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Psicologia das Emoções e Motivação

O documento explora a psicologia da motivação e das emoções, destacando o papel do hipotálamo e das hormonas na regulação emocional. Também aborda as etapas do desenvolvimento emocional nas crianças, desde a identificação de emoções básicas até a compreensão de emoções mistas e a regulação emocional. Métodos para avaliar emoções, como a Positive and Negative Affect Scale (PANAS), são discutidos, assim como a importância das experiências de vida na formação do medo e da ansiedade.

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Psicologia das Emoções e Motivação

O documento explora a psicologia da motivação e das emoções, destacando o papel do hipotálamo e das hormonas na regulação emocional. Também aborda as etapas do desenvolvimento emocional nas crianças, desde a identificação de emoções básicas até a compreensão de emoções mistas e a regulação emocional. Métodos para avaliar emoções, como a Positive and Negative Affect Scale (PANAS), são discutidos, assim como a importância das experiências de vida na formação do medo e da ansiedade.

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Psicologia da Motivação e das Emoções | Ana Luísa Lemos

Hipotálamo
• Faz a “ponte” entre o sistema nervoso central e o sistema endócrino (segregação de hormonas -
glândula pituitária);
• Controla:
o a temperatura corporal, batimentos cardíacos, a pressão arterial, a salivação, a
transpiração, a dilatação das pupilas, fome, sede, e as alterações hormonais (com aumento
dos níveis sanguíneos de adrenalina e cortisol);
• Promove a vinculação (mãe-bebé).

O papel das Hormonas

• Cortisol (Hormona do stress): resulta da atividade do sistema hipotalamico-pituitário-


adrenocortical perante tensão social
• Oxitocina (Hormona do amor). ativada pelo hipotálamo e segregada pela glândula pituitária
(hipófise posterior) aumenta a confiança e a empatia pelos outros e reduz o stress
• Testosterona: activada pelo hipotálamo e segregada pela glândula pituitária (hipófise posterior)
aumenta a confiança e a empatia pelos outros e reduz o stress.

Sistema Límbico

• Muitas projeções das amígdalas interagem com o hipotálamo e o tronco cerebral e desencadeiam
reações emocionais, comportamentais e viscerais:
o o hipotálamo controla os batimentos cardíacos, a pressão arterial, a salivação, a
transpiração, a dilatação das pupilas e as alterações hormonais (com aumento dos níveis
sanguíneos de adrenalina e cortisol),
o tronco cerebral controla os músculos faciais e o reflexo de sobressalto.

Etapas do Desenvolvimento Emocional


Modelos estruturais de “appraisal”

• As comunalidades das experiências emocionais têm dado suporte à identificação do que podem ser
os possíveis “appraisals” de uma emoção.
• Premissas base:
o padrões de appraisal dão origem às reações emocionais específicas
o diferentes estímulos podem produzir a mesma emoção e os mesmos estímulos podem
produzir emoções diferentes.
• Contudo, estes dados não servem como argumento forte para provar um vínculo causal entre
appraisal e emoção, nem proporcionam uma mensuração de processos automáticos.

Smith e Ellsworth
• Cinco dimensões de avaliação cognitiva nos estados emocionais:
o Agradabilidade: se uma experiência é desagradável ou agradável, que estabelece a primeira
ordem de diferenciação entre o conjunto de emoções avaliados por este estudo, ou seja,

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Psicologia da Motivação e das Emoções | Ana Luísa Lemos

considerando todas as emoções (positivas e negativas) esta é a dimensão que assume maior
relevância na sua classificação;
o Agência: se os acontecimentos estão sob controlo e são da responsabilidade do indivíduo
ou de outra pessoa, o exemplo típico é vergonha e culpa que mostram elevados níveis de
responsabilidade e controlo do próprio indivíduo;
o Certeza: se a situação envolve incerteza ou certeza em relação ao que se passou na
situação vivenciada e em relação ao que se ia passar a seguir, sendo que medo, esperança
e surpresa são altamente incertas
o Atividade atencional: se a atenção é focada do eventos ou se o indivíduo pretende desviar
a sua atenção dele, por exemplo em emoções como repugnância e desprezo os indivíduos
tendem a não querer atender às circunstâncias;
o Esforço antecipado: a perceção de esforço necessária para lidar com uma situação, que é
segundo os autores importante para discriminar entre emoções positivas, sendo que desafio
envolve alto nível de antevisão de esforço, interesse e esperança envolvem esforço
moderado e felicidade, orgulho e surpresa se associam com muito pouco esforço.

