Fisiologia do Envelhecimento Humano
Fisiologia do Envelhecimento Humano
Fisiologia do Envelhecimento
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ser encarado apenas como uma continuação do adulto, mas sim como alguém que
tem um organismo mais vulnerável às agressões.
FRAGILIDADE
VITALIDADE
SENESCÊNCIA SENILIDADE
Envelhecimento Fisiológico Envelhecimento Patológico
FRONTEIRA
A fronteira entre senescência e senilidade ainda é desconhecida
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doenças infecciosas, as medidas higiênicas e de saúde coletiva, a imunização e o
desenvolvimento de novas tecnologias médicas de diagnóstico e tratamento estão
permitindo o alcance progressivo desse limite. Até o último século, a expectativa
de vida pouco variou ao longo do tempo, permanecendo por volta dos 25 a 30
anos. A partir daí, o ser humano está conquistando a longevidade rapidamente.
Em alguns países, como o Japão, a expectativa de vida média da população é de 80
anos, com tendência crescente. Nunca existiu tanta chance de envelhecer como na
atualidade. Já se tem relato de indivíduos que atingiram o limite máximo da vida,
como foi o caso da francesa Jeanne Lousiane Calment, que viveu até os 122 anos.
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Esse aumento da vulnerabilidade ou da suscetibilidade do idoso é consequência
de algumas alterações que ocorrem no organismo, que não são suficientes para gerar
doenças e/ou incapacidades. Portanto, pode-se afirmar que:
Composição Corporal
As mudanças no metabolismo hidroeletrolítico são responsáveis pela maior ten-
dência à desidratação, hipotensão ortostática, hipercalemia (aumento dos níveis sé-
ricos de potássio) e hiponatremia (redução dos níveis séricos de sódio). A água é o
principal componente da composição corporal na criança, correspondendo a 70% do
seu peso. Com o envelhecimento, há redução de 20 a 30% da água corporal total
e 8 a 10% do volume plasmático. A redução é maior no conteúdo intracelular. Essa
“desidratação crônica” é agravada pela pouca sensação de sede, tornando-o mais
vulnerável à desidratação aguda e aos efeitos colaterais de vários medicamentos. O
diagnóstico de desidratação também é mais difícil, pelas alterações do envelhecimen-
to cutâneo, como a enoftalmia (“olho fundo”), redução do turgor e elasticidade da
pele e ressecamento da mucosa oral.
Além da redução da água corporal, o envelhecimento provoca diminuição de 20 a
30% da massa muscular (sarcopenia) e massa óssea (osteopenia/osteoporose), cau-
sados, em parte, por alterações na produção de alguns hormônios, como hormônio
de crescimento, estrógeno, testosterona, entre outros. A sarcopenia contribui para as
seguintes alterações no idoso:
• mais tendência à redução do peso corporal da maioria dos órgãos;
• redução na força muscular, mobilidade, equilíbrio, tolerância ao exercício, pre-
dispondo a quedas e imobilidade;
• redução dos tecidos metabolicamente ativos, levando à diminuição do meta-
bolismo basal (100 Kcal/ década) que, por sua vez, causa anorexia e conse-
quente redução da ingestão alimentar, agravando mais ainda o quadro, po-
dendo causar subnutrição proteico-calórica e deficiência de micronutrientes,
como vitamina D, magnésio, cálcio e zinco;
• diminuição da sensibilidade à insulina: intolerância à glicose;
• comprometimento da resposta imunológica.
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Ocorre aumento de 20 a 30% na gordura corporal total (2 a 5%/década, após os 40
anos) e modificação da sua distribuição, tendendo à localização mais central, abdominal
e visceral. No sexo feminino, a gordura deposita-se mais na região nas nádegas e coxas
(aparência de “pera”) e nos homens localiza-se mais na região abdominal (aparência de
“maçã”). A principal complicação é o aumento da meia-vida das drogas lipossolúveis,
como os benzodiazepínicos (diazepam), aumentando o risco de toxicidade.
IMC
Eutrofia 22- 27
Subnutrição < 22
Obesidade > 27
Imunossenescência
O envelhecimento está associado a várias alterações na imunidade, que predis-
põem a alta incidência de doenças infecciosas, autoimunes e neoplásicas. Tais al-
terações são listadas no Quadro 3.2. Daí a importância da vacinação contra várias
doenças como influenza, pneumonia, entre outras.
