RATOS
PERSONAGENS
RATO LINO (Pauli) - O mais consciente e responsável dos ratos, enxerga
apenas de um olho
RATA LURDES (Marina) - sempre bêbada e desiludida com a vida por causa
da escassez de alimentos
RATA RUTE (Morena) - mimada e imatura, sempre espera os alimentos
chegarem até ela
LíDER (Raio) - governador da cidade, tem um ódio mortal por ratos além de
trauma
CIENTISTA (Giovanni) - empregado do líder, ama ser cientista mas odeia o
patrão. Seu grande parceiro é o gato
GATO (Philipp) - o único que consegue se comunicar com o público, astuto e
mimado pelo seu pai cientista
RATAZANA (Lu) - a matriarca dos ratos, ama os filhos mas já está cansada
de viver só pra sustentar eles
MINISTRO (klaus)
HAMSTER VÂNIA (Bea)
1º ATO
CENA 1 - VELÓRIO
[HÁ UM CAIXÃO NO CENTRO DA SALA COM DONA RATA ZANA MORTA]
[OS RATOS ESTÃO EM VOLTA, MUITO ABALADOS E JOGANDO FLORES DE
VEZ EM QUANDO]
[O MINISTRO ESTÁ ATRÁS DO CAIXÃO E COMEÇA A LER UM VERSÍCULO]
MINISTRO - Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E é assim
que Dona Ratazana está neste momento, viva
RATA RUTE - Mas ela morreu..
MINISTRO - Viva em nossos corações…Dona Ratazana foi um exemplo de
rato, povoou toda essa cidade e nunca deixou nenhum de seus filhotes sem
alimento, quanta carne deliciosa ela trouxe. Sempre trazendo o do bom e do
melhor!!
RATA LURDES - Não era sempre não..
MINISTRO - Não era sempre, mas na maioria das vezes sim. De vez em
quando a comida faltava, problemas acontecem. Há dias que só
conseguimos alface, mas mesmo assim dona Ratazana não deixava ninguém
com fome.
RATARUTE - Mamãe. [CORRE EM DESESPERO PARA O CAIXÃO]
MINISTRO - Chegou a hora de fechar o caixão. Oremos antes que mais
alguém tente derrubar o caixão e para que ela tenha uma leve partida.
[DO MEIO DO PÚBLICO, APARECE O GATO]
GATO - Ai que chororô mais patético, que coisa chata. Imagina o quanto é
frustrante você sair de casa pra assistir um espetáculo que promete ser super
conceitual, no satyros e dar de cara com um velório de ratos. Quer o seu
dinheiro de volta amiga? [para o público] Que dinheiro? É pague quanto
puder, eu nem sei o quanto você enviou.
A história é a seguinte: Em uma tarde entediante de domingo, meu dono
estava enfurnado aqui embaixo no laboratório com as esquisitices dele e
eu estava sentadinho na minha cama, tomando banho e assistindo O diário
do vampiro, com uma bela tigela de leite de amêndoas e biscoitos Piraquê.
Quando de repente começamos a ouvir um [barulho imitando ratos], um
barulho insuportável lá no porão, lembrava o barulho de uma rata prenha
dando a luz a um monte de ratinhos pelados nojentinhos. Ai amiga [público],
agora você me diz: quem era a rata? e quem eram os ratinhos? Comecei a
contar a história agora e a coitada já morreu. Mas essa cena é a terceira,
apesar de ser a introdução do espetáculo. Vamos para a próxima cena que aí
vocês entendem o que aconteceu e vão poder me assistir atuando.
CENA 2 - ARMA BIOLÓGICA
[O CIENTISTA ESTÁ NO LABORATÓRIO FAZENDO EXPERIMENTOS]
[PERFORMANCE (QUE PAREÇA UMA DANÇA)]
[ENTRA O GATO E SE POSICIONA EM UM CANTO, O CIENTISTA JOGA
ALGUMA COISA PRO GATO COMER MAS ELE OLHA DESINTERESSADO]
[DEPOIS DE UM TEMPO, ENTRA O LÍDER E FICA ASSISTINDO O CIENTISTA,
QUE SE ASSUSTA COM A PRESENÇA]
LÍDER - Terminou a sua dancinha?
CIENTISTA - Terminei.
LÍDER - Pode voltar a trabalhar agora? Ou falta mais algum ritmo?
CIENTISTA - Não não, senhor. Eu já terminei de dançar, na verdade eu já
terminei o que o senhor me pediu, é por isso que eu estava dançando e
comemorando.
LÍDER - Então eu espero que funcione muito bem pra eu começar a dança
também..
CIENTISTA - Não entendi, o senhor quer dançar comigo?
