Palavras-chave: quiabo, mucilagem, pó, água e tratamento.
Resumo: Neste trabalho, foi avaliada a possibilidade e eficiência da utilização da
mucilagem do quiabo com o intuito de promover, por meio de um polímero orgânico, a
purificação da água, fazendo uso, no processo, do sulfato de alumínio, floculante químico
empregado no processo de tratamento de água convencional, e óxido de cálcio,
neutralizante químico, responsável pela regulação phmetrâmera da solução formada, cujo
uso foi associado, após o emprego desses reagentes, a um filtro PVC de poli-camadas
caseiro, junto a uma estação de condensação de água de igual origem. A mucilagem do
quiabo, de caráter aniônico, extraída de seu fruto maduro, concomitante ao sal sulfato
alumínio de mesmo caráter, agiram - ambos - na água proveniente do córrego presente aos
fundos do colégio, de modo visivelmente favorável. A eficiência foi calculada com base na
realização de testes de qualificação como o ColiLert, o teste de turbidez, a determinação do
odor, a determinação da presença de resíduos sólido-visuais e a eficácia floculante e
coagulante dos agentes na solução, que se sucedeu mediante adoção de parâmetros
comparativos entre os testes realizados e o tratamento convencional. O sucesso do efeito
coagulante e floculante do quiabo, obtido quando este foi alçado com auxílio de uma
estação de condensação de água caseira e um filtro de poli-camadas artesanal, foi
determinante para a efetivação de seu sucesso e aplicabilidade sustentável. Dessa forma,
foi possível fundamentar o projeto, a fim de promover a difusão de sua serventia e êxito
para o uso doméstico em comunidades vulneráveis como forma alternativa de obtenção de
água limpa tratada.
Introdução
A água apresenta-se de forma impura na natureza, em virtude disso, houve a necessidade
de elaboração de um processo que extraísse da água resíduos de origem química e
patológicas, a fim de torná-la apta ao consumo, surgindo, assim, o atual sistema de
tratamento da água, o qual baseia-se no emprego de processos de coagulação, filtração,
decantação, floculação e desinfecção para determinação de sua potabilidade (Schneider e
Tsutiya, 2001).
Para a concretização das etapas supracitadas, a partir da captação da água, efetua-se a
coagulação, consumada mediante a adição de sulfato de alumínio (Al2(SO4)3), o qual
promove a formação de flocos, atuando na junção de partículas suspensas no líquido, com
a supressão da turbidez existente na água (Piantá, 2008). Na prossecução do tratamento,
ocorre a agitação das partículas sólidas do produto formado na etapa anteposta e sua
respectiva aglutinação. Isto posto, decorre a decantação, com a deposição dos sedimentos
de maior densidade ao fundo do recipiente que contém a amostra com a água,
seguidamente da filtração, por intermédio da retenção de micropartículas e microrganismos
remanescentes no processo. Diante disso, ministra-se óxido de cálcio, atuante como
regulador do pH, no processo, resultando, desse modo, no tratamento da água
convencional (BERNARDO, 1999).
No entanto, mesmo eficaz, o tratamento convencional pode se revelar inócuo à saúde dos
seus consumidores, haja vista que para sua efetivação, usa-se compostos químicos
danosos ao organismo humano, tal qual o polímero poliacrilato de sódio-coacrilamida, cuja
função - como um sólido cristalino de coloração branca - situa-se na remoção de partículas
dissolvidas no substrato da porção abaxial do curso hídrico, exercendo um papel auxiliar à
floculação, concomitante ao sulfato de alumínio.
Nesse contexto analítico, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) - França,
1994 (NERI,2004); determinou que esse composto possui rápida difusão no organismo
humano, revelando-se proficiente como um antígeno, devido à neurotoxicidade do químico,
o qual, mediante recorrente uso, pode ocasionar uma degeneração progressiva dos axônios
do sistema nervoso central (SNC), culminando em ataxia - perda do controle voluntário da
musculatura. Ademais, em sua pesquisa, o polímero revelou grande influência
carcinogênica nos animais, induzindo a neoplasias, na forma de carcinomas e adenomas
pelo organismo, sendo classificado pela IARC, como um possível carcinógeno humano,
tendo atuação também reprodutiva, com a redução da fertilidade nos indivíduos e
adulteração cromossômica no crossing-over, através da transcorrência de mutações.
