TEMPO DE DESCARGA DE PESO NAS CIRURGIAS DE TÍBIA E
FÍBULA SOB A ÓTICA DOS ORTOPEDISTAS: UMA REVISÃO
INTEGRATIVA
WEIGHT-BEARING TIME IN TIBIA AND FIBULA SURGERY FROM
THE PERSPECTIVE OF ORTHOPEDISTS: AN INTEGRATIVE
REVIEW
Ruth Vicente da Silva1 e Alisson Cleiton Cunha Monteiro2
1. Discente do curso de graduação em fisioterapia da Faculdade Internacional da
Paraíba;
2. Docente do curso de graduação em fisioterapia da Faculdade Internacional da
Paraíba
Resumo
Introdução: O aumento crescente da expectativa de vida da população mundial
tem contribuído para o aumento das doenças, levando em consideração que a
população jovem se submete a hábitos de vida pautados em um ritmo mais
acelerado, e assim leva a maiores riscos de acidentes que podem ou não
envolver patológicas traumático ortopédicas. Objetivos: esclarecer o tempo
ideal que um paciente deve realizar a descarga de peso no pós-operatório de
uma cirurgia ortopédica, unificando a partir da prescrição médica, pautado no
processo fisiológico e visando a otimização dos resultados na reabilitação
fisioterapêutica. Metodologia: Para o levantamento dos artigos na literatura,
realizou-se uma busca nas bases de dados nacionais e internacionais:
Scientific Electronic Library Online (SciElo), Physiotherapy Evidence Database
(PEDro), utilizando referências publicadas entre 2017 a 2022. Resultado: Foram
selecionados 12 artigos com metodologia bem definida e resultados completos.
Considerações Finais: Evidenciamos que a maioria dos autores inicia a carga
parcial por volta da 4a a 8ª semana. Observou-se também que quanto maior o
intervalo entre a cirurgia e a descarga de peso maiores são as limitações
fisiológicas do paciente.
Palavras-Chaves: Reabilitação ortopedica, cirurgias ortopédicas,
Traumatologia e fratura.
ABSTRACT
Introduction: The increasing life expectancy of the world population has
contributed to the increase of diseases, taking into account that the young
population undergoes life habits guided at a faster pace, and thus leads to greater
risks of accidents that can or not to involve orthopedic traumatic pathologies.
Objectives: to clarify the ideal time that a patient should carry out weight bearing
in the postoperative period of an orthopedic surgery, unifying from the medical
prescription, based on the physiological process, and aiming at the optimization
of results in rehabilitation physiotherapy. Methodology: To search for articles in
the literature, a search was carried out in national and international databases:
Scientific Electronic Library Online (SciElo), Physiotherapy Evidence Database
(PEDro), using references published between 2017 and [Link]: Twelve
articles with well-defined methodology and complete results were selected. Final
considerations: We showed that most authors start partial load around the 4th
to 8th week. It was also observed that the longer the interval between surgery
and weight bearing, the greater the physiological limitations of the patient.
Keywords: Orthopedic rehabilitation, orthopedic surgeries, Traumatology, and
fracture.
