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Antibioticoprofilaxia em Cirurgias

O artigo discute a importância da antibioticoprofilaxia cirúrgica para prevenir infecções no sítio cirúrgico, que são comuns e podem aumentar a mortalidade e a permanência na UTI. A profilaxia é indicada com base na classificação da ferida operatória e no tipo de cirurgia, utilizando diferentes antibióticos conforme o risco de infecção. A administração deve ser feita antes da incisão cirúrgica, com doses específicas dependendo da duração e complexidade do procedimento.

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Antibioticoprofilaxia em Cirurgias

O artigo discute a importância da antibioticoprofilaxia cirúrgica para prevenir infecções no sítio cirúrgico, que são comuns e podem aumentar a mortalidade e a permanência na UTI. A profilaxia é indicada com base na classificação da ferida operatória e no tipo de cirurgia, utilizando diferentes antibióticos conforme o risco de infecção. A administração deve ser feita antes da incisão cirúrgica, com doses específicas dependendo da duração e complexidade do procedimento.

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Fundação Técnico Educacional Souza Marques

Escola de Medicina

Resumo do artigo: Antibioticoprofilaxia cirúrgica

Iniciação a Prática Cirúrgica

Turma: 132

Alunos:

Bruna Ramos Lopes

Jade Assis Araújo

Professores:

Andrei Costa

Paula César Fructuoso

Rio de Janeiro, 08 de abril de 2020

O artigo aborda sobre infecções que ocorrem no sítio cirúrgico, que poderiam ser
evitadas com o uso da antibioticoprofilaxia. Tais infecções são muito frequentes após
cirurgias, visto que corresponde cerca de 15% de todas as infecções relacionadas a área
da saúde e 37% das infecções ocorrem em pacientes cirúrgicos adquiridas em hospital.
Além disso, estes infectados têm duas vezes mais chances de ir a óbito, assim como um
prolongamento do tempo dentro da UTI e de ser readmitido após a alta.

Foi observada a presença de certas bactérias da flora bacteriana como:


Staphylococcus aureus, estafilococo coagulase negativo, estreptococo hemolítico nas
cirurgias limpas, de cabeça e pescoço e abaixo do diafragma, podendo causar posteriores
infecções.

A indicação normalmente é feita de acordo com a classificação da ferida operatória.


Deve ser avaliado o tipo de cirurgia, condições do paciente, risco de ISC e, se esta ocorrer,
qual a sua gravidade.

Em relação ao grau de contaminação, é necessário observar o tipo de cirurgia


realizada:

 Cirurgias limpas- na maioria das vezes são de forma eletiva, realizadas em


tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, além de possuírem ausência
de processo infeccioso ou inflamatório local ou falhas técnicas. Possuem um
percentual de infecção < 5%. Exemplo: cirurgia cardíaca.
o Antibióticos mais usados: cefazolina (1ª escolha) e clindamicina como
esquema alternativo.

 Cirurgias potencialmente contaminadas- realizadas em tecidos com pouca flora


microbiana ou em área de difícil descontaminação. Foi visto também que são
feitas em regiões com ausência de supuração. Possuem um percentual de
infecção de 8% a 15%. Exemplo: cirurgia gastroduodenal.
o Antibióticos mais usados: clindamicina + gentamicina (1ª escolha).

 Cirurgias contaminadas- realizadas em tecidos colonizados por flora bacteriana


abundante ou inflamados e, de difícil descontaminação. Possuem um percentual
de infecção de 15% a 20%. Exemplo: cirurgia de cólon.
o Antibióticos mais usados: clindamicina + gentamicina (1ª escolha).

 Cirurgias infectadas- são realizadas em qualquer tecido que apresente


supuração local, vísceras perfuradas feridas traumáticas com mais de 6 horas de
evolução. Possuem um percentual de infecção de >50%.

Antibioticoprofilaxia cirúrgica
Este tipo de profilaxia é indicado para cirurgias com elevadas taxa de infecção ou
com morbi-mortalidade elevada, já que podem reduzir a mortalidade e o custo hospitalar e
o consumo total de antibióticos. No entanto, não são recomendadas em casos onde não há
comprovação de efetividade clínica, evitando o consumo de antibióticos com pouco
benefício clínico.

