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Star Wars: Poe Dameron - Queda Livre é uma obra de ficção que explora a vida de Poe Dameron, um jovem piloto em busca de se conectar com a memória de sua mãe, Shara Bey, enquanto lida com a rejeição de seu pai, Kes Dameron. A história retrata a luta interna de Poe entre seguir seus sonhos de aventura e o peso do luto familiar. O livro é uma homenagem à franquia Star Wars e é disponibilizado gratuitamente por fãs para outros falantes de português.
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Star Wars: Poe Dameron - Queda Livre é uma obra de ficção que explora a vida de Poe Dameron, um jovem piloto em busca de se conectar com a memória de sua mãe, Shara Bey, enquanto lida com a rejeição de seu pai, Kes Dameron. A história retrata a luta interna de Poe entre seguir seus sonhos de aventura e o peso do luto familiar. O livro é uma homenagem à franquia Star Wars e é disponibilizado gratuitamente por fãs para outros falantes de português.
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Star Wars: Poe Dameron - Queda Livre é uma obra de ficção.

Nomes, lugares, e outros incidentes


são produtos da imaginação do autor ou são usadas na ficção. Qualquer semelhança a eventos atuais,
locais, ou pessoas, vivo ou morto, é mera coincidência. Direitos Autorais © 2020 da Lucasfilm Ltd.
® TM onde indicada. Todos os direitos reservados. Publicado nos Estados Unidos pela Del Rey, uma
impressão da Random House, um divisão da Penguin Random House LLC, Nova [Link] REY e a
HOUSE colophon são marcas registradas da Penguin Random House LLC.

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Todo o trabalho de tradução, revisão e layout desta história foi feito por fãs de Star Wars e com o
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Índice

Capa
Página Título
Direitos Autorais
Dedicatória
Epígrafo
Parte I: De Castigo
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Parte II: Renegado
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Parte III: Despertando
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
Capítulo 29
Capítulo 30
Capítulo 31
Parte IV: Consequência
Capítulo 32
Capítulo 33
Capítulo 34
Capítulo 35
Capítulo 36
Capítulo 37
Capítulo 38
Capítulo 39
Capítulo 40
Capítulo 41
Sobre o Ebook
Sobre o Autor
Para a minha família, sempre.

Com imensa gratidão a toda a família Star Wars, especialmente a


Michael Siglain e minha incrível editora, Jen Heddle; ao meu agente,
Josh Getzler; meu bom amigo Bryan Young; e as muitas pessoas que
ajudaram a tornar este livro uma realidade. Estou eternamente em
dívida com vocês.
— Iaaahoooo!
O grito escapou dos lábios de Poe Dameron quando o A-Wing guinou
pra cima com um longo e doloroso tremor, com a velha nave mal se
desviando do trio de naves da Força de Defesa Civil que avançava em sua
direção.
— Não é bom, Poe, nada bom, — murmurou para si mesmo enquanto
verificava o visor de sua nave. Quatro naves no total.
Todas armadas. Todas provavelmente irritadas. Todas em melhor estado
que o velho pássaro de sua mãe. As chances não são nada boas.
— O que mais é novidade? — ele perguntou, com um sorriso surgindo
em seu rosto.
Isso deveria ser divertido, disse a si mesmo, apenas uma escapada
rápida para liberar um pouco de tensão. Mas havia ido mais longe, mais
alto, do que pretendia, e quando percebeu, já estava na mira de alguém.
Um estalo de som sinalizou uma mensagem de seus perseguidores. Poe
a ignorou. A voz rouca do homem, no entanto, cortou o silêncio.
— Poe, esta é sua última advertência, filho, — disse Griffus Pinter, um
dos amigos mais próximos de seu pai e um pilar da Força de Defesa do
sistema Yavin. Poe conseguia visualizar a expressão do homem mais velho,
a barba grisalha desgrenhada tremendo levemente a cada palavra furiosa. —
Eu não quero ter que atirar em você.
Poe hesitou por um segundo, com a sua mão pairando sobre os controles
da nave. Mesmo aos dezesseis anos, Poe era maduro o suficiente para
reconhecer um ponto de inflexão quando o alcançava. Poderia desistir, se
render, e talvez escapar ileso. Receber mais uma advertência. Enfrentaria a
ira de seu pai novamente, claro, mas até mesmo aqueles olhares frios
tinham um limite. Seria mais um incidente numa longa série de incidentes
rebeldes de Poe desde, bem, desde oito anos antes.
Desde o dia mais sombrio de sua jovem vida.
O A-Wing se virou pra baixo, como se estivesse indo em direção à lua,
o movimento repentino colocando uma pressão na velha nave, como
evidenciado por sons que Poe nunca ouvira antes. Griffus parecia
igualmente chocado. Os palavrões que pulavam pelo comunicador eram
quase musicais, uma coleção de palavras que Poe dificilmente poderia
imaginar nos seus momentos mais criativos.
Tudo começara como uma brincadeira. Uma brincadeira alimentada por
raiva, se Poe fosse honesto consigo mesmo. A discussão com o seu pai
tocou os mesmos pontos de muitas outras anteriores. A menor sugestão de
Poe se tornar piloto, de deixar Yavin 4 e seguir os passos de sua mãe, Shara
Bey, foi recebida com uma rejeição imediata. Uma faísca de emoção que
Poe só via em seu pai em momentos como aquele. No resto do tempo, Kes
Dameron era taciturno, isolado e distante. Dessa vez, palavras duras foram
trocadas. Poe foi lembrado de sua inexperiência e juventude. Lágrimas.
Gritos. Portas fechadas e um crescente abismo entre os dois Damerons.
Entrar furtivamente no A-Wing foi uma fuga rápida. Um lugar para se
esconder e pensar. O cheiro e a sensação da nave de sua mãe serviam como
o último santuário de sua memória. Um último lugar onde Poe podia se
conectar com uma mulher que ainda deveria estar ali. Ainda deveria estar
em casa quando chegasse tarde, esperando com uma xícara quente de chá
de Tarine em suas mãos calejadas pelo trabalho, com um sorriso
reconfortante no rosto.
— Precisamos conversar, Poe? — ela perguntaria nesses momentos
imaginários, nessas cenas que ainda pareciam muito reais. Que ainda doíam
demais.
Antes que percebesse, no entanto, já estava apertando os botões e
levando a nave pra fora. Naquele momento, a mente de Poe voltara, para a
mesma cabine, o mesmo A-Wing, oito anos antes, para a sua mãe, a mão
dela sobre a sua, guiando-o. Eles costumavam sair de vez em quando. Ela
queria que Poe aprendesse, dizia ao pai de Poe, Kes, quando ele protestava.
Quem melhor para ensiná-lo? A nave girava num rodopio, com as suas
cabeças se chocando enquanto ela ria, aquele riso claro e forte.
Confiante e caloroso, como tudo o que a sua mãe fazia. Poe sabia,
mesmo naquela época, que Shara Bey era uma heroína. Talvez não soubesse
que ela era uma heroína para a Rebelião, para as forças que se reuniriam
para criar a Nova República, mas ela era uma heroína pra ele. Uma luz para
a qual ele sempre era atraído, uma fonte de onde tirava a sua força.
E ela se foi.
A sua mente foi puxada de volta para o presente, o grito estático de
Griffus substituído por uma voz mais clara. Ameaçadora. Desconhecida.
A sentença foi breve, mas a sua mensagem era muito, muito clara.
— Abrir fogo.

Os dois primeiros tiros foram de advertência. Poe, apesar de sua


inexperiência em batalhas espaciais, sabia o suficiente.
— Você diz a eles o que está fazendo, cada passo, — a sua mãe dissera.
— Se você quer que o conflito se acalme, você tem que dar a eles toda
chance de fazer isso por você.
Mas o terceiro tiro veio com força, jogando o A-Wing num giro. A nave
começou a girar, e os controles piscavam.
— Uh, acho que o pegamos...
— Não, droga, não, — disse outra voz. — Mudem o curso,
imediatamente. Precisamos recuperar...
Então a comunicação foi interrompida. Um silêncio inquietante
permeou os pequenos compartimentos do A-Wing, substituindo o barulho.
A pele de Poe esfriou enquanto ele tentava recuperar algum tipo de
equilíbrio.
A voz do oficial da Força de Defesa estava nervosa. Alguém havia
ultrapassado os limites. Atirado com a intenção errada. O chiado de ar, um
compartimento rompido, algo que deu errado, encheu os ouvidos de Poe
enquanto a sua cabeça batia pra trás, um som alto seguindo um segundo
depois. Os giros não podiam mais ser contados, era uma rotação constante
enquanto a nave guinava para baixo, o visor de controle num cinza
apagado.
Poe tentou manter os olhos abertos. Tentou se concentrar no que poderia
fazer. A nave não estava morta, não podia estar. Era a nave de sua mãe.
Havia sido a sua fiel companheira em mais missões rebeldes do que Poe
podia imaginar. Shara Bey da Rebelião. Heroína da Batalha de Endor.
Amiga da Princesa Leia Organa e do Cavaleiro Jedi Luke Skywalker.
Mãe.
À medida que a pressão aumentava, enquanto a nave se desfazia ao seu
redor, a mente de Poe derivou para a fazenda. Os seus olhos reviraram nas
órbitas, sua mente tomada pela vertigem enquanto o instável A-Wing
ganhava velocidade, avançando na atmosfera da lua de Yavin. Ele estava
indo para casa.
— Desculpa, pai, — disse Poe, com a sua voz um sussurro. — Mãe.
Kes Dameron abriu a porta da frente da pequena casa que ele mesmo havia
construído. Olhou para a noite de Yavin 4, por cima dos hectares de terra
que cultivava diariamente, e esforçou-se para tentar enxergar algo.
Qualquer coisa. Um lampejo de luz, uma figura sombria. Um sinal de que
não havia cometido outro terrível erro.
Ouviu o A-Wing ligando. Não ficou surpreso. Nos últimos oito anos,
desde que Shara morreu, eles vinham tendo alguma versão dessa conversa.
Poe mencionava o desejo de voar, de ser como ela, de se juntar à Nova
República, de ver as estrelas. Variava. Às vezes era um comentário casual
sobre Shara; outras vezes, uma pergunta inocente sobre o passado.
— Como era o Han Solo, pai?
— Podemos falar sobre a Batalha de Endor?
— A mãe realmente ajudou a destruir uma Estrela da Morte?
Cada vez, de diferentes maneiras, Kes rejeitava o filho. Mesmo após
oito anos, não conseguia se forçar a falar sobre Shara. As lembranças
tinham sumido, guardadas em caixas e armazenadas num galpão que Kes
não ousava se aproximar, na extremidade da faixa de terra que eles um dia
possuíram juntos. Não conseguia se forçar a pensar em como o sorriso dela
brilhava nos momentos mais sombrios, ou como a sua mão no rosto dele
podia acalmá-lo. Doía demais. Doía vê-la, ou partes dela, vivendo,
respirando e se movendo em Poe. A sede por aventura. O charme. Ele era o
filho de Shara. Mas Shara se foi. Por mais que amasse o seu filho, ainda
doía ver a sua esposa nos olhos do garoto.
Kes sabia que estava distante. Do garoto, dos velhos amigos, das
pessoas que os conheciam como Kes e Shara. As mensagens ignoradas. As
longas temporadas passadas na fazenda, sem ir à cidade ou aos portos. O
clima tropical de Yavin 4 havia atraído eles quando compraram a terra e
começaram a cultivá-la juntos como uma família. Agora, o que atraía Kes
era o tamanho pequeno do assentamento. Conhecia praticamente todos na
lua e sabia das suas rotinas, o que tornava mais fácil evitá-los e seguir com
os seus afazeres do seu próprio jeito.
A maioria dos amigos entendeu a dica. Pararam de checar depois de
alguns anos. Se o viam na cidade, os cumprimentos eram breves, cordiais o
suficiente, mas sem persistência. Kes preferia ficar sozinho, de qualquer
forma. Já tinha problemas o suficiente com isso. Mas L'ulo L'ampar
continuava.
O piloto Duros era um amigo. A sua pele verde e o seu sorriso cativante
eram capazes de iluminar qualquer situação. Ele era leal e honesto, e, se
Kes fosse sincero consigo mesmo, não queria perder o homem da vida dele
e de Poe. L'ulo havia voado na Rebelião com Shara antes e depois da
Batalha de Endor. Ele a incentivou a se aposentar após a derrota épica do
Império. Tinha até se estabelecido em Yavin 4 como parte da Força de
Defesa Civil do sistema, embora viajasse frequentemente. Ele era mais
como família do que um amigo, e quando vinha visitar, Kes tentava ao
máximo tornar esses momentos especiais. Poe, mesmo como um
adolescente teimoso, adorava L'ulo, vendo-o como um talismã perdido, um
elo com a mãe que ele estava esquecendo à medida que o tempo passava.
Para Kes, L'ulo era um elo com uma vida que já não vivia mais, ou se
interessava. Uma vida de perigo e intriga e, em seus momentos de maior
clareza, uma vida de amor. Mas esse amor havia cobrado um preço há oito
anos, e nunca mais poderia se arriscar dessa maneira novamente. Então,
quando L'ulo aparecia, eles celebravam. Permitia que o seu amigo
encantasse Poe com histórias de batalhas contra o Império, compartilhasse
dicas e truques de voo, e os envolvesse no brilho de Shara por mais um
tempo.
Poe.
Onde Kes havia errado? Tinha sido tão egoísta em seu próprio luto,
levantando barreiras, apagando o passado, que não parou para considerar
que o seu filho talvez precisasse se conectar com alguém? Para rir, sofrer ou
pensar na mãe? Kes sabia que isso era verdade, mas não podia controlar o
que havia feito. Poe era o melhor deles, mas Kes só via o melhor de Shara
quando olhava para o garoto, agora mais próximo de um homem do que de
uma criança. Ele via a coragem. Via o olhar de admiração e a sede por
aventura de Poe. Via, claramente, os limites de Yavin 4. Sabia que, com o
tempo, Poe partiria, com ou sem a bênção de Kes.
Kes saiu para o quintal, chutando um pouco da terra irregular ao longo
do caminho que levava à pequena casa. Poderia ter facilitado para Poe,
apoiado-o e simplesmente esperado que os valores que ele e Shara haviam
incutido nele, cautela, confiança nas suas habilidades, fé na Força, o
conduziriam. Mas Kes não era esse tipo de pessoa. Não mais. Já havia
perdido demais. Não podia perder Poe também. Se isso significava
construir uma barreira entre ele e a memória de Shara, se significava
impedir que Poe saltasse para o espaço até que Kes achasse que estava
pronto, assim seria.
Kes balançou a cabeça levemente. Ouviu o barulho, mas demorou um
momento para rastreá-lo.
Passos.
Virou-se em direção à extremidade mais distante de sua propriedade.
Duas figuras. Armadas. Alcançou a arma de mão que não usava há anos,
desde os seus dias como Desbravador na Rebelião. Pensou em correr de
volta para a casa, pegar o rifle blaster que mantinha trancado atrás da cama,
mas sabia que não teria tempo. Kes não era mais tão rápido quanto
costumava ser, ex-Desbravador ou não, e os homens que se aproximavam
estavam num ritmo acelerado. Ele estaria morto antes de chegar à porta.
O homem à esquerda acenou. Kes esperou. Um sinal de paz, ele pensou,
mas já havia sido enganado por homens melhores antes. A sua mão parecia
estar enrijecida enquanto os seus dedos esticavam novamente, buscando a
arma que não estava ao seu lado. O que esses homens querem?
Quando chegaram perto o suficiente, o homem à esquerda falou em voz
alta e grave.
— Kes Dameron?
Finalmente, os seus traços ficaram visíveis à luz que refletia de Yavin.
Pessoal da Força de Defesa. O homem à esquerda, Robhar Dern, era
conhecido de Kes. Ele havia trabalhado com Shara. O homem à direita não
era. Quem quer que fossem, eram más notícias. A Força de Defesa não
vinha à sua casa para dizer oi ou checar como estavam as crianças.
Poe.
Kes sentiu a sua pele gelar.
— Kes, desculpe incomodar, — disse Dern, apertando a mão de Kes
com firmeza. Ele parecia exausto. Eles tentaram chegar rápido. Isso não era
um bom sinal.
— Sem problemas, — disse Kes. — O que traz vocês aqui tão tarde?
— Guz Austin, senhor, — disse o novo, com os seus olhos famintos e
jovens. — Queríamos agradecer...
— Por que estão aqui? — Kes perguntou, com mais firmeza dessa vez,
seus olhos fixos em Dern.
Dern se contorceu um pouco, seu rosto se transformando numa careta
desconfortável.
— Kes, vamos precisar que você venha conosco até a estação, tudo
bem? — Dern disse.
Kes não precisava ouvir mais nada. O seu coração afundou, um vazio
crescente o preenchendo de dentro para fora.
— Acorde, — alguém disse. — Levante-se, garoto. Hora de ir.
A cada palavra, Poe sentia uma pontada de dor ao seu lado. Gentil, mas
focada. Sabia o que era. A coronha de um rifle blaster. Não era a primeira
vez que Poe estava ali. Mas era a primeira vez que se sentia tão mal, ou tão
surpreso por ter sobrevivido. Estou vivo, pensou. Deveria estar pulando de
alegria. Mas tudo que sentia era dor e, vergonha? Não queria abrir os olhos.
Não queria estar vivo. Não se sentindo assim, com o corpo inteiro dolorido,
a boca seca, o rosto frio e molhado com as suas próprias lágrimas. Os
momentos frenéticos no espaço, na nave de sua mãe, se foram. A sua
memória do pouso era confusa, as visões do A-Wing caindo na água,
especialistas da Força de Defesa circulando a nave para suavizar a queda,
mas lembrava o suficiente pra saber que a nave de sua mãe havia sido
destruída. Isso não era o que deveria estar pensando, refletiu. Deveria estar
feliz por ter saído com duas pernas, dois braços e a cabeça intacta. Mas a
dor que sentia não era física, era pela nave de sua mãe, a nave em que
aprendeu a voar com ela. Como Shara Bey, ela se foi. Como Shara Bey,
havia sido abatida do céu, bem diante de sua própria janela.
Sentiu uma mão em sua gola, puxando-o para uma posição de pé.
Instinto, não desejo, fez com que ele se levantasse. As suas pernas estavam
trêmulas, suas costas ardiam, e uma rápida passada de mão pelo rosto
revelou que ele tinha mais hematomas e arranhões do que gostaria. Um
exame da parte interna da boca revelou que ele ainda tinha os dentes.
Sempre há um lado positivo, pensou Poe.
Abriu os olhos. O oficial da Força de Defesa Civil parecia um pouco
aliviado ao ver qualquer sinal de que Poe estava vivo.
— Está com a gente, Dameron? — a mulher disse, com a sua expressão
severa, mas cuidadosa. — Os médicos disseram que você estava bem, só
alguns arranhões e machucados, nada muito sério, o que, honestamente, é
um tipo de milagre.
— A...a nave, — disse Poe, com a sua voz soando como metal raspando
em pedra. — Onde está...? Quem é você?
— Elia Litte, Defesa Civil. Vamos deixar claro, você está perguntando
pela nave mesmo? — a oficial disse. — Garoto, você está fora de si?
Aquela nave não é mais nada. Só sobras e destroços. Quem se importa com
a nave? Você está vivo.
— Eu me importo, tá? — disse Poe, com a sua voz subindo e os seus
olhos se enchendo de lágrimas. — Eu quero ela de volta. É minha.
Litte deu um passo pra trás, balançando a cabeça.
— Você precisa colocar as suas prioridades em ordem, amigo, — disse
ela, apertando um botão na porta da cela. Ela abriu com um chiado e ela
saiu. — Por sorte sua, você tem um passe livre pra sair daqui. Deve ser bom
ter conexões.
Litte fez um gesto pra que a seguisse. Poe hesitou a princípio, mas até
mesmo sua rebeldia inata lhe dizia que essa oportunidade não voltaria. Ela o
conduziu por um longo corredor, alinhado com outras celas que abrigavam
a coleção da noite de bêbados, criminosos de pequeno porte e personagens
duvidosos. Yavin 4 não era uma colônia grande. Era um conjunto disperso
de assentamentos que tendiam a se agrupar em torno dos portos e templos
da lua, um lugar transitório. Os colonos não estavam lá há muito tempo,
pouco mais de uma década. Antes de ser convertida numa base rebelde,
Yavin 4 não tinha vida inteligente de que se soubesse; a civilização que
construiu os seus templos há muito havia desaparecido. Após a destruição
da primeira Estrela da Morte do Império, os rebeldes abandonaram a lua
como base e, após uma breve ocupação pelo Império e na esteira da
destruição da segunda Estrela da Morte, os colonos começaram a chegar em
Yavin 4, muitos deles ex-combatentes rebeldes em busca de um pouco de
paz e tranquilidade após a guerra. Os residentes permanentes de Yavin 4
eram acompanhados por comerciantes, trabalhadores qualificados, coletores
que mergulhavam na atmosfera do gigante gasoso para recolher gemas, e
pessoas em busca de um lugar para reabastecer e recarregar antes de chegar
ao seu destino real. Prospectores que passavam tempo nas outras luas de
Yavin vinham a Yavin 4 para relaxar, beber os seus ganhos e se divertir. Isso
era ótimo para eles, para pessoas que podiam saltar para suas naves e sair
do planeta a qualquer momento. Mas para Poe, isso significava uma coisa:
Yavin 4 era um lugar chato, sem saída e sem chance de ficar mais animado.
— Você está livre para ir, Dameron, — disse Litte, tirando Poe de seu
devaneio.
Demorou um momento pra entender o que estava acontecendo. Eles
estavam em algum tipo de vestíbulo apertado, uma longa mesa estreita os
separando do que muitos dos outros ocupantes atrás de Poe considerariam
liberdade. Mas quando Poe viu ele, soube o que tinha acontecido. Soube
como havia conseguido sair da contenção com tanta facilidade.
— Claro, — Poe disse baixinho.
Ela agarrou o seu braço e o empurrou pra frente.
— Garoto, você deveria estar de joelhos agradecendo aquele homem ali,
— disse Litte. — Eu gostaria de ter um pai metade tão leal como ele tem
sido para você. O meu teria desistido de mim na segunda ou terceira vez
que eu fiz algo assim. Ouvi dizer que você já fez isso umas sete ou oito
vezes, segundo o seu histórico.
Poe sacudiu o aperto da oficial e mancou para além da mesa, passando
por Kes Dameron, e saiu pela noite de Yavin 4.

— Você poderia ter morrido, Poe, — Kes disse finalmente, ao alcançá-lo do


lado de fora da estação.
O seu pai parecia mais magoado do que zangado. A confusão e a dor em
seu rosto mostraram a Poe mais emoção em alguns momentos do que havia
demonstrado em meses.
— Bem, estou bem, — Poe disse, sem olhar diretamente para o pai, mas
diminuindo o passo o suficiente para que Kes o alcançasse. A verdade era
que ele não estava bem, pelo menos fisicamente. O acidente tinha sido
milagroso no sentido de que Poe sobreviveu. Mas ainda estava tentando
entender a orquestra de dores que o seu corpo estava experimentando. Ele
se sentia destruído.
O seu pai colocou as mãos nos ombros de Poe.
— Você não está bem, — Kes disse, balançando a cabeça. — Você
quase morreu. Teve sorte. Isso não vai durar pra sempre, está me ouvindo?
Isso é exatamente...
— Exatamente o quê? — Poe cuspiu. — O que você me avisou milhões
de vezes quando me impediu de voar? Antes mesmo de eu caber numa
cabine? Quando você me avisava sobre coisas antes de eu saber do que
você estava falando, porque não suportava a ideia de eu fazer qualquer
coisa que não fosse ficar nessa lua sem futuro, assistindo a grama crescer?
Kes fez uma careta, como se estivesse engolindo palavras das quais
sabia que se arrependeria.
— Poe, você tem ideia do que foi necessário? Pra eu te tirar de lá de
novo? — Kes disse, arregalando os olhos. — Os favores que tive que pedir?
As pessoas a quem tive que implorar? Esta não é a primeira vez, e eles já
estavam prontos pra te deixar lá. Se não fosse por sua...
— Minha mãe? — Poe disse, elevando a voz, furioso. — Você consegue
dizer isso, pai? Consegue dizer o nome dela agora? Parece que ela nem
existia da última vez que discutimos.
Kes deu um passo para trás. Poe pôde ver a mandíbula de seu pai se
apertar. Ele instantaneamente sentiu arrependimento. Um pouco de
arrependimento. As palavras eram a sua verdade, sua raiva. Mas ele sabia
que o seu pai não merecia toda a sua fúria. Não agora. Nunca. A raiva foi
seguida pela vergonha.
— Eu, eu sinto muito, pai, — Poe disse, virando-se. — Eu só...Eu não
consigo agora.
— Não consegue o quê, Poe? — Kes perguntou, dando um passo em
direção ao filho. Mas antes que pudesse reagir, Poe começou a correr.
Olhou para trás por um momento e viu o seu pai lutando para reagir, para
correr atrás dele. Mas Kes não se moveu. Enquanto Poe acelerava na noite
de Yavin, olhou para trás novamente e viu Kes Dameron, apenas um
pequeno ponto ficando cada vez menor à distância.
Como esperava, L'ulo L'ampar encontrou Poe Dameron correndo em
direção aos portos. Em direção à fuga.
L'ulo trouxe o seu speeder para a direita de Poe, enquanto o jovem se
virava para encará-lo. A expressão de Poe era de raiva misturada com medo
e vergonha. A sua postura era rígida, como se estivesse correndo com dor.
Ele não se moveu em direção ao veículo de L'ulo. Na verdade, L'ulo meio
que esperava que fugisse.
Mas o seu vínculo era forte, L'ulo disse a si mesmo. O garoto ouviria a
razão.
Não precisava ouvir de Kes para saber o que havia acontecido. Os seus
colegas na estação da Força de Defesa de Yavin 4 o alertaram sobre a
aventura de Poe e o subsequente acidente. L'ulo permitiu-se um momento
de arrependimento e nostalgia pelo envelhecido A-Wing de Shara, mas isso
foi rapidamente superado pelo alívio que sentia por Poe. Certamente Kes já
havia lembrado o seu filho de como ele esteve perto da morte, mas L'ulo
também imaginava que a voz de Kes havia se tornado uma espécie de ruído
branco para o garoto, e talvez uma abordagem diferente ajudasse.
— Poe, — L'ulo disse, com a sua voz clara e focada. — O que está
acontecendo?
Poe balançou a cabeça, como se percebendo de que lado L'ulo já estava.
— Você também, L'ulo? — Poe disse, com as palavras soando mais
como uma pergunta do que uma afirmação. — Eu não aguento isso de você
também.
— Não é assim, garoto. Você me conhece, — L'ulo disse, mantendo o
seu tom calmo. — Vamos só conversar.
— Eu não quero conversar. Talvez eu não queira mais discutir, L'ulo, tá
bom? — Poe disse.
Estava ficando mais agitado, com os olhos arregalados, a sua túnica
grudada no peito pelo suor. O garoto havia sobrevivido a uma experiência
de quase morte e provavelmente acabado de ter uma discussão épica com o
seu pai, a quem L'ulo sabia que Poe amava, mas também ressentia em igual
medida. O fato era que Poe Dameron estava se destruindo por dentro, e
L'ulo não tinha certeza do que fazer a respeito.
— Conversa comigo, garoto, — L'ulo disse, fazendo um gesto para que
Poe se aproximasse do veículo. Hesitantemente, ele o fez. L'ulo deu um
tapa leve no rosto de Poe, um sinal de afeto. — Eu não sou um fazendeiro
de Yavin, sabe? Já vi muita coisa por aí. — Ele apontou com o queixo para
o céu noturno. — Com a sua mãe. Com a Rebelião. Este lugar não é pra
mim também. Mas...
Poe recuou.
— Não, nada de 'mas', L'ulo, — Poe disse. — Estou cansado de debater
isso, com você, com o meu pai, com este lugar...
Ele se moveu ao redor, com os braços abertos, como se dissesse, Olhe
ao seu redor.
— Não há nada pra mim aqui, tá? Eu não quero ser fazendeiro. Não
quero viver com o meu pai, ou cuidar da terra, ou passar os meus dias em
introspecção silenciosa, sabe? — Poe disse, agarrando a borda do speeder,
seus nós dos dedos ficando brancos pelo esforço. — Eu quero ver o que há
lá fora. Eu quero fazer algo. Algo que importe. Eu quero voar e explorar,
como...
— Como Shara, — L'ulo disse. — Eu sei, garoto. Eu sei.
Poe olhou em seus pés. Girou ao redor e chutou a terra, aparentemente
sem saber o que mais fazer com o seu corpo.
— Por que ele não entende isso, L'ulo? — Poe perguntou. — Por que
ele simplesmente não me deixa ir?
— A culpa não é dele? Você é tudo o que ele tem.
— E ele é tudo o que eu tenho, — Poe disse, virando-se para encarar o
seu amigo. — Mas o que meu pai espera? Que eu fique aqui, com ele, pra
sempre?
— Dúvido que ele tenha pensado nisso com tanta profundidade, —
L'ulo disse. — Mas ele quer te proteger.
— Ele não quer que eu morra como a minha mãe morreu, — Poe disse.
— No espaço. Sozinha.
— Certo.
— Mas eu não vou, — Poe disse, com a sua voz tremendo como se ele
não acreditasse realmente em si mesmo. — Eu posso voar. Ela me ensinou.
Você ajudou. Você sabe que eu posso fazer isso. Eu sou bom.
L'ulo assentiu. O garoto estava certo. Ele tinha talento. Não muita
experiência, mas pelo pouco que L'ulo havia visto, sabia que Poe tinha as
marcas de um grande piloto. Todos os elementos estavam lá. A confiança.
A determinação. A natureza destemida. A habilidade de absorver ideias
técnicas complicadas e transformá-las em ação. Poe tinha tudo. Ele só
queria uma chance.
Shara Bey teria dado essa chance a ele? L'ulo desligou o speeder e
saiu.
Sentiu a resposta para a pergunta ecoando em sua cabeça, mas não
queria ouvi-la. O seu instinto era manter Poe seguro, mantê-lo em Yavin 4.
Era o que Kes queria.
A verdadeira resposta era complicada, percebeu enquanto caminhava
em direção ao garoto que amava como um filho.
— A sua mãe já falou sobre Endor, Poe? — L'ulo perguntou, sentando-
se e fazendo um gesto para o garoto se aproximar. — Aquela última
batalha?
— Com a Estrela da Morte? — Poe perguntou, sentando-se. — Não,
não muito. Não que eu me lembre.
L'ulo se lembrava, do ataque à segunda Estrela da Morte, dos amigos
que perderam, das esperanças que afundaram, e da súbita onda de vitória. A
celebração eufórica em Endor que se seguiu parecia ter acontecido
momentos antes e eras atrás ao mesmo tempo. Não havia limite para o que
poderiam fazer então. Haviam derrubado um gigante supostamente
invencível.
— Em Endor, depois da batalha, depois que vencemos, — L'ulo disse,
escolhendo as suas palavras com cuidado, sabendo o impacto que teriam, —
a sua mãe parecia tão radiante. Tão viva. O seu pai também. Cansado, mas
também aliviado e feliz e ansioso para ver o que viria a seguir. Sabíamos
que o trabalho não estava terminado. O Império não estava totalmente
morto. Mas a besta tinha sido decapitada, e era só uma questão de assistir o
corpo morrer.
— Eu sabia, quero dizer, todos nós sabíamos, que eventualmente ela e o
seu pai se estabeleceriam, — L'ulo continuou. — Sabíamos que eles iriam
querer te criar em algum lugar e não ter que te ver apenas quando
estivessem de licença ou, pior, nunca mais.
Poe parecia hipnotizado, com a sua expressão presa a cada palavra.
— O nosso trabalho envolvia um grande risco, Poe, — L'ulo disse. —
Sempre havia a chance de não voltarmos. Que houvesse poeira onde a nossa
nave estava alguns segundos antes. A sua mãe e o seu pai sabiam disso.
— Então, eles não queriam mais isso? Viver com medo? — Poe
perguntou, quase implorando. — É isso que você está me dizendo?
L'ulo levantou a mão para acalmá-lo. Deixe-me terminar, ela dizia a
Poe.
— Eles queriam estar lá para você. Isso superou tudo, o desejo de
aventura, o dever, as suas próprias vidas, — L'ulo disse. — Mas quando
perguntei à sua mãe, num breve e silencioso momento em meio a todo
aquele caos e celebração, 'Como será não estar mais lá fora, Shara? Não
estar mais voando pelas estrelas numa nova aventura a cada dia?', ela se
virou e me olhou como se eu fosse louco.
— O que, o que ela disse?
— Ela me disse: ’Eu sempre estarei lá fora, L'ulo. Sempre estarei entre
as estrelas, voando’, — disse L'ulo, com as suas palavras saindo
metodicamente. Entendia que Poe estava num estado frágil. Qualquer coisa
que dissesse poderia ser mal interpretada, causando mais danos do que
benefícios. Mas também sentia uma responsabilidade para com Shara e o
que ela poderia ter feito em seu lugar, naquela noite. — Mas ela também
reconhecia o risco que isso trazia, e sabia o preço que poderia pagar se
ignorasse o que havia trabalhado tanto para construir, a sua família, a sua
vida, pra perseguir aventura e emoções.
— Não jogue dos dois lados comigo, L'ulo, — disse Poe, balançando a
cabeça. — Esse não é o seu estilo. Além do meu pai, você foi quem mais
conheceu a minha mãe. Pare de medir as suas palavras. Me diga a verdade.
— Eu não sei o que...
— Você sabe sim, — disse Poe, seus olhos fixos. Ele não estava
recuando, L'ulo percebeu. — Você sabe exatamente o que a minha mãe
faria. E Kes também. Ela era uma buscadora de emoções. Uma heroína. Ela
corria riscos e lutava muito. Ela faz parte de mim. Você vê isso, L'ulo. E
isso te assusta, não é?
O aceno que L'ulo deu em resposta foi quase reflexivo, tão rápido que o
velho Duros não poderia ter evitado, mesmo se quisesse. Isso foi suficiente
para Poe Dameron.
Poe se levantou de repente. As suas mãos tremiam. Ele recuou de L'ulo,
quase tropeçando em si mesmo.
— Poe?
— Eu...eu preciso ir. Eu preciso ir, — Poe murmurava pra si mesmo. —
Eu...eu preciso ir.
Com isso, Poe Dameron se virou e correu.
L'ulo deu a si mesmo um ou dois momentos antes de se levantar, sacudir
o uniforme e voltar para o seu landspeeder. Ele olhou para suas mãos e viu
os machucados e o desgaste de um Duros que viveu uma vida de ação e
aventura, um homem que não estava entediado nem passava o dia carregado
por arrependimentos e hesitações. Queria isso para Poe. Sabia que era
egoísmo. Será que o seu próprio ego, L'ulo pensou, acabara de empurrar o
garoto para a própria destruição? Ouviu as suas próprias palavras antes
mesmo de poder pensar nelas, como se estivesse ouvindo uma conversa
estranha. Mas elas soavam verdadeiras, e o assombrariam por muito, muito
tempo.
— O que eu fiz?
O principal assentamento em Yavin 4 era frequentemente chamado de
Colônia de Wetyin, cujos habitantes eram originalmente do planeta Setor.
Os colonos se mudaram para Yavin 4 e se tornaram agricultores. Embora a
população da lua fosse esparsa e focada principalmente na agricultura,
Yavin 4 era um ponto de conexão, um celeiro para o comércio e o trânsito.
Para cada agricultor e família, havia uma dúzia ou mais de comerciantes
passando pela ativa área portuária da lua, que consistia numa longa faixa de
docas e uma fila ainda mais longa de restaurantes, cantinas e cantos de
entretenimento mais nefastos. Era o único ponto de excitação na cidade,
pelo menos para jovens como Poe Dameron. Para muitos comerciantes
espaciais, era uma das muitas paradas divertidas na longa jornada até seu
destino final.
A Gully era uma cantina nessa fila, barulhenta, tumultuada e lotada,
mas também discreta em comparação com outros bares da área. O bar de
kapok percorria toda a extensão do lugar, com um Devaroniano de pele
vermelha e chifres chamado Fontis por trás dele. As mesas espalhadas pelo
espaço tinham cadeiras desencontradas, se é que tinham alguma, e
geralmente estavam cheias de pessoas contando histórias de seus últimos
negócios ou golpes, histórias de guerra e reclamações, ou nostalgias
bêbadas sobre tempos melhores. Embora Yavin 4 tivesse começado como
uma base rebelde, até se tornando um cenário chave na luta épica entre a
Aliança Rebelde e o Império, poucos dos frequentadores da Gully se
importavam com quem estava no comando. Pra esses comerciantes da Orla
Exterior, mais focados em sobreviver e obter lucro, a política era
secundária.
Mas algo estava diferente naquela noite. Fontis podia sentir isso. Estava
movimentado, claro. Isso era esperado. As pessoas precisavam desabafar
depois de longas temporadas nas estrelas, ou antes de se inscreverem para
outra missão. Fontis acreditava em fornecer aos seus clientes um recurso
inegável, algo do qual eles nunca se cansariam. Já tinha lidado com muitos
clientes turbulentos ao longo dos anos. Sabia como se comportar, e não
tinha medo de uma briga ou de enfiar uma lâmina lenta na barriga de um
cliente ofensivo. Mas havia algo diferente no ar, algo quente, elétrico. Algo
mais perigoso do que os desleixados comerciantes e habitantes locais em
busca de uma emoção.
E Fontis sabia de onde estava vindo.
Varreu a multidão com os olhos, passando pelo porteiro Dowutin
corpulento, em torno do contador de apostas Nimbanel, com a sua pele
escamosa brilhando na luz tênue do bar, que havia transformado a Gully em
sua segunda casa, e sobre o comerciante de armas Delphidiano, baixo e
carrancudo, que estava prestes a desmaiar em sua pequena mesa, com o
bolso implorando para ser furtado. O olhar de Fontis se fixou no canto
distante do bar, numa mesa bamba que hospedava quatro pessoas que ele
nunca havia visto e nunca gostaria de ver novamente depois daquela noite.
Fontis tinha um bom senso pra essas coisas, pra problemas, na verdade.
Embora todo o seu negócio fosse baseado em clientes casuais e na natureza
transitória do porto, ele ainda tinha um mau pressentimento sobre aqueles
quatro. Anos administrando um bar como a Gully lhe deram uma visão
além do alcance que as pessoas normais não tinham. A habilidade de
detectar problemas horas antes de acontecerem. Mas Fontis também tinha
olhos, e o que viu gritava: Cuidado com esse pessoal.
O primeiro sinal de alerta era o líder do grupo, um Klatooiniano de
aparência feroz, com um tapa-olho, que parecia não ter os músculos faciais
para sorrir. A sua testa larga e as mandíbulas caídas adicionavam à sua
expressão carrancuda. Parecia a Fontis que os outros no grupo se
submetiam ao Klatooiniano, ainda que com um pouco de resignação. Perto
dele estava uma jovem humana, não podia ter mais de dezesseis anos, sua
expressão vazia. Ela era alta, com cabelos escuros ondulados e olhos verdes
pantanosos que a faziam parecer mais velha. Ao contrário dos outros
membros do grupo, ela parecia calma e controlada de uma maneira que
contradizia a sua idade. A sua expressão fria quase fez Fontis pensar que ela
estava no comando, mas isso não poderia ser. E no comando de quê? Esses
não eram comerciantes típicos. Eles tinham vindo a Gully por um motivo,
provavelmente o mesmo compartilhado por muitos dos elementos mais
sombrios que passavam por Yavin 4: não queriam ser notados. Isso estava
bem para Fontis, desde que não trouxessem problemas para o seu bar.
Pensamento otimista, o barman ponderou.
— Eu tomei minha decisão, mantenho-a, — disse o Klatooiniano chamado
Vigilch, batendo a sua palma suavemente na mesa surrada. — Ele estava
roubando de nós. Aquele maldito Ishi Tib...
— Aquele maldito Ishi Tib era o nosso piloto, — disse a Twi’lek fêmea
sentada do outro lado de Vigilch, com os seus leks vermelhos movendo-se
levemente ao redor de seu rosto jovem. O nome dela era Marinda Gan, e ela
não estava feliz por estar presa em Yavin 4. Ela havia sido recrutada por
Vigilch para servir como músculo para a sua operação, não para sentar num
bar e se perguntar o que fazer a seguir. Ela podia pensar em milhões de
outros lugares onde preferiria estar na galáxia. Todos mais emocionantes e
atraentes para uma caçadora de recompensas do seu calibre. — E, como
você gosta de nos lembrar, você é nosso líder, o que faremos agora? Como
você planeja tirar a nossa nave de Yavin Quatro antes que eles nos
encontrem?
— Quanto mais tempo a nossa nave permanecer na doca, os nossos bens
escondidos, maior o risco de serem descobertos, — disse o Pau'an magro
chamado Gen Tri. A sua voz era um leve sibilo, seu tom plano. Ele
continuou a falar enquanto os seus dedos longos tamborilavam na mesa. —
Nossos amigos em casa não ficarão felizes se isso...se perder na tradução.
— Não vamos perder nosso...o que fomos encarregados de recuperar, —
rosnou Vigilch, virando-se para encarar Gen Tri. Não era segredo que eles
não se gostavam. Mas Vigilch era muito mais propenso a demonstrar isso, a
serenidade do Pau'an o desconcertava com regularidade. — Abro a
discussão ao grupo, então. Há alguma sugestão? Como encontramos um
piloto para nos tirar desta lua miserável?
A jovem à direita de Vigilch se mexeu, como se percebesse algo além
do grupo, seus olhos jovens focados na entrada do bar. O seu nome era
Zorii Wynn. Como Fontis havia presumido, ela era uma adolescente. Mas
tinha visto muito em sua curta vida, e os seus camaradas sabiam confiar em
seus instintos.
Gen Tri, Marinda e Vigilch seguiram o olhar de Zorii, e o que viram
parecia sem importância à primeira vista, até ouvirem o grito de Fontis ao
ver o jovem tropeçando na entrada lotada da Gully.
— Então, se não é o melhor piloto de Yavin Quatro, o próprio Sr. Poe
Dameron!
A oficial da Agência de Segurança da Nova República, Sela Trune,
caminhava rapidamente em direção à entrada principal da sede da Força de
Defesa Civil de Yavin 4. Não estava feliz. Todos os olhos estavam sobre
ela. Tinha certeza de que a notícia da chegada de sua equipe já havia se
espalhado entre os locais, e não se importava. Agora não era hora para
política municipal. Era hora de ação.
— Posso ajudar? — perguntou o oficial responsável pelo terminal da
recepção, genuinamente curioso. Trune estava acostumada com essa reação.
Tinha pouco mais de vinte e dois anos e subiu rapidamente nas fileiras da
ASNR, muitas vezes se encontrando no comando de pessoas de dez ou mais
anos mais velhas. Superou isso rapidamente. Os outros, nem tanto.
— Oficial Trune, ASNR, — ela disse de forma breve. Trune saboreou
como a expressão do oficial passou de neutra para ansiosa em menos de um
segundo. — Estou aqui para ser informada sobre a situação dos
contrabandistas de especiarias.
— Situação dos contrabandistas de especiarias...?
— Eu gaguejei? — Trune perguntou. — Qual é o seu nome?
A oficial empalideceu, com a sua pele já clara ficando ainda mais
pálida.
— Reservista Chant Osman, senhora, — ela disse, tentando balbuciar as
palavras básicas, mas ainda tropeçando nelas. — Minhas desculpas.
— Não é necessário, Reservista, — Trune disse, inclinando-se sobre a
mesa, com as palmas apoiadas na madeira desgastada. — Não se você
puder me ajudar, é claro. Tenho uma equipe de oficiais esperando do lado
de fora, e precisamos começar imediatamente em algo que diz respeito à
segurança da Nova República. Isso não parece importante para você? —
Osman acenou com a cabeça, ansiosa para agradar.
— Maravilhoso, — Trune disse. — Agora, quem está no comando? E
quando posso falar com eles?
O Tenente Davim Ak tomou um gole de seu chá sauwecerano lentamente,
permitindo que o líquido morno acalmasse os seus nervos tensos. Não
poderia atrasar isso por muito mais tempo, mas como desejava o seu
próprio lar, as janelas fechadas e a escuridão completa. Administrar a Força
de Defesa Civil de Yavin 4 era o suficiente num dia normal, mas hoje era,
como Shara costumava dizer, um dia do tipo 'bola vermelha'. Uma coisa
após a outra. Cada uma maior que a anterior.
— Quase acaba, — ele murmurou pra si mesmo enquanto a porta do seu
escritório se abria e uma figura alta e confiante entrava. Já tinha ouvido
falar da estrela em ascensão que era Sela Trune, é claro. A reputação da
humana a precedia. A Agência de Segurança da Nova República lidava com
os casos que borbulhavam sob a superfície: crimes, caçadores de
recompensas, contrabandistas de especiarias e semelhantes. A corrupção
que sempre ameaçou enfraquecer o bem maior. As fissuras que poderiam se
transformar em fendas gigantes e puxar a nascente República pra baixo,
num cânion que consumira a anterior, deixando um império monstruoso e
selvagem em seu lugar. Ak sabia como funcionava. Era uma má notícia que
Trune estivesse em Yavin 4. Pior ainda, que ela estivesse caçando
contrabandistas de especiarias. Ouvira as histórias sobre o passado da
jovem Trune e a sua rápida ascensão aos altos escalões da ASNR. Ak
também sabia que Trune tornara sua vendetta pessoal fechar qualquer
contrabandista de especiarias, fossem eles uma ameaça explícita à Nova
República ou não. Ak também sabia que as táticas da ASNR não eram
impecáveis e não eram puras. Sim, Ak havia adquirido muito conhecimento
durante os seus anos à frente da Força de Defesa de Yavin 4, e tudo isso o
ajudara a manter o seu cargo, apesar dos esforços de pessoas mais
poderosas para substituí-lo.
Virou-se e cumprimentou Trune com um sorriso cúmplice, o que abalou
a postura geralmente estoica da oficial por um momento.
— Sela Trune, que prazer, — Ak disse, inclinando ligeiramente a
cabeça. — Bem-vinda a Yavin Quatro. Vejo que você trouxe uma
impressionante comitiva de tropas com você.
— A minha equipe está aqui, sim, — Trune disse, sem sinal de
preocupação ou confusão em seu tom. Ela se recuperou rápido e estava
tomando a ofensiva. — Não aprecio ter que esperar tanto para vê-lo. Foi
deixado claro por nossa equipe das comunicações antecipadas que isso era
de grande importância.
Ak assentiu. Ela estava certa, é claro. A intenção da equipe havia sido
comunicada diretamente. Mas Ak não se sentia exatamente disposto a
facilitar as coisas. Estava cansado. O dia fora longo, primeiro o alvoroço
com o filho temperamental de Shara e agora isso. Contrabandistas de
especiarias em Yavin 4. Ak quase revirou os olhos. Estava a alguns anos da
aposentadoria, e parte da razão pela qual se apegara tão desesperadamente
ao seu cargo era a sensação de que isso lhe proporcionaria um caminho
suave, principalmente fácil, em direção ao seu verdadeiro objetivo na vida:
se estabelecer num planeta tropical distante da Orla Exterior, longe dos
tentáculos excessivamente neuróticos e burocráticos da Nova República e
seguro dos elementos marginais, como contrabandistas e caçadores de
recompensas que surgiam em todo lugar, e viver o resto de seus dias em
paz. Uma bebida gelada em sua mão. O sol quente de um sistema estranho
batendo em seu rosto.
Seria agradável. Algum dia.
— Tenente? — Trune disse, frustrada pela resposta lenta de Ak. —
Estou aqui para obter...
— Oh, eu sei por que você está aqui, Oficial, — Ak disse, ocupando a
cadeira atrás da mesa e se recostando. — Como você notou repetidamente,
a sua intenção foi anunciada muito antes de suas botas pisarem a superfície
de nossa adorável lua de Yavin. Entendi. Você está com pressa. Não
estamos todos?
Trune endureceu. Isso não era o que ela esperava. Um lampejo de
alegria percorreu Ak. Adorava fazer uma novata como Trune se contorcer.
Mas esse jogo só poderia ser jogado por tanto tempo, percebeu. Embora
fosse divertido provocar os superiores, em certo ponto tornava-se uma
ofensa real, e Ak não estava a fim de que nenhum trabalho de dados fosse
parar no arquivo pessoal dela. Bateu um dedo na mesa e começou a falar.
— Recebemos numerosos relatos de atividade suspeita em Yavin
Quatro, um grupo de pelo menos quatro indivíduos atracando no porto
principal que correspondem às descrições de pessoas procuradas em
conexão com os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi, — Ak disse, e
aguardou uma resposta.
A expressão de Trune foi suficiente. Um olhar de desejo, não de luxúria,
mas de anseio, espalhou-se por seu rosto. Trune não conseguia esconder
isso, e não parecia particularmente inclinada a fazê-lo. Ak sabia o porquê
disso também.
Os Contrabandistas de Especiarias eram uma organização secreta e em
ascensão que havia conseguido reunir uma aliança impressionante, embora
ainda rebelde e pequena, de ladrões, assassinos e vigaristas para capitalizar
o caos que surgira com o colapso do Império, que deixara o lucrativo
comércio de especiarias de Kessel num estado de completa desordem. Sem
a supervisão Imperial, a batalha por especiarias era uma luta violenta entre
várias facções, deixando terminais de processamento ocupados
inoperacionais. Isso abriu a porta para os Contrabandistas de Especiarias de
Kijimi, com as suas naves piratas focadas em atacar quaisquer naves
carregadas de especiarias que tentassem mover o seu produto para o resto
da galáxia. Os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi eram
definitivamente de particular interesse para a Nova República. Como
muitas outras gangues e equipes, os Contrabandistas de Especiarias estavam
formando novos relacionamentos com os operadores de minas, escolhendo
negócios em vez de violência sem sentido num esforço para se afirmar
como uma potência no campo do contrabando de especiarias. Ao contrário
de outros sindicatos criminosos, no entanto, a confederação dos
Contrabandistas de Especiarias estava crescendo rapidamente e construindo
uma reputação de astúcia e implacabilidade em sua busca. Mas Ak sabia
que, na opinião de Sela Trune, os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi
eram mais do que apenas um alvo criminoso. Pra ela, era pessoal.
— Kijimi, — ela disse, com a sua voz quase num sussurro. — Temos
nomes? Últimas localizações?
— Sim, está tudo no arquivo, — Ak disse, produzindo um pequeno
datapad e deslizando-o para Trune, que o pegou avidamente.
— Acredito que o Klatooiniano, Vigilch, está no comando aqui. Um
personagem bastante desagradável, aquele.
— O que diz a sua inteligência? — Trune perguntou. — Onde eles
poderiam estar escondidos?
— Os nossos agentes os avistaram não muito longe de sua nave, — Ak
disse, prolongando as suas palavras, saboreando o momento um pouco mais
do que provavelmente deveria. — Existem vários locais duvidosos onde
pessoas de seu tipo podem se instalar e passar despercebidas, mas com a
sua equipe excessivamente qualificada, tenho certeza de que não demorará
muito antes de...
A porta se abriu. Era outro oficial da Agência de Segurança, um dos
homens de Trune. Jovem, animado e desesperado para falar.
— Desculpe pela interrupção, — o oficial disse enquanto Trune se
virava, o desagrado em seu rosto se tornando evidente.
— O que foi? — Trune disparou.
— Nós...temos um problema, — o oficial começou.
Trune o interrompeu.
— O que foi? Fale logo.
— Relatos do cais, — o oficial disse. — Encontraram um corpo.
— Estou encrencado, — Poe disse, deslizando para uma cadeira no bar. —
Grande encrenca. — Fontis acenou a mão para Poe de forma desdenhosa.
— Você continua jogando esse jogo, Poe, mas sabe como as coisas são,
— o barman disse. — Você é um rebento. Não sirvo rebentos. — Poe bateu
uma mão no balcão, mais como uma piada do que um show de raiva.
— Qual é, Fontis, me dá um desconto, — Poe disse. — Tive um dia
difícil.
— Parece que sim, garoto. E, ei, ficarei feliz em pegar as suas migalhas
de dinheiro em alguns anos, — Fontis disse com um sorriso travesso. —
Gosto bastante de permitir que as pessoas afoguem as suas mágoas, como
você bem sabe. Mas também preciso evitar que o meu lugar seja fechado
porque um adolescente indisciplinado quer ficar alegre, entende? Não vale
o custo de uma bebida, supondo que você tenha algum crédito nessas calças
amassadas.
Poe sorriu. Não tinha certeza se considerava Fontis um amigo, mas
gostava do humor seco e da atitude obscura do Devaroniano. A Gully
parecia uma porta para outro mundo pra Poe, um sinal do que havia por aí,
além do sistema Yavin.
Uma galáxia de vigaristas, traições e viagens espaciais que parecia ao
alcance de Poe.
— Posso pelo menos ficar por aqui? — Poe perguntou. — Está quente
demais pra eu voltar para casa agora.
— O que mais é novidade? — Fontis disse, servindo a Poe um copo de
suco de Jawa. — Aqui está. O pior que isso vai fazer é te fazer querer
dançar, o que eu acho que vale o risco para a minha licença.
Poe agradeceu ao barman, jogando alguns créditos no balcão antes de se
virar para escanear o bar. Era mais uma noite barulhenta e indisciplinada na
Gully, e Poe não teria de outra maneira. Não queria pensar no que havia
acontecido mais cedo. Analisaria as suas conversas com o seu pai e L'ulo
mais tarde, provavelmente após outra discussão com Kes Dameron, a
caminho de mais uma noite sem dormir em seu quarto na fazenda. Mais
uma noite resignada ao seu exílio, sonhando com a imensidão acima de
Yavin 4 e os segredos e aventuras que guardava.
A taverna estava barulhenta, a música, uma festiva canção de Laki
Lembeng, ressoava pelo lugar, fazendo com que todo o ambiente parecesse
balançar suavemente. A maioria dos clientes parecia alheia, enredados nas
suas próprias brigas de mesa ou bem a caminho de obliterar as suas
memórias da noite. Poe se viu com inveja dessa opção. Adoraria voltar um
pouco e simplesmente limpar o dia, começar de novo. Por mais que o seu
pai o irritasse, amava o homem e realmente queria que houvesse algum tipo
de entendimento entre eles. Por que o seu pai não poderia apenas deixá-lo
ir? Deixá-lo encontrar o seu próprio caminho? Poe era jovem. A aventura
estava em seu sangue. Como o seu pai, que casou com uma piloto da
Rebelião e foi um Desbravador durante a guerra, poderia esperar menos?
Mas o tempo tem uma maneira de endurecer os homens, de torná-los mais
fixos em suas maneiras e assustados com as possibilidades da vida. Mesmo
sendo jovem, Poe via isso em seu pai, em L'ulo e em muitas pessoas que
encontrava em noites quentes e escuras como essa, quando Poe ia a Gully e
passava o seu tempo flertando, dançando e rindo, a única fuga pura que
tinha que não envolvia uma nave e um curso que o tiraria do sistema Yavin
por muito tempo.
Viu-a pelo canto do olho, uma figura ágil balançando ao som da música,
que agora tocava uma balada aquática Calamari. Ela parecia ter a mesma
idade de Poe, supôs, com os seus longos cabelos castanho ondulados e
feições marcantes que lhe davam uma qualidade quase felina, como uma
predadora paciente capaz de se empoleirar numa árvore por dias, esperando
que a sua presa finalmente se mexesse. A sua amiga jovem, ou camarada,
era uma Twi'lek. Poe as via frequentemente perto do porto, uma espécie
acostumada a viagens espaciais e aos negócios da Orla Exterior. Ela parecia
menos confiante em seus movimentos, mas claramente estava desfrutando
da chance de liberar um pouco de energia. Elas formavam um par
fascinante, e Poe estava hipnotizado.
— Quem é aquela? — Poe perguntou, mais para si mesmo do que para
alguém em particular. Fontis se aproximou pelo bar, com os seus olhos
também voltados para o par.
— Nunca as vi antes, — Fontis disse. — O que significa apenas uma
coisa.
— Que é? — Poe perguntou.
— Problema.

Uma onda de coragem percorreu Poe quando a música terminou e uma


nova e rápida melodia começou a ressoar pela taverna. As duas dançarinas
pareciam hesitantes, tão enfeitiçadas por seus movimentos sinuosos que não
estavam dispostas a mudar o ritmo. Poe as observou cuidadosamente, com a
sua atenção presa na humana, com o seu sorriso confiante e conhecedor, os
seus olhos parecendo muito mais velhos do que a sua idade. Na próxima
coisa que soube, estava na frente dela. Ele não havia pensado muito sobre o
que diria, mas quando isso ocorreu a ele, alguns segundos haviam passado e
ela o olhava com uma expressão curiosa.
— Oi, — Poe disse, com um leve movimento do queixo. — Parece que
vocês duas estavam se divertindo aqui. — A jovem arqueou uma
sobrancelha antes de responder.
— Nós estávamos, — ela disse, enfatizando a última palavra. — Mas
agora você está aqui.
— Bem, não parem de se divertir por minha causa, — Poe disse, dando
de ombros. — Só pensei em dizer olá.
— Você já fez isso, — ela continuou, sua voz confiante e distante. —
Sr...?
— Poe. Eu sou Poe Dameron, — ele disse, estendendo a mão. Ela a
segurou brevemente. — Sou um local.
Ela acenou com a cabeça, com um leve sorriso em seu rosto. A sua
amiga Twi'lek havia voltado pra mesa, onde se juntou a outros dois que
observavam, assistindo Poe brincar com a amiga. As expressões deles eram
uma mistura de preocupação, raiva e...medo?
— Um local. Que fofo, — ela disse. — Eu sou Zorii Wynn. — Poe fez
uma rápida reverência.
— Um prazer conhecê-la, Zorii, — ele disse. — Bem-vinda à nossa
minúscula lua periférica. Eu ficaria feliz em mostrar a você e aos seus
amigos por aqui, se vocês ficarem mais tempo.
— Não vamos ficar, — Zorii disse, balançando a cabeça. — Na
verdade, estamos tentando descobrir como...continuar a nossa jornada.
Jornada? pensou Poe. Elas tinham uma nave. Elas estavam indo a
algum lugar. A sua mente zumbia com possibilidades. Certamente estava se
antecipando, mas deixou acontecer. A ideia de entrar numa nave e deixar
tudo isso para trás nunca estivera tão forte nele. Percebeu que não tinha
desejo de reentrar no ciclo repetitivo de sua vida. As discussões. As fugas.
Os retornos inevitáveis para casa. O ressentimento. Era hora de ir, fosse
nessa nave ou na próxima.
— Então, me diga, Poe Dameron de Yavin Quatro, — ela disse,
trazendo-o de volta ao presente. — Por que eu deveria me importar com
quem você é?
— Porque eu vou ser o melhor piloto que a galáxia já viu, — Poe disse.
— Conte com isso.
— Já ouvi isso antes, — Zorii disse, dando de ombros. — E daí?
— Eu posso pilotar qualquer coisa, — Poe disse, com o seu tom se
tornando defensivo. — Confie em mim.
O sorriso de Zorii derreteu-se numa expressão curiosa, intrigada, como
um réptil apertando os olhos.
— Qualquer coisa?

A temperatura pareceu cair ao redor de Poe enquanto se sentava à mesa


com o grupo de Zorii, sua mão em seu ombro.
— Este é Poe Dameron, — ela disse após ter apresentado seus
camaradas a ele. — E ele é um piloto.
— Um piloto? Ele é só um garoto, — o Klatooiniano que Zorii
identificara como Vigilch disse com um grunhido. — Um piloto de quê?
Um speeder?
O grupo riu, a Twi'lek que Poe agora conhecia como Marinda Gan riu
alto, o Pau'an chamado Gen Tri suavemente. Zorii permaneceu quieta, com
a sua mão ainda no ombro de Poe.
— Eu não vejo você apresentando opções que possam nos ajudar a sair
de Yavin Quatro, — Zorii disse. — A menos que eu tenha perdido isso
enquanto recrutava nosso bilhete para fora daqui?
Eles querem que eu pilote a nave deles, percebeu Poe. Engoliu em seco.
Estava pronto pra isso? Logo descobriria. Gen Tri se virou para olhar mais
de perto para Poe, com os seus olhos escuros sondando Poe de uma maneira
que o fazia estremecer de desconforto. Não era sua aparência; Poe já vira
todo tipo de espécie passar pelos portos de Yavin 4. Era algo mais. Eles o
deixavam inquieto de uma forma que ainda não havia compreendido.
— Precisamos de um piloto, — Gen Tri disse, com a sua voz soando
vazia e sussurrante. — Mas você está pronto pra fazer o que é necessário?
— Se vocês precisam de um piloto, eu sou o homem de vocês, — Poe
disse, sem hesitar. — Apontem-me para a sua nave e eu os levarei aonde
precisarem ir. — Marinda Gan riu secamente.
— Isso é tudo muito bom, Poe Dameron, mas você quer ir aonde
estamos indo? — ela perguntou. — Essa é a grande questão. — Bem, quero
dizer, eu posso apenas colocar as coordenadas e traçar um curso. Não é tão
complicado... — A mão de Zorii apertou o ombro de Poe.
— Não é chegar lá que é o problema, Poe, — ela disse. — É o que
estamos fazendo. Não somos comerciantes ou membros do consórcio
minerador. As nossas viagens são um pouco mais...aventureiras. — Poe
esperou um momento antes de responder.
— Aventura é o que eu estou buscando, — Poe disse, as palavras saindo
de sua boca completamente formadas, como se viessem diretamente de seu
coração em vez de seu cérebro. — Não tenho medo disso. Estou pronto pra
deixar Yavin Quatro. — O aperto de Zorii relaxou, e ela ocupou a cadeira
vazia à direita de Poe. Os seus olhos se encontraram.
— Não vou dançar ao redor do que somos, — Zorii disse. — Porque
você parece inteligente, e mesmo que você fique com medo e conte a
alguém, estaremos fora antes que isso possa significar algo.
Poe assentiu. Vigilch levantou uma mão, como se tentasse impedir Zorii
de continuar. Ela o ignorou.
— Somos contrabandistas, — ela disse de forma direta. — E o nosso
piloto está morto. Se você puder nos tirar desta lua, você começará uma
vida de aventura e incerteza como nada que você já imaginou. Este lugar
será uma memória borrada em pouco tempo.
Contrabandistas?
Poe recostou-se na cadeira. Não havia considerado essa possibilidade.
Mas a informação revelava o caminho à frente dele. O batimento em seu
peito cresceu, ressoando em suas veias até seus ouvidos e cabeça. Era isso
que ele queria? Como havia dito, queria aventura, uma chance de voar livre
e deixar Yavin 4 para trás. Mas seria a melhor maneira de chegar lá se
unindo a contrabandistas? Para alcançar o que havia sonhado? Uma chance
de uma vida não atolada no ordinário e no mundano?
Havia encontrado a sua cota de personagens duvidosos antes, caçadores
de recompensas, traficantes de armas e outros contrabandistas. Eles
vagavam pelo Gully de vez em quando. Mas esses eram encontros fugazes,
e Poe sempre conseguia manter distância. Isso era muito diferente. Se ele se
unisse a esse grupo, não estaria apenas na mesma sala que uma quadrilha de
criminosos, ele seria um criminoso também. O que Shara Bey pensaria
disso?
Isso não seria algo do qual Poe pudesse recuar. Unir forças com um
grupo de contrabandistas significaria que ele nunca veria Yavin 4, L'ulo ou
o seu pai novamente. Mas era a única oportunidade que apontava para a
liberdade que Poe tanto almejava. Talvez pudesse fazer disso uma estadia
temporária? Encontrar uma maneira de sair da lua, e então seguir por conta
própria. A racionalização acalmou um pouco Poe. Ainda sentia um aperto
de tristeza na ideia de partir, mas logo foi substituído por uma determinação
e desejo que ele só havia tocado de leve nos últimos meses.
— Eu topo, — Poe disse com um rápido aceno. — Levante-me até a
nave e estaremos fora daqui mais rápido que a Millennium Falcon.
O rosto de Poe ficou quente enquanto a sua ostentação não era recebida
com aplausos de seus novos camaradas, mas com mais uma rodada de
risadas.
A Gully estava bem diferente algumas horas depois, quando Kes Dameron
e L'ulo L'ampar entraram. O bar ainda exalava o cheiro de cerveja velha e
fumaça, ainda pulsava com a mesma melodia melódica, mas a multidão
havia se afinado e a energia do lugar, se é que havia algo assim, havia se
calcificado. Os poucos clientes restantes estavam lentos e distantes,
sentindo os efeitos de suas bebidas ou o peso de suas más decisões. Kes foi
direto ao bar.
— Onde ele está? — Kes disse enquanto se inclinava sobre o balcão,
seu rosto a centímetros do do barman Devaroniano. — Onde está Poe?
Fontis levantou as mãos em defesa, com um leve sorriso em seu rosto.
— Kes Dameron, ora, ora, você não pode simplesmente entrar aqui
cheio de gritaria assim, — ele disse, mostrando os seus dentes afiados.
Antes que Fontis pudesse continuar, Kes o agarrou pela túnica e
começou a arrastá-lo sobre o balcão. A voz escorregadia do barman subiu
de tom à medida que ele se aproximava de ser levantado do chão.
— Espere, espere, o que você está fazendo? — Fontis disse. Enquanto
Kes se aproximava para puxar Fontis, L'ulo se aproximou, com as suas
mãos nos ombros de Kes.
— Coloque-o no chão, Kes, — L'ulo disse, com a sua voz relaxada, mas
com firmeza. — Esse não é o jeito de conseguir respostas. — Kes hesitou
por um segundo antes de obedecer. Fontis se sacudiu e olhou para os dois
homens.
— Bem, essa não é uma maneira de começar uma conversa amigável,
não acha?
— Vá direto ao ponto, Fontis, — L'ulo disse. — Onde ele está?
Depois de seu encontro com Poe, L'ulo se sentiu sem rumo, como se
uma nuvem de culpa pairasse sobre ele. Sim, havia sido honesto com o
garoto. Poe Dameron merecia isso, pensou naquele momento. Por que não
dar a ele um pequeno empurrão para colocar as coisas em movimento? Não
era isso que Shara Bey teria querido? Mas ao assistir o garoto, homem, que
amava como um filho correr para a escura e úmida noite de Yavin 4, soube
que havia ultrapassado o limite, e essa culpa o impulsionou na outra
direção: para a fazenda de Kes Dameron, com o chapéu na mão.
Eles haviam vasculhado a relativamente pequena colônia de Yavin 4,
focando nos cais e áreas circundantes. Era apenas uma questão de tempo
antes de se dirigirem ao Gully. L'ulo sentia em seu instinto que Poe havia
acabado ali.
— Você precisa ter um melhor controle sobre o seu filho, Kes, — Fontis
sussurrou. — Se você tivesse, você e o seu amigo Duros da polícia não
precisariam vir aqui e atrapalhar os meus negócios.
— Responda a pergunta, — Kes disse, saliva voando de sua boca. —
Onde está o meu filho?
Fontis ergueu os punhos para se defender. Embora tivesse visto sua cota
de brigas de bar, ele não teria chance contra um ex-Desbravador como Kes,
e sabia disso. Como muito do que Fontis fazia, era tudo para a aparência.
— Ele foi embora, certo? Eu não sei pra onde ele foi, — Fontis disse.
— Agora saia. Você não é mais bem-vindo aqui. — Antes que Kes ou L'ulo
pudessem responder, a porta principal da taberna se abriu com um sussurro.
Uma jovem alta com cabelo loiro curto entrou. O seu uniforme
imediatamente a entregou: Agência de Segurança da Nova República. Mas
por que a ASNR estava ali, em Yavin 4? Kes se perguntou. Não precisaria
esperar muito pra descobrir.
— Kes Dameron? — a mulher perguntou. Ela se aproximou deles, não
esperando pela resposta de Kes. — Sela Trune, ASNR. Fui enviada a Yavin
Quatro numa missão especial, altamente confidencial. Uma missão que,
infelizmente, o seu filho se envolveu.
— Do que você está falando? — L'ulo disse, colocando-se entre Kes e
Trune. — O que está acontecendo? — Já ouviu falar dos Contrabandistas de
Especiarias de Kijimi? — Trune perguntou.
L'ulo sentiu um choque percorrer o seu corpo. Sela Trune não estava
falando besteira. Não se envolvesse com os Contrabandistas de Especiarias.
Embora L'ulo fosse membro da Força de Defesa Civil de Yavin 4, ele ainda
fazia o possível para se manter informado sobre o que acontecia na galáxia
mais ampla. Os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi eram uma das
poucas organizações emergentes lutando por reconhecimento, e não porque
fossem gentis e adoráveis. Não, os Contrabandistas de Especiarias eram
astutos, calculistas e, quando necessário, sedentos de sangue, dispostos a
resolver os seus problemas com um disparo de blaster na cabeça, em vez de
uma conversa gentil com chá.
— O que tem a ver com eles? — L'ulo perguntou.
— Eles estão aqui, em Yavin Quatro, — Trune disse, com sua fala
apressada. Ela tinha outro lugar para estar. — Eles realizaram um grande
roubo em Kellgar Sete, nos limites da Orla Exterior. O tipo de golpe que
pode garantir uma vida inteira. Mas eles tiveram problemas.
— Problemas? — Kes perguntou. Ele balançou a cabeça. Não tinha
certeza do que isso tinha a ver com Poe ou ele. — Do que você está
falando?
— Problemas no sentido de que, o piloto deles estava desviando do
topo, enviando partes de sua grande fonte para os seus verdadeiros
empregadores, e os principais concorrentes dos Contrabandistas de
Especiarias, — Trune disse, caminhando pelo bar vazio. Engraçado como a
chegada da ASNR poderia esvaziar uma sala cheia de pessoas mergulhadas
nas áreas cinzentas da vida criminosa. — O piloto, um Ishi Tib chamado de
Beke Mon'z, está morto. Eles descobriram quem ele era. Ou acham que
descobriram.
— Ele estava trabalhando pra você, — L'ulo disse. Uma afirmação, não
uma pergunta.
Trune respondeu com um sorriso seco.
— Você é esperto. Gosto disso, — ela disse. — Sim. Ele estava nos
passando informações. Ajudando-me a ter uma visão melhor de quem são
os Contrabandistas de Especiarias. Mas ele foi descuidado. A minha única
esperança é que eles pensem que ele era apenas um mercenário ganancioso
em vez de um agente duplo. De qualquer forma, eles estão desesperados por
um piloto. E acho que eles se concentraram no seu garoto, que, pelo que
ouvi, não é ruim lá em cima.
— Poe? Onde ele está? — Kes disse, esquecendo que Fontis e L'ulo
estavam ali, voltando-se para essa nova participante. — Onde está meu
filho?
— É disso que estou falando. O seu filho foi embora há muito tempo,
Dameron, — Trune disse de forma direta. — E ele está num baita problema.
Os olhos de Poe se arregalaram enquanto o grupo se aproximava da nave.
As docas de Yavin 4 eram um caldeirão de caos controlado, naves
pousando, naves sendo descarregadas, trabalhadores movendo mercadorias,
pilotos e tripulações vagando em busca de comida ou alojamento. A
presença da Força de Defesa nos cais era mínima, a área era simplesmente
difícil de patrulhar, e numa lua pequena como esta, o efetivo já estava
escasso. Zorii Wynn apontou para a embarcação.
— Esta é a Garra Lacerada, — ela disse com um certo orgulho.
A Garra era um cargueiro leve do modelo XS, uma nave estelar
Corelliana que poderia ser usada para uma variedade de coisas, guerra,
contrabando, transporte. Poe estava familiarizado com o modelo, que
existia há gerações. Era uma nave pequena, como costumava ser, mas
também era discreta. O tipo de nave que você não olharia duas vezes, de tão
comum e ultrapassada.
Eles contornaram a placa amarela da Garra e embarcaram, tentando
manter uma atitude casual. Poe achou que ouviu Vigilch resmungar algo
para Marinda Gan, mas não pôde ter certeza. Havia estado uma mistura de
nervos e excitação desde a conversa no bar, e ainda não estava certo se isso
estava realmente acontecendo. Realmente estava deixando Yavin 4? Com
um grupo de contrabandistas que acabara de conhecer? Era estimulante e
aterrorizante ao mesmo tempo. Virou-se para olhar Zorii. Os seus olhos se
encontraram e ela lhe ofereceu um breve sorriso acolhedor. Ela tinha
alguma ideia do que ele estava passando, pensou. Ou melhor, esperava isso.
— Você está familiarizado com esse tipo de nave, garoto? — Vigilch
disse, levando-o a apertada cabine da Garra.
Poe acenou com a cabeça confiante.
— Pode contar com isso, — ele disse. — As canhões de laser estão em
boas condições? Como está o hiperdrive?
Vigilch deu uma risada escarninha.
— Você já pilotou algo fora deste sistema?
— Vigilch, você tem outro piloto na manga? — Marinda Gan
perguntou, com as suas palavras transbordando desdém. — Ou você acha
que estaremos mais seguros aqui, caçados e com uma recompensa em as
nossas cabeças, do que em nosso caminho de volta para casa?
Vigilch deu de ombros.
Poe se acomodou no assento do piloto, voltando-se para o estreito visor
da nave, que se projetava como um nariz afiado. Poe não havia mentido
para Vigilch. Conhecia a classe dos cargueiros, havia estudado ela, como
estudara muitas naves enquanto sonhava com uma oportunidade como esta.
Sabia sobre o casco blindado da Garra Lacerada, o tipo de motores subluz
que ela tinha. Mas conseguiria pilotá-la?
— Só há um jeito de descobrir, — ele disse em voz baixa.
— O que? — Zorii perguntou enquanto tomava o assento de copiloto.
— Já está falando sozinho?
— Não, apenas me acomodando, — Poe disse, inclinando-se para frente
e folheando alguns dos protocolos de pré-lançamento.
— Me familiarizando com a nave e tudo mais.
— Você nunca pilotou uma dessas, né? — Zorii perguntou, com um
sorriso afiado no rosto. Os seus olhos pareciam sorrir também, olhando
através de Poe como se ele fosse feito de vidro. Sentiu-se vulnerável. Como
se ela estivesse lendo a sua mente, o que sabia ser impossível, mas mesmo
assim. Isso trouxe uma sensação arrepiante.
— Não exatamente, — ele disse, mantendo a voz baixa para que apenas
ela pudesse ouvir. — Mas posso descobrir. — Zorii se virou e olhou pela
pequena janela da cabine da nave.
— É melhor você descobrir rápido, Poe, — ela disse, não mantendo a
voz baixa. — Temos companhia.
Ela estava certa. Cinco oficiais armados da ASNR estavam se
aproximando pela área de atracação, tentando parecer despreocupados e
falhando miseravelmente, sua postura rígida e olhares vagos entregando-os
mesmo antes que os seus uniformes engomados o fizessem. As pessoas
comuns do cais se afastaram como insetos se escondendo. Eles também
podiam sentir o problema e não estavam dispostos a ficar por perto para ver
o que viria a seguir.
Poe sentiu uma mão em seu ombro. Vigilch.
— Nos tire daqui agora, garoto, — o Klatooiniano disse. — Ou sua
estadia com os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi será curta. — Poe
tentou falar, mas se viu incapaz de produzir um som.
Contrabandistas de Especiarias?
A sua cabeça parecia leve. Por um momento, a sua visão escureceu.
Não. Isso não era o que ele havia assinado, era?
Os Contrabandista de Especiarias de Kijimi.
Poe ouvira o suficiente, prestara atenção em sua cota de conversas
sussurradas, para conhecer o nome e o que significava. Isso era ruim. Tinha
passado de se consorciar com um grupo de ladrões suspeitos de se envolver
com algo muito pior. O que estava disposto a sacrificar por sua chance de
aventura? Valeria a pena? Descobriria de uma forma ou de outra. Foi fundo
demais.
— Está ouvindo, garoto? — Vigilch cuspiu, com a sua voz subindo em
raiva e volume. — Agora. Nos tire daqui.
Poe engoliu em seco e mentalmente revisou os passos para o
lançamento. Sabia o que fazer, disso não tinha dúvida. Apenas não havia,
bem, feito isso antes. Pilotar um A-Wing era uma coisa, especialmente um
que havia sentado e mexido desde que se lembrava. A Garra Lacerada era
diferente, estava na casa de outra pessoa e sendo convidado a fazer o jantar
sem realmente saber onde estavam todos os ingredientes. Sabia que podia
cozinhar, no entanto. Então era hora de ligar o fogo.
Então os tiros começaram.
O disparo do blaster foi súbito. Poe levou um segundo pra perceber o
que estava acontecendo. Mas os Contrabandistas de Especiarias não
hesitaram e imediatamente tomaram as suas posições. A pressão da mão de
Vigilch apertou o ombro de Poe.
— Agora, garoto, agora, — ele rosnou.
Poe respirou rapidamente. Ativou o interruptor que ligava os
propulsores da nave, sentindo o zumbido dos poderosos motores da Garra
Lacerada. Marinda Gan, Gen Tri e Vigilch balançaram enquanto a nave
avançava, ainda tremendo com a saraivada de disparos de blaster que vinha
dos cinco oficiais no chão.
— Estamos sendo atacados! — Marinda gritou sobre o som crescente
do motor da nave.
Antes que ela pudesse continuar, a nave avançou novamente, desta vez
com mais determinação, e não estava parando.
— O que você está fazendo? — Zorii perguntou, examinando os
controles do terminal do copiloto. — Estamos nos movendo rápido demais
para o tráfego portuário. Vamos colidir com algo.
— Só confie em mim, — Poe disse enquanto a nave desviava dos
oficiais da ASNR em disparo, parecendo ignorar os seus tiros, e contornava
algumas naves menores em trânsito. — Confie em mim.
— O que está acontecendo? — Vigilch disse enquanto tombava pra trás,
batendo nos outros dois membros da tripulação. Poe ignorou o líder.
Precisava se concentrar. Precisava superar tudo, os seus medos, o disparo de
blaster do lado de fora, os seus novos aliados. Manobrou a nave, que estava
alcançando velocidades não destinadas a viagens em nível do solo, pela
área de atracação, raspando e batendo o cargueiro em direção ao ar livre em
menos de um minuto.
— Eles estão atrás de nós, — Zorii disse, sua voz alarmada, mas não
exagerada. — Três saltadores orbitais da ASNR. — Bom, — Poe disse.
— Bom? — Zorii perguntou, incrédula. — Eles estão em cima de nós,
Poe. Não sei o quão familiarizado você está com esta nave, mas não é
exatamente a estrela da frota. Velocidade não é o nosso ponto forte.
— Saltadores orbitais não têm hiperdrives. Assim que nos afastarmos,
estaremos seguros, — Poe disse, puxando o acelerador da nave. A
gravidade artificial da nave o empurrou ainda mais para o seu assento
enquanto ela se dirigia em direção à órbita de Yavin 4.
— Zorii, cuide das armas enquanto o nosso piloto tenta nos tirar daqui,
— Vigilch ordenou.
Poe cerrou os dentes. Queria se concentrar no que estava à sua frente,
pilotando a nave para fora de Yavin 4, mas não conseguia parar de pensar
no quadro maior. Pro bem ou pro mal, ele estava do lado errado.
— Estou cuidando, — Zorii disse, girando o seu assento para examinar
o terminal de armas. — Canhões laser estão prontos. Apenas me avise
quando devemos criar um incidente intergaláctico.
— Dispare, — Vigilch disse. — Nos tire daqui, Dameron. Caso
contrário.
Poe acenou pra si mesmo. Sentiu toda a sua postura mudar. Sentiu-se
superar a sua dúvida e continuar, porque a única outra opção era
insustentável. Os seus movimentos ganharam força e confiança. Era como
se seu ser inteiro estivesse tomando uma decisão: deixar Yavin 4, repudiar o
que veio antes e esculpir um novo caminho para si mesmo, lidando com as
consequências depois. Ou isso, ou ele estaria numa enrascada da qual nem
as conexões de seu pai poderiam tirá-lo.
Eles estavam em órbita, acelerando junto à atmosfera pantanosa de
Yavin 4 nos escopos traseiros da nave. Poe avistou os saltadores, disparando
indiscriminadamente. Sabia que os seus canhões laser doíam como os de
qualquer nave maior, mas também sabia, apenas com base no curto tempo
que estava pilotando a Garra, que o cargueiro era enganosamente ágil.
Desviou de outra saraivada de tiros, puxando a nave pra cima, como se
estivesse se dirigindo diretamente de volta à superfície de Yavin 4, apenas
para girar.
— O que nas chamas...
Os xingamentos de Vigilch se chocaram com obscenidades e gritos de
surpresa do resto da tripulação, que não estava presa a um terminal. Poe os
ignorou. Ele nivelou a nave e a posicionou onde queria, bem atrás dos
saltadores.
— Dispare, Zorii, — Vigilch disse.
— Dispare para ferir, não pra matar, — Poe interveio. — Existem
pessoas boas nessas naves.
— Você tem muito a aprender sobre ser um Contrabandista de
Especiarias, Poe Dameron, — Zorii disse.
Poe observou enquanto a Garra Lacerada surpreendia as duas naves, os
tiros de laser cobrindo as naves da ASNR desavisadas. Zorii foi fiel ao seu
pedido, enviando poder de fogo nas áreas essenciais, apenas o suficiente
para desabilitá-las, não o suficiente para destruí-las, certificando-se de
poupar quem quer que estivesse pilotando as naves. Fez uma anotação
mental. Poderia confiar na mulher chamada Zorii Wynn. Precisaria de
alguns aliados.
Mas Poe não teve tempo para ponderar a sua nova situação atual.
Marinda Gan estava por trás dele, com o braço estendido, apontando para
um problema maior e mais presente.
— É isso, é isso que eu penso que é?
Poe se disse que não podia ser verdade, mas, ainda assim, uma longa
sombra havia caído sobre o grupo e a sua pequena nave danificada.
O cruzador da classe Hammerhead parecia quase girar ao ver a Garra
Lacerada, como se a gigantesca embarcação fosse senciente e pudesse se
esquivar. O longo cruzador poderia facilmente superar a Garra em poder de
fogo, e Poe e os seus novos companheiros sabiam disso. A mensagem
cortou a estática do espaço, estalando na vida no terminal de Poe.
— Aqui é a Segurança da Nova República. Você está abrigando pessoas
procuradas para interrogatório a respeito de um crime cometido na
superfície de Yavin Quatro. — A voz soava desgastada e exausta. — Você
deve desativar as defesas de sua nave imediatamente e se preparar para ser
abordado e revistado. Se você não responder em breve, iniciaremos os
protocolos de ocupação.
— Quanto mais as coisas mudam, — Gen Tri murmurou, com a sua voz
etérea fazendo Poe sair de seu próprio espiral de ansiedade.
— Parece que a chamada Nova República está soando muito como o
Império que destronou, não?
Poe ignorou o comentário. Eles tinham coisas mais importantes para
lidar. Estavam em apuros, e não importava o quão rápido tentasse encontrar
uma solução, sabia que era inútil. Estavam sem sorte.
— Alguma ideia? — Zorii perguntou. — Ainda estamos numa sombra
de gravidade bastante densa, não poderíamos saltar para a velocidade da luz
se quiséssemos, a menos que anulássemos o sistema.
Poe ouviu Vigilch se agitar atrás deles, o nervoso andar pouco ajudando
a evitar a captura iminente. Então seus olhos se alargaram. Isso poderia
funcionar? Poe se perguntou. Teria que funcionar.
Poe se virou para Zorii.
— Você pode abrir um canal de comunicação com aquela nave? — Poe
disse. — Eu tenho uma ideia.

