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Integração da Resiliência Climática em Moçambique

A estratégia da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) visa integrar a resiliência climática e a gestão do risco de desastres nos programas de desenvolvimento em Moçambique entre 2024 e 2034. O documento destaca a importância de modelos de desenvolvimento compatíveis com o clima e a necessidade de envolver todos os atores relevantes para melhorar a eficácia das intervenções. A FDC busca se posicionar como um parceiro confiável na promoção de agendas de desenvolvimento local e na implementação de ações de gestão de riscos climáticos.

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Integração da Resiliência Climática em Moçambique

A estratégia da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) visa integrar a resiliência climática e a gestão do risco de desastres nos programas de desenvolvimento em Moçambique entre 2024 e 2034. O documento destaca a importância de modelos de desenvolvimento compatíveis com o clima e a necessidade de envolver todos os atores relevantes para melhorar a eficácia das intervenções. A FDC busca se posicionar como um parceiro confiável na promoção de agendas de desenvolvimento local e na implementação de ações de gestão de riscos climáticos.

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ESTRATÉGIA DE INTEGRAÇÃO DA RESILIÊNCIA

CLIMÁTICA E GESTÃO DO RISCO DE DESASTRES NOS


PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO DA FDC (2024 -
2034)
Um caminho rumo à promoção de agendas de
desenvolvimento local compatíveis ao clima em
Moçambique

FUNDAÇÃO PARA O
DESENVOLVIMENTO DA
COMUNIDADE
ESTRATÉGIA DE INTEGRAÇÃO DA RESILIÊNCIA CLIMÁTICA E GESTÃO DO
RISCO DE DESASTRES NO PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DA FDC (2024
- 2034)

Documento elaborado por:


Nascimento Especialista em Agricultura e Desenvolvimento de Meios
Nhantumbo de Subsistência Sustentáveis Orientados para o Mercado
Genito Maure Especialista em gestão dos riscos climáticos e de
Desastres
Hélder Nhamaze Especialista em Conflitos e Gestão de Resposta
Humanitária
Edgar Cossa Especialista em Análise Organizacional e Políticas Públicas

Coordenação

Dionísio Jacinto Gestor de Projectos de Redução do Risco de


Varela Desastres/Emergência/Segurança Alimentar e Meios de
Subsistência
Mércia Tembe Oficial de Segurança Alimentar e Nutricional
Taira Pene Oficial de Energias Renováveis

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ACRÓNIMOS

CCGD Conselho de Coordenação de Gestão e Redução do Risco de


Desastres
CCPCDN Conselho de Coordenação para a Prevenção e Combate aos
Desastres Naturais
CENOE Centro Nacional Operativo de Emergência
CLGRD Comité Local de Gestão e Redução do Risco de Desastres
COE Centros operacionais de emergência
CTGRD Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres
CTE Comité Técnico de Emergência
CTPGRD Conselho Técnico Provincial de Gestão e Redução do Risco de Desastres.
CTDGRD Conselho Técnico Distrital de Gestão e Redução do Risco de
Desastres
CERUM
Centros de Recursos e Uso Múltiplo
EHN Equipa Humanitária Nacional
FDC Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade
GdM Governo de Moçambique
GRRD Gestão e Redução do Risco de Desastres
INAM Instituto Nacional de Meteorologia
INGD Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres
OCB Organização Comunitária de Base
ONG Organizações não Governamentais
ONU Organização das Nações Unidas
OSC Organização da Sociedade Civil
PDI Pessoas Deslocadas Internamente
PESOD Plano Económico e Social e Orçamento Distrital
PESOP Plano Económico e Social e Orçamento Provincial
ERH Emergência e Resposta de Emergência
PDRRD Plano Director de Redução do Risco de Desastres
SAN Segurança Alimentar e Nutricional
SBCC Comunicação para Mudança Social e Comportamental
WASH Água, Saneamento e Higiene

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LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1: A ESTRUTURA MULTISSECTORIAL DE GESTÃO E REDUÇÃO DO RISCO DE DESASTRES EM
MOÇAMBIQUE................................................................................................................ 13
FIGURA 2: A ESTRUTURA DESCENTRALIZADA DO INGD PARA A GESTÃO DE RISCO DE DESASTRES
EM MOÇAMBIQUE........................................................................................................... 14
FIGURA 3: ESTRUTURA DO CENTRO NACIONAL DE OPERAÇÕES DE EMERGÊNCIA (CENOE) NA
COORDENAÇÃO DOS PROCESSOS DE EMERGÊNCIA.................................................................15
FIGURA 4: A ESTRUTURA DO MECANISMO DE GESTÃO DE DESASTRES AO NÍVEL LOCAL...............16
FIGURA 5: A ESTRUTURA DO MECANISMO DE COORDENAÇÃO DE EMERGÊNCIA..........................16
FIGURA 6: UMA VISÃO GERAL DO ACTUAL CIRCUITO DE FLUXO DE INFORMAÇÃO NO SUBSISTEMA
MOÇAMBICANO DE AVISO PRÉVIO E ALERTA (NOGUEIRA, 2019). NO DIAGRAMA ACIMA, AS LINHAS
SÓLIDAS INDICAM O FLUXO DE INFORMAÇÃO DE ALERTA PRECOCE PARA A COMUNIDADE. AS LINHAS
TRACEJADAS INDICAM, O FLUXO DE INFORMAÇÃO DA AVALIAÇÃO DAS NECESSIDADES PÓS-DESASTRE
(PDNA) DA COMUNIDADE PARA O INGD............................................................................20
FIGURA 7: PLATAFORMA ELECTRÓNICA USADA PARA GARANTIR O FLUXO DE INFORMAÇÃO ENTRE OS
VÁRIOS INTERVENIENTES.................................................................................................. 20
FIGURA 8: MECANISMO DE PARTILHA DE INFORMAÇÃO EM DIFERENTES NÍVEIS E MEIOS USADOS
PARA CIRCULAÇÃO DE INFORMAÇÃO................................................................................... 21
FIGURA 9: COMPOSIÇÃO DOS AGRUPAMENTOS E REPRESENTATIVIDADE DAS AGÊNCIAS LOCAIS,
INTERNACIONAIS E BASEADAS NAS NAÇÕES UNIDAS PARA A INTERVENÇÃO DE RESPOSTA
HUMANITÁRIA EM CABO DELGADO.................................................................................... 23
FIGURA 10: PRESENÇA GEOGRÁFICA DA FDC A NÍVEL DISTRITAL COM BASE NAS ÁREAS DE
INTERVENÇÃO CHAVE DOS PROJECTOS DA FDC: A FIGURA MOSTRA IGUALMENTE OS DISTRITOS EM
QUE SE VERIFICA UMA SOBREPOSIÇÃO DE PROJECTOS, O QUE CONTRIBUI PARA UMA MAIOR
INTEGRAÇÃO DE PROGRAMAS DA FUNDAÇÃO.......................................................................27
FIGURA 11: O DIAGRAMA APRESENTA A ABORDAGEM MULTIDIMENSIONAL DA UNIDADE DA FDC DE
AGRICULTURA, SAN E DIVERSIFICAÇÃO DE MEIOS DE SUBSISTÊNCIA PARA A GESTÃO DE RISCOS
CLIMÁTICOS NA PRODUÇÃO LOCAL E NOS SISTEMAS ALIMENTARES............................................29
FIGURA 12: ÁREAS CHAVE PARA INTERVENÇÃO..................................................................58
FIGURA 13: DISTRITOS PARA IMPLEMENTAÇÃO PILOTO DA ESTRATÉGIA...................................62
FIGURA 14: PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA FDC A LUZ DA IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA DE
INTEGRAÇÃO DE RESILIÊNCIA CLIMÁTICA E GRRD NO DESENHO E IMPLEMENTAÇÃO DE INTERVENÇÕES
DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO................................................................................. 63

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LISTA DE TABELAS
TABELA 1: DISTRIBUIÇÃO DO PESSOAL INDIRECTO REMUNERADO DA FDC PELAS PROVÍNCIAS DE
INTERVENÇÃO. UM RÁCIO DE NÚMERO DE AGREGADOS FAMILIARES RURAIS POR MEMBRO DO
PESSOAL CONSIDEROU QUE A FUNDAÇÃO UTILIZA EFICAZMENTE A SUA REDE DE PESSOAL
REMUNERADO PARA IMPLEMENTAR PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO LOCAL. UM RÁCIO BASEADO
NA TEORIA DE DIFUSÃO DE INOVAÇÃO E CALCULADO PARA ATESTAR QUANTOS AGREGADOS
FAMILIARES CADA MEMBRO DO PESSOAL TERIA DE INTERVENCIONAR, CONSIDERANDO UMA
NECESSIDADE DE PENETRAÇÃO DE 5-7% PARA ESTIMULAR MUDANÇAS.....................................28
TABELA 2: QUADRO DE REGISTO DO OBJETIVO ESTRATÉGICO................................................41
TABELA 3: LOCAIS DE TESTE PRIORITÁRIOS SELECCIONADOS PARA A OPERACIONALIZAÇÃO PELA
FDC DA SUA ESTRATÉGIA DE REFORÇO DA RESILIÊNCIA CLIMÁTICA E DE INTEGRAÇÃO DA GESTÃO E
REDUÇÃO DO RISCO DE DESASTRES................................................................................... 61
TABELA 4: PROJEÇÃO ORÇAMENTAL PARA IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA DE INTEGRAÇÃO DE
ACÇÕES DE MELHORIA DE RESILIÊNCIA CLIMÁCTICA E GRRD NOS PROGRAMAS E INTERVENÇÕES DE
APOIO AO DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO PROMOVIDAS PELA FDC.......................................69

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PREFACIO

A Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) foi criada em 1994 com


a convicção de que a pobreza e a fome no meio rural, apesar de serem inevitáveis
no contexto pós-guerra civil em Moçambique, não eram aceitáveis. Por conseguinte,
esforços combinados e direcionados para combater ambas e melhorar os padrões de
vida no meio rural eram urgentes. Para tal, os membros fundadores acreditavam
que mudanças estruturais e sociais profundas eram necessárias para garantir um
envolvimento efectivo de todos os actores relevantes, no sentido de trabalhar com o
Governo de Moçambique (GdM) na concepção e implementação de intervenções de
desenvolvimento inclusivas e localmente viáveis com vista a combater de forma
inteligente a pobreza, a fome e as desigualdades sociais. Contudo, hoje, passados
quase 30 anos da criação da FDC e apesar dos esforços do GdM e parceiros de
desenvolvimento, o país continua a enfrentar os mesmos problemas, i.e., pobreza e
a fome exacerbados em parte por um deficiente acesso a serviços primários básicos
e uma fraca rede de infraestruturas de apoio, particularmente no meio rural onde a
efectividade das intervenções é afectada por vários factores.

Os desastres climáticos, têm sido intensificados pela localização geográfica de


Moçambique, ao longo do canal do Índico e na zona de descarga das bacias
hidrográficas do Limpopo, Zambeze, Revue Revuè - búzi e Pungue, tornam o país
altamente propenso a ciclones tropicais, inundações e secas cíclicas que afectam de
forma significativa a materialização das agendas de desenvolvimento local. Nos
últimos 20 anos, Moçambique foi afectado por cerca de 15 ciclones tropicais sendo o
Idai Keneth, Eloise, Gombe e Freddy os eventos mais recentes. No entanto, secas
cíclicas, principalmente nas regiões semiáridas das províncias de Gaza, Maputo,
Inhambane, Manica, Tete, Sofala e Zambézia - regiões agroecológicas R1, R2, R3 e
R6, devido a sua natureza sorrateira tem recebido uma atenção limitada. No
entanto, é fundamental para ambos contextos, integrar a necessidade de melhoria
de resiliência e gestão de riscos climáticos nas agendas de governação e
desenvolvimento local. Para tal, modelos de desenvolvimento compatíveis ao clima
através dos quais todos os intervenientes relevantes são envolvidos no processo de
desenho, implementação e monitoria activa da efectividade de planos multianuais e
multisectoriais de melhoria de resiliência climática, são necessários para ajudar a
melhorar os níveis de prevenção, prontidão, mitigação, resposta, recuperação e
reconstrução pós-choque bem como a convivência com os eventos sem por em
causa os meios de vida e bem estar social das comunidades e famílias afectadas.

A FDC acredita que as organizações da sociedade civil (OSC) locais e organizações


comunitárias de base (OCB) podem desempenhar um papel além da janela de aviso
prévio e resposta humanitária, através de ações para fortalecer a capacidade local
para elaborar, implementar e monitorar planos multianuais de construção de
resiliência climática relevantes para cada contexto. É partindo desta premissa, que a

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FDC iniciou um processo de reflexão para 1) entender o panorama actual da cadeia
de Gestão e Redução do Risco de Desastres (GRRD), emergência e resposta
humanitária (ERH) em Moçambique, 2) identificar as principais lacunas e desafios
operacionais no funcionamento da cadeia de GRRD em Moçambique bem como 3)
identificar as oportunidades existentes para o envolvimento das OSC-OCB’s e como
melhor posicionar a Fundação como um actor relevante e parceiro confiável na
promoção de medidas de melhoria de resiliência climática. No entanto, para orientar
a participação da FDC na cadeia de GRRD, bem como no processo de integração de
acções de melhoria de resiliência climática nas agendas de desenvolvimento local,
um documento estratégico é necessário.

O presente plano estratégico, tem como objectivo guiar o processo de integração da


construção e melhoria de resiliência e gestão de riscos climáticos nos programas de
desenvolvimento da FDC, e tem um horizonte temporal de 10 anos, i.e., 2024-2034.
A estratégia estabelece as aspirações da Fundação para se posicionar como um
parceiro nacional relevante e confiável para a operacionalização de agendas de
desenvolvimento local compatíveis ao clima bem como na implementação de ações
ao longo da cadeia de GRRD em Moçambique. A participação da FDC neste processo
será regido por protocolos operacionais para desenho participativo e implementação
de programas de desenvolvimento compatíveis ao clima centrados no
fortalecimento da capacidade local - instituições do governo, OSC-OCB’s, e na
mobilização da participação do sector privado, financeiro, a academia e pesquisa,
parceiros de desenvolvimento e acima de tudo da comunidade no processo de
desenho, implementação e monitoria continua de planos multianuais de construção
e melhoria de resiliência climática a nível institucional, comunitário e do agregado
familiar.

Senhora Graça Machel


/Presidente do Conselho de Administração, FDC/

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ÍNDICE

ACRÓNIMOS 3

LISTA DE FIGURAS 4

LISTA DE TABELAS 5

PREFACIO 6

CAPÍTULO I: 10

CONTEXTO DA GESTÃO E REDUÇÃO DO RISCO DE DESASTRES EM MOÇAMBIQUE 10

1. INTRODUÇÃO 10

1.1 Quadro Legal de Gestão do Risco de Desastres e Pontos de Entrada para o Envolvimento Activo das
OSC-OCB’s na Cadeia de Gestão de Risco Climático e Desastres em Moçambique 11
1.1.1 Contexto da Gestão do Risco Climático e de Desastres em Moçambique 11
1.2 Cadeia de Comando da Gestão do Risco de Desastres: Lacunas Operacionais e Pontos de Entrada
Chave para o envolvimento activo da sociedade civil local 17
1.3 Representatividade das OSC-OCB’s na cadeia de GRRD e resposta humanitária 22
1.3.1 Financiamento desigual para as zonas de risco de seca e de ciclones e inundações 24
1.3.2 A interligação entre GRRD, Conflitos e a adesão de moçambique aos protocolos internacionais sobre
GRRD - o quadro do Marco de Sendai 24
1.4 Oportunidades e desafios para a FDC se tornar um actor chave no apoio a integração da gestão de
riscos climáticos nas agendas de governação e programas do desenvolvimento local 25
1.4.1 avaliação do Arranjo institucional - pontos fortes e fracos da FDC 31

CAPÍTULO II: VISÃO ESTRATÉGICA 34

2.1 RELEVÂNCIA DA ESTRATÉGIA PARA A FDC.........................................................................34


2.1.1 Princípios 35
2.1.2 Visão Estratégica 36
2.2 OBJECTIVO GERAL......................................................................................................... 38
2.2.1 Objectivos estratégicos 38
2.3 INTEGRAÇÃO DA RESILIÊNCIA CLIMÁTICA E DA GESTÃO DO RISCO DE DESASTRES NAS ÁREAS CHAVE DE
INTERVENÇÃO DA FDC.............................................................................................................. 50
2.3.1 Pilar 1. Desenvolvimento comunitário 50
2.3.2 Pilar 2. Advocacia de igualdade e justiça social 51
2.3.3 Pilar 3. Desenvolvimento Organizacional 52
2.4 INTEGRAÇÃO DA RESILIÊNCIA NOS PROGRAMAS SECTORIAIS DA FDC.......................................53
2.5 AVISO PRÉVIO E ACÇÕES ANTECIPADAS.............................................................................53
2.6 AGRICULTURA, SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL........................................................53
2.7 MELHORIA DE ACESSO A ÁGUA POTÁVEL, PRODUCTIVA E SANEAMENTO DO MEIO....................54
2.8 ABRIGO - HABITAÇÃO CONDIGNA E QUINTAIS PRODUTIVOS................................................55
2.9 SAÚDE PÚBLICA............................................................................................................ 55
2.9 EDUCAÇÃO FORMAL (T-VET) E INFORMAL (FUNCIONAL)......................................................56

Página 9 de 83
CAPÍTULO 3: ABORDAGEM DE IMPLEMENTAÇÃO 59

3.1 PRINCIPAIS DOCUMENTOS DE SUPORTE.............................................................................59


3.2 COBERTURA GEOGRÁFICA: LOCAIS DE CO-CRIAÇÃO E VALIDAÇÃO DE MODELOS.........................59
3.3 PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA FUNDAÇÃO....................................................................................63
3.3 SUSTENTABILIDADE.............................................................................................................64
CAPÍTULO 4: MONITORIA, AVALIAÇÃO E APRENDIZAGEM (MEAL) 66

4.1 PROCEDIMENTOS DE MEAL..................................................................................................66


4.2 APRENDIZAGEM E INOVAÇÃO...........................................................................................66
CAPÍTULO 5: ORÇAMENTO PREVISIONAL E FONTES DE FINANCIAMENTO 67

REFERÊNCIAS 70

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CAPÍTULO I:
CONTEXTO DA GESTÃO E REDUÇÃO DO RISCO DE DESASTRES EM
MOÇAMBIQUE

1. INTRODUÇÃO

A FDC foi criada em 1994 sob a convicção de que no contexto pós-guerra civil, a
pobreza e a fome no meio rural, apesar de inevitáveis não eram aceitáveis. Por
conseguinte, era necessário envidar esforços direcionados para combater ambas e
melhorar os padrões de vida das comunidades rurais moçambicanas afectadas pela
guerra e das pessoas deslocadas que regressavam as suas zonas de origem. Para
tal, os membros fundadores da FDC acreditavam que mudanças estruturais e sociais
profundas eram necessárias para envolver efetivamente todos os intervenientes
relevantes, no sentido de trabalhar activamente com o Governo de Moçambique
(GdM) na concepção e implementação de intervenções de desenvolvimento
localmente viáveis e inclusivas para combater de forma inteligente a pobreza, a
fome e todos os tipos de desigualdades sociais. Contudo, passados quase 30 anos
da criação da FDC, o país continua a enfrentar os mesmos desafios e variáveis
novas foram acrescidas á já complexa equação de desenvolvimento rural em
Moçambique.

Entre 2000 e 2022, choques climáticos recorrentes, como ciclones tropicais, cheias e
secas, juntamente com a instabilidade político-militar em algumas regiões do país,
afectaram directamente a vida de mais de 2 milhões de Moçambicanos. A pandemia
de Covid-19 e outras emergências de saúde pública relacionadas ao clima, como
surtos de cólera, malária e diarreia, também tiveram um impacto significativo na
materialização das agendas de desenvolvimento de Moçambique. Portanto, tendo
em conta o recente histórico de eventos climáticos extremos em Moçambique, é
crucial melhorar a capacidade local de desenhar, implementar e monitorar agendas
e programas de desenvolvimento local compatíveis ao clima, i.e., capazes de
integrar acções de gestão de risco climático e a construção de resiliência climática a
longo prazo e deste modo melhorar o nível de prontidão, prevenção, adaptação,
resposta e recuperação pós-choque das comunidades mais vulneráveis.

