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Introdução aos Salmos e Temas Principais

Os Salmos são hinos sagrados que expressam louvor, súplica e gratidão a Deus, com muitos deles atribuídos a David. O primeiro livro dos Salmos aborda temas como a verdadeira felicidade do justo, a vitória do Messias e a confiança em Deus em tempos de perigo. Cada Salmo contém instruções e reflexões sobre a relação entre o homem e Deus, enfatizando a importância da justiça e da fé.
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Introdução aos Salmos e Temas Principais

Os Salmos são hinos sagrados que expressam louvor, súplica e gratidão a Deus, com muitos deles atribuídos a David. O primeiro livro dos Salmos aborda temas como a verdadeira felicidade do justo, a vitória do Messias e a confiança em Deus em tempos de perigo. Cada Salmo contém instruções e reflexões sobre a relação entre o homem e Deus, enfatizando a importância da justiça e da fé.
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SALMOS

LIVRO PRIMEIRO

Os salmos são hinos sagrados, por meio dos


quais o povo de Deus costumava louvar o Senhor,
implorar a sua misericór,dia, agradecer os benefí­
cios recebidos, e recordar os prodígios da sua
paternal pnvídência em favor de Israel.
Os salmos foram compostos por vários escri­
tores sagrados, sendo David o autor da sua
maior parte.
Quase todos têm no princípio um título, que
varia muito. Contêm uma ou mais das indicações
seguintes : O autor, o género poético, o acompa­
nhamento musical, o uso litúrgico, a ocasião
histórica.
No saltério encontra-se tudo o que de útil e
salutar está espalhado pelos outros livros do An­
tigo Testamento. e Quando leio os salmos, diz
Santo Ambrósio, descubro neles todos os mistérios
da nossa santa Religião, e tudo o que os profetas
vaticinaram : reconheço a graça das revelações, os
testemunhos da ressurreição de jesus Cristo, os
p1émios e castigos da outra vida; e aprendo a
confundir-mé e a envergonhar-me dos meus peca­
dos, a detestá-los e a evitá-los».

SALMO 1

A verdadeira felicidade

1 Bem-aventurado o homem que não se deixou levar Fdoelicidade


justo.
pelo conselho dos ímpios,
e que não se deteve no caminho dos pecadores,
e que não se sentou na cadeira pestilencial (dos maus),
2 mas que tem a sua vontade posta na lei do Senhor,
e que nesta lei medita de dia e de noite.
3 Ele será como a árvore, que está plantada junto às
correntes das águas,
que a seu tempo dará o seu fruto,
e cuja folha não cairá ;
e todas as coisas que ele fizer serão prósperas,
2 SALMOS, 1, 4 - I I , 13

Desgraça 4 Não assim os ímpios, não assim ;


··do fmpio,
mas serão como o pó que o vento dispersa à super­
fície da terra.
5 Por isso os ímpios não ressuscitarão no (dia do) juízo,
nem os pecadores (estarão) na congregação dos justos;
6 porque o Senhor conhece o caminho dos justos,
mas o caminho dos ímpios perecerá.

SALMO II

O MeBSias vence e impera


Revolta das 1 Por que razão se embraveceram as nações,
nações con..
tra Deus e os povos meditaram coisas vãs ?
e o Messias..2 Os reis da terra sublevaram-se,
e os príncipes se coligaram
contra o Senhor e contra o seu Cristo.
3 Rompamos (disseram) os seus laços,
e sacudamos de nós o seu jugo.
Dens zomba 4 Aquele que habita no céu zombará deles,
de tais
inimigos, e o Senhor os escarnecerá.
5 Ele lhes falará então na sua ira,
e os encherá de terror no seu furor.
6 Eu, porém, fui por ele constituído rei
sobre Sião, seu monte santo,
para p regar a sua lei.
os qnais 7 O Senhor disse-me : Tu és meu filho,
serão
aniquilados eu gerei-te hoje.
pelo 8 Pede-me, e eu te darei as nações em tua herança,
Messias,
e estenderei o teu domínio até às extremidades da terra,
9 Tu as governarás com uma vara de ferro,
e quebrá-las-ás_ como um vaso do oleiro.
E agora, ó reis, entendei ;
instruí-vos, vós que julgais a terra.
11 Servi ao Senhor com temor,
e alegrai-vos nele com tremor.
12 Abraçai a boa doutrina, para que o Senhor não se ire,
e não pereçais fora do caminho da j ustiça.
13 (Porque) quando daqui a pouco se incendiar a sua ira
bem-aventurados todos os que confiam nele.

S, 1 - 5. No (dia do) juízo quando Dens chamar cada nm a dar


conta de si, os fmpios não ressuscitarão para a glória celeste, nem
farão parte da congregação dos justos.
S. II - 9, Com uma vara de ferro. O cetro do Messias, doce
para bons , será uma arma terrível contra os maus,
SALMOS, III, 1 - IV, 5 3

SALMO III
Confiança em Deus no melo do perigo

1 Salmo de David, quando fugia diante de Absalão,


seu filho.
2 Senhor, porque são tão numerosos os que me per- Cerc�d?
pelo m1m1go,
seguem ?
3 Muitos se levantam contra mim.
Muitos dizem à minha alma :
Não há salvação para ele no seu Deus.
4 Porém tu, Senhor, és o meu protector, o salmista,
confiando
a minha glória, e o que exaltas a minha cabeça. em Dens,
5 Com a minha voz clamei ao Senhor, conserva
e ele ouviu-me (benigno) do seu santo monte. a paz.

6 Eu adormeci, e estive sepultado no sono ;


e levantei-me, porque o senhor me amparou.
7 Não temerei esse povo inumerável que me cerca. Súplica
veemente.
Levanta-te, Senhor, salva-me, Deus meu !
8 Porque tu tens ferido todos os que me perseguem sem
causa ;
quebraste os dentes dos pecadores.
9 Do Senhor nos vem a salvação ;
e sobre o teu povo, (ó Deus, vem) a tua bênção.

SALMO IV
Alegria na confiança em Deus

1 Para o fim : Salmo e cântico de David.


2 Quando eu o invoquei, ouviu-me o Deus da minha
justiça ;
(tu, ó Deus), na angústia me puseste ao largo.
Tem compaixão de mim, e ouve a minha oração.
3 Filhos dos homens, até quando sereis de coração
pesado ?
Porque amais a vaidade, e buscais a mentira ?
4 Sabei, pois, que o Senhor fez maravilhoso o seu santo ;
o Senhor me ouvirá, quando eu clamar a ele.
5 Irai-vos, e não queirais pecar ;
do (mal) que pensais nos vossos corações,
compungi-vos no retiro dos vossos leitos.

S. Ili - 6. Eu dormi, apesar de ter tantos inimigos.


S. IV - 4. O seu santo, isto é , o seu amigo Intimo,
5. Irai· vos contra vós mesmos,
4 SALMOS, IV, 6 - V, 10

6 Oferecei sacrifícios de justiça, ·


e esperai no Senhor.
Muitos dizem : Quem nos fará ver os bens (que nos
são prometidos) ?
7 Gravada está, Senhor, sobre nós a luz do teu rosto ;
infundiste alegria no meu coração,
8 Eles estão bem abastecidos e a legres
com a abundância do seu trigo, vinho e azeite.
9 Mas eu dormirei em paz e descansarei (em tuas pro­
messas),
10 porque tu, Senhor, de uma maneira singular me fir­
maste na esperança.

S ALMO V
Oração do justo contra o ímpio
1 Para o fim, por aquela que consegue a herança :
Salmo de David.
Implora . 2 Senhor, dá ouvidos às minhas palavras,
a atenção escuta o meu clamor.
de Deus,
3 Atende à voz da minha súplica,
rei meu e Deus meu.
4 Porque a ti orarei, Senhor,
de manhã ou virás a minha voz.
que abomina 5 De manhã me porei na tua presença, e te contemplarei.
os maus. Por-que tu não és um Deus que ame a iniquidade ;
6 nem habitará j unto de ti o maligno,
nem os injustos poderão permanecer diante dos teus
cl� ,
7 Aborreces todos os que praticam a iniquidade ;
perderás todos os que. dizem a mentira.
O Senhor abominará o homem sanguinário e frau­
dulento.
8 Eu, porém, confiado na abundância da tua misericórdia,
entrarei na tua casa,
e, penetrado do teu temor, te adorarei no teu santo
templo.
para que 9 Senhor, guia-me na tua j ustiça ;
castigue os dirige diante dos teus olhos o meu caminho, por
iníquos,
causa dos meus inimigos,
10 Porque na boca deles não há verdade ;
o seu coração é vão.
-�����

6. Sacrifícios de justiça, isto é , boas obras.


S. V - 1. Por aquela , . . Segundo al g u ns comentadore" eslao
palavras designam a sinagoga , depois a Igreja , como herdeiras dos favo·
res especiais de Deus.
SALMOS, V, 11 - VI, 1 1 5

1 1 A s u a garganta é um sepulcro aberto,


com as suas línguas urdem enganos ;
tu, ó Deus, julga-os,
Frustrem-se os seus desígnios,
expulsa-os (da tua presença) segundo a multidão das
suas impiedades,
porque te irritaram, Senhor.
·12 E alegrem-se todos aqueles que esperam em ti ; e abençoe
os justos,
exultarão eternamente, e tu hab itarás neles.
E em ti se gloriarão todos os que amam o teu nome,
13 porque tu abençoarás o justo.
Senhor, tu nos envolveste com a t ua benevolência,
como com um escudo.

SALMO VI
A alma penitente implora a miaericórdia divina

1 Para o fim : Cântico e salmo de David, para a oitava.


2 Não me arguas no teu furor, David
nem me castigues na tua ira., suplica ao
Senhor
3 Tem misericórdia de mim, Senhor, p orque sou en­
fermo ; sara-me, Senhor, porque (até) os meus ossos
es tremeceram,
4 E a minha alma turbou-se em extremo, que o livre
mas tu, Senhor, até quando ? . . . de P"igo.

5 Volta-te, Senhor, e livra a minha alma ;


salva-me pela tua misericórdia.
6 .Porque na morte não há quem se lembre de ti ;
e na habitação dos mortos quem te louvará ?
7 Estou esgotado à força de tanto gemer ;
lav:arei o meu leito com látrimas todas as noites,
regarei com elas o lugar do meu descanso.
8 Os meus olhos se turbaram por causa do furor,
envelheci no :m.:.�o de todos os meus inimigos,
9 Apartai-vos de mim todos os que praticais a iniqui­ O Senhor
dade, OUVÍll·O, e
por isso
porque o Senhor ouviu a voz do meu pranto. triunfa.
10 O Senhor ouviu a minha súplica,
o Senhor recebeu a minha oração.
1 1 Sejam confundidos, e em extremo conturbados todos
os meus inimigos ;
retirem-se, e sejam num momento cobertos de igno­
mínia.

S . VI - 4, Até quando farás durar a minha hibula,ão 7


6 SALMOS, VII, 1 - 15

SALMO VII
Apelo à justiça de Deus

1 Salmo de David, cantado por ele ao Senhor, a pro­


pósito das palavras de Chusi, filho de jemini.
David pede 2 Senhor, Deus meu, em ti esperei ;
c
� d
:i� t � 3 salva-me
e
de todos os que me perseguem, e livra-me,
para que ninguém, como um leão, arrebate a minha
Deus que, a
6le , inocente, alma,
sem que haja quem me livre, nem quem me salve.
4 Senhor, Deus meu, se eu fiz isso,
se há iniquidade nas minhas mãos,
5 se paguei com mal aos que mo faziam,
caia eu com razão debaixo dos meus inimigos, sem
esperança.
6 Persiga-me o inimigo e apodere-se de mim,
e calque contra a terra a minha vida,
e reduza a pó a minha glória.
defenda 7 Levanta-te, Senhor, na tua ira (para me socorrer) ,
contra a
maldade dos
e mostra a tua grandeza no meio dos meus inimigos.
pecadores, Levanta-te, Senhor Deus meu, segundo a lei estabe­
lecida por ti ;
8 e a multidão àos povos se unirá em roda de ti ;
e por amor desta (multidão) remonta-te ao alto.
9 O Senhor é que julga os povos.
Julga-me, Senhor, segundo a minha justiça,
e segundo a inocência que há.em mim.
10 Será consumida a malícia dos pecadores,
e encaminharás o justo,
tu, ó Deus, que sondas os corações e as entranhas.
1 1 O meu legítimo auxílio vir-me-á do Senhor,
o qual salva os rectos de coração,
12 Deus é um juiz justo, forte e paciente ;
ira-se porventura todos os dias ?
aos quais 13 Se vos não converterdes, vibrará a sua espada ;

�j:fg�ªm��� [Link] o seu arco, e te?J-·no preparado.


divino 14 Pos nele dardos mortais ;
preparou as suas setas ardentes.
15 Eis que . (o ímpio) deu à luz a injustiça ;
concebeu dor, e deu à luz a iniquidade.

S. VII - 4. Se eu fiz isso, se cometi os crimes de que me acusa


Chusi.
7. Segundo a lei estabelecida por ti de proteger o inocente e:
castigar o culpado.
SALMOS, VII, 16 - VIII, 10 7

16 Abriu e cavou uma cova, e caiu nessa (mesma) cova,


que fez.
17 A dor (que quis causar) se voltará contra a sua cabeça;
e sobre a sua fronte recairá a sua iniquidade.
18 Glorificarei o Senhor pela sua justiça.
e cantarei o nome do Senhor altíssimo.

SALMO VIII

Deus é admirável nas suas obras

1 Para o fim, para os lagares : Salmo de David.


2 Senhor, nosso Dominador soberano, É admirável
no céu e
quão admirável é o teu nome em toda a terra ! na terra,
Porque a tua majestade se elevou sobre os céus.
3 Tu fizeste sair da boca dos meninos e dos que ainda
mamam um louvor perfeito contra os teus adver-
sários,
para destruíres o inimigo e o vingativo.
4 Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos,
a lua e as estrelas, que tu criaste,
5 (exclamo) : Que é o homem, para te lembrares dele ?
ou que é o filho do homem, para o visitares ?
6 Tu o fizeste pouco inferior aos anjos, mas pnnc1-
paimente
de glória e de honra o coroaste 1 no homem.
7 e lhe deste o mando sobre as obras das tuas mãos.
8 Sujeitaste todas as coisas debaixo de seus pés,
todas as ovelhas e vacas ;
e, além destes, os outros animais do campo,
9 as aves do céu, e os peixes do mar,
que percorrem as veredas do oceano.
10 Senhor, nosso Dominador soberano,
quão admirável é o teu nome em toda a terra !

S, VIII - 1 . Para os lagares. Segundo o hebreu, deve dizer- se :


Para a geteia, isto é, para ser cantado ao som da geleia, que era um
instrumento musical oriundo de Geth, cidade dos Filisteus.
3, O nome do Senhor tem am brilho tão intenso qae até as próprias
crianças o glorificam, e as s11as vozes fracas, mas eloquentes, reduzem ao
silêncio os maiores inimigos de Deas.
_
8 SALMOS, IX, 1 - 1 5

SALMO IX

Acção de graças pelos triunfos sobre os pagãos,


e pedido de aa:dlios contra os Israelitas ímpios

1 Para o fim! p elos segredos do filho: Salmo de David.


Louvor a 2 Eu te glonficare1, . Senhor, com todo o
meu coração ;
Deus, contarei todas as tuas maravilhas.
3 Alegrar-me-ei, e regozijar-me-ei em ti ;
cantarei o teu nome, ó (Deus) Altíssimo ;
que derrotou 4 porque puseste em fuga os meus inimigos ;
os inimigos
de David, eles serão debilitados, e perecerão diante de ti.
5 Porque julgaste e defendeste a minha causa ;
sentaste-te sobre o trono , tu que julgas segundo a
justiça.
6 Tu repreendeste as nações, e o ímpio pereceu ;
apagaste o nome deles para sempre, e por todos os
séculos dos séculos,
7 As espadas do inimigoficaram embota daspara sempre,
e destruíste as suas cidades.
A memória deles pereceu com ruído ;
e que n n a
u c 8 mas o Senhor permanece eternamente.
abandona · ,

os aflitos, Ele preparou o seu trono para exercer o JUIZO ;


9 e ele mesmo julgará toda a terra com equidade ;
julgará os povos com justiça.
1() O Senhor fez-se o refúgio do pobre,
socorrendo-o oportunamente na tribulaç�o.
11 Em ti, pois, esperem os que conhecem o teu nome,
porque tu, Senhor, não desamparaste os que te buscam.
12 Cantai ao Senhor, que habita em Sião ;
anunciai entre as nações os seus desígnios ;
13 porque, vingando o sangue dos seus servos, mostrou
que se lembra deles ;
não se esqueceu do clamor dos pobres.
Oração 14 Tem compaixão de mim, Senhor ;
"�:�i;:��� vê o abatimento. a que os meus inimigos me reduziram.
os inimigos. 15 Tu, que me retiras das portas da morte,
para que publique todos os teus louvores às portas
da filha de Sião.

S. JX - 1. Alguns comentadores, explicando misticamente as pala�


vras deste titulo, referem-nas ao• mistérios (segredos) da paixão e res­
surreição do Filho de Deus.
6. As nações que se levantaram contra mim.
15, Da filha de Sião, isto é, de Jerusalém.
SALMOS, IX, 16 - X, HEBR. 7 9

16 Exultarei na salvação que me obtiveste ;


as gentes (que me perseguiam) caíram na ruína que
me t i nham preparado .
No mesmo laço, que esconderam (para me prenderem),
ficou preso o seu pé.
17 (Deste modo) se conhecerá que o Senhor faz justiça ;
nas obras das suas (próprias) mãos foi preso o pecador,
18 Sejam precipitados no inferno todos os pecadores,
todas as nações que se esquecem de Deus.
19 Porque não estará para sempre esquecido o pobre ;
nem a paciência dos infelizes será para sempre frus­
trada.
20 Levanta-te, Senhor, não triunfe o h omem (malvado),
sejam julgadas as nações em tua presença.
2 1 Senhor, estabelece sobre elas um legisla dor,
para que os povos conheçam que são homens (mise­
ráveis).

SALMO X S EGUNDO O HEBREU

Petição de auxílio contra os opressores

1 Porque te apartaste tu, Senhor, para longe ; Descrição


dos opres...
desamparas-nos nas necessidades e na tribulação ?
sores dos
2 Enquanto que o ímpio se ensoberbece, o pobre é p0bres,
abrasado ;
-mas (por fim os ímpios) são apanhados nas intrigas
que urdiram.
3 Porq ue o pecador gloria-se dos desejos da sua alma,
e o iníquo é felicitado.
4 O pecador irritou o Senhor ;
não o buscará, por causa da sua grande arrogância.
5 Diante dele não há Deus ;
os seus caminhos são sempre viciosos.
Os teus juízos (Senhor) afastou-os de diante da sua vista;
(s6 pensa em) dominar todos os seus inimigos.
6 Porque ele disse no seu coração : Não serei abalado,
(viverei) de geração em geração, livre do infortúnio.
7 A sua boca está cheia de maledicência, de amargura
e de dolo ;
debaixo da sua língua estão a opressão e a dor
(para o próximo).

1 8 . No inferno, isto é , n a habitação dos mortos.


·

S. X HEBR, - 5. Os teus juízos, as tuas leis santas.


10 SALMOS, X, HEBR. 8 - X, 3

Põe-se de emboscada com os ricos em lugares ocultos,


8 para matar o inocente.
9 Os seus olhos estão voltados contra o pobre ;
arma ciladas em segredo, como o leão na sua cova.
Arma ciladas para arrebatar o pobre,
para arrebatar o pobre, atraindo-o (traiçoeiramente)
a si.
10 Ele o fará cair no seu laço,
e se inclinará e se deixará cair so-bre os pobres,
logo que se apoderar deles.
11 Porque ele disse no seu coração : Deus esqueceu-se,
apartou o seu rosto para não ver jamais.
Petição do 12 Levanta-te, Senhor Deus, eleve-se a tua mão ;
auxilio do
Senhor.
não te esqueças dos pobres.
13 Por que razão irritou o. ímpio a Deus ?
Porque disse no seu coraçã o : Deus não cuida de nada.
14 Porém tu o vês, consideras o trabalho e a dor (do
oprimido),
para tomares nas tuas mãos (a sua causa),
A ti se abandona o infeliz ;
tu serás o amparo do órfão.
15 Quebra o braço do pecador e do mau ;
(e então) buscar-se-á o (fruto do ) seu pecado, e não
se achará (nada).
16 O Senhor reinará eternamente e pelos séculos dos
séculos ;
vós, ó nações (ímpias), sereis exterminadas da sua terra.
17 O Senhor ouviu o desejo dos pobres ;
o teu ouvido atendeu à prece do seu coração,
18 para fazeres justiça ao órfão e ao humilde,
a fim de que o homem cesse de se engrandecer sobre
a terra.
SALMO X
Pedelta confiança em Deus
1 Para o fim : Salmo de David.
Os pecado. 2 No Senhor confio ; porque dizeis (pois) à minha alma :
res prepa�
ram setas
Foge para o monte como a ave ?
contra os 3 Eis que os pecadores estenderam o seu arco,
justos. p repararam as suas setas na aljava,
para as dispararem na obscuridade contra os que
são de coração recto.

11. Deus esqueceu-se, não faz caso do qae se passa sobre a


terra. É esta a linguagem dos impios.
SALMOS, X, 4 - XI, 7 11

4 Porque destruíram o que fizeste de bom ;


mas o justo o que é que fez (de mau) ?
5 O Senhor habita no seu santo templo, mas Deus
julga com
o trono do Senhor está no céu. justiça.
Os seus olhos olham para o pobre ;
as suas pálpebras examinam os filhos dos homens.
6 O Senhor sonda o justo e o ímpio ;
e (assim) aquele que ama a iniquidade, odeia a sua
alma.
7 Fará chover laços ou (desastres) sobre os pecadores ;
o fogo e o enxofre e as tempestades são a parte que
l hes toca.
8 Porque o Senhor é justo e ama a justiça ;
o seu rosto olha para a equidade.

SALMO XI

Confiança no meio da perversidade geral

1 Para o fim, para a oitava : Salmo de David.


2 Salva-me, Senhor, porque não se encontra um homem Da impuni-
dade dos
de bem (sobre a terra), maus.
porque as verdades (já) não são apreciadas entre os
filhos dos homens.
3 Cada um somente diz mentiras ao seu próximo ;
fala com os lábios dolosos, com coração dúplice.
4 Destrua o Senhor todos os lábios dolosos,
e a língua que fala com arrogância.
5 Eles disseram : Faremos grandes coisas c-0m a nossa
língua,
somos donos dos nossos lábios ;
quem é o nosso senhor ?
6 Em atenção à miséria dos desvalidos, e ao gemido dos são livres
os justos
pobres,
por Deus.
agora me levantarei (para os defender), diz o Senhor, ·

Eu os porei em salvo ;
nisto proce derei confiadamente.
7 As pala vras do Senhor, pala vras sinceras,
são prata purificada no fogo,
acendrada no crisol, refinada sete vezes.

S. X[ - 6. Nisto procederei com vigor (confiadamente) para


castigar os maus.
12 SALMOS, XI, 8 - Xlll, 2

8 Tu, Senhor, nos guardarás,


e nos preservarás para sempre desta geração.
9 os ímpios andam ao redor de nós i
segundo o teu altíssimo desígnio, multiplicaste os fi­
lhos dos homens (posto que perversos).

SALMO XII

Oração no meio dama angústia extrema

Gemido do 1 Para o fim : Salmo de David.


atribulado, Até quando, Senhor, me esyuecerás incessantemente ?
Até quando apartarás de mim a tua face ?
2 Até quando andarei a formar projectos em minha
alma, e (terei) cada dia a dor no meu coração ?
súplica. 3 Até quando o meu inimigo prevalecerá sobre mim ?
4 Olha para mim, e ouve-me, Senhor Deus meu.
Alumia os meus olhos para que eu nunca durma na
morte i
5 para que nunca o meu inimigo diga : Prevaleci con­
tra ele.
Os que me atribulam, exultarão, se eu for abalado.
re�ozijo. 6 Eu, porém, esperei na tua misericórdia .
O meu coração exultará na sal vaçâo que me virá de ti ;
cantarei ao Senhor que me deu bens,
e entoarei salmos ao nome do Senhor altíssimo.

SALMO XIII

Os implos e o seu castigo

Perversidad• 1 Para o fim : Salmo de David.


dos lmplos.
O insensato disse no seu coração : Não há Deus.
(Os homens) corromperam-se, e tornaram-se abominá­
veis nos seus desejos i
não há quem faça o bem, não há nem sequer um.
2 O Senhor olhou do céu para os filhos dos homens,
para ver se há quem tenha prudência. ou quem bus­
que a Deus.

S . Xlll
- 1. .\ Escritura chama insensato àquele. qae, com a
sua má vida, rene�a pràticamente a Deus.
SALMOS, XIII, 3 - XIV, 5 13

3 Todos se extraviaram, todos se tornaram inúteis ;


não há quem faça o bem, não há nem sequer um.
A sua garganta é um sepulcro aberto ;
com as suas línguas urdem enganos ;
debaixo dos seus lábios há veneno de áspides.
A sua boca está cheia d e maldição e de amargura ;
os seus pés são ligeiros para (ir) derramar sangue.
Há aflição e desgraça nos seus caminhos,
e não conheceram o caminho da paz ;
não há temor de Deus diante dos seus olhos.
4 Porventura não terão conhecimento todos os que Sua cruel-
dade para
obram a iniquidade ' _ com Israel,
os que devoram o meu povo, como um pedaço de pao ? Seu castig<>
5 Não invocaram o Senhor ;
(em castigo) tremeram de medo, onde não havia que
tremer.
6 Porque Deus está com a geração dos justos ;
Vós (ó ímpios) escarnecestes do projecto do infeliz,
mos o Senhor é sua esperança. .
7 Quem enviará de Sião a salvação (ou o Salvador) de Oração pel<>
restabeleci.
Israel ?
Quando o Senhor puser fim ao cativeiro do seu povo,
m
f�� de
el·
exultará Jacob, e alegrar-se-á Israel.

SALMO XIV

Virtudes que dão acesso a Deus

1 Salmo de David.
Senhor, quem habitará no teu tabernáculo ?
ou quem descansará no teu santo monte ?
2 O que vive na inocência,
e pratica a justiça ;
3 o que fala verdade no seu coração ;
o que não forjou enganos com a sua língua,
nem fez mal ao seu semelhante,
nem consentiu que fossem infamados os seus próximos.
4 Na sua apreciação considera o malvadocomoum nada,
mas honra os que temem o Senhor ;
faz juramento ao seu próximo, e não o engana ;
5 não empresta o seu dinheiro com usura,
nem aceita dádivas (para proceder) contra o inocente.
Quem procede assim não será jamais comovido.
14 S ALMOS, XV, 1 - 11

SALMO XV

Felicidade dos Santos

1 Inscrição do título : Pelo mesmo David.


O santo Guarda-me, Senhor, porque esperei em ti.
deleita-se
em Deus,
2 Eu disse ao Senhor : Tu és o meu Deus,
Que não tens necessidade dos meus bens.
3 Para com os santos, que estão sobre a sua terra,
fez brilhar todo o meu afecto.
4 (Quanto aos ímpios) multip licaram-se as suas enfer-
midades.
depois correram aceleradamente.
Não congregarei os seus conventículos sanguinárfos,
nem sequer me lembrarei dos seus nomes para os
pronunciar.
<[Link] é a sua 5 O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálice,
herança,
tu és (Senhor) o que me restituirás a minha herança.
6 As sortes me caíram em lugares deliciosos,
porque a minha herança (que é o próprio Deus) é
excelente.
7 Louvarei o Senhor, que me deu inteligência ;
e, além disto, mesmo durante a noite, o meu cora-
ção me excitou.
·

8 Eu contemplava sempre o Senhor diante de mim ;


porque ele está à minha direita para me sustentar.
a sua espe. 9 Portanto alegrou-se o meu coração, e exultou de ale­
rança e
Iegozijo,
gria a minha língua,
e, além disso, também a minha carne repousará na
esperança (da ressurreição).
10 Porque não deixarás a minha alma no inferno,
nem permitirás que o teu santo experimente corrupção.
11 Fizeste-me conhecer os caminhos da vida (imortal),
encher-me-ás de alegria com (a vista do teu divino)
rosto ; na tua direita (encontram-se) delícias eternas.

s. XV - 1 . Inscrição do título. Este salmo foi composto para


ser gravado sobre uma estela ou coluna, a fim de perpetuar a memória
de qualquer acontecimento i m portante.
3, f''ez brilhar . . . David designa com estas palavras todo o amor
de que Deus inflamou o seu coração para com os santos, isto é, as pes­
soas virtuosas que habitam sobre a terra.
7. Que me deu inteligência para compreender a vaidade dos bens
do mundo e a felicUade de possuir a Deus.
10· 1 I. Nestes dois versiculos há uma referência profética à ressur­
relçilo de Jesus Cristo.
SALMOS, XVI, 1 - 14 15

SALMO XVI

O justo pede auxilio a Deus contra


os inimigos impios

1 Oração de David. O justo


confessa a
Ouve, Senhor, a minha justiça i sua inocên­
atende a minha súplica. cia.
Chegue aos teus ouvidos a minha oração,
(que) não é (feita) com lábios enganosos.
2 Do teu rosto ( benigno) saia a minha sentença ;
vejam teus ol h os a justiça (da minha causa).
3 Provaste o meu coração, e o visitaste de noite i
no fogo me acrisolaste, e não foi encontrada em mim
a iniquidade.
4 Para que a minha boca não celebre as obras dos homens,
eu tenho cuidado, por causa das palavras dos teus
lábios,
em andar por caminhos penosos.
5 Firma os meus passos nas tuas veredas,
para que os meus pés não vacilem.
6 Eu clamei (a it), ó Deus, porque me tens ouvido i expõe a
maldade
inclina para mim os teus ouvidos, e ouve as minhas dos inimi-
palavras. gos.
7 Faze brilhar dum modo maravilhoso as tuas miseri­
córdias.
tu que salvas aqueles que esperam em ti,
8 Dos que resistem à tua direita, guarda-me,
como a menina do olho.
Protege-me à sombra das tuas asas,
9 contra os ímpios, que me afligem.
Os meus inimigos cercaram a minha alma i
10 cerraram as suas entranhas (à compaix{lo) ;
a sua boca falou com soberba.
11 Depois de me terem lançado fora, cercam-me agora,
fixam os olhos (sobre mim) para (me) lançar a terra,
12 Arrebataram-me como um leão preparado (para se
atirar) à presa,
e como um cachorro do leão, que habita nos lugares
ocultos,
13 Levanta-te, Senhor, vem antes dele, e prostra-o,
livra a minha alma (das garras) do ímpio,
(arranca) a tua espada 14 aos inimigos da tua mão.

S. XVI - 13 A tua espada, isto é, o poder que lhes deste.


16 SALMOS, XVI, 15 - XVII, 9

Separa-os, Senhor, ainda em sua vida (dos bons),


que são poucos sobre a terra ;
o seu ventre está cheio dos teus tesouros.
Fartaram-se de filhos (como desejavam)
e deixam o resto dos seus bens aos seus netos.
15 Eu, porém, comparecerei com justiça na tua presença ;
saciar-me-ei, quando aparecer a tua glória.

SALMO XVII

Acções de graçae por ter sido libertado doa inimigos

1 Para o fim : Salmo de David, servo do Senhor, que


pronunciou para glória do Senhor as palavras deste
cântico, no dia em que o Senhor o livrou da mão de
todos os seus inimigos, do poder de Saul ; e disse :
Acção de 2 Eu te amarei, Senhor, que és a minha fortaleza.
graças.
3 O Senhor é o meu firme apoio, o meu refúgio e o meu
libertador.
O meu Deus é o meu auxílio, e nele esperarei.
É o meu protector, e a minha poderosa salvação, e
o meu defemor.
4 Invocarei o Senhor, louvando-o,
e serei salvo dos meus inimigos.
Oração de 5 Cercaram-me dores de morte,
David,
e torrentes de iniquidade me conturbaram.
6 Dores de inferno me cercaram ;
surpreenderam-me laços de morte.
7 Na minha tribulação invoquei o Senhor,
e clamei ao meu Deus ;
e ele ouviu a minha voz desde. o seu santo templo ;
e o clamor, que eu elevei na sua presença, penetrou
nos seus ouvidos.
Deus desce 8 Comoveu-se a terra, e tremeu ;
do céu no
meio dama os fundamentos dos montes estremeceram,
tempesta:ie e abalaram-se, porque se indignou contra eles.
para salvar 9 Subiu fumo por causa da sua ira,
David,
e saiu fogo ardente do seu rosto ;
por ele foram acesos carvões.

14.15 Está cheio • • • Deus concede indiferentemente aos bons e


aos maus o gozo dos bens d este mando. - E deixam . • . Os lmpios
prosperam muitas vezes, até à morte, deixando aos descendentes uma
herança rica. - Eu porém , • . A esta felicidade grosseira David opõe
as alegrias que o esperam no céu.
SALMOS, ). VII, 10 - 27 17

10 Inclinou os céus, e desceu ;


uma nuvem obscura estava sob os seus pés.
11 E subiu sobre querubins, e voou ;
voou sobre as asas dos ventos.
12 Fez das trevas o l ugar do seu retiro ;
o seu pavilhão cercava-o,
água tenebrosa das nu vens do ar.
13 Diante do resplendor da sua presença se desfizeram
as nuvens
em chuva de pedra e carvões de fogo,
14 E o Senhor trovejou do céu,
e o Al tíssimo fez ouvir a sua voz,
e caíram pedras e carvões de fogo.
15 E enviou as suas setas, e desbaratou-os ;
multiplicou os relâmpagos, e aterrou-os.
16 E apareceram os mananciais das águas, Salvação
miraculosa
e ficaram descobertos os fundamentos da terra, de David.
às tuas ameaças. ó Senhor,
e ao sopro impetuoso da tua ira.
17 Estendeu do alto a sua mão e tomou-me,
e tirou-me da inundação de muitas águas.
18 Livrou-me dos meus fortíssimos inimigos,
e dos que me aborreciam,
porque se tinham tornado mais poderosos do que eu.
19 Eles atacaram-me no dia da minha aflição,
e o Senhor fez-se meu protector.
20 Retirou-me e pôs-me ao largo ;
salvou-me porque me amava.
21 E o Senhor me retribuirá segundo a minha justiça, Justiça de
David.
e me recompensará segundo a pureza das minhas mãos;
22 porque guardei os caminhos do Senhor,
e não procedi impiamente contra o meu Deus ;
23 porque todos os seus juízos estão diante de mim,
e porque não repeli de mim os seus preceitos.
24 E conservar-me-ei sem mácula diante dele,
e guardar-me-ei da minha iniquidade.
25 E o Senhor me retribuirá segundo a minha justiça,
e segun d o a pureza das minhas mãos, que está pre­
sente aos seus olhos.
26 Tu (Senhor) serás santo com o santo, Justiça d•
Deus.
e serás inocente com o homem inocente ;
27 e com o puro serás puro ;
com o perverso serás como ele merece.

S. XVII - 17. Da inundação.,. isto é, de perigos extremos.


18 SALMOS, XXII, 28 - 45

28 Porque tu salvarás o povo humilde,


e humilharás os olhos dos soberbos.
Dens acom. 29 Visto que tu, Senhor, alumias a minha candeia,
panha o seu
servo ao
esclarece, meu Deus, as minhas trevas,
com bate , 30 Porque por ti sairei livre da tentação,
e com o meu Deus trespassarei a muralha.
31 Sem mácula é o caminho do meu Deus ;
as suas palavras são provadas no fogo ;
ele é o protector de todos que esperam nele.
d:l-lh � !orça
.
32 Porque, quem é Deus senão o Senhor ?
e habilidade,
Ou que Deus há fora do nosso Deus ?
33 Ele é o Deus que me revestiu de força.
e fez que o meu caminho fosse imaculado ;
34. que fez os meus pés (velozes) como os dos veados,
e me estabeleceu sobre l ugares altos ;
derrota os 35 que adestra as minhas mãos para a peleja.
inimigos,
Tu (Senhor) fizeste dos meus braços como um arco
de bronze ;
36 e deste-me a tua protecção para me salvar,
e a tua direita me susteve ;
a tua disciplina (ou avisos) corrigiu-me até ao fim,
e essa tua mesma disciplina me ensinará (sempre).
37 Abriste o caminho sob os meus passos ;
e não se enfraqueceram os meus pés.
38 Perseguirei os meus inimigos, e apanhá-los-ei,
e não voltarei atrás, até que sejam aniquilados.
39 Eu lhes quebrarei as forças, e não poderão ter-se em pé;
e cairão debaixo dos meus pés.
40 Porque tu me revestiste de força para a guerra,
e abateste debaixo de mim os que se levantavam
contra mim.
41 E fizeste voltar as costas aos meus inimigos diante de
mim.
e aniquilaste os que me ab orreciam.
42 Gritaram e não havia quem os salvasse ;
(clamaram) ao Senhor, e não os ouviu.
43 Eu os desfarei, como o pó que o vento espalha ;
eu os esmagarei como a lama das ruas.
atrai súbdi- 44 Livrar-me-ás das contradições do povo ;
tos ª David.
estabelecer-me- ás chefe das nações.
45 Um povo, que eu não conhecia, me serviu ;
ao ouvir a minha voz, foi-me obediente.
34, Sobre lugares altos, para me defender melhor,
45, Um pooo, que eu não conhecia, isto e. pJvos multo dis­
tantes que somente eram conhecidos de nome na Palestina,
SALMOS, XVII, 46 � XVIII, 8 19

46 Os filhos estranhos me mentiram,


os filhos estranhos desfaleceram,
e claudicaram nos seus caminhos.
47 Viva o Senhor, e seja bendito o meu Deus ! Nova
expressão
Seja exaltado o Deus da minha salvação ! de acção
48 Ó Deus, que tens cuidado de me vingar, de graças.
e que me submetes os povos ;
tu que me livras dos meus inimigos enfurecidos,
49 tu me elevarás acima daqueles que se levantam con­
tra mim ;
tu me livrarás do homem iníquo.
50 Por isso eu, Senhor, te louvarei entre as nações,
e cantarei um salmo ao teu nome,
51 (à g(ória dum Deus) que salvou maravilhosamente o
seu rei,
e que usa de misericórdia com David, seu ungido,
e usará com a sua posteridade até ao fim dos séculos.

SALMO XVIII
Glória de Deus manifestada na criação

1 Para o fim : Salmo de David. .


2 Os céus publicam a glória de Deus, Os céus
publicam
e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. a glória de
3 Um dia transmite esta mensagem ao outro dia, Deus.
e uma noite comunica-a a outra noite.
4 Não há linguagem nem idioma,
em que não sejam entendidas as suas vozes.
5 O seu som estendeu-se por toda a terra,
e as suas palavras até às extremidades do mundo.
6 (Deus) estabeleceu o seu tabernáculo no sol ;
e ele mesmo é como um esposo que sai do tálamo.
Dá saltos como gigante para percorrer o seu caminho.
7 A sua saída é desde uma extremidade do céu ;
e o seu curso (vai) até à outra extremidade,
e não há quem se esconda do seu calor.
8 A lei do Senhor, que é imaculada, converte as almas ; Perfeições
da lei.
o testemunho do Senhor é fiel,
dá sabedoria aos pequeninos.
46. Os filhos estranhos, os estrangeiros. vencidos por mim, obe­
deceram- me, prestaram-me homenagens , mas à força e sem sinceridade
(mentiram-me).
S, XVIII - 3, Estes cantos de louvor, entoados pelos céus à glória
de Deus, são incenantes,
6 . Ele mesmo, o sol.
20 SALMOS, XVIII, 9 - XIX, 7

9 As justiças do Senhor são rectas,


alegram os corações ;
o preceito do Senhor é claro,
esclarece os olhos.
10 O temor do Senhor é santo.
permanece pelos séculos dos séculos ;
os juízos do Senhor são verdadeiros,
cheios de justiça em si mesmos.
11 São mais para desejar do que o muito ouro e as
muitas pedras preciosas ;
e são mais doces do que o mel e o favo.
12 Por isso o teu servo os guarda,
e em os guardar há grande recompensa.
David pede 13 Quem é que conhece (todas) as suas faltas ?
0 perdão
dos peca-
Purifica-me das que me são ocultas,
dos. 14 e perdoa ao teu servo as alheias.
Se elas me não dominarem, serei imaculado,
e serei purificado dum delito muito grande.
15 Então as palavras da minha boca te serão agradáveis,
e a meditação do meu coração será sempre na tua
presença.
Senhor, tu és o meu amparo e o meu redentor.

SALMO XIX
Oração do povo p elo rei antes da. batalha

1 Para o fim : Salmo de David.


Votos do 2 O Senhor te ouça no dia da tribulação ;
povo.
o nome de Deus de Jacob te proteja.
3 Envie-te socorro do seu santuário,
e de Sião te proteja.
4 Tenha p resentes todos os teus sacrifícios,
e o teu holocausto lhe seja agradável.
5 Ele te dê segundo (deseja) o teu coração,
e cumpra todos os teus desígnios.
6 Alegrar-nos-emos na tua salvação ;
e em nome do nosso Deus seremos engrandecidos.
7 O uça o Senhor todas as tuas petições.
Agora conheci que o Senhor salvou o seu ungido.
Ele o ouvirá do céu, sua santa morada ;
em sua poderosa direita está a salvação.

1 4. As alheias em que tenha tomado parte, ou que tenham sido


cometidas pelos meus súbditos.
SALMOS, XIX, 8 - XX, 14 21

8 Estes confiam nas suas carroças, Causa das


vitórias de
e aqueles nos seus cavalos ; Israel,
nós, porém, invocaremos o nome do Senhor nosso Deus.
9 Eles ficaram como que atados, e caíram,
mas nós nos levantámos e ficámos de pé.
10 Senhor, salva o rei, Súplica final

e ouve-nos no dia em que te invocarmos.


SALMO XX
Acção de graç as, ao voltar o rei vitorioso
1 f?ara o fim : Salmo de David.
2 O Senhor, o rei se alegrará na tua fortaleza ; Agradece-se
a Deus a
e pela salvação que lhe enviaste se regozijará em vitória qae
extremo. concedeu
3 Tu lhe satisfizeste o desejo do seu coração,
e não o defraudaste no pedido que fez com os seus
lábios.
4 Porque tu o preveniste com bênçãos de doçura,
e puseste sobre a sua cabeça uma coroa de pedras
preciosa s.
5 Pediu-te vida, e concedeste-lhe largos dias,
pelos séculos dos séculos.
6 Grande é a sua glória, devido à sal vaçãoque lhe deste ;
)!lória e grande esplendor porás sobre êle.
7 Porque tu farás dele uma fonte de bênçãos perpétuas ;
enchê-lo-ás de alegria, mostrando-lhe o teu rosto.
8 Porque o rei espera no Senhor,
e a misericórdia do Altíssimo o tornará inabalável.
9 Caia a tua mão sobre todos os teus inimigos, implora- se
caia a t 1;1a direita sobre todos os que te aborrecem. �i;e�a��X:,·
10 Tu os poras como um forno aceso ao mostrar-lhes futuro
teu rosto (irritado) ;
o Senhor na sua ira os conturbará,
e o fogo os devorará,
11 Exterminarás o seu fruto da terra,
e a sua descendência de entrn os filhos dos homens.
12 Porque urdiram contra ti males,
formaram projectos que não puderam executar.
13 Tu, porém, os porás em fuga ;
prepararás o seu rosto para (receber as setas) que te
restam .
14 Exalta-te, Senhor, no teu poder,
nós cantaremos e louvaremos as tuas maravilhas,
s. XX - s . Pelos séculos dos séculos, graças ao Messias,
último· descendente directo de David.
22 SALMOS, XXI, 1 - 15
----- --- -------

SALMO XXl

Salmo profético, Cristo na cruz ora a Deus ;


refere os seus tormentos e os bens que virão deles

1 Para o fim, para (obter) o socorro da manhã : Salmo


de David.
Súplica do 2 Ó Deus, Deus meu, olha para mim ; por que me de­
aflito
samparaste ?
O clamor dos meus pecados afasta de mim a salvação.
3 Meu Deus, clamarei durante o dia, e tu não me ouvirás ;
clamarei de noite, e não por minha culpa.
4 Mas tu moras no lugar santo, ó glória de Israel.
5 Em ti esperaram nossos pais,
esperaram, e tu os livraste.
6 A ti clamaram, e foram salvos ;
em ti esperaram, e não fo ram confundidos.
7 Eu, porém, sou um verme, e não um homem ;
o opróbio dos homens e a abjecção da plebe.
8 Todos os que me viram escarneceram de mim ;
falaram com os lábios, e menearam a cabeça (dizendo) :
9 Esperou no Senhor, livre-o ;
salve-o, se é que o ama.
10 Sim, tu és o que me tiraste do ventre (matemo),
és a minha esperança desde os peitos da minha mãe.
11 Eu fui lançado nos teus braços desde o seio (de minha
m ãe) ;
tu és o meu Deus desde o ventre materno.
12 Não te retires de mim,
porque a tribulação está próxima,
porque não há quem me ajude.
13 Um grande número de novilhos (indómitos) me cer­
caram ;
vi-me sitiado de touros gordos (e bravos).
14 Abriram sobre mim a sua boca,
como um leão arrepatador e que dá rugidos.
15 Eu derramei-me como água,
e todos os meus ossos se desconjuntaram.

