainda se encontrava dolorida devido
ao ataque de Harry. Os olhos avel� dele estavam concentrados na lareira, como se
desejassem que o irm�o sa�sse dela, do mesmo modo que Ginny fizeram h� meia hora
atr�s.
Ele ainda n�o conseguia acreditar que Harry tinha ido. O menino sentiu uma m�o
apertar seu ombro, desviou o olhar da lareira e o rosto choroso de Hermione entrou
em foco. A garota ajoelhou-se ao seu lado e o confortou sem dizer nada. Ela n�o
sabia o que falar para possivelmente deix�-lo melhor.
"Temos que esperar por Severus. Ele � o �nico que pode nos ajudar a resgatar Harry.
N�o percam as esperan�as. Harry vai sair dessa." Sua �ltima frase foi dirigida aos
pais do garoto, que estavam sentados no meio de todos.
Nem James, nem Lily mostraram que tinham escutado. Sirius deu um suspiro frustrado
e olhou para Dumbledore. 'Se Snape � a nossa chance de conseguir Harry de volta,
ent�o n�o nos resta esperan�a' pensou miseravelmente.
xXx
Harry foi atirado violentamente contra o ch�o de pedra. Sua cabe�a bateu com for�a
e ele deixou um pequeno gemido escapar por seus l�bios. O garoto ficou ali
procurando por ar, enquanto ouvia os passos que o rodeava. A dor em sua cicatriz o
estava deixando doente. Ele fora nocauteado pelas v�rias maldi��es que vinham dos
Comensais da Morte, assim que Ginny e Nigel voltaram seguros, para a Mans�o Potter.
Os seguidores de Voldemort amarraram as m�os do garoto contra suas costas e o
arrastaram para atir�-lo aos p�s de seu Mestre.
Harry sentiu duas m�os o agarrando pelas axilas e o colocando de joelhos. A vis�o
dele turvou, quando sua cabe�a latejou com for�a, fazendo a cicatriz incendiar-se
mais uma vez. O moreno mais sentiu do que viu o olhar fixo de Voldemort sobre ele.
Sua vis�o clareou um pouco e ele p�de ver a figura do Lorde das Trevas parado a sua
frente. A raiva perpassava aqueles orbes vermelhos.
Harry permaneceu de joelhos. Ele sabia que seria in�til se levantar, uma vez que
seria for�ado a se curvar diante de Voldemort novamente. O garoto manteve seus
olhos fixos no seu antigo pai, silenciosamente o desafiando para manter a palavra e
se vingar.
Voldemort apertou sua varinha e andou calmamente at� ficar em frente a Harry.
"Eu estava certo sobre voc�. Voc� n�o conseguiria ser mais Gryffindor se tentasse!"
Sibilou com raiva.
Harry deixou um sorriso se espalhar por sua face, quando aquele familiar insulto
perpassou por ele.
O garoto tentou n�o sibilar, quando sua cicatriz explodiu de dor. Voldemort desviou
o olhar e sinalizou algo para o Comensal que segurava Harry. Imediatamente o moreno
foi colocado em p� e agora estava no mesmo n�vel que o Lorde das Trevas. Voldemort
se inclinou, deixando a face dos dois bem perto.
"N�o pense que n�o irei drenar at� a �ltima gota do sangue Gryffindor que voc�
possui!" O Lorde sibilou novamente, seus olhos vermelhos brilhavam conforme a
frustra��o e a raiva o consumiam.
Harry nem mesmo respondeu, ele quis, mas tudo o que p�de fazer foi cerrar os dentes
para tentar aliviar a dor que sofria. Sua cicatriz pulsava e ardia, junto com a dor
que se intensificava a cada momento.
"Nenhum de voc�s deve sair! Ningu�m vai sair dessa c�mara at� que eu d� permiss�o!"
Todos responderam juntos, concordando com as ordens de seu Mestre. Voldemort ficou
parado por um momento. Aparentemente estava decidindo o que fazer a seguir. Ele
olhou para Harry e a ira brilhou em seus olhos. O homem fez sinal para o Comensal
que segurava o garoto.
Harry sentiu-se sendo arrastado para o meio da c�mara. Ele poderia ter lutado
contra, mas j� tinha se resignado ao seu destino. Tinha decidido que desistiria e
deixaria Voldemort se vingar no momento em que sa�ra da Mans�o Potter. Ele fora um
idiota por pensar que poderia se dar bem ao enfrentar o Lorde das Trevas. Assim que
saiu da Mans�o dos pais e entrara na dos Riddle, sabia que n�o havia nada, exceto
uma terr�vel morte o aguardando. Tudo o que o garoto queria era que Ginny e Nigel
escapassem sem ferimentos graves. Coisa que conseguira. O resto n�o importava,
Voldemort podia traz�-lo a morte. A �nica coisa que o homem sabia fazer era causar
sofrimento.
Harry observou dois postes sendo conjurados no meio da c�mara. Ele foi arrastado
at� os objetos e seus bra�os foram amarrados contra cada um deles. O garoto sentiu
as cordas puxando seus membros, at� que seus m�sculos gritassem em protesto. Ele
n�o deixou que nenhum som escapasse.
Snape usava o m�ximo de oclum�ncia que possu�a para mascarar o seu desgosto. Era
verdade que ele nunca se importara com o garoto, mas n�o queria perder o Escolhido.
O moreno de olhos esmeralda era o �nico que poderia libert�-lo dessa miss�o dupla.
Com a morte de Harry, quem sabe quanto mais tempo ele teria que levar essa vida.
Lucius Malfoy fechou seus olhos cinzas e tentou respirar fundo, enquanto via Harry
sendo preso contra os postes. Sua mente gritava para que ele ajudasse o garoto, o
salvasse, mas sabia que n�o tinha jeito para que ele ou qualquer outro fizessem
alguma coisa agora. O loiro fechou os olhos e tentou bloquear a puni��o que estava
por vir. O destino, por�m, n�o estava do lado dele.
Malfoy arregalou os olhos e removeu a m�scara, assim como o resto dos Comensais.
Harry apertou sua mand�bula o m�ximo que p�de, quando a raiva o tomou. Voldemort
queria que todos o observassem sendo torturado. O Lorde das Trevas faria com que
aquilo fosse o mais p�blico poss�vel. Os Comensais da Morte o encaravam famintos,
esperando pacientemente para que ele gritasse, e tinham a esperan�a de que pudessem
ser aqueles que o faria sofrer.
Voldemort foi ficar em frente ao garoto e se aproximou de Harry, de modo que apenas
ele pudesse encar�-lo e mais ningu�m.
"Quero que saiba que voc� � o �nico respons�vel pelo o que vai acontecer e pelo o
que acontecer� durante a sua pequen�ssima vida! Voc� trouxe isso a si mesmo! Eu
tinha tantos planos para voc� e voc� os jogou todos fora! Eu tinha sucesso e
satisfa��o planejados para voc�, mas voc� decidiu encher seus �ltimos dias com nada
al�m de dor e tortuta."
Harry finalmente parou de apertar a mandibula, quando a ira ferveu dentro de si.
"Voc� nunca me deu nada mais do que sofrimento durante toda a minha vida. Por que
terminar as coisas de um modo diferente?" O garoto disse amargo.
Voldemort foi surpreendido com o jeito de Harry. Ele andou para tr�s e o encarou
firmemente.
"Eu te dei tudo o que um bruxo poderia sonhar! Eu te dei poder! Eu te dei
habilidades! At� mesmo te dei o status de Herdeiro de Salazar Slytherin! Eu te fiz
poderoso! E o que voc� me deu em retorno? Voc� usou esse mesmo poder para me
destruir!"
Harry teve que morder a l�ngua para n�o gritar de dor. Parecia que sua cicatriz
iria abrir novamente. O garoto, entre dentes, sibilou para Voldemort.
"Voc� me fez ser o que sou, um assassino!" Ele queria dizer mais coisas, mas a dor
o impedia de despejar todos os seus sentimentos amargos.
"Voc� me traiu, Harry. Voc� se voltou contra mim, depois de tudo o que fiz por
voc�. E ter� que pagar por seus crimes." Voldemort disse a ele com uma voz baixa e
gentil.
"Macnair!"
Voldemort virou para encarar Harry. Ele levantou sua varinha e apontou-a para o
garoto, que teve que impedir de soltar um solu�o, quando suas vestes desapareceram,
deixando-o apenas vestido com suas cal�as negras. O moreno tentou n�o se arrepiar,
quando o ar gelado perpassou seu peito nu.
Harry n�o expressava nenhum medo, mas Voldemort sabia o qu�o amedrontado ele estava
por dentro. Quando o garoto estava crescendo, acordava v�rias vezes a noite,
chorando, tremendo e mesmo doente com os pesadelos onde 'James' o chicoteava. Era
uma das mem�rias que mais lhe causava sofrimento.
"Trinta chicotadas! Nem mais, nem menos. Quando terminar deixem-no aqui e saiam.
Todos voc�s!" Dito isso, Voldemort virou e saiu da c�mara sem olhar para tr�s.
Macnair sorriu de lado e moveu-se at� ficar em frente a Harry. Ele desamarrou o
chicote e o deixou balan�ando em frente ao garoto para que o visse. O moreno
manteve seu olhar fixo em um ponto acima da cabe�a de todos. Ele n�o iria observar
as faces sorridentes, enquanto era torturado.
Macnair moveu-se ate ficar atr�s do garoto e lan�ou o chicote contra as costas
deles. Os Comensais da Morte celebraram e gritaram 'um!', enquanto o som do
chicote, batendo na pele de Harry, ressoava pela sala. O moreno tremia
violentamente, toda vez que o chicote o acertava, mas mantinha-se calado nos outros
momentos.
Lucius tentou se distrair para n�o ouvir o som do chicote contra a pele de Harry,
mas n�o adiantava o qu�o firme tentasse, ele continuava encarando o garoto.
Harry se contraia toda vez que era a�oitado, mas nenhum gemido sa�a de sua boca.
Depois de dez ataques, as costas do garoto j� sangravam copiosamente. O Sangue
escorria e fazia pequenas po�as no ch�o. Ainda assim, o moreno n�o deixava escapar
nenhum som.
No d�cimo oitavo golpe, Harry deixou escapar um pequeno gemido de dor, quando o
chicote bateu em cima de um corte. Os Comensais celebraram ainda mais alto e
pediram para Macnair fazer o moreno gritar. Malfoy sentiu seu cora��o se despeda�ar
ao ouvir outro gemido, agora mais forte, sair do garoto. As costas de Harry estavam
cobertas por cortes e a n�o ser que Macnair come�asse a golpear o peitoral dele, o
chicote continuaria indo contra os machucados. O loiro olhou, sem saber o que fazer
para o garoto, que respirava com dificuldade, e sentiu como se n�o conseguisse se
manter em p�. Lucius cambaleou um pouco ao perceber que a dor do moreno afetava
seus sentidos.
Malfoy sentiu seu cora��o apertar e novamente olhou para o garoto que ele nomeara
carinhosamente de 'Pr�ncipe Negro'. O cabelo de Harry estava suado e grudava contra
a face, sua cabe�a estava ca�da devido ao cansa�o. Os olhos do moreno estavam
fechados e sua respira��o continuava pesada.
Macnair moveu-se e ficou em frente a Harry. Com outro sorriso s�dico, mirou o
chicote contra o peito e os ombros do garoto. Os olhos esmeralda se abriram e o
moreno sibilou ao sentir a dor irromper em seu peito. Aqueles olhos cheios de dor
encontraram os de Lucius e o loiro caiu de joelhos, enfraquecido. Ele queria ajudar
Harry, mas n�o podia. N�o seria bom ir contra Voldemort nesse momento.
Finalmente os trinta golpes acabaram e Macnair jogou longe o chicote, que agora
estava coberto com o sangue de Harry. O garoto quase nem conseguia se sustentar,
ele estava se apoiando nos postes e respirava fundo e dificilmente, tentando n�o
grunhir devido a dor que incendiava suas costas, torso e cicatriz.
Os Comensais da Morte queriam continuar ferindo Harry, mas o medo de fer�-lo sem a
permiss�o de Voldemort, os fizeram sair relutantemente. Malfoy foi o primeiro a
deixar a c�mara, n�o conseguia mais observar o garoto. Snape foi o �ltimo, esperava
que Voldemort fosse aguardar mais um tempo para matar o moreno, assim a Ordem
poderia ter chance de resgat�-lo. O homem moveu-se em dire��o � porta, com o
intuito de ir embora e sabia que nesse r�timo Harry n�o sobreviveria por muito
tempo.
xXx
A maioria da Ordem j� havia ido embora e antes que de irem, foram instru�dos a
conseguir o m�ximo de informa��o que pudessem. Na verdade, ningu�m sabia o que
fazer para encontrar Harry. Todos eles passaram d�cadas procurando Voldemort, como
agora o achariam em alguns dias? O outro fator que ningu�m ousava mencionar era o
fato de que o garoto n�o durararia alguns dias e provavelmente j� estava morto.
James sentiu como se sua cabe�a fosse explodir e tentava se segurar em uma pequena
esperan�a de encontrar Harry, por�m todos os seus planos foram arruinados, um por
um. O homem come�ou a perceber que poderia muito bem nunca mais ver seu filho
novamente. Os quatro adolescentes faziam o poss�vel para ajudar, mas n�o conseguiam
pensar em nada, mesmo assim era melhor ser inclu�do nas discuss�es do que ficar
fora delas. Eles se sentiam bem por ajudar ativamente, pior seria ficar chorando
pelos cantos.
Houve um barulho seco vindo pr�ximo dali e todos os habitantes da sala de estar
olharam e depararam-se com um Neville muito desconfort�vel parado na frente da
porta.
James desviou o olhar. Ele sabia que era in�til culpar algu�m, mas sabia que as
palavras rudes de Neville ajudaram Harry a dar o passo suicida.
O menino passou o peso do corpo para sua outra perna, antes dar um passo para
dentro do c�modo.
"Nigel acordou?" Alice perguntou ao filho, que estava observando seu irm�o mais
novo.
"N�o, ele est� dormindo profundamente." Respondeu baixo.
"N�o sei o que posso fazer para ajudar, mas quero uma parte nisso. Quero... quero
que Harry volte." Disse baixo.
"Assim voc� pode tortur�-lo mais com as suas palavras?" Damien vociferou.
"Eu sei que o que aconteceu hoje foi minha culpa. N�o sei porque disse todas
aquelas coisas para ele. Eu estava apenas em choque em rela��o a Nigel e tudo mais.
Realmente n�o queria que Harry fosse para Voldemort. Eu n�o pensei que ele fosse me
levar a s�rio. Eu estava chateado." Neville explicou.
Damien continuou olhando o ex-amigo gelidamente, mas n�o disse mais nada. Neville
sentou-se a mesa e olhou direto para James.
"Farei qualquer coisa para ajudar a traz�-lo de volta. Estou em d�bito com ele."
Ele disse a ultima parte em voz baixa, por�m James o escutou do mesmo jeito. O
homem encarou o menino e assentiu sutilmente.
Alguns momentos depois, a lareira tornou-se verde e uma pessoa saiu de l�. Todos no
c�modo se levantaram imediatamente, James e Dumbledore a frente.
Snape saiu das chamas e passou as m�os em suas vestes para limpar a fuligem,
seguindo seu comportamente normal e olhou para todos da sala, que o encaravam. O
homem andou at� o meio do c�modo e observou a face p�lida de James diretamente.
Eles nunca se perdoaram pelos tempos de Hogwarts, mas atualmente conseguiam
aguentar a presen�a um do outro. Naquele dia, Snape viu o desespero nos olhos de
seu antigo rival de escola e quase sentiu compaix�o.