O processo de integração da gestão de risco e melhoria da resiliência climática nas


agendas de governação desenvolvimento local, passa, no entanto, pelo
fortalecimento da capacidade e participação dos governos locais, OSC-OCB’s, e
comunidades de risco. Neste processo, garantir que os governos locais e
comunidades se tornem actores-chave na concepção, implementação e monitoria
efectiva da efectividade de planos multianuais de gestão de risco e melhoria de
resiliência climática é fundamental para institucionalizar acções de melhoria da
prevenção, prontidão, resposta, recuperação e reconstrução pós-choque a nível
institucional, comunitário e do agregado familiar. Garantir a participação activa das

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OSC-OCB’s neste processo é um passo fundamental para melhorar a eficácia e a
sustentabilidade a longo prazo das acções de operacionalização da cadeia de gestão
de riscos climáticos em Moçambique. No entanto, muito pouco tem sido feito ainda
nesse sentido em Moçambique, ademais a gestão do risco de desastres e da
resposta à situações de emergência/desastres só é efectiva com uma correcta,
eficiente coordenação e troca de informações entre os diversos actores a todos os
níveis, em especial a participação das comunidades neste processo é imperiosa e
crucial nas acções de prevenção e mitigação dos desastre.

Apesar de se reconhecer que ainda haja muito por fazer, um esforço imediato para
dotar as OSC-OCB’s de capacidades técnicas e meios materiais necessários para se
tornarem mais activas no apoio ao GdM e às comunidades de risco na construção de
resiliência climática é necessário. Ao fazê-lo, é também importante melhorar a
capacidade local para informar e influenciar o processo de migração de abordagens
de curto prazo para programas multianuais de criação e melhoria da resiliência
climática a longo prazo. Esta mudança de abordagem é extremamente importante
principalmente se tomarmos em conta o facto de que até 2021, o financiamento
total para resposta humanitária pós-choque aumentou para cerca de 31 bilhões de
dólares americanos1. Embora, a nível internacional, o financiamento para a GRRD
tenha duplicado na última década, os fundos têm sido direcionados principalmente
para promover respostas de curto prazo. É tendo em conta o histórico recente de
Moçambique no referente a eventos climáticos extremos e emergências de saúde
pública transmitidas por vetores associados ao clima que a FDC se envolveu nesta
reflexão interna e esforço de transformação autoimposto para elaborar um
instrumento - estratégia, que ajude a orientar o processo de integração de acções
de construção e melhoria de resiliência climática e GRRD nos seus programas de
apoio as agendas de desenvolvimento local como meio de se posicionar como um
parceiro local fiável na operacionalização da cadeia de gestão de risco de desastres
em Moçambique.

1.1 QUADRO LEGAL DE GESTÃO DO RISCO DE DESASTRES E PONTOS DE ENTRADA


PARA O ENVOLVIMENTO ACTIVO DAS OSC-OCB’S NA CADEIA DE GESTÃO DE RISCO
CLIMÁTICO E DESASTRES EM MOÇAMBIQUE

1.1.1 CONTEXTO DA GESTÃO DO RISCO CLIMÁTICO E DE DESASTRES EM MOÇAMBIQUE

Devido à sua localização geográfica na foz das bacias hidrográficas do Limpopo,


Zambeze, Púnguè e Revuè- Búzi, Moçambique tem sido afectado por numerosos
desastres - ciclones ao longo da linha costeira e cheias nas extensas planícies
aluviais das províncias de Gaza, Tete, Manica, Sofala e Zambézia. Em resultado, no
período entre 1979-2019, cerca de 15 distritos ao longo do Vale do Zambeze no
Centro de Moçambique – provinciais de Tete, Manica, Zambézia e Sofala registaram

1
[Link]
Página 12 de 83
quatro a mais de cinco cheias. No mesmo período, 7 distritos das províncias de
Manica e Sofala, situados ao longo da bacia do Revue-Púnguè, registaram mais de
cinco inundações durante a época chuvosa. Todos estes distritos estão situados ao
longo das bacias hidrográficas do Zambeze, baixo Licungo, Revue-Búzi e Pungue.
Tempestades e ciclones tropicais também afectaram significativamente a zona
costeira de Moçambique. No sul de Moçambique, Zavala, Jangamo, Maxixe,
Morrumbene, Inharrime, Massinga, Vilankulo, e Govuro foram os distritos mais
afectados com mais de 5 ciclones no período 1979-2019. Parte destes distritos
também foram fortemente afectados pelo ciclone Freddy entre Fevereiro - Março de
2023. No centro de Moçambique, Machanga, Chibabava, Búzi, Beira, Marromeu,
Maganja da Costa, Mocubela e Pebane foram os distritos mais afectados por
ciclones, tendo registado mais de 5 eventos. Moma, Larde, Angoche, Mossuril,
Monapo e Nacala-a-Velha, ao longo da linha costeira do norte de Moçambique,
registaram o maior número de ciclones.

Para além do elevado risco de ocorrência de ciclones e cheias ao longo das planícies
aluviais das principais bacias hidrográficas que atravessam o país e da linha
costeira, o interior de Moçambique, mais especificamente os distritos de Gaza,
Inhambane, Maputo e uma parte da linha costeira do sul de Moçambique na RAE -
1, 2, 3), a cintura seca do centro de Moçambique que atravessa os distritos do Vale
do Zambeze nas províncias de Tete, Manica, Sofala e Zambeze – RAE 6, sofrem
secas cíclicas. Na maior parte dos distritos propensos à seca, a precipitação anual
varia entre 300-800 mm. No interior dos distritos da província de Gaza, por
exemplo, as secas são acompanhadas por um alto risco de perda de culturas, isto é,
nestas zonas existe uma probabilidade de fracasso de culturas que varia entre 45 -
75 % devido à precipitação insuficiente em várias comunidades dos distritos de
Massingir, Chicualacuala, Mapai, Mabalane, Massangena e Chigubo (Reddy, 1985 a-
b). Contudo, o facto de parte destes distritos estarem localizados ao longo do rio
Limpopo, e Save, oferece-lhes um potencial único para irrigação que é ainda pouco
explorado. O interior dos distritos secos de Gaza - ao longo do rio Limpopo com
algumas comunidades situadas na zona tampão do Parque Nacional do Limpopo, o
conflito homem-elefante (HEC) é também um factor a ter em conta e que constitui
uma limitante ao aproveitamento da água para produção irrigada.

Para combater os riscos recorrentes de ciclones, cheias e secas em Moçambique, o


GdM tem adoptado desde 1999 uma postura forte em relação à Gestão e Redução
do Risco de Desastres (GRRD). O compromisso do GdM para com a gestão e
redução do risco de desastres ficou claro através do estabelecimento do Instituto
Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) em 1999. O INGC substituiu o Conselho
de Coordenação para a Prevenção e Combate de Desastres (CCPCD) e o
Departamento de Prevenção e Combate de Calamidades (DPCCM) 2 criado pelo
Decreto Presidencial nº. 44/80 de 3 de Setembro de 1980. A criação do INGC surge
com a introdução de legislação associada e enquadramento regulamentar para a

2
Departamento de Prevenção e Combate às Calamidades Naturais (DPCCN)
Página 13 de 83
Gestão e Redução do Risco de Desastres descritos na Resolução nº 18/99 de 18 de
Junho de 1999.

A Política Moçambicana de Gestão e Redução do Risco de Desastres usou,


principalmente, sistemas participativos de aviso prévio centrados no envolvimento
activo da comunidade. A alocação de fundos de contingência para apoiar a
recuperação dos meios de subsistência era também parte deste quadro legal inicial
de GRRD. Contudo, para uma implementação efectiva do quadro legal de GRRD no
país, foi adoptada uma abordagem multissectorial centrada num envolvimento
activo de todos os sectores relevantes do governo. O Conselho Coordenador de
Gestão de Desastres (CCGD), sob tutela do Conselho de Ministros e presidido pelo
Primeiro-ministro, é o órgão político e de tomada de decisões para na governança
da cadeia de GRRD em Moçambique e que assegura toda a coordenação
multissectorial. O CCGD é aconselhado pelo Conselho Técnico de Gestão e Redução
do Risco de Desastres (CTGRD), um órgão multissectorial composto por
representantes do governo e membros da Equipa Humanitária do País, composta
principalmente por agências das Nações Unidas, ONG’s internacionais e Doadores
(Figura 1). Esta estrutura de gestão de desastres a nível central é replicada a nível
provincial e distrital através dos Centros Operacionais de Emergência – COE
(Figura 2). Uma componente crucial do mecanismo local de gestão de desastres é
o Comité Local de Gestão de Risco de Desastres (CLGRD) composto principalmente
por voluntários seleccionados a nível da comunidade através de um processo
participativo e que apoiam todas as actividades de Gestão e Redução do Risco de
Desastres antes e depois do evento.

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) é o braço


executivo do CCGD e é responsável pela coordenação das actividades de GRRD a
nível operacional a luz da sua estrutura descentralizada (Figura 3). O INGD está
agora sob alçada do Gabinete do Primeiro-Ministro, depois de ter funcionado sob a
alçada do Ministério da Administração Estatal e da Função Pública, uma vez que o
seu antecessor estava sob a alçada do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Além
disso, nas suas actividades de coordenação da resposta a Desastres, o INGD é
apoiado pelo Centro Nacional de Operações de Emergência. – CENOE. O CENOE é
apoiado por uma Unidade Nacional de Proteção Civil (UNAPROC) para ajudar nas
actividades de busca e salvamento. Ao nível local, o INGD operacionaliza as suas
acções em estreita colobaração e coordenação com o mecanismo de gestão de
desastres que inclui diferentes sectores, incluindo parceiros/ONGs, sector provado
(Figura 4). Os parceiros de desenvolvimento liderados pela Organização das
Nações Unidas (ONU) cooperam com o Governo no âmbito desta estrutura e o seu
esforço colectivo é liderado pela Equipa Humanitária Nacional – EHN (Figura 5).

Página 14 de 83
Figura 1: A estrutura multissectorial de Gestão e Redução do Risco de Desastres
em Moçambique

Página 15 de 83
Figura 2: A estrutura descentralizada do INGD para a Gestão de Risco de Desastres
em Moçambique

Figura 3: Estrutura do Centro Nacional de Operações de Emergência (CENOE) na


coordenação dos processos de emergência

Página 16 de 83
Figura 4: A estrutura do mecanismo de gestão de desastres ao nível local

A estrutura abaixo mostra como as informações fluem durante uma emergência, os


parceiros e a equipe humanitária seguem o comando dado pelo governo.

Figura 5: A estrutura do mecanismo de coordenação de emergência

Página 17 de 83
Com ambos dispositivos normativos, designadamente, a Lei 15/2014 de 20 de Junho
de 2014, e a Lei 10/2020, de 24 de Agosto de 2020, foi estabelecida uma estrutura
descentralizada para a GRRD. A nova estrutura inclui os Centros Operativos de
Emergência a nível regional, provincial e distrital e os Comités Locais de Gestão de
Risco de Desastres (Figura 1). A nível comunitário, a implementação é garantida
através de uma rede de CLGRD. Apesar das mudanças trazidas de uma lei para
outra, por exemplo, o estabelecimento dos três subsistemas de GRRD,
nomeadamente, o subsistema de aviso prévio e alerta, o subsistema de resposta e,
finalmente, o subsistema de prevenção, adaptação, mitigação e resiliência, a
capacidade operacional do INGD de hoje tem as suas raízes na longa experiência do
INGC e nas lições aprendidas de GRRD durante o período entre o Decreto
Presidencial 44/80 e o rescaldo da Resolução 18/99 de 18 de Junho de 1999.

Um ponto comum entre as duas épocas - INGC e INGD, são os investimentos


significativos feitos para melhorar o subsistema de aviso prévio e alerta. No
entanto, apesar dos avanços significativos feitos neste subsistema, a melhoria da
coordenação da resposta pós-evento no terreno, principalmente no que diz respeito
à gestão de ciclones e cheias, Moçambique ainda enfrenta um desafio considerável
na operacionalização do subsistema de prevenção, mitigação, adaptação e
construção de resiliência. Aqui a conversão das diretrizes do subsistema em
medidas pragmáticas e simples, ajustáveis a realidade contextual de cada zona de
risco – ciclones, cheias e secas, ainda constituí um desafio. Isto tem de alguma
forma ofuscado o recente sucesso do país em termos de GRRD, mais
concretamente na redução da perda de vidas humanas. Isto torna clara a
necessidade urgente de construir um robusto registo de experiências em
intervenções escaláveis de construção de resiliência climática capazes de ajudar a
melhorar a capacidade de preparação, resposta e recuperação das comunidades e
reduzir a sua vulnerabilidade a longo prazo. Contudo, para que tal aconteça, é
necessário um envolvimento activo das OSC-OCB’s, parceiros de desenvolvimento
no apoio ao GdM-INGD a nível nacional, subnacional e local, a fim de ajudar a criar a
capacidade local para integrar e monitorar de forma eficaz aspectos de gestão dos
riscos climáticos e mudanças climáticas nas agendas de governação e
desenvolvimento local.

1.2 CADEIA DE COMANDO DA GESTÃO DO RISCO DE DESASTRES: LACUNAS


OPERACIONAIS E PONTOS DE ENTRADA CHAVE PARA O ENVOLVIMENTO ACTIVO DA
SOCIEDADE CIVIL LOCAL

O esforço de melhoria do nível de prontidão do país, patente nos investimentos dos


últimos anos no desenvolvimento de um subsistema “robusto” de aviso prévio e
alerta, a nova legislação de GRRD - Lei 10/2020, de 24 de Agosto de 2020, são uma
forte e clara declaração de intenções de migrar para uma abordagem mais
integrada da GRRD. Uma abordagem integrada centrada na melhoria da capacidade
antecipatória bem como de desenho e implementação de planos multianuais de
melhoria de resiliência a longo prazo. Este esforço está também patente na inclusão

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do subsistema de prevenção, mitigação, adaptação e construção de resiliência. Esta
mudança surge também como parte dos esforços do país em alinhar-se o seu
quadro operativo as diretrizes do Marco de Sendai para a GRRD. Contudo,
investimentos na criação de capacidade local para conceber e institucionalizar
medidas do subsistema de prevenção, mitigação, adaptação e criação de resiliência
nas agendas e programa do desenvolvimento local são ainda limitados.

Partindo do princípio que a nova legislação de GRRD, tal como as leis que a
precederam, deixam clara a necessidade de adoptar uma abordagem
descentralizada de GRRD e que explora as vantagens comparativas individuais de
cada interveniente na cadeia GRRD-ERH, o pais ainda precisa fazer mais no sentido
de estabelecer a ponte entre as OSC-OCB’s, GdM, sector privado local, parceiros
internacionais e comunidades no sentido de juntos conceberem, implementar e
monitorar a efectividade de planos multianuais de melhoria de resiliência climática
ajustadas a realidade de cada distrito e comunidade alvo. Ao fazê-lo, é fundamental
equipar as autoridades locais de capacidade para desempenharem eficazmente o
seu papel de regulador e órgão de coordenação e garantia da qualidade capaz de
ajudar a minimizar no terreno o habitual foço entre a política e prática. Um
exemplo, aliado a necessidade de fortalecimento do papel das autoridades locais, é
a necessidade de assegurar que as normas e padrões internacionalmente
acordadas, e.g., a criação de soluções duradouras são efetivamente seguidas e
traduzidas em acções práticas quando se implementa intervenções de ERH pós-
choque no terreno. O fortalecimento de capacidades é necessário principal a nível
distrital e comunitário, onde o défice de competências para fazer a devida
familiarização e monitoria de grão de cumprimento dos padrões, normas
operacionais e legislação é ainda limitada.

O défice de capacidade técnica e financeira do INGD, das autoridades locais e OSC-


OCB’s, à medida que descemos na cadeia de GRRD, i.e., do nível nacional para o
subnacional e comunitário, realça as actuais limitações operacionais na cadeia. Para
ajudar a minimizar este défice de competências, é necessário trabalhar no sentido
de desenvolver a capacidade local para conceber e implementar eficazmente planos
de melhoria de resiliência multianuais e antecipatórios. Isto deve ser feito como
parte de um esforço integrado para ajudar a institucionalizar a GRRD-ERH nos
programas de desenvolvimento e agendas de governação local. Neste processo, é
importante incluir a GRRD-ERH nos principais documentos governamentais,
nomeadamente o PESOD, o PESOP, os Planos Estratégicos (PE) e outros documentos
relevantes, para que a melhoria da resiliência climática se torne efetivamente uma
componente integral das agendas de governação e desenvolvimento local.

Na ausência de uma abordagem de intervenção multianual integrada, e de um


esforço para alocar fundos à GRRD com vista a garantir a viabilização de planos
multianuais de melhoria de resiliência climática, o desafio de melhorar a capacidade
antecipatória e a vulnerabilidade das comunidades de risco, tornar-se-á ainda mais
difícil de ser alcançada. Contudo, o aumento da frequência de eventos climáticos
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extremos e emergência de saúde pública causadas por vectores associados ao clima
que Moçambique tem experimentado nos últimos anos, é necessário fazer mais para
reduzir a vulnerabilidade a longo prazo nas comunidades de risco. Para tal, é
fundamental reduzir o fosso entre a política e a prática através da tradução do Plano
Director do INGD e da recente legislação de GRRD em medidas práticas capazes de
ajudar a melhorar a resiliência a longo termo das comunidades de risco. Neste
processo de domesticação e institucionalização das diretrizes do PDGRRD, o previsto
na legislação um trabalho exaustivo no sentido de aproximar as autoridades locais,
comunidades, OSC-OCB’s locais e os parceiros de desenvolvimento terá de ser feito
no sentido de garantir um maior alinhamento de intervenções e abordagem para
facilitar a migração de intervenções de curto prazo para planos de melhoria de
resiliência multianuais e centradas numa abordagem de GRRD antecipatória e
participativa.

As OSC-OCB’s locais tem um papel importante a jogar, principalmente nos esforços


para domesticar e/ou localizar os esforços de integração de aspectos de GRRD e
melhoria de resiliência climática nos programas de desenvolvimento local e
agendas governação. O sucesso deste modelo de intervenção, ajudará a reduzir a
longo-prazo a vulnerabilidade das comunidades, através da melhoria do seu grão de
prontidão, adaptação, resposta, recuperação e resiliência. No caso específico dos
distritos da cintura seca e semiárida do Sul e Centro de Moçambique, este modelo
poderá ajudar a melhorar a convivência com a seca. Contudo, esta mudança não
vai ser alcançada com intervenções ad-hoc, e abordagens lineares de curto-prazo
centradas na resposta pós-evento. No caso particular da FDC, existe uma crença de
que a existência de um documento orientador que oriente a intervenção da
Fundação no sentido de integrar a resiliência climática e a GRRD-ERH nos seus
programas de desenvolvimento é o ponto de partida para a concepção e
implementação de intervenções de desenvolvimento comunitário bem informadas,
localmente relevantes e compatíveis ao clima. Um dado importante neste processo
é a necessidade de alinhar os planos as prioridades de intervenção que os
resultados da análise situacional mostraram serem intimamente moldadas pelas
percepções de risco que variam de local para local.

Uma percepção desigual da relevância dos três subsistemas de GRRD na


materialização dos esforços de redução de vulnerabilidade e melhoria de resiliência
climática, moldada pelas percepções de risco foi identificada nas diferentes zonas
de risco. Nas zonas propensas a risco de ciclones e cheias de Sofala, Manica,
Nampula e planícies aluviais de Gaza, os membros do COE e parceiros de resposta
humanitária apontaram a necessidade de fortalecimento do subsistema de aviso
prévio e alerta. Uma avaliação dos mecanismos de partilha e recolha de
informações neste subsistema mostrou que, dos dois fluxos de informação de
emergência (Figura 6), a partilha de dados de alerta e aviso prévio está muito
desenvolvida. Contudo, o subsistema é ainda top-down e sua capacidade de
envolver activamente as instituições e as comunidades locais na identificação e
avaliação eficazes da magnitude do risco e de utilizar os dados colhidos para

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conceber e implementar, de forma participativa, intervenções de GRRD multianuais
que sejam localmente relevantes e viáveis, precisa de ser melhorada.

