0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações12 páginas

Contrato de Factoring e Comfort Letters

O documento é um trabalho acadêmico sobre o contrato de factoring e cartas de conforto, apresentado no curso de Direito da Universidade Rovuma. O estudo aborda a definição, características, vantagens e desvantagens do factoring, além de discutir a origem e funções das cartas de conforto. A pesquisa foi realizada por meio de análise bibliográfica e hermenêutica jurídica, visando esclarecer aspectos legais e práticos dessas ferramentas financeiras.

Enviado por

Chimela Eduardo
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações12 páginas

Contrato de Factoring e Comfort Letters

O documento é um trabalho acadêmico sobre o contrato de factoring e cartas de conforto, apresentado no curso de Direito da Universidade Rovuma. O estudo aborda a definição, características, vantagens e desvantagens do factoring, além de discutir a origem e funções das cartas de conforto. A pesquisa foi realizada por meio de análise bibliográfica e hermenêutica jurídica, visando esclarecer aspectos legais e práticos dessas ferramentas financeiras.

Enviado por

Chimela Eduardo
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Francisco Daniel Massossote

Gerdrudes Cesar Jose


Ivanilda Valentim Juriasse
Joaquim Silva Timo
Lídia Dinis Tivane
Nela D´Olinda Assuade Assane
Neusa Sebastiao Cauia
Rita Rute N´Siri

Contrato de Factoring e Comfort Letters


(Licenciatura em Direito)

Universidade Rovuma
Instituto Superior de Desenvolvimento Rural e Bioiencias
Lichinga
2024
Francisco Daniel Massossote

Gerdrudes Cesar Jose

Ivanilda Valentim Juriasse

Joaquim Silva Timo

Lídia Dinis Tivane

Nela D´Olinda Assuade Assane

Neusa Sebastiao Cauia

Rita Rute N´Siri

Contrato de Factoring e Comfort Letters.

Trabalho de Investigação Cientifica a Ser


apresentado no Departamento de Direito, Curso de
Licenciatura em Direito, para efeitos avaliativos na
cadeira de Direito do Comercio Internacional, sob
orientação do PhD. Júlio Pedro.

Universidade Rovuma

Instituto Superior de Desenvolvimento Rural e Bioiencias

Lichinga

2024
Índice
1. Introdução ..................................................................................................................... 3

1.1. Objectivos .............................................................................................................. 3

1.1.1. Objectos Específicos ....................................................................................... 3

1.1.2. Objectivos Específicos .................................................................................... 3

1.2. Metodologia ........................................................................................................... 3

2. Sessão Financeira ou Factoring .................................................................................... 4

2.1. Concepção e Denominação de Factoring............................................................... 4

2.2. Elementos Históricos ............................................................................................. 4

2.3. Espécies de Factoring ............................................................................................ 5

2.4. Características do Contrato de Factoring ............................................................... 5

2.5. Vantagens do Factoring ......................................................................................... 6

2.6. Desvantagens do Factoring .................................................................................... 7

2.7. Comfort Letters ...................................................................................................... 7

2.7.1. Origem, Conceito e Funções das Cartas de Conforto ..................................... 7

2.7.2. Tipologia das Cartas de Conforto.................................................................... 8

[Link]. Cartas de Conforto “Fracas” ..................................................................... 8

[Link]. Cartas de Conforto “Médias” ................................................................... 9

[Link]. Cartas de Conforto “Fortes” ..................................................................... 9

2.7.3. Cartas de Conforto e figuras afins ................................................................... 9

[Link]. Fiança ....................................................................................................... 9

[Link]. Garantia autónoma .................................................................................... 9

Conclusão ....................................................................................................................... 10

Bibliografia ..................................................................................................................... 11
3

1. Introdução
O presente trabalho de Direitode Comercio Internacional tem como tema: Sessão
Financeira ou Factoring e Comfort Letters.

O contrato de factoring, também denominado contrato de faturização, muito nos fascina,


isto pelo fato de ser uma espécie ainda não suficientemente regulada em nosso
ordenamento jurídico, muito embora seja de utilização frequente no âmbito comercial
(Rizzardo, 1997). Fran Martins (1995) apresenta que o contrato de factoring é aquele
em que um comerciante cede a outro os créditos, na totalidade ou em parte, de suas
vendas a terceiros, recebendo o primeiro do segundo montante desses créditos, mediante
o pagamento de uma remuneração.

Tal contrato se caracteriza, portanto, pela cessão de créditos, mediante remuneração de


um comerciante a uma empresa de factoring, sendo que esta assume os riscos pelo
inadimplemento dos referidos créditos. Por ser um contrato de cessão de crédito, o
factoring representa, ainda, verdadeira alienação ou venda do faturamento (Arriero,
1999).

