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Conflito de Competência: Análise Processual

O artigo analisa o conflito de competência no contexto processual brasileiro, destacando a escassez de doutrina em comparação à abundante jurisprudência do STJ. A pesquisa aborda a configuração, os procedimentos de julgamento e os efeitos desse conflito, além de discutir casos especiais de conflitos internos de competência e de atribuições. O objetivo é mapear o estado atual da jurisprudência para orientar a prática forense e fomentar debates acadêmicos sobre o tema.

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Conflito de Competência: Análise Processual

O artigo analisa o conflito de competência no contexto processual brasileiro, destacando a escassez de doutrina em comparação à abundante jurisprudência do STJ. A pesquisa aborda a configuração, os procedimentos de julgamento e os efeitos desse conflito, além de discutir casos especiais de conflitos internos de competência e de atribuições. O objetivo é mapear o estado atual da jurisprudência para orientar a prática forense e fomentar debates acadêmicos sobre o tema.

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Conflito de competência: configuração, procedimento e efeitos do julgamento

CONFLITO DE COMPETÊNCIA: CONFIGURAÇÃO, PROCEDIMENTO E EFEITOS DO


JULGAMENTO
Conflict of competence: characterization, procedure and effects
Revista de Processo | vol. 355/2024 | p. 53 - 68 | Set / 2024
DTR\2024\11308

Mauro Luciano Hauschild


Mestre em Gestão de Sistemas de Seguridade Social (Universidad de Alcalá – UAH – Madrid). Mestrando em Direitos
Humanos (UNIJUI). Advogado. mlhauschild@[Link]

Jefferson Carús Guedes


Pós-Doutor em Literatura (UnB). Doutor e Mestre em Direito Processual Civil (PUC-SP). Especialista em Processo
Civil (PUC/RS). Professor do Doutorado, Mestrado e Graduação do CEUB/Brasília. Advogado e Consultor.
[Link]@[Link]

Murilo Laureano Pinto


Doutorando e Mestre em Direito (CEUB/Brasília). Analista do STJ. pro_murilo@[Link]

Área do Direito: Civil; Processual


Resumo: O artigo aborda o conflito de competência sob o ponto de vista processual, justificado pelo escasso
escrutínio doutrinário em contraste com a vasta jurisprudência consolidada, principalmente pelo STJ, sobre essa via.
O método de abordagem é bibliográfico e jurisprudencial. A pesquisa se concentra na configuração e nos
procedimentos de julgamento do conflito de competência, examinando seus efeitos e os recursos cabíveis. O artigo
reflete o tratamento dos casos especiais de conflitos internos de competência e de conflitos de atribuições,
contribuindo para a compreensão estruturada dos entendimentos processuais dos tribunais sobre esses casos e
oferecendo uma perspectiva sistêmica do tema sob o aspecto processual. Busca-se mapear o estado atual da
jurisprudência, para orientar a praxe forense, e fornecer bases para futuras investigações e debates acadêmicos sobre
o conflito de competência nos tribunais brasileiros.

Palavras-chave: Conflito de competência – Conflito de jurisdição – Jurisprudência – Conflito interno de competência


– Conflito de atribuição
Abstract: The article addresses conflicts of competence from a procedural standpoint in Brazilian case law. We use
bibliographical and jurisprudential review as research method. The study is justified by the scant doctrinal scrutiny in
contrast with a vast consolidated jurisprudence, established mainly by the Brazilian Higher Court of Justice (STJ), on
this matter. Our study focuses on the characterization and trial procedures of the conflict of competence, examining its
effects and appropriate remedies. We also address special cases of internal conflicts of competence and “conflicts of
assignment”. Our essay seeks to map current jurisprudential state of procedural aspects of the conflicts we focus, to
guide forensic praxis and provide a foundation for future academic investigations onconflicts of competence and “of
assignment” in Brazilian courts.

Keywords: Conflict of competence – Case law – Jurisprudence – Internal conflict of competence – Conflict of
assignment
Para citar este artigo: Hauschild, Mauro Luciano; Guedes, Jefferson Carús; Pinto, Murilo Laureano. Conflito de
competência: configuração, procedimento e efeitos do julgamento. Revista de Processo. vol. 355. ano 49. p. 53-68.
São Paulo: Ed. RT, setembro 2024. Disponível em: [URL]. Acesso em: [Link].
Sumário:

