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Nova Ordem Jedi - Agentes do Caos I - Teste do Herói é uma obra de ficção ambientada no universo de Star Wars, onde personagens e eventos são produtos da imaginação do autor. O livro foi traduzido por fãs e está disponível gratuitamente, com o objetivo de compartilhar a história com falantes de português, especialmente no Brasil. A narrativa se inicia com uma batalha devastadora em Obroa-skai, destacando a luta entre as forças da Nova República e os invasores Yuuzhan Vong.
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Nova Ordem Jedi - Agentes do Caos I - Teste do Herói é uma obra de ficção ambientada no universo de Star Wars, onde personagens e eventos são produtos da imaginação do autor. O livro foi traduzido por fãs e está disponível gratuitamente, com o objetivo de compartilhar a história com falantes de português, especialmente no Brasil. A narrativa se inicia com uma batalha devastadora em Obroa-skai, destacando a luta entre as forças da Nova República e os invasores Yuuzhan Vong.
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Nova Ordem Jedi - Agentes do Caos I - Teste do Herói é uma obra de ficção.

Nomes, lugares, e
outros incidentes são produtos da imaginação do autor ou são usadas na ficção. Qualquer semelhança
a eventos atuais, locais, ou pessoas, vivo ou morto, é mera coincidência. Direitos Autorais © da
Lucasfilm Ltd. ® TM onde indicada. Todos os direitos reservados. Publicado nos Estados Unidos
pela Del Rey, uma impressão da Random House, um divisão da Penguin Random House LLC, Nova
York. DEL REY e a HOUSE colophon são marcas registradas da Penguin Random House LLC.

TRADUTORES DOS WHILLS

Todo o trabalho de tradução, revisão e layout desta história foi feito por fãs
de Star Wars e com o único propósito de compartilhá-lo com outras que
falam a língua portuguesa, em especial no Brasil. Star Wars e todos os
personagens, nomes e situações são marcas comerciais e /ou propriedade
intelectual da Lucasfilms Limited. Este trabalho é fornecido gratuitamente
para uso privado. Se você gostou do material, compre o Original, mesmo
que seja em outra língua. Assim, você incentiva que novos materiais sejam
lançados. Você pode compartilhá-lo sob a sua responsabilidade, desde que
também seja livre, e mantenha intactas as informações na página anterior, e
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fazemos isso profissionalmente, ou não fazemos isso como parte do nosso
trabalho, nem esperamos receber nenhuma compensação, exceto, talvez,
alguns agradecimentos se você acha que nós merecemos. Esperamos
oferecer livros e histórias com a melhor qualidade possível, se você
encontrar algum erro, agradeceremos que nos relate para que possamos
corrigi-lo. Este livro digital está disponível gratuitamente no Blog
dos Tradutores dos Whills. Visite-nos na nossa página para encontrar a
versão mais recente, outros livros e histórias, ou para enviar comentários,
críticas ou agradecimentos: [Link]
Índice
Capa
Página Título
Direitos Autorais
Dedicatória
Dramatis Personae
Nota do Editor
Epígrafo
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
Capítulo 29
Sobre o Ebook
Sobre o Autor
Agradecimentos
Mapa
DEDICATÓRIA

Para o meu jovem filho Jake,


e A Nova Ordem Jedi
Dramatis Personae
Nom Anor: executor (Yuuzhan Vong masculino)
Malik Carr: comandante (Yuuzhan Vongmasculino )
Reck Desh: mercenário da Brigada da Paz (humano)
Droma: viajante espacial (Ryn masculino)
Elan: sacerdotisa (Yuuzhan Vong feminino)
Harrar: sacerdote (Yuuzhan Vong masculino)
Belindi Kalenda: Inteligência da Nova República (humana)
Raff: estrategista de batalha (Yuuzhan Vong masculino)
Roa: capitão, Adaga Feliz (humano)
Major Showolter: Inteligência da Nova República (humano)
Luke Skywalker: Mestre Jedi (humano)
Mara Jade Skywalker: Mestre Jedi (humana)
Anakin Solo: Cavaleiro Jedi (humano)
Han Solo: capitão, Millennium Falcon (humano)
Leia Organa Solo: embaixadora da Nova República (humana)
Tla: comandante (Yuuzhan Vong masculino)
Vergere: familiar de Elan (Fosh feminino)
NOTA DO EDITOR

Os fãs de Star Wars marcam 1999 como um ano decisivo para a saga. Depois de 17 anos,
pudemos finalmente ver um novo filme de Star Wars nos cinemas com a estreia do Episódio I: A
Ameaça Fantasma, gerando uma série de novas histórias e personagens que atraíram toda uma nova
geração de fãs. A tendência era focar nas prequelas e em tudo o que aconteceu antes do Episódio IV:
Uma Nova Esperança, lançando novos quadrinhos e novos livros colocados cronologicamente em
torno do novo filme.
Mas e o resto das histórias que foram publicadas nos anos 90 na forma de romances, quadrinhos e
videogames que contavam o que aconteceu depois de Retorno de Jedi? Alguns personagens que
apareceram nessas histórias (caso de Mara Jade ou Kyp Durron) eram quase tão famosos quanto os
protagonistas da trilogia original e tinham uma legião de fiéis seguidores que precisavam ser
satisfeitos.
Solução? Criar um megaevento literário inédito na saga Star Wars que tentasse unificar os
conceitos que vimos no Universo Expandido pós Episódio VI com os vistos no Episódio I e que, para
o bem ou para o mal, marcaram o futuro da saga a partir daquele momento. E querendo participar
disso, estamos colocando a sua disposição um dos maiores, mais famosos, mais incríveis, e mais
pedidos pelos fãs, conteúdos da Saga Legends de Star Wars.
Bem-vindo à Era da Nova Ordem Jedi e Bem-vindo à Guerra Yuuzhan Vong!
Tradutores dos Whills
Capítulo 1

Se o astro principal do sistema estivesse aflito com os eventos que haviam


se desenrolado sobre e ao redor do quarto mais próximo de sua prole, não
traía nada a olho nu. Saturando o espaço local com o seu brilho dourado, a
estrela permanecia tão impassível agora quanto antes do início da batalha.
Apenas o mundo conquistado havia sofrido, a sua superfície castigada
revelada no avanço constante da luz solar. Regiões que antes eram verdes,
azuis ou brancas, agora apareciam em como cinzas ou marrom
avermelhado. Abaixo de bancos de nuvens aflitas, fumaça subia de cidades
incendiadas e se espalhava de faixas de florestas de pinheiros devastadas
por tempestades de fogo. Vapor fervilhava dos leitos superaquecidos de
lagos alimentados por geleiras e mares rasos.
No fundo da névoa de cinzas e destroços do planeta movia-se a nave de
guerra mais responsável pela devastação. O veículo era um imenso ovoide
de coral yorik, sua superfície negra e áspera, interrompida em alguns pontos
por faixas de uma textura mais suave e lustrosa, como vidro vulcânico. Nos
poços que salpicavam as áreas rugosas, escondiam-se lançadores de
projéteis e armas de plasma. Outras depressões, mais parecidas com
crateras, abrigavam os dovin basals devoradores de laser, que
propulsionavam a embarcação e a protegiam de danos. Na proa e na popa
estendiam-se braços vermelho sangue e azul-cobalto, aos quais os caças
com formato de asteroides se agarravam como cracas. Naves menores
circulavam ao redor, algumas realizando reparos em áreas danificadas pela
batalha, outras focadas em recarregar sistemas de armas esgotados e
algumas transportando saque da crosta queimada do planeta.
Mais distante da batalha, flutuava uma nave menor, igualmente negra,
mas facetada e polida como uma joia. Luz pulsava pela nave em intervalos,
ativando uma face, depois outra, como se dados fossem transmitidos de
setor a setor.
De um posto na parte inferior de sua proa angular, uma figura magra,
sentada de pernas cruzadas sobre almofadas, examinava o entulho e o
detrito, que um deslocamento gravitacional trouxera para perto de sua nave:
fragmentos de naus capitânias e caças estelares da Nova República, corpos
em trajes espaciais em repouso fantasmagórico, projéteis não detonados e a
fuselagem perfurada de uma nave civil, cuja inscrição a identificava como
Fenda de Penga.
Na distância próxima, pendia o esqueleto enegrecido de uma plataforma
de defesa. De um lado, um cruzador destruído girava descontroladamente
numa órbita decadente, entregando o seu conteúdo ao vácuo, como uma
cápsula rompida espalhando sementes finas. Em outro ponto, um transporte
em fuga, capturada pelo espinho de uma nave maior de captura, era
arrastada inexoravelmente em direção às entranhas da gigantesca nave de
guerra.
A figura sentada observava essas cenas sem alegria ou arrependimento.
A necessidade havia orquestrado a destruição. O que fora feito precisava ser
feito.
Um acólito permanecia na parte de trás do posto de comando,
transmitindo atualizações recebidas por meio de um dispositivo vivo e
delgado, preso ao lado interno do seu antebraço direito por seis pernas de
inseto.
— A vitória é nossa, Eminência. As nossas forças aéreas e terrestres
dominaram os principais centros populacionais e um coordenador de guerra
instalou-se no manto. — O acólito lançou um olhar para o villip receptor
em seu braço, cujo brilho suave de bioluminescência acrescentava alguma
luminosidade ao escuro refúgio. — O estrategista de batalha do
Comandante Tla acredita que os gráficos astronavegais e os dados
históricos armazenados aqui serão valiosos para a nossa campanha.
O sacerdote, Harrar, lançou um olhar à nave de guerra.
— O estrategista já deu a conhecer os seus sentimentos ao Comandante
Tla?
A hesitação do acólito já era resposta suficiente, mas Harrar tolerou a
resposta verbal de qualquer forma.
— A nossa chegada não agrada ao comandante, Eminência. Ele não
descarta de imediato a necessidade de sacrifícios, mas afirma que a
campanha tem sido bem-sucedida até agora sem a necessidade de
supervisores religiosos. Ele teme que a nossa presença só atrapalhe a sua
tarefa.
— O Comandante Tla não compreende que enfrentamos o inimigo em
frentes diferentes, — disse Harrar. — Qualquer oponente pode ser forçado à
submissão, mas isso não garante que ele adotará as nossas crenças.
— Devo transmitir isso ao comandante, Eminência?
— Não é o seu papel. Deixe isso comigo.
Harrar, um homem de meia-idade, levantou-se e moveu-se para a borda
da transparência poligonal do refúgio, onde ficou com as mãos de três
dedos unidas nas costas, os dedos ausentes oferecidos em cerimônias de
dedicação e sacrifícios rituais, como forma de se elevar espiritualmente. A
sua figura alta e esguia estava envolta em tecidos suaves de tons discretos.
Um pano de cabeça, padronizado e significantemente amarrado, prendia as
suas longas madeixas negras. A parte de trás do pescoço exibia marcas
vibrantes, gravadas na pele esticada por vértebras proeminentes.
O planeta girava abaixo dele.
— Como se chama este mundo?
— Obroa-skai, Eminência.
— Obroa-skai, — refletiu Harrar em voz alta. — O que significa esse
nome?
— O significado é desconhecido no momento. Embora, sem dúvida,
alguma explicação possa ser encontrada entre os dados capturados.
A mão direita de Harrar fez um gesto de desprezo.
— É um assunto encerrado.
Um lampejo de armas atraiu o seu olhar para o exterminador de Obroa-
skai, onde uma canhoneira coral yorik estava se inclinando para a luz,
lançando fogo traseiro contra um quarteto de caças com narizes curtos que,
evidentemente, a haviam perseguido desde o lado escuro do planeta. Os
pequenos X-Wings aproximavam-se rapidamente, propulsores em chamas e
pontas das asas lançando feixes de energia em direção à nave maior. Harrar
ouvira dizer que os pilotos da Nova República haviam se tornado hábeis em
frustrar os dovin basals ao alterar a frequência e a intensidade dos disparos
de laser que os caças liberavam. Esses quatro perseguiam a nave com uma
determinação oriunda de um autocontrole profundo. Tal confiança feroz
revelava qualidades que os Yuuzhan Vong precisariam manter em mente
enquanto a invasão avançava. Largamente indiferentes a nuances, a casta
guerreira teria que aprender a apreciar que a sobrevivência figurava com a
mesma intensidade nas crenças do inimigo quanto a morte nas crenças dos
Yuuzhan Vong.
A nave de combate mudara de vetor e agora subia, aparentemente com a
intenção de se beneficiar da proteção oferecida pela nave de guerra do
Comandante Tla. Mas os quatro caças estavam determinados a capturá-la.
Rompendo a formação, aceleraram, aprisionando a nave no centro de sua
fúria.
Os pilotos de X-Wing executaram o seu ataque com uma precisão
impressionante. Raios laser e torpedos brilhantes de coloração rosa choviam
sobre a nave, desafiando as habilidades dos dovin basals. Para cada raio e
torpedo engolido pelos colapsos gravitacionais que os dovin basals criavam,
outro penetrava, causando fissuras na nave de ataque e lançando pedaços de
coral yorik negro avermelhado em todas as direções. Atordoada por ataques
implacáveis, a nave refugiava-se em seus escudos, esperando um momento
de alívio, mas os caças se recusavam a dar qualquer trégua. Rajadas de
energia intensa atacavam a nave, desviando-a de curso. Os dovin basals
começaram a fraquejar. Com as defesas irremediavelmente comprometidas,
a nave maior desviou poder para as armas e contra-atacou.
Em uma demonstração desesperada de força, uma chama dourada
vingativa irrompeu de uma dúzia de armas. Mas os caças estelares eram
simplesmente rápidos e ágeis demais. Realizavam ataque após ataque,
lançando fogo sobre o casco subitamente vulnerável da nave de combate.
Jatos de carne derretida explodiam de feridas profundas e trincheiras
laseradas. A destruição de um lançador de plasma provocou uma série de
explosões ao longo de estibordo. O derretido coral yorik escorria da nave
como uma trilha de vapor. Eixos de luz cegante começaram a jorrar do
núcleo. A nave virou de barriga pra baixo, perdendo velocidade. Então,
sacudida por um paroxismo final, desapareceu num globo de fogo de curta
duração.
Parecia que os X-Wings poderiam tentar levar a batalha até a nave de
guerra, mas, no último momento, os pilotos recuaram. Salvas das armas da
nave de guerra cruzaram o espaço próximo, mas nenhum projétil encontrou
o seu alvo.
Com o rosto marcado por cicatrizes formando uma máscara sombreada,
Harrar lançou um olhar para o acólito por cima do ombro.
— Sugira ao Comandante Tla que os seus artilheiros zelosos permitam
que os pequeninos escapem, — disse ele com uma calma incongruente. —
Afinal, alguém precisa viver para falar sobre o que aconteceu aqui.
— Os infiéis lutaram bem e morreram bravamente, — arriscou o acólito
numa observação.
Harrar se virou pra ele totalmente, com um brilho achando graça nos
olhos fundos.
— Isso é respeito que estou ouvindo?
O acólito inclinou a cabeça em deferência.
— Nada mais que uma observação, Eminência. Para ganhar o meu
respeito, eles teriam que abraçar voluntariamente a verdade que lhes
trazemos.
Um arauto de posição inferior apareceu no posto de comando,
oferecendo uma saudação ao cruzar os punhos sobre os ombros opostos.
— Belek tiu, Eminência. Trago a notícia de que os cativos foram
reunidos.
— Quantos?
— Várias centenas, de aspectos diversos. Deseja supervisionar a seleção
para o sacrifício?
Harrar endireitou os ombros e ajustou o caimento das suas vestes
elegantes.
— Estou bastante ansioso pra isso.

O selo diáfano do compartimento de transporte se abriu para um imenso


porão, abarrotado até os limites com cativos tomados nos céus e no solo de
Obroa-skai. A comitiva de guardas e atendentes pessoais de Harrar adentrou
o porão, seguida pelo próprio sacerdote, empoleirado sobre uma almofada
levitante, uma perna dobrada sob o corpo, a outra pendendo sobre a borda.
O dovin basal em forma de coração pulsante que mantinha a almofada no ar
respondia aos comandos silenciosos de Harrar, atraindo-se para o teto
abobadado do porão quando o sacerdote pedia maior elevação, dirigindo-se
para uma ou outra parede distante quando Harrar desejava mover-se pra
frente, pra trás ou pros lados.
Bem iluminado por manchas bioluminescentes espalhadas pelas paredes
e pelo teto, o porão fora dividido numa vintena de campos de inibição
separados, dispostos em duas fileiras paralelas e mantidos por dovin basals
maiores. Apertados ombro a ombro em cada campo estavam estudiosos e
pesquisadores de uma variedade de mundos, humanos e outros, Bothanos,
Bith, Quarren e Caamasi, todos tagarelando de uma vez num turbilhão de
línguas, enquanto carcereiros vestidos de negro, armados com bastões
amphi, supervisionavam o processo de triagem. Destinado a sustentar o
coralskipper em vez de transportar carga viva, o imenso espaço exalava
secreções naturais, sangue e suor.
Acima de tudo, havia o medo no ar.
Harrar pairava na almofada, observando a cena com olhos semicerrados.
Os seus assistentes recuaram para que pudesse seguir diretamente pelo
corredor central e inspecionar os prisioneiros de ambos os lados. Para
alcançar o primeiro par de campos de inibição, no entanto, o sacerdote foi
obrigado a contornar um grande poço de acesso que fora preenchido até
transbordar com droides confiscados, centenas deles, empilhados num
monte de membros entrelaçados, apêndices e outras partes mecânicas.
Quando Harrar ordenou uma pausa ao lado da pequena montanha de
máquinas, os droides que compunham o topo começaram a tremer sob o seu
escrutínio. Com um zumbido de servomotores em esforço, cabeças em
forma de cúpula, retangulares e humanoides giraram, sensores auditivos se
aguçaram, e incontáveis fotorreceptores focaram-se intensamente. Uma
avalanche momentânea fez várias máquinas descerem guinchando e
tombando para a base da pilha, muito abaixo do convés.
O olhar intrigado de Harrar caiu sobre um droide de protocolo
contorcido cujo braço direito exibia uma faixa de tecido colorido. Ele
ordenou que a almofada o aproximasse da máquina imobilizada.
— Por que algumas dessas abominações estão usando roupas? —
perguntou ele ao seu assistente principal.
— Parece que funcionavam como assistentes de pesquisa, Eminência,
— explicou o assistente. — As bibliotecas de Obroa-skai só podiam ser
acessadas por aqueles que haviam contratado pesquisadores treinados. O
símbolo na braçadeira da máquina é o do chamado Instituto Obroano.
Harrar ficou horrorizado.
— Quer dizer que pesquisadores sérios associavam-se com essas coisas
como iguais?
O assistente assentiu uma vez.
— Aparentemente, sim, Eminência.
A expressão de Harrar mudou para uma de desprezo.
— Permita que uma máquina pense em si mesma como igual e ela logo
se considerará superior. — Ele estendeu a mão, arrancou a braçadeira do
braço do droide e a atirou ao chão. — Inclua uma amostra representativa
dessas monstruosidades no sacrifício, — ordenou, — e incinere o resto.
— Estamos perdidos, — lamentou uma voz sintética abafada do fundo
da pilha.
Braços vivos de vários comprimentos, cores e texturas se estenderam
implorando a Harrar enquanto a almofada o conduzia para o campo de
inibição mais próximo. Alguns dos prisioneiros suplicavam por
misericórdia, mas a maioria permanecia em silêncio, tomada pela
apreensão. Harrar os observava com indiferença, até que os seus olhos
pousaram num humanoide peludo, de cuja testa saliente surgiam um par de
chifres em forma de cone. Mãos e pés nus mostravam calosidades de
trabalho físico, mas a inteligência profunda era evidente nos olhos límpidos
da criatura. O humanoide vestia uma roupa sem mangas que caía aos trapos
até os joelhos e era presa na cintura por um cordão trançado de fibra
natural.
— De que espécie é você? — Harrar perguntou num Básico impecável.
— Sou um Gotal.
Harrar indicou a vestimenta presa ao cinto.
— A sua roupa é mais apropriada a um penitente do que a um estudioso.
Qual dos dois você é?
— Sou ambos, e não sou nenhum, — o Gotal respondeu com
ambiguidade deliberada. — Sou um sacerdote H’kig.
Harrar virou-se animadamente na almofada para se dirigir à sua
comitiva.
— Que sorte. Temos um santo em nosso meio. — Seu olhar voltou ao
Gotal. — Conte-me algo sobre a sua religião, sacerdote H’kig.
— Que interesse poderia ter em minhas crenças?
— Ah, mas eu também sou um realizador de rituais. Então, de um
sacerdote para outro.
— Nós H’kig acreditamos no valor de uma vida simples, — o Gotal
disse com simplicidade.
— Sim, mas com que propósito? Para garantir colheitas abundantes,
para elevar-se, para assegurar um lugar na vida após a morte?
— A virtude é a sua própria recompensa.
Harrar adotou uma expressão intrigada.
— Os seus deuses disseram isso?
— É simplesmente a nossa verdade, uma entre muitas.
— Uma entre muitas. E o que dizer da verdade que os Yuuzhan Vong
trazem? Afirme que você reconhece os nossos deuses, e talvez eu me sinta
inclinado a poupar a sua vida.
O Gotal o encarou com desdém.
— Apenas um deus falso desejaria tanto a morte e a destruição.
— Então é verdade: você teme a morte.
— Não temo uma morte sofrida em prol da verdade, do alívio do
sofrimento ou da abolição do mal.
— Sofrimento? — Harrar inclinou-se ameaçadoramente em sua direção.
— Deixe-me falar sobre sofrimento, sacerdote. A miséria é o sustentáculo
da vida. Aqueles que aceitam essa verdade entendem que a morte é a
libertação do sofrimento. É por isso que vamos de bom grado para a morte,
pois somos os resignados. — Ele examinou os prisioneiros e ergueu a voz.
— Não pedimos mais a vocês do que a nós mesmos: retribuição aos deuses
pelos sacrifícios que suportaram ao criar o cosmo. Oferecemos carne e
sangue para que a sua obra possa perdurar.
— Nosso deus não exige outro tributo que não o das boas ações, —
replicou o Gotal.
— Ações que criam calos, — Harrar disse com desdém. — Se é tudo o
que se espera de você, não é de se admirar que os seus deuses os tenham
abandonado em seu momento de necessidade.
— Não fomos abandonados. Ainda temos os Jedi.
Murmúrios de solidariedade percorreram a multidão de prisioneiros,
timidamente a princípio, mas com crescente convicção.
Harrar observou os rostos díspares abaixo dele: os labrosos e os de
lábios finos, os rugosos e os lisos, os sem pelos e os peludos, os coroados
de chifres e os vincados. Em sua galáxia natal, os Yuuzhan Vong haviam
tentado erradicar tamanha diversidade, provocando guerras que duraram
milênios e que ceifaram vidas de povos e mundos demais para contar. Desta
vez, no entanto, os Yuuzhan Vong planejavam ser mais cautelosos,
destruindo apenas aqueles povos e mundos necessários para concluir a
purificação.
— Esses Jedi são os seus deuses? — perguntou Harrar por fim.
O Gotal demorou um momento para responder.
— Os Cavaleiros Jedi são os guardiões da paz e da justiça.
— E essa 'Força' de que ouvi falar, como a descreveria?
O Gotal sorriu ligeiramente.
— É algo que você jamais tocará. Embora, se eu não soubesse, diria que
você veio de seu lado sombrio.
O interesse de Harrar foi aguçado.
— A Força contém tanto a luz quanto a escuridão?
— Assim como todas as coisas.
— E você, em relação a nós? Tem tanta certeza de que incorpora a luz?
— Conheço apenas o que meu coração ensina.
Harrar ponderou.
— Então essa luta é mais do que uma mera guerra. Este é um confronto
de deuses, no qual você e eu não passamos de meros instrumentos.
O Gotal ergueu a cabeça com dignidade.
— Pode ser. Mas o julgamento final já está decidido.
Harrar zombou.
— Que essa crença o console em sua hora final, sacerdote, que, lhe
asseguro, está próxima. — Mais uma vez, ele se dirigiu às multidões. —
Até agora, as suas espécies enfrentaram apenas guerreiros e políticos
Yuuzhan Vong. A partir de hoje, saibam que os verdadeiros arquitetos de
seu destino chegaram.
Chamou a sua comitiva para avançar.
— Essa Força é uma fé estranha e teimosa, — disse baixinho enquanto
um de seus assistentes se aproximava da almofada basal dovin. — Se algum
dia formos governar aqui, precisamos entender como ela une esses diversos
seres. E precisamos derrotar os Cavaleiros Jedi, de uma vez por todas.
Capítulo 2

Em uma galáxia repleta de maravilhas, a convergência de troncos de


árvores colossais e galhos ramificados que sustentavam a cidade Wookiee
de Rwookrrorro desfrutava de um lugar de honra especial. Vista de cima
contra o seu pano de fundo de floresta profunda, a cidade parecia ter sido
resgatada das profundezas árduas do planeta e oferecida ao céu enevoado de
Kashyyyk como exemplo de equilíbrio perfeito entre a natureza e a
tecnologia.
Nos arredores da cidade, distante dos edifícios circulares que se erguiam
do chão esponjoso e escalavam os troncos das árvores gigantes, sobre um
galho maciço caído que se estendia por várias copas, uma cerimônia estava
em andamento, realizada em observância ao ciclo eterno de vida e morte da
natureza.
Os participantes, incluindo duas dúzias de Wookiees e humanos de
ambos os sexos, estavam dispostos num círculo livre ao redor de uma mesa
de madeira que também era circular. Alguns estavam de pé, outros
agachados ou sentados no chão, mas todos exibiam expressões solenes,
exceto pelos únicos membros não vivos do grupo, os droides C-3PO e R2-
D2, cujas as feições metálicas permaneciam essencialmente neutras em
todas as circunstâncias.
C-3PO estava com a cabeça bulbosa ligeiramente inclinada pro lado e
os braços dobrados em ângulos raramente adotados pela forma de vida em
que foi modelado. Para o droide, a postura rígida parecia inteiramente
natural, consequência de sua construção e das demandas constantes dos
servomotores que permitiam a ele gesticular e se mover. Ao seu lado, R2-
D2 permanecia imóvel como uma estátua, com os seus apoios de
locomoção firmemente plantados no galho caído da árvore Wroshyr e a
esteira central retraída.
De passagem, C-3PO notou que a vista do galho caído era realmente
extraordinária. A névoa era densa nas copas das árvores, escondendo os
anéis de viveiro Wookiees mais próximos e difundindo a luz matinal como
se fosse um prisma. A vista poderia até ser considerada, embora certamente
não por ele, de tirar o fôlego.
[Reunimo-nos em memória de Chewbacca: filho honrado, amado
companheiro, pai dedicado, amigo leal e companheiro de armas, campeão e
tio do clã para todos nós em espírito, se não da forma tradicional.]
O orador Wookiee se chamava Ralrracheen, embora C-3PO
frequentemente o tivesse ouvido ser chamado simplesmente de Ralrra. Ele
era alto e idoso, mesmo para a sua espécie arbórea, mas não era o focinho
grisalho que o distinguia, e sim a sua curiosa dificuldade de fala. Em
qualquer outra ocasião, C-3PO teria sido encarregado de servir como
tradutor e intérprete, mas nenhum dos humanos presentes precisava de suas
habilidades poliglotas naquela manhã específica.
[Em Chewbacca, a chama desafiadora ardia mais intensamente,]
continuou Ralrra, com o nariz preto se contorcendo e os braços longos
pendendo aos lados. [Em Kashyyyk ou em terras distantes em mundos
distantes, ele nunca foi menos do que corajoso e incorruptível, um Wookiee
com coragem para dez e força para cinquenta.]
Chewbacca havia morrido seis meses padrão antes, durante uma
tentativa de resgate fracassada no planeta Sernpidal, após ter sido alvo de
destruição pelos Yuuzhan Vong. O fato de não ter sido possível recuperar o
seu corpo era motivo de tristeza pra todos, pois se Chewbacca tivesse sido
trazido de volta para Kashyyyk, um funeral teria sido realizado, embora
apenas para membros da família de honra. O que os Wookiees faziam com
os seus mortos permanecia um segredo bem guardado. Alguns especialistas
especulavam que os mortos eram cremados; outros, que eram enterrados em
nós de árvores ou baixados por vinhas kshyy até as profundezas turvas das
quais a espécie havia emergido. Outros ainda alegavam que os mortos eram
cortados em pedaços com lâminas sagradas Ryyyk e espalhados em galhos
seletos de Wroshyr para serem levados pelos predadores katarns ou aves
kroyie.
C-3PO entendia que talvez não tivesse sido permitido comparecer ao
funeral, de qualquer forma. Todos os presentes na cerimônia eram membros
da família estendida de Chewbacca, mas era improvável que tal vínculo se
aplicasse a ele, muito menos ao seu companheiro, R2-D2. Por mais que
prezassem as máquinas, inteligentes ou não, os de carne e osso podiam ser
extremamente reservados quanto a assuntos de parentesco e família.
Perto de Ralrra se agachava o pai de Chewbacca, Attichitcuk,
juntamente com a irmã de pelagem ruiva de Chewbacca, Kallabow. Ao lado
deles, sentava-se a viúva de Chewbacca, Mallatobuck, e o filho do casal,
Lumpawaroo, que adotara o nome Lumpawaroo, abreviado para Waroo,
após completar com sucesso o seu rito de passagem. Espalhados entre os
Wookiees estavam diversos amigos, irmãos de clã, primos, sobrinhos e
sobrinhas, entre eles Lowbacca, um Cavaleiro Jedi.
Os humanos eram apenas seis: Mestre Luke, Mestra Leia, Mestre Han e
os três filhos Solo, Anakin, Jacen e Jaina. Notavelmente ausente estava
Lando Calrissian, que, para desconforto de Mestre Han, enviara uma
mensagem informando que desenvolvimentos inesperados e não
especificados o impediriam de comparecer. A esposa de Mestre Luke,
Mara, poderia ter comparecido se uma recaída súbita de sua misteriosa
doença não a obrigasse a permanecer em Coruscant.
A mesa lindamente entalhada no centro do círculo repousava sobre um
tapete de folhas de árvore Wroshyr, a sua base de pedestal entrelaçada com
vinhas verde escuras de kshyy e o topo redondo adornado com flores de
kolvissh, bagas de wasaka, raiz de Orga e as pétalas amarelas brilhantes da
planta syren. O ar fresco estava impregnado com o aroma do incenso de
resina de árvore ardendo.
[Aqui em Kashyyyk, o valor de Chewbacca se manifestou desde
jovem,] continuou Ralrra. [Com o seu falecido amigo Salporin], ele fez uma
pausa para olhar para a viúva de Salporin, Gorrlyn, [Chewbacca deixou o
anel do infantário para se aventurar ao longo da Trilha Rryatt até o Poço dos
Mortos, no coração da Floresta das Sombras. Armado apenas com uma
lâmina Ryyyk, ele enfrentou o shyrr zombeteiro, o musgo jaddyyk, o inseto
agulha, o aranha armadilha e o guardião da sombra para colher fibras do
coração da syren carnívora, conquistando assim o direito de usar um
baldric, carregar uma arma e confirmar o nome pelo qual escolheu ser
conhecido. Aqui também, Chewbacca aventurou-se no grande poço
Anarrad, não uma ou duas vezes, mas cinco vezes, abatendo o Katarn com
garras em três dessas caçadas e, certa vez, recebendo um ferimento da fera
em troca.] Ralrra indicou um ponto em seu torso peludo. [Aqui, do lado
esquerdo de seu peito.]
[Em preparação para o seu casamento, que ocorreu no topo deste
mesmo galho, Chewbacca desceu ao quinto nível e ali capturou, com as
mãos nuas, um ratapena e o presenteou a Malla como expressão de seu
amor. E quando chegou a vez da iniciação de Waroo, Chewbacca foi firme
em seu apoio e incentivou o seu filho na busca pelo scuttle grazerr.]
Embora algumas das realizações de Chewbacca em seu planeta natal
fossem familiares para C-3PO, a sua memória carecia de dados
corroborativos, então convocou as suas próprias lembranças de experiências
com o Wookiee e foi imediatamente inundado por uma sequência rápida de
imagens, algumas datando de vinte e cinco anos padrão antes.
A sua primeira visão de Chewbacca, parado como uma torre cor de
canela do lado de fora do Hangar 94 no espaçoporto de Mos Eisley em
Tatooine... Chewbacca como mau perdedor em partidas de dejarik no
tabuleiro holográfico... Chewbacca na Cidade das Nuvens de Bespin,
recolocando incorretamente a cabeça de C-3PO depois que ela havia sido
usada pelos Ugnaughts como brinquedo num jogo de 'Wookiee no Meio'...
A afirmação de Mestre Han de que Chewbacca sempre pensava com o
estômago... As inúmeras vezes em que Chewbacca foi chamado de 'bola de
pelo mordida por pulgas', 'cabeça de esfregão', 'tapete ambulante' ou
'brutamontes barulhento, ocasionalmente pelo próprio C-3PO, em imitação
dos humanos, claro, e sempre com afeto, dado o caráter escrupuloso e o
grande porte de Chewbacca.
Um súbito calafrio acometeu C-3PO, e percebeu que era incapaz de
evocar lembranças adicionais. Um calor anormal e extremamente
desconfortável percorreu os seus circuitos, levando-o a rodar um programa
de diagnóstico que, no fim, não revelou a origem do problema.
Ralrra latia, bradava e latia.
[A curiosidade natural obrigou Chewbacca a deixar Kashyyyk em idade
precoce, mas como todos nós, ele logo foi escravizado pelo Império.
Felizmente, Chewbacca recuperou a sua liberdade pelas mãos de um
homem de força e honra semelhantes, o nosso reverenciado irmão Han
Solo. E, na companhia de Han Solo, a quem jurara a sua vida, Chewbacca
viria a desempenhar um papel crucial na Rebelião e nos eventos que
eventualmente levaram à queda do Imperador Palpatine.]
C-3PO focou os seus fotossensores em Mestre Han, cujos olhos estavam
avermelhados e semicerrados, e cuja mão direita Mestra Jaina segurava
entre as dela. As calças azul escuras de estilo militar que Mestre Han vestia
eram semelhantes ao par desgastado que ele tentara preservar para a
posteridade, mas que apenas no dia anterior se revelara incapaz de
acomodar a cintura ligeiramente aumentada de Mestre Han, rasgando-se
irreparavelmente. Presente no incidente, o que causou não pouca irritação a
Mestre Han, C-3PO ajudara a consertar as costuras externas das calças
substitutas os adornos conhecidos como Listras de Sangue Corellianas.
À frente do pai e da filha, estavam Mestre Jacen e Mestra Leia, com a
cabeça repousada no ombro do filho mais velho e as faces brilhando de
lágrimas. Perto deles, agachava-se Mestre Anakin, sombrio e retraído, ao
lado de Mestre Luke, certamente familiarizado com a morte, tendo perdido
tanto os seus pais naturais quanto adotivos, assim como Obi-Wan Kenobi e
Yoda, dois de seus mentores Jedi.
[Chewbacca passou a ser um soldado na Nova República,] Ralrra
bradou e rugiu. [Ele ajudou na libertação de Kashyyyk após a Batalha de
Endor. Mas ele permaneceu, antes de tudo, devotado a Han Solo, como
amigo e protetor devedor, e como guardião da esposa e dos três filhos de
Han Solo.] Ralrra virou-se para Han. [Foi uma honra para Chewbacca ter
podido socorrer o seu amigo em várias ocasiões, inclusive recentemente,
durante a crise com os Yevetha, quando libertou Han Solo do cativeiro a
bordo de uma nave de guerra Yevethan.]
Mais uma vez, C-3PO apertou o foco de seus fotossensores em Mestre
Han, que abaixou a cabeça em profundo pesar, enquanto Jaina acariciava os
seus ombros. O relacionamento de Mestre Han com Chewbacca era
semelhante ao de C-3PO com R2-D2, embora parecesse às vezes que os
dois droides estavam juntos há ainda mais tempo do que o humano e o
Wookiee.
R2-D2 provavelmente também estava olhando para Mestre Han, pois o
astromecânico de repente girou o seu receptor monocular para C-3PO e
guinchou de forma trêmula, quase como se também tivesse captado um
inquietante arrepio.
C-3PO inclinou a cabeça.
Os últimos meses proporcionaram amplas oportunidades para estudar os
humanos em luto, mas, apesar de todas as suas observações, não estava
mais perto de entender o processo do que estava antes da morte de
Chewbacca naquele mundo terrível. Todos os seres vivos eventualmente
morrem, quando não pelos efeitos da idade, então como resultado de
acidentes ou doenças quase inumeráveis. A morte era de certa forma
análoga à desativação ou ao apagamento de memória, mas na verdade era
algo bastante diferente, um cessar total do ser, o fim de toda aventura, de
fato. Diante dessa revelação, C-3PO sentiu-se compelido a imaginar se não
estava errado o tempo todo sobre o seu destino na vida. Se, como tantas
vezes declarava, os droides foram feitos para sofrer, o que dizer, então, das
criaturas de carne e osso?
Talvez fosse melhor não saber.
Como construído, C-3PO era incapaz de derramar lágrimas ou suportar
a angústia, como era chamada, mas a sua programação permitia-lhe
experimentar uma espécie de tristeza, embora não com a profundidade
experimentada por humanos e outros seres vivos. E subitamente ficou claro
que a tristeza era a fonte do arrepio que continuava a atormentá-lo. Por mais
que tentasse, não conseguia evocar um pensamento claro, e a cada olhar
para o Mestre Han, o seu desalento aumentava.
Como o mais próximo de Chewbacca, e talvez porque era um ser muito
humano, Mestre Han parecia ser o que mais sofria, alternando entre
angústia e raiva, desespero e agitação. O homem que C-3PO outrora
desconsiderara como impossível estava agora profundamente aflito, tão
inalcançável quanto se estivesse encapsulado em carbonita, e parecia não
haver nada que C-3PO pudesse fazer para consertar a situação. Ser fluente
em milhões de formas de comunicação não garantia a compreensão do
comportamento humano, muito menos das emoções humanas. C-3PO era
apenas um droide, afinal, e não era muito conhecedor dessas coisas.
Houve um incidente durante o cortejo de Mestre Han à então Princesa
Leia, quando o Mestre Han teve a ocasião de colocar uma mão no braço de
C-3PO e dizer:
— Você é um bom droide, 3PO. Não há muitos droides que eu goste
tanto quanto gosto de você. — Ele continuou a pedir o conselho de C-3PO
em questões do coração, e C-3PO forneceu alegremente um poema para que
o Mestre Han usasse como munição em sua disputa com o Príncipe Isolder
pela mão da princesa.
Mas amaldiçoado seja o meu corpo metálico, disse C-3PO pra si
mesmo. Por que o seu criador não o equipara com a programação necessária
para ajudar o Mestre Han agora? Em vez disso, tudo o que podia oferecer
era uma filosofia inútil!
[Aventura é tão sedutora e potencialmente perigosa quanto o coração da
planta syren,] Ralrra rugiu em tom lamentoso. [Mas até o último ato de
Chewbacca foi de sacrifício, dando a sua vida para salvar alguém querido
pra ele.] O idoso Wookiee olhou para o jovem Anakin, depois para o Mestre
Han e a Mestra Leia. [E, como sempre, manteve as suas garras retraídas em
combate. Agora, da mesma forma que os galhos da Wroshyr se estendem e
se sustentam uns aos outros, o espírito de Chewbacca se funde com o nosso,
alimentando-nos e nos fortalecendo para os desafios que ainda temos que
enfrentar.]
A guerra fez parte da existência de C-3PO por tanto tempo que uma
nova invasão não deveria ser uma surpresa. Mas havia algo diferente nos
Yuuzhan Vong e na guerra devastadora que travavam em escala galáctica.
Não era apenas que eles não faziam a distinção entre espécies ou entre
mundos, fosse da Nova República, do Remanescente Imperial ou neutros,
nem mesmo que as suas naves e armas biológicas tinham um poder de
destruição espantoso. O que mais preocupava C-3PO era que esse conflito
mais recente era um no qual nem mesmo os droides eram poupados. E isso
significava que, gostasse ou não, poderia enfim compreender
verdadeiramente a dor e a morte.

A mesa redonda estava coberta de alimentos: tigelas de caldo xachibik,


costelas de trakkrrrn assadas, bolos de mel da floresta, salada guarnecida
com sementes de rillrrnnn e frascos de vinhos, sucos e licores. Humanos e
Wookiees conversavam em grupos, contando histórias das façanhas de
Chewbacca que traziam risos, lágrimas ou momentos de reflexão sóbria. A
brisa aumentara, agitando as folhas e animando os sinos de vento.
Han estava sentado desanimado num banco de madeira de pernas curtas,
com os cotovelos apoiados nos joelhos.
— Sabe, nunca pensei que diria isso, mas acho que estou com inveja do
3PO.
Jaina seguiu o olhar do pai até onde o droide estava, parado com o seu
companheiro atarracado, parecendo totalmente perdido.
— É melhor não ter um coração, você quer dizer.
— Em momentos como este, pelo menos. — Han exalou cansado e
passou a mão direita pelo rosto.
Jaina fez um gesto em direção à mesa.
— Vou pegar algo pra você comer, pai. Você deve estar faminto.
Conseguiu sorrir.
— Obrigado, querida, mas não estou com fome.
— De qualquer forma, você deveria comer algo, — ela disse de forma
maternal.
Han se animou um pouco e segurou a mão dela.
— Pode comer à vontade, estou bem.
Ela franziu a testa.
— Tem certeza?
— Positivo. — Ele gesticulou com o queixo. — Vai em frente. Coma o
suficiente por nós dois.
Relutante, Jaina foi até a mesa. Han a observou por um longo momento
enquanto ela se misturava com os irmãos, Luke e Lowbacca. Ao observá-
los, perguntou-se o que faria se pudesse usar a Força como os Jedi.
Permaneceria no lado luminoso ou se valeria dos poderes sinistros do lado
sombrio para ensinar uma lição ou duas aos Yuuzhan Vong sobre vingança?
Imagens violentas e horríveis floresceram em sua mente como explosões,
mas logo as afastou. Já havia tido meses de tais imagens, e elas não levaram
a nada. Nenhum pensamento vingativo traria Chewie de volta.
Olhou para as próprias mãos e as encontrou cerradas em punhos.
Enquanto passara os últimos seis meses isolado e incapacitado, muitas
vezes no escuro ou escondido num tapcaf de Coruscant, os Jedi pelo menos
estavam levando a luta ao inimigo, e era exatamente isso que precisava
fazer.
Repreendeu-se silenciosamente, depois respirou fundo e soltou o ar
pelos lábios. Afrouxando as mãos, deu um tapa nas coxas num gesto de
determinação e levantou-se. Estava indo em direção à mesa quando
Mallatobuck e vários outros membros da família de Chewbacca se
aproximaram dele. Malla carregava uma caixa de madeira de um metro.
[Han Solo,] ela disse, sorrindo pra ele, [queremos que você fique com
isto.]
As sobrancelhas de Han franziram. Ele colocou a caixa no banco e abriu
o seu fecho metálico finamente trabalhado. Dentro, aconchegado numa
cama de material acolchoado, estava uma balestra lindamente esculpida,
com a coronha marcada e manchada polida num brilho marrom profundo.
Um acelerador magnético habilmente disfarçado, a arma lançava dardos
explosivos a velocidades extremamente altas. Ela estava equipada com uma
mira e um mecanismo de recarga que poucas mãos humanas seriam capazes
de operar.
— Eu reconheço isto, — disse Han, assentindo. Ele apertou os lábios
para conter um gemido que lutava para escapar. — É um dos primeiros que
o vi fazer.
Malla grunhiu.
[Chewbacca o fez logo depois que nos casamos, enquanto você estava
aqui. Ele fez versões melhores em sua época, mas esta mantém o calor e o
poder dele.]
Han ergueu a arma.
— Eu sinto isso. — Ele se virou e abraçou Malla, sua cabeça mal
alcançando o queixo dela. — Vou valorizar isso pra sempre.
Waroo entregou a Han uma bolsa de couro.
[Isto também pertencia ao meu pai. Sei que ele gostaria que você a
tivesse.]
Han colocou a bolsa de fundo curvo sobre o ombro, sabendo muito bem
que ela penduraria até seus joelhos. Malla, Waroo, Lowbacca e os outros
vibraram de alegria com uivos estrondosos. Jaina voltou com um prato de
comida a tempo de se juntar ao riso.
— Se o Chewie pudesse ver você agora, — disse ela, sorrindo pela
primeira vez naquele dia.
Han enxugou uma lágrima do olho esquerdo, sorriu e colocou o braço
ao redor da cintura da filha.
— O grandalhão se racharia de tanto rir.
Jowdrrl, a prima de pelagem castanha de Chewbacca, rosnou algo para
Malla que Han não conseguiu entender. Vendo a expressão interrogativa de
Han, Malla explicou.
[Jowdrrl está se perguntando quando você e a sua família voltarão para
Coruscant.]
Han e Jaina trocaram olhares.
— Ainda não pensei sobre isso, — disse Han. — Acho que amanhã em
algum momento.
Jowdrrl latiu em explicação.
[Pergunto apenas porque Dryanta e eu precisamos de um pouco de
tempo pra nos preparar.]
As feições de Han refletiram a sua confusão.
— Preparar para o quê? Vocês vão para Coruscant conosco?
O pai de Chewbacca, Attichitcuk, emitiu um grunhido significativo.
[Jowdrrl e Dryanta estão organizando o banquete de despedida de
Waroo e Lowbacca.]
— Waroo e Lowbacca, — disse Han, nervoso.
[Eles vão assumir a dívida de vida de Chewbacca.]
O queixo de Han caiu. Ele olhou de um Wookiee para outro com
crescente angústia.
— Mas, mas vocês não podem. Chewie está morto. Todas as dívidas
foram encerradas.
Attichitcuk soltou um rosnado grave e contínuo.
[A morte pode ter extinguido a chama desafiadora do meu filho, mas a
nossa dívida com você continua até que a sua seja extinta.]
Com o lábio inferior preso entre os dentes, Jaina colocou uma mão
reconfortante no braço do pai, apenas para vê-lo rejeitar o gesto. Han estava
balançando a cabeça de um lado para o outro.
— Não, não, eu não posso aceitar isso. Chewie salvou a minha vida dez
vezes. Ele morreu salvando a vida de Anakin. — A sua agitação aumentava
conforme falava. — Além disso, sou eu quem devo a todos vocês uma
dívida de vida. — Ele dirigiu o olhar para o filho de pelagem marrom
escura de Dewlannamapia. — A sua mãe foi mais bondosa comigo do que a
minha própria. — Ele buscou Gorrlyn. — Seu marido, Salporin, deu a vida
para proteger Leia de assassinos Noghri. — Ele se dirigiu a Jowdrrl e
Dryanta. — Seu primo Shoran morreu a bordo da Orgulho de Yevetha
salvando a mim!
[Assim como você teria morrido por eles,] Attichitcuk resmungou,
quase mostrando os dentes. [Uma dívida de vida é exatamente isso.]
Malla, também, estava olhando com severidade para Han.
[Você não desonraria a memória de Chewbacca ao recusar que a sua
dívida seja honrada.]
Jaina engoliu em seco.
— Papai não quer desonrar ninguém. — Ela olhou para o pai. — Certo,
Pai?
Han a encarou, ainda de boca aberta. O rosnado vibrante de Malla
trouxe à tona uma memória de um dia após o casamento em que Han tentou
convencer Chewie a ficar com a esposa em vez de acompanhá-lo de volta
para Nar Shaddaa. Também se lembrou de Groznik, um Wookiee que se
apegou ao piloto do Esquadrão Rogue, Elscol Loro, esposa de um homem
chamado Throm a quem Groznik devia uma dívida de vida.
— Certo, certo, — disse ele finalmente, olhando de Jaina para Malla. —
Eu cortaria o meu braço antes de desonrar a memória de Chewie de alguma
forma. Vocês sabem disso. É só que...
Todos esperaram.
— É só que eu não estou pronto. — Ele balançou a cabeça, como se
quisesse clareá-la, e então olhou para Attichitcuk e os outros. — Chewie
ainda está vivo pra mim. Não posso simplesmente permitir que ele seja...
substituído. Vocês têm que entender isso. Ele era mais que um protetor. Ele
era meu amigo mais próximo.
Os Wookiees trocaram olhares compreensivos e emitiram bramidos
indecifráveis.
[Ele se agarra à memória de meu marido,] comentou Malla tristemente.
[Ele precisa de tempo,] rosnou Attichitcuk, de alguma forma sem soar
ameaçador.
— É isso, — disse Han, agarrando-se a um fio de esperança. — Eu só
preciso de tempo.
Depois do que pareceu uma eternidade, o pai de Chewbacca assentiu
com a enorme cabeça.
[Então, tempo é o que vamos lhe conceder. A dívida de vida envolve
mais do que apenas prover abrigo contra danos físicos. Ela nutre o espírito,
também.]
Han viu a verdade nisso.
— Quero que isso continue.
Malla colocou as enormes patas em seus ombros.
[Então assim será.]
Capítulo 3

Imagens holográficas de sistemas estelares e setores galácticos inteiros


piruetavam num feixe de luz azul-cinzenta. Sobreposições piscantes
mostravam vias de hiperespaço que ligavam regiões distantes do espaço. A
pressão de uma ponta de dedo contra uma tela sensível era suficiente para
evocar informações sobre mundos, estrelas ou rotas de velocidade da luz
individuais. Pontos de luz artificial se expandiam para revelar dados sobre
espécies nativas e culturas, topografia planetária, estatísticas populacionais
e, em alguns casos, capacidades de defesa.
— Lamento profundamente ter que submetê-lo a tecnologia inerte,
Eminência, — desculpou-se o estrategista do Comandante Tla, — mas
ainda não descobrimos uma forma de separar os dados das carcaças
metálicas que os sustentam. E, até que os nossos villips tenham a chance de
absorver as informações capturadas, não temos escolha senão utilizar
algumas das próprias máquinas do inimigo. Cada uma foi limpa e
purificada, mas temo que simplesmente não há como disfarçar a sua
vacuidade espiritual.
Embora rechaçados pelos dispositivos que lhe foram apresentados,
Harrar concedeu absolvição ao estrategista.
— Abominar uma coisa na ignorância é temê-la. Um entendimento mais
profundo da natureza das máquinas apenas fortalecerá a minha
determinação em ver as máquinas exterminadas. — Ele acenou com a sua
mão abreviada. — Prossiga.
O estrategista, Raff, inclinou a sua cabeça tatuada numa reverência,
depois ergueu uma mão ossuda, enluvada, para o holograma animado.
— Como pode ver, Eminência, temos aqui nada menos que um retrato
da galáxia. Em traços amplos, é claro, mas ainda assim detalhado o
suficiente para nos auxiliar em nosso avanço em direção ao Núcleo.
O seu dedo indicador protegido tocou a tela sensível, e uma
representação de Obroa-skai e dos sistemas estelares vizinhos tomou forma
no cone de luz.
A magreza não se restringia às mãos do estrategista. Pulsos finos saíam
das volumosas mangas de seu manto, e um pescoço esquelético se projetava
como um bastão do colarinho alto e igualmente espaçoso da vestimenta.
Comprometido ao serviço de Yun-Yammka, o deus da guerra, Raff tinha
uma boca que era uma caverna escura, com um dente desproporcional que
às vezes prejudicava a clareza de sua fala. Mas o que contava eram os seus
poderes de reflexão e análise. Um contato frequente com os coordenadores
de guerra e os dovin basals o mantinha atualizado sobre quase todos os
aspectos da guerra, desde detalhes sobre as naves de guerra da Nova
República até as estatísticas de baixas em combate. Em consonância com as
suas habilidades, o seu crânio sem cabelo e distendido era adornado com
entalhes que sugeriam as voltas e convoluções do cérebro aprimorado
contido ali.
— Infelizmente, a maior parte dos dados libertados é de natureza
histórica e de valor duvidoso. Obroa-skai se dedicava a preservar
documentos culturais nos idiomas e formatos de acesso originais. — O
estrategista gesticulou para um palete levitado repleto de textos de
durafolha manchados de sangue, cartões de dados e outros dispositivos de
armazenamento, esperando para serem consumidos pelo fogo sagrado. —
Daí a necessidade de uma infinidade de dispositivos de decodificação e
tradução. Mesmo assim, o nosso ataque ao mundo biblioteca foi justificado.
No fim, e uma vez traduzidos em fala de villip, esses documentos nos
fornecerão uma riqueza de informações sobre a constituição psicológica de
muitas dessas espécies, e esse conhecimento será crucial para mantermos o
controle sobre territórios conquistados.
Um atendente masculino, descalço e envolto numa túnica longa, subiu
os degraus de coral yorik esculpidos do comando para colocar pratos de
comida e uma jarra de líquido âmbar sobre a mesa baixa que separava o
sacerdote do estrategista. O seu queixo pontudo era marcado em roxo
profundo para sugerir uma barba, e as bolsas sob os seus olhos próximos
estavam completamente tatuadas. A sua testa inclinava-se acentuadamente
pra trás a partir de uma sobrancelha proeminente, também coberta com
sinais e desenhos.
Na base da plataforma, uma figura solitária esperava pacientemente nas
sombras. Harrar ordenou ao atendente que preparasse as libações para si
mesmo, para o estrategista e para a figura abaixo. Ele sorveu a sua bebida
enquanto considerava a avaliação do estrategista sobre os despojos da
batalha.
Gerações de viagem no espaço intergaláctico haviam cobrado o seu
preço em muitas naves Yuuzhan Vong, tanto de guerra quanto naves mundo.
Onde os seus interiores outrora eram aquecidos por cortinas suntuosas e
tapetes, e a monotonia de seus conveses equilibrada por ricas embutiduras
de mosaico, uma frieza austera agora prevalecia. Os tetos abobadados dos
espaços comuns ainda eram sustentados por colunas ornamentais, mas as
suas superfícies estavam gastas, marcadas e sem brilho. As bio luminárias
que forneciam oxigênio e luz não prosperavam como antes, e
frequentemente tremeluziram como velas se apagando. Até mesmo os
espaços em forma de gruta reservados para a elite tinham um aspecto
desolado.
— O que os documentos apreendidos dizem sobre os Jedi? — Harrar
perguntou depois de um momento.
— Curiosamente, muito pouco, Eminência. Tem-se a impressão de que
os dados sobre os Jedi foram deliberadamente retidos da biblioteca ou
sistematicamente apagados.
Harrar colocou a bebida sobre a mesa.
— A distinção é significativa. Qual interpretação você favorece?
— A última. Já que as bibliotecas estão repletas de documentos
filosóficos de todas as variedades, por que desconsiderar estudos sobre os
Jedi?
— Talvez sejam os próprios Jedi que desconsiderem tal documentação,
— sugeriu Harrar. — Talvez eles sejam mais secretos do que imaginamos.
— Isso explicaria a falta de iconografia associada a eles, além do fato
de que a Força não parece ser a manifestação de um ser supremo.
— E, ainda assim, você acredita que os registros foram apagados.
— Mesmo que fossem proibidos por lei, Eminência, é provável que uma
história escrita ou oral tivesse sido compilada, se não por um Jedi, então por
alguém fora da ordem, ou até por alguém que se opusesse a ela. Uma
crônica dos feitos Jedi, biografias de Jedi proeminentes, esse tipo de coisa.
— Uma ordem, você diz.
O estrategista Raff olhou para a figura ainda oculta abaixo, então
assentiu em confirmação.
— Os Jedi parecem ter começado como uma ordem dedicada à busca de
estudos filosóficos e teológicos. Não está claro se foram os primeiros a
descobrir a fonte de energia que chamam de Força, ou se foram
simplesmente os primeiros a descobrir maneiras de acessá-la. Em qualquer
caso, eles parecem ter evoluído gradualmente de meditadores enclausurados
para servidores públicos, e por milhares de gerações serviram como
guardiões da justiça em toda esta galáxia.
Harrar uniu os seis dedos e os pressionou contra os lábios tatuados.
— Isso exigiria um exército.
— Exatamente, Eminência.
— Mas nenhum exército Jedi foi enviado contra os nossos guerreiros.
Relatórios de batalha indicam encontros com apenas alguns poucos. — O
sacerdote esboçou um leve sorriso de revelação. — Alguém não apenas
expurgou as bibliotecas de Obroa-skai, mas expurgou a própria ordem Jedi.
— É isso que acredito.
— Mas quem?
O estrategista deu de ombros.
— Defensores do assim chamado lado sombrio? Aqueles que os Jedi
chamam de Sith?
Harrar se recostou nas almofadas que o apoiavam.
— Então, talvez tenhamos aliados na galáxia.
— Se ainda houver algum Sith, talvez realmente tenhamos.
Passos resolutos interromperam a resposta de Harrar. A sua origem era
uma jovem de beleza severa, cuja longa vestimenta cintilante acentuava
uma silhueta já esguia. Um turbante envolvia a maior parte de seu cabelo
negro, e insetos iridescentes brilhavam nas bordas de seu manto. Passos
largos a levaram audaciosamente até o pé da plataforma de comando, onde
ela cruzou os braços sob o peito e inclinou a cabeça e os ombros numa
reverência respeitosa.
— Bem-vinda, Elan, — disse Harrar agradavelmente.
Elan ergueu a cabeça, que não era tão inclinada quanto a do sacerdote
nem tão assimétrica quanto a do estrategista. Larga nas maçãs do rosto, o
qual afunilava até um queixo dividido. Os seus olhos, de um azul-gelo,
nadavam num mar de redemoinhos de lavanda e marrom, e o seu nariz era
largo e quase sem ponte.
— Seu prazer, Eminência?
— Por ora, apenas que você se junte a nós. — Em convite, e sem sequer
um traço de condescendência, Harrar bateu na almofada ao lado da sua. —
Você chegou a tempo de testemunhar o sacrifício.
Elan olhou por cima do ombro.
Acompanhando-a estava uma criatura diminuta de aspecto heterogêneo
e modos peculiares. Tornado malhado por um arranjo de penas curtas, o
torso enxuto sustentava dois braços finos, cada um terminando em mãos
graciosas de quatro dedos. Orelhas delgadas e duas antenas espiraladas
surgiam de uma cabeça alongada e ligeiramente desproporcional, cuja parte
posterior se afinava numa crista levemente emplumada. O rosto
ligeiramente côncavo tinha olhos inclinados, boca larga e delicadamente
bigodada. Um par de pernas articuladas ao contrário e pés esparramados
impulsionavam a criatura em saltos ágeis.
Harrar notou a hesitação de Elan.
— A sua familiar também é bem-vinda entre nós.
Elan olhou para o estranho que estava por perto e, então, estendeu a
mão direita para a sua acompanhante.
— Venha, Vergere. — Ela subiu as escadas e se sentou, dando espaço
para Vergere, que se acomodou como um pássaro nidificada. Então, olhou
para o sacerdote. — Por que fui convocada, Eminência?
Harrar fingiu decepção e fez um sinal para o atendente mais próximo.
— Vamos observar o sacrifício.
O atendente se curvou e deu um comando a um par de villips
recebedores habilmente ocultos, que instantaneamente criaram um campo
óptico. Uma visão ampla do espaço local apareceu no ar, preenchendo toda
a parte frontal do compartimento e eclipsando divisórias e móveis. Era
como se aquela parte da nave facetada tivesse sido tornada transparente
como transparaço, e o cosmos fosse trazido pra dentro.
O corpo celeste de Obroa-skai era um caldeirão borbulhante no centro
do campo de coral de villips. Rumo à estrela vinha um transporte Gallofree
danificado, capturado durante a batalha, com os seus escudos ablativos
apenas começando a ruborizar com o calor. Dentro da nave em forma de
pod, cerca de dois mil cativos e droides, purificados por som, limpos por
incenso e empilhados como lenha cortada, viviam o restante de suas vidas.
Harrar, os seus convidados e os atendentes permaneceram em silêncio e
assim continuaram enquanto a coloração avermelhada que a estrela havia
dado ao nariz do transporte começava a se espalhar pra trás, avermelhando
a liga e liquefazendo as superestruturas. Discos parabólicos, painéis de
sensores e geradores de escudo derretiam como cera. A casca externa
enrugava e começava a descascar da estrutura. O casco se empolava, cedia
e finalmente desmoronava. A nave tornou-se uma tocha, um traço de
chama, depois desapareceu.
Harrar ergueu as mãos à altura dos ombros e as manteve com as palmas
pra fora.
— Em louvor ao Criador, Yun-Yuuzhan, e em humilde gratidão por suas
ações em nosso favor, aceite essas vidas indignas de viver. Que possamos
encontrar apoio contínuo para o desafio que você nos impôs, de trazer a sua
luz a este reino sombrio e de livrá-lo da ignorância e do mal. Nós nos
abrimos pra você...
— Que você encontre sustento em nossas oferendas, — murmuraram os
outros no compartimento.
— Elevamos os nossos corações...
— Para que você prospere.
— Nós nos damos livremente...
— Por meio de você conquistaremos.
Envolvido pelo fogo nuclear, o villip sinalizador que estava rastreando o
transporte foi incinerado. À medida que o campo visual se desestabilizava e
desaparecia, os atendentes de Harrar gradualmente retomaram as suas
funções.
— Providenciarei para que as imagens sejam analisadas em busca de
presságios, — prometeu o estrategista.
Harrar assentiu.
— Certifique-se de que os resultados sejam enviados ao Comandante
Tla. Ele pode não dar muito valor a essas coisas, mas onde os presságios
são ignorados e o fracasso se segue, temos a formação de um convertido.
O estrategista fez uma reverência.
— Assim será.
Subitamente, a almofada de Harrar se ergueu da plataforma de comando
e o levou até os degraus.
— Agora falaremos sobre o assunto em questão, — anunciou ele.
Elan fez os seus olhos expressarem interesse e apertou a mão de
Vergere.
— Até agora, a nossa campanha foi abençoada com vitórias fáceis, —
começou o sacerdote. — Mundos desmoronam e populações caem aos
nossos pés. Mas, embora eu não duvide que um dia governaremos essas
espécies, temo que encontraremos grandes dificuldades em alterar a
maneira como pensam. Algo além de armamento superior será necessário
para realizar isso.
Ele fixou o olhar em Elan.
— O nosso principal impedimento é um grupo que se chama Jedi. Pense
neles como uma espécie de força policial moral, pequena em número, mas
muito influente.
Elan olhou brevemente para Vergere e apertou mais uma vez a sua mão.
— Que tipo de deuses esses Jedi adoram? — perguntou.
— Nenhum, por assim dizer. Em vez disso, eles tiram força espiritual de
um reservatório de energia onipresente conhecido como a Força.
— E você tem alguma estratégia para subverter ou anular essa Força?
— No momento, não. Contudo, pode haver algo que possamos fazer a
respeito dos Jedi.
Harrar indicou o estranho ao pé das escadas.
— Elan, este é um de nossos agentes de campo, Executor Nom Anor.
Além de ter sido instrumental em ajudar a garantir uma base na Orla
Exterior, Nom Anor conseguiu recrutar agentes das populações nativas e
realizar muitos atos de sabotagem e subversão. Ele está reservando um
tempo fora de seus deveres habituais para supervisionar um projeto que ele
e eu planejamos.
Elan lançou um olhar avaliador a Nom Anor enquanto ele subia as
escadas para ficar diante dela. Esbelto e de altura mediana, ele tinha uma
aparência comum, mesmo com as marcas faciais e ossos quebrados do rosto
que atestavam mais que os sacrifícios habituais. Em algum momento, ele
perdera ou entregara propositadamente um olho. Embora a órbita fosse
agora uma abertura negra, Elan pôde discernir que os ossos haviam sido
configurados para acomodar um plaeryin bol, o órgão que expele veneno e
que se assemelha a um globo ocular.
— Vestido com um disfarce ooglith, ele poderia facilmente passar por
humano, — ela sussurrou para Vergere.
— Ele é ambicioso, Mestra, — Vergere sussurrou de volta. — Tome
cuidado.
Nom Anor fez uma reverência para Harrar, embora não tão profunda
quanto poderia ter sido.
— Antes da invasão começar, e como um meio de testar contra o que
estávamos lidando, — disse Nom Anor, — semeei vários mundos com uma
variedade de esporos produtores de doenças, de minha própria criação. Uma
classe de esporos, uma variante de coomb, obteve sucesso, causando a
morte de cerca de cem indivíduos, exceto uma, uma Jedi humana. Nem
autossustentável nem contagiosa, a doença não se espalhou para os outros
Jedi.
Nom Anor examinou Elan.
— Pelo que se diz, a humana continua gravemente doente, mas até
agora ela conseguiu sobreviver, assumo que por recorrer à Força. A sua
resistência, no entanto, é uma bênção disfarçada, pois estou certo de que
podemos usá-la para nos aproximarmos dos Jedi.
— Infiltrar-se nele, você quer dizer? — perguntou Elan.
— Assassiná-los, — respondeu Harrar, de seu assento acolchoado. —
Ou pelo menos, quantos for possível.
Nom Anor assentiu.
— Tal evento provaria ser desmoralizante para inúmeras populações. Se
até mesmo os Jedi pudessem ser derrotados, que esperança haveria para o
resto? A confiança nos Jedi e na Força sofreria um golpe irreversível.
Mundos começariam a capitular sem resistência. O Lorde Supremo Shimrra
poderia ser informado de que a nossa missão foi executada antes do
previsto, e que aguardamos a sua chegada.
Elan olhou de Harrar para Nom Anor e de volta pra ele.
— Qual é o meu papel em tudo isso?
O sacerdote moveu-se à frente, até pairar diante dela.
— Um papel para o qual uma sacerdotisa da seita engodo é
singularmente adequada.
Capítulo 4

Han estava na beira, com as pontas de suas botas pretas de cano alto
projetando-se sobre a borda da ponte natural. As vozes de seus amigos
estavam distantes o suficiente para serem indistintas. A névoa que tinha
ficado presa às árvores gigantes a manhã toda caía como gotas de chuva
pesadas. Ao mesmo tempo, rançoso e perfumado, o hálito do perigoso e
impenetrável submundo de Kashyyyk fazia sua cabeça girar. Perto dali, um
par de aves kroyie subia nas correntes ascendentes num raio oblíquo de luz
solar.
Com intenção deliberada, Han soltou um pedaço de casca de Wroshyr
que estava girando em suas mãos e o observou cair até sumir de vista.
Aquela seção da ponte não tinha qualquer tipo de grade, e nada o separava
do abismo.
— É melhor você ter cuidado com esse primeiro passo, piloto, — disse
Leia, atrás dele.
Han levou um susto, mas não se virou.
— O engraçado é que o ponto zero está sempre muito mais próximo do
que se pensa.
Os passos de Leia se aproximaram.
— Mesmo se isso for verdade, você poderia considerar um par de botas
com repulsores.
Direcionou um sorriso enviesado por cima do ombro. A umidade de
Kashyyyk transformou o cabelo longo de Leia numa juba, e as correntes
ascendentes puxavam sua saia esvoaçante e a blusa sem mangas.
— Não precisa se preocupar, querida. Eu já estou lá embaixo.
Leia veio ao lado dele e olhou de relance, apreensiva, para a borda.
— E eu pensava que a vista do nosso apartamento era desconcertante...
— Ela segurou gentilmente o braço de Han e o afastou da borda. — Você
está me deixando nervosa.
— Essa deve ser a primeira vez. — Ele forçou um sorriso. — Estou
bem.
O cenho de Leia se franziu.
— Está mesmo, Han? Ouvi sobre o que aconteceu com Malla e Waroo.
Balançou a cabeça em renovada agitação.
— Tenho que acabar com esse negócio de dívida de vida de uma vez
por todas.
— Dê um tempo. Eles vão entender. Lembra quando eu não podia nem
ir ao banheiro sem Khabarakh ou algum dos outros Noghri insistindo em
me acompanhar?
— Sim, e você ainda tem os Noghri te protegendo. Sem desmerecer
tudo o que eles fizeram por você.
— Eu sei o que você quer dizer.
Han balançou a cabeça.
— Ah, não, você não sabe o que eu quero dizer. Veja, você
provavelmente poderia comandar os Noghri a se afastarem de você. Mas os
Wookiees são diferentes. Se você acha que Lowbacca ou Waroo vão deixar
isso pra lá, é melhor pensar de novo.
Leia cruzou os braços e sorriu.
— Certo. Então, assim que voltarmos para Coruscant, vou pedir para
Cal Omas ou alguém propor uma legislação que limite os termos de uma
dívida de vida dos Wookiees.
— E arriscar enfurecer o Conselheiro Triebakk? Esqueça. Vou lidar com
isso do meu jeito.
Arrepiada pelo olhar severo de Han, Leia ajeitou o seu sorriso.
— Não quis soar insensível, Han. Entendo o que você está sentindo.
Hoje não deve ter sido fácil pra você.
Desviou o olhar.
— Eu queria entender o que estou sentindo. Achei que a cerimônia
ajudaria a resolver as coisas, mas só piorou tudo. Talvez se eu tivesse
conseguido recuperar o corpo de Chewie e houvesse algum tipo de
funeral... — Ele deixou as palavras se perderem e então balançou a cabeça,
irritado. — De que estou falando? É mais do que a falta de algum ritual.
Leia esperou que ele continuasse.
— Eu sei que não posso mudar o que aconteceu em Sernpidal, mas me
culpo por ter nos metido naquela situação, pra começo de conversa.
— Você estava tentando salvar vidas, Han.
— E de que adiantou pra alguém?
— Você disse a Anakin que está em paz por não ter conseguido salvar
Chewie? — Leia perguntou cautelosamente.
A amargura contorceu o rosto de Han.
— Esse foi o meu maior erro, colocá-lo no assento do piloto.
— Han...
— Não estou dizendo que foi culpa do Anakin. Mas sei que eu não teria
feito as mesmas escolhas que ele fez. — Ele soltou uma risada amarga. —
Estaríamos todos mortos, Chewie, Anakin, eu... E agora essa loucura sobre
continuar a dívida de vida. — Han se afastou andando, então girou para
encará-la. — De jeito nenhum vou ser responsável pela morte de outro
membro da família, Leia.
— Você não foi responsável.
— Fui, — ele rebateu. — Quem sabe que tipo de vida Chewie teria tido
se eu não o tivesse arrastado pela galáxia traficando especiarias e raiz de
Chak e o que mais pudéssemos contrabandear.
Leia franziu o cenho.
— Isso significa o quê, Han? Que você não deveria tê-lo resgatado da
escravidão? Pelo que sabe, Chewie poderia ter acabado morrendo num
campo de trabalho Imperial ou em algum acidente de construção. Você não
pode deixar esse pensamento te dominar. Além disso, não tente me dizer
que Chewie não gostava de andar por aí com você, e isso não tinha nada a
ver com uma dívida de vida. Você ouviu o que Ralrra disse: Aventura foi o
motivo pelo qual Chewie deixou Kashyyyk em primeiro lugar. Vocês dois
eram parecidos.
Han firmou os lábios.
— Eu acho que sei disso. Mesmo assim... — Ele balançou a cabeça
tristemente.
Leia colocou os dedos sob o queixo de Han e virou a sua cabeça.
Posicionando-se em seu campo de visão, ela sorriu amplamente.
— Sabe o que eu mais lembro? Da vez que Chewie me amarrou no
peito dele e me carregou pelo lado de baixo de Rwookrrorro. Como se eu
fosse uma criança.
Han bufou.
— Considere-se sortuda. Uma vez, tive que montar num quulaar
pendurado do Tarkazza.
Leia levou a mão à boca, mas riu mesmo assim.
— O pai da Katara, aquele com a faixa prateada nas costas?
— Esse mesmo. — Han riu com ela, mas apenas por um momento.
Então se virou e olhou por cima das copas das árvores. — Fica mais fácil
por um momento, depois volto a me lembrar. Quanto tempo leva, Leia? Até
passar?
Ela suspirou.
— Não sei como responder sem parecer clichê. A vida é sobre
mudanças, Han. Veja este lugar: postes de luz de luma começaram a
substituir as lanternas de fósforo, veículos com repulsores estão
substituindo banthas... As coisas têm uma maneira estranha de mudar de
direção quando menos se espera. Inimigos se tornam amigos, adversários se
tornam aliados. Os próprios Noghri que tentaram me matar se tornaram os
meus protetores. Gilad Pellaeon, que uma vez veio aqui para escravizar os
Wookiees, lutou conosco em Ithor contra os Yuuzhan Vong. Alguém
poderia ter previsto isso? — Leia estendeu as mãos para massagear os seus
ombros. — Eventualmente, a dor vai diminuindo.
Os músculos de Han se contraíram sob o seu toque.
Esse é o problema. A dor diminui.
Sentou-se, deixando os pés penderem sobre a borda da ponte. Leia
agachou-se atrás dele e o envolveu com os braços. Permaneceram imóveis
por um longo momento.
— Estou perdendo ele, Leia, — disse ele desalentado. — Sei que ele
está morto, mas costumava sentir a sua presença ao meu lado, logo no canto
da minha visão. É como se, se eu virasse rápido o suficiente, eu o visse. Eu
também podia ouvi-lo, claro como o dia, rindo ou reclamando sobre algo
que eu fiz. Juro que tive conversas com ele que eram tão reais quanto esta.
Mas algo mudou. Eu tenho que pensar longamente e profundamente para
realmente vê-lo ou ouvi-lo.
— Você está seguindo em frente com a sua vida, Han, — disse Leia
suavemente.
Riu secamente.
— Seguindo em frente com a minha vida? Acho que não. Não até
encontrar uma maneira de fazer a morte dele valer a pena.
— Ele salvou Anakin, — lembrou Leia.
— Não é isso que quero dizer. Quero que os Yuuzhan Vong paguem
pelo que fizeram em Sernpidal, e por tudo que continuam a fazer.
Leia ficou rígida.
— Consigo entender isso vindo de Anakin, Han, porque ele é jovem e
ainda não entendeu as coisas. Mas, por favor, não me faça ouvir isso de
você.
Ele se desvencilhou de seu abraço.
— O que te faz pensar que eu sei mais sobre a vida do que Anakin?
Ela deixou as mãos caírem ao lado do corpo e se levantou.
— Isso é algo que eu não havia considerado, Han.
— Bem, talvez você devesse, — ele respondeu roucamente, sem se
virar.

Onde momentos antes imagens do sacrifício haviam sido exibidas, vinte


prisioneiros agora se amontoavam dentro de um campo de inibição, elevado
e sustentado por dois pequenos dovin basals de cor vermelha sangue. No
centro do grupo de espécies mistas estava o sacerdote Gotal H’kig, a quem
Harrar prometeu a morte iminente. O contorno hemisférico do campo
brilhava como ondas de calor em ascensão.
Com Harrar, Nom Anor, Raff, Elan e o seu animal de estimação
observando da plataforma de comando, um jovem guerreiro Yuuzhan Vong
vestido com uma túnica de cor vinho entrou no compartimento, fez uma
reverência para a sua audiência de elite e se aproximou do campo.
— Um assassino, — disse Elan a Vergere em surpresa sussurrada.
— Um mero aprendiz, — corrigiu Harrar. — Dizem que não demonstra
muita promessa, embora a tarefa que está prestes a executar o elevará aos
olhos de muitos.
Ondulações brincaram sobre a superfície imaterial do campo de inibição
enquanto o guerreiro atravessava o seu perímetro de mão única. Guardas
próximos levantaram os seus bastões amphi em antecipação a uma carga
desesperada, mas, seja por medo ou curiosidade, nenhum dos prisioneiros
se moveu contra o intruso. Uma vez dentro, o guerreiro também não se
moveu, exceto para se virar levemente na direção do sacerdote.
— Observe atentamente, — disse Harrar a Elan.
Um gesto sutil da mão direita de Harrar foi o sinal para o assassino
começar. Girando, o jovem esvaziou os pulmões com uma expiração
sibilante e prolongada.
O efeito sobre os cativos foi quase imediato. Um a um, caíram pra trás
surpresos, depois em estupefação e finalmente em agonia, segurando as
suas traqueias como se o campo de inibição tivesse sido drenado de ar
respirável. Rostos lisos tornaram-se de uma tonalidade ciana horripilante;
outros perderam a cor completamente ou escureceram, como se queimados
pelo fogo. Membros e apêndices se contraíram, e tufos de pelos flutuaram
dos peludos. Sangue súbito manchou a carne e começou a escorrer e a se
espalhar de capilares estourados. Alguns dos prisioneiros caíram de joelhos
e vomitaram sangue; os mais resilientes cambalearam, colidindo uns com os
outros, até caírem se contorcendo e ofegantes no deque.
Somente o assassino permaneceu em pé, mas não por muito tempo.
Sabendo que era melhor não respirar, apressou-se em busca de segurança,
apenas para descobrir que os dovin basals que mantinham o campo lhe
negavam a saída. Ele passou um momento desesperado se movendo ao
longo do perímetro, como se esperasse descobrir alguma brecha, alguma
falha que lhe permitisse escapar. Então a plena consciência de sua situação
lhe atingiu. Virando-se para Harrar, ele se ergueu até sua altura total, cruzou
os punhos fechados nos ombros opostos e inalou profundamente. Sangue
começou a escorrer de seu nariz e olhos. O tormento deformou as suas
feições numa máscara macabra, mas nenhum som escapou dele. O seu
corpo tremia da cabeça aos pés, então ele se atirou pra frente no deque.
De repente, o campo de inibição começou a se encher com centenas de
formas de vida geradas espontaneamente, não maiores que phosfleas. Em
um movimento frenético, elas correram sobre os corpos prostrados e se
amontoaram ao longo das bordas do campo, tão ansiosas por encontrar uma
saída quanto o guerreiro havia estado.
Harrar acenou para um de seus acólitos se aproximar.
— Capture um espécime e traga-o aqui... rapidamente!
O acólito fez uma reverência e correu até o campo. Estendendo uma
mão enluvada através da barreira invisível, pinçou uma das criaturinhas
apressadas entre o polegar e o dedo indicador e a levou para a plataforma de
comando. Mesmo antes de ter chegado aos degraus, a atividade frenética no
campo começou a diminuir, como se o enxame tivesse de repente esgotado
a sua energia e estivesse morrendo.
O acólito entregou o seu pequeno refém a Harrar, que pinçou a coisa
nervosa entre os três dedos da mão direita e a segurou para inspeção de
Elan. Levemente opalescente, a criatura era um disco achatado, do qual
brotavam três pares minúsculos de pernas articuladas.
— Bo'tous, — explicou Harrar. — Tanto transportador quanto
subproduto da toxina. Precipitado da respiração do assassino. Crescem
rapidamente na presença de oxigênio abundante, mas têm uma vida
extremamente curta.
— A sua arma contra os Jedi, — disse Elan, ciente.
— Um anfitrião habilidoso pode administrar até quatro exalações de
bo'tous. Mas num ambiente selado, não há defesa, mesmo para o anfitrião.
Você entende?
— Entendo que um anfitrião corre o risco de morrer junto com as suas
vítimas.
— O efeito tóxico da exalação é muito breve, — acrescentou Nom
Anor. — Um anfitrião deve estar em estreita proximidade de seu alvo.
— Seu alvo, — disse Elan.
Harrar a fixou em seu olhar.
— Gostaríamos de arranjar para que você fosse capturada pelas forças
da Nova República. O comandante Tla, embora não totalmente
entusiasmado, até concordou em proporcionar uma vitória no processo.
Uma vez sob a sua custódia, você pediria asilo político.
Elan parecia cética.
— Por que eles me aceitariam?
— Porque nós os convenceríamos de que você é um prêmio valioso, —
respondeu Nom Anor.
Harrar confirmou com um aceno.
— Você lhes proporcionaria informações valiosas. Informações sobre
por que viemos para a sua galáxia e o que deixamos em nosso rastro. Você
também lhes diria sobre as dissensões entre nossas fileiras, sobre as
disputas que provocaram a sua fuga, além de informações de algum mérito
estratégico.
— O comandante Tla sabe de tudo isso? — interveio Raff, incerto.
— Na maior parte, — respondeu Harrar.
— Então devo protestar, Eminência. Temo que isso se torne um
empreendimento muito custoso.
— Eu aceitarei a responsabilidade, — disse Harrar. — Não devemos ter
dissensão genuína, estrategista.
O estrategista Raff manteve a sua posição.
— Eminência, não informou o Executor Nom Anor que um Cavaleiro
Jedi sobreviveu a uma tentativa anterior de envenenamento? Então, por que
o bo'tous deveria se mostrar eficaz contra qualquer um deles, muito menos
contra um grupo de Jedi? — Ele lançou um olhar a Elan. — Sem
desmerecer a evidente sofisticação de seu sistema de entrega designado.
Dúvida momentânea nublou a expressão de Harrar.
— Você faz justiça ao seu cargo, estrategista. As suas sugestões?
Raff considerou.
— No mínimo, a sua infiltradora deve ser fornecida com armas
complementares, o que quer que o Executor Nom Anor julgue necessário
para garantir o sucesso, caso o bo'tous se mostre ineficaz.
Harrar olhou para Nom Anor, que acenou em dispensa.
— Desnecessário. Mas facilmente realizado. Existe uma espécie de
bastão amphi que pode ser modificada e implantada no corpo para tal
propósito.
Satisfeito, Harrar assentiu.
— Continue, Executor.
Nom Anor colocou-se à vista de Elan.
— Infelizmente, não conheço acessórios que garantam o seu sucesso
com a Inteligência da Nova República. Isso dependeria de você. Você
começaria afirmando ter informações sobre os esporos coomb que
introduzi. No entanto, insistiria em entregar essas informações apenas aos
Jedi. Mas tenha cuidado: os Jedi possuem uma espécie de habilidade divina.
Eles seriam rápidos em descobrir a enganação, mesmo em alguém treinado
desde jovem para enganar e iludir. Daí a necessidade de um veneno de ação
rápida, transportado por um hospedeiro ágil.
Harrar estendeu a criatura pinçada para Elan.
— Rápido, Elan, pegue-a em sua palma e feche a mão em torno dela.
Elan olhou pra ele.
— Se eu fizer isso, estarei comprometida.
Harrar olhou de volta pra ela.
— Eu não vou ordenar que você aceite esta missão, Elan. A escolha é
sua.
Elan olhou para Vergere.
— Como você me aconselharia?
Os olhos oblíquos de Vergere se encheram de tristeza.
— Eu aconselharia você a recusar, Mestra. E ainda assim, você sempre
desejou ser testada. Ser dada uma missão digna de seus talentos.
Infelizmente, não conheço um caminho mais certo para a escalada.
Harrar lançou um olhar ao exótico animal de estimação da sacerdotisa.
— Leve-a com você, se assim desejar, Elan. Ela pode até se revelar útil.
Elan olhou para Vergere mais uma vez.
— Você me acompanharia?
— Quando não o faria?
Elan pegou a minúscula criatura em sua mão e fechou os seus longos
dedos ao redor dela. Quando relaxou a mão, a coisa havia sido absorvida.
— Ela migrará para os seus pulmões e lá se desenvolverá, — disse Nom
Anor, sorrindo. — Você saberá quando o veneno atingir a potência máxima.
Então você liberará as suas quatro respirações contra tantos Jedi quantos
conseguir reunir num só lugar.
Elan olhou para Harrar.
— E então, Eminência?
— O que será de você, quer dizer? — Harrar segurou a sua mão
delicada, examinando a palma que havia absorvido o portador. — Nom
Anor e eu faremos o possível para monitorar a sua localização, mas não
posso prometer resgate, apenas exaltação. Se você tiver sucesso, morrerá
com os Jedi ou enfrentará execução depois.
Elan sorriu levemente.
— Essa escolha também é minha.
Harrar afagou a sua mão.
— Olhe para o mundo além em busca de recompensas, Elan. Eu a
invejo por sua iminente partida.