1.1. Objectivos

1.1.1. Objectos Específicos


Desenvolver sobre Sessão Financeira ou Factoring e Comfort Letters

1.1.2. Objectivos Específicos


Conceituar Factoring e Comfort Letters;
Descrever as Características de Factoring e Comfort Letters;
Analisar os pressupostos de Factoring e Comfort Letters.

1.2. Metodologia
Para a realização do presente trabalho recorreu-se a pesquisa bibliográfica, onde foi
analisada toda bibliografia que diz respeito a sessão financeira, assim que recorremos a
hermenêutica jurídica onde interpretamos toda legislação que toca a sessão financeira
ou factoring.
4

2. Sessão Financeira ou Factoring

2.1. Concepção e Denominação de Factoring


A correcta conceituação de factoring é desconhecida pela maior parte das pessoas.
Muitos confundem as empresas de factoring com bancos, financeiras ou mesmo agiotas.
Entretanto, este tipo de empresa não realiza actividades de nenhuma destas três
entidades.

A palavra é inglesa, mas tem sua origem no latim, do verbo facere (fazer), de onde é
proveniente o substantivo factor (caso normativo), factoris (caso genitivo), com o
significado de aquele que faz, e que para os romanos representava um agente comercial,
ou intermediário de comerciante nas trocas de produtos em locais afastados ou distantes.

O sentido tradicional de factoring não oferece maiores dificuldades. Pode-se afirmar que
se está diante de uma relação jurídica entre duas empresas, em que uma delas entrega à
outra um título de crédito, recebendo, como contraprestação, o valor constante do título,
do qual se desconta certa quantia, considerada a remuneração pela transacção.1

Katayama 2 e Bulgarelli (2000, p. 542) fazem uma síntese abrangente que envolve três
funções do factoring resumidas:

Garantia: assume a responsabilidade pelo pagamento do crédito, ainda que


exista inadimplemento do devedor da empresa cedente, salvo nulidades ou
vícios do crédito;
Gestão de crédito: procede ao exame dos créditos, à sua cobrança e ainda pode
ocupar-se da própria contabilidade e faturamento;
Financiamento: se necessário, adianta os recursos referentes aos créditos
cedidos.

2.2. Elementos Históricos


Segundo Leite3 as origens da factoring remontam do “Código de Hamurabi”, há mais de
dois mil anos antes da nossa era. Para Bulgarelli (2000), sua origem foi na Inglaterra, se
século XVIII, e na Europa somente em 1960. Também se tem afirmado que na
antiguidade os comerciantes tinham a praxe de confiar suas mercadorias a agentes

1
Rizzardo, Arnaldo, (1997), Factoring, São Paulo: Revista dos Tribunais.
2
Katayama, Daniel Mizusaki, (2003), Modelos de crédito aplicados a empresas de factoring. São Paulo,
p.14
3
Leite, Luiz Lemos, (1991), Factoring, Rio de Janeiro: Suma Económica.
5

(factors) a guarda e venda em outros lugares. Além disso, no comércio do Mediterrâneo


era corrente o pagamento de comissões a agentes para a venda e cobrança de créditos,
inclusive para prestar informações sobre outros comerciantes a fim de verificar o real
risco da realização de negócios.

2.3. Espécies de Factoring


Leite 4 e Rocha 5 elencam de forma muito clara e objetiva as principais espécies ou
modalidades de factoring, a saber:

Convencional: ou conventional factoring é a compra de direitos creditórios ou


activos, representativos de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços
mediante notificação feita pelo vendedor (endossante-cedente) ao comprador
(sacado-devedor). Não há antecipação ou adiantamento de recursos. O
pagamento é feito à vista pela sociedade de fomento mercantil;
Trustee: Trata-se da gestão financeira e de negócios da empresa-cliente, que
passa a trabalha com caixa zero, optimizando sua capacidade financeira;
Exportação: serve para comercializar no exterior bens produzidos por empresa-
cliente do factoring. Largamente utilizado na Europa e no Extremo Oriente;
Compra de matéria-prima: a empresa de factoring faz a intermediação da
compra de matéria para seu cliente, negociando directamente com o fornecedor,
visando obter melhor preço de compra. Já o maturity factoring, diferencia-se do
convencional, porque os títulos de crédito são remetidos pela empresa-cliente à
sociedade de fomento mercantil e por estes liquidados no vencimento ou para
Martins (1995), faturização no vencimento.