1. Introdução - 2. Configuração - 3. Procedimento - 4. Efeitos do julgamento - 5. Outras espécies de conflitos - 6.


Referências bibliográficas - 7. Legislação

1. Introdução
Há na doutrina um escasso escrutínio sobre o procedimento do conflito de competência nos tribunais, embora exista
uma extensa atividade de julgamento dessas questões, com a formação de uma jurisprudência larga que tende a
certa consolidação.
O presente artigo não tem a pretensão de preencher esse espaço, mas principalmente aportar, de forma organizada, a
jurisprudência, especialmente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sobre a matéria.
Na tradição brasileira o conflito de jurisdição1 e o conflito de competência estão contidos no mesmo procedimento. O
conflito de competência fora previsto com denominação equivocada de conflito de jurisdição no CPC/1939
(LGL\1939\3) (arts. 802-807)2 e depois corrigido no CPC/1973 (LGL\1973\5) (arts. 115-124) e no CPP (LGL\1941\8)/
1941 (arts. 113-117), permanecendo até hoje como conflito de competência. O STF, na sua jurisprudência e regimento
interno, mantém o uso da expressão conflito de jurisdição e igualmente conserva a classe processual “CJ” na sua
categorização de espécies de processos daquele tribunal.
Nesse âmbito e limites, serão tratados aqui a configuração do conflito de competência e seus procedimentos para
julgamento, a partir do regramento no CPC/2015 (LGL\2015\1656) (arts. 951 a 959). Serão tratados ainda os efeitos
do julgamento, bem como os recursos cabíveis, além dos casos especiais dos conflitos internos de competência e do
conflito de atribuições.
2. Configuração
O conflito de competência configura-se quando dois ou mais juízos se declaram competentes ou incompetentes para
uma mesma causa ou, ainda, se divergem sobre a reunião ou separação de processos.3 Não havendo conflito, cabe à
parte inconformada com a compreensão dos juízos sobre suas competências recorrer pelos meios regulares.
No caso de os juízos se declararem incompetentes, o atual CPC (LGL\2015\1656) esclareceu a necessidade de que
ambos se apontem mutuamente competentes para a causa. Assim, se o juízo A se vê como incompetente e remete o
feito a B, e este também afirma sua incompetência, mas o remete a C, não há conflito. Caso C igualmente se
reconheça incompetente e entenda pela competência de A ou de B, aí sim estará configurado o conflito. Portanto,
havendo apenas uma sucessão de declínios de competência, não há que se falar em conflito.4
Tendo recebido o processo por declinação de competência, se se entender incompetente para o feito, a pessoa
julgadora deverá suscitar o conflito e não devolver os autos ao juízo declinante.5
Importa registrar que inexiste conflito de competência quando um tribunal exerce sua competência revisora ou
hierárquica, sendo vedado o manejo do incidente como sucedâneo recursal.6 Portanto, se o STJ, em conflito de
competência ou recurso especial, por exemplo, resolve a competência para uma causa de forma diversa do
entendimento do tribunal local, não haverá que se falar em conflito de competência perante o STF.7 Tampouco será
cabível conflito de competência ao STJ como sucedâneo recursal do juiz envolvido em conflito de competência
julgado pelo TJ, devendo o juízo inferior submeter-se à decisão do juízo competente para a solução do incidente.8
Do mesmo modo, não há conflito quando cada juízo atua dentro de sua própria esfera de competência, ainda que
diante de processos coexistentes acerca de um mesmo bem da vida.9 Por outro lado, a existência de decisões
colidentes pode configurar hipótese de conflito de competência, na medida em que sinaliza para o reconhecimento
implícito de competência simultânea para a causa pelos juízos diversos.10
Embora não se fale em hierarquia entre a justiça comum federal e estadual, o STJ consolidou que compete à primeira
aferir a existência de interesse da União na causa. O entendimento tem sido consistentemente reiterado em
precedentes qualificados firmados desde meados da década de 1990: Súm. 150/STJ;11 Súm. 254/STJ;12 Súm. 224/
STJ;13 IAC 14/STJ.14 Nesses casos, bem observada a orientação jurisprudencial, não haveria que se falar em conflito,
mas a prática forense revela realidade diversa.

Também não há que se falar em conflito diante de sentença transitada em julgado,15 nem sobre conflito meramente
suposto, de forma abstrata e não em um caso concreto.16 Assim, a falta de manifestação sobre a competência de um
dos juízos potencialmente em conflito afasta o cabimento do incidente prematuro.17
3. Procedimento
O CPC/2015 (LGL\2015\1656) segmentou topologicamente as normas do conflito. Após dispor sobre sua
caracterização, que ocorre em qualquer instância, perante os juízos singulares ou colegiados, as demais normas
foram situadas no título dos processos nos tribunais, que é onde são necessariamente processados de forma
originária.
Assim, diante das hipóteses do art. 66 do CPC/2015 (LGL\2015\1656), os legitimados deverão suscitar o conflito
perante os tribunais. São legitimados para isso as partes, o Ministério Público ou os juízes.18 A parte que arguiu
incompetência relativa fica vedada de suscitar o conflito para rediscutir a questão, mas isso não impede que outro
legitimado o faça.19 Porém, se ambas as partes arguem exceções de incompetência, notadamente perante juízos
diversos e com decisões conflitantes, habilita-se a suscitação do conflito por qualquer delas, ante a premência da
demanda por segurança jurídica e definição da questão.20

O juiz suscita o conflito por ofício e os demais legitimados, partes e Ministério Público, por petição.21 Em ambos os
casos, deve-se documentar a existência do conflito, conforme as hipóteses do art. 66 do CPC/2015 (LGL\2015\1656),
para comprová-lo. A norma é reproduzida nos regimentos internos dos tribunais superiores.22
Assim, a petição ou o ofício devem ser endereçados ao tribunal competente para julgar o conflito e indicar qual o juízo
tido por competente pelo suscitante, bem como estar acompanhada, no mínimo, das manifestações dos juízos que
afirmem simultaneamente a competência ou mutuamente a incompetência para a causa. Na ausência das peças
essenciais, indefiníveis de forma apriorística, o relator pode determinar aos juízos ou às partes que as forneçam ou,
desde logo, não conhecer do conflito;23 a primeira opção é mais condizente com os objetivos do CPC/2015
(LGL\2015\1656) e preferível, tendo em vista a solução da divergência. Em todo caso, essas peças devem indicar a
existência do conflito e a procedência do entendimento do suscitante quanto à competência.

Distribuído o conflito, o relator ouvirá os juízos conflitantes no prazo que definir.24 Os regimentos internos do
STJ (art. 197) e do STF (art. 167) dispõem prazo de 10 dias para manifestação das autoridades conflitantes, mas
compete ao relator a discricionariedade de observá-lo ou fixar outro.
Note-se que não há previsão de oitiva das partes, mesmo que o incidente tenha sido suscitado por uma delas.
Conforme o STJ:
“[...] não há pretensão resistida entre a parte suscitante e os Juízos suscitados apta a justificar a necessidade de
observância aos princípios da ampla defesa e contraditório, uma vez que a finalidade do conflito de competência é
afastar dúvida sobre o Juízo responsável por exercer jurisdição no caso concreto”.25
A posição parece contrariar as previsões do CPC/2015 (LGL\2015\1656) em favor do processo colaborativo, que
privilegiam o contraditório efetivo e a pluralidade na participação das decisões judiciais26. A flexibilização desses
princípios seria justificada, além do fundamento já citado acima, em função da celeridade do incidente.

