Introdução ao Método da Rigidez Direta
Disciplina: Análise de Estruturas II
Departamento de Engenharia Estrutural e Construção Civil
Universidade Federal do Ceará
Profs. Evandro Parente e Antônio Macário
15 de dezembro de 2015
Profs. Evandro Parente e Antônio Macário Introdução ao Método da Rigidez Direta 15 de dezembro de 2015 1 / 46
Tópicos
Introdução
Barras Carregadas Axialmente
Elemento de Barra
Trabalho e Energia
Montagem da Matriz de Rigidez Global
Expansão e Soma
Método Direto
Imposição das Condições de Contorno
Consideração dos Deslocamentos Livres
Cálculo dos Esforços e Reações
Exemplo 2
Ações Externas nos Elementos
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Introdução
I O Método da Rigidez Direta corresponde a forma matricial do
Método dos Deslocamentos.
I Também conhecido como Análise Matricial de Estruturas.
I Utilizado na análise de estruturas reticuladas:
I Treliças planas.
I Treliças espaciais.
I Vigas.
I Grelhas.
I Pórticos planos.
I Pórticos espaciais.
I Corresponde ao Método dos Elementos Finitos (MEF) aplicado a
estruturas compostas por barras (elementos unidimensionais).
I A sistemática utilizada para obtenção da matriz de rigidez global é a
mesma no MEF e no MRD.
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Barras Carregadas Axialmente
I Considere a estrutura formada por barras carregadas axialmente:
A2
P1 A1 P2 R
L1 L2
I Esta estrutura pode ser modelada utilizando elementos 1D:
1 2 3
1 2
I Onde cada elemento representa um trecho de seção constante:
EA g1 g2
1 2
u1 u2
L Elemento
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Elemento de Barra
I Considerando um barra de seção constante submetida a uma força F:
EA F
L u
I Considerando que o material segue a lei de Hooke σ = E ε:
F u EA
=E ⇒ F= u
A L L
I A relação força-deslocamento da barra é igual a de uma mola de
rigidez:
EA
K=
L
I A rigidez corresponde à força associada a um deslocamento unitário.
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Elemento de Barra
I A matriz de rigidez do elemento pode ser obtida por superposição:
g1 1 2 g2
u1 u2 Deslocamentos:
u1 = 1 u1 = 1 × u1 + 0 × u2 = u1 ok!
EA EA u2 = 0 × u1 + 1 × u2 = u2 ok!
L L
u2 = 1
EA EA
L L
I Forças:
EA EA
g1 = u1 − u2
EA 1 −1
L L g1 u1
⇒ =
EA EA g2 L −1 1 u2
g2 = − u1 + u2 | {z } | {z } | {z }
L L ge Ke ue
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Elemento de Barra
I Simbolicamente: ge = Ke ue
I ge é o vetor de forças internas do elemento.
I ue é o vetor de deslocamento nodais do elemento.
I Ke é a matriz de rigidez do elemento.
I A dimensão dos vetores e matrizes é igual ao número de graus de
liberdade do elemento (ngle = 2).
I A matriz de rigidez do elemento (Ke ) é simétrica.
I A matriz de rigidez do elemento é singular (|Ke | = 0):
I As colunas são LD: soma igual a 0.
I Deslocamentos de corpo rígido não geram forças internas.
