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Evolução da Administração Pública Brasileira

O documento aborda a evolução dos modelos de administração pública no Brasil, começando com o patrimonialismo até 1850, passando pela burocracia de 1850 a 1980, e culminando no gerencialismo a partir de 1980. Discute as características, disfunções e crises enfrentadas em cada modelo, além de destacar a importância da governança e accountability na administração pública contemporânea. Por fim, apresenta a Reforma da Gestão Pública de 1995 e suas dimensões, enfatizando a necessidade de descentralização e maior eficiência na administração estatal.

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Evolução da Administração Pública Brasileira

O documento aborda a evolução dos modelos de administração pública no Brasil, começando com o patrimonialismo até 1850, passando pela burocracia de 1850 a 1980, e culminando no gerencialismo a partir de 1980. Discute as características, disfunções e crises enfrentadas em cada modelo, além de destacar a importância da governança e accountability na administração pública contemporânea. Por fim, apresenta a Reforma da Gestão Pública de 1995 e suas dimensões, enfatizando a necessidade de descentralização e maior eficiência na administração estatal.

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Modelos de Administração Pública

– Patrimonialismo (até 1850) – a coisa pública se torna uma extensão do


patrimônio privado pertencente ao detentor do poder político.

O público se confunde com o privado (confusão patrimonial).

Características:

• Esfera Pública se mistura com a esfera privada;

• Falta de profissionalização;

• Tendência ao nepotismo e a corrupção;

• Sistema fiscal injusto e irracional;

• Falta de rede de segurança social;

• Falta de participação social nos assuntos de Estado;

• Racionalidade subjetiva, como sistema legal instável e dificuldade de


planejamento dos cidadãos.

• Apesar de combatido, ainda está presente em muitas práticas atuais.

– Burocracia (de 1850 a 1980) – desenvolve-se com o surgimento do capitalismo


e da democracia.

Impõe limites legais à atuação da administração pública.

Entra em crise a partir de 1970 com a crise fiscal derivada das crises do petróleo.

Características:

• Formalidade

• Autoridade é expressa em leis;

• Comunicação é padronizada;

• Controle de Procedimentos.

• Impessoalidade

• Isonomia no tratamento;

• Meritocracia;

• Racionalidade;

• Sistema legal e econômico previsível.

• Profissionalismo

• Comando é dos especialistas;

• Remuneração em dinheiro;

• Administrador é especialista - noção de carreira;

• Hierarquia.

– Principais disfunções da burocracia:


Dificuldade de resposta às mudanças no meio externo;

Perda da visão global da organização;

Lentidão no processo decisório;

Excessiva formalização.

ESTAMENTO é uma forma de estratificação social com camadas sociais mais


fechadas. Segundo Faoro1, Max Weber amplia esse conceito, passando também a
significar uma rede de relacionamentos que constitui um determinado poder e influi
em determinado campo de atividade.

O termo estamento é amplamente discutido no modelo burocrático, que agora


formula o conceito de ESTAMENTO BUROCRÁRICO como camada social existente
no interior do aparelho de Estado, intensamente associado ao soberano, e que se
aproveitaria dessa proximidade e de seu prestígio junto ao monarca para auferir
benefícios, em proveito próprio, das atividades desempenhadas pelo Estado, em
detrimento dos demais segmentos da sociedade.
Por fim, a expressão ESTAMENTO BUROCRÁTICO PATRIMONIALISTA (não muito
usual) é identificada por Luiz Carlos Bresser-Pereira2 como a elite dirigente
patrimonialista, que vivia das rendas do Estado ao invés de das rendas da terra, e
detinha com razoável autonomia um imenso poder político.

Insulamento burocrático significa a redução do escopo da arena em que os


interesses e demandas populares podem desempenhar um papel.

