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Bioquímica do Exercício Físico: Unidade II

O documento aborda a bioquímica aplicada ao exercício físico, destacando a importância dos processos bioquímicos na obtenção e utilização de energia durante a atividade física. A autora, Bruna Polacchine da Silva, apresenta conceitos sobre os sistemas energéticos, a influência do exercício no metabolismo e as adaptações fisiológicas que ocorrem com a prática regular de atividades físicas. Além disso, discute a função dos nutrientes e hormônios no desempenho esportivo e a importância da oxigenação e do lactato durante o exercício.

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Bioquímica do Exercício Físico: Unidade II

O documento aborda a bioquímica aplicada ao exercício físico, destacando a importância dos processos bioquímicos na obtenção e utilização de energia durante a atividade física. A autora, Bruna Polacchine da Silva, apresenta conceitos sobre os sistemas energéticos, a influência do exercício no metabolismo e as adaptações fisiológicas que ocorrem com a prática regular de atividades físicas. Além disso, discute a função dos nutrientes e hormônios no desempenho esportivo e a importância da oxigenação e do lactato durante o exercício.

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BIOQUÍMICA APLICADA AO

EXERCÍCIO FÍSICO
UNIDADE II
BRUNA POLACCHINE DA SILVA
SOBRE OS AUTORES

Bruna Polacchine da Silva


Doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Maringá – UEM.
Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Estadual de Maringá – UEM.
Especialista em Farmacologia Clínica pela Universidade Estadual de Maringá –
UEM.
Bacharelado em Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina – UEL.
Olá, prezado(a) aluno(a), meu nome é Bruna Polacchine da Silva, sou Graduada em
Biomedicina pela Universidade Estadual de Londrina (2005), Especialista em Farmacologia
Clínica (2008), Mestre em Ciências Farmacêuticas (2008) e Doutora em Ciências Biológicas
(2016), todos pela Universidade Estadual de Maringá. Atuei como professora nos cursos de
Biomedicina e Farmácia da UniCesumar, de 2008 a 2011. Lecionei também no curso técnico
em Biotecnologia e técnico em Química pelo SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial, situado na cidade de Maringá, Paraná, de 2011 a 2015, nas áreas de biologia
molecular, imunologia, microbiologia, enzimologia e processos de purificação de biomoléculas.
Introdução
Caro(a) aluno(a),

É com satisfação que apresentamos alguns aspectos relacionados à aprendizagem da


Bioquímica do exercício. Para tanto, dividimos os assuntos abordados em 4 unidades
relevantes para a aquisição do conhecimento da Bioquímica.

Na primeira unidade, destacamos a aprendizagem de conceitos básicos de Bioquímica, tais


como o processo pelo qual a célula obtém energia dos diferentes tipos de alimentos e como essa
energia é armazenada e utilizada posteriormente pelo organismo.

Na segunda unidade, abordamos a influência do exercício físico no processo de obtenção e


utilização de energia pelo organismo, relacionando o tipo de atividade realizada com a fonte
energética, os hormônios e as fibras musculares envolvidas e as consequências do exercício no
metabolismo.

Na unidade três, será abordada a função dos macro e micronutrientes no metabolismo e


desempenho esportivo. Propomos-nos realizar uma discussão acerca dos suplementos
ergonogênicos mais utilizados pelos desportistas, tais como creatina, whey protein e carnitina,
e como esses atuam no organismo.

Na última unidade, traçamos uma discussão sobre a taxa metabólica basal e o gasto
energético durante a realização do exercício, como realizamos a medição dessas variáveis e os
fatores que as influenciam, como peso, idade, sexo e atividade física realizada.

Em todas as unidades, apresentaremos exercícios de fixação e aprofundamento. Ainda, em


cada unidade, apresentaremos sugestões de livros para complementar seus conhecimentos e
auxiliar seus estudos. Então, convido você a esta empolgante viagem ao mundo do
conhecimento.

Desejamos a você bons estudos!


UNIDADE II
Processos bioquímicos
modulados pelo exercício físico
Bruna Polacchine da Silva

O dispêndio energético depende de vários fatores, entre os quais, podemos referir a


tipologia do exercício, a frequência, a duração e a intensidade, os aspectos de carácter
dietético, as condições de exercitação (altitude, temperatura e humidade), a condição física
do atleta e a sua composição muscular em termos de bras (tipo I e II). Nos exercícios físicos
de potência, nos quais são realizados esforços com alta intensidade e com curta duração, o
músculo recorre a fontes de energia imediata, os fosfagênios, que são a adenosinatrifosfato
(ATP) e a fosfocreatina (PCr). Já um maratonista necessita da via aeróbica para o
fornecimento constante de ATP. Mas essas fontes energéticas não trabalham
separadamente, ao contrário, se equilibram para fornecer a energia necessária ao
movimento.

