Estado do Rio de Janeiro Poder Judiciário
Tribunal de Justiça
Comarca de Duque de Caxias
Cartório da 1ª Vara Criminal
Rua General Dionísio, 764 CEP: 25075-095 - 25 de Agosto - Duque de Caxias - RJ Tel.: 3661-9100 e-mail:
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Fls.
Processo: 0158456-16.2018.8.19.0001
Réu preso
Classe/Assunto: Auto de Prisão em Flagrante - Roubo (Art. 157 - Cp), 157, caput , CP; Prisão em
flagrante, 301; 243, CPP; CPPM
Autor: MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO DE JANEIRO
Autor do Fato: LUIZ FILIPE MUNIZ DE SÁ BARBOSA
Autor do Fato: CARLOS EDUARDO DE ANDRADE PINHEIRO
Autor do Fato: WALLACE HENRIQUES DA SILVA
Criança/adolescente: LUAN RODRIGUES ROCHA
Flagrante 059-10238/2018 09/07/2018 60ª Delegacia Policial
___________________________________________________________
Nesta data, faço os autos conclusos ao MM. Dr. Juiz
Alessandra da Rocha Lima Roidis
Em 07/10/2019
Sentença
PODER JUDICIÁRIO - ESTADO DO RIO DE JANEIRO
JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE DUQUE DE CAXIAS - RJ.
Processo n° 0158456-16.2018.8.19.0001
Acusados: CARLOS EDUARDO DE ANDRADE PINHEIRO
LUIZ FILIPE MUNIZ DE SÁ BARBOSA
WALLACE HENRIQUES DA SILVA
SENTENÇA
CARLOS EDUARDO DE ANDRADE PINHEIRO, LUIZ FILIPE MUNIZ DE SÁ BARBOSA e
WALLACE HENRIQUES DA SILVA, qualificados anteriormente, foram denunciados pelo Ministério
Público como incursos nas penas do art. 157, §2º, inciso II, e §2º-A, inciso I e 329, §1º, ambos do
Código Penal e artigo 244-B da Lei nº 8.069/90, n/f do art. 69 do Código Penal, em razão dos fatos
narrados na denúncia de fls. 02a/2e, que passa a fazer parte integrante desta sentença. Em
síntese, destaca a denúncia que:
"...No dia 08 de julho de 2018, por volta das 20h40min, nesta comarca, na Rua Jataí, nº 139, bairro
Imbariê, os Denunciados, agindo com vontade livre e consciente, em comunhão de ações e
desígnios com o adolescente Luan Rodrigues Rocha, subtraíram para si, mediante grave ameaça
exercida pelo uso de arma de fogo, o veículo I/MMC Outlander, cor prata, placa JIV-4895, dois
aparelhos de telefone celular (01 Motorola E4 Plus e 01 Motorola C Plus) e uma bolsa contendo
alguns utensílios, bens de propriedade das vítimas Jorge de Melo Fernandes e Ilma de Souza
110 MICHELEPINHEIRO
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Ferreira Fernandes.
No mesmo dia, mas em local e horário diversos (próximo à Rodovia Washington Luís, Vila Canaã,
por volta das 21h00min), os Denunciados, agindo com vontade livre e consciente, em comunhão
de ações e desígnios com o adolescente Luan Rodrigues Rocha, opuseram-se à execução dos
atos de abordagem e de prisão em flagrante praticados pelos policiais militares, mediante violência
consistente efetuar disparos de arma de fogo contra a guarnição policial.
Além disso, no mesmo dia, hora e local, os Denunciados, agindo com vontade livre e consciente,
corromperam e facilitaram a corrupção do menor de 18 anos Luan Rodrigues Rocha, com ele
praticando as infrações penais acima mencionadas.
Na ocasião, a vítima Jorge, que estava chegando da igreja juntamente com sua esposa - a vítima
Ilma -, guardava o veículo acima referido na garagem, quando, ao se dirigir para fechar o portão,
foi abordado por dois indivíduos (um dos Denunciados e o menor Luan), sendo certo que
portavam uma arma de fogo.