"Se voc�s o querem, � melhor irem busc�-lo rapidamente, porque n�o acho que ele vai
conseguir aguentar muito mais do castigo de Voldemort." Finalizou.
Snape disse rapidamente o que aconteceu com Harry desde que o garoto chegara na
Mans�o Riddle. Ele n�o entrou em detalhes sobre o castigo, j� que, na verdade, o
homem n�o sabia se aguentaria a rea��o das pessoas. E outros como Sirius o
culpariam por n�o ajudar o garoto, mesmo que o �bvio mostrasse que ningu�m podia.
"Severus, tem algum jeito de tirar Harry de l�? Lily perguntou com uma voz sobre
press�o.
Snape balan�ou a cabe�a.
"N�o, ele est� na c�mara de Voldemort e ficar� por l�. Est� sob a vigil�ncia
constante de Voldemort. Ser� imposs�vel tir�-lo de l�."
"N�o tem nenhum jeito de voc� ajud�-lo? Nenhum jeito mesmo?" Damien perguntou
baixo.
"Creio que voc� possa pedir com jeitinho para o Lorde das Trevas. Ele pode deix�-lo
sair." Snape respondeu desdenhando. "Use sua cabe�a, garoto! Se existisse algum
jeito, n�s estar�amos na metade do caminho agora!" O homem repreendeu.
James teria discutido com Snape por ter gritado com seu filho, mas n�o se sentia
capaz de arranjar energia para tanto naquele momento. Sua cabe�a estava girando e
cada vez que fechava os olhos, podia ver o t�mulo negro reluzindo nas trevas.
"Bem, n�o podemos apenas ficar sentados aqui! Qual � o ponto em ser um espi�o se
voc� n�o pode ajudar Harry escapar?" Damien gritou de volta, levantando-se de sua
cadeira.
"Meu prop�sito em ser um espi�o vai al�m da sua compreens�o. Ent�o, sente a� e
mantenha a sua boca fechada!" Snape vociferou.
"N�o! Eu n�o vou! Voc� n�o pode aparecer aqui entre n�s e dizer que Voldemort est�
torturando Harry, mas que n�o h� nada que possamos fazer! Isso n�o est� ajudando,
est� apenas fazendo com que tudo piore! Supostamente voc� deveria estar ao nosso
lado, mas parece que voc� nem mesmo ajuda!" Damien estava gritando tudo isso para
seu antigo Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, o mesmo professor que
sempre o intimidou, mas que agora n�o o deixava com nenhum medo. Tudo o que o
menino sentia era uma ira profunda ao saber que seu irm�o estava sendo torturado,
enquanto todos ficavam sentados confotavelmente, ouvindo tudo aquilo sem fazer nada
para resgat�-lo.
Snape aproximou-se para segurar o menino insolente. Ele n�o ia machuc�-lo, apenas
queria assustar o pirralho para que parasse de falar. Antes que o homem pudesse
colocar seus dedos em volta do colarinho de Damien, uma for�a o atirou para o outro
lado do c�modo.
Snape bateu contra a parede e escorregou para o ch�o. Ele se sentou e ficou
fervendo de raiva contra a pessoa que o atingira, mas ficou surpreso ao ver que
todos olhavam para Damien em surpresa. Ningu�m havia interferido. At� mesmo o
menino n�o havia murmurado uma �nica palavra para se defender.
Snape levantou-se e recuou ao sentir que suas costas discordavam de suas a��es. De
repente, Damien entendeu o que acontecera e colocou a m�o por dentro de suas
vestes, puxando de l� um pingente prateado. Snape observou a pedra brilhar contra a
luz, moveu-se em dire��o ao menino, dessa vez lentamente, e estudou o objeto.
Snape continuou encarando a pedra. Era realmente de tirar o f�lego. Ele desviou o
olhar dela e encarou Damien. Toda a raiva que despertara em Severus, h� momentos
atr�s, o havia deixado.
"Ele me deu para que me protegesse. N�o permite que ningu�m me machuque." O menino
disse baixo.
Snape entendeu porque fora lan�ado para longe do menino. Ele estava carregando a
Marca Negra, sendo assim n�o poderia tocar Damien, mesmo que n�o tivesse a inten��o
de fazer algum mal.
Damien ficou parado extremamente triste, enquanto Snape analisava a pedra. Ele
sabia que nenhum Comensal da Morte poderia machuc�-lo, mesmo um que fosse espi�o.
Na verdade, ningu�m que tivesse uma m� inten��o poderia se aproximar. O menino
assumira que j� que Harry era o �nico que colocara os feiti�os na pedra, ele seria
o �nico capaz de retir�-los. Por isso tinha conseguido nocaute�-lo na noite
anterior. O cora��o do menino contorceu-se dolorosamente, quando lembrou da �ltima
vez que vira o irm�o.
Snape parecia muito pensativo ao olhar para a pedra. Ele encarou o menino e um
sorriso de lado apareceu em sua face. O homem ignorava todos a sua volta.
"Bem, . Aparentemente n�s podemos ter um jeito de resgatar Harry no fim das
contas."
xXx
Voldemort sentou e ficou perdido em pensamentos. Aquele n�o era o jeito como tinha
imaginado as coisas. Ele sabia que ver Harry depois de tanto tempo traria lembra�as
que, de prefer�ncia, n�o deviam voltar. O homem teve que controlar a imensa raiva
que sentiu ao ver o garoto sendo jogado aos seus p�s, amarrado e ferido, para n�o
machucar seus Comensais, que apenas estavam seguindo ordens.
Harry... Por que o garoto teve que tra�-lo daquele jeito? Por que ele n�o podia
voltar a ser o bom e obediente filho de antes?
A coisa que mais incomodava Voldemort era o fluxo de emo��es que sentira,
involuntariamente, vindo de Harry. Ele sempre soube que podia sentir o humor do
garoto. E naquele momento, percebera a raiva e a dor do moreno ao voltar para a
Mans�o Riddle. O homem podia perceber, tamb�m, um pouco de medo. Harry sabia que
n�o iria mais deixar a Mans�o vivo. Por�m, o que mais deixou o Lorde das Trevas
surpreso foi a lealdade em rela��o a ele que o garoto sentia. Aquilo n�o fazia
sentido. Harry n�o era leal a ele. O moreno fora contra tudo, declarara guerra e
saira destruindo as Horcruxes. Como ele ainda podia ser leal?
Voldemort tamb�m sentira uma profunda m�goa e um sentimento de quem foi tra�do
vindo do garoto. Era t�o similar a sua pr�pria dor, quando pensou em perd�-lo.
Harry o culpava por trai��o, por mentir durante todos esses anos, enquanto o Lorde
das Trevas o acusava das mesmas coisas.
Voldemort balan�ou a cabe�a irritado e tentou fazer sua dor de cabe�a ir embora.
Ele n�o fora capaz de sentar em paz, desde que deixara Harry nas m�os de Macnair.
Sabia que se ficasse para assistir, teria matado o Comensal antes da primeira
chicotada. O Lorde das Tervas n�o conseguia impedir que a sensa��o de superprote��o
em rela��o a Harry predominasse em sua mente.
Voldemort n�o tinha a inten��o de fazer Harry sofrer daquele jeito, por�m o garoto
n�o estava facilitando as coisas e teve que ser punido. Era o �nico jeito de
mostrar aos seus Comensais o que aconteceria se algu�m o tra�sse e esperava que
todos percebessem que se ele torturava e matava, sem miseric�rdia, o Princ�pe
Negro, ent�o o que ele poderia fazer a eles, se algu�m ousasse deix�-lo.
xXx
Harry grunhiu quando a luz penetrou em seus olhos. Ele tentou ver de onde vinha a
ilumina��o, mas sua vis�o estava muito emba�ada para perceber alguma coisa. Suas
costas e seu peito estavam em chamas. Se ele se movesse, mesmo que para passar o
peso de um p� para o outro, suas costas come�avam a fever, for�ando-o a parar.
O garoto fora deixado, amarrado ao poste, no meio da c�mara. Ele esperava ficar
inconsciente para conseguir um pouco de descanso da dor constante, mas sua mente
n�o o deixava.
A claridade se aproximou e Harry percebeu que vinha de uma varinha. Ele tentou sair
do caminho quando a luz queimou suas p�lpebras fechadas, mas n�o conseguiu se mover
muito.
Harry abriu a boca, mas devido ao abuso apenas conseguiu tossir. Sua garganta
estava seca e �rida.
Harry tentou ficar em p� para sustentar seu peso, mas n�o conseguiu a tempo. Os
comensais lan�aram um feiti�o de imobiliza��o e o liberaram das cordas que o
prendiam ao poste. O garoto caiu fortemente no ch�o e as amarras de suas m�os foram
levantadas. Os dois riram ao ver a forma machucada do moreno, antes de lhe darem um
chute.
O garoto foi arrastado para fora do c�modo pelos dois homens, enquanto Voldemort
ficou parado na porta de seu quarto privativo, observando tudo com o cora��o
pesado. Ele dera ordens aos seus Comensais para que tratassem Harry como um
prisioneiro normal. Por�m, os avisou para que n�o o matassem. O Lorde das Trevas se
afastou da porta para n�o ouvir nenhum som. Ele n�o confiava em si mesmo para
manter-se calmo ao ouvir os gritos do garoto.
xXx
"Espera, eu n�o entendi. Como isso vai nos ajudar a resgatar Harry?" Sirius
perguntou, irritado, para Snape.
"Como eu disse.." O homem come�ou de novo, lan�ando um olhar g�lido ao outro. "...
n�s levamos a Layhoo Jisteen de volta para Voldemort. Ele est� procurando por ela
desde quando foi dada como perdida. � um artefato de grande estima e algo que ele
planejou em usar."
"Mas, isso n�o nos devolver� Harry! Voldemort n�o vai troc�-lo pela Layhoo Jisteen!
Ele n�o trocar� Harry por nada." Damien interrompeu.
"Fico pensando se seu c�rebro � capaz de pensar em outra coisa a n�o ser bobagens!"
Ele censurou.
"Hey!" Sirius entrou em defesa de Damien.
"� claro que Voldemort n�o vai trocar! N�o estavmos tentando trocar a pedra por
Harry. Isso � a mesma coisa que pedir para ser morto na hora." Snape disse
exasperado.
"Ent�o o que voc� sugere?" James perguntou. Era a primeira vez que falava desde a
chegada de Snape.
"A pedra � a chave para entrar na Mans�o Riddle. Como voc�s sabem � uma pedra
poderosa, j� que tem a capacidade de guardar uma grande quantidade de magia. Um
objeto t�o poderoso poderia facilmente trabalhar a nosso favor." Disse com um
sorriso de lado.
"Feiti�o de Rastreamento."
Snape virou para ver quem tinha falado. Ele n�o ficou muito surpreso ao ver que
fora Hermione. O homem sorriu para a garota, pela primeira vez, e assentiu com a
cabe�a.
Todos permaneceram em sil�ncio quando Snape terminou de explicar. Damien olhou para
a pedra, passando os dedos vagarosamente sobre ela, segurou a corrente e a estava
quase retirando para entreg�-la ao espi�o, quando foi impedido.
"O que voc� est� fazendo?" Dumbledore perguntou ao ver que o menino estava prestes
a tirar o pingente.
"Estou entregando isso ao Professor Snape. Ele pode pegar e colocar o feiti�o de
restreamento nela." Damien respondeu.
"Temo que voc� n�o possa fazer isso." Disse com calma, observando as formas
silenciosas de James e Lily.
"Veja bem, a Layhoo Jisteen continuar� te protegendo, mesmo se voc� remov�-la. Ela
est� atada a voc� e a voc� somente. Apenas Harry poder� remover os feiti�os que
est�o nela. Voc� n�o poder� d�-la a ningu�m, especialmente Severus, j� que a pedra
ir� repelir o toque dele por causa da Marca Negra."
"Mas como n�s vamos entregar a pedra para Voldemort, ent�o?" Ron perguntou.
"Existe apenas um jeito. Temos que levar Damien para Voldemort." Snape disse depois
de uma pausa.
"� o �nico jeito. Ele n�o pode retirar o pingente e n�o podemos dar o cord�o para
mais ningu�m. Mesmo se esse algu�m estiver sob a po��o polissuco, o Lorde das
Trevas detectar� que n�o � ele. Damien tem que vir conosco." Snape gritou de volta.
Damien vagamente registrou que aquela era a primeira vez que Snape falara seu nome.
Sua mente estava nublada de medo e preocupa��o. Seria ele capaz de enfrentar
Voldemort?
"N�o! Tem que haver um outro jeito. N�o posso arriscar Damien." James disse em tom
de finalidade.
"A escolha � sua, Potter. Voc� pode manter o seu filho mais novo e sacrificar o
mais velho. N�o h� outro jeito de salv�-lo." Snape retorquiu.
O menino levantou-se de sua cadeira e andou calmamente at� Snape, que desistira de
discuss�o e estava escorado contra a porta, aparentemente furioso com o resto das
pessoas.
As palavras silenciosas foram ouvidas por todos da sala e a discuss�o parou. Todos
come�aram a encarar, em choque, o adolecente angustiado.
"Eu vou fazer isso, m�e. Se esse � o �nico jeito de resgatar Harry, ent�o eu n�o
vou ficar sentado." O seu tom de voz n�o dava lugar para argumenta��o. Ele estava
apenas constatando os fatos.
Snape olhou para o jovem a sua frente, silenciosamente impressionado com a coragem
dele. James encarou o filho e logo viu que este n�o iria se acovardar. Ele perdera
Harry devido ao fato de n�o t�-lo deixado ir salvar Ginny e Nigel e sabia que
Damien iria atr�s do irm�o com permiss�o ou sem. Era melhor deixar que o menino
ajudasse, seria muito mais seguro.
Quando ningu�m discordou sobre a decis�o, Snape virou para o adolescente. Ele
apenas esperava que o menino pudesse fazer o que era exigido.
xXx
Lucius Malfoy andava de um lado para o outro ansioso. Ele n�o conseguira se sentar
em paz desde quando sa�ra da c�mara do Lorde das Trevas. O loiro tinha ficado e
assistido � tortura de Harry! Como ele p�de ter feito aquilo? Como Voldemort p�de
ter ordenado tal coisa?
'Oras, n�o era como se ele tivesse que ver Harry sendo rasgado em pedacinhos!'
Lucius pensou amargo.
Era �bvio que Voldemort estava achando dif�cil observar o garoto sendo torturado,
por isso que sa�ra da c�mara apressado. Entretanto, Lucius sabia que o Lorde das
Trevas nunca deixaria Harry ir embora. Ele iria fazer do moreno um exemplo e tinha
que fazer isso para conseguir manter aceso o medo nos outros.
Lucius suspirou profundamente e sentou. Ele realmente n�o queria que Harry
morresse. Enquanto o garoto estava ca�ando as Horcruxes, o loiro tinha esperan�as
de que n�o o capturassem para que n�o o trouxessem a Voldemort. Se ao menos ele o
tivesse capturado antes que destru�sse todas as Horcruxes... Voldemort teria apenas
alterado a mem�ria do moreno e todos seguiriam felizes. Entretanto, ele n�o podia
fazer aquilo agora, Harry destru�ra todas as suas Horcruxes e o deixou vulner�vel.
A imortalidade do Lorde das Trevas fora destru�da e o mesmo faria o garoto se
arrepender amargamente.
