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Direitos Humanos e Fundamentais: Diferenças

O artigo discute a diferença entre Direitos Humanos e Direitos Fundamentais, destacando que os primeiros são inerentes à condição humana, enquanto os segundos são reconhecidos e garantidos pelas constituições. Os Direitos Humanos visam a dignidade e o desenvolvimento do indivíduo, enquanto os Direitos Fundamentais oferecem proteção contra abusos do Estado. A dignidade da pessoa humana é central na definição e aplicação desses direitos, conforme estabelecido na Constituição Federal de 1988.

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Direitos Humanos e Fundamentais: Diferenças

O artigo discute a diferença entre Direitos Humanos e Direitos Fundamentais, destacando que os primeiros são inerentes à condição humana, enquanto os segundos são reconhecidos e garantidos pelas constituições. Os Direitos Humanos visam a dignidade e o desenvolvimento do indivíduo, enquanto os Direitos Fundamentais oferecem proteção contra abusos do Estado. A dignidade da pessoa humana é central na definição e aplicação desses direitos, conforme estabelecido na Constituição Federal de 1988.

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Artgos

DIREITOS HUMANOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS:


CONCEITO, OBETIVO E DIFERENA

Rúbia Zanotelli de Alvarenga

INTRODUÃO razão, inclusive, oi inserida, na Consuição


Federal de 1988, a proteção ao meio ambiente
Para ns de conceiuação dos (direitos humanos de terceira geração).
Direitos Humanos Fundamentais, entende- Após se traçarem o conceito e o
se, aqui, serem direitos inerentes à condição objevo dos Direios Humanos Fundamenais,
humana e anteriores ao reconhecimento é necessário esabelecer a disnção enre
do direio posivo. São direios oriundos de os “Direitos Humanos” e os “Direitos
consequências ou de reivindicações geradas Fundamentais”, por serem duas expressões
por siuações de injusça ou de agressão a comumente consideradas como sinônimas.
bens fundamentais do ser humano. Assim sendo, no momento em que
Nese sendo, compreendem direios os Direitos Humanos são incorporados pela
da pessoa humana, pela sua natureza, que Consuição de um país, eles ganham o status
transcendem os Direitos Fundamentais, em de Direitos Fundamentais, haja vista que o
decorrência de o seu conteúdo ser dotado de consuine originário é livre para eleger, em
uma ordem de princípios universais, válidos um elenco de direitos humanos, aqueles que
em todos os lugares e em todos os tempos, serão consucionalizados por um Esado ou
para todos os povos, independentemente de Nação. Somene a parr de enão, eles serão
mera posivação. dos como direios undamenais. Logo, os
Quano ao objevo dos Direios Direitos Fundamentais têm como antecedente
Humanos Fundamentais, está a proteção que o reconhecimento dos Direitos Humanos.
vai além do amparo individual das pessoas, Eis o que se vai elucidar no presente
abrangendo oda a colevidade. Por esa argo nas páginas que se seguem.

Rúbia Zanoelli de Alvarenga

Mestre e Doutora em Direito do Trabalho pela Puc Minas. Professora Titular do


Centro Universitário do Distrito Federal – UDF, Brasília. Advogada.