Esta redução da arena é efetivada pela retirada de organizações cruciais do


conjunto da burocracia tradicional e do espaço político governado pelo Congresso e
pelos partidos políticos, resguardando estas organizações contra tradicionais
demandas burocráticas ou redistributivas

– Gerencialismo (a partir de 1980) – iniciado nos governos Tatcher e Reagan.

Redução das atividades estatais e maior autonomia ao administrador público.

O foco do controle deixa de ser no processo e passa para o resultado.

Características:
• Flexibilidade.

• Confiança limitada.

• Descentralização e delegação.

• Pagamento por desempenho.

• Competitividade interna e externa.

• Transparência.

• Terceirização.

• Organizações com poucos níveis hierárquicos; menos piramidal, mais “achatada”.

• Foco no cliente/cidadão.

• Controle social

• Limitação à estabilidade dos funcionários; regimes temporários de emprego.


– Entenda bem as 3 fases do modelo gerencial (Nova Gestão Pública):

a) managerialism/gerencialismo puro: foco no mero contribuinte; redução de


custos;

b) consumerism: foco no consumidor, cliente; qualidade, efetividade,


produtividade;

c) public servisse orientation: foco no cliente-cidadão.; isonomia, equidade,


bem comum;

– Não confunda o Neoliberalismo com o Modelo Gerencial.

Evolução da Administração Pública no Brasil

1 – (1500 a 1930) Período Colonial e República Velha – Patrimonialismo.

2 – (1930 A 1945) Era Vargas (DASP) – Primeira Grande Reforma


Administrativa.

Burocracia.

Centralização do poder político na União.

Intervencionismo.

Protecionismo.

Os principais objetivos do DASP eram:

A racionalização de métodos, processos e procedimentos;

A definição da política de recursos humanos, de compra de materiais e finanças;

A centralização e reorganização da administração pública federal;

3 – (1956 a 1961) Período JK – Modernização Administrativa.

Fortalecimento da administração indireta (paralela).

Mais intervencionismo.

Descentralização. Ilhas de Excelência.

Leve retrocesso ao patrimonialismo.

Decreto-Lei 200/1967 – algumas práticas do Modelo Gerencial.

Descentralização.

Crescimento (desordenado) da administração indireta.


Decreto Lei nº 200:

“Art. 6º As atividades da Administração Federal obedecerão aos seguintes


princípios fundamentais:

“PCC planeja, coordena e controla o tráfico de forma descentralizada,


delegando competências.”

I - Planejamento.

II - Coordenação.

III - Descentralização.

V - Delegação de Competência.

V - Controle.”

DO CONTROLE
Art. 13 O controle das atividades da Administração Federal deverá exercer-se em
todos os níveis e em todos os órgãos, compreendendo, particularmente:

a) o controle, pela chefia competente, da execução dos programas e da


observância das normas que governam a atividade específica do órgão
controlado;

b) o controle, pelos órgãos próprios de cada sistema, da observância das


normas gerais que regulam o exercício das atividades auxiliares

c) o controle da aplicação dos dinheiros públicos e da guarda dos bens da


União pelos órgãos próprios do sistema de contabilidade e auditoria.

Art. 14. O trabalho administrativo será racionalizado mediante simplificação de


processos e supressão de controles que se evidenciarem como puramente formais
ou cujo custo seja evidentemente superior ao risco.
- A Reforma de 67 é considerada como a 1ª iniciativa de administração
gerencial no Brasil.

4 – (1988) Constituição de 88 – retrocesso burocrático no plano administrativo.

Descentralização política.

Centralização administrativa.

Retorno de alguns ideais burocráticos.

PND - (1979): simplificação dos processos e redução da administração indireta

5 – (1995) PDRAE – (Plano Bresser)

gerencialismo.

Descentralização.

Ascenção do Estado Regulador.

Surgimento dos conceitos de Governabilidade e Governança

Governabilidade - capacidade política de governar; legitimidade perante a


sociedade; aspectos políticos do Estado; capacidade de liderança do Estado perante
a sociedade como um todo. Sua fonte é a sociedade como um todo.