S, XXI - 2. O clamor dos meus pecados, isto é , dos pecados


dos homens, que eu tomei sobre mim para os expiar.
7. Eu, porém . . . Estas palavras, que também se encontram em
lsat:as [Link] ao Messias sofredor.
10-11. O Messias é verdadeiramente filho de Deus.
15. Derramei-me . . . A minha vida foi desaparecendo pouco a
pouco, como desaparece como se evapora a água derramada por
SALMOS, XXI, 16 - 30 23

O meu coração tornou-se como cera


derretida no meio das minhas entranhas.
16 O meu vigor secou-se como barro cozido,
e a minha língua pegou-se ao meu paladar ;
e conduziste-me até ao pó da sepultura.
17 Porquanto me rodearam muitos cães raivosos ;
uma turba de malignos me assaltou,
Traspassaram as minhas mãos e os meus pés,
18 contaram todos os meus ossos.
E eles mesmos me estiveram considerando e olhando.
19 Repartiram entre si os meus vestidos,
e lançaram sortes sobre a minha túnica.
20 Mas tu, Senhor, não afastes de mim o teu socorro ;
a tende à minha defesa .
21 Livra, ó Deus, a minha alma da espada ;
e das garras dos cães a minha única.
22 Salva-me da boca do leão,
e a minha humildade das hastes dos unicórnios.
23 Então anun ciarei o teu nome aos meus irmãos ; Louvor do
que estt
no meio da I greja te louvarei. sa1vo,
24 Vós que temeis ao Senhor, louvai- o ;
vós todos, que sois a descendência de Jaco b, glorificai-o.
25 Tema-o toda a posteridade de Israel,
porque ele não desprezou nem desatendeu a humilde
súplica do pobre ;
nem apartou de mim a sua face,
mas ouviu-me quando eu lhe clamava.
26 A ti se dirigirá o meu louvor numa assembleia grande;
eu cumprirei os meus votos em presença dos que o
temem,
27 Os pobres comerão, e serão saciados ;
e os que buscam o Senhor louvá-lo-ão,
os seus corações viverão pelos séculos dos séculos,
28 Lembrar-se-ão e converter-se-ão ao Senhor todos os
limites da terra ;
e todas as famílias das nações o adorarão na sua
presença,
29 porque o reino pertence ao Senhor,
e ele reinará sobre as nações.
30 Comeram e adoraram-no todos os ricos da terra ;
diante dele se prostraram todos os mortais.
terra, - O meu coração . . • O sofrimento como qne fnnde o coração,
tirando-lhe toda a força e consistência.
21. A minha única vida temporal.
30. Comeram • . , Pretéritos proféticos, que se referem a aconteci­
mentos futuros, [Link] como já realizados.
24 SALMOS, XXI, 31 - XXIII, 4

31 E a minha alma viverá para ele,


e a minha descendência o servirá.
32 A geração que há-de vir será anunciada ao Senhor,
e os céus anunciarão a sua j ustiça
ao povo que há-de nascer, e que o Senhor formou ,

SALMO XXII
Deus pastor e hospedeiro
1 Salmo de David.
O Senhor me governa, e nada me faltará ;
Bom pastor. 2 colocou-me num lugar de pastos.
Conduziu-me junto duma água fortificante,
3 converteu a minha alma.
Levou-me por veredas de justiça,
por causa do seu nome.
4 Por issso, ainda que eu ande no meio da sombra da
morte,
não temerei males, porque tu estás comigo.
A tua vara e o teu báculo me consolaram.
Generoso 5 Preparaste uma mesa diante de mim,
hospedeiro.
à vista daqueles que me perseguem.
Ungiste com óleo a minha cabeça,
e quão precioso é o meu cálice que embriaga !
6 E a tua misericórdia irá após de mim
todos os dias da minha vida,
a fim de que eu habite na casa do Senhor,
durante longos dias.

SALMO xxm
Hino triunfal para a trasladação da arca para Sião
1 Para o primeiro dia da semana : Salmo de David.
Qnem é Do Senhor é a terra, e tudo que ela encerra ;
digno de
entrar na
a redondeza da terra e todos os que a habitam.
casa do 2 Porque ele a fundou sobre os mares,
Senhor, e a estabeleceu sobre os rios.
3 Quem subirá ao monte do Senhor ?
Ou quem estará no seu lugar santo ?
4 O inocente de mãos e limpo de coração,
o que não entregou à vaidade a sua alma,
nem fez juramentos dolosos ao seu próximo.

S. XXII - 5. O meu cálice. O cálice é o s!mbolo da generosi­


dade com que Deus espalha os seus benefícios,
sALMos, xxrn, s - xxrv, 7 25

5 Este receberá a bênção do Senhor,


e a misericórdia de Deus, seu Salvador.
6 Tal é a geração dos que o buscam,
dos que buscam a face do Deus de Jacob.
7 Levantai, ó príncipes, as vossas portas, Entrada
solene da
levantai-vos, ó portas eternas, arca em Sião.
e entrará o Rei da glória ?
8 Quem é este Rei da glória .
É o Senhor forte e poderoso,
o Senhor poderoso nas batalhas.
9 Levantai, ó príncipes, as vossas portas,
levantai-vos, ó portas eternas,
e entrará o Rei da glória.
10 Quem é este Rei da glória ?
O Senhor das virtudes, esse é o Rei da glória.

SALMO XXIV
Oração a pedir o perdão dos pecados e auxilio
na aflição

1 Para o fim : Salmo de David.


A ti, Senhor, elevei a minha alma ; David pede
2 Deus meu, em ti confio, não seja eu envergonhado. c���u��i�'::s
3 Não me insultem os meus inimigos, os seus
porque todos os que esperam em ti, não serão con- inimigos ,
fundidos.
4 Sejam confundidos todos os que em vão cometem a
iniquidade.
Mostra-me, Senhor, os teus caminhos, manifestado
os caminhos
e ensina-me as tuas veredas. rectos,
5 Dirige-me na tua verdade, e ensina-me,
porque tu és o Deus meu Salvador,
e esperei em ti todo o dia.
6 Lembra-te, Senhor, das tuas bondades,
e das tuas misericórdias, que datam dos séculos
passados.
7 Não te recordes dos delito s da minha mocidade, perdoados
nem das minhas ignorâncias . ��I:t���
Mas lembra-te de mim segundo a tua misericórdia,
por causa da tua bondade, Senhor.

S. XXIII- 7. Levantai... Ao chegar junto de Sião o cortejo que


levava a arca, David interpela os prlncipes da cidade i;iara que abram
as portas de par em par, - Portas eternas, hipérbole que significa :
Portas muito antiga..
26 SALMOS, XXIV, 8 - xxv, 3

8 Doce e recto é o Senhor,


por isso ele mostrará aos pecadores o caminho que
devem seguir.
9 Conduzirá os dóceis pelo caminho da justiça ;
ensinará aos humildes os seus caminhos.
10 Todos os caminhos do Senhor são misericórdia e
verdade
para os que buscam a sua aliança e os seus manda­
mentos.
11 Por causa do teu nome, Senhor,
me hás-de perdoar o meu pecado, porque é grande.
12 Quem é o homem que teme ao Senhor ?
(Deus) fixou-lhe uma lei no caminho que escolheu.
13 A sua alma repousará entre ben:;,
e a sua descendência terá por herança a terra.
14 O Senhor é o firme apoio dos que o temem,
e manifestar-lhes-á a sua aliança.
15 Os meus olhos estão sempre voltados para o Senhor,
pois ele há-de tirar do laço os meus pés.
16 Olha para mim, e tem misericórdia de mim ;
porque eu vejo-me só e pobre.
17 As tribulações do meu coração multiplicaram-se ;
livra-me das minhas aflições.
18 Olha para o meu abatimento e para o meu trabalho,
e perdoa todos os meus pecados.
libertado 19 Vê quanto os meus inimigos se têm multiplicado,
Israel.
e com que ódio injusto me aborrecem.
20 Guarda a minha alma, e livra-me ;
não seja eu confundido, tendo esperado em ti.
21 Os inocentes e os justos uniram-se comigo,
porque esperei em ti.
22 Livra, ó Deus, a Israel
de todas as suas tribulações.
SALMO XXV
David expõe a sua inocência e apela para
a justiça divina
1 Para o fim : Salmo de David.
Por cansa Julga-me, Senhor, porque eu andei na minha ino­
da sua ino­
cência.
cência ;
e, esperando no Senhor, não vacilarei.
2 Prova-me, Senhor, e sonda-me ;
acrisola ao fogo os meus afectos e o meu coração.
3 Porque a tua misericórdia está diante dos meus olhos.
e na tua verdade me tenho comprazido.
SALMOS, XX V' 4 - XXVI, 6 27

4 Não me sentei na assemblc!ia da vaidade,


e não tratarei com os que praticam a iniquidade.
5 Eu aborreço a sociedade dos malignos,
e não me sentarei com os ímpios.
6 Eu lavarei as minhas mãos entre os inocentes,
e estarei, Senhor, ao redor do teu altar,
7 para ouvir a voz dos (teus) louvores,
e narrar todas as tuas maravilhas.
8 Senhor, eu amei o decoro da tua' casa,
e o lugar onde habita a tua glória.
9 Não percas, ó Deus, a minha alma com os ímpios, nã� seja per-
nem a minha vida com os homens sanguinários, ��d::,,��;!'
10 em cujas mãos está a iniquidade,
e cuja dextra está cheia de sobornos.
11 Eu, porém, andei na minha inocência ;
salva -me, e tem compaixão de mim.
12 O meu pé esteve no caminho recto ;
nas reuniões te bemdirei, ó Senhor,

SALMO XXVI
Confiança em Deus

1 Salmo de David antes de ser dngido.


O Senhor é a minha luz e a minha salvação, Confiança
trinnlante.
a quem temerei ?
O Senhor é o defensor da minha vida,
diante de quem temerei ?
2 Enquanto se aproximam de mim os malvados
para devorar as minhas carnes,
estes meus inimigos que me angustiam,
eles mesmos se debilitaram e caíram,
3 Ainda que acampem exércitos contra mim,
o meu coração não temerá.
Ainda que se levante batalha contra mim,
mesmo então esperarei.
4 Uma só coisa pedi ao Senhor, esta solicitarei,
é que habite eu na casa do Senhor todos os dias da
minha vida,
para ver as delícias do Senhor, e visitar o seu templo.
5 Porque me escondeu no seu tabernáculo ;
no dia da aflição me p rotegeu no segredo do seu ta­
bernáculo.
6 Sobre uma pedra me exaltou ;
e. agora exaltou a minha cabeça sobre os meus inimigos,
28 SALMOS, XXVI, 7 - XXVII, 3

Dei voltas (ao altar), e sacrifiquei no seu tabernáculo


uma hóstia com clamores de júbilo ;
cantarei e entoarei um hino ao Senhor.
Confiança 7 Ouve, Senhor, a [Link] voz, com que clamei a ti ;
suplicante,
tem compaixão de mim, e ouve-me.
8 O meu coração falou-te, os meus olhos bu s caram-te ;
hei-de buscar o teu rosto, Senhor.
9 Não apartes de mim a tua face ;
e não te retires do teu servo na tua ira.
Sê a minha ajuda ; não me deixes,
nem me desprezes, ó Deus meu Salvador.
10 Porque meu pai e minha mãe abandonaram- me ;
mas o Senhor me recolheu.
11 Ensina-me, Senhor, o teu caminho,
e guia-me pela vereda direita,
por causa dos meus inimigos.
12 Não me entregues à mercê daqueles que me atribulam,
porque se levantaram contra mim testemunhas falsas,
mas a iniquidade mentiu contra si própria.
13 Espero que verei os bens do Senhor na terra dos
viventes.
14 Espera o Senhor, porta-te varonilmente ;
fortifique-se o teu coração, e espera no Senhor.

SALMO XXVII
Súplica e acção de graças

Salmo do mesmo David.


O atribulado 1 A ti clamarei, Senhot ;
clama ao
Senho r.
Deus meu, não sejas surdo aos meus rogos ;
não suceda que, calando tu,
seja eu semelhante àqueles que descem à sepultura.
2 Ouve, Senhor, a voz da minha súplica.
quando te rogo,
quando levanto as minhas mãos
para o teu santo templo.
3 Não me arrastes juntamente com os pecadores,
e não me percas com os que praticam a iniquidade,
os quais falam de paz com o seu próximo,
e nos seus corações só cuidam em fazer mal.

S. XXVI - 10. Porque meu pai e minha mãe abandona­


ram-me. .Modo de dizer para indicar o mais completo isolamento na
dor : é semelhante a um órfão ou a um !ilho abandonado po r seus pais.
SALMOS, XXVII, 4 - XXVIII, 8 29

4 Dá-lhes segundo as suas obras,


e segundo a malignidade dos seus projectos.
Dá-lhes segundo as obras das suas mãos ;
dá-lhes a recompensa que merecem.
5 Porquanto não compreenderam as obras do Senhor,
nem as obras das suas mãos ;
tu destruirás, e não os . restabelecerás.
6 Bendito seja o Senhor. e, tendo sido
ouvido, dá
porque ouviu a voz da minha súplica.
graças.
7 O Senhor é a minha ajuda e o meu protector ;
nele es perou o meu coração, e fui ajudado.
E refloresceu a minha carne ;
e o lou varei de todo o meu coração.
8 O Se nhor é a fortaleza do seu povo,
e o protector que salva o seu ungido.
9 Salva, Senhor, o teu povo, e abençoa a tua herança ;
conduze-os, e exalta-os por toda a eternidade.

SALMO xxvm
Grandeza de Deus manifestada na tempestade
Salmo de David.
1 Para o fim da festa dos tabernáculos.
Oferecei ao Senhor, ó filhos de Deus, Convite a
dar glória
oferecei ao Senhor tenros cordeiros. a Deus.
2 Rendei ao Senhor glória e honra ;
rendei ao Senhor a glória (devida) ao seu nome ;
a dorai o Senhor no átrio do seu santuário.
3 A vbz do Senhor está sobre as águas ; Diferentes
fases da
o Deus da majestade trovejou ; tempestade.
o Senhor está sobre muitas águas.
4 A voz do Senhor é poderosa ;
a voz do Senhor é majestosa.
5 A voz do Senhor quebra os cedros,
e o Senhor quebrará os cedros do Líbano ;
6 os fará em pequenos pedaços como a um bezerro do
Líbano,
e o bem amado será como o filho do unicórnio.
7 A voz do Senhor despede chamas de fogo.
8 A voz do Senhor abala o deserto,
e o Senhor fará tremer o deserto de (ades.

S , XXVIII - 4. A voz do Senhor, isto é, o trovão, o raio.


6. E o bem-amado . • • Enquanto a tempestade agita todas as
coisas, o bem-amado de Dea.s, isto é, Israel permanece tranqoilo como
nm pequeno rinoceronte que naja teme.
30 sALMos, xxvm, 9 - [Link], 13

9 A voz do Senhor prepara os veados,


e descobre os lugares -sombrios ;
e no seu templo todos anunciarão a lua glória.
Conclusão. 10 O Senhor faz do dilúvio a sua habitação ;
o Senhor sentar-se-á como rei para sempre.
11 O Senhor dará fortaleza ao seu povo,
o Senhor abençoará o seu povo, dando-lhe a paz.
SALMO XXIX
Acção de graças depois dama doença grave
Salmo cântico.
1 para a dedicação da casa de David.
David exalta 2 Eu te glorificarei, Senhor, por que me recebeste,
o Senhor,
e não permitiste que os meus inimigos se alegrassem
à minha custa.
3 Senhor, meu Deus, eu clamei a ti, e tu me saraste.
4 Senhor, tiraste do inferno a minha alma ;
IJUseste-me a salvo dos que descem à cova.
5 Santos do Senhor, cantai-lhe hinos,
e celebrai a sua santa memória.
6 Porque ele castiga-nos na sua ira,
e dá-nos a vida na sua benevolência.
De tarife estaremos em lágrimas,
e de manhã em alegria.
que o tinha
7 Eu disse no meio da minha prosperidade :
abandonado
e depois o Não terei jamais mudança.
auxiliou. 8 Senhor, foi por tua vontade que deste firmeza à minha
prosperidade.
Apartaste de mim o teu rosto, e eu fiquei conturbado.
9 A ti, Senhor, clamarei,
e ao meu Deus implorarei.
10 Que utilidade tirarás da minha morte,
quando eu descer à corrupção ?
Porventura o pó cantará os teus louvores ?
Ou anunciará a tua verdade ?
11 O Senhor ouviu-me e compadeceu-se de mim ;
o Senhor fez-se meu protector.
12 Tu converteste o meu pranto em gozo ;
tu rasgaste o meu saco (de penitência) e me cercaste
de alegria,
13 para que a minha alma te cante e eu não tenha mais
penas.
Senhor, Deus meu, eu te louvarei eternamente.
s. XXIX - 4, Tiraste do inferno, isto é, do sepulcro. A doenca
de David tinha sido Ião grave, q11e ele considera a sua cura come>
uma ressurreição.
SALMOS, XXX, 1 - 14 31

SALMO XXX

Prece confiante num perigo extremo

1 Para o fim : Salmo de David, para o êxtase (ou dor


excessiva).
2 Em ti, Senhor, esperei, Deus pro­
tector,
Não permitas que eu seja jamais confundido,
livra-me, segundo a tua justiça.
3 Digna-te ouvir-me,
acode prontamente a livrar-me.
Sê para mim um Deus protector,
e uma casa de refúgio para me pores a salvo.
4 Porque tu és a minha fortaleza e o meu refúgio,
e por causa do teu nome me conduzirás e me sus-
tentarás. .
5 Tu me tirarás deste laço, que me armaram escondi­
damente,
porque tu és o meu protector.
6 Nas tuas mãos encomendo o meu espírito ;
tu me remiste, Senhor Deus de verdade. .
7 Aborreces os que inutilmente observam coisas vãs ;
eu, porém, esperei no Senhor.
8 Regozijar-me-ei, e alegrar-me-ei na tua misericórdia.
Porque olhastes para o meu abatimento,
salvaste das angústias a minha alma.
9 E não me entregaste nas mãos do inimigo,
antes puseste os meus pés em lugar espaçoso.
10 Tem piedade de mim, Senhor, p orque estou atribu- é invocado.
lado ; a minha vida está conturbada com a tristeza,
assim como a minha alma e as minhas entranhas.
11 Porque a minha vida vai-se consumindo com a dor,
e os meus anos com os gemidos.
Tem-se debilitado a minha força com a miséria,
os meus ossos estão abalados.
12 Mais que todos os meus inimigos, tornei-me um
objecto de opróbrio,
sobretudo para os meus vizinhos,
e o horror dos meus conhecidos.
Os que me viam, fugiam para longe de mim.
13 Fui esquecido pelos corações como um morto.
Fiquei sendo como um vaso quebrado,
14 porque ouvi as injúrias de muitos, no meio dos quais
eu estava,
32 SALMOS, xxx, 15 - XXXI, 1

Quando deliberavam j u ntos contra mim,


resolveram tirar-me a vida.
15 Mas eu esperei em ti, Senhor.
Eu disse : Tu és meu Deus ;
16 nas tuas mãos está o meu destino.
Livra-me das mãos dos meus inimigos e dos que me
perseguem.
17 Resplandeça a claridade do teu rosto sobre o teu
servo, salva-me pela tua misericórdia.
18 Senhor, não seja eu confundido, pois que te invoquei.
Envergonhem-se os ímpios,
e sejam conduzidos ao sepulcro ;
19 tornem-se mudos os lábios enganadores,
que proferem contra o justo palavras de iniquidade,
com soberba e com despreso.
e bendito, 20 Quão grande é, Senhor, a abundância da tua doçura,
q ue tens reservada para os que te temem !
Tu a deste abundantemente àqueles que esperam em
ti, à vista dos filhos dos homens.
21 Tu os esconderás no secreto da tua face
contra o tumulto dos homens,
Tu os defenderás no teu tabernáculo
das línguas maldizentes.
22 Bendito seja o Senhor,
porque maravilhosamente usou comigo da sua mise­
ricórdia numa cidade fortificada.
23 Eu disse (desanimado) no transporte do meu espírito:
Fui expulso de diante dos teus olhos.
Mas tu ou viste a voz da minha oração,
quando a ti clamava.
24 Amai o Senhor, vós todos os seus santos,
porque o Senhor procurará a verdade,
e castigará severamente os que procedem com soberba.
25 Portai-vos varonilmente, e fortaleça-se o vosso cora­
ção, vós todos que esperais no Senhor.

S ALMO XXXl

Felicidade daquele que obteve o perdão


dos seus pecados

Do mesmo David, instrução.


Sua alegria, 1 Bem-aventurados a queles. cujas iniquidades foram
perdoadas,
e cujos pecados são apagados,
SALMOS, XXXI, 2 - 11 33

2 Bem-a11enturado o homem, a quem o Senhor não


argúiu de pecado,
e cujo espírito é isento de fraude,
3 Porque calei, os meus ossos envelheceram, Tristeza no
tempo do
enquanto eu clamava iodo o dia. castigo,
4 Porque a tua mão tornou-se pesada sobre mim de
dia e de noite ;
eu revolvia-me na minha dor, enquanto se cravava a
espinha (do castigo de Deus).
5 Eu te manifestei o meu pecado, Confissão
e perdão.
e não ocultei a minha injustiça.
Eu disse : Confessarei ao Senhor, contra mim mesmo,
a minha injustiça ;
e tu perdoaste a malícia do meu pecado.
São reco­
6 Por isto orará a ti todo o (homem) santo mendadas
no tempo oportuno. aos fiéis a
E, na inundação das muitas águas, . confiança e a
docilidade,
estas não se aproximarão dele.
7 Tu és o meu refúgio na tribulação que me cercou,
ó alegria minha, livra-me dos que me cercam.
8 Inteligência te darei (disseste), e ensinar-te-ei o ca­
minho que deves seguir ;
fixarei sobre ti os meus olhos.
9 Não queirais ser como o cavalo e o mulo,
que não têm entendimento.
Com o cabresto e com o freio sujeita (ó Senhor) as
suas queixadas,
quando não quiserem aproximar-se de ti.
Contraste
10 Muitas dores esperam o pecador, entre o
mas o que espera no Senhor será cercado de mise­ justo e o
ricórdia. pecador.
11 Alegrai-vos no Senhor e regozijai-vos, ó justos,
e gloriai-vos todos os que sois de coração recto.

S, XXXI - 3. Porque calei, recusando, por orgulho reconhecer


-0s meus crimes diante de Deus, os meus ossos . . . isto é, as minhas
forças físicas diminuiram, por causa da violência dos sofrimentos morais.
6. Na inundação. , . Esta inundação representa os castigos de
Dema, aos quais escapam os santos, por uma graça especial (estas não
se aproximarão dele).
3
34 SALMOS, XXXII, 1 - 16

SALMO XXXU

Louvor a Deus, que criou o mundo e protege


o seu povo

Salmo de David.
Louvem os 1 Exultai, ó justos, no Senhor ;
jastos o
Senhor,
é aos rectos (do coraçO.o) que fica bem o louvá-lo.
2 Louvai o Senhor com a cítara ;
cantai-lhe hinos com o saltério de dez cordas.
3 Cantai-lhe um cântico novo :
louvai-o com concerto de instrumentos e de vozes.
cuia pala- 4 Porque a palavra do Senhor é recta,
vra é fiel
e a sua fidelidade brilha em todas as suas obras.
e �=f��º· S Ele ama a misericórdia e a justiça ;
a terra está cheia da misericórdia do Senhor.
6 Pela palavra do Senhor se firmaram os céus ;
e pelo espírito da sua boca (formou-se) todo o sea
exército.
7 Ele junta como num odre as águas do mar ;
ele põe os abismos nos seus reservatórios.
8 Toda a terra tema o Senhor,
e todos os que habitam o universo, tremam diante dele.
9 Porque ele disse, e ( tudo) foi feito ;
mandou, e (tudo) foi cria do.
cujos desf. 10 O Senhor dissipa os projectos das nações ;
gnios dissi­
pam os
e reprova os intentos dos povos,
projectos e inutiliza os planos dos p ríncipes.
das nações, 11 Mas os desígnios do Senhor permanecem eternamente;
os pensamentos do seu coração (subsistem) de gera-
ção em geração .
12 Bem-aventurada a nação 'que tem o Senhor por seu.
Deus ;
o povo que ele escolheu para sua herança.
cnjos olhos 13 O Senhor olhou do céu ;
consideram
os que
viu todos os filhos dos homens •
.

temem a 14 Da morada que ele p reparou para s1


Dens, olhou sobre todos os que habitam a terra ;
15 foi ele que formou o coração de cada um deles ;
é ele que conhece todas as suas obras.
16 Não é pelo seu grande poder que um rei se salva ;
nem o gigante se salvará pela sua força.

s. XXXll. - 6. Todo o seu exército, isto é , os astros inume­


r,veis, que avançam como am exército em ordem.
SALMOS, XXXII, 17 - XXXIII, 1 1 35

1 7 O cavalo engana a quem espera dele a salvação ;


e na sua grande força não o salvará.
18 Eis os olhos do Senhor postos sobre os que o temem,
e sobre aqueles que esperam na sua misericórdia,
19 para livrar da morte as suas almas,
e para os sustentar no tempo da fome.
20 A nossa alma espera no Senhor, e que é
protector dos
porque é nosso amparo e protector. que esperam
21 Porque nele se alegrará o nosso coração, nele.
e no seu santo nome temos esperado.
22 Exerça-se, Senhor, sobre nós a tua misericórdia,
segundo temos esperado de ti.

SALMO XXX UI
Deus, refúgio dos justos

1 Salmo de Davíd, quando se desfigurou diante de


Aquimeleque, que o despediu, e ele se foi.
2 Bendirei o Senhor em todo o tempo ; Louvor a
Deus,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
3 No Senhor se gloriará a minha alma.
Ouçam-no os humildes, e alegrem-se.
4 Engrandecei comigo o Senhor,
e exaltemos o seu nome todos à uma.
5 Busquei o Senhor, e ele ouviu-me, Motivo deste
loavor.
e livrou-me de todas as minhas tribulações.
6 Aproximai·vos dele, e sereis iluminados ;
e os vossos rostos não serão cobertos de confusão.
7 Este pobre clamou, e o Senhor o ouviu,
e o salvou de todas as suas tribulações.
8 O anjo do Senhor andará à roda dos que o temem,
e os livrará.
9 Gostai e vede quão suave é o Senhor ; Exortação
à piedade e
ditoso o homem que espera nele, à santidade.
10 Temei o Senhor, vós todos os Santos,
porque não há indigência para os que o temem.
11 Os ricos tiveram necessidade e fome,

16 e segs, O fugir dos perigos e a vitória não se devem atribuir


aos meios humanos, que nada valem sem o querer de Deus, mas ao
socorro divino.
S. XXXlll - 1. Aquimeleque, isto é, o rei Aqals, Sobre o faclo
a que este titulo se refere ver 1 Reg. XXI, 11 e segs.
8. O anjo, ministro do Senhor na salvaçilo do homem, andará
ti roda do fiel adorador de Deus para o defender.
36 SALMOS, XXXIII, 12 - XXXIV, 4

mas os que buscam o Senhor, não terão falta de bem


algum.
12 Vinde, filhos, ouvi-me ;
eu vos ensinarei o temor do Senhor.
13 Quem é o homem que quer a vida,
e que deseja ver dias felizes ?
14 (Para isso) guarda tua língua do mal,
e os teus lábios não profiram engano.
15 Desvia-te do mal, e faze o bem ;
busca a paz, e vai em seu seguimento.
para se 16 Os olhos do Senhor estão voltados para os justos,
obter o
auxilio de e os seus ouvidos (estão atentos) aos seus rogos.
Deus, 17 Mas o rosto do Senhor está sobre os que fazem o mal,
para apagar da terra a sua memória.
18 Os justos clamaram, e o Senhor os ouviu,
e os salvou de todas as suas tribulações,
19 O Senhor está perto daqueles que têm o coração
atribulado ;
e salvará os humildes de espírito.
20 M uitas são as tribulações dos justos,
e de todas elas os li vrará o Senhor.
21 O Senhor guarda todos os ossos deles,
e nem um só se quebrará.
22 A morte dos pecadores é péssima ;
e os que aborrecem o justo perecerão.
23 O Senhor resgatará as almas dos seus servos,
e todos os que esperam nele não perecerão.

SALMO XXXIV
Apelo para a justiça divina contra inimigos
injustos e cruéis

1 Do mesmo David.
David Julga, Senhor, os que me fazem mal,
suplica o
auxilio
combate contra os que me combatem.
divino, 2 Toma as tuas armas e o teu escudo,
e levanta-te em meu socorro.
3 Tira da espada, e corta a passagem àqueles que me
perseguem ;
dize à minha alma : Eu sou a tua salvação.
4 Sejam confundidos e envergonhados os que buscam
a minha vida ;
voltem atrás, e sejam [Link] os que meditam
males contra mim.
SALMOS, XXXIV, 5 - 19 37

5 Tornem-se como o pó levado pelo vento,


e o anjo do Senhor os coarcte,
6 Torne-se o seu caminho em trevas e escorregadio,
e o anjo do Senhor os persiga,
7 Porquanto sem razão me armaram ocultamente um
laço, para me perderem ;
sem causa ultrajaram a minha alma,
8 Caia (o meu inimigo) num laço que ignora,
e a rede que escondeu o prenda a ele,
e caia no próprio laço que ele armou,
9 A minha alma , porém, regozijar-se-á no Senhor,
e porá as suas delícias no seu salvador.
10 Todos os meus ossos dirão :
Senhor, quem é semelhante a ti,
que livras o desvalido das mãos dos mais fortes que ele,
o necessitado e o pobre dos que o roubam ?
11 Levantaram-se testemunhas iníquas,
interrogaram-me S()bre o que eu 'ignorava.
12 Tornaram-me males por bens ; Ingratidão
dos seus
(era a) desolação para a minha alma. inimigos.
13 Porém eu, quando me eram m olestos, vestia-me de
cilício ;
humilhava a minha alma com o jejum ;
e a minha oração dava voltas no meu seio.
14 Eu tinha (por eles) a mesma compaixão que por um
próximo ou um irmão ;
como quem traz luto e está em tristeza, assim me
humilhava.
15 E alegraram-se e juntaram-se contra mim ;
amontoaram-se sobre mim desgraças, sem que eu
soubesse (o motivo).
16 Foram dissipados, mas não se arrependeram ;
puseram-me à prova, insultaram-me com escárnios ';
rangeram contra mim os seus dentes.
17 Senhor, quando voltarás (para mim) os teus olhos ?
Livra a minha alma da malignidade deles,
(livra) destes leões a minha única (vida temporal).
18 Glorificar-te-ei numa igreja (ou assembleia) grande ;
louvar-te-ei no meio dum povo numeroso.
19 Não se regozijem sobre mim os que me atacam Re �ti�ão
da suplica.
injustamente,
os que me aborrecem sem causa, e acenam com os olhos.

S. XXXIV - 11, Interrogaram-me . . . isto é, acusaram-me de


crimes de que en não tinha conhecimento, estando por isso inocente.
38 SALMOS, XXXIV, 20 - xxxv, 6

20 Porque na verdade me dirigiam palavras de paz,


mas, falando com ira no país, maquinavam enganos.
2 1 E alargaram contra mim a sua boca,
e disseram : Bem, bem, os nossos olhos viram !
22 Tu o viste, Senhor, não cales ;
Senhor, não te apartes de mim.
23 Levanta-te e atende ao meu direito ;
meu Deus e meu Senhor, (defende) a minha causa.
24 Julga-me segundo a tua justiça, Senhor Deus meu,
e não se alegrem eles de mim.
25 Não digam em seus corações : Ainda bem, ainda
bem, conseguimos o que desejávamos !
Nem digam : Nós o devorámos !
26 Fiquem envergonhados e confundidos todos os que
se congratulam dos meus males.
Vestidos sejam de confusão e de vergonha os que
falam com orgulho contra mim.
27 Regozijem-se e a legrem-se os que querem a minha
justificação ;
e digam sempre os que desejam a paz do seu servo :
Glorificado seja o Senhor.
28 E a minha língua publicará a tua j ustiça
e o teu louvor todo o dia.

SALMO XXXV

Malícia dos ímpios ; bondade de Deus


para com os justos

1 Para o fim, do mesmo David, servo do Senhor.


Mallcia dos 2 O injusto disse em si mesmo que queria pecar ;
ímpios,
não há temor de Deus diante dos seus olhos.
3 Porque ele procedeu dolosamente na sua presença,
de sorte que a sua iniquidade se tornou mais odiosa.
4 As p alavras da sua boca são iniquidade e engano ;
não quis instruir-se para fazer o bem.
5 Meditou a iniquidade no seu leito ;
deteve-se em todos os caminhos maus,
e não aborreceu a malícia.
Bondade e 6 Senhor, a tua misericórdia chega até ao céu ;
justiça de
Deus.
e a tua verdade (eleva-se) até às nuvens.

21, Os nossos olhos viram a ruína deste homem, a qual era


por nós muito desejada.
S, XXXV - 6, Chega até ao céu pela sua grandeza e sublimidade.
SAL.'IOS, xxxv, 7 - XXXVI, 7 39

7 A tua justiça é (grande) como os montes de Deus ;


os teus juízos são um abismo profundo,
Tu, Senhor, salvarás os homens e os animais .
.8 Quanto multiplicaste a tua misericórdia, ó Deus !
Por isso os filhos dos homens esperarão à sombra
das tuas asas,
9 Embriagar-se-ão com a abundância da tua casa,
e tu os farás beber na torrente das tuas delícias.
10 Porque em ti está a fonte da vida,
e na tua luz veremos a luz.
1 1 Estende a tua misericórdia sobre os que te conhecem, Oração
pelos bons
e a tua justiça sobre aqueles que têm o coração recto. contra os
12 Não venha sobre mim o pé do soberbo, maus,
e a mão do pecador não me comova.
13 Ali caíram os que cometem a iniquidade ;
foram empurrados, e não se poderam levantar mais.

SALMO XXXVI
Não invejem os justos a felicidade dos ímpios

1 Salmo do mesmo David.


Não invejes aos malvados (a prosperidade), Falsa leli·
cidade
nem sejas émulo dos que praticam a iniquidade ; dos lmpios,
2 porque eles como feno se secarão velozmente,
e, como as tenras hastes das plantas, logo se mur­
charão.
3 Espera no Senhor, e faze obras boas ;
então habitarás na terra, e te sustentarás com as
suas riquezas,
4 Põe as tuas delícias no Senhor,
e te concederá o que o teu coração deseja,
5 Expõe ao Senhor a tua situação,
e espera nele, e ele procederá.
·6 E fará brilhar como lume a tua justiça,
e o direito da tua causa como o (sol do) meio-dia.
7 Sê obediente ao Senhor, e roga-lhe.
Não invejes o que tem prosperidade no seu caminho,
o homem que comete injustiças.

9. Da tua casa, isto é , do universo, cheio de muitos bens, qG.e


são gozados pelos homens, especialmente pelos fiéis a Deus.
10, Na tua luz . . . com o teu favor viveremos felizes.
13. Ali, onde aprouver a Deus derribá.los.
40 SALMOS, XXXVI, 8 - 25

8 Guarda-te da ira, e deixa o furor ;


não queiras ser émulo em fazer mal.
9 Porque os que cometem maldades serão exterminados,
mas os que esperam no Senhor, esses herdarão a terra.
10 Ainda um pouco, e não mais existirá o pecador ;
e buscarás o seu lugar, e não o acharás.
11 Mas os mansos herdarão a terra .
e deleitar-se-ão na abundância da paz.
12 O pecador observará o justo,
e rangerá com os dentes contra ele.
13 Mas o Senhor zombará dele,
porque vê que há-de chegar o seu dia.
14 Os pecadores desembainharam a espada,
estenderam o seu arco,
para arruina rem o pobre e o indigente,
para assassinarem os rectos de coração.
15 A sua espada trespasse o seu próprio coração ;
e seja quebrado o seu arco.
16 Mais vale o pouco a um justo,
que as muitas riquezas aos pecadores ;
17 p orque os braços dos pecadores serão quebrados,
aos justos, p orém, fortalece-os o Senhor.
18 O Senhor conhece os dias dos que são imaculados ;
a herança deles será eterna.
19 Não serão confundidos no tempo mau,
e serão fartos nos dias de fome,
20 porque os pecadores perecerão,
E os inimigos do Senhor, tanto que tiverem sido
honrados e exaltados,
cairão e se desvanecerão como o fumo.
21 O pecador pedirá emprestado, e não p agará ;
o justo, porém, é compassivo e dará (ao :zecessitado).
Felicidade 22 Sim, os que bendizem a Deus herdarão a terra,
verdadeira
dos justos,
mas os que o maldizem perecerão.
23 Os passosdo homem(justo) serão dirigidos pelo Senhor.
e o seu caminho será aprovado por ele.
24 Quando cair, não se ferirá,
porque o Senhor lhe põe a mão por baixo.
25 Fui jovem, e já sou velho,
e nunca vi o justo desamparado,
nem a sua descendência mendigando pão.

S, XXXVI - 17, Os braços, isto é, o seu poder, de que abusaram


para enriquecer à casta dos jastos.
SALMOS, XXXVI, 26 - 40 41

26 Passa o dia exercendo a misericórdia, e dando em­


prestado.
e a sua descendência será abençoada.
27 Desvia-te do mal, e faze o bem,
e terás uma firme morada.
28 Porque o Senhor ama a equidade,
e não desampara os seus santos ;
eles serão eternamente conservados.
Os injustos serão punidos,
e a descendênc\a dos ímpios perecerá
29 Os justos, porém, herdarão a terra,
e habitarão sobre ela por todos os séculos.
30 A boca do justo derramará sabedoria,
e a sua língua falará prudência.
31 A lei do seu Deus está no seu coração,
e andará com passo firme (pelo caminho do Senhor) .
32 O pecador observa o justo,
e procura como há-de dar-lhe a morte.
33 Mas o Senhor- não o aban donará nas suas mãos.
nem o condenará quando for julgado.
34 Espera no Senhor, e guarda o seu caminho,
e ele te exaltará para que possuas em herança a terra.
Quando perecerem os pecadores, o verás.
35 Vi o ímpio sumamente exaltado,
e elevado como os cedros do Líbano.
36 E passei (dai a pouco), e já não existia ;
e busquei-o, e não foi achado o seu lugar.
37 Guarda a inocência, e atende à equidade,
porque ficarão bens para o homem pacífico.
38 Mas os injustos perecerão (todos) igualmente ;
o que ficar dos ímpios será destruído.
39 A salvação dos justos vem do Senhor,
e ele é o seu protector no tempo da tribulação.
40 E o Senhor os aju dará, e os livrará,
e os tirará da mão dos pecadores, e os sal vará,
porque esperam nele,

27, Uma firme morada na terra prometida, com a participação


dos bens de ordem não só temporal, mas também espiritual, anexos a ela .
34. Guarda o seu caminho, observa os seus preceitos • • • - O
verás. Os bons serão testemunhas da ru!na dos pecadores, e l<>uvarã<>
a Deus pela sua justiça.
36. Eloquente expressão da rapidez com que desaparece a imerecida
prosperidade dos maus,
42 SALMOS, xxxvrr, 1 - 17

SALMO XXXVII
Apelo do pecador para a misericórdia divina

1 Salmo de David para memória, no sábado.


Sofrendo por
causa dos
2 Senhor, não me repreendas no teu furor,
pecados, nem me castigues na tua ira ;
3 porque as tuas setas se me cravaram,
e assentaste sobre mim a tua mão.
4 Não há parte sã na minha carne por causa da tua ira ;
não há paz nos meus ossos à vista dos meus pecados.
!:> Porque as minhas iniquidades se elevaram acima da
minha cabeça,
e, como uma carga pesada, me oprimiram.
6 Apodreceram e corromperam-se as minhas chagas,
por causa da minha loucura.
7 Tornei-me miserável, e continuamente todo encurvado;
todo o dia andava oprimido de tristeza.
8 Porque as minhas entranhas estão cheias de ilusões,
e não há parte alguma sã na minha carne.
9 Estou aflito e grandemente abatido ;
o gemido do meu coração arranca-me rugidos.
10 Ó Senhor, bem vês todos os meus desejos,
e o meu gemido não te é oculto.
11 O meu coração está conturbado,
a minha força desamparou-me ;
e a própria luz dos meus olhos já não está comigo.
afligido par 12 Os meus amigos e os meus próximos avançaram e
amigos e
inimigos,
puseram-se contra mim.
E os meus parentes puseram-se ao longe.
13 E os que buscavam a minha vida, usavam de violência.
E os que me p rocuravam males falaram coisas vãs,
e todo o dia maquinavam enganos,
14 Mas eu, como um surdo, não ouvia ;
e, como um mudo, não abria a boca.
15 E tornei-me como um homem que não ouve,
e que não tem na sua boca palavras com que replicar.
suplica a
misericórdia
1ó Porque em ti, Senhor, esperei ;
de Deus. tu me ouvirás, Senhor Deus meu.
17 Porque disse : Nunca triunfem demim os meus inimigos,
eles que, tendo visto os meus pés vacilantes, falaram
insolentemente de mim.

S. XXXVII - 6, O p�cado é uma loucura, porque, par um breve


e doentio prazer, atrai tantos castigos da justiça divina..
1 1 . A própria luz , . . Q uase ceguei com tanto chorar,
SALMOS, XXXVII, 18 - XXXVIII, 8 43

18 Porque estou preparado para o castigo,


e a minha dor está sempre diante de mim.
19 Porque eu confessarei a minha iniquidade,
e p ensarei (sempre) no meu pecado.
20 Entretanto os meus inimigos vivem, e têm-se tornado
mais fortes que eu ; e
têm-se multiplicado os que me aborreceminjustamente.
21 Os que tornam males por bens murmuravam de mim
porque eu seguia o bem.
22 Não me desampares, Senhor Deus meu ;
não te a partes de mim.
23 Acode (prontamente) em meu socorro,
Senhor Deus da minha salvação.

SALMO XXXVIII

D avid expõe a Deus a angústia própria e a vaidade


da vida humana

1 Para o fim, a /ditun : Cântico de David.


2 Eu disse : Velarei sobre o meu proceder, Esconde a
para não pecar com a minha língua. soa dor em
presença dos
Pus guarda à minha boca, pecadores.
quando o pecador se apresentava contra mim.
3 Emudeci e humilhei-me, e nem mesmo falei de coi­
sas boas,
e (com isto) a minha dor renovou-se.
4 O meu coração inflamou-se dentro de mim ;
e na minha meditação acen diam-se chamas de fogo.
5 Falei com a ·minha língua : Considera
Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim, a vaidade
e brevidade
e qual é o número dos meus dias, da vida.
para que eu saiba o que me resta.
6 Eis que puseste os meus dias em medida,
e o meu ser é como nada diante de ti.
Ah ! sim, e é pura vaidade todo o homem que vive.
7 Sim, o homem passa como uma sombra,
é em vão que se afadiga.
Entesoura, e não sabe para quem junta aquelas coisas.
8 E agora, qual é a minha esperança ? Espera no
Porventura não é o Senhor ? Senhor.

Em ti estão todos os meus bens.

s. xxxvm - 1. lditun era u m dos três grandes mestres de


múlica no tempo de Davii, com Asai e Heman.
44 SALMOS, XXXVIII, 9 - XXXIX, 6

9 Livra-me de todas as minhas iniquidades ;


tu me fizeste um objecto de opróbrio para o insensato.
10 Emudeci, e não abri a minha boca,
porque tu o fizeste.
11 Afasta de mim os teus flagelos.
12 Debaixo da força da tua mão eu desfaleci, quando
me repreendeste ;
tu, por causa da iniquidade, castigaste o homem,
e fizeste que a sua vida se consumisse como aranha.
Sim, é em vão que todo o homem se inquieta.
13 Ouve, Senhor, a minha oração e a minha súplica,
atende às minhas lágrimas.
Não te cales, porque eu sou diante de ti um adventício
e um peregrino como todos os meus pais.
14 Deixa que eu tome algum alento,
antes que parta e deixe de existir.