Isolado por vinhas kshyy e guardas de segurança Wookiee, a Millennium


Falcon estava na plataforma de pouso Thiss, ao lado da nave que Luke,
Jacen, Anakin e Lowbacca haviam pilotado para Kashyyyk. O que restava
de um tronco de Wroshyr horizontalmente podado perto do tronco, a
plataforma queimada de fogo na borda de Rwookrrorro era grande o
suficiente para acomodar naves de passageiros, mas a Falcon e a elegante
nave tinham o palco pra si. Desde que Chewbacca pilotou a Falcon para
Kashyyyk durante a crise de Yevethan, a cidade não atraía tantos bem-
intencionados, turistas e curiosos. De Karryntora, Northaykk, as Ilhas
Wartaki e a distante Península Thikkiiana eles vieram, a maioria na
esperança de vislumbrar Luke, Han ou Leia, mas muitos para dar uma
olhada no cargueiro Corelliano YT-1300 que Chewbacca e Han tornaram
famoso.
Como um taurill navegando por um campo de fardos de samambaia,
Han se espremeu através de uma multidão de Wookiees vociferantes
determinados a quebrar a sua coluna com tapas nas costas ou fraturar a suas
costelas com abraços esmagadores. Quando tropeçou na área isolada ao
redor da Falcon, parecia que tinha passado de mais num simulador de força
g. Leia, Luke, as crianças e os droides esperavam ao pé da rampa de
embarque estendida.
— Pai, pensei que não iríamos partir até amanhã, — disse Jaina ao se
aproximar de Han.
— Mudança de planos, — ele murmurou. — Você fez uma pré-
verificação?
— É, mas...
— Então vamos colocar todos a bordo e levantar voo.
— Por que a pressa, Han? — Luke disse, intencionalmente colocando-
se em seu caminho. O capuz de sua capa Jedi estava jogado pra trás, e o seu
sabre de luz pendia do cinto que apertava as suas vestes negras. — Estamos
correndo em direção a algo ou fugindo disso?
Han parou abruptamente. Do canto do olho, viu Leia fazer uma careta e
se virar para um lado.
— Como foi isso de novo? — ele perguntou a Luke.
A expressão de Luke era indecifrável.
— Preocupações urgentes em Coruscant?
Han trabalhou a mandíbula.
— Amanhã, hoje, que diferença faz? Mas se você precisa saber, sim,
preocupações urgentes. Uma pequena questão chamada Yuuzhan Vong e o
destino da galáxia.
— Han...
— Não! — Han interrompeu. Ele reprimiu o que estava prestes a dizer e
começou novamente num tom mais controlado. — Luke, é só que já tive o
suficiente de simpatia. Então vamos deixar isso pra lá.
— Se é isso que você quer, Han.
Han começou a subir a rampa, então parou e se virou.
— Sabe, não sei o que é pior, as tentativas desajeitadas de todos para me
fazer sentir melhor ou a sua autoimportância. Você pode achar que me
entende, amigo, mas não entende. Nem de longe. Oh, eu sei que você
perdeu amigos e familiares, e agora, com a Mara doente e tudo mais, mas
Chewie deu a sua vida pelo meu filho, e isso muda tudo. Você não pode
saber sobre isso, Luke.
— Não finjo saber sobre isso, — disse Luke calmamente. — Mas, como
você diz, eu sei algo sobre luto.
Han ergueu as mãos.
— Não me fale sobre a Força, não agora. Eu te disse há muito tempo
que não acredito num poder controlando tudo, e talvez eu estivesse certo,
afinal.
— Depois de tudo o que passamos?
— O que passamos, — Han disse, apontando o dedo indicador para o
rosto de Luke, — tinha muito mais a ver com tiros de blaster do que com a
luta de espadas, e você sabe disso.
— Foi a Força que derrubou o Império.
— E como isso me ajuda? — Han olhou em volta para Leia, seus três
filhos, Lowbacca, C-3PO e R2-D2, todos parecendo desconfortáveis. —
Não tenho as habilidades de um Jedi ou as funções de exclusão de um
droide. Sou apenas um cara normal com sentimentos normais e talvez mais
do que a sua cota de deficiências. Eu não vejo Chewie, Luke. Não da
maneira que você afirma ter visto Obi-Wan, Yoda e o seu pai. Não tenho a
Força a meu favor.
— Mas você tem, Han. Isso é tudo que estou tentando te dizer. Deixe de
lado a sua raiva e amargura e você verá Chewie.
Han abriu a boca e a fechou. Ele girou nos calcanhares e apressou-se
pela rampa, apenas para parar e mudar de direção novamente.
— Não estou pronto para caminhar nessa prancha, — ele rosnou
enquanto passava por Luke.
— Han! — gritou Leia.
Ele se virou, mas olhou através dela para Jaina.
— Leve a Falcon de volta a Coruscant.
Os olhos de Jaina se alargaram. Ela engoliu em seco e gaguejou:
— Mas e você?
— Eu encontrarei meu próprio caminho de volta, — ele gritou sobre o
ombro enquanto marchava.
No centro de comando da nave facetada de Harrar, um quadrúpede bio
engenheirado do tamanho de um Ewok vagava pelos limites do campo de
inibição, usando o seu longo focinho como um aspirador para limpar a área
dos cadáveres dos portadores gerados pela exalação tóxica do assassino. Os
capturados mortos, junto com o corpo de seu assassino, ainda não haviam
sido removidos.
Harrar e Nom Anor estavam na periferia do campo, observando a
criatura em ação. Elan e Vergere haviam deixado o compartimento.
— Muito depende do sucesso deste plano, — comentou Harrar.
— Mais do que você imagina, — concordou Nom Anor. — Desde a
falha do Prefeito Da’Gara em Helska, não sou mais visto com a mesma
estima de antes.
— Eu confio em você, Executor.
Nom Anor inclinou a cabeça em agradecimento.
— Você acha que Elan escolherá morrer com os Jedi ou arriscará que a
Nova República poupe a sua vida?
— Suspeito que ela morrerá com os Jedi.
— E isso não te preocupa? Afinal, o seu domínio é muito poderoso. O
seu pai tem a atenção do Lorde Supremo Shimrra, não tem?
— Ele é um alto sacerdote, — disse Harrar, suspirando com propósito.
— Apenas Elan pode levar essa tarefa à realização. Eu lamentarei a sua
morte. Mas muitas vezes é necessário sacrificar a isca para prender a presa.
Capítulo 5

A Millennium Falcon deixou pra trás a verdejante Kashyyyk. Jaina e Leia


estavam lado a lado na cabine de pilotagem, com C-3PO, mais quieto que o
habitual, atrás delas na cadeira do navegador. A pedido inesperado de
Streen, Luke estava levando todos os outros para Yavin 4. Jaina poderia ter
ido junto, mas Leia disse que não queria pilotar a Falcon sozinha pra casa.
Enquanto o computador de navegação calculava as coordenadas do
hiperdrive para o salto em direção a Coruscant, Jaina olhou para a sua mãe,
que parecia pequena e frágil no assento amplo que Chewie ocupou por
tantos anos. Ela mal dissera uma palavra desde que decolaram da
plataforma Thiss.
— Não é todo dia que eu piloto a nave do pai, — disse Jaina
casualmente, esperando abrir uma conversa.
Leia reagiu como se tivesse sido puxada de um transe.
— O quê?
— Eu disse que fiquei surpresa que o pai me pediu para pilotar a Falcon
pra casa.
Leia sorriu pra ela.
— Detentora do recorde na Tolice do Lando... piloto do Esquadrão
Rogue... O seu pai tem uma opinião muito alta sobre as suas habilidades.
Jaina ficou em silêncio por um momento.
— Espero que ele chegue em casa bem.
Leia riu.
— Não se preocupe, ele vai pegar um cargueiro ou uma nave comercial
e provavelmente chegará antes de nós em Coruscant. Ele não precisa de
ajuda nessa área.
— Ou em qualquer outra área, — disse Jaina, franzindo a testa.
Leia fez os seus lábios se tornarem uma linha fina e pegou a mão da
filha.
— Não confunda recusar ajuda com não precisar dela.
— Por que ele é assim?
— Quanto tempo temos? — brincou Leia. — A resposta curta é que o
seu pai não foi criado da mesma forma que você e eu. Ele não teve o apoio
de uma família ou o conforto de um lar estável. — Ela balançou a cabeça.
— Ele foi tantas coisas: um piloto de swoop, um piloto, um oficial da
Marinha Imperial, um contrabandista, mas todas essas ocupações têm uma
coisa em comum: exigem extrema autossuficiência e uma certa quantidade
de distanciamento. Ele não cresceu acostumado a receber ajuda, então
certamente não está prestes a pedir por ela.
— Mas ele tem agido como se fosse o único que sente falta do Chewie.
— Ele sabe que isso não é verdade e está ciente de como tem agido.
Quando ele e eu voltamos para Sernpidal após a morte do Chewie, ele me
disse que de repente sentiu que o mundo havia se tornado inseguro, que
sempre pensou em nossa família e amigos próximos como quase imunes à
tragédia, vivendo numa espécie de bolha. Como todos nós conseguimos
sobreviver ao que passamos é nada menos que impressionante. Mas todas
as escapadas apertadas, o flerte com a morte, apenas fizeram Han se sentir
mais invulnerável. A morte de Chewie mudou isso. O seu pai até incluiu a
doença da Mara como evidência de quão inseguro e imprevisível tudo se
tornou.
Leia fez uma pausa, lembrando-se de algo.
— Não me ocorreu até mais tarde que o ouvi expressar as mesmas
dúvidas uma vez antes, logo depois que você, Jacen e Anakin foram
sequestrados por Hethrir. Você se lembra de como ele se tornou protetor?
Jaina balançou a cabeça.
— Não realmente.
— Bem, você era bem jovem. Mas acredite em mim, o seu pai não
deixava nenhum de vocês crianças fora de sua vista por meses. — Leia
olhou para Jaina. — Ele gostaria que todos acreditassem que é um cético
endurecido, mas a verdade é que ele age com fé.
— Então por que ele está mantendo tanta distância de todos?
— Porque ceder à sua dor exigiria que ele se quebrasse e realmente
sofresse, em vez de se fechar do mundo. E ele é espertalhão demais pra
isso.
— É assim que ele ganhou esse apelido?
Leia balançou a cabeça.
— Essa é outra história.
Jaina torturou o seu lábio inferior com os dentes.
— Mãe, ele vai voltar pra casa, não vai? Quero dizer, somos tudo o que
ele tem agora, certo?
— Claro, — Leia começou a dizer, quando C-3PO interveio: — Só
espero que isso seja o suficiente.

Mif Kumas, sargento da Nova República no Senado por dois mandatos


consecutivos, espalhou as suas asas ao se levantar de seu assento espaçoso
no átrio da Grande Câmara de Convocação de Coruscant.
— Senadores, eu os aconselho a se absterem de interromper estes
procedimentos com demonstrações vocais ou explosões, justificadas ou
não. — Kumas esperou até que todos caíssem em silêncio e então inclinou a
sua cabeça com crina em direção ao púlpito do orador que ficava oposto ao
átrio no polido piso de pedra da grande sala. — O diretor bel-dar-Nolek do
Instituto Obroano foi reconhecido e merece ser ouvido.
Acenando de forma curtinha em agradecimento a Kumas, bel-dar-Nolek
retomou o seu discurso.
— Além disso, é a opinião do Instituto que a Nova República falhou em
honrar a sua obrigação de fornecer defesa onde necessário.
Um humano de considerável corpulência, ele usava trajes sob medida e
um bastão de caminhada esculpido à mão em madeira greel. As suas
bochechas tremiam enquanto falava, e ele frequentemente pontuava as suas
observações com um dedo gordo que espetava o ar.
— Era claro para os membros deste corpo que Obroa-skai estava em
perigo, mas nada foi feito para nos proteger do ataque. Os Yuuzhan Vong
desceram sobre nós como velkers, limpando as nossas cidades. — Ele fez
uma pausa para limpar a garganta. — Eu estava cuidando de assuntos em
Coruscant na época, mas vi os holo relatórios.
Sussurros abafados, poucos deles elogiosos, se espalharam pela sala,
levando Kumas a repetir seu apelo por um mínimo de decoro. Agradecido
pela agitação que as suas observações haviam suscitado, bel-dar-Nolek
cruzou os braços robustos e os descansou em seu amplo abdômen.
Camadas de galerias, caixas e varandas posicionadas aleatoriamente
pairavam em todos os lados, subindo até o teto abobadado, com droides de
protocolo, página e intérpretes se movendo pelas rampas, pontes e escadas
que os conectavam. Embora a colocação não fosse uma indicação de
classificação, muitos dos senadores sentados nos níveis superiores
representavam mundos recentemente admitidos na Nova República e eram
frequentemente vistos pelos delegados de níveis inferiores como membros
da plateia em vez de participantes. Como uma forma de apaziguamento a
eles, falava-se em equipar algumas das galerias mais altas com plataformas
flutuantes destacáveis, como haviam sido usadas nos dias finais da Velha
República, mas ninguém dava muita credibilidade aos rumores.
De uma dessas galerias veio a voz de Thuv Shinev, porta-voz de 175
planetas habitados nos confins da Hegemonia Tion. Simultaneamente, um
holograma em tamanho real do senador humano se materializou de um
projetor bem no chão da câmara, entre o púlpito do orador e o átrio do
conselho consultivo, com o seu arco fechado de cadeiras heterogêneas.
Qualquer um que tivesse dúvidas sobre a identidade do senador poderia
acessar informações em pequenas telas embutidas nos apoios de braço de
cada cadeira da sala.
— Eu apresento a este corpo que uma força-tarefa foi implantada para
proteger Obroa-skai, — argumentou Shinev, — e que tudo dentro do
razoável foi feito.
Bel-dar-Nolek se dirigiu ao holograma de Shinev.
— Um par de Plataformas da Defesa Golana recondicionadas e algumas
naves de guerra antigos dificilmente constituem uma força-tarefa, Senador.
— Isso foi tudo que pôde ser dispensado, Diretor, — rosnou o Chefe de
Estado Bothano Borsk Fey’lya de seu assento no átrio. Os seus olhos
violetas brilharam. — Além disso, considero tais recriminações
reprováveis, à luz dos movimentos erráticos do inimigo e das estratégias
muitas vezes imprevisíveis.
Bel-dar-Nolek abriu as mãos num gesto apaziguador.
— Chefe Fey’lya, estou simplesmente tentando evitar mais erros de
julgamento. É uma coisa ignorar os apelos dos mundos da Orla Exterior,
mas permitir que um mundo da proeminência de Obroa-skai caia nas mãos
do inimigo...
— Eu me oponho ao chauvinismo flagrante do diretor! — interrompeu
o senador de Agamar. — E com que direito Obroa-skai se retrata como um
ponto de referência?
Bel-dar-Nolek lançou um olhar sombrio ao humano e lançou as suas
palavras com brutal descaso.
— A dedicação de Obroa-skai à perpetuação da diversidade cultural a
torna mais importante do que outros mundos. Exijo que algo seja feito para
resgatar o que resta de nossos documentos históricos antes que seja tarde
demais.
— Secretário Kumas, — uma profunda e melódica voz feminina
ressoou, — peço para ser reconhecida.
Kumas espalhou as suas asas.
— O senado reconhece a Senadora Viqi Shesh de Kuat.
Uma mulher esbelta e bonita de idade indeterminada, Shesh jogou os
seus cabelos negros e radiantes sobre o ombro enquanto se levantava de seu
assento na varanda. Relativamente nova na política, rapidamente se tornara
conhecida como uma negociadora habilidosa, com um talento para manter
todos os lados satisfeitos. A mídia se interessou imediatamente por ela, ao
ponto dela ter sido o tema de inúmeras reportagens, e o seu rosto era quase
tão amplamente reconhecido quanto o do Chefe de Estado Fey’lya.
— Sobre a questão do resgate de dados, Diretor, entendo que as naves
cargueiras de documentos importantes foram realocados para a instalação
do Instituto em Coruscant muito antes do ataque a Obroa-skai. Fui mal
informada?
— Uma fração do que esperávamos salvar, — bel-dar-Nolek contra-
argumentou de forma maldosa.
Shesh ergueu as finas sobrancelhas e acenou de uma maneira que
combinava gravidade e vaidade.
— Perdoe-me por dizer isso, mas o passado me preocupa muito menos
do que o futuro. Embora a perda de Obroa-skai seja um golpe terrível, o
exército da Nova República não está em posição de dispensar naves para
retomar um mundo quando já está sobrecarregado defendendo tantos
outros. Os Yuuzhan Vong estão ampliando o seu domínio sobre setores-
chave na Orla Exterior e Média, e a menos que o seu avanço seja detido,
eles podem alcançar as Colônias ou o Centro num ano padrão, deixando até
mesmo Coruscant vulnerável a um ataque.
Bel-dar-Nolek a estudou com frieza.
— Vejo através de você, Senadora. Obroa-skai foi entregue porque não
possui valor estratégico. Quando as naves de guerra Yuuzhan Vong
começarem a se aproximar de Kuat, Chandrila ou Bothawui, duvido muito
que as frotas da Nova República estejam ocupadas de outra forma. O
exército estava em força em Ithor. Até mesmo o Remanescente Imperial.
— E Ithor foi despojado apesar de nossos esforços, — disse Shesh. —
Eu simpatizo, Diretor, mas certamente não vejo o que pode ser feito agora.
Bel-dar-Nolek bateu o punho na mão aberta.
— Podemos apelar aos Yuuzhan Vong para permitir que Obroa-skai
continue acessível aos estudiosos.
Denúncias voaram de todos os lados. Enquanto Kumas tentava restaurar
a ordem, Borsk Fey’lya levantou-se, sua pelagem creme arrepiada.
— Não é política deste corpo negociar com agressores, — ele
pronunciou, de uma forma que deixava pouco espaço para discussão.
Mas bel-dar-Nolek não se deixou abalar.
— Então, temo que vocês não deixem ao Instituto Obroano alguma
escolha a não ser forjar uma paz separada com os Yuuzhan Vong.
— Eu desaconselho fortemente isso, Diretor, — disse Shesh. — A
tentativa mais recente de apelar ao senso de justiça dos Yuuzhan Vong
terminou no horrível assassinato de um de nós, o Senador Elegos A’Kla.
— Eu responsabilizo Luke Skywalker e os Jedi pela morte do Senador
A’Kla, — disse bel-dar-Nolek com desgosto, — e por tudo o que nos
aconteceu. Onde eles estavam quando Obroa-skai caiu? Qualquer um
pensaria que eles seriam os primeiros a proteger um centro de aprendizado.
— Até mesmo os Jedi não podem estar em todos os lugares ao mesmo
tempo, — disse Fey’lya.
— Ainda assim, eu os culpo. Culpo os Jedi e o próprio Almirante Traest
Kre’fey dos Bothanos, que se tornou um perigoso fora da lei!
— Eu exijo uma retração, — fulminou Fey’lya. — Tal observações são
descaradamente inflamatórios e provocativos!
— Que informações temos sobre a gênese desta guerra? — disse o
diretor, jogando para a audiência. — Temos apenas a palavra dos Jedi de
que os Yuuzhan Vong destruíram o posto avançado ExGal em Belkadan e
atacaram Dubrillion e Sernpidal. Mas quem pode dizer que os Yuuzhan
Vong não foram provocados a tais ações pelos próprios Jedi? Encontrados
com hostilidade, talvez eles simplesmente tenham respondido à altura.
Talvez este conflito não seja nada mais do que uma perpetuação daquele
mal-entendido inicial, alimentado pelas ações subsequentes dos Jedi em
Dantooine e Ithor, em aliança com certos elementos do exército, incluindo o
Almirante Kre’fey e a Esquadrão Rogue, junto com outras unidades
infelizes que foram arrastadas para essa luta.
Bel-dar-Nolek fez uma pausa dramática e gesticulou amplamente para o
salão.
— Onde estão os Jedi agora? Onde está a Embaixadora Organa Solo?
Não foi ela, senadores e representantes, quem primeiro chamou a atenção
de vocês para os Yuuzhan Vong?
O conselheiro Alderaaniano Cal Omas se manifestou.
— A Embaixadora Organa Solo está cuidando de assuntos pessoais.
— E eu gostaria de lembrar o Diretor bel-dar-Nolek e outros membros
desta assembleia que ela não representa os Cavaleiros Jedi, — acrescentou
Shesh.
— Então quem, exatamente, representa? — pressionou bel-dar-Nolek.
— Por que eles são permitidos a tomar as ações que acharem adequadas,
sem ter que responder a este corpo ou à Força de Defesa? Somos
supostamente membros de uma Nova República, e ainda assim parece que
somos mais fracos do que a Velha República, que ao menos tinha os Jedi
sob controle.
Ele olhou ao redor do salão.
— Eu pergunto a vocês também, o que os Jedi estão esperando? Eles
temem os Yuuzhan Vong, ou é que eles nutrem desígnios secretos próprios?
Sugiro que vocês ponham fim à sua conduta imprudente e que abram
negociações com os Yuuzhan Vong, sem usar os Jedi, ou qualquer um com
laços com os Jedi, como Elegos A’Kla tinha, como intermediários.
Viqi Shesh foi a primeira a falar quando o salão havia se acalmado o
suficiente para que alguém pudesse ser ouvido.
— Senadores, se não houver mais nada, acho que todos podemos
encontrar um pouco de consolo no fato de que o Diretor bel-dar-Nolek não
é nem um político nem um estrategista militar. — Ela esperou que as
risadas e aplausos diminuíssem. — Não devemos permitir que nos minem a
divisividade, nem devemos permitir que a queda de Ithor e agora de Obroa-
skai minem a nossa confiança nos Jedi. Eu sei que vocês concordarão
comigo quando digo que, ao enfraquecer os Cavaleiros Jedi, nós apenas nos
enfraquecemos.
Capítulo 6

Mara levantou-se do sofá para cumprimentar Luke quando ele entrou pela
porta de sua suíte em Coruscant. Ele a encontrou na metade do caminho
com os braços abertos.
— Já era hora, — ela disse, fechando os olhos e segurando-o perto.
R2-D2 seguiu Luke pra dentro do quarto, fez um cumprimento para
Mara e imediatamente dirigiu-se para a estação de recarga da suíte.
— Eu teria voltado mais cedo se Streen não tivesse me pedido para ir a
Yavin 4.
— Problemas?
— Pode ser. Agora que os Yuuzhan Vong ocuparam Obroa-skai, eles
poderiam descobrir a academia. Se isso acontecer, teremos que pensar em
realocar os mais jovens Jedi. Enquanto isso, Streen, Kam e Tionne estão
cuidando das coisas.
Eles haviam estado separados por apenas uma semana padrão, mas
Luke estava alarmado com quão delicada Mara parecia ao seu toque.
Considerou tentar sentir ela através da Força, mas temia que ela o
detectasse e resentisse a intrusão. Em vez disso, deleitou-se em seu abraço
por um momento a mais, depois recuou para segurá-la a uma distância
confortável.
— Deixe-me olhar pra você.
— Se você precisar, — ela disse com uma elaborada paciência.
O seu rosto estava pálido e os seus olhos eram sublinhados por círculos
escuros, mas um pouco do brilho havia retornado ao seu cabelo ruivo
dourado, e os seus olhos verdes brilharam sob o seu olhar.
— Qual é o veredicto, doutor?
Luke fingiu não ouvir a tremulação em sua voz, mas Mara viu através
de sua pretensão. Não havia muito que eles pudessem esconder um do
outro, embora um dos aspectos mais devastadores da doença de Mara
tivesse sido o seu efeito prejudicial sobre a profundidade e intensidade do
vínculo deles.
— Diga-me você.
— Não foi a minha melhor semana. — Ela sorriu fracamente, então
comprimiu os lábios em irritação. — Mas eu não sei como deixei você me
convencer a vir aqui, e não diga que você me pegou num momento fraco.
— Eu não ia dizer.
Meses antes, Mara havia determinado que a melhor maneira de lutar
contra a doença era permanecer ativa e totalmente sintonizada com a Força.
Mas após o brutal assassinato de Elegos A’Kla e a devastação visitada em
Ithor, a sua condição havia piorado. Se todos os instintos de Luke e Mara
estavam errados e a doença não estava ligada a algo que os Yuuzhan Vong
introduziram na galáxia, a sua vitalidade ao menos parecia aumentar e
diminuir de acordo com a invasão. Onde, após as pequenas vitórias em
Helska e Dantooine, ela havia emergido forte, Ithor havia constituído um
novo fundo, não apenas para Mara, mas pra todos.
Luke tirou o manto, e os dois se moveram de braços dados para a sala
de estar modestamente mobiliada da suíte, com as suas calças e camisa
pretas em forte contraste com o vestido branco de Mara. Mara se acomodou
num canto do sofá, com as suas pernas tensas dobradas sob ela. Ela reuniu o
seu longo cabelo numa mão e o torceu atrás da cabeça, então passou um
momento olhando pela janela para o tráfego que passava. O apartamento
não estava longe do Grande Centro de Convocação, mas o vidro de
cancelamento sônico impedia o ruído de invadir.
— Você se encontrou com o Dr. Oolos? — Luke perguntou finalmente.
Ela se virou para ele.
— Sim.
— E?
— Ele me disse a mesma coisa que Cilghal e Tomla El me disseram sete
meses atrás. A doença não é como nada que ele já tenha visto, e não há
nada que ele possa fazer. Mas eu poderia ter lhe dito isso e poupado a
ambos o trabalho de virmos aqui. Oolos não diria diretamente que a Força é
a única coisa que me mantém viva, mas ele implicou isso.
— Há um outro... caso, — Luke começou a dizer.
Mara balançou a cabeça.
— Ele morreu. Logo depois que você saiu para Kashyyyk.
Luke permitiu que a sua decepção aparecesse. Um Ho’Din, Ism Oolos
não era apenas um médico renomado, mas também um pesquisador de
alguma celebridade, em consequência de suas investigações sobre a praga
da Semente da Morte que varreu o setor Meridian doze anos antes.
— Ele disse algo sobre o besouro?
— O infame besouro de Belkadan, — Mara disse brincando, depois
balançou a cabeça. — Além do fato de que também é como nada que ele já
tenha visto. Mas os testes que ele realizou não mostraram nenhuma
evidência de que a minha doença está conectada àquela coisa.
Luke ficou introspectivo. Muitos anos antes, a Jedi Mon Calamari
Cilghal havia usado a Força para curar a então a Chefe de Estado Mon
Mothma de um vírus nano destrutor induzido por assassinos. Então, como
era possível que ela, Oolos e o curandeiro Ithoriano Tomla El pudessem
permanecer impotentes contra a desordem molecular que atacara Mara? Só
poderia ter vindo dos Yuuzhan Vong, disse a si mesmo Luke. No meio de
um conflito abrangente, ele e Mara estavam travando a sua própria luta
particular.
— O memorial foi difícil? — Mara perguntou, claramente ansiosa para
falar sobre algo além do estado de sua saúde.
Luke olhou pra cima e respirou fundo.
— Não para a família imediata de Chewbacca. Os Wookiees são muito
receptivos em relação à morte. Mas estou preocupado com Han.
Mara franziu a testa com simpatia.
— A sua irmã pode ser a alma gêmea de Han, mas Chewbacca foi o seu
primeiro companheiro. Vai levar tempo.
— Eu não ajudei em nada. Quando tentei sugerir que ele se abrisse para
a Força, ele fez questão de me lembrar que não é um Jedi.
— E esse é outro motivo pelo qual ele e Chewbacca eram tão próximos,
— disse Mara. — Ele está cercado por todos os lados. — Ela ficou em
silêncio, então emergiu de seus pensamentos e olhou para Luke. — Estava
apenas lembrando de uma vez em que vi o seu pai arremessar alguém
contra uma parede por demonstrar falta de respeito pela Força.
— Não acho que essa seja a abordagem certa a se ter com Han, — disse
Luke com ironia.
— Mas é exatamente a abordagem que se espera que os Jedi tenham
com os Yuuzhan Vong.
— Sim. Pelas mesmas pessoas que temem que nós tomemos conta da
galáxia ou sucumbamos ao lado sombrio.
Mara sorriu de forma morna.
— As coisas não saíram exatamente como planejado, saíram? Mesmo
após o acordo de paz, nunca duvidei que enfrentaríamos desafios e
passaríamos pelas oscilações habituais. Mas eu realmente acreditava que
seríamos capazes de fazer qualquer inimigo da Nova República sair
correndo para se esconder. Agora não tenho tanta certeza.
Luke assentiu, se perguntando se Mara estava se referindo de forma
indireta ao seu próprio inimigo. Se assim fosse, as suas palavras sugeriam
que ela estava perdendo a confiança em sua capacidade de prevalecer.
— Mon Mothma uma vez me perguntou se eu achava que os meus
alunos eventualmente se estabelecessem como um sacerdócio de elite ou
como um grupo de campeões. Os Jedi escolheriam se isolar ou atuar a
serviço dos necessitados? Seríamos parte da cidadania ou estaríamos fora
dela? — Ele estreitou os olhos em recordação. — Ela imaginava Jedi que
estariam dispostos a sujar as mãos, Jedi em todas as áreas da vida,
medicina, direito, política e no exército. Ela via isso como o meu dever de
dar um exemplo, de me tornar um verdadeiro líder em vez de uma mera
figura decorativa.
— E ela seria a primeira a admitir que as suas preocupações eram
infundadas.
— Ela seria? Obi-Wan e Yoda nunca falaram sobre o que o futuro
distante reservava pra mim. Talvez se eu não tivesse passado os últimos
anos tentando aprender como superar os ysalamiri e ajustar o meu sabre de
luz para cortar o minério de cortosis, eu saberia qual o caminho que os Jedi
deveriam seguir agora. É o lado sombrio que chama constantemente por
agressão e vingança, mesmo contra os Yuuzhan Vong. Quanto mais forte
você se torna, mais você é tentado. — Luke olhou para a sua esposa. —
Talvez Jacen esteja certo sobre haver alternativas à luta.
— Ele certamente não herdou isso de seu pai.
— A sua chegada a essa conclusão por conta própria a torna ainda mais
significativa. Ele pensa que eu prestei atenção demais à Força como poder,
em detrimento da compreensão de uma Força mais unificadora.
— Jacen ainda é um jovem.
— Ele é jovem, mas é um pensador profundo. Além disso, ele está
certo. Sempre me preocupei mais com os eventos no aqui e agora do que
com o futuro. Não tenho uma visão de longo prazo, então perco a visão
geral. Tive mais dificuldade em lutar contra mim mesmo do que tive em
lutar contra o meu clone.
Luke se levantou e se dirigiu à janela.
— Os Jedi sempre foram pacificadores. Nunca foram mercenários. É
por isso que eu tentei proteger a nossa independência e nos manter longe de
jurar lealdade à Nova República. Não somos um braço de seu exército, e
nunca seremos.
Mara esperou até ter certeza de que ele havia terminado.
— Você está começando a soar como aquela mulher Fallanassi que te
levou numa corrida louca atrás de sua mãe.
— Akanah Norand Pell, — Luke completou. — Eu gostaria de saber
para onde seu pessoal foi.
Mara resmungou.
— Mesmo se você os encontrasse, não acho que os Yuuzhan Vong serão
tão suscetíveis a ilusões criadas por Fallanassi quanto os Yevetha eram.
— Não julgando pelo que vimos.
Uma risada irônica escapou de Mara.
— Akanah. Akanah, Gaeriel Captison, Callista... os amores perdidos de
Luke Skywalker. Sem mencionar aquela em Folor...
— Fondor, — Luke corrigiu. — E eu nunca estive apaixonado por
Tanith Shire.
— Mesmo assim, você conheceu cada uma delas num momento de
crise.
— Quando não estamos em crise?
— É disso que estou falando. Devo me preocupar que alguém novo
cruzará o seu caminho desta vez?
Luke foi até ela.
— A nossa crise é a que mais me preocupa, — disse ele seriamente. —
Precisamos de uma vitória.

— Quer falar sobre ironia? O meu pai me contou uma história que
aconteceu bem aqui no setor Meridian, talvez há doze anos-padrão.
O capitão Skent Graff, humano e orgulhoso disso, com ombros largos e
um rosto que chamava a atenção, estava meio apoiado no console do
integrador de comunicação e o escâner da ponte apertada da Sossegar
Rápido, com uma perna de bota alta estendida até o chão. O seu público
cativo, encostado em diversos postos de dever, era a meia dúzia que
compunha a tripulação da ponte do cruzador leve. Os postos apitavam e
sinalizavam intermitentemente, e a planta de energia Damoriana da nave
vibrava. As escotilhas inclinadas da embarcação em forma de lingote
olhavam para a Exodo II coberta de nuvens e a sua péssima desculpa de
uma lua, e a alguns anos-luz de distância, as nuvens de poeira luminosa da
Nebulosa Véu de Espelhos.
— Ele está estacionado a bordo da Corbantis, fora da Estação Orbital de
Durren, quando a nave é encarregada de investigar relatos de um ataque
pirata em Ampliquen. Na verdade, ninguém sabia ao certo se eram piratas
ou forças de Budpock violando um acordo de trégua, mas, na verdade, tudo
acabou sendo uma farsa engendrada pela Loronar Corp, um contingente de
imperiais e um cara chamado Ashgad, que estava tentando espalhar uma
praga por todo este setor.
— A praga da Semente da Morte, — disse a jovem Sullustana no
computador de navegação.
— Dê a uma dama um baseado de glitterstim, — disse Graff de bom
humor. — Ela conhece a sua história. Enfim, a Corbantis nunca chega a
Ampliquen. Ele é atingido por um bando de mísseis inteligentes da Loronar
e deixado para morrer num abismo de gelo em Damonite Yors-B, não muito
longe daqui, na medida em que o mynock voa. Mas então, aparece Han
Solo e o seu amigo Wookiee...
— Que só estava passando pela vizinhança? — perguntou o oficial de
comunicações.
— Na verdade, eles estavam procurando a Chefe de Estado Leia Organa
Solo, que havia desaparecido, mas isso não vem ao caso. — Graff apoiou o
seu cotovelo num droide da série R desativado preso à parede. — Solo e o
Wookiee investigam a Corbantis e encontram dezessete sobreviventes
gravemente queimados por radiação, um dos quais era o meu pai, e os
levam para a instalação médica do setor em Bagsho, em Nim Drovis. Na
época, o lugar estava sendo administrado por um médico Ho’Din bem
conhecido, não consigo lembrar o seu nome, Oolups ou Ooploss, algo
assim, e Ooploss fez tudo que pôde por seus pacientes. O problema era que
a instalação médica estava tão superlotada que alguns dos sobreviventes
tiveram que ser realocados para os setores de bacta no anexo. E o que você
acha que aconteceu?
— Eles contraíram a praga da Semente da Morte, — aventurou o
navegador.
Graff assentiu.
— Eles contraíram a praga da Semente da Morte. O que só mostra que
mesmo quando você acha que escapou das probabilidades, você ainda é
uma estatística esperando pra acontecer.
— E agora aqui está você, todos esses anos depois, — disse o
navegador, — de volta ao mesmo lugar onde o seu pai estava, tornando o
espaço local seguro para os embaladores zwil de Drovis.
— Zwil? — disse o Twi’lek em serviço na estação de avaliação de
ameaças.
— Uma espécie de narcótico, — disse Graff.
A boca recurvada do navegador se torceu num sorriso.
— Para aqueles com tubos de respiração revestidos de membrana largos
o suficiente para...
— Capitão, — interrompeu o oficial de comunicações. — Durren relata
que o seu orbe de hiperespaço detectou um evento de radiação Cronau em
nosso setor. A confiança é alta de que uma grande nave reverteu para o
espaço real. Os interrogadores estão aguardando um retorno de resposta de
voz.
Graff se levantou rapidamente e se apressou para a sua cadeira giratória.
— Temos contato visual?
— Não ainda, senhor. O evento está bem fora do nosso alcance de
sensores.
Graff se virou para o oficial de comunicações.
— Prepare o esquadrão Desafio e vá para a condição de combate geral.
Sirenes ecoaram por toda a nave, e uma luz grená começou a preencher
a ponte.
O oficial de comunicações olhou por cima do ombro para Graff.
— Senhor, a estação técnica da frente informa que as contramedidas
estão ativas, escudos levantados e totalmente carregados.
— Dados sobre o evento chegando, — disse o marinheiro alistado. — A
nave é uma quantidade desconhecida. Os computadores de radar e imagem
a laser estão compilando um retrato.
Graff se virou para encarar o holo termógrafo, onde a imagem espectral
de um enorme poliedro facetado, preto como ônix, já estava tomando
forma.
— Yuuzhan Vong?
— Desconhecido, senhor, — disse o marinheiro alistado. — Não
corresponde a nada em nossos bancos de dados.
— Movam-nos pra fora da órbita estacionária.
— Senhor, os perfis de propulsão do intruso correspondem aos de uma
embarcação da flotilha inimiga que atacou Obroa-skai.
— O esquadrão Desafio está saindo, movendo-se para posição de
reconhecimento.
— Alguma comunicação da nave Yuuzhan Vong? — Graff perguntou.
— Negativo, senhor. Não, espere. Os escâneres agora mostram duas
naves.
Novamente, Graff se virou para encarar o holo termógrafo, onde um
segundo poliedro menor estava se formando ao lado do original.
— Aquilo é uma nova chegada ou estamos observando algum tipo de
mitose?
— Parece ser um componente da nave maior, senhor. A nave um está
mudando de curso, apontando para a Estação Orbital de Durren. O módulo
está acelerando para interceptar nossos caças estelares. Desafio está
rompendo a formação, se dividindo em elementos de ataque.
— Conecte-me ao líder do Desafio, — ordenou Graff ao oficial de
comunicações.
— O líder do Desafio está conectado, — disse a mulher.
— Desafio Um, você pode nos mostrar o que está vendo?
Transmitido pelo anunciante da rede de comando, a voz do líder do
esquadrão soava fina e era interrompida por estalos de estática.
— Transmitindo. Parece que o maior anel decodificador da galáxia
perdeu a sua pedra.
— Você viu aquela coisa? — comentou alguém na ponte enquanto uma
imagem em tempo real substituía a holo simulação.
— Senhor, massa bioenergética se acumulando na nave menor. Eles nos
têm na mira.
Graff acionou o cinto de segurança da cadeira.
— Preparem-se para o impacto.
Uma luz dourada ofuscante encheu as janelas frontais da Sossegar
Rápido. A nave tremeu como se tivesse sido agarrada e sacudida por uma
mão gigante.
— Energia de plasma, — relatou o marinheiro alistado. — Consistente
com armas de longo alcance dos Yuuzhan Vong. Sem danos aos sistemas
vitais. Os escudos estão segurando.
— Distância?
— A nave secundária está se movendo para a distância de ataque,
senhor.
Graff deu um puxão em sua boina de comandante.
— Diga ao esquadrão Desafio para se manter afastado. Baterias
principais à estibordo, fiquem prontos para retornar o fogo.
Uma nave classe Proficiente de design Corelliano, a Sossegar Rápido
tinha 850 metros de comprimento, mas com apenas dez turbolasers pesados
e vinte canhões de íons, sua capacidade de fogo era limitada. Parte da
compartimentação que originalmente reforçava o casco do cruzador foi
removida para criar uma doca para caças estelares, mas mesmo com os
caças, a nave de nariz afilado permanecia uma arma auxiliar.
— Desafio está livre, senhor.
Graff assentiu.
— Preparem torpedos de próton. Configure para detonação ao primeiro
sinal de anomalias gravitacionais.
— Senhor, torpedos estão armados conforme o novo protocolo.
— Preparem turbolasers de estibordo, — ordenou Graff.
— Senhor, turbolasers ativados.
Graff olhou para o oficial de armamentos.
— Se aquela 'pedra' funcionar como esperado, ela irá absorver os
torpedos, mas os lasers têm uma boa chance de acerto.
— Entendido, capitão.
Graff girou a sua cadeira.
— Baterias principais, disparar.
Projéteis ofuscantes dispararam para o espaço, seguidos por lanças de
luz azul-esverdeada, convergindo à distância em brilhos radiantes e
estroboscópicos.
— Acerto direto.
— Fogo, — repetiu Graff.
Novamente, torpedos e luz coerente dispararam da nave e explosões
cercaram a nave inimiga, competindo com as estrelas em brilho.
— Cessar fogo. — Graff olhou para o seu oficial executivo. — Vamos
torcer para que isso tenha amenizado a situação. Comandante, diga ao
Desafio para iniciar o seu ataque.
O oficial executivo retransmitiu a ordem pela rede de comando. Na tela
principal da ponte, vistas ampliadas mostraram X-Wings T-65A3 e B-
Wings E2 iniciando ataques contra a nave incrustada. Explosões de laser
escarlate saíam dos canhões nas pontas das asas dos caças, e torpedos de
próton disparados pelos B-Wings deixavam trilhas radiantes e rosas através
do espaço. Mas a nave inimiga simplesmente absorveu a energia e
respondeu ao ataque com gêiseres de rocha derretida. Resumindo pedaços
de vidro espelhado, facetas individuais do casco brilharam e depois se
apagaram, tornando-se negras como o fundo da nave.
— Sossegar Rápido, essa coisa está indo por trás de nossos escudos, —
reportou Desafio Um um momento depois.
— Desafio Um, ordene os seus caças para expandirem o campo dos
compensadores inerciais e trocarem para novos protocolos de varredura e
mira. E fiquem de olho nos coralskippers.
— Já feito, Sossegar Rápido. Mas os escudos não podem ser
expandidos o suficiente para compensar o poder de atração da nave de
guerra.
— Escudos abaixados, — disse outra voz. — Desconectando.
— Fique com os seus companheiros de esquadrilha, — gritou Desafio
Um. — Mantenha os seus lasers em ciclo rápido.
— O compensador está falhando. Abortando ataque.
— Cuidado com a sua retaguarda, Desafio Oito!
— Capitão, energia se acumulando na nave Yuuzhan Vong.
Graff se virou para o seu oficial executivo.
— Instrua ao Desafio a abortar.
— A nave inimiga está disparando.
Na tela principal, o holo em tempo real mostrava três caças estelares
desaparecerem em explosões fugazes. Um senso de urgência pontuou as
palavras de Desafio Um pela rede.
— Estamos tendo baixas, Dois, Quatro e Cinco. Ainda não conseguimos
obter uma localização para o dovin basal ou posicionamentos de armas.
— Do que ele está falando? — Graff perguntou de forma brusca.
O Twi'lek, com a sua classificação de alistado, virou as suas cabeças-
caudas sobre os seus ombros e estudou as telas dos consoles.
— O computador de análise de batalha está trabalhando nisso, senhor.
As armas inimigas e os projetores de singularidade parecem ser móveis.
Senhor, é como se todo o casco fosse capaz de disparar e criar anomalias
gravitacionais.
— Capitão, o módulo mirou em nós novamente.
Não havia se passado muito tempo desde que as palavras saíram da
boca do oficial de comunicações quando o cruzador foi abalado por um
golpe poderoso. A iluminação da ponte diminuiu, depois se iluminou
novamente, e eletricidade azul dançou sobre um dos consoles. Vibrando
livre de seu suporte magnético na parede, o droide da série R inclinou-se
pra frente e caiu no chão. Ventiladores se ligaram, exaurindo fumaça da
área.
— Relatório de danos chegando da estação técnica frontal. O gerador de
energia número dois está fora de serviço. Os escudos defletores estão em
nível periférico.
— Ordene ao Desafio para se reagrupar e recuar, — disse Graff
rapidamente. — Alerta as equipes de colisão e recuperação para se
prepararem. Controle de fogo: esteja preparado para coordenar os
turbolasers e canhões de íon frontais. Quero um disparo contínuo para
varrer aquela nave de ponta a ponta. — Um olhar para a tela mostrou o que
restava do esquadrão Desafio fugindo para salvar a suas vidas. — Fogo!
Mais uma vez, energia disparou da nave, mas não houve brilhos
indicativos a seguir.
Graff estudou a tela.
— Erramos? — ele perguntou, incrédulo.
— Negativo, senhor. A embarcação inimiga parece ter absorvido a
energia.
— Todos os canhões, — disse Graff. — Fogo!
A luz pintou o espaço local com tal intensidade que todos na ponte
tiveram que se desviar dos visores. Era como se a Sossegar Rápido tivesse
sido atingido no queixo por um punho pesado e estivesse vendo estrelas.
— A nave inimiga está alterando o curso, tomando ação evasiva.
— Todos os canhões, fogo! — Graff gritou.
— Vários impactos diretos. Evidências de destroços. O inimigo está
alterando a course novamente, a velocidade está diminuindo.
Graff se virou para o navegador.
— Mantenha a perseguição. Continue em cima dele!
Então, sem aviso, uma enorme explosão irrompeu à distância, saturando
as telas de exibição com luz branca. Quando Graff pôde, olhou pela janela,
mas não conseguiu ver sinal da nave Yuuzhan Vong.
— Onde ela foi? Ela fez um salto?
— Negativo, senhor, — disse o soldado. — Os destroços são
consistentes com um aniquilamento total.
Um brado espontâneo surgiu da equipe da ponte.
— Silêncio! — Graff gritou. — Tivemos sorte, ou descobrimos um
ponto fraco?
— Desconhecido, senhor, mas a embarcação está completamente
destruída. Devemos tê-la sobrecarregado. A nave que gerou o módulo está
se afastando da Estação Orbital Durren, em máxima velocidade.
Graff removeu o chapéu e coçou a cabeça.
— Eu não entendo.
— Capitão, o Desafio líder reporta que a embarcação destruída ejetou
um pod de escape. O pod deve entrar na faixa visual a qualquer momento.
Graff se virou para a tela.
— Ampliação total.
O navegador apontou para um brilho de luz em movimento rápido.
— Lá está, senhor.
Graff viu o que parecia ser um asteroide cilíndrico, longe de casa, uma
pequena parte de sua superfície traseira facetada.
— Qual é a sua rota?
— Rumo a Exodo II.
— Não seria a minha primeira escolha, — observou Graff.
— A rota atual a levará apenas à distância do raio trator número dois.
Graff lançou um olhar para o seu oficial executivo.
— Pode ser uma armadilha, senhor. Algum tipo de bomba dormente.
Graff acenou sombriamente.
— Ative o raio trator, mas apenas para manter aquela coisa afastada.
Comandante, alerte ao Desafio. Diga a eles para escanearem em busca de
qualquer evidência de armas, mas para manter distância. Mesmo que se
prove inofensivo, não quero que esteja em nenhum lugar perto desta nave.
E conecte-me ao escritório da frota.
Uma nova voz estalou do alto-falante.
— Sossegar Rápido, aqui é o Desafio Três. É definitivamente um pod
de escape, provavelmente de coral yorik. Negativo para armamentos, mas
registrando leituras de vida. Não é maior que um speeder. Retropropulsores
de dovin basal rudimentares e controle de atitude. Canopi facetada, mas
transparente. Como uma folha de mica. Solicito permissão para investigar
de perto.
Graff ponderou por um momento, então disse:
— Desafio Três, você está autorizado a investigar. Mas fique alerta.
— Afirmativo, Sossegar Rápido, mantendo-se alerta.
Ninguém falou por um longo momento. Então o alto-falante voltou a
vida.
— Sossegar Rápido, eu dei uma olhada no interior. Parece haver dois,
repito, dois ocupantes. Um parece ser feminino. O outro... Bem, senhor, o
outro é incerto.
Capítulo 7

Em Coruscant, Han entrou apreensivamente na Doca de Ancoragem da


Eastport 3733 e pegou a barra iluminadora montada na parede. Um anel de
luz concêntrico ao aro interior da cúpula da estação de pouso se iluminou,
banhando a Millennium Falcon numa luz intensa. Conectado a vários
dispositivos de diagnóstico e monitoramento, a nave parecia um paciente
em suporte vital. O anel de luz zumbia alto, e o ar cheirava levemente a
ozônio. O chão era uma tela de derramamentos de lubrificante, marcas de
queimadura e respingos de tinta.
A baía 3733 foi alugada a um tal Vyyk Drago, mas apesar das tentativas
de Han de manter uma discrição, quase todos no distrito administrativo de
Coruscant sabiam que a Falcon estava atracada lá. Ao pousar a nave uma
semana antes, Jaina acertou o círculo de pouso vermelho desbotado do
permacreto. Após o que aconteceu em Kashyyyk, Han levou esse tempo
todo para reunir coragem para visitar. Três dias a bordo de um cargueiro
dilapidado não ajudaram em nada.
Aproximando-se da Falcon de frente, com as suas mandíbulas
quadradas apontadas pra ele, lembrou-se de sua primeira visão da nave no
mundo Hutt de Nar Shaddaa quase trinta anos atrás. Ela era então
propriedade de Lando, que a ganhara, assim a história conta, num jogo de
sabacc na Cidade das Nuvens de Bespin. Embora já tivesse visto inúmeros
YT-1300s Corellianos, foi amor à primeira vista para Han, pois havia algo
singular na Falcon. Além de prometer velocidade e manobrabilidade
incríveis, a nave era feita para aventura e orgulhava-se de seu passado
visivelmente manchado. Han decidiu que ela seria sua, de uma forma ou de
outra.
Ironicamente, a chance surgiu na Cidade das Nuvens, durante um
torneio de sabacc de eliminação que durou quatro dias e que encontrou
Lando e Han se enfrentando, com Han segurando uma mão de sabacc puro
contra o blefe de Lando de uma combinação vencedora da mão do idiota.
Com falta de créditos, Lando ofereceu um marcador, válido para qualquer
nave em seu lote, que Han aceitou ansiosamente. Desanimado com a vitória
de Han, Lando tentou manobrá-lo para selecionar um YT-2400 de modelo
mais novo, mas Han escolheu a Falcon.
Ainda saboreava as memórias de seus primeiros momentos na cadeira
do piloto, maravilhado com o poder de seus motores subluz e a resposta de
seu hiperdrive de grau militar. Ela tinha velocidade, isso era certo, mas
precisava de potência e furtividade. Assim começou um processo de
adaptação e atualização que continuaria por vinte anos. Pro Han, a Falcon
era uma obra em andamento, uma obra de arte, nunca a ser completada.
Ao longo desses anos, protegeu-a com a sua vida, preocupando-se com
ela como apenas um pai faria, sentindo a sua falta como apenas um cônjuge
poderia. Houve a vez em que Egome Fass e J’uoch a roubaram em Dellalt;
a vez em que a Falcon se agarrou à torre de comando traseira do Star
Destroier Vingador; a vez em que Lando e Nien Nunb a pilotaram contra a
segunda Estrela da Morte...
A tarefa de Mara de fazer a sua querida Fogo de Jade colidir contra
uma fortaleza em Nirauan há alguns anos foi uma decisão que nunca
entenderia.
Circulando em torno da nave agora, Han ainda conseguia identificar
sinais de algumas das modificações que ele e outros haviam feito. No
espaço de Shug Ninx, na seção Corelliana de Nar Shaddaa, Han e Chewie
instalaram uma rectenna de grau militar, um canhão laser quádruplo ventral
e lançadores de mísseis de concussão entre as mandíbulas. Shug havia
macro fundido ao casco, logo atrás do braço de acoplamento estibordo, uma
pequena chapa de blindagem do Star Destroier Liquidante.
Graças a um grupo de técnicos fora da lei que operavam no Setor
Corporativo, a Falcon logo exibia escudos defensivos aumentados,
compensadores de aceleração de alta resistência, portas de propulsão de
tamanho excessivo e um conjunto de sensores de última geração. Naquela
época, a nave tinha a distinção de violar a Lista de Isenções do Perfil de
Desempenho da Autoridade do Setor Corporativo em mais maneiras do que
qualquer nave de sua classe.
Enquanto a Falcon estava em Kashyyyk durante a crise dos Yevethan,
Jowdrrl havia adaptado um quarteto de painéis transparentes de transdutor
óptico para melhorar a visibilidade à esquerda e atrás. O primo de Chewie
também projetou os controladores de tiro com rastreamento automático para
as torres de canhão.
Mais recentemente, à medida que as hostilidades com facções imperiais
remanescentes começaram a diminuir, e sem culpa de Han, a Falcon
lentamente se tornou uma nave mais gentil e amável. A manutenção
rotineira nas mãos de um chefe de estaleiro bem-intencionado, mas
atrapalhado, em Coruscant resultou numa quase restauração. Cabos foram
etiquetados e agrupados, mecânicos montados em suportes de choque,
elétricos aterrados e protegidos por pulso. Um aumentador da Sistemas
Sienar foi adicionado à matriz de propulsão, um gerador Mark 7 ao
conjunto de raio trator, um motivador da Série 401 ao hiperdrive. Lentes de
sensores foram substituídas, amassados foram alisados, compartimentos
foram recarpetados... Han quase enlouqueceu.
Gostava que a nave exibisse todas as batidas e contusões que a
moldaram, assim como poderia ter exibido, se não fosse pelos tratamentos
de bacta e pela pele sintética. Às vezes se perguntava como poderia ser se
tivesse deixado todas as feridas cicatrizarem como a que tinha no queixo,
resultado de um corte de faca recebido em outra vida.
No entanto, o dano final à Falcon foi feito há apenas seis meses, com a
morte de Chewie. O que ela carecia agora, e que provavelmente a manteria
no chão por um tempo indeterminado, nenhuma modificação poderia
compensar.
Dominado por uma súbita tristeza, Han ficou imóvel abaixo do anel de
acoplamento hexagonal à estibordo, perdido no tempo. A Falcon estava tão
carregada de memórias, tão crônica de suas e das aventuras e desventuras
de Chewie, que mal conseguia se trazer a olhar pra ela, quanto mais a
embarcar. Mas, após um momento, inseriu um código de autorização num
controle remoto portátil, e a rampa da nave desceu em sua direção, como se
o desafiasse a entrar.
Quando o fez, era como um homem reaprendendo a andar.
A rampa levava diretamente ao corredor circular da nave. Han parou na
interseção e passou a mão sobre o acolchoado agora impecável do corredor.
Nos últimos cinco anos, a Falcon se tornara uma nave tão elegante. A grade
do piso havia sido reposta, as luzes internas funcionavam, e havia sempre
comida na cozinha e algo perfumado no ar. Uma vez utilizada para esconder
cargas de especiarias ou pessoal, os compartimentos de contrabando
blindados logo à frente do corredor para a escada recentemente abrigavam
bagagens para passeios em família, ou peças de arte folclórica que Leia
comprou para a sua casa em Coruscant.
Han passou pelo conector da cabine e se aprofundou na nave. Um ano
antes, pensando vagamente em retornar a Falcon ao estado original, havia
começado a remover muitos dos adicionais. O YT-1300 era um clássico,
afinal, quase tão valioso quanto um item de coleção como o Nubiano do
tipo J-327. E por todas as suas batidas, rangidos e marcas de carbono, ela
estava em excelente estado, sem mencionar o seu considerável interesse
histórico.
Uma das primeiras coisas a serem removidas foram os lançadores de
mísseis de concussão nas mandíbulas, que sempre interferiram na operação
de carregamento das mandíbulas de carga. Mas isso, é claro, foi antes que
os Yuuzhan Vong aparecessem do nada para apresentar à galáxia uma nova
e terrível ameaça. Quem poderia dizer quantos, além de Chewie, teriam
morrido na Orla Exterior se ele tivesse removido os lasers quádruplos.
Han desceu para o compartimento principal de carga à frente e se sentou
desanimado na cadeira giratória do console de engenharia. Um novo carpete
chamativo cobria tanto as placas de metal liso do convés quanto a grade a
bombordo, outra acomodação para as viagens em família. Foi daqui que
assistiu Luke praticar a técnica de sabre de luz contra um droide remoto
punitivo. Virou-se para encarar o tabuleiro do jogo holográfico de dejarik,
no qual Chewie havia passado inúmeras horas, e ao redor do qual, apenas
alguns anos antes, Leia, o Almirante Pellaeon e o falecido Elegos A’Kla
haviam conversado sobre paz.
Han arrastou a mão pelo rosto, como se quisesse apagar as memórias
que surgiam involuntariamente, então se levantou, atravessou o
compartimento e subiu para a sala de circuitos ou manutenção. Aqui, ele e
Leia compartilharam o seu primeiro beijo, apenas para serem abruptamente
interrompidos por C-3PO, anunciando que havia localizado o acoplamento
de fluxo de potência reverso ou alguma coisa blasted.
Milhões de anos antes, Han disse si mesmo.
Esquivando-se para a parte de trás, emergiu da baia no corredor a
bombordo, oposto ao dormitório onde Luke havia se recuperado após
perder a mão para o sabre de luz de seu pai.
O corredor passava sob a canalização do núcleo de energia e os dutos de
exaustão em direção ao compartimento principal traseiro, que havia visto
mais alterações do que qualquer outra parte da nave. Reduzido em tamanho
para acomodar o hiperdrive, o compartimento havia sido dividido de
diversas maneiras. Um suposto traficante de escravos chamado Zlarb teve
um fim sombrio aqui atrás.
A localização dos pods de escape não havia mudado desde os dias do
Setor Corporativo, mas os pods em forma de cápsula originais, acessados
por meio de grades articuladas, foram substituídos por esféricos equipados
com chaves iris chamativas.
Entrando no corredor traseiro à estibordo e avançando, Han passou pelo
dormitório que costumava usar como seus aposentos pessoais, e dentro do
qual quase teve um confronto com Gallandro, então o atirador mais rápido
da galáxia.
Agora morto, como tantos outros dos dias de glória.
Han abriu os braços numa passagem na parede interna e se inclinou para
a cozinha. Rindo pra si mesmo, lembrou-se de preparar pudim em conchas
de cora e língua de aric temperada para Leia, quando a levou para Dathomir
durante a sua paquera muito equivocada.
Mais alguns passos o trouxeram de volta ao braço de acoplamento. Mas,
em vez de sair, Han continuou em direção à cabine e entrou relutantemente.
Atravessando entre os dois bancos traseiros, apoiou-se de braços estendidos
no console e olhou através da janela em forma de leque para as prateleiras
de peças sobressalentes que ele e Chewie haviam erguido na parede da baía
de acoplamento apenas um ano antes.
Por fim, deixou-se cair na cadeira de copiloto ampla e sentou-se por um
longo tempo com os olhos fechados e com os pensamentos desligados.
Um mês antes, Chewie ainda parecia tão vivo para ele que ele quase
podia ouvir o som dos gritos irritados ou risadas felizes do Wookiee
reverberando na baía de acoplamento. Sentado na cadeira do piloto, Han
olhava pra direita, e lá estava Chewie, observando-o sardonicamente com
os braços cruzados sobre o peito ou as patas entrelaçadas atrás da cabeça.
Chewie não era o único alienígena com quem ele havia voado; houve o
Togoriano Muuurgh nos anos de Ylesia, mas o Wookiee tinha sido o seu
único verdadeiro parceiro, e ele não conseguia imaginar pilotar a Falcon
com mais ninguém. Assim, ele poderia ou armazená-la, como havia feito
com a sua arma de lado BlasTech, ou doá-la ao Museu da Guerra da
Aliança em Coruscant, como os persistentes curadores o estavam instando a
fazer há quinze anos.
Um museu provavelmente era onde ele pertencia também, Han se disse.
Assim como a Falcon, ele fazia parte do passado e de pouco uso para
qualquer um agora.
Ele suspirou pesadamente. A vida era como um jogo de sabacc: as
cartas podiam mudar aleatoriamente, e o que você achava que era uma mão
vencedora podia acabar fazendo você perder a aposta.
Instintivamente, alcançou o console de controle em busca da garrafa
metálica de suco de jato destilado a vácuo que ele e Chewie costumavam
manter ali, mas ela não estava lá, colocada em outro lugar por uma das
crianças ou furtada por algum mecânico desonesto.
A sua leve decepção rapidamente se transformou numa raiva amarga, e
bateu repetidamente a borda do punho direito no console até que a sua mão
ficou dormente. Então, baixou a cabeça sobre os braços cruzados e deixou
as lágrimas fluírem.
— Ah, Chewie, — disse ele em voz alta.

Han estava a caminho do centro de transporte de Eastport quando uma voz


por trás dele gritou:
— Espertalhão!
Sem desacelerar, olhou por cima do ombro, então parou abruptamente
na via expressa e se virou, sorrindo de orelha a orelha.
— Agora esse é um nome que não ouço há muito tempo, — disse ele ao
humano atarracado e grisalho que se apressava para alcançá-lo.
O homem segurou a mão estendida de Han e o puxou para um abraço
amistoso. Quando se separaram, Han ainda sorria amplamente.
— Quanto tempo se passou, Roa, trinta anos?
— Não posso dizer exatamente quando, mas posso dizer onde. Terminal
de partidas do Espaçoporto de Roonadan, no Setor Corporativo. Você e uma
linda jovem de cabelos escuros estavam esperando para embarcar na Lady
de Mindor para Ammuud, se não me engano.
— Fiolla de Lorrd, — disse Han, como se estivesse puxando o nome do
ar. Ele gesticulou com o queixo na direção de Roa. — Você estava usando
um traje branco, com algum tipo de faixa colorida...
— E você, meu jovem amigo, estava com uma expressão especialmente
cautelosa. — Os olhos azuis de Roa, com lágrimas, brilhavam. — Você me
disse que tinha saído do negócio, dirigindo uma agência de cobrança. Han
Solo Associados, não era? A próxima coisa que ouvi foi que você ganhou a
Batalha de Yavin sozinho.
— Não é verdade, — disse Han, — eu tive ajuda.
Roa acariciou o queixo bem feito.
— Vamos ver, então ouvi que você havia sido envolto em carbonita,
para a posteridade, suponho na época.
Han estreitou os olhos.
— Na verdade, eu estava pensando em comercializar moldes de mim
mesmo.
Roa riu, então lhe lançou um olhar de leve repreensão.
— Eu te avisei sobre trabalhar com os Hutts.
— Você deveria ter avisado ao Jabba sobre trabalhar comigo.
Han avaliou o traje Askajiano de Roa, as botas bainha cromada até os
tornozelos e os anéis que brilhavam nos mindinhos de suas mãos
rechonchudas. Roa já era o velho sábio do comércio de contrabando quando
o falecido Mako Spince o apresentou a Han em Nar Shaddaa. Honrado,
bem-humorado e generoso ao extremo, Roa lançou muitos jovens fora da
lei no negócio, incluindo Han, que Roa havia levado em seu primeiro
Percurso de Kessel. Han até trabalhou pra ele por um tempo, e junto com
Chewie, Lando, Salla Zend e alguns dos outros frequentadores de Nar
Shaddaa, compareceu ao casamento de Roa, após o qual o velho se
aposentou do contrabando, a pedido de sua esposa.
— Então, você ainda está no comércio de importação e exportação?
— Vendi tudo, há quase dez anos.
Han o estudou um pouco mais.
— Roa, você não parece ter envelhecido um dia desde Roonadan.
— Nem você, — disse Roa, quase convincente.
Han sorriu de lado e bateu o dedo indicador contra os dentes da frente.
— Regenerado. — Ele tocou o nariz. — Quebrado e reparado tantas
vezes que quase não resta tecido original. Além disso, o meu rosto está todo
desregulado. Este olho é mais alto que o outro.
— E você acha que minha aparência jovem é natural? — Roa perguntou
teatralmente.
— Não me diga, você é um clone, certo?
Roa riu.
— A próxima melhor coisa: terapia de rejuvenescimento, acompanhada
de algum myostim diário. — Ele exibiu um perfil nobre. — Instrui os
médicosméticos a deixarem apenas o suficiente de idade para que eu pareça
distinto.
— E você parece, seu velho canalha.
— Além disso, os tratamentos foram ideia de Lwyll, em sua maioria.
Han teve uma imagem da esposa de Roa, elegante, de voz rica e cabelos
loiros.
— Como ela está?
Roa sorriu fracamente.
— Ela morreu há alguns meses.
Os lábios de Han se tornaram uma linha fina.
— Sinto muito por ouvir isso, Roa.
Roa não respondeu imediatamente.
— E eu lamento saber sobre Chewbacca, Han. Na verdade, tentei obter
autorização para visitar Kashyyyk para o memorial, mas você sabe como os
Wookiees podem ser sobre conceder permissão a humanos.
Han acenou com a cabeça.
— Eles têm uma memória longa para o que o Império fez a eles.
— Quem não tem.
Han ficou quieto por um momento.
— Então, o que te traz a Coruscant? Pensei que você gostasse de espaço
aberto.
Os olhos de Roa se moveram rapidamente.
— Para te dizer a verdade, Han, você. Você é a razão pela qual estou
aqui.
Han sentiu um calafrio passar por ele. Por causa de uma série de
encontros inesperados com Roa ao longo dos anos, em lugares afastados
como Nar Shaddaa e Roonadan, o velho se tornara uma daquelas pessoas
que faziam Han se perguntar se a galáxia não era muito menor do que havia
sido levado a acreditar, independentemente de suas próprias viagens.
— De alguma forma, eu esperava que você dissesse isso, — disse ele,
por fim.
Roa colocou as mãos nos ombros de Han.
— O que você acha de irmos a algum lugar onde possamos conversar?
Han assentiu.
— Há um restaurante no centro de transporte.
Eles andaram pela via expressa interna, falando sobre os velhos amigos,
Vonzel, Tregga, Sonniod, as gêmeas Briil e lugares familiares, embora Han
estivesse claramente preocupado. Todos esses anos depois, ainda podia
recitar as Regras de Roa: nunca ignore um pedido de ajuda; tire apenas de
quem é mais rico que você; não jogue sabacc a menos que esteja preparado
pra perder; não pilote uma nave sob influência; e esteja sempre preparado
pra uma fuga rápida, mas isso não significava que confiava em Roa
incondicionalmente.
No Saguão do Viajante, um droide de cortesia os levou a uma mesa no
pátio, onde um grupo de Duros e Gotals assistia a uma partida de shockball
na HoloNet. Versões insípidas de clássicos de jizz de vinte anos flutuavam
de emissores invisíveis. Por conta do passado, Han e Roa pediram canecos
de cerveja ebla, uma exportação de Bonadan. Na metade do primeiro
caneco, Han perguntou sobre o propósito da visita de Roa.
— Justo, — disse Roa, colocando o caneco na mesa e secando a boca.
— Você se lembra de um contrabandista dos velhos tempos chamado Reck
Desh?
Han pensou por um momento e sorriu.
— Cara alto e magro. Apreciava marcas corporais, brincos, eletro joias.
Chewbacca e eu trabalhamos com ele num pequeno serviço pra você,
transportando água mineral R’alla para Rampa. — Seu sorriso se ampliou.
— A Falcon estava sendo consertada pelo Doutor Vandangante, então você
nos emprestou a sua nave, a Andarilho. Reck afirmava que ela era mais
rápida que a Falcon, e após a corrida pelos Rios de Rampa, nós corremos
por cinquenta caixas de cerveja de Gizer.
— Que você e o Wook ganharam fácil.
Han acenou com a cabeça.
— Reck era um navegador decente, mas nunca me impressionou como
piloto.
Roa tomou um gole e lambeu os lábios.
— Às vezes você só conhece um soldado quando ele se torna um
oficial.
— Significa o quê?
— Reck se virou.
— Virou-se para quem?
— Para o inimigo, Han, — disse Roa, inclinando-se para a frente. — Ou
pelo menos para um grupo de mercenários que trabalham para os Yuuzhan
Vong.
— Isso não pode estar certo. Reck não era do tipo traidor. Além disso,
ele e Chewie se davam muito bem. De jeito nenhum Reck teria qualquer
envolvimento com os Vong depois do que fizeram com Chewie.
— Talvez ele não tenha ouvido sobre Chewie. Ou talvez os créditos
sejam bons demais. — Roa fez uma pausa breve. — O grupo com o qual
Reck se envolveu se chama Brigada da Paz. A informação é que eles estão
incitando sentimentos anti Jedi e explorando mundos onde os Yuuzhan
Vong podem repetir o que fizeram em Sernpidal.
Os olhos de Han se estreitaram de irritação.
— Por que você está me dizendo isso, Roa?
Roa baixou o olhar.
— Porque Lwyll morreu num dos mundos que a Brigada da Paz
preparou para o ataque.
A voz de Han o abandonou. Encarou o seu velho amigo.
— Se tivéssemos partido um dia antes, — continuou Roa, sem olhar
para Han. — Mas eu tive que cuidar de alguns negócios. — Ele riu
brevemente e de forma amarga, depois olhou para Han, com os olhos
úmidos. — Sempre negócios. Lwyll morreu na primeira onda dos Yuuzhan
Vong. Eu fui um dos poucos que saíram vivos.
Han apertou os olhos e bateu a borda da mão contra a mesa. Mas,
quando levantou os olhos para Roa, sua raiva foi atenuada pela
compreensão.
— Então a sua vinda aqui, isso é tanto entre você e Reck quanto entre
você e eu.
Roa manteve o olhar polar de Han.
— Eu não quero que ninguém mais sofra por causa do que Reck e os
seus comparsas estão fazendo. Os Yuuzhan Vong são mestres em causar
tragédias sem a ajuda da Brigada da Paz. Se eu pudesse lidar com Reck
sozinho, o faria, mas estou mais frágil do que pareço, Han.
— É, e quem melhor pra te ajudar do que eu, hein? Um cara que acaba
de perder o seu parceiro.
— Pra ser direto: sim.
Han resmungou.
— Nunca ignore um pedido de ajuda, certo, Roa? — Ele se levantou e
caminhou até as grandes janelas que davam para as zonas de decolagem do
espaçoporto. Não havia um momento em que alguma nave não estivesse
partindo para algum lugar. Quando voltou à mesa, girou a cadeira e se
sentou de lado.
— Onde estão Reck e a sua equipe agora? — ele perguntou em voz
baixa.
— Não sei, Han. Mas sei onde poderíamos ir para descobrir. A primeira
parada seria...
Han ergueu as mãos.
— Não diga nada. Se eu não souber pra onde estamos indo, então não
posso contar a ninguém.
— Teríamos que sair enquanto o cheiro está fresco, — disse Roa.
Han puxou o lábio inferior e pensou por um momento.
— A sua nave está aqui?
Roa pareceu surpreso.
— Claro. Mas você quer que eu pilote por você ? Agora isso é uma
mudança.
— Sim ou não, Roa?
Roa fez um gesto conciliador.
— Não me entenda mal, filho, estou mais do que feliz em atender. Eu só
naturalmente imaginei que você quisesse levar a Falcon.
Han balançou a cabeça.
— Como um droide ocasionalmente de bocudo que conheci uma vez
disse, a Falcon é melhor configurada pra fugir do que para o combate. E
além disso, ela se tornou uma nave fantasma.
Capítulo 8

— Posturas agressivas são um tanto problemáticas quando você não tem a


menor ideia do plano de batalha do seu inimigo, — disse o Coronel Ixidro
Legorburu aos comandantes da Força de Defesa da Nova República e a uma
mistura de oficiais de alta patente. — Só agora, com a queda de trinta
sistemas planetários, a destruição de Helska, Sernpidal e Ithor, e a mais
recente perda de Obroa-skai, estamos começando a ter alguma noção do
caminho que os Yuuzhan Vong estão determinados a atravessar a galáxia.
A criação de Legorburu em M'haeli, uma região agrária, escondia uma
mente perspicaz e um intelecto urbano. Um ex-oficial de inteligência, ele
havia atuado como assistente estrategista durante a crise de Yevethan e
desde então foi promovido a diretor da Divisão de Avaliação de Batalha da
Frota Doméstica.
— Deixe-me enfatizar, porém, que a estratégia subjacente à incursão
deles continua sendo tão misteriosa quanto o seu objetivo final.
A urgência ditou que a reunião fosse realizada em Kuat, em vez de
Coruscant, embora vários oficiais e especialistas estivessem participando
por holograma em tempo real da capital da Nova República e de uma série
de outros mundos.
— O que conseguimos concluir sobre a origem deles? — perguntou o
Almirante Sien Sovv. Ponto central da equipe de comando da Força de
Defesa, o Sullustano sentou-se num console de dados adaptado para as suas
mãos pequenas e capaz de filtrar ruídos de fundo, que de outra forma
poderiam ter se mostrado irritantes para a sua audição aguçada.
— Como vocês sabem, o primeiro mundo a cair para os Yuuzhan Vong,
que eu deveria dizer, foi Belkadan, onde a Sociedade de ExGal tinha um
posto de escuta. — Legorburu manipulou um projetor holo paraboloide para
criar uma visão 3-D do Braço Tingel da galáxia. — No entanto, apesar das
conversas sobre uma chegada extragaláctica, a nossa suposição inicial era
que eles eram nativos de algum sistema estelar desconhecido, aqui, em
Tingel central, a meio caminho entre o Setor Corporativo e o espaço do
Remanescente Imperial.
— Essa hipótese ainda é viável? — perguntou o Brigadeiro General
Etahn A'baht. Ex-comandante da Quinta Frota, A'baht também estivera
envolvido na crise de Yevethan. Um Dorneano, A'baht tinha pele roxa
resistente e pálpebras que inchavam e se expandiam.
Legorburu olhou para o representante do Instituto de Estudos
Sencientes, com sede em Baraboo. Mas antes que o Ithoriano pudesse
responder, Sovv se levantou.
— Eu sei que falo por todos aqui ao expressar a minha extrema tristeza
pelo que aconteceu ao seu mundo natal, — disse o Almirante. — A galáxia
foi grandemente diminuída.
Tamaab Moolis reconheceu os sentimentos de Sovv com um movimento
de sua longa cabeça curvada pra cima.
— Agradeço ao Almirante, — disse ele com ambas as bocas.
A atenção substituiu a tristeza em seus olhos amplamente espaçados.
— De acordo com a suposição de que os Yuuzhan Vong se originaram
do Braço Tingel, realizamos uma busca minuciosa em nossos bancos de
dados, mas não conseguimos descobrir evidências que corroborassem. Um
droide de protocolo em Dubrillion afirmou que a língua dos Yuuzhan Vong
é reminiscentemente de Janguine, mas essa pista não levou a lugar algum.
Estamos continuando a investigar a possibilidade de que os Yuuzhan Vong
sejam uma raça há muito desaparecida, autóctone à nossa galáxia, que de
repente reapareceu.
— Aquela área do Braço Tingel já foi povoada? — perguntou Sovv.
O Ithoriano deferiu à presença virtual de Been L'toth do Instituto de
Pesquisa Astrográfica. Outro Dorneano, Been era filho de Kiles L'toth, que
assumira o comando da Quinta Frota após o seu amigo Etahn A'baht ter
sido afastado do cargo.
— Rejeitamos a possibilidade de que uma espécie tão poderosa quanto
os Yuuzhan Vong pudesse ter se originado ali, — começou o holograma de
L'toth. — Dado a extensão de seus recursos e o tamanho de sua frota de
guerra, eles estariam no controle de centenas de mundos, se não sistemas, e
certamente já teriam chamado a nossa atenção até agora. No mínimo,
teríamos ouvido deles dos Trianii ou de alguma outra espécie que habita
aquela área do Tingel.
— É verdade, no entanto, que o Braço Tingel ainda não foi mapeado
completamente. As explorações originais foram interrompidas pela eclosão
das Guerras Clônicas. Essa foi uma das razões pelas quais o Imperador
Palpatine concedeu à Autoridade do Setor Corporativo liberdade total em
seu canto do Tingel. Nosso pensamento agora é que os Yuuzhan Vong são,
de fato, de fora de nossa galáxia. — L'toth fez uma pausa. — Não apenas de
um aglomerado estelar próximo, como foi o caso dos Ssi-ruuk, mas de uma
galáxia completamente diferente.
A'baht bufou.
— Qualquer espécie capaz de atravessar o espaço intergaláctico teria
que ser consideravelmente mais avançada do que qualquer um de nós, na
ordem de cem gerações mais avançada. E, no entanto, as naves dos
Yuuzhan Vong têm utilizado os mesmos pontos de entrada e saída de
hiperespaço que as nossas próprias naves.
— Mas suponha que eles estejam em trânsito há centenas de gerações,
— disse Legorburu. — Imagine, se puder, uma frota de naves navegando no
vazio, comparável às naves rebanho Ithorianas, apenas muitas vezes
maiores.
A'baht acenou com a mão.
— Estou interessado em fatos, não em poesia.
Legorburu recuperou o controle de si mesmo.
— No momento, estamos tentando determinar se o Imperador Palpatine
tinha algum conhecimento dos Yuuzhan Vong, como teve dos Ssi-ruuk.
Graças à generosidade do Moff Ephin Sarreti, tivemos acesso a registros
imperiais relevantes ao Projeto de Voo de Partida.
Financiado pelo senado a pedido do Mestre Jedi Jorus C’baoth, o
Projeto de Voo de Partida constituiu uma tentativa fracassada de olhar além
do limite da galáxia.
Transmitido de Bastion, no distante Remanescente Imperial, o
holograma em tamanho real de Sarreti era quase sem cor e interrompido por
linhas diagonais de interferência. Um técnico aumentou o ganho de áudio.
— ...os registros imperiais não contêm nenhuma menção aos Yuuzhan
Vong, embora agora se entenda que o Imperador Palpatine devolveu o Grão
Almirante Chiss Thrawn para as Regiões Desconhecidas ao saber que os
Chiss estavam fortificando os seus sistemas contra a ameaça de invasão de
um agressor desconhecido.
Sovv e os seus colegas comandantes demoraram um momento para
consultar-se.
— Você está sugerindo que os Yuuzhan Vong possam ser esse agressor?
— perguntou Sovv, finalmente.
— Se pudéssemos estabelecer contato direto com os Chiss, poderíamos
saber com certeza, — disse Sarreti. — Mas Jag Fel não tem interesse em
servir como um intermediário, e todas as tentativas de comunicação com
Nirauan foram ignoradas.
— Vocês tentaram despachar uma nave? — perguntou A'baht.
Sarreti sorriu.
— E você, General? — Quando A'baht fez uma careta, o Moff
acrescentou: — Não temos desejo de invadir o espaço Chiss e correr o risco
de ter que lutar em duas frentes.
— Entendido, Moff Sarreti, — disse Sovv, acenando sombriamente. Ele
olhou para Legorburu. — Continue com a sua instrução, Coronel.
Legorburu trouxe uma imagem ampliada do Braço Tingel para a mesa
de luz.
— Os Yuuzhan Vong estão usando o Tingel central como ponto de
encontro e área de preparação. Forças de reconhecimento enviadas para
setores adjacentes, tanto aqui, nas colônias Trianii, quanto aqui, em
Dathomir, detectaram um aumento significativo de naves maiores.
— Quero números, — disse A'baht.
Legorburu acenou para Ayddar Nylykerka, o principal analista de
rastreamento de ativos durante a crise de Yevethan e agora diretor de
Inteligência da Frota.
— Com base nos dados disponíveis, estamos estimando a força naval
dos Yuuzhan Vong em mil naves de guerra, distribuídas em forças-tarefa e
flotilhas, abrangendo de vinte e cinco a setenta e cinco embarcações.
Sovv e os outros trocaram olhares de espanto.
— É bom para o estado-maior saber, — Nylykerka acrescentou
rapidamente, — que o senado ratificou o projeto de Lei de Conscrição
Universal e que os estaleiros de Kuat, Bilbringi, Sluis Van e Fondor
esperam dobrar a sua produção de cruzadores pesados até o final do
próximo ano.
— Próximo ano, — repetiu Sovv. — Os Yuuzhan Vong podem estar em
nossos colos até lá.
— Sim, senhor, mas com o nosso estoque atual de cruzadores de batalha
da classe Mediator Mon Calamari, Cruzadores de Ataque Bothanos e
Defensores Estelares da classe Visconde Corelliana, temos poder de fogo
suficiente para enfrentar os Yuuzhan Vong em múltiplos teatros.
Sovv acenou timidamente.
— Como as naves inimigas se comparam as nossas características de
naves?
Nylykerka lançou um olhar para as suas anotações em durafolha.
— Classificadas por tamanho e armamento, a frota é composta por
análogos de naves de guerra, cruzadores, destroiers, transportes de tropas,
fragatas, corvetas e canhoneiras, juntamente com análogos de caças
estelares conhecidos como coralskippers. Relatórios de reconhecimento
indicam que as naves dos Yuuzhan Vong mais recentemente chegadas são
comparáveis em tamanho e poder de fogo aos Star Destroiers da classe
Super.
Uma nave de guerra Yuuzhan Vong tomou forma acima da mesa de luz.
— A nave de comando em Obroa-skai, — disse Nylykerka. — Diversas
áreas de sua superfície de coral yorik são capazes de liberar energia
destrutiva na ordem da que é emitida pelos nossos turbolasers e canhões de
íons mais poderosos. A embarcação não ergue escudos, mas emprega
anomalias gravitacionais para engolir ou desviar qualquer coisa direcionada
contra ela. As anomalias são projetadas por dispositivos orgânicos
chamados dovin basals, que também combinam as funções de propulsão,
subluz e unidades de hiperespaço.
Nylykerka usou um apontador laser para indicar as projeções finas que
emanavam da proa e da popa da nave de comando.
— As armas também estão equipadas com lançadores de plasma,
selados nas pontas por válvulas orgânicas de três folhas. Além disso, cada
uma transporta o equivalente a uma ala de coralskippers, que são
igualmente blindados e capazes de disparar projéteis ou plasma.
Inicialmente acreditava-se que os coralskippers eram remotos, como os
antigos caças de droides da Federação do Comércio ou os RICCs da
Corporação Loronar, mas na verdade eles são pilotados individualmente, ou
pelo menos até certo ponto. Com isso quero dizer que as táticas de combate
parecem ser dirigidas por uma criatura conhecida como yammosk, ou
coordenador de guerra, que serve como uma espécie de computador
biológico de análise de batalha.
O apontador laser chamou a atenção para irregularidades no casco da
nave de comando.
— Não conseguimos determinar por que algumas partes da nave são
lisas. No entanto, certas marcas observadas nas áreas lisas sugerem
semelhanças com os símbolos e glifos frequentemente vistos nas
embarcações ovoides dos monges Aing-Tii. Acreditamos que eles possam
servir como indicadores de linhagem ou status, em vez de patente militar.
Legorburu quebrou o silêncio atordoado dos comandantes.
— Desde que entraram no Braço Tingel, os Yuuzhan Vong têm se
movido obliquamente em relação ao Núcleo. O ataque a Obroa-skai pode
marcar o início de uma incursão na Orla Média, mas seria prematuro
especular neste ponto.
— Bem, é melhor alguém começar a especular, — rosnou A'baht. —
Não podemos permanecer na defensiva indefinidamente.
Legorburu enfiou um dedo na gola de seu uniforme e continuou.
— Se os Yuuzhan Vong mantiverem a sua direção atual, sem desvio
significativo da eclíptica, eles passarão ao largo do Aglomerado de Hapes, e
talvez de Kashyyyk. Mas o setor Meridian, o espaço Hutt, Bothawui, Rodia
e Ryloth estão quase diretamente em seu caminho.
Os olhos inchados de A'baht percorreram a sala.
— Alguém aqui realmente acredita que os Yuuzhan Vong estão apenas
de passagem, destruindo mundos e sacrificando populações por capricho?
— Quando ninguém respondeu, ele acrescentou: — Quais são as nossas
opções se eles se desviarem em direção ao Núcleo?
Nylykerka direcionou o hologravador para exibir uma disposição das
frotas principais.
— O Almirante Pellaeon retornou as naves sob o seu comando para o
Remanescente Imperial para protegê-lo de invasão. Elementos da Terceira e
Quarta Frotas estão espalhados ao longo da Via Hydiana e da Rota
Comercial Perlemiana. A maior parte da Segunda Frota está posicionada em
direção ao Núcleo do Aglomerado de Hapes, perto de Borleias. Elementos
da Primeira e da Quinta estão implantados em Coruscant, Kuat, Chandrila,
Commenor e Fondor.
— A força e a disposição da frota nos levam apenas até certo ponto, —
disse Sovv após um momento. — É mais importante que consigamos algum
entendimento dos Yuuzhan Vong como espécie. Com que tipo de seres
estamos lidando?
Legorburu olhou os rostos nas telas de console.
— Uh, Dr. Eicroth, talvez você possa esclarecer a pergunta do
Almirante.
O holograma de Joi Eicroth fez jus ao seu charme de cabelos claros.
Brevemente casada com o Almirante Drayson, ela ainda trabalhava com ele
como operativa em Alfa Azul, uma ramificação secreta da Inteligência da
Nova República. Uma das primeiras a examinar um Qella recuperado em
Maltha Obex alguns anos antes, ela era atualmente membro da equipe de
xeno biologia encarregada de compilar um perfil sobre os Yuuzhan Vong.
— Essencialmente, estamos lidando com uma espécie quase humana, —
disse Eicroth, — tanto externamente quanto internamente, exceto, por
enquanto, os soldados representantes reptóides semi sencientes que os
Yuuzhan Vong usaram em Dantooine, Garqi e Ithor. Isso é comprovado pelo
fato de que o Mestre Jedi Luke Skywalker não sofreu efeitos adversos após
vestir tanto um capuz de cognição de coralskipper dos Yuuzhan Vong
quanto um aparelho respiratório orgânico. No entanto, os exemplos que
necropsiamos apresentam algumas enigmas intrigantes.
Representações holográficas de três Yuuzhan Vong apareceram acima
da mesa de luz, girando lentamente enquanto Eicroth continuava.
— As distinções que você vê, esta cabeça curiosamente alongada, essas
costelas auxiliares, os padrões profundos gravados no torso deste aqui,
podem indicar a existência de grupos de linhagem separados entre os
Yuuzhan Vong. O que está claro é que eles passam por alterações físicas que
devem ser excruciantes em serviço de algum ideal religioso ou guerreiro.
Em qualquer caso, a uniformidade das desfigurações e marcas sugerem uma
hierarquia social complexa.
— Isso é totalmente consistente com a natureza da ciência aplicada dos
Yuuzhan Vong, que, pelo que conseguimos determinar, é baseada
exclusivamente numa forma de tecnologia animada. O uso de bio reatores,
neuromotores e armas biológicas é indicativo de uma espécie que coloca
grande importância na inovação orgânica em vez de artificial. Onde nós
inventamos máquinas, eles criam formas de vida que servem à mesma
função que máquinas.
— Eles podem ser derrubados? — A'baht perguntou acima do
murmúrio de várias conversas separadas.
— Eles são mais altos e pesados do que a maioria dos humanos, —
disse Eicroth. — Eles são fortes individualmente e, em alguns casos,
aprimorados ou revestidos por armaduras vivas. No entanto, podem ser
mortos por armas convencionais e aparentemente por sabres de luz Jedi. O
pólen da árvore Bafforr mostra promessas como um alérgeno que afeta a
armadura, mas levará algum tempo antes que o pólen possa ser sintetizado
nas quantidades necessárias para servir como um agente biológico ou um
eficaz dissuasor. Mesmo assim, cada encontro nos forneceu dados
adicionais sobre os seus pontos fracos, psicológicos, anatômicos e sociais.
Um silêncio predominou até que o Comodoro Brand, ex-comandante do
cruzador Indomável da Quinta Frota e o mais rabugento dos comandantes
fundamentais, bateu os seus dedos grossos com força no console.
— Durante todo o tempo em que estive sentado aqui ouvindo esses
relatórios, estive me perguntando uma coisa: O que é que eles realmente
querem de nós? Esta guerra é sobre território, recursos, religião, alguma
injustiça cometida por um de nós há tanto tempo que nem mesmo temos um
registro disso? Os Yuuzhan Vong nos consideram pragas, como a Liga
Duskhan Yevethan fez, ou eles querem as nossas energias vitais como os
Ssi-ruuk?
Qualquer um que estivesse formulando uma resposta foi interrompido
pelo técnico de comunicações.
— Senhores, — ele disse, dirigindo-se a Sovv e aos seus colegas, —
tenho o Diretor Scaur com uma mensagem urgente que ele diz que deve ser
ouvida por todos vocês.
Sovv murmurou uma maldição.
— Tudo bem. Ative o isolamento e pô-lo na linha.
Um holograma em tamanho reduzido do diretor da Inteligência da Nova
República se resolveu dentro do campo de contenção sônica que isolava os
comandantes.
— Almirante, acabei de receber notícias de um incidente que ocorreu no
setor Meridian no início de ontem, horário padrão, — começou o
cadavérico Scaur. — A boa notícia é que o cruzador leve Sossegar Rápido
engajou e destruiu uma embarcação inimiga perto de Exodo II. A melhor
notícia é que dois Yuuzhan Vong que se ejetaram numa pod de escape
foram capturados vivos. Mas a notícia intrigante é que os prisioneiros
pediram asilo político.
Os seus olhos redondos e negros, ainda mais vidrados do que o normal,
Sovv reclinou-se em seu assento e olhou com espanto para A'baht e Brand.
— Bem, senhores, parece que podemos estar prestes a descobrir o que
os Yuuzhan Vong querem afinal.
Capítulo 9

— Eu sempre soube que você tinha uma queda pela vida boa, — comentou
Roa enquanto ele e Han saíam do táxi repulsor que os havia levado até a
varanda passarela da residência dos Solo, num dos bairros mais exclusivos
do distrito administrativo.
— Não se engane, — Han disse. — É menor por dentro do que parece.
Roa foi até a grade da varanda e olhou pra baixo, depois pra cima.
Embora o elegante apartamento estivesse bem localizado, havia quase tanto
edifício acima quanto abaixo dele.
— Você está a poucos metros do topo. Praticamente o último andar. —
Ele sorriu travesso para Han. — Você deveria se orgulhar de suas
conquistas. Não consigo pensar em outro aluno meu que tenha se saído tão
bem.
— Agradeça à minha esposa, — Han murmurou, envergonhado. — O
trabalho dela vem com muitos benefícios.
— É sempre bom saber para o que os meus impostos estão pagando.
A porta reconheceu Han e se abriu. Com os braços quase em cima da
cintura e a cabeça inclinada para um lado, C-3PO estava parado no átrio
com piso de azulejos.
— Ora, é o Mestre Solo, e um convidado. Bem-vindo de volta, senhor.
— Pra Roa, ele acrescentou: — Sou C-3PO, relações humanas e ciborgues.
Observando o vestíbulo abobadado, Roa assobiou suavemente.
— Quanto tempo até eu ouvir o eco?
— Pare com isso, vai, — Han disse pela beirada da boca. — Além
disso, costumávamos ter um lugar menor na Torre Orowood, mas assim que
as crianças começaram a se espalhar ...
Roa o interrompeu.
— Você nunca precisa justificar o luxo por minha causa. Eu não viveria
em Coruscant por todos os créditos do Banco da Nova República, mas se
você tem que estar aqui, a vida boa é o caminho a seguir.
Han franziu a testa e se virou para C-3PO.
— Onde está a Leia?
— Na suíte principal, senhor. Eu estava ajudando-a a fazer as malas
quando ela me enviou pra baixo para buscar isso. — C-3PO estendeu um
lenço de seda brilhante que Han havia comprado para ela em sua viagem
mais recente a Bimmisaari.
— Fazer as malas? Pra onde ela está indo?
— Na verdade, senhor, ainda não fui informado sobre o destino.
— Deve dificultar a escolha do guarda-roupa, — comentou Roa.
C-3PO se virou para ele. Se tivesse as peças necessárias, seus
fotorreceptores iluminados poderiam ter piscado.
— Senhor?
Roa apenas sorriu.
Han olhou para Roa.
— É melhor você esperar aqui embaixo enquanto eu cuido disso.
Roa acenou.
— Concordo plenamente.
— Mestre Solo, senhor, parece que devo acompanhar a Mestra Leia.
— E daí? — Han perguntou enquanto se dirigia para a escada em
espiral.
— Bem, senhor, sabendo como você sabe da minha atitude em relação a
viagens espaciais, pensei que você poderia interceder por mim.
Han riu brevemente.
— Realmente sinto por você, 3PO.
C-3PO inclinou a cabeça num gesto de surpresa agradável, o sarcasmo
de Han totalmente perdido nele.
— Ora, obrigado, senhor. A compaixão pode não me resgatar das
minhas responsabilidades, mas é refrescante notar que pelo menos uma
pessoa se importa o suficiente pra dizer isso. Sempre foi na minha opinião
que você é o mais humano dos humanos. Na verdade, só na semana passada
eu estava dizendo...
O blá-blá-blá extemporâneo do droide seguiu Han até a suíte principal,
onde encontrou Leia disposta a arrumar itens de vestuário na cama.
Descalça, ela usava um robe de seda brilhante delft. O seu cabelo estava
preso atrás da cabeça, mas mechas soltas pendiam em suas bochechas.
— Parece que toda vez que venho aqui ultimamente, você está se
preparando para sair. Talvez você devesse manter uma mala pronta.
Ela congelou ao vê-lo.
— Onde você esteve? Estive tentando entrar em contato com você a
manhã toda.
Han esfregou o nariz.
— Recordações. De qualquer forma, estava com o meu comunicador
desligado. — Ele gesticulou para a mala aberta. — 3PO me disse que vocês
dois estão indo para algum lugar.
Leia sentou-se na beira da grande cama e prendeu uma mecha de cabelo
atrás da orelha.
— Ord Mantell, de todos os lugares. O problema dos refugiados se
tornou esmagador, Han. Escassez de alimentos, doenças, famílias
separadas... Além de tudo isso, há uma ampla desconfiança em relação aos
motivos da Nova República em ajudar. O conselho consultivo me pediu
para me encontrar com os chefes de estado de vários mundos da Orla Média
e Interna para discutir possíveis soluções.
— Desconfiança sobre o quê?
— Muitas pessoas sentem que a Nova República estará em posição de
anexar centenas de mundos e sistemas assim que lidarmos com os Yuuzhan
Vong.
— Não se as coisas continuarem como estão.
— Eu sei, — Leia disse com uma voz preocupada.
Han voltou a olhar para a mala mais uma vez.
— Você nunca se cansa de missões de compaixão?
— A compaixão começa em casa, — C-3PO interrompeu, então
corrigiu, — Não, espere. Eu acredito que a frase é 'o altruísmo começa em
casa.' Por que, devo ter pegado um nervosismo. A ansiedade de arrumar as
coisas para uma viagem no espaço...
— 3PO! — Han disse, apontando um dedo indicador cauteloso para ele.
Sendo a linguagem corporal humana uma entre as milhões com as quais
estava familiarizado, C-3PO imediatamente silenciou-se.
Leia olhou do droide para Han.
— Missões de 'compaixão' são o que eu faço. Estou tentando ajudar de
qualquer maneira que eu puder.
Han acenou despretensiosamente.
— Na verdade, a sincronia não poderia ser melhor, porque eu estarei
fora por um tempo.
Leia o encarou.
— Fora aonde?
— Não tenho certeza.
Leia levantou as sobrancelhas.
— Você não tem certeza?
— É um fato, — Han disse, olhando para o saguão, onde Roa estava
avaliando uma estátua de cristal que Leia havia pego em Vortex.
Leia seguiu o seu olhar.
— Quem é aquele?
— Um velho amigo.
— Ele tem nome?
— Roa.
— Bem, isso é um começo, — Leia disse sarcasticamente. — Eu não
sei aonde você vai, mas pelo menos sei com quem você estará, caso eu
precise te alcançar. — Ela fez uma pausa. — Você vai levar a Falcon ?
Han balançou a cabeça.
— Fique à vontade para levá-la para um passeio sempre que quiser.
Leia o estudou.
— Han, do que se trata tudo isso?
— Só vamos verificar um amigo em comum.
— E você precisa sair imediatamente?
Han lançou-lhe um olhar.
— Agora ou nunca, Leia. É muito simples. — Ele pegou uma mochila
de viagem do armário e começou a enfiar roupas nela.
Leia o observou por um longo momento.
— Você pode pelo menos ficar até Anakin voltar pra casa? Você tem
evitado ele a semana toda.
Han manteve as costas voltadas pra ela.
— Você pode dizer adeus por mim.
Leia se moveu deliberadamente para o seu campo de visão.
— Vocês dois têm mais a dizer um ao outro do que apenas um adeus.
Ele está confuso, Han. Você diz a ele que ele não deve se sentir responsável
pelo que aconteceu em Sernpidal, mas o seu silêncio e a sua raiva enviam a
mensagem oposta. Você precisa ajudá-lo com isso.
Han olhou pra ela.
— Pra que ele precisa de mim? Ele tem a Força. — Os seus olhos se
estreitaram. — O que foi que Luke me disse? Algo como, porque as
crianças são Jedi, eu não vou conseguir acompanhá-las por muito mais
tempo. Bem, é exatamente o que aconteceu. Eles cresceram além de mim.
— Luke não quis dizer isso da maneira como você está entendendo. —
Leia se aproximou dele. — Han, escute-me. A necessidade de Anakin de
vingar Chewie tem tanto a ver com agradar você quanto com se absolver.
Ele precisa do seu entendimento e do seu apoio. Ele precisa do seu amor,
Han. Mesmo a Força não pode lhe dar isso.
Han soltou o ar.
— Se você está tentando me fazer sentir culpado, dê a si mesmo uma
medalha.
— Não estou tentando te fazer sentir culpado. Estou apenas tentando...
— Ela parou e deixou os ombros caírem. — Esqueça, Han. Sabe de uma
coisa? Talvez seja bom pra você se afastar por um tempo.
Sem comentar, Han foi até a unidade da parede e começou a revirar uma
das gavetas. Em um momento, segurou o seu BlasTech DL-44 de trinta
anos. Passou o polegar sobre o nódulo da lâmina da mira dianteira, então
colocou a arma em seu coldre, cortado intencionalmente para expor a
proteção do gatilho do blaster.
Leia o observou colocar a arma em sua mochila.
— Prometa-me que é para um concurso de saque rápido, — ela disse,
preocupada.