Quando realizamos exercícios regularmente, estimulamos nosso organismo a ativar essas


vias e também a aumentar nossa capacidade metabólica, como o aumento da massa
muscular, no número de mitocôndrias, em nossa capacidade de oxidar ácidos graxos livres e
de enviar oxigênio aos tecidos. Essas adaptações persistem após o exercício e, assim, há uma
melhora em nosso condicionamento físico. Desde modo, para que compreendamos essas
alterações, nesta unidade, estudaremos como os sistemas energéticos trabalham em
conjunto, a importância da oxigenação e do lactato nos tecidos para o desempenho físico, os
tipos de bra muscular que se desenvolvem em cada tipo de exercício e as modi cações no
metabolismo pós-exercício.
Os sistemas energéticos e suas
contribuições para o exercício
A energia para a realização do exercício físico provém da hidrólise do ATP em difosfato de
adenosina (ADP) e fosfato inorgânico (Pi), que, no músculo, é realizada pela enzima miosina
ATPase. Com o consumo do ATP durante o exercício físico, faz-se necessário sua reposição, a
qual pode ser feita pela via anaeróbica, que pode ser alática (não tendo ácido lático como
produto final) ou lática (ácido lático como produto final), e aeróbica (reações que dependem
do oxigênio). Durante a atividade física, todas as vias de ressíntese de ATP são estimuladas
simultaneamente, o que determina qual delas irá atuar com maior intensidade é a duração
de determinado exercício, pois cada uma dessas vias possui características bioquímicas
diferentes.

Na via anaeróbica alática, ocorre a hidrólise da creatina-fosfato (PCr) no músculo


esquelético e consequente ressíntese do ATP, que será utilizado na contração muscular. Essa
via está envolvida em exercícios rápidos ou situações de transição imediata como, por
exemplo, uma corrida rápida para pegar um ônibus ou subir um lance de escada. A PCr é
sintetizada a partir do ATP excedente, formando assim um reservatório de energia. Quando o
ATP começa a ser gasto na contração muscular, a energia do PCr é transferida rapidamente
de volta para o ATP (ressíntese do ATP) e deste para os sistemas funcionais da célula. A
reação é favorável no sentido da formação do ATP, assim a mínima utilização de ATP pela
fibra muscular utiliza a energia da PCr para sintetizar imediatamente mais ATP e manter a
concentração de ATP a um nível quase constante, enquanto existir PCr disponível, pois a
contração muscular é totalmente dependente de ATP, porque esse é o único que pode produzir
o deslize dos miofilamentos contrácteis. A taxa de degradação da PCr atinge o seu máximo
imediatamente após o início da contração muscular e começa a declinar após apenas 1,3 seg.
A PCr encontra-se em concentração 4 a 5 vezes superior ao ATP no músculo, sendo possível
aumentar as suas concentrações por meio de suplementação com creatina em 10-40%. As
concentrações musculares de ATP e PCr no músculo esquelético de um sedentário são de 6 e 28
mmol/Kg músculo, respectivamente.

CONTRIBUIÇÃO PERCENTUAL PARA A GERAÇÃO DE ATP

GLICOGÊNIO GLICOSE TRIACILGLICEROL


SANGUÍNEA
EVENTO FOSFOCREATINA
ANAERÓBICO AERÓBICO GLICOGÊNIO (ÁCIDOS
HEPÁTICO) GRAXOS)
100 m 50 50 — — —
200 m 25 65 10 — —
400 m 12,5 62,5 25 — —
800 m 6 50 44 — —
1.500 m α 25 75 — —
5.000 m α 12,5 87,5 — —
10.000 α 3 87 — —
Maratona — — 75 5 20
Ultramaratona — — 35 5 60
(80 km)
Corrida de — — 10 2 88
24h
Jogo de 10 70 20 — —
futebol
αNesses eventos, a fosfocreatina (fosfato de creatina) será usada nos primeiros poucos segundos e, se
tiver sido ressintetizada durante a competição, no pique até o final da prova. De Newsholme EA, et al.
Physical and mental fatigue: metabolic mechanisms and importante of plasma amino acids. Br Med Bull
1992;48:477.
2QUADRO 1.1 - Estimativa da contribuição percentual de diferentes combustíveis para a geração de ATP em vários eventos
com corrida FONTE: McArdle (2013).
No início de uma atividade física, ocorre quase que instantaneamente a ativação da via
glicolítica. Nessa via, a taxa da formação de lactato irá depender principalmente da
intensidade do exercício. Nos exercícios de alta intensidade, os estoques de glicogênio muscular
são quebrados com rapidez com uma taxa respectivamente alta de formação de lactato, e
uma parte do lactato se difundirá para fora das fibras musculares onde é produzido e
aparecerá no sangue. Uma grande parte, mas não toda, do estoque de glicogênio muscular
pode ser utilizada para a produção de energia anaeróbia durante esse tipo de exercícios e irá
suprir a maior parte das necessidades energéticas para esforços de intensidade máxima, entre
20s e 5 min. O lactato formado nessa via é reaproveitado pelo organismo, entretanto, o H+
livre no músculo provoca acidose muscular, causando dor e queimação. A acidose também
inibe a ligação entre o cálcio e a tropomiosina, ou seja, há inibição do próprio mecanismo de
contração. O metabolismo oxidativo torna-se progressivamente mais importante conforme há
um aumento da duração do exercício (ou da distância).