SALMO XXXIX

Acção de graças pelos benefícios anteriores,


·
e pedido de novos au:ailios

1 Para o fim : Salmo do mesmo David.


Favores que 2 Aguardei com ânsia o Senhor,
recebeu de
Deus.
e (por fim) atendeu-me,
3 e ouviu as minhas súplicas,
e tirou-me do abismo de miséria e do lodo profundo.
E pôs os meus pés sobre pedra,
e dirigiu os meus passos.
4 E pôs um novo cântico na minha boca,
um hino ao nosso Deus.
Muitos o verão e temerão,
e esperarão no Senhor.
5 Bem-aventurado o homem, cuja esperança é o nome
do Senhor.
e que não voltou os olhos para as vaidades e loucuras
enganosas.
6 Senhor Deus meu, tens feito muitas obras maravilhosas,
e não há quem te seja semelhante nos teus desígnios.
10, Emudeci . . , Resigno. me a sofrer e a calar. porque assim
ordenaste que eu sofresse (tu o fizeste)
S. XXXIX - 3. Abismo e lodo são s!mbolos do perigo gravíssimo
de que é diflcil sair, pelo contrário pedra firme simboliza o bem estar,
sem perigo,
4. Um novo cântico é o hino contido nos versículos 6-11. -
Muitos, levados pelas minhas palavras, temerão a Deus e esperarão nele.
SALMOS, X:XXIX, 7 - 18 45

Eu quis anunciá-los e falar deles,


mas a sua multidão é inumerável.
7 Não quiseste sacrifício nem oferenda, Acção de
graças.
mas deste-me ouvidos perfeitos.
Também não pediste holocausto pelo pecado.
8 Então eu disse : Eis que venho,
(conforme) está escrito de mim na cabeceira do livro,
para fazer a tua vontade.
9 Deus meu, eu o quis,
e a tua lei está no íntimo do meu coração.
10 Anunciei a tua justiça na igreja (ou assembleia) grande,
não fecharei os meus lábios ; Senhor, tu o sabes.
11 Não escondi a tua justiça no meu coração ;
publiquei a tua verdade e a salvação que vem de ti ;
não escondi a tua misericórdia e a tua verdade à
con � regação numerosa.
12 E tu, Senhor, não afastes de mim as tuas misericórdias; Pe�e que o

13
a tua bondade e a tua verdade sempre me ampararam. f�":: ��
s
Porquanto me cercaram males, que não têm número ; males.
surpreenderam-me as minhas iniquidades, e eu não
pude vê-las (todas) •

.Multiplicaram-se mais do que os cabelos da minha


cabeça,
e o meu coração desfaleceu.
14 Seja do teu agrado, Senhor, o livrares-me ;
Senhor, volta os olhos para me socorreres.
15 Sejam confundidos e envergonhados a um tempo,
aqueles que buscam a minha vida, para tirar-ma.
Voltem atrás e fiquem confundidos
os que me desejam males.
16 Sofram logo a ignomínia que merecem,
aqueles que me dizem : B em ! bem !
17 Regozijem-se e alegrem-se em ti todos os que te buscam,
os que amam a tua salvação digam sempre : Seja
glorificado o Senhor.
18 Quanto a mim sou mendigo e pobre ;
o Senhor, porém, tem cuidado de mim.
Tu és (ó Senhor) o meu auxílio e o meu protector.
Deus meu, não tardes.

.
7. Não quiseste . . Deas tinha exigido estes sacriflcios, porém,
neste texto, e noutros análogos, encontra-se um modo enérgico de afirmar
qa.e a5 ofertas materiais não têm nenhum valor por si mesmas, e qa.e Deus
as rejeita com horror, se são apresentadas com dispasições imperfeitas,
16. Bem ! Bem ! Exclamação de perversa alegria, à vista da
desgraça do próximo.
46 SALMOS, XL, 1 - 14
------

SALMO XL

Os que usam de misericórdia alcançarão


misericórdia

1 Para o fim : Salmo do mesmo David.


Feliz do 2 Bem-aventurado o que cuida do necessitado edo pobre;
misericor­
dio•o. o Senhor o livrará no dia mau.
3 O Senhor o guarde e lhe dê vida,
e o faça feliz na terra.
e não o entregue ao poder dos seus inimigos,
4 O Senhor lhe dê auxílio sobr�o leito da sua dor.
Toda a sua cama revolveste (ó Senhor) na sua
enfermidade.
Odio dos 5 Eu disse : Senhor, compadece-te de mim ;
inimigos, e
perlidia dos sara a minha alma, porque pequei contra ti.
amigos de 6 Os meus inimigos falaram contra mim, (dizendo) :
David. Quando morrerá e perecerá o seu nome ?
7 E, se algum (deles) entrava a vêr-me, dizia coisas vãs;
o seu coração acumulava em si a iniquidade.
Ele saía fora, e falava,
8 Todos os meus inimigos cochichavam entre si contra
mim ·
urdiam �ales contra mim.
9 Decretaram contra mim uma p alavra injusta :
Porventura o que dorme não se poderá outra vez
levantar ?
10 Até o homem da minha intimidade, em que eu confiei,
e que comia o meu pão, urdiu contra mim a sua
traição.
Só plica, 11 Tu, pois, Senhor, tem compaixão de mim,
e ressuscita-me, e eu lhes darei (o que merecem) :
12 Nisto conhecerei eu que tu me amas :
se o meu inimigo se não alegrar à minha custa.
13 Porque tu me tomaste sob a tua protecção por causa
da minha inocência ;
e me fortificaste diante de ti para sempre.
14 Seja bendito o Senhor Deus de Israel
por todos os séculos dos séculos. Assim seja. Assim seja.

S . XL - 4 . Toda a sua cama revolveste, isto é , cercaste.o


de todos os carinhos.
1 1 . Ressuscita-me, levanta-me deste leito onde estou prostrado·
pela doença.
14. Doxolotia distinta do Salmo , e que •ervc de conclusão ao pri­
meiro livro do Saltério.
LIVRO SEGUNDO

SALMO XLI

Desejo ardente de voltar a ver o templo

1 Para o fim : Instrução dos filhos de Coré.


2 Assim como o servo suspira pelas fontes das águas, David sns­
pira por
assim a minha alma suspira por ti, ó Deus. Deus e pelo
3 A minha alma tem sede do Deus forte e vivo. templo,
Quando irei e aparecerei diante da face de Deus ?
4 As minhas lágrimas foram o meu pão de dia e de noite,
enquanto me dizem todos os dias :
Onde está o teu Deus ?
5 Lembrei-me destas coisas, e derramei a minha alma
dentro de mim mesmo,
p orque eu passarei ao lugar do tabernáculo admirável,
até à casa de Deus,
entre cânticos de alegria e de louvor, (semelhantes)
ao ruído dum festim.
6 Por que estás triste, minha alma ?
E por que me conturbas ?
Espera em Deus, porque eu ainda o hei-de louvar,
a ele que é a salvação do meu rosto 7 e o meu Deus.
7 Dentro de mim mesmo está conturbada a minha alma; implora o
anxllio do
pelo que me lembrei de ti, Senhor.
na terra do Jordão e de Hermon, e desde o monte
pequeno.
8 Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas
cataratas.

S. XLI - 1. Este titulo indica a natureza e o autor do salmo. É


um cântico didáctico, composto pelos filhos ou membros da familia de
Coré, que também compuseram os salmos XLIII, XLVIll, LXXXlll,
LXXXIV, LXXXVI e LXXXVH.
5. Lembrei-me do tempo passado em que ia ao templo tomar
pule nas cerimónias públicas do culto divino.
6. O hei-de louvar no templo de Jerusalém, como outrora.
8, Um abismo • . . As vagas do oceano e as ondas das correntes
de água socedem�se regularmente, como qa.e chamando-se umas às [Link] ;
assim acontecia com as desventuras, precipitando-se sobre David.
48 SALMOS, XLI, 9 - XLII, 5

(E assim) todas as tuas vagas amontoadas e as tuas


torrentes passaram sobre mim.
9 Durante o dia enviou o Senhor a sua misericórdia,
e de noite o seu cântico.
Dentro de mim orarei ao Deus da minha vida,
10 Direi a Deus : Tu és o meu defensor ;
por que te esqueceste de mim ?
E por que hei-de andar triste, enquanto me aflige o
inimigo ?
11 Enquanto os meus ossos são quebrados,
improperam-me os meus inimigos que me perseguem,
dizendo-me todos os dias : Onde está o teu Deus ?
12 Por que estás triste, minha alma ?
E por que me conturbas ?
Espera em Deus. porque eu ainda o hei-de louvar.
a ele que é a salvação do meu rosto, e o meu Deus.

SALMO XLII

Continuação do salmo anterior

1 Salmo de David.
Julga-me, ó Deus, e separa a minha causa (da) duma
gente não santa,
livra-me do homem iníquo e enga nador.
2 Tu que és; ó Deus, a minha fortaleza, por que me r.e­
peliste ?
E por que hei-de eu andar triste, enquanto me aflige
o inimigo ?
esperando 3 Envia a tua luz e a tua verdade ;
ser atendido ,
estas me conduzirão e me levarão
ao teu santo monte e aos teus tabernáculos.
4 E me aproximarei do altar de Deus,
do Deus que a legra a minha mocidade.
Ó Deus, Deus meu, eu te louvarei com a minha cítara,
5 Por que estás triste, minha alma ?
E por que me conturbas ?
Espera em Deus, porque eu ainda o hei-de louvar,
a ele que é a salvação do meu rosto, e o meu Deus.
SALMOS, XLIII, 1 - 15 49

SALMO XLIII

Israel, recordando-se dos antigos benefícios


recebidos de Deu1, Invoca o seu auxilio

1 Para o fim, dos filhos de Coré, instrução.


2 Nós, ó Deus, ouvimos com os nossos próprios ouvidos, Os benefl-
cios passa.
nossos pais anunciaram-nos
a obra que fizeste nos seus dias
d
g�,;.�r
e nos tempos antigos.
3 A tua mão exterminou (desta terra) as nações, e os
estabeleceste a eles (em séu lugar) ;
afligiste aqueles povos, e os lançaste fora.
4 Porque não foi com a sua espada que conquistaram
este país,
e não foi o seu braço que os salvou ;
mas a tua dextra e o teu braço,
e a luz do teu rosto, porque te comprazeste neles.
5 Tu mesmo és o meu rei e o meu Deus, conduzem à
confiança.
tu que ordenas a salvação de Jacob.
6 Por ti arruinaremos os nossos inimigos,
e em teu nome desprezaremos os que se levantaram
contra nós.
7 Porque não esperarei no meu arco,
e não é a minha espada que me salvará.
8 Mas foste tu que nos salvaste dos que nos afligiam,
e confundiste os que nos tinham ódio.
1) Em Deus nos g loriaremos todo o dia,
e louvaremos o teu nome eternamente.
10 Mas tu agora repeliste-nos e cobriste-nos de confusão, Agora,

e já não sais, Ó Deus, à frente dos nossos exércitos. porém, Israel

1 1 [Link] te-nos vo 1 tar as costas aos nossos


. . .
m1m1gos,
encontra. se
rejeitado
e que fôssemos presa dos que nos aborrecem. por Deus e
confandido,
12 Entregaste-nos como ovelhas para o matadouro,
e dispersaste-nos entre as nações.
13 Vendeste o teu povo sem preço,
e não houve concorrência no seu mercado.
14 Tornaste-nos o opróbrio dos nossos vizinhos,
e um objecto de escárnio e zombaria para aqueles
que estão ao redor de nós.
15 Puseste-nos como fábula das nações,
como lu díbrio dos povos.

S. XLIII - 1. Ver nota, S. XLI, 1.


50 SALMOS, XLIII, 16 - XLIV, 2

16 A minha ignomínia está todo o dia diante de mim,


e o meu rosto cobriu-se de confusão,
17 à voz do que me afronta e vitupera,
à vista do inimigo e do que me persegue.
embora 18 Todas estas coisas vieram sobre nós,
inocente e
fiel ao
e, ainda assim, não nos temos esquecido de ti,
Senhor. nem temos cometido iniquidade contra o teu pacto.
19 O nosso coração não tornou a trás (para seguir os
falsos deuses),
nem tu desviaste do teu caminho os nossos passos ;
20 porque tu nos humilhaste no lugar da aflição,
e a sombra da morte nos cobriu.
21 Se nos esquecemos do nome do nosso Deus,
e se estendemos as mãos para algum deus estranho,
22 porventura não há-de pedir Deus conta disso ?
Porque ele conhece os segredos do coração.
Pois por amor de ti somos entregues à morte todos.
os dias,
somos considerados como ovelhas para o matadouro.
23 Levanta-te, por que dormes, Senhor ?
Levanta-te e não nos desampares para sempre.
Súplica 24 Por que desvias de nós o/teu rosto ?
ardente.
(Por que) te esqueces da nossa miséria e da nossa
tribulação ?
25 Porquanto a nossa alma está humilhada até ao pó,
e o nosso peito como que está pegado à terra.
26 Levanta-te, Senhor, ajuda-nos,
e resgata-nos por amor do teu nome.

SALMO XLIV
Epltalâmio profético dos despoaórioa de Cristo
com a Igreja
1 Para o fim, para aqueles que hão-de ser mudadosr
instrução, dos filhos de Coré. Cântico em louvor
do amado.
Cristo 2 Saiu do meu coração um pensamento sublime ;
tSpQSO. é que eu consagro a um rei esta minha obra.
A minha língua é (como) pena de escriba,
que escreve velozmente.

22. Por amor de ti, para defender a toa ca�sa sagrada, 6 Senhor.
[Link], todos os dias, a perigos de morte.
S. X LIV - 1. Que h ão-de ser mudados moralmente pelo Mes­
sias, e depois glorificados para sempre no céu.
2, A um rei, ao MeSiias, rei do céu e da terra.
SALMOS, XLIV, 3 - 15 51

3 Ultrapassas em formosura os filhos dos homens,


a graça derramou-se nos teus lábios ;
por isso te abençoou Deus para sempre.
4 Cinge a tua espada ao teu lado, ó (rei) poderosíssimo,
5 Com a tua glória e com a tua-majestade,
caminha, avança vitoriosamente, e reina,
por meio da verdade, da mansidão e da justiça ;
e a tua dextra te conduzirá a coisas maravilhosas.
6 As tuas setas são agudas,
os povos cairão debaixo de ti ;
(as tuas setas) traspassarão o coração dos inimigos
do rei.
7 O teu trono, ó Deus, subsistirá por todos os séculos ;
o cetro do teu reino é um cetro de rectidão.
8 Amaste a justiça, e aborreceste a iniquidade ;
por isso o teu Deus te ungiu, ó Deus,
com óleo de alegria, de preferência aos teus compa­
nheiros.
9 (Cheiro de) mirra, de aloés e de cássia (exala-se) -dos
teus vestidos,
(ao sair) das casas de marfim, nas quais te recrea­
ram (com o seu odor).
10 As filhas dos reis são tuas damas de honra.
A rainha está à tua dextra,
com manto de oiro, e engalanada com variedade
(de adornos).
11 Escuta, ó filha, e vê , e inclina o teu ouvido, A Igreja
esposa.
e esquece-te do teu povo e da casa de teu pai,
12 E o rei cobiçará a tua beleza,
p orque ele é o Senhor teu Deus, e adorá-lo-ão (todos).
13 E as filhas de Tiro com dádivas a presentar-te-ão
suas humildes súplicas,
e todos os ricos do povo.
14 Toda a glória da filha do rei está no interior,
(quando ela está adornada) de franjas de oiro,
15 vestida de vários adornos.
Serão apresentadas ao rei as virgens que formarão
o séquito dela ;
as suas companheiras te serão conduzidas (ó rei).

8. O teu Deus, isto �. Dens Padre, ó Deus, ó Messias, [Link]


palavras [Link] um argnmenlo para demonstrar a plnralid!de das
pessoas divinas.
9. Das casas de marfim, dos palácios reais adornados de marfim.
10, As filhas dos reis simbolizam, segando os santos Padros , as
nações pag�s qne se converteram a Jesus Cristo, - A rainha é a Igreja,
52 SALMOS, XLIV, 16 - XL V, 12

16 Serão conduzidas com alegria e com regozijo,


conduzi-las-ão ao templo (ou palácio) do rei.
Filhos de 17 Em lugar dos teus pais te nascerão filhos ;
ambos,
estabelecê-los-ás príncipes sobre toda a terra.
18 Celebrarão o teu nome de geração em geração .
Por isso o s povos t e louvarão eternamente, e pelos
séculos dos séculos.

SALMO XLV

Confiança do povo de Deus

1 Para o fim, dos filhos de Coré, para os mistérios :


Salmo.
Deus, refú- 2 Deus é nosso refúgio e nossa força ;
gto de Israel.
nosso auxílio nas tribulações que nos cercavam de
todas as partes.
3 Por isso não temeremos, ainda que a terra seja abafada,
e sejam trasladados os montes para o meio do mar.
4 Bramaram, e turbaram-se as suas águas ;
estremeceram os montes pela sua fortaleza.
Deus, relú- 5 Um rio caudaloso (de graças) alegra a cidade de Deus ;
glo de Sião,
o Altíssimo santificou o seu tabernáculo.
6 Deus está no meio dela, não será comovida ;
Deus a ajudará desde o raiar da manhã.
7 As nações se conturbaram, e os reinos se humilharam ;
(Deus) fez ouvir a sua voz, e a terra estremeceu,
8 O Senhor dos exércitos está connosco ;
o Deus de Jacob é o nosso defensor,
Maravilhas 9 Vinde, e vede as obras do Senhor,
r
�� �:�! as maravilhas que operou sobre a terra,
em lavor do 10 fazendo cessar as guerras até à extremidade do mundo,
seu p0vo, Quebrará o arco, e fará em pedaços as armas,
e queimará ao fogo os escudos.
11 Parai, e reconhecei que eu sou o Deus.
Hei-de ser exaltado entre as gentes, e exaltado sobre
(toda) a terra.
12 O Senhor dos exércitos está connosco ;
o Deus de Jacob é o nosso defensor.

17. Te nascerão filhos dignos de ti nos quais revivam as virta­


des dos antepassados (em lugar dos teus pais). Estes filhos do
Messias são os Apóstolos, encarregados de levar o Evangelho a toia. as
nações (príncipes sobre toda a terra),
SALMOS, XLVI, 1 - XLVII, 3 53

SALMO XLVI
Hino em honra de Jeová, rei de toda a terra

1 Para o fim, dos filhos de Coré : Salmo.


2 Nações, dai todas palmas em aplauso ; Louvem a
Deus todoo
celebrai a Deus com vozes de regozijo. os povos
3 Porque o Senhor é excelso e terrível, da terra,
rei supremo sobre a terra.
4 Submeteu os povos a nós,
e (pôs) as nações debaixo dos nossos pés.
5 Escolheu-nos por sua herança,
a nós, porção bela de Jacob , que tanto amou.
6 Subiu Deus entre (vozes de) júbilo ; Futura con..
versão dos
e o Senhor ao som da trombeta. pagãos.
7 Cantai salmos ao nosso Deus, cantai ;
cantai salmos ao nosso Rei, cantai'.
8 Porque Deus é o Rei de toda a terra ;
cantai salmos sàbiamente.
9 Deus reinará sobre as nações ;
Deus está sentado sobre o seu santo trono.
10 Os príncipes dos povos reuniram-se com o Deus de
Abraão,
porque os deuses fortes da terra foram extraordinà­
riamente exaltados,

SALMO XLVII
Deus protege Sião dum modo maravilhoso

1 Salmo, cântico dos filhos de Coré, para o segundo


dia da semana.
2 Grande é o Senhor e muito digno de louvor, J?eus. re_fú.
gio de Sião,
na cidade do nosso Deus, no seu monte santo.
3 Com júbilo de toda a terra foi fundado o (santuário
no) monte de Sião,
a cidade do grande rei situada ao lado do setentrião.

S. VXLVI, - 6. Subiu Deus . , . Deus tomo que linha descido à


terra para defender o seu povo, e em seguida subiu ao céu entre (vo­
zes de) júbilo. É uma linguagem si mbólica.
10. Os príncipes dos povos reuniram-se com o Deus de
Abraão, depois de abandonarem o paganismo. - Os deuses fortes,
isto é, os mesmos prlncipes dos povos, de pois da sua conversão, foram
elevados a um alto grau de glória.
54 SALMOS, XL VII, 4 - XL VIII, 3

4 Deus far-se-á conhecer nas suas casas,


quando tiver de a defender.
Miraculosa 5 Porque eis que os reis da terra se coligaram ;
libertação
da· cidade.
e conjuraram unânimemente (contra ela).
6 Eles, quando a viram, admiraram-se,
conturbaram-se, ficaram comovidos.
7 O terror apoderou-se deles.
Ali sentiram dores como a mul her que está de parto.
8 Com vento impetuoso quebrarás (ó Deus) as naus de
Tarsis.
9 Como o ouvimos de (nossos pais) assim o vimos
na cidade do Senhor dos exércitos,
na cidade do nosso Deus ;
Deus fundou-a para sempre.
Louvor e 10 Recebemos, ó Deus, a tua misericórdia,
acção de
graças.
no meio do teu templo.
11 Como o teu nome, ó Deus,
assim também o teu louvor se estende até aos confins
da terra,
a tua dextra está cheia de justiça.
12 Alegre-se o monte de Sião,
e regozijem-se as filhas de Judá.
por causa dos teus juízos, Senhor.
13 Dai voltas a Sião, e considerai-a ao redor ;
contai as suas torres.
14 Aplicai-vos a considerar a sua força,
e fazei a resenha das suas casas, para que o conteis
à geração futura.
15 Porque aqui está Deus, o nosso Deus para sempre,
e pelos séculos dos séculos ;
ele reinará sobre nós eternamente,

SALMO XLVIII
Exortação à virtude

Para o fim, dos filhos de Coré : Salmo.


O salmista
ensina
2 Ouvi todas isto, ó nações ;
a todos estai atentos, vós todos que povoais a ferra ;
3 assim os nascidos de plebeus, como de homens ilustres,
à uma juntamente o rico e o p obre.

s. XLVII. - 4. Nas suas casas, isto é. nos palácios da cidade


do grande rei, que é Jerusalém.
SALMOS, XL VIII, 4 - 18 55

4 A minha boca falará sabedoria,


e da meditação do meu coração (sairá) a prudência.
5 Inclinarei à parábola (ou inspiração divina) o meu
ouvido ;
revelarei ao som do saltério o que tenho a propor.
6 Por que temerei eu no dia mau ?
A iniquidade dos meus perseguidores me cercará.
7 Eles confiam nas suas forças, qn• os
inlqnos
e gloriam-se na multidão das suas riquezas. perecerão,
8 O irmão não resgata, como resgatará outro homem ?
Não poderá dar a Deus coisa que o aplaque,
9 nem um preço capaz de resgatar a sua alma,
E estará em sofrimento eternamente,
10 e viverá, não obstante, perpetuamente.
11 (julga que) não verá a morte,
quando vir morrer os sábios,
O insensato e o néscio perecerão igualmente,
e deixarão aos estranhos as suas riquezas ;
12 e os seus sepulcros serão as suas habitações para
sempre.
As suas moradas passarão duma para outra geração ;
(esses homens que) deram os seus nomes às suas
terras, (julgando eternizar-se).
13 E o homem, constituído em honra, não o entendeu ;
foi comparado aos animais sem razão,
e tornou-se semelhante a eles,
14 Este seu proceder é causa da sua ruína ; e ª soa

�� !�
g .
-
e, apesar disto, comprazem-se nos seus discursos. �:c �
15 Como (um rebanho de) ovelhas são postos no inferno; os justos :
e serão pasto da morte. porém,
E os JUS
· t os t erao '
- d 0�1� 10
· sob re e1es na 1:11ªnh-
a ; viverão
, eternamente,
e, passada a sua glona, tudo o que tiveram sera
destruído no inferno.
16 Deus, porém, resgatará a minha alma do . poder do
inferno,
quando me tomar (deste mundo).
17 Não te dê cuidado quando um homem se enriquecer,
e quando crescer a glória da sua casa ;
18 porque, em morrendo, nada levará consigo,
nem a sua glória descerá com ele.

-
S. XLVIII 8, U m irmão não resgata da morte o seu irmão,
como o resgatará nm outro homem estranho ?
15. Na manhã, na aurora do dia que os tornará eternamente feli­
:zes, depois de terminar a noite dos se11s sofrimentos terrestres,
56 SALMOS, XLVIII, 19 - XLIX, 1 1

19 Porque, enquanto vive, será louvada a sua pessoa ;


ele te bendirá quando lhe fizeres bem,
20 Entrará no lugar da morada de seus pais,
e não verá jamais a luz.
21 O homem, constituído em honra, não o entendeu ;
foi comparado aos animais sem razão,
e tornou-se semelhante a eles.

SALMO XLI X

O culto que agrada a Deus

1 Salmo de Asaf.
Aparição O Deus dos deuses, o Senhor falou,
de Deus
para julgar,
e convocou a terra desde o oriente até ao ocidente.
2 De Sião (é que vird) o resplendor da sua formosura.
3 Deus virá manifestamente,
ele, o nosso Deus, e não guardará silêncio.
O fogo se inflamará na sua presença,
e uma tempestade violenta o cercará.
4 Chamará de cima o céu e a terra,
para julgar o seu povo.
5 Congregai diante dele os seus santos,
os quais fizeram aliança com ele por meio de sacri­
fícios.
6 E os céus anunciarão a sua justiça,
porquanto Deus é o juiz.
;· Os sacrifl. 7 Ouve, meu povo, e eu falarei ;
cios externos
nada valem
ouve, Israel, e eu te darei testemunho.
sem a Deus, o teu Deus sou eu.
piedade. 8 Não te arguirei por causa dos teus sacrifícios,
porque os teus holocaustos estão sempre diante de mim.
9 Não receberei de tua casa bezerros,
nem cabritos dos teus rebanhos ;
10 porque são minhas todas as feras das selvas,
os animais dos montes e os bois.
11 Conheço (como seu dono que sou) todas as aves do céu.
e a formosura do campo está comigo.

20. No lugar • • . isto é , no sepnkro.


S. XLIX - 11. A formosura • . • Os camPos formosos são per­
tença minha.
SALMOS, XLIX, 12 - L, 5 57

12 Se tiver fome, não to direi a ti,


porque minha é a redondeza da terra, e o que ela
contém.
13 Porventura comerei a carne dos touros,
ou beberei o sangue dos cabritos ?
14 Oferece a Deus um sacrifício de louvor ;
e paga ao Altíssimo os teus votos ;
15 e invoca-me no dia da tribulação ;
livrar-te-ei, e tu me honrarás.
16 Mas ao pecador disse Deus : Por que falas tu dos As palavras
,
meus mandamentos, . . 01�'";:!��m
e tens (constantemente) a mmha ahança na tua boca ? a Deus.
17 Tu que aborreces a disciplina,
e rejeitaste as minhas palavras.
18 Se vias um ladrão, corrias com ele,
e fazias sociedade com os adúlteros.
19 A tua boca abundou em malícia,
e a tua língua urdia enganos.
20 Estando sentado, falavas contra teu irmão,
e armavas laços ao filho de tua mãe.
21 Isto fizeste, e eu calei-me.
Pensaste iniquamente que eu seria como tu ;
arguir-te-ei, e porei (tudo) diante da tua cara.
22 Entendei isto, vós que vos esqueceis de Deus ;
não suceda que vos arrebate, e não haja quem vos
livre.
23 O sacrifício de louvor (é o que) me honrará ;
é esse o caminho, pelo qual mostrarei ao homem a
salvação de Deus.

SALMO L
David penitente

1 Para o fim : Salmo de David, 2 quando o profeia


Natan foi ter com ele, depois de haver pecado com
Betsabéa.
3 Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua grande David con­
misericórdia ; fessa os
pecados,
e, segundo a multidão das tuas clemências, apaga a
minha iniquidade.
4 Lava-me mais e mais da minha iniquidade,
e purifica-me do meu pecado.
5 Porque eu conheço a minha maldade,
e o meu pecado está sempre diante de mim.
58 SALMOS, L, 6 - 21

6 Pequei contra ti só, e fiz o mal diante dos teus olhos,


para que (perdoando-me) sejas encontrado justo nas
tuas palavras, e venças quando fores julgado.
7 Eis que eu fui concebido em iniquidades,
e minha mãe concebeu-me no pecado.
8 Eis que tu amaste a verdade,
e me revelaste o segredo e o mistério da tua sabedoria.
9 Tu me borrifarás com o hissope, e serei purificado ;
lavar-me-ás, e me tornarei mais branco que a neve.
10 Tu me farás ouvir uma palavra (do perdão que é) de
gozo e de alegria.
e se regozijarão os meus ossos humilhados.
11 Aparta o teu rosto dos meus pecados,
e apaga todas as minhas iniquidades.
pede 12 Cria em mim, ó Deus, um coração puro,
absolvição,
e renova nas minhas entranhas um espírito recto.
13 Não me arremesses da tua presença,
e não tires de mim o teu espírito santo.
14 Dá-me a alegria da tua salvação,
e conforta-me com um espírito magnânimo.
promete 15 Ensinarei aos iníquos os teus caminhos,
�atistação
e os ímpios se converterão a ti.
16 Livra-me do sangue, Deus, Deus da minha salvação,
e a minha língua exa ltará a tua justiça.
17 Senhor, abrirás os meus lábios,
e a minha boca anunciará os teus louvores.
18 Porque, se quisesses um sacrifício, eu o teria oferecido ;
mas tu não te comprazes (só) com holocaustos.
19 O sacrifício (mais) digno de Deus é um espírito com­
pungido ;
não desprezarás, ó Deus, um coração contrito e humi­
lhado.
e sacrificios 20 Senhor, sê benigno com Sião por tua b oa-vontade,
ª Deus,
para que se edifiquem os muros de Jerusalém.
21 Então aceitarás os sacrifícios legítimos.
as oferendas e os holocaustos ;
então serão colocados sobre o teu altar bezerros (para
o sacrifício).

S. L - 6. Pequei , . . Os pecados cometidos contra o próximo,


como foram os de David, ofendem mais a Deus do que o homem, porque
toda a lei moral e todo o direito do homem vem de Deus. Por isso o
perdão dado por Deus, mesmo sem o perdão do homem ofendido, não pode
ser considerado uma injastíça.
16' Livra-me do castigo que mereço p0r causa do sangue de
Urias, que fiz derra mar,
SALMOS, LI, 1 - LII, 3 59

SALMO LI
Ca1tigo da língua maldizente

1 Para o fim, instrução de David, 2 quando Doeg


ldumeu foi noticiar a ScLUl que David tinha ido
para casa de A guimeleque.
3 Por que te glorias da tua malícia, O poderoso
na iniqui·
tu que és poderoso para (cometer) a iniquidade ? d ade
4 Todo o dia a tua língua meditou injustiça ;
como navalha aguda fizeste engano.
5 Amaste mais o mal que o bem,
a linguagem da iniquidade mais que a da justiça.
6 Amaste todas as palavras de ruína, ó língua enga­
nadora.
7 Por isso Deus te destruirá para sempre ; será de•­
truido e
arrancar-te-á, e te fará sair da tua morada, rejeitado,
e arrancará a tua estirpe da terra dos vivos,
.8 Vê-lo-ão os justos, e temerão,
e dele se rirão, dizendo :
9 Eis o homem que não tomou a Deus por seu protector,
m as que esperou na multidão das suas riquezas,
e prevaleceu na sua vaidade.
10 Eu, porém, sou como oliveira frutífera na casa de emiua�to

Deus. Espero na miseri �órdia de Deus para sempre 'd��áºti��!�


e pelos séculos dos seculos.
11 Louvar-te-ei (Senhor) eternamente, porque fizeste
(isso), e esperarei no teu nome,
porque é bom diante dos teus santos,

SALMO LII
Os ímpios e o seu ca1tigo

1 Para o fim, sobre Maelet : Instrução de David.


Disse o néscio no seu coração : Não há Deus.
2 Reverteram-se (os homens) e tornaram-se abominá­ Vida dos
ímpios,
veis nas suas iniquidades ;
não há quem faça o bem.
3 Deus olhou do céu sobre os filhos dos homens,
p ara ver se há quem tenha inteligência, ou busque
a Deus.

S , LI - 4. Como navalha aguda, que corta quan;lo menos se


pensa,
60 SALMOS, LII, 4 - LIII, 9

4 Todos se transviaram, juntamente se tornaram inúteis ;


não há quem faça o bem, não há sequer um só.
Seu cas tigo. 5 Porventura não se lembrarão (de que há um Deus
justiceiro) todos os que p raticam a iniquidade,
os que devoram o meu povo como quem come pão ?
6 Não invocaram a Deus ;
tremeram de medo onde não havia que temer.
Porque Deus dissipou os ossos daqueles que procu­
ram agradar aos homens ;
foram confundidos, porque Deus os desprezou.
7 Quem enviará de Sião à salvação de Israel ?
Quando Deus p user fim ao cativeiro do seu povo,
regozijar-se-á Jacob, e alegrar-se-á Israel.

SALMO LIII

David, vendo-se apertado pelos seus inimigos,


pede a Deus que o livre do seu furor

1 Para o fim, sobre os cânticos : Instrução de David,


2 quando vieram os Zifeus, e disseram a Saul : Não
sabes que David está escondido entre nós ?
Apelo a 3 Salva -me, ó Deus, por teu nome,
Deus.
e com o teu poder julga a minha causa,
4 Ouve, ó Deus, a minha oração ;
atende às palavras da minha boca.
Motivo e 5 Porque os estranhos levantaram-se contra mim,
confiança.
e os fortes buscaram a minha vida,
e não puseram a Deus diante de si.
6 Mas eis que Deus vem em meu auxílio,
e o Senhor é o protector da minha vida.
7 Faze recair os males sobre os meus inimigos,
e extermina-os na tua verdade,
Promessa 8 Eu te oferecerei um sacrifício voluntário,
de reconhe­
cimento. - e louvarei o teu nome, Senhor, porque é bom.
9 Porquanto tens-me livrado de toda a tribulação,
e os meus olhos olharam com desprezo para os meus
inimigos.

S. Llll. - 7. Na tua verdade, isto #., segundo as promessas que


fizeste de me pro teger sempre,
SALMOS, LIV, 1 - 16 61

SALMO LIV
Contra inimigos e falsos amigos

1 Para o fim, sobre os cânticos: Instrução de David.


2 Ouve, ó Deus, a minha oração, David, per-

3
e não desprezes a minha súplica.
Atende-me, e ouve-me.
:������-
migos,
Estou triste na minha provação,
e estou conturbado
4 pela voz do inimigo, e pela perseguição do pecador.
Porque me acusaram de crimes,
e com ira me angustiaram.
5 O meu coração está perturbado dentro de mim,
e o pavor da morte caiu sobre mim.
6 O temor e o tremor vieram sobre mim,
e as trevas me envolveram.
7 Então disse : Quem me dará asas como de pomba,
para voar e descansar ?
8 Eis que me afastei fugindo,
e permaneci no deserto.
9 Ali aguardava aquele que me salvou
do abatimento de espírito e da tempestade.
10 Precipita-os, Senhor, confunde as suas línguas ;
porque eu vejo a injustiça e a contradição na cidade.
11 Dia e noite ronda sobre seus muros a iniquidade,
e está no meio dela a opressão 12 e a injustiça ;
e não se afastam das suas praças a usura e o engano.
13 Em verdade, se o meu inimigo tivesse falado mal de abandonado

��
eu o teria sofrido por certo.
��
E, se aquele que me tinha ódio tivesse falado de
mim com insolência,
talvez me teria escondido dele.
14 Mas tu, ó homem, que eras um comigo,
meu guia, e meu amigo ;
15 que tomavas juntamente comigo doces manjares ;
nós andávamos com tan"ta união na casa do Senhor !
16 Venha a morte sobre eles,
e desçam vivos ao inferno ;
porque a malícia está nas suas moradas, no meio do
seu coração.

S. UV - 13-15. Entre tantos males o que mais aflige o coração a


amizade p�rfidamente atraiçoada.
16. Desçam vivos . . . , isto �. morram su bitamente estando de saúde.
62 SALMOS, LIV, 17 - LV, 4

confia em 17 Eu }?Orém clamei a Deus,


Deus,
e o Senhor me salvará.
18 De tarde, de manhã e ao meio-dia cantarei e exporei
(as m inhas misérias),
e ele ouvirá a minha voz.
19 Restituirá a paz à minha alma, livrando-a dos que
me assaltam,
p orque eles são muitos contra mim.
20 Deus me ouvirá,
e humilhá-los-á aquele que existe antes dos séculos.
Porque não há mudança neles (para o bem),
e não temeram a Deus.
21 Estendeu a sua mão para lhes dar o merecido.
Profanaram a sua aliança ;
22 foram dispersos à vista do seu rosto irado ;
e o seu coração aproximou-se (deles para os castigar).
As suas palavras são mais suaves que o azeite,
porém, na realidade, são dardos.
23 Descarrega sobre o Senhor os teus cuidados, e ele te
sustentará ;
não deixará o justo em perpétua agitação.
24 Mas tu, ó Deus, os conduzirás ao poço da perdição.
Os homens sanguinários e enganadores não chegarão
à metade dos seus dias ;
eu, porém, esperei em ti, Senhor.

SALMO LV

Oração confiante num grande perigo

Para o fim, 1 pelo povo, que estava afastado das


coisas santas, de David, inscrição do titulo,
quando os Filisteus o prenderam em Get.
Descrição 2 Tem misericórdia de mim, ó Deus, porque o homem
de angústia.
me calcou aos pés ;
angustiou-me, combatendo todo o dia contra mim.
3 Pisaram-me os meus inimigos todo o dia ;
p orque são muitos os que pelejam contra mim.
4 Estou temendo desde que desponta o dia ;
mas em ti esperarei.

23, São palavras q,.e o pérfido diz ao seu adversário para o ador­
mecer numa falsa segurança.
S. LV - 1. Inscrição do titulo. Ver nota, s. XV, 1.
SALMOS, LV, 5 - LVI, 2 63

5 Em Deus louvarei as palavras que me dirigiu ;


espero em Deus,
não temerei o que a carne me possa fazer.
6 Todos os dias abominavam as minhas palavras ; s úp!ica
.
todos os seus pensamentos eram contra mim, para cheia de fé.
me fazerem mal.
7 Juntar-se-ão, e esconder-se-ão ;
espiarão todos os meus passos.
Como porfiaram em tirar-me a vida,
8 de nenhum modo os salvarás ;
na tua ira despedaçarás estes povos,
Ó Deus, 9 a ti expus a minha vida ;
tens presentes diante dos teus olhos as minhas lágrimas,
confo1me a tua promessa.
10 Um dia serão postos em fuga os meus inimigos ;
em qualquer hora que eu te invocar,
logo conhecerei que és o meu Deus.
11 Em Deus louvarei a palavra (que ele me· dirigiu),
no Senhor louvarei a sua promessa.
Em Deus espero,
não temerei o que o homem me possa fazer.
12 A meu cuidado estão, ó Deus, os votos que te fiz, Acção
de graças.
os quais cumprirei cantando os teus louvores,
13 p orque livraste a minha alma da morte,
e os meus pés da queda,
para que eu seja agn,dável a Deus na luz dos viventes.

SALMO LVI

Prece e acção de graças por ocasião


dum grave perigo

Para o fim, 1 não destruas ; de David, inscnçao do


título, quando, fugindo da presença de Saul, se
escondeu numa caverna.
2 Tem piedade de mim, ó Deus, tem piedade de mim, Confia no
Senhor.
porque a minha alma confia em ti.
E à sombra das tuas asas esperarei,
até que passe a iniquidade.

13 A luz dos viventes é a vida presente , a existência terrena,


S. LVI - 1. Não destruas, !;;stas palavras, que também se en­
contram no principio dos salmos LVII, LVIII e LXXIV, são, segundo
alguns comentadores, as primeiras palavras dam canto, cuja melodia se
devia aplicar a estes quatro poemas.
64 SALMOS, L VI, 3 - L VII, 4

3 Clamarei ao Deus altíssimo,


ao Deus que tanto bem me tem feito.
4 Enviou do céu (o seu auxilio), e livrou-me ;
cobriu de opróbrio os que me calcavam aos pés.
Deus enviou a sua misericórdia e a sua verdade,
5 e tirou a minha alma do meio dos cachorros dos leões ;
dormi cheio de inquietação.
Os filhos dos homens têm dentes que são armas e
setas,
e a sua língua é espada aguda.
6 Exalta-te a ti, ó Deus, sobre os céus,
e brilhe a tua glória por toda a terra,
ao qual 7 Eles armaram laços aos meus pés,
dá graças,
e fizeram curvar a minha alma.
Cavaram diante de mim uma cova,
e eles mesmos caíram nela.
8 O meu coração, ó Deus está preparado,
o meu coração está preparado ;
cantarei, e entoarei salmos.
9 Levanta-te (minha alma, tu que és a) minha glória ;
levanta-te, saltério e cítara ;
eu me levantarei logo de manhã.
10 Louvar-te-ei entre os povos, Senhor ;
e entoar-te-ei salmos entre as nações ;
11 porque a tua misericórdia foi exaltada até aos céus,
e a tua verdade até às nuvens.
12 Exalta-te, ó Deus, acima dos céus,
e brilhe a tua glória sobre toda a terra.

SALMO LVII

Contra oa jaizea perversos

Para o fim, 1 não destruas; de David, inscrição do titulo.


Saa 2 Se verdadeiramente falais segundo a justiça,
injustiça,
julgai com rectidão, ó filhos dos homens.
3 Mas vós formais desígnios de iniquidade no coração,
e as vossas mãos tramam injustiças na terra.
4 Os pecadores perverteram-se desde o seu nascimento,
erraram desde que saíram do ventre de sua mãe ;
disseram falsidades.

5, Cachorros dos leões, isto é, Inimigos selvagens e cruéis.


SALMOS, LVII, 5 - LVIII, 6 65

5 O seu furor é semelhante ao da serpente,


e ao da áspide que se faz surda, que fecha os seus
ouvidos.
6 e que não ouve a voz dos encantadores,
nem a do mago que encanta segundo a sua arte.
7 Deus lhes queb rará os dentes na sua boca ; Saa
destruição,
o Senhor quebrará as queixadas desses leões.
8 Serão reduzidos a nada como água que passa ;
(o Senhor) entesou o seu arco até que sejam abatidos.
9 Serão destruídos como a cera que se derrete ;
caiu fogo de cima sobre eles, e não viram mais o sol.
10 Antes que os seus espinhos se convertam numa sarça,
ele os devorará na sua ira ainda vivos.
11 Alegrar-se-á o justo ao ver a vingança ;
lavará as suas mãos no sangue do pecador.
12 E o homem dirá : Se deveras há recompensa para
·
o justo,
é certo haver um Deus que os julga sobre a terra.

SALMO LVIII

Oração para obter aa:[Link] contra oa inimigos

Para o fim, 1 não destruas: de David, para inscrição do


título, quando Sauf mandou cercar a sua casa para
o matar.
2 Salva-me, meu Deus, dos meus inimigos, Salva-me
e l ivra-me dos que se levantam contra mim. dos meus
inimigos,
3 Livra-me dos que praticam a iniquidade,
e salva-me dos homens sanguinários.
4 Porque eis que se tornaram senhores da minha vida ;
vieram sobre mim homens fortes.
5 Não (sofro isto), Senhor,
por minha culpa ou pecado meu ;
Segui a minha carreira sem injustiça, e ordenei os
meus passos.
6 Levanta-te ao meu encontro, e considera (a minha
inocência).
Senhor, Deus dos exércitos, Deus de Israel,
cuida de visitar todas as gentes (para as castigar)
:

s. LVII - 9-10. O texto destes dois verslculos é multo obscuro.


O sentido geral, Porém, é claro : Os maus serão punidos depressa, e
serão surpreendidos por uma violenta morte.