Mediante a grave ameaça exercida com a arma de fogo, um dos Denunciados e o menor Luan
exigiram que a vítima entregasse o veículo, os aparelhos de telefone celular e a bolsa da sua
esposa, exigência esta prontamente atendida.
Após subtrair os bens das vítimas, um dos Denunciados e o menor Luan entraram no veículo e,
junto com os outros dois Denunciados, evadiram-se do local em sentido a Vila Canaã.
Ato contínuo, as vítimas foram à Delegacia mais próxima e informaram o ocorrido, sendo certo que
tal informação foi transmitida as viaturas de plantão.
Já de posse de tal informação, uma viatura da polícia militar, que estava baseada em Santa Cruz
da Serra, se deslocou para a Vila Canaã e lá fez uma barreira a fim de interceptar o referido
veículo (uma vez que o local tem apenas uma entrada e uma saída), sendo certo que lograram
êxito avistar o veículo.
Os policiais, então, deram ordem de parada. Todavia, os Denunciados e o menor Luan, além de
terem desobedecidos a ordem, efetuaram disparos de arma de fogo contra a guarnição policial,
sendo certo que estes, para repelir a injusta agressão, revidaram com disparos de arma de fogo.
Ato contínuo, os Denunciados empreenderam fuga pela Rodovia Washington Luís (em direção à
Vila Maria Helena), sendo certo que foram perseguidos pelos agentes da lei.
Dois minutos após, os policiais se depararam com o veículo roubado pelos Denunciados colidido
com um muro de uma igreja, sendo certo que efetuaram a abordagem e revista.
No ato de abordagem e revista, os agentes da lei encontraram o menor Luan no banco traseiro do
veículo, com um ferimento na barriga.
Os agentes da lei, imediatamente efetuaram um cerco no local e lograram êxito em capturar os
Denunciados Carlos Eduardo e Luiz Filipe, também sem a arma, oportunidade em que estes
informaram sobre outro participante do delito - o Denunciado Wallace - que havia fugido e levado a
arma de fogo consigo.
Imperioso ressaltar a resistência dos Denunciados permitiu a fuga do Denunciado Wallace.
Junto aos destroços do veículo, foi encontrado pelos agentes da lei um simulacro de arma de fogo.
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No dia seguinte ao delito, o Denunciado Wallace compareceu à delegacia, espontaneamente, e,
narrando com riqueza de detalhes a dinâmica delituosa, assumiu ser o outro meliante a participar
dos delitos acima narrados.
É certo que o delito foi cometido mediante divisão de tarefas, sendo certo que enquanto cabia a
um dos Denunciados exercer a grave ameaça, aos outros Denunciados e ao menor cabia a tarefa
de garantir a superioridade numérica, além de garantir o sucesso da empreitada criminosa, dando
cobertura à mesma...."
A denúncia, recebida em 13/08/2018, veio instruída com o respectivo inquérito policial, do qual se
destacam as seguintes peças: APF, à fl. 02; RO, às fls. 05/06; termos de declaração, às fls. 07/08;
auto de apreensão, à fl. 09; termo de declaração, às fls. 31/32; auto de reconhecimento de
pessoa, às fls. 33/34; e RO aditado, às fls. 40/42.
Realizada audiência de custódia, conforme fls. 47/49, ocasião em que a prisão em flagrante de
Carlos Eduardo e Luiz Filipe foi convertida em preventiva.
Juntada de documentos pela Defesa de Carlos Eduardo, às fls. 53/56, e pela Defesa de Luiz
Filipe, às fls. 59/61.
Laudo de exame de descrição de material, à fl. 65.
FAC's, às fls. 66/72.
Decisão que recebeu a denúncia, à fl. 74.
Requerimento de liberdade pela Defesa de Luiz Filipe, às fls. 87/92, acompanhado dos
documentos de fls. 93/101.
