Sistemas operacionais de rede computador
Arquitetura de redes e meios de transmissão
1.1 Comunicação de dados
Conforme Forouzan (2006), comunicação de dados é a troca de informação
entre dois dispositivos através de algum meio de comunicação como, por
exemplo, um par de fi os (Figura 1.1).
Um sistema básico de comunicação de dados é composto por cinco
elementos:
a) Mensagem: é a informação a ser transmitida. Pode ser constituída de
texto, números, fi guras, áudio e vídeo – ou qualquer combinação desses
elementos;
b) Transmissor: é o dispositivo que envia a mensagem de dados. Pode ser
um computador, uma estação de trabalho, um telefone, uma câmera de
vídeo, entre outros;
c) Receptor: é o dispositivo que recebe a mensagem. Pode ser um computador,
uma estação de trabalho, um telefone, uma câmera de vídeo, etc.;
d) Meio: é o caminho físico por onde viaja uma mensagem dirigida ao receptor;
e) Protocolo: é um conjunto de regras que governa a comunicação de dados.
Ele representa um acordo entre os dispositivos que se comunicam.
1.2 Transmissão de dados
Segundo Torres (2004), existem três tipos de transmissão de dados:
a) Simplex: nesse tipo de transmissão de dados, um dispositivo é o transmissor
e o outro é o receptor. A transmissão de dados simplex é, portanto,
unidirecional;
b) Half-duplex: esse tipo de transmissão de dados é bidirecional, mas, por
compartilharem o mesmo canal de comunicação, os dispositivos não
transmitem e recebem dados ao mesmo tempo;
c) Full-duplex: é a verdadeira comunicação bidirecional. A e B podem transmitir
e receber dados ao mesmo tempo (Figura 1.2).
1.3 História
Conforme Morimoto (2008c, [não paginado]), as redes passaram por um longo processo de
evolução antes de chegarem aos padrões utilizados atualmente. As primeiras redes de
computadores foram criadas ainda durante a década de 60, como uma forma de transferir
informações de um computador a outro.
Uma breve linha do tempo mostra alguns momentos importantes da evolução das redes de
computadores, conforme podem ser vistos a seguir.
1.3.1 Anos 60 – o início
De 1969 a 1972, foi criada a ARPANET, o embrião da Internet que conhecemos hoje. A rede
entrou no ar em dezembro de 1969, inicialmente, com apenas quatro nós, que respondiam
pelos nomes SRI, UCLA, UCSB e UTAH e eram sediados, respectivamente, no Stanford
Research Institute, na Universidade da Califórnia, na Universidade de Santa Barbara e na
Universidade de Utah, todas elas nos EUA. Eles eram interligados através de links de 50 kbps,
criados usando linhas telefônicas dedicadas, adaptadas para o uso como link de dados
(MORIMOTO, 2008b.
As principais características da rede ARPANET eram:
a) terminais “burros” (sem processador);
b) comunicação com um computador central;
c) consolidação dos princípios de comunicação de dados;
d) surgimento do modem;
As principais características da rede ARPANET eram:
a) terminais “burros” (sem processador);
b) comunicação com um computador central;
c) consolidação dos princípios de comunicação de dados;
d) surgimento do modem;
e) percepção pela indústria que a utilização remota de computadores seria
determinante nas décadas seguintes;
f) investimento individual de cada fabricante no desenvolvimento de uma
tecnologia de teleprocessamento própria;
g) crescimento enorme das redes de teleprocessamento;
h) expansão geográfica;
i) variedade de aplicações;
j) surgimento da necessidade de usuários de um sistema acessarem aplicações
de outros sistemas;
k) interligação de sistemas de teleprocessamento;
l) interconexão de computadores.
1.3.2 Anos 70 – Projeto ARPA
Em 1974, surgiu o TCP/IP, que se tornou o protocolo definitivo para uso na ARPANET e, mais
tarde, na internet. Uma rede interligando diversas universidades permitiu o livre tráfego de
informações, levando ao desenvolvimento de recursos que usamos até hoje, como o e-mail, o
Telnet e o FTP, que permitiam aos usuários conectados trocar informações, acessar outros
computadores remotamente e compartilhar arquivos. Na época, mainframes com um bom poder
de processamento eram raros e incrivelmente caros, de forma que eles acabavam sendo
compartilhados entre diversos pesquisadores e técnicos, que podiam estar situados em qualquer
ponto da rede (MORIMOTO, 2008b)
As principais características dessa rede eram:
a) início da era da tecnologia de redes de computadores;
b) distribuição de aplicações entre vários computadores interligados;
c) os sistemas de teleprocessamento continuavam a existir, porém, cada
computador da rede possuía sua própria estrutura de teleprocessamento;
d) comutação de pacotes;
e) divisão em várias camadas funcionais das tarefas de comunicação entre
aplicações de computadores distintos;
f) criação do conceito básico de Arquitetura de Rede de Computadores;
g) criação de protocolos de transporte;
h) elaboração dos mecanismos para controle de fluxo, confiabilidade e roteamento;
i) desenvolvimento e funcionamento dos primeiros protocolos de aplicação:
–– FTP – File Transfer Protocol;
–– TELNET – Terminal virtual;
j) interligação de computadores de universidades americanas;
k) interligação de computadores situados em outros países;
l) abertura de um novo mercado para as empresas especializadas em venda de serviços de
telecomunicações: a oferta de serviços de comunicação de dados por meio do fornecimento de
uma estrutura de comunicação;
m) padronização das redes públicas de pacotes a partir da elaboração, em1976, da primeira
versão da Recomendação X.25.
