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Óleos Essenciais e Patógenos Alimentares

O estudo investiga a atividade antimicrobiana de óleos essenciais de plantas como Cymbopogon nardus, Cymbopogon citratus e Ocimum selloi benth contra patógenos alimentares como Listeria monocytogenes, Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Salmonella enterica. Os resultados indicam que os óleos essenciais possuem potencial para inibir esses microrganismos, com destaque para o óleo de citronela que apresentou eficácia limitada a dois patógenos. A pesquisa ressalta a importância dos óleos essenciais como alternativas naturais para a conservação de alimentos.
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Óleos Essenciais e Patógenos Alimentares

O estudo investiga a atividade antimicrobiana de óleos essenciais de plantas como Cymbopogon nardus, Cymbopogon citratus e Ocimum selloi benth contra patógenos alimentares como Listeria monocytogenes, Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Salmonella enterica. Os resultados indicam que os óleos essenciais possuem potencial para inibir esses microrganismos, com destaque para o óleo de citronela que apresentou eficácia limitada a dois patógenos. A pesquisa ressalta a importância dos óleos essenciais como alternativas naturais para a conservação de alimentos.
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SILVA NETO, J. J.; SANTOS, K. I. S.; SANTOS, A. C. G.; SILVA, J. S.; MORAES, J. O.

Atividade antimicrobiana de óleos essenciais agroecológicos frente a patógenos de


interesse em alimentos. Revista Semiárido De Visu, V. 12, n. 3, p. 1172-1183, SET. 2024. ISSN 2237-1966.

Recebido: 29/01/2024| Revisado: 05/06/2023| Aceito: 30/06/2024| Publicado: 16/09/2024

This work is licensed under a


Creative Commons Attribution 4.0 Unported License.

DOI: 10.31416/rsdv.v12i3.920

Atividade antimicrobiana de óleos essenciais agroecológicos


frente a patógenos de interesse em alimentos
Antimicrobial activity of agroecological essential oils against food-borne pathogens

SILVA NETO, José Joaquim da. Discente/Técnico em agroindústria


Instituto Federal de Alagoas - Campus Murici. BR104 - Murici – Alagoas – Brasil. CEP: 57820-000 / Telefone: (82)
9 9373.5732 / E-mail: jjsn2@[Link]

SANTOS, Kauã Israel da Silva. Discente/Técnico em Agroindústria


Instituto Federal de Alagoas - Campus Murici. BR104 - Murici – Alagoas – Brasil. CEP: 57820-000 / Telefone: (82)
9 9416.0081/ E-mail: kiss1@[Link]

SANTOS, Angelyna Cicera Guedes dos. Discente/Técnico em Agroindústria


Instituto Federal de Alagoas - Campus Murici. BR104 - Murici – Alagoas – Brasil. CEP: 57820-000 / Telefone: (82)
9 9408.9895/ E-mail: angelynaguedes38@[Link]

SILVA, Jackeline Salviano da. Discente/Técnico em Agroindústria


Instituto Federal de Alagoas - Campus Murici. BR104 - Murici – Alagoas – Brasil. CEP: 57820-000 / Telefone: (82)
9 9436.9492/ E-mail: jss135@[Link]

MORAES, Juliana de Oliveira. Doutora em Ciência e tecnologia dos alimentos/Tecnóloga de Alimentos


e Nutricionista
Instituto Federal de Alagoas - Campus Murici. BR104 - Murici – Alagoas – Brasil. CEP: 57820-000 / Telefone: (82)
9 8891.1838/ E-mail: [Link]@[Link]

RESUMO

O uso de plantas medicinais está enraizado na cultura brasileira e um de seus principais produtos são
os óleos essenciais, que concentram uma gama de compostos orgânicos presentes em suas plantas de
origem, havendo assim a necessidade da prospecção de seus efeitos. Portanto, o presente trabalho
objetiva conhecer as propriedades antimicrobianas dos óleos essenciais de três plantas facilmente
encontradas na região nordeste do país, a saber: Cymbopogon nardus, Cymbopogon citratus e Ocimum
selloi benth (popularmente conhecidas como Citronela, Capim-santo e Alfavaca), frente às bactérias
de interesse alimentar Listeria monocytogenes, Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Salmonella
enterica. Para isso, utilizou-se a metodologia de difusão em poços e os resultados obtidos foram
submetidos à análise de variância e aplicação do teste de Tukey com o pacote estatístico Statistica
(Statsoft), considerando significativos níveis de (P < 0,05). Os óleos essenciais mostraram-se eficazes
para inibição, o óleo de citronela (Cymbopogon nardus) apresentou ação antibacteriana apenas diante
de Listeria monocytogenes e Staphylococcus aureus, os demais apresentaram atividade
antimicrobiana em todos os casos. Com os resultados encontrados, conclui-se que os óleos essenciais
estudados possuem potencial para o combate a microrganismos de interesse alimentar.