22
Direios Humanos Trabalhisas
Artgos

1 Conceito de direitos humanos de possibilidade para que um ser seja


fundamentais reconhecido como homem pelo direito.
 por isso que integram a sua condição.
Segundo Fernando Gonzaga Jayme, Dessa maneira:
direitos humanos fundamentais são uma
via, um método a ser desenvolvido por toda Tais exigências não dependem do
espaço sico ou do empo, pois se
a humanidade em direção à realização da
tendem universais e se traduzem em
dignidade humana, m de odos os governos
predicados presentes em todos os seres
e povos. Por meio dos direitos humanos, com parimônio genéco compavel
assegura-se o respeito à pessoa humana, e, com o humano, independentemente
por conseguinte, sua existência digna, capaz de condição social, traços raciais,
religiosos, culturais ou de qualquer
de propiciar-lhe o desenvolvimento de sua
outra ordem. Assim, v.g., a vida, a
personalidade e de seus potenciais, para
liberdade, a possibilidade de aquisição
que possa alcançar o sendo da sua própria de propriedade são direitos que se
exisência. Isso signica conerir liberdade no vinculam ao fato de o indivíduo ser
desenvolvimento da própria personalidade.1 reconhecido enquanto homem e,
como tal, ser dotado de vontade, de
De acordo com Enoque Ribeiro
consciência, de percepção e de outras
Santos, o conceito da expressão “direitos
caraceríscas que o ornam pare do
humanos” pode ser atribuído aos valores ou gênero humano.3
direitos inatos e imanentes à pessoa humana,
pelo simples fato de ter ela nascido com Seguindo-se, então, a assaz apropriada
esa qualicação jurídica. São direios que visão de João Bapsa Herkenho:
pertencem à essência ou à natureza intrínseca
da pessoa humana e que não são acidentais ou Por direitos humanos ou direitos
susceveis de aparecerem e de desapareceram do homem são, modernamente,
entendidos aqueles direitos
em determinadas circunstâncias. São direitos
fundamentais que o homem possui
eernos, inalienáveis, imprescriveis que se
pelo fato de ser homem, por sua própria
agregam à natureza da pessoa humana pelo natureza humana, pela dignidade
simples ao de ela exisr no mundo do direio.2 que a ela é inerente. São direitos que
Sobre a emáca, ensina Cláudio não resultam de uma concessão da
sociedade políca. Pelo conrário, são
Brandão que o conteúdo dos direitos
direios que a sociedade políca em o
humanos vincula-se à condição humana,
dever de consagrar e de garanr.4
consuindo-se os direios humanos em
exigências cuja sasação é condição
3 BRANDÃO, Cláudio. Introdução ao estudo
dos direitos humanos. In: BRANDÃO, Cláudio (Coord.).
1 JAYME, Fernando Gonzaga. Direitos humanos Direios humanos e undamenais em perspecva. São
e sua eevação pela core ineramericana de direios Paulo: Atlas, 2014, p. 5.
humanos. Belo Horizone: Del Rey, 2005, p. 9.
4 HERKENHOFF, João Bapsa. Curso de direitos
2 SANTOS, Enoque Ribeiro. Direitos humanos e humanos: gênese dos direitos humanos. Rio de Janeiro:
negociação coleva. São Paulo: LTr, 2004, p. 38. Acadêmica, 1994, p. 30.

23
Direios Humanos Trabalhisas
Artgos

Já pela óca de Alexandre de Moraes, os humana”.7 Ainda conforme Alexandre de


direitos humanos fundamentais “se colocam Moraes:
como uma das previsões absolutamente
necessárias a odas as Consuições, no sendo O importante é realçar que os
direitos humanos fundamentais
de consagrar o respeito à dignidade humana,
relacionam-se diretamente com a
garanr a limiação de poder e visar ao pleno
garana de não ingerência do Esado
desenvolvimento da personalidade humana”.5 na esfera individual e a consagração
Assim sendo: da dignidade humana, tendo um
universal reconhecimento por parte
A previsão dos direitos humanos da maioria dos Estados, seja em nível
fundamentais direciona-se basicamente consucional, inraconsucional, seja
para a proteção à dignidade humana em nível de direito consuetudinário
em seu sendo mais amplo, de valor ou mesmo por tratados e convenções
espiritual e moral inerente à pessoa, internacionais.8
que se manifesta singularmente
na autodeterminação consciente e
responsável da própria vida e que traz 2 Objevo dos direios humanos
consigo a pretensão ao respeito por
fundamentais
pare das demais pessoas, consuindo-
se um mínimo invulnerável que todo
estatuto jurídico deve assegurar, de Vê-se, concorde Jackeline Guimarães
modo que, somente excepcionalmente, Almeida Franzoi, que o grande objevo dos
possam ser feitas limitações ao exercício direios humanos compreende a proeção ecaz
dos direitos fundamentais, mas sempre
da dignidade da pessoa humana, incluindo-se,
sem menosprezar a necessária esma
aí, valores como o direito à vida, à liberdade, à
que merecem todas as pessoas
enquanto seres humanos.6 segurança e à propriedade, dentre outros.9
Nessa eseira, pode-se armar que
Nesta linha de pensamento, os Direitos os direitos fundamentais “têm a função de
Humanos Fundamenais consuem “o conjuno promover o ser humano, dando-lhe condições
insucionalizado de direios e de garanas do de realizar-se plenamente e de emancipar-se
ser humano, que em por nalidade básica primeiro”.10
o respeito a sua dignidade, por meio de sua A respeito, assinala Silvio Beltramelli
proteção contra o arbítrio do poder estatal, e que qualquer denição do que sejam direios
o estabelecimento de condições mínimas de
vida e de desenvolvimento da personalidade 7 MORAES, op. cit., p. 20, nota 5.
8 Id., p. 21.
5 MORAES, Alexandre de. Direitos humanos 9 FRANZOI, Jackeline Guimarães Almeida. Dos
fundamentais. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2011, p. 2. direitos humanos: breve abordagem sobre seu conceito,
sua hisória, e sua proeção segundo a Consuição
6 Ibid., Direitos humanos fundamentais e as
brasileira de 1988 e a nível internacional. Paraná. Revista
consuições brasileiras. In: SILVA, Jane Granzoo Torres
urídica Cesumar, v. 3, n. 1, 2003, p. 381.
da. (Coord.).Consucionalismo social: estudos em
homenagem ao Ministro Marco Aurélio Mendes de Farias 10 ROTHENBURG, Walter Claudius. Direitos
Mello. São Paulo: LTr, 2003, p. 229. fundamentais. São Paulo: Método, 2014, p. 44.