1.4 Conceito de rede
Segundo Sousa (1999), “rede de computadores é um conjunto de equipamentos interligados de
maneira a trocarem informações e compartilharem recursos, como arquivos de dados gravados,
impressoras, modems, softwares e outros equipamentos”.
1.5 Classificação das redes
De acordo com Dantas (2002), uma das características mais utilizadas para a classificação das
redes é a sua abrangência geográfi ca. Assim, é convencionada a classificação das redes em
locais – LANs (Local Area Networks), metropolitanas – MANs (Metropolitan Area Networks) e
geograficamente distribuídas – WANs (Wide Area Networks).
1.5.1 LAN
Segundo Dantas, ([s.d], p. 246) a rede local – LAN (Figura 1.5) “é uma facilidade de
comunicação que provê uma conexão de alta velocidade entre processadores, periféricos,
terminais e dispositivos de comunicação de uma forma geral em um único prédio ou campus”.
LAN é a tecnologia que apresenta uma boa resposta para interligação de dispositivos com
distâncias relativamente pequenas e com uma largura de banda considerável. (DANTAS, [s.d], p.
249)
1.5.2 MAN
As redes metropolitanas podem ser entendidas como aquelas que proveem a interligação das redes
locais em uma área metropolitana de uma determinada região, conforme Figura 1.6.
1.5.3 WAN
Quando as distâncias envolvidas na interligação dos computadores são superiores a uma região
metropolitana, podendo ser a dispersão geográfica tão grande quanto a distância entre continentes, a
abordagem correta é a rede geograficamente distribuída (WAN), conforme Figura 1.7.
1.6 Topologias
De acordo com Augusto ([s.d., não paginado]), a topologia pode ser entendida como a maneira
pela qual os enlaces de comunicação e dispositivos de comutação estão interligados,
provendo efetivamente a transmissão do sinal entre nós da rede. [...]
Podemos dizer que a topologia física de uma rede local compreende os enlaces físicos de ligação
dos elementos computacionais da rede, enquanto a topologia lógica da rede se refere à
forma através da qual o sinal é efetivamente transmitido entre um computador e outro.
1.6.1 Barramento
Segundo Silva Júnior (2009, p. 4), “nesse tipo de topologia todos os micros são ligados fisicamente a
um mesmo cabo, com isso, nenhum computador pode usá-lo enquanto uma comunicação está
sendo efetuada”, conforme apresenta a Figura 1.8.
1.6.2 Estrela
A topologia em estrela utiliza um periférico concentrador, normalmente um hub, interligando todas as
máquinas da rede, conforme Figura 1.9.
1.6.3 Anel
Nesta topologia, cada computador, obedecendo um determinado sentido, é conectado ao
computador vizinho, que por sua vez, também é conectado ao vizinho e assim por diante, formando
um anel (AUGUSTO, [s.d.]), como mostra a Figura 1.10.
1.7 Meios de transmissão
De acordo com Tanembaum (1997), existem vários meios físicos que podem ser usados para
realizar a transmissão de dados. Cada um tem seu próprio nicho em termos de largura de banda,
retardo, custo e facilidade de instalação e manutenção. Os meios físicos são agrupados em meios
guiados, como fios de cobre e fibras ópticas, e em meios não guiados, como as ondas de rádio e
os raios laser transmitidos pelo ar.
1.7.1 Cabo coaxial
Segundo Tanembaum (1997), um cabo coaxial consiste em um fio de cobre esticado na parte
central, envolvido por um material isolante. O isolante é protegido por um condutor cilíndrico,
geralmente uma malha sólida entrelaçada. O condutor externo é coberto por uma camada
plástica protetora, conforme Figura 1.11.
1.7.2 Par trançado
Segundo Torres (2004), o par trançado é o tipo de cabo de rede mais usado atualmente. Existem
basicamente dois tipos de par trançado: sem blindagem, também chamado UTP (Unshielded
Twisted Pair), e com blindagem, também chamado de STP (Shielded Twisted Pair). A diferença
entre eles é justamente a existência, no par trançado com blindagem, de uma malha em volta do
cabo protegendo-o contra interferências eletromagnéticas, conforme Figura 1.12.