Palavras-chave: Cymbopogon nardus, Cymbopogon citratus, Ocimum selloi benth, antibacteriano.

ABSTRACT

The use of medicinal plants is ingrained in Brazilian culture and one of their main products is essential
oils, which concentrate a range of organic compounds present in their plants of origin, thus making it

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necessary to explore their effects. The aim of this study is therefore to find out about the
antimicrobial properties of the essential oils of three plants that are easily found in the northeast of
the country: Cymbopogon nardus, Cymbopogon citratus and Ocimum selloi benth (popularly known
as Citronela, Capim-santo and Alfavaca), against the food-borne bacteria Listeria monocytogenes,
Staphylococcus aureus, Escherichia coli and Salmonella enterica. For this purpose, the well diffusion
methodology was used and the results obtained were subjected to analysis of variance and application
of the Turkey test using the Statistica statistical package (Statsoft), considering significant levels of
(P < 0.05). The essential oils proved to be effective in inhibiting, citronella oil (Cymbopogon nardus)
showed antibacterial action only against Listeria monocytogenes and Staphylococcus aureus, the
others showed antimicrobial activity in all cases. With the results found, it can be concluded that the
essential oils studied have the potential to combat microorganisms of food interest.

keywords: Cymbopogon nardus, Cymbopogon citratus, Ocimum selloi benth, Antibacterial.

Introdução

Na sociedade brasileira desde tempos remotos, plantas medicinais são utilizadas para o
tratamento de enfermidades diversas, sendo seus primeiros registros escritos concebidos em textos
do navegador Gabriel Soares de Souza e do Padre José de Anchieta, que relatam a utilização de
saberes dos povos nativos para aproveitamento da flora local para fins de sobrevivência (Da Rocha,
2021; Ferraz, et al., 2023).
As espécies Cymbopogon nardus, Cymbopogon citratus e Ocimum selloi benth (popularmente
conhecidas como Citronela, Capim-santo e Alfavaca) são comumente encontradas na região Nordeste
do país. A utilização de plantas para o tratamento de patologias diversas está enraizada na cultura
nordestina e é costumeira em muitas localidades, em especial as mais carentes, onde a incorporação
de terapias integrativas faz-se mais necessária (Costa, 2021), existem diversos relatos da eficácia de
sua utilização para o tratamento de doenças como infecções bucais, malária e leishmaniose cutânea
(Dos Santos, et al., 2023; Cedro, et al., 2021; Viza, 2019). Nesse cenário, vários estudos têm
investigado as propriedades terapêuticas e de interesse industrial de óleos essenciais de ervas
medicinais populares no Brasil (Fernandes e Scapin, 2020; Barreto, Dentamaro e Kohn, 2020; Barboza,
2022).
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) não possui normativos relacionados a Óleos
Essenciais (Bizzo, 2022), entretanto, internacionalmente aceita-se a definição da International
Organization for Standardization (ISO) de que estes são “[...] produtos obtidos de matérias-primas
naturais de origem vegetal, por destilação a vapor, [...] ou por destilação a seco, após a separação
da fase aquosa – se houver – por processos físicos” (ISO, 2021, apub Bizzo, 2022 p. 01). Segundo Alonso
(2022, p. 13) “em síntese, são substâncias voláteis obtidas de uma matriz de origem vegetal através
de processo físico, por diferentes métodos de extração”. Estes produtos concentram quantidades
significativas dos compostos químicos das suas plantas de origem, apresentando complexas misturas
de compostos orgânicos (Marasco et al., 2021).
Os microrganismos patogênicos configuram grande problemática para a saúde pública em
todo o mundo e dentre os envolvidos na contaminação de alimentos, as bactérias são
protagonistas. Algumas das principais bactérias de interesse alimentar são Listeria monocytogenes,