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Trabalho e Energia
I A relação entre forças e deslocamentos pode ser obtida pelo PTV:
Z Z L Z L
δUe = σ δε dV = N δε dx = EA ε δε dx
V 0 0
(u2 − u1 ) (δu2 − δu1 )
I Substituindo: ε = e δε =
L L
I Podemos escrever o trabalho virtual interno como:
EA EA
δUe = δu1 (u1 − u2 ) +δu2 (u2 − u1 ) = δuTe ge
|L {z } | L {z }
g1 g2
I Finalmente:
EA
g1 = (u1 − u2 )
L g1 EA 1 −1 u1
⇒ =
EA g2 L −1 1 u2
g2 = (u2 − u1 ) | {z } | {z } | {z }
L ge Ke ue
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Trabalho e Energia
I Alternativamente, podemos usar a energia interna de deformação:
Z Z L
1 1
Ue = E ε2 dV = EA ε2 dx
V 2 0 2
I Substituindo o valor da deformação:
(u2 − u1 ) 1 EA
ε= ⇒ Ue = (u2 − u1 )2
L 2 L
I O vetor de forças internas é obtido por derivação:
∂Ue EA
g1 = = (u1 − u2 )
∂u1 L
g1 EA 1 −1 u1
⇒ =
∂Ue EA g2 L −1 1 u2
g2 = = (u2 − u1 ) | {z } | {z } | {z }
∂u2 L ge Ke ue
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Trabalho e Energia
I A matriz de rigidez pode ser obtida por derivação das forças internas:
∂g1 ∂ 2 Ue EA
K11 = = =
∂u1 ∂u21 L
∂g1 ∂ 2 Ue EA
K12 = = =−
∂u2 ∂u1 ∂u2 L
∂g2 2
∂ Ue EA
K21 = = =−
∂u1 ∂u2 ∂u1 L
∂g2 2
∂ Ue EA
K22 = = 2
=
∂u2 ∂u2 L
∂ 2 Ue ∂ 2 Ue
I Generalizando: Kij = = = Kji
∂ui ∂uj ∂uj ∂ui
I A matriz de rigidez é simétrica sempre que o sistema é conversativo
(material elástico).
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Montagem da Matriz de Rigidez Global
I Como obter as equações de equilíbrio da estrutura a partir das
equações do elemento?
I Como obter a matriz de rigidez de uma estrutura (n × n) a partir das
matrizes dos elementos (2 × 2)?
I A ideia básica do Método da Rigidez Direta é obter estas matrizes em
dois passos: expansão e soma.
I Usaremos o mesmo problema considerado anteriormente:
A2
P1 A1 P2 R
L1 L2
Modelo Estrutural
3 nós
1 2 3 2 elementos
1 2 3 g.l.
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Montagem por Expansão e Soma
I Incluindo o apoio, as equações de equilíbrio globais são:
g1 P1
g = f ⇒ g2 = P2
g3 R
I As forças internas (g) da estrutura correspondem à soma da forças
elásticas geradas quando as molas (elementos) se deformam:
1 2
g1 g1 g1
g2 = g2 + g2
g3 g3 g3
ne
X
I Sendo ge o vetor de forças internas expandido: g = ge
e=1
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Montagem por Expansão e Soma
I Para o Elemento 1 temos:
g1 k1 −k1 u1 E1 A1
g1 = K1 u1 ⇒ = , onde k1 =
g2 1 −k1 k1 1 u2 1 L1
I Para obtermos as equações ampliadas devemos considerar que:
I As barras (elementos) só exercem forças nos nós aos quais elas estão
conectadas.
I As barras só geram forças quando ocorre deformação, i.e. quando os
nós aos quais elas estão conectadas se deslocam.
I Cada grau de liberdade do elemento corresponde a um grau de
liberdade da estrutura (global).
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Montagem por Expansão e Soma
I Assim, as equações ampliadas do Elemento 1 são:
1
g1 k1 −k1 0 u1
g2 = −k1 k1 0 u2 ⇒ g1 = K1 u
g3 0 0 0 u3
I Para o Elemento 2 temos:
2
g1 0 0 0 u1
g2 = 0 k2 −k2 u2 ⇒ g2 = K2 u
g3 0 −k2 k2 u3
I Somando as forças de cada elemento:
ne ne ne
!
X X X
g= ge = (Ke u) = Ke u = f ⇒ Ku = f
e=1 e=1 e=1
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Montagem por Expansão e Soma
I A matriz de rigidez global é dada por:
ne
X
K= Ke
e=1
I Somando as matrizes ampliadas:
k1 −k1 0 0 0 0 k1 −k1 0
K = −k1 k1 0 + 0 k2 −k2 = −k1 k1 + k2 −k2
0 0 0 0 −k2 k2 0 −k2 k2
I Equações de equilíbrio globais:
k1 −k1 0 u1 P1
−k1 k1 + k2 −k2 u2 = P2 ⇒ Ku = f
0 −k2 k2 u3 R
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Montagem por Expansão e Soma
I O processo de expansão e soma pode ser formalizado através do PTV:
δU = δWext , ∀δu ⇒ Equilíbrio
I Escrevendo na forma matricial:
δuT g = δuT f, ∀δu ⇒ g=f
I O trabalho virtual interno é a soma do trabalho de cada elemento:
Xne Xne
δU = δUe = δuTe ge = δuT g
e=1 e=1
I Novamente temos o problema de como obter o vetor de forças global
(dimensão n) a partir dos vetores dos elementos (dimensão ngle = 2).