Manifestação ministerial, às fls. 102/104, e decisão que manteve a prisão de Luiz Filipe, à fl. 105.
Regulamente citados, às fls. 106/111, os acusados apresentaram respostas, às fls. 113/116 e
119/122.
Audiência não realizada pela ausência dos réus, conforme fls. 138/139, oportunidade em que foi
requerido o relaxamento da prisão de Luiz Filipe.
Decisão que indeferiu o relaxamento, à fl. 144.
Audiência realizada, na forma da assentada de fls. 146/147, oportunidade em que foram ouvidas
duas vítimas e duas testemunhas arrolada pela acusação. Em seguida, as Defesas informaram
não terem prova oral a produzir, motivo pelo qual o réu Luiz Filipe foi interrogado. Já os réus
Wallace e Carlos Eduardo exerceram o direito constitucional ao silêncio.
Requerimento de relaxamento da prisão de Luiz Filipe, às fls. 160/161, o qual foi indeferido,
conforme fl. 173.
Cópia da representação em face do adolescente na Vara da Infância, às fls. 176/196.
Em alegações finais, às fls. 197/207, o Ministério Público pugnou pela condenação dos acusados
nos termos da denúncia.
Por sua vez, a Defesa de Carlos Eduardo e Wallace, em suas alegações finais de fls. 208/218,
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requereu a absolvição dos réus por insuficiência de provas. Em caso de condenação, o
afastamento da majorante da arma, com a aplicação da pena base no mínimo e regime
semiaberto.
A Defesa de Luiz Filipe, em suas alegações finais de fls. 221/224, requereu a absolvição por
negativa de autoria.
É O RELATÓRIO.
PASSA-SE À DECISÃO.
Trata-se de ação penal pública, na qual se imputa aos acusados a prática do injusto descrito no
art. 157, §2º, inciso II, e §2º-A, inciso I e 329, §1º, ambos do Código Penal e artigo 244-B da Lei nº
8.069/90, n/f do art. 69 do Código Penal, em razão dos fatos narrados na denúncia, que passa a
fazer parte integrante desta sentença.
A materialidade e autoria restaram comprovadas pela prova oral produzida em juízo, robustecida
pelo R.O, às fls. 05/06, auto de apreensão, às fls. 09, que comprovam a subtração de um veículo
MMC Outlander, de propriedade da vítima Jorge de Melo Fernandes.
A vítima Jorge, em Juízo, disse que havia chegado em casa e estava para fechar o portão quando
foi abordado pelo adolescente, o qual estava na posse de uma arma de fogo e disse "perdeu!".
Como achou que se tratava de um conhecido que trabalhava na borracharia, disse que era para
parar com a brincadeira, ocasião em que o adolescente indagou se esse "estava maluco". Diante
da constatação de que se tratava de um assalto, entregou a chave do carro, momento em que o
roubador ameaçou voltar caso o veículo tivesse segredo.
Ato contínuo, o roubador pediu o celular e a bolsa de sua esposa, oportunidade em que veio outro
indivíduo, o qual não foi possível visualizar o rosto, e assumiu a direção do veículo, tendo o
adolescente sentado no carona.
Poucos metros depois, quando esses já haviam saído com o carro, os roubadores pararam o
veículo para o ingresso de mais dois indivíduos, dos quais também não foi possível visualizar os
rostos.
Como na praça tem um DPO, foi ao local e comunicou os fatos para os policiais, os quais
disseram que comunicariam via rádio. Esclareceu que a rua tomada pelos roubadores é de sentido
único, de modo que soube que os policiais fariam uma barreira.
Acrescentou que, cerca de quinze minutos depois, os policiais afirmaram que já tinham localizado
o carro e que os acusados teriam colidido com o veículo. Após, foram para o local, ocasião em que
constatou que o carro havia sido destruído. Esclareceu que os roubadores ficaram presos no
veículo, motivo pelo qual foram presos pelos policiais.
A vítima disse que conversou com o acusado Wallace antes da audiência anteriormente
designada, ocasião em que esse disse que tinha ficado com os celulares da vítima e que havia
vendido na feira.