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Figura 6: Uma visão geral do actual circuito de fluxo de informação no subsistema
moçambicano de aviso prévio e alerta (Nogueira, 2019). No diagrama acima, as
linhas sólidas indicam o fluxo de informação de alerta precoce para a comunidade.
As linhas tracejadas indicam, o fluxo de informação da Avaliação das Necessidades
Pós-Desastre (PDNA) da comunidade para o INGD

As Figuras 7 e 8, ilustram a plataforma usada e o mecanismo de articulação para


partilha de informação nos diferentes níveis, respectivamente.

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Figura 7: Plataforma electrónica usada para garantir o fluxo de informação entre
os vários intervenientes

Figura 8: Mecanismo de partilha de informação em diferentes níveis e meios


usados para circulação de informação

Em contraste, nos distritos da cintura seca mapeados, onde a coexistência das


comunidades com a seca precisa de ser melhorada, o subsistema de prevenção,
mitigação, adaptação e resiliência é visto como o mais deficiente e com
necessidade de intervenção imediata. Nos distritos secos do Sul de Moçambique
onde existe uma probabilidade de perda de produção em cerca de 45-75% das
estações de cultivo (Reddy, 1985), os dados do IOF, 2019-2020, mostram que a
província de Gaza teve a menor despesa mensal familiar e per capita com 4,977 e
1,008 MT, respectivamente. O rendimento médio do agregado familiar e per capita
para o mesmo período em Gaza foi o mais baixo com 5,759 e 1,192 MT,
respectivamente. Gaza e Inhambane, por exemplo, têm a pior adequação da dieta,
ou seja, menos de 45% dos agregados familiares têm uma dieta adequada
(PAMRDC, 2008-2015). Nos distritos propensos à seca, tanto no sul como no centro
de Moçambique, o acesso a água de qualidade para beber e para uso produtivo
também emergiu como preocupação a nível das comunidades e junto dos membros
do COE a nível distrital ao longo da discussão de grupo de foco (FGD). Nestas áreas,
em contraste com as áreas propensas a cheias, os CLGRD estão quase inativos e
mal equipados técnica e materialmente.

Nos distritos da cintura seca – o semiárido moçambicano, a necessidade de


identificar alternativas localmente viáveis e sustentáveis para melhoria e
diversificação dos meios de subsistência para reduzir a vulnerabilidade crónica às
secas foi apontada como uma questão urgente. Contudo, ao nível da comunidade,
onde os CLGRD desempenham um papel central na mobilização comunitária,

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apesar do trabalho em curso para a revitalização dos CLGRD, uma tarefa que tem
ganho ímpeto com o envolvimento activo das OSC’s, especial atenção deve ser
dada a sistematização de conhecimento e capacitação dos CLGRD que devem ser
equipados com as competências necessárias para apoiar as autoridades locais e
comunidades na implementação de planos multianuais de melhoria de resiliência
localmente relevantes.

Resultados das consultas nos distritos da cintura seca da Província de Gaza,


mostrou haver uma necessidade de transformar os CLGRD em pequenas
comunidades de práticas (CoP) construídas em torno da necessidade de desenhar e
implementar planos multianuais de melhoria de resiliência climática, assentes em
intervenções de fortalecimento e diversificação de meios de vida orientadas ao
mercado, capazes de ajudar a melhorar a prontidão e reduzir a vulnerabilidade a
longo prazo das comunidades. Para tal, especial atenção deve ser dada à melhoria
das normas de participação do CLGRD. O recrutamento de formadores de opinião
qualificados e com suficiente capital social é fundamental para integrar a GRRD nas
agendas e programas de desenvolvimento local centrados na localização da
intervenção, com participação activa das OSC-OCB’s. A revitalização dos Centros de
Recursos Multiuso (CERUM) em todo o semiárido de modo a trabalharem no
desenho e promoção de soluções compatíveis ao clima é outra mudança
fundamental necessária. Neste contexto, será necessário estabelecer parcerias
público-privadas inteligentes para revitalizar e reforçar as ligações, actualmente
fracas, entre os intervenientes na cadeia de GRRD, nomeadamente, autoridades
locais, OSC-OCB’s, instituições de conhecimento e o sector privado. As OSC-OCB’s
podem desempenhar um papel importante como entidades promotoras de boas
práticas bem como catalisadoras responsáveis por fazer a ponte entre os diferentes
actores.

1.3 REPRESENTATIVIDADE DAS OSC-OCB’S NA CADEIA DE GRRD E RESPOSTA


HUMANITÁRIA

Dados da composição dos clusters de resposta humanitária no âmbito do


mecanismo de intervenção no conflito de Cabo Delgado, um total de 90
intervenientes agrupados em 11 Clusters, foi identificado 3. Do total de membros
que compunham os clusters, 60% eram ONG’s internacionais, sendo que apenas
15,6% do total das organizações participantes eram nacionais (Figura 9).. A
grande maioria das OSC’s nacionais a nível nacional encontrava-se principalmente
nos Clusters de Telecomunicações e Proteção, onde se registaram quatro (4) e (3)
organizações, respectivamente. No entanto, apesar da fraca representatividade das
OSC’s Moçambicanas, nas reuniões dos Clusters de resposta humanitária e no
processo de tomada de decisões, existe um número considerável de organizações

3
Os dados apresentados excluem os grupos de logística e de recuperação rápida,
em que não foram obtidos dados da ReliefWeb,

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locais - principalmente OCB’s, que trabalham como parceiros locais de
implementação subcontratados pelos parceiros da Nações Unidades e ONG’s
internacionais. Esta ligação representa um ponto de entrada fundamental para a
localização e validação de uma abordagem sistémica para reforçar a cadeia de
GRRD e melhoria de resiliência a nível local.

Figura 9: Composição dos agrupamentos e representatividade das agências locais,


internacionais e baseadas nas Nações Unidas para a intervenção de Resposta
Humanitária em Cabo Delgado

Existem vários desafios e barreiras a participação efectiva das OSC-OCB’s locais, na


cadeia de GRRD e apoio as intervenções de resposta e recuperação pós-desastre
em Moçambique. Entre esses desafios, os seguintes foram levantados durante o
processo de consulta para esta estratégia:

1. Capacidade técnica e financeira4 limitada: Muitas OSC-OCB’s têm uma


capacidade financeira e técnica limitada para desenhar e apoiar os governos
locais na execução de intervenções multianuais de gestão de riscos de
desastres. Esta situação dificulta significativamente a participação e o empenho
ativo das organizações locais na implementação de ações ao longo da cadeia de
GRRD e/ou em ações de emergência e resposta humanitária pós-evento. A
limitada capacidade de gestão financeira também foi mencionada como um

4
Conhecimentos técnicos limitados: Algumas OSC’s podem não ter os
conhecimentos técnicos necessários para se envolverem efetivamente em
actividades e iniciativas de gestão do risco de desastres (DRM), como a avaliação
de riscos, o planeamento da preparação para catástrofes e a coordenação da
resposta.

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factor limitante uma vez que a maior parte das OSC-OCB’s locais dispõem de
sistemas financeiros fracos para executar e justificação de fundos.

2. Acesso limitado à informação: As OSC-OCB’s têm um fraco acesso à informação.


Isto é um resultado directo do fraco investimento na capacitação de recursos
humanos acoplada a fraca ligação a instituições de conhecimento – pesquisa e
ensino, o que limita a sua eficácia no terreno. Em resultado, a maioria das
organizações locais cabe um papel secundário de implementação de ações no
terreno, com pouca margem de ajuste a realidade contextual. A fraca ligação a
instituições e redes de conhecimento, juntamente com a fraca liberdade
financeira e a incapacidade de envolver activamente actores locais relevantes
através de uma estratégia de localização bem pensada, limita a capacidade da
maioria das organizações locais para trabalhar e mobilizar a comunidade além
do período de vida útil dos projectos.

3. Limitada cobertura geográfica e presença nos órgãos de tomada de decisão: as


OSC’s locais estão pouco representadas nas plataformas de GRRD e Clusters de
resposta humanitária das ONU, o que limita a sua capacidade de contribuir
activamente para os esforços de tomada de decisões, advocacia e localização
das intervenções da cadeia de GRRD-ERH. No entanto, a fraca cobertura
geográfica pode ser um ponto de entrada crítico para a localização de acções na
cadeia GRRD em Moçambique. No entanto, é necessário criar sinergias claras,
duradouras e mais eficazes entre os intervenientes locais, a diferentes níveis,
nomeadamente, nacional, subnacional e comunitário.

1.3.1 FINANCIAMENTO DESIGUAL PARA AS ZONAS DE RISCO DE SECA E DE CICLONES E


INUNDAÇÕES

Uma análise rápida da alocação de fundos a gestão dos principais choques


climáticos nos últimos anos em Moçambique, mostrou que o financiamento total
Pós-IDAI rondou os cerca de 383,9 milhões de dólares americanos, incluindo uma
contribuição de 16,5 milhões de dólares americanos do GdM. Os EUA através da
USAID, foram o maior contribuinte, com cerca de 32,2% do total de fundos para a
intervenção de resposta ao ciclone Idai. De entre os clusters, o de segurança
alimentar e dos meios de vida recebeu aproximadamente 67% do financiamento
global. No entanto, estes fundos destinaram-se principalmente à ações de caracter
emergencial de compra e distribuição de bem alimentares para apoio as famílias
desalojadas e colocadas nos campos de reassentamento estabelecidos na cidade
da Beira, Dondo, Nhamatanda, Dombe, Búzi, Maganja da Costa e Chibabava. Em
contraste, o cluster de recuperação pós-desastre recebeu a parcela de
financiamento mais baixo entre os clusters, ganhando apenas ao cluster de
Coordenação e Serviços Colectivos.

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Uma comparação das parcelas de financiamento dedicadas ao ciclone Idai, Kenneth
e as zonas afectadas pela seca em 2019 mostrou que o financiamento a seca
recebeu significativamente muito menos financiamento em comparação com os
outros eventos. Isto de certa forma contribui para a pobreza e a insegurança
alimentar característicos das regiões Semi-áridas de Moçambique, que apesar de
apresentarem más condições agro-ecológicas para a produção em sequeiro de
grande parte das culturas alimentares habituais, e.g., milho, têm um elevado
potencial pecuário. Contudo, este potencial é pouco explorado. Por outro lado, o
deficitário acesso a água potável e productiva que constitui uma das principais
limitantes na zona seca de Moçambique, dados do rescaldo dos ciclones Idai e
Kenneth, mostraram que um total de 21.8 e 10 milhões de dólares americanos,
respectivamente foram alocados a componente de água e saneamento, nas regiões
afectadas pelos dois ciclones. Em contrapartida, as zonas secas, no mesmo
período, receberam apenas 2.1 milhões de dólares de financiamento para melhorar
o acesso à água e ao saneamento.

1.3.2 A INTERLIGAÇÃO ENTRE GRRD, CONFLITOS E A ADESÃO DE MOÇAMBIQUE AOS


PROTOCOLOS INTERNACIONAIS SOBRE GRRD - O QUADRO DO MARCO DE SENDAI

Em Moçambique, a GRRD e os conflitos político-militares são duas questões


interligadas e como tal requerem modelos de intervenção holística e integrados.
Tanto os desastres naturais – ciclones, cheias e secas, como o conflito na província
de Cabo Delgado, causaram perdas significativas de vidas e prejuízos económicos.
O conflito em Cabo Delgado, que começou em 2017 e se agravou
significativamente nos últimos anos, levou a uma crise humanitária sem
precedentes. Estes dois eventos, combinados, levaram ao desalojamento de mais
de dois milhões de pessoas, muitas destas a viver em condições precárias, i.e., em
abrigos temporários. Nestes locais, apesar de o país ser signatário do Quadro do
Marco de Sendai5, pouco foi alcançado no sentido de ajudar a criar soluções
definitivas para os deslocados internos (IDP), e deste modo preservar a sua
dignidade, padrões de vida, facilitar a sua transição para uma nova vida bem como
equipá-las com as competências necessárias para refazer as suas vidas a nível das
comunidades de acolhimento ou quando chegar o momento de regressar as zonas

5
O Quadro do Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres é um plano
global para a redução do risco de desastres e das perdas á eles associadas.
Estabelece vários objectivos e metas para orientar os esforços nacionais e
internacionais nesta área, com destaque para: 1) reduzir a mortalidade decorrente
de desastres em pelo menos, 50% até 2030; 2) reduzir as perdas económicas
decorrentes dos desastre até 2030; 3) aumentar a resiliência nacional e local: 4)
reforçar a governância em matéria de GRRD a todos os níveis; 5) melhorar os níveis
de prontidão; 6) melhorar a cooperação internacional: 7) promover abordagens
inclusivas e sensíveis ao género para GRRD.

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de origem. A gestão de deslocados internos constitui ainda um desafio para o GdM
e seus parceiros de desenvolvimento até agora, tanto no Norte de Moçambique,
assolado pelo conflito, assim como na zona Centro e Sul de Moçambique, que são
propensas a ciclones e cheias. Nestas regiões, e existe uma porção significativa de
famílias desalojadas pós-evento e que acaba sempre regressando as zonas de risco
e viver abaixo dos seus padrões de vida anteriores, devido à incapacidade existente
de conceber soluções definitivas capazes de proporcionar melhores padrões de vida
aos IDP’s nas zonas de reassentamento.

No norte de Moçambique, por exemplo, desafios na gestão de IDP’s tem contribuído


para o aumento da vulnerabilidade e redução dos padrões de vida dos IDP’s assim
como das comunidades de acolhimento. Por conta disso, conflitos entre as
comunidades de acolhimento e IDP’s, principalmente no que respeita ao acesso a
terra agrícola são frequentes. A gestão de IDP’s também cria tensões sociais,
económicas e políticas. Por conseguinte, é necessária uma visão holística e
integrada da GRRD bem como de conflitos emergentes, sobretudo no que se refere
à governância de IDP’s que deve ter em conta as causas e os factores subjacentes a
ambos e a forma de preparar as comunidades de acolhimento para a nova
realidade em que tem de conviver amigavelmente com outros grupos. Isto inclui um
envolvimento activo das comunidades de acolhimento no processo de planificação
dos reassentamentos. Além disso, a promoção da coesão social, a construção da
paz e o reforço do nível de prontidão para Desastres e conflitos deve ser fortalecida.
Para o caso específico dos conflitos político-militares, é fundamental identificar
formas de actuação que vão além da esfera militar.

1.4 OPORTUNIDADES E DESAFIOS PARA A FDC SE TORNAR UM ACTOR CHAVE NO APOIO


A INTEGRAÇÃO DA GESTÃO DE RISCOS CLIMÁTICOS NAS AGENDAS DE GOVERNAÇÃO E
PROGRAMAS DO DESENVOLVIMENTO LOCAL

A Fundação está presente em cerca de 95% dos distritos de Moçambique (Figura


10) através de uma rede de parceiros e sub-recipientes de fundos contratados para
implementar os programas da FDC a nível comunitário. Os sub-beneficiários são
uma rede de organizações de base comunitária financiadas e tecnicamente
assistidas pela FDC para levar a cabo actividades específicas de cada projecto.
Cada uma destas organizações tem um escritório no distrito e implementa as suas
actividades através de uma rede de activistas e voluntários baseados na
comunidade. Os activistas e voluntários são selecionados entre membros da
comunidade a destacar, líderes comunitários, pessoas individuais formadores de
opinião a nível de diferentes grupos de interesse e OCB’s na comunidade. No
entanto, também podem incluir funcionários públicos, a destacar, professores e
profissionais de saúde.

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A FDC tem um total de 209 trabalhadores distribuídos por todo o país. Destes, a
sede em Maputo, com cerca de 75 trabalhadores, e o subescritório de Cabo
Delgado, com 34 trabalhadores, são os que têm maior número de trabalhadores.
Ao pessoal permanente da FDC junta-se uma rede de cerca de 26 mil voluntários,
dos quais 57,6%, i.e., cerca de 15.073 activistas fazem parte de uma rede de
pessoal indiretamente pago pelos sub-recipientes da FDC. Os voluntários estão
distribuídos pelos distritos abrangidos pela FDC e constituem um recurso activo
para ajudar a operacionalizar as intervenções comunitárias da FDC. A nível distrital,
esta rede é composta pelas seguintes categorias: 1) supervisores de nível distrital,
2) activistas, 3) paralegais - assistentes jurídicos, 4) APE’s, 5) mentores; 6)
professores de escolas primárias e secundárias, 7) líderes comunitários e 8) pontos
focais de nível distrital.

Os supervisores de nível distrital, activistas, os paralegais - assistentes jurídicos,


APE’s e os mentores fazem parte do pessoal remunerado e que trabalha
directamente nas intervenções da FDC a nível comunitário. Os activistas
representam 52,1% do total do pessoal indiretamente remunerado pela FDC. O
restante do pessoal remunerado é composto por supervisores a nível distrital
(1,09%), paralegais (1,14%) e APE’s (3,21%). Os professores das escolas
constituem a maior parte dos voluntários da FDC, representando 40,6% do total do
pessoal Indirecto da FDC. Manica e Cabo Delgado têm o maior número de
trabalhadores e voluntários indiretamente pagos pela FDC a nível comunitário. Dos
15.307 indivíduos pagos indiretamente pela FDC, 49,8% e 26% estão baseados nas
províncias de Manica e Cabo Delgado, que têm 7.626 e 3.976 trabalhadores de
nível comunitário, respectivamente. Em resultado, as duas províncias têm o rácio
mais baixo de pessoal por agregado familiar, com 34 e 108 agregados familiares
por pessoal de nível comunitário pago, respectivamente.

Em actividade há quase 30 anos, a Fundação tem trabalhado com um orçamento


operacional anual que ronda os 15 milhões de dólares americanos/ano nos últimos
5 anos, dos quais cerca de 80% são dedicados a programas de saúde financiadas
pelo Fundo Global para o HIV/SIDA, Tuberculose e Malária. No entanto, sendo a FDC
uma Fundação, esta tem conseguido cofinanciar com fundos próprios e de doações
externas onde se destaca a Fundação Bill e Melinda Gates, programas prioritários
como o da segurança alimentar e a nutricional, apoio emergencial e recuperação
pós-desastre, melhoria e diversificação de meios de vida.

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Figura 10: Presença geográfica da FDC a nível distrital com base nas áreas de
intervenção chave dos projectos da FDC: A figura mostra igualmente os distritos em

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que se verifica uma sobreposição de projectos, o que contribui para uma maior
integração de programas da Fundação

Página 31 de 83
Tabela 1: Distribuição do pessoal Indirecto remunerado da FDC pelas províncias de intervenção. Um rácio de
número de agregados familiares rurais por membro do pessoal considerou que a fundação utiliza eficazmente a sua
rede de pessoal remunerado para implementar programas de desenvolvimento local. Um rácio baseado na teoria de
difusão de inovação e calculado para atestar quantos agregados familiares cada membro do pessoal teria de
intervencionar, considerando uma necessidade de penetração de 5-7% para estimular mudanças

Rácio baseado
Pessoal na Teoria de
Rácio rural 5-7 %
remunerado Quota Agregados familiares Difusão de
Província (Agr. fam: Ind. População
indirectame (%) rurais (#) inovação (7%
STAFF) rural
nte (#) Agr. fam: Ind
STAFF)
Niassa 179 1.17 289,709 1,618 20,280 113
Cabo
3976 25.98 431,365 108 30,196 8
Delgado
Nampula 653 4.27 916,094 1,403 64,127 98
Zambézia 729 4.76 957,643 1,314 67,035 92
Sofala 506 3.31 259,845 514 18,189 36
Manica 7626 49.82 256,730 34 17,971 2
Tete 255 1.67 454,635 1,783 31,824 125
Inhambane 245 1.60 241,349 985 16,894 69
Gaza 239 1.56 204,220 854 14,295 60
Província
536 3.50 137,836 257 9,649 18
de Maputo
Maputo
363 2.37 - - - -
Cidade
TOTAL 15307 100 4,149,426

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Nos últimos 8 anos, i.e., 2014-2022, a FDC através da sua unidade de agricultura,
SAN e melhoria de meios de vida, responsável pelo desenho e implementação de
intervenções de desenvolvimento comunitário compatíveis ao clima centradas
principalmente na melhoria da capacidade productiva, SAN, e diversificação de
renda e meios de vida em contexto de mudanças climáticas, vários modelos para a
melhoria da gestão e resiliência climática foram desenvolvidos. Grande parte destes
modelos estão assentes em uma abordagem integrada e participativa de
fortalecimento e diversificação sustentável de meios de vida (SLED) que se provou
efectiva na melhoria dos níveis de prontidão, adaptação e redução da
vulnerabilidade a longo prazo a três níveis, nomeadamente, regional, i.e.,
comunidade e instituições, a nível da unidade de produção e por fim a nível do
agregado familiar como um todo. O modelo da FDC era centrado numa intervenção
em três dimensões, nomeadamente, a humana, económica e física (Figura 11).