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Quadro 3.2 Imunossenescência
Imunidade Celular
- Hipotrofia do timo, responsável pelo desenvolvimento, matu-
ração e seleção de linfócitos T circulantes, que reduzem entre
20 e 30%;
- Declínio da resposta celular;
- Redução da “memória imunológica”. Infecção
Visão/olhos
As alterações anatômicas mais comuns nos olhos são a enoftalmia (“olho fun-
do”), edema de pálpebra inferior, ptose (queda da pálpebra), lacrimejamento, halo
senil, pterigium e conjuntiva mais fina e friável (“sensação de areia nos olhos”). Do
ponto de vista funcional, observa-se a presbiopia (diminuição da acomodação para
objetos próximos), miose senil (redução da visão noturna e da acomodação aos cla-
rões), alto risco de descolamento de retina e redução da visão periférica e central,
comprometendo a visão espacial e aumentando o risco de quedas. O Quadro 3.3
mostra as principais alterações dos olhos e da visão com o envelhecimento.
47
... continuação
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• os calendário e relógios devem ser grandes;
• procurar manter os objetos sempre no mesmo lugar, evitando mudanças
desnecessárias;
• se fizer uso de óculos, deverá ser incentivado a usá-los sempre (para leitura,
à distância e para dirigir);
• o idoso deve fazer uma avaliação oftalmológica uma vez por ano.
Audição/orelhas
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Na presença de alterações na audição, recomendam-se as seguintes medidas:
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... continuação
Paladar
Por causa das doenças crônicas (HAS e DM), muitas vezes há tendência à redução
do sal e do doce e os alimentos tendem a ficar mais amargos ou azedos. Consequen-
temente, há modificações, por vezes expressivas, do padrão alimentar, aumentando
o consumo de sal e doces, redução da ingesta alimentar e alto risco de subnutrição
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proteico-calórica e deficiência de vitaminas e microelementos em geral. O Quadro 3.6
mostra as principais alterações do paladar.
Olfato
O envelhecimento está associado a alterações variáveis das glândulas olfativas e
mudanças na percepção de cheiros. Essas alterações, aliadas à alteração do paladar,
podem levar à redução do apetite e da percepção dos odores corporais e do ambien-
te, como mofo, vazamento de gás, alimentos estragados, urina, entre outros.
Na presença de tais alterações, recomendam-se:
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• higiene e umidificação nasal com soro fisiológico;
• temperar bem os alimentos e retirar o sal da mesa;
• antes de iniciar a refeição, deixar o paciente sentir o cheiro do
alimento, para ajudar na estimulação salivar e aumento do apetite;
• estar atento aos odores desagradáveis, especialmente se
oferecem risco ao idoso (mofo, alimentos estragados, gás, etc.).
Tato
O tato também sofre mudanças com o envelhecimento, como a diminuição da
sensibilidade tátil, térmica e vibratória, aumentando o risco de acidentes no manu-
seio de objetos cortantes e temperatura elevada, além de dificuldade com teclas de
aparelhos eletrodomésticos, como controle remoto e outros. Pode ocorrer, também,
diminuição em perceber com rapidez estímulos nocivos que podem lesar a pele, au-
mentando o risco de lesões por pressão. Algumas medidas podem ajudar o idoso,
como se segue:
Pele e Anexos
“Não está claro por que alguém deveria se preocupar com o envelhecimento
cutâneo. Afinal, ninguém morre porque a pele envelhece! Existe insuficiência cardía-
ca, mas não insuficiência cutânea. Todos ficamos bem embrulhados até o fim. Todos
desejam uma vida longa, mas ninguém quer parecer velho”.
O envelhecimento cutâneo é bastante pronunciado. A hereditariedade e, principal-
mente, a exposição solar são responsáveis pelas alterações da epiderme (redução do
potencial proliferativo, melanócitos, células de Langerhans e da adesão dermoepidér-
mica), derme (redução da espessura, da celularidade e vascularização, degeneração do
colágeno), subcutâneo e anexos. O principal determinante das alterações da pele no
idoso não é “a idade”, mas sim a exposição solar excessiva.
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Nem as rugas podem ser ex-
plicadas somente pela idade.
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Quadro 3.7 Alterações cutâneas associadas ao envelhecimento
Alguns cuidados são essenciais com a pele no idoso, como as que se seguem:
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ma forma, verifica-se redução da massa óssea, particularmente do osso trabecular,
nas mulheres pós-menopausa, cuja redução atinge 50%. Nos homens, a perda óssea
é mais tardia e atinge 30% do osso cortical e trabecular. Além das alterações muscu-
lares e ósseas, ocorre redução da densidade de condrócitos, que são as células que
lubrificam e mantêm o funcionamento das cartilagens. O disco intervertebral também
se torna mais rígido, com menos capacidade de amortecimento e distribuição da ten-
são, contribuindo para as alterações degenerativas da coluna vertebral (espondilose)
e mais riscos de hérnia de disco (Quadro 3.8).