24
Direitos Humanos Trabalhistas
Artgos

humanos não pode deixar de parr da noção mesma salvaguarda.14


de dignidade da pessoa humana, seja sob o
prisma eleológico, por possuir um objevo a No caso brasileiro, Silvio Beltramelli
ser angido; seja sob o prisma hermenêuco, Neto relata:
por ensejar a ulização de um criério ensejador
Esta realidade é facilmente aferível
de interpretação e de aplicação conforme as
na Consuição Federal de 1988, que,
normas incidentes; seja ainda sob o prisma em resposta aos “anos de chumbo” –
axiológico, que consiste no domínio dos valores que marcaram a ditadura militar que
que direcionam as normas enunciadas e a se impôs ao País a parr de 1964 – e
sua aplicação.11 Como ainda observa o autor proeminentemente fundamentada na
dignidade da pessoa humana (art. 1,
em tela, a dignidade da pessoa humana é o
III), agrupou, sob o seu Título II – “Dos
nore da posivação dos direios humanos, direios e garanas undamenais”,
tanto em tratados internacionais, quanto em disposições explicitamente
consuições nacionais, consisndo, assim, no reconhecidas como tutelares de
m maior do Direio.12 direitos fundamentais, sem prejuízo
de enunciações alocadas em outros
Também consoante o autor em
tópicos do documento ou, ainda, feitas
comento, a dignidade da pessoa humana de modo implícito, como autorizado, às
possui caráer muldimensional e individual. claras, pelo seu ar. 5°, § 2°.15
Muldimensional, porque congrega diversos
atributos intrínsecos do ser humano, como a Na percepção de Alexandre de Moraes,
liberdade, a igualdade, a inegridade sica e o princípio fundamental consagrado pela
psíquica. E Individual, porque, embora inerente a Consuição Federal da dignidade da pessoa
odo ser humano, é moldada com caraceríscas humana apresenta-se em sua dupla concepção.
próprias, delineadas pelo contexto histórico- Em primeiro lugar, prevê um direito individual
13
cultural que circunda o indivíduo. Não é por proevo, seja em relação ao próprio Esado,
menos que: seja em relação aos demais indivíduos. Em
segundo lugar, estabelece verdadeiro dever
A salvaguarda da dignidade da fundamental de tratamento igualitário dos
pessoa humana, a despeito de ser
próprios semelhantes.16 Este dever, de acordo
o viés mediato de toda a prescrição
normava de comporamenos, passou com o autor:
a inspirar e embasar, de modo direto,
explício e enáco, um conjuno de Congura-se pela exigência do (sic)
normas jurídicas que se enunciam
exclusivamente em função dessa 14 Id., p. 31.
15 BELTRAMELLI NETO, Silvio. Direitos humanos.
Salvador: Juspodivm, 2014, p. 31.
16 MORAES, Alexandre de. Direitos humanos
11 BELTRAMELLI NETO, Silvio. Direitos humanos. undamenais e as consuições brasileiras. In: SILVA,
Salvador: Juspodivm, 2014, p. 29. Jane Granzoto Torres da. (Coord.). Consucionalismo
social: estudos em homenagem ao Ministro Marco
12 Id., p. 30.
Aurélio Mendes de Farias Mello. São Paulo: LTr, 2003, p.
13 Id., p. 30. 229.