5
66 SALMOS, LVIII, 7 - 18

não uses de piedade com todos os que praticam a


iniquidade,
7 Voltarão à tarde, e padecerão fome como cães,
e rodearão a cidade.
8 Eis que falarão com a sua boca,
e uma espada estará nos seus lábios ;
porque (dirão eles) quem (nos) ouviu ?
9 Mas tu, Senhor, zombarás deles ;
reduzirás a nada todas as gentes.
10 Depositarei em ti a minha fortaleza,
porque tu, ó Deus, és o meu defensor.
11 A misericórdia do meu Deus antecipar-se-á em meu
socorro.
12 Deus me dará a conhecer os seus desígnios sobre os
meus inimigos ;
não os mates, para que não se esqueça o meu povo.
Dispersa-os com o teu p oder,
e abate-os, Senhor, p rotector meu,
13 pelo pecado da sua boca, pelas palavras dos seus
lá bios ;
e fiquem presos na sua mesma soberba.
E publicar-se-ão as suas execrações e mentiras,
14 no dia da desolação, na cólera da consumação, e
não subsistirão mais.
E saberão que Deus reinará sobre Jacob, e até aos
confins da terra.
15 Voltarão à tarde, e padecerão fome como cães,
e rodearão a cidade.
16 Andarão dispersos à busca de comer ;
e, se não se fartarem, murmurarão.
17 Eu, porém, cantarei a tua fortaleza,
::; "ri�
e eu ceie-
bra ua
e celebrarei com alegria desde manhã a tua miseri-
se
córdia. córdia ;
porque te fizeste meu protector
e meu refúgio no dia da minha tribulação.
18 Eu te cantarei, protector meu, porque tu, ó Deus, és
o meu auxílio,
Deus meu, misericórdia minha.

s. LVIII - 6, Não uses de piedade, isto é, [Link] para que·


se convertam.
7. Voltarão aos seus atenta:los in!quos todas as tardes. tempo·
oportuno para o vaguear dos cães, e para os actos do& criminosos.
12. Não os mates, não os destruas por completo, mas [Link]
na impossibilidade de prejudicar, dispersando-os, a-fim de que sirvam de'
exemplo a Israel,
SALMOS, LIX, 1 - 14 67

SALMO LIX

Oração nacional num grave perigo

Para o fim, 1 pelos que hão-de ser mudados, inscrição


do título, do mesmo David, para instrução,
2 quando incendiou a Mesopotâmia da Síria e Sobal,
e, voltando joab, venceu a Jdumea, derrotando
doze mil homens no vale das Salinas.
3 Ó Deus, desamparaste-nos, e destruíste-nos ; O povo,
desampa.
tu te iraste, porém tiveste piedade de nós.
rado Por
4 Fizeste estremecer a terra (de Israel) e a perturbaste ; Deus,
sara as suas chagas, porque está abalada.
5 .Mostraste ao teu povo coisas duras ;
deste-nos a beber o vinho da amargura.
6 Deste aos que te temem um sinal (um estandarte).
para que fujam de diante do arco.
Para que sejam livres os teus amados,
7 salva-nos com a tua dextra, e ouve-me,
8 Deus falou no seu santuário, pede o
auxilio de
alegrar-me-ei, e repartirei (à minha vontade) Siquem, Deus que
e medirei o vale dos Tabernáculos. o desam..
9 Meu é Galaad, e meu é .Manassés, parou
e Efraim é a força da minha cabeça.
Judá é o meu rei ;
10 .Moab é como que o vaso da minha esperanç�.
Estenderei o meu calçado sobre a Idumea ;
os estrangeiros me estarão sujeitos.
11 Quem me conduzirá à cidade fortificada ?
Quem me conduzirá até à I dumea ?
12 Quem, senão tu, ó Deus, que nos desamparaste ?
Não virás tu, ó Deus, à frente dos nossos exércitos ?
13 Dá-nos socorro na tribulação,
p orque é vã a salvação que se espera da parte do
homem.
14 Com Deus faremos proezas ;
e ele mesmo reduzirá a nada os que nos afligem.

S. LIX - 3. Desamparaste-nos ... David, esquecendo as suas


brilhantes vitórias, só pensa nas humilhações que o povo de Deus sofria
da parte dos ldumeus,
6. Deste... Há esperança de reparar a honra nacional. Deus deu
aos Israelitas um estandarte para que, juntanJo-se em volta dele, evitem
o perigo próximo e marchem em seguida vitoriosamente contra a [dumea.
[Link] estandarte mJial é a protecção do Senhor.
68 SALMOS, LX, 1 - LXI, 5

SALMO LX

[Link] elÜlado pede a Deus que o reconduza


a Jerusalém e que lhe dê ama vld.a longa

1 Para o fim, sobre os cdnticos, de David.


O exilado 2 Ouve, Deus meu, a minha súplica ;
pede a sua
volta
atende à minha oração .
3 D o s confins d a terra a ti clamei,
quando estava angustiado o meu coração ;
tu me colocaste sobre uma alta rocha.
Guiaste-me, 4 porque te fizeste a minha esperança,
uma torre sólida contra o inimigo.
5 Habitarei para sempre no teu tabernáculo ;
abrigar-me-ei à sombra das tuas asas.
ó Porque tu, Deus meu, ouviste a minha oração,
deste uma herança aos que temem o teu nome.
e o prolon . 7 Acrescentarás dias aos dias do rei ;
gamento
da vida
os seus anos durarão de geração em geração.
8 Ele permanece eternamente na presença de Deus.
A sua misericórdia e verdade (a favor dos seus ser­
vos), quem a sondará ?
9 Assim eu cantarei um salmo ao teu nome pelos
séculos dos séculos,
para cumprir sem cessar os meus votos.

SALMO LXl

Somente se deve confiar em Deus

1 Para o fim, para /ditam : Salmo de David.


A nossa 2 Porventura a minha alma não há-de estar sujeita a
única segu..
rança está
Deus,
em Deus dependendo dele a minha salvação ?
Salvador. 3 Porquanto ele é o meu Deus e o meu Salvador ;
é minha defesa, não serei jamais abalado.
4 Até quando arremetereis contra um homem ?
Juntais-vos todos para acabar com ele,
(e derribá-lo) como a uma parede desnivelada, e a
um muro abalado,
5 Certamente meditaram tirar-me a minha dignidade :
corri sedento ;

S, LXI - 1. Para lditum. Dedicação especial a este célebre


chefe de coro.
SALMOS, LXI, 6 - LXII, 5 69

com a sua boca me bendiziam, e com o seu coração


me maldiziam.
6 Mas tu, ó minha alma, conserva-te sujeita a Deus,
porque dele é que vem a minha paciência.
7 Porque ele é meu Deus e meu salvador ;
é minha defesa, (por isso) não vacilarei.
8 Em Deus está a minha salvação e a minha glória ;
de Deus é que espero o meu socorro,
e a minha esperança está em Deus.
9 Esperai nele vós todos que constituís o povo ;
expandi diante dele os vossos corações ;
Deus é o nosso protector eternamente.
10 Vãos, porém, são os filhos dos homens, e não nos
homens
mentirosos os filhos dos homens postos em balanças ; vãos,
Todos eles juntos são mais leves que a (mesma) vai­
dade.
11 Não queirais confiar na iniquidade,
nem queirais cobiçar rapinas ;
se abundardes em riquezas, não queirais pôr nelas
o vosso coração.
12 Deus falou uma vez,
eu ouvi estas duas coisas :
O poder é de Deus.
13 e tu, Senhor, és misericordioso ;
porque retribuirás a cada um segundo as suas obras.

SALMO LXII

Oração da manhã dirigida a Deus numa solidão


em que David se encontrava refugiado

1 Salmo de David, quando estava no deserto da Jdumea.


2 Ó Deus, ó meu Deus, em ti estou vigilante desde o No deserto
raiar da aurora, ant�:t"
De ti está sedenta a minha alma.
E de quantas maneiras o está (também) a minha carne!
3 Em terra deserta, e intransitável e sem água,
nela me apr�sentei a ti como (se estivesse) no santuário,
para contemplar ') teu poder e a tua glória.
4 Porque a tua misericórdia é melhor que todas as vidas,
os meus lábios te louvarão.
5 Assim te bendirei em minha vida.
e, invocando o teu nome, levantarei as minhas mãos.
70 SALMOS, LXII, 6 - LXIII, 8

6 Como de banha e de gordura seja saciada a minha alma,


e com lábios de júbilo te louvará a minha boca.
Pensa 7 Lembro-me de ti sobre o meu leito,
sempre
em Deus,
de manhã medito também em ti.
8 Porque foste o meu defensor ;
e à sombra das tuas asas me regozijarei.
9 A minha alma está presa a ti ;
a tua dextra me acolheu.
Prediz a 10 Eles em vão procuraram tirar-me a vida ;
ruina dos
inimigos.
entrarão nas profundidades da terra ;
11 serão entregues ao poder da espada,
e virão a ser presa das raposas.
12 Entretanto o rei alegrar-se-á em Deus ;
louvados serão todos os que juram por ele,
p ois foi fechada a boca aos que proferiam coisas
iníquas.

SALMO LXIII
Violências dos perseguidores de David

1 Para o fim : Salmo de David.


Pede 2 Ouve, ó Deus, a minha oração quando te rogo ;
anxllio
contra os
livra a minha alma do temor do inimigo,
cahlnia. 3 Defendeste-me da conspiração dos malignos,
dores, da multidão dos que praticam a iniquidade.
4 Porque aguçaram como espada as suas línguas,
entesaram o arco envenenado
5 para de emboscada assetear o inocente.
aos quais 6 De súbito o assetearão sem temor algum ;
nada detém,
obstinaram-se na sua depravada resolução.
Convencionaram esconder laços,
e disseram : Q uem os verá ?
7 Inventaram crimes ;
cansaram-se a esquadrinhar ardis.
O homem penetrará até ao fundo do seu coração.
terminando 8 Mas Deus será exaltado.
por ser
destruidos,
As feridas que eles fazem, são como as das flexas de
crianças ;

S. LXI! - 6. Como de banha . . . Imagem para simbolhar as


graças particulares que David espera alcançar de Deus por meio da sua
oração.
1 1 . E virão a ser presa . . . Os seus corpos ficarão insepultos
como pasto de feras, ,
12. Que juram por ele, isto é, que lhe guardam fidelidade,
SALMOS, LXIII, 9 - LXIV, 9 71

9 e a s suas línguas (caluniadoras) perderam a força,


voltando-se contra eles mesmos.
Todos os que os viam ficaram assombrados,
10 e todo o homem temeu.
E anunciaram as obras de Deus,
e compreenderam os seus actos,
11 Alegrar-se-á o justo no senhor, e esperará nele, .
e serão louvados todos os de coração recto.

SALMO LXIV

Louvor a Deus pelos seus benefícios

1 Para o fim : Salmo de David, cdntico de jeremias e


de Ezequiel, para o povo do cativeiro, quando
começava a sair dele.
2 A ti, ó Deus, são devidos os hinos em Sião, Louvor
pela remis­
e a ti serão prestados votos em .Jerusalém. são dos
3 Ouve a minha oração ; pecados.
a ti virão todos os mortais (para te adorar).
4 As palavras dos iníquos prevaleceram sobre nós,
mas tu perdoarás as nossas impiedades.
5 Bem-aventurado o que escolheste e tomaste para ti ;
ele habitará nos teus átrios.
Seremos cheios dos bens da tua casa ;
santo é o teu templo,
6 maravilhoso em equidade, pelo
governo de
O uve-nos, ó Deus, Salvador nosso, todas as
esperança de todos os confins da terra, coisas,
e das longínquas praias do mar.
7 Dás firmeza aos montes com a tua força,
cingido de poder.
8 Revolves o fundo do mar,
(e fazes ouvir) o estrondo das suas ondas.
Perturbar-se-ão as nações.
9 e os que habitam os confins da terra temerão pelos
teus prodígios ;
darás alegria às regiões do oriente e do ocidente.

s. LXIV - 1 . Cântico de jeremias e Ezequiel, isto é , cântico


que estes profetas mandaram cantar aos lsraelitas, quanio estavam para
sair do cativeiro.
4. Prevaleceram sobre nós, isto é, deixámo-nos seduzir par elas.
72 SALMOS, LXIV, 10 - LXV, 7

pela ferti­ 10 Visitaste a terra, e inebriaste (com chuvas bené-


lidade da
terra, ficas), encheste-a de toda a sorte de riquezas.
O rio de Deus encheu-se de águas ;
preparaste o sustento do teu povo,
porque tal é a boa disposição dos campos,
11 Inebria (de água) os seus ribeiros,
multiplica as suas produções ;
com o destilar do seu orvalho ela se alegrará dando
frutos.
12 Ben dirás a coroa do ano da tua b o ndade,
e os teus campos se encherão de abundância.
13 As graciosas (pastagens) do deserto ficarão viçosas,
e os outeiros vestir-se-ão de gala.
14 Os carneiros dos rebanhos se revestirão (de lã).
e os vales estarão cheios de trigo ;
tudo cantará e fará ouvir hinos.

SALMO LXV
Acção de graças depoia dum triunfo

1 Para o fim : Cântico e Salmo da ressurreiçt1o.


Celebrai a Deus, habitantes todos da terra :
Louvor 2 Cantai salmos ao seu nome ;
a Deus
tributai-lhe gloriosos louvores,
pelo seu
p0der. 3 Dizei a Deus ; Quão terríveis são, Senhor, as tuas
obras ! Por causa do teu grande poder os teus
inimigos dirigem-te homenagens mentirosas,
4 A terra t oda te adore, e cante em teu louvor,
cante salmos ao teu nome.
5 Vinde, e vede as obras de Deus ;
é terrível nos seus desígnios sobre os filhos dos homens.
pelas 6 Ele converteu o mar em terra firme,
maravilhas
operadas
passaram pelo rio a pé enxuto ;
em favor ali nos alegrámos nele.
de Israel, 7 Ele domina pelo seu poder para sempre,
os seus olhos contemplam as nações ;
os que o irritam não se ensoberbeçam dentro de si
mesmos.

10. O rio de Deus . . . Expressil.o poética para dizer que cai�


muita chuva, trazendo à terra a fertilidade.
n. Coroa do ano, Isto é, todos os produtos agr!colas.
S. LXV - 3 , Homenagens mentirosas, isto é, homenagens forçadas
que os vencidos. contra a sua vontade, são obrigados a prestar ao vencedor�
SALMOS, LX V' 8 - LX. VI, 4 73

8 Bendizei, nações, o nosso Deus, pelo


aux!lio
e fazei que se ouça a voz do seu louvor. concedido
9 É ele que tem conservado a minha vida, na pro.
e não permitiu que os meus pés vacilassem. vaçào.

10 Porquanto nos provaste, ó Deus ;


com fogo nos acrisolaste, como se acrisola a prata.
1 1 Deixaste-nos cair no laço ;
carregaste de tribulações as nossas costas ;
12 puseste homens sobre as nossas cabeças.
Passámos pelo fogo e pela água,
mas conduziste-nos a um lugar de refrigério.
13 Entrarei na tua casa com holocaustos ; É preciso
oferecer
pa gar-te-ei os meus votos, sacrificios
1 4 que os meus lábios pronunciaram, e cumprir
e que proferiu a minha boca na minha tribulação. os votos.
15 Oferecer-te-ei holocaustos pingues com o fumo dos
carneiros (sacrificados) ;
oferecer-te-ei bois com cabritos.
16 Vinde, ouvi todos os que temeis a Deus. e publicar
os benefi.
e eu vos narrarei quão grandes coisas ele fez à minha
· cios
a lma. divinos.
17 A minha boca clamou por ele,
e exaltei-o com a minha língua.
18 Se eu tivesse visto a iniquidade no meu coração,
o Senhor não me ouviria.
19 Por isso me ouviu Deus,
e atendeu à voz da minha súplica.
20 Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração,
nem retirou de mim a sua misericórdia.

SALMO LXVI
Proteja Dea• Israel, e seja adorado pelos G entios

1 Para o fim, entre os hinos : Salmo, cântico de David.


2 Deus tenha piedade de nós e nos obençoe ;
faça resplandecer o seu rosto sobre nós, e tenha
piedade de nós.
3 Para que conheçamos na terra o teu caminho,
e entre todas as nações a tua salvação.
4 Glorifiquem-te, ó Deus, os povos ;
glorifiquem-te todos os povos.

10.12. Várias metáforas para inilcar a gravidade do perigo de que


foi livro.
'/4 SALMOS, LXVI, 5 - LXVII, 10

5 Alegrem-se e regozijem-se as nações,


porquanto julgas os povos com equidade,
e diriges as nações sobre a terra.
6 Glorifiquem-te, ó Deus, os povos ;
glorifiquem-te todos os povos.
7 A terra deu o seu fruto.
Abençoe-nos Deus, o nosso Deus !
8 Abençoe-nos Deus,
e temam-no todos os confins da terra !

SALMO LXVII
Canto triunfal em honra da Providência de Deus
e da sua bondade para com Israel

Deus 1 Para o fim : Salmo, cântico do mesmo David.


dissipa
os seus
2 Levante-se Deus, e sejam dispersos os seus inimigos,
inimigos : e fujam da sua presença os que o aborrecem.
3 Como se desvanece o fumo, assim eles se desvaneçam ;
como se derrete a cera diante do fogo, assim pereçam
os pecadores diante de Deus.
4 Os justos, porém, b anqueteiem-se e regozijem-se na
presença de Deus,
e gozem com alegria.
5 Cantai a Deus, dizei salmos ao seu nome ;
aparelhai o caminho àquele que sobe para o ocidente.
O Senhor é o seu nome.
Regozijai-vos diante dele.
(os ímpios) turbar-se-ão diante dele.
6 Ele é o pai dos órfãos, e o juiz das viúvas.
Deus está no seu lu!!ar santo.
7 É o Deus que faz habitar na (mesma) casa os que têm
um mesmo viver ;
que põe em liberdade os cativos com o seu poder ;
mesmo aqueles que o irritam, os quais moram nos
sepulcros (ou lugares áridos).
antigamente 8 Ó Deus, quando saías à frente do teu povo,
conduziu e
auxiliou o
quando atravessavas o deserto,
sen povo : 9 a terra tremeu e os céus destilaram águas,
a nte a face do Deus do Sinai, diante do Deus de Israel.
10 Ó Deus, tu reservaste uma chuva abundante para a
tua herança ;
e, quando ela enfraqueceu, tu a reconfortaste.
S,\l M O S , LXVII, 1 1 - 24 75

1 1 Nela morarão os da tua grei ;


na tua bondade, ó Deus, preparaste o sustento para
o pobre.
12 O Senhor dará palavras (de grande eficácia)
aos que com grande coragem anunciam a boa nova.
13 O rei dos exércitos está em poder do seu muito amado,
e (aquela que é) a formosura da casa reparte os despojos.
14 Quando descansais no meio das vossas herdades,
(sois) como as penas prateadas da pomba,
na extremidade de cujo d orso há o brilho flavo do ouro.
15 Enquanto o Altíssimo dispersa os reis da terra,
tudo no (monte) Selmon branqueará de neve. ·
16 O monte de Deus é um monte fértil,
monte coagulado, monte fecundo.
17 Mas, por que pensais em (outros) montes férteis ?
Há um monte (que é Sião) em que aprouve · a Deus
morar,
porque o Senhor habitará nele perpetuamente.
18 O carro de Deus vai rodeado com muitos milhares,
são milhares (de anjos) que se alegram ;
o Senhor está entre eles no seu santuário, (como
estivera) no Sinai.
19 Subiste (ó Senhor) ao alto, levaste contigo cativos,
tomaste dons para distribuíres pelos homens ;
mesmo pelos que não criam que o Senhor Deus
habitava entre nós.
20 Bendito seja o Senhor em toda a série dos dias ; agora
também o
o Deus da nossa salvação tornar-nos-á próspero o protege,
caminho.
21 O nosso Deus é o Deus que tem a virt ude de nos salvar;
e ao Senhor, ao Senhor pertence o livrar da morte,
22 Mas Deus· quebrará as cabeças dos seus inimigos,
e a fronte soberba dos que se comprazem nos seus
pecados.
23 O Senhor disse : De Basan os farei voltar,
eu os tomarei do fundo do mar,
24 para que o teu pé seja tinto no sangue (dos teus
inimigos),
e a língua dos teus cães tenha também a sua parte
dos inimigos.

s. LXVll - 13. O rei dos exércitos . . • Deus como que se


colocou ao serviço (está em poder) do seu amado Israel, conduzindo
os seus exércitos à vitória, depois da qual os Hebreus reentraram no lar,
carregados de despojos. E então aquela que é a formosura da casa,
isto é, a mãe de familia, reparte esses despojos entre todos º' seus.
76 SALMOS, LXVII, 25 - 36

e por isso 25 Eles viram a tua entrada (triunfal), ó Deus.


é bendito.
a entrada do meu Deus, do meu rei, que está no
santuário.
26 Foram adiante os príncipes, juntamente com os que
cantavam salmos,
no meio das donzelas que tocavam timbales,
27 Bendizei nas assembleias o Senhor Deus,
(vós que sois) da estirpe de Israel.
28 Ali estava (a tribo de) Benjamim, o mais novo, em
santos transportes ;
os príncipes de Judá, seus comandantes ;
o s príncipes de Zabulon, os príncipes de Neftali.
Deus 29 6 Deus, mostra o teu poder,
vencerá os
gentios,
confirma, ó Deus, aquilo que fizeste entre nós.
30 No teu templo em Jerusalém,
te oferecerão dons os reis.
31 Reprime essas feras dos canaviais,
esses povos congregados como touros entre vacas.
para lançar fora (da tua herança) os que foram pro­
vados como a prata.
Dissipa as nações que querem guerras.
32 Virão embaixadores do Egipto ;
a Etiópia se adiantará a estender as suas mãos para
Deus.
e será 33 Reinos da terra, cantai a Deus ;
louvado
por eles.
entoai salmos ao Senhor ; entoai salmos a Deus,
34 que se eleva sobre todos os céus para a parte do
oriente.
35 Dai glória a Deus pelo que fez em Israel ;
a sua magnificência e o seu poder elevam-se até às
nuvens.
36 Deus é admirável nos seus santos,
o Deus de Israel ele mesmo dará virtude e fortaleza
ao seu povo.
Bendito seja Deus !

29, Mostra . . . David pede a Deus que redobre de vigor para


consolidar a obra do seu tri unto.
31. As feras dos canaviais, isto é, o croco:lilo ou o hipopótamo,
emblemas célebres do Egípto, cujo 1io sagrado povoavam. David pede a
sabmiuão do Eg:ipto, que era uma das nações mais perigosas para Israel.
32 . A estender as suas mãos em atitude de adoração.
34. Eis que vai dar . • . Segunio o hebreu : bis que fa;;
ouvir a sua vo;;, uma vo;; poderosa.
SALMOS, LXVIII, 1 - 13 77

SALMO LXVIII

Oração do justo persegnído pela causa de Deus


Salmo messiânico em que David prediz
os sofrimentos de Jesus na sua paixão

1 Para o fim, para os que hão-de ser mudados :


Salmo de David.
2 Salva-me, ó Deus, Estando no
meio de
porque as águas (da tribulação) penetraram até à misérias
minha alma. extremas,
3 Estou atolado num lodo profundo, e não há nele
consistência.
Cheguei ao alto mar, e a tempestade me submergiu,
4 Cansei-me clamando, enrouqueceram-se as minhas
fauces ;
desfaleceram os meus olhos à espera do ineu Deus.
5 Multiplicaram-se, mais que os cabelos da minha cabeça,
aqueles que me aborrecem sem razão.
Tornaram-se fortes os meus inimigos
que me perseguem injustamente ;
raguei o que não tinha roubado,
6 Õ Deus, tu conheces a minha insipiência, e por causa
do zê!o
e os meus delitos ocultos. pela casa
7 Não sejam envergonhados por minha causa os que de Deas,
esperam em ti, Senhor, Senhor dos exércitos.
Não sejam confundidos a meu respeito aqueles que
te buscam, ó Deus de Israel.
8 Pois por tua causa sofri afronta,
foi coberto de confusão o meu rosto.
9 Tornei-me um estranho para meus irmãos,
e um desconhecido para os filhos de minha mãe,
10 Porque o zelo da tua casa me devorou,
e os �p rób rios dos que te insultavam, recaíram sobre
mim.
1 1 E mortifiquei pelo jejum a minha alma,
e isto tornou-se-me em opróbrio.
12 Tornei por vestido um cilício,
e fui p ara eles objecto de escárnio,
13 Falavam contra mim os que se sentavam à p orta
(da cidade),
e contra mim cantavam os que bebiam vinho.

S. LXVl!l - 5, Paguei . , • Expiei faltas que não tinha cometidc.


78 SALMOS, LXVIII, 14 - 29

pede a ma 1 4 Porém eu, Senhor, dirigia-te a minha oração, dizendo :


libertação
Eis o tempo favorável, ó Deus ;
ouve-me segundo a multidão da tua misericórdia,
segundo a verdade da tua (promessa de ) salvação.
15 Tira-me do lodo, para que não fique atolado ;
livra-me daqueles que me odeiam, e da profundi­
dade das águas (da tribulação).
16 Não me afogue a tempestade de água,
nem me absorva o mar profundo ;
nem a boca do poço (de tantas misérias) se feche:
sobre mim.
17 Ouve-me, Senhor, porque é benigna a tua misericórdia •
segundo a multidão das tuas comiserações olha para
mim,
18 E não apartes o teu rosto do teu servo ;
ouve-me prontamente, porque estou angustiado.
19 Atende à minha alma, e livra-a ;
salva-me por causa dos rr eus inimigos.
e o castigo 20 Tu conheces o meu opróbrio, e a minha confusão, e:
dos immigos, ,
a minha vergonha.
21 A tua vista estão todos os que me afligem,
o meu coração espera (sempre) impropérios e misérias ..
Esperei que alguém se éondoesse de mim, e não­
houve ninguém ;
Esperei que alguém me consolasse, e não achei.
22 E deram-me fel por comida,
e na minha sede apresentaram-me vinagre.
23 (Em castigo) torne-se a sua mesa diante deles um laço,.
e em tribulação, e em ruína.
2 .J: Obscureçam-se os seus olhos para que não vejam ;
e encurva-lhes sempre o dorso (sob um jugo pesado) •.
25 Derrama sobre eles a tua ira,
e o furor da tua cólera os alcance.
26 Deserta fique a sua morada ;
e não haja quem habite nas tuas lendas.
27 Porquanto perseguiram aquele que tu feriste,
e agravaram a dor das minhas chagas.
28 Permite que juntem maldade sobre maldade,
e não cheguem a entrar nos caminhos da tua justiça.
29 Sejam riscados do livro dos viventes,
e não sejam inscritos com os justos.

23-29, O paciente pede que os seus perseguidores sejam punido•


cem a lei de talião, comum entre os antigos, mas que depois o Evangelho
(Mal. V, 38-45) substituiu p0r outra mais suave, que é a lei da caridade,
SALMOS, LXVIII, 30 - LXIX, 6 79

30 Eu sou pobre e cheio de dores ; prometend<>


a Dens o
mas a tua salvação, ó Deus, me acolheu. seu louvor
31 Glorificarei o nome de Deus com cânticos, e o do
e engrandecê-lo-ei com louvores ; mundo.
32 e isto agradará a Deus mais do que o (sacrifício do)
tenro novilho,
quando lhe vão nascendo as pontas e as unhas.
33 Vejam (isto) os pobres, e alegrem-se .
Buscai a Deus, e viverá a vossa alma ;
34 p orque o Senhor ouviu os pobres,
e não desprezou os que por amor dele estão em
cadeias.
35 Louvem-no os céus e a terra,
o mar e tudo o que neles se move.
36 Porque Deus salvará Sião,
e edificar-se-ão as cidades de Judá.
E morarão ali, adquirindo-as como sua herança.
37 E a descendência dos seus (jiéis) servos a possuirá,
e os que amam o seu nome habitarão nela.

SALMO LXIX

Súplica dum perseguido

1 Para o fim : Salmo de David, em memória de ter


sido salvo pelo Senhor.
2 Ó Deus, vem em meu auxílio. Contra os
inimigos.
Senhor, apressa-te para me socorrer.
3 Sejam confundidos e envergonhados os que procuram
tirar-me a vida,
4 Voltem atrás, e sejam envergonhados os que me dese­
jam mal.
Retirem-se logo cheios de confusão os que, (insul­
tando) me dizem : Bem feito, bem feito !
5 Regozijem-se e alegrem-se em ti todos os que te Pelos Justo s
e por ele
b uscam, próprio'
e os que amam a tua salvação digam sempre :
Glorificado seja o Senhor.
6 .Mas eu sou necessitado e pobre ;
ó Deus, socorre-me.
Tu és o meu protector e o meu libertador ;
Senhor, não te demores,
80 SALMOS, LXX, 1 - 14

SALMO LXX

Súplica dum velho no meio do perigo

1 Salmo de David, dos filhos de jonadab, e dos pri­


meiros cativos.
Espera no Em ti, Senhor, esperei, não permitas que eu seja
Senhor,
para sempre confundido.
2 Na tua justiça, livra-me e põe-me a salvo.
Inclina para mim o teu ouvido, e salva-me.
3 Sê para mim um Deus protector
e um asilo seguro para me salvar,
porque tu és a minha força e o meu refúgio.
4 Deus meu, livra-me da mão do pecador,
e da mão do que procede contra a lei, e do iníquo ;
5 porque tu, Senhor, és a minha paciência ;
Senhor, tu és a minha esperança desde a minha
mocida de.
6 Em ti me firmei desde o meu nascimento ;
tu és o meu protector desde o ventre de minha mãe,
Tu serás sempre o assunto dos meus cânticos.
7 Fui considerado por muitos como um prodígio ;
mas tu és um poderoso protector.
8 Encha-se a minha boca de louvor,
para cantar a tua glória,
e p ara celebrar todo o dia a tua grandeza.
9 Não me desampares no tempo d a . velhice :
quando faltarem as minhas forças, não me abandones.
10 Porque os meus inimigos falaram contra mim,
e os que insidiavam a minha vida tiveram juntos
conselho,
1 1 dizen do : Deus desamparou-o ;
P,ersegui-o, e pren dei-o, porque não há quem o livre.
12 Ó Deus, não te afastes de mim ;
Deus meu, acode em meu socorro.
13 Sejam confundidos e pereçam, os que maldizem a
minha alma ;
sejam cobertos de confusão e de vergonha, os que
me p rocuram males.
14 Eu, porém, esperarei sempre (em tz),
e acrescentarei louvor sobre todos os teus louvores.

S. LXX - Como um prodígio, como nm objecto de admiração,


por causa dos meus extraordinários sofrimentos.
SALMOS, LXX, 15 - LXXI, 3 81

15 A minha boca anunciará a tua j ustiça, e sempre o


louvará.
e todo o dia publicará a tua salvação.
Visto que não conheço a ciência (humana),
16 internar-me-ei na consideração das obras do Senhor ;
Senhor, lembrar-me-ei somente da tua j ustiça.
17 Ensinaste-me, ó Deus, desde a minha mocidade,
e eu publicarei as tuas maravilhas (que tenho expe­
rimentado) até agora.
1 8 E até à velhice e aos cabelos brancos,
ó Deus, não me desampares,
até que anuncie o (poder do) teu braço a toda a ge­
ração que há-de vir ;
o teu poder 19 e a tua justiça, ó Deus, que chegam
até aos céus.
Nas maravilhas que fizeste, ó Deus, quem é seme­
lhante a ti ?
20 Quantas tribulações numerosas e amargas·me fizeste
provar !
Mas, voltando-te para mim, deste-me novamente a
vida e dos abismos da terra outra vez me tiraste.
21 Multiplicaste a tua magnificência,
e, voltando-te para mim, me consolaste.
22 Por isso também eu te louvarei ao som de instru­
mentos pela tua verdade, ó Deus ;
eu te cantarei salmos ao som da cítara, ó santo de Israel .
2 3 Ao cantar o s teus louvores, regozijar-se-ão o s meus
lábios e a minha alma, que resgataste.
24 E a minha língua anunciará todo o dia a tua justiça,
quando forem confundidos e envergonhados os que
procuram fazer-me mal.

SALMO LXXI
O relno eterno do MesslH

1 Salmo sobre Salomão (figura de Cristo),


2 Ó Deus, dá a tua equidade ao rei, O Jlleslsas.
e a tua justiça, ao filho do rei ; rei jasto e
pacifico,
para que ele julgue o teu povo com justiça,
e os teus pobres com equidade,
3 Recebam os montes paz para o povo,
e os outeiros justiça.

S, LXXI - 3, Os benéficos efeitos da paz • da jastiça lar-se-ão


sentir nos lagares ordinàriamente menos acesslveis a tais bens.

6
82 SALMOS, LXXI, 4 - 20

4 Julgará os pobres do povo,


e salvará os filhos dos pobres,
e humilhará o caluniador.
5 E durará tanto como o sol e a lua,
de geração em geração.
6 Descerá como a chuva sobre o velo,
e como orvalho que goteja sobre a terra.
7 Nos seus dias aparecerá a justiça e a abundância da
paz, até que a lua deixe de existir
dominará 8 E dominará de mar a mar,
em Ioda a
terra,
e desde o rio (Eufrates) até às extremidades da terra .
9 Diante dele se prostrarão os Etíopes ;
e os seus inimigos beijarão a terra.
10 Os reis de Tarsis, e as ilhas lhe oferecerão dons ;
os reis da Arábia e de Sabá lhe trarão presentes ;
1 1 e adorá-lo-ão todos os reis da terra ;
todas as nações o servirão ;
12 porque livrará o pobre (das mãos) do poderoso,
e o indigente que não tem quem lhe valha.
13 Usará de c lemência com o pobre e o desvalido,
e salvará as almas dos pobres.
14 Resgatará as suas almas das usuras e da iniquidade,
e o seu nome será em honra na sua presença.
15 E viverá, e lhe apresentarão do ouro da Arábia ;
e o adorarão sempre, todo o dia o bendirão.
abençoará 16 E haverá mantimento na terra, (mesmo) no cume
e será
abençoado.
dos montes,
exaltar-se-á sobre o Líbano o seu fruto,
e florescerão os da cidade, como a erva dos campos.
17 Seja o seu nome bendito pelos séculos ;
o seu nome existe antes do sol.
E serão benditas nele todas as tribos da terra ;
todas as nações o glorificarão.
Doxologia 18 Bendito seja o Senhor Deus de Israel ;
do �egundo
livro.
é só ele que fa z maravilhas.
19 E bendito seja o nome da sua majestade para sempre r
e encher-se-á da sua majestade toda a terra. Assim
seja, assim seja.
Fim. 20 Acabam aqui os louvores de David, filho de Jessé.

J. Até que a lua . . . isto é, enqaanto durar o mundo ,


16. Os da cidade, isto é, os habitantes do 1eino messiânico.
20. A propósito deste versiculo diz S. Jerónimo : Acabam os
louvores de David, porque neste salmo descreveu · a plenitude e o fim
das coisas, evantelizando a Jesus Cristo, fim e complemento de ludo,
LIVRO TERCEIRO

SALMO LXXII

Não Invejemo• a falsa felicidade doa imploa

1 Salmo de Asaf. Felicidade


temporal dos
Quão bom é Deus para Israel, pecadores.
para os que são rectos de coração!
2 Os meus pés por pouco não vacilaram ;
por ·pouco se não transviaram os meus passos.
3 Porque tive inveja dos iníquos,
vendo a paz dos pecadores.
4 Porque eles não têm medo da morte ;
e as suas penas são de curta duração.
5 Não participam (pelo menos aparentemente) dos tra­
balhos dos mortais,
nem como os outros homens serão flagelados.
6 Portanto ensoberbeceram-se,
estão cobertos da sua iniquidade e impiedade.
7 A sua maldade nasce como que da sua gordura,
abandonaram-se às paixões do seu coração.
8 Os seus pensamentos e palavras são somente maldade;
falaram altivamente (sem pudor) da iniquidade.
9 Abriram a sua boca contra o céu,
e a sua língua foi discorrendo pela terra.
10 Por isto o meu povo se voltará para aí ;
e serão achados nele dias cheios.
11 E chegam a dizer : Porventura Deus sabe isto,
e tem disto notícia o Altíssimo ?
12 Eis que
. estes pecadores, que têm tudo em abundân- Infelicidade
do•
Cl'.1 .neste mundo, . inocent"11 ,
adqumram (novas) riquezas.

S. LXXII - 2-3. David esteve quase a ser vencido por uma grande
tentação, que a vista da feliddade temp0ral dos lmpios tinha excitado
na sua alma, Pouco faltou para que ele duvidas .. da Providência, e se
revoltasse contra ela.
7, Da sua gordura, isto é, do seu coração sensual e corrompido.
10, Por isto muitos do meu povo se voltarão para o lado
dos lmpios, seduzidos pela sua falsa felicidade, E estes miseráveis apósta­
tas julgarão encontrar dias felizes e numerosos (e serão achados
nele .. , ) .
84 SALMOS, LXXII, 13 - 28

13 E eu disse : Foi portanto inutilmente que purifi­


quei o meu coração,
e lavei entre os inocentes as minhas mãos ;
14 pois fui afligido todo o dia,
e castigado desde manhã.
Fim mi••· 15 Se eu dissesse : Falarei assim,
;:;:à0�!. via qui: condenava a nação dos teus filhos.
16 Reflech para compreender isto,.
porém foi grande a dificuldade aos meus olhos,
17 até que entrei no santuário de Deus,
e compreendi qual será o fim deles.
18 A verdade é que lhes deste uma prosperidade enga­
nosa ;
derribaste-os quando se elevavam.
19 Ó, como foram reduzidos a uma tal desolação !
Repentinamente feneceram : pereceram pela sua
maldade.
20 Como o sonho dos que despertam, Senhor,
assim reduzirás a nada a sua imagem na tua cidade.
21 Porque se inflamou o meu coração,
e as minhas entranhas se comoveram,
22 e fiquei aniquilado sem saber por quê.
23 Tornei-me diante de ti como um animal de carga,
mas sempre contigo (sem jamais me afastar).
Fim glorioso 24 T omaste-me pela minha mão direita,
dos insto•.
e me conduziste segundo a tua vontade,
e com glória me acolheste.
25 Pois que há para mim no céu,
e, fora de ti, que desejei eu sobre a terra?
26 Desfaleceu a minha carne e o meu coração,
ó Deus, que és o Deus do meu coração, e a minha
herança para sempre.
27 Pois os que se apartam de ti perecerão ;
aniquilaste todos os que te são infiéis.
28 Mas para mim é bom unir-me a Deus,
e pôr no Senhor Deus a minha esperança,
a fim de publicar todos os teus louvores às portas
da filha de Sião.

18-U, Com a morte desaparecerá para sempre, como nm sonho,


a felicidade dos maas.
SALMOS, LXXIII, 1 -13 85

SALMO LXXIII
Súplica veemente a Deu• ao veir o santuário
profanado
1 Instrução de Asaf :
Por que razão, ó Deus, nos desamparaste para sempre? o templo é
(Por que razão) se acendeu o teu furor contra as prof�nado
ovelhas do teu pasto ? mr::.f:o.
2 Lembra-te da tua família.
que possuíste desde o princípio.
Tu recuperaste o cetro da tua herança:
O monte de Sião, em que habitaste.
3 Levanta as tuas mãos contra a sua soberba sem limites.
Quantas maldades cometeu o inimigo no santuário!
4 E os que te odeiam, gloriam-se (de te insultar) no
meio da tua solenidade.
Hastearam os seus estandartes como troféus ;
5 e não respeitaram nem as eminências nem as saídas.
Como num bosque de árvores, com machados
6 despedaçaram à porfia as suas portas ;
com machado e martelo tudo derribaram.
7 Puseram fogo ao teu santuário ;
na terra profanaram o tabernáculo do teu nome.
8 Disseram no seu coração com os das suas parentelas:
Façamos cessar na terra todos os dias de festa con­
sagrados a Deus.
9 Não vemos mais os nossos estandartes ;
já não há um profeta (que nos guie) ;
e (Deus) não nos conhecerá daqui em diante.
'10 Até quando, ó Deus, nos insultará o inimigo ?
O adversário há-de blasfemar sempre ?
11 Por que retrais a tua mão ?
Por que não tiras a tua direita do teu seio de uma
vez para sempre ?
12 Mas Deus, que é nosso rei antes dos séculos,
operou a salvação no meio da terra. �
Apelo ao
po � de
.
13 Tu com o teu poder deste solidez ao mar (Vermelho),
pisaste as cabeças dos dragões nas águas.

s, LXXlll - 3. Contra a sua soberba, contra a soberba dos


tens inimigos
s s
9, Os Judens lastimam-se de já não verem os eu estandartes
sagrados , substilnfdos por toda a parte pelos do inimigo,
13, As cabeças dos dragões, isto é, os Eglpcios, que iam no
encalço do povo de Deus,
86 SALMOS, LXXIII, 14 - LXXIV, 6

14 Tu quebraste as cabeças do dragão ;


deste-o por comida aos povos da Etiópia.
15 Tu fizeste brotar fontes e torrentes ;
tu secaste os rios de Etan.
16 Teu é o dia, e tua é a noite ;
tu criaste a aurora e o sol.
17 Tu estabeleceste todos os limites da terra,
o estio e a primavera tu os formaste.
Oração 18 Lembra-te disto : O inimigo ultrajou o Senhor,
pedindo o
aaxflio
e um povo insensato blasfemou do teu nome.
divino. 19 Não entregues às feras as almas que te louvam,
e não esqueças para sempre as almas dos teus pobres.
20 Olha para a tua aliança,
porque todos os lugares obscuros do país estão cheios
de antros de iniquidade.
21 Não se volte confundido o humilde ;
o pobre e o desvalido louvarão o teu nome.
22 Levanta-te, ó Deus, julga a tua causa ;
lembra-te dos ultrajes feitos contra ti,
dos ultrajes com que um povo néscio te injuria con­
tinuamente.
23 Não te esqueças d'os clamores dos teus inimigos.
A soberba daqueles que te ab orrecem aumenta con­
tinuamente.

SALMO LXXIV
Justiça de Deus na punição dos ímpios

1 Para o fim. Não destruas : Salmo cântico de Asa/.


Deas, justo 2 Nós te louvaremos, ó Deus, nós te louvaremos,
jaiz, ·
e invocaremos o teu nome ;
narraremos as tuas maravilhas.
3 No tempo que eu tiver fixado (disse Deus),
j ulgarei com justiça (todas as coisas).
4 A terra dissolveu-se, e todos os que a habitam ;
eu (porém) fortaleci as suas colunas.
humilhando 5 Disse aos malvados : Não pratiqueis mais a maldade ;
os inimigos,
e aos pecadores : Não levanteis a vossa fronte soberba.
6 Não levanteis com insolência as vossas cabeças ;
não faleis iniquamente contra Deus.

S . LXXIV - 1. Não destruas. Ver nota S. LVI, 1.


SALMOS, LXXIV, 7 - LXXV, 10 87

7 Porque nem do oriente, nem do ocidente,


nem pelos montes dese1tos (vos vird auxílio),
8 porque o juiz é Deus.
A este humilha, e àguele exalta ;
<) porque na mão do Senhor há um cálice
que contém vinho puro cheio de (amarga) mistura.
Ele o inclina dum lado para o outro,
e todavia as suas fezes não se esgotaram ;
delas beberão todos os pecadores da terra.
10 E eu anunciarei estas coisas sempre, exalta o
cantarei ao Deus de Jacob. seu povo.

11 E quebrarei todas as forças dos pecadores ;


e será exaltada a fronte do justo.

SALMO LXXV

Acção de graças depois dum tri unfo

1 Para o fim, para louvar : Salmo de Asaf, cântico


sobre os Assírios,
2 Deus é conhecido na Judeia ; Deus pôs
fim à guerra.
i?rande é o seu nome em Israel.
3 Fixou a sua habitação na (cidade da) paz,
e a sua morada em Sião.
4 Ali quebrou a força do arco,
o escudo, a espada e a guerra.
5 Fazendo brilhar a tua luz maravilhosa do alto dos Meio que
utilizou,
montes eternos,
6 todos os néscios de coração ficaram perturbados.
Dormiram o seu sono,
e todos estes homens de riquezas nada acharam nas
suas mãos.
7 Só com a tua ameaça, ó Deus de Jacob,
ficaram sem sentidos os que montavam em cavalos.
8 Tu és terrível, e quem te resistirá
no momento da tua ira ?
9 Do céu fizeste ouvir o teu juízo (contra os Asslrios),
a terra tremeu e ficou em sossego (depois da sua
derrota.
10 quando Deus se levantou para fazer justiça,
para salvar todos os humildes da terra.

9. Há um cálice, que é o simbolo dos castigos divinos. Deus


inclina este cálice tenivel para obrigar cada u m a beber a soa parte,
88 SALMOS, LXXV, 1 1 - LXXVI, 12

11 O homem, que considere (isto), te louvará,


e a lembrança que lhe ficar te fará festa.
12 Fazei votos e cumpri-os ao Senhor vosso Deus,
vós todos os que dos arredores lhe trazeis oferendas,
a este (Deus) terrível,
13 que tira a vida aos príncipes,
e que é terrível para os reis da terra.

