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Desigualdade Racial no Brasil Hoje

A desigualdade racial no Brasil é uma realidade persistente, com dados alarmantes que mostram que a renda média da população negra é significativamente menor do que a dos brancos e que a violência afeta desproporcionalmente os negros. A história de discriminação e exclusão social, que remonta à escravidão, continua a impactar a vida de negros, indígenas e quilombolas, refletindo-se em desigualdades econômicas, de saúde e segurança. Apesar de avanços legais, a luta por igualdade e reconhecimento de direitos ainda é necessária para enfrentar o racismo estrutural presente na sociedade brasileira.
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Desigualdade Racial no Brasil Hoje

A desigualdade racial no Brasil é uma realidade persistente, com dados alarmantes que mostram que a renda média da população negra é significativamente menor do que a dos brancos e que a violência afeta desproporcionalmente os negros. A história de discriminação e exclusão social, que remonta à escravidão, continua a impactar a vida de negros, indígenas e quilombolas, refletindo-se em desigualdades econômicas, de saúde e segurança. Apesar de avanços legais, a luta por igualdade e reconhecimento de direitos ainda é necessária para enfrentar o racismo estrutural presente na sociedade brasileira.
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DESIGUALDADE RACIAL NO BRASIL: uma realidade atual

Disponível em:
[Link]
Acesso em: 02/09/2023

Você sabia que, segundo a Política Nacional de Saúde Integral da


População Negra, de 2015, a renda média das pessoas pretas e pardas (que
configuram a população negra do país) equivale a apenas 59,2% da renda média
das pessoas brancas?
E, além disso, que de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança
Pública, para cada não negro assassinado no Brasil, 2,7 negros são vítimas de
homicídio?
Esses dados revelam uma realidade no país: a desigualdade racial.
Alguns grupos étnico-raciais ainda são afetados com a discriminação e possuem
dificuldades para se inserir na sociedade brasileira.
Essa exclusão social é fruto de uma construção histórica baseada na
escravização e marginalização desses grupos, que por muito tempo não tiveram
acesso a direitos básicos.
Mas você realmente sabe o que isso representa no país hoje? Neste texto
do Equidade vamos falar sobre a desigualdade racial no Brasil, compreendendo
as suas origens e impactos na sociedade.
O projeto Equidade é uma parceria entre o Politize!, o Instituto Mattos
Filho e a Civicus, voltada a apresentar, de forma simples e didática, os Direitos
Humanos e os principais temas que eles envolvem, desde os seus principais
fundamentos e conceitos aos seus impactos em nossas vidas. E então,
preparado (a) para entender sobre a desigualdade racial no Brasil? Segue com
a gente!

As origens históricas da desigualdade racial

Para compreender a realidade da desigualdade racial no Brasil,


precisamos entender o contexto histórico que nos trouxe até aqui. Dessa forma,
primeiro vamos falar sobre a situação dos grupos étnico-raciais no país
antigamente e como os direitos desses grupos foram sendo reconhecidos e
conquistados ao longo do tempo.
Durante todo o período colonial brasileiro (1500 – 1822), a escravidão se
fez presente como a base de sustentação do sistema econômico e social da
época. A mão de obra escrava era composta por indígenas e negros, que eram
explorados e submetidos a condições desumanas de vida por ordem dos
colonizadores.
Estes, portugueses e espanhóis em sua maioria, enxergavam tais grupos
étnico-raciais como seres inferiores que precisavam ser educados e civilizados
aos moldes europeus.
A dominação e escravização indígena foi a primeira a ocorrer no país,
visto que eram os povos nativos que aqui existiam quando os colonizadores
chegaram no território.
A escravização negra se deu em um segundo momento, quando os
africanos, que também sofriam com a colonização em seu continente, foram
traficados e enviados em navios para o continente americano. Estima-se que ao
longo desses três séculos, cerca de 4 milhões de africanos foram enviados ao
Brasil para serem escravizados.
Em 1822 o Brasil se tornou independente e em 1824 promulgou a sua
primeira Constituição Federal. No entanto, a escravidão continuou sendo legal
no país e os negros continuaram sem nenhum tipo de liberdade.
Os indígenas, por sua vez, por meio do estabelecimento do Diretório dos
Indígenas, em 1757, adquiriram certas liberdades com contrapartidas, como ter
que seguir o modelo cultural de vida dos colonizadores.