— Se você quiser que o Poe Dameron viva, você nos deixará passar, —
Zorii disse, com o seu tom áspero e desafiador. O resto da tripulação se
reuniu em torno de seu assento enquanto Poe observava. — Esse ponto não
é negociável. Continue a sua agressão e seremos forçados a eliminar o
garoto, e faremos isso sem hesitação.
Estática e silêncio se seguiram. Os momentos se estenderam por aquilo
que parecia dias, mas não poderiam ter sido mais do que um minuto. Poe
podia ouvir a sua própria respiração.
— Isso não vai funcionar, — Vigilch murmurou, afastando-se do painel
de controle e se movendo pelo pequena cabine da nave novamente. Ele não
conseguia dar alguns passos sem esbarrar em algo ou alguém. — Teremos
que disparar primeiro. Essa é nossa única chance de escapar.
— Estamos em desvantagem de fogo, severamente, — Marinda Gan
disse, virando rapidamente a cabeça para encarar o seu líder. O seu olhar
estava carregado de desprezo. — Vale a pena dar o primeiro tiro se você vai
ser sobrepujado depois? Por que você não deixa a garota fazer...o que ela
deve fazer?
Gen Tri lançou a Marinda um olhar anormalmente afiado. Ela não
respondeu. Vigilch balançou a cabeça como se dissesse: Tudo bem, veremos
como isso se desenrola.
— Onde podemos recuperar Dameron? — disse o oficial da ASNR,
cada palavra lenta e dolorosa enquanto atravessava o alto-falante. — Como
sabemos que você o manterá vivo? — Zorii não hesitou, com a sua resposta
preparada e polida.
— Vamos deixá-lo em algum lugar no sistema Sawaya, — ela disse,
suas palavras soando de forma casual, como se estivesse pedindo uma
porção extra no jantar. — Você tem a nossa palavra.
— O sistema Sawaya? — O oficial da ASNR soou incrédulo. —
Existem quase uma dúzia de planetas habitáveis. Pode levar...
Zorii não recuou. O engodo era tudo o que tinham.
— Essa é a nossa oferta final, — ela disse, o tom casual desaparecendo,
sua voz clara e tingida de ameaça. — Estamos preparados para morrer se
esses termos não forem aceitos.
Poe a observou de perto, o coração na garganta. Quem era essa garota,
essa mulher, que poderia descartar tão casualmente todas as suas vidas, que
sabia como enganar um oficial da Nova República experiente, que
permanecia calma e composta enquanto a sua equipe de malfeitores
hesitava? Poe achava que era bastante resistente para a sua idade, tendo
enfrentado a sua cota de tragédias e sabendo que os seus próprios pais
lutaram valentemente pela Nova República. De onde veio essa Zorii Wynn?
A resposta da nave opositora foi breve, mas foi preciso todo o seu
autocontrole para não gritar de vitória ao ouvir as palavras que filtraram.
— Vocês podem prosseguir.
Poe desligou a comunicação rapidamente antes que alguém do outro
lado pudesse perceber o sorriso se formando em seu rosto. Ele lentamente
dirigiu a Garra para fora da órbita e longe de Yavin 4. Virou-se para Zorii.
— Isso foi incrível, — ele disse, com o seu corpo vibrando de
empolgação. — Você nos salvou.
— Você fez isso, na verdade, — ela disse, com o seu sorriso sutil, como
se coisas assim acontecessem todos os dias para ela. Talvez acontecessem,
Poe refletiu. — Enganá-los para pensar que você foi sequestrado foi astuto.
E você fez algumas manobras para nos tirar da superfície. Parece que você
é um bom piloto, afinal.
— Poderia usar um copiloto, — Poe disse, acenando para o assento
dela. — Você parece se encaixar no perfil. Talvez você possa me mostrar
alguns daqueles truques de contrabandista de especiarias em troca?
— Algo me diz que você não é estranho a ser um canalha, Poe
Dameron, — ela disse, com o seu sorriso se alargando por um instante, uma
calorosa surpresa em seus olhos. — Mas é um acordo.
O denso planeta pantanoso Sorgan era a única rocha habitável num sistema,
de outra forma, esquecível, aninhado nas profundezas da Orla Exterior.
Conhecido por pouco mais do que ser um marcador no caminho para algo
mais notável, Sorgan era subdesenvolvido, com uma cultura
majoritariamente agrária e uma governança planetária mínima, além de uma
população nativa ainda menor, tornando-o uma parada perfeita para os
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi. Pelo menos era o que Poe
supunha.
— Aqui estamos, — Poe anunciou para os seus novos companheiros
enquanto a Garra Lacerada saía do hiperespaço. — Lar, doce lar
temporário.
Poe não se virou, mas sentiu Vigilch pairando sobre ele. O seu líder
parecia inquieto durante a jornada. Estaria ele incomodado com como
conseguiram sair de Yavin 4? Que não teve uma participação direta na
solução do problema? Poe não tinha ideia. Ainda estava inseguro sobre
onde se posicionava em relação a todos eles. Nem sabia que eram
Contrabandistas de Especiarias até embarcar na nave e se comprometer a
escapar de Yavin 4. Zorii o enganou sobre quem eles eram. Poe não estava
apenas voando alto com alguns contrabandistas duvidosos, mas se unindo a
uma verdadeira rede criminosa. Isso deixou um gosto amargo em sua boca,
e não tinha ninguém com quem conversar sobre isso. Os seus
'companheiros' eram apenas isso.
Gen Tri era majoritariamente silencioso e misterioso, e quando falavam,
era para Zorii ou Vigilch. Marinda Gan era mais amigável, a Twi'lek parecia
animada e entusiasmada com a próxima aventura. Mas essa exuberância
ocultava algo mais sombrio que Poe não conseguia enxergar
completamente, como um fyrnock à espreita nas sombras, esperando para
atacar. E então havia Zorii. Como Marinda, ela e Poe estavam próximos em
idade, mas Zorii falava e se movia como uma mulher duas vezes mais
velha. Madura, confiante, cansada do mundo. O que Zorii Wynn havia
vivido? Onde ela se posicionava? As perguntas dançavam em sua mente
durante toda a viagem enquanto ele tentava pilotar a nave e manter a sua
calma exterior. Havia apenas uma maneira de descobrir a verdade, pensou,
e tinha pouca escolha na questão.
— Temporário? — Vigilch resmungou enquanto Poe pousava a nave na
superfície encoberta de nuvens de Sorgan. A Garra balançou visivelmente,
Vigilch esforçando-se para manter a postura antes de continuar. — O que
faz você pensar isso, filhote?
Poe ignorou o insulto e se certificou de que a nave estava estável antes
de girar o seu assento.
— Quero dizer, Sorgan? Este lugar é mais chato do que Yavin Quatro.
Não acho que ninguém, nem mesmo um cartógrafo espacial, consiga
encontrar essa rocha num mapa, — ele disse. — Estamos apenas passando
o tempo antes de chegarmos a Kijimi, certo?
Poderia jurar que ouviu Gen Tri rir, mas o som se parecia mais com um
rosnado misturado com um espirro. Eles não encontraram os olhos de Poe.
Vigilch deu de ombros e saiu da cabine, evidentemente achando que a
conversa se resolvera. Poe girou o seu assento e bateu os dedos próximo ao
painel do copiloto de Zorii. Ela olhou para cima, desinteressada na troca
com Vigilch.
— E então, o que me diz? — Poe perguntou.
— O quê?
— O que há em Kijimi?
— O que tem de especial, Poe? — Zorii perguntou, impaciente. O seu
humor poderia mudar de caloroso e amigável para frio e desinteressado em
momentos, parecia.
— Vocês são os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi, certo? — Poe
disse. — Então por que não vamos direto pra lá? Não é onde nos
estabelecemos? Desculpe, sou novo nesse negócio de contrabando, nessa
coisa de contrabandista de especiarias.
Zorii franziu a testa, com a sua expressão uma mistura de surpresa e
desprezo.
— Kijimi não é para qualquer um, espertalhão. — A última palavra saiu
da boca de Zorii com um calor extra. — Você não duraria um segundo lá se
não estivesse sob a proteção dos Contrabandistas de Especiarias.
— Bem, quero dizer, não estou?
— Não ainda. Não se engane, — Zorii disse, inclinando ligeiramente a
cabeça. O restante da equipe estava começando a desembarcar, deixando-os
sozinhos na nave. — Você nos trouxe até aqui, ótimo. Agradecemos por
isso. Você mostrou um verdadeiro talento lá fora. Mas o que você acha que
fazemos, Poe? Apenas voamos por aí, tendo aventuras selvagens e
despreocupadas?
Poe não respondeu. Não tinha certeza do que pensava. Só queria
experimentar não estar em Yavin 4. Não responder ao pai ou ouvir L'ulo
narrar histórias sobre os seus pais que nunca poderia vivenciar. Queria algo
diferente e novo. E agora estava preso. Não tinha como sobreviver sozinho
e nenhum lugar para ir. Ele era ou logo seria um fugitivo aos olhos de Yavin
4 e da Nova República. Poe precisava pensar rápido se quisesse encontrar
uma saída desse problema, mas os planos não estavam se formando. Tudo o
que conseguia pensar era no que havia deixado pra trás e o dano que a sua
saída precipitada havia causado. O que o seu pai estava pensando? Que Poe
havia sido sequestrado? Por quem? Em quem Poe havia confiado a sua
vida?
— Isso não é o circo espacial, Poe, — Zorii disse, balançando a cabeça
e soltando uma rápida e curta risada. — Isso é outra coisa. Algo real e
importante que você precisa sentir em seu sangue. Você não só precisa
querer estar aqui, você precisa sacrificar tudo pra estar aqui. Essa é sua vida
agora. Nada mais importa porque nada mais veio antes, certo? Se você
quiser ser um de nós, um de nós precisa ser tudo o que você é ou será.
A garganta de Poe se apertou. Os seus dedos congelaram sobre os
controles da Garra Lacerada. Os seus olhos, fixos nos de Zorii, secaram. A
cabeça de Poe girava enquanto ele tentava manter o foco, na nave, em Zorii,
no que viria a seguir. Mas o que viria a seguir? Não conseguia afastar a
sensação de que cometera um terrível erro, e não conseguia evitar a
pergunta que pulsava em sua mente como um chamado de sirene:
O que você fez, Poe Dameron?
— Como está se sentindo?
As palavras de Zorii Wynn cortaram o silêncio do acampamento, o
preto sólido que cobria o céu nublado do planeta Quintil na Orla Exterior,
conferindo à sua jovem voz uma qualidade etérea e distante.
Eles haviam chegado à rocha frígida sob circunstâncias misteriosas.
Vigilch, que estava roncando em seu saco de dormir na borda do
acampamento rudimentar, havia compartilhado pouco de sua missão com
Zorii e Poe, o que Poe supunha que era intencional. Era o novato, percebeu,
e Zorii, por toda sua experiência e paixão, estava na base da hierarquia da
equipe. Poe havia pilotado a Garra Lacerada até o planeta o mais
discretamente possível, sem entender por que estavam sendo tão secretos,
especialmente quando o planeta que se aproximavam parecia sem vida. Mas
ao pousar, Vigilch deixou claro ao Poe e o resto da equipe: Eles
começariam a missão na manhã seguinte. Estejam prontos. Sem perguntas.
— Sentindo? — Poe perguntou. — O que você quer dizer?
Ouviu a risada seca de Zorii, mas não conseguia vê-la, embora soubesse
que ela estava por perto, se não ao seu lado. Eles montaram o acampamento
no escuro, a única luz vindo do solo coberto de neve branca. Uma luz que já
se fora, os últimos flashes do sol de Quintil eram uma memória distante.
— Nem tudo é discurso dúbio, Poe, — ela disse, mantendo a voz num
sussurro baixo. — Mesmo em nosso negócio. Quero dizer, como você está?
— Estou bem, estou ótimo, — disse Poe, reflexivamente.
A verdade era bem diferente. Já fazia algumas semanas desde que
pilotou a Garra pra longe de Yavin 4 e deixou a sua vida pra trás. Se fosse
sincero consigo mesmo, ainda estava se recuperando da mudança, uma
decisão tomada por impulso e emoção, mas repleta de consequências reais e
concretas que Poe ainda não estava pronto para aceitar.
O seus primeiros dias com os Contrabandistas de Especiarias
adicionaram detalhes ao pouco que Poe sabia sobre o grupo antes do
encontro em Yavin 4. Embora não fosse um especialista, havia aprendido
bastante sobre eles e de onde tinham surgido. O colapso do Império havia
causado uma ruptura sísmica no submundo criminoso galáctico. A batalha
pela especiaria de Kessel se tornara caótica, com várias gangues disputando
um espaço no mercado. Terminais de processamento como Obah Diah e
Formos, que outrora contavam com a proteção do Império, agora eram
alvos fáceis e forçados a se defenderem sozinhos. Entraram os
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi.
Eles se especializavam em atacar e apreender naves de transporte que
conseguiam emergir do caos do comércio de especiarias. Com o tempo, o
grupo de Contrabandistas de Especiarias estabeleceu a sua própria parceria
independente com os operadores das minas, tornando-se um canal exclusivo
para a especiaria de Kessel que chegava até Kijimi e ainda estava
crescendo.
Uma risada seca puxou Poe de volta ao momento.
— Você é um mentiroso, — disse Zorii. Poe ouviu um ruído. Ela estava
se virando, dando as costas pra ele.
— Por que você faz isso? — perguntou Poe, sem saber de onde as
palavras vieram. — Por que você se juntou aos Contrabandistas de
Especiarias?
Poe só tinha certeza de que sentia uma saudade, uma necessidade de se
conectar com alguém além de si mesmo. O assentamento de Yavin 4 era
relativamente pequeno e consistia principalmente em profissionais,
comerciantes e oficiais da Nova República, ou seja, não havia muitas
pessoas da idade de Poe. Tornou-se normal para Poe não ter ninguém da sua
idade para conversar, a tal ponto que não pensava muito nisso até agora,
enquanto conhecia Zorii. Essa saudade se tornou mais clara enquanto estava
sentado sozinho na escuridão congelante de um mundo estranho que nunca
havia ouvido falar até algumas horas antes.
— Eu perguntei primeiro, — ela disse, com a sua voz abafada pelo saco
de dormir.
— Não percebi que estávamos tendo um debate formal, — disse Poe,
com uma ponta de desafio na voz. — Por que você não me diz, então?
Como eu estou me sentindo?
Zorii se virou novamente. Não podia vê-la, mas sabia que os seus olhos
estavam nele.
— Isso é fácil. Você sente falta da sua família, — disse ela. Não era uma
pergunta. Ela estava certa. — Você não confia em ninguém. Está se
perguntando se fez a coisa certa. Você também está com saudade de casa.
— Era hora de eu ir, — disse Poe, ainda em sua defensiva. — Eu
precisava de uma mudança.
— Essas duas coisas podem coexistir ao mesmo tempo, — disse Zorii.
— Você pode amar a sua família e ainda assim querer estar longe deles.
— É? — ele perguntou. — Parece que você está falando por experiência
própria.
Zorii esperou um momento antes de responder, com as suas palavras
saindo de forma metódica.
— A minha vida...é complicada, — disse ela. — Mas sim, eu amo a
minha família. A minha mãe. Só não a vejo com frequência. Já faz um
tempo. Tudo bem.
— Como eles são?
— Difíceis, — disse Zorii, com o seu tom plano. — A minha mãe em
particular. Eles têm grandes expectativas. Tenho muito a corresponder.
É...difícil. Tento não pensar nisso o tempo todo. E você? Como são os
seus pais?
— Meus pais eram...bem, a minha mãe se foi, — disse Poe, esforçando-
se para encontrar as palavras certas.
— Oh, — Zorii disse. — Sinto muito...Eu não quis...
— Não, tudo bem, — disse Poe. — Já faz um tempo.
— Isso não ajuda muito, — disse Zorii, com as suas palavras pensativas
e prolongadas. — Ela é sua mãe.
— Eles são boas pessoas. Lutaram pela rebelião, — disse Poe. — O
meu pai, ele é rígido. Muito fixo em suas ideias. Ele se preocupa comigo,
mas...quase demais. Isso faz sentido?
— Faz, — disse ela. — Perfeitamente.
— Eu tive que deixar Yavin. Eu tinha que tentar algo diferente, — disse
Poe. Ele se sentiu mais leve, como se uma âncora tivesse sido retirada de
seu peito. — Mas eu sei que ele está machucado. Ele me estrangulava se me
visse.
Zorii riu, um som livre e musical que parecia em desacordo com o
exterior estoico e sólido que Poe havia conhecido. Gostou do som.
— Eu sei como é isso, — disse ela.
— É?
— Sim, — disse ela. — E é bom saber que eu não...bem, eu não estou
sozinha aqui.
— É, — disse Poe. — Não sei se conseguiria continuar sem alguém
com quem conversar.
— Bom, — disse Zorii. — Agora você está preso a mim. — Há destinos
piores na galáxia, eu suponho. — Não sei, — ela disse com uma risada
rápida.
Após alguns momentos de silêncio, ela falou novamente.
— Olha, não se preocupe tanto, Poe, — disse ela. Ele imaginou os seus
olhos largos fixos nos dele e sentiu um conforto quente se espalhar por ele.
— Durma um pouco. Parece que amanhã será um dia ocupado. Você vai
ficar bem.
— Isso é uma promessa?
— Sim, — disse ela, o humor em sua voz desaparecendo. — Eu
prometo.
Poe não tinha certeza por que estendeu a mão na escuridão. Não
conhecia Zorii Wynn. Mas não conhecia ninguém em sua vida, não mais. E
das pessoas com quem havia entrado em contato desde que deixou a órbita
de Yavin 4, ela era a única membro de seu grupo improvisado a mostrar
qualquer sinal de preocupação por seu bem-estar. Parte disso era a situação
deles, ambos eram inexperientes e novos na organização dos
Contrabandistas de Especiarias, então fazia sentido que estivessem
trabalhando juntos, lidando com o trabalho pesado, comparando notas. Mas
Poe sentia que havia algo mais ali. Uma afinidade que ainda não conseguia
entender, mas que ainda assim conseguia encontrar conforto. Poe Dameron
precisava de um amigo, e Zorii Wynn era a coisa mais próxima disso.
Sentiu uma mão suave segurar a sua, com os seus dedos se entrelaçando
naturalmente. A sua palma estava quente, o que era agradável para os seus
dedos frios. Parecia natural e íntimo, mas ainda novo e empolgante. Uma
onda de energia nervosa subiu por seu braço. Inclinou a cabeça pra trás e
olhou para o céu negro.
Pela primeira vez desde que embarcou na Garra Lacerada, sentiu-se em
paz. Demoraria bastante até que se sentisse assim novamente.

— Sem mais perguntas, — gritou Vigilch. — É tudo o que você precisa


saber. Agora encontre os destroços para que possamos sair deste planeta.
O ríspido Klatooiniano se afastou em direção ao Garra, deixando Poe e
Zorii trocarem olhares. Poe podia sentir Gen Tri e Marinda Gan os
observando a poucos metros de distância. Era apenas o começo da manhã, o
sol quintiliano apenas surgindo entre as densas nuvens que cobriam toda a
superfície do planeta de gelo, mas eles já estavam acordados há algum
tempo. Vigilch os havia acordado com um empurrão brusco, gritando
ordens e rapidamente desmontando o acampamento improvisado que
haviam criado ao pousar. A vida de um contrabandista de especiarias era
tudo, menos luxuosa, Poe logo percebeu.
— Por que precisamos encontrar essa nave? — perguntou Poe enquanto
seguia Zorii em direção à borda de seu acampamento.
— Quero dizer, seria tão difícil para o cara nos dar um pouco mais de
informações?
— Ele nos deu o que precisamos saber, — disse Zorii, não olhando para
Poe enquanto caminhava rapidamente em direção a uma área densamente
florestada. — Você está pronto?
— Tenho escolha?
— Não mesmo, — disse ela, um leve sorriso no rosto enquanto se
virava para olhar pra ele.
— Então estou pronto.
Poe não tinha certeza se o plano, ou as ordens, que Vigilch havia
compartilhado com eles eram realmente simples ou apenas extremamente
escassas. Estava claro para Poe que o seu líder hesitava em dar muitos
detalhes para os novatos do grupo, seja por medo de que eles o traíssem e à
organização ou porque simplesmente não estavam prontos para saber o
plano. Poe esperava que fosse a última opção, mas pelo pouco que sabia
sobre Vigilch, teve que aceitar que era também um pouco da primeira.
Zorii olhou para um pequeno datapad em sua mão e acenou com a
cabeça para si mesma.
— Vigilch disse que a nave está a cerca de um quilômetro e meio de
distância, — disse ela. — Se esses sensores estiverem certos, devemos
atravessar este trecho de floresta e estaremos lá.
— Mas e depois? — perguntou Poe. — Encontramos a nave e a
acariciamos gentilmente e dizemos 'Bom trabalho'? Pra onde os outros estão
indo?
— Você faz perguntas demais.
— Minhas sinceras desculpas, — disse Poe. — Não é como se, oh, eu
não sei, as nossas vidas dependessem disso? Isso não é exatamente
Coruscant ou algum outro Mundo do Núcleo. Se nos perdermos,
provavelmente acabaremos congelados, e não tão gostosos quanto sorvete
de leite de bantha.
Zorii não respondeu, em vez disso, avançou alguns passos à frente de
Poe, forçando-o a acelerar o passo.
— Isso não te incomoda que Vigilch não nos diga nem por que estamos
aqui?
— Ele está no comando, — disse Zorii, com os seus olhos fixos em seu
datapad. — As ordens dele vêm de cima. De Zeva.
Zeva, a sua misteriosa e toda poderosa líder. O nome havia aparecido
raramente durante o breve tempo de Poe com os Contrabandistas de
Especiarias, e quando aparecia, desaparecia rapidamente, como se dizer o
nome e permanecer sobre ele se provasse ser azar ou perigoso. Teve o efeito
desejado, pensou Poe. Ficava ansioso a cada menção.
As árvores ao redor deles se tornaram mais densas, a floresta arborizada
se sentindo mais claustrofóbica à medida que se afastavam mais. A
visibilidade estava piorando, as árvores obscurecendo o pouco de luz solar
que havia conseguido atravessar os céus. Qualquer fragmento de serenidade
que havia sentido na noite anterior, após sua conversa com Zorii, havia
desaparecido, dominado por uma onda de ansiedade e medo que ele não
conseguia identificar. Vigilch havia entregue a eles o datapad e ordenado
que encontrassem uma nave dos Contrabandistas de Especiarias perdida,
uma que eles procuravam discretamente há meses. Mas e depois? Quem
estava na nave? O que eles estavam prestes a enfrentar?
— Ali, — Zorii disse, fazendo uma curva acentuada para a esquerda. —
Está mais perto do que pensávamos.
Os pequenos galhos que se projetavam da floresta densa arranhavam e
cutucavam o rosto e o corpo de Poe enquanto corria para acompanhar Zorii,
que se apressara em direção a uma pequena clareira à distância. Além da
abertura das árvores, Poe viu um grande monte metálico de...destroços?
Ambos pararam bruscamente ao alcançarem a borda da floresta, antes
de pisarem na clareira. Poe se virou para Zorii. A sua expressão era de
olhos arregalados e, se Poe fosse honesto consigo mesmo, de medo.
— O que foi? — Poe perguntou. — O que há de errado?
Ela não respondeu. Poe seguiu o olhar dela. O monte de metal e
destroços que se erguia em direção ao céu provavelmente já fora uma nave,
pensou Poe, mas nunca voaria novamente. O dano era tão severo, as peças
tão díspares e retorcidas, que nem conseguia adivinhar de que classe o
pequeno cruzador havia sido. Mas pela expressão de Zorii, pôde perceber
que isso não era o que ela, ou Vigilch, esperavam.
— Ah, não, — ela disse.
— O que aconteceu aqui? — Poe perguntou.
Zorii começou a pressionar o seu datapad, cada toque se tornando mais
forte à medida que a sua frustração e medo aumentavam.
— As comunicações estão fora do ar, — disse ela. — Alguém está
causando interferência. — Eu diria que isso não é bom, — Poe disse.
Um disparo de blaster passou por ele, a poucos centímetros do seu
rosto. Pulou pra trás com um grito embaraçoso de medo.
— Isso também não é bom, — Poe disse.
Zorii sacou um blaster, colocando o braço na frente do peito de Poe,
sinalizando para que ele se afastasse de volta para a floresta. Ela se virou
para olhá-lo por um segundo.
— Onde está o seu blaster?
— Meu blaster?
— Você não tem um blaster.
— Eu não tenho um blaster.
Ela vasculhou a sua mochila e jogou-lhe uma pequena arma. Ele a
segurou com cuidado, com a sua outra mão esfregando a ferida fantasma do
lado direito do seu rosto. Tão perto.
— Por favor, me diga que você sabe como usar um, — Zorii disse
enquanto se agachava, olhando para além da clareira em direção aos
destroços, de onde o disparo havia se originado.
— Eu sei como usar um.
Zorii balançou a cabeça. Ela olhou de volta para Poe e sinalizou para a
sua mão e blaster.
— Você aponta, você atira, — disse ela. — Depois você faz de novo.
Mantenha para baixo se não for usar. Atire à vontade se for. Está ajustado
para atordoar, então não se preocupe muito. — Poe acenou com a cabeça.
Outra onda de disparos. Zorii e Poe recuaram mais para dentro da
floresta enquanto os tiros de blaster atingiam as árvores. Quem estava
atirando não tinha uma linha clara sobre eles. Por enquanto.
— Eles parecem chateados, — Poe disse.
— Não tenho certeza se é um 'eles', — Zorii disse. Ela se aproximou da
clareira e disparou algumas balas rápidas, atingindo os destroços ao redor
da área de onde o fogo inicial havia vindo.
Zorii se levantou. Poe estendeu a mão para o braço dela, mas ela o
sacudiu.
— O que você está fazendo? — Poe perguntou. — Você está louca?
Ela entrou na clareira, com o seu blaster erguido. Ela falou numa voz
alta e autoritária que enviou um estranho calafrio por todo o ser de Poe.
— Se você o machucar, — disse ela, — você pagará o preço final.
Mostre-se agora e seremos misericordiosos.
As suas palavras foram seguidas por um som baixo de ranger e a
aparição de uma figura sombria e instável, blaster erguido no sinal universal
de rendição.
Zorii sinalizou para Poe segui-la sem olhar para trás. Ela se aproximou
da forma cautelosamente, com o blaster desenhado e travado no alvo. Poe a
seguiu, com a sua postura numa imitação aceitável da dela.
À medida que se aproximavam, a figura saiu das sombras. Um homem
alto e mais velho, seu rosto marcado e abatido, mas a sua postura era régia e
imponente. Ele parecia ter visto dias melhores, pensou Poe. Havia um longo
corte em sua testa que poderia usar um kit médico, e as suas roupas sob
medida estavam rasgadas e manchadas de sujeira e poeira. Um sorriso
abafado, mas aliviado, surgiu em seu rosto.
— Minha querida Zorii, — disse o homem. — Que maravilhosa
surpresa.

Poe observou enquanto Zorii corria até o homem mais velho e o abraçava.
Não conhecia Zorii Wynn há muito tempo, mas daquele breve período a
descreveria como estoica e distante, com lampejos de calor e
temperamento. Não poderia dizer que já a havia visto verdadeiramente
feliz. Até agora. Poe caminhou em direção a eles, com um sorriso confuso
no rosto.
— Como está Babu, Tomasso? — Zorii disse. — Sinto falta do nosso
charmoso ferreiro de droides.
— Hábil como sempre, — disse Tomasso. — Ele pediu que eu lhe
enviasse os melhores cumprimentos. — Zorii respondeu com um sorriso
caloroso.
Poe estava chocado até o âmago. Não apenas Zorii estava feliz, como
ela parecia encantada por esse tal Babu. Tentou ignorar o que estava
sentindo, ciúmes?, mas não teve muita sorte.
— É assim que vocês se cumprimentam? Atirando? — Poe perguntou.
— Parece estranho.
O homem mais velho se afastou de Zorii e voltou a sua atenção para
Poe, com um olhar curioso no rosto.
— Este é Dameron? — ele disse. — O piloto que te tirou do sistema
Yavin?
— Sou eu, Poe Dameron, — disse Poe. — Estou bem aqui.
O homem assentiu, mas não estendeu a mão. Ele era alto, com o seu
rosto marcado e com um aspecto irregular, coberto por uma barba branca
áspera, embora houvesse apenas tufos de cabelo em sua cabeça. Zorii falou,
preenchendo o que rapidamente se tornara uma pausa constrangedora.
— Poe, este é Tomasso, — disse ela. — Ele é um dos membros de mais
alta patente dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi.
Vindo depois da nossa líder, Zeva.
Ela se inclinou para o homem, descansando a cabeça em seu ombro.
Poe sentiu outra pontada de ciúmes. Não porque achasse que havia alguma
conexão romântica entre os dois, mas porque as afeições de Zorii por
Tomasso pareciam tão naturais e genuínas.
— Prazer em conhecê-lo, — disse Poe com um aceno. — Fico feliz que
o encontramos inteiro. Embora, tenho que dizer, não esperava encontrar um
contrabandista de especiarias de primeira linha apenas descansando num
monte de sucata, sozinho. — Tomasso suspirou.
— Seu humor vem do medo, — disse ele. — Vamos resolver isso.
Ele se virou para Zorii, colocando as mãos suavemente em seus ombros.
— Diga-me que você tem uma nave, — disse ele. — E que podemos
sair dessa tundra imediatamente.
— A Garra está a cerca de um quilômetro e meio de distância, através
daquela floresta. Vigilch, Gen Tri e Marinda estão lá, — ela disse,
apontando para o acampamento deles. — Vamos te levar. Você consegue
andar?
— Mais ou menos, — disse Tomasso com um gemido. — Embora, as
últimas horas tenham sido problemáticas. Estou feliz em vê-la, no entanto.
Poe examinou os traços do homem mais velho. Apesar da descoberta
inesperada de seus aliados, o contrabandista de especiarias parecia
preocupado, com a sua expressão atormentada.
— O que há de errado? — Poe perguntou a ele.
Tomasso olhou para Poe, com uma sobrancelha levantada ligeiramente.
— Você é perspicaz, — disse ele antes de se voltar para Zorii. — Deixe-
me perguntar, minha querida, você consegue contatar Vigilch e a equipe? —
Zorii balançou a cabeça.
— Então temo, — disse Tomasso, — que pode ser tarde demais pra
todos nós.
Correr estava fora de questão, Poe percebeu enquanto atravessavam a
clareira e entravam na floresta. Tomasso não estava em forma ideal, e Poe
duvidava que o homem mais velho conseguisse acompanhá-los mesmo em
sua melhor forma. Mas enquanto ele se recuperava do que quer que tivesse
passado, o melhor que poderiam esperar era uma corrida significativa. Zorii
e Poe ficaram de cada lado de Tomasso e revezavam-se olhando por cima
dos ombros para ver o que, ou quem, estava em seu encalço.
— É o Sindicato Zualjinn, não é? — Zorii perguntou enquanto paravam
numa árvore caída, revezando-se para escalá-la. — Isso é a única coisa que
faz sentido.
— Você está correta, Zorii, — disse Tomasso. Ele não parecia estar sem
fôlego, pra surpresa de Poe. Talvez houvesse mais no criminoso
envelhecido do que ele pensara inicialmente. — As coisas saíram um pouco
do controle.
— Quem? — Poe perguntou.
— Os Zualjinn são Contrabandistas de Especiarias também, mas não
tão, bem, amigáveis quanto a nossa equipe, — Zorii disse, acelerando o
passo ao chegarem do outro lado da árvore caída. — Eles realmente
preferem atirar a conversar. — Eu estava aqui numa missão diplomática, —
Tomasso disse, assumindo a liderança.
— Oh? — Poe perguntou. — Consolidando os nossos recursos e tudo
mais?
— Não exatamente, — Tomasso disse, parando por um momento. Ele
olhou ao redor, então balançou a cabeça. Nada. Quem quer que os estivesse
perseguindo ainda não havia se revelado. — Foi um empreendimento mais
complicado. — Você teve sucesso? — Zorii perguntou.
— Muito sucesso, eu diria, — Tomasso respondeu. — Acho que fui
bem-sucedido demais.
— Você fez um trabalho tão bom que os Zualjinn destruíram a sua nave
e te deixaram pra morrer? — Poe perguntou.
— Eles pareciam bastante chateados por eu ter eliminado o alto
comandante deles, sim, — Tomasso disse, com um tom casual e
desdenhoso. — Acho que as suas expectativas eram mais, conciliatórias por
natureza.
As palavras de Tomasso congelaram todos os músculos do corpo de Poe
por um segundo. Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, o
contrabandista de especiarias mais velho estava sinalizando para que
continuassem.
Zorii notou a expressão vazia de Poe enquanto continuavam sua
caminhada rápida pela floresta. Ela agarrou o seu braço com força. Quando
não reagiu, ela segurou o seu rosto e o virou em sua direção.
— Poe, olhe pra mim, — ela disse. — Você está bem?
— Eu, eu acho que sim, — Poe disse. Ele não estava bem, embora
soubesse disso. Mas não havia tempo para processar. Não ainda.
— Então aja como se estivesse, — ela disse, soltando-o e avançando.
Tomasso olhou pra Poe, como se o jovem piloto estivesse sendo notado
pela primeira vez.
— Ela é uma mulher complicada, — disse ele. — E este é um mundo
complicado em que você entrou, meu amigo. Melhor ter isso em mente.
Poe assentiu. Não tinha certeza de que tipo de resposta o pirata mais
velho queria. Mas foi poupado de ter que dar uma. À medida que se
aproximavam do final da fileira de árvores e do que deveria ser o seu
acampamento, foram surpreendidos pelo som violento de blasters,
forçando-os a se aproximar com mais cautela. Quando entraram na clareira,
não foram recebidos por seus aliados, esperando para embarcar na Garra e
escapar, mas por um tiroteio sangrento.
Poe não conseguia entender o que estava acontecendo, não a imagem
completa. Mas viu o suficiente para saber que o seu lado estava perdendo.
Os Zualjinn, ou as pessoas que Poe presumiu serem os Zualjinn, eram
figuras altas e magras, cobertas por trapos e túnicas escuras e esfarrapadas,
com os rostos escondidos por capacetes prateados desbotados. E havia
muitos deles, pelo menos uma dúzia, cada um armado com um fuzil blaster
e disparando à vontade.
Agachados ao lado da Garra estavam Vigilch, Gen Tri e Marinda Gan,
devolvendo os tiros o melhor que podiam, mas claramente superados em
número e apenas adiando o inevitável. Poe começou a correr em direção a
seus companheiros, mas foi interrompido por Tomasso, com o seu braço
bloqueando o caminho.
— Eles ainda não nos notaram, — Tomasso disse, olhando de Poe para
Zorii. — Isso nos dá uma vantagem. Uma ligeira. — Zorii assentiu, com o
blaster preparado.
— A floresta contorna a clareira, — ela disse, fazendo um gesto em
direção à vasta extensão de árvores e matas.
— Vamos contorná-los e surpreendê-los, — Poe disse, entendendo a sua
sugestão.
— E os derrubamos, — Tomasso disse com um aceno. — Zorii, você
pega o flanco esquerdo deles com o jovem Poe. Eu me aproximarei do
outro lado.
Zorii começou a se mover quase imediatamente, deixando Poe meio
passo atrás enquanto Tomasso ia na outra direção. O corpo de Poe doía.
Estava arranhado e machucado pelo terreno áspero, e o peso do que
estavam se metendo parecia se instalar em seus ombros, retardando os seus
movimentos e pensamentos. Mas ele precisava acompanhar. Zorii não iria
esperar, e não havia outra maneira de sair deste planeta gélido.
O som dos disparos de blaster ecoou pela densa floresta enquanto eles
refaziam os seus passos, depois viraram à direita, longe do caminho que os
levaria de volta aonde haviam encontrado Tomasso. Os movimentos de
Zorii eram rápidos e focados, como se tivesse corrido pelo terreno coberto
de neve mil vezes em vez de apenas uma. Poe fez o seu melhor para
acompanhar o ritmo de Zorii. Eles pararam a cerca de um metro do lado
traseiro da Garra, a batalha ainda se desenrolando.
— Você sabia que estávamos vindo por ele, — Poe disse.
— O quê?
— Tomasso, — Poe disse. — Você sabia que era por isso que estávamos
aqui.
Zorii não respondeu. Ela voltou a sua atenção para os Contrabandistas
de Especiarias Zualjinn se aproximando da Garra.
— Nunca vamos conseguir atirar melhor do que eles, — ela disse.
Poe começou a responder, mas Zorii o cortou.
— Deixa pra lá, Poe, — ela disse. — Sim, é verdade, eu sabia que era
por isso que estávamos aqui. Mas agora não é hora de reclamar por não ter
sido incluídos. Precisamos salvar a nossa nave e a nossa equipe. Precisamos
de uma distração. — Poe pegou o seu blaster e apontou para Zorii com um
sorriso.
— Eu acho que tenho uma.

— Ei, ei, pessoal? — A voz de Poe cortou os sons de disparos e batalha.


O punhado de membros do Sindicato Zualjinn se virou para encarar as
duas figuras saindo da floresta, uma com um blaster apontado para a cabeça
da outra.
— Vocês não vão acreditar no que eu encontrei correndo por aquelas
matas, — Poe disse, gesticulando com a cabeça para Zorii, que exibia uma
expressão desafiadora. O blaster de Poe repousava calmamente ao lado da
cabeça dela, com o seu outro braço envolto em seu pescoço.
— Identifique-se, estranho, — disse um dos Zualjinn.
As várias gravações e entalhes em seu capacete o tornavam diferente do
equipamento sem marcas que os outros usavam. O líder, pensou Poe.
— Poe, o que você está fazendo? — Vigilch gritou do outro lado da
clareira, a voz do contrabandista de especiarias ecoando sobre o vento
cortante. — Você enlouqueceu?
— Só jogando com as probabilidades, amigo, desculpe, — Poe disse,
dando de ombros. — Essa coisa de contrabandista de especiarias não é pra
mim. — Uma voz na parte de trás de sua mente observou que estava
dizendo a verdade com essas últimas palavras, mas ignorou. — E, ei, acho
que os nossos amigos aqui com roupas de inverno podem me colocar numa
nave de volta pra casa. Certo, pessoal? Quero dizer, eu sei onde está o
Tomasso. É dele que vocês estão atrás?
Zorii lutou no aperto de Poe, com seu braço apertando e puxando-a mais
perto. Aproximou a sua boca do ouvido dela por um momento.
— O cotovelo no meu estômago foi um pouco real demais, — Poe
disse.
— Só estou fazendo o meu papel, — Zorii disse entre dentes cerrados
enquanto tentava se soltar do aperto de Poe.
O líder Zualjinn deu um passo em direção a Poe, com o fuzil blaster
treinado apontado pra eles.
— Seu homem, Tomasso, traiu a nossa confiança, — ele disse. — O
Sindicato Zualjinn não será enganado duas vezes. — Ele gesticulou pra Poe
e Zorii com o seu braço livre, e os soldados Zualjinn mudaram a sua
atenção dos Contrabandistas de Especiarias encurralados para Poe. Poe,
puxando Zorii com ele, deu alguns passos cautelosos pra trás.
— Entendo, entendo, vocês já se queimaram antes, — Poe disse. —
Mas eu sou o seu caminho para pegar Tomasso e igualar as chances, tudo
bem? Preciso de uma saída dessa coisa toda de contrabandista de
especiarias, e...
— Chega, — disse o líder Zualjinn, com a sua voz firme. O Sindicato
Zualjinn não era conhecido como uma organização diplomática, Zorii havia
dito a Poe. Eles tendiam a atirar primeiro, e depois atirar novamente.
O líder se aproximou de Poe e Zorii. Pela periferia da visão de Poe, viu
movimento perto da rampa de embarque da Garra. Só mais alguns
momentos, pensou.
O líder Zualjinn se aproximou de Poe, com as suas faces a centímetros
de distância. Poe podia ver além do capacete do membro do sindicato para
o seu rosto humanoide marcado, com olhos vermelhos brilhando na
escuridão.
— Você acha que isso é algum tipo de jogo, garoto? — ele disse. —
Você acha que pode apenas dar risada e salvar o dia? — Poe sentiu o rifle
blaster pressionar em seu abdômen. Zorii não estava mais se contorcendo.
Ela se afastou de Poe agora que a sua farsa havia sido revelada. Os seus
olhares se encontraram brevemente e a sua expressão gritava, E agora?
Os outros soldados Zualjinn estavam se aproximando de Poe e Zorii,
com as armas em punho. Poe viu um pequeno contingente de três ou quatro
ainda estacionados perto de Vigilch, Marinda Gan e Gen Tri. Não ouviu
nenhum tiro, então eles estavam mortos ou incapacitados. Poe esperava que
fosse a última opção.
O pensamento de seus novos camaradas morrendo de repente
permaneceu com Poe e acessou um sentimento maior e mais sombrio, uma
sensação de que estava em apuros e a emoção de embarcar numa nave
estranha para explorar a galáxia estava sendo substituída por uma realidade
muito mais perigosa.
— Responda-me, — o líder cuspia, cutucando Poe com a sua arma
novamente, com a saliva voando para fora de seu capacete. — Ou terei que
ensinar você a realmente nos temer?
Poe esperou mais um momento. Certamente Tomasso já havia chegado
a Garra, pensou.
— Ele não conseguiu, — Zorii disse, uma derrota sussurrada que apenas
Poe poderia ouvir.
— Não acho que você precise me ensinar, — Poe disse, tentando se
afastar. As suas costas bateram em outro atirador Zualjinn, que grunhiu em
resposta. Poe levantou as mãos. — Tudo bem, tudo bem, você me pegou,
não tenho direito a algum tipo de perdão pela criatividade?
O líder Zualjinn levantou a empunhadura de seu rifle para acertar Poe,
mas antes que pudesse completar a ação, uma comoção atrás dele chamou a
sua atenção. Ele se virou. Poe e Zorii também se viraram. Algo estava
acontecendo na Garra. Um choque de esperança atravessou Poe, então
desapareceu tão rapidamente quanto apareceu. Enquanto observava, um
soldado Zualjinn desceu da Garra arrastando uma figura relutante com ele.
A figura desafiadora estava ensanguentada e espancada. Levou um
momento para Poe olhar além das contusões e reconhecer o homem que
estivera do lado errado dos Zualjinn.
— Tomasso, — Zorii disse. — Não...
O líder Zualjinn se virou para encarar Zorii e Poe. Mesmo com o
capacete cobrindo a maior parte de seu rosto, Poe tinha certeza de que o
membro do sindicato estava sorrindo.
— Um esforço valente, mas um fracasso, — ele disse, antes de acenar
com um braço para a maior parte de seus homens.
— Reúnam-nos. Conseguimos o que viemos buscar.
A ordem foi seguida por uma série de gritos altos, cheios de raiva.
Poe olhou para Zorii.
— Isso não pode ser bom.
— Isso foi uma tola encenação, Dameron, — Vigilch disse, com a sua voz
fervendo de raiva. — Você não é invencível, garoto. Agora olhe pra nós.
Vigilch balançou o seu grande braço bronzeado através da pequena cela
de detenção. Toda a equipe estava amontoada no espaço fétido e pequeno,
com apenas um assento no canto distante, que havia sido reservado para o
doente Tomasso. Os Zualjinn não haviam sido gentis com o contrabandista
de especiarias de alto escalão, e Poe imaginou que qualquer destino final
que tivessem em mente para eles seria ainda pior.
— Você realmente acha que eles teriam sido muito mais gentis conosco
se eu não tivesse tentado algo? — Poe disse. Ele estava cansado. Exausto.
Havia corrido um risco, claro, mas não tinha certeza se tinha muita escolha.
— Não parecia que vocês três estavam fazendo mais alguma coisa além de
serem alvos.
— A sua impertinência não lhe cai bem, — Gen Tri disse, com a sua
voz oca. Eles estavam ao lado de Tomasso, que estava encurvado na
pequena cadeira, as mãos segurando o seu abdômen. — Lembre-se de que
você é apenas um novato em nossos caminhos. Isso não é um jogo colonial.
Poe ignorou a provocação de Gen Tri e caminhou em direção ao lado
oposto da pequena sala, de costas para o restante do grupo. Eles estavam na
cela, que parecia mais uma estrutura inacabada ou caverna, em termos de
tecnologia e comodidades, por algumas horas, pelo menos. Embora
certamente parecesse mais. Todos estavam machucados ou feridos de
alguma forma. Alguns guardas Zualjinn estavam de sentinela do lado de
fora da única entrada da sala. Depois de várias tentativas de se comunicar
com os guardas, Poe descobriu que eles não estavam interessados em
conversar.
— Ele fez a coisa certa, — Zorii disse. — Vocês todos sabem disso.
Poe se virou. Zorii estava atrás dele, de frente para o grupo. Os seus
punhos estavam fechados e ela parecia uma gata tooka encurralada e feroz.
Pra surpresa de Poe, o grupo parecia surpreso. Por que estavam tão passivos
com ela? Não era Zorii tão baixa na hierarquia dos Contrabandistas de
Especiarias quanto Poe?
— Você estava em desvantagem numérica, e era apenas uma questão de
tempo até que os Zualjinn nos prendessem a todos, — ela continuou. — O
plano de Poe era perfeito? Claro que não. Mas nos ganhou algum tempo?
Sim. Vocês deveriam elogiá-lo. Em vez disso, estão descontando a raiva que
sentem por terem sido capturados nele, quando deveriam realmente
direcioná-la a si mesmos. Ele é um contrabandista de especiarias há menos
de um mês. Qual é a sua desculpa? — Marinda Gan quebrou o silêncio
constrangedor, com a sua postura desafiadora.
— Isso tudo não significa nada se morrermos neste planeta, — ela disse.
— Eles têm as nossas armas. Eles têm a nossa nave. Estamos trancados. E
agora? Você tem outra grande ideia, pequeno Poe?
Poe havia tentado ser paciente, estar ciente de seu papel com os
Contrabandistas de Especiarias, em resumo, indefinido e de pouca
importância, mas ele tinha tido o suficiente. Se ele fosse morrer ali, num
planeta congelado nos confins da galáxia, cercado por estranhos,
criminosos!, com pouca chance de escapar, ele ia se defender pelo menos.
Abriu a boca pra falar, mas ficou em silêncio. A mão de Tomasso estava
levemente levantada, não tanto um chamado à atenção, mas um alerta ao
grupo.
— Vamos discutir isso mais tarde, — Tomasso disse, com a sua voz
soando cansada e frágil. — Agora não é a hora.
— Então quando? — Marinda Gan disse, desafiadora. — Você acha que
conseguiremos sair daqui vivos? Você está louco, velho. — Tomasso fechou
os olhos, como se estivesse lutando contra uma dor de cabeça dolorosa.
Zorii segurou a mão de Poe em suas como o velho pirata falava.
— Oh, eu acho que sairemos daqui em breve, — Tomasso disse, com
um sorriso suave aparecendo em seu rosto. — Imediatamente, até.
Antes que Poe pudesse pensar em olhar para Zorii, toda a sala tremeu
quando uma enorme explosão abalou o prédio.

Poe tentou abrir os olhos. Estava tonto. Cada parte de seu corpo se sentia
pesada, como se estivesse sobrecarregado por grilhões.
Quando conseguiu abrir os olhos, eles ardiam de poeira e detritos. Podia
ver Zorii olhando pra ele, com os seus próprios olhos cheios de
preocupação.
— Poe, levante-se, você tem que tentar se mover, — ela disse. Sentiu
alguém atrás dele, mãos firmes deslizando sob os seus braços e levantando-
o.
— Esta é a nossa chance. Precisamos ir.
Era Vigilch. Ele começou a se lembrar. Os Zualjinn. A cela. Uma
explosão. Mas haviam mais pessoas no espaço, ou o que costumava ser o
espaço, três Kyuzo em particular que não havia visto antes. O mais baixo
dos três deu um passo à frente. — Abrimos um caminho para a sua nave,
mas não temos muito tempo, — ela disse, olhando para Tomasso, que
parecia renovado de alguma forma.
— Obrigado, Zatticha, — Tomasso disse enquanto os Kyuzo giravam e
seguiam em direção à cela de detenção destruída. — Zorii, ele pode andar?
— Eu, eu acho... — ela começou.
— Estou bem, — Poe disse, fazendo uma careta ao dar um passo à
frente, tentando ao máximo esconder. Vigilch, Marinda Gan e Gen Tri
saíram em seguida, com Zorii, Tomasso e Poe não muito atrás.
Como saiu cambaleando dos destroços, Poe viu vários Zualjinn caídos,
alguns inconscientes, outros muito pior, com o seu sangue laranja se
destacando contra a neve pristina de Quintil. Levou um segundo pra
perceber o que estava vendo, mas logo isso o fez sentir uma tontura que
teve que lutar para afastar.
— Você está bem? — Zorii perguntou, tentando manter Poe estável. —
Precisamos ir. Não temos muito tempo.
— Sim, estou bem, não se preocupe, — Poe mentiu. O olhar no rosto de
Zorii lhe disse que ela conseguia ver através de sua bravata. — Vamos.
Ela envolveu um braço ao redor dos ombros de Poe e o levou para a
vasta extensão coberta de neve.
— Eu estou com você, Poe Dameron.
— Temos companhia, pessoal, — Poe disse, escaneando a tela da Garra
Lacerada em sua estação. Semicerrava os olhos, tentando se concentrar
apesar da dor pulsante em sua testa. — E eles não parecem felizes.
— Três naves, Zualjinn, — Marinda Gan disse em seu terminal por trás
de Poe e Zorii. — Vindo a toda.
Os olhos da mercenária Twi’lek estavam fixos em Vigilch, que, apesar
de estar abaixo de Tomasso na hierarquia dos Contrabandistas de
Especiarias de Kijimi, ainda era o capitão da nave, ao menos em sua visão.
As naves Zualjinn eram pequenas e rápidas; elas rapidamente
superariam qualquer vantagem que a Garra tivesse ganho através do
elemento surpresa.
— Se eles nos pegarem, estaremos em apuros, — Zorii disse enquanto
pressionava alguns botões em seu terminal. — Podemos saltar já?
— Não importa, — Marinda disse, com a sua voz ecoando pela ponte.
— As varreduras preliminares mostram que temos um rastreador em nós.
Eles vão nos seguir por toda a galáxia enquanto essa coisa estiver
funcionando.
Poe balançou a cabeça.
— Rastreador? — Poe perguntou, virando-se para Zorii. — Como isso
aconteceu?
— É um protocolo básico quando você captura uma nave que acha que
pode fazer uma saída apressada, como estamos fazendo aqui, — Zorii disse,
sem olhar para cima de seu terminal. — Eles provavelmente colocaram
enquanto éramos mantidos prisioneiros.
— Então não podemos saltar? — Poe perguntou, com a sua mente
correndo através das poucas opções que a Garra ainda tinha. Sentia-se
acabado, com o seu corpo ainda se recuperando da explosão que os libertou
dos Zualjinn. Os seus reflexos estavam lentos. Precisava se concentrar, ou
arriscar prejudicar as suas chances de sobrevivência. — Estamos presos
aqui?
— Podemos, claro, mas eles estarão logo atrás de nós, — Zorii disse. —
Só atrasaria o inevitável. Precisamos voltar e lutar, ou arranjar algo rápido.
Poe sentiu a mão de Tomasso em seu ombro enquanto o envelhecido
contrabandista de especiarias olhava além dele. A respiração lenta e
constante do homem parecia fora de lugar num momento tão tenso, mas Poe
encontrou um pouco de conforto nisso.
— Não teremos a vantagem de nossos camaradas Kyuzo se formos
capturados novamente, — Tomasso disse. — Foi pura sorte que eles
estavam por perto quando mandei o meu pedido de socorro. Ainda mais
sortudo foi que eles me deviam um favor. Mas eu acho que há uma solução
aqui.
— Estou ouvindo, — Poe disse, com as suas sobrancelhas levantando-
se em antecipação. — Porque não parece que temos muito tempo.
Tomasso se virou para Marinda. Ao contrário da ardente Twi’lek, o
velho pirata exalava um ar de calma e serenidade que parecia quase
chocante nas circunstâncias.
— Alguma notícia sobre o rastreador?
— Ainda tentando localizá-lo, — Marinda Gan disse, balançando a
cabeça. — Vai levar um momento.
— Eles estão atirando em nós, — Gen Tri disse. Eles pairavam atrás de
Vigilch e não tinham um terminal fixo. Poe não tinha certeza de como
estavam obtendo as informações, mas o súbito movimento para frente da
nave confirmou isso. Poe se preparou enquanto a nave girava.
— Vamos nivelar num segundo, — Poe disse, tentando o seu melhor
para tirar a nave de sua espiral. — O hiperdrive ainda está intacto, mas os
escudos estão agindo de forma instável. Sugestões são bem-vindas, pessoal.
— Atirar de volta, — Vigilch disse, batendo o punho em seu assento.
Era tanto um ato de raiva desafiadora quanto de frustração. Todos estavam
sem opções.
Poe observou enquanto Zorii pressionava algumas teclas em sua tela,
iniciando um fogo de retaliação fútil. A sua expressão estava em branco,
mas Poe podia sentir uma crescente resignação entre a tripulação.
— Tomasso, qual é o plano aqui? Você disse que tinha uma solução? —
Poe perguntou. As suas palavras saíram rápidas e afiadas. O tempo estava
se esgotando. — O que você tem?
— Você está familiarizado com a técnica de saltos hiperespaciais, Poe
Dameron? — Tomasso perguntou.
Poe quase disse sim, com medo de parecer ignorante na frente de
Tomasso. Mas agora não era a hora de proteger o seu ego.
— Não, mas se for algo que eu possa aprender nos próximos dez
segundos, estou aberto a isso, — Poe disse, virando-se brevemente para o
seu terminal para desviar de uma onda inesperada de destroços. — O que eu
posso fazer?
— Zorii? — Tomasso perguntou, olhando para o outro terminal. —
Você provavelmente conhece os detalhes melhor do que eu.
— É arriscado, — Zorii disse, com a sua voz sombria. — Mas pode nos
dar algum tempo até Marinda localizar aquele rastreador. Basicamente,
fazemos saltos hiperespaciais ao longo de uma série de coordenadas
predefinidas. Elas devem parecer aleatórias para as naves em nosso encalço,
mas não são. Estamos arrastando os Zualjinn conosco para lugares
perigosos que conhecemos...
— E eles não, então ficam emperrados e nós podemos continuar
fugindo, — Poe disse com um aceno. — É assim que nos livramos deles.
Entendi.
— Essa é a ideia, — Tomasso disse. — No mínimo, nos dá um tempo
para localizar e desmontar esse dispositivo amaldiçoado.
— Você pode fazer isso, Poe? — Zorii perguntou, olhando diretamente
para ele, a nave tremendo ao seu redor. — Não funcionará sem um bom
piloto. Vai ser ainda mais difícil pra você, já que não sabe o que nos
aguarda nesses locais.
— Eu consigo, não se preocupe comigo, — Poe disse, com o encolher
de seus ombros confiante e despreocupado. Mas sabia muito bem que não
tinha controle sobre isso. Não ainda. Mas isso era algo que ele teria que
resolver por conta própria.
— Vamos lá.
— Quão forte você bateu a cabeça, garoto? — Vigilch disse, avançando
para a frente da nave e interrompendo Poe. — Esse não é o momento para
bravata estúpida.
— Deixe-o em paz, Vigilch, — Tomasso disse, aproximando-se de Poe,
sutilmente indicando ao Klatooiniano para recuar com um simples
movimento. — É o momento do Poe. Não temos muito tempo.
— Estou enviando as localizações pelo computador de navegação, —
Zorii disse, lançando um olhar para Poe. — Esse é o seu mapa, gostaria de
ter mais informações que pudesse lhe dar. Você já fez algo assim antes?
— Não, bem, não diretamente, não, — Poe gaguejou. Ele sentiu os
olhos de toda a tripulação sobre ele. — Mas farei o meu melhor.
— Mesmo com as coordenadas que Zorii está enviando pra você, Poe,
isso não é uma simples questão de digitá-las e seguir para a próxima
localização, — Tomasso disse, mantendo a voz calma. — Como você deve
ter adivinhado até agora. Precisamos que você não apenas nos leve a cada
salto, mas nos faça passar por eles, sobrevivendo a qualquer obstáculo
inesperado que apareça, na esperança de que nossos perseguidores não
sejam tão...competentes quanto você.
— Me dê o caminho e eu nos levarei por ele, — Poe disse, tentando
soar confiante. Não tinha certeza se conseguiu.
A nave tremeu novamente, cambaleando de um novo ataque. Poe
segurou as laterais de seu terminal para se manter no lugar. Sentiu uma
onda de tontura se aproximar, danos residuais de sua fuga. Ele fez uma
careta, tentando se afastar da sensação e focar na tarefa à sua frente. Ele
girou o seu assento e olhou para Vigilch e Tomasso, que ainda se
recuperavam.
— Certo, tenho as coordenadas. Se vamos fazer algo, precisamos fazer
agora, — Poe disse. — Marinda, alguma atualização sobre aquele
rastreador?
— Eu o localizei, mas isso é apenas metade da batalha, — ela disse. —
Precisamos desmontá-lo. Os Zualjinn são conhecidos por sua tecnologia
impenetrável.
— Gen Tri, ajude Marinda com o rastreador, estamos mortos não
importa quantos saltos fizermos se essa coisa ainda estiver gritando a nossa
localização para os Zualjinn, — Vigilch disse entre os dentes. —
Precisamos de mais tempo. Mais tempo.
— Vou lhe dar algum tempo, mas não muito, — Poe disse. Qualquer
hesitação que havia em sua voz momentos antes havia desaparecido,
substituída por uma determinação firme que não tinha certeza de que existia
dentro dele. — Estamos prontos pra ir, pessoal?
Tomasso acenou. Isso era tudo que Poe precisava. Ele se virou de volta
para o seu terminal. Antes de iniciar o primeiro salto da nave, ele lançou um
olhar para Zorii. Ela estava olhando de volta, como se estivesse esperando
que ele se virasse para ela.
— Você consegue, — ela disse, sem qualquer indício de sarcasmo ou
humor em sua voz. Zorii Wynn estava completamente séria. — Estamos
com você. Eu estou com você.
Poe acenou. Ele respirou rapidamente. A informação que Zorii havia
enviado era clara, mas muito básica, algumas localizações, poucos detalhes
sobre onde estavam indo, exatamente. O que estava claro eram os riscos
associados aos saltos pelo hiperespaço. Um salto ruim poderia deixar a
Garra Lacerada no meio de uma tempestade de asteroides ou no tiroteio de
outra pessoa, mesmo que soubessem para onde estavam indo. Certamente
colocaria uma pressão indevida na velha nave, aumentando o potencial de o
cruzador literalmente se desmantelar no meio do salto. Mas Poe não tinha
alternativas. Eles precisavam continuar saltando até que aquele rastreador
estivesse fora de ação.
— Aqui vamos nós, — Poe disse.
SHUNT.
A Garra Lacerada parou dolorosamente ao sair do hiperespaço, a nave
toda girando descontroladamente, com um rangido alto e arranhado
emanando do núcleo da embarcação. Poe se esforçou para entender onde
estavam. A energia e as luzes piscavam.
— Asteroides, a caminho, é como uma parede, não sei como podemos...
— Zorii disse, com um subtexto frenético em suas palavras. — Estou
trabalhando o mais rápido que posso...
— Eles ainda estão atrás de nós, — Marinda Gan disse. — A caminho.
— Sem progresso no rastreador, — Gen Tri disse, com a sua voz soando
como um eco distante. — Não tivemos tempo suficiente para mexer no
dispositivo. É...
Poe não esperou por mais.
SHUNT.
A nave estava parando, Poe percebeu, parando e começando de novo,
gemendo a cada comando. A tela estava escura também, todos
desesperadamente batendo em seus terminais pra descobrir como estavam
os sistemas e o que lhes aguardava.
— Algum sinal dos Zualjinn? — Poe gritou, superando os sons
estridentes e batentes que faziam parte do novo vocabulário angustiado da
embarcação. — Se não conseguirmos consertar o rastreador, acho que
podemos fazer mais alguns saltos com essa lata de...
A tela crepitou e se acendeu, e o que Poe viu não era espaço aberto, não
havia um fundo negro salpicado com o branco de planetas e estrelas
distantes. Não, eles estavam se precipitando em algo vermelho e aberto. E
muito vivo.
— Estamos...estamos em algum lugar ao longo da Via Davezra, sei
disso, — Zorii disse, tentando ao máximo obter informações dos
computadores não cooperativos da nave. — Mas...estou tendo dificuldades
em encontrar um marco.
— Não onde, — Gen Tri disse. Eles quase flutuaram em direção ao
terminal de Zorii. — Mas o quê.
— Explique-se, Gen Tri, — Vigilch disse, também de pé. — Não há
tempo para fumaça e espelhos aqui. Eu preciso...
Então rugiu, mostrando um gigantesco conjunto de dentes afiados,
cobertos de sangue, que acompanhava o seu aspecto de pesadelo.
— O que é isso? — Poe perguntou, a boca aberta. — O que é isso?
Desviou a Garra do caminho da boca da criatura, e a mudança de
perspectiva mostrou-lhe que estavam perto da superfície de um planetoide,
edifícios e estruturas espalhados pela paisagem enquanto a monstruosa
criatura escamosa se movia para acompanhar a nave. O monstro, longo,
grande e aterrorizante, possuía uma qualidade graciosa, quase como se
estivesse nadando debaixo d'água em vez de voando pelo espaço atrás de
sua nave danificada.
— Um garsath, — Vigilch cuspiu, aparentemente familiarizado com o
monstro. — Eles são massivos. Sanguinários. É indestrutível, temos que...
— Está bem atrás de nós, — Zorii notou, balançando a cabeça. — E não
acho que despistamos os Zualjinn...
— Eu os vejo, — Poe disse. As três naves pareciam intactas, mesmo
após os saltos, duas à sua esquerda e outra atrasada à direita. Poe virou a
Garra, mirando na criatura em fúria.
— Como está o rastreador, Marinda? Realmente espero que você diga
'Está desativado, Poe, não se preocupe', — Poe disse, soando urgente e um
pouco desesperado. — Não há muitos saltos restantes neste caminho, caso
você precise de motivação adicional.
— Fizemos algum progresso, — Marinda Gan disse, batendo em seu
terminal com raiva. — Mas não o suficiente. Estamos apenas passando pela
barreira de proteção inicial.
— Não é ideal, não é ideal, — Poe disse, mudando drasticamente a rota
da Garra. A nave tremeu ao desviar para a direita. — Vou ver o que posso
fazer.
— Estamos indo...em direção à fera? — Zorii perguntou.
Poe não respondeu. A nave avançou, forçando um aumento na
velocidade. Ouviu os seus companheiros conversando ao seu redor, alguns
gritando, outros questionando, mas afastou os sons. Tudo o que conseguia
registrar era a boca larga e faminta do garsath, esperando que a Garra a
alcançasse.
Quando a nave se aproximou da criatura, Poe puxou para cima, com
força. A Garra gritou, a parte inferior da embarcação raspando contra o
rosto do monstro. Então houve um estrondo alto quando a nave Zualjinn
perseguindo explodiu, fazendo o garsath girar para trás.
SHUNT.
Escuridão. Gritos. Uma onda de tiros de uma nave desconhecida. O
cheiro de ferrugem e sangue.
— Rastreador, — Poe disse, a palavra soando mais como uma tosse. Viu
em duplicidade por um momento. — Relatório?
Poe olhou para trás e viu Marinda Gan se contorcendo no chão, Gen Tri
em pé sobre ela. A nave era uma mistura de formas em movimento e luzes
piscantes.
— Estamos quase lá, — disseram eles com alguma hesitação. Isso não
inspirou muita confiança em Poe. — Mas precisamos...
— Mais tempo, mais tempo, sim, eu entendi, — Poe disse, acenando
para si mesmo enquanto tentava recuperar o controle da nave, os múltiplos
saltos cobrando um preço enorme em sua instrumentação. — Temos mais
um salto neste caminho e então estaremos sem sorte. Alguma ideia onde
estão aquelas naves?
— Uma nave destruída, provavelmente causando um risco de asfixia
para o garsath, — Zorii disse secamente. — Mas ainda há duas bem atrás de
nós, e elas não parecem tão afetadas pelos saltos como nós.
— O que significa que podem voar e atirar, — Poe disse incrédulo. —
Ótimo.
— Podemos aguentar outro ataque, Zorii? — Vigilch cuspiu. — Qual é
a nossa situação?
— Corremos o risco de perder sistemas vitais se levarmos mais um ou
dois golpes, — Zorii disse sombriamente. — Nossa única esperança é...
— Estou nisso, — Poe disse. Ele se preparou. Eles estavam ficando sem
opções.
SHUNT.
— ...acho que quebramos o rastreio...
— Uma das naves Zualjinn acabou de explodir...
— Não consigo respirar...Não consigo...
— Poe? Poe? Precisamos sair...
Poe tentou ignorar a cacofonia de sons, tentou se concentrar em sua tela.
Eles estavam sem opções. O caminho havia sido gasto. Todos os locais
programados atingidos. A nave estava mal segurando as pontas. Ele não
conseguia dizer quais membros da tripulação ainda estavam em pé, muito
menos vivos.
— Relatório? Relatório? — Poe disse, gritando a última palavra. —
Onde está aquele maldito rastreador?
— Estamos quase lá, quase desativado. Apenas...mais alguns
momentos...
Era Marinda Gan, soando trêmula e cansada. Poe não se atreveu a se
virar.
— A última nave Zualjinn está vindo rápido, parece não estar afetada,
— Zorii disse. — Estão mirando em nós.
Poe podia sentir os olhos dela sobre ele. Ambos sabiam a situação. Se
fizessem mais um salto, seria um total jogo de azar. Se o rastreador não
fosse desativado agora ou em breve, os Zualjinn estariam sobre eles, e a
Garra poderia não conseguir saltar ou se mover novamente.
Poe escolheu a localização do salto, pensando que se fosse arriscar tudo,
pelo menos deveria fazer isso em grande. Enquanto a nave se lançava no
salto, ele achou que ouviu Marinda Gan gritar algo.
— É tudo ou nada, — Poe sussurrou pra si mesmo.
SHUNT.
Os olhos de Poe abriram-se rapidamente. Se sentou-se, com a pressão o
empurrando de volta para o seu assento. A nave estava em movimento.
Rápido. Sentiu a testa. Sangue. Olhou ao redor. Zorii estava voltando para o
seu assento, seus movimentos lentos, rígidos e confusos. Vigilch estava no
chão, segurando o estômago. Tomasso estava perto da parte de trás da
ponte, ajudando Gen Tri a se levantar. Não conseguia descobrir para onde
Marinda Gan tinha ido.
As leituras do terminal estavam fora dos gráficos. A nave estava
tremendo, seus escudos haviam sumido, e eles não tinham poder de fogo.
Sabia que a tontura que estava sentindo não poderia fazer o mundo ao seu
redor se mover daquela forma.
Eles estavam numa queda livre completa.
Mas caindo onde?
O único som era o zumbido agudo da nave enquanto ela caía em direção
à superfície. Poe alcançou os controles e tentou levantar a nave. Estava
funcionando, mas não rápido o suficiente. Em alguns momentos, eles
estariam colidindo diretamente com o chão de alguma terra deserta
desconhecida.
— Não vamos conseguir, — Gen Tri disse, com as suas palavras
pairando sobre Poe como uma nuvem tóxica. A garganta de Poe se apertou
enquanto continuavam a falar. — Tem sido realmente um...
— Pare com os discursos fúnebres, Gen Tri, — Poe disse, acionando os
propulsores da nave, obtendo mais resposta do que esperava. Embora a
lógica sugerisse que não acelerasse rumo à morte, Poe havia angulado a
nave o suficiente para que um pequeno empurrão fosse exatamente o que
precisava. — Zorii, você pode disparar contra o chão? Criar um caminho,
uma pista de alguma forma?
— O que isso até significa? — Vigilch disse, gemendo levemente
enquanto se levantava.
Zorii ignorou o seu líder. Ela entendeu o que Poe queria dizer. Agora
tudo o que precisavam era que funcionasse. A gravidade aumentava,
empurrando tudo pra trás enquanto a Garra se lançava em direção à
superfície exuberante do planeta. O solo verde desmoronava à medida que a
nave se aproximava, o poder de tiro dos blasters da Garra criando um
caminho de destruição que, se a ideia de Poe estivesse certa, suavizaria o
impacto na parte inferior da nave. Se assim fosse, ele pensou.
— Potência do propulsor diminuindo, — Zorii disse. — Espero que
você tenha o ângulo que queria, porque não temos muita energia sobrando.
Poe acenou. Permitindo-se um breve segundo para apreciar que Zorii,
pelo menos, entendia o que ele estava tentando fazer. Ela olhou para Poe e
deu-lhe um breve aceno, como se dissesse, Nós tentamos. Poe esboçou um
pequeno sorriso, mas isso era tudo o que poderia dispensar. A Garra estava
num ângulo estranho, e mesmo com o impulso adicional dos propulsores,
ainda parecia estar numa trajetória de colisão mortal com a rocha e a terra
do planeta. Puxou pra cima novamente, tentando usar qualquer poder que a
nave tivesse a seu favor.
— Prepare-se para o impacto, — disse Tomasso, ao lado de Gen Tri,
com a sua voz sem emoção e distante. — Agarre-se ao que...
A nave colidiu, batendo contra o chão num ângulo estranho, enviando
todos em direções diferentes. Poe disparou de seu assento, sendo
arremessado em direção à parede traseira da nave. A última coisa que se
lembrou foi do olhar da mão de Zorii, estendendo-se pra ele, tentando
mantê-lo perto. Mas então os gritos e os sons ficaram silenciosos, o tremor
parou, e a visão de Poe ficou escura.

Poe foi o primeiro a acordar.