À primeira vista, a maleta pendurada na mão do humano de pele clara que


usava calças baratas parecia ser uma valise comum, algo em que os ladrões
que trabalhavam no terminal de Bagsho, em Nim Drovis, não estariam
interessados. A firmeza do segurar do homem poderia ter convencido
alguns de que a maleta era mais valiosa do que parecia, mas o homem em si
era suficiente para fazer até o ladrão mais desesperado hesitar. O seu andar
era excessivamente confiante e o seu traje largo não disfarçava totalmente a
largura de seus ombros. Mais importante, estava tentando demais para
parecer anônimo.
Passou pela imigração sem incidentes e seguiu uma linha de
encaminhamento para o flitter de pubtrans que o levaria à Instalação
Médica do Setor.
Nim Drovis havia mudado desde os dias em que Ism Oolos dirigia a
instalação. Como compensação pelo que a praga da Semente da Morte
havia causado durante o reinado de Seti Ashgad em Nam Chorios, a Nova
República havia financiado uma estação meteorológica para regular a chuva
torrencial que era um evento cotidiano, e os Cavaleiros Jedi negociaram um
acordo entre os Drovianos e as tribos Gopso'o. Os fungos e bolores
oportunistas que haviam se reproduzido de maneira exuberante foram
controlados, e mesmo os canais da Cidade Velha não eram mais os pântanos
fétidos que costumavam ser. A criação de lesmas havia se tornado um
grande negócio.
Chegando ao centro médico renovado, o homem com a maleta sentiu
um prazer secreto com o número de guardas Drovianos armados vagando
pelo local, com rifles blaster seguros em tentáculos ou apertados em pinças.
Submetendo-se a uma varredura de rotina na entrada, ele foi admitido a
uma ampla área de recepção atendida por Drovianos e humanos, alguns dos
quais poderiam muito bem ser descendentes dos colonos Alderaanianos de
Nim Drovis.
O homem dirigiu-se à recepcionista Droviana na mesa da frente.
— Eu tenho um compromisso com a Dra. Saychel.
— Seu nome? — ela perguntou, em torno do ruminar de zwil alojado
em sua bochecha. — Cof Yoly.
Ela gesticulou pra que ele se sentasse. Momentos depois, ela o chamou
de volta à mesa, onde uma voz humana o abordou através de um
intercomunicador.
— Aqui é a Dra. Saychel. Você me chamou?
— Sim. Acredito que contraí um caso de trichinite em Ampliquen.
— Por que você não fez o tratamento lá?
— O centro médico se recusou a honrar o meu seguro.
Saychel caiu em silêncio por um momento.
— Pegue a porta à esquerda da mesa e siga as linhas de
encaminhamento até o laboratório.
As linhas de encaminhamento o levaram por salas de exame e teatros
operacionais primitivos, dentro e fora de edifícios de madeira, e finalmente
através de um labirinto de corredores mal iluminados que terminavam na
ala de isolamento, onde as vítimas da praga da Semente da Morte haviam
sido colocadas em quarentena doze anos antes. Saychel, a chefe da estação
de Nim Drovis, estava vestindo um traje anti contaminação parcialmente
selado e óculos macrolentes.
— Bem-vindo a Bagsho, Major Showolter, — Saychel disse
calorosamente. — Eu não imaginava que alguém do seu porte viria até aqui.
— Na verdade, eu ganhei o sorteio, — Showolter disse.
— Eu acho que posso entender o interesse de todos.
Showolter e Saychel se conheciam de Coruscant, onde trabalharam
juntos num refúgio de Inteligência nas entranhas do distrito governamental,
e ocasionalmente conviveram com figuras como Luke Skywalker, Han Solo
e Lando Calrissian. O espesso cabelo loiro de Saychel havia se tornado um
capacete amarelo esbranquiçado, e as suas bochechas estavam
avermelhadas por manchas de capilares rompidos.
— Estou certo de que é você, — disse Saychel, — mas prefiro verificar
novamente.
Showolter assentiu e abriu os braços para o escâner que Saychel
produziu de um dos bolsos do traje de de ameaça biológica.
— É pra isso que te pagamos, Professora.
O escâner localizou rapidamente o implante que Showolter usava no
bíceps direito e verificou a sua identidade.
— Então, onde estão os nossos dois prêmios? — perguntou Showolter.
Saychel o levou através de uma porta com impressão retinal para uma
grande janela de transparaço unidirecional na parede traseira do laboratório.
Vestidos com roupões de hospital, os dois alegados desertores estavam
sentados em camas separadas na sala atrás da janela, conversando
tranquilamente em o que Showolter supôs ser a sua própria língua. A sala
também continha uma mesa, cadeiras e uma unidade portátil de banheiro.
Caindo sobre a fêmea Yuuzhan Vong, os olhos castanhos de Showolter
se ampliaram com interesse.
— Não pensei que o inimigo fosse capaz de produzir algo tão atraente.
— Sim, — concordou Saychel, espiando através do transparaço, — ela
é um espécime bonito.
— E o outro é o que, animal de estimação ou parceiro?
— Um pouco dos dois, acho. Elas são inseparáveis, de qualquer forma.
E a 'animal de estimação’, por falta de uma palavra melhor, parece ser tão
inteligente quanto a sua dona.
— Dona?
— Indiscutivelmente. Talvez de uma espécie indígena da galáxia natal
dos Yuuzhan Vong ou cultivada em tanque, geneticamente projetada.
— Algum problema com a transferência?
Saychel balançou a cabeça.
— Não me pergunte onde eles conseguiram, mas a equipe da Sossegar
Rápido os trouxe pelo poço numa gaiola de energia. Nós as movemos pra cá
depois que completamos as nossas verificações e testes iniciais.
— Li os relatórios. Alguma surpresa?
— Nada a destacar.
— O que quanto à pod de escape?
— Semelhante aos caças Yuuzhan Vong, embora sem armamento.
Composta de um tipo de coral negro e impulsionada por um dovin basal,
que, infelizmente, estava morto na chegada. — Saychel indicou um balcão
próximo, onde uma massa em forma de coração, azul e espinhosa, flutuava
num grande frasco de conservante.
— Mais interessante que o seu motor repulsor padrão.
— Com certeza, — disse Saychel, sem humor.
Showolter desviou o olhar para um segundo frasco, menor, que continha
uma cápsula marrom, do tamanho de uma cabeça humana, coroada por uma
crista saliente.
— O que é essa coisa?
Saychel se moveu até o frasco.
— A descrição se encaixa num villip, um comunicador orgânico.
— Está vivo?
— Parece estar.
— Ela... disse algo?
— Não. Mas também não pensei em fazer perguntas.
Showolter franziu a testa, massageando inconscientemente o seu bíceps
direito, e depois se virou para observar os prisioneiros.
— Elas foram alimentadas?
— Rotineiramente. Na verdade, a pequena tem um apetite considerável
por nossos alimentos.
— Talvez seja assim que ganharemos esta guerra: com comida.
— Já ouvi sugestões mais loucas.
— Conseguiu conversar com elas?
— A fêmea Yuuzhan Vong, cujo nome é Elan, a propósito, fala o
Básico. Ela diz que aprendeu como parte de seu treinamento.
— Como o que?
Saychel sorriu.
— Está pronto pra isso? Uma sacerdotisa.
As grossas sobrancelhas de Showolter se franziram.
— Você está brincando. — Ele olhou para Elan. — Me pergunto se elas
são celibatárias.
— Não pensei em perguntar, — disse Saychel. — Mas ela parece
sincera ao querer asilo político. Fiz uma análise de estresse vocal só por
diversão, e os resultados me apoiam.
— Ela pediu mais alguma coisa?
— Pra se encontrar com os Jedi. Elan afirma ter informações sobre uma
doença transmitida por esporos que os Yuuzhan Vong liberaram antes de
lançarem a sua invasão.
Showolter coçou a cabeça.
— O animal de estimação gosta da nossa comida; a sacerdotisa fala o
Básico, conhece os Jedi e quer refúgio... A próxima coisa que você vai me
dizer é que elas fizeram uma aposta nas finais de smashball. — Ele suspirou
com determinação. — O diretor Scaur quer que elas sejam transportadas
para Wayland para um interrogatório preliminar. Discretamente, é claro. Os
nossos agentes Noghri lá já foram informados.
— Você vai cuidar da realocação?
Showolter assentiu.
— É claramente uma armadilha, — disse Saychel. — Essas duas, quero
dizer.
— Claro que é. Mas essa pode ser a nossa única chance de interrogar
uma delas, e não estamos em posição de recusar isso. Mesmo que tenhamos
que arranjar um encontro com os Jedi.

— Bem-vindo a bordo, — disse Roa quando ele e Han chegaram ao topo da


rampa de passageiro do SoroSuub 3000, coberto de carpete.
Um rápido olhar ao redor, e era a vez de Han assobiar. Mesmo os
modelos padrão da elegante nave em forma de ponta de flecha eram
considerados iates de luxo, mas a Adaga Feliz elevava a aposta. Desde
passarelas até paredes, o que não era de madeira de qualidade de móveis
parecia ser, e em cada canto e nicho havia uma obra de arte valiosa ou um
holograma caro. Um sofá de aceleração nas proximidades era estofado com
pele de crosh e seda brilhante.
— Isso é Fijisi? — Han perguntou em descrença, agachando-se para
passar os dedos sobre uma seção do assoalho.
— Na verdade, é uwa, — disse Roa. — Tirei de uma embarcações de
lazer Alderaaniana recuperada. Piratas haviam despido a coisa de
praticamente tudo o mais.
Han vagou, inspecionando detalhes e balançando a cabeça.
— Sabe quem costumava pilotar uma dessas? Lando Calrissian. Mas até
o dele não se compara a isso.
— A menos que Lando tenha mudado desde que o conheci, ele
provavelmente gastou mais em dispositivos de rastreamento e armas do que
me custou equipar toda a nave.
— Talvez, talvez. — Han sorriu para Roa, grato pela oportunidade de se
vingar dele pela zombaria que sofreu em casa. — Então, o que você faz,
aluga espaço em cabines para orquestras de jizz viajantes?
Roa riu brevemente.
— Não faço segredo do fato de que os agentes de impostos e tarifas que
empreguei em Bonadan me fizeram um homem rico. Mas agora esta nave é
tudo o que eu tenho.
Ele deu um tapinha no ombro de Han e o conduziu até o porão
principal, onde um droide protocolo prateado polido saiu de um
compartimento frontal para interceptá-los.
— Desculpe, Senhor Roa, mas um estranho está se aproximando da
nave.
— Han, conheça Void, — disse Roa. — Ele escapou da destruição nas
mãos de alguns fanáticos anti droides em Rhommamool, mas o incidente
foi tão traumatizante que ele teve que passar por uma limpeza de memória.
Eu o peguei por um preço baixo, mas me custou quinhentos créditos de
Coruscant para colocá-lo em dia.
Roa instruiu o Void a mostrar-lhe o estranho que os escâneres de
segurança haviam identificado na estação de pouso. Uma tela de console
instantaneamente exibiu o vídeo de um adolescente magro, de cabelos
castanhos e olhos azuis, usando uma túnica branco sujo de tecido grosso
sobre as caneleiras marrons.
— Você o reconhece? — Roa perguntou.
Os olhos de Han se estreitaram.
— É o meu filho mais novo.

Anakin já estava ao pé da rampa da Adaga Feliz quando Han apareceu. Os


escâneres haviam capturado a agitação do garoto. Agora, a inquietação
havia se transformado em desconfiança.
— Oi, pai, — ele disse cuidadosamente.
Han desceu a rampa com raiva e plantou as mãos nos quadris, com os
polegares pra trás.
— Como você me localizou?
Anakin deu um passo pra trás.
— Mamãe disse que você estava viajando com alguém chamado Roa, e
que não estava levando a Falcon. Não foi tão difícil localizar a doca certa.
A expressão de Han endureceu.
— Espero que ela não tenha mandado você aqui pra descobrir para onde
estou indo, porque como eu disse a ela, ainda não sei.
Anakin franziu a testa.
— Ela não me mandou. Eu vim por conta própria.
— Ah, — Han disse suavemente e de forma constrangedora. — Então
...
— Eu, eu tenho algo pra você. — Anakin desapertou uma pequena
caixa de couro do cinto que apertava sua túnica. — Considere isso um
presente de despedida.
O cilindro leve que Han retirou da caixa era mais curto que a sua mão e
não mais largo que quatro dedos. Com sulcos ao longo de seu comprimento,
parecia ser feito de algum tipo de liga de memória.
— Desisto, — ele disse por fim. — O que é?
— Uma ferramenta de sobrevivência. — Aguardando um pouco,
Anakin tomou de volta o dispositivo e explicou os procedimentos para
acessar uma série de utensílios em miniatura, incluindo lâminas de faca,
chaves, um luma e semelhantes. A ferramenta até incluía um macro fusão e
um transpirador em miniatura.
Por um momento, Han não soube o que dizer.
— Olha, garoto, é um equipamento inteligente, mas não tenho nenhuma
viagem de caminhada planejada para o futuro próximo.
— O Chewie fez pra mim, — Anakin disse calmamente.
O rosto de Han caiu.
— Ainda mais motivo para eu não aceitar, se ele fez pra você.
Anakin colocou na mão de Han, mesmo assim.
— Quero que você o tenha, pai. — Os seus olhos se moviam
nervosamente.
Han começou a protestar, mas pensou melhor. A ferramenta era uma
oferta de paz, e recusar aceitá-la apenas aumentaria a divisão que os
separava desde Sernpidal.
— Primeiro, a balestra e a bolsa de ombro do Chewie, agora uma
ferramenta de sobrevivência. Geralmente não me saio tão bem em
aniversários. — Ele forçou um sorriso e virou a ferramenta em suas mãos.
— Quem sabe, talvez seja útil.
— Espero que sim, — Anakin murmurou.
Han levantou uma sobrancelha.
— Por que isso soa como uma observação enigmática que o seu tio
faria?
— Eu só quis dizer que o Chewie ficaria contente em ver você usando
algo que ele fez.
— Sim, ele provavelmente ficaria, — Han disse, desviando o olhar. —
Obrigado, garoto.
Anakin estava prestes a falar quando Roa chamou Han do topo da
rampa.
— Estamos liberados para decolagem.
Han se virou para Anakin.
— Hora de ir.
— Claro, pai. Cuide-se.
Eles se abraçaram, de maneira rígida e breve. Han começou a se dirigir
a Adaga Feliz, mas parou na metade da rampa e se virou novamente para
Anakin.
— Vai ficar tudo bem, sabe.
Anakin o encarou, piscando para conter as lágrimas.
— O que vai... a guerra, o meu sentimento terrível sobre o Chewie, ou
você partir sem avisar a ninguém pra onde está indo?
Capítulo 10

Imponente em tamanho, coloração e postura, o Comandante Tla andava de


um lado para o outro na base da plataforma de comando rústica no coração
da nave de Harrar. Pendendo dos pontos de seus amplos ombros, a longa
capa de campanha do comandante sibilava enquanto se virava para encarar
o sacerdote e Nom Anor.
— Destruir a nave de procriação foi um ato desperdício, — Tla berrou.
— Você deveria ter encontrado outra maneira de colocar Elan nas mãos
deles.
— Outras estratégias poderiam ter se mostrado ainda mais onerosas a
longo prazo, — Harrar contra-argumentou. — Como estava, a tripulação da
nave de procriação foi de boa vontade para a morte, contente por ser nobre
pela importância do sacrifício.
Tla lançou um olhar furioso para o seu estrategista. Promovido após a
morte de Shedao Shai em Ithor, Tla usava o seu posto como uma carranca.
— Com todo respeito, Eminência Harrar, — disse Raff, — mas isso não
é um jogo que pode ser decidido por esperteza. Estamos travando uma
guerra santa.
— Ah, mas toda guerra é sempre uma espécie de jogo. Precisávamos ter
certeza de que a fuga de Elan de nós parecia credível.
Tla riu desdenhosamente.
— Você é novo nesta arena, sacerdote. Você não dá crédito suficiente
aos infiéis. Eles exporão o seu artifício antes que muito tempo passe.
— De fato? Você ficaria surpreso ao saber que Elan já foi levada para
custódia protetora?
O estrategista Raff lançou a Harrar um olhar duvidoso.
— Eu aconselharia você a não levar isso muito a sério, Eminência. Elan
é a primeira de nós que conseguiram capturar viva.
— É claro. Mas a questão é que eu sei onde ela está, e sei pra onde ela
será levada a seguir.
Tla se virou ceticamente para Nom Anor.
— Isso é obra de seus tolos e agentes, Executor?
Nom Anor sorriu levemente, mas balançou a cabeça.
— Infelizmente, não, Comandante.
— Então como você sabe? — Tla exigiu.
Harrar sinalizou para um de seus acólitos, que trouxe, como se fosse um
recém-nascido, um villip levemente marrom e ligeiramente oblato. Com
cuidado, Harrar pegou o villip em suas mãos e o embalou em seu braço
esquerdo.
— Os captores de Elan foram enganados o suficiente pra trazer este
pequeno gêmeo junto com Elan. Tem sido muito diligente em relatar de
volta pra nós. — Harrar acariciou a crista do villip com a sua mão direita de
três dedos. — Venha, pequeno, repita o que você me disse mais cedo.
O Comandante Tla e o estrategista se aproximaram com interesse.
O tecido rugoso no centro da crista áspera se expandiu, e o villip
começou a se inverter. Totalmente evertido, a criatura fez o melhor que
pôde para imitar as belas feições de Elan.
— Way-land, — a criatura disse. — Way-laaand.

***

Atrasado pelos propulsores de frenagem, o transporte civil Transição


percorreu os acidentados planaltos nordeste do continente principal de
Wayland. Florestas densas e cobertas de copas encobriam as encostas sul do
agora truncado Monte Tantiss, mas a leste haviam vastas áreas despojadas
pela explosão sísmica que destruíra o armazém do Imperador Palpatine
mais de quinze anos antes.
Um dos três passageiros no transporte, Belindi Kalenda, vice-diretora de
operações do SINR, pressionou o rosto contra a janela para absorver o
máximo da vista possível. À medida que o transporte continuava a descer,
uma pequena cidade surgiu à vista na base da montanha.
— Estou chocada, — Kalenda comentou com a sua companheira de
assento. — Eu imaginava a Nova Nystao como pouco mais do que uma
aldeia. — Magra e de pele escura, com olhos amplamente espaçados e uma
voz robusta, ela estava no SINR há apenas doze anos, mas o seu sucesso em
desbaratar uma conspiração perigosa no sistema Corelliano resultou em
rápida ascensão.
A xeno bióloga Joi Eicroth inclinou-se para a janela para dar uma
olhada.
— Começou assim. Agora há perto de dez mil vivendo na área
imediata. Myneyrshi, Psadans e humanos, além dos quinhentos ou mais
Noghri que fundaram o lugar.
— E todos se dão bem?
— Até agora.
Kalenda riu, principalmente pra si mesma.
— Os Noghri desprezam qualquer coisa relacionada a Palpatine, mas
estão bem vivendo num mundo que ele nomeou.
— Não há documentação de que Wayland tenha sido o codinome de
Palpatine para o planeta, — disse o Dr. Yintal, da cadeira atrás das duas
mulheres. — Acredito que os colonos humanos conceberam o nome muito
antes de o Imperador decidir usar o Monte Tantiss como um cofre de
tesouro.
Um analista da Inteligência da Frota, Yintal era um homem pequeno e
pensativo, e a repentina explosão de sua fala fez Kalenda e Eicroth trocarem
sorrisos secretos de diversão.
— E onde mais os Noghri poderiam enterrar sujeira em algo que
pertenceu a Palpatine, certo, Doutora? — Eicroth perguntou sobre o ombro.
— Esse é certamente um fator que contribui para a satisfação deles com
os arranjos, — observou ele friamente.
O transporte pousou, então se acomodou numa plataforma de
aterrissagem no centro de Nova Nystao. Os três passageiros juntaram os
seus pertences e esperaram na saída. Wayland os saudou com luz
resplandecente e ar fresco e perfumado.
Um amálgama de cabanas de barro, edifícios de madeira e mansões de
pedra, a cidade em crescimento refletia a sua mistura de culturas. No
entanto, perplexo, Kalenda notou a profusão de hotéis e restaurantes étnicos
que cercavam a plataforma de aterrissagem. Kalenda estava prestes a
questionar Eicroth quando o Major Showolter chegou ao local, empoleirado
num velho landspeeder SoroSuub Corvair. De compartimentos de
passageiros que estavam sem as suas placas de acesso dobráveis, dois
Noghri saíram.
Showolter usava óculos de motorista com filtro e um poncho comprado
localmente. Ele cumprimentou Kalenda e apertou as mãos de Eicroth e
Yintal. Em seguida, apresentou a todos Mobvekhar e Khakraim do clã
Hakh'khar, que estavam ligados ao refúgio do SINR. O sol agradável pouco
fez para suavizar a força bruta e a feiura vampírica dos seres cinzentos e
gnomos.
Kalenda olhou desconfiada para o compartimento de passageiros do
landspeeder maltratado.
— Tem espaço pra todos nós nessa coisa?
— Eu pensei que iríamos a pé, — disse Showolter, fazendo parecer uma
pergunta. — Não é longe.
Kalenda fez um gesto de convite com a mão.
— Vai na frente, Major.
Os Noghri insistiram em carregar as malas. As estreitas ruas de
calçamento estavam lotadas de Myneyrshi esqueléticos, Psadans armados,
humanos e Noghri, mas intercalados entre eles havia pequenos grupos de
Bimms, Falleen, Bothanos e outras espécies, parados na frente de hotéis ou
saboreando bebidas em mesas de tapcafs à beira da rua.
Confusa, Kalenda finalmente perguntou sobre isso.
— Um resultado insólito do Acordo de Debble, — disse Showolter
enquanto caminhavam. — O acordo estipula que qualquer obra de arte,
anteriormente propriedade de Palpatine, encontrada em ou ao redor de
Monte Tantiss pode ser recuperada pelas culturas que as produziram. Desde
que foi colocado em prática, curadores e especialistas em aquisições de
centenas de mundos têm vindo aqui para recuperar artefatos que
sobreviveram à explosão e que desde então foram descobertos no curso da
expansão da Nova Nystao. Os forasteiros precisam ser alojados e
alimentados, é claro, então hotéis e restaurantes começaram a surgir, o que
por sua vez levou ao crescimento da cidade.
— E à descoberta de ainda mais artefatos culturais, — acrescentou
Yintal.
Showolter assentiu.
— Caçadores de tesouros se tornaram tão comuns quanto cobras de
vinhas.
À medida que a equipe do SINR se aproximava da seção Noghri do
assentamento, as habitações primitivas dos Myneyrshi e as fortalezas
rochosas dos Psadans deram lugar a cabanas básicas, mas bem construídas,
de madeira e pedra. A aldeia havia sido transplantada de Honoghr após a
demolição oficial de Monte Tantiss ter começado.
Uma curta, mas íngreme caminhada pra cima os levou a uma habitação
de estilo Noghri discreta, aninhada contra a encosta da montanha e
sombreada por árvores floridas. Mobvekhar e Khakraim se posicionaram do
lado de fora, enquanto Showolter conduziu os demais para uma sala da
frente escassamente mobiliada e sem janelas.
— A porta dos fundos se abre para um dos túneis que atravessam
Tantiss, — explicou o major. — É um local bastante endurecido, como você
encontrará entre Wayland e Borleias. — Ele gesticulou para uma sala
lateral. — A nossa suposta desertora está aqui dentro. Temos a outra, a
'mascote', guardada lá embaixo.
— Esse é o termo dela ou seu? — Eicroth perguntou.
Showolter se virou para ela.
— O que ela realmente disse foi 'familiar'.
Os quatro operativos entraram na sala lateral, onde a mulher Yuuzhan
Vong estava sentada numa postura meditativa sobre um travesseiro que ela
havia emprestado da cama. Em vez das roupas exóticas que usava nas
imagens 2-D que Kalenda havia visto, Elan agora estava vestida com calças
de cordão e uma camisa com capuz. Embora absurdamente tatuada, ela era
ainda mais impressionante e escultural ao vivo do que parecia nas fotos.
Os seus olhos oblíquos, de um azul vívido, se abriram rapidamente e
saltaram de rosto em rosto.
— Elan, estes são alguns de meus associados, — disse Showolter
suavemente.
Ela o encarou.
— Onde está Vergere?
— Lá embaixo, comendo, quando a vi pela última vez.
— Você nos separou deliberadamente.
— Apenas por enquanto.
— O que Vergere é pra você, Elan? — Eicroth disse, movendo-se até a
cama e sentando-se.
— Ela é minha familiar.
Kalenda e Eicroth trocaram olhares breves.
— Entendemos o termo, mas talvez num contexto diferente. Você quer
dizer que Vergere é algo mais do que uma companheira? — Kalenda
perguntou.
— Ela é isso, também.
— Então, uma assistente e uma acompanhante.
— Ela não é uma acompanhante. Ela é uma familiar. — Elan
rearranjou-se no travesseiro. — Você veio me testar ainda mais?
Kalenda sentou-se ao lado de Eicroth.
— Apenas algumas perguntas.
— Perguntas que os seus desprezíveis escâneres e analisadores falharam
em responder? — Elan sorriu maliciosamente. — Como podem máquinas
ser esperadas para se comunicar com um ser vivo?
Kalenda forçou um sorriso.
— Suponha que consideremos isso como um meio de nos conhecermos.
— Nós, Yuuzhan Vong, não temos tais protocolos. Sabemos quem são
os outros. Nós usamos quem somos. — Ela passou os dedos por suas
bochechas estampadas. — O que você vê reflete o que está dentro. Vocês
são tolos por suspeitar que eu seja diferente do que meu rosto e corpo
declaram que sou. Por que se recusam a me conceder asilo político?
— Os Yuuzhan Vong aceitariam um de nós sem questionar? — Yintal
contra-atacou.
Elan olhou fixamente pra ele.
— Onde existem dúvida ou suspeita, nós temos a quebra.
— O que é a quebra? — Yintal perguntou, claramente intrigado.
— Uma maneira expedita de chegar à verdade.
Eicroth esperou Elan continuar, mas em vez disso, Elan ficou em
silêncio.
— Você diz que usa quem é. Está se referindo às suas marcas corporais?
— Marcas? — Elan repetiu com repulsa não disfarçada. — Eu sou uma
sacerdotisa de Yun-Harla. — Ela tocou a sua ampla testa, depois o seu
queixo fendido. — Esta é a testa de Yun-Harla; este é o queixo dela. Estas
não são marcas. Eu sou elite.
— Por que uma elite desertaria o seu povo? — Yintal perguntou de
forma direta.
Elan estreitou os olhos em aparente deliberação.
— Há dissensão. Nem todos os Yuuzhan Vong acreditam que
deveríamos ter viajado através do vazio para chegar aqui. Muitos acreditam
que esta guerra não é uma que os deuses desejam. Como sou sacerdotisa
das altas artes, gostaria que vocês vissem a luz de outras maneiras.
— Você não condena os assassinatos em massa e sacrifícios que
caracterizaram a sua campanha até agora? — Kalenda disse.
Elan se virou para ela.
— O sacrifício é essencial para a existência. Nós, Yuuzhan Vong, nos
sacrificamos tantas vezes quanto fazemos com os infiéis. Seja ou não a sua
galáxia a terra escolhida, ela deve ser purificada para estar habitável. — Ela
fez uma pausa brevemente. — A morte não é o que desejamos pra vocês, no
entanto. Apenas que aceitem a verdade.
— A verdade conforme revelada por seus deuses, — Eicroth disse,
levando-a.
— Os deuses, — Elan a corrigiu.
Yintal fez um som de desprezo.
— Você não é uma sacerdotisa. Você é uma agente de espionagem, uma
pretensiosa. A nave da qual você se ejetou foi destruída com muita
facilidade.
Os olhos de Elan brilharam.
— Vergere e eu já estávamos escondidas no pod de fuga quando a
batalha começou. Não sabíamos que a nave seria destruída. O nosso
lançamento foi... fortuito.
— Mesmo que isso seja verdade, por que os seus líderes militares
despachariam uma nave de guerra tão pequena contra a nossa, quando uma
muito maior estava nas proximidades?
Elan sorriu desdenhosamente pra ele.
— Devo julgá-lo pelo tamanho, homem pequeno? A nave menor era a
mais bem armada das duas. Por que a maior teria fugido com a destruição
de sua prole?
Yintal olhou para Kalenda e Eicroth.
— Ela está mentindo.
Elan suspirou, cansada.
— Vocês são uma espécie suspeita. Eu vim pra fazer o bem.
— De que maneira, Elan? — Kalenda perguntou.
— Vocês devem me levar aos Jedi. Posso fornecer informações sobre a
maldição.
Yintal se aproximou de Elan e a avaliou abertamente.
— O que uma sacerdotisa sabe sobre doenças?
Ela balançou a cabeça.
— Não é uma doença. É uma reação aos esporos coomb. Os Jedi
saberão.
— Por que você não pode simplesmente nos contar? — Kalenda disse.
— Por que é tão importante que você se encontre com os Jedi?
Elan afinou o olhar.
— Diga-lhes o que eu disse a vocês e eles entenderão.
Yintal se afastou dela, então se virou.
— Precisamos de provas de que você veio como benfeitora e não como
espiã.
Elan abriu os braços.
— Vocês me veem. Que mais prova eu posso oferecer?
Yintal apertou os lábios e se agachou diante dela.
— Dados militares.
O rosto de Elan se obscureceu com perplexidade.
— É isso que vocês desejam?
— Nos dê algo que possamos levar aos nossos superiores, — instou
Kalenda. — Se o que você nos der puder ser corroborado, poderemos fazer
o que você pede e arranjar um encontro com os Jedi.
Elan considerou por um momento.
— A minha ordem trabalha em estreita colaboração com os guerreiros
para garantir que os presságios sejam vantajosos. Prevemos quais táticas
empregar...
— Então nos diga onde a sua frota atacará a seguir, — exigiu Yintal. —
Nomeie o mundo.
Elan estava com a boca aberta para responder quando um barulho de
colisão veio da sala da frente, seguido de gritos abafados, no Básico e
Honoghrano.
Enquanto Kalenda e Eicroth se levantavam do leito, um homem alto e
musculoso colidiu com o batente da porta e caiu no chão, mas rapidamente
recuperou a postura. Vestido com roupas de navegador, ele ficou
balançando na porta por um momento, absorvendo a cena. Sangue se
filtrava através de rasgos em seu macacão e escorria de cortes que
cruzavam o seu rosto. Com os olhos fixos em Elan, ele enfiou o dedo
indicador da mão direita na dobra ao lado de sua narina direita e lançou um
grito ensurdecedor, Yuuzhan Vong, ao teto.
— Do-ro’ik vong pratte!
Então várias coisas aconteceram ao mesmo tempo.
Como se possuído por uma vontade própria, a pele do homem se
descolou de seu rosto, revelando uma máscara macabra e deformada de
espirais e linhas ondulantes. Como um sub fundo ao seu grito, sons de rasgo
e estalo emanaram debaixo de suas roupas; então duas torrentes de lodo
gelatinoso escorreram pelas pernas de suas calças, se consolidando numa
única massa e escorregando como uma mancha de óleo animada.
Elan saltou para ficar de pé e recuou-se contra a parede, sibilando e
rosnando para o intruso, curvando os seus longos dedos em garras.
— Assassinos! — ela gritou com os dentes à mostra. — Eles me
encontraram!
Yintal se virou e se colocou na frente do assassino, apenas para receber
um golpe que quebrou o seu pescoço como um graveto. O homem pequeno
voou para o outro lado da sala, colidindo com Showolter e derrubando-o no
chão.
O assassino estava se preparando para se lançar contra Elan quando foi
repentinamente atacada por trás por Mobvekhar e Khakraim, cujos
membros musculosos e crânios lumposos exibiam hematomas e feridas
escarlates. Os dois Noghri empurraram o Yuuzhan Vong contra a parede
lateral da cabana, errando por pouco Elan, que se agachou no último
momento e se enfiou sob o leito.
O Yuuzhan Vong encontrou a parede de cara com uma força que
despedaçou os ossos, e por um momento pareceu que sucumbiria ao ataque
cortante dos Noghri. No entanto, de repente, ele se endireitou, lançando os
dois comandos para longe dele com tanta força que eles voaram para os
lados opostos da sala, colidindo com as paredes opostas e desabando no
chão.
O Yuuzhan Vong se virou, espalhando sangue em todas as direções, com
os seus olhos juntos examinando a sala. Empurrando-se entre Kalenda e
Eicroth, que derrubou como bonecos de pano, ele virou o leito com uma
mão e agarrou Elan com a outra. Os seus dedos se apertaram ao redor do
longo pescoço da sacerdotisa, e ele a levantou do chão e a pressionou contra
a parede.
Ao mesmo tempo, Mobvekhar recuperou a consciência. Com as
poderosas pernas lançando-o do chão, ele agarrou o assassino pela cintura e
cravou os dentes nas costas do inimigo.
O Yuuzhan Vong uivou. Girando Elan para um lado, ele usou o seu
punho livre para desferir socos na Noghri presa a ele. Mobvekhar
resfolegou e gemeu enquanto o ar era expelido de seus pulmões, mas ele se
agarrou tenazmente à sua presa.
Atordoada, Kalenda lutou para se levantar, deu uma sacudida na cabeça
para clarear, então saltou sobre o braço em movimento do assassino, que ela
montou por um momento, até que o Yuuzhan Vong a arremessou de lado
como uma pequena inconveniência. A sua cabeça bateu em algo sólido, e
ela apagou. Formas brilhantes pontuaram a escuridão momentânea; então,
contorcida num canto da sala, ela teve uma visão de cabeça pra baixo de
Showolter, seu poncho torcido ao redor do pescoço, saindo de debaixo de
Yintal e puxando um pequeno blaster de um coldre no ombro.
De uma posição deitada, e cuidando para não atingir Mobvekhar, que
havia sido derrubado no chão, o major disparou, acertando o Yuuzhan Vong
entre as omoplatas. Cheiros de ozônio e carne queimada se misturaram no
ar, mas o assassino mal reagiu. Showolter disparou novamente, atingindo o
Yuuzhan Vong na nuca e incendiando o seu cabelo.
Showolter disparou uma última vez.
O assassino se enrijeceu e desabou no chão num monte carbonizado,
com a sua mão esquerda ainda apertada ao redor do pescoço de Elan.
Sangrando no nariz e dos olhos, a sacerdotisa forçou os dedos grossos dele
e deslizou pela parede, ofegante por ar.
Desajeitadamente, Kalenda fez uma cambalhota e se inclinava para
ajudar Elan quando a cabana foi abalroada por uma poderosa explosão. O
comunicador de Showolter apitou, e ele o tirou apressadamente do bolso.
— Coralskippers Yuuzhan Vong, — alguém informou pela conexão. —
Talvez meia dúzia, executando ataques de bombardeamento sobre Nova
Nystao. A Sossegar Rápido foi alertada. Caças estão a caminho.
Showolter agarrou o antebraço de Kalenda.
— Leve-a para a área reforçada, — ele ofegou, cuspindo sangue. —
Agora!

No frio limite do sistema estelar no qual Wayland orbitava, uma solitária


canhoneira de guerra Yuuzhan Vong se escondia. Na ponte, Nom Anor
estava diante de um campo visual formado por villips de sinal distantes,
observando coralskippers e caças da Nova República trocando tiros nos
céus sobre Nova Nystao.
— Não se esforcem demais, — ele disse em voz alta para os pilotos que
pilotavam os coralskippers. — Apenas o suficiente para convencê-los.
Capítulo 11

Através da fenda envolvente do visor da cabine da Adaga Feliz, Han olhou


com desconforto para a indiferença manchada do hiperespaço. Ao lado
dele, Roa cochilava no assento do piloto, roncando suavemente, e atrás
dele, um dos droides da nave monitorava o computador de navegação.
Se ao menos o tempo fosse tão facilmente superado quanto a luz,
pensou Han. Então poderia pular para um ponto em que Sernpidal fosse
uma memória distante, ou talvez retroceder para um ponto antes daquele dia
angustiante no planeta, para que pudesse reestruturar os eventos e corrigir
as coisas.
Como estava, estava preso num momento trágico, compelido a revivê-lo
repetidamente...
A Falcon, pegando evacuados, pairando logo acima da superfície
instável de Sernpidal. A pequena lua chamada Dobido descendo e presa à
garra de uma monstruosidade Yuuzhan Vong.
Chewie no chão com uma criança sob cada um de seus enormes braços,
o vento rasgando o seu casaco. Então Chewie e Anakin usando raios de
blaster e a Força para liberar uma pod de evacuação presa sob os destroços
que a mantinham firme.
A Falcon mantendo-se firme num vento ensurdecedor, enquanto
Chewie resgatava outra criança, empurrando-a para os braços de Han
enquanto ele se pendurava na rampa estendida.
Sernpidal se agitando e se despedaçando.
Chewie levantando Anakin em seus braços. A sua expressão resignada
enquanto jogava Anakin para Han. O grito aterrador dos motores de
repulsão da Falcon ; a nave flutuando pra cima e para um lado enquanto
Han, um grupo de evacuados segurando-o pelas pernas, estendia-se
desesperadamente para Chewie.
A superfície oscilante levando Chewie embora.
Anakin correndo para a ponte, manobrando a Falcon virada por becos
rapidamente estreitos e ao redor de prédios desmoronando. Uma visão
fugaz de Chewie, de costas para a Falcon e com os braços longos
levantados para Dobido, como uma trilha de fogo em queda.
A chegada de Tosi-karu.
Um vento escaldante que queimou o rosto e as mãos de Han e fez
Chewie voar e prédios desmoronando. Os escudos da Falcon gemendo em
protesto.
Chewie mais uma vez, com o seu casaco ensanguentado... recuperando
o seu equilíbrio... de pé numa pilha de destroços, rugindo desafiadoramente
para a lua capturada, como se quisesse jogá-la de volta para onde pertencia.
A Falcon, ainda nas mãos de Anakin, lutando por espaço, abandonando
Chewie ao destino.
A primeira afirmação de Han para o seu filho:
— Você o deixou.
A memória dessas palavras tão dolorosas, tão penetrantes, quanto a
morte de Chewie. Uma condenação proferida em luto, e impossível todos
esses meses depois para revogar.
Vazio de angústia, Han apertou os olhos e fechou as mãos em punhos.
Quanto tempo poderia permanecer assim: ainda pendurado na rampa da
Falcon, com os braços estendidos para Chewie,
Ao seu lado, Roa se moveu, bocejou alto e esticou os braços acima da
cabeça. Piscou e se virou para o droide no computador de navegação.
— Estamos quase lá?
— A nave em breve reverterá para o espaço real, Mestre Roa.
Roa sorriu para o Han.
— Como nos velhos tempos, não é, você e eu numa viagen?
Han forçou-se a sair da reflexão dura, seu sangue correndo como ácido
em suas veias.
— Eu me lembro daquele primeiro Percurso de Kessel como se fosse
ontem.
O sorriso de Roa tornou-se enigmático.
— Falando em Kessel, eu estava querendo te perguntar algo. Agora,
certo, as histórias podem mudar bastante ao viajar de Tatooine para
Bonadan. Mas do jeito que eu ouvi, você alegou ter feito o Percurso de
Kessel em menos de doze parsecs.
Han não disse nada, com um semblante em branco.
— Então? — Roa pressionou.
— História antiga, Roa. E sempre foi o meu pior assunto.
— Pense bem. Eu vou te dar uma nota por ajuste.
Han mostrou as palmas das mãos.
— Olha, Jabba estava respirando no meu pescoço por ter despejado um
carregamento de especiarias. Chewie e eu precisávamos do trabalho, e às
vezes você faz ou diz o que tem que fazer.
— Mas é verdade, você realmente fez em menos de doze?
Han levou as pontas dos dedos ao peito.
— Eu iria inventar algo assim? Quando eu me gabo, quero dizer cada
palavra.
Roa o considerou por um momento, então explodiu em risadas.
— Ah, Han, o que aconteceu com aqueles dias? O que aconteceu em
perseguir a fortuna e a glória?
— Não há futuro nisso. — Han deu uma rápida sacudida na cabeça. —
Ainda assim, a ideia de que caras decentes como Reck se juntariam
voluntariamente ao inimigo... Os Yuuzhan Vong fazem os Hutts parecerem
valentões de escola. Eles fazem Palpatine parecer um déspota esclarecido.
— Talvez. Mas o lado vencedor está pagando melhor, — disse Roa
sóbrio. — Além disso, créditos não precisam vir de mãos limpas para serem
apreciados por Reck e os seus semelhantes.
Han sorriu.
— Você se tornou um grande filósofo na sua velhice.
Os ombros de Roa se ergueram num encolher de ombros.
— Quando o seu parceiro morre, você de repente tem muito tempo para
pensar. — Ele olhou para Han. — Você provavelmente descobriu isso.
Han não disse nada.
O computador de navegação emitiu um sinal.
— Mestre Roa, estamos emergindo do hiperespaço, — anunciou o
droide.
Roa e Han se viraram para o console de controle para preparar a Adaga
Feliz para a velicidade de subluz.
— Subluz ativada, — disse Roa em breve.
Han acionou um último interruptor.
— Escudos ativados.
Luz elongada, deslocada para o azul, os conduziu para o espaço real.
Abruptamente, as linhas colapsaram em pontos, girando levemente antes de
se fundirem num campo estelar, cada sol distante como uma perfuração
numa realidade alternativa. Exceto por um breve tremor, a nave executou a
transição suavemente.
— Entrando no sistema Anobis, — reportou o droide.
— Anobis? — disse Han surpreso. — Este lugar é o fundo do nada. Eu
nem consigo imaginar Reck querendo se esconder aqui.
Roa estava balançando a cabeça quando Han olhou pra ele.
— Anobis é apenas uma entrada lateral para o nosso destino final. Um
salto direto poderia ter nos colocado no meio de uma flotilha inimiga ou
numa patrulha do Remanescente Imperial. — Ele apontou um dedo grosso
pela janela estelar. — Dê uma olhada nisso.
Han se virou pra direita. Quase perto o suficiente para tocar flutuava os
restos furados e marcados pela batalha de um Star Destroier. Inclinado pra
esquerda e envolto por destroços, com a grande torre de comando e a proa
pontuda da nave haviam sido destruídas. A sua antiga placa traseira
reluzente estava marcada por imensos crateras carbonizadas. Fios de
energia e dutos pendiam de suas entranhas rompidas. Han pensou no ataque
a Helska 4, sob o controle dos Yuuzhan Vong, e no Star Destroier
Rejuvenescedor que havia sido abatido com quase todos a bordo.
— Temos alguma chance de lutar contra esses marginais? — perguntou
Roa.
— Os Yuuzhan Vong não teriam de outra forma. — Han se afastou da
vista. — Então, pra onde estamos indo, Roa?
Roa tocou com o dedo indicador um mapa estelar que ele chamou na
tela.
— Ord Mantell.
A boca de Han se abriu um pouco, então jogou a cabeça pra trás e
lançou uma risada explosiva para o teto.
Roa o observou intrigado.
— Preocupado em encontrar alguém do seu passado?
— Alguém do aqui e agora, — Han murmurou. — Minha esposa.

Ord Mantell ainda era a mesma esfera indistinta que Han se lembrava de
visitas anteriores, que foram muitas ao longo dos anos, algumas
intencionais, mais por infortúnio. Mas algo novo havia sido adicionado
desde o período de Han como grande Marechal da Corrida do Fura-
Bloqueio: uma pequena estação espacial de design anelar ultrapassado,
montada a partir de peças recuperadas e fornecidas por Hutt por um
consórcio de empresas de engenharia da Orla Exterior. Partes da estação,
dois de seus raios e talvez dez graus do anel externo, ainda estavam
incompletas e provavelmente permaneceriam assim por um bom tempo, já
que as equipes de construção haviam abandonado o projeto após a
destruição de Ithor.
A Roda do Jubileu, Roa a chamou.
— Exceto pela obrigação gravitacional, a estação não tem muito a ver
com Ord Mantell, — disse ele a Han do assento do piloto da Adaga Feliz.
— Era um porto livre. Um muito bem-sucedido, até a invasão dos Yuuzhan
Vong colocar um freio no comércio. Agora é um ponto de trânsito, cheio de
alguns dos tipos mais desesperados que você pode encontrar.
— Enquanto os nossos negócios não nos levarem para o fundo do poço,
estou pronto pra qualquer coisa, — disse Han. — É Ord Mantell que tem
dado azar pra mim.
Roa assentiu.
— Então teremos que fazer o nosso melhor para manter os nossos pés
longe do chão.
Aguardando designações de atracação, naves de todos os tipos estavam
enfileiradas ao redor da estação. Algumas eram cargueiros e barcaças vazias
sem pra onde ir, com os seus portos de origem ocupados pelos Yuuzhan
Vong ou as suas empresas detentoras falidas pela guerra, preenchidas com
espaçonaves meio famintas pegas numa terra de ninguém política. Outras
eram cruzadores diplomáticos de cinquenta anos, vermelho carmim, e naves
de guerra recentemente recomissionadas de frotas desativadas. Depois,
haviam os transportes de passageiros, incluindo várias naves gregárias
Ithorianas em forma de tigela rasa... lotadas com seres deslocados de
mundos conquistados ou imolados, também em busca de algum planeta
para chamar de lar, mesmo que temporariamente.E atendendo às
necessidades desses refugiados com créditos para gastar, estavam velhas
embarcações e cargueiros, tripulados por piratas que vendiam sonhos de
uma nova vida aos otimistas cegos.
Esperando pela liberação, Roa e Han passaram o tempo verificando os
sistemas de segurança do SoroSuub 3000 e geralmente fechando as portas.
A baía de atracação lotada e imunda que a nave finalmente obteve havia
sido recuperada de um cruzador MC80 e, de fato, ainda exibia algumas das
marcas originais Mon Calamari.
Primeiro ao descer a rampa, enquanto Roa cuidava dos procedimentos
de bloqueio, Han foi confrontado por um grupo de cinco alienígenas de uma
espécie que nunca havia encontrado.
— Vocês precisam talvez de alguém pra vigiar a sua nave? — perguntou
o porta-voz deles acima do ruído, num Basic assobiado e fortemente
acentuado.
Han avaliou o alienígena de cima a baixo.
— Preciso talvez de alguém para vigiar vocês.
O alienígena, claramente um macho, levou um momento para entender,
então riu alto, com uma risada profunda e robusta que quase fez Han sorrir.
Um pouco mais baixo que Han, ele era um bípede com pernas
musculosas e uma cauda esbelta, mas útil. As partes dele que estavam
expostas por um colete colorido e culotes estrategicamente cortados
estavam cobertas com um curto pelo cinza, exceto pelas costas de seus
antebraços e cauda, onde o cabelo era de um tom mais escuro, rígido como
hastes esbeltas, e possivelmente capaz de infligir danos.
Como os dois outros machos do grupo, aquele que se aproximou de Han
tinha um suave bigode branco neve que pendia além de seu queixo pontudo
e uma peruca de cabelo branco correspondente. Os seus olhos voltados pra
frente eram grandes e brilhantes; seu nariz era um bico quitinoso que se
curvava sobre uma boca de lábios finos e estava perfurado como um
instrumento musical.
Um pouco menores que os machos, as duas fêmeas do grupo eram de
tamanho semelhante, com curvas elegantes em seus corpos compactos e
salpicos de cores vibrantes destacando os seus casacos de veludo taupe.
Elas não tinham os bigodes pendentes e, no lugar de cristas, tinham cabelos
lustrosos e penteados pra trás que caíam até os ombros. As pontas de suas
caudas suaves pareciam ter sido mergulhadas em tinta azul céu. Joias de
algum tipo pendiam em laços de seus longos pescoços, acentuando as suas
pequenas orelhas e mãos de cinco dedos, e adornando as suas narinas.
— Tudo bem, tudo bem, — dizia o porta-voz, — vocês talvez prefiram
ter alguém pra limpar e esmiuçar a nave?
Han colocou as mãos nos quadris e riu. Ainda estava rindo quando Roa
desceu a rampa, seguido por dois membros da tripulação da Adaga Feliz,
Void e um droide supervisor EV, cuja cabeça se assemelhava ao bico
curvado de uma grande ave frugívora.
— Roa, você quer contratar esse grupo para limpar os carpetes e os
banheiros?
Roa olhou para os alienígenas com grande interesse.
— Para isso estão os droides, — disse ele ao porta-voz.
— Então nós vigiamos a nave. Há muitos ladrões por aí.
— Eu aprecio a oferta, — disse Roa cordialmente, — mas não,
obrigado. Talvez em outra ocasião.
Os alienígenas trocaram palavras em sua língua nativa melódica,
acenaram para Han e Roa, e se afastaram em direção à nave vizinha na baía,
uma velha corveta classe Saqueador da Sienar.
— É como se alguém tivesse jogado um gato manka e um woolamander
num liquidificador, — disse Han, observando os alienígenas.
— Ryn, — Roa disse, identificando a espécie. — Eu costumava
encontrar com eles ocasionalmente em mundos afastados na Setor
Corporativo, Ession, Ninn, Matra VI. Eles são nômades, isto é, quando não
estão sendo caçados ou escravizados, perseguidos de um lugar para outro,
ou sendo feitos de bode expiatório pelos crimes ou delitos de outra pessoa.
Eles têm uma reputação de roubo e golpes de confiança, mas eu nunca tive
problemas com eles. Eles trabalham duro, em praticamente qualquer
comércio, desde salvamento de naves até confecção de joias. E vou te
contar, Han, eles executam a música mais emocionante que já ouvi, uma
música que você não consegue evitar de dançar.
— Tenho certeza de que eu conseguiria me segurar, — disse Han.
— Não, nem você conseguiria. Não estou falando de jizz ou de qualquer
uma das novas músicas. Quero dizer música ardente, apaixonada.
Han deu mais uma olhada neles.
— Qual é o planeta natal deles?
Roa balançou a cabeça.
— Ninguém nunca conseguiu me dizer.
Han riu pelo nariz.
— Justo quando você acha que já viu de tudo.
Deixando os droides encarregados, eles se dirigiram para a imigração e
alfândega, onde longas filas de espécies mistas estavam passando por
verificações de documentos e escaneamentos de segurança.
Han mostrou os seus documentos, que o identificavam como Roaky
Laamu, um soldador a laser autônomo. Considerou usar uma fantasia, pele
sintética, próteses, uma barba, mas no final optou por simplesmente mudar
o seu penteado e deixar o seu rosto sem depilar. Frequentemente usou a
mesma abordagem ao viajar com Leia e as crianças, e geralmente isso o
serviu bem. Afinal, a maioria das imagens circuladas dele retratava um
jovem líder da Aliança, com olhos brilhantes, costeletas e uma cabeleira
brilhante e castanha.
As coisas não saíram do caminho até que ele chegou aos escâneres.
— Abra a sua mochila, — ordenou o jovem agente em resposta a um
aviso do droide com o qual estava emparelhado.
Han deslacrou a mochila, e o agente rapidamente localizou o blaster, seu
grande escopo e supressor de flash em forma cônica guardados num estojo
separado.
— Isso é um DL-44? — ele perguntou incrédulo.
— Mais ou menos, — disse Han. — Fiz algumas modificações
especiais...
O agente riu e chamou a atenção de um colega humano.
— Boz, isso se classifica como uma arma ou uma relíquia?
— Relíquia, — respondeu Boz com um sorriso amplo.
— Riam à vontade, pessoal, — disse Han, Abstendo-se de se gabar
sobre as capacidades do blaster.
O agente olhou para os documentos de identidade de Han.
— De qualquer forma, Laamu, eu preciso esvaziar o pacote de energia.
Han colocou a língua na bochecha e então deu de ombros.
— Desde que você tenha feito isso com as outras armas que passaram
por aqui.
— Todas as que descobrimos, — disse o agente.
— Isso é reconfortante.
— Estamos procurando pelo Aposta Cancelada? — Roa perguntou
enquanto o agente ajustava um desativador no pacote de energia.
— Assumindo que vocês dois têm visão normal, rota vermelha para o
vagão amarelo para branco dois, então todo o caminho até o eixo. Você não
pode perder.
— O que você diz para os daltônicos? — Han disse de forma sarcástica.
O agente colocou o blaster desativado na mochila de viagem e a selou
novamente.
— Eu digo a eles para pegarem um táxi.

Roa insistiu em pegar um táxi. O motorista Sullustano deles era um ex-


embaixador de Ithor, encalhado na Roda do Jubileu esperando que os
documentos de trânsito chegassem de seu planeta natal.
— É a mesma história repetida várias vezes, — Roa disse a Han quando
o táxi os deixou no Branco Dois. — Alguns tentando voltar pra casa, outros
fugindo de seus lares, alguns sem lar, e raramente a documentação
necessária para tirá-los da estação, quanto mais o transporte para os seus
destinos desejados. Então você encontra diplomatas trabalhando como
motoristas, professores universitários atendendo o bar, tipos importantes de
onde você quiser esperando mesas ou arriscando as suas economias em
jogos de sabacc, a maioria dos quais é manipulada.
No Eixo, eles atravessaram uma multidão mista de pessoas sem
esperança: Ithorianos, Saheelindeeli, brigianos, Ruurianos, Bimms,
Dellaltianos, refugiados de todos os cantos da Via Hydiana, segurando
posses escassas contra seus torsos ou abraçando os seus filhos, se
arrastando sem rumo, em busca do milagre que os tiraria da Roda, como
muitos se referiam à estação. Pessoas se aglomeravam nas sombras,
famintas, aprisionadas e desconfiadas. Em outros lugares, rondavam os que
a guerra havia promovido: soldados fardados, especialistas em recuperação
e salvamento, falsificadores de documentos, sucateiros, golpistas,
distribuidores de ajuda e o resto.
Han lembrou-se do que Leia havia dito sobre a situação dos refugiados,
sobre a falta de comida e abrigo, as doenças, a separação de famílias, e
começou a perceber que não era o único em apuros.
Ainda estava pensando nisso pouco tempo depois, enquanto ele e Roa
tomavam Gizers no Aposta Cancelada, um tapcaf lotado e um tanto
elegante, com uma sala dos fundos dedicada ao sabacc e outros jogos de
azar.
— Está na hora de eu começar a fazer algumas perguntas, — anunciou
Roa quando terminou a sua bebida. Ele se levantou e ergueu os ombros. —
Não vou demorar.
Han o observou se afastar em direção ao bar circular, então voltou a sua
atenção para a cerveja azul clara. No entanto, um movimento chamou a sua
atenção, e quando olhou pra cima, dois machos Ryn estavam em pé à mesa,
mais escuros e melhor vestidos do que os que ele havia encontrado na baía
de atracação.
— Perdoe a intromissão, — disse o mais alto com uma voz trêmula, —
mas você é do SoroSuub 3000 que acabou de chegar?
Han estendeu os braços sobre as costas das cadeiras adjacentes.
— A notícia se espalha rápido. E daí?
— Bem, senhor gentil, — o outro continuou, — estávamos nos
perguntando, isto é, Cisgat e eu, se as suas viagens subsequentes poderiam
levá-lo nas proximidades de Rhinnal, ou talvez se você poderia ser
persuadido, por um valor justo, a levar alguns passageiros até lá.
— Desculpe, pessoal, mas não estamos indo para o limite do Núcleo.
Os dois trocaram olhares preocupados.
— Talvez se nós explicássemos, — disse Cisgat. — Veja, isso é uma
questão de certa urgência. Nós tínhamos um encontro aqui com outros
membros de nossa família extensa, mas parece que houve um problema e
eles não chegaram.
— Nosso plano de contingência previa que nos encontrássemos em
Rhinnal, — o outro acrescentou, — mas, como é o caso com muitos na
Roda, nos encontramos encalhados aqui, com recursos diminuindo e pouca
esperança de conseguir transporte para seguir adiante.
— Tememos que nossos companheiros de clã possam sair de Rhinnal
sem conseguir nos avisar.
Han cruzou os braços sobre o peito.
— Sinto muito em ouvir que a sua família está dispersa, mas como eu
disse...
— Podemos pagar bem.
— Não vamos causar problemas a você.
— Espere, — Han disse em voz alta. — Eu disse que sinto muito. Mas
saí do negócio de resgates, entende?
O par ficou em silêncio por um longo momento.
— Nós também sentimos muito em ouvir isso, — o mais alto comentou.
Han esvaziou o seu copo com raiva enquanto os Ryn se afastavam. Mal
colocou o copo na mesa e Roa voltou.
— O que eles queriam?
— Uma carona até Rhinnal.
Roa franziu a testa e se sentou.
— Como eu disse, todos estão desesperados.
— Você aprendeu algo?
Roa acenou com o queixo para um espaçador magro e ruivo que se
aproximava do bar com uma bebida na mão.
— Roaky Laamu, conheça Fasgo, — disse ele enquanto o homem
ocupava uma cadeira e estendia a mão para Han. — Só tenha certeza de
contar os seus dedos quando terminar de cumprimentar.
Fasgo sorriu amplamente, mostrando dentes manchados, e tomou um
longo gole da cerveja que Roa evidentemente pagou.
— Fasgo foi um dos meus melhores rapazes de impostos e tarifas, —
continuou Roa. — É só perguntar a ele, e ele vai te contar. Desde que saiu
do meu emprego, ele teve a oportunidade de trabalhar com Reck Desh.
Han observou o sorriso de Fasgo murchar.
— Alguma ideia de onde Reck pode ser encontrado? — Roa perguntou
agradavelmente.
Fasgo engoliu em seco.
— Olha, Roa, eu aprecio você ter me comprado uma bebida, mas...
— Roaky e eu sabemos tudo sobre os novos empregadores do Reck, —
Roa o interrompeu, — então não há necessidade de nos alimentar com uma
história.
Fasgo lambeu os lábios e forçou uma risada curta.
— Você conhece o Reck, Roa, ele segue os créditos.
Han colocou os cotovelos na mesa.
— Se o pagamento é tão bom assim, por que você não está mais com
ele?
— Não é meu estilo, — Fasgo disse, balançando a cabeça. — Não sou
um traidor.
Han e Roa trocaram olhares.
— E então, o que há sobre o Reck? — Roa disse.
Fasgo balançou a cabeça mais uma vez.
— Não sei onde ele está agora. — Avaliando a expressão nos olhos de
Han, ele acrescentou: — Estou sendo honesto com vocês, eu não sei. — Ele
olhou ao redor e se inclinou pra frente conspiratoriamente. — Há alguém na
estação que provavelmente pode dizer a vocês. Ele controla as coisas por
aqui, as coisas de baixo. Eles o chamam de Chefe B.
— E onde encontramos esse Chefe B? — Roa disse.
Fasgo fez a sua voz sussurrante.
— Pergunte por ele, e ele encontrará vocês.
Quando o espaçador estava prestes a se levantar, Han colocou uma mão
restritiva em seu ombro.
— Quem está controlando o empreendimento do Reck? Quem é o seu
controle?
A cor sumiu do rosto de Fasgo.
— Você não quer conhecê-los, Roaky. Eles são tão ruins quanto podem
ser, e ainda mais.
— Me dê um nome?
— Eu nunca soube nenhum nome, juro. — Fasgo engoliu o que quer
que estivesse prestes a dizer e fixou o olhar em algo sobre o ombro de Han.
Han se virou para ver três Trandoshanos se aproximando da mesa,
armados com blasters da Merr-Sonn e BlasTech e usando macacões de
controle climático até os joelhos. Enquanto dois pararam de cada lado de
sua cadeira, o maior do trio sauriano, mais velho, pelo aspecto de sua pele
grisalha, circulou a mesa duas vezes, sem tirar os olhos vermelhos e de
pupilas negras de Han. Finalmente, ele assumiu uma posição diretamente
em frente a ele.
— Agora, você parece muito familiar, — ele sussurrou. A sua longa
língua emergiu de uma boca sem lábios e se contorceu no ar por um
momento. — E você tem um gosto ainda mais familiar.
Han forçou-se a relaxar. Embora o Trandoshano claramente o
reconhecesse, Han não tinha certeza se ele e o alienígena já haviam se
encontrado antes. Nativo de um mundo no mesmo sistema estelar de
Kashyyyk, os Trandoshanos com cheiro de água salobra haviam sido
fundamentais para convencer o Império a escravizar os wookiees e
frequentemente trabalhavam como traficantes de escravos.
— Da última vez que vi uma língua como essa, ela estava pendurada
num mercado de carne coletando moscas fedidas, — Han disse.
A boca armadilha do Trandoshano aproximou-se de um sorriso
ameaçador, e ele plantou as suas mãos de garras triplas na mesa.
— Agora, o humano que você se parece se tornou uma pessoa muito
importante, mas quando eu o conheci, ele era apenas um contrabandista de
segunda categoria, transportando especiarias para Jabba the Hutt e qualquer
outro idiota que o empregasse.
Bossk? Han se perguntou. Poderia ser...
— Ah, você devia ser o ovinho mais adorável da época, — ele
provocou.
A conversa nas mesas ao redor estava se silenciando, à medida que os
clientes tentavam determinar se deveriam permanecer sentados para o resto
do show ou buscar abrigo o mais rápido possível.
— Entre outros atos desonrosos, esse pedaço de sujeira humana uma
vez interferiu numa operação legítima de escravização em Gandolo IV.
Roa se mexeu em seu assento e falou.
— O que passou, passou, grandão. Ou será que você está tão curto de
pontos de caçador que precisa incomodar alguns velhos amigos que estão
tomando bebidas?
O Trandoshano lançou um olhar feroz para Roa e depois para Han.
— Não conheço esse gordo, mas conheço você, Han Solo.
— Solo? — Fasgo disse em espanto.
Han manteve o olhar do Trandoshano. Tinha que ser Bossk. Só podia
esperar que o E-11A1 que o alienígena usava no quadril estivesse esvaziado
na alfândega.
— Diga-me, Solo, você ainda está metendo o seu bico retorcido nos
negócios dos outros?
Han sorriu de lado.
— Apenas quando há chance de destruir a nave de alguém e humilhar a
sua capitã enquanto isso.
O Trandoshano se endireitou até sua altura considerável.
— Eu ouvi que você perdeu o Wookiee, Solo. Rumores dizem que você
deixou uma lua cair sobre ele. O que é exatamente o que eu faria se tivesse
um Wookiee me seguindo.
Para o deleite do alienígena, Han quase saiu do assento quando Roa
colocou um braço sobre o seu peito.
— Qual é a utilidade, Han? Eles apenas regenerarão qualquer coisa que
arrancarmos deles.
O Trandoshano sorriu malignamente.
— Mas o que é um Wookiee ou outro, — ele continuou com uma
casualidade elaborada. — Por que não sair e arranjar outro?
Han desferiu o soco que começou tudo.
Capítulo 12

— Passei um tempo num tanque de bacta durante a viagem para Coruscant,


— Belindi Kalenda disse aos seis membros do Conselho de Segurança e
Inteligência, explicando por que ela parecia melhor do que se sentia.
— Os seus esforços vão além do dever, coronel, — o senador Diamalan
Porolo Miatamia disse do extremo oposto da longa mesa de madeira, com o
seu rosto enrugado irradiando genuína preocupação. — Você deveria ter
permanecido em Wayland. Poderíamos ter arranjado uma holoconferência.
Kalenda sorriu levemente.
— Wayland mal tem a tecnologia para uma holoconferência, senador.
— Então vamos ao assunto, não é? — O senador Krall Praget disse da
cadeira mais próxima de Kalenda. Nunca foi de rodeios, Praget,
representando Edatha, havia tentado remover Leia Solo do cargo durante a
crise de Yevethan.
Entre Praget e Miatamia estavam os senadores Gron Marrab de Mon
Calamari, Tolik Yar de Oolidi, Ab'el Bogen de Ralltiir e Viqi Shesh de
Kuat. Também presente estava Luke Skywalker, curiosamente silencioso e
quase envolto por seu manto Jedi, e o seu sobrinho adolescente saturnino,
Anakin Solo.
Kalenda se dirigiu a eles.
— Obrigada por virem, Mestre Skywalker e Jedi Solo.
Skywalker acenou com a cabeça em reconhecimento e nada mais.
— Pra começar, — Kalenda disse, levantando-se com óbvio esforço de
sua cadeira, — a incursão inimiga em Wayland justifica as precauções que
tomamos ao mover as desertores pra lá. O ataque aéreo causou danos
significativos a Nova Nystao, mas as fatalidades foram mínimas, o que não
teria sido o caso se tivéssemos os realocado para Bilbringi ou algum outro
mundo mais populoso.
Respirou com dor.
— Uma das fatalidades foi o Dr. Yintal da Inteligência da Frota, embora
ele tenha morrido como resultado de ferimentos sofridos no ataque direto à
Elan, a sacerdotisa Yuuzhan Vong. A Dra. Joi Eicroth da Alfa Azul também
sofreu ferimentos, mas ela está bem em seu caminho para uma recuperação
total, assim como o Major Showolter, que sofreu várias costelas quebradas e
um pulmão perfurado. Nossos dois agentes Noghri já estavam de pé quando
eu deixei Wayland.
— Onde estão as desertoras agora? — O senador Shesh perguntou.
— Elas foram realocadas para Myrkr para proteção até decidirmos o
que fazer com elas.
— Coronel, — Praget interveio, — entendo que uma das desertoras não
é consideradaYuuzhan Vong, que há algumas dúvidas sobre o que ela
realmente é.
— Isso é verdade. Ainda não determinamos se Vergere é de uma espécie
nativa da galáxia natal dos Yuuzhan Vong ou se ela é um produto de sua
engenharia genética.
— Você conseguiu obter mais informações sobre o que levou o inimigo
a invadir a Orla Exterior pra começar? — Miatamia perguntou.
Kalenda balançou a cabeça.
— O ataque do assassino ocorreu logo no início da entrevista. Até
aquele ponto, Elan reiterou muito do que já sabemos sobre os motivos dos
Yuuzhan Vong. A pedido de seus deuses, eles estão determinados a purificar
a nossa galáxia e/ou nos converter à sua religião. Elan afirma que eles
prefeririam converter do que exterminar. As gravações do interrogatório,
como foi, estão disponíveis para a sua revisão.
Respirou.
— O que vim contar a vocês, no entanto, é que, após o ataque, Elan nos
forneceu informações de natureza altamente sensível e potencialmente
inestimável. Se se confirmarem, o Diretor Scaur e eu buscaremos
autorização para realocar as desertoras para cá, em Coruscant.
A voz doce do senador Shesh cortou o murmúrio resultante.
— Isso é sábio, considerando o que aconteceu em Wayland? Como está,
Nova Nystao está exigindo reparações.
— Em parte, escolhemos Coruscant precisamente porque não é
facilmente alvo. Eu serei a primeira a admitir que as precauções adequadas
não foram exercidas ao mover as desertoras de Nim Drovis para Wayland,
mas isso não acontecerá novamente. O plano que elaboramos aproveita o
caos atual na Orla Exterior, perdendo efetivamente Elan e Vergere entre as
multidões de pessoas deslocadas e as transportando para Coruscant por uma
rota indireta. Ao mesmo tempo, várias equipes de isca serão enviadas para
confundir qualquer um com intenções de sabotar a operação.
Kalenda parou para distribuir documentos de durafolha, codificados por
cores para dados ultrassecretos.
— A rota levará Elan e Vergere através de Bilbringi, Jagga Dois e
Chandrila, assumindo, é claro, que nada de anormal ocorra e excluindo a
possibilidade de qualquer inteligência sugerindo que tal movimento
representa uma ameaça à segurança da Nova República.
— Não vejo o propósito de trazê-las pra cá, — Bogen disse, balançando
a cabeça quase forte o suficiente para desmanchar o seu cabelo loiro
meticulosamente estilizado. — Seu argumento de que o ataque dos Yuuzhan
Vong atesta o status dos desertores é bem compreendido. Mas esse ataque
pode ter sido uma manobra destinada a nada mais do que nos convencer da
utilidade de Elan.
Com o máximo cuidado, Kalenda retomou o seu assento na mesa.
— Novamente, senador, o plano depende da corroboração da
inteligência que Elan forneceu. — Ela fez uma pausa breve. — Estou tão
desconfiada quanto qualquer um aqui, todos estamos, mas também estou
convencida de que Elan pode se mostrar crucial para os nossos esforços,
mesmo que ela faça parte de um truque. Não apenas ela afirma saber onde
estão os operativos Yuuzhan Vong que infiltraram os mundos da Nova
República, mas também a identidade de muitos dos agentes que eles
recrutaram entre células de contrabandistas, mercenários, piratas e
semelhantes.
— Na verdade, temos razões para acreditar que uma célula assim, que
se autodenomina a Brigada da Paz, pode ter sido responsável por informar
os Yuuzhan Vong de que Elan e Vergere foram realocadas para Wayland. —
Kalenda passou mais durafolhas, com o emblema do grupo mercenário de
duas mãos entrelaçadas: uma que poderia ser humana; a outra, totalmente
tatuada. — Esses contêm dossiês sobre os membros da Brigada da Paz,
juntamente com um breve resumo de seus atos suspeitos de subversão. —
Ela lançou um olhar a Luke Skywalker. — Parece que agitar o sentimento
anti Jedi é uma das especialidades deles.
Skywalker assentiu.
— Espero que a Inteligência esteja mantendo um olhar atento sobre esse
grupo, — disse Shesh, levantando os olhos do durafolha.
— Leia mais, — disse Kalenda de forma agradável.
Bogen limpou a garganta em alta voz.
— Sobre a importância dessa Elan...
Kalenda virou-se pra ele.
— Além de ser capaz de identificar agentes, Elan sabe como os
estrategistas Yuuzhan Vong pensam. Não, vai além disso. Ela conhece os
augúrios e presságios que eles buscam ao planejar os seus ataques. Ela pode
até ser capaz de nos levar a mundos onde os coordenadores de guerra
estejam entrincheirados.
— Só um momento, — Tolik Yar interrompeu, com uma das mãos
digitando uma série de comandos num datapad. — Um relatório, que não
consigo localizar agora, sugere que esses coordenadores de guerra têm
habilidades telepáticas. — Yar parou de digitar para olhar para Kalenda. —
Suponha que essa suposta desertora esteja telepaticamente ligada às
criaturas e esteja ocupada enviando a elas informações sobre nós ?
— O relatório ao qual você se refere foi apresentado por uma cientista
da ExGal que passou um breve período em cativeiro Yuuzhan Vong, —
forneceu Kalenda. — De qualquer forma, a possibilidade de um vínculo
entre as desertoras e os Yuuzhan Vong, seja telepático ou não, é a razão pela
qual temos mantido elas essencialmente cegas. Elas foram mantidos
isoladas de qualquer coisa que pudesse ter valor estratégico para o inimigo.
Mesmo que os Yuuzhan Vong de alguma forma consigam recuperá-las, não
terão nada vital a apresentar.
— Por que essas duas estão tão ansiosas para desertar? — perguntou a
senadora Shesh.
— Elan insinuou dissensão entre as fileiras dos Yuuzhan Vong. Algum
desentendimento quanto à legitimidade da invasão. Aparentemente, ela quer
nos ajudar.
— Em troca de quê, riqueza, uma nova identidade, um esconderijo?
Não estou convencida de que ela não tenha alguma intenção oculta. Mesmo
um vornskr que perde os dentes não perde necessariamente sua natureza.
Os olhos de Kalenda se estreitaram.
— Elan tem um pedido. — Ela olhou fixamente para Skywalker. — Ela
deseja se encontrar com os Cavaleiros Jedi.
Skywalker deu total atenção à revelação. Até Anakin se animou.
— Ela disse o por quê? — perguntou Skywalker.
— Ela disse que tem a ver com algum tipo de doença que os Yuuzhan
Vong introduziram antes da chegada de suas naves mundo. Ela se recusou a
elaborar. Disse que os Jedi entenderiam.
Skywalker e o seu sobrinho trocaram olhares surpresos.
— Nada mais? — disse o Jedi mais velho, claramente intrigado.
Kalenda balançou a cabeça.
— Como eu disse ao senador Miatamia, sintam-se à vontade para
revisar as gravações do interrogatório. Na verdade, eu apreciaria os seus
comentários. Talvez vocês consigam perceber algo que nós perdemos.
— Mestre Skywalker, — Gron Marrab interrompeu, um olho saltado
fixo no Jedi enquanto o outro continuava a observar Kalenda. — Isso
provavelmente não precisa ser dito, mas quero deixar claro que você não
deve se sentir em obrigação nesta questão.
— Claro que não, — acrescentou o senador Praget, com um sorriso
torto. — Afinal, não é como se os Jedi estivessem a serviço da Nova
República.
— Isso foi desnecessário, senador, — disse Shesh em repreensão.
Mas Skywalker parecia indiferente ao comentário de Praget.
— Vamos discutir isso, — disse ele por fim. — Pessoalmente, porém,
posso dizer que estou ansioso para me encontrar com a sacerdotisa.
Todos ficaram em silêncio por um momento, então Shesh falou mais
uma vez.
— Coronel Kalenda, qual é a natureza da informação fornecida por
Elan?
— O próximo alvo dos Yuuzhan Vong, Ord Mantell.

Com as costas voltadas para o mar a suave que banhava a costa sul de
Worlport, Leia levou um momento para contemplar os buttes que se
erguiam das terras desoladas cobertas de smog ao norte, passando pelas
extensas sucatas, até o Planalto de Dez Milhas. A sua vista da coroa de
transparaço da Sede do Governo de Ord Mantell, local do Conclave sobre a
Situação dos Refugiados, abrangia muito da capital vertiginosa, com os
seus outrora grandiosos exemplos da arquitetura revivalista clássica
Corelliana. No entanto, a maioria das torres ornamentadas, grandes
colunatas amplas e enormes rotundas, com os seus altos arcos redondos,
linteis monolíticos e entablamentos esculpidos, estava agora engolfada por
uma proliferação de cúpulas e obeliscos de rococó de quinta categoria, que
atendiam aos gostos banais dos apostadores e hedonistas que frequentavam
o planeta em massa, e tudo isso era fissurado por um labirinto de estreitas
escadas, rampas curvas, pontes cobertas e túneis úmidos.
Fácil se perder nesse labirinto, Leia disse a si mesma, como de fato
havia se perdido cerca de vinte e cinco anos antes, no final de seu mandato
como princesa e diplomata, mas antes de Hoth e Endor, e muito antes do
casamento e dos filhos. Mentalmente, tentou traçar uma rota da Sede do
Governo até as planícies marrons muito abaixo, um jogo para ocupar o
momento, para mantê-la longe de pensar nas crianças ou onde Han poderia
estar.
— Embaixadora Organa Solo, — o representante de Balmorra interveio,
— algo está errado?
Leia saiu de suas reflexões e dirigiu um sorriso contrito através da mesa.
— Desculpe. Você estava dizendo ...
— Eu estava dizendo que você não respondeu à minha pergunta, —
disse o esguio humano com um tom contrariado. — Como a Nova
República justifica tal pedido, quando incontáveis mundos habitáveis
existem onde os refugiados poderiam ser abrigados, sem o perigo de
comprometer o bem-estar econômico das populações nativas?
Leia lutou para manter a compostura diplomática.
— Claro que temos os meios para transportar dezenas de milhões de
refugiados para qualquer número de planetas nos setores periféricos. Mas o
nosso objetivo não é simplesmente nos livrar de um incômodo. Estamos
falando de povos que contribuem significativamente para a estabilidade e
prosperidade da Nova República e que perderam tudo, lares, meios de
subsistência, em muitos casos membros da família ou grupos inteiros de
parentes.
— Qual é a utilidade de tais grupos sem mundos, — alguém na mesa
zombou.
— Exatamente esse é a questão, — disse Leia. — O que o Comitê
Seletivo do Senado para Refugiados exige são mundos com infraestruturas
intactas, não apenas com terras habitáveis, mas também com defesas
planetárias, espaçoportos, redes de transporte terrestre e comunicação
confiável com Coruscant e os Mundos Centrais.
O representante de Alsakan, com cabelos em anéis, fez um gesto de
desprezo.
— Um ideal muito louvável, Embaixadora, mas quem vai alimentar e
vestir esses bilhões deslocados? Quem vai construir os abrigos e instalar os
irradiadores para garantir que as populações nativas estejam protegidas
contra quaisquer doenças que os refugiados possam estar abrigando?
— O senado já alocou fundos para abordar essas preocupações.
— Mas por quanto tempo? — perguntou o enviado de Devaron, com
dois chifres. — Se a Nova República falhar em suas promessas, ou for
forçada a isso pelas circunstâncias, as responsabilidades econômicas
recairão sobre os mundos anfitriões, que, a essa altura, dificilmente estarão
em posição de banir os grupos que aceitaram de boa fé. O resultado poderia
ser uma catástrofe econômica.
Leia deixou transparecer parte de sua frustração.
— Preciso lembrar que estamos no meio de uma guerra que ameaça a
própria existência dessa economia, sem mencionar as liberdades que todos
nós desfrutamos desde a derrota do Império?
Quando teve certeza de que tinha a atenção deles, continuou.
— Temos a capacidade de mover populações da Orla Exterior para
mundos mais próximos do Núcleo. Onde for necessário e onde puderem ser
poupados, utilizaremos transportes de carga e cargueiros para realocar
dezenas de milhares de cada vez. Mas antes que isso aconteça, alguns de
vocês vão precisar se voluntariar para aceitar essas pessoas, assim como
Mon Calamari fez com os Ithorianos deslocados, e como Bimmisaari fez
recentemente com aqueles que fugiram de Obroa-skai.
— A nossa meta é criar enclaves autossuficientes, a serem geridas por
indivíduos apropriados selecionados entre as populações de refugiados,
administradores, médicos, professores, técnicos. No entanto, esses enclaves
servirão apenas como instalações temporárias. Pouco a pouco, realocaremos
grupos ou espécies específicos para mundos adequados, ou talvez
introduzamos populações em mundos atualmente desabitados.
— Enclaves individuais para cada espécie? — perguntou o delegado de
Jagga Cois.
— Onde possível, — disse Leia. — Caso contrário, planejamos reunir
grupos compatíveis.
— E cuidar das diversas necessidades desses grupos?
— Claro.
— E o que acontece quando grupos antagônicos são obrigados a
compartilhar o mesmo enclave? — perguntou o representante de um mundo
repovoado no Aglomerado Koornacht.
— Lidaremos com esses problemas à medida que surgirem.
— Como? Fornecendo forças de segurança?
— Algumas forças serão necessárias, sim.
O Balmorrano soltou uma risada incrédula.
— Vocês usam a palavra enclaves, mas o que realmente querem dizer
são campos de contenção.
O Devaroniano encarou Leia.
— E se mundos adicionais caírem para os Yuuzhan Vong? Quantos
refugiados seremos obrigados a aceitar? Há um limite, ou a Nova República
planeja espremê-los em centenas de mundos?
— Limitaremos o número, — respondeu Leia. Voltou-se para o
representante de Ord Mantell. — Ord Mantell poderia inaugurar o plano
permitindo que pessoas presas na Roda do Jubileu se estabelecessem em
campos temporários ao norte da cidade.
A representante feminina de nariz arrebitado do planeta parecia
horrorizada.
— Receio que isso seja impossível, Embaixadora. Afinal, a área ao
redor do Planalto de Dez Milhas é uma das nossas atrações turísticas mais
importantes.
— Atrações turísticas? — Leia disse em descrença. — Ord Mantell está
praticamente na borda do espaço contestado. Quantos turistas você espera
receber nos próximos meses?
A mulher fez uma cara longa.
— Ord Mantell parece ter sido poupada dos horrores. Antecipamos um
aumento no turismo muito em breve.
Leia respirou fundo para se acalmar.
— Mais a oeste, então, — sugeriu.
A mulher ridicularizou a proposta com uma risada condescendente.
— Sinto muito, mas aquelas terras foram reservadas como reservas para
o mantelliano savrip. Caçadores vêm de grandes distâncias para o privilégio
de perseguir as feras.
Leia exalou em exasperação.
— Não há ninguém aqui que se apresente?
O representante de Gyndine e do sistema Circarpous falou.
— Gyndine aceitará alguns dos que estão presos na Roda do Jubileu.
— Obrigada, — disse Leia.
— Assim como Ruan, — anunciou orgulhosamente o delegado Borert
Harbright da Corporação Agrícola Salliche. — A Casa Harbright fará o que
puder pela causa.
Leia sorriu apreciativamente, mas teve que forçar isso. Uma corporação
poderosa e rica, a Corporação Agrícola Salliche controlava uma série de
mundos na periferia do Núcleo Profundo, com Ruan e uma série de mundos
semelhantes idealmente adequados para centros de realocação. Mas havia
algo no arrogante Conde Harbright que a deixava instantaneamente em
alerta. A duplicidade parecia brilhar em seus olhos negros como carvão e
espreitar por trás de seu sorriso solícito.
Mas Leia o agradeceu mesmo assim.
— Em nome dos milhares cujas vidas a sua generosidade salvará, o
Conselho Consultivo aplaude você. — Seu olhar varreu a mesa. — Agora,
talvez alguns dos outros possam ser persuadidos a seguir o exemplo do
conde.