INTRODUÇÃO
O aumento crescente da expectativa de vida da população mundial tem
contribuído para o aumento das doenças, levando em consideração que a
população jovem se submete a hábitos de vida pautados em um ritmo mais
acelerado, e assim leva a maiores riscos de acidentes que podem ou não
envolver patológicas traumático ortopédicas. Mundialmente a tíbia é vista como
o osso longo que mais sofre fraturas e normalmente acontecem por um trauma
direto sobre a área. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, as cirurgias
ortopédicas lideram a fila de espera do SUS (Sistema Único de Saúde). No último
relatório de gestão integrado divulgado pelo INTO (Instituto Nacional de
Traumatologia e Ortopedia) referente ao ano de 2021, 70% das internações de
jovens e adultos (de 18 a 65 anos), são de pessoas envolvidas em acidentes
com carros ou motocicleta.1,2
Nos serviços de cirurgias de traumato-ortopedia, as fraturas são as lesões
mais frequentes, tendo como principais motivos de lesões traumáticas quedas e
os acidentes de trânsito. Que são responsáveis por uma grande parcela das
internações hospitalares no Brasil representam impacto mais significativo para
os recursos públicos de saúde.3
Fraturas complexas do planalto tibial podem afetar seriamente a
qualidade de vida e a saúde física e mental dos pacientes. A relação anatômica
entre o osso tibial proximal e os tecidos moles é complexa, resultando em
diferentes tipos de fraturas do planalto tibial. Trauma violento pode levar a fratura
deslocada, lesão grave dos tecidos moles e, potencialmente, luxação da
articulação do joelho. Portanto, as fraturas do planalto tibial são extremamente
instáveis e podem ser tratadas de forma conservadora ou cirúrgica.4
O tempo de recuperação das cirurgias ortopédicas, variam de acordo com
histórico de vida do paciente, material utilizado e conduta médica. Existe uma
lacuna do ponto de vista médico com relação ao tempo em que o paciente deve
realizar a descarga parcial e total do peso.5
A intervenção fisioterapêutica tem uma extrema importância nas fraturas
traumáticas, não visando apenas à reabilitação da estrutura lesionada, mas
também prevenindo possíveis alterações em que o paciente possa desenvolver
possíveis disfunções, como por exemplo a dificuldade de realizar a marcha. Por
isso a descarga de peso é fundamental para a consolidação óssea.6
O presente estudo tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da
literatura no âmbito nacional e internacional, a fim de esclarecer o tempo ideal
em que um paciente deve realizar a descarga de peso no pós-operatório de uma
cirurgia ortopédica, unificando a partir da prescrição médica, pautado no
processo fisiológico e visando a otimização dos resultados na reabilitação
fisioterapêutica.
METODOLOGIA
O estudo de revisão integrativa da literatura tem por finalidade reunir e
sintetizar resultados da produção científica sobre um determinado tema ou
questão, de maneira integrada e ordenada.7
A pergunta norteadora da pesquisa questiona: Qual o tempo indicado para
realizar a descarga de peso após uma cirurgia ortopédica? contribuindo para o
aprofundamento deste e para a prática baseada em evidência.
A construção da revisão integrativa contemplou as seguintes etapas:
identificação do tema e definição da questão de pesquisa, estabelecimento de
critérios para inclusão e exclusão dos estudos, definição das
categorias/informações a serem extraídas dos artigos selecionados, autor, ano,
título, tipo de estudo, objetivo e principais resultados. Para o levantamento dos
artigos na literatura, realizou-se uma busca nas bases de dados nacionais e
internacionais: Scientific Electronic Library Online (SciElo), Physiotherapy
Evidence Database (PEDro), utilizando referências publicadas entre 2017 a
2022. Foram utilizados, para busca dos artigos, os seguintes descritores e suas
combinações na língua portuguesa e inglesa: “cirurgias ortopédicas”,
“reabilitação ortopédica","Traumatologia" e ‘’fratura’’ com base no Decs.
Os critérios utilizados para inclusão, foram artigos publicados entre 2017 e
2022, que estivessem no idioma português ou inglês, relacionados ao tema de
interesse, cirurgias ortopédicas e a ação da fisioterapia no processo de
reabilitação pós-cirúrgicos e que citasse o tempo para a descarga parcial e total
de peso no membro acometido com metodologia bem definida e resultados
completos. Foram excluídos artigos publicados anterior a 2017, artigos que não
estivessem no idioma português ou inglês, não disponíveis para a leitura
completa ou artigos em que as fraturas foram tratadas de forma conservadora e
que não houve o início do suporte de carga definido.
RESULTADOS
A partir da utilização dos descritores de texto foram identificados 474 artigos
nas bases de dados Scielo e PEDro. A dinâmica de inclusão e exclusão dos
artigos segue demonstrada no fluxograma na figura 1.