Dimensão Económica -
Inclusão financeira,
alfabetização, ligação com o Acesso a sementes de alto rendimento,
mercado e meios de tolerantes à seca e biofortificadas (por
exemplo, BDPA e leguminosas)
subsistência diversificados Acesso a sistemas de irrigação solar de
Capacitação institucional
Construir capacidade local em SAN e pequena escala
programação de desenvolvimento Melhore a lucratividade econômica de toda a Estabelecimento de sistemas comunitários
compatível com o clima fazenda de sementes
Melhorar os sistemas de monitoramento Literacia financeira para melhorar as estratégias de Melhorar a gestão de riscos agrícolas,
climático e o uso de informações climáticas gestão de recursos no nível familiar - uso e alocação melhorando o desenho e gestão de sistemas
para aprimorar o planejamento agrícola Dinamizar ROSCAS de Base Comunitária agrícolas inteiros - design de sistemas
Assistência técnica: vincular os agricultores Desenvolver habilidades empreendedoras agrícolas integrados, sensíveis ao clima e à
a redes de conhecimento para melhorar seu Fortalecer a ligação com mercados nutrição
processo de tomada de decisão; Diversificar estratégias de subsistência - fontes de Melhorar a produtividade dos recursos -
Integração de jovens por meio da TVET renda familiar com ênfase em negócios liderados produzir mais com menos, ou seja,
Reunir OSCs, CBOs e instituições de por mulheres dentro e fora da machamba intensificação sustentável com ênfase no
conhecimento por meio de programas de Profissionalizar a gestão das machambas por meio aumento da eficiência no uso de terra, mão de
pesquisa participativa do acesso a suporte técnico especializado e obra, água e nutrientes
Geração de conhecimento, sistematização e participação em cooperativas e cadeias curtas de Aumentar a disponibilidade de alimentos
disseminação inteligente valor através da redução das perdas pós-
colheita
Melhorar as medidas de conservação do
Dimensão Humana Dimensão Física
solo e da água

- Acesso ao conhecimento - - Melhorar o desenho e a


gestão de sistemas agrícolas:
machambas sensíveis ao
clima e à nutrição

Figura 11: O diagrama apresenta a abordagem multidimensional da Unidade da


FDC de agricultura, SAN e diversificação de meios de subsistência para a gestão de
riscos climáticos na produção local e nos sistemas alimentares.

As abordagens da FDC para fortalecimento e diversificação de meios de vida como


alternativa para reduzir a vulnerabilidade climática no meio rural Moçambicano
onde a agricultura é a principal actividade socioeconómica, estão assentes no
pressuposto de que no contexto actual que o país vive, i.e., chuvas cada vez mais
erráticas, cheias e secas cíclicas, ciclones tropicais, a SAN, o acesso a água, a renda
familiar e bem-estar, deixaram de ser apenas uma função directa da capacidade
produtiva, e tornaram-se fenómenos multifacetados que dependem muito da
capacidade de cada família e comunidade, estruturar de forma inteligente a sua
estratégia de sobrevivência – fortalecer e diversificar os seus meios de vida de

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modo a melhorar os níveis de prontidão, resposta e capacidade de recuperação
pós-choque. Foi a pensar na necessidade de cobrir esta lacuna existente na gestão
de risco climático que a FDC vem trabalhando no sentido de desenhar e promover
abordagem para tornar os sistemas e cadeias de produção, bem como dos sistemas
alimentares locais climaticamente resilientes.

Entre os modelos desenvolvidos e promovidos pela FDC e seus parceiros técnicos


destacam-se, o estabeleciemnto de paisagens alimentares – foodscapes com vista a
melhorar a disponibilidade alimentar pós-choque nos centros de reassentamento
Pós-IDAI em Sofala, Manica e Zambezia. Neste processo, iniciativas como o
dimensionamento e estabelecimento de sistemas de abastecimento de água (SAA)
multifuncionais capazes de ajudar a aumentar a disponibilidade de água potável e
productiva que ajudaram a operacionalizar a iniciativa “um SAA uma Horta
Comunitária”, o estabelecimento de clubes comunitários de produção, multiplicação
e conservação de semente assentes no modelo “pequenos produtores, grandes
áreas – SFLF”, i.e., clusters de produção colectiva onde se reúnem pequenos
produtores em uma area de produção única para sustentar uma operação de
produção em escala, são alguns dos exemplos de sucesso.

O SFLF foi largamente usado pela FDC em contextos de recuperação pós-choque


para sincronizar operações e criar uma economia de escala capaz de ajudar a
melhorar a disponibilidade alimentar e renda ao mesmo tempo. Sucessos com a
abordagem foram conseguidos com IDP’s nos centros de reassentamento em Buzi,
Dondo, Nhamatanda, Dombe e Maganja da Costa. O SFLF foi aperfeiçoado e
expandido também para contextos normais onde a FDC usou a abordagem para
estabelecer associações de produção comercial – cereais, leguminosas e hortícolas,
e multiplicação de semente em Chókwè. As paisagens alimentares e SFLF fazem
parte dos esforços de advocacia da FDC para influenciar inclusão de áreas mínimas
produtivas no processo de demarcação de zonas de reassentamento. As duas
abordagens, muito em particular o SFLF apresenta uma potencial para ajudar a
minimizar problemas de acesso a terra productiva, reduzir a dispersão, facilitar
assistência técnica aos IDP’s assim como reduzir potenciais conflitos no acesso a
terra productiva. No entanto, existe uma necessidade de aperfeiçoar o modelo no
concernente a fixação do tamanho das áreas colectivas que dependerá do número
de famílias a cobrir, e o padrão de necessidades fixados com base na meta de
adequabilidade de dieta e renda almejados.

O desenho e promoção dos quintais climática e nutricionalmente inteligentes, uma


abordagem assente no conceito de “agricultura urbana” e desenvolvida a luz do
Movimento Social para a Redução dos Índices de Malnutrição em Nampula
comissionado pelo Gabinete do Governador Borges é outra tecnologia que pode
trazer um contributo importante ao meio rural. Os quintais inteligentes foram

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desenhados e estabelecidos com o objectivo de ajudar a melhorar os indicadores de
SAN em Nampula através de ações coordenadas para aumentar a disponibilidade,
acesso, e suprimento continuo de alimentos ricos e capazes de ajudar a suster uma
dieta balanceada e rica em nutrientes essências. Em Nampula, os quintais
inteligentes foram criados através da sistematização e integração de abordagens
até então departamentalizadas a luz da estratégia de operacionalização das
diretrizes do PAMRDC em relação a melhoraria da disponibilidade imediata de
micronutrientes essências provenientes de vegetais e frutas frescas bem como
acesso a proteína animal – ovos, carne e peixe.

Os quintais inteligentes foram mais tarde ajustados para um contexto rural onde o
enfoque foi posto no redesenho e estruturação da “exploração familiar” com ênfase
na parcela productiva a volta da casa que concentra grande parte da diversidade
productiva da família antes de passar para o ajuste de toda operação de modo a
melhorar a gestão de risco climático e no processo aumentar a productividade e
rentabilidade económica da exploração familiar. Neste quintal productivo, esforços
foram feitos pela FDC no sentido de melhorar a disponibilidade de água productiva
através de infraestruturas de captação e retenção de água e trazer o maior nível de
integração por via da promoção de sistemas de produção climática e
nutricionalmente inteligentes onde culturas anuais com tolerância contrastante a
grande parte dos estresses bióticos e abióticos, ciclos fisiológicos diferentes,
objectivo contrastantes, i.e., alimentação e geração de renda, múltiplos propósitos
e capazes de ajudar a melhorar as propriedades físico-químicas e biológicas do solo,
culturas perenes (4F’s) com ênfase em fruteiras, forrageiras, fixação de nitrogénio,
integração de animais e hortas caseiras para melhorar a SAN, renda e circularidade
no sistema.

Apesar de esforços terem sido feito maioritariamente a nível da exploração familiar,


trabalho de advocacia e reforço da capacidade local e localização das intervencoes
da FDC. Para tal, um envolvimento activo das autoridades locais e OCB’s com
ênfase nos SDAE, SDPI, CLGRD e associações foi parte integrante das intervenções
da FDC. A nível da operacionalização da agenda de melhoria de prontidão Pós-IDAI,
particularmente nos districtos de Buzi, Dondo, Dombe e Maganja da Costa, a FDC
trabalhou activamente com o INGD na revitalização e capacitação dos CLGRD,
instalação dos sistemas de alerta e aviso prévio – escala hidrométrica e sirenes. No
entanto, intervenções no sentido de tornar os CLGRD num órgão multifuncional
capaz de operar fora da janela de ocorrência dos eventos climáticos extremos
foram testadas, como sucesso em Maganja da Costa e Búzi. Neste processo, o
engajamento dos membros do CLGRD em actividades produtivas e geração de
renda – modelo SFLF, grupos de PCR mostrou-se efectiva na criação de coesão e
estímulo para manter o grupo junto. No entanto, um acompanhamento contínuo
destes grupos pós-reativação no sentido de definir uma agenda multianual para

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melhoria de prontidão, resposta e recuperação pós-choque é necessária
principalmente no semiárido onde existe um maior déficit operacional.

1.4.1 AVALIAÇÃO DO ARRANJO INSTITUCIONAL - PONTOS FORTES E FRACOS DA FDC

VISÃO INSTITUCIONAL

a) Credibilidade e imagem forte: A FDC é considerada um parceiro confiável


por muitos parceiros e doadores, o que facilita a advocacia e a mobilização
de recursos para alcançar os objetivos de melhoria da prontidão e resiliência
climática em Moçambique.

b) Conselho de Administração sólido: A presença de um Conselho de


Administração com capacidades variadas e competências convergentes
fortalece a tomada de decisões e a criação de sinergias com instituições
locais e possíveis parceiros internacionais.

c) Bom histórico de gestão de fundos externos: A FDC possui experiência na


gestão de recursos de mais de 100 doadores, com auditorias externas
sempre limpas, o que demonstra sua capacidade de gerir e prestar contas
desses fundos de forma eficiente.

d) Histórico de implementação de projetos: A FDC possui um bom histórico de


implementação de projetos em várias áreas temáticas, especialmente no
programa de agricultura, segurança alimentar e diversificação de meios de
vida. As parcerias com instituições acadêmicas também fortalecem sua
capacidade de pesquisa e inovação nestas áreas.

e) Presença em todo o país: Com uma equipe composta por


aproximadamente 209 funcionários permanentes, a FDC tem uma cobertura
de cerca de 95% dos distritos de Moçambique, o que a torna um parceiro-
chave no desenvolvimento local. No entanto, é importante equilibrar o
quadro de pessoal entre sede e comunidade, especialmente em regiões de
risco, para melhorar a alocação de profissionais especializados em gestão de
risco de desastres e resiliência climática em nível comunitário.

f) Presença no terreno: Através de uma rede de sub-beneficiários, a FDC está


presente em mais de 95% dos distritos de Moçambique. Esses sub-
beneficiários, que são organizações de base comunitária, implementam os
programas da FDC a nível comunitário. Essa presença no terreno é
possibilitada por meio de redes de ativistas e voluntários baseados na

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comunidade, selecionados entre líderes comunitários, formadores de opinião
e profissionais públicos, como professores e profissionais de saúde.

Para aprimorar o arranjo institucional da FDC, é recomendado melhorar a


alocação de pessoal especializado em gestão de risco de desastres e
resiliência climática a nível comunitário, principalmente em regiões de risco.
Além disso, é importante continuar fortalecendo parcerias com instituições
acadêmicas e garantir uma gestão eficiente e eficaz dos recursos recebidos.

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DESAFIOS
Desafios a serem abordados pela FDC para fortalecer sua actuação na área de
Gestão e Redução do Risco de Desastres e melhoria da resiliência climática
incluem:

1. Memória Institucional: A FDC precisa melhorar a documentação de suas


intervenções anteriores em GRRD antes do IDAI e do conflito em Cabo Delgado.
Além disso, é importante fortalecer a ligação com os Clusters das Nações
Unidas, onde a organização está mal representada.

2. Recursos Humanos: É necessário desenvolver capacidade operacional


interna e formar recursos humanos dedicados em GRRD. Além da Unidade de
Agricultura, Segurança Alimentar e Melhoria de Meios de Vida, a FDC precisa de
profissionais qualificados em GRRD para se tornar um ator ativo em fóruns
relacionados a essa área.

3. Ligações Institucionais: A FDC enfrenta uma fraqueza na participação em


plataformas nacionais e internacionais de GRRD e resiliência climática. É
importante fortalecer a relação com o INGD e buscar assento em comitês de
gestão de desastres e clusters da ONU para ampliar o espaço de influência da
organização.

4. Procedimentos e Diretrizes Operacionais: A FDC não possui uma política


interna e diretrizes operacionais claras para intervenções em GRRD. É essencial
estabelecer essas orientações para fortalecer a atuação da organização ao longo
da cadeia de GRRD.

5. Estrutura Organizacional: A FDC precisa de uma estrutura organizacional


que seja compatível com a necessidade e dimensão dos esforços de
institucionalização da GRRD e melhoria da resiliência climática. Essa estrutura
deve permitir uma coordenação eficiente, planeamento, implementação e
monitoria das intervenções de longo prazo em GRRD e resiliência climática.

Ao abordar esses desafios, a FDC poderá intervir de forma mais eficaz e atempada
na cadeia de GRRD, fortalecendo sua posição como parceiro-chave na promoção de
ações de desenvolvimento comunitário e governança local em Moçambique.

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CAPÍTULO II: VISÃO ESTRATÉGICA
2.1 RELEVÂNCIA DA ESTRATÉGIA PARA A FDC

A elaboração desta estratégia envolveu um processo cuidadoso de revisão crítica


da paisagem e cadeia de GRRD em Moçambique. Foi realizada uma análise
profunda dos arranjos institucionais e operacionais ao longo da cadeia de GRRD por
meio de consultas públicas organizadas pela FDC-INGD em nível central,
subnacional e comunitário. Durante essas consultas, os participantes foram
convidados a refletir e analisar os últimos 22 anos de gestão de risco de desastres
naturais e climáticos em Moçambique, desde a independência. Foram discutidos
eventos significativos, como as enchentes de 2000 e 2013 na bacia do rio Limpopo
(Chókwè e Xai-Xai), as enchentes de 2007 no rio Licungo, o conflito político-militar
entre a RENAMO e a FRELIMO de 2013 a 2021 em Moçambique central, que resultou
na morte do líder militar em 2021, os ciclones tropicais recentes – Idai (2019),
Kennedy (2019) e Eloise (2021), a interface entre desastres naturais - ciclone
Kenneth em 2019 e as consequências da insurgência em Cabo Delgado que tem
deslocado milhares de famílias nos distritos costeiros. Também foi analisado o
monitoramento das secas cíclicas no semiárido moçambicano e as enchentes nas
regiões Centro e Sul, com destaque para as bacias dos rios Púnguè, Búzi, Limpopo e
Zambeze.
As consultas públicas em todo o país foram um exercício de cidadania que envolveu
a participação do INGD, instituições governamentais em nível central, provincial e
distrital, parceiros de desenvolvimento e comunidades. As organizações da
sociedade civil (OSC’s), o setor privado, as instituições acadêmicas, as agências das
Nações Unidas, os doadores e todos os demais envolvidos na cadeia de GRRD
também foram consultados.
No total, foram realizados 35 encontros regionais, com a participação de um total
de 1.075 pessoas, abrangendo as províncias do Sul - Gaza (13); Centro - Manica (4)
e Sofala (9); e Norte - Cabo Delgado (6) e Nampula (3). Em cada região, foram
realizadas consultas a nível provincial, distrital e comunitário com a participação de
comitês técnicos e operacionais de emergência (CTOE e COE), comitês locais de
gestão de risco de desastres (CLGRD) e a comunidade. No nível provincial,
participaram 154 pessoas representando 82 instituições públicas, OSC’s e parceiros
de desenvolvimento, sendo 31, 36 e 15 instituições no norte, centro e sul de
Moçambique, respectivamente. No nível distrital, foram realizadas 8 reuniões nas
três regiões, envolvendo 165 pessoas de 36 instituições, principalmente instituições
governamentais - 9, 13 e 14 instituições no norte, centro e sul de Moçambique,
respectivamente. A nível comunitário, foram realizadas consultas em 22 CLGRDs de
regiões propensas a secas e enchentes, envolvendo um total de 756 participantes.
Para a FDC, esse exercício público não apenas ajudou a reunir e compreender as
expectativas e aspirações locais em relação aos pontos de intervenção para

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fortalecer a cadeia de GRRD em nível local, mas também ajudou a entender como a
FDC é percebida pela comunidade e suas lideranças. Isso permite à FDC alinhar
seus esforços com as iniciativas de capacitação do INGD e das autoridades locais,
institucionalizar melhorias na gestão de risco de desastres e integrar a resiliência
climática em programas de desenvolvimento local. Portanto, é do interesse da FDC
continuar promovendo espaços de diálogo e construindo parcerias público-privadas
inteligentes para co-criar soluções viáveis localmente, capazes de reduzir os efeitos
imediatos e os impactos de longo prazo dos choques climáticos nas comunidades e
seus meios de subsistência.
2.1.1 PRINCÍPIOS

A abordagem estratégica da FDC para integrar a GRRD e melhorar a resiliência


climática nos programas de desenvolvimento comunitário para o período de 2024-
2034 é orientada por 7 princípios e valores alinhados com a filosofia de trabalho da
fundação. Esses princípios incluem:

1. Participativo: A abordagem tem como objetivo fundamental garantir a


inclusão da comunidade e a voz ativa de seus membros na gestão do risco
climático e de desastres naturais. Isso significa envolver ativamente a
comunidade, principalmente grupos vulneráveis e marginalizados, no
processo de elaboração, implementação e monitoramento dos planos
plurianuais de GRRD e melhoria da resiliência climática.

2. Sensibilidade de gênero: A abordagem coloca as mulheres no centro das


intervenções, especialmente em relação à sua agência intrínseca,
instrumental e coletiva, no contexto da implementação de programas de
desenvolvimento local compatíveis com o clima. Isso inclui fortalecer e
diversificar de forma sustentável os meios de subsistência (SLED). Nesse
processo, é importante dar atenção especial ao acesso e controle de
recursos, participação na tomada de decisões, acesso e decisão sobre o uso
de serviços financeiros, e proteção contra exploração e abuso sexual.

3. Sustentabilidade: A abordagem busca promover intervenções sustentáveis


em GRRD e melhoria da resiliência climática, que possam melhorar os níveis
de prontidão, resposta, recuperação rápida e resiliência climática. Isso
envolve a promoção de intervenções e medidas que abordem os principais
obstáculos socioeconômicos e ambientais que contribuem para os altos
níveis de vulnerabilidade climática.

4. Localização: A abordagem visa promover a colaboração ativa com


organizações da sociedade civil e garantir o envolvimento ativo dos líderes e
membros da comunidade na adaptação e implementação de medidas de
gestão de desastres e riscos climáticos em modelos de intervenção
localmente viáveis e aceitos. Isso facilita a internalização e

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institucionalização dessas medidas nos modos de vida locais, promovendo
uma convivência mais saudável com eventos climáticos.

5. Colaboração: A abordagem prioriza a colaboração e estabelecimento de


parcerias inteligentes com partes interessadas-chave para viabilizar a
institucionalização das ações da cadeia de GRRD nos planos de
desenvolvimento e governança local. Autoridades governamentais,
organizações da sociedade civil, setor privado e, em particular, instituições
bancárias devem estar envoltas no desenho de pacotes de financiamento e
legislação setorial voltados para melhorar a prontidão e a resiliência nas
comunidades vulneráveis.

6. Baseada em evidências: A abordagem envolve a testagem, ajuste e


promoção de modelos de intervenção tecnicamente e cientificamente
validados, bem como baseados em conhecimento e experiência comunitária
robusta. Isso garante que as atividades e iniciativas de gestão de risco de
desastres promovidas sejam eficazes e atendam às necessidades locais.