LÍDER - Vai pegar logo a porra do experimento que eu não posso ficar muito
tempo aqui nesse lugar.
CIENTISTA - Claro! Está aqui.
LÍDER - Tem certeza que é isso mesmo? Do jeito que eu te pedi?
CIENTISTA - Do jeitinho que o senhor pediu, 100% eficaz. Talvez alguns
reclamem ou façam protesto, mas quando eles virem a cidade limpa vão
beijar os nossos pés.. os seus!
(O LÍDER FICA ALGUNS SEGUNDOS ADMIRANDO A SUBSTÂNCIA E DÁ
UM UIVO DE ALEGRIA)
LÍDER - Eu consegui! Finalmente a minha cidade vai ficar livre desse bando
de animais sujos e nojentos, eles desaparecerão todos de uma vez. As ruas
voltarão a ser limpas e o único bicho vivo e adorado será a minha cacatua. [O
GATO ESTÁ SE LAMBENDO E PARALISA NESSE INSTANTE] Você é
mesmo um gênio, eu sabia que podia confiar no seu trabalho.. agora crie em
grande quantidade. Mais tarde eu mando alguém vir aqui fazer o seu
pagamento.
CIENTISTA - E quanto eu vou ganhar mesmo?
LÍDER - Sei lá.. o suficiente. [sai]
[GATO OLHA PRO CIENTISTA COM AR DE REPROVAÇÃO]
CIENTISTA [desabafando para o gato] - Não me olha com essa cara
Frederico, você sabe que esse é o meu trabalho. ‘’Eu consegui’’, até parece
que ele conseguiu alguma coisa, passa o dia sentado naquela cadeira só
mandando nos outros enquanto eu estou aqui me matando dia e noite e não
recebo crédito nenhum. Eu consegui! Eu sou o gênio desse lugar! Ele não é
nada, eu sou. O papai não vai deixar ninguém te matar, tá bom? Depois que
esse louco limpar a cidade, nós vamos tirar férias lá em Ubatuba, 1 semana
comendo e torrando no Sol.. Agora vou tirar um cochilo.. se algum rato
aparecer você chama o papai..
GATO [para o público] - Ubatuba.. eu gosto! Vocês acham que eu vou ficar
aqui sentado, enquanto um maluco decide soltar uma arma biológica que
higieniza toda a cidade matando todos os animais de rua? Acertaram, vou
mesmo.
CENA 3 - DONA RATA ZANA
[DONA RATA ZANA ENTRA NO LABORATÓRIO PROCURANDO COMIDA]
GATO - Amiga eu já te falei que aqui no laboratório não tem comida..
RATA ZANA - Mas tem os seus biscoitos, cadê?
GATO - Se eu pegar você comendo os meus biscoitos Piraquê não vai
prestar. Vou fazer uma sopa com aquele bando de rato que você chama de
filhos.
RATA ZANA - Até parece que um gato fresco igual você vai comer sopa de
rato. Tu gosta de leitinho de soja, saladinha.. comida de gato mimado. [senta
cansada] procurei comida o dia todo e não achei nada, vou passar o meu
aniversário com fome e sem alimentar as minhas crias.
GATO - Hoje é o seu aniversário? Pois tome um biscoitinho pra você de
presente.
RATA ZANA (irônica) - Como você é fofo.. Ai acho que preciso de umas
férias, sabia? E esse suco aqui é o que? [olhando o experimento na mesa]
[RATA ZANA PEGA E DEMONSTRA QUERER BEBER]
CIENTISTA (uma lembrança) - Depois que esse louco limpar a cidade, nós
vamos tirar férias lá em Ubatuba, 1 semana comendo e torrando no Sol..
Agora vou tirar um cochilo.. se algum rato aparecer você chama o papai..
GATO - Para!! ..béns. [começa a cantar disfarçando pois decide não
interromper ela de beber] parabéns pra você, nessa data querida..
[DONA RATA ZANA BEBE E COMEÇA A SE SENTIR MUITO TONTA]
[O GATO SE ASSUSTA E SAI DE FININHO PRA CHAMAR O CIENTISTA]
[PERFORMANCE (AO FINAL ELA DESMAIA)]
[MÚSICA DE SUSPENSE PARA TROCAR DE CENÁRIO]
[RATOS COMEÇAM A APARECER NO ESPAÇO, DE FORMA
SORRATEIRA, PROCURANDO RESTOS NAS CAIXAS DE LIXO]
RATA RUTE - Nada de comer aí? Achei uma correntinha bem legal, vai ficar
bonita na Rata Zana…
RATO LINO - Procura comida, corrente é o de menos. Tem um pedação de
melância legal aqui!