Por fim, disse que conhecia um dos réus "de vista", além de ter sabido que os familiares dos
acusados o conhecem e que não foi ameaçado por qualquer parente.
A vítima Ilma disse que o esposo fechava o portão quando chegou um indivíduo e apontou uma
arma para aquele. Esclareceu que não viu o rosto dos roubadores, já que a ação foi muito rápida.
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Por fim, disse que viu que mais pessoas entraram no carro, mas não conseguiu ver o rosto
daqueles.
A testemunha Marcelo, policial militar, disse que estava em patrulhamento em Santa Cruz da
Serra quando ouviu a comunicação do roubo via rádio. Como no local há apenas uma saída,
ficaram baseados no aguardo do veículo.
Ao avistarem o carro, foi determinada a parada. No entanto, os indivíduos efetuaram disparos de
arma de fogo contra a guarnição e empreenderam fuga. Em determinado momento, os acusados
entraram pela contramão da via, ocasião em que acabaram por colidir.
Marcelo afirmou, ainda, que não perderam a visão do carro e que chegaram ao local pouco mais
de 30 segundos após a batida, o que facilitou a prisão.
Afirmou que, no carro, estava apenas o menor. Após, fizeram a varredura, ocasião em que
encontraram outros dois indivíduos, os quais confessaram estar no veículo. Por fim, disse que
soube que um dos roubadores havia fugido, mas não sabia que esse compareceu posteriormente
na delegacia.
A testemunha Rogério, policial militar, confirmou integralmente o depoimento de seu colega de
farda.
O acusado Luiz Filipe, em seu interrogatório, disse que estava acompanhado dos réus Wallace,
Carlos Eduardo e o adolescente Renan, ocasião em que viram o veículo entrar na garagem.
Nesse momento, os demais réus foram juntos com o adolescente "enquadrar" o carro, enquanto
ficou aguardando. Após, entrou com aqueles no veículo.
Por fim, disse que não sabia que aqueles praticariam o roubo e que não questionou os réus sobre
o carro.
Não foi produzida prova oral pelas Defesas e os acusados Wallace e Carlos Eduardo exerceram o
direito constitucional ao silêncio.
As Defesas não produziram qualquer prova que pudesse diminuir ou retirar a credibilidade dos
depoimentos produzidos pelo Ministério Público, de modo que a conduta descrita na denúncia
culminou comprovada.
Importante ressaltar que, embora os acusados não tenham sido reconhecidos por nenhuma das
vítimas, essas foram uníssonas em afirmar que eram quatro indivíduos, e que não viram os rostos
daqueles quando da abordagem, a qual se deu de forma rápida.
Ademais, além da confissão parcial do acusado Luiz Filipe, que atribuiu a conduta aos corréus em
uma fraca tentativa de eximir-se de responsabilidade, a confissão extrajudicial de Wallace, e o
firme e coerente depoimento das testemunhas fornecem a certeza necessária de que os acusados
praticaram o roubo em comunhão de ações e desígnios.
Portanto, evidenciado que os réus, acompanhados do adolescente Luan, mediante grave ameaça
exercida com emprego de arma de fogo, subtraíram os pertences das vítimas, fato que impõe
reconhecer o concurso de agentes, pois os roubadores agiram em divisão de tarefas, o que
facilitou a execução dos crimes na medida em que reduziu ainda mais a capacidade de resistência
daquelas.
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Em relação à utilização da arma de fogo, pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, em
crime de roubo, basta a firme palavra da vítima para atestar o emprego ostensivo de arma de fogo
no caso concreto, o que restou ratificado pelas vítimas em juízo. Ademais, as testemunhas
afirmaram que, durante a fuga, os réus efetuaram disparos na direção da viatura. Portanto,
sobejamente comprovada sua utilização na prática criminosa.
O delito restou consumado, nos termos do verbete 582, da súmula do STJ.