Roseman
• Sete appraisals que influenciam a experiência das emoções:
o Consistência ou inconsistência de motivo, que se refere ao estado motivacional do
indivíduo que procura menos de algo (um motivo aversivo, castigo por exemplo) ou que
procura mais de algo (motivo apetitivo, uma recompensa por exemplo) de acordo com os
motivos do indivíduo;
o Controlo alto ou baixo, cujas avaliações determinam a licitação de uma emoção de
acomodação à circunstância ou estímulo ou de uma emoção que procura provocar
alterações;
o Tipo de problema instrumental ou intrínseco, que se refere a como lidar com as situações
inconsistentes de motivo, ou seja, que determina se uma emoção de ataque (movendo
contra o estímulo) ou de rejeição (afastando o estímulo) é originada.
o Incerteza ou certeza, que determina se é licitada uma emoção proactiva ou reativa, sendo
que se uma situação é incerta;
o Estímulo apetitivo ou estímulo aversivo, que apura a determinação dum indivíduo para
aumentar ou diminuir o movimento de encontro ao estímulo;
o Agência, que determina se a emoção é experienciada em relação a objetos ou resultados,
em relação a outros indivíduos, ou em relação a si próprio;
o Imprevisibilidade, que está na raiz da ativação de surpresa, como estratégia para
suspender ação e movimento de forma a procurar e compreender informação.

Modelo circumplexo de Russel


• Para Russel e Barrett (1999), o afeto é compreendido como um estado de prazer ou
descontentamento que possui algum grau de ativação e é vivenciado constantemente.
o É entendido, também, como um estado neurofisiológico conscientemente acessível, sendo
uma combinação do hedônico, prazer ou desagrado, e da ativação, quietude ou vigor

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Psicologia da Motivação e das Emoções | Ana Luísa Lemos

o Estados de prazer, de desgosto, de tensão, de calma, de energia e de cansaço são


considerados exemplos de afeto

A dimensão valência está A ativação é a dimensão da


relacionada à codificação do experiência que corresponde à
ambiente como prazeroso ou mobilização ou energia dispensada;
desprazeroso. ou seja, é representada por um
- Para o estímulo em um continuum, desde a baixa ativação,
determinado momento, o sujeito representada por sono, até a ativação
pode atribuir um significado: bom alta, representada pela excitação.
ou mau; útil ou prejudicial;
recompensador ou ameaçador.
• O que é um circumplexo?
o Matriz de correlações que apresenta um padrão de
correlações fortes perto da diagonal e, conforme as
correlações se afastam da diagonal, estas ficam mais
fracas, até que voltam a ficar fortes.
o Esse padrão de correlações repete-se em toda a
matriz, e, por isso, pontos próximos no circumplexo
são correlacionados fortemente
o Estados afetivos que são próximos no circumplexo
representam uma combinação similar de valência e
ativação percebida
• As combinações das dimensões geram seis categorias:
1. afeto positivo com ativação alta (eufórico, entusiasmado);
2. afeto positivo com ativação moderada (gratificante, satisfeito);
3. afeto positivo com ativação baixa (sereno, calmo);
4. afeto negativo com ativação alta (chateado, em sofrimento);
5. afeto negativo com ativação moderada (miserável, descontente);
6. afeto negativo com ativação baixa (letárgico, depressivo)

Métodos e instrumentos para avaliar emoções/afeto

• Positive and Negative Affect Scale (PANAS) – afeto positivo/negativo


• Escala de Dificuldades de Regulação Emocional (DERS- SF) – estratégias de regulação emocional
• Medidas das manifestações psicofisiológicas das emoções (exemplos):
o Biofeedback de condutividade
o Biofeedback cardíaco
o Biofeedback respiratório
o Biofeedback muscular
o Biofeedback cerebral

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Positive and Negative Affect Scale (PANAS ; Watson et al., 1998)


