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Jurisprudência sobre Competência Ambiental

O Informativo de Jurisprudência n. 22 destaca decisões sobre competência em casos de transação penal relacionada à recuperação ambiental e revoga teses anteriores sobre saúde, alinhando-se ao entendimento do STF. Além disso, estabelece que enfermeiras obstétricas podem realizar partos domiciliares sem a presença de médicos, desde que não haja complicações. O documento enfatiza a importância da natureza da relação jurídica para a definição da competência nas decisões judiciais.
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Jurisprudência sobre Competência Ambiental

O Informativo de Jurisprudência n. 22 destaca decisões sobre competência em casos de transação penal relacionada à recuperação ambiental e revoga teses anteriores sobre saúde, alinhando-se ao entendimento do STF. Além disso, estabelece que enfermeiras obstétricas podem realizar partos domiciliares sem a presença de médicos, desde que não haja complicações. O documento enfatiza a importância da natureza da relação jurídica para a definição da competência nas decisões judiciais.
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Informativo

de Jurisprudência

Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025


Direito Público

Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.

CORTE ESPECIAL

PROCESSO CC 204.530-DF, Rel. Ministro Raul Araújo, Corte Especial, por


unanimidade, julgado em 7/8/2024, DJe 4/9/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO AMBIENTAL, DIREITO PENAL, DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Conflito negativo de competência. Acordo celebrado em transação


penal. Recuperação ambiental. Relação jurídica litigiosa prevalecente
de Direito Público. Competência das Turmas que compõem a
Primeira Seção.

DESTAQUE

Compete às Turmas da Primeira Seção o processamento e julgamento de recursos


especiais interpostos no âmbito de execução de acordo celebrado em transação penal, quando a
matéria principal a ser discutida é de natureza ambiental e administrativa, ainda que a obrigação
decorra de transação penal.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Nos termos do art. 9º, caput, do RISTJ, a competência das Seções e das respectivas Turmas do
Superior Tribunal de Justiça é fixada em função da natureza da relação jurídica litigiosa.

No caso, o título executivo judicial que embasa a demanda é derivado de transação penal,
firmada nos termos dos artigos 72 a 74 da Lei n. 9.099/1995, entre a sociedade empresária e o Ministério
Público Federal, no âmbito de Representação Criminal. O ajuste entabulado entre as partes consistia na
composição dos danos ambientais e recuperação da área degradada, o que seria feito após a aprovação
de Projeto de Recuperação pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (IBAMA). O Parquet Federal promoveu o cumprimento da sentença que homologou a aludida
transação penal, que tramitou, na origem, perante juízos de competência cível, administrativa e
ambiental. Durante a fase executória, foi travada discussão acerca de eventual impossibilidade de dar
cumprimento à obrigação de fazer assumida, em virtude de obra de duplicação de uma rodovia que iria
atingir a área a ser recuperada.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

Não obstante o título executivo judicial tenha se originado de uma transação penal, a
obrigação assumida não teve caráter punitivo e foi aceita pela parte justamente para evitar a persecução
criminal, a qual, de fato, nem sequer foi iniciada.

Uma vez realizada a transação penal, caso não fosse cumprido o acordo firmado, seria possível
o oferecimento da denúncia e o início do processo penal contra aquele que descumpriu a obrigação
imposta, ou, no âmbito cível, executar-se o acordo firmado por meio de uma ação de cumprimento de
sentença, conforme ocorreu no caso. Destarte, nos autos do cumprimento de sentença, não caberia
perquirir a razão pela qual surgiu a transação penal, uma vez que já foi constituído o título executivo
judicial, cujos termos obrigam a parte que aceitou o acordo então firmado para recuperação ambiental.
Logo, a matéria principal a ser discutida é de natureza ambiental, pois, a princípio, o fato de a obrigação
decorrer de transação penal é questão que não interfere diretamente no desfecho da controvérsia.

Assim, tratando-se de recursos especiais interpostos no âmbito de execução de acordo que


determinou a recuperação ambiental pela sociedade empresária de área de preservação permanente -
que, em posterior momento, aparentemente, foi desconfigurada -, a discussão acerca da manutenção, ou
não, da obrigação acordada tem caráter nitidamente de direito ambiental, direito administrativo, o que
recomenda o reconhecimento da competência das Turmas que compõem a Primeira Seção, de Direito
Público.

Acrescenta-se, por oportuno, que, na Corte de origem, também surgiu controvérsia acerca da
competência interna para processamento e julgamento do recurso lá interposto. No entanto, ao final,
concluiu-se pela prevalência da matéria de Direito Administrativo, sendo certo que a execução do acordo
acabou tramitando perante juízos de competência cível, administrativa e ambiental.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça (RISTJ), art. 9º;


Lei n. 9.099/1995, artigos 72 a 74.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA

PROCESSO CC 187.276-RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por


unanimidade, julgado em 27/11/2024, DJe 11/12/2024 (IAC 14).
CC 187.533-SC, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 27/11/2024, DJe 11/12/2024 (IAC 14).
CC 188.002-SC, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 27/11/2024, DJe 11/12/2024 (IAC 14).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL, DIREITO DA SAÚDE

TEMA Incidente de assunção de competência n. 14. Juízo de retratação.


Necessidade. Conflito negativo de competência. Juízos federal e
estadual. Direito à saúde. Medicamento não incorporado ao SUS.
Matéria submetida à repercussão geral. Incompatibilidade com o
julgado do STF (Tema 1.234). Rejulgamento do conflito. Revogação
das teses firmadas no IAC 14/STJ.

DESTAQUE

Estão revogadas as teses em abstrato definidas no IAC 14 do STJ, por contrariarem o


entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE n. 1.366.243/RG, submetido à repercussão
geral (Tema n. 1.234).

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O Supremo Tribunal Federal julgou o mérito do RE n. 1.366.243/RG, submetido à repercussão
geral (Tema n. 1.234) e, por conseguinte, homologou os 3 (três) acordos que envolvem a União, estados e
municípios, para definir os critérios de dispensação de medicamentos e tratamentos médicos no âmbito
do SUS.

Determinou-se no julgamento da referida repercussão geral que a decisão vinculante produza


efeitos prospectivos (ex nunc) em relação às regras de competência, mantendo-se os efeitos da medida
cautelar deferida e homologada pelo Plenário do STF até a publicação do acórdão paradigma e, quanto
aos demais itens dos acordos celebrados entre os entes federativos, impôs a aplicação imediata a todos
os processos em curso.

Por ordem da Suprema Corte, é necessário realizar o juízo de retratação, nos termos do art.
1.040, II, do CPC/2015, para revogar as teses jurídicas em abstrato firmadas no Incidente de Assunção de
Competência n. 14 do Superior Tribunal de Justiça, visto que foram todas englobadas no julgamento de
mérito da repercussão geral e se mostram, em alguma medida, incompatíveis com as novas orientações
estabelecidas pelo STF sobre o fornecimento de medicamentos registrado na ANVISA e não padronizados
pelo SUS, notadamente sobre a maneira como a União irá assumir a posição de parte nos processos
relativos à saúde.

O STJ, ao julgar o IAC n. 14, objetivou minimizar a proliferação de incidentes relacionados à


competência para o julgamento das demandas de saúde e oferecer segurança jurídica até o STF decidir a
matéria afetada à repercussão geral - Tema n. 1.234.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

No voto condutor do IAC 14 do STJ, registrou-se expressamente que a definição, de plano,


sobre a competência que deveria prevalecer (até que fosse formado o precedente no STF) seria
fundamental para que se oferecesse o mínimo de estabilidade para tramitação das inúmeras ações em
curso, já que a definição do juízo competente era matéria que precedia a todas as demais na análise do
processo.

Ressaltou-se, naquela ocasião, que, no mérito propriamente dito, a discussão jurídica seria
desenvolvida em sua completude no âmbito do STF, quando do julgamento do Tema n. 1.234, o que
aconteceu.

Impõe-se o cancelamento de todas as teses estabelecidas pela Primeira Seção do STJ (itens "a",
"b" e "c" do IAC 14 do STJ), por colidirem com questões de mérito da Repercussão Geral, especificamente
com a determinação do STF de que, "figurando somente um dos entes no polo passivo, cabe ao
magistrado, se necessário, promover a inclusão do outro para possibilitar o cumprimento efetivo da
decisão", conforme as regras de repartição de responsabilidades estruturada no Sistema Único de Saúde.