SALMO LXXVI
No meio dama aflição, o salmiata anima-ae,
recordando aa maravilhas operadas por Deus

1 Para o fim, para lditun : Salmo de Asa/.


No tempo Com a minha voz clamei ao Senhor ;
2
da tribulação. levantei a minha voz a Deus, e ele me atendeu.
3 No dia da minha tribulação busquei a Deus,
estendi as minhas mãos de noite para ele,
e não fui enganado.
A minha alma recusou consolar-se ;
4 lembrei-me de Deus, e senti-me cheio de gozo,
meditei (longamente as minhas desgraças) e o meu
espírito desfaleceu.
5 Adiantaram-se às vigílias os meus olhos ;
fiquei perturbado, e não falei.
6 Pensei nos dias antigos,
e tive na mente os anos eternos.
7 E meditava (nisto) de noite em meu coração.
e reflectia, e atormentava o meu espírito.
8 Porventura Deus há-de abandonar-nos para sempre?
E não se mostrará mais inclinado a a placar-se ?
9 Ou há-de privar-nos para sempre da sua misericórdia,
de geração em geração ?
10 Ou esquecer-se-á Deus de usar de clemência ?
Ou deterá, na sua ira, as suas misericórdias ?
recorda-so: 11 Então eu disse; Agora começo (a compreender) :
daf �ª :vi.
b J Esta m�dança vem da dextra do Altíssimo.
Senhor. 12 Lembrei-me das obras do Senhor,
e recordar-me-ei das tuas maravilhas de outrora,

S. LXXVI 6. Dias antigos e anos eternos têm a mesma


-

significação de tempo passado, em que David e o sen povo eram feli­


zes, No meio da desgraça o Sa lmista gostava de recordar a sua passada
felicidade.
SALMOS, LXXVI, 13 - LXXVII, 4 89

13 e meditarei em todas as tuas obras,


e considerarei os teus desígnios.
14 O teu caminho, ó Deus, é santo.
Que Deus há grande como o nosso Deus ?
15 Tu és o Deus que operas maravilhas.
Fizeste conhecer entre os povos o teu poder.
16 Redimiste com o teu braço o teu povo,
os filhos de Jacob e de José.
17 Viram-te as águas (do mar Vermelho), ó Deus,
viram-te as águas, e temeram,
e foram turbados os abismos.
18 Foi grande o estrondo das águas ;
as nuvens fizeram soar a sua voz.
As tuas setas também foram lançadas ;
19 a voz do teu trovão rolou.
Fulguraram os teus relâmpagos pela redondeza da
terra, estremeceu e tremeu a terra.
20 No mar abriste o teu caminho, e os teus atalhos no
meio das muitas águas,
e não serão conhecidos os teus vestígios.
21 Conduziste o teu povo como ovelhas,
pela mão de Moisés e de Arão.

SALMO LXXVII
Resumo da história de Israel para reanimar
a docilidade do povo de Deu•

1 Instrução de Asaf.
E
Escuta a minha lei, povo meu. qa:º��ªça�
Inclina os teus ouvidos às palavras da minha boca. e atendam.
2 Abrirei em parábolas a minha boca ;
direi coisas escondidas desde o princípio ;
3 o que ouvimos e compreendemos,
e o que nossos pais nos contaram.
4. Eles não as ocultaram a seus filhos, nem à sua
posteridade.
Publicaram os louvores do Senhor, e o seu poder,
e as maravilhas que fez.

18. As tuas setas, isto é, os raios.


20. E não serão conhecidos Depois da passagem miracnlosa
do mar Vermelho, as águas recalram sobre si mesmas, apagando todos
• • •

os vestigios do povo de Deus,


90 SALMOS, LXXVII, 5 - 20

5 Ele estabeleceu aliança com Jacob,


e pôs uma lei em Israel ;
as quais coisas mandou a nossos pais que fizessem
conhecer a seus filhos,
6 para que as soubesse a geração seguinte;
os filhos que hão-de nascer, e se hão- de levantar,
o contarão também a seus filhos,
7 para que ponham em Deus a sua esperança,
e não se esqueçam das obras de Deus,
e busquem com cuidado os seus mandamentos,
8 para que não sejam como seus pais,
uma geração má e rebelde ;
uma geração, que não encaminhou recto o seu coração,
nem o seu espírito foi fiel a Deus.
Benefícios 9 Os filhos de Efraim, destros em entesar e disparar
de Deus, e o arco, voltaram costas no dia da batalha.
ingratidão
de Israel 10 Não guardaram a aliança feita com Deus,
e das maravilhas que fez à vista deles.
1 1 E esqueceram-se dos seus benefícios,
e das maravilhas que fez à vista deles.
Nilo se 12 Diante de seus pais fez maravilhas,
esqueça a
passagem na terra do Egipto, no campo de Tanis.
pelo mar 13 Dividiu o mar, e por ele os fez passar,
e pelo e conteve as águas como num odre,
deserto, 14 Guiou-os de dia por meio de uma nuvem,
e toda a noite com resplendor de fogo.
15 Fendeu a pedra no deserto,
e deu-lhes a beber águas como num rio caudaloso.
16 Fez sair água da pedra,
e fê-la correr como rios.
17 E (apesar disto) continuaram a pecar contra ele.
e excitaram a ira do Altíssimo naquele lugar árido.
18 E tentaram a Deus nos seus corações,
pedindo iguarias q ue fossem do seu gosto.
19 E falaram mal de Deus,
e disseram : Porventura poderá Deus preparar uma
mesa no deserto ?
20 Sem dúvida ele feriu a pedra, e correram águas,
e as torrentes inundaram (a terra).
Porventura poderá também dar pão,
ou preparar a mesa para o seu povo?

S LXXV!l 9. Os filhos de Efraim. Os profetas dão wnilas


vezes o nome de Efraim às dez tribos separadas da tribo de Jadá.
-
SALMOS, LXXVII, 21 - 38 91

2 1 Ouviu isto o Senhor, e irritou-se ;


e um fogo se acendeu contra Jacob,
e cresceu a ira contra Israel ;
22 porque não creram em Deus,
nem esperaram dele a �alvação.
23 E mandou as nuvens de cima,
e abriu as portas do céu.
24 E fez chover sobre eles maná para comerem,
e deu-lhes um pão do céu.
25 O homem comeu o pão dos anjos ;
enviou-lhes manjares com abundância,
26 Retirou do céu o vento db meio-dia,
e enviou com o seu poder o vento Áfrico.
27 E fez chover sobre eles carnes (tão abundantes)
como pó.
e aves de penas como areia do mar ;
28 aves que caíram no meio dos seus acampamentos,
em redor das suas tendas.
29 E comeram e fartaram-se muito,
e foi satisfeito o seu desejo.
30 Não ficaram defraudados no que apeteceram.
Ainda estavam as iguarias na sua boca,
3 1 q uando a ira de Deus se elevou contra eles.
E matou os mais robustos dentre eles,
e derribou os escolhidos de Israel.
32 Depois de tudo isto pecaram ainda,
e não creram nas suas maravilhas.
33 E os seus dias passaram como um sopro,
e os seus anos acabaram depressa.
34 Quando os fazia morrer, buscavam-noe convertiam-se,
e apressavam-se a voltar para ele.
35 E lembravam-se que Deus era o seu defensor ;
e que o Deus altíssimo era o seu redentor.
36 Amavam-no, porém, somente com a boca,
e com a sua língua lhe mentiam ;
37 porque o seu coração não era sincero com ele,
nem se mantiveram fiéis à sua aliança.
38 Mas ele é misericordioso,
e perdoava os seus pecados, e não os destruía.

21. E um fogo , . . Alusão ao incidente terrível contado no


Núm. XI, l-3.
24-25. Pão do céu, porqüe descia do céu ; pão dos anjos,
porqne1 por assim dizer, era trazido e distribaido por eles. A Sagrada
Eucaristia, de que o maná é s!mbolo, é u m pão muito mais celeste e
antélico (João VI, 30 e seg,5).
92 SALMOS, LXXVII, 39 - 54

Deteve muitas vezes a sua ira,


e não acendeu contra eles todo o seu furor,
39 Lembrou-se que eram carne (frágil),
um sopro que passa e não volta.
40 Quantas vezes o irritaram no deserto,
e o moveram à ira naquele lugar árido !
4t E voltaram a tentar a Deus,
e a irritar o santo de Israel.
os prod!gios 42 Não se lembraram do que ele tinha feito
operados no no dia em que os libertou do jugo do opressor,
Egipto,
43 quando fez resplandecer no Egipto os seus prodígios,
e as suas maravilhas no campo de Tanis.
4.4 Ele converteu em sangue os seus rios,
as suas águas, para que não pudessem beber delas.
45 Enviou contra eles todo o género de moscas, que os
devoraram,
e rãs, que os destruíram.
46 E entregou os seus frutos à alforra,
e as suas searas aos gafanhotos,
47 E destruiu com saraiva as suas vinhas,
e os seus sicómoros com geada.
48 E entregou à saraiva os seus animais,
e as suas possessões ao fogo.
49 Descarregou sobre eles o furor da sua cólera,
a indignação, a ira e a tribulação,
flagelos enviados por meio dos anjos da desgraça.
50 Abriu um largo caminho à sua ira,
não perdoou as suas vidas,
e envolveu na mortandade os seus animais.
51 E feriu todo o primogénito na terra do Egipto,
e as primícias de todo o seu trabalho nas tendas
(dos descendentes) de Cam.
52 E fez sair o seu povo como ovelhas,
e guiou-os como um rebanho no deserto.
53 E conduziu-os cheios de esperança, e não temeram,
e sepultou no mar os seus inimigos,
e na terra 54 E os introduziu depois no monte da sua santificação,
de Canaan monte que ele adquiriu com a sua dextra .
E expulsou de diante deles as nações1
e repartiu-lhes por sorte a terra,
distribuindo-a com cordas de medir.

54, No monte da sua santificação, isto é, na sua montanha


santa, que era Sião,
SALMOS, LXXVII, 55 - 72 93

55 E fez habitar em suas tendas as tribos de Israel.


56 Eles, porém, tentaram e irritaram de novo ao Deus
excelso,
e não guardaram os seus preceitos.
57 E voltaram-lhe as costas, e não observaram a aliança,
semelhantes a seus pais, falsearam como um arco
torcido.
58 Excitaram-no à ira nas suas colinas,
e com os ídolos que esculpiram inflamaram-lhe o zelo.
59 Ouviu-os Deus, e desprezou-os,
e reduziu Israel ao extremo abatimento.
60 E rejeitou o tabernáculo de Silo,
o seu próprio tabernáculo, onde tinha habitado
entre os homens.
61 E enhegou ao cativeiro (a Arca que era) a força deles,
e (colocou) a sua glória nas mãos do inimigo.
62 E entregou o seu povo à espada,
e desprezou a sua própria herança.
63 O fogo devorou os seus jovens,
e as suas virgens não foram lamentadas.
64 Os seus sacerdotes pereceram à espada,
e ninguém chorava as suas viúvas.
65 E o senhor despertou como quem dorme,
como um valente embriagado de vinho.
66 E feriu os seus inimigos nas partes posteriores ;
cobriu-os duma eterna ignomínia.
67 E rejeitou o tabernáculo de José,
e não escolheu a tribo de Efraim ;
68 mas escolheu a tribo de Judá,
o monte de Sião que amou.
69 E edificou o seu santuário, (tão forle) como (a haste
do) unicórnio,
na terra que tinha assegurado para sempre.
70 E escolheu David, seu servo,
e tomou-o do meio dos rebanhos das ovelhas mães,
71 para que apascentasse Jacob, seu servo,
e Israel, sua herança.
72 E apascentou-os segundo a inocência do seu coração,
e com a sabedoria das suas mãos os conduziu,

57. Falsearam, abandonaram a Dens, sen fim nnico como um


arco torcido, qne atira a flecha para longe do alvo.
58. Nas suas colinas onde prestavam culto aos ldolos.
94 SALMOS, LXXVIII, 1 - 13

SALMO LXXVIII
Oração a Deus para que tenha piedade
do aeu templo
1 Salmo de Asa/.
Descrição Ó Deus, vieram as nações à tua herança,
da calami­ contaminaram o teu santo templo,
dade.
e fizeram de Jerusalém uma como cabana de guarda
frutas.
2 Deram os cadáveres dos teus servos em pasto às
aves do céu,
as carnes dos teus santos aos animais da terra.
3 Derramaram o seu sangue como água à roda de
Jerusalém,
e não havia quem lhes desse sepultura.
4 Chegámos a ser o opróbrio dos nossos vizinhos,
o escárnio e a mofa daqueles que nos rodeiam.
Petição do 5 Até quando, Senhor, te hás-de irar sem te aplacar?
aaxllio Até quando se acenderá como fogo o teu zelo ?
divino
6 Derrama a tua ira sobre as nações, que te não
conhecem,
e sobre os reinos que não invocaram o teu nome,
7 porque eles devoraram Jacob,
e desolaram a sua morada.
8 Não te lembres de nossas antigas maldades,
antecipem-se quanto antes as tuas misericórdias,
porque fomos reduzidos à última miséria .
e do castigo 9 Ajuda-nos, ó Deus, salvador nosso,
dos inimigos. e pela glória do teu nome, Senhor, livra-nos,
e perdoa os nossos pecados, por amor do teu nome ;
10 ·para que se não diga entre os gentios : Onde está
o Deus deles ?
Faze brilhar entre as nações e diante dos nossos olhos
a vingança do sangue dos teus servos, que tem sido
·

derramado,
11 Cheguem à tua presença os gemidos dos cativos.
Com o poder do teu braço conserva os filhos dos que
foram mortos.
12 E paga aos nossos vizinhos com males sete vezes
maiores
o opróbrio que eles te fizeram, Senhor.
13 Nós, porém, teu povo e ovelhas de teu pasto,
nós te glorificaremos para sempre ;
de geração em geração publicaremos os teus louvores.
SALMOS, LXXIX, 1 - 14 95

SALMO LXXIX
Súplica pela restauração de Israel

1 Para o fim, para aqueles que hão-de ser mudados,


testemunho de Asa/: Salmo.
2 Tu que governas Israel, atende, O Senhor
tu que conduzes José como uma ovelha. Dens dos
ex�rcitos
Tu que estás sentado sobre os querubins, manifesta-te
3 diante de Efraim, Benjamim e Manassés.
Mostra o teu poder,
e vem para nos salvar.
4 Ó Deus, converte-nos,
e mostra-nos o teu rosto, e seremos salvos.
5 Senhor Deus dos exércitos,
até quando estarás irado, sem ouvir a oração do teu
servo ?
6 (Até quando) nos sustentarás com pão de lágrimas,
e nos darás a beber lágrimas com abundância ?
7 Fizeste de nós um objecto de disputa para os nossos
vizinhos,
e os nossos inimigos fizeram escárnio de nós,
8 Deus dos exércitos, restaura-nos,
mostra-nos o teu rosto, e seremos salvos.
9 Trasladaste a tua vinha do Egipto ; a sua vinha
lançaste fora as gentes, e plantaste-a em seu lugar. destrulda
10 Foste guia no caminho diante dela,
plantaste as suas raízes, e ela encheu a terra.
11 A sua sombra cobriu os montes,
e os seus sarmentos os cedros de Deus.
12 Estendeu a sua ramagem até ao mar,
e até ao rio os seus rebentos.
13 Para que destruíste o seu muro,
e a vindimam todos os que passam pelo caminho ?
14 O javali da selva destruiu-a,
e a fera selvagem a devorou.

S. LXXIX - z. A tribo de josé representa aqui as dez tribos


separadas de Jndá, das qnais era cabeça, O direito de p1imogenitara de
Raben passou para Jos� (1 Paralip. V, !).
9. Israel � comparado a uma cepa de vinha, que foi transplantada
para a terra da promissão, onde tomou grande desenvolvimento.
11. Os Cedros são aqni considerados, pela sua altura e majestade,
como ama plantação particniar de Deus.
96 SALMOS, LXXIX, 15 - LXXX, 10

olhe e visite. 15 Ó Deus dos exércitos, volta-te,


olha do alto do céu, e vê,
e visita esta vinha,
16 Protege aquela que a tua dextra plantou,
e olha para o filho do homem, a quem tu escolheste.
17 Ela foi queimada pelo fogo, e arranca da ;
diante do teu rosto ameaçador tudo perecerá.
18 Estende a tua mão sobre o homem da tua dextra,
e sobre o filho do homem que escolheste para ti.
19 Então não nos afastaremos de ti,
tu nos darás a vida, e invocaremos o teu nome.
20 Senhor Deus dos exércitos, converte-nos (a ti),
e mostra-nos o teu rosto, e seremos salvos.

SALMO LXXX
C anto solene para a feata dos Tabernáculos

1 Para o fim, para os lagares : Salmo do mesmo Asaf.


Celebre Regozijai-vos, louvando a Deus, nosso protector ;
Israel as 2 cantai com alegria em honra do Deus de Jacob.
festas com
•anto fervor 3 Entoai um salmo, e tocai os timbales,
o saltério harmonioso, com a cítara.
4 Tocai a trombeta na Neoménia,
no dia insigne da vossa solenidade.
5 Porque é um preceito para Israel,
e uma ordem do Deus de Jacob.
6 .Estabeleceu isto como lei para José,
quando saía da terra do Egipto,
quando ouviu uma língua que não entendia.
O próprio 7 Libertou os seus ombros dos fardos,
Dens COD· e as suas mãos dos cestos com que serviam (nas obras).
vida Israel
à fidelidade 8 Na tribulação (disse Deus) me invocaste, e eu te livrei ;
para com ouvi-te no recôndito da tempestade,
ele, provei-te junto das águas da contradição.
9 Ouve, povo meu, e eu te instruirei.
Israel, se me ouvires,
10 não haverá em ti Deus novo,
nem adorarás deus estranho.

16. Filho do homem, Isto é, o p0vo Judeu que acaba de ser


representado pela vinha simbólica.
18. Estende a tua mão • . ., protege o p0vo de lsraeL
s. LXXX - 1. Para os lagares. Ver nota s. Vlll, 1.
6, Uma língua • • •, Isto é, a voz de Deus.
SALMOS, LXXX, 11 - LXXXI, 5 91

11 Porque eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da


terra do Egipto ;
abre a tua boca, e eu a encherei.
12 E o meu povo não ouviu a minha voz,
e Israel não me atendeu.
13 E abandonei-os aos desejos do seu coração,
eles irão caminhando atrás dos seus devaneios,
14 Se o meu povo me tivesse ouvido,
se Israel tivesse•andado nos meus caminhos.
15 eu fàcilmente teria podido humilhar os seus inimigos,
e teria descarregado a minha mão sobre os seus
opressores.
16 Os inimigos do Senhor mentiram-lhe,
e o tempo deles será eterno.
17 (Apesar disso) alimentou-os da flor do trigo,
e saciou-os de mel saído da pedra.

SALMO LXXXI
Condenação dos juízes iníquos

1 Salmo de Asa/.
Deus está presente no conselho dos deuses (ou juízes
da terra) ;
no meio deles julga os mesmos deuses.
2 Até quando julgareis injustamente,
e tereis respeitos humanos a favor dos pecadores ?
3 Fazei justiça ao necessitado e ao órfão ;
atendei à razão do humilde e do pobre.
4 Tirai o pobre, e livra i o desvalido
da mão do pecador.
5 Não souberam nem entenderam (os seus deveres);
andam nas trevas ;
serão abalados todos os fundamentos da terra.

11. E eu a encherei, isto ê, d ar. te- ei uma granle recompensa.


16-17 ª Se gun io o texto original, que é maito mais claro, estes dois
versiculos são a continuação dc.s anteriore s , com o seguinte sentido : Se
o meu povo me tivesse ouvido . . . os inimigos do Senhor lhe
nientiriam, i st o é, p r e s t ar-lhe- iam uma submissão fo rça da , e homenagens
puramente externas, como os povos venci dos costumam pr_estar aos vence­
dores : e o tempo, a duração de Israel seria fixada para sem­
pre. Eu os alimentaria com a flor do trigo, e os saciaria de
mel saído do rochedo, isto ê, dum alimento miraculosamente d ad o
por Deus, como outrora no deserto.
S. LXXX! - 5. Todos os fundamentos . . Sendo a justiça o fun­
damento da ordem entre os povos, qu and o ela d<!saparece, tnJo cai em ruínas.
98 SALMOS, LXXXI, 6 - LXXXII, 15

6 Eu disse : Sois deuses,


e todos filhos do Excelso.
7 Mas vós como homens morrereis,
e caireis como um príncipe qualquer.
8 Levanta-te, ó Deus, julga a terra ;
porque todas as nações são tua herança.

SALMO LXXXII
Oração a Deus para que livre Iarael de muitos
inimigos pagãos coligados contra ele

1 Cântico, salmo de Asa/.


Querem 2 O Deus, quem será semelhante a ti ?
perder Israel, Não estejas em silêncio, nem te detenhas, ó Deus.
3 Pois eis que 0$ teus inimigos fazem grande ruído,
e os que te odeiam levantaram a cabeça.
4 Formaram desígnios maus contra o teu povo,
e conspiraram contra os teus santos.
5 Disseram : Vinde, e exterminemo-los do meio das
nações,
e não haja mais memória do nome de Israel.
6 Pensaram de acordo,
e todos juntos fizeram aliança contra ti :
7 as tendas dos ldumeus e os Ismaelitas,
llloab e os Agarenos,
8 Gebal, e Amon, e Amalec,
os estrangeiros com os moradores de Tiro,
9 Assur uniu-se também com eles ;
juntaram-se para auxiliarem os filhos de Lot.
e Por isso 10 Faze-lhes como a l\ledian, e a Sisara,
sejam ani­ como a Jabin no ribeiro de Cisson.
quilados. 11 Foram destruídos em Endor,
tornaram-se como o esterco da terra.
12 Trata os seus príncipes como (trataste) Oreb e Zeb,
e Zebee, e Salmana ;
todos os seus príncipes,
13 os quais tinham dito : Apoderemo-nos, como herança
(que nos pertence),
do santuário de Deus.
14 Ó meu Deus, agita-os como uma roda,
e como uma palhinha diante do soprar do vento.
15 Como fogo que queima uma selva,
e como chama que abrasa os montes,
SALMOS, LXXXII, 16 - LXXXI!I, 9 99

16 assim os perseguirás com a tua tempestade,


e com a tua ira os aterrarás.
17 Cobre os seus rostos de ignomínia,
e deste modo buscarão o teu nome, Senhor.
18 Sejam envergonhados e perturbados para sempre,
sejam confundidos e pereçam.
19 E conheçam que te é próprio o nome de Senhor,
e que só tu és o Altíssimo em toda a terra.

SALMO LXXXIII
Felicidade dos que habitam no santuário

1 Para o fim, para os lagares: Salmo dos filhos de Coré.


2 Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Suspiros
pelo
exércitos ! santuário.
3 A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do
Senhor.
O meu coração e a minha carne regozijam-se no Deus
vivo,
4 O passarinho acha casa para si,
e a rola um ninho para lá pôr os seus filhinhos.
(Sejam minha casa) os teus altares, Senhor dos
exércitos,
rei meu, e Deus meu!
5 Bem-aventurados, Senhor, os que moram na tua casa ; São ltlizes .
os que habi-
Pelos séculos dos séculos te louvarão . • Iam neles,
6 Bem-aventurado o homem que de h espera socorro ;
ele preparou elevações no seu coração,
7 neste yale de lágrimas, até ao lugar (santo) que
(Deus) destinou (para si).
8 Porque o (divino) legislador lhe dará a sua bênção ;
caininhará de virtude em virtude ;
será visto o Deus dos deuses em Sião.
9 Senhor, Deus dos exércitos, ouve a minha oração ; Oração
pelo rei.
presta ouvidos, ó Deus de Jacob.

s. LXXXII - 17. E deste modo buscarão o teu nome. Re.


sultado final da derrota. Os inimigos qne sobreviverem, impressionados
com a vitória miraculosa do Senhor, submeter�se-ão hamildemente a ele.
Esta consoladora pnfecia explica o verdadeiro carácter das imprecações
contidas em algnns salmos, as quais, à primeira vista, parecem pedidos de
vingança, mas são na realidade uma eloquente manifestação do desejo que
o Salmista tinha de ver os seus inimigos encontrar a salvação eterna no
meio da mina temporal.
S. LXXXlll - 1. Para os lagares. Vêr nota S. Vlll, 1.
100 SALMOS, LXXXIII, 10 -- LXXXIV, 12


Felicid�de 10

no emp

de ab!l r
Ó Deus nosso protector, olha para nós,
e põe os olhos no rosto do teu ungido (David).
º· 11 Porque é melhor um só dia nos teus átrios, que mi­
lhares (entre as alegrias humanas).
Preferi ser o último na casa do meu Deus,
a morar nas tendas dos pecadores.
12 Porque Deus .ama a misericórdia e a verdade ;
o Senhor dará a graça e a glória.
13 Não privará dos seus bens aqueles que andam na
inocência.
Senhor dos exércitos, bem-aventurado o homem que
espera em ti.
SALMO LXXXlV
Oração pelo restabelecimento completo de Israel
1 Para o fim: Salmo dos filhos de Coré.
Lembrança 2 Abençoaste, Senhor, a tua terra ;
dos favores libertaste Jacob do cativeiro.
passados,
3 Perdoaste a maldade do teu povo ;
cobriste todos os seus pecados.
4 Mitigaste toda a tua ira ;
suspendeste o furor da tua indignação.
:Súplica pela 5 Converte-nos, ó Deus, salvador nosso,
restauração
de Israel,
e afasta de nós a tua ira.
6 Porventura estarás para sempre irado contra nós ?
Qu estenderás a tua ira de geração em geração ?
7 O Deus, voltando-te para nós, restítuirnos-ás a vida,
e o teu povo se alegrará em ti.
8 Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia,
e dá-nos a tua salvação.
Resposta 9 Eu ouvirei o que o Senhor Deus me disser,
divinaf porque ele anunciará a paz ao seu povo,
e aos seus santos,
e àqueles que se convertem de coração.
10 Sim, a sua salvação está perto dos que o temem.
e a glória habitará na nossa terra .
11 A misericórdia e a verdade se encontraram ;
a justiça e a paz se oscularam.
12 A fidelidade brotou da terra,
e a justiça olhou do alto do céu.

s. LXXX!V - 12. Harmonia completa entre o céu e a terra entre


as virtudes morais e os bens materiais.
SALMOS, LXXXIV, 13 - L.\XXV, 13 101

13 Porque o Senhor dará a sua bon da de,


e a nossa terra produzirá o seu fruto.
14 A justiça irá adiante dele,
e imprimirá os seus passos sobre o caminho.

SALMO LXXXV
Oração no meio dum grave perigo

Oração do mesmo David.


1 Inclina, Senhor, o teu ouvido, e ouve-me, Abandonado,
invoca a
porque eu sou desvalido e pobre. Deas,
2 Guarda a minha alma, porque sou santo ;
salva, Deus meu, o teu servo, que espera em ti.
3 Senhor, tem misericórdia de mim,
porque a ti clamei todo dia ;
4 alegra a alma do teu servo,
porque a ti, Senhor, elevei a minha alma.
5 Porque tu, Senhor, és suave e doce,
e de muita misericórdia para todos os que te invocam.
6 Presta ouvidos, Senhor, à minha oração,
e atende à voz da minha súplica.
7 No dia da minha tribulação clamei a ti,
porque (sempre) me tens ouvido.
S Não há semelhante a ti entre os deuses, ó Senhor ;
e nada há comparável às tuas obras.
9 Todas as nações que criaste que é grande
e misericor­
virão, e, prostra das, te a dorarão, Senhor, dioso,
e glorificarão o teu nome.
10 Porque tu és grande, e fazes prodígios ;
só tu és Deus.
11 Guia-me, Senhor, pelq teu caminho, e andarei na
tua verdade ;
que o meu coração ponha a sua alegria em temer
teu nome.
12 Louvar-te-ei, Senhor Deus meu, com todo o meu
coração,
e glorificarei o teu nome eternamente ;
13 porque a tua misericórdia é grande para comigo,
e livraste a minha alma do inferno mais profundo.

S. LXXXV - 2 Sou santo, isto é, sou teu amigo intimo.


13. Do inferno • • . que eu tinha merecido com os meus pecado•.
102 SALMOS, LXXXV, 14 - LXXXVI, 7

contra os 14 Ó Deus, levantaram-se os maus contra mim,


pers:egui�
dores. e uma reunião de poderosos atentou contra a minha
vida,
sem que te tivessem presente diante dos seus olhos.
15 Mas tu és, Senhor Deus, compassivo e clemente,
paciente, de muita misericórdia e verdadeiro.
16 Põe os olhos em mim, e tem piedade de mim,
dá o teu poder ao teu servo,
e salva o filho da tua escrava.
17 Opera em meu favor algum prodígio,
para que o vejam aqueles que me odeiam, e sejam
confundidos ;
pois tu, Senhor, tens-me socorrido e consolado.
SALMO LXXXVI
Grandeza de Jerusalém, imagem da Igrej a
de Cristo
1 Dos filhos de Coré : Salmo, cântico.
Os seus fundamentos estão sobre os montes santos.
2 O Senhor ama as portas de Sião mais que todos os
tabernáculos de Jacob.
3 Coisas gloriosas se têm dito de ti, ó cidade de Deus !
4 Lembrar-me-ei de Raab e de Babilónia, que me
conhecem.
Eis os estrangeiros, e Tiro, e o povo dos Etíopes,
todos estes estarão lá.
5 Porventura não se dirá a Sião : Um grande número
de homens nasceu nela,
e o mesmo Altíssimo a fundou (solidamente) ?
6 (Só) o Senhor poderá contar, no registo dos povos e
dos príncipes,
o número daqueles que nela estiveram.
7 Estão cheios de alegria (ó Sião) todos os que habi­
tam dentro de ti.

S. LXXXVI - 2. Portas de Sião. Figura empregada pelo Sal­


mista para representar toda a cidade.
4. Lembrar-me-ei • • • É o próprio Deus que toma a palavra para
anunciar a conversão dos povos pagãos.. - Raab é um nome simbólico
que significa o Egipto.-Estarão lá, ou, segundo o hebreu, nascerão
lá. Jerusalém é considerada como o lugar em que os povos pagãos nas­
ce1ão para a graça, visto ser o centro e o berço religioso de todo o mundo.
5. Um grande número • • • Jerusalém tomar se-á mãe de muitos
filhos, à medifa que os pagãos se forem convertendo.
SALMOS, LXXXVII, 1 - 15 103

SALMO LXXXVII
Súplica dum justo aflito
1 Cântico salmo dos filhos de Coré, para o fim, sobre
Maelet,
para se cantar alternadamente. Instrução de Eman
Ezralta.
2 Senhor Deus da minha salvação, Apelo a
de dia e de noite clamei diante de ti. Deus,
3 Chegue à tua presença a minha oração ;
inclina o teu ouvido à minha súplica ;
4 porque a minha alma está repleta de males, Extrema
miséria
e a minha vida aproxima-se do sepulcro.
5 Sou contado entre os que descem à cova,
tornei-me como um homem sem socorro,
6 abandonado entre os mortos,
como os feridos que dormem nos sepulcros,
de quem já te não lembras,
e que foram repelidos da tua mão.
7 Puseram-me num fosso profundo,
eni lugares tenebrosos, e na sombra da morte.
8 Sobre mim pesou o teu furor,
e todas as tuas ondas fizeste vir sobre mim.
9 Afastaste de mim os meus conhecidos,
fizeram de mim o objecto da sua abominação.
Entregue fui, e sem poder sair ;
10 os meus olhos desfaleceram de miséria.
A ti, Senhor, clamei todo o dia ;
para ti estendi as minhas mãos. .
0 salmista
1 1 Porventura farás milagres em favor dos mortos ? não poderá
,
Porventura os me'd'icos os ressuscitarao, _ para que t e louvar a
louvem ? Deus se
1 2 Acaso publicará alguém na sepultura a tua miseri- morrer.
córdia,
e a tua verdade no túmulo ?
13 Porventura serão conhecidas nas trevas as tuas ma­
ravilhas,
e a tua justiça na terra do esquecimento ?
Lamenta que
14 Por isso eu, Senhor, a ti clamo, _ sejam rejei­
e logo de manhã vai diante de ti a minha oraçao. tadas as
15 Por que rejeitas, Senhor, a minha oração, suas orações.
e apartas de mim a tua face ?
S. LXXXV!l - 8. As tuas ondas ... Imagem de grandes desgraças.
11. Porventura • • • Era em favor dos vivos e não dos mortos que
Dem operava maravilhas. - Porventura os médicos • . • Segundo o
hebreu : Porventura os mortos ressuscitarão para te louvar? .
104 SALMOS, LXXXVl I , 16 - LXXXVIII, 12

16 Eu sou um pobre, e vivo em trabalhos desde a minha


mocidade,
e, depois de ter sido exaltado, fui humilhado e con­
turbado.
17 Por cima de mim passaram as tuas iras,
e os teus terrores me conturbaram.
18 Cercaram-me com água todo o dia ;
cercaram-me todos à uma.
19 Afastaste de mim os meus amigos e parentes,
e os meus conhecidos, por causa da minha miséria.
SALMO LXXXVIII
O Salmista recorda as promessas que Deus lhe fez
e que parecia ter esquecido
Prelúdio. 1 Instrução de Etan Ezraíta.
e tema.
2 Eu cantarei eternamente as misericórdias do Senhor;
anunciarei a tua verdade pela minha boca de geração
em geração.
3 Porquanto disseste : A misericórdia elevar-se-á como
um edifício eterno nos céus ;
a tua verdade será solidamente estabelecida neles.
4 Fiz aliança (disseste) com os meus escolhidos,
jurei a David meu servo (dizendo) :
5 Conservarei eternamente a tua descendência,
tornarei firme o teu trono de geração em geração.
Louvor a
Deus gran:le
6 Os céus publicarão, Senhor, tuas maravilhas,
e miseri. ea tua verdade (será louvada) na assembleia dos santos.
cordioso. '/ Porque quem, nos céus, será igual ao Senhor ?
E quem, entre os filhos de Deus, será semelhante a
Deús ?
8 A Deus, que é glorificado na assembleia dos santos,
grande e terrível sobre todos os queestãoemroda dele.
9 Senhor Deus dos exércitos, quem é semelhante a ti ?
És poderoso, Senhor, e a tua verdade está sempre
em roda de ti.
10 Tu dominas sobre o poder do mar.
e amansas o movimento das suas ondas.
11 Tu humilhaste o soberbo, como a um ferido (de morte) ;
com a força do teu braço desprezaste os teus inimigos.
12 Teus são os céus, e tua é a terra ;
tu fundaste o mundo e tudo o que ele contém ;
S. LXXXVIII - 2. A tua verdade, a tua fidelidade em cumprir
Indo o que prometeste,
6, Dos santos, dos anjos, dos quais se fala várias v�zes neste �almo.
SALMOS, LXXXVIII, 13 - 32 105

13 tu criaste o aquilão e o mar.


O Tabor e o Hermon exultarão em teu nome ;
14 o teu braço está cheio de poder.
Firmada seja a tua mão, e levante-se a tua dextra.
15 Justiça e equidade são a base do teu trono.
Misericórdia e verdade irão adiante da tua face.
16 Bem-aventurado o povo que sabe alegrar- se (em ti),
Senhor, eles caminharão à luz do teu rosto,
17 e em teu nome se regozijarão todo o dia,
e pela tua justiça serão exaltados.
18 Porque tu és a glória da sua força,
e por tua boa-vontade será exaltado o nosso poder.
19 Porque o Senhor tomou-nos por seus,
e o santo de Israel é nosso rei.
20 Então falaste numa visão aos teus santos (profetas l\lagnf!icas
promessas
Samuel e Natan), de Dens
e lhes disseste : Prestei o meu socorro a um homem acerca de
poderoso, David e do
e exaltei aquele que escolhi do meio do meu povo. seu reino.

21 Encontrei David, meu servo,


com o meu santo óleo o ungi.
22 A minha mão lhe assistirá,
e o meu braço o fortificará.
23 O inimigo em nada prevalecerá contra ele,
e o filho da iniquidade não poderá ofendê-lo.
24 E extermina rei de diante dele os seus inimigos,
e porei em fuga os que o odeiam.
25 A minha verdade e a minha misericórdia serão com ele,
e no meu nome será exaltado o seu poder.
26 E estenderei a sua mão sobre o mar,
e a sua dextra sobre os rios.
27 Ele me invocará, dizendo : Tu és meu Pai,
meu Deus, e o autor da minha salvação.
28 E eu o estabelecerei por primogénito,
o mais elevado entre os reis da terra.
29 Eternamente o guardará a minha misericórdia,
e a minha aliança com ele será estável.
30 E farei que a sua descendência subsista por todos os
séculos,
e que o seu trono dure tanto como os dias do céu.
31 Mas, se seus filhos abandonarem a minha lei,
e não andarem nos meus preceitos,
32 se violarem as minhas justas disposições,
e não guardarem os meus mandamentos,
20. A um homem poderoso, isto é, a Davi1.
106 SALMOS, LXXXVIII, 33 - 53

33 visitarei com vara as suas maldades,


e com açoites os seus pecados.
34 Mas não retirarei dele a minha misericórdia,
nem lhe faltarei à verdade (das minhas promessas),
35 nem violarei a minha aliança,
nem farei vãs as promessas saídas dos meus lábios.
36 Jurei uma vez (para sempre) pela minha santidade,
nâo faltarei a David.
37 A sua descendência permanecerá eternamente,
38 E o seu trono será como o sol diante de mim.
e como a lua que subsiste para sempre,
e (Deus), o testemunho que está no céu, é fiel.
às quais se 39 Apesar disso (Senhor), tu rejeitaste e desprezaste,
in���t�:io repeliste a teu ungido.
presente. 40 Anulaste a aliança feita com o teu servo,
lançaste por terra o seu diadema sagrado.
41 Destruíste todas as suas muralhas ;
puseste o medo nas suas fortalezas.
42 Saquearam-no todos os que passavam pelo caminho,
chegou a ser o opróbrio dos seus vizinhos.
43 Exaltaste a dextra dos que o humilhavam ;
alegraste todos os seus inimigos,
44 Tiraste toda a sua força à sua espada,
e não o auxiliaste na guerra.
45 Aniquilaste o seu esplendor,
e derribaste por terra o seu trono.
46 Abreviaste os dias do seu tempo,
cobriste-o de confusão,
Prece 47 Até quando, Senhor, te hás-de mostrar continua-
hnmilde.
mente adverso ?
(Até quando) arderá como fogo a tua indignação ?
48 Lembra-te do que é a minha vida.
Porventura criaste em vão todos os filhos dos homens?
49 Que homem há, que viva sem ver jamais a morte,
que possa arrancar a sua alma do poder do abismo?
50 Onde estão as tuas antigas misericórdias, Senhor,
as quais juraste a David na tua verdade ?
51 Lembra-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos ;
(lembra-te) -que eu conservo no meu peito (a lem­
brança amarga dos ultrajes) de povos numerosos.
52 (Lembra-te) Senhor, dos ultrajes dos teus inimigos,
dos seus ultrajes a propósito da tua mudança para
com o teu ungido.
�º;�)���ª 53 Bendito seja o Senhor {)ara sempre.
terceiro. Assim seja, assim seja !
LIVRO QUARTO

SALMO LXXXIX

O homem mortal diante de Deus eterno

1 Oração de Moisés, homem de Deus.


Senh9r tu tens sido o nosso refúgio, de geração em Os homens
fracos.
geração,
2 Antes que os montes fossem feitos,
ou que a terra e o mundo fossem formados,
tu és Deus desde toda a eternidade e por todos os
séculos.
3 Não reduzas o homem ao abatimento,
pois disseste : Convertei-vos, filhos dos homens.
4 Porque mil anos, aos teus olhos,
são como o dia de ontem, que passou,
e como uma vigília da noite (que sàmente dura três
horas).
5 Coisas que em nada se estimam, assim serão os seus
anos.
6 Como a erva, ele passa numa manhã ;
pela manhã floresce e passa ;
à tarde cai, endurece e seca.
7 Porque desfalecemos com a tua ira, por catlsa
dos seus
e com o teu furor somos turbados. pe ca dos .
8 Puseste as nossas maldades à tua vista,
o nosso proceder à luz do teu rosto.
9 Por isso todos os nossos dias se desvaneceram,
e fomos consumidos pela tua ira.
Os nossos anos serão considerados como uma teia de
aranha.
10 Os dias da nossa vida são ao todo uns setenta anos
e nos mais robustos oitenta anos ;

S. LXXXIX - Esle salmo pode dividir-se em três partes: 1.ª


(l-6) lame nt a a brevidaie d" vida humana ; 2 ª (7-12) a morte, causa de
tanto mal, é a ira de Deus excitada pelo pecado; 3.ª (13-17) oração a
Dens pedindo os seus favores. - Há alg u m as analogias de pensamento e
de linguagem com o Denteronó mio, XXX!ll, 1, e i sto explica a atribui
ção a Moisés, homem de Deus, no titulo.
108 SALMOS, LXXXIX, 11 - xc, 7

e o que passa destes não é mais que trabalho e dor ;


porque então sobrevém a fraqueza (da velhice),
e nós somos arrebatados,
recorrem a 11 Quem poderá conhecer o poder da tua ira,
Deus, mise­
ricordioso. e compreender quão terrível é a tua indignação ?
12 Ensina-nos a conhecer a tu à dextra,
e instrui o nosso coração na sabedoria .
13 Volta-te (para nós) , Senhor ; até quando (te mostra­
rás irado) ?
Sê exorável para com os teus servos,
14 Fomos cumulados da tua misericórdia desde a manhã,
e exultamos de alegria e ·te]jcidade todos os dias da
nossa vida.
15 Alegramo-nos pelos dias em que nos humilhaste,
pelos anos em que vimos males.
16 Põe os olhos nos teus servos e nas tuas obras,
e guia os seus filhos.
17 Brilhe sobre nós a luz do Senhor nosso Deus,
dirige em nós (Senhor) as obras de nossas mãos :
sim, dirige a obra de nossas mãos.

SALMO XC
Vantagens da confiança de Deus

1 Cântico de louvor, de David.


Deus é o O que habita à sombra do Altíssimo,
nosso
refúgio, na protecção do Deus do céu descansará.
2 Dirá ao Senhor : Tu és o meu defensor e o meu refú­
gio ; o meu Deus, em quem esperarei.
3 Porque éle me livrou do laço dos caçadores,
e da palavra áspera.
Por isso 4 Com as suas espáduas te fará sombra,
estamos
seguros de e debaixo das suas asas estarás cheio de esperança .
todo o mal. 5 Como um escudo te cercará a sua verdade,
não temerás sustos nocturnos,
6 nem a seta que voa de dia,
nem o inimigo que anda nas trevas,
nem os assaltos do demónio do meio-dia.
7 Cairão mil ao teu lado,
e dez mil à tua direita ;
mas (a morte) não se aproximará de ti.

S. XC - 3, Do laço dos caçadores. Imagem usada muitas


vezes na Bíblia para significar um perigo oculto,
SALMOS, XC, 8 - XCI, 8 109

8 E tu com os teus olhos contemplarás,


e verás o castigo dos pecadores.
9 Porque (disseste) : Tu és, Senhor, a minha esperança.
Tu puseste o Altíssimo por teu refúgio.
10 O mal não virá sobre ti,
e o flagelo não se aproximará da tua tenda.
1 1 Porque mandou aos seus anjos acerca de ti,
que te guardem em todos os teus caminhos.
12 Eles te levarão nas suas mãos,
para que o teu pé não tropece em alguma pedra.
13 Sobre o áspide e o basilisco andarás.
e calcarás aos pés o leão e o dragão.
14 Porque esperou em mim, livrá-lo-ei ; O próprio
Deus pro·
protegê-lo-ei, porque conheceu o meu nome. mete a feli­
15 Clamará a mim, e eu o ouvirei ; cidade aos
com ele estou na tribulação, piedosos.
livrá-lo-ei, e glorificá-lo-ei.
16 Enchê-lo-ei de dias,
e mostrar-lhe-ei a minha salvação.

SA LMO XCI
Glória a Deus, que recompensa os bons e castiga
os pecadores

1 Salmo cântico, para o dia de sábado.


2 Bom é louvar o Senhor, Deve ser
louvado o
e cantar salmos ao teu nome, ó Altíssimo, senhor.
3 para publicar pela manhã a tua misericórdia,
e a tua verdade durante a noite.
4 com o saltério de dez cordas,
com cântico ao som da cítara.
5 Porque me alegraste, Senhor, com as tuas obras,
e eu exulto com as obras das tuas mãos.
6 Quão magníficas são, Senhor, as tuas obras !
Quão insondável é a profundidade dos teus desígnios !
7 O varão insensato não conhecerá,
e o néscio não compreenderá estas coisas.
S Apenas os pecadores tiverem brotado como a erva, que deslroi
os peca.
e aparecerem todos os que cometem a iniquidade, dores.
imediatamente perecerão para sempre.

11-12. Aos seus anjos • ., . Texto clássico para demonstrar a


existência dos anjos da guarda. E célebre também por ter sido utilizado
Satanás para tentar Je>us ( Matb, IV, 6).
110 SALMOS, XCI, 9 - XCII, 4

9 Mas tu, Senhor, és eternamente o Altíssimo.


10 Pois eis que os teus inimigos, Senhor,
eis que os teus inimigos perecerão,
e serão dissipados todos os que praticam a iniquidade.
exalta os 11 E será exaltada a minha força como a do unicórnio,
justos.
e a minha velhice (será vigarizada) com a abun­
dância da tua misericórdia.
12 E os meus olhos olharão com desprezo para os meus
inimigos,
e os meus ouvidos ouvirão falar (sem medo) dos
revoltosos que se levantam contra mim.
13 O justo florescerá como a palma,
e como o cedro do Líbano se multiplicará.
14 Plantados (os justos) na casa do Senhor,
florescerão nos átrios da casa do nosso Deus.
15 Eles se multiplicarão em uma velhice fecunda,
e estarão cheios de vigor,
16 para anunciar que o Senhor nosso. Deus é recto,
e que não há injustiça nele.