A via aeróbica envolve a via glicolítica, formando 2 moléculas de ácido pirúvico que passa
pela mitocôndria, ciclo de Krebs e cadeia respiratória, que, ao final, libera aproximadamente
36 ATP, água e CO2. Essa via metabólica depende de várias enzimas, de oxigênio e da
passagem de piruvato para o interior da mitocôndria. Para funcionar efetivamente, demora
de 1 a 2 minutos. Os exercícios tipicamente aeróbicos são de longa duração e intensidade
moderada, como exemplo, uma corrida ou pedalada longas, pois dependem do fornecimento
contínuo de ATP para sua manutenção.

Vários fatores podem interferir na via aeróbica, tais como: (1) a composição muscular – o
indivíduo com elevada percentagem de fibras do tipo I apresenta uma superior potenciação
do metabolismo oxidativo; (2) o perfil enzimático muscular, pois o aumento do potencial
oxidativo intramuscular está relacionado com o aumento da atividade de enzimas chave do
ciclo de Krebs e da fosforilação oxidativas; (3) o conteúdo de mioglobina, pois quanto maior a
porcentagem desse pigmento intracelular fixador do oxigênio, maior é a quantidade de O2 em
reserva; (4) o perfil mitocondrial, tais como o tamanho, o número e a localização das
mitocôndrias, o que interferir diretamente na taxa do metabolismo oxidativo; (5) a densidade
capilar, porque a taxa de oxidação é condicionada pelo aumento do número dos capilares
musculares, o que permitirá aumentar o tempo de trânsito do sangue, melhorando a eficiência
das trocas energéticas; (6) a capacidade de difusão periférica, a qual determina a quantidade
de oxigênio que é transportado desde a rede capilar até a mitocôndria.
Devemos entender que todos os três sistemas, fosfagênicos, anaeróbio e aeróbio, atuam de
forma conjunta em nosso organismo, o que se altera é a proporção em que contribuem com
ATP para a atividade que está sendo realizada naquele momento. Por exemplo, em uma
corrida de 100m rasos, 80% do ATP consumido vêm da degradação de PCr, 15%, da glicólise e
5%, da oxidação. Já em uma corrida de 800m, a produção de energia é realizada igualmente
pelo sistema aeróbio e anaeróbio, enquanto em uma corrida de 1500m a participação aeróbia
sobe para cerca de 67% relativamente à anaeróbia (23% da glicólise e 10% dos fosfagênios)
(Figura 2.2).

2FIGURA 1.2 - Fontes de energia para o exercício físico FONTE: Ciência Hoje (2008).

Controle do metabolismo durante


Controle do metabolismo durante
exercício
O metabolismo é regulado por compostos que inibem ou ativam as vias oxidativas em
pontos essenciais. A concentração celular de ADP exerce o maior efeito sobre as enzimas
limitantes do metabolismo energético dos carboidratos, das gorduras e das proteínas. Dentro de
uma célula em repouso, a concentração de ATP ultrapassa a concentração de ADP em
aproximadamente 500:1. Entretanto uma queda na relação ATP/ADP, como ocorre no início
do exercício, leva à necessidade de um maior metabolismo dos nutrientes armazenados para
voltar à homeostasia.

