HAS
Definição: Aumento dos níveis pressóricos, igual ou acima de 140x90mmhg, passível de
complicações sistêmicas, sobretudo cardiovasculares a médio e longo prazo, que são
minimizadas com uso de medicação especifica, impactando positivamente a qualidade de vida
do paciente.
A HAS é mais comum e mais grave em pacientes negros. Acredita-se que o estrogênio seja um
fator protetor para a HAS, o que justifica a incidência maior em mulheres em relação aos
homens no período pós-menopausa e vice-versa.
Fórmula: PA= DCxRVP débito cardíaco – resistência vascular periférica
O diagnóstico de hipertensão arterial é clinico e feito através da media entre 2 aferições da PA
no ambulatório com valores iguais ou acima de 140x90.
Valores atuais MAPA/MRPA – são consideradas anormais as médias de PA de 24 horas no
MAPA ≥ 130/80 mmhg, vigília ≥ 135/85mmhg e sono ≥ 120/70mmhg. Já no MRPA são
consideradas anormais ≥ 130/85mmhg.
Metas de pressão arterial da terapia Anti-hipertensiva
Pctes sem outras comorbidades: níveis pressóricos < 140/90mmhg
Diabéticos, cardiopatas, doença renal crônica: níveis menores que 130/80mmhg.
Pctes com proteinuria > 1g/dia: níveis menores que 120 mmhg
Pctes acima 80 anos: níveis menores que 150mmhg
Complicações da HAS
Nefropatia hipertensiva
Cardiopatia hipertensiva
Retinopatia hipertensiva
Ave/Avc
Urgência e emergência hipertensiva
Urgência Hipertensiva (sem lesão de órgão alvo)
PAD >120 + estabilidade clínica
Ausência de lesão de órgão alvo aguda ou progressiva
Tto com combinação medicamentosa oral
Sem risco imediato de morte
Acompanhamento ambulatorial precoce
Obs: captopril, clonidina e betabloqueadores são os anti-hipertensivos orais
usados para reduzir gradualmente a PA em 24 a 48 hrs. Nifedipino gotas não
deve ser usado pois pode causar isquemia tecidual
Emergência Hipertensiva (com lesão de órgão alvo)
PAD >120 + estabilidade clínica
Presença de lesão de órgão alvo aguda ou progressiva
Tto com medicação parenteral
Risco iminente de morte
Internação em UTI
O tto dos pctes com EH visa redução rápida da PA, com finalidade de impedir a
progressão das lesões em órgão alvo.
Pctes devem ser admitidos em UTI, usar anti-hipertensivos IV e ser
monitorados cuidadosamente durante a terapia para evitar hipotensão. As
recomendações gerais de redução da PA para EH devem ser: -diminuição da
PA em pelo menos 25% na 1º hora. – PA 160/100-110 em 2 a 6 horas. – PA
135/85 em 24 a 48 hrs.
Lesão em órgão alvo: encefalopatia hipertensiva, hemorragia intracerebral,
hemorragia subaracnoide, ave isquêmico, IAM, dissecção aguda aorta, angina instável,
crises adrenérgicas, excesso drogas ilícitas, eclampsia, síndrome HELLP e edema agudo
de pulmão.
Tratamento HAS
Medidas gerais - reduzir óbitos e morbidade associada as complicações.
Atividade física regular
Perda de peso
Restrição na ingesta diária de sódio
Abolir o tabagismo
Fatores dietéticos
Álcool
Tratamento Medicamentoso
Indicado aos pctes com HAS estagio 2 e acima. As metas pressóricas são: - Alto risco
cardiovascular: PA< 130x80. - Baixo/Intermediário risco cardiovascular: PA< 140/90.