25
Direios Humanos Trabalhisas
Artgos

indivíduo respeitar a dignidade de seu bens necessários à vida”.21


semelhane al qual a Consuição
Federal exige que lhe respeitem a
Ingo Wolgang Sarle, relavamene ao
própria. A concepção dessa noção de
dever fundamental resume-se a três tema, esclarece:
princípios do direito romano: honestere
vivere (viver honestamente), alerum Em que pese sejam ambos os termos
non laedere (não prejudique ninguém) (“direitos humanos” e “direitos
e suum cuique ribuere (dê a cada um o undamenais”) comumene ulizados
que lhe é devido).17 como sinônimos, a explicação
corriqueira e, diga-se de passagem,
procedene para a disnção é de que
3 Direitos humanos e direitos
o termo “direitos fundamentais” se
fundamentais: diferença aplica para aqueles direitos do ser
humano reconhecidos e posivados
Os direitos humanos são aqueles na esera do direio consucional
previstos em tratados internacionais e posivo de deerminado Esado,
ao passo que a expressão “direitos
considerados “indispensáveis para uma
humanos” guardaria relação com os
existência humana digna, como, por exemplo, documentos de direito internacional,
a saúde, a liberdade, a igualdade, a moradia, a por referir-se àquelas posições jurídicas
educação, a inmidade”.18 que se reconhecem ao ser humano
Neste enleio, Samuel Sales Fonteles como tal, independentemente de
sua vinculação com determinada
conceitua os Direitos Fundamentais como sendo
ordem consucional, e que, porano,
os “direios relavos a uma exisência humana aspiram à validade universal para
digna, reconhecidos por uma Consuição, que todos os povos e tempos, de tal sorte
impõem deveres ao Estado, salvaguardando o que revelam um inequívoco caráter
indivíduo ou a colevidade”.19 Por implicarem, supranacional (internacional).22

portanto, “deveres jurídicos ao Estado, os


direios undamenais são classicados como Os Direitos Fundamentais, assim, são os
elemenos limiavos das Consuições”.20 direios humanos incorporados, posivados, em
Quanto aos Direitos Humanos, assevera regra, na ordem consucional de um Esado.
Flores, ciado por Chrisana D’arc Damasceno Em al emáca, convém desacar, adiane, o
Oliveira: “Mais que direitos propriamente ditos pensamento de Silvio Beltramelli Neto:
são processos, ou seja, o resultado, sempre
Em sendo a nalidade dos direios
provisório, das lutas que os seres humanos
humanos a salvaguarda jurídica do valor
põem em práca para poder er acesso aos maior da dignidade da pessoa humana

17 Id., p. 230. 21 OLIVEIRA, Chrisana D’arc Damasceno. (O)


direito do trabalho contemporâneo. São Paulo: LTr, 2010,
18 FONTELLES,[Link]
p. 65.
para concursos. Salvador: Juspodivm, 2014, p. 14.
22 SARLET, Ingo Wolfgang. A ecácia dos direios
19 Id., p. 15.
fundamentais. 6. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
20 Id., p. 15. 2006, p. 36.