A ingovernabilidade governabilidade pode estar associada à:

sobrecarga fiscal - refere-se à sobrecarga de problemas aos qual o Estado deve


responder com a expansão de seus serviços e intervenção;

excesso de demandas - refere-se ao desequilíbrio entre as demandas da


população e a capacidade estatal em atendê-las;

crise de legitimidade - que se origina quando a sociedade não aceita a


legitimidade dos atos administrativos e políticos do Estado, considerando o
problema de acumulação, distribuição e redistribuição de recursos, bens e serviços.

Crise de sobrecarga

Esta crise consiste na incapacidade do Estado dar conta de todas as tarefas


assumidas e que lhe são atribuídas pela Constituição e leis. Sendo que essas tarefas
aumentam de forma ilimitada, e abrangem todos os setores da sociedade.

O ideal seria que o Estado cuidasse, apenas, da segurança (interna e externa, ou


seja, através da força armada e da polícia), diplomacia, administração pública e
justiça. E assim, garantir os direitos naturais de fundamentais de todo ser humano.

Para solucionar essa crise, o Estado precisa definir sua finalidade quanto
governo. É necessário utilizar uma política racional, em que o Estado, somente,
oriente, incentive, fiscalize e ampare e realize as funções que apenas ele pode
desempenhar.

Crise de Agenciamento

Resulta da base de organização governamental inadequada para um


Estado intervencionista, adotada por muitos países, que é a separação dos
poderes.
Um exemplo da crise é que para o Executivo poder atuar de forma eficiente, ele
precisa de leis e no momento que são necessárias, mas não é isso que ocorre, já
que a própria estrutura do Legislativo dificulta muitas decisões. E, também, por
serem poderes autônomos, o que interessa para em determinada ocasião, pode não
interessar para o outro.

A solução seria substituir a separação de poderes de Montesquieu por


uma separação mais adequada para cada Estado. E assim, coordenar a
atuação dos poderes, para que um não prejudique a atuação do outro.

Crise democrático representativa

A crise decorre em função da vontade real do povo não ser transmitida


aos órgãos da administração pública. E que os governantes, depois de eleitos,
agem seguindo a própria pretensão, para o seu proveito e não de acordo com os
interesses das pessoas que os elegeram.

Soma-se a isto, o fato de o processo de escolha dos políticos ser feito por
intermédio dos partidos políticos, que influenciam na formação da opinião da
população, e isto resulta na escolha equivocada e aleatória de desconhecidos ou
aproveitadores.

A solução está na melhora do processo de escolha, estruturando o sistema


eleitoral.

Governança - capacidade de implementar políticas públicas, tornando-as efetivas;


aspectos gerenciais, financeiros. Sua fonte é a capacidade estrutural do estado e o
preparo dos servidores para tornar efetivas as políticas públicas implementadas;

Princípios da boa governança: a legitimidade, a equidade, a responsabilidade, a


eficiência, a probidade, a transparência e a accountability.

São princípios da boa governança:

a) Legitimidade:
Princípio jurídico fundamental do Estado Democrático de Direito e critério
informativo do controle externo da administração pública que amplia a incidência
do controle para além da aplicação isolada do critério da legalidade.
Não basta verificar se a lei foi cumprida, mas se o interesse público, o bem
comum, foi alcançado.

b) Equidade:
Promover a equidade e garantir as condições para que todos tenham acesso ao
exercício de seus direitos civis - liberdade de expressão, de acesso a informação, de
associação, de voto, igualdade entre gêneros -, políticos e sociais - saúde,
educação, moradia, segurança.

c) Responsabilidade:
Diz respeito ao zelo que os agentes de governança devem ter pela sustentabilidade
das organizações, visando sua longevidade, incorporando
considerações de ordem social e ambiental na definição dos negócios e
operações (IBGC, 2010).

