MESTRADO EM FINANÇAS
2010/2012
TRABALHO FINAL DE MESTRADO
Relatório de Estágio no Banco Itaú BBA International, SA
Análise de Crédito a Instituições Financeiras:
A Metodologia CAMELS
Ricardo Miguel Morais Pimentel Gomes
Orientadores:
ISEG: Doutora Clara Raposo
Banco Itáu BBA International: Mestre Susana Figueiredo
Lisboa, setembro de 2012
Resumo
As Instituições Financeiras apresentam-se como utilizadoras intensivas de técnicas de
análise de crédito a empresas, famílias e outras instituições financeiras. O processo de
análise não se pretende que seja o único factor de decisão, mas que seja um exercício de
apoio à decisão. A análise de crédito a outras instituições financeiras é feita com recurso
à metodologia de referência para o sector financeiro – a metodologia CAMELS
(acrónimo de Capital, Assets, Management, Earnings, Liquidity and Sensitivity to
Market Risks). O presente trabalho vem ilustrar a relevância da metodologia CAMELS no
procedimento de avaliação de crédito, tendo como objectivo final a obtenção de uma
classificação interna para um banco.
Palavras-Chave: análise financeira, análise de crédito, instituições financeiras,
CAMELS, rating
2
Abstract
Financial institutions present themselves as heavy users of credit analysis techniques for
companies, families and other financial institutions. The analysis is not intended to be
the only factor in the decision, but rather a supporting element in decision. Loans to
other financial institutions are subject to a review in accordance to the reference
methodology for the financial sector - the CAMELS methodology (acronym for Capital,
Assets, Management, Earnings, Liquidity and Sensitivity to Market Risk). The present
work illustrates the relevance of the CAMELS methodology as a credit assessment
procedure, with the ultimate goal of obtaining an internal rating for a bank.
Keywords: financial analysis, credit analysis, financial institutions, CAMELS, rating
3
INDÍCE GERAL
1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 7
2. ENQUADRAMENTO ............................................................................................. 8
2.1 - Apresentação da Organização ............................................................................ 8
2.2 – Apresentação do Estágio ................................................................................... 9
2.3 – Apresentação das Actividades ......................................................................... 10
3. REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................. 14
3.1 - Método CAMELS ........................................................................................... 14
3.1.1 - Adequação de Capital (Capital Adequacy) ................................................ 15
3.1.2 – Qualidade dos Activos (Asset Quality)...................................................... 19
3.1.3 – Qualidade da Gestão (Management) ......................................................... 21
3.1.4 – Resultados (Earnings) .............................................................................. 23
3.1.5 – Liquidez (Liquidity).................................................................................. 24
3.1.6 – Sensibilidade ao Risco de Mercado (Sensitivity to Market Risk) ............... 26
4 . APLICAÇÃO PRÁTICA DO MÉTODO CAMELS .......................................... 28
4.1 - Caracterização do Banco BPI .......................................................................... 28
4.2 - Aplicação da Metodologia CAMELS ao Banco BPI ........................................ 29
4.2.1 – Análise de adequação de Capital............................................................... 29
4.2.2 – Análise de Qualidade de Activos .............................................................. 31
4.2.3 – Análise da Gestão ..................................................................................... 33
4.2.4 – Análise dos Resultados ............................................................................. 35
4.2.5 – Análise de Liquidez .................................................................................. 36
4.2.6 – Análise de Sensibilidade de Mercado ....................................................... 37
4.3 – Proposta de Rating .......................................................................................... 38
5. CONCLUSÕES ..................................................................................................... 41
6. LIMITAÇÕES E TÓPICOS DE INVESTIGAÇÃO FUTURA .......................... 43
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 44
ANEXOS ................................................................................................................... 45
4
Lista de Figuras
Figura 1: Organigrama do Banco Itáu BBA International……………………………...9
Figura 2: Organigrama da Área de Crédito…………………………………………....10
Lista de Tabelas
Tabela 1: Indicadores de Adequação de Capital……………………………………….29
Tabela 2: Indicadores de Qualidade de Activos………………………………………..31
Tabela 3: Indicadores de Qualidade de Gestão………………………………………...33
Tabela 4: Indicadores de Qualidade de Resultados…………………………………….35
Tabela 5: Indicadores de Liquidez……………………………………………………..36
Tabela 6: Indicadores de Sensibilidade ao Risco de Mercado…………………………37
Tabela 7: Proposta de escala de Rating e Limites de Exposição……………………….38
Tabela 8: Resumo da classificação de cada componente do BPI………………………39
5
Lista de Abreviaturas
BIS – Bank for International Settlements
BPI – Banco Português de Investimento
CAMELS – Capital, Assets, Management, Earnings, Liquidity, Sensitivity to Market
CEO – Chief Executive Officer
CDS – Credit Default Swap
DACIF – Departamento de Análise de Crédito de Instituições Financeiras
IBBAI – Banco Itaú BBA International, SA
NPL – Non-performing Loans
ROA – Return on Assets
ROE – Return on Equity
RWA – Risk Weighted Assets
R&C – Relatório e Contas
SGPS – Sociedade Gestora de Participações Sociais
SPI – Sociedade Portuguesa de Investimento
UFIRS - Uniform Financial Institutions Rating Systems
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1. INTRODUÇÃO
A par do Mestrado em Finanças no ISEG/UTL, realizei um estágio profissional no
Banco Itaú BBA International S.A, com uma duração aproximada de um ano (entre 13
de Setembro de 2011 e 7 de Setembro de 2012).
Este estágio possibilitou-me o primeiro contacto com o mercado de trabalho, com uma
orientação definida para a aquisição de novas competências. O estágio foi inserido na
área de Corporate & Investment Banking, mais especificamente no Departamento de
Análise de Crédito a Instituições Financeiras (DACIF), nos escritórios em Lisboa.
Para possibilitar um relatório devidamente fundamentado no âmbito das actividades
desenvolvidas, o presente relatório será dividido em quatro partes distintas.
A primeira parte refere-se ao enquadramento e pretende caracterizar o perfil da
instituição de acolhimento, abordando a sua história e organização bem como a
apresentação do estágio e das actividades realizadas.
A segunda parte pretende enquadrar teoricamente o tema, abordando essencialmente
autores ou instituições que contribuíram para o desenvolvimento da metodologia
CAMELS.
Posteriormente, é efectuado um estudo empírico de análise ao Banco BPI, com o
objectivo de conceder uma notação de crédito (rating) através da metodologia
CAMELS.
Por fim, é efectuada uma apreciação geral do estágio, apresentadas as conclusões da
análise empírica e lançados tópicos para discussão futura.
7
2. ENQUADRAMENTO
2.1 - Apresentação da Organização
O Banco Itaú BBA International (IBBAI) é uma instituição de crédito com sede em
Lisboa que actua como plataforma internacional, centrada em mercados desenvolvidos,
do Grupo Itaú Unibanco – um dos maiores grupos financeiros internacionais.
A recente alteração da sua denominação social de Banco Itaú Europa, SA para Banco
Itaú BBA International, S.A, concluída no início de 2011, foi o culminar de um projecto
amplo de internacionalização do grupo iniciado ao longo de 2010.
Desde a sua criação em 1994, o Banco Itaú BBA International tem sido um elemento-
chave na estratégia de internacionalização do Grupo Itaú Unibanco, tendo registado
desde então consistentes taxas de crescimento e cotando-se actualmente como um dos
maiores bancos portugueses no ranking de wholesale banking, em termos de capitais
próprios.
O seu negócio incide particularmente nos segmentos de Corporate & Investment
Banking, especialmente no fluxo de capitais com destino ou origem na América Latina,
e sempre com enfoque no Brasil (onde o grupo Itáu Unibanco está sedeado).
