0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações5 páginas

Roteiro da FEB na Campanha da Itália

A Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi criada em 1943 e participou ativamente da campanha na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, contribuindo para a derrota das forças nazistas. Composta por cerca de 25 mil soldados, a FEB realizou diversas operações, incluindo vitórias significativas em Monte Castelo e Montese, e enfrentou pesadas baixas ao longo de sua jornada. Ao final da guerra, a FEB retornou ao Brasil com grande reconhecimento, simbolizando a bravura e o sacrifício dos soldados brasileiros.

Enviado por

lelisdacosta
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações5 páginas

Roteiro da FEB na Campanha da Itália

A Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi criada em 1943 e participou ativamente da campanha na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, contribuindo para a derrota das forças nazistas. Composta por cerca de 25 mil soldados, a FEB realizou diversas operações, incluindo vitórias significativas em Monte Castelo e Montese, e enfrentou pesadas baixas ao longo de sua jornada. Ao final da guerra, a FEB retornou ao Brasil com grande reconhecimento, simbolizando a bravura e o sacrifício dos soldados brasileiros.

Enviado por

lelisdacosta
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

O roteiro da FEB

na campanha da Itália
Cláudio Skora Rosty*

A
Força Expedicionária Brasileira lar, para desagravar as covardes agres-
(FEB) foi criada em 9 de agosto sões à nossa soberania, declarou estado
de 1943 e, em 28 de dezembro de beligerância à Alemanha e à Itália em
do mesmo ano, o General-de-Divisão 22 de agosto de 1942.
João Baptista Mascarenhas de Moraes A Força Expedicionária Brasileira
foi nomeado para comandá-la. Daí em foi constituída por compatriotas de to-
diante, sua história se confundiria com dos os rincões do País, enquadrados pela
a própria história da FEB. Ininterrupta- 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária,
mente empenhada em combate, durante atuando na Itália, juntamente com as
239 dias, a FEB contribuiu decisivamen- tropas do V Exército norte-americano,
te para derrotar as forças nazistas na pe- comando pelo General Mark Clark.
nínsula italiana, avançando mais de 400 Embarcaram rumo a Itália, cru-
km, libertando meia centena de vilas e zando o Oceano Atlântico e o Mar Me-
cidades e aprisionando mais de 20 mil diterrâneo, cerca de vinte e cinco mil sol-
combatentes inimigos. dados, em cinco escalões.
O País manteve-se neutro em re-
lação à 2ª Guerra Mundial (2ª GM) até o NÁPOLES – 16 DE JULHO DE 1944 –
momento em que submarinos alemães, OPERAÇÃO DE DESEMBARQUE
atuando na costa do Brasil, afundaram
expressivo número de navios brasileiros, As tropas brasileiras seguiram
ceifando covardemente a vida de cente- para o Continente Europeu a bordo do
nas de compatriotas. O chefe da Nação, navio Gen Mann e desembarcaram na ci-
respeitando os compromissos interna- dade italiana de Nápoles, em 16 de julho
cionais e fortalecido pela vontade popu- de1944, a fim de iniciarem as operações

* Coronel de Infantaria, sócio do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.