Levantou-se lentamente. O seu braço direito doía e a sua boca tinha um
gosto metálico e seco. A Garra Lacerada mal se parecia com uma nave, a
ponte era uma confusão de fios expostos, fumaça, faíscas elétricas e placas
de metal. Tomasso e Vigilch estavam encostados num canto, em ângulos
estranhos. Poe também viu Gen Tri curvado sobre o terminal mais próximo,
Marinda Gan aos seus pés. Mas correu até Zorii primeiro.
Ela estava caída no chão a cerca de um metro de sua estação, com o seu
rosto coberto de poeira e sujeira, um corte profundo em seu braço direito.
Mas ela estava respirando. Poe se agachou e acariciou o seu rosto
gentilmente. Ela não respondeu. Segurou os seus ombros e se inclinou.
— Zorii? Você está aí, Zorii? — Poe disse, seu tom se tornando mais
desesperado à medida que o tempo passava sem resposta. — Qual é, Zorii...
Os olhos dela se abriram, surpresa e medo a despertando. Ela agarrou o
braço de Poe e olhou ao redor, depois alcançou suas têmporas.
— Poe...o que...o que aconteceu?
— Nós conseguimos. O rastreador foi desativado, — disse Tomasso do
outro lado da ponte, limpando cautelosamente em direção a um terminal
para se equilibrar. — Estamos vivos.
— Não estamos apenas vivos... — Marinda Gan disse enquanto
examinava uma leitura de sua estação. — Estamos em Sorgan. O último
salto de Poe nos trouxe aqui...Um risco e tanto, piloto.
— Algum sinal dos Zualjinn? — Gen Tri perguntou. — Se os
trouxemos aqui...
— Nada, — disse Marinda Gan. — Se tivermos sorte, eles foram
destruídos. De qualquer forma, não nos seguiram aqui. Não poderiam.
Poe olhou para trás e viu os outros fazendo as suas próprias versões da
escalada de Tomasso, recuperando lentamente o equilíbrio, examinando a
nave para descobrir como ainda estavam vivos.
— Bom ver você acordada, — disse Poe, acariciando suavemente o
rosto de Zorii. Ela o afastou e se levantou.
— Graças a você, — disse ela, seu olhar firme e focado. — Você fez
uma ideia maluca funcionar. Você é um excelente piloto, Poe Dameron.
— Só tentei manter a cabeça fria e nos dar um tempo pra desmontar
aquele rastreador, — disse Poe com um aceno. — Embora, não tenho
certeza se quero saltar assim de novo...se eu puder evitar.
Uma mão firme pousou em seu ombro e o puxou para trás. Então foi
girado e trazido cara a cara com Vigilch, que exibia um sorriso muito pouco
Vigilch sob os cortes e contusões em seu rosto. O robusto Klatooiniano
levantou Poe, com a sua risada grave e assombrosa ecoando pela ponte
despedaçada da Garra Lacerada.
— Bom trabalho, Poe Dameron, — disse Vigilch. — Bem-vindo aos
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi.
— Você tem certeza de que falou com Tomasso sobre isso?
Poe se virou para Zorii e deu a ela um rápido e não comprometedor
encolher de ombros.
— Isso não me dá nenhuma garantia, — disse ela com firmeza. Mas Poe
pôde sentir o sorriso em seu rosto, mesmo que não conseguisse vê-lo na
escuridão profunda da noite em Sorgan.
Zorii seguiu Poe até a Garra Lacerada, tentando manter os passos leves
ao embarcarem na nave. O restante da equipe havia chamado a noite,
deixando Poe e Zorii acordados e conversando, como costumava acontecer
em Sorgan. Tinha sido alguns dias ocupados, passados principalmente em
tarefas tediosas e muitas vezes repetitivas: reunindo suprimentos,
explorando a sua próxima missão e treinando, tudo enquanto se
recuperavam mental e fisicamente de sua frenética fuga em hiperespaço.
Eles acabaram de finalizar os reparos na Garra, e tudo na embarcação
parecia instável e inacabado.
— Tecnicamente, ele apenas disse que, sim, a Garra precisava de um
teste de voo, pra garantir que estava de volta à velocidade, — disse Poe,
deslizando para o seu assento de piloto e acionando alguns interruptores. —
Então, isso parece uma aprovação tácita.
— 'Aprovação tácita'? — Zorii disse, apoiando-se atrás dele,
inclinando-se na parte de trás de seu assento. Pôde sentir o seu hálito quente
em seu pescoço. — Você é um diplomata ou um contrabandista de
especiarias, Poe?
— Sou um indivíduo complexo, — disse Poe, lançando um olhar para
trás. — Agora, entre.
Poe se levantou e se afastou rapidamente do assento do piloto,
gesticulando com o braço para Zorii assumir seu lugar.
— Você não pode estar sério? — Zorii disse. — Agora? Eu pensei que
isso era, um voo de teste? Tipo, prática. Eu assistiria você e...
— A melhor maneira de aprender é fazendo, — disse Poe, gesticulando
novamente para Zorii se sentar. — Era o que minha mãe sempre me disse.
Zorii ocupou o assento com cautela, mantendo as mãos sobre as pernas,
como se tocar o console pudesse fazer a nave disparar para a órbita.
Poe se inclinou para frente, sua mão pairando sobre o terminal.
— Você está pronta?
— Não, — ela disse, sua voz seca. — Isto é muito diferente de apenas
conversar sobre isso.
— Zorii, você é extremamente perspicaz. Eu diria que é a mais
perspicaz, até, — disse Poe, com os seus olhos se encontrando. — Já
fizemos toda a conversa que podíamos. Agora, vamos fazer.
Zorii acenou e encarou os controles. Poe pôde vê-la levar um segundo
para avaliar a situação antes de prosseguir, com confiança e cálculo. Ela
pressionou a sequência inicial de botões. Os motores da nave começaram.
As mãos dela pularam um pouco com o primeiro som, mas foi quase
imperceptível, e ela passou para os próximos passos com um foco e
precisão que trouxe um sorriso ao rosto de Poe.
A Garra tremeu antes de iniciar uma subida vacilante.
Poe observou, fazendo sugestões menores de vez em quando, enquanto
Zorii levava a nave para a órbita. A vasta extensão do espaço dominava a
tela de visualização da nave, adicionando ao silêncio estranho, em contraste
marcante com a agitação frenética e o caos das últimas vezes em que
estiveram juntos na nave, com os seus colegas Contrabandistas de
Especiarias de Kijimi.
— Poderíamos ir a qualquer lugar, — disse Poe, descansando a mão nas
costas do assento de Zorii.
— É isso que você quer?
A resposta de Zorii o trouxe de volta ao presente. Inclinou-se e
pressionou um botão que Zorii havia ignorado, tentando suavizar o impacto
de seu erro, fazendo parecer trivial, seu movimento lento e sutil. Não
funcionou.
— Droga, não posso acreditar que perdi isso, — ela murmurou.
— Está tudo bem, — disse Poe. — Você está indo muito bem.
Observou-a. Mãos nos controles de direção, olhos focados no que
estava à sua frente. Ela estava nervosa, podia perceber, mas também
totalmente concentrada na tarefa e disposta a não falhar. Zorii Wynn era
misteriosa de muitas maneiras, mas a sua determinação e intensidade não
eram segredo.
— Sua mãe te ensinou...a pilotar? — Zorii disse após alguns momentos
de silêncio.
— Sim, ela me levava em seu A-Wing quando eu era criança, — disse
Poe, tentando manter a leveza, mas já se sentindo transportado para o
passado, sentindo o calor de sua mãe ao seu redor, a familiaridade de sua
voz e cheiro. — Apenas o básico, você sabe, alguns truques. Ela adorava
ensinar. Amava a ideia de que poderia me ver...
A sua voz murchou. As palavras não vinham mais. Engoliu em seco e
estava prestes a continuar. Mas antes que pudesse falar, sentiu a mão de
Zorii segurando a sua.
Ela soltou abruptamente, retomando os controles da nave e movendo a
Garra através de uma onda inesperada de detritos. A execução foi sólida,
embora um pouco rígida, e Poe ficou impressionado.
— Bom trabalho, — disse Poe. — Eu nem precisei colocar o cinto.
Ela se permitiu olhar pra trás e dar a Poe um sorriso breve, mas
genuíno.
— Não quero perder pontos por estar dormindo no trabalho, — disse
ela.
Poe soltou uma risada curta e sentiu o seu corpo relaxar. Os músculos
pareciam se soltar pela primeira vez em semanas. Precisava disso. Alguns
minutos de...diversão. Às vezes ele esquecia que ele e Zorii não eram
criminosos endurecidos, eram adolescentes.
— Aonde você gostaria de ir?
— Hum? — Poe respondeu, muito preso em seus próprios pensamentos
para registrar o que Zorii estava perguntando.
— Você disse, 'Poderíamos ir a qualquer lugar,' — Zorii disse. — Então,
aonde você gostaria de ir, Poe Dameron? — Eu, bem, não quis dizer...
— Está tudo bem, — Zorii disse com uma risada. — Não vou te
denunciar para Vigilch ou Tomasso. Todos nós temos os nossos sonhos.
Embora eu esteja preocupada...
— Preocupada? — Poe perguntou. — Sobre o quê?
Zorii pressionou alguns dos controles de direção da nave antes de
responder, deixando Poe em suspense por um momento.
— Que você tentaria partir sem mim, — disse ela, sem olhar para trás
para captar a sua expressão.
Poe começou a responder, mas foi interrompido por um aviso sonoro da
Garra. Zorii checou a tela, depois se virou para Poe.
— Recebendo transmissão, — disse ela.
— De onde? — Poe perguntou.
— Da superfície, — disse ela, verificando a leitura. — Fomos pegos.
Poe suspirou.
— Acho que não ia durar para sempre, — disse Poe.
— Esses momentos raramente acontecem, — ela disse.
Zorii acionou um interruptor, permitindo que a transmissão tocasse
pelos alto-falantes da nave. A voz ecoou, com um tom resignado, mas
também sem surpresa.
— Tragam a nave de volta imediatamente e eu esquecerei de mencionar
isso não apenas aos seus companheiros de tripulação, mas ao meu próprio
líder, — disse Tomasso. Poe não tinha certeza se estava imaginando um
leve toque de humor na voz do velho pirata. — Considere o seu passeio de
alegria terminado.
Antes que Poe ou Zorii pudessem responder, a linha ficou muda. Eles se
olharam por um momento, com os olhos arregalados e as bocas forçadas a
se fechar, uma combinação de ansiedade e surpresa, antes de explodirem
numa onda de risadas alegres e descontroladas.
— O que diabos são essas coisas?
Poe mal conseguiu ouvir o grito de Marinda Gan enquanto tentava
desviar de outra rajada de tiros. As naves, pequenos veículos parecidos com
drones que mais se assemelhavam a insetos gigantes do que a modos de
transporte, estavam por toda parte, disparando contra a Garra Lacerada de
todos os ângulos. Poe conseguiu minimizar um pouco dos danos, mas a
Garra já estava sofrendo, e eles ainda estavam longe de seu destino.
Fazia cerca de um mês desde que Poe se juntara aos Contrabandistas de
Especiarias, e muita coisa mudara. A curto prazo, o grupo recebera uma
nova missão das mais altas esferas da estrutura de comando dos
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi: localizar uma mercenária Zabrak
chamada Ledesmar, que havia escapado com uma frota de naves do
Sindicato Pyke, uma organização criminal galáctica em declínio, mas ainda
formidável. Mas essa não era a preocupação imediata de Poe. Eles mal
conseguiram alguns dias de descanso após o incidente com os Zualjinn
antes de terem que se concentrar no próximo trabalho. A tripulação estava
cansada, nervosa e sob fogo pesado.
— É tecnologia Moraysiana, — disse Zorii, levantando a voz para ser
ouvida sobre o caos na nave. Moraysi era um sistema de mineração no
limite da Orla Exterior, povoado por uma raça de humanoides robustos e de
pele parda, conhecidos por suas habilidades em construção de naves e
inventividade, mas também pela capacidade de concretizar os seus
esquemas. Pensadores e trabalhadores, um povo honrado e trabalhador, eles
se viram sobrepujados por grupos como os Pykes nas últimas gerações,
forçados a usar as suas habilidades para armar e equipar ladrões, caçadores
de recompensas, sindicatos criminosos e contrabandistas de especiarias.
— Aquele cruzador vem equipado com dezenas desses drones? — Zorii
continuou. — Eles são automáticos, mas podem se adaptar...
Antes que Zorii pudesse terminar a sua frase, a Garra foi sacudida por
outra salva de disparos laser. Vigilch bateu no console principal, um baixo
gemido emanando dele enquanto se levantava. Ele colocou uma mão no
ombro de Poe para se estabilizar.
Os Pykes haviam controlado quase toda a especiaria bruta da galáxia,
um feito impressionante. Mas após as Guerras Clônicas e a Guerra Civil
Galáctica, a sua influência havia diminuído, abrindo a porta para grupos
menores e mais cruéis tentarem reivindicar território. Esses novos grupos
marginais representavam uma ameaça não apenas para o Sindicato Pyke em
declínio, mas também para os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi.
Isso significava eliminar Ledesmar, que havia sido escravizada pelos Pykes
e conseguiu escapar com muitos dos segredos mais profundos da
organização e equipamentos valiosos, o que seria uma benção para os
Contrabandistas de Especiarias.
— Garoto, você consegue lidar com isso? — Vigilch perguntou, com a
sua preocupação genuína. — Você pode nos levar por essas naves?
— Viggy, não se preocupe, eu dou conta, — disse Poe, acenando
confiante, mas muito ciente de que o brilho de suor em sua testa enviava
uma mensagem diferente. Ele se virou para Zorii, que estava em seu
habitual lugar de copiloto. — Tente espalhar o fogo. Atire onde você acha
que eles vão estar em vez de onde estão, tudo bem?
— Deixa comigo, — ela disse.
A estratégia de Ledesmar era simples: pegar as armas e informações
confidenciais que ela havia sutilmente retirado de seus captores e agir por
conta própria. Em seu estado atual, o Sindicato Pyke não podia correr o
risco de outra estrela em ascensão sugando mais de seu ar. Para os
Contrabandistas de Especiarias, era menos complicado: novos concorrentes
precisavam ser eliminados rapidamente.
Mas a inteligência também era valiosa, e Ledesmar tinha, segundo
relatos, bastante dela. Tomasso, o homem que havia servido como ponto de
contato principal entre a tripulação de Vigilch e a misteriosa e sombria líder
dos Contrabandistas de Especiarias, Zeva, deixou isso claro. Elimine-a se
precisassem, ele havia advertido, mas Zeva preferiria muito que Ledesmar
fosse trazida de volta viva, junto com qualquer informação valiosa que ela
mantivesse em segredo.
Era esse conhecimento, acumulado ao longo de anos de escravidão, que
ajudou Ledesmar a escapar e encontrar o seu caminho até a frota
Moraysiana de naves, que pareciam improvisadas e danificadas por fora,
mas possuíam poder e velocidade que desmentiam os seus exteriores
desgastados. A nave de comando se destacava, um alvo claro e presente.
Mas à medida que se aproximaram do cruzador, a enxurrada atacou, e Poe
finalmente entendeu o que Tomasso quis dizer quando alertou:
— A frota pode ser enganosa. Esteja preparado para qualquer coisa, Poe
Dameron.
A ausência de Tomasso pairava sobre o grupo, embora Poe soubesse
que o velho pirata preferia deixar as missões de campo para o comando de
Vigilch. Tomasso se tornara quase ubíquo em seu pequeno pedaço de
Sorgan, integrando-se à tripulação após o incidente com os Zualjinn. Ele
não estava sempre presente, frequentemente desaparecendo por horas sem
avisar, mas a sua influência estava sempre presente. De certos ângulos,
Tomasso parecia prestes a tombar e morrer a qualquer momento. Outras
vezes, Poe sentia uma grande força irradiando do homem. Fazia sentido que
ele fosse enganoso mesmo em repouso, um ladrão, artista do engano e
pirata durante toda a sua vida, uma criatura moldada por mudanças.
Vigilch, normalmente rápido em assumir o papel de líder, deferiu ao
homem mais velho imediatamente. O magro e sombrio Gen Tri
frequentemente se sentava com ele por horas, com as suas vozes
sussurradas e apressadas. Se alguém se aproximasse, eles silenciavam e se
separavam. Tomasso evitava Marinda Gan sem motivo claro que Poe
pudesse discernir. A jovem Twi'lek era barulhenta e vivaz, é verdade, mas
fazia parte da equipe, pensou Poe, e ele não conseguia entender por que o
homem mais velho a isolaria.
Enquanto estavam em Sorgan, como os mais novos da equipe, Zorii e
Poe ficavam com a maioria das tarefas ingratas, lubrificando blasters,
carregando pacotes, cozinhando refeições, fazendo vigias, enquanto o resto
do grupo se concentrava em treinamento de combate e estratégias. O tempo
gasto fazendo tarefas repetitivas e sem sentido deu a Poe a oportunidade de
pensar sobre o que havia feito, abandonando Yavin 4 e a sua família, mas
principalmente sobre o que estava por vir. As aventuras que teria com essas
pessoas que começava a considerar amigos. Era essa visão como um
miragem que o mantinha em movimento, um senso de liberdade e fuga que
não conseguia explicar ou quantificar, mas que lhe trazia grande alegria.
Isso lhe lembrava, de certa forma, de sua mãe. Queria explorar. Ser livre e
ver o que havia lá fora em seus próprios termos. Correr riscos e ser a pessoa
que tomava as decisões quando essas coisas aparecessem. Amava o seu pai
e L'ulo. Amava Yavin 4, apesar de como havia começado a ressentir o lugar.
Mas era hora de fazer algo diferente, quer Kes Dameron quisesse ou não.
Os seus pais haviam enfrentado o Império Galáctico. Eles haviam sido
peças essenciais numa rebelião que derrubou uma garra de ferro que
apertava toda a galáxia conhecida. Era hora de Poe descobrir qual seria o
seu papel. Mas estava realmente ali, entre criminosos? A aventura e a
emoção apagavam a dura verdade, que ele não estava apenas se associando
a Contrabandistas de Especiarias, mas havia se tornado um? Sabia que não.
Também sabia que o seu pai concordaria.
O seu pai. O que Kes Dameron estava fazendo? O que ele pensava? A
ideia, o fato, Poe sabia, de que o seu pai estava passando cada hora
acordado se preocupando e procurando por seu filho o incomodava. Será
que a ASNR havia descoberto a farsa de Poe? Poe não tinha certeza se
algum dia descobriria, ou veria o seu pai ou L'ulo novamente. A ideia não
lhe agradava, e começou a doer mais, como uma dor de dente não tratada, à
medida que o tempo passava. Não era uma coincidência que essa dolorosa
saudade de casa, que Poe tentava suprimir com entusiasmo pelo futuro,
crescia à medida que as suas tarefas insignificantes aumentavam. Após uma
semana, começou a incomodá-lo. O seu intervalo mostrando a Zorii como
pilotar ajudou a aliviar a sua impaciência temporariamente, mas logo o
sentimento retornou.
— Então essa é a vida de um contrabandista de especiarias? — Poe
perguntou num momento, enquanto ele e Zorii atravessavam outro pântano
de Sorgan. Puxou o pé pra trás, uma lama marrom esverdeada cobrindo as
suas calças como uma segunda pele. — Ser devorado por qualquer inseto
que viva nesse monte de lama, suando através da única camisa que possuo e
limpando a nave todos os dias porque Vigilch não consegue segurar o seu
jantar após uma noite de bebedeira?
Zorii balançou a cabeça.
— Você não entende, entende? — ela perguntou, com o seu rosto
manchado de sujeira. Ela se virou ligeiramente para olhar para Poe. Ela
parecia mais exausta do que chateada, cansada de ter o mesmo bate-papo
com ele. — Há uma maneira de fazer as coisas aqui. Com os
Contrabandistas de Especiarias. Uma estrutura e hierarquia. Trabalhamos
juntos pra conseguir o que queremos. Alguns fazem tarefas que você
considera 'importantes'. Outros, como nós, têm que fazer o restante. É assim
que provamos o nosso valor, Poe. É assim que mostramos a Tomasso,
Vigilch e o resto das pessoas no comando que merecemos mais
responsabilidade e poder. Nós conquistamos o nosso lugar, não herdamos.
Poe deu de ombros.
— Não, eu não entendo, tá bom? — ele disse. — Eu mostrei o que
posso fazer. Eu nos tirei de uma grande enrascada. Em vez de receber
coordenadas para a próxima coisa, eu recebo um balde e uma pá. Se eu
quisesse pegar lixo e limpar a sujeira dos outros, eu...
— Poderia ter feito isso em Yavin Quatro. Sim, eu entendo, — Zorii
disse, se afastando mais de Poe, de costas para ele. Ela já ouvira essa
história triste muitas vezes. — Mas você fez a sua escolha. Você está aqui
agora, e não vai ser fácil voltar pra sua vida pacata na fazenda, vai? Você
tem um gosto pela aventura. Eu vejo isso em seus olhos, mesmo aqui.
Quando você está naquela nave, você se torna vivo. Você nunca vai perder
isso.
— Qual é a sua história? — Poe perguntou, a pergunta escapando antes
que pudesse realmente decidir se queria perguntar novamente. — Você sabe
quase tudo sobre mim, sou um arquivo de dados aberto. Mas e você, Zorii?
Eu continuo perguntando. O que te fez querer se juntar aos Contrabandistas
de Especiarias? Viver essa vida? Quero dizer, isso não me parece um hobby
passageiro pra você.
A piada, destinada a suavizar a pergunta incisiva de Poe, não funcionou.
Zorii congelou e o encarou, sua expressão fria.
— Essa é uma história pra outra hora, — ela disse, com as suas palavras
entregues num tom monótono ensaiado, como se lidas de um roteiro
desgastado. Ela se virou e continuou a sua caminhada. — E não me
pergunte novamente.
Poe abriu a boca para responder, mas não encontrou palavras. Ele
esperou um momento antes de seguir Zorii mais fundo na escuridão
lamacenta.

A Garra Lacerada foi abalada por mais uma investida de tiros, fazendo Poe
despertar de seu breve devaneio. Verificou o seu terminal. Zorii havia
derrubado uma dúzia ou mais dos pequenos drones, mas parecia que mais
estavam vindo do cruzador Moraysiano, insetos furiosos surgindo de suas
colmeias, sangue em seus olhos.
— Temos que chegar naquele cruzador, — Vigilch disse, esforçando-se
pra manter a voz firme. — O que você está pensando, Dameron?
Poe notou a mudança sutil. Ele não era mais 'filhote' ou 'garoto'. Ao
longo do último mês, havia provado o suficiente para que o seu líder,
Vigilch, estivesse disposto a usar o seu nome, embora relutantemente. Poe
tentou conter um sorriso, mesmo enquanto os disparos de laser choviam
sobre eles.
— Eu tenho um plano.
Sela Trune recostou-se na cadeira de seu escritório improvisado na base de
Defesa Civil de Yavin 4. Esfregou a testa, tentando em vão expulsar a dor
de cabeça que se instalou em seu crânio nos últimos...dias? Semanas? Havia
perdido a conta. Assim como havia perdido a conta de si mesma. Não havia
planejado ficar em Yavin 4 tanto tempo. Mas pouco havia ocorrido como
esperava desde que as suas botas tocaram o solo úmido da superfície da lua.
A sua busca por qualquer pista que pudesse levá-la à liderança por trás dos
Contrabandistas de Especiarias a trouxe aqui, onde uma pequena parte da
gangue buscou refúgio após uma impressionante apreensão. Mas não se
moveu rápido o suficiente. A pequena tripulação conseguiu sequestrar o
filho de um ex-rebelde Desbravador, usando o garoto para forçar a sua saída
da lua e para quem-sabe-onde. Pelo menos, era isso que eles queriam que
ela e a Nova República acreditassem.
E então...nada. Haviam rumores sobre um incidente com os
Contrabandistas de Especiarias em Quintil, mas pouco que fosse
quantificável. A sua equipe encontrou um membro dos Contrabandistas de
Especiarias morto por volta da época em que o filho de Dameron foi
supostamente sequestrado, um Ishi Tib chamado Beke Mon'z, que também
era um dos ativos de inteligência mais valiosos de Trune, mas pouco mais.
Trune ainda tinha visões da pequena figura verde, dobrada sobre si mesma.
Ele parecia mais do que morto. Parecia quebrado e derrotado, como se a
morte tivesse sido uma conclusão final e misericordiosa para uma vida
brutal em fuga. Mas Trune sabia que estava apenas especulando e tentando
adicionar detalhes a uma história que tinha poucos fatos para sustentá-la. A
realidade era que não sabia ao certo se os Contrabandistas de Especiarias
descobriram que o Ishi Tib estava vazando informações para ela ou se
mataram o piloto por algum outro motivo mais mundano. L'ulo L'ampar
parecia muito mais definitivo em sua visão. De qualquer forma, não ficou
surpresa por terem recorrido ao assassinato. Os Contrabandista de
Especiarias eram frios e famintos. Eles fariam qualquer coisa se significasse
conquistar um centímetro de território, um centímetro de poder. Embora a
chegada da Nova República anunciasse uma era de paz e democracia em
toda a galáxia, Trune sabia que isso era apenas parcialmente verdadeiro.
Havia áreas que a República não conseguia alcançar, assim como havia
áreas que o Império escolheu não alcançar. Embora, se Trune fosse honesta
consigo mesma, parecia haver mais problemas sob a Nova República.
Muito mais da galáxia foi deixado para se defender sozinho, cantos escuros
e planetas e luas distantes que lidavam com os negócios e a violência que
sobreviveram a muitos regimes.
Trune respirou fundo e abriu os olhos. Tentou não se prender aos
Contrabandistas de Especiarias, tentou tratar isso como qualquer outra
missão, mas sabia que estava enganando a ninguém. Nem mesmo a si
mesma. A caça aos Contrabandistas de Especiarias era a definição de algo
pessoal. A raiva que a impulsionava era diferente de tudo que já havia
experimentado. Lembrava da ligação como se tivesse acabado de acontecer.
Havia um pouco mais de cinco anos. Trune havia acabado de deixar o seu
planeta natal, Yungbrii, um lugar frio, rochoso e montanhoso no sistema
Opalok, na Orla Média, para se juntar a Agência de Segurança da Nova
República. Estava ansiosa para servir e fazer algo bom numa galáxia que
estava afundando na corrupção e ainda se recuperando do Império
Galáctico. Desejava deixar o mundo frio, esparsamente povoado e duro
onde foi criada para ver o que mais havia por aí, para experimentar os
mundos e a galáxia que apenas sonhara quando criança.
Tinha sido difícil. Ela era próxima de sua mãe. O seu pai era estoico e
distante, mas também tinha momentos de calor. Eles não entendiam o que a
filha queria fazer numa idade tão jovem. Eram pessoas simples.
Trabalhavam as suas terras, ajudavam os vizinhos, prestavam serviços. A
ideia de sua filha deixar o lar, deixar o planeta, era alheia e estranha para
eles. Os Yungbriins eram trabalhadores, não sobrecarregados pelos assuntos
dos mundos ao seu redor, indiferentes às batalhas galácticas. Mas Trune
queria mais. Dizer adeus aos pais, com a nave da ASNR esperando ao
fundo, era difícil. Mas foi ainda mais difícil para Trune se agachar e dar um
beijo de despedida em seu irmão mais novo, Gaithel. Ele tinha apenas dez
anos, mas era sábio além da idade. Inteligente, amigável, atencioso. Gaithel
era tudo o que não era e nunca seria. Ele transbordava a esperança e a
bondade que queria ver pela galáxia. Usara-o como a sua luz guia enquanto
tentava trazer um pouco de bem a um universo que ansiava por paz.
Mas então a ligação chegou. Estava de serviço há menos de um mês,
ainda tentando encontrar o seu caminho, sentindo-se como uma criança
brincando de adulta. Apesar disso, Trune achava que estava lentamente
ganhando algum espaço com o seu grupo. O trabalho era duro, mas se
sentia desafiada, não sobrecarregada. O treinamento básico havia sido
imersivo, mas se sentia energizada e ansiosa para mergulhar em sua
carreira. Então a ligação.
Não reconheceu a voz do outro lado. Nunca saberia quem era a pessoa,
porque a mensagem que entregaram foi tão sísmica, tão destrutiva para o
seu mundo, que a sua identidade era irrelevante. As palavras exatas se
perderam, imersas nas visões sangrentas e no cenário de pesadelo que
inundou os olhos de sua mente enquanto a pessoa falava. Os seus pais
haviam partido. Gaithel havia partido. Mortos num tiroteio entre um grupo
de Contrabandista de Especiarias tentando encontrar um esconderijo e a
mísera força de defesa de seu planeta natal. A escaramuça foi rápida, disse
o autor da chamada. Trune pode ter sido nova naquela época, mas não era
uma novata completa. Entendeu o que o autor da chamada estava fazendo.
Tentando suavizar o que era, sem dúvida, uma tragédia gigantesca. Mais
tarde, quando pesquisou o incidente por conta própria, fora do expediente,
aprendeu a verdade.
A escaramuça foi tudo, menos rápida, mais como um massacre. Um
grupo de Contrabandista de Especiarias, descobriria mais tarde que eram
membros da facção Kijimi e incluíam um Klatooiniano chamado Vigilch, o
qual havia buscado refúgio no planeta, fugindo de naves da Nova República
e procurando um lugar para se esconder. Eles logo foram encurralados, bem
na fazenda da família Trune, e usaram a mãe e o pai de Trune como escudos
enquanto tentavam escapar. O tiroteio foi barulhento e sangrento.
Contrabandista de Especiarias, oficiais da Nova República e a própria
família Trune morreram na batalha. À medida que a poeira assentava, os
Contrabandistas de Especiarias conseguiram escapar numa nave roubada, e
um oficial da Nova República foi forçado a fazer uma ligação que ninguém
deveria jamais ter que fazer.
— Você precisa de um tempo livre? — a sua supervisora perguntou,
com os olhos se enchendo de lágrimas. — Você deveria voltar pra casa.
Passar tempo com pessoas que você conhece.
Mas isso não interessava a Trune. Tudo estava perdido. Não tinha
família. Nenhuma casa. Não, não queria tempo livre.
Queria vingança. E a queria rápido.
Mas tais coisas não se juntam facilmente, sabia. Era um projeto que se
materializava peça por peça à medida que subia na hierarquia da ASNR.
Trune não só tinha talento inato, era uma rápida aprendiz, e subiu nas
fileiras rapidamente. Estava frequentemente cercada por colegas e
contemporâneos uma década mais velhos ou mais. À medida que trabalhava
no caso, cultivava conexões, informantes, espiões e pistas que estavam
espalhados por toda a galáxia conhecida. Canalhas e gângsteres com
lealdades misteriosas e naturezas duplicadas que lhe davam uma forte
noção de quem eram os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi e, mais
importante, quem estava no comando. Não tinha todas as respostas ainda.
Mas logo teria. Os seus espiões estavam alimentando-a cautelosamente com
informações que pintavam um quadro mais claro a cada momento,
chegando mais perto da última informação que poderia fazer sentido de
tudo. E naquele dia, teria um prazer visceral em sufocar a vida do líder
sombrio e cruel da organização assassina.
O sinal em sua porta a surpreendeu momentaneamente. Levantou-se
quando a entrada do escritório se abriu, revelando Kes Dameron, parecendo
que não havia dormido em anos, muito menos no último mês.
— Dameron, — Trune disse com um aceno. — Bom te ver.
— Você sabe o que eu vou te perguntar, — Dameron disse com menos
força do que provavelmente esperava.
— Não há notícias, — Trune disse, tentando suavizar a sua resposta,
assim como o oficial da Nova República fizera por ela anos antes. — Eu te
avisarei assim que ouvir algo, prometo.
Trune notou os ombros do homem caírem ligeiramente. Não era
novidade para ela. Havia visto esse homem antes forte se desvanecer em
algo mais. Algo perdido e desesperado. A mandíbula forte agora estava
coberta por uma barba espessa, os olhos escuros e penetrantes com bolsas
roxas embaixo. O rosto uma vez saudável agora estava magro e esticado.
Ele estava lentamente morrendo, e Trune não estava sendo totalmente
honesta com ele. Mas a verdade valeria a vida desse homem orgulhoso?
Esse herói que serviu à Rebelião em sua hora mais sombria?
— Poe está em perigo, — Dameron disse, a mandíbula se contraindo
enquanto ele entrava no escritório. — A cada minuto que passamos aqui,
fazendo nada, isso o aproxima da morte. Ele pode estar em qualquer lugar.
Ele precisa de ajuda. Eu sei disso. Eu sinto isso.
Trune sentiu um puxão dentro dela. Havia conseguido enterrar essa
parte dela, a parte que sente e se importa, que mostrava fraqueza ou
empatia. Isso não a serviria na carreira que escolhera. Mas esse homem, que
a lembrava tanto não apenas de seu pai, mas dela mesma, em sua atitude
estoica e determinada, não merecia viver na escuridão. Não. Trune estava
cansada das coisas que se escondiam nas sombras. Cabia a ela expulsá-las
com a luz.
— O seu filho está bem, — ela disse, olhando para cima para encontrar
o olhar de Dameron. — Temos confirmação de que ele está vivo.
— Está? — Dameron disse, com a sua voz subindo de tom enquanto
segurava os ombros de Trune. — Onde? Como? Quando posso vêlo?
Trune removeu gentilmente as mãos de Dameron. Ele recuou
rapidamente, envergonhado pelo contato. Ele balançou a cabeça e começou
a andar de um lado para o outro no escritório apertado.
— Onde ele está? — ele perguntou. — Onde está o meu filho?
— Seu filho parece estar bem, com base nas minhas informações, —
Trune disse.
— Bem? — Dameron disse, virando-se. — Como ele pode estar bem?
Ele foi sequestrado. Ele provavelmente...
— Ele é um deles, Kes, — Trune disse, achando difícil acreditar em
suas próprias palavras. Mas os fatos estavam lá. As suas fontes não
mentiam. Não teria benefício para eles mentirem. Ela sabia que era verdade.
E agora ele também saberia.
— O quê?
— Você me ouviu, — Trune disse. — O seu filho é um contrabandista
de especiarias. Ele é um criminoso. O sequestro foi uma manobra pra
escapar, e funcionou muito bem. Eles nos enganaram. — Kes soltou uma
risada áspera.
— Você está louca? Não há como Poe fazer isso, abandonando tudo...
— É mesmo? — Trune disse, tentando manter o seu tom suave e
humilde, tentando amenizar o golpe. A verdade causaria seus próprios
danos. — Quantas vezes o seu filho tentou sair desta lua, Kes? Quantas
vezes ele observou os portos e se misturou com os transeuntes para ter uma
ideia de como escapar? — Kes Dameron não respondeu. Ele não precisava.
— Eu odeio ser a portadora de más notícias, Kes, mas a verdade é o que
é. Aprendi há muito tempo que você é quem você se associa, — Trune
disse. — E, neste momento, o seu filho é um criminoso.
Antes que Dameron pudesse responder, Trune levantou a mão. O sinal
que chegava em seu terminal estava marcado como urgente. Examinou
rapidamente o item, com os seus olhos se ampliando a cada palavra. Era
uma mensagem codificada, enviada de um fundo encoberto, e continha
detalhes sobre o que os Contrabandistas de Especiarias estavam planejando
a seguir. Não era o que esperava. Era grande. Mas queria eliminá-los num
grande palco. Isso tornaria tudo ainda mais doce.
— Peguei você, — ela sussurrou.
— Eles estão em toda parte!
A exclamação gutural de Vigilch ecoou em todas as superfícies da
Garra Lacerada enquanto mais uma onda de tiros das pequenas naves
drones Moraysianas fazia a sua nave balançar. A instrução de Poe para
Zorii, de tornar aleatório os seus tiros na esperança de torná-los mais
imprevisíveis, causou algum dano, mas a frota miniatura estava fazendo
sérios estragos na nave.
Eles não tinham muito tempo, e todos sabiam disso.
— Você tem um plano, suponho, — Zorii disse, tentando disfarçar a
ansiedade em sua voz enquanto se virava para encontrar os olhos de Poe. —
Você sempre tem um plano.
— Eu tenho um plano, — Poe disse. Ele tinha...algo. Não um plano, por
si só, mas um pensamento. Ele só precisava de um minuto. — Você pode
segurá-los por um pouco mais?
— As armas estão desativadas. — A voz de Gen Tri, geralmente estoica
e serena, parecia agitada, um outro desenvolvimento inquietante. Sem
armas, a Garra estava indefeso contra o fogo incessante do enxame. Isso
significava que eles tinham ainda menos tempo.
— Esqueça isso, — Poe disse.
Engoliu em seco. O seu cronograma acabara de ser truncado.
Severamente.
— Todo mundo, apertem os cintos! — Poe gritou enquanto acionava um
interruptor acima dele. Sentiu o calor, a pressão se acumulando. Segurou os
controles e sussurrou um rápido 'Você consegue' antes de elevar a voz para
que a tripulação ouvisse. — Segurem-se.
A Garra mergulhou abruptamente, como se estivesse em queda livre,
disparando para longe das naves Moraysianas.
Quando eles começaram a se adaptar e dar perseguição, Poe se virou
para Zorii.
— Ei, copiloto, a sua missão é simples, — ele disse com um sorriso. —
Me arranje um pouco de poder de fogo, tudo bem? — Zorii assentiu, com o
seu rosto frio e focado. Ao longo do último mês, entre tarefas e a sua
existência fúnebre em Sorgan, os dois se aproximaram, compartilhando
longas discussões sobre crescer, mesmo que fosse Poe quem falava mais, e
trocando dicas sobre as suas especialidades. Voo para Poe, a vida de ladrão
para Zorii. Havia ficado agradavelmente surpreso com a sua disposição para
aprender e a sua capacidade de absorver as coisas rapidamente. Ambos
estavam sendo úteis já.
— Subindo, — Poe disse, tentando manter o tom leve. A Garra
Lacerada tremeu de dor enquanto Poe o levantava novamente, quase
recuperando a sua descida súbita, fazendo o agrupamento de pequenas
naves se dispersar e tentar se reagrupá-lo como um cardume confuso de
peixes. — Segurem-se, pessoal, vai ficar pior antes de ficar melhor.
Poe sabia que a nave estava em péssimas condições. Os seus escudos
defletores estavam desaparecendo rapidamente, e não tinha ideia de quando,
ou se, as armas voltariam a funcionar. A Garra não havia sido projetado pra
isso, Poe refletiu, mas era tarde demais para lamentar as suas
circunstâncias. Tudo o que podiam fazer era se mover.
— Eles estão se reformulando sob nós, — Zorii disse, balançando a
cabeça quase imperceptivelmente enquanto pressionava alguns botões em
seu console. Ela estava mais fria que Hoth, mas a pressão estava
aparecendo. Ela estava perdendo a fé.
— Eles estão nos travando agora. O que você...
Antes que ela pudesse terminar, Poe havia girado a Garra de lado e fez
a nave deslizar para a esquerda num ângulo agudo, enviando as naves
drones para onde a Garra havia estado. Se Poe tivesse a capacidade de ver
duas coisas ao mesmo tempo, teria gostado de ver as aves de guerra
agrupadas se esbarrando umas nas outras. Ele aumentou a velocidade da
Garra abruptamente. O pensamento se tornara uma ideia enquanto ele
retirava a Garra de sua rotação descontrolada.
Agora era um plano.
— Estamos indo direto para o cruzador Moraysiano, — Zorii disse,
mais como uma pergunta do que uma afirmação. Mas ela hesitou, tentando
manter Poe focado no que quer que ele estivesse fazendo. — A essa
velocidade, pode ser uma boa ideia... — Eu tenho um plano, — Poe repetiu.
— Confie em mim.
Zorii assentiu. Ela havia começado a confiar nele, Poe percebeu. O
tempo que passaram juntos, incluindo a escaramuça com os Zualjinn,
tornara a conexão deles mais do que uma que nasceu da necessidade, mas
uma de amizade. Isso significava mais do que ele poderia expressar no
momento.
Poe lançou um olhar para o cruzador a partir de seu terminal. A nave
tinha uma ampla baía de hangar, de onde os drones haviam surgido.
— O que você está fazendo, Dameron? — Vigilch perguntou,
avançando, com o seu rosto a centímetros do de Poe. — Estamos prestes a
colidir com essa nave! Estamos dentro do alcance das armas dela. Você está
louco? — Poe ignorou a fúria em pânico do Klatooiniano.
— Continue comigo. Eu sei o que estou fazendo, — Poe disse. Mas
Vigilch não o ouviu murmurar as últimas duas palavras. — Acho que sabe.
A Garra continuou a se mover, virar e balançar através do espaço entre
o enxame e o cruzador Moraysiano, que crescia em tamanho à medida que
se aproximavam. No entanto, nenhum tiro laser parecia emanar da nave de
comando. Eles ainda estavam sendo atacados por trás, mas Poe tentou ao
máximo absorver os impactos onde os escudos eram mais eficazes. Se esse
plano não funcionasse, eles estariam sem opções. Eram alvos fáceis.
— Precisamos recuar. — Era Gen Tri, caminhando em direção aos
quatro que estavam agrupados na frente da cabine, com a sua voz sinistra e
distante. Vigilch e Zorii se viraram brevemente para eles, com pânico e
frustração em seus olhos. — Recebemos informações ruins. Tomasso está
nos guiando para o lugar errado...
A Garra disparou pra frente de uma maneira que parecia estranha e
dolorosa ao mesmo tempo, um som metálico estridente cortando os sons
regulares do voo espacial. Poe estremeceu. Isso não era bom, pensou. Nada
bom mesmo. Uma rápida verificação o deixou ciente do básico: propulsores
quase fora de operação, escudos mal se sustentando, e um grupo de naves
armadas os perseguindo.
Poe segurou o braço de Zorii e eles se olharam nos olhos.
— Veja o que você pode me dar em termos de velocidade, — Poe disse,
tentando soar calmo, mas ciente da desesperança em sua voz. — Vou tentar
evitá-los o melhor que puder.
Zorii assentiu e virou a sua atenção para o seu terminal. Vigilch não
estava tão facilmente convencido.
— Precisamos nos render ou nos preparar para autodestruição, — disse
o pirata. — Eles não podem embarcar nesta nave. Eles não podem ter
nosso...
— O hangar... — Zorii disse pra si mesma, a realização se formando em
sua mente. — Você está os levando para o hangar. Mas as portas estão
fechadas...
Poe assentiu, dando a Zorii um sorriso momentâneo.
A Garra começou a se aproximar do cruzador, sem resposta da enorme
nave enquanto os pequenos drones continuavam a atacá-los com tiros laser.
— Estamos perdendo potência, — Zorii disse friamente. — Vai ser uma
luta pra conseguir. Os escudos vão cair em segundos. — Desligue, — Poe
disse, sem olhar para cima.
— Desligar?
— Sim, toda a potência exceto a do suporte à vida, desligue, — Poe
disse. — Traga tudo para uma parada total.
— Estamos a metros da nave, — Gen Tri disse, confusão em seu tom
geralmente confiante e distante. — O que esperamos realizar aqui? Uma
morte de mártir?
— Qual é a situação dos pods de escape neste caixote? — Marinda Gan
alfinetou. — Você percebe que as portas da baía do hangar estão fechadas?
Seu planinho foi mal direcionado desde o começo.
— Toda a energia, exceto suporte de vida está fora, — Zorii disse de
maneira objetiva. — Estamos indefesos.
— Ótimo, — Poe respondeu.
— Ótimo? — Vigilch perguntou, incrédulo. — Você nos matou, Poe.
Isso acabou.
— Não ainda, — Poe disse. Ele se virou para Zorii. — Onde estão os
nossos amiguinhos?
— Se aproximando rápido, — Zorii disse. — Eles estarão em cima de
nós em segundos.
A Garra tremeu, a nave balançando de um lado para o outro enquanto
alguns dos pequenos vasos atacantes disparavam tiros únicos, em estilo de
aviso, contra eles, provavelmente tentando avaliar se a Garra ainda estava a
fim de lutar enquanto se apressavam em direção ao seu alvo.
— Eles estão acelerando, — Zorii disse. Tradução: Agora seria um
ótimo momento para o seu plano, bem, acontecer. — Devemos nos
preparar para o impacto. — Poe se virou para a pequena tripulação.
— Coloquem os cintos. Vamos nos mover num segundo.
— Mover? Acabamos de desligar tudo. Elas são naves de droides, Poe.
Elas vão colidir conosco, — Vigilch disse, balançando a cabeça
furiosamente. — É assim que termina. Por que eu pensei alguma vez que
você poderia pilotar esta nave? — Tempo em menos dez segundos para o
impacto...nove, oito, — Zorii disse.
Poe a ignorou e acionou os propulsores novamente, esperando que
estivesse cronometrando isso corretamente. Os olhos de Zorii brilharam. A
sua fé havia valido a pena.
— Me dê toda a energia que esta nave pode reunir, Z, — Poe disse, se
contorcendo levemente ao puxar o acelerador da nave. A Garra fez uma
pirueta interna, todo o casco da nave se esforçando e ofegando enquanto
fazia uma curva abrupta para cima em velocidade máxima, ou o mais
próximo disso condições danificadas atuais. A tripulação foi jogada pela
pequena cabine da nave, Poe ouviu xingamentos que nem sabia que
existiam, e não tinha certeza se havia funcionado.
Até as explosões começarem.
Poe não esperou Vigilch, Marinda ou Gen Tri responderem enquanto
manobrava habilmente a Garra num giro completo, virando a nave para
encarar o que havia estado lá momentos antes, exceto que o que estava lá
havia sido substituído por uma gigantesca bola de fogo em explosão.
— Caramba, — Poe disse, puxando a Garra para algo próximo de uma
parada total enquanto a nave se aproximava dos danos. As portas da doca
haviam sumido, e quando a fumaça se dissipou, Poe viu que um buraco
irregular e escancarado havia substituído-as. O cruzador Moraysiano
balançava ligeiramente para o lado como um purrgil ferido.
Vigilch estava lutando pra se levantar, com um joelho no chão, o alto
Klatooiniano ainda instável enquanto segurava o braço de Poe.
— Seu bastardinho astuto, — ele disse, com o seu único olho bom
quase penetrando a alma de Poe. — Bom trabalho.
— Não estamos a salvo ainda, — Gen Tri disse, sua habitual calma e
determinação voltando enquanto flutuavam até o terminal de Zorii. —
Temos um trabalho a fazer.
— E agora? — Zorii perguntou, com os seus olhos em Poe, um sorriso
astuto em seu rosto. — Alguma outra ideia sofisticada?
— Não, essa é simples, — ele disse, apertando alguns botões. —
Estamos indo.
A Garra Lacerada se lançou e navegou através dos destroços, os drones
antes incômodos agora se tornaram um cinturão de asteroides de metal
queimado. A aterrissagem dentro da doca do cruzador desativado não foi
suave. Poe fez o possível para minimizar os solavancos e arranhões,
puxando a Garra para uma aterrissagem desajeitada, mas não
completamente terrível. Pelo que podia ver, a doca estava vazia. À medida
que a adrenalina da manobra começava a diminuir, Poe sentiu que era
substituída por uma crescente ansiedade enquanto a nave derrapava até
parar completamente. Foi quando notou um punhado de figuras se
aproximando da nave, com blasters erguidos.
— Caras, — Poe disse. — Acho que estamos cercados.
Zorii e Poe tiveram que se proteger quase imediatamente, dos disparos de
blaster vindo de todas as direções. Vigilch, Gen Tri e Marinda Gan se
dispersaram também, usando a já danificada Garra como escudo.
As cinco figuras, encapuzadas e portando grandes fuzis de blaster, se
aproximaram, sem reduzir o fogo enquanto se aproximavam. Nenhum deles
tentou falar ou dar a entender aos Contrabandistas de Especiarias o que
queriam, ou se havia alguma chance de um acordo. Parecia que isso era até
a morte, de uma forma ou de outra.
Poe segurou o pequeno blaster que Vigilch lhe tinha lançado ao
desembarcar. Esta não era sua área de especialização. Tinha praticado, é
claro, o seu pai o levava ao campo muitas vezes durante sua infância, e
havia se preparado durante o incidente de Zualjinn. A sua mira não era o
problema. Apenas não tinha muita experiência em combate ao vivo. O seu
coração batia forte, o zumbido da manobra em voo ainda pulsando nele.
Zorii puxou o seu braço e os moveu pela extensão do casco da Garra,
procurando alguns passos de cobertura enquanto os soldados continuavam a
se aproximar.
— Estamos em pé de igualdade, — Zorii disse. — Mas superados em
número.
— Isso é verdade, — Poe disse, agachando-se e mirando. — Alguma
sugestão?
Então eles ouviram o grito, primal, como o de um animal selvagem. Do
canto do olho, Poe viu uma figura se mover em direção aos atacantes,
girando uma arma longa em forma de bastão.
— Marinda, — Zorii disse. Ela murmurou um xingamento sob a
respiração. — Ela não é boa com paciência.
Poe focou em Marinda Gan, empunhando a lyaer’tsa Twi’lek, uma arma
tradicional equipada com uma vibrolâmina numa extremidade. Ela usou a
arma com cuidado, incapacitando dois dos atacantes com movimentos
rápidos e precisos. No que parecia um instante, seus blasters foram cortados
e os dois capangas estavam no chão, segurando os braços e o abdômen.
Vigilch e Gen Tri se aproximaram de lados opostos, o primeiro arrastando
outro dos atacantes encapuzados.
— Parece que isso pode acabar antes de começar, — Poe disse.
— Não fique tão certo, — Zorii disse.
Poe ouviu um assobio alto e viu uma porta do outro lado da área de
docagem se abrir, revelando mais um punhado de atacantes encapuzados,
cada um armado e se espalhando para atirar na tripulação da Garra.
— Algo não está certo, — Poe disse. — Algo não se encaixa.
— Precisamos sair desta área e encontrar Ledesmar, — Zorii disse. —
Estamos encurralados.
Poe ignorou Zorii, enviando um disparo sobre Vigilch e os seus amigos.
O tiro raspou um dos novos chegados, enviando-o para trás. Uma faísca de
energia azul brilhou brevemente enquanto a figura atingia o chão.
— Droides, agentes. Não sei que tipo, porém, — Poe disse, para si
mesmo tanto quanto para Zorii. — Não há tripulação aqui.
— O quê?
— Pense bem, — Poe disse enquanto seguia a liderança de Zorii, em
direção à extremidade oposta da Garra, oposta ao pelotão de atacantes
encapuzados que se aproximava, em busca de melhor cobertura. — Aquelas
naves estavam desocupadas, as que estavam nos atacando. Agora estamos
cercados por capangas misteriosos que andam de maneira estranha, não
falam muito e apenas atiram...Não faz sentido.
— Você gosta de tirar conclusões rapidamente para alguém que não
passou muito tempo fora do planeta até um mês atrás, — Zorii disse,
enviando alguns tiros rápidos em direção ao grupo enquanto se moviam
entre a Garra, alguns Feiosos improvisados, e uma coleção de naves de
combate droides obsoletas que já tiveram dias melhores.
Poe espiou os seus companheiros enquanto se apoiava na parte externa
da nave mais próxima. Parecia que Vigilch e Marinda estavam adotando a
abordagem direta, atirando e cortando o coração dos atacantes. Não havia
sinal de Gen Tri, Poe percebeu. O pouco que viu da batalha, enquanto
Vigilch derrubava um com um tiro na cabeça e Marinda Gan espetava
outro, faíscas e estilhaços voando, confirmou pra ele que não estavam
lidando com seres vivos, mas com um grupo de droides sob o controle de
alguém. Muitos droides, no entanto. Muitos droides zangados.
— Não sei por quanto tempo conseguiremos segurá-los, parecem uma
mistura de droides de protocolo e droides piratas de Dac. Nunca vi nada
parecido, — gritou Marinda Gan, sem virar a cabeça. Poe entendeu que ela
estava falando com eles, mantendo a sua localização vaga para ganhar
alguns segundos. — Tomem a frente, fiquem à nossa frente. Faremos o
nosso melhor aqui. Encontrem quem, e o que, estamos procurando.
— Ela disse o que estamos procurando? — perguntou Poe enquanto se
dirigiam à entrada principal, sob a proteção de alguns disparos rápidos de
Zorii.
— E daí? — Zorii perguntou, rolando em direção à porta aberta, o
movimento calculado e atlético, em contraste marcante com o tropeço
desajeitado de Poe.
— Eles estão atrás de nós, — disse uma das figuras encapuzadas, com
uma voz mecânica e melódica, típica da maioria dos droides.
Zorii se virou, um joelho ainda no chão, e disparou uma série de tiros
em direção ao grupo de droides. Poe se levantou e se dirigiu a um pequeno
terminal do outro lado da porta. Tentou alguns botões. Nada. Olhou pela
porta e viu os droides se aproximando, Zorii tentando segurá-los.
— Alguma sorte? — ela perguntou, sem olhar pra trás.
— Bem, pra ser honesto, não muito, — respondeu Poe, tentando uma
combinação diferente de botões sem sucesso. — Estou achando que talvez
seja melhor apenas, bem, correr.
O som do disparo de blasters inimigos aumentou. Poe pensou ter ouvido
Vigilch xingar. Ele pressionou outra combinação de botões e ouviu um leve
bip, então a porta começou a fechar.
— Fechando, fechando, — disse Poe, tentando chamar a atenção de
Zorii. Ela notou o movimento e se apressou a passar pela pequena abertura
que restava enquanto os droides disparavam contra a entrada fechada.
— O que você fez? — ela perguntou.
— Não tenho certeza, se é que você quer saber.
Zorii balançou a cabeça.
— Deveria ter feito isso eu mesma, — disse ela. — Você é um piloto,
não um hacker.
— Ei, eu consegui fazer funcionar, não consegui? — disse Poe enquanto
Zorii caminhava cautelosamente pelo corredor, com o blaster em punho.
— O que? Só isso? — continuou Poe ao alcançá-la.
Eles chegaram a uma interseção. Não havia sinais de vida. Os
corredores ecoavam com os seus passos leves. Tem alguém mais nesta
nave? pensou Poe.
— Você pode ficar quieto por um minuto? — Zorii sussurrou enquanto
olhava para a esquerda e depois para a direita. — Estou tentando descobrir
onde estamos e como chegar à ponte.
— O que estamos procurando, Zorii? — perguntou Poe, com a sua
energia diminuindo. A adrenalina e a correria para embarcar no cruzador e
enfrentar a falange de droides o deixaram exausto. — Ledesmar tem algo
que os Contrabandistas de Especiarias querem, certo? Não se trata apenas
de eliminar um concorrente. Quero dizer, por que arriscar tanto por isso?
Zorii não respondeu, apenas seguiu mais adiante no corredor,
sinalizando para que ele a seguisse. Antes que Poe pudesse alcançá-la,
parou; ela levantou a mão em alerta. Ela apontou para o ouvido. Ouviu algo
também, um leve tilintar. Um dos droides encapuzados já havia conseguido
passar? Duvidava que fossem feitos para a furtividade.
— O que foi? — perguntou Poe.
Zorii apontou para o corredor. Lá, cerca de metade do caminho, Poe
notou um droide da classe EV apoiado na parede oposta num ângulo
estranho, com as suas longas pernas dobradas sob o seu corpo.
— Bem, só pode melhorar, — disse adroide para si mesma, com a sua
voz melódica e estranhamente alegre.
Poe e Zorii trocaram um olhar confuso.
Poe pegou o seu blaster e começou a descer o corredor, ignorando os
apelos sussurrados de Zorii para esperar, seguidos por uma sequência de
xingamentos que Poe nunca imaginou que ela soubesse.
— Ei, você está bem? — perguntou Poe.
A droide olhou pra cima, com os seus movimentos ansiosos e rápidos.
— Olá, novo amigo, — disse ela. — Como você encontrou o seu
caminho neste cruzador?
— Olha, não tenho tempo pra uma explicação completa, mas parece que
você precisa de ajuda, — disse Poe. — Qual é seu, uh, nome? É isso?
— Eu sou a EV-6B6, — disse a droide, pegando a mão estendida de Poe
e se levantando lentamente. — Estou indo bem, considerando as
circunstâncias. Embora esteja atrasada para uma verificação de sistemas.
Poe não era fã de droides. Eles o deixavam desconfortável. Gostava de
pessoas. Seres vivos com personalidades e peculiaridades. Droides eram
apenas, estranhos. Poe não teve muita chance de interagir com droides em
Yavin 4, mas achava que tinha uma ideia de como eram. Esta droide era
diferente, porém. Quase...feliz?
Mesmo essa breve troca o estava deixando incomodado. Mas se esse
droide soubesse como levá-los até Ledesmar, então valeria a pena.
— Claro, eu entendi. — Poe ouviu Zorii se aproximando atrás dele. —
Precisamos encontrar a ponte desta nave. Você pode nos levar até lá?
— Ficaria feliz em ajudar, — disse EV-6B6. — Mas você deve ter
cuidado. Este é um cruzador Moraysiano, sabe. Algumas coisas muito ruins
têm acontecido aqui ultimamente, e isso realmente está me fazendo
reconsiderar...
— Encontrou uma amiga? — Zorii disse. Ela não estava brincando. Os
seus movimentos estavam inquietos. Ela não gostava que eles tivessem
parado no corredor.
— Onde está todo mundo na nave? — perguntou Poe ao droide, que
havia conseguido dar alguns passos hesitantes pelo corredor. — Alguém
mais a bordo?
— Sim, sim, muitas pessoas, — disse EV-6B6. — Bem, pelo menos
uma. Odeio ser negativa, mas ela não é muito legal. Ela se isolou na ponte.
Parecia realmente chateada com as pessoas que possuíam a nave antes. Foi
meio violento e...
— Ledesmar? — Zorii perguntou. — Você pode nos levar até ela?
— Eu suponho que sim, mas isso pode levar a uma luta, — disse o
droide. — E vocês dois parecem muito legais, então não tenho certeza se
gostaria que vocês se machucassem...
Poe segurou a droide pelos ombros.
— Ouça, EV, amiga, foi bom te conhecer, mas ainda não estamos nos
juntando a um culto, — disse Poe. — Precisamos encontrar Ledesmar.
Rápido. Temos um punhado de droides zangados e violentos nos esperando
do outro lado daquela porta do hangar que gostaríamos de evitar. Portanto,
qualquer ajuda que você puder oferecer será muito apreciada, quer você
queira dar ou não.
— Bem, quando você coloca dessa forma, — disse EV-6B6, — acho
que não tenho muita escolha. Sigam-me.
Com isso, a droide se virou e começou a caminhar pelo corredor num
ritmo acelerado. Zorii e Poe a seguiram não muito atrás.
— Você acha que ela está controlando a nave inteira sozinha? — Zorii
perguntou enquanto continuavam a seguir a EV-6B6 mais adiante pelo
corredor sinuoso. — Como isso é até possível?
— Pense nisso, Zee, — disse Poe. — Aquelas naves estavam se
movendo de forma automatizada, elas estavam respondendo ao que
fizemos, mas não da maneira que os pilotos humanos fazem. Elas não se
adaptaram ou reagiram a tempo.
— Huh, — ela grunhiu. — Então é por isso que você conseguiu fazer
aquele truque. Elas estavam indo em direção a Garra, mas não tinham ideia
do que você poderia fazer, principalmente porque era imprevisível.
— Certo, — disse Poe, assentindo, um pouco incerto se Zorii estava
elogiando ou insultando-o. — E mesmo depois que saímos da nave, não
vimos outra forma de vida. É tudo automatizado.
— Por aqui, — disse EV-6B6, acenando. — O meu palpite é que ela
ficará chateada, então podem querer sacar as suas armas, só pra garantir.
— Espere, — disse Zorii. — Qual é a sua história, droide? Por que você
está tão ansiosa pra nos ajudar?
— Bem, ajudar é o que eu faço, — disse EV-6B6, com a sua expressão
robótica pensativa, embora Poe pudesse jurar que o mecânico estava
emitindo uma aura de alegria. — E essa mulher Zabrak, Ledesmar, não tem
sido muito legal comigo. Vocês têm sido. Os meus mestres se foram. As
pessoas que eu conhecia nesta nave se foram. Faz sentido ajudar e ser
apreciada.
— Quem estava nesta nave antes? — perguntou Poe, se aproximando do
droide. — Um grupo completo?
— Oh, não, nada parecido, — disse EV-6B6, balançando a cabeça quase
imperceptivelmente. — Os meus mestres eram ladrões, criminosos,
membros da organização Pyke. Acho que eles têm uma má reputação, mas
me tratavam bem. Ledesmar roubou este cruzador e a sua variedade de
naves e eliminou a equipe de reparo. Não foi legal.
— Então você é uma droide que pertencia a ladrões? — Zorii disse,
levantando uma sobrancelha lentamente.
— Sim, e me sinto muito infeliz que as coisas tenham que ser assim, —
disse EV-6B6. Poe levou um segundo para perceber o que estava
acontecendo. Então as portas de ambos os lados do corredor se abriram e
uma esquadrão dos droides encapuzados, armados com grandes rifles de
blaster, apareceu. — Fui sincera no que disse. Vocês dois parecem muito
legais. A minha história era verdadeira, mas sendo propriedade de um
ladrão, você aprende os truques do comércio dos canalhas, incluindo
traições. As minhas sinceras desculpas.
— Sigam-nos se quiserem viver, — disse o droide central, fazendo um
gesto com a sua arma.
— Droides, — murmurou Poe para Zorii. — Eu deveria ter sabido. Não
se pode confiar nessas pilhas de sucata.
— Cale a boca e faça essa cabeça funcionar, — Zorii respondeu de
volta. — Isto não é uma corrida de lama em Yavin Quatro que você está
perdendo, é a sua vida.
Os droides capanga os levaram a um turboelevador. Alguns embarcaram
com eles, deixando a EV e os droides restantes pra trás. O que havia falado
com eles pressionou alguns botões, e o elevador desceu rapidamente.
— O que vocês costumam fazer de divertido por aqui? — perguntou
Poe.
Nenhum dos droides respondeu. Em poucos momentos, o elevador
parou e se abriu numa ponte ampla, completamente desprovida de pessoas.
Alguns droides da série RX estavam em estações essenciais, pelo que Poe
pôde perceber: o leme, um terminal de segurança e talvez uma área de
sistemas gerais. Mas era tão minimalista quanto uma nave deste tamanho e
classe poderia ser, provavelmente arriscado considerando a quantidade de
coisas que poderiam dar errado numa nave que, em essência, era uma
cidade flutuante.
No centro da ponte, porém, havia uma pessoa viva: uma alta mulher
Zabrak envolta numa longa capa vermelha, com a sua testa pálida
emoldurada por chifres pequenos acima e ao redor. Desenhos decoravam
seu rosto e pele visível. Ela empunhava uma arma longa em forma de lança
com lâminas em cada extremidade. Zhaboka, pensou Poe. O seu pai havia
contado muitas histórias de seu tempo no espaço, uma delas envolvendo
uma Zabrak que afirmava ser Jedi, mas Kes nunca teve certeza. O zhaboka
era uma arma tradicional Zabrak, Poe sabia. E era carnificina.
Ledesmar se aproximou deles com um ar de confiança e facilidade. Ela
não parecia ameaçada. Na verdade, com base em sua expressão, Poe achou
que ela estava achando graça.
— É isso que os famosos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi têm
a me oferecer em termos de resistência? — Ledesmar disse. — Duas
crianças? Tão confiantes, que seguiriam um droide para a boca do nexu?
Ledesmar se aproximou, escaneando Poe rapidamente, mas demorando
sobre Zorii, com a sua atitude mudando de calma para leve preocupação.
— Poderia ser? — ela disse, estreitando os olhos como se tentasse ver
além de Zorii. — Como vocês chegaram aqui?
— Deveria te perguntar a mesma coisa, — Zorii disse. — Você tem algo
que pertence a nós.
Aí estava, pensou Poe. A verdadeira razão pela qual estavam lá. Mas
por que Vigilch e os seus próprios companheiros se recusaram a informá-lo
sobre o que era? Eles não confiavam nele ainda? Provavelmente não, e Poe
entendia, mas isso doía.
— Tenho? — Ledesmar disse com um encolher de ombros enquanto
continuava a caminhar ao redor deles, os droides recuando para lhe dar
liberdade. — Isso é engraçado, porque eu não possuo muito além desta
nave, que roubei eu mesma, das mesmas pessoas que me escravizaram por
boa parte da minha vida, os Pykes, que, até onde eu sei, são inimigos
declarados de seu pessoal. Diga-me, querida, o que você acha que eu devo a
você, ou aos Contrabandistas de Especiarias?
Zorii cerrou os dentes. Antes que ela pudesse dizer algo, um grande
estrondo pegou o grupo de surpresa.
Poe, Zorii, Ledesmar e os droides se viraram para encarar a explosão,
que envolveu o lado mais distante da ponte, fumaça e chamas crescendo
rapidamente. Ledesmar levantou uma mão, afastando os droides.
Alguns momentos se passaram e três figuras sombrias emergiram dos
destroços. Vigilch, machucado e ferido, com um grande corte atravessando
o seu rosto já marcado, e Marinda Gan e Gen Tri não muito atrás,
parecendo quase tão mal. Marinda mancava atrás de seu líder, e o andar de
Gen Tri, que normalmente parecia mais flutuar, estava rígido e desajeitado.
Eles estavam mal, pensou Poe, mas nunca ficou tão feliz em vê-los.
— Ah, o resto da sua pequena equipe, — Ledesmar disse com um
desprezo. — Isso facilita as coisas.
Ela saltou pra frente, e a sua velocidade pegou Poe de surpresa. Antes
que pudesse registrar os seus movimentos, ela enviou a ponta de sua arma
até o abdômen de Vigilch, fazendo com que o Klatooiniano se curvasse pra
frente e emitisse um gemido agudo, dilacerante. Ela retirou o zhaboka
descuidadamente, com certeza fazendo a saída da arma tão dolorosa quanto
a entrada. Vigilch se dobrou sobre si mesmo enquanto colapsava no chão.
Gen Tri e Marinda Gan pareciam surpresos e se afastaram de Ledesmar
para se reorganizar. Mas era tarde demais.
Poe percebeu que não eram os únicos encantados pela assassina Zabrak;
os droides haviam mudado o seu foco para Ledesmar, sua mestra, ignorando
Zorii e Poe, que não se deram ao trabalho de desarmá-los ou amarrá-los de
qualquer forma. Poe agarrou o seu blaster e disparou alguns tiros rápidos
em direção aos combatentes. Um errou completamente, mas o outro acertou
a perna direita de Ledesmar no meio do salto, fazendo a ladra atlética se
torcer pra baixo numa pequena escada e cair num nível inferior da ponte,
segurando o membro ferido.
Isso lhes deu talvez cinco segundos, mas foi tempo suficiente para Gen
Tri e Marinda Gan se dispersarem, e para Poe e Zorii se protegerem atrás do
terminal principal de navegação da nave, por design.
— Eles não podem ficar muito felizes com os blasters agora, — Zorii
disse. — Só vão se machucar ao destruir os controles da nave.
Mesmo os droides sabem disso.
— Eles são meus, — Ledesmar disse, com a sua voz ecoando do outro
lado da ponte. Ela não estava falando sobre Marinda e Gen Tri, Poe sabia.
Observou enquanto ela saltava em direção a eles, com o seu corpo ágil
fazendo acrobacias sobre cadeiras e terminais para alcançar a extremidade
mais distante da ponte, onde Zorii e Poe estavam, com os blasters prontos.
Ambos estavam num estado de choque, não esperando que Ledesmar se
recuperasse tão rapidamente ou fosse capaz de alcançá-los com tanta
facilidade.
Ela balançou o zhaboka como se fosse um membro extra e derrubou os
blasters de suas mãos num movimento preciso, deixando Poe olhando para
a sua mão vazia por um momento. Um momento longo demais, logo
aprenderia.
Ouviu o grito furioso de Zorii antes de seu próprio grito de dor,
enquanto a lâmina da arma de Ledesmar cortava o seu lado, fazendo um
profundo corte. O sangue jorrou rápido, e desabou no chão, segurando o
abdômen. Tentou não olhar para a ferida, mas não conseguiu evitar; era
profunda, o sangue vermelho escuro já ensopando as suas roupas e cobrindo
a área, a dor e a bagunça se espalhando rapidamente.
— Achhkk! — Poe fez uma careta enquanto se contorcia no chão,
esperando que Ledesmar ficasse em pé sobre ele, arma preparada e pronta
para perfurar o seu crânio. O seu corpo estava dominado pelo medo de uma
escuridão iminente, amplificado pela dor ofuscante que sentia em seu lado,
que rapidamente se espalhava por todo o seu corpo. Alcançou a ferida,
imediatamente se arrependendo do movimento. Olhou pra baixo e viu a sua
mão coberta de sangue. O seu sangue.
Mas a sua visão de Ledesmar finalizando-o nunca se concretizou. Em
vez disso, os ouvidos de Poe foram sacudidos por outro som angustiante,
aterrador e alimentado pela raiva. Era Zorii novamente, mas esse grito não
estava impregnado de choque; parecia vir da base de sua própria alma, de
um ódio puramente animal que Poe nunca teria adivinhado que ela era
capaz.
Levantou levemente a cabeça e viu as duas figuras lutando; Zorii havia
de alguma forma derrubado a lança da mão de Ledesmar, e as duas agora
estavam envolvidas num combate corpo a corpo, Zorii pressionando
Ledesmar, seus olhos ardendo de raiva. Ledesmar foi momentaneamente
pega de surpresa. Poe tentou se levantar, mas uma explosão de dor em seu
lado o fez cair novamente, dobrando-se.
— Os seus droides não vão te salvar agora, — Zorii disse através de
uma mandíbula cerrada enquanto continuava a pressionar a sua vantagem
sobre Ledesmar. — Dê-me o que viemos buscar.
— Você confundiu uma surpresa momentânea com uma vantagem,
pequena, — disse a Zabrak, com o seu joelho se levantando e conectando-
se com o queixo de Zorii, deixando-a ensanguentada e desorientada por um
momento. Era tudo o que Ledesmar precisava. Ela desferiu dois socos
rápidos no rosto de Zorii, e ela caiu, braços levantados, como uma lutadora
desesperada para evitar o golpe final.
Poe tentou alcançá-la, mas não conseguia controlar o seu corpo; a dor o
envolvia mais apertadamente a cada segundo que passava. Era o fim de sua
história? Uma criança fugitiva da Rebelião, morta no meio de alguma
guerra de gangues galácticas? Sequer sabia pelo que estava lutando?
Não, mas sabia por quem estava lutando. Moveu a perna e sentiu algo
em seu calcanhar esquerdo. O zhaboka. O longo bastão da arma estava
preso sob a bota de Poe. Levantou a cabeça e viu Ledesmar em pé sobre
Zorii, que parecia à beira de perder a consciência. Só teria uma chance.
O chute foi forte e focado. Poe enviou a arma girando na direção de
Zorii. Mas parecia sem esperança, e Poe meio que esperava ouvir o som
dela batendo de volta na direção errada, com base em como a sorte deles
vinha se desenrolando. Viu escuridão na borda de sua visão, uma escuridão
que sabia que não era sono, embora o chamasse como uma soneca quente e
ininterrupta. Não ouviu o ressoar da lâmina da arma enquanto ela deslizava
escada abaixo. Não ouviu a risada de Ledesmar ao notar a tentativa fraca de
Poe de salvar a sua amiga. Em vez disso, ouviu um grosso, quase esponjoso
som de shunk, seguido por um sussurro aquoso e as últimas palavras de
Ledesmar:
— Isso...isso não era...o acordo.
Então ela caiu no chão, empalada por sua própria arma. Zorii Wynn
estava em pé sobre ela, sem uma gota de emoção em seu rosto manchado de
sangue.

— Ele parece estar acordando.