Dentre os efeitos fisiológicos do exercício físico, há as alterações hormonais decorrentes dessa


atividade. Durante o exercício, ocorre um aumento na secreção do hormônio do crescimento
(GH), o que acarreta em estímulo da lipólise. As catecolaminas, adrenalina e noradrenalina,
aumentam quando a VO2max atinge 75% e 50%, respectivamente. Ambos os hormônios
promovem o aumento da taxa metabólica e da liberação da glicose e de ácidos graxos livres
no sangue. Com o consumo de glicose sanguínea durante o exercício, há a necessidade de
sintetizar glicose a partir da neoglicogênese, sendo essa via estimulada pelo hormônio
glucagon, que tem sua secreção aumentada durante o exercício. Já a insulina encontra-se em
baixas concentrações durante a atividade física, devido ao aumento na velocidade de
transporte da glicose para dentro das células musculares, da ação das catecolaminas e do
glucagon.

A sensação prazerosa que o exercício proporciona é devido à liberação de endorfinas, que


atuam aumentando a tolerância à dor, o controle do apetite, a redução da ansiedade, da
raiva e da tensão, sendo sua secreção proporcional à intensidade do exercício. Outro hormônio
que tem sua secreção estimulada durante o exercício é a irisina, um hormônio produzido pelas
células musculares, atua sobre as mitocôndrias de células adiposas, acelerando a oxidação dos
lipídios e liberando energia sob a forma de calor. Isso ocorre porque esse hormônio atua no
desacoplamento do processo mitocondrial de fosforilação oxidativa. Quando ocorre o
desacoplamento desse processo, a energia liberada nas oxidações da cadeia respiratória não é
totalmente utilizada para a síntese de ATP, sendo dissipada sob a forma de calor.

Quando nos mantemos em repouso ou somos sedentários, não gastamos ATP em quantidades
suficientes para iniciar o metabolismo de ressíntese de ATP. Com isso, geramos um acúmulo de
micronutrientes dentro das células, aumentando assim tanto o seu volume (hipertrofia)
quanto também aumentando o número de células (hiperplasia). Se não houver uma restrição
calórica na alimentação ou se não houver a realização de atividades físicas, o nosso
metabolismo será cada vez menor (mais lento), menos energia será gasta e mais gordura será
armazenada nos adipócitos (células de gordura) a fim de estocar energia.

Importância do oxigênio e do lactato no


exercício físico
Como vimos na Unidade I, quando a via glicolítica está em um ritmo acelerado, há um
acúmulo de citrato na via, que é convertido em lactato, pela desidrogenase láctica. Isso ocorre,
por exemplo, quando realizamos exercícios intensos e de curta duração, nos quais o glicogênio
intramuscular é utilizado na glicólise para fornecer ATP e as vias de oxidação, conversão
para glicose (neoglicogênese) e para aminoácidos não acompanha o ritmo de sua produção.

A produção e a dissociação de ácido lático intracelular, e consequente liberação de prótons


(H+) induzem a fadiga muscular. O ácido lático inibe a PFK (fosfofrutoquinase), a principal
enzima alostérica no controle da glicólise e os prótons interferem na contração muscular,
deslocando o Ca2+ da troponina C, estimulando os receptores de dor, promovendo náuseas e
desorientação, diminuindo a afinidade do O2 pela hemoglobina e também a taxa de lipólise
adiposa. Mas, tanto as células como os fluídos corporais possuem tampões, como o bicarbonato
(HCO3-) ou as proteínas celulares, que minimizam os efeitos do H+, mantendo o pH próximo
de 7,0. Atletas possuem uma maior capacidade de resistirem aos efeitos do acúmulo de ácido
lático devido a uma alta densidade capilar, de mitocôndrias, de enzimas e agentes de
transferência no metabolismo aeróbico. Essas adaptações exacerbam a capacidade de síntese
de ATP, sendo assim, conservadas as reservas de glicogênio, levando a um aumento da
resistência física.

A capacidade de realizar esforços prolongados também está relacionada com a capacidade


do metabolismo oxidativo, que é expressa pelo consumo máximo de oxigênio (VO2máx),
parâmetro que corresponde a máxima taxa de oxigênio que pode ser captado e utilizado
durante um exercício de grande intensidade, e que se prolongue, mais ou menos no tempo. A
VO2max indica a capacidade máxima de um indivíduo para a ressíntese aeróbica de ATP.
Essa taxa pode ser limitada tanto por fatores centrais (capacidade de difusão pulmonar ao O2,
débito cardíaco máximo e capacidade sanguínea de transporte de O2) como periféricos
(relacionados com características específicas do músculo esquelético). O fator determinante
central é o volume sistólico que, em atletas treinados, pode ser o dobro do valor de pessoas
sedentárias.

No exercício prolongado, a quantidade de oxigênio consumida leva a: (1) mobilização dos


ácidos graxos livres quando o exercício é realizado em até 50%VO2max,; (2) intensidades
superiores a 65%VO2max, em que o lactato sanguíneo aumenta e o pH diminui, a
degradação lipídica começa a ser inibida; (3) o exercício intenso (>85%VO2max) é suportado
predominantemente pelos carboidratos, enquanto o exercício de baixa intensidade
(25%VO2max) mobiliza, essencialmente, lipídios; (4) a cerca de 65%VO2max, a relação de
utilização dos lipídios e dos carboidratos equilibra-se.