Assim, em relação ao tema em abstrato, exerce-se o juízo de retratação previsto no art. 1.040,
II, do CPC/2015, para revogar as teses firmadas no IAC 14 do STJ, por contrariar o entendimento firmado
em repercussão geral (Tema n. 1.234).

Ademais, é importante registrar que a revogação em questão não deverá operar efeito
retroativo, pelo que não há de modificar a solução jurídica dada aos conflitos de competência e demais
incidentes que ingressaram no STJ anteriormente.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC/2015), art. 1.040, II.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema n. 1234/STF.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

PRIMEIRA SEÇÃO

PROCESSO EREsp 1.599.065-DF, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Primeira


Seção, por unanimidade, julgado em 11/9/2024, DJe 18/9/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA PIS e COFINS. Faturamento ou receita. Serviços de


telecomunicações. Valores repassados a outras operadoras a título
de interconexão e Roaming. Inclusão na base de cálculo das
contribuições. Impossibilidade.

DESTAQUE

Os valores referentes à interconexão e ao roaming (a serem repassados a outras


operadoras pelos serviços prestados), arrecadados de seus usuários pelas operadoras de telefonia,
por não integrarem o patrimônio da contribuinte, não configuram receita ou faturamento e,
portanto, não compõem as bases de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O cerne da controvérsia está em saber se os valores recebidos pelas companhias de telefonia
dos usuários e repassados a outras operadoras, a título de interconexão e roaming, devem ou não ser
incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS.

A interconexão (uso compartilhado das redes locais de diferentes prestadoras de serviços de


telecomunicações) e o roaming (uso compartilhado de redes de outras operadoras, fora da localidade de
cobertura nacional ou internacional) visam viabilizar a utilização de redes de comunicação, compatíveis
entre si, pertencentes a diferentes operadoras, de modo a permitir que o relevante serviço público de
telecomunicações seja melhor prestado. Por essa razão, a lei de regência dispõe que essa espécie de
compartilhamento de estruturas tecnológicas para a prestação do serviço é obrigatória pelas
concessionárias.

A empresa de telefonia, ao cobrar, em fatura única, todos os serviços prestados ao


consumidor, deve incluir o valor correspondente à utilização da interconexão e do roaming, valores esses
que não lhe pertencem, mas, sim, a quem efetivamente prestou o serviço, ou seja, àquelas outras
operadoras do sistema que disponibilizaram suas redes, por força de imposição legal, para a
operacionalização das telecomunicações.

O Tema n. 69/STF, ao decidir pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de


cálculo do PIS e da Cofins, analisou importante aspecto da controvérsia: a definição do conceito de
faturamento/receita, na qual não se insere a parcela do numerário que, embora ingresse no fluxo de
caixa, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte.

Portanto, os valores arrecadados de seus usuários pelas operadoras de telefonia referentes à


interconexão e ao roaming (a serem repassados a outras operadoras pelos serviços prestados), por não
integrarem o patrimônio da contribuinte, não configuram receita/faturamento e, portanto, não compõem
as bases de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

É inadequado o argumento de que seria necessária expressa previsão legal para "excluir" os
valores em discussão da base de cálculo das contribuições, uma vez que, se tais valores não configuram
faturamento, não há falar em exclusão, mas, pura e simplesmente, em caso de não incidência das
exações.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema n. 69/STF

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

PRIMEIRA TURMA

PROCESSO REsp 2.099.736-RJ, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 20/8/2024, DJe 26/8/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Enfermeira obstétrica. Execução do parto normal sem distocia.


Atuação autônoma. Possibilidade. Presença de um médico.
Desnecessidade.

DESTAQUE

Enfermeiras obstétricas podem realizar parto domiciliar sem distocias


independentemente da presença ou assistência direta de profissional médico.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia consiste em definir se as enfermeiras obstétricas podem realizar parto
domiciliar sem a presença de profissional médico.

O art. 11, II, da Lei n. 7.498/1986 disciplina as hipóteses em que os enfermeiros podem atuar
simultaneamente aos demais profissionais de saúde, estando ali listada a possibilidade de executar parto
sem distocia, sendo que a norma principal (do inciso em exame) autoriza aos enfermeiros a execução
direta do parto sem distocia (sem perturbação), não condicionando a realização do ato à assistência
direta de um médico.

O dispositivo em momento algum menciona a figura do médico, pois na norma do inciso II do


art. 11 fala em "integrante de equipe de saúde", e no parágrafo único do mesmo dispositivo emprega a
expressão "assistência à parturiente", e não ao médico; ou melhor, a norma interpretada não traz, em
nenhum momento, a necessidade da presença de um médico em si, nem mesmo na referida equipe de
saúde.

A lei (n. 12.842/2013) do ato médico também não contém a previsão de que a identificação da
distocia é exclusiva do médico. Na realidade, privativos são os atos de emissão de laudos, prognóstico e
identificação de doença (art. 4º, VII, X e XIII), mas não a identificação da distocia, ou seja, percebendo a
perturbação para o bom andamento do parto (distocia), compete à enfermeira obstétrica encaminhar o
paciente ao médico (art. 11, parágrafo único, b, da Lei n. 7.498/1986), e então o médico (aí sim) terá a
competência exclusiva para, se for o caso, determinar a doença que acomete a paciente.

Dessa forma, se o profissional de enfermagem obstetrícia necessitasse da presença de um


médico para a execução do parto normal sem distocia, não faria sentido a disposição legal expressa
determinando que a enfermeira, ao identificar (ela mesma) distocias obstétricas, deveria tomar as
providências até a chegada do médico.

Ademais, a Portaria n. 353/2017, do Ministério da Saúde, que aprovou as Diretrizes Nacionais de


Assistência ao Parto Normal, expressamente previu que "a assistência ao parto e nascimento de baixo
risco que se mantenha dentro dos limites da normalidade pode ser realizada tanto por médico obstetra
quanto por enfermeira obstétrica e obstetriz".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 7.498/1986, art. 11, II e parágrafo único, b;


Lei n. 12.842/2013, art. 4º
Portaria MS n. 353/2017

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.061.719-TO, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira


Turma, por unanimidade, julgado em 27/8/2024, DJe 2/9/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Improbidade administrativa. Violação aos princípios da


administração. Frustação de procedimento licitatório. Condenação
com base no caput do art. 11 da Lei de Improbidade Administrativa
(LIA). Nova redação dada pela Lei 14.230/2021. Tipificação da
conduta inciso V do mencionado artigo. Princípio da continuidade
típico-normativa. Aplicação.

DESTAQUE

Não há abolição da tipicidade da conduta de improbidade administrativa, reconhecida


antes das alterações dadas pela Lei 14.230/2021, quando os fatos analisados evidenciarem a
concretização das novas hipóteses de condutas previstas nos incisos do art. 11 da Lei de
Improbidade Administrativa (LIA), em razão do princípio da continuidade típico-normativa.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


No caso, foi reconhecida a ocorrência de fraude levada a efeito por ex-Prefeita e por ex-
Secretário de Finanças de Município quando da contratação, sem licitação, de empresas fantasmas com o
objetivo de legitimar o fornecimento de produtos a Município do Estado do Tocantins pelo supermercado
de propriedade dos agentes públicos.

Os réus foram condenados com base nos arts. 10 e 11 da Lei de Improbidade Administrativa
(LIA), ao ressarcimento integral do prejuízo causado ao erário, à suspensão dos direitos políticos pelo
prazo de cinco anos, ao pagamento de multa civil equivalente a duas vezes o valor do dano apurado em
liquidação e à proibição de contratar com o Poder Público pelo prazo de cinco anos, sendo a condenação
mantida em segunda instância.