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Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Salmonella enterica (Seixas e Muttoni, 2020; Da SIlva e
Ribeiro, 2021). Nesse cenário, observa-se numerosos estudos que procuram identificar atividade
antimicrobiana de produtos obtidos a partir de plantas, como extrato aquoso e óleo essencial, contra
patógenos de interesse em alimentos (Lopes e Cattelan, 2022; De Paula, et al., 2022).
Nas áreas de produção de alimentos, a Listeria monocytogenes tem a capacidade de aderir a
diversas superfícies, como vidro, poliestireno, polipropileno e aço inoxidável, formando biofilmes nos
equipamentos de processamento. Essas características, aliadas à sua capacidade psicotrófica e
habilidade de crescimento em altas concentrações de NaCl, destacam-no como um dos
microrganismos mais relevantes associados a doenças transmitidas por alimentos, assim facilitando
sua persistência nas instalações das indústrias alimentícias. Isso representa um desafio significativo
para as indústrias de processamento de alimentos, que buscam eliminar completamente o patógeno
ao longo das diferentes etapas de produção (Souza, 2021).
A presença de S. aureus em alimentos pode representar falhas na esterilização de embalagens
ou contaminação pós-processamento. Este último é predominantemente causado pelos manipuladores
de alimentos, sendo a falta de utilização de luvas e a presença de lesões cutâneas fatores
significativos que facilitam a contaminação durante a manipulação. Além disso, a resistência desse
patógeno a diferentes medicamentos representa um risco para a saúde pública e em casos de
desenvolvimento de patologias em manipuladores, o tratamento pode ser dificultado, resultando no
agravamento de condições clinicamente tratáveis e, em casos extremos, levando à morte (De Andrade
Júnior, 2019).

E. coli é naturalmente presente no intestino humano e de outros animais de sangue quente,


geralmente sem causar problemas. No entanto, existem cepas patogênicas que podem resultar em
complicações para a saúde, possui a capacidade de infectar, em especial, animais sem causar doença
aparente, os bovinos infectados podem dispersar a bactéria em suas fezes e em sua carne (Zani e
Carriero, 2021). Este patógeno é considerado indicador de qualidade higiênico-sanitária de alimentos
e água, sendo um dos principais fatores de apontamento de contaminação fecal e causador de uma
série de patologias através da ingestão de alimentos ou água contaminados por suas cepas, o que
pode ocorrer através de contato direto com material fecal ou indireto, como o contato com superfícies
contaminadas (Santos; Fernandes e Miranda, 2020).

Em geral, a maioria dos sorovares de Salmonella têm como principal reservatório o trato
gastrointestinal de animais de sangue quente e frio. Salmonella enterica é capaz de causar infecções
em diversos animais e sua principal forma de eliminação é através das fezes, estes muitas vezes são
portadores assintomáticos, sendo fontes de infecção e desempenhando papel central na
epidemiologia. A presença de Salmonella enterica em produtos alimentícios torna-os impróprios para
o consumo, sua detecção em produtos de origem animal é desafiadora. Um dos principais veículos
para este microrganismos são os ovos, que podem ser contaminados e através de contato externo com
fezes ou internamente, configurando uma ameaça multifacetada com fontes variadas (Segundo et al.,
2020).

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A utilização de aditivos alimentares constitui um procedimento rotineiro na indústria


alimentícia, que envolve a introdução de substâncias químicas nos alimentos, com o propósito de
preservar, intensificar ou alterar as características físicas, químicas, biológicas e/ou sensoriais,
contudo, alimentos que contenham elevados níveis dessas substâncias químicas sintéticas apresentam
potenciais impactos negativos na saúde (De Souza et al., 2019). Sendo assim, emerge a necessidade
da prospecção de outras formas de conservação, que apresentem sua obtenção de forma natural,
como através de microrganismos e plantas (Ribeiro et al., 2023).
Nas plantas, os óleos essenciais têm como função a proteção frente microrganismos, insetos
e outros predadores, além de atração de polinizadores, o que lhes confere ação aromática e
antimicrobiana (Contrucci et al., 2019). Quimicamente, são formados por uma complexa combinação
de compostos com baixa solubilidade em água, predominantemente constituídos por metabólitos
secundários da classe dos terpenos e fenilpropenos. Os terpenos são hidrocarbonetos compostos por
múltiplas unidades de isopreno, podendo ser categorizados de acordo com o número de unidades de
isopreno na molécula (mono, sesqui e diterpenos). Os fenilpropenos, por sua vez, são compostos
fenólicos ou polifenóis, apresentando uma gama que varía desde moléculas simples, como ácidos
fenólicos, até compostos altamente polimerizados, como os taninos (Scapinello et al., 2023).
Os óleos essenciais geralmente exibem atividades antioxidantes e antimicrobianas notáveis.
Sua eficácia como agentes antimicrobianos está principalmente associada à sua hidrofobicidade, o
que facilita a penetração nas células dos microrganismos, isso resulta em alterações na
permeabilidade das membranas, provocando modificações na estrutura e levando à lise celular (Mesic
et al., 2021).

