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Coordenação e Subordinação na Linguística

O documento discute as abordagens funcionalista e formalista na gramática, destacando a importância da contextualização no uso da língua. A coordenação e subordinação são apresentadas como processos fundamentais para unir orações, com a coordenação mantendo a autonomia e a subordinação criando dependência. Além disso, são abordadas variações diacrônicas e sociolinguísticas que influenciam o uso dessas estruturas na comunicação.

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Coordenação e Subordinação na Linguística

O documento discute as abordagens funcionalista e formalista na gramática, destacando a importância da contextualização no uso da língua. A coordenação e subordinação são apresentadas como processos fundamentais para unir orações, com a coordenação mantendo a autonomia e a subordinação criando dependência. Além disso, são abordadas variações diacrônicas e sociolinguísticas que influenciam o uso dessas estruturas na comunicação.

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Slide 2:

Encontram -se no pólo funcionalista a Escola de Genebra (implicitam ente com Saussure,
Bally, Tesnière – que influenciou Helbig e Martinet), passando pela Escola de Praga (com
Mathesius, Trubetzyoy, Jakobson, Danes, Firbas, etc), chegando-se à Escola de Londres
(com Firth e Halliday), e ao Grupo de Holanda (com Reichling e Sim on Dik).

Slide 3:

A abordagem formalista é a adotada pelas gramáticas normativas, cujo caráter é


meramente prescritivo. Nesses compêndios, são ditadas regras constituintes da variante
culta/padrão que se baseiam no uso de uma classe social de prestígio, ignorando as demais
variantes da língua. Os fenômenos linguísticos são, muitas vezes, abordados de forma
descontextualizada de seu uso efetivo e de sua utilidade discursiva. Já a perspectiva
funcionalista considera o texto em sua totalidade e o contexto de uso em que ocorrem tais
fenômenos da língua.

Slide 4:

“preocupando-se com características internas – seus constituintes e as relações entre eles


-, m as não com as relações entre os constituintes e seus significados, ou entre a língua e
seu meio; chegam-se, então, à concepção de língua com o um ‘conjunto de frases’, ‘um
sistem a de sons’, ‘um sistema de signos’, equiparando, desse modo, a língua à sua gram
ática” (NEVES, 2001, p. 41).

Slide 5:

ao contextualizar os fatos gramaticais na situação de fala que os gerou, tom a com o ponto
de partida as significações das expressões linguísticas, indagando como elas se codificam
gramaticalmente (CASTILHO, 1994, p.76)
Slide 6: ​

Slide 7:

Paradigm a Form al e Paradigm a Funcional - Fonte: Neves ( 2 0 0 1 , p. 4 6 - 4 7 )

Slide 8 :

[O vizinho abriu a casa] e [Os ladrões roubaram a TV]


Na frase as duas orações são chamadas coordenadas e a palavra E se classifica como
Coordenador

Slide 9:

A Estrutura Coordenada se caracteriza por ter as duas (ou mais) orações uma ao lado da
outra, sem que uma faça para da outra

Slide 10:

Outros coordenadores além de E são mas, ou, logo, portanto e outros. Por exemplo:

[O vizinho fechou a casa] mas [os ladrões roubaram a tv]

[Está ventando] ou [Alguém ligou o ventilador]

Slide 11:

Subordinação

Além da coordenação, existe outro processo gramática básico utilizado na língua para juntar
orações: A subordinação

Quando temos orações subordinadas, elas não ficam uma ao lado da outra, mas uma
dentro da outra.

Slide 12:

A Tia Rosa disse uma bobagem

Nessa frases, temos uma oração, ela é composta de sujeito {a tia rosa}, verbo {disse},
objeto {uma bobagem}

Ou seja: O sujeito é agente, o objeto é a mensagem. Com o verbo dizer, o objeto é de


ocorrência obrigatória

Tanto é assim que a frase seguinte é inaceitável

A tia rosa disse

Slide 13:

Agora vamos considerar a frase:

A Tia Rosa disse que o Rafael é Medico


A presença da sequência que o Rafael é médico satisfaz a exigência do verbo dizer de que
haja um objeto expresso na oração

Slide 14:

Que o Rafael é médico contém uma oração, o rafael é médico. Ou seja, temos duas
orações

O Rafael é médico é o objeto da oração cujo verbo é: Disse

Slide 15:

E a oração maior: A tia Rosa disse que o Rafael é médico


Comporta como muitas orações como o verbo dizer, de sujeito (a tia rosa), verbo (disse) e
objeto (que o rafael é médico)

E Dentro dessa oração Maior


[A Tia Rosa disse que o {O Rafael é médico}]

A oração maior que se chama Oração Principal está entre colchetes


E a oração menor, chamada oração subordinada, está entre as chaves

Slide 16:
A subordinada é a parte da principal

Podemos definir uma oração principal como aquela tem outra oração dentro si, e oração
subordinada é aquela que está dentro de outra oração

Slide 17:

Relembrem!