Diferenças entre as bras musculares tipo


I e tipo II
O músculo é o tecido existente no corpo responsável pelos movimentos, tanto voluntário
(músculo esquelético) quanto involuntário (músculo liso e estriado esquelético), à manutenção
da postura, forma do corpo e produção de calor. O tecido muscular tem como características a
excitabilidade, contractilidade, extensibilidade e elasticidade. Este pode ser classificado de
acordo com:

Anatomia e função: músculo estriado esquelético, músculo estriado cardíaco e músculo


liso.
Coloração: fibras vermelhas e fibras brancas.
Velocidade de contração: fibras de contração rápida e de contração lenta.
Resistência à fadiga: fibras oxidativas lentas, glicolíticas oxidativas rápidas. e glicolíticas
rápida; também como Fibras tipo I e Fibras tipo II.

Características do músculo esquelético


Características do músculo esquelético
O músculo esquelético encontra-se ligado aos ossos e possui a propriedade de se contrair
voluntariamente, desse modo, permite que o corpo se mova. Apresenta uma aparência
“listrada”, com listras escuras e claras ou estriações, sendo também chamado de músculo
estriado. Cada fibra de músculo esquelético tem diversos núcleos, que repousam sobre a
membrana plasmática, e é envolto por uma camada de tecido conjuntivo, o endomísio. Outra
camada de tecido conjunto, o perimísio, circunda um feixe de até 150 fibras denominado
fascículo. Uma fáscia de tecido conjuntivo fibroso, o epimísio, circunda o músculo inteiro. Essa
bainha protetora afunila-se em suas exterminadas formando os tendões, que se conectam em
ambas as extremidades do músculo ao periósteo, a cobertura mais externa do osso (Figura
2.3).

Células musculares esqueléticas são longas fibras cilíndricas, multinucleadas, rodeadas por
uma membrana, o sarcolema (quese invagina formando os túbulos T, os quais permitem a
transmissão de ação potencial para o interior da fibra muscular), e é preenchida pelo
sarcoplasma (onde se encontram enzimas, partículas de gordura e glicogênio, mitocôndrias,
núcleo e outras organelas, além do pigmento respiratório mioglobina, que armazena
oxigênio). A membrana isola também uma fibra das outras durante a despolarização. A
membrana basal contém proteínas e filamentos de fibras colágenas que se fundem com as
fibras colágenas na cobertura externa do tendão.

Entre as membranas basal e plasmática existem as células-tronco miogênicas conhecidas


como células satélites, que são os mioblastos normalmente quiescentes que funcionam no
crescimento celular regenerativo, mas possíveis adaptações ao treinamento com exercícios e na
recuperação após uma lesão. A incorporação dos núcleos das células satélites dentro das fibras
musculares preexistentes parece ser uma explicação provável para a hipertrofia das fibras
musculares induzida pelo exercício.

O retículo sarcoplasmático (Figura 2.3 C) é uma extensa rede longitudinal semelhante a


uma treliça de canais tubulares e de vesículas. Esse sistema altamente especializado
proporciona integridade estrutural à célula. Isso faz com que a onda de despolarização possa
propagar-se rapidamente da superfície externa da fibra para seu meio ambiente interno
através do sistema de túbulos T, a fim de desencadear a contração muscular. O retículo
sarcoplasmático que circunda cada miofibrila contém enzimas que removem o Ca2+ do
sarcoplasma da fibra. Isso produz um gradiente de concentração do cálcio entre o retículo
sarcoplasmático ([Ca2+] mais alto) e o sarcoplasma que circunda o filamento ([Ca2+]mais
baixo).

As fibras musculares podem ser de dois tipos, do tipo I e do tipo II. As fibras musculares do
tipo I ou de contração lenta (CL) têm características que as tornam adaptadas para exercícios
aeróbicos; são as fibras lentas e vermelhas, pois possuem mais mioglobina e também mais
mitocôndrias. As do tipo II ou de contração rápidas (CR), adaptadas para exercícios de
potência, principalmente a fibra do tipo II-B. A do tipo II-A é intermediária entre a do tipo I e
II. O que determina a fibra ser do tipo I ou tipo II é sua inervação, logo, isso é determinado
geneticamente, porém, a mudança de II-A para II-B, e vice-versa, depende do treinamento
físico. Se um atleta treina aerobicamente, as fibras do tipo II-B se tornam II-A, pois se tornam
mais parecidas com as do tipo I. Se o treino é anaeróbico, as fibras do tipo II-A se transformam
em II-B. Todos os músculos do organismo possuem proporções diferentes de fibras, dependo da
ação dos mesmos.