A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça tem reconhecido, paulatinamente, a

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

aplicabilidade das alterações levadas a efeito pela Lei 14.230/2021 aos processos anteriores à sua entrada
em vigor, quando ainda não houver trânsito em julgado, tendo em vista a configuração, em muitos dos
seus aspectos, de verdadeira novatio legis in mellius. Esse movimento teve gênese nas conclusões a que
chegou o Supremo Tribunal Federal (STF) quando do julgamento, sob o rito da repercussão geral, do ARE
843.989 (Tema n. 1199/STF).

Com base na ratio decidendi lá fixada, o próprio STF estendeu para outras hipóteses que não
apenas aquela ligada ao afastamento dos atos meramente culposos do âmbito do art. 10 da LIA. Foram
alcançados casos em que a condenação teve por base uma genérica violação aos princípios
administrativos (caput do art. 11 da LIA) ou, ainda, quando baseada nos revogados incisos I e II do art. 11,
sem que os fatos tipificassem, mediante dolo específico, alguma das atuais figuras previstas taxativamente
em seus incisos.

A necessidade do dolo específico permeou fortemente as alterações trazidas pela Lei


14.230/2021, bastando ver o disposto no § 1º do art. 11, a estabelecer: Nos termos da Convenção das
Nações Unidas contra a Corrupção, promulgada pelo Decreto nº 5.687, de 31 de janeiro de 2006,
somente haverá improbidade administrativa, na aplicação deste artigo, quando for comprovado na
conduta funcional do agente público o fim de obter proveito ou benefício indevido para si ou para outra
pessoa ou entidade.

O agente perpetrador do fato ímprobo que viola os princípios administrativos, tipificando


alguma das hipóteses legais, deverá ter visado fim ilícito, seja de ocultação de irregularidades, seja de
obtenção de benefício indevido, não bastando a mera vontade de realizar ato em desconformidade com a
lei, consoante enuncia o § 2º do art. 1º da LIA: "Considera-se dolo a vontade livre e consciente de alcançar
o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, não bastando a voluntariedade do agente".

No entanto, não haverá que se falar em abolição da tipicidade da conduta, como já


reconhecido no AREsp 1.206.630, quando os fatos considerados no acórdão como violadores dos
princípios administrativos remanescerem típicos no mesmo dispositivo de lei (em algum dos seus incisos).

Nessas hipóteses, em que os fatos evidenciam a concretização das novas condutas previstas
no art. 11 da LIA e, ainda, a presença do dolo específico, estará evidenciada verdadeira continuidade
típico-normativa, hipótese a exigir, apenas, a adequação das penalidades aplicadas, observando-se, agora,
as sanções fixadas pela Lei 14.230/2021, quando mais benéficas aos condenados.

Dessa forma, tendo-se em vista que os fatos constatados evidenciam a tipificação da hipótese
prevista no art. 11, inciso V, da LIA, e corroboram a presença do dolo específico por parte dos
demandados, é de rigor a manutenção da condenação anteriormente reconhecida.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei de Improbidade Administrativa (LIA), art. 1º, § 2º, art. 10 e art. 11, § 1º.
Lei 14.230/2021.
Decreto nº 5.687/2026, de 31 de janeiro de 2006.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema n. 1199/STF

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgInt no AREsp 1.624.736-MS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira


Turma, por unanimidade, julgado em 2/12/2024, DJEN 5/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO AMBIENTAL

TEMA Construção em área de preservação permanente. Atividade nociva


ao meio ambiente. Poder de polícia administrativa. Competência
fiscalizatória do Ibama. Alegação de existência de ato jurídico
perfeito. Teoria do fato consumado. Inaplicabilidade. Incidência da
Súmula 613/STJ.

DESTAQUE

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) possui o dever-poder de fiscalizar e


exercer poder de polícia diante de qualquer atividade que ponha em risco o meio ambiente, ainda
que a competência para o licenciamento seja de outro órgão público.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 4.757/DF, firmou compreensão no sentido
de que "a prevalência do auto de infração lavrado pelo órgão originalmente competente para o
licenciamento ou autorização ambiental não exclui a atuação supletiva de outro ente federal, desde que
comprovada omissão ou insuficiência na tutela fiscalizatória".

Trata-se de compreensão referente ao cabimento de autuações diversas, sendo essas impostas


por órgãos de controle ambiental que atuam em diferentes âmbitos federativos. Nesses casos, entende-se
pela prevalência do auto de infração lavrado pelo órgão originalmente competente para o licenciamento,
mas sem prejuízo da atuação supletiva de outro ente federal, quando demonstrada a omissão
administrativa na tutela fiscalizatória.

Por sua vez, o STJ entende que "o Ibama possui o dever-poder de fiscalizar e exercer poder de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

polícia diante de qualquer atividade que ponha em risco o meio ambiente, apesar de a competência para
o licenciamento ser de outro órgão público. É que, à luz da legislação, inclusive da Lei Complementar
140/2011, a competência para licenciar não se confunde com a competência para fiscalizar" (REsp
1.646.016/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 23/5/2023, DJe
28/6/2023).

Na hipótese ora analisada, não foi imposta sanção administrativa no âmbito municipal, pelo
que deve permanecer hígida a atuação do órgão federal quanto ao exercício do poder de polícia
ambiental.

Ademais, insta salientar que, "in casu, não foi corporificado ato jurídico perfeito, pois o que é
ambientalmente ilegal não se aperfeiçoa jamais, já que o contrário equivaleria, em outras palavras, a
transformar o aberto atentado ao ordenamento jurídico em direito castiço e, pior, em direito adquirido e
permanente de poluir e degradar o meio ambiente" (REsp 1.284.451/MG, relator Ministro Herman
Benjamin, Segunda Turma, julgado em 20/9/2016, DJe 20/8/2020).

Dessa forma, aplica-se a Súmula 613 do STJ: "Não se admite a aplicação da teoria do fato
consumado em tema de Direito Ambiental".

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
SÚMULAS

Súmula 613 do STJ

PRECEDENTES QUALIFICADOS

ADI 4.757/DF

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 1.907.010-DF, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 24/9/2024, DJe 2/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Cumprimento individual de sentença coletiva. Servidor público. Lei n.


11.457/2007. Unificação de carreira. Limites subjetivos da coisa
julgada. Ampliação. Impossibilidade.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

DESTAQUE

A alteração do estatuto social, ampliando a categoria defendida por associação, após o


ajuizamento de demanda coletiva e a prolação da sentença, não modifica os limites subjetivos da
coisa julgada para que os novos substituídos possam se beneficiar do título executivo.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia consiste em saber se o título executivo judicial proveniente de mandato coletivo
se limita aos então Auditores Fiscais da Previdência Social, que era a categoria defendida pela antiga
Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social - ANFIP, quando da impetração do
mandado de segurança coletivo, no ano de 2004, ou se também seriam beneficiados os integrantes da
carreira de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, criada pela Lei n. 11.457/2007, oriundos da
antiga carreira de Auditor Fiscal da Receita Federal.

Em 2007, a ANFIP modificou seu estatuto social de modo a defender os interesses referentes à
categoria dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, criada pela Lei n. 11.457/2007, com a fusão
das antigas categorias dos Auditores Fiscais da Previdência Social e de Auditores da Receita Federal

Ocorre que tal questão não foi objeto de análise no bojo do mandado de segurança coletivo,
que transitou em julgado 2013.

Nessa linha, somente a categoria dos antigos Auditores Fiscais da Previdência Social foi
abarcada pela coisa julgada contida no título executivo judicial, haja vista ser ela a substituída pela então
impetrante Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social - ANFIP.

Sendo assim, o mero fato de a ANFIP ter modificado seus estatutos sociais de modo a ampliar a
categoria por ela defendida, em momento posterior ao ajuizamento da demanda coletiva e da própria
prolação da sentença, por si só, não tema a capacidade de modificar os limites subjetivos da coisa julgada.

Admitir-se o contrário importaria no reconhecimento de que os limites subjetivos da coisa


julgada não estariam delimitados pelo pedido formulado na petição inicial da ação coletiva, o que tem o
condão de gerar grave insegurança jurídica, eis que bastaria a parte autora do mandado de segurança
coletivo promover a modificação de seu estatuto social para que os novos substituídos pudessem se valer
do título executivo.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 11.457/2007

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

PROCESSO REsp 2.099.872-SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira


Turma, por unanimidade, julgado em 24/9/2024, DJe em 27/9/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Amicus curiae. Relevância da matéria. Especificidade do tema ou


repercussão social da controvérsia. Instituição de caráter abrangente.
Somente interesse ao julgamento favorável a uma das partes.
Impossibilidade de intervenção.