Em todo caso, essa falta de intervenção inicial não exclui das partes a legitimidade recursal no conflito27. A parte,
assim como os suscitantes, também pode solicitar ao relator o sobrestamento do processo ou a designação do juízo
provisoriamente competente para as questões urgentes na causa.28

Com ou sem as informações requisitadas, vencido o prazo remete-se o conflito ao Ministério Público29, se se tratar de
causa em que intervenha necessariamente30. Afastou-se a previsão do Código anterior de oitiva do MP em todos os
conflitos.
O relator poderá julgar o conflito monocraticamente mesmo após a oitiva dos juízos e do MP, por extensão dos
poderes contidos no art. 932 do CPC/2015 (LGL\2015\1656).
3.1. Julgamento monocrático
O CPC/2015 (LGL\2015\1656) buscou restringir os poderes do relator, tentando disciplinar com rigor as possibilidades
de julgamento monocrático.31 A inovação legislativa vem nas normas alusivas aos precedentes ditos qualificados,
conforme regulados no CPC/2015 (LGL\2015\1656), precisamente para conter esse poder monocrático do relator.
Assim, prevê-se a possibilidade de julgamento monocrático quando a questão já tiver sido objeto de súmula ou tese
repetitiva ou em IAC,32 em substituição ao termo anteriormente usado jurisprudência dominante.
A tentativa legislativa não teve sucesso, porém. O STJ segue admitindo o julgamento monocrático também quando
diante de jurisprudência dominante, com base no RISTJ (LGL\1989\44) (art. 34, XXII) e na Súm. 568/STJ.33
É inequívoco que apenas haverá processo a ser suspenso em caso de conflito positivo, e em qualquer hipótese,
poderá haver necessidade de se fixar um juízo temporário para as questões urgentes. Nada obriga que esse juízo
seja um dos conflitantes; o relator pode entender pela competência de um terceiro juízo.
3.2. Competência para julgar o conflito
O CPC/2015 (LGL\2015\1656) apenas situa tratar-se de feito de competência de tribunal. A Constituição Federal
dispõe sobre a competência do STF (art. 102, I, n), do STJ (art. 105, I, d) e dos TRFs (art. 108, I, e) para julgar os
conflitos que especifica. A norma ainda afirma, genericamente, competir ao ramo trabalhista julgar os conflitos entre
órgãos com jurisdição trabalhista (art. 114, V), cabendo a outras normas locais ou infraconstitucionais regular casos
diversos.
Nessa linha, o STF julgará os conflitos entre tribunais superiores e outras Cortes, superiores ou não. Cabe ao
STJ resolver os demais conflitos entre tribunais diferentes, juízes vinculados a tribunais diferentes ou entre juízes e
tribunais aos quais não se vinculem. Assim, um conflito entre o STJ e o TST competirá ao STF, mas um entre vara do
trabalho e justiça estadual será julgado pelo STJ.
A rigor, pelo texto da Constituição anterior à EC 45, caberia ao STJ julgar os conflitos de competência entre, por
exemplo, dois tribunais regionais do trabalho (“quaisquer tribunais”, diz o art. 105, I, d). Entretanto, o STJ entendeu-se
incompetente para julgar conflitos entre tribunais ou juízos trabalhistas diversos, à luz da Lei 7.701/1988
(LGL\1988\27), que trata da competência das seções especializadas do TST.34 Essa compreensão seria afinal
consagrada na redação do art. 114 da CF/1988 (LGL\1988\3) dada pela EC 45.
A situação é a mesma da Súm. 180/STJ.35 O juízo estadual tratado no enunciado é aquele investido de jurisdição
trabalhista (art. 112 da CF/1988 (LGL\1988\3)), dita também competência delegada, não se confundindo com o
exercício da sua própria jurisdição em lides não trabalhistas. Seria descabido, portanto, discutir a incidência da súmula
em conflito de competência entre varas de falência e trabalhista. Também nessa linha a Súm. 3/STJ.36
A competência do Tribunal Regional Federal para apreciar o conflito entre juízes da justiça comum federal está
expresso na letra “e” do inc. I do art. 108 da CF (LGL\1988\3) O texto constitucional omitiu a hipótese de conflito de
competência delegada do art. 109, § 3º, que será igualmente do TRF correspondente à região na qual se inserem os
juízos conflitantes.37 Diz-se que essa competência delegada do art. 109, § 3º, da CF (LGL\1988\3), é competência de
jurisdição.38
Houve tempo em que o STJ considerava que os juizados especiais configuravam “juízos não vinculados” ao TJ/TRF,
competindo a si julgar os conflitos entre os juizados ou turmas recursais e o respectivo tribunal local.39 Posteriormente,
sedimentou-se entendimento pela competência do próprio tribunal local para resolver o impasse.40
A reorientação decorreu de mudança jurisprudencial do STF. O Supremo entendia que era da sua competência
originária os habeas corpus impetrados contra decisão de turma recursal,41 mas afastou-se dessa compreensão e
superou o enunciado, embora sem o cancelar. Os julgados ensejadores da virada fundamentaram-se na vinculação
administrativa entre os juízes integrantes dos juizados e das turmas aos tribunais locais, bem como na competência
originária desses órgãos para processar as ações por crimes comuns e de responsabilidade cometidos por esses
magistrados.42