Figura 1: Fluxograma ilustrando a dinâmica de inclusão e exclusão dos artigos
previamente identificados.
IDENTIFICADOS
Scielo 367
PEDro 107
DATA
258
IDIOMA
Análise I EXCLUÍDOS
53
438
CONTEÚDO
127
SELECIONADOS
36
TRATAMENTO CONSERVADOR
EXCLUÍDOS 10
(Leitura na INÍCIO DE SUPORTE DE CARGA NÃO
Análise II Íntegra) DEFINIDO
24 14
INCLUÍDOS
12
Scielo 10
PEDro 2
Fonte: Silva e Monteiro, 2022.
Dados da pesquisa.
Ao serem submetidos à primeira análise através da leitura do título, resumo,
considerando o idioma português e tendo como base o ano de 2017, foram
excluídos 258 artigos por terem sido publicados anteriormente a 2017, 127
artigos por não apresentarem temas relacionados à reabilitação no pós-
operatório de cirurgias ortopédicas. 53 por idioma.
Concluída a primeira análise, restaram 36 artigos selecionados, sendo estes
submetidos à segunda análise através da leitura na íntegra do artigo. Destes, 24
foram excluídos, sendo 10 pelas fraturas terem sido tratadas de forma
conservadora, sem intervenção cirúrgica e 14 por não definir o início do suporte
de carga.
Restaram assim 12 artigos, que estão especificados no quadro de acordo
com autor, ano da publicação do artigo, tipo de estudo, objetivo e resultados.
Que atende a todos os critérios de inclusão adotados para esse estudo.
Quadro 1. Artigos selecionados para estudo.
TITULO DO TIPO DE OBJETIVO DO
AUTORES/ANO CONCLUSÃO
ARTIGO ESTUDO ESTUDO
Relatar um caso
Após 29 atendimentos
atendido na Clínica
Reabilitação de houve redução
Freitas, Santos, Relato de Escola UNIVERSO
fratura de Tibia e significativa do edema
Oliveira - 2017 Caso – BH no período de
Fibula comprovado através das
agosto a outubro de
medidas de perimetria
2016
Realizar uma
revisão da literatura
Há necessidade de novos
sobre estudos que
estudos clínicos
Descarga de peso citam o início,
Revisão randomizados e
Alves. et al, no pós-operatório evolução e critérios
sistemática controlados a respeito da
2018 de fratura de de progressão do
da literatura descarga de peso em
planalto tibial suporte de carga no
FPTs nas diversas
pós-operatório das
técnicas cirúrgicas.
fraturas de planalto
tibial.
A utilização da haste
intramedular bloqueada
Benefícios da
Discutir o quanto a associada à abordagem
associação da
técnica de fixação fisioterapêutica tanto na
fisioterapia pós-
com a haster fase pré como no pós-
operatória imediata
intramedular operatório imediato
Pereira, Filho - com a utilização da Pesquisa
bloqueada previne possíveis
2019 haste intramedular Bibliografica
associada a complicações, permitindo
bloqueada em
fisioterapia no pós aos indivíduos descarga
pacientes com
cirurgico é beefica de peso de modo precoce
fratura dos ossos
ao paciente. e, por conseguinte,
da perna
deambular o mais rápido
possível.
Relatar a A implementação do
experiência da round interdisciplinar
Boas práticas para sistematização de estruturado trouxe
comunicação round implicações positivas para
efetiva: a interdisciplinar no a comunicação efetiva,
Guzinski et al - Relato de
experiência do cuidado a pacientes reduzindo riscos e falhas
2019 Experiencia
round com fratura da nos processos de
interdisciplinar em extremidade cuidado, podendo ser
cirurgia ortopédica proximal de fêmur considerada boa prática
internados em no que tange à segurança
unidade cirúrgica. do paciente
Determinar Há maior prevalência de
Prevalência de prevalência de fraturas do platô tibial no
Batista, fraturas de platô Pesquisa de fraturas de platô sexo masculino, faixa
Mendes, Cunha tibial em pacientes caráter tibial em pacientes etária de 19-29 anos,
- 2020 de um hospital documental internos em um vítima de acidente
público do Piauí Hospital Público do automobilísticos, com
Piauí fraturas oblíquas.