O Comensal loiro co�ou sua testa. Ele ficara e assistira a alma de Bella sendo
devorada por aquela terr�vel criatura e tinha conseguido se segurar. Por�m, n�o
tinha certeza se poderia ficar e observar Harry morrendo.
xXx
Harry grunhiu de dor quando outra adaga perfurou seu corpo espancado. Ele sentia
como se fosse demoronar contra o ch�o. Aquela fora a �ltima. O garoto conseguiu
escorar-se contra a parede, respirando pesadamente. Seu corpo inteiro agonizava por
causa da dor. Sua mente n�o mais sabia em que se concentrar. Seus pernas estavam
quebradas, sua clav�cula estilha�ada, assim como suas costelas. Seus punhos
sangravam, pois as algemas os feriram. Suas costas e torso ainda estavam queimando
de dor e agora v�rias perfura��es foram feitas, em volta dos machucados, pelas
adagas que vagarosamente foram colocadas pelos seguidores de Voldemort.
Os Comensais da Morte haviam sa�do momentos antes. Eles arrastaram junto os dois
corpos, daqueles que Harry conseguira matar. Os homens fizeram a besteira de soltar
o garoto antes de o colocarem sob um feiti�o imobilizador. O moreno os atacara e
quebrara o pesco�o de dois deles, antes que o resto o restringisse. Os Comensais o
manteram com algemas depois disso. Mesmo agora, Harry ficara com as m�os atadas e
conseguira retirar todas as adagas que foram deixadas nele.
Harry pegou uma das adagas e a analisou de perto. O garoto lutou contras as
l�grimas que surgiram ao perceber que elas pertenciam a ele. Foram dadas por
Voldemort em forma de presente. O moreno j� as havia usado em muitos combates e
agora os Comensais as estavam usando contra ele. Harry jogou a adaga para longe e
lutou para se controlar. Ele sabia o que aconteceria. Pensara que estava preparado
para encarar a situa��o, mas magoava muito estar dentro da Mans�o Riddle e em
constante dor devido �s ordens de Voldemort. Ele crescera ali. Aquela era sua casa.
Seu santu�rio. Depois de todas suas miss�es, o garoto sempre ficava ansioso para
voltar � Mans�o e estar na companhia de seu pai.
'Voc� sabe como � horr�vel ser torturado e morto em sua pr�pria casa? Em seu
santu�rio?'
As palavras que Neville dissera para ele, quando ainda estavam na Mans�o arruinada
dos Longbottom's, voltaram a sua mente.
"Acho que vou descobrir logo, logo." Harry murmurou para si, antes de piedosamente
ficar inconsciente.
xXx
O plano estava sendo formado devagar. Seria bem complicado, mas era a �nica coisa
que tinha chance de funcionar. Snape iria fingir que capturara Damien e que o
estava levando a Voldemort com o intuito de entregar a Layhoo Jisteen. O feti�o
rastreador ficaria distorcido dentro da Mans�o Riddle, devido aos escudos colocados
em volta do local, mas isso aconteceria apenas por vinte ou trinta minutos. Sendo
assim, Damien teria que enrrolar para entregar a pedra a Voltemort, j� que apenas
depois daquele tempo a Ordem e o Minist�rio poderiam entrar no local antes que o
Lorde das Trevas percebesse. Damien n�o tinha a m�nima id�ia de como faria aquilo,
mas resolveria depois. Todo mundo achava que o plano era bem arriscado e muita
coisa poderia dar errada, mas era a �nica alternativa que tinham.
"Como voc� vai explicar que capturou Damien, j� que a pedra n�o deixa voc� e nenhum
dos Comensais chegarem perto dele?" Ela perguntou.
Todos olharam para Snape. Como ningu�m pensou naquilo? O espi�o olhou para
Dumbledore e ambos aparentemente concordaram com alguma coisa. James estava quase
gritando com os dois. O que estava acontecendo?
"Eu tenho uma pessoa que pode nos ajudar. � bem arriscado e tamb�m vai ser a �nica
explica��o acredit�vel." Dumbledore se levantou e foi at� a lareira.
Ele pegou um punhado de p� de floo e jogou contra o fogo, fazendo as chamas ficarem
verdes imediatamente. O homem colocou a cabe�a ali e sussurrou um nome que ningu�m
ouviu. Alguns momentos depois, todos o escutaram pedindo para que algu�m viesse �
Mans�o Potter. Dumbledore retirou a cabe�a do fogo e se levantou.
"Voc� vai nos dizer o que est� havendo?" James perguntou nervoso. Ele estava
cansado, extremamente preocupado e com dor de est�mago s� de pensar em ter seus
dois filhos � merc� de Voldemort. Ele queria saber o que estava acontecendo.
"Eu chamei uma pessoa para conhec�-los. Lembrem-se, enquanto a maioria de voc�s
podem n�o gostar dessa pessoa, Harry confia nele plenamente. Portanto, voc�s tamb�m
deveriam."
Apenas isso foi dito, quando uma figura saiu da lareira. A pessoa saiu das flamas
verdes e limpou as vestes, semelhante ao modo como Snape fez quando chegou. Ele
levantou a cabe�a e olhou para aquela sala cheia de gente.
"Na verdade, � apenas Draco." O loiro respondeu, enquanto entrava ainda mais na
sala, analisando todos com seus olhos cinzas. Ele observou Snape e lan�ou ao homem
um olhar questionador.
O espi�o contou a Draco tudo o que acontecera naquele dia, mas deixou de lado as
partes sobre como Harry sofrera. O loiro crescera no meio dos Comensais e n�o
precisava que contassem como seu amigo estava sendo tratado.
A face de Draco empalideceu, perdendo ainda mais cor. Ele, sem perceber, caiu em
uma cadeira e olhou para Dumbledore com olhos aterrorizados.
"O que vamos fazer agora?" Damien ficou supreso em qu�o fraco e vulner�vel o loiro
soava. Ele sabia que Harry e Draco eram amigos, mas nunca imaginou que o Slytherin
realmente se importava. Essa era uma emo��o que o menino n�o sabia que Draco tinha.
Draco ficou ainda mais p�lido antes de se acalmar. Ele encarou o espi�o, ignorando
todos no c�modo.
"Estou dentro." Disse, sem nem mesmo escutar o que tinha que fazer.
"O que voc� est� fazendo aqui? Voc� n�o deveria ter deixado esse lugar? Por que
voc� n�o foi embora?" Era muito suspeito Draco estar ali. Todos o escutaram dizendo
a Harry que iria embora com a m�e.
O loiro ficou bravo com o ruivo e estava quase o ignorando, quando Dumbledore o
encarou. Suspirando, respondeu.
"Encare o quanto quiser, Longbottom! Voc� sabe t�o bem quanto eu que Harry nunca
teria sido pego se n�o se sentisse mal em acabar com a sua ra�a!" Draco disse com
ressentimento. Neville n�o respondeu. "Se ele tivesse, n�o estar�amos nessa
situa��o! Ele estaria longe de tudo isso e longe de Voc�-Sabe-Quem!" O loiro
continuou.
"Ent�o por que voc� n�o foi embora?" Ron perguntou de novo.
"Eu deveria, mas esperei para saber o que aconteceria com Harry. Depois do
julgamento dele eu queria v�-lo. Ele � meu melhor amigo. Queria traz�-lo de volta �
raz�o. Ele deveria ter ido embora comigo. N�o devia ter ficado, quando sabia que os
Comensais estavam atr�s dele. Mas Harry sempre foi teimoso. Ele n�o me escutava."
Disse desanimado.
"Voc� voc� falou com o Harry? Quando isso aconteceu?" James perguntou, pensando em
quando esse encontro, do seu filho com o loiro, teria acontecido.
"� o Harry. Ele tem um jeito de fazer as coisas sem que os outros saibam e
costumava sair escondido para me encontrar. Mas ele n�o veio me ver h� duas
semanas." Terminou.
James percebera que Harry manteve sua promessa e n�o sa�ra escondido para ver
Draco. Seu cora��o doeu ao pensar no filho mais velho. Esse plano tinha que
funcionar. O homem n�o conseguiria viver se o perdesse.
"Eu decidi n�o ir embora. Queria que Harry viesse comigo e j� que ele recusou,
resolvi ficar at� que ele mudasse de id�ia. Eu ia me encontrar com a minha m�e essa
semana. Ela estava mandando algu�m vir me buscar. Ningu�m sabia que eu estava aqui
com exce��o do Professor Dumbledore, do Professor Snape e de Harry. Eu fiquei
morando com o Professor Snape." O garoto explicou, observando Severus.
"Certo, j� que tiramos tudo do caminho, acho que dever�amos revisar o plano. Eu
estive ensinando Oclum�ncia ao Draco. Ele n�o est� nem perto do t�rmino de seu
treino, mas a situa��o pede medidas dr�sticas. Ele ter� que se comprometer." Snape
disse, ignorando o olhar indignado que Damien lhe lan�ou.
"Ent�o, o que faremos?" Draco perguntou, quando todos sentaram a mesa novamente.
"Creio que � hora de voc�s dois colocarem em pr�tica suas habilidades de atua��o."
James deu uma olhadela nervosa em seu filho mais novo, enquanto Snape prosseguia
com os preparativos para o plano. Ele n�o conseguia acreditar que estava permitindo
que o seu filho de treze anos se arriscasse tanto. Por�m, James estava
completamente perdido para pensar em outra maneira de salvar Harry. O plano de
Snape era arriscado e quase tudo podia dar errado, mas era o �nico plano que tinha
uma pequena chance de sucesso.
"Tudo claro, certo? Eu n�o vou repetir de novo." Snape disse �speramente para os
dois garotos, que o olhavam com uma express�o dura no rosto.
"A coisa mais importante � o tempo. N�s temos que fazer isso com bastante cuidado.
Se formos r�pidos demais, podemos perder tudo." Snape disse para todos no c�modo.
Ele se levantou para sair e gesticulou em dire��o a Draco, para que fosse junto, o
que o loiro fez prontamente.
"Em poucas horas ir� amanhecer. Eu irei encontrar o Ministro assim que ele chegar
no Minist�rio. N�s temos que juntar for�as. Vamos precisar de cada Auror da Ordem e
do Minist�rio para completar essa miss�o." Dumbledore disse a eles.
James deixou-se cair numa cadeira. Ele sabia que ningu�m iria dormir naquela noite.
Amanheceria em poucas horas e embora cada m�sculo de seu corpo implorasse por
descanso, ele n�o conseguiria dormir. Sua mente estava enterrada em um turbilh�o de
pensamentos sobre o que tinha acontecido e o que aconteceria durante o dia. Ele n�o
conseguia parar de pensar que a essa hora, no dia seguinte, ele poderia estar com
os seus dois filhos s�os e salvos, ou poder� ter perdido um dos dois para sempre.
xXx
Como Harry conseguira adormecer era um mist�rio. Ele ficara alerta devido �s dores
que corriam por seu corpo e concluiu que provavelmente ficara inconsciente em algum
momento. O garoto acordou e sentiu algo se movendo pr�ximo a ele. Relutantemente,
abriu os olhos e viu uma figura ao seu redor. N�o havia muito que ele podia fazer
para se proteger, j� que suas m�os continuavam acorrentadas assim como seus p�s.
Ent�o, apenas se lembrou de onde estava, sem se importar com quem estava perto dele
ou com o que iriam fazer com ele agora.
O moreno ficou surpreso ao sentir uma m�o percorrendo gentilmente seu pesco�o at� a
extremidade da sua cabe�a. Ele sentiu um copo gelado tocar seus l�bios e percebeu
que algu�m estava tentando lhe oferecer �gua para beber. O garoto tentou beber o
m�ximo que podia, visto que estava agonizando, devido � sede. Era uma noite quente
de ver�o apesar de tudo.
Harry afastou o copo depois de n�o conseguir engolir mais nada e tentou for�ar sua
vis�o em meio a escurid�o para descobrir quem estava com ele. Ele sabia que havia
uma �nica pessoa que o ajudaria dessa forma.
Uma luz emanava da varinha do Comensal, que estava sendo segurada pr�xima a Harry,
desse modo, o moreno podia ver o rosto preocupado de Lucius Malfoy. O loiro ajudou
o garoto a se sentar contra a parede, que deixou escapar outro gemido quando suas
costas dilaceradas tocaram o concreto. Ele percebeu que Malfoy deveria ter colocado
sua camiseta de volta com um feiti�o, j� que podia sentir o material macio contra
sua pele. Harry o agradeceu mentalmente.
Harry obedeceu e bebericou um pouco mais da �gua, logo depois deitou sua cabe�a
contra a parede para descansar.
"Eu nunca pensei que chegaria a esse ponto." Lucius disse tristemente e Harry abriu
seus olhos para olhar para ele.
"Nem eu." O garoto respondeu. Ele se moveu pela parede de modo a poder encarar o
Comensal loiro.
"Mas pelo que eu sei, parece que eu nunca tive id�ia do que realmente estava
acontecendo ao meu redor." Harry disse amargamente.
Lucius se calou e pela primeira vez na sua vida, Harry viu o Malfoy pai com
vergonha. O homem desviou seus olhos para longe do moreno e abaixou a cabe�a.
"Harry, voc� precisa entender. O que aconteceu quando voc� era crian�a... n�s...
aquilo tinha que ser feito. Era apenas para assegurar que voc� n�o abandonaria a
gente. N�s nunca te machucamos porque odi�vamos voc�..."
"Mas voc� t�o pouco se importava comigo. Se voc� se importasse, nunca teria sido
capaz de fazer todas aquelas coisas que fez." Harry o interrompeu.
Malfoy n�o respondeu e ao inv�s disso encarou o garoto. N�o havia nada que ele
pudesse dizer em resposta.
"Eu n�o te culpo, apesar de tudo." Harry continuou, desviando o olhar dele.
"Voc� estava apenas cumprindo ordens, igual a... igual a Bella." Malfoy viu o olhar
dolorido no rosto de Harry ao dizer o nome de Bella.
"Eu culpo apenas uma �nica pessoa, que � respons�vel por tudo isso. Ele me tirou de
casa, me separou dos meus pais e ent�o me maltratou. Ele me quebrou completamente.
Voldemort � responsavel por tudo isso. Ele me criou, fingiu que se importava
comigo, cuidava de mim e me confortava quando eu tinha pesadelos sobre o meu
passado! Quando no fundo, ele foi a raz�o de todo o meu sofrimento. Foi ele quem me
fez chama-lo de 'pai' para ent�o me machucar de um modo que nenhum pai deveria!"
Harry gritou. As l�grimas estavam sufocadas em seus olhos e, apesar disso, ele se
recusava a deix�-las cair. Havia derramado muitas delas na sua inf�ncia e n�o iria
derramar mais nenhuma.
"N�o, n�o tente se justificar. Isso n�o vai funcionar." O garoto disse e fechou os
olhos novamente, tentando ignorar a dor agonizante do seu corpo destro�ado.
"Eu n�o vou tentar me justificar. Eu sei que n�o h� nenhum sentido em fazer isso
agora. Eu s� queria dizer que... voc� sabe o que te aguarda. Voc� conhece ele bem o
bastante para saber que ele n�o vai deixar voc� escapar, mesmo que ele realmente
queira isso. Ele vai fazer de voc� um exemplo. Apenas... por favour, n�o responda a
ele. N�o diga nada que ir� irrit�-lo. Implore se voc� tiver que implorar, facilite
as coisas para voc�." Malfoy parou, pois n�o podia se atrever a pensar no que
aconteceria com Harry dentro de instantes.
"N�o se preocupe Malfoy, eu n�o vou lutar com ele. Mesmo se eu tivesse chance de
enfrent�-lo, eu n�o acho que seria capaz de machuc�-lo. Ele pode nunca ter se
importado comigo, mas eu me importava com ele. N�o vou me humilhar. N�o importa o
que ele fa�a, eu nunca vou dar essa chance a ele. Voc� deveria me conhecer bem o
bastante para saber que eu n�o vou dar a ele esse prazer. Eu nunca vou implorar
nada a ele!" Harry concluiu.