O Banco Itaú BBA International actua ainda no segmento de Private Banking,
dedicando-se à prestação de serviços de aconselhamento financeiro e à gestão de
património de clientes com elevados recursos financeiros.
Além da sede em Lisboa, possui ainda sucursais na Madeira e em Londres, escritórios
de representação em Madrid, Frankfurt e Paris, e ainda subsidiárias nas Ilhas Caimão,
Luxemburgo, Estados Unidos e Caraíbas (Figura 1).
8
Figura 1 - Organigrama do Banco Itáu BBA International
Fonte: Relatório e Contas do Banco IBBAI (2011)
2.2 – Apresentação do Estágio
O estágio teve lugar no Departamento de Análise de Crédito de Instituições Financeiras
(DACIF), tendo sido supervisionado pela Dr.ª Carlota Marques. O departamento tem
como propósito analisar o risco de crédito assumido pelo IBBAI para que este possa
maximizar de maneira eficiente o retorno da carteira de crédito concedido a outras
instituições financeiras.
Para tal, emprega uma equipa de analistas e directores de crédito, conforme ilustrado na
Figura 2, de modo a avaliarem a qualidade creditícia das instituições financeiras clientes
do IBBAI.
9
Figura 2 - Organigrama da Área de Crédito
Fonte: IBBAI
2.3 – Apresentação das Actividades
De seguida, passo a enumerar algumas das actividades, com maior relevância,
realizadas durante o estágio no Departamento de Análise de Crédito de Instituições
Financeiras:
1. Procura diária de notícias sobre o sector financeiro nas principais agências de
notícias financeiras (Reuters, Financial Times, Bloomberg, e outras) ou
elaboração de comentários. Esta tarefa era efectuada todas as manhãs, de forma
a captar eventos relacionados com os bancos da carteira de crédito do Banco Itáu
BBA International ou até de outros bancos ainda sem aprovação de crédito.
Estas notícias eram de seguida agregadas e divulgadas por correio electrónico
para uma lista de divulgação interna dentro do grupo.
10
2. Realização diária de um relatório de mercado para distribuição interna, com
dados carregados do Terminal Bloomberg, contendo variações de séries de
indicadores de risco. Os indicadores utilizados no relatório iam desde o preço
dos Credit Default Swaps (CDS) a 5 anos, um indicador de risco utilizado
amplamente por analistas do sector financeiro, até à evolução do preço das
acções e da capitalização bolsista das instituições financeiras cotadas em bolsa.
Por último, o relatório continha ainda as notações financeiras (ratings)
concedidas pelas principais agências de rating externas – Moody’s, Standard &
Poor’s e Fitch, que eram também objecto de acompanhamento diário.
3. Descarregamento e preparação das demonstrações financeiras dos bancos,
utilizadas durante o processo de análise de crédito, através de uma spreadsheet
padrão utilizada pela área de crédito. Os dados eram geralmente obtidos através
da Bankscope – uma base de dados que contém informações financeiras de
intituições financeiras a nível mundial – ou, noutros casos, directamente do
Relatórios e Contas dos bancos. Este acompanhamento foi, por regra, efectuado
numa base trimestral.
4. Auxílio na recolha de dados, na formatação e na criação de slides em Power
Point para suporte às apresentação dos casos no Comité de Crédito de
Instituições Financeiras.
5. Análise e apresentação de casos no Comité de Crédito de Instituições
Financeiras. Ao longo do estágio, tive a possibilidade de analisar e apresentar
vários casos no Comité de Crédito: Caixa Geral de Depósitos (Portugal),
Caixabank (Espanha), Helaba, DZ Bank e WGZ Bank (Alemanha). Para além
11
dos casos apresentados em comité, realizei ainda outras análises, como apoio às
apresentações dos analistas séniores.
6. Atender a outros pedidos dos gerentes e directores de crédito, assim como a
realização de tarefas a pedido de outras áreas de internas no grupo.
O Departamento de Análise de Crédito de Instituições Financeiras do IBBAI tem como
principais “clientes” áreas internas dentro do grupo. Geralmente, o processo de
aprovação de crédito começa na área comercial de Instituições Financeiras, que atende
ao interesse e às solicitações de crédito provenientes de outros bancos, fazendo uma
ligação próxima com a área de tesouraria.
O processo é depois transferido para o DACIF, que procede a uma análise intensiva, não
só do perfil de crédito do banco, como também da situação económica do país e do
respectivo sistema financeiro onde esse banco se insere .
Este processo pode demorar apenas alguns dias, no caso de pequenas operações de
crédito de curto prazo, ou mesmo mais de um mês, em casos de maior complexidade
que envolvam montantes de crédito concedido de dezenas de milhões de euros e um
leque mais alargado de bancos.
Após concluidas as análises, os casos são apresentados pelo analista no Comité de
Crédito. Este comité é um fórum onde participam analistas, área comercial, tesouraria,
directores e administradores do banco – estes dois últimos com o poder de decisão
quanto à aprovação de crédito, nomeadamente nos montantes concedidos, nos prazos
das operações e na classificação interna atribuída.
12
Ao analista cabe a tarefa de efectuar uma exaustiva análise económica e financeira dos
bancos e do sistema financeiro, de apresentar o caso perante o comité e de dar a sua
opinião como analista quanto a montantes, prazos e rating interno a atribuir.
A análise de crédito é um exercício fundamental em qualquer banco, e especialmente no
Itaú BBA International, que tem no risco de crédito o seu maior risco. O risco de crédito
refere-se ao risco de uma contraparte incumprir nas responsabilidades financeiras
acordadas com os credores1. Ou seja, quando o devedor não cumpre com algum dos
cash-flows acordados, sejam eles principal ou juros.
A importância da análise de crédito tornou-se uma etapa obrigatória na concessão de
crédito. No caso do Banco Itáu BBA International, trata-se de um passo crítico visto que
o risco de crédito do IBBAI representa cerca de 97% do seu risco total no ano de 2011
(R&C IBBAI 2011, p.41). Para calcular o risco de crédito do banco é utilizado o valor
total dos instrumentos de crédito, que no ano final de 2011 representavam cerca de €
5064 milhões (excluindo itens fora do balanço), que divididos pelo total de activos no
mesmo período (€ 5211 milhões), resultam num rácio de risco de crédito de 97%.
Contudo, o exercício de análise de crédito nem sempre é fácil, uma vez que parte da
informação financeira e contabílistica de uma determinada contraparte não é pública.
Muitas vezes, o analista terá que procurar obter informações adicionais junto da
contraparte. É por isso essencial que o exercicio de análise de crédito seja sempre um
exercicio bastante conservador.
A análise de crédito, que resulta na atribuição de um rating interno, é vital pois afecta o
custo dos financiamento a outros bancos (quanto mais elevado for o rating mais barato
se torna o financiamento). As principais agências de rating externo geralmente, em
1
BIS (July, 1999) Principles for the Management of Credit Risk ([Link]
13
maior ou menor grau, dão ênfase aos níveis de capital de uma instituição financeira.
Contudo, Grier (2007) considera serem mais importantes outros factores, tais como:
dimensão do franchise e qualidade de gestão, sustentabilidade dos resultados,
competitividade, diversificação, suporte implicito externo, dimensão absoluta e
qualidade de gestão de risco, uma vez que o nível de capital é apenas importante quando
o banco se aproxima de uma situação de solvência crítica.
3. REVISÃO DE LITERATURA
3.1 - Método CAMELS2
A metodologia de análise a Instituições Financeiras - CAMELS - que inicialmente
incorporava cinco factores de análise – adequação de capital (capital adequacy),
qualidade dos activos (asset quality), capacidade da gestão (management capability),
resultados (earnings quantity and quality) e liquidez (liquidity adequacy) – e era
denominada por CAMEL, foi desenvolvida pela Federal Financial Institutions
Examination Councile da Reserva Federal Americana e aplicada a partir de 1979 na
análise da solidez financeira das instituições financeiras.
