Prevenção a Lavagem de
Dinheiro e Suitability
Prof. Jefferson Lima
O que é Lavagem de Dinheiro?
Definição de Lavagem de Dinheiro.
Descrição da Prática.
Etapas da Lavagem de Dinheiro
• 1º COLOCAÇÃO
• 2º OCULTAÇÃO
• 3º INTEGRAÇÃO
1º Colocação
• É a adição do dinheiro no sistema econômico.
• Feita através de depósitos, é realizada a compra de instrumentos
negociáveis ou de bens.
• Para dificultar o reconhecimento da procedência do dinheiro, os
criminosos aplicam técnicas como a de fracionamento dos valores
em quantias menores e a utilização de estabelecimentos
comerciais que costumam trabalhar com dinheiro em espécie.
Exemplos de Colocação
• Comprar uma propriedade rural com dinheiro do crime.
• Ir em uma casa de câmbio e fazer remessa de recursos ilícitos para
uma conta no exterior.
2º Ocultação
• O rastreamento contábil dos recursos ilícitos é dificultado com o
objetivo de quebrar a cadeia de evidências que conecta o dinheiro
à sua origem ilícita.
• Os criminosos buscam movimentá-lo de forma
eletrônica, transferindo os ativos para contas anônimas e de
preferência em países protegidos por fortes leis de sigilo bancário.
Exemplos de Ocultação
• Enviar recursos para paraísos fiscais.
• Fazer câmbio de notas oriundas de crime, por moedas de outro
país.
3º Integração
• Os ativos são incorporados formalmente ao sistema econômico.
• As organizações criminosas buscam investir em empreendimentos
que facilitem o processo – podendo tais sociedades prestarem
serviços entre si.
• Uma vez formada essa cadeia, torna-se gradualmente mais fácil
legitimar o dinheiro ilegal.
Exemplos de Integração
• Comprar hotéis, restaurantes e negócios com dinheiro oriundo de
contas do exterior sem procedências.
• Compra de bens com doações originárias de contas fantasmas,
empresa de “fachada” etc.
Penalidades Administrativas
• Advertência.
• Multa pecuniária variável, limitada a:
– O dobro do valor da operação.
– O dobro do lucro real obtido ou presumido pela realização da operação.
– Multa até o valor de R$20.000.000,00, prevalecendo o menor montante.
• Inabilitação temporária por até dez anos para o exercício do cargo de administrador das pessoas
jurídicas mencionadas no art. 9° da Lei nº 9.613/98.
• Cassação ou suspensão da autorização para exercer atividades, operações ou funcionamento.
• Penalidades por culpa (sem intenção) ou dolo (com intenção).
Penalidades para Crimes
• Reclusão de três a dez anos, além de multa.
• Incorrência na mesma pena para quem ocultar ou dissimular a
natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou
propriedade de bens, direitos ou valores provenientes de infração
penal.
• As mesmas penalidades aplicáveis aos agentes que facilitaram a
lavagem de dinheiro em seu ciclo amplo, abrangendo integração,
ocultação e colocação.
Penalidades para Crimes
• Possível aumento de um a dois terços da pena se o crime for recorrente ou cometido
por uma organização criminosa (quadrilha).
• Potencial redução de um a dois terços da pena se o criminoso colaborar com a
investigação por livre e espontânea vontade, realizando a delação premiada e o regime
pode ser convertido em regime semiaberto.
• Autorização para o juiz realizar alienação antecipada dos bens do criminoso em nome
da União (Governo Federal).
• Se culpado, o réu deverá pagar a multa, após o que a alienação dos bens será revogada.
• Se inocentado, seus bens terão a alienação retirada e não haverá criminalização.
Ações Preventivas
• Operações cujos valores se apresentem objetivamente
inconsistentes com a ocupação profissional, rendimentos e/ou
situação patrimonial ou financeira das partes envolvidas, levando
em consideração as informações cadastrais correspondentes.
• Transações realizadas entre as mesmas partes ou em benefício
delas, que resultem em sucessivos ganhos ou perdas para
qualquer uma das partes envolvidas.
• Operações que demonstrem flutuações significativas no volume
e/ou frequência de negócios de qualquer uma das partes
Ações Preventivas
• Transações com desdobramentos que contenham características
que possam ser utilizadas para contornar a identificação das
pessoas ou entidades reais envolvidas ou seus beneficiários
• Operações com características e/ou desdobramentos que
indiquem uma atuação frequente em nome de terceiros.
• Transações que demonstrem mudanças repentinas e
objetivamente injustificadas em relação às modalidades
operacionais normalmente utilizadas pelo(s) envolvido(s).
• Operações realizadas com a intenção de gerar ganho ou perda,
COAF
• Definição e como funcionam as comunicações.
• É considerado a unidade de inteligência financeira brasileira.
• Ele está vinculado ao Banco Central e tem, como
principal finalidade, disciplinar, aplicar penas administrativas,
receber, examinar e identificar quaisquer ocorrências suspeitas
de atividades ilícitas previstas na Lei, sem prejuízo da competência
de outros órgãos e entidades.
COAF
• Além do COAF, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) cumpre
um importante papel no combate à lavagem de dinheiro.