Sem dizer nenhuma outra palavra, Malfoy levantou-se e saiu da cela, sem olhar para
tr�s, para o menino que havia amado como se fosse seu filho.
xXx
Snape dirigiu-se a Mans�o Riddle assim que o sol raiou. Ele levara Draco de volta
para sua casa e o convencera a dormir por algumas horas antes do inicio do plano.
Embora o jovem tivesse o obedecido e ido para seu quarto, Snape sabia que ele n�o
conseguiria tirar nem um cochilo. Ele pr�prio teve problemas em descansar. Eles
planejaram uma grande miss�o de resgate. Se algo desse errado, sua vida, a de
Draco, a de Harry e a de Damien, iriam acabar em um doloroso e abrupto fim.
Assim que Snape aproximou-se das portas que davam para as c�maras dos Comensais da
Morte, ele viu algu�m gritando em sua dire��o.
O Homem se virou e viu Macnair andando em sua dire��o. Snape transformou sua face
em uma express�o indecifr�vel. Ele n�o era muito amigo de Macnair.
"Eu tive coisas a fazer. Por qu�?" Snape perguntou abruptamente, como sempre fazia
ao falar com Comensais.
"Voc� perdeu toda a divers�o! N�s tivemos aquele traidor todo para n�s na noite
passada!" Macnair respondeu jubilosamente.
Snape era muito bom em esconder emo��es e rea��es, por isso Macnair n�o havia
percebido que seu cora��o disparou.
"Mas, eu pensei que o Lorde das Trevas havia ordenado para deixarmos ele na c�mara
a noite toda. Ele ordenou que todos n�s sa�ssemos depois da sua puni��o" Snape
indagou.
"Ele ordenou, mas depois deve ter mudado de ideia, porque mandou lev�-lo para as
celas e fazer o que quisessemos, contanto que o garoto continuasse respirando no
fim." Macnair respondeu com um olhar presun�oso no rosto.
Snape duvidava que Voldemort tivesse ordenado isso, mas resolveu permanecer calado.
"Ent�o, eu vejo que todos voc�s se divertiram bastante, n�?" Snape perguntou num
tom de quem obviamente n�o poda importar-se menos.
"Voc� sabe o quanto a gente odeia aquele fedelho. Andando por aqui como se fosse o
dono do lugar! Durante todo esse tempo eu imaginei como seria faz�-lo gritar de
dor. Bom, eu descobri na noite passada. Foi o para�so!" Macnair disse alegremente.
Snape nunca tinha gostado de jogos de tortura. Ele detestava isso com todas as
fibras do seu corpo. Mesmo quando era um jovem Comensal da Morte, ele preferia
apenas matar e continuar o servi�o. Fora desse modo que ganhara a confian�a de
Voldemort. Macnair entretando era uma outra hst�ria. Ele mantinha boas rela��es com
Nott e ambos adoravam torturar e quebrar os prisioneiros.
"Bem, j� que voc�s tveram sua divers�o na noite passada, eu acho que nada seria
mais justo que eu tenha uma chance tamb�m." Snape disse firmemente.
"Voc�! Mas eu pensava que voc� odiava isso. Fazer com que os outros sangrassem
sobre voc� e tudo mais!" Disse o Macnair.
"Eu odeio, mas esse � um caso especial. Voc� n�o imagina como esse fedelho me
tormentou em Hogwarts. Agora, eu tenho que acertar as contas com ele."
Assim que se aproximaram das celas, Snape sentiu seu sangue gelar ao ouvir gritos
de dor acompanhados de risos maldosos. Pelo visto alguns Comensais ainda estavam
com ele.
Harry gritou novamente assim que um dos homens encostou o carv�o em brasa nas suas
costas. Ele se contorcia em agonia e Snape estava sentindo-se enjoado, pois sabia
que as costas dele provavelmente estavam cobertas de sangue.
Quando o carv�o foi removido, Harry se jogou para frente, respirando rapidamente,
totalmente destru�do. Mal teve tempo de recuperar a respira��o e outro Comensal da
Morte a�oitou-o com outro peda�o de brasa. Os Comensais se entreolharam
maliciosamente antes de colocar outras brasas na parte de tr�s dos joelhos de
Harry. Os gritos do jovem ecoavam atrav�s das celas e Snape sentia seu cora��o se
partir com o som.
"Vejam s� quem decidiu participar da brincadeira!" Macnair anunciou assim que ele e
Snape entraram na cela. Os outros homens lan�aram um olhar curioso ao espi�o.
"Isso vai ser divertido." Macnair disse e os tr�s homens se afastaram de Harry. Um
deles entregou um peda�o de carv�o em brasa para Snape, que o recebeu e moveu-se
cautelosamente em dire��o a Harry.
O garoto abriu seus sofridos olhos Esmeralda e olhou para o homem. Ele n�o disse
nada, Snape duvidava que tivesse energia suficiente para dizer alguma coisa. O
espi�o levantou o carv�o em brasa na dire��o do rosto de Harry e viu o rapaz
torturado tentar se esquivar.
Harry fechou os olhos preparando-se para a dor agonizante que estava prestes a
sofrer. Ao inv�s disso por�m, ele ouviu um feiti�o sussurrado ser lan�ado e o som
de suaves gemidos.
Harry abriu seus olhos e viu, para seu espanto, que os quarto Comensais estavam
lentamente retirando-se das celas. Eles tinham olhares perdidos no rosto e andavam
como se n�o tivessem id�ia de onde estavam.
Harry olhou para Snape, que ainda estava em sua frente segurando o carv�o em uma
das m�os, e sua varinha na outra. Ele sorriu da express�o confusa de Harry.
"Eu acho que um feiti�o para confundir n�o � t�o inutil como voc� acreditava que
fosse, Mr Potter" Ele sussurrou.
xXx
A resid�ncia dos Potter's j� estava abarrotada de pessoas. Era apenas meio dia, mas
quase toda a Ordem j� estava l�, planejando cuidadosamente o curso de suas a��es.
Havia uma tens�o no ar j� que o plano de Snape fora compartilhado com a Ordem.
Muitos relutavam em usar Damien e Draco. Era muito a se esperar deles. Ap�s muita
discuss�o, chegaram a conclus�o que n�o havia outra maneira.
James tentava n�o conversar com ningu�m. Ele nunca havia ficado t�o ansioso na sua
vida. Ele se for�ava a n�o pensar no que estava acontecendo com Harry naquele exato
momento, pois sabia que sua mente explodiria se pensasse. Seu filho estava
sofrendo, o mesmo que James fizera de tudo para trazer de volta. O mesmo filho que
havia jurado proteger. Para o homem, ele havia falhado com Harry de novo e tudo que
acontecesse com o garoto enquanto estivesse nas m�os de Voldemort e dos seus
Comensais da Morte era por sua culpa. O auror se sentia respons�vel. Como podia ter
deixado que isso acontecesse?
Ele varreu todos esses pensamentos deprimentes, assim que Lily entrou e se sentou
pr�xima a ele. Ela segurou as m�os do marido e o olhou tristemente.
"O qu�?" James perguntou sem entender ao que ela tinha se referido.
"Voc� estava do mesmo jeito quando Rabicho o seq�estrou. Voc� se culpou naquela
�poca tamb�m. N�s cometemos o erro de desistir de resgat�-lo e n�o vamos comenter o
mesmo erro. N�s vamos trazer Harry de volta!" Lily disse a ele com muito mais
confian�a do que ela realmente sentia.
James abra�ou fortemente sua esposa. Ele n�o tinha esperado que ela fosse ser t�o
forte. Era ele quem geralmente a confortava.O homem absorveu agradecido todas as
suas palavras, fazendo com que acreditasse nelas.
A chama da lareira tornou-se verde e James se virou para ver dois rapazes sa�rem
dela. Ambos, marido e mulher, se levantaram. Eles n�o tinham esperado encontr�-los.
"David! Darrell! O que � que voc�s est�o fazendo aqui?" Lily perguntou assim que
reconheceu os dois irm�os.
"N�s sabemos que n�o fazemos parte da Ordem ainda e nem somos aurores, mas queremos
fazer alguma coisa para ajudar Harry, n�o podemos sentar e cruzar os bra�os. A
gente deve isso a ele." David disse com determina��o no rosto.
Lily n�o sabia o que dizer. Ela sabia que Harry era o respons�vel por salv�-los,
mas ainda assim aplaudia os dois irm�os pela coragem. N�o iria ser f�cil lutar
contra Voldemort e seus Comensais da Morte, eles teriam que voltar ao lugar em que
haviam sido torturados e capturados h� dez anos atr�s. Ela sorriu calorosamente
para os dois antes de virar para olhar James. Amelia Bones apareceu via p� de floo
poucos minutos depois.
No mesmo momento Ron e Damien juntamente com David e Darrell correram para ajud�-
los a tirar as caixas da lareira.
"O que em nome de... Fred! George! O que � isso?" Molly perguntou enquanto lan�ava
a eles um olhar contrariado.
"O que � que isso parece? S�o nossos produtos. N�s temos trabalhado nisso durante
muito tempo." George respondeu assim que tirava a �ltima caixa da lareira.
"Em uma hora como essa! Como voc�s podem ser t�o insens�veis? Isso l� � hora de
mostrar seus produtos?" A matriarca da fam�lia Weasley perguntou, seu rosto estava
da mesma cor dos seus cabelos.
"M�e, se acalma! Voc� n�o est� entendendo. N�s n�o estamos mostrando nada. N�s
apenas trouxemos alguns dos nossos produtos especiais que podem ser usados contra
os Comensais da Morte" Fred disse a ela assim que se jogou em uma cadeira.
"Mas voc�s n�o fazem armas. Voc�s fazem coisas engra�adas. Como � que isso vai
ajudar?"
"Bem, n�o foi voc� que sempre acusou a gente de fazer produtos que eram bem...
perigosos? Bem, voc� tinha raz�o em se preocupar." Fred disse assim que come�ou a
abrir uma das caixas.
"N�s estamos trabalhando nessas coisas h� meses, mas ainda n�o est�o prontas e s�o
provavelmente bastante perigosas. Nunca lan�amos um produto antes que ele tenha um
n�vel aceit�vel de seguran�a, mas para usar contra Comensais da Morte e outras
esc�rias � perfeito!" George concluiu.
Todos no c�modo encaravam os dois jovens. Eles assistiram os g�meos tirarem seus
produtos das caixas e demonstrarem como funcionavam. Eles tinham de fogos de
art�ficio at� lan�as de �cido e p� de coceira que faria a pessoa n�o conseguir
parar de se co�ar n�o importava o que fizesse.
"Essas coisas s�o muito legais, mas porque n�s precisar�amos disso? Vamos duelar
com as nossas varinhas." Tonks perguntou enquanto examinava uns dentes bem afiados
particularmente nojentos.
"Aurores s�o �timos duelistas, mas o resto dos mortais poderia utilizar-se de uma
m�o amiga ao lutar contra os Comensais da Morte, especialmente quando se trata de
um enorme n�mero deles." Fred respondeu.
"Meninos, voc�s n�o ir�o participar�" Arthur foi interrompido pelos g�meos que
come�aram a discutir instantaneamente.
"Ah sim, n�s vamos! Se o resto da nossa fam�lia est� indo, inclusive os que s�o
mais novos que a gente, ent�o � claro que n�s vamos tamb�m." Fred disse, enquanto
olhava para Ron e Ginny.
"Sim, e al�m do mais, ele salvou a vida da nossa irm� mais de uma vez. N�s vamos
ajudar a resgat�-lo." George disse. Aquilo amansou o olhar no rosto de Arthur e
Molly.
Antes que qualquer pessoa pudesse dizer alguma coisa, o fogo da lareira tornou-se
verde e Dumbledore apareceu. Ele adentrou o c�modo, que estava cheio de gente. Seus
olhos azuis escanearam a sala antes de se dirigir �s pessoas que ali estavam.
"Eu conversei com o Ministro. Ele quer todos no centro de comando do Minist�rio,
iremos monitorar l� o feiti�o radar. Todos, por favor, se dirijam para o centro.
Todos os Aurores estar�o esperando por l�."
Ele impediu Damien de sair com seus amigos e sem mais palavras, embrulhou-o nos
seus bra�os. O menino parecia muito p�lido e n�o importa o quanto tentasse, n�o
conseguia acalmar seu cora��o. Suas m�os tremiam toda hora em que pensava que iria
encarar Voldemort. Seu est�mago se contorcia terrivelmente.
"Damy, ainda d� tempo. Se voc� n�o quiser ir a diante com isso�" James n�o
conseguiu terminar a frase.
Damien usou de toda sua for�a para lan�ar um sorriso reconfortante para seu pai.
xXx
Em sua ess�ncia o plano era muito simples. Snape chegaria na Mans�o Riddle com
Draco e Damien e, ent�o, iriam entregar o gryffindor para Voldemort, j� que era o
menino quem possuia a Layhoo Jisteen. O feiti�o rastreador fora colocado na pedra e
permitiria que os Aurores no Minist�rio rastreassem a localiza��o da Mans�o. Assim
que tivessem as informa��es necess�rias, os Aurores iriam em for�a total invadir o
esconderijo de Voldemort e de seus Comensais. Desse modo poderiam facilmente
resgatar Harry e terem boas chances de capturar Voldemort tamb�m.
Lucius Malfoy poderia ser tamb�m um problema, visto que pai e filho n�o estavam se
dando muito bem. O Malfoy senior poderia arruinar tudo. Entretanto, Draco era o
�nico que poderia capturar Damien, uma vez que n�o possuia a Marca Negra e podia
encostar no menino e lev�-lo para Voldemort. O plano era dizer ao Lorde das Trevas
que Damien confiara em Draco, pensando que este era amigo de seu irm�o e assim
acabou sendo capturado.
O Segundo grande problema era o tempo. O feiti�o rastreador seria distorcido assim
que entrassem na Mans�o,devido aos escudos implantados no algo em torno de vinte
minutos, mais ou menos, para ter a localiza��o exata do lugar. Foi combinado, que
eles esperariam meia hora para garantir que o feit�o estava realmente funcionando e
para dar tempo para que os Aurores aparatassem na frente daMans�o. Isso significava
que Damien teria que segurar a pedra at� aquele momento. Contudo, o menino sabia
que Voldemort tentaria for��-lo a dar a pedra e para isso, provavelmente, usuaria
Harry. Damien n�o tinha certeza se conseguiria se controlar nessa parte. Ele n�o
conseguia cogitar a ideia de ver seu irm�o sendo torturado, especialmente por sua
causa.
O ultimo problema era o pr�prio Damien. Ele nunca havia enfrentado algo desse tipo.
Draco e Snape podiam lidar com Voldemort, mas o menino apenas enfrentara alguns
poucos Comensais da Morte. E mesmo nessa ocasi�o, ele estava protegido pelo Layhoo
Jisteen ou por Harry. Como ele lidaria ao encarar o Lord das Trevas era algo que
preocupava a todos. O sucesso dessa miss�o dependia muito de Damien. Se ele
entregasse a pedra r�pido demais, tudo estaria arruinado. Os Aurores precisavam de
tempo para conseguir a localiza��o e viajar at� l�. Se o moreno entregasse a pedra
antes que a localiza��o fosse descoberta, ent�o os Aurores chegariam l� tarde
demais para salvar qualquer um.
Damien continuava repetindo todos os detalhes na sua cabe�a, enquanto eles andavam
numa subida que dava para a Mans�o Riddle. Ele tinha que manter sua mente focada no
que teria que fazer. O menino andava bem atr�s de Draco, tentando n�o trope�ar no
ch�o, enquanto Snape andava atr�s dele com a varinha apontada em sua dire��o. As
m�os de Damien estavam presas em algemas que ele pr�prio colocara. Uma pequena
corrente fora atada nas m�os de Draco. Eles tinham que fazer isso direito.