O reequilíbrio da
articulação do tornozelo é
Reequilíbrio da Avaliar os um procedimento cirúrgico
articulação do resultados do eficaz em caso de
tornozelo no reequilíbrio articular consolidação viciosa
manejo da com realinhamento fibular. Este
Mosca et al - Resultados
consolidação e alongamento da procedimento, em
2020 Clinicos
viciosa de fratura fíbula em caso de pacientes criteriosamente
de tornozelo fraturas da fíbula selecionados, poderia
usando distal mal procrastinar
alongamento fibular consolidadas. procedimentos cirúrgicos
mais incapacitantes, como
artrodese ou prótese.
Avaliar e comparar
Análise da o tempo total do
exposição procedimento
Apesar do PFN ter o
intraoperatória ao cirúrgico e a
menor tempo de cirurgia,
raio X e do tempo exposição ao raio X
a técnica do DHS se
Guerra, Chiarelli cirúrgico em Estudo quali- no intraoperatório
mostrou com menores
- 2020 diferentes técnicas quantitativo em diferentes
níveis de exposição
de fixação das técnicas de fixação
dentro da amostra
fraturas das fraturas
estudada.
transtrocanterianas transtrocanterianas
do fêmur do fêmur em
pacientes idosos.
Descrever o perfil
epidemiológico e
Perfil funcional dos O conhecimento do perfil
Epidemiologico e pacientes atendidos dos pacientes do setor de
funcional dos no setor de traumato-ortopedia da
Souza, et al - paciente atendidos Estudo Ortopedia e clínica-escola permitiu
2020 em uma clínica observacional Traumatologia da verificar que predominam
escola na área de Clínica- escola de os casos mais agudos
ortopedia e Fisioterapia da com quadro álgico de
traumatologia Universidade José moderado a intenso
Rosário Vellano-
Divinópolis
Demonstraram que 57,7%
dos pacientes eram do
sexo masculino e a média
de idade foi de 46,1 anos
(DP = 22,2). As cirurgias
Epidemiologia das
Avaliar o perfil dos foram realizadas
cirurgias traumato-
pacientes predominantemente nos
Cousin, Dumith ortopedicas em Estudo
submetidos a membros inferiores
- 2020 dois hospitais do transversal
cirurgias traumato- (60,6%) e a lesão mais
extremo Sul do
ortopédicas frequente foi a fratura
Brasil.
(61,1%). A maior parte
das lesões teve causa
traumática (66,3%), e as
quedas representaram
54,2% dessas causas.
Demonstrar a Foi evidenciada a eficácia
A eficácia da eficácia do do método que usa haste
fisioterapia na tratamento intramedular na
reabilitação fisioterapêutico na reabilitação imediata do
imediata de reabilitação paciente, pois apresenta
Nunes, Meija - Revisão
paciente pós- imediata de vantagens sobre outros
2021 Bibliografica
operatório de pacientes no métodos, dentre os quais
fratura diafisária do pósoperatório de destacam-se o tempo de
fêmur utilizando fratura diafisária de consolidação e
haste intramedular fêmur utilizando mobilização precoce do
haste intramedular. paciente
Os resultados sugerem,
quanto as características
sociodemográficas da
Caracterizar os população, que a maioria
Caracterização dos
atendimentos dos corresponde ao sexo
atendimentos de
pacientes vítimas masculino (62,1%) na
um serviço de
de fraturas faixa etária produtiva. As
ortopedia e
Gutierrez, et al - Estudo acidentais tratadas extremidades corporais
traumatologia em
2021 transversal em um serviço de são majoritariamente
urgência e
ortopedia e acometidas por fraturas.