RATA RUTE - Ai eu não aguento mais comer fruta, não vai saciar a minha
fome não..
RATO LINO - Mas não é pra você.. é o meu presente de aniversário.
RATO MINISTRO - Quem que dá melância de presente de aniversário?
RATO LINO - Quem que faz pregação de presente de aniversário?
RATO MINISTRO - Pois saiba que a mamãe vai adorar a pregação que eu
vou fazer pra ela hoje tá? Será sobre jejuar nesses tempos de crise.
RATA RUTE - Só tem jejum porque não tem comida mesmo, eu vou morrer
de fome se a rata zana não chegar logo..
RATO LINO - Deixa a mãe quieta rata Rute, tá na hora de você aprender a
caçar comida
RATA RUTE - Semana passada eu caçei um pão
RATO LINO - E comeu tudo sozinha
[ENTRA RATA LURDES]
RATA LURDES (bêbada) - Ela está certa, tem que comer tudo sozinha
mesmo. Já não tem comida na bosta dessa cidade e ainda tem que dividir
com um bando de rato.
RATO LINO - Ih voltou..
RATA LURDES - Quem?
RATA RUTE - Já está bêbada rata lurdes?
RATA LURDES - E em algum momento eu deixei de estar? Tenho é que
agradecer de pelo menos bebida eles deixarem por aí, alguém pensa em
mim..
RATA RUTE - Ah pensa sim, o dono do bar pensa muito em você..
RATA LINA - Eu achei um pedaço de melancia, quer um pouco?
RATA LURDES - E eu vou fazer o que com uma melancia? [ficam se
olhando esperando alguém falar alguma coisa]
[MÚSICA SOBRE VIDA DIFÍCIL DO RATO]
HAMSTER VÂNIA - Primos!! Oiii
RATA LURDES - Olha quem lembrou da parte pobre da família…
HAMSTER VÂNIA - Lembrei! Vim trazer um presente pra titia rata zana. Cadê
ela?
RATA RUTE - É comida? Eu entrego!
HAMSTER VÂNIA - Não, um vinho.
RATA LURDES - Eu entrego!
HAMSTER VÂNIA - Nossa rata lurdes, você continua alcoólatra?
RATA LURDES - Só ás terças, vai ali com o meu irmão pra você dar uns
raios, tempestade rs
[HAMSTER VÂNIA FICA SEM GRAÇA, E VAI ATÉ RATO LINO]
HAMSTER VÂNIA - Oi primos, tudo bem?
RATO MINISTRO - Prima vânia, lembrou dos pobres da família.. quer ouvir a
pregação que preparei pra hoje? Fala sobre jejum em tempos de crise.
HAMSTER VÂNIA - Jejum? Eu pensei que vocês não comiam por falta de
comida mesmo..
RATO MINISTRO - Eu vou ficar quieto pra não pecar no aniversário da
minha mãe.. [se afasta]
RATO LINO - Agora não, aqui está cheio..
HAMSTER VÂNIA - Mas todos seus irmãos sabem que você trafica..
RATO LINO - Olha..
[ENTRA O GATO, INTERROMPENDO A MÚSICA, EMPURRANDO UM
CARRINHO DE MÃO COM UM CORPO ENVOLTO EM UM LENÇOL]
GATO - Socorro!!! me ajudem!!! Socorro!!!
RATA LURDES - Quem convidou o gato?
RATA LINO - Ah não vem encher o saco agora não Frederico, estamos
preparando uma festa de aniversário pra rata zana..
GATO - É sobre isso mesmo, ela morreu!
RATA RUTE - Aham, Tabom..
[O GATO TIRA O LENÇOL E REVELA O CORPO MORTO DE RATA ZANA]
[OS RATOS SE CHOCAM E VÃO PRA CIMA DO CORPO PRA VER O QUE
ACONTECEU]
RATO LINO - O que aconteceu?
[O GATO LEMBRA O QUE ACONTECEU E CAI FORA SEM SE EXPLICAR]
HAMSTER VÂNIA - Parece que ela morreu..
RATA LURDES - Mas morreu do quê?
HAMSTER VÂNIA - Aposto que foi de fome..
RATA RUTE - Minha mãe não!
RATA LURDES - Agora que a gente não come mesmo..
RATO LINO - Isso não é hora rata lurdes
RATA LURDES - É sim, a mamãe já morreu e eu também aposto que foi de
fome, a próxima sou eu
RATA RUTE - A minha mãe não morreu
HAMSTER VÂNIA - Acho que morreu sim hein
RATO LINO - Mas que inferno e o que vai ser da gente agora? [se afasta]
HAMSTER VÂNIA (indo consolar) - Olha, meus pêsames pela sua mãe.