Comensais da Morte provavelmente os observavam. N�o podiam se dar ao luxo de
cometer erros.
Damien tremeu mesmo sendo uma noite quente. Seu cora��o disparava contra seu pomo
de Ad�o e suas pernas bambeavam embaixo dele. O menino n�o precisava fingir medo.
Ele estava assombrado com a perspective de encarar Voldemort. Snape moveu-se para
frente de Draco, assim que os Comensais da porta de entrada amea�aram avan�ar no
loiro, no momento em que este apareceu.
Snape falou com os homens em uma voz sussurrante e apontou Draco. Seguindo a deixa,
o loiro puxou a corrente com for�a fazendo com que Damien passasse pelo port�o de
entrada. Os Comensais da Morte olharam para o Gryffindor e seus olhos
instantaneamente repousaram na pedra negra amarrada em seu pesco�o. Damien tentou
n�o estremecer com o modo que os dois homens o olhavam. Eles o encaravam com muito
�dio e raiva.
Damien levantou-se assim que dois Comensais percorreram suas varinhas sobre o seu
corpo. Como era de se esperar, a varinha deu um alarme, ficando extremamente
colorida ao passar pelo pingente de Damien. Os homens trocaram olhares inseguros
mas se moveram para checar Draco e Snape da mesma maneira. Assim que satisfeitos
com a revista, os dois se moveram e os deixaram entrar pelos port�es principais.
'Uma vez l� dentro, voc� estar� sozinho. Nem eu, nem Draco poderemos interferir
quando voc� estiver com Voldemort. Voc� s� deve dar a pedra na hora certa. Espere o
meu sinal. O sucesso dessa miss�o depende somente de voc�.'
xXx
James sentiu seu est�mago se revirar. Seu cora��o continuava ferido por dentro. Ele
mandara seu filho de treze anos com Snape e Draco para a casa de Voldemort. Sua
mente berrava dizendo que alguma coisa daria errado.
O homem deu uma olhada nos ocupantes do c�modo. Todos pareciam nervosos e tensos.
Para alguns, como Remus, Sirius, a fam�lia Weasley e os Longbottoms, isso era
compreensivo. Eles eram conectados a Harry e se importavam muito com ele. Para
outros, era a mera id�ia de fazer uma emboscada para Voldemort em sua pr�pria casa,
que causava todo o nervosismo.
James foi retirado de seus pensamentos quando Dumbledore olhou para todos e falou,
pela primeira vez desde que eles tinham entrado no Minist�rio.
"O feiti�o rastreador foi distorcido. Eles est�o dentro da Mans�o Riddle."
xXx
Ele andava trope�ando, enquanto Draco, a sua frente, o puxava pelas correntes.
Damien fez uma careta para ele, mas continuou andando. O moreno estava intimamente
muito impressionado com o loiro. O jovem slytherin tinha conseguido demonstrar uma
m�scara completamente sem emo��o. Seus olhos estavam gelados sem perpassar nenhum
tipo de sentimento, mesmo que internamente. Damien sabia que Draco deveria estar
t�o assustado quanto ele estava.
Snape parecia andar pelos corredores de Hogwarts, enquanto dava deten��es para os
alunos. Damien viu a porta de carvalho que os direcionava para a c�mara de
Voldemort e sentiu seu est�mago despencar. Ele respirou fundo e disse a si mesmo
que podia fazer isso, que podia lidar com isso.
Eles abriram as portas e Damien entrou na c�mara pertencente ao Bruxo das Trevas
mais poderoso de sua �poca.
Voldemort estava sentado em seu trono e n�o reagiu quando os tr�s bruxos entraram
na c�mara. Damien sentiu sua respira��o falhar em seu peito, quando olhou para o
Lorde das Trevas. Ele havia visto v�rias fotos dele no Profeta Di�rio e em outros
v�rios jornais. Mas uma coisa era ver a foto de uma pessoa, outra coisa
completamente diferente era v�-la bem a sua frente.
Damien lembrou-se de Snape dando instru��es de como eles iriam reagir na presen�a
de Voldemort. O espi�o dissera a Draco 'para usar todas as t�cnicas de Oclum�ncia
que possu�a' e ent�o se virou para Damien e o olhou por um momento, sem saber o que
dizer ao menino. 'Apenas n�o fa�a nenhum contato visual com ele.' Foi o que disse.
'Isso n�o ser� um problema.' Damien sussurrou para si mesmo, j� que n�o tinha a
menor vontade de olhar para o homem mesmo.
Damien sentiu-se ser puxado violentamente e percebeu que Snape e Draco estavam
ajoelhando-se perante Voldemort. O loiro havia puxado a corrente com for�a,
obrigando-o a ajoelhar tamb�m. O menino permaneceu l�, com medo de se mover.
Snape come�ou a dar as explica��es e Damien tentou prestar aten��o no que ele
estava dizendo, mas sua mente concentrava-se em procurar pelo irm�o. Ele n�o
conseguia v�-lo em lugar nenhum. Snape n�o tinha dito que Harry fora colocado na
c�mara de Voldemort? Enr�o, isso significava que seu irm�o deveria estar por ali.
Draco levantou-se ao comando de Voldemort e Damien admirou com o qu�o calmo ele
demonstrava estar. O loiro achava dif�cil se segurar nas pr�prias pernas. Elas
tremiam e ele podia sentir o olhar penetrante de Voldemort queimando dentro de si.
Ele tamb�m notou seu pai olhando-o em choque e o ignorou a favor de focar todas as
suas for�as em manter sua mente protegida.
"Ent�o, voc� decidiu voltar para mim?" Voldemort perguntou, num tom amargo e Damien
p�de notar o quanto o Lorde das Trevas detestava o loiro.
"Meu Lorde, eu nunca te deixei. Eu sempre fui seu servo fieI." Draco disse ao
curvar-se perante ao homem.
"Como voc� espera que eu acredite se voc� nunca me demonstrou nenhuma lealdade?"
Voldemort silibou cheio de raiva.
Draco momentaneamente ficou sem saber o que dizer, mas rapidamente recuperou a
compostura. Segurando o escudo em sua mente firmemente, respondeu.
"Meu Lord, eu pe�o desculpas pelo meu comportamento. Eu admito que fui iludido por
Har... por ele. Eu n�o quis te desrespeitar. Eu nunca nem mesmo sonhei em te
desrespeitar. Toda minha fam�lia tem servido a sua causa e eu n�o desejo nada sen�o
seguir os passos deles."
Voldemort n�o se probunciou a respeito do que Draco tinha dito. Ele continuava a
examinar o loiro com seus olhos rubis. Malfoy n�o deixou sua m�scara cair e puxou a
corrente com for�a fazendo com que Damien levantasse na mesma hora.
"Meu Lord, eu trouxe algo para demonstrar a minha lealdade." Draco segurou Damien
bruscamente e jogou aos p�s de Voldemort. O menino n�o se atreveu a olhar para o
Lorde das Trevas e manteve seu olhar fixo no ch�o.
Voldemort reconhecera Damien no momento em que ele tinha sido trazido para aquele
c�modo. Ele se lembrava de t�-lo visto nas mem�rias de Nott. Lembrava-se tamb�m dos
feiti�os que Nott havia lan�ado sobre o menino e em como ele havia se defendido e
desaparecido. O Lorde das Trevas olhou o gryffindor, que tremia na sua frente. Ele
n�o parecia remotamente poderoso o bastante para lan�ar qualquer tipo de feiti�o
sem varinha.
"Ele tem algo que te pertence, Meu Lord. Receio que n�o tenha sido capaz de tirar
isso dele, por isso � que o trouxe a voc�." Draco terminou.
Damien percebeu que Voldemort se aproximava dele. Draco puxou as vestes do menino,
deixando o pingente vis�vel. A rea��o do Lorde das Trevas foi terr�vel. Seus olhos
vermelhos fa�scaram de raiva e ele instintivamente moveu-se para agarrar Damien.
Voldemort n�o foi lan�ado para longe como Snape. O homem moveu sua m�o em dire��o
ao moreno, mas rapidamente a tirou como tivesse sido queimado. Ele lan�ou um olhar
assassino, que fez com que as pernas de Damien bambeassem.
"Harry!" Voldemort sussurrou. O homem entendeu o que o garoto tinha feito. Harry
roubara a Layhoo Jisteen e usou-a para proteger esse menino. Ele pegara a sua pedra
preciosa e usou-a de modo extremamente pat�tico. O Lorde das Trevas virou-se para
dois Comensais da Morte perto da porta.
"Tragam ele!" Disse cheio de f�ria. Damien sentiu seu est�mago afundar.
Os dois homens correram para obedecer seu mestre. Eles voltaram quase que
instantaneamente e Damien n�o conseguiu conter o choro, ao v�-los arrastarem um
Harry completamente ensang�entado. Eles o jogaram no ch�o e postaram-se cada um de
um lado, ambas varinhas apontadas em dire��o ao garoto.
Harry n�o fez nenhuma men��o de se levantar, nem mesmo para ver onde estava. Damien
sentiu l�grimas escorrerem pelo seu rosto ao olhar para seu irm�o destro�ado. As
roupas dele estavam cobertas de sangue, assim como suas m�os e seus punhos, que
manchavam at� mesmo a camiseta que estava vestindo. Damien podia ver v�rias marcas
de queimaduras nas costas dele. O menino n�o conseguia parar de olhar pra o irm�o.
Ele queria correr, ajud�-lo, mas sabia que n�o seria permitido. Controlou sua
vontade e olhou para Voldemort.
Foi uma vis�o bem estranha. Damien esperava que Voldemort estivesse com um sorriso
cruel no rosto, ou mesmo que olhasse Harry com desd�m. Ele esperava que o bruxo
maligno deleitasse com o qu�o torturado e machucado seu irm�o estava. Mas ao inv�s
disso, o Lorde das Trevas o olhava com um estranho sentimento de arrependimento e
dor. Damien n�o entendia o porqu�. Harry fora torturado devido �s ordens que ele
mesmo dera e estava naquele estado porque assim Voldemort havia comandado. Ent�o
porque ele olhava seu irm�o daquela maneira?
Harry colocou as m�os sobre a sua testa. Damien viu o irm�o apertar a cicatriz e
dar um gemido de dor. Damien sabia que Voldemort estava triste, e n�o importava a
raz�o, aquilo fazia com que a cicatriz de Harry doesse.
O Lorde das Trevas varreu aqueles pensamentos e com um gesto deu ordens aos dois
homens que estavam ao lado de Harry. Eles levantaram o garoto, que foi for�ado a
ficar em p�. O moreno urrava devido � dor que percorria todo seu corpo. Ele se
for�ou a abrir os olhos e ver onde se encontrava. Percebeu que estava novamente na
presen�a de Voldemort e entendeu a dor em sua cicatriz.
Harry pensou que fora trazido para a c�mara de Voldemort, porque este decidira
finalmente mat�-lo. Ele fora torturado por vinte horas agora, talvez o Lorde das
Trevas tivesse decidido acabar de vez com ele.
A vis�o de Harry clareou-se e ele viu uma cena bem estranha na sua frente. Primeiro
viu Draco. Seu amigo o encarava com uma express�o fria no rosto e n�o demonstrava
nenhuma preocupa��o em rela��o a ele. Harry estava confuso. 'O que diabos Draco
estava fazendo ali? Ser� que ele queria morrer?'
Foi ent�o que notou a corrente na m�o de Draco. Seus olhos a seguiram e ele viu
quem jamais pensou ver dentro da Mans�o Riddle. Harry sentiu um aperto no peito ao
pousar seus olhos sobre o seu irm�o.
'Damien! Oh deus, porque que o Damien est� aqui?' A mente de Harry gritava em
p�nico. Ele n�o tinha entendido o que acontecera at� olhar para a corrente que
ligava Draco a Damien novamente. Foi ent�o que um entendimento horr�vel o
preencheu. Harry olhou seu melhor amigo completamente desacreditado.
O loiro apenas sorriu em resposta, mas por dentro estava quebrado. Ele n�o era
capaz de receber o olhar que Harry lhe lan�ava naquele momento. Depois de toda
trai��o que o moreno sofrera ao decorrer da vida, essa realmente iria quebr�-lo.
Mas Malfoy conseguiu controlar suas emo��es. Ele era um slytherin. Podia camuflar
seus sentimentos e fazer qualquer coisa para se livrar dessa situa��o.
"Isso deveria ser �bvio. Voc� melhor do que ningu�m deveria saber que eu utilizava
da sua amizade para obter prote��o." Draco respondeu, suas palavras cheias de
veneno.
"Porque eu deveria ir contra tudo aquilo que me foi ensinado para me juntar ao lado
dos perdedores? Eu quero ter poder e voc� mais do que ningu�m deveria saber que um
Malfoy faz qualquer coisa para obter aquilo que deseja." Continuou.
A dor nos olhos de Harry transformou-se em ira e ele tentou lutar para alcan�ar e
agarrar o slytherin. Os Comensais da Morte o seguraram, impedindo-o, mas mesmo que
n�o o fizessem, n�o havia muito o que Harry conseguiria fazer no estado em que se
encontrava.
Draco apenas deu um sorriso cheio de sarcasmo para o moreno, o que apenas serviu
como combust�vel para raiva deste.
"Eu devia ter imaginado que voc� usaria minha Layhoo Jisteen num prop�sito t�o
in�til como esse!" Disse raivosamente, enquanto apontava para Damien.
"Voc� est� com um dos meus pertences. Isso n�o � seu. Eu quero que voc� devolva
isso para mim." O Lorde das Trevas instruiu.
Ele conjurou uma caixa de Madeira e segurou em sua m�o. Sabia que n�o poderia tocar
o pingente, mesmo depois do garoto tir�-lo. Ele teria que fazer com que Harry
revertesse todos os feiti�os que havia colocado sobre a pedra.
Damien sentiu seu corpo tremer de terror. Era isso. Ele teria que entregar a pedra.
O menino vagamente perguntou-se quanto tempo deveria ter passado desde que havia
entrado na mans�o. Aparentemente eram horas, mas ele sabia que n�o deveria fazer
muito tempo, uma vez que Snape ainda n�o havia dado o sinal.
Damien moveu sua m�o para tocar na pedra. Mesmo em uma hora como essa, ele sentiu
seu corpo e mente relaxarem no momento em que seus dedos tocaram o pingente.
"Eu n�o estou acostumado a repetir minhas ordens!" Uma voz gelada cortou o ar e o
cora��o de Damien bateu acelerado com o som. Voldemort continuava em p� com a caixa
na m�o.
Damien moveu sua m�o para tirar o pingente. Ele n�o iria entregar ainda, iria
apenas remov�-lo do seu pesco�o.
"Damy, n�o!"
O menino parou assim que Harry gritou. Seu irm�o ainda estava sendo segurado por
dois Comensais da Morte e Damien tinha certeza que ele mal podia se manter em p�,
mas isso n�o o impedia de tentar se libertar.
Harry se debatia para tentar escapar dos Comensais da Morte, que o prendiam
firmemente. Todo seu corpo estava terrivelmente dolorido e ele sabia que suas
pernas eram in�teis, pois estavam quebradas. Mas n�o podia parar de tentar. Damien
n�o podia tirar o pingente. Ele n�o estaria mais protegido. A pedra ainda
continuaria ligada a ele, mas n�o o protegeria se n�o estivesse em contato direto.
O menino olhou para o irm�o mais velho e viu que seus olhos estavam cheios de
l�grimas. Harry era t�o protetor que mesmo numa hora como essa estava muito mais
preocupado com a seguran�a de Damien do que com a sua pr�pria.