emergência da
traumatologia em Em relação aos
cidade de Manaus
hospital e pronto atendimentos cirúrgicos,
– Amazonas
socorro de Manaus são principalmente
decorrentes de traumas
de alta energia em
membros inferiores
A fixação interna com
Avaliar o uso de placa de aço tipo LCP + T
Placa de
placa de apresenta vantagens em
compressão de
compressão minimizar o trauma e
bloqueio + placa de
bloqueada (LCP) + possibilitar o exercício
aço tipo T para
placa de aço tipo T funcional no pós-
Feng Li, et al - suporte de peso Resultados
para suporte de operatório precoce,
2022 pós-operatório e Clinicos
peso pós-operatório promover a recuperação
recuperação
e recuperação funcional e a sustentação
funcional em
funcional de de peso dos membros
fraturas complexas
fraturas complexas inferiores e reduzir as
do planalto tibial
do planalto tibial complicações pós-
operatórias
Fonte: Silva, Monteiro, 2022
Dados da pesquisa
DISCUSSÃO
De acordo com Saraiva et al, o sexo masculino, em sua grande maioria da
raça parda, está mais envolvido em acidentes de trânsito com motocicletas.
Concordando com o estudo de Gutierrez realizado em 2022 no Hospital de
Manaus apresentando que dos tratamentos cirúrgicos, 86,4% ocorreram em
homens e apenas 13% do total eram mulheres. Das abordagens cirúrgicas,
78,5% foram realizadas nos membros inferiores e desses 65,5% na tíbia, sendo
considerado o osso longo mais fraturado e com maior índice. 8,9
Quanto ao tipo de fratura da tíbia, a mais comum encontrada por Batista et
al, foi a com traçado oblíquo. A fratura oblíqua decorre quando uma extremidade
óssea é submetida a uma torção ou giro súbito, no mesmo momento em que a
outra extremidade permanece fixa, por esse motivo ele se torna em maior
incidência nos acidentes automobilísticos, devido ao trauma ser de maior energia
por desestabilizar as articulações de joelho.10
Desde o início dos estudos das fraturas da tíbia, ficou evidente que a carga
era um fator primordial na consolidação das fraturas. Portanto, os estudos se
direcionaram para tratamentos que permitissem esta carga o mais precoce
possível.
De acordo com o manual AO, a liberação de 50% de suporte de carga deve
ocorrer entre 6 e 8 semanas conforme evidências radiográficas
independentemente do tipo da fratura. A progressão da carga em fraturas de
baixa energia evolui para carga total progressiva entre 8 e 12 semanas, e no
caso de fraturas de alta energia, entre 12 e 16 semanas.11
Albieri, afirma que, as fraturas de tornozelo, onde é necessario a inserção de
parafuso entre tíbia e fíbula: No pós-operatório imediato o paciente deve ficar
imobilizado e o membro elevado para ser evitados posição rígida em equino e
edema do tornozelo. Carga parcial protegida por órtese deve ser iniciada após
cicatrização de partes moles, assim como estímulo para mobilidade total
articular. Carga total é liberada após consolidação da fratura, com
aproximadamente oito semanas.12
No estudo comparativo desenvolvido por Souza et al, mostra que de 20
pacientes tratados com haste intramedular bloqueada, 25% (5) dos pacientes
foram liberados para descarga de peso total do membro operado no pós-
operatório imediato, 65% (13) dos pacientes liberados para a descarga de peso
parcial e 10% (2) pacientes foram liberados com descarga de peso zero no pós-
operatório. Todos os pacientes relataram dor leve.13
Nunes et al, evidenciaram que uma mobilização precoce do paciente, no
qual o tratamento de escolha foi a cinesioterapia com exercícios isométricos de
quadríceps e deambulação precoce com auxílio de muletas e carga parcial do
membro operado, garantindo ao paciente uma reabilitação eficaz e retorno
imediato às atividades de vida diária.14
Gomes e Vieira afirmam que no tratamento das fraturas do pilão tibial
merecem cuidados preliminares, desde o local do acidente, que incluem
princípios básicos como restauração do alinhamento e comprimento do membro,
estabilização do tornozelo e elevação moderada da extremidade. O tratamento
cirúrgico é dotado de uma variedade de métodos, que se aperfeiçoaram e
evoluíram sempre no sentido de uma maior atenção e cuidado às partes moles.