d) Eficiência:
Fazer o que e preciso ser feito com qualidade adequada ao menor custo possível.
Não se trata de redução de custo de qualquer maneira, mas de buscar a melhor
relação entre qualidade do serviço e qualidade do gasto.

e) Probidade:
Dever dos servidores de demonstrar probidade, zelo, economia e observância as
regras e aos procedimentos do órgão ao utilizar, arrecadar, gerenciar e administrar
bens e valores públicos.
Obrigação que têm os servidores de demonstrar serem dignos de confiança.

f) Transparência:
Caracteriza-se pela possibilidade de acesso a todas as informações relativas a
organização publica, sendo um dos requisitos de controle do Estado pela sociedade
civil.
Resulta em um clima de confiança, tanto internamente quanto nas relações de
órgãos e entidades com terceiros.

Ativa: qnd a adm publica presta sem ser solicitada

Passiva: qnd alguém solicita informação

g) Accountability:
Obrigação que tem as pessoas ou entidades as quais se tenham confiado
recursos, incluídas as empresas e organizações publicas, de assumir as
responsabilidades de ordem fiscal, gerencial e programática que lhes foram
conferidas, e de informar a quem lhes delegou essas responsabilidades.
Espera-se que os agentes de governança prestem contas de sua atuação de forma
voluntária, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões.

Objetivos do PDRAE:

maior autonomia para as atividades executivas do Estado

responsabilização dos gestores públicos

maior transparência dos serviços públicos

maior autonomia para os serviços sociais e científicos

descentralização dos serviços sociais para estados e municípios

delimitação mais precisa da área de atuação do Estado

A Reforma da Gestão Pública de 1995 compreendeu três dimensões:

a) uma dimensão institucional-legal, voltada à descentralização da estrutura


organizacional do aparelho do Estado através da criação de novos formatos
organizacionais, como as agências executivas, regulatórias, e as organizações
sociais;

Problema: obstáculos de ordem legal para o alcance de uma maior eficiência do


aparelho do Estado;

b) uma dimensão gestão, definida pela maior autonomia e a introdução de três


novas formas de responsabilização dos gestores – a administração por resultados, a
competição administrada por excelência, e o controle social – em substituição
parcial dos regulamentos rígidos, da supervisão e da auditoria, que caracterizam a
administração burocrática; e

Problema: associada as práticas administrativas.


c) uma dimensão cultural, de mudança de mentalidade, visando passar da
desconfiança generalizada que caracteriza a administração burocrática para uma
confiança maior, ainda que limitada, própria da administração gerencial.

Problema: coexistência de valores patrimonialistas e principalmente burocráticos


com os novos valores gerenciais e modernos na administração pública brasileira;

O PDRAE distingue quatro setores no Aparelho do Estado:

O NÚCLEO ESTRATÉGICO é o governo, em sentido amplo.


É o setor que define as leis e as políticas públicas e toma as decisões estratégicas.
Corresponde aos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público.

As ATIVIDADES EXCLUSIVAS correspondem aos serviços que devem ser


prestados diretamente pelo Estado.
Nesse setor manifesta-se o poder extroverso do Estado - regulamentar,
fiscalizar, fomentar -, como a cobrança e fiscalização dos impostos, a polícia, a
previdência social básica, o serviço de desemprego, a fiscalização do cumprimento
de normas sanitárias, o serviço de trânsito, a compra de serviços de saúde pelo
Estado, o controle do meio ambiente, o subsídio à educação básica, o serviço de
emissão de passaportes.

Os SERVIÇOS NÃO EXCLUSIVOS correspondem às atuações simultâneas do


Estado com outras organizações públicas não estatais e privadas.
Esse setor requer a presença do Estado porque os serviços envolvem direitos
humanos fundamentais, como os da educação e da saúde, ou porque possuem
“economias externas” relevantes, na medida em que produzem ganhos que não
podem ser apropriados por esses serviços através do mercado.
As economias produzidas imediatamente se espalham para o resto da sociedade,
não podendo ser transformadas em lucros. São exemplos deste setor: as
universidades, os hospitais, os centros de pesquisa e os museus.

A PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS PARA O MERCADO é área de atuação das


empresas. Caracteriza-se pelas atividades econômicas voltadas para o lucro que
ainda permanecem no aparelho do Estado como, por exemplo, as do setor de
infraestrutura.
Essas atividades estão no Estado seja porque faltou capital ao setor privado para
realizar o investimento, seja porque são atividades naturalmente monopolistas, nas
quais o controle via mercado não é possível, tornando-se necessário no caso de
privatização, a regulamentação rígida.

• Accountability Horizontal

É aquele que pressupõe um equilíbrio nos lados, exercida por meio do controle
mútuo (“check and balances”) entre os Poderes da República (que sao “iguais”,
em status constitucional) ou por meio de órgãos autônomos, tais como as
controladorias e os tribunais de contas.

• Accountability Vertical

É o controle exercido pela população sobre os políticos e governos, ou seja,


pressupõe uma ação entre desiguais.

Seus principais mecanismos são o voto e a ação popular, de modo que


também é conhecido como accountability democrático ou eleitoral.
• Accountability Societal

É o controle exercido pela sociedade civil como ONGs, sindicatos,


associações.

Estas instituições buscam, por meio de pressões e denúncias, impulsionar os órgãos


de controle a fim de que sejam apuradas possíveis irregularidades detectadas.

LIA:

Art. 10. Qualquer interessado poderá apresentar pedido de acesso a


informações aos órgãos e entidades referidos no art. 1º desta Lei, por qualquer
meio legítimo, devendo o pedido conter a identificação do requerente e
a especificação da informação requerida.

§ 1º Para o acesso a informações de interesse público, a identificação do


requerente não pode conter exigências que inviabilizem a solicitação.

§ 2º Os órgãos e entidades do poder público devem viabilizar alternativa de


encaminhamento de pedidos de acesso por meio de seus sítios oficiais na
internet.

§ 3º São vedadas quaisquer exigências relativas aos motivos


determinantes da solicitação de informações de interesse público.

Art. 3º Os procedimentos previstos nesta Lei destinam-se a assegurar o direito


fundamental de acesso à informação e devem ser executados em conformidade
com os princípios básicos da administração pública e com as seguintes diretrizes:

I - observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como exceção;


II - divulgação de informações de interesse público, independentemente
de solicitações;
III - utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da
informação;
IV - fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na
administração pública;

V - desenvolvimento do controle social da administração pública.


O grau de sigilo deve ser determinado em razão da imprescindibilidade da
informação à segurança da sociedade ou do Estado.

Art. 24. A informação em poder dos órgãos e entidades públicas, observado o seu
teor e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do Estado,
poderá ser classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada.

§ 1º Os prazos máximos de restrição de acesso à informação, conforme a


classificação prevista no caput, vigoram a partir da data de sua produção e são os
seguintes:

I - ultrassecreta: 25 (vinte e cinco) anos;

II - secreta: 15 (quinze) anos; e

III - reservada: 05 (cinco) anos.


§ 2º As informações que puderem colocar em risco a segurança do Presidente
e Vice-Presidente da República e respectivos cônjuges e filhos(as) serão
classificadas como reservadas e ficarão sob sigilo até o término do mandato em
exercício ou do último mandato, em caso de reeleição.

§ 3º Alternativamente aos prazos previstos no § 1º , poderá ser estabelecida


como termo final de restrição de acesso a ocorrência de determinado evento,
desde que este ocorra antes do transcurso do prazo máximo de
classificação.

§ 4º Transcorrido o prazo de classificação ou consumado o evento que defina


o seu termo final, a informação tornar-se-á, automaticamente, de acesso público.