7. Transparência e prestação de contas: A abordagem dá prioridade à


transparência e prestação de contas em todas as intervenções ao longo da
cadeia de GRRD, especialmente no reforço da capacidade local para
monitorar regularmente o progresso e os resultados das intervenções
acordadas.

2.1.2 VISÃO ESTRATÉGICA

Os resultados da consulta foram consolidados num relatório de análise situacional


que de forma critica estudou a cadeia de GRRD-ERH em Moçambique”. A partir
desta análise, foram desenvolvidas cinco (5) visões estratégicas, nomeadamente:
a) Adição de valor e promoção de boas práticas de melhoria da
resiliência climática já desenvolvidas, testadas e validades através do
mecanismo de nacional de GRRD liderado pelo GdM-INGD e parceiros de
desenvolvimento, assim como resultantes de experiências adquiridas pela
Fundação a luz do seu historial de intervenções de melhoria prontidão e
resiliência climática em Moçambique. Para tal a FDC precisará envolver de
forma activa o INGD, o INAM, IP, as instituições locais e as comunidades em
risco na compreensão, interpretação e uso do conhecimento local para
identificação de riscos, testagem e ajuste de potenciais soluções,
implementação e promoção de modelos e de intervenção capazes de ajudar a
melhorar o grão de prontidão e capacidade de mitigação, adaptação e
construção de resiliência climática a longo prazo.

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b) Fortalecer a FDC e instituições locais através de intervenções orientadas
para o reforço da capacidade técnica interna da FDC, do INGD, do INAM, IP,
governos locais e das OSC-OCB’s no domínio de desenho e implementação de
agendas de governação e programa do desenvolvimento compatíveis ao
clima. Neste contexto, o reforço da capacidade local para integrar a gestão de
riscos climático nos programas do desenvolvimento local a diferentes níveis –
província, distritos, postos-administrativos, localidade, povoados e agregados
familiares, como meio de blindar a cadeia de serviços primários,
nomeadamente, agricultura e sistemas alimentares locais, água, educação e
diversificação de meios de vida, saúde, sistemas financeiros de modo a
melhorar os níveis de prevenção, prontidão, resposta e recuperação e
reconstrução pos-choque devem merecer atenção particular. Ao fazê-lo, será
importante reforçar os mecanismos de coordenação e gestão climática
através de parcerias público-privadas inteligentes que ajudem a aproximar os
demais actores na cadeia de GRRD do governo local, lideranças comunitárias
e comunidade6.

c) Fortalecimento dos COE-CTOE e suas subcomissões temáticas bem


como apoio a revitalização dos CLGRD a nível distrital e comunitário -
no contexto de cheias, secas e outros eventos legislados, é urgente garantir
que os órgãos locais de GRRD façam mais do que um trabalho reactivo e se
transformem em actores activos no desenho, implementação e monitoria do
plano multianuais de melhoria de prontidão, resposta, e resiliência a longo
prazo das comunidades locais.

d) Advocacia direcionada para o desenvolvimento de agendas e programas de


desenvolvimento compatíveis ao clima e mobilização de recursos para a
implementação de seguros climáticos.

e) Desenho, sistematização de conhecimento e promoção de boas


práticas de melhoria da resiliência climática – identificar, testar e
promover de forma participativa práticas inovadores, escaláveis e
cientificamente validadas para a gestão do risco climático, desenvolvidas
apartir de parcerias activas com instituições públicas e privadas de
conhecimento – academia e pesquisa envolvidas na prestação de assistência
técnica direcionada aos governos locais, OSC-OCB’s e comunidades
vulneráveis na testagem, validação e ajudes de pacotes tecnológicos
internacionalmente validados à realidade e padrões operacionais aceites em
Moçambique.
6
Esta aproximação deve ser vista como uma componente integral e activa de um
movimento para institucionalizar abordagens participativas e localmente viáveis de
desenho, implementação e monitoria dos efeitos imediatos e os impactos a longo
prazo de intervenções acordadas localmente para melhorar o grão de prontidão e
resiliência climática a longo prazo.

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VISÃO
 Um país onde as comunidades são resilientes a choques climáticos,
equipadas e dotadas de capacidade e conhecimento sobre os riscos que
estão expostos equipadas de capacidade para gerir desastres sem
comprometer a materialização da agenda e prioridades de desenvolvimento
local imediato e futuro.

MISSÃO
 A nossa missão é integrar a Gestão e Redução do Risco de Desastres (GRRD)
em todos os programas e actividades de desenvolvimento comunitário,
através do reforço da capacidade local - instituições e comunidades, na
gestão eficaz dos riscos de desastres por via do desenvolvimento de
protocolos institucionais para GRRD assentes no estabelecimento de
parcerias público-privadas inteligentes para a sua materialização no terreno.
A FDC esforçar-se-á por melhorar a prontidão para redução do risco de
desastres e melhorar a capacidade de resposta, recuperação e resiliência a
longo prazo das comunidades de risco onde o fortalecimento da capacidade
para tomado de decisões informadas promoção de intervenções lideradas
pela comunidade merecerá especial atenção.

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2.2 OBJECTIVO GERAL

● Reduzir a vulnerabilidade climática por meio do engajamento ativo de


instituições locais, governamentais, lideranças comunitárias, comunidades
em risco, OSC-OCB's, setor privado local, bancos, academia-pesquisa e
parceiros de desenvolvimento na implementação e monitoramento ativo de
agendas e programas multianuais de desenvolvimento compatíveis com o
clima. Esses programas serão baseados na necessidade de melhorar os
níveis de prevenção de prontidão, adaptação, mitigação e resiliência a
choques climáticos extremos.

2.2.1 OBJECTIVOS ESTRATÉGICOS

2.2.1 Integrar o clima, a gestão do risco climático e a resposta humanitária como


temas transversais no modelo operacional da FDC e em seus programas de
desenvolvimento comunitário. Isso garantirá uma materialização mais
efetiva e eficiente dos objetivos de transformação social visados pela
fundação no actual contexto de mudanças climáticas, desastres e
ambiente de conflito.

2.2.2 Reforçar a governança climática e de gestão de riscos de desastres aos


níveis provincial, distrital e comunitário, fortalecendo a capacidade do
governo local, instituições, trabalhadores, lideranças comunitárias,
membros da comunidade local, OSC-OCB's e outros profissionais do
desenvolvimento local no desenho, implementação e monitoramento de
programas de desenvolvimento compatíveis com o clima 7 e a capacidades de
Prontidão, Resposta e Rápida Recuperação,

2.2.3 Sistematizar e disseminar conhecimento relevante sobre as melhores


tecnologias e práticas de gestão de risco climático, visando tornar os
sistemas locais de prestação de serviços primários compatíveis com o
clima. Para isso, será importante estabelecer plataformas de gestão do
conhecimento e parcerias de inovação, envolvendo actores públicos e
privados, para implementar programas de pesquisa adaptativa e formativa
conjunta que permitam a transferência de tecnologias e modelos de
intervenção capazes de melhorar o conhecimento local sobre o tema. Isso
estimulará as comunidades em risco a tomar ações informadas para testar,
selecionar e promover medidas de construção e melhoria da resiliência
climática localmente viáveis e relevantes.

7
Como uma estratégia para institucionalizar medidas continuadas de gestão do
risco de desastres e aprimoramento da resiliência climática, visando à redução da
vulnerabilidade climática em médio e longo prazo

Página 44 de 83
2.2.4 Realizar advocacia direcionada para a familiarização, implementação e
monitoramento contínuo do quadro legal de gestão do risco de desastres
naturais em nível provincial, distrital e comunitário. Isso criará um
ambiente favorável para o envolvimento activo das comunidades locais na
concepção, implementação e monitoria contínuo de planos multianuais
para construção e melhoria da resiliência climática localmente acordados,
capazes de melhorar os níveis de prontidão, resposta, recuperação pós-
choque e resiliência a longo prazo das comunidades em risco.

2.2.5 Realizar advocacia direcionada para a familiarização, implementação e


monitoramento contínuo do quadro legal de gestão do risco de desastres
ao nível provincial, distrital e comunitário. Isso criará um ambiente
favorável para o envolvimento ativo das comunidades locais no co-desenho
, implementação e monitoramento contínuo de planos multianuais para
construção e melhoria da resiliência climática localmente acordados,
capazes de melhorar os níveis de prontidão, resposta, recuperação pós-
choque e resiliência a longo prazo das comunidades em risco.

2.2.6 Reforçar os mecanismos de coordenação local para melhorar a governança


e gestão de riscos climáticos, promovendo plataformas multilaterais que
reúnam todos os intervenientes-chave, incluindo governos locais, OSC-
OCB's, academia e pesquisa, bem como o setor privado. Essas plataformas
serão voltadas para a negociação de parcerias público-privadas
inteligentes e localmente viáveis para apoiar os esforços locais de melhoria
da cadeia de gestão do risco de desastres e mobilização de recursos para
intervenção

2.2.7 Promover a coesão social e a construção da paz como forma de evitar a


escalada de conflitos e, ao mesmo tempo, resolver questões emergentes
na governança de deslocados internos e sua interação com as
comunidades de acolhimento nos centros de reassentamento. Isso ajudará
a melhorar a convivência e a qualidade de vida tanto dos deslocados
internos quanto das comunidades de acolhimento.

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PILAR 6:
Justiça, coesão social e
consolidação da paz

PILAR 5:
Fortalecer a colaboração e
criação de ambientes
favoraveis participação em
plataformas de GRRD-ERH

PILAR 4:
Advocacia em mudanças
climáticas, GRRD-ERH,
conflitos e gestão de
IDP's
PILAR 3:
Gestão de
conhecimento: criar,
sistematizar, e
transferir tecnologias
relevantes
PILAR 2:
Capacitação de
Instituições locais
em materia de gestão
e resiliência climática
PILAR 1:
Fortaleciment
o
institucional -
mainstreaming
de mudanças
climáticas e
GRRD-ERH

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Tabela 2: Quadro de registo do objetivo estratégico

OBJECTIVO Resultados
Principais actividades INDICADORES
ESTRATÉGICO previstos

1.1Concebidos e
institucionalizados ● Desenvolvido e
protocolos aplicados os
institucionais protocolos
1.1.1 Desenvolver diretrizes e protocolos
destinados a operacionais e que
operacionais internos para orientar as
orientar as orientem as acções da
Integrar as mudanças operações da FDC antes, durante e na
operações da FDC Fundação em caso de
climáticas, a gestão do sequência de riscos e ameaças
antes, durante e riscos e ameaças
risco de desastres e previsto na lei n.º 10/2020, Artigo
após a ocorrência previstas na
gestão de conflitos como 12.º),
de eventos legislação, e.g.,
temas transversais nas 1.1.2 Induzir todo o pessoal de gestão,
climáticos pandemias, seca,
operações da FDC e sua projectos e os sub-beneficiários dos
previstos - ciclones ciclones, cheias, e
agenda de apoio ao financiamentos da FDC a actuar em
tropicais, cheias, emergência de saúde
desenvolvimento zonas de risco sobre as diretrizes
secas e outras pública causadas por
comunitário, como forma operacionais da Fundação em
ameaças vectores associados ao
de garantir uma contexto de risco climático, conflitos,
legisladas clima.
materialização mais eficaz e outras ameaças legisladas capazes
relevantes a ● Número de
e eficiente dos objectivos de minar a agendas de promoção de
Fundação. trabalhadores com
de transformação social desenvolvimento local promovidas
formação em GRRD e
visados pela fundação no pela Fundação.
familiarizados com o
contexto de mudanças
protocolo e diretrizes
climáticas e conflitos.
operacionais
aprovadas;

1.2.1 Incorporar o reforço da resiliência ● Concebidos modelos


1.2Melhoria da climática e a gestão do risco de de intervenção
resiliência desastres como questões transversais prioritários para a

Página 47 de 83
climática, e gestão criação de resiliência
de risco de nos programas de desenvolvimento climática a nível
desastres – da FDC. institucional, regional,
prontidão, ERH, 1.2.2 Estabelecer uma Direcção para comunitário, da cadeia
recuperação pos- coordenar o trabalho da FDC em de prestação de
choque e matéria de melhoria da resiliência serviços primários de
diversificação de climática e de GRRD-ERH a nível apoio, e agregados
meios de vida são comunitário. familiares em todos os
incorporados como 1.2.3 Criar um grupo de trabalho sectores-chave de
questões multissectorial sobre a resiliência intervenção da FDC.
transversais nos climática e a gestão do risco de ● Número de pontos
programas de desastres. focais de GRRD-ERH
desenvolvimento 1.2.4 Identificar e formar pontos focais para activos e funcionais
da FDC. melhoria da resiliência climática, a em todos os gabinetes
gestão de riscos de desastres e a regionais da FDC que
gestão ambiental nos escritórios cobrem comunidades
regionais da FDC, projectos que de risco prioritárias
representem localmente a Fundação para esta estratégia.
em grupos de trabalho temáticos a ● Fundo de
nível nacional e subnacional. responsabilidade social
1.2.5 Criar um Fundo Institucional (Social), da FDC aprovado
para financiar as necessidades de internamente e em
intervenção da FDC na cadeia de uso para reforçar a
GRRD com ênfase na melhoria de participação activa da
prontidão, construção e melhoria de FDC na
resiliência climática a longo prazo e implementação de
apoio a questões internas emergentes acções prioritárias de
com a massa laboral. GRRD-ERH e melhoria
de resiliência climática

Reforçar a governança 2.1.1 Avaliar as necessidades de formação ● Necessidades de


climática e de gestão de 2.1A capacidade em matéria de prontidão, e desenho formação e plano de

Página 48 de 83
riscos de desastres a nível de intervenções de construção e reforço de
provincial, distrital e técnica das melhoria de resiliência climática a capacidades em
comunitário através do instituições e nível do INGD e CTGRD a nível matéria de prontidão,
reforço da capacidade do grupos técnicos de provincial. adaptação e melhoria
governo local - GRRD-ERH a nível 2.1.2 Desenvolver e administrar pacotes de de resiliência climática
instituições, trabalhadores provincial e formação personalizada e estabelecer no contexto de
e lideranças comunitárias, Distrital é plataformas de aprendizagem desastres.
membros da comunidade reforçada através informal garantir uma exposição e
local, OBC, e outros de acções de aprendizagem de pares entre os ● # de técnicos do INGD,
profissionais do treinamento membros dos grupos de trabalho CTGRD e do grupo
desenvolvimento local em personalizadas GRRD-ERH provinciais CTGRD - INGD, técnicos de trabalho
matéria de desenho, para melhoria da parceiros da académia, pesquisa e formados em matéria
implementação e capacidade local desenvolvimento nacionais e GRRD e desenho de
monitoria de programas de desenho e internacional. planos multianuais
de desenvolvimento monitoria de 2.1.3 Familiarizar os membros do grupo para construção e
compatível ao clima programas de técnicos de trabalho CTGRD, COE- melhoria de prontidão
desenvolvimento com os procedimentos e padrões e resiliência climática.
compatível com o operacionais (SOAP) internacionais ● # de oportunidades de
clima, em para a intervenção GRRD-ERH. formação identificadas
conformidade com
e frequentadas por
diretrizes e
técnicos do INGD,
padrões
comités provinciais,
internacionais.
distritais de GRRD-ERH
e OSC-OCB’s.

● # de padrões
operacionais (SOAP)
internacionais
incorporadas nos
protocolos locais de
GRRD-ERH

Página 49 de 83
 # de membros do
2.1.4 Capacitar os membros do CTGRD na comité e grupos
integração de questões de gestão técnicos de trabalho
climática, GRRD-ERH nas agendas de do Conselho Técnico
governação e programas de (CTGRD) formados no
desenvolvimento local patentes nos desenho de programas
PESOP, documentos sectoriais e de desenvolvimento
planos de actividade anuais. compatíveis ao clima.
2.1.5 Rever os planos provinciais de gestão  # Número de
climática e de risco de desastres de documentos sectoriais
modo a incluir actividades tangíveis que já incorporam
destinadas a melhorar capacidade actividades melhoria
local de avaliar e melhorar regular e de resiliência climática
continuamente o alcance dos níveis e de GRRD-ERH
de prontidão, adaptação e construção “específicas,
de resiliência climática desejados. mensuráveis,
2.1.6 Apoiar a mobilização de recursos para atingíveis, relevantes e
a execução do PDRRD e integração temporais”.
dos planos de contingência nos em  # de sectores com
planos multianuais de construção de uma agenda e plano
resiliência climática. operacional
2.1.7 Desenvolver um quadro local para a compatível ao clima e
monitoria contínua do grão de de construção de
prontidão e capacidade de resposta a resiliência climática
desastres8. aprovado - ênfase, na
agricultura e SAN,
água, abrigo –
habitação condigna,

8
Esta acção será realizada em estreita colaboração com o Departamento de Ciências da Terra da Universidade das
Honduras

Página 50 de 83
saúde e educação.

2.2A capacidade 2.2.1 Capacitar os membros dos COE-CTOE


técnica dos grupos na incorporação de questões de
de trabalho e dos gestão climática, GRRD-ERH nas
COE-CTOE de agendas de governação programas de
● # de programas e
GRRD-ERH a nível desenvolvimento distrital - PESOD,
planos de actividades
distrital é documentos sectoriais e planos de
de desenvolvimento
reforçada através actividade anuais.
comunitário que
de acções de 2.2.2 Apoiar na preparação de propostas de
incorporaram questões
reforço das mobilização de recursos para a
de GRRD-ERH e
capacidades locais implementação e monitoria dos
construção de
de desenho de planos distritais de GRRD-ERH e
resiliência climática.
programa de construção de resiliência climática.
desenvolvimento 2.2.3 Desenvolver um protocolo local para
compatível ao avaliar, de forma participativa, o grão
clima. de prontidão, capacidade de resposta
e construção de resiliência climática a
nível distrital9

2.3Os CLGRD são  # de CLGRD


revitalizados e a 2.3.1 Desenhar conteúdos e materiais de revitalizados11
sua capacidade de formação personalizados para  # de CLGRD
desenhar, melhorar a capacidade dos CLGRD de revitalizado e activo
implementar e participar de forma activa na equipados com um
monitorar planos concepção, implementação e plano multianual de
multianuais de avaliação participativa dos planos melhoria e monitoria
construção de multianuais de construção e melhoria de resiliência com
resiliência de resiliência climática capazes de objectivos “smart” a
ajudar a melhorar o nível de
9
[Link] .

Página 51 de 83
curto, médio e longo
prazo
prontidão, adaptação e a resiliência
 # de CLGRD
em contexto de seca, ciclones e
qualificando-se como
cheias.
CoP inovativas a
2.3.2 Revitalizar e fortalecer os CLGRD.
trabalhar alem da
2.3.3 Apoiar a capacitação e transformação
janela de aviso prévio,
dos CLGRRD em comunidades de
em ações de melhoria,
práticas (CoP) inovadoras,
diversificação de
autossuficientes e equipadas para
meios de vida e
trabalhar além da janela de aviso
construção de
prévio e resposta, como promotoras
resiliência local.
de boas práticas de fortalecimento e
climática iniciados  # de comunidades
diversificação de meios de vida bem
pela comunidade é com um plano
como intervenções de construção e
reforçada. multianual de melhoria
melhoria de resiliência climática a
de resiliência
nível comunitário.
comunitário
2.3.4 Envolver as comunidades locais na
 # de CLGRD
concepção e implementação de
revitalizados activos e
planos multianuais de construção e
em dia na
melhoria de resistência climática a
implementação do seu
nível comunitário e do agregado
plano multianual de
familiar.
melhoria de resiliência
2.3.5 Envolver activamente o CLGRD e os
climática.
membros da comunidade na avaliação
 # de comunidades
participativa do grão de prontidão,
com um score de
adaptação, capacidade de resposta e
resiliência climática
resiliência locais (CRMC)10 .
satisfatória.