Com as inúmeras mudanças que ocorreram nos últimos anos nos mercados financeiros,
a metodologia CAMEL foi revista, sendo incorporada outra componente de risco,
conhecida como sensibilidade ao risco de mercado (sensitivity to market risk). Esta
revisão aconteceu em 1996, altura em que esta metodologia passou a ser denominada de
CAMELS.
A metodologia CAMELS provou ser, desde o início, uma ferramenta de supervisão
eficaz para avaliar a solidez das instituições financeiras, sendo capaz de identificar as
2
O Uniform Financial Institutions Rating Systems (UFIRS), também conhecido como CAMELS, foi desenvolvido pelo Federal
Financial Institutions Examination Council, composto pelos reguladores bancários norte-americanos e adoptado em 1979.
Disponível em [Link]
14
instituições financeiras que requerem especial atenção. (Uniform Financial Institutions
Rating System, 1996).
Barr et al. (2002) consideram a metodologia CAMELS como uma ferramenta concisa e
indispensável tanto para reguladores como para analistas. Esta ferramenta garante uma
análise completa de um banco com base em diversas fontes de informação:
demonstrações financeiras publicadas pelo banco, relatórios de mercado, publicações
económicas, relatórios de agências de rating externas, reuniões/visitas a bancos,
apresentações do banco a investidores, prospectos, entre outras.
Hirtle e Lopez (1999) afirmam que a classificação CAMELS a uma instituição é
confidencial e, por isso, só está disponível à administração do banco e aos analistas,
uma vez que esse tipo de informação é fundamental para planear a estratégia de crédito.
De seguida, aborda-se cada uma das componentes da metodologia CAMELS:
3.1.1 - Adequação de Capital (Capital Adequacy)
A adequação de capital refere-se ao capital necessário para assegurar o equilíbrio
financeiro, consoante o nível de risco assumido pela instituição financeira. “Atender às
exigências de capital mínimo obrigatório é o factor chave para a adequação de capital,
mas manter um nível adequado de capital é um elemento crítico” (Uniform Financial
Institutions Rating System, 1996).
Karlyn (1984) definiu que a adequação de capital deve ser determinada em termos do
capital próprio sobre os depósitos, uma vez que o maior risco dos bancos é o de sofrer
um súbita fuga de depósitos bancários.
15
Com a crescente importância do nível mínimo de capital necessário para assegurar o
normal funcionamento das instituições financeiras, o Comité de Basileia publicou o
Acordo de Basileia que estabeleceu os limites mínimos de capital em 8%3 ponderados
pela exposição a activos de risco.
Grier (2007) lembra, porém, que os bancos geralmente optam por níveis de capital mais
baixos para maximizar o Retorno dos Capitais Próprios (ROE), medido pelo resultado
líquido sobre capital próprio, mas por outro lado os reguladores preferem níveis de
capital mais elevados para salvaguardar a estabilidade do sistema bancário e assim
reduzir o risco sistémico.
Dos principais rácios de adequação de capital da metodologia CAMELS sugeridos por
Grier (2007), destaco os seguintes três:
(1) Rácio Básico de Capital – Capital Próprio / Total de Activos
Nível de Qualidade: Mínimo de 5%. Acima de 8% para um banco bem
capitalizado.
Significância: Este rácio é de fácil utilização uma vez que requer apenas
dados que constam no Balanço do banco. Por vezes, é utilizado o activo
médio, mas tal não é fulcral para a obtenção de uma estimativa sólida da
adequação de capital.
Fraquezas: Um rácio inferior a 5% não significa necessariamente
inadequação de capital. Geralmente, os bancos com capitais públicos têm um
nível de capital inferior ao desejável, mas contam com suporte implícito dos
governos, se necessário. Empiricamente a generalidade dos bancos fica
aquém dos níveis de qualidade propostos. A explicação para isto tem que ver
3
Basel II - Part 2: The First Pillar – Minimum Capital Requirement, disponível em [Link]
16
com a não inclusão de instrumentos híbridos de capital, e estes têm
geralmente bastante relevância na estrutura da capital dos bancos.
(2) Alavancagem – Total de Activos / Capital Próprio
Nível de Qualidade: Até 20 vezes.
Significância: Este rácio é equivalente ao rácio básico de capital.
Fraquezas: A alavancagem não diferencia os activos por grau de risco
conforme definido em Basileia I e II. Esta situação pode encorajar bancos
pouco alavancados a assumir posições relativamente mais arriscadas que
bancos mais alavancados, assim como aumentar a sua exposição fora do
balanço. Além disso o rácio de alavancagem pode penalizar bancos muito
alavancados, mas com carteiras de activos líquidos em elevada qualidade e
quantidade.
(3) Rácio de Basileia – Capital (Tier 1, 2 e 3) / Activos ponderados pelo risco
Também conhecido como rácio de Basileia, este rácio tem sido a referência dos
bancos centrais e reguladores nos últimos anos, relativamente às exigências de
adequação de capital.
Nível de Qualidade: Nunca inferior a 8%.
Significância: O rácio obedece a uma série de regras que o diferencia do Rácio
Básico de Capital. Pode ser expresso em termos de tipo de capital: Tier 1, Tier 2
ou Tier 3. O capital Tier 1 refere-se essencialmente a acções, acções
preferenciais e outras reservas permanentes. O capital Tier 2 (ou capital
suplementar) refere-se a títulos de dívida subordinada, capitais de natureza
híbrida, entre outros instrumentos. O capital Tier 3 (ou capital suplementar
17
adicional) apenas contempla dívida subordinada de curto prazo, emitida com
propósitos de atingir determinados níveis de capital. Este rácio é considerado a
referência a nível internacional na divulgação dos rácios de capital, razão pela
qual é adoptado por muitos supervisores nacionais, tal como acontece com o
Banco de Portugal.
Fraquezas: O principal ponto fraco deste indicador é a dificuldade de um
analista de crédito exterior ao banco o calcular (é necessária informação
contabilística interna não pública). Contudo, a tendência na indústria bancária
tem sido a de revelar este rácio já calculado, seja através de padrões do banco
central a nível doméstico, seja através de padrões internacionais, como os de
Basileia. Através de relatórios devidamente auditados, o analista poderá aceitar
então com algum grau de confiança a veracidade dos rácios disponibilizados
pelo banco, ultrapassando assim o obstáculo da sua complexidade de cálculo.
O Rácio de Basileia como padrão internacional de adequação de capital tem vindo a
sofrer diversas alterações nos últimos anos. Na sua versão actual, a versão final de
Basileia I, procura assegurar que a alocação de capital é mais sensível ao risco
assumido, que os diferentes tipos de risco (crédito, operacional e mercado) são baseados
em regras formais e que o alinhamento destas regras reduz oportunidades de arbitragem.
Cada um dos componentes do sistema de classificação CAMELS é pontuado de 1 a 5.
No contexto de adequação de capital, uma classificação de 1 indica um nível de capital
adequado em relação ao risco da instituição financeira. Por outro lado, uma
classificação de 5 indica um nível crítico de deficiência de capital, em que a assistência
imediata dos accionistas ou recursos externos é necessária. (Uniform Financial
Institutions Rating System, 1996).
18
3.1.2 – Qualidade dos Activos (Asset Quality)
A insolvência de uma instituição financeira pode surgir, muitas das vezes, a partir da
deterioração dos seus activos, revelada pela incapacidade destes gerarem receitas
suficientes para cobrir as perdas.
Segundo Grier (2007), a “fraca qualidade dos activos é a principal causa de insolvência
nas instituições financeiras”. Numa instituição de crédito, os activos de maior relevância
são geralmente constituídos pela carteira de crédito, que merece especial atenção quanto
à sua composição (crédito à habitação, empresas, pessoal, sector público, etc.), à sua
geografia e às condições de prazos e taxas, entre outros.