SALMO XCII
A glória do reino do MeHiaa

Cântico de louvor, de David, para a véspera do sábado,


quando a terra ficou criada.
1 O Senhor reinou, e vestiu-se de magnificência,
vestiu-se o Senhor de fortaleza, e cingiu-se dela.
2 Porque firmou a redondeza da terra, que não será
abalada.
3 Desde então, ó Senhor, ficou estabelecido o teu trono ;
tu és desde a eternidade.
Os rios, Senhor, levantaram,
os rios levantaram a sua voz.
Os rios levantaram o som das suas ondas,
4 com o estrondo das suas muitas águas.
Maravilhosas são as elevações do mar,
mas admirável é o Senhor nas alturas (do céu),

S, XCI - 14-16. Os joslos. entregues ao serviço de Dens no tem­


plo, com a sua longa e frntnosa vida, são uma demonstração viva da
jnstica de Dens.
S, XCH - 3-4, O Salmista refere-se aos obstáculos que o paga.
nismo opôs ao estabelecimento do reino de Deus. Representa�os iob a
fignra do mar encapelado. e de rios tran9bordando e ameaç�ndo snbmer­
gir Indo à sna passagem.
SALMOS, XCII, 5 - XCIII, 15 111

5 Os teus testemunhos, Senhor, são digníssimos de fé.


A santidade convém à tua casa,
Senhor, em toda a duração dos dias.

SALMO X C III
Contra a injustiça dos príncipes e dos magistrados
Salmo do mesmo David, para o dia quarto da semana.
1 O Senhor é o Deus das punições ; Pecadores
orgulhosos.
o Deus das punições sempre agiu livremente.
2 Exalta-te tu (ó Deus), que julgas a terra ;
dá aos soberbos o que merecem.
3 Até quando é que os pecadores, Senhor,
até quando é que os pecadores se hão-de gloriar ?
4 (Até quando) pronunciarão e falarão iniquidade,
e levantarão a voz os que praticam a injustiça ? ·

5 Humilharam, Senhor, o teu povo,


e oprimiram a tua herança.
6 Mataram a viúva e o estrangeiro,
e tiraram a vida aos órfãos.
7 E disseram : Não o verá o Senhor,
nem o saberá o Deus de Jacob.
8 Reflecti, insensatos do povo ;
e vós, néscios, sede finalmente prudentes.
9 Porventura aquele (Senhor) que criou o ouvido, não
ouvirá ?
Ou o que formou os olhos, não verá ?
10 O que castiga as gentes, não repreenderá,
ele que ensina ao homem a ciência ?
11 O Senhor conhece os pensamentos dos homens,
(ele sabe) que são vãos.
12 Bem-aventuradoo homem a quemtuinstruíres. Senhor, Felicidades
do qoe é
e amestrares na tua lei, instruiio
13 a fim de lhe suavizar os dias maus, por Deus.
até que se abra a cova para o pecador,
14 Porque o Senhor não repelirá o seu povo,
nem abandonará a sua herança ;
15 até que a justiça faça brilhar o seu julgamento,
e estejam perto dela todos os que são rectos de coração.

S. XClll - 12-13. O homem, instrnldo por Deos, sabe qoe a


justiça não deixará de se fazer a seu tempo, e por isso [Link] no
tempo da adversidade, até qoe chega o cas!igo do• seus perseguidores
(até que se abra a cova . . . ) .
112 SALM OS, XCIII, 16 - XCIV, 6

16 Quem se levantará por mim contra os maus ?


Ou quem estará comigo contra os que praticam a
iniquidade ?
17 Se o Senhor me não tivesse socorrido,
por pouco que o sepulcro seria a minha morada.
18 Se eu dizia : O meu pé está vacilante,
a tua misericórdia, Senhor, me sustentava.
19 À proporção das muitas dores que atormentaram o
meu coração,
as tuas consolações alegraram a minha alma.
Cutigo dos 20 Porventura tem alguma coisa de comum contigo a
jnizes
inlqaos. cadeira da iniquidade,
contigo que nos impões mandamentos penosos ?
21 Os maus armam laços à alma do justo,
e condenam o sangue inocente,
22 Jllas o Senhor me serviu de refúgio,
e o meu Deus de apoio da minha esperança,
23 E fará cair sobre eles a sua iniquidade,
e na sua malícia os destruirá,
destruí-los-á o Senhor nosso Deus.

SALMO XCIV
Convite a louvar a Deus e a obedecer
ªº' seus mandamentos

Cântico de louvor, de David.


Deus deve 1 Vinde, regozijemo-nos no Senhor ;
�er louvado.
cantemos as glórias de Deus nosso salvador.
2 Apresentemo-nos diante dele com louvores,
e celebremo-lo com salmos.
3 Porque o Senhor é o Deus grande,
e o rei grande sobre todos os deuses.
4 Porque na sua mão estão todos os limites da terra,
e as a lturas dos montes são suas.
5 Seu é o mar, e ele o fez,
e as suas mãos formaram a terra enxuta.
6 Vinde, adoremos e prostremo-nos,
e choremos diante do Senhor, que nos criou ;

20. Porventura . • . Deus, j n s l o e bom, não pode deixar de auxi­


liar os seus amigos. Nonca fará aliarça com os ímpios, ele que exige a
obediência à sua lei, mesmo à c us ta de grandes sacrificios (tu que nos
impões • . . ).
SALMOS, XCIV, 7 - xcv, 8 113

7 porque ele é o Senhor nosso Deus,


e nós somos o povo do seu pasto,
e as ovelhas da sua manada.
8 Se hoje ouvirdes a sua voz, e obedecido.
não queirais endurecer os vossos corações ;
9 como aconteceu (diz o Senhor) quando me provoca-
ram à ira,
no dia da tentação no deserto,
onde vossos pais me tentaram,
me provaram, e viram as minhas obras.
10 Quarenta anos estive irritado contra esta geração,
e disse : É um povo de coração desencaminhado.
11 E eles não conheceram os meus caminhos ;
pelo que jurei na minha ira :
Não entrarão no meu repouso,

SALMO XCV
Louvemo• a Deus, juiz de todo o mundo

Cântico do mesmo David.


1 quando se edificava a casa de Deus depois do cativeiro.
Cantai ao Senhor um cântico novo ; Deas deve
ser cantado
cantai ao Senhor, habitantes de toda a terra. por Israel ;
2 Cantai ao Senhor, e bendizei o seu nome ;
anunciai todos os dias a sua salvação.
3 Anunciai entre as gentes a sua glória,
entre todos os povos as suas maravilhas.
4 Porque o Senhor é grande e infinitamente digno de
ser louvado ;
é mais terrível que todos os deuses.
5 Porque todos os deuses das gentes são demónios ;
porém o Senhor é que fez os céus.
6 O louvor e o esplendor estão diante dele ;
a santidade e a grandeza ( brilham) no seu santuário.
7 Tributai .ao Senhor, ó famílias das nações, deve ser
louvado
tributai ao Senhor glória e honra ; pelos
8 tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome. gentios :
Tomai vítimas, e entrai nos seus átrios ;

S. XCIV - 8. Se hoje . . . O Salmista recomenda-nos a necessi­


d , de que temos de não perder a graça no momento em que Deus a ofe"
:re;e, pois pode ser que não volte a oferecê-la.
11. No meu repouso, Isto é, na terra que lhes prometi,
8
114 SALMOS, xcv, 9 - XCVI, 8

9 adorai o Senhor no átrio do seu santo tabernáculo.


Trema toda a terra na sua presença.
10 Dizei entre as nações que o Senhor reina.
Porque firmou toda a terra, que não será abalada ;
ele julgará os povos com equidade.
de.e ser 11 Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra,
honrado
pelo céu e
comova-se o mar e o que ele contém.
pela terra, 12 Alegrar-se-ão os campos e todas as coisas que neles há.
Então se regozijarão todas as árvores das selvas
13 à vista do Senhor, porque vem,
porque vem julgar a terra.
Ele julgará toda a terra com equidade,
e os povos segundo a sua verdade.

SALMO XCVI
Poder de Deus, e vaidade dos ídolos
1 De David, quando foi restaurada a sua terra.
Majestade O Senhor é rei, regozije-se a terra,
de Deus.
alegrem-se as numerosas ilhas.
2 A nuvem e a escuridão estão ao redor dele i
a justiça e a equidade são a base do seu trono.
3 O fogo irá adiante dele,
e abrasará ao redor os seus inimigos.
4 Os seus relâmpagos iluminaram todo o mundo i
viu-os a terra, e tremeu.
5 Os montes fundiram-se como cera ante a face do Senhor;
diante do Senhor se funde toda a terra.
6 Os céus anunciaram a sua justiça,
e todos os povos viram a sua glória.
Confusão dos 7 Confundidos sejam todos os que adoram ídolos,
ldolos e dos
seus adora. e os que se gloriam nos seus simulacros.
dores, alegria Adorai o Senhor vós todos, ó anjos seus.
de Israel. 8 Sião ouviu-o e alegrou-se,
e as filhas de Judá regozijaram-se,
por causa dos teus juízos, Senhor.

S. XCV - 11. As criaturas inanimadas são tam bém convidadas a.


louvar o Senhor, quando chegar o Messias, que vem julgar, a fim de
restabelecer a justiça, e iniciar a feliz era messiânica.
S. XCVI - Neste salmo é descrito o grandioso aparato com qne será
iniciado o julgamento a que se referem os últimos versiculos ' -do salmo-
anterior.
2-5. Aparição de Dens com nm cortejo conveniente à soa majestade.
Todo o universo se comoveu.
SALMOS, XCVI, 9 - XCVII, 9 115

9 Porque tu és o Senhor altíssimo sobre toda a terra ;


tu és infinitamente mais elevado que todos os deuses.
10 Vós que amais o Senhor, odiai o mal ; Bondade de

o Senhor guarda as almas dos seus santos,


lívrá-los-á da mão do pecador.
���Pi;ª
jnstos.
11 Nasceu a luz para os justos,
e a alegria para os rectos de coração.
12 Alegrai-vos, justos, no Senhor,
e celebrai a memória da sua santidade.

SALMO XCVII
Louvores ao Salvador de Israel, ao juiz do mundo

1 Salmo do mesmo David.


Cantai ao Senhor um cântico novo,
porque ele operou maravilhas.
A sua dextra e o seu santo braço fizeram-no triunfar.
2 O Senhor manifestou o seu salvador ;
revelou a sua justiça aos olhos das nações.
3 Lembrou-se da sua misericórdia e da fidelidade (das
suas promessas) em favor da casa de Israel,
Todos os limites da terra
viram a salvação do· nosso Deus.
4 Aclamai a Deus, povos de toda a terra ;
cantai e saltai de alegria, e tocai instrumentos.
5 Cantai salmos ao Senhor com cítara,
com cítara e cantando hinos ;
6 com trombetas de metal, e ao som de corneta.
?egozijai-vos na presença deste (vosso) rei, que é o
Senhor ;
7 mova-se (de alegria) o mar e tudo o que há nele,
toda a terra e os que habitam nela.
8 Os rios baterão palmas,
ao mesmo tempo os montes se alegrarão
9 à vista do Senhor, porque vem julgar a terra.
Julgará toda a terra com justiça,
e os povos com equidade.
116 SALMOS, XCVIII, 1 - 9

SALMO XCVIII
Louvor a Deus, rei supremo, que atende
sempre os seus
1 Salmo do mesmo David.
Louve Israel O Senhor já reina, irritem-se os povos ;
o sea rei e
o rei de reina o que está sentado sobre querubins, agite-se a
todos, terra.
2 O Senhor é grande em Sião,
e está elevado acima de todos os povos.
3 Dêem glória ao teu grande nome,
porque é terrível e santo ;
4 e a honra do rei está em amar a justiça.
Tu estabeleceste leis rectíssimas ;
tu exerceste o julgamento e a justiça em Jacob.
5 Exaltai o Senhor nosso Deus,
e adorai (a arca que e') o escabelo de seus pés,
porque ele é santo.
o qual ouviu 6 Moisés e Arão estavam entre os seus sacerdotes,
sempre as
preces das e Samuel entre aqueles que invocam o seu nome.
.almas pie- Invocavam o Senhor, e ele os atendia ;
.doias. 7 falava-lhes na coluna de nuvem.
Guardavam os seus mandamentos,
e o preceito que lhes tinha dado.
8 Senhor, nosso Deus, tu os ouvias,
ó Deus, tu lhes foste propício,
até em punir todas as suas faltas.
9 Exaltai o Senhor nosso Deus,
e adorai-o sobre o seu santo monte,
porque o Senhor nosso Deus é santo.

S. XCVIll - Ao aplauso pela inauguração do reino de Deus, reino em


que imperam o direito e a justiça (1.5), o poeta junta a memória dos
tempos heróicos do povo hebreu (6-8). Em tudo resplandece como sobe­
rana a santidade de Deus, aclamada três vezes (3, 5, 9).
1. Irritem-se . . , O Salmista refere-se à impressão causada entre
os pagãos p•la im uguração do reino de Deus.
5. Adorai , . . Segundo o hebreu : Prostrai-vos diante . . ,
sALMos, xox, 1 - e, s 117

SALMO XCIX
Convite dirigido a todos os povos para louvarem
a Deus no 1eu santuário

1 Salmo de louvor.
2 Aclamai a Deus, povos de toda a terra ;
servi o Senhor com alegria.
Vinde à sua presença com alvoroço.
3 Sabei que o Senhor é Deus ;
ele nos fez, e não nós a nós mesmos.
Nós somos o seu povo e as ovelhas do seu pasto.
4 Transponde as suas portas com louvor,
os seus átrios com hinos ; glorificai-o.
Louvai o seu nome, porque o Senhor é suave ;
5 a sua misericórdia é eterna,
e a sua verdade permanece de geração em geração.

SALMO C

Qualidade que deve ter um bom rei

1 Salmo do mesmo David.


Eu cantarei a misericórdia e a justiça.
Senhor, eu vos entoarei salmos,
2 e procurarei conhecer o caminho da perfeição, Na vida
quando vieres a mim. particnlar.
Eu caminhava na inocência do meu �oração,
no meio da minha casa.
3 Eu não punha diante dos meus olhos
coisa injusta ;
aborrecia os que cometiam prevaricações.
Não se unia a mim
4 coração depravado ;
o mau afastava-se de mim,
e eu não o conhecia.
5 Ao que secretamente dizia mal do seu próximo, Na vida
eu o perseguia. pública.

S C - É o hino dam bom monarca, qne promete a Deus nm •ábio


e virluo•o governo, quer no modo de proceder próprio (1-4), quer na esco­
lha e vigilância do• qae o cercam (5-8).
118 sALMo s, e, 6 - c1. 9

Com homem de olhos soberbos e de coração insaciável,


com esse não comia.
6 Os meus olhos só buscavam na terra os fiéis,
para que se sentassem comigo ;
o que andava por um caminho inocente,
esse me servia.
7 Não habitará na minha casa
o que procede com soberba ;
o que diz coisas iníquas
não pôde tornar-se agradável aos meus olhos.
8 Pela manhã exterminava
todos os pecadores da terra,
a fim de suprimir da cidade do Senhor
todos os que cometem a iniquidade.

SALMO CI
Oração e eeperanças de Israel infeliz

1 Oração de um aflito quando estiver na tribulação, e


derramar as suas preces na presença do- Senhor.
Oração de 2 Senhor, ouve a minha oração,
Israel aflito.
e chegue a ti o meu clamor.
3 Não apartes de mim o teu rosto ;
em qualquer dia em que me achar atribulado,
inclina para mim o teu ouvido.
Em qualquer dia que te invocar, ouve-me prontamente,
4 porque os meus dias dissiparam-se como fumo,
e os meus ossos se secaram como gravetos.
5 Fui ferido como feno, e o meu coração secou-se,
porque até me esqueci de comer o meu pão.
6 À força de soltar gemidos,
fiquei somente com a pele pegada aos ossos.
7 Tornei-ine semelhante ao pelicano do deserto ;
tornei-me como a coruja no seu (triste) albergue.
8 Velei e tornei-me como o pássaro solitário no telhado.
9 Todo o dia me improperavam os meus inimigos,
e os que me louvavam conjuravam-se contra mim.

S. C! - Há neste salmo trê• partes : 1 ª Uma pessoa aflita lasti­


ma-se dos seus males e pede a Deus socorro (12-13). 2.ª Pensando-se na
desolação de Jerasalém e no exilio do povo, i>rde o seu restabi?lecimento,
para glória de Dws (B 23). 3.ª O Infeliz volta a lamentar-se dos seus
males, e pede a Deus mais longa vida.
SALMOS, CI, 10 - 26 1 19

10 Porque comia a cinza com o pão,


e misturava a minha bebida com as minhas lágrimas,
11 à vista da tua ira e indignação,
porque, depois de me teres elevado, me arrojaste.
12 Os meus dias passaram como a sombra,
e eu sequei-me como feno.
13 Mas tu, Senhor, permaneces para sempre, P•�indo
. .
ó rdia,
e a memória de teu nome estende-se de geração em misenc
_ para a
geraçao. cidade
14 Tu, levantando-te, terás piedade de Sião, destrnlda,
porque é tempo de teres piedade dela,
e a hora já chegou.
15 Porque as suas próprias ruínas são amadas pelos
teus servos.
e eles olham com ternura (até o pó de) aquela terra.
16 E as nações temerão o teu nome, Senhor,
e todos os reis da terra respeitarão a tua .glória.
17 Porque o Senhor edificou Sião,
e será visto na sua glória.
18 Atendeu à oração dos humildes,
e não desprezou a sua prece.
19 Sejam escritas estas coisas para a geração futura,
e o povo, que há-de ser criado, louvará o Senhor,
20 porque olhou do alto do seu santuário ;
o Senhor olhou do céu sobre a terra,
21 para ouvir os gemidos dos encarcerados,
para libertar os filhos dos condenados à morte,
22 a fim de que anunciem em Sião o nome do Senhor,
e o seu louvor em Jerusalém,
23 quando se juntarem os povos
e os reis para servirem ao Senhor.
24 Disse-lhe (o justo) na expansão da sua força : ao Senhor
Manifesta-me (Senhor) o curto número de meus dias. imutável.
25 Não me chames na metade de meus dias ;
os teus anos estendem-se de geração em geração.
26 No princípio, Senhor, fundaste a terra,
e os céus são obra das tuas mãos.

10. Comia a cinza . . . Alusão à cinza que era costume espalhar


�obre a cabeça em sinal de dor e de penitência, e da qual cairia alguma
sobre o prato em qne comiam.
21. Encarcerados e como condenados à morte eram os Israe­
litas no cativeiro de Babilónia.
25-28. A etemida ie de Deus , que excede infinitamente a duração da
vida humana, é invocada como motivo para que Dens conceda vida mais
longa.
120 SALMOS, CI, 27 - CII, 1 2

71 Eles perecerão, mas tu permanecerás ;


todc3 eles envelhecerão como um vestido.
E como roupa os mudarás, e serão mudados ;
28 tu porém és sempre o mesmo,
e os teus anos não terão fim.
29 Os filhos dos teus servos habitarão (trar,quilos em
jerusalém),
e a sua posteridade será estável para sempre,
SALMO CU
Mi1ericórdias de Deus
1 Do mesmo David.
Deus perdoa Bendize, ó minha alma, o Senhor,
todas as
maldades. e todas as coisas que há dentro de mim (bendigam)
o seu santo nome.
2 Bendize, ó minha alma, o Senhor,
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
3 É ele que perdoa todas as tuas maldades,
e que sara todas as tuas enfermidades.
4 É ele que resgata da morte a tua vida,
e que te coroa da sua misericórdia e das suas graças.
5 É ele que sacia com (seus) bens o teu desejo ;
renovar-se-á como a da águia a tua mocidade.
6 O Senhor faz misericórdias,
e faz justiça a todos os que sofrem agravos.
7 Fez conhecer a Moisés os seus caminhos,
e aos filhos de Israel as suas vontades,
é muito
8 O Senhor é compassivo e misericordioso,
misericor.
dioso, paciente e de muita misericórdia.
9 Não ficará irado para sempre,
nem ameaçará perpetuamente.
10 Não nos tratou segundo os nossos pecados,
nem nos puniu segundo as nossas maldades.
11 Porque, quanto a elevação do céu está remontada
sobre a terra,
tanto ele firmou a sua misericórdia sobre os que o
temem,
12 Quanto o oriente dista do ocidente,
tanto ele afastou de nós as nossas maldades.
S. CII - É um hino de louvor e acção de graças a Deus pela in:lol­
g ência com que condena as culpas e distribui os beneffcios, não sàmente
aos individuos (1-5), mas também a toda a nação (6.12), e tem compai­
xão da fraqueza humana (13·18). Convite a Iodai as criaturas para lou.
varem o seu Criador (20-22).
sALMos, cn, 13 - cm, 1 121

13 Como um pai se compadece dos seus filhos,


assim se compadeceu o Senhor dos que o temem ;
14 porque ele sabe bem de que somos formados ;
lembrou-se que somos pó.
15 Os dias do homem passam como o feno ;
como a flor do campo, assim floresce (e assim murcha).
16 Porque um sopro de vento passará sobre ele, e não
subsistirá,
e não conhecerá mais o seu lugar.
17 Mas a misericórdia do Senhor estende-se desde a
eternidade,
e até à eternidade sobre os que o temem.
E a sua justiça (espalha-se) sobre os filhos dos filhos,
18 para aqueles que guardam a sua aliança,
e se lembram dos seus mandamentos, para os observar.
19 O Senhor preparou o seu trono no céu,
e o seu reino dominará sobre todos.
20 Bendizei o Senhor, vós todos os seus anjos, e por isso
deve ser
que sois poderosos e fortes, que sois executores da bendito par
sua palavra, todas as
prontos para obedecer à voz das suas ordens. criaturas
21 Bendizei o Senhor, vós todos que fazeis parte da sua
(celestial) milícia,
vós, seus ministros, que fazeis a sua vontade.
22 Bendizei o Senhor, vós todas as suas obras,
em todo o lugar do seu (universal) domínio.
Bendize, ó minha alma, o Senhor.

SALMO CIII
Hino ao Criador
1 Do mesmo David. Soa glória
nos céus.
Bendize, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, Deus meu, tu te engrandeceste sumamente.
Tu te revestiste de majestade e de esplendor,

16. Um sopro de vento . . • Na P2!eslina o vEDto, principalmente


o leste, pode transformar em pouco tempo um belo jardim nam árido
deserto, e as flores não deixarão traços da soa rápida passagem pela
terra. Assim é o homem (e não conhecerá mais o seu lugar).
S. CIII - Arrebatado pelas belezas grandiosas do universo, o paeta
canta um hino de admiração ao Crhdor.. Em qaadros de vivas: pinceh�
das faz passar par diante do leitor a luz e cs meteoros (2-�) . a formação
do orbe terráqueo (5-9), a distribuição das águas terrestres e a vegetação
(10-18), a vida animal e a indústria humana !19-241, a vida aquática e a
conservação dos seres vivos (25-30).
122 SALMOS, cm, 2 - 18

2 coberto de luz como dum vestido.


Tu estendes o céu como um pavilhão ;
3 tu cobres de água a sua parte superior.
Tu sobes sobre as nuvens,
e andas sobre as asas dos ventos.
4 Tu fazes que os teus anjos sejam (velozes) como os ventos,
e que os teus ministros sejam 1 activos) como o fogo
abrasador.
\
e
t
Tu fundaste a terra sobre as suas bases,
":i':r. 5 ela não se desnivelará pelos séculos dos séculos.
6 O abismo cinge-a como um vestido ;
as águas elevam-se acin:a das montanhas.
7 Mas à tua ameaça (essas águas) fugirão ;
à voz do teu trovão temerão.
8 As montanhas elevam-se, e os vales descem,
ao lugar que lhes marcaste.
9 Estabeleceste-lhes limites, que não ultrapassarão ;
e não voltarão a cobrir a terra.
Fontes, 10 Tu fazes sair as fontes nos vales ;
chuvas, as águas passam por meio dos montes.
fertilidade
do solo. 11 Todos os animais do campo bebem lá ;
suspiram por elas os asnos silvestres na sua sede.
12 Sobre elas habitam as aves do céu,
as quais, do meio dos rochedos, farão ouvir as suas
vozes.
13 Tu banhas os montes com as águas que caem do alto
com o fruto das tuas obras será saciada a terra.
14 Tu produzes feno para os animais,
e plantas para uso dos homens.
Tu fazes sair o pão do seio da terra,
15 e o vinho que alegra o coração do homem.
(Dás-lhe) o azeite, para que ele espalhe a alegria
sobre o seu rosto,
e o pão, para que fortifique o seu coração.
As aves e 16 Encher-se-ão de seiva as árvores do campo,
os animai s
das t�- e os cedros do Líbano, que ele plantou.
n��� 17 Ali farão seus ninhos as aves.
·

A casa (ou ninho) da cegonha lhes serve de guia.


18 Os montes altos são refúgio dos veados,
e os penhascos dos ouriços .

6. O abismo ... a criação,


Alusão aos primeiros tempos d em que
a terra estava completamente cercada pelo i menso abismo das águas.
17. lhes serve de guia, porque está mais alto e é feitoantes
dos outro s .
SALMOS, CIII, 19 - 35 123

19 Fez a lua para marcar os tempos ; O dia e a


noite
o sol observa pontualmente o seu ocaso.
20 Espalhaste as trevas, e fez-se a noite ;
é então que se põem em movimento todos os animais
da selva.
21 Os leõezinhos rugem em busca da presa,
e pedem a Deus o seu sustento.
22 Desponta o sol, e reúnem-se,
e vão esconder-se nos seus covis.
23 Sai o homem para a sua obra,
e para os seus trabalhos até à noite.
24 Quão magníficas são as tuas obras, Senhor ! As maravi­
lhas do mar.
Fizeste com sabedoria todas as coisas i
a .terra está cheia das tuas riquezas. .
25 (E teu) este mar (filo) grande, e de longos braços ;
nele existem peixes sem número,
animais pequenos e grandes.
26 Por ele transitam os navios,
e esse monstro que formaste para brincar entre as
suas ondas.
27 Todos esperam de ti [Link] a vida
depende de
que lhes dês de comer a seu tempo. Deus.
28 Dando-lho tu, eles o recolhem ;
abrindo tu a tua mão, todos se encherão de bens.
29 Mas, se apartares o teu rosto, turbar-se-ão ;
tirar-lhes-ás o espírito, e deixarão de ser,
e voltarão ao seu pó (de que saíram).
30 Enviarás o teu espírito, e serão criados,
e renovarás a face da terra.
31 Seja celebrada a glória do Senhor para sempre i Glória ao
Criador
alegrar-se-á o Senhor nas suas obras ;
32 àquele Senhor que, só com olhar para a terra, a faz
tremer ;
e que toca os montes, e eles fumegam.
33 Cantarei ao Senhor durante toda;a minha vida ;
cantarei hinos ao meu Deus enq�anto eu existir.
34 Sejam-lhe agradáveis as minhas palavras ;
quanto a mim, deleitar-me-ei no Senhor.
35 Desapareçam da terra os pecadores,
e os iníquos não existam mais.
Bendize, ó minha alma, o Senhor.

32. O s terramotos e as erupções . vulcânica• não custam a Deus


mais que um aceno.
124 SALMOS, CIV, 1 - 16

SALMO CIV
Benefícios concedidos por Deus a Israel
nos tempos antigos
1 Aleluia.
O Senhor Louvai o Senhor, e invocai o seu nome ;
deve ser
loavado,
anunciai as suas obras entre as nações.
2 Cantai-lhe e entoai salmos em sua honra ;
narrai todas as suas maravilhas.
3 Gloriai-vos em seu santo nome ;
alegre-se o coração dos que buscam o Senhor.
4 Buscai o Senhor, e fortificai-vos nele ;
buscai sempre a sua face.
5 Lembrai-vos das maravilhas que fez,
dos seus prodígios e das sentenças que saíram da
sua boca,
6 vós, ó descendentes de Abraão, que sois seus servos ;
vós, ó filhos de Jacob, seus escolhidos.
� �:�
p0rque, 7 Ele é o Senhor nosso Deus ;
s g º
os seus juízos exercem-se em toda a terra.
promessa, 8 Ele lembrou-se para sempre da sua aliança,
e da palavra que pronunciou para mil gerações ;
9 da promessa que fez a Abraão,
e do juramento que fez a Isaac ;
10 juramento que confirmou a Jacob como uma lei,
e a Israel, para que fosse uma aliança eterna,
11 dizendo : Dar-te-ei a terra de Canaan,
como porção da tua herança.
12 Eles eram então em pequeno número,
pouquíssimos, e estrangeiros no país.
protegeu o s 13 Passavam (repetidas vezes) de nação para nação,
patriarcas,
e dum reino para outro povo.
14 Não permitiu que alguém os ofendesse,
e castigou reis por causa deles.
15 Não toqueis os meus ungidos,
e não maltrateis os meus profetas.
16 E chamou a fome sobre a terra,
e destruiu todo o sustento do pão.

S. CIV - Recorda os factos mais imp0rtantes da história dos


Patriarcas, desie Abraão atl! à entrada na terra da promissão, para
convidar o povo a dar por isso acção de graças a Deus, e a observar
o s seus mandamentos. A primeira parte deste salmo (J.5) I! citado no
I Parai, XVI, 8-22.
16. E chamou a fome terrlvel que houve no temp0 de Jacob
(Gen. XLI, 53-57),
SAL�OS, CIV, 17 - 35 125

17 Enviou adiante deles um homem,


a José que foi vendido como escravo.
18 Humilharam-no com grilhões nos pés ;
o ferro (da calúnia) traspassou a sua alma,
19 até que se cumpriu o seu vaticínio.
A palavra do Senhor o tinha inflamado.
20 O rei mandou que o soltassem,
o príncipe dos povos deu-lhe a liberdade.
2 1 Constituiu-o senhor da sua casa,
e príncipe de tudo o que possuía,
22 a fim de que instruísse os seus grandescomo a si mesmo.
e ensinasse a prudência aos seus anciãos.
23 E Israel entrou no Egipto, operou pro­
e Jacob foi hóspede na terra de Cam. dfgios no
Egipto,
24 E (Deus) aumentou extraordinàriamente o seu povo,
e tornou-o forte sobre os seus inimigos.
25 Mudou o coração dos Egípcios para que odiassem o
seu povo,
e usassem de enganos com os seus servos.
26 Enviou Moisés, seu servo,
e Arão, a quem tinha escolhido.
27 Deu-lhes poder para fazer milagres,
e prodígios na terra de Cam.
28 Enviou trevas, e difundiu escuridão,
e não faltou nenhuma das suas palavras.
29 Converteu-lhes as águas em sangue,
e matou os seus peixes.
30 A sua terra produziu rãs
até nas câmaras dos próprios reis.
31 Falou, e vieram moscas de todas as castas,
e mosquitos por todo o território.
32 Em vez de água fez-lhes chover granizo,
lançou um fogo abrasador na terra deles.
33 E feriu as suas vinhas e os seus figueirais,
e quebrou as árvores que havia nos srus limites.
34 Falou, e vieram gafanhotos \_
e lagartos em tanta abundância que não tinham número;
35 e devoraram toda a erva dos prados,
e comeram todos os frutos dos seu� campos.

17, Mas, para que não morresoem de fome, permitiu que josé
fosse vendido como escravo, indo assim adiante deles para o
Egipto, onde fez com que lb1s não faltasoe o pão,
19, A té que se cumpriu, até que se verificou a Interpretação qae
José linha dado aos sonhos de Faraó (Gen. XL, 5 e •eg.5 ; XLI, 9 e seg.•J,
126 SALMOS, CIV, 36 - CV, 4

36 E feriu todos os primogénitos da sua terra,


as primícias de todo o seu trabalho.
37 E fez sair os Israelitas com prata e com oiro,
e não havia enfermo nas suas tribos.
38 Alegrou-se o Egipto com a partida deles,
por causa do grande temor que lhe causavam,
e na viagem 39 Estendeu uma nuvem que os cobrisse,
para a terra
de Canaan, e um fogo que os alumiasse de noite.
40 Pediram e vieram codornizes,
e de pão do céu os saciou.
41 Fendeu a pedra, e brotaram águas,
correram rios em lugar seco.
42 Porque se lembrou da sua santa palavra,
que tinha dado a Abraão, seu servo.
43 E tirou o seu povo com regozijo,
e os seus escolhidos. com alegria.
44 E deu-lhes as terras dos gentios,
e disfrutaram o trabalho doutros povos,
45 para que guardassem os seus mandamentos,
e buscassem a sua lei.

SALMO CV

Benefícios de Deus e ingratidões de Israel

Aleluia.
Deus E 1 Louvai o Senhor, porque é bom,
misericor­ e porque a sua misericórdia é eterna.
dioso com
Israel. 2 Quem poderá contar as obras do poder do Senhor ?
Quem fará que sejam ouvidos todos os seus louvores ?
3 Bem-aventurados os que observam a lei,
e praticam a justiça em todo o tempo.
4 Lembra-te de nós, Senhor, segundo a tua benevo­
lência para com o teu povo ;
visita-nos com a tua salvação,

S, CV - Retoma a história de Israel quase no ponto em qne a


deixou no salmo anterior, mas com um fim diferente, que é fazer
sobrenair, especialmente nas [Link] dos quarenta anos do deserto
1 13-331. dum lado a infidelidade do povo escolhido, do outro a inesgo­
tável bondade de Dens, qne o castigava para imediatamente lhe perdoar
e conceder beneflcios, O vers. 6 dá a este salmo o valor duma con­
fissão pública.
SALMOS, CV, 5 -- 21 127

5 para que vejamos a felicidade dos teus escolhidos,


e gozemos a alegria que destinas ao teu povo,
e para que sejas glorificado na tua herança.
6 Pecámos com os nossos pais,
procedemos injustamente, cometemos a iniquidade.
7 Nossos pais no Egipto não consideraram as tuas ma- apesa r dos
seus ante.
ra vilhas ;
não se lembraram da multidão das tuas misericórdias,
P
!���
s

E irritaram-te, estando para entrar no mar, no mar pecado
no Eg1pto e
Vermelh o. no dese1to,
8 Mas (o Senhor) salvou-os, por amor do seu nome,
para mostrar o seu poder.
9 E ameaçou o mar Vermelho, e ele secou-se ;
e levou-os pelos abismos, como por um deserto.
10 E salvou-os da mão dos que os odiavam,
e livrou-os da mão do inimigo.
1 l E a água cobriu os que os perseguiam ;
não escapou um só deles.
12 E deram crédito às suas palavras,
e cantaram o seu louvor.
13 Porém, depressa esqueceram as suas obras,
e não esperaram a realização dos seus desígnios,
14 E cobiçaram delícias no deserto.
e tentaram a Deus no lugar sem água.
15 E concedeu-lhes o que pediam,
e fartou-os do que desejavam,
16 E irritaram Moisés no acampamentõ,
e Arão, o santo do Senhor.
17 Abriu-se a terra e tragou Datan,
e sepultou Abiron com os seus sequazes.
18 E ateou-se fogo no meio do seu conciliábulo ;
a chama consumiu os pecadores.
19 E fizeram um bezerro em Horeb,
e adoraram uma estátua fundida.
20 E trocaram a sua glória
pelo simulacro dum bezerro que come feno.
2 l Esqueceram-se de Deus, que os tinha salvado,
que tinha feito grandes prodígios no Egipto,

7. lrn"faram-te com as snas murmurações de revolta, ao verem�se


apertados entre o mar e o exército dos Eglpclos.
13. Não esperaram que Deüs os provesse de comida e bebida no
momento oportuno, mas começaram a murmurar,
16-18 Revolta de Dalan e Abiron, qne queriam ser ignais a Moisés
e Arão !Núm, XVI),
128 SALMOS, CV, 22 - 40

22 maravilhas na terra de Cam,


coisas terríveis no mar Vermelho.
23 E disse que os destruiria,
se Moisés, seu escolhido,
se não tivesse posto no meio ante ele sobre a brecha
(como um escudo),
a fim de afastar a sua ira, para que não os destruísse.
24 Nenhum caso fizeram daquela terra desejável.
Não deram crédito à sua palavra,
25 murmuraram nas suas tendas,
e não atenderam à voz do Senhor.
26 E (o Senhor) levantou a sua mão contra eles,
para os exterminar no deserto,
27 para envilecer a sua estirpe entre as nações,
e dispersá-los por diversos países.
28 E consagraram-se a Beelfegor,
e comeram os sacrifícios oferecidos aos (deuses) sem
vida.
29 E irritaram o Senhor com as suas inovações (ido­
látricas),
e (como castigo) multiplicou-se neles a ruína.
30 E apresentou-se Finéas, e aplacou (o Senhor),
e cessou o flagelo.
31 E (este zelo) foi-lhe imputado a justiça,
de geração em geração para sempre.
32 E irritaram o Senhor nas A guas da contradição,
e Moisés foi castigado por causa deles,
33 porque perturbaram o seu espírito,
e foi duvidoso nas suas palavras.
e na te_rra 3 4 Não exterminaram os povos,
promehda.
que o Senhor lhes tinha indicado ;
35 e misturaram-se com eles,
e tomaram os seus costumes ;
36 e adoraram os seus ídolos,
e isto foi-lhes causa de ruína.
37 E imolaram os seus filhos
e as suas filhas aos demónios.
38 E derramaram o sangue inocente,
o sangue de seus filhos e de suas filhas,
que tinham sacrificado os ídolos de Canaan.
E a terra ficou infeccionada com tanto sangue,
39 e contaminou-se com as suas obras,
e prostituíram-se as suas invenções (idolátricas).
40 E o Senhor incendiou-se de furor contra o seu povo,
e abominou a sua herança.
SALMOS, CV, 41 - 48 129

41 E entregou-os ao poder dos gentios,


e dominaram-nos aqueles que os odiavam.
42 E os seus inimigos angustiaram-nos,
e foram humilhados sob o seu poder.
43 Muitas vezes (Deus) os livrou.
Eles porém irritam-no com os seus (ímpios) desígnios.
e foram humilhados pelas suas próprias iniquidades.
44 E o Senhor olhou-os quando estavam atribulados,
e ouviu a sua oração.
45 E lembrou-se da sua aliança.
e teve piedade deles segundo a sua grande miseri­
córdia.
46 E fez deles o objecto das suas misericórdias,
à vista de todos aqueles que os tinham cativos.
47 Salva-nos, Senhor nosso Deus,
e recolhe-nos dentre as nações,
para que celebremos o teu santo nome,
e nos gloriemos em louvar-te.
DJxologia
48 Bendito seja o Senhor Deus de Israel, pelos séculos do livro
dos séculos, quarto.
e todo o povo responderá : Assim seja ! Assim seja !

9
LIVRO QUI N TO

SALMO CVI

Agradecimento dos qae foram livres

Aleluia,
Pr6Jogo. 1 Louvai o Senhor, porque é bom,
porque a sua misericórdia é eterna.
2 Digam-no os que foram resgatados pelo Senhor,
os que ele resgatou da mão do inimigo,
e os que congregou dentre as nações,
3 do oriente e do poente,
do aquilão e do mar (ou meio-dia).
Louvem o 4 Andaram errantes por lugares áridos ;
Senhor os
Israelitas,
não encontraram um caminho para chegar a alguma
outrora cidade onde se alojassem.
perdidos 5 Padecendo fome e sede,
no deserto,
a sua alma desfaleceu.
6 E clamaram ao Senhor no meio das suas tribulações,
e ele os livrou das suas necessidades,
7 e conduziu-os por caminho direito,
para que chegassem à cidade em que deviam habitar.
8 Glorifiquem o Senhor pelas suas misericórdias,
e pelas (suas) maravilhas em favor dos filhos dos
homens ;
9 porque saciou a alma que estava exausta,
e encheu de bens a alma faminta.

S, CV! - Em quatro quadros simb6licos (4·9 ; 10·16 : 17-22 ;


2 3-32) de [Link] elegante disposição simétrica, o salmista traça os gran­
des males de que Deus livroa. o povo de Israel, o qual lhe deve, por
isso, uma eterna grati;lão, Em segaida descreve o feliz estado dos Is­
raelitas, depois de terem voltado do edlio (33-41), outro motivo de dar
graças a Deus.
2-3. Expressões que Indicam a volta do cativeiro à pátria re­
const!tulfa.
4. Primeiro quadro simb6lico : a fome no deserto, tal era o exllio.
SALMOS, CVI, 10 - 27 131

10 Estavam sentados no meio de trevas, e na sombra da e cativos,


morte,
aprisionados, na indigência e em ferros,
11 porque tinham sido rebeldes às palavras de Deus,
e tinham desprezado o conselho do Altíssimo.
12 O seu coração foi humilhado nos trabalhos ;
ficaram sem forças, e não houve quem os socorresse.
13 E clamaram ao Senhor no meio das suas tribulações,
e ele livrou-os de suas necessidades,
14 e tirou-os das trevas (do cdrcere) e da sombra da morte,
e quebrou as suas cadeias.
15 Glorifiquem o Senhor pelas suas misericórdias,
e pelas suas maravilhas em favor dos filhos dos
homens.
16 Porque arrombou as portas de bronze,
e quebrou os ferrolhos de ferro.
17 Retirou-os do caminho da sua maldade, e doentes.
porque tinham sido humilhados, por causa das suas
injustiças.
18 A sua alma aborreceu toda a comida,
e chegaram até às portas da morte.
19 E clamaram ao Senhor no meio das suas tribulações,
e ele livrou-os das suas necessidades,
20 Enviou a sua palavra, e sarou-os,
e livrou-os do que lhes era mortal.
21 Glorifiquem o Senhor pelas suas misericórdias,
e pelas suas maravilhas em favor dos filhos dos
homens.
22 Ofereçam-lhe (estes) um sacrifício de louvor,
e anunciem as suas obras com alegria.
23 Os que descem ao mar em naus, Lo11vem o
e . fazem as suas manobras no meio de tantas águas, ������ ��
n t -
24 viram as obras do Senhor,
e as suas maravilhas no fundo (do mar).
25 Disse, e levantou-se um vento de tempestade,
e empolaram-se as ondas.
26 Sobem até aos céus e descem até aos abismos.
No meio destas angústias desfalecia a alma deles.
27 Foram turbados e cambalearam como um ébrio,
e toda a sua sabedoria se desvaneceu.
10. Segundo símbolo ; a prisão.
17. Terceiro s[mbolo : a Perda de torças, causada par uma náusea
contínua
23. Q11arto simbolo : os náufragos, A tempestade que os s11rpreende
é nm perigo tanto mais grave, qnanto mais raras eram para os antigos
Hebreas as viagens por mar.
132 SALMOS, CVI, 28 - 43

28 E clamaram ao Senhor no meio das suas tribulações,


e livrou-os das suas necessidades.
29 E trocou a tempestade em vento suave,
e acalmaram as ondas do mar.
30 E eles alegraram-se, porque acalmou o mar,
e (o Senhor) conduziu-os ao porto que desejavam.
31 Glorifiquem o Senhor pelas suas misericórdias,
e pelas suas maravilhas em favor dos filhos dos ho­
mens.
32 Exaltem -no na assembleia do povo,
e louvem-no no conselho dos anciãos.
Aflição e 33 Converteu os rios em desertos,
libertação. e os mananciais das águas em terra sedenta,
34 a terra frutífera em puro sal,
por causa da malícia dos seus habitantes.
35 Trocou o deserto em tanques de água,
e a terra árida em mananciais de águas.
36 E estabeleceu ali os famintos,
e eles fundaram cidades para sua habitação ;
37 e semearam os campos, e plantaram vinhas,
e colheram frutos abundantes.
38 E (o Senhor) abençoou-os, e multiplicaram-se em ex­
tremo,
e não diminuiu o número dos seus animais.
39 Foram depois reduzidos a um pequeno número,
e foram oprimidos com trabalhos e dores.
40 Caiu o desprezo sobre os príncipes,
e fê-los andar errando fora de caminho, e por onde
o não havia.
41 E aliviou o pobre da sua miséria,
e multiplicou as famílias (como rebanhos de) ovelhas.
Aten�am 42 Os justos verão estas coisas e alegrar-se-ão,
os sábios ª
estes louvo-
e toda a maldade
, . fechará a boca. .
res divinos. 43 Q uem e sab 10 para conservar estas corsas,
,

e compreender as misericórdias do Senhor ?