— É melhor, para o seu bem, — Zorii disse enquanto se posicionava
sobre a droide que os havia traído.
— Bem, temos sorte, tenho alguns programas médicos em meus bancos
de dados, — EV-6B6 disse, recuando de Poe, que estava estirado no nível
superior da ponte. — A sua ferida foi selada e eu interrompi a hemorragia.
Parece que Ledesmar não causou nenhum dano permanente. Parece que é
seu dia de sorte, Poe Dameron.
Zorii, Gen Tri e Marinda Gan estavam perto enquanto o droide
terminava de cuidar dele. Poe podia ver o corpo sem vida de Ledesmar ao
fundo, e um suor frio tomou conta dele. Ele sabia que não era um efeito
colateral do que o droide havia feito para reanimá-lo.
— Como você se sente? — Marinda perguntou, com genuína
preocupação em seu rosto. Ela colocou uma mão fria em sua bochecha.
— Eu estou...não tenho certeza, — Poe disse. Tentou se levantar e
instantaneamente se arrependeu. A dor em seu lado havia diminuído, mas
ainda estava lá. O que quer que o droide tivesse feito a ele apenas suavizou.
Fez uma careta ao se sentar. Zorii se sentou ao seu lado, com as suas mãos
em seus ombros.
— Vá devagar, — ela disse. — Nós quase te perdemos ali.
— Não temos tanta sorte, — Poe disse, com a sua expressão uma
mistura de humor forçado e dor aguda. — Ainda não, pelo menos. O que
aconteceu com os droides de Ledesmar?
— Nós os silenciamos, — Gen Tri disse, voltando à sua habitual postura
espectral. Eles estavam a algumas passadas do grupo e se viraram para
inspecionar a ponte. — Foi assim que encontramos esta droide, que parecia
ser a única remanescente da equipe anterior.
— Isso está correto, meus novos mestres, — EV-6B6 disse, acenando
obedientemente. — Nem tudo o que eu relatar a vocês foi uma mentira,
apesar da minha traição final. O que, devo acrescentar, nasceu da
necessidade, não de qualquer aversão a vocês.
Poe se levantou, com cuidado, cada movimento envolto na ameaça de
mais dor. Mas, ao se levantar, sentiu-se melhor e deu alguns passos
hesitantes na ponte principal.
— O que quer que você tenha injetado em mim, EV, parece estar
funcionando, — Poe disse. — Acho que nem todos os droides são ruins,
mesmo que você tenha nos entregado a Ledesmar.
— Foi uma decisão que rapidamente comecei a lamentar, Mestre
Dameron, — EV-6B6 disse com um aceno curto enquanto começava a
embalar um pequeno kit de suprimentos médicos. — Espero que você
venha a entender e me perdoar. — Zorii se aproximou de Poe, uma mão em
seu braço, com os seus olhos focados e claros.
— Você é muito sortudo, Poe, — ela disse. — Isso foi por pouco.
Poe assentiu. Sem piadas dessa vez. Ela estava certa. Mas tinha uma
pergunta.
— Por que realmente estamos aqui, Zorii? O que estamos procurando?
— Poe perguntou. — O que Ledesmar quis dizer quando disse que isso não
era o acordo?
Ela nunca teve a chance de responder.
O cruzador Moraysiano balançou violentamente, se inclinando para a
esquerda, fazendo os Contrabandistas de Especiarias desmoronar em
direção à parede distante da ponte. Enquanto o enorme cruzador se
endireitava, Poe fez uma careta enquanto se apressava para um dos
terminais de navegação, alcançando o seu lado instintivamente enquanto
Gen Tri pairava atrás dele.
— Parece que perdemos algumas naves saindo do hiperespaço, — Poe
disse, pressionando os botões rapidamente, esperando obter uma imagem
mais clara do que estava acontecendo. — E elas não parecem felizes.
— Quem são elas? — Gen Tri perguntou. — Pykes? Moraysianos atrás
de sua própria tecnologia?
Poe levou um segundo a mais do que precisava, tentando confirmar as
suas informações antes de compartilhá-las com o grupo, esperando contra
todas as expectativas que a informação que tinha estivesse apenas errada.
— Elas são...são as naves da Nova República, — Poe disse, sem
acreditar totalmente em suas próprias palavras. — Muitas delas, também.
— Abram fogo, — Gen Tri disse, sem um pingo de ameaça ou raiva na voz.
— E continuem a atirar à vontade.
Poe hesitou. Se seguisse a ordem de Gen Tri, estaria atirando em seu
próprio pessoal, isso era realmente o que havia se alistado? Olhou para
Zorii, que parecia enojada com a hesitação de Poe. Ela balançou a cabeça
para ele como se dissesse, Atire, Poe. É quem você é agora. É quem nós
somos. A resposta de Marinda Gan não foi tão sutil.
— Saia do caminho, garoto, — ela disse, empurrando Poe pro lado. —
Deixe uma verdadeira contrabandista de especiarias cuidar disso.
Marinda assumiu o controle do terminal com destreza, e antes que Poe
pudesse protestar, ela enviou uma salva de fogo de canhão laser em direção
as cinco naves da Nova República, atingindo algumas. Mas mesmo com as
armas do grande cruzador Moraysiano à sua disposição, eles estavam em
desvantagem. A nave era velha e já havia visto sua parte de batalhas.
Não era feita para combate total, especialmente com o que equivalia a
uma equipe esquelética inexperiente a comandando.
A sua melhor aposta era distrair e evadir.
Gen Tri se aproximou do terminal de Marinda, seu comportamento
distante e defensivo, mais do que o habitual.
— Podemos aguentar muito? — eles perguntaram a Marinda. Mas
estava claro que sabiam a resposta.
— As defesas são uma piada, mesmo numa nave tão grande, elas não
durarão muito mais, — Marinda disse, balançando a cabeça. — Eles
conseguiram atirar primeiro, e se isso continuar, eles também atirarão por
último.
A nave tremeu, levando outra onda de fogo das naves da Nova
República. Poe cravou os dedos num terminal próximo, desesperado para
evitar ser jogado pela ponte se pudesse ajudar. Zorii segurou ele, fazendo o
mesmo. Achou que ouviu EV-6B6 gritar à distância.
— As defesas estão fora do ar, — Marinda Gan disse, batendo em seu
terminal com uma energia desesperada que não inspirava muita fé em Poe.
— Os sistemas de armas estão em vinte por cento. Não conseguiremos
acessar o hiperespaço, também, a menos que...
A atualização de Marinda foi interrompida pelo estático e chiado de um
canal de comunicação se ativando. A voz era desconhecida, mas a ameaça
era clara.
— Aqui é Sela Trune, da Agência de Segurança da Nova República, —
ela disse. — Desistam e vocêe viverão. Preparem-se para ser abordados ou
destruídos. A escolha é sua.
Algo colidiu com o meio do corpo de Poe, intensificando a sensibilidade em
seu lado mais uma vez. O seu primeiro pensamento foi que estava sob
ataque novamente, mas quando olhou para baixo, era uma robusta e
brilhante caixa prateada com uma alça gravada. Olhou pra cima e viu que
Gen Tri estava segurando-a.
— Isso precisa sair desta nave, assim como Zorii Wynn, — eles
disseram com um leve aceno. — Não traia a nossa confiança, Poe Dameron.
Toda a missão repousa sobre você agora.
Poe começou a perguntar o que era, mas pensou melhor. Pegou a caixa
de Gen Tri e se virou para ver Zorii esperando por ele.
— Precisamos voltar para o hangar e torcer para que haja uma nave lá
que possa nos tirar daqui, — ela disse, suas palavras se atropelando. — Não
temos muito tempo. Eles estão começando a se aproximar e estarão na nave
em minutos.
Poe acenou com a cabeça e seguiu Zorii e EV-6B6 em direção ao
turboelevador. Antes que as portas se fechassem, fez contato visual com
Marinda Gan, que formou com os lábios duas palavras: Boa sorte.
Eles precisariam de mais do que sorte para sair da nave, sabia disso.
A viagem no elevador foi curta e instável, o espaço apertado tremendo
violentamente enquanto a nave Moraysiana continuava sendo atingida por
tiros de laser.
— Parece que Gen Tri está demorando com essa história de 'rendição',
— Poe comentou.
— Os Contrabandista de Especiarias não são bons em desistir, — Zorii
disse, sem encontrar os olhos de Poe.
— É bastante admirável, acho, — EV-6B6 disse. Zorii e Poe a
ignoraram.
Eles saíram do elevador e correram por um corredor familiar, agora
coberto por droides caídos, após os tremores de Vigilch e a luta da
tripulação para chegar à ponte. Vigilch. O líder deles havia partido. Morto
num movimento por Ledesmar, também ausente. Todo esse derramamento
de sangue, pensou Poe. Vale a pena? As emoções dessa nova vida, os
truques espaciais e as batalhas, o subterfúgio e a trapaça, pareciam
ofuscadas pelas perdas. Não consideraria o brusco Klatooiniano um amigo,
ou mesmo um grande aliado, mas a sua falta ainda doía. Era em momentos
como esse que Poe percebeu que não tinha vivido o suficiente. A pele dura
ainda não havia se formado completamente. Nunca se sentiu tão
adolescente quanto naquele momento, correndo pela extensão de uma nave
estranha, tentando desesperadamente encontrar uma maneira de sair e entrar
num espaço desconhecido. Nunca se sentiu tão longe de seu pai, de sua
casa, da vida que aprendera a considerar garantida. E pra quê? Não tinha
certeza. Mas não tinha tempo pra refletir sobre isso.
— Vamos, siga-me, — Zorii disse, puxando o braço de Poe, os passos
metálicos lentos de EV-6B6 ecoando atrás deles. — Há outro hangar aqui,
de acordo com o esquema que analisei. Podemos ter sorte.
Eles chegaram a um último conjunto de portas, fechadas. Poe
pressionou um dos botões, mas nada. Virou-se para Zorii.
— Deixe-me ver, — ela disse, passando por ele.
Zorii pressionou alguns botões, então puxou uma pequena adaga
prateada e fina. Ela a pressionou gentilmente contra o lado do painel,
soltando-o e revelando fios e cabos. Ela puxou um fio verde e um vermelho,
usando a adaga para cortá-los. As portas se abriram com um sibilo.
— Me siga, — ela disse, não esperando qualquer reação. Esta não era a
primeira invasão ou fuga de Zorii Wynn.
O hangar era amplo, com algumas naves espalhadas pelo vasto espaço
vazio.
— Ei, droide, o que você pode nos dizer sobre essas naves? Alguma
delas estão em condições de voar? — Poe perguntou enquanto examinavam
a área. — Estamos numa corrida contra o tempo. — Bem, sinto muito em
dizer que minha especialidade não é...
— Encontrei uma, — Zorii disse de alguns metros de distância. Ela
havia encontrado um caça estelar Y-Wing BTL-S3 batido. — Desde que eu
consiga remover a ferrugem e consigamos entrar. — Poe se aproximou da
nave lentamente, com certo respeito.
— Essas naves são resistentes, nada sofisticadas, mas isso vai servir, —
Poe disse, acenando com a cabeça. — Estamos com sorte. — Essas naves
ajudaram a derrotar o Império, Poe quase soltou, mas pensou melhor. O Y-
Wing definitivamente voaria e talvez conseguisse ultrapassar as naves da
Nova República de tamanho corveta que aguardavam do lado de fora. Isso
tiraria Zorii em segurança com a sua carga, e essa era a principal prioridade
de Poe.
— Entre, Zorii, — Poe disse, tentando soar autoritário. — Este é seu
bilhete pra fora. Tenho certeza de que há outras naves que eu posso...
— Na verdade, parece que a maioria das naves aqui não está
operacional, — EV-6B6 disse, olhando ao redor do grande espaço.
— Podemos encontrar algo mais se voltarmos ao outro hangar, mas não
posso garantir...
Os tiros do blasters começaram então, e o trio se virou para ver um
grupo de oficiais da Nova República atirando primeiro e fazendo perguntas
depois. À frente da equipe estava uma jovem mulher humana alta, de cabelo
loiro cortado rente. Trune.
— Afaste-se da nave, Dameron, — Trune disse, avançando, seu dedo
ainda pressionando o gatilho, disparando fogo de blaster ao redor deles. —
E não pense em revidar.
— Pensei que vocês geralmente atingissem a ponte primeiro, pelo
menos quando fazem toda essa história de abordar uma nave inimiga, —
Poe disse, rolando para a direita e disparando uma salva de fogo de volta
em direção a Trune, atingindo um de seus homens e fazendo-o cair de
joelhos. Um a menos. O seu blaster não estava ajustado para matar,
lembrou-se, mas ainda assim o atingiu o fato de que estava atirando em
oficiais da Nova República, que representavam os mesmos ideais pelos
quais seus pais lutaram para estabelecer.
— As suas piadas não atrasarão o inevitável, — Trune disse. — Embora
seja bom ter minhas suspeitas confirmadas. Os seus amigos na ponte se
recusaram a dizer se você havia se juntado a eles.
Poe ignorou a provocação, embora os seus alarmes internos estivessem
disparando. Então Trune e a sua equipe já estavam na ponte. Onde estavam
Marinda Gan e Gen Tri, então? Disparou mais um tiro, atingindo o oficial à
esquerda de Trune. Dois a menos.
Trune se agachou e disparou mais uma trio de tiros em direção a Poe,
mas conseguiu deslizar por trás de uma das inúmeras naves zumbis que
estavam espalhadas pelo hangar. Isso só forneceria um breve refúgio.
Permitiu-se um momento para espiar ao redor da nave e verificar Zorii, que
havia encontrado abrigo dentro da única nave que provavelmente poderia
levála para a segurança. Lutou contra o impulso de correr até ela e fornecer
algum tipo de cobertura. Zorii Wynn era mais do que capaz. Ela podia se
defender.
— Os seus amigos estão mortos, Poe Dameron, — Trune disse,
levantando-se e caminhando em direção ao abrigo de Poe. — Não atrasar
isso e não me faça matá-lo. O seu pai ficaria ainda mais desapontado do que
já está. — Ela deu alguns passos em direção a Poe.
— Ou você vem comigo agora e avisa ele pessoalmente, deixando-o
saber o que você decidiu se tornar, — Trune disse, — ou posso resolver isso
quando eu alertar os parentes mais próximos.
— EV, agora! — Poe gritou. Trune pulou ao ouvir as palavras, como se
finalmente reconhecesse onde Poe estava escondido. A percepção não
durou muito para ela, pois a droide avançou em direção aos oficiais da
Nova República, acompanhada de um grito alto e penetrante durante a sua
corrida descontrolada em direção ao grupo. Ela era rápida pra um droide,
pensou Poe, e os oficiais da Nova República levaram tempo demais para
reagir ao novo alvo. Quando o fizeram, já era tarde demais; os longos
braços de EV-6B6 haviam atingido os dois oficiais restantes, jogando-os de
volta pela porta do hangar, presumivelmente inconscientes. Só restou a
Trune.
Trune girou, como se estivesse apenas percebendo que a sua equipe
havia sido desabilitada. Aqueles eram os únicos oficiais com quem ela
havia abordado? Poe esperava que sim, mas aprendera nas últimas semanas
a não contar muito com a sorte. Disparou um tiro rápido em direção a
Trune, que esquivou facilmente. Poe, apesar do espaço entre eles, achou
que a ouviu zombar.
— Os seus tons amadores estão aparecendo, — Trune disse,
caminhando numa leve agachada estilo militar em direção a Poe, com o
blaster levantado. — Você deu um disparo arriscado e apenas se entregou
onde está. Eu não serei tão fácil de derrubar quanto os meus homens, Poe,
lembre-se disso.
— Eu acho que ele se lembrou, — Zorii disse, aterrissando atrás de
Trune e enviando um chute focado em sua cabeça. A oficial da Agência de
Segurança da Nova República caiu pra frente, atingindo o chão frio com um
barulho forte. Ela ficaria fora de combate por um tempo.
Zorii se dirigiu ao canto de Poe e sorriu.
— Você tem sorte de eu estar aqui, — ela disse.
— Eu me digo isso com frequência, — ele disse, devolvendo o sorriso.
Mas, ao olhar para ela mais de perto, percebeu algo estranho em seus
movimentos. — Zorii, você está bem?
Ela deu de ombros, mas era claro para Poe que ela estava fazendo careta
a cada passo. Ele se aproximou dela. Notou a ferida rapidamente, um corte
feio em seu lado que ela tentava cobrir com as mãos.
— Deixe-me ver, — Poe disse.
— Não é nada, — Zorii disse defensivamente. — Apenas um arranhão.
Tiros em combate são caóticos.
Ela tentou se afastar, mas Poe gentilmente puxou suas mãos para longe
da ferida. Parecia grave, pensou.
— Precisamos fazer com que a EV veja isso, — Poe disse.
EV-6B6 se aproximou do outro lado do hangar.
— Os agressores foram neutralizados, Mestre Dameron, e estão vivos,
não se preocupe.
— Bom trabalho, — Poe disse, sinalizando para a droide se aproximar
de Zorii. — Você pode dar uma olhada nela? Acho que ela se feriu
seriamente...
— Claro, estou feliz em ajudar e lamento muito saber que Zorii se
feriu...
— Chega.
Poe sentiu uma mão agarrar a sua. Os dedos de Zorii eram fortes e frios.
Ela moveu a sua mão para longe de seu lado e deu um passo em direção ao
droide.
— Precisamos sair desta nave, — Zorii disse, com os olhos fixos em
Poe. — Posso ser tratada assim que estivermos seguros. Entendido?
Não concordou, mas sabia que Zorii não cederia nesse ponto. Era
melhor levá-la e a EV-6B6 embora e esperar que o droide pudesse ajudá-la
até que conseguissem um atendimento médico adequado.
— Decisão sua, — Poe disse, forçando um sorriso. — Você acreditou
no que Trune disse sobre Gen Tri e Marinda?
— Sim, eles se foram, — Zorii disse com um aceno solene. — Pelo
menos parece que sim.
Poe baixou a cabeça por um segundo.
— Não estou convencido. Precisamos ter certeza, — Poe disse,
balançando a cabeça levemente. — Não podemos deixá-los...
— Acho que podemos ter sorte se procurarmos no outro hangar. Talvez
haja algo mais confortável e espaçoso...
— Cale-se por enquanto, EV, — Poe disse. — Você vai com a Zorii. —
Ele entregou ao droide a caixa metálica que Gen Tri lhe confiara. Poe
tentou não pensar que aquela seria a última vez que veria o alto e etéreo
Pau'an. — Ajude a Zorii a sair dessa nave e para o hiperespaço rápido, tudo
bem? Depois faça o seu melhor para cuidar dela. Vai ser uma viagem
turbulenta. — EV-6B6 pegou a caixa oferecida com a expressão mais
animada que um droide poderia ter.
— Entendido. Darei o meu melhor, — EV-6B6 disse enquanto passava
a caixa para Zorii. — Boa sorte pra você, Poe Dameron.
Eles voltaram para o pequeno Y-Wing, pisando cuidadosamente sobre o
corpo inconsciente de Trune. Enquanto contornavam a nave, Poe observou
Zorii entrar na cabine, com uma expressão hesitante no rosto. Ele subiu
pelo lado oposto da nave e se agachou ao lado do assento do piloto.
— Você deveria vir comigo, Poe, — ela disse, com a preocupação
estampada em seu rosto. — Você também está ferido. Isso é estúpido.
— A estupidez e eu combinamos bem, — Poe disse, tentando alegrar o
clima. O olhar severo de Zorii lhe disse que ele estava adotando a
abordagem errada. Ele suspirou rapidamente. — Não posso deixá-los pra
trás, certo? Não se houver uma chance. Preciso saber.
Ela acenou rapidamente. Aceitando, mas sem entender completamente.
— Você acha que consegue pilotar isso? — Poe perguntou.
Zorii acenou enquanto EV-6B6 começava a subir a bordo da nave e para
o outro assento.
— Consigo pilotar qualquer coisa, — ela disse com um sorriso largo.
De repente, Poe foi atingido pela simples beleza de sua amiga. Sentiria falta
dela se nunca mais se cruzassem, o que era uma possibilidade real. — É o
que meu professor sempre diz.
Poe se inclinou para dentro da cabine da nave. Eles se beijaram, com o
seu toque elétrico e natural ao mesmo tempo. Poe ficou surpreso, e podia
perceber que ela também sentiu. Sentia que estava certo, sabia disso, a
culminação de semanas de energia cinética dançando entre eles. De olhares
prolongados, sorrisos cúmplices e uma sintonia que parecia mais do que a
de aliados ou companheiros de equipe. A conexão não durou muito, mas
Poe sabia que nunca esqueceria.
— Professor inteligente, esse, — Poe disse, com os rostos ainda
próximos. Manteve os olhos nos dela, inseguro sobre o que viria a seguir,
mas tentando permanecer no momento o máximo que pudesse.
Zorii se afastou, colocando a palma na bochecha de Poe.
— Faça o que precisa fazer. Depois volte para Sorgan, Poe, — ela disse.
— Ou vou ter que vir te matar pessoalmente.
Poe lutou contra o seu instinto de beijá-la novamente. Dizer algo tolo
que não tinha certeza se realmente significava. Algo que poderia significar,
se as coisas seguissem um certo caminho. Já se importou com pessoas
antes, sentiu o frio na barriga por algo novo com alguém, apenas para ver
tudo desmoronar. Esperança e romance nunca eram garantidos nas selvas da
galáxia. Mesmo aos dezesseis anos, Poe Dameron sabia disso.
Em vez disso, bateu na fuselagem da nave e apontou para a droide EV,
que passou a admirar mais do que esperava.
— Leve-a para casa em segurança, EV, — Poe disse, pulando pra trás da
nave enquanto ela começava a se mover. Achou que ouviu a droide
responder afirmativamente, mas qualquer palavra se perdeu, abafada pelo
som dos motores da nave enquanto ela se dirigia para o espaço aberto.
Poe achou que viu Zorii acenar adeus enquanto a nave acelerava para
fora das portas do hangar, mas poderia muito bem ter imaginado. Não teve
muito tempo para ponderar, também, pois ouviu um barulho que só poderia
significar uma coisa.
— Você não vai sair dessa nave tão facilmente, — Sela Trune disse,
com uma expressão aguda em seu rosto machucado. O seu blaster estava
apontada diretamente para a cabeça de Poe. — E se você sair, não vai
respirar.
Era um impasse.
Poe segurava o seu blaster, que estava apontada para Sela Trune, a
focada e rigorosa oficial da Nova República que também estava com o
blaster apontado pra ele. Sentia-se tonto, febril e fraco pela lesão que
Ledesmar lhe infligira mais cedo. Se Trune disparasse primeiro, devolveria
a gentileza. E vice-versa. A destruição mútua não parecia a melhor maneira
de garantir uma vida saudável.
— Seja lá o que você quer, já foi, — Poe disse, sinalizando com a
cabeça para as portas do hangar que se fechavam. — As suas naves
provavelmente poderiam alcançá-la, mas duvido que queiram deixá-la aqui
neste balde enferrujado.
— Você fala como um criminoso experiente, Poe, — Trune disse, dando
um passo à frente. — Eu me pergunto o que o seu pai, ou L'ulo L'ampar,
diriam se te vissem agora, fazendo ameaças veladas contra alguém que
serve o mesmo lado que eles. O mesmo lado que Shara Bey serviu.
Poe se lançou em direção a Trune. Não percebeu que estava fazendo
isso até estar bem no caminho, com o blaster erguido e o punho se movendo
em sua direção. A menção de sua mãe foi o suficiente para chocar um nervo
já desgastado num acesso de raiva. O que Sela Trune sabia sobre a sua vida,
sobre as pessoas que lhe eram queridas? Ou por que havia fugido de Yavin
4?
O que lhe dava o direito?
O seu punho fez contato com o ombro de Trune, fazendo-a recuar e
derrubando o seu blaster para fora de alcance. Ela se recuperou rápido,
batendo a palma embaixo do queixo de Poe, fazendo a sua cabeça se
inclinar pra trás e afrouxando o seu aperto na blaster. Eles se encararam,
ambos feridos, apenas as mãos para se defender. Irados, exaustos, mas não
mortos.
— Escolhi mal as palavras, Dameron? — Trune disse, com o sorriso
cínico em seu rosto quase fazendo Poe atacar novamente. Quem era essa
jovem? Por que ela tinha uma obsessão por ele e pelos Contrabandistas de
Especiarias de Kijimi? — Dói imaginar as pessoas que você se importa
aprendendo como seu garoto de ouro deixou a casa para se juntar a um dos
mais mortais novos sindicatos do crime na galáxia? Você achou que eles
eram apenas comerciantes amigáveis em busca de uma saída de Yavin
Quatro? Certamente você não pode ser tão burro.
— Não é o que você pensa, — Poe disse, envergonhado por sua própria
defensividade. — Eles são amigos.
— Os seus amigos se foram, — Trune disse. — Exceto pela garota que
você mandou embora. Vigilch, Gen Tri, Marinda Gan, todos são vítimas
dessa missão insana em que você está. Eu teria saboreado prender cada um
deles. Mas estou presa a você, um garoto que perdeu o caminho.
As palavras dela feriram Poe porque sentiu a verdade nelas. Por mais
que quisesse pensar que ela estava mentindo, Trune não precisava enganar
Poe. Os outros estavam mortos. Cometera um erro ficando, e poderia pagar
por isso com a sua vida ou a sua liberdade.
Poe puxou o seu braço pra longe, mas uma força maior os derrubou. A
nave afundava, com o seu equilíbrio comprometido, as embarcações no
hangar se movendo junto com a queda gravitacional, enviando todo o
espaço para um caos completo. Trune recuperou o equilíbrio primeiro, mas
não alcançou o seu blaster; em vez disso, falou em seu pulso com uma
urgência que preocupou Poe.
— O que está acontecendo? — Trune disse. — Relate.
Um homem com voz apressada gritou do outro lado.
— A nave não tem muito tempo, — ele disse. — Acho que a atingimos
muito forte, parece que está se despedaçando, Oficial Trune...Precisamos
tirar você, junto com a sua equipe.
— Eu tenho um prisioneiro, — Trune disse. — Preciso ser retirada
imediatamente.
— Precisamos de você de volta ao ponto de entrega. Não podemos
enviar outra equipe, novamente, repito, não podemos enviar outra...
Trune cortou a conexão, mas antes que pudesse voltar a sua atenção
para Poe, atingiu-a com a coronha de seu blaster na parte de trás da cabeça.
O suave estalo do impacto fez Poe saber que acertara com força, e a
velocidade com que Trune caiu no chão confirmou que a nocauteou. Se
realmente fosse um contrabandista de especiarias, um pirata do espaço
impiedoso como Trune sugerira tão facilmente, deixara-a ali e correria para
encontrar um jeito de sair da nave que estava rapidamente implodindo. Mas
Poe não conseguiu se forçar a fazer isso. Arrastou Trune para fora da baía
do hangar, gemendo enquanto tentava minimizar os danos que poderia
causar puxando-a consigo. Ao passar pelas portas que Zorii desativara
apenas alguns minutos antes, encontrou os dois oficiais da Nova República
que havia atordoado anteriormente. Um deles estava lentamente se
levantando. Poe falou rapidamente e claramente.
— Eu tenho a sua líder, ela está ferida, — ele disse. — Vocês precisam
voltar ao ponto de entrega ou a sua equipe não conseguirá resgatar vocês.
Não me questione sobre isso se quiser viver.
O oficial acenou com a cabeça enquanto Poe entregava Trune a ele. Poe
notou que o outro oficial atordoado estava despertando.
— Pra onde você vai? — disse o primeiro oficial, ajustando o seu peso
para carregar melhor sua líder. — Você pode vir conosco. Vou mencionar
que você salvou a Oficial Trune.
— Não se preocupe comigo, — Poe disse. — Boa sorte.
O primeiro oficial acenou enquanto ele e o seu colega pegavam Trune e
começavam a descer o corredor, na direção oposta da que Poe precisava ir.

A Garra Lacerada parecia quase dócil enquanto Poe se aproximava da


segunda baía do hangar. Subiu a bordo da nave, dando dois passos de cada
vez enquanto o cruzador Moraysiano perdia o controle a cada momento que
permanecia a bordo. A nave estava se desintegrando, andaimes caindo ao
chão, luzes piscando, portas incapazes de abrir. Isso era um risco, Poe sabia.
A Garra não estava exatamente em ótimo estado quando deixaram Sorgan,
nem pousaram confortavelmente após a manobra de Poe fora do cruzador
Moraysiano.
Ligou a energia e esperou. A nave começou a funcionar, as luzes se
acendendo com um piscar, como um efeito de escurecimento reverso. Ele
fez uma rápida varredura de status. Escudos estavam quase inexistentes. O
hiperespaço funcionava na teoria. Poderia voar. Isso era tudo que Poe
precisava. Pelo menos por enquanto.
Um tremor mais forte. Não parecia que o cruzador estava sob ataque.
Parecia que a nave estava se destruindo, anos de desgaste finalmente vindo
cobrar o seu preço. Enquanto manobrava a Garra pra fora do hangar,
deixou a sua mente vagar de volta aos Contrabandistas de Especiarias, a
Zorii, aquele beijo...a Vigilch e a sua equipe, como nunca mais os veria. Um
choque agudo passou por ele. De arrependimento e desequilíbrio. Não
poderia levar a Garra de volta para Yavin. Aqueles dias haviam acabado.
Mas achava que o melhor a fazer era voar de volta para Sorgan? O seu
instinto dizia que sim. Tinha negócios inacabados. Precisava garantir que
Zorii tivesse voltado em segurança. Precisava vê-la novamente. Esta era sua
vida agora, e independentemente de se lamentar pela jornada até aqui, era o
que tinha para trabalhar.
Uma rápida varredura da periferia mostrou a Poe que as naves da Nova
República haviam se apressado e partido, escapando para cuidar de seus
feridos e evitar uma enorme explosão. Um bom conselho, pensou. Levou a
Garra para o espaço aberto e deixou os propulsores guiar a nave danificada
o mais longe possível do imenso cruzador Moraysiano antes de acioná-lo
para o hiperespaço.
— E lá vamos nós, — Poe sussurrou para si mesmo enquanto a nave
espacial gemia ao entrar no salto.

As visões passaram rapidamente enquanto a Garra Lacerada se lançava de


volta a Sorgan, lampejos do passado. Memórias e sonhos se misturavam
como uma visão febril.
A sua mãe, segurando-o contra o peito, seu braço mole, despedaçado.
Na A-Wing, com as suas mãos repousando sobre as dele, mostrando-lhe
a sutil arte do rolamento. Inclinou-se pra trás; os seus olhos se encontraram,
um sorriso caloroso em seu rosto. Os seus lábios beijando a parte de trás de
sua cabeça. Mãe.
— Eu me pergunto o que o seu pai diria. — As palavras de Trune
ecoaram em sua cabeça, mudando as visões de nostálgicas para sombrias.
Estava de volta a Yavin 4, cara a cara com o seu pai. Ambos os homens
gritavam, seus rostos vermelhos e exaustos do esforço. Ambos lutando uma
batalha impossível da qual se recusavam a se afastar.
— Eu não vou deixar você fazer isso consigo mesmo, Poe, — Kes
Dameron disse, batendo o punho em sua pequena mesa de jantar. — A
guerra acabou. Não precisamos de mais jovens se sacrificando.
— Mas você se sacrificou, pai, — Poe respondeu em sua cabeça, como
havia feito muitas vezes antes. — Você e mamãe serviram à Rebelião.
— Isso é passado! — Kes gritou, e o sonho mudou, de volta ao cruzador
Moraysiano, enquanto Poe golpeava a parte de trás da cabeça de Sela Trune
com a coronha de seu blaster, nocauteando a oficial da Nova República.
Atacara alguém que servia à mesma causa pela qual os seus pais lutaram, e
pra quê? Pra escapar da nave como um fugitivo, incapaz de voltar pra casa?
— Não ainda, — Poe disse a si mesmo.
Poe sentiu um grande peso sobre os ombros enquanto trazia a Garra
Lacerada para baixo na superfície lamacenta de Sorgan, o acampamento
dos Contrabandistas de Especiarias ainda intacto apesar da perda de tantos
apenas algumas horas antes. Poe olhou para a superfície, meio esperando
não ver ninguém, mas em vez disso avistou duas figuras esperando por ele
enquanto desembarcava. O sorriso cansado e pálido de Zorii era uma visão
bem-vinda. Menos acolhedor era o olhar desgastado e predatório do homem
conhecido como Tomasso. Enquanto a expressão de Zorii parecia quase
jubilosa ao ver Poe e a Garra, o olhar de Tomasso era cauteloso e
desdenhoso. Poe ansiava para saber quais pensamentos ocupavam espaço
na cabeça do homem mais velho e o que havia sido informado sobre as suas
lutas a bordo do cruzador Moraysiano.
Ele logo descobriria.
Poe puxou o seu longo e grosso casaco mais apertado em seu corpo
enquanto subia a escadaria íngreme. As fortes rajadas de vento ameaçavam
derrubá-lo e Tomasso dos degraus precários enquanto subiam até o topo da
montanha. Os olhos de Poe estavam lacrimejando por causa dos ventos
cortantes, e apertou os olhos para evitar que mais sujeira entrasse neles.
Tomasso, por outro lado, parecia impassível, subindo as frágeis escadas
como uma criança atrás de um brinquedo. As Montanhas Marimkes, das
quais Poe e Tomasso estavam escalando o pico mais alto, eram o único
marco notável na verdadeira terra devastada que era o planeta Elkeenar do
sistema Penagosis, que estava tão fora do radar quanto alguém poderia ficar
na galáxia conhecida. Isso agradava a Poe Dameron.
Fazia três meses desde o seu sangrento encontro com Sela Trune e
Ledesmar no cruzador de batalha Moraysian, e Poe ainda se sentia
atordoado por isso. As perdas ainda doíam, Vigilch, Marinda Gan e Gen
Tri, e a dúvida que surgiu após essas perdas ainda não havia desaparecido.
Não lutava mais pra saber se tomara a decisão certa de deixar Yavin 4,
apenas lidava com as consequências, que eram fortes e sempre presentes.
Momentos depois que Poe pousou a sua nave, a Garra Lacerada, no
planeta pântano Sorgan, Poe e Zorii Wynn foram levados para inúmeros
esconderijos dos Contrabandistas de Especiarias pela Orla Exterior, alguns
dias aqui, uma semana ali, nunca mais do que isso. Os Contrabandistas de
Especiarias sabiam que estavam nos sensores da Nova República, Tomasso
explicou, e os seus números haviam diminuído após a batalha com
Ledesmar. Era hora de se reorganizar e aprender durante o processo.
— Acelere o passo, Poe Dameron, — Tomasso gritou do topo das
escadas improvisadas, fazendo um sinal para Poe. — Não temos muito
tempo.
Tempo. Poe uma vez pensou no tempo como um rio fluente,
interminável e sempre em movimento. Mas as mortes de seus amigos
haviam desacelerado o fluxo a um gotejar. Cada segundo contava mais.
Cada momento se movia um pouco mais rápido do que gostaria. Durante
anos, viveu a vida como uma tarefa repetitiva e drenante de alma, as
mesmas coisas, as mesmas pessoas, a mesma lua. Amava o seu pai e a sua
família, claro. Os seus amigos e rotinas. Mas ansiava por algo diferente e
mais vibrante. Conseguiu em grande medida. Agora, não tinha certeza de
onde colocaria a cabeça pra dormir de uma noite pra outra, se estaria
pilotando a Garra Lacerada numa batalha intensa ou assando carne de nerf
sobre uma fogueira num dia qualquer. Foi de zero a um sistema numérico
completamente diferente num minuto, apenas concordando em pilotar a
Garra Lacerada para fora de Yavin 4.
Enquanto segurava o corrimão e se puxava para o topo da montanha,
encontrou Tomasso parado perto, parecendo relaxado, como se escalar uma
enorme rocha fosse apenas mais uma tarefa rotineira na vida do segundo em
comando dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi. Eles estavam em
Elkeenar havia alguns dias, principalmente trabalhando na Garra e
esperando notícias de Kijimi, que naturalmente chegaria primeiro a
Tomasso e se filtraria lentamente para Poe e Zorii.
Poe se lembrou daquele momento no cruzador Moraysiano. Foi uma
decisão espontânea, inclinar-se e beijá-la. Naquele momento, parecia certo e
ainda parecia certo. Mas Poe não era exatamente experiente nas questões do
coração, e provavelmente conseguiu estragar as coisas de alguma forma.
Havia bagunçado relacionamentos com pessoas antes. A sua dinâmica com
Zorii não havia mudado, exatamente. Houve outros momentos íntimos,
mãos entrelaçadas, beijos prolongados, olhares rápidos de desejo, mas
pareciam mais uma extensão do calor que sabia que compartilhavam, não
necessariamente um sinal do que estava por vir.
Poe afastou os pensamentos enquanto se aproximava de Tomasso. Essas
coisas se resolveriam por conta própria, quer quisesse ou não, e por mais
que se importasse com Zorii, não podia fazer com que fossem algo
diferente.
Alcançou o homem mais velho e acenou com a cabeça, tentando não
parecer tão ofegante e exausto quanto se sentia.
— Aqui estamos, — Poe disse. — Você queria conversar? Não tem
lugar mais isolado que este.
Tomasso assentiu e Poe o seguiu em direção a uma pequena estrutura
semelhante a uma cabana. O espaço interno era árido e não muito mais
quente que o exterior. Tomasso pegou uma pequena cadeira e fez sinal para
o Poe ocupar o único outro assento. Por um breve momento, Poe se
perguntou se aquele era o fim, se Tomasso o havia levado ali para matá-lo e
resolver o problema persistente com que os Contrabandistas de Especiarias
estavam lidando desde Yavin 4. Mas tentou ignorar o pensamento. Se isso
fosse verdade, já seria tarde demais para evitar.
— Sente-se, sente-se, — Tomasso disse. — Não se preocupe. Vim aqui
para elogiá-lo, não para puni-lo.
Poe tentou não exalar muito alto. Começou a admirar o contrabandista
envelhecido nos últimos meses, primeiro por pura intimidação, depois por
um respeito nascido das longas horas passadas observando o líder em ação.
Tomasso agia da forma como esperava que os outros agissem e parecia
tratar todos, desde os membros mais baixos da organização até a única
pessoa acima dele, com o mesmo nível de cuidado e gentileza. Mas havia
uma borda afiada sob o exterior suave, que era realmente digna de um
ladrão. Se podia respeitar Tomasso, mas nunca poderia confiar plenamente
nele. A definição de um malfeitor, pensou Poe enquanto olhava para o
homem à sua frente.
— Estranha maneira de mostrar isso, Tomasso, — Poe disse, coçando a
barba irregular que começara a crescer em seu rosto. — Você me deixou
preocupado por um segundo. Talvez mais.
— Compreensível, — Tomasso disse. — Mas não. Estamos bastante
felizes com o seu trabalho, e com o de Zorii. Vocês dois têm um grande
futuro como membros de nossa organização em crescimento. A nossa líder
tem um interesse muito especial por este pequeno, mas ativo ramo dos
Contrabandistas de Especiarias.
— Bem, eles te mandaram aqui pra nos treinar, então isso é um bom
sinal, — Poe disse. — Certo?
— De fato, como você deve ter notado, é o meu dever garantir que você
e Zorii aprendam as ferramentas do comércio pra que possam não apenas
servir bem os Contrabandistas de Especiarias agora, mas também no futuro,
— Tomasso disse, acenando com a cabeça. — Há também a questão da
confiança.
— Confiança?
— Sim, sim. Os eventos dos últimos meses foram preocupantes além da
contagem de mortos, entende, — Tomasso disse, torcendo os lábios. —
Aquele conhecimento, do que você e a equipe estavam fazendo, e quem
estavam perseguindo, era conhecido apenas por um pequeno círculo
restrito. Pela líder dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi, eu mesmo
e os seus colegas imediatos.
Poe deixou as palavras de Tomasso penetrarem. O velho ladrão estava
sendo muito claro. Alguém traiu os Contrabandistas de Especiarias, e essa
pessoa era alguém que Poe conhecia e com quem trabalhava de perto.
— Mas por que alguém nos trairia pra acabar morto? — Poe perguntou.
— Se fosse Vigilch, Gen Tri ou Marinda Gan, eles se foram. Morreu
lutando contra Ledesmar e Trune. Parece uma recompensa não muito boa
para uma traição arriscada, sabe?
— Esse é o mistério, jovem Poe, — Tomasso disse, com uma risada
seca cruzando os seus lábios ressecados. — Quem, de fato? Não tenho
razão para duvidar de suas lealdades. Certamente não duvido das da jovem
Zorii Wynn. Então isso levanta a questão, o traidor foi duplamente traído de
alguma forma? Ou...
Poe esperou, mas o homem mais velho hesitou na palavra. Depois de
alguns momentos, continuou, com a voz ficando rouca e áspera.
— ...a dupla traição ainda está por vir?
— Esta estação poderia usar um pouco de animação.
Poe e Zorii reviraram os olhos um para o outro enquanto a EV-6B6 os
seguia pelo caminho central da Estação de Ankot, que levaria, de acordo
com os esquemas que Tomasso havia passado a eles, a um grande passeio.
Já faziam alguns dias desde a fria, em termos de temperatura e de humor,
reunião com o seu líder, e era bom estar longe de Elkeenar e das
maquinações dos Contrabandistas de Especiarias, mesmo que Poe estivesse
novamente no escuro quanto ao motivo de estarem fazendo o que estavam
fazendo.
Eles caminharam lentamente, com os seus passos ecoando pelo corredor
sinuoso. A Estação Ankot havia visto de tudo, mesmo de seu ponto de vista
no limite interno da Orla Exterior. Uma vez uma base de tráfego intenso
para o Império Galáctico, após as Batalhas de Endor e Jakku, caiu sob o
controle de várias gangues de contrabando de especiarias antes de ser
formalmente dominada pela Nova República. Mas o controle era apenas
nominal, como Zorii não hesitou em esclarecer para Poe.
— A Nova República não pode patrulhar tudo em todo lugar, — ela
disse com desdém. — Eles não têm tempo ou energia para se importar com
a Orla Exterior. Certamente você já sabe disso.
Poe deu um golpe amigável em seu tronco. Ela afastou a sua mão
brincando antes de se inclinar pra ele, com os seus lábios pousando
suavemente nos dele. O beijo foi terno, mas breve, terminando enquanto
Poe se afastava por um momento. Eles se olharam brevemente e hesitaram,
se afastando e continuando o seu caminho, como se o beijo tivesse sido um
curto desvio. Poe tentava não se concentrar tanto nesses sinais perdidos,
mas algo não havia acontecido após aquele beijo no cruzador Moraysiano
condenado. Embora os sentimentos estivessem lá, e às vezes se
encontrassem em contato íntimo, raramente evoluía além disso, como se
fosse interrompido por alguma barreira invisível. Poe não tinha certeza se a
havia levantado ou se ela tinha, mas estava lá, e estava incerto sobre como
superá-la.
Em seus momentos mais sombrios, sozinho, deitado na cama que
chamava de sua numa noite qualquer, Poe se perguntava se era hesitação
que surgira daquele momento na ponte Moraysiana, quando Gen Tri lhe
ordenou disparar nas naves da Nova República e hesitou por um segundo
ou dois a mais, o suficiente para Marinda Gan intervir. Zorii o considerava
fraco? Ou talvez não leal à sua causa? Possivelmente, pensou Poe.
Possivelmente porque era verdade.
Como se respondesse aos seus pensamentos, Zorii agarrou a sua mão,
com os seus dedos se apertando ao redor da dele por apenas um momento e,
em seguida, os liberando, e isso significava algo, Poe sabia. Os seus olhos
se encontraram. Zorii lhe deu um sorriso travesso.
Estava claro pra Poe que Zorii se deleitava com a vida que levavam,
fugindo da Nova República, saltando de base em base, aprendendo os
truques de comércio com um dos melhores ladrões da galáxia, Tomasso, e
recebendo ordens diretamente do topo da cadeia alimentar dos
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi. Isso era o que Zorii sonhara
desde o nascimento, e ela não hesitou em dizer a Poe isso quando tinham
momentos juntos, deitados ao redor do fogo e compartilhando histórias de
sua infância, na cadeira do piloto da Garra Lacerada enquanto Poe guiava
as mãos de Zorii sobre os controles, ou quando Zorii mostrava a Poe as
várias ferramentas em seu kit de arrombamento compacto, mas versátil.
Com o tempo, ela se tornara uma piloto mais do que competente, e ele
conseguia fazer uma imitação razoável de um trapaceiro.
— É meio estranho estarmos aqui, sozinhos, — Poe disse, com os seus
olhos percorrendo a estação espacial. — Quero dizer, além de EV.
— Estou muito feliz por estar aqui com você, — EV-6B6 piou. — É
realmente um...
— Tomasso confia em nós, — Zorii disse enquanto continuava a guiá-
los pelo caminho. — Isso significa muito.
Tomasso, apesar de sua posição lendário entre os ladrões e dentro da
gangue dos Contrabandistas de Especiarias, havia se tornado um pouco
como um pai adotivo bem-humorado pra eles, lidando com os seus
humores, maus hábitos e peculiaridades com um sorriso constrangido e
paciência inesperada. Mas quando os negócios chamavam, ele rapidamente
voltava ao papel de Tomasso, o segundo em comando dos Contrabandistas
de Especiarias de Kijimi, e abandonava o ato de pai carinhoso. Zorii e Poe
perceberam a mudança ocorrendo mais cedo naquela manhã, quando ele
pediu que se encontrassem do lado de fora de seu galpão em ruínas para
discutir suas ordens.
— Espero que encontremos esse cara rápido, — Poe disse. — Este lugar
não é o que eu chamaria de aconchegante.
'Esse cara' era um contrabandista notório chamado Alfris Sotin, que
havia informado aos Contrabandistas de Especiarias e a vários outros
compradores potenciais, Tomasso tinha certeza, que ele tinha conseguido
um grande suprimento de raiz chak e um estoque de armamentos e naves
imperiais 'em condição de nova', aparentemente esquecidos numa área de
armazenamento que apenas Sotin poderia acessar. Sotin era um Fiumariano,
com uma pele pálida e rosada, olhos sem pupilas e uma longa testa
inclinada. Pelo que Tomasso havia contado a eles, os Fiumarianos também
eram enganosamente rápidos e hábeis em fechar negócios, com a sua
capacidade de permanecer neutros mesmo nas negociações mais acaloradas
servindo-os bem como diplomatas e contrabandistas.
O objetivo era negociar um preço adequado com Sotin e, em seguida,
relatar a Tomasso e ao resto dos Contrabandistas de Especiarias, que viriam
coletar a frota. Então, com apenas um negócio, a organização daria um
grande salto em termos de tamanho e poder de fogo, o tipo de
desenvolvimento que poderia alterar o submundo criminoso da galáxia por
gerações. Mas Tomasso foi claro ao sair sobre a possível desvantagem.
— Uma coisa que você aprenderá com o tempo é que muitas vezes um
negócio parece bom demais pra ser verdade, — Tomasso disse, juntando as
mãos. — E isso é porque é. Tenha cuidado. Ouça e seja paciente. Se algo
parecer estranho, dê um passo atrás, reconsidere e espere.
O aviso de Tomasso ecoava na mente de Poe enquanto chegavam ao
final do corredor. Não tinha certeza do porquê.
— Parece que estamos nos aproximando do ponto de encontro, Mestre
Poe e Senhora Zorii, — EV-6B6 disse, diminuindo o passo. — Acredito que
há um...
— Eu o vejo, — Poe disse. Ele quase havia aprendido a tolerar o droide,
mas em momentos como aquele, ele se arrependia de ter salvo aquele
pedaço de metal. Ele realmente não estava a fim de ter cada passo da
jornada narrado por uma máquina animada. — Fique pra trás e deixe Zorii e
eu lidarmos com isso.
— Certamente. Estou aqui pra servir, — EV-6B6 disse com um salto
alegre que parecia fora de lugar.
A figura estava no final do passeio abandonado, vitrines vazias e
maquinário ultrapassado espalhando-se por um espaço que outrora abrigara
uma área comum vibrante e ativa. A estação, abandonada há anos, mudara
de mãos tantas vezes que havia marcas e sinalizações dos muitos regimes
que a controlaram, propaganda imperial, otimismo da Nova República e a
linguagem direta e básica de barganha dos contrabandistas e ladrões.
Alfris Sotin estava sozinho na borda do calçadão central, magro, de
porte médio, com os seus membros longos e quase escorregadios. Os seus
olhos escuros se moviam rapidamente enquanto Poe e Zorii se
aproximavam, com um sorriso sarcástico em seu rosto. As suas roupas eram
largas e simples, o macacão cinza dava a impressão de um prisioneiro ou
paciente médico, pensou Poe.
— Ah, os lendários Contrabandistas de Especiarias me enviaram os seus
melhores filhotes, eh? — ele disse com um sorriso arrogante. — Fico feliz
que pudemos fazer isso acontecer em tão pouco tempo. Tomasso parecia
muito intrigado com a minha oferta.
— Nós todos estamos, — Zorii disse, avançando. — Temos o seu
pagamento. Onde estão as naves?
Poe sabia que ela iria liderar as negociações. Era sua área de
especialização, não a dele. Mesmo assim, sua inquietação crescia à medida
que se aproximavam do contrabandista.
— Paciência, paciência, jovem senhora, — Sotin disse, acenando com a
mão. — A arte do negócio e tudo mais. Parte da diversão é a conversa, não
acha?
— Não realmente, — Zorii disse, com o seu tom apagado e todo
profissional. — Você nos pediu, viemos. Agora vamos negociar. Não é esse
o seu negócio, contrabandista?
— Oh, contrabandista, que palavra tão suja, — Sotin disse com uma
careta, balançando a cabeça. — Eu prefiro negociante ou facilitador. Eu
junto pessoas, ou trago coisas para as pessoas que as querem, é só isso.
Ouvi através dos meus canais que os Contrabandistas de Especiarias de
Kijimi poderiam estar em busca de, bem, um pouco mais de poder de fogo,
digamos? Preparando-se para uma grande batalha, estamos?
— Por que se importa? — Poe disse, colocando-se na frente de Zorii. —
Vamos apenas fazer o negócio como oferecido e seguir o nosso caminho.
Arrependeu-se quase imediatamente. Havia arruinado o impulso dela.
Sentiu a mão dela em seu ombro.
— Deixe que eu cuide disso, Poe, — ela sussurrou em seu ouvido. —
Tudo bem?
Acenou com a cabeça. Ela o empurrou gentilmente para trás e se
aproximou do Fiumariano.
— Por favor, perdoe o meu, hum, parceiro, — ela disse. — Ele está um
pouco ansioso.
— Isso acontece, especialmente com um tão jovem, — ele disse. —
Não se preocupe.
Olhou ao redor do calçadão. O seu comportamento era esquivo e
estranho, pensou Poe. Algo estava acontecendo.
— Podemos discutir os próximos passos? — Zorii disse, tentando
empurrar a conversa para frente. — Estamos prontos para ajudá-lo. Você
pode retribuir o favor? Vamos acabar com isso.
Sotin sorriu o seu sorriso desconcertante, a profunda escuridão de seus
olhos quase hipnotizante. Ele parecia achar graça com a impaciência de Poe
e Zorii. Este Fiumariano conhecido por sua habilidade em negociações e
rapidez em fechar negócios parecia contente em se recostar e assistir
enquanto eles se contorciam.
Isso deu a Poe um momento para escanear a base ao redor deles, a
arquitetura em ruínas e as paredes e pisos mal cuidados. Parecia algo
descartado, apenas puxado do lixo e limpo na esperança de salvação. Um
ponto isolado onde dois grupos de ladrões se encontravam para fazer
negócios e tentar sobreviver na selva galáctica que ambos chamavam de lar.
Krat. Scritch. Scrit.
Os ruídos pareciam os sons habituais de máquinas espaciais rangendo,
Poe tentou se dizer, apenas reverberações padrão, sem nada para se
preocupar. A estação era velha, caindo aos pedaços. Mas seu instinto dizia
outra coisa. O seu instinto gritava uma palavra:
Corra.
— EV, que barulho é esse? — Poe sussurrou para o seu companheiro
droide enquanto Zorii continuava tentando fazer Sotin fechar o negócio. —
Você ouve isso?
— Sim, ouço, mas decidi manter os meus comentários pra mim,
baseado em como os meus últimos...
— EV, pare com isso, ok? — Poe sibilou. — Não há tempo para ficar
triste. Você consegue ouvir os sons ou não?
Poe olhou para cima e viu Zorii se virando, com o seu rosto tomado
pelo pânico.
— O que foi? — Poe perguntou. — O que está acontecendo?
— É uma armadilha, — Zorii disse.
— Oh, não leve isso tão para o lado pessoal, — Sotin disse. — Você não
pode estar surpresa, pode?
— Sotin, — Zorii disse. — O que está acontecendo aqui?
— Ele nos traiu, — Poe disse. — Você nos entregou?
— Sou um homem de negócios, sabe. Então, quando os Guavianos me
ofereceram uma quantia considerável, bem, fez sentido. Quero dizer, estou
em bastante dívida com eles, então...
As palavras enviaram uma onda de terror pelo corpo de Poe. Em seus
meses com os Contrabandistas de Especiarias, teve uma rápida introdução
ao cenário criminoso da galáxia, desde os Pykes até o Império Hutt e outros
grupos de contrabandistas. Tudo parecia bastante intuitivo. Embora a
maioria das gangues, apesar de serem concorrentes, tivesse um certo
entendimento de como se encaixavam com os outros, a única exceção era a
Guaviana da Gangue da Morte, uma cabala expulsa dos Mundos Centrais
por outros ladrões, assassinos e caçadores de recompensas. Eles eram ruins
demais para serem considerados parte dos vilões, pensou Poe enquanto
Tomasso contava a história. Os soldados Guavianos passavam por
procedimentos cirúrgicos para aumentar os seus atributos físicos com
implantes cibernéticos, reservatórios mecânicos que bombeavam produtos
químicos em suas correntes sanguíneas para amplificar a sua raiva e
velocidade. O mais assustador de tudo, os membros da Gangue da Morte
não faziam muito barulho ao se aproximar, comunicando-se entre si por
meio de algum tipo de comunicador de alta frequência.
Era tarde demais, Poe percebeu ao olhar ao redor e ver as figuras
vestidas com armaduras vermelhas cercando-os. O som que Poe e EV-6B6
ouviram era o arrastar das botas metálicas dos Guavianos no chão coberto
de cascalho da estação espacial, a única pista de que esses assassinos sem
rostos estavam vindo atrás deles.
Mas por quê? Poe se perguntou. Para qual finalidade? O que eles
tinham que os Guavianos queriam? E quem, além de Tomasso, sabia que
estavam vindo?
— O que vocês querem? — Poe perguntou. — Qual é o significado
disso?
Uma risada estridente escapou dos lábios pálidos de Sotin.
— Entregue a garota, — Sotin disse enquanto o membro líder da
Gangue da Morte, seu rosto completamente coberto, inclinando-se
levemente enquanto apontava para Zorii, avançava. — E tenho certeza de
que eles tornarão sua morte menos dolorosa. — Zorii. Eles estavam atrás de
Zorii Wynn.
— Eu estou nesse jogo há muito tempo, jovem, — Sotin disse a Poe. — Se
eu me importasse com você ou com a sua linda amiga, eu pediria desculpas.
Sotin respirou satisfeito antes de continuar.
— Eu não me importo. Este bom ato me tirou de uma situação
complicada que eu devia aos nossos amigos silenciosos aqui, — ele disse.
— E isso vale muito mais do que qualquer relacionamento com os
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi ou Tomasso.
— Isso não é muito legal, — EV-6B6 disse, balançando a cabeça. —
Você não parece uma boa pessoa.
Antes que os Guavianos, cerca de seis deles, pudessem começar a se
aproximar, Zorii já estava em movimento, atirando primeiro. Era em
momentos como esses que Poe se sentia mais próximo dela, via o fogo em
seus olhos e admirava como ela hesitava pouco na hora de agir.
Zorii apontou o seu blaster acima da multidão e disparou três tiros
rápidos. As explosões soltaram pedaços do teto malfeito da base, enviando
fragmentos de gesso e metal em direção a eles. Poe e Zorii conseguiram se
lançar para trás enquanto os detritos começavam a cair. Não era suficiente
para desabilitar os Guavianos, isso provaria ser um desafio maior em
qualquer dia, mas lhes deu a única coisa que precisavam desesperadamente:
uma vantagem.
— Vá, vá, — Zorii disse, puxando Poe pelo braço, liderando-o e EV-
6B6 por um outro corredor oposto ao que haviam entrado.
— Não temos muito tempo.
— Boa jogada com o teto, — Poe disse, ofegante, tentando acompanhar
o ritmo. — Mas odeio lembrá-la de que este não é o caminho que viemos, a
Garra está na outra direção.
— Eu sei, — ela disse, se virando e disparando alguns tiros apressados
na direção oposta. — Não estamos indo pra trás.
Os tiros fizeram uma série de portas se fecharem, o que só atrasaria os
Guavianos por alguns momentos, mas isso poderia ser suficiente.
Parece que estamos indo em direção ao terminal de controle central,
mas devo lembrá-la, Senhora Zorii...
EV-6B6 não teve a chance de terminar a frase antes que Zorii cortasse
para a esquerda em outro corredor. Poe sabia que não era hora de questioná-
la. Mesmo com as distrações e os tiros bem...cronometrado, ainda podia
ouvir os Guavianos se aproximando. Não podiam correr o risco de serem
capturados. Ser pego era uma sentença de morte: execução imediata para
Poe e EV-6B6, e algo mais longo e doloroso para Zorii, dependendo do
motivo pelo qual estavam atrás dela e quem estava pagando para levá-la.
O que há de tão especial em Zorii Wynn? pensou Poe enquanto
chegavam a um conjunto de portas duplas grossas. Não se tratava apenas
dos Guavianos caçando-a. Eram outras coisas menores também. Um
comentário feito por Tomasso em passagem. Gen Tri pedindo a Poe para
garantir que Zorii voltasse a Sorgan em segurança. Um olhar cúmplice entre
Gen Tri e Vigilch a bordo da Garra Lacerada.
Tentou ignorar as peças flutuando à sua frente. Certamente deveria
saber qual era seu segredo até agora. Eles estavam tão próximos, mais do
que amigos. Ela sabia tudo sobre Poe Dameron, mas sabia tudo sobre Zorii?
Ela se ajoelhou na frente de um pequeno terminal à direita das portas e
puxou o seu kit de arrombamento. Os Guavianos estavam a cerca de dez ou
quinze segundos de distância, Poe supôs.
— Vou tentar te dar cobertura, — disse ele, virando-se para enfrentar o
corredor vazio. — EV, ajude Zorii com o que ela precisar.
— Eu cuido disso, — ela disse, aplicando as suas ferramentas nos fios
expostos e com falhas. — Deixe-me me concentrar.
A Estação Ankota era velha e desgastada, o que significava que não
seria um simples trabalho de reestruturação, transferindo energia de uma
área da base para outra para executar um comando dado, como 'abrir essas
portas', seria preciso um pouco mais de habilidade. Poe não tinha certeza se
tinham tempo para isso.
Os passos estavam ficando mais altos. Algumas explosões aleatórias.
Então um grande grupo de formas vermelhas, se virando e percebendo que
os seus alvos haviam ido para a esquerda.
— Eles nos veem, — Poe disse, agachando-se e abrindo fogo. — E isso
é ruim, caso eu precise lembrá-los.
Os Guavianos tomaram as suas posições e revidaram. Poe tinha pouco
espaço para se esconder, uma pequena parede recuada sendo o único abrigo
que conseguia. Mas Zorii estava completamente exposta. Ela parecia
indiferente à onda de tiros que se aproximavam, com os seus olhos fixos no
painel, pequenas faíscas azuis piscando de suas ferramentas enquanto
tentava diferentes métodos para abrir as portas.
— Quando você estiver pronta, Zorii, — disse Poe enquanto se
inclinava e disparava uma rápida rajada de fogo, atingindo um dos
Guavianos à frente. Mas teve pouco efeito, já que o alvo se levantou
momentos depois.
— Eles não parecem estar levando muito dano do seu blaster, Mestre
Poe, — EV-6B6 disse. — Talvez devêssemos tentar algo diferente? Apenas
uma sugestão.
— Sim, EV? O que você sugere? Talvez eu deva usar o canhão laser
que estou segurando na reserva?
— Estou apenas tentando ser útil, — EV-6B6 disse, com a sua voz
estranhamente tranquilizadora. — Mas vejo que as minhas palavras
tornaram isso mais estressante para você. Sinto muito.
Antes que pudessem continuar, um forte assobio os interrompeu. Poe se
virou rapidamente ao ver Zorii correndo pelas portas abertas para o terminal
de controle principal. Ela fazia gestos para que o seguissem.
— Rápido, antes que eles nos alcancem, — ela disse. — Consegui abrir,
mas não tenho certeza se poderei fechar as portas a tempo.
Eles a seguiram. Poe se virou rapidamente e fez o possível para dar
cobertura a ela, mas os Guavianos estavam vindo com força e rapidez. Poe
levou um tiro lateral, com o seu braço ardendo com o quase impacto.
Disparou mais alguns tiros, mas os Guavianos haviam desistido da
guerra de trincheiras. Em vez disso, estavam se aproximando da porta,
ignorando os tiros da blaster de Poe. Alguns cairiam, mas os outros
continuariam avançando, incansáveis.
— Eles não estão parando, — Poe disse, com os seus nervos
transparecendo num tom musical que ele odiava. — Isto não é bom.
— Poe, fique quieto, — Zorii respondeu, sem olhar pra ele. Ela se
inclinou sobre o terminal, com os cotovelos projetados em ângulos
estranhos, a testa franzida. — Eu...quase...
Um dos Guavianos cruzou o limiar. Poe o atingiu com um tiro, mas
outro ocupou o seu lugar. Era assim que tudo terminaria, Poe supôs.
Cercados por um bando de assassinos numa estação espacial morta, em
busca de armamentos imperiais que nunca existiram.
— Consegui!
As portas se fecharam numa velocidade acelerada, as enormes placas de
metal esmagando a perna do Guavian infeliz, deixando a parte inferior na
sala de controle com eles, enquanto o resto se contorcia de dor do outro
lado.
A perna revestida de vermelho espalhou sangue nas portas enquanto
deslizava para o chão com um som vazio.
— Isso é nojento, — Poe disse, desviando o olhar.
— De nada, — Zorii disse enquanto se afastava mais na sala. — Não
temos muito tempo. Eles vão se reagrupar e encontrar outra forma de entrar.
Poe alcançou Zorii e colocou uma mão em seu ombro. Ela o afastou,
surpresa com o toque.
— Zorii, por que esses capangas estão atrás de você? — Poe perguntou.
Ela não conseguiu encontrar o seu olhar, mas ele insistiu. — O que está
acontecendo?
— ’O que está acontecendo?’ — ela disse, virando-se para enfrentá-lo.
— Estou tentando salvar a sua vida, isso é o que está acontecendo. Agora
me deixe fazer o meu trabalho e então você pode fazer o seu, nos levando
para longe desta base maldita.
Poe recuou, mãos levantadas em rendição enquanto Zorii se sentava em
frente a um grande monitor e começava a digitar freneticamente. Foi então
que os barulhos de batidas do outro lado da porta começaram. Depois, o
fogo de blasters. Os Guavianos não eram conhecidos por desistir.
Poe ficou atrás de Zorii, tentando não atrapalhá-la, mas curioso para ver
o que ela estava fazendo. No terminal, havia várias telas de câmeras em
tempo real, mostrando diferentes ângulos e vistas ao redor da base. A
maioria estava deserta, sem pessoas, sem movimento, apenas equipamentos
quebrados e salas vazias. Mas a que ela ampliou e aproximou era familiar, o
corredor que acabaram de evacuar. Mostrava o grupo de Guavianos se
revezando para disparar na porta, enquanto outros pareciam estar
trabalhando numa arma maior, um cilindro longo semelhante a um canhão,
projetado de uma base tripé.
— O que é isso? — Poe perguntou.
— Parece ser algum tipo de ferramenta de perfuração portátil, — EV-
6B6 disse, ao lado de Poe. — Imagino que seja bastante poderosa, o que
significa que estarão aqui rapidamente.
Poe se virou para a droide.
— Você é fã de afirmar o óbvio, né?
— Gosto de ajudar, — disse a droide, sem um vestígio de emoção. —
Só quero ter certeza de que estamos todos trabalhando juntos como uma
equipe. É a melhor maneira de ser. — Poe não respondeu, voltando a sua
atenção para a tela.
— Vamos ver como eles gostam disso, — Zorii disse, pressionando uma
rápida sucessão de teclas, a última com um breve sorriso cúmplice.
Poe se aproximou e assistiu enquanto dois pequenos painéis no teto
acima dos Guavianos se abriam. Momentos depois, uma névoa verde foi
pulverizada do espaço. Não demorou muito para descobrir o que o gás
pretendia fazer. Os Guavianos começaram a ter espasmos, segurando os
seus capacetes e se contorcendo no chão. Após alguns momentos, ficaram
imóveis. Inconscientes ou...?
— Eles estão vivos, — Zorii disse, como se lesse a expressão
preocupada de Poe. Ela se levantou e se moveu para a extremidade oposta
da sala. — Não que eles mereçam viver. Mas eu sei como você pode ficar
enjoado com esse tipo de coisa.
— Como você soube, para fazer isso? — Poe perguntou.
— Estudei os esquemas que Tomasso nos deu, — Zorii disse, olhando
rapidamente para Poe. — E você?
— Onde você está indo? — Poe perguntou, ignorando a pergunta de
Zorii. Ele a seguia, com EV-6B6 alguns passos atrás. — Terminamos. Isso
foi um fracasso. Vamos voltar para a Garra e nos conectar com Tomasso.
Não há nada pra nós aqui.
— Errado, — ela disse, deslizando para outro terminal e digitando
freneticamente. — Temos que pegar o que viemos buscar. Não vou voltar
de mãos vazias.
Poe se aproximou mais dela, tentando fazer contato visual.
— Zorii, era uma armadilha, — Poe disse. — Não há nada aqui.
Precisamos voltar e conversar com Tomasso, ver por que eles estavam atrás
de você em particular. Isso não te preocupa?
Ela encontrou o seu olhar.
— Claro que sim, — ela disse. — Mas também estou preocupada em
não completar nossa missão. Isso não te preocupa?
Ela desviou o olhar e continuou a digitar, verificando a tela acima do
terminal a cada poucos momentos. Depois de um tempo, falou, sem olhar
para Poe ou EV-6B6.
— A nave do Sotin ainda está atracada, — disse ela. — Parece que os
Guavianos o eliminaram enquanto escapávamos.
— Acho que ele se deu mal, afinal, — Poe disse.
— Não poderia ter acontecido com um contrabandista mais agradável,
— ela disse, inclinando-se para checar outra coisa. — Certo, vamos até a
nave dele. Acho que é lá que vamos encontrar as mercadorias.
— Mas por que ele nos traiu e ainda teria o que prometeu? — Poe
perguntou. — Isso parece errado.
— Qualquer contrabandista que vale o seu peso em mirkanite tem
algum tipo de mercadoria com ele, — Zorii disse, levantando-se e batendo
na porta da parede oposta da sala de controle, em frente às portas
deslizantes que haviam esmagado o Guaviano. — Se encontrarmos a nave
dele, encontramos algo de valor, o que garante que esta viagem não foi uma
completa perda de nosso tempo e dinheiro.
Poe não respondeu, permitindo que a sua mente processasse o que
estava acontecendo. O que havia se metido, aquele dia e desde que
concordou em se juntar aos Contrabandistas de Especiarias em Yavin 4.
Zorii percebeu o seu silêncio e continuou, dizendo palavras que
assombrariam Poe Dameron pelo resto de sua vida.
— Temos que pegar o que viemos buscar.

Eles encontraram Sotin, vivo e amarrado, perto da sua nave. O seu rosto
pálido estava machucado e ensanguentado, mas o contrabandista estava
intacto de outra forma. Poe sacou o seu blaster e se aproximou dele, com o
seu próprio rosto avermelhado de raiva.
— Como você conseguiu sair dessa, Sotin? — Poe perguntou.
Sotin olhou pra cima, com os seus olhos vidrados, como se estivesse
acordando de um longo pesadelo.
— Oh, é você, — Sotin disse, tentando forçar um sorriso. — Me
perguntei quem me encontraria. Se alguém me encontrasse.
— Os Guavianos te deixaram morrer? — Zorii perguntou. — Que pena
pra você.
— Oh, não pra morrer, não exatamente. Mesmo os Guavianos têm um
código, minha cara, — Sotin disse. — Eu os avisei sobre você, e eles
acharam que isso era o suficiente pra me deixar viver. Quem sou eu para
discutir?
Poe balançou o cabo de seu blaster na cara de Sotin, o suave estalo da
mandíbula do Fiumariano trazendo-lhe alguma satisfação. Agarrou Sotin
pelo pescoço enquanto a sua cabeça se curvava para frente, sangue
amarelado coberto em sua boca.
— Por que os Guavianos estão atrás da Zorii? — Poe perguntou,
sacudindo Sotin a cada outra palavra. — O que eles queriam?
— Você está louco? — Sotin cuspiu, sua expressão confusa e dolorida.
— Estou perto o suficiente da morte como está. Se eu te contar isso, posso
muito bem pular deste hangar eu mesmo.
Poe empurrou o contrabandista pra trás, observando enquanto a sua
cabeça batia contra o chão frio da estação espacial.
Sentiu a mão de Zorii em seu braço, puxando-o em direção ao robusto
cargueiro Corelliano de Sotin, um G9 Rigger. EV-6B6 já estava subindo os
degraus de carga e entrando na área principal de armazenamento da nave.
— Vamos, — Zorii disse. — Vamos.
Ela parecia mais suave de alguma forma, como se sentisse pena de Poe,
mas também simpatizasse com a sua raiva, ou fosse atraída por ela. Mas
havia algo mais, algo que ficou não dito. Poe tentou afastar isso enquanto
dava meio passo atrás dela.
Ao embarcarem na nave, Zorii se ajoelhou e começou a sentir o chão,
passando a mão por certas áreas, quase como se estivesse limpando. Poe e
EV-6B6 se agacharam e tentaram ver o que ela estava observando, mas não
encontraram nada.
— Um, Zorii? — Poe perguntou. — Você está bem?
— Estou tentando encontrar algo, — ela disse, quase para si mesma. —
Toda nave tem um. Todo contrabandista precisa de um.
— Precisa de... o quê, exatamente?
— Um compartimento secreto, — ela disse, resmungando para si
enquanto os seus dedos se prendiam a algo. — Aí... isso é. Me ajude aqui.
— Um compartimento secreto pra quê, então?
— Poe, você pode pensar por um segundo? — Zorii disse, exasperada.
— Ele é um contrabandista. Contrabandistas roubam e, bem,
contrabandeiam coisas. Como você acha que pessoas como Sotin
transferem mercadorias ilegalmente?
Antes que Poe pudesse responder, um grito agudo e alto preencheu a
área de armazenamento, e Zorii caiu pra trás, com um painel em suas mãos.
Abaixo do painel havia um longo túnel com uma escada embutida. Para
onde levava, era um mistério. Poe não teve muito tempo para ponderar, no
entanto. Zorii começou a descer, sem se deixar abalar pela escada para lugar
nenhum. Poe a seguiu, dizendo a EV-6B6 para ficar em cima.
Poucos momentos depois que começaram a descida, Poe ouviu
barulhos. O zumbido de vozes. Um coro de sussurros nervosos.
Eventualmente, soluços. O que há aqui embaixo? ele pensou. Quem está
aqui embaixo?
O que Sotin tinha feito?
Zorii ouviu os mesmos sons, mas permaneceu estoica enquanto
chegavam ao final da escada e a um nível inferior, escuro e claustrofóbico.
A sensação de estar caindo mais fundo num buraco sem uma maneira certa
de voltar pairava na mente de Poe. O cheiro os atingiu em cheio. Mofo e
sujeira. Dejetos e roupas sujas. Ambos puxaram os seus blasters e
caminharam por um corredor baixo e estreito, poeira e sujeira cobrindo as
paredes. Não demorou muito para chegarem à área principal de detenção, o
compartimento secreto que Zorii esperava encontrar. Mas ela não esperava
encontrar isso, Poe sabia.
O espaço não era grande, talvez do tamanho da Garra Lacerada, e
estava cheio de pessoas, de todos os tipos. Humanos, Kubaz, Yarkora, um
ou dois Dressellianos, Crolute e um Duros ao fundo. Eles variavam em
idade, de adolescentes a idosos. Vários gêneros. Cada um deles estava
acorrentado à parede, e parecia que estavam ali há algum tempo.
— O que é isso? — Poe perguntou.
— Prisioneiros a serem vendidos como escravos, — Zorii disse,
movendo-se em direção à primeira fila de cativos.
Ela começou a disparar contra as conexões que seguravam as suas
amarras. A cada disparo, um punhado deles era libertado, esfregando as
mãos e murmurando agradecimentos em suas línguas nativas. Zorii acenou
e passou para a próxima fila, repetindo a sua ação. Poe passou pela
multidão de pessoas se formando ao redor de Zorii, aqueles que foram
libertados e procuravam uma saída da nave, e aqueles ainda acorrentados,
puxando desesperadamente e se aproximando da liberdade.
— Escravidão? — Poe disse. — Como isso é possível?
— Olhe ao seu redor, Poe, — Zorii disse, continuando com a sua tarefa,
sem desacelerar. — Que outra explicação há? — Então Sotin é um
traficante de escravos?
Zorii não respondeu. Outra pergunta óbvia, pensou Poe. Ele continuou
assim mesmo.
— Precisamos prendê-lo ou, fazer algo, destruir esta nave, — Poe disse.
— Ou, sei lá, precisamos...
Zorii se virou, olhos arregalados, blaster em mãos.
— O quê, Poe? Precisamos o quê? Matar Sotin? — ela perguntou
duramente. — Pra quê?
— Então não fazemos nada?
Zorii riu, ofendida.
— Não, libertamos essas pessoas, as levamos a algum lugar e seguimos
em frente, — ela disse, destruindo o último lote de restrições. A multidão
estava começando a ficar indisciplinada, desesperada para sair da câmara
apertada e suja.
— Sotin precisa pagar por isso, — Poe disse, surpreso com o frio em
sua própria voz. — Isso é errado.
Zorii sorriu e olhou para Poe. Ela deu um tapinha em seu rosto. Não era
um gesto de afeto.
— Poe, você tem muito a aprender, mesmo depois de todo esse tempo
juntos, — ela disse. — Você realmente acha que matar Sotin, que, uau, é
isso que você está sugerindo?, vai resolver alguma coisa?
Poe ficou irritado.
— Claro que vai, — disse ele, avançando para o espaço de Zorii, sua
raiva borbulhando a cada palavra. — Ele não fará isso novamente. Isso fará
com que outros hesitem também. É a coisa certa a fazer.
— Sotin é lixo, — Zorii disse, acenando a mão para gesticular às
pessoas na área de detenção. — Isso é errado, sim. Mas você realmente
acha que ao destruí-lo, a sua nave ou a sua operação, vamos vencer? Que
vamos erradicar todas as coisas ruins na galáxia? Alguém mais, alguém
muito pior, aparecerá. E então depois, Poe Dameron? Paramos de ser
Contrabandista de Especiarias e começamos a ser heróis?
— Então, depois? Só deixamos ele ir? — Poe disse. Ele estava em seu
rosto. Eles não estavam mais conversando; estavam gritando. — Apenas
nos resignamos a ser parte disso? A fazer negócios com pessoas como ele?
Zorii balançou a cabeça e se afastou.
— Se deixarmos ele ir, lidamos com o diabo que conhecemos. Os
Contrabandista de Especiarias trabalharam com Sotin por muito tempo,
Poe. Precisamos dele por perto. Libertamos essas pessoas agora, e fazemos
algo bom. Ele sabe que nos enganou, e não espero que isso aconteça
novamente. É assim que essas coisas funcionam. Ladrões traem ladrões que
traem canalhas. É o mundo em que vivemos, — Zorii disse. — Não é nossa
decisão de qualquer forma. Tomasso falou diretamente com Zeva sobre
isso, e ela nos enviou porque achou que poderíamos nos cuidar. Voltar e
dizer que matamos Sotin sem pelo menos tentar obter a aprovação deles
primeiro não faz sentido. E se a liderança dos Contrabandistas de
Especiarias souber de algo que não sabemos? Não podemos agir por conta
própria. Às vezes você precisa deixar as coisas pra lá.
Poe socou a parede da nave antes mesmo de perceber que ia fazer isso.
A dor ajudou, deu-lhe algo mais para sentir, para pensar. Algo além da raiva
e da impotência.
— Essa não é você, Zorii, — Poe disse, com a sua voz oca e suave.
Ela cortou a multidão que começara a se aglomerar ao redor deles e o
empurrou no peito com os dedos, fazendo-o recuar.
— Esses somos nós, — ela disse, mostrando os dentes. — É assim que
as coisas funcionam aqui fora, Poe, nos limites da galáxia. Não há respostas
em preto e branco ou escolhas simples. É tudo cinza e complicado. Você
não pode simplesmente aparecer, bancar o herói e ir embora. Você tem que
viver neste mundo.
— Essa discussão está me deixando muito desconfortável, — disse EV-
6B6. Eles a ignoraram.
Poe começou a responder, mas Zorii o interrompeu.
— O que você achou que estava fazendo quando subiu na Garra
Lacerada, Poe? Salvando a galáxia? — ela disse. Ela se moveu mais para
dentro da cela de detenção, acenando com o seu blaster para o grupo a
seguir. — Eu me encontrarei com você de volta na base assim que descobrir
o que fazer com essas pessoas. Como fazer algo realmente bom, em vez de
sonhar acordado.
Um momento depois, Zorii Wynn havia ido, liderando o grupo de
prisioneiros pelo caminho e em direção à escada, para a liberdade. Poe
Dameron ficou sozinho na cela de detenção úmida, com a sua mão
machucada e sangrando e o seu mundo em pedaços.
— Você vai nos levar através da Nebulosa da Tocha? — Zorii perguntou,
com a sua voz se elevando acima do caos ao redor. — Você está louco?
Poe balançou a cabeça. Não, não estava louco. Mas estava desesperado.
Estava pilotando a Vondel, a velha nave de Sotin, na velocidade máxima e
ainda não era o suficiente. Sentia o espaço entre sua nave e os seus
perseguidores se fechando. Junto com Zorii, tinha Tomasso e o droide EV,
mas não tinha certeza se algum deles poderia ajudá-lo.
Havia três naves esbeltas e rápidas da classe Karura logo atrás deles,
capangas dos sanguinários piratas espaciais Osako, determinados a colocar
as mãos no que os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi acabaram de
roubar. Tinha sido algumas horas agitadas. Lançou um olhar rápido pra
Zorii, que checava freneticamente o seu terminal em busca de alguma
reserva perdida, qualquer botão ou interruptor esquecido que pudesse
colocá-los à frente por alguns momentos enquanto o hiperdrive lentamente
voltava a funcionar. Se voltasse, pensou Poe.
Seis meses se passaram desde o incidente no cruzador Moraysiano. Oito
meses desde que Poe Dameron deixou a sua casa em Yavin 4 e se juntou
aos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi. Muita coisa havia mudado
nesse tempo, pensou Poe, talvez até demais. Desde que Zorii e Poe se
separaram na Estação Ankot, ela levando os prisioneiros de Sotin na
Vondel, enquanto Poe e EV6B6 retornavam a Tomasso com a Garra
Lacerada, um frio havia permeado o seu relacionamento. Uma tensão
surgiu, totalmente formada, substituindo o calor e a intimidade que Poe
aprendera a confiar durante seus primeiros meses longe de casa. Embora
houvesse lampejos da Zorii que ele conhecera, seu padrão padrão agora era
de distância. Isso tornara a nova vida de Poe muito mais solitária, e ele
ansiava pela oportunidade de sentar e conversar com a mulher que
considerava a sua amiga mais próxima.
Mas essa conversa exigiria tempo e paz, duas coisas que os
Contrabandistas de Especiarias tinham em escassez atualmente. Após a
traição de Sotin e a tentativa Guaviana contra Zorii, Tomasso, por ordem da
misteriosa liderança secreta dos Contrabandistas de Especiarias, mantinha a
equipe em movimento. Ele era vago e evasivo sobre a necessidade de
continuar mudando de local, mas Poe percebeu o suficiente. Eles estavam
em risco, e apesar do fato de terem deixado Sotin viver, haviam pessoas
ansiosas pra descobrir onde essa célula específica dos Contrabandistas de
Especiarias estava escondida. Mesmo que, em algum nível, fizesse sentido,
para Poe o plano se mostrava improvisado e disruptivo. Surpreendeu-se
com o quanto precisava de uma base, um lugar para chamar de seu, rotinas
nas quais pudesse se apoiar e pessoas em quem pudesse confiar. Em vez
disso, foi empurrado para um mundo sem fim de subterfúgio, negócios
escusos e morais nebulosas, sem nunca poder respirar. Poe estava
lentamente percebendo que a sua sede por aventura só ia até certo ponto.
Claro, colocá-lo numa nave e faria o melhor para pilotá-la para fora de
qualquer enrascada. Mas estava se tornando cada vez menos interessado em
navegar pelos mundos corruptos e confusos que habitavam a Orla Exterior.
Poe estava dividido. Alimentava-se da aventura, dos tiroteios, das
batalhas espaciais de alto risco, das fugas de última hora. Era o que sonhara
desde antes de sua mãe morrer, mesmo antes de desejar desesperadamente
uma vida fora das limitações de Yavin 4. Mas a que custo? Frequentemente
se perguntava isso enquanto se deitava para dormir algumas horas em
qualquer noite.
O incidente dentro da Vondel foi o mais grave, mas não foi o único, Poe
sabia. Os seus dias estavam repletos deles. Disparar contra naves da Nova
República. O assassinato de Ledesmar. Momentos em que sentia a sua nova
vida puxando o próprio tecido de quem ele era. A sua mente
frequentemente voltava à sua confrontação com Sela Trune, a bordo do
cruzador Moraysiano, quando ela lhe perguntara o que o seu pai e L'ulo
L'ampar pensariam sobre o que ele se tornara. O que pensariam? Tentava
não pensar nisso. Havia questões mais urgentes em mãos.
— Eles estão se aproximando, — Zorii disse, sem olhar pra cima de seu
terminal. — Espero que você tenha uma ideia melhor do que simplesmente
nos enviar por aquela nebulosa, Poe. Vamos voar às cegas.
A verdade era que não tinha. O melhor que podiam esperar era perder
os piratas Osako na anomalia espacial, o que tiraria todos os seus sensores
da grade e os deixaria dependendo de seus próprios sentidos, muito
limitados, não a forma mais segura de navegar pela galáxia.
A ordem tinha vindo do alto da organização dos Contrabandistas de
Especiarias, de acordo com Tomasso, da misteriosa comandante apenas
referido diretamente como Zeva ou a 'nossa líder'. Eles deveriam roubar um
punhado de mapas estelares raros, anteriormente considerados destruídos,
conhecidos como as Cartas de Onde e Quando, que, segundo a lenda,
traçavam as melhores e mais eficazes rotas de contrabando na galáxia, o
tipo de caminhos que não poderiam ser desgastados nem mesmo pelo tempo
e pela tecnologia. Eles trabalhavam o terreno galáctico e eram o tipo de
vantagem que qualquer contrabandista, especialmente uma gangue em
ascensão como os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi, mataria.
De acordo com a informação passada para Tomasso, os mapas estavam
sendo mantidos no planeta Guat'a, uma rocha estéril e úmida conhecida
principalmente como um centro de caos e derramamento de sangue, um
refúgio para contrabandistas de especiarias, caçadores de recompensas, e
qualquer outra pessoa que se refugiou no submundo da galáxia.
Os mapas estavam na posse do senhor da guerra Smaatku, um grande,
inchado e lento Gordelano de pele verde que veio do sistema Nishmar nas
margens das Regiões Desconhecidas. Os gordelenses eram frequentemente
considerados preguiçosos e raramente vistos longe de seu mundo natal, mas
Smaatku foi uma rara exceção, tendo construído uma organização forte em
Guat'a alinhada com os piratas Osako. A nova confederação ainda não
representava uma grande ameaça para os Contrabandistas de Especiarias ou
outras organizações desse nível, mas Smaatku também se recusou a pagar o
dízimo devido às gangues acima dele na cadeia alimentar. Acrescente a isso
o fato de que, apesar de não ter claro como decifrar os mapas lendários,
tinha-os em suas mãos e poderia muito facilmente começar a usá-los para a
sua grande vantagem, e o novo grupo de Smaatku estava evoluindo de um
aborrecimento menor para uma ameaça viável. Isso significava que era hora
dos Contrabandistas de Especiarias pegarem o brinquedo brilhante de
Smaatku e usá-lo para os seus próprios fins.
— Vamos ensiná-los um pouco sobre o que fazemos, — Poe disse com
um sorriso, batendo em seu terminal como se estivesse tocando um
valachord. — É aqui que você aplaude com confiança, Zorii.
Ela lhe deu um sorriso forçado. Sentiu a mão de Tomasso segurando o
seu ombro.
— Não podemos nos dar ao luxo de perder este prêmio, como você
sabe, — disse o homem mais velho. — Devo também notar que os piratas
Osako não são conhecidos por sua bondade com os prisioneiros. Na
verdade, ainda não ouvi falar de uma vez em que eles pegaram prisioneiros.
Poe engoliu em seco. Tomasso não era de economizar palavras.

Eles conseguiram pousar a Vondel em Guat'a sem alarde, tinham usado


intencionalmente a nave de Sotin para não levantar suspeitas. A Garra
Lacerada havia se tornado muito identificada com os Contrabandistas de
Especiarias de Kijimi. A esperança era que a notícia sobre o seu encontro
com Sotin não tivesse se espalhado tanto assim pela Orla Exterior. Eles
estavam errados, mas ainda não sabiam disso.
Tomasso e EV-6B6 ficaram pra trás enquanto Zorii e Poe entraram no
principal ponto de comércio de Guat'a, uma área em estilo de mercado
conhecida como Alshuey, metade cidade, metade posto de comércio, e para
todos os efeitos um lixão em fermentação. Tudo parecia e cheirava
desgastado. Pouco contato visual era feito, e toda a extensão de terra
parecia ser atingida por sons de todos os cantos, música alta e monótona;
gritos incompreensíveis; os ritmos destacados de barganhas, súplicas e
negociações.
— Smaatku mantém o seu tribunal no centro desta área, — Zorii disse,
assumindo a dianteira. — É uma caminhada de cerca de dois minutos a
partir daqui.
Eles adotaram a vestimenta de contrabandistas experientes, não
afiliados e parecendo prontos para negociar. Os rostos de Zorii e Poe
estavam cobertos por lenços coloridos, revelando apenas os seus olhos. Se
alguém olhasse de perto, poderia perceber que os dois eram humanos, mas a
esperança era que ninguém tivesse tempo suficiente para olhar.
Não foi difícil para Poe descobrir pra onde estavam indo. Cada barraca,
loja, terminal e oficina parecia ser construída em torno de outro, maior. Por
um segundo, Poe pensou que estava de volta em Yavin 4, indo em direção
ao Gully. Podia quase ouvir o tom chiado de Fontis, sentir o cheiro de
serragem e o chão coberto de cerveja. Mas eles estavam muito longe de
Yavin 4, e Poe não tinha certeza se algum dia veria Fontis ou o seu pai
novamente. O pensamento o atingiu como uma forte onda. Tentou se livrar
disso, mas Zorii percebeu a sua hesitação, dando um passo ou dois à frente
antes de se virar.
— Poe, vamos, não temos tempo para exame de consciência, — ela
disse, mantendo a voz baixa. — Entrar e sair, foi o que o Tomasso disse.
Assentiu. Alguns meses antes, teria tentado debater com Zorii,
refutando as suas críticas, ansioso para que ela acreditasse que estava tão
envolvido nessa vida quanto ela. Mas aqueles dias haviam acabado,
percebeu. Perguntou-se se havia um caminho de volta para o que haviam
sido, para aqueles dois adolescentes ansiosos saboreando a sua nova e
emocionante vida. Talvez pudessem descobrir isso em algum momento,
decidir se fazer parte dos Contrabandistas de Especiarias era realmente o
que ambos queriam. Talvez pudessem seguir por conta própria. Poe quase
riu. Quem ele estava enganando? Essa vida era tudo o que Zorii sempre
quis. Sabia disso em sua alma.
A base de operações de Smaatku era um clube social, segundo Tomasso,
um lugar para as pessoas se encontrarem, compartilharem histórias, rirem e
ouvirem música. Mas, por fora, parecia qualquer outra cantina decadente ou
bar sem saída que Poe já tinha visto. Fazia a Gully parecer um destino
turístico. Seguiu Zorii enquanto ela entrava no lugar chamado Rugova, e
instantaneamente o seu sentido de olfato foi assaltado: o odor de corpos
apertados, de comida barata e mal cozida, de bebida estragada e balcões e
pisos descuidados. Isso lembrava Poe do banheiro da fazenda de seu pai
depois de alguns dias de negligência. Olhou para Zorii em busca de uma
reação semelhante, mas não viu nenhuma. Estoica e impassível como
sempre, ela estava desempenhando um papel, o de uma contrabandista
desesperada em busca do próximo negócio. Poe esperava que ninguém
tivesse visto sua expressão de repulsa ao entrar. Eles estariam fora dali em
breve, raciocinou, se tudo fosse de acordo com o plano.
O lugar era extenso e labiríntico, e embora estivesse cheio de pessoas,
cada grupo tinha espaço suficiente para se aglomerar em seu próprio canto
ou se curvar sobre as suas mesas, sussurrando uns para os outros ou
gritando por outra bebida. Poe podia distinguir uma área central de palco,
com vários guardas uniformizados em pé ao redor de um assento
semelhante a um trono. Zorii inclinou-se, sua boca próxima ao ouvido dele.
— Lá está ele, — ela disse. — Precisamos chegar perto dele. Ele
mantém os mapas em seu corpo.
Smaatku era uma figura grande, bulbosa e imponente, que também
impressionava pelo físico, não apenas desleixado, mas atarracado e forte,
um ser de poder e claramente o líder, mesmo ali naquela companhia mista.
Ele se sentava ereto em sua cadeira, examinando o local e acenando pra si
mesmo, com as grandes olheiras sob os seus olhos em nítido contraste com
a sua pele esverdeada. Ele bebia de um grande cálice prateado, tragos
longos e desleixados que derramavam quase tanto quanto conseguia engolir.
Ele limpou a boca com o braço nu e sorriu na direção de Poe. Poe quase
congelou, pensando que o líder da gangue o tinha visto, mas logo percebeu
que Smaatku estava simplesmente encantado com todo o espetáculo de
Rugova. Esse era o seu elemento, e ele se sentia em casa com o seu povo e
os seus associados comerciais. O momento perfeito para atacar, Tomasso
havia dito, quando alguém está mais relaxado e espera menos.
Zorii fez um gesto com a cabeça para Poe a seguir enquanto ela
contornava o grande bar central e se movia para a esquerda, em direção a
um corredor menos movimentado que parecia ser para a equipe. Eles
avançaram alguns passos antes de serem barrados por um imponente guarda
Guat'a com duas figuras mascaradas por trás dele, menores em tamanho,
mas ansiosos para apontar os seus blasters para a Zorii e o Poe.
— Vocês não têm permissão pra estar aqui atrás, — disse o guarda
Guat'a, com a sua voz rouca e baixa. — Voltem para o bar. Cuidem de seus
próprios assuntos, estranhos.
Eles não haviam discutido o que fazer se fossem interceptados, mas
para Poe, essa era a parte divertida.
— Ei, sem preocupações, amigo. Entendemos, — disse Poe, abafando a
voz e levantando uma mão em sinal de paz. — Entendemos totalmente. Na
verdade, estávamos aqui para avisá-los sobre os Dressellianos que
acabaram de entrar. Eles estão pressionando o barman e a situação está
ficando violenta. Eles não parecem, bem, se encaixar no clima aqui.
O grande guarda Guat'a grunhiu na direção do bar, com as narinas
dilatadas.
— Dressellianos? Atacando Jarv? — ele disse, soando mais irritado do
que surpreso. Ele murmurou algo incompreensível, mas decididamente
indelicado, antes de passar por eles e entrar na área principal do bar.
Isso deixou Poe e Zorii mais os dois guardas mascarados. Eles
mantinham os seus blasters apontados para o alvo.
— Podem ir agora, — disse o primeiro, movendo o seu blaster em
direção ao bar. — Vocês fizeram a sua boa ação por hoje.
— Feliz em ajudar, — disse Poe, girando um pouco. — Estamos indo.
Pelo canto do olho, viu os guardas abaixarem as suas armas, esperando
que os dois estranhos se misturassem novamente à multidão. Em vez disso,
Poe e Zorii se agacharam e desferiram um par de chutes unificados, cada
um atingindo o seu respectivo guarda na perna inferior. Ambos os guardas
desmoronaram rapidamente, seguidos de um suave estalo ao fazer contato.
Os seus gemidos de dor foram abafados, silenciosos pelas máscaras de
couro escuro que usavam. No tempo que levaram para se recuperar, as
blasters que os guardas haviam apontado para Poe e Zorii estavam agora
direcionadas a eles.
— Não diga mais uma palavra, — Zorii disse.