DESTAQUE

Não se admite a intervenção como amicus curiae de instituição de caráter abrangente,


composta exclusivamente por advogados, cujo interesse subjetivo guarda relação apenas com o
julgamento favorável a uma das partes.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O Código de Processo Civil de 2015 (CPC/2015), ao dispor sobre as formas de intervenção de
terceiros, disciplina em seu art. 138, caput, a figura do amicus curiae, nos seguintes moldes: O juiz ou o
relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a
repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das
partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou
jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias
de sua intimação.

A seu turno, o Supremo Tribunal Federal assentou a compreensão segundo a qual o amicus
curiae é um colaborador da Justiça que, assim, não se vincula processualmente ao deslinde da
controvérsia, tampouco defende interesses próprios. (ADPF 134 MC, Rel. Ministro Ricardo Lewandoski,
julgado em 22/4/2008, DJe 30/4/2008).

Desse panorama, extrai-se que a intervenção do amicus curiae caberá diante da relevância da
matéria, da especificidade do tema objeto da demanda ou da repercussão social da controvérsia.

A par disso, subjetivamente, faz-se necessária a potencialidade do interveniente em fornecer


elementos úteis à solução do litígio, extraída do seu histórico e de seus atributos, bem como a
representatividade adequada para opinar sobre a matéria sub judice.

Assim, a participação do amicus curiae no processo ocorre e se justifica, não como defensor de
interesses próprios, mas como agente habilitado a agregar subsídios que possam contribuir para a
qualificação da decisão judicial, em benefício da jurisdição.

No caso em apreço, tratando-se de instituição de caráter abrangente, composta


exclusivamente por advogados, cujo interesse subjetivo guarda relação apenas com o julgamento
favorável a uma das partes, fica inviabilizada sua admissão como colaborador da justiça. Ademais, a
matéria controversa é exclusivamente jurídica, prescindindo de informações técnicas ou científicas que
demandem a sua atuação.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), art. 138, caput.

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 1.861.107-RS, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira


Turma, por unanimidade, julgado em 10/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Impenhorabilidade de bem de família. Bem indivisível. Direito à


moradia. Impenhorabilidade da totalidade do bem. Inaplicabilidade
do art. 843 do CPC de 2015.

DESTAQUE

É impenhorável o imóvel residencial caracterizado como bem de família em sua


integralidade, impedindo sua alienação em hasta pública, salvo se se tratar de imóvel suscetível de
divisão.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em saber se a impenhorabilidade do bem de família alcança o bem
imóvel em sua integralidade, estendendo-se a todos os herdeiros, e não somente à fração ideal do
herdeiro que lá reside.

No caso, o acórdão na origem limitou a impenhorabilidade do bem deixado pelo falecido


devedor apenas ao herdeiro que reside no imóvel, adotando como fundamento o art. 655-B do
CPC/1973, que permitia a penhora e a alienação de bens indivisíveis por inteiro, bem como a sua
adjudicação, propiciando ao credor ampliar a possibilidade de encontrar bens sujeitos à excussão para
satisfação de seu crédito. Todavia, esse dispositivo preservava o direito de propriedade do cônjuge não
executado decorrente do regime patrimonial.

O atual CPC aperfeiçoou essa regra e resguardou a cota-parte do bem indivisível pertencente
ao coproprietário alheio à execução, ao assim dispor em seu art. 843: "Tratando-se de penhora de bem
indivisível, o equivalente à quota-parte do coproprietário ou do cônjuge alheio à execução recairá sobre o
produto da alienação do bem. § 1º É reservada ao coproprietário ou ao cônjuge não executado a
preferência na arrematação do bem em igualdade de condições. § 2º Não será levada a efeito
expropriação por preço inferior ao da avaliação na qual o valor auferido seja incapaz de garantir, ao
coproprietário ou ao cônjuge alheio à execução, o correspondente à sua quota-parte calculado sobre o
valor da avaliação".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

A possibilidade de constrição e alienação do bem comum ao devedor e a terceiro não é


irrestrita, seja porque parte do preço alcançado com a sua alienação deve ser reservado ao coproprietário
não executado, seja porque a proteção da impenhorabilidade, ainda que somente em fração ideal,
alcança o bem em sua totalidade, impedindo a sua expropriação mesmo que parcelada.

Em se tratando de bem de família, a impenhorabilidade prevista no art. 1º da Lei n. 8.009/1980


deve ser aplicada tendo em vista os fins sociais a que ela se destina, quais sejam, assegurar o direito de
moradia, razão pela qual é impenhorável o imóvel residencial caracterizado como bem de família em sua
integralidade, impedindo sua alienação em hasta pública, salvo se se tratar de imóvel suscetível de divisão.

Nesse sentido, o STJ possui entendimento de que "A fração de imóvel indivisível pertencente
ao executado, protegida pela impenhorabilidade do bem de família, da mesma forma como aquela parte
pertencente ao coproprietário não atingido pela execução, não pode ser penhorada sob pena de
desvirtuamento da proteção erigida pela Lei n. 8.009/1990" (AgInt no REsp 1.776.494/SP, Relator Ministro
Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 21/2/2019, DJe 1º/3/2019).

Na hipótese, é fato incontroverso que o imóvel constrito na execução fiscal serve de residência
de um dos herdeiros, razão pela qual incide no presente caso a regra do art. 1º da Lei n. 8.009/1990, que
confere impenhorabilidade ao único imóvel em que reside a entidade familiar.

Logo, constatado que a cota-parte não pertencente ao coproprietário executado encontra-se


protegida pela impenhorabilidade, não se admite a constrição ou expropriação do bem, o que impede a
aplicação do art. 655-B do CPC/1973, atual art. 843 do CPC/2015.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC/2015), art. 843


Código de Processo Civil (CPC/1973), art. 655-B
Lei n. 8.009/1980, art. 1º

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgInt no REsp 2.129.142-SE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves,


Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 30/9/2024, DJe
7/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Imposto sobre serviços de qualquer natureza - ISSQN. Habilitação de


linhas telefônicas. Serviço autônomo. Atividade-meio. Inexistência.
Hipótese de incidência do tributo.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

DESTAQUE

Na hipótese em que, de forma autônoma, ocorre a prestação de serviço de habilitação


de linhas telefônicas para outras sociedades empresárias, e não o serviço de telecomunicação, há
incidência do ISSQN.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Consoante pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o imposto sobre serviços -
ISSQN não deve incidir sobre os serviços de atividade-meio, na hipótese em que são prestados pelas
companhias telefônicas com a finalidade de, ao final, oportunizar a prestação dos serviços inerentes à
atividade-fim.

No caso em discussão, a parte presta, de forma autônoma, o serviço de habilitação de linhas


telefônicas para outras sociedades empresárias, mas não presta o serviço de telecomunicação.

Assim, correta a conclusão pela incidência do ISSQN na espécie, porquanto a habilitação da


linha é a finalidade do serviço prestado pela parte, não havendo que se falar em atividade-meio, de modo
a impedir a cobrança do tributo.

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AREsp 1.286.096-RS, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, Rel. para
acórdão Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por maioria,
julgado em 12/11/2024, DJEN em 2/12/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF). Rendimentos


recebidos acumuladamente (RRA). Aplicação retroativa do art. 12- A
da Lei n. 7.713/1988, na redação dada pela Lei n. 12.350/2010.
Impossibilidade.

DESTAQUE

O regime de cálculo em separado do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF)
incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente (RRA), prevista no art. 12-A da Lei n.
7.713/1988, na redação dada pela Lei n. 12.350/2010, não se aplica a fatos geradores ocorridos
antes de sua entrada em vigor.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

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Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

A discussão gira em torno do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) incidente sobre
Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA) pagos em cumprimento de decisão judicial - oriundos
das diferenças de URV auferidas por servidor público - relativos a ano-calendário anterior ao do
recebimento, o qual se efetivou antes do advento do art. 12-A da Lei n. 7.713/1998 - acrescido pelo art. 44
da Lei n. 12.350/2010, fruto da conversão da Medida Provisória n. 497/2010.