No que diz respeito à imputação de prática do crime de resistência, diante do depoimento do
policial ouvido em Juízo, constata-se que foram efetuados disparos contra a guarnição policial e
que os acusados somente foram detidos quando colidiram com o veículo.
A violência oposta por um dos indivíduos, justamente em função do liame subjetivo estabelecido
entre os mesmos, atrai para todos a responsabilidade pelo crime de resistência, razão pela qual
comprovada a autoria do crime de resistência para os acusados.
Comprovada a resistência qualificada, já que o réu Wallace conseguiu se evadir e somente foi
identificado por ter se apresentado espontaneamente na delegacia.
Quanto ao crime de corrupção de menores, trata-se de delito formal, o que significa que basta
para sua configuração o mero fato de ter o acusado praticado o ato delituoso em companhia do
inimputável, o que restou comprovado ao longo da instrução criminal, em especial pelos
documentos de fls. 185/196.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) sedimentou entendimento, através do verbete nº. 500, que é
dispensável a prova da efetiva corrupção do adolescente, conforme abaixo transcrito:
"A configuração do crime do art. 244-B do ECA independe da prova da efetiva corrupção do
menor, por se tratar de delito formal".
Assim, necessária a condenação dos acusados também por esse delito.
Culpáveis, outrossim, os acusados, vez que imputáveis e conscientes do seu ilícito
comportamento, de quem era exigível conduta de acordo com a norma implicitamente contida no
tipo por eles praticado. Ademais, inexiste qualquer causa de exclusão de antijuridicidade ou
culpabilidade aplicável ao caso ora em exame.
Atenta às diretrizes previstas nos artigos 59 e 68, ambos do Código Penal, passo a dosar-lhe a
pena:
Quanto ao réu Carlos Eduardo:
Do roubo:
1ª fase: A reprovabilidade da conduta do acusado não excedeu à normal do tipo, bem como as
circunstâncias da infração ou personalidade do réu. O acusado é primário e sem antecedentes.
Desta forma, fixo a pena-base do acusado em 04 (quatro) anos de reclusão e pagamento de 10
(dez) dias-multa, à razão unitária mínima.
2ªFase: Ausentes majorantes ou atenuantes, motivo pelo qual mantenho a pena no mesmo
patamar anterior.
3ªFase: Presente a causas de aumento de pena, prevista no artigo 157, § 2º, II do CP, já que
incontroverso ter o acusado praticado a conduta na companhia dos corréus, superioridade
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numérica que possibilitou o êxito da empreitada. Assim, aumento a pena na fração de 1/3, para
fixar a pena em 05 (cinco) anos e 04 (quatro) meses de reclusão e pagamento de 13 (treze)
dias-multa.
Presente a causa de aumento de pena prevista no art. 157, §2ª, inciso I, já que comprovada a
subtração com emprego de arma de fogo, a qual apresentava capacidade de efetuar disparos,
conforme afirmado pelas testemunhas. Ademais, o uso ostensivo da arma de fogo foi determinante
para incutir maior temor nas vítimas, razão pela qual aumento a pena na fração de 2/3, para fixá-la
em 08 (oito) anos, 10 (dez) meses e 20 (vinte) dias de reclusão e pagamento de 21 (vinte e um)
dias de reclusão.
Do crime do artigo 244-B, do ECA:
1ª Fase: A reprovabilidade da conduta do acusado não excedeu à normal do tipo. O acusado é
primário e sem antecedentes. Nada nos autos revela que o acusado tenha conduta social
inadequada. Nada se pode dizer em relação à sua personalidade. As circunstâncias, motivos e
consequências do crime não merecem majoração da pena. Portanto, fixo a pena-base no mínimo
legal de 01 (um) ano de reclusão.
2ª Fase: Ausentes majorantes ou atenuantes, motivo pelo qual mantenho a pena no mesmo
patamar anterior.
3ª Fase: Ausentes causa de aumento e diminuição de pena, razão pela qual torno definitiva a pena
anteriormente fixada em 01 (um) ano de reclusão.