26
Direitos Humanos Trabalhistas
Artgos

e dos demais valores que condicionam Razão pela qual Yara Maria Pereira Gurgel
a sua preservação (liberdade, igualdade arma que “os direios humanos são essenciais
ec.), sua enunciação normava
à existência do homem em sociedade.  o piso
dá-se, prioritariamente, na forma
de princípios que são consagrados mínimo de direitos que a Ordem Internacional
pelas consuições democrácas desna a odos os seres vivos, que deve ser
contemporâneas sob a alcunha de respeitado pelo Estado e oferecido a seus
direitos fundamentais.23 jurisdicionados”.26
A respeito do tema, assinala Marcelo
Vale ressaltar, nesta seara, em Freire Sampaio Cosa que a disnção mais
consonância com Silvio Beltramelli Neto, que, relevante entre as opções de nomenclaura de
para sustentar a proteção e a promoção dos “direitos humanos” e “direitos fundamentais”
direitos fundamentais, é preciso observar cinge-se à questão da “concreção posiva”. Os
três instrumentos básicos de qualquer ordem direios undamenais possuem sendo preciso,
jurídica consucional democráca, a saber: a) restrito, despido da ideia de atemporalidade
o Esado Democráco de Direio, que vincula e e vigência para todos os povos, pois estão
limita o poder estatal (histórica aspiração dos juridicamene insucionalizados na esera
direios humanos); b) a rigidez consucional, do direio posivo de deerminado Esado,
que consiste no escudo contra o retrocesso portanto, também limitados ao lapso temporal
jurídico em relação aos direitos já enunciados; de vigência da Carta de direitos desse ente.
c) o conrole de consucionalidade, que Os direitos humanos, por sua vez, assumem
represena o mecanismo de desconsuição de contorno bem mais amplo, porque estão
atos de afronta.24 voltadosàprevisãoemdeclaraçõeseconvenções
Ainda no ocane à disnção enre internacionais com a pretensão de perenidade.
Direitos Humanos e Direitos Fundamentais, Ese auor desaca exisrem consuições que
Chrisana D’arc Damasceno Oliveira argumena não reconhecem, em seus textos, a totalidade
que os direitos humanos reportam a categorias de direitos humanos consagrados em textos
normavas desnadas a assegurar a dignidade inernacionais e a CF/88 er posivado como
da pessoa humana, com reconhecimento em direitos fundamentais alguns ainda nem
âmbito internacional – independentemente constantes em Cartas internacionais.27
de vinculação a uma ordem jurídica interna No mesmo sendo, susena Luño,
especíca – e que os direios undamenais se citado por Jane Reis Gonçalves Pereira:
reerem a caegorias normavas, omando em O termo direitos humanos tem um
conta os direitos humanos acolhidos, expressa
direito do trabalho contemporâneo. São Paulo: LTr,
ou implicitamente, na ordem jurídica de 2010, p. 65.
determinado Estado.25 26 GURGEL, Yara Maria Pereira. Direitos humanos,
princípio da igualdade e não discriminação. São Paulo:
LTr, 2010, p. 67.
23 BELTRAMELLI NETO, Silvio. Direitos humanos.
Salvador: Juspodivm, 2014, p. 42. 27 COSTA, Marcelo Freire Sampaio. Ecácia dos
direios undamenais enre parculares: juízo de
24 Id., p. 42
ponderação no processo do trabalho. São Paulo: LTr,
25 OLIVEIRA, Chrisana D’arc Damasceno. (O) 2010, p. 32.