Na indústria de alimentos, os óleos essenciais podem ser empregados como conservantes


naturais, isto é, elementos obtidos a partir de microrganismos, animais ou vegetais que possuem
propriedades capazes de inibir a deterioração causada nos alimentos por microrganismos, atividades
enzimáticas ou oxidações. Estes compostos podem ser utilizados na produção de alimentos e de
embalagens ativas, constituindo uma possibilidade de aditivo que não agride a saúde do consumidor,
como apontado por diversos estudos que trazem a utilização de óleos essenciais no melhoramento de
alimentos e promoção de saúde (Hernández et al. (2018), Alizadeh-Sani, Mohammadian e McClemets
(2020), Xavier et al. (2021)).
Portanto, objetiva-se com este trabalho investigar o potencial inibitório dos óleos essenciais
das plantas Cymbopogon nardus, Cymbopogon citratus e Ocimum selloi benth cultivadas
agroecologicamente em uma comunidade rural do município de Messias, no interior da Zona da Mata
de Alagoas frente a estes patógenos de interesse alimentar.

Material e métodos

Os óleos essenciais utilizados na presente pesquisa foram extraídos das plantas Cymbopogon
nardus (citronela), Cymbopogon citratus (capim-santo) e Ocimum selloi benth (alfavaca) e obtidos
em uma propriedade rural do município de Messias - Alagoas, onde são produzidos artesanalmente e

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comercializados. Ressalta-se que para tal, são utilizadas plantas cultivadas agroecologicamente e a
extração é feita através de arraste por vapor, metodologia que conforme a diferença de volatilidade
separa substâncias (Silva, 2018).
Inicialmente foram produzidos e esterilizados em autoclave, 4 tubos de ensaio com 5mL de
meio de cultura Tryptic Soy Broth (TSB). Em cada tubo de meio TSB, foram inoculados 0,3mL de uma
das cepas padrão de Listeria monocytogenes, Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Salmonella
enterica, essas culturas possuem códigos ATCC 19115, 6538, 25922 e 14028, respectivamente. Após,
foram incubados a 36°C por um período de 24 horas sem agitação com crescimento verificado através
de turvamento do material.
Após as 24 horas de incubação, com auxílio de capela de fluxo laminar, espalhou-se meio de
cultura Tryptic Soy Agar (TSA) estéril em placas também estéreis. Em seguida, em presença de
chama, foram inseridas ponteiras estéreis no ágar já solidificado nas placas, no intuito de permitir a
formação de poços. Após, tubos de ensaio com 25mL do mesmo meio de cultura foram esterilizados
em autoclave e postos em aparelho Banho-maria para resfriamento.
Nestes tubos, foram adicionados 200µl de Tryptic Soy Broth (TSB) com patógeno (Listeria
monocytogenes, Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Salmonella enterica) inoculado no dia
anterior. O meio propositadamente contaminado foi sobreposto ao ágar estéril contido nas
[Link]-se 15 minutos para solidificação do meio. Com o ágar já sólido, as ponteiras foram
retiradas, formando os poços onde adicionou-se 50µl dos referidos óleos essenciais anteriormente
expostos à radiação UV em capela de fluxo laminar, conforme Brito (2020).

O material foi acondicionado em incubadora modelo Demanda Bioquímica de Oxigênio (BOD),


em temperatura de 36°C. Após o período de 24 horas, as placas foram retiradas para observação dos
halos de inibição, que foram medidos em milímetros considerando o espaço entre uma extremidade
do poço até a borda do halo e registrados no site “Google Planilhas” para cálculo de medida média
entre as triplicatas e seu respectivo desvio padrão. Os resultados obtidos foram submetidos à análise
de variância e aplicação do teste de Tukey com o pacote estatístico Statistica (Statsoft), considerando
significativos níveis de (P < 0,05).

Resultados e discussão

Observa-se, conforme tabela 1, que os três óleos essenciais testados possuem efeito frente
os patógenos de interesse alimentar explorados neste estudo. O óleo essencial que apresentou
maiores halos de inibição antibacteriana foi o de Alfavaca (O. selloi benth), em seguida de Capim-
santo (C. citratus) e Citronela (C. nardus).