Artigo 329, §1º, do CP:
1ª fase: A reprovabilidade da conduta do acusado não excedeu à normal do tipo, bem como as
circunstâncias e os motivos do crime ou a personalidade do réu. O acusado é tecnicamente
primário. Assim, fixo a pena-base em 01 (um) ano de reclusão.
2ªfase: Ausentes majorantes ou atenuantes, motivo pelo qual mantenho a pena no mesmo
patamar anterior.
3ª fase: Ausentes causas de aumento ou diminuição de pena, motivo pelo qual fixo a pena final do
acusado em 01 (um) ano de reclusão.
Diante do artigo 69, do Código Penal, e da existência de três crimes distintos, necessário se faz o
reconhecimento do concurso material, razão pela qual se impõe a aplicação cumulativa das penas
privativas de liberdade impostas ao réu, motivo pela qual a torno definitiva em 10 (dez) anos, 10
(dez) meses e 20 (vinte) dias de reclusão e ao pagamento de 21 (vinte e um) dias-multa, à razão
de um trigésimo do valor do salário mínimo vigente ao tempo do fato delituoso.
Regime de pena: Mostra-se adequado o regime inicial fechado, nos termos do artigo 33, alínea
"a", do Código Penal.
Diante da natureza do crime e do quantum da pena, impossível a substituição da pena privativa de
liberdade pela restritiva de direitos e o sursis.
Quanto ao réu Wallace:
Do roubo:
1ª fase: A reprovabilidade da conduta do acusado não excedeu à normal do tipo, bem como as
circunstâncias da infração ou personalidade do réu. O acusado é primário e sem antecedentes.
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Desta forma, fixo a pena-base do acusado em 04 (quatro) anos de reclusão e pagamento de 10
(dez) dias-multa, à razão unitária mínima.
2ªFase: Presente a atenuante da menoridade. No entanto, nesta fase, a pena não pode ser
reduzida aquém do mínimo legal, nos termos do Verbete 231 da Súmula do E. STJ. Portanto,
mantenho a pena no mesmo patamar anterior.
3ªFase: Presente a causas de aumento de pena, prevista no artigo 157, § 2º, II do CP, já que
incontroverso ter o acusado praticado a conduta na companhia dos corréus, superioridade
numérica que possibilitou o êxito da empreitada. Assim, aumento a pena na fração de 1/3, para
fixar a pena em 05 (cinco) anos e 04 (quatro) meses de reclusão e pagamento de 13 (treze)
dias-multa.
Presente a causa de aumento de pena prevista no art. 157, §2ª, inciso I, já que comprovada a
subtração com emprego de arma de fogo, a qual apresentava capacidade de efetuar disparos,
conforme afirmado pelas testemunhas. Ademais, o uso ostensivo da arma de fogo foi determinante
para incutir maior temor nas vítimas, razão pela qual aumento a pena na fração de 2/3, para fixá-la
em 08 (oito) anos, 10 (dez) meses e 20 (vinte) dias de reclusão e pagamento de 21 (vinte e um)
dias de reclusão.
Do crime do artigo 244-B, do ECA:
1ª Fase: A reprovabilidade da conduta do acusado não excedeu à normal do tipo. O acusado é
primário e sem antecedentes. Nada nos autos revela que o acusado tenha conduta social
inadequada. Nada se pode dizer em relação à sua personalidade. As circunstâncias, motivos e
consequências do crime não merecem majoração da pena. Portanto, fixo a pena-base no mínimo
legal de 01 (um) ano de reclusão.
2ª Fase: Ausentes majorantes ou atenuantes, motivo pelo qual mantenho a pena no mesmo
patamar anterior.
3ª Fase: Ausentes causa de aumento e diminuição de pena, razão pela qual torno definitiva a pena
anteriormente fixada em 01 (um) ano de reclusão.
Artigo 329, §1º, do CP:
1ª fase: A reprovabilidade da conduta do acusado não excedeu à normal do tipo, bem como as
circunstâncias e os motivos do crime ou a personalidade do réu. O acusado é tecnicamente
primário. Assim, fixo a pena-base em 01 (um) ano de reclusão.