Drogas:
Inibidores da enzima conversora da angiotensina (-pril)
Os IECA, como são chamados, promovem a vasodilatação arterial e venosa
periférica a custa do bloqueio da angiotensina 2, manutenção dos níveis de
bradicinina, que promovem a vasodilatação, e o importante fator de proteção do
miocárdio, impedindo o fenômeno de remodelamento e nefroproteção, devido a
diminuição do hiperfluxo e da hiperfiltração glomerular, desta forma, prevenindo a
destruição dos nefrons. O resultado da ação desse medicamento é a diminuição da
resistência vascular periférica com consequente diminuição do retorno venoso.
Indicações: pctes hipertensos associados a nefropatia, diabetes, insuficiência
cardíaca congestiva, síndrome coronariana.
Contraindicações: gravidez (risco de malformação),histórico de tosse ou reações
alérgicas associadas ao uso de medicação, estenose de artéria bilateral em rim
único, hiperpotassemia.
Efeitos colaterais: tosse seca, reações alérgicas com ou sem broncoespasmo e
angioedema, hiperpotassemia, pancreatite, insuficiência renal dialítica.
Bloqueadores dos receptores da angiotensina II (-sartan)
Inibem o receptor AT1 presente na túnica muscular dos vasos periféricos,
promovendo vasodilatação arterial e venosa, diminuindo a resistência vascular
periférica e, consequentemente o retorno venoso. Não ocorre reações alérgicas
como tosse seca, broncoespasmo e angioedema, pois não há ativação da
bradicinina com o uso de antagonistas da angiotensina II.
Indicações: as mesmas dos IECA, com uma vantagem, pctes com hiperuricemia e
gota podem utilizar essas drogas sem contraindicações.
Contraindicações: as mesmas dos IECA, porem sem reações alérgicas.
Antagonistas do canal de cálcio (-dipina, verapamil, diltiazem)
Essas drogas agem bloqueando o canal de cálcio presente na musculatura lisa
vascular, gerando vasodilatação, com consequente diminuição da resistência
vascularperiferica (-dipinas ou diidropiridinas) ou agem sobre o coração,
diminuindo a força (inotropismo), a frequência (cronotropismo), e a velocidade de
condução do estimulo elétrico (dromotropismo)(verapamil e diltiazem).
Promovem a redução da morbimortalidade cardiovascular, diminuem a MVO2 e
são uteis na síndrome coronariana aguda.
Efeitos colaterais: edema parimaleolar, cefaleia e rubor facial. Verapamil-
constipação. Diltiazem- bradiarritmia, edema mmii, cefaleia.
Contraindicações: bloqueio cardíaco - verapamil, diltiazem.
Diuréticos tiazidicos (-hidroclorotiazida, -clortalidona, -indapamida)
Os diuréticos tiazidicos inibem a reabsorção de sal e agua no túbulo contorcido
proximal com consequente perda de cerca de 10% da volemia, e, após 4 a 6
semanas, ocorre redução da resistência vascular periférica, que é adequado para o
melhor controle da PA. São indicados como terapia isolada em hipertensos leves
(estagio 1) e em combinação com outras classes em casos moderados a graves
(estagio 2).
Efeitos colaterais: hipopotassemia (clortalidona), hiponatremia, hipomagnesemia,
hipovolemia, hiperuricemia, hiperglicemia e dislipidemia.
Contraindicações: histórico pregresso de hiperuricemia ou gota. Pctes portadores
de hiperparatireoidismo. Por outro lado, são bem tolerados por pctes com
osteopenia e osteoporose.
Diuréticos de alça (-furosemida, -piretanida, -bumetanida)
Agem inibindo a bomba Na-K-2Cl na porção espessa da parte ascendente da alça
de henle. Possuem uma atividade diurética mais longa e sua primeira ação é a
venodilatação seguido pelo aumento da diurese com perda de volemia superior ao
diurético tiazidico. São indicados em casos de pacientes portadores de
insuficiência cardíaca congestiva, em pctes renais crônicos, em casos de crise
hipertensiva e em hepatopatas.