Tabela 1 - Tamanho, em milímetros, de halos de inibição e desvio padrão de óleos essenciais frente
a patógenos de interesse alimentar.
Patógenos

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Óleo
Essencial S. enterica E. coli S. aureus L. monocytogenes
Aa Ab
Citronela - - Aa 3,4 ± 0,47mm 1,3 ± 0,47mmAa

Capim-santo 1,0 ± 0 mmAa 5,0 ± 0 mmBb 7,0 ± 2,16mmBc 4,7 ± 0,47mmBb

Alfavaca 10,7 ± 1,24mmBa 6,3 ± 0,17 10,3 ± 1,24mmCa 5 ± 0,82mmCb


mmBb
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na mesma coluna ou maiúscula na mesma linha, não diferem entre si, pelo teste
de Tukey (P <0,05).
Fonte: Autores

O óleo essencial de Citronela (C. nardus) apresentou apenas halos de inibição frente às
bactérias S. aureus e L. monocytogenes (ambas Gram-positivas). Segundo Da Silva e Mello (2021, p.
20), a maior sensibilidade das bactérias gram-positivas frente a óleos essenciais está relacionada a
complexidade da parede celular das bactérias Gram-negativas, pois essas apresentam a presença de
uma membrana externa e lipopolissacarídica, dificulta a difusão, disseminação e consequentemente
a ação antibacteriana.

Os dados encontrados nesta pesquisa sobre a atividade antibacteriana do óleo essencial de


Citronela (C. nardus) corroboram com os achados de outros estudos, onde não há atividade
antimicrobiana frente E. coli, mas há efeito frente S. aureus e L. monocytogenes (Andrade et al.,
2012). Destaca-se que apesar da não inibição das bactérias gram-negativas neste trabalho existem
relatos de inibição deste óleo frente a Salmonella choleraesuis (Andrade et al., 2012; Furtado et al.,
2015). Em contrapartida, os dados diferem dos relatados por Contrucci et al.(2019) sobre ação
inibitória do óleo de Citronela (C. nardus) frente E. coli.

A diferença dos resultados pode ser explicada diante da composição química da planta, que
pode variar de acordo com diversos fatores, como a ecologia da localidade onde foi plantada. Entre
os principais compostos desta planta estão citronelal e citronelol, que possuem ação antimicrobiana,
entretanto, apenas para citronelol foi encontrado registro na literatura de ação contra E. coli (De
Lima, 2020; Bezerra et al., 2019; Zanetti, 2022).

Em relação ao óleo essencial de Capim-santo (C. citratus), notam-se halos de inibição em


relação a todos os microrganismos testados, porém menores que os encontrados por outros estudos
frente a E. coli, S. enteridis e S. aureus (Marasco et al., (2021) e Boeira et al., (2020)). Ramroop et
al., (2018) detectaram ação deste óleo essencial frente a L. monocytogenes, assim como no presente
estudo, os diferentes resultados de vários estudos podem ser devido a composição química variável
da planta e a quantidade de óleo essencial utilizada. Na composição desta planta, encontram-se os
compostos citral e linalol, que possivelmente são responsáveis pela ação antimicrobiana encontrada
(Carreiro et al., (2020); Da Silva e Melo (2021)).

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O óleo essencial de Alfavaca (O. selloi benth) apresentou forte inibição frente a S. enterica
e S. aureus, com halos de inibição ultrapassando a média de 10 mm. Destaca-se que não foram
encontrados estudos acerca desta espécie vegetal para comparação de resultados. Entretanto, Vivian
(2021) obteve resultados similares com o óleo essencial de espécies do mesmo gênero. Na composição
do óleo essencial de Manjericão (O. basilicum) que pertence ao mesmo gênero, existe o componente
linalol que possui ação frente a diversos microorganismos (Da Silva e Melo, 2021; Gallegos-Flores et
al., 2019), este também é encontrado como um dos compostos predominantes de Alfavaca (O. selloi
benth) (De Souza et al., 2023) podendo justificar sua ação.

Conclusões

Conclui-se, portanto, que os óleos essenciais das plantas Citronela (Cymbopogon nardus),
Capim-santo (Cymbopogon citratus) e Alfavaca (Ocimum selloi benth) cultivadas agroecologicamente,
em especial o último, possuem potencial antimicrobiano e podem emergir como alternativas naturais
de combate a patógenos de interesse em alimentos, cabendo mais estudos sobre a temática a fim de
expandir os conhecimentos na área.

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