Quando a reunião foi suspensa para o almoço, Leia apressou-se a sair da


sala circular antes que alguém tivesse a chance de lhe falar. Olmahk, um de
seus guarda-costas Noghri, estava esperando no corredor, junto com C-3PO.
— Espero que a reunião tenha corrido bem, Mestra Leia, — disse C-
3PO, apressando-se para acompanhar o seu ritmo.
— Dentro do que era de se esperar, — murmurou Leia.
Eles foram até um turboelevador e desceram para o amplo e ostentoso
saguão do Governo da Casa, onde todos os droides à vista pareciam estar se
movendo com uma pressa incomum em direção às várias saídas do edifício.
— O que está acontecendo? — Leia parou para perguntar.
— Mal posso imaginar, — respondeu C-3PO. — Mas farei o meu
melhor para descobrir.
C-3PO atravessou o saguão, colocando-se diretamente no caminho de
um droide administrativo, cuja cabeça tinha a forma de um tubo de ensaio
invertido. O 3D-4X foi forçado a parar abruptamente no piso polido. Em
uma troca impossivelmente rápida, os dois trocaram informações como dois
insetos se encontrando numa trilha de forrageamento.
Um momento depois, C-3PO se virou e voltou para Leia, com as costas
rígidas e os braços se movendo de uma maneira que ela tinha associado a
problemas.
— Mestra Leia, acabo de receber as notícias mais perturbadoras, — C-
3PO gaguejou. — Parece que Ord Mantell foi alvo de ataque pelos Yuuzhan
Vong!
Capítulo 13

— O bruto poderia ter te matado, mestra, — observou Vergere na língua


secreta da seita engodo, enquanto cuidava das feridas que Elan recebeu das
mãos do assassino.
A sacerdotisa afastou Vergere para que pudesse ver a sua imagem no
espelho que Showolter havia fornecido.
— Nunca temi por minha vida. Temia apenas pelo desenvolvimento dos
bo'tous. Os golpes do tolo poderiam ter danificado os portadores ou
retardado o seu crescimento.
Vergere sentou-se com as pernas reversamente articuladas, e as suas
longas orelhas se ergueram.
— Você acha que eles sobreviveram?
Elan passou a mão sobre o seu peito inferior e sorriu maliciosamente.
— Posso senti-los amadurecendo, Vergere. Eles sussurram pra mim.
Aguardam os quatro sopros que os libertarão. Posso sentir a sua ansiedade.
— Deles ou sua?
Elan se virou do espelho para olhar a sua conhecida.
— Pelo veneno mortal que liberarei, a minha recompensa será grande.
A notícia pode muito bem chegar aos ouvidos do Lorde Supremo Shimrra.
— Sem dúvida, — assegurou Vergere. — Embora sejam os membros de
seu domínio que lucrarão.
Elan continuou a observá-la.
— Você tem tão pouca fé em Harrar, que será capaz de nos resgatar
depois que eu me livrar dos Jedi?
Desconfiança estreitou os olhos inclinados de Vergere e desarrumou as
penas curtas na parte de trás de seu pescoço.
— Confio que Harrar fará tudo ao seu alcance para te encontrar. Mas os
nossos movimentos não serão facilmente monitorados a partir deste ponto.
Não após o ataque do assassino. Showolter nos moverá até ficarmos tão
profundamente entrincheirados no espaço da Nova República que até
mesmo Nom Anor não conseguirá nos alcançar.
Os seus ferimentos, apesar de tudo, o sempre atento Major Showolter
tinha cuidado para não identificar o mundo para o qual haviam sido
levados, embora, a todas as aparências, fosse ainda mais remoto e primitivo
que o anterior. Ao chegar, Elan teve a mais breve visão de florestas
impenetráveis de árvores peculiares. A partir de fragmentos de conversas
ouvidas, estava claro que o planeta contava com pelo menos uma pequena
cidade, mas também estava claro que Elan, Vergere e os operativos da
Inteligência estavam longe dela.
Elan acariciou as costas peludas de Vergere.
— Se os meus deveres exigirem que eu morra, então que assim seja,
minha querida. O meu domínio prosperará. O meu pai será elevado ao posto
de sacerdote supremo.
— E o determinado Harrar prosperará.
— Isso não nos diz respeito.
Vergere cruzou os braços e inclinou a sua cabeça alongada.
— Eu permanecerei ao seu lado, mestra.
Com cuidado, Elan examinou os hematomas crus que os poderosos
dedos do assassino deixaram em seu pescoço.
— Eu conheço aquele que Harrar enviou, — ela disse após um
momento. — Ele foi aprendiz sob os Shai.
Vergere pressionou as mãos contra os olhos e aplicou algumas de suas
lágrimas na carne abrasada de Elan.
— A mesma seita que gerou o Comandante Shedao Domínio Shai.
— O próprio. Aqueles do Domínio Shai se deleitam em infligir dor pelo
prazer da dor, a si mesmos ou a outros infelizes que ousam entrar em seu
alcance. Para os Shai, não há maior chamado do que o tormento, o 'abraço
da dor.' A dor é o começo e o fim. — Elan suspirou aliviada. — As suas
lágrimas são refrescantes, minha querida.
Vergere continuou a cuidar dela.
— O objetivo de Harrar era convencer os nossos captores de sua
importância, e nisso ele escolheu sabiamente. É melhor a Nova República
pensar que os Yuuzhan Vong são mais intratáveis do que razoáveis.
Elan acenou com a cabeça, sem comentar.
Embora Vergere pudesse ter nascido do talento magistral dos Yuuzhan
Vong para manipulação genética, a criatura exótica na verdade fora
transportada para a frota principal duas gerações antes por uma das
primeiras equipes a reconhecer a galáxia que havia produzido os Jedi. O
grupo de reconhecimento havia retornado com dezenas de espécimes para
as naves mundo, incluindo humanos, Verpine, Talz e outros. Após extensos
experimentos, alguns haviam morrido e outros foram sacrificados, mas
alguns foram oferecidos como animais de estimação para crianças da elite
selecionada, como Elan, a filha mais nova de um conselheiro do Chefe
Supremo Shimrra. A singularidade de Vergere era considerada sagrada por
alguns. Ao longo dos longos anos negociando o vazio intergaláctico, ao
longo dos longos anos de rigoroso treinamento de Elan na seita engodo,
Vergere havia sido a sua constante companheira, confidente, amiga, até
mesmo tutora.
— Isso lhe alegra estar de volta entre a sua própria espécie? — Elan
perguntou cuidadosamente.
— Dificilmente a minha própria espécie, senhora.
— Entre a sua espécie natal, então?
Os grandes olhos de Vergere sorriram.
— Nós, Fosh, nunca estivemos em casa entre eles. Éramos muito
poucos em número. A humanidade havia preenchido todas as lacunas
evolutivas, trazendo a extinção de espécies como a minha, que estavam
apenas ocupando um lugar, um nicho no contínuo.
— Mas você está encantada com a comida.
— Ah, a comida, — Vergere disse, rindo. — Isso é outra questão.
Elan ficou séria.
— Você poderia revelar a verdade a Showolter e escapar de volta para o
seu próprio reino.
Vergere alcançou a mão modelada de Elan e a acariciou.
— Eu sou a sua familiar. Se não fosse por você, eu teria sido sacrificada
ou eliminada. Estamos ligadas até que uma de nós morra.
Elan exalou intencionalmente.
— Apesar do que você diz ou do que escolhe revelar, você conhece
essas espécies melhor do que qualquer outra pessoa, até mesmo Nom Anor.
Vergere balançou a cabeça.
— O executor fez de sua missão estudá-las, conhecê-las melhor do que
elas se conhecem. Nós, Fosh, éramos mais devotados a nos ocultar.
— Do pouco que você sabe, então, Showolter e as mulheres que nos
visitaram estão enganadas?
— Se eu tivesse acesso ao interrogatório, talvez pudesse responder com
certeza. Sem dúvida, a dedicação do assassino ao dever ajudou a acalmar
algumas das desconfianças iniciais de Showolter.
A expressão de Elan mudou.
— Ele é muito acolhedor, esse.
— Porque você o encantou, como faz com todos.
— É claro que você diria isso. Então você acredita que eles me
proporcionarão uma oportunidade de me encontrar com os Jedi?
— É cedo demais pra dizer, mestra. Se o Comandante Tla achar
prudente fornecer à Nova República uma vitória para apoiar os dados que
você forneceu, talvez você se encontre com eles.
Elan considerou em silêncio.
— Você soube deles durante seu tempo aqui?
— Como disse, os Fosh se moviam discretamente, mas claro que
sabíamos dos Jedi. Eles eram muitos. Fiquei surpresa ao descobrir que
agora são poucos. — Ela fez uma pausa breve. — Agradeço por não revelar
nada do meu passado a Harrar, mestra.
Elan apenas sorriu.
— Você já testemunhou os Jedi usando a Força?
— Os Jedi consideram a Força como algo que está ao nosso redor,
permeando todas as coisas vivas. Portanto, nesse aspecto, estou certa de que
testemunhei a Força em ação.
— Talvez beneficie os Yuuzhan Vong aprender a usá-la.
Vergere levou um momento para responder.
— A Força é uma espada de duas lâminas, mestra. Corte de um lado e
vença. Mas seja descuidada no movimento de volta, ou permita que a sua
mente divague, e você arrisca desfazer tudo o que conquistou. — Ela olhou
para Elan. — De fato, pode ser benéfico para os Yuuzhan Vong se tornarem
conscientes da Força, mas não é para todos usarem. Tal poder deve ser
reservado para aqueles com a força para empunhar a espada e a sabedoria
para saber quando usá-la.

***

Esquadrões de T-65A3 X-Wings, E-Wings e TIE interceptors desceram da


baía de lançamento dianteira da Erinnic, um Star Destroier da classe
Imperial II estacionado entre as luas de tamanho semelhante e proximidade
de Ord Mantell.
— Grupos de caças estão em ação, — relatou um membro da equipe de
um dos poços de tripulação abaixo do passadiço de comando. —
Dispersando para coordenadas atribuídas.
— Que a Força esteja com vocês, — o Vice-Almirante Ark Poinard
enviou pela rede de comando.
Pelo canto do olho, viu um sorriso irônico tomar forma no rosto
profundamente enrugado do General Yald Sutel, um antigo adversário que
se tornara aliado na guerra contra os Yuuzhan Vong.
— Problema, General? — Poinard perguntou, levantando uma
sobrancelha branca e espessa ao se voltar para Sutel.
Sutel balançou a cabeça quadrada, mas continuou sorrindo.
— É só que ainda não estou acostumado a ouvi-lo dizer isso.
Poinard fez um som de desdém.
— Acredite ou não, eu costumava dizer isso pra mim mesmo mesmo
quando esta nave carregava apenas TIE fighters.
— Não acredito nem por um momento, — disse Sutel.
— Apesar das aparências, sempre tive a Força em alta estima. — Com
as mãos entrelaçadas por trás das costas, os dois veteranos idosos
continuaram a avançar na semicircular extensão de janelas triangulares da
ponte. Como um acordo tanto com a Nova República quanto com o
Remanescente Imperial, Poinard manteve o seu título como capitão de nau
capitânia, enquanto Sutel foi designado comandante de força-tarefa.
Da dezesseis embarcações que compunham o grupo, algumas voavam
em escolta a Erinnic, mas a maioria, incluindo um cruzador Mon Calamari
de batalha da classe Mediador, dois cruzadores portadores da classe Fogo
Quasar, três fragatas de escolta e cinco canhoneiras da classe Ranger, havia
assumido posições acima do lado brilhante do quinto planeta do sistema
estelar. Como qualquer nave que saltasse do espaço controlado pelos
Yuuzhan Vong teria que entrar no Cinturão Brilhante Externo do planeta,
esperava-se que o disfarce aumentasse ainda mais o elemento surpresa.
Poinard parou acima do mais avançado dos poços de tripulação.
— Alguma sinal de atividade? — ele perguntou a um técnico que estava
num dos consoles.
— Negativo, senhor. — A mulher olhou para uma tela, e depois para os
dois comandantes. — Elementos avançados relatam tudo calmo.
— Parece que os estrategistas do Almirante Sovv nos fizeram desviar os
nossos esforços, — Poinard disse a Sutel em confiança.
— Isso veio da Inteligência, — Sutel respondeu.
— Pior ainda. Ord Mantell tem pouco valor estratégico.
Sutel desviou o olhar do campo estelar para Poinard.
— E Ithor? E Obroa-skai? Os Yuuzhan Vong estão travando uma guerra
psicológica. Você, de todos, deveria entender. O seu irmão não comandou
uma divisão de AT-AT uma vez?
— Os Walkers tinham o seu lugar.
— Como armas de terror pródigas, — Sutel disse. — Os Yuuzhan Vong
obviamente pretendem nos aterrorizar da mesma forma, nos quebrar nos
desmoralizando.
— Mas Ord Mantell, — Poinard disse duvidosamente. — Jogadores e
turistas são os únicos que eles vão desmoralizar.
— Almirante Poinard, — a mulher no poço de tripulação interrompeu.
— Elementos avançados relatam que embarcações inimigas estão
emergindo do hiperespaço e desacelerando. Desempenho e perfis de
propulsão confirmam naves de guerra Yuuzhan Vong.
Poinard se virou para a tripulação no poço do lado oposto do passadiço,
enquanto bancos de avaliadores de ameaça começaram a se comunicar em
código de máquina.
— Vá para o situação de alerta total. Todos os não essenciais estão
confinados a seus aposentos. Ativem os motores subluz e nos aproximem
da lua número dois. — Ele se virou de volta para a técnica feminina no
primeiro poço. — Quantas embarcações?
— Senhor, duas análogas de corvetas, cinco análogas de fragata, três
análogos de cruzador leve, um análogo de nave de guerra.
Alguém por trás de Poinard e Sutel falou.
— Senhores, o comandante de esquadrilha relatou do ponto de
abordagem do alvo que o deslocamento de caças está completo.
Aguardando autorização para engajar. A ponte tática relata que o quadro de
chamadas está claro e todos os sistemas habilitados.
Uma holoprojeção do teatro se resolveu acima de uma mesa de luz no
poço avançado. Poinard e Sutel a estudaram em silêncio.
— Parece que estamos bem pareados pela primeira vez, — o general
comentou após um momento.
— Salvos por uma vantagem, — Poinard apontou. — Eles não sabem
que estamos aqui.
Capítulo 14

Han inclinou o seu ombro direito contra as barras corroídas da apertada cela
de prisão e massageou suavemente o nó inchado de seu dedo anelar
esquerdo.
— Boa luta, — ele disse. — Eu realmente gostei.
Fasgo e Roa estavam sentados no chão sujo, com as costas apoiadas
numa parede igualmente suja, o primeiro com uma orelha direita
comicamente inchada, o último parecendo notavelmente ileso.
— Uma bagunça, — Roa disse com um sorriso.
Fasgo gentilmente tocou a ponta do nariz.
— Parece quebrado, — ele murmurou.
Roa bateu no ombro de seu ex-agente de impostos e tarifas.
Na próxima vez, lembre-se de que se manter fora do alcance é
frequentemente a melhor defesa.
— Só lamento que o grandão não tenha morrido, — Fasgo disse.
— Dê um tempo a ele, — Han disse em voz alta, olhando
deliberadamente para os três Trandoshanos na cela diretamente à sua frente.
Fasgo segurou o seu polegar e indicador perto um do outro.
— A cadeira passou tão perto.
— Um golpe duro pra aquele pobre Bith na mesa ao lado, — Han disse.
— Temos sorte dele achar que um dos Trandoshanos a jogou, — Roa
interveio.
Fasgo acenou com a cabeça.
— Ter aquele grupo de cabeças de balão ao nosso lado definitivamente
ajudou.
— Baixe a voz, — Roa aconselhou em tom baixo. — Eles estão apenas
duas celas abaixo do corredor.
Fasgo acenou com a mão.
— Metade da multidão do Aposta Cancelada está aqui. — Ele olhou
para Han e riu. — Realmente começamos algo.
— Sim, e a segurança terminou. — Han riu. — Não é de admirar que a
Roda não permita blasters armados.
Um portão em desesperada necessidade de lubrificação deslizou para
abrir ao longo do corredor, e em pouco tempo um segurança corpulento
num uniforme cinza entrou em vista.
— Muito bem, velhinhos, — o guarda anunciou de maneira grosseira,
— vocês estão livres pra ir.
Han, Roa e Fasgo trocaram olhares confusos.
— Achei que não poderíamos pagar a fiança até a audiência? — Roa
disse.
— Vocês não estão sendo apresentados, — o guarda disse. — Vocês
devem ter alguns amigos no alto escalão.
Roa olhou para Han.
— Acho que você foi descoberto, 'Roaky Laamu.' O Trandoshano
certamente não teve dificuldade em reconhecê-lo.
Han viu o sentido disso. A notícia estava circulando, e alguém havia
contatado Leia.
A porta da cela deslizou pro lado, e os três saíram. Han parou na cela
dos Trandoshanos, tomando cuidado para permanecer fora de seu alcance
garras.
— Vamos ter que fazer isso de novo em breve, — ele disse, sorrindo.
— Conte com isso, Solo, — Bossk sussurrou.
O guarda os conduziu pra fora da zona de confinamento, devolveu os
seus pertences e os apontou para a saída.
— Voltem aqui de novo e, amigos ou não, vocês vão se arrepender, — o
homem avisou.
— Cara encantador, — Roa murmurou.
Han concordou.
— Provavelmente trabalha para o Registro de Embarcações em seus
dias de folga.
Mal tinham pisado no corredor quando um Aqualish
surpreendentemente bem-educado se aproximou deles.
— Roa, Fasgo, Roaky Laamu, — o alienígena começou num Básico um
tanto distorcido, devido aos seus dentes virados pra dentro. — Meu
empregador solicita o prazer de sua companhia.
— Chefe B, — Roa lembrou Han em voz baixa. — O corretor de
informações.
Fasgo engoliu em seco.
— Perguntamos por aí? — Han perguntou teatralmente. — Não me
lembro de termos perguntado por aí.
O Aqualish, um Quara, mostrou as palmas das mãos.
— Qual é, senhores. Certamente vocês podem reservar alguns
momentos para a pessoa que organizou a sua liberação.
O trio surpreendido trocou olhares.
— Bem, nesse caso, — Han disse, — conduza-nos.
Uma limusine repulsora os transportou noventa graus ao redor da Roda,
às vezes manobrando por nós de refugiados abandonados e desolados. A
porta luxuosa da toca de Chefe B era flanqueada por sentinelas
Gamorreanos de focinho curto e pronunciado, e o saguão macio estava
cheio de uma variedade de puxa-sacos, bajuladores e seguidores de
acampamento. Alisando as suas longas caudas, duas mulheres Twi’lek em
macacões de malha se estiravam sedutoramente em espreguiçadeiras
confortáveis. Em outro lugar, um Rodiano, um Kubaz, um Whiphid e dois
Weequays estavam envolvidos num jogo despretensioso de laro, enquanto
um Bith entediado tocava escalas musicais num pequeno instrumento.
O Aqualish conduziu Han e os outros até poltronas ultra confortáveis na
sala principal e ofereceu-lhes bebidas. Han permaneceu em pé.
— Guarde os Gizers para o Aposta Cancelada, — uma voz grave e sem
corpo sugeriu. — Tome um copo da Reserva de Whyren em vez disso.
— Agora, isso eu não vou recusar, — Fasgo disse, sorrindo.
— Faça dois, — Roa disse ao Aqualish.
— Três, — Han disse hesitante, tentando discernir a origem da voz
ressonante. Uma parede inteira da sala era dedicada a telas planas,
mostrando vistas em constante mudança de diferentes setores da Roda. Em
um monitor, Han reconheceu a estação de imigração onde sua blaster tinha
sido drenada.
— Sentem-se, por favor, — a voz rugiu.
Han consentiu ao pedido quando o uísque Corelliano de cor âmbar
chegou.
— Saúde, — disse ele, colocando a sua mochila no chão e levantando o
copo no ar para o seu anfitrião não revelado.
— Mais do mesmo, — disse Roa, juntando-se a Han no brinde.
— A sua reputação o precede, senhores, — disse a voz.
Fasgo passou a parte de trás da mão pela boca.
— Se você se refere aos danos no Aposta Cancelada, os Trandoshanos
foram responsáveis pela maior parte disso...
— Pode me culpar por isso, — interrompeu Chefe B. — Eu os incitei a
isso.
— Você? Por quê? — Han exigiu.
— Como eu poderia garantir que vocês aceitariam a minha
hospitalidade, exceto organizando para que fossem liberados da prisão?
— Não entendi, — disse Han.
Chefe B riu.
— Eu sou informado pessoalmente quando indivíduos de distinção
honrosa ou desonrosa chegam ao Roda do Jubileu. Foi o que aconteceu com
você, Roa. Mas imagine a minha surpresa quando, após um pouco de
escrutínio assistido por máquina, descobri que o seu parceiro de viagem não
era outro senão Han Solo.
Ao ouvir o nome, o Bith parou de tocar e as mulheres Twi’lek e os
jogadores de cartas se viraram em uníssono. Han esvaziou o copo de uma
vez e o colocou de volta na mesa de forma brusca.
Chefe B riu em alta voz.
— Preciso dizer, Solo, eu esperava um homem mais jovem.
— É, bem, eu costumava ser um.
— Eu também, — concedeu Chefe B. — De qualquer forma, depois que
soube que vocês estavam indo para o Aposta Cancelada, onde eu já sabia
que Bossk e os seus comparsas estavam, apenas passei a informação ao
Trandoshano de que um velho rival dele havia aparecido. Não foi difícil
prever pra onde as coisas iriam a partir daí.
— Essa é a sua ideia de hospitalidade, hein? — Han disse.
— Qual é, Solo, você mesmo disse que gostou da luta.
Han bufou.
— Você pretende aparecer ou vamos ter que jogar 'de quem é essa voz’?
Não a três metros na frente de Han, um campo de manto se dissipou,
revelando o que poderia ter sido o resultado de uma união entre um Hutt e
um humano. Embora o humanoide de tom lavanda conseguisse se
locomover sobre duas pernas grossas como troncos de árvore,
possivelmente com a ajuda de implantes de repulsor, ele tinha a largura de
um jovem Hutt e uma cabeça grande demais para passar por uma escotilha
comum. O seu rosto arredondado era simétrico e possuía os traços humanos
usuais, mas cada um era tão grande que competia com os outros por
destaque. Brilhantes e ligeiramente salientes, seus olhos eram do tamanho
de pequenos pratos, seu nariz era um grande disco achatado, e um espesso e
grisalho bigode cobria quase toda a sua boca labiosa. Cabelos desgrenhados
e de cor ardósia coroavam sua cabeça como um ninho abandonado de ave, e
enormes orelhas rosas batiam contra o seu crânio como asas. Nos dedos
manchados de vermelho de uma das enormes mãos, ele segurava uma
grossa cigarra de raiz de Chak.
Han quase caiu da cadeira.
— Grande Bunji?
O gigante humanoide riu de alegria, esvaziando a boca de fumaça
aromática.
— Chefe Bunji, Han.
Roa sorriu amplamente.
— É incrível que você e eu nunca tenhamos nos encontrado,
considerando todos os amigos em comum que tivemos em Etti IV e outros
lugares no Setor Corporativo. Um prazer, afinal de contas, após todos esses
anos. — Ele gesticulou para Fasgo e o apresentou.
Bunji observou o espaçador ruivo.
— Sim, as pequenas trapaças de Fasgo a bordo da Roda não passaram
despercebidas por nós.
Fasgo engoliu em seco, mas não disse nada.
Han ainda balançava a cabeça em incredulidade.
— Acho que estou morrendo, porque continuo vendo a minha vida
passando diante dos meus olhos. — Ele sorriu para Bunji. — Se Ploovo
Dois-Por-Um aparecer bem agora, vou dobrar a mão.
— Se Ploovo aparecer, Han, posso garantir que ele seria menos do que
cortês. Mesmo após extensas cirurgias de reconstrução, ele nunca se
recuperou totalmente dos danos causados ao seu probóscide pelo dinko que
você tão habilmente colocou em seu caminho na Cúpula de Dança Voo
Livre. Por um tempo, de fato, ele pagou bem a qualquer um que trouxesse
um dinko... morto ou vivo. Espécimes empalhados das coisas ferozes
estavam expostos em todos os lugares em suas casas, seus escritórios, a
bordo de suas naves. Ele até começou a usar uma pulseira de charme
composta inteiramente de presas de dinko e das esporas serrilhadas de suas
patas traseiras. Acredito que ele levou a espécie à beira da extinção.
Han franziu a testa.
— Sinto muito em ouvir isso, mas eu nunca me importei muito com as
pessoas que tentaram me enganar do que era meu.
Bunji riu mais uma vez, quase fazendo as paredes tremerem com o seu
riso.
— Como eu mesmo aprendi.
— Você ainda está magoado por eu ter bombardeado o seu domo de
pressão naquele asteroide...
— De jeito nenhum, — disse Bunji. — Eu mereci isso por tentar tirar
vantagem de você nas viagens de raiz chak para Gaurick.
— Você tirou as palavras da minha boca. — Han riu. — Você conserta a
Falcon pelo que aconteceu com ela em Gaurick, então você vai e deduz os
custos do que me deve. Isso foi o que me levou a Ploovo para pedir um
empréstimo em primeiro lugar.
O suspiro de Bunji foi um vento quente.
— Nós vivemos e aprendemos, Han, vivemos e aprendemos. Mas com
certeza você sabia que eu o perdoei. A verdade é que eu lhe devo uma
enorme dívida de gratidão pelo que você fez em Tatooine. — Ele gesticulou
amplamente. — Você poderia dizer que muito desta estação se deve aos
seus esforços.
Han se apontou no peito.
— O que eu fiz em Tatooine?
Bunji fumou a sua cigarra e sorriu.
— Pra ser mais preciso, o que a sua esposa fez. Você vê, Han, eu tentei
realocar a minha empresa para Tatooine, apenas para ser expulso por Jabba.
Não satisfeito em ter feito isso, o Hutt praticamente prejudicou o meu fluxo
de caixa nos próximos anos. A sua morte, entretanto, me apresentou uma
oportunidade de reconstruir a minha base de poder, embora eu tivesse que
lidar com pessoas como a Lady Valariam e alguns outros. No entanto,
alguns acordos astutos feitos durante os anos de Thrawn me colocaram de
volta nos eixos. Então, apenas um ano atrás, fiz a Roda ser montada num
sistema próximo e rebocado pra cá, para Ord Mantell.
— Isso é seu? — Han disse.
— Na maior parte. Borga, o Hutt, tem uma pequena participação nisso.
Agora, se a Nova República apenas fizesse algo sobre os Yuuzhan Vong.
O sorriso de Han se desfez.
— Alguns de nós estão tentando fazer exatamente isso, Bunji.
— É isso que trouxe você aqui, sob uma falsa identidade, por acaso?
— Han e eu estamos tentando encontrar um ex-associado, — respondeu
Roa.
Bunji inclinou a cabeça com interesse.
— Encontrar?
— Ou apenas localizar, — disse Han. — Isso depende do que ele dirá
quando o encontrarmos.
— Qual ex-associado?
— O nome dele é Reck Desh.
Bunji caiu em silêncio por um longo momento. Ele inalou da cigarra e
lançou um enorme anel de fumaça em direção ao teto.
— O que você quer com ele?
— É uma longa história, — disse Han, — até mais longa do que a sua.
Bunji assentiu.
— Se eu fosse você, Han, não seria tão rápido em encontrar Reck Desh.
Han se inclinou pra frente, descansando os antebraços nos joelhos.
— Por quê?
— As coisas mudaram desde os velhos tempos. As pessoas estão
envolvidas em atividades agora que não teriam sido toleradas naquela
época, mesmo por escórias como Bossk.
— Que tipo de atividades?
— Como fornecer informações sobre as defesas planetárias ou
sequestrar carregamentos de refugiados e entregá-los nas mãos dos Yuuzhan
Vong para sacrifícios.
Os músculos da mandíbula de Han se contraíram. Bunji continuou.
— Reck e a gangue com a qual ele anda, que se autodenominam a
Brigada da Paz, têm colaborado com os operativos Yuuzhan Vong ajudando
a espalhar o sentimento anti Jedi e a desestabilizar sistemas planetários
antes da invasão. Em alguns casos, eles conseguiram persuadir mundos a se
capitularem aos Yuuzhan Vong antecipadamente.
— Você não saberia onde o Reck está atualmente? — Roa perguntou
judiciosamente.
— Segundo o último relatório, a Brigada da Paz estava operando no
espaço Hutt, — disse Bunji, — pro grande desagrado de Borga. Se você
quiser, posso fazer algumas investigações.
Han lhe lançou um olhar cético.
— Por que você estaria disposto a fazer isso por nós?
Bunji deu de ombros.
— Como eu disse, eu te devo. Se isso não é motivo suficiente, então
estou fazendo isso pelo Wook. Quase quebrei o meu coração ao ouvir que
ele havia morrido. Eu teria dado qualquer coisa pra ter tido um parceiro
como Chewbacca.
Antes que Han pudesse responder, sirenes começaram a soar e a
iluminação no bem equipado enclave de Bunji piscou. Sem aviso, a Roda
do Jubileu tremeu como se tivesse sido cutucada pelo dedo de uma mão
colossal. Um dos capangas de Bunji correu até um terminal próximo e
chamou dados numa tela.
— Ataque Yuuzhan Vong! — ele exclamou.
Humanos e outros saltaram de seus lugares, correndo de todas as
direções em busca de saídas, abrigo e do aparador antigo que guardava a
Reserva de Whyren e libações igualmente excepcionais. Diretamente no
caminho de um Whiphid em pânico, Han e Fasgo foram derrubados no
chão.
Roa enfiou as mãos sob os braços de Han e o puxou pra cima. Bunji e
os membros mais importantes de sua confraria já estavam desaparecendo
por uma abertura ampla na parede traseira da cabine. Han jogou a sua
mochila sobre o ombro e avançou, apenas para ouvir a abertura se trancar
solidamente ao alcançá-la.
— Para a Adaga Feliz, — disse Roa da antecâmara. — Não tenho
intenção de estar nesta roda quando os Yuuzhan Vong decidirem rolá-la
morro abaixo!
Capítulo 15

Com a estrela amarela de Ord Mantell por trás de si, a força-tarefa da Nova
República surgiu por trás do quinto planeta do sistema, com armas
disparando. Simultaneamente, ao redor das bordas irregulares da grande lua
do planeta, esquadrões de caças correram em frente pra enfrentar os
invasores, a radiação de seus motores iônicos diminuindo na noite.
As baterias do cruzador de batalha Mon Calamari e das fragatas de
escolta miraram alvos distantes e dispararam. Raios laser cortaram pra fora,
visíveis no vácuo como hifens irados de energia. Impactos foram
registrados na escuridão remota. Esferas sobrepostas de brilho brilharam na
escuridão, florescendo mais espessas do que um campo de flores silvestres.
As naves Yuuzhan Vong, de coral yorik pitado e casco facetado,
resistiram ao primeiro bombardeio. Formadas por basais dovin,
singularidades defensivas se formaram em torno das naves inimigas,
sugando incontáveis ergs de energia. Explosões de poderosos canhões
responderam em direção à força-tarefa como projéteis dourados em espiral,
grotescamente belos contra o campo estelar.
Desviando energia para os seus escudos, as naves da Nova República
mantiveram-se firmes, e depois devolveram o fogo. Luz laser e mísseis
brilhantes iluminaram a noite enquanto as duas flotilhas continuavam
trocando ataques.
X-Wings, B-Wings, E-Wings e TIE interceptors chegaram da área dos
defensores e começaram a distrair, assediar e ferroar as naves de vanguarda
dos Yuuzhan Vong com fogo de raio estreito. Aturdido pelo primeiro ataque
do cruzador de batalha, uma pirâmide de coral yorik do tamanho de uma
corveta baixou a sua guarda momentaneamente. Escorregando por pontos
vulneráveis nas defesas da nave, torpedos de prótons cuidadosamente
posicionados de um quarteto de B-Wings detonaram contra o casco negro
como carvão. Fragmentos de carne escabrosa do tamanho de caças
queimaram rastros de fogo através do espaço local.
Centro da força-tarefa, o cruzador de batalha alterou o seu curso,
determinado a desviar a batalha de Ord Mantell e das muitas naves civis
ancoradas ali e nas proximidades da Roda do Jubileu. Baterias de turbolaser
e canhões iônicos giraram e se moveram. Luz rasgou de canos de liga já
superaquecidos, e brilhos ofuscantes intermitentes na distância.
Uma segunda corveta Yuuzhan Vong tentou, sem sucesso, evadir o
bombardeio. Filtrada por lanças laser, ela desapareceu numa esfera fulgente
de fogo.
Coralskippers parecidos com asteroides, variando em tamanho, forma e
cor, avançaram numa nuvem imparável, forçando-se através do intenso
granizo e invadindo o meio dos grupos de caças. Formações bem mantidas
se desfizeram à medida que as naves se dispersaram para todos os lados,
fazendo manobras em rolo e espiral para se engajar ferozmente com as suas
presas. Em um banho de sangue de combate giratório, coralskipper caçava
caças estelares e caças estelares caçavam coralskipper.
As naves de esquadrão lutavam para permanecer juntas, mas eram mais
frequentemente separadas por explosões furiosas e forçadas a confrontos
um a um. Dovin basals pilharam os caças da Nova República de seus
escudos e os atacaram com jatos de rocha fundida que jorravam de
emplaques em forma de cone. Tornados indefesos, X-Wings e E-Wings
foram massacrados às dúzias. Presos em ferozes batalhas acirradas, os
oponentes se moviam em manobras evasivas.
O fogo de contra-ataque da maior nave dos Yuuzhan Vong silenciou
temporariamente o cruzador de batalha. Retirando-se para trás de seus
escudos, a nave Mon Calamari suportou tempestade após tempestade de
projéteis e bombardeio de plasma, enquanto eletricidade frenética dançava e
coruscava nas fronteiras das barreiras invisíveis da grande nave.
Aguardando o seu momento, o cruzador esperou até que a nave de
guerra Yuuzhan Vong parasse para reabastecer, então abriu fogo com todos
os canhões. Raios laser ainda mais fortes cortaram a noite, alguns sendo
engolidos por anomalias gravitacionais, enquanto outros desgastavam o
casco de coral yorik da nave inimiga.
Duas canhoneiras da classe Ranger se aproximaram, determinadas a
flanquear a nave de guerra. Descargas potentes de suas baterias principais
vaporizaram dezenas de coralskippers e naves de escolta num único
disparo. Táticas desesperadas salvaram algumas das naves de combate
Yuuzhan Vong, mas a maioria foi superada, desintegrada ou transformada
em cometas de vida curta.
As flotilhas começaram a fechar fileiras, saturando o espaço com
mísseis em chamas e luz contida. Pegas em fogo amigo, um trio de TIEs
desapareceu sem deixar vestígios.
Raios laser de uma fragata de escolta da Nova República atravessaram
outra corveta Yuuzhan Vong ao longo de seu eixo longo, coral, armas e o
restante desaparecendo numa nuvem de fogo. Como se em resposta, um
grupo de coralskippers isolou e cercou uma canhoneira solitária, drenando-a
de seus escudos e, em seguida, golpeando-a com projéteis, acendendo um
incêndio mortal que rapidamente envolveu a nave.
Em outro lugar, desviando por pedaços giratórios de destroços, um
esquadrão de E-Wings convergiu sobre uma nave Yuuzhan Vong ferida e
começou a atacá-la implacavelmente. Torpedos de prótons perfuraram as
suas defesas ameaçadas e colidiram com a proa. Camadas estratificadas
começaram a se desgastar da nave, entulho explodindo pra fora,
desaparecendo de vista. Uma segunda nave, menor, também atingida pelo
fogo laser, explodiu em pedaços, chovendo espaço próximo com pontos
brilhantes que piscavam.
Perto da lua mais externa de Ord Mantell, uma batalha caótica ruiu
enquanto coralskippers, X-Wings e TIEs se misturavam, ferozmente e com
uma resolução sombria. Os caças emergiram de rolagens suaves, mergulhos
invertidos e curvas predatórias para atacar a suas presas, perseguindo-as até
serem aniquiladas. Outras naves se redirecionaram, correndo através de
nuvens de fragmentos para escapar do massacre ou se agruparem para
reengajamento, às vezes saindo descontroladas.
No meio do sistema, o cruzador de batalha e a nave de guerra
avançaram um contra o outro, agora trocando fuselagens e salvas.
Tempestades localizadas de relâmpagos azuis envolveram ambas as naves à
medida que as suas defesas de energia estendidas entravam em contato. A
nave Yuuzhan Vong despejou o seu fogo mais letal na nave maior, e o
cruzador respondeu com salva após salva de luz direcionada. Pegos entre os
dois, uma fragata levou um impacto direto, enviando peças queimadas e
deformadas de destroços girando para o espaço.
Como se irritado pela perda, o cruzador aumentou a aposta com um
fogo crescente. Blocos do tamanho de rochas de coral de acabamento
espelhado voaram da nave de guerra, mas ela não estava disposta a se
submeter. Plasma jorrou das extremidades dos braços dianteiros da nave
inimiga, levantando explosões abrasadoras ao longo do casco de armadura
do cruzador.
As armas dispararam e brilharam. Fogo jorrou do casco de popa do
cruzador, que começou a afundar, inclinando-se para um lado, com os
canhões principais ainda disparando e os painéis de sensores em chamas.
Projéteis continuaram a penetrar a sua armadura até que o casco perdeu a
integridade e uma atmosfera preciosa começou a fluir pra fora. Com a
gravidade artificial desativada, escotilhas e selos, torres e pods de sensores
explodiram. Então, o vácuo jogou a sua carta triunfante, puxando a
tripulação e os conteúdos para a noite polar.
X-Wings e E-Wings correram destemidamente em apoio ao cruzador.
Torpedos de prótons encontraram pontos fracos nas defesas desgastadas da
nave de guerra, estourando contra os braços superestruturais e a crista de
comando, soltando gêiseres de coral espiral.
Mas os esforços dos caças vieram tarde demais.
Uma explosão infernal se expandiu de uma fenda no casco da nave Mon
Calamari, dividindo-a ao meio. Módulos de escape lançaram-se,
direcionando-se para Ord Mantell como gotas de chuva radioativa,
enquanto o cruzador de batalha se tornava uma esfera crescente de
incandescência turbulenta, então explodiu brilhantemente.
O Star Destroier surgiu entre as luas de Ord Mantell com os bicos de
propulsão principais e auxiliares chamuscando. Atirando-se de cabeça no
combate, disparou repetidamente enquanto o seu bow pontudo girava em
direção à nave de guerra. Linhas de energia finas como fio, provenientes
dos turbolasers de popa e canhões iônicos, perfuraram implacavelmente a
nave escura.
A Erinnic se preparou para o fogo de retorno, mas o plasma e os
projéteis nunca chegaram.
De repente, a nave de guerra mudou de curso, acelerou e começou a
descarregar a sua fúria sobre Ord Mantell, liberando todos os canhões
frontais. Mísseis ofuscantes cortaram em direção à superfície do planeta,
queimando túneis ferventes através da atmosfera. Detonações no solo
iluminavam as partes inferiores de nuvens irregulares.
Então, de uma abertura escura na proa, a nave de guerra extraiu uma
mangueira enorme que era mais uma monstruosidade viva do que uma
máquina. O nariz contundente da colossal criatura de pele texturizada pegou
o cheiro da Roda do Jubileu nas proximidades e, alongando-se, começou a
se fechar na pequena estação orbital, se enfiando entre o bando de
cargueiros, barcaças e naves de passageiros da Roda.
Um ataque posterior em forma de cunha de X-Wings e TIEs, lançados
do transportadorThurse, atacou a arma de terror herpetoide como aves de
rapina famintas, mas sem sucesso. Ainda preso à nave de guerra e protegido
por dovin basals, a criatura de tamanho descomunal atacou a Roda como
uma serpente venenosa. Como se estivesse determinada a arrancá-la da
órbita, a criatura recuou e atacou novamente, desta vez afundando a sua
boca em forma de maxilar na borda, prendendo-se à Roda como se fosse
um pedaço de massa, e balançando-a pra frente e pra trás.

Na névoa florida da iluminação de emergência, e com sirenes de alerta


estrondando tornando quase impossível ouvir uns aos outros, Han, Roa e
Fasgo correram por um trecho encurvado de corredor, esperando alcançar a
Adaga Feliz antes que o que quer que estivesse segurando a Roda decidisse
sacudi-la.
As concussões da batalha que rugia do lado de fora da estação espacial
os balançavam para cá e para lá enquanto corriam, às vezes colidindo com
seções da antepara acolchoada, mas com frequência demais em objetos
inflexíveis soltos pelos intensos paroxismos.
A maior parte da maré de pânico ia contra eles, mas Roa afirmava que
estava seguindo o caminho mais curto para a baía de atracação. Cada tremor
violento fazia multidões de pessoas escorregarem, deslizando ou sendo
arremessadas pelos corredores, muitas sendo arremessadas contra as
anteparas ou esmagadas sob o peso de corpos acumulados em alcovas e
junções. Pessoas em táxis repulsores não se saíam melhor, já que veículos
colidiam contra paredes ou uns com os outros, frequentemente tombando e
derrubando passageiros pelo convés.
Com Han e Fasgo em seus calcanhares, Roa virou à esquerda num dos
raios da Roda, apressando-se por uma escada congelada em direção a um
corredor estreito e sinuoso cujas paredes estavam em partes desabadas ou
amassadas. Faíscas choviam de dutos de energia rompidos e explosões da
rede de energia.
Eles não estavam a dez metros no corredor quando a estação sofreu
outro choque poderoso que desativou temporariamente os geradores de
gravidade artificial. Um momento, Han e os outros estavam se esgueirando
pelos danos e no próximo estavam no ar, flutuando em direção ao teto
parcialmente colapsado como mergulhadores nadando para a superfície do
mar. Então, tão de repente, o sistema de gravidade foi reativado e eles
foram puxados de cara contra o convés duro.
— Não há muito futuro nisso, — gritou Roa enquanto se levantava e
começava a andar cambaleando novamente.
— O futuro é o que você faz dele, — Han gritou de volta, conseguindo
de alguma forma segurar a sua mochila e manter o seu equilíbrio durante
um tremor violento que derrubou o que restava dos azulejos e dutos acima.
À sua frente, uma pesada cortina metálica caiu, bloqueando o caminho e
forçando-os a desviar de volta para a borda externa da estação. Ao
alcançarem um corredor central, foram imediatamente arrastados por uma
multidão mista de espécies que lutava para chegar às baías de lançamento.
De repente, a estação sofreu um ataque de força sem precedentes. Sons
estrondosos e irritantes de liga sendo rasgada preenchiam o corredor
enquanto um enorme arco da antepara externa era simplesmente arrancado.
E em direção a essa fenda escura a multidão foi inexoravelmente
puxada.
Gritos sobrepujaram a estridência metálica. Lutando uma batalha
perdida, as pessoas arranhavam as paredes, o convés e umas às outras num
esforço para evitar serem sugadas pra dentro da boca.
Pressionados contra a parede interna da curva, Han, Fasgo e Roa
conseguiram segurar os restos retorcidos de um corrimão. Mas mesmo
enquanto lutavam para se segurar, corpos eram levantados paralelamente ao
convés pela força de sucção, e o corrimão se desprendeu da antepara.
Os três foram puxados pra frente por vários metros antes que o corrimão
ficasse preso numa seção de grelha de piso enfiada numa escada, mas a
força da parada repentina os desalojou. Com bandeiras estalando num vento
incessante, agarraram-se a quaisquer apoios que puderam encontrar,
enquanto pessoas e droides passavam por eles em direção à fenda e a
atmosfera rugia pra fora como um rio furioso.
Um droide MSE-6 do tamanho de uma caixa de sapato acertou Fasgo
diretamente na cabeça e o carregou gritando para a corrente. Han assistiu
enquanto ele voava em direção à fenda, com os braços estendidos e
agitando-se, como se estivesse despencando de uma grande altura.
Han desviou o olhar antes que Fasgo desaparecesse.
— Parece que pegamos um caminho errado, — gritou para Roa, que
estava apenas fora de alcance à esquerda de Han, dedos rechonchudos
enrolados num pequeno parapeito na seção amassada da antepara.
Roa virou a cabeça.
— Uma pena que os técnicos de rejuvenescimento não me equiparam
com a força de um jovem além da boa aparência.
— Segure-se, Roa!
— Como eu gostaria de poder. Mas acho que ouço Lwyll me chamando.
— Não diga isso! Apenas segure-se até eu chegar lá!
Roa grunhiu de esforço.
— A má sorte entra pela escotilha que você deixa aberta, Han. A sorte
sorri, depois te trai.
Han cuspia um palavrão.
— Certo, continue falando se precisar. Mas apenas segure-se.
— Não posso, Han. Sinto muito. Não tenho mais forças. — O rosto de
Roa denunciava a luta. — Cuide-se, velho amigo. Termine os nossos
assuntos com Reck. — Sorriu resignadamente e se deixou levar pelo fluxo.
— Roa, não! — Han gritou, ousando estender um braço e quase se
permitindo ser levado.
Han fechou os olhos, pendurou a cabeça por um momento e então gritou
de raiva até a garganta doer.
Quando a sua respiração voltou, prendeu a mochila de viagem nas
costas e começou a se dirigir em direção a uma costela deixada exposta por
folhas das anteparas rasgadas. Mal havia envolvido os braços ao redor do
membro estrutural quando alguém disparou pasto a um centímetro de seu
rosto e se agarrou desesperadamente às suas pernas estendidas.
Han sentiu suas costas esticarem como um elástico e gemer de protesto.
Quando o choque diminuiu, olhou pra si mesmo e viu que o seu inesperado
acompanhante era um Ryn macho, com os braços agarrados em torno dos
joelhos de Han e as pernas se debatendo. Este estava usando uma boina
macio, sem aba, de quadrados vermelhos e azuis, usado num ângulo
despojado.
— Você se importaria de eu descansar aqui um momento? — perguntou
o alienígena num Básico melódico. — Se eu estiver muito pesado, eu tiro a
boina.
Han franziu a testa para ele.
— Enquanto sua cabeça estiver dentro.
— Então você prefere que eu solte.
— Se você se certificar de fechar a porta ao sair.
— Lá fora não é vácuo, — disse o Ryn, acenando em direção à brecha.
— Tem uma boca do outro lado daquele buraco.
— Uma boca ?
— A boca de uma arma de terror Yuuzhan Vong. Para capturar
prisioneiros.
Han imediatamente entendeu a lógica. As pessoas, os droides e os
objetos passando por ele não eram vítimas da gravidade comprometida;
estavam sendo efetivamente inalados por qualquer que fosse a criatura que
havia dado uma mordida gigantesca na borda da Roda.
— Então, como fazemos para entupir essa coisa? — disse Han.
O Ryn balançou a cabeça, com os longos bigodes balançando.
— Eu não acho que possamos. Mas pode haver uma maneira de abafá-
la.
Han seguiu o olhar do Ryn até uma emenda no teto do corredor, entre
eles e a boca.
— Um escudo de explosão!
O problema era que o botão em forma de cogumelo que poderia abaixar
a tela estava localizado na parede do corredor, cerca de cinco metros mais
perto da brecha.
— Tem um suporte logo além de mim, — disse o Ryn. — Se eu soltar
de você, posso conseguir agarrá-lo. Mas ainda assim não poderei alcançar o
botão de ativação da tela.
— Finalize o seu pensamento, — disse Han, tentando ignorar uma
sensação de queda.
— Então você terá que soltar e se agarrar a mim. Isso deve te colocar
perto o suficiente para apertar o botão com o seu pé.
— Supondo que eu consiga me agarrar a você!
O Ryn riu.
— Supondo também que eu consiga me agarrar ao suporte. Se eu errar,
bem, suponho que é uma questão de quanto tempo você acha que consegue
segurar. Caso contrário...
— Caso contrário, o quê?
O Ryn sorriu.
— Caso contrário, eu te vejo no inferno.
Han o olhou interrogativamente por um momento, então acenou com a
cabeça de maneira sombria.
— Você tem um acordo. Boa sorte.
O Ryn revestido de veludo se acomodou ao longo das pernas de Han até
que estivesse pendurado pelos tornozelos de Han, então se soltou. Han
ouviu, em vez de ver, o contato brusco que ele fez com o suporte.
— Você está bem? — ele gritou.
— É sua vez, — o Ryn gritou curtamente.
Han respirou fundo. Desembaraçando-se cuidadosamente da costela de
liga, ele se lançou. A corrente era ainda mais forte do que esperava. Num
segundo estava passando rapidamente pelo Ryn, mas quando estendeu a
mão de forma descontrolada para parar o seu movimento, agarrou apenas ar.
Já se imaginava dentro da arma de terror Yuuzhan Vong quando algo se
envolveu em seu peito sob os braços, puxando-o para parar. Levou um
momento para Han entender que o Ryn o havia segurado com a cauda.
— Chute no botão, chute no botão! — o alienígena gritou com uma voz
dolorida. — Ou planeje levar parte de mim com você pra dentro daquela
criatura!
Han olhou para a sua direita e avistou o botão em forma de cogumelo,
quase ao alcance do seu pé direito.
— Me balance pra direita! — ele gritou.
A cauda muscular do Ryn teve um espasmo justo o suficiente para fazer
Han balançar e trazê-lo para perto da parede do corredor. Ele estendeu o pé
e pegou o botão com a ponta da bota.
A escudo de explosão desceu rapidamente, atingindo o piso nervurado
com um estrondo alto e tranquilizador. Imediatamente, Han, o Ryn e todos
que estavam no corredor seguiram o exemplo, caindo no chão como pedras.
Enquanto Han lutava para recuperar o fôlego, o Ryn se levantou e
puxou a sua boina pra baixo na testa. Han observou o resto da roupa
colorida do alienígena: um colete, culotes e botas até o tornozelo.
— A que horas eles te ligam? — ele perguntou entre respirações.
O Ryn riu.
— Mais ou menos na hora de você dormir. E agora?
Han se levantou, batendo a sujeira das mãos.
— Precisamos sair desta estação antes que aquela coisa decida que
ainda está com fome.
— As baías de lançamento são por aqui, — os dois disseram ao mesmo
tempo, embora se apressassem em direções opostas.
— Confie em mim, — disse o Ryn antes que Han pudesse falar.
Han o encarou com dureza, então fez um gesto pra ele seguir e foi atrás.
Espasmos poderosos continuaram a sacudir a Roda, jogando-os de um
lado para o outro. Han parou para pegar um par de crianças Bimm chorando
que haviam se separado de suas famílias. Outras crianças e adultos
começaram a se agarrar a Han e ao Ryn, se não por outra razão, porque os
dois pelo menos pareciam saber para onde estavam indo.
— É melhor você estar certo, — Han advertiu enquanto corria.
— Não se preocupe, — o Ryn gritou por sobre o ombro. — Eu sou
muito jovem pra morrer.
— Sim, e eu sou muito conhecido.
À frente, o corredor se alargou à direita, e Han começou a reconhecer
onde estava. As baías de docagem estavam a uma curta distância.
— Você sabe pilotar uma nave? — o Ryn perguntou ofegante.
Han sorriu de forma convencida.
— Não se preocupe...
— Você conhece algumas manobras.
As narinas de Han se expandiram.
— Você é um bom conversador, parceiro.
— Procure ficar acordado, de qualquer forma.
O Ryn derrapou até a primeira porta da estação de pouso e apertou
repetidamente o botão de entrada.
— Bloqueio de segurança, — ele anunciou.
Han o empurrou pro lado para estudar o painel de controle do bloqueio.
— Apresse-se! — alguém na multidão angustiada disse. — Precisamos
sair daqui!
Han se virou com raiva do mecanismo e estava com a boca aberta para
responder quando o Ryn disse:
— Ele está trabalhando nisso, ele está trabalhando nisso.
Han apontou um dedo em sinal de silêncio para o Ryn, então se virou e
digitou um código de substituição no painel de toque. A escotilha
permaneceu fechada. Ele tentou outro código, depois um terceiro.
— O que eu daria por um blaster carregado agora, — ele ponderou.
— Um droide da série R serviria? — o Ryn perguntou.
— Se nós tivéssemos um. — Han lançou a ele um olhar sarcástico. — A
menos, é claro, que você tenha um invocador de droides escondido naquele
traje de luzes.
Voltou a sua atenção para o painel de toque, pensando em dar uma
última tentativa, quando da borda da multidão ouviu os característicos
chilros, pios, gorjeios e trinados de uma unidade R2. Virando-se em
surpresa, embora animado, viu que os sons vinham do Ryn, que estava
dedilhando as perfurações em seu bico quitinoso como se fosse uma flauta.
Han olhou para o alienígena de boca aberta, então balançou a cabeça de
forma confusa.
— Você também canta e dança?
— Somente por créditos. — O Ryn sorriu numa elaborada
autossatisfação. — Às vezes eu me surpreendo até mesmo com o que sou
capaz.
Han deu um passo ameaçador em direção ao alienígena.
— Agora, escute...
Uma cascata melódica de genuínos gritos e assobios interrompeu-o
quando uma unidade R2 com cúpula vermelha entrou em cena.
— Ele quer saber como pode ajudar, — traduziu o Ryn.
Han olhou do alienígena para o droide com incredulidade, então indicou
silenciosamente o cadeado de segurança da escotilha.
O droide estendeu um braço manipulador de um compartimento alto em
seu corpo cilíndrico, inseriu-o numa porta de acesso acima do cadeado e
rapidamente cortou o código. A escotilha se abriu e a multidão avançou,
quase esmagando Han no processo.
— Tenho certeza de que todos eles te agradecerão mais tarde, — disse o
Ryn enquanto passava apressado.
Esperando numa das plataformas de lançamento do hangar estava um
transporte civil em forma de bala, grande o suficiente para acomodar todos.
Han correu para a cabine enquanto o Ryn supervisionava o embarque; em
seguida, o Ryn se juntou a Han nos controles da cabine, acomodando-se
confortavelmente no assento de copiloto e se prendendo no cinto de
segurança, apesar de sua longa cauda.
Han acionou o interruptor que ativou os geradores do repulsor e
levantou a nave. Rotacionando-a num giro de 180 graus, manobrou o
transporte através da porta da estação de pouso e pra fora na baía de
lançamento.
O espaço local estava repleto de caças e iluminado por brilhos de luz
explosiva. Um bando de coralskippers passou rapidamente pela janela de
contenção magnética da baía, perseguido por duas vezes o seu número de
X-Wings e TIE interceptors, com os lasers disparando constantemente.
— Não saímos dessa ainda, — disse Han, cerrando os dentes enquanto
mirava a nave para a abertura.
Capítulo 16

O transporte desviou pra esquerda e pra direita, enquanto Han traçava um


curso irregular entre os centenas de naves ancoradas na sombra da Roda. A
maioria das barcaças e cargueiros permanecia ancorada, mas alguns
estavam tão determinados a escapar quanto Han, movendo-se em toda
velocidade, na direção que parecesse melhor.
Han virou o transporte para bombordo, acompanhando a curva da borda
externa da estação, subindo ou descendo conforme necessário para evitar
destroços puxados do interior pela arma aterrorizante Yuuzhan Vong que a
havia atingido. Um quarto do caminho ao redor da Roda, uma enorme nave
de guerra inimiga apareceu, negra como a noite e tornada ainda mais
horrenda por pares de braços de coral yorik ramificados. Retratando-se num
orifício na proa estava a colossal criatura serpentina, claramente
responsável pelas três brechas erodidas ao longo da face externa daquela
parte da borda da estação.
— Essa deve ser a coisa que engoliu Roa e Fasgo, — grunhiu Han para
o Ryn. — Você e eu poderíamos estar dentro dela agora. — Fechando o
acelerador do transporte, acelerou em direção à criatura, alheio ao
desespero de olhos arregalados de seu copiloto.
— O que você está fazendo? — gritou o Ryn.
Han gesticulou com o seu queixo barbudo pela janela.
— Os meus amigos estão aprisionados naquela coisa.
A voz do Ryn o abandonou momentaneamente, então ele exclamou:
— Você não pode simplesmente soltá-los!
— Fique olhando, — disse Han pelo canto da boca.
— Você está maluco!
— Me diga algo que eu não saiba.
— Certo, que tal, estamos desarmados !
Han de repente percebeu que não estava a bordo da Falcon e xingou a si
mesmo. Se estivesse sozinho, ou mesmo apenas com o Ryn, poderia ter
arriscado atacar a arma de terror de qualquer maneira. Mas o
compartimento de passageiros do transporte estava cheio de dezenas de
inocentes que já estavam fugindo da guerra e que definitivamente não
mereciam ser levados à batalha por um lunático no controle de uma nave
sem armas e sem escudos.
Também ocorreu a Han que ele estava na mesma posição que Anakin se
encontrara em Sernpidal, forçado a escolher entre as vidas de uma nave
cheia de estranhos e a vida de um amigo. A realização perfurou o coração
de Han como uma vibrolâmina, e jurou para si mesmo que se conseguisse
voltar para casa inteiro, colocaria as coisas em ordem com o seu filho
afastado.
Ainda assim, Han não pôde resistir a atormentar a criatura com um voo
rasante. Quando o nariz da coisa se aproximou o suficiente para tocar, e o
Ryn estava meio fora de seu assento em alarmante desespero, Han desviou
o transporte para bombordo, esperando que a aberração deslizante
conseguisse ter um gostinho do exaustor iônico da nave.
O fato da criatura ter disparado repentinamente da nave de guerra, quase
pegando o transporte com a sua boca sugadora, sugeriu que o desejo de Han
tinha sido realizado.
— Bom trabalho! — o Ryn gritou. — Você certamente conseguiu
chamar a atenção dela!
Um pouco assustado, Han fez o transporte subir num potente giro, em
seguida, uma série de loops e rolamentos evasivos enquanto a criatura
continuava a tentar mordê-la.
— A coisa maldita é tão temperamental quanto uma lesma espacial!
— É, e somos os mynocks que a irritaram! — disse o Ryn.
Han apertou a mão nos controles. Disparando os propulsores de
frenagem, puxou o leme etérico pra direita ao mesmo tempo, então
executou um mergulho que levou o transporte girando em torno do pescoço
da criatura enfurecida e, finalmente, sob a proa da nave de guerra inimiga.
— Quem vai limpar a cabine de passageiros? — o Ryn perguntou,
quando conseguiu engolir a ânsia.
— Preocuparemos com isso depois.
Pelo bem dos passageiros, Han aumentou o ganho no compensador
inercial e diminuiu a velocidade. O transporte estava apenas emergindo do
outro lado da proa quando o painel de instrumentos começou a gritar.
A boca de Han se abriu.
— O que foi? — perguntou o Ryn nervosamente. — O que foi? — Ele
olhou para os indicadores. — Por que você está diminuindo a velocidade?
Han lutou com os controles.
— Um dovin basal nos pegou! A nave está nos puxando de volta!
O Ryn se sentou em seu assento e alcançou os controles auxiliares.
Enquanto Han lutava com o manche, o Ryn abriu os motores, fazendo o
transporte acelerar por uma subida acentuada que os levou sobre o topo da
nave de guerra e desceram pelo lado oposto num mergulho invertido.
— Boa ideia, — observou Han enquanto o transporte disparava para o
que parecia ser espaço livre. — Bom estar longe daquela coisa...
Outra explosão do Ryn apagou as palavras de Han. Quatro coralskippers
tinham disparado da parte inferior da nave e já estavam abrindo fogo com
lançadores de projéteis.
Han virou pra direita, desviando dos skips e voando através de uma
série de manobras evasivas.
— Você tinha que ir e assustar o animal de estimação deles! — gritou o
Ryn enquanto os mísseis flamejantes passavam pelo transporte de ambos os
lados.
Mortalmente à frente, uma verdadeira nuvem de coralskippers se dirigia
para a nave de guerra, com caças da Nova República em calorosa
perseguição. Han diminuiu a aceleração e virou, apenas para ver o bico
pontiagudo de um Star Destroier aparecer de trás da lua mais próxima de
Ord Mantell. Hifens azuis de energia, furiosos, dispararam dos canhões
frontais das fortalezas, atacando os skips em fuga e quase atravessando a
balsa. Então a nave de guerra Yuuzhan Vong respondeu com plasma, tão
ofuscante e irada quanto proeminências estelares.
Toda a cautela esquecida, Han acionou os propulsores e desviou do
meio do tiroteio. Mas os quatro skips que haviam encontrado anteriormente
ainda estavam grudados na cauda do transporte.
— Sem dúvida, — murmurou Han, — o meu passado está
definitivamente me alcançando.
O Ryn olhou pra ele.
— Então você não está correndo rápido o suficiente!
Han apertou os lábios.
— Vamos ver sobre isso. Trace um curso para a Roda.
— Estamos voltando?
— Você me ouviu.
— Ajudaria negar?
— Pare de gritar, — Han gritou. — Me dê tudo o que os propulsores
têm.
O Ryn se preparou para a tarefa, resmungando o tempo todo.
— Não sei por que o seu passado tem que me alcançar.
— Acho que tem a ver com o seu chapéu, — Han disse. — Além disso,
quem te pediu para se grudar em mim?
— Você está certo. Na próxima vez, escolherei outra pessoa para ficar
junto.
Han levou a nave diretamente para a borda externa da Roda, mas no
último momento subiu por cima, depois mergulhou abruptamente e
disparou entre dois dos raios tubulares da estação. Os quatro coralskippers o
seguiram, mas apenas três conseguiram acompanhar as manobras precárias.
O piloto na nave atrasada não conseguiu desviar no momento certo e
colidiu de frente com um dos raios, pulverizando-se.
Saindo da Roda, Han nivelou a nave, então fez uma corrida pelo espaço
vazio.
— Projéteis se aproximando rapidamente! — o Ryn avisou.
Engatando os propulsores de frenagem, Han girou o manche com força
para um lado, então apertou o acelerador e mergulhou, girando a nave 180
graus e direcionando-a de volta para a Roda. O trio de coralskippers não se
preocupou em tentar imitar a manobra e, quando começaram a sair de suas
curvas amplas, a nave estava se aproximando novamente da borda externa
da estação orbital.
Han puxou o manche pra trás, depois pra frente, fazendo a nave passar
sobre o topo da borda. Mas desta vez, pouco antes do centro, desviou-se
bruscamente pra direita e mergulhou, correndo por baixo de um dos raios
radiantes, então curvou pra esquerda, levantando o nariz da nave para subir
sobre o topo do próximo. Enquanto os pilotos dos skips tentavam seguir,
perdendo mais um de seus companheiros no processo, Han lançou a nave
num mergulho invertido e, revertendo o seu curso, fez um oito com a
manobra.
Emergindo de debaixo do aro, porém, Han e o seu copiloto se viram de
volta onde começaram, se entrelaçando entre grupos de naves ancoradas de
perto.
— Algum sinal desses skips? — Han perguntou quando pôde.
O Ryn estudou as telas de exibição.
— Apenas dois sobraram. Mas eles estão nos seguindo.
Han conduziu a nave através de uma curva apertada enquanto o Ryn
mantinha os retro propulsores funcionando. Eles estavam voltando em
direção ao anel quando um iate de luxo da Corporação Tagge, lavanda e
vermelho, de repente saiu de uma das baías de lançamento, não apenas indo
direto para a nave, mas abrindo fogo para limpar o caminho.
Han gritou e virou a nave pra cima, evitando por pouco os raios de laser
e o que teria sido uma colisão certa. Levantando os olhos enquanto o iate
passava por eles, teve uma rápida visão dos ocupantes da cabine e socou o
console.
— Posso apostar que era a nave do Grande Bunji!
— Pra que servem os amigos, — comentou o Ryn.
Mas naquele momento, um dos coralskippers em perseguição levou um
tiro do iate e explodiu.
— Bem, aí está, — Han disse, balançando a cabeça em espanto.
— Isso ainda deixa um, — o Ryn lembrou.
— Quer apostar?
A nave saltou em direção ao Roda, mas Han não confiava que poderia
voar mais rápido do que o piloto Yuuzhan Vong sobrevivente piloto com
mais manobras de cima e baixo. Em vez disso, se dirigiu para a parte não
completada da borda externa, onde andaimes de construção, plataformas
flutuantes e um espalhamento de naves drones inertes criavam uma espécie
de pista de obstáculos.
Apertando ambas as mãos em torno do manche, lançou a nave num
mergulho vertical para desviar de uma plataforma, depois rolou pra
esquerda para levar a nave por baixo do mais longo dos andaimes de
estrutura aberta. No entanto, a meio caminho, uma descarga de plasma do
coralskipper atingiu o andaime, forçando Han a desviar bruscamente para o
núcleo. Ao longo do caminho, quase perdeu uma asa para uma retentora
projetando-se da parte inferior de um dos raios, mas o verdadeiro problema
era o piloto inimigo, que era tão preciso com as suas armas quanto
habilidoso com a sua nave.
Com os indicadores do console gritando e piscando, Han impulsionou a
nave por um círculo concêntrico ao núcleo, fazendo a curva cada vez mais
fechada, então se direcionou pra fora, acelerando de volta em direção ao
arco esquelético da borda externa.
Puxando-se para ficar em pé, o Ryn se inclinou em direção ao visor com
óbvio receio.
— Você não pode estar falando sério! — ele gaguejou.
Han estudou a borda sem pele, e as costelas expostas e membros
estruturais pelos quais planejava guiar a nave.
— Não há cobertura do outro lado também, — disse ele no tom mais
tranquilizador que pôde reunir. — Eu verifiquei.
— Você verificou? Quando?
— Mais cedo, — Han disse indiretamente. — Confie em mim, há
espaço livre do outro lado. Apenas segure-se.
Os instrumentos do transporte entraram em pânico, gritando e piscando
avisos de um destino iminente, mas Han fez o melhor para ignorá-los. Com
o coralskipper colado na cauda da nave, aumentou a velocidade. Então,
pouco antes da borda, fingiu uma subida apertando os jatos de ajuste de
atitude pra frente. O piloto do skip mordeu a isca e subiu. Percebendo o seu
erro, o Yuuzhan Vong tentou aumentar o ângulo de sua subida e executar
um giro pra trás, mas ele estava muito perto da borda. O skip cortou viga
após viga, perdendo pedaços de si mesmo a cada impacto, então se desviou
para um lado e colidiu com uma curva de casco inflexível onde o raio e a
borda se encontravam.
Cinco graus a bombordo, comprometido com o seu plano original, Han
levou a nave diretamente para a borda, deslizando através de uma floresta
de costelas de reforço, vigas, pilares e suportes. Mas, como havia
suspeitado, a face externa da borda ainda não estava fechada, e o espaço
livre estava a apenas um batimento de coração de distância.
— Veja, isso não foi tão ruim, — ele começou a dizer, quando algo
atingiu estrondosamente o visor de transparaço.
Os braços de Han e do Ryn voaram para os seus rostos. Han tinha
certeza de que a nave havia sofrido danos graves, mas quando olhou,
encontrou apenas um droide protocolo, espalhado no visor e segurando-se
para não cair.
— Carona, — disse o Ryn.
Várias opções se apresentaram para desalojar o droide, mas Han não
agiu em nenhuma delas.
— Qual é o problema, — ele disse.
Manteve a nave num curso firme até estarem a uma certa distância da
Roda, então se desviou através de uma curva longa e descendente. A área
estava livre de coralskippers, e a nave de guerra Yuuzhan Vong começava a
se afastar, com os seus dovin basals devorando a maior parte do que o Star
Destroier e um grupo de caças estavam lançando contra ela.
— Trace um curso para Ord Mantell, — Han disse por fim. Pelo canto
do olho, ele viu o Ryn assentindo aprovadoramente.
Han sorriu.
— Eu... — ele começou a dizer e se calou.
O Ryn o encarou questionador.
— ...tenho os meus momentos, — Han completou em voz baixa, mas
por repetição e ausente de qualquer emoção.
Na verdade, não era nada como nos velhos tempos. Roa e Fasgo
estavam ou capturados ou mortos, e a mão que Han tinha presa ao manche
da nave tremia incontrolavelmente.
Da ponte superior da Erinnic, o Vice-Almirante Poinard e o General Sutel
assistiam a uma nave de forma de projétil se mover através dos destroços ao
redor da Roda do Jubileu e apressar-se em direção a Ord Mantell. Para além
das luas do planeta, o que restava da flotilha Yuuzhan Vong estava em plena
retirada.
— Senhores, o comando técnico relata que os escudos sofreram danos
graves, — disse um marinheiro do posto de tripulação de estibordo, — e
não aconselha, repito, a perseguição.
— Afirmativo, — Poinard disse. — Diga ao comando técnico que
manteremos a nossa posição. Alerta de combate suspenso.
— Talvez seja para o melhor, — Sutel comentou. — Ver as suas forças
voltando pra casa pode dar aos Yuuzhan Vong uma pausa.
Os olhos fixos nas naves em retirada, Poinard não respondeu.
— Senhores, os relatórios pós-batalha estão chegando, — disse a
mesma membro da tripulação. — Além do cruzador, perdemos uma fragata
de escolta e três canhoneiras. — Ela fez uma pausa breve. — A avaliação
da batalha estima que as perdas inimigas são significativamente maiores. A
Roda do Jubileu está abalado, mas se segurando. Ord Mantell descreve
danos extensos a alguns centros populacionais do interior, mas acrescenta
que os escudos protegeram as cidades costeiras do pior e que os incêndios
estão sob controle.
Sutel virou-se para o seu companheiro de armas.
— Isso deve te alegrar um pouco, Almirante.
Poinard grunhiu de forma não comprometida, então se afastou da baía
de observação.
— Informe ao quartel-general que a inteligência deles não era
infundada, — ele instruiu o seu ajudante. — Não tenho certeza de como,
mas conseguimos expulsá-los.
Capítulo 17

Movendo-se com confiança arrogante, Reck Desh, de cabelo preto,


aerodinâmico e recém-tatuado, entrou na Orquídea Nebulosa e avaliou a
sala num relance. Os clientes do popular restaurante da Cidade Kuat
incluíam a habitual mistura barulhenta de técnicos, engenheiros e
montadores de naves humanos e não humanos, muitos de licença das
instalações de construção de naves estelares da Estaleiros de Propulsores de
Kuat, junto com uma dúzia ou mais de civis. Entre estes estavam três
telbuns disfarçados em pesadas túnicas roxas e vermelhas e altos chapéus
cilíndricos, companheiros em treinamento para as filhas mimadas da elite
Kuati. Garçons de carne e osso e droides corriam de um lado para o outro,
fazendo pedidos e entregando pratos excessivamente caros de refeições
artisticamente elaboradas.
— Onde você supõe que deve esperar? — perguntou o maior dos dois
companheiros de Reck.
Reck acenou com o queixo para as cabines que forravam o fundo da
sala.
— Número seis.
O homem grande contou as cabines em voz alta, com a cabeça
balançando enquanto se movia da esquerda pra direita, a partir das janelas
altas que davam para a rua.
— Seis está vazio.
— Então estamos começando bem, — Reck comentou. — Você e Ven
se sentem onde puderem me vigiar. Mas fiquem onde estão. Não façam
nada a menos que eu dê um sinal.
— Entendido, — Wotson disse enquanto ele e o seu parceiro se dirigiam
a uma mesa desocupada no centro da sala.
Reck puxou as suas calças largas, atravessou a sala e se acomodou na
cabine seis. A cabine cinco também estava vazia, mas na sete estava um
telbun solitário cujo véu facial cobria tudo, exceto os olhos. Reck se
recostou no assento acolchoado para esperar que o seu contato misterioso
aparecesse. Ele estava prestes a chamar um garçom quando o telbun
sentado costas com costas com ele falou.
— Não vire-se, Reck, — ordenou o Kuati num tom neutro típico de um
disfarçador de voz caro.
Reck mal conseguiu ficar parado. Em sua mente, ele reviu o seu breve
olhar para o telbun e reavaliou as conclusões que naturalmente havia tirado.
As ricas túnicas e o chapéu alto poderiam ocultar um ser de uma ampla
variedade de espécies, e o disfarçador de voz tornava impossível saber se o
falante era masculino ou feminino.
— Você é autêntico ou só está a caminho de um baile de máscaras? —
ele perguntou após um momento.
O estranho ignorou o sarcasmo.
— Dê sinal aos seus associados de que tudo está em ordem, Reck.
Reck inclinou a cabeça pra trás, quase tocando a do telbun.
— O que me impede de chamá-los aqui e arrancar esse véu do seu
rosto?
— Nada. Mas você seria um tolo se pensasse que eu vim aqui sem
apoio.
Os olhos avelã de Reck saltaram, procurando por candidatos prováveis.
Blefe ou não, não havia mal em ouvir o telbun. Ele se virou parcialmente na
cabine e acenou um tudo be para Ven e Wotson.
— Muito bom, — disse o telbun. — Como mencionei quando falamos
pelo comunicador, tenho algumas informações pra você.
— Bom pra você, — Reck disse. — Mas primeiro quero saber como
você soube onde me encontrar.
— A explicação simples é que as atividades e a localização atual da
Brigada de Paz são conhecidas por mais pessoas do que você pode
imaginar.
Reck soltou o ar rapidamente e balançou a cabeça de maneira triste.
— Isso significa que estamos trabalhando para as mesmas pessoas ou
que você tem acesso a dados sensíveis. E como duvido que estamos no
mesmo time, você é segurança militar ou Inteligência da Nova República.
— Você não precisa saber disso agora.
— Talvez sim, talvez não, mas eu vim de Nar Shaddaa para esta
reunião.
— E tenho certeza de que você já está com saudade dos Hutts.
— Tudo o que estou dizendo é que é melhor você ter algo que valha a
pena.
O telbun levou um momento para responder.
— Você viaja com a Brigada de Paz, mas responde aos operativos
Yuuzhan Vong.
Reck também levou um momento.
— Você já sabe disso ou não teria me chamado aqui.
— Resposta correta. Sou meio exigente quanto à honestidade.
— Vá direto ao ponto, — Reck sussurrou. — Que informação você
tem?
— Eu sei uma maneira de te colocar em boa posição com os seus
superiores.
— Sim, você disse isso quando fez contato. Mas o que te faz pensar que
não estou em boa situação?
— Você apareceu aqui. Eu não sabia onde você estava quando te
contatei, mas agora sei. Você é ambicioso e está intrigado.
Reck bufou novamente.
— Eu te avisarei quando ouvir o resto do que você tem a dizer.
— A Nova República tem uma desertora Yuuzhan Vong sob custódia.
Ela é uma elite, uma sacerdotisa de algum tipo. Ela ejetou de uma nave
inimiga destruída no setor Meridian. Os Yuuzhan Vong já tentaram
recuperá-la, e depois do que aconteceu em Ord Mantell, suspeito que eles
redobrem os esforços.
As sobrancelhas de Reck se franziram.
— O que aconteceu em Ord Mantell?
— Com base em inteligência fornecida pela desertora, uma força-tarefa
da Nova República frustrou um ataque Yuuzhan Vong.
Reck soltou um assobio surpreso.
— Então essa sacerdotisa agora é bem valiosa.
— Ela está viajando com uma mascote. As duas estão sendo
transferidos do Orla Média para Coruscant para proteção. Eu sei a rota que
estão tomando.
Reck controlou o impulso de se virar.
— Não tenho certeza se estou te acompanhando.
— Pense nisso. Quem devolver a desertora ao redil estará fazendo um
grande favor aos Yuuzhan Vong.
— Agora eu entendi. Faço todos felizes e talvez ganhe uma
recompensa. Mas qual é a sua vantagem nisso? Você quer uma parte da
ação, certo?
— Errado. Em troca, você me mantém informado sobre os futuros
negócios da Brigada de Paz com os Yuuzhan Vong.
— E se eu recusar a cumprir a minha parte do acordo?
— Eu trarei todos sobre você, militares e Inteligência da Nova
República. Depois das trapalhadas que você fez, terá sorte se conseguir uma
sentença de prisão perpétua em Fodurant.
— Cartas na mesa, hein? Então por que você quer ver essa desertora
devolvida?
O telbun riu rapidamente.
— Você se juntou ao inimigo apenas pelos créditos, Reck?
— Créditos roubados são duas vezes mais doces do que créditos
ganhos.
— Isso é fofo, mas eu não aceito. Sem dúvida, os créditos influenciaram
a sua decisão, mas você sabe tão bem quanto eu que há questões maiores
em jogo.
— Que questões maiores?
— A Nova República vai perder esta guerra, e não há nada a ganhar
estando do lado perdedor. Se jogarmos isso certo, Reck, nós dois sairemos
vencedores.
— Eu estaria mentindo se dissesse que não é uma oferta tentadora, —
disse Reck, hesitante. — Mas, já que você não teve problemas para chegar
até mim, isso deve significar que o SINR já está monitorando a Brigada da
Paz.
— Deixa isso comigo.
— Com você... E quando eu vou saber quem você é?
— Quando for a hora certa, e eu tomar essa decisão.
Reck respirou lentamente.
— Tudo bem, — disse finalmente. — Estou disposto a tentar.
— Você não vai se arrepender. — O telbun fez uma pausa breve. — A
desertora e a sua companheira estão sendo realocadas para Bilbringi a bordo
de uma nave velha de cruzeiro estelar chamada Rainha do Império. Vou
fornecer a você os planos de viagem deles e mantê-lo atualizado sobre
detalhes adicionais à medida que eu os descobrir. Mas sugiro que você as
capture antes que cheguem a Bilbringi.
— Deixe isso comigo, — Reck disse, feliz pela chance de equilibrar as
contas.
— Uma coisa mais: você deve ficar em silêncio sobre onde obteve essa
informação, mesmo com os seus controladores Yuuzhan Vong. Por
enquanto, isso é estritamente entre você e eu, e os seus dois comparsas.
— Eu posso fazer isso, pelo menos em caráter experimental.
— Sei que você não vai me decepcionar, Reck.
Uma mão tocou o ombro de Reck. Então, com um farfalhar de tecido, o
telbun se levantou.
— Estarei em contato. Não tente me seguir.
Reck ficou onde estava, mas seus olhos percorreram a sala em busca de
sinais dos cúmplices do telbun. Quando ninguém se levantou para seguir a
figura encapuzada pela entrada dos fundos do restaurante, ele se virou para
Ven e Wotson.
— Rápido, atrás dele!
Reck estava um passo à frente da dupla enquanto eles arrombavam as
portas dos fundos, apenas para se deparar com um pátio lotado preenchido
de parede à outra com telbuns vestidos da mesma forma.
Sirene crepitante sinalizou que estava tudo limpo enquanto C-3PO se
apressava pelos pátios de lançamento ao ar livre do principal espaçoporto
de Ord Mantell. Escudos de defesa protegeram a cidade de bombardeios
aéreos, mas ao norte, na direção dos renomados depósitos de sucata do
planeta, colunas espessas de fumaça negra oleosa subiam num céu
embaçado.
— Graças ao criador, — murmurou C-3PO enquanto caminhava. —
Graças ao criador.
Protegida por seu vigilante guarda-costas Noghri, a Mestra Leia
encarregou C-3PO de garantir que a sua espaçonave não tivesse sofrido
danos durante o ataque Yuuzhan Vong, e de fato isso se provou ser o caso.
Mas várias naves foram pegas de surpresa, e a visão de seus cascos
queimados e perfurados deu a C-3PO um tremor inabalável.
Estremeceu-se ao pensar qual poderia ter sido o seu destino se a força-
tarefa da Nova República tivesse falhado em frustrar o ataque inimigo. Por
que, poderia muito bem ter terminado num ferro-velho ou, pior ainda, no
fundo de um buraco cheio de droides incinerados, como testemunhou em
Rhommamool, após um breve, mas inquietante encontro com o falecido
Nom Anor.
— A sua existência me ofende, — o criador de problemas políticos lhe
dissera, com um olhar ameaçador que estava permanentemente queimando
no núcleo da memória de C-3PO.
Era uma coisa ser evitado pelos Gotals, cujos órgãos sensoriais
impressionáveis tendiam a ficar sobrecarregados pela energia emitida pelos
droides, mas era outra completamente diferente ser escolhido para
desativação ou aniquilação. Claro, houve casos em que um droide foi
realmente responsável por instigar sentimentos anti droide, como quando
um droide supervisor EV da MerenData, servindo sob Lando Calrissian em
Bespin, destruiu um quarto da população de droides da Cidade das Nuvens.
Mas os atos ignominiosos de EV-9D9 estavam longe de ser típicos do
comportamento dos droides.
Mais precisamente, o que poderiam os droides, ou um único droide, ter
possivelmente feito para encher Nom Anor com tal ódio? Ao buscar
precedentes, C-3PO podia se lembrar de instâncias de inimizade contra
droides provenientes de humanos forçados a usar partes artificiais. Mas
muitos humanos estavam perfeitamente confortáveis em abrigar partes não
vivas. C-3PO não conseguia se lembrar de uma única instância em que o
Mestre Luke reclamasse de sua mão de reposição.
Era tudo tão desconcertante !
C-3PO teve mais do que a sua cota de encontros pessoais com a
aniquilação. Um braço arrancado por Tusken Raiders, desmembramento
traumático por Imperiais na Cidade das Nuvens e por vândalos em
Bothawui, um olho arrancado pelo macaco lagarto Kowakiano de Jabba O
Hutt... Mas apenas para ser remontado após cada calamidade,
desfragmentado e desmagnetizado, banhado em óleo, num tanque de bacta
para droides, e polido de volta ao seu esplendor áureo.
Aquelas ressurreições periódicas tornaram a desativação real
inconcebível, ou, pelo menos, desafiadora de contemplar. De fato, cessar de
existir era desligar-se permanentemente, eternamente. Mas como poderia
ser isso? E quão torturante deve ser sofrer a desativação forçada pelas mãos
de adversários!
— Nós todos estamos condenados, — murmurou C-3PO em voz alta.
— É o destino de todos os seres sencientes, metálicos e não metálicos,
sofrer.
Mas exatamente por que a desativação era uma perspectiva tão
assustadora de se ponderar?
O medo era devido a um desejo desesperado de permanecer ativado, de
sustentar a consciência indefinidamente e a qualquer custo? Ou era devido a
um apego não natural à existência? Um apego que, se abandonado, levaria
consigo todos os medos de deixar de existir.
A revelação o desconcertou momentaneamente, e parou de forma tão
abrupta no campo de pouso de permacreto que um droide protocolar não
muito diferente colidiu com ele.
— E chu ta pra você! — disse C-3PO, devolvendo o rude xingamento
do droide.
A coragem, disse a si mesmo enquanto retomava o seu ritmo.
Desrespeitar alguém que tinha visto tanto em seu tempo, que tinha viajado
tão amplamente, que havia acumulado tanto conhecimento desde seu
primeiro trabalho programando carregadores binários.
Inesperadamente, os seus fotorreceptores se fixaram no Mestre Solo.
Conversando com um... ora, um Ryn, de todas as espécies.
À medida que C-3PO se apressava em direção a eles, não pôde deixar
de notar que o Mestre Han e o Ryn pareciam um pouco desgastados, assim
como a transporte que eles haviam obviamente saído, acompanhados por
um misto de seres tristes e uma unidade R2 com uma cúpula vermelha. E,
de fato, o Mestre Solo e o Ryn não estavam tanto conversando quanto
discutindo.
— Vejo você por aí, — o Ryn estava concluindo enquanto C-3PO se
aproximava.
— Não se eu puder evitar, parceiro, — Han disse, de uma maneira que
não demonstrava muita simpatia.
— Mestre Solo! — C-3PO chamou, acenando um braço sobre a cabeça.
— Mestre Solo!
Han se virou e o viu, então soltou uma risada, não tão surpreso quanto
C-3PO poderia ter esperado que ele estivesse. Mas então, havia sido
informado sobre a visita iminente da Mestra Leia e de C-3PO a Ord
Mantell. Então, talvez tenha vindo procurá-los.
— Mestre Solo, você está ferido, — exclamou C-3PO ao ver sangue
seco em suas mãos e rosto.
— Poderia ter sido muito pior, — Han respondeu com a sua habitual
tendência a subestimar. — Onde está Leia, 3PO?
— Bem, ela está no Grande Hotel enquanto falamos, senhor.
Han pensou por um minuto, os olhos se estreitando enquanto olhava
para C-3PO.
— Não suponho que haja alguma chance de você não mencionar que se
deparou comigo?
C-3PO inclinou a cabeça em perplexidade.
— Não, suponho que não, — Han disse, respondendo por si mesmo. Ele
soltou o ar. — Nesse caso, acho que é melhor você me levar até ela.
Capítulo 18

— Eu ainda não consigo acreditar que você está aqui, — Leia disse
enquanto aplicava um adesivo de bacta transdérmico numa feia queimadura
acima da sobrancelha direita de Han. Han estava sentado na penteadeira do
elegante quarto de hotel de Leia, com Leia se inclinando sobre ele e C-3PO
em pé silenciosamente ao fundo. Olmahk e Basbakhan se postaram na
porta. — Onde está o seu amigo Roa?
Han falou entre dentes cerrados
— Essa é uma excelente pergunta, Leia. Ele foi sugado para algum tipo
de nave cobra Yuuzhan Vong que se prendeu à Roda do Jubileu.
Leia colocou as mãos nos ombros dele.
— Oh, Han, não.
— Talvez ele só tenha sido capturado, — Han desabafou. — Mas isso é
ainda pior. — Ele apertou a mandíbula e balançou a cabeça de um lado para
o outro.
— Vocês dois conseguiram o que se propuseram a fazer? — Leia
perguntou cautelosamente.
Os olhos de Han encontraram os dela no espelho da penteadeira.
— O inimigo nos interrompeu.
— Sinto muito por isso. — Leia desviou o olhar e voltou a alisar o
adesivo de bacta. — O que você fará agora?
Repentinamente, Han se levantou e começou a andar para longe da
penteadeira, passando os dedos pelos cabelos.
— Não sei. Procurá-lo, eu acho.
Leia o observou com incredulidade.
— Procurá-lo? Como você pretende fazer isso?
Han balançou a cabeça.
— Ainda não sei. — Ele olhou para Leia e franziu a testa. — O que
você espera que eu faça, fingir que isso nunca aconteceu?
— Claro que não. Eu só quis dizer...
Han acenou com a mão pra ela.
— Ah, como eu poderia esperar que você entendesse?
Leia cruzou os braços e apertou os olhos.
— Você acha que eu não sei como é perder um amigo?
Han ergueu uma mão.
— Não preciso que você me lembre sobre Alderaan ou Elegos A’Kla...
Os olhos de Leia brilharam.
— Você perdeu completamente a razão? Como se atreve a dizer isso?
Han encontrou o olhar dela.
— Cuidado, Leia, — ele aconselhou, — não estou no melhor humor.
Leia segurou o pescoço com preocupação exagerada.
— E eu certamente não gostaria que o meu nome fosse adicionado à
lista de pessoas que cruzaram com o infame Han Solo.
Han se virou levemente para lançar um olhar irônico a C-3PO.
— Ótima lutadora para o pouco peso dela, não acha, 3PO?
C-3PO o encarou.
— Perdoe-me por perguntar, senhor, mas...
— Você vai voltar para Coruscant conosco? — Leia perguntou,
plantando os punhos nos quadris.
Han balançou a cabeça.
— É como eu disse, Roa e eu fomos interrompidos.
— E você não tem intenção de me dizer sobre o que isso se trata.
Han deu de ombros.
— O que aconteceu com o homem que preferia uma luta direta a se
esgueirar por aí?
A sobrancelha de Han se franziu e a sua mandíbula caiu um pouco.
— Quem está se esgueirando?
Ela franziu a testa em desapontamento.
— Você mudou, Han.
— O que você está dizendo? — ele protestou. — Sou o mesmo de
sempre. À prova do tempo, à prova do clima, resistente à ferrugem.
— Você acha? — Leia pegou os ombros dele e o virou para enfrentar o
espelho. — Olhe bem.
Han ficou em silêncio por um momento.
— Não são os anos, são os parsecs.
Leia exalou cansada.
— Você pode ser tão exasperante.
Ele bufou.
— É, acho que você gostaria de ter se casado com algum jogador
profissional de zoneball em vez de um contrabandista, não?
Leia firmou os lábios de raiva.
— Não é nada disso. — Ela gesticulou para a janela. — É imprudente
da sua parte ficar vagando por aí. Pelo que você sabe, os Yuuzhan Vong têm
algum tipo de dossiê sobre você. Pode até haver um preço pela sua cabeça.
— Não estou exatamente 'vagando', Leia.
— Então me diga o que você está fazendo.
Han começou a dizer algo, mas se interrompeu e começou de novo.
— Eu sabia que seria um erro vir aqui, — ele murmurou.
Leia deu um passo pra trás, genuinamente alarmada. Agora ela
interrompeu Han quando ele começou a falar.
— Sabe o que eu acho, Han? Eu acho que você deveria traçar um curso
ao redor de Coruscant até que resolva isso. Estou falando sério.
Han assentiu, com os lábios apertados.
— Talvez você esteja certa, Leia. Talvez seja o melhor.
Ela não tentou impedi-lo enquanto ele pegava sua mochila do chão e
saía. Mas assim que a porta se selou, ela caiu na cama, como se estivesse
atordoada.
— Bem, isso certamente não estava nos planos, — ela disse friamente
para C-3PO.
— Os planos, senhora?
Ela olhou para ele com desconfiança.
— É uma expressão, 3PO. Eu não realmente tinha planos.
C-3PO parecia se encurvar. Leia sorriu apesar de si mesma.
— O pensamento humano não é tudo o que se diz, 3PO. Na verdade, às
vezes é melhor não saber o que está na mente de outra pessoa.