27
Direios Humanos Trabalhisas
Artgos

alcance mais amplo, sendo empregado, especialmene nas suas Consuições. O


de um modo geral, para fazer referência autor, todavia, destaca que nem todo direito
aos direitos do homem reconhecidos
fundamental pode ser considerado um direito
na esfera internacional, sendo também
enendidos como exigências écas humano, assim como nem todo direito humano
que demandam posivação, ou seja, pode ser considerado um direito fundamental.
como um conjunto de faculdades e  o caso, por exemplo, do direito à vida que,
insuições que, em cada momeno nos termos do art. 5º, caput, da Consuição
hisórico, concrezam as exigências da
brasileira de 1988, é um direito fundamental no
dignidade, da liberdade e da igualdade,
as quais devem ser reconhecidas Brasil, mas, em alguns ordenamentos jurídicos,
posivamene pelos ordenamenos existe a pena de morte, demonstrando que,
jurídicos em nível nacional e em alguns países, o direito à vida não é
internacional.28 fundamental, embora seja reconhecido como
um direito humano no plano internacional.30
Desse modo, arma com assaz exadão A Consuição Federal de 1988, em
Fábio Konder Comparato: seu Tíulo II, posivou pracamene odos os
direitos humanos, especialmente pela redação
A vigência dos direitos humanos
dos §§ 2° e 3° do argo 5º, razão pela qual,
independe de sua declaração
em consuições, leis e raados Carlos Henrique Bezerra Leie enaza não
internacionais, exatamente porque se haver movo para esabelecer a disnção, do
está diante de exigências de respeito ponto de vista do direito interno, entre direitos
à dignidade humana exercidas contra fundamentais e direitos humanos.31
odos os poderes esabelecidos, ociais
Samuel Sales Fonteles estatui não haver
ou não.29
qualquer diferença ontológica entre direitos
humanos e direitos fundamentais, possuindo,
Carlos Henrique Bezerra Leite também
ambos, na essência, o mesmo conteúdo. Como
esabelece a disnção enre “direios humanos”
observa, “não há o que diferenciar, a não ser
e “direitos fundamentais”. Os direitos humanos,
quanto ao âmbito de previsão de cada qual:
por serem universais, estão reconhecidos
enquanto os direitos humanos estão previstos
tanto na Declaração Universal de 1948 quanto
em tratados internacionais, os direitos
nos costumes, nos princípios jurídicos e
undamenais esão posivados em uma
nos tratados internacionais; ao passo que
Consuição”.32
os direios undamenais esão posivados
Concorde Cláudio Brandão, há
nos ordenamentos internos de cada Estado,
conexão entre os direitos humanos e os
direitos fundamentais, pois eles têm a mesma
28 PEREIRA, Jane Reis Gonçalves. Interpretação
consucional e direios undamenais: uma contribuição
ao estudo das restrições aos direitos fundamentais na
30 LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Direitos
perspecva da eoria dos princípios. Rio de Janeiro:
humanos. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011, p. 34.
Renovar, 2006, p. 76.
31 Id.p. 34.
29 COMPARATO, Fábio Konder. A armação
histórica dos direitos humanos. São Paulo: Saraiva, 2003, 32 FONTELES, Samuel Sales. Direitos fundamentais
p. 224. para concursos. Salvador: Juspodivm, 2014, p. 15.

28
Direitos Humanos Trabalhistas
Artgos

substância. A diferença entre ambos é de inerente à condição do homem em sua aventura


forma e não de conteúdo, haja vista que os universal”.37 Assim, os direitos humanos são
direios humanos são insuos jurídicos do concebidos na dimensão mais abrangente
direito internacional; ao passo que os direitos possível do seu signicado: o caminho a seguir
undamenais são insuos jurídicos do direio na busca da felicidade – direito de todos os
inerno, inegranes do sisema consucional seres humanos.
de norma fundante do ordenamento jurídico Logo, seguindo-se o pensamento
33
interno. E, no caso brasileiro, “a concrezação mui asservo de Fábio Konder Comparao, “a
da Consuição Federal de 1988 subordina-se, vigência dos direitos humanos independe de
inescapavelmene, à eevidade dos direios sua declaração em consuições, leis e raados
fundamentais”.34 internacionais, exatamente porque se está
Há de se destacar, portanto, e, diante de exigências de respeito à dignidade
nalmene, consoane Norbero Bobbio, que humana exercidas contra todos os poderes
“os direitos humanos são coisas desejáveis, isto esabelecidos, ociais ou não”.38
é, ns que merecem ser perseguidos, e que, Contudo, importa destacar, concorde
apesar de sua desejabilidade, não foram ainda Norberto Bobbio, que o que se tem diante não
todos eles (por toda a parte e em igual medida) é losóco, porém jurídico; e, em sendo mais
35
reconhecidos”. amplo, políco. Não se raa de saber quais e
Neste viés, os Direitos Humanos, quantos são esses direitos (humanos), qual é
segundo José Luiz Quadros de Magalhães sua natureza e seu fundamento, se são direitos
signicam uma proposa de repensar o Direio naurais ou hisóricos, absoluos ou relavos,
e a Ciência em razão do ser humano, tendo em mas, sim, qual é o modo mais seguro para
visa que a única lógica cienca se enconra na garan-los, a m de se impedir que, apesar das
36
sua preservação e na sua dignidade. solenes declarações, eles sejam connuamene
Tais direitos visam ao direito de todos violados.39
a uma vida digna e ao bem-estar social, pois,
conforme estatui Cármen Lúcia Antunes CONCLUSÃO
Rocha, “[...] não basa o viver-exisr. Há que se
assegurar que a vida seja experimentada em Observa-se, por derradeiro, que o
sua dimensão digna, entendida como qualidade respeito aos Direitos Humanos representa um
princípio comum a todos os povos civilizados.
33 BRANDÃO, Cláudio. Introdução ao estudo
dos direitos humanos. In: BRANDÃO, Cláudio (Coord.).
Direios humanos e undamenais em perspecva. São
37 ROCHA, Cármen Lúcia Antunes. Vida e direito:
Paulo: Atlas, 2014, p. 5.
o direito à vida. Belo Horizonte. Cadernos da pró-reitoria
34 BELTRAMELLI NETO, Silvio. Direitos humanos. de extensão da PUC Minas, v. 8, n. 27, dezembro, 2008,
Salvador: Juspodivm, p. 99. p. 11.
35 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. 9. ed. São 38 COMPARATO, Fábio Konder. A armação
Paulo: Campos, 2014, p. 16. história dos direitos humanos. São Paulo: Saraiva, 2003,
p. 224.
36 MAGALHÃES, José Luiz Quadros de. Direito
consucional. Tomo I. Belo Horizonte: Mandamentos, 39 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. 9. ed. São
2002, p. 86. Paulo: Campos, 2014, p. 25.