• É um instrumento que permite avaliar duas dimensões da afetividade (positiva/negativa);
• Medida breve, de fácil administração,
• Originalmente, a escala incluiu vinte itens, dez dos quais correspondentes ao Afeto Positivo e os
restantes dez ao Afeto Negativo.
• Não é possível afirmar que consiga medir o afeto em relação a todas as suas dimensões, conforme
foi constatado posteriormente pelos próprios autores (Ekkekakis, 2013; Watson, Wiese, Vaidya, &
Tellegen, 1999).
• Quando o conteúdo da PANAS é avaliado, apenas afetos com alta e moderada ativações são
medidos pelos itens (Carvalho et al., 2013; Zanon & Hutz, 2014).

Etapas do Desenvolvimento Emocional

Natureza das emoções


• A partir dos 1-2 anos de idade, com o aparecimento da linguagem, as crianças começam a
identificar emoções básicas como a felicidade, o medo, a raiva e a tristeza a partir de expressões
faciais, posturas, movimentos e prosódia da voz (por exemplo, reconhecer que uma pessoa está
triste pelo tom da sua voz, pela postura do seu corpo ou pela expressão do seu rosto).
• A partir dos 4-5 anos, a maioria das crianças é capaz de reconhecer e rotular não só estas emoções
básicas, mas também a surpresa e o nojo.
o as crianças começam a compreender a distinção entre a aparência (expressão) e a
realidade (experiência afetiva) das emoções.
o Compreendem que as emoções podem ser simuladas abertamente, mesmo que a
experiência real seja, em última análise, privada (por exemplo, compreendem que uma
pessoa que sorri não está necessariamente feliz e que uma pessoa que chora não está
necessariamente triste).
• A partir dos 7-8 anos, as crianças começam a compreender a natureza mista e conflituosa de
algumas emoções
o por exemplo, compreender que podemos sentir-nos simultaneamente felizes e assustados
numa montanha-russa.
• Na idade de 10-11 anos, as emoções desagradáveis, moderadas ou intensas, breves ou duradouras,
ligadas a um objeto específico ou difusas, orientadas para o eu ou para os outros, conscientes ou
inconscientes, reais ou aparentes, motivacionais (isto é, indutoras de ação) ou atencionais
(orientadoras do processo) podem ser mais ou menos básicas.
o A maioria das crianças compreende as emoções mistas.
o Compreendem que as emoções podem ser parciais ou totalmente orientadas para si
próprias (culpa, vergonha, orgulho, depressão, amor, ódio, empatia, etc.) ou para os outros
(amor, ódio, ciúme, inveja, empatia, kama muta, vergonha, etc.)
• Entre os 10-11 anos a maioria das crianças compreende as emoções mistas - emoções auto-
reflexivas e morais.

Características do desenvolvimento emocional normativo


• O desenvolvimento da regulação das emoções começa na infância, quando o bebé se baseia em
processos fisiológicos automáticos e no seu cuidador para regular os seus estados homeostáticos
e de excitação.

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Psicologia da Motivação e das Emoções | Ana Luísa Lemos