64 ANO 74 N º101 2015


de combate contra os alemães e liber- Em 18 daquele mês, o Desta-
tarem o povo italiano do nazifascismo. camento da FEB obteve a primeira
Por via aérea foram transporta- vitória em Camaiore, a qual foi con-
dos 111 militares, dentre os quais 67 quistada sem maior resistência, pois
eram enfermeiras, uma delas a Major os alemães ali mantinham elementos
Elza, que, com seu trabalho dedicado, de vigilância, que se retiraram à apro-
contribuiu para a preservação da me- ximação dos elementos avançados de
mória da participação da mulher bra- nossas tropas.
sileira na 2ª GM, escrevendo inúmeros
artigos e criando um museu militar em MONTE PRANO – 26 DE SETEMBRO DE
Maceió-AL. 1944 – PRIMEIROS PRISIONEIROS E BAIXAS
E, para dar prosseguimento às
ações de combate, foram utilizados os Constituía esplêndido observa-
meios de transporte marítimo, rodovi- tório sobre as nossas posições e so-
ário e ferroviário. Com o desembarque bre a planície litorânea, onde se en-
na Itália, a FEB assegurou a condição contrava a 22ª Divisão de Infantaria
histórica de ser a primeira tropa sul norte-americana. Em 26 de setembro
-americana a deixar o seu continente de 1944 foi conquistado após seis dias
para combater na Europa. de combate, onde foram feitos os pri-
meiros prisioneiros e nós sofremos as
PISA/CAMAIORE – 18 DE SETEMBRO nossas baixas iniciais.
DE 1944 – OPERAÇÃO DE ABERTURA De 26 de setembro até o final
do ano intensificaram-se as ações de
A Força Expedicionária, inicial- reconhecimento e de preparação para
mente (com o nome de Destacamento o combate.
da FEB), empregou apenas um terço de
sua força operacional sob o comando do MONTE CASTELO – 21 DE FEVEREIRO
General-de-Brigada Zenóbio da Costa. DE 1945 – OPERAÇÃO DIGNIDADE
A primeira tropa brasileira a cum-
prir missão de combate em território Monte Castelo é uma elevação
italiano foi a 1ª Companhia do 9º Bata- com 970 metros de altitude, mais alta
lhão de Engenharia, de Aquidauana-MS, que o Corcovado, e foi atacada pela FEB
construindo uma ponte sobre o Rio cinco vezes, até ser conquistada. Os in-
Arno, permitindo que o Destacamento sucessos ocorreram por causa da insufi-
FEB atingisse a cidade de Pisa. ciência de meios para aquela larga frente,

ANO 74 Nº101 2015 65


e por terem sido realizados ataques
frontais contra posições fortificadas
e contra tropa experiente da frente
russa.
Foi a vitória do moral, tornan-
do-se o símbolo da bravura, da tena-
cidade, e da determinação dos nos-
sos soldados, vingando o sacrifício
das tentativas fracassadas, quebran-
do o tabu do baluarte que parecia ser
inexpugnável e selando a máxima de
que o Exército Brasileiro jamais foi
vencido.

Mapa mostrando o roteiro da FEB na Itália


CASTELNUOVO – 5 DE MARÇO DE 1945
– OPERAÇÃO MILITAR MONTESE – 14 DE ABRIL DE 1945 –
OPERAÇÃO SOFRIMENTO –
Era um importante nó rodovi- PROVA DE FOGO
ário de evidente interesse estratégico.
Foi o combate de maior expressão tá- Montese é uma pequena cidade,
tica, a hábil manobra de isolamento quase um vilarejo, valorizado pelo im-
de um importante nó rodoviário, que portante nó de estradas e elevações, local
possibilitou o prosseguimento das onde se deu o combate mais sangrento e
operações. o de maior valor, por dar início ao térmi-
A visita do General Eurico no da guerra na Itália.
Gaspar Dutra – Ministro da Guerra – O período que antecedeu sua
elevou o moral, a vontade de lutar e o conquista foi o de defensiva agressiva
prestígio da FEB. Naquele momento, com intensa atividade de patrulhas, onde
observando que as tropas norte-ame- veio a falecer o Sargento Max Wolf Fi-
ricanas usavam um distintivo de braço lho, recebendo a promoção a oficial post
que as diferençava, sugeriu que a tro- mortem, por ato de bravura. Após a to-
pa brasileira também adotasse aquele mada de Montese pela FEB, os alemães
sistema. Levantando, assim, a ideia de desfecharam sobre a localidade a maior
se representar em desenho a frase: “A concentração de fogos de artilharia já
Cobra está fumando”. mais vista até então.