10
[Link]
[Link]
article/abs/pii/S0043135420300385

Página 52 de 83
3.1Conhecimentos 3.1.1 Envolver as instituições locais de
sobre experiências conhecimento na identificação e
locais, sistematização do conhecimento # de tecnologias melhoria
internacionais de sobre a intervenção tecnológica de resiliência climática
GRRD-ERH e escalável para a construção da viáveis e com rácio custo-
melhoria de resiliência climática disponível na benefício aceitável para o
resiliência região e a nível internacional, contexto de cheias e
climática bem- suscetível de acrescentar valor aos secas identificadas e
sucedidas e esforços de Moçambique. promovidas.
adaptáveis
sistematizados e 3.1.2 Adquirir conhecimentos básicos e necessários à
disponibilizada em promoção do processo de análise e avaliação # de tecnologias
formatos simples, do risco como fator fundamental para tomar resilientes ao clima
pragmáticos de decisões, elaborar o plano, conceber e aprovadas pelos comités
Sistematizar e disseminar
fácil percepção e implementar acções na comunidade de de especialistas com
conhecimentos relevantes
uso nas resiliência. protocolos de
sobre as melhores
comunidades de implementações descritos
tecnologias e práticas de
riscos 3.1.3 Através de investigação adaptativa, de forma clara e
gestão de risco climático
formativa e participativa com detalhada para facilitar o
com vista a tornar os
instituições de conhecimento locais, o uso nas zonas propensas
sistemas locais de
INGD, o governo local e as a risco de cheias e secas
prestação de serviços
comunidades, testar e promover em Moçambique.
primários compatíveis ao
clima. Para tal será tecnologias localmente viáveis para
importante estabelecer tornar os agregados familiares e as
comunidades resistentes às

[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
11
É necessário desenvolver critérios claros para definir o que é um CLGRD activo.

Página 53 de 83
plataformas de gestão de mudanças climáticas.
conhecimento e parcerias
de inovação público- 3.2MdE para reforçar
privadas inteligentes para as capacidades ● # de parceiros
implementar programas local em matéria 3.2.1 Identificar os parceiros regionais e regionais e
de pesquisa adaptativa e de gestão de internacionais com os quais se deve internacionais na área
formativa conjunta para a riscos de desastres colaborar no domínio da GRRD-ERH, de GRRD, construção e
transferência de e melhoria de construção e monitoria de resiliência monitoria de
tecnologias e modelos de resiliência climática. resiliência climática
intervenção capazes de a climática nas 3.2.2 Negociar, assinar e implementar MdE identificados e
médio-longo prazo ajudar comunidades multilaterais com parceiros regionais contactados.
a melhorar o nível de propensas a e internacionais nas áreas de GRRD-
● # de MdE multilaterais
conhecimento local sobre desastres naturais, ERH, melhoria e monitoria de
negociados e assinados e activos
o tema e resiliência climática.
consequentemente assinado com 3.2.3 Organizar intercâmbio de troca de ● # de intervenções
estimular as comunidades parceiros regionais experiências com parceiros locais, conjuntas
em risco a agir de forma e internacionais de regionais e internacionais. implementadas a luz
informada no sentido de reconhecido dos MdE assinados.
testar, selecionar e mérito
promover medidas de
construção e melhoria de 3.3.1 Estabelecer plataformas de inovação ● # de plataformas de
resiliência climática 3.3Estabelecidas para a construção de resiliência inovação em matéria
localmente viáveis e plataforma de climática, testar e promover planos de GRRD-ERH e
relevantes. inovação local - integrados e inovadores de construção de
CoP/LPA, para reabilitação comunitária, capazes resiliência climática
testar e promover pode adicionar valor aos esforços de activas a nível local.
modelos desenho e implementação de agendas ● # de tecnologias
inovadores e de desenvolvimento local compatíveis resilientes ao clima
integrados de ao clima. com um rácio custo-
reabilitação benefício localmente
comunitária, e.g., 3.3.2 Estabelecer e revitalizar unidades de viável e aceite,
o modelo do demonstração e formação em identificadas e

Página 54 de 83
validadas e
FiniSAVE, capazes consideradas aptas
de adicionar valor tecnologias de melhoria de prontidão, para uso pelo
aos esforços locais construção e melhoria de resiliência utilizador final nas
para melhorar a climática em comunidades propensas comunidades
resiliência a cheias e secas - Centros de propensas a risco de
climática em Recursos Multiuso do INGD no cheias e secas em
comunidades de Semiárido (CERUM) Moçambique.
risco promovidos

4.1.1 Desenhar e promover novos materiais


de SBCC e IEC para familiarização  Número de materiais
com o quadro legal de GRRD, acções de SBCC e IEC
4.1As lideranças de melhoria de resiliência climática desenvolvidos sobre
comunitárias, para uso em sessões de engajamento legislação de GRRD e
membros comunitário. reforço da resiliência
influentes, OCB e 4.1.2 Realizar sessões de engajamento climática com base na
instituições locais comunitário para familiarização com o comunidade.
familiarizados com quadro legal de GRRD, e reforço da  Número de campeões
Realizar a advocacia activos formados em
o quadro legal de capacidade de desenho e
direcionada para a matéria de GRRD e de
GRRD. implementação de ações de melhoria
familiarização, reforço da resiliência
de resiliência climática direcionadas
implementação e climática com base na
as instituições locais, lideranças
monitoria contínua do comunidade
comunitárias e CLGRD.
quadro legal de GRRN a
nível provincial, distrital e
4.2Professores das 4.2.1 Formar e equipar as escolas locais de  Número de
comunitário como meio
escolas locais e capacidade para que se tornem locais professores formados
de criar um ambiente
membros dos de referência para o treino e como defensores da
favorável ao
comités de escola familiarização da comunidade e das GRRD e da resiliência
envolvimento activo das
formados e activos gerações futuras com a legislação de climática que
comunidades locais no co-
como GRRD e tecnologias para melhoria de conduzem sessões

Página 55 de 83
resiliência climática.
4.2.2 Identificar e capacitar “campeões escolares.
locais” de GRRD e melhoria de  Número de sessões de
“Champions” em
resiliência climática a nível resiliência climática e
matéria de GRRN e
comunitário capazes de conduzir de preparação e
melhoria de
sessões de engajamento comunitário adaptação à gestão de
resiliência
para mudança de comportamento e riscos de desastres
climática
implementação de medidas de GRRD realizadas nas escolas
e resiliência comunitária a nível abrangidas
comunitário e do agregado familiar.

4.3Agregados
familiares e  Sistema e padrão de
desenho, implementação 4.3.1 Identificar famílias modelo em gestão
instituições locais pontuação para
e monitoria contínua de climática, GRRD e climaticamente
modelo em avaliação do grau de
planos multianuais de resilientes selecionadas entre famílias
matéria de resiliência climática a
construção e melhoria de reconhecida capacidade de
resiliência nível comunitário e do
resiliência climática adaptação, mitigação e score de
climáticas12 agregado familiar
localmente acordados e resiliência climática superior, capazes
identificados e desenvolvido13
capazes de ajudar a de atuar como defensores e
actuando  # de agregados
melhorar os níveis de promotores locais de boas práticas
activamente como familiares resilientes
prontidão, resposta, gestão climática a nível comunitário.
defensores e ao clima identificados
recuperação rápida pós-
promotores de e fortalecidos
choque e melhoria de
boas práticas.
resiliência a longo prazo
das comunidades de
5.1Mecanismo 5.1.1 Melhorar e dotar os mecanismos de ● # de diretrizes e
multissectorial de coordenação de GRRD de capacidade parcerias público-
coordenação da operativa para negociar e monitorar o privadas estabelecidas
12
Model households should have superior resource endowement, adaptation capacity – livelihood diversity, high
climate resilience score.
13
Isto pode ser desenvolvido através de uma estreita colaboração com instituições de investigação locais para os
diferentes contextos - secas, inundações e ciclones.

Página 56 de 83
GRRD a nível
central – CTGRRD
dotado de
capacidade para processo de migração de intervenções
para apoiar a
agir alem da janela de curto prazo e de resposta pós-
diversificação,
habitual de GRRD choque para modelos de intervenção
expansão e melhoria
na negociação e multianuais de melhoria de resiliência
da eficácia das
monitoria da climática;
intervenções de GRRD
contribuição dos 5.1.2 Reforçar a participação das OSC-
e melhoria da
parceiros para o OCB’s, parceiros de desenvolvimento,
resiliência a diferentes
cumprimento dos o sector privado e banca na
níveis da cadeia de
planos multianuais operacionalização das agendas locais
GRRD
Reforçar os mecanismos locais de de melhoria de resiliência climática
de coordenação local com construção de
vista a melhorar a gestão resiliência
de risco e melhoria de climática
resiliência climática
através da promoção de 5.2 Mecanismo de 5.2.1 Apoiar o processo de desenvolvimento ● # de encontros de

plataformas multilaterais monitoria de e revisão de padrões de monitoria de planificação e


que reúnam todos os prontidão, resiliência climática a diferentes níveis intervenções de GRRD
intervenientes chave, na capacidade de – comunidade e agregado familiar em e melhoria de
negociação de parcerias resposta e zonas de risco de seca e cheias. resiliência climática
público-privadas melhoria de 5.2.2 Apoiar o INGD e autoridades locais a aprovados pelo
inteligentes e localmente resiliência operacionalizar mecanismos locais de mecanismo de
viáveis para apoiar os climática a coordenação de ações de planificação, coordenação local
esforços locais de diferentes níveis – implementação e monitoria
regional, participativa de acções de melhoria ● # de províncias,
melhoria da qualidade e districtos e
eficácia das intervenções institucional, de resiliência climática e gestão de
comunitário e risco de desastres. comunidades com um
ao longo da cadeia de mecanismo de
GRRD e a mobilização de agregados
familiar coordenação de GRRD,
recursos para construção e monitoria

Página 57 de 83
de resiliência climática
activos;

● Volume de recursos de
estabelecido. contribuição para
GRRD, melhoria e
monitoria de
resiliência cadastrados
nos mecanismos de
coordenação local.

5.3 Assegurar a
participação da ● Registo e participação
FDC nos principais da FDC em grupos
Clusters e grupos 5.3.1 A FDC participa em agrupamentos- técnicos de trabalho
intervenção. de trabalho em chave da cadeia operacional de para GRRD e melhoria
GRRD-ERH e de gestão de riscos de desastres e de resiliência
melhoria da partilha as abordagens de intervenção climática.
resiliência da Fundação para tornar os sectores-
climática com ● # de intervenções na
chave resilientes ao clima14 .
vista a melhorar cadeia de GRRD e
5.3.2 Reposicionar a FDC como um parceiro
as chances de construção de
ativo do INGD-DARIDA para a
influenciar resiliência propostas
operacionalização da estratégia de
processos de pela FDC, aprovadas
desenvolvimento de zonas áridas;
tomada de para massificação fora
decisão sobre dos distritos
intervenções na prioritários da FDC.
cadeia de GRRD

FDC’s sectors of interest are agriculture, food and nutrition security, WASH – drink and productive use, health,
14

education – TVET, Shelter – decent housing (resettlement planning), IDP’s governance, market-led livelihood
enhancement and diversification.

Página 58 de 83
Página 59 de 83
2.3 INTEGRAÇÃO DA RESILIÊNCIA CLIMÁTICA E DA GESTÃO DO RISCO DE DESASTRES NAS
ÁREAS CHAVE DE INTERVENÇÃO DA FDC

2.3.1 PILAR 1. DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO

A fim de melhorar a resiliência climática e a gestão do risco de desastres em suas


intervenções de desenvolvimento comunitário, a FDC adotará uma abordagem
participativa e orientada para a comunidade, priorizando a capacidade de
preparação, adaptação, mitigação e construção de resiliência a curto, médio e
longo prazo. Essas ações serão baseadas em planos multianuais de reabilitação e
desenvolvimento comunitário embasados em evidências. O objetivo é que as
comunidades beneficiadas aumentem sua resiliência climática, reduzindo o impacto
de choques climáticos extremos em seus meios de subsistência e bem-estar. As
intervenções devem garantir a estabilidade e funcionamento a longo prazo das
instituições, infraestruturas e serviços de apoio, cadeias produtivas e sistemas
alimentares locais, bem como promover o bem-estar das famílias moradoras das
principais áreas de risco e intervenção da Fundação. Portanto, a institucionalização
das questões de gestão do risco de desastres e resiliência climática nesse pilar
focará em:

a) Fortalecer a capacidade local para desenvolver agendas e programas de


desenvolvimento compatíveis com o clima e incorporar a gestão do clima e
risco de desastres nas agendas de desenvolvimento local.

b) Desenvolver e reforçar a capacidade local para identificar e avaliar, de forma


participativa, os riscos climáticos e elaborar planos de monitoramento da
efetividade dos planos multianuais de melhoria da resiliência climática na
redução da vulnerabilidade climática e minimização dos impactos de eventos
climáticos extremos nos meios de subsistência e funcionamento das
principais cadeias produtivas e sistemas de prestação de serviços básicos.

c) Aumentar a preparação local por meio do desenvolvimento e envolvimento


ativo dos Comitês Locais de Gestão e Redução do Risco de Desastres
(CLGRD’s) e da comunidade na gestão de sistemas de alerta, aviso prévio e
coordenação de ações antecipadas para minimizar os riscos e impactos de
eventos climáticos extremos e emergências de saúde pública nos meios de
subsistência das comunidades em risco.

d) Combater as desigualdades sistêmicas e ajustar as intervenções para


abordar a diversidade socioeconômica e biofísica dos grupos e comunidades
beneficiárias. Considerando que eventos climáticos extremos contribuem
para a ampliação das desigualdades sociais, como pobreza e acesso desigual
a serviços básicos como saúde, educação, água, proteção social, agricultura
e segurança alimentar e nutricional, é importante adaptar as intervenções e
programas de construção de resiliência climática da FDC ao contexto
específico de cada comunidade e grupo.

e) Promover parcerias de aprendizado com outras organizações, incluindo


autoridades locais e ONG’s, para melhorar a troca de informações e

Página 60 de 83
aumentar o conhecimento existente. Isso contribuirá para consolidar e
sistematizar informações sobre tecnologias e modelos de intervenção
ajustáveis a cada contexto para a construção de resiliência climática.

f) Fortalecer a ligação com OSC-OCB's e criar mecanismos para melhorar a


participação e apropriação local das intervenções a nível comunitário,
através do estabelecimento de plataformas de inovação, como Comunidades
de Prática e Locais de Participação Ativa. Essas plataformas facilitarão a
participação ativa das instituições locais e membros da comunidade no
processo de desenho, implementação e monitoramento dos planos
multianuais de melhoria da resiliência climática e gestão do risco de
desastres. Será estabelecida uma rede sólida de parceiros locais para
implementação dessas ações.

2.3.2 PILAR 2. ADVOCACIA DE IGUALDADE E JUSTIÇA SOCIAL

A integração da criação de resiliência climática e da gestão de riscos de desastres


nas agendas de advocacia, equidade e da justiça social da Fundação exigirá uma
abordagem holística para sensibilizar e criar um núcleo activo de activistas e
defensores locais de resiliência climática que compreendam a interseccionalidade e
várias dimensões da vulnerabilidade climática. Estes activistas e defensores devem
estar equipados de conhecimento, competências e atitudes necessárias para
abordar as causas sistémicas e estruturais bem como os potencias impactos dos
diferentes eventos climáticos extremos e das emergências de saúde públicas
associadas ao clima comuns em Moçambique. Ao fazê-lo, a FDC assegurará que os
esforços de GRRD sejam eficazes, equitativos e socialmente justos. Para tal,
enfoque será dado aos seguintes pilares de intervenção:

a) Advocar para o fortalecimento do quadro legal de GRRD através da


adequação do quadro legal – políticas e regulamentos de GRRD a
necessidade de criação de padrões mínimos vida capazes de estimular a
materialização das metas de construção de resiliência e redução da
vulnerabilidade climática sistémica a diferentes níveis – institucional,
comunitário, e agregados familiar residentes nas principais zonas de risco.
Neste processo, enfoque no desenvolvimento de padrões e medidas tangíveis
que permitam medir, o grão de prontidão e definir categoricamente um
padrão de resiliência climática para cada nível e contexto estejam claros e
façam parte das agendas de governação local e sectorial para construção de
resiliência climática.

b) Promover processos de planificação e tomada de decisão inclusivos em


matéria de GRRD e construção de resiliência climática: assegurar que os
planos de redução e gestão do risco de desastres sejam desenvolvidos e
monitorados através de um processo participativo que envolva todos os
intervenientes chave sem descurar o envolvimento activo da comunidade e
grupos vulneráveis do ciclo de planificação e implementação das

Página 61 de 83
intervenções. Isto inclui garantir que a voz da mulher, dos jovens, pessoas
com deficiência e outros grupos marginalizados seja ouvida e tenham suas
necessidades inclusas nos planos de GRRD-ERH e melhoria de resiliência
climática.

c) Aumentar a consciência local sobre a importância e necessidade de


participação activa da comunidade no processo de definição de prioridades
de intervenção e implementação dos planos multianuais de construção e
melhoria de resiliência climática como parte dos esforços de redução da
vulnerabilidade a longo prazo em zonas propensas a risco de desastres.

d) Estimular a participação activa da comunidade na monitoria e avaliação do


progresso das acções de melhoria de prontidão, resposta e alcance das
metas locais de resiliência climática. Este processo deve ser parte de um
processo rotineiro de institucionalização e apropriação local.

2.3.3 PILAR 3. DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL

Apesar da importância da gestão climática para a FDC, a transversalidade da


resiliência climática e GRRD permitirá que a Fundação faça a integração sem
precisar fazer modificações significativas em sua estrutura organizacional atual. No
entanto, devem ser feitos ajustes no modelo operacional da FDC para torná-lo
responsivo às exigências do desafio de integrar a construção de resiliência climática
em suas intervenções e tornar-se uma interveniente chave na promoção de
intervenções de desenvolvimento e transformação social inovadoras e compatíveis
com o clima em suas comunidades-alvo. Para isso, serão realizadas as seguintes
alterações organizacionais:

a) A criação de uma unidade dedicada para coordenar e supervisionar o


processo de integração de questões de resiliência climática e GRRD-ERH nos
pilares estratégicos, planos operativos e programa sectórias de apoio ao
desenvolvimento e transformação social implementados pela FDC nos seus
distritos de intervenção. Esta unidade deve estar equipada com os recursos
humanos e capacidade técnica necessários para conceber, implementar e
monitorar o progresso e grão de cumprimento das metas de
institucionalização bem como das ferramentas para advocacia, mobilização
comunitária e indicadores de monitoria dos avanços feitos na melhoria da
prontidão, capacidade de resposta a desastres bem como da melhoria de
resiliência climática a nível nacional, subnacional e comunitário.

b) A constituição de um painel de aconselhamento multissectorial em matéria


de melhoria de resiliência climática e GRRD composto por 7-10 especialistas
sectórias externos a FDC, e.g., academia e pesquisa, OSC, Governo, Sector
Privado, Banca, parceiros de desenvolvimento internacionais, e que integre

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também representantes das direcções operativas da FDC para aconselhar o
Conselho de Administração, a Direção Executiva – programas e projectos
sobre assuntos críticos de melhoria de resiliência climática e GRRD-ERH,
agendas de advocacia, estabelecimento de prioridades de intervenção e as
acções de apoio as instituições governamentais, OSC-OCB’s, mobilização do
sector provado, banca e a academia no processo de operacionalização de
agendas e programas de desenvolvimento local compatíveis ao clima a nível
nacional, subnacional e comunitário.

c) Identificar e negociar MdE com instituições de mérito comprovado em


matéria de GRRD-ERH, gestão climática e melhoria de resiliência climática a
nível nacional, regional e internacional, capazes de apoiar o processo de
melhoria da capacidade instalada da FDC para desenhar, implementar e
avaliar o impacto de intervenções de melhoria da capacidade das instituições
locais de operacionalizar agendas e programas de desenvolvimento local
compatível ao clima capazes de médio e longo prazo contribuir para a
redução da vulnerabilidade climática em comunidades de risco.

d) Fortalecer a capacidade institucional através do desenvolvimento e


institucionalização de uma cultura de capacitação contínua de recursos
humanos – criação de ambientes informais para aprendizagem, facilitar
acesso a formação de curta duração, educação formal para especialização e
obtenção de grão académico, atracão e retenção de mão-de-obra qualificada
capaz de ajudar melhorar a capacidade operativa bem como garantir um
melhor equilíbrio de capacidades entre os escritórios centrais, provinciais e
principalmente a nível comunitário onde maior investimento na qualificação
de mão-de-obra deve ser feito. Este equilíbrio será importante para a rápida
materialização dos esforços de tornar a FDC um parceiro chave na produção,
sistematização e disseminação de conhecimento e modelos escaláveis para a
melhoria dos níveis de prontidão, capacidade de resposta e resiliência
climática.
2.4 INTEGRAÇÃO DA RESILIÊNCIA NOS PROGRAMAS SECTORIAIS DA FDC

A integração da resiliência climática nos programas setoriais da FDC desempenha


um papel fundamental na adaptação do modelo de intervenção da Fundação,
visando garantir que os programas sejam sensíveis e compatíveis com as mudanças
climáticas. A implementação de protocolos de melhoria da resiliência climática e
gestão de risco de desastres tem como objetivo principal minimizar os impactos de
eventos climáticos extremos nas comunidades em que a FDC atua a longo prazo. As
prioridades de intervenção incluem a melhoria da resiliência climática nas áreas-
chave de agricultura e segurança alimentar, água e saneamento, saúde pública,
abrigo e moradia adequada, e educação. Ao abordar essas áreas, a FDC busca
promover soluções inovadoras e sustentáveis, bem como capacitar e educar as
comunidades para enfrentar os desafios das mudanças climáticas.

