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Traumatismo Cranioencefálico: Causas e Efeitos

O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma lesão causada por força externa que afeta o crânio, meninges e cérebro, resultando em alterações de consciência e possíveis deficiências cognitivas e motoras. As principais causas incluem acidentes de trabalho, quedas e esportes, com uma alta incidência em jovens do sexo masculino. O tratamento envolve a reabilitação física e neurológica para restaurar funções motoras e sensoriais, além de prevenir complicações secundárias.

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Suellen Mariano
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Traumatismo Cranioencefálico: Causas e Efeitos

O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma lesão causada por força externa que afeta o crânio, meninges e cérebro, resultando em alterações de consciência e possíveis deficiências cognitivas e motoras. As principais causas incluem acidentes de trabalho, quedas e esportes, com uma alta incidência em jovens do sexo masculino. O tratamento envolve a reabilitação física e neurológica para restaurar funções motoras e sensoriais, além de prevenir complicações secundárias.

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Traumatismo Cranioencefálico

Prof: Marina Calvo Zebendo


TCE
• Agressão de ordem traumática que ocasione uma lesão
anatômica ou comprometimento funcional do couro
cabeludo, crânio, meninges, encéfalo ou seus vasos é
caracterizada como um traumatismo cranioencefálico
(TCE).
• Insulto para o cérebro, gerado por uma força física
externa, que pode produzir um estado diminuído ou
alterado de consciência, a qual pode resultar em
deficiência da capacidade cognitiva, do funcionamento
físico, distúrbios comportamentais e emocionais.
Corresponde a cerca de 10% das mortes, atingindo entre 1,5 e 2
milhões de casos por ano nos EUA, com pico entre 14 e 24 anos de
idade e predomínio no sexo masculino.
As principais causas são os acidentes de trabalho e domésticos,
acidentes no esporte e lazer (altas velocidades e grandes alturas), e na
infância, as principais causas são as quedas.
Os efeitos e repercussões no indivíduo dependem da forma do objeto,
da força do impacto e se a cabeça se encontra em movimento ou não
durante o trauma.
Pode existir dano cerebral grave sem lesão externa detectável e lesão
externa grave sem injúria ao tecido cerebral.
Estágios Pós- Trauma

Dano Primário Dano Secundário


• Ocorre no momento do • Ocorre no momento do
trauma cerebral, com ação trauma, mas a clínica visível
mecânica agindo acontece após intervalo de
diretamente nos neurônios, tempo (de horas a semanas),
vasos sanguíneos e nas sendo resultado de
células da glia, podendo ser processos inflamatórios,
uma laceração da pele ou do neuroquímicos e metabólicos,
tecido encefálico, fraturas ou como a hipertensão
contusões. intracraniana, quadros de
isquemia, edema ou infecção.
Mecanismo de trauma- deslocamento ao
impacto Aceleração, desaceleração e
Golpe e contragolpe rotação

• O tecido encefálico colide com • Pode ocorrer o mesmo que no


a calota craniana (golpe), e na golpe e contragolpe, porém em
sequência, acontece um novo velocidades mais importantes,
golpe (contragolpe). Isso ocorre movimentando de modo
quando o crânio está em expressivo o encéfalo dentro da
movimento e, no momento do calota craniana, sendo
trauma, o tecido tende a se necessário que as estruturas
manter em movimento retilíneo realizem rotações a fim de
uniforme, ocasionando os frearem o movimento.
mecanismos de golpe.
• Além dos mecanismos de
trauma, as lesões também
podem ocorrer devido às
fraturas, podendo ser
classificadas como abertas ou
fechadas, lineares ou
cominutivas, que na maioria dos
casos podem ser culpadas pela
formação de coleções
sanguíneas, conhecidas como
hematomas cerebrais, que
serão mais bem explorados no
tópico posterior sobre lesões
focais.
Os aspectos clínicos envolvem
alterações do nível de consciência,
Também são frequentes as
tais como sonolência, cefaleia e
alterações respiratórias, com
confusão, podendo chegar ao coma,
impactos no ritmo e padrão
além de funções motoras,
respiratório.
sensoriais e autonômicas
comprometidas.
• O paciente é classificado em relação
à gravidade, que leva em conta o nível
de consciência encontrado.
• Escala de coma de Glasgow: avalia a
abertura ocular, resposta verbal e
Classificação motora do indivíduo, com uma
pontuação que varia de 3 a 15 pontos,
quanto ao estado e quanto maior a pontuação, melhor é
o estado de consciência do paciente.
de consciência
• Leve - entre 13-15 pontos
• Moderado – entre 9 e 12 pontos
• Grave – entre 3 e 8 pontos