• As crianças começam a regular a angústia na primeira infância, principalmente com a ajuda dos
cuidadores, utilizando várias estratégias como a distração.
• À medida que as crianças se desenvolvem, começam a interiorizar estas estratégias e começam a
usá-las por si próprias com mais frequência para reduzir a angústia e o afeto negativo;
o no entanto, a sua eficácia é limitada durante a infância especialmente na regulação do medo
• Pensa-se que o medo e os comportamentos relacionados com o medo surgem cerca de 7 meses
após o nascimento (Sroufe, 1977).
• Este facto é evidenciado pelo aparecimento de comportamentos relacionados com o medo, tais
como expressões de angústia em resposta a estranhos ou alturas por volta este período de
desenvolvimento.
o Por exemplo, os bebés com cerca de 7 meses de idade desenvolvem uma preferência
atencional normativa por informação ameaçadora (e.g., expressões faciais de medo ou ou
zangadas).
• Estas alterações nos comportamentos relacionados com o medo, incluindo processamento do
medo, desenvolvem-se durante um período de desenvolvimento em que o medo se torna
funcionalmente relevante quando os bebés se tornam autónomos e começam a explorar o
ambiente.
• Durante a primeira infância, o uso deliberado de tais estratégias aumenta significativamente
durante o no terceiro ano de vida (e.g., o uso de distração), que tem sido teorizado como o período
de desenvolvimento em que a autorregulação emerge.
• O número de estratégias de regulação emocional usadas pelas crianças aumenta durante a infância
(Hodgins & Lander, 1997). Do mesmo modo, da infância para a idade adulta, o uso de estratégias de
regulação emocional mais complexas e adaptativas e adaptativas continua a aumentar
(Zimmermann & Iwanski, 2014)
o Por exemplo, as estratégias de regulação das emoções das crianças são mais eficazes na
regulação das respostas ao medo aos 5 anos em comparação com os 2 anos (Morales et al.,
2017).
• Da mesma forma, a capacidade de reinterpretar o significado de um evento emocional (i.e.,
reavaliação), uma sofisticada estratégia de regulação da emoção, melhora com a idade, desde a
infância até à idade adulta (Silvers et al., 2015, 2016).
• Uma linha de trabalho centrou-se em temperamento “receoso” - a expressão de cautela, angústia,
afeto negativo ou evitamento em em resposta a novos estímulos (N. A. Fox, Henderson, Rubin,
Calkins, & Schmidt, 2001).
o Este temperamento é um dos melhores preditores precoces de ansiedade na idade adulta
(Buss, 2011; Chronis-Tuscano et al, 2009; Pérez-Edgar & Fox, 2005; Schwartz,Snidman, &
Kagan, 1999).
o Uma meta-análise concluiu que as crianças caracterizadas como temperamentalmente
“medrosas/receosas” têm uma probabilidade 7,5 vezes maior de desenvolver problemas de
ansiedade, especialmente ansiedade social (Clauss & Blackford, 2012).
• As experiências de vida precoce são outra fonte amplamente estudadas como fonte de diferenças
individuais no desenvolvimento do medo e da ansiedade.

Etapas do Desenvolvimento Emocional


• 2-3 Anos:

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o As crianças começam a compreender o impacto da situação (isto é, o ambiente social e


físico) nas emoções, por exemplo, compreendem que é provável que uma pessoa se sinta
feliz quando recebe um presente de aniversário ou assustada quando é perseguida por um
cão feroz.)
• 4-5 Anos:
o A maioria das crianças compreende o impacto de uma variedade de situações prototípicas
nas emoções.
§ Por exemplo, compreendem que duas pessoas que enfrentam a mesma situação –
ambas têm sede e só têm leite para beber – podem sentir emoções diferentes porque
uma gosta de leite e a outra não.
o As crianças começam a compreender o impacto do tempo nas emoções,
§ por exemplo, compreendem que a intensidade de uma emoção se desvanece com o
tempo.
o As crianças começam a compreender o impacto das recordações nas emoções.
§ Por exemplo, compreendem que olhar para um objeto que pertenceu a um ente
querido ou comer uma madalena pode reavivar emoções passadas.
o As crianças começam a compreender o impacto dos conhecimentos, idade e das crenças
(falsas) sobre as emoções.
§ Por exemplo, compreendem que os bebés têm menos palavras de emoção do que
os adolescentes.
o As crianças começam a compreender como as emoções podem ser reguladas através de
estratégias comportamentais e sociais.
§ Por exemplo, compreendem que é possível reduzir a tristeza através da atividade
física ou da procura de apoio social.
• 7-8 Anos:
o A maioria das crianças compreende que as nossas emoções estão relacionadas com as
nossas crenças, as crianças começam a compreender o impacto da moralidade nas
emoções,
§ Por exemplo, compreendem que nos podemos sentir culpados depois de uma
transgressão ou orgulhosos depois de resistir à tentação.
• 10-11 Anos:
o A maioria das crianças compreende que tanto a natureza (maturação do cérebro) como a
cultura (educação) podem explicar estas diferenças de idade e que as emoções podem ser
reguladas através de estratégias cognitivas (por exemplo, pensar em algo positivo para
deixar de estar triste).
§ Por volta dos 10-11 anos, a maioria das crianças compreende que a violação ou a
manutenção das regras morais pode afetar as nossas emoções.