Alterações com o
Consequências
envelhecimento
Diminuição da mas- Dificuldade em levantar de locais baixos, como sofás e vaso sanitário.
sa, da força e da Dificuldade de subir e descer escadas e rampas com muita inclinação.
potência muscular. Redução da tolerância ao esforço ou dispneia de esforço.
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Sistema Cardiovascular
O coração sofre diversas alterações decorrentes do processo de envelhecimento
(Quadro 3.9). Tais alterações afetam as células musculares do coração (miócitos), o
sistema de condução dos impulsos elétricos e as válvulas cardíacas. O idoso tem mais
riscos de sofrer bloqueios cardíacos, como bloqueio de ramo direito, visto no eletrocar-
diograma. Essa alteração não traz qualquer complicação para o paciente. É frequente
também o sopro cardíaco por degeneração das válvulas cardíacas, principalmente a
válvula aórtica, que, também, não tem significado clínico, na maioria das vezes.
Apesar disso, o envelhecimento normal não produz alterações significativas na fun-
ção do coração, mesmo gerando redução das reservas funcionais desse órgão. Entre-
tanto, nas situações de sobrecarga poderão surgir sinais de insuficiência cardíaca, caso a
demanda do coração seja excessiva. Isso pode ser observado em idosos nos períodos de
intercorrências agudas, como infecções e traumas. Contudo, nas situações de repouso,
o coração tem funcionamento normal.
• hidratação adequada;
• evitar esforço físico intenso;
• controlar o excesso de peso;
• estimular o idoso a mudar de posição lentamente;
• incentivar realização de atividade física (30 minutos por
dia) para melhorar o condicionamento cardiovascular,
conforme orientação médica;
• controlar os fatores de risco para doenças
cardiovasculares, como hipertensão arterial e fumo;
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• controlar o colesterol alto, evitando o excesso de alimentos ricos em gordura
como mortadela, salame, linguiça, bacon, toucinho, carnes gordurosas,
maionese, entre outros, e usando medicação quando for indicado;
• evitar excesso de sal.
Sistema Respiratório
Os efeitos do envelhecimento na função pulmonar são variáveis e caracterizam-se
pela redução da capacidade do pulmão em realizar as trocas respiratórias e manter a
quantidade de oxigênio e gás carbônico normal no sangue. A expiração é a fase da
respiração mais comprometida com o envelhecimento, simulando um tipo de “enfi-
sema senil”.
Além da redução da força dos músculos respiratórios, há mais enrijecimento da
parede torácica (calcificações das cartilagens intercostais e articulações costoverte-
brais), dificultando mais ainda a respiração. Ocorre redução do transporte mucociliar,
do reflexo da tosse, da resposta aguda aos antígenos extrínsecos e da imunidade
celular. Todas as alterações do pulmão aumentam o risco de infecção respiratória,
como pneumonia (Quadro 3.10). Daí a importância da vacinação anti-influenza e
antipneumocócica em todo idoso, mesmo que não tenha doenças.
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Sistema Geniturinário
O envelhecimento normal produz alterações estruturais e funcionais significativas
no geniturinário, mas não impede que o rim elimine a água, os catabólitos ou realize
sua função de regulação da composição e volume dos líquidos corporais. Ocorre
redução de 10% por década de vida, a partir dos 40 anos, no fluxo sanguíneo renal,
reduzindo sua capacidade de filtração glomerular e aumentando a vulnerabilidade
dos rins às agressões associadas ao uso de medicamentos nefrotóxicos, como os anti-
-inflamatórios. É importante salientar também que, como há redução paralela da pro-
dução de creatinina, devido à sarcopenia, a creatinina plasmática pode permanecer
estável. Assim sendo, níveis de creatinina no limite superior da normalidade podem
representar perda significativa da função renal.
O envelhecimento do sistema renal ocasiona, também, alterações significativas no
sistema renina-angiotensina-aldosterona. Ocorre redução da renina plasmática de 30
a 50%, mesmo após estímulos como restrição de sal, administração de diuréticos ou
ortostatismo. Como conseqüência, os idosos se tornam mais vulneráveis ao desen-
volvimento de alterações no equilíbrio hidroeletrolítico, principalmente a depleção de
volume e desidratação, pois a capacidade de concentrar a urina encontra-se prejudi-
cada. Além disso, aumenta o risco de hiperpotassemia.