❖ estabelecer o prognóstico do
paciente
Lesões encefálicas focais após TCE

• Lesões primárias - Imediato ao mecanismo do trauma, de acordo


com a biomecânica do trauma, decorrente, portanto, da ação da força
agressora.
• Essas lesões podem envolver dano ao couro cabeludo, às estruturas
ósseas e às meninges, sendo a dura-máter a principal meninge
acometida, além de agravos ao parênquima cerebral, como as contusões,
lacerações e lesões difusas. Também podem ocorrer danos aos pares de
nervos encefálicos, que emergem a nível do tronco encefálico.
• Lesões secundárias- envolvem as complicações após as
alterações estruturais decorrentes da lesão primária e das
alterações sistêmicas decorrentes do traumatismo.
• Podem ocorrer quadros de hemorragia meníngea, hipertensão
intracraniana (devido aumento da massa encefálica, aumento do
volume e pressão por acúmulo de líquor ou sangue), hérnias
cerebrais (devido ao aumento da pressão intracraniana, podem
comprimir o tronco encefálico e levar o paciente ao óbito), lesões
isquêmicas, hidrocefalia e infecções.
• Também podem ocorrer os casos de higroma, quando há retenção
liquórica pela obstrução do trânsito do líquor devido ao trauma,
as fístulas liquóricas que levam a um vazamento de líquor pela
cavidade nasal ou devido à cirurgia, além do swelling, que pode ser
encontrado ao redor da lesão onde há congestão vascular e estase
venosa (redução do fluxo sanguíneo).
• Tipos de lesões secundárias
• Hematomas - podem surgir após o
trauma
• As meninges são membranas
conjuntivas que envolvem o sistema
nervoso central
• Dura – mater- camada +
externa e + espessa
• Aracnoide – camada mediana
• Pia – mater – camada interna
Dura- mater

• Meninge mais superficial, espessa e resistente, formada por tecido


conjuntivo rico em fibras colágenas, contendo vasos e nervos, e seu
folheto mais externo, a nível do crânio, adere intimamente à tábua
óssea, comportando-se como periósteo desses ossos, e sua principal
vascularização se dá pela artéria meníngea média, fato que faz com
que, após lesões traumáticas nessa região, possa ocorrer o acúmulo
de sangue, com consequente formação de hematomas que se
expandem rapidamente, podendo ser fatais.
• O hematoma extradural, também chamado de epidural, localiza-
se entre a calota craniana e a dura-máter, sendo considerado o
mais grave dos hematomas, presente em 10% dos traumas
graves de crânio.
• associado a fraturas que laceram algumas artérias, como a
artéria meníngea média, de grosso calibre, e que, portanto,
oferece intenso fluxo sanguíneo para essa região.
• capaz de aumentar rapidamente a pressão intracraniana, devido
a sua formação de modo compressivo aos tecidos cerebrais, em
formato biconvexo e hiperdenso, favorecendo a descida da
massa encefálica, por diferença de pressão, comprimindo as
tonsilas cerebelares na altura do tronco encefálico e levando à
compressão dessa estrutura, que possui o centro
cardiorrespiratório, levando o indivíduo ao óbito.
• O hematoma subdural - menos agressivo,
havendo a coleção de sangue entre a dura-máter
e a aracnoide,
• rotura de veias conectoras do sistema venoso
cerebral, o fluxo sanguíneo é menor, formando-se
de maneira mais lenta quando comparado ao
hematoma epidural.
• Ele apresenta aspecto côncavo-convexo, em
caráter laminar, e pode ser agudo ou crônico,
quando há a apresentação tardia de, pelo menos,
20 horas após o trauma .
• Concussões • Lesão axonal difusa
• Podem ser leves, com • Ocorre o estiramento
preservação do nível de dos neurônios em
consciência, ou decorrência de
clássicas, quando há a movimentos súbitos de
perda da consciência de aceleração,
modo transitório. desaceleração e rotação,
alterando o nível de
• Trata-se de um trauma consciência já no
fechado e sem lesão momento do trauma.
estrutural do encéfalo.
• É comum o coma pós-
• Leva a uma alteração traumático prolongado,
temporária da função não resultante de lesão
cerebral, que tende a se isquêmica ou de massa.
resolver em 24 horas. Esse estado comatoso
Normalmente, persiste
acompanha bradicardia, obrigatoriamente por
hipotensão arterial, mais de 6 horas e, se
perda da consciência, perdurar por mais de 24
amnésia e letargia horas, é indicativo de
temporária. mau prognóstico e indica
sinais de envolvimento
• Além do quadro clínico, os objetivos e o tratamento para o
paciente com TCE são semelhantes aos objetivos de lesões
encefálicas
• O paciente pode apresentar como quadro clínico:
• Alteração do nível de consciência
Fisioterapia • Aumento da pressão intracraniana
no TCE • Alterações motoras e sensitivas
• Alterações reflexas
• Alterações de tônus muscular
• Alterações de comportamento (lobo frontal)
• Alterações do ritmo e padrão respiratório.
• Os distúrbios associados, de acordo com a área que sofreu a
injúria: afasias, apraxias, lesão dos nervos encefálicos,
alteração dos campos visuais, alterações auditivas e a
paralisia facial do tipo central.
Objetivos do tratamento fisioterapêutico
pós-TCE