Regulação Emocional

• “A regulação emocional refere-se aos “processos pelos quais os indivíduos influenciam as emoções
que têm, quando as têm e como experienciam e expressam essas emoções” (Gross)
• Défice na capacidade de regulação emocional estar relacionado com o desenvolvimento de várias
perturbações psicológicas.

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Psicologia da Motivação e das Emoções | Ana Luísa Lemos

• Regulação emocional como dimensão unificadora dos vários sintomas psicopatológicos e


comportamentos desadaptados;
• Necessidade de considerar os objetivos do indivíduo quando se avalia a regulação emocional, bem
como a intensidade e a duração da experiência emocional. Essa conceptualização sublinha a
capacidade de ajustar a intensidade e a duração da emoção, em vez de eliminar a emoção em si.
Também salienta a capacidade de inibir comportamentos impulsivos e de agir de acordo com os
nossos objetivos nos momentos em que se experienciam emoções negativas.

Gratz & Roemer – Regulação emocional


• Conceptualização multidimensional da regulação emocional, que envolve:
o consciência e a compreensão das emoções
o aceitação das emoções
o capacidade para, em momentos de emoção negativa, controlar comportamentos
impulsivos e agir de acordo com os objetivos desejados
o capacidade para usar a regulação emocional apropriadamente mediante a implementação
de estratégias que modulem as respostas emocionais de um modo flexível de forma a
alcançar objetivos individuais ao mesmo tempo que se atende as exigências da situação.

• O controlo das reações emocionais é crucial para o comportamento adaptativo e social. A


modulação emocional permite produzir respostas comportamentais mais adequadas ao ambiente,
e isso pode ocorrer por meio de mecanismos cognitivos automáticos e estratégicos (Gross, 1998,
2013).
• A amígdala desempenha um papel central no despoletar de fenómenos biológicos relacionados
com as reações emocionais. A ativação fisiológica é substancialmente estereotipada entre as
diferentes emoções e, na maioria das vezes, consiste numa maior excitação de todo o
organismo, mas a interpretação subjetiva e o valor afetivo de cada emoção são muitas vezes
únicos e podem modular o comportamento com o objetivo de obter a melhor resposta
adaptativa.

Mecanismos
• As respostas emocionais subjetivas são mediadas pelas amígdalas. As ligações bidirecionais entre
a amígdala e o córtex órbito-frontal, particularmente no hemisfério direito, são a base da regulação
da emoção.
• Depois de ter integrado toda a informação sensorial, a amígdala informa o córtex órbito- frontal
sobre o estado emocional atual e, por sua vez, o córtex órbito-frontal modula a ativação na amígdala
em função do contexto ambiental, social e pessoal.
• A modulação da ativação da amígdala pelo córtex órbito-frontal ocorre através de um delicado
processo de seleção de respostas, em que o giro cingulado (que está relacionado com as decisões
motivacionais) desempenha um papel importante, sobretudo quando é necessário resolver
conflitos entre estados internos e externos.
• O córtex cingulado anterior avalia a saliência dos estados emocionais e permite a atuação de
comportamentos motivados, especialmente em caso de conflitos cognitivos ou emocionais entre
estados internos e externos.

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Psicologia da Motivação e das Emoções | Ana Luísa Lemos

• Estes mecanismos ocorrem automaticamente


(habitual emotion regulation) (Abler et al.,
2008), mas podem ser desencadeados
processos reguladores adicionais com base
em estratégias cognitivas (reappraisal)
relacionadas com a ativação de outras áreas
frontais.
• Quando sujeitos saudáveis tentam inibir
emoções negativas (evocadas por imagens
tristes) através de estratégias cognitivas, está
presente uma ativação generalizada,
particularmente no córtex pré-frontal dorso-
lateral e no giro cingulado (Banks et al., 2007).