As portas principais do Rugova se abriram enquanto Zorii e Poe saíam do


local enfumaçado e se dirigiam a uma fileira de landspeeders estacionados
perto da entrada. Eles não estavam se movendo de forma casual, muito pelo
contrário. O coração de Poe disparava enquanto segurava a caixa bordada.
Depois de evitar a primeira coterie de guardas, Zorii e Poe se esgueiraram
em direção a Smaatku e o seu trono. O senhor da guerra segurava a caixa
firmemente em seu colo, e Poe sabia que teriam apenas uma chance de
pegá-la. Com Poe servindo como uma distração, gritando 'É uma
operação!', mais de algumas cabeças se viraram, Zorii agarrou os bens e
eles se dirigiram rapidamente para a saída. Não se surpreenderam quando a
gangue começou a persegui-los. Poe ouviu Zorii alguns passos atrás dele
enquanto eles atingiam o ar livre, seguidos por um grito estridente e
agonizante.
— Não os deixem escapar! — Smaatku bradou, a última sílaba mais um
rugido do que uma palavra real. Ele estava cercado por cerca de uma dúzia
de guardas mascarados, todos perseguindo Zorii e Poe a pé. — Não os
deixem roubar de nós!
Poe se abrigou por trás de um dos landspeeders e disparou alguns tiros
de blaster. Isso não diminuiu muito a horda, mas deu a ele e a Zorii tempo
suficiente para saltar no speeder mais distante, com Poe atrás do volante e
Zorii segurando a sua cintura, virando o corpo para disparar por trás deles.
Mas a vantagem do pequeno veículo ainda não estava se mostrando, e os
guardas estavam se aproximando.
— Essa coisa pode ir mais rápido? — Zorii perguntou, sem fôlego, cada
palavra acompanhada pelo som de seu blaster disparando. — Não vamos
conseguir nos afastar o suficiente pra evitar sermos explodidos.
— Paciência, paciência, — Poe disse. Estava tentando ao máximo
esconder a ansiedade em sua voz enquanto pisava fundo no acelerador, o
pequeno landspeeder balançando no chão enquanto ele tentava mantê-lo
estável e evitar que virasse. — Apenas me cubra.
— Eu só tenho um blaster, — Zorii disse, um braço envolto em seu
torso para que pudesse se inclinar para trás e disparar mais alguns tiros na
direção dos guardas, que agora estavam a poucos metros de distância. —
Eles têm dezenas. Isso é matemática ruim, Poe.
Por um momento, uma longa sombra os cobriu. Poe e Zorii olharam pra
cima.
Então os explosões começaram.
O seu landspeeder tremeu quando um trio de tiros de canhão blaster
desceu atrás deles, destruindo a maior parte de seus perseguidores. Poe,
Zorii ainda o agarrando, rolou o speeder e viu a carnificina através da
fumaça preta e do fogo. Gritos de dor surgiram da cratera criada pelo
canhão. Poe viu formas sombrias tentando se levantar, mas caindo ao chão,
incapazes de se manter de pé. Os gemidos e os sons de dor formavam um
coro de angústia que Poe não conseguia se livrar, mesmo enquanto desviava
o olhar para cima e via a Vondel pairando acima da cena. Tomasso.
— Foi... foi isso...? — Poe disse, hesitando. — Por quê?
Zorii o puxou para fora do landspeeder, tentando chamar a sua atenção
enquanto a nave pousava e a porta traseira se abria.
— O que você queria que acontecesse? — Zorii disse com impaciência.
— Precisávamos garantir que conseguiríamos escapar limpos. Pare de ser
tão precioso.
Não respondeu. Era uma discussão que Poe sabia que não poderia
vencer, e estava cansado de tentar. Poe entendia que vidas foram perdidas,
mas isso não era guerra no mesmo sentido das batalhas que os seus pais
enfrentaram. Isso era assassinato, Poe percebeu. Mas Tomasso e Zorii não
estavam tão preocupados com a perda de vidas, especialmente quando as
pessoas sendo derrubadas eram aquelas que consideravam inimigas: rivais
que não hesitariam em cravar uma adaga em suas costas tão facilmente
quanto fazer um acordo cara a cara. Aos olhos deles, haviam conseguido o
que queriam. Ao mesmo tempo, conseguiam eliminar uma ameaça
potencial, Smaatku e a sua gangue, antes que ganhassem muita força.
Vitória dupla pra eles. Mas era certo?
Poe sabia a resposta enquanto seguia Zorii pela rampa, e isso fazia o seu
estômago revirar.

— Agora entrando na Nebulosa da Tocha, — Poe disse enquanto girava a


Vondel na anomalia astral. Tomasso, Zorii e EV-6B6 estavam presos em
seus assentos. — Vai ficar turbulento bem rápido.
— As naves Osako não estão longe, — Zorii disse.
— Eu nunca estive numa nebulosa antes, — EV-6B6 disse
animadamente. — Deve ser interessante, pelo menos.
Poe lutou contra o impulso de se virar e apenas encarar o droide. Mas
não havia tempo para ponderar o otimismo estranho de EV-6B6, eles
precisavam evitar serem superados por piratas. Apenas mais um dia na vida
de um contrabandista de especiarias, Poe pensou.
— Eles estão em perseguição, — Zorii disse, checando uma leitura em
seu visor. — Os sensores estão piscando. Devemos esperar que eles parem a
qualquer momento.
A aposta tinha falhado. Poe esperava que, ao entrar na nebulosa,
pegasse os piratas de surpresa, mas eles previram o seu movimento. Isso o
fazia sentir como um amador. Mas não estava pronto pra desistir. Ainda
havia uma chance de despistá-los. Se os sensores da Vondel estavam
enfraquecendo, os sensores das três naves que os perseguiam também
estavam. Mas Poe estava voando às cegas, e isso colocava todos em risco a
cada momento que vagavam pela nebulosa cheia de poeira e asteroides. A
Nebulosa da Tocha estava longe de ser uma anomalia espacial aleatória.
Também conhecida como o setor Tocha, a nebulosa era uma parte massiva
dos territórios que povoam a Orla Exterior. Era tão grande que, numa noite
qualquer, você poderia vê-la da superfície de planetas próximos, como
Guat'a e Shownar, criando um espetáculo de fogos de artifício de luzes
coloridas. Poe estava levando-os por uma atração turística, basicamente,
exceto que não era tão bonita por dentro e poderia custar-lhes a vida.
Poe olhou por cima do ombro para Tomasso. Os seus olhos pareciam
selvagens, famintos.
— Tomasso, você consegue decifrar esses mapas? — Poe perguntou,
seu corpo preparado para se virar a qualquer momento.
— Há algo que possamos usar?
— Em termos de quê, filho? — Tomasso perguntou, levantando-se de
seu assento e se movendo em direção a Poe. — Esses mapas, eles são sobre
contrabando, como se locomover... Espere, eu vejo o que você quer dizer.
A Vondel tremeu enquanto Poe se virou de volta em seu assento,
estreitando os olhos enquanto tentava distinguir o que os atingira. Então
tremeu novamente.
— Eles estão atirando em nós, — Zorii disse, balançando a cabeça. —
Aquele mal fez contato, eles também estão voando às cegas. Mas
eventualmente eles vão acertar.
Alguns momentos de silêncio se passaram. Poe fez o seu melhor para
guiar a nave, usando a sua própria visão pra desviar de um lote de destroços
e um grande pedaço de asteroide, mas sabia que isso não era sustentável.
Eventualmente, algo seria impossível de desviar.
— Sim, sim, como eu poderia esquecer? — Tomasso disse pra si mesmo
enquanto voltava para o seu assento, uma pequena tela em suas mãos. — A
Rota de Especiarias Llanic, está perto daqui.
Entregou a tela a Poe, apontando para o topo do mapa que dominava a
visualização.
— Aqui é onde estamos, — Tomasso disse animadamente. — E aqui é
onde a Rota Llanic cruza a Rota de Comércio Triellus, perto do planeta
Llanic.
— Como isso nos ajuda? — Poe disse, tentando dividir a sua atenção
entre Tomasso e guiar a Vondel ao redor dos destroços flutuantes que
compunham a maior parte da nebulosa. — Quero dizer, é bom que essas
rotas estejam lá, mas...
— A rota está livre, Poe, é um caminho para ladrões e a nossa turma
transportarem mercadorias, mesmo no meio de uma nebulosa densa, —
Tomasso disse com um sorriso conhecedor. — Pode não nos salvar
completamente, mas certamente ajudará.
Poe sentiu o seu rosto esquentar, e um golpe de vergonha passou por ele
por questionar o homem mais velho. Tomasso não era tolo, e enquanto ele
lidava com a defensividade de Poe, Poe ainda sentia que havia ofendido o
contrabandista. Mas os pedidos de desculpas sentimentais teriam que
esperar, pensou.
Poe digitou as coordenadas e guiou a nave o melhor que pôde, sabendo
que os sensores de longo alcance da Vondel eram pouco confiáveis, e os de
curto alcance estavam completamente arruinados.
— Os piratas estão tentando igualar a nossa mudança de curso, mas está
levando um tempo, — Zorii disse, um lampejo de esperança em sua voz. —
Eles não estão desistindo.
— Nós também não, — Poe disse, mais para si mesmo do que para
qualquer outra pessoa. Ficou surpreso ao sentir a mão de Zorii agarrar a sua,
o toque breve, mas verdadeiro. Os seus olhares se encontraram antes de
voltarem sua atenção para os seus respectivos terminais.
A nave tremeu novamente. Um tiro de raspão, mas um acerto, ainda
assim.
— Eles estão atirando em trajetória de ataque, tentando disparar o
máximo que podem numa única direção, esperando fazer contato, — Zorii
disse. — Difícil de desviar.
— Eu acredito em você, — disse EV-6B6.
— Por que esses piratas têm um acordo com Smaatku? — Poe se
perguntou em voz alta. Isso o incomodava desde que Tomasso o pegou em
Guat'a com a Vondel. Sabia que a operação de Smaatku era pequena e
crescente, mas era grande o suficiente para se associar aos piratas Osako?
Eles não veriam isso como ajudar um concorrente?
— Você acha que eles estão ajudando Smaatku? — Zorii disse, com um
rápido escárnio escapando de sua boca. — Não exatamente. Eles sabem o
que Smaatku tem, bem, tinha. As palavras viagem rápida em lugares como
Rugova. A coisa mais fácil de acreditar é que eles descobriram o que
fizemos e perceberam que também queriam aqueles mapas.
Poe acenou. A explicação de Zorii fazia sentido, mas ainda havia uma
peça do quebra-cabeça faltando. Não tinha muito em que se basear além de
seu próprio instinto, e isso não era suficiente para disputar com Zorii Wynn,
algo do qual ele já estava farto ultimamente.
A nave balançou mais violentamente, quase girando. Poe agarrou os
controles com força. O seu corpo foi empurrado para frente, e teve que se
esforçar para se manter em seu assento.
— O que foi isso? — Poe perguntou, empurrando a Vondel para baixo
para evitar um lote de destroços. — Estamos nos aproximando da rota de
especiarias. Devemos chegar lá em breve, se estou olhando isso certo.
— Eles ainda estão atirando, — Zorii disse. — Aquilo parecia um
acerto direto. Não consigo obter um bom bloqueio sobre onde eles estão, no
entanto.
— O que significa que eles também não podem nos bloquear, — disse
Poe. A nave espasmodicamente tremia novamente enquanto Poe desviava a
Vondel de alguns meteoros errantes, esperançosamente confundindo os seus
perseguidores um pouco mais. — Vamos manter isso.
A nave continuou a tremer e chacoalhar enquanto Poe a levava aos seus
limites, mergulhando fundo, girando para a esquerda, direita e para cima
novamente. Isso tornava a viagem difícil para o estômago.
— Isso é quase agradável, — disse EV-6B6.
Alguns minutos se passaram e Poe nivelou a trajetória da nave. Estava
estranhamente quieto.
— Eu não os vejo, — Zorii disse. — Mas isso não significa que eles não
estejam por perto.
— Estamos tomando a viagem agora, — Poe disse, uma gota de
esperança em sua voz. Se conseguissem passar pela Rota de Especiarias
Llanic, estariam livres da Nebulosa da Tocha e em espaço aberto, o que lhes
daria a chance de saltar para o hiperespaço e encontrar o caminho de casa.
Se o drive funcionasse a tempo. — Segurem-se.
A Vondel gemeu enquanto ganhava velocidade, a inércia empurrando
todos de volta em seus assentos com um solavanco. Poe soltou um longo
suspiro. Não percebeu que estava prendendo a respiração até aquele
momento. Será que haviam despistado os piratas? A viagem suavizou
enquanto a nave atravessava o último trecho da Rota Llanic. Ao longe, Poe
pensou que podia ver o fim da Nebulosa da Tocha. Uma vez que estivessem
livres, poderiam se direcionar para casa e garantir que a chefe dos
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi recebesse o saque que haviam
conseguido de Smaatku.
Poe apertou os olhos enquanto aumentava um pouco a velocidade. A
clareira mudava de forma. O que inicialmente pensou ser uma abertura, um
sinal de que a anomalia galáctica estava terminando, era na verdade outra
coisa. Algo grande.
— É, é uma nave? — Poe perguntou.
Zorii teclava freneticamente em seu terminal, olhando pra cima de vez
em quando.
— Os sensores ainda estão majoritariamente desativados, — ela disse.
— Mas um pouco melhores agora que estamos ganhando velocidade.
Parece que isso não é...uma das naves piratas, no entanto. O que quer que
seja, não está se movendo.
— Talvez eles estejam aqui pra ajudar, — EV-6B6 disse, com a sua voz
animada e curiosa. — Isso seria bastante oportuno.
Poe ignorou a droide hiper positiva e diminuiu a velocidade, mas era
tarde demais. Eles estavam se aproximando, e, à medida que se dirigiam
para o objeto misterioso, ele se tornava mais nítido.
— Oh não, — Poe disse, com a memória de seu último encontro com a
nave à sua frente inundando a sua mente. — Isso não é bom.
O gigante cruzador Moraysiano parecia sentir seu reconhecimento
enquanto se girava levemente para enfrentar a Vondel.
Parecia muito melhor do que na última vez que Poe o viu, quando a
nave estava a segundos da destruição completa. Alguém, algo, havia
tomado o tempo para consertá-lo. Mas quem? E com que objetivo?
— Recebendo uma mensagem, — Zorii disse. Ela parecia abalada.
Surpresa. A única coisa que Zorii Wynn odiava, Poe sabia, era ser pega de
surpresa. — Eles não estão nos saudando, apenas enviando uma
transmissão. Primeiro... um conjunto de coordenadas... depois as palavras
'Pouse sua nave imediatamente se quiserem viver.'
Poe se preparou. Eles já haviam derrotado essa nave antes. Tinha que
haver uma saída.
Zorii se virou para encará-lo.
— Eu conheço essa expressão, — ela disse. — O que você está
pensando?
— Só avaliando as nossas opções, — Poe disse. — Isso é tudo.
— Estamos em desvantagem aqui, Poe, — Tomasso disse. — A nossa
melhor opção é ir até o planeta e ver contra quem estamos, depois agir.
Poe assentiu. Mas era um aceno desanimado. Rendição não estava em
sua essência. A Vondel ainda tinha armas, ainda tinha alguma velocidade. E,
mais importante, ainda tinha Poe no assento do piloto.
Estava analisando as alternativas em sua mente, apesar da ordem de
Tomasso, apesar dos medos de Zorii, quando a primeira onda de fogo
atingiu. Por trás.
— Os piratas, — Zorii disse, lutando para se manter em seu assento
enquanto a nave sacudia violentamente, fumaça explodindo de um painel
acima deles. — Eles nos encontraram.
— Talvez precisemos repensar a nossa estratégia, — EV-6B6 disse. —
Só uma crítica suave. Vocês todos estão fazendo um bom trabalho.
— Agora não é a hora, EV, — Poe disse, tentando evitar a segunda onda
de tiros de canhão laser por trás. — Temos coisas maiores para nos
preocupar agora.
A Vondel deu uma sacudida para baixo, desviando de uma nova
barragem das pequenas naves. Poe ouviu Tomasso cair por trás dele
enquanto a nave era balançada por outro impacto, este vindo de uma
direção diferente.
— A nave Moraysiana acabou de atacar a gente, — Zorii disse,
balançando a cabeça. — Os nossos sistemas de armas estão fora de
operação. Eles miraram em nosso...
Antes que Zorii pudesse terminar, a Vondel recebeu outro impacto, e a
nave foi lançada para fora de controle, a nave ferida não estava mais sob o
comando de Poe. Poe caiu pra trás, batendo a cabeça no chão e deslizando
para a borda da pequena área da ponte, um corte profundo em sua testa.
Fumaça e fogo preencheram o espaço. Viu Zorii tentando se reerguer em
seu assento. Tomasso estava desacordado, com EV-6B6 tentando reanimá-
lo. Alarmes, bipes e símbolos de emergência piscavam e soavam para eles.
Mesmo do chão, Poe podia ver a enorme sombra projetada pelo cruzador.
Então percebeu enquanto os seus perseguidores piratas pareciam recuar.
— Eles não querem nos matando, — Poe disse. — Estão juntos nisso.
— Eles querem o que temos, Poe, — Zorii disse, contorcendo-se
enquanto retomava a sua posição, uma mão estendida para ajudar Poe a
fazer o mesmo. — Eu te disse isso.
— Não, veja, — Poe disse, apontando para o espaço. — Aquelas naves
piratas, estão circulando o cruzador. Eles estão do mesmo lado. Isso foi uma
armadilha.
Um forte estalo de estática os interrompeu, depois silenciou. Uma voz
quase inteligível cortou o ar morto, baixa e áspera.
— Não iremos avisá-los novamente, Contrabandistas de Especiarias, —
a voz disse. — Pousem no planeta ou morram em sua nave. A decisão é
sua.
A escolha era clara. A Vondel estava mal funcional. Poe digitou as
coordenadas do planeta, um pequeno pedaço de rocha chamado Judakann
que poderia passar por um asteroide. A superfície parecia irregular, uma
bagunça úmida e inóspita, não o tipo de lugar que Poe imaginava passar os
seus últimos momentos. Pelo canto do olho, ele viu um pequeno transporte
Moraysiano espelhando a sua descida. Eles logo encontrariam os seus
eventuais captores, pensou Poe.
— Tem que haver uma saída pra isso, — Zorii disse.
Ela estava em pé sobre Poe, com uma mão em seu ombro como se
dissesse, Não desista da esperança ainda. Mas Poe estava lutando para não
perder o pouco de esperança que lhe restava. A sua nave não tinha armas
nem hiperdrive, Tomasso estava inconsciente e a sua droide não era útil.
Isso não prometia uma fuga milagrosa. Balançou a cabeça. Não. Não cairia
em desespero. Era o filho de duas das pessoas mais corajosas que já lutaram
pela Rebelião, disse a si mesmo. Eles enfrentaram uma Estrela da Morte.
Eles salvaram a galáxia. Com certeza poderia se safar das garras de alguns
criminosos espaciais irritados. Certo?
Tomasso voltou a si, e eles desembarcaram da Vondel lentamente,
Tomasso apoiando-se em EV-6B6 para suporte.
— Podemos encontrar alguns espreitadores aqui, — EV-6B6 disse. —
Se me lembro corretamente, este é o planeta de origem deles. Não acho que
sejam amigáveis, o que é uma pena, porque eles parecem muito...
— Espreitadores? — Poe perguntou.
— São carniceiros que prosperam nesse tipo de ambiente, — o droide
disse. — Eles são anfíbios e muito, muito...
— Chega, — Tomasso disse, com a exaustão em sua voz evidente
enquanto dispensava a informação do droide. Eles chegaram ao final da
prancha da Vondel. Poe e Zorii seguiram logo em seguida, com os olhos
bem abertos e blasters em punho.
O transporte Moraysiano pousou e a sua porta traseira abriu lentamente.
Duas figuras escuras surgiram, seus traços ainda indistinguíveis. Poe e Zorii
se aproximaram, prontos para um tiroteio.
— Tudo bem, pessoal, — Poe disse. — Vocês têm as armas maiores.
Nos trouxeram para cá. Agora nos digam o que querem.
Vamos facilitar para todo mundo.
— Sim, vamos facilitar, — uma figura disse. A voz enviou uma onda de
medo através de Poe, o tom e o som intimamente familiares. Não, não pode
ser.
A figura se destacou na luz cinza e apagada do planeta, e a garganta de
Poe se apertou. Ficou difícil respirar. A segunda figura apareceu em
seguida, e a visão quase o fez cair de joelhos.
Esticou-se em direção a Zorii, segurando o seu braço. Tentou se
equilibrar. Como isso é possível?
— Poe, o quê? O que foi? — Zorii disse, seu tom desesperado. — O
que há de errado? O que aconteceu?
— O que queremos, — disse a primeira figura, com o braço estendido e
uma expressão triste e sombria no rosto, — é que você volte para casa, Poe.
Poe desmoronou, lágrimas escorrendo pelo seu rosto enquanto olhava
para Kes Dameron e L'ulo L'ampar que estavam sobre ele. O seu pai e a
coisa mais próxima que ele teria de um tio. Eles o encontraram. Cruzaram a
galáxia para alcançá-lo. Eles estavam ali.
— Pai... Pai. Mas, mas, — Poe disse, com a sua voz como um coaxar
fraco. — Como...?
— O que? Espera, espera um segundo, — Zorii disse, com seu tom
áspero e surpresa, a mão de Poe ainda presa ao seu braço. — Seu... pai?
Já se passara quase um ano, mas Sela Trune nunca perdeu a esperança,
nunca perdeu de vista os seus alvos. Finalmente, a sua paciência foi
recompensada. Tentou impedir que o sorriso se formasse em seu rosto
enquanto caminhava rapidamente pelo corredor iluminado da estação
espacial, mas não conseguiu evitar. A represa começara a rachar. Logo, ela
quebraria. Trune sempre jogou o jogo longo com os Contrabandistas de
Especiarias de Kijimi, mesmo antes de serem pouco mais do que uma
gangue de criminosos sem lealdade a ninguém, exceto a si mesmos. Desde
o momento em que ouviu as notícias sobre a sua família, sobre como eles
morreram, soube o que precisava ser feito. Faria o que estivesse ao seu
alcance não apenas para destruir os Contrabandistas de Especiarias, mas
para tornar a sua destruição dolorosa e impossível de ignorar. Isso enviaria
uma mensagem pela galáxia, aos cantos mais escuros e nefastos, às pessoas
que achavam que a Nova República não estava prestando atenção, que
achavam que havia outros problemas maiores para a Nova República lidar.
Eles estavam errados. Trune acreditava na justiça.
Se conseguisse um pouco de vingança ao longo do caminho, que assim
fosse.
As conversas de seus espiões e agentes duplos haviam se calado meses
antes, mas pareciam ter ressurgido recentemente, à medida que a atividade
do grupo de Tomasso dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi
aumentava, com o jovem Poe Dameron ao lado. Sentiu um leve sentimento
de simpatia pelo garoto; sabia como era ser jovem, perdido e seguir
ansiosamente uma ética em que você ainda não tinha certeza se acreditava.
O problema era que o estilo de vida que ele estava adotando contrastava
fortemente com a sua própria ética e as leis da Nova República. Se a sua
informação estivesse correta, a pista que a levava não apenas a Poe
Dameron, mas também a Zorii Wynn, um ativo de importância
inimaginável, estava esquentando muito. Em breve, explodiria se Trune
jogasse suas cartas da maneira certa.
O seu sorriso sutil se transformou numa careta enquanto os seus
pensamentos mudavam de Poe para o seu pai, Kes. O mais velho Dameron
havia tentado todas as conexões que lhe restavam nos últimos meses para
encontrar Poe, trabalhou todos os ângulos e pediu todos os favores, sem
sucesso. Trune estava tão ansiosa quanto ele para encontrar o garoto, mas
por um motivo maior. Não queria que Poe Dameron voltasse para que
pudesse abraçá-lo e repreendê-lo por ser mau, como imaginava que Kes
faria. Queria jogá-lo numa cela e usar qualquer informação que ele tivesse
sobre o funcionamento interno dos Contrabandistas de Especiarias para
caçar presas maiores. Kes Dameron sabia disso, é claro. O que explicava
por que ele e o seu amigo L'ampar haviam se tornado renegados, fretando
uma nave e navegando para as fronteiras da Orla Exterior para encontrar
um garoto que claramente não queria ser encontrado. Mas, como se revelou,
a intromissão de Kes Dameron foi útil. E combinada com outra abordagem
que ela estava trabalhando, poderia lhe dar a informação final que precisava
para levar a luta diretamente ao líder dos Contrabandistas de Especiarias,
uma força tão obscura, desconhecida e oculta da vista que, às vezes, Trune
sentia que o cérebro por trás disso não existia. Mas ela sabia melhor. Por
mais que admirasse o pirata envelhecido Tomasso, e por mais que soubesse
sobre as suas mãos ensanguentadas e feitos assassinos, não conseguia
acreditar que ele estava no topo da cadeia alimentar dos Contrabandistas de
Especiarias. Ouvira rumores sobre outra pessoa, uma mulher chamada
Zeva.
Mas, neste ponto, eram apenas rumores e conjecturas. Trune precisava
de mais do que isso para agir.
Eu já fui surpreendida antes, refletiu enquanto acelerava o passo. Trune
esfregou distraidamente os dedos sobre o dorso do nariz, que tinha uma
protuberância onde o quebrara, ao cair inconsciente no cruzador
Moraysiano. Algumas coisas nunca cicatrizam direito.
Bons oficiais sabiam quando haviam sido derrotados, e Trune não era
invencível. Perdera a chance de capturar Poe e a garota conhecida como
Zorii Wynn a bordo da nave Moraysiana, apesar de seus melhores esforços
para armar uma armadilha palatável com Ledesmar.
Ignorou os acenos e saudações cúmplices enquanto se dirigia a uma
enorme área de escritórios repleta de oficiais e funcionários da Agência de
Segurança da Nova República, cada pessoa se movendo para a sua próxima
tarefa com uma velocidade e ansiedade que Trune apenas podia admirar.
Aproximou-se da área de operações central, onde foi recebida por uma
Sullustana alegre chamada Pheeb. Os seus grandes olhos se retraíram nas
bochechas que cobriam a maior parte de seu rosto assim que Trune se
aproximou, o sorriso desaparecido há muito tempo.
— Trune, bom te ver, — Pheeb disse com o forte sotaque de sua língua
nativa. — Espero que esteja tudo bem?
— O prisioneiro está acordado? — Trune perguntou, não estava a fim
de cortesias.
Pheeb sorriu de maneira breve. Dois oficiais de segurança apareceram e
acenaram para Trune, um sinal de que ela deveria segui-los. Ela o fez,
descendo um corredor sinuoso que a levou por dois pontos de controle de
segurança e outra área de preparação. Após mais algumas curvas, os
guardas a levaram até uma porta situada no extremo da estação. Um dos
guardas digitou alguns números num painel à esquerda da porta, e ela se
abriu com um sibilo. Trune entrou.
A figura estava no extremo oposto da sala, de costas para Trune, voltada
para a única fonte de luz do espaço, uma pequena janela circular.
— Dizem que você está pronta para falar, — Trune disse.
A prisioneira se virou, suas longas lekku carnudas emoldurando o seu
rosto enquanto ela notava a visitante.
— Ah, a jovem Oficial Trune, — Marinda Gan disse, com a sua voz
ansiosa. — Estou mais do que pronta. Contarei tudo, se isso significar que
posso sair daqui.
Trune manteve a expressão neutra. Isso era padrão. Não ia negociar com
Marinda Gan até saber o que a Twi’lek tinha em mãos. Depois de todo esse
tempo, se perguntava se a trapaceira tinha algo que valesse a pena
compartilhar.
— Vamos ver o que você tem, — Trune disse. — Então podemos falar
sobre compensação.
Marinda Gan sorriu com um sorriso cheio de dentes, sua língua
deslizando sobre os dentes antes de falar novamente.
— O que, por favor, você sabe sobre a próxima cúpula de Kijimi?
Kes Dameron puxou o seu filho até os pés e o abraçou. Os olhos de Poe se
encheram de lágrimas novamente enquanto ele inalava o cheiro familiar, de
árvores, do ar livre, de casa. Era realmente ele, Poe pensou, embora não
conseguisse acreditar.
Sentiu uma mão segurando o seu ombro. L'ulo. Como os dois homens o
rastrearam?
Poe deu um passo pra trás, limpando os olhos com um movimento
brusco antes de começar a falar, sua voz hesitante e nervosa. Sabia que
Zorii e Tomasso estavam próximos o suficiente para ouvir tudo o que dizia.
Tinha que escolher cada palavra com cuidado.
— Pai...o que você está fazendo aqui? — Poe perguntou. — Como você
nos encontrou?
— Poe, — Kes Dameron disse, colocando as duas mãos nos ombros do
filho. — Nada poderia me afastar de você. Nada. Usei cada pouco de poder,
cada pouco de informação e contatos, tudo o que tinha. Demorou um
tempo. Mas conseguimos.
Poe foi empurrado para o lado. Virou-se para encontrar Zorii Wynn de
frente para o seu pai, seus olhos ardendo enquanto ela apontava um dedo
para ele.
— Qual é o significado disso? — Zorii disse. — Você negociou com
piratas espaciais para rastrear o seu filho? Pra quê? Poe agora é um de nós,
ele é um Contrabandista de Especiarias. Não há como voltar atrás. É uma
vida, não um passatempo.
Kes se virou para olhar para Poe, com a sua expressão dizendo Quem é
esta? Poe não se moveu. Isso era entre pai e filho, e Poe sabia que precisava
descobrir seu próximo movimento. Mas o bombardeio verbal de Zorii
estava ajudando a adiar essa decisão. O fogo com que Zorii lançou as suas
palavras a Kes também surpreendeu Poe.
— Você está certa, senhorita, — Kes começou.
— Zorii, — ela disse. — O meu nome é Zorii. Quem é você?
— Este é Kes Dameron, o pai do Poe, — L'ulo disse, avançando. — O
meu nome é L'ulo L'ampar. Somos veteranos dos tempos da Aliança
Rebelde. Tínhamos alguns truques na manga quando se tratava de localizar
o seu amigo Poe.
Zorii balançou a cabeça. Ela estava decidida. Poe sabia que isso não era
algo que ela ia abrir mão.
— Então, deixe-me entender, — ela disse, inclinando a cabeça um
pouco, como se tentasse ter uma visão melhor de Kes Dameron, como se
estivesse se esforçando para ver a semelhança entre ele e Poe. — Você
estava tão desesperado pra encontrar o seu filho, um homem que deixou a
sua lua esquecida de livre e espontânea vontade, que fez um acordo com um
grupo de assassinos como os piratas Osako para nos encurralar? Isso não
parece muito uma coisa da Nova República pra mim.
O sorriso de Kes desapareceu. Poe podia ver que ele estava ficando
cansado de Zorii. Ele queria levar o seu filho para casa, não entrar num
debate ético com uma garota que tinha metade de sua idade.
— Eu quase perdi minha fazenda, quase a vendi para alguns golpistas
por uma parte de informação que pensei que poderia me levar até você, —
Kes disse, apontando para Poe. — Isso foi apenas uma das muitas coisas
novas que fiz. Coisas desesperadas.
Zorii balançou a cabeça novamente.
— Não consigo acreditar que estamos sendo perseguidos pelo seu pai,
— ela disse, olhando para Poe como se fosse a primeira vez desde que
puseram os pés na rocha desolada. — Poderíamos ter sido mortos. A nossa
nave mal funciona. E duvido que aqueles piratas simplesmente nos deixem
voar pra casa quando conseguirmos sair...
— Você não vai sair com o meu filho, — Kes disse.
— Desculpe? — Zorii respondeu. — Essa não é a sua decisão.
— Zorii, — Poe começou, tentando interceder entre o seu passado e o
seu presente. — Vamos apenas...
— Não, vamos não, — Zorii disse, fulminando Kes Dameron com o
olhar. — O que te faz pensar que pode simplesmente entrar em nossas vidas
e levar o Poe de nós? Ele agora é um Contrabandista de Especiarias. Você
acha que só porque fez alguns favores com os seus velhos amigos pode
fazer o que quiser? Os tentáculos da Nova República não se estendem tão
longe, velho. E mesmo que se estendessem, seguimos um conjunto
diferente de regras.
— Pais farão o que for necessário pra encontrar os seus filhos, — Kes
disse, com a sua voz baixa e o seu discurso metódico, claramente não
querendo que nada do que dissesse fosse mal interpretado. Ele se virou para
olhar para Poe, as sobrancelhas levantadas.
— Poe, queremos que você volte pra casa. Já faz tempo demais.
Podemos conversar sobre tudo no caminho de volta.
Tomasso falou. A sua voz ressoou sobre todos, emanando uma força e
senioridade que Poe aprendeu a apreciar com o tempo.
— Poe Dameron não é um garoto, nem uma parte de propriedade, —
Tomasso disse, avançando, perdendo qualquer claudicação que adquirira na
descida até a superfície do planeta. A sua postura era régia, com um toque
de ameaça. — Ele é um Contrabandista de Especiarias, por escolha e
virtude. Não simplesmente entregamos pessoas quando os seus parentes
vêm atrás delas. — L'ulo sacou o seu blaster e o apontou para Tomasso.
— Tomasso, — L'ulo disse. — Já ouvi falar de você. Um dos
Contrabandistas de Especiarias mais temidos da galáxia. Não estou
impressionado. Não estamos pedindo para que nos deixe levá-lo. Estamos
dizendo que Poe virá conosco, entendeu?
Poe olhou para Zorii, com os seus olhos distantes, contornados de
vermelho. Será que ela esperava que Poe voltasse para Yavin 4, o lugar do
qual ele estava desesperado para escapar quando se conheceram? Estaria ela
sentindo um toque de arrependimento pelos últimos meses? Poe desviou o
olhar para o seu pai e ficou igualmente surpreso com o que viu lá: uma
expressão de total confusão. Isso não estava indo como Kes havia
planejado. Ele esperava que Poe pulasse em seus braços e voltasse para
casa. Em vez disso, havia hesitação, e à sua frente estava um homem, não
um garoto perdido. E esse homem se tornara algo que Kes Dameron não
esperava.
Kes quebrou o silêncio.
— Filho, tudo está perdoado, — ele disse, estendendo a mão para Poe.
— Apenas venha conosco. Suba nesta nave. Já faz tempo demais, tudo
bem?
Antes que Poe pudesse responder, Tomasso interrompeu novamente,
com a sua voz aguda por um frio inesperado e inquietante.
— Parece que estamos cercados.
O longo e agudo sibilo congelou Poe em seu lugar. Levou um segundo para
processar o aviso de Tomasso, mas agora podia ver. Eles estavam por toda
parte. Pequenas criaturas anfíbias e robustas espreitando a poucos metros
deles, todas fazendo aquele som aterrorizante enquanto se aproximavam
cada vez mais.
— O que são elas? — Zorii perguntou, sacando o seu blaster e adotando
uma postura defensiva. — Elas não parecem estar, cientes? Quero dizer,
elas claramente querem nos assassinar, mas...
— Essas são os espreitadores que mencionei. Que coincidência, —
disse EV-6B6 com genuíno espanto na voz. — Não sencientes, mas
criaturas muito, muito perigosas nativas deste planeta. Seria uma pena feri-
las, mas elas parecem um pouco irritadas. — O primeiro espreitador saltou
sobre EV-6B6 e começou a desferir golpes com as suas grandes mãos
palmadas em sua cabeça, fazendo a droide recuar, gritando enquanto ela
caía ao chão.
Kes disparou alguns tiros contra o monstro, derrubando-o de EV-6B6.
Mas era apenas o primeiro. Logo, a área estava tomada pelos predadores
saltadores, e eles não estavam ali para fazer amigos. Alguns cuspiram um
líquido altamente ácido de suas bocas, causando queimaduras profundas e
dolorosas. Outros tinham dentes afiados e irregulares, capazes de rasgar
quase qualquer coisa. Eles lutavam para matar, e havia muitos deles.
Zorii e Poe se encontraram costas com costas, mergulhados numa poça
escura e verde acinzentada, cercados por pântano e moscas zumbidoras. O
mais importante, havia pelo menos meia dúzia de espreitadores se
aproximando, suas longas línguas pendendo de suas bocas, o amarelo opaco
de seus olhos apagados e distantes sob o sol poente de Belsavis.
— Eles são rápidos pro tamanho deles, — Poe disse enquanto disparava
alguns tiros de blaster contra um espreitador saltador. Ele acertou dois,
derrubando o animal no meio do salto. Ele emitiu um grito de dor ao cair
num riacho próximo.
— E parecem continuar vindo...
Zorii disparou tiros em rajadas contra três dos espreitadores que se
lançavam em sua direção, desativando-os momentaneamente.
— Não consigo acreditar que você está considerando ir embora, — ela
disse, mantendo os olhos nos espreitadores restantes, agora cautelosos em
se aproximar dela. — Depois de tudo que passamos, Poe.
— Precisamos falar sobre isso agora? — Poe disse, agachando-se para
evitar um chute do espreitador mais próximo. Ele desferiu um golpe com o
cotovelo na cara do monstro de pele verde, um estalo satisfatório emanando
do impacto. — Parece que não é o melhor momento para falarmos sobre
nós.
— Não se trata de nós, — Zorii disse, empurrando um espreitador de
volta para o grupo maior de atacantes, fazendo alguns deles se
atrapalharem. — É maior do que isso. Não torne isso tão emocional. É o
que você sempre faz.
Poe disparou mais alguns tiros nos dois ou três espreitadores restantes
ao seu lado, mantendo-os à distância. Estava machucado e ferido, um corte
profundo em seu lado direito causado por um espreitador que chegou perto
demais, seu rosto coberto de sujeira e sangue. Mas, considerando tudo,
estava de pé e poderia estar muito pior, justificou-se.
— Sou um cara sensível, o que posso dizer? É parte do meu charme.
Não é?
Zorii não respondeu, em vez disso, desferiu um chute rápido no rosto do
espreitador restante que tentava agarrá-la. Ele caiu e não mostrou sinais de
se levantar novamente. Zorii se virou e disparou uma rápida rajada de tiros
nos outros espreitadores que se aproximavam de Poe. Eles caíram
rapidamente e com barulho. Poe e Zorii ficaram parados por um momento,
incertos sobre para onde ir em seguida.
A sua indecisão momentânea foi abalada pelo som de um grito humano
de dor.
— Pai, — Poe disse, com o seu tom frenético.
— Irei te matar pessoalmente se você nos trair, Poe Dameron, — disse
Zorii, partindo na direção do grito. Poe a seguiu.
Queria pensar que ela estava brincando, que ela entendia por que ele
consideraria voltar para casa. Mas, no tempo em que conheceu Zorii Wynn,
aprendeu algumas coisas. Primeiro e mais importante, Zorii Wynn não fazia
brincadeiras quando se tratava dos Contrabandistas de Especiarias de
Kijimi. Mas não tinha tempo pra se importar.
Alcançou-a quando o segundo grito começou. Então, eles dispararam
numa corrida.
Quando Poe e Zorii chegaram de volta a Vondel, encontraram Kes Dameron
no chão, com uma ferida profunda no abdômen, sangue vermelho escuro
vazando pela túnica enquanto L'ulo tentava cuidar dele. Cerca de uma dúzia
de lurkers mortos estavam espalhados ao redor do grupo. Tomasso e EV-
6B6, arranhados mas ainda funcionais, estavam na periferia, com blasters
prontos.
— Pai, — disse Poe, alcançando o seu pai e caindo de joelhos. Ele
pegou a mão do velho Dameron e olhou em seus olhos. — Pai, o que
aconteceu?
Kes Dameron tossiu, um som úmido e borbulhante.
— Aqueles verdes... conseguem realmente te pegar, — disse Kes,
sufocando outra tosse. — Acho que estou... sem prática.
Poe agarrou L'ulo, surpreendendo o seu velho amigo com a sua força.
— Estou fazendo o melhor que posso, Poe, — disse L'ulo, tentando
manter a calma. Mas não conseguiu esconder o seu medo. Kes havia
perdido muito sangue. — Aquele droide seu fez o possível, mas é tudo que
podemos fazer daqui. Assim que eu o levar de volta ao cruzador, devemos
ficar bem. Mas precisamos ir agora. Precisávamos ter ido há cinco minutos,
mas o seu pai se recusou a ir sem você.
Poe sentiu os olhos de Zorii perfurando a parte de trás de sua cabeça.
Tinha que decidir. Tinha que fazer uma escolha que afetaria a sua vida pra
sempre. Se o seu pai morresse naquele cruzador Moraysiano, nunca se
perdoaria. Mas estava pronto para desistir de tudo o que começara a
construir com Zorii e Tomasso como Contrabandista de Especiarias? Eles
deixariam?
— Isso não é pra você, Poe, — disse Kes, com a sua voz trêmula. Ele
fez uma careta ao ser atingido por outra onda de dor. — Não é...não é
seguro pra você. Não posso arriscar isso...não posso arriscar perder você
também... não depois...
Poe se agachou mais perto, com o seu rosto ao lado do de seu pai, os
seus olhos se encontrando.
— Não sou a mamãe, pai, — disse Poe. — Isso é diferente, tá? Eu sei
que você quer me proteger, mas não pode. Você tem que me deixar aprender
por conta própria. Você, a mamãe e L'ulo fizeram o melhor por mim. Agora
eu tenho que usar isso para fazer o que é melhor para mim, certo?
Kes soltou um longo suspiro. Tentou se sentar, mas foi tomado por uma
onda de tosses. Ele desabou nos braços de Poe, ofegante. Ele limpou a
garganta e tentou forçar um sorriso fraco no rosto.
— Se eu não estivesse assim, eu te colocaria naquela cápsula e nós
resolveríamos isso no caminho para casa, — disse ele, com a sua respiração
superficial e rápida. — Mas você é muito mais parecido com a sua mãe do
que imagina. Ela era teimosa também.
Queria experimentar tudo. Queria ser parte da história maior. Eu? Eu
estava feliz vivendo uma vida tranquila em Yavin Quatro. Fiz a minha parte
pela República. Mas não posso forçar você.
Kes se entregou nos braços do filho, suas pálpebras tremendo. Poe
olhou para L'ulo.
— Ele precisa ir, agora, — disse L'ulo, levantando o seu amigo. Poe se
levantou com ele. L'ulo colocou a mão no ombro de Poe. — Estamos
sempre aqui pra você, filho. Você sabe disso. Mas você tem que pensar por
si mesmo. Tem que se perguntar se isso é o que você quer. Se isso é
realmente o que você deveria fazer com a sua vida. Você é um piloto
incrível. Espero que aprenda a usar essas habilidades para o bem maior,
antes que seja tarde demais. Eu continuaria discutindo com você, Poe, se
houvesse tempo. Mas tenho que conseguir ajuda para o seu pai. Ele está
morrendo.
Tudo o que Poe pôde fazer foi acenar brevemente antes que L'ulo o
puxasse para um abraço apertado.
— Não deixe ninguém mudar quem você é, Poe, — sussurrou L'ulo em
seu ouvido enquanto o segurava perto. — Seja verdadeiro consigo mesmo.
Quando eles se soltaram, um vento frio os atingiu. Todos olharam para
cima e viram uma enorme nave pairando acima, se preparando para pousar.
— O que é isso? — resmungou Kes.
— O cruzador Moraysiano só tinha alguns pods, — disse L'ulo. — E
esse não é uma deles.
— É um nosso, — disse Tomasso, com um tom de admiração e
confiança na voz. — Então eu sugiro que vocês dois saiam deste planeta
agora, se quiserem evitar a ira total dos Contrabandistas de Especiarias de
Kijimi.
Poe não conseguia combater a sensação sombria e afundada de que
nunca veria o seu pai ou L'ulo vivos novamente.
— Isso é algo diferente.
As palavras roucas de Kes Dameron o assombrariam por muito tempo.
Mas por agora, serviam apenas como uma observação astuta enquanto todos
olhavam para cima, para a enorme nave desconhecida fazendo a sua descida
na superfície do planeta.
Poe se virou para encarar Tomasso, que tinha um sorriso inquietante e
conhecedor no rosto.
— Você disse que essa é uma nossa? — perguntou Poe. Ele olhou para
Zorii, cuja expressão havia se tornado vazia, um olhar perdido em seus
olhos. Levou alguns momentos para Poe perceber que ela estava paralisada
pelo medo. — Zorii, o que é isso? Quem é?
Ela não respondeu. Não olhou para Poe. Continuou focada na nave, com
a expressão congelada.
Poe olhou de volta para o seu pai, que estava encostado nos braços de
L'ulo, parecendo pálido. Ele sentiu que podia ler a mente do velho
Dameron. Kes não queria ir embora. Mas isso era uma sentença de morte.
— L'ulo, — disse Poe, — você tem que levar o pai pra fora deste
planeta. Agora.
L'ulo acenou com a cabeça.
— O seu pai não parece concordar.
Kes Dameron lutou, tentando se soltar do aperto de L'ulo. Mas ele
estava fraco demais. A mordida do lurker, provavelmente cheia de veneno,
estava impedindo os seus movimentos.
— Não, Poe, não, — disse Kes, mas as suas palavras eram lentas e
arrastadas. — Venha conosco.
Os olhos de Poe e L'ulo se encontraram. Eles ouviram o forte baque da
nova nave pousando, e uma forte rajada de vento os atingiu. O tempo estava
se esgotando.
— Leve-o, L'ulo, — disse Poe, com os olhos úmidos de lágrimas. —
Leve-o agora. Ele nunca nos perdoará, mas é a coisa certa a se fazer. Eu vou
encontrar o meu caminho de volta até vocês.
L'ulo não falou. Em vez disso, arrastou Kes, meio consciente, em
direção à sua cápsula.
— Não deixe a sua promessa se tornar uma mentira, Poe, — gritou
L'ulo enquanto eles embarcavam na nave.
Poe não conseguia reunir as palavras pra responder.
Quando o pequeno pod Moraysiano estava no ar, subindo em direção ao
cruzador, a enorme nova nave havia completado o seu pouso, e uma
pequena escolta de guardas começara a descer uma longa rampa de
embarque, armados até os dentes. Eles não eram uniformizados ou
organizados; o seu visual era desleixado, mas cada um deles era imponente
à sua maneira, uma mistura de humanoides e não humanoides de toda a
galáxia, todos com olhares de perigo em seus olhos. Poe se virou para os
seus amigos restantes, Zorii, EV-6B6 e Tomasso. A expressão de Zorii
permaneceu temerosa. A droide murmurava pra si mesma num tom
estranhamente alegre.
Apenas Tomasso parecia contente, como se estivesse antecipando um
grande presente. Ele tinha um sorriso relaxado no rosto.
— O que está acontecendo, Tomasso? — perguntou Poe. — Quem está
naquela nave?
A última figura a desembarcar da nave era uma mulher alta e magra,
usando um capacete dourado luminescente com um longo visor
protuberante. O seu comportamento, ameaçador e distante, gritava que ela
estava no comando. Todo o esquadrão de guardas se submete a ela,
escaneando a superfície do planeta com um olhar protetor enquanto
esperavam que ela pisasse no chão. A casca de plastaço e o acabamento de
bronzium de seu capacete brilhavam à luz do sol não filtrada do planeta.
Uma capa violeta esvoaçante balançava por trás dela enquanto ela se virava
para enfrentar os Contrabandistas de Especiarias.
— Zeva Bliss, — Tomasso sussurrou, as palavras quase inaudíveis.
— Quem? — Poe perguntou.
— A nossa líder, jovem Poe, — Tomasso disse. — Um nome sussurrado
apenas nas sombras. A líder implacável e genial dos Contrabandistas de
Especiarias de Kijimi.
— Minha mãe, — Zorii disse.
A mulher conhecida como Zeva Bliss se aproximou deles, com a espada
balançando descuidadamente em sua bainha ao lado. O seu capacete
dourado liso se movia enquanto ela examinava o grupo, parando em
Tomasso. Ela acenou para o homem mais velho. O visor escuro que cobria a
maior parte da frente de seu equipamento não revelava nada do rosto
dentro.
— Velho amigo, — ela disse, com a sua voz soando distante e
mecânica, como se falasse através de um filtro. — Faz muito tempo.
— Os meus deveres me mantêm bastante ocupado, — Tomasso disse
com um sorriso irônico. — Como você bem sabe, Zeva.
— De fato, eu sei.
— O que traz a líder dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi ao
extremo do Rota de Especiaria Llanic Spice Run? — Tomasso perguntou,
genuína curiosidade em seu tom. — Está tudo bem, espero?
O visor de Zeva se desviou para Zorii, que devolveu o olhar, com uma
expressão desafiadora, mas respeitosa. Embora fosse claro para Poe que a
sua amiga estava com medo, admirava os seus esforços para parecer o
oposto. Mas se Zeva Bliss era de fato a mãe de Zorii Wynn, ela
provavelmente percebeu isso também.
— Nem tudo está bem, Tomasso, — Zeva disse, ainda olhando para a
sua filha. — Infelizmente.
Enquanto Poe observava as duas mulheres se avaliando, sentiu uma
onda de traição. Como, em todo o tempo que passou com Zorii, em
momentos íntimos, momentos de amizade e momentos tensos e
assustadores, ela não mencionou que era filha da líder dos Contrabandistas
de Especiarias de Kijimi? Por que manteve isso em segredo? Tinha o direito
de perguntar?
Zorii olhou para Poe, com os seus olhos suavizando um pouco como se
dissesse, Eu vou explicar isso, confie em mim. Poe acenou, os últimos
meses em que se alfinetaram se derretendo nessa breve centelha de
humanidade entre eles.
Ele foi transportado de volta a alguns meses atrás, à sua escolha fatídica
de permanecer com os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi, e percebeu
o quanto dessa decisão estava ligado a Zorii, àquela expressão de medo e
incerteza em seu rosto quando Zeva Bliss chegou. Poe sabia, lá no fundo,
que tinha que ajudá-la a enfrentar o que quer que estivesse por vir, e a sua
própria jornada teria que esperar. Pelo menos até esclarecer os seus
sentimentos por Zorii. Não apenas os seus sentimentos românticos, embora
isso fosse parte, se ele fosse honesto consigo mesmo, mas o vínculo deles
como amigos e parceiros. Esperava ter tomado a decisão certa.
Zeva Bliss inclinou ligeiramente a cabeça ao enfrentá-los.
— Vocês me acompanharão a Kijimi, imediatamente, — ela disse. — O
tempo para treinamento acabou. Você, Poe Dameron de Yavin Quatro, e
minha filha, Zorii Bliss, se mostraram capazes o suficiente. Vocês serão
bem-vindos em Kijimi como membros plenos dos Contrabandistas de
Especiarias, com todas as comodidades, respeito e responsabilidades que
esse papel traz. Há uma missão que só posso confiar a pessoas em quem
confio com a minha vida.
— Esta é, claro, a sua decisão, Exaltada, mas, se me permite perguntar,
— Tomasso disse, confusão escorrendo de cada palavra, — e os meus
serviços? Com certeza posso...
Antes que Tomasso pudesse terminar, Zeva cravou a espada
profundamente na seção média do homem mais velho. Tomasso gaguejou,
sangue fluindo de sua boca, uma expressão de pura surpresa e traição em
seu rosto.
Zeva puxou a espada pra trás, a lâmina curva coberta de sangue de
Tomasso. Ele colapsou de joelhos, os olhos ainda arregalados.
— Não! — Poe gritou enquanto tentava se lançar em direção ao homem
mais velho. Ele foi segurado, seus braços presos pelos guardas de Zeva. —
Tomasso!
— Você fez um juramento aos Contrabandistas de Especiarias,
Tomasso, — Zeva disse enquanto o seu segundo em comando desmoronava
no chão úmido e lamacento. — Você prometeu a sua lealdade eterna a tudo
que fazemos, para sempre. Você traiu esse juramento. — Antes que Poe
pudesse dizer mais alguma coisa, Zeva girou e marchou de volta em direção
à sua nave, com os seus guardas alinhando-se atrás dela. Ela lançou um
olhar para a EV-6B6 se abaixando para cuidar de Tomasso. Zeva olhou pra
Poe.
— De onde você tirou esse droide? — ela perguntou.
Poe levou um momento para formular uma resposta.
— O Moraysiano... o cruzador, — Poe disse. Por que ela se importava?
— A nave de Ledesmar? — Zeva perguntou, com um tom de
reconhecimento em suas palavras. — A propriedade de um concorrente?
Entendo.
A líder dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi se virou e
continuou em direção à sua nave. Ela se virou para um de seus guardas e
acenou. O soldado puxou o seu blaster e disparou alguns tiros nas costas de
EV-6B6, destruindo a seção média do droide.
Poe, liberado pelos guardas enquanto seguiam Zeva para dentro da
nave, caiu de joelhos. O seu corpo começou a tremer enquanto olhava para
os seus dois amigos, um morto, a outra destruída. Sentiu Zorii parada acima
dele. Olhou paa cima e a viu, abalada, lutando pra permanecer estoica
enquanto fixava os olhos em seu mentor assassinado, uma poça de sangue
se formando ao redor de seu corpo sem vida.
— Você não pensou em me contar?
As palavras de Poe pairaram entre eles nos aposentos de Zorii na
imensa nave de Zeva Bliss. A nave estelar parecia uma cidade em si
mesma, corredores longos e sinuosos mesclados com enormes átrios, salas
de reuniões e áreas de ancoragem. Embora não fosse tão enorme quanto o
cruzador Moraysiano, a nave a caminho de Kijimi parecia fazer mais com
menos, dando ao cruzador classe Centurião de Zeva Bliss uma sensação de
imensidão e continuidade. Ou talvez Poe estivesse apenas atordoado com
tudo o que aconteceu nas últimas duas horas.
— Zorii, — Poe continuou. — Quando você ia me contar que a sua mãe
comandava toda a operação?
— Você é quem critica, Poe, — Zorii disse, como se o visse pela
primeira vez. — Quando você ia nos contar, seus amigos e colegas, que o
seu próprio pai estava atrás de nós? Que ele lutou na Aliança Rebelde?
Quando iríamos saber disso?
— Isso é completamente diferente, — Poe protestou. — E eu nem sabia
que ele estava vindo atrás de mim.
— É mesmo? — Zorii disse, com uma sobrancelha arqueada. — Isso é
conveniente.
— É por isso que os Guavianos estavam atrás de você? — Poe
perguntou. — Por que Ledesmar te reconheceu? Por que Gen Tri estava tão
preocupado em te tirar do cruzador Moraysiano em segurança?
— Pontos para o garoto da fazenda de Yavin Quatro, — Zorii disse, sem
tentar esconder mais os sentimentos feridos ou a raiva. A fachada estoica
havia desaparecido assim que Zeva Bliss os deixou sozinhos. — Você
descobriu. E daí?
— Você poderia ter dito algo, — Poe disse suavemente, tentando baixar
as suas defesas, mostrar a Zorii que ainda estava com ela.
Parece que funcionou. Ela se aproximou dele.
— Eu sou o seu amigo. Você sabe disso.
Zorii acenou enquanto olhava ao redor do espaço apertado, como se
tentasse entender tudo o que aconteceu com eles.
— Eu não consegui encontrar o momento certo, honestamente, — ela
disse. — Parecia muito, especialmente com tudo o que estava acontecendo.
Parecia apenas um fardo a mais para compartilhar.
— Mas por que... por que a sua mãe te colocou nisso? — Poe disse,
gesticulando em direção ao espaço. — Por que não te treinou
pessoalmente?
— Eu não queria isso, — Zorii disse. — Eu não queria tratamento
especial. Algumas pessoas sabiam, é claro. A minha mãe não enviaria a sua
única filha para a galáxia sozinha. Tomasso e Gen Tri estavam lá para
garantir a minha segurança. Mas eu não queria que ninguém mais soubesse
ou me mimasse. Eu queria aprender, melhorar, me tornar a melhor nisso.
Poe balançou a cabeça. Tanto havia acontecido. Tanta coisa mudara.
Havia visto o seu próprio pai e L'ulo, e isso parecia ter acontecido anos
antes. A EV-6B6 destruída. O Tomasso morto. A mãe de Zorii. Era demais.
Poe sentia que precisava de um mês para processar tudo isso. Mas não tinha
esse luxo. Eles estavam a caminho de Kijimi, gostassem ou não.
— Se formos ser honestos agora, Poe, se estivermos colocando tudo na
mesa, — Zorii disse, aproximando-se mais, invadindo o seu espaço, — eu
deveria te fazer a mesma pergunta. — A sua expressão era intensa, uma
mistura de raiva e paixão. — Por que você está aqui? O que te mantém
conosco? Você realmente acredita no que os Contrabandistas de Especiarias
representam? Ou você só queria fugir de uma vida entediante cuidando da
fazenda do seu pai?
Poe segurou o braço de Zorii, mas não tinha certeza do que aquilo
significava. Eles tiveram momentos assim antes, como no cruzador
Moraysiano, quando a intensidade do que quer que estivesse acontecendo
os aproximava fisicamente. A intimidade era sempre carregada e efêmera,
mas a energia persistia. Mas isso parecia mais focado, como se estivessem
expondo tudo na esperança de que o que restasse fosse algo que quisessem
preservar.
— No começo, sim. Eu só queria algo diferente, — Poe disse, acenando
com a cabeça. — Eu queria sair de Yavin Quatro. Queria viver a galáxia.
Voar e lutar e arriscar a minha vida por algo, como a minha mãe fez. Como
o meu pai fez, antes de perder o fogo.
— E depois? — Zorii perguntou. — O que mudou a sua mente?
— Então eu conheci você. Você é... importante pra mim, — Poe disse,
acariciando o rosto de Zorii. — Achei que, depois de um tempo,
poderíamos conseguir o nosso próprio carregamento, que talvez você e eu
pudéssemos nos desvencilhar, deixar tudo isso pra trás. Era a nossa
amizade, esse vínculo, que me manteve por perto, Zorii. Nós formamos
uma boa equipe. — Zorii se afastou abruptamente.
— Isso não é suficiente. Eu não estou procurando ser resgatada, Poe
Dameron, — ela disse. — Você não vê? Isso, os Contrabandistas de
Especiarias de Kijimi, não são apenas uma aventura ou um passeio pra
mim. É a minha vida. É o que eu nasci pra fazer. Você é um ótimo piloto,
talvez o melhor que eu já vi. Você é inteligente. Você é corajoso. Mas você
é explosivo. Um romântico bobo. Você se empolga em ser algum tipo de
herói galáctico quando o que precisamos, o que eu preciso, é de um
camarada, alguém que eu saiba que estará aqui para sempre, nas trincheiras,
porque é onde quer estar.
— Alguém como Tomasso? — Poe disse.
Arrependeu-se das palavras no segundo em que saíram de sua boca.
O soco foi rápido e forte, um golpe que mostrou a Poe a força total de
Zorii Bliss. Veio de um lugar de raiva reprimida, uma reação que ela
mantivera sob controle por muito tempo. Ele tocou o rosto, sentindo a pele
quente que certamente ficaria roxa. Ela ficou na sua frente por um segundo,
registrando o choque puro em seus olhos, antes de sair da pequena cabine
sem olhar para trás.

Depois de alguns minutos, Poe saiu do quarto, esfregando o lado do rosto


com cuidado. Colocaria gelo por um tempo, dando a Zorii tempo para se
acalmar, e então a encontraria para conversar. Havia cometido um erro.
Sabia o quão próximo ela era de Tomasso, sabia que ela estava arrasada
com o que aconteceu. Havia cutucado um nervo exposto e merecia o
choque da dor.
— Ela tem um temperamento, — alguém disse. Ele se virou e encontrou
Zeva Bliss, ainda usando o seu enorme capacete, parada atrás dele, meio
envolta na escuridão.
— Você a conheceria melhor, — Poe disse, não estava a fim de
advertências sombrias ou ameaças, — líder destemida.
Zeva Bliss saiu das sombras e Poe sentiu uma pontada de medo na parte
de trás de sua mente. De repente, sentiu-se muito jovem, em companhia de
um poder puro. Zeva Bliss tinha mais do que uma presença, ela tinha
autoridade.
— Cuidado com as suas palavras, garoto, — Zeva disse, a sua voz
mecanizada carregada com anos de experiência e mais batalhas do que Poe
poderia imaginar. — Vou te dar corda apenas por um tempo. — Poe acenou
com a cabeça.
— Sinto muito, — ele disse. — Tem sido algumas horas movimentadas.
— Sim, eu posso ver isso, — ela disse, aproximando-se dele. — Você
era próximo de Tomasso, não? — Poe fez uma careta, isso foi resposta
suficiente.
— Apesar de sua falha no final, eu não poderia ter pedido um melhor
segundo em comando, — ela disse, um certo arrependimento filtrando por
seu capacete. — Mas ele cometeu um erro fatal. E eu não cheguei a esta
posição perdoando traidores. Ele teria nos levado todos com ele.
— Você esteve nos observando o tempo todo, — Poe disse, não era uma
pergunta, era uma afirmação. As peças começaram a se encaixar, os fios
soltos se entrelaçando em algo que podia entender. — Aquele caso, o que
roubamos de Ledesmar. O que era? Por que você estava tão desesperada pra
que nós o pegássemos? — Zeva Bliss bateu no capacete.
— Era o item mais importante que eu possuo, um símbolo de tudo que
eu represento, — ela disse. — E havia sido tirado de mim. Enviei os meus
melhores homens para recuperá-lo. Apenas alguns sobreviveram. —
Ninguém sabia que tinha sido levado, — Poe disse.
Ela balançou a cabeça.
Alguns momentos se passaram antes que Zeva Bliss falasse novamente.
— Você nos ajudou bastante, Poe Dameron, — ela disse. — Mas
dominar o seu treinamento é uma coisa. Você agora tem que provar mais do
que isso.
Ela se estendeu para ele, e as suas mãos frias e armadas pesaram
fortemente em seus ombros enquanto continuava.
— Você tem que me mostrar que não é apenas alguém que poderia um
dia ser um ladrão e contrabandista competente, mas que você é um, agora
mesmo, — ela disse. — Que esta é a vida que você escolheu e que este é o
grupo ao qual decidiu para jurar a sua lealdade. Se este é o caminho que
você quer, não haverá vida passada pra você, Poe. Yavin Quatro, a sua
família, os seus sonhos, eles desaparecerão. Haverá apenas os
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi, e nada mais. Eu serei a sua única
razão e propósito.
— Eu estarei ao lado de Zorii, — Poe disse, surpreendendo-se com as
suas próprias palavras, palavras que só existiam como pensamentos
estranhos e conceitos no éter de sua mente até então. — Farei o que puder
para ajudá-la.
Zeva Bliss hesitou, processando o que Poe acabara de dizer, hesitando
por um momento.
— Vamos torcer para que isso seja suficiente, então, — ela disse. — Ou
você, como outros, terá que ser tratado... de acordo. — Zeva Bliss se virou
e começou a caminhar em direção à ponte da nave.
— O que vem a seguir? — Poe perguntou. Seria respeitoso com Zeva
Bliss e o seu mundo, tinha instinto de sobrevivência suficiente para
entender o que se esperava dele, mas não seria passivo. Queria saber o que
os aguardava. Precisava saber.
Ela se virou e pareceu avaliá-lo.
— O que vem a seguir? — Zeva Bliss disse, com a sua voz se elevando,
mesmo através do filtro robótico de seu capacete. — A morte e o
renascimento de Zorii Bliss e Poe Dameron, os mais novos Contrabandistas
de Especiarias de Kijimi.
Zorii Bliss caminhou pela escura e gelada viela, com o seu rosto salpicado
de neve. Mesmo o capuz de sua capa não conseguia protegê-la do clima
dolorosamente frio de Kijimi. As suas botas ressoavam ao pisar sobre os
obstáculos que rapidamente esquecera após deixar o seu planeta natal, junto
com os delinquentes adormecidos, os trapaceiros faladores, os ladrões
sombrios esperando para atacar. Mas eles sabiam. Todos deveriam saber.
Quem ela era. E quem estava destinada a ser.
Ela fez uma curva brusca à esquerda, escorregando ligeiramente nos
calçamentos desgastados, em sua maioria escondidos pela neve e trechos de
gelo, e desceu uma escada sinuosa. Era estranho estar de volta. Com Poe. O
pensamento entrou em sua mente sem aviso, mas não podia negar a verdade
que continha. Quando conheceu o garoto, bem, o homem, de Yavin 4, não
esperava muito dele. Um meio de sair da lua, realmente. Mas, com o tempo,
passou a se importar com ele. Ele era insuportável, não iria negar isso. Mas
ele também era encantador. A emoção daqueles primeiros dias era como um
tônico para Zorii. As memórias de mãos entrelaçadas, beijos apaixonados
após todos já estarem dormindo, o brilho em seus olhos enquanto uma ideia
tomava forma, tudo parecia um sonho vívido à medida que os seus mundos
se tornavam mais sombrios, mais carregados.
— Ei, ei, você é a Zorii?
A voz áspera, embora ainda aguda, parecia vir do nada enquanto Zorii
chegava ao fundo das escadas. O espaço era uma oficina, com corpos de
droides inacabados alinhados nas paredes, e ferramentas e outras máquinas
cobriam uma enorme bancada de trabalho no centro da sala. Mas Zorii não
era estranha a esse lugar, ou ao seu dono. Uma figura minúscula surgiu,
aparentemente de dentro das peças de droides espalhadas pela mesa. As
feições misturadas e a pequena estatura do Anzellano não faziam
imediatamente alguém pensar num mestre mecânico, mas era isso que Zorii
estava diante agora. Babu Frik, cuja maestria sobre todas as coisas
mecânicas era incomparável.
— Babu, — Zorii disse, pulando os últimos degraus enquanto se
aproximava de seu velho amigo. — Como você está?
— Eu estou bem, bem, sim, — ele disse, continuando a trabalhar no
droide como se Zorii não estivesse ali. — Zorii volta a Kijimi, Babu feliz.
— Eu senti a sua falta, velho amigo, — ela disse, dando um tapinha
gentil no mestre droide.
Babu olhou para cima.
— Eu também sinto falta, — ele disse com um rápido aceno. — Sua
mama, sente falta de Zorii, à sua maneira.
Zorii não respondeu. Não tinha certeza se sua mãe poderia sentir falta
de alguém. Mas estava cautelosa em falar, mesmo que de maneira sutil,
contra Zeva Bliss. Muitos outros haviam feito isso. Poucos sobreviveram à
experiência. E Zorii sabia que os espiões de sua mãe estavam em toda parte.
— Aqui aqui, sente-se com Babu, — ele disse, acenando uma pequena
mão em direção a um banquinho. — Bater papo.
Zorii se sentou e soltou um longo suspiro.
— Uau uau, diz muito que soa, eh? — Babu disse, sem olhar para Zorii.
— Você em casa, mas franze a testa, sem alegria que vejo.
Zorii abriu a boca, mas parou antes de falar. Não estava pronta, pensou.
Babu se virou, uma carranca em seu já enrugado rosto pequeno.
— Ocupado, muito a fazer, — ele disse, a irritação em sua voz óbvia. —
Zorii-Z, especial pra Babu. Mas não há muito tempo. Trabalho está em toda
parte, sim sim.
Zorii olhou ao redor da bagunçada oficina. A sala tinha sido como um
segundo lar para Zorii enquanto crescia, uma fuga das demandas e
expectativas de sua mãe. Um lugar onde ela não era Zorii Bliss, filha da
temida Zeva Bliss, líder dos Contrabandistas de especiarias. Ela era apenas
Zorii, uma criança com problemas de criança e devaneios. Em contraste
com o mundo frio e sombrio do lado de fora da porta de Babu, a sua oficina
era um oásis de calma e liberdade.
— Minha mãe quer conversar comigo hoje, para falar sobre o futuro. O
meu futuro, — Zorii disse, as palavras ganhando velocidade à medida que
progredia. Era um alívio desabafar, mesmo que apenas aqui, para Babu
Frik. Essas eram coisas que ela não poderia compartilhar com mais
ninguém, nem mesmo com Poe, e certamente não com a sua mãe. Nenhum
deles entenderia. — Não sei o que ela vai dizer. Mas tenho a sensação de
que não será bom. Que ela vai querer que eu me comprometa com ela, mais
do que já me comprometi, até. E eu estou bem com isso, amo a minha mãe.
E amo ser uma Contrabandista de Especiarias. Mas parece tanto, não sei, ter
tudo decidido por mim tão cedo. A minha história já está escrita? Estou
apenas passando pelos procedimentos? E se eu quiser fazer algo diferente...
Babu deu uma leve sacudida em sua pequena cabeça.
— Contrabandista de Especiarias sempre somos, e sempre seremos.
Zeva não é apenas a grande chefe, ela é mãe para você. Deixa díficil. E
quanto ao garoto?
— Poe? — Zorii perguntou. — Eu, eu não sei. Ele é determinado.
Inteligente. Astuto. Ele seria um ótimo Contrabandista de Especiarias...
— Ele em Kijimi, então ele é Contrabandista de Especiarias, — Babu
disse, de forma factual. — Não?
— Sim, suponho que sim, — Zorii disse, uma pontada de incerteza em
sua voz. — Mas há algo... uma hesitação. Eu posso ver isso nele. Me
preocupo que sejamos apenas um meio para um fim, Babu. Um caminho
pra sair do seu planeta natal, uma maneira de aprender a sobreviver.
— Você gosta do garoto, acho, — Babu disse, apontando uma
ferramenta longa e afiada para as peças do droide protocolo espalhadas
sobre a sua mesa. — Se Poe for, o que é Zorii? Deve pensar.
Zorii não respondeu. Não era a primeira vez que ponderava essa
questão. Embora tivesse sentido um frio Kijimi se instalar sobre o seu
vínculo com Poe desde a revelação de sua mãe e do pai de Poe, ainda
pensava nele frequentemente. Ainda passava horas com ele todos os dias.
Era fácil cair em rotinas familiares, mesmo agora. O que ela faria se ele
fugisse? Deixaria tudo para trás? Não tinha certeza.
— Chega disso, — Zorii disse, forçando um sorriso. — Tenho um favor
a pedir a você, querido Babu.
— Zorii, eu ajudo, não se preocupe, — Babu disse, se aproximando da
mão de Zorii e recebendo outro tapinha carinhoso. — Amigo seu.