§ 5º Para a classificação da informação em determinado grau de sigilo, deverá


ser observado o interesse público da informação e utilizado o critério menos
restritivo possível, considerados:

I - a gravidade do risco ou dano à segurança da sociedade e do Estado; e

II - o prazo máximo de restrição de acesso ou o evento que defina seu termo


final.

As informações pessoais relativas à intimidade de indivíduos são


asseguradas a restrição de acesso pelo prazo máximo de 100 anos.

Esse sigilo pode ser excetuado não só por decisão judicial (não necessariamente
transitada em julgado), mas também em diversas hipóteses previstas no art. 31 da
LAI:

Art. 31. O tratamento das informações pessoais deve ser feito de forma
transparente e com
respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, bem como às
liberdades e garantias individuais.

§ 1º As informações pessoais, a que se refere este artigo, relativas à intimidade,


vida privada,
honra e imagem:

I - terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo e pelo


prazo máximo
de 100 (cem) anos a contar da sua data de produção, a agentes públicos
legalmente
autorizados e à pessoa a que elas se referirem; e

II - poderão ter autorizada sua divulgação ou acesso por terceiros diante de


previsão legal ou
consentimento expresso da pessoa a que elas se referirem.

§ 2º Aquele que obtiver acesso às informações de que trata este artigo será
responsabilizado por seu uso indevido.

§ 3º O consentimento referido no inciso II do § 1º não será exigido quando as


informações forem necessárias:

I - à prevenção e diagnóstico médico, quando a pessoa estiver física ou


legalmente
incapaz, e para utilização única e exclusivamente para o tratamento médico;
II - à realização de estatísticas e pesquisas científicas de evidente interesse
público ou
geral, previstos em lei, sendo vedada a identificação da pessoa a que as
informações se referirem;
III - ao cumprimento de ordem judicial;

IV - à defesa de direitos humanos; ou

V - à proteção do interesse público e geral preponderante.

Art. 30. A autoridade máxima de cada órgão ou entidade publicará, anualmente,


em sítio à disposição na internet e destinado à veiculação de dados e informações
administrativas, nos termos de regulamento:

I - rol das informações que tenham sido desclassificadas nos últimos 12 meses;

II - rol de documentos classificados em cada grau de sigilo, com identificação


para referência futura;

III - relatório estatístico contendo a quantidade de pedidos de informação recebidos,


atendidos e indeferidos, bem como informações genéricas sobre os solicitantes.

Art. 1º Esta Lei dispõe sobre os procedimentos a serem observados pela União,
Estados, Distrito Federal e Municípios, com o fim de garantir o acesso a informações
previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art.
216 da Constituição Federal.

Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei:

I - os órgãos públicos integrantes da administração direta dos Poderes Executivo,


Legislativo, incluindo as Cortes de Contas, e Judiciário e do Ministério Público;

II - as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades


de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela
União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

Art. 2º Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber, às entidades


privadas sem fins lucrativos que recebam, para realização de ações de
interesse público, recursos públicos diretamente do orçamento ou mediante
subvenções sociais, contrato de gestão, termo de parceria, convênios, acordo,
ajustes ou outros instrumentos congêneres.

Parágrafo único. A publicidade a que estão submetidas as entidades citadas


no caput refere-se à parcela dos recursos públicos recebidos e à sua
destinação, sem prejuízo das prestações de contas a que estejam legalmente
obrigadas.

Findo o prazo de classificação, a informação tornar-se-á, automaticamente, de


acesso público, nos termos do art. 24, § 4º, da LAI.