Emoções Positivas
• A rede estreita entre a amígdala e o córtex pré-frontal é também o núcleo da regulação das emoções
positivas, como mostra um estudo de fMRI (Kim e Hamann, 2007) em que a ativação pré-frontal
parece ser ainda mais forte.
• Uma vez que a ativação pré-frontal está provavelmente relacionada com o controlo emocional, a
partir destes resultados seria possível sugerir que as emoções positivas podem ser moduladas de
forma mais flexível.
• Outro tipo de modulação das emoções pode ocorrer através de estratégias cognitivas destinadas a
modificar o valor cognitivo atribuído aos estímulos emocionais (Ochsner e Gross, 2005).

Papel dos neurónios espelho na regulação emocional

• Singer et al. (2004) executaram um estudo em que indivíduos saudáveis receberam pequenos
choques elétricos dolorosos nos dedos ou, em alternativa, assistiram a gravações de vídeo em que
os mesmos estímulos eram aplicados nas mãos do seu parceiro. Os resultados demonstraram que
ambas as condições (dor experimentada ou observada) ativavam as mesmas áreas corticais na
ínsula anterior e no giro cingulado.
o Mesmo as emoções "sociais", como a vergonha ou a humilhação, parecem se caraterizar
pela ativação das mesmas áreas corticais, tanto na experiência direta como na observada.
• A partir destes dados, seria possível concluir que algumas áreas corticais envolvidas no
processamento das emoções estão equipadas com neurónios-espelho emocionais, uma vez que

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Psicologia da Motivação e das Emoções | Ana Luísa Lemos

são ativadas também durante a observação de outras pessoas cuja mímica facial expressa algum
conteúdo emocional.
• Os neurónios-espelho podem assim estar envolvidos na plena compreensão das emoções dos
outros e contribuir para a complexa capacidade humana de “leitura da mente”, um conjunto de
capacidades cognitivas que permitem aos indivíduos pensar sobre a mente (por exemplo, crenças,
desejos, emoções) dos outros (Frith e Frith, 1999).

Neurofeedback
• Uma perspetiva interessante e estimulante para a regulação da emoção foi fornecida pela fMRI em
tempo real, uma técnica através da qual sujeitos saudáveis são informados sobre o estado atual da
sua própria atividade cortical, numa espécie de feedback biológico (Weiskopf et al., 2003; 2007).
• Ao aplicar este novo método, Caria et al. (2007) conseguiu treinar sujeitos saudáveis para controlar
a ativação do seu próprio córtex insular anterior: durante a experiência, cada sujeito tentou aplicar
estratégias cognitivas para aumentar ou reduzir a ativação insular e foi continuamente
informado sobre a eficácia da estratégia.
o A possibilidade de controlar a ativação das próprias áreas corticais através de uma
combinação de estratégias cognitivas e técnicas de "neuro-feedback" abre novos
caminhos para tratamentos não farmacológicos de perturbações emocionais, ansiedade,
entre outros.

The Effects off Age on Memory for Socioemotional Material: An Affective Neuroscience Perspective
• Muitos dos benefícios transmitidos à memória pelo processamento socio-emocional são
preservados ao longo do processo de envelhecimento.
• Tal como os jovens adultos, os adultos têm maior probabilidade de recordar informação emocional
do que informação neutra e de beneficiar do processamento autorreferencial da informação.
• Há, no entanto, uma alteração na memória emocional relacionada com a idade que tem sido objeto
de ampla discussão: o "efeito de positividade", ou a tendência dos adultos mais velhos para
recordarem proporcionalmente mais informação positiva do que os jovens adultos.

Motivação
Definição

• “Força que energiza e dirige o comportamento”


• “Energia que põe em funcionamento as capacidades próprias”
• As forças psicológicas internas de um indivíduo que determinam a direção do
seu comportamento, o seu nível de esforço e a sua persistência face aos
obstáculos”
• “As forças que atuam sobre e dentro do indivíduo, que iniciam e dirigem o se
comportamento”
• Motivação = Processo

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Psicologia da Motivação e das Emoções | Ana Luísa Lemos

Tipos de Motivação

• Motivação Intrínseca
o Refere-se à realização de uma tarefa pela satisfação relacionada com as características
inerentes à própria tarefa (e não decorrente de uma recompensa). – Reforços internos
§ Ex: Prazer, aprender, saber…
o Características da motivação intrínseca
§ Experiência de competência
§ Experiência de autodeterminação ou autonomia
§ Ativação gratificante
• Motivação Extrínseca
o Refere-se à realização de uma tarefa para obter algo exterior à própria tarefa
§ Ex: Boas notas, chocolate, bicicleta, valorização social…