O analista de crédito deve realizar uma avaliação da qualidade dos activos examinando
o risco de crédito assumido e a qualidade dos empréstimos, mas também o nível de
provisionamento, recorrendo para isso à análise de tendências e à comparação com os
principais concorrentes.
Para Frost (2004), por exemplo, os rácios de qualidade de activos mais importantes são:
(1) Rácio de Crédito em Incumprimento (NPL Ratio) - Crédito em
Incumprimento / Crédito Total
Os non-performing loans (NPL’s) são empréstimos em incumprimento há mais de
30 dias. O Banco de Portugal, através da INSTRUÇÃO N.º 23/2012, reviu
recentemente este rácio, denominado por Crédito em Risco, para incluir créditos de
cobrança duvidosa e créditos a vencer com mais de 90 dias, de forma a aproximar
este rácio dos padrões internacionais e, assim, proporcionar uma imagem mais
fidedigna da qualidade do crédito.
Nível de Qualidade: Inferior a 1,5%.
19
Significância: Este rácio mede em percentagem da carteira de crédito os
empréstimos problemáticos (crédito em incumprimento). Tal como em todos os
rácios, é importante observar não apenas o seu valor mas a tendência da
deterioração de activos. Quanto mais elevado for este rácio, mais provisões
serão necessárias aos bancos para suportar as imparidades de crédito, que
afectam os resultados, ou em última instância capitais próprios.
Fraquezas: Nem sempre são disponibilizadas informações do crédito em
incumprimento, embora haja uma clara tendência na sua divulgação.
(2) Rácio de Cobertura de Crédito em Incumprimento - Provisões para Crédito
em Incumprimento / Crédito em Incumprimento
Nível de Qualidade: Superior a 100%.
Significância: Este rácio mede em percentagem do crédito em incumprimento o
nível de provisões direccionadas para crédito. Um banco com uma gestão
conservadora de risco tende geralmente a ultrapassar o nível de qualidade por
larga margem. No entanto, a generalidade dos bancos opera actualmente com
rácios de cobertura inferiores ao nível de qualidade.
O analista deve ainda considerar outros requisitos de qualidade de activos, como é
sugerido na metodologia CAMELS (1996), tais como:
Tendências: Devem ser avaliadas as concentrações na carteira de crédito,
empréstimos intra-grupo e a exposição ao sector imobiliário. Um banco que
concentre demasiado a sua carteira de crédito em apenas alguns sectores de
actividade ou entidades terá forçosamente a sua carteira de crédito mais
vulnerável.
20
Nível de crédito vencido: Analisar a quantidade, composição, causas de
aumento ou diminuição ou até forma de contabilização do crédito em
incumprimento, para que este seja comparável aos restantes pares.
Cobertura: Qual o nível de reservas em relação ao total de empréstimos e de
empréstimos em incumprimento.
Exposição imobiliária: Que percentagens de empréstimos são de imóveis com
colateral e que tipo de empréstimo imobiliário se trata: comercial ou residencial.
Exposição intra-grupo: Qual a exposição de crédito a empresas afiliadas.
No contexto da qualidade dos activos, uma classificação de 1 indica uma qualidade de
activos excelente e risco da carteira de crédito mínimo. Por outro lado, uma
classificação de 5 reflecte uma qualidade de activos deficiente, que representa uma
ameaça iminente para a solvabilidade da instituição. (Uniform Financial Institutions
Rating System, 1996).
3.1.3 – Qualidade da Gestão (Management)
A qualidade da Gestão refere-se à capacidade do conselho de administração em
identificar, medir e controlar os riscos das atividades e garantir uma operação estável,
sólida e eficiente dentro do cumprimento das leis e regulamentos aplicáveis (Uniform
Financial Institutions Rating System, 1996).
Muitos analistas consideram a gestão como o elemento mais importante da metodologia
CAMELS, mas a sua avaliação é tão ou mais difícil do que a determinação da qualidade
dos activos. Grier (2007) salienta que os principais rácios na avaliação da gestão de uma
instituição financeira são:
21
(1) Rácio de Eficiência (Cost-to-income Ratio) – Despesas Operacionais/ Total de
Receitas
O rácio de eficiência representa o valor despendido pelo banco para gerar cada
unidade de receita. As despesas operacionais referem-se em termos genéricos a
salários, amortizações e despesas administrativas.
Nível de Qualidade: entre 50% e 60%.
Significância: Uma administração que consiga controlar as despesas
operacionais entre 50% a 60% do total de receitas pode ser considerada como
tendo uma gestão eficiente.
Fraquezas: De forma a manterem-se competitivos, por vezes os bancos são
forçados a fazer investimentos significativos em tecnologia ou em especialistas,
num dado momento. Com o tempo, os benefícios poderão fluir para os
resultados operacionais, mas nesse momento esse investimento pode significar
menor eficiência face aos pares, situação que deverá ser tida em conta pelo
analista.
(2) Rácios Rentabilidade (ROA e ROE)
Os rácios de rentabilidade também são tidos em conta na avaliação dos resultados da
gestão. Os rácios mais utilizados são o Retorno dos Activos (ROA) e o Retorno dos
Capitais Próprios (ROE). Os níveis de qualidade para estes indicadores são de pelo
menos 1% para o ROA e acima de 15% para o ROE.
Em termos gerais, a gestão é ainda avaliada numa série de elementos, que a seguir se
indicam:
Competência;
22
Liderança;
Cumprimento de regras;
Planeamento;
Capacidade competitiva;
Políticas de risco e de controlo interno.
Apesar da avaliação da gestão de uma instituição financeira ser um exercício demasiado
subjectivo, é necessário que o analista formule uma ideia sobre a gestão do banco.
Apesar de, quantitativamente, o rácio de eficiência e os rácios de rentabilidade serem
bons indicadores de sucesso da gestão, eles não são suficientes, por si só.
No contexto da qualidade da gestão, uma classificação de 1 indica uma gestão
exemplar. Por outro lado, uma classificação de 5 reflecte uma qualidade de gestão
criticamente deficiente, que representa uma ameaça iminente para a solvabilidade da
instituição. (Uniform Financial Institutions Rating System, 1996).
3.1.4 – Resultados (Earnings)
Os resultados são o melhor indicador de sucesso da gestão, quanto à estratégia e
liderança de uma instituição financeira. O seu rating reflecte não só a quantidade e a
tendência dos resultados, mas também factores que podem afectar a sua
sustentabilidade.
Uma gestão inadequada pode resultar em imparidades de crédito e imparidades de
outros activos e, por isso, requer um nível mais elevado de provisionamento para cobrir
os riscos de mercado.
23
Segundo Grier (2007), os lucros sistemáticos não só ajudam a construir confiança do
público no banco, mas também ajudam a absorver imparidades e angariar provisões
suficientes.
Os critérios de análise da metodologia CAMELS (1996) para a rentabilidade são, de
seguida, mencionados abaixo:
Análise de ganhos provenientes de operações com baixa volatilidade, com
alguma diversificação geográfica.
Análise da tendência de crescimento dos resultados nos últimos três anos, se esta
é consistente ou melhor do que os padrões da indústria e se há múltiplas fontes
de rendimento (juros e comissões).
No contexto dos resultados, uma classificação de 1 reflecte resultados que são
suficientemente robustos para manter níveis de capital adequado e concessão de crédito.
Por outro lado, uma classificação de 5 exprime perdas constantes e representa uma
ameaça à solvência da instituição financeira através da deterioração do capital. (Uniform
Financial Institutions Rating System 1996).