2ªfase: Ausentes majorantes ou atenuantes, motivo pelo qual mantenho a pena no mesmo
patamar anterior.
3ª fase: Ausentes causas de aumento ou diminuição de pena, motivo pelo qual fixo a pena final do
acusado em 01 (um) ano de reclusão.
Diante do artigo 69, do Código Penal, e da existência de três crimes distintos, necessário se faz o
reconhecimento do concurso material, razão pela qual se impõe a aplicação cumulativa das penas
privativas de liberdade impostas ao réu, motivo pela qual a torno definitiva em 10 (dez) anos, 10
(dez) meses e 20 (vinte) dias de reclusão e ao pagamento de 21 (vinte e um) dias-multa, à razão
de um trigésimo do valor do salário mínimo vigente ao tempo do fato delituoso.
Regime de pena: Mostra-se adequado o regime inicial fechado, nos termos do artigo 33, alínea
"a", do Código Penal.
110 MICHELEPINHEIRO
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Comarca de Duque de Caxias
Cartório da 1ª Vara Criminal
Rua General Dionísio, 764 CEP: 25075-095 - 25 de Agosto - Duque de Caxias - RJ Tel.: 3661-9100 e-mail:
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Diante da natureza do crime e do quantum da pena, impossível a substituição da pena privativa de
liberdade pela restritiva de direitos e o sursis.
Quanto ao réu Luiz Filipe:
Do roubo:
1ª fase: A reprovabilidade da conduta do acusado não excedeu à normal do tipo, bem como as
circunstâncias da infração ou personalidade do réu. O acusado é primário e sem antecedentes.
Desta forma, fixo a pena-base do acusado em 04 (quatro) anos de reclusão e pagamento de 10
(dez) dias-multa, à razão unitária mínima.
2ªFase: Presente a atenuante da menoridade. No entanto, nesta fase, a pena não pode ser
reduzida aquém do mínimo legal, nos termos do Verbete 231 da Súmula do E. STJ. Portanto,
mantenho a pena no mesmo patamar anterior.
3ªFase: Presente a causas de aumento de pena, prevista no artigo 157, § 2º, II do CP, já que
incontroverso ter o acusado praticado a conduta na companhia dos corréus, superioridade
numérica que possibilitou o êxito da empreitada. Assim, aumento a pena na fração de 1/3, para
fixar a pena em 05 (cinco) anos e 04 (quatro) meses de reclusão e pagamento de 13 (treze)
dias-multa.
Presente a causa de aumento de pena prevista no art. 157, §2ª, inciso I, já que comprovada a
subtração com emprego de arma de fogo, a qual apresentava capacidade de efetuar disparos,
conforme afirmado pelas testemunhas. Ademais, o uso ostensivo da arma de fogo foi determinante
para incutir maior temor nas vítimas, razão pela qual aumento a pena na fração de 2/3, para fixá-la
em 08 (oito) anos, 10 (dez) meses e 20 (vinte) dias de reclusão e pagamento de 21 (vinte e um)
dias de reclusão.
Do crime do artigo 244-B, do ECA:
1ª Fase: A reprovabilidade da conduta do acusado não excedeu à normal do tipo. O acusado é
primário e sem antecedentes. Nada nos autos revela que o acusado tenha conduta social
inadequada. Nada se pode dizer em relação à sua personalidade. As circunstâncias, motivos e
consequências do crime não merecem majoração da pena. Portanto, fixo a pena-base no mínimo
legal de 01 (um) ano de reclusão.
2ª Fase: Ausentes majorantes ou atenuantes, motivo pelo qual mantenho a pena no mesmo
patamar anterior.
3ª Fase: Ausentes causa de aumento e diminuição de pena, razão pela qual torno definitiva a pena
anteriormente fixada em 01 (um) ano de reclusão.