Conceitos Básicos

• Ato Volitivo = Eu quero vs. Eu não quero


o Ato volitivo pode ser afetado por razões cognitivas/afetivas que afetam decisão volitiva!
• Impulso interno para a ação
o Impulsos(drive) incentiva comportamento, especialmente para reagir a necessidades
fisiológicas básicas;
o Impulsos mais fortes para satisfazer necessidades básicas!
• Incentivos
o Objetivos ou objetivos externos (em comparação a impulsos internos) que motivam o
comportamento.
§ Exemplos: anúncios publicitários; salário; mensagens de texto;
§ Hedoismo Freud = Desejo de Prazer

Perceção de Autoeficácia (Bandura)

• Refere-se ao juízo pessoal que os indivíduos fazem acerca de quanto são capazes de organizar e
implementar atividades, em situações desconhecidas, passíveis de conter elementos ambíguos,
imprevisíveis e geradores de stress.
o A perceção de eficácia pode ter efeitos diversos no comportamento, nos padrões de
pensamento, e nos aspetos emocionais;
• A perceção de eficácia influencia a escolha das atividades e dos ambientes ou situações; determina,
igualmente, quanto esforço o indivíduo vai aplicar, e durante quanto tempo persistirá perante
obstáculos e más experiências;
• A perceção acerca da capacidade própria influência, ainda, os processos de pensamento e as
reações emocionais antes das, e perante as situações.
• Pessoas tendem a evitar situações que acreditam exceder as suas capacidades, e a enfrentar
aquelas com que se julgam capazes de lidar.
• Quanto mais forte for a perceção de autoeficácia mais vigoroso e persistente o esforço: aqueles que
se julgam incapazes de lidar com as exigências da situação evitam envolver-se nela com as mais
variadas justificações.

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Psicologia da Motivação e das Emoções | Ana Luísa Lemos

• Estas preocupações dificultam a ação e distraem a atenção da tarefa para a centrar em si próprio.
(Bandura, 1981; 1982).
• A auto-eficácia é uma variável importante:
o no controlo do comportamento sexual/protecção de doenças sexualmente transmissíveis
(O'Leary, 1992);
o na adoção de comportamentos protetores da saúde (Mullen et all, 1988);
o na recuperação na doença, como por exemplo, controlo da dor ou doenças do aparelho
circulatório (O'Leary, 1985);
o adoção aq de comportamentos de prevenção do cancro (Baker 1988; Rassaby et all., 1991;
Seydel, Taal & Wiegman, 1990);
o higiene oral (McCaul, O'Neill & Glasgow, 1988; Tedesco et all, 1991);

Teorias da Motivação

Teorias Gerais Teorias aplicadas a contextos


específicos
Teorias de Hierarquia das necessidades (Maslow) Teoria das características da função
Conteúdo Teoria ERG- – Existence, Relationship, (Hackman & Oldham) (contexto
(Análise dos Growth (Alderfer) organizacional)
motivadores) Teoria dos motivos (McClelland)
Teorias do Processo Teoria da Equidade (Adams) Definição de objetivos
(dinâmica da Teoria das expectativas
motivação) Teoria da avaliação cognitiva

Hierarquia das necessidades - Pirâmide de Maslow (1943)


• Pressupostos:
o Necessidades não satisfeitas motivam o
comportamento humano;
o Precedência das necessidades mais
básicas sobre as mais elevadas (ordem
rígida e universal);
o Estando satisfeitas as necessidades de
um determinado nível, tornam-se ativas
as necessidades do nível imediatamente
seguinte, deixando as de nível anterior
de ser motivadoras (progressão
ascendente e linear na hierarquia);
o Equilíbrio na satisfação das
necessidades. Falta de evidência
empírica;

Teoria ERG (Alderfer)


• Evolução da hierarquia das necessidades de Maslow → Agrupamento em categorias
• Aspetos inovadores:
o Flexibilização das relações entre os níveis da hierarquia
§ Podemos satisfazer várias necessidades ao mesmo tempo, não é uma hierarquia
rígida;

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