33-34, A Palestina, a principio fértil, foi convertida em deserto


durante o cafüeiro de Babilónia.
35. Mas, depois da volta dos Israelitas, tornou-se, com o auxilio de
Deus, uma terra fértil.
43. Quem é sábio . • • Q ual é o homem sábio, que não conser­
vará na memória estas coisas, e não procarará1 por isso, orientar bem a
sua vida 7
SALMOS, CVII, 1 - 14 133

SALMO CVII

Canto de acção de izraças, e oração

1 Cântico salmo, do mesmo David.


2 O meu coração, ó Deus, está preparado, o meu cora- David canta
em louvor
ção está preparado ' .
cantarei. e entoarei. sal mos no meio
·
. de Deus
. d a mmha gl ona. '
misericor-
3 Desperta, glória minha, desperta, saltério e cítara ; dioso,
levantar-me-ei ao romper de alva.
4 Louvar-te-ei no meio dos povos, Senhor,
e entoar-te-ei salmos entre as nações ;
5 porque a tua misericórdia elevou-se acima dos céus,
e a tua verdade até às nuvens.
6 Exalta-te, ó Deus, sobre os céus,
(brilhe) sobre toda a terra a tua glória ;
7 para que sejam livres os teus dialectos ; e pede a
libertação .
salva-me com a tua direita, e ouve-me.
8 Deus falou no seu santuário, alegrar-me-ei,
e repartirei (à minha vontade) Siquem,
e medirei o vale dos Tabernáculos.
9 Meu é Galaad, e meu é Manassés,
e Efraim é a força da minha cabeça.
Judá é o meu rei ;
10 Moab é como que o vaso da minha esperança.
Estenderei o meu calçado sobre a Iduméa ;
os estrangeiros tornaram-se meus amigos.
11 Quem me conduzirá à cidade fortificada ?
Quem me conduzirá até à Iduméa ?
12 Porventura não és tu, ó Deus, que nos desamparaste?
Não virás tu, ó Deus, à frente dos nossos exércitos ?
13 Dá-nos socorro na tribulação,
porque é vã a salvação que se espera da parte do
homem.
14 Em Deus faremos proezas,
e ele reduzirá a nada os nossos inimigos.

S. CVII - Este cântico é composto de dois fragmentos, tirados de


dois outros salmos. Os versiculos 2-6 provêm do S, LVI, 8-12 ; os
verslculos 7.14 do S. LIX, 7-14.
134 SALMOS, CVIII, 1 - 13

SALMO CVIII

Contra Inimigos traidores

1 Para o fim : Salmo de David.


Mallcia dos 2 Ó Deus, não cales o meu louvor,
inimigos.
porque a boca do pecador e a boca do traidor abri­
ram-se contra mim,
3 Falaram contra mim com língua aleivosa,
e com palavras de ódio me cercaram,
e sem causa me fizeram guerra.
4 Em vez de me amar, caluniavam-me ;
eu porém orava.
S Deram-me males em troca de bens,
e ódio em troca do amor que eu lhes tinha.
1 mprecações 6 Sujeita-o (Senhor) ao domínio do pecador,
contra el€s
e esteja o demónio à sua direita.
7 Quando for julgado, saia condenado,
e a sua (própria) oração se converta em pecado.
8 Sejam abreviados os seus dias,
e receba outro o seu ministério.
9 Fiquem seus filhos órfãos,
e sua mulher viúva.
10 Andem vagabundos dum lugar para outro os seus
filhos, e mendiguem.
e sejam lançados fora das suas habitações.
11 O usurário dê caça a todos os seus bens,
e os estranhos roubem (o fruto dos) seus trabalhos,
12 Não tenha quem o ajude,
nem haja quem se compadeça dos seus órfãos.
13 Sejam exterminados todos os seus filhos,
em uma só geração fique apagado o seu nome.

S. CVIII - Cruelmente afligido por negras calúnias, o salmista


pede o castigo do pérfido acusador (1-20) : e, depois de fazer uma
breve descrição dos seus sofrimentos, pede a Deus que o auxilie (21· 311.
2. Não cales . . . Não deixes de manifestar a minha inocência
contra as calúnias de qne sou vitima.
6. Depois de ler empregado o plural para designar os seus inimi­
gos, David emprega agora o singular, porque tinha particularmente em
vista o chefe desses inimigos, verdadeiro instigador de todos os sens
males. S. Pedro, aplicando o salmo a Jesus, vê neste chefe Judas
traidor (Acl. !, 301. - Sujeita-o . . . Deve notar-se que, neste salmo,
David fala como profeta, e, em nome de Deus, anuncia o que havia de
acontecer aos inimigos ob•llnados do Senhor.
SALMOS, CVIII, 14 - 31 135

14 Reviva a lembrança da iniquidade de seus pais na


presença do Senhor,
e o pecado de sua mãe não seja apagado.
15 Estejam sempre (os seus crimes) diante do Senhor,
e desapareça da terra a sua memória ;
16 porque não se lembrou de usar de misericórdia,
17 e perseguiu o homem desamparado e mendigo,
o homem aflito do coração, para lhe dar a morte.
18 E, como amou a maldição, ela lhe virá ;
e, como não quis a bênção, ela se afastará dele.
E vestiu-se de maldição como um vestido,
e ela penetrou como água nas suas entranhas,
e como azeite nos seus ossos.
19 Que ela seja para ele como o vestido com que se cobre,
e como a cinta com que sempre se cinge.
20 Tal é diante do Senhor o lucro daqueles que me ca­
luniam,
e que dizem males contra a minha alma.
21 E tu, Senhor, Senhor, toma à tua conta a minha Preces para
alcançar o
defesa por amor do teu
. .nome,
, '
, auxilio
porque e suave a tua mISer1cordia. divino.
Livra-me, 22 porque sou necessitado e pobre,
e o meu coração está turbado dentro de mim.
23 Desapareço como a sombra que vai caindo,
e sou sacudido (para longe) como os gafanhotos.
24 Os meus joelhos enfraqueceram com o jejum,
e a minha carne ficou mudada por falta de azeite.
25 Tornei-me para eles um objecto de opróbrio ;
viram-me, eabanaram as suas cabeças (insultando-me).
26 Socorre-me, Senhor Deus meu ;
salva-me segundo a tua misericórdia,
27 E saibam que isto é da tua mão,
e que foste tu, Senhor, que fizeste estas coisas.
28 Eles amaldiçoaram-me, e tu me abençoarás.
Confundidos sejam os que se levantam contra mim,
entretanto o teu servo se alegrará.
29 Sejam cobertos de afronta os que me caluniam,
e fiquem envolvidos na sua confusão como numa
capa dupla.
30 Glorificarei altamente o Senhor com a minha boca, Acção de
graças
e no meio de muitos cantarei os seus louvores, antecipada.
31 porque se pôs à direita deste pobre,
para salvar a sua vida daqueles que a perseguem.
136 SALMOS, CIX, 1 - 7
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SALMO CIX

O Messias e o sacerdote

O Messias, 1 Salmo de David.


rei e sacer­
dote eterno,
Disse o Senhor ao meu Senhor :
Senta-te à minha direita,
até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus
pés.
2 O Senhor fará sair de Sião o cetro do teu poder ;
domina tu no meio dos teus inimigos.
3 Contigo está o principado no dia da tua força,
entre os resplendores dos santos ;
das minhas entranhas te gerei antes da aurora.
4 Jurou o Senhor, e não se arrependerá :
Tu és sacerdote eternamente,
segundo a ordem de Melquisedec.
d ominará 5 O Senhor está à tua direita ;
sobre as
nações.
ele despedaçou os reis no dia da sua ira.
6 Exercerá o seu juízo no meio das nações ;
encherá tudo de ruínas ;
esmagará as cabeças de muitos sobre a terra.
7 Beberá da torrente no caminho,
por isso levantará a sua cabeça.

S. CIX - É o mais célebre dos salmos, e um dos mais dificeis de


interpretar. É inteiramente profético, tendo por assunto as principais
grandezas de C1isto, que �ão o sea reino eterno e o seu sacerdócio eterno.
E citado várias vezes no Novo Testamento Mal. XXII, 41 ; Marc. XII, 35 ;
Luc. XX, 41-44 ; Acl. II, 34, etc. · .
1 . Disse o Senhor , . • Sentido : Deus Padre dissr. ao seu Filho
Unigénilo, meu Senhor, e Deu• como ele, é feito homem por amor de
nós : Senta-te à minha direita, isto é , governa e reina comigo sobre
todo o ser criado, com poder ignal ao meu, como Deus qne és. - A té
que . . . estas palavras não estabelecem nm limite à sopre na realeza do
Messias, porque ele está sentado para sempre à direita de Deus
(Hebr. X, 12J : indicam apenas qae a completa submissão dos inimigos
do Salvador, no fim do mundo. será o prelúdio duma era nova, em que
o império de Cristo será mais glorioso e absoluto,
3. Antes da aurora, antes que nenhuma aurora, que nenhum
astro existisse, isto é. desde toda a eternidade .
4. O Messias tem em si o sacerdócio, que não descende da institui.
ção levltica (Ex. XXVIII), mas vem directamente de Deus, como o de
Melquisedec, sacerdote de Deus altrssimo (Gen. XIV, 18J.
> . O Senhor está à tua direita, ele te assis!•, te auxilia a
triunfar dos teus inimigos.
7. Beberá da torrente .•. imagem dum guerreiro que, fatigado do
combate, se contenta com beber da torrente que se encontra no caminho,
para em seguida recomeçar a lota com novo vigor, até à vitória definitiva.
SALMCS, ex, 1 - cu, 1 137

SALMO ex
Benefícios de Deus
Aleluia.
1 Louvar-te-ei, Senhor, com todo o meu coração, Beneficlos
gerais.
no conselho e na assembleia dos justos,
2 Grandes são as obras do Senhor ;
proporcionadas a todas as suas vontades,
3 A sua obra é glória e magnificência,
e a sua justiça permanece pelos séculos dos séculos.
4 O Senhor instituiu um memorial das suas maravilhas,
ele que é misericordioso e compassivo.
5 Deu alimento aos que o temem. Benellcios
Especiais..
Lembrar-se-á eternamente da sua aliança.
6 Manifestará ao seu povo o poder das suas obras,
7 dando-lhe a herança das nações.
As obras das suas mãos são verdade e justiça,
8 Todos os seus mandamentos são imutáveis,
confirmados em todos os séculos,
fundados sobre a verdade e a iquidade.
9 Enviou a redenção ao seu povo ;
estabeleceu para 9empre a sua aliança.
Santo e terrível é o seu nome,
10 O temor do Senhor é o princípio da sabedoria,
São sábios todos aqueles que procedem segundo este
temor.
O seu louvor permanece para sempre.

SALMO CXI
Felicidade do jaato

Aleluia. Ao regressar de Ageu e de Zacarias.


1 Bem-aventurado o homem que teme o Senhor, o insto
e que põe as suas delícias em cumprir os seus man- abunda em
bens tem-
damentos, pora1s,
.

S. CX e CXI - Há muitos traços de semelhança entre estes dois


salmos, sendo por isso chamadvs «irmãos gémeos>>. O primeiro canta as
erandezas de Deus, especialmente a sua bondade e generosidade para com
º ' seus amigos fiéis, O segando lonva a virtude do homem josto temente
a Dens1 e a felicidade que receberá em paga.
2. Proporcionadas . . • aptas para atingir o fim qne ele se propôs
ao execatá-las.
4. Memorial , , , Alnsão às festas de brael, instíluldas por ordem
de Deus para comemorar os seus beneflcios.
138 SALMOS, CXI, 2 - CXII, 9

2 Poderosa será a sua posteridade sobre a terra ;


bendita será a geração dos justos.
3 Há glória e riqueza na sua casa,
e a sua justiça permanece por todos os séculos.
4 Nas trevas (do infortúnio) surgiu uma luz para os
rectos ;
ele é misericordioso, compassivo e justo.
5 Ditoso o homem que se compadece e empresta (aos
pobres) ;
ele disporá os seus discursos com juízo,
e será está­ 6 porque nunca será abalado.
vel e
glorioso,
7 A memória do justo será eterna ;
não temerá ouvir notícias funestas.
O seu coração está sempre disposto a esperar no
Senhor.
8 Fortalecido está o seu coração, não será abalado,
até que contemple com desprezo os seus inimigos.
9 Distribuiu, deu aos pobres ;
a sua justiça permanece por todos os séculos ;
o seu poder será exaltado na glória.
Inveja dos 10 Vê-lo-á o pecador, e se indignará,
pecadores.
rangerá os dentes e se consumirá ;
porém o desejo dos pecadores perecerá.
SALMO CXII
LouTor a Deu11 protector dos humildes
Aleluia.
Estanio 1 Louvai o Senhor, vós, seus servos ;
acima de
todas as louvai o nome do Senhor.
criatura;. 2 Seja bendito o nome do Senhor.
desde agora e para sempre.
3 Desde o nascer do sol até ao seu ocaso,
é digno de louvor o nome do Senhor.
4 Excelso é o Senhor sobre todas as nações,
e a sua glória está acima dos céus.
5 Quem há como o Senhor nosso Deus,
que habita nas alturas,
6 e atende as criaturas humildes
no céu e na terra ?
Dens eleva 7 Levanta (do pó) da terra o desvalido,
oshumildes.
e tira da imundície o pobre,
8 para o colocar com os príncipes,
com os príncipes do seu povo.
9 E a mulher, (antes) estéril, fá-la viver em sua casa
alegre (ao ver-se) rodeada de filhos.
SALMOS, CXIII, 1 - 4 139

SALMO cxm

Milagrem do Deus de llrael na salda do Eglpto

Aleluia.
1 Quando Israel saiu do Egipto,
e a casa de Jacob do meio dum povo bárbaro,
2 Deus consagrou ao seu serviço o povo de Judá,
e estabeleceu em Israel e seu império.
3 O mar o viu, e fugiu ;
O Jordão recuou para trás.
4 Os montes saltaram de a legria como carneiros,
e as colinas como cordeiros do rebanho.
5 Que tiveste tu, ó mar, para fugir ?
E tu, Jordão, para retroceder ?
6 Vós, ó montes, por que saltastes de prazer. como car­
neiros ?
E vós, colinas, como cordeiros ?
7 Comoveu-se a terra na presença do Senhor,
perante o Deus de Jacob,
8 que converteu as pedras em tanques de águas,
e a rocha (árida) em fontes de águas.
'

Confiança no verdadeiro Deus

Não a nós, Senhor, não a nós, Súplica


mas ao teu nome dá (toda) a glória, J?ela i;n ise-
. . , ' ncórd1a de
2 para f azeres resp 1an decer a tua m1ser1cor dia e a tua Deus.
verdade,
para que nunca digam as nações :
Onde está o seu Deus ?
3 O nosso Deus está no céu ; Inutilidade
dos idolos.
tudo quanto quis, ele o fez.
4 Os ídolos das gentes não são senão prata e oiro.
obras das mãos dos homens.

S. CXlll - Este salmo reune os dois que no texto hebreu têm os


números CXIV e CXV. A primeira parte (l-8) é um poem1 histórico
que recorfa em poucas palavras os prodigios operajos à salda do Egipto,
e à entrjl da da Palestina. A segunda parte é um acto de fé na verdade
e na bondade do Deus de Israel, Só ele é o verJadeiro Deus (2-8) , ele
que auxilia e abençea quem o reconhece e adora (9-18).
4. Os montes saltaram • . . Alusão ao fenómeno que se deu no
Sinal quando foi feita a aliança. Todo o monte tremia, diz o 1':xodo
XIX, 18 (segundo o hebreu).
140 SALMOS, CXIII, 5 - CXIV, 1

5 Têm boca, e não falam ;


têm olhos, e não vêem.
6 Têm ouvidos, e não ouvem ;
têm narizes, e não cheiram.
7 Têm mãos, e não apalpam ;
têm pés e não andam ;
não clamam com a sua garganta
8 Sejam semelhantes a eles os que os fazem,
e todos os que confiam neles.
Confie Israel 9 A casa de Israel esperou no Senhor ;
em Deus,
ele é o seu amparo e o seu protector.
10 A casa de Arão esperou no Senhor ;
ele é o seu amparo e o seu protector.
11 Os que temem o Senhor, esperarão no Senhor ;
ele é o seu amparo e o seu protector.
12 O Senhor lembrou-se de nós, e abençoou-nos.
Abençoou a casa de Israel ;
abençoou a casa de Arão.
13 Abençoou todos os que temem o Senhor,
os pequenos e os grandes.
14 Aumente o Senhor as suas bênçãos sobre vós,
sobre vós, e sobre vossos filhos.
15 Sêde benditos do Senhor,
que fez o céu e a terra.
16 O mais alto dos céus é para o Senhor.
mas a terra deu-a aos filhos dos homens
1'/ Os mortos, Senhor, não te louvarão,
nem os que descem ao sepulcro.
18 Mas nós, que vivemos, nós bendizemos o Senhor,
desde agora e por todos os séculos.

SALMO CXIV
Acção de graças a Deus por ter livrado
o 1almlsta dum grande perigo

Aleluia,
1 Amo o Senhor, porque ele ouvirá
a voz da minha oração.

S. CXIV e CXV - A Vulgata, depois de ter reunido no salmo


CXlll dois cânticos, que estão separados no hebreu, divide aqui em
doi> cânticos distintos o sal'tlo CXVI do mesmo texto hebreu. Assunto :
O salmista sabe que é ouvido por Deus ( ! , 2) , o qual o livrou dum
grande perigo, e lhe conservou a vida (3-9) Por isso confia nele (10, 11) :
1 1 5 , 16) e lhe dará muitas acções de graças (12-14, 17-19),
SALMOS, CXIV, 2 - CXV, 16 111

2 Porque inclinou para mim o seu ouvido,


e eu o invocarei todos os dias da minha vida.
3 Dores de morte me cercaram,
e perigos do inferno vieram sobre mim.
Encontrei-me na tribulação e na dor,
4 e invoquei o nome do Senhor.
Ó Senhor, livra a minha alma.
5 O Senhor é misericordioso e justo,
e o nosso Deus é compassivo.
6 O Senhor é que guarda os pequeninos ;
eu fui humilhado, e ele me livrou.
7 Volta, ó minha alma, ao teu repouso,
porque o Senhor te cumulou de bens.
8 Porque livrou da morte a minha alma,
os meus olhos das lágrimas,
os meus pés da queda.
9 Agradarei ao Senhor
na região dos vivos.

SALMO CXV
(Continuação do anterior)
Aleluia.
10 Eu cri, por isso falei (confiado).
mas estive na última humilhação.
11 Eu disse no meu abatimento extremo :
Todo o homem é mentiroso.
12 Que darei eu em retribuição ao Senhor,
por todos os benefícios que me tem feito ?
13 Tomarei o cálice da salvação,
e invocarei o nome do Senhor.
14 Cumprirei os meus votos ao Senhor,
diante de todo o seu povo.
15 É preciosa aos olhos do Senhor
a morte dos seus santos.
16 Ó Senhor, eu sou teu servo,
eu sou têu servo e filho da tua escrava.
Quebraste as minhas cadeias ;
6. A baixeza do beneficiado faz brilhar melhor a bondade d o
divino benfeitor.
1 1 , Todo o homem ... S o mente em Deus se deve confiar, e não no
homem, q a.e frustra continuamente as mais legitimas esperanças,
16. Quebraste . • , Metáfora para designar o perigo de que Deus
acabava de libertar o poeta.
142 SALMi . S , CXV, 17 - CXVII, 8

17 eu te oferecerei uma hóstia de louvor,


e invocarei o nome do Senhor.
18 Cumprirei os meus votos ao Senhor
diante de todo o seu povo,
19 nos átrios da casa do Senhor,
no meio de ti, ó Jerusalém.

SALMO CXVI
Convite cllrigido aos gentios para louvarem
o Deus de Israel

Aleluia.
Nações, louvai todas o Senhor ;
povos, louvai-o todos.
2 Porque sobre nós foi confirmada a sua misericórdia,
e a verdade do Senhor permanece eternamente.

SALMO CXVII
Hino de acção de graça1, cantado
numa prociaaão triunfal

Aleluia.
Que toio 1 Louvai o Senhor, porque ele é bom,
o povo de
Israel louve
porque a sua misericórdia é eterna.
a Deus, 2 Diga agora Israel que o Senhor é bom,
e que a sua misericórdia é eterna.
3 Diga agora a casa de Arão
que a sua misericórdia é eterna.
4 Digam agora os que temem o Senhor
que a sua misericórdia é eterna.
Recomen· 5 No meio da tribulação invoquei o Senhor,
[Link] a
confiança
e o Senhor ouviu-me e pôs-me ao largo (do perigo).
em Deus. 6 O Senhor é o meu amparo,
não temerei o que o homem me possa fazer.
7 O Senhor é o meu amparo,
e eu desprezarei os meus inimigos.
8 É melhor confiar no Senhor,
que esperar no homem.

S. CXVI - S. Paulo, na sua Epistola aos Romanos, XV, 1 1 , cita


este salmo, para demonstrar que os pagãos também são chamados a
participar da salvaçãotraziJa ao mundo pelo
Messias.
SALMOS, CXVII, 9 - 25 143

9 É melhor confiar no Senhor,


que confiar nos príncipes.
10 Todas as gentes me cercaram, Descrição
mas eu tomei vingança delas em nome do Senhor. do perigo
em que
11 Pondo-se à roda de mim, me cercaram, esteve e da
e eu tomei vingança delas em nome do Senhor, salvação,
12 Cercaram-me como abelhas,
incendiaram-se como fogo em espinhos,
e eu tomei vingança delas em nome do Senhor.
13 Procuraram derribar-me aos empurrões, e estive quase
a cair,
mas o Senhor susteve-me.
14 O Senhor é a minha fortaleza e o meu louvor, O divin<>
e tornou-se a minha salvação. libertador.

15 Grito de júbilo e de salvação ouve-se nas tendas dos


justos.
16 A dextra do Senhor mostrou o seu poder ;
a dextra do Senhor exaltou-me ;
a dextra do Senhor mostrou o seu poder.
17 Não morrerei, mas viverei,
e publicarei as obras do Senhor.
18 O Senhor castigou-me severamente,
mas não me ent regou à morte.
19 Abri-me (ó sacerdotes) as portas (do templo) da Acção de
graças no
justiça ; santuário ..
depois de entrar por elas, louvarei ao Senhor.
20 Esta é a porta do Senhor,
os justos entrarão por ela.
21 (Neste lugar santo) te louvarei (Senhor), porque me
ouviste,
e te tornaste a minha salvação.
22 A pedrf.Í que os edificadores rejeitaram,
esta foi posta por pedra angular.
23 Foi o Senhor que fez isto,
e é uma coisa admirável aos nossos olhos.
24 Este é o dia que fez o Senhor ;
regozijemo-nos e alegremo-nos nele.
25 Ó Senhor, salva-me ;
ó Senhor, faze que tenha prosperidade.
S. CXVll - 19. A procissão cheg1 à parta do templo e peje para
entrar.
22. A pedra , , . Locução proverbial para dizer que aquele que se
julgava não servir para nada, viu-se dep[>is que 'ra o melhor, o mais
importante, como a pedra angular nos edificios. Tal era Israel relativa
mente aos gentios, seus inimigos. Tal fd Jesus Cristo relativamente aos
chefes da nação judaica [Mal. XXI. 42, e seg.5).
144 SALMOS, CXVII, 26 - CXVIII, 8

26 Bendito o que vem em nome do Senhor.


Nós vos bendizemos a vós que sois da casa do Senhor.
27 O Senhor é Deus, e faz brilhar sobre nós a sua luz,
Tornai esse dia solene, cobrindo tudo de folhagem,
até ao ângulo do altar.
28 Tu és o meu Deus, e eu te louvarei ;
tu és o meu Deus, e eu te exaltarei.
Eu te louvarei, porque me atendeste,
e te tornaste a minha salvação.
29 Louvai o Senhor, porque é bom,
porque a sua misericórdia é eterna.

SALMO CXVIII
Elogio da lei
Aleluia.
ALEF
A obser­ Bem-aventurados os que se conservam sem mácula no
vância da
lei divina é
caminho,
a fonte da os que andam na lei do Senhor.
felicidade 2 Bem-aventurados os que estudam os seus teste­
humana.
munhos,
os que de todo o coração o buscam.
3 Porque os que praticam a iniquidade
não andam nos seus caminhos.
4 Tu promulgaste os teus mandamentos,
para que fossem guardados à risca.
5 Oxalá que os meus passos sejam dirigidos
ao cumprimento das tuas leis justas.
6 Eu não serei confundido,
quando me empregar atento na observância de todos
os teus mandamentos.
7 Eu te louvarei .com rectidão de coração,
porque aprendi os juízos (ou leis) da tua justiça.
8 Guardarei os teus justos decretos ;
não me desampares jamais.

S. CXVIll - Este salmo é alfabético, porqne contém vinte e dua>


estrofes, segundo o número de letras do alfabeto hebrea., tendo cada uma
oito versfcalos, qlle começam pela mesma letra. Esta dispasição linha
por fim principal auxiliar a memória. A lei de Deus é chamada com
nomes diferentes, mas que tem o mesmo sentido. Um único pensamento
domina este salmo : o elogio da lei. e o conse�uente convite à sua obser.
vância.
SALMOS, C XVIII, 9 ,.-- 27 145

BET
9 De que modo corrigirá o jovem o seu proceder ? Propósitos
de observar
Guardando as tuas palavras. a lei divina,
10 De todo o meu coração te busquei ;
não me deixes transviar dos teus mandamentos.
11 Escondi no meu coração as tuas palavras,
para não pecar contra ti.
12 Bendito és, Senhor ;
ensina-me as tuas justas leis.
13 Com os meus lábios pronunciei
todos os preceitos da tua boca.
14 Deleitei-me no caminho das tuas ordens,
· tanto como em todas as riquezas.
15 Nos teus mandamentos me exercitarei,
e considerarei os teus caminhos.
16 Nas tuas ordens meditarei ;
não me esquecerei das tuas palavras.
GIMEL
17 Concede esta graça ao teu servo, dá-me vida, O salmista
observa a
e eu guardarei as tuas palavras. lei divina
18 Tira o véu dos meus olhos, mesmo entre
e eu considerarei as maravilhas da tua lei. os escá1nios
dos maus,
19 Eu sou peregrino na terra ; e a oposi-
não escondas de mim os teus mandamentos. ção dos
20 A minha alma desejou ansiosa poderosos.
em todo o tempo as tuas j ustas leis.
21 Ameaçaste os soberbos ;
malditos os que se afastam dos teus mandamentos.
22 Livra-me do opróbrio e do desprezo.
porque busquei cuidadoso os teus mandamentos.
23 Até os príncipes se sentaram e falavam contra mim,
o teu servo todavia meditava nas tuas determinações.
24 Porque os teus decretos são assunto da minha medi­
tação,
e as tuas justas leis são o meu (guia ou) conselho.
DALET
25 A minha alma prostrou-se por terra ; Na desven.
lnra e na
dá-me a vida, segundo a tua palavra. dor tem
26 Eu te expus os meus caminhos, e tu me atendeste ; mais cui­
ensina-me os teus preceitos. dado que
nunca e m
27 Instrui-me no caminho das tuas ordens ; praticar a
e meditarei nas tuas maravilhas. lei.

10
146 SALMOS, CXVIII, 28 - 45

28 A minha alma adormeceu de tédio ;


fortifica-me com as tuas palavras,
29 Afasta de mim o caminho da iniquidade,
e tem misericórdia de mim, segundo a tua lei.
30 Eu escolhi o caminho da verdade ;
não me esqueci dos teus juízos.
31 Eu, Senhor, aderi aos teus testemunhos ;
não me queiras confundir.
32 Corri pelo caminho dos teus mandamentos,
quando dilataste o meu coração,
HE
Oração 33 Impõe-me por lei, Senhor, o caminho dos teus justos
para obter
a graça de
mandamentos,
observar a e buscá-lo-ei sempre.
lei divina, 34 Dá-me inteligência, e estudarei a tua lei,
e a guardarei de todo o meu coração.
35 Guia-me pela senda dos teus mandamentos,
porque essa mesma desejei.
36 Inclina o meu coração para os teus preceitos,
e não para a avareza.
37 Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade ;
faze que eu viva seguindo o teu caminho (ou lei).
38 Faze que o teu servo se firme em tua palavra,
mediante o teu (santo) temor.
39 Afasta de mim o opróbrio, que receio,
porque os teus juízos são suaves.
40 Vê como eu suspirei pelos teus mandamentos ;
faze que eu viva segundo a tua justiça.
VAU
Pede anxllio 41 E venha sobre mim a tua misericórdia, Senhor,

1���� ��;;- 42 eE apoderei


tua s� lvação, segundo a tua palavra.
_
responder aos que me msultam,
sem respei
tos hnmanos. que pus a minha esperança nas tuas palavras.
43 E não tires jamais da minha boca a palavra da verdade,
porque eu confiei muito nas tuas promessas.
44 E guardarei sempre a tua lei,
pelos séculos e pelos séculos dos séculos.
45 E caminharei ao largo (do perigo),
porque busquei os teus mandamentos.
32, Quando dilataste • . , quando anmentaste em mim a cora­
gem e a confiança.
29, O opróbrio qne o Salmista receava era chegar a ser infiel aos
preceitos divinos.
SALMOS, CXVIII, 46 - 62 147

46 E falarei dos teus preceitos diante dos reis,


e não me envergonharei.
47 E meditarei nos teus mandamentos, que eu amo.
48 E levantarei as minhas mãos para os teus manda­
mentos, que eu amo,
e exercitar-me-ei nas tuas ordens.
ZAIN
49 Lembra-te da promessa que fizeste ao teu servo, A lei divina
com a qual me deste esperança. é uma
50 Isto me consolou no meu abatimento, ,:;��ºm
porque a tua palavra me deu vida. conforto no
51 Os soberbos procediam sem cessar iniquamente (con- melo
da dor.

tra mim) ;
mas eu não me afastei da tua lei.
52 Lembrei-me, Senhor, dos juízos que exerceste em
todos os séculos,
e consolei-me.
53 Desfaleci, vendo os pecadores
que abandonavam a tua lei.
54 As tuas leis justas eram dignas de ser cantadas por mim,
no lugar da minha peregrinação.
55 Lembrei-me do teu nome, Senhor, durante a noite,
e guardei a tua lei.
56 Isto me aconteceu,
porque busquei cuidadoso os teus preceitos.
HET
57 Eu disse : Senhor, a minha porção (de herança) Afaste-se de
é guardar a tua lei. qualquer
58 Supliquei o teu favor de todo o meu coração ; mau passo,
para se
compadece-te de mim, segundo a tua palavra. entregar por
completo
observância
59 Considerei os meus caminhos, à
e voltei os meus passos para os teus preceitos. da lei de
60 Estou resolvido, sem que nada me possa perturbar, Deas.
a guardar os teus mandamentos.
61 Os laços dos pecadores me cingiram portadas as partes,
mas eu não me esqueci da tua lei.
62 À meia noite levantava-me para te louvar
por teus juízos cheios de justiça.
48. Levantarei as minhas mãos em sinal de amor, como se
fazia durante a oração,
55, Lembrei-me . . durante a noite. O Salmista pensava
noite e dia em Deus e na sua lei.

148 SALMOS, CXVIII, 63 - 80

63 Sou associado de todos os que te temem,


e dos que guardam os teus mandamentos.
64 A terra está cheia, Senhor, da tua misericórdia ;
ensina-me os teus preceitos.
TET
Na escola 65 Senhor, tens usado de bondade com o teu servo,
d
f
�!� �i- segundo a tua palavra.
aprende-se 66 Ensina-me a bondade, a doutrina e a ciência,
a observ�r porque dei crédito aos teus mandamentos.
�º� ��"a 67 Antes de ser humil�ado, pequei,
li e d
lei de Deus. mas agora obedeço a tua palavra.
68 Tu és bom,
e, por tua bon dade, ensina-me as tuas justíssimas
prescrições .
69 A aniquídade dos soberbos multiplicou-se contra mim,
mas eu de todo o meu coração guardarei os teus man­
damentos.
70 O coração deles coalhou-se como leite,
porém eu ocupei-me em meditar na tua lei.
71 Para mim foi bom que tu me humilhasses,
para eu aprender os teus preceitos,
72 Para mim vale mais a lei que saiu da tua boca.
do que milhões de oiro e de prata.
JOD
A consciên- 73 As tuas mãos fizeram-me e formaram-me ;
ci� de ter
. d dá-me inteligência, e eu aprenderei os teus manda-
�:�'.l�m"e�� mentos.
tos divinos 74 Os que te temem me verão e se alegrarão, .
é � ã
orig m cte
º
porque pus toda a minha esperança nas tuas palavras.
� �� �;n� 75 Conheci, Senhor, que os teus juízos são de equidade,
farto. e que me humilhaste segundo a tua justiça.
76 Venha a tua misericórdia consolar-me,
segundo a palavra que deste ao teu servo,
77 Venham a mim as tuas misericórdias, e viverei,
p orque a tua lei é a minha meditação.
78 Sejam confundidos os soberbos, pois injustamente
maquinaram males contra mim ;
eu porém me excitarei nos teus mandamentos.
79 Voltem-se para mim os que te temem,
e os que conhecem os teus testemunhos.
80 Seja imaculado o meu coração na prática dos teus
mandamentos,
para que eu não seja confund ido.
SALMOS, CXVIII, 81 � 96 149

CAF

81 A minha alma desfaleceu à espera da tua salvação, Perse\'era


mas eu esperei (sempre) firmemente na tua palavra. nado prática
bem,
82 Os meus olhos cansaram-se de tanto esperar a tua mesmo no
promessa, meh) das
persegui..
dizendo : Quando me consolarás ?
83 Porque eu tornei-me (seco e árido) como um odre ����º ��:',:;
e

exposto à geada, fé o auxilio


divino.
mas não me esqueci dos teus justos preceitos.
84 Quantos são os dias do teu servo ?
Quando farás justiça aos que me petseguem ?
85 Contaram-me ímpios (mil) coisas frívolas,
mas quão diferente é tudo isso da tua lei !
86 Todos os teus mandamentos são verdade ;
injustamente me têm perseguido, socorre-me.
87 Por pouco não deram comigo em terra,
eu porém não abandonei os teus mandamentos.
88 Concede-me a vida segundo a tua misericórdia,
e eu guardarei os mandamentos saídos da tua boca.

LAMED

89 Para sempre, Senhor, permanece no céu a tua pa- E ternidade


�ra. � ��
90 A tua verdade (transmite-se) de geração em geração ; �
ela cons -
tu fundaste a terra, e ela permanece. !ará inces-
sant�mente
91 Por tua ordem continua (o curso) dos dias ' os iastos.
pois todas as coisas te servem.
92 Se a tua lei não tivesse sido a minha meditação,
então de certo eu teria perecido na minha angústia.
93 Nunca jamais me esquecerei dos teus preceitos,
porque neles me deste a vida.
94 Eu sou teu, salva-me,
porque busquei ansioso os teus preceitos.
95 Os pecadores esperaram-me para me perder ;
eu porém estive atento aos teus ensinamentos.
96 Vi o fim de tudo o que é perfeito,
somente a tua lei não tem limites.

96. T odo o qne o Salmista viu d• perfeito sobre a terra teve fim,
sà mente a lei de Deus possui nma duração inter:ninável, visto que nada
limita a sua perfeição,
150 SALMOS, CXVIII, 97 - 112

MEM

A lei
divina 97 Quando eu amo a tua lei, Senhor !
fn
é o te de
Ela é (o objecto da) minha meditação todo o dia.
ubedoria ;
dá melhor 98 Tomaste-me mais prudente que os meus inimigos
instrução com os teus mandamentos,
qae o•
mestres do porque tenho-os perpetuamente diante dos meus
mando. olhos.
99 Compreendi mais que todos os meus mestres,
porque os teus mandamentos são a minha meditação.
100 Entendi mais que os anciãos,
porque busquei os teus preceitos.
101 Retirei os meus pés de todo o mau caminho,
para guardar as tuas palavras.
102 Não me desviei dos teus juízos,
porque tu me prescreveste uma lei.
103 Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar !
São-no mais que o mel à minha boca.
104 Com os teus mandamentos aprendi,
por isso odeio todo o caminho da iniquidade.
NUN
A palavra, _ 105 Lâmpada para os meus passos é a tua palavra,
Isto é, ª lei e luz. para os meus
de [Link] t . . caminhos.
am farol, 106 Jure1 e determ1ne1
pelo �uai o guardar os teus justíssimos decretos.
5�:1•;:i:: 107 Tenho sid.o humilhado, Senhor, de todos os modos ;
11sempre. faze-me viver segundo a tua palavra.
108 Faze, Senhor, que te seja agradável a oferta espon­
tânea (de louvor) da minha boca,
e ensina-me os teus juízos.
109 A minha alma está sempre nas minhas mãos,
porém não me esqueci da tua lei.
110 Os pecadores armaram-me laços ;
não me afastei porém dos teus mandamentos.
111 Adquiri os teus ensinamentos para que sejam eter­
namente o meu património,
porque são a alegria do meu coração.
112 Inclinei o meu coração a praticar sempre as tuas leis,
por causa da recompensa.

109. A minha alma . Met:ifora para indicar que a vida lhe


ser tirada fàc!lmente.
. •

podia
SALMOS, CXVIII, 113 - 128 151

SAMEC

1 13 Aborreci os iníquos, Faz repon.


e amei a tua lei, sar a sna
esperança
114 Tu és o meu defensor e o meu amparo, na lei, da
e pus toda a minha esperança na tua palavra. qual não
será afastado
115 Retirai-vos de mim, malignos, pelos peca­
e eu estudarei os mandamentos do meu Deus, dores.
116 Ampara-me (Senhor) segundo a tua promessa, e
viverei,
e não permitas que eu seja confundido no que espero.
1 17 Ajuda-me, e serei salvo,
e meditarei sempre nas tuas leis.
118 Desprezaste todos os que s.e desviam dos teus pre­
ceitos,
porque é injusto o seu pensamento.
119 Reputei como prevaricadores todos os pécadores da
terra,
por isso amei os teus testemunhos.
120 Traspassa com o teu temor as minhas carnes,
porque temi os teus juízos.

AIN

121 Tenho praticado a rectidão e a justiça ; Oração,


não me entregues aos que me caluniam. pedindo a
Deus que o
122 Ampara o teu servo para o bem ; ajude a
não me caluniem os soberbos. observar a
123 Os meus olhos desfalecer�m � espera da tua salvação ª
e das promessas da tua Justiça.
s
é a �d��
nada por
·
�!
124 Trata o teu servo segundo a tua misericórdia, muitos.
e ensina-me os teus justos decretos.
125 Eu sou teu servo ; dá-me inteligência,
[Link] que eu conheça os preceitos.
126 E tempo, Senhor, de procederes (com rigor) ;
(os soberbos) dissiparam a tua lei.
127 Por isso amei os teus mandamentos,
mais do que o oiro e o topázio.
128 Por isso enveredei pela senda de todos os teus man­
damentos,
e odiei todo o caminho mau.

120. Traspassa, isto é , domina a minha carne sensual sempre


inclinada para o pecado,
152 SALMOS, CXVIII, 129 - 144

PHE

Pede a 129 Os teus testemunhos são admiráveis,


;::;:r d:s por isso os tem investigado a minha alma.
dificuldades 130 A explicação das tuas palavras alumia
q�e se e dá inteligência aos pequeninos.
opoem à · ·

prática da
131 Abri· a mm h� b oca, e respirei,
'

lei. porque desejava os teus mandamentos.


132 Olha para mim, e compadece-te de mim,
segundo é justo com os que amam o teu nome.
133 Encaminha os meus passos segundo a tua palavra,
e não me domine iniquidade alguma.
134 Livra-me das injúrias dos homens,
para que guarde os teus mandamentos.
135 Faze que a luz do teu rosto reluza sobre o teu servo,
e ensina-me os teus justos decretos.
136 Rios de lágrimas derramaram os meus olhos,
por não terem guardado a tua lei.

SADE

Justiça e 137 Tu és justo, Senhor,


verdade da
lei divina,
e o teu juízo é recto.
1 3S Mandaste estreitamente a observância dos teus pre­
ceitos,
como a tua suma verdade.
139 O meu zelo fez-me definhar (de dor) .
porque os meus amigos se esqueceram das tuas
palavras.
140 A tua palavra é chama ardente,
e o teu servo a tem amado.
141 Eu sou pequeno e desprezível,
mas não esqueci os teus justos decretos.
142 A tua justiça é justiça eterna,
e a tua lei é a mesma verdade.
143 A tribulação e a angústia surpreenderam-me ;
os teus mandamentos são a minha meditação.
144 Os teus preceitos são cheios duma eterna equidade ;
dá-me a inteligência deles, e viverei.

f31. Abri a minha boca . . • Modo de dizer para indicar um


desejo ardente.
SALMOS, CXVIII, 145 - 162 153

COPH
145 Clamei de todo o meu coração, ouve-me, Senhor ; Súplica para
obter a
buscarei os teus justos preceitos. graça de
146 Clamei a ti, salva-me, ser sempre
para que guarde os teus mandamentos. fiel à lei.
147 Eu me antecipei pela manhã, e (pressuroso) clamei,
porque esperei firmemente nas tuas palavras.
148 Os meus olhos voltaram-se para ti antes da aurora,
para meditar as tuas palavras.
149 Ouve a minha voz segundo a tua misericórdia, Senhor,
e dá-me vida segundo o teu juízo.
1 50 Os meus perseguidores aproximaram-se da iniqui­
dade,
e desviaram-se da tua lei.
151 Perto estás (de mim), Senhor
e todos os teus caminhos �ão verdade.
152 Acerca dos teus testemunhos, desde o · princípio
reconheci
que tu os estabeleceste para sempre.
RES
1'.i3 Olha para o meu abatimento, e livra-me, Oração para
porque não me tenho esquecido da tua lei. o bter o
audlio
154 Julga a minha causa, e liberta-me ; divino contra
dá-me a vida segundo a tua palavra. a hostilidade
155 A salvação está longe do� pecadores, dos maus,
porque não buscam os teus justos preceitos.
156 Muitas são, Senhor, as tuas misericórdias ;
dá-me a vida segundo o teu juízo.
157 Muitos são os que me perseguem e me atribulam ;
eu porém não me desviei dos teus mandamentos.
158 Vi os prevaricadores, e consumia-me (de dor),
porque eles não guardaram as tuas palavras.
1 59 Vê, Senhor, quanto tenho amado os teus mandamentos,
dá-me a vid a pela tua misericórdia.
160 O principio das tuas palavras é a verdade ;
todos os juízos da tua justiça são eternos.
SIN
161 Os príncipes me perseguiram sem causa. Paz e ale­
porém o meu coração (somente) temeu as tuas pala­ gria q_aem
de

vras. observa a
162 Eu alegro-me nas tuas promessas, lei divina,
como quem encontra muitos despojos.
151. Perto estás de mim, e po1 isso não lemo os meus inimigos,
154 SALMOS, CXVIII, 163 - CXIX 3

163 Odiei e detestei a iniquidade ;


mas amei a tua lei.
164 Sete vezes ao dia te dirigi louvores
pelos juízos da tua justiça.
165 Gozam muita paz os que amam a tua lei,
e não há para eles nenhuma ocasião de queda.
166 Eu esperava a tua salvação, ó Senhor,
e amei os teus mandamentos.
167 A minha alma guardou os teus preceitos,
e ardentemente os amou.
168 Guardei os teus mandamentos e os teus testemunhos,
porque (eu sabia que) todos os meus caminhos estão
presentes aos teus olhos.
TAU
Ú ltima 169 Chegue, Senhor, a minha súplica à tua presença ;
s úplica dá-me a inteligência (da tua lei) segundo a tua pa-
pe���ª�·.�··· lavra.
espirituais e 170 Entre a minha petição até à tua presença ;
ii•::��!�. 171 10ivra-me st;g'!-ndo a tua palavra .
s meus 1a bios romperao _ num hmo . (em teu lom1or),
quando me ensinares os teus preceitos.
172 A minha língua anunciará a tua palavra,
porque todos os teus mandamentos são equidade.
173 Estende a tua mão para me salvar,
porque escolhi os teus mandamentos.
174 Tenho desejado, Senhor, a tua salvação,
e a tua lei é a minha meditação.
175 A minha alma viverá e te louvará,
e os teus juízos serão o meu apoio.
176 Andei errante, como ovelha, que se desgarrou ;
busca o teu servo,
porque me não esqueci dos teus mandamentos.
SALMO CXIX
O Salmiata pede a Deaa qae o livre doa seu
detractorea
1 Cântico gradual.
Na minha tribulação, clamei ao Senhor,
e ele ouviu-me.
2 Senhor, livra a minha alma dos lábios iníquos,
e da língua enganadora .
3 Que te será dado, ou que fruto tirarás (das tuas
calúnias),
ó língua enga"nadora ?
SALMOS, CXIX, 4 - CXXI, 1 155

4 Setas agudas do poderoso,


com carvões devoradores.
5 Ai de mim ! o meu desterro prolongou-se ;
habitei com os moradores de Cedar.
6 Muito tempo andou peregrinando a minha alma
(entre eles).
7 Com os que odiavam a paz eu era pacífico ;
quando lhes falava, contradiziam-me sem motivo.
SALMO CXX
O Gaarda de Israel
Cdntico gradual.
1 Levantei os meus olhos para os montes (de jerusalém),
donde me virá o socorro (de Deus).
2 O meu socorro vem do Senh ·)r,
que fez o céu e a terra .
3 Não permita ele que vacile o teu pé,
nem adormeça aquele que te guarda.
4 Não, por certo. não adormecerá, nem dormirá
o Que iiuarda Israel.
5 O Senhor te guarda,
o Senhor é a tua protecção, ele está à tua direita
(para te defender).
Durante o dia o sol não te queimará,
nem a lua (te danificard) de noite.
7 O Senhor te guarde de to go o mal ;
o Senhor guarde a tua alma.
8 O Senhor guarde a tua entrada e a tua saída,
desde agora e para sempre.
SALMO CXXI
Canto doa peregrinos qae iam a Jerusalém
1 Cdntico gradual. Alegria da
chegada_
Eu me alegrei com isto que me foi dito :
Iremos à casa do Senhor.