A noctúria ou desejo de urinar duas ou mais vezes por noite é frequente nos
idosos, mesmo sem doenças específicas. Outras alterações são frequentes em
idosos (Quadro 3.11).
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... continuação
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A vida sexual transforma-se constantemente ao
longo da vida, porém só desaparece com a morte.
Sistema Gastrintestinal
O funcionamento do aparelho gastrintestinal é pouco afetado pela senescência,
devido à sua grande reserva funcional. Entretanto, deve-se estar atento para alguns
problemas frequentes em idosos frágeis. A dificuldade para deglutir ou disfagia não
“é normal” no idoso e deve ser investigada em todo idoso. O presbiesôfago reflete
as alterações da motilidade esofageana, como ondas peristálticas terciárias, espasmo
esofageano, que podem simular a angina. A perda de dentes, a atrofia dos músculos
da língua e alteração da capacidade funcional da musculatura oral levam a problemas
de mastigação e da deglutição. O refluxo gastroesofágico parece ser mais frequente
em idosos, mesmo nos assintomáticos.
A prevalência de colelitíase (pedra na vesícula) aumenta com o envelhecimento,
provavelmente pelas alterações do conteúdo (composição da bile) e da parede da
vesícula biliar (lentificação do esvaziamento vesicular). Varia de 15 a 50%, depen-
dendo da faixa etária, sexo e biotipo do paciente. A cólica biliar define a colelitíase
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em sintomática ou assintomática (silenciosa). Nos pacientes assintomáticos, o risco
de complicações é baixo, não se justificando tratamento cirúrgico em todos os casos.
A constipação intestinal é comum em idosos e tem natureza multifatorial. Entre-
tanto, deve ser sempre excluída a possibilidade de causas secundárias, principalmente
o adenocarcinoma, causa importante de morbimortalidade nos idosos. A impactação
fecal e a incontinência fecal são complicações relativamente frequentes. A dieta laxa-
tiva, ingestão de líquidos e atividade física são as melhores intervenções capazes de
melhorar o hábito intestinal.
Em mais da metade dos idosos, o envelhecimento pode levar ao enfraqueci-
mento da parede intestinal e ao aparecimento de “dilatações” ou divertículos. O
termo diverticulose é utilizado para descrever o intestino que tem vários divertí-
culos. Tais divertículos podem obstruir, inflamar e causar diverticulite, que, even-
tualmente, necessita de tratamento cirúrgico. Dieta laxativa, ingestão de líquidos
e atividade física regular são as principais intervenções indicadas na diverticulose.
Sistema Nervoso
O envelhecimento do cérebro é caracterizado pela redução de 10 a 20% no seu
peso e fluxo sanguíneo. Todo idoso tem hipotrofia ou atrofia cerebral discreta nas neu-
roimagens. Essa alteração é responsável pela lentificação da cognição do idoso, que
usualmente apresenta diminuição na velocidade do raciocínio. Da mesma forma, há
rebaixamento dos reflexos posturais e mais dificuldade de manutenção do equilíbrio,
quando o idoso é empurrado ou quando tropeça, aumentando o risco de quedas. Tais
alterações não causam declínio funcional, tampouco são causas de “demência senil”
ou “caduquice”. O envelhecimento cerebral normal não impede que o idoso continue
realizando tudo aquilo que sempre fez. Algumas orientações podem ser úteis, como:
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A arquitetura do sono e a capacidade para dormir bem são bastante alteradas
com o envelhecimento normal. O sono é um componente distinto e essencial do
comportamento humano. Praticamente um terço de nossa vida é gasto dormindo. O
sono é um estado reversível de desligamento da percepção do ambiente, com mo-
dificação do nível de consciência e de resposta aos estímulos internos e externos. O
sono não é um estado único. Ele se divide em sono REM (do inglês rapid eyes move-
ment: movimento rápido dos olhos) e sono não REM. Esses dois estados alternam-se
durante a noite. O sono REM é caracterizado por uma atonia muscular e movimento
rápido dos olhos. O sono é distribuído de forma distinta na porção escura do ciclo
luz-escuridão. Durante o processo de envelhecimento, ocorrem alterações típicas no
padrão de sono. A quantidade de tempo gasto nos estágios mais profundos do sono
diminui. Há aumento associado de acordares durante o sono e na quantidade de
tempo total acordado durante a noite. Os três principais tipos de queixas de sono são
sonolência excessiva (hiperssonia), dificuldade em iniciar ou manter o sono (insônia)
e comportamentos estranhos ou não usuais durante o sono (parassonias). A história
de roncos, pausas ou esforços respiratórios, movimentos periódicos durante o sono
e comportamentos automáticos são mais bem descritos pelo parceiro de cama ou
outros observadores. Medicamentos prescritos, como as drogas sedativas, álcool e
automedicação podem ter efeito importante na arquitetura do sono e podem inca-
pacitar os mecanismos cardiopulmonares durante o sono.