Vale ressaltar que os antibióticos utilizados devem ser de espectro de ação reduzido
e nesses casos, os portadores de bactérias multirresistentes é necessário ter uma
avaliação prévia do SCIH quanto a necessidade de antibioticoprofilaxia cirúrgica especial,
com drogas apropriadas e descolonização previa. Em casos de alergia a beta-lactâmicos é
recomendado o uso da clindamicina (nas cirurgias abdominais pode ser substituída por
metronidazol) e vancomicina em situações específicas.

A administração deve ser por via venosa e deve estar finalizada até 30 minutos
antes da incisão cirurgia, com exceção da vancomicina (60 a 120 minutos). Em relação as
doses utilizadas, na maioria das vezes é de aplicação única. Porém, se a cirurgia
ultrapassar mais de 4 horas e o antibiótico usado seja a cefazolina ou se houver grande
perda de sangue é preciso doses adicionais do antibiótico.

Antibióticos mais usados para cada sistema:

 Sistema digestório:
 Cirurgia gastro-intestinal alta
o Esôfago, gastro-duodeno, gastrostomia percutânea endoscópica,
“BYPASS” gástrico e cirurgia do intestino delgado: cefazolina (1ªescolha) e
clindamicina, gentamicina ou metronidazol como esquema alternativo.

 Cirurgia hepato-biliar:
o Ducto biliar e vesícula biliar aberta: cefazolina (1ª escolha) e metronidazol
ou clindamicina + gentamicina como esquema alternativo.
o Pâncreas e fígado: cefazolina (1ª escolha) e clindamicina + gentamicina
como esquema alternativo.
o Vesícula biliar videolaparoscópica- deve ser considerada em pacientes de
alto risco: cefazolina (1ª escolha) e metronidazol ou clindamicina +
gentamicina como primeira escolha.

 Cirurgia gastro-intestinal baixa:


o Apendicectomia: cefazolina + metronidazol (1ª escolha) e clindamicina +
gentamicina como esquema alternativo.
o Cirurgia colo-retal: metronidazol + gentamicina (1ª escolha) e clindamicina +
gentamicina como esquema alternativo.
 Cirurgia abdominal:
o Abdominal com tela (aberta ou laparoscópica): cefazolina (1ª escolha) e
clindamicina como esquema alternativo.
o Abdominal com tela (aberta ou laparoscópica) deve ser considerada em
pacientes de alto risco: cefazolina (1ª escolha) e clindamicna como
esquema alternativo.
o Trauma abdominal com perfuração: metronidazol ou clindamicina +
gentamicina (1ª escolha) e amoxicilina/clavulanato como esquema
alternativo.
o Procedimentos endoscópicos terapêuticos (colangiopancretografia
retrógrada endoscópica) para procedimentos de alto risco: cefazolina (1ª
escolha) e metronidazol ou clindamicina + gentamicina como escolha
alternativa.
o Esplenectomia (deve ser considerada em imunossuprimidos): cefazolina (1ª
escolha) e clindamicina + gentamicina como esquema alternativo.

 Sistema reprodutor
 Cirurgia ginecológica
o Cesariana, perineoplastia e Parto vaginal assistido (fórceps): cefazolina (1ª
escolha) e clindamicina como esquema alternativo.
o Histerectomia abdominal ou vaginal e Laceração prerineal: cefazolina (1ª
escolha) e clindamicina + gentamicina como esquema alternativo.
o Neovagina: cefazolina + metronidazol (1ª escolha) e clindamicina +
gentamicina como esquema alternativo.
o Aborto induzido e remoção manual de placenta (recomendada em pacientes
com infecção por clamídia e/ou gonorreia: cefazolina + metronidazol (1ª
escolha) e doxiciclina como esquema alternativo.
o Evacuação de aborto incompleto (aborto no 2º trimestre): doxiciclina (1ª
escolha) e cefazolina como esquema alternativo.

 Sistema Respiratório
 Cirurgia torácica
o Ressecção pulmonar e procedimentos endoscópicos terapêuticos (deve ser
considerada em procedimento de alto risco): cefazolina (1ª escolha) e
clindamicina como esquema alternativo.
o Traqueoplastia: clindamicina + gentamicina (1ª escolha)

 Sistema linfático
 Cirurgia de mama
o Câncer de mama, mamoplastia e mamoplastia com implante/ prótese:
cefazolina (1ª escolha) e clindamicina como esquema alternativo.