Você acha que agora é uma boa oportunidade praquilo lá?
RATA RUTE - A minha mãe não, minha mãe nããããão
[O GRITO DO LÍDER SINTONIZA COM O DA RATARUTE. ELE ENTRA
GRITANDO COM O CIENTISTA ENQUANTO COMEÇA CENA NO
LABORATÓRIO]
LÍDER - Nãããããoooo acredito! Como assim você perdeu? Como você é
burro! Faz idéia do tanto de tempo que eu dediquei pra esse experimento?
Quantas noites eu fiquei sem dormir sonhando com a limpeza dessa cidade?
[cientista: não dormiu e sonhou?] Você faz idéia do desespero que eu
estou pra acabar com esses ratos? Eu não aguento mais sentir o cheiro de
rato, nem ouvir ratos e nem alimentar esses ratos malditos.. [gato: não tem
nem comida]
CIENTISTA - CHEGA! Eu não perdi, alguém bebeu..
LÍDER - Quem bebeu? Foi esse gato estúpido?
GATO - Oi?
CIENTISTA - Não, foi um rato..
LÍDER - Rato? Que rato?
CIENTISTA - A mãe..
LÍDER - A mãe? A rata zana morreu?
[CIENTISTA AFIRMA POSITIVAMENTE COM A CABEÇA. O LÍDER
PENSA UM POUCO E DEPOIS DÁ UM UIVO DE ALEGRIA]
LÍDER [se recuperando] - Mas e o meu discurso? Está programado pra hoje
a tarde…
CIENTISTA - Ele ainda pode acontecer, o senhor diz que a arma biológica já
está na fase final e vai ser solta logo logo. Enquanto isso eu preparo o
experimento denovo, já sei como fazer mesmo..
LÍDER - Sim, faz sentido. Eu comunico eles da limpeza, mas não preciso dar
tantos detalhes. Volte então ao trabalho seu incompetente [empurra o
cientista que cai no chão] eu vou preparar um banho pra aparecer bonito no
vídeo.. você tem certeza que vai funcionar neles?
CIENTISTA - Tenho! A rata caiu estribuchada no chão, mortinha.. [ líder sai]
[O CIENTISTA FICA JOGADO NO CHÃO]
CIENTISTA - Frederico, pega o livro e vem ajudar o papai a fazer o
experimento de novo..
[O GATO FAZ NEGATIVO COM A CABEÇA. O CIENTISTA PISA FIRME
COM ELE E O GATO MIA COM RAIVA]
[O CIENTISTA COMEÇA A PEGAR ALGUNS INGREDIENTES E O GATO
APARECE COM O LIVRO]
CIENTISTA (conferindo) - Bicarbonato de sódio, chumbo,amônia,vinagre,
hortelã, limão..? Tinha limão na receita? [lendo] O limão é imprescindível na
preparação porque senão a morte não ocorrerá e o rato pode… [pergunta
apavorado pro gato] Eu coloquei limão no experimento?
[GATO BALANÇA A CABEÇA NEGATIVAMENTE]
[CIENTISTA OLHA APAVORADO PARA O PÚBLICO]
[VOLTA A CENA DO VELÓRIO DA RATAZANA]
MINISTRO - Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E é assim
que Dona Ratazana está neste momento, viva
RATALINA - Mas ela morreu..
MINISTRO - Viva em nossos corações…Dona Ratazana foi um exemplo de
rato, povoou toda essa cidade e nunca deixou nenhum de seus filhotes sem
alimento, quanta carne deliciosa ela trouxe. Sempre trazendo o do bom e do
melhor!!
RATO LINO - Não era sempre não..
MINISTRO - Não era sempre, mas na maioria das vezes sim. De vez em
quando a comida faltava, problemas acontecem. Há dias que só
conseguimos alface, mas mesmo assim dona Ratazana não deixava ninguém
com fome.
RATARUTE - Mamãe. [CORRE EM DESESPERO PARA O CAIXÃO]
MINISTRO - Chegou a hora de fechar o caixão. Oremos antes que mais
alguém tente derrubar o caixão e para que ela tenha uma leve partida.
[O CAIXÃO COMEÇA A TREMER]
[DONA RATAZANA SE CONTORCE E DE REPENTE LEVANTA UM DOS
BRAÇOS ESTIRADO]
GATO - Fim do 1º ato!! Vocês podem ir no banheiro, ir fumar um pouquinho lá
fora, ir no bar comprar alguma coisa de comer e beber ou postar os storys
que você fez e salvou no celular. Vai gente!!
[FIM DO 1º ATO]
2º ATO