COAF
• Cooperação Internacional:
• O combate à lavagem de dinheiro, como um problema
social de caráter internacional, teve início em 1988, a
partir da Convenção contra o Tráfico Ilícito de
Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas realizada
pela Organização das Nações Unidas (ONU) em
Viena, na Áustria.
PPE – Pessoas Politicamente Expostas
• Pessoas Politicamente Expostas (PPE) são indivíduos que
exerceram ou exercem funções públicas de relevância, nos
últimos cinco anos, tanto no Brasil quanto em outros países.
Operações ou propostas envolvendo PPE sempre exigem atenção
especial.
PPE – Pessoas Politicamente Expostas
• Detentores de cargos eletivos nos Poderes Executivo e Legislativo
da União;
• Ocupantes de cargos no Poder Executivo da União:
– Ministros de Estado ou equivalentes.
– Cargos de natureza especial ou similar.
– Presidente, Vice-Presidente e diretores, ou equivalentes, de
autarquias, fundações públicas, empresas públicas ou
sociedades de economia mista.
– Membros do Conselho Nacional de Justiça, do Supremo
KYC – Know Your Costumer (Conheça Seu Cliente)
• O termo “Conheça seu Cliente”, representado pela
sigla KYC (Know Your Costumer, em inglês), é um tema muito
importante para as instituições financeiras, pois, a partir da
adoção de medidas para identificação de seus clientes, elas
conseguem prevenir que o cliente utilize as instituições para
atividades ilegais ou impróprias.
KYC – Know Your Costumer (Conheça Seu Cliente)
• Além de Cumprir as Regras do BACEN, o KYC irá cumprir um
importante papel dentro da Instituição, pois poderá se precaver
contra possíveis clientes que estejam com a intenção e utilizar a
mesma para Lavagem de Dinheiro.
KYC – Know Your Costumer (Conheça Seu Cliente)
• Cadastro:
– Abertura de Conta.
– Manutenção – Atualização de Cadastro.
– Identificação de Operações.
– Comunicação ao COAF.
• Informações Essenciais:
– Documentos Oficiais (RG, CPF, CNPJ).
– Profissão ou Ramo de Atividade.
– Grau de Escolaridade.
– Patrimônio.
– Comprovação de Renda Mensal.
– Comprovante de Faturamento.
Suitability
• As instituições não podem recomendar produtos de investimento,
serviços ou operações sem antes checar se estão adequados ao
perfil do investidor.
• Nesse processo, chamado suitability, elas devem seguir as regras e
parâmetros estabelecidos pela Anbima.
• É obrigatório que elaborem um documento determinando seus
procedimentos.
Suitability
1. O objetivo de investimento, considerando:
– O período em que se manterá o investimento.
– Preferências declaradas quanto à assunção de riscos.
– Finalidades do investimento.
2. A situação financeira do investidor, considerando:
– O valor das receitas regulares declaradas pelo cliente.
– O valor e os ativos que compõem o patrimônio do cliente.
– A necessidade futura de recursos declarada pelo cliente.
Suitability
3. Nível de conhecimento que o investidor possui sobre os ativos
financeiros, considerando:
– Os tipos de produtos, serviços e operações com os quais o
cliente tem familiaridade.
– A natureza, o volume e a frequência das operações já
realizadas pelo cliente no mercado financeiro, bem como o
período em que tais operações foram realizadas.
– A formação acadêmica e a experiência profissional do
cliente, caso se trate de pessoa física.
Utilização indevida de informações privilegiadas –
Confidencialidade
• “Manutenção do estrito sigilo sobre as informações confidenciais
que lhes forem confiadas, em razão da condição de prestador de
serviços.”
• No relacionamento com os clientes, os profissionais que atuam
no mercado devem manter estrito sigilo sobre as
informações confidenciais que lhes forem confiadas em razão da
condição de prestador de serviços, a não ser, é claro, que a
divulgação seja exigida por lei.
• E, nesse caso, o profissional não irá ferir o princípio
Conflitos de Interesses
• No mercado financeiro, os conflitos de interesses podem
ser bastante comuns, considerando que os profissionais
têm objetivos pessoais que podem se sobrepor aos objetivos
de suas obrigações em relação aos investidores.
• E, além disso, eles são submetidos aos interesses das instituições
financeiras para as quais trabalham, eles, igualmente, podem não
estar alinhados com os seus próprios interesses ou aos dos
clientes.
Insider Trader
• As pessoas envolvidas na prática são chamadas de Insider Trader.
• São classificados como primário – aquele que tem acesso
à informação de forma direta – e como secundário – aquele
indivíduo que recebe a informação privilegiada
do insider primário.
Front Runner
• Quando o operador utiliza uma informação recebida para
antecipar-se a uma operação nos mercados de bolsa ele será
chamado de Front Runner.
• Ao tomar conhecimento de uma operação que será executada
pelo seu cliente, por exemplo, ele “corre na frente” e registra a
ordem para si mesmo, operando-a por conta própria, antes de
executar a ordem principal.
Front Runner
• Quando a do cliente for executada, impactando os preços, ele se
desfaz de sua operação e lucra com a diferença.
• A prática é ilegal, como a do Insider Trader, mas a diferença está
no fato de que ele pode ter cometido o crime sem conhecimento
da motivação, ou seja, sem saber que se tratava de uma
informação privilegiada.