3.1.5 – Liquidez (Liquidity)
É fundamental que uma instituição financeira tenha variadas fontes de liquidez,
incluindo disponibilidades imediatamente convertíveis em dinheiro. As políticas de
gestão de liquidez devem garantir que uma instituição é capaz de manter um nível de
liquidez suficiente para cumprir as suas obrigações financeiras e ao mesmo tempo
capazes de liquidar ativos rapidamente, com perda mínima. (Uniform Financial
Institutions Rating System 1996).
24
Rudolf (2009) enfatiza que “a liquidez expressa o grau a que um banco é capaz de
cumprir as suas obrigações”. Os bancos lucram através da mobilização de depósitos de
curto prazo com baixas taxas de juros, emprestando ou investindo esses fundos no
longo-prazo a taxas de juro mais elevadas, tornando crítica a falta de liquidez num dado
momento.
Os requisitos de liquidez na abordagem CAMELS (1996) devem atender aos seguintes
critérios:
A maioria do financiamento deve ser proveniente de depósitos de clientes,
evitando a concentração de fontes de financiamento.
O desencontro da maturidade de activos e passivos deve ser minimizado.
Segundo Grier (2007), a liquidez pode ainda ser estimada com base nos seguintes rácios
financeiros:
(1) Rácio de Transformação: Crédito a clientes líquido / Depósitos de Clientes
Nível de Qualidade: (1) entre 80% e 90% para bancos de pequena
dimensão; (2) abaixo de 120% para bancos de grande dimensão, dependentes
do mercado de capitais;
Significância: Também conhecido como loan-to-deposits ratio, é um dos
rácios mais importantes aplicável a instituições financeiras. Este rácio
mostra a capacidade do banco em financiar o crescimento do crédito através
dos seus depósitos, em detrimento de outros fundos. Os depósitos
interbancários poderão ser levantados de um dia para outro (overnight), se a
confiança do mercado na instituição financeira desaparecer, situação mais do
que comprovada durante a crise financeira de 2008.
25
(2) Rácio de Activos Líquidos: Disponibilidades + Crédito a Instituições
Financeiras / Total de Activos
Nível de Qualidade: > = 10%
Significância: Este rácio pretende medir os activos líquidos de curto-prazo
de uma instituição financeira, em percentagem dos activos totais.
No contexto de liquidez, uma classificação de 1 representa níveis de liquidez robustos e
uma estrutura de financiamento estável capaz de atender às necessidades de liquidez
correntes e previstas. Por outro lado, uma classificação de 5 significa uma situação
crítica de liquidez e a instituição exige assistência externa imediata para atender
necessidades de liquidez (Uniform Financial Institutions Rating System 1996).
3.1.6 – Sensibilidade ao Risco de Mercado (Sensitivity to Market Risk)
Para Grier (2007), a sensibilidade ao risco de mercado reflecte o grau a que mudanças
nas taxas de juros, taxas de câmbio, preços de commodities ou até preços das acções
possam afectar de forma adversa os rendimentos e o capital próprio das instituições
financeiras.
Ao avaliar esta componente, deve-se considerar: a capacidade da gestão em identificar,
medir e monitorizar o risco de mercado, tendo em conta a dimensão da instituição, a
natureza e complexidade das suas atividades, a adequação do capital e dos lucros em
relação ao seu nível da exposição ao risco de mercado.
Para muitas instituições, a principal fonte de risco de mercado surge através de
instrumentos financeiros e da sua sensibilidade a alterações de taxas de juro. Noutras
instituições de maior dimensão, operações no exterior podem ser uma fonte significativa
de risco de mercado, através das flutuações cambiais.
26
O risco de mercado é avaliado tendo em conta vários factores:
A sensibilidade dos resultados da instituição financeira a mudanças
adversas nas taxas de juros, taxas de câmbio, preços de commodities ou
preços de acções.
A capacidade de gestão para identificar, medir e controlar a exposição ao
risco de mercado, dado o tamanho da instituição, complexidade e perfil de
risco.
A natureza e complexidade da exposição ao risco decorrente de posições da
carteira não-negociável.
Sempre que necessário, a natureza e a complexidade da exposição de risco
de mercado decorrente de negociação e operações no exterior.
Uma das técnicas amplamente utilizadas pelas instituições financeiras, e recomendada
pelo Comité de Basileia, na mediação dos riscos de mercado é o Value at Risk (VaR). A
vantagem deste indicador consiste em exprimir, através de um valor, a exposição total
ao risco de mercado de uma instituição.
O VaR calculado equivale à perda máxima ou média potencial, com um determinado
nível de confiança, resultante de uma evolução desfavorável dos factores de risco num
determinado horizonte temporal.
No contexto de sensibilidade ao risco de mercado, uma classificação de 1 representa
níveis de sensibilidade ao risco reduzida. Por outro lado, uma classificação de 5
significa uma situação crítica de exposição a risco de mercado.
27
4 . APLICAÇÃO PRÁTICA DO MÉTODO CAMELS
4.1 - Caracterização do Banco BPI
O Grupo BPI foi a entidade escolhida para objecto de estudo empírico. Os motivos
desta escolha centram-se essencialmente na sua dimensão, sendo um dos maiores
grupos financeiros em Portugal, mas também por se tratar de uma referência para o
sector bancário português, tendo em conta a sua performance nos anos mais recentes.
Outra motivação para a escolha deste Grupo tem que ver com o facto de ter sido um
“caso de estudo” aquando da realização do meu Estágio.
A história do BPI começa em Outubro de 19814, quando foi criada a Sociedade
Portuguesa de Investimentos (SPI) com o propósito de financiar projectos de
investimento no sector privado e estimular a modernização da estrutura empresarial
portuguesa.
Mais tarde, em Março de 1985, a SPI transformou-se no Banco Português de
Investimento (BPI), adquirindo a possibilidade de captar depósitos, conceder crédito,
intervir nos mercados interbancários e praticar operações cambiais.
Em Novembro de 1995, o BPI foi transformado numa holding sob a forma de Sociedade
Gestora de Participações Sociais (SGPS), passando a ser a única sociedade do Grupo
cotada na Bolsa de Valores. Esta reorganização foi acompanhada de um reforço da sua
estrutura accionista, com a entrada de parceiros internacionais de grande dimensão: o
grupo Itaú Unibanco, o grupo La Caixa e o grupo segurador Allianz.
A nível internacional, o BPI é líder na actividade de banca comercial angolana com uma
quota de mercado superior a 23%, através do Banco de Fomento Angola, do qual detém
4
Marcos históricos do Grupo BPI. Disponível em [Link]
28
uma participação de 50,1%. A 31 de Julho de 2012, a estrutura accionista do BPI tinha a
seguinte composição: grupo La Caixa com 46,2 %, Santoro com 19,5 % e grupo Allianz
com 8,8 %.
4.2 - Aplicação da Metodologia CAMELS ao Banco BPI
Esta secção pretende aplicar a metodologia CAMELS na análise ao banco BPI, tentando
identificar os pontos fortes e fracos da instituição. A análise será feita com dados de
Dezembro de 2009 até Junho de 2012, avaliando cada componente da metodologia:
Capital, Activos, Gestão, Resultados, Liquidez e Sensibilidade ao Risco de Mercado.
4.2.1 – Análise de adequação de Capital
De seguida, analisam-se os rácios seleccionados como indicadores de adequação de
capital. Serão abordados o Rácio Básico, a Alavancagem, o Rácio Core Tier 1
(calculado de acordo com as instruções do Banco de Portugal), a Percentagem de
Capital de qualidade superior (Tier 1 % Capital) e ainda a evolução dos Activos
Ponderados pelo Risco (Risk Weighted Assets). Os indicadores podem ser observados na
Tabela 1, para um período temporal acima mencionado.