"Me entregue logo esse pingente antes que eu te force a fazer isso" Voldemort falou
rispidamente com sua voz mort�fera. Ele ignorava Harry completamente.
"Voc� n�o pode me for�ar." Damien sabia que tinha cruzado uma linha antes mesmo de
dizer essas palavras. No principio ele permaneceu firme, mas encolheu-se ao ver a
ira de Voldemort para cima dele.
Sem dizer mais nenhuma palavra, Voldemort virou-se para seus Comensais da Morte e
gesticulou alguma ordem. Damien assistiu os homens jogarem Harry violentamente no
ch�o e lan�avam a maldi��o Cruciatus sobre ele.
A maldi��o foi lan�ada contra Harry que tentava sufocar o choro. Ele estava deitado
no ch�o, contorcendo-se de dor, respirando com dificuldade e tentando fazer com que
seus membros parassem de tremer. Damien ainda n�o tinha se movido para tirar o
pingente. Ele viu Voldemort ordenar para outro Comensal da Morte lan�ar a maldi��o
novamente. O menino chorou dessa vez, ao ver o irm�o mais velho sacudir-se em
agonia na sua frente.
Quando a maldi��o o atingiu dessa vez, Damien j� estava quase fazendo men��o de
tirar o pingente. Ele n�o achava que Harry pudesse sobreviver a mais maldi��es. O
gryffindor percebeu que seu rosto estava coberto de l�grimas ao tentar tirar o
pingente.
"P-por f-favor n�o ti-tire" Harry disse dolorido. Ele sentia dor at� para falar.
Suas m�os tremiam. Ele sabia que Snape n�o dera o sinal ainda, mas tinha que fazer
alguma coisa para manter Harry longe das maldi��es. Damien andou em dire��o a
Voldemort e podia quase sentir Snape e Draco o recriminando com o olhar, mas o
menino n�o iria ficar sem fazer nada e deixar com que seu irm�o sofresse mais.
Ele parou o mais pr�ximo do Lorde das Trevas que podia e segurou o pingente
firmemente entre as suas m�os. O medo que sentia por Voldemort desaparecera. Ele
agora n�o sentia nada mais do que �dio. O homem tinha criado Harry, o chamara de
'filho' e agora o torturava dessa maneira.
"Voc� pode ficar com isso, eu n�o preciso. Quero apenas que voc� saiba uma coisa.
Quando Harry veio para gente pela primeira vez, ele falou de voc� como um filho
falaria sobre um pai. Ele permaneceu leal a voc�, mesmo depois de descobrir toda
verdade. Destruiu as suas Horcruxes, sim, mas mesmo assim ele nunca quis destruir
voc�! Se ele quisesse, voc� teria sido encontrado pelo Minist�rio h� s�culos atr�s.
Mesmo depois de voltar para a fam�lia dele, Harry permaneceu sendo seu filho.
Apesar disso, eu acho que voc� nunca aprendeu a ser um pai, porque se tivesse,
nunca teria feito isso."
Damien estava t�o envolto em sua ira, que nem percebeu que se Voldemort pudesse o
teria assassinado antes mesmo do menino terminar seu discurso. Enquanto Damien
estivesse sobre a prote��o da Layhoo Jisteen, Voldemort n�o poderia machuc�-lo. O
Lorde das Trevas o olhava cheio de f�ria, mas o moreno sabia que tinha tocado na
ferida. Apenas depois do dircurso, as palavras que Damien esperara ouvir foram
ditas.
Snape dera o sinal. Essas eram as palavras que eles haviam combinado. Essas eram as
palavras que o espi�o geralmente usava diariamente, quando se dirigia a Damien em
Hogwarts. O menino sentiu um al�vio imenso tomar conta de si, quando percebeu que
logo seu pai e os outros aurores estariam l�.
Ele sorriu amargamente para Voldemort antes de deixar o pingente cair dentro da
caixa de Madeira. Damien ouviu Harry soltar um terr�vel lam�rio em choque, quando a
pedra negra atingiu o fundo da caixa.
O Lorde das Trevas fechou a caixa e cuidadosamente colocou-a dentro de suas vestes.
Ele olhou para Damien extremamente furioso e apontou sua varinha para o menino na
mesma hora em que Harry come�ou a gritar desesperadamente.
"Voldemort, n�o fa�a isso, por favor! Por favor, deixa ele ir!" Harry implorava
enquanto l�grimas escorriam pelo seu rosto. Sabia que era in�til implorar,
Voldemort n�o sabia nada sobre piedade, mas Harry estava perdido e isso era tudo o
que poderia fazer.
"Por favor, deixa ele ir! Deixa ele fora disso!" Harry chorava desesperadamente
enquanto tentava se esquivar dos Comensais da Morte.
"Voc� deveria ter deixado ele fora disso! Isso � obra sua, n�o minha." Voldemort
sibilou raivosamente.
Snape e Draco tinham discretamente sacado suas varinhas e estavam prontos para us�-
las caso fosse necess�rio. O espi�o xingava mentalmente. Aonde ser� que estariam
aqueles malditos Aurores imbecis? Quanto tempo mais demorariam para chegar at�
eles?
"Voldemort! N�o!" Harry gritou enquanto o homem se preparava para lan�ar uma
maldi��o contra o menino.
Antes que ele conseguisse proferir qualquer palavra, por�m, um terr�vel som de
explos�o invadiu a c�mara. Todos os Comensais da Morte aglomeraram-se em dire��o �s
portas, janelas e paredes por onde uma por��o de Aurores trajando um uniforme azul
invadiam a c�mara. Snape e Draco levantaram suas varinhas e apontaram-na contra
Voldemort. Damien aproveitou a confus�o para escapar do Lorde das Trevas, deu
alguns passos para tr�s e foi escoltado por Snape e Draco. Ambos prostram-se na
frente do adolescente protegendo-o contra qualquer maldi��o.
Harry viu seu pai e sua m�e, juntamente com Sirius e Remus na frente de batalha,
varinhas apontadas contra Voldemort. James olhava ao redor procurando pelo filho
mais velho e quando o avistou, lutou para n�o chorar horrorizado.
Harry olhava pra seu pai tamb�m, tentando segurar a emo��o. Ele tinha realmente
acreditado que nunca mais o veria novamente. O garoto deixou escapar algumas
l�grimas devido � dor, que estava cada vez mais intensa. Ele viu Ron, Hermione e
Ginny em meio a multid�o de Aurores, tamb�m conseguiu identificar Frank, Alice e
at� mesmo Neville.
Harry sentiu que poderia acabar desmaiando a qualquer momento. Sua cicatriz
realmente estava em brasa e ele n�o conseguia mais segurar os gemidos que sa�am de
sua boca, cada vez mais altos.
Voldemort examinava o bando de Aurores dentro de sua casa. Todos apontavam suas
varinhas em dire��o a ele e seus Comensais. O Lorde das Trevas sentiu sua raiva
transbordar ao ver Snape e Draco levantarem suas varinhas tamb�m. Ele fora
enganado!
Na frente da multid�o um bruxo alto emergiu, com a varinha em punho, por�m n�o a
apontava para ningu�m. Voldemort observou o seu antigo professor se prostar na sua
frente. Dumbledore o olhava cheio de tristeza. Ele nunca havia pensado que o
pequeno menino que encontrara no orfanato iria acabar transformando-se nisso.
Obcecado pelo poder e encantado pelas Artes das Trevas, o �rf�o Tom Riddle
transformou-se num monstro, Voldemort.
Voldemort olhou para seu antigo professor cheio de f�ria. Seus olhos percorreram o
c�modo e ele viu que estavam em n�mero muito inferior. Sem mais Horcruxes, n�o
poderia arriscar a ser morto por alguma maldi��o. Seus olhos pousaram novamente
sobre Dumbledore.
Voldemort estendeu sua m�o em dire��o a Harry, que estava jogado no ch�o e antes
que qualquer um pudesse expressar qualquer rea��o, antes que Sirius pudesse segur�-
lo, o garoto foi lan�ado em dire��o ao Lorde das Trevas. Harry flutuou pelo ar e
aterrissou bem em frente a Voldemort, que o esperava de bra�os abertos. Assim que o
homem segurou o moreno, os dois desapareceram instantaneamente.
Aparentemente, o Lorde das Trevas podia controlar seu terreno melhor do que todos
haviam previsto. Ele deveria ter desativado os feiti�os anti-aparata��o quando viu
que um ataque estava acontecendo. Por isso � que n�o se movera, quando o ataque
come�ou. Ele tinha permanecido no mesmo lugar em que estava antes, para desfazer as
defesas com a for�a de sua mente, fazendo com que pudesse escapar.
Havia agora um p�nico cego ao redor de todos. Os Aurores n�o conseguiam acreditar
que Voldemort escapara atrav�s de seus dedos e ainda por cima tinha conseguido
levar Harry consigo. Grande parte dos Comensais da Morte rapidamente seguiram
Voldemort e deixaram a Mans�o, tamb�m antes que os Aurores pudessem imped�-los. Os
v�rios feiti�os que foram lan�ados contra eles conseguiram segurar apenas alguns
poucos Comensais da Morte.
James olhou para cima e viu Lucius Malfoy o encarando. O loiro n�o fizera men��o de
aparatar e estava em p� no mesmo lugar de antes e ignorava completamente o Auror
que apontava a varinha em sua dire��o, pedindo para que Lucius abaixasse a sua. O
Comensal olhava James com o mesmo temor nos olhos que o Auror sentia dentro de si.
"Todo mundo! Vamos para Hogsmeade, agora!" James gritou e se preparou para
aparatar. Voldemort iria cumprir a promessa. Ele levara Harry para o t�mulo negro.
xXx
Voldemort abaixou e sem pensar duas vezes, agarrou Harry pelo colarinho da camiseta
e come�ou a arrast�-lo em meio a cidade.
O moreno de olhos verdes engasgava conforme a dor explodia dentro do seu corpo
judiado. Ele tentava se esquivar da ira de Voldemort, mas n�o conseguia se
libertar. Harry n�o via para onde estava sendo arrastado e apenas deixava seus
gritos escaparem. Ele sentia uma dor, devido ao atrito do ch�o com o seu corpo e de
repente sentiu as pedras do solo cortarem seus joelhos, percebendo ent�o, que
estava sendo arrastado por uma escada.
Estava aos p�s do t�mulo negro. A grande l�pide com o seu nome, brilhava em meio a
escurid�o. Harry havia visto uma foto do t�mulo no Profeta Di�rio, mas ainda assim
ele o enchia de um temor macabro. O moreno olhou desesperado ao seu redor. N�o
queria morrer dessa maneira! N�o queria ser enterrado vivo! O garoto rangeu seus
dentes e tentou se levantar, mas n�o conseguia se mover com todas aquelas feridas.
Sua cicatriz continuava queimando em sua testa e fazia com que Harry achasse que
morreria logo, logo.
Os moradores de Hogsmeade foram for�ados a deixar suas casas, para que pudessem
observar Voldemort obter sua vingan�a. Harry viu o Lorde das Trevas flutuar cheio
de raiva por cima do t�mulo negro aberto e sentiu um medo leg�timo apoderar-se
dele. O homem iria mesmo enterr�-lo vivo! Harry at� ent�o n�o tinha realmente
acreditado que ele fosse fazer isso.
Voldemort apontou sua varinha em dire��o ao garoto que levitou acima do ch�o. Harry
dolorosamente sentiu-se abandonar o solo. Ele podia ver o terror na face das
pessoas da cidade, que o olhavam boquiabertos. O garoto sentiu-se ser colocado no
topo do t�mulo e sabia que era in�til lutar. Ele n�o seria capaz de quebrar o
feiti�o, mesmo porque estava completamente ferido. Seus olhos esmeralda, em p�nico,
encontraram-se com os olhos vermelhos de Voldemort. Harry foi pendurado
desconfortavelmente no meio do ar enquanto o Lorde das Trevas o observava.
"Voc� comprou isso para s� mesmo." Voldemort disse a Harry num tom de voz
controlado. O garoto n�o podia responder, j� que estava sendo segurado t�o
firmemente que n�o podia fazer nada.
Antes que o Lorde das Trevas jogasse Harry dentro do t�mulo, um estouro foi ouvido
e v�rias vozes revoltadas, lan�ando feiti�os, foram ouvidas. Harry viu os Aurores
aparatarem e atacarem os Comensais da Morte. Voldemort continuou no mesmo lugar,
sem colocar Harry dentro do t�mulo, mas tamb�m sem aliviar o garoto da dor
excruciante do feiti�o.
O Lorde das Trevas viu James, Lily e v�rios outros Aurores correrem freneticamente
ao encontro deles. Por�m, antes que pudessem se aproximar das escadas que os
levaria at� o t�mulo negro, eles colidiram em uma parede invis�vel e foram lan�ados
para tr�s. Os olhos de James tremeram de terror ao ver o que Voldemort estava
fazendo.
Os Aurores tentaram lan�ar feiti�os na parede invis�vel, para tentar derrub�-la com
o intuito de resgatar Harry. N�o importava qual feiti�o eles usassem, n�o
conseguiam penetrar a barreira que fora criada por Voldemort.
O Lorde das Trevas ainda mantinha Harry suspenso no ar, permitindo que todos o
vissem se contorcendo de dor silenciosamente. O garoto fechou seus olhos e tentava
ignorar a humilha��o a que estava sendo exposto.
"Voc� n�o quer fazer isso, Tom! Voc� n�o quer matar Harry." Dumbledore gritou.
"Voc� est� certo" Sussurrou. As palavras foram mais para Harry do que para
Dumbledore.
"Eu n�o quero fazer isso. N�o sem dizer adeus decentemente." Terminou. O homem
levitou o garoto para fora do t�mulo e Harry foi jogado contra as escadas.
Lily deixou escapar um grito ao ver seu filho colidir nos degraus de concreto.
Harry aterrissou na beirada da escada, a poucos passos de seus pais. James sentiu
seu cora��o se contorcer ao ver o filho sem rea��o, quase morto no ch�o.
James tentava quebrar a barreira e furiosamente lan�ava feiti�o ap�s feiti�o que
n�o faziam diferen�a. Voldemort aproximou-se de um Harry quase inconsciente.
"Eu realmente n�o queria ter que fazer isso! Eu queria ter dado um futuro a ele! Um
futuro cheio de poder. Qualquer bruxa ou bruxo teriam que se curvar perante a ele,
mas voc�s tiraram isso tudo dele! Voc�s s�o os respons�veis por isso." Voldemort
gritou em dire��o a James e Dumbledore.
"Eu vou me redimir do erro que cometi durante todos esses anos. Eu deveria t�-lo
matado na primeira vez que coloquei meus olhos sobre ele!" Prosseguiu.
"Eu vou tomar de volta tudo aquilo que eu dei a ele! Desse modo quando mat�-lo, n�o
estarei matando o menino que criei. Estarei matando Harry Potter!" Disse cheio de
f�ria.
Logo antes de Voldemort dizer o encantamento, ele parou ao ver Harry abrir seus
olhos Esmeralda e olhar em sua dire��o. O Lorde das Trevas se lembrava nitidamente
da noite em que tinha levantado a varinha contra um Harry de apenas um ano de
idade. Ele desviara a maldi��o devido ao modo com que a crian�a o olhara. Voldemort
sentiu suas m�os tremerem enquando o olhar de Harry se encontrava com o seu. 'N�o,
eu n�o irei cometer o mesmo erro!' Disse para si mesmo.