A sala de batalha cavernosa estava vazia e escura quando Zorii entrou, um


leve vento frio a atingindo. Conseguiu distinguir uma figura do outro lado
da grande sala, o brilho do capacete sendo a única pista de quem era. Zeva
Bliss não se virou quando Zorii se aproximou, com os seus passos ecoando
enquanto se dirigia à sua mãe.
Ao alcançar Zeva, Zorii se abaixou, mal desviando do primeiro golpe do
longo bastão de sua mãe. Não teve tanta sorte no segundo, a ponta da arma
conectando-se com o seu queixo e a jogando pra trás, a superfície fria e
rochosa da sala de batalha arranhando a sua túnica. Fez uma careta, mas não
emitiu som.
Zeva Bliss, com o bastão apontado para o rosto de Zorii como uma
espada, se aproximou, com a sua expressão indetectável atrás do grande
visor de seu capacete. A sua voz era filtrada, mas ainda clara o suficiente
para ser entendida. Ela nem parecia ofegante.
— Um ataque pode vir de qualquer direção, querida filha, — Zeva
disse, balançando a cabeça. — Você deve estar sempre [Link] em
guarda.
Zorii empurrou o bastão da mãe para o lado e se levantou, limpando a
boca e não encontrando sangue em sua manga.
— Você queria me ver... Mãe?
— Sim, — Zeva disse, caminhando ao redor de sua filha. — Eu senti
que era hora de falarmos, livre e honestamente, sobre você, Zorii Bliss.
O nome ainda a abalava. Tinha sido Zorii Wynn por tanto tempo que se
acostumara com o disfarce. Mas Zorii Wynn não existia mais, e tudo o que
restava era Zorii Bliss, filha da líder dos Contrabandistas de Especiarias de
Kijimi.
— Estou aqui, — Zorii disse, tentando manter o tom neutro. — Como
você deseja.
— Como minha filha, você já está sobrecarregada por grandes
expectativas, então digo isso não sem algum entendimento, — Zeva disse,
com a sua caminhada desacelerando enquanto se virava para encarar Zorii.
— Mas todos enfrentamos desafios que devemos defender, e este é um
desses momentos, pra você e pra mim.
Zorii acenou com a cabeça, incerta quanto ao ponto da mãe, mas certa
de que não gostaria de ser interrompida.
— Tomasso se foi, com a sua traição uma surpresa da qual nunca irei
me recuperar, — Zeva disse. — Ele era como família pra nós. Mas ao longo
dos anos, o seu ressentimento cresceu e, no momento em que eu o matei,
ele havia atuado como informante para os nossos inimigos na Nova
República por meses, se não mais. A notícia estava começando a se
espalhar entre os Contrabandistas de Especiarias e, se eu não tivesse agido,
o meu próprio controle sobre o poder teria se enfraquecido. Você entende?
Zorii não respondeu. Entendia a lógica da mãe, mas não conseguia
acreditar que fosse verdade. Tomasso sempre fora severo, mas também
gentil, generoso e uma fonte de experiência e informação. Nunca teria
pensado que ele seria capaz de traição, muito menos numa escala como a
sugerida por sua mãe.
— Não preciso ser a sua mãe pra ver a dúvida em seus olhos, — Zeva
disse. — Mas a leve minha palavra, jovem. Tomasso viu o seu tempo
acabar. Ele procurou encontrar significado para a sua vida e acabou nas
mãos da Nova República. Eu vi as evidências com os meus próprios olhos.
Zorii desviou o olhar, incapaz de encontrar o olhar da mãe, mesmo
através do visor escuro que protegia o seu rosto do mundo.
Zeva se aproximou e colocou uma mão em seu ombro.
— Estou organizando coisas muito em breve, coisas que alterarão não
apenas as vidas de nossa equipe, mas todo o panorama da galáxia, — Zeva
disse. — E eu preciso de pessoas em quem confio perto de mim. Família.
Eu uma vez pensei que Tomasso era família. Como um irmão. Mas eu
estava errada. A sua morte...
Ficou em silêncio. O seu assassinato, Zorii pensou antes que Zeva
continuasse.
— Deixa uma vaga que só você pode preencher, Zorii, — ela disse. —
Eu preciso de um segundo em comando. Eu preciso da minha filha ao meu
lado. Você fará isso? Está pronta?
Zorii encontrou o olhar de sua mãe, seus olhos ferozes e focados.
— Estou pronta, — ela disse. — Estive pronta.
Zeva deu um passo para trás com um aceno.
— Bom, — ela disse. — Como eu esperava.
Ela colocou a mão sob o capacete, perto do queixo, e houve um suave
assobio. Levantou o capacete sobre a cabeça, revelando o seu verdadeiro
rosto, os seus olhos verdes afiados se destacando contra a sua pele nevosa;
uma longa cicatriz envelhecida correndo pela bochecha direita; o cabelo
negro como a noite caindo até os ombros. A sua expressão estava focada na
tarefa à frente, mas Zorii achou o movimento desconcertante. Ela, é claro,
já tinha visto o rosto da mãe quando era criança, ao longo dos anos, mas
não há muito tempo. Não desde que Zeva ascendera ao seu papel como
líder dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi. Era desconcertante ver
aquele semblante, da mulher que a criou, a nutriu, por baixo do capacete da
fria e cruel soberana conhecida como Zeva Bliss.
— Chegará um momento, querida, em que eu recuarei, ou serei
afastada, — disse Zeva, com as sobrancelhas erguidas em antecipação
enquanto se aproximava de Zorii. — E isso será seu. Não apenas a
vestimenta da líder dos Contrabandistas de Especiarias, mas o poder e a
responsabilidade.
Zorii segurou o capacete, com as suas mãos sobre ele ao lado das da
mãe, e sentiu uma onda de algo. Poder. Raiva. Excitação? Não tinha
certeza. Era tudo o que sempre desejara. Pelo menos até...
Poe.
Quando pensou de volta a esse momento nos anos que se seguiram,
nunca conseguiu identificar o que a fez se virar naquele instante. Uma
tosse? Um arranhar de botas no chão? Não. Era algo mais profundo. Uma
sensação dentro dela que sinalizava que não estavam sozinhos. Não
estavam há algum tempo. Alguém estava ouvindo atentamente, com medo
até de se mover.
O seus olhos se encontraram com os de Poe quando ela olhou para trás,
e ela sabia que as coisas nunca mais seriam as mesmas.
Ser um Contrabandista de Especiarias de Kijimi não era algo que se
pudesse colocar em pausa. Não era algo que se pudesse congelar enquanto
se ponderava sobre no que se meteu. Poe Dameron sabia disso. Estava
lutando com isso há um bom tempo. Mas nunca fora tão evidente quanto
naquele momento.
Contrabandistas de especiarias não esperavam por ninguém.
A cena de algumas semanas antes, de Zorii Bliss levantando o capacete
da mãe, ainda assombrava Poe. A visão estava congelada em sua mente.
Ainda tinha perguntas. Ainda queria conversar com Zorii, chegar à raiz do
que estava acontecendo. Mas isso teria que esperar. Eles tinham uma
missão. Para Zorii Bliss, a missão sempre vinha primeiro.
Esses pensamentos pulavam pela mente de Poe enquanto se agachava,
tentando se mover furtivamente. Os únicos sons que podia ouvir eram a sua
respiração pesada e a de Zorii enquanto atravessavam o frio planalto nos
arredores da Cidade Kijimi, capital do planeta Kijimi, lar dos
Contrabandistas de Especiarias. Puxou os seus macrobinóculos e olhou para
baixo, para o seu alvo, o Monastério Dai Bendu. Podia ouvir os passos
metálicos da EV-6B6 pararem por trás deles.
A Cidade Kijimi repousava sobre um planalto próximo à imensa
Montanha Izukika, onde o monastério podia ser encontrado. Construída mil
anos antes, a cidade frequentemente era saqueada e derrubada por várias
facções. Os monges há muito se foram, mas os seus edifícios e o seu legado
permaneciam. Poe olhou para Zorii e fez um rápido gesto com a mão. Era
hora de entrar.
Eles estavam em Kijimi há um pouco mais de um mês, pela contagem
de Poe, e ainda se sentia desorientado e deslocado. Pelo que Poe podia
dizer, através de suas próprias explorações e pesquisas, Kijimi havia sido
uma vez um centro espiritual, a paisagem da cidade capital repleta de
relíquias e templos abandonados. Mas esses dias haviam acabado. Kijimi
agora era um reduto para criminosos, um refúgio seguro para aqueles que
buscavam escapar do olhar da Nova República e continuar as suas
atividades ilícitas.
Havia apenas tanto que a Nova República, anos após as Batalhas de
Endor e Jakku, podia fazer. A liderança estava sobrecarregada, e a luta para
conter quaisquer remanescentes Imperiais levou o fôlego dos primeiros
anos do novo governo galáctico. Eles simplesmente não conseguiam deter a
maré do submundo, o que criou uma onda de apatia na galáxia em relação
ao novo regime. Kijimi, fria, gélida, remota e montanhosa, tornara-se uma
sede ideal para uma organização que lidava principalmente com as sombras
e áreas cinzentas da galáxia, e para qualquer um que quisesse se esconder e
sair do radar. Não havia um governo central ou corpo governante em
Kijimi, que era, para todos os efeitos, uma anarquia que havia alcançado
algum nível de estabilidade social, já que os próprios interesses criminosos
de cada um mantinham a civilização flutuando.
Ao chegar, e após ter o seu primeiro contato com a vida no planeta frio
e desolado, Poe se viu se perguntando quanto tempo esse paraíso criminoso
poderia durar. Quanto tempo a Nova República aparentemente fecharia os
olhos para um planeta inteiro dedicado a contorcer e quebrar quaisquer leis
que se interpusessem em seu caminho.
Poe ainda estava angustiado pelo rápido e mordaz escárnio de Zorii
quando a questionou sobre isso.
— Só vai ficar mais forte, — Zorii dissera. — A Nova República não se
importa com o que acontece aqui, e Kijimi consegue perceber. Eles não têm
o poder de fogo para pacificar mundos na periferia, ou lugares que não são
cosmopolitas ou de valor estratégico. Isso vai voltar para assombrá-los.
— É meio estranho que um planeta como Kijimi seja decorado com
tantas estruturas religiosas, — Poe disse, tentando quebrar o silêncio entre
ele e Zorii enquanto se aproximavam do monastério. Quaisquer ânimos que
haviam se inflamado durante sua confrontação na nave de Zeva haviam se
estabilizado numa distância profissional, apenas tornada mais estranha pelo
que Poe havia visto na sala de batalha e na discussão subsequente com Zorii
algumas semanas atrás. Zorii não era apenas sua amiga nessa jornada; ela
era a próxima na linha para comandar toda a operação. Essa era, em todos
os aspectos, a vida de Zorii, mais do que Poe havia percebido. Poe se sentia
da mesma forma? Ele se perguntava se havia chance de recuperarem até
mesmo um fragmento da amizade, do relacionamento que um dia tiveram.
E se não, onde isso deixava Poe Dameron?
— Criminosos são uma turma covarde e supersticiosa. Mas você sabe
disso, — Zorii disse, sem encontrar os olhos de Poe, com o seu tom sério e
hostil. — Contrabandistas e mercenários podem acreditar nas áreas
cinzentas da vida, mas também tendem a considerar monumentos como este
com uma estranha reverência.
— Os Contrabandista de Especiarias são pessoas complicadas, — Poe
disse inocentemente, uma tentativa desesperada de recuperar a conexão que
sabia, no fundo, que nunca retornaria.
— Você é um de nós. Não tente se distanciar, — Zorii respondeu,
virando-se para encarar Poe. — Quer você goste ou não, Poe Dameron,
você se estabeleceu com os Contrabandistas de Especiarias. Você pertence a
nós.
Os pensamentos ansiosos de Poe foram interrompidos pelo suave
trinado da voz da droide.
— Não consigo imaginar que exista uma vista melhor da Cidade Kijimi
do que esta, — exclamou EV-6B6 enquanto tentava acompanhar Poe e Zorii
em sua aproximação ao monastério.
— EV, faça silêncio, tudo bem? — Poe disse num sussurro severo. —
Estamos tentando nos manter incognitos.
— Só estou apreciando a paisagem, — EV-6B6 disse, parecendo
confusa com o comando ríspido de Poe. — Mas vou manter o meu
entusiasmo num volume mais baixo, se isso te fizer sentir melhor, Mestre
Poe.
A voz melódica do droide fez Poe voltar a um de seus primeiros dias em
Kijimi, seguindo Zorii pelo famoso Bairro dos Ladrões da cidade capital,
ambos vestindo roupas largas e em camadas que escondiam os seus rostos e
intenções. Eles estavam carregando o que restava de EV-6B6, mas Zorii se
recusou a explicar o porquê. Um enterro de droide? Poe se perguntara
enquanto atravessavam as ruas de paralelepípedos da Cidade Kijimi,
olhares estranhos e ameaças sussurradas criando uma trilha sonora tensa e
ansiosa a cada passo.
A pequena oficina apareceu do nada, e Zorii puxou Poe escada abaixo e
para dentro do espaço apertado e quente com uma força inesperada. A bolsa
carregada com os restos da EV-6B6 fazia barulho enquanto Poe a arrastava
em direção a uma longa mesa de madeira. Uma criatura diminuta, parecida
com um roedor, apareceu por trás da mesa. Ele olhou para Zorii, que
apontou para Poe.
— Babu Frik, gostaria que você conhecesse o meu amigo Poe Dameron,
— disse Zorii. — E aquele saco contém a droide que mencionei a você.
Babu assentiu enquanto Poe se aproximava.
— Poe, Poe, ei ei! — ele disse. — Amigo de Zorii é meu amigo, é.
Poe tinha ouvido Zorii mencionar Babu de vez em quando. Da primeira
vez, sentiu uma pontada de ciúmes. Mais tarde, ficou claro que Babu era
apenas um amigo, mas não esperava por isso. Babu Frik, como aprenderia,
era Anzellano e um dos melhores técnicos da Orla Exterior, além de ser um
dos membros mais leais dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi.
— Zorii diz que droide foi embora, mas nunca Babu vê droide que ele
não traz de volta, — disse Babu Frik com uma risada rouca. — Como...
como você sabia? — perguntou Poe, olhando para Zorii.
Ela respondeu com um sorriso caloroso.
— Você usa tudo na sua cara, Poe, — ela disse. — Eu ouvi você
tentando consertar a EV, mesmo que você não achasse que alguém estava
ouvindo.
Inclinou o seu rosto em direção ao dela, hesitando a princípio, porque
parecia que muito tempo havia passado desde o último momento assim, e
depois de forma mais natural, como se estivessem de volta a Sorgan, apenas
dois adolescentes aprendendo sobre a galáxia e um sobre o outro. Ela
acolheu o gesto, devolvendo o beijo com uma paixão que ele não esperava.
Mas uma leve tosse interrompeu-os.
— Babu aqui, lembra de mim, — disse Babu, batendo uma ferramenta
num braço de droide quebrado, o som estrondoso os trazendo de volta à
realidade. — Não convidei vocês aqui para o beijo beijo, não não.
Poe e Zorii abafaram risadas, com os seus rostos corando. A interrupção
de Babu trouxe Poe de volta ao motivo pelo qual estavam lá, por que Zorii
o havia trazido. Olhou para o saco de peças de droide que um dia foi EV-
6B6.
Zorii estava certa. Havia passado a maior parte de suas primeiras noites
no planeta frio tentando, com pouco ou nenhum sucesso, montar a droide
que nunca pensou que realmente gostava. Mas a verdade era que veio a
apreciar a sua perspectiva alegre e otimista sobre a vida, e a ordem súbita e
inesperada de Zeva Bliss para silenciá-la irritou Poe. Havia cuidadosamente
coletado o máximo da EV-6B6 que pôde antes de embarcarem na nave de
Zeva, incerto sobre quais eram os seus planos. Quando falhou
repetidamente em montá-la, pensou que era o fim. Ficou surpreso com a sua
própria tristeza. Nem gostava de droides. Gostava?
— Deixe eu ver, — disse Babu Frik, fazendo sinal para Poe trazer os
restos da EV-6B6 até ele. — Preciso saber como é o droide.
Poe cuidadosamente espalhou as peças sobre a longa mesa de madeira
desgastada. Babu Frik balançou a cabeça sem dizer uma palavra, apenas
emitindo um baixo rosnado que dizia muito. Poe sabia que era ruim. Um
tiro direto e próximo no meio do corpo de EV-6B6 não poderia ser um
conserto fácil.
Poe se virou para olhar Zorii, que observava atentamente enquanto o
mecânico de droide começava a trabalhar, classificando as caixas de
ferramentas, posicionando as várias partes do droide em algo que se
assemelhava ao que o droide um dia foi, murmurando para si mesmo. Poe
sentiu uma onda de calor por Zorii naquele momento. Imaginou-a assistindo
os seus esforços fúteis para reconstruir a EV-6B6 e percebeu que, apesar de
seu comportamento distante e defensivo em relação a Poe nos últimos
meses, ela ainda se importava. O beijo era prova física disso, mas o gesto de
trazer Poe até a oficina de Babu dizia ainda mais. Ela olhou para cima ao
vê-lo observando-a e respondeu com um sorriso surpreso, mas bem-vindo.
Seria uma memória que Poe guardaria por anos.
Mas também estava para sempre manchada por outro conjunto de
lembranças, de Zorii e Zeva. Visões que revelavam mais verdade do que
Poe jamais quis saber sobre o mundo dos Contrabandistas de Especiarias de
Kijimi.

Zorii incentivou Poe e EV-6B6 a avançar, mais perto do mosteiro, e de seu


destino. As palavras tiraram Poe de seu transe e o trouxeram de volta à
tarefa em mãos.
— Desperte. Não temos tempo a perder, — ela disse, com o seu tom
distante e duro. — Movam-se.
Todos se moveram, em uníssono, por um momento, mas então ela
levantou a mão para sinalizar que parassem.
— Precisamos rever o plano? — ela perguntou, claramente frustrada. —
Novamente?
Se tivesse sido há alguns meses, Poe teria se ofendido com a leveza,
mas essa era Zorii agora. A adolescente de olhos grandes e ansiosos havia
sido rapidamente substituída por uma mulher forte, focada e determinada.
Poe entendia. Isso era tudo o que Zorii se importava. Mas não precisava
gostar disso.
— Acho que estamos prontos, — disse Poe, seu tom mordaz. Ele
esperou que ela encolhesse os ombros e se virasse antes de continuar atrás
dela.
O plano imediato, pelo menos na mente de Poe, tinha muito a ver com
os Contrabandistas de Especiarias como um todo, um assunto que havia
aprendido bastante durante sua breve estadia na Cidade de Kijimi. Agora
que ele e Zorii haviam, para não dizer outra coisa, se graduado como
membros plenos, ele se tornara privativo de mais informações sobre a
organização e o mundo do qual ela surgiu.
Kijimi era diferente de tudo que Poe havia imaginado, escura, perigosa
e subzero tanto em temperatura quanto em sentimentos. Era um planeta de
ladrões regido pelas regras de ladrões, onde tudo era permitido desde que
você roubasse de forma justa, o que por si só era um alvo em movimento.
Cada esquina parecia repleta e carregada de possibilidade, um negócio, uma
traição ou uma ameaça. O clima gelado do planeta proporcionava noites
intermináveis e breves e fugazes explosões de luz do dia, que apenas
serviam para mostrar a sujeira e as rachaduras que compunham a antiga e
envelhecida infraestrutura do mundo. Poe não conseguia se livrar da
inquietação que sentia ao andar pelas ruas da capital, mesmo quando
acompanhado por Zorii, que era tratada com uma reverência medrosa que
Poe achava quase igualmente inquietante. Este não era apenas um lugar que
os Contrabandistas de Especiarias chamavam de lar, era um planeta
governado e administrado pelas leis e tradições dos Contrabandistas de
Especiarias.
Zorii escorregou levemente numa encosta de gelo, seus joelhos
raspando na rocha irregular. Poe correu para o seu lado, estendendo a mão.
Ela fez uma careta ao se levantar, apenas reconhecendo o gesto com um
aceno brusco.
— Desculpe, — ela disse enquanto continuavam, não olhando para ele,
focada no que estava à frente. — Eu...tenho muito na cabeça.
— Posso imaginar, — disse Poe. Ele não queria que isso soasse como
uma alfinetada, mas percebeu como Zorii poderia interpretar. — Quero
dizer, você tem muito com o que se preocupar.
— O que isso quer dizer?
— Nada, nada, — disse Poe, levantando as mãos em rendição. — Só sei
que você teve uma pressão extra, é só. Quero dizer, minha mãe não está no
comando de toda essa operação, mas acho que se ela...
— Não sou leal aos Contrabandistas de Especiarias porque minha mãe
está no comando, Poe, — Zorii disse, sua voz soando derrotada e cansada.
— Todos nós, incluindo você, estamos jurados a ficar ao lado dela, pelo que
ela fez. É mais do que apenas uma empresa para ganhar dinheiro.
Poe entendia. Ele havia visto a crença em ação em seu breve tempo em
Kijimi. O planeta era um testemunho da força dos Contrabandistas de
Especiarias, que não apenas podiam gerenciar uma das organizações
criminosas mais mortais da galáxia, mas também unir seus membros com
um fervor que abrangia um planeta inteiro. Mas até mesmo as organizações
criminosas mais estáveis tinham dissidências, e os Contrabandistas de
Especiarias, sob a liderança de Zeva Bliss, entendiam que nem todas as
operações satélites viam as coisas da mesma forma que ela. E enquanto
Zeva Bliss era paciente, ela não era uma tola. Se outros contrabandistas e
criminosos quisessem aproveitar o que os Contrabandistas de Especiarias
tinham, precisavam pagar um pedágio, uma taxa, e tinham que respeitar as
regras. Ou então.
— Então, uma vez que chegarmos lá, qual é a ideia? — perguntou Poe,
tentando quebrar o estranho silêncio que se formara. — Ou estamos apenas
fazendo o serviço de segurança?
— Receberemos nossas próximas ordens quando chegarmos, — disse
Zorii. As palavras soaram evasivas para Poe, mas ele atribuiu isso à
defensividade natural de Zorii.
— Vai ser uma reunião legal dos Contrabandistas de Especiarias, isso é
certo, — brincou Poe. Zorii o ignorou.
— Babu Frik, gostaria que você conhecesse meu amigo Poe Dameron,
— disse Zorii. — E aquela bolsa contém o droide que mencionei para você.
Babu acenou com a cabeça enquanto Poe se aproximava.
— Poe-Poe, oi oi! — ele disse. — Amiga de Zorii é minha amiga, sim.
Poe já tinha ouvido Zorii mencionar Babu de vez em quando. Da
primeira vez, sentiu uma pontada de ciúmes. Depois ficou claro que Babu
era apenas um amigo, mas ele não esperava por isso. Babu Frik, como
aprendeu, era Anzellan e um dos melhores técnicos da Orla Externa, sem
contar que era um dos membros mais leais dos Contrabandistas de
Especiarias de Kijimi.
— Zorii diz que o droide sumiu, mas nunca Babu viu droide que não
trouxer de volta, — disse Babu Frik com uma risadinha rouca.
— Como...como você sabia? — Poe perguntou, olhando para Zorii.
Ela respondeu com um sorriso caloroso.
— Você demonstra tudo no seu rosto, Poe, — disse ela. — Eu ouvi você
tentando consertar a EV, mesmo que você não achasse que alguém estava
ouvindo.
Ele inclinou o seu rosto em direção ao dela, hesitando no início, porque
parecia que muito tempo havia passado desde o último momento assim,
então de forma mais natural, como se estivessem de volta em Sorgan,
apenas dois adolescentes aprendendo sobre a galáxia e sobre si mesmos. Ela
acolheu isso, devolvendo o beijo com uma paixão que ele não esperava.
Mas uma leve tosse interrompeu-os.
— Babu aqui, lembre-se de mim, — disse Babu, batendo uma
ferramenta num braço de droide quebrado, o som metálico os trazendo de
volta à realidade. — Não chamei você aqui para o beijinho-beijinho, não-
não.
Poe e Zorii abafaram risadas, suas faces corando. A interrupção de Babu
trouxe Poe de volta ao motivo pelo qual estavam ali, por que Zorii o
trouxera. Ele olhou para a bolsa de partes do droide que um dia fora EV-
6B6.
Zorii estava certa. Ele passara a maior parte das suas primeiras noites
naquele planeta gélido tentando, com pouco ou nenhum sucesso, juntar os
pedaços do droide que nunca achou que realmente gostasse. Mas a verdade
era que ele aprendera a apreciar a perspectiva alegre e otimista dela sobre a
vida, e a ordem repentina e inesperada de Zeva Bliss para silenciá-la o
deixara desconfortável. Ele cuidadosamente coletou o máximo de EV-6B6
que pôde antes de embarcar na nave de Zeva, incerto sobre quais eram os
seus planos. Quando falhou repetidamente em montar o droide, pensou que
era isso. Ficou surpreso com a sua própria tristeza. Ele nem gostava de
droides. Gostava?
— Deixe-me ver, — disse Babu Frik, fazendo sinal para Poe trazer os
restos de EV-6B6 até ele. — Preciso saber como o droide era.
Poe cuidadosamente espalhou as peças sobre a longa mesa de madeira
desgastada. Babu Frik balançou a cabeça sem dizer uma palavra, apenas
emitindo um baixo rosnado que dizia muito. Poe sabia que era ruim. Um
disparo direto e de perto no meio de EV-6B6 não poderia ser uma conserto
fácil.
Poe se virou para olhar para Zorii, que estava olhando atentamente
enquanto o mecânico de droides começava a trabalhar, vasculhando caixas
de ferramentas, posicionando as várias partes do droide em algo que se
assemelhava ao que o droide já fora, murmurando para si mesmo. Poe
sentiu uma onda de calor por Zorii naquele momento. Ele a imaginou
observando os seus esforços infrutíferos para reconstruir EV-6B6 e
percebeu que, apesar do comportamento distante e defensivo de Zorii em
relação a ele nos últimos meses, ela ainda se importava. O beijo era prova
física disso, mas o gesto de trazê-lo ao ateliê de Babu dizia ainda mais. Ela
olhou para cima e viu que ele a observava, respondendo com um sorriso
surpreso, mas bem-vindo.
Seria uma memória que Poe guardaria por anos.
Mas também estava para sempre manchada por outro conjunto de
recordações, de Zorii e Zeva. Visões que revelaram mais verdade do que
Poe jamais quis saber sobre o mundo dos Contrabandistas de Especiarias de
Kijimi.

Zorii instou Poe e EV-6B6 a seguirem em frente, mais perto do mosteiro, e


de seu destino. As palavras sacudiram Poe de seu transe, trazendo-o de
volta à tarefa em mãos.
— Desperte. Não temos tempo a perder, — disse ela, com um tom
distante e duro. — Mova-se.
Todos fizeram isso, em uníssono, por um momento, mas então ela
levantou a mão para sinalizar que parassem.
— Precisamos rever o plano? — ela perguntou, claramente frustrada. —
Novamente?
Se isso tivesse acontecido há alguns meses, Poe teria hesitado com a
leve provocação, mas essa era Zorii agora. A adolescente de olhos
arregalados e ansiosos havia sido rapidamente substituída por uma mulher
forte, focada e determinada. Poe entendeu. Isso era tudo o que Zorii se
importava. Mas ele não precisava gostar disso.
— Acho que estamos prontos, — disse Poe, com um tom ácido.
Esperou que ela encolhesse os ombros e se virasse antes de continuar por
trás dela.
O plano imediato, pelo menos na mente de Poe, tinha muito a ver com
os Contrabandistas de Especiarias como um todo, um assunto que
conhecera bastante durante sua breve estadia na Cidade de Kijimi. Agora
que ele e Zorii haviam, pra falar a verdade, se graduado para a plena
adesão, se tornara conhecedor de mais sobre a organização e o mundo do
qual ela surgira.
Kijimi era diferente de tudo que Poe havia imaginado, escuro, perigoso
e subzero em temperatura e sentimentos. Era um planeta de ladrões regido
pelas regras de ladrões, onde tudo valia contanto que você roubasse de
forma justa, o que era um alvo móvel, por si só. Cada esquina parecia cheia
e carregada de possibilidades, um acordo, uma traição ou uma ameaça. O
clima gelado do planeta resultava em noites intermináveis e breves,
efêmeras explosões de luz do dia, que apenas serviam para destacar a
sujeira e as rachaduras que compunham a infraestrutura envelhecida e
antiga do mundo. Poe não conseguia se livrar da inquietação que sentia ao
caminhar pelas ruas da cidade capital, mesmo quando acompanhado por
Zorii, que era tratada com uma reverência temerosa que Poe achava quase
igualmente desconcertante. Este não era apenas um lugar que os
Contrabandistas de Especiarias chamavam de lar, era um planeta governado
e controlado pelas leis e tradições dos Contrabandistas de Especiarias.
Zorii escorregou levemente num barranco gelado, com os seus joelhos
raspando na rocha irregular. Poe apressou-se a seu lado, estendendo a mão.
Ela fez uma careta ao se levantar, apenas reconhecendo o gesto com um
aceno curto.
— Desculpe, — disse ela enquanto continuavam, sem olhar para ele,
focada no que estava à frente. — Eu... estou com muita coisa na cabeça.
— Posso imaginar, — disse Poe. Ele não quis fazer isso parecer uma
alfinetada, mas percebeu como Zorii poderia interpretar. — Quero dizer,
você tem muito com que se preocupar.
— O que isso quer dizer?
— Nada, nada, — disse Poe, levantando as mãos em rendição. — Só sei
que você teve uma pressão extra, só isso. Quero dizer, minha mãe não está
no comando de toda essa operação, mas acho que se ela...
— Eu não sou leal aos Contrabandistas de Especiarias porque a minha
mãe está no comando, Poe, — disse Zorii, com a voz soando derrotada e
cansada. — Todos nós, incluindo você, estamos jurados a apoiá-la, pelo que
ela fez. É mais do que apenas uma empreitada para ganhar dinheiro.
Poe entendeu. Tinha visto a crença em ação em seu breve tempo em
Kijimi. O planeta era um testemunho da força dos Contrabandistas de
Especiarias, que podiam não apenas operar uma das organizações
criminosas mais mortais da galáxia, mas também unir seus membros com
um fervor que englobava todo um planeta. Mas mesmo as organizações
criminosas mais estáveis tinham dissidências, e os Contrabandistas de
Especiarias, sob a liderança de Zeva Bliss, entendiam que nem todas as
operações satélites viam as coisas da mesma forma que ela. E enquanto
Zeva Bliss era paciente, ela não era tola. Se os outros contrabandistas e
criminosos quisessem aproveitar o que os Contrabandistas de Especiarias
tinham, teriam que pagar um pedágio, uma taxa, e teriam que respeitar as
regras. Ou não.
— Então, uma vez que chegarmos lá, qual é a ideia? — perguntou Poe,
tentando quebrar o estranho silêncio que se formara. — Ou estamos apenas
fazendo segurança?
— Receberemos as nossas próximas ordens quando chegarmos, — disse
Zorii. As palavras soaram evasivas para Poe, mas atribuiu isso à
defensividade natural de Zorii. Mesmo assim, ele queria se sentir como
parte da ação.
— Vai ser uma bela reunião dos Contrabandistas de Especiaria, com
certeza, — Poe brincou. Zorii o ignorou.
Estava apenas meio brincando. Sabia que estavam indo em direção a
algo único e potencialmente perigoso. Algo havia incitado Zeva Bliss a
convidar uma vasta seleção de senhores da guerra, contrabandistas,
traficantes de escravos, mercenários e chefes tribais para Kijimi para uma
cúpula. Ela descreveu o encontro como uma oportunidade de expor queixas
e comparar notas, para trabalharem juntos no fortalecimento de suas
crescentes e mútuas empresas criminosas, por um preço, é claro. A reunião
serviria como uma oferta de paz em um negócio que não era conhecido por
diálogo ou diplomacia. Zeva Bliss certamente não era conhecida por isso.
Continuaram a marchar adiante, com EV-6B6 a alguns passos atrás,
tendo mais dificuldade com o terreno do que Zorii ou Poe, mas se
recusando a reclamar. Poe estava feliz que o droide estava de volta. Sentia
falta dela mais do que achava possível.
— Isso parece um grande momento para Zeva, — Poe disse, tentando
acompanhar Zorii. — Pra todos nós.
A referência à unidade dos Contrabandistas de Especiaria suavizou o
humor de Zorii por um momento. Ela virou o rosto para Poe, parecendo
quase feliz, mas algo a impediu antes de falar.
— É, — ela disse lentamente, semicerrando os olhos, como se tentasse
ver além de algum tipo de barreira que Poe havia erguido entre eles. —
Zeva Bliss tem trabalhado nisso por... por muito tempo.
Poe sentiu uma pontada aguda de inquietação à medida que o trio se
aproximava do alvo. Algo parecia errado para Poe. Algo simplesmente não
encaixava. Ao longo dos anos, Zeva Bliss havia feito parcerias, expandindo
o alcance dos Contrabandista de Especiaria de Kijimi, solidificando seu
papel como chefe da organização criminosa. Mas, ao mesmo tempo, ela
havia feito a sua cota de inimigos. E ela convidou todos eles pra se
reunirem em Kijimi.
— Hmm, — Poe murmurou pra si mesmo.
Zorii olhou para ele por um momento antes de continuar o percurso.
A pergunta atingiu Poe completamente quando chegaram à borda do
mosteiro, como uma rajada de vento mais fria que o ar gelado de Kijimi,
que gelou a sua alma.
Por que estamos nos esgueirando para a nossa própria reunião?
Zeva Bliss entrou no salão do mosteiro, com a sua longa capa fluindo atrás
dela. Virou-se para os guardas e fez um movimento rápido com as mãos.
Eles se espalharam pelo ambiente, alguns de cada lado da mesa, com os
seus blasters imóveis. Eles não precisariam de suas armas agora, pensou. O
momento de batalha havia passado. Isso era outra coisa.
Este era o seu momento, o momento dos Contrabandistas de
Especiarias. O seu capacete ampliava a sua visão e fornecia uma visão
esquemática do espaço, amplo, aberto, desobstruído. Mas não era a visão
técnica que a interessava agora. Era o pessoal.
O zumbido de conversas se aquietou num murmúrio baixo à medida que
os presentes começaram a notar. Os participantes eram uma mistura de
aliados, inimigos e conhecidos, todo o espectro estava presente nesta
reunião. Podia sentir a tensão, como uma névoa lentamente engrossando à
medida que entrava no espaço. Cabeças se viraram. Os seus sentidos
aguçados captaram leves risadinhas e uma ou duas línguas rapidamente
estalando. Os seus olhos, através do longo visor do capacete, escanearam a
sala. Era como um resumo de cada acordo em salas dos fundos ou troca
ameaçadora que já havia vivenciado, remontando aos seus primeiros dias
como jovem membro da pequena gangue que cresceria e se tornaria os
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi. Esta era toda a sua vida, numa
sala, cada briga, cada aliança, cada traição, cada assassinato, como se os
deuses quisessem dar a Zeva Bliss um último momento de introspecção
antes de entrar na próxima fase. Era adequado, pensou, enquanto se sentava
à cabeceira da mesa. Quase perfeito.
À sua frente estava uma mistura de alguns dos contrabandistas e
caçadores de recompensas mais mortais que a galáxia tinha a oferecer. Eles
vieram aqui a convite de Zeva Bliss, na esperança de unir os vários
tentáculos do crime organizado para forjar um novo caminho para subverter
e contornar a Nova República e lançar uma era de ouro para os seus
'negócios', de uma maneira que eles só podiam imaginar sob o regime
severo do Império.
Ali estava BoShek, um humano Corelliano que muitas vezes era um
espinho no lado dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi quando se
tratava de transportar mercadorias. Sabia um pouco mais sobre ele, e isso
estava bom para Zeva Bliss. À sua esquerda estavam Alfris Sotin,
aparentemente recuperado do confronto na Estação Ankot; o resmungão
negociador de especiarias Iakaru Alugomes; e Caryn, uma contrabandista e
intermediária humana que fizera negócios nas fronteiras da Guerra Civil
Galáctica. Como BoShek, ela era misteriosa e falava pouco, características
de uma contrabandista bem-sucedida, pensou Bliss. Do outro lado de Caryn
estava o pirata de capacete Woan Barso. Um refugiado que apenas
acreditava em seu próprio traje laranja desgastado, Barso estava em
profunda conversa com um Abednedo chamado Sarb Iltage, cujos
tentáculos da boca pendentes e narinas pareciam estar se inflando em
surpresa ou raiva. Zeva não tinha certeza de qual. Não importava.
Astrid Fenris, outra contrabandista humana, sorriu quando o olhar de
Zeva a alcançou. Zeva acenou, mas ambas sabiam que tinha pouca
consideração por Fenris, considerando-a uma fraude e uma impostora. Mas
era importante que ela estivesse lá. À sua esquerda estava um negociador
Arconano espreitando e nervoso chamado Adlerber. À sua direita estava a
parceira de Adlerber, uma Kubaz fêmea com óculos e capuz chamada
Monigallgh. Na outra extremidade da mesa, espremido entre Vranki e o
Rodiano Civian Bain, estava o pirata robusto Tarand Crowe. O seu sorriso
perpétuo se suavizou, substituído por um aceno de entendimento, ao notar
Zeva Bliss sentar-se.
— Meus amigos, — disse Zeva Bliss, com a sua voz silenciando os
sussurros e murmúrios ainda surgindo. — Agradeço por estarem aqui, a
meu convite. Agradeço que, apesar das nossas desavenças passadas,
possamos sentar e estar abertos ao que está por vir. Ao futuro. Ao nosso
futuro.
Zeva Bliss se levantou, um movimento suave e rápido que surpreendeu
os outros participantes. Essa era a ideia, pensou.
— Somos, no melhor dos casos, rivais amistosos. No pior, inimigos
sedentos de sangue. Mas esses dias devem acabar agora, — continuou ela,
caminhando ao redor da longa mesa com uma precisão lenta e calculada.
Ela parou para acenar ou reconhecer cada um dos contrabandistas e ladrões
em seus lugares à medida que passava, tentando garantir que todos se
sentissem vistos e reconhecidos. — As Batalhas de Endor e Jakku criaram
uma nova ordem galáctica, e nos últimos anos, aprendemos maneiras de
subverter e contornar a Nova República, de muitas das mesmas maneiras
que lucramos com os erros do Império. Mas estou aqui para dizer que há
muito mais lucro a ser feito de outra maneira. Juntos.
Leves murmúrios surgiram quando Zeva Bliss fez uma pausa. Ela
esperava isso, um pouco de dissentimento antes que o seu ponto fosse até
mesmo feito. Mas ela estava pronta.
— Eu ouço as suas risadas secas, — disse ela. — Eu entendo a
hesitação. O que há a ganhar ao juntar os nossos recursos? Ao compartilhar
informações? Por que não continuar cortando esquinas e escavando do topo
como todos nós fizemos por gerações? Eu direi por quê.
Ela bateu seu punho na mesa, o golpe ecoando nos altos tetos e na
decoração espaçosa da sala.
— Podemos fazer melhor, — sibilou. — E o nosso tempo é agora,
enquanto a Nova República continua a falhar, continua a focar em outras
coisas.
Ela continuou a caminhar, mais rápido, mais irritada.
— O fato é que a Nova República não se importa conosco, ou com os
mundos na Orla Média ou na Exterior, — disse Zeva Bliss. — É o nosso
tempo para tomar controle do que é legitimamente nosso. Do que
merecemos.
— Isso é tudo bonito e aconchegante, mas e depois? — Foi Crowe
quem falou, com um encolher de ombros. — O que os Contrabandistas de
Especiarias de Kijimi podem me oferecer que eu não consiga fazer por
conta própria?
Zeva Bliss sorriu sob o seu capacete dourado.
Ela se aproximou de Crowe, e as conversas zumbidoras cessaram. Isso
era o que todos esperavam, em certo grau: um confronto. Uma batalha. A
farsa do convite de Zeva revelada como nada mais do que uma armadilha.
Mas ela parou antes de chegar a Crowe, que a olhava, uma expressão
divertida em seu rosto desgastado e rabugento.
— Uma excelente pergunta, — disse ela. — E a resposta é simples: os
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi estão prontos pra se tornarem
mais do que só uma gangue em ascensão tentando preencher um vazio.
Queremos ser mais do que a sua competição. Queremos ser os seus
parceiros. Se unirmos os nossos recursos, inteligência, armamento, rotas,
poderemos nos tornar mais ricos do que jamais imaginamos. — Crowe
balançou a cabeça.
— Não entendo, — disse ele com um escárnio. — Por que os
Contrabandistas de Especiarias iriam me dar os seus segredos? Pra quê?
Uma parte? Por que não só fazer isso sozinhos?
Zeva Bliss colocou uma mão enluvado no ombro de Crowe,
surpreendendo o contrabandista.
— Não somos invencíveis. Ainda estamos aprendendo. Os
Contrabandista de Especiarias de Kijimi não podem estar em todos os
lugares, — disse Zeva Bliss. — Mas vemos uma oportunidade. Vemos um
caminho para riquezas e um mundo onde nossas organizações podem viver
e prosperar ao lado da governança simplista da Nova República. — Ela
retirou a mão de Crowe e se virou para se dirigir a todo o grupo.
— Digam-me que vocês também não viram, meus amigos. A Nova
República estendeu-se demais. Eles estão mais preocupados em eliminar
fantasmas do passado do que em olhar para o futuro e determinar como
gostariam que a galáxia fosse. Agora, esse papel deve recair sobre nós, e
quero compartilhar a minha visão com vocês, pra garantir que a
aproveitemos mais rápido do que qualquer um de nós poderia fazer sozinho.
Barso falou em seguida, sem se preocupar em levantar a mão ou pedir
atenção.
— Já tentamos de tudo, vocês sabem? — ele disse. — Tentamos estar
uns contra os outros. Tentamos ignorar uns aos outros. Por que não ver o
que vem de trabalharmos juntos?
Adlerber interveio.
— Você está louco? Os Contrabandista de Especiarias de Kijimi nunca
hesitaram em nos trair antes. Por que deveríamos acreditar neles agora? —
Então Sotin falou.
— Não sou de julgar muito severamente. Eu sei que é uma galáxia
perigosa lá fora, a ideia de parceria é boa, até charmosa, — disse o
contrabandista. — Mas venho aqui mais por curiosidade do que por um
desejo genuíno de acreditar. No momento em que os ladrões começam a
confiar uns nos outros, já perdemos, não?
A sala fervilhava numa troca acalorada, todo o decoro perdido enquanto
as vozes se elevavam e alguns dos participantes se levantavam para serem
ouvidos. Zeva já havia visto esse tipo de incidente antes. Não demoraria
muito para que os criminosos reunidos estivessem uns contra os outros. Não
importa, ela pensou enquanto se movia silenciosamente em direção à saída.
O plano era o plano. Ela deu um sinal a um de seus oficiais de segurança
enquanto saía lentamente da sala, para não levantar alarmes.

— Isso parece errado, — disse Poe enquanto seguia Zorii por um caminho
desgastado do lado de fora da fachada desgastada do mosteiro. Puxou o
casaco para mais perto, tentando combater os ventos cortantes da Cidade
Kijimi. Ouviu os passos pesados de EV-6B6 por trás deles.
— O que você quer dizer? — Zorii disse enquanto Poe a alcançava,
com as costas voltadas para a parede do mosteiro. — Segundas intenções?
— Você poderia dizer isso, — Poe respondeu. — Mas é mais como
pensamentos, simplesmente. Por que estamos nos esgueirando se essa
reunião supostamente deveria ser sobre unir as pessoas?
— Se você tem uma pergunta, Poe, pergunte, — disse Zorii, inclinando
a cabeça ao redor de uma porta, então sinalizando que estava claro. — Não
tenho tempo para decifrar um código.
Eles a seguiram por um curto e escuro corredor antes de chegar a uma
sala vazia, o único mobiliário consistindo de dois pequenos leitos e um
pequeno terminal de controle que parecia fora de lugar na estrutura antiga.
— Isso parece pitoresco e aconchegante, — disse EV-6B6, andando
pela pequena sala. Ela olhou para o terminal de controle. — O que isso faz?
Parece ser um dispositivo de vigilância de algum tipo...
Poe agarrou o ombro de Zorii, e ela se virou para encará-lo, com o seu
rosto vermelho de raiva. Ela estava frustrada, mas era mais do que isso, Poe
percebeu. Ela estava lutando com algo mais. Algo mais forte.
Vergonha?
— Esta não é uma reunião para formar alianças, é? — Poe perguntou.
O silêncio de Zorii foi mais do que suficiente como resposta. Eles não
estavam ajudando Zeva Bliss a executar um plano unificador magistral para
alinhar as inúmeras organizações criminosas. Não estavam lá para garantir a
segurança de seus convidados ou para assegurar que Zeva Bliss conseguisse
transmitir a sua mensagem. Não. Era algo muito mais astuto, e muito, muito
mais mortal.
— É uma armadilha, — disse Poe. — E somos nós que vamos puxar o
gatilho.
A conversa que alteraria o curso da vida de Sela Trune começou de forma
tranquila, apenas uma das muitas tarefas mundanas que ela tinha que
supervisionar como parte de suas funções na Agência de Segurança da
Nova República. Mas as últimas palavras de seu supervisor saltaram para
fora, e a assombrariam até sua morte.
— Temos que encerrar essa caçada que você está fazendo, Trune.
Temos outros alvos além dos Contrabandistas de Especiarias. Precisamos
do nosso melhor pessoal focado em outro lugar.
— Você não pode estar falando sério, — ela respondeu. Se pudesse
segurar um espelho na frente do seu rosto, Trune tinha certeza de que teria
encontrado a sua boca aberta.
As palavras de Trune pairavam sobre o comunicador, o silêncio do outro
lado dizia mais do que o chefe da Inteligência da Nova República, Tolo
Mandah, poderia dizer com palavras.
— Você tem as suas ordens, Trune, — Mandah disse, finalmente
quebrando o silêncio. A sua postura era severa, mas não sem empatia. A
paixão de Sela Trune por essa missão não era segredo. — Eu percebo que
isso pode não ser o que você...
— É um erro.
— Desculpe?
— Estamos cometendo um erro terrível, — Trune disse. — Eu tenho
informações, boas informações, sobre um evento importante que poderia
alterar a paisagem do submundo criminal da galáxia, e isso implica
diretamente os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi. Só preciso de
algumas naves. Uma dúzia de homens, talvez menos, e nós iremos... —
Mandah limpou a garganta.
— Não temos os recursos, — ela disse, com as suas palavras mais
firmes agora. — Estamos além de nossas capacidades, Trune. Eu sei que
você entende isso. Eu sei que você tem um interesse pessoal nisso, acredite,
todos nós temos que trazer um pouco de paixão para essa causa. Mas não é
nossa batalha agora. Talvez em alguns meses...
— Não me faça de tola, senhora, — Trune disse friamente. — Eu
mereço mais do que isso.
Pôde perceber que Mandah não esperava tanta resistência. Apesar de
sua juventude, Trune havia conquistado uma reputação como uma oficial
que conhecia e seguia as regras. Essa desobediência estava fora de seu
caráter, e Mandah queria interromper isso rapidamente.
— Eu espero um relatório sobre como vamos realocar os recursos assim
que puder, — Mandah continuou. — Não quero ser dura aqui, Trune, mas
se não estamos nos entendendo, isso é um problema. Você entende?
— Entendo, — Trune respondeu. Estava sendo sincera. Realmente
entendia. Mas não era isso que Mandah se referia.
— Bom, — ela disse. — Agora, se isso é um problema, você precisa
resolver isso rápido. Precisamos agir para lidar com essa situação dos
caçadores de recompensas antes que se torne um obstáculo maior.
Silêncio.
— Trune? — Mandah disse. — Você está aí?
— Sim.
A paciência de Mandah estava se esgotando, Trune pôde perceber. Ela
realmente não se importava.
— Deixe-me ser clara, e estou dizendo isso apenas porque respeito você
e o trabalho que você fez para a ASNR, — Mandah disse. — Se você não
me mostrar que as coisas vão se afastar dessa obsessão que você tem com
esses Contrabandista de Especiarias de Kijimi, e faça isso rápido, vamos ter
um grande problema. Não quero ter que te transferir, entendido?
— Entendo, — Trune disse novamente, sem emoção na voz.
— Bom, — Mandah disse. — Estou ansiosa pelo seu relatório.
Desligou. Um silêncio carregado preencheu o espaço de trabalho
apertado de Trune.
Não haverá relatório para Tolo Mandah. Trune sabia disso enquanto
colocava o seu datapad e retrato falado sobre a mesa. Haveria uma troca de
turno na estação de docagem em cerca de uma hora. Seguiria para lá. Teria
uma conversa inócua com o oficial de plantão. Encontraria uma nave, uma
pequena e rápida, que a levaria aonde precisava ir. E seria isso.
Amava a Nova República. Amava tudo o que ela representava. Sentiu
um peso no coração ao perceber o que planejava fazer. Mas não tinha
escolha.
Zeva Bliss tinha que enfrentar a justiça.
As visões invadiram a mente de Poe, como uma inundação de memórias,
sonhos e possibilidades. Por um momento, estava num A-Wing,
combatendo TIE fighters na órbita de Endor, uma enorme Estrela da Morte
se destacando ao fundo. Então estava na superfície, caminhando através das
densas florestas do planeta, cercado por uma equipe de Desbravadores e
Ewoks, esquivando-se dos tiros de um grupo de stormtroopers. Em seguida,
estava em outro lugar em Yavin 4, correndo por uma estrada desolada, cheia
de vinhas, com os seus passos acompanhando o ritmo dos perseguidores,
uma voz autoritária ecoando atrás dele:
— Sabemos que foi você, Poe Dameron! Diminua e se entregue! —
Então era um garoto novamente, com os lençóis puxados até o queixo, a
silhueta da mãe pairando acima dele, com a sua mão suave em seu rosto
enquanto ela cantava uma canção de ninar familiar. Por que não conseguia
vê-la? Então a escuridão, o único som um lamento baixo e doloroso. Estava
em sua casa, mas mais velho, caminhando pelo corredor principal em
direção ao som angustiado. A sala estava escura; conseguia apenas
distinguir uma forma encurvada. Era o seu pai, tomado por soluços, uma
foto da mãe de Poe, Shara Bey, em suas mãos trêmulas.
A sua visão cortou para um campo, sangue em seu queixo, outro garoto
atrás dele, a voz da mãe ressoando em seu jovem cérebro enquanto um
grupo de crianças mais velhas se aproximava.
— Ajude quando puder, Poe. Somos uma família de ajudantes. Fazemos
o nosso melhor ao fazer a coisa certa, não importa quão difícil possa ser.
Nunca se esqueça disso.
Então estava mais velho, num landspeeder em Yavin 4, com o vento
batendo em seu rosto, L'ulo L'ampar dirigindo em alta velocidade. Não
lembrava como ou por que, mas estava com o amigo mais velho de sua mãe
quando L'ulo recebeu uma ligação. L'ulo não hesitou.
— Fique aqui, não diga nada, — L'ulo havia ordenado enquanto
acelerava o pequeno veículo da Força de Defesa Civil. Sem hesitação. A
necessidade de ajudar, de fazer o bem, estava incrustada nele, como estava
em Shara Bey e Kes Dameron. Apesar de serem pessoas falhas e
complicadas, eles sempre tentaram fazer o melhor. Ajudar os outros,
escolher o caminho da justiça em vez do egoísmo.
Poderia Poe Dameron dizer o mesmo sobre si mesmo?
— É uma armadilha, — Poe disse, com a sua voz plana e distante, ainda
processando a realização. — É uma armadilha mortal.
Zorii olhou para os seus pés, depois para Poe, balançando a cabeça. Ela
caminhou até o terminal e pressionou algumas teclas antes de se voltar para
encarar Poe novamente.
— Estou surpresa que tenha levado tanto tempo, — Zorii disse. — Você
realmente achou que a minha mãe estava reunindo todos os rivais que podia
para compartilhar uma refeição e cantar juntos?
— É um assassinato, — Poe disse.
Zorii riu, com um som seco e sem achar graça.
— Se não me engano, Poe, você estava desesperado para matar Sotin
não faz muito tempo, — Zorii disse. — Como isso é diferente?
— É uma armadilha, essas pessoas estão vindo esperando uma aliança,
— Poe disse. — Em vez disso, receberão uma facada nas costas.
— Você tem que ser mais inteligente do que os seus inimigos para
sobreviver, — ela disse com um encolher de ombros. — Você precisa saber
quando tomar decisões difíceis. Você não aprendeu nada?
Poe deu um passo hesitante para trás, com as mãos pra cima.
— Eu sei que são criminosos, Zorii, — ele disse. — Todos são pessoas
más, sem princípios. Mas não é uma luta justa.
— Justa? — Zorii disse, surpresa. — O que é justo, Poe? Esta vida é
sobre arranhar e lutar por tudo o que puder, por qualquer vantagem. Você
acha que os Contrabandistas de Especiarias chegaram tão longe sendo
justos, fazendo a coisa certa?
— Acho que vocês dois precisam de um tempo sozinhos, — disse EV-
6B6, recuando para o corredor. — Às vezes, um pouco de privacidade ajuda
quando casais...
— Não vou fazer isso, — Poe disse, encontrando os olhos de Zorii. —
Não vou matar pessoas a sangue frio.
— Poe, já foi. Está acabado, — ela disse, um sorriso gélido no rosto. —
Não terão chance de sobreviver.
— Não, — Poe disse, quase mais pra si mesmo do que para Zorii. — Eu
não posso... Eu não vou deixar você.
O soco veio rápido em direção a Poe, com o seu punho conectando-se
com o seu rosto e fazendo-o girar. Agarrou uma das camas e se impediu de
cair no chão. Ela estava em cima dele, recuando para dar outro soco. Antes
que pudesse, porém, Poe lançou um pé em sua canela, derrubando-a alguns
passos para trás, dando-lhe um momento para se recuperar.
— Eu não quero lutar com você, — ele disse. Sentiu o sangue
escorrendo pelo queixo, um corte na parte interna da boca. — Eu não quero
te machucar.
Zorii tinha acabado com as palavras. Ela saltou em direção a Poe, um
rápido chute em sua cabeça o derrubando no chão desta vez. Ela seguiu
com uma chuva de socos em seu abdômen, mantendo-o no chão. Poe teve
um vislumbre de sua expressão, com os seus olhos vermelhos de raiva, a
boca aberta como se estivesse gritando. De alguma forma, a sua recusa em
participar tinha sido o ponto de ruptura final. Finalmente a quebrou.
Finalmente cruzou a linha que ela esperava que nunca cruzasse. Apesar de
suas discussões, apesar de suas frustrações, ela provavelmente nutria a
esperança de que Poe mudaria de ideia, aceitaria completamente a vida da
qual ela estava tão disposta a fazer parte. Mas ele não tinha feito. E agora
ele estava contra ela.
Poe entendia, até certo ponto. Este era o momento de Zorii. Todo o
treinamento, as expectativas, a pressão, tudo havia culminado nisso. Ela
tinha que mostrar a sua lealdade, à causa, à própria mãe. Ela tinha que
entregar para Zeva Bliss. Se falhasse nessa tarefa, isso criaria uma
rachadura fatal nos Contrabandistas de Especiarias, uma falha que Zorii
nunca poderia suportar ser responsável. Qualquer amizade que eles tinham
quando entraram nos corredores úmidos do monastério já havia
desaparecido. Poe Dameron era seu inimigo agora, e Zorii Bliss não
mostrava misericórdia aos seus inimigos.
Ela fez uma pausa por um segundo, com sua respiração desacelerando.
Ela estava sobre Poe, sua mão segurando o seu túnica e o seu punho pronto
para atacar novamente. Poe esperou um momento, não tinha certeza do
porquê. Talvez estivesse esperando que ela mudasse de ideia, percebesse o
erro do plano. O ajudasse a se levantar para que pudessem tentar desviar da
armadilha insana e sedenta de sangue de sua mãe. Mas ela parecia
paralisada, olhando para baixo para Poe, seu rosto machucado e em
frangalhos. Como isso havia chegado a esse ponto, ele se perguntou?
O momento passou, e Poe a empurrou para longe dele num movimento
rápido e brutal, derrubando-a de costas, um gemido baixo escapando de sua
boca. Poe se levantou. Pensou em ajudá-la a se levantar, para tentar salvar
algo entre eles, mas foi interrompido por um som baixo e retumbante. O
monastério começou a tremer, devagar a princípio, depois mais
violentamente.
— O que...? — Poe perguntou. — O que está acontecendo?
Do canto do olho, ele viu Zorii se levantando numa das camas vazias.
Esfregou o queixo. Os seus olhos se encontraram, e disse duas palavras que
gelaram Poe até o núcleo.
— Está começando.
Poe disparou em direção à porta, esperando superar Zorii, mas antes que
conseguisse entrar no corredor, os braços dela envolveram os seus
tornozelos, puxando-o para o chão. A sua cabeça bateu no chão de pedra,
cegando-o por um minuto. A próxima coisa que soube, ela estava em pé
sobre ele, seu blaster apontado. O prédio ainda tremia, mas os pequenos
tremores eram mais consistentes agora, adicionando um efeito monótono e
vibracional a toda a situação.
— Ou você nos ajuda ou está contra nós, — ela disse. O seu rosto
estava arranhado e machucado, com o sangue seco em seu queixo. — Não
quero ter que te matar, Poe, mas eu o farei. Não duvide de mim.
Não duvidava. Se havia algo que Poe acreditava sobre Zorii, era o quão
profundamente conectada ela estava aos Contrabandistas de Especiarias. O
quanto a vida a consumira. Ela não era apenas uma ladra; era uma
Contrabandista de Especiarias de Kijimi, e nada que fizesse poderia mudar
isso. Ela nunca desviaria desse caminho. Tinha sido tolo até mesmo em
considerar isso.
Deixou a sua cabeça cair de volta no chão frio. A respiração dela se
acalmou um pouco, mas seu aperto na blaster não. Seria esse o fim, pensou
Poe? Ser morto pela mulher que ele um dia considerou a sua amiga mais
próxima? A única razão pela qual sentia que não poderia deixar os
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi? Fechou os olhos por um
momento e fez uma oração silenciosa. Não tinha certeza para quem, mas
fez mesmo assim. O tremor parou, pelo menos por fora. A cabeça de Poe
parecia estar passando por seu próprio tipo de choque pós-traumático.
— Parece que há alguns oficiais armados vindo nessa direção...e eles
parecem bastante irritados...
EV. Poe abriu os olhos. Zorii se virou para a voz de EV-6B6 e se
levantou. Ela caminhou em direção à porta e espiou ao redor da esquina,
com EV-6B6 por trás dela.
— O que? — Zorii disse. — Não vejo nenhum...
A carga elétrica saltou dos dedos de EV-6B6 para Zorii, fazendo-a ter
espasmos e gritar de angústia. O seu corpo começou a contorcer-se e tremer
com o choque enquanto o seu blaster caía no chão. Poe se levantou.
— EV, pare com isso, — ele disse. O droide obedeceu, e Zorii desabou
no chão, inconsciente. — Que diabos foi isso?
— Não há necessidade de me agradecer, — EV-6B6 disse enquanto saía
para o corredor. — Consegui me conectar ao terminal e obtive acesso
limitado ao plano de Zeva Bliss, que Zorii já ativou.
Poe deu a Zorii um último olhar antes de seguir EV-6B6. Ela estava
respirando. Devagar, mas respirando. Ele guardou o blaster dela e seguiu a
droide.
— Então, qual é o plano dela, EV? — Poe disse, contorcendo-se
enquanto aumentava a velocidade. — O que Zeva Bliss está fazendo?
— Pelo que entendi, Zeva Bliss reuniu os seus aliados e inimigos mais
próximos para discutir uma parceria, mas em vez disso irá executá-los, —
EV-6B6 disse, como se estivesse discutindo níveis de combustível numa
nave estelar.
— Eu sei disso, — Poe disse, tentando acompanhar o droide veloz. —
Mas onde? Quando?
EV-6B6 apontou para o final do corredor. Poe congelou ao ver uma
dúzia ou mais dos guardas pessoais de Zeva Bliss acompanhando um
punhado de pessoas rudes e descontentes na direção oposta.
— Agora, — EV-6B6 disse. — Bem ali.

— Você nunca vai escapar com isso, — BoShek disse, sem muita convicção
em sua voz. Um dos guardas dos Contrabandistas de Especiarias o cutucou
com um blaster. — Cuidado. Você vai se arrepender disso.
— Claro que vou, — disse o guarda encapuzado. — Agora se mova.
Zeva Bliss observou enquanto a sua equipe de segurança empurrava e
cutucava os seus novos prisioneiros do mosteiro para um extenso campo do
lado de fora, uma estrutura semelhante a um coliseu que um dia foi o lar de
cerimônias religiosas e místicas, quando Kijimi era mais espiritual do que
criminal. Agora serviria como um jardim de execuções, o lugar onde Zeva
Bliss superaria os seus concorrentes e finalmente colocaria os
Contrabandistas de Especiarias de Kijimi na elite do submundo criminoso
galáctico. Era uma jogada que levara anos para ser planejada. Que tinha que
ser executada com precisão e reflexão. Havia esperado pacientemente na
sala de guerra, falando sem parar sobre as suas esperanças e sonhos para
aquele grupo de tolos, pelo sinal de Zorii de que tudo estava em ordem.
Então os tiros começaram. As naves contrabandistas e transportes que
haviam levado pessoas como Tarand Crowe e Astrid Fenris a Kijimi
estavam sendo destruídas por enormes canhões laser escondidos na
estrutura de pedra do mosteiro, assim que uma porta gigante para o palco se
abria.
Assistiu enquanto os assentos ao redor da área de performance eram
preenchidos por seu próprio povo. Os seus Contrabandista de Especiarias.
Os trapaceiros, caçadores de recompensas, ladrões de dois centavos e
assassinos que ela juntara ao longo dos últimos anos para formar um todo
maior. Todos aqueles que juraram lealdade não apenas aos Contrabandistas
de Especiarias de Kijimi, mas a ela, a Zeva Bliss. Eles se deleitariam na
glória com ela. Eles experimentariam a sua realização mais alta ao lado
dela. O seu momento de vitória.
— Sem notícias de Zorii, — disse um dos guardas, com a sua voz baixa
para não ser ouvido. — Devemos enviar algumas tropas para encontrá-la?
Zeva não olhou para o mensageiro, fingindo desinteresse.
— Não, não, tenho certeza de que ela está bem, — disse ela. — Mas
precisamos encontrar esse Poe Dameron. Algo me diz que ele não tem... o
estômago para a missão que enviei a minha filha.
O guarda assentiu e se afastou.
Zeva Bliss não contava aos seus subordinados as suas ideias mais
íntimas ou, em último caso, como estava sentindo. Mas o conhecimento de
que a sua filha, a sua filha diligente, precisa e calculista, não havia feito
contato a preocupava. Era incomum para Zorii ficar em silêncio num
momento tão crítico. Um momento em que Zeva Bliss gostaria que ela
estivesse ao seu lado para celebrar a morte de seus inimigos mais mortais.
Iria repreender Zorii mais tarde, pensou Zeva Bliss enquanto sacava a
sua longa espada da bainha e se posicionava no centro. Um rugido
selvagem emanou da multidão, gritos de vitória. Zeva Bliss não esperava
que a emoção a invadisse, mas sentiu cada parte de si pulsando com
energia. Levantou a espada para o céu e foi recebida por outra onda
estrondosa de aplausos. Deixou o clamor diminuir antes de falar, com a sua
voz alta e poderosa.
— O tempo da paciência...acabou! — Zeva disse, com a sua voz
ressoando pelo espaço. — Depois que terminarmos, ninguém na galáxia
será ignorante, ninguém poderá alegar que não sabe quem somos. Ninguém
se atreverá a nos desafiar. Agora os Contrabandistas de Especiarias de
Kijimi tomarão o seu lugar adequado, destruindo os nossos inimigos e
escrevendo os nossos nomes pela galáxia em seu sangue!
A multidão respondeu com mais aplausos, agora tingidos com uma
violência maníaca e desesperada que estivera ausente apenas momentos
antes.

O coração de Poe Dameron afundou enquanto espiava Zeva Bliss pela porta
do coliseu, com EV-6B6 ao seu lado. Observou enquanto os contrabandistas
e caçadores de recompensas que haviam ido a Kijimi esperando fazer um
acordo eram conduzidos para o centro do amplo campo coberto de terra,
com os blasters apontados pra eles. Como Poe poderia esperar fazer a
diferença ali?
— Eles parecem estar movendo todos os visitantes pra fora, — EV-6B6
disse.
— Eu consigo ver isso, — Poe disse, mantendo a voz baixa. — Mas a
questão é por quê.
— Bem, se eu fosse a líder dos Contrabandistas de Especiarias de
Kijimi, e tivesse todos os meus concorrentes numa sala, — EV-6B6 disse,
com a sua voz mantendo o seu tom positivo habitual, — faria sentido não
apenas assassiná-los, mas fazer isso como um espetáculo público para
instilar medo e terror entre os seus próprios...
— Certo, certo, eu entendi, EV, — Poe sussurrou para a droide. —
Precisamos fazer algo.
— As probabilidades estão certamente contra nós, mas acho que
devemos tentar, — EV-6B6 disse sem hesitar.
Então o tremor começou novamente.
Mas era diferente, menos focado e mais familiar. Poe percebeu que o
barulho e as vibrações também eram uma surpresa para os Contrabandistas
de Especiarias, enquanto eles se apressavam para descobrir o que estava
acontecendo. Os homens de Zeva Bliss olhavam ao redor, tentando manter
parte da atenção em seus prisioneiros enquanto também tentavam entender
por que parecia que o próprio planeta estava se sacudindo de suas amarras.
Então Poe viu a nave e sentiu uma onda de alívio.
A nave de transporte da Nova República era grande e desajeitada, mas
pousou a poucos metros do grosso das tropas de Zeva Bliss como se isso
fosse um procedimento padrão. Os Contrabandista de Especiarias ainda
tentavam se reagrupar e descobrir um plano de ataque quando a porta
traseira da nave se abriu e a rampa de embarque atingiu o chão.
Sela Trune desceu, com o seu blaster apontado para Zeva Bliss.
— Surpresa, — disse Trune com um sorriso.

— Sela Trune, não é? Devo admitir que pensei que você fosse mais velha,
— disse Zeva Bliss enquanto caminhava calmamente em direção à nova
chegada, sua espada balançando ao seu lado. — De qualquer forma...bem-
vinda a Kijimi.
Bliss fez o seu melhor para parecer inabalável, mas mesmo àquela
distância, Poe pôde ver que a líder dos Contrabandistas de Especiarias
estava nervosa. Isso não fazia parte do plano. Era uma reviravolta
inesperada. E estava acontecendo na frente de toda a sua equipe.
Trune não respondeu. Ela pisou no chão empoeirado e manteve o seu
blaster fixo em Zeva Bliss.
— É preciso ter coragem pra invadir a minha casa, Oficial, — disse
Zeva Bliss, circulando Trune, com uma nova confiança em seus
movimentos. O que ela sabe? Poe se perguntou. Por que ela estava agindo
como se tivesse surpreendido Trune?
— Especialmente sozinha.
Sozinha. Seria possível que a oficial da Agência de Segurança da Nova
República tivesse chegado a Kijimi sem apoio? Sabia que Trune era
apaixonada, apenas com base em seu breve encontro na nave de Ledesmar.
Mas havia algo mais em seu desejo de capturar a líder dos Contrabandistas
de Especiarias? Algo...pessoal?
— Esta é minha luta, Bliss, — disse Trune. — Eu não gostaria de
compartilhar a minha vitória com mais ninguém.
Ela puxou um pequeno datapad do bolso lateral e pressionou algumas
teclas sem desviar o olhar de Bliss ou baixar o seu blaster. A nave por trás
dela ganhou vida. Três canhões laser surgiram do casco da nave e
dispararam contra a multidão de Contrabandistas de Especiarias por trás de
Zeva Bliss, fazendo-os correr para se proteger e criando uma larga fenda
entre Bliss e a sua gangue. Eles estavam sozinhos agora.
— Trune, a sua pontualidade é impecável, — disse Bliss, aproximando-
se da oficial. — Eu achei que você tivesse desistido. Mas eu deveria ter
sabido que não.
Bliss se lançou para frente, erguendo a sua espada e balançando a
lâmina com força. Trune mal conseguiu desviar do ataque, rolando pelo
chão e disparando alguns tiros. Um atingiu a armadura de Bliss, deixando
uma marca, mas Bliss mal percebeu. Ela levantou a espada novamente.
Trune disparou mais uma série de tiros na direção de Bliss, um deles
fazendo a outra mulher recuar. Repreendeu-se por subestimar a armadura de
Bliss. Chegara a Kijimi irritada e frustrada pela falta de iniciativa de seus
superiores em desmantelar os Contrabandistas de Especiarias. Até agora, a
Agência de Segurança da Nova República já havia notado a sua ausência,
registrando a nave desaparecida. Se saísse dessa viva, teria muito a explicar
aos seus superiores. Mas não tinha escolha. Desarmou a espada de Bliss,
fazendo com que a líder dos Contrabandistas de Especiarias xingasse alto
enquanto se levantava. Trune se aproximou, perto demais. Não esperava
que o chute de Bliss fosse tão rápido. No instante seguinte, a sua própria
arma estava escorregando pelo chão, fora de alcance.
Elas estavam se cercando, cada lutadora pronta para atacar, cada uma
carregada e pronta para se lançar contra a outra. A briga em si foi breve,
mas Trune já podia ver o desgaste em Bliss. Este era o seu grande momento
diante de toda a sua organização. Em vez disso, foi pega de surpresa e
envergonhada. Precisava acabar com isso rapidamente para salvar o
máximo de dignidade possível.
— Você cometeu um erro terrível, — disse Bliss, balançando a cabeça.
— Você não pode me vencer. Mesmo que o meu pessoal não consiga te
alcançar.
— Não, Zeva, você cometeu o erro, — disse Trune. Ela queria saborear
aquele momento, esperar até ter certeza de que havia vencido, mas a sua
própria impaciência a dominou. — Você traiu as próprias palavras que
defende.
Bliss hesitou, com a sua postura se suavizando, e Trune aproveitou a
oportunidade para atacar, desferindo um soco direto no visor de Bliss.
Ouviu um agradável som de crack enquanto o golpe derrubava Bliss no
chão. Pensou ter ouvido um suspiro unificado e audível do grupo de
Contrabandista de Especiarias assistindo à luta, incapazes de cruzar a vala
improvisada criada pelos canhões da nave sem se tornarem alvos fáceis.
Trune não se permitiu pensar muito em seu público, porém. Em vez disso,
atacou. Trune sentiu os seus nós dos dedos estalarem e arranharem o metal
duro do equipamento de proteção de Bliss, cada soco doendo quase tanto
quanto provavelmente doía em Bliss. Trune desacelerou ao sentir o aperto
de Bliss enfraquecer, o movimento da líder dos Contrabandistas de
Especiarias se tornando letárgico e grogue.
Trune agarrou Bliss pelo colarinho, levantando a sua cabeça para que
ficassem cara a cara. Trune podia ver os olhos de Bliss através do capacete
quebrado e trincado. Podia sentir o cheiro do sangue cobrindo o seu rosto.
A respiração pesada e esforçada de Bliss vinha em explosões irregulares.
— Acabe comigo, — disse Bliss, com a suas palavras saindo como um
suspiro. — É o que você quer, não é? Vingar a sua família morta...? Ter o
meu sangue nas pontas de seus dedos?
Trune cerrava os dentes. Bliss não estava errada. Mas faria isso em seus
próprios termos. Nos termos da Nova República.
— Eu já terminei com você, — disse Trune, um sorriso sombrio
surgindo em seu rosto. Ela podia ver a surpresa se infiltrar nos olhos de
Bliss. — Você apenas não sabe disso ainda.
Bliss endureceu em seu aperto, como se a verdade tivesse sido injetada
em sua corrente sanguínea. Ela sabe? Trune se perguntou.
— Eu não podia acreditar, que você sequer consideraria isso possível.
Que o Tomasso, a seu leal e inabalável vice, trairia a sua confiança, — disse
Trune, agora sussurrando, querendo que apenas Bliss ouvisse seu golpe
mortal. — Foi tão fácil... tão fácil plantar as sementes da dúvida. Fazer você
considerar... então acreditar... que a única pessoa que sempre esteve ao seu
lado estava na verdade procurando ocupar o seu lugar.
— Não, não... a prova, os fatos... — Bliss gaguejou. — Quem? Como?
— Marinda Gan estava mais do que disposta a vender todos os segredos
que pudesse reunir por uma chance de liberdade, — disse Trune, ganhando
força à medida que se aproximava da verdade que esmagaria Zeva Bliss. —
Era apenas uma questão de usar os seus segredos contra o Tomasso... e
você.
Um curto e gemido soluço escapou da boca de Zeva Bliss, o barulho
abafado era desconcertante. Ela era humana, afinal, pensou Trune. Sacudiu
a distração momentânea e continuou.
— Fatos podem ser fabricados, Zeva Bliss, — disse Trune, saboreando
a cada palavra, observando enquanto cada uma delas perfurava o coração da
outra mulher. — Verdades distorcidas e torcidas para se encaixar na
história... a história que eu queria que você acreditasse. Quando, na
verdade, foi uma traição completamente diferente que me deu o que eu
precisava para encontrar você... e esmagá-la.
Trune estava tão envolvida na história, tão absorvida em seu momento
de vitória sobre Bliss, a mulher que ordenou o ataque que roubou a sua
família, que não notou as mãos de Bliss se movendo furtivamente. Não viu
a pequena lâmina em sua mão. Viu o seu braço se erguer para cima tarde
demais. A lâmina não era longa, mas a faca irregular entrou em seu
abdômen com uma fúria concentrada. Trune sentiu a lâmina torcer dentro
dela, enviando uma dor ardente e incompreensível por todo o seu corpo.

Bliss percebeu a expressão de surpresa angustiada no rosto de Trune, com o


momento de vitória da oficial murchando.
— Que vergonha, Trune, — disse Bliss, empurrando a lâmina tão forte
no abdômen de Sela Trune que a oficial da Nova República foi levantada.
— Que erro bobo. Pensar que você me superou com palavras? É a lâmina
que vence a guerra, minha querida. E eu sempre carrego uma reserva.
Bliss empurrou Trune para o lado enquanto se levantava. A faca
permaneceu cravada enquanto ela tentava desesperadamente puxá-la para
fora, com os seus gemidos e lamentos crescendo mais frenéticos e
dolorosos. Zeva caminhou em direção à sua espada caída e a pegou,
levando o seu tempo ao retornar a Trune.
— É hora de você aprender a mesma lição que a sua família aprendeu
anos atrás, Sela Trune de Yungbrii, — disse Bliss, com um sorriso
ensanguentado visível através de seu capacete machucado. — Você nunca
atravessa os Contrabandistas de Especiarias de Kijimi. — O tiro do blaster
atingiu o ombro de Bliss, derrubando-a de joelhos. Ela se levantou
lentamente e se virou.
Quem se atreve?
Bliss olhou para o jovem, com os seus olhos arregalados de medo, a sua
mão segurando o blaster com uma rigidez e foco que gritavam nervosismo e
ansiedade. Ela se aproximou dele, com a espada erguida.
— Você também veio a Kijimi pra morrer, Poe Dameron?
Enquanto a oficial do Agência de Segurança da Nova República, Sela
Trune, começava a duelar com Zeva Bliss, Poe Dameron se viu num
inesperado beco sem saída.
— Dameron, vamos, precisamos encontrar uma maneira de atravessar
aquele cânion para ajudar a nossa líder, — disse um dos guardas
encapuzados, apontando para Zeva Bliss, que agora estava em combate com
Trune. — Temos que derrubar aquela oficial da Nova República antes que
os amigos dela entrem na briga.
Eles não sabem o que eu fiz, pensou Poe. O único Contrabandista de
Especiarias que sabia sobre a decisão de Poe de não participar do plano
assassino de Zeva Bliss era Zorii, que estava, esperançosamente, ainda
dormindo inquieta dentro do mosteiro. E EV6B6, claro. Ela também sabia.
Poe assentiu distraidamente para o guarda e agarrou EV-6B6 pelo braço,
arrastando-a em direção à entrada do mosteiro.
Com o canto do olho, Poe pôde ver um punhado de Contrabandista de
Especiarias armados conduzindo os seus prisioneiros para longe da batalha
entre Bliss e Trune e em direção à parede mais distante do campo. A
multidão parecia estar em silêncio, assistindo Zeva e Trune se enfrentarem.
A briga provavelmente era mais entretenimento do que esperavam, pensou
Poe.
— Você está me levando a algum lugar, Mestre Poe? — disse EV-6B6
enquanto se contorcia. Poe percebeu que ainda estava segurando o droide
com força e a soltou.
— Eles ainda pensam que estamos do lado deles, EV, — disse Poe,
apontando com o polegar para os Contrabandistas de Especiarias. — Então
precisamos usar isso a nosso favor.
— É bom que eles ainda acreditem que somos Contrabandistas de
Especiarias, — ponderou EV-6B6. — Mas estamos severamente em
desvantagem numérica, não acha? Não quero ser pessimista, mas...
Poe agarrou o droide pelos ombros, balançando-a levemente.
— Não, eu me recuso a pensar assim, certo? Vamos sair daqui, EV, —
disse Poe. — Apenas siga a minha liderança, tudo bem?
EV-6B6 se afastou do aperto de Poe, o que interpretou como um sinal
de concordância. Poe caminhou em direção a um guarda Contrabandista de
Especiarias que estava de vigia do lado de fora da entrada do mosteiro pela
qual tinha passado alguns minutos antes.
— Precisamos de mais armas, estamos ficando sem, você acha que pode
dar uma passada no arsenal e se reabastecer? — disse Poe. — As coisas
estão loucas aqui fora e não podemos nos dar ao luxo de estar com dois
homens a menos.
O guarda se virou e disparou após algumas palavras murmuradas de
concordância. Poe lutou contra o impulso de sorrir para EV-6B6. Outro
guarda, o mesmo que tinha ordenado que Poe se juntasse a eles, talvez, Poe
não conseguia dizer, apareceu. — O que vocês dois estão fazendo aqui? —
ele disse. — Querem ajudar?
Poe começou a responder, mas foi interrompido.
— Bom, bom. Estamos tentando descobrir como chegar mais perto da
luta, — continuou o guarda. — Aquela maldita vala não vai ser fácil de
atravessar. Se um de nós tentar, aquela oficial da Nova República pode nos
eliminar. Mas acho que podemos esperar. Eventualmente, Trune vai
cometer um erro e poderemos intervir. Mas precisamos nos posicionar
agora. Está demorando uma eternidade para esses amadores montarem um
plano, mas acho que conseguimos. O problema é que precisamos de alguém
para vigiar os prisioneiros enquanto nos movemos. Você acha que você e o
seu droide podem lidar com isso?
Poe assentiu entusiasticamente.
— Encontre-nos na parede mais distante, — disse o guarda. — Você
ficará responsável por vigiar os prisioneiros para que possamos dar apoio a
Zeva Bliss.
— Sim, só preciso dar uma checada na droide e então a trarei, — disse
Poe. — Nos vemos em breve.
O guarda parecia um pouco confuso, mas deu de ombros e caminhou
em direção à massa de Contrabandistas de Especiarias e prisioneiros se
movendo pelo campo. Enquanto ele se afastava, o seu enviado do arsenal
chegou, carregando um grande estojo.
— Peguei o máximo que consegui, — disse ele. — Isso vai causar um
sério estrago.
— Excelente, isso é perfeito. Vou garantir que Zeva Bliss saiba disso,
— disse Poe, inclinando-se para frente e tentando fazer contato visual com
o guarda. — Esse é o tipo de trabalho que nunca deve passar despercebido.
O guarda tentou conter a sua empolgação.
— Oh, bem, ótimo, obrigado, — disse ele. — Isso significaria muito,
quero dizer...
Poe deu um tapinha no ombro do guarda, timidamente.
— Agora, volte para o seu posto, — disse Poe. — Não podemos correr
o risco de outros incidentes, sabe?
— Certo, certo, — disse o guarda, voltando à sua posição anterior na
entrada.
Poe e EV-6B6 começaram a arrastar o grande estojo pelo campo sujo
em direção aos prisioneiros. Poe reconheceu alguns dos contrabandistas
sendo mantidos sob a mira de armas, Sotin, Crowe, Barso e Fenris, para
começar, mas muitos eram novos para ele. O plano era arriscado, mas não
conseguia pensar em outra maneira de sair. Não podia enfrentar toda a
organização dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi sozinho. E quem
melhor para um ladrão como Poe confiar do que outros ladrões?
— Não responda a isso, — ele murmurou pra si mesmo.
— Você disse algo, Mestre Dameron? — perguntou EV-6B6.
Poe ignorou o droide enquanto o punhado de guardas que monitorava os
prisioneiros se virou em direção ao som do estojo sendo arrastado.
— O que é isso, Dameron? — disse o guarda líder, com as suas feições
ocultas por um capuz escuro.
— Rações, — disse Poe. — Achei que os nossos prisioneiros poderiam
querer uma última refeição.
— Refeição? — disse o guarda. — Você está louco? Estamos prestes a
executar todos eles.
— Você fala em boa exibição. Especialmente para alguém que está
apontando uma arma para um homem desarmado, Contrabandista de
Especiarias, — disse Crowe para o guarda. O contrabandista lambeu os
lábios, quase como se soubesse o que Poe tinha em mente.
— Jogue-me uma arma e veremos quem será executado.
— Só seguindo ordens, — disse Poe para o guarda líder, dando de
ombros. — Da própria Bliss antes de ela se envolver nisso.
Poe se virou para ver como a batalha estava indo. Os combatentes
estavam a cerca de duas dúzias de metros de Poe e dos prisioneiros. Pelo
que podia ver, Trune estava por cima de Bliss, seus rostos próximos. A
situação não parecia boa para a sua líder, o que era bom para Poe.
— Certo, certo, — disse o guarda líder. Ele apontou o seu fuzil blaster
para o estojo e falou para os seus subordinados mais próximos.
— Leve isso até os prisioneiros.
Os guardas obedeceram, abrindo o estojo. Mas não encontraram pacotes
de ração selados dentro. O estoque de blasters e rifles seria a última coisa
que veriam por um bom tempo.
— Desfrutem da última refeição, pessoal, — disse Poe, desativando os
dois guardas mais próximos com uma rápida série de disparos de blaster. —
Ouvi dizer que esse jantar faz maravilhas pela expectativa de vida.
Infelizmente, os guardas restantes não eram tão fáceis de incapacitar,
posicionando-se entre o estoque de armas e os seus prisioneiros. O coração
de Poe afundou. Revelara-se como um traidor, apenas para ver o plano
desmoronar. Poe podia ver a desespero nos olhos dos prisioneiros enquanto
os guardas restantes tentavam dividir a sua atenção entre eles e Poe. Pensou
ter ouvido EV-6B6 se movendo lentamente por trás dele, em direção aos
guardas.
— Parece que Zeva Bliss foi morta, — disse EV-6B6, com o seu tom
inusitadamente triste. Poe se virou para olhar em direção à batalha, assim
como alguns dos guardas. Antes que Poe pudesse fazer uma pergunta, ouviu
um tumulto e o familiar som de disparos de blaster. Olhou pra trás e
encontrou o guarda líder se contorcendo no chão, Tarand Crowe em pé
sobre ele, com um blaster apontado para a sua cabeça.
Crowe não se preocupou em dizer uma frase de efeito, disparando
algumas balas na cabeça do guarda antes de passar para desativar outro
Contrabandista de Especiarias que se aproximava. As chances estavam se
igualando.
Alguns dos prisioneiros, Caryn, Fenris, Adlerber, apenas correram, indo
em direção às suas naves e esperando conseguir sair do planeta. Mas outros,
como Crowe e Barso, se deliciaram demais com a luta. Poe quase deixou
escapar uma [Link] conseguido.
Quando começou a girar, viu uma forma familiar passando rapidamente
por ele. Sem pensar duas vezes, Poe estendeu a mão e agarrou Sotin pelo
colarinho, surpreendendo o criminoso esbelto e puxando-o de volta com um
movimento brusco.
— Achei que fosse você, — Poe disse, sem conseguir esconder o
sorriso no rosto. — Engraçado como continuamos nos esbarrando.
— Oh, ah, Poe Dameron, — Sotin sussurrou, incapaz de fazer contato
visual. — Obrigado, por, sua ajuda. Você...
Poe deu um golpe com o cotovelo no rosto de Sotin, fazendo o
contrabandista girar para trás. A sua cabeça atingiu o chão com um som de
thwack alto. Isso teria que ser o suficiente, pensou Poe. Não havia tempo
para ressentimentos. Pelo menos não na medida que Poe queria.
— EV, acho que podemos sair dessa, — Poe disse enquanto disparava
num guarda que se aproximava, derrubando-a para trás. — Não posso
acreditar. Você consegue? Realmente lhe devo uma. Não posso acreditar
que um droide salvou meu...
Silêncio. Poe se virou para a direita, para o último lugar onde vira o
droide. O silêncio não era realmente o forte de EV-6B6, sabia Poe, e
compreendia por que ela havia ficado quieta agora. Em vez de EV-6B6, Poe
encontrou uma carcaça queimada e destroçada, a cabeça da droide
completamente destruída e os seus circuitos internos expostos, uma fumaça
espessa subindo da carcaça desmembrada.
— Não, espera, EV, o que...? — Poe disse, estendendo a mão para o
droide, mas se deteve, aceitando que o dano já estava feito. Mesmo o toque
mágico de Babu Frik não poderia salvar a sua amiga.
Passos. Em meio ao tiroteio, Poe ouviu passos. Olhou para cima e viu
um dos guardas, com o blaster apontado pra ele. Estava perto. Perto o
suficiente para ter causado sérios danos a EV-6B6. Poe sentiu o seu punho
apertar em torno de seu próprio blaster, sentindo o seu rosto esquentar de
raiva.
— Achou que poderia nos trair, jovem? — disse o guarda, com o seu
rosto azul cicatrizado franzindo-se de raiva. Os chifres afiados e os
tentáculos de cabeça carnudos do Chagriano pareciam prontos para atacar.
— Não se pode simplesmente deixar os Contrabandistas de Especiarias de
Kijimi.
Antes que Poe pudesse pensar em atirar, a mão do Chagriano agarrou o
seu pescoço e o levantou no ar, sua outra mão prendendo o pulso de Poe,
tornando impossível para ele disparar. Ele podia sentir o cheiro da fiação
queimada e dos circuitos que antes eram EV-6B6 abaixo.
— O que, quem é você? — Poe perguntou entre respirações
entrecortadas.
— Meu nome é Gezlar, — disse o Chagriano, apertando o seu punho em
torno de Poe, com o seu sorriso escuro se alargando. — Mas isso não vai
lhe ser útil agora. Eu soube que havia algo errado com você no momento
em que chegou. Você parecia limpo demais. Bonito e puro demais. Você
não tinha o sangue de um Contrabandista de Especiarias. E eu estava certo.
Poe arranhou a firme garra do Chagriano, com as unhas de sua única
mão livre cravando-se na carne azul clara, mas isso não parecia afetar
Gezlar. Se acaso, isso o deixou mais irritado. A visão de Poe começou a
ficar embaçada, depois escureceu nas bordas. É o fim, pensou. Havia
chegado tão perto.
Então Gezlar hesitou quando um grito alto e doloroso interrompeu a
batalha. O grande Chagriano olhou para longe de Poe e em direção ao
centro do campo, que havia sido isolado pelas explosões da nave de Trune.
Poe seguiu o olhar de Gezlar e o seu coração afundou.
Mesmo àquela distância, Poe pôde ver Zeva Bliss levantando o corpo
destroçado de Sela Trune e jogando-o de lado como um saco de lixo
sobrecarregado. Trune caiu pesadamente e não se moveu mais. Gezlar ficou
parado, hipnotizado pela violência.
A garra de Gezlar em torno da mão de Poe afrouxou ligeiramente,
permitindo que os dedos de Poe se fechassem em torno de seu blaster.
Quando o Chagriano começou a se virar para terminar o que havia
começado, recebeu um tiro na cabeça. A mão massiva que envolvia o
pescoço de Poe caiu, e o behemoth azul colapsou no chão.
Poe tossiu alto, esfregando o pescoço, que estava áspero e arranhado,
mas de resto em boas condições. Deu uma última olhada na carcaça da EV-
6B6 e seguiu em direção a Trune. Em direção ao que era certo.
Zeva Bliss estava voltando para a forma caída de Trune enquanto Poe
acelerava em direção a elas, encontrando um pequeno trecho de terra que
não havia sido destruído pela nave de Trune, permitindo-lhe cruzar para o
seu círculo privado sem muita dificuldade. As costas de Zeva estavam
voltadas pra ele, e Poe não tinha tempo para pensar em estratégia.
Provavelmente porque não havia nada a formular. Eles estavam na fase
final, e tudo se resumia a sorte e instinto. Disparou dois tiros contra Zeva
Bliss.
Um errou. O outro atingiu, fazendo Bliss cair de joelhos.
A líder dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi levantou-se e se
virou lentamente, e Poe teve uma visão de seu capacete quebrado e
danificado antes que ela falasse, sua boca formando um sorriso
ensanguentado e maníaco.
— Você também veio a Kijimi pra morrer, Poe Dameron?