Han colocou a mão sobre o topo do copo quadrado para impedir que o
barman de quatro braços o enchesse novamente.
— Álcool não é a resposta, — ele disse.
O Codru-Ji o estudou por trás do balcão.
— Qual é a pergunta?
— Como você muda o passado?
— Simples. Mudando a maneira como você o lembra.
— É, suponho que eu poderia ter a minha memória apagada.
O barman acenou com a cabeça em compreensão.
— Mais um uísque e você estará a caminho.
Han passou a mão pela mandíbula cheia de barba e então balançou a
cabeça.
— Pra lugar nenhum.
O barman deu de ombros.
— Faça o que quiser, amigo.
O bar no Casino Lady Sorte estava quase vazio, mas as mesas de jogos
estavam lotadas de pessoas comemorando a sua boa sorte em escapar da
imolação, talvez a maior probabilidade que algum cotador já havia
publicado. Han achou que também estaria de humor para festejar, se não
fosse pelo que aconteceu com Roa e Fasgo.
Mas que sentido haveria em arrastar Leia pra baixo com ele? Ela não
era a culpada pelo desaparecimento deles, nem Anakin era responsável pela
morte de Chewie, talvez nem Reck Desh fosse. Então talvez fosse hora de
esquecer a busca por Roa ou a chamada Brigada da Paz e voltar para
Coruscant, onde ele poderia até mesmo se envolver em algo construtivo.
Pagou pela bebida, deu uma gorjeta generosa ao Codru-Ji e estava a
caminho da saída quando o tenente Aqualish de Grande Bunji o interceptou.
— Vejo que você saiu da Roda inteiro, — Han disse com
desapontamento exagerado.
— Bom ver você também, Solo. O chefe B achou que você poderia ser
encontrado aqui.
— Diga a Bunji que quero agradecê-lo por nos deixar pra trás.
— Ele manda as suas desculpas. Na pressa do momento, ele esqueceu
completamente que tinha hóspedes.
O lábio superior de Han se contraiu.
— Vou me certificar de contar isso ao Roa e Fasgo, supondo que eles
sobrevivam ao que os Yuuzhan Vong planejaram pra eles.
Aqualish assentiu de forma enigmática.
— Talvez isso ajude, Solo. O chefe descobriu que o humano sobre o
qual você estava perguntando, o chamado Reck Desh, tem uma operação
planejada para Bilbringi.
A expressão de Han passou de raiva para interesse cauteloso.
— Que tipo de operação?
— Desconhecida. Apenas que envolve toda a Brigada de Paz.
— Quando?
— Imediatamente.
— Bilbringi, você diz.
— Isso é conhecido.
Han afastou o cabelo da testa e soltou um longo suspiro.
— Certo, diga a Bunji que eu agradeço.
O Aqualish fez um gesto de despedida e se afastou, e Han voltou ao bar
para pensar. Presumivelmente, a Adaga Feliz ainda estava atracada na
Roda, mas não haveria como saber se ela sobreviveu ao ataque sem voltar
de cabeça pra baixo. A alternativa era encontrar transporte público para
Bilbringi e investigar pistas sobre o que Reck estava tramando. Leia
provavelmente conseguiria os contatos necessários para colocá-lo a bordo
de uma nave, mas não poderia pedir isso sem se abrir a boca, e não estava
pronto para correr esse risco. Não ainda, de qualquer forma.
Mas C-3PO... C-3PO poderia providenciar a sua passagem numa nave
com destino a Bilbringi.
Como por solicitação discretamente transmitida por Han, C-3PO encontrou-
se com ele na entrada do espaçoporto de Ord Mantell.
— Não há nada melhor do que um droide pontual, — Han disse,
sorrindo.
— Devo confessar, Mestre Solo, — C-3PO respondeu ansiosamente, —
que me sinto mal em relação a isso, especialmente por imitar a voz da Leia
para arranjar a sua passagem.
— Qual é, 3PO. Você já fez isso antes. Você fez para enganar as forças
do Grão Almirante Thrawn.
— Isso não é muito reconfortante, senhor. Além disso, isso era uma
questão de proteger a princesa de assassinos. Esta é uma questão de
proteger você de... não tenho certeza do que, Mestre Solo.
— Não estou pedindo que você minta, 3PO, — Han disse, prolongando
a última palavra. — Só estou pedindo que você ignore. Se a Leia não
perguntar sobre mim, então não há necessidade de você dizer pra onde fui.
— Mas certamente ela vai perguntar sobre você, senhor.
— Certo, mas ela pode não perguntar diretamente se você tem ideia de
pra onde fui, ou onde estou.
— Mas, senhor, e se ela perguntar?
Han considerou.
— Se ela perguntar, você diz a ela. — Ele olhou para o droide por um
momento. — Você teria que dizer, não teria?
C-3PO ficou nervoso.
— Está além da lógica.
— Exatamente, — Han disse. — Está além da lógica. Sabe, às vezes as
pessoas estão melhor sem saber certas coisas.
— Senhor?
— Às vezes é mais doloroso saber a verdade do que não saber.
C-3PO prestou atenção.
— Dessa forma, não parece tão ruim, — ele começou a dizer, depois fez
um gesto desajeitado. — Mas essa questão de distorcer a verdade é tão
confusa quanto deixar de existir!
Han levantou uma sobrancelha.
— Deixar de existir? O que um droide está fazendo pensando sobre a
morte? Você não pode morrer.
— Talvez não da mesma forma que um humano pode, senhor. Mas
posso ser desativado. E o que acontecerá com as minhas memórias, então,
as memórias de tudo que consegui e tudo que passei?
Han o encarou.
— Alguém soltou o seu motivador ou algo assim? Se isso é tudo que
você está preocupado, podemos transferir a sua memória para um
armazenamento de dados. — Ele estreitou o olhar com clara intenção. —
Na verdade, posso estar disposto a providenciar isso, 3PO, especialmente se
você concordar em não dizer nada à Leia sobre Bilbringi.
C-3PO inclinou a cabeça para um lado.
— Imortalidade, 3PO, — Han disse de forma tentadora.
— Mas, senhor...
— Vai ser como ter um clone congelado. A sua mente acaba num corpo
diferente, mas você nem sabe que esteve ausente.
— Oh, estou confiante de que conseguiria me adaptar a um novo corpo,
senhor. Afinal, sou mais uma mente do que um corpo.
— Esse é o espírito, garoto.
— Esse é o espírito, — C-3PO repetiu animadamente, depois voltou a
si. — Mas, Mestre Solo, senhor, sobre esta nave na qual você tem
passagem. Há algo que você deveria saber...
— É com destino a Bilbringi?
— Sim, senhor, mas...
— Então isso é tudo que importa. De onde ela sai?
— As ofertas e transportes de embarque estão programados para partir
da Baía de Lançamento 4061 às treze horas, horário local. Mas, senhor, se
você me desse um momento para explicar...
— Sem tempo, 3PO, — Han disse, olhando para uma tela de horário
próximo. — E obrigado, por tudo. Você não vai se arrepender disso.
C-3PO levantou as duas mãos acima da cabeça em agitação.
— Mas, senhor, — ele chamou enquanto Han se apressava para sair, —
é a Rainha do Império, uma nave amaldiçoada se é que já houve uma!
Capítulo 19

Showolter fez uma careta enquanto observava o ocultador ooglith capturado


em Wayland se envolver e se fixar em Elan, extrudindo ganchos e
tentáculos microscópicos que se inseriam em poros, ductos de suor, rugas e
dobras. Nua, Elan estava de costas pra ele, mas pôde perceber pelas
contorções dela e pelo flexionar involuntário de seus músculos bem
definidos que o processo de vestir o manto vivo era excruciante,
esquisitamente assim, de acordo com Elan.
Atenta à curiosidade dele, ela lhe pedira para assistir, de uma maneira
que conseguira misturar indiferença com um toque de flerte. No entanto, só
conseguiu suportar até certo ponto os gemidos agonizados dela e se virou
para olhar pela única janela do abrigo seguro para uma fileira de árvores,
cujo alto teor de metal tornava aquela parte de Myrkr um desafio para
transceptores e outras matrizes de comunicação.
— Tudo acabado, — Elan anunciou estoicamente, e Showolter se virou
novamente para encontrar Elan vestida não apenas com a segunda pele
Yuuzhan Vong, mas também com a túnica que havia lhe entregue
originalmente. Ela parecia mais humana do que nunca.
Elan massageou as bochechas, a testa e o queixo, como alguém que
suaviza rugas.
— Viu, Showolter? Nenhum traço das minhas marcas, nenhuma
evidência de quem e o que eu realmente sou.
Showolter percebeu que estava prendendo a respiração e a soltou.
— Uma capa que serve em todos os tamanhos, hein?
— Ora, você está interessado em experimentar?
— Não, — ele respondeu rapidamente. — Apenas me perguntando se
há versões masculinas e femininas.
— Por que deveria haver?
Coçou a cabeça.
— Bem, nem todos os Yuuzhan Vong poderiam ter a sua forma.
Elan olhou para Vergere, que estava agachada perto, e as duas trocaram
sorrisos enigmáticos. O disfarce de Vergere não passava de uma vestimenta
larga que escondia o seu torso emplumado e as suas pernas reversamente
articuladas. Não havia muito que se pudesse fazer sobre o seu rosto exótico,
mas com tantas pessoas deslocadas da Orla Exterior, os oficiais de
imigração e alfândega estavam se acostumando a ver novas espécies todos
os dias.
— Há algo de errado com a minha forma, Showolter? — Elan
perguntou, finalmente.
— Muito pelo contrário. — Ele riu de forma desajeitada.
— Mas certamente você se opõe às minhas marcas faciais e torácicas.
— Camada, — ele disse, tentando fazer parecer uma piada.
Ela inclinou a cabeça e o encarou francamente.
— Talvez você tenha o que é preciso para ser um Yuuzhan Vong, apesar
de sua relutância em assumir o ocultador ooglith.
— Duvido. Embora eu possa ir tão longe a ponto de me tatuar.
O seu sorriso se endureceu.
— Se você pensa que o processo Yuuzhan Vong é menos doloroso, você
está muito enganado.
Ele deu de ombros de maneira despreocupada.
— Sacrifícios precisam ser feitos.
— Oh, com certeza, Showolter. — Ela deixou a observação pairar no ar
por um momento e, em seguida, acrescentou: — Mas temo que o meu hálito
possa ofendê-lo. Está um pouco contaminado...
— Da comida, — Vergere interrompeu. — Não estamos acostumados a
comer tanta comida processada.
Showolter olhou pra ela.
— Desculpe, mas não há nada que eu possa fazer a respeito. — Ele
avaliou as habilidades de camuflagem do ocultador ooglith e balançou a
cabeça, achando graça. — Um nerf em roupas de taopari, — murmurou.
As finas sobrancelhas de Elan se franziram.
— Um trocadilho, — ele explicou. — Um taopari em pele de nerf, uma
fera disfarçada como um herbívoro para infiltrar no rebanho.
Os olhos de Elan brilharam em revelação.
— Então sou um herbívoro em pele de fera.
— Eu estava pensando no assassino que o seu povo enviou.
— Claro que estava.
Showolter limpou a garganta e entregou a ela roupas íntimas, um
vestido simples, uma jaqueta e sapatos.
— De qualquer forma, aqui está o seu traje.
Elan examinou os itens um a um.
— Quem eu devo ser, Showolter?
— Minha esposa. Somos refugiados, deslocados de um planeta
chamado Sernpidal, viajando com a nossa serva.
— Essa seria eu, — disse Vergere, — como sempre.
Elan olhou de Vergere para Showolter.
— Não tenho treinamento em deveres de esposa.
— Ninguém espera que você viva o papel. Apenas o interprete. Vamos
revisar os detalhes antes de sairmos.
— Seremos só nós três? — Elan perguntou.
— Seremos recebidos por reforços na nave.
— Estamos indo para um mundo mais populoso?
Ele acenou com a cabeça.
— Você me mostrará os pontos turísticos?
— Isso pode exigir um pouco de trabalho. Mas, sim, eventualmente.
— Que prazeroso.
Showolter a deixou se vestir e foi para a sala adjacente para verificar as
duas equipes de isca de três membros. As duas agentes femininas, com os
rostos pintados em espirais e já vestidas com trajes idênticos ao que havia
dado a Elan, apresentavam uma semelhança superficial suficiente com a
sacerdotisa Yuuzhan Vong para passar por ela. Mas Showolter estava menos
confiante em relação aos operativos Mrlssi e Bimm escolhidos para passar
por Vergere.
— Talvez tivéssemos nos saído melhor empregando alguns Drall, —
comentou enquanto avaliava os dois alienígenas disfarçados.
— E eu, Showolter? — uma das mulheres perguntou brincalhona. — Eu
me encaixo como a Senhorita Desertora? — Ela fez uma pose teatralmente
sedutora e piscou pra ele. — 'Você me mostrará os pontos turísticos?' —
disse, imitando a voz de Elan.
Todos, exceto Showolter, riram. Em vez disso, começou a distribuir as
armas e as instruções de última hora escritas em durafolhas auto
destrutíveis.
— Deixem-se ver em Cidade de Hyllyard, — disse aos membros da
primeira equipe, — mas não exagerem. Se houver operativos Yuuzhan Vong
por aí, eles não serão facilmente enganados. — Ele entregou-lhes vales de
viagem. — Vocês partirão de Myrkr para Gyndine, e depois seguirão para
Thyferra.
Outro conjunto de vales foi dado ao membro masculino da segunda
equipe.
— Myrkr para Bimmisaari e depois para Kessel.
Enfiou um blaster em seu coldre.
— Todos mantenham contato com o QG através dos canais. Uma vez
que os nossos informantes tenham chegado a Coruscant, vocês serão
notificados para abandonar a farsa e fazer o relatório.
— Qual é sua aposta, Major? — o líder da equipe um perguntou.
Showolter puxou os cantos da boca pra baixo e balançou a cabeça.
— Após o recente revés em Ord Mantell, os Yuuzhan Vong podem
evitar aquele setor. Além disso, — acrescentou, abotoando a sua jaqueta
sobre o coldre, — o que eles queriam com um bando de refugiados viajando
num cruzeiro estelar decadente?

Enquanto a nave lotada era puxava para a posição de atracação ao lado do


outrora magnífico cruzeiro estelar de luxo, Han percebeu de repente o que
C-3PO estava tentando lhe dizer em Ord Mantell.
De todas as naves, disse a si mesmo enquanto a lenda desbotada e
marcada pela batalha do veículo se tornava visível. A Rainha do Império.
Originalmente de propriedade e operada pela linhas Linhas de
Transporte Haj, uma empresa cuja lealdade ao Império e à Aliança variava
em resposta ao lado que tinha mais a oferecer, a Rainha havia sido a nave
de escolha para passageiros viajando entre Corellia e Gyndine, com
numerosos portos de escala ao longo do caminho, e ocasionalmente em
direção à borda até Nar Hekka, no espaço Hutt.
Um pouco maior que um Star Destroier Imperial, a nave era capaz de
transportar dezenas de milhares, mas em vez disso restringiu sua lista de
passageiros a meros cinco mil, a fim de proporcionar conforto inigualável,
serviço excepcional e mais distrações do que qualquer um tinha o direito de
saborear. Piscinas específicas para espécies, spas, restaurantes, shoppings,
zonas climáticas e salas de exercícios, salões de beleza para os peludos e
estações de polimento para os de pele lisa, salões de jizz e salões de baile
em gravidade nula, cassinos, bolhas de observação e áreas de diversão...
tudo em mais andares do que seria possível explorar num único cruzeiro. O
mais luxuoso de seus muitos clubes noturnos havia sido o salão Ventos
Solares, onde Rughjas de quinze membros tocavam o melhor do swing bob,
e passageiros afluentes dançavam ao deslizar com o margengai até altas
horas.
Em seu auge, a Rainha rivalizava com a mais antiga Mensageira
Quamar e o cruzeiro estelar Mon Calamari Princesa Kuari e havia sido o
modelo para novas naves, como a Paleta Tinta e a Joia de Churba. Mas
frequentemente alvo de piratas, um ímã para meteoros, e uma vez encalhada
no hiperespaço por cinco dias, a Rainha havia caído em tempos difíceis.
Han nunca havia estado a bordo, mas ouvira tudo sobre a nave com
Lando, que havia conhecido o primeiro amor de Han, Bria Tharen, a bordo
da Rainha. Bria era então um membro de alto escalão da resistência
Corelliana, e Lando, no seu eu elegante habitual.
Han ainda estava imerso em recordações quando transferiu para o
cruzeiro estelar, e não foi até que estava a bordo que compreendeu o quão
longe a Rainha havia caído.
Enquanto ele e um punhado de outros realmente tinham ingressos, a
nave estava sobrecarregada com keelrunners, vítimas da guerra e refugiados
anteriormente presos em Ord Mantell e na Roda, e agora a caminho de
vários mundos das Colônias e do Núcleo, graças, em grande parte, aos
esforços de Leia.
Um bagunçado de línguas e uma mistura vertiginosa de cheiros, os
outrora grandiosos salões de baile e salões da Rainha haviam se tornado
campos temporários, onde pessoas de cem espécies diferentes se
aglomeravam dentro de tendas e abrigos improvisados, protegendo
cuidadosamente as crianças, animais de estimação ou o pouco de alimentos
e pertences que possuíam. Entre eles circulavam guardas e soldados,
resolvendo disputas sobre espaço no convés ou alegados furtos, ou
separando brigas violentas nascidas da pura e simples discriminação.
Também circulavam droides, vendedores e ambulantes, muitos protegidos
por seguranças, cobrando preços exorbitantes por refeições rápidas,
suplementos dérmicos, produtos farmacêuticos duvidosos e ingressos para
os banheiros portáteis que se alinhavam em alguns dos corredores.
Escolhendo o seu caminho entre todos, Han seguiu as linhas de
encaminhamento do convés até o compartimento apertado e de cheiro azedo
ao qual o seu bilhete o dava direito. Sentando-se na beira da pequena cama
arqueada, considerou a sua situação. O espaço da cabine não o incomodava;
Bilbringi estava a apenas dois saltos de distância, e a Rainha estava
programada para chegar dentro de três dias de nave. Uma vez lá, onde Han
tinha contatos e conhecidos, iria bisbilhotar por Reck ou outros membros da
Brigada da Paz, e talvez até conseguisse uma pista sobre o que aconteceu
com as vítimas do ataque dos Yuuzhan Vong na Roda do Jubileu.
Adormeceu por alguns momentos e acordou faminto, sem surpresa, já
que não comia nada desde os petiscos do Casino Lady Sorte.
Os passageiros com bilhetes deveriam ter privilégios exclusivos tanto na
cafeteria do convés superior quanto no único restaurante que não havia sido
convertido em área de convívio para os refugiados. Mas a superlotação
sobrecarregou os controles que antes estavam em vigor, e a cafeteria havia
sido atacada por passageiros quase famintos. Quando Han chegou, apenas
quantidades limitadas de comida restavam e não havia nenhum utensílio à
vista. Viu-se obrigado a usar as mãos, garras, pinças ou qualquer outro
apêndice que a natureza tivesse lhe concedido.
Han estava avaliando se alguma da sujeira em suas mãos poderia ser
tóxica quando lembrou-se da ferramenta de sobrevivência que Anakin lhe
dera, aquela que Chewie havia feito, que, notavelmente, após tudo o que
Han havia passado na Roda, ainda estava presa ao seu cinto. E, com certeza,
a ferramenta continha um acessório para garfo.
Han retirou o utensílio de três dentes de seu recesso inteligente e se
aproximou da multidão ao redor da mesa de bufê. Ao se aproximar das
bandejas aquecidas, viu que apenas um pedaço de bife de nerf permanecia,
um pedaço bem passado e cheio de fibras, mas não estava disposto a deixá-
lo passar. No momento em que se inclinou pra frente e o espetou, no
entanto, uma unha semelhante a uma garra, presa a uma mão de cinco dedos
e um tanto aveludada, perfurou o bife ao mesmo tempo.
Han girou e se viu cara a cara com o Ryn masculino com quem havia
escapado da Roda. O alienígena de cauda preênsil estava vestindo as
mesmas calças culotes vibrantes, colete e boina jovial.
— Ha! — o Ryn exclamou, surpreso e divertido. — Eu disse que te
veria por aqui!
Han fez uma careta.
— Cinco anos a partir de agora teria sido mais do meu agrado.
— Ah, mas você não pode lutar contra o destino, meu amigo.
— Posso tentar, — Han respondeu de forma ríspida. — O que você está
fazendo aqui, a propósito?
— Ora, o mesmo que você: viajando em frente. — Ele lançou os seus
grandes olhos para a fina fatia de carne. — Então, quem fica com o prêmio?
— Acho que compartilhamos, — Han disse num tom irritado. — Desde
que você coma a metade que você enfiou a unha.
O Ryn riu.
— E o pessoal diz que não há seres honestos por aí.
Han transferiu o bife para um prato mal lavado e os dois encontraram
lugares opostos numa mesa próxima, entre um grupo misto de Sullustanos e
Bimms.
— Droma, — disse o Ryn, estendendo a mão enquanto se sentava.
— Roaky Laamu, — Han lhe disse, relutantemente apertando a mão.
— Tenho que dizer, Roaky, você parece muito melhor do que da última
vez que te vi.
Han coçou o retângulo de carne sintética que Leia havia aplicado em
sua testa.
— O milagre do bacta. Gostaria de poder...
— ...dizer o mesmo por você, — Droma completou.
Han bateu com a palma na mesa e se inclinou pra frente, zangado.
— Você e eu precisamos chegar a um acordo. Eu não sei o truque de
como você faz isso, mas de agora em diante você vai guardar os meus
pensamentos pra você, entendeu?
— Um grande desafio, — Droma ponderou.
— Esse é o seu problema. — Han o encarou por um momento. —
Como você faz isso, afinal?
— Ora, você não ouviu que todos os Ryn são leitores de mentes e
adivinhos? — Droma perguntou de forma irônica.
— Sim, e eu sou um Cavaleiro Jedi.
Droma riu.
— Agora, isso seria um exagero.
Han franziu a testa e usou a lâmina da ferramenta de sobrevivência para
cortar o bife ao meio, com o seu lado queimado exibindo o selo do
fornecedor, Suprimentos Nebulosa.
Com óbvia hesitação, Han espetou um pequeno pedaço na boca. Droma
observou o rosto de Han enquanto ele mastigava, ou tentava.
— Não era o que você esperava?
— Eu esperava algo comestível, — Han murmurou em volta do pedaço.
— Tá tão ruim assim?
Droma pegou a ferramenta de sobrevivência para cortar um pedaço do
seu lado.
Han empurrou um pires vazio em direção a ele.
— Você pode cuspir os seus dentes aqui.
Droma mastigou por vários momentos antes de, educadamente, pegar o
pedaço em sua mão em concha e deixá-lo cair sob a mesa.
Han forçou uma respiração.
— Olha, que tal tentarmos o restaurante, por minha conta.
Droma sorriu.
— Eu pensei que você nunca pediria.
Eles deixaram a cafeteria e caminharam uma curta distância ao longo do
convés da alameda até um restaurante lotado que havia conseguido manter
parte da grandeza há muito perdida pelo resto da Rainha. No entanto,
quando estavam prestes a ser acomodados, um maître d' Klaatooiniano
interveio.
— Sinto muito, senhor, — ele disse a Han, — mas não podemos servir
o... Ryn.
Han mostrou ao humanoide de mandíbula longa e pálpebras pesadas um
olhar incrédulo.
— O que, você acha que está trabalhando na Tinta Arco-íris ? Esta é
uma nave de refugiados!
O maître d' cheirou.
— Ainda temos as nossas políticas.
As narinas de Han se dilataram e ele arqueou o braço, apenas para ser
contido por Droma.
— Uma briga não vai mudar nada, — Droma aconselhou, pendurado
praticamente nos bíceps de Han.
— Exceto o meu humor, — Han rendeu-se.
— Mas não os nossos apetites.
Han abaixou o braço e pegou um menu de um garçom que passava.
Escaneando-o, ele apontou um prato especial do chef e empurrou o menu
nas longas mãos do maître d’.
— Dois desses, pra viagem.
O Klatooiniano olhou para Han com desprezo, então saiu correndo,
retornando logo com os itens solicitados.
Han e Droma levaram as refeições embaladas para cadeiras desgastadas
no salão de observação e comeram em silêncio enquanto a Rainha
manobrava pra fora do espaço de Ord Mantell, aumentando a velocidade
para o salto ao hiperespaço. A luz das estrelas brilhava sobre o anel externo
seriamente danificado da Roda do Jubileu. Han estava determinado a
manter os pensamentos sobre Roa e Fasgo fora de sua mente, pelo menos
até Bilbringi.
Satisfeito, recostou-se na cadeira e travou as mãos por trás da cabeça.
— De onde são os Ryn? — ele perguntou enquanto Droma lambia os
dedos. — Originalmente, quero dizer.
Droma alisou as pontas de seu bigode branco.
— Um mundo no Núcleo, mas até nós, Ryn, não sabemos qual.
— Vocês foram forçados a sair?
— Há duas escolas de pensamento. A primeira diz que somos
descendentes de uma tribo de dez mil músicos doados a um mundo vizinho
que estava desprovido de artistas. A segunda diz que somos descendentes
de guerreiros enviados contra uma ameaça na Orla Interna. A nossa língua
contém muitos termos militares, como a nossa palavra para não Ryn, que
tem laços linguísticos com a palavra civil.
— Como tantos de vocês acabaram no Setor Corporativo?
— Fomos essencialmente perseguidos pelas circunstâncias. Após deixar
o Núcleo, os Ryn aprenderam agricultura, metalurgia e outras habilidades,
mas a desconfiança nos seguia aonde quer que fôssemos. Com documentos
falsificados de passagem segura, fomos autorizados a nos estabelecer em
mundos remotos no espaço do Setor Corporativo. Ajudou que as nossas
técnicas de cura, emprestadas de muitos grupos distintos, salvaram a vida
de um executivo importante da Autoridade.
— Mesmo assim, os nossos modos nômades, a nossa afeição pelo
segredo, a nossa falta de registros escritos, tudo em nome da
autopreservação, persuadiu os outros a acreditar que éramos magos negros
ou ladrões furtivos. Diziam que nos deleitávamos com carne viva, e em
alguns setores foram promulgadas leis que tornavam legal nos caçar, marcar
ou matar. Fomos culpados pelos crimes de outros. A nossa língua nativa foi
banida, e muitos de nós foram vendidos como escravos ou feitos de
reprodutores para crianças escravas.
Sério, Han se lembrou dos Ryn na Roda que se aproximaram da Adaga
Feliz, e do casal que se aproximou dele pessoalmente no Aposta Cancelada,
sobre a passagem para o núcleo.
— Como você acabou na Roda do Jubileu ? — ele perguntou.
— Eu estava entre uma caravana de naves Ryn que tinha deixado o
Setor Corporativo para o Aglomerado de Plooriod Menor quando os
Yuuzhan Vong invadiram o sistema Ottega e destruíram Ithor.
— Você é um piloto profissional?
— Um razoável, — Droma disse, — assim como um escoteiro e um
viajante versátil.
— E o que aconteceu depois de Ithor?
— As nossas naves foram dispersas, assim como as nossas famílias.
Desde então, estou à procura dos meus companheiros de clã, incluindo uma
irmã e vários primos.
— Difícil, — Han disse.
Droma assentiu.
— Mas e você, Roaky? Você pilota uma nave com a maestria de um
piloto de caça estelar ou de um contrabandista de sucesso. O que o traz aqui
fora?
Han levou um momento para reunir seus pensamentos.
— Sou mais um mecânico do que um piloto. Tirei um tempo da vida
normal pra resolver algumas coisas.
— Então você também está tentando voltar para a sua família? —
Droma disse.
Han olhou para ele.
— Talvez eu esteja.
Do restaurante vinham os acordes de 'Sonhos Fumegantes', uma canção
que combinava perfeitamente com o contralto de uísque de Bria Tharen, e
uma que ela costumava cantar com frequência.
— A canção te lembra de algo, — Droma disse, observando Han
astutamente.
Han sorriu sem mostrar os dentes.
— Bons e velhos tempos.
— Quantos anos?
— Velhos o suficiente para serem bons, — Han lhe disse.
Capítulo VINTE

De costas para a sala, Luke estava de pé na janela envolvente de


transparaço quando Kyp Durron, Wurth Skidder, Cilghal e os outros Jedi
que pedira para vir a Coruscant entraram. A câmara ocupava o andar
superior do edifício do Ministério da Justiça, que, embora estivesse longe
de ser a torre mais alta nas proximidades, ainda assim desfrutava de vistas
majestosas e panorâmicas da paisagem urbana em todas as direções. Contra
a luz do sol poente, as janelas eram fortemente matizadas, mas não tão
impenetráveis que a câmara não estivesse banhada nos mesmos vermelhos e
laranjas que pintavam o céu.
Luke estava aparentemente absorvido em observar o fluxo incessante de
tráfego de Coruscant. Quando se virou da janela, todos os vinte Cavaleiros
Jedi já haviam entrado e estavam se acomodando na mesa redonda ou
simplesmente em pé, com os capuzes abaixados, esperando que Luke
explicasse o motivo que os havia convocado para vir quase até a metade da
galáxia.
— A Nova República tem duas desertoras inimigas sob custódia, — ele
anunciou sem preâmbulos. — Uma é uma sacerdotisa, a outra
aparentemente é sua mascote ou companheira. Como resultado de elas
fornecerem informação militar que foi, pelo menos em parte, responsável
pela recente vitória em Ord Mantell, as desertoras estão sendo trazidos a
Coruscant para mais desdobramentos.
— Agora estamos indo a algum lugar, — Kyp Durron disse, acima de
manifestações de surpresa e excitação. — Eu sabia que tinha que haver
alguns descontentes entre os Yuuzhan Vong. — Ele mostrou a Luke um
sorriso ansioso e de lábios finos. — Quando teremos a chance de interrogá-
los?
— Mas tem que ser um subterfúgio, não é? — Cilghal disse antes que
Luke pudesse responder. — Não obstante a suposta informação militar. —
As suas mãos membranosas estavam escondidas nas mangas opostas de seu
manto Jedi, e os seus olhos bulbosos observavam Luke e Kyp
simultaneamente.
Luke assentiu enquanto se movia em direção à mesa.
— A Nova República está sendo cautelosa. Se as desertoras
continuarem a fornecer inteligência que se sustenta, elas ganharão mais
credibilidade.
— Elas concordaram em fornecer mais? — Wurth Skidder perguntou.
Ele era o único que não estava vestindo vestes Jedi, embora, pelo aspecto
desgrenhado de seu cabelo loiro, ele poderia ter passado toda a jornada de
Yavin 4 com o capuz de sua capa levantado.
— Condicionalmente.
Muitos dos Jedi trocaram olhares, mas ninguém falou. Luke se
posicionou na beira da mesa, com um pé calçado estendido até o chão.
— Elas pediram uma reunião conosco.
O Streen de cabelo grisalho e barba soltou uma risadinha curta.
— Exatamente o tipo de coisa que eu esperava. — Ele olhou para Luke.
— Elas disseram por que querem se encontrar conosco?
Luke se levantou e deu alguns passos em direção ao ex-minerador de
Bespin.
— Elas afirmam ter informações sobre uma doença que agentes
Yuuzhan Vong introduziram, muito antes das primeiras naves mundo
pousarem em Helska 4.
Um silêncio chocado caiu sobre a sala.
— Eu não vou tentar enganar nenhum de vocês, — Luke disse após um
momento. — De todo o meu coração, quero acreditar que é a doença que
Mara tem sofrido, mas isso ainda está por ser visto.
— Se for a mesma, — Cilghal disse, ainda um pouco atordoada pela
revelação, — ousamos supor que os Yuuzhan Vong sabem que Mara está
doente?
Luke apertou os lábios e balançou a cabeça.
— Não acho que devamos pular para essa conclusão.
— Claro que eles sabem, — Wurth disse firmemente. — Além disso, eu
digo que eles estão usando Mara para chegar a nós da mesma maneira que
chegaram até ela.
— Você não sabe disso, — Anakin disse com aspereza. — As desertoras
foram examinadas para esse tipo de coisa, e elas serão examinados
novamente antes de nos encontrarmos com elas.
Sem palavras, Wurth se recostou na cadeira e encarou Luke.
— Então você já decidiu se encontrar com elas?
Luke assentiu uma vez.
— Como uma acomodação à Nova República, tanto quanto qualquer
outra coisa, uma forma de demonstrar a elas que podemos trabalhar juntos.
Vários olhares significativos foram trocados.
— Todos nós podemos apreciar isso, Mestre, — Ganner Rhysode disse,
— mas se vamos fazer isso, vamos fazer por Mara e não pela Nova
República. Pessoalmente, não poderia me importar menos em acomodar os
militares ou o senado depois de tudo o que aconteceu.
Murmúrios de concordância preencheram a sala. Luke esperou todos se
acalmarem, então disse:
— Vou propor que as desertoras se encontrem apenas com Mara e
comigo.
Jacen se levantou de repente.
— Você acha que é uma armadilha!
Luke se virou para ele.
— Não sei se é ou não.
— Então deixe-os se encontrar comigo ou com Streen ou com Kam
Solusar, — Jacen disse. — Qualquer um de nós estaria disposto a arriscar a
vida para ajudar Mara.
Cilghal olhou para Jacen e Luke, com a sua boca larga ligeiramente
entreaberta.
— O seu sobrinho está correto, Mestre. Se há algum risco, você e Mara
são os últimos que deveriam assumi-lo.
Luke olhou ao redor da sala.
— O que você está sugerindo, que todos nós nos encontremos com eles?
— Você pode contar comigo, — Kyp disse. — Eu não gostaria de nada
mais do que ter alguns momentos a sós com uma Yuuzhan Vong.
— Kyp fala por mim também, — Wurth disse.
Lowbacca bradou com força. MTD, o droide tradutor miniaturizado que
pairava próximo ao ombro de Lowie em seus próprios jatos de repulsão,
forneceu:
— Somos todos por um. Juntos, somos mais fortes do que a soma de
nossos poderes individuais. — Construído por Chewbacca e programado
por C-3PO, MTD falava com a voz de droide protocolar, mas sem sua
inflexão às vezes afetada.
— Eu estou com Lowbacca, — disse Streen. — Quaisquer lampejos que
possam ser obtidos sobre os Yuuzhan Vong serão compartilhados por todos
nós.
— Eu também, — acrescentou Tenel Ka.
Luke juntou as mãos por trás das costas e caminhou até as janelas. A
camaradagem o encorajou. Lembrou-se dos primeiros anos da academia, e
de como os seus alunos haviam se unido para derrotar o espírito de um Jedi
sombrio que buscava possuí-lo em Yavin 4. Alguns dos presentes na sala
agora estiveram lá, Cilghal, Streen, até mesmo as crianças. E alguns que se
juntaram à luta estavam mortos, assim como Cray Mingla, Nichos Marr,
Miko Reglia, Daeshara’cor...
Luke exalou lentamente, virou-se e acenou com a cabeça.
— Informarei à Inteligência da Nova República sobre nossa decisão.
Nos encontraremos com as desertoras assim que chegarem a Coruscant.

— Um para o humano, — disse o crupiê, pressionando um cartão ficha de


sabacc do sapato.
Um portador de cartas Ithoriano, equipado com um apêndice de pá onde
um braço deveria estar, deslizou o seu dispositivo ultrafino sob o cartão
embutido com microcircuitos e o depositou virado pra cima na frente de
Han.
— Seis de sabres, — anunciou o crupiê à mesa.
Han calculou o total das três cartas que segurava e fez um movimento
sutil com o dedo indicador e o dedo médio da mão direita, sinalizando ao
crupiê que ficaria.
O crupiê, um Bith cujos polegares e pequenos dedos tornavam o
manuseio das cartas ágil, olhou para o Sullustano sentado à esquerda de
Han em busca de instruções. O ser de maxilares pesados e orelhas salientes
bateu o punho uma vez na superfície antiderrapante da longa mesa e não
conseguiu reprimir um sorriso quando uma carta virada pela pá do portador
resultou ser a face da carta Resistência.
O Bothano na cadeira ao lado desistiu, assim como o diminuto Chadra-
Fan ao seu lado. Isso deixou Han jogando contra o Sullustano, e à direita de
Han, um Ithoriano e um Rodiano, ambos vendedores inescrupulosos, sendo
que o último segurava firmemente as duas cartas que lhe foram
originalmente distribuídas, sem nenhuma na mesa.
Han reclinou-se para mostrar a Droma as suas cartas ocultas: o Ás de
moedas, que valia quinze, e o um de paus, recentemente alterado pelo
aleatorizador de sabacc da Rainha do Ar e da Escuridão. Com os seis de
sabres à mostra, a mão tinha um valor total de vinte e dois, a apenas um
ponto de um sabacc puro. Tinha certeza de que o Sullustano não tinha mais
do que vinte, apesar da carta face Resistência. As duas cartas do Ithoriano
na mesa valiam doze, e pelo jeito que o alienígena apostou, Han duvidava
que ele tivesse mais do que dezoito ou dezenove. Quanto ao Rodiano, com
as suas duas cartas certamente totalizavam mais de vinte, mas
provavelmente não mais do que vinte e dois. Um sabacc puro que lhe foi
dado mais cedo no jogo quase o fez saltar da cadeira, e enquanto ele recebia
a mão atual com empolgação, não havia nada em seus olhos vidrados e
saltados que sugerisse outra vitória instantânea.
Ninguém fixou o valor de nenhum cartão ficha colocando-os no campo
de interferência no centro da mesa.
Cartas adicionais foram recusadas por todos, e as apostas finais foram
feitas. A menos que o aleatorizador acertasse novamente, Han sabia que
tinha o pote.
O Sullustano pagou, e todos mostraram as suas mãos.
Os instintos de Han estavam certos, e ganhou o seu terceiro pote
consecutivo. Sob o olhar cauteloso e vigilante de um supervisor humano
com visão aprimorada para detectar skifters, fichas de cartões manipulados
que entravam no jogo ou jogadores tentando vislumbrar reflexos de cores
da ionização do campo de interferência, o pá do portador juntou as cartas, e
o banqueiro organizou os ganhos de Han em pilhas ordenadas e deslizou-os
pela mesa.
O jogo estava sendo conduzido no Casino existente da Rainha, onde
uma dupla de rodas de uvide e de jubileu giravam ruidosamente ao fundo e
uma meia dúzia de mulheres Twi’lek com caudas de cabeça tatuadas se
moviam com bandejas de bebidas gratuitas, drogas transdérmicas e uma
infinidade de substâncias fumáveis.
Curiosamente, Droma havia ridicularizado a decisão de Han de entrar
no jogo, ao custo de quase todos os seus créditos, mesmo quando Han
justificou isso como um meio de adiar o inevitável retorno à sua cabine
imunda, onde Han havia passado relutantemente a noite anterior e a maior
parte do dia, e mesmo a vitória atual não desabone o desprezo do Ryn.
— Uma empreitada totalmente sem profundidade, — comentou Droma
enquanto Han, com arrogante deleite, organizava ainda mais as suas pilhas
de ganhos. — E os humanos, devido talvez à sua boa sorte evolutiva,
parecem mais inclinados a serem enganados do que qualquer outra espécie.
A resposta de Han foi um ronco presunçoso, mas não pôde deixar de se
lembrar de um sentimento semelhante que ouvira há mais de vinte anos.
— De todas as raças que apostam o seu bem-estar em retornos
incertos, e não são muitas, estatisticamente, a característica é mais notável
nos humanos, uma das formas de vida mais bem-sucedidas.
O orador era um acadêmico Ruuriano chamado Skynx, que
acompanhou Han na busca pelo tesouro de Xim, o Déspota.
— Ria o quanto quiser, — disse Han a Droma, — mas tenho jogado
desde que tinha quatorze anos, e uma vez me ganhei uma nave no sabacc,
sem mencionar um planeta.
— É uma empreitada de tolos, no entanto, — disse Droma.
Han sorriu de forma despreocupada.
— Eu prefiro uma mão cheia de sorte a um porão de sabedoria a
qualquer dia.
O Bith carregou um novo baralho no sapato e mostrou as palmas das
mãos, uma garantia ritual de que não tinha nada em suas mangas, além do
sinal para o início de uma nova rodada.
Os jogos tradicionais de sabacc colocavam jogador contra jogador num
concurso para chegar o mais próximo possível de vinte e três negativos ou
positivos, sem se arriscar a ultrapassar vinte e três ou manter as cartas que
valessem zero. E enquanto o cassino da Rainha empregava o baralho
padrão de quatro naipes, setenta e seis fichas cartões, aleatorizador e campo
de interferência, a casa não só exigia um preço de entrada, mas também
retinha 20 por cento de todos os potes, o pote inteiro se todos os jogadores
desistissem, metade da qual ia para um banco especial para rodadas jogadas
contra a casa.
A Rainha também tinha regras especiais que regiam mãos de sabacc
puro. Um vinte e três positivo vencia um vinte e três negativo, mas um
vinte e três de duas cartas vencia um vinte e três de três cartas, e nenhum
jogador tinha permissão para solicitar mais de três cartas além das duas
recebidas no negócio.
A próxima rodada encontrou Han com um valor inicial de quatorze, um
vinte após um aleatorizador acertar, mas um treze após um segundo
aleatorizador inesperado. Mesmo assim, puxou o cinco de moedas e, através
de um blefe habilidoso, conseguiu manter três de seus oponentes apostando
até a chamada, quando ele recolheu outro pote.
A rodada seguinte foi muito parecida, embora ele tenha conseguido
vencer o Sullustano por um mero ponto e ganhado com um quinze. Com a
sua aposta original, mais seus ganhos, Han tinha quase oito mil créditos
empilhados na mesa.
— Quando eles desistem toda vez que você aposta uma boa mão, você
joga com os olhos deles, — ele se gabou para Droma, apenas alto o
suficiente para ser ouvido.
Estava prestes a entrar para outra rodada quando Droma chamou:
— Banco!
Enquanto a mandíbula de Han caía, o supervisor apressou-se para
consultar o caixa, que logo anunciou que Han precisava de 7800 créditos
para jogar a mão contra a casa.
Com sangue nos olhos, Han se virou para Droma.
— Esse seu cabelo de susto está crescendo na sua cabeça? Se eu perder,
estou limpo!
Droma apenas deu de ombros.
— O aleatorizador é o único oponente digno neste jogo. O aleatorizador
é o destino. Jogue contra ele se quiser me impressionar.
— Impressionar você? — Han ecoou irascivelmente. — Impressionar
você? Por que você...
— Você chamou 'banco', — lembrou o robusto chefe de mesa num tom
ameaçador. — Você vai jogar ou não?
Todos na mesa olharam para Han, e uma multidão de passageiros
começou a se reunir ao redor. Recusar-se não seria apenas covarde, mas um
insulto aos jogadores que ele quase havia eliminado. Ele empurrou os
créditos para o centro da mesa.
— Banco, — ele disse com dificuldade.
Enquanto o Bith retirava as cartas do sapato, os passageiros se
aproximaram ainda mais para assistir. Fora os torneios, era raro ver tantos
créditos apostados numa única mão.
Han levantou cuidadosamente as suas duas cartas e as separou: vinte e
um.
Quase imediatamente, o aleatorizador acionou, reduzindo o valor para
treze.
Lançou o Comandante de frascos, que valia doze, no campo de
interferência, quase atingindo outra rodada, que converteu o um de moedas
na carta do Idiota, com um valor de zero.
Pediu uma carta e tirou o Maligno, avaliado um quinze negativo,
deixando-o com um valor total de três negativo. Um desapontamento
sussurrado se espalhou pela multidão.
A tensão aumentou enquanto Han estudava o sapato, olhava para o
aleatorizador e então estudava o sapato mais uma vez. Quando anunciou
que iria ficar, a audiência arfou em uníssono. Um doze no campo de
interferência e um quinze negativo na mesa; ele era um jogador inspirado
ou um perdedor nato.
O Bith virou as duas cartas da casa, o um de paus e o Comandante de
moedas, totalizando treze. As regras da casa exigiam que o crupiê tirasse
uma terceira carta num doze ou treze.
A mão do Bith foi ao sapato e a multidão prendeu a respiração. Uma
carta classificada colocaria a casa do lado errado do vinte e três, e uma carta
de figura poderia muito bem levar a casa ao negativo. Han parecia ter uma
chance de lutar. Um fio de suor escorreu pelo lado de seu rosto e pingou de
seu queixo.
Mas quando a pá de cartas levantou a carta, Han vislumbrou o seu
reflexo no campo de interferência.
O nove de sabres.
Um vinte e dois para o crupiê.
O coração de Han afundou.
No mesmo instante, o aleatorizador acionou pela terceira vez sem
precedentes. O Maligno de Han se tornou a Mestra de paus, aumentando o
seu total para vinte e cinco! Mas então o Idiota também se transformou na
Rainha do Ar e da Escuridão, avaliada em negativo dois, totalizando vinte e
três.
Sabacc puro.
Sentando-se ereto na cadeira mais uma vez, Han mostrou a sua mão.
Uma ovação estrondosa irrompeu atrás dele. Havia vencido novamente.
O banqueiro empurrou os ganhos de Han pra frente e fechou a mesa. À
medida que os jogadores desanimados saíram e a multidão se dispersou,
exceto por uma mulher Twi'lek tentando desesperadamente atrair a atenção
de Han o qual contou as suas apostas iniciais e empurrou o restante
volumoso para Droma.
— Aqui, — ele rosnou, — compre uma nova roupa, algo que não grite.
Droma sorriu e varreu os créditos para a sua boina bicolor.
— Conheço algumas pessoas nos andares inferiores que podem usar
isso.
Han lhe lançou um olhar penetrante.
— Você sabia que eu iria ganhar.
— Eu posso ter tido uma intuição, — Droma admitiu.
— Então você é um jogador.
Droma balançou a cabeça.
— Mas estou familiarizado com as cartas. Os Ryn as inventaram. As
cartas classificadas e de figura, isto é.
Han fez uma careta.
— Isso eu tenho que ouvir.
— Cada carta incorporava certos princípios espirituais, — Droma
continuou. — Em suma, eram um dispositivo de treinamento para o
crescimento espiritual, pode-se dizer, mas nunca foram destinadas a serem
usadas num jogo de azar.
Ele atravessou a mesa para um dos baralhos descartados. Espalhando as
cartas numa mão, Droma retirou as cartas de naipe numeradas de um a
onze. O restante espalhou num semicírculo na mesa.
— As cartas classificadas, Comandante, Mestra, Mestre e Ás,
representavam indivíduos de inclinação específica, com os paus
correspondendo a empreendimentos espirituais, os frascos a estados
emocionais, os sabres a perseguições mentais, e as moedas ao bem-estar
material. Mas considere os oito pares de cartas de figura e pergunte a si
mesmo por que um jogo incluiria títulos como Equilíbrio, Resistência,
Moderação, Morte.
Droma puxou o Mestre de paus do semicírculo e o colocou na frente de
Han.
— Você, — ele disse. — Um homem de cabelos escuros de força e
intuição formidáveis, mas muitas vezes impetuoso e egocêntrico. Apesar de
sua idade, avança audaciosamente em cada situação, independentemente
das probabilidades, às vezes batendo a cabeça nas coisas. E ainda assim, é,
em essência, um buscador de conhecimento.
— Religiões cafonas, — Han disse entre dentes, mas deliberadamente
alto o suficiente para Droma ouvir.
Sorrindo, Droma se afastou dele, girando a ponta esquerda de seu
bigode.
— Acha isso? Vamos ver o que podemos ver.
Deixando o Mestre de paus intocado, ele reuniu o restante das cartas
classificadas e de figura, misturou-as habilidosamente, fez um corte com
uma mão e colocou o baralho resumido na mesa. Pegando uma carta do
topo do baralho, ele a colocou virada pra cima abaixo do Mestre de paus.
— O Mestre de frascos, — Droma disse. — Uma figura paterna,
protetor ou amigo próximo. Amante, dedicado, leal até o erro. — Ele pegou
outra carta do baralho, colocou-a em cima e perpendicular ao Mestre de
frascos, e franziu a testa. — Atravessado pelo Maligno. Um vício
prejudicial em alguns casos, mas mais frequentemente um poderoso
inimigo.
Han engoliu em seco, mas não disse nada.
A terceira carta, Morte, atravessou a carta de Han da mesma forma. Han
sentiu o olhar de Droma sobre ele.
— Você perdeu um amigo, um protetor? — Droma perguntou.
Han fez a sua melhor cara de sabacc.
— Pode continuar, termine a sua pequena adivinhação.
Droma colocou uma carta à esquerda do Mestre de paus.
— O Idiota. O começo de uma jornada ou busca, geralmente por um
caminho desconhecido. Um mergulho às vezes inquietante no
desconhecido. — A próxima carta coroou o Mestre. — Moderação, mas
invertida. Um desejo de retribuição ou vingança.
Han acenou com a cabeça e bufou.
— Você é bom, você é realmente bom. Você observa e presta muita
atenção ao que as pessoas dizem. Assim você tem uma noção de quem
alguém é ou pelo que alguém está passando. Então você coloca tudo num
pacote bem embrulhado, — ele indicou a distribuição de cartas, — e
devolve na hora certa. Assim como sua capacidade de prever o que alguém
está prestes a dizer.
Droma fez uma expressão longa de falsa surpresa.
— Estou simplesmente espalhando as cartas.
Han gesticulou em desprezo.
— Você arrumou as cartas quando as embaralhou. Ou talvez você esteja
lidando com cartas já tiradas.
Droma ergueu as mãos em seus ombros e acenou para o baralho.
— Tire quatro cartas em rápida sucessão e alinhe-as ao lado do Mestre
de paus.
Han hesitou, então o fez. Mas antes que Droma pudesse falar, ele
apontou o dedo para o primeiro do quarteto.
— Não me diga o que significa, apenas me diga o que a localização
representa.
— Alguém que pode ser afetado por suas ações.
Inquietação puxou os cantos da boca de Han enquanto examinava a
carta.
— O Comandante de sabres, — disse ele em voz baixa. — Talvez uma
versão mais jovem do Mestre. Teimoso, inteligente...
— E corajoso, — Droma acrescentou. — Um lutador capaz.
Anakin ? Han se perguntou. Ele moveu o dedo para a próxima carta.
— Ela ocupa o lugar de consequência imprevista ou perigo oculto, —
Droma completou.
— A Rainha do Ar e da Escuridão, — Han ponderou, examinando a sua
representação em busca de pistas. — Pode ser uma pessoa escondendo algo.
Ou uma ilusão, talvez.
Droma assentiu.
— Algo não revelado. — Ele indicou a próxima carta na linha. —
Como melhor proceder.
— Equilíbrio, — Han disse. — Saber se manter em pé quando as coisas
ficam difíceis e o chão ao seu redor está tremendo.
— Ajuda para lidar com o que a vida oferece, — Droma elaborou. —
Persistência diante da adversidade. E poder espiritual.
O dedo de Han caiu sobre o último cartão.
— O futuro?
Droma balançou a cabeça.
— Um resultado provável. Neste caso, o que o Idiota pode encontrar.
Han franziu a testa e observou o cartão.
— A Estrela. Mas de cabeça pra baixo, invertida. — Ele olhou para
Droma. — Não é tudo o que poderia ser. Menos do que um sucesso
completo.
Droma sorriu com os olhos e assentiu.
— Parabéns, Roaky. A sorte lhe concedeu um vislumbre de seus mais
íntimos desígnios.
Capítulo 21

Acima de um Obroa-skai corcunda, a nave facetada de Harrar pairava na


sombra do mais recente dos cruzadores de coral yorik dos Yuuzhan Vong,
sob o comando de Malik Carr. Onde uma deslumbrava o olhar, a outra
parecia ter sido moldada plenamente a partir das entranhas em ebulição de
algum vulcão imensamente gigantesco.
No centro de comando da nave menor, Malik Carr, Nom Anor, Harrar, o
Comandante Tla e o seu principal estrategista estudavam um redemoinho
holográfico de sistemas estelares animados por dados alimentados ao
coordenador de guerra alojado na superfície mutilada de Obroa-skai e
retransmitidos à nave facetada por meio de um villip de sinal. Em recessos
mal iluminados, atendentes e acólitos permaneciam imóveis como estátuas.
— Os presságios são encorajadores, — o Comandante Tla dizia a seu
par. — A nossa campanha avança rapidamente. Além disso, um grupo de
prisioneiros recém-chegados da estação orbital de Ord Mantell está sendo
designado para um projeto especial que pode nos fornecer novas percepções
sobre a espécie que domina esta galáxia.
O Comandante Malik Carr assentiu em aprovação.
— O Mestre de Guerra Tsavong Lah ficará satisfeito em saber. — Um
homem alto, cujo rosto incisal e torso superior nu anunciavam uma ilustre
carreira militar, usava um turbante vibrante, que se ajustava de perto ao seu
crânio alongado. Os seus ombros e quadris se destacavam com novos ossos
e cartilagem, dos quais pendia uma resplandecente capa de comando. —
Para onde os presságios nos direcionam a seguir?
O estrategista Raff respondeu.
— O ambiente está repleto de alvos, Comandante Malik Carr. — Ele
instruiu o villip de sinal a ampliar e aprimorar setores específicos dentro de
uma área espacial referida pela Nova República como as Colônias. — Em
antecipação ao nosso ataque ao Núcleo, o inimigo posicionou as suas frotas
em egressos hiperespaciais em toda esta região. Os mundos que estão ao
longo do nosso lado da fronteira, Borleias, Ralltiir, Kuat e Commenor,
todos fazem excelentes áreas de preparação para um eventual ataque a
Coruscant, o mundo capital.
— Entretanto, os presságios sugerem cautela, — Harrar interveio.
O estrategista concordou.
— Neste momento da perpetuação, deve-se pensar cuidadosamente no
plano de batalha. Avançar muito lentamente nos oferece à Nova República a
oportunidade de iniciar contra-ataques em nossos flancos. Avançar muito
rapidamente nos expõe ao risco de encontrar mais resistência do que
estamos preparados para superar.
Malik Carr resmungou.
— Naves de guerra adicionais estão a caminho de Sernpidal. Com esses,
seremos capazes de engajar e ocupar o inimigo em numerosas frentes. Ao
mesmo tempo, podemos descobrir uma abordagem mais sutil para
Coruscant. — Ele olhou para Nom Anor. — E quanto a essas criaturas Hutt
das quais tenho ouvido falar, Executor? Elas representam uma ameaça?
Nom Anor deu um passo à frente.
— Tive várias reuniões com Borga, o Hutt, na minha forma de
intercessor, é claro, e estou encantado em relatar que os Hutts estão mais
interessados em chegar a um acordo do que em ir à guerra, mesmo em
defesa de seu território. O setor deles no espaço é extenso e inclui
numerosos mundos que podem ser facilmente transformados para nos
fornecer yorik coral e outros recursos, um dos quais eles já colocaram à
nossa disposição. Assim, um breve desvio para o espaço Hutt não seria
injustificável. Também encarreguei alguns de meus agentes de semear
desinformação antes da sua chegada.
— Anotado, — disse o comandante do cruzador. — E quanto aos Jedi?
Harrar ofereceu um sorriso sutil.
— Os seus dias podem estar contados também. Tomamos medidas para
proporcionar aos Jedi uma crise, infiltrando um dos nossos entre eles, a
Sacerdotisa Elan.
— Chegamos até a proporcionar à Nova República pequenas vitórias no
setor Meridian e em Ord Mantell para substanciar o valor incomparável de
nossa operativa, — acrescentou o Comandante Tla.
Harrar interveio ansiosamente.
— Acreditamos que Elan está a caminho de uma reunião com os Jedi
neste momento.
O sacerdote se interrompeu ao ver um arauto aparecer na entrada do
centro de comando, portando um villip em seus braços cruzados.
Aproximando-se de Nom Anor, o arauto acariciou a crista do villip,
induzindo-o a se reverter. Nom Anor gesticulou para que um de seus
próprios villips dedicados fosse trazido, e observou enquanto o villip em
transformação assumia o aspecto de um de seus subordinados Yuuzhan
Vong.
— Executor, — começou o retrato do subalterno, — um grupo de seus
agentes, aqueles alistados na Brigada da Paz, aparentemente tomou pra si a
responsabilidade de retornar algo aparentemente perdido pra nós.
Os olhos de Nom Anor se abriram em grande espanto.
— Não Elan, — disse ele com falsa esperança.
— Ela, Executor.
— O quê? — Harrar disse alarmado. — O que é isso?
— Como isso é possível? — Nom Anor perguntou. — A Brigada da Paz
nunca foi informada da falsa deserção de Elan. Além disso, você mesmo me
informou que a Brigada da Paz estava ocupada no espaço Hutt.
— Como eles estavam, Executor, pelo menos até que souberam da
deserção e captura de Elan.
O rosto de Nom Anor se contorceu de mortificação.
— De quem?
— Não consegui determinar.
— Isto é ridículo, — gritou Harrar. — Como eles pretendem recuperá-
la?
— Aparentemente, foram informados dos meios pelos quais ela seria
realocada para Coruscant.
O villip de Nom Anor espelhou a sua expressão rancorosa.
— Impossível. Mesmo eu tive dificuldades em desvendar os
subterfúgios da Nova República. Mesmo dentro da divisão de Inteligência,
a rota é um segredo bem guardado.
— Só sei que a Brigada da Paz está planejando agir contra uma nave de
passageiros a caminho de Bilbringi, — disse o subalterno. — Eles
convenceram pelo menos um de seus controladores imediatos a ajudá-los. E
eles têm um dovin basal em sua posse.
— Devemos garantir que eles sejam impedidos de interferir. — Harrar
se tornava mais irritado enquanto falava. — A qualquer custo.
Nom Anor fez o seu próprio villip retornar ao normal e dispensou o
arauto. Os Comandantes Tla e Malik Carr o observavam atentamente, assim
como o sacerdote.
— Está tudo bem, Executor? — Malik Carr perguntou por fim,
levantando uma sobrancelha levemente.
Nom Anor trocou olhares rápidos com Harrar.
— Um possível revés envolvendo a nossa operativa, — ele admitiu.
Recuperando o controle de sua indignação, gesticulou negativamente e
fixou o olhar em Malik Carr. — Nada que não possamos lidar. Embora eu
possa precisar de sua fragata mais rápida, Comandante.

— Somos marido e mulher, — Showolter disse ao oficial Askajiano


estacionado na borda mais avançada dos portões de embarque de Rainha do
Império. O cruzeiro estelar estava em órbita estacionária acima do planeta
Vortex. — Recentemente deslocados de Sernpidal.
— Onde a lua caiu? — o oficial perguntou.
— Infelizmente, sim.
— Do que vocês chamavam aquela lua? Lembro de ter ouvido na rede
de notícias...
— Tosi-karu.
— Isso mesmo. — O robusto quase-humano olhou para Vergere. —
Ele... está com você?
— Ela, — Showolter corrigiu. — Nossa serva.
O oficial de embarque acenou incertamente, então devolveu os
documentos de identidade e os bilhetes que Showolter havia fornecido.
— A sua cabine está localizada no convés vinte e quatro, espaço de
atracação doze. Bem-vindo a bordo e boa viagem.
Showolter pegou a mão de Elan e levou ela e Vergere até o banco mais
próximo dos tubos de transferência entre os convés, cilindros amplos que
funcionavam como turboelevadores, mas sem carros. Sustentados por
campos de repulsor, os passageiros podiam subir ou descer conforme
necessário, em tubos de elevação ou eixos de queda, respectivamente.
A Rainha estava apenas acordando da noite relativa, e as multidões
barulhentas de refugiados estavam alinhadas nas áreas de banheiros
específicos para espécies ou procurando comida. Droides corriam de um
lado para o outro realizando tarefas que se presumiam abaixo da dignidade
dos seres vivos.
Apesar da facilidade da viagem de Myrkr para Vortex e do embarque
tranquilo, Showolter permaneceu alerta a sinais de que estavam sendo
observados ou seguidos, por operativos do SINR ou por desconhecidos.
Vergere atraiu alguns olhares curiosos, mas a maioria das pessoas estava
muito preocupada em proteger os seus direitos ao espaço do convés para se
interessar muito por ela. Mesmo assim, Showolter sabia que não relaxaria
até que os seus agentes de apoio fizessem contato.
A cabine era mais espaçosa do que esperava, com uma área de estar
com sofá, mesa e cadeiras, e quatro camas dobráveis. Após conduzir as
duas desertoras pra dentro, Showolter verificou o corredor antes de trancar
a porta.
— Lar, doce lar, — ele disse. — Até amanhã, pelo menos.
— O que acontece depois? — Elan perguntou enquanto se sentava
numa das camas de plataforma.
— Eu te contarei quando chegar a hora.
Ela balançou a cabeça pra ele.
— Você ainda não confia em mim, não é?
— Nada pessoal, — ele disse. — Apenas seguindo o procedimento.
— Eu aposto que você diz isso a todos aos seus desertores, — Vergere
ofereceu de uma das outras camas, em cima das quais ela empoleirava-se
como uma ave ampla.
Showolter colocou a bagagem num canto e se certificou de que a porta
da suíte adjacente estava trancada. Estava prestes a se acomodar quando
alguém bateu na porta de entrada.
Tirando o seu blaster do suporte no ombro, ele se posicionou ao lado da
moldura da porta.
— O que foi?
— Serviço de cabine, — uma voz ressonante disse no Básico com
sotaque Corelliano.
— Não solicitamos nada.
— Um presente do Capitão Scaur, — o homem no corredor respondeu.
— Ele também convida vocês a serem os seus convidados em sua mesa esta
noite.
— Isso pode ser arranjado.
— Vou lhe dizer que você disse isso.
Showolter abaixou a sua arma e acionou a liberação da escotilha. Um
humano alto, de cabelos escuros e aparência perigosa entrou, seguido por
um Rodiano.
— Sou Darda, — o homem anunciou. — Este é o Capo.
Verde, de pele áspera e um pouco desagradável ao nariz humano, Capo
tinha uma graça esguia e um ar descontraído. Ao avistar Elan e Vergere, ele
chamou a atenção de seu parceiro para elas.
— Onde vocês embarcaram? — Showolter perguntou.
Darda se virou de Elan para encará-lo.
— Aqui mesmo em Vortex. Estávamos à sua frente na fila de embarque.
Showolter sorriu.
— Sim, eu notei vocês. É só vocês dois?
— Mais três já estão a bordo, — Darda informou. — Misturando-se
com os refugiados na terceira classe. Eles provavelmente aparecerão no
jantar.
Showolter assentiu.
— Onde está a sua cabine?
Darda apontou com o queixo para a porta do corredor da suíte
adjacente.
— Bem ao lado de vocês.
— Conveniente, — comentou Showolter. — Alguém na QG realmente
fez a lição de casa. — Ele olhou para Capo. — De onde você trabalha,
Capo?
— Bilbringi, — disse o Rodiano, pressionando as pontas dos dedos com
ventosas.
Os olhos de Showolter retornaram a Darda.
— E você?
— Recentemente de Gamorr, mas estão me trazendo de volta para
Coruscant após esta operação.
Showolter parecia surpreso.
— É mesmo? Quem é o seu novo chefe?
Darda estava prestes a responder quando outro golpe soou na porta.
Showolter fez um gesto para que ficassem em silêncio e levantou o seu
blaster mais uma vez.
— O que é?
— Serviço de cabine, — respondeu uma voz humana.
Os três operativos do SINR trocaram olhares desconcertados. Showolter
gesticulou para Darda e Capo entrarem na suíte adjacente e sinalizou para
Elan e Vergere ficarem paradas. Quando a porta do corredor se fechou atrás
de Capo, Showolter se moveu em direção à entrada.
— Não solicitamos nada.
— Um presente do Capitão Scaur. Ele também convida vocês a serem
os seus convidados em sua mesa esta noite.
— Isso pode ser arranjado.
— Vou lhe dizer que você disse isso.
Com economia de movimento, Showolter deslizou o seu blaster sob um
travesseiro no sofá, arrumou duas cadeiras de modo que as suas costas
ficassem voltadas para a porta do corredor e abriu a porta de entrada. Um
humano musculoso e uma fêmea Bothana bonita entraram, apresentando-se
como Jode Tee e Saiga Bre'lya.
Astutamente, Showolter os manobrou para as cadeiras e perguntou de
onde tinham embarcado.
— Estamos a bordo desde Ord Mantell, — a Bothana disse após ter um
olhar atento em Elan e Vergere.
— É só vocês dois?
— Outras duas pessoas deveriam ter embarcado em Anobis, mas ainda
não fizeram contato.
— Onde está a sua cabine? — Showolter perguntou a Jode Tee.
— Dez portas ao longo do corredor, à estibordo.
— Conveniente. — Showolter sentou-se no sofá, encarando-os, com a
mão fechando lentamente no blaster oculto. — Onde vocês estão baseados?
— Bilbringi, — disse Jode Tee.
— E você, Saiga?
— Ord Mantell.
A porta do corredor começou a abrir, revelando Darda com um blaster
elevado até o seu queixo numa pegada com duas mãos. Showolter fez um
breve contato visual e riu para encobrir quaisquer sons que a porta pudesse
fazer ao se abrir.
— Então isso era sério sobre o jantar na mesa do capitão? — ele
perguntou.
— Eu gostaria, — Saiga disse, sorrindo.
Showolter trouxe o blaster pra fora com eficiência fria e disparou. O
disparo passou entre Jode Tee e a Bothana, acertando Darda bem no peito.
Darda foi lançado pra trás da porta como se tivesse sido chutado por um
gundark, mas conseguiu disparar um tiro que acertou Jode Tee nas costas,
fazendo-o cair sobre o sofá.
Showolter e Saiga se jogaram no chão. Ao mesmo tempo, Vergere
saltou de sua cama para proteger Elan, forçando-a para um canto da cabine
e se colocando entre a sacerdotisa e o perigo.
Capo deslizou pela porta de entrada em seu estômago, arma estendida à
sua frente e disparando repetidamente. Raios de blaster ricochetearam
sibilantemente ao redor da cabine. Showolter rolou pelo chão até atingir a
parede do corredor. Sem ter pra onde ir, arriscou um disparo na direção da
porta, mas naquele momento Capo já havia se movido. Showolter rolou de
volta pela mesma direção que veio e conseguiu ficar de joelhos, mas Capo o
tinha em sua mira e disparou. O tiro atingiu o seu ombro esquerdo, logo
abaixo da clavícula, e o girou completamente. O cheiro de tecido queimado
e carne assada encheu as suas narinas. Mas mesmo enquanto caía, disparos
do chão o informaram que Saiga havia se juntado à luta.
Um grito aterrorizante ecoou, seguido por um gemido agonizante.
Showolter abriu os olhos a tempo de ver um Capo ferido se arrastando em
direção à porta da frente da suíte adjacente, enquanto Saiga, impulsionando-
se pra trás sentada, pressionava a mão contra o buraco aberto no centro do
peito por um disparo de blaster.
Showolter se levantou e entrou no espaço da cabine adjacente, com a
arma levantada numa mão trêmula. Capo já estava metade no corredor, e
todo o tiro de Showolter apenas lhe deu um ímpeto para se apressar.
Showolter tropeçou até a porta, mas apenas para fechá-la e trancá-la. Com
fumaça se enrolando de seu ombro queimado, vacilou de volta para a sua
cabine.
Os seus dedos não encontraram pulso na garganta de Jode Tee. Dando
uma rápida olhada em Elan e Vergere, arrastou-se até Saiga, que havia se
apoiado contra a porta de entrada.
— Você o pegou, Major? — ela perguntou fraquejando.
Showolter balançou a cabeça.
— Quem eram eles?
— Não sei, mas eles tinham o código.
Os olhos da Bothana se arregalaram.
— Nosso código?
— O mesmo que me foi dado.
— Então como você sabia que estávamos dizendo a verdade?
— Um deles disse que estava operando a partir de Gamorr. Eu acho que
quem forneceu o código não sabia que nós desativamos aquele refúgio há
muito tempo.
Um gemido de dor escapou de Saiga.
— Saiga, — Showolter disse asperamente. — Você disse que temos
mais dois a bordo.
As pálpebras dela tremeram, e ela conseguiu acenar com a cabeça.
— Quem são eles? Como você foi instruída a fazer contato? Saiga.
Saiga!
Os olhos dela rolou pra cima. Um último suspiro saiu de seus pulmões e
ela morreu.
Os olhos de Showolter ficaram vidrados. Virou-se e sentou-se imóvel no
chão.
— Você está machucado, — Elan disse, perto de seu ouvido, num tom
que soava como preocupação genuína.
A Rainha tremia inocentemente.
— Hiperespaço, — Showolter murmurou, principalmente pra si mesmo.
Tentou se concentrar em Elan. — Temos que te tirar daqui. Capo voltará
com reforços. — Ele fez uma tentativa fútil de se levantar, então apontou
para a bagagem. — Na minha bolsa... analgésicos e bandagens.
Vergere estava de repente ao seu lado, com os seus olhos inclinados
brilhando com lágrimas.
— Deixe-me ajudá-lo, — ela disse.
Formando as suas mãos delicadas, ela as segurou contra os olhos. Então
ela esfregou as palmas umedecidas e as pressionou contra a ferida de
Showolter. Ele travou os dentes contra uma dor intensa, mas de curta
duração, e então respirou fundo, trêmulo.
— Melhor? — Vergere perguntou.
— Sim, — ele disse a ela, visivelmente surpreso.
— É um reparo temporário. Você vai precisar de atenção médica.
Acenou com a cabeça em compreensão, se levantou e rearmou o seu
blaster. Abrindo a porta cautelosamente, ele espiou para o corredor.
— Estamos saindo, — ele disse. — A nossa única chance é localizar o
meu apoio.
— Mas você não sabe quem está procurando, — Elan lembrou.
Showolter acenou gravemente.
— Espero que eles me reconheçam.
Elan ofereceu seu ombro para apoio, e os três seguiram em direção às
áreas comuns abaixo do convés.
Capítulo 22

Han saiu do banheiro portátil como um homem em seus últimos momentos,


batendo a porta atrás de si como se quisesse impedir que algo horrível
escapasse.
— Aposto que algum Gamorreano esteve lá dentro, — ele rosnou para
Droma. — Não conseguem usar os seus próprios banheiros. Têm que sujar
os nossos.
— Esse é o seu humor matinal típico? — Droma perguntou.
Han lançou-lhe um olhar furioso.
— Não, mas é o meu humor quando não durmo.
O Ryn fez um som de desdém.
— Não pedi para compartilhar o seu espaço na cabine. Estava bem na
classe econômica.
Han parou abruptamente no corredor.
— Não me importo de compartilhar o meu espaço na cabine. O que me
incomoda é sua cauda na minha cara metade da noite!
Droma franziu a testa.
— Nós, Ryn, somos obrigados a alterar as nossas posições de sono com
frequência. Nunca dormimos duas vezes no mesmo lugar.
— Da próxima vez, reservarei o salão de baile, — Han disse
sarcasticamente. — Isso lhe daria espaço suficiente?
— Somos um povo supersticioso, — Droma explicou enquanto
retomavam a caminhada. — Nunca comemos três vezes do mesmo prato, e
temos muitos rituais a respeito de fluidos corporais...
As mãos de Han se levantaram.
— Não quero saber sobre isso. — Ele olhou para Droma. — Por que
você ainda está a bordo, afinal? Você me disse que desceria em Vortex.
Droma deu de ombros.
— Decidi que teria mais sorte encontrando uma carona para Ralltiir a
partir de Bilbringi.
— É, — Han disse lentamente. — Mas pensei que você só tinha
passagem para Vortex.
Droma adotou uma expressão dócil.
— A verdade é que guardei apenas o suficiente do que você ganhou na
mesa de sabacc para garantir passagem posterior.
— Uma ótima coisa, — Han resmungou.
A antiga pugnacidade de Droma ressurgiu.
— Você me invejaria uma modesta remuneração, mesmo depois de eu
não ter lhe cobrado pela leitura de cartas?
Han parou novamente.
— Cobrar-me? Você foi quem distribuiu as cartas.
— Não me lembro de você ter me dito para parar.
— Estava sendo educado.
— Impossível, — Droma disse. — Você é incapaz.
— Ei, se você soubesse a companhia que eu mantenho...
Droma parecia confuso.
— Clientes ricos e famosos no negócio de reparos de naves?
— Eu... Ah, isso é desesperador, — Han disse.
Colocando a mochila de viagem sobre o ombro, acelerou, imaginando
que as pernas curtas do Ryn não o deixariam acompanhar. Deixando Droma
pra trás após vinte longos passos, rapidamente virou uma esquina no
corredor, depois outra. Então, do nada, braços poderosos o agarraram por
trás, segurando-o firme e girando-o.
— Han! — disse o seu captor, agarrando-se a ele com toda a força. —
Nem vou tentar imaginar como Scaur te convenceu a assumir esse dever,
mas fico muito feliz em ver você.
— Scaur? — Han disse, então a compreensão veio. — Showolter? O
que...
— Eles nos atacaram na cabine, Han. Agentes trabalhando para os
Yuuzhan Vong. Matou duas pessoas da minha equipe. Eu peguei um deles,
mas o outro escapou, um Rodiano escorregadio chamado Capo. Ele
provavelmente trouxe reforços a bordo, e eles provavelmente estão nos
procurando agora. Você precisa encontrar um lugar seguro para escondê-las.
Han seguiu a mão de Showolter até Elan e Vergere.
— O que há de tão importante...
— Elas são Yuuzhan Vong, — Showolter ofegou. — Desertoras.
Com a boca caindo aberta, Han deu-lhes uma olhada mais de perto,
então voltou a sua atenção para Showolter.
— Como você...
— Este é seu parceiro? — perguntou o agente do SINR.
Han se virou, encontrou Droma atrás dele e franziu a testa.
— Ele é...
— Somente até Bilbringi, Han, — Showolter disse com súbita fraqueza.
— Han? — Droma perguntou, surpreso.
Showolter desabou contra a parede do corredor e deslizou pra baixo,
com Han o seguindo.
— O pessoal de apoio se encontrará com você em Bilbringi. Eles
cuidarão da transferência a partir daí. — O oficial do SINR gemeu de dor.
Um grito aterrorizante ecoou, seguido por um gemido agonizante.
Showolter piscou os olhos abertos a tempo Han percebeu que tinha sangue
nas mãos e desviou o olhar para o ombro de Showolter.
— Você está ferido...
Showolter balançou a cabeça.
— Não posso me dar ao luxo de perder tempo. Envie um médico, vou
ficar bem.
Han se levantou e agarrou um comissário Duros que passava.
— Este homem precisa ser levado para a enfermaria, — disse ele. —
Imediatamente, entendeu?
A cabeça redonda do comissário balançou nervosamente.
— Sim, senhor, imediatamente.
Han o empurrou para longe e se abaixou para apoiar Showolter.
— Você tem uma arma?
Showolter olhou pra cima e acenou com a cabeça.
— Você precisa dela?
Han segurou a mão de Showolter que ia para o suporte do ombro.
— Não, você precisa, caso eles o encontrem.
Showolter fechou os olhos contra uma onda de dor.
— Vá, Han.
Han se virou para as desertoras.
— Vocês duas estão vindo comigo. Qualquer problema e eu vou colocar
vocês num armário pelo resto da viagem, entenderam?
A mulher se incomodou, mas a pequena alienígena acenou.
— Estamos em suas mãos.
Han levantou o dedo indicador.
— Lembrem-se disso.
Eles não tinham andado dez metros quando ouviram Droma perguntar:
— Han?
— O meu codinome, — Han disse por sobre o ombro.
— Você é um agente de inteligência?
Han parou abruptamente e se virou.
— Fique fora disso, Droma. Não estamos jogando cartas agora.
Droma inclinou a cabeça.
— Onde você planeja escondê-las, em sua cabine? Eu conheço esta
nave melhor do que você. O único lugar seguro é lá embaixo, onde você
pode perdê-las na multidão.
Han refletiu sobre isso e então acenou de forma curta.
— Certo. Vamos.
Eles se dirigiram para o turboelevador mais próximo e estavam prestes a
alcançá-lo quando a Rainha sofreu um impacto inesperado, forte o
suficiente para fazer Elan perder o equilíbrio. Enquanto Droma a ajudava a
se levantar, Han apressou-se até um vislumbre de observação nas
proximidades. Em vez do caos purpurino branco da velocidade da luz, o
espaço local estava se fragmentando em linhas de luz alongadas. Han
observou as linhas se comprimirem em pontos, apenas para desaparecer e se
alongar mais uma vez. Finalmente, os pontos giraram e se organizaram num
campo estelar. A uma distância média, um grande planetoide fortemente
marcado foi revelado por um distante sol vermelho alaranjado.
— Fomos decantados, — disse ele, não sem perplexidade.
Droma olhou para uma tela de tempo na parede do corredor.
— É cedo demais para Bilbringi...
Sirenes uivantes o silenciaram, e os anunciadores do PA ganharam vida.
— Atenção, todos os passageiros, — alguém começou no Básico
padrão. — Aqui é o capitão falando. Fomos revertidos à força para o espaço
real por invasores desconhecidos. Cúmplices a bordo dos invasores já estão
atacando a ponte.
— Invasores, — Han riu. — Eles não são invasores, estão atrás de
alguém em particular.
— Você tem certeza? — Droma perguntou cautelosamente.
Han se lembrou de outra vez em que foi separado de Chewie e da
Falcon, reservando passagem comercial a bordo do luxuoso cruzeiro estelar
Lady de Mindor com Fiolla, uma companheira muito mais agradável do que
o Ryn ao seu lado. Aquela nave, também, havia sofrido um ataque falso de
piratas, liderado pelo traidor assistente de Fiolla, Magg.
— Certeza quase absoluta, — Han disse, sem expressão.
— São meus compatriotas! — Elan disse, tomada pelo medo. — Eles
trouxeram um dovin basal para atacar a nave. — Ela cravou as unhas curtas
no bíceps de Han. — Por favor, não deixe que eles nos encontrem, por
favor!
— Nossos escudos foram inutilizados, — continuou o capitão, — e os
nossos perseguidores estão se aproximando para embarcar. Chamadas de
socorro foram enviadas. Estou certo de que alguém virá em nosso auxílio.
Mas, enquanto isso, peço que todos permaneçam calmos. Repito, Eu exorto
todos a permanecerem calmos.