Efeitos colaterais: aumento da excreção urinaria de cálcio.
Contraindicações: pctes portadores de urolitiase e hipercalcemia.
Diuréticos poupadores de potássio (-espironolactona)
Atuam promovendo perda de sódio renal ao bloquear o efeito dos
mineralocorticoides, são eficazes em pctes com elevação desses –
hiperaldosteronismo 1º e 2º. Podem ser utilizados como terapia adjuvante aos
tiadizicos, aumentando eficácia e diminuindo a hipocalemia, principalmente na
presença de hipertensão resistente, como 4º droga anti-hipertensiva.
Contraindicações: pctes com insuficiência renal – hipercalemia e ginecomastia.
Betabloqueadores (-olol)
O bloqueio do receptor beta1 adrenergicos no coração gerado por essas
medicações levam a diminuição do crono e inotropismo, levando a diminuição do
debito cardíaco. Com isso, diminui a MVO2 com consequente proteção do
miocárdio, além de prevenir o desenvolvimento de arritmias. Diminui a produção
de renina, inibindo a retenção de sódio e agua, diminuindo a PA.
Essa droga deve ser considerada 1º linha para tto da HAS apenas nos casos de
arritmias, enxaqueca, insuficiência cardíaca ou coronariopatia, devendo ser
associado a outros fármacos. O atenolol deve ser evitado como terapia anti-
hipertensiva.
Podem ser utilizados em gestantes, os mais indicados: metoprolol, pindolol,
labetalol.
Efeitos colaterais: broncoespasmo pelo bloqueio do receptor β2 – propranolol,
nadolol. Podem ocasionar depressão do humor, insônia e pesadelos – propranolol,
metoprolol, bisoprolol. Se usados na gestação, 1º trimestre, podem acarretar
retardo no crescimento fetal.
Contraindicações: bradiarritmia (BAV 2º), glaucoma de ângulo fechado, angina de
Prinzmetal, anfetaminas, cocaína. Diminuição da secreção pancreática de insulina,
diabéticos tipo 1, com a inibição simpática gerada pelo uso da droga, o pcte pode
passar despercebido a uma hipoglicemia de jejum.
Alfa-bloqueadores (-prazosina, -doxazosina, -terazosina)
O principal efeito dessa classe é o relaxamento da musculatura lisa presente nos
vasos, diminuindo a resistência vascular periférica e o retorno venoso ao coração.
Reservado para situações especificas – portadores de feocromocitoma e
hiperplasia prostática benigna.
Efeito colateral: hipotensão postural, sobretudo no inicio do tto.
Alfa-agonistas centrais (-alfa-metildopa, -clonidina)
Agem sobre os receptores α2a, receptores imidazolínicos, localizados no snc.
Ocorre inibição adrenérgica, com consequente diminuição da RVP e DC,
diminuindo a PA.
Agonistas imidazolínicos: clonidina e moxonidina
Agonistas α2: clonidina e alfametildopa
Em casos de doença hipertensiva especifica da gravidez a alfametildopa é a
principal droga de escolha, por possuir um efeito vasodilatador mascante nos
vasos da placenta sem gerar efeitos colaterais importantes para a mae e o bebe.
Efeitos colaterais: hipotensão postural, sedação, boca seca. Não suspender a
abruptamente a droga, pois há risco de hipertensão rebote, que pode ou não estar
associada a outros sinais de hiperativação adrenérgica. Sobretudo em relação a
clonidina.
Quando iniciar o tratamento medicamentoso?
Individuo com PA estagio 1 e risco cardiovascular baixo e moderado, quando as
medidas não farmacológicas não surtirem efeito após 90 dias. HAS estagio 2 e 3,
independente do risco CV, o tto medicamentoso deve ser iniciado. OBS: em
questão com hipertenso estagio 1 e risco CV baixo ou moderado, procure um
diurético tiazidico como droga inicial.