[Link] Categorias
De acordo com Morimoto (2008a, [não paginado]), existem cabos de categoria
1 até categoria 7:
a) Categorias 1 e 2: estas duas categorias de cabos não são mais reconhecidas pela TIA
(Telecommunications Industry Association), que é a responsável pela definição dos padrões de
cabos. Elas foram usadas no passado em instalações telefônicas e os cabos de categoria 2
chegaram a ser usados em redes Arcnet de 2.5 megabits e redes Token Ring de 4 megabits,
mas não são adequados para uso em redes Ethernet.
b) Categoria 3: este foi o primeiro padrão de cabos de par trançado desenvolvido
especialmente para uso em redes. O padrão é certificado parasinalização de até 16 MHz, o
que permitiu
seu uso no padrão 10BASE-T, que é o padrão de redes Ethernet de 10 megabits para
cabos de par trançado. Existiu ainda um padrão de 100 megabits para cabos de
categoria 3, o 100BASE-T4, mas ele é pouco usado e não é suportado por todas
as placas de rede.
c) Categoria 4: esta categoria de cabos tem uma qualidade um pouco superior e é certificada
para sinalização de até 20 MHz. Eles foram usados em redes Token Ring de 16 megabits e
também podiam ser utilizados em redes Ethernet em substituição aos cabos de categoria 3,
mas, na prática, isso é incomum. Assim como as categorias 1 e 2, a categoria 4 não é mais
reconhecida pela TIA e os cabos não são mais fabricados, ao contrário dos cabos de categoria
3, que continuam sendo usados em instalações telefônicas.
d) Categoria 5: os cabos de categoria 5 são o requisito mínimo para redes 100BASE-TX e
1000BASE-T, que são, respectivamente, os padrões de rede de 100 e 1000 megabits usados
atualmente. Os cabos cat 5 seguem padrões de fabricação muito mais estritos e suportam
frequências de até 100 MHz, o que representa um grande salto em relação aos cabos cat 3.
e) Categoria 6: esta categoria de cabos foi originalmente desenvolvida para ser usada no
padrão Gigabit Ethernet, mas com o desenvolvimento do padrão para cabos categoria 5 sua
adoção acabou sendo retardada, já que, embora os cabos categoria 6 ofereçam uma qualidade
superior, o alcance continua sendo de apenas 100 metros, de forma que, embora a melhor
qualidade dos cabos cat 6 seja sempre desejável, acaba não existindo muito ganho na prática.
f) Existem também os cabos categoria 7, que podem vir a ser usados no padrão de 100 gigabits,
que está em estágio inicial de desenvolvimento.
Como os cabos categoria 5 são suficientes tanto para redes de 100 quanto de 1000 megabits, eles
são os mais comuns e mais baratos, mas os cabos categoria 6 e categoria 6a estão se
popularizando e devem substituí-los ao longo dos próximos anos. Os cabos são vendidos
originalmente em caixas de 300 metros, ou 1000 pés (que equivale a 304,8 metros).
1.7.3 Fibra ótica
Segundo Torres (2001 apud OUTA, 2008, p. 4), “a fibra ótica transmite informações através de
sinais luminosos, em vez de sinais elétricos”. A fibra ótica é totalmente imune a ruídos, com isso, a
comunicação é mais rápida. De acordo com Morimoto (2008c, [não paginado]), os sucessores
naturais dos cabos de par trançado são os cabos de fibra óptica, que suportam velocidades ainda
maiores e permitem transmitir a distâncias praticamente ilimitadas, com o uso de repetidores. Os
cabos de fibra óptica [ilustrados na Figura1.13] são usados para criar os backbones que interligam
os principais roteadores da internet. Sem eles, a grande rede seria muito mais lenta e o acesso
muito mais caro.
Conforme Dantas (2002), as fibras óticas utilizadas nas redes são classificadas de
acordo com a forma que a luz trafega no cabo, sendo elas monomodo e multímodo.
[Link] Monomodo
Na classe monomodo, um único sinal de luz é transportado de forma direta no núcleo do cabo. O
sinal pode atingir distâncias maiores, sem repetição, nesta forma de tráfego da luz quando
comparado com a transmissão na segunda classe de fibra (DANTAS, 2002).
[Link] Multímodo
A fibra multímodo, ilustrada na Figura 1.14, tem como característica um feixe de luz que viaja ao
longo do seu trajeto, fazendo diferentes refrações nas paredes do núcleo do cabo (DANTAS, 2002).