29
Direios Humanos Trabalhisas
Artgos

Assim, os Direitos Fundamentais se relacionam BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. 9. ed.
com os primeiros reconhecidos e posivados São Paulo: Campos, 2014.
na esera do direio consucional posivo de
determinado Estado. BRANDÃO, Cláudio. Introdução ao estudo
Vê-se que a diferença entre Direitos dos direitos humanos. In: BRANDÃO, Cláudio
Humanos e Direitos Fundamentais não está (Coord.). Direitos humanos e fundamentais em
no conceito, pois ambos possuem a mesma perspecva. São Paulo: Atlas, 2014.
essência e nalidade, que é de assegurar um
conjunto de direitos inerentes à dignidade da COMPARATO, Fábio Konder. A armação
pessoa humana. A diferença substancial, então, história dos direitos humanos. São Paulo:
entre direitos humanos e direitos fundamentais Saraiva, 2003.
reside na localização da norma que dispôs sobre
os mesmos. COSTA, Marcelo Freire Sampaio. Ecácia dos
Por esta razão, no Brasil, os direios undamenais enre parculares: juízo
Direitos Fundamentais, destacadamente de ponderação no processo do trabalho. São
consucionalizados e capianeados pela Paulo: LTr, 2010.
dignidade da pessoa humana, como se vê na
Consuição Federal de 1988, passam ao status FONTELLES, Samuel Sales. Direitos
de normas centrais do ordenamento jurídico, fundamentais para concursos. Salvador:
revelando a tábua de valores da sociedade a ser Juspodivm, 2014.
protegida e promovida, incondicionalmente,
por odos aqueles submedos à ordem FRANZOI, Jackeline Guimarães Almeida. Dos
consucional, inclusive no momeno da direitos humanos: breve abordagem sobre
aplicação das demais normas desse sistema. seu conceito, sua história, e sua proteção
Ademais, o art. 4º, inciso II, da CF/88, segundo a consuição brasileira de 1988 e a
estabelece que, nas relações internacionais, nível internacional. Paraná. Revista urídica
o Brasil adotará o princípio da prevalência Cesumar, v. 3, n. 1, 2003.
dos Direitos Humanos. De tal modo, não seria
razoável admir que, na ordem inernacional, GURGEL, Yara Maria Pereira. Direitos humanos,
o Brasil adotasse o princípio da prevalência dos princípio da igualdade e não discriminação.
Direitos Humanos e, em contrário, no plano São Paulo: LTr, 2010.
interno, deixe de observá-los ou como somenos
aos Direitos Fundamentais. HERKENHOFF, João Bapsa. Curso de direitos
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