O vizinho abriu a casa e os ladrões roubaram a tv

Não há nem principal, nem subordinada, porque nenhuma das orações está dentro da
outra.
Nenhuma das orações tem função dentro da outra

Slide 18:

A Tia Rosa disse que O Rafael é médico


A oração subordinada está dentro da principal
Slide 19:

[O vizinho abriu a casa] e [ os ladrões roubarm a tv] 7

Slide 20:

A coordenação e a subordinação são os dois processos básicos de que dispõe a lingua


para juntar unidades da mesma classe em uma unidade maior

Slide 21:

A coordenação, em especial, se verifica com muitas classes. Inclusive classes de pálavras.


Assim, tempos não apenas coodernação de rações como em:

1.​ O vizinho abriu a casa e os ladrões roubaram a tv


2.​ O camilo e a sandra: Sns
3.​ O vizinho fechou e trancou a casa: verbos
4.​ O camilo é pobre, mas muito esforçado: Sintagmas adjetivos
5.​ Esse ônibus passa em vitória e em guarapari: Sintagmas preposicionados
6.​ Eu vou fazer o serviço com ou sem a sua ajuda: preposições

Slide 22:

Outras classes, como os artigos não admitem coodernação

Slide 23:

Já a subordinação tem efeitos bem mais limitados, mas ainda assim não se restringe a
oração:

É possível colocar Sns dentro de SNs:

O irmão da minha namorada

Aqui o Sn maior (principal) é o irmão da minha namorada, ele contém um Sn menor


(Subordinada) a minha namorada
Slide 24: ​

Coordenação e Subordinação na Visão Funcionalista
Na visão funcionalista, a coordenação é entendida como um mecanismo que
organiza informações de igual relevância. Conforme Talmy Givón (2001), a
coordenação tende a ser usada quando os eventos descritos são percebidos como
equipolentes (ou seja, de igual importância) e sequenciais no tempo. Por exemplo:
●​ "Ela chegou e ligou a TV."​
Aqui, as duas ações são apresentadas como igualmente relevantes e
ocorrem em sequência.

Slide 25:
Subordinação:​
Já a subordinação é utilizada para hierarquizar informações, destacando uma
oração como principal e outra como dependente. Segundo M.A.K. Halliday (1985), a
subordinação reflete a complexidade cognitiva do falante, que precisa integrar
eventos de forma mais elaborada. Por exemplo:
●​ "Quando você percebe que esqueceu o celular em casa." (Referência ao
meme de situações cotidianas).​
A subordinação temporal é usada para situar um evento no tempo, criando
um contexto cômico.

Slide 26: ​
O Papel da Iconicidade e da Economia Linguística
A iconicidade e a economia linguística são dois princípios fundamentais na visão
funcionalista, que explicam como os falantes equilibram clareza e eficiência no uso da
língua.

Iconicidade:
A iconicidade refere-se à relação direta entre a forma linguística e o significado. Em outras
palavras, a estrutura da frase reflete a estrutura do pensamento ou do evento descrito. Por
exemplo:

"Ele correu, caiu e se machucou."


A ordem das orações coordenadas reflete a sequência temporal dos eventos.
●​ "Primeiro eu chego, depois eu aviso." (Referência ao meme de planejamento).​
A ordem das orações reflete a sequência de ações, mostrando a iconicidade
na organização do pensamento.

Slide 27:
Economia Linguística:​
Já a economia linguística diz respeito à tendência dos falantes de simplificar a
linguagem para facilitar a comunicação. Isso pode levar ao uso de estruturas mais
curtas ou à omissão de elementos redundantes. Por exemplo:
●​ Faz o pix!" (Referência ao meme de cobrança).

