UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
CIÊNCIAS SOCIAIS
PATRICK EDUARDO REIS SALGADO
PRINCÍPIOS DE ECONOMIA POLÍTICA E TRIBUTAÇÃO: UMA RESENHA CRÍTICA A PARTIR DA
LEITURA DE DAVID RICARDO.
Uberlândia, Minas Gerais
PREFÁCIO ¹
O economista inglês David Ricardo, no prefacio de sua obra “Princípios de Economia
Política e Tributação”, irá descrever inicialmente sobre: o produto da terra. Para o
economista inglês, o produto da terra se divide entre três classes:
− Proprietário da terra;
− dono do capital (necessário para seu cultivo);
− trabalhadores (cujos esforços são empregados no cultivo).
Em vários estágios desenvolvidos da sociedade, o autor argumenta que as proporções do
produto total da terra destinada a cada uma dessas três classes serão sobre o nome de: renda,
lucro e salário. Para David Ricardo, a questão principal da economia política deve estar
centrada, por excelência, na determinação das leis que regulam essa distribuição. O
economista inglês demonstra sua insatisfação nas obras de outros economistas como: Turgot,
Stuart, Smith, Say, Sismondi e outros, por não terem dado informações valiosas a respeito da
questão da renda. Posto isso, o autor coloca em pauta as teorias de Thomas Malthus,
principalmente em suas obras: “Estudo Sobre a Natureza e o Progresso da Renda” e
“Ensaio Sobre a Aplicação do Capital à Terra”, na qual destaca grande importância e
relevância para a economia inglesa, onde ele vê a verdadeira teoria da renda. Seguindo o
texto, o autor utiliza das obras de Adam Smith, nas quais não entrava de acordo, como método
comparativo de sua análise econômica-política para combater opiniões aceitas na sua época.
CAPÍTULO I ³
Neste capítulo, David Ricardo irá discorrer sua teoria referente ao valor. Onde nessa Seção I,
o economista irá discorrer sobre o valor de uma mercadora. O autor utiliza uma citação de
Adam Smith para introduzir sua tese:
“a palavra valor tem dois significados diferentes, expressando, algumas vezes, a utilidade
de algum objeto particular, e, outras vezes, o poder de comprar outros bens, conferido
pela posse daquele objeto. O primeiro pode ser chamado valor de uso; o outro, valor de
troca. “As coisas que têm maior valor de uso”, continua ele, “têm frequentemente
pequeno ou nenhum valor de troca; e, ao contrário, as que têm maior valor de troca têm
pequeno ou nenhum valor de uso”. ²
David Ricardo dá o seguinte exemplo: A água e o ar são extremamente úteis, porém, embora
extremamente essenciais para existência, não possui grande valor de troca. Ao invés do ouro,
que apesar de sua baixa utilidade, o seu valor de troca pode ser exorbitante. Na visão do
economista inglês, a utilidade não é o parâmetro utilizado na medida do valor de troca,
embora seja essencial. Ele coloca que se um bem não fosse de certo modo útil, ele seria
desprovido de valor de troca. Por mais escasso ou qual fosse a quantidade de trabalho
necessária na sua produção.
Possuindo utilidade, para David Ricardo, a mercadoria deriva seu valor de troca de duas
fontes:
− de sua escassez;
− da quantidade necessária de trabalho para obtê-las.
Para ele, há mercadorias que derivam seu valor de troca somente pela escassez. Desses bens,
nenhuma quantidade de trabalho é capaz de aumentá-los, e, portanto, seu valor não pode ser
reduzido pelo aumento da oferta. O valor desse bem é independente da quantidade de
trabalho necessária para produzi-lo, e varia de acordo com a modificação da riqueza e das
preferências dos consumidores.
No entanto, essas mercadorias ocupam um espaço muito pequeno nas trocas diárias deste
mercado, e, portanto, verifica-se que, geralmente, aqueles bens onde a força de trabalho é
utilizada há mais valor de troca diária no mercado do que as de escassez completa.
NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
¹ RICARDO, David. Princípios de economia política e tributação. 1. ed. São Paulo: Editora Nova Cultural,
1996, p. 19-20
² SMITH, Adam. Wealth of Nations, Livro Primeiro. Cap. IV.
³ RICARDO, David. Princípios de economia política e tributação. 1. ed. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1996