• Prevenção da instalação desse padrão patológico


• que deve ser realizado por meio das mobilizações passivas e dos
alongamentos, além de exercícios que envolvam a tomada e transferência de
peso, associados aos estímulos sensoriais para a normalização do tônus
muscular e diminuição das respostas reflexas, o que favorece o treino de
motricidade voluntária nos padrões normais de movimento e contribui para o
ganho de amplitude de movimento ou manutenção da integridade articular.
• O treino de motricidade envolve basicamente cinesioterapia, com exercícios
assistidos, ativo-assistidos ou resistidos....
• Reforçar que o estímulo às reações de equilíbrio, ao alinhamento
corporal e à simetria é essencial e é a chave da reabilitação do
paciente neurológico, especialmente nos casos de hemiplegia, pois
as alterações posturais impactam nas atividades funcionais do
paciente, tais como as funções manuais, transições posturais e
marcha.
• Reeducação da marcha, treino de coordenação motora, motricidade
fina, reestabelecer a independência funcional.
Medula Espinhal

Traumatismo Raquimedular

Prof: Marina Calvo Zebendo


Medula espinhal
• Estrutura composta por tecido nervoso.
• Localiza-se dentro do canal vertebral.
• Sua porção superior é a continuação do
bulbo, localizado a nível do forame magno
do osso occipital, e sua porção inferior, no
indivíduo adulto, se localiza entre a 1ª e 2ª
vértebras lombares.
• Num corte transversal de qualquer porção da
medula, é possível observar a substância cinzenta
disposta centralmente e a substância branca
localizada perifericamente.
• Substância cinzenta é formada, principalmente, por
corpos celulares, e a branca é constituída por fibras
mielinizadas, que sobem e descem na medula e
constituem os vários tratos de fibras.
• As principais vias que apresentam trajeto
descendente se originam no córtex cerebral ou no
tronco encefálico, e terminam na medula espinhal,
realizando sinapse com os 2º moto neurônio, que
são as vias piramidais: os tratos córtico-
espinhal anterior e córtico-espinhal lateral,
responsáveis por transmitir informações motora.
• As vias ascendentes da medula, que
levam impulsos aferentes de várias partes
do corpo, as informações sensitivas.
• Fibras que conduzem impulsos nervosos
relacionados com a propriocepção
consciente (sensação da posição e do
movimento da articulação), o tato
discriminativo, a sensibilidade vibratória e
a estereognosia (capacidade de perceber
com as mãos a forma e tamanho de um
objeto), além de informações como tato,
pressão, dor e temperatura.
• Após lesão na medula espinhal, o indivíduo
pode apresentar perda da função motora e/
ou sensitiva e/ou autonômica abaixo do
nível da lesão.
• pode ser uma lesão parcial ou total.
• as principais causas: lesões traumáticas,
TRM- lesão processos inflamatórios, degenerativos e
medular compressivos, além das alterações
congênitas.
• maior prevalência das lesões medulares se
relaciona com os traumas ou agressões,
após acidentes de trânsito, ferimento com
arma branca ou de fogo, mergulho em
piscina rasa, quedas e esportes.
Diagnóstico
• Anamnese e história clínica,
• exame neurológico e exames
de imagem,
• o prognóstico depende do
nível e extensão da lesão,
além da reabilitação.
• Presente desde o momento da lesão,
• Funções e atividades abaixo do nível
da lesão se encontram diminuídas,
podendo ser encontradas plegia,