Artigo 329, §1º, do CP:
1ª fase: A reprovabilidade da conduta do acusado não excedeu à normal do tipo, bem como as
circunstâncias e os motivos do crime ou a personalidade do réu. O acusado é tecnicamente
primário. Assim, fixo a pena-base em 01 (um) ano de reclusão.
2ªfase: Ausentes majorantes ou atenuantes, motivo pelo qual mantenho a pena no mesmo
patamar anterior.
3ª fase: Ausentes causas de aumento ou diminuição de pena, motivo pelo qual fixo a pena final do
acusado em 01 (um) ano de reclusão.
110 MICHELEPINHEIRO
Estado do Rio de Janeiro Poder Judiciário
Tribunal de Justiça
Comarca de Duque de Caxias
Cartório da 1ª Vara Criminal
Rua General Dionísio, 764 CEP: 25075-095 - 25 de Agosto - Duque de Caxias - RJ Tel.: 3661-9100 e-mail:
dcx01vcri@[Link]
Diante do artigo 69, do Código Penal, e da existência de três crimes distintos, necessário se faz o
reconhecimento do concurso material, razão pela qual se impõe a aplicação cumulativa das penas
privativas de liberdade impostas ao réu, motivo pela qual a torno definitiva em 10 (dez) anos, 10
(dez) meses e 20 (vinte) dias de reclusão e ao pagamento de 21 (vinte e um) dias-multa, à razão
de um trigésimo do valor do salário mínimo vigente ao tempo do fato delituoso.
Regime de pena: Mostra-se adequado o regime inicial fechado, nos termos do artigo 33, alínea
"a", do Código Penal.
Diante da natureza do crime e do quantum da pena, impossível a substituição da pena privativa de
liberdade pela restritiva de direitos e o sursis.
Diante do exposto, JULGO PROCEDENTE A PRETENSÃO PUNITIVA ESTATAL para condenar
CARLOS EDUARDO DE ANDRADE PINHEIRO, LUIZ FILIPE MUNIZ DE SÁ BARBOSA e
WALLACE HENRIQUES DA SILVA a 10 (dez) anos, 10 (dez) meses e 20 (vinte) dias de
reclusão, em regime inicial fechado, e ao pagamento de 21 (vinte e um) dias-multa, à razão
unitária mínima, pela prática dos crimes definidos nos artigos 157, §2º, II, e §2ºA, I, art. 329, §1º,
ambos do Código Penal, e art. 244-B, da Lei 8069/90, na forma do art. 69, do Código Penal.
Os réus Carlos Eduardo e Luiz Filipe responderam presos ao processo e devem assim
permanecer até o trânsito em julgado, vez que a prisão se faz necessária para que seja efetivada
a aplicação da lei penal e para evitar a reiteração delitiva.
Quanto ao acusado Wallace, diante de sua apresentação espontânea, concedo ao réu o direito de
recorrer em liberdade.
Condeno os acusados, ainda, ao pagamento das custas do processo, nos termos do artigo 804,
do Código de Processo Penal.
Oficie-se a SEAP, conforme aviso conjunto TJ/CGJ nº 08/2013.
Cumpra-se o artigo 25, da Lei 10826/03.
Após o trânsito em julgado, expeça-se a CES. Procedidas às anotações pertinentes, dê-se baixa e
arquivem-se os autos.
Duque de Caxias, 17 de outubro de 2019.
ALESSANDRA DA ROCHA LIMA ROIDIS
Juiz de Direito
Duque de Caxias, 17/10/2019.
Alessandra da Rocha Lima Roidis - Juiz Titular
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Autos recebidos do MM. Dr. Juiz
Alessandra da Rocha Lima Roidis
110 MICHELEPINHEIRO
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Em ____/____/_____
Código de Autenticação: 42KP.N2P4.V5AF.BDH2
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Øþ
110 MICHELEPINHEIRO
ALESSANDRA DA ROCHA LIMA ROIDIS:26168 Assinado em 22/10/2019 11:30:31
Local: TJ-RJ