Art. 4º Para os efeitos desta Lei, considera-se:

I - informação: dados, processados ou não, que podem ser utilizados para


produção e transmissão de conhecimento, contidos em qualquer meio,
suporte ou formato;

II - documento: unidade de registro de informações, qualquer que seja o


suporte ou formato;
III - informação sigilosa: aquela submetida temporariamente à restrição de
acesso público em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade
e do Estado;

IV - informação pessoal: aquela relacionada à pessoa natural identificada ou


identificável;

V - tratamento da informação: conjunto de ações referentes à produção,


recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transporte, transmissão,
distribuição, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação, destinação ou
controle da informação;

VI - disponibilidade: qualidade da informação que pode ser conhecida e


utilizada por indivíduos, equipamentos ou sistemas autorizados;

VII - autenticidade: qualidade da informação que tenha sido produzida, expedida,


recebida ou modificada por determinado indivíduo, equipamento ou sistema;

VIII - integridade: qualidade da informação não modificada, inclusive quanto à


origem, trânsito e destino;

IX - primariedade: qualidade da informação coletada na fonte, com o máximo


de detalhamento possível, sem modificações.

Art. 11. O órgão ou entidade pública deverá autorizar ou conceder o acesso


imediato à informação disponível.
§ 1º Não sendo possível conceder o acesso imediato, na forma disposta no
caput, o órgão ou entidade que receber o pedido deverá, em prazo não superior
a 20 (vinte) dias:
I - comunicar a data, local e modo para se realizar a consulta, efetuar a reprodução
ou obter a certidão;
II - indicar as razões de fato ou de direito da recusa, total ou parcial, do acesso
pretendido; ou
III - comunicar que não possui a informação, indicar, se for do seu conhecimento, o
órgão ou a entidade que a detém, ou, ainda, remeter o requerimento a esse órgão
ou entidade, cientificando o interessado da remessa de seu pedido de informação.

Art. 7º O acesso à informação de que trata esta Lei compreende, entre outros, os
direitos de obter:

I - orientação sobre os procedimentos para a consecução de acesso, bem como


sobre o local onde poderá ser encontrada ou obtida a informação almejada;

II - informação contida em registros ou documentos, produzidos ou


acumulados por
seus órgãos ou entidades, recolhidos ou não a arquivos públicos;

III - informação produzida ou custodiada por pessoa física ou entidade privada


decorrente de qualquer vínculo com seus órgãos ou entidades, mesmo que esse
vínculo já tenha cessado;

IV - informação primária, íntegra, autêntica e atualizada;

V - informação sobre atividades exercidas pelos órgãos e entidades,


inclusive as relativas à sua política, organização e serviços;
VI - informação pertinente à administração do patrimônio público, utilização de
recursos públicos, licitação, contratos administrativos; e

VII - informação relativa:

a) à implementação, acompanhamento e resultados dos programas, projetos e


ações dos órgãos e entidades públicas, bem como metas e indicadores propostos;

b) ao resultado de inspeções, auditorias, prestações e tomadas de contas


realizadas pelos órgãos de controle interno e externo, incluindo prestações de
contas relativas a exercícios anteriores.

1. EXCELÊNCIA NO SERVIÇO PÚBLICO


1.1. Qualidade e Excelência na Prestação dos Serviços
Públicos
A qualidade na administração pública está relacionada à satisfação
das necessidades do cidadão e na eficiência e eficácia dos serviços
prestados.
1.2. Histórico da Qualidade na Administração Pública no Brasil
Atenção ao GESPÚBLICA e suas 5 ferramentas:
autoavaliação:
carta de serviço:
padrão de pesquisa de satisfação:
guia de gestão de processos:
guia de simplificação:
Apesar do GESPÚBLICA ter sido revogado, as bancas ainda podem
cobrar conceitos a ele relacionados.
2. NOVOS MODELOS E FERRAMENTAS DE GESTÃO DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
2.1. Convergências e Diferenças Entre a Gestão Pública e a
Gestão Privada
A partir de adaptações, as ferramentas oriundas do mundo privado
são inseridas no mundo público com a efetividade necessária.
2.2. Ferramentas Gerenciais e da Qualidade
- Diagrama de Ishikawa:
Também chamado de Causa e Efeito ou Espinha de Peixe.
Permite identificar as causas principais dos problemas.
- Diagrama de Pareto:
Demonstra que 80% dos problemas são provocados por 20% das
mesmas causas.
Permite uma ação direcionada, sem desperdício de energia.