O sono tem importante papel no desempenho físico e mental do idoso, é im-
portante para o equilíbrio de todo o organismo. Quem dorme menos que o neces-
sário tem menos vigor físico, envelhece mais precocemente, está mais propenso a
infecções, à obesidade, à hipertensão e ao diabetes. A insônia é muito comum nos
idosos, é uma falta anormal de sono, por dificuldade em iniciá-lo ou mantê-lo ou por
despertar precoce, gerando insatisfação. É preciso avaliação criteriosa de suas causas,
evitando-se a automedicação. As causas de insônia são inúmeras e devem ser pes-
quisadas. As principais causas são a falta da higiene do sono, depressão, ansiedade,
dores noturnas (neuropatia diabética), noctúria, uso de álcool ou cafeína e a dispneia
noturna (asma, insuficiência cardíaca). A higiene do sono deve ser sempre indicada
para o idoso com insônia (Quadro 3.12).
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Quadro 3.12 Higiene do sono
Muito cuidado com as medicações para dormir, pois elas são grandes causadores de quedas.
Tentar manter sempre o mesmo horário para conduzir o idoso para a cama. É impor-
tante respeitar esses horários, inclusive nos finais de semana, pois favorece o funciona-
mento do relógio biológico. Mudanças de hábito podem atrapalhar o sono.
Calor e frio excessivos alteram bastante o sono e podem causar irritabilidade, portanto,
tentar manter o quarto com temperatura agradável.
Quando houver muita luz, escurecer o ambiente; quando houver muito barulho, elimi-
nar ou reduzir o barulho.
Procurar fazer refeições mais leves antes de deitar e não deitar logo após alimentar-se.
O ideal é aguardar pelo menos uma hora.
Eliminar qualquer coisa que o idoso possa perceber como uma ameaça, como: retirar
objetos, falar que “o bicho” foi embora, etc.
Manter sempre uma luz acessa para evitar quedas à noite (luz de vigília).
Usar técnicas de relaxamento: massagem nos pés, pernas, mãos, braços, pescoço,
ombros, técnicas de meditação.
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Atividade Integradora
Não existem medicamentos capazes de prevenir o processo de en-
velhecimento normal (senescência). Não há necessidade do uso de
vitaminas ou qualquer medicamento para “velhice”, na ausência de
deficiências bem estabelecidas. Os medicamentos só devem ser utili-
zados quando prescritos por médicos. A automedicação pode causar
prejuízos irreparáveis à saúde do idoso e deve ser evitada (página 17).
Com o envelhecimento há uma perda da estatura de cerca de 1 a 1,5
cm por década de vida após os 50 anos. Redução da estatura de 4cm
ou mais é sugestiva de perda excessiva da massa óssea e deve ser
investigada. Consequentemente, os valores de referência do Índice
de Massa Corporal (IMC) modificam-se e são considerados normais
quando estão entre 22 a 27 kg/m2. Verificar o peso e a estatura do
idoso e calcular o IMC (página 10).
Idosos com IVCF-20 ≥15 pontos apresentam alterações compatíveis
com envelhecimento patológico (senilidade) e devem ser avaliados
por equipe geriátrico-gerontológica especializada (página 4).
O idoso apresenta maior dificuldade para dormir bem, sendo facil-
mente despertado por qualquer estímulo ambiental. Avaliar a qua-
lidade do sono (página 23) e, na presença de insônia, orientar as
medidas de higiene do sono. O uso de tranquilizantes para dormir
apresenta vários riscos e devem ser evitados.
Referências
1. WOLD, Gloria Hoffman. Enfermagem gerontologica. Trad. De Ana Helena Pereira
Correa. et al. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
2. Eliopoulos C. Enfermagem Gerontológica, 7 ª edição, Porto Alegre. Editora Art-
med, 2011.
3. Nunes MI, Ferreti REL, SANTOS M. Enfermagem em Geriatria e Gerontologia. Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
4. MORAES, E. N. Avaliação multidimensional do idoso: instrumentos de rastreio
(Guia de Bolso). Belo Horizonte: Editora Folium, 2008. 64 p.
5. MORAES, E. N. Princípios básicos de geriatria e gerontologia. Belo Horizonte:
Editora Coopmed, 2009.
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