I Para isto é preciso relacionar os graus de liberdade do elemento com
os graus de liberdade globais.
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Montagem por Expansão e Soma
I Podemos escrever uma relação matricial entre os deslocamentos
globais e do elemento.
I Para o Elemento 1 temos:
u1
u1 100
= u2 = A1 u
u2 1 010
u3
I Para o Elemento 2 temos:
u1
u1 010
= u2 = A2 u
u2 2 001
u3
I Generalizando: ue = Ae u, para e = 1, . . . , ne
I Ae é conhecida como matriz de incidência cinemática ou matriz de
localização.
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Montagem por Expansão e Soma
I A mesma relação vale para deslocamentos virtuais: δue = Ae δu
I Utilizando o PTV:
ne ne ne
!
X X X
T
δU = δue ge = δuT ATe ge = δuT ATe ge = δuT g
e=1 e=1 e=1
I O vetor de forças internas das estrutura pode ser calculado como:
ne
X ne
X
g= ATe ge = ge
e=1 e=1
I O termo ge = ATe ge representa a expansão do vetor de forças internas
do elemento para o tamanho da estrutura.
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Montagem por Expansão e Soma
I Utilizando a relação entre forças e deslocamentos:
ne ne ne
!
X X X
g= ATe ge = ATe Ke ue = ATe Ke Ae u = K u
e=1 e=1 e=1
I Logo, a matriz de rigidez global pode ser calculada como:
ne
X ne
X
K= ATe Ke Ae = Ke
e=1 e=1
I O termo Ke = ATe Ke Ae representa a expansão da matriz de rigidez
do elemento para o tamanho da estrutura.
I O somatório acima representa exatamente o processo de expansão e
soma.
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Montagem por Expansão e Soma
I Matriz ampliada do Elemento 1: K1 = AT1 K1 A1
10 k1 −k1 0
k1 −k 1 1 0 0
K1 = 0 1 = −k1 k1 0
−k1 k1 0 1 0
00 0 0 0
I Matriz ampliada do Elemento 2: K2 = AT2 K2 A2
00 0 0 0
k2 −k2 0 1 0
K2 = 1 0 = 0 k2 −k2
−k2 k2 0 0 1
01 0 −k2 k2
I Matriz de rigidez global:
k1 −k1 0
K = K1 + K2 = −k1 k1 + k2 −k2
0 −k2 k2
Exatamente as mesmas matrizes obtidas anteriormente!
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Montagem pelo Método Direto
I A expansão via matrizes de incidências não é utilizada na prática
devido ao alto custo computacional.
I O método da expansão e soma é ineficiente para estruturas reais:
I Utiliza muita memória (matrizes ampliadas).
I Realiza muitas somas desnecessárias (0s).
I A expansão e soma da matriz dos elementos pode ser realizada em
uma única etapa pelo Método Direto.
I Inicialmente, a matriz de rigidez global é zerada: K = 0.
I Em seguida, a matriz de cada elemento é adicionada à matriz global.
I A posição onde cada termo da matriz do elemento será adicionado é
determinada a correspondência direta entre os graus de liberdade do
elemento e da estrutura.
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Montagem pelo Método Direto
I Para o exemplo considerado, temos inicialmente:
000
K = 0 0 0
000
I Somando a contribuição do Elemento 1 obtemos:
1 2
k1 −k1 0
1 k1 −k1
K1 = ⇒ K = −k1 k1 0
2 −k1 k1
0 0 0
I Finalmente, somando a contribuição do Elemento 2:
2 3
k1 −k1 0
2 k2 −k2
K2 = ⇒ K = −k1 k1 + k2 −k2
3 −k2 k2
0 −k2 k2
I Chegamos à mesma matriz obtida anteriormente!
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Imposição das Condições de Contorno
I As equações de equilíbrio da estrutura são:
k1 −k1 0 u1 P1
−k1 k1 + k2 −k2 u2 = P2
0 −k2 k2 u3 R
I Contudo, este sistema não pode ser resolvido diretamente porque a
matriz K é singular:
I Verifica-se que soma de todas as linhas ou colunas é igual a zero.
I Assim, as linhas e colunas são linearmente dependentes (LD).