2.4. Características do Contrato de Factoring


Sabe-se que o factoring, de acordo com Rizzardo (1997), se realiza sobretudo na
aquisição de créditos do faturizado. Então, as características dizem com a tipicidade ou
a especialidade do negócio. Pode-se dizer que na operação de factoring estão envolvidos
uma empresa-cliente (sacador), que consiste na pessoa que vende seus activos e uma
empresa compradora (factor), que fornecerá o dinheiro ao sacador, com deságio sobre o
valor de face desse activo (Arriero, 1999).

4
Leite, Luiz Lemos, (1991), Factoring, Rio de Janeiro: Suma Económica.
5
Rocha, Marcelo Hugo da, (2000), Estudo sobre o contrato de factoring, Revista Jus Navigandi.
6

Em primeiro lugar, cuida-se de um contrato aleatório. Não fica o factor com segurança
no recebimento do valor constante no título. É que, no factoring, por não se considerar
um contrato bancário, impede-se o estabelecimento de garantias reais. “Não se admite o
direito de regresso contra o endossante, ou o transferinte do título. O faturizador assume
a responsabilidade pela solvabilidade do devedor”. (Arriero, 1999; Rizzardo, 1997, p.
30).

Outra característica é a liberdade de escolha das facturas que interessam e que oferecem
segurança. Não está o titular da empresa obrigado a aceitar todos os créditos, mas
apenas aqueles que lhe interessam, e que, após criteriosa análise, merecem a aprovação.
Unicamente as dívidas escolhidas pelo titular da empresa tornam-se objecto do contrato.
Diante do alto grau de risco dos negócios, é natural que assiste a total liberdade em
oferecer e aceitar os negócios.6

Outra característica apontada por Rizzardo (1997), é a comutatividade, em que traz


vantagens e obrigações ou prestações recíprocas para os pactuantes, que devem se
equivaler. Não é admitida a vantagem excessiva de uma das partes. Mais um aspecto
apresentado por este autor é a inadmissibilidade do direito de regresso contra o cliente
ou a empresa que transferiu os créditos..

2.5. Vantagens do Factoring


A primeira vantagem prende-se à simplificação nas providências de conseguir capital de
giro para as empresas. Negociam-se os títulos, com vencimento até certo prazo, sem a
necessidade de um cadastramento rigoroso, e mesmo independentemente das situações
económica da empresa negociadora7.

O factoring contribui também para o aumento da produtividade, injetando recursos em


atividades produtivas, reduzindo assim, as especulações em operações da ciranda
financeira8. A garantia contra o inadimplemento do devedor representa a total segurança
do comerciante ou fabricante.

6
Rocha, Marcelo Hugo da, (2000), Estudo sobre o contrato de factoring, Revista Jus Navigandi.
7
Rizzardo, Arnaldo, (1997), Factoring, São Paulo: Revista dos Tribunais.
8
Arriero, Márcia Aparecida Soares, (1999), Mecanismos de apoio à pequena empresa: a polémica
factoring x agiotagem, Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Administração Financeira e
Bancária) - Centro Universitário Ibero-Americano.
7

2.6. Desvantagens do Factoring


No que se refere às desvantagens, Arriero9 e Rizzardo10 alerta sobre a necessidade de se
deixar claro que o factoring revela-se uma operação cara, nem sempre conveniente a
uma empresa, e que pode revelar o prenúncio da insolvência ou incapacidade financeira.

Quanto aos custos das operações, é evidente que pode acarretar a elevação dos preços a
níveis não competitivos. Em vista da remuneração paga ao factor, o comerciante ou
industrial terá que diminuir a sua margem de lucro, ou vê-se obrigado a vender mais
caro os produtos, para fazer frente aos custos (Rizzardo, 1997).

2.7. Comfort Letters

2.7.1. Origem, Conceito e Funções das Cartas de Conforto


As Cartas de Conforto nasceram nos Estados Unidos da América, no âmbito dos grupos
das sociedades e das suas relações com os bancos, tendo-se expandido
internacionalmente nos finais dos anos 60 do século XX, devido à crescente preferência
pelas garantias pessoais ao invés das garantias reais que, apesar de dotadas de maior
conforto para quem delas se mune, têm o inconveniente do seu custo ser elevado e
serem bastante rígidas, não permitindo grande flexibilidade e adaptação à evolução dos
negócios jurídicos que vão surgindo na prática comercial.

Nos dias de hoje, são utilizadas previamente à celebração de negócios jurídicos de


natureza contratual e, como o próprio nome indica, “conforta” o receptor relativamente
ao cumprimento das obrigações assumidas pelo “garantido”.