Slide 28:

A Relação entre Estrutura e Função no Uso Real da Língua

Na visão funcionalista, a estrutura linguística não é um fim em si mesma, mas sim


um meio para cumprir funções comunicativas. Isso significa que a forma como
organizamos as orações (seja por coordenação ou subordinação) está diretamente
relacionada ao que queremos comunicar.
Estrutura e Função:
●​ Coordenação: É frequentemente usada em narrativas para descrever eventos
sequenciais ou para expressar contrastes. Por exemplo:
●​ Exemplo com meme:
○​ "Acordei, tomei café, e já estou cansado." (Referência ao meme de
desabafo).​
A coordenação é usada para descrever uma sequência de ações
cotidianas, com um toque de humor.
●​
○​ "Ele estudou muito, mas não passou no exame."​
Aqui, a conjunção "mas" expressa um contraste entre duas ideias.
●​ Subordinação: É mais comum em textos argumentativos ou explicativos,
onde é necessário estabelecer relações de causa, condição, tempo, etc. Por
exemplo:
○​ "Se você estudar, passará no exame."​
A subordinação condicional é usada para expressar uma hipótese.
Slide 29:

Uso Estratégico de Coordenação e Subordinação na Construção do Discurso

A escolha entre coordenação e subordinação não é aleatória, mas sim estratégica,


refletindo as intenções do falante e as demandas do contexto comunicativo.
Conforme Halliday (1985), a estrutura sintática é um recurso fundamental para
organizar o fluxo informativo e guiar a interpretação do ouvinte.

Slide 30:
●​ Coordenação:
○​ "Ele chegou, viu e venceu." (Ênfase na sequência de ações e no
impacto dramático.)
○​ "Ela é inteligente, mas não se esforça." (Contraste entre duas ideias
para gerar reflexão.)
●​ Subordinação:
○​ "Embora estivesse cansado, ele continuou trabalhando." (Destaque
para a perseverança, apesar das dificuldades.)
○​ "Se você não estudar, não passará." (Uso de uma condição para
enfatizar a importância da ação.)
Essas escolhas sintáticas são fundamentais para construir coerência e engajar o
ouvinte ou leitor

Slide 31:

. Variações Diacrônicas e Sociolinguísticas desses Processos

A coordenação e a subordinação não são estáticas, mas variam ao longo do tempo


(variação diacrônica) e de acordo com fatores sociais e regionais (variação
sociolinguística).
Variação Diacrônica:
●​ No português arcaico, por exemplo, o uso de conjunções como "porém" e
"todavia" era mais frequente, enquanto hoje prevalecem formas mais
simplificadas, como "mas".
●​ A subordinação também sofreu mudanças, com a redução do uso de
estruturas mais complexas em favor de formas mais diretas.
Slide 32:

Variação Sociolinguística:
●​ Em variedades dialetais do português brasileiro, é comum o uso de estruturas
coordenadas em situações onde a norma padrão preferiria a subordinação
(ex.: "Ele falou que ia e foi." em vez de "Ele falou que iria e foi.").
●​ Fatores como escolaridade, idade e contexto social influenciam a preferência
por coordenação ou subordinação.
Referências:
●​ Mattos e Silva, R.V. (2004). Ensaios para uma Sócio-História do Português
Brasileiro.
●​ Labov, W. (1972). Sociolinguistic Patterns.

Slide 33:
●​ Autonomia vs. Dependência: Coordenação mantém a autonomia das
orações; subordinação cria dependência.
●​ Complexidade informativa: Subordinação permite maior complexidade e
densidade informativa.
●​ Flexibilidade discursiva: Coordenação é mais comum em textos narrativos;
subordinação, em textos argumentativos e explicativos.

Pesquisa Funcionalista:
●​ Apresentação de estudos que investigam a frequência e o uso de
coordenação e subordinação em diferentes variedades linguísticas.
●​ Discussão sobre como fatores cognitivos (como a memória de trabalho)
influenciam a preferência por uma ou outra estrutura
Debate:
●​ Como a coordenação e a subordinação podem variar em diferentes línguas
ou variedades linguísticas?
●​ Qual a importância desses processos para a aquisição da linguagem e o
ensino de línguas?
CASTI LHO, Ataliba T. de. Um ponto de vista funcional sobre a predicação. I n: ALFA:
Revista de Lingüística. São Paulo: UNESP, p.75-96. v. 38, 1994.

DI K, C.S. The theory of functional gram m ar. DorderechtHolland/ Providence RI -EUA:


Foris Publications, 1989

Neves. A Gram ática Funcional. São Paulo: Martins Fontes, 2001. _____. A Gram ática
Funcional. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

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