Fase de choque anestesia, hipotonia e arreflexia.


• Ocorre perda de influência de
medular estruturas superiores, uma vez que
todos os estímulos abaixo da lesão
são cessados, a fim de facilitar a
reorganização e recuperação das
estruturas comprometidas.
• Pode durar de dias a meses
• a medula espinhal recupera sua função independente
• a perda da inibição suprassegmentar, que acontece
após a lesão, faz com que as funções abaixo do nível
da lesão retornem, expressando-se em forma de
espasticidade, que envolve hipertonia, hiperreflexia e
presença de clônus.
Fase de • O quadro clínico dos pacientes envolve
automatismo • plegia ou paresia, hipotrofia ou atrofia muscular,
hipotonia (fase de choque), que pode evoluir
medular para hipertonia (fase de automatismo),
• arreflexia ou hiporreflexia (fase de choque), que
pode evoluir para a hiperreflexia (fase de
automatismo) superficial e profunda,
• anestesia ou hipoestesia superficial ou profunda,
alterações de sistema nervoso autônomo, perda
do controle esfincteriano, diminuição da
capacidade respiratória e disfunção sexual.
• Contraturas e deformidades dos membros e
coluna vertebral
• Alterações pulmonares
• Ulceras de decúbito
• Osteoporose
Complicações • Distúrbios venosos
• Alterações de termorregulação (não ocorrendo a
vasodilatação, em resposta ao calor, e tampouco
a vasoconstricção, em resposta ao frio)
• Alterações do aparelho urinário
Bexiga neurogênica espástica ou Bexiga neurogênica flácida ou
reflexa autonômica

• Decorrente de lesão acima • Decorrente de lesão abaixo


do arco reflexo da micção. do arco reflexo da micção.
• lesão da medula espinal • lesão da medula espinal no
acima de T12 nível de S2 a S4
• perda involuntária de urina. • incapaz de contrair-se
• o volume é tipicamente voluntariamente
normal ou pequeno e • o volume é grande, a
ocorrem contrações pressão é baixa
involuntárias
• Diagnóstico fisioterapêutico, realizado após minuciosa
avaliação física
• Tipo de lesão (completa ou incompleta)
• Nível neurológico, ou nível da lesão, que apresenta
grande impacto no processo de reabilitação.
Atuação • Tetraplegia ou paresia – acima de C7
fisioterapêutic • Paraplegia ou paresia – torácico, lombar ou sacral
a na lesão • O fisioterapeuta é o profissional que apresenta o
conhecimento de toda a musculatura íntegra, ou seja,
medular preservada, e de todas as capacidades e
potencialidades ligadas à independência funcional que o
paciente apresenta após uma lesão medular, de acordo
com cada um dos níveis medulares (cervicais, torácicos,
lombares e sacrais) e, portanto, a partir do diagnóstico
fisioterápico bem estabelecido, o planejamento acerca
das estratégias de tratamento será mais bem elaborado
e desenvolvido
• Adequação do tônus muscular
• Manutenção ou ganho de amplitude de
movimento
• Ganho de força muscular
• Controle postural e equilíbrio
• Promoção do ortostatismo
Objetivos • Treino de marcha
• Prescrição da cadeira de rodas ideal e da
órtese mais adequada
• Estimular o retorno social e laboral do
paciente, além de realizar treinamento
familiar e promover qualidade de vida.

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