I Em consequência, |K| = 0.
I Fisicamente, a matriz de rigidez é singular porque os deslocamentos
de corpo rígido não foram restringidos:
I Deslocamentos nodais u1 = u2 = u3 6= 0 está associado a forças
internas nulas (g = 0).
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Imposição das Condições de Contorno
I Para remover a singularidade da matriz é necessário considerar os
apoios, impondo a condição de contorno u3 = 0.
I Isto pode ser feito eliminando a linha e a coluna correspondentes ao
deslocamento restringido, chegando a:
k1 −k1 u1 P1
=
−k1 k1 + k2 u2 P2
I Podemos verficar que |K| =
6 0 e que o sistema possui solução única.
I Após o cálculo dos deslocamentos, a reação de apoio pode ser
calculada utilizando a equação: R = −k2 u2 .
I Contudo, esta equação é desnecessária, pois a reação de apoio R é
simplesmente a força interna atuante no nó 2 do Elemento 2.
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Consideração dos Deslocamentos Livres
I O sistema de equações correspondente aos deslocamentos livres pode
ser obtido diretamente:
I Associamos todos os deslocamentos restringidos ao índice 0.
I Os deslocamentos livres são numerados sequencialmente 1, 2, . . . , ngl.
I Apenas os termos da matriz Ke associados a índices positivos são
adicionados à matriz global.
I Para a estrutura considerada:
A2
P1 A1 P2 R
L1 L2
Modelo Estrutural
3 nós
1 2 0 2 elementos
1 2 2 g.l.
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Consideração dos Deslocamentos Livres
I Neste caso ngl = 2. Assim, no início temos:
00
K=
00
I Adicionando a contribuição do Elemento 1:
1 2
1 k1 −k1 k1 −k1
K1 = ⇒ K=
2 −k1 k1 −k1 k1
I Adicionando a contribuição do Elemento 2:
2 0
2 k2 −k2 k1 −k1
K2 = ⇒ K=
0 −k2 k2 −k1 k1 + k2
I Mesma matriz obtida anteriormente!
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Consideração dos Deslocamentos Livres
I Este procedimento é computacionalmente eficiente e fácil de ser
programado.
I Utiliza matrizes menores.
I Evita a necessidade de eliminação de linhas e colunas.
I Pode ser aplicado a qualquer tipo de elemento.
I Reações de apoio devem ser calculadas a partir das forças internas.
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Exemplo Numérico - Deslocamentos
I Considerando E = 200 GPa, A1 = 1 cm2 , A2 = 2 cm2 , L1 = 2 m,
L2 = 1 m, P1 = 10 kN e P2 = 8 kN:
E A1 E A2
k1 = = 10000 kN/m k2 = = 40000 kN/m
L1 L2
I Equações de equilíbrio:
10000 −10000 u1 10
=
−10000 50000 u2 8
I Resolvendo o sistema de equações:
1.45
u= × 10−3 m
0.45
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Exemplo Numérico - Esforços Internos
I Forças nodais do Elemento 1:
10000 −10000 1.45 −3 10
g1 = K1 u1 = × 10 =
−10000 10000 0.45 −10
1 N1 = −10 2
10 10
1
I Forças nodais do Elemento 2:
40000 −40000 0.45 −3 18
g2 = K2 u2 = × 10 =
−40000 40000 0 −18
1 N 2 = −18 2
18 18
2
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Exemplo Numérico - Equilíbrio e Reações de Apoio
I As forças internas atuantes são:
10 18 18 = R
10
I Reação de apoio: R = −18 kN (corresponde à força interna no nó
restringido).
I Como a estrutura é isostática, podemos verificar facilmente que os
deslocamentos, esforços e reações obtidas são corretas.
I De fato, a solução obtida é “exata”, pois satisfaz tanto a
compatibilidade quanto o equilíbrio:
P
f1 = 10 kN, f2 = −10 + 18 = 8 kN, Fx = 0
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Exemplo 2 - Barra Hiperestática
I Vamos analisar agora uma barra fixa nas 2 extremidades:
2P P 2A
A
L L/2 L
0 1 2 0
1 2 3
I Logo, temos um sistema com apenas 2 graus de liberdade.