- Diagrama de Dispersão:
Representação gráfica que permite identificar o grau de relação entre
as causas de um determinado problema.

- Análise do Campo de Forças:


Por meio de uma planilha, são listadas e ranqueadas as forças
positivas e negativas de uma determinada situação.

- Brainstorming:
Também chamado de tempestade de ideias, auxilia o processo de
tomada de decisão na geração de alternativas.

- Ciclo PDCA:
Ferramenta que busca controlar, monitorar e melhorar os processos
de maneira contínua.
Planejamento, execução, verificação e ações corretivas.

- Programa 5S:
Busca a mudança comportamental dos colaboradores, a partir de
cinco "sensos":
utilização,
ordenação,
limpeza,
saúde e
autodisciplina.
- Kaizen:
Filosofia de melhoria contínua nas organizações.
- Reengenharia:
Reorganização drástica e radical na organização, reformulando os
processos e reprojetando as iniciativas.

- Benchmarking:
Processo contínuo de mensuração e implementação das melhores
práticas de organizações líderes.

- Seis Sigma:
Metodologia baseada em conceitos de estatística para melhoria de
processos internos em busca de zero defeitos.

- Carta de Controle:
Gráfico com pontos medidos numa amostragem.
Pontos medidos fora dos limites indicam que o processo está fora de
controle

3. GESTÃO POR RESULTADOS


Modelo que busca o alinhamento entre o planejamento, a avaliação e
o controle, promovendo eficiência e eficácia na organização.
Busca a tradução de objetivos estratégicos em resultados.

Principais funções:
- Definir a direção estratégica da organização.
- Implementar e administrar o processo de mudança alinhado com a
direção estratégica.
- Melhorar continuamente o desempenho das atividades em
andamento.
3.1. Contratualização de Resultados:
Estabelecimento de metas em comum acordo.
O atingimento das metas de satisfação do cidadão proporciona a
contrapartida de maior flexibilidade e autonomia para o ente público.
Exemplo: contrato de gestão.
3.2. Vantagens e características da Gestão por Resultados
- Governo que pertence ao cidadão: catalisador, permite controle
interno e externo, transparência e accountability
- Governo orientado por missões: governo de resultados
- Cobrança de resultados por parte do gestor
- Concessão de meios para que a gestão alcance os resultados
desejados
- Ampliação da autonomia por meio da contratualização
- Contrato de gestão e acordo-programa
4. Gestão de Serviços
Conceitos:
"Serviços são atividades, benefícios ou satisfações que são colocados
à venda ou proporcionados em conexão com a venda de bens" -
American Marketing Association
"Serviço é qualquer atividade ou benefício que uma parte possa
oferecer a outra, que seja essencialmente intangível e que não
resulte propriedade de alguma coisa. Sua produção pode ou não estar
ligada a um produto físico" – Phillip Serviços possuem 4 componentes
essenciais (4 P’s do Serviço):
- Pessoas
- Processos
- Produtos/Tecnologias
- Parceiros
Gestão de Serviços possui 4 P’s também:
- Perfil
- Processos
- Procedimentos
- Pessoas
Papéis dos serviços nas indústrias:
- Diferencial Competitivo

• Agrega valor ao produto ofertado, expandindo a oferta final


• Isto traz diferencial comparado à concorrência
- Suporte às atividades de manufatura
Serviços internos da organização dão suporte às atividades fim, como
administração de pessoal, atendimento, contabilidade, marketing,
etc.
- Gerador de lucro Serviços podem ser cobrados e gerar lucros para
os negócios, mesmo aqueles baseados em produtos.

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