AVE: déficit neurológico súbito, ou uma perda repentina da função neurológica, que
ocorre quando o fluxo sanguíneo para o encéfalo é interrompido.
● AVE isquêmico: ocorre quando um coágulo de sangue impede o fluxo sanguíneo,
privando o encéfalo de receber oxigênio e nutrientes. É o tipo mais comum. Pode
ocorrer devido a:
○ Trombo: coágulo de sangue que causa a isquemia ou oclusão arterial,
resultando em infarto cerebral ou morte tecidual;
○ Êmbolo: migração do trombo, este é liberado na corrente sanguínea e se
aloja em vasos sanguíneos cerebrais, causando oclusão e infarto;
○ Baixa perfusão sistêmica: insuficiência cardíaca ou hipotensão sistêmica –
grande perda de sangue.
● AVE hemorrágico: ocorre quando os vasos sanguíneos se rompem, causando
derramamento de sangue no interior ou ao redor do encéfalo. Resulta do rompimento
de um vaso ou de trauma. A hemorragia eleva a pressão intracraniana, causando
lesão dos tecidos cerebrais e diminuindo o fluxo sanguíneo distal. As hemorragias
podem ser:
○ Intracerebral sangramento no interior do encéfalo
○ Subaracnoidea sangramento devido ao aneurisma sacular ou em forma de
cereja em grandes vasos sanguíneos
○ Malformação arteriovenosa anormalidade congênita com um nó tortuoso em
artérias e veias, sendo que os vasos anormais sofrem dilatação com o tempo
e podem sangrar repentinamente, levando à morte em algumas horas.
Categorias:
● Etiológico: de acordo com a causa, como
trombose, êmbolo ou hemorragia.
● Território vascular: de acordo com a região
afetada, como por exemplo, a síndrome da
artéria cerebral anterior, média, posterior e
vertebrobasilar.
● Tratamento: ataque isquêmico transitório e AVE
(mínimo, importante, deteriorante e em jovem).
Sinais que podem indicar um possível ataque:
● Enfraquecimento repentino da face, braço ou perna (unilateral).
● Aparecimento repentino de confusão, alteração na fala e compreensão.
● Alteração repentina da visão.
● Alteração repentina do andar (tontura, desequilíbrio e incoordenação).
● Dores de cabeça repentinas graves e de causa desconhecida.
● Aparecimento repentino de náusea, febre e vômito diferente de quadros virais.
● Perda de consciência (desmaio, confusão, convulsão ou coma).
Quadro clínico e complicações do acidente vascular encefálico:
● Para serem classificados como AVE, os déficits neurológicos devem persistir por
pelo menos 24 horas e podem resolver-se espontaneamente, conforme o edema
diminui (3 semanas). Persistindo por mais de 3 semanas, podem se tornar
permanentes.
● Os principais acometimentos no acidente vascular encefálico são:
○ Sensibilidade: perda da sensibilidade superficial, profunda e propriocepção.
○ Dor (hiperalgesia): espasmos paroxísticos de dor disparados ao toque da
pele, barulhos e luzes.
○ Alterações visuais: perda da visão na metade contralateral de cada um dos
campos visuais (hemianopsia homônima).
○ Função motora: alteração do tônus, paresias, padrões anormais de sinergias,
alterações dos reflexos, da coordenação e da programação motora.
○ Tônus: início paralisia flácida e, posteriormente, espasticidade.
○ Paresia: fraqueza contralateral, causando hipotrofia e até atrofia muscular.
○ Padrões anormais de sinergias: movimentos estereotipados, com
incapacidade de realizar movimentos isolados.
○ Reflexos anormais: início de hiporreflexia com flacidez e, posteriormente,
hiperreflexia com espasticidade; reflexos de estiramento hiperativos; clônus;
sinal de canivete; sinal de Barbinski; e reflexos tônicos com o reflexo tônico
cervical assimétrico (RTCA).
○ Alteração da coordenação: ataxia sensorial, bradicinesia e movimentos
involuntários.
○ Alteração da programação motora: incapacidade de planejar e executar
movimentos coordenados.
○ Controle e equilíbrio postural: comprometimento da estabilidade estática,
dinâmica e simetria.
○ Fala, linguagem e deglutição: lesão do córtex do hemisfério dominante
(geralmente o esquerdo).
○ Afasia: comprometimento da compreensão, formulação e uso da linguagem.
■ Afasia de Wernicke: dificuldade de compreender a linguagem falada e
obedecer a comandos.
■ Afasia de Broca: fala lenta, vocabulário restrito, com boa
compreensão.
■ Afasia global: comprometimento na produção e compreensão da
linguagem.
○ Disartria: dificuldade de deglutir, mastigar, movimentar a mandíbula e a
língua, resultando em fala incompreensível.
○ Disfagia: dificuldade de deglutição.
○ Percepção: distúrbio de esquema corporal, imagem corporal e negligência
unilateral.
○ Agnosias: dificuldade de reconhecer as informações que chegam, apesar da
capacidade sensorial estar intacta.
○ Cognição: dificuldade de atenção, memória e pode apresentar delírios.
○ Estado mental: labilidade emocional, apatia, euforia e depressão.
○ Função de bexiga e intestino: incontinência urinária e fecal, diarreia,
constipação e impactação.
➢ Estágio 1 do AVE: Inicialmente, observa-se uma paralisia flácida que é substituída
por espasticidade, hiperreflexia e padrões de movimento em massa “sinergias”.
➢ Estágio 2 do AVE: sinergias a movimentos mínimos.
➢ Estágio 3 do AVE: sinergias fortes.
➢ Estágio 4: espasticidade diminui
➢ Estágio 5: espasticidade continua diminuindo e os movimentos começam a aparecer.
➢ Estágio 6: os movimentos são quase que normais.
● A flacidez ou a hipotonia observada imediatamente após o AVE ocorrem devido
aos efeitos primários do choque cerebral de curta duração, persistindo por alguns
dias ou semanas. Pode tornar-se persistente em um grupo pequeno de pacientes
com lesão restrita ao córtex motor primário e ao cerebelo.
● A espasticidade ou hipertonia ocorre em 90% dos casos no lado do corpo oposto à
lesão, mantendo um padrão postural típico no MS (punho cerrado, cotovelo
flexionado e posicionado contra o tórax) e no MI (flexão plantar com extensão de
joelho). Este posicionamento pode causar espasmos dolorosos, degeneração,
contrações fixas e dificuldade no ajuste postural, o que leva a desequilíbrios e
quedas.
➢ Hemiparesia direita: presença do déficit motor (plégico, parético, espástico, flácido,
rígido, distônico ou atáxico), afasias, apraxias e depressão.
➢ Hemiparesia esquerda: presença do déficit motor (plégico, parético, espástico,
flácido, rígido, distônico ou atáxico), fala e comportamentos liberados, falta de crítica,
diminuição da atenção, negligência e déficit de percepção.
Complicações:
● Musculoesqueléticas: limitação de amplitude de movimento, contraturas,
deformidades posturais, atrofia por desuso, osteoporose, quedas e fraturas.
● Neurológicas: convulsões e hidrocefalia (acúmulo de líquido na cavidade craniana).
● Cardiovasculares: tromboflebite, trombose venosa profunda e baixa função cardíaca.
● Pulmonares: baixa função pulmonar.
● Tegumentares: lesão por pressão.