Ainda, é do STJ a competência para julgar conflitos entre órgãos do Judiciário e tribunais arbitrais43 ou entre juízos
arbitrais.44
4. Efeitos do julgamento
Embora o texto normativo sugira que o tribunal deva, desde logo, manifestar-se sobre a validade dos atos do juízo
incompetente,45 admite-se tanto que o Tribunal assim o faça46 quanto que remeta tal apreciação ao juízo tido
doravante como competente47. A omissão sobre o ponto, porém, pode ensejar embargos de declaração.48
Admite-se, ainda, a possibilidade de conflito parcial de competência, à luz da teoria dos capítulos da sentença e de
cindibilidade das demandas, bem como por analogia à Súm. 170/STJ49, de modo a invalidar apenas parte de
sentenças.50
A solução do tribunal não se vincula aos juízes conflitantes, sendo possível reconhecer como competente para a
causa em tela um terceiro juízo.51
Configura-se violação da autoridade da decisão no conflito de competência a posterior afirmação de incompetência
pelo juízo tido como competente no conflito.52
4.1. Efeitos transcendentes, IRDR e IAC
Em regra, as decisões em conflitos de competência somente valem para a causa concreta em que suscitado, ainda
que outras sejam juridicamente similares.53 Entretanto, o STJ ensaiou admitir o processamento, por analogia, de
conflito de competência com aspectos e medidas do rito dos recursos repetitivos, como a suspensão de processos e
sua devolução aos tribunais de origem na pendência do julgamento do paradigma.54 A experimentação jurisprudencial,
no entanto, não prevaleceu55.

Porém, conquanto não venha admitindo o IRDR56 em ações originárias57, o STJ tem, afinal, adotado soluções práticas
equivalentes com o IAC58 nesses processos, concretizando o defendido pelo Enunciado 363 do FPPC.59
Por exemplo, no IAC 14/STJ, em que foram afetados três conflitos de competência, determinou-se provisoriamente
vedar-se aos juízos estaduais declinar da competência nas causas alusivas a fornecimento de tratamento médico e
remédios pelo SUS, devendo decidir as questões urgentes ou o próprio mérito. A medida visou, expressamente,
conter o volume de conflitos essencialmente idênticos reiteradamente suscitados perante a Corte. Como efeito prático,
os conflitos em descumprimento ao definido na questão de ordem (QO) no IAC passaram a não ser conhecidos
monocraticamente, e deu-se ensejo, ainda, ao cabimento de reclamação por violação ao disposto na QO no IAC,
mesmo antes do esgotamento das instâncias ordinárias.60
4.2. Recursos

É cabível o agravo interno da decisão monocrática (liminar ou de mérito),61 bem como eventuais embargos de
declaração ou recursos excepcionais, diante de suas respectivas hipóteses de cabimento.
É certo não caber embargos de divergência interpostos contra o julgado do conflito de competência, por disposição
legal expressa.62 Porém, o acórdão do conflito deveria servir como paradigma para a interposição dos embargos caso
o julgado em recurso especial ou extraordinário divergisse de compreensão firmada no incidente julgado de forma
originária.63
O STJ, no entanto, não admite essa possibilidade. Justifica-se a vedação pela natureza de incidente, e não ação, do
conflito e na medida em que se compreende que as ações originárias de garantia constitucional, dado o escopo
distinto de análise destas diante do recurso especial (fatos e provas, notadamente), entendimento que seria aplicável
analogicamente ao conflito de competência.64
5. Outras espécies de conflitos
Além dos conflitos de competência típicos acima discutidos, os tribunais lidam também com outras duas espécies
peculiares de conflitos: os internos de competência e os de atribuição.
5.1. Conflito interno de competência

Havendo conflito entre membros ou órgãos fracionários dos tribunais, há o conflito interno de competência,65 regulado
pelos respectivos regimentos internos.
O STJ prevê que os conflitos entre suas seções ou turmas e relatores de seções diversas sejam decididas pela Corte
Especial (RISTJ (LGL\1989\44), art. 11, XII). As seções julgam os conflitos internos entre suas turmas e relatores
(RISTJ (LGL\1989\44), art. 12, V).66 O RISTF (LGL\1980\17) nada dispõe sobre esse rito, mas naturalmente os
conflitos internos deverão ser julgados pelo Plenário.
A competência especializada das seções do STJ e suas turmas é relativa, devendo ser alegada antes do julgamento,
sob pena de preclusão.67 Embora o STJ afirme ser inviável declaração de ofício da incompetência relativa68, e que
esta é a natureza da competência de suas seções especializadas, a existência de diversos conflitos internos sem
provocação das partes sinaliza para a superação prática do enunciado.
No STJ, a aferição do órgão interno competente para a causa depende da natureza da relação litigiosa (RISTJ
(LGL\1989\44), art. 9º), não importando as partes, via processual ou ramo da justiça subjacentes ao processo em
julgamento no Tribunal ou na origem.
O procedimento é, em essência, o mesmo do conflito de competência “externo”.
5.2. Conflito de atribuições
O CPC/2015 (LGL\2015\1656) trata parcamente do conflito de atribuições, remetendo sua normatização aos
regimentos69. No que diz respeito ao procedimento, os regimentos do STJ e do STF não distinguem os ritos para os
conflitos de atribuição e de competência (este também dito e confundido, pelo STF, como conflito de jurisdição).
Só há conflito de atribuição quando duas autoridades, uma administrativa e outra judiciária, se reconhecem como
competentes para solucionar uma mesma questão estritamente administrativa e não judicializada.70 A jurisprudência
registra, porém, hipótese em que o juízo teria extrapolado os limites legais da causa e invadido, no exercício
jurisdicional, competência estritamente administrativa.71
Há crítica doutrinária clássica acerca do instituto, porquanto indevidamente importado da tradição francesa de
contencioso administrativo como conflito de jurisdição, nos termos do CPC/1939 (LGL\1939\3). Conforme Cretella
Jr.72, enquanto o conflito de competência é matéria processual, tratada longamente nos códigos processuais – o que
se mantém no atual –, o conflito de atribuição é matéria de direito administrativo, por isso sucintamente abordado
no(s) CPC (LGL\2015\1656)(s).
Esses conflitos de atribuição configuram conflitos de atribuição externos, pese a aparente repetição, entre órgãos
diversos que se consideram simultaneamente competentes ou incompetentes para o ato administrativo. Havendo
conflito de atribuição interno, dentro de um mesmo órgão administrativo, a solução se dá pela hierarquia própria da
Administração Pública.