Diante do exposto, de modo a promover a minimização do uso do referido composto, bem
como conferir a redução de sulfato de alumínio, realizamos experimentos com a aplicação
do Abelmoschus esculentus, popularmente conhecido como quiabo, na forma de
mucilagem, substância coloidal constituída por polissacarídeos, que se apresentam na
forma de polissacarídeos aniônicos (LIMA, 2007), o qual quando associado a uma reduzida
concentração de sulfato de alumínio em cerca de 50% inferior à empregada no tratamento
convencional, que se insere, segundo o art. 16 - cuja resolução refere-se à demarcação dos
níveis aceitáveis de sulfato de alumínio na água - na concentração de 0,2 mg/L (BRASIL,
2005a).
Desse modo, visando a sustentabilidade e a qualificação do consumo de água humana,
mediante o emprego de um processo simples e de baixa requisição financeira, foi investida
pesquisas e experimentos, visando a adoção da aplicabilidade do quiabo como floculante,
em especial pelo seu sucesso e pela sustentabilidade de seu uso na efetivação do projeto.
Metodologia
Para a realização dos testes foram utilizados e trazidos ao laboratório amostras de quiabo,
na sua forma fresca e madura, sob o viés de determinação de sua forma mais aplicável e
rentável no processo. O quiabo manteve-se refrigerado após o uso, sendo ele utilizado na
sua forma de mucilagem, em consonância a amostras de água residual coletada do córrego
do colégio, com o intuito de padronizar os testes e condicioná-los a mesma variável.
Para a realização dos testes, foram desenvolvidos e determinados os seguintes
procedimentos: Procedimento 1 (P1): formação da mucilagem a partir do quiabo em
diferentes configurações de maturação. Para sua preparação, o quiabo foi cortado
transversalmente e posteriormente colocado no liquidificador junto com água, essa mistura
resultou na mucilagem particulada do fruto, a qual, passando por uma peneira fina, formou o
líquido viscoso da mucilagem; Procedimento 2 (P2): formação do quiabo pulverizado
através da ministração calorífica na estufa de secagem. Para essa realização, o quiabo
permaneceu inoculado na estufa, por um período de 24 horas, obtendo ao final, um quiabo
ressequido, favorável a trituração e, por sua vez, desenvolvimento do pulverizado;
Procedimento 3 (P3): Determinação da sua eficácia síncrona ao sulfato de alumínio na água
coletada. Os testes ocorreram após a formação da mucilagem e do pulverizado, sucedendo
seus testes de modo independente, sendo que à mucilagem, submetida ao aquecedor,
paralelamente à água coletada do córrego, foi incrementado sulfato de alumínio (Al2(SO4)3)
e óxido de cálcio (CaO2), nas respectivas concentrações 0,004g de sulfato de alumínio,
0,00125g óxido de cálcio e 1,5 ml de mucilagem para cada 100ml de água; já para o quiabo
pulverizado, o processo deu-se a partir do seu ressecamento em estufa e seguinte
trituração no liquidificador, gerando particulados, os quais passaram por peneiração e
foram, após isso, misturados à água do córrego, que foi então, submetida ao agitador por
um período de quinze minutos; Procedimento 4 (P4): construção do filtro e estação de
condensação caseira. O filtro foi obtido de modo caseiro, através da associação dos
respectivos materiais em camadas, ordenadas da extremidade superior à base e expressas
por: argila expandida e triturada, pedra-brita grossa e pedra-brita fina - ambas disformes -,
quartzo branco pulverizado por trituração, areia grossa, areia fina peneirada e carvão
ativado; os compostos inorgânicos utilizados atuam na filtração de particulados, porventura,
presentes na água após o processo de floculação do quiabo, enquanto que o carvão
ativado atua diretamente na remoção de toxinas a agentes químicos inócuos à saúde
humana. Já a estação de condensação caseira, foi estruturada, mediante uso dos materiais:
canos de PVC, garrafas PET e garrafas de vidro, submetidas ao aquecimento no intuito de
suscitar sua fixação à estrutura dos canos. Procedimento 5 (P5): quantificação da
rentabilidade do quiabo no processo.
Resultados e decorrências
Conclusão
REFERÊNCIAS
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BERNARDO, L. D.; BRANDÃO, C. C. S.; HELLER, L. Tratamento de Águas de
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