— A ousadia dele, — Leia disse, desabafando para Luke e Mara enquanto


andava pelo piso de azulejos de seu apartamento em Coruscant. — Dizendo
que sou incapaz de entender a sua dor, depois saindo para quem sabe onde.
— Você pode tirar o garoto de Corellia, mas não pode tirar Corellia do
garoto, — Mara comentou do sofá.
Luke sorriu timidamente.
— Leia, esta não é a primeira vez que Han faz algo assim. Lembra
quando ele e eu fomos à Estação de Pesquisa Crseih?
— Isso foi diferente, — Leia disse, balançando a cabeça. — Certo, ele
pode ter sentido falta dos velhos tempos, mas aquela viagem era mais sobre
a sua renúncia ao serviço militar. — Ela se sentou em frente ao irmão e a
sua esposa. — O que ele está fazendo agora não tem nada a ver com
nostalgia ou com o seu sentimento de estar preso por um título. É tudo
sobre o Chewie.
— Mas isso é natural, — Mara ofereceu cautelosamente.
— A dor e a confusão, sim, — Leia disse. — Mas acho que ele está
determinado a se vingar. — Ela suspirou com propósito. — Um velho
amigo veio vê-lo, um homem chamado Roa. E eles foram para Ord Mantell.
Por que eles iriam se aventurar tão perto do espaço controlado pelo inimigo,
a menos que Roa tivesse alguma informação?
— Mas que tipo de informação? — Luke perguntou. — Os Yuuzhan
Vong diretamente responsáveis pelo que aconteceu em Sernpidal estão
mortos. Han ajudou a garantir isso pessoalmente em Helska 4.
— Luke, se isso fosse algum consolo, ele não estaria lá fora, — Leia
disse.
Luke viu a verdade disso.
— Ainda assim, Han está além de fazer qualquer coisa imprudente.
Leia apertou o lábio inferior entre os dentes.
— Quando Han e eu nos conhecemos pela primeira vez, ele me
convenceu de que era tão imprudente quanto pretendia ser, — Luke
continuou. — Mas Obi-Wan disse algo que nunca esquecerei. Ele disse que
havia mais em Han do que aparentava, e que ele tinha substância real por
trás de sua fachada cruel. — Ele sorriu em recordação e olhou para Leia. —
Obi-Wan também disse que apenas uma pessoa especial teria um Wookiee
como companheiro, e que não apenas qualquer Wookiee seria encontrado
vagando pela galáxia na companhia de alguém como Han.
Leia sorriu tristemente.
— Você não precisa me lembrar que Han é especial. Mas esse é
exatamente o problema. Ele precisa desse tipo de companhia. Chewie e
Han, não sei, eles pareciam se equilibrar. Chewie mantinha Han sob
controle. — Forçando-se a se alegrar, ela se virou para Mara. — Desculpe
por desabafar com vocês. Eu nem perguntei como vocês estão.
— Estou me sentindo muito mais forte, — Mara disse, e deixou por isso
mesmo.
Leia sorriu pra si mesma, pensando em quanto se importava com Mara.
Perguntou a si mesma como poderia ter desconfiado dela.
— Achei que você já tivesse voltado para Yavin 4, — disse ela após um
momento.
Luke e Mara trocaram olhares secretos.
— Você foi informada de que uma Yuuzhan Vong desertou?
Leia ficou boquiaberta.
— O quê? Quando?
— Pouco antes de você partir para Ord Mantell. Ela está sendo trazida
para Coruscant para um novo interrogatório.
— Ótima notícia. — Os olhos de Leia brilharam brevemente, então ela
os fixou em Luke. — A desertora tem algo a ver com você ainda estar aqui?
— Ela pediu para se encontrar com alguns de nós.
— 'Nós' como os Jedi? — Leia se endireitou em sua cadeira. — Não me
diga que você concordou com isso.
— Ela afirma ter informações sobre uma doença que os Yuuzhan Vong
trouxeram para nossa galáxia, — Mara respondeu.
Leia levou uma mão à boca.
— Mas, Mara...
Um grito familiar emanou da sala adjacente, e C-3PO apressou-se em
cena, movimentos abruptos refletindo a sua agitação interna. Atrás dele
rolava R2-D2, piando e apitando numa clara zombaria.
— Oh, por favor, não me desative! — C-3PO lamentou. — Não foi
minha culpa! Eu só estava tentando ajudar!
R2-D2 zumbiu algo desdenhoso.
— Oh, desligue-se, você pequeno... carregador de bebidas.
— 3PO, acalme-se, — Leia disse. — O que está acontecendo?
Ele se virou pra ela.
— Acabou de sair na rede de notícias, Mestra Leia. A Rainha do
Império foi atacada por invasores, em direção ao sistema Bilbringi! Um
pedido de socorro foi enviado, mas a nave provavelmente está sendo
abordada neste exato momento!
Luke lançou a Leia um olhar curioso.
— Uma embarcação transportando refugiados de Ord Mantell para o
núcleo, — ela explicou. — 3PO, acesse a rede de notícias e veja se
consegue descobrir mais. Pode ser piratas em vez de Yuuzhan Vong.
— Mas o Mestre Solo! — C-3PO disse.
Leia encarou.
— E quanto a ele?
C-3PO ergueu as mãos para o ar.
— Ele está a bordo da nave!
Leia balançou a cabeça, como se não o tivesse ouvido corretamente.
— 3PO, eu não entendo...
— Oh, eu não deveria ter ouvido a ele. Mas quando ele repetiu as
mesmas palavras que você usou mais cedo, fiquei certo de que minha
decisão estava justificada.
— Que palavras?
— Que às vezes é melhor não saber o que os outros estão pensando.
Que às vezes é menos doloroso não saber a verdade. Você mesma disse
isso, mestra.
R2-D2 apitou sarcasticamente.
— Fique quieto! — C-3PO disse, desesperadamente atordoado.
— Mas o que tudo isso tem a ver com Han estar a bordo da Rainha do
Império? — Leia perguntou.
— O Mestre Han me pediu para arranjar a sua passagem, e eu fiz isso
imitando você, Mestra Leia, com os seus padrões vocais, de qualquer
forma. E quanto ao motivo pelo qual nunca mencionei o paradeiro do
Mestre Han, isso foi porque você nunca me perguntou diretamente se eu
tinha conhecimento sobre isso. O Mestre Solo prometeu providenciar para
que as minhas memórias fossem armazenadas, caso eu fosse desativado.
Dessa forma, eu poderia praticar o desapego...
— 3PO! — Leia o interrompeu. — Estou certa de que você não é
totalmente culpado, não quando se trata de Han. Mas seja honesto comigo
agora, por que ele estava indo para Bilbringi?
— Não sei nada de seus motivos, Mestra.
R2-D2 girou a cabeça num círculo completo, apitando e chiando, numa
mistura de reprovação e preocupação.
Leia apertou os olhos em direção ao irmão.
— Então Han não faria nada imprudente, hein?
— 3PO, — Luke disse, — você disse que a nave emitiu um sinal de
socorro?
— De acordo com os relatórios da rede de notícias, sim, Mestre Luke.
Luke olhou para Leia.
— Provavelmente, ajuda está a caminho.
Leia balançou a cabeça, irritada.
— Quem vai se importar o suficiente com a vida de alguns milhares de
refugiados, especialmente se caíram nas mãos dos Yuuzhan Vong?
— Poderíamos ir, — Luke disse.
Mara lançou-lhe um olhar cético.
— Mesmo se usássemos o Corredor Namadii, nunca chegaríamos a
tempo.
Leia levantou-se rapidamente.
— Você está esquecendo uma coisa. Vamos pilotar a pilha de sucata
mais rápida da galáxia!
Capítulo 23

— Você não deve deixá-los nos encontrar! — Elan lamentou no ouvido de


Han enquanto eles se espremeram e empurraram o seu caminho através de
uma multidão de espécies mistas que entupia o corredor.
Han inclinou a cabeça o suficiente para lançar-lhe um olhar de aviso.
— Ou você se cala ou eu a entrego a eles eu mesmo!
Os olhos de Elan se tornaram semicerrados.
Han bufou em resposta.
— É o melhor que você pode fazer?
— Você deveria temer a mim, — ela lhe disse.
— Guarde as ameaças para alguém que se importa, querida. Estou
fazendo isso apenas porque Showolter tomou um tiro de blaster por você, o
que significa que ele acha que você é bastante importante.
— Mais importante do que você imagina.
— Vamos ver sobre isso. Mas agora você é minha responsabilidade e
fará o que eu disser, entendeu?
Ela assentiu de forma desafiadora.
Apesar do pedido do capitão por calma, a desordem reinava. Relatos de
piratas eram raramente recebidos com entusiasmo, mas o fato de que a
maioria dos passageiros da Rainha havia experienciado os Yuuzhan Vong
em primeira mão apenas tornava as coisas pior. A maioria estava
procurando lugares para se esconder em armários de utilidade, dutos de
ventilação, contêineres de carga e os estreitos armários das cabines do
convés inferior. Como consequência, multidões de passageiros e membros
da tripulação invadiram os corredores e entupiram os tubos de transferência
entre os andares. Muitos fizeram corridas frenéticas para as baías dos pod
de escape, apenas para encontrá-las trancadas; outros invadiram os andares
superiores, apenas para serem repelidos por contingentes armados de
oficiais e vendedores da nave. Claramente determinados a ignorar o
provérbio há muito estabelecido de que se render era a melhor estratégia de
sobrevivência contra piratas, os refugiados da Rainha transformaram o
cruzeiro estelar numa catacumba fervente.
Apesar de tudo, Han e companhia conseguiram chegar ao convés da
estação de pouso, onde, se nada mais, a multidão estava mais dispersa e
aquiescente. O pior que poderia acontecer, Han disse a si mesmo, era que
ele acabasse na mesma situação que Roa e Fasgo.
De uma bolha a bombordo, era possível observar a aproximação da
nave dos piratas, de relativamente abaixo e ligeiramente atrás do cruzeiro
estelar. Luzes de navegação sugeriam uma embarcação longa e em forma de
cilindro, equivalente em tamanho a um antigo Corredor de Bloqueio.
Enquanto manobrava dentro do alcance dos painéis de iluminação
externos da Rainha, Han viu, para o seu espanto inicial, que a nave era de
fato uma antiga corveta Corelliana, embora fortemente modificada e
anodizada num preto não refletivo. Além das baterias padrão de turbolaser
ventral e de popa, o arco em forma de barril da embarcação ostentava
canhões Taim & Bak H9 montados nas laterais, e a cúpula que normalmente
suportava o array de comunicações havia sido alongada para abrigar um
formidável gerador de campo de interdição, ou o dovin basal dos Yuuzhan
Vong que havia puxado a Rainha pra fora do hiperespaço.
Um trio de transportes da classe Marcial, com vinte anos de idade,
desceu de uma baía de lançamento reformulada na barriga da corveta e
seguiu em direção à própria estação de pouso ventral da Rainha. Quando os
propulsores de direção da corveta dispararam para alinhá-la com a eclusa de
ar à bombordo da nave, Han teve uma boa visão à estibordo, onde logo
atrás do módulo da cabine, o casco fosco estava emblazonado com o
emblema das mãos entrelaçadas da Brigada da Paz.
As palavras do tenente Aqualish de Grande Bunji vieram à mente. Eles
têm uma operação planejada para Bilbringi.
Reck! Han disse a si mesmo, espantado.
A Brigada da Paz estava atrás das desertoras. Reck poderia já estar a
bordo da Rainha, pensou ele. Com sorte, o mercenário seria aquele que
Showolter afirmava ter matado.
— Por que estamos parados aqui? — Elan perguntou ansiosamente. —
O agente que escapou estará nos procurando.
— Essa não é uma nave dos Yuuzhan Vong, — Han lhe disse.
— Mas essa é, — Droma disse, apontando.
Han seguiu o dedo fino e aveludado de Droma. Alto na bolha, com a luz
das estrelas brilhando sobre uma curva de superfície escabrosa, um oval
achatado de coral yorik estava paralelamente à corveta, como se estivesse
esperando nos bastidores. O medo subiu pelas costas de Han enquanto se
lembrava de ter entrado em confronto com Yuuzhan Vong semelhantes em
Dubrillion e Helska meses antes.
Ele se virou para Elan.
— Retiro o que disse. Você deve ser bastante importante para que eles
enviem uma nave de guerra.
— Tão importante para o meu povo quanto eu sou para o seu, — ela
respondeu rapidamente, sem um traço de arrogância. — Eu tenho
informações vitais para os seus Cavaleiros Jedi.
As sobrancelhas de Han se franziram de interesse.
— Sobre o que?
— Uma doença que o meu povo introduziu.
Antes que pudesse se impedir, Han a pegou com força pelos ombros.
— Você está falando sério sobre isso?
Ela acenou com a cabeça, aparentemente imperturbável pela pressão de
suas mãos.
— Sou contra o uso de armas bacteriológicas. Tal tática desmerece os
Yuuzhan Vong.
Han apertou mais e manteve o olhar fixo nela.
— Não brinque comigo, irmã. Estive em Sernpidal e Dubrillion. Sei
exatamente do que o seu povo é capaz, e uma coisinha como a doença não
abalaria a consciência dos Yuuzhan Vong nem por um momento.
Ela ergueu a cabeça com altivez.
— Isso me levou a me esconder num pod de escape e a permitir que eu
fosse capturada por suas forças.
Han olhou para a maravilhosa companheira da mulher.
— E você?
Vergere o encarou calmamente.
— Estou com ela.
Han soltou Elan e apontou com o polegar para Droma.
— Sim, bem, ele está comigo e isso não diz muito.
— Não poderia ter colocado de forma mais delicada, — Droma
murmurou.
Vergere olhou para Droma, depois para Han.
— Sou a companheira de Elan. Onde ela vai, eu sigo.
Han passou a mão pelo rosto. Do nada, outra escolha foi forçada a ele.
Ao permanecer na Rainha, poderia concluir o assunto com Reck, como Roa
havia colocado. Mas se Elan era quem dizia ser, o seu transporte seguro
para Coruscant poderia significar uma cura para a doença de Mara.
Soltou a respiração. Reck teria que esperar.
— Talvez você valha a pena o esforço, afinal, — disse ele por fim. — O
que significa que devemos pensar em conseguir algumas roupas diferentes
para você. — Ele olhou para Droma. — Você acha que consegue arranjar
novas roupas para essas duas?
Droma balançou a cabeça de um lado para o outro.
— Desde que não sejam exigentes quanto ao tamanho ou à moda.
— Elas não podem se dar ao luxo de serem. — Han fez uma pausa para
observar Elan com seriedade. — Essa é você de verdade ou você está
usando uma daquelas capas corporais vivas?
— Estou adornada com um ocultador ooglith.
Han assentiu.
— Bem, um Yuuzhan Vong num ocultador enganou os membros da
equipe da ExGal em Belkadan. Vamos ver se funciona tão bem com a
Brigada de Paz.
A Rainha tremeu de forma concussiva enquanto a corveta se fixava ao
lado.
— Os piratas vão se conectar com os sobreviventes da equipe que
atacou Showolter e começar uma busca andar por andar, — disse Han, com
o nariz quase pressionado na bolha de transparaço. — Eles podem varrer
com sensores ou encher a nave com obah ou algum outro gás incapacitante.
— Ele se virou para longe da visão. — Precisamos nos mover rápido.
— Pra onde? — Droma perguntou.
— Pra a estação de pouso. A nossa única esperança é escapar com uma
das naves deles.

Um membro da Brigada de Paz, com um rosto de machadada, encontrou


Reck Desh e o seu grupo fortemente armado quando eles emergiram da
estação de pouso. Reck estava equipado apenas com um blaster de mão,
mas o seu grupo com capacetes de motim carregava bastões de choque,
redes de choque, lançadores de dardos e outras armas antipessoal. Ao lado
de Reck marchava o supervisor Yuuzhan Vong que havia persuadido a se
juntar a eles na operação de recuperação, encapuzado para ocultar as
marcas características de seu tipo.
— A ponte está segura? — Reck perguntou, fazendo todos pararem.
O seu cúmplice assentiu.
— Mas temos problemas. Qual você quer ouvir primeiro?
Reck olhou ao redor.
— Onde está Darda? Ele os pegou?
— Darda está morto. O Rodiano também levou um tiro, mas ele vai
viver. Capo é o único que viu as desertoras, então o levamos para ser
tratado. Ele está esperando por você na enfermaria.
Um súbito rubor manchou o rosto de Reck.
— Os dois tentaram enfrentar a equipe de Inteligência?
— Havia apenas três agentes. Capo jura que dois deles estão mortos, e o
terceiro está gravemente ferido. Além disso, Darda insistiu nisso.
— E Capo o ouviu, — Reck rosnou. — Vou lidar com ele mais tarde.
— Era para ser uma operação rápida, — disse o humano corpulento à
esquerda de Reck. — Não há tempo para vasculhar toda a nave. Eu digo
que devemos abortar.
Dois dos outros homens murmuraram em concordância.
— Silêncio! — Reck lhes disse. — O que mais? — ele perguntou ao
portador das más notícias.
— Uma nave Yuuzhan Vong apareceu.
— O quê? — Reck olhou em descrença e então se virou para o Yuuzhan
Vong entre eles.
O agente inimigo assentiu.
— Fui obrigado a revelar a natureza desta operação aos meus
superiores. É provável que a nave tenha sido enviada para nos apoiar.
Reck gesticulou amplamente e furiosamente.
— Essa nave vai atrair as forças da Nova República pra isso! Eles têm
problemas demais para se preocupar em perseguir piratas. Mas com os
Yuuzhan Vong envolvidos...
— Talvez a nave possa nos dar o tempo que precisamos para localizar
as desertoras, — disse o mensageiro de traços afiados. — Mesmo que as
forças da Nova República apareçam. Desde que sejamos nós a devolver as
desertoras, nada mudou, certo?
Reck puxou o lábio inferior cravejado de joias por um momento e então
assentiu.
— Está na hora dos passageiros saberem a verdade.
O mensageiro apontou para um comunicador na parede.
— Podemos nos conectar ao sistema de anúncio público.
Reck pegou o comunicador enquanto um de seus homens mexia com o
seletor de canais. O homem assentiu quando encontrou o canal adequado, e
Reck ligou o dispositivo portátil.
— Atenção, todos os passageiros, — começou ele no Básico. — Só para
acalmar todos vocês, não temos planos de sequestrar, roubar ou entregá-los
aos Yuuzhan Vong. Estamos procurando duas passageiras em particular,
uma mulher com aparência humana e uma mulher não-humana,
provavelmente acompanhadas por um homem humano ferido. Se elas
quiserem se apresentar e poupar a todos de muitos problemas, devem se
dirigir à ponte. Se alguém tiver informações sobre o paradeiro delas e
estiver interessado em receber uma recompensa substancial, também deve
vir à ponte.
— Se ninguém se apresentar e formos forçados a realizar uma busca
andar por andar, seremos rigorosos com todos, e vocês podem acabar em
mãos inimigas, afinal. — Reck fez uma pausa brevemente. — Ah, e uma
nota para as duas que estamos procurando: temos maneiras de identificá-las.
Se vocês acham que podem se esconder ou se perder na multidão, pensem
novamente.

Um coral yorik ovoide, salpicado de lançadores de projéteis em forma de


cone e propelido por um dovin basal de alta calibração, a nave pessoal do
Comandante Malik Carr era a embarcação mais rápida de sua flotilha. Da
ponte, Nom Anor se dirigiu aos villips conectados em consciência ao
comandante e a Harrar. A sua visão através do visor cristalino captava não
apenas a nave de guerra da Brigada de Paz e a Rainha, mas também vários
planetoides craterados e o sol distante além deles, todos em quase sincronia.
— Estou mantendo os meus agentes sob vigilância, — atualizou Nom
Anor. — As capacidades do dovin basal a bordo da nave de guerra foram
neutralizadas, e eu ordenei ao nosso próprio dovin basal para impedir que a
nave de guerra se separasse da nave estelar. Se a Brigada de Paz conseguir
localizar Elan, qualquer tentativa de embarque falhará.
— Essa corveta pode carregar caças que serão capazes de decolar, —
disse o villip de Harrar, com uma expressão de desgosto.
— Três naves já fizeram isso e estão atracadas a bordo da nave. Vou
utilizar o nosso dovin basal para frustrar o seu retorno à canhoneira.
— Coloque um dovin basal num remoto para realizar ambas as tarefas e
prepare-se para retirar, — o villip do Comandante Malik Carr transmitiu. —
Quando os seus agentes descobrirem o que aconteceu, as naves da Nova
República terão vindo em socorro do cruzeiro estelar.
O villip de Harrar falou.
— Sem dúvida, seus operativos mal orientados estão cientes de nossa
presença. Quando perceberem que não conseguem decolar, se perguntarão
por que você não está vindo em sua assistência e podem tentar contato.
— Deixe-os se perguntar, — Nom Anor respondeu com aspereza. —
Estou interessado apenas em persuadir a Nova República a concluir que as
ações da Brigada de Paz são simplesmente mais uma tentativa de nossa
parte de recuperar Elan.
Foi interrompido por seu segundo na ponte, com os punhos apoiados
nos ombros opostos em sinal de desculpas pela interrupção.
— Uma nave emergindo do hiperespaço, Executor. — O subalterno
apontou para a vista através do visor na direção do primário próximo. —
Nosso villip de sinal a identifica como um cruzador de transporte da Nova
República.
Nom Anor se dirigiu aos villips.
— A chegada daquela embarcação deve simplificar as coisas. Como
sugerido, posicionarei o dovin basal num remoto. A Brigada de Paz tentará
fugir e será capturada, e Elan permanecerá sob custódia.
Virou-se para o oficial da ponte.
— Prepare-se para enfrentar os caças inimigos também. Você pode não
aprovar isso, Subalterno, mas terá que fazer parecer que foi obrigado a
recuar. Dou-lhe minha palavra de que as suas perdas não serão cobradas de
você.
Capítulo 24

Ainda se recuperando das pancadas que sofreu na batalha de Ord Mantell, o


cruzador de transporte Thurse piscou no espaço real na borda dos
Territórios da Orla Exterior do sistema Bilbringi, com X-Wings
despencando de suas baías de lançamento como demônios de um ninho
agitado. Entre o cruzador e o ponto distante que os autenticadores
reconheceram como uma nave de guerra Yuuzhan Vong flutuava a Rainha
do Império, com o que parecia ser uma corveta experiente se alimentando
numa das escotilhas do cruzeiro estelar.
No ápice da formação de caça que gradualmente assumia forma, o
Comandante de Esquadrilha Kol Eyttyn acionou o interruptor do capacete
que abriu a rede de comando.
— Thurse, temos visual da nave Yuuzhan Vong. Coral oval discreto.
Parece ser da classe fragata ou algo parecido. Lembra as pedras que eu fazia
deslizar pela água nos dias despreocupados da minha juventude.
— Vamos garantir que não venha deslizando nesta direção,
Comandante, — disse a voz do capitão do cruzador transportador em seu
ouvido esquerdo.
— Está confirmado.
O barulho na tela do R2 conectado atrás da cobertura da cabine lhe disse
que as verificações de curto alcance haviam detectado um grupo de caças
Yuuzhan Vong, skips. Eyttyn abriu a rede tática.
— Os pontos são embarcações inimigas, designação de coralskipper, —
informou aos pilotos dos esquadrões reunidos. — Ativem os contramedidas
e os escudos defletores. Compensadores inerciais para máxima potência.
Tenham em mente que estamos sacrificando rendimento de laser por rajadas
aumentadas. Isso significa combate em distâncias curtas, então ouçam os
seus líderes de grupo e mantenham-se próximos aos seus parceiros de ala.
Eyttyn acionou os controles do sistema de manutenção de vida para
expandir o campo do compensador inercial da nave de combate. Embora o
volume de proteção oferecido pelo campo aprimorado tivesse sido
considerado suficiente para enganar o compensador em tratar anomalias
gravitacionais criadas pelos Yuuzhan Vong como quaisquer outras, o campo
poderia ser sobrecarregado por grandes dovin basals ou uma confluência de
singularidades, como poderia facilmente ser formado por três ou mais skips.
O mesmo valia para o pacote de banco de dados de sensores
desenvolvido após os combates na Orla Exterior. Embora o complemento
de rastreamento modernizado aumentasse a capacidade de um piloto de
mirar nos coralskippers, variações substanciais no tamanho e na forma dos
caças limitavam a eficácia do conjunto. Como sempre, um X-Wing era tão
bom quanto o seu piloto e droide.
Eyttyn aumentou o ganho nos sensores e, com o polegar, acionou o
controle de armas para lasers, quadruplicando-os para que os quatro
disparassem com um único aperto do gatilho da alavanca.
— Os Esquadrões Vermelho e Verde ficarão para lidar com os ataques
direcionados a Thurse. O Azul se formará atrás de mim para levar a luta a
nave de comando. Todos os outros esquadrões se dispersarão sob o meu
comando.
Eyttyn apertou o cinto de segurança e aguardou o droide confirmar que
a enxame de coralskippers estava ao alcance; então virou um interruptor
que travou os Ailerons em X do X-Wing na posição de ataque e deu a
ordem para engajar.
Quase imediatamente, os coralskippers abriram fogo com as suas armas
semelhantes a vulcões, lançando uma tempestade de projéteis flamejantes.
Os lados opostos se encontraram num contestante vertiginoso de enganos,
rolagens e loops, pontuados por torrentes de disparos de laser e fluxos de
plasma mortal. A rede tática ficou cacofônica com avisos, gritos
exuberantes e gritos agudos por ajuda.
— Azul Quatro, skip se aproximando do seu seis.
— Obrigado pelo aviso, Três. Acho que consigo despistá-lo.
— Estou cobrindo o seu flanco, Quatro.
— Azul Oito, você consegue me dar uma posição do Azul Dez?
— Negativo, Dez. As coisas estão rápidas e furiosas agora.
— Cuidado à estibordo, Cinco. Três skips se aproximando!
— Corte pra direita, Cinco, eles estão em cima de você!
— Não consigo despistá-los! Escudos reduzidos a 30 por cento!
— Mantenha-se firme, Cinco. Estou a caminho!
Embora alto em seu ouvido direito, Eyttyn ignorou os gritos que pôde.
Para o Esquadrão Azul, seria uma questão de evitar golpes e conservar
poder de fogo. Embora pilotados individualmente, os caças de coral yorik
eram pensados para responder, pelo menos em parte, a elementos orgânicos
a bordo das naves de comando, o que o inimigo chamava de yammosks, ou
coordenadores de guerra, como as naves droide de antigamente. Eyttyn
sabia que não podia esperar que o Esquadrão Azul conseguisse destruir a
nave, mesmo com torpedos de prótons, mas como as forças da Nova
República haviam provado repetidamente, distração muitas vezes era
suficiente para semear o tumulto entre os pilotos de coralskipper e atrasar as
respostas de suas naves.
Os pilotos Yuuzhan Vong dependiam menos de táticas evasivas do que
das capacidades de seus dovin basals que anulavam os escudos, de qualquer
forma. Enquanto manobrava pelo enxame, Eyttyn podia sentir a influência
daquela tecnologia macabra, incubada biogeneticamente, puxando os
escudos do X-Wing com dedos invisíveis. A unidade R2 também podia
sentir a puxada e sinalizava o seu descontentamento com uma enxurrada de
códigos traduzidos que rolavam pela tela da cabine.
Outra coisa a ignorar, Eyttyn disse a si mesmo.
Com dois skips se aproximando dele, rolou o X-Wing em seus
estabilizadores e desviou à estibordo. No mesmo instante, seu companheiro
de ala se afastou numa curva abrupta, então mergulhou para se reunir com
Eyttyn na trajetória de aproximação original. Outro par de coralskippers
passou por baixo dele, mas apenas um se virou em perseguição e foi
facilmente desviado.
Eyttyn olhou para o seu medidor de alcance. Já a fragata estava
crescendo cada vez mais em sua cobertura, mas ainda não havia aberto fogo
e provavelmente não o faria até que o Esquadrão Azul começasse as suas
investidas contra ela.
À esquerda de Eyttyn, o Azul Quatro começou a balançar sob a
influência de dois skips que se fixaram na cauda do X-Wing. O
companheiro de Eyttyn retrocedeu para soltar um disparo numa das naves,
mas ela se recusou a morder a isca. Esperando que o perseguidor principal
do Azul Quatro pudesse cruzar o seu próprio caminho, Eyttyn reduziu a
velocidade, mas o piloto do coralskipper adivinhou a tática de Eyttyn e saiu
de sua vista num instante.
Em uma exibição deslumbrante de manobras evasivas, o Azul Três se
afastou do grupo para acelerar em auxílio de seu parceiro de ala. No
entanto, a meio caminho, projéteis destrutivos o buscaram e o encontraram,
destruindo o X-Wing em pedaços.
Os dois coralskippers que perseguiam o Azul Quatro aceleraram, se
posicionaram para o abate e abriram fogo. Pegos por uma elipse de mísseis
em chamas, o Azul Quatro desapareceu num turbilhão de fogo carmesim e
gás incandescente.
Eyttyn convocou as suas naves restantes para um círculo de proteção
mútua e em movimento. Raios laser de Azuis Oito e Nove despedaçaram
partes de um skip em aproximação; ferido, a nave girou pra esquerda e
explodiu.
Não muito tempo depois, o Azul Seis fez um abate, mas logo se viu
preso no centro de um intenso fogo de retorno. Com os escudos pilhados, o
X-Wing sofreu impacto após impacto, se despedaçando em quatro partes
antes de desaparecer da vista.
Eyttyn olhou para o seu monitor principal. Ícones de dano vermelhos
brilhantes pipocavam na tela.
— Fiquem com os seus parceiros de ala, — ele avisou pela rede. —
Conservem fogo até estarmos na zona.
Rolou rapidamente para trazer um assassino Yuuzhan Vong sob as suas
armas. Com um giro de barriga pra cima à estibordo, ele alinhou o
coralskipper em sua mira e apertou o dedo médio no botão auxiliar do
gatilho. Com os lasers do X-Wing disparando mais rapidamente do que
teriam no modo de disparo único, cada rajada queimava com uma
intensidade escarlate que desmentia sua força reduzida. Deslumbrado pela
tarefa de distinguir os disparos mais pesados e letais da chuva de disparos
essencialmente inócuos liberados pelos lasers quádruplos, o dovin basal do
skip falhou, e um pacote de dardos energéticos de Eyttyn encontrou o seu
alvo.
O coralskipper se despedaçou como uma pedra-pome e desapareceu.
Com Blue Six vingado, Eyttyn avançou pela nuvem de destroços dos
Yuuzhan Vong, cercado de pontos brilhantes, para se aproximar de outro
coralskipper. Uma rajada sustentada e convergente de flashes das pontas das
asas do X-Wing pegou o inimigo desprevenido, destruindo-o também.
Com Esquadrão Azul reduzido a nove caças, Eyttyn formou todos numa
cunha retentora. Mas não havia se aproximado da fragata e
instantaneamente se tornou alvo de seus portões de armas em forma de
cratera. Outro X-Wing foi aniquilado, depois outro, embora já nesse ponto
Eyttyn estivesse em posição para realizar um ataque metralhando.
Mudando-se à estibordo, disparou um par de torpedos de prótons, apenas
para observar em total estupefação enquanto as esferas cintilantes voavam
para longe no espaço vazio.
Havia se acostumado a ver raios laser e torpedos sendo engolidos por
anomalias gravitacionais, mas isso era algo diferente. Era como se a própria
nave inimiga tivesse desaparecido.
Olhou freneticamente ao redor da cúpula, pensando que de alguma
forma havia se desorientado e que a fragata estava realmente acima dele. A
escuridão repleta de estrelas encontrava o seu olhar em todas as direções.
Os dados do R2 estavam dizendo que a nave Yuuzhan Vong havia se
movido, mas o droide estava obviamente enganado. Nenhuma embarcação
poderia se mover tão rapidamente, mesmo fazendo micro-saltos.
— Onde essa blasted de coisa? — ele perguntou pela rede.
— Não sei, Comandante, — respondeu Azul Dois. — Eu estava bem no
seu Seis quando ele desapareceu, num piscar de olhos.
— Dispositivo de camuflagem? — sugeriu Azul Onze.
— Bem, ela desapareceu como se estivesse camuflada, — disse Eyttyn,
— mas acho que ainda captaríamos vestígios gravitacionais residuais de
uma nave tão massiva.
— Hiperespaço, — interveio Azul Dez.
— Não sem me levar junto, — disse Eyttyn. — É...
— Comandante, — Azul Dois o interrompeu. — Localizei-a.
Eyttyn apontou os escopos do X-Wing para as coordenadas fornecidas
por Azul Dois, e, de fato, a fragata estava lá, a dois mil quilômetros de
distância.
Azul Onze soltou um assobio atordoado.
— Aquela nave saltou dois mil cliques num segundo.
Eyttyn forçou uma respiração e apertou o controle.
— Ajustem o curso, — ele ordenou. — Se é um jogo de pega-pega que
querem, é um jogo de pega-pega que eles vão ter.

A Millennium Falcon irrompeu no espaço real do lado oposto da profusão


de habitats orbitais e planetoides pesadamente minerados de Bilbringi. Leia
e Luke ocupavam os assentos da frente, com Mara atrás de Luke na cadeira
normalmente designada a um oficial de comunicações e C-3PO na cadeira
do navegador. R2-D2 havia se instalado na parte de trás da cabine, com o
seu braço preso a um conduíte fino.
Na janela em forma de leque, a Rainha do Império estava bem ao largo
à estibordo. Em direção a Orla, o espaço local era um tumulto pirotécnico
de raios laser, projéteis radiantes, propulsores fusiais e explosões
desabrochando.
— Cargueiro Corelliano não identificado, — uma voz irada disparou
pelo comunicador, — aqui é o Capitão Jorlen da fragata cruzador da Nova
República Thurse. Você saltou para uma zona de combate. Sugiro que
mantenha a sua posição ou retorne de onde quer que tenha vindo.
— Capitão Jorlen, — disse Leia, — aqui é a Embaixadora Organa Solo.
— Embaixadora, o que nas chamas você está fazendo aqui? — O
capitão parecia surpreso, embora nada animado. — E quando é que o seu
marido vai se lembrar de instalar um transmissor autorizado?
— Vou perguntar a ele quando o encontrar, Capitão. Ele está a bordo da
Rainha do Império. Viemos ajudar, se você aceitar a nossa ajuda.
— Negativo, Embaixadora. Solicito que mantenha a sua posição. Temos
uma fragata Yuuzhan Vong saltando por toda a arena. Por tudo que
sabemos, ela pode cair no seu colo a seguir.
— Entendido, Capitão, ficaremos onde estamos. Por enquanto, — Leia
acrescentou em voz baixa. — Os invasores fizeram algum tipo de
demanda?
— Não tivemos contato com eles, — disse Jorlen impaciente. —
Assumimos que eles vieram pelos passageiros, para fornecer sacrifícios aos
Yuuzhan Vong.
— Então, por que a nave de guerra Yuuzhan Vong, Capitão?
— Ora, de fato, — Jorlen ponderou.
— Algo está lá fora, — Luke disse, apontando para longe da nave
estelar e do tiroteio em andamento.
A princípio, Leia não tinha certeza se ele havia sentido algo através da
Força ou apenas o havia observado, mas quando seguiu o seu dedo, viu a
que ele se referia e chamou uma visão aprimorada na tela do console. A tela
mostrava um objeto de nariz truncado, reminiscentemente de um caça yorik
coral, mas claramente reforçado por algum tipo de armadura preta polida.
— Nave desativada? — sugeriu Mara.
— Pode ser, — disse Luke, olhando não para a tela, mas pela janela. —
Mas estou sentindo algo mais...
— Uma mina espacial?
Luke balançou a cabeça.
— Um vazio.
Leia e Mara se concentraram com a Força, verificando o vazio que
havia atraído a atenção de Luke. Luke estava prestes a falar quando o painel
de comunicação se ativou mais uma vez.
— Embaixadora Solo, — Jorlen atualizou, — fomos recém chamados
pela Rainha do Império. Os invasores emitiram um ultimato. A menos que
todas as forças da Nova República se retirem, eles começarão a expulsar
passageiros pelas escotilhas.
— Oh, céus! — disse C-3PO, alarmado.
R2-D2 piou, e então gemeu.
Os olhos de Leia se nublaram de alarme.
— Qual foi a sua resposta, Capitão?
Jorlen levou um momento para responder.
— É contra a política da Nova República negociar com piratas,
Embaixadora. Lamento que o seu marido esteja a bordo, mas a luta
continua. Mais importante, se os invasores realmente vieram em busca de
cativos, a sua ameaça é vazia, já que os passageiros da Rainha já estão
marcados para morrer.
— Isso não é exatamente um alívio, Capitão.
— Minhas desculpas, Embaixadora. Mas não haverá negociações
enquanto essa nave Yuuzhan Vong estiver presente.
— Então teremos que fazer algo a respeito disso.
Pouco antes de Leia ter desligado quando Luke disse:
— Seja o que for aquele objeto, ele está ajudando os coralskippers de
alguma forma.
— O coordenador de guerra? — Leia aventurou.
Ele afastou os olhos do visor para olhar para a irmã.
— Um dovin basal.
Leia adotou uma expressão determinada e se concentrou nos controles.
— Vivo. Mas não por muito tempo.

***

Com explosões concussivas abalando a Rainha, Han espiou a esquina de


um corredor em direção a uma escotilha que se abria para a estação de
pouso. Guardando o caminho, estavam dois homens armados com blasters e
redes de atordoamento. Han considerou sacar o seu blaster, que ainda estava
escondido em sua mochila, mas se lembrou de que o cartucho de energia
ainda não havia sido recarregado.
— Não dá, — ele disse a Droma e ao Yuuzhan Vong reacostumado, —
eles selaram todas as abordagens. — Retirando-se, ele pressionou as costas
contra a parede e olhou pra esquerda e pra direita. — Precisamos de um
buraco pra nos esconder. — Com tudo que estava acontecendo lá fora, não
demoraria muito até que a Brigada da Paz se rendesse ou tentasse uma fuga.
Levou-os até um banco de poços de descida e espiou cautelosamente a
borda de um deles. Longe abaixo estava o chão de um compartimento de
carga.
— Caso você não tenha notado, — Droma disse, — os poços foram
desativados.
— Então encontramos algum cordão de choque, — Han disse. — São
apenas, o que, cinquenta metros até o fundo?
Droma parecia cético.
— Podia ser daqui até Coruscant.
O som de passos se aproximando pôs fim rápido ao dilema. Escapando
dos poços de descida, os quatro entraram num corredor que se cruzava,
onde foram recebidos pelo som de mais passos, junto com um coro de
vozes irritadas. Eles se apressaram por outra esquina, procurando em cima e
embaixo por um lugar para se esconder.
Os passos determinados à esquerda deles aumentaram, e não muito
depois os donos das vozes irritadas entraram em vista. Os olhos de Han
percorreram os invasores. Mesmo após todos os anos, Reck Desh era
reconhecível por seu andar arrogante e pela manga cheia de tatuagens. Com
ele estavam cinco exemplos da brutalidade bem armada da Brigada da Paz e
um malfeitor esquelético que se passaria por um Yuuzhan Vong perfeito, se
de fato não fosse um, disfarçado por uma capa de tamanho grande.
Reck colocou um de seus homens na interseção dos corredores e seguiu
em frente.
Han sentiu o sangue correr e ouviu o seu coração latejar em seus
ouvidos. Pensou em Chewie, e em Lwyll, Roa e Fasgo. A mochila deslizou
de sua mão para o chão, e imediatamente se agachou e puxou o seu blaster
vazio.
Droma o observava com crescente preocupação.
— Achei que a ideia era roubar um pod e sair da nave.
— Isso pode esperar, — Han resmungou. — Isso é pessoal.
— Pessoal? — Droma sussurrou asperamente. — Sinto-me compelido a
mencionar que a sua arma...
— Guarde isso pra quem se importa, — Han interrompeu.
Olhou para o blaster, comprimindo os lábios de raiva, então forçou uma
respiração e se levantou.
— O que ele está fazendo? — Elan perguntou a Droma, preocupada.
Droma deu de ombros resignadamente.
— Ele tem essa necessidade de confrontação, mesmo quando não é
necessário.
Han se virou pra eles.
— Encontrem um lugar pra se esconder. Voltarei até vocês.

Cautelosamente e com o blaster inútil erguido, Han se moveu em direção à


interseção pela qual Reck e a companhia passaram. O homem que Reck
deixara pra trás permaneceu alheio à presença de Han até sentir a ponta do
blaster tocando o lado de seu pescoço.
— Sem um som, — Han avisou.
O homem se enrijeceu e engoliu audivelmente.
A mão direita de Han fechou-se no blaster do invasor.
— Vou lhe tirar a sua arma, soldado.
O homem acenou com a cabeça.
— A festa é sua, amigo.
Han sorriu.
— Você saca rápido.
— E agora?
Han pressionou o cano do blaster carregado contra as costas do homem
e segurou a sua própria arma pela cano, levantando-a sobre a cabeça.
— Isso pode doer um pouco, — ele disse.
O homem se virou um pouco.
— O que pode...
Han trouxe a empunhadura do blaster com força contra a parte de trás
do pescoço do invasor, fazendo-o desabar no chão. Em seguida, seguiu na
direção que Reck havia tomado. Ao se aproximar de outra interseção, pôde
ouvir vozes à frente. Pressionado contra a parede, agachou-se um pouco e
espiou em volta da esquina. Reck e o possível Yuuzhan Vong estavam a
apenas dez metros de distância. Sem plano em mente, além de acabar com
Reck, Han começou a contornar a esquina. Ao mesmo tempo, no entanto,
ouviu algo atrás de si e se virou para o som. Um humano robusto, vestido
como um tripulante, estava com um rifle disruptor Tenloss apontado pra ele.
Han mergulhou pra direita, disparando um tiro enquanto se movia. O
invasor disparou de volta, mas também errou. Han vislumbrou Reck se
virando pra ele enquanto desaparecia em outro corredor e direto nas miras
de dois outros membros da Brigada da Paz. Desviou-se pra esquerda,
disparando cegamente, e então se lançou com os pés primeiro em direção ao
maior da dupla. O invasor gemeu de dor e caiu pra trás, perdendo a sua
arma. Mas Han atingiu o chão mais forte do que planejara e perdeu a maior
parte do ar. Quando conseguiu se recompor numa posição de agachamento,
o invasor menor estava em cima dele, junto com aquele que portava a
Tenloss.
Han socou de forma descontrolada, lutando com todas as suas forças,
mas não demorou muito para que o prendesse, deitado de cara no chão com
o pé direito do maior invasor pressionado contra a parte de trás de seu
pescoço.
Com uma visão distorcida do corredor, Han viu Reck e o malfeitor
magro se apressarem para o local.
— Tudo bem, herói, — disse o grande invasor, — levante-se.
A pressão em seu pescoço diminuiu, e Han expeliu a respiração. Sentiu
o gosto de sangue na boca e percebeu de repente uma dor pulsante em sua
mão direita. Enquanto se empurrava para os pés, outro invasor apareceu,
escoltando Droma, Elan e Vergere sob a mira do blaster.
— Eu encontrei esses três correndo assustados, — ele relatou a Reck.
— Estávamos apenas procurando um banheiro, — Han ouviu Droma
dizer de maneira bem-humorada. — Nunca estão por perto quando você
precisa deles.
Reck avançou alguns passos e lançou os olhos sobre todos. Para a
surpresa de Han, Reck não parecia reconhecê-lo, mas talvez apenas porque
estava muito ocupado analisando Droma.
— Você é um... Ryn? — Reck aventurou.
Droma fez uma leve reverência.
— O item impossível de encontrar em toda lista de caça ao tesouro.
Reck ignorou o comentário, olhando vesgo para Vergere, e balançou a
cabeça.
— Não tenho a menor ideia.
Vergere adotou uma expressão tímida.
— Recebo isso com frequência.
Reck se moveu pela fila e olhou curioso para Elan. Em pouco tempo,
um sorriso compreensivo começou a se formar nos cantos de sua boca. Ele
se virou e acenou um sinal para o seu cúmplice magro.
De uma caixa de transporte robusta que o homem alto colocou a seus
pés, ele extraiu, pela nuca espinhosa, uma criatura de temperamento ruim e
dentes afiados que parecia a prole de um ng’ok e um quillarat. Han ouviu a
respiração ofegante de Elan e viu os seus olhos se ampliarem quando o
manipulador da criatura deixou que ela a cheirasse. De repente, uma
camada de pele parecia descascar do nariz, das bochechas e do pescoço de
Elan e se retirar para o colarinho da blusa que Droma havia encontrado pra
ela. Inchar enquanto descia pelo corpo, a camada de pele fluiu pela barra da
saia e desceu pelas pernas nuas até se acumular no chão e escorregar pra
fora em busca de segurança, revelando Elan em todo o seu esplendor
tatuado.
Do canto de seu olho, Han viu o queixo de Droma cair numa indomável
maravilha.
— Te peguei, — Reck disse, sorrindo.
Dois homens se aproximaram para cuidar de Elan. Ao mesmo tempo, a
criatura que havia farejado o ocultador ooglith saltou rosnando dos braços
de seu manipulador e foi atrás da roupa viva com uma vingança, mordendo-
o com os seus dentes afiados e sacudindo-a como se fosse um pedaço de
carne. Os Yuuzhan Vong seguiram, agarraram a criatura e empurraram-na
junto com o tecido dilacerado de volta para o porta-objetos.
Reck não poderia estar mais satisfeito.
— Essa é a questão sobre os ocultadores ooglith, — ele disse para a
recém-descascada Elan, — eles são tão fáceis de intimidar quanto...
As palavras de Reck se perderam enquanto o seu olhar se fixava em
Han. Então, ele também ficou um pouco espantado, de uma maneira que
misturava surpresa agradável com uma inquietação repentina.
— Han? — ele disse. — Han, é você, certo? Mais grisalho, mais
pesado, mas, filho da mãe, mesma boca torta e aparência de conquistador.
— Olá, Reck.
Reck sorriu amplamente e gesticulou para o queixo de Han.
— Não lembro daquela cicatriz.
— Eu poderia ter feito uma cirurgia, Reck, mas ela me lembra que o
meu passado era real.
Reck parecia confuso por um momento, então riu como se realmente
quisesse dizer isso.
— Han Solo. — Balançando a cabeça pra frente e pra trás, ele se virou
para os seus camaradas. — Você consegue acreditar? Han Solo. — No
entanto, quando ele voltou a se virar, o sorriso havia sido substituído por
uma expressão de aborrecimento. — Claro que colocaram você no comando
desses dois.
— Não foi bem assim que aconteceu, Reck.
— Estou certo. — Ele gesticulou para o porta-objetos do Yuuzhan
Vong. — O que você acha do desmascarador?
— Preciso dizer, você não comete muitos erros.
Reck bufou.
— Ei, eles não me deixam.
— Você já deu uma olhada lá fora, Reck? Até onde você acha que vai
conseguir ir?
— Eu só preciso chegar até aquela nave Yuuzhan Vong.
— Se eu fosse você, começaria a repensar as minhas lealdades.
— Lealdades? — Reck disse com desagrado exagerado. — Qual é o
valor da lealdade no mercado livre? — Ele riu novamente, mordaz dessa
vez. — Pessoas como você me divertem, Han. Oportunistas sem coragem
para mudar de lado que de repente se chamam de patriotas. Eu sei quem vai
sair por cima nessa, e farei o que for preciso para viver feliz pra sempre.
— Você está falando de traição, Reck.
— Falo isso fluentemente, amigo.
Han lutou contra o impulso de enfiar os seus dedos endurecidos na
traqueia de Reck.
— Lembra do Chewbacca?
— O Wookiee? Claro que lembro. O melhor dos melhores.
Han engoliu em seco.
— Os seus novos patrões o mataram. Derrubaram uma lua sobre ele.
As sobrancelhas de Reck se levantaram.
— O Wook estava em Sernpidal? — Ele soltou a respiração e balançou
a cabeça. — Sinto muito por ouvir isso, Han, sério. Mas eu não tive nada a
ver com aquela operação.
— O que dizer da operação em Atzerri, Reck? É lá que a esposa de Roa,
Lwyll, morreu por causa do que a Brigada de Paz colocou em movimento.
— A esposa de Roa? — Reck piscou, então começou a balançar a
cabeça em protesto. — Aquela operação não deveria ter terminado assim.
Os olhos de Han cravaram-se nele.
— Isso torna mais fácil de engolir?
Reck franziu a testa.
— Um homem tem que trabalhar.
Han se lançou contra ele, mal conseguindo envolver as suas mãos ao
redor do pescoço de Reck antes que alguém o empurrasse para o chão.
— Eu não me importo com um traidor, Reck, — Han disse, olhando pra
cima enquanto se levantava, — mas eu não aceito os de segunda linha. Você
vai dar uma má reputação aos mercenários.
A resposta de Reck foi um desprezo. Ele puxou o seu comunicador
pessoal e o ligou.
— Nós as temos, — ele disse no microfone. — Voltaremos para a nave
em breve.
— Isso não vai adiantar muito, — uma voz frágil respondeu da unidade.
— Não conseguimos desanexar da eclusa. Todos os sistemas, até mesmo os
de subluz e repulsores, estão fora do ar. Sem resposta do dovin basal. É
como se a coisa tivesse entrado em estase.
Reck se virou para o manipulador do desmascarador, que parecia
perplexo.
— Você tentou contatar a nave Yuuzhan Vong? — Reck disse pelo
comunicador.
— Sem resposta.
Reck xingou.
— Certo, — ele disse após um momento. — Vou levá-la até eles no meu
transporte.
O homem do outro lado da linha riu.
— Está o juízo final aqui fora, Reck. Você vai ter sorte se conseguir
limpar a baía de lançamento sem ser morto.
— As armas estão operando?
— Afirmativo.
— Então você só precisa abrir um caminho pra mim. A Nova República
não vai interferir enquanto estivermos segurando vários milhares de reféns.
Uma vez que eu chegar à nave Yuuzhan Vong, farei com que o resto de
vocês seja trazido.
Reck desligou o comunicador. Ele estava prestes a dizer algo a Han
quando outro contingente da Brigada de Paz chegou ao local, apressando-se
em direção à estação de pouso. Apoiado por dois deles estava um Rodiano
ferido que deveria ser Capo.
— Vocês deveriam estar na ponte, — Reck gritou.
— Essa é a sua operação, Reck, — respondeu o maior entre eles. — Se
você quer ficar e jogar os refugiados no vácuo, isso é problema seu. Mas
nós estamos fora daqui.
O homem que havia descoberto Han e Droma começou a erguer o seu
rifle disruptor, mas Reck o impediu.
— Deixe disso. Brigar entre nós não vai ajudar em nada. Vamos encher
os transportes e seguir em comboio para a nave Yuuzhan Vong.
Han sorriu.
— Provérbio de droch na pomada, hein, Reck?
Reck gesticulou para dois dos homens assumirem o controle de Vergere,
então se virou para Han.
— Sabe, estou menos preocupado com a interferência daquelas naves
estelares do que com a sua interferência.
Ele sacou o seu blaster e ordenou que Han se movesse em direção ao
poço de descida mais próximo. Droma o seguiu em silêncio. Sob a
insistência do blaster, Han retrocedeu até a borda do poço, então ele
segurou a sua mão sobre ele.
— Não está ventando muito, — ele pensou em comentar.
Reck sorriu.
— Você sempre foi um cara engraçado, Han.
Han encolheu os ombros.
— Sabe o que dizem sobre uma piada ser a melhor vingança.
Reck considerou.
— Se tivéssemos nos encontrado em outro lugar, poderíamos estar
compartilhando Gizers gelados agora. Mas não posso deixar você tentar nos
seguir ou falar com os seus amigos da Nova República. Você sempre teve
muita sorte do seu lado.
— Parece que a minha sorte acabou, — Han e Droma disseram ao
mesmo tempo.
Reck olhou de um para o outro, então riu de forma curta.
— Vocês dois fazem uma bela dupla. Uma pena que eu tenho que
separá-los. — Ele levantou o cano do blaster. — Pra baixo você vai, Han.
Próxima parada, o porão de carga.
Han engoliu em seco.
— Qual é, Reck, você não precisa fazer isso. Por conta dos velhos
tempos.
— Ah, mas eu preciso, velho amigo. — Novamente, ele fez um gesto
com o blaster. — Seja um bom esportista. Não me faça te atirar.
Han apertou as correias de sua mochila, pensando que isso poderia de
alguma forma amortecer a sua queda. Então ergueu os ombros e soltou a
respiração. Apertando os olhos em direção a Reck, deu um passo pra trás no
abismo.
Droma soltou um grito angustiado e ficou rígido de choque.
Capítulo 25

Relatados a Obroa-skai pelo sinal villip, os intensos combates na borda dos


Territórios da Orla Exterior do sistema Bilbringi se desenrolaram em tempo
real para os comandantes Malik Carr e Tla, o estrategista Raff e Harrar, a
bordo da nave facetada do sacerdote.
— A canhoneira da Brigada de Paz fez várias tentativas de
comunicação, — relatou um villip de Nom Anor, — mas recusamos todos
os apelos para prestar ajuda.
Por trás dele, no campo visual do villip de sinal, do lado de fora da baía
de observação da fragata, luzes riscando e piscando no negro do espaço. De
vez em quando, um caça de nariz achatado passava perto da baía,
disparando globos ofuscantes de energia encapsulada. A maioria era
imediatamente engolida por singularidades, mas alguns detonavam contra a
nave com uma força tremulante, distorcendo a transmissão do villip com
linhas de interferência ondulantes ou suspendendo-a completamente.
— Com todo o respeito, Comandante Malik Carr, — disse Tla, — acho
irritante ter que abandonar aliados, mesmo que tenham assumido
erroneamente a responsabilidade de resgatar as infiltradoras do Executor
Nom Anor. Mais ainda, não gosto de ver as nossas forças pulando de um
lado para outro para evitar engajar o inimigo diretamente.
Harrar se posicionou em plena vista do villip em transmissão.
— Você está preocupado que alguns possam julgar a suas ações
covardes? — ele perguntou a Nom Anor.
— Sabendo que as minhas ações são por uma causa maior, não, não
estou preocupado.
Tla fez uma careta.
— As suas opiniões não importam, Executor.
O Comandante Malik Carr observou Tla por um momento, então se
virou para encarar o villip em transmissão.
— Você entregaria o seu comando para acalmar as preocupações do
Comandante Tla, Executor?
Nom Anor ridicularizou a ideia.
— Até eu sei que é melhor não trocar uma indignidade menor por uma
maior.
De algum lugar fora dos limites do campo visual, o subalterno
encarregado da ponte da fragata falou.
— Executor, uma nave inimiga mirou o dovin basal que abrigamos num
mantenedor. Até agora, o dovin basal não conseguiu repelir o ataque. Ele
reage como se estivesse atordoado.
— Mostre-nos essa nave, — ordenou Nom Anor.
O villip receptor na nave de Harrar retransmitiu uma imagem de uma
embarcação em forma de disco cinza claro, com mandíbulas salientes e
armamentos de extraordinária potência de fogo.
O villip de Nom Anor olhou para o estrategista.
— Você estudou as imagens do villip de nossas batalhas anteriores com
as forças da Nova República. Você reconhece essa nave?
O cérebro aprimorado de Raff começou a trabalhar nisso. Finalmente,
ele acenou.
— A nave esteve presente em Helska, — anunciou para aqueles no
centro de comando, assim como para aqueles a bordo da fragata. — Foi
lembrada pelos feixes de villip deixados em seu lugar pelo Prefeito
Da’gara.
— Em Helska, — disse Malik Carr surpreso. — Jedi? — ele perguntou
a Nom Anor. — Eles poderiam ter compreendido a sua intenção?
Nom Anor balançou a cabeça firmemente.
— Improvável. E se, de fato, forem pilotos Jedi, estão muito focados em
confundir o dovin basal e prevalecer nesse insignificante embate para
perceber o que estão fazendo.
— Subalterno, — continuou ele, — não faça nada para proteger o dovin
basal remoto. Se essa nave conseguir destruí-lo, você instruirá os nossos
pilotos de coralskipper a se comportarem como se tivessem sido lançados
numa súbita desordem.
O estrategista Raff se pronunciou.
— Eu gostaria de ressaltar que a destruição do dovin basal permitirá que
as naves menores que embarcaram no cruzeiro estelar lancem...
— O dovin basal foi destruído, — atualizou o subalterno.
O campo do villip mostrou a bordo da nave de Harrar a nave em forma
de disco de lado, disparando para longe do remoto aniquilado.
— Três transportes deixaram o cruzeiro estelar, — o subalterno reportou
a Nom Anor. — Dois estão desaparecendo por trás da embarcação de
passageiros, se dirigindo ao planeta. Um está se direcionando para a nossa
posição atual.
— Parece que a Brigada de Paz recuperou Elan, — disse o Comandante
Malik Carr, sem emoção, quebrando o silêncio que caíra sobre o centro de
comando. — Suspeito que estão tentando levá-la de volta.
— A sua canhoneira ainda está presa ao cruzeiro estelar, — contra
argumentou Nom Anor. — Eles podem estar esperando por abrigo, e nada
mais.
O Comandante Tla não conseguiu esconder a sua autossatisfação.
— Exerça discrição, — disse Harrar por fim, — mas mantenha o
transporte na baía.
— E se a Sacerdotisa Elan realmente estiver a bordo? — perguntou
Malik Carr.
Harrar lançou um olhar para o villip de Nom Anor, que respondeu pelo
sacerdote.
— Elan saberá o que fazer.

Droma ainda estava gritando quando Han finalmente se puxou, mão sobre
mão, pela cauda do Ryn e balançou, ofegante, até o convés, a uma distância
segura da borda do eixo de queda desativado.
Droma imediatamente caiu de quatro e começou a rastejar, chorando de
dor.
Han recuperou o fôlego e foi ao seu lado.
— Deve haver algo que eu possa fazer para ajudar.
— Sim, — Droma disse, franzindo o cenho para ele através das
lágrimas, — aprenda a cair de forma mais graciosa. Aprenda a cair
brilhantemente.
Han caiu numa posição sentada, com as mãos descansando em seus
joelhos erguidos.
— Fácil para alguém com uma cauda dizer. — Ele deixou um momento
passar, então sorriu. — Você salvou a minha pele, Droma. Não vou
esquecer isso.
Droma resfolegou.
— Eu não poderia simplesmente deixá-lo cair. Como você disse, você é
famoso demais pra morrer.
— É melhor acreditar nisso. — Batendo-lhe nas costas, Han o ajudou a
se levantar. — Vamos, ainda podemos alcançá-los.
Droma exalou em exasperação.
— Você nunca desiste, não é?
Han lançou um sorriso por sobre o ombro.
— Graças a você, estou com um segundo fôlego.
— Já fiquei esperto, — murmurou Droma.
Com o Ryn mancando atrás, Han correu pelo corredor em direção à
escotilha da estação de pouso. Mas mesmo à distância estava claro que o
mecanismo de liberação da escotilha havia sido inutilizado por um disparo
de blaster bem direcionado.
Han palmeou o painel de liberação de qualquer maneira e, em seguida,
se virou para Droma, franzindo a testa.
— Reck não perde um truque.
Eles correram de volta pelo corredor e através de uma série de curvas
em ângulo reto que os trouxeram a outra escotilha, também fundida por tiro
de blaster. Era assim em cada escotilha que dava acesso à estação de pouso
daquela parte da Rainha. Mas quando finalmente voltaram para a primeira
escotilha, o corredor estava espesso com o cheiro adstringente de plastaço
derretido, e um meio círculo perfeito havia sido queimado na escotilha.
— Cortador de casco, — disse Han empolgado.
Ele e Droma se afastaram enquanto o cortador completava o seu
trabalho. Momentos depois, um disco maciço de liga caiu da escotilha com
um estrondo ressonante e rolou alguns metros pelo corredor, girando como
uma moeda antes de finalmente se acomodar no chão. Através de filetes de
fumaça branca agitados pela diferença de pressão, surgiram uma dúzia de
forças de elite da Nova República com capacetes pretos e macacões de
combate A/KT, carregando rifles BlasTech E-15A e lançadores de granadas.
Han e Droma se esconderam num recesso enquanto os soldados
invadiam o corredor, aparentemente alheios ao fato de que a maior parte da
Brigada de Paz já havia abandonado a nave. Han sinalizou para Droma
passar pela abertura circular na escotilha. Na espaçosa baía pressurizada
além, estava a elegante nave de assalto que trouxera os soldados a bordo,
junto com dois X-Wings.
Um dos pilotos de caça estava apenas saindo da cabine quando Han
correu até ele para perguntar se ele havia visto alguma nave deixando a
baía.
O piloto tirou o capacete e sacudiu o cabelo longo pra fora do rosto.
— A informação é que três transportes deixaram a baía, mas não vi
nenhum deles. — O piloto deu a Han e Droma um olhar desconfiado. —
Quem são vocês dois?
Han estava considerando de quem deveria mencionar o nome para
facilitar a tomada de um caça quando outra nave passou pelo campo de
força transparente da estação de pouso e se entregou ao abraço da gravidade
artificial do cruzeiro estelar.
Levou um momento para Han aceitar que era realmente a Falcon.
Droma riu em escárnio.
— Olhe o que a Rainha arrastou.
Han se virou para ele, com as sobrancelhas franzidas e a boca num O
alongado.
— Ei, essa é a minha nave de que você está falando.
Droma olhou de Han para a Falcon e de volta novamente.
— A sua nave?
Sem se dar ao trabalho de explicar, Han apressou-se em direção à zona
de pouso enquanto a Falcon estava se acomodando em seus largos discos de
trem de pouso. Ele estava esperando ao pé da rampa de estibordo quando
Luke, Mara e Leia apareceram. Atrás deles vieram R2-D2 e C-3PO, que ao
ver Han, ergueu os braços e quase caiu de tão apressado para alcançá-lo.
— Graças ao criador, você está vivo! — exclamou o droide. — Não sei
o que poderia ter feito se as minhas ações contribuíssem para a sua morte!
— Ele se virou para o seu companheiro. — Você vê, R2, não importa quão
grandes sejam as probabilidades, sempre há uma chance de vencê-las.
O rosto de Leia iluminou-se. Ela tentou correr para os braços de Han,
mas ele habilmente evitou o contato.
— Você avistou alguma nave que partia quando estava chegando? —
ele perguntou.
Ela balançou a cabeça.
— Nós...
— Leia, conheça Droma, — ele disse apressadamente, arrastando o Ryn
entre eles. — Droma: minha esposa, Leia.
Leia piscou.
— Droma? Quem...
— A corveta, — Han disse a Luke. — Ela já foi embora?
— Não, Han...
— Reck deve estar se dirigindo para a nave Yuuzhan Vong, — Han
disse, lançando um olhar a Droma.
— Reck? — Leia perguntou.
— Brigada da Paz, — Han disse, como se fosse uma única palavra. —
Eles recuperaram as desertoras.
Luke o observou com intenso interesse.
— Desertoras?
Han se virou pra ele e uma Mara de aparência frágil, cerrando os
punhos ao recordar o que Elan disse sobre uma doença introduzida pelos
Yuuzhan Vong.
— Sem tempo pra explicar. — Ele correu para a rampa.
Droma olhou para Leia.
— Prazer em conhecê-la, — disse ele, e então correu para a rampa, com
o rabo rígido balançando por trás de si.
Luke olhou para Leia, perplexo.
— Han, espere, — começou a dizer, quando Leia colocou uma mão
restritiva em seu braço.
— Não, Luke, deixe-o ir. — Ela olhou para a rampa enquanto Han e o
seu cúmplice desapareciam de vista. — Tenho a sensação de que ele precisa
disso.

Han deixou a inércia levá-lo até a cabine externa e se acomodou no assento


do piloto. Estava ligando interruptores e botões quando Droma entrou.
— Você está familiarizado com YT-1300s? — Han perguntou por cima
do ombro, com ambas as mãos em movimento incessante.
— Nossa caravana do Setor Corporativo incluía vários 1300s, embora
isso não fosse algo de que nos gabássemos.
Han franziu a testa e gesticulou para o assento do copiloto.
— Aperte o cinto, casaco surrado. Este é algo para se gabar.
Droma avançou incertamente entre as cadeiras traseiras e se acomodou
na cadeira ampla à direita de Han.
— Você teria que ser uma pessoa de consideráveis dimensões para
preencher este assento, — disse ele.
Han parou o que estava fazendo para olhar para Droma. E por um breve
momento, teve uma visão de Chewbacca. Sentado ereto no assento, o
Wookiee tinha um sorriso no rosto e as suas grandes patas estavam cruzadas
atrás da cabeça peluda. O seu pelo canela, com pontas pretas, brilhava como
se tivesse sido recém escovado, e os seus dentes reluziam. Ele se virou para
Han e bradou a sua alegria com um rugido ensurdecedor, depois fez um
barulho de risada que reverberou por toda a nave.
O peito de Han se encheu de um calor apertado e os seus olhos se
encheram de lágrimas. Ele teve que engolir para encontrar a voz.
— Você pode repetir isso, — murmurou ele, balançando-se em direção
ao visor.
Droma avaliou a cabine enquanto a Falcon se ligava e os propulsores a
moviam em direção à transparência magnética do compartimento e ao
campo estelar além.
— Achei que você disse que se misturava com uma multidão rica.
Han soltou uma risada e apontou o polegar por cima do ombro.
— Aquele cara de robe lá atrás, aquele era Luke Skywalker.
Droma parecia impressionado.
— O Jedi Skywalker?
— O mesmo. Minha esposa é Leia Organa.
Droma coçou a cabeça.
— Então o seu nome real é Han Organa?
— Solo, — Han rosnou, irritado. — Han Solo. — Quando Droma
apenas o encarou, ele acrescentou: — Você está dizendo que não ouviu falar
de mim?
— Posso ter ouvido, — Droma admitiu. — Mas nós Ryn conhecemos
tantas pessoas.
Han soltou um longo suspiro e se concentrou no que estava por vir. O
espaço local ainda estava frenético com naves de guerra e fogo, mas a
verdadeira luta havia se deslocado para longe do cruzeiro estelar, em
direção a onde uma nave oval dos Yuuzhan Vong estava se defendendo
contra um ataque de raios laser e torpedos de prótons.
No tempo que levou para Leia atracar a Falcon, a corveta da Brigada da
Paz conseguiu se desvincular da Rainha e agora estava trocando tiros com
um quarteto de X-Wings numa viagem pro lado mais distante do maior dos
planetoides próximos. Mais perto do planetoide, sobre o qual um cruzador
transportador da Nova República pairava como um sabre de luz, caças
estelares e coralskippers estavam numa batalha tumultuada.
— Configure o autenticador amigo ou inimigo para escanear as naves
da classe Marcial da Sistemas de Frota Sienar, — Han orientou Droma
enquanto aumentava a potência do motor da Falcon.
Droma localizou o autenticador e iniciou uma varredura.
— Achei uma, — ele reportou quase imediatamente. — Indo em
direção à nave Yuuzhan Vong.
Han comprimiu os lábios. No calor da batalha, os pilotos da Nova
República não haviam reconhecido a nave como um inimigo.
— Seria essa Reck, — ele disse.
— Nunca a pegaremos.
Han lançou um olhar de lado pra ele.
— Não se deixe enganar pela idade, parceiro.
Apesar da configuração alta do compensador inercial, o súbito aumento
de velocidade da Falcon quase colou Droma ao encosto do assento. O seu
chapéu esvoaçou de sua cabeça e os seus olhos se abriram amplamente em
espanto. Ele soltou um grito estrondoso.
— Iiii-ha, que nave! Que beleza!
Han apenas sorriu.
— Quando você recuperar o fôlego, me conte sobre esse transporte.
— Continuamos nos aproximando da nave inimiga, — Droma disse em
meio à sua excitação.
— Vamos lá, vamos lá, — Han incentivou a sua nave.
Inesperadamente, o painel de comunicação chiou e ganhou vida.
— Millennium Falcon, aqui é a Thurse. Embaixador, pensei que pedi
para você ficar fora disso.
— Embaixador Organa Solo está atualmente a bordo da Rainha, — Han
disse em direção ao microfone do console.
— É você, Han? Sou Mak Jorlen.
— Mak!
— O que você está fazendo aí fora, Han?
— Perseguindo uma nave que tem algo que a Nova República precisa.
Mak, assim que eu pegar, talvez precise de apoio no caminho de volta.
— Afirmativo, Millennium Falcon. E, Han, bem-vindo de volta à causa.
Agora eu sei que temos uma chance de lutar.
Han sentiu os olhos de Droma sobre ele.
— Isso está cada vez mais curioso, — Droma disse.
Han habilitou o controlador de tiros de rastreamento automático para o
laser quádruplo de guerra da Falcon. Colocando a nave fugitiva na retícula
de alvo da tela, moveu a mão direita para o manche do gatilho.
Estava prestes a disparar quando, sem aviso, a Falcon parecia mergulhar
através de uma anomalia gravitacional. Han mal teve tempo de ativar os
propulsores reversos para evitar que a nave atacasse sua presa da pior
maneira possível.
De fato, embora, a nave havia desacelerado drasticamente e estava
praticamente flutuando no espaço.
— Parece que atingiu um campo de repulsão, — Han disse enquanto
fazia ajustes rápidos nos controles.
Droma assentiu.
— Ela parece morta.
Quando a distância entre a Falcon e o transporte diminuiu para alguns
quilômetros, Han soltou o cinto de segurança e se levantou.
— Assuma o controle, — disse a Droma. — Manobre ao nosso lado.
Use o raio trator se precisar. Vou preparar o gancho e a câmara de
contenção a bombordo.
— Você está planejando embarcar? — Droma exclamou, olhando para
ele. — Os Yuuzhan Vong devem saber o que está transportando. E se aquela
nave nos atacar?
Han lançou um olhar pela janela. Ainda a alguma distância e iluminada
por brilhantes explosões esféricas, a fragata estava no centro de um tiroteio
giratório.
— Parece que vou ter que trabalhar rápido, — Han disse, e correu pra
fora da cabine.

Na ponte da fragata Yuuzhan Vong, Nom Anor estudava a visão ampliada


do villip do transporte de asas caídas que o dovin basal a bordo havia
repelido e evidentemente traumatizado. A mesma nave em forma de disco
que havia destruído o dovin basal remoto havia se ligado ao transporte
flutuante, e aqueles a bordo, fossem Jedi ou não, estavam certamente no
processo de recuperar a sacerdotisa que a Paz Brigada havia resgatado
anteriormente.
Com a destruição que os coralskippers estavam sofrendo e a pressão que
a nave pessoal do Comandante Malik Carr estava enfrentando, Nom Anor
achou desafiador fixar a sua atenção num único aspecto da batalha. Mas,
como Harrar havia deixado bem claro, não havia aspecto mais significativo
do que a recaptura de Elan.
Para o subalterno, ele disse:
— Deixe a nave da Nova República passar alguns momentos com o
transporte antes de dar perseguição. Devemos convencê-los sem ultrapassá-
los. Até lá, os nossos coralskippers terão sido praticamente aniquilados e
nosso salto final desta farsa ao menos parecerá credível.
Olhou pela janela para o redemoinho.
— Toda a glória a vocês, guerreiros, — ele enviou silenciosamente aos
pilotos dos coralskippers.

Vestido com o traje espacial e armado com um fuzil blaster, Han flutuou
pelo tubo extensível à prova de vapor que ligava o braço de acoplamento à
bombordo da Falcon a escotilha de ar à estibordo do transporte. Usando os
punhos rígidos da câmara de contenção, Han se impulsionou.
Parou na escotilha do transporte para comunicar-se com Droma através
do comunicador do capacete uma última vez.
— Alguma resposta?
— Nada, — Droma lhe disse mais uma vez. — O transporte deve ter
levado um tiro sem que percebêssemos. Mantenha o seu traje fechado.
— Sim, obrigado, — Han disse.
Desligou a segurança do fuzil, trouxe uma mão enluvada para o botão
de liberação da escotilha externa e entrou na câmara de ar do transporte.
Assim que a escotilha se selou novamente e a câmara de ar foi circulado,
ele levantou o fuzil na altura da cintura e acionou a liberação da escotilha
interna.
Ninguém o recebeu na porta.
— Estou dentro, — ele comunicou a Droma. — Pressão, gravidade e
atmosfera estão operacionais. Vou entrar primeiro no compartimento de
passageiros.
Abrindo a escotilha, entrou. Uma substância preta granulada, que fazia
barulho sob os pés, cobria os pisos e quase todas as superfícies horizontais.
Han se abaixou para pegar um punhado entre os dedos enluvados e trazê-lo
para a face do capacete.
— Algum tipo de coisa preta por toda parte, — ele disse no
comunicador. — Como cascas de nozes pequenas ou algo assim.
— Algum sinal do Reck?
Han se moveu pelo corredor e deu um sobressalto ao chegar à fileira de
assentos da frente. Caídos lá estavam três dos camaradas de Reck, com os
seus rostos horrivelmente contorcidos e as suas camisas encharcadas de
sangue que havia jorrado de olhos, ouvidos e narizes.
— O que é isso? — Droma perguntou, em resposta ansiosa ao breve
grito de Han.
— Três mortos, de nem sei como. Rupturas massivas de vasos
sanguíneos, parece.
— Você tem certeza de que o transporte não despressurizou?
— Mesmo que tenha, isso é algo como nada que eu já tenha visto. —
Han olhou para a escotilha da frente aberta. — Estou indo para a cabine.
Dentro, ele encontrou a mesma sujeira preta, assim como Reck, Capo e
o que Han pensava ser um Yuuzhan Vong, todos mortos e igualmente
encharcados de sangue. Aberta e virada no chão estava a caixa que o agente
inimigo carregava. Perto estava o corpo da criatura viciosa que havia
colocado a máscara ooglith de Elan em pânico.
— Reck está morto, — Han disse no comunicador. — Todos estão
mortos.
— As fêmeas também?
— Sem sinal delas. A menos que estejam no porão.
Han deu uma última olhada em Reck.
— Pra baixo você vai, — disse, mais pra si mesmo.
Voltou pelo compartimento de passageiros até o porão traseiro e acionou
a liberação da escotilha.
— Encontrei elas, — ele disse a Droma, mesmo antes da escotilha ter se
recolhido.
Sobre um grande quadrado de grade de piso estavam Elan e Vergere,
inconscientes, mas de outra forma ilesas. O porão estava livre das cascas
pretas. Han colocou o seu braço sob os ombros estreitos de Elan e a
levantou suavemente. Os seus intensos olhos azuis piscaram abertos, depois
se alargaram de medo. Ela se debatendo em seus braços, com os seus
movimentos súbitos fazendo Vergere se mexer também.
— Sou eu, Han! — ele disse através do alto-falante externo do traje
traje espacial.
Elan começou a relaxar.
— Eles nos drogaram, — disse ela grogue, então olhou ao redor com
apreensão confusa. — Onde estão eles? O que aconteceu? Por que você está
usando um traje espacial?
Ele a ajudou a ficar de pé e lentamente a levou para o compartimento de
passageiros. O pé dela mal havia tocado a sujeira preta quando ela ofegou e
ficou petrificada.
— Bo'tous ! — ela disse, num idioma que Han assumiu ser Yuuzhan
Vong. — Uma arma biológica, um agente anticoagulante transportado pelo
ar!
— Essa coisa preta é bo, seja lá o que for?
Elan balançou a cabeça.
— O que você vê é o resultado do bo'tous, um resíduo inofensivo. —
Ela gesticulou para os assentos da frente. — O que eles inalaram os matou.
Vergere saiu do porão de carga e sufocou um grito.
— Todos, exceto vocês duas, estão mortos, — Han disse.
Elan olhou para ele com perplexidade.
— Mas quem fez isso?
— Isso é o que eu gostaria de saber. A Paz Brigada poderia ter
carregado alguma daquela... coisa?
— Sim, possivelmente. Eles tinham um dovin basal e um
desmascarador. Eles podem ter tido bo'tous também. — Ela olhou para
Han. — Talvez eles planejassem usá-lo contra os passageiros a bordo do
cruzeiro estelar.
— Por que não as afetou?
— Na decolagem da Rainha do Império, eles nos selaram no
compartimento onde você nos encontrou. — Ela manteve o seu olhar. —
Nós, Yuuzhan Vong, somos imunes, de qualquer forma.
Han acenou com a cabeça de forma não comprometida e ativou o
comunicador.
— Droma, encontre-me no braço de acoplamento. Estou trazendo-as a
bordo.
— É melhor você ser rápido, — Droma respondeu rapidamente. —
Aquela nave de guerra está vindo em nossa direção!
Capítulo 26

Com mísseis da fragata Yuuzhan Vong atingindo os seus escudos e


detonando ao redor, a Millennium Falcon acelerou de volta em direção ao
ainda imóvel cruzeiro estelar. Raios das principais baterias da Thurse
lançavam luz azul na fragata, mas sem efeito aparente.
— Você está me dizendo que ele pulou tão longe num segundo? — Han
gritou para Droma enquanto lutava para estabilizar a sua nave.
— É exatamente isso que estou te dizendo! Um segundo estava lá, no
seguinte estava praticamente em cima de nós!
As mãos de Han voaram pelo console da cabine.
— Ângulo os defletores traseiros! Se não podemos correr mais rápido
que eles, pelo menos podemos tentar ficar inteiros! — Ele olhou por cima
do ombro para Elan e Vergere. — Vão para o sofá de aceleração no
compartimento da frente!
Droma esperou até que eles tivessem desaparecido para dizer:
— Vergere não é uma extragaláctica, Han. Não conheço a espécie, mas
já vi o tipo dela antes.
Han olhou para ele.
— O que você está me dizendo? Que ela é uma impostora?
— Não tenho certeza. Talvez apenas que aquelas duas não fazem
sentido.
— Você não confia nelas?
— E você?
Han considerou a sua resposta, então balançou a cabeça.
— Algo está me incomodando. Por que os Yuuzhan Vong enviariam
uma nave de guerra para apoiar a Brigada de Paz? Se soubessem que Elan
estava a bordo da Rainha, teriam feito o trabalho eles mesmos. E outra
coisa: mesmo que alguma arma biológica dos Yuuzhan Vong tivesse
escapado a bordo do transporte, isso não explica a desaceleração do
transporte da maneira que fez.
— Exceto se os Yuuzhan Vong deliberadamente o desaceleraram.
Han deixou os seus lábios numa linha fina.
— Exatamente o que eu estava pensando. Você se lembra do homem de
Reck relatando que a corveta estava com problemas, que eles não
conseguiam se desvincular da Rainha ?
Droma acenou.
— A corveta puxou a Rainha do hiperespaço, mas de repente não
conseguiu se afastar dela.
— O que poderia acontecer se os Yuuzhan Vong encarregassem o dovin
basal a bordo da corveta de se prender firme na Rainha.
A Falcon tremeu quando um projétil a alcançou. Han e Droma se
encolheram, mas dezenas de mísseis adicionais passaram pela nave de
bombordo e a estibordo.
— Estou tentado a ver o que acontece se pararmos de tomar medidas
evasivas.
— Não esteja tentado muito, espero, — Droma disse preocupadamente.
Han rosnou.
— Já enfrentei naves dos Yuuzhan Vong antes. Elas simplesmente não
erram com tanta frequência. É como se estivessem fazendo tudo o que
podem para nos convencer de que querem a sua propriedade de volta...
— Quando na verdade querem que Elan e Vergere permaneçam onde
estão.
Han esfregou o queixo.
— Mas por que a farsa?
— Algo não revelado, — Droma disse sugestivamente. — A Rainha do
Ar e da Escuridão.
Han franziu a testa.
— Não dou muita importância a jogos de cartas.
Droma deu de ombros.
— Assistindo você jogar sabacc, eu teria pensado de outra forma.
Han caiu em silêncio por um momento, então pegou a sua mochila e
localizou o seu blaster. Levantando-se, prendeu a pistolera em volta do
quadril e ajustou a cinta da coxa.
— Assuma o controle, — ele disse a Droma.
Apressou-se até o compartimento da frente, onde Elan e Vergere
estavam sentadas lado a lado no sofá de aceleração.
— Você consegue superar a nave de guerra? — Elan perguntou de um
jeito que deveria parecer inocente.
— Provavelmente não, — ele disse a ela. — Mas acho que o seu
pessoal fará com que pensemos que conseguimos.
Ela o olhou questionando.
— Quero dizer que estou começando a pensar que eles não querem você
de volta. Que tudo isso, a sua deserção, talvez até mesmo esta batalha, faz
parte de algum plano elaborado que os seus superiores tramaram.
— Você não se importa que eu tenha informações importantes para os
Jedi? — ela disse numa voz sarcástica, mas controlada.
Lutando contra a incerteza, Han começou a andar pelo compartimento.
— Não sei o que pensar. — Ele parou e olhou para as duas. — Suponho
que poderia levá-las de volta a Rainha e deixar o Mestre Jedi Skywalker
decidir.
— Sim, — Elan disse apressadamente, — você deve pelo menos fazer
isso.
Han a ouviu. Mas o que o atingiu foi o olhar de reconhecimento
chocado que passou brevemente pelo rosto exótico de Vergere.
— Você está certa, — ele disse finalmente. — Acho que estou apenas
sendo excessivamente suspeito.
Virou-se, como se fosse para a cabine, então parou e disse:
— Aquela criatura que despedaçou o seu ocultador ooglith a bordo da
Rainha, ela responde apenas a um manipulador Yuuzhan Vong ou se adapta
a qualquer um?
— Somente a um Yuuzhan Vong, — Elan disse.
Han a viu endurecer, ainda que levemente.
— Você disse que os Yuuzhan Vong são imunes àquela arma biológica
que se soltou a bordo do transporte espacial.
O rosto dela se contraiu de ódio, e ela acenou com a cabeça.
E Han sorriu.
— Você acabou de lembrar que encontrei o manipulador morto na
cabine, um manipulador Yuuzhan Vong. Você liberou aquela arma biológica
do conforto do compartimento de carga. Quando a toxina se dispersou o
suficiente, você saiu e derrubou a mala do manipulador, sabendo que isso
chamaria a minha atenção. Você nunca foi drogada. Tudo isso fazia parte do
ato.
O sorriso de Han se endireitou e inclinou a cabeça em direção ao
corredor de anel a estibordo da Falcon.
— Droma! Vire-nos. Direcione um curso para a nave Yuuzhan Vong!
Embora abafada pela distância, a exclamação de Droma:
— O que? — transbordava incredulidade.
— Você me ouviu. A menos que eu esteja seriamente enganado, eles
não atirarão em nós. — Sacando o seu blaster, ele ordenou que Elan e
Vergere se levantassem do sofá. — Não estou correndo riscos com vocês
duas.
— Você está cometendo um grande erro, — Elan disse.
— Não seria a primeira vez, irmã. Levante-se e comece a se mover.
Gesticulou para que elas entrassem no corredor de anel a bombordo e as
conduziu até o compartimento traseiro barulhento da Falcon. Encolhidas
entre o convés e os dutos de exaustão do poderoso núcleo barulhento, e de
cada lado de um poço de acesso que antes continha um elevador de carga,
estavam os pods de escape da nave.
Eram esféricas espaçosas e de última geração, compatíveis com o status
da Falcon como um veículo familiar, e os pods eram lançados através de
aberturas ventrais por cargas explosivas separadoras, apresentando
comodidades como sofás gravitacionais com estofamento; um sofisticado
conjunto de sensores, comunicações e controle de voo; um farol de
emergência ativado automaticamente; jatos de manobra; molas de pouso
suave; e racionamento e equipamento de sobrevivência suficientes para
manter duas ou três pessoas equipadas por um bom tempo.
Han considerou confinar as falsos desertoras num dos pods, mas
rapidamente mudou de ideia. Pelo que sabia, elas tinham alguma forma de
envenenar a Falcon da mesma maneira que fizeram com a nave de Reck.
Aproximou-se de um dos pods à bombordo e bateu a mão no botão de
liberação da escotilha. Quando a ampla escotilha circular se abriu, Han fez
um gesto pra ela.
— Vocês estão indo de volta para onde pertencem, senhoritas, marcadas
como 'retornadas ao remetente.’
Acenou com o blaster, e Elan subiu ágil pra dentro do pod. Vergere
estava prestes a seguir quando Elan de repente a empurrou pro lado, agarrou
Han e o puxou pra dentro da esfera de cabeça pra baixo. Jogando-o contra o
casco curvado, ela retrocedeu em direção à escotilha ainda aberta, com a
boca formando uma careta intencional de retaliação.
Han balançou a cabeça numa tentativa de desembaçar a visão. Levantou
o blaster e apertou o gatilho, apenas para perceber que estava descarregado.
Olhando para o objeto inútil, sentiu a mandíbula cair.
— Descuido, — Elan disse enquanto continuava a se aproximar da
escotilha. — Mas não se preocupe, eu ficarei feliz em acabar com o seu
sofrimento.
— Hein? — ele perguntou tonto.
Ela sorriu maliciosamente.
— Uma respiração para você, uma sobrou para os Jedi. Respire fundo,
Han.
Abaixando-se para saltar pela escotilha, ela forçou uma expiração
interminável. Então, girando, saltou em direção à escotilha. Mas a Falcon,
desviando do tiro, se virou abruptamente à estibordo e a escotilha se fechou.
Jogado de costas, Han novamente ficou sem ar. Ao mesmo tempo, Elan
colidiu com a escotilha fechando-se e se recuperou.
Com olhos arregalados de medo, ela se levantou rapidamente e tentou
desesperadamente forçar a escotilha a abrir. Ela fechou os punhos e bateu
na janela do pod com toda a força. Habilidosamente, ela deu um chute
lateral e, em seguida, jogou o seu peso contra a escotilha repetidamente,
mas ela não se moveu.
Atônito e ainda incapaz de recuperar a respiração, Han ouviu uma voz
dizer, Ar puro envenenado, embora não pudesse ter certeza de cuja voz
estava ouvindo, ou mesmo se era realmente uma voz ou um pensamento
que lhe veio em resposta ao que tinha observado no transporte.
Como se tivesse vontade própria, a sua mão pegou a ferramenta de
sobrevivência presa ao cinto. Brincando freneticamente com o recurso de
oxigênio comprimido, finalmente conseguiu empurrar o dispositivo de dois
tanques para os lábios e morder o bico espatulador para iniciar o fluxo de
oxigênio. Através da portinhola do pod, teve um breve vislumbre de
Vergere, mas não conseguiu dizer se ela estava tentando abrir a escotilha ou
segurá-la ainda mais.
Elan se afastou da escotilha em pavor, com os lábios apertados e o rosto
avermelhado. Olhando para Han, ela tentou agarrá-lo, mas ele se esquivou e
a derrubou no processo. Colapsando sobre as mãos e joelhos, ela lançou um
olhar fulminante por cima do ombro, amaldiçoando Han com cada célula de
seu corpo, e então inalou com dificuldade.
O seu corpo ficou rígido. Uma tosse repentina fez o sangue jorrar de sua
boca. Dos olhos, ouvidos e nariz, ele escorreu enquanto ela levantava a
cabeça e uivava de angústia. Com a boca torcida em torno do inalador
salvador, Han se afastou, pressionando-se contra a parede curva e desviando
o olhar. Manchas começaram a se formar diante de seus olhos, e pensou que
poderia desmaiar. Então as manchas começaram a precipitar e correr
loucamente ao redor do pod.
O resíduo negro da exalação tóxica de Elan rastejando sobre ele,
cambaleou até a escotilha e bateu no botão de liberação com o calcanhar da
mão. Com os olhos esbugalhados, apressou-se até o comunicador do pod,
apenas para descobrir que estava morto, talvez devido a um projétil
Yuuzhan Vong que havia penetrado os escudos enfraquecidos da Falcon.
Sacudiu-se freneticamente contra as pequenas formas de vida e esmagou
dezenas de uma vez com os pés.
Um tom de aviso soou da ferramenta de sobrevivência. Estava
rapidamente ficando sem ar. Com os olhos saltando da cabeça, socou as
mãos contra a escotilha acolchoada e a janela. Estava prestes a reciclar a
sua última respiração quando a escotilha de repente se abriu, e caiu de
cabeça no chão do compartimento traseiro.
Respirando ar, ele olhou pra cima e viu Droma em pé sobre ele.
— O que te fez voltar aqui? — Han perguntou entre as respirações.
— Um pressentimento, — Droma disse a ele.
Han gesticulou fraca e vagamente para o pod.
— Os insetos...
Droma avistou o corpo ensanguentado de Elan e congelou
momentaneamente. Então rapidamente selou a escotilha novamente e
começou a eliminar os fugitivos com as mãos e os pés. Logo, algumas das
poucas criaturas restantes começaram a morrer sozinhas, transformando-se
em cascas leves como penas.
Han se apoiou contra a parede e enxugou o suor da testa.
— Já são duas vidas que te devo.
— Vou adicionar à sua conta, — Droma disse, ofegante.
Uma explosão que fez o nave tremer trouxe Han totalmente alerta.
— Onde está Vergere?
Droma olhou para o corredor do anel e balançou a cabeça.
— Volte pra a cabine, — Han disse. — Eu a encontrarei.
Outro tiro poderoso fez a Falcon balançar, e do corredor a estibordo
saiu a familiar de Elan, colidindo com Han justo quando estava se
levantando. A colisão o lançou contra o pod de escape selado e o botão de
liberação da escotilha. A escotilha se abriu novamente e alguns últimos
insetos saltaram pela porta, encontrando apoio na frente da camisa de Han.
Em um grito de fobia, afastou-os, então virou a atenção para Vergere, que se
plantou no centro do compartimento, com os braços ao lado e as pernas
com articulação reversa tensas para a ação.
— Não facilite as coisas pra si mesma, — Han advertiu.
Outro projétil atingiu a nave, fazendo-a balançar. A voz de Droma
gritou de um intercomunicador na parede.
— Han, você tem certeza de que os Yuuzhan Vong não querem elas de
volta? Eles estão sendo incrivelmente convincentes!
Han manteve o olhar em Vergere e adotou uma postura de combate.
— Eles vão ter que se contentar com a metade, — murmurou.
Vergere estendeu a mão direita para mostrar a Han um bulbo de bebida
que ela claramente pegou da cozinha. Apertando o bulbo, ela o trouxe de
repente para o olho direito como se quisesse sugar lágrimas que se
acumulavam.
Han se lançou contra ela, mas Vergere executou um salto ágil que a
levou pra fora de alcance, depois outro que a virou de frente e a jogou
direto para o pod de escape. Han se lançou em direção ao pod, mas uma
manobra evasiva de Droma fez a nave balançar novamente, e Han voou
passando pelo pod e a um quarto do caminho pelo corredor a bombordo.
Quando conseguiu recuperar o equilíbrio e cambalear de volta para o
compartimento traseiro, Vergere já estava armando as cargas separadoras do
pod. Han estendeu a mão pela escotilha em direção a ela, apenas para ter as
mãos desviadas.
— Obrigada, Han Solo, por me dar a chance de voltar a minha própria
espécie, — ela disse. Sem aviso, ela atirou o bulbo cheio em sua direção. —
Cuide para que isso chegue aos Jedi.
Reflexivamente, Han pegou o bulbo, então o jogou pro lado. Lançou-se
em direção à escotilha que se fechava, mas não a tempo. O sistema de alerta
de lançamento do pod entrou em ação com luzes piscantes e som medido.
Han fez uma rápida retirada para o compartimento traseiro e se
achataram contra a grade do piso enquanto o pod lançava com um baque
concussivo que fez os seus ouvidos estourarem.
— Blast! — ele gritou, puxando-se pra cima.
Correndo para a cabine, encontrou Droma ainda dirigindo um curso em
ziguezague diretamente para a fragata Yuuzhan Vong.
— Pro outro lado, pro outro lado! — Han gritou, jogando-se na cadeira
do piloto.
— Decida-se! — Droma gritou de volta.
Han assumiu os controles e jogou a Falcon num giro ascendente,
esperando avistar o pod de escape lançado na curva descendente. Por um
momento ele teve a esfera no retículo de rastreamento da nave, mas a
perdeu tão rapidamente quanto um míssil Yuuzhan Vong cruzou a proa da
Falcon.
O projétil em chamas parecia travar o pod como um predador quente no
cheiro de sangue. Uma explosão ofuscante forçou Han a desviar o olhar, e
quando olhou de volta, o pod tinha desaparecido. Um segundo depois, no
entanto, achou que o vislumbrou pelo canto do olho, mergulhando em
direção ao lado noturno de um planetoide fortemente cheio de cratera. Mas,
novamente, era possível que o dovin basal da fragata já tivesse capturado o
pod e o trazido a bordo.
Uma voz agitada surgiu do console de comunicações.
— Han, o que nas chamas você está fazendo? Eu pensei que você queria
fogo de cobertura.
— Queremos, queremos! — Han disse a Mak Jorlen. — Acelera,
Droma!
A Falcon fez uma curva acentuada, rolou para escapar de uma
enxurrada de projéteis e disparou em direção a Thurse. Com o campo
limpo, o transportador abriu fogo com todas as baterias, atordoando a nave
Yuuzhan Vong com canhões de íons e disparos de turbolaser. Alguns
coralskippers restantes em condições de combate tentaram lançar ataques
suicidas contra a Thurse, mas foram instantaneamente pulverizados.
Desprotegida, a fragata abandonou a perseguição à Falcon. Então,
acelerando, fez um salto abrupto para a velocidade da luz.
Han nivelou a nave e Droma reduziu a velocidade. Ele e o Ryn
colapsaram em seus assentos, como se alguém tivesse acabado de soltar o ar
deles.
— Acabou? — Droma perguntou após um momento.
Han acenou com a cabeça.
— Por enquanto.
Droma olhou para Han e soltou uma risada curta.
— Sabe, eu quase poderia acreditar que você tem feito esse tipo de
coisa a vida toda.
Han se ergueu na cadeira e lhe ofereceu um sorriso travesso.
— O que te faz pensar que não tenho?
Capítulo 27