O instituto é controverso desde sua origem.73 Por longo tempo, o STF entendeu o oposto do que se verifica
atualmente. Conforme destaca Arnoldo Wald74, a Corte somente admitia configurado o conflito de atribuição se o
magistrado, no exercício da jurisdição, divergisse de autoridade administrativa sobre a competência para certo ato. Até
a Constituição de 1967, entendia-se que conflitos administrativos entre os Poderes não seriam passiveis de conflito de
atribuição, senão de ações de inconstitucionalidade, mandado de segurança ou ação popular.
Os conflitos de atribuição são raros — dizia o Min. Orozimbo Nonato, citado tanto por Wald quanto por Cretella Jr., tão
raros, excêntricos e exóticos que quase inexistentes. Atualmente, em geral, são reconhecidos apenas quando dois
órgãos do Ministério Público de ramos ou estados diversos se reconhecem com atribuição para o mesmo feito e antes
que o judiciário se manifeste (hipótese em que pode passar a haver conflito de competência).75
Internamente aos estados ou ramos, os conflitos são resolvidos pelos respectivos procuradores-gerais ou câmaras de
controle e revisão, conforme as leis orgânicas dos MPs e do MPU.
O STF se reconhecia competente para julgar conflitos de atribuição entre MP estadual e federal. Tal competência
decorreria de: i) precedente que afirma que, no silêncio da Constituição sobre competência, ela é do próprio STF; e ii)
da existência de conflito federativo na hipótese (CF (LGL\1988\3), art. 102, I, f).76
Posteriormente, restringiu-se também essa possibilidade de judicialização do conflito de atribuições, com o
reconhecimento da competência do Procurador-Geral da República, na condição de representante não do MPU, mas
como órgão nacional do Ministério Público em geral, para dirimir os conflitos entre órgãos distintos do MP.77
Mais recentemente, em caso em que o próprio MPU era interessado, decidiu o Supremo ser mais adequado e
conforme a Constituição conferir-se ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) a solução de tais disputas
(entre MPs de estados diferentes ou entre MP estadual e da União), sendo de sua competência a solução,
atualmente.78 Ressalva-se que a decisão dos órgãos internos do MP, inclusive do CNMP, é administrativa (conflito de
atribuição interno), não vinculando o Poder Judiciário79.
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7. Legislação
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Regimento interno do Superior Tribunal de Justiça. Brasília: STJ, 2023.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Regimento interno. Brasília: STF, 2023.

1 .O conflito de jurisdição é também um conflito de competências, uma vez que a competência integra a jurisdição. O
genuíno conflito de jurisdição, possível nas nações de tradição de Jurisdição Administrativa ou Contencioso
Administrativo não se mostra mais possível no Brasil. Ver nesse sentido nota 73 deste artigo e ARAGÃO, J.
Guilherme. Dualidade e unidade de jurisdição no Brasil. Revista do Serviço Público, v. 66(1), p. 126-137, 1955.

2 .CARNEIRO, Athos Gusmão. Jurisdição e competência, 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1991. p. 106, item n. 115.

3 .Art. 66 do CPC/2015 (LGL\2015\1656), equivalente ao art. 115 do CPC/1973 (LGL\1973\5). STJ. AgInt no CC
(LGL\2002\400) 153.533/RS, 1ª Seção, rel. Min. Gurgel de Faria, j. 11.04.2018, DJe 09.05.2018. Veja-se, também, o
art. 55, § 3º, do CPC/2015 (LGL\2015\1656), introdutor de nova regra de reunião de processos, qual seja, aqueles
que, mesmo não sendo conexos ou continentes, apresentem risco de decisões colidentes, desde que por
conveniência dos juízos e em caso de competência relativa. STJ. CC (LGL\2002\400) 172.824/ES, 1ª Seção, rel. Min.
Francisco Falcão, j. 24.11.2021, DJe 01.02.2022; STJ. AgInt nos EDcl no CC (LGL\2002\400) 167.981/PR, 2ª Seção,
rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 23.02.2022, DJe 03.03.2022.

4 .STJ. AgInt no CC (LGL\2002\400) 180.094/DF, 1ª Seção, rel. Min. Francisco Falcão, j. 28.06.2022, DJe 01.07.2022.

5 .Art. 66, parágrafo único, do CPC/2015 (LGL\2015\1656), sem equivalente no CPC/1973 (LGL\1973\5).

6 .STF. AgR em CC (LGL\2002\400) 7778, Tribunal Pleno, rel. Min. Cármen Lúcia, j. 19.12.2012, DJe 14.03.2013; STF.
QO no CC (LGL\2002\400) 7094, Tribunal Pleno, rel. Min. Sepúlveda pertence, j. 09.03.2000, DJ 04.05.2001; STJ. Rcl
17.995/MG, 3ª Seção, rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador convocado do TJSP), j. 26.11.2014,
DJe 15.12.2014.

7 .STF. AgR em CC (LGL\2002\400) 8299, Tribunal Pleno, rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 19.06.2023, DJe
27.06.2023.

8 .STJ. CC (LGL\2002\400) 32.445/RS, 1ª Seção, rel. Min. Luiz Fux, j. 27.02.2002, DJ 25.03.2002, p. 167.

9 .STJ. AgInt no CC (LGL\2002\400) 170.805/SP, 2ª Seção, rel. Min. Moura Ribeiro, j. 20.10.2020, DJe 23.10.2020.

10 .STJ. AgInt no CC (LGL\2002\400) 158.001/SP, 2ª Seção, rel. Min. Moura Ribeiro, j. 05.05.2020, DJe 07.05.2020.

11 .“Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo,
da União, suas autarquias ou empresas públicas.” (STJ. Corte Especial, j. 07.02.1996, DJ 13.02.1996, p. 2608).