Controverte-se acerca da metodologia de cálculo a ser utilizada em relação aos apontados


RRA, especificamente se tal montante se soma, ainda que observado o mês de competência, aos então
devidos e pagos, ou se são tributados separadamente. Isto é, se serão considerados como parcela
autônoma para os fins de aplicação da tabela progressiva do imposto.

Cumpre anotar, desde já, que, no tocante à incidência do imposto em testilha sobre os RRA,
decorrentes de rendimentos do trabalho, aplica-se, atualmente, o regime de tributação previsto no art.
12-A da Lei n. 7.713/1988.

O debate legislativo e judicial em torno dos regimes de caixa ou competência, o qual culminou
com a edição da Medida Provisória n. 497/2010, posteriormente convertida na Lei n. 12.350/2010, que
inseriu o art. 12-A na Lei n. 7.713/1988, passou ao largo da questão envolvendo o cálculo do tributo no
tocante à tributação conjunta ou em separado do rendimento acumulado, uma vez que tal mudança
normativa afiançou-se no primado da igualdade e no princípio da capacidade contributiva.

Todavia, nenhum desses aspectos compõem a lógica do mecanismo de cálculo em tela, cuja
regra é, forte no que dispõe o art. 7º da Lei n. 7.713/1988, a retenção "[...] por ocasião de cada pagamento
ou crédito e, se houver mais de um pagamento ou crédito, pela mesma fonte pagadora, aplicar-se-á a
alíquota correspondente à soma dos rendimentos pagos ou creditados à pessoa física no mês, a qualquer
título".

Aliás, o entendimento distinto encerra desigualdade na tributação, pois o contribuinte que


recebeu o rendimento no momento adequado, sem a necessidade de socorrer-se ao Poder Judiciário,
recolheu o tributo tendo em consideração todos os rendimentos não albergados por tributação exclusiva,
enquanto o contribuinte que necessitou da prestação jurisdicional poderá ser tributado com carga
menor, diante da segregação da base de cálculo para a aplicação da tabela progressiva.

Com base nessa "diferença brutal", consoante dicção do Ministro Marco Aurélio, redator do
acórdão RE 614.406-RS, em sede de repercussão geral no Tema n. 368, o Supremo Tribunal Federal (STF)
extirpou a técnica do regime de caixa, reconhecidamente aplicável ao Imposto sobre a Renda de Pessoa
Física, para homenagear os princípios da isonomia e da capacidade contributiva.

Todavia, incrementar o mecanismo de cálculo daquele exemplo para acrescer a opção


legislativa pela tributação em separado ensejará alíquota menor e até mesmo a isenção de uma parte do
montante, valendo lembrar que a isonomia deve ser cotejada com os contribuintes daquela unidade
federativa que também receberam rendimentos acumuladamente no período anterior à novel legislação.

A pessoa física que ingressa com uma demanda no Poder Judiciário não deve sujeitar-se a uma
alíquota de Imposto sobre a Renda maior, menor ou gozar de isenção, sem amparo legal, justamente para
se prestigiar a isonomia e a capacidade contributiva.

O fim colimado com a tributação em separado é a simplificação, sendo o efeito tangencial,


como regra, a desoneração, ainda que parcial, já que a utilização dos eventuais valores de deduções
somente poderá ocorrer no cálculo na circunstância de o contribuinte optar pela inclusão da tributação
pela fonte na declaração anual de ajuste, tal como possibilita o § 5º do art. 12-A da Lei n. 7.713/1988
(valendo consignar que se cuida de opção irretratável).

Por derradeiro, relevante consignar que se está diante de situação residual, é dizer, trata-se de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

um grupo remanescente de feitos nos quais se discute tal tributação. Logo, conclui-se o entendimento no
sentido de fastar a tributação em separado do Imposto sobre a Renda sobre os Rendimentos Recebidos
Acumuladamente em debate.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 7.713/1988, arts. 7º e 12-A, § 5º


Lei n. 12.350/2010, art. 44
Medida Provisória 497/2010

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgInt no AREsp 2.291.153-SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves,


Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 2/9/2024, DJe
5/9/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO, DIREITO EMPRESARIAL, RECUPERAÇÃO


JUDICIAL

TEMA Execução fiscal. Devedor em recuperação judicial. Juízo da


execução. Atos de constrição. Dever de cooperação. Necessidade de
comunicação ao Juízo da Recuperação Judicial para que decida
acerca da necessidade ou não de substituição da garantia.

DESTAQUE

Determinados pelo Juízo da Execução Fiscal os atos de constrição judicial sobre bens e
direito de sociedade empresária em recuperação judicial, sem proceder à alienação ou
levantamento de quantia penhorada, a medida deve ser comunicada ao Juízo da Recuperação,
que decidirá acerca da necessidade ou não de substituição da garantia.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Nos termos dos arts. 6º, § 7º-B, da Lei n. 11.101/2005 e arts. 67 a 69 do CPC/2015, compete ao
Juízo da Execução Fiscal determinar os atos de constrição judicial sobre bens e direitos de sociedade
empresária em recuperação judicial, sem proceder à alienação ou ao levantamento de quantia penhorada.

Em seguida, deve comunicar, por dever de cooperação, a medida ao Juízo da Recuperação, ao


qual compete exercer o controle e deliberar, até o encerramento do procedimento de soerguimento,
sobre a substituição de ato constritivo que recaia sobre bens de capital essenciais à manutenção da
atividade empresarial, podendo, inclusive, formular proposta alternativa de satisfação do crédito, em

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Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

procedimento de cooperação recíproca.

Cumpre anotar que a Lei n. 11.101/2005 dispõe sobre a necessidade de o magistrado, quando
do recebimento da inicial, ou a parte devedora, após a citação, comunicar ao Juízo da Recuperação
Judicial sobre ações contra si ajuizadas (§ 6º do art. 6º). Essa providência, por lógica, é necessária à
cooperação jurisdicional entre os Juízos da Execução e da Recuperação Judicial, para o fim de efetivar as
medidas e providências relacionadas à recuperação e preservação da empresa.

Assim, determinados pelo Juízo da Execução os atos de constrição judicial sobre bens e direito
de sociedade empresária em recuperação judicial, sem proceder à alienação ou levantamento de quantia
penhorada, em observância ao dever de cooperação, a medida deve ser comunicada ao Juízo da
Recuperação, momento em que, tomando ciência da constrição, decidirá pela necessidade ou não de
substituição da garantia.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 11.101/2005, art. 6º, §§ 6º e 7º-B


Código de Processo Civil (CPC), arts. 67 a 69

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

SEGUNDA TURMA

PROCESSO AgInt no REsp 2.115.320-RJ, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis


Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 14/10/2024,
DJe 17/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Serviço de esgotamento sanitário. Concessionária de água e esgoto.


Tarifa. Cobrança de esgoto não coletado ou lançado in natura em
galerias pluviais. Impossibilidade.

DESTAQUE

Não é lícita a cobrança pela concessionária de tarifa por esgoto não coletado ou
despejado in natura nas galerias pluviais, sem qualquer tratamento.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial Representativo de
Controvérsia n. 1.339.313/RJ, definiu que "A legislação que rege a matéria dá suporte para a cobrança da
tarifa de esgoto mesmo ausente o tratamento final dos dejetos, principalmente porque não estabelece
que o serviço público de esgotamento sanitário somente existirá quando todas as etapas forem
efetivadas, tampouco proíbe a cobrança da tarifa pela prestação de uma só ou de algumas dessas
atividades".

Todavia, o caso em apreço é diferente. Isso porque as instâncias ordinárias fixaram a premissa
de que os dejetos da residência do autor são encaminhados para valão próximo à residência, sem
qualquer tratamento. Logo, não é lícita a cobrança por esgoto não coletado ou despejado in natura nas
galerias pluviais.

Conforme entendimento pacífico desta Corte, a questão deixa de ser relativa a tratamento de
resíduos, transformando-se em poluição pura e simples, não havendo direito a ser reclamado por serviço
inexistente (AgInt no REsp n. 2.068.061/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado
em 24/6/2024, DJe de 28/6/2024).