Tabela 1 – Indicadores de Adequação de Capital
Milhares de milhões de EUR 2009 2010 2011 1S12
Rácio Básico de Capital 4,5% 3,9% 1,9% 2,9%
Alavancagem 22x 26x 52x 34x
Rácio Core Tier 1 (Banco de Portugal) 7,8% 8,7% 9,5% 14,5%
Tier 1 % Capital 78% 82% 97% 99%
Activos Ponderados Risco (RWA) 26,1 26,0 25,2 25,2
Fontes: IBBAI e R&C Banco BPI
29
Olhando de forma cuidadosa para a Tabela 1, podemos observar que o Banco BPI tem
vindo a registar elevados níveis de alavancagem, tendo atingido um valor máximo de
52x no final do ano de 2011. As causas para isto são explicadas pelas elevadas
imparidades que a banca portuguesa teve que registar no ano de 2011, quer para reforço
de provisões de crédito em incumprimento (ao abrigo da Inspecção do FMI/UE/BCE),
quer ao nível de imparidades de títulos, como os de dívida pública da Grécia, que foram
reestruturados, tendo afectado negativamente o capital próprio do BPI.
O Rácio Básico de Capital, que se situa abaixo do nível de qualidade de 5%, indica que
o banco está descapitalizado. Contudo, o Rácio Core Tier 1 dá-nos a indicação que o
banco se encontra bem capitalizado no final do 1.º Semestre de 2012, com um rácio de
14,5% (nível de qualidade mínimo de 8%). A explicação para esta situação tem que ver
com o facto do perfil de risco do banco BPI ser um dos mais conservadores em
Portugal. Ou seja, os seus activos ponderados pelo risco (RWA), são bastante inferiores
ao activo total, representando cerca de 56%, situação que se traduz num rácio mais
elevado do que o Rácio Básico. De salientar ainda que o Banco de Portugal tem como
meta que os maiores bancos portugueses atinjam no final de 2012 um Rácio Core Tier 1
de 10%.
Para concluir a análise, pode-se ainda verificar que o banco tem vindo a aumentar a
qualidade da sua base de capital (designada por Tier 1). A razão para este facto é a de
que o banco se viu obrigado a aumentar o capital em 200 milhões de euros (por
incorporação de novas acções), e ao mesmo tempo recorrer ao fundo de recapitalização
da banca, com 1500 milhões de euros subscritos pelos Estado Português, através de
30
instrumentos híbridos de capital elegíveis como Tier 1, fazendo o Rácio de Basileia
aumentar 5% em apenas seis meses.
Contudo, uma análise nunca deve ser baseada somente nos rácios e, apesar de os
indicadores parecerem algo optimistas, não podemos desconsiderar o difícil momento
da economia portuguesa, que deverá continuar a deteriorar-se nos próximos meses,
afectando o capital dos bancos. Com base nestes pressupostos, o rating proposto à
adequação de capital do banco BPI é de 2.
4.2.2 – Análise de Qualidade de Activos
Seguidamente analisam-se os rácios de qualidade de activos. Serão abordados o Rácio
de Crédito em Incumprimento, o Rácio de Cobertura e ainda a evolução percentual da
carteira face ao período anterior. Os indicadores observados na Tabela 2 referem-se ao
período compreendido entre 2009 e o primeiro semestre de 2012.
Tabela 2 – Indicadores de Qualidade de Activos
Rácios: 2009 2010 2011 1S12
Rácio de Crédito em Incumprimento 1,9% 2,6% 3,2% 3,6%
Rácio de Cobertura 90% 72% 70% 74%
Crédito a Clientes (Variação) 2,3% 0,3% -5,8% -0,4%
Fontes: IBBAI e R&C Banco BPI
Relativamente à qualidade dos activos do banco BPI, podemos observar que tem havido
uma tendência de deterioração nos últimos anos. O Rácio de Crédito em Incumprimento
(ou Crédito em risco, como também é conhecido) tem aumentado a um ritmo bastante
elevado, situando-se bastante acima do nível de qualidade de 1%. Ao mesmo tempo, o
valor das provisões para crédito (através do Rácio de Cobertura) tem baixado
31
consideravelmente, estando também bastante aquém dos níveis de qualidade sugeridos
na literatura de 100%. A explicação para este facto tem que ver, mais uma vez, com a
situação actual da economia portuguesa, que tem assistido a um elevado nível de
incumprimento, quer de famílias, quer de empresas, mas também de os bancos
procurarem manter alguma rentabilidade, não aumentando os custos de provisionamento
para níveis próximos dos de qualidade.
Apesar disso, o Banco BPI ainda se encontra numa situação confortável se a
compararmos face aos seus pares domésticos, sobretudo devido à sua política de risco
conservador. Os rácios de crédito em risco dos principais bancos portugueses eram no
final do 1.º Semestre de 2012: de 8,7% para a Caixa Geral de Depósitos, de 13,2% para
o Millenium BCP, de 7,9% para o Banco Espírito Santo e de 12% no caso do Banif.
De acordo com dados do Banco de Portugal de Junho de 2012, os segmentos mais
afectados pelo crédito em incumprimento (há mais de 30 dias) no Sistema Financeiro
Português eram: Crédito ao Consumo com uma taxa de incumprimento de 10,9%,
seguida de Crédito a empresas com uma taxa de incumprimento de 8,7% e Crédito à
Habitação com uma taxa de incumprimento de 3,5%. A média de taxa de
incumprimento em Portugal situava-se, assim, em 5,8% do total do crédito da
economia.
Com base na análise à qualidade de activos do Banco BPI, é proposto um rating de 3.
As motivações para esta nota são a de ter um nível pior que o nível de qualidade de 1%
e um nível de cobertura baixo de 74%, ou seja, as provisões assumidas não chegam para
cobrir o valor do crédito em incumprimento. Apesar de o BPI ter uma qualidade de
activos bastante melhor que os seus principais concorrentes, o facto é que a tendência de
32
deterioração de activos é uma realidade, face à actual conjuntura. Tendo em conta este
facto, é necessária uma análise conservadora.
4.2.3 – Análise da Gestão
Abaixo podem observar-se os rácios selecionados para avaliação da qualidade da
Gestão do Banco BPI. Serão abordados o Rácio de Eficiência, o Rácio de Retorno sobre
os Capitais Próprios (ROE) e o Rácio de Retorno sobre os Activos (ROA). Os
indicadores observados na Tabela 3 referem-se, mais uma vez, ao período
compreendido entre 2009 e o primeiro semestre de 2012.
Tabela 3 - Indicadores de Qualidade de Gestão
Rácios: 2009 2010 2011 1S12
Rácio de Eficiência 58% 65% 67% 50%
ROE (anualizado) 8% 10% -35% 13%
ROA (anualizado) 0,6% 0,6% -0,4% 0,6%
Fontes: IBBAI e R&C Banco BPI
Relativamente ao Rácio de Eficiência do Banco BPI, assistiu-se a uma melhoria deste
rácio no período em análise, tendo atingido o seu pior momento no final de 2011. O
banco tem reduzido custos (especialmente gastos com pessoal) de forma a tornar-se
mais eficiente e prova disso, é ter atingido um rácio de eficiência em conformidade com
os níveis de qualidade entre 50% e 60%.
A gestão do Banco BPI é uma das mais experientes da banca nacional. O BPI é liderado
por Fernando Ulrich, que se encontra no grupo desde 1983 e detém actualmente o cargo
de Presidente da Comissão Executiva (CEO). A prova dessa experiência está patente no
modo como o BPI tem mantido a sua actividade, de uma forma mais estável que os seus
33
pares, com melhor qualidade de capital e activos, mais eficiência e até de rentabilidade e
risco.