Os músculos dos velocistas apresentam uma grande atividade glicolítica, pelo fato de
possuírem uma elevada percentagem de fibras tipo II (fibras de contração rápida) com
elevadas concentrações desse tipo de enzimas. Assim, a glicólise é a principal fonte energética
nas fibras tipo II durante o exercício intenso. Por exemplo, durante uma corrida de 400m,
cerca de 40% da energia produzida são resultantes da glicólise. No entanto as quantidades
significativas de ácido lático que se vão acumulando no músculo durante esse tipo de exercício
provocam uma acidose intensa (liberação de H+) que conduz a uma fadiga progressiva. Esse
último fenômeno resulta da diminuição do pH, o que leva ao bloqueio progressivo do próprio
processo de formação de ATP na fibra esquelética.
2FIGURA 2.2 - Corte transversal das estruturas dos músculos esqueléticos e arranjos de seus invólucros de tecido
conjuntivo. A. O endomísio cobre as fibras individuais. O perimísio circunda grupos de fibras denominados fascículo e o
epimísio envolve todo o músculo em uma bainha de tecido conjuntivo. O sarcolema, uma membrana fina e elástica, cobre a
superfície de cada fibra muscular. B. Det [Link] da estrutura do tendão. A microfibrila é formada a partir de cinco moléculas
paralelas de tropocolágeno que se une para formar fibrilas e, a seguir, fibras colágenas. Um endotendão envolve um feixe de
fibras e uma bainha de epitendão, conhecida como fascículo, e circunda um grupo de endotendões. Os fascículos se
combinam e formam um tendão que será circundado por sua própria bainha, o paratendão (mm = 10-6 m; nm = 10-9 m). C.
Corte transversal do retículo sarcoplasmático e do sistema de túbulos T que circunda as miofibrilas. Observar o contato
íntimo das mitocôndrias com a rede de membranas intracelulares e com os túbulos. FONTE: McArdle (2013).

Consequências do exercício no
metabolismo
No momento em que estamos realizamos uma atividade física, ocorre um aumento da
frequência cardíaca e da pressão arterial, da secreção de hormônio do crescimento, diminuição
da resistência vascular periférica e hipovolemia. Essas alterações são a resposta aguda ao
exercício. Já os efeitos que ocorrem imediatamente após a prática do exercício, como, por
exemplo, a redução da pressão arterial pós-esforço, são considerados efeito subagudo do
exercício.

O efeito crônico do exercício físico é a adaptação que o corpo sofre após um período de
exercícios regulares. Por exemplo, durante o exercício, há o aumento do débito cardíaco, da
frequência cardíaca e do volume sistólico, em uma proporção maior do que a diminuição da
resistência vascular periférica. Logo, há o aumento da pressão arterial sistólica e a diastólica
permanece a mesma. Em um exercício físico, ao se atingir a frequência cardíaca máxima, essa
permanece igual à de um indivíduo sedentário, porém é atingida em um tempo maior do que
o mesmo. A frequência cardíaca em repouso é menor no treinado, mas a máxima é a mesma
do sedentário.

As atividades que exigem um alto nível de metabolismo anaeróbico produzem alterações


específicas nos sistemas de energia imediato e a curto prazo, sem aumentos concomitantes nas
funções aeróbicas. As alterações que ocorrem com o treinamento de velocidade, potência e
força incluem: maiores níveis de substratos energéticos (aumento de ATP, fosfocreatina,
creatina livre e glicogênio, acompanhados por uma melhora de 28% na força muscular);
maior quantidade e atividade de enzimas-chave que controlam a fase anaeróbica do
catabolismo da glicose (maior nas fibras de contração rápida); maior capacidade de gerar
altos níveis de lactato sanguíneo durante o exercício explosivo (maiores níveis de glicogênio e
de enzimas glicolíticas).