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 565/STJ

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgInt no REsp 2.138.876-SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis


Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 14/10/2024,
DJe 17/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO CIVIL

TEMA Ação de cobrança de tarifa de água e esgoto. Ajuizamento em


desfavor da fazenda pública municipal. Prescrição. Prazo quinquenal.
Aplicabilidade do Decreto n. 20.910/1932.

DESTAQUE

Aplica-se a prescrição quinquenal do Decreto n. 20.910/1932 nos casos em que a


devedora é a Fazenda Pública, seja a dívida tributária ou não tributária.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.117.903/RS, sob o rito dos recursos
repetitivos, firmou o entendimento de que a cobrança das tarifas de água e esgoto submetem-se à
prescrição decenal, prevista no artigo 205 do Código Civil/2002 ou à prescrição vintenária - artigo 177 do
Código Civil de 1916 - quando for aplicável a regra de transição prevista no artigo 2.028 do Código Civil
de 2002.

Todavia, o precedente refere-se aos casos em que a ação de cobrança é ajuizada em desfavor
de concessionárias prestadoras de serviço público de água e esgoto - pessoas jurídicas de direito privado
-, e não contra a Fazenda Pública.

Para os casos em que a devedora é a Fazenda Pública, seja a dívida tributária ou não tributária,
a Primeira Seção desta Corte Superior já consolidou o entendimento de que prevalece a norma específica
do Decreto n. 20.910/1932, que estabelece que o prazo prescricional para a propositura da ação de
cobrança é de 5 anos.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Civil (CC/2002), arts. 205 e 2.028


Código Civil (CC/1916), art. 177
Decreto n. 20.910/1932

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Temas 251/STJ, 252/STJ, 253/STJ, 254/STJ

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgInt no RMS 71.477-RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda


Turma, por unanimidade, julgado em 13/8/2024, DJe 16/8/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL

TEMA Desanexação do tabelionato de protesto de títulos. Anexação ao


tabelionato de notas do mesmo Município. Súmula n. 46 do STF.
Anexação, desanexação ou desmembramento. Alteração de lotação.
Possibilidade.

DESTAQUE

A legislação brasileira preserva a nomeação do notário ou oficial de registros para o


cargo, mas não garante que o nomeado seja mantido no mesmo cartório, podendo haver
mudanças em sua lotação, por meio da anexação, desanexação ou desmembramento.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A posição do Supremo Tribunal Federal é conhecida quanto à desanexação de serventias
judiciais desanexadas, consubstanciada na Súmula n. 46/STF, interpretada de forma transversa (porquanto
seu enunciado não diz, ao menos expressamente) que desanexação de serventias não feriria o princípio
da vitaliciedade, mas que "Desmembramento de serventia de justiça não viola o princípio de vitaliciedade
do serventuário".

A desanexação estará, portanto, ligada intrinsecamente à natureza jurídica do


desmembramento do cartório a saber, dependerá da interpretação da legislação aplicável aos serviços
notariais e de registro. Além disso, reflete o volume de serviços e da receita, nos termos do art. 26,
parágrafo único, da Lei n. 8.935/1994, combinado com o art. 49.

E, complementa-se, no Título IV, "Das Disposições Transitórias", o texto dos artigos 47 e 49 que
assim prescreve que, para o notário e o oficial de registro, legalmente nomeados até 5/10/1988, detém

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

delegação constitucional de que trata o art. 2º, quando da primeira vacância da titularidade de serviço
notarial ou de registro, será procedida a desacumulação, nos termos do art. 26.

A Constituição Federal, em seu art. 236, expressamente prevê que os serviços notariais e de
registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. No texto constitucional, não
se menciona uma eventual "sub-delegação", ou seja, não poderia, em tese, o delegatário, subdelegar a
delegação que recebeu do Poder Público.

O §3º do art. 236 da Constituição Federal expressamente prevê, que "O ingresso na atividade
notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer
serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses".

A Lei n. 8.935/2014, que regulamenta o art. 236 da Constituição Federal, expressamente


consigna em seu art. 18, parágrafo único, (Título II - Das Normas Comuns - Capítulo I - Do ingresso na
Atividade Notarial e de Registro) que "aos que ingressarem por concurso, nos termos do art. 236 da
Constituição Federal, ficam preservadas todas as remoções reguladas por lei estadual ou do Distrito
Federal, homologadas pelo respectivo Tribunal de Justiça, que ocorreram no período anterior à
publicação da Lei 8.935/2014". Ou seja, a lei estadual ou do Distrito Federal preserva todas as remoções.

Contudo a Lei estadual do Rio Grande do Sul n. 11.183/1998, anterior à lei de desanexação
também estadual (Lei n. 15.809/2022), disciplina em seu art. 23, § 2º, que a vacância somente ocorre nos
casos de morte, aposentadoria facultativa ou por invalidez, renúncia ou perda.

Desse modo, não há inconstitucionalidade ou ilegalidade na Lei estadual n. 11.183/1998,


porquanto preserva no exercício do cargo o notário ou oficial que ingressou por concurso público. Isso,
contudo, aponta para o fato de que esse notário pode ser anexado ou desanexado a cartório de um
mesmo município, pois é disso que se trata a desanexação ou anexação (modificação na distribuição de
cartórios dentro ou próximos a uma mesma municipalidade).

Vale dizer, fica preservada a nomeação do notário ou oficial de registros para o cargo, mas não
se garante que o nomeado seja mantido no mesmo cartório, podendo haver mudanças em sua lotação.
Esse é o entendimento que se assenta no art. 24 da mesma Lei n. 11.183/1998.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Constituição Federal (CF), art. 236;


Lei n. 8.935/1994, art. 18, parágrafo único; art. 26, parágrafo único; art. 47 e art. 49;
Lei estadual do Rio Grande do Sul n. 11.183/1998, art. 23, §2º e art. 24;
Lei estadual do Rio Grande do Sul n. 15.809/2022.

SÚMULAS

Súmula n. 46/STF

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

PROCESSO AgInt no AgInt no AgInt no AREsp 2.189.867-MA, Rel. Ministro


Teodoro Silva Santos, por unanimidade, Segunda Turma, julgado em
8/8/2024, DJe 15/8/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Execução individual de sentença coletiva. Ação ajuizada por


sindicato de servidores públicos estaduais. Substituição processual.
Ampla legitimidade extraordinária. Ausência de expressa limitação
subjetiva dos efeitos no título judicial. Máximo benefício da coisa
julgada coletiva. Exequente pertencente a ente sindical mais
específico. Irrelevância.

DESTAQUE

Não havendo delimitação expressa dos seus limites subjetivos, a coisa julgada advinda
da ação coletiva proposta por sindicato deve alcançar todas as pessoas abrangidas pela categoria
profissional, e não apenas pelos seus filiados, podendo, ainda, ser aproveitada por trabalhadores
vinculados a outro ente sindical, desde que contidos no universo daquele mais abrangente.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão jurídica cinge-se em definir se, no caso dos Sindicatos, os "integrantes da categoria"
que são por eles representados se resumiriam aos filiados ao sindicato autor da ação coletiva.

O processo coletivo é informado pelos princípios da economia processual, do máximo


benefício e da máxima efetividade, superando a lógica tradicional do processo individualista, ao ampliar as
partes que poderão executar o título judicial formado na fase de conhecimento. Por isso, o legitimado
coletivo que atua como substituto processual representa todo o grupo substituído, independentemente
de filiação ou associação, irradiando para terceiros os efeitos da coisa julgada coletiva.

Na hipótese, o fato de a ação ter sido proposta por sindicato que representa a generalidade
dos servidores públicos estaduais não exclui a representatividade daqueles filiados a ente sindical mais
específico - que, de outro modo, estariam abrangidos por aquela entidade, na mesma base territorial -,
desde que mantidos os pressupostos fáticos e jurídicos decorrentes da origem comum do mesmo direito.

Isso ocorre porque os institutos descritos na legislação trabalhista não tangenciam o


microssistema da tutela coletiva, de modo que os filiados a outro sindicato, pertencentes à mesma
categoria profissional ou base estatutária, podem se beneficiar dos efeitos do título coletivo, salvo se
houver expressa limitação subjetiva dos substituídos na sentença coletiva, o que não ocorreu na espécie.