I O vetor de forças externas é dado por:
2P
f=
P
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Exemplo 2 - Barra Hiperestática
00
I Montagem da matriz de rigidez. Início: K =
00
I Contribuição do Elemento 1:
0 1
0 EA/L −EA/L EA 1 0
K1 = ⇒ K=
1 −EA/L EA/L L 00
I Contribuição do Elemento 2:
1 2
1 4EA/L −4EA/L EA 5 −4
K2 = ⇒ K=
2 −4EA/L 4EA/L L −4 4
I Contribuição do Elemento 3:
2 0
2 2EA/L −2EA/L EA 5 −4
K3 = ⇒ K=
0 −2EA/L 2EA/L L −4 6
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Exemplo 2 - Barra Hiperestática
I Cálculo dos deslocamentos: resolver K u = f
EA 5 −4 u1 2P u1 PL 16
= ⇒ =
L −4 6 u2 P u2 14EA 13
I Forças nodais do Elemento 1:
EA 1 −1 PL 0 −8P/7
g1 = K1 u1 = =
L −1 1 14EA 16 8P/7
8P 1 N1 = 8P / 7 2 8P
7 1 7
I Forças nodais do Elemento 2:
EA 4 −4 PL 16 6P/7
g2 = K2 u2 = =
L −4 4 14EA 13 −6P/7
6P 1 N 2 = −6P / 7 2 6P
7 2 7
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Exemplo 2 - Barra Hiperestática
I Forças nodais do Elemento 3:
EA 2 −2 PL 13 13P/7
g3 = K3 u3 = =
L −2 2 14EA 0 −13P/7
13P 1 N 2 = −13P / 7 2 13P
7 3 7
I Forças finais:
8P 6P 6P 13P
8P 7 7 7 7 13P
RA = = RB
7 1 2 3 7
I Solução “exata”, pois satisfaz compatibilidade e equilíbrio:
8P 6P 6P 13P X
f2 = + = 2P, f3 = − + = P, Fx = 0
7 7 7 7
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Exemplo 2 - Energia Potencial
I Outra forma de verificar que a solução é correta é resolver o problema
utilizando o Princípio da Energia Potencial Total Estacionária:
I “Entre todos os deslocamentos admissíveis de uma estrutura, os
correspondentes ao equilíbrio são os que tornam a energia potencial
total estacionária”.
I Sendo (Π) a energia potencial total:
∂Π
= 0, i = 1, . . . , ngl ⇒ Equilíbrio
∂ui
I Para a estrutura em questão:
Π=U+V
1 1 1
U = U1 + U2 + U3 = k1 u21 + k2 (u2 − u1 )2 + k3 u22
2 2 2
V = −P1 u1 − P2 u2
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Exemplo 2 - Energia Potencial
I Portanto, a energia potencial total é:
1 1 1
Π= k1 u21 + k2 (u2 − u1 )2 + k3 u22 − P1 u1 − P2 u2
2 2 2
I Equilíbrio:
∂Π
= k1 u1 + k2 (u1 − u2 ) − P1 = 0
∂u1
∂Π
= k2 (u2 − u1 ) + k3 u2 − P2 = 0
∂u2
I Escrevendo matricialmente:
k1 + k2 −k2 u1 P1
=
−k2 k2 + k3 u2 P2
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Exemplo 2 - Energia Potencial
I Considerando os dados do exemplo:
EA 4 EA 2 EA
k1 = , k2 = , k3 = , P1 = 2P e P2 = P
L L L
EA 5 −4 u1 2P
=
L −4 6 u2 P
Mesmo sistema obtido anteriormente!
I O extremo da energia potencial é um mínimo, pois a estrutura é
estável.
I Assim, na análise de estruturas lineares pelo MRD:
I A matriz de rigidez global é simétrica e positiva definida.
I O determinante e todos os autovalores são positivos.
I O sistema de equações é normalmente bem-condicionado.
I A solução do sistema pode ser feita por métodos convencionais, como
a Eliminação de Gauss.
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Ações Externas nos Elementos
I Nos exemplos anteriores foram consideradas apenas cargas
concentradas nodais:
I Estas cargas formavam o vetor de cargas externas f e entravam no
cálculo dos deslocamentos.
I O sistema de equações do MRD corresponde às equações de
equilíbrio dos nós.
I Logo, como considerar ações externas atuantes fora dos nós?
I Cargas distribuídas.
I Cargas concentradas nos elementos.
I Variação de temperatura.
I Como transformar as ações externas nos elementos em forças nodais?