Calvão da Silva11 aponta como razões para as empresas recorrerem às cartas de conforto
as seguintes: (i) razões internas, como sejam as relacionadas com as regras societárias
relativas à sujeição e aprovação pelos órgãos societários; (ii) razões de balanço, pelo
diferente tratamento contabilístico comparativamente com as garantias comuns; (iii)
razões fiscais, pelo distinto regime fiscal suscetível de ser aplicado às cartas de
conforto; e (iv) razões de prestígio, imagem e discrição, pelo facto de a sociedade-mãe

9
Arriero, Márcia Aparecida Soares, (1999), Mecanismos de apoio à pequena empresa: a polémica
factoring x agiotagem, Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Administração Financeira e
Bancária) - Centro Universitário Ibero-Americano.
10
Rizzardo, Arnaldo, (1997), Factoring, São Paulo: Revista dos Tribunais.
11
João, Calvão da Silva, (1996), Cartas de conforto, in “Estudos de Direito Comercial (Pareceres)”,
Almedina, Coimbra, pp. 372-373.
8

não pretender prestar garantias fidejussórias a dívidas de sociedades por si


controladas12.

Geralmente, as Cartas de Conforto surgem nas relações societárias em que a sociedade-


mãe procura a concessão de crédito à sociedade-filha, enviando ao creditante
(normalmente um Banco) uma declaração que, como explicaremos mais adiante, pode
ter várias formas (dependendo do conteúdo da carta de conforto).

Pestana de Vasconcelos13 define-as como declarações de um ente que, de forma mais ou


menos intensa, procura que seja concedido crédito a um terceiro, manifestando
determinadas intenções face ao creditado, ou mesmo assumindo determinadas
obrigações perante o creditante.

Na expressão de Navarro de Noronha14, as cartas de conforto tendem para duas funções:


função de garantia e vinculação atenuada, sendo que “é a vontade das partes que gradua
a ponderação de cada um destes elementos, sendo a medida da vinculação resultante da
preponderância atribuído a um em detrimento do outro”.

2.7.2. Tipologia das Cartas de Conforto


Com a classificação das cartas de conforto não pretendemos qualificar cada uma das
declarações de patrocínio delas constantes, como abordaremos mais adiante, mas sim
agrupar diversos tipos de contratos a que tais declarações dão origem em categorias
diferenciadas pela natureza das obrigações assumidas pelos efeitos que delas emergem.

[Link]. Cartas de Conforto “Fracas”


O conteúdo das cartas de conforto “fracas” é meramente informativo, ou seja, estas
cartas contêm declarações relativas ao conhecimento do crédito, à participação social da
sociedade-mãe na sociedade-filha e do seu controlo sobre a mesma, à situação
empresarial desta, à política do grupo onde ambas se inserem15, não correspondendo,
geralmente, a quaisquer acordos ou contratos, a não ser no caso de existir um contrato
de subordinação16.

12
Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 05-05-2016, in Revista nº 3798/13.2TBBRG.G2.S1.
13
Miguel, Pestana de Vasconcelos, (2015), Direito das garantias, 2ª edição, Reimpressão, Almedina,
Coimbra, 2015, página 145.
14
Noronha, André Navarro, As Cartas de Conforto, ob. cit., p.25.
15
António, Menezes Cordeiro, (2016), Manual de Direito Bancário, 6ª edição, Almedina, Coimbra, pp
776 e ss.
16
António, Pinto Monteiro, ob. cit., p. 459.
9

[Link]. Cartas de Conforto “Médias”


As cartas de conforto “médias” contêm declarações de vigilância, influência ou de
empenho, ou seja, trazem consigo a obrigação de fazer com o que o confortante se
assuma perante o confortado.

Caracterizadas por promessas de que o emitente utilizará toda a sua influência para que
o garantido consiga cumprir com as suas obrigações, neste tipo de cartas de conforto o
patrocinante compromete-se a acompanhar, de perto, a atividade da patrocinada ou até
mesmo a manter a sua participação no capital da sociedade para que, desse modo, não
se opere qualquer redução da participação ou a sua alienação17.

[Link]. Cartas de Conforto “Fortes”


As cartas de conforto “fortes” são as únicas que prevêem uma obrigação de resultado
ou, simplesmente, dever específico de dare, em que o emitente se obriga a assegurar o
cumprimento pela entidade patrocinada, ou a suprir diretamente a falta de cumprimento.
Por outras palavras, ao passo que as cartas “médias” se caracterizam por meras
promessas do emitente para o bom cumprimento por parte do garantido, as cartas de
conforto “fortes” asseguram o cumprimento da obrigação, não pelo emitente, mas ainda
pelo garantido..