Com isso, é inviável reconhecer a ilegitimidade ativa da parte exequente fundada apenas nas
regras celetistas da unicidade e especificidade sindicais, ou na ausência do seu nome na listagem inicial
ou na liquidação coletiva, pois tal coisa julgada deve beneficiar o maior número de pessoas que se
enquadrem na mesma situação jurídica, a ser aferida caso a caso pelo juízo executivo.

Os sindicatos, na qualidade de substitutos processuais, têm ampla legitimidade extraordinária


para atuar judicialmente na defesa dos interesses coletivos de toda a categoria que representam, estejam
eles nominados ou não em listagem, seja para promover a ação de conhecimento ou mesmo a execução

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Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

do julgado.

Portanto, caso a sentença coletiva não tenha uma delimitação expressa dos seus limites
subjetivos, especificando os beneficiários do título executivo judicial, a coisa julgada advinda da ação
coletiva deve alcançar todas as pessoas abrangidas pela categoria profissional, e não apenas pelos seus
filiados, podendo, ainda, ser aproveitada por trabalhadores vinculados a outro ente sindical, desde que
contidos no universo daquele mais abrangente.

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgInt no REsp 1.884.722-MS, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Segunda


Turma, por unanimidade, julgado em 26/8/2024, DJe 28/8/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO AMBIENTAL

TEMA Área de Preservação Permanente - APP. Rancho de pesca. Uso não


comercial. Enquadramento como atividade turística. Impossibilidade.
Uso para o lazer privado. Casa de veraneio. Exceção do art. 61-A do
Código Florestal. Inaplicabilidade.

DESTAQUE

O "rancho de pesca" de uso privado, construído irregularmente em Área de


Preservação Permanente - APP, não se enquadra nas exceções previstas no art. 61-A do Código
Florestal ("turismo rural" ou "ecoturismo").

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O caso versa sobre a qualificação jurídica do "rancho de pesca" construído irregularmente em
Área de Preservação Permanente - APP, com supressão da vegetação nativa.

A pretensão inicial de ver o imóvel demolido, a área recuperada e os danos ambientais


ressarcidos havia sido afastada pela incidência da exceção do art. 61-A do Código Florestal, ante a
natureza turística do bem.

O mencionado artigo, assim dispõe: "Art. 61-A. Nas Áreas de Preservação Permanente, é
autorizada, exclusivamente, a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e de turismo
rural em áreas rurais consolidadas até 22 de julho de 2008".

Porém, embora o acórdão na origem tenha caracterizado a destinação do imóvel como de


turismo rural ou ecoturismo de pesca por ser um "rancho de pesca", a própria parte reconhece em sua
impugnação ser bem sem uso comercial.

Nesse sentido, ocorre que o conceito de turismo, no âmbito jurídico e das políticas públicas,

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Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

demanda a presença de atividade econômica. Nos termos da Política Nacional do Turismo, as atividades
turísticas, para serem assim consideradas, "devem gerar movimentação econômica, trabalho, emprego,
renda e receitas públicas, constituindo-se instrumento de desenvolvimento econômico e social,
promoção e diversidade cultural e preservação da biodiversidade" (art. 2º, parágrafo único, da Lei n.
11.771/2008). Essa tradição normativa é antiga e nasce no Decreto-Lei n. 55/1966, que aludia à "indústria
do turismo" (art. 1º).

Assim, não há como confundir, para igualá-los, a atividade turística prevista na norma
ambiental com o uso particular do bem para o lazer. Notadamente porque a jurisprudência do STJ
repudia a manutenção de imóveis de veraneio privado em Áreas de Preservação Permanente (AgRg no
REsp n. 1.494.681/MS, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 3/11/2015, DJe
16/11/2015).

Dessa forma, resta afastada da exceção normativa do art. 61-A do Código Florestal o rancho de
pesca de uso privado, sem, portanto, uso turístico, de modo que, havendo impossibilidade de
manutenção do bem irregular, sua demolição torna-se inafastável.

Por fim, sobre o tema, a jurisprudência do STJ entende que o dano ambiental pela supressão
de vegetação nativa em área de preservação ambiental é presumido e sua reparação integral inclui tanto
os danos permanentes quanto os intercorrentes.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Florestal, art. 61-A


Lei n. 11.771/2008, art. 2º, parágrafo único
Decreto-Lei n. 55/1966, art. 1º

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 1.652.347-SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma,


por maioria, julgado em 13/8/2024, DJe 22/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO DO TRABALHO, DIREITO PREVIDENCIÁRIO, DIREITO


TRIBUTÁRIO

TEMA Contribuições previdenciárias. Terceirização ilícita. Vínculo


empregatício direto com a tomadora de serviços. Contratação de
empregados mediante interpostas pessoas jurídicas. Ineficácia
perante o fisco.

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Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

DESTAQUE

Configurada a ilicitude da terceirização, a empresa tomadora passa a ser responsável


pelo adimplemento do débito das contribuições previdenciárias, em virtude da formação de
vínculo empregatício direto com os empregados fictamente contratados pelas empresas
interpostas.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O art. 33, § 3º, da Lei n. 8.212/1991, autoriza à administração tributária lançar de ofício o tributo
no caso de sonegação ou deficiência de informação ou documento, de sorte que a fiscalização
previdenciária tem legitimidade para tributar os efeitos econômicos decorrentes de ocultação
documental da configuração relação de emprego.

Ademais, do art. 116, I, do CTN, extrai-se que, quando se tratar de situação de fato, considera-
se ocorrido o fato gerador desde o momento em que verificadas as circunstâncias materiais necessárias a
que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios.

No caso, ficou demonstrada a existência de confusão patrimonial entre empresas interpostas e


a tomadora, com administração de pessoal, contábil e financeira exercidas pelas mesmas pessoas
empregadas daquela. Constatou-se que a tomadora, mediante prepostos, é que fazia a administração do
pessoal (contratação e desligamento) das empresas interpostas.

Ademais, os sócios majoritários das referidas empresas "de fachada" são, de fato, sócios-
administradores em plena atividade da tomadora e recebem a maior parte de seus salários camuflados
como "distribuição antecipada de lucros"; assim como os sócios minoritários destas entidades exercem a
função de supervisores dos empregados formalmente registrados nas empresas "de fachada".

Configurada a ilicitude da terceirização, mediante pessoas jurídicas interpostas (empresas "de


fachada"), com fraude, simulação e confusão patrimonial entre estas e a tomadora - principalmente na
administração de pessoal - , firma-se o vínculo empregatício direto entre a tomadora e os empregados
fictamente contratados pelas empresas interpostas.

Incide, assim, distinção fática (distinguishing), em relação ao entendimento do Supremo


Tribunal Federal, no julgamento da ADPF n. 324 e do RE n. 958.252, em regime de repercussão geral, que
assentou a viabilidade da terceirização, inclusive de atividade-fim.

Não cabe reconhecer eficácia à conduta do contribuinte que simula negócios jurídicos com o
escopo de escapar artificiosamente da tributação, dissimulando a ocorrência do fato gerador da
contribuição previdenciária em seu elemento constitutivo consistente na subordinação laboral presente
no vínculo firmado diretamente entre a tomadora e os empregados das empresas "de fachada".

Evidente a ofensa às normas que embasam a autuação fiscal, na espécie, que estabelecem o
conceito de segurado para fins previdenciários (art. 12, I, a, da Lei n. 8.212/1991), e o fato gerador de
contribuições previdenciárias consistentes nas remunerações creditadas aos segurados empregados
(artigos 20, 21 e 22, I, II e III, da Lei n. 8.212/1991), autorizando a que a administração tributária lance de
ofício o tributo, diante de situação de fato que reúne as circunstâncias materiais da relação empregatícia
(artigos 33, § 3º, da Lei n. 8.212/1991 e 116, I, do CTN).