Relativamente à rentabilidade, medida através dos rácios ROE e ROA, pode-se observar
que o banco (com excepção do ano de 2011) teve um desempenho positivo numa
conjuntura de crise económica internacional. Tal como foi dito anteriormente, os
resultados negativos em 2011 devem-se a resultados de natureza não-recorrente, ligados
à necessidade de maior provisionamento para crédito e títulos. Apesar de a literatura
sugerir níveis de qualidade para o ROE acima de 15%, a verdade é que, face à actual
conjuntura, dificilmente se encontram bancos com um ROE acima desse valor em
mercados desenvolvidos, situação explicada pelas elevadas exigências de reforço de
capital e de redução de activos de risco. Neste contexto, um ROE próximo de 10% é
considerado hoje em dia pelos analistas como um bom retorno para o accionista.
Contudo, a gestão do Banco BPI não foi capaz de evitar capitais públicos para suportar
as perdas de capital próprio no ano de 2011. Para isso, teve que recorrer a uma linha de
1500 milhões de euros de capitais públicos subscritos pelo Estado Português, que terão
que ser reembolsados ao Estado em 5 anos, com uma taxa de juro anual média de 8,3%.
Este factor aumenta a probabilidade de o Estado se tornar acionista do banco nos
próximos anos, caso o BPI não cumpra com os pagamentos deste empréstimo. Mesmo
que o banco consiga repagar o empréstimo e evitar conflitos accionistas, isso irá
consumir uma parte considerável dos resultados nos próximos trimestres, aumentando o
rácio de eficiência e reduzindo os rácios de rentabilidade.
Pelos motivos acima mencionados, é proposto um rating de qualidade de Gestão de 3,
em linha com os padrões médios.
34
4.2.4 – Análise dos Resultados
Abaixo podem observar-se os rácios selecionados para avaliação da qualidade dos
Resultados do Banco BPI. Serão abordadas a evolução do Resultado Líquido (após
interesses minoritários), a Margem Financeira e a percentagem de Resultados Líquidos
provenientes de operações internacionais. Os indicadores observados na Tabela 4
referem-se aos resultados do primeiro semestre, entre 2009 e 2012.
Tabela 4 - Indicadores de Qualidade de Resultados
Milhões de EUR 1S09 1S10 1S11 1S12
Resultado Líquido 89,0 99,4 79,1 85,1
Margem Líquida (Net Interest Margin) 1,6 1,4 1,5 1,4
Resultados Líquidos Internacionais (%) 53% 48% 60% 53%
Fontes: IBBAI e R&C Banco BPI
Através da observação dos indicadores de qualidade de resultados podemos concluir
que o banco tem tido uma performance estável dos seus resultados a nível semestral. É
de notar, porém, que este quadro não inclui o prejuízo registado no 2.º Semestre de
2011, relativo a resultados não-recorrentes no montante de cerca de 285 milhões de
euros.
O BPI tem conseguido manter uma Margem Líquida estável, situação que pode ser em
parte explicada pela sua abertura internacional. No final do 1.º Semestre de 2012, 53%
do Resultado Líquido era proveniente de operações internacionais, sobretudo de Angola
e Moçambique. A exposição a países emergentes confere ao BPI estabilidade nos seus
resultados, pressionados a nível doméstico pela actual conjuntura económica.
Por estes motivos, o rating proposto para a qualidade de resultados do BPI é de 3.
35
4.2.5 – Análise de Liquidez
De seguida analisam-se os rácios seleccionados para a liquidez. São abordados o Rácio
de Transformação o Rácio de Activos Líquidos. Os indicadores observados na Tabela 2
referem-se ao período compreendido entre 2009 e o primeiro semestre de 2012.
Tabela 5 - Indicadores de Liquidez
Rácios: 2009 2010 2011 1S12
Rácio de Transformação 132% 129% 115% 109%
Rácio de Activos Líquidos 7% 9% 3% 8%
Fontes: IBBAI e R&C Banco BPI
Da observação dos rácios de liquidez, vemos uma tendência clara de melhoria do rácio
de transformação. Este rácio dá-nos a relação do financiamento de crédito a clientes
através de depósitos de cliente. Pode-se constatar que o BPI aproximou-se do nível de
qualidade de 100% no final do primeiro semestre de 2012. Ao abrigo do programa de
assistência financeira a Portugal, a Missão do FMI/UE/BCE impôs uma meta para o
rácio de transformação dos bancos portugueses de até 120%.
Relativamente à liquidez de curto-prazo, pode-se constatar que o banco recuperou de
uma situação bastante deficitária de liquidez no final do ano de 2011, com um rácio de
activos líquidos de apenas 3%. O BPI conseguiu melhorar significativamente este rácio,
no final do semestre, aproximando-se dos níveis de qualidade. No entanto, é necessário
monitorizar a evolução deste indicador.
Face ao atrás exposto, é proposto um rating de 3 para a qualidade de liquidez.
36
4.2.6 – Análise de Sensibilidade de Mercado
Abaixo pode observar-se o Value at Risk divulgado pelo banco BPI, segmentado por
tipos de risco, comparando o 1.º semestre de 2012 face ao período homólogo do ano
anterior.
Tabela 6 - Indicadores de Sensibilidade ao Risco de Mercado
VaR Médio 1S11 1S12
Risco de Taxa de Juro 296 2943
Risco Cambial 310 468
Risco de Acções 315 646
Risco de Commodities - 1
Fonte: R&C Banco BPI
Da análise à Tabela 6, podemos constatar que o BPI aumentou substancialmente a sua
exposição a todas as componentes de risco de mercado: risco de taxa de juro, risco
cambial, risco de acções e commodities. Esta situação não é benéfica para o banco, no
contexto de elevada volatilidade dos mercados de capitais, agravada pela actual situação
da economia portuguesa que tem vindo a registar elevados níveis de imparidades de
crédito e de outros investimentos.
É claro que a análise do banco à sensibilidade não deve ser medida apenas tendo em
conta um indicador, mas este dá-nos uma ideia objectiva da evolução da exposição do
banco aos riscos de mercado. A verdade é que o BPI tem aumentado a sua exposição
aos riscos do mercado, ficando mais exposto às suas variações.
Tendo em conta o acima descrito, o rating proposto para a sensibilidade ao risco de
mercado é de 4.
37
4.3 – Proposta de Rating
Após determinado o rating de cada um dos elementos acima analisados, a classificação
final é dada pela média aritmética simples dos ratings dos elementos da metodologia
CAMELS.
O rating é definido na metodologia de análise de instituições financeiras CAMELS
(1996) como uma ferramenta para diferenciar os melhores bancos entre os potenciais
investimentos. Dependendo do rating de cada banco, o analista de crédito propõe um
limite de exposição de acordo com a sua classificação. Na Tabela 7 pode-se observar
uma adaptação a uma escala de rating interna e os respectivos limites de exposição de
crédito, assim como a sua interpretação.
Tabela 7 - Proposta de escala de Rating e Limites de Exposição
Rating Rating Limite de Interpretação
Quantitativo Qualitativo Exposição
O banco excede todos os padrões de
1 Excelente Máximo qualidade. É considerado um
investimento seguro.
O banco atinge quase todos os
padrões de qualidade. É
2 Superior Moderado
considerado um investimento
seguro.
Um banco gerido com padrões de
3 Médio Mínimo qualidade média. É aconselhada um
investimento prudente.
O banco tem padrões de qualidade
Não abaixo da média. Se a situação não
4 Inferior
recomendado for corrigida, existe probabilidade
de insolvência.
O banco fica muito aquém dos
Não padrões de qualidade. Se a situação
5 Duvidoso
recomendado não for corrigida, há elevada
probabilidade de insolvência.
Fonte – Elaboração própria
38
Na tabela 8 podemos observar um resumo da análise efectuada a cada componente e o
respectivo rating de acordo com a metodologia CAMELS, aplicada ao Banco BPI.
Tabela 8 – Resumo da classificação de cada componente do BPI
Rating Rating
Componente Interpretação
Quantitativo Qualitativo
O banco encontra-se bem capitalizado, com
rácios acima dos níveis de qualidade.