12 .“A decisão do Juízo Federal que exclui da relação processual ente federal não pode ser reexaminada no Juízo
Estadual.” (STJ. Corte Especial, j. 01.08.2001, DJ 22.08.2001, p. 338).

13 .“Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o Juiz Estadual a declinar da competência, deve o Juiz
Federal restituir os autos e não suscitar conflito.” (STJ. Corte Especial, j. 02.08.1999, DJ 25.08.1999, p. 31).

14 .STJ. CC (LGL\2002\400) 187.276/RS, 1ª Seção, rel. Min. Gurgel de Faria, j. 12.04.2023, DJe 18.04.2023.
15 .Súm. 59/STJ: “Não há conflito de competência se já existe sentença com trânsito em julgado, proferida por um dos
juízos conflitantes.” (STJ. Corte Especial, j. 08.10.1992, DJ 14.10.1992, p. 17850).

16 .STF. AgR em CC (LGL\2002\400) 7972, Tribunal Pleno, rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 21.08.2017, DJe
28.08.2017.

17 .STJ. CC (LGL\2002\400) 181.190/AC, 2ª Seção, rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 30.11.2021, DJe 07.12.2021.

18 .Art. 951 do CPC/2015 (LGL\2015\1656), equivalente ao art. 116 do CPC/1973 (LGL\1973\5).

19 .Art. 952 do CPC/2015 (LGL\2015\1656), equivalente ao art. 117 do CPC/1973 (LGL\1973\5).

20 .STJ. AgInt nos EDcl no CC (LGL\2002\400) 156.994/SP, 2ª Seção, rel. Min. Raul Araújo, rel. p/ o acórdão Min. Luis
Felipe Salomão, j. 10.10.2018, DJe 20.11.2018.

21 .Art. 953 do CPC/2015 (LGL\2015\1656), equivalente ao art. 118 do CPC/1973 (LGL\1973\5). Tartuce e outros
(2023) registram caso em que o Tribunal de Justiça não conheceu do conflito porque o juízo remeteu os autos
integrais à Corte (TJRS, CC (LGL\2002\400) 70082015579, j. 12.07.2019, DJe 23.07.2019).

22 .RISTJ (LGL\1989\44), art. 193. RISTF (LGL\1980\17), art. 165.

23 .STJ. CC (LGL\2002\400) 153.145/GO, 1ª Seção, rel. Min. Herman Benjamin, j. 28.02.2018, DJe 02.08.2018; STJ.
AgInt nos EDcl no CC (LGL\2002\400) 179.506/PR, 1ª Seção, rel. Min. Herman Benjamin, j. 31.08.2021, DJe
13.10.2021; STJ. CC (LGL\2002\400) 113.284/DF, 2ª Seção, rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 24.11.2010, DJe
01.12.2010; STJ. AgInt no CC (LGL\2002\400) 175.582/PE, 2ª Seção, rel. Min. Maria Isabel Gallotti, j. 18.08.2021,
DJe 20.08.2021.

24 .Se o conflito foi suscitado por juiz, o CPC (LGL\2015\1656) supõe que este prestou as informações necessárias,
mas nada impede que o relator requisite complementações. De igual modo, não há vedação à dispensa de
informações pelo suscitado se o conflito estiver suficientemente instruído pelo suscitante. Art. 954 do CPC/2015
(LGL\2015\1656), equivalente ao art. 119 do CPC/1973 (LGL\1973\5).

25 .STJ. AgInt no CC (LGL\2002\400) 173.569/SP, 2ª Seção, rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 10.02.2021, DJe
18.02.2021.

26 .Notadamente, arts. 6º, 7º,9º e 10 do CPC/2015 (LGL\2015\1656).

27 .STJ. AgRg no CC (LGL\2002\400) 109.541/PE, 2ª Seção, rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 23.03.2011, DJe
12.04.2011; STJ. AgRg no CC (LGL\2002\400) 150.024/DF, 3ª Seção, rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro,
j. 25.10.2017, DJe 13.11.2017.

28 .Art. 955 do CPC/2015 (LGL\2015\1656), equivalente ao art. 120 do CPC/1973 (LGL\1973\5), art. 166 do RISTF
(LGL\1980\17) e art. 196 do RISTJ (LGL\1989\44).

29 .Art. 956 do CPC/2015 (LGL\2015\1656), equivalente aos arts. 121 do CPC/1973 (LGL\1973\5), 198 do RISTJ
(LGL\1989\44) e 168 do RISTF (LGL\1980\17). O regimento do STJ dá 15 dias para o parecer do MPF.

30 .Art. 951, parágrafo único do CPC/2015 (LGL\2015\1656), equivalente ao art. 116, parágrafo único do CPC/1973
(LGL\1973\5).

31 .Art. 955, parágrafo único, do CPC/2015 (LGL\2015\1656), equivalente ao art. 120, parágrafo único, do CPC/1973
(LGL\1973\5).

32 .STJ. AgInt no CC (LGL\2002\400) 171.855/MS, 2ª Seção, rel. Min. Nancy Andrighi, j. 18.08.2020, DJe 21.08.2020.
33 .STJ. AgInt no CC (LGL\2002\400) 179.360/MG, 2ª Seção, rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 29.06.2021, DJe
01.07.2021; STJ. AgInt no AgInt no CC (LGL\2002\400) 145.691/SP, 2ª Seção, rel. Min. Moura Ribeiro, j. 11.09.2019,
DJe 18.09.2019. A Súm. 568/STJ tem diversos problemas de legitimidade e legalidade. Confira-se, a seu respeito:
PINTO, Murilo. Stare decisis à brasileira: a política pública jurisprudencial de estabilização do direito pela
inadmissibilidade do recurso especial. Dissertação (Mestrado em Direito e Políticas Públicas). Brasília: CEUB, 2021.