S. CXIX - 4. Conclci o sentido do verso anterior, Que te será


dado . , . ? O ser traspassada com setas agudas, vibradas por mão
robusta (do poderoso}, e o ser atormentada com carvões devora·
dores.
5. Moradores de Cedar eram nm p0vo nómada e crael, que
simboliza aqai toda a sorte de Inimigos sem piedade,
S. CXXI - Exprime a alegria de ir a Jerusalém, e a afectnosa
saudação que os peregrino> dirigiam il cidade santa, ao chegarem,
156 SALMOS, CXXI, 2 - CXXII, 4

2 E agora os nossos pés param


às tuas portas, ó Jerusalém.
3 Jerusalém; que está edificada como uma cidade,
cujas partes (ou habitantes) estão em perfeita e
mútua união.
Capital 4 Porque lá subiram as tribos, as tribos do Senhor,
religiosa
e civil. segundo a ordem dada a Israel,
para louvar o nome do Senhor.
5 Porque ali se estabeleceram os tribunais da justiça,
os tribunais da casa de David.
Votos de 6 Pedi (a Deus) graças de paz para Jerusalém,
paz e de
Micictade, e aqueles que te amam (ó cidade santa) vivam na
abundância.
7 Reine a paz dentro dos teus muros,
e a abundância nas tuas torres.
8 Por causa dos meus irmãos e dos meus vizinhos.
pedi eu a paz para ti.
9 Por amor da casa do Senhor nosso Deus,
procurei bens para ti.

SALMO CXXII
O profeta, protestando em nome de todo o povo
que só de Deus espera o remédio e alívio
dos seus trabalhos, Implora a aua misericórdia

Cântico gradual.
1 Levantei os meus olhos para ti (ó Deus),
que habitas nos céus.
2 Vede que, assim como os olhos dos servos estão
fixos nas mãos dos seus senhores,
e como os olhos da escrava nas mãos de sua senhora,
assim os nossos olhos estão fixos no Senhor nosso Deus,
a té que tenha misericórdia de nós
3 Tem misericórdia de nós, Senhor, tem misericórdia
de nós,
porque estamos saciados de desprezos ;
4 porque a nossa alma está cheia por demais
de ser o objecto de escarnio para os ricos,
e de desprezo para os soberbos.
SALMOS, CXXIII, 1 - CXXIV, 3 157

SALMO C:XXI ll
Se o Senhor não tivesse estado connosco ! . . .
1 Cântico gradual. Deus livrou
Se o Senhor não tivesse estado connosco, o seu povo,
diga-o agora Israel,
2 se o Senhor não tivesse estado connosco,
quando os homens se levantavam contra nós,
3 de certo nos teriam devorado vivos.
Quando se irritou o seu furor contra nós,
4 sem dúvida a água (da desgraça) nos teria sorvido.
5 A nossa alma (porém) passou a torrente,
mas poderia então ser levada
numa água insuperável (se não fosse o auxílio de
Deus).
6 Bendito o Senhor, que não nos deu por isso seja
aos seus dentes por presa. bendito,
7 A nossa alma (ou vida), como o pássaro, escapou do
laço dos caçadores ;
o laço foi quebrado, e nós ficámos livres,
8 O nosso socorro está no nome do Senhor,
que fez o céu e a terra.
SALMO CXXIV
Deus prote�e os justos que confiam
1 Cântico gradual.
Os que confiam no Senhor
estão (firmes J como o monte de Sião ;
nunca será abalado o que habita 2 em Jerusalém
Ela está cercada de montes,
e o Senhor está ao redor do seu povo,
desde agora e para sempre.
3 Porque o Senhor não deixará (por muito tempo) a
vara dos pecadores
sobre a herança dos justos,
para que os justos não estendam as suas mãos para
a iniquidade.
S . CXXllI - 8, O nosso socorro , , • Estas palavras são um
acto de fé, repetido muitas vezes pela Igreja nas suas orações.
S. CXXlV - 3. O dom!nio dos pagãos (a vara dos pecadores)
exercia-se então sobre a Palestina, que era a herança de Israel (a heran­
ça dos justos). Mas o Salmista tem esperança de que Deus não per­
mitirá por muito tempo este domínio, para que os justos não percam a
coragem que os afasta da Iniquidade,
158 SALMOS, CXXIV, 4 - CXXVI, 2

4 Faze bem, Senhor, aos bons


e aos rectos de coração.
Mas aos que se desviam para caminhos tortuosos,
levá-los-á o Senhor com os que praticam a iniquidade.
A paz seja sobre Israel.
SALMO CXXV
Alegria da TOlta, depol1 do cativeiro de BabllóJiia ;
que Deu1 complete a sua obra
1 Cântico gradual.
Quando o Senhor fez voltar os cativos de Sião,
nós ficámos cheios de consolação.
2 Então a nossa boca encheu-se (de cantos) de gozo,
e a nossa língua de alegria.
Então se dirá entre as nações :
Grandes coisas fez o Senhor em favor deles.
3 (Sim), grandes coisas fez o Senhor por nós ;
tomos cheios de júbilo.
4 Faze, Senhor, voltar os (restantes) nossos (irmãos)
cativos,
(voltem) como as torrentes na terra do meio-dia.
5 Os que semeiam em lágrimas,
com alegria ceifarão.
6 Iam e vinham chorando,
enquanto lançavam as suas sementes.
Mas, quando voltarem, virão contentes,
trazendo os seus feixes.
SALMO CXXVI
Nada se pode fazer sem o auzillo de Deus
1 Cântico gradurzl de Salomão.
Se o Senhor não edificar a casa,
é em vão que trabalham os que a edificam.
Se o Senhor não guardar a cidade,
inutilmente se desvela o que a guarda.
2 Em vão vos levantais antes de amanhecer ;
levantai-vos, depois que tiverdes repousado,
S. CXXV - 5-6. Metáfora para indicar que, entre os sofrimcntos;:do
exflio, os Israelitas prepararam a alegria do actual ressurgimento da sua
pãtria.
S. CXXVI - 2. .
Em vão . • Muitos levantam-se antes da aurora,
cansam-se, e, apesar disso. comem um alimento penosamente ganhado
(o pão da dor). E isto porque desprezam o auxflio de Deus, ficando
assim estéreis os seus trabalhos.
SALMOS, CXXVI, 3 - CXXVIII, 2 159

(e recorrei ao Senhor) vós que comeis o pão da dor,


porque é Deus que dá o sono aos seus amados.
3 Eis como herança do Senhor, os filhos,
o fruto das entranhas é uma recompensa.
4 Como setas na mão dum homem valente,
assim são os filhos dos oprimidos.
5 Ditoso o homem que viu cumprido o seu desejo
acerca de tais filhos ;
não será confundido quando falar com os seus ini­
migos à porta (da cidade).

SALMO CXXVII
Felicidade da família piedosa

1 Cântico gradual.
Bem-aventurados todos os que temem o Senhor,
e os que andam nos seus caminhos.
2 (Bem-aventurado és, ó justo) porque comerás dos tra­
balhos das tuas mãos ;
bem-aventurado és, e te irá bem.
3 Tua esposa será como uma vide fecunda,
no interior da tua casa.
Teus filhos, como pimpolhos de oliveiras,
estarão ao redor da tua mesa.
4 Eis como será abençoado o homem,
que teme o Senhor.
5 Abençoe-te o Senhor desde Sião,
e vejas os bens de Jerusalém todos os dias da tua vida,
6 e vejas os filhos de teus filhos,
e a paz em Israel.

SALMO CXXVIII
Contra os [Link] de Israel
Cântico gradual.
Muitas vezes me atacaram (os inimigos) desde a mi­
nha mocidade,
diga-o agora Israel.
2 Muitas vezes me atacaram desde a minha mocidade,
mas não prevaleceram contra mim.

3. A famflia numerosa é uma graça de Deus.


4. Os filhos em vGlta dos seus pais para os defen:lerem, são como
as setas com que um homem valente resiste ao inimigo,
160 SALMOS, CXXVIII, 3 - CXXX, 1

3 Sobre o meu dorso trabalharam os pecadores ;


prolongaram a sua iniquidade.
4 O Senhor (porém), que é justo,
cortou as cervizes dos pecadores.
5 Fiquem confundidos, e recuem para trás
todos os que odeiam Sião.
6 Sejam como a erva dos telhados,
a qual seca antes de ser arrancada ;
7 da qual o que a sega não encheu a mão,
nem (enche) seus braços o que apanha seus feixes.
8 E os que passavam não disseram :
A bênção do Senhor seja sobre vós ;
nós vos abençoamos em nome do Senhor.

SALMO CXXIX
Esperança e oração do pecador
1 Cântico gradual.
Desde o mais profundo clamei a ti, Senhor ;
2 Senhor, ouve a minha voz ;
estejam atentos os teus ouvidos à voz da minha súplica.
3 Se examinares, Senhor, as nossas maldades,
quem, Senhor, poderá subsistir (em tua presença) ?
4 Mas em ti se acha a clemência,
e por causa da tua lei pus em ti, Senhor, a minha
confiança.
A minha alma está confiada na sua palavra ;
5 a minha alma esperou no Senhor.
6 Desde a vigília da manhã até à noite,
espere Israel no Senhor ;
7 Porque no Senhor está a misericórdia,
e há nele copiosa redenção.
8 E ele mesmo redimirá Israel
de todas as suas iniquidades.

SALMO CXXX
Aspirações modestas
1 Cântico gradual de David.
Senhor, o meu coração não se ensoberbeceu,
nem os meus olhos se mostraram altivos.

S, CXXVIII - 3, Sobre o meu dorso , . . Imagem para indicar


as perseguições sofridas por Israel. Os pecadores, isto é1 os seus inimigos
feriram-no com rudes golpes,
SALMOS, CXXX, 2 - CXXXI, 11 16 l

Não aspirei a grandezas,


nem a coisas mais elevadas que a minha capacidade.
2 Se eu não tinha sentimentos humildes,
e, pelo contrário, elevei o meu coração,
como o menino apartado já do peito da mãe está
(chorando ) em seus braços,
assim seja tratada a minha alma.
3 Espere Israel no Senhor,
desde agora e para sempre,

SALMO CXXXI
Oração pela casa real de D avid
1 Cântico gradual.
Lembra-te, Senhor, de David, Voto de
e de toda a sua mansidão. David.
2 (Lembra-te) que ele fez este juramento ao Senhor,
esta promessa ao Deus de Jacob :
3 Não entrarei na tenda de minha casa,
não subirei ao leito do meu estrado,
4 não darei sono aos meus olhos,
nem às minhas pestanas adormecimento,
5 nein repouso às minhas fontes,
até que encontre um lugar para o Senhor,
um tabernáculo para o Deus de Jacob.
6 Nós ouvimos dizer que a arca estava em Efrata, Trasladação
da arca da
e a encontrámos (depois) nos campos da selva. aliança.
7 Entraremos no seu tabernáculo ;
nós o adoraremos no lugar onde pousaram os seus pés.
:8 Levanta-te, Senhor, entra no teu repouso,
tu e a arca da tua santidade.
9 Revistam-se os teus sacerdotes de justiça (ou san­
tidade),
e regozijem-se os teus santos.
10 Por amor de David, teu servo,
não desprezes o rosto do teu Ungido.
11 Jurou o Senhor uma verdade a David, Promessas
de Deus.
e não deixará de cumpri-la :
Do fruto das tuas entranhas
porei sobre o teu trono.

S. CXXJ, - Depois de recordar o que David fez pelo Senhor, o poeta


pede a Dens que cubra com a sua protecção a realeza e o sactrdócio,
que tinha m o sen centro em Sião, e todo o povo de [Link].
8, No teu repouso, isto é, no templo constrn!do em Jerusalém,
11
162 sALMos, cxxx1 , 12 - c x x xm , 1

12 Se os teus filhos guardarem a minha aliança


e os preceitos que eu lhes ensinarei,
também os seus filhos para sempre
se sentarão sobre o teu trono.
13 Porque o Senhor escolheu Sião,
escolheu-a para sua habitação.
14 Este é o meu repouso para sempre ;
aqui habitarei porque o escolhi.
15 Abençoarei copiosamente a sua viúva ;
saciarei de pães os seus pobres.
16 Vestirei os seus sacerdotes de salvação,
e os seus santos saltarão de júbilo.
17 Ali dilatarei o poder de David ;
preparei uma lâmpada para o meu Ungido.
18 Cobrirei de confusão os seus inimigos ;
mas sobre eles florescerá a minha santidade.
SALMO CXXXII
Elogio da concórdia e união fraterna
1 Cântico gradual de David.
O quão bom e quão suave
é viverem os irmãos em união!
2 É como o perfume derramado na cabeça,
que desce sobre a barba de Arão ;
que desce sobre a orla do seu vestido,
3 E como o orvalho que cai sobre o Hermon,
que desce sobre o monte Sião.
porque o Senhor derramou ali a sua bênção,
e vida para sempre.
SALMO CXXXIII
Oa ministros sagrados devem louvar continuamente
o Senhor
1 Cântico gradual.
Agora pois bendizei ao Senhor, vós, todos os servos
do Senhor ;
vós que assistis na casa do Senhor,
nos átrios da casa do nosso Deus.

17. A lâmpada é o dmbolo dam futuro próspero.


S, CXXXIJ. - 2-3, As duas comparações, tirajas dos costames e
clima do oriente, exptimem a abundância e os agradáveis efeitos dos bens
que Deus destinava a quem de bom grado habitasse em Jerusalém,
S.•LMOS, CXXXIII, 2 - CXXXIV, 14 163

2 Durante as noites levantai as vossas mãos para o


santuário,
e bendizei ao Senhor.
3 Abençoe-te de Sião o Senhor,
que fez o céu e a terra.
SALMO CXXXIV
O Salmista con"Yida Israel a louvar o Senhor,
seu benfeitor e único Deus verdadeiro
1 Aleluia.
Louvai o nome do Senhor, Convite ao
louvor de
louvai o Senhor, vós seus servos, Deus.
2 vós ( Sacerdotes) que assistis na casa do Senhor,
nos átrios da casa do nosso Deus.
3 Louvai o Senhor, porque o Senhor é bom ;
cantai salmos ao seu nome, porque é suave.
4 Porque o Senhor escolheu para si Jacob, Principais
motivas
e Israel para sua possessão. deste louvor.
5 Porque eu conheci que o Senhor é grande,
e que o nosso Deus é sobre todos os deuses.
6 Tudo o que quis, o fez o Senhor
no céu, na terra, no mar e em todos os abismos.
7 Ele faz subir as nuvens das extremidades da terra ;
converte os relâmpagos em chuva.
Ele faz sair os ·ventos dos seus tesouros.
8 Ele feriu os primogénitos do Egipto.
desde o homem até ao animal.
9 E enviou sinais e prodígios no meio de ti, ó Egipto,
contra Faraó e contra todos os seus servos.
10 Ele feriu nações numerosas,
e matou reis poderosos.
11 Seon, rei dos Amorreus,
e Og, rei de Basan,
e todos os reinos de Canaan.
12 E deu as terras deles em herança,
em herança a Israel, seu povo,
13 Senhor, o teu nome subsistirá eternamente ; .
Senhor, a tua memória passará de geração em geração.
14 Porque o Senhor julgará o seu povo,
e se deixará vencer dos rogos dos seus servos.

S. CXXXIV - Exalta a grandeza de Deus na natureza (6-7) e na


história dos Hebreus (8·14) e descreve os fdolos ou falsos deuses (15-18).
Começa e termin.q. convidando o povo a louvar o verdadeiro Dens.
164 SALMOS, CXXXIV, 15 - [Link], 12

Inu tilidade 15 Os ídolos dos gentios não são mais que prata e ouro,
do• !dolos.
obras das mãos dos homens.
16 Têm boca, e não falam,
têm olhos, e não vêem,
17 Têm ouvidos, e não ouvem,
porque não há alento de vida na sua boca.
18 Sejam semelhantes a eles os que os fazem,
e todos os que confiam neles.
O Senhor 19 Casa de Israel, bendizei o Senhor ;
ieja
bendito,
casa de Arão, bendizei o Senhor,
20 Casa de Levi, bendizei o Senhor ;
vós os g ue temeis o Senhor, bendizei o Senhor.
21 Desde Sião seja bendito o Senhor,
que habita em Jerusalém.

SALMO CXXXV
Ladainha em honra de Deus criador e benfeitor
de Israel
1 Aleluia.
[Link] ao Glorificai ao Senhor, porque é bom,
,;�:r�°:o , 2
porque a sua misericórdia é eterna.
Glorificai ao Deus dos deuses,
porque a sua misericórdia é eterna,
3 Glorificai ao Senhor dos senhores,
porque a sua misericórdia é eterna.
pelos seus 4 O único que faz grandes maravilhas,
prodigios na
natureza,
porque a sua misericórdia é eterna.
5 O que fez os céus com sabedoria,
porque a sua misericórdia é eterna.
6 O que firmou a terra sobre as águas,
porque a sua misericórdia é eterna.
·
7 O que fez os grande!' luminares,
porque a sua misericórdia é eterna :
8 O sol para presidir ao dia,
porque a sua misericórdia é eterna.
9 A lua e as estrelas para presidirem à noite,
porque a sua misericórdia é eterna .
10 O que feriu o Egipto com o s seus primogénitos,
porque a sua misericórdia é eterna .
.
por bene- 11 O que tirou Israel do meio deles.
ficiar Israel
porque a sua misericórdia é eterna.
� iZ:f:1�.
ª
d 12 (E fez isto) com mão poderosa e braço levanta do,
porque a sua misericórdia é eterna.
SALMOS, CXXXV, 13 - CXXXVI, 3 165

13 O que dividiu em duas partes o mar Vermelho,


porque a sua misericórdia é eterna.
14 E fez passar Israel pelo meio dele,
porque a sua misericórdia é eterna.
15 E precipitou Faraó e o seu exército no mar Vermelho,
porque a sua misericórdia é eterna.
16 O que conduziu o seu povo pelo deserto,
porque a sua misericórdia é eterna.
17 O que feriu (ou abateu) grandes reis,
porque a sua misericórdia é eterna.
18 E matou reis fortes,
porque a sua misericórdia é eterna :
19 a Seon, rei dos Amorreus,
porque a sua misericórdia é eterna ;
20 e a O g, rei de Basan,
porque a sua misericórdia é eterna,
21 E deu a terra deles em herança,
porque a sua misericórdia é eterna ;
22 em herança a Israel, seu servo,
porque a sua misericórdia é eterna.
23 Em nosso abatimento lembrou-se de nós, em to das as
suas provas
porque a sua misericórdia é eterna ;
24 e livrou-nos dos nossos inimigos,
porque a sua misericórdia é eterna.
25 O que dá alimento a toda a carne,
porque a sua misericórdia é eterna.
26 Dai glória a Deus do céu,
porque a sua misericórdia é eterna.
Dai glória ao Senhor dos senhores,
porque a sua misericórdia é eterna.

SALMO CXXXVI
Tri1teza• doe Ieraelitae no exílio de Babilónia

Salmo de David, para jeremias.


1 Junto dos rios de Babilónia, ali nos a ssentámos a Tristezas
do exllio,
chorar,
lembrando-nos de Sião.
2 Nos salgueiros que lá havia,
pendurámos as nossas cítaras,
3 Os mesmos que nos tinham levado cativos pediam-nos
que cantássemos (os nossos) cânticos.
E os que à força nos tinham levado diziam :
Cantai-nos um hino dos cânticos de Sião.
166 sALMos, cxxxvr, 4 - c xxxvrr, 7

4 Como cantaremos o cântico do Senhor


em terra estranha (lhes respondemos).
Protestos 5 Se me esquecer de ti, Jerusalém,
de amor a
Jerusalém. ao esquecimento seja entregue a minha direita.
6 Fique pegada a minha língua às minhas fauces,
se eu me não lembrar de ti,
se não me propuser Jerusalém,
como principal objecto da minha alegria.
Oração, 7 Lembra-te, Senhor,• dos filhos de Edom.
os quais, no dia (da ruina) de Jerusalém,
diziam : Destruí, destruí até os fundamentos.
8 Filha desgraçada (população) de Babilónia,
bem-aventurado o que te der o pago
do que nos fizeste sofrer.
9 Bem-aventurado o que apanhar às mãos,
e fizer em pedaços contra uma pedra os teus filhinhos.

SALMO CXXXVII
Acção de graças

1 Do mesmo David.
Acção de
graças pelo
Eu te glorificarei a ti, Senhor, de todo o meu coração,
passado ; porque ouviste as palavras da minha boca.
Em presença dos anjos te cantarei salmos ;
2 eu te adorarei no teu santo templo,
e glorificarei o teu nome,
por causa da tua misericórdia e da tua verdade,
2orque engrandeceste sobre tudo o teu santo nome.
3 Em qualquer dia que te invocar, ouve-me ;
tu aumentarás a fortaleza na minha alma.
4 Louvem-te, Senhor, todos os reis da terra.
porque ouviram todas as palavras da tua boca.
5 E cantem os caminhos (o proceder) do Senhor,
porque a glória do Senhor é grande.
6 Porque, sendo o Senhor excelso (como é) , todavia
olha as coisas humildes,
e conhece de longe as coisas altas.
Oração para 7 Se eu andar no meio da tribulação (ó Senhor), tu
o futaro.
me darás a vida,

S. CXXXVI - 9. E fizer em pedaços . . , Este proceder cruel


estava então em uso durante as guerras O que o poeta pede aquí, acima
de tudo, é a roina do império do mal.
SALMOS, CXXXVII, 8 - CXXXVIII, 14 167

porque estendeste a tua mão contra a ira dos meus


inimigos,
e a tua direita me salvou.
8 O Senhor tomará a minha defesa.
Senhor, a tua misericórdia é eterna ;
não desprezes as obras das tuas mãos.
SALMO CXXXVIII
Confiança em Deus, que_ vê e conhece todas as coisas
1 Para o fim : Salmo de David.
Senhor, provaste-me, e conheceste-me ; Medjtação
2 tu sabes quando me sento e quando me levanto.
3 De longe penetraste os meus pensamentos ; atributos
;�·��!1��
averiguaste os meus passos e o fio da minha carreira, d!• inos da
· hos ., ciencia e da
4 e previs· te tod os os meus camm . . ubiquidade;
e antes mesmo que uma palavra esteJa so"Qre a mmha
língua (tu a sabes).
5 Eis, Senhor, que conheceste todas as coisas, as novís­
simas e as antigas ;
tu me formaste e puseste sobre mim a tua mão.
6 Maravilhosa acima de mim se mostrou a tua ciência ;
é sublime, e não poderei atingi-la.
7 Para onde irei afim de me subtrair ao teu espírito ?
E para onde fugirei da tua presença ?
8 Se subo ao céu, tu lá estás ;
se desço ao inferno, nele te encontras presente.
9 Se eu tomar asas ao romper da aurora,
e for habitar nas extremidades do mar,
10 aínda lá me guiará a tua mão,
e me tomará a tua direita.
1 1 E disse : Talvez me ocultarão as trevas ;
mas a noite converte-se em claridade para me desco­
brir no meio dos meus prazeres,
12 Porque as trevas não são escuras para ti ;
a noite é clara como o dia,
e as trevas daquela são como a luz deste.
13 Porque tu possuiste (isto é, conheceste) os meus
afectos ;
recebeste-me desde o ventre de minha mãe.
14 Eu te glorificarei, à vista da tua estupenda grandeza ;
maravilhosas são as tuas obras,
e a minha alma o conhece de sobra.
s. CXXXVIII 7-10, Não há lugar onde Possamos fugir aos
Deus.
-

olhos de
168 SALMOS, CXXXVIII, 15 - CXXXIX, 4

15 Os meus ossos, que formaste em segredo, não te são


ocultos,
nem a minha substância (formada no ventre de
minha mãe como) nas entranhas da terra.
16 Os teus olhos viram-me, quando era ainda informe,
e no teu livro todos (os mortais) estão escritos ;
tu determinas os seus dias antes que nenhum deles
exista.
17 Mas eu vejo que honraste sobremaneira os teus ami­
gos, ó Deus ;
muito se fortaleceu o seu império.
18 Se me ponho a contá-los, vejo que o seu número
ultrapassa o da areia (do mar).
Quando desperto, ainda estou contigo,
desta medi- 1 9 Não acabarás, ó Deus, com os pecadores ?
lação tira-se ·

motivo para
H omens � an ,.umanos,
n · ' ·retirai-vos
· · de mim ;
.
o diar cada 20 porque dizeis no vosso pensamento :
vez mais o Debalde, (Senhor, osjustos) possuirão as tuas cidades .
pecado.
21 Porventura não odiei eu, Senhor, os que te odiavam?
E não me consumia, por causa dos teus inimigos ?
22 Com ódio perfeito eu os odiei ;
e eles tornaram-se meus inimigos.
23 Prova-me, ó Deus, e sonda o meu coração ;
interroga-me, e conhece os meus caminhos.
24 E vê se há em mim caminho de iniquidade ;
e conduz-me pelo caminho eterno.
SALMO CXXXIX
O Salmista pede a Deaa qae o proteja
contra oa projectoa doa maaa
1 Para o fim: Salmo de David.
2 Livra-me, Senhor, do homem malvado ;
livra-me do homem perverso.
3 Eles maquinam iniquidades no coração,
todo o dia armam combates (contra mim).
4 Aguçaram as suas línguas viperinas ;
têm veneno de áspides debaixo de seus lábios.
17, Mas eu vejo . . . O hebreu. que é mais conforme com o
contexto, diz : Quão sublimes são para mim, ó Deus, os teus
pensamentos ! Como é grande o seu número / Se me ponho
a contá-los, vejo que sáo mais numerosos que a areia. Sur­
preendido pelo sono, o Salmista continua a C<mtemplação dos pensamenw
tos de Deus, mesmo a dormir, e, ao acordar, encontra�se ainda unido
espiritualmente a Deus (Quão desperto . .)
21-22. O s inimigos d e Deus s ã o também o s inimigos d e Davij
24. Caminho eterno, caminho que conduz à felicidade eterna.
SALMOS, CXXXIX, 5 - CXL, 4 169

5 Guarda-me, Senhor, da mão do pecador,


e livra-me dos homens iníquos,
que intentaram derrubar-me.
6 Os soberbos armaram-me ocultamente o laço,
e estenderam cordas para me surpreender ;
junto do caminho puseram-me tropeços.
7 Eu disse ao Senhor : Tu és o meu Deus ;
atende, Senhor, à voz da minha súplica.
8 Senhor, Senhor, que és a fortaleza da minha salvação,
tu puseste'.a coberto a minha cabeça no dia da batalha.
9 Não me entregues, Senhor, contra o meu desejo ao
pecador ;
eles maquinaram contra mim ;
não me desampares, para que não fiquem exaltados.
10 Sobre a cabeça daqueles (ímpios) que me cercam,
cairá a iniquidade dos seus lábios.
11 Cairão sobre eles carvões ;
ao fogo os arrojarás ;
entre as misérias não subsistirão.
12 O caluniador não prosperará sobre a terra ;
do varão injusto se apoderarão os males da morte.
13 Sei que o Senhor fará justiça ao desvalido,
e que vingará os pobres.
14 Então os justos glorificarão (eternamente) o teu nome,
e os rectos habitarão na tua presença.

SALMO CXL
Súplica no meio da angústia e perseguição

1 Salmo de David.
Senhor, a ti clamei, ouve-me i
atende à minha voz, quando eu clamar a ti.
2 Suba direita a minha oração como incenso na tua
presença ;
seja a elevação das minhas mãos (tão agraddvel)
como o sacrifício da tarde.
3 Põe, Senhor, uma guarda à minha boca,
e aos meus lábios uma porta que os feche.
4 Não permitas que o meu .coração se entregue a pala-
vras de malícia,
para buscar escusas aos pecados,
como fazem os homens que cometem a iniquidade ;
não quero ter parte alguma nas suas delícias.
170 SALMOS, CXL, 5 - CXLI, 5

5 Corrija-me o justo e advirta-me com misericórdia ;


o azeite porém do pecador não chegue a ungir a mi­
nha cabeça,
porque até a minha oração é contra o que lhe apraz.
6 Os seus juízes (os seus chefes) serão precipitados ao
longo dos rochedos.
(Por último) ouvirão as minhas palavras, porque elas
são poderosas.
7 Assim como a dureza da terra se desfaz à flor do solo,
assim foram dispersos os nossos ossos junto da
sepultura.
8 Mas, Senhor, Senhor, os meus olhos a ti se elevam ;
em ti tenho esperado, não me tires a vida.
9 Guarda-me do laço que armaram contra mim,
e das emboscadas dos que praticam a iniquidade.
10 Os pecadores cairão na sua (própria) rede ;
quanto a mim, estou só até que passe.

SALMO CXLI
Só e desamparado de humano socorro, implora o
favor divino couba 01 1eu1 inimigos
1 Instrução de David.
Sua oração, quando estava na caverna.
2 Com a minha voz clamei ao Senhor ;
com a minha voz supliquei ao Senhor.
3 Derramo na sua presença a minha oração,
e exponho diante dele a minha tribulação, o meu
espírito.
4 Quando o meu espírito foi desfalecendo,
tu conheceste as minhas veredas.
No caminho por onde eu andava,
armaram-me laços ocultos.
5 Voltava-me para a minha direita, e olhava,
e não havia quem me conhecesse.
Não me ficou possibilidade de fuga,
e não há quem se importe com a minha vida.

s. CXL - 5. O azeíte porém do pecador . . . que as delicias


dos fmpios me não agradem nunca.
10. Enquanto os pecadores ficam embaraçados nas redes da s:aa
própria maldade, eu, embora só, mas com o teu auxflio , passarei a uma
feliz morte.
S. CXLI - 4. Quando o sen esplrito estava abatido, o Salmista
.encontrava consolação não só em orar, mas tainbém em pensar que
Deus conhecia o seu estado (as minhas veredas).
SALMOS, CXLI, 6 - CXLII, 7 171

6 A ti clamei, Senhor, e disse :


Tu és a minha (única) esperança,
a minha porção na terra dos viventes.
7 Atende à minha súplica,
porque fui sumamente humilhado.
livra-me dos que me perseguem,
porque se tornaram mais fortes do que eu.
8 Tira a minha alma desta prisão,
para eu dar glória ao teu nome ;
estão-me esperando os justos, até que me faças justiça.

SALMO CXLII

Outra súplica no meio duma angústia

Salmo de David.
1 •quando seu /ilho Absalão o perseguia.
Senhor, ouve a minha oração,
presta ouvidos aos meus rogos, segundo a tua verdade;
atende-me na tua justiça.
2 E não entres em juízo com o teu servo,
porque nenhum vivente será encontrado justo na tua
presença.
3 Porque o inimigo perseguiu a minha alma ;
humilhou a minha vida até ao chão.
Colocou-me em lugares obscuros como a mortos de
muito tempo.
4 O meu espírito angustiou-se sobre mim ;
dentro de mim se turbou o meu coração.
5 (Mas) lembrei-me (logo) dos dias antigos,
meditei em todas as tuas obras ;
meditei nas obras das tuas mãos.
6 Estendi as minhas mãos para ti ;
a minha alma diante de ti é como terra sequiosa.
7 Atende-me, Senhor, com presteza ;
o meu espírito desfaleceu.
Não apartes de mim a tua face.
para que não seja semelhante aos (mortos) que des­
cem à cova.

6. Na terra dos viventes, isto é, enquanto viver,


8 . Desta prisão, deste perigo. - Estão-me esperando . . . Os
jnstos esperavam que ele fosse livre do perigo, para tomar parte na soa
felicidade e louvar com ele o Senhor,
172 SALMOS, CXLII, 8 - CXLill, 8

3 Faze-me sentir desde manhã a tua misericórdia,


porque em ti tenho esperado.
Faze-me conhecer o caminho em que hei-de andar,
porque a ti elevei a minha alma.
9 Livra-me dos meus inimigos, Senhor ;
junto de ti me refugio,
10 Ensina-me a fazer a tua vontade,
porque tu és o meu Deus.
O teu bom espírito me conduzirá à terra da rectidão.
1l Por causa do teu nome. Senhor, me darás a vida.
Tirarás a minha alma da tribulação,
12 e, pela tua misericórdia, dissiparás os meus inimigos,
e destruirás todos os que atribulam a minha alma,
porque eu sou teu servo.

SALMO CXLIII
O Salmista agradece ama vitória alcançada, e pede
novos aa:idlíos contra outros inimigos poderosos
Salmo de David, 1 contra Golias.
Bendito seja o Senhor Deus meu,
que adestra as minhas mãos para a batalha,
e os meus dedos para a guerra.
2 Ele é a minha misericórdia e o meu refúgio,
meu defensor e meu libertador ;
meu protector, e é nele que espero ;
é ele que submete o meu povo à minha autoridade.
3 Senhor, que é o homem, para que a ele te tenhas
manifestado ?
Ou o filho do homem, para assim o estimares ?
4 O homem tornou-se (pelo pecado) semelhante ao nada;
os seus dias passam como a sombra.
5 Senhor, inclina os teus céus, e desce ;
toca os montes, e fumegarão.
6 Faze brilhar os teus raios e dissiparás (os meus ini­
migos},
despede as tuas setas, e conturbá-los-ás ;
7 envia a tua mão lá do alto,
tira-me e livra-me das muitas águas (da tribulação),
da mão dos filhos estranhos,
8 cuja boca falou vaidade,
e cuja direita é uma direita de iniquidade,

s. CXLJI - 10. À terra da rectidâo, isto é, à santidade


SALM O S, CXLIII, 9 - CXLIV, 8 173

9 Ó Deus, eu te cantarei um cântico novo ;


com o saltério de dez cordas te louvarei.
10 Tu que dás saúde aos reis,
que livraste David, teu servo, da espada maligna,
11 livra-me (agora) e tira-me da mão dos filhos estranhos,
cuja boca falou vaidade,
e cuja direita é uma direita de iniquidade,
12 Os seus filhos são como plantas novas na sua mocidade,
As suas filhas andam todas compostas e adornadas,
como ídolos dum templo.
13 Os seus celeiros estão cheios, a trasbordar duns para
outros.
As suas ovelhas são fecundas e numerosas quando
saem a pastar.
14 As suas vacas são gordas.
Não há ruína de muro, nem passagem na sua cerca,
nem se ouvem gritos nas suas praças.
15 Bem-aventurado chamarão ao povo que tem estes
bens (temporais) ;
(eu porém digo) : Bem-aventurado o povo que tem o
Senhor por seu Deus.

SALMO CXLIV
Louvor à grandeza e bondade de Deus
1 Louvor do mesmo David.
Eu te exaltarei, ó Deus, meu rei,
e bendirei o teu nome para sempre e pelos séculos
dos séculos.
2 Cada dia te bendirei,
e louvarei o teu nome para sempre e pelos séculos
dos séculos.
3 Grande é o Senhor, e muito digno de louvor,
e a sua grandeza não tem limites.
4 Todas as gerações louvarão as tuas obras,
e publicarão o teu poder.
5 Falarão da magnificência da glória da tua santidade,
e contarão as tuas maravilhas.
6 Dirão quanto é terrível o teu poder,
e contarão a tua grandeza.
7 Expandir-se-ão na lembrança da tua imensa bondade,
e exultarão com a tua justiça,
Clemente e misericordioso é o Senhor ;
8 paciente e muito misericordioso.
174 SALMOS, CXLIV, 9 - CXLV, 2

9 Suave é o Senhor para com todos,


e as suas misericórdias estendem-se sobre todas as
suas obras.
10 Dêem-te glória, Senhor, todas as tuas obras,
e os teus santos te bendigam.
1 1 Eles publicarão a glória do teu reino,
e falarão do teu poder ;
12 para fazerem conhecer aos filhos dos homens o teu
poder,
e a gloriosa magnificência do teu reino.
13 O teu reino é um reino que se estende a todos os
séculos,
e o teu império a todas as gerações.
O Senhor é fiel em todas as suas palavras,
e santo em todas as suas obras.
H O Senhor sustém todos os que estão para cair,
e levanta todos os prostrados.
13 Os olhos de todos esperam em ti, Senhor,
e tudo lhes dás o sustento em tempo oportuno.
16 Tu abres a tua mão,
e enches de bênção todos os viventes.
17 Justo é o Senhor em todos os seus caminhos,
e santo em todas as suas obras.
18 O Senhor está perto de todos os que o invocam,
de todos os que o invocam com sinceridade.
19 Ele fará a vontade dos que o temem,
e atenderá a sua oração, e os salvará.
20 O Senhor guarda todos os que o amam,
e exterminará todos os pecadores.
2 1 A minha boca publicará o louvor do Senhor ;
e bendiga toda a carne o seu santo nome,
para sempre e pelos séculos dos séculos.
SALMO CXLV
Hino em honra de Deus, que auxilia todos
os atribulados
1 Aleluia : De Ageu e de Zacarias.
2 Louva, ó minha alma, o Senhor ;
eu louvarei o Senhor durante a minha vida ;
cantarei salmos ao meu Deus durante toda a minha
vida.
Não confiei nos príncipes,
S. CXLV - 1, As palavras de Ageu e de Zacarias mostram que
estes profetas cantaram e fizeram cantar com frequência o Salmo CXLV.
SALMOS, CXL V, 3 - CXL VI, 7 175

3 nem nos filhos dos homens, que não podem salvar.


4 Sairá a sua alma (do corpo), e eles voltarão ao seu pó,
nesse dia se desvanecerão (como fumo) todos os seus
'projectos.
5 Ditoso aquele de quem é protector o Deus de Jacob.
e cuja esperança está no Senhor seu Deus,
6 que fez o céu e a terra,
o mar e todas as coisas que neles há.
7 O qual conserva eternamente a verdade (das suas
promessas),
faz justiça aos que sofrem injúria,
dá sustento aos famintos.
O (mesmo) Senhor dá liberdade aos cativos.
8 O S enhor levanta os caídos ;
o Senhor ama os justos.
9 O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva,
e destruirá os caminhos dos pecadores.
10 O Senhor reinará pelos séculos ;
o teu Deus, ó Sião (reinará) por todas as gerações.

SALMO CXLVI
Deve louvar-se o Senhor pela sua providência

1 Aleluia.
Louvai o Senhor, porque é bom cantar-lhe hinos ;
agradável seja o louvar o nosso Deus, e digno dele.
2 O Senhor que edifica Jerusalém,
congregará os dispersos de Israel.
3 É ele que sara os atribulados de coração,
e liga as suas chagas.
4 É ele que conta a multidão das estrelas,
e as chama todas pelos seus nomes.
5 Grande é o nosso Senhor, e grande o seu poder,
e a sua sabedoria não tem limites.
6 O Senhor é quem ampara os humildes,
e abate os pecadores até à terra.
7 Entoai cânticos ao Senhor em seu louvor ;
cantai salmos ao nosso Deus ao som da cítara.

S. CXLVI e CXLVll - Estes doi• salmos , no hebreu, constituem


n m só cântico. Neles se convida o povo a louvar a De11s pelos seus
infini tos atributos (1-6), pela sua providência (7-11), e pelos benefícios
especiais feitos a Jerusalém (12.20).
176 SALMOS, CXLVI, 8 - CXLVIII, 2

8 É ele que cobre o céu de nuvens,


e prepara (assim) chuva para a terra,
É ele que produz feno nos montes,
e erva para serviço dos homens.
9 É ele que dá aos animais o seu alimento próprio,
e aos filhinhos dos corvos que clamam a ele.
10 Não faz caso da força do cavalo,
nem se compraz nos pés (velozes) do homem.
11 O Senhor agradou-se sempre dos que o temem,
e daqueles que esperam na sua misericórdia.
SALMO CXLVII
(Continuação do Salmo precedente)
Aleluia.
12 Louva, ó Jerusalém, o Senhor ;
louva, ó Sião, o teu Deus.
13 Porque reforçou os ferrolhos das duas portas,
abençoou os teus filhos (que habitam) dentro de ti.
14 Foi ele que estabeleceu a paz nas tuas fronteiras ;
e da flor da farinha te sacia.
15 É ele que envia as suas ordens à terra,
e a sua palavra corre velozmente.
16 É ele que faz cair a neve como lã ;
espalha a névoa como cinza.
17 Envia o seu gelo aos pedaços ;
ao rigor do seu frio quem poderá resistir ?
18 Enviará a sua palavra, e fundirá estes gelos ;
soprará o seu vento, e correrão as águas,
19 É ele que anuncia a sua palavra a Jacob,
as suas justiças e os seus preceitos a Israel.
20 Não fez assim a todas as outras nações,
e não lhes manifestou os seus preceitos.
Aleluia.
SALMO CXLVIII
Louvem a Deu• toda• a• criatura• do c'u e da terra
1 Aleluia.
Louvai o Senhor, vós que estais nos céus ;
louvai-o nas alturas.
2 Louvai-o, vós todos os seus anjos ;
louvai-o, vós todas as suas potestades.

10. Deus não atende à força tisica, mas sim à bondade moral,
SA LMOS, CXLVIII, 3 - CXLIX, 2 177

3 Louvai-o, sol e lua ;


louvai-o, todas as estrelas luzentes.
4 Louvai-o, céus dos céus,
e todas as águas que estão sobre os céus.
5 Louvem o nome do Senhor,
porque ele falou, e foram feitas (estas coisas) ;
mandou, e foram criadas .
6 Ele estabeleceu-as para sempre, e pelos séculos dos
séculos ;
fixou-lhes uma ordem que não será violada.
7 Louvai o Senhor, vós, criaturas da terra,
vós, dragões, e todos os abismos,
8 o fogo, o granizo, a neve, a geada, o vento das tem­
pestades,
vós, que executais as suas ordens ;
9 os montes, e todos os outeiros ;
as árvores frutíferas, e todos ós cedros ;
10 os animais e todos os gados ;
as serpentes e as aves que voam ;
11 os reis da terra e todos os povos ;
os príncipes e todos os juízes da terra ;
12 os jovens e as donzelas ;
os velhos e os meninos
louvem o ;10me do Senhor,
13 porque só o seu nome é digno de ser exaltado.
14 O seu louvor está acima do céu e da terra ;
ele exaltou o poder do seu povo,
Cantem-lhe hinos todos os seus santos,
os filhos de Israel, o povo que se aproxima dele.
Aleluia.
SALMO CXLIX
Hino de triunfo depois da vitória
1 Aleluia.
Cantai ao Senhor um cântico novo ;
(ressoe) o seu louvor na assembleia dos fiéis.
2 Alegre-se Israel naquele que o criou,
e os filhos de Sião regozijem-se em seu rei.

S. CXLVUI - 4. Céus dos céus, isto é, as regiões superiores dos


espaços.
S. CXLIX - Enquanto Israel louva o Senhor no templo com mú­
sica litúrgica (1-4), deve estar preparado com armas contra' os assaltos
dos inimigos, e pronto a infligir-lhes o castigo merecido (!>·9),
! . Na assembleia dos fiéis, isto t, dos Israelitas reunidos no templo.

12
178 SALMOS, CXLIX, 3 - CL, 6

3 Louvem em coro o seu nome ;


cantem-no ao som do tambor e do saltério.
4 Porque o Senhor tem-se comprazido no seu povo,
e há-de exaltar os humildes, e salvá-los.
5 Regozijar-se-ão os santos na glória ;
eles se alegrarão nas suas mansões,
6 Os louvores de Deus estarão na sua boca,
e espadas de dois fios nas suas mãos.
7 para exercer (a divina) vingança entre as nações,
e o castigo entre os povos ;
8 para prender os seus reis com grilhões,
e os seus príncipes com algemas de ferro ;
9 para executar contra eles a sentença escrita.
Tal é a glória reservada a todos os seus santos.
Aleluia,
SALMO CL
Convite solene e final
1 Aleluia.
Louvai o Senhor no seu santuário ;
louvai-o no firmamento do seu poder.
2 Louvai-o por seus prodígios (em vosso favor) :
louvai-o segundo a multidão da sua grandeza.
3 Louvai-o ao som da trombeta ;
louvai-o com o saltério e a cítara.
4 Louvai-o com timbales e em coro ;
louvai-o com instrumentos de corda e com órgão.
5 Louvai-o com címbalos sonoros ;
louvai-o com címbalos de júbilo.
6 Tudo o que respira louve o Senhor.
Aleluia.

S. CL - Este bino breve, semelhante a nma glória final, fecha


di�namente o saltério. O Salmista convida a louvar o Senhor com toda
.isorte de instrumentos músicos.
6. Tudo o que respira, isto é, todos os seres animados,

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