2.7.3. Cartas de Conforto e figuras afins

[Link]. Fiança
A fiança é uma figura com enorme importância prática, difundida no comércio jurídico,
especialmente ao nível da concessão de crédito e pode ser (i) voluntária, quando
livremente acordada pelas partes, ou (ii) legal, quando existe por força da lei e
independentemente da convenção das partes18.

[Link]. Garantia autónoma


A garantia autónoma, é caracterizada como um contrato unilateral através do qual
alguém, normalmente um banco, garante ao credor a prestação a cargo do devedor,
assegurando que aquele receberá sempre a quantia correspondente à dívida19.

17
António, Menezes Cordeiro, Das cartas de conforto no direito bancário, ob. cit., p. 72.
18
Jardim, Mónica, (2002), A garantia autónoma, Almedina, Coimbra, p. 173.
19
Almeida Costa, Mário e António Pinto Monteiro, (1986), Garantias bancárias – o contrato de garantia
à primeira solicitação, in “Coletânea de Jurisprudência”, Tomo V, p. 19.
10

Conclusão
De todo o exposto algumas conclusões se impõem a respeito do contrato de fatoring, tal
como sua enorme relevância tanto na actividade comercial interna quanto externa,
agilizando os negócios, mobilizando créditos e incrementando a actividade financeira
como um todo. Sua crescente importância, tendo em vista seu rudimentar aparecimento
histórico bem como sua aceitação no mercado financeiro, muito embora, ainda, requeira
delineamentos mais precisos no que concerne à sua estruturação jurídica.

O factoring configura um contrato híbrido, complexo, no qual prevalece a cessão de


crédito, tendo, na verdade, por substrato uma verdadeira alienação ou venda do
faturamento. Portanto quando se estuda as empresas de factoring, está-se avaliando a
sua relevância para o mercado de empresas de menor porte (onde também se inclui as
médias), sua contribuição, e até que ponto o ambiente institucional comporta o seu
funcionamento.

No que se refere ao arcabouço normativo, o factoring, no início de suas actividades,


deparou-se com dificuldades relacionadas à confusão de sua definição legal, o alcance
de seu escopo de trabalho, vis-à-vis às actividades privativas de instituição financeira.

Ao contrário das diferentes modalidades de garantias pessoais, as cartas de conforto


(comfort letters), também denominadas cartas de patrocínio (lettres de patronage,
lettere di patronage) são dotadas de contornos algo difusos, o que torna difícil a sua
qualificação.
A instituição financiadora, como garantia do seu crédito, preferirá um compromisso
mais forte por parte da entidade controlante, como é o caso de uma garantia autónoma
ou de uma fiança. Por sua vez, a entidade controlante preferirá, por certo, comprometer-
se o menos possível e não ficar diretamente vinculada ao cumprimento das obrigações
assumidas pela entidade controlada.
11

Bibliografia
Almeida Costa, Mário e António Pinto Monteiro, (1986), Garantias bancárias – o
contrato de garantia à primeira solicitação, in “Coletânea de Jurisprudência”, Tomo V.

Amaral, Débora Gomes do, (2000), O contrato de factoring, Caderno jurídico, Juiz de
Fora.

António, Menezes Cordeiro, (2016), Manual de Direito Bancário, 6ª edição, Almedina,


Coimbra.

Arriero, Márcia Aparecida Soares, (1999), Mecanismos de apoio à pequena empresa: a


polémica factoring x agiotagem, Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Administração Financeira e Bancária) - Centro Universitário Ibero-Americano.

Bertolo, Luiz, (2010), Factoring. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 12 de
Maio de 2024.

Fortuna, Eduardo, (2004), Mercado financeiro: produtos e serviços, [Link]. ver. atual.
Rio de Janeiro: Qualitymark.

Gitman, Lawrence J, (2010), Princípios de administração financeira, Tradução Allan


Vidigal Hastings. Revisão técnica Jean Jacques Salim. 12. ed. São Paulo: Pearson
Prentice Hall.

João, Calvão da Silva, (1996), Cartas de conforto, in “Estudos de Direito Comercial


(Pareceres)”, Almedina, Coimbra.

Katayama, Daniel Mizusaki, (2003), Modelos de crédito aplicados a empresas de


factoring. São Paulo.

Leite, Luiz Lemos, (1991), Factoring, Rio de Janeiro: Suma Económica.

Rizzardo, Arnaldo, (1997), Factoring, São Paulo: Revista dos Tribunais.

Rocha, Marcelo Hugo da, (2000), Estudo sobre o contrato de factoring, Revista Jus
Navigandi.

Você também pode gostar