Acordou com raiva e com dor.


Zorii Bliss voltou a si, com a cabeça confusa. A sua pele estava
formigando de uma maneira estranha. A sua boca estava seca e o seu
equilíbrio estava prejudicado enquanto ela se levantava, rapidamente no
começo, mas depois com mais deliberação. O que quer que aquela droide
tivesse feito com ela, tinha sido ruim.
A sala estava quieta e vazia, além do pequeno terminal no fundo. Não
ouvia nada acontecendo do lado de fora do espaço, mas tinha certeza de que
algo estava acontecendo. Quanto tempo havia estado inconsciente?
O mais importante, onde estava Poe Dameron? Poe.
Zorii balançou a cabeça. Não. Não deixaria as suas emoções
interferirem. Poe os havia traído. Traído-a. Sabia que esse momento estava
chegando rápido, só não queria aceitar. Não queria considerar que alguém
por quem ela começou a se importar não tinha a mesma coragem que ela.
Mas a realidade estava bem na frente de seu rosto: Poe Dameron não era
um Contrabandista de Especiarias de Kijimi. A sua existência continuada
colocava toda a operação em risco.
Gemeu enquanto tentava aumentar a velocidade, deixando a sala para
trás e examinando os corredores vazios. Pensou ter visto algum movimento
no final, em direção à saída. Ouviu sons também. Aplausos? Poe.
Não queria pensar nele. Queria pensar na ideia dele, um traidor. Um
idealista fraco incapaz de tomar as decisões difíceis que faziam parte do ser
um Contrabandista de Especiarias. Mas a sua mente, provavelmente os
efeitos de uma leve concussão, raciocinou, não tornava isso fácil. As
imagens continuavam aparecendo enquanto seguia pelo corredor. Aquela
beijo na nave Moraysiana. O abraço na oficina de Babu, e como parecia
natural, mesmo após o que parecia uma eternidade de frieza. O salto na
hiperespaço e o sorriso confuso de Poe. Como ele sonhava com eles
fugindo juntos antes que ela o rechaçasse. Ele se importava com ela, mesmo
quando não estavam próximos ou falando ou mesmo na mesma sala. Ela
sabia disso.
Então por que ele a traiu?
— Pare com isso, — ela murmurou para si mesma. — Pare com isso,
droga.
— Zorii Bliss?
Zorii se virou. Era um guarda. Ele parecia fora de lugar, confuso.
— Sim? — ela disse. — O que está acontecendo? Onde estão os
prisioneiros? — Eles estão, bem, esse é o problema...
— O que está acontecendo? — ela gritou, agarrando os braços do
guarda. Ele tentou se afastar, mas ela segurou firme. — Onde está Zeva?
Onde está a minha mãe?
O guarda se desvencilhou de seu aperto, esfregando um dos braços
como se as mãos de Zorii o tivessem queimado ao toque.
— Esse é o ponto, — ele disse. — Ela está lá fora... Ela está em
combate. Os prisioneiros escaparam. Eles estão soltos lá fora, mas a sua
mãe está presa. Ela está lutando contra essa mulher, parece ser uma oficial
da Nova República. Jovem, cabelo curto...
Trune.
— Como? Como os prisioneiros escaparam? — Zorii perguntou,
seguindo em direção à saída. Em direção à sua mãe. O guarda a
acompanhava, mantendo o ritmo, mas também mantendo distância. —
Como isso está acontecendo?
— Foi, bem, foi o seu amigo Dameron, — disse o guarda, balançando a
cabeça com desgosto. — E aquela droide insípida. Eles trouxeram algumas
rações, mas eram armas...
Zorii não deixou o guarda terminar. Virou-se e marchou pra fora do
monastério. Não havia tempo, pensou. Tinha que fazer algo.
O que encontrou foi puro caos. Levou um momento para entender.
Guardas atirando indiscriminadamente. Piratas e contrabandistas correndo
em direção à liberdade. Gritos de surpresa e agonia. Pisou em algo que
parecia um droide derretido. Não havia lados. Não havia razão. Chamar
aquilo de uma confusão seria generoso. Pegou um blaster caído e o colocou
na cintura enquanto se dirigia para o centro da vasta extensão de terra.
Então tudo ficou claro. A nave da Nova República. Uma vala que parecia
cercar alguns combatentes. Um deles era a sua mãe. Zorii podia dizer
mesmo daquela distância. Outro estava no chão, espancado, talvez morto.
Trune? Zorii não tinha certeza. Mas então um terceiro, fazendo uma
aproximação cautelosa.
Zorii correu em direção à cena, mas estava muito longe para interceder.
Então o intruso se tornou visível.
Viu Poe Dameron atirar em Zeva Bliss, derrubando a sua mãe de
joelhos, pegando-a de surpresa.
A líder dos Contrabandistas de Especiarias de Kijimi se recuperou,
levantando-se e virando-se para enfrentar o seu atacante. Zorii não
conseguiu ouvir o que Zeva Bliss disse a Poe. Mas ela tinha uma ideia.
Zeva não gostava de ser alvejada.
Zorii Bliss correu.

Poe disparou mais dois tiros em Bliss, já não interessado numa resposta
rápida. Não havia mais espaço para risadas, pensou. Visões passaram por
sua mente, o A-Wing abandonado de sua mãe. O seu pai chorando sozinho
em sua casa escura. Vigilch empalado. Tomasso sangrando num mundo
desconhecido. EV-6B6 estourado em pedaços. Tinha visto demais, rápido
demais. Percebeu isso agora. Sentiu-se tão tolo.
Bliss deu um passo pra trás, surpresa com o ataque de Poe.
Aproveitando a sua distração momentânea, fez um caminho direto até
Trune, que ainda estava no chão, com o seu peito mal se movendo.
Ajoelhou-se ao lado da oficial da Segurança da Nova República caída e
segurou a sua mão.
— Vamos te ajudar, certo? — disse Poe, tentando soar confiante, mas
ciente de que a sua sobrevivência era uma impossibilidade. — Vamos
encontrar um jeito de sair deste planeta.
— O que aconteceu, Dameron? — Trune disse, com a sua voz soando
como botas em vidro quebrado. — Voltou à razão?
— Algo assim, — Poe disse. — Sinto muito. Sinto muito por você ter
que vir aqui e morrer, só por estar me procurando.
Trune soltou uma breve risada rouca.
— Se toca, garoto, — disse ela, fazendo careta a cada outra palavra. —
Não se trata de você. Não é tudo sobre você. Os Contrabandista de
Especiarias mataram a minha família. Não queria que eles... destruíssem a
sua... também.
Ela se foi.
Poe fechou os olhos de Sela Trune com os seus dedos. Ele podia ouvir
Zeva Bliss se aproximando dele por trás. Ele se levantou e se virou para
enfrentá-la.
— Eu sabia que isso não era para você, — disse Bliss, levantando a sua
espada enquanto caminhava em direção a Poe. — Mas a minha filha tentou
me convencer. Ela disse que você tinha o coração de um Contrabandista de
Especiarias. Acho que a única maneira de saber com certeza...
Ela brandiu a sua espada, com a ponta da lâmina cortando o peito de
Poe, rasgando o tecido de sua camisa e deixando um corte profundo.
— É se eu cortar isso fora eu mesma, — disse Bliss.
— Você é uma assassina, não uma ladra, — disse Poe, apontando o seu
blaster para Zeva Bliss, surpreso com as suas próprias palavras. — Você
não tem código de honra. Os Contrabandista de Especiarias são uma farsa.
Bliss soltou uma risada longa e maníaca e deu mais um golpe em Poe,
com a lâmina raspando em seu blaster.
— Que tolinho encantador você é, — disse Bliss. — Pensar que há
algum tipo de honra entre ladrões.
Poe disparou novamente enquanto Bliss se recuperava do erro com a
sua espada, mas o tiro passou longe. Ela avançou, arremessando-se para
frente, com a espada levantada, e derrubou Poe com um joelho no peito. O
ar saiu de seus pulmões quando ele caiu de costas. Ele ainda segurava o seu
blaster, porém, e fez uma oração silenciosa enquanto o girava para um novo
tiro.
Antes que pudesse puxar o gatilho, Bliss girou a espada novamente,
cortando a arma de Poe pelo cano, com a ponta do blaster caindo na areia
com um som suave e desesperançado. Tentou se levantar, mas Bliss era
rápida demais; ela cortou em sua direção, a espada penetrando
profundamente em seu ombro direito, a dor disparando por todo o seu corpo
e o sangue fluindo da ferida com uma urgência e intensidade que fizeram
Poe se perguntar se ela o matara. Agarrou o seu braço ferido e deu um passo
pra trás, tentando desviar de seus golpes subsequentes enquanto ela o
perseguia por uma pequena colina de areia em direção à parede distante. A
multidão de Contrabandista de Especiarias assistindo estava viva
novamente, aproveitando o mais recente combate preliminar, e soltaram um
longo grito de alegria enquanto Poe escorregava e caía para trás, sua cabeça
batendo contra o chão. Sangue, sujeira e areia cobriam seu corpo. A sua
cabeça girou. Mal conseguia distinguir a forma de Zeva Bliss enquanto ela
se aproximava dele, a ponta de sua espada acariciando o seu queixo. Era
assim que se sentia andar na beira da morte, pensou Poe.
Zeva Bliss se afastou, porém, e por um segundo, Poe brincou com a
ideia de que a líder dos Contrabandistas de Especiarias poderia lhe conceder
misericórdia, com a sua mente vivendo rapidamente uma vida numa prisão
de Kijimi, visitado por uma Zorii repreensiva e talvez por seu pai. Mas
aquele pesadelo de baixo nível foi colocado de lado quando Zeva Bliss
brandiu a sua espada para baixo na região do abdômen de Poe, mal errando
o seu estômago. Poe se deslocou pra direita a tempo de evitar ser aberto ao
meio, ganhando em vez disso uma profunda e dolorosa lesão em sua
costela. A dor era como fogo, espalhando-se pelo seu corpo e unindo-se ao
seu braço já eletrificado para formar um coro de angústia que ameaçava
enviar Poe a um estado profundo e escuro do qual ele talvez nunca
conseguisse escapar.
A sua espada estava levantada novamente. A ponta em sua garganta, a
ponta cutucando o seu jugular. Houve uma época em que Poe Dameron não
temia nada mais do que a morte, nada mais do que uma vida não vivida.
Mas aqueles dias haviam se desvanecido, pensou. O seu único
arrependimento agora não eram as escolhas que fizera, deixar Yavin 4,
seguir Zorii, juntar-se aos Contrabandistas de Especiarias, mas não ter a
chance de fazer mais escolhas. Voltar pra casa. Juntar-se à causa que os seus
pais ajudaram a definir. Lutar por algo além de sua própria busca egoísta
por emoção.
— Algumas palavras finais, Poe Dameron?
Poe respirou fundo. Havia ficado difícil de engolir em seco. O seu lado e
braço doíam. As suas mãos estavam pegajosas com o seu próprio sangue.
— Raramente ofereço tal oportunidade aos meus inimigos, — disse
Zeva Bliss, ainda com a espada apontada para Poe enquanto dava alguns
passos para a direita. — Mas sinto que você merece, Poe Dameron. Por seu
breve e, em sua maior parte, honroso serviço aos Contrabandistas de
Especiarias de Kijimi.
Poe abriu a boca para responder, mas foi silenciado por um som alto e
animalístico.
O grito era primal, agudo, mas focado, intenso, como o som que um
lutador faz ao conectar um golpe mortal, não um de medo ou hesitação.
A figura lançou-se em direção a Zeva Bliss, derrubando-a e a fazendo
cair na areia. Ela se rolou rapidamente, voltando a uma posição de combate
em segundos. Levou esse tempo para Poe perceber quem havia intercedido.
Zorii.
Ela não se virou para olhar para ele, sua atenção total voltada para a sua
mãe. Ambas estavam com lâminas desembainhadas, embora Zeva parecesse
mais hábil em manejar a dela. Elas circularam uma à outra, sem fazer
movimentos ainda.
— Você cometeu um erro grave, minha filha, — disse Zeva Bliss, com
uma genuína preocupação em sua voz. — Pense cuidadosamente antes de
levantar a mão contra mim. Contra tudo que você representa.
Zorii não respondeu. Zeva atacou, balançando a espada alta e com
força. Zorii se defendeu com habilidade, mas estava claro que estava em
desvantagem. Era uma tática de atraso, no melhor dos casos. Mas enquanto
Zeva Bliss era a epítome do treinamento e das manobras bem executadas,
Zorii tinha o elemento surpresa ao seu favor. Ela lançou um chute que
acertou o capacete danificado de Zeva, derrubando-a do equilíbrio e
colocando o capacete num ângulo estranho, prejudicando a sua visão. Zorii
se virou ligeiramente e jogou um blaster para Poe. Ele o pegou e apontou
para Zeva.
— Ajude-me, Poe, — disse Zorii, sem fôlego. — Eu sei que isso saiu do
controle. Sei que não é assim que você quer que as coisas sejam. Mas
podemos consertar isso. Podemos ter o que você quer e o que eu quero,
certo? Esta é a nossa chance. Você estava certo. Isso estava errado. Não era
honroso. Mas ainda há tempo para salvar isso. Para nos salvar. Ajude-me
agora e podemos reformular os Contrabandistas de Especiarias para ser algo
diferente, algo novo. Podemos fazer isso juntos, Poe. Se conseguirmos
derrotar minha mãe, não haverá como nos parar...
Zorii avançou, com o chute de Zeva Bliss a pegando de surpresa. Para o
seu crédito, ela se recuperou rápido, virando-se para encarar a mãe, com a
espada erguida e dentes à mostra. Poe levantou o blaster novamente.
Zorii havia traçado tudo o que Poe queria, meses antes. Talvez até mais
tempo. A ideia de comandar a sua própria equipe, de viajar pela galáxia em
seus próprios termos parecia um sonho realizado para Poe naquela época.
Mas tinha visto o que os Contrabandistas de Especiarias eram. Mesmo
sabendo que poderia ajudar Zorii a guiá-los, mudar o jogo, eles não
poderiam alterar o que a organização era, num nível básico. Ladrões.
Criminosos. Trapaceiros que não se opunham a lidar com escravizadores,
assassinos e o pior que a galáxia tinha a oferecer. Era essa a vida que Poe
queria? Era essa a vida que Shara Bey e Kes Dameron haviam imaginado
para o seu único filho? Era isso pelo que eles haviam lutado tantas vezes?
A voz de Shara Bey ressoou na mente de Poe, suave, mas forte.
— Você deve sempre fazer as suas próprias escolhas, Poe. Nunca
iremos tirar isso de você. Mas iremos te ensinar o suficiente para que você
saiba como escolher o caminho certo quando o momento chegar.
— Não, — Poe disse, deixando o blaster cair no chão. — Não. Eu não
vou fazer isso.
Zorii olhou pra trás, por cima do ombro, seus olhos selvagens com uma
raiva que ele nunca tinha visto em seu rosto antes. Um olhar de pura raiva e
traição. O que quer que ela sentisse por Poe, qualquer calor e afeição que
ela tivesse trazido à tona para se preparar para fazer essa oferta a ele, estava
morto. Foi embora para sempre. Substituído por uma raiva ardente que
nunca poderia ser apagada.
— Então fuja! — ela gritou, seu rosto ensanguentado e machucado, sua
mãe surgindo atrás dela. — Fuja por sua vida, Poe, e nunca mais volte.
Ele fugiu.
Poe tomou um gole da bebida marrom e espumosa lentamente. 'Mocoa
gelado' era como o barman a chamara quando lhe serviu. Nada mal, pensou.
A cantina estava barulhenta e animada, já era tarde o suficiente na noite
que a maioria dos frequentadores estava bêbada demais para notar o homem
encapuzado sentado no bar, seu rosto nas sombras, saboreando uma bebida
normalmente reservada para a primeira luz do dia. Mas Poe Dameron
precisava do impulso que a bebida fornecia. Ia ser uma longa noite fora de
Kijimi.
Fazia uma semana que havia fugido de Zorii. As suas pernas doíam. O
seu braço e parte do corpo ainda latejavam, dias depois. Mas ele estava
vivo. Mal. Conseguiu encontrar Tarand Crowe no meio do caos, a meio
caminho do monastério, com disparos de blaster ao seu redor, guardas
correndo em todas as direções. Alguns estavam indo para o pátio, para ver a
sua líder enfrentar a própria filha. Outros estavam tentando recuperar algum
nível de controle sobre os prisioneiros que, de alguma forma, estavam
armados e se dirigindo de volta para suas naves. Crowe deu cobertura a Poe
até que conseguissem chegar à nave de Crowe. O contrabandista deu a Poe
um nome e uma chave. Então, eles se separaram com um breve aperto de
mão.
— Você fez certo por mim, — disse Crowe. — Eu não vou esquecer
disso.
— Estamos quites, — disse Poe com um sorriso dolorido.
— Você está bem sozinho? — perguntou Crowe. — Levou uma surra lá
atrás, hein?
Crowe parecia mais irritado do que preocupado. Poe imaginou que ele
havia atingido o limite da bondade do trapaceiro.
— Eu me viro, — disse Poe com um gemido antes de se virar e sair
correndo na noite de Kijimi. Embora Zorii tivesse ordenado que fugisse,
não podia ter certeza de que os Contrabandistas de Especiarias não queriam
encontrá-lo e fazê-lo sofrer por sua traição.
O contato de Crowe morava nas profundezas do submundo da Cidade
de Kijimi, e embora fosse um ladrão, não era um Contrabandista de
Especiarias. Von Tante era um homem magro como um caniço, com uma
cabeleira branca e uma barba grisalha e não muito mais. Os seus olhos eram
opacos, mas não mortos, e levou um segundo para Poe notar o homem ao
entrar em seus aposentos com a chave que Crowe lhe dera. Havia perdido
muito sangue. Se o amigo de Crowe não estivesse por perto, Poe tinha
certeza de que morreria nos aposentos vazios.
Tante saiu das sombras, com a sobrancelha levantada e blaster apontado
para Poe. Apesar da invasão, ele não parecia surpreso, quase achando graça,
na verdade.
— Você tem uma chave, o que significa que alguém que conheço acha
que devemos conversar, — disse Tante, inclinando a cabeça levemente para
ter uma melhor visão de Poe. Ele não parecia gostar do que via. — Teve
uma noite difícil, garoto?
As pernas de Poe cederam, e ele lutou para ficar em pé. Tante se
aproximou dele e o levou até uma cadeira desgastada no canto do quarto
escassamente mobiliado.
— Sentem-se, vou te arranjar algo para beber, — disse Tante. Poe ouviu
barulhos e clamor vindo de perto. — Fugindo, hein? Isso acontece muito
aqui em Kijimi. Difícil ficar num lugar quando as regras continuam
mudando.
Poe não respondeu, tentando se concentrar em permanecer consciente.
Não estava conseguindo. A sua mente estava divagando. Então ele sentiu
um leve tapa em sua bochecha, e um copo de metal foi empurrado na sua
frente. Tinha cheiro de ervas e lama.
— Aqui, tome isso, — disse Tante. — Vai parecer com terra, mas vai te
ajudar. A médica está a caminho também. Cobrei um favor.
Ela vai cuidar de você. Quem te mandou aqui?
— Crowe, — disse Poe, com a palavra saindo como um gaguejo, o
gosto desagradável da bebida dominando-o. — O que, o que é isso?
— Melhor eu não te contar, — disse Tante. — Crowe, hein? Gosto dele.
Bom que ele ainda está por aqui. Estranho que ele veio a Kijimi, no entanto.
Ele não é um Contrabandista de Especiarias.
— Eu também não sou, — disse Poe.
Tante, com a ajuda de uma médica que Poe mal se lembrava, tão delirante
estava por causa da perda de sangue e de seus ferimentos, deixou Poe se
recuperar ao longo de três ou quatro dias. Mas na quarta manhã, deixou
claro para Poe que era hora de ir.
— Isto não é uma casa de alojamento, garoto, — disse Tante, sem
emoção. — Você é procurado Alguém está atrás de você. Eu sei disso. A
notícia corre rápido em Kijimi. Você fez algo ruim. Algo tão ruim que os
Contrabandistas de Especiarias estão por aí, em força total, procurando por
você. O melhor que posso oferecer é uma cama quente por alguns dias,
depois um caminho para fora do planeta. Já fiz a primeira parte.
Poe agradeceu ao homem, que não tinha motivo para ajudá-lo, mas fez
de qualquer forma.
Uma visita no final da noite a Babu Frik tinha sido arriscada, mas
necessária, pensou Poe. O mecânico de droides ficou surpreso ao ver Poe,
mais surpreso ainda ao ver o estado em que ele estava. Embora ele se
sentisse melhor do que quando saiu cambaleando do monastério para as
ruas sombrias da Cidade de Kijimi, ele ainda era uma visão a ser vista.
— Rápido-rápido, isso colocou Babu numa má posição, — disse Babu,
sinalizando para Poe se aproximar.
— Eu sei que você é um deles, — disse Poe a Babu, com as mãos
levantadas. — E entendo se você não puder me ajudar. Mas você salvou a
minha droide, e eu queria te informar que ela morreu. Ela se foi. Eles a
desmembraram. Ela não merecia isso.
— Você parece mal, também, sim, — disse Babu, balançando a cabeça
lentamente. — Babu Frik não pode ajudar. Grande problema para Babu.
— Entendo, — disse Poe. — Mas eu não tenho pra onde ir.
Poe esperou por uma resposta, um sinal de que Babu, o mecânico de
droides, entendia e simpatizava com ele, mas a sua expressão permaneceu
em branco.
— Eu tenho uma informação, há uma nave atracada na cidade que vai
partir amanhã, — Poe continuou. — Preciso encontrar uma forma de
embarcar nessa nave. Mas não posso atravessar as ruas, muito menos vagar
pelas docas, sem esconder quem sou.
O meu rosto está em todo lugar. Os Contrabandista de Especiarias
querem me morto. Eu preciso...
O mecânico de droides fez um baixo rosnado, silenciando-o.
— Eu não posso te ajudar, — disse Babu. O coração de Poe afundou.
Ele seria capturado com certeza. — Mas você é um ladrão, não? Talvez
encontre o que precisa aqui. Como Babu saberá até mais tarde, algo que
falta?
Poe acenou lentamente enquanto Babu se virava e vasculhava uma
pequena caixa que parecia lixo para Poe. Então Babu Frik deslizou um
pequeno disco sobre a mesa que os separava. Ele saiu de seu assento e
disparou para fora da oficina.
Poe se aproximou e pegou o dispositivo. Então sorriu.

A matriz de disfarce holográfico não era perfeita, mas cumpriu o seu papel,
e Poe estava agradecido. O dispositivo de Babu lhe deu cobertura suficiente
para andar pelas ruas da Cidade de Kijimi sem ser notado. Bem, quando
estava funcionando. O dispositivo era, basicamente, um projetor
holográfico pessoal. Ele permitia que Poe parecesse e soasse como outra
pessoa. O que era útil enquanto estava em Kijimi fugindo dos
Contrabandistas de Especiarias...de Kijimi. Os dispositivos tinham uma
história sórdida, usados frequentemente por caçadores de recompensas e
outras figuras duvidosas tentando evitar a detecção. Poe achou que se
enquadrava nessa categoria, pelo menos aos olhos de alguns. Era
obviamente tecnologia roubada e não estava em boas condições. Então Poe
se apoiou numa capa escura e manteve-se reservado enquanto fazia o seu
caminho até a cantina, onde se encontraria com um homem chamado Zade
Kalliday e a sua nave estelar, a Lâmina da Meia Noite.
Mas Kalliday estava atrasado, o que deixou Poe nervoso, mas também
lhe deu tempo para comer algo. O seu estômago roncou. Fazia dias desde
que tivera uma refeição adequada, e não conseguia pensar num lugar
melhor para ter a sua última em Kijimi. O barman lhe deslizou um prato
com um sanduíche de shawda que Poe logo devorou, com o seu apetite
dominando-o. Lutou contra o impulso de lamber os dedos ao terminar.
Os seus pensamentos vagaram de volta ao monastério, a espada de Zeva
Bliss em sua garganta, areia e sangue misturados, com a sua visão
embaçada. Zorii. Ela havia salvado a sua vida, oferecido a ele uma chance
de liderar os Contrabandistas de Especiarias juntos. Uma chance de realizar
o sonho que tinha desde que começaram a trabalhar juntos na Garra
Lacerada. Uma oferta que Poe rejeitou. Deixara-a para enfrentar a sua mãe
sozinha enquanto fugia para lutar por algo que ainda não havia descoberto.
Poe se perguntou como ela se sentia. Mas sabia a resposta. Traída.
Irritada. Ferida. Não podia consertar isso. Nunca conseguiria, pensou.
Deixou os Contrabandistas de Especiarias por algo diferente, por uma causa
que Zorii achou cômica e tola. Ele nunca teria a chance de explicar o seu
lado para ela. Ele seria assassinado à vista se tentasse. O seu tempo como
Contrabandista de Especiarias havia acabado. Mas não tinha sido tudo ruim,
pensou enquanto secava a boca com o pano áspero que servia como
guardanapo. Ela havia aprendido a voar, e havia aprendido a ser um melhor
trapaceiro, a dançar nas áreas cinzentas da vida. Talvez, com o tempo, ela
também viesse a apreciar isso. Mas não estava contando com isso.
Poe olhou pra cima, um sorriso nostálgico em seu rosto. Não tinha
certeza se era a voz familiar que havia chamado a sua atenção, mas a
reconheceu imediatamente, antes que ela dissesse outra palavra. Senadora
Leia Organa. A filmagem de notícias era do Senado, e Organa estava
respondendo aos comentários de outro colega na câmara do Senado. Poe a
pegou em meio ao debate, mas não precisava de um mapa para descobrir
sobre o que estavam discutindo. Poe fixou o olhar no rosto da heroína real e
foi imediatamente hipnotizado por suas palavras apaixonadas.
Ela falava de forma clara, sem bravata ou gestos exagerados. Era como
se estivesse falando diretamente para Poe Dameron, e ela penetrava nele de
uma maneira que ninguém mais conseguira. Em momentos, as feridas,
cortes e cicatrizes acumuladas nos últimos anos, a escuridão que ele havia
vivido e visto com os Contrabandistas de Especiarias, Zorii, Tomasso, Sela
Trune, EV-6B6, tudo desmoronou, substituído por algo diferente. Algo
novo, mas também muito, muito antigo. As palavras eram ressonantes, mas
não desconhecidas para Poe. De certa forma, ouvia o seu pai e a sua mãe
falando com ele através dos lábios da senadora. Poe havia abandonado
aqueles ideais e crenças num ato de desespero, porque queria explorar a
galáxia em seus próprios termos, para sair de Yavin 4. Mas isso havia sido
falho. Isso havia sido errado. Não ter uma escolha nem sempre era uma
limitação. Às vezes era algo maior. Como o destino.
— Você não pode derrotar o mal uma vez e se considerar vitorioso, —
disse Organa, com a sua entonação clara, confiante, mas também cautelosa.
— É o nosso dever como a Nova República desafiar o mal quando o vemos,
não importa quão marcados ou feridos estejamos por conflitos passados. Ou
defendemos o que acreditamos pra sempre, sem limites ou qualificações,
com força e coragem, ou cairemos nos mesmos elementos que esmagaram a
República décadas atrás.
Poe se levantou de um salto, eletrizado pelas palavras de Organa. Ela
era uma lenda para Poe. Um nome sussurrado em histórias que ouvira
quando criança. Mas também uma pessoa, uma velha amiga de confiança de
seus pais durante o tempo compartilhado na Rebelião. Ele sentiu uma
conexão súbita, profunda e impossível de racionalizar com ela. Uma
necessidade de alcançá-la, de ajudá-la, que teria sido risível se ele tentasse
explicar em palavras. Mas ele sentiu, mesmo assim. Ele sabia o que
precisava fazer a seguir. Ele sabia para onde tinha que ir. Finalmente.
Sentiu um toque em seu ombro. Poe se virou para a direita e viu um
homem com uma expressão expectante.
— Ei, você está esperando alguém? — disse o homem. — Meu nome é
Zade Kalliday. Tante disse que você estava procurando uma carona. Se o
preço estiver certo, sou o seu cara.
Poe sorriu.
— Sou eu, — disse ele, apertando a mão de Kalliday. — Obrigado pelo
assento.
— Ei, nada é de graça, meu amigo, — Kalliday disse. — Mas eu te
levarei. Você sabe pra onde está indo?
— Agora eu sei.
STAR WARS / POE DAMERON - QUEDA LIVRE
TÍTULO ORIGINAL: Star Wars / Poe Dameron - Free Fall
COPIDESQUE: TRADUTORES DOS WHILLS
REVISÃO: TRADUTORES DOS WHILLS
DIAGRAMAÇÃO: TRADUTORES DOS WHILLS
ILUSTRAÇÃO: Phil Noto
GERENTE EDITORIAL: TRADUTORES DOS WHILLS
DIREÇÃO EDITORIAL: TRADUTORES DOS WHILLS
VERSÃO ELETRÔNICA: TRADUTORES DOS WHILLS
ASSISTENTES EDITORIAIS: TRADUTORES DOS WHILLS

COPYRIGHT © & TM 2020 LUCASFILM LTD.


COPYRIGHT ©TRADUTORES DOS WHILLS, 2024
(EDIÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA PARA O BRASIL)
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.
PROIBIDA A REPRODUÇÃO, NO TODO OU EM PARTE, ATRAVÉS DE QUAISQUER MEIOS.

STAR WARS - POE DAMERON - QUEDA LIVRE É UM LIVRO DE FICÇÃO. TODOS OS PERSONAGENS, LUGARES E
ACONTECIMENTOS SÃO FICCIONAIS.
DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)
S93a Segura, Alex
Star Wars - Poe Dameron - Queda Livre [recurso eletrônico] / Alex Segura ; traduzido por
TRADUTORES DOS WHILLS.
448 p. : 3.0 MB.

Tradução de: Star Wars - Poe Dameron - Free Fall


ISBN: 978-1-368-05659-5 (Ebook)

1. Literatura norte-americana. 2. Ficção científica. I. DOS WHILLS, TRADUTORES CF. II.


Título.

2020-274 CDD 813.0876


CDU 821.111(73)-3

ÍNDICES PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO:

Literatura : Ficção Norte-Americana 813.0876


Literatura norte-americana : Ficção 821.111(73)-3

[Link]
ALEX SEGURA é um aclamado escritor de romances,
quadrinhos e podcasts. Ele é o autor da série de mistério Pete Fernandez
(incluindo os romances policiais indicados ao prêmio Anthony
Dangerous Ends e Blackout) e de vários quadrinhos,mais notavelmente
o noir de super-heróis The Black Ghost, a série musical jovem adulta
The Archies e a coleção de crossovers 'Archie Meets', com participações
de Ramones, B-52s e outros. Ele também é cocriador/corroteirista do
podcast de crime/jovem adulto Lethal Lit da iHeart Radio, que foi
nomeado um dos melhores podcasts de 2018 pelo The New York Times.
Durante o dia, ele é copresidente da Archie Comics. Nascido em Miami,
ele vive em Nova York com a sua esposa e filhos.
Star Wars: Guardiões dos Whills
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No mundo do deserto de Jedha, na Cidade Santa, os amigos Baze e


Chirrut costumavam ser Guardiões das colinas, que cuidavam do
Templo de Kyber e dos devotos peregrinos que adoravam lá. Então
o Império veio e assumiu o planeta. O templo foi destruído e as
pessoas espalhadas. Agora, Baze e Chirrut fazem o que podem
para resistir ao Império e proteger as pessoas de Jedha, mas nunca
parece ser suficiente. Então um homem chamado Saw Gerrera
chega, com uma milícia de seus próprios e grandes planos para
derrubar o Império. Parece ser a maneira perfeita para Baze e
Chirrut fazer uma diferença real e ajudar as pessoas de Jedha a
viver melhores vidas. Mas isso vai custar caro?

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STAR WARS: Episódio VIII: Os Últimos Jedi
(Movie Storybook)
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Um livro de imagens ilustrado que reconta o filme Star Wars: Os


Últimos Jedi.

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Chewie e a Garota Corajosa
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Um Wookiee é o melhor amigo de uma menina! Quando Chewbacca


conhece a jovem Zarro na Orla Exterior, ele não tem escolha a não
ser deixar de lado sua própria missão para ajudá-la a resgatar seu
pai de uma mina perigosa. Essa incrível Aventura foi baseada na
HQ do Chewbacca… (FAIXA ETÁRIA: 6 a 8 anos)

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Star Wars: Ahsoka
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Esse é o Terceiro Ebook dos Tradutores dos Whills com uma


aventura emocionante sobre uma heroína corajosa das Séries de
TV Clone Wars e Rebels: Ahsoka Tano! Os fãs há muito tempo se
perguntam o que aconteceu com Ahsoka depois que ela deixou a
Ordem Jedi perto do fim das Guerras Clônicas, e antes dela
reaparecer como a misteriosa operadora rebelde Fulcro em Rebels.
Finalmente, sua história começará a ser contada. Seguindo suas
experiências com os Jedi e a devastação da Ordem 66, Ahsoka não
tem certeza de que possa fazer parte de um todo maior de novo.
Mas seu desejo de combater os males do Império e proteger
aqueles que precisam disso e levará a Bail Organa e a Aliança
Rebelde….

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Star Wars: Kenobi Exílio
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A República foi destruída, e agora a galáxia é governada pelos


terríveis Sith. Obi-Wan Kenobi, o grande cavaleiro Jedi, perdeu
tudo… menos a esperança. Após os terríveis acontecimentos que
deram fim à República, coube ao grande mestre Jedi Obi-Wan
Kenobi manter a sanidade na missão de proteger aquele que pode
ser a última esperança da resistência ao Império. Vivendo entre
fazendeiros no remoto e desértico planeta Tatooine, nos confins da
galáxia, o que Obi-Wan mais deseja é manter-se no completo
anonimato e, para isso, evita o contato com os moradores locais. No
entanto, todos esses esforços podem ser em vão quando o “Velho
Ben”, como o cavaleiro passa a ser conhecido, se vê envolvido na
luta pela sobrevivência dos habitantes por uma Grande Seca e por
causa de um chefe do crime e do povo da areia. Se com o Novo
Cânone pudéssemos encontrar todos os materiais disponíveis aos
anos de Exílio de Obi-Wan Kenobi em um só Lugar? Após o Livro
Kenobi se tornar Legend, os fãs ficaram sem saber o que aconteceu
com o Velho Ben nesse tempo de reclusão. Então os Tradutores dos
Whills também se fizeram essa pergunta e resolveram fazer esse
trabalho de compilação dos Contos, Ebooks, Séries Animadas e
HQs, em um só Ebook Especial e Canônico para todos os Fãs!!

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Star Wars: Dookan: O Jedi Perdido
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Esse é o Quarto Ebook dos Tradutores dos Whills com uma


aventura emocionante sobre um Vilão dos Filmes e da Série de TV
Clone Wars: Conde Dookan! Mergulhe na história do sinistro Conde
Dookan no roteiro original da emocionante produção de áudio de
Star Wars! Darth Tyranus. Conde de Serenno. Líder dos
Separatistas. Um sabre vermelho, desembainhado no escuro. Mas
quem era ele antes de se tornar a mão direita dos Sith? Quando
Dookan corteja uma nova aprendiz, a verdade oculta do passado do
Lorde Sith começa a aparecer. A vida de Dookan começou como um
privilégio, nascido dentro das muralhas pedregosas da propriedade
de sua família. Mas logo, suas habilidades Jedi são reconhecidas, e
ele é levado de sua casa para ser treinado nos caminhos da Força
pelo lendário Mestre Yoda. Enquanto ele afia seu poder, Dookan
sobe na hierarquia, fazendo amizade com Jedi Sifo-Dyas e levando
um Padawan, o promissor Qui-Gon Jinn, e tenta esquecer a vida
que ele levou uma vez. Mas ele se vê atraído por um estranho
fascínio pela mestra Jedi Lene Kostana, e pela missão que ela
empreende para a Ordem: encontrar e estudar relíquias antigas dos
Sith, em preparação para o eventual retorno dos inimigos mais
mortais que os Jedi já enfrentaram. Preso entre o mundo dos Jedi,
as responsabilidades antigas de sua casa perdida e o poder sedutor
das relíquias, Dookan luta para permanecer na luz, mesmo quando
começa a cair na escuridão.

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Star Wars: Discípulo Sombrio
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Esse é o Quinto Ebook dos Tradutores dos Whills com uma


aventura emocionante sobre um Vilões e Heróis dos Filmes e da
Série de TV Clone Wars! Baseado em episódios não produzidos de
Star Wars: The Clone Wars, este novo romance apresenta Asajj
Ventress, a ex-aprendiz Sith que se tornou um caçadora de
recompensas e uma das maiores anti-heróis da galáxia de Star
Wars. Na guerra pelo controle da galáxia entre os exércitos do lado
negro e da República, o ex-Mestre Jedi se tornou cruel. O Lorde Sith
Conde Dookan se tornou cada vez mais brutal em suas táticas.
Apesar dos poderes dos Jedi e das proezas militares de seu
exército de clones, o grande número de mortes está cobrando um
preço terrível. E quando Dookan ordena o massacre de uma flotilha
de refugiados indefesos, o Conselho Jedi sente que não tem
escolha a não ser tomar medidas drásticas: atacar o homem
responsável por tantas atrocidades de guerra, o próprio Conde
Dookan. Mas o Dookan sempre evasivo é uma presa perigosa para
o caçador mais hábil. Portanto, o Conselho toma a decisão ousada
de trazer tanto os lados do poder da Força de suportar, — juntar o
ousado Cavaleiro Quinlan Vos com a infame acólita Sith Asajj
Ventress. Embora a desconfiança dos Jedi pela astuta assassina
que uma vez serviu ao lado de Dookan ainda seja profunda, o ódio
de Ventress por seu antigo mestre é mais profundo. Ela está mais
do que disposta a emprestar seus copiosos talentos como caçadora
de recompensas, e assassina, na busca de [Link], Ventress e
Vos são as melhores esperanças para eliminar a Dookan, — desde
que os sentimentos emergentes entre eles não comprometam a sua
missão. Mas Ventress está determinada a ter sua vingança e,
finalmente, deixar de lado seu passado sombrio de Sith.
Equilibrando as emoções complicadas que sente por Vos com a
fúria de seu espírito guerreiro, ela resolve reivindicar a vitória em
todas as frentes, uma promessa que será impiedosamente testada
por seu inimigo mortal… e sua própria dúvida.

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Star Wars: Episódio IX: A Ascensão do Skywalker:
Edição Expandida

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Leia o épico capítulo final da saga Skywalker com a novelização


oficial de Star Wars: A Ascensão Skywalker, incluindo cenas
ampliadas e conteúdo adicional não visto nos cinemas! A
Resistência renasceu. Mas, embora Rey e seus companheiros
heróis estejam de volta à luta, a guerra contra a Primeira Ordem,
agora liderada pelo líder supremo Kylo Ren, está longe de terminar.
Assim como a faísca da rebelião está reacendendo, um sinal
misterioso é transmitido por toda a galáxia, com uma mensagem
assustadora: o Imperador Palpatine, há muito pensado derrotado e
destruído, está de volta dos mortos. O antigo Senhor dos Sith
realmente voltou? Kylo Ren corta uma faixa de destruição pelas
estrelas, determinado a descobrir qualquer desafio ao seu controle
sobre a Primeira Ordem e seu destino para governar a galáxia – e
esmagá-la completamente. Enquanto isso, para descobrir a
verdade, Rey, Finn, Poe e a Resistência devem embarcar na
aventura mais perigosa que já enfrentaram. Apresentando cenas
totalmente novas, adaptadas de material nunca visto, cenas
excluídas e informações dos cineastas, a história que começou em
Star Wars: O Despertar da Força e continuou em Star Wars: Os
Últimos Jedi chega a uma conclusão surpreendente.

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Star Wars: Os Segredos Dos Jedi

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Descubra o mundo dos Jedi de Star Wars através desta experiência


de leitura divertida e totalmente interativa. Star Wars: Jediografia é o
melhor guia do universo Jedi para o universo dos Jedi,
transportando jovens leitores para uma galáxia muito distante,
através de recursos interativos, fatos fascinantes e ideias cativantes.
Com ilustrações originais emocionantes e incríveis recursos
especiais, como elevar as abas, texturas e muito mais, Star Wars:
Jediografia garante a emoção das legiões de jovens fãs da saga.

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Star Wars:Thrawn: Alianças

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Palavras sinistras em qualquer circunstância, mas ainda mais


quando proferidas pelo Imperador Palpatine. Em Batuu, nos limites
das Regiões Desconhecidas, uma ameaça ao Império está se
enraizando. Com a sua existência pouco mais que um vislumbre, as
suas consequências ainda desconhecidas. Mas é preocupante o
suficiente para o líder imperial justificar a investigação de seus
agentes mais poderosos: o impiedoso agente Lorde Darth Vader e o
brilhante estrategista grão almirante Thrawn. Rivais ferozes a favor
do Imperador e adversários francos nos assuntos imperiais,
incluindo o projeto Estrela da Morte, o par formidável parece
parceiros improváveis para uma missão tão crucial. Mas o
Imperador sabe que não é a primeira vez que Vader e Thrawn
juntam forças. E há mais por trás de seu comando real do que
qualquer um dos suspeitos. No que parece uma vida atrás, o
general Anakin Skywalker da República Galáctica e o comandante
Mitth’raw’nuruodo, oficial da Ascensão do Chiss, cruzaram o
caminho pela primeira vez. Um em uma busca pessoal
desesperada, o outro com motivos desconhecidos... e não
divulgados. Mas, diante de uma série de perigos em um mundo
longínquo, eles forjaram uma aliança desconfortável, — nem
remotamente cientes do que seus futuros reservavam. Agora,
reunidos mais uma vez, eles se veem novamente ligados ao planeta
onde lutaram lado a lado. Lá eles serão duplamente desafiados, —
por uma prova de sua lealdade ao Império... e um inimigo que
ameaça até seu poder combinado.

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Star Wars: Legado da Força: Traição

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Esta é a era do legado de Luke Skywalker: o Mestre Jedi unificou a


Ordem em um grupo coeso de poderosos Cavaleiros Jedi. Mas
enquanto a nova era começa, os interesses planetários ameaçam
atrapalhar esse momento de relativa paz, e Luke é atormentado
com visões de uma escuridão que se aproxima. O mal está
ressurgindo “das melhores intenções” e parece que o legado dos
Skywalkers pode dar um ciclo completo.A honra e o dever colidirão
com a amizade e os laços de sangue, à medida que os Skywalker e
o clã Solo se encontrarem em lados opostos de um conflito
explosivo com repercussões potencialmente devastadoras para
ambas as famílias, para a ordem Jedi e para toda a galáxia. Quando
uma missão para descobrir uma fábrica ilegal de mísseis no planeta
Aduman termina em uma emboscada violenta, da qual a Cavaleira
Jedi Jacen Solo e o seu protegido e primo, Ben Skywalker, escapam
por pouco com as suas vidas; é a evidência mais alarmante ainda
que desencadeia uma discussão política. A agitação está
ameaçando inflamar-se em total Rebelião. Os governos de vários
mundos estão se irritando com os rígidos regulamentos da Aliança
Galáctica, e os esforços diplomáticos para garantir o cumprimento
estão falhando. Temendo o pior, a Aliança prepara uma
demonstração preventiva de poder militar, numa tentativa de trazer
os mundos renegados para a frente antes que uma revolta entre em
erupção. O alvo modelado para esse exercício: o planeta Corellia,
conhecido pela independência impetuosa e pelo espírito renegado
que fizeram de seu filho favorito, Han Solo, uma lenda. Algo como
um trapaceiro, Jacen é, no entanto, obrigado como Jedi a ficar com
seu tio, o Mestre Jedi Luke Skywalkers, ao lado da Aliança
Galáctica. Mas quando os Corellianos de guerra lançam um contra-
ataque, a demonstração de força da Aliança, e uma missão secreta
para desativar a crucial Estação Central de Corellia; dão lugar a
uma escaramuça armada. Quando a fumaça baixa, as linhas de
batalha são traçadas. Agora, o espectro da guerra em grande escala
aparece entre um grupo crescente de planetas desafiadores e a
Aliança Galáctica, que alguns temem estar se tornando um novo
Império. E, enquanto os dois lados lutam para encontrar uma
solução diplomática, atos misteriosos de traição e sabotagem
ameaçam condenar os esforços de paz a todo momento.
Determinado a erradicar os que estão por trás do caos, Jacen segue
uma trilha de pistas enigmáticas para um encontro sombrio com as
mais chocantes revelações… enquanto Luke se depara com algo
ainda mais preocupante: visões de sonho de uma figura sombria
cujo poder da Força e crueldade lembram a ele de Darth Vader, um
inimigo letal que ataca como um espírito sombrio em uma missão de
destruição. Um agente do mal que, se as visões de Luke
acontecerem, trará uma dor incalculável ao Mestre Jedi e a toda a
galáxia.

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Star Wars: Battlefront II: Esquadrão Inferno

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Após o humilhante roubo dos planos da Estrela da Morte e a


destruição da estação de batalha, o Império está na defensiva. Mas
não por muito. Em retaliação, os soldados imperiais de elite do
Esquadrão Inferno foram chamados para a missão crucial de se
infiltrar e eliminar os guerrilheiros, a facção rebelde que já foi
liderada pelo famoso lutador pela liberdade da República, Saw
Gerrera. Após a morte de seu líder, os guerrilheiros continuaram seu
legado extremista, determinados a frustrar o Império, não importa o
custo. Agora o Esquadrão Inferno deve provar seu status como o
melhor dos melhores e derrubar os Partisans de dentro. Mas a
crescente ameaça de serem descobertos no meio de seu inimigo
transforma uma operação já perigosa em um teste ácido de fazer ou
morrer que eles não ousam falhar. Para proteger e preservar o
Império, até onde irá o Esquadrão Inferno. . . e quão longe deles?
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Star Wars: Catalisador: Um Romance de Rogue One

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A guerra está destruindo a galáxia. Durante anos, a República e os


Separatistas lutaram entre as estrelas, cada um construindo uma
tecnologia cada vez mais mortal na tentativa de vencer a guerra.
Como membro do projeto secreto da Estrela da Morte do Chanceler
Palpatine, Orson Krennic está determinado a desenvolver uma
super arma antes que os inimigos da República possam. E um velho
amigo de Krennic, o brilhante cientista Galen Erso, poderia ser a
chave para a tentativa de vencer a guerra. Como membro do projeto
secreto da Estrela da Morte do Chanceler Palpatine, Orson Krennic
está determinado a desenvolver uma super arma antes que os
inimigos da República possam. E um velho amigo de Krennic, o
brilhante cientista Galen Erso, poderia ser a chave. A pesquisa
focada na energia de Galen chamou a atenção de Krennic e de seus
inimigos, tornando o cientista um peão crucial no conflito galáctico.
Mas depois que Krennic resgata Galen, sua esposa, Lyra, e sua
filha Jyn, de sequestradores separatistas, a família Erso está
profundamente em dívida com Krennic. Krennic então oferece a
Galen uma oportunidade extraordinária: continuar seus estudos
científicos com todos os recursos totalmente à sua disposição.
Enquanto Galen e Lyra acreditam que sua pesquisa energética será
usada puramente de maneiras altruístas, Krennic tem outros planos
que finalmente tornarão a Estrela da Morte uma realidade. Presos
no aperto cada vez maior de seus benfeitores, os Ersos precisam
desembaraçar a teia de decepção de Krennic para salvar a si
mesmos e à própria galáxia.

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Star Wars: Ascensão Rebelde

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Quando Jyn Erso tinha cinco anos, sua mãe foi assassinada e seu
pai foi tirado dela para servir ao Império. Mas, apesar da perda de
seus pais, ela não está completamente sozinha, — Saw Gerrera, um
homem disposto a ir a todos os extremos necessários para resistir à
tirania imperial, acolhe-a como sua e dá a ela não apenas um lar,
mas todas as habilidades e os recursos de que ela precisa para se
tornar uma [Link] se dedica à causa e ao homem. Mas lutar ao
lado de Saw e seu povo traz consigo o perigo e a questão de quão
longe Jyn está disposta a ir como um dos soldados de Saw. Quando
ela enfrenta uma traição impensável que destrói seu mundo, Jyn
terá que se recompor e descobrir no que ela realmente acredita… e
em quem ela pode realmente confiar.

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Star Wars: A Alta República: A Luz dos Jedi

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Muito antes da Primeira Ordem, antes do Império ou antes mesmo


da Ameaça Fantasma . . . Os Jedi iluminaram o caminho para a
galáxia na Alta República. É uma era de ouro. Os intrépidos
batedores do hiperespaço expandem o alcance da República para
as estrelas mais distantes, mundos prosperam sob a liderança
benevolente do Senado e a paz reina, reforçada pela sabedoria e
força da renomada ordem de usuários da Força conhecidos como
Jedi. Com os Jedi no auge de seu poder, os cidadãos livres da
galáxia estão confiantes em sua habilidade de resistir a qualquer
tempestade. Mas mesmo a luz mais brilhante pode lançar uma
sombra, e algumas tempestades desafiam qualquer preparação.
Quando uma catástrofe chocante no hiperespaço despedaça uma
nave, a enxurrada de estilhaços que emergem do desastre ameaça
todo o sistema. Assim que o pedido de ajuda sai, os Jedi correm
para o local. O escopo do surgimento, no entanto, é o suficiente
para levar até os Jedi ao seu limite. Enquanto o céu se abre e a
destruição cai sobre a aliança pacífica que ajudaram a construir, os
Jedi devem confiar na Força para vê-los em um dia em que um
único erro pode custar bilhões de vidas. Mesmo enquanto os Jedi
lutam bravamente contra a calamidade, algo verdadeiramente
mortal cresce além dos limites da República. O desastre do
hiperespaço é muito mais sinistro do que os Jedi poderiam
suspeitar. Uma ameaça se esconde na escuridão, longe da era da
luz, e guarda um segredo.

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Star Wars: A Alta República: O Grande Resgate Jedi

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Conheça os nobres e sábios Jedi da Alta República!Quando um


desastre acontece no hiperespaço, colocando o povo de Hetzal
Prime em grave perigo, apenas os Jedi da Alta República podem
salvar o dia! Esse ebook é a forma mais incrível de introduzir as
crianças nessa nova Era da Alta República, pois reconta a história
do Ebook Luz dos Jedi de forma simples e didática para as crianças.
(FAIXA ETÁRIA: 5 a 8 anos)

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Star Wars: A Alta República: Na Escuridão

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Muito antes da Primeira Ordem, antes do Império ou antes mesmo


da Ameaça Fantasma... Os Jedi iluminaram o caminho para a
galáxia na Alta República. Padawan Reath Silas está sendo enviado
da cosmopolita capital galáctica de Coruscant para a fronteira
subdesenvolvida, e ele não poderia estar menos feliz com isso. Ele
prefere ficar no Templo Jedi, estudando os arquivos. Mas quando a
nave em que ele está viajando é arrancada do hiperespaço em um
desastre que abrange toda a galáxia, Reath se encontra no centro
da ação. Os Jedi e seus companheiros de viagem encontram refúgio
no que parece ser uma estação espacial abandonada. Mas então
coisas estranhas começaram a acontecer, levando os Jedi a
investigar a verdade por trás da estação misteriosa, uma verdade
que pode terminar em tragédia...

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Star Wars: A Alta República: Um Teste de Coragem

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Muito antes da Primeira Ordem, antes do Império ou antes mesmo


da Ameaça Fantasma... Vernestra Rwoh é mais nova Cavaleira Jedi
com dezesseis anos, mas a sua primeira missão de verdade parece
muito com ser babá. Ela foi encarregada de supervisionar a
aspirante a inventora Avon Starros, de 12 anos, em um cruzador
rumo à inauguração de uma nova estação espacial maravilhosa
chamada Farol Estelar. Mas logo em sua jornada, bombas explodem
a bordo do cruzador. Enquanto o Jedi adulto tenta salvar a nave,
Vernestra, Avon, o droide J-6 de Avon, um Padawan Jedi e o filho
de um embaixador conseguem chegar a uma nave de fuga, mas as
comunicações acabam e os suprimentos são poucos. Eles decidem
pousar em uma lua próxima, que oferece abrigo, mas não muito
mais. E sem o conhecimento deles, o perigo se esconde na selva…

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Star Wars: A Alta República: Corrida para Torre
Crashpoint

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Outra história emocionante da série mais vendida do New York


Times! A Feira da República está chegando! Visitantes de toda a
galáxia estão viajando para o planeta Valo para um festival enorme
e inspirador que celebra a República. Enquanto os seus
companheiros Valons se preparam para a feira, o Padawan Jedi
Ram Jomaram está se escondendo em seu lugar favorito: uma
garagem suja cheia de peças mecânicas e ferramentas. Mas
quando um alarme de segurança dispara no topo de uma colina
próxima, apelidado de Pico Crashpoint, ele se aventura com o seu
confiável droide V-18 para investigar. Lá, ele descobre que alguém
derrubou a torre de comunicações de Valo, um sinal assustador de
que Valo e a Feira da República estão em perigo. Com certeza,
enquanto Ram corre para avisar os Jedi, os temidos Nihil
desencadeiam um ataque surpresa! Cabe a Ram enfrentar o inimigo
na Torre Crashpoint e enviar um pedido de ajuda à República.
Felizmente, ele está prestes a receber ajuda de novos amigos
inesperados… Não perca todas as aventuras de Star Wars: A Alta
República! (Material indicado para crianças a partir de 8 – 12 anos)

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Star Wars: Velha República: Enganados

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“Nossa hora chegou. Durante trezentos anos nos preparamos;


ficamos mais fortes enquanto você descansava em seu berço de
poder... Agora sua República cairá.”Um guerreiro Sith para rivalizar
com o mais sinistro dos Lordes Sombrios da Ordem, Darth Malgus
derrubou o Templo Jedi em Coruscant em um ataque brutal que
chocou a galáxia. Mas se a guerra o coroasse como o mais sombrio
dos heróis Sith, a paz o transformará em algo muito mais hediondo,
algo que Malgus nunca gostaria de ser, mas não pode parar de se
tornar, assim como ele não pode impedir a Jedi desobediente de se
aproximar rapidamente. O nome dela é Aryn Leneer - e o único
Cavaleiro Jedi que Malgus matou na batalha feroz pelo Templo Jedi
era seu Mestre. Agora ela vai descobrir o que aconteceu com ele,
mesmo que isso signifique quebrar todas as regras da Ordem.

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Star Wars: Thrawn: Traição

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Essa foi a promessa que o Grão Almirante Thrawn fez ao Imperador


Palpatine em seu primeiro encontro. Desde então, Thrawn tem sido
um dos instrumentos mais eficazes do Império, perseguindo os seus
inimigos até os limites da galáxia conhecida. Mas por mais que
Thrawn tenha se tornado uma arma afiada, o Imperador sonha com
algo muito mais destrutivo. Agora, enquanto o programa TIE
Defender de Thrawn é interrompido em favor do projeto
ultrassecreto conhecido apenas como Estrelinha, do Diretor Krennic,
ele percebe que o equilíbrio de poder no Império é medido por mais
do que apenas perspicácia militar ou eficiência tática. Mesmo o
maior intelecto dificilmente pode competir com o poder de aniquilar
planetas inteiros. Enquanto Thrawn trabalha para garantir o seu
lugar na hierarquia Imperial, seu ex-protegido Eli Vanto retorna com
um terrível aviso sobre o mundo natal de Thrawn. O domínio da
estratégia de Thrawn deve guiá-lo através de uma escolha
impossível: dever para com a Ascendência Chiss ou a fidelidade
para com o Império que ele jurou servir. Mesmo que a escolha certa
signifique cometer traição.

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Star Wars: Mestre e Aprendiz

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Um Jedi deve ser um guerreiro destemido, um guardião da justiça e


um erudito nos caminhos da Força. Mas talvez o dever mais
essencial de um Jedi seja transmitir o que aprenderam. Mestre Yoda
treinou Dookan o qual treinou Qui-Gon Jinn; e agora Qui-Gon tem
um Padawan próprio. Mas enquanto Qui-Gon enfrentou todos os
tipos de ameaças e perigos como um Jedi, nada o assustou tanto
quanto a ideia de falhar com seu aprendiz. Obi-Wan Kenobi tem
profundo respeito por seu Mestre, mas luta para entendê-lo. Por que
Qui-Gon deve tantas vezes desconsiderar as leis que obrigam os
Jedi? Por que Qui-Gon é atraído por antigas profecias Jedi em vez
de preocupações mais práticas? E por que Obi-Wan não disse que
Qui-Gon está considerando um convite para se juntar ao Conselho
Jedi - sabendo que isso significaria o fim de sua parceria? A
resposta simples o assusta: Obi-Wan falhou com seu Mestre.
Quando Jedi Rael Aveross, outro ex-aluno de Dookan, solicita sua
ajuda em uma disputa política, Jinn e Kenobi viajam para a Corte
Real de Pijal para o que pode ser sua missão final juntos. O que
deveria ser uma tarefa simples rapidamente se torna obscurecido
por engano e por visões de desastre violento que tomam conta da
mente de Qui-Gon. Conforme a fé de Qui-Gon na profecia cresce, a
fé de Obi-Wan nele é testada - assim como surge uma ameaça que
exigirá que o Mestre e o Aprendiz se unam como nunca antes, ou se
dividam para sempre.

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Star Wars: Legado da Força: Linhagens de Sangue

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Uma nova era de aventuras emocionantes e revelações chocantes


continua a se desenrolar, à medida que a lendária saga Star Wars
avança em um novo território surpreendente. A guerra civil se
aproxima enquanto a incipiente Aliança Galáctica enfrenta um
número crescente de mundos rebeldes... e a guerra que se
aproxima está separando as famílias Skywalker e Solo. Han e Leia
retornam ao mundo natal de Han, Corellia, o coração da resistência.
Os seus filhos, Jacen e Jaina, são soldados na campanha da
Aliança Galáctica para esmagar os insurgentes. Jacen, agora um
mestre completo da Força, tem os seus próprios planos para trazer
ordem à galáxia. Guiado por sua mentora Sith, Lumiya, e com o filho
de Luke, Ben, ao seu lado, Jacen embarca no mesmo caminho que
o seu avô Darth Vader fez uma vez. E enquanto Han e Leia
assistem o seu único filho homem se tornar um estranho, um
assassino secreto emaranha o casal com um nome temido do
passado de Han: Boba Fett. Na nova ordem galáctica, amigos e
inimigos não são mais o que parecem...

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Star Wars: A Sombra da Rainha

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Quando Padmé Naberrie, Rainha Amidala de Naboo, deixa sua


posição, ela é convidada pela rainha recém-eleita para se tornar a
representante de Naboo no Senado Galáctico. Padmé não tem
certeza sobre assumir a nova função, mas não pode recusar o
pedido para servir seu povo. Junto com suas servas mais leais,
Padmé deve descobrir como navegar nas águas traiçoeiras da
política e forjar uma nova identidade além da sombra da rainha.

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Star Wars: Amanhecer dos Jedi - No vazio

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No planeta Tython, a antiga ordem Je'daii foi fundada. E aos pés de


seus sábios Mestres, Lanoree Brock aprendeu os mistérios e
métodos da Força, e encontrou seu chamado como um de seus
discípulos mais poderosos. Mas tão fortemente quanto a Força fluiu
dentro de Lanoree e seus pais, ela permaneceu ausente em seu
irmão, que passou a desprezar e evitar os Je'daii, e cujo
treinamento em seus métodos antigos terminou em tragédia. Agora,
de sua vida solitária como um Patrulheira mantendo a ordem em
toda a galáxia, Lanoree foi convocada pelo Conselho Je'daii em
uma questão de extrema urgência. O líder de um culto fanático,
obcecado em viajar além dos limites do espaço conhecido, está
empenhado em abrir um portal cósmico usando a temida matéria
escura como chave - arriscando uma reação cataclísmica que
consumirá todo o sistema estelar. Porém, mais chocante para
Lanoree do que até mesmo a perspectiva de aniquilação galáctica
total, é a decisão de seus Mestres Je'daii de incumbi-la da missão
de evitá-la. Até que uma revelação surpreendente deixa claro por
que ela foi escolhida: o louco brilhante e perigoso que ela deve
rastrear e parar a qualquer custo é o irmão cuja morte ela lamentou
por muito tempo, e cuja vida ela deve temer agora.

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Star Wars: Thrawn: ASCENDÊNCIA (Livro I – Caos
Crescente)

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Além do limite da galáxia estão as Regiões Desconhecidas:


caóticas, desconhecidas e quase intransitáveis, com segredos
ocultos e perigos em igual medida. E aninhada em seu caos
turbulento está a Ascendência, lar dos enigmáticos Chiss e das
Nove Famílias Regentes que as lideram. A paz da Ascensão, um
farol de calma e estabilidade, é destruída após um ousado ataque à
capital de Chiss que não deixa vestígios do inimigo. Perplexo, a
Ascendência despacha um de seus jovens oficiais militares para
erradicar os agressores invisíveis. Um recruta nascido sem título,
mas adotado na poderosa família de Mitth e que recebeu o nome de
Thrawn. Com o poder da Frota Expansionista em suas costas e a
ajuda de sua camarada Almirante Ar’alani, as respostas começam a
se encaixar. Mas conforme o primeiro comando de Thrawn investiga
mais profundamente a vasta extensão do espaço que seu povo
chama de Caos, ele percebe que a missão que lhe foi dada não é o
que parece.

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Star Wars: A Alta República - Tormenta Crescente

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Os heróis da era da Alta República retornam para enfrentar uma paz


destruída e um inimigo terrível, após os eventos dramáticos de Luz
dos Jedi. Na esteira do desastre do hiperespaço e do heroísmo dos
Jedi, a República continua a crescer, reunindo mais mundos sob
uma única bandeira unificada. Sob a liderança da Chanceler Lina
Soh, o espírito de unidade se estende por toda a galáxia, com os
Jedi e a estação Farol Luz Estelar recentemente estabelecida na
vanguarda. Em comemoração, a chanceler planeja a Feira da
República, será uma vitrine das possibilidades e da paz da
República em expansão, uma paz que os Jedi esperam promover.
Stellan Gios, Bell Zettifar, Elzar Mann e outros se juntam ao evento
como embaixadores da harmonia. Mas à medida que os olhos da
galáxia se voltam para a feira, o mesmo ocorre com a fúria dos Nihil.
O seu líder, Marchion Ro, pretende destruir essa unidade. Sua
Tempestade desce sobre a pompa e a celebração, semeando o
caos e exigindo vingança.

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Star Wars: Velha República – Aniquilação

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O Império Sith está em fluxo. O imperador está desaparecido, dado


como morto, e a tentativa de um ambicioso lorde Sith de tomar o
trono terminou fatalmente. Ainda assim, Darth Karrid, comandante
do temível cruzador de batalha Imperial Lança Ascendente, continua
seus esforços incansáveis para alcançar o domínio Sith total da
galáxia. Mas a determinação implacável de Karrid é mais do que
compatível com a determinação de aço de Theron Shan, cujos
negócios inacabados com o Império podem mudar o curso da
guerra para sempre. Embora filho de uma mestra Jedi, Theron não
exerce a Força... mas, como a sua renomada mãe, o espírito de
rebelião está em seu sangue. Como um importante agente secreto
da República, ele desferiu um golpe crucial contra o Império ao
expor e destruir um arsenal de super arma Sith, o que o torna o
agente ideal para uma missão ousada e perigosa para acabar com o
reinado de terror da Lança Ascendente. Juntamente com a
contrabandista Teff'ith, com quem ele tem uma ligação inexplicável,
e o sábio guerreiro Jedi Gnost-Dural, ex-mestre de Darth Karrid,
Theron deve combinar inteligência e armas com uma tripulação
testada em batalha da escuridão mais fria discípulos secundários.
Mas o tempo é brutalmente curto. E se eles não aproveitarem sua
única chance de sucesso, certamente terão inúmeras oportunidades
de morrer.

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Star Wars – The Clone Wars – Histórias de Luz e
Escuridão

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Um confronto épico entre as forças da luz e das trevas, entre a


República Galáctica e os Separatistas, entre bravos heróis e vilões
brilhantes – o destino da galáxia está em jogo na série de animação
ganhadora do Emmy Award, Star Wars: The Clone Wars. Nesta
emocionante antologia, onze autores que também são fãs da série
trazem histórias de seu programa favorito para a vida. Reunidos
aqui estão momentos memoráveis e aventuras impressionantes, de
tentativas de assassinato a generosidades roubadas, de lições
aprendidas a amores perdidos. Todos os seus personagens
favoritos de The Clone Wars estão aqui: Anakin Skywalker, Yoda,
Obi-Wan Kenobi, Ahsoka Tano, Capitão Rex, Darth Maul, Conde
Dookan e muito mais!

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Star Wars – Tribo Perdida dos Sith: Coletânea de
Histórias

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Finalmente, em um volume único, as oito partes originais da épica


série de e-books Tribo perdida dos Sith… junto com o final explosivo
e nunca antes publicado, Pandemônio, com mais de cem páginas
de novo material! Cinco mil anos atrás. Após uma emboscada Jedi,
a nave mineira Sith Presságio está destruída em um planeta
desconhecido e remoto. Seu comandante, Yaru Korsin, luta contra o
derramamento de sangue de uma facção amotinada liderada por
seu próprio irmão. Encalhados e enfrentando a morte, a tripulação
Sith não tem escolha a não ser se aventurar em seus arredores
desolados. Eles enfrentam inúmeros desafios brutais, predadores
cruéis, pragas letais, tribos que adoram deuses vingativos… e,
como verdadeiros guerreiros Sith, enfrentam-nos com o lado
sombrio da Força. As lutas só estão começando para os orgulhosos
e intransigentes Sith, dirigidos como estão para governar a todo
custo. Eles vencerão os nativos primitivos e encontrarão o caminho
de volta ao seu verdadeiro destino como governantes da galáxia.
Mas à medida que o seu legado cresce ao longo de milhares de
anos, os Sith acabam sendo testados pela ameaça mais perigosa
de todas: o inimigo interno.

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Star Wars – Esquadrão Alfabeto

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O Imperador está morto. A Rebelião é vitoriosa. No rescaldo, Yrica


Quell é apenas um dos milhares de desertores imperiais que vivem
em uma favela de desertores. Incerta sobre o seu lugar na
República contra a qual ela lutou uma vez, ela começou a perder
qualquer esperança de redenção, até que ela seja selecionada para
se juntar ao Esquadrão do Alfabeto. Formados por uma variedade
eclética de pilotos e caças, os cinco membros da Alfabeto são
encarregados pela própria general da Nova República, Hera
Syndulla. A missão deles: rastrear e destruir o misterioso Shadow
Wing, uma força letal de TIE fighters exigindo uma vingança
sangrenta e impiedosa no crepúsculo de seu reinado. Mas passar
de rebeldes menos favorecidos a heróis célebres não é tão fácil
quanto parece. Os rebeldes guerreiros do Esquadrão Alfabeto terão
que aprender a voar juntos para proteger a nova era de paz que
lutaram tanto para conquistar.

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Star Wars - Comandos da República - Contato Hostil

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Enquanto a Guerra dos Clones se enfurece, a vitória ou a derrota


estão nas mãos de esquadrões de elite que assumem as tarefas
mais difíceis na galáxia, soldados frios que vão aonde ninguém mais
iria, para fazer o que ninguém mais poderia... Em uma missão para
sabotar uma instalação de pesquisa de armas químicas em um
planeta controlado pelos Separatistas, quatro soldados clones
operam sob o nariz de seus inimigos. Os comandos estão em menor
número e com menos armas, bem atrás das linhas inimigas, sem
apoio, e trabalhando com estranhos em vez de companheiros de
equipe de confiança. As coisas não melhoram quando Darman, o
especialista em demolições do esquadrão, se separa dos outros
durante a queda do planeta. Mesmo a aparente boa sorte de
Darman em encontrar uma Padawan inexperiente desaparece
quando Etain admite a sua terrível inexperiência. Para os comandos
clones divididos e o Jedi preso, uma longa e perigosa jornada está à
frente, através de um território hostil repleto de escravos
Trandoshanos, Separatistas e nativos suspeitos. Um único passo
em falso pode significar descoberta... e morte. É uma missão suicida
virtual para qualquer um, exceto para os Comandos da República.

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Star Wars - Alta República - Confronto na Feira

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Muito antes das Guerras Clônicas, do Império ou da Primeira


Ordem, os Jedi iluminaram o caminho para a galáxia em uma era
dourada conhecida como Alta República! Este emocionante livro de
histórias colorido traz à vida um confronto épico entre os Cavaleiros
Jedi e seus misteriosos inimigos, os Nihil. Burryaga, o Wookiee
Padawan e seus companheiros Jedi devem salvar o dia! Esse ebook
é a forma mais incrível de introduzir as crianças nessa nova Era da
Alta República, pois reconta a história do Ebook Tormenta
Crescente do ponto de vista do Padawan Jedi Burryaga, que conta
de forma simples e didática para as crianças. (FAIXA ETÁRIA: 6 a 8
anos)

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Star Wars – A Alta República – Fora das Sombras

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Sylvestri Yarrow vive uma maré de azar sem fim. Ela tem feito o
possível para manter o negócio de carga da família em
funcionamento após a morte de sua mãe, mas entre o aumento das
dívidas e o aumento dos ataques dos Nihil a naves desavisados, Syl
corre o risco de perder tudo o que resta de sua mãe. Ela segue para
a capital galáctica de Coruscant em busca de ajuda, mas é desviada
quando é arrastada para uma disputa entre duas das famílias mais
poderosas da República por um pedaço do espaço na fronteira.
Emaranhada na política familiar é o último lugar que Syl quer estar,
mas a promessa de uma grande recompensa é o suficiente para
mantê-la interessada... Enquanto isso, o Cavaleiro Jedi Vernestra
Rwoh foi convocada para Coruscant, mas sem nenhuma ideia do
porquê ou por quem. Ela e seu Padawan Imri Cantaros chegam à
capital junto com o Mestre Jedi Cohmac Vitus e seu Padawan,
Reath Silas, e são convidados a ajudar na disputa de propriedade
na fronteira. Mas por que? O que há de tão importante em um
pedaço de espaço vazio? A resposta levará Vernestra a uma nova
compreensão de suas habilidades e levará Syl de volta ao
passado... e às verdades que finalmente surgirão das sombras.

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Star Wars - A Alta República - A Estrela Cadente

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Uma e outra vez, os invasores viciosos conhecidos como Nihil


tentaram trazer a era de ouro da Alta República a um fim ardente.
Repetidamente, a Alta República emergiu desgastada e cansada,
mas vitoriosa graças a seus protetores Jedi, e não há monumento à
sua causa maior do que o Farol Luz Estelar. Pendurado como uma
joia na Orla Exterior, o Farol encarna a Alta República no ápice de
suas aspirações: um centro de cultura e conhecimento, uma tocha
brilhante contra a escuridão do desconhecido e uma mão estendida
de boas-vindas aos confins do mundo. a galáxia. Enquanto
sobreviventes e refugiados fogem dos ataques do Nihil, o Farol e a
sua tripulação estão prontos para abrigar e curar. Os agradecidos
Cavaleiros e Padawans da Ordem Jedi estacionados lá finalmente
têm a chance de se recuperar, da dor de seus ferimentos e da dor
de suas perdas. Mas a tempestade que eles pensavam ter passado
ainda continua; eles são simplesmente capturados em seus olhos.
Marchion Ro, o verdadeiro mentor dos Nihil, está preparando o seu
ataque mais ousado até agora, um projetado para extinguir a luz dos
Jedi.

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Star Wars - Os Segredos dos Sith

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e você conhecesse o poder do lado sombrio! Descubra os caminhos


dos Sith neste livro infantil emocionante, informativo e totalmente
ilustrado. Junte-se ao Imperador Palpatine, também conhecido
como Darth Sidious, nesta exploração dos Sith e dos aliados
malignos do lado sombrio. Star Wars: Os Segredos dos Sith irá
emocionar os jovens fãs com conhecimento do lado sombrio, obras
de arte incríveis e recursos interativos, como pop-ups, livretos e
inserções de levantar a aba. Experimente o poder do lado sombrio :
Narrado pelo Imperador Palpatine, este livro dará aos jovens leitores
uma visão do poder do lado sombrio. Aprenda sobre alguns dos
maiores vilões do lado sombrio de Star Wars : abrangendo filmes,
programas de televisão, livros, quadrinhos e videogames, Star Wars:
Os Segredos dos Sith narra alguns dos praticantes mais infames do
lado sombrio, incluindo Darth Maul, Conde Dookan, Asajj Ventress,
Darth Vader, o Grande Inquisidor e Kylo Ren. Ilustrações originais
incríveis: Star Wars: Os Segredos dos Sith é um livro infantil
lindamente ilustrado que os leitores vão querer revisitar várias
vezes. Cheio de recursos interativos empolgantes: Pop-ups, folhetos
e inserções de levantar a aba vão emocionar os jovens fãs,
proporcionando uma experiência envolvente enquanto investiga as
histórias sobre os Sith. O complemento perfeito para qualquer
biblioteca virtual de Star Wars : Este lindo ebook encadernado é um
item obrigatório para a coleção de qualquer jovem fã.