Uma lipólise (quebra de gorduras) induzida pelo treinamento leva a um aumento do fluxo
sanguíneo muscular e das enzimas do metabolismo das gorduras, como a carnitina; aumenta
também a capacidade das mitocôndrias musculares, reduz a liberação de catecolaminas e
conserva as reservas de glicogênio, o que favorece os atletas de endurance. Assim, no
treinamento de endurance e também em músculos treinados, há um aumento na capacidade
do organismo em mobilizar, transportar e oxidar os ácidos graxos para obter energia durante
o exercício submáximo. Em um treinamento aeróbico, há o catabolismo acelerado de gorduras,
independente de o indivíduo estar alimentado ou em jejum.
O músculo treinado possui maior capacidade de oxidar os carboidratos durante o exercício
submáximo, devido a sua maior capacidade oxidativa das mitocôndrias. Entretanto, durante
o exercício submáximo e no treinamento de endurance, há redução da renovação (turnover)
do glicogênio muscular em favor de uma maior combustão de ácidos graxos, devido aos
efeitos combinados de: menor utilização do glicogênio muscular e produção reduzida de ATP
através da glicólise hepática e utilização da glicose carreada pelo plasma. A oxidação dos
ácidos graxos, combinada com um catabolismo reduzido dos carboidratos, contribui para a
homeostasia (estado de equilíbrio) da glicose sanguínea e uma maior capacidade de
endurance após o treinamento aeróbico. A maior capacidade gliconeogênica hepática
(formação de novo ATP pela glicose armazenada no fígado) induzida pelo treinamento
também proporciona resistência à hipoglicemia durante o exercício prolongado.

O miocárdio possui capacidade oxidativa três vezes maior que o músculo esquelético, suas
fibras contêm a maior concentração mitocondrial de todos os tecidos, com uma alta
capacidade para o catabolismo das gorduras como um meio primário para a ressíntese do
ATP. Sob um exercício intenso, o coração utiliza o lactato produzido nos músculos para obter
energia realizando a ressíntese de ATP. No exercício mais moderado, quantidades iguais de
gordura e de carboidratos são utilizadas para síntese de ATP, e durante o exercício
submáximo prolongado, o metabolismo dos ácidos graxos livres fornece quase 70% da
demanda energética total.

Fique sabendo: Para a perda de gordura corporal, devem-se praticar exercícios por longos
períodos e de intensidade baixa a moderada, pois assim se utiliza ATP proveniente da beta-
oxidação dos triglicerídeos de reserva. Com efeito, a taxa máxima de oxidação dos ácidos
graxo livres plasmáticos é atingida com exercícios aeróbios (como correr, pedalar ou remar)
realizados a uma intensidade correspondente a cerca de 40%VO2max e pelo maior tempo
possível (>30 min).

Ao fim desta unidade, foi possível compreender como os mecanismos de fosforilação da


fosfocreatina (PCr), aglicólise, o ciclo do ácido cítrico e da fosforilação oxidativas estão
interligados no processo de fornecimento de energia para a realização da atividade física.
Também estudamos como o exercício é capaz de modular nosso metabolismo, além de
modelar nossos músculos.
 Indicação de leitura
Nome do livro: Fisiologia do Exercício: nutrição, energia e desempenho humano

Autor: McArdle, W.D.; Katch, F.I.; Katch,V.L.

Editora: Guanabara Koogan, 7ª edição, 2013.

Esta sétima edição foi exaustivamente atualizada com todos os achados mais recentes,

de modo a proporcionar a melhor compreensão sobre nutrição, transferência de energia

e treinamento físico e sua relação com o desempenho humano. Esta edição começa com

uma exploração das origens da Fisiologia do Exercício e termina com um exame dos

esforços mais recentes em aplicar os princípios da Biologia Molecular. Termos Práticos

demonstram como aplicar os princípios expostos no texto para ajudar os indivíduos a

alcançarem o desempenho máximo. Foco na Pesquisa ilustra como as importantes

conquistas na pesquisa são aplicadas na prática • Questões discursivas estimulam a

exploração de tópicos e problemas complexos que não possuem, necessariamente, uma

única resposta correta. As Apresentações e as Entrevistas com nove líderes atuais e

pioneiros da Fisiologia do Exercício orientam como alcançar seu potencial pleno.


Conclusão
Caro(a) aluno(a), neste livro, procuramos apresentar, de forma simples e clara, como nosso
metabolismo obtém e utiliza a energia para a execução do exercício físico, a partir de
diferentes fontes energéticas. Assim, começamos pelo modo como a energia é obtida do
alimento e armazenada em nosso organismo na forma de ATP e também como essa energia
do ATP é utilizada em um processo bioquímico.

Ao buscar um aumento de performance atlética, não devemos nos esquecer do modo como a
energia utilizada para a execução da atividade física é obtida e qual deve ser a fonte de
micro e macronutrientes mais adequada para cada tipo de atividade. Podemos também
lançar mão de recursos como suplementos para potencializar o ganho e a utilização dessa
energia. Não devemos nos esquecer das alterações ocorridas no metabolismo em resposta à
atividade física, tanto aguda quanto crônica, e a influência dessas alterações no desempenho
atlético.