 Sistema urinário e reprodutor masculino


 Cirurgia-urogenital
o Nefrectomia (deve ser considerado em pacientes de alto risco): cefazolina
(1ª escolha) e clindamicina + gentamicina como esquema alternativo.
o Ressecção transuretral da próstata, biópsia prostática transretal, litotripsia
por ondas de choque e nefrolitotomia percutânea (recomendada para
paciente com cálculo > 20mm ou com dilatação pielocalicial), remoção/
fragmentação de cálculo uretral via endoscópica e cistectomia radical:
ciprofloxacin (1ª escolha).
o Orquiectomia (deve ser considerada em câncer): cefazolina (1ª escolha) e
clindamicina como esquema alternativo.
o Hipospadia (deve ser considerada ser for utilizado cateter urinário, injetável
antes do procedimento e oral até a remoção do cateter): sulfametoxazol/
trimetropim (1ª escolha) e ciprofloxacin como esquema alternativo.

 Sistema locomotor
 Cirurgia ortopédica
o Cirurgia ortopédica em geral, procedimento cirúrgico em fratura fechada,
fratura de quadril, artroplastia e laminectomia/ fusão vertebral (indicação de
antibioticoprofilaxia cirúrgica controversa): cefazolina (1ª escolha) e
clindamicina como esquema alternativo.
o Fratura exposta grau I e amputação de membros: cefazolina (1ª escolha) e
clindamicina + gentamicina como esquema alternativo
o Fratura exposta grau II e grau III: cefazolina + gentamicina + metronidazol
(deve ser associado nas fraturas expostas que ocorreram em ambiente rual,
com sujeira grosseira ou nos casos duvidosos de profilaxia antitetânica
prévia) (1ª escolha) e clindamicina + gentamicina + metronidazol como
esquema alternativo.

 Sistema nervoso
 Cirurgia neurológica
o Craniotomia, derivação licótica, cirurgia de coluna: cefazolina (1ª escolha) e
clindamicina como esquema alternativo.

 Sistema esquelético
 Cirurgia facial
o Redução aberta e fixação interna de fratura mandibular, cirurgia plástica
facial com implante e fratura de nariz, face, mandíbula, sem penetração de
mucosa: cefazolina (1ª escolha) e clindamicina como esquema alternativo.
o Fratura de nariz, face, mandíbula, com penetração de mucosa: clindamicina
+ gentamicina (1ª escolha).
o Enxertos ósseos intra-orais e ortognatismo: clindamicina (1ª escolha).

 Sistema sensorial
 Cirurgia otorrinolaringológica
o Septo-rinoplastia complexa (incluindo enxerto) e fenda palatina: cefazolina
(1ª escolha) e clindamicina como esquema alternativo.

 Sistema tegumentar
 Cirurgia de cabeça, pescoço e tireoide
o Cirurgias limpas, patologias malignas, dissecção de pescoço: cefazolina (1ª
escolha) e clindamicina como esquema alternativo.
o Cirurgias contaminadas/ potencialmente contaminadas: clindamicina +
gentamicina (1ª escolha).

 Sistema cardiovascular
 Cirurgia cardíaca
o Cirurgia cardíaca aberta e inserção de marcapasso cardíaco (em setores
com alta prevalência de MRSA/ MRSE devem ser considerado o uso de
vancomicina): cefazolina (1ª escolha) e clindamicina como esquema
alternativo.

 Sistema circulatório
 Cirurgia vascular
o Reconstrução arterial (abdominal ou membros inferiores: cefazolina (1ª
escolha) e clindamicina + gentamicina como esquema alternativo.

 Sistema tegumentar
 Cirurgia plástica
o Enxertos cutâneos: cefazolina (1ª escolha) e clindamicina como escolha
alternativa.

 Sistema sensorial
 Cirurgia oftalmológica
o Catarata: tobramicina ougentamicina ou ciprofloxacin ou ofloxacim (1ª
escolha) e cefuroxime como esquema alternativo.
o Cirurgia lacrimal, enxerto corneano, glaucoma: tobramicina ou gentamicina
ou ciprofloxacin ou ofloxacim (1ª escolha)
o Perfuração do olho: vancomicina ou ceftazidime (1ª escolha) e gentamicina
+ clindamicina como esquema alternativo.

 Outras
o Procedimentos potencialmente contaminados (sem evidencia científica
disponível): antibiótico de 1ª escolha depende do sitio cirúrgico.
o Inserção de prótese ou implante (sem evidencia científica disponível):
cefazolina (1ª escolha) e clindamicina como esquema alternativo.

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