O Lorde das Trevas levantou a varinha para lan�ar a maldi��o e James gritou de uma
vez. O Auror sabia o que Voldemort iria lan�ar contra Harry. Era a maldi��o
Markiline, a mesma maldi��o que o homem lan�ara contra ele. A mesma maldi��o que
tirara sua magia e o havia quase matado. Era isso que Voldemort tinha se referido
ao dizer 'Tomar de volta o que eu dei a ele'. Ele iria tirar os poderes de Harry!
O jato de luz saiu da varinha de Voldemort em dire��o a Harry, que fechara os olhos
para n�o ver o que vinha em sua dire��o. Todos os Aurores, incluindo Dumbledore
atacavam a parede invis�vel, tentando desesperadamente salvar o garoto. O feiti�o
estava quase chegando perto de seu destino, por�m segundos antes de colidir contra
o adolescente, parou.
James e Lily assistiam a uma fina ilumina��o envolver Harry. A luz ficou cada vez
mais brilhante at� que o garoto foi completamente envolto por uma bola iluminada.
James engasgou ao perceber que o filho estava ali no meio do c�rculo. As feridas e
queimaduras de Harry desapareceram instantaneamente. James podia ver que as pernas
dele ficaram eretas, um sinal de que estavam sem d�vida saud�veis. Harry livrou-se
de suas in�meras feridas. Todas foram curadas.
James n�o sabia o que estava acontecendo. Quem estaria ajudando Harry? Quem o havia
curado e como conseguira fazer isso? Em resposta, ele ouviu um som que fez com que
tudo se esclarecesse. O homem ouviu Lily ao seu lado solu�ar alto, enquanto chegava
a mesma conclus�o que ele. Ambos se entreolharam com uma express�o de entendimento.
Eles podiam ouvir o fraco som da badalada dos sinos que ecoava atrav�s da pequena
vila.
Voldemort deu um grito de f�ria e lan�ou uma maldi��o contra ele, mas Harry j� n�o
estava mais no caminho. O garoto n�o tinha uma varinha e t�o pouco parecia que
precisava de uma. Harry contraiu seus dedos, como se fosse dar um soco e abriu suas
m�os. Uma bola de luz vermelha flutuava ali dentro. O moreno mandou-a em dire��o a
Voldemort que foi acertado em cheio no peito e lan�ado pelos ares.
Harry olhou para barreira e levantou sua m�o. Ele a abaixou violentamente, com a
inten��o de derrubar a parede invis�vel. Uma linha apareceu no ar, mostrando que a
barreira trincara devido � energia m�gica. Na mesma hora Dumbledore e Moody miraram
suas varinhas para a linha e conseguiram finalmente destruir o obst�culo.
Voldemort reergueu-se. Ele parecia furioso com a virada dos acontecimentos e lan�ou
outra maldi��o em dire��o a Harry, mas o garoto conseguira desviar novamente. Os
Aurores vieram e come�aram a atacar Voldemort com for�a total, mas os Comensais da
Morte apareceram e uma batalha violenta estourou. A maioria dos Aurores tentava
atingir o Lorde das Trevas, mas mesmo cinco deles n�o eram capazes de derrub�-lo.
Voldemort conseguia facilmente varrer a maior parte dos homens em seu caminho.
Harry n�o estava planejando ir a lugar algum. Todos os seus ferimentos foram
curados e ele sentia o ar a sua volta cheio de magia. Nunca controlara t�o bem
magia sem varinha. O garoto havia sido distra�do por um ataque de um Comensal da
Morte e n�o soube mais onde estava Voldemort.
Harry conseguia bloquear as maldi��es que recebia dos Comensais da Morte sem nenhum
esfor�o. De repente, foi-se ouvida uma explos�o no meio da noite, provocada por uma
enorme vastid�o de fogos de artif�cios coloridos sendo lan�adas contra um grupo de
Comensais da Morte nocauteando a grande maioria deles.
Harry se virou e viu os g�meos Weasley lan�ando mais fogos de art�ficio, enquanto
Ron, Hermione e Neville atacavam os comensais com o que parecia ser frascos de
po��es. Os gritos que eram provocados nos homens, que foram atingidos com os
frascos, fazia Harry acreditar que os vidros provavelmente estavam repletos com
algum tipo de acido.
A maioria dos Comensais da Morte apenas fugia de Harry, sem querer lutar contra o
rapaz. Aparentemente, os Comensais n�o tinham esquecido do que o Princ�pe Negro era
capaz.
Harry viu Macnair lutar contra outro Auror e sentiu uma f�ria crescer dentro de si.
Ele tinha sofrido tanto nas m�os dele. Em um segundo o garoto foi parar em frente
ao Comensal, que parecia ter perdido a coragem ao v�-lo a sua frente.
Sem lan�ar nenhuma maldi��o, Harry nocautiou Macnair fazendo-o voar pelos ares. O
homem colidiu contra uma cerca de Madeira e caiu no ch�o. O garoto voou para cima
do Comensal instantaneamente, agarrou-o pelo colarinho e deu um murro em dire��o ao
seu rosto, fazendo-o urrar de dor. Harry se afastou e chutou a garganta do homem
antes de esmagar o seu est�mago com seus p�s.
Macnair estava completamente derrotado, sua varinha encontrava-se aos p�s de Harry,
completamente in�til. O Comensal tentou dar um soco no garoto, que conseguiu
bloque�-lo facilmente e devolveu o ataque, acertando-o em cheio. Harry se virou e o
chutou novamente, fazendo com que o homem fosse atirado em dire��o ao ch�o. Ouviu-
se um som terr�vel, quando Macnair atravessou a cerca quebrada. Um peda�o grande de
Madeira o penetrou atrav�s do est�mago, o que o fez cair no ch�o, morto.
A batalha era intensa, mas n�o iria durar muito tempo. Os Comensais da Morte
estavam claramente em desvantagem. Voldemort derrubou mais um Auror, antes de
observar a cena que se encontrava a sua frente. Ele estava perdendo! A maioria dos
seus Comensais da Morte haviam morrido e os poucos que sobreviveram tinham sido
presos pelos Aurores. Uma f�ria enorme se apossou do homem ao perceber que tinha
perdido. Os Aurores continuavam lutando furiosamente. Os olhos do Lorde das Trevas
se encontraram com os de Harry, enquanto este lutava.
Um feiti�o certeiro atingiu Voldemort, que caiu no ch�o. Harry observou o Lorde das
Trevas levantar instantaneamente, completamente consternardo. O garoto percebeu que
sua cicatriz do�a, mas a intensidade n�o era cegante como ele normalmente sentia.
Por�m, o jovem n�o teve tempo para pensar sobre isso, pois viu Voldemort encarar
algu�m e logo depois o observar com um sorriso maligno no rosto. Harry olhou para
ver o que fizera o homem colocar aquele sorriso nos l�bios e percebeu que Damien
estava de costas para o Lorde das Trevas e lutava lividamente contra outro Comensal
da Morte.
Harry sentiu o p�nico apoderar-se dele ao ver Voldemort brandir sua varinha
apontada para um Damien completamente desavisado. O garoto levantou suas m�os com a
inten��o de tirar o irm�o mais novo do caminho. Ele poderia afast�-lo da maldi��o,
assim como tinha feito quando o Expresso de Hogwarts fora atacado.
Harry viu tudo acontecer em c�mera lenta. Observou o jato de luz verde sair da
varinha de Voldemort em dire��o a Damien, bem na hora em que menino se virava.
Antes que Harry pudesse proferir um 'Accio' sem varinha, com o intuito de convocar
o irm�o, a maldi��o da morte atingiu o menino em cheio no peito. O moreno de olhos
verdes sentiu seu mundo cair ao seu redor ao ver Damien ser atingido pela maldi��o
da morte. A for�a do 'Avada Kedavra' de Voldemort derrubou o menino. Harry assistiu
a tudo completamente desacreditado, observando o corpo do irm�o voar para tr�s e
cair com tudo no ch�o. Por um momento, Harry pensou que o jovem de treze anos iria
se levantar. Seus olhos pousaram sobre o corpo sem vida do irm�o, desejando que ele
voltasse a vida, entretanto sabia que ningu�m jamais retornava ap�s ser atingido
pela maldi��o da morte.
Harry n�o sabia direito o que aconteceu depois disso. Era como se todos ao seu
redor tivessem desaparecido e apenas ele e Voldemort tivessem ficado no campo de
batalha. Os olhos do garoto estavam repletos de l�grimas de raiva, enquanto olhava
para o Lorde das Trevas com toda sua f�ria. Voldemort apontou a varinha em dire��o
ao moreno, que nem mesmo percebeu. Harry n�o conseguia ouvir nada, sentir nada, a
n�o ser a ira que borbulhava dentro de si ao olhar para o homem.
'Ele matou Damien!'
Esse era o �nico pensamento na mente de Harry. Foi como se uma onda de sentimentos
tomasse conta dele ao perceber o que tinha acabado de perder. Sua raiva imundava
seus olhos que fuzilavam Voldemort. Tudo o que Harry sentia naquele momento era a
mais pura, inalter�vel raiva em rela��o ao Lorde das Trevas.
Voldemort estava prestes a lan�ar outra maldi��o da morte, desta vez em dire��o a
Harry, por�m parou de repente. Os olhos do garoto ficaram negros. A cor era um
preto profundo e intenso. Harry brandiu sua varinha novamente, concentrando ali
cada tra�o de ira, f�ria e raiva que possu�a. Sem aviso, Voldemort deixou cair sua
varinha e segurou seu cora��o, seus olhos vermelhos se contorciam. Ele olhou para
Harry completamente chocado, antes que ambos fossem tomados por uma onda de grito,
dor e agonia. Harry apertou sua testa e caiu de joelhos, chorando devido ao
sofrimento. O moreno ouvia Voldemort urrar de dor tamb�m e, com dificuldade, olhou
para ele. Aquela cena era uma das que jamais esqueceria.
Com l�grimas escorrendo pelo rosto, Harry lentamente colocou Damien sobre seu colo.
Os olhos do menino estavam fechados e o moreno de olhos verdes notou que ele ainda
segurava sua varinha. Harry gentilmente tirou a franja de cima dos olhos do irm�o e
tocou suas bochechas. Ele chorou do mesmo jeito que chorara ao perder Bella, por�m
dessa vez era muito, muito pior. O garoto chorava e apertava o seu irm�o, culpando-
se por n�o ter sido capaz de proteg�-lo.
Damien olhou para o irm�o mais velho e ent�o fechou os olhos. Ele tentou respirar
fundo, mas terminou gemendo de dor e levou, nervosamente, sua m�o livre at� seu
peito.
"Eu, eu acho que todos os meus ossos est�o q-quebrados" Disse enquanto Harry o
ajudava a se levantar.
"Mas... eu... eu n�o entendo. Ele te atingiu com a maldi��o da morte! Eu vi ele te
atingir." Harry gaguejou, suas emo��es sugavam toda a for�a que lhe restava.
Um pingente de uma pedra negra apareceu em frente aos olhos de Harry, pendurado no
pesco�o de Damien. O moreno de olhos verdes ficou completamente sem fala. Ele vira
o irm�o tirar a Layhoo Jisteen e entreg�-la a Voldemort. O garoto n�o conseguia
compreender o que tinha acontecido. Foi ent�o, que entendeu o que ocorrera. A
realiza��o o atingiu em cheio e Harry virou, extasiado, para olhar seu irm�o.
Tudo fora uma farsa! Damien nunca havia tirado a Layhoo Jisteen. Ele escondera a
verdadeira com um feiti�o da invisibilidade e entregou um pingente falso para
Voldemort. Um que fabricaram para parecer id�ntico ao verdadeiro. Harry olhou para
o irm�o novamente, sem acreditar que o menino enganara o Lorde das Trevas daquele
jeito.
"Eu jurei que nunca tiraria" Damien disse sorrindo da express�o no rosto de Harry.
O moreno de olhos verdes olhou para a pedra negra, que parecia destru�da. Ele sabia
que a Layhoo Jisteen absorvera sua �ltima maldi��o. Foi ent�o, que Harry notou uma
fuma�a verde circulando a pedra negra. Ele n�o sabia que ela podia proteger algu�m
contra a maldi��o da morte e concluiu que ningu�m sabia desse poder, pois a Layhoo
Jisteen jamais fora usada para esse tipo de prote��o.
Apenas ent�o, o garoto viu sua m�e e seu pai correndo em dire��o a eles.
Rapidamente, James e Lily os envolveram num forte abra�o. Harry sentiu l�grimas
quentes ca�rem de seu pr�prio rosto ao abra�ar seus pais, sabendo o qu�o perto
estivera de nunca v�-los novamente. Dumbledore e o restante dos Aurores se
aproximaram tamb�m. James e Sirius ajudaram Damien a se levantar e come�aram a
tir�-lo daquele lugar.
Foi a� que a severidade do que Harry fizera o atingiu. Ele observou com espanto o
que havia h� poucos passos dali. O garoto ficou grato a Remus e Frank por o terem
segurado, j� que de outro modo teria ca�do no ch�o.
Ele matara Voldemort! Ele o destru�ra de verdade. Harry sentiu sua vis�o ficar meio
turva, recuou alguns passos antes que suas pernas bambeassem e todo o seu mundo
ficou em completa escurid�o. Tudo o que o garoto p�de se lembrar eram dos olhos
vermelhos rubis de Voldemort, que o olharam com total incredulidade, antes que as
chamas o engolfassem por completo. As palavras, as quais se recusara a acreditar,
vierem com tudo em sua mente
A noite estava agradavelmente quente e o som de risos ecoava no ar. O enorme sal�o
estava cheio de pessoas, todas vestidas a rigor para a ocasi�o. O Ministro
vangloriava-se imensamente ao come�ar conversas com todos os ocupantes da festa.
Sirius n�o disse nada. Ele sabia que haveria uma tens�o no ar, desde que ficou
sabendo sobre a celebra��o organizada por Fudge, a qual eles tinham que participar.
Black lan�ou um olhar compreensivo ao amigo, o que fez com que a raiva deste
desaparecesse. Ele sabia que interiormente James estava t�o feliz com a morte de
Voldemort como todo o resto do mundo m�gico. Mas, o homem n�o conseguia se juntar
�s comemora��es devido, acima de tudo, ao fato de lembr�-lo o qu�o perto havia
estado de perder Harry. Era realmente um milagre o garoto ter sobrevivido. Se ele
n�o tivesse atingido a maioridade e tomado posse dos seus poderes naquela hora,
teria morrido no momento em que a maldi��o Markeline lan�ada por Voldemort o
atingisse.
Sirius continuava um pouco confuso, sem saber como tudo realmente acontecera. Ele
sabia que quando uma Bruxa ou um Bruxo atingia a maioridade, eles 'tomavam posse de
todos os seus poderes', significando que recebiam o controle completo de toda sua
magia. O homem se lembrava de quando tomou posse de seus poderes. Ele sentira um
pulso de energia percorrer todo seu corpo, suas digitais zumbiam e a energia m�gica
explodiu ao seu redor. Foi um dos melhores sentimentos do mundo, que acabou depois
dos dois primeiros minutos.
Em rela��o a Harry, isso tinha sido diferente. Dumbledore explicara que o jovem
aprendera a usar seus poderes de modo instintivo, quando ainda era muito novo, o
que foi parte do treinamento de Voldemort. Harry era capaz de manipular seu cora��o
magico melhor do que a maioria dos bruxos e foi devido a isso que o garoto
sobrevivera.
Quando fez dezessete anos, seus poderes magicos se libertaram com for�a total e seu
instinto tomou controle e performou o que era necess�rio para mant�-lo vivo.