Portanto, caro(a) aluno(a), o sucesso na realização do exercício em sua máxima potência


depende de uma boa fonte energética e da adequação desta com a atividade física a qual se
deseja realizar.
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Atividades

 Atividades - Unidade II
O ATP gasto durante a contração muscular é rapidamente reposto
graças a uma substância que transfere seu grupo fosfato energético
para o ADP, transformando-o em ATP. Essa substância é
denominada:

A) Adenosina trifosfato.

B) Guanosina trifosfato.

C) Creatina-fosfato.

D) Miosina-fosfato.

E) Actina-fosfato.

Em um campeonato de atletismo, João venceu a prova de salto com


vara, enquanto Pedro venceu na maratona. Para realizar o trabalho
muscular requerido na final de cada prova, a musculatura
esquelética dos atletas precisou contar com certo aporte de energia.
Basicamente, quatro diferentes processos poderiam fornecer a energia
necessária para o trabalho muscular desses atletas durante as
provas:^p^I. Reserva celular de ATP.^p^II. Reserva celular de
fosfocreatina.^p^III. Reserva celular de glicogênio.^p^IV. Formação de
ATP pela respiração aeróbica.^p^Pode-se dizer que, do início ao final
da prova, na musculatura esquelética de:

A) João e na musculatura esquelética de Pedro, a obtenção de energia deu-se pelo processo I, apenas.
B) João e na musculatura esquelética de Pedro, a obtenção de energia deu-se pelo processo IV, apenas.

C) João, a obtenção de energia deu-se predominantemente pelos processos I e II, enquanto na musculatura

esquelética de Pedro, deu-se predominantemente pelo processo IV.

D) Ambos os atletas, a obtenção de energia deu-se por todos os processos, predominando, em ambos os casos, o

processo IV.

E) Ambos os atletas, a obtenção de energia deu-se por todos os processos, predominando, no caso de João, o

processo III e, no caso de Pedro, o processo IV.

Quais são os hormônios que aumentam durante o exercício físico?

A) Adrenalina e insulina.

B) Adrenalina e irisina.

C) Progesterona e insulina.

D) Insulina e hormônio luteinizante.

E) Irisina e insulina.

Qual dos hormônios reduz durante o exercício físico?

A) Testosterona.

B) Adrenalina.

C) Insulina.

D) Glucacon.

E) Hormônio do crescimento.

O que pode ocorrer com o acúmulo de ácido lático no músculo?

A) Fadiga e dor muscular.


B) Perda de massa muscular.

C) Maior força muscular.

D) Aumento de massa muscular.

Um atleta com VO2max alta significa:

A) Capacidade de ficar mais tempo sem respirar.

B) Capacidade de inalar mais oxigênio.

C) Maior capacidade de ressíntese aeróbica de ATP.

D) Maior capacidade de ressíntese anaeróbica de ATP.

No tecido muscular estriado esquelético, as células formam feixes.


Estes são envolvidos por um tecido conjuntivo denso não modelado
chamado de:

A) Epimísio.

B) Perimísio.

C) Endomísio.

D) Sarcolema.

E) Miofibrilas.

Quais os tipos de fibra, tipo I e II, aparecem em maior proporção em


um indivíduo que realiza periodicamente exercícios aeróbicos, e em
um indivíduo que realiza exercícios de força e explosão,
respectivamente?

A) Fibras do tipo II e do tipo I, respectivamente.


B) Fibras do tipo II-b e do tipo II-a, respectivamente.

C) Fibras do tipo I e do tipo II-b, respectivamente.

D) Fibras do tipo II para ambos.

E) Fibras do tipo I para ambos.

Por que o treinamento de um recordista mundial na corrida de


100m não o permite, necessariamente, ter o mesmo sucesso em uma
maratona?

A) Porque seu metabolismo é modulado para obter a maior parte da energia para a atividade física por processo

fermentativo.

B) Porque seu metabolismo é modulado para obter a maior parte da energia para a atividade física utilizando

fosfocreatina e glicogênio.

C) Porque seu metabolismo é modulado para obter a maior parte da energia para a atividade física utilizando

ácidos graxos via aeróbica.

D) Porque seu metabolismo é modulado para obter a maior parte da energia para a atividade física utilizando

proteínas via anaeróbia.

Qual das características abaixo NÃO ocorrem em atletas, como os


maratonistas, que realizam treinamentos de longa duração?

A) Aumento do número de mitocôndrias nas células musculares.

B) Aumento do número de fibras musculares tipo I.

C) Aumento da VO2max.

D) Aumento da utilização de proteínas para fornecer energia.

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