Nesse panorama, negócios jurídicos fraudulentos ou simulados não atraem quaisquer efeitos
jurídicos capazes de promover a pretendida redução da tributação a título de contribuições
previdenciárias, devendo incidir o dever fundamental de pagar tributos - art. 145 e seguintes da
Constituição Federal - (REsp n. 1.074.228/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma,

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Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

julgado em 7/10/2008, DJe 5/11/2008)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 8.212/1991, art. 12, I, a; artigos 20, 21 e 22, I, II e III; art. 33, § 3º;
Código Tributário Nacional (CTN), art. 116, I;
Constituição Federal (CF), art. 145.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

ADPF n. 324/STF
RE n. 958.252/STF

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AREsp 2.462.266-RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques,


Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 13/8/2024, DJe
25/9/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO EMPRESARIAL

TEMA Direito Societário. Destituição do sócio administrador. Quórum de


deliberação. Cota do sócio administrador. Inclusão. Impossibilidade.

DESTAQUE

O sócio que está na condição de mandatário não pode votar matéria que lhe diga
respeito diretamente, de modo que sua cota do capital social não deve ser incluída para fins de
quórum de deliberação que envolva a sua administração, inclusive quando em discussão a sua
permanência ou não no cargo de administrador.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em saber se para fins de quórum de deliberação, deve ser computada
a cota do capital social do sócio impedido de votar.

No caso, 100% das cotas aptas votaram pela destituição do administrador, ou seja, houve
respeito à exigência contida na redação do § 1º do art. 1.063 do Código Civil vigente à época (a redação
foi alterada apenas com o advento da Lei n. 13.792/2019), que exigia deliberação de 2/3 do capital social
para aprovar a destituição do sócio administrador.

Com efeito, o art. 1.063, § 1º, deve ser lido em conjunto com o § 2º do art. 1.074 do CC/2002.

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Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

Nessa ordem de ideias, o sócio que está na condição de mandatário não pode votar matéria
que lhe diga respeito diretamente e a interpretação mais adequada da norma é a de que a sua cota do
capital social não deve ser incluída para fins de quórum de deliberação que envolva a sua administração,
inclusive quando em discussão a sua permanência ou não no cargo de administrador.

Isso ocorre quando não há disposição específica no estatuto social tratando da forma de
cômputo dos votos dos sócios nas assembleias.

Tal interpretação se mostra compatível com as reformas que o legislador promoveu no Código
Civil, em particular a que reduziu a exigência de votos correspondentes a 2/3 para mais da metade do
capital social, para fins de destituição do administrador.

Em caso análogo, a Quarta Turma do STJ decidiu pela aplicação da regra do § 2º do art. 1.074
do CC/2002 para que o capital social de sócio excluendo não fosse computado no quórum de
deliberação de matéria que lhe diga respeito (REsp 1.459.190-SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão,
julgado em 15/12/2015, DJe de 1/2/2016).

Ora, a lógica empregada em caso mais grave (exclusão de sócio da própria sociedade) pode
perfeitamente ser empregada em caso menos grave (exclusão de sócio do posto de administrador).

Assim, o quórum de deliberação não deve levar em conta a cota do sócio administrador, pois
impedido de votar matéria que lhe diga respeito diretamente.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Civil (CC), art. 1.063, § 1º e art. 1.074 § 2º.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgInt no REsp 2.113.564-RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques,


Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 15/8/2024, DJe
28/8/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PREVIDENCIÁRIO

TEMA Revisão de aposentadoria. Inclusão do auxílio-doença como tempo


de serviço. Necessidade do gozo do benefício ser intercalado com
atividade laborativa. Tema n. 1125 do STF. Recolhimento de uma
única parcela como segurado facultativo. Não caracteriza. Ausência
de atividade laborativa.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

DESTAQUE

O cômputo dos salários-de-benefício como salários-de-contribuição somente será


admissível se, no período básico de cálculo - PBC, houver afastamento intercalado com atividade
laborativa, em que há recolhimento da contribuição previdenciária.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Trata-se, na origem, de pedido de revisão de aposentadoria em que se busca, mediante o
cômputo dos períodos em gozo de benefício de incapacidade e de tempo especial, a conversão da
aposentadoria por idade em aposentadoria por tempo de contribuição ou a revisão da renda mensal
inicial (RMI), o que for mais favorável.

No caso, a autora exerceu atividade contributiva até junho de 2004, entrando em gozo de
sucessivos benefícios de auxílio-doença até 26/07/2017. Após, recolheu uma única contribuição em
agosto de 2017, na qualidade de contribuinte facultativa, requerendo aposentadoria por idade no mesmo
mês, devidamente concedida.

A questão controversa, então, reside em saber se essa contribuição como segurada facultativa
faz incidir ao caso, o teor do art. 55, II, da Lei n. 8.213/1991, que estabelece: "Art. 55. O tempo de serviço
será comprovado na forma estabelecida no Regulamento, compreendendo, além do correspondente às
atividades de qualquer das categorias de segurados de que trata o art. 11 desta Lei, mesmo que anterior à
perda da qualidade de segura: (...) II - o tempo intercalado em que esteve em gozo de auxílio-doença ou
aposentadoria por invalidez".

Com efeito, na fundamentação do acórdão paradigma do tema n. 1125 a própria questão


controversa definida pelo STF já ressalvava a necessidade de atividade laborativa: "Ab initio, cumpre
delimitar a questão controvertida nos autos, qual seja: saber se o período no qual o segurado esteve em
gozo do benefício de auxílio-doença, desde que intercalado com atividade laborativa, deve ser
computado para fins de carência".

Assim, a textualidade do referido precedente, demanda que, para o reconhecimento como


tempo de serviço do período de gozo do auxílio-doença, que este seja intercalado com atividade
laborativa. Neste STJ, a orientação não é diversa.

Com efeito, no tema 704 do STJ, o acórdão do processo paradigma consignou que, nos
termos do disposto nos arts. 29, II e § 5º, e 55, II, da Lei n. 8.213/1991, o cômputo dos salários-de-
benefício como salários-de-contribuição somente será admissível se, no período básico de cálculo - PBC,
houver afastamento intercalado com atividade laborativa, em que há recolhimento da contribuição
previdenciária.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 30/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 8.213/1991 (Lei de Benefícios da Previdência Social - LBPS), arts. 29, II e § 5º; 55, II

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 704/STJ
Tema n. 1125/STF

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO Processo em segredo de Justiça. Rel. Ministro Afrânio Vilela, Segunda


Turma, por unanimidade, julgado em 26/11/2024, DJEN em
29/11/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Cumprimento de sentença. Honorários advocatícios. Competência


do juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição.

DESTAQUE

O cumprimento de sentença, mesmo que referente exclusivamente a honorários,


processar-se-á perante o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição, ainda que o
feito no qual foi proferida a sentença em que fixada a verba honorária tenha tramitado perante
juízo de vara especializada, salvo se outro for o juízo escolhido pelo exequente.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O art. 516 do Código de Processo Civil consagra a regra geral de competência para o
processamento do cumprimento de sentença dos títulos judiciais e decorre do sincretismo processual, a
partir do qual o reconhecimento do direito e a sua efetivação ocorrem no mesmo processo, diferindo-se
apenas por fases.

A norma ainda traduz princípio consagrado na parte geral do Código, segundo o qual a
competência é determinada no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo
irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando
suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta (art. 43 do CPC).

Assim, em regra, o juízo que formou o título executivo é o competente para executá-lo,
estando as exceções previstas no próprio artigo de lei, de modo que somente não serão executados
perante o juízo que processou a ação os títulos formados a partir de sentença penal condenatória, de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 31/32
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Extraordinária 14 de janeiro de 2025

sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo ou, ainda, nos
casos em que os bens sujeitos à constrição judicial se encontrarem em foro diverso ou se diverso for o
foro atual do domicílio do executado.

Com efeito, segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o cumprimento de


sentença, mesmo que referente exclusivamente a honorários, processar-se-á perante o juízo que decidiu
a causa no primeiro grau de jurisdição, ainda que o feito no qual foi proferida a sentença em que fixada a
verba honorária tenha tramitado perante juízo de vara especializada, salvo se outro for o juízo escolhido
pelo exequente (CC 191.185/MS, relator Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, julgado em 28/2/2024,
DJe de 4/3/2024.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), artigos 43 e 516.

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 32/32

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