Capital 2 Superior Contudo, é esperada mais deterioração de
capital nos próximos meses, podendo o
rating ser revisto em baixa.
O banco tem uma qualidade de activos
abaixo dos padrões de qualidade. É
Activos 3 Médio
esperada que esta rubrica continue a
penalizar o banco.
Rating não superior pela incapacidade de
Gestão 3 Médio impedir que o banco fosse ajudado por
capitais públicos.
O banco tem apresentado resultados
Resultados 3 Médio superiores aos seus pares domésticos. De
monitorizar se a situação se mantém.
O banco fica ligeiramente aquém dos
Liquidez 3 Médio padrões liquidez. Se a situação melhorar, o
seu rating poderá ser revisto em alta.
O banco aumentou a sua exposição de risco
Sensibilidade num momento de grande volatilidade no
4 Inferior
ao Mercado mercado e numa altura difícil para a
economia portuguesa.
Média 3
Fonte – Elaboração própria
Da tabela acima podemos calcular o rating interno a atribuir ao banco BPI. O rating
interno resulta da média aritmética de todos os componentes: Capital, Activos, Gestão,
Resultados, Liquidez e Sensibilidade ao Mercado. O rating do BPI proposto nesta
análise é de 3, ou seja, trata-se de um banco gerido com padrões de qualidade média e,
39
por isso, aconselhado um investimento prudente, com um limite de exposição mínimo
(de acordo com a Tabela 7).
Este exercício é meramente ilustrativo, ou seja, é um exercício que aborda, de forma
superficial, uma série de indicadores selecionados tendo em conta as demonstrações
financeiras do BPI. De salientar que os bancos geralmente efectuam exercícios de
análise muito aprofundados, com escalas de rating internas maiores (para permitir maior
diferenciação entre instituições), fazendo também análises da economia e do sistema
financeiro e comparações com pares, que aqui não serão elaboradas.
40
5. CONCLUSÕES
O Estágio realizado no Banco Itaú BBA International revelou-se bastante gratificante,
tendo dado inicio ao meu percurso profissional ainda no decorrer do meu percurso
académico. A duração foi de aproximadamente um ano, tempo que considero ter sido
suficiente para enriquecer os meus conhecimentos em áreas integradas nas disciplinas
de economia e finanças.
A preparação proporcionada pelo Mestrado de Finanças revelou-se essencial, tendo sido
necessário utilizar conhecimentos de diversas unidades curriculares, tais como: Análise
de Investimentos e Planeamento e Financiamento da Empresa quer na preparação das
demonstrações financeiras, quer na sua análise. Disciplinas direccionadas para produtos
financeiros, tais como Produtos e Mercados de Dívida, Mercados e Investimentos
Financeiros ou Forwards, Futuros e Swaps prepararam-me para consolidar
conhecimentos nos riscos assumidos pelas carteiras dos bancos. Mas a disciplina que
considerei ter contribuído mais para a preparação do estágio foi Gestão de Bancos, uma
vez que grande parte do conhecimento adquirido nesta unidade curricular foi de facto
colocado em prática no estágio.
Durante o estágio coloquei em prática, técnicas de análise a instituições financeiras,
métodos de selecção das melhores instituições das piores e ainda de como decorre o
processo de atribuição de crédito dentro de uma instituição financeira.
A análise de crédito nem sempre se revela uma tarefa fácil, uma vez que são muitos os
indicadores possíveis de se utilizar na análise. A metodologia CAMELS é, sem dúvida,
uma ferramenta essencial para qualquer analista de instituições financeiras, uma vez que
selecciona as componentes mais importantes das instituições financeiras – o Capital, os
Activos, a Gestão, os Resultados, a Liquidez e a Sensibilidade ao Risco de Mercado.
41
Este estudo pretendeu ilustrar como poderá ser feita uma análise financeira a uma
instituição financeira, tendo para tal selecionado alguns dos rácios que considerei mais
importantes da metodologia CAMELS.
Evidentemente que a análise financeira deve ser sempre complementada pela análise
económica com recurso a indicadores económicos e projecções futuras. O estudo
económico é complementar ao estudo financeiro e os dois conjugados fornecem uma
imagem mais fidedigna da instituição financeira.
Considero que o estudo acima realizado ao Banco BPI, com recurso à metodologia
CAMELS, dá-nos um excelente exemplo de como, de forma objectiva, se pode obter o
rating interno de outra instituição financeira para operações de crédito. O rating de 3
atribuído ao BPI é resultante da média aritmética de cada um dos componentes da
metodologia CAMELS e, reflecte também ele, um pouco da situação económica do
sistema financeiro português. Por essa razão, considero este método aderente à realidade
e, tal como é sugerido na literatura, o melhor método de análise a instituições
financeiras até à data.
42
6. LIMITAÇÕES E TÓPICOS DE INVESTIGAÇÃO FUTURA
As limitações para este estudo foram principalmente associadas às limitações do
formato do trabalho. Geralmente, a metodologia CAMELS é aplicada a vários bancos
do mesmo sistema financeiro, de modo a obter-se um termo comparativo. Uma vez que
não foi possível colocar toda a informação relativa aos bancos portugueses no corpo de
texto, esse tipo de informação foi remetido para os anexos.
Relativamente aos tópicos de investigação, seria interessante aplicar esta metodologia a
outros bancos ou sistemas financeiros. Deixo ainda a sugestão de efectuar uma análise
com outros indicadores financeiros alternativos para cada componente CAMELS.
Sugiro ainda um estudo sobre os níveis de qualidade (pós-crise), uma vez que muitos
dos níveis de qualidade sugeridos na literatura já se encontram desactualizados. Dado
que a situação da banca mudou rapidamente nos últimos quatro anos, seria um bom
exercício estudar quais os valores de qualidade médios para cada indicador da análise
CAMELS entre 2008 e 2012 e, deste modo, conmparar níveis de qualidade pré-crise e
pós-crise.
43
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Português. Disponível em
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HIRTLE, Beverly J. and Lopez, Jose A. (1999) – “Supervisory Information and the
Frequency of Bank Examination”. FRBNC Economic Review, p. 4.
INSTITUTO de Formação Bancária – ISGB (2009), Análise Financeira de Bancos 1ª.ed
INSTITUTO de Formação Bancária – ISGB (2001), Negócio Bancário e Sistema
Financeiro, 1ª. ed
KARLYN, Mitchell (1984) – “Capital Adequacy at Commercial Banks”. The Journal of
Economic Review, p. 17-30. Federal Reserve Bank of Kansas City.
UNIFORM Financial Institutions Rating System (1996) – Statements of Policy. The United
States: Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC).
44
ANEXOS
Anexo 1 - Balanço simplificado do Banco BPI (Em milhares de milhões de euros)
Fontes – R&C Banco BPI, IBBA
45
Anexo 2 - Demonstração de Resultados simplificada do Banco BPI (Em milhões de euros)
Fontes – R&C Banco BPI, IBBA
Anexo 3 – Variação do PIB (anual) e Evolução da Taxa de Desemprego (anual) de Portugal
Fontes – Eurostat, IBBA
46
Anexo 4 – Défice Público, Défice Primário e Dívida Pública em Portugal.
Fontes – Eurostat, Bloomberg, IBBA
Anexo 5 – Evolução do Crédito em Incumprimento há mais de 30 dias em Portugal
Fontes – Banco de Portugal, IBBA
47
Anexo 6 – Comparativo de Rácio de Cobertura e Rácio de Incumprimento
Fontes: R&C dos Bancos, IBBA
Anexo 7 – Rácio de Transformação dos Principais Bancos Portugueses (%)
Fontes – R&C dos Bancos, IBBA
48
Anexo 8 – Ranking dos principais bancos portugueses por activos (Em milhares de milhões de
euros)
Fontes – Bankscope, IBBA
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