O Brasil República e a conquista dos direitos étnico-raciais

Foi somente em 1888 que a abolição da escravidão aconteceu no Brasil,


por meio da Lei Áurea, sendo o último país das Américas a eliminar legalmente
esse sistema de produção e organização econômica. Logo após isso, em 1889,
houve a Proclamação da República e dois anos mais tarde, a promulgação
da Constituição de 1891.
Contudo, apesar da liberdade formal adquirida pelos negros, a nova
Constituição não lhes garantiu diversos direitos fundamentais e não os
reconhecia como cidadãos.
Isso significa que os negros não possuíam direitos civis nem políticos, não
tendo permissão para votar e não possuindo acesso à educação, saúde e justiça
garantidos por lei.
Sendo assim, a abolição da escravidão não resultou na inserção dos
afrodescendentes na sociedade, que permaneceram sofrendo com a
discriminação e os preconceitos sociais, fundamentados no racismo.
Foi somente no século XX, com a elaboração da Constituição de 1934,
por Getúlio Vargas, que certos direitos de grupos étnico-raciais vulnerabilizados
foram reconhecidos pela primeira vez no Brasil.
Nela, ficou estabelecido o sufrágio universal, ou seja, o direito ao voto a
todos os adultos no país, independente de gênero e raça. Importante ressaltar
que a conquista dos grupos étnicos-raciais por direitos políticos no país foi
consequência de muita luta e esforços.

Isso ocorreu principalmente por meio de movimentos sociais dos negros,


que desde à época colonial se organizavam e criavam mobilizações de
resistência, como os quilombos, que representavam um refúgio para os
escravos.
Já no início do século XX, o movimento negro representava uma
mobilização social na busca pela igualdade em direitos, justiça e tratamento.
Denunciando a desigualdade racial e o preconceito social, reivindicando por
políticas de inclusão para grupos sociais vulneráveis.

A evolução do direito antidiscriminatório e a promulgação da Constituição


de 1988

Como resultado da pressão dos movimentos, em 1951 foi promulgada


a Lei Afonso Arinos (Lei nº 1.390/1951), que determinou o racismo como
contravenção penal, isto é, uma infração penal de menor gravidade.
Foi a primeira lei na legislação brasileira a condenar práticas
discriminatórias em razão de raça, como negar emprego, impedir entrada em
estabelecimentos e recusar hospedagem em hotel, prevendo multa e até um ano
de prisão.
Um pouco mais de vinte anos depois, no ano de 1973, foi promulgado
o Estatuto do Índio (Lei nº 6.001/1973). Nele, os povos indígenas são tidos como
“relativamente incapazes” e necessitam ser auxiliados por um órgão indigenista
estatal (atualmente a Fundação Nacional do Índio – FUNAI) até que estivessem
totalmente integrados à comunidade nacional.
Contudo, essa data integra o período da ditadura militar (1964-1985) no
país, que foi marcado pela retirada de diversos direitos sociais, principalmente
em relação às liberdades individuais e coletivas.
Tanto os negros como os indígenas sofreram uma maior repressão
política nesse período, aprofundando a desigualdade racial no Brasil. O
movimento negro, por exemplo, foi desmobilizado e desarticulado, vivendo numa
espécie de semiclandestinidade, em que a discussão pública sobre questões
raciais foi quase banida.
Dessa forma, foi apenas com a redemocratização em 1985, que resultou
na promulgação da Constituição Federal de 1988, que os direitos fundamentais,
como saúde, educação, trabalho, segurança, igualdade e justiça passaram a
ser garantidos a todos, sem discriminação de origem, raça, sexo, cor e
idade.
Além disso, o documento é o primeiro na história a reconhecer aos
indígenas o direito de manter a sua própria cultura e, em seu art. 5º, determina
que o racismo é um crime inafiançável e imprescritível.

