Sumário
Introdução 1
1. Preconceito e Homofobia 1
2. Manifestações de Homofobia Internalizada 2
3. Homofobia nas Escolas 3
Conclusão 5
Bibliografia 6
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HOMOFOBIA
Introdução
Recorrente a discussões e pesquisas voltados para orientação sexual podemos
constatar presente em nossa sociedade uma porcentagem considerável em relação
ao preconceito à homossexualidade, desenvolvendo a Homofobia no contexto social
e educacional.
Diante a isso surgiu o interesse de se debater o tema “Homofobia nas Escolas”.
Vemos que através dessa discriminação, ocorrendo com alunos e professores,
surgem as humilhações, ofensas, que atingi o cotidiano escolar de forma negativa
levando a exclusão e até a evasão, gerando uma violência urbana, onde levam
alguns a morte por ousarem manifestar publicamente sua opção sexual.
1. Preconceito e Homofobia
Em se tratando de um tema polêmico, que conta muita informação, mas pouca
abertura para discussão em nossa sociedade é comum encontrarmos indivíduos,
que não aceitam e não entendem as outras formas de desenvolver a sexualidade.
Partindo dessa dificuldade surge o Preconceito, “idéia preconcebida, sem razão
objetiva ou refletida”.
Segundo Valvim M Dutra, “os preconceitos podem ser divididos em dois
segmentos: um é maléfico à sociedade e o outro é benéfico. O segmento maléfico é
constituído de preconceitos que resultam em injustiças, e que são baseados
unicamente nas aparências e na empatia. Já o segmento benéfico é constituído de
preconceitos que estabelecem a prudência e são baseados em estatísticas reais,
nos ensinamentos de Deus ou no instinto humano de autoproteção. Em geral, os
preconceitos benéficos são contra doenças contagiosas, imoralidades,
comportamentos degradantes, pessoas violentas, drogados, bêbados, más
companhias, etc. Por isso, a liberdade de interpretação pessoal deveria ser sempre
respeitada”.
Diante do preconceito, destacamos a Homofobia, palavra grega fobia (medo)
com o prefixo homo (igual), que caracteriza o medo e o resultante desprezo pelos
homossexuais que alguns indivíduos sentem. Para muitas pessoas é fruto do medo
de elas próprias serem homossexuais ou de que os outros pensem que o são. O
termo é usado para descrever uma repulsa face às relações afetivas e sexuais entre
pessoas do mesmo sexo, um ódio generalizado aos homossexuais e todos os
aspectos do preconceito heterossexista e da discriminação anti-homossexual.
Heterossexismo caracteriza uma opressão paralela, que suprime os direitos das
lésbicas, gays e bissexuais, descreve uma atitude mental que primeiro categoriza
para depois injustamente etiquetar como inferior todo um conjunto de cidadãos, está
institucionalizada nas nossas leis, órgãos de comunicação social, religiões e línguas.
Tentativas de impor a heterossexualidade como superior ou única forma de
sexualidade são uma violação dos direitos humanos, tal como o racismo e o
sexismo, e devem ser desafiadas com igual determinação.
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2. Manifestações de Homofobia Internalizada
Seguindo padrões estabelecidos pela sociedade, fundamentados em princípios
religiosos, é difícil não internalizar as noções negativas da sociedade em relação à
homossexualidade. Sendo assim a homofobia se manifesta como forma de opressão
e não simples medo, onde surge a discriminação de si próprio, levando a tais
conseqüências:
1. Negação da sua orientação sexual (do reconhecimento das suas atrações
emocionais e sexuais) para si mesmo e perante os outros.
2. Tentativas de mudar a sua orientação sexual.
3. Sentir que nunca se é "suficientemente bom" (por vezes tendência para o
"perfecionismo").
4. Pensamentos obsessivos e/ou comportamentos compulsivos.
5. Fraco sucesso escolar e/ou profissional; ou sucesso escolar e/ou profissional
excepcional, como forma de ser aceite.
6. Desenvolvimento emocional e/ou cognitivo atrasado.
7. Baixa auto-estima e imagem negativa do próprio corpo.
8. Desprezo pelos membros mais "assumidos" e "óbvios" da comunidade Gay,
Lésbica, Bissexual e Transgêneros.