Nos casos mais simples com menor fragmentação e desvio articular, além das
boas condições de partes moles, pode optar-se, nas primeiras 6 a 12h após o
trauma, por redução aberta e fixação interna com placas e parafusos. Já nos
casos de maior complexidade da fratura, com diminuição importante,
encurtamento e desalinhamento do membro, e consequentemente maior
sofrimento de partes moles, as opções recaem sobre o uso dos fixadores
externos, em diferentes maneiras.15
A descarga de peso controlada pode ser utilizada em situações de pós-
operatório de membro inferior, fratura ou outras condições que necessitem
controlar a descarga de peso. O treino de descarga de peso controlada evita a
sobrecarga precoce e excessiva nas estruturas ósseas e articulares.16
Junior et al em seu relato de caso apresentaram a condição em que um
paciente com fratura de tíbia e fíbula submetido a cirurgia ortopédica utilizando
os fixadores externos por três semanas e, após a retirada, fez uso de “tala” por
três meses. Quando completou três meses, utilizou bota ortopédica, sendo
orientado a não realizar descarga de peso sobre o membro acometido até
segunda ordem, deambulando com auxílio de andador. Foi constatado que o
paciente teve perda de Amplitude de Movimento (ADM) e força muscular
evoluindo com uma Hipotrofia de membro acometido.17
Pereira et al avaliaram clinicamente um paciente que sofreu uma fratura
da tuberosidade anterior da tíbia associada à ruptura distal do tendão patelar.
Após a cirurgia, o joelho foi imobilizado por meio de tutor em extensão e o
paciente recebeu alta hospitalar no dia seguinte, foi estimulado a fazer
movimento passivo assistido até 60 graus de flexão, manteve muletas para apoio
com descarga parcial de peso. O tutor foi removido após seis semanas e foi
iniciada fisioterapia para ganho de força e liberado apoio total à medida que
tolerasse. Após 14 semanas, retorno pleno da mobilidade e consolidação
radiográfica foram observados.18
CONSIDERAÇOES FINAIS
Alguns autores citam como critério para a progressão de carga evidências
radiológicas da consolidação óssea da fratura e que a descarga de peso parcial
deve ser inicia na 6ª semana após a cirurgia, outros apresentam resultados em
que a fisioterapia sendo aplicada no pós-operatório imediato, o paciente
consegue realizar a descarga de peso já na 4a semana. Há ainda quem defenda
a imobilização do membro fraturado e a descarga do peso só deva acontecer
após acontecer a partir da 8a semana.
Uma limitação importante do presente estudo foi que em todos os
trabalhos incluídos não havia um consenso entre o tempo ideal para descarga
de peso nas fraturas de membro inferior envolvendo a tíbia e a fíbula; embora
tenha sido observada relação entre a gravidade da fratura, material utilizado para
fixação, técnica cirúrgica e o tempo para início e progressão no suporte de carga.
Entretanto, evidenciamos que a maioria dos autores inicia a carga parcial por
volta da 4a a 8ª semana. Observou-se também que quanto maior o intervalo entre
a cirurgia e a descarga de peso maiores são as limitações fisiológicas do
paciente. Através da presente revisão da literatura, foi possível observar que há
necessidade de novos estudos clínicos randomizados e controlados a respeito
da descarga de peso em fraturas de tíbia e fíbula nas diversas técnicas
cirúrgicas.
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