A realidade atual da desigualdade racial

As conquistas por direitos que visam proteger os grupos étnicos-raciais


vulnerabilizados no país, apesar de representarem um grande avanço, são
recentes e insuficientes para eliminar a desigualdade racial no Brasil.
Todo o contexto histórico comentado produziu efeitos que são sentidos
até os dias de hoje e evidenciam a vulnerabilidade socioeconômica desses
grupos.
Olhando para a população negra (pretos e pardos), temos que ela compõe
75% das pessoas que vivem em situação de pobreza no país, mesmo sendo a
maior parcela da população nacional (54,9%), segundo o IBGE.
As mulheres negras, por exemplo, recebem em média menos da metade
do salário de um homem branco, mesmo exercendo funções similares ou iguais.
E, ainda de acordo com o IBGE, entre os 10% da população com os
maiores rendimentos, apenas 27,7% são pretos ou pardos, sendo que estes
também correspondem a 64% dos desempregados no Brasil.
Além de tudo, a desigualdade racial não é exclusiva aos aspectos
econômicos e financeiros, mas também possui efeitos em áreas como a saúde
e a segurança.
Em termos de segurança, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança
Pública, no ano de 2019, 66,6% das mulheres que sofreram violência doméstica
e sexual eram negras.
E 75% das crianças e adolescentes que sofreram violência doméstica
também eram negras. Sendo que o sistema prisional brasileiro é composto
majoritariamente (66,7%) por pessoas negras.
Em relação à saúde, segundo a primeira Pesquisa Nacional de Saúde, de
2013, a expressiva maioria das pessoas negras, cerca de 78,8%, não possuem
plano de saúde.
Nesse aspecto, a desigualdade racial no Brasil se inicia ainda no útero,
visto que segundo dados de 2019 do Ministério da Saúde, 2 em cada 3 mortes
maternas são de mulheres negras e a mortalidade no primeiro ano de vida é
22,5% maior entre os negros.
Atualmente, a pandemia do Covid-19 realçou a desigualdade racial no
país, visto que segundo as notificações do Ministério da Saúde, o vírus
apresentou maior letalidade entre a população negra brasileira. Atingindo a
proporção de 1 em cada 3 mortes.
Além disso, dados coletados por pesquisadores independentes em mais
de 5.500 municípios mostram que 55% dos pacientes negros hospitalizados com
Covid-19 não sobreviveram, em comparação com 38% dos pacientes brancos.
Importante ressaltar que a desigualdade racial não afeta apenas a
população negra, mas também os indígenas e quilombolas no país. Estes, por
exemplo, devido às distâncias e à dispersão dos seus povos, encontram
dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
Sendo que apenas 32,8% dos seus domicílios rurais estão ligados à rede
de distribuição de água. Mas você pode conferir melhor sobre a situação desses
grupos étnico-raciais em nossos textos sobre os direitos indígenas e os direitos
quilombolas no Brasil.

Conclusão

Desde o período da colonização, grupos étnico-raciais sofrem com a


discriminação, que antes se manifestava na escravidão e na imposição de um
modelo cultural de vida e agora se manifesta nas mais diversas desigualdades
raciais às quais esses grupos são submetidos.
Dessa forma, é possível perceber a vulnerabilidade dos negros, indígenas
e quilombolas em diferentes aspectos sociais no país.
Como diz o grupo de rap brasileiro Racionais Mc’s: “500 anos de Brasil e
o Brasil aqui nada mudou”. É claro que retirando a licença poética da frase, vimos
que muitos direitos foram previstos e avanços obtidos durante todo esse tempo.
Mas realmente algumas coisas ainda não mudaram, como as
desvantagens e mazelas enfrentadas por determinados grupos étnico-raciais.
Isso não é apenas fruto de um longo período de exploração e
escravização, mas também de um preconceito social que acaba efetivando a
desigualdade.
Por isso, hoje não há como falarmos em democracia no Brasil sem que o
racismo, a discriminação e a igualdade não façam parte do debate público. Nós
como cidadãos devemos ter consciência dessa realidade e solicitar ao Poder
Público que políticas que visem combater a desigualdade racial sejam
efetivadas.
Além disso, individualmente podemos melhorar o nosso próprio
comportamento, eliminando preconceitos e estereótipos que ainda se fazem
presentes na sociedade de maneira estrutural.
Aliás, esse será o assunto do nosso próximo texto, em que vamos falar
sobre o racismo estrutural, buscando entender o que isso significa e representa
na sociedade brasileira.

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