9. Desprezo por aqueles que ainda se encontram nas primeiras fases de
assumir a sua homossexualidade.
10. Negação de que a homofobia /o heterossexismo /a bifobia /a transfobia /o
sexismo são de fato problemas sociais sérios.
11. Desprezo por aqueles que não são como nós; e/ou desprezo por aqueles
que se parecem conosco.
12. Projeção de preconceitos num outro grupo alvo (reforçado pelos
preconceitos já existentes na sociedade).
13. Tornar-se psicológica ou fisicamente abusivo; ou permanecer num
relacionamento abusivo.
14. Tentativas de passar por heterossexual, casando, por vezes, com alguém
do sexo oposto para ganhar aprovação social ou na esperança de "se curar".
15. Crescente medo e afastamento de amigos e familiares.
16. Vergonha e/ou depressão; defensividade; raiva e/ou ressentimento.
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17. Esforçar-se pouco ou abandonar a escola; faltar ao trabalho / fraca
produtividade.
18. Contrôle contínuo dos seus comportamentos, maneirismos, crenças e
idéias.
19. Fazer os outros rir através de mímicas exageradas dos estereótipos
negativos da sociedade.
20. Desconfiança e crítica destrutiva a líderes da comunidade GLBT.
21. Relutância em estar ao pé ou em mostrar preocupação por crianças por
medo de ser considerado "pedófilo".
22. Problemas com as autoridades.
23. Práticas sexuais não seguras e outros comportamentos destrutivos e de
risco (incluindo riscos de gravidez e de ser infectado com HIV).
24. Separar sexo e amor e/ou medo de intimidade. Por vezes pouco ou
nenhum desejo sexual e/ou celibato.
25. Abuso de substâncias (incluindo comida, álcool, drogas e outras).
26. Desejo, tentativa e concretização de suicídio.
Assim por não seguirem tais padrões sociais, os indivíduos não têm culpa de
sofrerem tais opressões negativas, mas devem trabalhar para eliminá-las, já que é
um processo longo podendo levar uma vida inteira.
3. Homofobia nas Escolas
A discussão sobre a discriminação de grupos minoritários em escolas,
principalmente homossexuais, vem ganhando espaço em pesquisas e projetos de
políticas públicas na área de educação.
Discriminação é uma atitude ou uma ação que objetiva diferenciar, distinguir e
em geral, prejudicar um grupo tendo por base idéias preconceituosas. É o que
ocorre com alguns alunos por apresentarem comportamento “diferente”, sofrendo
humilhações, brincadeiras preconceituosas, piadinhas, agressões físicas, verbais e
‘tecnológica’, considerando que essa atitude, partem freqüentemente dos meninos e
rapazes, interferindo negativamente no aprendizado e podendo até levar a evasão
escolar.
Segundo a pesquisa “Juventude e Realidade”, realizada em 2004, pela
UNESCO em escolas de 14 capitais do Brasil, mostrou que o preconceito nas salas
de aula ainda incomoda, já que 25% dos alunos não gostariam de ter um
homossexual entre seus colegas de classe.
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Essa intolerância é enfrentada todos os dias por milhares de alunos e alunas
homossexuais da rede de ensino, resultando em violência escolar. “Levava socos,
chutes, cotoveladas, joelhadas e empurrões”, o grupo de meninos que me
importunava, não satisfeito com as agressões físicas e verbais, espalhavam pelos
computadores da escola imagens me caracterizando como travesti e com as unhas
pintadas de rosa, desabafa Augusto Kobayashi, aluno do ensino médio e
assumidamente homossexual.
Diante do preconceito no cotidiano escolar envolvendo alguns alunos, nos
deparamos com a falta de preparo da escola, e principalmente por parte dos
professores em discutir sobre o homossexualismo. De acordo com a pesquisa da
UNESCO sobre o perfil dos professores brasileiros, que gerou um livro, a maioria
(59,5 %) dos professores entrevistados admitiu não ter informações suficientes para
lidar com a questão da homossexualidade. Nas entrevistas individuais feitas, muitos
disseram que prefeririam não tratar da questão em sala, ignorando qualquer tipo de
diferença entre os alunos.