2.5 AVISO PRÉVIO E ACÇÕES ANTECIPADAS


De modo a contribuir na mitigação, adaptação e construção de resiliência climática
a curto, médio e longo prazos, no seio das comunidades, o FDC irá centrar suas

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atenções na melhoria do sistema de aviso prévio e acções antecipadas, através das
seguintes acções:

a) Fortalecer a capacidade técnica das instituições públicas-chave, que


alimentam o sistema de aviso-prévio a nível das comunidades;
b) Apoiar no desenvolvimento de cenários climáticos sectoriais de alta
resolução, para avaliar e quantificar os impactos das mudanças climáticas a
nível local;
c) Apoiar a realização de pesquisas sobre os quatro pilares do sistema de aviso-
prévio eficaz (conhecimento do risco, previsão e monitoria, comunicação e
disseminação de alertas, e capacidade de resposta) concentrando-se nos
aspectos sociais, como a comunicação eficaz de alerta às pessoas em risco
nas comunidades;
d) Apoiar no desenvolvimento de um Atlas dinâmico e interativo de riscos
hidrometeorológicos e climáticos para o país, para servir de referência de
risco de conhecimento em Moçambique;
e) Apoiar no desenvolvimento de programas educacionais, materiais de
consciencialização e realização de treinamentos para comunidades em risco,
para melhorar a compreensão, interpretação e uso da informação climática a
nível local

2.6 AGRICULTURA, SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL


Aqui estão as prioridades de intervenção para melhorar a resiliência climática nas
áreas de agricultura, segurança alimentar e nutricional:
a) Melhorar a resiliência climática dos sistemas de produção locais através da
mobilização e provisão de assistência técnica personalizada às instituições
locais – SDAE’s, OSC-OCB’s, associações de produtores, comunidades, sector
privado e outros intervenientes nas principais cadeias de produção e valor
locais em matéria de desenho, implementação e gestão de sistemas de
produção climaticamente inteligentes capazes de garantir o suprimento
continuo, conservação e uso adequado de alimentos nutritivos, renda e a
preservação das condições de vida e bem-estar social das comunidades
antes, durante e após-choques climáticos;

b) Promover o estabelecimento de sistemas de sementes comunitárias


resilientes ao clima, capazes de multiplicação, preservação e fornecimento
contínuo de sementes diversificadas e adaptadas aos principais estresses
bióticos e abióticos relevantes para cada contexto de intervenção.

c) Promover sistemas alimentares locais resilientes ao clima, com cadeias de


produção e suprimento curtos (farm2fork), garantidos por pequenos bancos
de proteína e carboidrato comunitários. Esses sistemas visam satisfazer as
necessidades alimentares humanas, além de processar rações para cadeias
de criação de animais locais, como aves, suínos, roedores, caprinos e
piscicultura local.

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d) Implementar intervenções sustentáveis de melhoria e diversificação de
meios de vida, com o envolvimento ativo das comunidades na
operacionalização de programas de reabilitação com base em modelos de
finanças inovadoras. Isso inclui investimentos direcionados para agricultura,
geração de renda, educação, acesso à água, energia e habitação adequada.

e) Educação nutricional para promover o uso adequado, preservação e


valorização por meio do processamento mínimo de alimentos disponíveis
localmente, melhorando as dietas alimentares e os indicadores de segurança
alimentar e nutricional.

f) Promover cadeias de produção e valor pecuário inteligentes para o clima,


orientadas para o mercado e que melhorem a rentabilidade econômica e a
contribuição dos sistemas de produção pecuária local para a subsistência de
famílias rurais, principalmente em áreas semiáridas de Moçambique. Essas
ações visam fortalecer a resiliência das comunidades, melhorar a segurança
alimentar e nutricional, e promover o desenvolvimento sustentável nas áreas
de intervenção da FDC.

2.7 MELHORIA DE ACESSO A ÁGUA POTÁVEL, PRODUCTIVA E SANEAMENTO DO MEIO


Para melhorar o acesso à água potável e produtiva, a FDC irá centrar suas atenções
nas seguintes ações:

a) Apoiar o desenvolvimento de infraestruturas de armazenamento de água que


alimentem pequenas hortas caseiras e sistemas de irrigação liderados por
produtores. Isso incentiva a produção agrícola local e a segurança alimentar.
b) Promover a conversão de fontes manuais de água e sistemas de
bombeamento movidos a combustíveis fósseis para sistemas solares de
abastecimento de água. Esses sistemas devem ser dimensionados para
atender às necessidades efetivas de água per capita da comunidade, mesmo
fora do horário de sol, garantindo serviços de água confiáveis e sustentáveis.
c) Promover infraestruturas hídricas ecológicas que resistam ao impacto de
eventos como inundações, secas, ciclones e tempestades. Isso pode incluir a
construção de lagoas e artificiais, bacias de infiltração, barragens
subterrâneas e sistemas de captação e armazenamento de água.
d) Promover práticas de gestão integrada dos recursos hídricos (IWRM) para
uma gestão holística e sustentável dos recursos hídricos. Isso inclui práticas
de conservação e uso sustentável da água, envolvimento da comunidade na
gestão integrada da terra e da água e implementação de intervenções locais
para melhorar a captação e a retenção da água, além de programas de
recarga do lençol freático para garantir um acesso maior e mais equitativo
aos recursos hídricos.
e) Apoiar o dimensionamento e estabelecimento de sistemas de abastecimento
de água solares multifuncionais, melhorando o acesso à água potável para
uso doméstico e para fins produtivos, como a agricultura, a nível comunitário.

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f) Integrar a GRRD e melhoria de resiliência nas agendas de monitoramento e
avaliação dos programas de acesso à água, garantindo que atendam às
necessidades das comunidades em relação à água e sejam resilientes às
mudanças climáticas.
g) Melhorar o acesso à água potável de qualidade no semiárido através da
mobilização de recursos para investimento e criação de condições para o uso
de tecnologias de dessalinização, como a osmose reversa a nível comunitário
ou a dessalinização solar a nível doméstico. Isso pode ajudar a enfrentar os
desafios de escassez de água em regiões áridas

2.8 ABRIGO - HABITAÇÃO CONDIGNA E QUINTAIS PRODUTIVOS

As prioridades de intervenção para área de melhoria de acesso a abrigo - habitação


ecológica condigna e climaticamente inteligente, são:

a) Promover construções ecológicas e resilientes ao clima centradas no uso


racional e eficiente de materiais de construção locais. Isso inclui a construção
de infraestruturas duráveis e capazes de resistir a eventos climáticos
extremos, ao mesmo tempo em que permite às famílias captar águas pluviais
para uso produtivo, especialmente em áreas propensas à seca ou com uma
rede de distribuição de água inadequada.
b) Fazer advocacia junto ao governo central, instituições financeiras e setor
privado para criar linhas de financiamento dedicadas à criação de
infraestruturas resilientes ao clima em nível de famílias. Isso pode incluir
incentivando a construção de habitações ecológicas que facilitem a captação
de águas pluviais pelo telhado (com uma área mínima de captação de 105
m²), cisternas de passeio e de enxurrada para coleta e armazenamento de
água, barragens subterrâneas e reservatórios comunitários alinhados com as
necessidades e prioridades locais de uso da água.
c) Integrar indicadores de prontidão, adaptação e resiliência climática nos
processos de avaliação da qualidade de habitação, padrões de vida e danos
pós-desastre. Isso visa garantir que se trabalhe em direção à criação de
padrões habitacionais mínimos nacionais adequados às demandas climáticas.
d) Promover o estabelecimento e a institucionalização de quintais produtivos
capazes, que sejam climaticamente e nutricionalmente inteligentes. Isso
possibilita aos agregados familiares ter acesso a uma área de terra disponível
para criar um microssistema integrado de produção capaz de suprir suas
necessidades alimentares, como grãos, vegetais e frutas frescas, além de
proteína animal por meio da criação pecuária alimentada por espécies
forrageiras de múltiplos propósitos. O abastecimento de água para todas
essas atividades no quintal é garantido pela água captada tanto pelo telhado
como por cisternas de passeio, com uma área mínima de cerca de 200 m²
necessária para captar um volume mínimo de 60.000 L no semiárido,
considerando uma precipitação média anual de 300-350 mm de água.

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Essas ações visam melhorar a resiliência das comunidades em relação à habitação
e proporcionar condições para a produção local de alimentos e recursos
sustentáveis em sintonia com as mudanças climáticas.

2.9 SAÚDE PÚBLICA

Para fortalecer a integração da GRRD e melhoria da resiliência climática na saúde


pública, a FDC propõe as seguintes ações:

a) Estabelecer e operacionalizar protocolos de melhoria e monitoramento


contínuo dos níveis de prontidão e resposta a emergências de saúde pública.
Isso inclui o desenvolvimento de planos que abrangem todas as fases - antes,
durante e após um evento, nos programas de saúde da FDC.
b) Garantir a participação da FDC no grupo técnico nacional de prontidão para
emergências de saúde pública, com base no mecanismo de coordenação da
GRRD.
c) Assegurar a participação ativa da FDC no Cluster de "Saúde" do mecanismo
de resposta humanitária das Nações Unidas. Isso permitirá que a experiência
da FDC na implementação de protocolos de emergência sanitária em
resposta a desastres seja melhorada e expandida.
d) Formar e equipar comitês de prontidão e resposta a emergências de saúde
capazes de implementar e monitorar planos de mitigação de surtos de
emergências de saúde pública associados a eventos climáticos extremos e
cíclicos, de forma multianual.
e) Capacitar e equipar comitês comunitários de saúde e de co-gestão com a
capacidade técnica e operativa para apoiar ações de intervenção
antecipatória, avaliar continuamente a prontidão, capacidade de resposta e
melhoria da resiliência comunitária a emergências de saúde pública, como
doenças transmitidas por vetores associadas a eventos climáticos extremos
ou cíclicos.
f) Prover kits de primeiros socorros aos comitês comunitários de saúde para
responder a emergências de saúde pública.
g) Estabelecer sistemas comunitários de alerta, aviso prévio e prontidão para
emergências de saúde pública, bem como outros riscos de saúde
relacionados. Isso pode ser feito por meio da implementação de protocolos e
sistemas de referência, contra-referência e busca ativa coordenados pelas
unidades sanitárias.
h) Apoiar o desenvolvimento de planos de prontidão e resposta a emergências
de saúde pública para as unidades de saúde periféricas que prestam serviços
de cuidados primários nos distritos onde a FDC atua.

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2.9 EDUCAÇÃO FORMAL (T-VET) E INFORMAL (FUNCIONAL)
Para fortalecer a integração da GRRD e melhoria de resiliência climática na
educação formal e informal, a FDC ira levar a cabo as seguintes ações:

a) Transformar as escolas em centros de capacitação comunitária de múltiplos


propósitos capazes de operar como locais para educação de crianças em idade
escolar e ao mesmo tempo funcionar como local para educação de adultos,
bem como de demostração, treinamento e transferência de boas práticas de
GRRD e melhoria de resiliência climática através de um envolvimento activo
dos conselhos de escola, pais, professores e alunos como defensores e
promotores activos de boas práticas de gestão climática.
b) Desenvolver protocolos de GRRD e melhoria de resiliência climática para
estabelecimentos de ensino. Isso inclui a criação de planos que envolvam
simulações rotineiras para testar a prontidão e capacidade de cumprimento
dos protocolos de evacuação, além de estabelecer espaços seguros para
proteger alunos e professores durante eventos climáticos adversos.
c) Treinar professores e gestores escolares em assuntos relacionados à GRRD e
construção de resiliência, incluindo a prestação de primeiros socorros aos
estudantes em casos de emergência.
d) Desenvolver materiais de treinamento e comunicação para conscientização e
incorporação de práticas de GRRD e melhoria de resiliência climática. Esses
materiais podem ser incluídos nas atividades extracurriculares e de
desenvolvimento de habilidades para a vida, seguindo os conteúdos locais
autorizados.
e) Desenvolver protocolos de monitoramento contínuo para avaliar os níveis de
prontidão, capacidade de resposta, recuperação pós-choque e melhoria do
índice de resiliência das escolas. Esses protocolos permitirão que os gestores
escolares, conselhos de escolas e de pais possam avaliar e melhorar o
funcionamento das escolas antes, durante e após eventos climáticos cíclicos
e extremos característicos de cada região.

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Figura 12: Áreas chave para intervenção

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CAPÍTULO 3: ABORDAGEM DE IMPLEMENTAÇÃO

3.1 PRINCIPAIS DOCUMENTOS DE SUPORTE

A implementação da estratégia 2024-2034 para integrar a melhoria da


resiliência climática e a gestão do risco de desastres nas intervenções de
desenvolvimento comunitário da Fundação será feita em estreito alinhamento
com o Plano Estratégico 2015-2025 da FDC. O Plano Estratégico destaca o desejo
da FDC de se tornar um actor-chave nos esforços de Moçambique para
domesticação do Acordo de Paris, das diretivas do Marco de Sendai e dos esforços
de alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2, 3, 4, 5 e 6 em
contexto de mudanças climáticas até 2030. Especialmente no nível comunitário,
onde o papel da FDC em reduzir as desigualdades sociais (ODS 11) e ajudar a
eliminar a pobreza (ODS 1) é fundamental. No entanto, ajustes serão feitos no Plano
Estratégico em andamento, principalmente em relação às ações previstas nos
pilares 1, 2 e 3, a fim de abrir caminho para a socialização da presente estratégia e
do documento estratégico da Fundação para 2025-2035.

Este documento faz parte de um processo de reestruturação interna da FDC para


tornar as intervenções de apoio ao desenvolvimento comunitário promovidas pela
FDC compatíveis com o clima. Além do Plano Estratégico da FDC 2015-2025, a
implementação desta estratégia também se baseará no Plano Director de Redução
do Risco de Desastres de 2017-2030 (PDRRD) do INGD e na legislação setorial. Os
Planos Quinquenais do Governo (PQGs) para 2020-2024, 2025-2029, as agendas de
desenvolvimento, Planos Económicos e Sociais de nível nacional, provincial e
distrital (PES, PESOP, PESOD) e os planos de contingência local com um horizonte
anual também serão documentos de suporte críticos para orientar a concepção,
implementação e monitoramento da efetividade e progresso alcançado pelas
agendas e programas de desenvolvimento local compatíveis com o clima
promovidos com apoio da FDC. Essas ações serão profundamente enraizadas em
planos multianuais de melhoria da prontidão, adaptação, capacidade de resposta e
resiliência climática a longo prazo das comunidades intervencionadas.

3.2 COBERTURA GEOGRÁFICA: LOCAIS DE CO-CRIAÇÃO E VALIDAÇÃO DE MODELOS

A implementação desta estratégia será inicialmente restrita a um número de


distritos prioritários, selecionados para a co-criação, teste e validação de modelos
de intervenção escaláveis de melhoria de resiliência climática e GRRD. Esses
modelos visam adicionar valor aos esforços do Governo de Moçambique para
reduzir a vulnerabilidade climática a longo prazo das comunidades em zonas de
risco propensas a choques climáticos significativos. Os distritos foram selecionados

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com base nos níveis de exposição e risco climático, bem como na exposição a
conflitos, nas províncias do sul, centro e norte de Moçambique, respectivamente.
Um total de 16 distritos prioritários foram selecionados, sendo que 6 atuarão como
locais principais para o desenho e teste de protocolos operacionais, enquanto os
outros 10 serão áreas de expansão e validação pré-disseminação nacional (Tabela
3). Os distritos prioritários estão localizados nas províncias de Cabo Delgado e
Nampula, no norte; Manica, Zambézia, Tete e Sofala, no centro; e Gaza, no sul. No
sul e centro, a FDC irá concentrar suas operações em zonas de risco de desastres,
como seca, ciclones e enchentes. Já no norte, será dada atenção aos principais
destinos de reassentamento de deslocados internos do conflito em Cabo Delgado.
No entanto, a estratégia da FDC dedicará uma atenção especial às zonas áridas e
propensas a seca, devido ao histórico de financiamento limitado nessas áreas.

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Tabela 3: Locais de teste prioritários seleccionados para a operacionalização pela FDC da sua estratégia de reforço
da resiliência climática e de integração da gestão e redução do risco de desastres

Critério de Província Distritos-chave Risco Presença da FDC


seleção (Programas globais)
Chókwè15 Inundações VIVA+
Mapai Inundações e secas VIVA +, FASER - Acesso
Gaza Inundações e secas Sustentável a Energias
Chicualacuala
Renováveis,
Massangena Seca e ventos fortes -
Inhambane Vilanculos Ciclones CFPV
Sussundenga- VIVA +, Malária; FASER - Acesso
Inundações
Dombe Sustentável a Energias
Desastres Naturais Manica
Renováveis; UNFPA-Spotlight;
- Ciclones tropicais, Tambara Inundações, seca
Mulher & Paz
cheias e secas
Inundações e
Beira VIVA+
ciclones
Sofala
Inundações e
Buzi VIVA+
ciclones
Inundações e
Maganja da Costa16 VIVA+
ciclones
Zambézia
Inundações e
Namacurra VIVA+
ciclones
I-SAN, Gestão de Conflito - deslocados VIVA+, Malária; FASER - Acesso
Cabo Montepuez
Conflitos - Mulher, internos Sustentável a Energias
Delgado Conflito - deslocados
Paz e Justiça Social Ancuabe Renováveis, FUNUAP-VGB e BMGF
15
Chókwè e Sussundenga são distritos de intercâmbio com um elevado potencial produtivo. Eles serão polos
estratégicos para o estabelecimento de centros de multiplicação de sementes, vinhas de batata-doce de polpa
alaranjada, e cultivos de frutas de interesse, visando abastecer as zonas de risco. Essa iniciativa contribuirá para
fortalecer a resiliência climática dessas áreas,
16
Na Zambézia, Maganja da Costa é um local de grande importância, e a FDC já teve uma presença ativa nessa
região através do Projecto de Resposta Pós-IDAI. Esse projeto, financiado pelo BMGF, teve como objetivo principal
auxiliar na recuperação e reconstrução das comunidades afectadas pelo ciclone Idai. A presença anterior da FDC
nesse distrito permite que a organização aproveite o conhecimento e a experiência adquirida para continuar
trabalhando no fortalecimento da resiliência climática e da gestão de riscos nessa área específica.