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Ações Externas nos Elementos
I Reações de engastamento perfeito:
Carga distribuída
" qL %
q $− '
qL qL
f0 = $ 2 '
2 2 $− qL '
$# 2 '&
L
Variação de temperatura
# EAαΔT &
ΕΑαΔT ΔT ΕΑαΔT f0 = % (
$−EAαΔT '
L
I O vetor f0 corresponde às forças nodais que causam deslocamentos
exatamente opostos aos das ações nos elementos.
I Portanto, o vetor −f0 causa deslocamentos exatamente iguais às ações
nos elementos (daí o termo carregamento nodal equivalente).
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Ações Externas nos Elementos
I As forças e deslocamentos podem ser obtidos por superposição:
Forças nodais fN
(a) Deslocamentos u
Forças nodais f0
(b)
Deslocamentos u0 = 0
+
Forças nodais fN - f0
(c)
Deslocamentos u
I Considerando o equilíbrio da estrutura (c):
Ku = f ⇒ f = fN − f0
I Forças internas - superposição (a) = (b) + (c):
ge = fNe = f0e + (fNe − f0e ) ⇒ ge = f0e + Ke ue
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Exemplo 3 - Cargas Concentradas e Distribuídas
I Carga distribuída q = 4 kN/m e demais dados iguais ao Exemplo 1.
2A
P1 q A P2
2m 1m
Modelo Estrutural
1 2 0
1 2
I Matriz de rigidez e forças nodais idênticas ao Exemplo 1:
10000 −10000 10
K= fN =
−10000 50000 8
I A montagem do vetor das forças de engastamento perfeito (f0 ) pode
ser feita pelo método direto.
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Exemplo 3 - Forças de Engastamento Perfeito
I Inicialmente:
0
f0 =
0
I Somando a contribuição do Elemento 1 obtemos:
q L1 −1 1 −4 −4
f01 = = ⇒ f0 =
2 −1 2 −4 −4
I Finalmente, somando a contribuição do Elemento 2:
q L2 −1 2 −2 −4
f01 = = ⇒ f0 =
2 −1 0 −2 −6
I Vetor de cargas externas:
10 −4 14
f = fN − f0 = − ⇒ f=
8 −6 14
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Exemplo 3 - Deslocamentos e Forças Nodais
u 2.10
I Resolvendo K u = f ⇒ u= 1 = × 10−3 m
u2 0.70
I Forças nodais do Elemento 1:
−4 10000 −10000 u1 10
g1 = f01 + K1 u1 = + =
−4 −10000 10000 u2 −18
1 q = 4kN/m 2
10kN 18kN
1
I Forças nodais do Elemento 2:
−2 40000 −40000 u2 26
g2 = f02 + K2 u2 = + =
−2 −40000 40000 0 −30
1 q = 4kN/m 2
26kN 30kN
2
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Exemplo 3 - Esforços Internos
I Elemento 1:
1 q = 4kN/m 2
10kN 18kN
1
10 N1 = −g1 = −10kN
g1 = ⇒
−18 N2 = g2 = −18kN
I Elemento 2:
1 q = 4kN/m 2
26kN 30kN
2
26 N1 = −g1 = −26kN
g2 = ⇒
−30 N2 = g2 = −30kN
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Exemplo 3 - Esforços Internos
I Diagrama de força normal:
N (kN)
-10
-30
-18
-26
I Diagrama de força normal sem as forças de engastamento perfeito:
N (kN)
-14
-28
I Verificamos que a obtenção dos esforços exatos requer a
consideração das forças de engastamento perfeito.
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Exemplo 3 - Equilíbrio e Reações de Apoio
I As forças nodais e reações de apoio são:
4kN/m 4kN/m 30kN = R
10kN
18kN 26kN
I Solução obtida é “exata”, pois satisfaz tanto a compatibilidade quanto
o equilíbrio:
P
f1 = 10 kN, f2 = −18 + 26 = 8 kN, Fx = 0
I Variação de temperatura é considerada da mesma forma:
I Basta somar as forças de engastamento perfeito correspondentes.
I Exercício:
I Refazer este exemplo considerando as mesmas cargas e mais uma
variação de temperatura ∆T = 25 ◦ C, sendo α = 12 × 10−6 ◦ C−1 .
I Calcular os esforços com e sem as forças de engastamento perfeito.
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