The good part of my life
Silêncio. Era tudo que precisava. Uma noite toda bebendo não
fora a ideia mais inteligente, mas outro lado conheci alguém que
salvou minha noite. Dora. Tão doce. Brilhava como um anjo
entre os outros seres. Mandou embora todas as minhas
preocupações com um sorriso sujo. Era maliciosa na quantidade
exata, sabia o que estava fazendo, era confiante. Isso me deixava
louco.
Trocamos nossos números sem hesitar, sentia que com ela seria
diferente. Finalmente com alguém sentia aquele friozinho na
barriga. Aquele que eu sempre esperei sentir. Lembro
perfeitamente daquele rostinho macio como pêssego encostado
em meu pescoço enquanto uma música mais calma tocava. Não
fizemos nada, entretanto, parecia muito apressado. Mesmo que
nossos corpos pediam um ao outro.
Passei o resto da semana sem tirar da minha mente os cabelos
tingidos dela, um ruivo vivo e apaixonante. Tão lisos e macios.
Quando o vento bateu em seus fios eles esvoaçaram como uma
chama. Parecia brilhar no escuro. Faziam um contraste com seu
vestido preto, mas combinavam como se a peça havia sido feita
especialmente para ela.
Ah, os olhos puxados, como de uma japonesa. Porém não tanto.
Eram na medida certa. Tão lindos. No momento em que eles se
voltaram para mim senti todo meu corpo chocalhar. Parecia
sobrenatural, ela poderia pedir qualquer coisa e eu faria.
Acho que estava imaginando alguém perfeito, não poderia criar
muitas expectativas, afinal estava bêbado quando a conheci. Não
tomei só alguns drinks, foram muitos. Estava muito bêbado. De
um jeito que nunca estive antes. Mas parecia que minha
sobriedade voltou de uma vez só quando a vi. Oh, foi tão magico.
Precisava acalmar os nervos, minha cabeça naquela manhã
latejava. Acordei no quarto do hotel com a luz do sol em meu
rosto, não teria sensação pior se um som alto não soasse no
corredor. Troquei de roupa e arrumei algo para beliscar
enquanto a hora do almoço não chegava. Tomei um banho
gelado e desci para andar um pouco pela cidade.
Quando ia dormir tarde sempre acabava acordando cedo, que
inferno! Mas já que era manhã ainda aproveitei para caminhar
na costa da praia, tão bela. Ninguém me perturbou, meu dia
estava começando a melhorar. Parei no píer, tomei um suco e
voltei para o quarto. Pensei em tudo que poderia fazer nesse dia
livre e nada me vinha à cabeça sem ser a ruiva. Estava presa
dentro dos meus pensamentos e me pegava perguntando se o
mesmo acontecia com ela.
Meus amigos nos convidaram para outra festa esta noite, mas eu
queria um momento calmo para nós dois. E além disso não
queria beber de novo, já havia feito mal ao meu corpo o
suficiente. Aquela noite queria beber para esquecer, ah, isso não
aconteceu. Alias foi pior, me fez lembrar.
Ah, não vou falar sobre isso.
Sentia falta de casa apesar de todas as festas e curtir com os
amigos, gostava do silencio e a calmaria que Holmes Chappel me
passava. Los Angeles tão agitada as vezes me deixava meio
zonzo. Sentia saudades das tardes pacificas nas quais tocava meu
violão e ecoava por toda rua.
Talvez isso seja um pouco de exagero, mas era o que sentia.
Livre, mesmo que por pouco tempo.
**
Após muito tempo minha mensagem finalmente fora respondida
por Dora, a convidei para um jantar “romântico” em um
restaurante chique. Ela, gentilmente, recusou. Disse que esse
não era seu estilo, preferiria sair em algum lugar ao ar livre. No
momento me senti um pouco ofendido, mas concordei com sua
exigência e tratei de pensar onde leva-la.
Não tinha ideia do que fazer, quase entrava em pânico em meu
quarto, pois estava de terno pronto e banho tomado, preparado
para um ambiente fino. Mas era do que precisava, um desafio.
Coloquei uma roupa mais despojada e passei no mercado
comprar algumas comidas rápidas. Durante todo percurso