Removido do ritmo frenético da alta Coruscant, bem no fundo de uma fatia


vertical do mundo cidade conhecido coloquialmente como o Abismo, uma
dúzia de espécies mistas se sentava nervosamente numa longa mesa numa
câmara sem janelas e, de outra forma, segura. A câmara residia no coração
da sede sepultada da divisão de Inteligência da Nova República e era
acessível apenas a oficiais de alto escalão. Em um reino estéril de
iluminação artificial e luz do sol subtraída por eixos e espelhos, o arbusto
de folhas grandes alojado num canto da câmara se destacava como um oásis
inesperado, e assim recebeu o nome de Miragem.
Conversas separadas pararam abruptamente quando um tom de entrada
autorizada soou da porta e o Diretor Dif Scaur entrou no recinto, uma pilha
de documentos de durafolha e impressões ópticas sob um braço e um droide
de protocolo modificado na cor cinza metálico seguindo os seus passos.
Todos estavam de pé quando alcançou a cabeceira da mesa, mas a óbvia
tentativa de deferência apenas aprofundou o seu franzir de testa e fez um
gesto brusco para que todos se sentassem. Um ex-Almirante da Quarta
Frota, Scaur era alto e magro, com olhos azuis aguados e uma acentuada
entrada.
— Estive em reuniões com a equipe de comando da Força de Defesa a
manhã toda, — ele começou num tom sombrio, — e o conselho consultivo
espera um relatório completo mais tarde. Quanto mais cedo terminarmos
isso, melhor.
Scaur lançou um olhar irritado para a sua diretora adjunta de operações.
— Coronel Kalenda, uma vez que você está envolvida nesse fiasco
desde o começo, gostaria que você começasse me dizendo quais partes do
relatório de Han Solo podem ser consideradas fato e quais partes podem ser
descartadas como resultado de um óbvio caso de tontura espacial.
Francamente, não estou nem certo sobre como as desertoras acabaram em
suas mãos pra começar.
Belindi Kalenda se mexeu em sua cadeira.
— Senhor, depois que o Major Showolter e a sua equipe de apoio foram
emboscados por membros da Brigada da Paz, Showolter e as desertoras
foram em busca de elementos de apoio que sabiam estar a bordo da Rainha
do Império. Quando o major avistou Solo, ele assumiu que Solo fazia parte
da operação...
— Quando foi que Han Solo trabalhou alguma vez com esta agência?
Kalenda limpou a garganta.
— Bem, senhor, eu pedi a ajuda dele durante a crise da Estação
Centerpoint.
As narinas de Scaur se dilataram.
— Isso foi há sete anos, coronel.
Kalenda devolveu o olhar.
— O Major Showolter estava em péssimas condições, senhor.
A expressão do diretor se suavizou.
— Como ele está?
— Ele levou uma queimadura feia no peito superior, mas está se
recuperando.
Scaur acenou com a cabeça e olhou ao redor da mesa.
— Meus sentimentos a qualquer um de vocês que trabalhou com os
oficiais Jode Tee e Saiga Bre’lya, ou com o Dr. Yintal da Inteligência da
Frota. As mortes deles e as mortes dos agentes de apoio de Showolter, que
aparentemente foram torturados até revelarem a senha, acrescentam
tragédia a esta calamidade. — Ele se virou para Kalenda mais uma vez. —
Então as desertoras se tornaram propriedade de Solo, que então prosseguiu
para entregá-las à Brigada da Paz.
— A Brigada da Paz tinha um meio de identificar a chamada Elan. Eles
a pegaram e a sua companheira, Vergere, a bordo de sua nave e estavam
tentando alcançar uma nave de guerra Yuuzhan Vong quando toda a
tripulação aparentemente foi envenenada por Elan.
— Pelas exalações de Elan, presumo.
— Sim, senhor. Solo a recuperou e a Vergere, mas então ficou
convencido de que ambas faziam parte de um plano intrincado para
assassinar o maior número possível de Jedi. Como você sabe, elas
solicitaram uma reunião com os Jedi para fornecer detalhes sobre uma
doença liberada por agentes Yuuzhan Vong. Desde então, constatamos que
Elan pode ter se referido a uma moléstia molecular que já ceifou cerca de
cem vidas no último ano, embora exatamente o que os Jedi têm a ver com a
moléstia seja desconhecido no momento.
— De qualquer forma, Solo considerou a tentação parte do plano e
estava se preparando para expulsar as desertoras de sua nave quando ele
mesmo quase se tornou vítima de Elan, das exalações de Elan, isto é.
Senhor.
Scaur a encarou por um longo momento antes de responder.
— Com base em que motivo Solo os determinou como assassinas ao
invés de fugitivas políticas?
— Como eu disse, senhor, Solo ficou convencido de que Elan havia
matado os membros da Brigada da Paz para evitar que a devolvessem aos
Yuuzhan Vong. O resíduo que coletamos da nave da Brigada da Paz
coincide com o encontrado a bordo da nave de Solo. Autópsias realizadas
nos homens, incluindo um agente Yuuzhan Vong, revelaram que morreram
de choque hemorrágico, induzido por uma toxina vesicante inalada, um
agente anticoagulante, de tipo desconhecido.
Scaur localizou o relatório de Solo entre os documentos que trouxera
consigo, o escaneou e, em seguida, bateu com a parte de trás dos dedos.
— Solo afirma que o que você se refere como resíduo estava, na
verdade, vivo em algum momento. Ele descreve as criaturas como uma
espécie de ácaros que apareceram do nada.
Kalenda comprimiu os lábios.
— Senhor, não vou fingir entender a natureza da toxina ou a mecânica
de sua entrega. Só sei que Solo claramente deveria morrer.
— E em vez disso, essa Elan sucumbiu à toxina.
— Presumivelmente. Dentro de um pod de escape, que a companheira
de Elan posteriormente empregou para fazer a sua fuga.
— Sabemos o que aconteceu com o pod?
— Não ainda. Realizamos uma busca no planetoide, mas nada apareceu.
Embora seja possível que o pod esteja lá em algum lugar, preso em alguma
fenda ou caverna, ele poderia facilmente ter sido recuperado pela fragata
inimiga ou destruído durante o tiroteio entre a fragata e o transportador
Thurse.
— Eu ainda não entendo por que Solo teve que se encarregar de mandá-
las de volta, — Scaur resmungou. — Não, deixe pra lá. Conhecendo o Solo
como conheço, essas ações são totalmente consistentes com o seu caráter
audacioso.
— Em defesa das ações de Solo, senhor, ele estava sendo perseguido
por uma nave de guerra inimiga.
— Sim, mas o inimigo obviamente não queria que as desertoras fossem
devolvidas.
— Solo estava convencido de que Elan já havia matado uma vez e faria
isso novamente, talvez até o matasse para proteger o seu segredo, o que, de
fato, ela tentou fazer. Se Solo tivesse morrido e Elan tivesse sido trazida
para o nosso meio, quem sabe o que ela poderia ter feito. Além disso,
senhor, essa deserção tem sido suspeita desde o início. O comandante do
cruzador Sossegar Rápido atestará isso.
Scaur assentiu para Kalenda.
— Concedido, Coronel. Supondo, por um momento, que as ações de
Solo fossem justificadas, o sucesso da Nova República no setor Meridian
deve ser reavaliado, juntamente com a vitória em Ord Mantell. — Ele
balançou a cabeça, arrependido. — Deveríamos ter permitido que a
inteligência militar lidasse com isso. Você percebe como isso nos faz
parecer?
— Senhor? — Kalenda perguntou.
— A equipe de comando está convencida de que nós estragamos o
trabalho. Apesar do fato de que Elan representava uma ameaça, muito
poderia ter sido ganho com a sua custódia. Além disso, é evidente que
alguém com autorização do topo informou a Brigada da Paz sobre os planos
para realocar Elan para Coruscant.
Scaur retirou outro documento de durafolha do maço e olhou para ele.
— Seis membros da inteligência militar, quatorze oficiais internos, a
meia dúzia de senadores que compõem o Conselho de Segurança e
Inteligência... Alguém vazou a informação, seja diretamente para a Brigada
da Paz ou para uma terceira parte que o fez. — Ele olhou ao redor da mesa.
— Algum desses indivíduos parece uma fonte provável para um vazamento
dessa magnitude?
— Todos eles tinham acesso à mesma informação, — Kalenda forneceu.
— Mas quem quer que tenha sido não só fez contato com a Brigada da Paz,
mas também conseguiu acessar a nossa rede e interromper a vigilância
sobre o grupo. Os vestígios desse acesso ainda estão sendo analisados.
— Tudo muito bem, — proclamou Scaur, — mas a verdadeira questão a
se fazer é se temos um traidor entre nós ou um agente infiltrado, um agente
inimigo?
— Alguém usando um disfarce ooglith? — perguntou um oficial Mon
Calamari do outro extremo da mesa.
— Não necessariamente. Os Yuuzhan Vong provavelmente compraram
os serviços da Brigada da Paz. O mesmo pode ser verdade para quem
passou as informações para eles. Membros do governo da Nova República
poderiam estar em conluio com o inimigo.
— Mas devolver Elan aos Yuuzhan Vong ia contra todo o plano, — o
diretor adjunto Bothano de inteligência pensou em apontar.
Scaur puxou o lábio inferior.
— É possível que o nosso traidor não soubesse do plano, apenas da
deserção. A nossa aparente vitória em Ord Mantell convenceu o traidor de
que Elan precisava ser recuperada antes que mais danos fossem causados.
— Poderia ter sido alguém testando as águas, — Kalenda refletiu. —
Entrando em contato com a Brigada da Paz, sem ter qualquer afiliação com
os Yuuzhan Vong.
— Talvez a Brigada da Paz tivesse algo sobre o traidor, — sugeriu um
oficial humano. — O traidor pode ter estado quitando uma dívida.
Scaur colocou os cotovelos na mesa.
— Obtivemos algo dos membros capturados da Brigada da Paz?
— Dois dos treze que temos sob custódia afirmam que a única pessoa
que teve contato com o traidor foi Reck Desh, que morreu a bordo da nave
da Brigada da Paz. Eles afirmam que o contato inicial foi feito por
comunicador, e que o único encontro entre Desh e a fonte ocorreu em Kuat,
onde Desh aparentemente se encontrou com um telbun.
Scaur fez uma careta.
— Um telbun?
— O telbun poderia ter sido um intermediário para quem realmente
estamos procurando, — disse Kalenda.
Scaur bufou.
— Então o que você está realmente me dizendo é que estamos sem
pistas.
Kalenda assentiu.
— Graças a Elan, Reck Desh levou o seu segredo para o túmulo.

No imponente Coruscant, embora não tão alto a ponto de os arranha-céus,


obeliscos e torres do núcleo não desafiarem a perspectiva e confundirem a
mente, o Jedi Mon Calamari Cilghal, o curandeiro Ithoriano Tomla El e o
médico Ho’Din Ism Oolos aguardavam expectantes que o técnico MD-1
completasse sua análise das lágrimas que Vergere supostamente havia
derramado num bulbo de bebida a bordo da Millennium Falcon.
Em breve, o droide vagamente humanoide projetou os resultados como
hologramas animados da composição química do líquido e a sua interação
com células raspadas do interior da bochecha de Mara Jade Skywalker.
— A estrutura química reflete o que se poderia esperar de lágrimas, —
disse Tomla El, inclinando-se pra frente sobre os seus grandes pés apoiados,
— mas não temos como determinar se elas são realmente características da
espécie de Vergere.
— Sim, mas olhe aqui, — disse Oolos animadamente, gesticulando para
o holograma da interação. — Veja como a substância está sendo absorvida
pelas células, quase como se estivesse sendo absorvida por esponja. E veja
como a célula reage! Como uma infusão de nutrientes!
Mais alto que um Wookiee, embora magro, Oolos tinha uma boca larga
e sem lábios e uma coroa serpentina de mechas curtas, brilhantes com
escamas vermelhas e violetas. Assim como Tomla El, ele usava um longo
casaco branco, o que os destacava de Cilghal, cuja túnica e calças caseiras
eram da cor da areia fina.
— Estou otimista, — disse Oolos aos outros dois ocupantes do
laboratório. — Venham, vejam por si mesmos.
De mãos dadas, Luke e Mara se aproximaram das projeções
holográficas do droide e fizeram uma pretensa consideração delas com a
mesma cativação científica demonstrada pelo Ithoriano e pelo Ho’Din.
Luke estava bem ciente de que um dos olhos bulbosos de Cilghal estava
voltado para Mara, em vez de para as telas.
Tomla El virou a sua cabeça sinuosa em direção a Luke e disse com
ambas as bocas:
— Estou inquieto.
Todos esperaram que continuasse.
— A sacerdotisa Elan era uma arma, despachada pelos Yuuzhan Vong
para assassinar os Jedi. Por que pensar que Vergere não era cúmplice,
igualmente envolvida?
— Han Solo não estava certo sobre Vergere, — Cilghal disse,
respondendo por Luke.
— Por que Elan estaria abrigando uma toxina mortal, enquanto a sua
própria familiar abrigava um antídoto para a doença de Mara?
— Talvez Vergere não fosse o que parecia, — disse Luke, — mesmo
para Elan. — Ele fez uma pausa brevemente, então acrescentou: — Han
admite que foi tentado a destruir o bulbo de bebida, até começar a pensar
sobre o que Vergere lhe disse antes dela se ejetar na pod de escape. Ela
agradeceu por lhe dar a chance de voltar para o seu próprio povo.
— Naturalmente, — disse Tomla El, numa espécie de estéreo melódico.
— Os Yuuzhan Vong.
— Mas Han disse que anteriormente Vergere havia reagido ao ouvir o
meu nome. E Droma afirmou que uma vez encontrou um membro da
espécie de Vergere no Setor Corporativo.
— Isso significa pouco, — argumentou Tomla El. — Os agentes
Yuuzhan Vong infiltraram a nossa galáxia há cinquenta anos padrão. A
espécie de Vergere poderia ser uma raça cliente extragaláctica dos Yuuzhan
Vong.
— Tomla El está correto numa coisa, — disse Oolos, voltando-se dos
hologramas. — Não podemos ter certeza de que este aparente presente não
é parte de um plano para nos instilar uma falsa confiança e,
inadvertidamente, causar mais danos a Mara.
Todos os olhares se voltaram pra ela. Embora tivesse se tornado tão
pálida em apenas algumas semanas, ela continuava a revelar uma coragem e
uma resistência infinitas.
— Estou achando bem difícil de engolir que os Yuuzhan Vong iriam se
dar a ter todo esse trabalho para matar um Jedi, ou seja, eu, quando Elan
estava disposta a assassinar todos nós.
Oolos disse ao droide MD para desativar os hologramas; então ele
passou um momento em profunda contemplação.
— Devemos proceder com cautela. — Ele olhou para o bulbo de
bebida. — Não sabemos se o líquido deve ser injetado, ingerido ou
aplicado.
— Temos uma pista, — Luke disse. — Vergere usou as suas lágrimas
para curar uma ferida de blaster sofrida por um oficial de inteligência a
bordo da Rainha do Império. Ela as aplicou à mão.
— Topicamente, — Oolos esclareceu.
Cilghal o estudou com um olho.
— Mas a doença de Mara não é tópica, é sistêmica.
De repente, Luke chamou o bulbo para a sua mão com a Força.
Invertendo-o, ele o trouxe para a boca, preparado para espremer uma gota
em sua língua. Mas Mara rapidamente o pegou dele e levou algumas gotas à
própria boca antes que Luke pudesse impedi-la.
— Mara! — Oolos e Tomla El disseram em uníssono.
Mas Mara não estava em apuros. Ela inalou profundamente, então abriu
os olhos bem grandes.
— Oh, Luke, — ela disse, como se estivesse maravilhada. — Não
consigo explicar exatamente como me sinto, mas é como tomar água depois
de dias com sede. — Ela olhou para as mãos, primeiro as palmas, depois as
costas, e tocou o rosto. — Meus dedos e meu rosto estão formigando.
Gentilmente, Luke pegou o bulbo dela e espremeu uma gota na própria
língua.
— Não sinto nada, — ele disse após um momento.
Mara pegou o bulbo de volta e o segurou perto do coração.
— Não há razão para você sentir nada.
Luke olhou nos olhos da esposa.
— Mara, há uma coisa mais que você precisa ouvir: Showolter disse
que o efeito curativo era temporário. Vergere disse isso a ele quando ela
veio em sua ajuda. Ele já estava entrando em choque quando encontrou
Han.
— Isso não significa que funcionará assim comigo, — Mara disse
firmemente. — Além disso, neste ponto, aceitarei temporário. — Ela forçou
uma respiração e pegou a mão de Luke na dela. — Você tem que me deixar
fazer isso, Luke. Eu sei que você e Cilghal têm tentado me curar através da
Força, e sei que não tornei isso fácil para vocês me fechando em mim
mesma. Mas essa doença tem sido parte de mim por mais de um ano. Tem
sido o meu desafio, e eu a enfrentei da maneira que sei. Mas ela está
vencendo, Luke. Ela está vencendo.
Ela levantou o bulbo até a altura dos olhos.
— Se isso piorar as coisas, então terei que lutar ainda mais. Mas tudo
em mim diz que isso não acontecerá. Entende?
— Pelo menos nos deixe monitorá-la, — Tomla El aconselhou. — Se
algo começar a dar errado, há medidas que podemos tomar.
— Não, — Luke disse, mantendo o olhar de Mara. — Faremos isso do
jeito da Mara.
Ela deu uma apertada na mão dele e, em seguida, foi até uma bancada
próxima e cuidadosamente deixou escorregar algumas das lágrimas em sua
mão direita. Antes que pudesse levar o líquido transparente aos lábios ou ao
rosto, no entanto, ele desapareceu.
— A minha mão absorveu, — ela disse, maravilhada, mostrando a
palma.
Oolos se aproximou, olhando pra ela de sua altura imponente.
— Mara, pelo menos nos diga o que você está sentindo.
Ela tomou uma respiração hesitante.
— Não tenho certeza. Tonta, ruborizada. Tudo está de repente tão
brilhante, — Ela deu um sobressalto. — Está desencadeando algo dentro de
mim! Eu posso...
Os braços e as pernas de Mara começaram a tremer. Ela jogou a cabeça
pra trás, como se estivesse lutando para respirar. Ela poderia ter caído se
Luke não tivesse corrido até o seu lado.
— Rápido, Luke, leve-a para a mesa, — Oolos disse.
Luke a carregou até a mesa de diagnóstico e a colocou de costas. Com
os olhos firmemente fechados, Mara gemeu e abraçou o torso trêmulo.
— Teremos leituras em breve, — Tomla El disse do console de controle
da mesa.
Os olhos de Luke não se afastaram de Mara.
— Mara, — Luke sussurrou, perto do ouvido dela. — Mara...
Ela gemeu mais uma vez e então deu um sobressalto, olhando para Luke
com os olhos arregalados.
— Eu não sei, — ela disse, sua voz um sussurro rouco. — Não consigo
explicar o que estou sentindo. Fiz a escolha errada, meu amor? — A sua
expressão se tornou implorante. — Olhe pra mim, Luke. Olhe pra mim...
A sua voz foi desaparecendo e ela caiu num estado de semiconsciência.
Luke procurou por encorajamento nos olhos de Cilghal, Tomla El e Oolos,
mas não encontrou nenhum. Ele voltou o olhar para Mara e a alcançou na
Força.
Ao fazer isso, os movimentos espasmódicos de seus membros
começaram a diminuir e todo o seu semblante começou a mudar. O seu
rosto relaxou e lágrimas escorregaram dos cantos externos dos olhos. O
rosto de Luke ficou quente, e os seus olhos se umedeceram de alívio e
alegria vigilante.
Os olhos de Mara piscaram abertos e ela sorriu fracamente.
— Acho que está funcionando, — ela disse suavemente, umedecendo os
lábios com a língua. Ela fechou os olhos mais uma vez, como se estivesse
desfrutando do que estava experimentando. — Sinto isso correndo por mim.
É como se cada célula do meu corpo estivesse sendo banhada em luz. —
Ela procurou às cegas a mão de Luke e a puxou para o peito. — Acho que
estou me curando, Luke. Tenho certeza de que estou me curando.
— Oh, Mara, — Cilghal disse, emocionada, aproximando-se da mesa
para colocar a mão palmípede no ombro de Mara.
Luke avistou os olhares céticos trocados por Tomla El e Oolos, mas não
disse nada. Em vez disso, olhou novamente para Mara através da Força e a
encontrou luminosa.
Um sorriso de deleite absoluto iluminou o seu rosto. Colocou o braço
sob os ombros da esposa e a levantou suavemente em seu abraço. Os braços
dela envolveram o seu pescoço, e ela se agarrou a ele, chorando baixinho e
alegremente.
— Temos a nossa vitória, — Luke sussurrou.
Capítulo 28

Leia apressou-se pela entrada da frente do apartamento até a varanda da


rota aérea. Mas, tão ansiosa quanto estava para dar a Han e Anakin a boa
notícia sobre Mara, conteve-se de intervir na conversa deles.
— A coisa que ainda não consigo entender, — Han estava dizendo, — é
o que me deu a impressão de que o hálito de Elan era mortal. Foi como se
eu ouvisse uma voz me avisando. Foi quando peguei a ferramenta
multifuncional.
Olhando para o desfiladeiro da cidade, Han tinha um pé apoiado na
grade da varanda e a ferramenta de sobrevivência na mão direita. A sua
mochila estava aos pés. Quando um longo momento havia se passado e
Anakin ainda não havia respondido, Han se virou pra ele e soltou uma
risada curta.
— Obrigado.
O olhar sombrio de Anakin mudou para um de perplexidade.
— Por quê, pai?
— Por não me dizer que estava ouvindo Chewie através da Força.
Anakin sorriu.
— É, como se eu sequer pensasse em dizer isso para você.
Han levantou o dedo indicador.
— E nem pense em contar ao seu tio também. Tudo o que preciso é que
Luke ouça que estou ouvindo vozes. Isso é estritamente entre você, eu e o
pilar da escada, entendeu? — Ele se virou ligeiramente na direção de Leia.
— Sem ofensas, querida.
Leia mostrou a ele um sorriso claramente falso.
— Melhor o pilar da escada do que o degrau, querido.
Han acenou com a cabeça, satisfeito, levantou-se e se aproximou de
Anakin.
— De qualquer forma, só queria agradecer por ter aparecido na nave do
Roa naquele dia. — Ele ofereceu a ferramenta de sobrevivência. — Se não
fosse por isso... bem, você sabe de tudo isso.
— Graças ao Chewie, — Anakin disse. — Ele fez isso.
Han balançou a cabeça.
— Já agradeci a Chewie. Isso é algo entre você e eu. — Ele agarrou
Anakin pelos ombros e o puxou para um abraço apertado.
Leia achou que o seu coração poderia se partir. A sua mão voou à boca
e ela lutou contra as lágrimas.
Han afastou Anakin, mas manteve as mãos nos ombros do filho.
— Sinto muito pelo que disse e pela maneira como tenho agido desde
que Chewie morreu, Anakin. Fizemos tudo o que pudemos em Sernpidal, e
Chewie sabia disso. Ambos sabemos quem é o responsável pela morte dele.
Mas não quero que a vingança faça você fazer algo imprudente, entende?
Você, Jacen e Jaina são mais importantes pra mim do que você jamais
saberá.
Anakin acenou com a cabeça e quase sorriu. Ele e Han se abraçaram
mais uma vez.
— Preciso ir, — Anakin disse após um momento. — Tio Luke está me
esperando de volta em Yavin 4.
— Uma coisa antes de você ir, — Leia disse, sorrindo. — O presente de
Vergere parece estar funcionando. — Ela lançou um olhar para Han. —
Acabei de ouvir de Luke que Mara está mais forte do que esteve nos
últimos meses. O que quer que as lágrimas contenham, estão exigindo
muito dela, mas Oolos e Tomla El estão esperançosos de que Mara estará
em remissão total em algumas semanas.
Os três caíram num breve e alegre abraço, que Anakin quebrou.
— Primeiro os Yuuzhan Vong envenenam a Mara, depois eles mandam
uma assassina contra nós, — ele disse amargamente. — Vou lembrar o que
você disse sobre vingança, pai, mas eles tornaram essa guerra pessoal.
Os olhos de Leia se nublaram com apreensão, e ela deu a Anakin mais
um abraço e um beijo na bochecha.
— Cuide-se.
— Ei, garoto, — Han gritou enquanto Anakin estava se dirigindo para a
ponte do skyway. — Alguma chance do Lowbacca estar tão ocupado com
coisas de Jedi que ele e Waroo esqueceram da dívida de vida?
— Não quando falei com ele da última vez.
— Blast, — Han murmurou. — Acho que vou ter que lidar com isso
mais cedo ou mais tarde. — Ele lançou um olhar para Leia e sorriu. —
Então Vergere estava falando a verdade, afinal. — Ele balançou a cabeça
incrédulo. — É engraçado como as coisas acontecem. Você sai em busca de
uma coisa e acaba encontrando outra. Se eu não soubesse melhor, pensaria
que é a Força em ação.
Leia permaneceu em silêncio.
Han apertou os olhos e acenou com a cabeça.
— Os Wookiees têm uma expressão: a verdadeira presa de cada caça é o
inesperado. Mas acho que você tende a esquecer isso quando está fora do
jogo por muito tempo.
Leia ouviu algo diferente e preocupante em seu tom. Ela indicou a
mochila de viagem dele.
— Isso não saiu do seu lado desde que você voltou, — ela disse, o mais
casualmente que pôde. — Você vai desempacotar ou está planejando deixar
isso empacotado e montado?
Han se moveu em direção à mochila.
— Não faz sentido desempacotar ainda.
Leia cruzou os braços sob os seios.
— Acho que deveria ter visto isso vindo. Então você não está realmente
em casa.
— Estive em casa demais ultimamente. — Ele sorriu para ela. — Pensei
que você deveria estar se cansando de me ver por aqui.
Leia não se moveu.
— Não tente inverter isso, Han.
Gesticulou pra si mesmo.
— Quem está tentando inverter algo? Só estou dizendo que tenho
algumas coisas pra fazer.
— Como?
— Como encontrar Roa, para começar. E ajudar Droma a localizar os
seus companheiros de clã. Ele me salvou, você sabe, duas vezes.
Leia soltou uma risada sardônica para o céu.
— Não me diga que você deve a Droma uma dívida de vida. Isso é
demais, Han, até pra você.
A testa dele se franziu.
— Você não pode esperar que eu simplesmente esqueça Roa ou deixe
Droma na mão.
Ela deu um passo em direção a ele.
— Os Wookiees têm algo a dizer sobre correr riscos sem sentido? Não
faz muito tempo que estive aqui ouvindo você alertar Anakin contra fazer
algo tolo, e agora você me diz que vai atrás de Roa e dos companheiros de
clã desaparecidos de Droma. Decida que tipo de situação você quer, Han.
— O que há de errado em estar dos dois lados?
Leia bufou.
— Recaída completa. Diga olá ao seu antigo eu, Han.
— Recaída, que nada. Este é o mesmo eu que você casou, querida.
Além disso, olha só quem fala. Enquanto eu estava aqui me lamentando,
você estava em Dantooine, no espaço do Remanescente Imperial, em todo
lugar, correndo exatamente os mesmos tipos de riscos.
— Você está dizendo que se eu desistir de ajudar refugiados, você vai
desistir de suas aventuras passadas?
— Minhas aventuras? — ele disse. — O que você chama do que está
fazendo?
Leia começou a dizer algo, mas mudou de ideia e começou de novo.
— A Nova República está numa situação difícil, Han. Eu poderia usar a
sua ajuda.
Levantou as mãos.
— Já ouvi isso antes.
— E você geralmente ouvia.
Han caminhou até o corrimão e voltou, evitando o seu olhar.
— De certa forma, já estou ajudando você. Quero dizer, com a família
de Droma sendo refugiados e tudo mais...
Leia ficou em silêncio por um momento. Por mais aliviada que estivesse
ao vê-lo finalmente saindo do luto, não pôde deixar de sentir que ele estava
determinado a recomeçar, como sempre fez em sua vida, de garoto
abandonado a oficial imperial, e de contrabandista a líder rebelde, sempre
se recriando. Pelo pouco que conhecia de Droma em seus poucos encontros,
ele parecia cortado do mesmo tecido. Por todas as preocupações de Droma
com os seus companheiros de clã dispersos, ele era um errante e um rebelde
por natureza, viciado em aventura.
Leia observou Han caminhar na borda da varanda.
— Não sei como você conseguiu fazer isso por tanto tempo, — ela disse
finalmente.
Ele parou para olhá-la.
— Fazer o quê?
— Criar uma família. Andar tão longe do limite.
— Isso foi apenas a minha 'aventura' com a estabilidade. — Ele tentou
sorrir, mas não funcionou. — Olha, estou apenas saindo, certo? Tenho
obrigações.
— E as suas obrigações conosco?
— Isto não tem nada a ver conosco.
— Oh, não? — Ela avançou em sua direção. — Aprendi há muito
tempo que você não pode ser limitado pelas ideias preconcebidas de
ninguém sobre quem você deve ser. E admito que amo isso em você. Mas
mantenha uma coisa em mente: não sou Malla, Han. Não vou deixar você
vir aqui uma vez por ano, usando a nossa casa como base para as suas
escapadas.
Han enrugou o lábio superior.
— Você está completamente errada.
Ela sorriu levemente.
— Acho que vamos ter que ver sobre isso.
Han franziu a testa tristemente, então colocou os braços ao redor dela.
— Confie em mim.
Ela se inclinou para longe para lhe mostrar um olhar duvidoso.
— Já ouvi isso antes.
Ele levantou a sua mão e beijou a palma.
— Guarde isso no seu bolso para depois.
Pegando a sua mochila, ele se dirigiu para a ponte elevada sem olhar pra
trás.

Em outro lugar no apartamento Solo, C-3PO e R2-D2 estavam apenas


concluindo as atualizações de dados que os obrigaram a se conectar as
transmissões da HoloNet e da rede de notícias. As imagens 3-D ainda
brilhavam nos projetores da HoloNet, mas os dois droides estavam
prestando mais atenção aos seus próprios circuitos internos do que às telas.
— Os eventos não poderiam ter se desenrolado melhor, — C-3PO
estava dizendo ao seu compacto companheiro. — A Mestra Mara está a
caminho da recuperação, o mestre Han retornou pra casa, e os Yuuzhan
Vong sofreram um grande revés. Eu não poderia estar mais satisfeito se
tivesse acabado de sair de um banho de recondicionamento de óleo num spa
exclusivo.
R2-D2 girou a sua cabeça hemisférica e entoou uma série de ruídos
desconfortáveis e assobios modulados.
C-3PO olhou pra ele por um momento.
— O que você quer dizer com que eu preciso ter o meu processador
neural revisado? O que você sabe sobre eventos que eu não sei?
R2-D2 respondeu num tom musical.
— O Mestre Han não voltou pra casa?
O droide astromecânico miou e direcionou a atenção de C-3PO para
uma tela alimentada pela câmera de segurança da entrada. A tela mostrava o
Mestre Han atravessando a ponte de céu em direção a um balcão de
transporte público, e a Mestra Leia, com os dedos de uma mão na boca,
observando-o partir.
— Oh, céus, você está certo. Mas talvez ele esteja apenas indo a um
compromisso.
R2-D2 chilreou de forma truculenta.
— Bem, como eu deveria saber por que ele está com a sua mochila de
viagem ou por que a Mestra Leia parece preocupada? Tenho certeza de que
há uma explicação razoável.
R2-D2 soltou um longo e arrogante chilreio.
— O que é isso que você diz? A Nova República foi enganada a pensar
que saiu vitoriosa em Ord Mantell? — C-3PO adotou uma postura com os
braços cruzados. — Não sei de onde você está recebendo as suas
informações, mas sugiro que preste mais atenção ao que está acontecendo
ao seu redor e pare de passar tanto tempo conectado a HoloNet.
R2-D2 girou a cabeça para o holograma da rede de notícias, onde
imagens em tempo real transmitidas de um mundo do Orla Média
mostravam droides de toda variedade apressando-se para escapar de uma
multidão tumultuada determinada a destruí-los.
— Oh, céus, — disse C-3PO em desespero, então imediatamente adotou
um tom irritado. — Vejo que você continua se destacando em apresentar o
pior lado das coisas. Mas eu tenho uma notícia para esses sensores sombrios
seus: Não importa o que você escolha exibir diante dos meus
fotorreceptores, você nunca mais me ouvirá expressar preocupações sobre
desativação.
A cítara de R2-D2 aproximou-se de uma risada zombeteira.
— Bem, é claro que você não entenderia do que estou falando, porque
você não tem consciência de que os medos de desativação são o resultado
de aspirações não saudáveis por ativação ininterrupta. Com um pouco de
distanciamento, até você descobrirá que todos os medos desaparecem.
R2-D2 fez um barulho de desprezo.
— Veja como fala, seu barril de bits! E qual é o problema se eu estou
começando a pensar como um ser humano. Você diz isso como se fosse
algo negativo.
R2-D2 gritou e assobiou em reprovação.
— Oh, então você vai me lembrar de tudo isso quando nós dois
estivermos sendo derretidos para peças sobressalentes, vai? O que te faz
pensar que você estará em qualquer posição para lembrar alguém de alguma
coisa? E tente, de qualquer forma. Deixe-me informá-lo que o Mestre Han
prometeu armazenar todas as minhas memórias, para que, no caso da
destruição do meu corpo metálico, os meus pensamentos e memórias
possam simplesmente ser transferidos para outro, talvez até para um modelo
mais novo da série de protocolos com o cérebro verbal AAA-2 da
SyntheTech.
R2-D2 soltou um barulho de desprezo, cujo significado era indiscutível,
e rolou em direção à porta.
— Colocar um pino restritor onde? — disse C-3PO em choque. — Por
que eu estou com vontade de avisar o Mestre Luke que o seu circuito está
irremediavelmente defeituoso. Vá em frente, fuja de mim, — ele disse para
as costas do astromecânico. — Veja onde isso te leva. Você logo voltará,
querendo saber tudo o que eu sei sobre como se tornar uma pessoa de
verdade.
Um repentino alvoroço trouxe um fim rápido ao discurso de C-3PO, e
inclinou a cabeça em consternação. Pessoas de toda natureza
frequentemente o caracterizavam como pedante, ansioso e crítico, mas as
suas novas percepções sobre a natureza da existência pareciam ter ampliado
esses traços de personalidade também. Se a consciência poderia ser
alcançada apenas às custas da lógica e da impassibilidade, pode não ser um
estado tão desejável assim.
— Não é de admirar que os sencientes façam guerra uns contra os
outros, — disse ele em voz alta enquanto corria pra fora da porta atrás de
R2-D2.
Capítulo 29

Harrar lamentava o dia em que fora enviado a Obroa-skai. Ainda se


recuperando do bombardeio infligido pelas naves de guerra Yuuzhan Vong
semanas antes, o planeta aparecia emoldurado pela transparência do casco
no centro de comando da joia negra da nave do sacerdote, envolto por
nuvens cinzentas, como se estivesse traumatizado demais até para girar.
Harrar era forçado a suportar a visão enquanto tentava oferecer uma
explicação para o provável fracasso de seu plano e o de Nom Anor.
— Neste momento, Excelência, não sabemos com certeza se Elan e
Vergere estão em cativeiro ou desaparecidas em ação.
— Ou mortas, — disse o Comandante Tla de trás dele.
Harrar se perguntou quão precisamente o seu villip dedicado retratou o
seu esgar de dor para aqueles que estavam no lado receptor de
comunicação, a saber, o sumo sacerdote Jakan, pai de Elan, chefe de seu
domínio e conselheiro do Sumo Sobrevivente Shimrra; Nas Choka,
comandante supremo da nau capitânia da frota Yuuzhan Vong; e o Prefeito
Drathul, administrador do mundo embarcação Harla. Os villips conectados
à consciência dos três descansavam em suportes amplos em forma de ovo
posicionados entre Harrar e a vista que ele achava tão abominável. Foi
Jakan quem respondeu à declaração de Tla.
— Por que você inclui a morte na lista de possíveis desfechos de Harrar,
Comandante? — Embora espetacular de se ver, o villip mal fazia justiça ao
rosto totalmente remodelado e transfigurado do sumo sacerdote, com o seu
nub de nariz e olhos profundamente encaixados.
Tla se virou para um dos villips de transmissão.
— Apesar de termos atirado nela, a nave da Nova República que
transportava Elan e Vergere estava correndo em direção à nossa
embarcação, claramente determinada a devolver a sacerdotisa. Os infiéis no
comando devem ter adivinhado que havíamos restringido a cápsula, e
também que Elan exterminou a tripulação. No último momento antes de
alterar o seu curso e fugir, a nave ejetou uma pod de escape, mas Nom Anor
não conseguiu recuperá-lo.
Nom Anor trabalhou a mandíbula, mas não ofereceu desculpas.
— Então você realmente tentou recuperá-lo? — perguntou Jakan.
— Eu tentei, Excelência, — admitiu Nom Anor.
— Mesmo sabendo que ao fazê-lo você teria condenado o plano de
Harrar ao fracasso?
Nom Anor olhou brevemente para o sacerdote, então acenou com a
cabeça.
O villip do Comandante Supremo Choka falou, convocando o
Comandante Tla e o seu magro estrategista pra frente. Os tatuagens faciais
de Choka lhe conferiam gravidade; seu traço de bigode e um mero fio de
barba, uma aparência nobre.
— Segundo percebi, Comandante, a sua parte nisso foi arranjar vitórias
para a Nova República, para garantir que Elan estivesse bem informado. —
Os olhos curvados de Choka, acima de grandes sacos azulados, caíram
sobre o estrategista. — Mas a que custo pra nós?
— Foi uma empreitada cara, Comandante Supremo, — começou o
estrategista Raff. — Muitos coralskippers foram sacrificados, e várias
pequenas naves de guerra foram destruídas. Se os nossos recursos
estivessem abundantes, as perdas seriam insignificantes. Mas Belkadan e
Sernpidal estão sobrecarregados e o reabastecimento diminuiu. Para
continuar garantindo uma defesa adequada para a frota, teremos que
canibalizar algumas de nossas naves maiores para reforçar os grupos de
combate de coralskipper, ou desviar do corredor de invasão e reabastecer
preparando novos mundos para a produção de coral yorik.
Raff gesticulou para Nom Anor.
— O Executor Nom Anor nos assegurou que receberemos uma
recepção calorosa num setor próximo conhecido como espaço Hutt, pois a
espécie reinante, os Hutts, não deseja nos envolver em guerra.
— Nom Anor assegura, — disse Choka com desdém. — Continue,
estrategista.
O estrategista inclinou a cabeça.
— Por último, as forças militares da Nova República deslocaram as
suas frotas para proteger o Núcleo, ou talvez com o objetivo de montar uma
contraofensiva. Estou confiante de que poderíamos repelir um ataque, mas
sou obrigado a relatar que eles estão aprendendo lentamente a enganar os
nossos dovin basals e frustrar as nossas armas.
— Não haverá canibalização de naves, — ordenou Choka de forma
brusca. — Chegarei em breve de nosso estaleiro em Sernpidal com um
jovem yammosk e forças adicionais. Enquanto isso, a frota se desviará para
o espaço Hutt, sob a liderança do Comandante Malik Carr.
Malik Carr deu um passo à frente e prestou continência.
— O Comandante Tla e a Eminência Harrar estão aqui convocados para
a Orla Exterior.
Tla e Harrar não disseram nada.
A atenção se voltou para o terceiro villip, conectado à consciência do
Prefeito Drathul.
— Quero falar em particular com o Executor Nom Anor, — disse
Drathul.
Quando todos os outros saíram do centro de comando, o rosto largo e de
testa alta do prefeito assumiu uma expressão ameaçadora.
— O que exatamente ocorreu, Executor?
Nom Anor fez um gesto de dispensa.
— A culpa é de Harrar e Elan. Eles não têm talento para improviso.
— Os Jedi estiveram envolvidos em nos frustrar?
— Eles podem ter dado uma ajuda.
O villip de Drathul acenou.
— Chegou aos meus ouvidos que alguns de seus agentes foram
responsáveis.
— Eles estavam tentando proteger os nossos interesses, nada mais.
Drathul considerou.
— Pelo seu bem, Executor, espero que sim. Após o desastre do
Praetorite no sistema Helska, o Lorde da Guerra Tsavong Lah não tolerará
mais falhas de sua parte.
Nom Anor acenou.
— Entendo, Prefeito. Tenho um novo plano em mente, que pretendo
lançar assim que a frota tiver sido realocada para o espaço Hutt.
— Não me decepcione.
— Você tem a minha palavra. Além disso, pode ser que tenhamos
encontrado um aliado potencial em Coruscant. Alguém ainda desconhecido,
embora muito bem posicionado nas divisões militares ou de inteligência da
Nova República, entrou em contato conosco por meio de meus agentes.
— Interessante, — permitiu o Prefeito Drathul. — Descubra a
identidade dessa pessoa.
— Farei isso.
— Uma última pergunta, Executor. Subestimamos esses infiéis?
Nom Anor riu com desdém.
— Só a sua boa sorte cega.

***

— Tivemos sorte, — Droma gritou para Han do telhado da Falcon. —


Algumas pequenas marcas em torno das aberturas de escape de calor da
popa, mas nada que um pouco de plastaço e tinta não resolvam.
— Não temos tempo pra isso, — disse Han do chão do Hangar 3733. —
Além disso, gosto dela arranhada e imperfeita.
A Falcon estava em sua base rígida, conectada a monitores de
diagnóstico, pressurizadores e tanques de combustível líquido e metal. Eles
haviam passado mais de dois dias revisando a nave, por dentro e por fora,
fazendo reparos onde necessário e, em geral, arrumando. Droma se mostrou
um mecânico capaz, embora ligeiramente melhor em resolução intuitiva de
problemas do que em hidro chaves ou macrofusors.
— Pensando bem, uma pintura pode não ser uma má ideia, — disse Han
um momento depois. — Depois do que aconteceu no sistema Bilbringi, os
sistemas ópticos da Falcon provavelmente estão estampados dentro de
todos os cruzadores e coralskippers Yuuzhan Vong.
— Desde que a pintura fique melhor do que a sua barba.
Han franziu a testa e segurou o queixo.
— Você quer falar sobre desastres foliculares? Se esses bigodes seus
ficarem mais longos, você vai acabar tropeçando neles.
Droma desceu da cobertura e pulou agilmente para o chão. Han lhe
jogou um pano e observou enquanto Droma limpava as mãos, depois usou
as bordas ásperas das mãos para limpar o seu pelo aveludado.
Ciente do olhar de Han, Droma hesitou.
— O que foi? — ele perguntou.
Han disfarçou um sorriso.
— Nada. Que tal você desconectar as fontes de energia externas
enquanto eu cuido das linhas de reabastecimento?
Droma deu de ombros.
— Pra mim tá bom.
— Então acho que estamos prontos.
Droma o estudou por um momento.
— A Leia vai vir se despedir de você?
— Acho que não.
— Uma pena. Eu queria dizer tchau a ela.
— Na próxima vez, — disse Han, então acrescentou rapidamente, —
Não que haja muitas chances de haver uma próxima vez.
— Bem, então, diga tchau por mim, na próxima vez que você a ver.
Han franziu o cenho.
— Tudo o que estou dizendo é que não quero que você fique muito
confortável na cadeira de copiloto.
— Eu sei mais do que fazer só isso.
— Só estou tentando deixar claro que isso não é um arranjo permanente.
Você e eu, quero dizer. É só até encontrarmos a sua família.
Droma sorriu timidamente.
— O que aconteceu com a conta que eu estava fazendo de você?
— Olha, amigo, humanos não acreditam em dívidas de vida. Quando
alguém nos faz um favor, nós retribuímos e a conta é zerada. Eu te ajudo a
localizar os seus parentes, então seguimos os nossos caminhos, entendeu?
— Em vez de quê, eu voar pela galáxia com você nessa relíquia?
Han fungou.
— Você não estava dizendo isso quando fomos atrás do Reck.
— Eu só estava sendo educado. Eu te achava do tipo que ficaria
sensível com relação à sua nave.
— Claro que achava.
Eles caíram num silêncio constrangedor, que Droma quebrou.
— Eu vou cuidar das fontes de energia. — Ele tinha começado a ir em
direção à popa quando Han o chamou.
— Ei, Droma. Nós vamos encontrar a sua irmã, sabe. — Han deixou
escapar um sorriso. — Mesmo que tenhamos que vasculhar metade da
galáxia.
STAR WARS / NOVA ORDEM JEDI - AGENTES DO CAOS I -
TESTE DO HERÓI
TÍTULO ORIGINAL: Star Wars / New Jedi Order - Agents of Chaos - Hero's Trial
COPIDESQUE: TRADUTORES DOS WHILLS
REVISÃO: TRADUTORES DOS WHILLS
DIAGRAMAÇÃO: TRADUTORES DOS WHILLS
ILUSTRAÇÃO: TRADUTORES DOS WHILLS
GERENTE EDITORIAL: TRADUTORES DOS WHILLS
DIREÇÃO EDITORIAL: TRADUTORES DOS WHILLS
VERSÃO ELETRÔNICA: TRADUTORES DOS WHILLS
ASSISTENTES EDITORIAIS: TRADUTORES DOS WHILLS

COPYRIGHT © & TM 2000 LUCASFILM LTD.


COPYRIGHT ©TRADUTORES DOS WHILLS, 2024
(EDIÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA PARA O BRASIL)
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.
PROIBIDA A REPRODUÇÃO, NO TODO OU EM PARTE, ATRAVÉS DE QUAISQUER MEIOS.

NOVA ORDEM JEDI - AGENTES DO CAOS I - TESTE DO HERÓI É UM LIVRO DE FICÇÃO. TODOS OS
PERSONAGENS, LUGARES E ACONTECIMENTOS SÃO FICCIONAIS.

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)


L93j Luceno, James
Nova Ordem Jedi - Agentes do Caos I - Teste do Herói [recurso eletrônico] / James Luceno ;
traduzido por TRADUTORES DOS WHILLS.
448 p.: 3.0 MB.

Tradução de: New Jedi Order - Agents of Chaos - Hero's Trial


ISBN: 978-0-307-79553-3 (Ebook)

1. Literatura norte-americana. 2. Ficção científica. I. DOS WHILLS, TRADUTORES CF. II.


Título.

2024-274 CDD 813.0876


CDU 821.111(73)-3

ÍNDICES PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO:

Literatura: Ficção Norte-Americana 813.0876


Literatura norte-americana: Ficção 821.111(73)-3

[Link]
Sobre o Autor

James Luceno é o autor best-seller do New York Times dos romances de


Star Wars Lorde Sombrio: A Ascensão de Darth Vader, Manto da
Decepção, Labirinto do Mal, assim como dos romances da série Nova
Odem Jedi Agentes do Caos I: Teste do Herói e Agentes do Caos II: Eclipse
Jedi, A Força Unificadora, e o eBook Darth Maul: Sabotador. Ele vive em
Annapolis, Maryland, com a sua esposa e o filho mais novo.
Agradecimentos

Quero estender os meus sinceros agradecimentos àqueles que me


mantiveram no caminho e me deram uma mão ao longo do percurso: Dan
Wallace, que conhece o universo expandido melhor do que qualquer um;
Rob Brown, cujas sugestões ajudaram a moldar o capítulo 7; e Alex
Newborn, que me orientou para um novo personagem no capítulo 14.
Agradeço também a Mike Kogge, Matt Olsen, Eelia Goldsmith
Henderscheid, Enrique Guerrero e Kris Boldis por seus comentários
perspicazes; aos colegas autores Robert Salvatore, Mike Stackpole e Kathy
Tyers pelo trabalho detalhado; e a Shelly Shapiro, Sue Rostoni e Lucy
Autrey Wilson, sem as quais A Nova Ordem Jedi nunca teria tomado forma.
Finalmente, gratidão infinita ao meu falecido amigo e colaborador, Brian
Daley.
Star Wars: Guardiões dos Whills
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No mundo do deserto de Jedha, na Cidade Santa, os amigos Baze e


Chirrut costumavam ser Guardiões das colinas, que cuidavam do
Templo de Kyber e dos devotos peregrinos que adoravam lá. Então
o Império veio e assumiu o planeta. O templo foi destruído e as
pessoas espalhadas. Agora, Baze e Chirrut fazem o que podem
para resistir ao Império e proteger as pessoas de Jedha, mas nunca
parece ser suficiente. Então um homem chamado Saw Gerrera
chega, com uma milícia de seus próprios e grandes planos para
derrubar o Império. Parece ser a maneira perfeita para Baze e
Chirrut fazer uma diferença real e ajudar as pessoas de Jedha a
viver melhores vidas. Mas isso vai custar caro?

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STAR WARS: Episódio VIII: Os Últimos Jedi
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Um livro de imagens ilustrado que reconta o filme Star Wars: Os


Últimos Jedi.

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Chewie e a Garota Corajosa
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Um Wookiee é o melhor amigo de uma menina! Quando Chewbacca


conhece a jovem Zarro na Orla Exterior, ele não tem escolha a não
ser deixar de lado sua própria missão para ajudá-la a resgatar seu
pai de uma mina perigosa. Essa incrível Aventura foi baseada na
HQ do Chewbacca… (FAIXA ETÁRIA: 6 a 8 anos)

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Star Wars: Ahsoka
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Esse é o Terceiro Ebook dos Tradutores dos Whills com uma


aventura emocionante sobre uma heroína corajosa das Séries de
TV Clone Wars e Rebels: Ahsoka Tano! Os fãs há muito tempo se
perguntam o que aconteceu com Ahsoka depois que ela deixou a
Ordem Jedi perto do fim das Guerras Clônicas, e antes dela
reaparecer como a misteriosa operadora rebelde Fulcro em Rebels.
Finalmente, sua história começará a ser contada. Seguindo suas
experiências com os Jedi e a devastação da Ordem 66, Ahsoka não
tem certeza de que possa fazer parte de um todo maior de novo.
Mas seu desejo de combater os males do Império e proteger
aqueles que precisam disso e levará a Bail Organa e a Aliança
Rebelde….

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Star Wars: Kenobi Exílio
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A República foi destruída, e agora a galáxia é governada pelos


terríveis Sith. Obi-Wan Kenobi, o grande cavaleiro Jedi, perdeu
tudo… menos a esperança. Após os terríveis acontecimentos que
deram fim à República, coube ao grande mestre Jedi Obi-Wan
Kenobi manter a sanidade na missão de proteger aquele que pode
ser a última esperança da resistência ao Império. Vivendo entre
fazendeiros no remoto e desértico planeta Tatooine, nos confins da
galáxia, o que Obi-Wan mais deseja é manter-se no completo
anonimato e, para isso, evita o contato com os moradores locais. No
entanto, todos esses esforços podem ser em vão quando o “Velho
Ben”, como o cavaleiro passa a ser conhecido, se vê envolvido na
luta pela sobrevivência dos habitantes por uma Grande Seca e por
causa de um chefe do crime e do povo da areia. Se com o Novo
Cânone pudéssemos encontrar todos os materiais disponíveis aos
anos de Exílio de Obi-Wan Kenobi em um só Lugar? Após o Livro
Kenobi se tornar Legend, os fãs ficaram sem saber o que aconteceu
com o Velho Ben nesse tempo de reclusão. Então os Tradutores dos
Whills também se fizeram essa pergunta e resolveram fazer esse
trabalho de compilação dos Contos, Ebooks, Séries Animadas e
HQs, em um só Ebook Especial e Canônico para todos os Fãs!!

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Star Wars: Dookan: O Jedi Perdido
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Esse é o Quarto Ebook dos Tradutores dos Whills com uma


aventura emocionante sobre um Vilão dos Filmes e da Série de TV
Clone Wars: Conde Dookan! Mergulhe na história do sinistro Conde
Dookan no roteiro original da emocionante produção de áudio de
Star Wars! Darth Tyranus. Conde de Serenno. Líder dos
Separatistas. Um sabre vermelho, desembainhado no escuro. Mas
quem era ele antes de se tornar a mão direita dos Sith? Quando
Dookan corteja uma nova aprendiz, a verdade oculta do passado do
Lorde Sith começa a aparecer. A vida de Dookan começou como um
privilégio, nascido dentro das muralhas pedregosas da propriedade
de sua família. Mas logo, suas habilidades Jedi são reconhecidas, e
ele é levado de sua casa para ser treinado nos caminhos da Força
pelo lendário Mestre Yoda. Enquanto ele afia seu poder, Dookan
sobe na hierarquia, fazendo amizade com Jedi Sifo-Dyas e levando
um Padawan, o promissor Qui-Gon Jinn, e tenta esquecer a vida
que ele levou uma vez. Mas ele se vê atraído por um estranho
fascínio pela mestra Jedi Lene Kostana, e pela missão que ela
empreende para a Ordem: encontrar e estudar relíquias antigas dos
Sith, em preparação para o eventual retorno dos inimigos mais
mortais que os Jedi já enfrentaram. Preso entre o mundo dos Jedi,
as responsabilidades antigas de sua casa perdida e o poder sedutor
das relíquias, Dookan luta para permanecer na luz, mesmo quando
começa a cair na escuridão.

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Star Wars: Discípulo Sombrio
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Esse é o Quinto Ebook dos Tradutores dos Whills com uma


aventura emocionante sobre um Vilões e Heróis dos Filmes e da
Série de TV Clone Wars! Baseado em episódios não produzidos de
Star Wars: The Clone Wars, este novo romance apresenta Asajj
Ventress, a ex-aprendiz Sith que se tornou um caçadora de
recompensas e uma das maiores anti-heróis da galáxia de Star
Wars. Na guerra pelo controle da galáxia entre os exércitos do lado
negro e da República, o ex-Mestre Jedi se tornou cruel. O Lorde Sith
Conde Dookan se tornou cada vez mais brutal em suas táticas.
Apesar dos poderes dos Jedi e das proezas militares de seu
exército de clones, o grande número de mortes está cobrando um
preço terrível. E quando Dookan ordena o massacre de uma flotilha
de refugiados indefesos, o Conselho Jedi sente que não tem
escolha a não ser tomar medidas drásticas: atacar o homem
responsável por tantas atrocidades de guerra, o próprio Conde
Dookan. Mas o Dookan sempre evasivo é uma presa perigosa para
o caçador mais hábil. Portanto, o Conselho toma a decisão ousada
de trazer tanto os lados do poder da Força de suportar, — juntar o
ousado Cavaleiro Quinlan Vos com a infame acólita Sith Asajj
Ventress. Embora a desconfiança dos Jedi pela astuta assassina
que uma vez serviu ao lado de Dookan ainda seja profunda, o ódio
de Ventress por seu antigo mestre é mais profundo. Ela está mais
do que disposta a emprestar seus copiosos talentos como caçadora
de recompensas, e assassina, na busca de [Link], Ventress e
Vos são as melhores esperanças para eliminar a Dookan, — desde
que os sentimentos emergentes entre eles não comprometam a sua
missão. Mas Ventress está determinada a ter sua vingança e,
finalmente, deixar de lado seu passado sombrio de Sith.
Equilibrando as emoções complicadas que sente por Vos com a
fúria de seu espírito guerreiro, ela resolve reivindicar a vitória em
todas as frentes, uma promessa que será impiedosamente testada
por seu inimigo mortal… e sua própria dúvida.

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Star Wars: Episódio IX: A Ascensão do Skywalker:
Edição Expandida

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Leia o épico capítulo final da saga Skywalker com a novelização


oficial de Star Wars: A Ascensão Skywalker, incluindo cenas
ampliadas e conteúdo adicional não visto nos cinemas! A
Resistência renasceu. Mas, embora Rey e seus companheiros
heróis estejam de volta à luta, a guerra contra a Primeira Ordem,
agora liderada pelo líder supremo Kylo Ren, está longe de terminar.
Assim como a faísca da rebelião está reacendendo, um sinal
misterioso é transmitido por toda a galáxia, com uma mensagem
assustadora: o Imperador Palpatine, há muito pensado derrotado e
destruído, está de volta dos mortos. O antigo Senhor dos Sith
realmente voltou? Kylo Ren corta uma faixa de destruição pelas
estrelas, determinado a descobrir qualquer desafio ao seu controle
sobre a Primeira Ordem e seu destino para governar a galáxia – e
esmagá-la completamente. Enquanto isso, para descobrir a
verdade, Rey, Finn, Poe e a Resistência devem embarcar na
aventura mais perigosa que já enfrentaram. Apresentando cenas
totalmente novas, adaptadas de material nunca visto, cenas
excluídas e informações dos cineastas, a história que começou em
Star Wars: O Despertar da Força e continuou em Star Wars: Os
Últimos Jedi chega a uma conclusão surpreendente.

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Star Wars: Os Segredos Dos Jedi

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Descubra o mundo dos Jedi de Star Wars através desta experiência


de leitura divertida e totalmente interativa. Star Wars: Jediografia é o
melhor guia do universo Jedi para o universo dos Jedi,
transportando jovens leitores para uma galáxia muito distante,
através de recursos interativos, fatos fascinantes e ideias cativantes.
Com ilustrações originais emocionantes e incríveis recursos
especiais, como elevar as abas, texturas e muito mais, Star Wars:
Jediografia garante a emoção das legiões de jovens fãs da saga.

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Star Wars:Thrawn: Alianças

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Palavras sinistras em qualquer circunstância, mas ainda mais


quando proferidas pelo Imperador Palpatine. Em Batuu, nos limites
das Regiões Desconhecidas, uma ameaça ao Império está se
enraizando. Com a sua existência pouco mais que um vislumbre, as
suas consequências ainda desconhecidas. Mas é preocupante o
suficiente para o líder imperial justificar a investigação de seus
agentes mais poderosos: o impiedoso agente Lorde Darth Vader e o
brilhante estrategista grão almirante Thrawn. Rivais ferozes a favor
do Imperador e adversários francos nos assuntos imperiais,
incluindo o projeto Estrela da Morte, o par formidável parece
parceiros improváveis para uma missão tão crucial. Mas o
Imperador sabe que não é a primeira vez que Vader e Thrawn
juntam forças. E há mais por trás de seu comando real do que
qualquer um dos suspeitos. No que parece uma vida atrás, o
general Anakin Skywalker da República Galáctica e o comandante
Mitth’raw’nuruodo, oficial da Ascensão do Chiss, cruzaram o
caminho pela primeira vez. Um em uma busca pessoal
desesperada, o outro com motivos desconhecidos... e não
divulgados. Mas, diante de uma série de perigos em um mundo
longínquo, eles forjaram uma aliança desconfortável, — nem
remotamente cientes do que seus futuros reservavam. Agora,
reunidos mais uma vez, eles se veem novamente ligados ao planeta
onde lutaram lado a lado. Lá eles serão duplamente desafiados, —
por uma prova de sua lealdade ao Império... e um inimigo que
ameaça até seu poder combinado.

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Star Wars: Legado da Força: Traição

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Esta é a era do legado de Luke Skywalker: o Mestre Jedi unificou a


Ordem em um grupo coeso de poderosos Cavaleiros Jedi. Mas
enquanto a nova era começa, os interesses planetários ameaçam
atrapalhar esse momento de relativa paz, e Luke é atormentado
com visões de uma escuridão que se aproxima. O mal está
ressurgindo “das melhores intenções” e parece que o legado dos
Skywalkers pode dar um ciclo completo.A honra e o dever colidirão
com a amizade e os laços de sangue, à medida que os Skywalker e
o clã Solo se encontrarem em lados opostos de um conflito
explosivo com repercussões potencialmente devastadoras para
ambas as famílias, para a ordem Jedi e para toda a galáxia. Quando
uma missão para descobrir uma fábrica ilegal de mísseis no planeta
Aduman termina em uma emboscada violenta, da qual a Cavaleira
Jedi Jacen Solo e o seu protegido e primo, Ben Skywalker, escapam
por pouco com as suas vidas; é a evidência mais alarmante ainda
que desencadeia uma discussão política. A agitação está
ameaçando inflamar-se em total Rebelião. Os governos de vários
mundos estão se irritando com os rígidos regulamentos da Aliança
Galáctica, e os esforços diplomáticos para garantir o cumprimento
estão falhando. Temendo o pior, a Aliança prepara uma
demonstração preventiva de poder militar, numa tentativa de trazer
os mundos renegados para a frente antes que uma revolta entre em
erupção. O alvo modelado para esse exercício: o planeta Corellia,
conhecido pela independência impetuosa e pelo espírito renegado
que fizeram de seu filho favorito, Han Solo, uma lenda. Algo como
um trapaceiro, Jacen é, no entanto, obrigado como Jedi a ficar com
seu tio, o Mestre Jedi Luke Skywalkers, ao lado da Aliança
Galáctica. Mas quando os Corellianos de guerra lançam um contra-
ataque, a demonstração de força da Aliança, e uma missão secreta
para desativar a crucial Estação Central de Corellia; dão lugar a
uma escaramuça armada. Quando a fumaça baixa, as linhas de
batalha são traçadas. Agora, o espectro da guerra em grande escala
aparece entre um grupo crescente de planetas desafiadores e a
Aliança Galáctica, que alguns temem estar se tornando um novo
Império. E, enquanto os dois lados lutam para encontrar uma
solução diplomática, atos misteriosos de traição e sabotagem
ameaçam condenar os esforços de paz a todo momento.
Determinado a erradicar os que estão por trás do caos, Jacen segue
uma trilha de pistas enigmáticas para um encontro sombrio com as
mais chocantes revelações… enquanto Luke se depara com algo
ainda mais preocupante: visões de sonho de uma figura sombria
cujo poder da Força e crueldade lembram a ele de Darth Vader, um
inimigo letal que ataca como um espírito sombrio em uma missão de
destruição. Um agente do mal que, se as visões de Luke
acontecerem, trará uma dor incalculável ao Mestre Jedi e a toda a
galáxia.

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Star Wars: Battlefront II: Esquadrão Inferno

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Após o humilhante roubo dos planos da Estrela da Morte e a


destruição da estação de batalha, o Império está na defensiva. Mas
não por muito. Em retaliação, os soldados imperiais de elite do
Esquadrão Inferno foram chamados para a missão crucial de se
infiltrar e eliminar os guerrilheiros, a facção rebelde que já foi
liderada pelo famoso lutador pela liberdade da República, Saw
Gerrera. Após a morte de seu líder, os guerrilheiros continuaram seu
legado extremista, determinados a frustrar o Império, não importa o
custo. Agora o Esquadrão Inferno deve provar seu status como o
melhor dos melhores e derrubar os Partisans de dentro. Mas a
crescente ameaça de serem descobertos no meio de seu inimigo
transforma uma operação já perigosa em um teste ácido de fazer ou
morrer que eles não ousam falhar. Para proteger e preservar o
Império, até onde irá o Esquadrão Inferno. . . e quão longe deles?
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Star Wars: Catalisador: Um Romance de Rogue One

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A guerra está destruindo a galáxia. Durante anos, a República e os


Separatistas lutaram entre as estrelas, cada um construindo uma
tecnologia cada vez mais mortal na tentativa de vencer a guerra.
Como membro do projeto secreto da Estrela da Morte do Chanceler
Palpatine, Orson Krennic está determinado a desenvolver uma
super arma antes que os inimigos da República possam. E um velho
amigo de Krennic, o brilhante cientista Galen Erso, poderia ser a
chave para a tentativa de vencer a guerra. Como membro do projeto
secreto da Estrela da Morte do Chanceler Palpatine, Orson Krennic
está determinado a desenvolver uma super arma antes que os
inimigos da República possam. E um velho amigo de Krennic, o
brilhante cientista Galen Erso, poderia ser a chave. A pesquisa
focada na energia de Galen chamou a atenção de Krennic e de seus
inimigos, tornando o cientista um peão crucial no conflito galáctico.
Mas depois que Krennic resgata Galen, sua esposa, Lyra, e sua
filha Jyn, de sequestradores separatistas, a família Erso está
profundamente em dívida com Krennic. Krennic então oferece a
Galen uma oportunidade extraordinária: continuar seus estudos
científicos com todos os recursos totalmente à sua disposição.
Enquanto Galen e Lyra acreditam que sua pesquisa energética será
usada puramente de maneiras altruístas, Krennic tem outros planos
que finalmente tornarão a Estrela da Morte uma realidade. Presos
no aperto cada vez maior de seus benfeitores, os Ersos precisam
desembaraçar a teia de decepção de Krennic para salvar a si
mesmos e à própria galáxia.

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Star Wars: Ascensão Rebelde

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Quando Jyn Erso tinha cinco anos, sua mãe foi assassinada e seu
pai foi tirado dela para servir ao Império. Mas, apesar da perda de
seus pais, ela não está completamente sozinha, — Saw Gerrera, um
homem disposto a ir a todos os extremos necessários para resistir à
tirania imperial, acolhe-a como sua e dá a ela não apenas um lar,
mas todas as habilidades e os recursos de que ela precisa para se
tornar uma [Link] se dedica à causa e ao homem. Mas lutar ao
lado de Saw e seu povo traz consigo o perigo e a questão de quão
longe Jyn está disposta a ir como um dos soldados de Saw. Quando
ela enfrenta uma traição impensável que destrói seu mundo, Jyn
terá que se recompor e descobrir no que ela realmente acredita… e
em quem ela pode realmente confiar.

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Star Wars: A Alta República: A Luz dos Jedi

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Muito antes da Primeira Ordem, antes do Império ou antes mesmo


da Ameaça Fantasma . . . Os Jedi iluminaram o caminho para a
galáxia na Alta República. É uma era de ouro. Os intrépidos
batedores do hiperespaço expandem o alcance da República para
as estrelas mais distantes, mundos prosperam sob a liderança
benevolente do Senado e a paz reina, reforçada pela sabedoria e
força da renomada ordem de usuários da Força conhecidos como
Jedi. Com os Jedi no auge de seu poder, os cidadãos livres da
galáxia estão confiantes em sua habilidade de resistir a qualquer
tempestade. Mas mesmo a luz mais brilhante pode lançar uma
sombra, e algumas tempestades desafiam qualquer preparação.
Quando uma catástrofe chocante no hiperespaço despedaça uma
nave, a enxurrada de estilhaços que emergem do desastre ameaça
todo o sistema. Assim que o pedido de ajuda sai, os Jedi correm
para o local. O escopo do surgimento, no entanto, é o suficiente
para levar até os Jedi ao seu limite. Enquanto o céu se abre e a
destruição cai sobre a aliança pacífica que ajudaram a construir, os
Jedi devem confiar na Força para vê-los em um dia em que um
único erro pode custar bilhões de vidas. Mesmo enquanto os Jedi
lutam bravamente contra a calamidade, algo verdadeiramente
mortal cresce além dos limites da República. O desastre do
hiperespaço é muito mais sinistro do que os Jedi poderiam
suspeitar. Uma ameaça se esconde na escuridão, longe da era da
luz, e guarda um segredo.

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Star Wars: A Alta República: O Grande Resgate Jedi

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Conheça os nobres e sábios Jedi da Alta República!Quando um


desastre acontece no hiperespaço, colocando o povo de Hetzal
Prime em grave perigo, apenas os Jedi da Alta República podem
salvar o dia! Esse ebook é a forma mais incrível de introduzir as
crianças nessa nova Era da Alta República, pois reconta a história
do Ebook Luz dos Jedi de forma simples e didática para as crianças.
(FAIXA ETÁRIA: 5 a 8 anos)

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Star Wars: A Alta República: Na Escuridão

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Muito antes da Primeira Ordem, antes do Império ou antes mesmo


da Ameaça Fantasma... Os Jedi iluminaram o caminho para a
galáxia na Alta República. Padawan Reath Silas está sendo enviado
da cosmopolita capital galáctica de Coruscant para a fronteira
subdesenvolvida, e ele não poderia estar menos feliz com isso. Ele
prefere ficar no Templo Jedi, estudando os arquivos. Mas quando a
nave em que ele está viajando é arrancada do hiperespaço em um
desastre que abrange toda a galáxia, Reath se encontra no centro
da ação. Os Jedi e seus companheiros de viagem encontram refúgio
no que parece ser uma estação espacial abandonada. Mas então
coisas estranhas começaram a acontecer, levando os Jedi a
investigar a verdade por trás da estação misteriosa, uma verdade
que pode terminar em tragédia...

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Star Wars: A Alta República: Um Teste de Coragem

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Muito antes da Primeira Ordem, antes do Império ou antes mesmo


da Ameaça Fantasma... Vernestra Rwoh é mais nova Cavaleira Jedi
com dezesseis anos, mas a sua primeira missão de verdade parece
muito com ser babá. Ela foi encarregada de supervisionar a
aspirante a inventora Avon Starros, de 12 anos, em um cruzador
rumo à inauguração de uma nova estação espacial maravilhosa
chamada Farol Estelar. Mas logo em sua jornada, bombas explodem
a bordo do cruzador. Enquanto o Jedi adulto tenta salvar a nave,
Vernestra, Avon, o droide J-6 de Avon, um Padawan Jedi e o filho
de um embaixador conseguem chegar a uma nave de fuga, mas as
comunicações acabam e os suprimentos são poucos. Eles decidem
pousar em uma lua próxima, que oferece abrigo, mas não muito
mais. E sem o conhecimento deles, o perigo se esconde na selva…

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Star Wars: A Alta República: Corrida para Torre
Crashpoint

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Outra história emocionante da série mais vendida do New York


Times! A Feira da República está chegando! Visitantes de toda a
galáxia estão viajando para o planeta Valo para um festival enorme
e inspirador que celebra a República. Enquanto os seus
companheiros Valons se preparam para a feira, o Padawan Jedi
Ram Jomaram está se escondendo em seu lugar favorito: uma
garagem suja cheia de peças mecânicas e ferramentas. Mas
quando um alarme de segurança dispara no topo de uma colina
próxima, apelidado de Pico Crashpoint, ele se aventura com o seu
confiável droide V-18 para investigar. Lá, ele descobre que alguém
derrubou a torre de comunicações de Valo, um sinal assustador de
que Valo e a Feira da República estão em perigo. Com certeza,
enquanto Ram corre para avisar os Jedi, os temidos Nihil
desencadeiam um ataque surpresa! Cabe a Ram enfrentar o inimigo
na Torre Crashpoint e enviar um pedido de ajuda à República.
Felizmente, ele está prestes a receber ajuda de novos amigos
inesperados… Não perca todas as aventuras de Star Wars: A Alta
República! (Material indicado para crianças a partir de 8 – 12 anos)

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Star Wars: Velha República: Enganados

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“Nossa hora chegou. Durante trezentos anos nos preparamos;


ficamos mais fortes enquanto você descansava em seu berço de
poder... Agora sua República cairá.”Um guerreiro Sith para rivalizar
com o mais sinistro dos Lordes Sombrios da Ordem, Darth Malgus
derrubou o Templo Jedi em Coruscant em um ataque brutal que
chocou a galáxia. Mas se a guerra o coroasse como o mais sombrio
dos heróis Sith, a paz o transformará em algo muito mais hediondo,
algo que Malgus nunca gostaria de ser, mas não pode parar de se
tornar, assim como ele não pode impedir a Jedi desobediente de se
aproximar rapidamente. O nome dela é Aryn Leneer - e o único
Cavaleiro Jedi que Malgus matou na batalha feroz pelo Templo Jedi
era seu Mestre. Agora ela vai descobrir o que aconteceu com ele,
mesmo que isso signifique quebrar todas as regras da Ordem.

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Star Wars: Thrawn: Traição

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Essa foi a promessa que o Grão Almirante Thrawn fez ao Imperador


Palpatine em seu primeiro encontro. Desde então, Thrawn tem sido
um dos instrumentos mais eficazes do Império, perseguindo os seus
inimigos até os limites da galáxia conhecida. Mas por mais que
Thrawn tenha se tornado uma arma afiada, o Imperador sonha com
algo muito mais destrutivo. Agora, enquanto o programa TIE
Defender de Thrawn é interrompido em favor do projeto
ultrassecreto conhecido apenas como Estrelinha, do Diretor Krennic,
ele percebe que o equilíbrio de poder no Império é medido por mais
do que apenas perspicácia militar ou eficiência tática. Mesmo o
maior intelecto dificilmente pode competir com o poder de aniquilar
planetas inteiros. Enquanto Thrawn trabalha para garantir o seu
lugar na hierarquia Imperial, seu ex-protegido Eli Vanto retorna com
um terrível aviso sobre o mundo natal de Thrawn. O domínio da
estratégia de Thrawn deve guiá-lo através de uma escolha
impossível: dever para com a Ascendência Chiss ou a fidelidade
para com o Império que ele jurou servir. Mesmo que a escolha certa
signifique cometer traição.

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Star Wars: Mestre e Aprendiz

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Um Jedi deve ser um guerreiro destemido, um guardião da justiça e


um erudito nos caminhos da Força. Mas talvez o dever mais
essencial de um Jedi seja transmitir o que aprenderam. Mestre Yoda
treinou Dookan o qual treinou Qui-Gon Jinn; e agora Qui-Gon tem
um Padawan próprio. Mas enquanto Qui-Gon enfrentou todos os
tipos de ameaças e perigos como um Jedi, nada o assustou tanto
quanto a ideia de falhar com seu aprendiz. Obi-Wan Kenobi tem
profundo respeito por seu Mestre, mas luta para entendê-lo. Por que
Qui-Gon deve tantas vezes desconsiderar as leis que obrigam os
Jedi? Por que Qui-Gon é atraído por antigas profecias Jedi em vez
de preocupações mais práticas? E por que Obi-Wan não disse que
Qui-Gon está considerando um convite para se juntar ao Conselho
Jedi - sabendo que isso significaria o fim de sua parceria? A
resposta simples o assusta: Obi-Wan falhou com seu Mestre.
Quando Jedi Rael Aveross, outro ex-aluno de Dookan, solicita sua
ajuda em uma disputa política, Jinn e Kenobi viajam para a Corte
Real de Pijal para o que pode ser sua missão final juntos. O que
deveria ser uma tarefa simples rapidamente se torna obscurecido
por engano e por visões de desastre violento que tomam conta da
mente de Qui-Gon. Conforme a fé de Qui-Gon na profecia cresce, a
fé de Obi-Wan nele é testada - assim como surge uma ameaça que
exigirá que o Mestre e o Aprendiz se unam como nunca antes, ou se
dividam para sempre.

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Star Wars: Legado da Força: Linhagens de Sangue

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Uma nova era de aventuras emocionantes e revelações chocantes


continua a se desenrolar, à medida que a lendária saga Star Wars
avança em um novo território surpreendente. A guerra civil se
aproxima enquanto a incipiente Aliança Galáctica enfrenta um
número crescente de mundos rebeldes... e a guerra que se
aproxima está separando as famílias Skywalker e Solo. Han e Leia
retornam ao mundo natal de Han, Corellia, o coração da resistência.
Os seus filhos, Jacen e Jaina, são soldados na campanha da
Aliança Galáctica para esmagar os insurgentes. Jacen, agora um
mestre completo da Força, tem os seus próprios planos para trazer
ordem à galáxia. Guiado por sua mentora Sith, Lumiya, e com o filho
de Luke, Ben, ao seu lado, Jacen embarca no mesmo caminho que
o seu avô Darth Vader fez uma vez. E enquanto Han e Leia
assistem o seu único filho homem se tornar um estranho, um
assassino secreto emaranha o casal com um nome temido do
passado de Han: Boba Fett. Na nova ordem galáctica, amigos e
inimigos não são mais o que parecem...

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Star Wars: A Sombra da Rainha

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Quando Padmé Naberrie, Rainha Amidala de Naboo, deixa sua


posição, ela é convidada pela rainha recém-eleita para se tornar a
representante de Naboo no Senado Galáctico. Padmé não tem
certeza sobre assumir a nova função, mas não pode recusar o
pedido para servir seu povo. Junto com suas servas mais leais,
Padmé deve descobrir como navegar nas águas traiçoeiras da
política e forjar uma nova identidade além da sombra da rainha.

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Star Wars: Amanhecer dos Jedi - No vazio

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No planeta Tython, a antiga ordem Je'daii foi fundada. E aos pés de


seus sábios Mestres, Lanoree Brock aprendeu os mistérios e
métodos da Força, e encontrou seu chamado como um de seus
discípulos mais poderosos. Mas tão fortemente quanto a Força fluiu
dentro de Lanoree e seus pais, ela permaneceu ausente em seu
irmão, que passou a desprezar e evitar os Je'daii, e cujo
treinamento em seus métodos antigos terminou em tragédia. Agora,
de sua vida solitária como um Patrulheira mantendo a ordem em
toda a galáxia, Lanoree foi convocada pelo Conselho Je'daii em
uma questão de extrema urgência. O líder de um culto fanático,
obcecado em viajar além dos limites do espaço conhecido, está
empenhado em abrir um portal cósmico usando a temida matéria
escura como chave - arriscando uma reação cataclísmica que
consumirá todo o sistema estelar. Porém, mais chocante para
Lanoree do que até mesmo a perspectiva de aniquilação galáctica
total, é a decisão de seus Mestres Je'daii de incumbi-la da missão
de evitá-la. Até que uma revelação surpreendente deixa claro por
que ela foi escolhida: o louco brilhante e perigoso que ela deve
rastrear e parar a qualquer custo é o irmão cuja morte ela lamentou
por muito tempo, e cuja vida ela deve temer agora.

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Star Wars: Thrawn: ASCENDÊNCIA (Livro I – Caos
Crescente)

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Além do limite da galáxia estão as Regiões Desconhecidas:


caóticas, desconhecidas e quase intransitáveis, com segredos
ocultos e perigos em igual medida. E aninhada em seu caos
turbulento está a Ascendência, lar dos enigmáticos Chiss e das
Nove Famílias Regentes que as lideram. A paz da Ascensão, um
farol de calma e estabilidade, é destruída após um ousado ataque à
capital de Chiss que não deixa vestígios do inimigo. Perplexo, a
Ascendência despacha um de seus jovens oficiais militares para
erradicar os agressores invisíveis. Um recruta nascido sem título,
mas adotado na poderosa família de Mitth e que recebeu o nome de
Thrawn. Com o poder da Frota Expansionista em suas costas e a
ajuda de sua camarada Almirante Ar’alani, as respostas começam a
se encaixar. Mas conforme o primeiro comando de Thrawn investiga
mais profundamente a vasta extensão do espaço que seu povo
chama de Caos, ele percebe que a missão que lhe foi dada não é o
que parece.

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Star Wars: A Alta República - Tormenta Crescente

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Os heróis da era da Alta República retornam para enfrentar uma paz


destruída e um inimigo terrível, após os eventos dramáticos de Luz
dos Jedi. Na esteira do desastre do hiperespaço e do heroísmo dos
Jedi, a República continua a crescer, reunindo mais mundos sob
uma única bandeira unificada. Sob a liderança da Chanceler Lina
Soh, o espírito de unidade se estende por toda a galáxia, com os
Jedi e a estação Farol Luz Estelar recentemente estabelecida na
vanguarda. Em comemoração, a chanceler planeja a Feira da
República, será uma vitrine das possibilidades e da paz da
República em expansão, uma paz que os Jedi esperam promover.
Stellan Gios, Bell Zettifar, Elzar Mann e outros se juntam ao evento
como embaixadores da harmonia. Mas à medida que os olhos da
galáxia se voltam para a feira, o mesmo ocorre com a fúria dos Nihil.
O seu líder, Marchion Ro, pretende destruir essa unidade. Sua
Tempestade desce sobre a pompa e a celebração, semeando o
caos e exigindo vingança.

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Star Wars: Velha República – Aniquilação

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O Império Sith está em fluxo. O imperador está desaparecido, dado


como morto, e a tentativa de um ambicioso lorde Sith de tomar o
trono terminou fatalmente. Ainda assim, Darth Karrid, comandante
do temível cruzador de batalha Imperial Lança Ascendente, continua
seus esforços incansáveis para alcançar o domínio Sith total da
galáxia. Mas a determinação implacável de Karrid é mais do que
compatível com a determinação de aço de Theron Shan, cujos
negócios inacabados com o Império podem mudar o curso da
guerra para sempre. Embora filho de uma mestra Jedi, Theron não
exerce a Força... mas, como a sua renomada mãe, o espírito de
rebelião está em seu sangue. Como um importante agente secreto
da República, ele desferiu um golpe crucial contra o Império ao
expor e destruir um arsenal de super arma Sith, o que o torna o
agente ideal para uma missão ousada e perigosa para acabar com o
reinado de terror da Lança Ascendente. Juntamente com a
contrabandista Teff'ith, com quem ele tem uma ligação inexplicável,
e o sábio guerreiro Jedi Gnost-Dural, ex-mestre de Darth Karrid,
Theron deve combinar inteligência e armas com uma tripulação
testada em batalha da escuridão mais fria discípulos secundários.
Mas o tempo é brutalmente curto. E se eles não aproveitarem sua
única chance de sucesso, certamente terão inúmeras oportunidades
de morrer.

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Star Wars – The Clone Wars – Histórias de Luz e
Escuridão

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Um confronto épico entre as forças da luz e das trevas, entre a


República Galáctica e os Separatistas, entre bravos heróis e vilões
brilhantes – o destino da galáxia está em jogo na série de animação
ganhadora do Emmy Award, Star Wars: The Clone Wars. Nesta
emocionante antologia, onze autores que também são fãs da série
trazem histórias de seu programa favorito para a vida. Reunidos
aqui estão momentos memoráveis e aventuras impressionantes, de
tentativas de assassinato a generosidades roubadas, de lições
aprendidas a amores perdidos. Todos os seus personagens
favoritos de The Clone Wars estão aqui: Anakin Skywalker, Yoda,
Obi-Wan Kenobi, Ahsoka Tano, Capitão Rex, Darth Maul, Conde
Dookan e muito mais!

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Star Wars – Tribo Perdida dos Sith: Coletânea de
Histórias

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Finalmente, em um volume único, as oito partes originais da épica


série de e-books Tribo perdida dos Sith… junto com o final explosivo
e nunca antes publicado, Pandemônio, com mais de cem páginas
de novo material! Cinco mil anos atrás. Após uma emboscada Jedi,
a nave mineira Sith Presságio está destruída em um planeta
desconhecido e remoto. Seu comandante, Yaru Korsin, luta contra o
derramamento de sangue de uma facção amotinada liderada por
seu próprio irmão. Encalhados e enfrentando a morte, a tripulação
Sith não tem escolha a não ser se aventurar em seus arredores
desolados. Eles enfrentam inúmeros desafios brutais, predadores
cruéis, pragas letais, tribos que adoram deuses vingativos… e,
como verdadeiros guerreiros Sith, enfrentam-nos com o lado
sombrio da Força. As lutas só estão começando para os orgulhosos
e intransigentes Sith, dirigidos como estão para governar a todo
custo. Eles vencerão os nativos primitivos e encontrarão o caminho
de volta ao seu verdadeiro destino como governantes da galáxia.
Mas à medida que o seu legado cresce ao longo de milhares de
anos, os Sith acabam sendo testados pela ameaça mais perigosa
de todas: o inimigo interno.