66 ANO 74 N º101 2015


A conquista de Montese repercu- maram que a divisão alemã pretendia
tiu favoravelmente nos altos escalões e efetuar a retirada para o norte.O Ge-
mereceu dos generais norte-americanos neral Mascarenhas de Moraes aciona
os mais elevados elogios. o seu Estado-Maior no sentido de
elaborar uma Ordem de Operações,
ZOCCA – 20 DE ABRIL DE 1945 – prevendo o cerco dessa divisão e
OPERAÇÃO PERSEGUIÇÃO retira da Artilharia as suas viaturas
para transportar as tropas e assim,
Zocca, localidade situada a no- dar maior velocidade à Infantaria,
roeste de Montese e a cinco quilôme- permitindo o aprisionamento das
tros do Rio Panaro, cortada por estra- tropas alemãs.
das secundárias, adquiriu expressão
defensiva episódica, pela necessidade FORNOVO – 28 DE ABRIL DE 1945 –
de sua transposição pelos elementos OPERAÇÃO DE COROAMENTO
motorizados, tanto das forças nazistas
que retraíam, como das brasileiras que A manobra brasileira, com o
as perseguiam. aprisionamento da vanguarda e com
Alguns prisioneiros capturados o cerco do grosso do inimigo, não
pelo 6º Regimento de Infantaria in- lhe deixou alternativa, senão a rendi-
formaram que toda a margem norte ção incondicional. Foi a consagração
do Rio Panaro estava minada, o que da manobra estratégica e a consoli-
fez presumir que os alemães estavam dação das ações da FEB nos campos
em retirada. O 9º Batalhão de Enge- da Itália.
nharia foi empregado para remover as A rendição da 148ª Divisão de
minas, recuperar e reparar as estradas Infantaria alemã resultou na captura
e as pontes destruídas pelo inimigo, de aproximadamente 15.000 prisio-
permitindo o avanço e perseguição ao neiros de guerra, 1.000 viaturas mo-
inimigo em retirada. torizadas, 1.500 viaturas hipomóveis,
80 carroças e mais de 4.000 cavalos.
COLECCHIO – 26 DE ABRIL DE 1945 – A manobra de Fornovo foi o
OPERAÇÃO DE CERCO epílogo de uma bem planejada opera-
ção de perseguição, à qual não faltou
Em Colecchio é aprisionada a audácia, rapidez e pronta decisão por
vanguarda inimiga e são feitos alguns parte dos brasileiros.
prisioneiros de guerra, os quais infor- E onde estão os nossos heróis?

ANO 74 Nº101 2015 67


PISTÓIA – CEMITÉRIO nava na Europa, com a vitória dos Aliados e
MILITAR BRASILEIRO a rendição definitiva da Alemanha.
Por último, ao final de oito meses
Em Pistóia ficou um pedaço da de campanha, a FEB apresentou os se-
FEB – jardim da nossa saudade ao pra- guintes dados numéricos:
cinha que não voltou com suas cruzes
brancas, sendo 456 mortos da FEB, 8 RETORNO
oficiais da Força Aérea Brasileira e 40
militares alemães, cujos corpos foram re- Ao regressar ao Brasil, os praci-
colhidos pelo Pelotão de Sepultamento nhas da FEB foram recepcionados com
da 1ª DIE, em nossas linhas de combate. grande entusiasmo popular. O primeiro
Em 22 de dezembro de 1960, o escalão desembarcou no Rio de Janeiro
Governo brasileiro providenciou a re- no dia 18 de julho de 1945. A volta dos
moção dos restos mortais dos nossos brasileiros que combateram na Itália sem
heróis, de Pistóia para o Rio de Janeiro, dúvida precipitou a queda do Presidente
a fim de repousarem, definitivamente, Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo,
no Mausoléu do Monumento Nacional inaugurando uma nova fase de redemo-
aos Mortos da Segunda Guerra Mun- cratização na história do País.
dial, vulgarmente chamado de Monu- É hora de concluir a apresentação
mento dos Pracinhas, erigido para esse sobre o Roteiro da FEB na Campanha
fim, no Aterro do Flamengo. da Itália e contribuir, desta forma, para
o entendimento da participação da FEB
SUSA – JUNÇÃO COM na 2ª Guerra Mundial tema pouco co-
AS TROPAS FRANCESAS nhecido por todos nós brasileiros.
Àqueles, que tombaram no cam-
Fim da participação da FEB na 2ª po de batalha, a certeza de que a sua luta
Guerra Mundial. Em 2 de maio de 1945 aca- não foi em vão.
bava a guerra na Itália e, em 8 de maio, termi- E assim, a cobra fumou!

68 ANO 74 N º101 2015

Você também pode gostar