É preciso preparar o professor para debater a homofobia na escola. O
presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em maio desse ano, lançou no
Palácio do Planalto, o programa Gênero e Diversidade na Escola. O objetivo é
capacitar inicialmente 1.2 mil professores de escolas públicas de 5ª a 8ª séries para
lidar, em sala de aula, com atitudes e comportamentos preconceituosos em relação
a preferências sexuais, gênero (masculino, feminino) e raça. A iniciativa visa evitar
atitudes preconceituosas em relação às mulheres, negros, índios, portadores de
deficiência física, homossexuais e bissexuais.
É consenso há necessidade de discutir o tema nas escolas, pois a homofobia
incita o ódio, a violência, a difamação, a injúria, a perseguição e a exclusão. Além de
prejudicar a imagem das pessoas – alunos, professores ou servidores, interfere no
aprendizado e na evasão escolar.
O tema homofobia entra pela primeira vez nas discussões do MEC (Ministério
da Educação e Cultura), onde se tenta implementar o programa “Brasil sem
Homofobia”, Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB e de
Promoção da Cidadania Homossexual, na área educacional. Esse programa
promove o suporte para o atendimento à diversidade em sala de aula, para
combater atitudes e comportamentos preconceituosos em relação a gênero, raça e
às diversas orientações sexuais.
O programa de combate á violência e a discriminação contra GLBT e de
promoção da cidadania homossexual, “Brasil sem Homofobia” (ver anexo), é
resultado de parceria entre o governo federal e a sociedade civil, organizada pela
Secretaria Especial dos Direitos Humanos, prevendo ações nas áreas da saúde,
segurança, trabalho, educação e cidadania.
No que se refere à educação, o projeto promove valores de respeito à paz e à
não-discriminação por orientação sexual seguindo os seguintes princípios:
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1 – Elaborar diretrizes que orientem os Sistemas de Ensino na implementação
de ações que comprovem o respeito ao cidadão e à não-discriminação por
orientação sexual;
2 – Fomentar e apoiar curso de formação inicial e continuada de professores
na área da sexualidade;
3 – Formar equipes multidisciplinares para a avaliação dos livros didáticos, de
modo a eliminar aspectos discriminatórios por orientação sexual e a superação da
homofobia;
4 – Estimular a produção de materiais (filmes, vídeos e publicações) sobre
orientação sexual e superação da homofobia;
5 – Divulgar as informações científicas sobre sexualidade humana;
6 – Estimular a pesquisa e a difusão de conhecimentos que contribuam para o
combate à violência e à discriminação de GLTB;
7 – Criar o Subcomitê sobre Educação em Direitos Humanos no Ministério da
Educação, com a participação do movimento de homossexuais, para acompanhar e
avaliar as diretrizes traçadas.
“O programa é uma das bases para ampliação e fortalecimento do exercício da
cidadania no Brasil. Um verdadeiro marco histórico na luta pelo direito à dignidade e
pelo respeito à diferença”, observa o Ministro Especial dos Direitos Humanos,
Nilmário Miranda.
É de grande valia programas voltados para erradicar a homofobia no contexto
social e escolar, pois na tentativa de preservar a opção sexual de cada individuo, a
escola assume um papel fundamental no desenvolvimento do respeito às
diversidades, construindo assim uma sociedade mais digna e com menos violência.
Conclusão
Partindo do princípio que vivemos em uma sociedade preconceituosa,
devemos enxergar na figura do educador, como o profissional capaz de lidar com a
diversidade sexual dentro de sala de aula, contando sempre com o apoio
governamental, assim, agindo de maneira adequada, no seu cotidiano escolar, na
tentativa de romper ações e pensamentos discriminatórios.
É preciso admitir e esclarecer as diferenças, as aparências e as realidades
para que os outros indivíduos não desrespeitem as outras formas de sexualidades,
evitando assim a violência escolar, no intuito de desenvolver uma sociedade mais
justa e humana.
Bibliografia
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HERNANDEZ, Carlos. Juventude Lésbica e Gay, Conseqüências da homofobia.
DUTRA, Valvim M. Renasce Brasil, O que preconceito e a origem dos preconceitos,
Vitória – ES, 2005.
CONSELHO Nacional de Combate à Discriminação. Brasil Sem Homofobia:
Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB e de Promoção
da Cidadania Homossexual. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
[Link] MEC inicia discussões sobre homofobia, 2006.
[Link] Homofobia na escola, 2006.