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Star Wars – Esquadrão Alfabeto

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O Imperador está morto. A Rebelião é vitoriosa. No rescaldo, Yrica


Quell é apenas um dos milhares de desertores imperiais que vivem
em uma favela de desertores. Incerta sobre o seu lugar na
República contra a qual ela lutou uma vez, ela começou a perder
qualquer esperança de redenção, até que ela seja selecionada para
se juntar ao Esquadrão do Alfabeto. Formados por uma variedade
eclética de pilotos e caças, os cinco membros da Alfabeto são
encarregados pela própria general da Nova República, Hera
Syndulla. A missão deles: rastrear e destruir o misterioso Shadow
Wing, uma força letal de TIE fighters exigindo uma vingança
sangrenta e impiedosa no crepúsculo de seu reinado. Mas passar
de rebeldes menos favorecidos a heróis célebres não é tão fácil
quanto parece. Os rebeldes guerreiros do Esquadrão Alfabeto terão
que aprender a voar juntos para proteger a nova era de paz que
lutaram tanto para conquistar.

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Star Wars - Comandos da República - Contato Hostil

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Enquanto a Guerra dos Clones se enfurece, a vitória ou a derrota


estão nas mãos de esquadrões de elite que assumem as tarefas
mais difíceis na galáxia, soldados frios que vão aonde ninguém mais
iria, para fazer o que ninguém mais poderia... Em uma missão para
sabotar uma instalação de pesquisa de armas químicas em um
planeta controlado pelos Separatistas, quatro soldados clones
operam sob o nariz de seus inimigos. Os comandos estão em menor
número e com menos armas, bem atrás das linhas inimigas, sem
apoio, e trabalhando com estranhos em vez de companheiros de
equipe de confiança. As coisas não melhoram quando Darman, o
especialista em demolições do esquadrão, se separa dos outros
durante a queda do planeta. Mesmo a aparente boa sorte de
Darman em encontrar uma Padawan inexperiente desaparece
quando Etain admite a sua terrível inexperiência. Para os comandos
clones divididos e o Jedi preso, uma longa e perigosa jornada está à
frente, através de um território hostil repleto de escravos
Trandoshanos, Separatistas e nativos suspeitos. Um único passo
em falso pode significar descoberta... e morte. É uma missão suicida
virtual para qualquer um, exceto para os Comandos da República.

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Star Wars - Alta República - Confronto na Feira

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Muito antes das Guerras Clônicas, do Império ou da Primeira


Ordem, os Jedi iluminaram o caminho para a galáxia em uma era
dourada conhecida como Alta República! Este emocionante livro de
histórias colorido traz à vida um confronto épico entre os Cavaleiros
Jedi e seus misteriosos inimigos, os Nihil. Burryaga, o Wookiee
Padawan e seus companheiros Jedi devem salvar o dia! Esse ebook
é a forma mais incrível de introduzir as crianças nessa nova Era da
Alta República, pois reconta a história do Ebook Tormenta
Crescente do ponto de vista do Padawan Jedi Burryaga, que conta
de forma simples e didática para as crianças. (FAIXA ETÁRIA: 6 a 8
anos)

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Star Wars – A Alta República – Fora das Sombras

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Sylvestri Yarrow vive uma maré de azar sem fim. Ela tem feito o
possível para manter o negócio de carga da família em
funcionamento após a morte de sua mãe, mas entre o aumento das
dívidas e o aumento dos ataques dos Nihil a naves desavisados, Syl
corre o risco de perder tudo o que resta de sua mãe. Ela segue para
a capital galáctica de Coruscant em busca de ajuda, mas é desviada
quando é arrastada para uma disputa entre duas das famílias mais
poderosas da República por um pedaço do espaço na fronteira.
Emaranhada na política familiar é o último lugar que Syl quer estar,
mas a promessa de uma grande recompensa é o suficiente para
mantê-la interessada... Enquanto isso, o Cavaleiro Jedi Vernestra
Rwoh foi convocada para Coruscant, mas sem nenhuma ideia do
porquê ou por quem. Ela e seu Padawan Imri Cantaros chegam à
capital junto com o Mestre Jedi Cohmac Vitus e seu Padawan,
Reath Silas, e são convidados a ajudar na disputa de propriedade
na fronteira. Mas por que? O que há de tão importante em um
pedaço de espaço vazio? A resposta levará Vernestra a uma nova
compreensão de suas habilidades e levará Syl de volta ao
passado... e às verdades que finalmente surgirão das sombras.

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Star Wars - A Alta República - A Estrela Cadente

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Uma e outra vez, os invasores viciosos conhecidos como Nihil


tentaram trazer a era de ouro da Alta República a um fim ardente.
Repetidamente, a Alta República emergiu desgastada e cansada,
mas vitoriosa graças a seus protetores Jedi, e não há monumento à
sua causa maior do que o Farol Luz Estelar. Pendurado como uma
joia na Orla Exterior, o Farol encarna a Alta República no ápice de
suas aspirações: um centro de cultura e conhecimento, uma tocha
brilhante contra a escuridão do desconhecido e uma mão estendida
de boas-vindas aos confins do mundo. a galáxia. Enquanto
sobreviventes e refugiados fogem dos ataques do Nihil, o Farol e a
sua tripulação estão prontos para abrigar e curar. Os agradecidos
Cavaleiros e Padawans da Ordem Jedi estacionados lá finalmente
têm a chance de se recuperar, da dor de seus ferimentos e da dor
de suas perdas. Mas a tempestade que eles pensavam ter passado
ainda continua; eles são simplesmente capturados em seus olhos.
Marchion Ro, o verdadeiro mentor dos Nihil, está preparando o seu
ataque mais ousado até agora, um projetado para extinguir a luz dos
Jedi.

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Star Wars - Os Segredos dos Sith

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e você conhecesse o poder do lado sombrio! Descubra os caminhos


dos Sith neste livro infantil emocionante, informativo e totalmente
ilustrado. Junte-se ao Imperador Palpatine, também conhecido
como Darth Sidious, nesta exploração dos Sith e dos aliados
malignos do lado sombrio. Star Wars: Os Segredos dos Sith irá
emocionar os jovens fãs com conhecimento do lado sombrio, obras
de arte incríveis e recursos interativos, como pop-ups, livretos e
inserções de levantar a aba. Experimente o poder do lado sombrio :
Narrado pelo Imperador Palpatine, este livro dará aos jovens leitores
uma visão do poder do lado sombrio. Aprenda sobre alguns dos
maiores vilões do lado sombrio de Star Wars : abrangendo filmes,
programas de televisão, livros, quadrinhos e videogames, Star Wars:
Os Segredos dos Sith narra alguns dos praticantes mais infames do
lado sombrio, incluindo Darth Maul, Conde Dookan, Asajj Ventress,
Darth Vader, o Grande Inquisidor e Kylo Ren. Ilustrações originais
incríveis: Star Wars: Os Segredos dos Sith é um livro infantil
lindamente ilustrado que os leitores vão querer revisitar várias
vezes. Cheio de recursos interativos empolgantes: Pop-ups, folhetos
e inserções de levantar a aba vão emocionar os jovens fãs,
proporcionando uma experiência envolvente enquanto investiga as
histórias sobre os Sith. O complemento perfeito para qualquer
biblioteca virtual de Star Wars : Este lindo ebook encadernado é um
item obrigatório para a coleção de qualquer jovem fã.

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Star Wars - A Alta República – Missão para o
Desastre

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Os Jedi acham que os temidos saqueadores Nihil foram todos


derrotados. O seu líder está fugindo e os seus números diminuíram.
A Cavaleira Jedi Vernestra Rwoh espera que isso signifique que ela
finalmente terá tempo para realmente treinar o seu Padawan, Imri
Cantaros, mas os relatos de um ataque Nihil a Porto Haileap logo
frustram essas esperanças. Pois não só os Nihil que atacaram o
pacífico posto avançado, como também sequestraram a amiga de
Vernestra e de Imri, Avon Starros. Os dois Jedi partiram para Porto
Haileap, determinados a descobrir para onde os Nihil levaram a sua
amiga. Enquanto isso, Avon deve colocar a sua inteligência e
habilidades à prova enquanto luta pela sobrevivência entre os Nihil,
e descobre um plano sinistro. Vernestra e Imri podem encontrar a
sua amiga antes que o desastre aconteça?

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Star Wars - Alta República - Batalha Pelo Farol Luz
Estelar

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Muito antes das Guerras Clônicas, do Império ou da Primeira


Ordem, os Jedi iluminaram o caminho para a galáxia em uma era
dourada conhecida como Alta República! Este emocionante livro de
histórias colorido traz à vida uma outra emocionante aventura no
livro de histórias com heróis Jedi e os seus Padawans enquanto
lutam contra os nefastos vilões Nihil!!

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Star Wars - Alta República - Horizonte à Meia Noite

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Séculos antes dos eventos de Star Wars: A Ameaça Fantasma, na


era da gloriosa Alta República, os Jedi são os guardiões da paz e da
justiça na galáxia! Depois de uma série de perdas impressionantes,
a República parece finalmente ter os vilões saqueadores de Nihil em
fuga, e parece que há luz no fim do túnel. Até que venha a notícia
de um suposto ataque de Nihil ao mundo cosmopolita industrial de
Corellia, bem no Núcleo Galáctico. Enviados para investigar estão
os Mestres Jedi Cohmac Vitus e Kantam Sy, juntamente com os
Padawans Reath Silas e Ram Jomaram, todos travando as suas
próprias batalhas particulares após meses de perigo implacável. Em
Corellia, Reath e Ram encontram um descarado jovem especialista
em segurança chamado Crash, cujo amigo foi uma das vítimas do
ataque Nihil, e eles se unem a ela para se infiltrar na elite de Corellia
enquanto os Mestres buscam caminhos mais diplomáticos. Mas se
disfarçar com Crash é mais perigoso do que qualquer um esperava,
mesmo quando Ram puxa seu amigo Zeen para ajudar com um
estratagema elaborado envolvendo uma estrela pop galáctica. Mas
o que eles descobrem em Corellia acaba sendo apenas uma parte
de um plano maior, que pode levar os Jedi à sua derrota mais
impressionante até agora...

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Star Wars - A Alta República - Executora da
Tempestade

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Mergulhe no mundo cruel de um dos maiores inimigos da Alta


República, a impiedosa Lourna Dee, neste roteiro completo para o
áudio original de Star Wars: Executora da Tempestade. A
tempestade Nihil assolou a galáxia, deixando caos e tristeza em seu
rastro. Poucos de seus invasores são tão cruéis quanto a Executora
da Tempestade Lourna Dee. Ela fica um passo à frente da Ordem
Jedi no comando de uma nave com o nome de um dos monstros
mais mortais da galáxia: ela mesma. Mas ninguém pode fugir dos
defensores da Alta República para sempre. Após a derrota de sua
tripulação, Lourna cai nas mãos dos Jedi, mas não antes de
esconder a sua identidade, tornando-se apenas mais uma
condenada de Nihil. Os seus captores não entendem a fera que
encurralaram. Assim como todos os tolos que ela já enterrou, seu
primeiro erro foi mantê-la viva. Lourna está determinada a
subestimá-la pela última vez. Trancada em uma nave correcional da
República, ela é arrastada pela galáxia para reparar os danos que
ela e seus companheiros Executores da Tempestade infligiram. Mas
enquanto Lourna planeja a sua gloriosa fuga, ela faz alianças que se
aproximam perigosamente das amizades. Fora dos Nihil, separada
da sua infame nave, seu terrível arsenal e seu temido nome, Lourna
deve trilhar seu próprio caminho. Mas isso levará à redenção? Ou
ela emergirá como uma ameaça mais mortal do que nunca?

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Star Wars – Legado da Força – Tormenta

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Enquanto a guerra civil ameaça a unidade da Aliança Galáctica, Han


e Leia Solo enfureceram suas famílias e os Jedi ao se juntarem aos
insurgentes Corellianos. Mas os Solos traçam a linha quando
descobrem o plano dos rebeldes para fazer do Consórcio Hapan um
aliado – que depende dos nobres Hapan assassinarem sua rainha
pró-Aliança e a sua filha. No entanto, a determinação altruísta dos
Solos de salvar a rainha não pode dissipar as consequências
inevitáveis de suas ações que colocarão mãe contra filho e irmão
contra irmã nas batalhas à frente. À medida que os poderes
sombrios de Jacen Solo se fortalecem sob o Jedi Negro Lumiya, e
sua influência sobre Ben Skywalker se torna mais insidiosa, a
preocupação de Luke com seu sobrinho o força a uma luta de vida
ou morte contra seu inimigo mais feroz, e Han e Leia Solo
descobrem ficam à mercê de seu inimigo mais mortal... O filho
deles.

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Star Wars: Irmandade

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As Guerras Clônicas começaram. As fileiras de batalha estão sendo


desenhadas por toda a galáxia. Com cada mundo que se junta aos
Separatistas, a paz guardada pela Ordem Jedi está escorregando
por entre os dedos. Depois que uma explosão devasta Cato
Neimoidia, a joia da Federação do Comércio, a República é culpada
e a frágil neutralidade do planeta é ameaçada. Os Jedi despacham
Obi-Wan Kenobi, uma das mentes diplomáticas mais talentosas da
Ordem, para investigar o crime e manter o equilíbrio que começou a
mudar perigosamente. Enquanto Obi-Wan investiga com a ajuda de
uma heroica guarda Neimoidiana, ele se vê trabalhando contra os
Separatistas que esperam atrair o planeta para a sua conspiração, e
sente a mão sinistra de Asajj Ventress nas brumas que cobrem o
planeta. Em meio ao caos crescente, Anakin Skywalker sobe ao
posto de Cavaleiro Jedi. Apesar da ordem de que Obi-Wan viaje
sozinho, e da insistência de seu ex-mestre para que ele ouça desta
vez, A determinação obstinada de Anakin significa que nada pode
impedi-lo de invadir a festa e trazer um jovem promissor, mas
conflitante. Antes um Padawan de Obi-Wan, Anakin agora se
encontra em pé de igualdade, mas incerto, com o homem que o
criou. O atrito persistente entre eles aumenta o perigo para todos ao
seu redor. Os dois cavaleiros devem aprender uma nova maneira de
trabalhar juntos, e devem aprender rapidamente, para salvar Cato
Neimoidia e seu povo dos incêndios da guerra. Para superar a
ameaça que enfrentam, eles devem crescer além de mestre e
aprendiz. Eles devem permanecer juntos como irmãos.

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Skywalker – Uma Família em Guerra

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Descubra os segredos dos Skywalkers: a família que moldou uma


galáxia muito, muito distante... A história de Skywalker tem tudo:
paixão, intriga, heroísmo e feitos sombrios. Esta biografia reveladora
explora cada reviravolta da dinastia Skywalker: a lenta sedução ao
lado sombrio de Anakin; seu casamento condenado com Padmé
Amidala; o heroísmo de Luke e Leia; a queda e redenção do filho de
Han Solo e da princesa Leia, Ben; e as lutas de sua díade na Força,
Rey. Sem deixar pedra sobre pedra ao traçar as provações e
tribulações da dinastia, esta biografia definitiva da primeira família
de Star Wars explora e explica a história mais profunda e pessoal
dos Skywalkers, seus personagens, motivações e, contra
probabilidades aparentemente impossíveis, seu triunfo final.

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Star Wars – Comandos da República – Triplo Zero

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Após a erupção das sangrentas Guerras Clônicas na batalha de


Geonosis, ambos os lados permanecem em um impasse que só
pode ser quebrado por equipes de guerreiros de elite como o
Esquadrão Ômega, comandos clone com habilidades de combate
aterrorizantes e um arsenal letal... Para o Esquadrão Ômega ,
implantado bem atrás das linhas inimigas, é a mesma velha rotina
de operações especiais: sabotagem, espionagem, emboscada e
assassinato. Mas quando o Esquadrão Ômega é levado às pressas
para Coruscant, o novo ponto de acesso mais perigoso da guerra,
os comandos descobrem que não são os únicos a penetrar no
coração do inimigo. Uma onda de ataques separatistas foi rastreada
até uma rede de células terroristas de Separatistas na capital da
República, planejada por um espião no Quartel General do
Comando. Identificar e destruir uma rede de espionagem e terror
separatista em uma cidade cheia de civis exigirá talentos e
habilidades especiais. Nem mesmo a liderança dos generais Jedi,
juntamente com a assistência do esquadrão Delta e um certo notório
CRA trooper, pode igualar as chances contra os Comandos da
República. E enquanto o sucesso pode não trazer vitória nas
Guerras Clônicas, o fracasso significa derrota certa.

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Star Wars – De um Certo Ponto de Vista – Uma Nova
Esperança

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Em 25 de maio de 1977, o mundo foi apresentado a Han Solo, Luke


Skywalker, Princesa Leia, C-3PO, R2-D2, Chewbacca, Obi-Wan
Kenobi, Darth Vader e uma galáxia cheia de possibilidades. Em
homenagem ao quadragésimo aniversário , mais de quarenta
colaboradores emprestam sua visão a esta releitura de Star Wars .
Cada um dos quarenta contos reimagina um momento do filme
original, mas através dos olhos de um personagem coadjuvante. De
um Certo Ponto de Vista apresenta contribuições de autores mais
vendidos, artistas inovadores e vozes preciosas da história literária
de Star Wars.
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Star Wars: Velha República - Aliança Fatal

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O contrabandista Jet Nebula encontrou um rico tesouro. Os Hutts


querem leiloá-lo pelo maior lance, seja a República ou o Império. O
Alto Conselho Jedi envia um investigador; um Mandaloriano está
perseguindo algo ligado a um crime há muito esquecido; enquanto
um espião joga em todos os lados ao mesmo tempo. No final, o que
Jet descobriu surpreenderá a todos.

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Star Wars: Thrawn: ASCENDÊNCIA (Livro III - O
Mal Menor)

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Por milhares de anos, a Ascendência Chiss tem sido uma ilha de


calma, um centro de poder e um farol de integridade. É liderado
pelas Nove Famílias Governantes, cuja liderança é um baluarte da
estabilidade contra o Caos das Regiões Desconhecidas. Mas essa
estabilidade foi corroída por um inimigo astuto que elimina a
confiança e a lealdade em igual medida. Laços de fidelidade deram
lugar a linhas de divisão entre as famílias. Apesar dos esforços da
Frota de Defesa Expansionista, a Ascendência se aproxima cada
vez mais da guerra civil. Os Chiss não são estranhos à guerra. O
seu status mítico no Caos foi conquistado por meio de conflitos e
atos terríveis, alguns enterrados há muito tempo. Até agora. Para
garantir o futuro da Ascendência, Thrawn mergulhará
profundamente em seu passado, descobrindo os segredos sombrios
que cercam a ascensão da Primeira Família Governante. Mas a
verdade do legado de uma família é tão forte quanto a lenda que a
sustenta. Mesmo que essa lenda seja uma mentira. Para garantir a
salvação da Ascendência, Thrawn está disposto a sacrificar tudo?
Incluindo a única casa que ele já conheceu?

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Star Wars – Cavaleira Errante

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Mil anos antes de Luke Skywalker, uma geração antes de Darth


Bane, em uma galáxia muito, muito distante... A República está em
crise (1032 ABY). Os Sith vagam sem controle, competindo entre si
para dominar a galáxia. Mas uma Jedi solitária, Kerra Holt, está
determinada a derrubar os Lordes das Trevas. Seus inimigos são
estranhos e muitos: Lorde Daiman, que se imagina o criador do
universo; Lord Odion, que pretende ser seu destruidor; os curiosos
irmãos Quillan e Dromika; a enigmática Arcádia. Tantos Sith em
guerra tecendo uma colcha de retalhos de brutalidade, com apenas
Kerra Holt para defender os inocentes pegos sob os pés. Sentindo
um padrão sinistro no caos, Kerra embarca em uma jornada que a
levará a batalhas ferozes contra inimigos ainda mais ferozes. Com
um contra tantos, sua única chance de sucesso está em forjar
alianças entre aqueles que servem seus inimigos, incluindo um
misterioso espião Sith e um general mercenário inteligente. Mas
eles serão seus adversários ou sua salvação? Coruscant, o novo
ponto de acesso mais perigoso da guerra, os comandos descobrem
que não são os únicos a penetrar no coração do inimigo.

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Star Wars – A Esperança da Rainha

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Padmé está se adaptando a ser uma senadora de guerra durante as


Guerras Clônicas. O seu marido secreto, Anakin Skywalker, está
lutando na guerra e se destaca por ser um Jedi de guerra. Em
contraste, quando Padmé tem a oportunidade de ver as vítimas nas
linhas de frente devastadas pela guerra, ela fica horrorizada. As
apostas nunca foram tão altas para a galáxia ou para o casal recém-
casado. Enquanto isso, com Padmé em uma missão secreta, a sua
serva Sabé assume o papel de senadora Amidala, algo que
nenhuma serva faz há muito tempo. No Senado, Sabé fica
igualmente horrorizada com as maquinações que ali acontecem. Ela
fica cara a cara com uma decisão angustiante quando percebe que
não pode lutar uma guerra dessa maneira, nem mesmo por Padmé.
E o Chanceler Palpatine paira sobre tudo isso, manipulando os
jogadores para os seus próprios fins...

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Star Wars – O Vencedor Perde Tudo

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Lando Calrissian não é estranho a torneios de cartas, mas este tem


uma atmosfera verdadeiramente eletrizante. Isso porque o prêmio é
uma escultura rara que vale cinquenta milhões de créditos. Se
Lando não tomar cuidado, ele vai falir, especialmente depois de
conhecer as gêmeas idênticas Bink e Tavia Kitik, ladras mestres que
têm motivos para acreditar que a escultura é falsa. As Kitiks são
fofas, perigosas e determinadas a acertar as coisas, e convenceram
Lando a ajudá-las a expor o golpe. Mas o que eles enfrentam não é
uma simples simples traição, nem mesmo uma traição tripla. É um
jogo de poder completo de proporções colossais. Pois um mentor
invisível detém todas as cartas e tem uma solução à prova de falhas
para cada problema: Assassinato.

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Star Wars – A Sombra do Sith

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O Império está morto. Quase duas décadas após a Batalha de


Endor, os restos esfarrapados das forças de Palpatine fugiram para
os confins da galáxia. Mas para os heróis da Nova República, o
perigo e a perda são companheiros sempre presentes, mesmo
nesta nova era de paz. O Mestre Jedi Luke Skywalker é
assombrado por visões do lado sombrio, predizendo um segredo
sinistro crescendo em algum lugar nas profundezas do espaço, em
um mundo morto chamado Exegol. A perturbação na Força é
inegável… e os piores medos de Luke são confirmados quando o
seu velho amigo Lando Calrissian vem até ele com relatos de uma
nova ameaça Sith. Depois que a filha de Lando foi roubada de seus
braços, ele procurou nas estrelas por qualquer vestígio de seu filho
perdido. Mas cada novo boato leva apenas a becos sem saída e
esperanças desbotadas, até que ele cruza o caminho de Ochi de
Bestoon, um assassino Sith encarregado de sequestrar uma
jovem. Os verdadeiros motivos de Ochi permanecem ocultos para
Luke e Lando. Pois em uma lua ferro-velho, um misterioso enviado
da Eternidade Sith legou uma lâmina sagrada ao assassino,
prometendo que responderá às perguntas que o assombram desde
a queda do Império. Em troca, ele deve completar uma missão final:
retornar a Exegol com a chave para o glorioso renascimento dos
Sith, Rey, a neta do próprio Darth Sidious. Enquanto Ochi persegue
Rey e os seus pais até o limite da galáxia, Luke e Lando correm
para o mistério da sombra persistente dos Sith e ajudam uma jovem
família que corre para salvar suas vidas.

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Star Wars – Boba Fett – Um Homem Prático

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Na superfície, parece apenas mais um contrato de rotina para Boba


Fett e os seus comandos Mandalorianos, mas o cliente misterioso
que os contrata para iniciar uma pequena guerra é mais perigoso do
que qualquer um deles pode imaginar. Quando a força de invasão
Yuuzhan Vong varre a galáxia, os Mandalorianos descobrem que
estão do lado errado, lutando por uma cultura alienígena que trará o
fim da sua própria. Agora Fett tem que escolher entre sua honra e a
sobrevivência de seu povo. Como ele é um homem prático, ele está
determinado a ajudar a resistência a derrotar os Yuuzhan Vong,
mesmo que isso signifique trabalhar com um agente Jedi. O
problema é que ninguém confia em um homem com a reputação de
Fett. Então, convencer a Nova República de que eles estão lutando
do mesmo lado é uma tarefa difícil. Denunciados como traidores, os
Mandalorianos de Fett precisam ficar um passo à frente de seus
pagadores Yuuzhan Vong, e da República que os vê como
colaboradores do inimigo mais destrutivo que a galáxia já
enfrentou...

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Star Wars – Nova Ordem Jedi - Yuuzhan Vong

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Enquanto a Nova República e os Jedi tentam resolver os seus


problemas de convivência, e também tentam resolver pequenas
intrigas entre planetas. Surge algo sombrio e malévolo que nem a
Força consegue perceber. Os Yuuzhan Vong surgem como um
predador de planetas tomando-os e transformando-os. Como a
Galáxia de Star Wars vai derrotar o inimigo mais destrutivo que já
enfrentou? Desvende tudo sobre a raça, planetas, armas, cultura,
história, guerras, mapas, etc... que mudaram o Universo Expandido
Legend de Star Wars para sempre. Esse material vai ser o seu guia
definitivo para toda a série Nova Ordem [Link] a Nova
República e os Jedi tentam resolver os seus problemas de
convivência, e também tentam resolver pequenas intrigas entre
planetas. Surge algo sombrio e malévolo que nem a Força
consegue perceber. Os Yuuzhan Vong surgem como um predador
de planetas tomando-os e transformando-os. Como a Galáxia de
Star Wars vai derrotar o inimigo mais destrutivo que já enfrentou?
Desvende tudo sobre a raça, planetas, armas, cultura, história,
guerras, mapas, etc... que mudaram o Universo Expandido Legend
de Star Wars para sempre. Esse material vai ser o seu guia para
toda a série Nova Ordem Jedi.

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Star Wars – Nova Ordem Jedi - Vetor Primário

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Vinte e um anos se passaram desde que os heróis da Aliança


Rebelde destruíram a Estrela da Morte, quebrando o poder do
Imperador. Desde então, a Nova República lutou bravamente para
manter a paz e a prosperidade entre os povos da galáxia. Mas a
agitação começou a se espalhar; as tensões surgem em surtos de
rebelião que, se não forem controlados, ameaçam destruir o tênue
reinado da República. Nesta atmosfera volátil vem Nom Anor, um
incendiário carismático que aquece as paixões ao ponto de
ebulição, semeando sementes de dissidência por seus próprios
motivos sombrios. Em um esforço para evitar uma guerra civil
catastrófica, Leia viaja com a sua filha Jaina, sua cunhada Mara
Jade e o leal droide de protocolo C-3PO, para conduzir negociações
diplomáticas cara a cara com Nom Anor. Mas ele se mostra
resistente às súplicas de Leia, e, muito mais inexplicavelmente,
dentro da Força, onde um ser deveria estar, estava... espaço em
branco. Enquanto isso, Luke é atormentado por relatos de
Cavaleiros Jedi desonestos que estão fazendo justiça com as
próprias mãos. E então ele luta com um dilema: ele deve tentar,
neste clima de desconfiança, restabelecer o lendário Conselho Jedi?
Enquanto os Jedi e a República se concentram em lutas internas,
uma nova ameaça surge, despercebida, além dos confins da Orla
Exterior. Um inimigo aparece de fora do espaço conhecido,
carregando armas e tecnologia diferente de tudo que os cientistas
da Nova República já viram. De repente, Luke, Mara, Leia, Han Solo
e Chewbacca, junto com as crianças Solo, são lançados novamente
na batalha, para defender a liberdade pela qual tantos lutaram e
morreram. Mas desta vez, toda a sua coragem, sacrifício e até
mesmo o poder da própria Força podem não ser suficientes...

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Star Wars – A Alta República – Trilha do Engano

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Situado no mundo da Alta República, 150 anos antes da narrativa


da Fase I, uma era de mudanças traz novas esperanças e
possibilidades... mas também novos perigos. O planeta da Orla
Exterior Dalna se tornou o foco de uma investigação Jedi sobre um
artefato roubado da Força, e a Zallah Macri e o seu Padawan,
Kevmo Zink, chegam ao mundo pastoral para acompanhar uma
possível conexão com um grupo missionário de Dalnan chamado
Caminho da Mão Aberta. Os membros do Caminho acreditam que a
Força deve ser livre e não deve ser usada por ninguém, nem
mesmo pelos Jedi. Um desses crentes é Marda Ro, uma jovem que
sonha em deixar Dalna para espalhar a palavra do Caminho por
toda a galáxia. Quando Marda e Kevmo se encontram, a sua
conexão é instantânea e elétrica… até que Marda descobre que
Kevmo é um Jedi. Mas Kevmo é tão gentil e ansioso para aprender
mais sobre o Caminho, que ela espera poder convencê-lo da justeza
de suas crenças. O que Marda não percebe é que a líder da Trilha,
uma mulher carismática conhecida apenas como a Mãe, tem uma
agenda própria, que nunca poderá coexistir pacificamente com os
Jedi. Para seguir a sua fé, Marda pode ter que escolher se tornar a
pior inimiga de sua nova amiga... Não perca essas outras aventuras
ambientadas na era da Alta República!

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Star Wars – Star Wars – Episódio I – A Ameaça
Fantasma

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No mundo verde e intocado de Naboo, o Mestre Jedi Qui-Gon Jinn e


seu aprendiz, Obi-Wan Kenobi, chegam para proteger a jovem
rainha do reino enquanto ela busca uma solução diplomática para
acabar com o cerco de seu planeta pelas naves de guerra da
Federação do Comércio. Ao mesmo tempo, em um Tatooine varrido
pelo deserto, um menino escravo chamado Anakin Skywalker, que
possui uma estranha habilidade de entender e “corrigir” as coisas,
labuta durante o dia e sonha à noite, em se tornar um Cavaleiro Jedi
e encontrar uma maneira de conquistar a liberdade pra si e para a
sua amada mãe. Será o encontro inesperado de Jedi, da Rainha e
de um menino talentoso que marcará o início de um drama que se
tornará uma lenda.

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Star Wars - A Alta República - Em Busca da Cidade
Oculta

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Séculos antes das Guerras Clônicas ou do Império, nos primeiros


dias da Alta República, era uma era de exploração em uma galáxia
muito, muito distante… Pilotos ousados traçam novas rotas através
do hiperespaço, enquanto as equipes de Desbravadores fazem
contato com mundos fronteiriços para convidá-los a se juntarem à
República. Quando um droide de comunicações da equipe de
Desbravadores é encontrado flutuando no espaço, danificado e
carregando uma mensagem enigmática, a Cavaleira Jedi Silandra
Sho e a sua Padawan, Rooper Nitani, são enviadas para encontrar
os membros da equipe de desaparecidos. A sua investigação os
leva ao planeta Gloam, um mundo devastado que dizem ser
assombrado por monstros míticos. Os Jedi podem encontrar os
Desbravadores desaparecidos e desvendar o mistério dos
monstros? As respostas estão em uma cidade escondida sob a
superfície do planeta…

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Star Wars – Legado da Força – Exílio

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Na galáxia de Star Wars, o mal está em movimento enquanto a


Aliança Galáctica e os Jedi ordenam as forças de batalha visíveis e
invisíveis, da traição interna desenfreada ao pesadelo da guerra
total. A cada vitória contra os rebeldes Corellianos, Jacen Solo se
torna mais admirado, mais poderoso e mais certo de alcançar a paz
galáctica. Mas essa paz pode ter um preço. Apesar dos
relacionamentos tensos causados por simpatias opostas na guerra,
Han e Leia Solo e Luke e Mara Skywalker permanecem unidos por
uma suspeita assustadora: alguém insidioso está manipulando esta
guerra e, se ele ou ela não for impedido, todos os esforços de
reconciliação podem ser perdidos. por nada. E como visões sinistras
levam Luke a acreditar que a fonte do mal não é outro senão
Lumiya, Lady Sombria dos Sith, o maior perigo gira em torno do
próprio Jacen.
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Star Wars - A Alta República - Convergência

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É uma era de exploração. Os Jedi viajam pela galáxia, expandindo


sua compreensão da Força e de todos os mundos e seres
conectados por ela. Enquanto isso, a República, liderada por seus
dois chanceleres, trabalha para unir os mundos em uma
comunidade cada vez maior entre estrelas próximas e distantes.
Nos planetas de órbita próxima de Eiram e E'ronoh, as dores de
crescimento de uma galáxia com recursos limitados, mas ambição
ilimitada, são sentidas profundamente. O ódio entre os dois mundos
alimentou meia década de conflitos crescentes e agora ameaça
consumir os sistemas circundantes. A última esperança de paz
surge quando os herdeiros das famílias reais dos planetas planejam
se casar. Antes que a paz duradoura possa ser estabelecida, uma
tentativa de assassinato visando o casal leva Eiram e E'ronoh de
volta à guerra total. Para salvar os dois mundos, a Cavaleira Jedi
Gella Nattai se oferece para descobrir o culpado, enquanto a
Chanceler Kyong nomeia o seu próprio filho, Axel Greylark, para
representar os interesses da República na investigação. Mas a
profunda desconfiança de Axel nos Jedi vai contra a fé de Gella na
Força. Ela nunca conheceu um festeiro tão arrogante e privilegiado,
e ele nunca conheceu uma benfeitora mais séria e implacável.
Quanto mais eles trabalham para desvendar a teia sombria da
investigação, mais complicada parece ser a conspiração. Com
acusações voando e inimigos em potencial em cada sombra, a
dupla terá que trabalhar juntos para ter alguma esperança de trazer
a verdade à tona e salvar os dois mundos.

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Star Wars - Mão de Thrawn - Espectro do Passado

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Uma vez que o mestre inquestionável de incontáveis sistemas


solares, o Império está cambaleando à beira do colapso total. Dia a
dia, sistemas neutros estão correndo para se juntar à coalizão da
Nova República. Mas com o fim da guerra à vista, a Nova República
foi vítima de seu próprio sucesso. Uma aliança pesada de raças e
tradições, a confederação agora se encontra dividida por antigas
animosidades. A princesa Leia luta contra todas as probabilidades
para manter a Nova República unida. Mas ela tem inimigos
poderosos. Um ambicioso Moff Disra lidera uma conspiração para
dividir a desconfortável coalizão com uma trama engenhosa para
culpar os Bothanos por um crime hediondo que pode levar ao
genocídio e à guerra civil. Ao mesmo tempo, Luke Skywalker, junto
com Lando Calrissian e Talon Karrde, persegue um misterioso grupo
de navios piratas cujas tripulações consistem em clones. E então
vem a notícia mais surpreendente de todas: o Grande Almirante
Thrawn, que se acredita estar morto há dez anos, é dado como vivo.
O guerreiro mais astuto e implacável da história imperial
aparentemente voltou para liderar o Império ao triunfo. Enquanto
Han e Leia tentam impedir o desmoronamento da Nova República
diante dessa terrível e inexplicável ameaça do passado, Luke decide
rastrear as naves de piratas desonestos. À espreita nas sombras
está o enigmático Major Tierce, um discípulo do Imperador
Palpatine, compartilhando o desejo de poder de seu mestre morto
há muito tempo, educado nos estratagemas tortuosos do próprio
Thrawn e armado com os seus próprios planos sombrios para a
Nova República e o Império.

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Star Wars - A Alta República - Batalha de Jedha

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Em Jedha. As ruas desgastadas deste mundo antigo servem como


uma confluência para a galáxia. Visitado por todos, mas propriedade
de ninguém. Aqui, os Jedi são apenas um credo entre muitos que
adoram e estudam a Força. Dos Guardiões dos Whills ao Caminho
da Mão Aberta, incontáveis seres vêm aprender e compartilhar em
paz. Aqui, os Jedi são apenas um credo entre muitos que adoram e
estudam a Força. Dos Guardiões dos Whills ao Caminho da Mão
Aberta, incontáveis seres vêm aprender e compartilhar em paz.
Enquanto toda Jedha se prepara para o Festival do Equilíbrio, a
galáxia ainda se recupera da violência em Eiram e E'ronoh. Mas
depois de frustrar um plano para intensificar a guerra entre os dois
planetas, os Jedi acreditam que uma paz duradoura pode estar ao
seu alcance. O Mestre Creighton Sun e a Cavaleira Jedi Aida Forte
chegam a Jedha com delegações de ambos os planetas para
encerrar formalmente a “Guerra Eterna”. Os Jedi esperam que a
harmonia das muitas facções de Jedha, juntamente com a
assinatura de um tratado de paz, crie um símbolo para o resto da
galáxia do que pode ser alcançado através da unidade. Mas nem
todos estão felizes com o envolvimento dos Jedi ou prontos para se
preocupar com a paz. Começam a circular rumores de que os Jedi
trazem a guerra em seu rastro. A desconfiança e a raiva que por
tanto tempo alimentaram a Guerra Eterna agora ameaçam
corromper as comunidades de Jedha. Quando a violência irrompe
na lua sagrada, a guerra que deveria terminar em Jedha pode em
breve envolver o mundo inteiro.

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Star Wars Jedi: Cicatrizes de Batalha

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Cal Kestis construiu uma nova vida para si mesmo com a tripulação
do Stinger Mantis. Juntos, a equipe de Cal derrubou caçadores de
recompensas, derrotou inquisidores e até evitou o próprio Darth
Vader. O mais importante, Merrin, Cere, Greez e o fiel droide BD-1
são a coisa mais próxima que Cal teve de uma família desde a
queda da Ordem Jedi. Mesmo com o futuro da galáxia ficando mais
incerto a cada dia, a cada golpe desferido contra o Império, a
tripulação da Mantis se torna mais ousada. No que deveria ser uma
missão de rotina, eles encontram um stormtrooper determinado a
traçar seu próprio curso com a ajuda de Cal e a sua tripulação. Em
troca de ajuda para começar uma nova vida, a desertora Imperial
traz a notícia de uma ferramenta poderosa e potencialmente
inestimável para sua luta contra o Império. E melhor ainda, ela pode
ajudá-los a chegar lá. O único problema, persegui-la os colocará no
caminho de um dos servos mais perigosos do Império, o Inquisidor
conhecido como o Quinto Irmão. A desertora imperial pode
realmente ser confiável? E enquanto Cal e os seus amigos já
sobreviveram a confrontos com os Inquisidores antes, quantas
vezes eles podem escapar do Império antes que sua sorte acabe?

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Star Wars – Darth Maul – Caçador das Sombras

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Depois de anos esperando nas sombras, Darth Sidious está dando


o primeiro passo em seu plano mestre para colocar a República de
joelhos. A chave para o seu esquema são os Neimoidianos da
Federação do Comércio. Então um de seus contatos Neimoidianos
desaparece, e Sidious não precisa de seus instintos afiados pela
Força para suspeitar de traição. Ele ordena que o seu aprendiz,
Darth Maul, cace o traidor. Mas é tarde demais. O segredo já
passou para as mãos do corretor de informações Lorn Pavan, o que
o coloca no topo da lista de alvos de Darth Maul. Então, nos becos
labirínticos e esgotos de Coruscant, capital da República, Lorn cruza
o caminho de Darsha Assant, uma Padawan Jedi em uma missão
para ganhar seu título de Cavaleira. Agora o futuro da República
depende de Darsha e Lorn. Mas como pode uma Jedi inexperiente e
um homem comum, estranho aos caminhos poderosos da Força,
esperar triunfar sobre um dos assassinos mais mortais da galáxia.
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Star Wars - A Alta República - Crônicas dos Jedi

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Pela luz e pela vida. Este guia ilustrado do universo irá mergulhá-lo
na era de ouro dos Jedi, tornando-o obrigatório para os fãs dA Alta
República , bem como para novos leitores que procuram um
emocionante ponto de entrada na saga épica. Situado séculos antes
da Saga Skywalker, este livro é o guia definitivo do universo de Star
Wars: A Alta República, fornecendo uma visão fascinante de uma
época de heróis valentes, monstros aterrorizantes e exploração
ousada. Apresentando ilustrações originais impressionantes, este
livro impressionante é um item colecionável essencial que o
transportará para a era de ouro da galáxia.

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Star Wars – A Alta República – Cataclisma

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Após cinco anos de conflito, os planetas Eiram e E’ronoh estão à


beira de uma verdadeira paz. Mas quando surgem as notícias de um
desastre na assinatura do tratado em Jedha, a violência reacende
nos mundos sitiados. Juntos, os herdeiros reais de ambos os
planetas, Phan-tu Zenn e Xiri A’lbaran, trabalhando ao lado dos Jedi,
descobriram evidências de que o conflito está sendo orquestrado
por forças externas, e todos os sinais apontam para a misterioso
Trilha da Mão Aberto, de quem os Jedi também suspeitam ter
causado o desastre em Jedha. Com tempo, e respostas, escassos,
os Jedi devem dividir seu foco entre ajudar a acabar com a violência
renovada em Eiram e E’ronoh e investigar o Caminho. Entre eles
está Gella Nattai, que se volta para a única pessoa que acredita
poder desvendar o mistério, mas a última pessoa em quem deseja
confiar: Axel Greylark. O filho da Chanceler, preso por seus crimes,
sempre procurou se livrar do peso do nome de sua família. Ele se
reconciliará com os Jedi e os ajudará em sua busca por justiça e
paz, ou abraçará a promessa de verdadeira liberdade da Trilha?
Como todos os caminhos levam a Dalna, Gella e os seus aliados se
preparam para enfrentar um inimigo diferente de qualquer outro que
já enfrentaram. E será preciso toda a confiança deles na Força, e
uns nos outros, para sobreviver.

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Star Wars – A Alta República – Trilha da Vingança

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Esta fascinante continuação de Trilha do Engano encontra as


primas Marda e Yana Ro ligadas pelo sangue, mas separadas pela
fé. Marda e Yana pertencem ao Trilha da Mão Aberta, um grupo
liderado por uma mulher carismática chamada Mãe, que acredita
que a Força não deve ser usada por ninguém. Enquanto Marda se
junta a uma perigosa expedição ao Planeta X em busca de mais
criaturas misteriosas para usar contra os Jedi, Yana se vê formando
uma inesperada aliança com o pai de seu amante morto na tentativa
de arrancar a Trilha do controle da Mãe. Essas duas jovens
enfrentarão uma encruzilhada, forçadas a escolher não só os seus
próprios destinos, mas o da própria galáxia.

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Star Wars – Comandos da República – Verdadeiras
Intenções

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Na luta desesperada do Grande Exército para esmagar os


Separatistas, as missões secretas de operações especiais de seus
guerreiros clones de elite nunca foram tão críticas… ou mais
perigoso. Uma ameaça crescente ameaça a vitória da República, e
os membros do Esquadrão Omega fazem uma descoberta chocante
que abala a sua própria lealdade. À medida que as linhas entre
amigos e inimigos continuam a se confundir, os cidadãos, de civis e
Sargentos a Jedi e Generais, se deparam com um novo inimigo: a
dúvida em seus próprios corações e mentes. A verdade é uma
ilusão frágil e instável, e apenas o inferno que se aproxima revelará
os dois lados em suas verdadeiras cores.

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Star Wars – Colheita Vermelha

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Ao contrário dos outros Jedi marginalizados do Corporação


Agrícola, jovens Jedi cujas habilidades não provaram ser suficientes
- Hestizo Trace possui um extraordinário talento da Força: um dom
com plantas. De repente, sua existência tranquila entre espécimes
de estufas e jardins é violentamente destruída pela chegada de um
emissário de Darth Scabrous. Pois a rara orquídea negra com a qual
ela nutriu e se uniu é o ingrediente final de uma antiga fórmula Sith
que promete conceder a Darth Scabrous seu maior desejo. Mas no
coração da fórmula está um vírus nunca antes visto que é pior do
que fatal, ele não apenas mata, ele transforma. Agora os mortos
apodrecidos e famintos estão se levantando, impulsionados por uma
fome sanguinária por todas as coisas vivas, e comandados por um
Mestre Sith com um desejo insaciável de poder e o prêmio final: a
imortalidade... não importa o custo.

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Star Wars – Linhas de Tempo

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Um companheiro indispensável para todos os fãs de Star Wars, este


ebook de alta qualidade exibe cronogramas visuais que mapeiam
cronologicamente os principais eventos, personagens e
desenvolvimentos e marcam seu significado. Acompanhe conflitos
cruciais ao longo dos anos que afetam a galáxia de maneiras
profundas. Siga o sabre de luz Skywalker enquanto ele passa pelas
gerações e testemunhe a evolução do icônico TIE fighter em
diferentes épocas. Rastreie o movimento dos planos da Estrela da
Morte ao longo dos anos e descubra várias linhas do tempo
ramificadas que dividem batalhas importantes. Veja rapidamente os
eventos essenciais organizados por era e analise os detalhes para
descobrir eventos maiores e menores, datas importantes e
informações fascinantes, tudo organizado cronologicamente.
Examine linhas do tempo intrincadas em quase todas as páginas.

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Star Wars – Legado da Força - Sacrifício

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Uma guerra civil assola a galáxia, enquanto a Aliança Galáctica,


liderada por Cal Omas, e as forças Jedi de Luke Skywalker
batalham contra uma confederação de planetas rebeldes que se
uniram ao lado da Corellia insubmissa. Suspeitos de envolvimento
em um plano de assassinato contra a Rainha Mãe Tenel Ka do
Consórcio Hapes, Han e Leia Solo estão fugindo, perseguidos pelo
próprio filho, Jacen, cujas as táticas cada vez mais autoritárias como
chefe da segurança da Aliança Galáctica têm feito Luke e Mara
Skywalker temerem que o seu sobrinho esteja se aproximando
perigosamente do lado sombrio. Mas enquanto sua família enxerga
em Jacen a arrepiante herança de seu avô Sith, Darth Vader, muitos
dos soldados na linha de frente o adoram e inúmeros cidadãos o
veem como um salvador. A galáxia foi dilacerada por inúmeras
guerras. Tudo o que Jacen quer é segurança e estabilidade para
todos, e ele está disposto a fazer qualquer coisa para alcançar esse
objetivo. Para acabar com o derramamento de sangue e o
sofrimento, qual sacrifício seria grande demais? Essa é a pergunta
que atormenta Jacen. Ele já sacrificou muito, abraçando os
ensinamentos impiedosos de Lumiya, a Lady Sombria dos Sith, que
lhe ensinou que uma vontade forte e um propósito nobre podem
conter os excessos malignos do lado sombrio, trazendo paz e ordem
à galáxia, mas a um preço. Pois há um último teste que Jacen deve
passar antes de poder obter o poder imenso de um verdadeiro
Lorde Sith: ele deve causar a morte de alguém a quem valoriza
profundamente. O que perturba Jacen não é se ele tem a força para
cometer assassinato. Ele se fortaleceu para isso e para coisas
piores, se necessário. Não, a pergunta que perturba Jacen é quem
deveria ser o sacrifício. Conforme os fios do destino se entrelaçam
cada vez mais em uma teia que abrange a galáxia, a resposta
chocante irá despedaçar duas famílias... e lançar uma sombra
escura sobre o futuro.

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Star Wars – Inquisidor - Ascensão da Lâmina
Vermelha

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Padawan Iskat Akaris dedicou sua vida a viajar pela galáxia ao lado
de seu mestre, aprendendo os caminhos da Força para se tornar um
bom Jedi. Apesar da dedicação de Iskat, a paz e o controle
permaneceram indescritíveis e, a cada revés, ela sente que seus
companheiros Jedi ficam mais desconfiados dela. Já incerta sobre
seu futuro na Ordem Jedi, Iskat enfrenta uma tragédia quando seu
mestre é morto e as Guerras Clônicas engolem a galáxia no caos.
Agora general na linha de frente contribuindo para esse caos, ela é
frequentemente lembrada: Confie em seu treinamento. Confie na
sabedoria do Conselho. Confie na Força. No entanto, à medida que
as sombras da dúvida se instalam, Iskat começa a fazer perguntas
que nenhum Jedi deveria fazer: perguntas sobre seu próprio
passado desconhecido. Perguntas que os Mestres Jedi
considerariam perigosas. Conforme os anos passam e a guerra
perdura, a fé de Iskat nos Jedi diminui. Se eles lhe concedessem
mais liberdade, ela tem certeza de que poderia fazer mais para
proteger a galáxia. Se eles confiassem nela com mais
conhecimento, ela poderia finalmente deixar de lado as sombras
que começaram a consumi-la. Quando a Ordem Jedi finalmente cai,
Iskat aproveita a chance de abrir seu próprio caminho. Ela abraça a
salvação da Ordem 66.

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Star Wars – A Princesa e o Canalha

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A Estrela da Morte é destruída. Darth Vader está morto. O Império


está desolado. Mas na lua da floresta de Endor, entre o caos de
uma galáxia em mudança, o tempo parou para uma princesa e seu
canalha. Depois de ser congelado em carbonita e arriscar tudo pela
Rebelião, Han está ansioso para parar de viver sua vida para outras
pessoas. Ele e Leia ganharam seu futuro juntos mil vezes. E quando
ele pede Leia em casamento, é a primeira vez em muito tempo que
ele tem um bom pressentimento sobre isso. Para Leia, uma vida
inteira de lutas não parece ter acabado. Ainda há trabalho a fazer,
penitência para pagar pelo segredo obscuro que ela agora sabe que
corre em suas veias. Seu irmão, Luke, está oferecendo a ela essa
chance, uma que vem com a família e a promessa da Força. Mas
quando Han a pede em casamento, Leia encontra a resposta
imediatamente em seus lábios. . . Sim. No entanto, felizes para
sempre não vem facilmente. Assim que Han e Leia partem de sua
cerimônia idílica para sua lua de mel, eles se encontram no palco
mais grandioso e glamoroso de todos: o Halcyon, uma embarcação
de luxo em uma jornada muito pública para os mundos mais
maravilhosos da galáxia. O casamento deles e a paz e a
prosperidade que ele representa são um para-raios para todos,
incluindo os remanescentes imperiais que ainda se apegam ao
poder. Enfrentando seu momento mais desesperador, os soldados
do Império se dispersaram pela galáxia, se concentrando em
planetas isolados e vulneráveis à sua influência. Enquanto a
Halcyon viaja de mundo a mundo, uma coisa fica bem clara: a
guerra ainda não acabou. Mas à medida que o perigo se aproxima,
Han e Leia descobrem que lutam suas melhores batalhas não
sozinhos, mas como marido e mulher.

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Star Wars – Episódio III – A Vingança dos Sith

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À medida que o combate se intensifica em toda a galáxia, o palco


está montado para um final explosivo: Obi-Wan empreende uma
missão perigosa para destruir o temido líder militar separatista,
General Grievous. O Supremo Chanceler Palpatine continua a
suprimir as liberdades constitucionais em nome da segurança,
enquanto influencia a opinião pública a se voltar contra os Jedi. E
um Anakin conflituoso teme pela vida de seu amor secreto, a
Senadora Padmé Amidala. Atormentado por visões indescritíveis,
Anakin se aproxima cada vez mais do limite de uma decisão que
moldará a galáxia. Resta apenas para Darth Sidious dar o golpe
final avassalador contra a República, e consagrar um novo Senhor
Sith temível: Darth Vader. Baseado no roteiro do último filme da
saga épica de George Lucas, o livro do aclamado autor de Star
Wars, Matthew Stover, estala com ação, captura os personagens
icônicos em toda a sua complexidade e fecha a obra-prima da ópera
espacial com um estilo impressionante.
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Star Wars – Jornada para Star Wars – Os Último Jedi
As Lendas de Luke Skywalker

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Enquanto uma nave de carga atravessa a galáxia em direção a


Canto Bight , os marinheiros a bordo contam histórias sobre o
lendário Cavaleiro Jedi Luke Skywalker. Mas as histórias do icônico
e misterioso Luke Skywalker são verdadeiras ou apenas contos
fantásticos passados de um canto da galáxia a outro? Skywalker é
realmente um herói Jedi famoso, um charlatão elaborado ou mesmo
parte droide? Os marinheiros terão que decidir por si mesmos
quando ouvirem As Lendas de Luke Skywalker.

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Star Wars – Voo de Partida

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Antes do início das Guerras Clônicas, um grupo de Jedi liderado


pelo Mestre Jorus C’baoth pressionou o Senado da República para
financiar um projeto para procurar e contatar vida inteligente fora da
galáxia conhecida. Seis Mestres Jedi, 12 Cavaleiros Jedi e 50.000
funcionários de apoio adicionais embarcaram em uma nave estelar
incrível e partiram em sua aventura… apenas para desaparecer sem
deixar rastros. Este foi o primeiro encontro dos Jedi com os
alienígenas chamados Chiss, e o futuro arqui-inimigo da Nova
República, Thrawn. Mas até Luke Skywalker e a sua esposa Mara
partirem para as Regiões Desconhecidas em Survivor’s Quest, o
destino do Projeto Voo de Partida permaneceu um enigma.

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Star Wars - Contos de Luz e Vida

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Contos emocionantes com personagens favoritos dos fãs da amada


série Alta República, cada um escrito por um autor best-seller do
New York Times. Os autores da Alta República compartilham contos
imperdíveis que conectam Fases, resolvem mistérios e oferecem
dicas tentadoras do que está por vir. Junte-se novamente às
aventuras dos Jedi e Padawans, Desbravadores e membros da
Trilha, heróis e vilões antes do lançamento da Fase III.

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Star Wars - Nova Ordem Jedi - Rumo Sombrio I -
Ofensiva

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É um momento perigoso para a Nova República. Justamente


quando a unidade é mais necessária, a desconfiança aumenta. Até
os Jedi sentem a tensão, à medida que elementos rebeldes se
rebelam contra a liderança de Luke. Quando invasores alienígenas
conhecidos como Yuuzhan Vong atacam sem aviso, a Nova
República fica na defensiva. Guerreiros impiedosos, a glória de
Yuuzhan Vong na tortura. A tecnologia deles é tão estranha quanto
mortal. O mais sinistro de tudo é que eles são imunes à Força.
Agora Luke deve exercer todos os poderes incríveis de um Mestre
Jedi para derrotar a ameaça mais grave desde Darth Vader.
Enquanto Leia e Gavin Darklighter lideram refugiados desesperados
em uma retirada de combate das forças de Yuuzhan Vong, Mara
Jade, Anakin, Jacen e Corran Horn são testados como nunca antes
por um inimigo implacável e sem rosto determinado a sufocar para
sempre a luz da Nova República. uma mortalha do mal mais
sombrio...

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Star Wars [Jornada para Star Wars - A Ascensão
Skywalker] Colecionador da Força

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Karr é um adolescente como muitos outros na galáxia. Ele vai à


escola, ajuda os pais nos negócios da família, gosta de speeders e
droides. Mas Karr também tem um segredo: quando toca em certos
objetos, ele sente fortes dores de cabeça e desmaia. E junto com a
dor às vezes vêm visões de pessoas que ele não conhece e de
lugares onde nunca esteve. Os pais de Karr temem que ele esteja
doente; sua avó está convencida de que as visões vêm da Força.
Mas já se passaram anos desde que alguém ouviu falar do último
Jedi, Luke Skywalker. Sobrou algum Jedi para guiar Karr no uso de
suas habilidades? Alguém está disposto a falar sobre os Jedi e o
que aconteceu com eles, à medida que sua memória continua a
desaparecer e a Primeira Ordem surge? Preso em seu isolado
planeta natal, Karr se torna um colecionador de artefatos históricos,
na esperança de um dia encontrar um objeto que lhe dê uma visão
sobre os segredos dos [Link] sua avó morre e os seus pais
anunciam que vão mandá-lo para uma escola no outro lado do
planeta, Karr chega ao limite. Ele precisa saber o que seu destino
reserva e se os Jedi estão envolvidos. Acompanhado por Maize, a
nova garota rude e imprevisível da escola com ligações com a
Primeira Ordem, e RZ-7, o solícito companheiro droide de Karr, ele
parte para a galáxia maior para descobrir a verdade. Suas aventuras
o levarão de Utapau a Jakku, a Takodana e além, enquanto ele
aprende mais sobre os Jedi do que poderia esperar... e sobre seu
próprio lugar na Força.

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Star Wars – A Alta República – Olho da Escuridão

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A galáxia está dividida. Após a chocante destruição do Farol Luz


Estelar, os Nihil estabeleceram uma barreira impenetrável chamada
Muralha de Tempestade ao redor de parte da Orla Exterior, onde
Marchion Ro governa e os seus seguidores causam estragos a seu
bel-prazer. Os Jedi presos por trás das linhas inimigas, incluindo
Avar Kriss, devem lutar para ajudar os mundos saqueados pelos
Nihil, enquanto ficam um passo à frente dos saqueadores e os seus
terrores Inomináveis. Fora da chamada Zona de Oclusão dos Nihil,
Elzar Mann, Bell Zettifar e outros Jedi trabalham junto à República
para alcançar os mundos que foram isolados do resto da galáxia.
Mas cada tentativa de romper a Muralha de Tempestade falhou, e
até a comunicação através da barreira é impossível. Os fracassos e
as perdas pesam muito tanto para Elzar quanto para Bell, enquanto
procuram desesperadamente por uma solução. Mas mesmo que as
forças da República e dos Jedi consigam romper a Muralha de
Tempestade, como os Jedi podem se defender contra as criaturas
Inomináveis que se alimentam da conexão dos Jedi com a Força? E
que outros horrores Marchion Ro tem guardados? À medida que a
desesperança cresce tanto para os Jedi quanto para a República,
qualquer esperança de reunir a galáxia pode estar prestes a se
extinguir completamente…

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Star Wars - Mão de Thrawn - Visão do Futuro

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Para um Império sitiado, tempos desesperadores exigem medidas


desesperadas. Semeando a discórdia entre a frágil coligação da
Nova República, os remanescentes do outrora poderoso Império
fazem uma última jogada pela vitória. Tendo implicado os Bothanos
no genocídio dos Caamas, eles agora planejam um ataque a Han e
Leia, que também deve ser atribuído aos Bothanos. Se tiverem
sucesso, a Nova República será dilacerada. Para evitar o desastre
inevitável, Luke, Leia, Han e os seus amigos devem provar a
inocência dos Bothanos e revelar a traição do Império. Mas o tempo
esta se esgotando. O astuto Major Tierce juntou-se ao ambicioso
Moff Disra no plano mestre do Império. No seu cerne está o golpe
mais elaborado de todos: o boato de que o lendário Grão Almirante
Thrawn, há muito considerado morto, retornou para liderar o Império
a um triunfo profetizado. A notícia do retorno de Thrawn já está
reunindo as forças imperiais contra a Nova República. Enquanto
Leia viaja para um encontro secreto com um comandante imperial
que afirma querer a paz, Han e Lando Calrissian viajam para o
território inimigo para descobrir a verdade sobre a destruição de
Caama. Enquanto isso, Luke e Mara Jade se infiltram em uma
fortaleza escondida onde os seguidores mais fanáticos de Thrawn
aguardam seu chamado às armas. E Talon Karrde retorna ao seu
passado no submundo e a um brutal senhor do crime cujo
conhecimento pode salvar a República. Mas é a verdade sobre
Thrawn que é mais importante. Em suas mãos, vivas ou mortas,
está o destino da Nova República.

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Star Wars - Escalada Escarlate

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Nem todos têm a chance de ser o herói. Qi’ra ouviu os sonhos e


promessas de um rapaz com um sorriso imprudente, apenas para
ser arrancada dele e devolvida à gangue dos Vermes Brancos
enquanto Han seguia o seu caminho rumo à liberdade. Agora, a
liberdade parece um luxo que ela não pode se permitir enquanto se
concentra na sobrevivência e desespera por deixar Corellia para
trás. Mas a sua sorte parece mudar quando um representante do
sindicato criminoso da Aurora Escarlate tira Qi’ra da captura e a leva
até o líder do sindicato, o misterioso e volúvel Dryden Vos. Vos
oferece a Qi’ra uma oportunidade que ela nunca teve antes: a
chance de construir algo semelhante a uma vida confortável, se ela
conseguir provar o seu valor para a organização dele. Com o
fracasso significando morte certa, Qi’ra sabe que deve se imergir no
mundo impiedoso e assassino da Aurora Escarlate. O que ela não
sabe é quem será se sobreviver..."
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Star Wars - Desencadear da Força

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A queda da República está completa. O poder absoluto agora


repousa no punho de ferro de Darth Sidious, o astuto Lorde Sith
mais conhecido como Imperador Palpatine. Mas há mais a ser feito.
Bolsões de resistência na galáxia ainda precisam ser derrotados, e
Jedi desaparecidos devem ser contabilizados… e lidados. Essas
tarefas cruciais ficam a cargo do impiedoso executor do Imperador,
Darth Vader, que, por sua vez, treinou um aprendiz Sith letal e sem
nome para eliminar secretamente os últimos inimigos de seus
mestres. A jornada deste acólito o levará pelos confins da galáxia e
o testará com revelações devastadoras que atingem o cerne de tudo
em que acredita, despertando nele esperanças há muito esquecidas
de recuperar seu nome… e mudar o seu destino.

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Star Wars - Padawan

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Obi-Wan Kenobi não é aprendiz de Qui-Gon Jinn há muito tempo e


está irritado com o estilo de treinamento de Qui-Gon: só meditação,
sem ação. Obi-Wan anseia por provar o seu valor em uma missão,
mas quando ele e Qui-Gon finalmente partem em uma missão, Qui-
Gon não é encontrado em lugar nenhum. Irritado com o abandono
de seu mestre, Obi-Wan parte sozinho na missão, determinado a
provar seu valor. Em um planeta misterioso, ele encontra um bando
de adolescentes ferozes e manejadores da Força, que parecem ser
os únicos habitantes do planeta. Enquanto ele experimenta uma
liberdade selvagem com eles e se pergunta se esta não é a vida
para a qual ele foi criado, Obi-Wan não consegue escapar da
sensação incômoda de que algo está errado com a Força ali.
Apegos crescentes, revelações surpreendentes e uma ameaça
iminente tanto para o planeta quanto para seus novos amigos
colocarão Obi-Wan cara a cara com seu pior medo: que talvez ele
nunca devesse ser um Jedi. Ele conseguirá se conectar com a
Força viva a tempo de salvar a si mesmo e a todos ao seu redor?

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Star Wars – Comandos da República – Ordem 66

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As Guerras Clônicas avançam em direção ao seu ápice sangrento.


A traição reina. A traição exige coragem. Comandos, Jedi e toda a
República Galáctica devem enfrentar o fim da vida como a
conhecem… e a temida aurora de um novo império. Mesmo quando
as Guerras Clônicas estão prestes a alcançar uma conclusão
explosiva, ninguém sabe se a vitória favorecerá o Grande Exército
da República ou os Separatistas. Mas, não importa quem vença, as
apostas são mais altas para os clones de Operações Especiais de
elite, como os Comandos da República nos esquadrões Ômega e
Delta, e os notórios troopers renegados de Comando Avançado de
Reconhecimento conhecidos como CRAs Nulos. E agora, até
mesmo a arma mais letal pode não ser poderosa o suficiente para
derrotar a verdadeira ameaça: o horror apocalíptico que será
desencadeado quando Palpatine pronunciar as palavras arrepiantes
“Chegou a hora. Execute a Ordem 66.” Tradução: Os Jedi tentaram
realizar um golpe, e todos devem ser executados imediatamente.
Com a fé na República e a lealdade aos seus aliados Jedi colocadas
no teste final, como os homens dos esquadrões Ômega e Delta
reagirão ao comando mais infame na história galáctica?

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Star Wars - A Alta República - Fuga de Valo

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Séculos antes das Guerras Clônicas ou do Império, é um momento


perigoso para a galáxia, e os Jedi da Alta República devem
enfrentar as maiores provações de todos os tempos... O vilão Nihil
controla uma área do espaço conhecida como Zona de Oclusão,
onde ninguém está seguro, muito menos os Jedi. Um dos Jedi
presos atrás das linhas inimigas é Padawan Ram Jomaram, fazendo
o seu melhor para ajudar as pessoas de seu planeta natal, Valo, a
sobreviver à ocupação Nihil enquanto mantém sua identidade Jedi
escondida. Quando Ram descobre um trio de jovens Jedi vivendo
nas ruínas do zoológico da cidade, ele se vê em uma posição que
nunca poderia ter imaginado: líder. Ram e os outros terão que se
unir para enfrentar seus medos e proteger o povo de Valo como só
os Jedi podem fazer!

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Star Wars - Trilogia Han Solo - O Jogo dos Hutts

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Aqui está o segundo romance na nova trilogia de sucesso que


revela a história nunca antes contada do jovem Han Solo.
Ambientado antes das aventuras cinematográficas de Star Wars,
esses livros narram o amadurecimento do mais famoso vigarista,
contrabandista e ladrão da galáxia. Antes uma das estrelas mais
brilhantes da Academia, Han Solo agora é um fugitivo da Marinha
Imperial. Mas ele fez um valioso amigo em um ex-escravo Wookiee
chamado Chewbacca, que jurou a Han uma dívida de vida. Han
precisará de toda a ajuda possível. Pois os Hutts de Ylesia
despacharam o temido caçador de recompensas Boba Fett para
rastrear o homem que já os enganou uma vez. Mas Han e Chewie
se veem em ainda mais apuros quando concordam em emprestar
seus serviços aos senhores do crime Jiliac e Jabba the Hutt. De
repente, os dois contrabandistas são lançados no meio de uma
batalha entre o poder do Império e a traição de seus aliados fora da
lei... uma batalha onde até a vitória significa morte!
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Star Wars - Esquadrão Alfabeto - A Queda da
Shadow

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As notícias da vitória da Nova República ainda ecoam pela galáxia.


Em seu rastro, as naus capitânias do recém-legitimado governo
galáctico viajam até as estrelas mais distantes, buscando e
esmagando os remanescentes da tirania Imperial. Mas alguns
fantasmas antigos são mais difíceis de banir do que outros. E
nenhum é mais perigoso do que Shadow Wing. A esquadrilha
improvisada de Yrica Quell, o Esquadrão Alfabeto, ainda lidera a
busca pela Shadow Wing, mas eles não estão mais perto de seu
objetivo, e a pressão para encontrar a sua presa antes que seja
tarde demais começou a despedaçá-los. Determinada a terminar a
luta de uma vez por todas, Quell trabalha com o controverso Caern
Adan da Inteligência da Nova República e a lendária General Hera
Syndulla para preparar o lance mais arriscado de sua carreira de
combate espacial, uma armadilha para a Shadow Wing que poderia
acabar com a perseguição de uma vez por todas. Mas na escuridão,
seu inimigo evoluiu. Soran Keize, último dos áses Imperiais,
assumiu o vácuo de poder à frente da Shadow Wing, reavivando a
unidade vacilante em seu momento de necessidade. Antes à deriva
nos tremores pós-guerra, Keize encontrou significado novamente,
liderando os soldados perdidos de sua unidade para a segurança. A
única coisa em seu caminho? O esquadrão mais descoordenado da
Marinha da Nova República, liderado por sua ex-aprendiz: a traidora
Yrica Quell.

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Star Wars - Nova Ordem Jedi - Rumo Sombrio II -
Desastre

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Os alienígenas Yuuzhan Vong lançaram um ataque aos mundos da


Orla Exterior. Eles são implacáveis, sem consideração pela vida, e
estão completamente fora da Força. As suas táticas em constante
mudança confundem o exército da Nova República. Mesmo os Jedi,
uma vez os maiores guardiões da paz na galáxia, se tornaram
impotentes por esse inimigo impassível, e a sua solidariedade
começou a desmoronar. Enquanto Luke luta para manter os Jedi
unidos, os Cavaleiros Jacen Solo e Corran Horn partem em uma
missão de reconhecimento ao planeta Garqi, um mundo ocupado.
Lá, finalmente, eles descobrem um segredo que poderia ser usado
para minar o inimigo, se ao menos conseguirem permanecer vivos
tempo suficiente para usá-lo!

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Star Wars - A Alta República - Desafio da Tormenta

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A República Galáctica está um caos após a chocante destruição da


reluzente estação espacial Farol Luz Estelar pelos Nihil.
Aproveitando a sua vitória, os Nihil ergueram uma barreira chamada
Muralha de Tempestade em torno de uma seção do espaço da
República e a reivindicaram para si. Dentro desta Zona de Oclusão,
as pessoas vivem à mercê dos Nihil,e os Nihil não são conhecidos
pela misericórdia. A Cavaleira Jedi Vernestra Rwoh, acreditando que
o seu Padawan, Imri Cantaros, estava entre as vítimas do Farol Luz
Estelar, retirou-se para um planeta pacífico onde espera cuidar de
suas feridas e recuperar algum senso de equilíbrio. Mas a sua velha
amiga Avon Starros tem outros planos. Avon sabe que Imri está vivo
dentro da Zona de Oclusão, e ela e Vernestra devem ser as únicas a
encontrá-lo. Com a ajuda da ex-deputada da fronteira Jordanna
Sparkburn e do extremamente indigno de confiança Xylan Graf,
Avon e Vernestra decidiram romper o Stormwall e entrar na Zona de
Oclusão em busca de Imri. Mas dentro do território Nihil, o perigo
espreita em cada esquina... assim como criaturas aterrorizantes
conhecidas como Inomináveis.

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Star Wars - X-Wing - A Aposta de Wedge

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Ágeis, velozes e letais, eles são os caças X-wing. E à medida que a


batalha contra o Império se intensifica pela vastidão do espaço, os
pilotos arriscam suas vidas e suas máquinas pela causa da Aliança
Rebelde. Agora, eles precisam embarcar em uma perigosa missão
de espionagem, enfrentando traição e morte no mundo natal
Imperial para desmantelar o poder de um inimigo impiedoso! É o
coração maligno de um Império abalado e cambaleante: Coruscant,
a gigantesca cidade-mundo de cujas torres imensas o Alto
Comando Imperial direciona a guerra. Os Rebeldes invadirão esta
poderosa cidadela em um movimento audacioso para derrubar o
Império. Mas primeiro, Wedge Antilles e seus pilotos X-wing devem
se infiltrar em Coruscant para obter informações cruciais de
inteligência. Ser capturado significa a morte, ou pior, presos nas
garras da líder cruel conhecida como "Coração de Gelo", Ysanne
Isard, agora Imperatriz de fato.
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Star Wars - A Força Viva

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Os Jedi sempre viajaram pelas estrelas, defendendo a paz e a


justiça em toda a galáxia. Mas a galáxia está mudando, e a Ordem
Jedi junto com ela. Cada vez mais, a Ordem se encontra focada no
futuro da República, isolada em Coruscant, onde os doze membros
do Conselho Jedi ponderam crises em uma escala galáctica.
Enquanto mais um posto avançado Jedi remanescente da era de
ouro da República está prestes a ser desativado no planeta Kwenn,
Qui-Gon Jinn desafia o Conselho sobre o aumento do isolamento da
Ordem. Mace Windu sugere uma resposta audaciosa: Todos os
doze Mestres Jedi embarcarão em uma missão de boa vontade para
ajudar o planeta e lembrar às pessoas da galáxia que os Jedi
permanecem tão firmes e presentes como sempre foram ao longo
dos séculos. Mas a chegada da liderança Jedi não é vista por todos
como motivo de celebração. Na crescente ausência dos Jedi,
facções piratas beligerantes infestaram o setor. Para manter sua
dominação, os piratas se unem, com a intenção de assassinar os
membros do Conselho. E estão dispostos a destruir inúmeras vidas
inocentes para assegurar seu poder. Isolados de Coruscant, os
Mestres Jedi devem enfrentar uma verdade indesejada: Enquanto
ninguém pensa mais no futuro do que o Conselho Jedi, ninguém
precisa mais de sua ajuda do que aqueles que vivem no presente.

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Star Wars - Legado da Força - Inferno

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Luke Skywalker queria unificar a ordem Jedi e trazer paz ao


universo. Em vez disso, sua esposa Mara jaz morta nas mãos de
um assassino desconhecido, seu sobrinho rebelde Jacen tomou o
controle da Aliança Galáctica, e a galáxia explodiu em uma guerra
civil total. Com Luke consumido pelo luto, Jacen Solo trabalha
rapidamente para consolidar seu poder e acelerar seu plano de
assumir o controle dos Jedi. Convencido de que é o único que pode
salvar a galáxia, Jacen fará o que for preciso, até mesmo emboscar
seus próprios pais. Com a confederação Rebelde avançando
profundamente no Núcleo para atacar Coruscant e os Jedi sob
cerco, Luke deve reafirmar sua posição. Apenas ele pode liderar os
Jedi por essa crise, mas isso significa resolver o problema mais
difícil que Luke já enfrentou. Ele luta ao lado de seu sobrinho Jacen,
um tirano que ilegalmente assumiu a AG, ou se junta aos rebeldes
para destruir a Aliança Galáctica que ele ajudou a criar?
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Star Wars - Histórias de Jedi e Sith

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Bem a tempo de comemorar a tão esperada revanche entre Obi-


Wan Kenobi e Darth Vader no próximo evento da Disney +, Obi-Wan
Kenobi , aqui estão dez histórias originais sobre os valentes Jedi e
os malvados Sith. Personagens grandiosos se enfrentam em
batalhas épicas de sabres de luz que irão agradar aos jovens
leitores e ao jovem fã de Star Wars que existe em todos nós! Dez
autores aclamados imaginam novos contos para alguns dos
personagens mais icônicos de Star Wars de todos os tempos, de
Luke Skywalker a Darth Vader, de Obi-Wan Kenobi a Darth Maul e
muito mais, completos com belas ilustrações.

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Star Wars - Comandos Imperiais - Legião 501ª

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Os Jedi foram dizimados no Grande Purgo e a República caiu.


Agora, os antigos comandos da República, as melhores tropas das
forças especiais da galáxia, clonadas de Jango Fett, encontram-se
em lados opostos e com armaduras muito diferentes. Alguns
desertaram e fugiram para Mandalore com os mercenários, clones
troopers renegados e Jedi renegados que compõem a resistência
desorganizada de Kal Skirata à ocupação Imperial. Outros, incluindo
homens do Esquadrão Delta e do Esquadrão Ômega, agora servem
como comandos imperiais, uma unidade de operações secretas
dentro da Legião 501ª de Vader, encarregada de caçar os Jedi
fugitivos e clonar desertores. Para Darman, que está de luto por sua
esposa Jedi e separado de seu filho, é um angustiante teste de
lealdade. Mas ele não é o único que será forçado a testar os laços
de fraternidade. Em Mandalore, os clones desertores e os próprios
nativos do planeta, que não amam os Jedi, terão as suas crenças
mais queridas desafiadas. Na nova e selvagem ordem galáctica,
antigas rixas poderão ter de ser postas de lado para se unirem
contra uma ameaça muito maior, e ninguém pode considerar as
antigas lealdades garantidas.

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Star Wars – A Alta República – Tentação da Força

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Por mais de um ano, os Mestres Jedi Avar Kriss e Elzar Mann foram
mantidos separados pela Muralha da Tempestade dos Nihil. Após
Avar fazer uma fuga ousada de dentro da Zona de Oclusão, os Jedi
destinados a se encontrar novamente se reúnem. Mas enquanto a
distância física entre eles evaporou, a tristeza compartilhada pelo
fracasso em proteger a galáxia da ameaça Nihil permanece. Para
unir a Ordem Jedi e a República, Avar e Elzar se apegam à crença
em servir à Luz e à Vida. Juntos, eles lideram uma ousada missão
no espaço Nihil para libertar o planeta Naboo e mostrar àqueles
presos atrás da Muralha da Tempestade que os Jedi nunca os
abandonarão. Agora, de volta à órbita próxima um do outro, os dois
Mestres Jedi não podem mais negar o vínculo que sempre os atraiu
de volta e os tornou mais fortes. Após finalmente abraçarem seus
verdadeiros desejos e imbuídos de um propósito renovado, Avar e
Elzar elaboram um plano para virar a maré do conflito com os Nihil
de uma vez por todas. Acompanhados pelos Cavaleiros Jedi Bell
Zettifar, Burryaga e Vernestra Rwoh, os Jedi começam a caçada por
Marchion Ro. Mas para encontrar o perigoso líder dos Nihil, os Jedi
terão que sobreviver aos terrores Inominável, que até agora eles
foram incapazes de deter.

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Star Wars – Busca por Sobreviventes

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Às vezes parece que o trabalho de um Jedi nunca termina, e Luke e


Mara Jade Skywalker sabem disso muito bem. Apesar do vínculo
que compartilham na Força, o Mestre Jedi e sua esposa ainda estão
aprendendo a lidar com o casamento após três anos juntos, e
lutando para encontrar tempo para ficarem juntos entre as
constantes demandas do dever. Mas tudo isso mudará quando eles
forem unidos em uma missão inesperada: eles devem unir suas
habilidades excepcionais para combater um inimigo insidioso e
resgatar uma parte da história Jedi. Seja o que for que os aguarda,
os Skywalkers não enfrentarão isso sozinhos. Juntando-se a eles na
estranha e solene jornada estão um oficial do Império pós-Palpatine
escoltado por um destacamento de stormtroopers imperiais; um
grupo de diplomatas de uma espécie alienígena gentil que
reverencia os Jedi caídos por salvá-los de conquistadores
sanguinários; e um embaixador da Nova República que guarda a
sua própria agenda misteriosa. Logo, desconfiança, segredos e um
sabotador desconhecido se espalham a bordo da nave isolada. Mas
o perigo mais grave está dentro das paredes abandonadas do Voo
de Partida, enterrado há meio século em um planetoide desolado. À
medida que o casco naufragado revela surpreendentes revelações e
terrores inesperados aos seus visitantes, Luke e Mara descobrem
que tudo o que defendem, e a sua própria existência, está sendo
brutalmente desafiado. O teste final será sobreviver à armadilha
cuidadosamente preparada por inimigos que são lendários por sua
crueldade, e determinados a completar o trabalho que Thrawn
começou: exterminar os Jedi.

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Star Wars – De um Certo Ponto de Vista - O Império
Contra Ataca

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Celebre o legado de O Império Contra-Ataca com esta emocionante


releitura do filme atemporal, apresentando novas perspectivas de
quarenta autores aclamados. Em 21 de maio de 1980, Star Wars se
tornou uma verdadeira saga com o lançamento de O Império Contra
Ataca. Em homenagem ao quadragésimo aniversário, quarenta
contadores de histórias recriam uma cena icônica de O Império
Contra-Ataca através dos olhos de um personagem coadjuvante, de
heróis e vilões a droides e criaturas. De um Certo Ponto de Vista
apresenta contribuições de 40 autores best-sellers e artistas que
definem tendências.

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Star Wars: Episódio II – O Ataque dos Clones

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Travesso e decidido, corajoso ao ponto da imprudência, Anakin


Skywalker atingiu a maioridade em uma época de grande agitação.
O aprendiz de dezenove anos de Obi-Wan Kenobi é um enigma
para o Conselho Jedi e um desafio para seu Mestre Jedi. O tempo
não diminuiu a ambição de Anakin, nem seu treinamento Jedi
domou sua veia independente. Quando uma tentativa de
assassinato da Senadora Padmé Amidala os reúne pela primeira
vez em dez anos, fica claro que o tempo também não diminuiu os
sentimentos intensos de Anakin pela bela diplomata. O ataque à
Senadora Amidala pouco antes de uma votação crucial empurra a
República ainda mais perto da beira do desastre. Os Mestres Yoda
e Mace Windu sentem um enorme desconforto. O lado negro está
crescendo, nublando a percepção dos eventos pelos Jedi. Sem o
conhecimento dos Jedi, um estrondo lento está se transformando no
rugido de milhares de soldados se preparando para a batalha. Mas
mesmo quando a República vacila ao redor deles, Anakin e Padmé
encontram uma conexão tão intensa que todo o resto começa a
desmoronar. Anakin se perderá, e seu caminho, em emoções que
um Jedi, que jurou lealdade apenas à Ordem, é proibido de ter.
Baseado na história de George Lucas e no roteiro de George Lucas
e Jonathan Hales, este romance intenso e revelador do autor best-
seller RA Salvatore lança uma nova luz sobre a lenda de Star Wars,
e habilmente ilumina uma de nossas sagas mais queridas.

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Star Wars: Última Chance

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Han Solo e Lando Calrissian estão reunidos na Millennium Falcon


em um romance sobre galáxia inspirado em Solo: Uma História Star
Wars. Mas mesma a nave mais rápido do universo não pode
ultrapassar o passado...

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Star Wars - Jovens Cavaleiros Jedi - Herdeiros da
Força

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Quando o Império morreu, eles nasceram, uma nova esperança


para a Nova República. Os jovens gêmeos de Han Solo e Princesa
Leia agora têm quatorze anos e estão matriculados na academia
Jedi de Luke Skywalker em Yavin 4. Junto com amigos, tanto
antigos quanto novos, os futuros heróis de uma saga já lendária
começam o seu treinamento. Enquanto exploram a selva fora da
academia, os gêmeos fazem uma descoberta surpreendente, os
destroços de um TIE fighter que havia caído anos atrás durante a
batalha contra a primeira Estrela da Morte. A engenheira mecânica
Jaina acredita que pode consertá-lo… se conseguirem furtar as
peças certas da academia. Enquanto isso, o trabalho deles está
sendo observado de perto, mas não pelos olhos da academia. O
piloto original, um soldado imperial, tem vivido na selva desde que a
sua nave caiu. Esperando para retornar ao dever. E agora a sua
chance chegou…
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Star Wars - Orla da Galáxia - Um Golpe do Destino

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Izzy e Jules eram amigos de infância, escalando as torres de Batuu,


inventando jogos bobos e sonhando com as aventuras que um dia
compartilhariam. Então, a família de Izzy partiu abruptamente, sem
sequer uma chance de se despedir. A vida de Izzy tornou-se uma
constante movimentação, viajando de um mundo para outro, até que
seus pais foram mortos e ela se tornou uma contrabandista de baixo
nível para sobreviver. Jules permaneceu em Batuu, eventualmente
se tornando um fazendeiro como seu pai, mas sempre ansiando por
algo mais. Agora, treze anos depois de ter partido, Izzy está
voltando para Batuu. Ela foi contratada para entregar um pacote
misterioso e só quer terminar o trabalho e ir embora. Mas, ao chegar
no Entreposto do Pináculo Negro, ela esbarra na única pessoa que
ainda significa algo para ela depois de todo esse tempo: Jules. A
atração entre eles é imediata, mas, apesar de Jules parecer ser tudo
o que ela sempre precisou, Izzy hesita. Como ela pode arrastar esse
homem de bom coração para a vida perigosa que ela escolheu?
Jules tem tentado descobrir seu futuro, mas agora tudo o que ele
sabe com certeza é que quer estar com Izzy. Como ele pode
convencê-la a arriscar com alguém que nunca deixou a segurança
de seu mundo natal? Quando o trabalho de Izzy dá errado, os dois
amigos de infância se veem fugindo. E todos os seus segredos
serão revelados enquanto lutam para permanecer vivos...

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Star Wars - Jogo das Sombras

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Javul Charn é a estrela pop mais famosa da galáxia, e a noiva


fugitiva de um tenente violento do Sol Negro, o sindicato do crime
comandado pelo Príncipe Xizor. Ou assim diz Javul. Logo após
Dash Rendar, falido e desesperado, concordar em ser o guarda-
costas de Javul, ele percebe que a franqueza não é seu ponto forte,
e que os assassinatos estão perseguindo a sua turnê. Entre a
descoberta de cadáveres num porão de carga e um ataque de uma
nave de guerra não identificada, Dash e o copiloto Eaden Vrill
tentam desesperadamente entender quem está aterrorizando a
turnê de Javul e por quê. Quando Han Solo de repente se junta ao
show itinerante de Javul, as apostas aumentam ainda mais. Agora
Dash, que tem uma história com Han e uma história ainda pior com
o Príncipe Xizor, segue seus instintos, suas descobertas e a própria
Javul, direto para um mundo que pode ser perigoso demais para
sobreviver.
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Star Wars - A Alta República - Cuidado com o
Inominável

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Os temíveis Nihil continuam a espalhar o caos dentro da Zona de


Oclusão, auxiliados pelas misteriosas criaturas chamadas de
Inomináveis, que se alimentam da própria Força. Quando o povo de
um mundo sitiado implora por ajuda contra a ameaça Nihil, uma
equipe composta por membros da Coalizão de Defesa da República
e Jedi, incluindo Ram Jomaram, é enviada para ajudá-los. A equipe
logo descobre que sua nave contém quatro clandestinos: os
Younglings Jedi Kildo, Tep Tep e Jamil, e Zenny Greylark, a filha de
uma senadora determinada a encontrar a sua irmã. Quando um
pedido de socorro vem de um planeta próximo, a Mestra Jedi Ada-li
Carro concorda em levar os clandestinos para investigar. Lá, eles
encontrarão um jovem Hutt numa missão, um estranho com motivos
misteriosos e as criaturas que mais temem.

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Star Wars - Legado da Força - Fúria

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Enquanto Luke lamenta a perda de sua amada esposa e lida com a


culpa de ter matado a pessoa errada em retaliação, Jaina, Jag e
Zekk caçam o verdadeiro assassino, sem saber que o culpado
comanda poderes Sith que podem nublar as suas mentes, desviar
os seus ataques, e até mesmo fazê-los se voltar contra si mesmos.
Enquanto Luke e Ben Skywalker lutam para encontrar o seu lugar
em meio ao caos, Jacen, rejeitado por amigos e familiares, lança
uma invasão para resgatar a única pessoa que ainda é leal a ele.
Mas com a batalha se intensificando, e a galáxia se tornando cada
vez mais turbulenta e caótica, não há dúvida de que Jacen é o mais
procurado, vivo ou morto.

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Star Wars - A Alta República - Lágimas do
Inominável

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Escrito pelo autor de A Alta República: Olho da Escuridão, A Alta


República: Em Busca da Cidade Oculta, Lendas Sombrias e Mitos &
Fábulas, este próximo capítulo de A Alta República: é perfeito para
fãs de mistérios investigativos, mitologia, caça a monstros e ficção
científica apocalíptica. Já se passou mais de um ano desde a queda
da estação espacial Farol Luz Estelar, e tanto heróis quanto vilões
precisam enfrentar as consequências de suas decisões. Quando o
Cavaleiro Jedi Reath e o Padawan Amadeo Azzazzo são enviados
em uma missão para testar as suas teorias sobre os Inomináveis,
eles se deparam com as criaturas aterrorizantes que antes eram
consideradas mitos, e aprendem o verdadeiro significado do medo...
medo que o Jedi caído Azlin Rell os aconselhou a abraçar, se
tiverem alguma esperança de derrotar os monstros...

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