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internos
Conflito - deslocados
Chiure - Assistência Humanitária exceto
internos
Chiure, Mulher & Paz
Nampula Conflitos - VIVA+, FASER - Acesso
Rapale deslocados internos, Sustentável a Energias
seca Renováveis, UNFPA - Programa
Mogovolas Seca e vento Global, Rapariga Biz

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Figura 13: Distritos para implementação piloto da estratégia

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3.3 PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA FUNDAÇÃO

De facto, a FDC desempenha diversos papéis estratégicos que são fundamentais


para a sua atuação na melhoria do bem-estar social e dos padrões de vida dos
grupos vulneráveis. Esses papéis são: 1) Defensor de causas: a FDC atua como
defensora de causas sociais tanto em nível nacional, contribuindo para a elaboração
de políticas, como em nível comunitário, promovendo advocacia e criando
ambientes propícios para o diálogo e o desenvolvimento local inclusivo e centrado
nas pessoas. 2) Criador de capacidades: a FDC desenvolve programas e ações para
formar e equipar organizações da sociedade civil (OSC) e organizações
comunitárias de base (OCB), bem como as autoridades governamentais, com as
competências necessárias para conceber, implementar e monitorar programas de
desenvolvimento local. 3) Mobilizador de fundos: a FDC trabalha na mobilização de
recursos financeiros para apoiar suas programações e projetos, buscando parcerias
e estabelecendo acordos inteligentes de cooperação com instituições do estado,
OSC, setor privado e instituições de conhecimento. 4) Implementador de boas
práticas: a FDC promove e implementa modelos baseados em evidências para
melhorar o desempenho dos sistemas, buscando constantemente aprimorar suas
práticas e compartilhar conhecimentos com outras instituições. Esses modelos são
desenvolvidos em parceria com diferentes actores, visando atender às
necessidades das comunidades e dos agregados familiares beneficiários das
intervenções promovidas pela fundação.
Com esses papéis estratégicos, a FDC busca atuar de forma assertiva e eficaz na
promoção do desenvolvimento comunitário, sempre com base em parcerias sólidas
e na busca por soluções inovadoras e sustentáveis.

Mobilizador
de recursos e
Promotor de financiador
boas práticas
escaláveis e
integradas
Advogado e
Coordenado
r

Criador de
capacidades
e promotor
de boas
práticas Página 75 de 83
Figura 14: Papéis estratégicos da FDC a luz da implementação da Estratégia de
Integração de resiliência climática e GRRD no desenho e implementação de
intervenções de desenvolvimento comunitário

As prioridades de capacitação e fortalecimento das instituições e comunidades


locais, mobilização de recursos e negociação de parcerias público-privadas
inteligentes são essenciais para a integração da Gestão e Redução do Risco de
Desastres e resiliência climática nas agendas de desenvolvimento local pelos
seguintes motivos:

a) Reforçar a prontidão: melhora a capacidade das comunidades e instituições


para se prepararem para desastres e reduzirem seu impacto nos meios de
vida dos agregados familiares. Isso envolve o desenvolvimento e a
implementação de planos e protocolos de resposta a desastres, incluindo
sistemas de aviso prévio, resposta emergencial e planos de evacuação.

b) Promover a criação de resiliência climática: mobilização e direcionamento de


recursos para apoiar iniciativas de GRRD e melhoria da resiliência climática.
Isso inclui recursos financeiros para apoiar o desenvolvimento de
infraestruturas e actividades de resposta a desastres, bem como a criação de
capacidade técnica e desenvolvimento de recursos humanos. Com acesso a
recursos técnicos e financeiros, as comunidades e instituições locais podem
reforçar sua capacidade de mobilização comunitária para implementar ações
de melhoria de resiliência e prontidão para desastres, reduzindo seu impacto
no bem-estar e meios de vida da comunidade.

c) Colaboração e coordenação: é importante estabelecer parcerias com o


governo e outras organizações para fortalecer o mecanismo de coordenação
local, minimizar duplicação de esforços e sobreposições, e melhorar a
efetividade das intervenções de GRRD e melhoria de resiliência climática a
nível comunitário. Ao estabelecer parcerias, as comunidades e instituições
podem se beneficiar da experiência e recursos disponíveis, promovendo uma
atuação mais eficiente e sinérgica.

3.3 SUSTENTABILIDADE
Garantir a sustentabilidade da estratégia para a integração da GRRD e melhoria de
resiliência climática nas intervenções de desenvolvimento comunitário requer uma
abordagem integrada e de longo prazo capaz de resolver as causas primárias da
vulnerabilidade climática no meio rural moçambicano como ponto de partida para
melhoria da resiliência climática a longo prazo. Para tornar este processo de
integração e institucionalização de protocolos e práticas sustentável a longo prazo,
a FDC adotará as seguintes práticas:

a) Estimular a apropriação pela comunidade: Garantir que a comunidade esteja


envolvida e se aproprie da concepção e implementação da estratégia. Isso
inclui a participação no processo de tomada de decisões, fornecimento de

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treinamento e recursos para implementação e monitoramento contínuo e
participativo do impacto das intervenções acordadas na comunidade.

b) Institucionalização: Integrar a GRRD e melhoria da resiliência na cultura e


protocolos operacionais da organização. Isso envolve a criação de políticas e
diretrizes que reflitam os objetivos da estratégia, o treinamento contínuo dos
funcionários e o estabelecimento de sistemas para monitorar e avaliar a
eficácia da estratégia.

c) Parcerias: Estabelecer parcerias públicas e privadas inteligentes para


compartilhar recursos, agendas e conhecimentos, garantindo que as ações
propostas estejam alinhadas com os planos e políticas de desenvolvimento
setorial e nacional.

d) Mobilização de recursos: Elaborar uma estratégia de mobilização de recursos


para garantir que os recursos financeiros e humanos necessários estejam
disponíveis para implementar a estratégia. Isso pode incluir a diversificação
das fontes de financiamento, a busca de contribuições em espécie e o
estabelecimento de parcerias com doadores e outras organizações.

e) Gestão do conhecimento: Assegurar que o conhecimento e a aprendizagem


resultantes do processo de implementação sejam documentados,
sistematizados e divulgados para garantir a melhoria contínua e a eficácia
das intervenções. Isso inclui a documentação dos sucessos e principais
desafios, a divulgação das lições aprendidas, o treinamento e o
fortalecimento das capacidades do pessoal interno e dos parceiros de
intervenção.

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CAPÍTULO 4: MONITORIA, AVALIAÇÃO E APRENDIZAGEM (MEAL)

4.1 PROCEDIMENTOS DE MEAL

As actividades chave para a monitoria, avaliação e aprendizagem (MEAL) na


estratégia para a integração da GRRD e melhoria de resiliência climática nos
programas e intervenções de apoio ao desenvolvimento comunitário financiados
pela FDC poderá incluir:

a) Desenvolvimento de um plano de monitoria e avaliação mais abrangente:


Além de identificar indicadores para medir o progresso, o plano deve incluir
atividades específicas para coletar dados relevantes, definir
responsabilidades claras para cada componente do MEAL e estabelecer um
cronograma realista para avaliações e monitoramento.
b) Avaliações de base e final aprofundadas: Realizar análises detalhadas do
ponto de partida e dos impactos finais, utilizando uma ampla gama de
métodos de coleta de dados, incluindo pesquisas, entrevistas e observações
diretas.
c) Monitoria contínua das atividades: Implementar mecanismos eficazes para
acompanhar regularmente o progresso na implementação da estratégia,
vinculando os dados coletados aos indicadores estabelecidos e identificando
possíveis obstáculos e necessidades de apoio.
d) Maior ênfase na partilha e aprendizagem: Garantir que as informações e
lições aprendidas sejam compartilhadas de maneira sistemática e
colaborativa com todas as partes interessadas, incluindo membros da
comunidade, parceiros governamentais e outras organizações, através de
reuniões, relatórios e outras formas de comunicação eficaz.
e) Abordagem de melhoria contínua: Usar os dados e informações coletadas por
meio do MEAL para identificar áreas em que a estratégia possa ser
aprimorada, fazendo ajustes conforme necessário e aproveitando as lições
aprendidas para informar intervenções futuras.

Essas melhorias ajudarão a fortalecer o processo de monitoria, avaliação e


aprendizagem na implementação da estratégia da FDC, promovendo uma
abordagem mais completa, sistemática e orientada por dados para garantir o
sucesso da integração da GRRD e melhoria da resiliência climática nos
programas de desenvolvimento comunitário.

4.2 APRENDIZAGEM E INOVAÇÃO

A aprendizagem e inovação são essenciais no contexto do reforço da resiliência


climática, GRRD-ERH, porque podem ajudar a compreender o contexto, identificar
os principais nós de estrangulamentos operacionais, ajudar a desenvolver e testar
formas inovadoras e eficazes de melhorar a prontidão, capacidade de resposta,
recuperação e melhoria de resiliência a longo prazo. A investigação formativa e
aplicada, a criação de plataformas de inovação baseadas na comunidade para
facilitar a aprendizagem através de comunidades de práticas (CoP) e associações
de aprendizagem e prática (LPA), que responsáveis por envolver de forma activa

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todos os intervenientes chave a trabalhar conjuntamente para o desenho,
testagem, avaliação e seleção de tecnologias e abordagens de intervenção para
gestão efectiva de risco de desastres e criação de resiliência climática constituirão
o cerne dos programas de inovação e gestão de conhecimento a luz da
implementação da presente estratégia. Para implementar as plataformas de
inovação e aprendizagem, a Fundação trabalhará em estreita colaboração com as
instituições locais de conhecimento para:

a) Realizar uma avaliação das necessidades de formação e lacunas de


conhecimento existentes a nível comunitária e que minam os esforços de
participação na implementação de medidas de GRRD capazes de minimizar a
vulnerabilidade climática a longo prazo. Para tal, consultas comunitárias,
oficinas de planificação conjunta e outras ferramentas que permitam auferir
as lacunas operacionais existentes serão usadas.
b) Identificar, testar e promover tecnologias e modelos de intervenção para
melhoria de resiliência climática capazes de ajudar a reduzir a
vulnerabilidade climática a nível comunitário.
c) Avaliar a eficácia das intervenções e fazer os ajustes necessários para
melhorar o seu impacto.
d) Disseminar os resultados: partilhar os resultados de pesquisa e das
intervenções com a comunidade e intervenientes chave - governo e parceiros
de desenvolvimento para promover a adopção destas práticas nas
intervenções de GRRD e melhoria de resiliência climática.
e) Fomentar uma cultura de inovação: dentro da organização e a nível dos
mecanismos de coordenação da GRRD de modo a melhorar o leque de
tecnologias e abordagens prontas para uso e capazes de melhorar o
desempenho das acções de melhoria de resiliência climática.

CAPÍTULO 5: ORÇAMENTO PREVISIONAL E FONTES DE FINANCIAMENTO

A implementação deste Plano Estratégico está avaliada em US $ 16,8 milhões de


dólares americanos, distribuídos em parcelas anuais de aproximadamente US $ 1.7,
1.4 e 1.1 milhões de dólares americanos no primeiro, segundo e terceiro triénio
respectivamente. O recrutamento e a formação do pessoal da Unidade Gestão
Resiliência Climática e GRRD da FDC consumirão cerca de 25% do orçamento total.
O valor remanescente será distribuído pelas restantes rúbricas, nomeadamente,
geração e gestão de conhecimento – pesquisa adaptativa, formativa e inovação,
fortalecimento da capacidade institucional e das instituições locais, investimentos
de capital e intervenções sectoriais específicas para a co-criação, testagem,
validação e disseminação de modelos viáveis e escaláveis para melhoria da
resiliência climática nos distritos prioritários designados pela Fundação e pelo país.

Partindo do princípio que esta estratégia de construção de resiliência climática da


FDC, tem como objectivo principal ajudar a reposicionar a Fundação como um

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parceiro chave na implementação de programas de desenvolvimento compatíveis
ao clima em Moçambique, o financiamento primário para a sua implementação virá
de fundos próprios da Fundação. Para o efeito, será criado um fundo interno de
melhoria de resiliência climática e de GRRD-ERH na FDC, de onde virá a maior parte
do financiamento para implementação da estratégia. Estes fundos serão utilizados
principalmente para apoiar intervenções multianuais de melhoria da resiliência
climática primariamente nos distritos prioritários e de expansão definidos pela FDC.
No entanto, isto não impede a Fundação de incluir outros districtos ou dos demais
parceiros se apropriarem e expandir as tecnologias e modelos de intervenção
testados e validados ajustáveis a realidade contextual de interesse do parceiro.

Fundos complementares para a implementação das actividades e programas de


melhoria da resiliência climática descritos na presente estratégia serão também
obtidos através de um esforço coordenado para mobilização de recursos junto dos
parceiros de desenvolvimento da Fundação. Estes fundos serão utilizados para
apoiar intervenções específicas no âmbito apoio a melhoria da capacidade local
para desenho, implementação e monitoria continua dos planos multianuais de
melhoria de resiliência climática concebidos e acordados pela FDC e pelos
parceiros. Contudo, nesta fase inicial, prioridade será dada ao reforço da
capacidade técnica da Fundação, através do recrutamento e formação de um
núcleo robusto de recursos humanos capazes de ajudar a operacionalizar a agenda
de melhoria de resiliência climática e GRRD nas agendas de desenvolvimento local
bem como tornar a melhoria de resiliência climática parte da rotina local e
fortalecimento e diversificação de meios de vida com vista a reduzir a
vulnerabilidade climática a nível local.

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Tabela 4: Projeção Orçamental para Implementação da Estratégia de Integração de Acções de Melhoria de
Resiliência Climáctica e GRRD nos programas e intervenções de apoio ao desenvolvimento comunitário promovidas
pela FDC

2024 - 2028 - 2032 -


RÚBRICAS ORÇAMENTAIS TOTAL
2027 2031 2034
985,239.0 1,133,024 1,302,978 3,421,242.
Custos com Pessoal
0 .85 .58 43
Gestão de Conhecimento – pesquisa formativa, estudos e 500,000.0 265,000.0 245,000.0 1,010,000.
consultoria 0 0 0 00
400,000.0 400,000.0 120,000.0 920,000.0
Capacitação Institucional - Interna
0 0 0 0
Capacidade das Instituições locais: Governo-INGD, OSC-OCB’s 800,000.0 800,000.0 600,000.0 2,200,000.
e comunidade 0 0 0 00
3,200,000 1,800,000 1,600,000 6,600,000.
Outros custos Indirectos (associados à intervenção)
.00 .00 .00 00
800,000.0 800,000.0 500,000.0 2,100,000.
Capital de equipamento
0 0 0 00
200,000.0 200,000.0 200,000.0 600,000.0
MEAL
0 0 0 0
6,885,239 5,398,024 4,567,978 16,851,24
Orçamento total para o período
.00 .85 .58 2.43
1,721,309 1,349,506 1,141,994
Orçamento anual médio
.75 .21 .64

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REFERÊNCIAS

1. MICOA, 2012. Estratégia Nacional de Adaptação e Mitigação das Mudanças


Climáticas 2013-2025. Maputo. Moçambique.
2. Conselho de Ministros (2017), Plano Director Para A Redução Do Risco De
Desastres 2017-2030 aprovado pelo Conselho de Ministros em Outubro de 2017.
3. Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (2014), Plano Estratégico da
FDC 2015-2024, aprovado pela Sessão do Conselho de Administração da FDC.
4. Sendai Framework for Disaster Risk Reduction 2015 – 2030
5. Decreto nº 27/2022 de 6 de Junho – Regulamento de Operacionalização da
Plataforma Integrada de Disseminação e Comunicação de Informação de Aviso
Prévio de Cheias e Ciclones.
6. Lei nrº. 15/2014 de 20 de Junho de 2014 – Quadro Legal para gestão de
desastres em Moçambique,
7. Plano Director para Gestão e Redução do Risco de Desastres 2017-2030
(PDRRD): alinha toda a GRRD em Moçambique com o Quadro de Sendai para a
Redução do Risco de Desastres (2015-2030)
8. Desaster Recovery Framework (DRF-PREPOC), 2019 - PREPOC
9. Law nrº., 10/2020, of August 24th - Legal framework for Disaster Risk
Management and Reduction.
[Link] No. 42/2021, of September 8 th, Policy for Internally Displaced People
Management,
[Link] Health Organization, 2015. Operational framework for building climate
resilient health systems. Geneva: WHO - ISBN 9789241565073.
[Link] Hochrainer-Stigler, Finn Laurien, Stefan Velev, Adriana Keating, Reinhard
Mechler, 2020, Standardized disaster and climate resilience grading: A global
scale empirical analysis of community flood resilience. Journal of Environmental
Management, Volume 276, 111332
[Link]
[Link], J. K., L. M. Smith, L. C. Harwell, and K. D. Buck (2017), Conceptualizing
holistic community resilience to climate events: Foundation for a climate
resilience screening index, GeoHealth, 1, 151–164, doi:10.1002/2016GH000047.
[Link] Knippenberg, Nathaniel Jensen, Mark Constas, 2019. Quantifying
household resilience with high frequency data: Temporal dynamics and
methodological options. World Development, Volume 121, 1-15.
[Link]
[Link] Clare, Rebecca Graber, Lindsey Jones, Declan Conway, 2017. Subjective
measures of climate resilience: What is the added value for policy and
programming? Global Environmental Change, Volume 46, 17-22.
[Link]

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Common questions

Com tecnologia de IA

O mecanismo de partilha de informação previsto pela FDC consiste em uma plataforma eletrônica que assegura o fluxo de informação entre os diferentes intervenientes, facilitando a circulação de dados críticos sobre riscos e estratégias de resiliência climática. Esta abordagem é essencial para garantir a monitoria participativa e a implementação de ações coordenadas de resposta e adaptação .

As plataformas multilaterais são importantes para a melhoria da resiliência climática em Moçambique, pois reúnem todos os intervenientes chave, permitindo uma coordenação eficiente das estratégias e intervêm na mobilização de recursos. Essas plataformas facilitam a negociação de parcerias público-privadas e a implementação de intervenções mais eficazes ao longo da cadeia de gestão e redução do risco de desastres .

A FDC pode auxiliar na operação da estratégia de desenvolvimento de zonas áridas em Moçambique ao reposicionar-se como um parceiro ativo do INGD-DARIDA, participando em grupos técnicos de trabalho focados na melhoria da resiliência climática e no fortalecimento das intervenções de gestão de riscos em ambientes áridos. A colaboração com estas estratégias é essencial para promover a sustentabilidade a longo prazo .

A abordagem participativa, que envolve ativamente as comunidades no ciclo de planejamento e implementação das intervenções, contribui significativamente para a gestão de risco de desastres, promovendo a apropriação local dos planos de GRRD. Essa estratégia estimula a inclusão de vozes marginalizadas e grupos vulneráveis, garantindo que suas necessidades e prioridades sejam incorporadas efetivamente nas decisões de gestão de riscos .

Os desafios associados ao uso das bacias de irrigação nos distritos de Gaza, ao longo dos rios Limpopo e Save, incluem o conflito homem-elefante nas áreas próximas ao Parque Nacional do Limpopo, que limita o aproveitamento adequado da água para produção irrigada. Esse contexto também desafia a gestão dos recursos naturais e a implementação eficaz dos sistemas de irrigação .

A FDC planeja integrar a defesa climática em sua estrutura organizacional através da criação de uma unidade dedicada para coordenar e supervisionar o processo de integração das questões de resiliência climática e gestão do risco de desastres. Esta unidade terá os recursos humanos e técnicos necessários para formular, implementar e monitorar o progresso das iniciativas climáticas, além de realizar ajustes no modelo operacional para torná-lo mais responsivo às exigências de resiliência climática .

Os Comitês Locais de Gestão e Redução do Risco de Desastres (CLGRD) desempenham um papel crucial na facilitação das atividades de gestão e redução de riscos antes e após a ocorrência de desastres, atuando principalmente a nível comunitário. Estes comitês são compostos por voluntários selecionados participativamente, contribuindo para a implementação participativa das estratégias de resiliência local .

As principais estruturas de gestão e redução do risco de desastres em Moçambique incluem o Conselho Coordenador de Gestão de Desastres (CCGD) e o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). O CCGD, sob a tutela do Conselho de Ministros e presidido pelo Primeiro-Ministro, é o órgão político responsável pela governança e coordenação multissetorial na gestão de desastres. Já o INGD atua como braço executivo do CCGD, responsável pela coordenação das atividades de gestão e redução do risco de desastres a nível operacional .

A FDC e as instituições locais podem melhorar a gestão de riscos climáticos através do fortalecimento das capacidades técnicas internas em desenho e implementação de programas compatíveis ao clima, envolvendo governos locais e organizações da sociedade civil em todas as etapas do processo. Incentivar parcerias públicas e privadas inteligentes, fortalecer as unidades locais de emergência e revitalizar os comitês de gestão de riscos são passos cruciais .

Integrar o conhecimento local nos planos de resiliência climática permite desenvolver soluções mais eficazes e adaptadas às realidades específicas das comunidades. Além de valorizar as práticas tradicionais, essa abordagem possibilita a identificação de riscos de forma mais precisa, promova a testagem e ajuste das soluções propostas e incentivam a propriedade comunitária das ações implementadas, aumentando a eficácia e sustentabilidade das intervenções da FDC .

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