Resumo
Com o desenvolvimento desta aula, espero que você, caro estudante, tenha entendido como é feita
a comunicação de dados pelo computador; que tenha compreendido a história, o conceito, a
classificação e a topologia das redes de computadores e se apropriado do conhecimento sobre a
diferença entre os diversos meios de transmissão de dados.
Atividades de aprendizagem
1. Discuta com seus colegas as classificações e topologias das redes.
2. Responda as perguntas a seguir
a) Qual é a diferença entre as fibras monomodo e multímodo?
b) Qual é a topologia utilizada em seu pólo de estudo?
c) Faça um desenho que mostre a ligação entre as redes LAN, MAN e
WAN.
EXTRA
O que é topologia de rede e como ela funciona?
Topologia de rede nada mais é do que o termo usado para definir a forma como você estrutura
sua rede de computadores.
Para exemplificar, imagine que você acabou de fundar uma lan house e deseja conectar todas as
máquinas em uma única rede, agilizando assim a comunicação, a segurança e o
compartilhamento dos arquivos.
Portanto, a topologia de rede é a disposição das máquinas entre elas mesmas, os hubs e os
switches, ou seja, a forma como tudo isso se conecta.
Sendo assim, a forma como você organiza seus computadores em uma única rede vai interferir não
apenas na qualidade de sua conexão, mas também em outros fatores como a própria estabilidade.
Porém, antes de avançarmos nos principais tipos de topologia de rede, também é preciso
compreender o que distingue dois conceitos dessa topologia: a física e a lógica.
Topologia de rede física
Simplesmente a forma física com que os cabos e dispositivos são conectados uns aos outros, ou
seja, trabalha o layout de distribuição da rede. É sobre essa topologia que falaremos ao longo deste
texto.
Assim, ela inclui a descrição da estrutura física, tais como as posições das máquinas, roteadores e
gateways, além das formas com que os cabos serão conectados.
Explicaremos todas as estratégias de organização, disposição das máquinas e cabeamento, para que
assim você compreenda qual é a melhor escolha para seu ISP (Internet Service Provider).
Topologia de rede lógica
Já a lógica vai examinar e organizar a forma como a rede desempenha seu trabalho. Ou seja,
indica como as máquinas vão interagir entre si e descreve os fluxos de dados entre elas.
Sendo assim, os tipos básicos de comunicação de rede são:
Broadcast: transmissão de informações para todas as possibilidades de destinos da rede.
Multicast: as informações partem de um único transmissor para múltiplos destinatários já
predeterminados.
Unicast: a informação é enviada do transmissor para o receptor, ou seja, em uma única direção.
Ponto a ponto: os aparelhos receptores e transmissores são conectados entre si.
Topologia estrela
Topologia estrela
Utilizando cabeamento 10BASE-T (par trançado ou UTP) e um concentrador de dados, cada item da rede
dessa configuração é conectado ao HUB, lembrando então o desenho de uma estrela.
Dessa maneira, na topologia de Estrela Básica, existe um HUB ou Switch ao centro da rede, que conecta-
se por meio de um cabo flexível fino (10BASE-T) a cada nó individualmente.
Sendo assim, uma das extremidades do cabo é ligada diretamente ao conector tipo RJ-45 da placa de
rede, sendo a outra extremidade ligada ao HUB ou Switch.
Principais vantagens da topologia estrela:
Topologia barramento
Topologia barramento
Um tipo de topologia de rede física em que um cabo coaxial é utilizado para conectar os
computadores em série, permitindo então o tráfego de informações na rede.
Dessa maneira, a topologia em barramento, conhecida também como Backbone, é baseada em uma
configuração linear que conecta todos os computadores da rede em uma única linha ou cabo.
Assim, os sinais são transmitidos para toda a população de nós (estações da rede) um após o outro.
Além disso, um único cabo coaxial é usado para conectar todos os computadores, podendo também
estar ligado diretamente a um Hub.
Nesse caso, todas as ligações são feitas por meio de um cabo com conector BNC.
Principais vantagens da topologia barramento ou linear:
Topologia anel
Topologia anel
Esse tipo de topologia de rede consiste em ligações ponto a ponto, ou seja, são pares de
dispositivos que, em seu conjunto, formam um ciclo fechado — como um formato de anel.
Dessa maneira, a informação é transmitida por meio do anel sob a forma de um pacote de dados que
é enviada de maneira rotativa segundo uma direção específica.
Sendo assim, esses dados contém informações sobre o originador da transmissão e sobre o
respectivo destinatário, além é claro da própria informação transmitida.
Após isso, quando recebem o pacote, cada dispositivo analisa a informação do destinatário e ou o
retira da rede (se for o destinatário) ou o transmite para o dispositivo seguinte (não é o destinatário).
Por meio desse protocolo de acesso ao meio, toda a confiabilidade da rede é assegurada, já que
cada vez que o pacote é transmitido entre dois dispositivos o sinal é regenerado