34 .Súm. 236: “Não compete ao Superior Tribunal de Justiça dirimir conflitos de competência entre juízes trabalhistas
vinculados a Tribunais Regionais do Trabalho diversos.” (STJ. 2ª Seção, j. 22.03.2000, DJ 14.04.2000, p. 107). Os
arts. 2º, I, e e 3º, I, b, da Lei 7.701/1988 (LGL\1988\27) regulam a competência interna das seções do TST para julgar
conflitos entre TRTs e juízes trabalhistas.

35 .“Na lide trabalhista, compete ao Tribunal Regional do Trabalho dirimir conflito de competência verificado, na
respectiva região, entre juiz estadual e junta de conciliação e julgamento.” (STJ. Corte Especial, j. 05.02.1997, DJ
17.02.1997, p. 2231).

36 .“Compete ao Tribunal Regional Federal dirimir conflito de competência verificado, na respectiva região, entre juiz
federal e juiz estadual investido de jurisdição federal.” (STJ. 1ª Seção, j. 08.05.1990, DJ 18.05.1990, p. 4359).

37 .MENDES, Aluisio Gonçalves de Castro. Competência cível da justiça federal. São Paulo: Ed. RT, 1998. p. 141,
item n. 9.1.3. Vide também a nota n. 36 neste artigo.

38 .CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do
processo. 20. ed. São Paulo: Malheiros, 2004. p. 232-233, item n. 139. Da mesma forma: CARVALHO, Milton Paulo.
Manual da competência civil. São Paulo: Saraiva, 1995. p. 7-9, item n. 2.

39 .STJ. CC (LGL\2002\400) 98.057/AL, 1ª Seção, rel. Min. Teori Albino Zavascki, j. 08.10.2008, DJe 20.10.2008;
Súm. 348/STJ: “Compete ao Superior Tribunal de Justiça decidir os conflitos de competência entre juizado especial
federal e juízo federal, ainda que da mesma seção judiciária.” Corte Especial, j. 04.06.2008, DJe 09.06.2008,
cancelada em 17.03.2010, DJe 23.03.2010.

40 .STJ. AgInt na Rcl 34.197/SC, 2ª Seção, rel. Min. Maria Isabel Gallotti, j. 22.08.2018, DJe 29.08.2018; STF.
RE 590.409, Tribunal Pleno, rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 26.08.2009, Repercussão geral – Mérito, DJe
29.10.2009; Súm. 428/STJ: “Compete ao Tribunal Regional Federal decidir os conflitos de competência entre juizado
especial federal e juízo federal da mesma seção judiciária.” STJ. Corte Especial, j. 17.03.2010, DJe 13.05.2010.

41 .Súm. 690/STF. “Compete originariamente ao Supremo Tribunal Federal o julgamento de habeas corpus contra
decisão de Turma Recursal de Juizados Especiais Criminais”. STF. Plenário, j. 24.09.2003, DJ 13.10.2003.

42 .STF. HC 86.834, Tribunal Pleno, rel. Min. Marco Aurélio, j. 23.08.2006, DJ 09.03.2007; STF. RE 590.409, Tribunal
Pleno, rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 26.08.2009, Repercussão geral – Mérito, DJe 29.10.2009.

43 .STJ. CC (LGL\2002\400) 184.495/SP, 2ª Seção, rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 22.06.2022, DJe
01.07.2022.

44 .STJ. EDcl no CC (LGL\2002\400) 185.702/DF, 2ª Seção, rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 26.04.2023, DJe
02.05.2023.

45 .Art. 956 do CPC/2015 (LGL\2015\1656), equivalente ao art. 122 do CPC/1973 (LGL\1973\5).

46 .STJ. CC (LGL\2002\400) 177.866/MT, 1ª Seção, rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 14.09.2022, DJe 18.10.2022.

47 .STJ. CC (LGL\2002\400) 172.824/ES, 1ª Seção, rel. Min. Francisco Falcão, j. 24.11.2021, DJe 01.02.2022.

48 .STJ. EDcl no CC (LGL\2002\400) 151.702/DF, decisão monocrática, rel. Min. Mauro Campbell Marques,
j. 16.08.2017, DJe 18.08.2017.
49 .“Compete ao juízo onde primeiro for intentada a ação envolvendo acumulação de pedidos, trabalhista e
estatutário, decidi-la nos limites da sua jurisdição, sem prejuízo do ajuizamento de nova causa, com o pedido
remanescente, no juízo próprio”. STJ. 3ª Seção, j. 23.10.1996, DJ 31.10.1996, p. 42124.

50 .STJ. CC (LGL\2002\400) 146.213/DF, 1ª Seção, rel. p/ o acórdão Min. Mauro Campbell Marques, j. 13.06.2018,
DJe 28.08.2018.

51 .STJ. CC (LGL\2002\400) 197.434/SP, 2ª Seção, rel. Min. Moura Ribeiro, j. 05.10.2023, DJe 10.10.2023; STJ. CC
(LGL\2002\400) 199.799/PR, 3ª Seção, rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 17.10.2023, DJe 20.10.2023.

52 .STJ. Rcl 7.230/RN, 1ª Seção, rel. Min. Gurgel de Faria, j. 26.10.2016, DJe 29.11.2016.

53 .STJ. CC (LGL\2002\400) 171.987/SP, 1ª Seção, rel. Min. Herman Benjamin, j. 26.05.2021, DJe 01.07.2021.

54 .STJ. CC (LGL\2002\400) 147.784, rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 03.10.2016; STJ. CC
(LGL\2002\400) 154.569, rel. Min. Regina Helena Costa, DJe 25.09.2017.

55 .STJ. AgInt no CC (LGL\2002\400) 147.784/PR, 1ª Seção, rel. Min. Mauro Campbell Marques, rel. p/ o acórdão Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, j. 25.10.2017, DJe 02.02.2018.

56 .Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas, disciplinado nos arts. 976 a 987 do CPC/2015
(LGL\2015\1656).