Primeiramente, impedindo que a maldi��o de Voldemort o atingisse e ent�o se auto-
curando, j� que o garoto estava perigosamente pr�ximo � morte. Harry conseguira se
curar, algo que a maioria dos bruxos n�o era capaz de fazer. Dumbledore dissera a
eles que n�o acreditava que o moreno seria capaz de fazer isso novamente. Era uma
daquelas coisas que tinham que ser feitas inconscientemente e se tentasse fazer de
novo, com total consci�ncia, provavelmente n�o funcionaria.
Sirius olhou ao redor do sal�o e percebeu que o local estava cheio de pessoas
risonhas. Ele avistou Lily, absorta numa conversa com Alice e Molly, e p�de notar
que a ruiva sentia-se t�o desconfort�vel com toda aquela festa, quanto ele e James.
Remus estava sendo bombardeado com perguntas sobre a batalha por um grupo de
pessoas barulhentas.
"Harry ainda est� aqui?" Sirius perguntou, olhando em dire��o a James novamente,
que acenou com a cabe�a e lan�ou ao amigo um olhar triste.
"Eu realmente desejava que ele n�o tivesse que vir. Estou com tanta raiva de mim
mesmo por t�-lo for�ado a vir. Ele n�o deveria ter que lidar com isso." James disse
abatido.
"N�o foi sua decis�o, cara. Harry sabe disso. Ele sabe que Fudge iria fazer um
esc�ndalo se ele n�o viesse. Al�m do mais, essa noite � a celebra��o da vit�ria
dele sobre Voldemort." Sirius o consolou.
James continuava desejando que Harry n�o tivesse que lidar com isso. Depois de tudo
que seu filho passou, essa era a �ltima coisa que precisava.
Na outra ponta do sal�o, existiam duas portas de vidro que davam para uma varanda.
Era uma noite quente, mas ningu�m estava l� fora. Todos bebiam e comemoravam a
queda do maior bruxo das trevas daquela �poca. Todos, exceto um. Harry estava em
p�, apoiado contra o balc�o. Seus olhos verde esmeralda olhavam para frente,
focando-se em nada de espec�fico. O vento balan�ava seus cabelos negros e o garoto
percorria suas m�os em torno deles. Seus dedos tocaram sua cicatriz e ele
gentilmente contornou o tra�o de raio que a formava. Ela n�o do�a mais, n�o doera
desde aquele dia. Harry sabia que parecia loucura, mas era estranho n�o sentir mais
aquela dor. Mesmo durante alguns momentos, quando Voldemort n�o estava sentindo
nenhuma emo��o em particular, Harry ainda podia sentir uma fina agonia perpassar
por ali e aprendera a bloque�-la. Agora sua cabe�a parecia estranhamente vazia sem
aquela dor.
Harry suspirou profundamente e afastou sua m�o da testa. Ele n�o conseguia
acreditar que o homem partira. Voldemort realmente morrira e era ele, Harry, o
respons�vel por isso. O garoto n�o queria se lembrar do que tinha acontecido depois
daquele dia. Ele acordara dois dias depois e descobrira-se no St Mungos. Damien
estava l� sendo tratado por seus ossos quebrados, assim como muitos outros Aurores.
Harry sabia que todos tinham boas inten��es, mas n�o conseguia evitar e ignorava
cada pessoa que tinha o intuito de discutir a batalha final. Ele n�o queria pensar
no que acontecera. N�o queria lembrar de como fora encarado por Voldemort, enquanto
as chamas engoliam o homem.
Harry fechou os olhos e tentou se acalmar. Ele sabia que aquela mem�ria o
perseguiria pelo resto da vida. Dumbledore tentou conversar com o garoto, que o
cortou como geralmente fazia. O moreno n�o queria ouvir mais nada sobre aquela
merda de profecia!
Sua mente vagou pelos acontecimentos daquela manh�. Draco tinha ido embora para
unir-se a m�e e visitara Harry antes de partir. No come�o, os dois amigos n�o
sabiam ao certo o que dizer ou fazer. Olharam-se longamente, esperando que o outro
tomasse a iniciativa e dissesse alguma coisa. Harry nunca pensara na possibilidade
de Draco ir contra Voldemort para proteg�-lo. O garoto nunca havia dado muito
cr�dito ao loiro. Sempre pensara no amigo como um oportunista que nunca arriscaria
seu pesco�o por ningu�m. O fato de Draco ter se arriscado para salv�-lo mexera
imensamente com ele. O moreno relutou para dizer adeus. O loiro abra�ou o amigo,
brevemente, antes de partir.
"Se algum dia voc� precisar de qualquer coisa sabe onde me encontrar." Draco
sussurrou no ouvido do moreno antes de se afastar e partir.
Harry sorriu em resposta. Ele deveria saber que Draco faria uma �ltima tentativa de
lev�-lo consigo. O garoto assistiu o loiro aparatar com Snape e viu seu amigo de
inf�ncia, seu primeiro amigo de verdade, partir para come�ar uma vida nova em outro
lugar.
Harry n�o ouvira nada sobre Lucius Malfoy. O Comensal n�o tinha ido para Hogsmeade.
Ele aparatara para a Mans�o Riddle e depois desaparecera. Havia um pequeno numero
de Comensais da Morte que fugiram da batalha. O Minist�rio procurava por eles, mas
Harry sabia que essa busca acabaria mais cedo ou mais tarde. Ningu�m realmente se
importava mais. Voldemorte partira e tudo parecia menos importante se comparado a
isso.
Harry sentia-se culpado por lamentar toda vez que algu�m mencionava o nome de
Voldemort. Ele sabia que o Lorde das Trevas teve todas as inten��es de matar
Damien. Sabia tamb�m que o homem o mataria em seguida, mas mesmo assim, Harry n�o
conseguia n�o se sentir culpado. O garoto nunca pensara que iria destruir Voldemort
e cometera o ato da mesma forma que acabara com as Horcruxes dele.
Voldemort mantera suas ordens, para que torturassem Harry, por quase vinte e quarto
horas. Ele o machucara quando este era apenas uma crian�a e havia tirado tudo
aquilo que o garoto possu�a. Mesmo depois de tudo isso, Harry ainda n�o conseguia
pensar em machucar o homem. Entretanto, quando o moreno pensou que o Lorde das
Trevas matara o seu irm�o, n�o quis nada mais do que destru�-lo completamente.
Aquilo n�o havia sido um acidente. Harry, momentaneamente, desejou destruir
Voldemort. Foi em um momento de pura ira e f�ria que ele aniquilara a �ltima parte
remanescente de sua alma. O seu lado maligno havia claramente vencido e apossou-se
dele, fazendo-o matar o homem que um dia jurara proteger. Harry balan�ou sua cabe�a
enquanto ouvia as risadas que ecoavam do sal�o atr�s dele. Todos o homenageavam por
t�-los livrado do Lorde das Trevas, sem imaginar quanta maldade havia dentro dele.
Harry for�ou-se a trancar esses pensamentos na sua mente. Eles n�o iriam ajud�-lo
em nada, a n�o ser em faz�-lo sentir-se pior do que j� estava. Ele n�o era como
Voldemort! N�o era igual a ele!
Harry focou seus pensamentos em dire��o aos pais. Ele era grato por uma coisa. Sua
m�e, seu pai e seus amigos n�o haviam mencionado nada sobre Voldemort. Eles n�o
perguntaram a ele como estava ou como se sentia em rela��o a tudo o que acontecera.
Eles o tratavam como se estivesse tudo normal. Sua m�e o fizera comer de tudo,
quando voltou do hospital, o que de certo modo, era algo bem normal dela.
Harry ouviu passos ecoarem atr�s de s� e j� estava preparado para afastar qualquer
um que se aproximasse. Contudo, abaixou suas defesas ao ver quarto rostos
familiares sorrindo em sua dire��o. O garoto se afastou um pouco, deveria saber que
os quatro acabariam encontrando-o mais cedo ou mais tarde.
"Essa � uma das festas mais mundanas em que eu j� estive!" Ron comentou enquanto se
aproximava de Harry.
O moreno de olhos verdes sorriu ao ver que, secretamente, Ron estava adorando tudo.
O ruivo s� dizia isso, porque via o qu�o enjoado ele estava com a situa��o.
"Mas a comida n�o � ruim." Damien disse enquanto se escorava na ponta do balc�o.
Harry n�o disse nada, mas aproveitou o momento para observar seu irm�o ca�ula.
Damien ficara muito perto da morte. Seu t�rax partira e muitas das suas costelas
tinham quebrado, quando a maldi��o da morte o atingiu. A pequena pedra negra do
pingente em volta de seu pesco�o, absorvera o impacto da maldi��o em si, mas n�o
fora capaz de proteg�-lo da for�a brutal da maldi��o da morte.
Damien ainda usava o pingente, mesmo sabendo que era in�til agora. A Layhoo Jisteen
fora destru�da no momento em que o impacto da maldi��o da morte caiu sobre ela.
Ainda era poss�vel observar a fuma�a verde em volta da pedra negra.
O menino recusara-se a tir�-la e disse aos pais que n�o se importava se a pedra n�o
o protegesse mais. Aquele fora o primeiro presente de natal de seu irm�o e ele n�o
iria tir�-lo.
Harry foi retirado de seus pensamentos por Hermione. Ele podia ver que os quarto o
olhavam compreensivamente. Todos sabiam que o garoto preferiria estar em qualquer
outro lugar que n�o fosse ali celebrando a queda do Lorde das Trevas.
Harry n�o iria mentir para eles. Ele nunca havia, ent�o por que come�ar agora?
"Eu s� queria que essa noite acabasse. N�o sei porque fui deixar meu pai me
arrastar para c� pra come�ar." Harry respondeu, enquanto colocava suas m�os nos
bolsos das vestes. Pelo menos seus pais n�o haviam insistido que usasse trajes de
gala, pensou.
"Voc� n�o � o �nico que n�o queria estar aqui. Parece que mam�e e papai est�o
sofrendo pra caramba." Damien disse com um sorriso tolo.
Ele fora for�ado por seus pais a comparecer nessa festa. Eles sabiam que n�o
ficaria bem se Harry n�o comparecesse numa festa que era supostamente em sua
homenagem. O garoto n�o poderia se importar menos, mas sabia que seu pai teria que
lidar com v�rios tipos de problemas se ele n�o comparecesse. Ambos, pai e m�e, o
tinham feito se sentir temporariamente culpado e participar da festa. Agora, ele
desejava que n�o tivesse vindo, sem se importar com as conseq��ncias.
"Voc� realmente n�o queria estar aqui, n�o �?" Damien perguntou enquanto observava
seu irm�o.
Damien desencostou da varanda e ficou em frente ao seu irm�o mais velho. Ele tirou
algo pequeno do bolso e segurou-o de modo que Harry pudesse ver. O moreno de olhos
esmeralda assistiu confuso enquanto o irm�o segurava uma miniatura de sua Nimbus
3000.
Antes que Harry pudesse perguntar o que ele estava fazendo, Damien olhou para a
vassoura e percorreu suas m�os sobre ela. O objeto cresceu at� ficar do tamanho
normal. Damien a segurou nas m�os com um largo sorriso no rosto.
"Voc� n�o � o �nico Potter que pode fazer magia sem varinha." Disse enquanto Harry
o olhava encantado.
Damien entregou a vassoura para o irm�o. Harry segurou e olhou para ela com uma
express�o confusa no rosto.
"Se voc� n�o quer ficar aqui, ent�o voc� deve ir embora." Ron explicou.
Parecia que os quatro planejaram isso de anteced�ncia. Harryolhou para seu irm�o em
choque.
"Damy, eu n�o acho que isso seja uma boa id�ia�" Harry come�ou, mas foi cortado
pelo menino.
"Essa noite � a sua. Voc� deve fazer o que quiser fazer." Disse sorrindo.
"E o papai? Ele vai ficar muito zangado com voc�." Harry perguntou.
"Eu j� entrei em v�rios problemas por voc�. O que � um a mais?" Damien disse com um
sorriso no rosto.
Harry devolveu o sorriso e soltou a vassoura, deixando-a flutuar no ar. Ele montou
nela sem nenhum esfor�o e ficou pairando em cima da varanda. O garoto olhou
novamente para o grupo e focou seus olhos esmeralda na ruiva que usava um vestido
preto. Harry se aproximou, encarando-a . Ele ainda n�o havia falado com Ginny desde
o momento em que a resgatara. Ginny, como sempre, dera um espa�o a ele. Ela n�o o
tinha indagado sobre o beijo que trocaram na Mans�o Riddle ou perguntado em que
tipo de relacionamento estavam.
Ginny sorriu calorosamente para Harry, enquanto ele pairava na ponta da varanda,
encarando-a intensamente.
"Ent�o, voc� quer vir comigo agora, ou prefere que eu volte para te salvar mais
tarde?" Harry perguntou, um olhar maroto brilhava em seus olhos verdes.
Ginny pareceu espantada com a pergunta, mas se recuperou rapidamente. Ela cruzou os
bra�os sobre o peito e devolveu a Harry um olhar igualmente travesso.
"Bem, se eu for com voc� desse jeito, sem nenhum drama acontecendo, n�o vai ser um
tanto quanto normal para a gente?"
Harry curvou-se ligeiramente e estendeu sua m�o. Ginny segurou, seu cora��o batendo
fortemente. Ela sentou atr�s dele, seus bra�os entrela�ados na cintura de Harry.
"Quando o assunto � a gente Ginny, nada nunca � normal." Harry disse sorrindo.
Damien e Hermione olharam cheios de alegria por Harry e Ginny finalmente se abrirem
um com o outro. Ron sorriu ao ver a alegria no rosto da irm�.
O fato de Harry querer ficar com Ginny e ter se referido a eles como 'a gente' era
o mais pr�ximo que o garoto chegaria em dizer que amava Ginny. Harry colocou uma
m�o sobre a da menina e deu uma pequena guinada.
"Apenas volte pra casa antes do nascer do sol. Se n�o, papai vai dar outra festa de
busca para voc�. " Damien disse enquanto Harry parava para levantar v�o.
O garoto apenas sorriu de volta e deu a eles um ultimo olhar de gratid�o antes de
subir para dentro do c�u noturno.
Os tr�s adolescentes assistiram aos dois por um momento antes de retornarem para
dentro do sal�o. Damien virou-se, mas parou ao ver seu pai em p� na porta da
varanda.
Entretanto, James n�o parecia zangado. Na verdade, ele parecia exatamente o oposto.
Seus olhos estavam fixos na forma de Harry, voando cada vez mais alto na imensid�o
do c�u. Damien relaxou ao ver que seu pai sorria.
Damien andou em dire��o ao pai e sorriu para ele, enquanto este dava um tapinha em
seu ombro.
"Eu nunca tive um irm�o. Almofadinhas e Aluado foram a coisa mais pr�xima disso que
eu tive. Eu sei que eles teriam feito isso por mim." James disse enquanto beijava a
cabe�a de Damien.
"Pai, Harry vai superar isso. Ele vai ficar bem, n�o vai?" Perguntou rapidamente.
James sabia que Damien estava se referindo � culpa que Harry sentia por ter matado
Voldemort e � sua recusa de falar abertamente sobre isso. O homem olhou para o c�u,
focando seu olhar no pequeno ponto que era seu filho.
"Vai demorar um pouco e n�o ser� f�cil, mas acho que Harry vai ficar bem." James
disse com um sorriso reconfortante.
Ele levou Damien para dentro, preparando-se mentalmente para o chilique que o
Ministro daria por ter perdido seu convidado de honra e n�o podia se importar
menos. Tudo o que importava era que Harry estava feliz. James fez uma promesa
silenciosa para s� mesmo, que de agora em diante, n�o importa o que acontecesse,
Harry viria sempre em primeiro lugar.
Ele fechou as portas que davam para a varanda e sorriu profundamente ao ouvir o som
do riso de Harry e Ginny ecoando no ar.
FIM.