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Star Wars - A Alta República – Missão para o
Desastre

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Os Jedi acham que os temidos saqueadores Nihil foram todos


derrotados. O seu líder está fugindo e os seus números diminuíram.
A Cavaleira Jedi Vernestra Rwoh espera que isso signifique que ela
finalmente terá tempo para realmente treinar o seu Padawan, Imri
Cantaros, mas os relatos de um ataque Nihil a Porto Haileap logo
frustram essas esperanças. Pois não só os Nihil que atacaram o
pacífico posto avançado, como também sequestraram a amiga de
Vernestra e de Imri, Avon Starros. Os dois Jedi partiram para Porto
Haileap, determinados a descobrir para onde os Nihil levaram a sua
amiga. Enquanto isso, Avon deve colocar a sua inteligência e
habilidades à prova enquanto luta pela sobrevivência entre os Nihil,
e descobre um plano sinistro. Vernestra e Imri podem encontrar a
sua amiga antes que o desastre aconteça?

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Star Wars - Alta República - Batalha Pelo Farol Luz
Estelar

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Muito antes das Guerras Clônicas, do Império ou da Primeira


Ordem, os Jedi iluminaram o caminho para a galáxia em uma era
dourada conhecida como Alta República! Este emocionante livro de
histórias colorido traz à vida uma outra emocionante aventura no
livro de histórias com heróis Jedi e os seus Padawans enquanto
lutam contra os nefastos vilões Nihil!!

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Star Wars - Alta República - Horizonte à Meia Noite

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Séculos antes dos eventos de Star Wars: A Ameaça Fantasma, na


era da gloriosa Alta República, os Jedi são os guardiões da paz e da
justiça na galáxia! Depois de uma série de perdas impressionantes,
a República parece finalmente ter os vilões saqueadores de Nihil em
fuga, e parece que há luz no fim do túnel. Até que venha a notícia
de um suposto ataque de Nihil ao mundo cosmopolita industrial de
Corellia, bem no Núcleo Galáctico. Enviados para investigar estão
os Mestres Jedi Cohmac Vitus e Kantam Sy, juntamente com os
Padawans Reath Silas e Ram Jomaram, todos travando as suas
próprias batalhas particulares após meses de perigo implacável. Em
Corellia, Reath e Ram encontram um descarado jovem especialista
em segurança chamado Crash, cujo amigo foi uma das vítimas do
ataque Nihil, e eles se unem a ela para se infiltrar na elite de Corellia
enquanto os Mestres buscam caminhos mais diplomáticos. Mas se
disfarçar com Crash é mais perigoso do que qualquer um esperava,
mesmo quando Ram puxa seu amigo Zeen para ajudar com um
estratagema elaborado envolvendo uma estrela pop galáctica. Mas
o que eles descobrem em Corellia acaba sendo apenas uma parte
de um plano maior, que pode levar os Jedi à sua derrota mais
impressionante até agora...

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Star Wars - A Alta República - Executora da
Tempestade

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Mergulhe no mundo cruel de um dos maiores inimigos da Alta


República, a impiedosa Lourna Dee, neste roteiro completo para o
áudio original de Star Wars: Executora da Tempestade. A
tempestade Nihil assolou a galáxia, deixando caos e tristeza em seu
rastro. Poucos de seus invasores são tão cruéis quanto a Executora
da Tempestade Lourna Dee. Ela fica um passo à frente da Ordem
Jedi no comando de uma nave com o nome de um dos monstros
mais mortais da galáxia: ela mesma. Mas ninguém pode fugir dos
defensores da Alta República para sempre. Após a derrota de sua
tripulação, Lourna cai nas mãos dos Jedi, mas não antes de
esconder a sua identidade, tornando-se apenas mais uma
condenada de Nihil. Os seus captores não entendem a fera que
encurralaram. Assim como todos os tolos que ela já enterrou, seu
primeiro erro foi mantê-la viva. Lourna está determinada a
subestimá-la pela última vez. Trancada em uma nave correcional da
República, ela é arrastada pela galáxia para reparar os danos que
ela e seus companheiros Executores da Tempestade infligiram. Mas
enquanto Lourna planeja a sua gloriosa fuga, ela faz alianças que se
aproximam perigosamente das amizades. Fora dos Nihil, separada
da sua infame nave, seu terrível arsenal e seu temido nome, Lourna
deve trilhar seu próprio caminho. Mas isso levará à redenção? Ou
ela emergirá como uma ameaça mais mortal do que nunca?

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Star Wars – Legado da Força – Tormenta

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Enquanto a guerra civil ameaça a unidade da Aliança Galáctica, Han


e Leia Solo enfureceram suas famílias e os Jedi ao se juntarem aos
insurgentes Corellianos. Mas os Solos traçam a linha quando
descobrem o plano dos rebeldes para fazer do Consórcio Hapan um
aliado – que depende dos nobres Hapan assassinarem sua rainha
pró-Aliança e a sua filha. No entanto, a determinação altruísta dos
Solos de salvar a rainha não pode dissipar as consequências
inevitáveis de suas ações que colocarão mãe contra filho e irmão
contra irmã nas batalhas à frente. À medida que os poderes
sombrios de Jacen Solo se fortalecem sob o Jedi Negro Lumiya, e
sua influência sobre Ben Skywalker se torna mais insidiosa, a
preocupação de Luke com seu sobrinho o força a uma luta de vida
ou morte contra seu inimigo mais feroz, e Han e Leia Solo
descobrem ficam à mercê de seu inimigo mais mortal... O filho
deles.

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Star Wars: Irmandade

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As Guerras Clônicas começaram. As fileiras de batalha estão sendo


desenhadas por toda a galáxia. Com cada mundo que se junta aos
Separatistas, a paz guardada pela Ordem Jedi está escorregando
por entre os dedos. Depois que uma explosão devasta Cato
Neimoidia, a joia da Federação do Comércio, a República é culpada
e a frágil neutralidade do planeta é ameaçada. Os Jedi despacham
Obi-Wan Kenobi, uma das mentes diplomáticas mais talentosas da
Ordem, para investigar o crime e manter o equilíbrio que começou a
mudar perigosamente. Enquanto Obi-Wan investiga com a ajuda de
uma heroica guarda Neimoidiana, ele se vê trabalhando contra os
Separatistas que esperam atrair o planeta para a sua conspiração, e
sente a mão sinistra de Asajj Ventress nas brumas que cobrem o
planeta. Em meio ao caos crescente, Anakin Skywalker sobe ao
posto de Cavaleiro Jedi. Apesar da ordem de que Obi-Wan viaje
sozinho, e da insistência de seu ex-mestre para que ele ouça desta
vez, A determinação obstinada de Anakin significa que nada pode
impedi-lo de invadir a festa e trazer um jovem promissor, mas
conflitante. Antes um Padawan de Obi-Wan, Anakin agora se
encontra em pé de igualdade, mas incerto, com o homem que o
criou. O atrito persistente entre eles aumenta o perigo para todos ao
seu redor. Os dois cavaleiros devem aprender uma nova maneira de
trabalhar juntos, e devem aprender rapidamente, para salvar Cato
Neimoidia e seu povo dos incêndios da guerra. Para superar a
ameaça que enfrentam, eles devem crescer além de mestre e
aprendiz. Eles devem permanecer juntos como irmãos.

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Skywalker – Uma Família em Guerra

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Descubra os segredos dos Skywalkers: a família que moldou uma


galáxia muito, muito distante... A história de Skywalker tem tudo:
paixão, intriga, heroísmo e feitos sombrios. Esta biografia reveladora
explora cada reviravolta da dinastia Skywalker: a lenta sedução ao
lado sombrio de Anakin; seu casamento condenado com Padmé
Amidala; o heroísmo de Luke e Leia; a queda e redenção do filho de
Han Solo e da princesa Leia, Ben; e as lutas de sua díade na Força,
Rey. Sem deixar pedra sobre pedra ao traçar as provações e
tribulações da dinastia, esta biografia definitiva da primeira família
de Star Wars explora e explica a história mais profunda e pessoal
dos Skywalkers, seus personagens, motivações e, contra
probabilidades aparentemente impossíveis, seu triunfo final.

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Star Wars – Comandos da República – Triplo Zero

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Após a erupção das sangrentas Guerras Clônicas na batalha de


Geonosis, ambos os lados permanecem em um impasse que só
pode ser quebrado por equipes de guerreiros de elite como o
Esquadrão Ômega, comandos clone com habilidades de combate
aterrorizantes e um arsenal letal... Para o Esquadrão Ômega ,
implantado bem atrás das linhas inimigas, é a mesma velha rotina
de operações especiais: sabotagem, espionagem, emboscada e
assassinato. Mas quando o Esquadrão Ômega é levado às pressas
para Coruscant, o novo ponto de acesso mais perigoso da guerra,
os comandos descobrem que não são os únicos a penetrar no
coração do inimigo. Uma onda de ataques separatistas foi rastreada
até uma rede de células terroristas de Separatistas na capital da
República, planejada por um espião no Quartel General do
Comando. Identificar e destruir uma rede de espionagem e terror
separatista em uma cidade cheia de civis exigirá talentos e
habilidades especiais. Nem mesmo a liderança dos generais Jedi,
juntamente com a assistência do esquadrão Delta e um certo notório
CRA trooper, pode igualar as chances contra os Comandos da
República. E enquanto o sucesso pode não trazer vitória nas
Guerras Clônicas, o fracasso significa derrota certa.

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Star Wars – De um Certo Ponto de Vista – Uma Nova
Esperança

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Em 25 de maio de 1977, o mundo foi apresentado a Han Solo, Luke


Skywalker, Princesa Leia, C-3PO, R2-D2, Chewbacca, Obi-Wan
Kenobi, Darth Vader e uma galáxia cheia de possibilidades. Em
homenagem ao quadragésimo aniversário , mais de quarenta
colaboradores emprestam sua visão a esta releitura de Star Wars .
Cada um dos quarenta contos reimagina um momento do filme
original, mas através dos olhos de um personagem coadjuvante. De
um Certo Ponto de Vista apresenta contribuições de autores mais
vendidos, artistas inovadores e vozes preciosas da história literária
de Star Wars.
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Star Wars: Velha República - Aliança Fatal

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O contrabandista Jet Nebula encontrou um rico tesouro. Os Hutts


querem leiloá-lo pelo maior lance, seja a República ou o Império. O
Alto Conselho Jedi envia um investigador; um Mandaloriano está
perseguindo algo ligado a um crime há muito esquecido; enquanto
um espião joga em todos os lados ao mesmo tempo. No final, o que
Jet descobriu surpreenderá a todos.

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Star Wars: Thrawn: ASCENDÊNCIA (Livro III - O
Mal Menor)

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Por milhares de anos, a Ascendência Chiss tem sido uma ilha de


calma, um centro de poder e um farol de integridade. É liderado
pelas Nove Famílias Governantes, cuja liderança é um baluarte da
estabilidade contra o Caos das Regiões Desconhecidas. Mas essa
estabilidade foi corroída por um inimigo astuto que elimina a
confiança e a lealdade em igual medida. Laços de fidelidade deram
lugar a linhas de divisão entre as famílias. Apesar dos esforços da
Frota de Defesa Expansionista, a Ascendência se aproxima cada
vez mais da guerra civil. Os Chiss não são estranhos à guerra. O
seu status mítico no Caos foi conquistado por meio de conflitos e
atos terríveis, alguns enterrados há muito tempo. Até agora. Para
garantir o futuro da Ascendência, Thrawn mergulhará
profundamente em seu passado, descobrindo os segredos sombrios
que cercam a ascensão da Primeira Família Governante. Mas a
verdade do legado de uma família é tão forte quanto a lenda que a
sustenta. Mesmo que essa lenda seja uma mentira. Para garantir a
salvação da Ascendência, Thrawn está disposto a sacrificar tudo?
Incluindo a única casa que ele já conheceu?

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Star Wars – Cavaleira Errante

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Mil anos antes de Luke Skywalker, uma geração antes de Darth


Bane, em uma galáxia muito, muito distante... A República está em
crise (1032 ABY). Os Sith vagam sem controle, competindo entre si
para dominar a galáxia. Mas uma Jedi solitária, Kerra Holt, está
determinada a derrubar os Lordes das Trevas. Seus inimigos são
estranhos e muitos: Lorde Daiman, que se imagina o criador do
universo; Lord Odion, que pretende ser seu destruidor; os curiosos
irmãos Quillan e Dromika; a enigmática Arcádia. Tantos Sith em
guerra tecendo uma colcha de retalhos de brutalidade, com apenas
Kerra Holt para defender os inocentes pegos sob os pés. Sentindo
um padrão sinistro no caos, Kerra embarca em uma jornada que a
levará a batalhas ferozes contra inimigos ainda mais ferozes. Com
um contra tantos, sua única chance de sucesso está em forjar
alianças entre aqueles que servem seus inimigos, incluindo um
misterioso espião Sith e um general mercenário inteligente. Mas
eles serão seus adversários ou sua salvação? Coruscant, o novo
ponto de acesso mais perigoso da guerra, os comandos descobrem
que não são os únicos a penetrar no coração do inimigo.

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Star Wars – A Esperança da Rainha

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Padmé está se adaptando a ser uma senadora de guerra durante as


Guerras Clônicas. O seu marido secreto, Anakin Skywalker, está
lutando na guerra e se destaca por ser um Jedi de guerra. Em
contraste, quando Padmé tem a oportunidade de ver as vítimas nas
linhas de frente devastadas pela guerra, ela fica horrorizada. As
apostas nunca foram tão altas para a galáxia ou para o casal recém-
casado. Enquanto isso, com Padmé em uma missão secreta, a sua
serva Sabé assume o papel de senadora Amidala, algo que
nenhuma serva faz há muito tempo. No Senado, Sabé fica
igualmente horrorizada com as maquinações que ali acontecem. Ela
fica cara a cara com uma decisão angustiante quando percebe que
não pode lutar uma guerra dessa maneira, nem mesmo por Padmé.
E o Chanceler Palpatine paira sobre tudo isso, manipulando os
jogadores para os seus próprios fins...

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Star Wars – O Vencedor Perde Tudo

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Lando Calrissian não é estranho a torneios de cartas, mas este tem


uma atmosfera verdadeiramente eletrizante. Isso porque o prêmio é
uma escultura rara que vale cinquenta milhões de créditos. Se
Lando não tomar cuidado, ele vai falir, especialmente depois de
conhecer as gêmeas idênticas Bink e Tavia Kitik, ladras mestres que
têm motivos para acreditar que a escultura é falsa. As Kitiks são
fofas, perigosas e determinadas a acertar as coisas, e convenceram
Lando a ajudá-las a expor o golpe. Mas o que eles enfrentam não é
uma simples simples traição, nem mesmo uma traição tripla. É um
jogo de poder completo de proporções colossais. Pois um mentor
invisível detém todas as cartas e tem uma solução à prova de falhas
para cada problema: Assassinato.

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Star Wars – A Sombra do Sith

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O Império está morto. Quase duas décadas após a Batalha de


Endor, os restos esfarrapados das forças de Palpatine fugiram para
os confins da galáxia. Mas para os heróis da Nova República, o
perigo e a perda são companheiros sempre presentes, mesmo
nesta nova era de paz. O Mestre Jedi Luke Skywalker é
assombrado por visões do lado sombrio, predizendo um segredo
sinistro crescendo em algum lugar nas profundezas do espaço, em
um mundo morto chamado Exegol. A perturbação na Força é
inegável… e os piores medos de Luke são confirmados quando o
seu velho amigo Lando Calrissian vem até ele com relatos de uma
nova ameaça Sith. Depois que a filha de Lando foi roubada de seus
braços, ele procurou nas estrelas por qualquer vestígio de seu filho
perdido. Mas cada novo boato leva apenas a becos sem saída e
esperanças desbotadas, até que ele cruza o caminho de Ochi de
Bestoon, um assassino Sith encarregado de sequestrar uma
jovem. Os verdadeiros motivos de Ochi permanecem ocultos para
Luke e Lando. Pois em uma lua ferro-velho, um misterioso enviado
da Eternidade Sith legou uma lâmina sagrada ao assassino,
prometendo que responderá às perguntas que o assombram desde
a queda do Império. Em troca, ele deve completar uma missão final:
retornar a Exegol com a chave para o glorioso renascimento dos
Sith, Rey, a neta do próprio Darth Sidious. Enquanto Ochi persegue
Rey e os seus pais até o limite da galáxia, Luke e Lando correm
para o mistério da sombra persistente dos Sith e ajudam uma jovem
família que corre para salvar suas vidas.

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Star Wars – Boba Fett – Um Homem Prático

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Na superfície, parece apenas mais um contrato de rotina para Boba


Fett e os seus comandos Mandalorianos, mas o cliente misterioso
que os contrata para iniciar uma pequena guerra é mais perigoso do
que qualquer um deles pode imaginar. Quando a força de invasão
Yuuzhan Vong varre a galáxia, os Mandalorianos descobrem que
estão do lado errado, lutando por uma cultura alienígena que trará o
fim da sua própria. Agora Fett tem que escolher entre sua honra e a
sobrevivência de seu povo. Como ele é um homem prático, ele está
determinado a ajudar a resistência a derrotar os Yuuzhan Vong,
mesmo que isso signifique trabalhar com um agente Jedi. O
problema é que ninguém confia em um homem com a reputação de
Fett. Então, convencer a Nova República de que eles estão lutando
do mesmo lado é uma tarefa difícil. Denunciados como traidores, os
Mandalorianos de Fett precisam ficar um passo à frente de seus
pagadores Yuuzhan Vong, e da República que os vê como
colaboradores do inimigo mais destrutivo que a galáxia já
enfrentou...

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Star Wars – Nova Ordem Jedi - Yuuzhan Vong

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Enquanto a Nova República e os Jedi tentam resolver os seus


problemas de convivência, e também tentam resolver pequenas
intrigas entre planetas. Surge algo sombrio e malévolo que nem a
Força consegue perceber. Os Yuuzhan Vong surgem como um
predador de planetas tomando-os e transformando-os. Como a
Galáxia de Star Wars vai derrotar o inimigo mais destrutivo que já
enfrentou? Desvende tudo sobre a raça, planetas, armas, cultura,
história, guerras, mapas, etc... que mudaram o Universo Expandido
Legend de Star Wars para sempre. Esse material vai ser o seu guia
definitivo para toda a série Nova Ordem [Link] a Nova
República e os Jedi tentam resolver os seus problemas de
convivência, e também tentam resolver pequenas intrigas entre
planetas. Surge algo sombrio e malévolo que nem a Força
consegue perceber. Os Yuuzhan Vong surgem como um predador
de planetas tomando-os e transformando-os. Como a Galáxia de
Star Wars vai derrotar o inimigo mais destrutivo que já enfrentou?
Desvende tudo sobre a raça, planetas, armas, cultura, história,
guerras, mapas, etc... que mudaram o Universo Expandido Legend
de Star Wars para sempre. Esse material vai ser o seu guia para
toda a série Nova Ordem Jedi.

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Star Wars – Nova Ordem Jedi - Vetor Primário

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Vinte e um anos se passaram desde que os heróis da Aliança


Rebelde destruíram a Estrela da Morte, quebrando o poder do
Imperador. Desde então, a Nova República lutou bravamente para
manter a paz e a prosperidade entre os povos da galáxia. Mas a
agitação começou a se espalhar; as tensões surgem em surtos de
rebelião que, se não forem controlados, ameaçam destruir o tênue
reinado da República. Nesta atmosfera volátil vem Nom Anor, um
incendiário carismático que aquece as paixões ao ponto de
ebulição, semeando sementes de dissidência por seus próprios
motivos sombrios. Em um esforço para evitar uma guerra civil
catastrófica, Leia viaja com a sua filha Jaina, sua cunhada Mara
Jade e o leal droide de protocolo C-3PO, para conduzir negociações
diplomáticas cara a cara com Nom Anor. Mas ele se mostra
resistente às súplicas de Leia, e, muito mais inexplicavelmente,
dentro da Força, onde um ser deveria estar, estava... espaço em
branco. Enquanto isso, Luke é atormentado por relatos de
Cavaleiros Jedi desonestos que estão fazendo justiça com as
próprias mãos. E então ele luta com um dilema: ele deve tentar,
neste clima de desconfiança, restabelecer o lendário Conselho Jedi?
Enquanto os Jedi e a República se concentram em lutas internas,
uma nova ameaça surge, despercebida, além dos confins da Orla
Exterior. Um inimigo aparece de fora do espaço conhecido,
carregando armas e tecnologia diferente de tudo que os cientistas
da Nova República já viram. De repente, Luke, Mara, Leia, Han Solo
e Chewbacca, junto com as crianças Solo, são lançados novamente
na batalha, para defender a liberdade pela qual tantos lutaram e
morreram. Mas desta vez, toda a sua coragem, sacrifício e até
mesmo o poder da própria Força podem não ser suficientes...

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Star Wars – A Alta República – Trilha do Engano

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Situado no mundo da Alta República, 150 anos antes da narrativa


da Fase I, uma era de mudanças traz novas esperanças e
possibilidades... mas também novos perigos. O planeta da Orla
Exterior Dalna se tornou o foco de uma investigação Jedi sobre um
artefato roubado da Força, e a Zallah Macri e o seu Padawan,
Kevmo Zink, chegam ao mundo pastoral para acompanhar uma
possível conexão com um grupo missionário de Dalnan chamado
Caminho da Mão Aberta. Os membros do Caminho acreditam que a
Força deve ser livre e não deve ser usada por ninguém, nem
mesmo pelos Jedi. Um desses crentes é Marda Ro, uma jovem que
sonha em deixar Dalna para espalhar a palavra do Caminho por
toda a galáxia. Quando Marda e Kevmo se encontram, a sua
conexão é instantânea e elétrica… até que Marda descobre que
Kevmo é um Jedi. Mas Kevmo é tão gentil e ansioso para aprender
mais sobre o Caminho, que ela espera poder convencê-lo da justeza
de suas crenças. O que Marda não percebe é que a líder da Trilha,
uma mulher carismática conhecida apenas como a Mãe, tem uma
agenda própria, que nunca poderá coexistir pacificamente com os
Jedi. Para seguir a sua fé, Marda pode ter que escolher se tornar a
pior inimiga de sua nova amiga... Não perca essas outras aventuras
ambientadas na era da Alta República!

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Star Wars – Star Wars – Episódio I – A Ameaça
Fantasma

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No mundo verde e intocado de Naboo, o Mestre Jedi Qui-Gon Jinn e


seu aprendiz, Obi-Wan Kenobi, chegam para proteger a jovem
rainha do reino enquanto ela busca uma solução diplomática para
acabar com o cerco de seu planeta pelas naves de guerra da
Federação do Comércio. Ao mesmo tempo, em um Tatooine varrido
pelo deserto, um menino escravo chamado Anakin Skywalker, que
possui uma estranha habilidade de entender e “corrigir” as coisas,
labuta durante o dia e sonha à noite, em se tornar um Cavaleiro Jedi
e encontrar uma maneira de conquistar a liberdade pra si e para a
sua amada mãe. Será o encontro inesperado de Jedi, da Rainha e
de um menino talentoso que marcará o início de um drama que se
tornará uma lenda.

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Star Wars - A Alta República - Em Busca da Cidade
Oculta

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Séculos antes das Guerras Clônicas ou do Império, nos primeiros


dias da Alta República, era uma era de exploração em uma galáxia
muito, muito distante… Pilotos ousados traçam novas rotas através
do hiperespaço, enquanto as equipes de Desbravadores fazem
contato com mundos fronteiriços para convidá-los a se juntarem à
República. Quando um droide de comunicações da equipe de
Desbravadores é encontrado flutuando no espaço, danificado e
carregando uma mensagem enigmática, a Cavaleira Jedi Silandra
Sho e a sua Padawan, Rooper Nitani, são enviadas para encontrar
os membros da equipe de desaparecidos. A sua investigação os
leva ao planeta Gloam, um mundo devastado que dizem ser
assombrado por monstros míticos. Os Jedi podem encontrar os
Desbravadores desaparecidos e desvendar o mistério dos
monstros? As respostas estão em uma cidade escondida sob a
superfície do planeta…

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Star Wars – Legado da Força – Exílio

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Na galáxia de Star Wars, o mal está em movimento enquanto a


Aliança Galáctica e os Jedi ordenam as forças de batalha visíveis e
invisíveis, da traição interna desenfreada ao pesadelo da guerra
total. A cada vitória contra os rebeldes Corellianos, Jacen Solo se
torna mais admirado, mais poderoso e mais certo de alcançar a paz
galáctica. Mas essa paz pode ter um preço. Apesar dos
relacionamentos tensos causados por simpatias opostas na guerra,
Han e Leia Solo e Luke e Mara Skywalker permanecem unidos por
uma suspeita assustadora: alguém insidioso está manipulando esta
guerra e, se ele ou ela não for impedido, todos os esforços de
reconciliação podem ser perdidos. por nada. E como visões sinistras
levam Luke a acreditar que a fonte do mal não é outro senão
Lumiya, Lady Sombria dos Sith, o maior perigo gira em torno do
próprio Jacen.
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Star Wars - A Alta República - Convergência

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É uma era de exploração. Os Jedi viajam pela galáxia, expandindo


sua compreensão da Força e de todos os mundos e seres
conectados por ela. Enquanto isso, a República, liderada por seus
dois chanceleres, trabalha para unir os mundos em uma
comunidade cada vez maior entre estrelas próximas e distantes.
Nos planetas de órbita próxima de Eiram e E'ronoh, as dores de
crescimento de uma galáxia com recursos limitados, mas ambição
ilimitada, são sentidas profundamente. O ódio entre os dois mundos
alimentou meia década de conflitos crescentes e agora ameaça
consumir os sistemas circundantes. A última esperança de paz
surge quando os herdeiros das famílias reais dos planetas planejam
se casar. Antes que a paz duradoura possa ser estabelecida, uma
tentativa de assassinato visando o casal leva Eiram e E'ronoh de
volta à guerra total. Para salvar os dois mundos, a Cavaleira Jedi
Gella Nattai se oferece para descobrir o culpado, enquanto a
Chanceler Kyong nomeia o seu próprio filho, Axel Greylark, para
representar os interesses da República na investigação. Mas a
profunda desconfiança de Axel nos Jedi vai contra a fé de Gella na
Força. Ela nunca conheceu um festeiro tão arrogante e privilegiado,
e ele nunca conheceu uma benfeitora mais séria e implacável.
Quanto mais eles trabalham para desvendar a teia sombria da
investigação, mais complicada parece ser a conspiração. Com
acusações voando e inimigos em potencial em cada sombra, a
dupla terá que trabalhar juntos para ter alguma esperança de trazer
a verdade à tona e salvar os dois mundos.

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Star Wars - Mão de Thrawn - Espectro do Passado

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Uma vez que o mestre inquestionável de incontáveis sistemas


solares, o Império está cambaleando à beira do colapso total. Dia a
dia, sistemas neutros estão correndo para se juntar à coalizão da
Nova República. Mas com o fim da guerra à vista, a Nova República
foi vítima de seu próprio sucesso. Uma aliança pesada de raças e
tradições, a confederação agora se encontra dividida por antigas
animosidades. A princesa Leia luta contra todas as probabilidades
para manter a Nova República unida. Mas ela tem inimigos
poderosos. Um ambicioso Moff Disra lidera uma conspiração para
dividir a desconfortável coalizão com uma trama engenhosa para
culpar os Bothanos por um crime hediondo que pode levar ao
genocídio e à guerra civil. Ao mesmo tempo, Luke Skywalker, junto
com Lando Calrissian e Talon Karrde, persegue um misterioso grupo
de navios piratas cujas tripulações consistem em clones. E então
vem a notícia mais surpreendente de todas: o Grande Almirante
Thrawn, que se acredita estar morto há dez anos, é dado como vivo.
O guerreiro mais astuto e implacável da história imperial
aparentemente voltou para liderar o Império ao triunfo. Enquanto
Han e Leia tentam impedir o desmoronamento da Nova República
diante dessa terrível e inexplicável ameaça do passado, Luke decide
rastrear as naves de piratas desonestos. À espreita nas sombras
está o enigmático Major Tierce, um discípulo do Imperador
Palpatine, compartilhando o desejo de poder de seu mestre morto
há muito tempo, educado nos estratagemas tortuosos do próprio
Thrawn e armado com os seus próprios planos sombrios para a
Nova República e o Império.

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Star Wars - A Alta República - Batalha de Jedha

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Em Jedha. As ruas desgastadas deste mundo antigo servem como


uma confluência para a galáxia. Visitado por todos, mas propriedade
de ninguém. Aqui, os Jedi são apenas um credo entre muitos que
adoram e estudam a Força. Dos Guardiões dos Whills ao Caminho
da Mão Aberta, incontáveis seres vêm aprender e compartilhar em
paz. Aqui, os Jedi são apenas um credo entre muitos que adoram e
estudam a Força. Dos Guardiões dos Whills ao Caminho da Mão
Aberta, incontáveis seres vêm aprender e compartilhar em paz.
Enquanto toda Jedha se prepara para o Festival do Equilíbrio, a
galáxia ainda se recupera da violência em Eiram e E'ronoh. Mas
depois de frustrar um plano para intensificar a guerra entre os dois
planetas, os Jedi acreditam que uma paz duradoura pode estar ao
seu alcance. O Mestre Creighton Sun e a Cavaleira Jedi Aida Forte
chegam a Jedha com delegações de ambos os planetas para
encerrar formalmente a “Guerra Eterna”. Os Jedi esperam que a
harmonia das muitas facções de Jedha, juntamente com a
assinatura de um tratado de paz, crie um símbolo para o resto da
galáxia do que pode ser alcançado através da unidade. Mas nem
todos estão felizes com o envolvimento dos Jedi ou prontos para se
preocupar com a paz. Começam a circular rumores de que os Jedi
trazem a guerra em seu rastro. A desconfiança e a raiva que por
tanto tempo alimentaram a Guerra Eterna agora ameaçam
corromper as comunidades de Jedha. Quando a violência irrompe
na lua sagrada, a guerra que deveria terminar em Jedha pode em
breve envolver o mundo inteiro.

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Star Wars Jedi: Cicatrizes de Batalha

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Cal Kestis construiu uma nova vida para si mesmo com a tripulação
do Stinger Mantis. Juntos, a equipe de Cal derrubou caçadores de
recompensas, derrotou inquisidores e até evitou o próprio Darth
Vader. O mais importante, Merrin, Cere, Greez e o fiel droide BD-1
são a coisa mais próxima que Cal teve de uma família desde a
queda da Ordem Jedi. Mesmo com o futuro da galáxia ficando mais
incerto a cada dia, a cada golpe desferido contra o Império, a
tripulação da Mantis se torna mais ousada. No que deveria ser uma
missão de rotina, eles encontram um stormtrooper determinado a
traçar seu próprio curso com a ajuda de Cal e a sua tripulação. Em
troca de ajuda para começar uma nova vida, a desertora Imperial
traz a notícia de uma ferramenta poderosa e potencialmente
inestimável para sua luta contra o Império. E melhor ainda, ela pode
ajudá-los a chegar lá. O único problema, persegui-la os colocará no
caminho de um dos servos mais perigosos do Império, o Inquisidor
conhecido como o Quinto Irmão. A desertora imperial pode
realmente ser confiável? E enquanto Cal e os seus amigos já
sobreviveram a confrontos com os Inquisidores antes, quantas
vezes eles podem escapar do Império antes que sua sorte acabe?

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Star Wars – Darth Maul – Caçador das Sombras

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Depois de anos esperando nas sombras, Darth Sidious está dando


o primeiro passo em seu plano mestre para colocar a República de
joelhos. A chave para o seu esquema são os Neimoidianos da
Federação do Comércio. Então um de seus contatos Neimoidianos
desaparece, e Sidious não precisa de seus instintos afiados pela
Força para suspeitar de traição. Ele ordena que o seu aprendiz,
Darth Maul, cace o traidor. Mas é tarde demais. O segredo já
passou para as mãos do corretor de informações Lorn Pavan, o que
o coloca no topo da lista de alvos de Darth Maul. Então, nos becos
labirínticos e esgotos de Coruscant, capital da República, Lorn cruza
o caminho de Darsha Assant, uma Padawan Jedi em uma missão
para ganhar seu título de Cavaleira. Agora o futuro da República
depende de Darsha e Lorn. Mas como pode uma Jedi inexperiente e
um homem comum, estranho aos caminhos poderosos da Força,
esperar triunfar sobre um dos assassinos mais mortais da galáxia.
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Star Wars - A Alta República - Crônicas dos Jedi

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Pela luz e pela vida. Este guia ilustrado do universo irá mergulhá-lo
na era de ouro dos Jedi, tornando-o obrigatório para os fãs dA Alta
República , bem como para novos leitores que procuram um
emocionante ponto de entrada na saga épica. Situado séculos antes
da Saga Skywalker, este livro é o guia definitivo do universo de Star
Wars: A Alta República, fornecendo uma visão fascinante de uma
época de heróis valentes, monstros aterrorizantes e exploração
ousada. Apresentando ilustrações originais impressionantes, este
livro impressionante é um item colecionável essencial que o
transportará para a era de ouro da galáxia.

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Star Wars – A Alta República – Cataclisma

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Após cinco anos de conflito, os planetas Eiram e E’ronoh estão à


beira de uma verdadeira paz. Mas quando surgem as notícias de um
desastre na assinatura do tratado em Jedha, a violência reacende
nos mundos sitiados. Juntos, os herdeiros reais de ambos os
planetas, Phan-tu Zenn e Xiri A’lbaran, trabalhando ao lado dos Jedi,
descobriram evidências de que o conflito está sendo orquestrado
por forças externas, e todos os sinais apontam para a misterioso
Trilha da Mão Aberto, de quem os Jedi também suspeitam ter
causado o desastre em Jedha. Com tempo, e respostas, escassos,
os Jedi devem dividir seu foco entre ajudar a acabar com a violência
renovada em Eiram e E’ronoh e investigar o Caminho. Entre eles
está Gella Nattai, que se volta para a única pessoa que acredita
poder desvendar o mistério, mas a última pessoa em quem deseja
confiar: Axel Greylark. O filho da Chanceler, preso por seus crimes,
sempre procurou se livrar do peso do nome de sua família. Ele se
reconciliará com os Jedi e os ajudará em sua busca por justiça e
paz, ou abraçará a promessa de verdadeira liberdade da Trilha?
Como todos os caminhos levam a Dalna, Gella e os seus aliados se
preparam para enfrentar um inimigo diferente de qualquer outro que
já enfrentaram. E será preciso toda a confiança deles na Força, e
uns nos outros, para sobreviver.

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Star Wars – A Alta República – Trilha da Vingança

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Esta fascinante continuação de Trilha do Engano encontra as


primas Marda e Yana Ro ligadas pelo sangue, mas separadas pela
fé. Marda e Yana pertencem ao Trilha da Mão Aberta, um grupo
liderado por uma mulher carismática chamada Mãe, que acredita
que a Força não deve ser usada por ninguém. Enquanto Marda se
junta a uma perigosa expedição ao Planeta X em busca de mais
criaturas misteriosas para usar contra os Jedi, Yana se vê formando
uma inesperada aliança com o pai de seu amante morto na tentativa
de arrancar a Trilha do controle da Mãe. Essas duas jovens
enfrentarão uma encruzilhada, forçadas a escolher não só os seus
próprios destinos, mas o da própria galáxia.

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Star Wars – Comandos da República – Verdadeiras
Intenções

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Na luta desesperada do Grande Exército para esmagar os


Separatistas, as missões secretas de operações especiais de seus
guerreiros clones de elite nunca foram tão críticas… ou mais
perigoso. Uma ameaça crescente ameaça a vitória da República, e
os membros do Esquadrão Omega fazem uma descoberta chocante
que abala a sua própria lealdade. À medida que as linhas entre
amigos e inimigos continuam a se confundir, os cidadãos, de civis e
Sargentos a Jedi e Generais, se deparam com um novo inimigo: a
dúvida em seus próprios corações e mentes. A verdade é uma
ilusão frágil e instável, e apenas o inferno que se aproxima revelará
os dois lados em suas verdadeiras cores.

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Star Wars – Colheita Vermelha

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Ao contrário dos outros Jedi marginalizados do Corporação


Agrícola, jovens Jedi cujas habilidades não provaram ser suficientes
- Hestizo Trace possui um extraordinário talento da Força: um dom
com plantas. De repente, sua existência tranquila entre espécimes
de estufas e jardins é violentamente destruída pela chegada de um
emissário de Darth Scabrous. Pois a rara orquídea negra com a qual
ela nutriu e se uniu é o ingrediente final de uma antiga fórmula Sith
que promete conceder a Darth Scabrous seu maior desejo. Mas no
coração da fórmula está um vírus nunca antes visto que é pior do
que fatal, ele não apenas mata, ele transforma. Agora os mortos
apodrecidos e famintos estão se levantando, impulsionados por uma
fome sanguinária por todas as coisas vivas, e comandados por um
Mestre Sith com um desejo insaciável de poder e o prêmio final: a
imortalidade... não importa o custo.

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Star Wars – Linhas de Tempo

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Um companheiro indispensável para todos os fãs de Star Wars, este


ebook de alta qualidade exibe cronogramas visuais que mapeiam
cronologicamente os principais eventos, personagens e
desenvolvimentos e marcam seu significado. Acompanhe conflitos
cruciais ao longo dos anos que afetam a galáxia de maneiras
profundas. Siga o sabre de luz Skywalker enquanto ele passa pelas
gerações e testemunhe a evolução do icônico TIE fighter em
diferentes épocas. Rastreie o movimento dos planos da Estrela da
Morte ao longo dos anos e descubra várias linhas do tempo
ramificadas que dividem batalhas importantes. Veja rapidamente os
eventos essenciais organizados por era e analise os detalhes para
descobrir eventos maiores e menores, datas importantes e
informações fascinantes, tudo organizado cronologicamente.
Examine linhas do tempo intrincadas em quase todas as páginas.

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Star Wars – Legado da Força - Sacrifício

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Uma guerra civil assola a galáxia, enquanto a Aliança Galáctica,


liderada por Cal Omas, e as forças Jedi de Luke Skywalker
batalham contra uma confederação de planetas rebeldes que se
uniram ao lado da Corellia insubmissa. Suspeitos de envolvimento
em um plano de assassinato contra a Rainha Mãe Tenel Ka do
Consórcio Hapes, Han e Leia Solo estão fugindo, perseguidos pelo
próprio filho, Jacen, cujas as táticas cada vez mais autoritárias como
chefe da segurança da Aliança Galáctica têm feito Luke e Mara
Skywalker temerem que o seu sobrinho esteja se aproximando
perigosamente do lado sombrio. Mas enquanto sua família enxerga
em Jacen a arrepiante herança de seu avô Sith, Darth Vader, muitos
dos soldados na linha de frente o adoram e inúmeros cidadãos o
veem como um salvador. A galáxia foi dilacerada por inúmeras
guerras. Tudo o que Jacen quer é segurança e estabilidade para
todos, e ele está disposto a fazer qualquer coisa para alcançar esse
objetivo. Para acabar com o derramamento de sangue e o
sofrimento, qual sacrifício seria grande demais? Essa é a pergunta
que atormenta Jacen. Ele já sacrificou muito, abraçando os
ensinamentos impiedosos de Lumiya, a Lady Sombria dos Sith, que
lhe ensinou que uma vontade forte e um propósito nobre podem
conter os excessos malignos do lado sombrio, trazendo paz e ordem
à galáxia, mas a um preço. Pois há um último teste que Jacen deve
passar antes de poder obter o poder imenso de um verdadeiro
Lorde Sith: ele deve causar a morte de alguém a quem valoriza
profundamente. O que perturba Jacen não é se ele tem a força para
cometer assassinato. Ele se fortaleceu para isso e para coisas
piores, se necessário. Não, a pergunta que perturba Jacen é quem
deveria ser o sacrifício. Conforme os fios do destino se entrelaçam
cada vez mais em uma teia que abrange a galáxia, a resposta
chocante irá despedaçar duas famílias... e lançar uma sombra
escura sobre o futuro.

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Star Wars – Inquisidor - Ascensão da Lâmina
Vermelha

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Padawan Iskat Akaris dedicou sua vida a viajar pela galáxia ao lado
de seu mestre, aprendendo os caminhos da Força para se tornar um
bom Jedi. Apesar da dedicação de Iskat, a paz e o controle
permaneceram indescritíveis e, a cada revés, ela sente que seus
companheiros Jedi ficam mais desconfiados dela. Já incerta sobre
seu futuro na Ordem Jedi, Iskat enfrenta uma tragédia quando seu
mestre é morto e as Guerras Clônicas engolem a galáxia no caos.
Agora general na linha de frente contribuindo para esse caos, ela é
frequentemente lembrada: Confie em seu treinamento. Confie na
sabedoria do Conselho. Confie na Força. No entanto, à medida que
as sombras da dúvida se instalam, Iskat começa a fazer perguntas
que nenhum Jedi deveria fazer: perguntas sobre seu próprio
passado desconhecido. Perguntas que os Mestres Jedi
considerariam perigosas. Conforme os anos passam e a guerra
perdura, a fé de Iskat nos Jedi diminui. Se eles lhe concedessem
mais liberdade, ela tem certeza de que poderia fazer mais para
proteger a galáxia. Se eles confiassem nela com mais
conhecimento, ela poderia finalmente deixar de lado as sombras
que começaram a consumi-la. Quando a Ordem Jedi finalmente cai,
Iskat aproveita a chance de abrir seu próprio caminho. Ela abraça a
salvação da Ordem 66.

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Star Wars – A Princesa e o Canalha

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A Estrela da Morte é destruída. Darth Vader está morto. O Império


está desolado. Mas na lua da floresta de Endor, entre o caos de
uma galáxia em mudança, o tempo parou para uma princesa e seu
canalha. Depois de ser congelado em carbonita e arriscar tudo pela
Rebelião, Han está ansioso para parar de viver sua vida para outras
pessoas. Ele e Leia ganharam seu futuro juntos mil vezes. E quando
ele pede Leia em casamento, é a primeira vez em muito tempo que
ele tem um bom pressentimento sobre isso. Para Leia, uma vida
inteira de lutas não parece ter acabado. Ainda há trabalho a fazer,
penitência para pagar pelo segredo obscuro que ela agora sabe que
corre em suas veias. Seu irmão, Luke, está oferecendo a ela essa
chance, uma que vem com a família e a promessa da Força. Mas
quando Han a pede em casamento, Leia encontra a resposta
imediatamente em seus lábios. . . Sim. No entanto, felizes para
sempre não vem facilmente. Assim que Han e Leia partem de sua
cerimônia idílica para sua lua de mel, eles se encontram no palco
mais grandioso e glamoroso de todos: o Halcyon, uma embarcação
de luxo em uma jornada muito pública para os mundos mais
maravilhosos da galáxia. O casamento deles e a paz e a
prosperidade que ele representa são um para-raios para todos,
incluindo os remanescentes imperiais que ainda se apegam ao
poder. Enfrentando seu momento mais desesperador, os soldados
do Império se dispersaram pela galáxia, se concentrando em
planetas isolados e vulneráveis à sua influência. Enquanto a
Halcyon viaja de mundo a mundo, uma coisa fica bem clara: a
guerra ainda não acabou. Mas à medida que o perigo se aproxima,
Han e Leia descobrem que lutam suas melhores batalhas não
sozinhos, mas como marido e mulher.

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Star Wars – Episódio III – A Vingança dos Sith

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À medida que o combate se intensifica em toda a galáxia, o palco


está montado para um final explosivo: Obi-Wan empreende uma
missão perigosa para destruir o temido líder militar separatista,
General Grievous. O Supremo Chanceler Palpatine continua a
suprimir as liberdades constitucionais em nome da segurança,
enquanto influencia a opinião pública a se voltar contra os Jedi. E
um Anakin conflituoso teme pela vida de seu amor secreto, a
Senadora Padmé Amidala. Atormentado por visões indescritíveis,
Anakin se aproxima cada vez mais do limite de uma decisão que
moldará a galáxia. Resta apenas para Darth Sidious dar o golpe
final avassalador contra a República, e consagrar um novo Senhor
Sith temível: Darth Vader. Baseado no roteiro do último filme da
saga épica de George Lucas, o livro do aclamado autor de Star
Wars, Matthew Stover, estala com ação, captura os personagens
icônicos em toda a sua complexidade e fecha a obra-prima da ópera
espacial com um estilo impressionante.
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Star Wars – Jornada para Star Wars – Os Último Jedi
As Lendas de Luke Skywalker

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Enquanto uma nave de carga atravessa a galáxia em direção a


Canto Bight , os marinheiros a bordo contam histórias sobre o
lendário Cavaleiro Jedi Luke Skywalker. Mas as histórias do icônico
e misterioso Luke Skywalker são verdadeiras ou apenas contos
fantásticos passados de um canto da galáxia a outro? Skywalker é
realmente um herói Jedi famoso, um charlatão elaborado ou mesmo
parte droide? Os marinheiros terão que decidir por si mesmos
quando ouvirem As Lendas de Luke Skywalker.

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Star Wars – Voo de Partida

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Antes do início das Guerras Clônicas, um grupo de Jedi liderado


pelo Mestre Jorus C’baoth pressionou o Senado da República para
financiar um projeto para procurar e contatar vida inteligente fora da
galáxia conhecida. Seis Mestres Jedi, 12 Cavaleiros Jedi e 50.000
funcionários de apoio adicionais embarcaram em uma nave estelar
incrível e partiram em sua aventura… apenas para desaparecer sem
deixar rastros. Este foi o primeiro encontro dos Jedi com os
alienígenas chamados Chiss, e o futuro arqui-inimigo da Nova
República, Thrawn. Mas até Luke Skywalker e a sua esposa Mara
partirem para as Regiões Desconhecidas em Survivor’s Quest, o
destino do Projeto Voo de Partida permaneceu um enigma.

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Star Wars - Contos de Luz e Vida

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Contos emocionantes com personagens favoritos dos fãs da amada


série Alta República, cada um escrito por um autor best-seller do
New York Times. Os autores da Alta República compartilham contos
imperdíveis que conectam Fases, resolvem mistérios e oferecem
dicas tentadoras do que está por vir. Junte-se novamente às
aventuras dos Jedi e Padawans, Desbravadores e membros da
Trilha, heróis e vilões antes do lançamento da Fase III.

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Star Wars - Nova Ordem Jedi - Rumo Sombrio I -
Ofensiva

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É um momento perigoso para a Nova República. Justamente


quando a unidade é mais necessária, a desconfiança aumenta. Até
os Jedi sentem a tensão, à medida que elementos rebeldes se
rebelam contra a liderança de Luke. Quando invasores alienígenas
conhecidos como Yuuzhan Vong atacam sem aviso, a Nova
República fica na defensiva. Guerreiros impiedosos, a glória de
Yuuzhan Vong na tortura. A tecnologia deles é tão estranha quanto
mortal. O mais sinistro de tudo é que eles são imunes à Força.
Agora Luke deve exercer todos os poderes incríveis de um Mestre
Jedi para derrotar a ameaça mais grave desde Darth Vader.
Enquanto Leia e Gavin Darklighter lideram refugiados desesperados
em uma retirada de combate das forças de Yuuzhan Vong, Mara
Jade, Anakin, Jacen e Corran Horn são testados como nunca antes
por um inimigo implacável e sem rosto determinado a sufocar para
sempre a luz da Nova República. uma mortalha do mal mais
sombrio...

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Star Wars [Jornada para Star Wars - A Ascensão
Skywalker] Colecionador da Força

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Karr é um adolescente como muitos outros na galáxia. Ele vai à


escola, ajuda os pais nos negócios da família, gosta de speeders e
droides. Mas Karr também tem um segredo: quando toca em certos
objetos, ele sente fortes dores de cabeça e desmaia. E junto com a
dor às vezes vêm visões de pessoas que ele não conhece e de
lugares onde nunca esteve. Os pais de Karr temem que ele esteja
doente; sua avó está convencida de que as visões vêm da Força.
Mas já se passaram anos desde que alguém ouviu falar do último
Jedi, Luke Skywalker. Sobrou algum Jedi para guiar Karr no uso de
suas habilidades? Alguém está disposto a falar sobre os Jedi e o
que aconteceu com eles, à medida que sua memória continua a
desaparecer e a Primeira Ordem surge? Preso em seu isolado
planeta natal, Karr se torna um colecionador de artefatos históricos,
na esperança de um dia encontrar um objeto que lhe dê uma visão
sobre os segredos dos [Link] sua avó morre e os seus pais
anunciam que vão mandá-lo para uma escola no outro lado do
planeta, Karr chega ao limite. Ele precisa saber o que seu destino
reserva e se os Jedi estão envolvidos. Acompanhado por Maize, a
nova garota rude e imprevisível da escola com ligações com a
Primeira Ordem, e RZ-7, o solícito companheiro droide de Karr, ele
parte para a galáxia maior para descobrir a verdade. Suas aventuras
o levarão de Utapau a Jakku, a Takodana e além, enquanto ele
aprende mais sobre os Jedi do que poderia esperar... e sobre seu
próprio lugar na Força.

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Star Wars – A Alta República – Olho da Escuridão

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A galáxia está dividida. Após a chocante destruição do Farol Luz


Estelar, os Nihil estabeleceram uma barreira impenetrável chamada
Muralha de Tempestade ao redor de parte da Orla Exterior, onde
Marchion Ro governa e os seus seguidores causam estragos a seu
bel-prazer. Os Jedi presos por trás das linhas inimigas, incluindo
Avar Kriss, devem lutar para ajudar os mundos saqueados pelos
Nihil, enquanto ficam um passo à frente dos saqueadores e os seus
terrores Inomináveis. Fora da chamada Zona de Oclusão dos Nihil,
Elzar Mann, Bell Zettifar e outros Jedi trabalham junto à República
para alcançar os mundos que foram isolados do resto da galáxia.
Mas cada tentativa de romper a Muralha de Tempestade falhou, e
até a comunicação através da barreira é impossível. Os fracassos e
as perdas pesam muito tanto para Elzar quanto para Bell, enquanto
procuram desesperadamente por uma solução. Mas mesmo que as
forças da República e dos Jedi consigam romper a Muralha de
Tempestade, como os Jedi podem se defender contra as criaturas
Inomináveis que se alimentam da conexão dos Jedi com a Força? E
que outros horrores Marchion Ro tem guardados? À medida que a
desesperança cresce tanto para os Jedi quanto para a República,
qualquer esperança de reunir a galáxia pode estar prestes a se
extinguir completamente…

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Star Wars - Mão de Thrawn - Visão do Futuro

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Para um Império sitiado, tempos desesperadores exigem medidas


desesperadas. Semeando a discórdia entre a frágil coligação da
Nova República, os remanescentes do outrora poderoso Império
fazem uma última jogada pela vitória. Tendo implicado os Bothanos
no genocídio dos Caamas, eles agora planejam um ataque a Han e
Leia, que também deve ser atribuído aos Bothanos. Se tiverem
sucesso, a Nova República será dilacerada. Para evitar o desastre
inevitável, Luke, Leia, Han e os seus amigos devem provar a
inocência dos Bothanos e revelar a traição do Império. Mas o tempo
esta se esgotando. O astuto Major Tierce juntou-se ao ambicioso
Moff Disra no plano mestre do Império. No seu cerne está o golpe
mais elaborado de todos: o boato de que o lendário Grão Almirante
Thrawn, há muito considerado morto, retornou para liderar o Império
a um triunfo profetizado. A notícia do retorno de Thrawn já está
reunindo as forças imperiais contra a Nova República. Enquanto
Leia viaja para um encontro secreto com um comandante imperial
que afirma querer a paz, Han e Lando Calrissian viajam para o
território inimigo para descobrir a verdade sobre a destruição de
Caama. Enquanto isso, Luke e Mara Jade se infiltram em uma
fortaleza escondida onde os seguidores mais fanáticos de Thrawn
aguardam seu chamado às armas. E Talon Karrde retorna ao seu
passado no submundo e a um brutal senhor do crime cujo
conhecimento pode salvar a República. Mas é a verdade sobre
Thrawn que é mais importante. Em suas mãos, vivas ou mortas,
está o destino da Nova República.

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Star Wars - Escalada Escarlate

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Nem todos têm a chance de ser o herói. Qi’ra ouviu os sonhos e


promessas de um rapaz com um sorriso imprudente, apenas para
ser arrancada dele e devolvida à gangue dos Vermes Brancos
enquanto Han seguia o seu caminho rumo à liberdade. Agora, a
liberdade parece um luxo que ela não pode se permitir enquanto se
concentra na sobrevivência e desespera por deixar Corellia para
trás. Mas a sua sorte parece mudar quando um representante do
sindicato criminoso da Aurora Escarlate tira Qi’ra da captura e a leva
até o líder do sindicato, o misterioso e volúvel Dryden Vos. Vos
oferece a Qi’ra uma oportunidade que ela nunca teve antes: a
chance de construir algo semelhante a uma vida confortável, se ela
conseguir provar o seu valor para a organização dele. Com o
fracasso significando morte certa, Qi’ra sabe que deve se imergir no
mundo impiedoso e assassino da Aurora Escarlate. O que ela não
sabe é quem será se sobreviver..."
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Star Wars - Desencadear da Força

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A queda da República está completa. O poder absoluto agora


repousa no punho de ferro de Darth Sidious, o astuto Lorde Sith
mais conhecido como Imperador Palpatine. Mas há mais a ser feito.
Bolsões de resistência na galáxia ainda precisam ser derrotados, e
Jedi desaparecidos devem ser contabilizados… e lidados. Essas
tarefas cruciais ficam a cargo do impiedoso executor do Imperador,
Darth Vader, que, por sua vez, treinou um aprendiz Sith letal e sem
nome para eliminar secretamente os últimos inimigos de seus
mestres. A jornada deste acólito o levará pelos confins da galáxia e
o testará com revelações devastadoras que atingem o cerne de tudo
em que acredita, despertando nele esperanças há muito esquecidas
de recuperar seu nome… e mudar o seu destino.

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Star Wars - Padawan

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Obi-Wan Kenobi não é aprendiz de Qui-Gon Jinn há muito tempo e


está irritado com o estilo de treinamento de Qui-Gon: só meditação,
sem ação. Obi-Wan anseia por provar o seu valor em uma missão,
mas quando ele e Qui-Gon finalmente partem em uma missão, Qui-
Gon não é encontrado em lugar nenhum. Irritado com o abandono
de seu mestre, Obi-Wan parte sozinho na missão, determinado a
provar seu valor. Em um planeta misterioso, ele encontra um bando
de adolescentes ferozes e manejadores da Força, que parecem ser
os únicos habitantes do planeta. Enquanto ele experimenta uma
liberdade selvagem com eles e se pergunta se esta não é a vida
para a qual ele foi criado, Obi-Wan não consegue escapar da
sensação incômoda de que algo está errado com a Força ali.
Apegos crescentes, revelações surpreendentes e uma ameaça
iminente tanto para o planeta quanto para seus novos amigos
colocarão Obi-Wan cara a cara com seu pior medo: que talvez ele
nunca devesse ser um Jedi. Ele conseguirá se conectar com a
Força viva a tempo de salvar a si mesmo e a todos ao seu redor?

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Star Wars – Comandos da República – Ordem 66

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As Guerras Clônicas avançam em direção ao seu ápice sangrento.


A traição reina. A traição exige coragem. Comandos, Jedi e toda a
República Galáctica devem enfrentar o fim da vida como a
conhecem… e a temida aurora de um novo império. Mesmo quando
as Guerras Clônicas estão prestes a alcançar uma conclusão
explosiva, ninguém sabe se a vitória favorecerá o Grande Exército
da República ou os Separatistas. Mas, não importa quem vença, as
apostas são mais altas para os clones de Operações Especiais de
elite, como os Comandos da República nos esquadrões Ômega e
Delta, e os notórios troopers renegados de Comando Avançado de
Reconhecimento conhecidos como CRAs Nulos. E agora, até
mesmo a arma mais letal pode não ser poderosa o suficiente para
derrotar a verdadeira ameaça: o horror apocalíptico que será
desencadeado quando Palpatine pronunciar as palavras arrepiantes
“Chegou a hora. Execute a Ordem 66.” Tradução: Os Jedi tentaram
realizar um golpe, e todos devem ser executados imediatamente.
Com a fé na República e a lealdade aos seus aliados Jedi colocadas
no teste final, como os homens dos esquadrões Ômega e Delta
reagirão ao comando mais infame na história galáctica?

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Star Wars - A Alta República - Fuga de Valo

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Séculos antes das Guerras Clônicas ou do Império, é um momento


perigoso para a galáxia, e os Jedi da Alta República devem
enfrentar as maiores provações de todos os tempos... O vilão Nihil
controla uma área do espaço conhecida como Zona de Oclusão,
onde ninguém está seguro, muito menos os Jedi. Um dos Jedi
presos atrás das linhas inimigas é Padawan Ram Jomaram, fazendo
o seu melhor para ajudar as pessoas de seu planeta natal, Valo, a
sobreviver à ocupação Nihil enquanto mantém sua identidade Jedi
escondida. Quando Ram descobre um trio de jovens Jedi vivendo
nas ruínas do zoológico da cidade, ele se vê em uma posição que
nunca poderia ter imaginado: líder. Ram e os outros terão que se
unir para enfrentar seus medos e proteger o povo de Valo como só
os Jedi podem fazer!

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Star Wars - Trilogia Han Solo - O Jogo dos Hutts

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Aqui está o segundo romance na nova trilogia de sucesso que


revela a história nunca antes contada do jovem Han Solo.
Ambientado antes das aventuras cinematográficas de Star Wars,
esses livros narram o amadurecimento do mais famoso vigarista,
contrabandista e ladrão da galáxia. Antes uma das estrelas mais
brilhantes da Academia, Han Solo agora é um fugitivo da Marinha
Imperial. Mas ele fez um valioso amigo em um ex-escravo Wookiee
chamado Chewbacca, que jurou a Han uma dívida de vida. Han
precisará de toda a ajuda possível. Pois os Hutts de Ylesia
despacharam o temido caçador de recompensas Boba Fett para
rastrear o homem que já os enganou uma vez. Mas Han e Chewie
se veem em ainda mais apuros quando concordam em emprestar
seus serviços aos senhores do crime Jiliac e Jabba the Hutt. De
repente, os dois contrabandistas são lançados no meio de uma
batalha entre o poder do Império e a traição de seus aliados fora da
lei... uma batalha onde até a vitória significa morte!
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Star Wars - Esquadrão Alfabeto - A Queda da
Shadow

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As notícias da vitória da Nova República ainda ecoam pela galáxia.


Em seu rastro, as naus capitânias do recém-legitimado governo
galáctico viajam até as estrelas mais distantes, buscando e
esmagando os remanescentes da tirania Imperial. Mas alguns
fantasmas antigos são mais difíceis de banir do que outros. E
nenhum é mais perigoso do que Shadow Wing. A esquadrilha
improvisada de Yrica Quell, o Esquadrão Alfabeto, ainda lidera a
busca pela Shadow Wing, mas eles não estão mais perto de seu
objetivo, e a pressão para encontrar a sua presa antes que seja
tarde demais começou a despedaçá-los. Determinada a terminar a
luta de uma vez por todas, Quell trabalha com o controverso Caern
Adan da Inteligência da Nova República e a lendária General Hera
Syndulla para preparar o lance mais arriscado de sua carreira de
combate espacial, uma armadilha para a Shadow Wing que poderia
acabar com a perseguição de uma vez por todas. Mas na escuridão,
seu inimigo evoluiu. Soran Keize, último dos áses Imperiais,
assumiu o vácuo de poder à frente da Shadow Wing, reavivando a
unidade vacilante em seu momento de necessidade. Antes à deriva
nos tremores pós-guerra, Keize encontrou significado novamente,
liderando os soldados perdidos de sua unidade para a segurança. A
única coisa em seu caminho? O esquadrão mais descoordenado da
Marinha da Nova República, liderado por sua ex-aprendiz: a traidora
Yrica Quell.

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Star Wars - Nova Ordem Jedi - Rumo Sombrio II -
Desastre

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Os alienígenas Yuuzhan Vong lançaram um ataque aos mundos da


Orla Exterior. Eles são implacáveis, sem consideração pela vida, e
estão completamente fora da Força. As suas táticas em constante
mudança confundem o exército da Nova República. Mesmo os Jedi,
uma vez os maiores guardiões da paz na galáxia, se tornaram
impotentes por esse inimigo impassível, e a sua solidariedade
começou a desmoronar. Enquanto Luke luta para manter os Jedi
unidos, os Cavaleiros Jacen Solo e Corran Horn partem em uma
missão de reconhecimento ao planeta Garqi, um mundo ocupado.
Lá, finalmente, eles descobrem um segredo que poderia ser usado
para minar o inimigo, se ao menos conseguirem permanecer vivos
tempo suficiente para usá-lo!

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Star Wars - A Alta República - Desafio da Tormenta

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A República Galáctica está um caos após a chocante destruição da


reluzente estação espacial Farol Luz Estelar pelos Nihil.
Aproveitando a sua vitória, os Nihil ergueram uma barreira chamada
Muralha de Tempestade em torno de uma seção do espaço da
República e a reivindicaram para si. Dentro desta Zona de Oclusão,
as pessoas vivem à mercê dos Nihil,e os Nihil não são conhecidos
pela misericórdia. A Cavaleira Jedi Vernestra Rwoh, acreditando que
o seu Padawan, Imri Cantaros, estava entre as vítimas do Farol Luz
Estelar, retirou-se para um planeta pacífico onde espera cuidar de
suas feridas e recuperar algum senso de equilíbrio. Mas a sua velha
amiga Avon Starros tem outros planos. Avon sabe que Imri está vivo
dentro da Zona de Oclusão, e ela e Vernestra devem ser as únicas a
encontrá-lo. Com a ajuda da ex-deputada da fronteira Jordanna
Sparkburn e do extremamente indigno de confiança Xylan Graf,
Avon e Vernestra decidiram romper o Stormwall e entrar na Zona de
Oclusão em busca de Imri. Mas dentro do território Nihil, o perigo
espreita em cada esquina... assim como criaturas aterrorizantes
conhecidas como Inomináveis.

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Star Wars - X-Wing - A Aposta de Wedge

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Ágeis, velozes e letais, eles são os caças X-wing. E à medida que a


batalha contra o Império se intensifica pela vastidão do espaço, os
pilotos arriscam suas vidas e suas máquinas pela causa da Aliança
Rebelde. Agora, eles precisam embarcar em uma perigosa missão
de espionagem, enfrentando traição e morte no mundo natal
Imperial para desmantelar o poder de um inimigo impiedoso! É o
coração maligno de um Império abalado e cambaleante: Coruscant,
a gigantesca cidade-mundo de cujas torres imensas o Alto
Comando Imperial direciona a guerra. Os Rebeldes invadirão esta
poderosa cidadela em um movimento audacioso para derrubar o
Império. Mas primeiro, Wedge Antilles e seus pilotos X-wing devem
se infiltrar em Coruscant para obter informações cruciais de
inteligência. Ser capturado significa a morte, ou pior, presos nas
garras da líder cruel conhecida como "Coração de Gelo", Ysanne
Isard, agora Imperatriz de fato.
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Star Wars - A Força Viva

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Os Jedi sempre viajaram pelas estrelas, defendendo a paz e a


justiça em toda a galáxia. Mas a galáxia está mudando, e a Ordem
Jedi junto com ela. Cada vez mais, a Ordem se encontra focada no
futuro da República, isolada em Coruscant, onde os doze membros
do Conselho Jedi ponderam crises em uma escala galáctica.
Enquanto mais um posto avançado Jedi remanescente da era de
ouro da República está prestes a ser desativado no planeta Kwenn,
Qui-Gon Jinn desafia o Conselho sobre o aumento do isolamento da
Ordem. Mace Windu sugere uma resposta audaciosa: Todos os
doze Mestres Jedi embarcarão em uma missão de boa vontade para
ajudar o planeta e lembrar às pessoas da galáxia que os Jedi
permanecem tão firmes e presentes como sempre foram ao longo
dos séculos. Mas a chegada da liderança Jedi não é vista por todos
como motivo de celebração. Na crescente ausência dos Jedi,
facções piratas beligerantes infestaram o setor. Para manter sua
dominação, os piratas se unem, com a intenção de assassinar os
membros do Conselho. E estão dispostos a destruir inúmeras vidas
inocentes para assegurar seu poder. Isolados de Coruscant, os
Mestres Jedi devem enfrentar uma verdade indesejada: Enquanto
ninguém pensa mais no futuro do que o Conselho Jedi, ninguém
precisa mais de sua ajuda do que aqueles que vivem no presente.

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Star Wars - Legado da Força - Inferno

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Luke Skywalker queria unificar a ordem Jedi e trazer paz ao


universo. Em vez disso, sua esposa Mara jaz morta nas mãos de
um assassino desconhecido, seu sobrinho rebelde Jacen tomou o
controle da Aliança Galáctica, e a galáxia explodiu em uma guerra
civil total. Com Luke consumido pelo luto, Jacen Solo trabalha
rapidamente para consolidar seu poder e acelerar seu plano de
assumir o controle dos Jedi. Convencido de que é o único que pode
salvar a galáxia, Jacen fará o que for preciso, até mesmo emboscar
seus próprios pais. Com a confederação Rebelde avançando
profundamente no Núcleo para atacar Coruscant e os Jedi sob
cerco, Luke deve reafirmar sua posição. Apenas ele pode liderar os
Jedi por essa crise, mas isso significa resolver o problema mais
difícil que Luke já enfrentou. Ele luta ao lado de seu sobrinho Jacen,
um tirano que ilegalmente assumiu a AG, ou se junta aos rebeldes
para destruir a Aliança Galáctica que ele ajudou a criar?
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Star Wars - Histórias de Jedi e Sith

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Bem a tempo de comemorar a tão esperada revanche entre Obi-


Wan Kenobi e Darth Vader no próximo evento da Disney +, Obi-Wan
Kenobi , aqui estão dez histórias originais sobre os valentes Jedi e
os malvados Sith. Personagens grandiosos se enfrentam em
batalhas épicas de sabres de luz que irão agradar aos jovens
leitores e ao jovem fã de Star Wars que existe em todos nós! Dez
autores aclamados imaginam novos contos para alguns dos
personagens mais icônicos de Star Wars de todos os tempos, de
Luke Skywalker a Darth Vader, de Obi-Wan Kenobi a Darth Maul e
muito mais, completos com belas ilustrações.

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Star Wars - Comandos Imperiais - Legião 501ª

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Os Jedi foram dizimados no Grande Purgo e a República caiu.


Agora, os antigos comandos da República, as melhores tropas das
forças especiais da galáxia, clonadas de Jango Fett, encontram-se
em lados opostos e com armaduras muito diferentes. Alguns
desertaram e fugiram para Mandalore com os mercenários, clones
troopers renegados e Jedi renegados que compõem a resistência
desorganizada de Kal Skirata à ocupação Imperial. Outros, incluindo
homens do Esquadrão Delta e do Esquadrão Ômega, agora servem
como comandos imperiais, uma unidade de operações secretas
dentro da Legião 501ª de Vader, encarregada de caçar os Jedi
fugitivos e clonar desertores. Para Darman, que está de luto por sua
esposa Jedi e separado de seu filho, é um angustiante teste de
lealdade. Mas ele não é o único que será forçado a testar os laços
de fraternidade. Em Mandalore, os clones desertores e os próprios
nativos do planeta, que não amam os Jedi, terão as suas crenças
mais queridas desafiadas. Na nova e selvagem ordem galáctica,
antigas rixas poderão ter de ser postas de lado para se unirem
contra uma ameaça muito maior, e ninguém pode considerar as
antigas lealdades garantidas.

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Star Wars – A Alta República – Tentação da Força

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Por mais de um ano, os Mestres Jedi Avar Kriss e Elzar Mann foram
mantidos separados pela Muralha da Tempestade dos Nihil. Após
Avar fazer uma fuga ousada de dentro da Zona de Oclusão, os Jedi
destinados a se encontrar novamente se reúnem. Mas enquanto a
distância física entre eles evaporou, a tristeza compartilhada pelo
fracasso em proteger a galáxia da ameaça Nihil permanece. Para
unir a Ordem Jedi e a República, Avar e Elzar se apegam à crença
em servir à Luz e à Vida. Juntos, eles lideram uma ousada missão
no espaço Nihil para libertar o planeta Naboo e mostrar àqueles
presos atrás da Muralha da Tempestade que os Jedi nunca os
abandonarão. Agora, de volta à órbita próxima um do outro, os dois
Mestres Jedi não podem mais negar o vínculo que sempre os atraiu
de volta e os tornou mais fortes. Após finalmente abraçarem seus
verdadeiros desejos e imbuídos de um propósito renovado, Avar e
Elzar elaboram um plano para virar a maré do conflito com os Nihil
de uma vez por todas. Acompanhados pelos Cavaleiros Jedi Bell
Zettifar, Burryaga e Vernestra Rwoh, os Jedi começam a caçada por
Marchion Ro. Mas para encontrar o perigoso líder dos Nihil, os Jedi
terão que sobreviver aos terrores Inominável, que até agora eles
foram incapazes de deter.

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Star Wars – Busca por Sobreviventes

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Às vezes parece que o trabalho de um Jedi nunca termina, e Luke e


Mara Jade Skywalker sabem disso muito bem. Apesar do vínculo
que compartilham na Força, o Mestre Jedi e sua esposa ainda estão
aprendendo a lidar com o casamento após três anos juntos, e
lutando para encontrar tempo para ficarem juntos entre as
constantes demandas do dever. Mas tudo isso mudará quando eles
forem unidos em uma missão inesperada: eles devem unir suas
habilidades excepcionais para combater um inimigo insidioso e
resgatar uma parte da história Jedi. Seja o que for que os aguarda,
os Skywalkers não enfrentarão isso sozinhos. Juntando-se a eles na
estranha e solene jornada estão um oficial do Império pós-Palpatine
escoltado por um destacamento de stormtroopers imperiais; um
grupo de diplomatas de uma espécie alienígena gentil que
reverencia os Jedi caídos por salvá-los de conquistadores
sanguinários; e um embaixador da Nova República que guarda a
sua própria agenda misteriosa. Logo, desconfiança, segredos e um
sabotador desconhecido se espalham a bordo da nave isolada. Mas
o perigo mais grave está dentro das paredes abandonadas do Voo
de Partida, enterrado há meio século em um planetoide desolado. À
medida que o casco naufragado revela surpreendentes revelações e
terrores inesperados aos seus visitantes, Luke e Mara descobrem
que tudo o que defendem, e a sua própria existência, está sendo
brutalmente desafiado. O teste final será sobreviver à armadilha
cuidadosamente preparada por inimigos que são lendários por sua
crueldade, e determinados a completar o trabalho que Thrawn
começou: exterminar os Jedi.

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Star Wars – De um Certo Ponto de Vista - O Império
Contra Ataca

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Celebre o legado de O Império Contra-Ataca com esta emocionante


releitura do filme atemporal, apresentando novas perspectivas de
quarenta autores aclamados. Em 21 de maio de 1980, Star Wars se
tornou uma verdadeira saga com o lançamento de O Império Contra
Ataca. Em homenagem ao quadragésimo aniversário, quarenta
contadores de histórias recriam uma cena icônica de O Império
Contra-Ataca através dos olhos de um personagem coadjuvante, de
heróis e vilões a droides e criaturas. De um Certo Ponto de Vista
apresenta contribuições de 40 autores best-sellers e artistas que
definem tendências.

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Star Wars: Episódio II – O Ataque dos Clones

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Travesso e decidido, corajoso ao ponto da imprudência, Anakin


Skywalker atingiu a maioridade em uma época de grande agitação.
O aprendiz de dezenove anos de Obi-Wan Kenobi é um enigma
para o Conselho Jedi e um desafio para seu Mestre Jedi. O tempo
não diminuiu a ambição de Anakin, nem seu treinamento Jedi
domou sua veia independente. Quando uma tentativa de
assassinato da Senadora Padmé Amidala os reúne pela primeira
vez em dez anos, fica claro que o tempo também não diminuiu os
sentimentos intensos de Anakin pela bela diplomata. O ataque à
Senadora Amidala pouco antes de uma votação crucial empurra a
República ainda mais perto da beira do desastre. Os Mestres Yoda
e Mace Windu sentem um enorme desconforto. O lado negro está
crescendo, nublando a percepção dos eventos pelos Jedi. Sem o
conhecimento dos Jedi, um estrondo lento está se transformando no
rugido de milhares de soldados se preparando para a batalha. Mas
mesmo quando a República vacila ao redor deles, Anakin e Padmé
encontram uma conexão tão intensa que todo o resto começa a
desmoronar. Anakin se perderá, e seu caminho, em emoções que
um Jedi, que jurou lealdade apenas à Ordem, é proibido de ter.
Baseado na história de George Lucas e no roteiro de George Lucas
e Jonathan Hales, este romance intenso e revelador do autor best-
seller RA Salvatore lança uma nova luz sobre a lenda de Star Wars,
e habilmente ilumina uma de nossas sagas mais queridas.

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Star Wars: Última Chance

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Han Solo e Lando Calrissian estão reunidos na Millennium Falcon


em um romance sobre galáxia inspirado em Solo: Uma História Star
Wars. Mas mesma a nave mais rápido do universo não pode
ultrapassar o passado...

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Star Wars - Jovens Cavaleiros Jedi - Herdeiros da
Força

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Quando o Império morreu, eles nasceram, uma nova esperança


para a Nova República. Os jovens gêmeos de Han Solo e Princesa
Leia agora têm quatorze anos e estão matriculados na academia
Jedi de Luke Skywalker em Yavin 4. Junto com amigos, tanto
antigos quanto novos, os futuros heróis de uma saga já lendária
começam o seu treinamento. Enquanto exploram a selva fora da
academia, os gêmeos fazem uma descoberta surpreendente, os
destroços de um TIE fighter que havia caído anos atrás durante a
batalha contra a primeira Estrela da Morte. A engenheira mecânica
Jaina acredita que pode consertá-lo… se conseguirem furtar as
peças certas da academia. Enquanto isso, o trabalho deles está
sendo observado de perto, mas não pelos olhos da academia. O
piloto original, um soldado imperial, tem vivido na selva desde que a
sua nave caiu. Esperando para retornar ao dever. E agora a sua
chance chegou…
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Star Wars - Orla da Galáxia - Um Golpe do Destino

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Izzy e Jules eram amigos de infância, escalando as torres de Batuu,


inventando jogos bobos e sonhando com as aventuras que um dia
compartilhariam. Então, a família de Izzy partiu abruptamente, sem
sequer uma chance de se despedir. A vida de Izzy tornou-se uma
constante movimentação, viajando de um mundo para outro, até que
seus pais foram mortos e ela se tornou uma contrabandista de baixo
nível para sobreviver. Jules permaneceu em Batuu, eventualmente
se tornando um fazendeiro como seu pai, mas sempre ansiando por
algo mais. Agora, treze anos depois de ter partido, Izzy está
voltando para Batuu. Ela foi contratada para entregar um pacote
misterioso e só quer terminar o trabalho e ir embora. Mas, ao chegar
no Entreposto do Pináculo Negro, ela esbarra na única pessoa que
ainda significa algo para ela depois de todo esse tempo: Jules. A
atração entre eles é imediata, mas, apesar de Jules parecer ser tudo
o que ela sempre precisou, Izzy hesita. Como ela pode arrastar esse
homem de bom coração para a vida perigosa que ela escolheu?
Jules tem tentado descobrir seu futuro, mas agora tudo o que ele
sabe com certeza é que quer estar com Izzy. Como ele pode
convencê-la a arriscar com alguém que nunca deixou a segurança
de seu mundo natal? Quando o trabalho de Izzy dá errado, os dois
amigos de infância se veem fugindo. E todos os seus segredos
serão revelados enquanto lutam para permanecer vivos...

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Star Wars - Jogo das Sombras

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Javul Charn é a estrela pop mais famosa da galáxia, e a noiva


fugitiva de um tenente violento do Sol Negro, o sindicato do crime
comandado pelo Príncipe Xizor. Ou assim diz Javul. Logo após
Dash Rendar, falido e desesperado, concordar em ser o guarda-
costas de Javul, ele percebe que a franqueza não é seu ponto forte,
e que os assassinatos estão perseguindo a sua turnê. Entre a
descoberta de cadáveres num porão de carga e um ataque de uma
nave de guerra não identificada, Dash e o copiloto Eaden Vrill
tentam desesperadamente entender quem está aterrorizando a
turnê de Javul e por quê. Quando Han Solo de repente se junta ao
show itinerante de Javul, as apostas aumentam ainda mais. Agora
Dash, que tem uma história com Han e uma história ainda pior com
o Príncipe Xizor, segue seus instintos, suas descobertas e a própria
Javul, direto para um mundo que pode ser perigoso demais para
sobreviver.

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Star Wars - A Alta República - Cuidado com o
Inominável

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Os temíveis Nihil continuam a espalhar o caos dentro da Zona de


Oclusão, auxiliados pelas misteriosas criaturas chamadas de
Inomináveis, que se alimentam da própria Força. Quando o povo de
um mundo sitiado implora por ajuda contra a ameaça Nihil, uma
equipe composta por membros da Coalizão de Defesa da República
e Jedi, incluindo Ram Jomaram, é enviada para ajudá-los. A equipe
logo descobre que sua nave contém quatro clandestinos: os
Younglings Jedi Kildo, Tep Tep e Jamil, e Zenny Greylark, a filha de
uma senadora determinada a encontrar a sua irmã. Quando um
pedido de socorro vem de um planeta próximo, a Mestra Jedi Ada-li
Carro concorda em levar os clandestinos para investigar. Lá, eles
encontrarão um jovem Hutt numa missão, um estranho com motivos
misteriosos e as criaturas que mais temem.

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Star Wars - Legado da Força - Fúria

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Enquanto Luke lamenta a perda de sua amada esposa e lida com a


culpa de ter matado a pessoa errada em retaliação, Jaina, Jag e
Zekk caçam o verdadeiro assassino, sem saber que o culpado
comanda poderes Sith que podem nublar as suas mentes, desviar
os seus ataques, e até mesmo fazê-los se voltar contra si mesmos.
Enquanto Luke e Ben Skywalker lutam para encontrar o seu lugar
em meio ao caos, Jacen, rejeitado por amigos e familiares, lança
uma invasão para resgatar a única pessoa que ainda é leal a ele.
Mas com a batalha se intensificando, e a galáxia se tornando cada
vez mais turbulenta e caótica, não há dúvida de que Jacen é o mais
procurado, vivo ou morto.

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