57 .Embora possível nos processos originários ou recursais ordinários (AgInt na Pet 11.838/MS, Corte Especial, rel.
Min. Laurita Vaz, rel. p/ o acórdão Min. João Otávio de Noronha, j. 07.08.2019, DJe 10.09.2019), até hoje o Tribunal
não processou nenhum caso como IRDR.

58 .Incidente de Assunção de Competência, disciplinado no art. 947 do CPC/2015 (LGL\2015\1656).

59 .“O procedimento dos recursos extraordinários e especiais repetitivos aplica-se por analogia às causas repetitivas
de competência originária dos tribunais superiores, como a reclamação e o conflito de competência”.

60 .STJ. AgInt na Rcl 44.623/SC, 1ª Seção, rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 31.10.2023, DJe 06.11.2023; AgInt nos
EDcl no CC (LGL\2002\400) 189.337/PR, 1ª Seção, rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, , j. 29.08.2023, DJe
01.09.2023.

61 .Art. 1.021 do CPC/2015 (LGL\2015\1656).

62 .Art. 1.043 do CPC/2015 (LGL\2015\1656). O STJ e o STF já tinham essa compreensão sob o CPC/1973
(LGL\1973\5) com base em seus regimentos (arts. 266 do RISTJ (LGL\1989\44) e 16 da Emenda Regimental de
16.03.1977, atual art. 330 do RISTF (LGL\1980\17)). (STJ. AgRg no CC (LGL\2002\400) 33.050/MG, 1ª Seção, rel.
Min. Eliana Calmon, j. 27.11.2002, DJ 17.03.2003; STF. AgR em CJ 3.969, Tribunal Pleno, rel. Min. Djaci Falcão,
j. 07.10.1970, DJ 18.12.1970).

63 .Art. 1.043, § 1º, do CPC/2015 (LGL\2015\1656).

64 .STJ. AgInt nos EREsp 1.684.586/RS, 2ª Seção, rel. Min. Humberto Martins, , j.15.08.2023, DJe 18.08.2023.

65 .Art. 958 do CPC/2015 (LGL\2015\1656), equivalente ao art. 121 do CPC/1973 (LGL\1973\5).

66 .É das seções, também, a competência interna para julgamento dos conflitos externos de competência, discutidos
anteriormente.

67 .STJ. AgInt nos EREsp 1.678.883/DF, Corte Especial, rel. Min. Nancy Andrighi, j. 18.05.2022, DJe 14.06.2022.
68 .Súm. 33/STJ: “A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício.” Corte Especial, j. 24.10.1991, DJ
29.10.1991, p. 15312.

69 .Art. 959 do CPC/2015 (LGL\2015\1656), equivalente ao art. 121 do CPC/1973 (LGL\1973\5).

70 .STJ. CAt 90/DF, 1ª Seção, rel. Min. Garcia Vieira, j. 09.02.2000, DJ 29.05.2000, p. 106; STJ. CAt 65/AL, 1ª Seção,
rel. Min. Humberto Gomes de Barros, j. 14.04.1999, DJ 10.05.1999, p. 96; STJ. CAt 297/MG, 1ª Seção, rel. Min.
Herman Benjamin, j. 12.06.2019, DJe 01.07.2019; STJ. CAt 195/BA, 3ª Seção, rel. Min. Arnaldo Esteves Lima,
j. 23.06.2008, DJe 04.02.2009.

71 .STJ. CAt 51/DF, 2ª Seção, rel. Min. Massami Ueda, j. 11.11.2009, DJe 23.11.2009.

72 .CRETELLA JR., José. Do conflito de atribuição no Código de Processo Civil brasileiro. Revista de Processo, v. 7,
n. 25, p. 39-50, jan.-mar. 1982.

73 .Registra-se desde o Império o debate sobre a adequação da doutrina francesa para discutir a matéria, bem como
tratar-se de conflito entre autoridade judiciária e administrativa. XAVIER, João Theodoro. Conflicto de attribuições. O
Direito, v. 9, anno IV, p. 203-211, 1876. À época, porém, havia dualidade de jurisdição (administrativa e judicial),
somente suprimida pelo advento da República. CUNHA, Márcio. Apontamentos sobre jurisdição administrativa e o
Conselho de Estado do Brasil-Império. DPU, n. 50, p. 167-185, mar.-abr./2013. Disponível em: [https://
[Link]/direitopublico/article/view/2245]. Acesso em: 14.02.2024.

74 .WALD, Arnoldo. O conflito de atribuições (CA), a ação civil pública (ACP) e o controle constitucional das políticas
públicas. Revista do Ministério Público, n. 45, p. 3-10, jul./set. 2012.

75 .No campo penal, caso o MP se reconheça incompetente e esse entendimento não seja acolhido pelo juízo, haverá
arquivamento indireto da ação, sujeito ao rito do art. 28 do CPP (LGL\1941\8) (STJ. CAt 225/MG, 3ª Seção, rel. Min.
Arnaldo Esteves Lima, j. 09.09.2009, DJe 08.10.2009).

76 .STF. Pet 3.528, Tribunal Pleno, rel. Min. Marco Aurélio, j. 28.09.2005; STJ. CAt 169/RJ, 3ª Seção, rel. Min. Laurita
Vaz, rel. p/ o acórdão Min. Hélio Quaglia Barbosa, j. 23.11.2005, DJ 13.03.2006, p. 177.

77 .STF. ACO 924/PR. Tribunal Pleno, rel. Min. Luiz Fux, j. 19.05.2016.

78 .STF. ACO 843/SP. Redator p/ o acórdão Min. Alexandre de Moraes, j. 08.06.2020, DJe 04.11.2020.

79 .DIZER O DIREITO. Conflito de atribuições entre MPF e MPE deve ser dirimido pelo CNMP. Dizer o Direito,
09.06.2020. Disponível em: [[Link]
Acesso em: 14.02.2024.

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